PR UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS PONTA GROSSA GERÊNCIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO PPGEP SIMONE CRISTINA SILVA MORAES ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DE UM AGLOMERADO PRODUTIVO PELO VIÉS DO EMPREENDEDORISMO: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PONTA GROSSA JULHO - 2008 PPGEP – Gestão Industrial (2008) SIMONE CRISTINA SILVA MORAES ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DE UM AGLOMERADO PRODUTIVO PELO VIÉS DO EMPREENDEDORISMO: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Área de Concentração: Gestão Industrial, do Departamento de Pesquisa e Pós-Graduação, do Campus Ponta Grossa, da UTFPR. Orientador: Prof. Luis Maurício Resende, Dr. PONTA GROSSA JULHO – 2008 PPGEP – Gestão Industrial (2008) PPGEP – Gestão Industrial (2008) PPGEP – Gestão Industrial (2008) DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha querida filha Gabriella Cristina, pelo incentivo, amor, companheirismo e amizade, pois através de seu apoio e compreensão, consegui superar algumas barreiras ao longo da jornada: minha eterna gratidão. PPGEP – Gestão Industrial (2008) AGRADECIMENTOS Ao meu Querido Deus, pela força, ânimo e sabedoria que a cada momento precisei na direção dos meus objetivos. Por me proporcionar a cada dia, uma luz em meus passos. Ao meu orientador e amigo, Prof. Dr. Luis Maurício Resende pela amizade e apoio no transcorrer da pesquisa. Por ter sido uma pessoa que através de sua percepção e visão humanística, confiou no meu trabalho, incentivando-me a cada passo na consecução do mesmo. A minha fantástica família, que apesar de distante, sempre me incentivou a caminhar cada vez mais firme nas minhas conquistas. A todos os professores e funcionários que nos relacionamos na UTFPR, que nos proporcionaram oportunidades de crescimento pessoal e profissional em cada momento em que passamos juntos. A instituição UTFPR, pelo esforço em proporcionar aos professores da rede CEFET, através do programa PIQDTEC, uma capacitação melhor de suas competências para melhor desempenho nas instituições de origem. Aos meus queridos colegas, pelo grande apoio e amizade que construímos juntos nesse tempo em que convivemos na UTFPR-PG. Acredito que foi um período ímpar para o mestrado na Instituição, pois colegas de toda a região do Brasil puderam estar juntos compartilhando conhecimentos, companheirismo, alegrias e amizades. A todos os empresários e colaboradores do setor produtivo que compõem o Aglomerado de Empresas do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa, pois foram muito solícitos em prestar informações sobre gestão em suas empresas. Enfim, a todas as pessoas, que de uma forma ou de outra, contribuíram para a realização dessa pesquisa. O meu sincero muito obrigada. Aos líderes empresariais “A cultura do empreendedorismo inovador ressalta a competitividade entre pessoas e também entre empresas, mas igualmente ressalta a necessidade imperiosa de redes de cooperação. Ambas as tendências são necessárias. Devemos incessantemente procurar a combinação mais virtuosa possível que possa emergir desta luta. Sem sinergia e cooperação, ficaremos à mercê de um eterno recomeço, com ações não coordenadas, desperdícios, superposições ociosas e um caótico salve-se quem puder” (MONTEIRO et al. 2006, p. 69). Aos líderes e colaboradores nas empresas “Construímos nossas empresas, queremo-las cada vez maiores e mais prósperas, mas devemos desejar que nossa prosperidade liberte nossos colaboradores da pobreza, do medo, da ignorância, auxiliando-os em sua felicidade e bem-estar. Não os escravizemos às máquinas, pois estas não foram inventadas para a frustração dos homens, senão para estimulá-los; descansar-lhes os músculos; poupar-lhes as energias; humanizá-los e enriquecer-lhes a vida” (SPIRANDELI apud HASHIMOTO, 2006, p.257). PPGEP – Gestão Industrial (2008) RESUMO O objetivo desse trabalho foi desenvolver uma metodologia para analisar a competitividade em aglomerações produtivas pelo viés do empreendedorismo, utilizando como campo de pesquisa o Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa-Pr. Nesse aspecto, foi analisado o perfil empreendedor de cada empresa na visão dos líderes e dos colaboradores da área de produção. Sob o prisma dos líderes foram abordados os seguintes itens: o grau de inovação, cooperação interempresarial e multilateral, estratégia de mercado, normatização, interação com clientes e fornenedores, comunicação interna, mão-deobra, liderança e resiliência organizacional. Sob a ótica dos colaboradores do setor produtivo foram analisados: motivação, comunicação interna, criatividade, qualidade de vida no trabalho, relação entre líderes e liderados e resiliência organizacional. Quanto aos procedimentos metodológicos, a pesquisa classificou-se como indutiva, aplicada e quantitativa. O método do procedimento aplicado foi o levantamento (Survey). A coleta de dados foi realizada in loco, com 15 proprietários ou sóciosgerentes, assim como 251 colaboradores do setor produtivo distribuídos proporcionalmente nas 15 empresas. O instrumento utilizado na coleta de dados foi um formulário e um questionário contendo perguntas estruturadas e fechadas, criando-se assim, um modelo para analisar gestão intraempreendedora em aglomerações produtivas. Os principais resultados apontaram que o aglomerado produtivo se caracteriza com um perfil empreendedor moderado, apesar de em todos os atributos de competitividade analisados necessitarem de estratégias que envolvam ações estruturantes mais agressivas, duradouras, concorrenciais e sustentáveis. Percebeu-se também que está faltando mais visão holística e sistêmica, dentre outros fatores, por parte das lideranças empresariais para que possam implementar essas estratégias. Palavras-chave: Intraempreendedorismo; aglomerações produtivas; competitividade PPGEP – Gestão Industrial (2008) ABSTRACT The objective of this work was to develop a methodology to analyze the competitiveness of Productive Clusters by the bias of entrepreneurship, searching on the Metal Furniture and Storage System and Logistics industries in Ponta Grossa, Paraná State, in Brazil. In this aspect, the enterprising profile of each company was analyzed in the vision of the leaders and collaborators in the production area. Under the prism of the leaders, the following items were analyzed: the degree of innovation, multilateral cooperation, market strategy, standardization, interaction