UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
INSTITUTO DE PESQUISAS SÓCIO-PEDAGÓGICAS
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
EDUCAR PELA RELIGIÃO: OS FUNDAMENTOS TEÓRICOS E
METODOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO ATRAVÉS DA DOUTRINA
ESPÍRITA
Por : Waldemar Petri
Orientador: Prof. Ms. Marco A. Larosa
Rio de janeiro
2001
I
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
INSTITUTO DE PESQUISAS SÓCIO-PEDAGÓGICAS
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
EDUCAR PELA RELIGIÃO: OS FUNDAMENTOS TEÓRICOS E
METODOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO ATRAVÉS DA DOUTRINA
ESPÍRITA
Apresentação da Monografia ao Conjunto
Universitário
Cândido Mendes
condição prévia para a conclusão
como
do
Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu”.
em Docência Superior.
Por: Waldemar Petri.
II
AGRADECIMENTOS
“Senhor, nós desejamos agradecer,
Agradecer tudo o que nos deste,
Tudo o que nos dás: o ar, o pão, a paz.(...)”1
“A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, porque a
intenção é tudo para Ele. É a prece um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nEle,
aproximar-se dEle, pôr-se em comunicação com Ele. Pela prece podemos fazer três coisas:
Louvar, pedir e agradecer.”2
A
Deus, a Jesus, aos Amigos Espirituais que nos acompanharam, temos
plena certeza, durante todo o curso, dando-nos ânimo, coragem para não esmorecermos.
Desta forma, as tardes de sábado foram cansativas, é verdade, mas a alegria, o prazer, nos
levaram a vencer os percalços, e assim, no final da jornada poderemos dizer: Foi prazeroso
o breve período de convivência com pessoas tão seletas.
Aos professores:
Doutorando Marco Larosa pela paciência, dedicação, competência e
amizade com que nos orientou na Monografia. Estamos gratos e honrados por tê-lo como
orientador, professor e amigo.
À mestra Sheila, que nos cativou a todos com o seu carinho e simpatia,
apresentando sempre seu sorriso e erudição, os quais contribuíram para que sua disciplina,
já agradável, se tornasse ainda melhor, levando-nos inclusive, a leitura de vários livros,
1
FRANCO, Divaldo Pereira, Elucidações Espíritas, 1º ed. – São Gonçalo: Sociedade Espírita
Joanna de Angelis, 1991. Cap.2: Poema da gratidão. p.47
2
KARDEC, Allan, Livro dos Espíritos, 38ºed.- Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira – FEB, 1978,
Questões 658 e 659.p.280.
III
quais sejam: Pedagogia da Autonomia (Paulo Freire), O que é Educação (Carlos Rodrigues
Brandão), O que é Pedagogia (Paulo Ghiraldelli Jr.) e outros mais.
À mestra Neila Tomé, podemos dizer: Foi um prazer. Obrigados pelo
incentivo, pelo apoio, pela sugestão e apresentação de inúmeras fontes oferecidas,
facilitando-nos assim, a pesquisa e aumentando-nos a disposição, o ânimo para a
elaboração da Monografia.
À mestranda Cristie, mostrando-nos a necessidade da presença da alegria na
realização do aprendizado, e, mais ainda, que educandos e educadores são parceiros na arte
de ensinar.
Ao mestre Celso Sanches, que nos trouxe a biologia como ferramenta na
educação apresentando-nos uma gama imensa de livros desconhecidos , que nos serão,
temos certeza, úteis no exercício do magistério.
À mestra Ângela Venturini, apresentando-nos os fundamentos filosóficos da
educação, ressaltando a importância e a beleza que a educação encerra.
Ao amigo e professor Wagner Menezes e família, nossa gratidão sincera
pelo auxílio imenso prestado nas manhãs de domingo, facilitando-nos a compreensão da
monografia, apresentando-nos regras as quais, muito nos ajudaram .
Aos companheiros dos grupos dos quais participamos para os trabalhos
elaborados, nossos agradecimentos pela união, amizade e companheirismo. Aos demais
grupos do corpo discente que conosco estiveram durante o curso, nossa gratidão e
reconhecimento.
Ao companheiro, amigo particular e colega do curso de Docência Superior
Paulo Roberto Rigoto Ferreira, que sempre me incentivou a perseverar, meu
reconhecimento, rogando a Deus o recompense amplamente.
IV
Ao pessoal da xerox, do pagamento e demais funcionários da Cândido
Mendes, a partir do cargo mais significativo até o mais singelo, diremos: A Universidade
Cândido Mendes está muito bem representada. Parabéns e nossa imensa gratidão.
Aos nossos familiares: Esposa e filhos que renunciaram a nossa presença aos
sábados, pelo amparo que sempre nos deram, estamos reconhecidos.
Que Deus, o Pai Nosso, que Jesus, nosso Mestre incomparável, a todos nos
abençoem. Que a felicidade e a paz a todos nos inundem, agora, hoje e sempre.
V
DEDICATÓRIA
À Marli, a esposa cara, amiga e compreensiva que me apoiou e incentivou a
fazer o curso, as palavras são insuficientes para expressar a gratidão que sinto. À filha
Priscila, que cooperou imensamente para que a monografia pudesse sair do rascunho e
viesse à tona em aspecto agradável. A gratidão é imensa também, por fim, ao filho, amigo
solidário e companheiro que esteve horas a fio em minha companhia junto ao computador
pacientemente, eu ditando e ele digitando, organizando, opinando na distribuição dos
textos, para que o visual se tornasse bom e agradável de se ver, que dizer, senão: Que Deus
os abençoem e recompensem abundantemente.
VI
RESUMO
O presente trabalho analisa a educação e seus problemas. Busca mostrar que
Espiritismo é educação, e esta, é amor. Que aos recursos hoje usados nos educandários e
amplamente divulgados pelos mais renomados educadores como Divaldo Pereira Franco,
Paulo Freire, Carlos Rodrigues Brandão, Dr. Haim Ginott, Maria Montessori e tantos mais,
deveríamos adicionar o amor recomendado por pedagogos como Rousseau, Pestalozzi,
Allan Kardec e muitos outros. Também apresenta, como recurso educativo, o uso do
conhecimento da reencarnação recomendado pela Doutrina Espírita, a qual mostra ao
educador que a educação não se interrompe por ocasião da morte, mas que é contínua. Que
nunca é tarde para aprender. Leva-nos, a presente monografia, a ver que a educação
abrange a instrução, sendo, a educação de amplidão incomensurável. Possibilita-nos ver a
atualidade de ensinamentos do educador, por excelência, que foi Jesus, o qual dentre tantos
títulos recebidos apenas aceitou os de Mestre e Senhor: “Vós me chamais de Mestre e
Senhor e dizeis bem porque Eu o sou.” ( Jo,13:13). Leva-nos a ver, a monografia em apreço
ainda mais: Que o saber amplia os horizontes do conhecimento a nosso alcance, através do
amor que é a luz a ser alcançada, o rio onde se afogam os sofrimentos pelas fortes
correntezas de seus impulsos benéficos. Auxilia-nos a ver a verdade do pensamento: O
saber, no seu verdadeiro e reto uso, é a mais nobre e mais poderosa aquisição dos homens.
Mas toda e qualquer ciência é perigosa àquele que não tem a ciência da bondade. Faz-nos
ver que educar é amar e que a aprendizagem se fará, se o educador apresentar, ao ministrar
suas aulas, amor, conhecimento e disciplina. Procura mostrar que todo o poder da alma se
resume em três palavras: Querer, saber, amar. Empenha-se, o presente trabalho, em nos
levar a conclusão que a grande arte do mestre é despertar e manter o interesse dos seus
educandos, pois que o interesse é o móvel da educação. É preciso motivar o educando para
que a aprendizagem aconteça.
VII
METODOLOGIA
Na elaboração do presente trabalho, os métodos que nos levaram às
respostas desejadas foram os fichamentos e as resenhas de obras que, em síntese, são
formas de resumir algum escrito, caracterizando-se todas como tipos de resumo, e, daí,
escrevemos de forma sucinta aquilo que o autor escreveu.
Os resumos permitem um rápido acesso ao texto lido, evitando que, no
futuro, seja necessário ler a obra novamente; além disso, possibilita a organização dos
estudos conforme as necessidades do momento, podendo ser retomados em outras
oportunidades. No fichamento, resumimos somente os aspectos relacionados diretamente
com as dúvidas, problemas e soluções intimamente ligados ao nosso objeto de pesquisa ou
estudo, ou parte dele. Assim, ao ler uma obra para ser fichada, fichamos apenas aquilo que
nos interessa, mas nunca sem esquecer de escrever, pelo menos, um parágrafo __
normalmente, o primeiro da ficha__ com uma visão geral da obra. Na resenha, resumimos
toda a obra ou todo um capítulo.
O fichamento pode ser escrito na terceira pessoa ou na forma impessoal. A
primeira maneira é mais usada quando se discorre sobre o assunto em forma de parágrafo.
A segunda forma é mais usada quando se ficha o texto abordado em forma de frases
sintéticas.
As resenhas são divididas em dois tipos: Simples e críticas. Escritas em um
texto corrente sempre na terceira pessoa, nunca em forma de tópicos; sua característica
fundamental é a descrição resumida das partes primárias e secundárias da obra (resenha
simples) com as palavras do leitor, se houver a necessidade de se formular textualmente na
resenha, pareceres críticos sobre determinadas passagens da obra lida, ou mesmo a
formulação de um novo conceito de valor, este deverá ser expresso na primeira pessoa e a
resenha será denominada crítica. Seja de que tipo for, todas devem ser o mais fiel possível
àquilo que o autor escreveu e trazer no início, em forma de cabeçalho, a referência
bibliográfica mais completa possível da obra em pauta.
VIII
Nossas pesquisas foram realizadas:
1- Em livrarias;
2- Em bibliotecas públicas;
3- Em bibliotecas particulares.
No primeiro caso (em livrarias), buscamos em várias livrarias, livros que nos
pudessem atender às necessidades pré-estabelecidas.
No segundo caso (em bibliotecas públicas), visitamos a biblioteca da
prefeitura de Niterói, da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Federação Espírita do
Estado do Rio de Janeiro (FEERJ), o Colégio Estadual Conselheiro Macedo Soares
(CECMS), o Grupo Espírita Estudantes da Verdade (GEEV), o Grupo Espírita Obreiros do
Bem (GEOB), a internet.
No terceiro caso (em bibliotecas particulares), visitamos a biblioteca das
Faculdades Integradas Silva e Sousa (FISS). Bibliotecas de amigos particulares, que nos
emprestaram diversos livros, os quais muito nos ajudaram, assim como diversos livros de
nossa própria biblioteca.
Os livros listados nas bibliotecas foram abordados na forma de fichamento e
ou resenhas. Os fichamentos foram úteis para trabalhar aquelas obras que não tínhamos
acesso constante possibilitando-nos pinçar somente as palavras ou frases diretamente
relacionadas com o assunto em pauta.
Dentre os livros lidos gostaríamos de destacar: O Livro dos Espíritos, O
Evangelho Segundo o Espiritismo, Breve História de Pestalozzi, Allan Kardec (pesquisa
biobibliográfica e Ensaios de Interpretação), em três volumes, e mais os livros: O que é
Pedagogia, O que é Educação e Pedagogia da Autonomia.
IX
Quanto a escolha do tema, tivemos por motivo falar sobre assuntos que
amamos e por isto,estudamos com prazer (Educação e Religião) porque sempre encaramos
a religião,bem como também a educação, com o objetivo de despertar no homem o amor a
Deus, ao próximo, a si mesmo. Daí o tema: Educar pela Religião. Como somos Espíritas,
abordamos a Doutrina Espírita, ou o Espiritismo que é a mesma coisa.
O autor apresenta o resumo dos seguintes capítulos :
Capítulo I - Neste capítulo o autor tem como objetivo definir o espiritismo,
mostrando-o como doutrina educativa, apresentando, ainda, dois vultos que muito se
destacaram na educação.
Capítulo II - O autor objetiva apresentar o método educacional de Allan
Kardec.
Capítulo III - O autor resume neste capítulo a metodologia educacional
utilizada por Pestalozzi.
X
Carta aos Mestres
“Persiste em ler, exortar e ensinar.”__ Paulo ( I Timóteo, 4:13)
“Meu amigo, tu que vives
No santo esforço do ensino,
Estás a criar um mundo
Num cérebro pequenino.
Muita vez, és responsável,
Ante a justiça do Além,
Se deixaste de ensinar
As puras noções do Bem.
Guarda, em tudo, por modelo
Aquele Mestre dos mestres,
Que é o amor de todo o amor
Na luz das luzes terrestres.
Se te desvias no mundo,
Na estrada das tentações,
Podes cair, arruinando
Centenas de corações.
Se existem pais na matéria
Do organismo terrenal,
Tu formas os pais do mundo
Na senda espiritual.
Mas, se te elevas, criando
Luzes novas da Verdade,
Caminharás para Deus,
Em santa felicidade.
Prepara-te na tarefa
Com o auxilio de Jesus,
Que faças em teus ensinos
Cada vez mais vida e luz.
Depois das mães devotadas
É a ti que o Cristo confia
A missão da caridade
Que instrui, remodela e guia.
Não te lembras do Evangelho?
Seu roteiro ainda é o nosso.
Um cego guiando cegos
Cai sempre dentro do fosso.
Cada lição de teus lábios,
Seguida do bom exemplo
É uma coluna divina,
Sustentáculo de um templo.
Tem zelo contigo próprio,
Embora as pedras, o espinho...
Há muitos irmãos na Terra
Com os olhos no teu caminho.
Nas lições de cada dia,
Busca ensinar, com perdão,
Guarda acima dos compêndios
O livro do coração.
Acolhe a todos. A idade
Não representa saber,
Ampara o velhinho rude
Desejoso de aprender.
Meu amigo, Deus te ajude
A entender o Bom Pastor.
Que sejas sobre este mundo
O Mensageiro do Amor.”
XI
As Bem – Aventuranças dos Educadores.
Geraldo Lemos
Bem - aventurados sejam os educadores.
Que fazem a Educação pela Educação
e que procuram manter bem acesa a chama do ideal de dar de si em favor do próximo.
Bem - aventurados sejam os educadores
Que são partidários da melhoria do ensino, das idéias pedagógicas novas e producentes; que
não se amesquinham e jamais deixam de batalhar ou se anulam.
