Cohen
(1966), em sua obra
·Structure du 1anga-
ge poetique", defende
a nip6tese
segundo a qual toda fi-
gura tem dois tempos:
19) desvio e 29) reestrutura9ao
desvio. Sabemos que 0 desvio nao e
condi9ae
suficiente
para existir a figura, pois 0 erro esta ai para
trar. Mas condi9ao necessaria
e
fundamento
pensamos
condi9ao
cessaria esta no fato de 0 desvio constituir
do litera1mente,
demons-
que deva ser.
para ser considerado
indica ao leitor que 0 enunciado
a marca que
ou seja, que deve haver uma interpretaesta nao existiria.
derando, assim, como hip6tese
de traba1ho a posi9ao
0
ne
nao deve ser interpret~
9ao figurada. Case contrario,
gundo a qual
do
desvio e tra90 pertinente
curamos pesquisar a natureza e
0
Consise-
da figura, pre-
tipo de desvios em enun
ciados figurados. (1)
Esta hip6tese
encontrou
barreiras
quando
mos exp1icar a natureza do desvio que 1evaria
ta9ao metaforica
de proverbios
nao apresentavam
0
a
tent~
interpr~
populares
ou de frasesque
desvio caracteristico
da metafora, mas
que tambem permitiam
uma interpreta9ao
Enquanto a metafora,
metaforica.
figura de palavra,
um desvio lingfiistico que consiste
na
contem
incompatibilidade
a nivel de enunciado) e, por esse motivo, sua leitura li
teral leva a am paradoxo, os proverbios metaforicos
ou
frases nao convencionalmente metaforicas nao contem des-
tura literal e uma leitura figurada. £
0
que acontececom
o proverbio "Hais vale um passaro na mio que dois
do", que possibilita uma leitura literal (pois nao
voancon-
tem paradoxo a nlvel de enunciado como a metifora) e uma
Alem deste problema apresentado no primeiro me
mento da figura - que
e
0
desvio -
0
enfoque da nio-ret§
rica - (Grupo de Liege) (2) nao permitia explicar, nos ca
processo da reestrutura9ao do
desvio
que, para a metafora , figura de palavra, seria a
sos focalizados,
inter-
0
sec9ao semica. Por esse motivo, buscamos am instrumental
o objetivo do presente trabalho consiste em e~
pl~car os dois.momentos: desvio e reestrutura9ao do desvio em proverbios e frases nao convencionalmente metafo-
de Paul Grice, ou como a considera Sperber: "uma
da interpreta9ao de enunciados" (3)• Tendo em vista
teoria
esse
Enquanto OB proverb1oB eram focal1zadaB fom de
contexto de enunciacrio, nio era poBBlvel canstatar
0
de!
vio que gerava a ~nterpretacrio fiqurada. 0 deBvio procurado Be evidenciou, quando
0
proverbio foi analisado nu-
ma situacrio de dialogo.
Tomemos 0 proverbio, citado anteriormente, numa situacrio especifica. 0 locutor -A- diz ao ouvinte -Bque pretende vender seu -fusca-, aplicar
do em a908s ever
0
se conseque aumentar 0 capital, cbeqa~
do mais proximo do necessario para comprar
YO.
dinheiro obt!
WIl
-fusca- n2
Ao terminar de explicar seu projeto, -A- perqunta
a
(1) 0 que voce acha disso?
Ao que -B" responde:
(2)
Ma1s vale um passaro na mao que dois voando.
o assunto anterior a
(2) dizia respeito a
car
ros. E a pergunta (1) tambem, pois, atraves do anaforico
"disso-, retoma
0
que foi dito antes. A resposta de
nao apresenta, aparentemente, relacrio com
0
"B"
universe cria
do anteriormente. 0 esperad0 seriam respostas de tipo:
(3) Eu acho melhor voce ni0 vender seu carro, pois it a~
riscado.
ou
(4) Eu acho que voce deve \'
••
nder, pois
0
momento it
born
e pode dar certo.