with customers and suppliers, internal communication, workforce, leadership and organizational resilience. And from the employees’ perspective, especially those from the productive sector, were examined the motivation, the internal communication, the creativity, the quality of life at work, the relationship with leaders and organizational resilience. For methodological procedures, the survey is classified as inductive, applied and quantitative. The method of procedure was the survey. Data collection was performed in loco, with 15 owners or member-managers, as well as 251 employees from the productive sector distributed proportionately in 15 companies. During the data collection one questionnaire and application form containing were used structured questions, creating a model to analyze the entrepreneur within company management in the productive clusters. The main results showed that the productive cluster is characterized with a moderate entrepreneur profile, despite of all the attributes of competitiveness examined needed for strategies that involve more aggressive, durable, competitive and sustainable structuring actions. It was noticed that the holistic and systemic vision is missing, among other factors, by the business leaders, so that those strategies could be implemented. Keywords: Entrepreneurship, Productive Clusters, Competitiveness. PPGEP – Gestão Industrial (2008) LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Modelo de parceria de empresa empreendedora .....................................28 Figura 2- Intensidade e número de empresas onde a inovação é vista como algo abrangente, envolvendo todos os setores..........................................................63 Figura 3- Intensidade e número de empresas onde se procura desenvolver novos produtos a seus clientes.....................................................................................64 Figura 4- Intensidade e número de empresas onde existe uma cooperação entre as mesmas, complementando a atividade de inovação..........................................67 Figura 5- Intensidade e número de empresas onde existe parcerias externas com fornecedores, clientes, consultores, universidades, agencias de fomento, centro de pesquisa e outras instituições de apoio.........................................................68 Figura 6- Intensidade e número de empresas onde se gera consistentemente uma atitude prática de inovação com seus fornecedores, gerando soluções inovadoras de impacto no mercado ...................................................................70 Figura 7- Intensidade e número de empresas onde há parcerias com fornecedores especializados de bens e serviços situados na mesma região .........................71 Figura 8- Intensidade e número de empresas onde há fidelização de clientes .........73 Figura 9- Intensidade e número de empresas onde os preços que os clientes estão em condições de pagar é que define os custos de produção ............................74 Figura 10- Intensidade e número de empresas onde existe uma política de explorar mercados além da concorrência ........................................................................75 Figura 11- Intensidade e número de empresas onde se busca diferenciação (inovação) e baixo custo simultaneamente ........................................................77 Figura 12- Intensidade e número de empresas onde as normas (ISO 9000/2000) como padrão de qualidade estão sendo utilizadas ............................................78 Figura 13- Intensidade e número de empresas onde existe estratégia de internacionalização ............................................................................................79 PPGEP – Gestão Industrial (2008) Figura 14- Intensidade e número de empresas onde se estimula o aperfeiçoamento contínuo da mão-de-obra nos colaboradores.....................................................80 Figura 15- Intensidade e número de empresas onde está havendo aumento na contratação de mão-de-obra ao longo dos anos................................................82 Figura 16- Intensidade e número de empresas onde os colaboradores compartilham informações sobre clientes, fornecedores e tecnologia livremente no ambiente das empresas.....................................................................................................83 Figura 17- Intensidade e número de empresas onde as decisões são tomadas em ação conjunta com os colaboradores.................................................................84 Figura 18- Intensidade e número de empresas onde se proporciona buscar oportunidades e articulações com os colaboradores, até obter informações relevantes...........................................................................................................91 Figura 19- Intensidade e número de empresas onde se proporcionam condições para que se manifeste o potencial de liderança nos colaboradores em todos os setores da empresa ...........................................................................................92 Figura 20- Intensidade e número de empresas onde se proporcionam intercâmbio de informações entre colaboradores e centros de aprendizagem..........................94 Figura 21- Intensidade e número de empresas onde se promove a capacidade de se transformar o insucesso numa fonte de aprendizagem .....................................95 Figura 22- Intensidade e número de empresas onde se promove uma cultura de não evitar as mudanças ............................................................................................97 Figura 23- Intensidade e número de empresas onde se promovem hábitos de se escutar os colaboradores insatisfeitos ...............................................................98 PPGEP – Gestão Industrial (2008) LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Fórmula para se calcular o número da amostra dos colaboradores do setor produtivo da aglomeração analisada.........................................................53 PPGEP – Gestão Industrial (2008) LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Número de líderes e colaboradores da produção do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística-PR da Região dos Campos Gerais –PR.........................................................................................................54 Tabela 2 - Escala de Likert: perfil empreendedor por empresa.................................56 Tabela 3 - Intervalo de