Bem – aventurados sejam os educadores
Que sabem fazer de suas salas de aula lugar, onde só se respira oxigênio do Amor,
Compreensão, Carinho, Harmonia e Camaradagem.
Bem – aventurados sejam os educadores
Que fazem da correção de atitudes, da inteireza de caráter, da dignidade, do ânimo forte e
da elevação de princípios suas únicas normas de conduta, sendo exemplo maiúsculo para os
educandos.
Bem – aventurados sejam os educadores
Que não impedem os alunos de terem suas opiniões próprias, com suas idéias, e que os
exercitam na comunicação criadora, ampliando horizontes de vida e fortalecendo o
processo educativo.
Bem – aventurados sejam os educadores
Que dominando perfeitamente o conteúdo de suas disciplinas dão aulas, não para si
próprios; mas para todos os seus discípulos, levando-os a se apropriarem do saber como
instrumento de melhoria social e afirmação da sua dignidade.
Bem – aventurados sejam os educadores
Que jamais se mostram omissos e acomodados e que perseveram na semeadura; pouco
importando se a terra se mostre árida, se chove torrencialmente ou se o sol é inclemente e
se a colheita valerá o valor monetário recebido.
Bem – aventurados sejam os educadores
XII
Que iluminam seu sacerdócio com o sonho de um futuro melhor, contribuindo para a
Escola digna e responsável, esquecidos das canseiras e sacrifícios ou do não reconhecimento dos seus próprios méritos.
Bem – aventurados sejam os educadores
Que ao final de suas jornadas olhem para o passado e vejam que deixaram rastros bem
marcantes e positivos pelos caminhos percorridos.
XIII
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
15
CAPÍTULO I
19
CAPÍTULO II
45
CAPÍTULO III
57
CONCLUSÃO
71
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
77
BIBLIOGRAFIA CITADA
80
ANEXOS
83
INDICE
92
FOLHA DE AVALIAÇÃO
93
XIV
INTRODUÇÃO
“Ide, fazei discípulos de todas as
nações. Ensinando-os a guardar todas
as coisas que vos tenham mandado”. Jesus. (Mt, 28:19 e 20.)
Provavelmente todos já tenhamos visto, ouvido ou lido a frase: educar é
amar, que talvez tenha sido a maneira mais econômica de expressar o que pensamos sobre
educação. O Problema está em entendermos o significado do verbo amar, muitíssimo
abrangente.
O amor é assim recomendado por Jesus, o Educador dos educadores de todos
os tempos, em todos os setores da vida: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao
próximo como a nós mesmos.
O lar é a primeira escola, os pais são os primeiros professores. Assim, em
casa, a criança tem pais e professores, na escola, professores e pais, ambos com a
incumbência de ministrar-lhes conteúdos para lhes aperfeiçoar e desenvolver as qualidades
físicas, intelectuais e morais inatas a todos nós; nascemos com elas, foram dadas pelo Pai
Maior. Deus é amor, é preciso interiorizar isto. Trazemos em germe tudo que é preciso para
atingirmos a angelitude. Para chegarmos lá uma só senha há: Amar, amar sempre, ao
Criador, ao próximo, a nós mesmos.
Narra-nos o autor: Sou de família interiorana, minha mãe analfabeta, o amor
era-lhe virtude predominante, atingia os corações com sua simpatia e simplicidade; meu pai
autodidata, poliglota, de conhecimentos gerais vastíssimos, exercia a autoridade como
elemento educativo dominante.
15
Continua a narrativa do autor:Os filhos, éramos cinco casais, nosso genitor
educava-nos a sua maneira, muito eficaz por sinal. Disse-me ele certa feita, sendo eu
adolescente: filho, você tem cinco irmãs, não faça às filhas dos outros aquilo que você não
gostaria que fosse feito às minhas. Por amar minha família, aprendi a respeitar às e
mais.Ensinou-me ele em outra ocasião: Waldemar, se eu tiver subido em uma árvore e
alguém me indagar sobre algo de meu conhecimento, respondo lá de cima, não desço para
depois responder. Deste modo compreendi que o tempo é precioso, que a educação não
pode esperar, é urgente, que quem aprende pode, deve e necessita ensinar, aperfeiçoando
desta forma, aquilo que aprendeu. Por fim, lembro-me dele ter dito: Para que o homem se
realize é preciso três coisas: Escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Mostroume com a tríade acima exposta muitos pontos para meditação, dentre eles a necessidade de
estudar, preservar a natureza, respeitando-a e possibilitar a continuidade da espécie,
evitando-lhe a extinção.
A escola é uma continuação do lar, os pais entregam os filhos ao
educandário e este, através de seus professores, dá continuidade à educação iniciada pelos
pais, ajudando-os na ampliação dos conhecimentos de seus filhos. Portanto, a união lar e
escola, pais e professores é indispensável para que o aprendizado aconteça em totalidade,
mas “para esse formoso mister são indispensáveis o amor, o conhecimento e a disciplina, de
maneira que se lhe insculpam no imo as lições que o acompanharão para sempre”3. São
estas, condições indispensáveis para que o aprendizado seja global, além dos compêndios
escolares direcionando-se à família, à sociedade e à religião. Religião com fundamentos
amplos estribados na moral vivida e ensinada por Jesus, o Educador por excelência, que
disse: “Vós Me chamais de Mestre e Senhor e dizeis bem porque Eu O sou”.(Jo,13:13)
O Espiritismo reconhece como verdadeiro o Ensino Paulino: “ O saber
ensoberbece, mas o amor edifica”, em sua primeira epístola aos coríntios capítulo 08
versículo 01 ( I co, 8:1). Ratificando o ensinamento acima, o Espiritismo se utiliza das
palavras do doutor Bezerra de Menezes e assim diz: “A sabedoria é valiosa, mas necessita
ajustar-se ao sentimento enobrecido para erguer-se em serviço e auxílio, sustento e
16
equilíbrio, vida e luz.”4. A Doutrina Espírita usa Também as palavras do Espírito de
Verdade e desta forma se pronuncia: “Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento;
instruí-vos, este o segundo”5
Na visão Espírita, a educação é muito ampla e profunda, o alvo é o Espírito,
assim o objetivo é educar em profundidade, ajudando-o a vencer seus maus pendores
contribuindo para a correção de seus defeitos auxiliando-o a adquirir bons hábitos. Desta
forma podemos dizer: falta-nos educação, em outras palavras falta-nos amor. Lembremos:
educar, em essência, é amar, e ainda mais, poderemos dizer: “A educação da alma é a alma
da educação.”
Concluímos que a educação é responsabilidade de todos, pois que a Terra,
além de Lar bendito, Oficina de trabalho libertador é também Educandário sagrado, e
assim, no futuro, “haverá no Globo uma só Pátria, a da Luz, uma só Bandeira, a da paz e
um só Pastor que é Jesus.”
O maior bem que podemos doar ao homem é a educação, pois quem é
educado pode, é livre, é detentor de bem inalcançável, o ladrão não rouba, a traça não rói, a
ferrugem não consome, a morte não arrebata. É um bem intransferível, é conquista nossa, é
resultado de trabalho árduo. Não o perderemos jamais, ao contrário, será ampliado através
das vidas múltiplas e pela sucessão dos séculos, porque a educação está intimamente
ligada ao progresso que é sem fim, eterno portanto. O Espiritismo visto como Ciência de
pesquisa, Filosofia de comportamento e Religião de vivência, nos conduz a uma visão
profunda do que vem a ser educar, levando-nos a compreender que a educação é espiritual,
é humildade. Sem ela não há salvação. Como a salvação é desejo de todos, dizemos em alto
e bom som: É preciso instruir-se para bem instruir, preparando-se assim para a vida, é
necessário educar-se para eficazmente educar, atingindo a possibilidade de dar vida e, em
abundância, é imprescindível evangelizar-se para eficientemente evangelizar salvando
3
FRANCO, Divaldo Pereira. Adolescência e Vida. 4ºed.- Salvador-BA: Editora: Livraria Espírita Alvorada,
1998. Introdução. Adolescência e Vida. P.12.
4
SILVA, Maria de Lurdes Cordeiro. Jornada de amor ( Antologia mediúnica de Espíritos diversos). 2ºed.Espírito Santo: Departamento editorial Casa Espírita Cristã, 1983. cap.21: Fé, Conhecimento e Moral p.97.
5
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 98ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988 cap. 6: O
17
vidas por meio do pensamento puro e operante, realizador; da palavra que esclarece, alegra,
conforta, ergue; do exemplo que arrebata possibilitando aos que estão no caminho reto
continuarem nele, aos desviados do verdadeiro aprisco, retornarem ao seio do Divino
Pastor.
O bom livro é fonte de luz e alegria, esclarece e ilumina, é benção de amor e
luz. Mas para que ele alcance o seu objetivo é preciso sair das prateleiras, e, assim, estando
aberto será cérebro a falar sobre as Verdades que nos farão livres, porém responsáveis;
fechado estará como amigo lamentando-nos por permitir-lhe a inutilidade, enquanto, não
longe, há imensa fome de saber; esquecido será uma alma com necessidade de nos perdoar
pela insensatez de
nos deixar ociosos; destruído será um coração a verter lágrimas,
lamentando-nos o gesto de incúria.
A humanidade está faminta de livros de qualidade, carente de leituras
salutares, sedenta de educação. Uma nação só será forte, livre e independente se seus
integrantes forem educados através de livros de boa qualidade, que os levem a ser
disciplinados, moralizados, despertando-lhes o amor, a Jesus, a Deus.
Vamos, assim, meditar no que disse Jesus (Mt, 28:19 e 20), legando-nos a
todos a função de educadores. Todos, sem exceção, temos necessidade de aprender e
possibilidade de ensinar. O progresso é sem fim, é ele que nos conduz a conquista da paz,
mas para isto precisamos nos alimentar de Evangelho. “Ai de mim, se não ensinar o
evangelho”, dizia Paulo, o apóstolo.
18
CAPÍTULO I
NOÇÕES BÁSICAS E FUNDAMENTAIS DE: O QUE É O
ESPIRITISMO
19
DEFINIÇÃO
“Espiritismo é uma doutrina definida por Allan Kardec como sendo a
Ciência que trata da origem, natureza e destino dos Espíritos bem como das relações que
existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Ensina-nos ainda a crença em Deus,
na comunicabilidade dos Espíritos, na imortalidade da alma, na pluralidade dos mundos
habitados e na reencarnação.”6
Crença em Deus:
Para o Espírita, “Deus é a inteligência suprema, a causa primária, ou
primeira de todas as coisas.”7
A prova da Sua existência está em um axioma que aplicamos as nossas
Ciências: Não há efeito sem causa. Procuremos a causa de tudo o que não é obra do
homem, e nossa razão responderá.
O Universo existe; ele tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria
negar que todo o efeito tem uma causa, e dizer que o nada pode fazer alguma coisa.
Não podemos compreender a natureza íntima de Deus, falta-nos para isto
recursos.
No entanto, por hora e no mundo em que vivemos os atributos do Criador
são:
Deus é Eterno, ou seja, sempre existiu e existirá;
Deus é imutável, não está sujeito a mudanças;
Deu é imaterial, Sua natureza difere de tudo o que entendemos por matéria;
Deus é único, havendo Deuses não haveria unidade de vistas;
6
FRANCO, Divaldo Pereira. Elucidações Espíritas, 1ºed.- São Gonçalo: Editora Sociedade Espírita Joanna de
Angelis,1991. passim
7
KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos, 38ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978. passim
20
Deus é Todo-Poderoso, porque é único;
Deus é soberanamente Justo e Bom, a sabedoria Divina não nos permite
duvidar da Sua Justiça e Bondade.
Podemos ainda dizer que Deus é:
Onipresente, ou seja, está em todo lugar ao mesmo tempo;
Onisciente, pois que tudo sabe;
Onipotente, porque tudo pode;
Oniparente, porque tudo cria, tudo produz.
Comunicabilidade dos Espíritos:
Influem os Espíritos em nossos pensamentos e atos muito mais do que
supomos, influem a tal ponto que de ordinário são eles que nos dirigem, respondem os
Espíritos a Allan Kardec a uma pergunta que lhes fora dirigida n’O Livro dos Espíritos de
número 459.
Se não houvesse homens maus na terra não haveria Espíritos maus em seu
derredor, diz-nos Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo.
“São as nossas imperfeições que os atraem. Assim, o melhor meio de
expulsar os maus Espíritos é atrair os bons Espíritos. Sede sempre bons e só tereis Espíritos
bons ao vosso lado.”8
O filósofo grego Tales de Mileto dizia: O mundo é cheio de deuses. Os
deuses antigos eram Espíritos, segundo nos explica o Espiritismo.
Há espíritos por toda a parte; há uma nuvem de Espíritos a nossa volta, dizia
Paulo, o apóstolo.
Imortalidade da alma:
8
KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns, 4ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1975. Questão 132 p.155
21
A terapia de vidas passadas (TVP) feitas pelos psiquiatras demonstra a
pluralidade de existências passadas, ou seja, que já vivemos em outras épocas. Aceitarmos
a possibilidade de vidas anteriores à atual nos leva a concluir que teremos outras vidas
futuras.9
Pluralidade dos mundos habitados:
Espírita confesso, o escritor e astrônomo francês Camille Flammarion (1842
1925), em 1860 lançou o livro Pluralidade dos Mundos Habitados, há cerca de cento e
quarenta anos, contribuiu com Allan Kardec na construção do seu edifício doutrinário e,
desta forma, o título do mencionado livro foi um dos cinco pilares que serviram de
sustentação da Doutrina Espírita.
Todos os globos que circulam pelo espaço são habitados, e o homem terreno
está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há
homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno Globo (planeta
Terra) tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Crêem que
Deus criou o Universo somente para eles, dizem os Espíritos a Kardec.
Comenta Kardec: “Deus povoou os Mundos de seres vivos, e todos
concorrem para o objetivo final da providência”.
Fala-nos o salmista David no Salmo 19-01: “Os céus proclamam a glória de
Deus e o Universo anuncia as obras de Suas mãos”.
O educador e orador Espírita Divaldo Pereira Franco pronuncia-se, dizendonos afirmar a Astronomia:
“ A olho nu vemos duas mil e quinhentas estrelas;
Com o uso de binóculo comum, cento e vinte mil;
Com o uso de telescópio regular, trezentas mil;
9
MENEZES, Milton. Terapia de vidas passadas e espiritismo: distância e aproximações.
22
2ª
Rio de
Com o uso do telescópio do Monte Palomar (Califórnia - EUA), trinta
bilhões.
