Apresentação
Vivemos hoje na esperança de construir um mundo melhor, justo, sustentável, e essa
YLVmR GH IXWXUR VH DSOLFD SULQFLSDOPHQWH HP UHVJDWDU D FRQÀDQoD QDV SHVVRDV QD
democracia e na política.
Diante dos apelos para o consumo desenfreado, não é simples para as juventudes
desvencilhar-se da cultura materialista que está dominando a humanidade e excluindo
JUDQGH SDUWH GRV MRYHQV EUDVLOHLURV (VVH IDWR VH UHÁHWH GLUHWDPHQWH QD TXDOLGDGH
de vida da juventude, apontando para a necessidade de novas políticas públicas,
democráticas, que ampliem a visibilidade dos jovens como sujeitos de aprendizagens
e de mudanças.
+RMHWHPRVPXLWDVUD]}HVSDUDDÀUPDUTXHXPRXWURPXQGRpQHFHVViULRXUJHQWH
e possível, um mundo que pode começar a ser concebido por meio das juventudes,
no qual seres humanos tenham o real direito à escolha. Na nossa sociedade, onde se
preconizam a imagem e o consumo, as desigualdades sociais e as exclusões em todos
os sentidos são invisíveis aos nossos olhos, passando a ser apenas uma questão, um
dado que informa a porcentagem de jovens que estão fora do mercado de trabalho ou
dos que vivem abaixo da linha da pobreza.
Para a consolidação de uma sociedade democrática, são necessárias ações direcionadas
visando eliminar processos que multiplicam, produzem e reproduzem exclusões.
Atualmente, as mudanças e transformações são constantes, operam-se minuto a
minuto, exigindo uma permanente preparação de todos os que queiram participar ativa
e politicamente na sociedade. O Ministério do Meio Ambiente, ao reconhecer essas
necessidades, entende que a juventude será capaz de atuar neste mundo com vontade
e conhecimento crítico do cotidiano em busca do bem-estar individual e coletivo.
Nessa perspectiva, a Coordenação da Agenda 21, ao apoiar a construção da Agenda 21 da
Juventude, supõe a possibilidade de criar espaços nos quais os jovens possam questionar,
propor e assumir responsabilidades diante da construção de um mundo melhor.
O resultado dessa potencialidade se traduz nos artigos produzidos por jovens
de várias extrações sociais em que a ética, a sustentabilidade, a educação e a
importância da atuação das juventudes na proteção do meio ambiente foram
abordados com grande propriedade.
Assim, é com grande satisfação que lançamos a segunda edição da revista Agenda 21 e
JuventudeUHVXOWDGRGHUHÁH[}HVSHVTXLVDVDF~PXORVWHyULFRVSUiWLFRVHSROtWLFRV
que a juventude brasileira vem construindo sobre a temática Agenda 21. Com ela,
HVSHUDPRVLQWHQVLÀFDURSURFHVVRHRGHEDWHVREUHDVXVWHQWDELOLGDGHGRSODQHWD
Nesse contexto, agradecemos a todos os jovens que se disponibilizaram a produzir
artigos para compor esta revista. É indispensável que as juventudes continuem
participando desse processo, trazendo seus conhecimentos, sentimentos, crenças,
contradições, para suscitar um novo e contínuo diálogo entre gerações.
Hamilton Pereira da Silva
Secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental/SAIC/MMA
Pedro Ivo de Souza Batista
Diretor do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental/DCRS/SAIC/MMA
Karla Monteiro Matos
Coordenadora da Agenda 21/DCRS/SAIC/MMA
1
Juventude Ambientalista e o Programa Nacional de Juventude e
Meio Ambiente
Esta revista sai quando acaba a I Conferência Nacional de Juventude. Na conferência,
ÀFRXYLVtYHODFUHVFHQWHDUWLFXODomRGDMXYHQWXGHHPPRYLPHQWRVVRFLDLVHFXOWXUDLVGH
luta pelos direitos humanos, pela igualdade racial, pela liberdade de orientação sexual,
pelo trabalho, pela educação e pela saúde. Cresce também o movimento de juventude
ambientalista, que tem como bandeira uma nova política: a política ambiental.
Esse movimento conta com a participação dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente (CJ),
que desde o início têm o apoio do Órgão Gestor da Política Nacional de Educação
Ambiental. Coletivos Jovens formam um movimento autônomo, horizontal, autogestionado e que se articula em rede, a REJUMA – Rede de Juventude pelo Meio Ambiente
e a Sustentabilidade.
O movimento luta pelo seu direito de participar com voz ativa nos processos, projetos
e ações que envolvem diretamente as juventudes, ampliando-os. Os CJs não querem
apenas ser receptores – o famoso “público-alvo” –, nem mesmo serem chamados de
protagonistas pelos produtores de projetos; promovem encontros de juventude e
PHLRDPELHQWHLQVHUHPVHQDVSROtWLFDVS~EOLFDVFRQVWURHPSURMHWRVSUySULRVWHFHP
redes... Propõem a Agenda 21 da Juventude e também atuam diretamente em ações
educadoras e mobilizadoras em parceria com o MEC, no programa Vamos Cuidar do
Brasil com as escolas.
Desde 2003, atuam com o objetivo de inserir uma nova pauta em seus movimentos:
a transversalidade do meio ambiente. Desde então, os Coletivos Jovens mantêm essa
ação e se orientam por três princípios:
Jovem educa jovem²HQWUHMRYHQVDFRPXQLFDomRÁXLFRPPDLVIDFLOLGDGHHHOHV
SUySULRVHQVLQDPHDSUHQGHPWURFDPH[SHULrQFLDVQHJRFLDPFRQYHUVDPVREUHR
PXQGRHDJHPVREUHVXDSUySULDUHDOLGDGH,QWHUOLJDQGRD&RQIHUrQFLDFRPRFRQFHLWR
de Círculos de Cultura (Paulo Freire), foi criada a Comissão de Meio Ambiente e
Qualidade de Vida na Escola, a COM-VIDA, um espaço estruturante e permanente
dentro da escola, que, com os jovens, provoca a comunidade escolar a participar.
Jovem escolhe jovem – cabe aos jovens o processo de seleção dos delegados eleitos nas
escolas para participarem da Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente,
em Brasília. Esse processo possibilitou inúmeros desdobramentos e inovações nas escolhas
HLQGLFDo}HVGRVSUySULRV&-VSDUDUHSUHVHQWDUHPRPRYLPHQWRHPIyUXQVFRQVHOKRV
comissões, trabalhos em escolas, entre outras situações. Essas eleições, sempre em
UHGHSHOD5(-80$GHIRUPDGLDOyJLFDHGHPRFUiWLFDDSRQWDPSDUDDFDSDFLGDGHGD
juventude de construir novas formas de convivialidade e de autogestão.
Uma geração aprende com a outra – a importância do diálogo e aprendizagem entre
as diferentes gerações.
Agora, o momento é urgente e emergencial para levantar mais uma bandeira da
juventude: o Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente. O programa deve criar
políticas capazes de dar respostas ao enfrentamento da grave crise socioambiental
em que vivemos, com iniciativas que contribuam para a construção de sociedades
sustentáveis. Para isso, é fundamental a viabilização do Programa, com recursos para
sua gestão com institucionalização no PPA dos governos, de forma integrada com todas
as políticas de juventude.
E a Agenda 21 da Juventude, com esta publicação, torna-se mais um espaço para
essa luta.
Rachel Trajber
2
Coordenadora-Geral de Educação Ambiental
SECAD/MEC
REFLEXÕES SOBRE PARTICIPAÇÃO A PARTIR DA
EXPERIÊNCIA DO CJ-RJ NUM CURSO DE FORMAÇÃO EM
AGENDA 21 ESCOLAR
Atualmente se ouve falar muito da
Agenda 21. Esse documento, assinado em 1992 na cidade do Rio de Janeiro pelos Chefes de Estado dos 179
países presentes na Conferência das
Nações Unidas para o Meio Ambiente
e Desenvolvimento (Rio-92), representa um acordo internacional de
compromissos para o Século XXI. O
documento promove a idéia de planejamento participativo e incluía entre
seus desdobramentos a realização de
Agendas 21 em outros níveis – nacionais, regionais e locais – envolvendo
instâncias públicas e privadas. Então,
desde 1992 processos de construção
de Agendas 21 locais se multiplicam
em cidades, bairros, comunidades e
escolas, acompanhados de uma demanda crescente por maior transparência e participação da sociedade
civil em processos de planejamento e
gestão territorial. O princípio básico
que rege a elaboração de uma Agenda 21 local parece ser bem simples: é
necessário democratizar informações
e decisões.
A simplicidade desse princípio contradiz, entretanto, a complexidade envolvida em sua concretização, essencialmente porque cada pessoa ou grupo assume sua interpretação sobre o
que seja um processo democrático. A
participação se coloca como questão
principal; porém, há, naturalmente,
diferentes níveis de participação, e
o que determinada pessoa considera
como participação legítima da sociedade num processo de Agenda 21 provavelmente não será o mesmo do que
outrem considerará. E isso é fácil de
perceber ao se envolver em processos
ditos “participativos”.
&HUWDPHQWH XP SURÀVVLRQDO UHVSRQsável pela condução de projetos de
Agenda 21 ressaltará a importância
da participação da sociedade em seus
projetos. Entretanto, será muito comum encontrar certa contradição no
GLVFXUVR GHVVH SURÀVVLRQDO YLVWR TXH HOH PHVPR
SRGH WHU GLÀFXOGDGH HP FHGHU D SDODYUD DRV GHmais participantes. Ora, para ele, a participação
no projeto é atingida ao se conseguir um quantitativo de pessoas presentes no local onde se realizam
os encontros da Agenda 21. Além disso, será normal
TXH QHVVHV HQFRQWURV DV SHVVRDV ÀTXHP GLVSRVWDV
HPFDGHLUDVHQÀOHLUDGDVGHWDOPDQHLUDTXHWRGRV
estejam direcionados a esse interlocutor principal.
REFLEXÕES
SOBRE
PARTICIPAÇÃO
A PARTIR DA
EXPERIÊNCIA
DO CJ-RJ NUM
CURSO DE
FORMAÇÃO EM
AGENDA 21
ESCOLAR
Alex Bernal
Coletivo Jovem - RJ
Rio de Janeiro
Um outro interlocutor pode ter uma postura diferente, optando por realizar as reuniões sem locais
destacados
para ele. Prefere organizar
os participantes em círculo, de modo
que todos possam se olhar
diretamente.
Quando esse
interlocutor se
dirige aos demais, ele pouFDVDÀUPDo}HV
faz, já que sua
fala é propositalmente feita
de questionamentos, questionamentos esses que
são dinamicamente debatidos pelos presentes.
Para o primeiro interlocutor, o fato de ele
ser o centro das atenções não comprometerá
a construção daquela agenda. Já o segundo
interlocutor se preocupará sempre em estar
no mesmo nível dos demais, de modo que a
horizontalidade indispensável a tal processo
seja praticada. Assim, os outros participantes
não tenderão a reconhecê-lo como o condutor
principal do processo, trabalhando mais
efetivamente a auto-organização do grupo. Os
dois interlocutores crêem estar construindo
agendas participativamente. Entretanto, há
entre eles uma grande distância, mesmo que
ambos debatam sobre conteúdos semelhantes.
e D SDUWLU GHVVD UHÁH[mR VREUH SDUWLFLSDomR TXH
relato a experiência do Coletivo Jovem de Meio
Ambiente Rio de Janeiro (CJ-RJ) num curso de
formação em Agenda 21 Escolar.