pontos: características do perfil empreendedor por empresa ...........................................................................................................................56 Tabela 4 - Escala de Likert: perfil empreendedor do setor........................................57 Tabela 5 - Intervalo de pontos: características do perfil empreendedor do setor ......57 Tabela 6- Resultado do perfil empreendedor do setor sob a ótica das lideranças empresariais.......................................................................................................61 Tabela 7- Resultado do perfil empreendedor do setor sob a ótica dos colaboradores ...........................................................................................................................62 Tabela 8- Aspecto motivacional dos colaboradores no setor ....................................85 Tabela 9- Aspecto da criatividade dos colaboradores no setor .................................87 Tabela 10- Aspecto qualidade de vida nas empresas do setor .................................89 Tabela 11- Percentual de crescimento, decrescimento ou estagnação do número de funcionários do setor de 2005 a 2007 ................................................................96 PPGEP – Gestão Industrial (2008) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS - Arranjos Produtivos Locais APLs ANPROTEC -Associação Nacional de Entidades Promotoras Empreendimentos Inovadores BNDS - Banco Nacional de Desenvolvimento Social CEDESPONTA - Conselho de Desenvolvimento de Ponta Grossa IPARDES - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IBIE - Instituto Brasileiro de Intraempreendedorismo MPEs - Micro e pequenas empresas MPMEs - Micro, Pequenas e Médias Empresas SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEPL - Secretaria do Estado de Planejamento e Coordenadoria Geral REDESIST - Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos Inovativos Locais PPGEP – Gestão Industrial (2008) de SUMÁRIO AGRADECIMENTO RESUMO ABSTRACT LISTA DE FIGURAS LISTA DE QUADROS LISTA DE TABELAS LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 16 1.1 Contextualização ................................................................................................................... 16 1.2 Tema e objeto de estudo....................................................................................................... 18 1.3 Justificativa ............................................................................................................................ 18 1.4 Problema de pesquisa........................................................................................................... 19 1.5 Objetivos................................................................................................................................ 20 1.5.1 Objetivo geral .................................................................................................................20 1.5.2 Objetivos específicos......................................................................................................20 1.6 Organização do estudo ......................................................................................................... 20 2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................. 22 2.1 Empreendedorismo corporativo ............................................................................................ 22 2.1.1 Conceituação..................................................................................................................22 2.1.2 Perfil empreendedor nas organizações..........................................................................23 2.1.3 Fator de desenvolvimento ..............................................................................................24 2.2 A empresa empreendedora................................................................................................... 25 2.2.1 Inovação e mudança ......................................................................................................25 2.2.2 Estratégias empresariais de competitividade.................................................................29 2.2.3 Competitividade em aglomerados produtivos ................................................................32 2.3 Liderança e cooperação........................................................................................................ 35 2.3.1 Liderança compartilhada no contexto dos aglomerados produtivos..............................35 2.3.2 Características de cooperação e ação conjunta nos aglomerados produtivos..............36 2.3.3 Correlação da liderança compartilhada e os aglomerados produtivos .........................37 2.4 Produtividade e ambiente empreendedor para os colaboradores ........................................ 40 2.4.1 Motivação .......................................................................................................................41 2.4.2 Criatividade.....................................................................................................................42 2.4.3 Comunicação interna......................................................................................................42 2.4.4 Qualidade de vida no trabalho .......................................................................................43 2.4.5 Resiliência ......................................................................................................................44 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ........................................................... 49 PPGEP – Gestão Industrial (2008) 3.1 Classificação da pesquisa..................................................................................................... 49 3.1.1 Método de abordagem ...................................................................................................49 3.1.2 Natureza da pesquisa.....................................................................................................49 3.1.3 Forma da pesquisa.........................................................................................................50 3.1.4 Objeto da pesquisa.........................................................................................................50 3.1.5 Procedimentos técnicos .................................................................................................50 3.2 Delimitação da população e amostra .................................................................................... 