A resposta (2) traz, portanto, urnaruptura
da
dire~io da troca verbal, pois parece introduzir
novo
UBI
a.sunto, quando 0 anterior - cujo tema era referente
a
carros - MO havia sido concluldo. Houve, portanto,
uma
ruptura da maxima da pertinencia, como a propOe Grice.
e
Para Grice (1975:.6) a pertinencia
gra da categoria da rel~io
a Unica r~
e segundo ela se deve
dizer
apena. 0 que tiver rela~io com ? assunto da troca vez:bal.
Mas ele admite que esta reqra i problematical
nNa sua concisao Bsta rBgra dissimuLa bom numBro dB probLBmaB prBocupantBs: quais sao os difBrsntes
cBntros de pertinincia
ginBros
possiveis. como SB modificam
e
no
dB8BnvoLvimBnto dB uma troca vBrbaL. quais sao os prOCBdimentos normais qUB SBrVem para mudar COm
LBgitimidade
o aS8unto da conversagao. BtC. Estas questoes sao no meu
parecer eztremamente dificBis. e BU pBnso Bm voLtar
a
BLas num prozimo trabaLho. n
a r~
No caso do proverbio em analise, a ruptura
gra da pertinencia parece ser clara.
pee um desenvolvimento
A
pergunta
(1) pro-
do assunto relativo a carros, ge-
rando uma expectativa de continua~io do ASSuntO, e are!
posta (2) traz aparentemente uma'mudan~a de assunto.
Entretanto, para Grice, nio
e
a regra da
per-
tinencia que entra na explicayio dOB tropos. Para ele os
tropos se explicam pela viola~io da maxima da veridicida
de: "Hio afirme 0 que voce acredi ta ser faJ.so·. Mas
0
pr~
verbl0 parece se explicar adequadamente apena. pela ruptura da mixima da pertinencia, pois 0 que 0 locutor disse em (2) nio
e
falso, como iri demonstrar a interpreta-
Grice, quando explica os tropos pela ruptura da mixiBB de
veridicidade, tem _
na qual
0
mente a _tifora,
figura de pIll.av:ta,
que est! eo nIvel do posto, por constituir
um
paradoxa, sO pode ser falso. Ou talvez seja mais adequado dizer absurdo, pois
0
falso parece se aplicar
melbor
i ironia.
Sperber (1979:84), de fato, ji havia observado
que na explica~io dos tropos "uma fatta de informativid~
de ou de pertinincia
pode tao bem eatar em
uma fatta de veridicidade.
tratamento
unificado
mazima eapecifica
5e,
doa tropoa,
i
quanto
ae procura
portanto,
nao
jogo
um
na viotagao de uma
de Grice que ae encontrara
0
princi-
pio. "(4)
Assim, enquanto
0
desvio da metafora,figura
de
palavra, ocorre entre sintagmas do enunciado,portanto,
de nIvel frasal, no proverbio analisado
0
frasal e cria de certa forma urnparadoxo tambem, so
nao mais interno ao enunciado.
e
desvio e tran.!
que
construLr 0 aecanL
•.c orLgLnalde Lnterpreta9iodo
pro-
verbio, pois sua interpretA9ao uaual, devido i conYeD9io
de uao, i automitica a inconaciante. 0
ceria ae ae traUsaa de
11II
_unciado _taf6rico
cuja int.erpreta9io axigiria _ior
por iS5O, constituiria
11II
esfor90 do receptor a,
i anili.a
40 enunci.do (2).
o deavio intaJICi.OMlleva • _
¥
original,
prooea5Oconaciente.
VOltaRes,_~io,
procSutiva.Dianta
nio aconta-
_SIlO
r•• poata
vio i ragra de pertinincia,
(2),
r_atruturA9io
que const1tui
0 _captor
eSea-
WI
-,.- pena.: ou -B"
ead recuaando0 .a.unto propcNIto,ou 0 que -B" di_
i
ala diaaa, "a
0 ~
outra coiaa. Supondoque -.- eat~
ja r•• peitando a. regr_
i~licita~o
Dio
do jQ9O,-,.- procura calcular a
(5) que restabela9a a aitUA9ioi nor_lida-
sa a anuncia9io de -,.- di&ia respeito a carros
• a enunciA9iode -.- diE reapeito a pia.aros,
ra restabelecer a .ast..