3
Em 2007, as Secretarias de Estado do
Ambiente e de Educação do Rio de
Janeiro promoveram, em parceria
com a Universidade do Estado do Rio
de Janeiro, o “Curso de Form-Ação
em Educação Ambiental e Agenda 21:
Elos de Cidadania”, com o intuito de
capacitar professores e estudantes
do ensino médio na construção de
agendas 21 escolares. O CJ-RJ foi
convidado a realizar a formação dos
HVWXGDQWHVFDEHQGRDQyVDOpPGHVVD
formação em 5 encontros presenciais
de aproximadamente 6 horas, pensar
as atividades a serem realizadas com
os estudantes tendo como base um
conteúdo programático previamente
estabelecido. Dez membros do CJ-RJ
atuaram como instrutores, capacitando
alunos de 150 escolas que foram
representadas por 2 alunos cada uma.
Durante o planejamento do curso
pelo CJ-RJ, mudamos num primeiro
instante o foco de nossa atenção dos
conteúdos para as atividades que
os estudantes deveriam vivenciar.
Naquele momento, nossa maior
preocupação não era o que os
estudantes deveriam aprender, mas
como iriam aprender. Percebendo
que teríamos pouco tempo com
eles, era importante possibilitar que
os cursistas experimentassem uma
nova forma de aprendizagem, uma
pedagogia que os envolvesse como
protagonistas do processo que ali se
iniciaria. Tínhamos que ser coerentes
com os preceitos da Agenda 21,
pois, se a elaboração de agendas
comunitárias é uma construção
coletiva, era necessário que já no
presente curso os alunos atuassem
como atores principais, legitimando
assim o que estava sendo iniciado.
( DÀQDO R TXH GHYHULD ÀFDU GHVVH
curso? A questão não era transformar
rapidamente alunos do ensino médio
em lideranças locais, mas buscar que
ao término do curso eles estivessem
mais bem preparados para contribuir
na construção de uma Agenda 21
Escolar. Deveriam, portanto, estar
com um olhar mais sensível e
crítico sobre seu ambiente escolar
e os grupos envolvidos na teia que
se desenvolve na escola e em seu
4
entorno, além de conhecer alguns instrumentos
auxiliares do debate para melhor planejar e gerir
suas localidades.
No transcorrer do curso, dinâmicas e debates foram,
então, realizados sobre temas variados como meio
ambiente, educação ambiental, os 3 R – reduzir,
reutilizar e reciclar – consumo sustentável, Agenda
EDFLDVKLGURJUiÀFDVSODQHMDPHQWRHGLDJQyVWLFR
participativo etc. Particularmente interessante foi
a confecção por cada dupla de alunos de mapas
do entorno escolar. Partiu-se da elaboração de
um mapa simples, no qual não eram dadas muitas
recomendações aos alunos, deixando-os livres para
alimentar seu mapa com aquilo que consideravam
os elementos importantes da localidade. Em cada
encontro, os mapas foram evoluindo, até chegar
à confecção do último mapa, que deveria ser
concebido relacionando a escola ao sistema da
EDFLD KLGURJUiÀFD GD UHJLmR$VVLP RV HVWXGDQWHV
foram aprofundando sua visão sobre os problemas e
potencialidades da escola e seu entorno, iniciando,
de fato, um processo de pesquisa-ação.
Na última atividade do curso, foi feita uma autoavaliação pelos alunos e muitos comentaram
que não tinham boas expectativas do curso, pois
esperavam que, da mesma forma como acontece em
VXDVVDODVGHDXODÀFDULDPRXYLQGRSDVVLYDPHQWH
alguém lhes passar informações, neste caso,
sobre meio ambiente e uma tal de Agenda 21.
Essa falta de motivação dos estudantes ilustrou
como os atuais modelos de aula não favorecem
a autonomia do educando. Não o estimulam a
ser mais curioso, criativo ou aventureiro. Tratase de uma práxis educacional excessivamente
conteudista e centrada no professor e que,
portanto, não estimula as habilidades necessárias
para a elaboração de Agendas 21.
$R RXYLU DV SDODYUDV ÀQDLV GRV DOXQRV ÀFRX D
certeza de que aprendi muito mais do que ensinei,
talvez porque ouvi mais do que falei. E aprendi
que para o educador, mais importante do que
VDEHUID]HUDÀUPDo}HVpVDEHUID]HUSHUJXQWDVe
DVVLP TXH VH SRGH HVWLPXODU TXH DOXQRV UHÁLWDP
e desenvolvam melhor suas idéias. Porém, o que
se percebe é que mesmo os estudantes do ensino
médio não vivenciam uma prática regular de
debates em suas escolas. Então, como podemos
SHQVDU XPD HGXFDomR HPDQFLSDWyULD VH DV VDODV
de aula não são lugares de diálogos permanentes?
Vem sendo bastante discutida a urgência de maior
controle social das políticas públicas de nosso país.
Entretanto, para que esse controle social seja
uma prática diária, devemos nos aprimorar como
FLGDGmRVRTXHVyDFRQWHFHDWUDYpVGRH[HUFtFLR
da cidadania que deveria começar na escola.
VIVENCIANDO A CONSTRUÇÃO DA AGENDA 21 ESCOLAR
NO COTIDIANO DA ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO
FUNDAMENTAL PAULO RODRIGUES DOS SANTOS SANTARÉM - PA - AMAZÔNIA - BRASIL
Desde que o homem deixou de ser nômade, passou a interferir decisivamente no meio ambiente. Essa interferência
desordenada foi motivada pela necessidade de gerar comodidade e usufruir
melhor dos recursos oferecidos pela natureza. A princípio, essa busca se dava
para atender às necessidades básicas
dos seres humanos e posteriormente
para atender aos interesses políticos e
econômicos de nações que se consideravam “o berço da civilização”.
Essa interferência desordenada vem
provocando nos dias atuais diversos impactos ambientais, como aquecimento
global, efeito estufa, degelo das calotas polares, escassez de água, entre
outros fatores que tendem a agravarse cada vez mais.
Diante desse cenário assustador que
atinge os diferentes pontos do planeta, faz-se necessário que entidades
organizadas e a sociedade civil desenvolvam estratégias que visem garantir a implementação de políticas
públicas que promovam mudanças de
SDGU}HV HGXFDFLRQDLV D ÀP GH TXH
QRYDPHQWDOLGDGHÁRUHVoDQDSUiWLFD
de cada cidadão.
Com esse objetivo, elaborou-se na Escola Municipal de Ensino Fundamental
Paulo Rodrigues dos Santos, localizada no Estado
do Pará, município de Santarém, no bairro da Floresta, a Agenda 21 na Escola, com tema “Cidadão
consciente cuida do meio ambiente”, a qual foi
construída de forma participativa junto à comunidade escolar, a partir de referenciais globais, nacionais e municipais, visando implementar ações
que contribuam para a diminuição dos fatores que
motivam os impactos ambientais na comunidade
onde a escola está inserida.
A Agenda 21 é um programa de ação para o meio
ambiente e o desenvolvimento que se constitui na
mais abrangente tentativa de promover um novo
padrão de desenvolvimento para todo planeta.
Ela tem 40 capítulos que tratam de tudo, do ar
DR PDU GD ÁRUHVWD DRV GHVHUWRV H VH SURS}H D
estabelecer uma nova relação entre países ricos e
pobres. Na Agenda 21, como em qualquer agenda,
estão marcados os compromissos da Humanidade
para o século XXI, visando garantir um futuro
melhor para o planeta, respeitando o ser humano
e o seu ambiente social.
VIVENCIANDO
A CONSTRUÇÃO
DA AGENDA 21
ESCOLAR NO
COTIDIANO
DA ESCOLA
MUNICIPAL
DE ENSINO
FUNDAMENTAL
PAULO RODRIGUES
DOS SANTOS SANTARÉM - PA AMAZÔNIA - BRASIL
Ernélison Angly Santos
Maria Marlene Matos
Alunos da Escola
Municipal Paulo Rodrigues
dos Santos
Pará
Os primeiros estudos sobre Agenda 21 na Escola
surgiram a partir de proposta da Secretaria
Municipal de Educação e Desporto de Santarém,
por meio da Coordenação de Educação Ambiental,
no ano de 2007.
Vencida a primeira etapa, a gestão de nossa escola
começou a mobilização da comunidade escolar para
RHVWXGRGD$JHQGDDÀPGHTXHSXGpVVHPRV
HQWHQGHUHSODQHMDUDQRVVDSUySULDDJHQGD
Depois do estudo,
foi escolhida, de
forma democrática, uma equipe de
alunos que seriam
os divulgadores da
Agenda 21 para os
demais alunos de
nossa escola. Na
oportunidade, palestramos
sobre
a importância da
Agenda 21, destacando que esta foi
fruto da mobilização das utoridades
governamentais e
5
da sociedade civil organizada que duUDQWH D &RQIHUrQFLD 5LR ÀUPDUDP
acordos de cooperação e cuidados
com o meio ambiente. Destacamos
ainda que, depois que as autoridades
ÀUPDUDPRDFRUGRJOREDOVXJHULUDPD
cada país criar sua agenda nacional.
No Brasil, além da Agenda Brasileira,
os Estados, Municípios, comunidades
e a escola foram convidados a construir suas Agendas 21.
Na oportunidade, o nosso grupo
falou da importância da Agenda 21
na escola para que nossos colegas
começassem a entender a importância
de se cuidar da natureza, bem como
de seu ambiente social. Depois dessa
importante experiência, vários alunos se
candidataram para serem guardiões do
ambiente escolar, comprometendo-se
não apenas em cuidar desse ambiente,
mas também de acompanhar as ações
de seus colegas.
Concluída essa nova etapa, foi escolhida democraticamente uma Comissão de Educação Ambiental formada
por representantes de alunos, professores, pessoal de apoio, membro da
comunidade e gestor para conhecer
e analisar as problemáticas ambientais vivenciadas pela comunidade na
escola e no bairro, para que, a partir
GHOD SXGpVVHPRV ÀUPDU R FRPSURmisso de cuidar do meio ambiente.
Uma vez que foi feito o reconhecimento da problemática, a comissão constatou a existência de vários problemas
ambientais que são extremamente
prejudiciais à natureza e ao ser humano, tais como a presença de carvoarias
a céu aberto no bairro, a presença de
esgoto hospitalar, a falta de arborização no entorno da escola e em sua
área interna, poluição do ar pela usina
GHEHQHÀFLDPHQWRGHERUUDFKDHSHlas movelarias existentes no bairro,
poluição e assoreamento dos igarapés
TXHÀFDPQDVSUR[LPLGDGHVGDHVFROD
excesso de lixo nas ruas, desperdício
de papel pelos alunos na escola.
A etapa seguinte foi reunir novamente
a comunidade escolar juntamente com
a Cordenação de Educação Ambiental
da SEMED para analisar os problemas
detectados. Depois de analisar a
6
problemática, a comunidade escolar elegeu as
seguintes temáticas: cidadania e ética, água,
arborização, poluição, horta e jardinagem, para
que pudéssemos agendar nossos compromissos
para serem executados no prazo de dois anos como
experiência piloto. Nesse momento, constituiu-se
a Agenda 21 escolar. Entretanto, como a nossa
escola já desenvolvia um trabalho sobre educação
ambiental há três anos, com a implementação de
projetos de aprendizagem colaborativa realizados
em parceria com a Informática Educativa, no qual
foram realizadas várias experiências de sucesso,
como a reciclagem de papel, coleta seletiva de
OL[RUHFLFODJHPGHJDUUDIDVSHWHQWUHRXWURVQyV
decidimos colocar em prática mais uma experiência
a partir da problemática ambiental detectada,
VyTXHDJRUDQmRDSHQDVQRDPELHQWHLQWHUQRGD
escola, mas também
no entorno desta.
A partir daí as temáticas foram distribuídas
para que os alunos
dos diferentes turnos omeçassem suas
SHVTXLVDV WHyULFDV H
práticas, nas quais
alunos e professores
puderam comprovar
in loco a realidade
diagnosticada em momentos anteriores.