“A ciência, através dos radiotelescópios (aparelho receptor que permite
observações astronômicas em faixa de comprimento de onda, possibilitando grande
alcance) detectam estrelas a quinze bilhões de anos luz.
Nossa galáxia possui mais de duzentos milhões de sóis.
Há aproximadamente quinhentas mil galáxias.
A luz (velocidade igual a trezentos mil quilômetros por segundo) leva cem
mil anos para atravessar nossa galáxia”.
O número de estrelas da Via Láctea é superior a cem bilhões.
Uma pessoa contando uma estrela por segundo levaria mais de trezentos
anos para contar todas as estrelas de nossa galáxia”.
“Nossa Galáxia, a Via-láctea, é plana, semelhante a um ovo frito, a uma
panqueca levemente espessa na parte central. Gira em torno de seu centro da mesma forma
que os planetas giram em torno do sol (Heliocentrismo). Este movimento é periódico e seu
período é de duzentos milhões de anos. Como a Terra está situada entre o centro e o bordo
da Galáxia, nossa velocidade é naturalmente muito menor que a velocidade do bordo.
Viajamos a quinhentos quilômetros por hora. Fala-nos Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
no livro Astronomia Popular”.
A Ciência, através da Física demonstra:
Nosso planeta, a Terra, com seis mil e quatrocentos quilômetros de raio gira
no seu movimento de rotação com uma velocidade aproximada de mil e seiscentos
Janeiro: Leymarie, 2000.
23
quilômetros por hora e no seu movimento de translação a cento e oito mil quilômetros por
hora.
Após o exposto, chegaremos a seguinte conclusão: Nada é estático, tudo é
dinâmico, tudo é movimento. Por fim, diremos de maneira conclusiva: Deus é Poder, é
Sabedoria, está presente em tudo, é o Criador de todas as coisas. Em resumo:
Indiscutivelmente Deus é Amor.
Nosso Planeta em relação ao Universo, como vemos, é uma gota d’água em
relação ao maior dos oceanos, e para que? Será somente para extasiar a uns poucos? Pois a
grande maioria não conhece quase nada da Terra em que vivemos, e ainda muito menos do
Universo, como um todo. Terá Deus criado tudo isto inutilmente? O Espírita acredita que
tudo que o Pai faz é grande, nobre, bom e útil.
Crença na reencarnação:
A alma que não atingiu a perfeição durante a vida corpórea acaba de
depurar-se submetendo-se a uma nova existência, tendo o homem muitas existências
corpóreas. Todos nós temos necessidades, para nos depurarmos, de múltiplas vidas
corpóreas.
Resulta desse princípio que após ter deixado o corpo a alma toma outro, em
outras palavras, ela reencarna utilizando-se de um novo invólucro carnal.
A reencarnação tem por finalidade: Expiação, melhoramento progressivo da
humanidade. Sem isso, onde estaria a justiça de Deus?
Fala-nos, Castro Alves, sobre a rencarnação:
Castro Alves (14 de março
de 1847
de julho de 1871) , poeta baiano
“Há mistérios peregrinos
É a luta
eternaa e06
bendita,
No
mistério
dos destinos
assim
se pronuncia
em relação a encarnação,
através de
Chico Xavier em seu poema
Em que o Espírito
se agita
Que nos mandam renascer:
Marchemos:
Da
luz do Criador nascemos,
Na trama da evolução;
Múltiplas vidas vivemos,
Oficina onde a alma presa
Para a mesma luz volver.
Forja 24
a luz, forja a grandeza
Posteriormente, o Espiritismo passou a ser visto no tríplice aspecto: Ciência,
Filosofia e Religião.
Diz-nos Divaldo Pereira Franco: O válido para nós Espíritas, é o que Kardec
propôs, os Espíritos assentiram e a Doutrina Espírita preservou. O Espiritismo, pela sua
origem, é uma Ciência de pesquisa, uma Filosofia de comportamento e uma Religião de
vivência. Em nossa Doutrina, há mais religiosidade do que religiosismo. A religiosidade é
um estado de crença interior, o religiosismo é um aparato.
Emmanuel (Espírito) através do médium Francisco Cândido Xavier nos diz:
“Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado como um triângulo de forças espirituais.
A Ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a
Religião é o ângulo divino que a liga ao céu. No seu aspecto cientifico e filosófico, a
Doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas. No aspecto religioso,
todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus,
estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza de seu imenso futuro
espiritual.”10
O Espiritismo proclama: “Fora da caridade não há salvação, salvação no
sentido de reparação, restauração, refazimento, mas admite: Fora da igreja e fora da
verdade há salvação.
Paulo, o apóstolo, assim se pronuncia no Evangelho Segundo o Espiritismo,
capítulo15:
“Meus filhos, na sentença: Fora da caridade não há salvação, estão
encerrados os destinos dos homens, na Terra e no Céu; na Terra, porque à
sombra desse estandarte eles viverão em paz; no Céu, porque os que a
houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Não poderia o
10
XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador, 13ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1986 p.19 e 20.
25
Espiritismo provar melhor a sua origem do que a apresentando como regra,
por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia
nunca o homem se transviará. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como
também fareis que pratiqueis o bem”. Meus amigos, agradecei a Deus o
haver permitido que pudesses gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente
as que a possuem é que hajam de ser salvos; é que, ela vos faz melhores
cristãos. Esforçai-vos para que vossos irmãos, observando-vos sejam
induzidos a reconhecer que o verdadeiro Espírita e o verdadeiro cristão são
uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são
discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.”11
Enquanto a máxima “fora da caridade não há salvação” se apóia num
princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso a suprema felicidade, o dogma
fora da igreja não há salvação se estriba, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade
da alma, fé comum a todas as religiões, porém, numa fé especial em dogmas particulares; é
separatista e incontestável. Longe de unir os filhos de Deus, separa-os, em lugar de
estimulá-los ao amor fraterno mantém e deixa evidente o rancor entre os seguidores de
cultos diferentes.
Fora da verdade é igualmente exclusivo, porque nenhuma seita há que não
pretenda ter o privilégio da verdade.
O Espiritismo, admitindo a salvação para todos, independente de qualquer
crença, contanto que a lei de Deus seja observada, não diz: Fora do Espiritismo não há
salvação; e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz, Fora da
verdade não há salvação, pois que esta máxima separa em lugar de unir e perpetua os
antagonismos, isto é, as rivalidades.
O Espiritismo considera que instruir, educar e evangelizar são verbos com
significados diferentes e assim se pronuncia: Quem instrui prepara para a vida; quem educa
11
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 98ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988 p.261 e
26
dá vida; quem evangeliza salva vidas. Que seja nossa a tarefa da educação pela instrução e
pelos hábitos ou à luz do Evangelho, para que a vida seja fomentada e se torne vida.
A Doutrina Espirita vê Jesus como autoridade máxima, foi o Guia, o Modelo
mais perfeito que Deus ofereceu ao homem. Inspirado sempre pelo Pai Maior foi
verdadeiramente o Médium de Deus. É o Mestre Nazareno o tipo de perfeição moral a que
a humanidade pode aspirar na Terra. O Criador no-lo oferece como o mais perfeito Modelo,
e a Doutrina que Ele ensinou é a mais pura expressão de Sua lei. Foi o ser mais puro que já
apareceu no Orbe. Portanto, Jesus é visto pela Doutrina Espírita como o Excelente Filho
de Deus, o Supremo Governador Espiritual do nosso planeta. Também na educação, é Ele
considerado o Educador dos educadores e assim se expressa o poeta vassourense Casimiro
Cunha (1880 - 1914), através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, no seu poema
Espiritismo:
Gloriosa, divina e forte,
Que clareia toda vida
E ilumina além da morte.
É árvore verde e farta
Nos caminhos da esperança,
Toda aberta em flor e fruto
De verdade e de bonança.
É uma fonte generosa
De compreensão compassiva,
Derramando em toda parte
O conforto d’Água Viva.
É a claridade bendita
Do bem que aniquila o mal,
O chamamento sublime
Da vida Espiritual.
É o templo da Caridade
Em que a Virtude oficia,
E onde a bênção da Bondade
É flor de eterna alegria.
Se buscas o Espiritismo,
Norteia-te em sua luz:
Espiritismo é uma escola,
E o Mestre Amado é Jesus”.
“Espiritismo é uma luz
O Espiritismo nos ensina que a educação não começa com a vida carnal, no
berço ou
junto das mães, ela continua, prossegue , avança para um novo ciclo de
experiência na carne, mesmo porque também no intervalo entre um vida e outra
(erraticidade) o Espírito (desencarnado) aprende e, portanto, educa-se .
“A educação do ser humano é de vital importância, de vez que é através
dela que se viabiliza o processo educativo. A educação Espírita contudo, não preconiza
27
esta ou aquela forma, este ou aquele modelo, mesmo porque fórmulas e modelos são
transitórios e precisam ser flexíveis, não apenas para atendimento de condições locais e
temporais específicas, como porque também a metodologia é categoria evolutiva como o
próprio ser humano. Haverá sempre espaço adiante e acima para conceber, testar e
melhorar qualquer metodologia educacional. A Doutrina prefere mostrar os valores
permanentes da vida para que no âmbito deles, se movimentem
com liberdade e
criatividade responsáveis os educadores.
Uma advertência contudo, impõe-se aqui: A de que continua fazendo falta
ao correto equacionamento dos problemas educacionais o conceito de rencarnação. Esta é a
opinião de Hermínio Miranda, escritor e orador Espírita expressa no livro “O Espiritismo e
os Problemas Humanos”.12
A educação é permanente, não cessa, continua sempre. Willian Kilpatrick,
nessas palavras definiu a educação: “É preparação da criança para uma civilização em
mudança. É preparação para a vida. Nas palavras de John Dewey ( 1859-1952), temos:
Educação é vida.
Paulo Freire, nos diz: Não há docência sem discência, e continua, ensinar
não é transferir conhecimentos, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua
construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Ensinar
inexiste sem aprender.”13
Graças às “ Ciências da Alma” sabemos que a educação é fundamental à
vida. Sendo o Espiritismo a Doutrina que desvelo o passado do Homem, apresentando a
anterioridade da vida e as suas conseqüências no contexto da atualidade, oferece aos
educadores os meios hábeis para ver, na criança, não o homem miniatura da conceituação
escolástica, mas o espírito em aprendizagem ou em reeducação, dando-lhe os recursos
12
AMORIM, Delindo e MIRANDA, Hermínio C. O Espiritismo e os Problemas Humanos, 2ºed.- São Paulo;
editora: União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (U.S.E) p.141.
13
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia ( Saberes necessários à prática Educativa), 15ºed.- São Paulo:
Editora: Paz e Terra ( coleção Leitura), 1996 p. 23 a 26.
28
valiosos afim de que adestrado pela cultura moderna, possa, com os meios de natureza
psíquica, psicossomática, armar-se para vencer os impedimentos, os limites e as
dificuldades que terá para frente.
“Tudo que se faz com amor dá certo. Educar é principalmente tirar da
escuridão. É como ensinar o mundo. Você está dando uma luz e isso é muito gratificante”14,
diz a professora Maria do Amparo.15
Em seu livro Muitas Vidas, Muitos Mestres, o professor Weiss (doutor Brian
L. Weiss), psiquiatra e neurologista de renome, prova de modo inquestionável através da
Terapia de Vidas Passadas (TVP) que já tivemos muitas vidas. Assim, a reencarnação é
cientificamente provada. O Espiritismo a toma como um de seus postulados, bem como a
imortalidade da alma. Daí dizer-nos a Doutrina Espírita, somos imortais, eternos fadados a
perfeição, em outras palavras, não somos perfeitos, mas somos perfectíveis.
Allan Kardec acreditou de tal maneira nesta realidade que mandou escrever
em seu túmulo: Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, esta é a lei.
Definiu o sábio lionês, Allan Kardec o verdadeiro Espírita nestas palavras:
Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que
emprega para domar suas inclinações más. Enquanto o Espírita imperfeito se contenta com
o seu horizonte limitado, o Espírita verdadeiro, que apreende alguma coisa de melhor, se
esforça por desligar-se dele e quase sempre o consegue, se tem firme a vontade. Diz-nos
Divaldo: Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, não teve a pretensão de dizer
mais ou mesmo tanto quanto Jesus, procurou sim, atualizar em linguagem compatível com
a Ciência o que Jesus havia dito em forma de parábolas. Não disse, Kardec, a primeira nem
a última palavra, reconheceu sua condição de inferioridade em relação a Jesus, e foi
taxativo quando asseverou que o Espiritismo acompanha o que a Ciência informa: Se a
14
MOYSÉS, Lucia Maria Moraes. O Desafio de Saber Ensinar, 5ºed.- São Paulo: Editora Papirus, 2000.
p.103
15
WEISS, Brian L., Muitas Vidas , Muitos Mestres. Círculo do Livro LTDA- caixa postal 7413.
29
Ciência provar que a Doutrina Espírita está errada em um ponto, nós abandonaremos este
ponto e seguiremos a Ciência. Declara-nos que a Revelação é contínua e progressiva.
Quando Kardec dividiu as Revelações humanas em três ciclos, ele o fez
considerando os grandes empenhos dos Reveladores para a humanidade. O primeiro ciclo
Moisés, porque o Decálogo foi a maior Revelação tendo a justiça como elemento central. O
grande legislador Hebreu, desta forma, se expressa na Bíblia Sagrada em Êxodo 21-24e25:
Olho por olho, dente por dente, mão por mão,pé por pé, queimadura por queimadura,
ferimento por ferimento, golpe por golpe. O segundo ciclo Jesus, porque é a lei do amor, ou
seja, era o amor o elemento principal e assim se expressou o Messias Nazareno, segundo a
narração do apóstolo Mateus 5-38e39: Aprendestes que foi dito: Olho por olho e dente por
dente.__ Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau que vos queiram fazer; que se
alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra. O terceiro ciclo o
Espiritismo, porque situou a justiça e o amor em uma síntese primorosa: A caridade! E
desta forma ensina: Fora da caridade não há salvação. Assim, a Doutrina Espírita além do
amor pregado pelo Divino Pastor, aceita todos os ditos, todos os feitos e todo o Evangelho
do Senhor. Não nos referimos aqui exclusivamente aos quatro Evangelhos segundo Mateus,
Marcos, Lucas e João, mas aos vinte e sete livros do Novo Testamento. Aceitamos o
Evangelho integralmente, sem nenhuma presunção de superar o ensino de Jesus, senão
explicar, desenvolver completar e atualizar sob inspiração do consolador prometido por
Jesus, segundo a narrativa de João no Evangelho, capítulos 14, 15 e 16.