51 3.2.1 Amostra do estudo .........................................................................................................52 3.3 Elaboração da metodologia de caracterização do instrumento de pesquisa........................ 55 3.3.1 Estrutura do instrumento de pesquisa............................................................................55 3.4 Validação da metodologia ..................................................................................................... 57 3.5 Tratamento e análise dos dados ........................................................................................... 58 4 5 ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO............................................................. 60 4.1 Caracterização do perfil empreendedor do aglomerado produtivo....................................... 60 4.1.1 Pontuação adquirida sobre o perfil empreendedor do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa-PR ........................................................60 4.1.2 Inovação .........................................................................................................................63 4.1.3 Relações interempresariais e multilaterais.....................................................................66 4.1.4 Fornecedores .................................................................................................................69 4.1.5 Clientes...........................................................................................................................72 4.1.6 Estratégia de mercado ...................................................................................................75 4.1.7 Normalização..................................................................................................................77 4.1.8 Qualificação da mão-de-obra .........................................................................................80 4.1.9 Comunicação interna......................................................................................................82 4.1.10 Motivação .......................................................................................................................85 4.1.11 Criatividade.....................................................................................................................86 4.1.12 Qualidade de vida no trabalho .......................................................................................89 4.1.13 Relacionamento entre líderes e liderados......................................................................91 4.1.14 Resiliência organizacional..............................................................................................95 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................ 100 5.1 5.2 CONCLUSÕES ................................................................................................................... 100 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS.................................................................. 104 REFERÊNCIAS........................................................................................................ 106 APÊNDICE A – TRABALHOS REFERENTES À DISSERTAÇÃO PUBLICADOS NO DECORRER DA PESQUISA.................................................................................... 114 APÊNDICE B – ROTEIRO DO FORMULÁRIO APLICADO AOS EMPRESÁRIOS115 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS COLABORADORES .............. 118 APÊNDICE D – ELABORAÇÃO DO FORMULÁRIO APLICADO AOS LÍDERES CONSTRUÍDO A PARTIR DO REFERENCIAL TEÓRICO DA PESQUISA ............. 120 APÊNDICE E – ELABORAÇÃO DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS COLABORADORES CONSTRUÍDO A PARTIR DO REFERENCIAL TEÓRICO DA PESQUISA ............................................................................................................... 127 ANEXO A – DOCUMENTO DA UTFPR PARA A APRESENTAÇÃO DA PESQUISADORA ÀS EMPRESAS .......................................................................... 133 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO ................................................................................. 133 PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 1 Introdução 16 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contextualização O aumento da produtividade, da qualidade e da diferenciação ou inovação de valor na produção de bens e serviços, tornaram-se premissas fundamentais com a abertura dos mercados. O acirramento da competitividade é fenômeno compartilhado pelas economias dos países, em especial as chamadas economias emergentes. Destarte, a competitividade ampliou-se de forma irrestrita a inserção num contexto econômico cada vez mais globalizado, expondo setores e regiões a forte concorrência por fatias de mercado, não apenas de mercado externo, mas também interno (LAGES e TONHOLO, 2006). Em vista dessa conjuntura, muitos países estão dinamizando e articulando parte de sua política industrial em aglomerações produtivas. Esses modelos econômicos apresentam, a princípio, uma possibilidade em impulsionar particularmente micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), tornando-as mais competitivas nos mercados, quando se propõem a agirem de maneira coordenada e articulada. Para tanto, percebe-se a necessidade que internamente essas empresas busquem desenvolver competências e capacidades gerenciais, fundamentais para que possam agir de maneira integrada e em rede. Para isso, o fomento da gestão da produção de maneira cooperativa é essencial. Possibilita dinamizar a relação entre gestão, cooperação e competitividade, de maneira a assegurar o crescimento da empresa e sua contribuição para a sustentabilidade regional, derivada da agilidade empreendedora (BASTOS, 2006). É claro que muito disso dependerá da qualidade das lideranças empresariais e de sua equipe de colaboradores em relação à competitividade das empresas. Nesse contexto, uma cultura empreendedora é fundamental. O estímulo ao empreendedorismo corporativo (intraempreendedorismo), possibilita às empresas serem mais dinâmicas em seus processos, produtos e serviços, assim como transforma o ambiente empresarial, impelindo todos à inovação, criatividade, abertos à mudança, expandindo mercados e assumindo riscos calculáveis, dentre outros (DORNELAS, 2003). Para Pinchot e