Ao iniciarmos as pesquisas de campo, tivemos a
oportunidade de entrevistar carvoeiros, marceneiros,
operários, gerentes das empresas, funcionários do
Hospital Regional, moradores atingidos pela poluição
expelidas por essas atividades, constatando na
prática os problemas provocados por esse tipo de
poluição. Desse modo, pudemos constatar o que
havíamos diagnosticado em momentos anteriores
HDOLDURVFRQKHFLPHQWRVSUiWLFRVFRPRVWHyULFRV
para que pudéssemos planejar ações para melhorar o
ambiente escolar e do bairro, bem como produzir um
novo conhecimento com base no que foi vivenciado.
O passo seguinte foi organizar nossa Feira
3HGDJyJLFD QD TXDO QRV HPSHQKDPRV HP WUD]HU
a problemática socioambiental para o interior da
escola mais uma vez, para ser socializada com toda
a comunidade do bairro, oportunizando momentos
GH UHÁH[mR VREUH RV SUREOHPDV DPELHQWDLV TXH
atingem não apenas a nossa realidade, mas o
ambiente mundial, pois acreditamos que, se
WRGRV À]HUPRV D QRVVD SDUWH FXLGDQGR GR PHLR
ambiente, poderemos ter uma melhor qualidade
GHYLGDSDUDQyVHSDUDDVIXWXUDVJHUDo}HV
AGENDA 21 E JUVENTUDE: A IMPORTÂNCIA DA VOZ NA
DEMOCRACIA
O trabalho de defender uma causa
e um grupo está, seguramente,
ligado à visibilidade que eles têm
na sociedade. Seja visibilidade em
relação aos que já aderiram à causa
e ao grupo; seja em relação àqueles
que os desconhecem. Nesse sentido,
trabalhar com a juventude convida
a pensar, também, a necessidade de
suporte para sua voz e o alcance dessa
voz para além dos jovens envolvidos
no debate sobre eles mesmos e sua
ação no mundo. Tal necessidade de
se criar e se consolidar uma espécie
GH PLFURHVIHUD FRPXQLFDWLYD D ÀP
de alargar o conhecimento sobre o
tema a quem não lhe é familiar, não
é uma idéia que vale apenas para a
juventude, mas que, certamente,
pode ser assim usada.
Jürgen Habermas (1962) usou da
análise da esfera pública burguesa e
VXDV HVSHFLÀFLGDGHV SDUD HQWHQGHU
como se constitui a discussão
pública e o que ela pode representar
socialmente. A esfera pública, para o
autor, seria como o campo do “entre”,
a dimensão que captura e tematiza os
problemas sociais fazendo a interação
entre o Estado e a Sociedade Civil,
que inclui um mundo subjetivo, único
a cada indivíduo. Ela seria o locus da
discussão e, mais que uma instituição,
HODH[LVWLULDHQÀPFRPRIHQ{PHQR
Considerando o papel social da
esfera pública, Habermas abarca suas
transformações, que, em conjunto,
serão denominadas, por ele, como
a mudança estrutural. Em princípio,
ela se teria constituído em função da
busca da burguesia por participação
nas decisões políticas, então restritas
à nobreza. Com o passar do tempo,
contudo,
essa
esfera
pública,
PHVPR HGLÀFDGD WHULD SDVVDGR SRU
mudanças. Como conseqüência do maior alcance
da informação e da consolidação da cultura de
massa, a mídia passaria a ser a principal arena
de debate. Mas a comercialização do espaço
midiático causaria um abandono da proposta
fundante de uma esfera pública, que é a da
discussão racional, e daria início ao uso da sedução
e do espetáculo para buscar o convencimento.
AGENDA 21 E
JUVENTUDE: A
IMPORTÂNCIA
DA VOZ NA
DEMOCRACIA
Lorena Lopes
Coletivo Jovem - MG
Minas Gerais
Peter Burke (2002) entendeu que
+DEHUPDV WHULD VLPSOLÀFDGR D HVIHUD
pública numa única perspectiva e,
conseqüentemente, homogeneizado a
sociedade. Entre outros, o historiador
ilustra a pluralidade social e as diversas
manifestações comunicativas com o
exemplo da atuação das mulheres
islâmicas numa esfera pública por elas
e para elas criada. “Excluídas de uma
esfera pública mais formal, as mulheres
FRQVWUXtUDP D VXD SUySULD HVIHUD
informal” (BURKE, 2002, Caderno Mais!,
p.4). Os espaços de efetivação dessa
esfera pública eram o poço público e
os telhados planos das casas, onde elas trocavam
informações, notícias, opiniões de temas que lhe
eram caros.
Essa maior gama de esferas de comunicação
(como Peter Burke, mesmo, disse semipúblicas),
possivelmente subverte, como bem mostra
o exemplo das mulheres islâmicas, o debate
público ou desloca os limites de uma esfera
pública dominada por vozes mais poderosas,
estabelecendo uma relação tácita com aquilo que
RÀOyVRIRFKDPRXQXPDSDVVDJHPDRTXHSDUHFH
por Burke desconsiderada, de esferas públicas
mais ou menos especializadas.
A pluralidade de esferas públicas permite, em
SULQFtSLR TXH XP S~EOLFR HVSHFtÀFR FRQWULEXD
com um tema para ser debatido na esfera pública
hegemônica. Ou, ainda que essa contribuição
QmR DFRQWHoD H ÀTXH GHPRQVWUDGD D IDOWD GH
LQWHUHVVH HVSHFLÀFDPHQWH GD JUDQGH PtGLD QD
ampliação de sua agenda, essa pluralidade pode
ser legitimada por veículos alternativos .
7
Para
Hannah Arendt,
quando
compreendemos, reconciliamo-nos
com o mundo, não no sentido de
perdoá-lo, mas de desconstruirmos
a estranheza e o absurdo, tornando
o que, então, era estranho e
absurdo ao menos suportável.
Assim, a compreensão encaminha
D FRQYLYrQFLD HQWUH QyV PHVPRV H
aquele que entendemos como sendo
RRXWURSRUTXHGLIHUHQWHGHQyV(
por conseguinte, permite que nos
situemos – processo esse que não
se dá, em nenhum momento, de
PDQHLUDGHÀQLWLYDVHQGRSRUWDQWR
interminável sempre.
A questão é que para compreender
faz-se premente ouvir e enxergar
o outro e daí a relação entre os
conceitos de esfera pública e esferas
S~EOLFDVFRPSUHHQVmRHÀQDOPHQWH
juventude. Muitas vezes, a voz que
nos chega desse “outro” (a juventude)
não nos chega por ele. O jornalismo
dá voz a vários “outros”. São as
fontes nas matérias e reportagens.
Mas o jornalismo que dá a voz
concede a ela um espaço na maioria
das vezes de maneira arbitrária. As
fontes acabam por dar depoimentos
pontuais, na maioria das vezes. Ter
D YR] VLJQLÀFD PDLV TXH LVVR H VH
aproxima mais da possibilidade da
compreensão. Pode-se compreender
a partir do compartilhamento de uma
realidade alheia àquele que inicia
D FRPSUHHQVmR 6y SRU PHLR GHVVH
compartilhamento é que o ser se
aproxima um pouco da sensação do ser
outro. É o reconhecimento do mundo:
em sua multiplicidade e em nossa
pequenez – não estéril, entretanto.
Ampliamo-nos ao compreendermos,
damos vastidão a nossa existência.
Um veículo que exista por um grupo não
existe somente para esse grupo, pois,
de maneira mais ou menos intensa,
acaba por compartilhar as vozes que
nele se expressam com aquele que se
habilita a lê-las e a ouvi-las. Emerge-se
8
aí um momento de possibilidade da compreensão.
Se os jovens reivindicam, suas reivindicações
precisam ser antes, de fato, ouvidas, para depois
serem atendidas ou não. Na primeira etapa, a
desconstrução da estranheza e do absurdo. Na
segunda, a iminência de transformações sociais.
9iULDVVmRDVGLÀFXOGDGHVTXHVHLPS}HPjFULDomR
e, possivelmente, também à manutenção de um
veículo midiático da juventude. O Conselho da
Juventude de Sabará - MG, já há um tempo, busca,
ora com mais vigor, ora com menos, tal criação. E,
pelo Brasil, não são muitos os que existem. Mãos à
obra. Ser visto e ouvido vão bem além da vaidade.
AGENDA 21 ESCOLAR: UMA AÇÃO COMPROMETIDA
COM A EDUCAÇÃO, COM O MEIO AMBIENTE E COM A
CIDADANIA
A Agenda 21 Escolar (A21E) se orienta
dentro de parâmetros socioambientais
e busca conscientizar a comunidade
escolar por meio da sensibilização
para as questões ambientais,
trazendo, consigo, o planejamento
de ações capazes de eliminar ou
minimizar os danos ambientais
ocasionados pelo ser humano em
cada localidade. As escolas têm um
papel primordial na ajuda à análise
e à compreensão da realidade,
GHYLGR D VXD IXQomR SHGDJyJLFD
e disciplinar, e constituem-se,
também, em modelos que servem
de apoio na formação psíquica das
crianças e jovens cidadãos, imbuídos
de cidadania e aptos a entender e
praticar, de maneira responsável,
as formas de se viver corretamente
em nosso habitat. Nessa linha de
raciocínio, entende-se que o espaço
HVFRODU p R SUySULR ODERUDWyULR
de convivência e ensinamentos
primordiais à sobrevivência da
espécie humana e que a A21E é
um precioso instrumento para essa
prática de proteção da vida.
Este texto, portanto, trata do planejamento, organização e implantação
da A21E na Escola Pública de Educação Básica Olavo Bilac, no bairro
Pirabeiraba, em Joinville - SC. Para
tanto, foram utilizadas quatro metoGRORJLDV GLGiWLFDV QRo}HV WHyULFDV
experiências e conhecimentos didátiFRSHGDJyJLFRVGLVWLQWDVDSUHVHQWDdas nas publicações: Programa Parâmetros em Ação – Meio Ambiente na
Escola (MEC); Formando COM-VIDA,
construindo Agenda 21 na Escola
(MEC/MMA); Guia per fer l´Agenda
21 Escolar (Prefeitura de Barcelona
– Espanha) e Agenda 21 na Escola:
Idéias para implementação (Escola
Superior de Biotecnologia da UniverVLGDGH&DWyOLFD3RUWXJXHVD
AGENDA 21
ESCOLAR:
UMA AÇÃO
COMPROMETIDA
COM A
EDUCAÇÃO,
COM O MEIO
AMBIENTE
E COM A
CIDADANIA
Adriana Franzoi
Coletivo Jovem - SC
Santa Catarina
Um dos exemplos foi o trabalho realizado na Escola
2ODYR%LODFFRPDVGLVFLSOLQDV3RUWXJXrVH)LORVRÀD
do 1º ano do Ensino Médio (turma 4). Utilizando-se
GRPpWRGR2ÀFLQDGR)XWXURDSUHVHQWDGRQD&20
9,'$PDLVHVSHFLÀFDPHQWH´ÉUYRUHGRV6RQKRVµ
Com esse método, que dá bons resultados na
SHVTXLVDHVSHFtÀFDGHXPDVVXQWRHPHVSHFLDOQD
A21E, analisou-se a situação da escola em geral,
principalmente no quesito “situação ambiental”.
2V DOXQRV GHVHQKDUDP D ´ÉUYRUH GRV 6RQKRVµ H
preencheram-na com respostas à questão: “Como
é a escola dos nossos sonhos?”. A negociação
coletiva dos “sonhos” mostrou quais objetivos
deveriam ser alcançados pela Agenda 21 a ser
implantada na Escola, para aquela turma (4). No
passo seguinte, fez-se um cartaz com um grande
ponto de interrogação, e nele se colocaram as
situações negativas que os alunos levantaram.
Essas foram “as pedras no caminho”. “Quais são
RVSUREOHPDVTXHGLÀFXOWDPFKHJDUPRVDRVQRVVRV
sonhos?” era a pergunta orientadora dessa etapa.