Para o Espiritismo, todos fomos criados simples e ignorantes, ou seja, sem
conhecimentos. Os Espíritos evoluem passando pelas provas que lhes oferecem. Não há
demônios, no sentido de eternidade, todos, por menores que sejamos, chegaremos a
angelitude, de outra forma, partindo do átomo chegaremos ao arcanjo, do quase nada para o
quase tudo. Os Anjos foram criados como nós e chegaram onde estão através da lei do
progresso, em outras palavras, evoluíram partindo do átomo. Somos hoje o que os anjos
ontem foram, seremos amanhã o que os anjos hoje são.
30
O Espiritismo é, desta forma, uma Doutrina de bom senso, procura
conduzir-nos ao conhecimento da verdade para vivê-la com responsabilidade. Mostra a
Doutrina que a sabedoria é valiosa, mas necessita ajustar-se ao sentimento enobrecido para
erguer-se em serviço e auxílio, sustento e equilíbrio, vida e luz. Ou ainda poderíamos fazer
de nossas, as palavras de Michel Eyquem de Montaigne ( 1533-1592): “O saber, no seu
verdadeiro e reto uso é a mais nobre e mais poderosa aquisição dos homens. Mas toda e
qualquer ciência é perigosa àquele que não tem a ciência da bondadse”16. Mostra-nos ainda
que o Espiritista está no dever de “compreender e ajudar, amar e perdoar, educar e
construir, distribuindo tarefas edificantes e bênçãos de luz renovadora onde estiver.”17
Kardec foi considerado por Camille Flammarion, o poeta dos céus, seu
amigo pessoal e dedicado, como o bom senso encarnado por ter codificado a Doutrina dos
Espíritos, que tem por sustentação o raciocínio e a reflexão e Casimiro Cunha, o poeta
vassourense, em sua linguagem poética mostra a importância e a beleza do Livro Espírita
na educação através da poesia:
ANTE O LIVRO ESPÍRITA
“Ampara a escola que ensina,
Que alfabetiza educando;
Mas, sustenta o livro espírita,
Que esclarece iluminando.
Cinema? Rádio? Tevê?
Quantas fontes de emoção!
Mas, somente o livro espírita
Aclara tua razão.
Conheça o noticiário
Quanto aos sucessos do dia;
Mas, consulta o livro espírita,
Fonte de luz e alegria.
Ampara o desalentado
Ante as provas do momento;
Oferta-lhe o livro espírita
Que clareia o entendimento.
Aconselha bons produtos
Do asseio conveniente;
Mas, divulga o livro espírita
Como higiene da mente.
Constrói teu próprio ambiente
No direito a que faz jus,
Mas, recorda: Livro espírita
É bênção de amor e luz!”
16
WANTUIL, Zêus e THIESEN Francisco. Allan Kardec ( Meticulosa pesquisa Biobibliográfica), 4ºed.- Rio
de Janeiro: Editora FEB, 1984 .p. 92 e 93.
17
XAVIER, Francisco Cândido. Alvorada Cristã, 2ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1948 .p. 103.
31
O título: Noções Básicas e Fundamentais de: O que é o Espiritismo é
justificado por algumas poucas informações aqui apresentadas.
O Espiritismo ainda diria como normas fundamentais para desfrutarmos da
paz e da felicidade que nosso acanhado Planeta de provas e expiações (classificação esta
dada pela Doutrina dos Espíritos conforme O Evangelho Segundo o Espiritismo 3-4) pode
nos ofertar:
- O sol brilha lá fora, ajude-o a brilhar dentro de você através dos seus feitos
nobres.
- Você nasceu para ser feliz, mas a felicidade é efeito, resultado da vivência
do seu dia a dia.
-
Você nasceu para amar, é preciso lembrar o ensinamento de Francisco de
Assis: É dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado...
-
Você não nasceu para ser servido, mas para servir, ajudar, ser útil,
alegrar a vida do seu próximo. O pensamento básico é este: Quem não
vive para servir não serve para viver.
-
o mal que me fazem não me faz mal, se eu não deixar, se eu viver no
bem, fazendo o bem sem me importar a quem. O mal que mal me faz é o
mal que faço. Este mal sempre mal me faz.
- Você está fadado ao progresso, ele ocorrerá por dois caminhos: O amor e a
dor. Quem vai escolher é você. Não esquecendo nunca disto: O bem que se faz anula o mal
que se fez.
32
Biografia de Allan Kardec
Allan Kardec, cujo verdadeiro nome é Hippolyte Léon Denizard Rivail,
nasceu na cidade de Lion (França), a 3 de Outubro de 1804.
33
Rivail, realizou seus primeiros estudos em Lion, completando-os em
Yverdon (Suíça) no então famoso Instituto de educação Pestalozzi (1805-1825), aí
ingressando com dez anos de idade, permanecendo até o final de 1822 presumivelmente,
retornando a Paris em janeiro de 1823.
Procurando seguir as pegadas do mestre Pestalozzi, cujo método permitia ao
povo e às crianças em geral uma educação mais adequada, mais racional e mais prática,
Rivail iniciou seu trabalho no magistério, e de 1824 a 1855 publica cerca de vinte livros
sendo o primeiro: Curso Prático e Teórico de Aritmética, segundo o método pestalozziano.
Entre outras matérias lecionou, por cerca de 30 anos como pedagogo de
incontestável autoridade: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica,
Anatomia Comparada e Francês. Conhecia o alemão, o inglês, o holandês, assim como o
latim, o grego, o gaulês e algumas línguas neolatinas.
Casa-se em 6 de fevereiro de 1832 com a professora de Letras e Belas-Artes
e escritora Amélie Gabrielle Boudet (21 de novembro de 1795 a 21 de janeiro de 1883) – a
Gaby –,que havia publicado três livros: Contos Primaveris (1825), Noções de Desenho
(1826) e o Essencial em Belas Artes (1828).
Mostrando-nos seu imenso desprendimento no que se refere às coisas
materiais, fundou em sua própria casa cursos gratuitos das disciplinas que lecionava, quais
sejam: Matemática, Química, Física, etc, para sanar as dificuldades de estudantes carentes
e, deste modo lecionou de 1835 a 1840.
Em 1855, as manifestações consideradas novas das mesas girantes ou
falantes atraíram a atenção pública. Allan Kardec com imensa paciência acompanha essas
ocorrências levadas a efeito em Paris como em diversas outras cidades da França e de
outros países.
34
A partir de meados de 1855 é que o professor Allan Kardec iniciou seus
estudos sérios de Espiritismo, nele encontrando, afinal, o elemento com o qual é possível
eliminar algumas das dificuldades impeditivas, facilitando entendimento entre as religiões
Allan Kardec recebe de um grupo de amigos que freqüentava, há cerca de
cinco anos, reuniões onde ocorriam os fenômenos das mesas girantes, o estudo dos
fenômenos reunidos em cinqüenta cadernos com comunicações diversas que não
conseguiram ordenar.
Segundo comunicação espiritual recebida em 11 de setembro de 1856, a
tarefa árdua de compilar, separar, comparar, resumir e coordenar as mensagens espirituais
contidas nos referidos cadernos foi a primeira tarefa do sábio educador.
Assim, em 18 de abril de 1857, ou seja, sete meses após a anúncio dos
Espíritos é publicada a primeira edição de O Livro dos Espíritos contendo 501 perguntas de
Kardec e respectivas respostas de Espíritos Superiores, acrescida de notas e comentários do
Codificador, sendo posteriormente ( 18 de março de 1860 ) ampliado para 1019 questões
que é a segunda edição, aquela que se tornou definitiva, passando a ser adotada e seguida
em todo o mundo espiritista.
No banquete que os espíritas lioneses ofereceram a Allan Kardec, em 19 de
setembro de 1860, o homenageado, ao agradecer as palavras carinhosas dirigidas a ele e à
obra
“O Livro dos Espíritos”, assim ressaltava quase ao começo do seu discurso,
provavelmente se referindo à segunda edição, já lançada havia seis meses (18 de março de
1860):
“O Livro dos Espíritos teve o objetivo de mostrar o alcance filosófico (do
Espiritismo); se este livro tem algum mérito, presunçoso seria eu se disso me glorificasse,
pois a Doutrina que ele encerra de maneira alguma é minha; todo o mérito do bem que ele
tem produzido pertence aos Espíritos Sábios que o ditaram e que se dignaram servir-se de
35
mim. Posso, assim, ouvir o elogio a eles sem que minha modéstia se melindre e sem que
meu amor próprio se exalte”
Em seguida, na ordem cronológica são publicadas as demais obras que
compõem o Pentateuco Espírita:
Livro dos Médiuns em 15 de janeiro de 1861;
Evangelho Segundo o Espiritismo em 15 de abril de 1864;
Céu e Inferno em 1º de setembro de 1865;
A Gênese em 6 de janeiro de 1868.
Allan Kardec, verdadeiramente demonstrou sobejamente sua preocupação
com a educação durante toda sua vida de educador.
Vejamos como se dirige ele aos Espíritos, já como codificador da Doutrina
Espírita:
“A severidade das leis penais não é uma necessidade no estado atual da
sociedade? Pergunta.
“Uma sociedade depravada tem certamente necessidade de leis mais severas.
Infelizmente essas leis se destinam antes a punir o mal praticado do que cortar a raiz do
mal. Somente a educação pode reformar os homens, que assim não terão mais necessidade
de leis tão rigorosas.”18. Resposta.
Outros feitos notáveis foram realizados pelo insigne educador: Revista
Espírita em 12 volumes, cujo 1º volume veio a lume em primeiro de janeiro de 1858;
fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em primeiro de abril de 1858;
lançou O que é o Espiritismo em julho de 1859; anotações doutrinárias que deram origem
ao livro Obras Póstumas publicado em 1890.
18
KARDEC, Allan. O Livros dos Espíritos. 38ºed.- Rio de Janeiro; Editora FEB, 1978. Questao 796.p.324.
36
No momento da publicação do Pentateuco surge um problema embaraçoso
no que se refere ao nome a ser adotado. Cumpridor fiel de sua missão patriota e
humanitária, tornava-se famoso e de autoridade imensa bastando dizer que seu 1º livro até
1876 teve várias edições sendo o 2º no ano de seu lançamento (1824). Sendo seu nome
muito conhecido no mundo científico e podendo originar confusão, adotou o nome de Allan
Kardec, nome que, segundo lhe fora revelado, tivera em outra encarnação ao tempo dos
druidas.
Realizou Kardec, uma série de viagens (em 1860, 1861, 1862, 1864, etc)
percorrendo mais de vinte cidades francesas, além de várias outras da Suíça e da Bélgica,
em todas elas semeando as idéias Espíritas.
Allan Kardec tinha por lema a tríade: Trabalho, solidariedade e tolerância,
considerando a educação como se segue:
É conjunto de hábitos adquiridos.
É pela educação mais do que pela instrução, que se transformará a
humanidade.
A respeito desses dois vocábulos (Educação e Instrução) eis como se
expressou o deputado, escritor, publicista e administrador francês Augustin Cochin ( Paris
1823- Versalhes 1872) biógrafo de Pestalozzi:
A instrução é mais especialmente a aprendizagem da ciência.
A educação é a aprendizagem da vida
A instrução desenvolve e enriquece a inteligência
A educação dirige e fortifica o coração
A instrução forma talento,
A educação, o caráter.
A missão da educação é mais elevada, mais difícil a sua arte.
37
Desencarna Kardec aos 65 anos em 31 de março de 1869, fulminado pela
ruptura de um aneurisma. Sepultado a dois de abril de 1869 no cemitério de Montemartre
em Paris, no ano seguinte transferido para o cemitério Père-Lachaise.
Na pedra tabular, foi insculpida
a seguinte inscrição: Nascer, morrer,
renascer ainda e progredir sem cessar, esta é a lei.
Eis, em linguagem pálida e poética a biografia do discípulo do eminente
Educador da Humanidade:
“Allan Kardec- Um exemplo de vida
Allan Kardec, o mestre, o escritor, o codificador,
Em mil oitocentos e quatro, na França, reencarnou.
A três de outubro tal fato se realizou
Atendendo à solicitação do Cristo Consolador.
Em Yverdon, na Suíça, o lionês, em mestre se diplomou.
Longos anos estudou, tendo o insigne Pestalozzi como professor.
De volta à cidade natal trabalhou como mestre, escritor,
E com Amélie Gabrielle Boudet- a Gaby- se consorciou.
Já qüinquagenário, o sábio Rivail, Espírita se tornou.
Recebendo 50 cadernos, o Livro dos Espíritos ordenou.
Nos anos seguintes o restante do Pentateuco codificou.
Em trinta e um de março de mil oitocentos e sessenta e nove,
Vitimado por um aneurisma, cai e não mais se move, mas, trabalho,
solidariedade e tolerância, tal lema exemplificou.”19
Assim, temos em linhas gerais, a vida e a obra daquele que foi considerado o
Codificador do Espiritismo que, por sua vez, foi chamada de a terceira revelação ou o
19
PETRI, Waldemar. Allan Kardec- Um exemplo de vida. O Espírita Fluminense, Niterói março/abril,
2001.p.14
38
Consolador Prometido por Jesus segundo nos narra o Evangelista João nos capítulos 14, 15
e 16 da Bíblia Sagrada.
Pensamentos de Allan Kardec :
“A educação é a obra da minha vida.”
“Os meios próprios para se educar a juventude são uma ciência bem distinta
que se deveria estudar para ser educador, como se estuda a medicina para ser médico.”
“A educação é a obra de minha vida,
e todos os meus instantes são
empregados em meditar sobre esta matéria; feliz quando encontro algum meio novo ou
quando descubro novas verdades.
Esforço-me por reformar o que me parece defeituoso, por acrescentar o que
me parece útil. Não faltarei à minha missão, pois penso compreedê-la. Inimigo de todo
charlatanismo, não tenho o tolo orgulho de acreditar cumpri-la com perfeição, mas tenho,
ao menos, a convicção de cumpri-la com consciência.”
“Há uma grande diferença entre um professor e um educador; o primeiro se
limita a ensinar; é suficiente, para cumprir sua função, ser bom instruído e ter um bom
método; mas o segundo é encarregado do desenvolvimento interior do homem e a isto se dá
menor importância. Se o primeiro é ignorante, ele fará apenas ignorantes, o outro fará
homens vitoriosos.”