Pellman (2004), o intraempreendedorismo é o PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 1 Introdução 17 uso pela empresa, do talento criativo dos líderes e colaboradores para desenvolverem produtos e serviços inovadores. Segundo Chiavenato (2005), isso acontece através de uma coleção de competências. Nas aglomerações produtivas, habilidades intraempreendedores são desafiados a cada momento através de uma liderança holística e sistêmica impulsionada pela prática de networking dentro e fora das empresas, consolidada através da solidariedade e confiança mútua. Percebe-se que esses fatores são fundamentais no processo de sustentação das empresas. Para Hunter (2006), a liderança não é sinônima de gerência, mas de influência e nisto está à força de sua atuação. No entender Chiavenato (2005), essa influência é renovadora, pois o líder atua como agente de mudança e melhoria contínua. Condições ambientais para o desenvolvimento do perfil empreendedor dos colaboradores também é bastante relevante para acelerar a competitividade das empresas. Algumas empresas já estão sintonizadas de que valorizar seus colaboradores gera uma questão estratégica de negócio. Portanto, crescimento, desenvolvimento pessoal e profissional devem ser apoiados como política e prática organizacional (CHIAVENATO, 2005). Motivação, recompensas e oportunidades profissionais são extremamente importantes, pois o bom desempenho depende de quão motivado e valorizado está o colaborador (HUNTER, 2006; LUPPA, 2006). Aliados a isso, encontram-se a comunicação interna, a criatividade, qualidade de vida no trabalho e programas de capacitação aos colaboradores, pois esses impulsionam cada vez mais a serem empreendedores atuantes nas empresas (SILVEIRA, 2007; GIOVANOMI, 2007; MAXIMIANO, 2006; DRUCKER, 2005). Um aspecto também extremamente relevante para a competitividade das empresas é a resiliência organizacional. Para Grotberg (2005, p. 15), a definição de resiliência na área das ciências humanas é “a capacidade para enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidades”. Herzog (2007) afirma que, a crescente ansiedade e inconstância dos mercados é uma das maiores preocupações dos empresários. Essa situação impõe que os gestores e colaboradores sejam mais rápidos e objetivos em suas decisões. O atributo de resiliência tem potencializado as pessoas a serem mais empreendedoras, favorecendo uma melhor performance na empresa para competir nos mercados. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 1 Introdução 18 Na visão de Hamel (2007), para que as empresas possam sobreviver neste mundo de tanta turbulência, somente sendo resilientes poderão encarar as mudanças ocasionadas no cenário de crise. Portanto, Chiavenato (2000) alerta que a resiliência determina o grau de defesa ou vulnerabilidade do sistema às pressões ambientais externas. Quando modelos tradicionais e burocráticos sofrem resistências ao avanço da inovação e da mudança, a saída nesses casos, não está em programas de desenvolvimento, mas em esforços de mudanças para ultrapassar o seu nível de resiliência. Verifica-se que características empreendedoras no perfil das empresas envolvendo mudança, inovação, liderança, produtividade dos colaboradores e resiliência, estão interligadas com os aspectos de competitividade das aglomerações produtivas. Nessa pesquisa a ênfase no empreendedorismo estará sendo norteada por todos esses atributos. Na atual conjuntura, procurar habilidades empreendedoras para o enfrentamento na era da incerteza e da conectividade é questão de ser visionário. Assim sendo, nota-se que aproveitar todas as oportunidades para se posicionar com mais eficiência e eficácia nos mercados flexíveis e arrojados do mundo global, é questão de sustentabilidade diante dos embates vivenciados nas aglomerações empresariais. 1.2 Tema e objeto de estudo O tema deste trabalho é a competitividade de aglomerações de empresas. O objeto de estudo será o desenvolvimento de uma metodologia para avaliar o perfil empreendedor em aglomerações produtivas e sua devida validação, sendo campo de pesquisa o Setor de Móveis de Metal e Sistemas de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa, localizada na região dos Campos Gerais, no Estado do Paraná. A aglomeração é composta por dezoito empresas sendo a maioria é de pequeno porte, apresentando também em grau menor, empresas de médio porte e uma de grande porte. 1.3 Justificativa Em resposta à crescente abertura de mercados que vêm sendo praticados nas duas últimas décadas, muitos países, tanto industrializados como em fase de PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 1 Introdução 19 industrialização, têm promovido novas formas de desenvolvimento econômico e social. Dentre essas opções estão os aglomerados produtivos. A importância do estudo sobre esses aglomerados é relevante pelo fato desse modelo fornecer um melhor suporte ao crescimento sustentável principalmente às (MPMEs), fazendo com que elas possam se desenvolver e sobreviver aos embates da globalização em constante mutação, tornado-as tão eficientes no mercado quanto qualquer empresa de grande porte. Portanto, o foco principal da pesquisa foi à busca de uma metodologia capaz de avaliar condições ambientais para o desenvolvimento das competências dos líderes empresarias e sua equipe de colaboradores em aglomerações produtivas, e como essas se relacionam com a competitividade das empresas. Acredita-se que o diferencial das empresas modernas atualmente está no posicionamento empreendedor eficiente e eficaz de cada pessoa integrante dos ambientes organizacionais. Sendo assim, buscou-se analisar um aglomerado produtivo para validação metodológica. O setor escolhido é formado em grande parte por pequenas e médias empresas, gerador de quase 2000 empregos diretos, tem impulsionado o desenvolvimento econômico na região e possui mais de 50% da produção em beneficiamento de aço no segmento de sistema de armazenagem no Brasil (IPARDES, 2006b). Portanto, faz-se necessário um estudo mais aprofundado sobre suas habilidades empreendedoras em face da atual conjuntura dos mercados. O empreendedorismo tem a capacidade de impulsionar as empresas a serem mais competitivas, aumentando a geração de empregos, dinamizando processos e procedimentos organizacionais, proporcionando assim, maior inovação, qualidade e produtividade em todas as empresas que compõem a aglomeração. 