Num terceiro momento, fez-se um novo cartaz,
e nele se colocou quais as ações que seriam
necessárias realizar para que os alunos chegassem
à “Escola dos Sonhos”. As respostas foram as
seguintes: 1) Melhoras no ambiente físico externo
da escola; 2) Praça com jardim para a realização
de aulas de leitura; 3) Horta escolar; 4) Mais jardim
e melhores cuidados com as árvores existentes na
escola; 5) Reciclagem dos papéis que são gerados
e descartados pela escola”.
Esse método é válido pelo fato de os alunos terem colocado, em primeiro plano, “como” é a
HVFROD GRV ´VRQKRV GHOHVµ 'HSRLV GLVVR YHULÀcaram o que impede esse “sonho” de acontecer.
9
Sabem que há “pedras no caminho”
e buscam soluções para removê-las.
( SRU ÀP RV DOXQRV UHODFLRQDUDP
quais são as etapas mais importantes a se tratar para que essa “escola
dos sonhos” possa se concretizar.
A proposta da “escola dos sonhos”
foi apresentada à direção da escola,
instância em que se iniciou o maior
trabalho: integrar de fato meio ambiente e natureza na vida da escola.
A partir
da
experiência
da
implantação da A21E, os papéis que
passaram a ser gerados e coletados
no ambiente escolar (um trabalho
de educação ambiental) não foram
mais vistos como “lixo”, e sim como
materiais a serem reaproveitados no
ateliê de reciclagem, instalado num
espaço lateral da escola que estava
desativado. E, uma parte do pátio
externo, que não tinha vida e nem
uso algum, transformou-se em hortajardim escolar, passando a fornecer
YHUGXUDV OHJXPHV HUYDV H ÁRUHV
Nesse mesmo espaço, construiu-se,
também, um círculo de bancos de
concreto para recreação, leitura e
interação entre os alunos.
Há aqui que se considerar, ainda, que
as ações desenvolvidas pela A21E
nessa escola aconteceram coincidentemente com uma fase de obras de
reformas. Assim, possibilitaram aliar
as propostas de alunos, funcionários
HSURIHVVRUHVFRPRVUHFXUVRVÀQDQceiros estaduais disponibilizados e
com a técnica dos operários (homens
capacitados, pagos para trabalharem
na reforma da escola).
O resultado dessa parceria veio
em benefício de toda a comunidade escolar, que ganhou um ambiente “mais limpo” e com novo
DVSHFWRDSyVDH[HFXomRGDVDo}HV
planejadas participativamente na
Agenda 21 Escolar.
10
Em vista dessa experiência, percebe-se que
educação, meio ambiente, saúde e cidadania
estão interligadas. Essas palavras-chave foram
correlacionadas em todas as atividades acontecidas
durante a implantação da A21E, que é um
documento orientador das medidas e ações que
podem ser tomadas para a melhoria do ambiente e
da qualidade de vida da comunidade escolar.
AGENDA 21 E JUVENTUDE: TRANSFORMAÇÕES PARA A
SUSTENTABILIDADE
A discussão modelo de desenvolvimento para a sociedade é pauta da
esquerda mundial há vários anos. Os
espaços de grande importância, como
R )yUXP 6RFLDO 0XQGLDO )60 TXH
têm como eixo a discussão de que um
outro mundo é possível, incorporam
as questões ambientais em suas temáticas, demonstrando que somente
as mudanças dos modelos político,
HFRQ{PLFR H VRFLDO VmR LQVXÀFLHQWHV
para garantir a justiça, a eqüidade e
a qualidade de vida para todos os habitantes da terra.
centrais das discussão, juntamente com a Convenção sobre Mudanças Climáticas e a ConvenomRVREUH'LYHUVLGDGH%LROyJLFDVHQGRRVWUrV
assinados por Chefes de Estado nesse evento.
Esse trio tratou de praticamente todas as grandes questões socioambientais, demonstrando a
inter-relação entre eles e suas conseqüências
em nossas vidas.
AGENDA 21 E
JUVENTUDE:
TRANSFORMAÇÕES
PARA A
SUSTENTABILIDADE
Rebeca Raso
Coletivo Jovem - CE
Juventude Alternativa
Terrazul
Ceará
$&RQYHQomRVREUH'LYHUVLGDGH%LROyJLFDpRSULQFLSDO IyUXP PXQGLDO QD GHÀQLomR GR PDUFR OHJDO
e político para temas e questões relacionadas à
De acordo com os estudos do Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgados em 2007,
o planeta apresenta um quadro preocupante, principalmente para os
países mais vulneráveis. A temperatura global tem aumentado de forma assustadora, sendo estimado um
DFUpVFLPRGHDWp&DWpRÀQDOGR
século, ameaçando vários ecossistemas. Segundo o IPCC (2007), 90% das
mudanças climáticas têm causa na
ação humana.
A sustentabilidade, expressão que
vem se popularizando, traz consigo
a concepção de que é possível existir
um processo de desenvolvimento que
atenda as necessidades e as aspirações das gerações presentes e futuras. Busca-se outras formas de desenvolvimento que não acompanham a
OyJLFDGRPRGHORGHSURGXomRHFRQsumo do sistema capitalista fundada
na exploração sistemática e ilimitada
de todos os recursos da Terra, incluindo os seres humanos.
Durante a Conferência sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992,
conhecida, também como Rio-92, a
Agenda 21 foi um dos documentos
biodiversidade (http://www.cdb.gov.br/CDB).
A Convenção sobre Mudanças Climáticas, assinada durante a Rio-92, entrou em vigor em 1994
propõe ações e diretrizes para o combate ao
aquecimento global, por meio do protocolo de
Quioto, e vem sendo discutida nas Conferências
das Partes (COP).
A Agenda 21 Global é um documento que está
voltado para os problemas prementes de hoje e
tem o objetivo de preparar o mundo para os deVDÀRVGRSUy[LPRVpFXOR(ODUHÁHWHXPconsenso mundial e um compromisso político no nível
mais alto no que diz respeito ao desenvolvimento e à cooperação ambiental. Reconhece
que o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio ambiente somente serão viáveis
11
com o apoio das comunidades locais,
que terão ações locais com a visão
global dos problemas a serem enfrentados. Por isso, uma das grandes
recomendações da Agenda 21 Global
é que cada país signatário construa
DVXDSUySULD$JHQGD2%UDVLOMi
tem a sua Agenda 21 e incentivo à
construção de processos locais.
A Agenda 21 tem sido um instrumento importante para a transformação
da realidade. Quando se pensa em
XWLOL]iODpSRUTXHKiXPDUHÁH[mR
de que a maneira como está se viYHQGRpLQVXÀFLHQWHSDUDSHUHQL]DU
a vida humana no planeta. É preciso, além da mudança nas relações
entre pessoas e a natureza, mudar
DV UHODo}HV HQWUH RV SUySULRV VHUHV
humanos, repensando princípios
e valores vigentes na sociedade. A
Agenda 21 brasileira tem seus princípios baseados na Carta da Terra.
A Agenda 21 traz no caminhar dos
seus passos (mobilização e sensibili]DomR FULDomR GR IyUXP GD$JHQGD
HODERUDomR GR GLDJQyVWLFR SDUticipativo; elaboração, implementação e avaliação e monitoramento
do plano de ação) a construção coletiva da práxis em todo o processo
de planejamento e ação que devem
resultar na transformação da realidade, tendo em vista a construção
de um mundo sustentável, diagnosWLFDQGR H HQWHQGHQGR RV FRQÁLWRV
envolvidos e pactuando formas de
resolvê-los. O processo de Agenda
VLJQLÀFD HQWmR R H[HUFtFLR GD
democracia participativa, coloca à
mesa o poder público e os setores
econômicos e sociais da sociedade,
pactuando cada passo a ser dado.
A juventude não está deslocada dessa
realidade. No Brasil, são 34 milhões
de jovens, segundo dados do IBGE
(2000). Esse segmento se organiza em
diferentes espaços com o intuito de
construir um mundo cada vez mais
sustentável. Entre esses espaços,
estão processos de Agenda 21 em
escolas, comunidades, cidades, etc.
12
Atualmente tem se discutido a construção da
Agenda 21 da Juventude Brasileira. Esse processo
visa organizar as juventudes para a discussão da sua
realidade dentro de uma perspectiva ambiental,
com o intuito de construir ações que contribuam
para a transformação da realidade, levando em
consideração suas peculiaridades como segmento.
O tema mudanças climáticas também é pauta de
discussão da juventude, uma vez que ela também
sofre com o aquecimento global. Principalmente
quando falamos de jovens das periferias das cidades e jovens do campo. Estes, além de sentirem
a opressão de classe, etária, étnica e de gênero,
sentem com intensidade as conseqüências das
ações humanas na natureza.
Por isso, a importância de construir um processo
em que seja possível o diálogo entre as diversas
juventudes, o estado e o setor privado na perspectiva
de consensuar ações e políticas que estejam de
acordo com a realidade desse segmento e as suas
aspirações, sem comprometer as gerações futuras
e repensando princípios e valores da sociedade.
A Agenda 21 da Juventude Brasileira é um passo
para a construção da sustentabilidade. A discussão
do modelo de desenvolvimento é a base para iniciar
qualquer processo de Agenda 21, e no caso da
juventude não deve ser diferente, o que contribui
para a mudança de comportamentos, princípios e
valores da sociedade.
AS CONFERÊNCIAS DE JUVENTUDE COMO
FERRAMENTA DE INTERVENÇÃO SOCIOAMBIENTAL
NO BRASIL
AS CONFERÊNCIAS
DE JUVENTUDE
COMO
FERRAMENTA DE
INTERVENÇÃO
SOCIOAMBIENTAL
NO BRASIL
Jorge Augusto
Justino
Coletivo Jovem - GO
Goiás
A I e a II Conferência Nacional InfantoJuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA)
realizadas em 2003 e 2005, são, sim,
ferramentas de intervenção socioambientais para a juventude brasileira.
Digo isso com a propriedade de
quem foi delegado da I CNIJMA e
participou na organização da II
CNIJMA, e continua trabalhando para
a realização da terceira.
(VVDKLVWyULDVHLQLFLDQRÀQDOGRDQR
de 2005, quando um jovem garoto de
Goiânia foi um dos 14 escolhidos para
representar o Estado de Goiás na I
Conferência Nacional Infanto-Juvenil
pelo Meio Ambiente, que aconteceria
em Brasília.
Para culminar na ida a Brasília, esse
jovem precisou produzir, com sua
turma, um trabalho escolar que representasse a visão dos alunos sobre
a realidade e esperança que ainda tinham em relação à questão ambiental no Brasil.
Com grande apoio da direção escolar,
que mobilizou os alunos para a I
CNIJMA, os estudantes se organizaram
e produziram vários trabalhos sobre
as temáticas indicadas. Logo depois,
reuniram-se e democraticamente escolheram o
trabalho e o delegado que iria representar a escola.
O trabalho foi enviado para a COE (Comissão
Organizadora Estadual da I CNIJMA), que era a
responsável por receber os trabalhos de todas as
escolas participantes do processo da I CNIJMA e
escolher os delegados que iriam representar o
estado. Um tempo depois, fomos comunicados
pela COE de que a nossa escola era uma das 14
escolhidas para representar o estado de Goiás.
Para esse jovem, ir para a Conferência Nacional
Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente representando
seu estado fez com que ele se abrisse à questão
ambiental brasileira, assunto que, até então, não
lhe despertava muita atenção. Para ele, aquilo
tudo era um novo mundo que se abria, cheio de
maravilhas naturais, matas, animais – foi então que
se deu conta que essa área que lhe interessava,
era o que queria para a sua vida.
A Conferência acabou e ele voltou pra casa, para
a sua escola e para sua vida normal. Mas voltou
para casa com uma semente plantada, a semente
de Cuidar do Brasil. Logo depois, conseguiu um
estágio no IBAMA, o que lhe deu a oportunidade
de continuar cuidando do Brasil.
Rapidamente foi apresentado à Educação
Ambiental, e percebeu, então, que era aquele
o caminho para que se alcançasse o objetivo de
todos os ambientalistas do mundo: que todos
13
os homens conheçam e respeitem
o meio em que vivem.