“Para todo homem que pense, que ama a Humanidade, que crê em sua
reforma, em seus progressos, que tem fé em Deus e em seus designios soberanamente bom,
a educação foi sempre e é mais do que nunca a grande questão, a suprema esperança, a
solução da posterioridade .”
39
Biografia de Pestalozzi
Johann Heinrich Pestalozzi, escritor e pedagogo suíço (Zürich 1746- Brugg
1827). Considerado um dos criadores da pedagogia moderna, liberal e racionalista,
fortemente influenciado, pelo escritor (livro Emilio) Jean-Jacques Rousseau (1712-1778),
seu professor, voltou-se para o ensino fundamental, tentando teorizá-lo à base de prática e
experimentação afetiva. Partia da criança para o ensino e não vice-versa. Esforçou-se para
melhorar a educação das crianças pobres. Fundou várias escolas, dentre elas em Neuhof
(escola-lar para crianças desamparadas), em Stans, Burgdorf e Yverdun, ora com propósitos
filantrópicos, ora experimentais. Deixou várias obras, dentre elas “Leonardo e Gertrudes”,
em quatro volumes (1781-1787) expondo suas idéias acerca dos problemas humanos de
sempre, pregando uma reforma social, moral e política. Como “Gertrude ensina seus filhos”
(1801), concentrou-se no problema específico da educação, que deveria ser ministrada a
partir de dois princípios básicos: Primeiro, o de que o pensamento preciso e claro depende
de observação atenta de objetos reais; segundo, o de que palavras e idéias, só fazem sentido
quando relacionadas com coisas concretas. Preconizava, assim um estudo prático e objetivo
voltando para a real idade dos fatos.
O grande educador suíço, carinhosamente chamado, “pai Pestalozzi”,
destaca-se no meio espírita por sua famosa escola em Yverdun (1805-1825), pois é nela que
Hippolyte- Leon Denizard Rivail- o futuro Allan Kardec- passou alguns anos decisivos da
sua formação cultural e humanística.
40
Estabeleceu Pestalozzi, em Yverdun, inúmeras conclusões, ate hoje aceitas,
a respeito dos critérios de determinação da maturidade de um indivíduo.
Assim se pronunciou kardec a respeito do currículo observado em Yverdun:
“o programa de toda uma ordem social que realizaria o mais absoluto progresso da
humanidade, se os princípios que eles exprimem pudessem receber integral aplicação”
Pestalozzi, considerado o educador da humanidade, era de opinião que “o
amor é o eterno fundamento da educação”, princípio esse que ele traduziu em ação,
assumindo a responsabilidade de dar abrigo e instrução a crianças carentes e abandonadas,
às vezes sob as mais adversas condições, pois não dispunha de recursos próprios.
Anna Pestalozzi Schulthess (1738 – 1815), esposa do mestre suíço “muito
instruída, além do alemão, falava perfeitamente o francês e, por várias vezes, foi junto às
crianças de língua francesa, idioma que Pestalozzi conhecia pouco e falava mal e com
dificuldade, a paciente intérprete para um melhor relacionamento delas com o velho
mestre”.20
As atividades de Yverdum explicam a razão do renome mundial que o
instituto gozava. Não havia castigos nem recompensas. Pestalozzi não queria estímulo nem
medo. Só admitia a disciplina do dever, ou melhor, a da afeição, do amor. Nas advertências
que fazia, sempre indiretas, punha tanta bondade e compreensão em suas palavras, que não
raro os alunos se retiravam com lágrima nos olhos, de sincero arrependimento. Além de
receberem excelente prepara físico, intelectual e moral, os alunos eram igualmente
educados para a vida em sociedade, de modo a poderem enfrentar o mundo em qualquer
situação ou circunstância.
A 17 de fevereiro de 1827, por volta das seis horas o médico foi chamado às
pressas. Eram os últimos instantes do grande educador zuriquense; ele abre os olhos, fita
20
WANTUIL, Zeus, THIESEN, Francisco. Allan Kardec “Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica”. 4ºed.- Rio
de Janeiro: Editora FEB, 1984, passim.
41
os familiares que o cercam e, assim se pronuncia com um sorriso triste: “Ficai tranqüilos e
procurai a felicidade em vosso círculo de amigos e em vosso lar”.
Às sete e meia, serenamente expirou. Tinha nos lábios um sorriso. “É o
sorriso do anjo que o veio levar”, disse um dos presentes.
No dia 19, os restos mortais do mestre foram confiados `a terra, na cidade de
Birr, perto de Neuhof. A cerimônia fúnebre terminou com um canto composto pelo pastor
Frählich, seu íntimo amigo, e cujo primeiro verso dizia:
“Celebrai o justo que vem ao seu Senhor
Depois de longo sofrimento.
O libertador lhe diz: Tu me foste fiel,
Entra agora em minha alegria.”
A inauguração do monumento que o Grande Conselho de Argóvia decidiu
erguer em sua memória, deu-se a doze de janeiro de 1846, data do centésimo aniversário do
sábio educador Suíço. A cerimônia contou com a presença do Conselho de Instrução
Publica.
Vê-se no mausoléu o busto de Pestalozzi; logo abaixo lê-se a inscrição de
Augustin Keller, antigo diretor da Escola Normal de Argóvia:
“Aqui repousa
HEINRICH PESTALOZZI
Nascido em Zurich a 12 de janeiro de 1746,
morto em Brugg a 17 de fevereiro de 1827
Salvador dos pobres em Neuhof,
Pregador em Leonardo e Gertrudes,
Pai dos órfãos em Stans,
Fundador da Nova Escola Popular
Em Burgdorf em münchenbuchsee,
42
Educador da humanidade em yverdon.
Homem, cristão, cidadão.
Tudo para os outros, nada para ele.
Bendito seja o seu nome!
A nosso pai Pestalozzi
A Argóvia reconhecida.”21
Foi com justiça e verdade que se lavrou no frontal do monumento erigido à
memória do mestre suíço, em Birr (cantão de Argóvia), o epitáfio visto acima que, entre
outras coisas, dizia ter sido ele: Salvador dos pobres em Neuhof; Pai dos órfãos em Stans;
em Yverdun, O educador da Humanidade; Homem, cristão,cidadão; tudo para os outros
nada para ele.
21
INCONTRI, Dora. Breve Historia de Pestalozzi. 1ºed.- São Paulo: Editora:Ribeirão Gráfica, 1996, passim.
43
CAPÍTULO II
ALLAN KARDEC E SUA METODOLOGIA EDUCACIONAL
44
MÉTODO DE ENSINO
Logo em sua primeira obra (Curso Prático e Teórico de Aritmética), Rivail
relaciona em seis itens os princípios que lhe parecem mais apropriados ao ensino, fazendoo em harmonia com o processo pedagógico do sábio mestre suíço Pestalozzi.
Eis os princípios que guiaram o mestre lionês na preparação do seu Curso
de Aritmética, alguns dos quais o nortearam posteriormente nos estudos e nas pesquisas
Espíritas como também na Codificação da Doutrina dos Espíritos:
1º-Cultivar o espírito natural de observação das crianças, dirigindo-lhes a
atenção para os objetos que as cercam.
2º-Cultiva\r a inteligência, observando um comportamento que habilite o
aluno a descobrir por si mesmo as regras.
3º-Proceder sempre do conhecido para o desconhecido, do simples para o
composto.
4º-Evitar toda atitude mecânica, levando o aluno a conhecer o fim e a razão
de tudo o que faz.
5º-Conduzi-lo a apalpar com os dedos e com os olhos todas as verdades.
Este princípio forma, de algum modo, a base material deste Curso de Aritmética.
6º-Só confiar à memória aquilo que já tenha sido apreendido pela
inteligência.”
45
Chegando a Paris, o professor Allan Kardec
pôs-se
ao exercício do
magistério, e nas horas vagas traduzia obras inglesas e alemãs como também preparava o
seu primeiro livro que, já em 06 de dezembro de 1823 estava à venda.
Desta forma, a obra em questão assentava-se em bases pestalozzianas, mas
apresentava o esforço e o talento do jovem professor, que a recomendava aos institutores e
às mães de família que quisessem dar aos seus filhos as primeiras noções de aritmética, e
primava pela simplicidade e clareza, qualidades estas que são aliás, o principal mérito de
verdadeiro modelo, a imagem viva da educação.
A perfeita educação, no cerne de sua natureza, em seu ideal maior, deve ser
a imagem da mãe de família. As primeiras educadoras de seus filhos são as mães, e a quem
também se pode encarregar da primeira instrução, apesar de que esta parte está mais afeta
às escolas. Allan Kardec seguia, assim, as diretrizes do legislador da Escola Moderna que,
por sua vez, se inspirara em Rousseau, a magistral figura pedagógica do século.XVIII que
dizia: “A primeira educação é a que mais importa, e essa primeira educação compete
incontestavelmente às mulheres”
“Jean-Jacques Rousseau participou do movimento chamado Iluminismo,
Ilustração ou Época das Luzes. Suas idéias favoráveis à liberdade intelectual e a
independência do homem tiveram grande influência no fim do Absolutismo através da
Revolução Francesa (1789).
Como escritor, suas principais obras são: O discurso sobre a desigualdade
entre os homens, onde afirma não ser natural a desigualdade entre estes, O contrato social,
que é uma síntese de suas teorias políticas, Emilio, onde expõe o seu ideal educativo,
baseado na natureza e no desenvolvimento da aptidão da criança, sem recorrer à coação ou
à violência.
46
No campo educacional, sua influência deveu-se principalmente ao seu livro
Emílio.
Segundo Paul Mourõe, foi em número de quatro as principais contribuições
de Rousseau que muito influenciaram a educação posterior: A educação natural, a educação
como processo, a simplificação do processo e a importância da criança”22
Allan Kardec, parece ter dado ao sexto e último princípio de seu método
educacional, atenção especial. No frontispício do segundo volume da primeira obra por ele
lançada é transcrita uma frase de autoria do sábio e grande matemático francês Silvestre
Francisco Lacroix, frase que destaca a importância, na primeira educação, da memória
associada ao juízo. “A condição essencial da memória é a atenção, a ordem, a inteligência,
em suma, o juízo e o espírito crítico. Portanto, devem confiar-se à memória conhecimentos
claros, bem ordenados e facilmente assimiláveis”.
A criança traz consigo a curiosidade inata que precisa ser despertada
conforme o primeiro princípio educacional enunciado. Daí nascerão a atenção, a percepção
e a memória inteligente, não a memória papagueadora e pedantesca, segundo a expressão
usada pelo sábio e conhecidíssimo Rui Barbosa.
O professor Allan Kardec recomendava a memória raciocinada, que faz uso
do juízo para reter as idéias a serem assenhoreadas pela inteligência, em oposição a
memória mecânica que só retém as palavras.
Allan Kardec utilizou-se do ensino intuitivo, processo educacional indicado
pelo sábio mestre zuriquense , segundo o qual se transmitem ao educando a realização, a
atualização da idéia recorrendo-se ao exercício de intuição sensível (educação dos
sentidos), com passagem natural a atividades mentais que anunciam a intuição intelectual.
“A idéia existe originariamente na criança, e a intuição sensível e só a sua realização
concreta, único meio de a idéia se tornar compreensível, porque se encontra com força
47
modeladora que vive e atua na criança” e o ensino intuitivo assenta-se na substituição do
verbalismo e do ensino livresco pela observação, pelas experiências, pelas representações
gráficas, etc., operando sobre todas as faculdades da criança. A base da instrução elementar
de Pestalozzi é a INTUIÇÃO que ele considera como o fundamento geral de nossos
conhecimentos e o meio mais apropriado para desenvolver as forças do espírito humano, de
maneira mais natural.
O método intuitivo na educação “é a criança vendo, tocando, descobrindo,
não toda a ciência, mas sucessivamente tudo o que na ciência está ao seu alcance”.
Danniel Alexandre Xavannes, na primeira obra que deu conhecimento aos
franceses do método educacional pestalozziano, fez um estudo do significado da palavra
intuição: A impressão recebida pelos sentidos exteriores, e principalmente pela visão,
comunica-se imediatamente à alma, que adquire por esse meio, o sentimento ou a
consciência do objeto. Essa representação do objeto, colhida pela alma, é chamada de
intuição.
Uma instrução intuitiva é a que permite a criança tocar com o dedo e com o
olho aquilo que se lhe ensina. É necessário que a criança possa ver com os seus olhos a
evidência, que possa apalpá-la, por assim dizer.
Para René Hubert, não há
entre a doutrina intuitiva, tal como era
recomendada aos institutores do início do séculoXIX, e a doutrina das escolas novas outras
diferenças além das que dizem respeito a inserção, entre o princípio e a sua aplicação, das
descobertas da psicologia experimental da criança.
Embora adotasse o método intuitivo pestalozziano, Kardec achou prudente
não deixar de todo o método abstrato ainda em voga em grande parte dos educandários
franceses. Procurou conciliá-lo com a doutrina e a prática da escola intuitiva, assim, os
educandos, sem maiores dificuldades se adaptariam a um ou a outro método educativo.
22
PILETTI, Claudino e PILETTI Nelson. Filosofia e História da Educação. 5ºed.- São Paulo: Editora Ática,
48
Com o lançamento de seu primeiro livro, o professor Rivail iniciou na
França a sua grande missão patriótica e humanitária de educador e pedagogo emérito. Ali
ele se afirmou como uma das maiores autoridades, na aplicação do método do sábio
educador suíço.
Em meados de 1825, Allan Kardec começou a dirigir a “Escola de primeiro
grau”, estabelecimento de ensino que foi o primeiro por ele fundado em Paris e
Consagrando-se às funções diretivas e educativas do estabelecimento de
ensino por ele fundado, o jovem educador Allan Kardec ocupava seu tempo de lazer na
preparação de aulas e na redação de assuntos e problemas relacionados com a educação,
trocando idéias com seus colaboradores e amigos, visando o aperfeiçoamento da arte de
ensinar. E assim se expressa: “Esforço-me em reformar o que me parece defeituoso, em
acrescentar o que se me afigura de utilidade, em aproveitar, em resumo, das observações
que faço diariamente”. Em verdade, faziam-se presentes a personalidade de professor o
amor ao estudo, o culto do saber, o destemor das idéias, a força moral, e, desta forma era
respeitado e querido por todos que o cercavam.
Allan Kardec era mais um segundo pai que um mestre, pois nele morava,
em sintonia com a doutrina pestalozziana, o espírito de família, continuando, junto aos
jovens a tarefa educativa iniciada no lar, que é a primeira escola, como também os pais que
são os primeiros educadores.