vea aer pi.saros e ai. carros. llio que haja
lesieal
..ta
WIIa
analogia
ent_ pi.aaros e carros, pois aqui nao se
da _tifora,
casa, i _
crib
entio, p!
da pertiniDcia, pissaros nio d~
figura de palavra.
analogia de aitua~a:
ea (2) - -Maiavale
11II
,0
trata
que ocorra, neate
entre a 8it_9io
des-
pisaaro na •• 0 qUedoia
YO-
ando- e a aitua9io dti.chta na 1nterpreta9io figumda(3)-llais vale ter
UID
carro ".lbo, do que ficer a ver
vo que nio aej_ .eu. - Portant:o, ae na -etifora
ado, havia _
\III
no-
do enunc!
analogia entre palavras, que pode •• r ex-
plicada pels intersec940 ".ica,
ne.te caso ocorre
una
ana1og1a
entre os enunc1ados
No processo
p11cita~io
como um todo.
1nterpretat1vo
(3) f01 necessario
rico da evoca~io simbo1ica,
1ico, como propOe Sperber
memOria encic10pedica
que produz1u
recorrer
OU s1mp1esmente,
(1975). Segundo
uma c1ass1fica~ao
das informa~Oes
em fun~ao das multiplas
a segunda organiza~ao
associa~Oes
sempre renovadas
proxima~Oes
ocasionais
Desse modo,
0
este autor,
ra dar conta dos efeitos
semantico
conta tambem
0
No proverbio
retorico
analisado,
evoca~io simbolica atuou atraves
ao mesmo
do pelo princIpio
em geral em
da pertinencia,
tabelecida entre urn enunciado
que ao
De fato,
vem restabelecer
a pertinencia
orientou
dizer "B". "A" percebeu
dos
em
simbolica.
ou
Mas e inte
entrou em a~ao reg!
pois a analogia
foi e~
que falava de passaroseo~
0
preta~ao de acordo com as maximas
p1ica~OeS
P~
termos
lado
saber simbolico
tro que falava de carros e nao COm qualquer
lhida aleatoriamente.
tempo
deve ser levado
da analogia.
ressante observar que este mecanisme
e a-
simbolica.
da evoca~ao
0
de
as classifica~Oes.
possui
e pragmatico,
mecanismo
de
em fun~ao de analogias
este autor considera
dispoSitivos
estavel
se faz por uma rede
figurat1vos
a
pr!
hierarquias
racional e uma organiza~ao
de implicita~Oes,
saber simb~
re1at1vamente
que extrapolam
saber encic1opedico
uma organiza~ao
1mret~
possU! uma dupla organiza~ao:a
me1ra apresenta
conceitos;
a
ao mecanismo
ouvinte
cOisa
busca uma inter
da conversa~ao
a mixima desrespeitada.
"A" para descobrir
que passaro
esco-
0
que
e as i~
Assim
queria
nao era passaro.
Pa-
ra ser compat!vel ou pertinente em rela~io i
enuncia~io
anterior, deveria ser carro. E a evoca~ao retorica
mos-
trou haver uma analogia, nio exatamente entre passaro
e
carro, mas entre as situa~Oes em que os dois se encontr~
vam:
(4) Assim como e melhor ter um passaro na mio do quedois
voando, tambi.m e melhor ter um carro velho, do
que
ficar a ver um novo que nio seja seu.
Esta interpreta~io ainda parece lacunar,poisp£
deria ser preenchida como segue:
(5) Assim como e melhor ter um passaro na mio do que ten
tar ter dois e ficar sem nenhum, tambem e melhor ter
um carro velho, do que tentar ter um novo e ficarsem
nenhum.