1.4 Problema de pesquisa Considerando-se que o Setor de Móveis de Metal e Sistemas de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa /PR, foi identificado como uma aglomeração potencial pela Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral (SEPL, 2006) e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES, 2006a), e destacando-se também o fato do setor ser de grande importância para o PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 1 Introdução 20 desenvolvimento econômico no Estado, propõe-se a seguinte pergunta: qual é o perfil empreendedor desse setor e qual a sua relação com o fator competitividade? 1.5 Objetivos 1.5.1 Objetivo geral Desenvolver uma proposta de análise da competitividade em aglomerações produtivas sob o viés do empreendedorismo. 1.5.2 Objetivos específicos - Verificar as condições ambientais para o desenvolvimento do perfil empreendedor das empresas da aglomeração sob a ótica de seus líderes, considerando aspectos definidos na proposta de análise; - Analisar as condições ambientais do perfil empreendedor dessas empresas sob o prisma de seus colaboradores, através dos aspectos determinados na proposta de análise; - Analisar a competitividade do Setor de Móveis de Metal e Sistemas de Armazenagem e Logística pelo viés do empreendedorismo; - Relacionar o perfil empreendedor da aglomeração produtiva analisada com os conceitos de competitividade. 1.6 Organização do estudo O trabalho está assim organizado: o capítulo 1 contém a introdução onde são considerados os aspectos referentes à contextualização, tema e objeto de estudo, justificativa, problema a ser pesquisado, objetivo geral e específicos. No segundo capítulo é apresentado o referencial teórico que se inicia com a relevância do empreendedorismo corporativo, destacando sua importância como fator de desenvolvimento; a empresa empreendedora e sua capacidade de alavancar uma posição mais sustentável nos mercados, onde são salientados a relevância da inovação, mudança, normalização, relação fornecedor-empresaclientes, estratégia de mercado e competitividade em aglomerações de empresas. Em seguida são abordados os temas como liderança empreendedora e sua dinâmica em impulsionar na nova era da conectividade, assim como produtividade sustentável através de ambiente empreendedor favorável ao PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 1 Introdução 21 desenvolvimento das competências dos colaboradores envolvendo temas tais como: motivação, criatividade, comunicação interna e qualidade de vida e resiliência organizacional. No terceiro capítulo, discorre-se sobre os procedimentos metodológicos que delineiam a pesquisa dividindo-a em: classificação e universo da pesquisa, o desenvolvimento do instrumento de pesquisa e a forma como os dados foram coletados e analisados. No quarto capítulo, primeiramente são apresentados os dados coletados na pesquisa de campo, apresentando a pontuação adquirida pelo aglomerado produtivo de acordo com a metodologia apresentada. Logo após são feitas às análises de cada tema apresentado no instrumento de pesquisa através de figuras, quadros e tabelas. São verificados os habilidades empreendedores tanto sob a ótica dos líderes, quanto dos colaboradores. No quinto capítulo são apresentadas as conclusões desse estudo com base nos resultados obtidos na pesquisa, como também as sugestões e recomendações para trabalhos e pesquisas futuras. Por fim, é agrupado ao trabalho as referências, apêndices e anexos. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 22 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Empreendedorismo corporativo 2.1.1 Conceituação O termo empreendedorismo é conhecido desde o século XIX, quando era estudada no mundo a força de uma conduta capaz de impulsionar a economia e a sociedade. Entretanto, o potencial empreendedor dentro das organizações, envolvendo a capacidade de se extrair e dinamizar a criatividade e inovações das pessoas que compõem a organização, só foi referido pela primeira vez em 1978, nos Estados Unidos por Gifford Pinchot. A esse processo foi denominado Intraempreendedorismo ou Empreendedorismo Corporativo (DORNELAS, 2003). No entendimento de Sharma e Chrisman (apud DESS et al. 2003, p.352), o empreendedorismo corporativo é “o processo pelo qual um indivíduo ou grupo de indivíduos, associados a uma organização existente, criam uma nova organização ou instigam a renovação ou inovação dentro daquela organização”. A partir de então, percebeu-se a importância de se investir mais no desenvolvimento dos talentos das pessoas no que tange a sua contribuição criativa para o desenvolvimento competitivo das empresas. Já não era mais suficiente o departamento de pesquisa e desenvolvimento comportarem com todo o contingente de demanda por novidades e melhorias que requer a nova era do conhecimento (DORNELAS, 2003). Esse raciocínio fica claro quando se percebe que “nenhum departamento ou grupo de especialistas da empresa tem responsabilidade exclusiva pela criação do novo conhecimento. A criação do novo conhecimento é produto da interação dinâmica entre todos os funcionários da organização” (REIS, 2004, p. 6). Urge então a implantação da cultura empreendedora nas empresas atuando como força para dinamizar processos, produtos e serviços, a fim de que sejam mais competitivos no mercado interno e externo. Bom Angelo (2003, p. 25) conceitua o empreendedorismo corporativo como a “criação de valor por pessoas e organizações trabalhando juntas para implementar uma idéia por meio da aplicação de criatividade, capacidade de transformação e desejo de tomar aquilo que PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 23 comumente se chama risco”. No entender deste autor, para que um empreendedor interno possa desenvolver sua visão, é necessário um ambiente de trabalho estimulante e um ambiente empresarial de concorrência agressiva. Observa-se que na atual conjuntura, empreender dentro das empresas utilizando todo o arsenal de colaboradores que compõem as organizações é questão de competência estratégica e demonstração de sensatez, pois os mercados estão exigindo uma postura cada vez mais empreendedora nas empresas para sobreviver. Portanto, no entender de Pinchot e Pellman (2004), deve haver um estímulo e preparação por parte do empresariado para aperfeiçoar os talentos empreendedores, caso contrário, poderá perder esses recursos dinamizadores de competitividade para a concorrência. 