Foi quando ele recebeu um convite
para participar daquele que na
ocasião era denominado Conselho
Jovem de Meio Ambiente de Goiás,
que passava por um momento de
rearticulação. Essa era a sua chance
de realmente realizar um trabalho
TXHÀ]HVVHDGLIHUHQoD8PWUDEDOKR
a ser dividido com outros jovens que
também compartilhavam com ele
o mesmo sonho de sensibilizar pela
educação ambiental o maior número
possível de pessoas, dando um foco
maior na juventude, público do qual
faziam parte e, conseqüentemente,
ao qual teriam mais fácil acesso.
O Conselho Jovem de Meio Ambiente
de Goiás, ou simplesmente CJ-Goiás,
havia se desarticulado com o fim
do processo de organização da I
Conferência. Caíram no vazio de
não ter mais motivos para se reunir,
era a Conferência que os mantinha
trabalhando unidos. Com isso, o CJ
ficou meio “enferrujado”; assim
como uma máquina parada, que
ficou sem uso, acaba enferrujando.
Mas felizmente alguns membros do
CJ-Goiás resolveram rearticular o
grupo, fazer com que ele voltasse
a funcionar, pois não dava pra se
perder pessoas jovens, interessadas
em fazer a diferença, por falta de
oportunidade de trabalho.
Porém, a maioria dos antigos membros
do CJ-Goiás não quiseram trazê-lo
de volta à ativa, não deram muita
importância ao grupo. Então, aqueles
que desejavam resolveram dar uma
cara nova para o movimento, chamando
novos jovens para se integrar ao grupo.
A partir de meados de 2006, o Conselho
Jovem de Meio Ambiente de Goiás
começou a reunir mais jovens para
lutar em prol da causa ambiental,
e não mais apenas deliberar quem
seriam os representantes do estado
para participar das CNIJMAs. Por
isso, deixou de ser Conselho Jovem e
passou a se chamar Coletivo Jovem,
ainda sendo conhecido por CJ-Goiás,
juntamente com os outros Coletivos
Jovens do País, também CJs.
14
$SDUWLUGDtR&-*RLiVGHÁDJURXXPSURFHVVRGH
disseminação da Educação Ambiental pelo estado
por meio da criação de novos Coletivos Jovens, nos
municípios do interior. Seguindo o princípio Jovem
Educa Jovem, o CJ-Goiás formou 25 CJs Locais pelo
interior de Goiás, muitos desses graças a processos
de mobilização para a II Conferência Nacional
Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, usando
desses momentos para despertar em mais jovens
o sentimento de fazer algo para mudar a situação
ambiental no local onde vivem, trabalhando no
local, pensando no global.
Para a realização da II Conferência Nacional InfantoJuvenil pelo Meio Ambiente, os Coletivos Jovens
foram convidados a participar da organização delas,
atuando como facilitadores das discussões dos
jovens que vieram representar seus estados. Esses
jovens tomaram como exemplo de organização a
social juvenil, percebendo que ali também poderiam
contribuir para um “mundo diferente” onde as
SHVVRDV UHVSHLWHP QmR Vy DV PDWDV H RV DQLPDLV
mas respeitem umas às outras, o espaço em que
vivem, a vida em todas as suas formas.
(VVDKLVWyULDYHLRLOXVWUDUFRPRDV&RQIHUrQFLDVSRGHP
ajudar os jovens a se encontrarem com eles mesmos,
dando oportunidade de voz aos delegados junto ao
Presidente da República, empoderando-os com
ferramentas com as quais eles poderão disseminar
as idéias e questões sobre o meio ambiente a outros
jovens nas suas localidades.
Eu, Jorge Augusto, delegado do estado de Goiás,
membro do Coletivo Jovem de Meio Ambiente de
*RLiVIDoRSDUWHGHVVDKLVWyULDTXHHVWiVRPHQWH
começando. Sei que ainda haverá outras centenas
GH MRYHQV JDURWRV FRPR HXTXH Vy SUHFLVDP GH
uma oportunidade para realmente saber o que vão
fazer na sua vida, como vão poder despertar em
outros jovens garotos o sentimento de que temos
que fazer algo pelo lugar onde moramos, nosso
planeta, pela nossa vida nesse planeta.
Hoje meu desejo é agradecer às pessoas que
organizaram as duas CNIJMA, que se preocuparam
em criar espaços como esses, que certamente
contribuem para a sensibilização e a formação
de jovens pelo Brasil. E meu desejo é que essas
pessoas sigam na realização de tais esforços,
fazendo com que a Educação Ambiental chegue
àqueles que ainda não a conhecem e estimulando
a vontade de fazer a diferença e mudar o mundo.
JOVENS, SUSTENTABILIDADE E AQUECIMENTO GLOBAL
A palavra sustentabilidade consolidou-se como ordem contra a degradação ambiental. Presente em
discursos oficiais, em documentos
das conferências internacionais, no
ativismo ambientalista e na comunidade científica, ela tornou-se pública, porém parece que a tomada
de consciência da situação de degradação ambiental, cada ano mais
crítica, estagnou-se. A sustentabilidade está perdendo seu sentido,
sua razão, o motivo pelo qual existe hoje. Está vagando em meio à
lista das inúmeras palavras criadas
para definir apenas uma coisa: DESENVOLVIMENTO SIM, A QUALQUER
CUSTO NÃO!
A garantia de sustentabilidade do
patrimônio natural, aliada a um
desenvolvimento econômico social
H SOHQR VXS}H PXLWR GHVDÀRV 8P
deles, o maior eu diria, implica a
negociação de regras universais de
uso sustentável dos recursos naturais
que quase sempre são ignoradas pela
PDLRULDSROXLGRUD(VVHGHVDÀRDOpP
de exigir a adoção de uma posição de
força, remete a um exame crítico da
noção de necessidade e dos padrões de
consumo atuais, o que envolve também
mudança de atitudes individuais.
O crescimento econômico vem gerando muitas
repercussões sociais que foram “abafadas”
pela comodidade que ele proporciona. O que
a sustentabilidade, proposta há muitos anos,
valoriza é o benefício a todos, conduzindo a
uma sociedade harmoniosa e eqüitativa, logo
mais sustentável. Consumo e necessidades
se confundem, não sabemos mais se o que
consumimos é essencial, ou se é essencial
consumirmos. Não parece haver disposição da
humanidade para uma vida mais moderada, a
expansão de um modelo de consumo mundial
reforça a pressão sobre os recursos naturais,
H QyV ´MRYHQV GH KRMHµ H RV ´DQWLJRV MRYHQVµ
temos grande parcela de culpa nisso. Estamos
muito longe de nos preocuparmos apenas com o
“comer”, o “vestir” ou o “ter onde morar”; no
âmago de cada um dos jovens, está a vontade
de consumir, estar na moda, usar a tecnologia,
os prazeres que dela podemos aproveitar. Por
ÀPTXDQGRÀFDUPRVPDLVYHOKRVHH[SHULHQWHV
pensaremos na problemática ambiental e na
colaboração que tivemos na degradação do
SODQHWDFRPRÀ]HUDPQRVVRVSDLVHQ[HUJDUHPRV
como não devemos fazer e como não deverão e
QHPSRGHUmRID]HURVQRVVRVÀOKRV
JOVENS,
SUSTENTABILIDADE
E AQUECIMENTO
GLOBAL
Patrízia Torres
da Silva
Membro do Comitê
GH%DFLDV+LGURJUiÀFDV
do Baixo Tietê
São Paulo
0XLWRV GH QyV MRYHQV Mi DFRUGDPRV SDUD HVVD
realidade nada positiva. Todo esse consumismo
excessivo rendeu muitos impactos ao planeta,
entre eles o aquecimento global. A catástrofe
que esperávamos para dentro de trinta ou
quarenta anos já começou, e atribuímos isso
à ação humana. Cada
vez mais seus efeitos
UHÁHWHP HP WRGR R
mundo. Para evidenciar
essa verdade, não há
nada mais explícito que
a redução das geleiras e
GRÉUWLFR3UDWLFDPHQWH
todos os “glaciares” da
Terra estão derretendo,
os furacões estão mais
fortes, o Brasil está na
rota dos ciclones, o nível
do mar está subindo, os
desertos avançam, a
biodiversidade do mundo
15
não está resistindo; infelizmente já
podemos contar os mortos por causa
das secas, inundações e outros fatores
relacionados ao aquecimento global.
Os efeitos são irreversíveis, o planeta
é gigante, o equilíbrio é frágil, a saída
é evitar que a situação piore. Devemos
nos preocupar agora em como nos
adaptar à vida em um planeta bem
mais quente, e parar gradativamente
de lançar na atmosfera os gases
nocivos que contribuem para o
aquecimento global.
Não podemos mudar o mundo, mas
ao menos podemos tentar mudar
o local em que vivemos; mobilizar
é a palavra chave. Mais uma vez, o
jovem tem a oportunidade: temos
uma força incomparável. Ao longo da
KLVWyULDWLYHPRVSDUWLFLSDo}HVDLQGD
que modestas em acontecimentos
TXH PXGDUDP R UXPR GD KLVWyULD
do país: Diretas Já, Impeachment
de Fernando Affonso Collor de
Mello em 1992, embora naquela
época os jovens fossem motivados
por interesses de diversos setores
da sociedade brasileira (partidos
políticos, lideranças sindicais, civis
e jornalísticas). Agora o que nos
PRWLYD p QDGD PHQRV D SUySULD
sobrevivência da nossa geração e
das futuras. Temos a força para
mudar e o que direcionará o sentido
da mudança, na minha opinião, é a
esperança em de um mundo melhor.
Esperança de um mundo melhor
ou, sendo mais radical, esperança
de simplesmente podermos existir
daqui a alguns poucos anos.
Convoco todos os jovens do país
para revolucionarmos, mudando
DV QRVVDV SUySULDV DWLWXGHV QRVVRV
hábitos, disseminando informações
e atitudes simples: reciclando nosso
SUySULR OL[R LQFHQWLYDQGR Do}HV
socioambientais na comunidade, por
meio das associações de bairro, na
HVFRODGRVQRVVRVÀOKRVQDIDFXOGDGH
em que estudamos, dos nossos pais,
16
QRV FtUFXORV GH DPL]DGH (QÀP R SUREOHPD p
nosso, vamos realizar a parte que nos cabe;
somos muitos e juntos somos fortes. Sejamos
todos conscientes, responsáveis e rápidos, antes
que o preço pelos nossos equívocos e indiferença
seja alto demais. Está nas nossas mãos.
JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE – CONEXÕES POSSÍVEIS
0XLWRV VmR RV VRQKRV H GHVDÀRV TXH
permeiam o imaginário da juventude,
ou melhor, das juventudes, já que estas
VmRSOXUDLVHGLYHUVLÀFDGDVFDGDTXDO
carregando consigo sonhos, anseios,
aspirações, angústias e esperanças.
Ser jovem é ter vontade de fazer
mais, é energia. É estado de espírito
e respeito à diversidade, pois a juventude, na sua pluralidade, tem diversas tribos. Ser jovem é antes de tudo
a tentativa de compreender o mundo
a nossa volta. É nessa tentativa que
surgem jovens mais preocupados com
a vida do planeta e com disposição
para transformá-lo.
Estas juventudes vivem atualmente
num contexto muito interessante
no Brasil, principalmente no que diz
respeito ao seu envolvimento com as
questões socioambientais. É fácil notar
a temática ambiental como assunto
emergente, pois esta questão vem
sendo paulatinamente inserida em
todos os meios de comunicação, nos
processos educativos e sociais e no seio
familiar, em virtude das problemáticas
ambientais vigentes.
Hoje em dia, esse debate ganha espaço
nas discussões de diversos organismos
da sociedade, com destaque especial
para o envolvimento das juventudes
organizadas. Na rua, na praça, na
universidade ou em qualquer outro
local de encontro desses atores sociais,
é natural perceber o debate em torno
GDV TXHVW}HV DPELHQWDLV DÁRUDUHP
emergindo daí o sentimento de poder
transformar a realidade, partindo
para outro estágio do envolvimento
d@s jovens com esta temática e
estabelecendo uma nova forma de
agir e de e organização social.