Para Grice, a interpreta~io se reduziria
plicita~io (3) que substituiria
0
enunciado
a
im-
(2). Sperber
questiona esta visao substitutiva da implicita~ao nos tr£
pos, alegando que parece haver antes uma
cOmPlementa~ao
entre (3) e (2) do que uma substitui~ao de (2) per
Considerando que
0
(3).
tropo nao se reduza a uma mera substi
tUi~io como pretendia a retorica classica, a posi~ao
Sperber parece-nos mais razoivel. e ela nos leva
cita~io (4), por recuperar
0
expllcito, e
(5), per preencher as lacunas que
me consequeneia desta pesi~io,
0
0
a
a
de
impl!
imPlicita~ao
expl!cito contem. C£
expllcito nao
e
fa1so,
mas, sim, parcialmente
verdadeiro, pois
e
~ad:>
nas
interpretar;:OeS (4) e (5), e, portanto, niio representa uma
violar;:iio
i regra da verid1cidade.
Assim, a ruptura
nes-
te caso ocorre apenas em relar;:iio
i regra da pertinencia.
£ interessante
Observar que a regra da
perti-
nencia atuou em dois 11lOmentos:no da ruptura e no do cal
culo da implicitar;:iio.
No primeiro momenta, a ruptura i r~
gra indica que ha urnafastamento
do sentido literal, que
a resposta nao e direta, e, no segundo momento, 0 ouvinte constroi a interpretar;:ioguiado pela regra desrespeitada, pois ela 0 orienta na utilizar;:iio
do mecanisme
da
evocar;:iio
simbOlica. PensAlllOsque seja nisto que consiste
a "explorar;:io"da regra de que fala Grice, ou seja, a aparente negar;:ioda regra representada pela ruptura,
na
realidade, e uma forma de utiliza-la de modo mais produtivo, e "explora-la".
Um outro aspecto interessante que se
eviden-
ciou no estudo do proverbio e que ele apresenta urn funcionamento semelhante ao dos deiticos. Como
0
proverbio
depende do contexto de enunciar;:iopara ser
interpretacD,
fora de contexto, ele tem urnpotencial semantico ,em abe~
to semelhante aos d8iticos. Ou seja, na situar;:ioem
analisamos, a pissaro foi atribuldo 0 valor
que
referencial
carro. Numa outra situar;:io,por exemplo, numa conversa e!!
tre dois rapazes sobre namoradas, passaro pode ser inteE
especlfica,
0
enunciado, ou seria interpretado no BeuBe~
tido literal, porque nio haveria desvio que indicasse
necessidade de uma interpreta~io figurada, ou seria
a
in-
terpretado figuradamente de uma forma generica,porque
bemos que
0
s~
proverbio no contexto de enuncia,.:io costuma
exigir a interpreta,.:aofiqurada por con~en,.:iode uso.Co~
siderando as varias possibilidades de uso desse
prover-
bio, sabemos que ele pode ser usado ora numa SitUA,.:ioem
que alguem quer trocar
que tem, por algo mel.hor,ora nu
0
ma situa,.:ioem que alguem quer trocar
0
que tem por dois
ou mais seres da mesma natureza. Portanto
referir a alga mais numeroso ou a algo
0
ser ao
qual
qualitativamente
melhor. Retomando a implicita,.:io(3), a forma gen&1ca de
interpreta,.:io,considerando
0
aspecto
qualitativo
de
·dois·, seria a seguinte:
(3a) Mais vale ter um ser ·x· (+ animado ou - animad~
litativamente inferior, mas seu, do que ficar a ver
um ser ·x· qualitativa_nte
Considerando
0
superior, mas que
nio
numeral no seu aspecto quantitative, a fo~
ma generica aeria:
(3b) MlUs vale ter
UBI
do que ficar aver
ser ·x·
(+
animado ou - ani_do),
dois seres ·x· que neo sejam seus.
-Passaro- funciona, pois, de modo
aos diiticos, pois
0
semelhante
seu valor referencial, a nIvel co~
tativo, so i preenchido no contexto de enuncia9ao,
por
'meio da a9ao das leis conversacionais ou leis do discurMO so de perJD!
so. As leis conversacionais tem a f~ao
tir
0
calculo das implicita90eS, mas tambim de
auxiliar
na determina9io de referentes. 0 mesme acontece com
meral ·dois·, cujo sentido so sera definido com
0
n~
auxI-
0
lio das leis (Ducrot (19791,Sperber (~979».