Tendo por auxiliares vários professores, dentre eles a ilustre e
erudita
escritora e professora Amélie Gabrielle Boudet, com a qual se consorciou a 06 de fevereiro
de 1832, desenvolveu ali notável trabalho de aprimoramento da inteligência de centenas de
estudante.
Allan Kardec concretizava de maneira espontânea estas diretrizes anunciadas
pelo pedagogo suíço: “O amor é o eterno fundamento da educação. Por isto, a toda hora os
1987. cap.13: A educação na época do absolutismo. p.120-123.
49
meus pupilos devem ler no meu rosto que meu coração está com eles, que é minha a sua
ventura, que a sua alegria é a minha alegria.”
A Instituição Educacional Rivail funcionou até 1834; assim, a 14 de agosto
do ano em questão, precedendo as férias escolares bem como ao encerramento das
atividades escolares do mencionado educandário, considerou em torno da educação dos
jovens, seu tema predileto em sintonia com o método pestalozziano:“Assim como as
aptidões do jardineiro não se reduzem à ciência de colocar plantas na terra também o
talento do institutor não pode limitar-se ao ensino dos rudimentos”. Bem mais tarde ele
escreveria:
“Para instruir a infância é preciso grande tato e muita experiência, pois não
se imagina o alcance que pode ter uma simples palavra imprudente, a qual, do mesmo
modo que o grão de erva daninha, germina nesses jovens imaginações como em terra
virgem ou inculta.
Quase ao final pronuncia-se Allan Kardecl: Instruindo-vos, trabalhais em
beneficio da vossa própria felicidade.
Consta ainda no discurso acima: A fonte das qualidades encontra-se nas
impressões que a criança recebe ao nascer, talvez antes.
No final de seu discurso, ei-lo a pronunciar-se confessando: A educação é a
base , é a sustentação da minha vida, e todos os meus momentos eu os dedico para meditar
sobre esta matéria”.
Já em 1858, como codificador do Espiritismo, que surgiu em 18 de abril de
1857 por questão do lançamento da primeira edição de O Livro Dos Espíritos”, frisava:
“Esta teoria estava tão longe do nosso pensamento quando os Espíritos no-la revelaram que
ela nos surpreendeu de maneira estranha, porque confessamo-lo com toda a humildade, o
que Platão havia escrito sobre este assunto especial, nos era então integralmente ignorado,
mais uma prova, entre mil outras, de que as comunicações as quais nos têm sido dadas não
refletem, com certeza a nossa opinião particular ou pessoal”. “A Doutrina dos Espíritos, no
50
que se refere a reencarnação, nos surpreendeu, pois, diremos mais: Contrariou-nos porque
lançava por terra nossas próprias idéias”.
O discípulo de Pestalozzi, considerando a educação como a obra de sua vida,
dedicava todo seu tempo possível para melhor e mais conhecê-la. Isto posto, lógico está que
Sócrates ( 470-399 a.C), Platão (428-348 a.C), discípulo de Sócrates durante mais de vinte
anos, assim como Aristóteles (384-322 a.C) não lhe eram desconhecidos, no que concerne
a assuntos pedagógicos. Conclui-se que estes filósofos pedagógicos que influenciaram
várias gerações e que são até o presente incluídos nos tratados de pedagogia e psicologia,
podem ter influenciado o mestre lionês. Daí a frase final do discurso do professor Denizard:
“Talvez antes”.
Aristóteles como Rousseau , no “Emilio”, detalha os cuidados que é preciso
dar à primeira infância. Conforme Platão, quer ele, que se prepare a educação da criança
mesmo antes de seu nascimento e prescreve às mães durante a gravidez: “As crianças
ressentem as impressões das mães, tanto quanto os frutos ressentem do solo que os nutre,
ou seja, os alimenta”.
O sábio Aristóteles define com simplicidade a felicidade, por todos os
homens, tão almejada em todos os tempos:
“A felicidade consiste em fazer o bem.”23
Sócrates verdadeiramente foi um grande educador, foi considerado o maior
filósofo de todos os tempos, seu saber é incontestável. Tornou-se conhecido pelas célebres
frases:
“Eu só sei que nada sei”; “Saber é recordar”; “Onde quer que eu vá aí ira o meu
pensamento. Onde vá meu pensamento aí estarei”. “Homem conhece-te a ti mesmo”.
Ensinava o sábio mestre ateniense: “Só há um bem: O conhecimento. Só há
um mal: A ignorância”.
51
“Os homens ainda não se reconheceram a si mesmos. Ainda são cidadãos
de pátria, sem serem irmãos entre si. Marcham uns contra os outros sob a proteção de
bandeiras que os desunem aniquilando-lhes os mais nobres sentimentos de humanidade.
Nosso projeto de difundir a felicidade na terra só terá realização quando os
homens deixarem de ser cidadãos para serem homens conscientes de si mesmos. Os
estados e as leis são invenções puramente humanas, justificáveis, em virtude da
heterogeneidade com respeito à posição evolutiva das criaturas; mas, enquanto existirem
sobrará a certeza de que o homem não se descobriu a si mesmo para viver a existência
espontânea e feliz, em comunhão com as disposições divinas da natureza espiritual. A
humanidade está muito longe de compreender esta fraternidade no campo sociológico.
A nossa única realidade é a vida do Espírito.
Nossa tarefa, para que os homens se persuadam com respeito à verdade,
deve ser toda indireta. O homem terá que realizar-se interiormente pelo trabalho
perseverante, sem o que o esforço dos mestres não passará do puro verbalismo.
As criaturas humanas ainda não estão preparadas para o amor e para a
liberdade.
Durante muitos anos, ainda, todos os discípulos da verdade terão de morrer
muitas vezes”.24
Sócrates era frontalmente contrário ao suicídio.
Dedicado especialmente a educação dos jovens, foi acusado de corrompê-los
e condenado na Assembléia ateniense, o coordenador, ou seja, o reprovador do suicídio viuse forçado a suicidar-se. Obrigaram-no a ingerir cicuta.
23
SIMONETTI, Richard. Um jeito de ser feliz. 1ºed.- São Paulo: Editora CEAC 1990. Cap.3 A omissão dos
bons. p. 31.
24
XAVIER, Francisco Cândido. Crônicas de Além-túmulo 8ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1975: Sócrates
p.151 a 156.
52
No sistema educacional Platoniano que é de dois ciclos, encontramos: O
primeiro, começa com o nascimento da criança, antes mesmo do seu nascimento, o segundo
termina aos vinte anos.
Pelo que Platão fala, não se deve esperar que a criança venha ao mundo para
educá-la. O embrião já é sensível a certas impressões. Alma e corpo podem receber, nesse
período de sua existência impressões duradouras. Chega o discípulo de Sócrates a dar às
mulheres grávidas conselhos, úteis indiretamente ao nascituro.
René Hubert, ao estudar a psicologia infantil, registra este pronunciamento
de Hermann Minkowski (1864-1909) matemático lituano fundador da geometria dos
números, quanto ao crescimento mental do ser: “Não há razão séria para não julgar
possível, senão provável, a existência no feto de um fundo nascente vago e obscuro, de
elementos psíquicos próprios, inconscientes ou pré-conscientes, ou para falar como
Aristóteles de uma alma obscura vegetativa e nutritiva no começo, sensitiva em seguida.
Não se percebe, com efeito, em que momento particular da história ontogênica (relativo ao
estudo da formação e desenvolvimento do ser vivo, acompanhado em todas as fases de sua
evolução) do indivíduo se deva assentar o aparecimento de elementos psíquicos subjetivos.
Nada nos obriga a colocar esse momento após o nascimento, e não
antes dele”.
De qualquer maneira “a experiência particular adquirida pelo feto ao decorrer de sua
evolução, experiência que ele trás consigo ao vir ao mundo constitui um alicerce
indestrutível no qual serão inseridas todas as impressões posteriores”.
A herança do método educacional pestalozziano, no que se refere ao amor,
levou Alaan Kardec, homem de coração terno, caráter integro, a considerar os educandos
como amigos. Ele os chamava de “meus amigos”.
Pestalozzi, considerado o educador da humanidade pelo educandário de
Yverdon; vivia o amor em sua tarefa educativa, daí a dizer: “O amor é o eterno fundamento
da educação”.
53
Traços profundos deixados pelo processo educacional do mestre suíço,
possibilitaram Allan Kardec a expressar-se: “a toda hora os meus pupilos devem ler em
meu rosto que meu coração está com eles, que é minha a sua ventura, que a sua alegria é a
minha alegria”.
“A educação, dizia Denizard, se for bem compreendida será a chave do
progresso moral. Não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que tem de
fazer homens de bem”25
Quanto a religião, mais tarde assim se expressava já quando atuava como
Codificador da Doutrina Espírita, salientando a magnitude da parte moral na mensagem
cristã: “É terreno onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sob o qual podem todos
colocar-se quaisquer que sejam suas crenças, porquanto jamais ele constituiu matéria das
disputas religiosas, que sempre e por toda parte se originaram das questões dogmáticas.
Nele teriam as seitas encontrado sua própria condenação, visto que, na maioria, elas se
agarram mais à parte mística do que à parte moral, que exige de cada um a reforma de si
mesmo.”
Desta forma, o Espírita se pronuncia: “Allan kardec é um exemplo de
vida:Como mestre, escritor, Codificador. Pelos adjetivos acima e outros mais, foi
respeitado por sua vivência coerente, pelo bom senso que utilizava na solução dos
problemas que surgiam, e daí, querido e amado por todos que o rodeavam”26
Vivia, portanto, o discípulo de Pestalozzi como verdadeiro educador,
educava no sentido integral, conhecia o princípio fundamental da educação: “A educação
da alma é a alma da educação”27
25
KARDEC, Allan. O Livro dos Espírito 38ºed.-Rio de Janeiro: Editora FEB, Questão 917 p.365.
WANTUIL, Zeus e THIESEN Francisco, Allan Kardec( Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica). 4º.- Rio de
Janeiro: Editora FEB, 1984 passim.
26
27
VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita. 13ºed.-Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978. Perante a Instrução cap.42.
p.141.
54
Eis, portanto, o Método Educacional daquele que considerou dever esforçarse por reformar o que lhe pareceu defeituoso, em acrescentar o que se lhe mostrava útil para
somar, para melhorar.
55
CAPÍTULO III
PESTALOZZI E SUA METODOLOGIA EDUCACIONAL
56
MÉTODO DE ENSINO
Os princípios gerais dos métodos propostos por Pestalozzi foram resumidos
por Morf, um de seus discípulos:
1.A observação ou percepção sensorial (intuição) é a base da instrução.
2.A linguagem deve estar sempre ligada à observação (intuição), isto é , ao
objeto ou conteúdo.
3.A época de aprender não é época de julgamento e crítica.
4.Em qualquer ramo, o ensino deve começar pelos elementos mais simples
e proceder gradualmente de acordo com o desenvolvimento da criança, isto é, em ordem
psicológica.
5.Tempo suficiente deve ser consagrado a cada ponto do ensino, a fim de
assegurar o domínio completo dele pelo aluno.
6.O ensino deve ter por alvo o desenvolvimento e não a exposição
dogmática.
7.O mestre deve respeitar a individualidade do aluno.
8.O fim principal do ensino elementar não é ministrar conhecimentos e
talento ao aluno, mas sim desenvolver e aumentar os poderes da sua inteligência.
57
9.O saber deve corresponder ao poder e a aprendizagem à conquista de
técnicas.
10.As relações entre o professor e o aluno, especialmente em disciplina,
devem ser baseadas e reguladas pelo amor.
11.A instrução deve estar subordinada ao fim mais elevado da educação”.
O acadêmico
lusitano Sousa Costa enunciou, em poucas palavras, os
princípios basilares da educação pestalozziana: Desenvolvimento da atenção, formação da
consciência, enobrecimento do coração.
Foi com justiça e verdade que se lavrou no frontal do monumento erigido à
memória do mestre suíço, em Birr (cantão de Argóvia), um epitáfio que, entre outras coisas
dizia ter sido ele, em Yverdun, “O educador da Humanidade”
Para Pestalozzi, a arte da educação devia aproximar-se da natureza, e o
melhor método de ensino seria aquele que dela mais se aproximasse e ele achava
que o desenvolvimento é orgânico, sendo que a criança se desenvolve por leis definidas; os
poderes infantis brotam de dentro para fora; os poderes inatos, uma vez despertados, lutam
para se desenvolver até a maturidade; a gradação deve ser respeitada; o método deve seguir
a natureza; o professor é comparado ao jardineiro que providencia as condições para a
planta crescer; a educação sensorial é fundamental e os sentidos devem estar em contato
direto com os objetos; a mente é ativa.
Frederick
Eby
resume
com
clareza
os
princípios
educacionais
pestalozzianos, conforme apresentados a seguir:
1- Pestalozzi tinha uma fé indomável e contagiante na educação como meio
supremo para o aperfeiçoamento individual e social. Seu entusiasmo obrigou reis e
governantes a se interessarem pela educação das crianças dos casebres. Democratizou a
58
educação, proclamando ser o direito absoluto de toda criança ter plenamente desenvolvidos
os poderes que Deus lhe havia dado.
2- Psicologizou (tornou psicológico) a educação. Quando não havia ciência
psicológica digna desse nome, e embora ele próprio tivesse apenas as mais vagas noções
sobre a natureza da mente humana, o sábio educador viu claramente que uma teoria e uma
prática corretas de educação deviam ser baseadas numa tal ciência.
3- Foi o primeiro a tentar fundamentar a educação no desenvolvimento
orgânico mais que a transmissão de idéias.
4- Pesquisou as leis fundamentais do desenvolvimento.
5- A educação começa com a percepção de objetos concretos, o desempenho
de ações concretas e experiências de respostas emocionais reais.
6- O desenvolvimento é uma aquisição gradativa de poder. Cada forma de
instrução deve progredir de modo lento e gradativo.
7- A religião é mais profunda do que dogmas, ou credos, ou a memorização
do catecismo ou das Escrituras Sagradas. O educador zuriquense exigia que os sentimentos
religiosos fossem despertados antes que palavras ou símbolos fossem levados à criança.
8- Vários recursos metodológicos novos devem sua origem a Pestalozzi.
Empregava ele as letras do alfabeto presas a cartões, introduziu lousas e lápis. A inovação
mais importante foi a da instrução simultânea, ou em classe. Isso não era novo, mas não
havia sido posto em prática de um modo generalizado.