O modelo de organização social
em rede foi a opção abraçada pela
juventude ambientalista no Brasil,
que, em virtude disso, passa a ter
a oportunidade do diálogo, além
GR VRPDWyULR GH PXLWRV VRQKRV H HVSHUDQoDV
convergentes e alimentados pelo sentimento de
transformação das juventudes, guiadas pelos
princípios do pertencimento, da horizontalidade
e do empoderamento. Segundo Viezzer e Ovalles
(1995: 102), “a rede é comparável a um tecido
FRPP~OWLSORVÀRVOLJDGRVHQWUHVLSRUQyVTXHVH
assemelham para todos os lados, sem que nenhum
deles seja central”.
JUVENTUDE E
MEIO AMBIENTE CONEXÕES
POSSÍVEIS
Diogo Damasceno
Pires
Coletivo Jovem - GO
Goiás
É neste sentido que a construção do
movimento de juventude pelo meio
ambiente vem ocupando espaço, pela
DUWLFXODomR QDFLRQDO QRWyULD GD 5HGH
de Juventude pelo Meio Ambiente
e Sustentabilidade (REJUMA), que tem como mola
propulsora o diálogo aberto e o envolvimento de
diversos movimentos e organizações de juventude
espalhadas pelo País, com especial destaque à atuação
dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente nos estados.
A REJUMA nasceu em setembro de 2003, durante
o I Encontro da Juventude pelo Meio Ambiente,
em Luziânia - GO, no âmbito do processo de mobilização da I Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, ação do Programa Vamos
Cuidar do Brasil.
Atualmente, a Rede conta com mais de 400 membros de todas as unidades federativas do Brasil.
Tem como objetivo fundamental fomentar as ações
locais e nacionais dos jovens empenhados na construção de sociedades sustentáveis, buscando envolver, sensibilizar, fortalecer e instrumentalizar
17
jovens, grupos, movimentos e organizações juvenis para a atuação participativa na construção de um Brasil
mais sustentável.
O que nos reúne – o movimento de
juventude pelo meio ambiente – em rede
são as temáticas “Juventude” e “Meio
Ambiente”, buscando promover a troca
de idéias, realidades e experiências
acerca das questões socioambientais,
além de fortalecer a Rede como espaço
de discussão e articulação em nível
local, regional e nacional.
Devido a sua capilaridade, abrangência
FXOWXUDOGLVWULEXLomRJHRJUiÀFDHVXD
origem, a REJUMA possui grande potencial
na parceria com programas de governo
de abrangência nacional, como é o
caso do Programa Vamos Cuidar do
Brasil, “berço” da rede. Formando,
assim, milhares de jovens, professores
e escolas Brasil adentro para a criação
das Comissões de Meio Ambiente e
Qualidade de Vida (COM-VIDA), Agendas
21 nas Escolas e a realização dos
processos da Conferência Nacional
Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente,
que neste ano de 2008, parte para a
sua terceira edição.
As intervenções da Rede de Juventude
pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade
no cenário nacional se dão principalmente por maio seguintes estratégias:
1. Fomento e apoio à criação de redes locais num processo de capilarização e empoderamento das
juventudes para a ação socioambiental.
2. Troca de experiências e parcerias.
3. Encontros Nacionais da Rede.
4. Representação em espaços de
proposição, construção e gestão
de políticas públicas.
A partir da atuação em rede, essas
intervenções ampliam o sentimento
de estarmos no caminho certo, possibilitando o re-conhecimento das juventudes como protagonistas de sua
SUySULDKLVWyULDHQDVDo}HVWUDQVIRUmadoras em prol de um mundo melhor. Aumentando, portanto, a nossa responsabilidade, pois, como diz
Sato (2006), por vezes a irreverência
jovem e a responsabilidade adulta se
apresentam separadas, mas juntas
18
formam nossas opções e escolhas para melhor lidar com a vida.
Do ponto de vista político e socioeconômicocultural, os sentimentos que congregam essa
nova juventude ambientalista trazem animação
e irreverência, diversidade, pluralidade e jeitos
diferentes de ser de cada um; no entanto, é
movida, sobretudo, pelo desejo compartilhado de
tornar o mundo melhor de se viver, ambientalmente
saudável, com sustentabilidade.
2 GHVDÀR SRUWDQWR p HQRUPH H p XUJHQWH
consolidar o movimento de juventude pelo meio
ambiente, fortalecendo o espírito revolucionário
e transformador que ainda se encontra presente
no imaginário juvenil, reforçando os princípios:
“Jovem Educa Jovem” e “Jovem Mobiliza Jovem”;
também é necessário fortalecer o princípio de que
“Uma Geração Aprende com a Outra” – somos todos
aprendizes e em construção permanente, segundo
nos aponta o Tratado de Educação Ambiental para
Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.
JUVENTUDE E ÉTICA PARA A SUSTENTABILIDADE?
JUVENTUDE E
ÉTICA PARA A
SUSTENTABILIDADE?
Janes Solon Malheiros
A origem da palavra ética vem do grego
“ethos”, que quer dizer ‘o modo de ser’,
‘o caráter’. Os romanos traduziram o
“ethos” grego para o latim como “mos”
(ou no plural “mores”), que quer dizer
‘costume’, da qual provém a palavra
“moral”. Tanto “ethos” (caráter) como
“mos” (costume) indicam um tipo de
comportamento propriamente humano
que não é natural. O homem não nasce
com ele como se fosse um instinto;
esse comportamento é “adquirido ou
FRQTXLVWDGR SRU KiELWRµ 9É648(=
2000). Portanto, ética e moral, pela
SUySULD HWLPRORJLD GL]HP UHVSHLWR D
uma realidade humana que é construída
KLVWyULFD H VRFLDOPHQWH D SDUWLU GDV
relações coletivas dos seres humanos
nas sociedades onde nascem e vivem.
No nosso dia-a-dia, não fazemos
distinção entre ética e moral, usamos
as duas palavras como sinônimas. Mas
os estudiosos da questão fazem uma
distinção entre as duas palavras. Assim,
DPRUDOpGHÀQLGDFRPRRFRQMXQWRGH
normas, princípios, preceitos, costumes,
valores que norteiam o comportamento
do indivíduo no seu grupo social. A
moral é normativa. Enquanto a ética é
GHÀQLGDFRPRDWHRULDRFRQKHFLPHQWR
ou a ciência do comportamento moral,
que busca explicar, compreender,
MXVWLÀFDUHFULWLFDUDPRUDORXDVPRUDLV
GHXPDVRFLHGDGH$pWLFDpÀORVyÀFD
HFLHQWtÀFDDLQYHVWLJDomRJHUDOVREUH
aquilo que é bom e bem.
Bem é aquilo a que todas as coisas
YLVDP p R ÀP YLVDGR HP FDGD DomR
H SURSyVLWR SRLV p SRU FDXVD GHOH
que os homens fazem tudo o mais. Se
Ki SRUWDQWR XP ÀP YLVDGR HP WXGR
R TXH ID]HPRV HVWH ÀP p R EHP
atingível pela atividade, e se há mais
de um, eles são os bens atingíveis
pelas atividades. “Bem é aquilo que
aperfeiçoa uma natureza. Natureza é
RSUySULRHFDUDFWHUtVWLFRGHFDGDVHU
Coletivo Jovem - RS
Rio Grande do Sul
2SULQFtSLRGHVXDVRSHUDo}HVSUySULDVµ&/27(7
1986). O bem está ligado ao ponto de vista de cada
ser, a aonde esse ser quer chegar, qual o objetivo
visado, para quê? E por quê?
2 SUREOHPD p TXH QmR FRVWXPDPRV UHÁHWLU H
buscar os “porquês” de nossas escolhas, dos
comportamentos, dos valores. Agimos por força
do hábito, dos costumes e da tradição, tendendo a
naturalizar a realidade social, política, econômica,
cultural e ambiental. Com isso, perdemos nossa
capacidade crítica diante da realidade. Em outras
palavras, não costumamos fazer ética, pois não
fazemos a crítica, nem buscamos compreender e
explicitar a nossa realidade moral.
Por isso, o desenvolvimento sustentável vem sendo divulgado por todo o planeta como uma forma
mais racional de prover uma qualidade de vida
equânime e socialmente justa.
O conceito de desenvolvimento sustentável, comporta cinco aspectos fundamentais, quais sejam:
sustentabilidade social; sustentabilidade econôPLFD VXVWHQWDELOLGDGH HFROyJLFD VXVWHQWDELOLGDGH JHRJUiÀFD H VXVWHQWDELOLGDGH FXOWXUDO &DGD
um desses subsistemas é interligado aos demais,
formando, conformando e transformando o atual
princípio do crescimento econômico e industrial
ilimitado em um princípio de sustentabilidade.
Sustentabilidade é o modo de sustentação, ou seja,
da qualidade de manutenção de algo. Esse algo “soPRV QyVµ QRVVD IRUPD GH YLGD HQTXDQWR HVSpFLH
ELROyJLFD LQGLYLGXDOLGDGH SVtTXLFD H VHUHV Vociais.
Obviamente que, também, incluemi-se no princípio
da sustentabilidade o meio ambiente e as demais
19
IRUPDVGHYLGDGRSODQHWDDÀQDOHPbora o ser humano possua autonomia
de existência, não possui independência da natureza. Por mais que nos
mostremos seres socioculturais, ainda
VRPRVWDPEpPVHUHVELROyJLFRV
$RORQJRGDKLVWyULDUHFHQWHGDKXmanidade, com ênfase na Revolução
Industrial, presencia-se um surto
crescente de interferência no ambiente natural e cultural existente, sem preocupação alguma, um
espírito de ganância desenfreada
por conquistar espaços, na busca
do exercício da hegemonia e do domínio sobre esses mesmos espaços,
natureza e cultura.
A grande questão com que nos
defrontamos atualmente é como
articular a ética, “a mudança de
costumes” com a sustentabilidade,
“existência da vida”.
A Conferência de Estocolmo, em 1972,
VREUH 0HLR $PELHQWH ÀUPRX EDVHV
para um novo entendimento das relações necessárias entre a humanidade, o ambiente e o desenvolvimento.
A palavra “codesenvolvimento” surge
HPFRPRREMHWLYRGHGHÀQLUD
proposta de desenvolvimento ecologicamente orientado.
Essa concepção integrou seis aspectos para guiar o caminho do desenvolvimento: 1º a satisfação das necessidades básicas; 2º a solidariedade com
as gerações futuras; 3º a participação
da população envolvida; 4º a preservação dos recursos naturais em geral;
5º a elaboração de um sistema social,
garantindo emprego, segurança social
e respeito a outras culturas; e 6º um
programa de educação, ou melhor,
reeducação sobre os cuidados com o
meio ambiente.
Essa foi uma tomada inicial de consciência sobre a necessidade urgente de
mudança de comportamento frente à
qualidade das relações do ser humano
com a natureza.
20
Conforme o Capítulo 25 da Agenda 21, “A juventude
representa cerca de 30% da população mundial.
A participação da juventude atual na tomada de
decisões sobre meio ambiente e desenvolvimento
e na implementação de programas é decisiva para
o sucesso a longo prazo da Agenda 21”.
A Agenda 21, que é um plano de ação para ser
adotado global, nacional e localmente, por
organizações do sistema das Nações Unidas,
governos e sociedade civil, em todas as áreas onde
o ser humano está inserido, é a maior tentativa
já realizada de orientar um novo padrão de
desenvolvimento para o século XXI, cujo objetivo
principal é a sustentabilidade ambiental, social
e econômica. Nesse contexto, os jovens deverão
manter um diálogo com ela, por meio de ações e
discussões na sociedade, pois daí sairá o começo de
uma futura e nova ética, para uma posterior e real
Sustentabilidade, pois além da sua contribuição
intelectual e capacidade de mobilização, as
juventudes trazem novas perspectivas para
construção de um futuro melhor.