Mas, se construirmos a interpreta9ao
baseada na interpreta9ao
generica
(5), teremos:
(Sa) Assim como e melhor ter um passaro na mio do que te~
tar ter dois e ficar sem nenhum, tambem e rnelharter
um ser ·x· (+ animado ou - animado), do que
ter um ser ·x· melhor
ou dois seres
tentar
·x· - e
ficar
sernnenhum.
A forma generica construIda dessa maneira
revela mais adequada, porque nela "passaro" mantem
se
seu
sentido literal ou sentido primeiro e fica vazio ,para ser
preenchido referencialmente, no nIvel do sentido derivado ou sent1do conotativo. Entio a diferen9a que
ria entre
0
aspecto de1tico da figura e
tivos; pronomes, etc., e que
0
0
existi-
dos demonstra-
da figura ocorreria
num
segundo nIvel semantico. E a forma generica (Sa) evidencia este fato, enquanto as formas genericas
(3a) ou (3b)
levam a supor que houve uma supressao do sentido literal
de passaros e subst1tui9ao por urnoutro sentido.
Assim 0 que foi poBBivel eonstatar para 0 proverbio, pode-Be generalizer para aB figuras em geral(com
exc~io
daB lexicalizadaBI,
pois. Be 0 santido
literal
esti inscrito na lingua, 0 sentido darivado e inidito
e criado a todo momento. Por eSBe motivo, podemos
e
dizer
Di-
que a linguagem figurada tem WlIB natureza diitiea no
vel do sentido Begundo.
A reeBtruturatrio do deBvio para Cohen Be U.JIlitaria ao nivel Bemintico, mas e posBivel prosBeguir no
vel pragmitico. elllboraBe poBBa questior.ar esta
trioque eBtamos propondo. Como VimoB nos itens
II!
Beparaanterio-
reB, a atribuiyio de valores referenciais Be fez com 0 au
xilio da lei conversacional
deBrespeitada:
tinencia. Entio surge 0 illlpasse:hi
mintico com 0 auxilio de
UID
UID
a lei da per-
preenchimento
se-
instrumento praqmitico? Pen-
samos que Bim. Toda classificayio e empobrecedora
tido em que BUpOe a realidade compartimentada
em
no se~
gave-
taB. Seria mais produtivo pensar a ClasSificayao em termos de vasos comunicantes. Nesse sentido, poderiamos pe!!
sar nos niveis semintico e praqmitico imbricados.
Devemos prosseguir na atividade interpretati~,
porque. se voltarmos a considerar
(5) em relayio i
per-
gunta (1) da qual (5) deveria ser resposta. vemos que (5)
ainda nao constitui uma resposta direta.
Se a interpretatrio e realizada conforme as mi-
xlmas da conversacrio e percebelllOsque a lnterpretacrao nio
pode parar em (5). i porque
(5) alnda deve contrarlar
quma regra, que parece ser a da pertlnencla
pergunta pedia a oplnlio de
B
novamente.
a respelto do projeto
rente ao carro de A. A resposta
alA
ref~
(2) nio era pert1nente sob
dols aspectos: nio falava de carro e nilo trazla B explie!
tamente. A lmpllel tacrio (5) traz a pertinenela
ao conteudo proposlclonal,
em rela..,io
mas nio devolveu a pertinencla
em rela..,ioao lndlcador da for..,ailocuelonarta,
au
seja.
em rela..,ioi oplnlio de B.
o proverbl0
usado por B na resposta tem ~
a~
sertlva e, COIllOtal, exprlme a cren..,ade B no que afirma.
Asslm a assercrio que lnelde sabre a segunda parte do proverbl0 -dols voando-, que e lnterpretada como -flear aver
um novo (fusca) que nio seja (ou nio sera) de A-, tem uma
premlssa que se enuncla eolllO:
(6) B acredita que A nio val conseguir ter a -fusca-
no-
vo.