9-Pestalozzi revolucionou a disciplina, baseando-a na boa vontade recíproca
e na cooperação entre educando e educador.
59
10- Deu novo impulso à formação de professores e ao estudo da educação
como uma ciência.
A idéia central que domina o sistema educacional pestalozziano, pode ser
assim resumida: “Todo conhecimento deve partir da intuição e ser conduzido à intuição”.
O processo intuitivo é aquele que nos conduz imediatamente a captar o
essencial das coisas, diretamente, por meio dos sentidos, sem utilizar, por antecipação, o
raciocínio.
Por intuição deve-se entender o conhecimento externo das coisas e a
experiência concreta, pessoal, direta que coloca em jogo a atividade mental e os
sentimentos, para deixar um conhecimento claro, imediato e definido.
A educação intelectual parte da intuição, para formar conceitos claros e
precisos. O mestre deve basear-se na intuição, diz Pestalozzi.
O erudito suíço, chama intuição ao ato criador e espontâneo, através do qual
a criança é capaz de representar a si mesma o mundo que a rodeia.
A intuição é, pois, um momento vivido no objeto mesmo.
Essa aptidão da intuição se manifesta em três aspectos principais: O número, a
forma e a palavra.
Daqui decorrem as três partes da educação elementar pestalozziana:
A) O ensino dos números, das relações métricas e numéricas.
B) O ensino da forma, que compreende a arte de observar, de medir, de
desenhar e de escrever.
C) O ensino da linguagem, que é a expressão espontânea derivada da forma
como a criança “intui”e interpreta as coisas.
60
Para Pestalozzi, a educação não é uma obra que se impõe do exterior, mas
antes o desenvolvimento interior da personalidade. A educação deve ter por objetivo o
desenvolvimento total e harmônico das capacidades humanas na tríplice atividade da
“cabeça, coração e mãos”, em outras palavras, a vida intelectual, a vida moral e a vida
prática ou técnica. Desta forma surgirão a educação familiar, a educação escolar e a
educação moral e social.
O educador suíço considera na educação familiar que a família é o centro
principal do qual depende todo o bem-estar social. Predominam o amor e o trabalho que
devem ser o alicerce de toda educação familiar.
A educação necessita do complemento da escola e demais instituições
educativas.
A escola precisa ser um reflexo da própria vida. A educação moral deve
preencher o sentido humano e esse sentido deve impregnar a educação toda inteira. A
Religião está intimamente unida a educação moral, é um ato de amor, aspiração ao
aperfeiçoamento, ao excelso que há na natureza humana.
As idéias do professor suíço que contribuem mais valiosamente à educação
moderna são:
1) a idéia da educação humana apoiada em a natureza espiritual e física da
criança;
2) a idéia da educação como desenvolvimento interior espontâneo;
3) a idéia da educação partindo das circunstancias em que se encontra o
homem;
4) a idéia da educação profissional subordinada à educação em geral;
5) A idéia da educação social e popular;
6) A idéia da educação religiosa intima, nascida do espírito.
61
Pestalozzi, procurou resumir seu sistema nas obras: Leonardo e Gertrudes,
Como Gertrudes ensina seus filhos, O Livro das Mães, e o Canto do Cisne.
A mãe surge, na visão de pestalozzi, como modelo de uma boa prática
educacional. O educador tem por dever continuar a obra iniciada no lar desde o berço. Esta
primeira educação é já uma das pedras angulares do Sistema do Pedagogo suíço. Nos
primeiros anos, a mãe deve-se empenhar em abrir a inteligência e o coração do filho; é a
primeira educadora, é a ela que cumpre a tarefa de desenvolver na criança os primeiros
germes de afeição, de reconhecimento,de confiança.
Ratificando o que Pestalozzi está dizendo, vejamos a seguinte pergunta com
sua respectiva resposta dada por Emmanuel através de Chico Xavier:
“_Qual a melhor escola de preparação das almas reencarnadas, na Terra?
A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do
sentimento e do caráter.
Os estabelecimentos de ensino propriamente do mundo, podem instruir, mas
só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o
cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem.”28
Para Pestalozzi, a educação compreende o desenvolvimento físico, o moral
e o intelectual. Escola de saúde, de alegria, de força e de coragem. A ginástica não podia
faltar nos institutos pestalozzianos.
Para Pestalozzi, a intuição é o ponto de partida de todo o conhecimento. Ela
é a sustentação de toda a educação.
“A intuição é a impressão imediata que o mundo físico e o mundo moral
produzem sobre nossos sentidos exteriores e interiores.”. A intuição é a experiência pessoal
28
XAVIER, Francisco Cândido. O consolador. 13º.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1986 Questão 110. p.72- 73
62
direta. “A grande questão é esta: Tudo quanto desejamos que a criança aprenda deve-se
apresentar espontaneamente a seu espírito como expressão da verdade, graças à sua
experiência intuitiva, unindo-se a circunstâncias reais e graças às lembranças que dela
mantém”
Pestalozzi escreve: “ Em Stans não ensinei moral nem religião. Lutei por
despertar o sentimento de cada virtude antes de pronunciar-lhes os nomes”.Foi nessa
localidade considerado “o pai dos órfãos”.
O conhecimento começa em torno do homem e daí se amplia
concentricamente.
Com a ajuda do que a criança conquistou, do que ela conhece, e com o
auxílio das noções preexistentes, o educador avança, aclara sua marcha e leva suas
investigações mais distante.
As proposições a seguir parecem, segundo alguns de seus discípulos,
resumir o sistema pestalozziano:
1º É necessário dar ao espírito uma cultura intensiva e não só extensiva,
fortifica-lo e não só abastecê-lo.
2º Ele liga todo o seu ensino ao estudo da linguagem, isto é, coloca a
linguagem ao lado da observação real da natureza.
3º Ele procura fornecer ao espírito, por todas as suas operações, dados,
formulas, rubricas ou antes, idéias-mães.
Em cada objeto de estudo, ele procura os pontos fundamentais, as idéias
gerais, principais que dominam as matérias de ensino. Essas idéais-mães consistem em
indicações gerais sobre a geografia, a história, as ciências naturais, etc.
63
4º É preciso simplificar o mecanismo do ensino e do estudo.
5º Este princípio decorre do imediatamente anterior (4º). É preciso
popularizar a ciência.
Estas proposições expostas, como as demais dos tratadistas modernos, sobre
o método intuitivo, não constituem um síntese completa da doutrina pestalozziana.
Para chegarmos ao conhecimento de um objeto qualquer, necessita-se
estudá-lo em suas diversas propriedades. Pestalozzi considera que três qualidades, as quais
se subordinam às demais, são fundamentais a todos os objetos. E em Como Gertrudes
ensina seus filhos, que ele as explique:
“Qual é e qual deve ser a maneira do proceder de quem quer analisar
convenientemente e esclarecer um assunto qualquer, obscuro e complicado a seus olhos?
Em tal caso, ele precisa sempre direcionar sua atenção sobre os três pontos a
seguir:
1) Quantos objetos têm sob seus olhos e de quantas espécies são?
2) Que aparência tem? Qual a sua forma, seu contorno?
3) Quais são os nomes deles? Como podemos representar cada um deles por
um som, por uma palavra?”
Pestalozzi conclui daí que o estudos dos números, da forma e língua as quais
correspondem três faculdades essenciais __a faculdade de contar, a de medir e a de gravarse na inteligência pela palavra os nomes dos objetos conhecidos __são ramos principais do
ensino elementar.
64
A aritmética, o cálculo decorrem do estudo do número.
A arte de medir ou a arte da geometria, o desenho, a escrita, que não são no
inicio, se não formas particulares de desenhos, e os trabalhos manuais decorrem do estudo
da forma.
O estudo da língua divide-se em três partes: A pronúncia, à qual se liga o
canto, o vocabulário e a língua propriamente dita.
Diz-nos o mestre Pestalozzi que o último fim da língua é o de elevar o
homem de intuições obscuras a noções precisas.
A idéia do número é dada pelo cálculo intuitivo. Noção de unidade, de
pluralidade, do número e de suas relações, tal é o campo onde o cálculo atua.
Toda a aritmética se reduz a adição ou a soma e a subtração ou a diferença
de várias unidades. Seu princípio reside na fórmula: Um e um são dois, dois menos um
resta um.
A experiência provou que o método pestalozziano era excelente. Em suas
instituições, o cálculo era levado longe e com seu auxílio, colocava-se a criança na escola
do raciocínio e bania-se todo trabalho de pura memorização, rotineira e maquinal. O
material criado em nosso século pela conhecidíssima médica e pedagoga italiana Maria
Montessori
(1870-1952), divulgadora de um sistema de auto-educação infantil que adquiriu caráter
internacional, teve aí sua inspiração.
“Maria Montessori, trabalhava na recuperação de crianças anormais,
utilizando materiais educativos. O êxito foi tal que ela passou a pensar na aplicação do
mesmo método para a educação de crianças normais. Em 1907, abriu em Roma a primeira
65
Casa dei Bambini, para crianças em idade pré-escolar que não tinham com quem ficar
durante o dia.
A pedagoga italiana, concebe a educação como auto-educação, como um
processo espontâneo. Segundo ela, “ a professora tem de ver-se substituída pelo material
didático, que corrige por si mesmo os erros e permite à criança se eduque a si mesma.”
Tudo na Casa dei Bambini, tem a dimensão da própria criança. Tais
materiais servem, antes de tudo, para educar os sentidos, que são a base do juízo e do
raciocínio.
A professora é chamada “diretora”, porque não ensina, só dirige a atividade,
interferindo o menos possível. Se uma criança perturba, a”diretora”limita-se a colocá-la
em outra mesa a parte; se outra não consegue realizar a atividade, ou a auxilia ou a convida
a escolher outro material, etc.”29
Pestalozzi denominava “Relação de formas” ou “intuição das formas”, aos
exercícios gráficos servindo de preparação à geometria. Esse ensino foi bastante
desenvolvido nos educandários onde os princípios do professor alemão Johann Friedrich
Herbart (1776-1841) eram empregados e vários foram os manuais alemães editados a
respeito.
Herbart, filósofo e pedagogo foi discípulo de Kant e Pestalozzi e fundador
de uma psicologia dinâmica aplicada à pedagogia. Foi o primeiro estudioso a adotar a
pedagogia de uma base científica. Para ele, o objeto da pedagogia é estabelecer um
equilíbrio entre conhecimento e vontade, fundamentando-se na ética e na psicologia.
Psicologia como ciência; pedagogia geral.
“Para Herbart, a instrução como simples informação não é educação. A
educação só é possível na medida em que se respeita o interesse dos alunos pelas matérias
lecionadas”.
66
Herbart dá imensa importância a instrução e a técnica de ensino, sem as
quais não há educação: A instrução formará o círculo do pensamento e a educação o
caráter. A última, não é nada sem a primeira. “Aqui está contido o total de minha
pedagogia.”30
Nas “lições de coisas”e de geografia local, a criança é, de início, exercitada a
fazer a medida a golpes de vista por passos, andando; depois ela distingue as linhas
verticais, horizontais, oblíquas; paralelas, ângulos retos, agudos, obtusos, diferentes tipos
de triângulos, de quadriláteros, etc.
Pestalozzi é de opinião que o desenho é a arte de representar e de reproduzir
exatamente, pela observação de um objeto qualquer e por meio de linhas semelhantes, o
contorno desse objeto e caracteres que ele representa.
O canto e a ginástica tinham fundamental papel no sistema pestalozziano.
Muitas vezes a ginástica era unida ao canto.
Assim é o sistema educacional do erudito mestre zuriquense, visto ainda na
atualidade como uma reforma profunda e definitiva da escola popular.
Nada de leituras preguiçosas, de imensas recitações maquinais, de classes
sonolentas, onde um mestre rotineiro dita ou expõe sua ciência a pobres alunos pacientes. A
escola verdadeira é aquela onde há ação para todos, alunos e mestres. A ação, fonte da
felicidade na vida, é também a condição, o caminho do progresso na educação do ensino
escolar.
Ensinar é provocar o espírito da criança. Para aprender, a criança precisa
estar sempre ativa, em ação.
A arte de ensinar é libertadora do espírito, dizia Pestalozzi eis porque é
eterna.
29
PILETTI, Claudino e PILETTI, Nelson. Filosofia e Historia da Educação. 5ºed.-São Paulo: Editora Ática,
1987 cap.13.: Educação na Época do Absolutismo.p.145-146.
30
Idem, Ibidem, p.134-15.
67
“Tudo para os outros nada para si”. Essa legenda paira sobre a memória do
educador Pestalozzi. Nenhum mestre foi mais amado. “Nós o amávamos, escreve um de
seus alunos, porque sabíamos que ele nos amava a todos.”
Pestalozzi foi o homem que viveu para os outros, e por isso sua obra é
imortal.
Por muitas razões além das vistas, foi que um pedagogo alemão exclamou:
“Pestalozzi para sempre”.
Foi, portanto, um dos maiores educadores de todos os tempos. A
biobibliografia do egrégio pedagogo suíço é apaixonante e bela porque suas ações foram
patrióticas e humanitárias, resumindo-se na síntese primorosa e bela: O amor é o eterno
fundamento da educação, alicerce que nos sustenta no bem e no belo. É ele, “o amor, que
dá paz aos homens, calma ao mar, silêncio aos ventos e sono a dor.”31
“O amor é a luz que se alcança, tende fé, tende esperança, para o infinito
marchai”32 dizia o sábio poeta baiano Castro Alves.
É o amor que nos mostra o caminho, a verdade e a vida que nos conduzirão
a Deus, porque Deus é amor.33
31
KARDEC, Allan. Evangelho segundo o Espiritismo, 98ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988.
Introdução – Resumo da doutrina de Sócrates e Platão.
32
XAVIER, Francisco Cândido. Parnaso de Além- Túmulo, 14ºed.-Rio de Janeiro: Editora FEB,
1994. Marchemos. P.221.
33
INCONTRI, Dora. Breve Historia de Pestalozzi, 1ºed.- São Paulo: Editora: Ribeirão Gráfica, 1996, passim.
68
CONCLUSÃO
Como palavras finais devemos acentuar que buscamos no presente trabalho
mostrar que “mudar é difícil, mas é possível”34. “Que toda idéia nova forçosamente
encontra oposição e nenhuma há que se implante sem lutas. A medida da importância e dos
resultados de uma idéia nova se encontra na emoção que o seu aparecimento causa, na
violência da oposição que provoca, bem como no grau e na persistência na ira de seus
adversários”35. Que nada é tão bom que não possa ser melhorado, bem como nada é tão
ruim que nada tenha de bom. E o espiritismo nos diz: “Identificar e estimular os traços de
bondade do caráter alheio”36.