A mudança dependerá da atitude dos jovens, a
atitude dependerá das informações recebidas
pelos jovens e a crítica a essas informações será
fundamental, para termos a mudança da ética
com relação ao Meio Ambiente.
Está na ética a explicação do caos no planeta, e
talvez esteja na ética e na juventude, ou melhor,
na ética da juventude, uma possível solução!
ARTE E SUSTENTABILIDADE
ARTE E
SUSTENTABILIDADE
Natália Tolentino
Nos últimos anos, o tema meio ambiente passou a ser foco central.
Esse tema tem interfaces com todas
as áreas do conhecimento e não tem
a ver apenas com as disciplinas como
biologia, economia ou ecologia, mas
tem a ver principalmente com a relaomRTXHPDQWHPRVFRPQyVPHVPRV
com os outros e com a natureza.
Hoje muito se ouve falar em “Desenvolvimento Sustentável” e estamos
um momento de grande preocupação
com o planeta e sua sustentabilidade
e não nos conta que a sustentabilidade está mais voltada para garantir
a continuidade da nossa espécie e da
vida na Terra é hoje.
A sustentabilidade abrange vários
níveis de organização, desde a
vizinhança local até o planeta inteiro,
e por esse motivo é inadiável e urgente
que novos valores e comportamentos
sejam incorporados para construirmos
sociedades que sejam sustentáveis.
A preocupação perpassa desde as
grandes empresas multinacionais
até a pequena padaria da esquina,
incluindo pessoas comuns, jovens
como eu e você. Pessoas de todas
as nacionalidades têm feito apelos
mundo afora, inconformadas com a
inércia dos governos de muitos países
em relação ao assunto.
Devemos incluir nessa lista os artisWDVTXHSRUDQRVDÀRYrPWHQWDQGR
chamar atenção para esse problema
emblemático. O artista, ao produzir
suas obras, está sempre impelido por
alguma força que faz dele, permanentemente, um espírito irrequieto,
inconformado e insatisfeito. Ele está
constantemente atento e conectado
a contingências do meio e a suas inÁXrQFLDV$$UWHSRUVXDYH]VHQVLbiliza o homem, mesmo que ele não
a compreenda imediatamente, ela é
um instrumento poderoso, que pode ser utilizado
para levar conhecimento e trazer soluções para
diversos problemas sociais e ambientais. O teatro,
SRUWHUXPFRQWDWRPXLWRSUy[LPRFRPRS~EOLFR
facilita o diálogo, sendo que uma das suas funções
pID]HURLQGLYtGXRUHÁHWLUUHSHQVDUHPXGDUSRU
meio de suas
mensagens,
ele pode levar a compreensão
crítica do seu
papel na sociedade.
Aluna da Faculdade de
Artes Dulcina de Moraes
Distrito Federal
A arte cênica
pode ser um
d i v i s o r de
águas quando nos orienta no sentido da responsabilidade que temos em relação ao desenvolvimento sustetável, podendo ser
debatida de diversas formas, atingindo crianças,
que são seres em desenvolvimento, e adultos, que
podem mudar seus velhos hábitos. Muitas vezes, esquecemos que preservar o meio ambiente é também
preservar a nossa espécie e muitas outras formas
de vidas que estão entrando em extinção graças às
nossas atitudes errôneas e irresponsáveis.
Nas artes plásticas, nomes de brasileiros conhecidos
como Emmanuel Nassar e sua poesia da gambiarra,
Frans Krajcberg (um artista cuja residência é uma
árvore, sonho de muitos meninos!), com suas
esculturas de árvores mortas, Eduardo Srur, com
suas intervenções urbanas, como os caiaques
colocados em 2006 no Rio Pinheiros em São
Paulo, são apenas alguns nomes entre o de muitos
artistas que se preocupam com a conservação e
a preservação do planeta e do ser humano; todos
demonstram esse sentimento por maio da arte.
Suas obras são um alerta para a nossa realidade.
No entanto, não apenas artistas famosos fazem
da preocupação com a sustentabilidade sua
prioridade. Um centro de produções culturais na
cidade-satélite de Taguatinga, Distrito Federal, a
21 km de Brasília, mantém uma escola de artes
que se apropria do reaproveitamento de materiais
recicláveis para produzir Arte. Chamado Centro
21
Cultural Invenção Brasileira, o local
ensina música, dança, literatura e a
fabricação de objetos de arte com
diferentes tipos de materiais. Dentro
GHVVH FHQWUR FXOWXUDO ÀFD D 7HPSR
Eco Arte, que é uma escola de ofício
onde há mais de oito anos se pesquisa
e se faz arte a partir da reutilização
GHUHVtGXRVVyOLGRV
De acordo com a Doutora em Arte-Educação
Ana Mae Barbosa (2003), por meio da Arte é
possível desenvolver a percepção e a imaginação,
desenvolver a capacidade crítica, permitindo
ao indivíduo analisar a realidade e ampliar a
criatividade de maneira a transformar seu meio
ambiente. A Arte visa principalmente sensibilizar
o homem, fazer com que ele pense, questione,
realize descobertas.
A especialidade é a técnica de
transformar papelão e sacos de
FLPHQWRXVDGRVHPREMHWRVPyYHLVH
peças artísticas e utilitárias. A principal
idéia é sensibilizar e conscientizar os
alunos e a comunidade da importância
do reaproveitamento do lixo; além
disso, os alunos trabalham produzindo
$UWHJHUDQGRVXDSUySULDUHQGD
(VWD UHÁH[mR p DSHQDV R FRPHoR GH XPD ORQJD
FDPLQKDGD TXH GHSHQGH HVSHFLDOPHQWH GH QyV
jovens, para defendermos o meio ambiente tanto
quanto o direito à vida. A Agenda 21 está fazendo
DVXDSDUWHHQyVHVWDPRVID]HQGRDQRVVD"
Assim como o exemplo do Tempo Eco
Arte, os empreendimentos humanos
sustentáveis devem ser: ecologicamente corretos, economicamente
viáveis, socialmente justos e culturalmente aceitos.
Além de transformar nossa postura
no dia-a-dia: economizando água,
energia, separando o lixo, não
jogando lixo nas ruas, andando mais
de transporte público para desobstruir
o trânsito, diminuir a poluição.
Podemos também discutir sobre o
consumo, os tipos de indústrias, os
combustíveis que podem ser mais
ofensivos à atmosfera, nosso modelo
de desenvolvimento; participar de
projetos limpos, e assim contribuir
para construção de um mundo
melhor e para real melhoria da
qualidade de vida.
4XDOLGDGHGHYLGDQmRpVyRFRQIRUWR
que a tecnologia nos trás, é mais do
que isso: qualidade de vida é saúde,
é justiça social, é justiça econômica,
é meio ambiente saudável, é vida.
Por meio dos exemplos citados aqui,
foi possível perceber a importância
da arte em parceria com a sustentabilidade do planeta.
22
Conscientize-se e passe adiante esta mensagem!
SURDA INOCÊNCIA À BEIRA DO ABISMO
SURDA
INOCÊNCIA
À BEIRA DO
ABISMO
Fabrício Alves da
Cruz
Coletivo Jovem - RO
Rondônia
Galera, a coisa tá feia! Os mais céticos
dirão — Lá vem mais um alarmista
verde dizendo que o mundo vai
acabar! Quem dera fosse “apenas” um
delírio obsessivo. Mas, enquanto nos
deliciamos com nossa sociedade do
consumo, estamos caminhando para
o tão famoso, e antes ridicularizado,
cataclismo global.
'HDFRUGRFRPR5HODWyULRGR,3&&
as mudanças climáticas farão o nível
as águas de todos os continentes subir
aproximadamente 7 metros, devido
ao derretimento das geleiras na
*URrQOkQGLD ÉUWLFR H$QWiUWLGD 1yV
TXH HVWDPRV SUy[LPRV GD OLQKD GR
equador, sofreremos com o aumento
de doenças como malária, dengue
e febre amarela. Isso devido ao
aumento dos locais onde os mosquitos
transmissores podem se reproduzir.
Tomem como exemplo a recente
endemia no Rio de Janeiro. Daqui a
50 anos, a temperatura do planeta
tenderá a aproximadamente 50
ºCelsius no verão. Durante essa época,
teremos de compartilhar os recursos
mundiais, cada vez mais escassos, com
cerca de 8 bilhões de pessoas.
As pessoas da minha idade, daqui a meio século,
terão aproximadamente 70 anos. A expectativa
de vida do brasileiro, segundo o IBGE, é de 71
anos. Para essas pessoas, todos os conhecidos
com idade superior provavelmente haverão
PRUULGR,VVRVLJQLÀFDTXHHVVHVLQGLYtGXRVKRMH
integrantes da parcela socioeconômica ativa
do mundo, faltarão às mudanças climáticas do
3ODQHWD ,VWR p FRPSDUDQGR FRP VHXV ÀOKRV
nem seguer sofreram com isso. Desconheço se
isso é sorte ou azar, porém é, com certeza, um
dos motivos que os levam a ignorar o futuro da
SUy[LPD JHUDomR$OLiV HVVH DUJXPHQWR Mi HVWi
tão banalizado que pode ser mais um atributo
dessa indiferença.
A imprensa, e/ou a falta de olhar crítico a ela,
leva as pessoas a assistirem na TV aos desastres
e culparem os governantes. Isso quando não
LJQRUDPSRUVHWUDWDUGHRXWUDUHJLmRJHRJUiÀFD
do mundo. Servem-se da ilusão de segurança que
a tela de vidro oferece. Imagino a surpresa dos
que presenciaram furações no sul do país e a seca
na Amazônia. Quem diria?!... Me pergunto como
os céticos explicam isso.
Adeptos de soluções políticas pouco elaboradas
ainda crêem que o modelo partidarista irá sanar
os problemas administrativos e governamentais
GHQRVVDQDomR&UHLRTXHHVVHPRGHORVyLQFHQ23
tiva a incoerência social. Não é à
toa que se vejam tanta corrupção,
demagogia e hipocrisia nos cenários
políticos. Muitas boas idéias foram
desacreditadas por conta desse
modelo. E esse é o caso do termo
“desenvolvimento sustentável”, e
os exemplos são inúmeros. Constroem-se hidrelétricas, queimam-se
ÁRUHVWDV SODQWDPVH PRQRFXOWXUDV
e abrem-se pastos para criação de
gado às custas desse termo.
Ao mesmo tempo, famílias camponesas humildes, e outros povos da
ÁRUHVWDWRUQDPVHYtWLPDVGD´HPburrecida” lei, acusados de crimes
ambientais. São pegos por secretarias corruptas a degradarem seus
lotes, na perspectiva de plantar seu
sustento, e sobreviver à indiferença
do Eetado, em terras esquecidas no
“meio do mato”, como costumam
dizer os urbanóides.
Esses exemplos mostram que, junto
à mudança para a sustentabilidade,
deve ocorrer uma reforma política
completa. Assim, esse termo podeUi VH GDU QmR Vy QR TXH VH UHIHUH
às questões ambientais, mas na sua
forma mais ampla, abordando setores sociais e econômicos. A sustentabilidade deve ser transversal,
inter e multidisciplinar. Deve envolver a participação popular em
políticas públicas e tornar eficiente o aparato administrativo governamental. A sustentabilidade deve,
acima de tudo, conter a ganância
do homem e levá-lo a focar seus esforços para o seu desenvolvimento
interior, como civilização!
Nossa sociedade carnívora tribal —
FRPR GHÀQLX FHUWD YH]R ELyORJR
Edward Osborne Wilson —, ainda persiste a crença no “desenvolvimento”
a qualquer custo. James Lovelock,
autor de “A Vingança de Gaia”, defende que há duzentos anos, quando
as mudanças eram mínimas, talvez
houvesse tempo de estabelecer um
desenvolvimento sustentável. Hoje
chegamos no límite. Somos 6,5 bi24
lhões de pessoas a consumir recursos naturais,
gerar lixo e emitir gazes na atmosfera. Você tem
dimensão do que é isso? Tudo bem. Poucos têm,
tantos somos.