Esta premissa permite a eanclusio final,.que serta a resposta direta de B, caBO tiveBse oeorrldo
o
praverbio
explieltamente:
analisado apresentou os dOls tempos
previstos por Cohen para as figuras em geral. No
primei-
ro tempo, 0 desvio se explicou COIllOuma ruptura
conversacionais
a
leis
(no caso analisado, foi apenas uma que e~
trou em jogol e nio f01 interno ao enunciado, mas
reu entre enunciados de enuncialj:Oesdiferentes.
ocorA
lei
desrespeitada no primeiro tempo or1entou a interpretalj:io
nos seus virios nIveis, inclusive na uti11zalj:iodo mecanislllOde evo~alj:iosimbOlica por maio da analogia.
Os resultados Obt1dos nas anilises ~
estalllOsd1ante de uma metifora de um mvel
t~po-metifora.
que
diferente
Tal figura, pelas caracterIsticas
do
apre-
sentadas, poderia ser denominada -metifora discursiva-ou
"meti-fora da enuncialj:io
-. Entretanto, esta
denominalj:io
suscita problemas que devem ser melhor examinados, como,
por exemplo, 0 fato de levar a uma revisio da term1nologia da retorica clissica que atribula a esta figura 0 D£
me -alegoria- (de uma frase so, no caso analisadol.
om aspecto interessante que se evidenciou
anilises e que escapava aos objetivos propostos foi
natureza deitica das figuras. Pensamos que a
nas
0
da
investiga-
lj:iodesse aspecto possa ser multo produtiva para uma te~
ria geral das figuras.
(ll Paschoal, Mara Sofia Zanotto - -A ~ricalj:io dos aspectos quantitativa
e qualitativo no desvio estilis-
tico-, in Cadernos PUC - n9 8, Arte e Linguagem.
Paulo, Cortez, EDUC, 1981.
S.
(2) Grupe de Liege ou Grupop
: J. Dubois, F. Ede1ine,v.
M. JUinkenberg, P. Minguet, F. Pire, H. '1'rinon(Centre d'etudes poetiques, Universite de Liege) torique Ginerale. Paris, Larousse, 1970. 0
Rhe-
Grupo
procura construir usa teoria geral das figuras,
Jl'
to-
mando por baBe a distin~iio, de Cohen, dOB dois
tem-
pos da figura.
(3) Sperber, D. e WilBon, D. - ·Remarques sur l'interpr!
tation des enonces se10n Paul Grice·, in
~
Communica-
n9 30, p. 80.
(4) Neste trabalho Sperber reduz as maximas de Grice
ao
axioma da pertinincia. NOs consideramos esta redu~ao
empobrecedora e preferimos operar com as maximas
de
Grice.
(5) ·Implicita~ao· e 0 termo usado por Sperber para traduzir 0 inglis ·implicature·. Em portuguis 0
termo
mais usado para traduzir 0 original e ·implic~ura·.
(6) DenominalllOs·x· por se tratar de
UIIl
rnembro ·x·
sera escolhido ou no conjunto dos seres animados
no conjunto dos seres inanimados.
AD
que
ou
mesDlO tempo, pa
ra figurar contexto do proverbia, ·x· deve poder ser
objeto de posse.
1.
COHEN,J.
ris,
2.
(1966)- Structure
DUBOIS,J. et
4.
al11
(1970) - Rhitorique
Pa-
de discours,
Langue~
42 , pp. 21 - 33.
GRICE,B.P.
(1975) Logic and Conversation,
tax and se_ntics,
.cl.
III,
et L. Horgan, Academic Press,
5.
Gin~rale,
Larousse.
DUCROT,
o. (1979) - Les lois
~ais.
Pa-
Flammarion.
ri .• , Libr.
3.
du Langage PoiUque,
Speech Acts,
Inc.,
P.
Cole
pp. 41-58.
SPERBER,
D. (1975) Rudiments de rhetorique
poetique
§J!!!:.
in
cognitiv~
23. pp. 389-415 •
"
.
6.
SPERBER,
D. e Wilson, D. (1979) - Re_rques
terpriution
des inonces
nicatioDS,
30, pp. 80-93.
sur L'i~
selon Paul Grice,
~
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Cohen (1966), em sua obra ·Structure du 1anga- ge poetique