A educação apresenta múltiplos problemas, quais sejam: Falta de
professores nas escolas; escolas em número insuficiente; professores com remuneração
inadequada; alunos com dificuldades inúmeras para chegar às escolas, como também de
freqüentá-las; professores com formação insuficiente e imprópria; vários educadores
exercendo a educação como puro “bico”; etc.
34
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia (saberes necessários à prática educativa), 15ºed.- Rio de Janeiro:
Editora Paz e Terra (Coleção Leitura), 1996 cap .1 p.50.
35
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, 98ºed.- Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988 cap 23
p255.
36
FRANCO, Divaldo Pereira. O Homem Integral, 1ºed.- Salvador-BA: Livraria Espírita Alvorada Editora,
1990. cap8 O homem perante a consciência. p.131.
69
O parágrafo anterior apresenta uma pálida, porém real noção dos problemas
educacionais, todavia os mais cruciais encontram-se dentre estes: A insuficiência de amor à
profissão; o desconhecimento, ou a insuficiência de conhecimentos sobre o assunto
lecionado; a substituição da educação pela instrução; e finalmente a ignorância da
reencarnação.
No que concerne ao amor, Pestalozzi já dizia há quase duzentos anos: “O
amor é o eterno fundamento da educação”. Não havia castigos nem recompensas bem como
estímulos e medos, só admitia a disciplina do dever, da afeição, do amor. Suas advertências
eram feitas sempre indiretas e com tanta bondade e compreensão que os alunos, comumente, se retiravam chorosos e com sincero arrependimento.
Allan Kardec, o ilustre discípulo de Pestalozzi, chamava carinhosamente
seus alunos de “meus amigos”, e perfeitamente sintonizado aos princípios educacionais
pestalozzianos, enunciava: “O amor é o eterno fundamento da educação. Por isso, a toda
hora meus pupilos devem ler no meu rosto que meu coração está com eles, que é minha a
sua ventura, que sua alegria é a minha alegria”. Em outras palavras: Professores e alunos
devem ser parceiros na aventura, na arte de ensinar e aprender.
O desconhecimento da reencarnação,produz nos educadores inúmeros
problemas.
As pessoas no final da existência física normalmente dizem: Estudar para
que? Nada mais espero desta vida!
As pessoas, no que se refere a educação de seus filhos indagam: Para que
começar tão cedo? Eles são tão pequeninos, não entendem nada mesmo!
Faremos de nossas, as palavras do grande tribuno e educador Divaldo
Pereira Franco para responder a perguntas como estas: “Tive a ocasião de conhecer uma
senhora de oitenta e dois anos que se matriculara numa Universidade de terceira idade.
70
Perguntei-lhe: A que a senhora aspira?, fazendo agora um curso universitário, que talvez
não venha a concluir?”. Ela respondeu: “Eu aspiro ao futuro”. Eu indaguei: “Qual o
futuro?”. Ela redargüiu: “Da próxima encarnação. Estou preparando-me para armazenar
conhecimentos de que me recordarei quando voltar, já fazendo, agora parte que me cumpre
desempenhar na primeira e na segunda infância. Terei esses períodos mais rápidos e mais
lúcidos, tornando-me, quiçá, um gênio precoce”.
Ela está muito bem fundamentada na ética da reencarnação. “Nunca é tarde
para aprender, como diz o velho provérbio árabe, é sempre sedo”. Então, mesmo diante de
enfermos na faze terminal, de idosos que marcham para a desencarnação, poderemos
colocar as luzes do futuro, preparando-os para a sua etapa de amanhã.
Trata-se de uma terapia preventiva. Eu me lembrei da insigne Maria
Montessori, recebendo a visita de uma dama rica que lhe perguntou: “Professora, em que
idade eu devo começar a educação de meu filhinho?”. E a célebre mestra, criadora da “Casa
dei Bambini”, em Roma, lhe retorquiu: “E qual a idade de seu filhinho?”. A dama
respondeu: “Tem um ano”. E Montessori concluiu: “Vá depressa, porque você já perdeu o
melhor período da vida para educar seu filho, que é este que está passando”
Sabemos, graças a psicologia infantil, que os primeiros anos de vida são os
de formação do caráter e da personalidade. E sabemos, à luz da psicologia
reencarnacionista, que o Espírito, nesse período, ainda não tendo mergulhado totalmente na
matéria densa, com o seu psiquismo ainda não estando revestido inteiramente dos
neurônios cerebrais, tem a melhor faze para absorver o conhecimento, que mais tarde se
manifestará nas expressões da memória e do discernimento, através da razão, quando o
indivíduo começar a pensar”37.
Desta forma se expressa o escritor e orador espírita Hermínio Miranda: “O
conceito da reencarnação continua fazendo falta ao correto equacionamento dos problemas
educacionais.
71
O conhecimento da reencarnação nos possibilita dizer que a educação não
começa na nascimento , no berço ou junto das mães, ela continua, prossegue, avança para
um novo ciclo de experiências em cada existência no corpo físico, na carne, mesmo porque
também no intervalo entre uma vida carnal e outra, o Espírito, que é imortal, aprende e,
portanto, educa-se”.38
Há um número considerável de professores instruindo, ou seja, preparando
seus alunos para a vida material: Um bom emprego, ganhar dinheiro, “ser um homem de
bem”. Porque muitos deles também pensam assim.
O dicionarista Aurélio, define educação nestas palavras: “Processo de
desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em
geral visando à sua melhor integração individual e social”.
Amélia Rodrigues nos diz: “Quem instrui prepara para vida, quem educa dá
vida e quem evangeliza salva vidas”.39
Joanna de Ângelis desta forma se expressa: “A instrução é setor da
educação, na qual os valores do intelecto encontram necessário cultivo.
A educação, porém, abrange área muito grande, na quase totalidade da vida.
No período de formação do homem é pedra fundamental, por isso que ao
instituto da família compete a indeclinável tarefa, porquanto pela educação, e não pela
instrução apenas, se dará a transformação do indivíduo e, conseqüentemente, da
humanidade.
37
FRANCO, Divaldo Pereira. Palavras de Luz, 1ºed.- Bahia: Federação Espírita do Estado da Bahia Editora,
1993 cap.
38
AMORIM, Deolindo e MIRANDA, Hermínio C. o Espiritismo e os problemas humanos, 2ºed.-São Paulo:
editora U.S.E, 1991. Segunda parte cap.10 p.142.
39
FRANCO, Divaldo Pereira. Palavras de Luz, 1ºed.- Bahia: Federação Espírita do Estão da Bahia editora,
1993. cap. Área de Assistência Social p.140
72
No lar assentam os alicerces legítimos da educação, que se transladam para
a escola que tem a finalidade de continuar aquele mister, de par com a contribuição
intelectual e as experiências sociais.
O lar constrói o homem, a escola forma o cidadão.”40
O doutor e educador Haim Ginott nos apresenta no livro “O Professor e
a Criança” uma conclusão que nos dá motivos para meditar seriamente, pronunciando-se
nestas palavras: “Cheguei a uma conclusão amedrontadora. Eu sou o elemento decisivo na
sala de aula. É minha relação pessoal que cria o ambiente. É o meu humor diário que gera o
clima. Como professor, possuo tremendo poder para fazer a vida de uma criança miserável
ou alegre. Posso ser a ferramenta da tortura ou o instrumento da inspiração. Posso humilhar
ou alegrar, ferir ou curar. Em todas as situações é minha resposta que decidirá se uma crise
poderá ser vencida ou vencedora, e uma criança humanizada ou desumanizada.”41
Emmanuel, através de sua vasta experiência assim nos fala: “ O Espírita
considera a humanidade por sua própria família. Estuda sempre. Ama sem escravizar e sem
escravizar-se. Não tem a pretensão de saber tudo, mas realiza com espontaneidade e alegria
o trabalho que lhe compete. Evita os excessos. Simplifica quanto possível a própria
existência.”42
Ao educador, é importante lembrar dois fatores inolvidáveis na educação: O
exemplo e a humildade. Daí Paulo Freire a dizer: “Tanto posso saber o que ainda não sei
como posso saber melhor o que já sei.
40
FRANCO, Divaldo Pereira. S.O.S Família, 1ºed.-Bahia: Livraria Espírita Alvorada Editora, 1994.
cap. Educação p.70
41
GINOTT, Haim. O Professor e a Criança, 1ºed- Rio de Janeiro: Editora Bloch, 1973 Prefácio p.13
42
XAVIER, Francisco Cândido. Livro da esperança, 9ºed.-Uberaba-MG: Edição C.E.C ( Comunhão Espírita
Cristã), 1987. cap.66 p. 180-181
73
Uma de minhas preocupações centrais deve ser a de procurar a aproximação
cada vez maior entre o que digo e o que faço, entre o que pareço ser e o que realmente
sou.”43
Jesus, considerando a humanidade como família mais abrangente dizia: “Ide
e fazei discípulos de todas as nações, ensinando-os a guardar todas as coisas que Eu vos
tenho mandado”. (Mateus, 28:19 e 20)
Para que o professor atinja seus objetivos que é educar, porquanto somente
a educação poderá reformar o homem, salvar a humanidade, precisa utilizar-se dos
formosos
recursos indispensáveis que são: O amor, o conhecimento e a disciplina de
maneira que se lhes insculpam no imo as lições que o acompanharão para sempre.
“Passemos as palavras de Léon Denis: Todo o poder da alma se resume em
três palavras: Querer, saber,amar.
Querer, isto é, fazer convergir toda a atividade, toda a energia, para o alvo
que se tem de atingir, desenvolver a vontade e aprender a dirigi-la.
Saber, porque sem o estudo profundo, sem o conhecimento das coisas e das
leis, o pensamento e a vontade podem transviar-se no meio das forças que procuram
conquistar e dos elementos a quem aspiram governar.
Amor, porque, sem o amor, a vontade e a ciência seriam incompletas e
muitas vezes estéreis. O amor ilumina-as, fecunda-as, centuplica-lhes os recursos. O amor
depura a inteligência, põe à larga o coração e é pela soma do amor acumulado em nós que
podemos avaliar o caminho que temos andado para Deus.” 44
43
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia ( saberes necessários à prática educativa). 15ºed.-São Paulo:
Editora Paz e Terra ( Coleção Leitura), 1996 cap. 3 p. 106-108
44
MARIO, Marcos Alberto de. Visão Espírita da educação, 1ºed.- São Paulo : Casa Editora O Clarim, 1999
cap.1 segunda parte. p. 100.
74
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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Sobrevivência na Selva Acadêmica.Rio de Janeiro: Editora Lidador Ltda,1998.
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3-CAMARGO, Pedro de. Nas pegadas do Mestre.Rio de Janeiro: Editora FEB,1992
4- CAMARGO, Pedro de. Na Escola do Mestre. São Paulo: Editora Federação
5- CAMARGO, Pedro de.O mestre na Educação. Rio de Janeiro: Editora FEB,1991.
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Editora Lua Nova Ltda, 1980.
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Alvorada Editora, 1994.
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20-XAVIER, Francisco Cândido. Alvorada Cristã.Rio de Janeiro: Editora FEB,
1948.
21-XAVIER,Francisco Cândido.Cartas do Evangelho.São Paulo: Livraria Allan
79
Kardec Editora, 1940.
22-XAVIER, Francisco Cândido. Crônicas de Além-Túmulo.Rio de Janeiro:
Editora FEB, 1975.
23-XAVIER, Francisco Cândido.O Consolador.Rio de Janeiro: Editora FEB, 1986.
24-XAVIER, Francisco Cândido. O Livro da Esperança.Uberaba-MG : Edição
Comunhão Espírita Cristã, 1987.
25-XAVIER, Francisco Cândido. Parnaso de Além-Túmulo.Rio de Janeiro: Editora
FEB, 1994.
26-WANTUIL, Zeus e THIESSEN, Francisco.Allan Kardec(meticulosa pesquisa
biobibliográfica).Rio de Janeiro: Editora FEB, 1984.
27-WEISS, Brian L.Muitas Vidas muitos Mestres. Circulo do Livro Ltda. Caixa
postal 7413, 1988.
80
ANEXOS
81
Anexo 1
ESTÁGIO NA FACUDADE INTEGRADAS SILVA E SOUZA
82
Anexo 2
ESTÁGIO NA FACUDADE INTEGRADAS SILVA E SOUZA
83
Anexo 3
ESTÁGIO NO COLÉGIO ESTADUAL CONSELHEIRO MACEDO
SOARES
84
Anexo 4
ESTÁGIO NO COLÉGIO ESTADUAL CONSELHEIRO MACEDO
SOARES
85
Anexos 5
ESTÁGIO NA CASA MARIA DE MAGDALA
86
Anexos 6
ESTÁGIO NA CASA MARIA DE MAGDALA
87
Anexo 7
ATIVIDADE EXTRA-CLASSE
88
Anexo 8
ATIVIDADE EXTRA-CLASSE
89
ÍNDICE
AGRADECIMENTO
III
DEDICATÓRIA
VI
RESUMO
VII
METODOLOGIA
VIII
CARTA AOS MESTRES
XI
AS BEM-AVENTURANÇAS DOS EDUCADORES
XII
SUMÁRIO
XIV
INTRODUÇÃO
15
CAPÍTULO I
Noções Básicas e Fundamentais de :
o que é o Espiritismo
19
Biografia de Allan Kardec
34
Biografia de Pestalozzi
41
CAPÍTULO II
Metodologia Educacional
45
CAPÍTULO III
Pestalozzi e sua Metodologia Educacional
57
CONCLUSÃO
71
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
77
BIBLIOGRAFIA CITADA
80
ANEXOS
83
90
FOLHA DE AVALIAÇÃO
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
Instituto de Pesquisa Sócio-Pedagógicas
Pós-Graduação “Latu Sensu”
Titulo da Monografia:
EDUCAR PELA RELIGIÃO : OS FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO
ATRAVÉS DA DOUTRINA ESPÍRITA.
Data da Entrega: _______________________ ____________________________________
Avaliado por:______________________ __________________Grau__________________
Rio de Janeiro ____de ________________de 20____
_____________________________________________
Coordenador do Curso
91
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universidade cândido mendes instituto de pesquisas sócio