Dessa forma, os que devem também ser sensibilizados e educados, social e ambientalmente, são
nossos líderes e representantes. São as pessoas
GH JUDQGH LQÁXrQFLD VRFLDO H HFRQ{PLFD VHMD
em sua comunidade ou no mundo. Talvez assim
ocorra a “mega” mobilização esperada para a
reviravolta social, tal como aconteceu no Brasil
na época das Diretas. Nesse período, rivais políticos, de diferentes partidos, se uniram contra a
ditadura para estabelecer eleições diretas para
presidente. Se isso pôde acontecer frente a um
inimigo da liberdade humana, nada impede que
RFRUUDGLDQWHGHQRVVDSUySULDLJQRUkQFLDVXLFLda, pois, como já disse Gandhi, a única revolução possível é a interior.
DA RECICLAGEM À MADEIRA PLÁSTICA: A IMPORTÂNCIA
DA PESQUISA E DE AÇÕES EM PROL DO MEIO AMBIENTE
PARA INTEGRAÇÃO DE JOVENS NO MUNDO
Em vários países, a preocupação com
a preservação do Planeta mostra a
importância do rumo ao desenvolvimento sustentável em resposta aos
desmatamentos, emissões de CO2, ao
desperdício e ao uso irresponsável
dos recursos naturais.
A reciclagem é fundamental para
consolidação do desenvolvimento
sustentável. É o processo no qual
a matéria já transformada torna-se
novamente matéria-prima em uma
cadeia de produção. Diversos materiais podem ser reciclados, entre
eles o plástico. O plástico é um dos
materiais mais utilizados no mundo, e devido à sua resistência e à
praticidade está presente em vários
produtos. Mas o uso não consciente
desse material tem conseqüências
graves para o meio ambiente. Em
sua grande maioria, a embalagem e
o produto em plástico não são reciclados e acabam inadequadamente
nos lixões e aterros, rios, florestas
e outros ambientes naturais, e a
sua decomposição demora de 100 a
450 anos.
O Brasil não recicla nem 30% do plástico
consumido, por ainda faltar informações,
conscientização à maioria dos brasileiros a
respeito da importância da reciclagem, processo
que tem como benefício a redução do consumo
de energia e dos recursos naturais. Além disso,
com a reciclagem do plástico, produz-se a
madeira plástica – material composto que tem
propriedades mecânicas semelhantes às da
madeira natural.
Aqui, a madeira plástica é estudada desde a década de 80. Uma informação importante desses
estudos é que esse material pode ser produziGRSRUSOiVWLFRVGHSyVFRQVXPRGHSURGXWRVH
embalagens descartadas) e de resíduos plásticos
industriais. A utilização destas matérias-prima
estimula a coleta seletiva e evita o seu destino incorreto. Portanto, é necessário que hajam
ações no sentido de ampliar essa utilização, decorrente do estímulo à reciclagem pelo governo, por cooperativas de catadores, por ONGs e
por outras entidades, pois desse modo o material plástico será reaproveitado em quantidade
expressiva e não irá poluir o meio ambiente.
DA RECICLAGEM
À MADEIRA
PLÁSTICA: A
IMPORTÂNCIA
DA PESQUISA E
DE AÇÕES EM
PROL DO MEIO
AMBIENTE PARA
INTEGRAÇÃO
DE JOVENS NO
MUNDO
Hyrla Marianna Silva
Membro do Núcleo
de Design Voltado
para Questões
Socioambientais
Distrito Federal
eLPSRUWDQWHGHVWDFDUTXHH[LVWHPYiULDVIyUmulas de composição da madeira plástica e
que no processo de reciclagem do plástico podem ser adicionadas cargas vegetais de
resíduos de madeira, de casca de arroz,
de bagaço de cana-de-açúcar.
A principal aplicação da madeira plástica é em substituição à madeira natural,
o que contribui para evitar o desmataPHQWR ÁRUHVWDO 6mR H[HPSORV EDQFRV
para praças, paletes, assoalhos, esquadrias, lixeiras, mesas. A madeira plástica
apresenta uma série de vantagens quando comparada à madeira natural, como
maior durabilidade, impermeabilidade e
resistência a cupins e fungos.
Com o estudo que elaborei sobre reciclagem de plásticos e uso da madeira plástica com foco na importância para educação ambiental, na mudança cultural
25
que se pode promover e na oportunidade da expansão do mercado
desse material, fui selecionada
pelo programa Bayer Young Environmental Envoy (Programa Bayer
Jovens Embaixadores Ambientais),
que tem parceria com o PNUMA
– Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente. No Brasil, apresentei o estudo na cerimônia de
premiação, da qual participaram
os três outros universitários brasileiros que tiveram seus projetos
também selecionados pelo Programa. Na Alemanha, em novembro
de 2007, onde permaneci por uma
semana, participei do Encontro Internacional de Jovens Embaixadores Ambientais, com outros estudantes de 17 países.
Naquele país, foram realizadas viVLWDV D FHQWURV GH SHVTXLVDV D yUgãos ambientais, a universidades e
assistidas palestras para vivenciar
como a proteção ambiental é praticada pelo governo, comunidade e
indústria. Assim pudemos conhecer
as perspectivas e ações para o desenvolvimento sustentável praticadas pela Alemanha, o que se tornou
referência para os estudantes que
participaram do Programa.
Nas apresentações do Encontro,
tive a oportunidade de conhecer
os trabalhos desenvolvidos pelos
jovens em seus respectivos países
em prol do meio ambiente. São
SURMHWRVTXHVHDSyLDPQDVRFLHGDGH
e na política e que têm, acima de
tudo, o objetivo e a vontade de
transformação da qualidade de
vida das pessoas, da melhoria da
sociedade, dos serviços, do meio
DPELHQWH HQÀP GD SUHVHUYDomR
da Terra.
Esse programa de intercâmbio e
aprendizado do qual participei
ampliou a minha esperança de um
futuro melhor, pois convivi com jovens
empenhados em preservar o meio
26
ambiente em seus países. Foi uma experiência
única e enriquecedora por unir dezenas de jovens
de diferentes culturas que se entenderam numa
mesma língua, a do meio ambiente.
AS SOCIEDADES HUMANAS E SEU PAPEL NA
SUSTENTABILIDADE
AS SOCIEDADES
HUMANAS E
SEU PAPEL NA
SUSTENTABILIDADE
Eduardo Amorim
Representante da
Juventude no Fórum da
$JHQGDGH7HyÀOR
Otoni
Minas Gerais
Todos os seres vivos transformam de
algum modo o ambiente, buscando
organizar seu espaço vital de acordo
FRP VXDV QHFHVVLGDGHV ELROyJLFDV
O ser humano, porém, transforma o
espaço natural de forma diferente.
6XDV PRGLÀFDo}HV QmR GHFRUHP
apenas do instinto, de interações
RX QHFHVVLGDGHV ELROyJLFDV PDV GH
intencionalidades.
$R ORQJR GD KLVWyULD RV GLIHUHQWHV
JUXSRV KXPDQRV WrP PRGLÀFDGR R
espaço natural por meio do trabalho,
segundo o projeto de sociedade
que desejam construir para si. Em
muitas culturas, como a dos índios
ianomâmis, a utilização de técnicas
e instrumentos obedece a um
princípio de manutenção da simbiose
dos seres humanos com o meio
natural. Em sociedades como essa, a
transformação do ambiente por meio
GH WUDEDOKR QmR REHGHFH j OyJLFD
de acumulação, mas ao princípio de
utilização racional e equilibrada dos
recursos disponíveis. Os indivíduos
trabalham para garantir a vida, e
não para acumular excedentes, o que
difere das sociedades modernas.
O progresso técnico tem sido utilizado para
produzir mais e mais, ainda que às custas da
degradação do ambiente. Numa sociedade que
YLYHVHJXQGRDOyJLFDGRPHUFDGRRVJUXSRVTXH
se utilizam da natureza apenas pela necessidade
de uma melhor qualidade de vida ou até para a
subsistência estranhamente são destruídos ou
GLVVLSDGRV SRUTXH QmR JHUDP OXFUR (VVD OyJLFD
do mercado é do lucro, que hoje tem dimensões
planetárias, é a base da nossa organização
socioeconômica e da nossa forma de apropriação
e transformação da natureza.
2 FRPSRUWDPHQWR SUHGDWyULR GR VHU KXPDQR
não é fato novo, nem se restringe à era da
industrialização. A novidade, hoje, é que os
LQVWUXPHQWRV WpFQLFRV FLHQWtÀFRV H SROtWLFR
sociais de predação se aperfeiçoaram. A partir
GLVVRRFUHVFLPHQWRGHPRJUiÀFRHRIHQ{PHQR
da globalização da economia e da comunicação
exigem que as questões da sustentabilidade e da
ecologia sejam pensadas em escala planetária.
Felizmente, a mesma ciência que trouxe
RV DYDQoRV WHFQROyJLFRV UHVSRQViYHLV SHOD
degradação ambiental trouxe para o homem do
século XX a consciência de que a Terra é uma
Vy 6DEHPRV TXH XPD DOWHUDomR QR SOkQFWRQ GR
RFHDQR3DFtÀFRQD$XVWUiOLDPRGLÀFDDTXDQWLGDGH
de calor solar absorvida pelas águas desse oceano
27
e pode trazer alterações climáticas
SDUD DV ÁRUHVWDV WURSLFDLV RX TXH
um acidente nuclear afeta a vida
em pontos distantes do local em
que ocorreu. Assim como a poluição
GH XP ULR DIHWD QmR Vy R ULR H DV
formas de vida que ele abriga, mas
a população humana que se organiza
a partir dele.
O ambiente natural, as relações sociais
e a subjetividade fazem parte da teia
da vida, que é tecida pelas interações
sociais entre os seres humanos e
pelas relações intrapessoais de cada
ser individual. É necessário trabalhar
pela ampliação da consciência de
que a realidade natural, psíquica,
é um sistema, ou seja, um conjunto
complexo de interações em contínua
interdependência e reorganização.
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uma ecologia das idéias danosas assim
como existe uma ecologia das ervas
daninhas” (Apud Félix Guattari).
Quando uma espécie desaparece do
planeta, desaparece com ela parte
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levou bilhões de anos para construir.
Somos responsáveis pela preservação
da diversidade da vida. Sempre
que o ser humano perde o sentido
do comprometimento com a vida,
sobrevém a morte da cultura e o
desaparecimento das civilizações.
Com a eclosão do pensamento
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ser humano e a natureza, entre o
cultural e o natural foi jogado por
terra. Começamos a perceber que
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seres humanos, mas também ao
destino das demais espécies vivas e
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que está ocorrendo no planeta Terra:
a globalização excedente associada a
propagandas apelativas, visando ao aumento do consumo – quando o homem,
ao produzir, não se preocupa com a
degradação do meio ambiente gerada
pela extração e dispensação dos seus
produtos (lixo) – causa poluição que
leva ao aquecimento global, ocasionando grande desequilíbrio natural.
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É necessário que juntemos ao objetivo comum
de poluir menos, incentivar a reciclagem, plantar árvores em vez de cortá-las, o objetivo de,
ao despertar o desejo do consumo, perguntar a
si mesmo: “Eu preciso disso?”. Que a cada maQKm VHMD GHVSHUWDGD D UHÁH[mR VREUH TXH WLSR
de ambiente deixaremos para nossos sucessores.
Salvemos a Terra antes que a espécie humana
desapareça dela! Jovens consumistas dos saberes da tecnologia e de pouco compromisso com o
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protagonistas da sustentabilidade futura do nosso
planeta, por isso abusem de suas inteligências,
vistam a camisa da responsabilidade da promoção
de um ambiente saudável e bom para viver.