2.1.2 Perfil empreendedor nas organizações Quando se trata do perfil criativo e inovador dos empreendedores nas organizações, é senso comum para (Pinchot e Pellman, 2004; Bom Angelo, 2003; Dornelas, 2003; Hashimoto, 2006) definirem os intra-empreendedores como aqueles que transformam idéias em realidades dentro da empresa, fazem o que precisa ser feito, solicitam ajuda dos outros, instigam a inovação e são capazes de desenvolver e implantar novos negócios ou processos nas empresas. É salientado também que o empreendedor corporativo é aquele que é focado em resultados, que se transforma em agente de mudanças e lança seus seguidores à ação, exercendo assim um ciclo contínuo e evolutivo nas empresas, incentivando outros a serem intraempreendedores (KUGELMEIER, 2OO6). Corroborando essas habilidades, Pinchot (1989), enfatiza que são pessoas que assumem a responsabilidade pela criação de inovações de qualquer espécie dentro da empresa, são visionários e não descansam até que suas visões sejam manifestadas, assim como estão nas suas mentes. Percebe-se que para os autores citados, o perfil intraempreendedor está fortemente atrelado à inovação e mudança no ambiente organizacional. Portanto, um ambiente corporativo propício a práticas inovadoras é fundamental para o desenvolvimento e retenção de talentos das pessoas nas organizações. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 24 Nota-se que as empresas que querem crescer com a participação criativa e inovadora dos seus colaboradores e líderes, deverão fornecer um ambiente para que eles se sintam como verdadeiros proprietários da empresa, para que, assim, possam vivenciar cada momento a missão e visão empresarial a qual estão inseridos. Nesse contexto, David (2004) faz um alerta. No entender da autora, muitas empresas brasileiras enfrentam um paradoxo e um dilema. Muitas delas esperam que seus colaboradores sejam ativos, vivenciem metas, assumam responsabilidades pessoais e implantem novas idéias transformando em sucesso. Entretanto, um grande número de variáveis interfere no surgimento e sucesso do intraempreendedor: empresas estruturadas burocraticamente, altas taxas de desemprego, falta de planejamento de ações, dependência de apoio de outros, condições ambientais desfavoráveis, etc. Ou seja, as empresas querem intraempreendedores, mas não criam o ambiente propício. Silva (apud DAVID, 2004), corrobora esse pensamento, enfatizando a questão dos países como o Brasil, predominarem empresas familiares com estruturas organizacionais bastante verticalizadas e alto grau de centralização do processo decisório. Essas tornam inviáveis as transformações, gerando como conseqüência resistência à mudança, influenciando assim negativamente os funcionários com espírito de independência e inovação. Portanto, verifica-se que, faz-se necessário uma revolução radical na cultura de muitas empresas que ainda resistem ao perfil empreendedor. Assim sendo, poderão enfrentar melhor o período histórico atual diante dos graves problemas econômicos e sociais da sociedade contemporânea. 2.1.3 Fator de desenvolvimento Para Lages e Tonholo (2006), o Brasil presencia uma taxa anual de crescimento econômico muito baixo em comparação com outros países em desenvolvimento. Para esses autores, a cultura do empreendedorismo inovador pode ser responsável por mudanças impactantes no desenvolvimento econômico. Portanto, enfrentar esses desafios é tarefa não apenas de governos em todas as suas esferas, mas de toda a sociedade. No entender de Loures (2006), um dos caminhos para esse PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 25 crescimento, além da racionalização dos gastos públicos e dos investimentos, é a prática do empreendedorismo. Entende-se, portanto, que o empreendedorismo deve ser uma cultura internalizada na sociedade, tornando-se assim, participante ativa do processo de desenvolvimento econômico sustentável. Essa atitude é principalmente relevante em países em desenvolvimento que precisam de inovações que sejam compatíveis com o padrão de concorrência emergente. Para Shumpeter (apud BOM ANGELO, 2003), o empreendedorismo, é a máquina propulsora do desenvolvimento da economia, pois traz consigo a inovação que permite ao sistema econômico renovar-se e progredir constantemente. Para o autor em questão, sem inovação, não há empreendedores e sem investimentos empreendedores não há retorno de capital e em conseqüência não há desenvolvimento. Em suma, para geração de riqueza, é necessária a força do empreendedorismo. Segundo Dornelas (2003), estudos têm sido feitos para descobrir quais os impactos do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico. Evidenciou-se que os países que adotam essas práticas empreendedoras têm gerado mais riqueza, emprego e renda, proporcionando assim um desenvolvimento mais sustentável na era do conhecimento. 2.2 A empresa empreendedora 2.2.1 Inovação e mudança Em uma economia de mudança, transformação e crescimento, as empresas visionistas procuram cada vez mais se adaptarem nesse espaço global. Estar hoje no mercado e ser competitivo, eficiente e eficaz é uma questão de sustentabilidade. Sendo assim, uma empresa criativa, tenaz e determinada, é fundamental. Cada vez mais é exigida uma organização propensa a assumir riscos, compartilhando responsabilidades e incorporarando dinamismo em todo o ambiente empresarial. Assim, estará mais preparada para os desafios do mercado global. Em contrapartida, quanto mais empresas forem estruturadas segundo um paradigma mecânico, mais seus membros, seres humanos, tendem a ser colaboradores como extensão das máquinas. Entretanto, quanto mais a empresa é PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 26 voltada para um paradigma tecnológico, maior é a contribuição criativa e empreendedora requerida de seus membros (FILION, 2004). Segundo Maximiano (2006), a concorrência mundial devastou as empresas em todo o mundo, mas seus benefícios são imensos. Muitas não ficaram paradas diante dessa situação. Os padrões de qualidade tornaram-se universais, trazendo consigo a preocupação com a qualificação da mão-de-obra e com o melhor aproveitamento dos recursos. O aprimoramento contínuo está sendo constantemente perseguido com uma forma de dinamizar os processos. Para Drucker (2005), as empresas precisam aprender a sobreviver e prosperar com atitudes empreendedoras bem sucedidas, e deverão estabelecer certas diretrizes e práticas para o seu crescimento. O primeiro exercício da visão empresarial seria o fato de se tornar receptiva à inovação e estar aberta à mudança como uma oportunidade e não como uma ameaça. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), (apud PRADO, 2007), o grupo de empresas que mais inova no Brasil teve um aumento de 29% no número de contratações de colaboradores entre 2000 e 2004. As outras empresas registraram um aumento de apenas 19% a.a. Para o Instituto, a disparidade pode estar atrelada à inovação tecnológica em resultar um ganho maior de produtividade, e como conseqüência, abrir novas fontes de trabalho. Também foi constatado que esse tipo de inovação desloca demanda de mão-de-obra mais qualificada, impulsiona o desenvolvimento de novos produtos, tornando-se assim como principal fator de competição em muitas indústrias. A inovação tecnológica no entendimento de Reis (2004), é o principal agente de mudanças no mundo atual e através dela, muitos países e organizações obtém vantagens competitivas e um maior crescimento sustentável. Ela gera nova força as empresas modernas e com isso mantêm fidelizados seus clientes e ainda consegue capitalizar novos consumidores. Diante da atual conjuntura, percebe-se que o maior risco que as empresas poderão passar é justamente na resistência em mudar. Se elas se contentarem somente em copiar o que é feito pela concorrência, não trará desenvolvimento econômico e social. A importância da inovação, além de aumentar a produtividade, PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 27 trará para o empreendimento melhor forma de sobrevivência nos mercados, atrelando para isso, parcerias (IPEA apud PRADO, 2007). Para isso, é importante que a organização tolere riscos e eventuais fracassos. As empresas devem criar fundos específicos para financiar novos projetos, de forma que as intempéries não sejam consideradas perdas, mas aprendizado. Isso acontece porque a inovação só acontece a partir de um ambiente criativo e que atrai competências (PADOVANI, 2007). Para Drucker (2005), as empresas devem adotar diretrizes que criam por toda a organização o desejo de inovar os hábitos de empreendimento, caso contrário, estará fadada ao declínio e envelhecimento. Assim sendo, a empresa precisa ser administrada de tal forma que seus produtos, serviços, processos e tecnologias sejam o diferencial do amanhã, demonstrando assim que a empresa inteira é “ávida por coisas novas” (DRUCKER, 2005). Para Teich e Carvalho (2007, p. 39), “uma empresa que não tenha uma cultura corporativa voltada para a competitividade e para a alta performance está fadada a desaparecer “. Enfatizam ainda os autores que, as empresas devem “ter uma cultura interna capaz de impulsionar a competitividade, eliminando gradativamente o grau de burocracia e hierarquização”. Isso acarretará uma transição para uma cultura oxigenada pela inovação e mudança. A meta para o sucesso de grande parte das empresas segundo Prado (2007, p. 33), seria o desafio constante em “estimular a produção de conhecimento novo e sua gestão, atrelado ao desenvolvimento da inovação e das capacidades tecnológicas”. A inovação para Pinchot e Pellman (2004, p.19), “ é mais do que criatividade. Trata-se de criar e divulgar a utilização de um novo produto, serviço, processo ou sistema, desde a concepção de uma idéia até a sua implementação e exploração bem-sucedidas”. No entender desses autores, o verdadeiro desafio de uma eficiente idéia, é quando se pode conduzir todo esse processo em realidades rentáveis, e para isso é necessário o espírito empreendedor. Assim, não se pode deixar de salientar as relações com os fornecedores empresaclientes. Na era da competição acirrada pelos mercados, a empresa se conecta com fornecedores e clientes, como se fossem parceiros do empreendimento, passando a relação a ser parceiro empresa parceiro. Em PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 28 conseqüência dessa interatividade, a empresa transpõe esse dinamismo para seus departamentos internos e colaboradores, tornando um organismo vivo em relações. Sendo assim, na Figura 01 é ilustrada a empresa na atual era da informação e conectividade em contraste com a empresa tradicional, na visão do Instituto Brasileiro de Intraempreendedorismo IBIE (2007). Fonte: IBIE. Instituto Brasileiro de Intra-Empreendedorismo. Disponível em: <http://www.crasp.com.br/grupos_de_excelencia/sld_alexandre1/index.htm>. Compilação Haschimot Acesso em: dezembro de 2007 Figura 1 - Modelo de parceria de empresa empreendedora O poder migrou das mãos da empresa para as mãos do cliente, e a partir daí, os preços é que definem os custos. As empresas competirão melhor se focarem a atenção nos clientes atuais e potenciais, atendendo e superando suas expectativas. Deve agregar valor e surpreendê-los com soluções integradas, customizar cada transação, cativá-los e fidelizá-los (SOUZA, 2008). Entende-se que a participação do cliente no início dos processos de inovação é essencial, pois estando de perto com os mesmos, as idéias criativas para a inovação fluem com mais rapidez. A empresa deve ter um olhar ávido pelos clientes, oferecendo melhores produtos e serviços. Para o IBIE (2007), diversos tipos de inovações devem ser implantadas nas empresas empreendedoras de sucesso. Além dos novos produtos e serviços e melhores formas de alcançar clientes já mencionados, destacam-se: técnicas para PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 29 fazer mais com menos; aumento da qualidade; reduções na duração do ciclo; novos métodos para diminuir impactos ambientais; sistemas e estruturas organizacionais aperfeiçoados; novas abordagens para reunir e distribuir informações; melhor oferta de serviços internos; novas formas de participação de empregados e de stakeholders e qualquer outro fator que contribua para melhorar o mundo ou a empresa. Um aspecto também essencial para garantir a sobrevivência das empresas e sua vantagem competitiva é buscar oportunidades globais. Para Camargo (2007), a internacionalização aumenta consideravelmente o grau de competitividade das empresas, fazendo com que elas elevem a escala de produção, desenvolvam relações duradouras com clientes, oferecendo assim produtos mais diferenciados. 2.2.2 Estratégias empresariais de competitividade Muitas empresas entendem que para competir é necessário e suficiente sobreviver à concorrência. Posicionam-se desta maneira para garantir uma fatia no mercado, e verifica-se que muitas não sabem o que realmente fazer para garantir o futuro. No entender de Porter (1990), são três as estratégias competitivas das empresas: foco, diferenciação e liderança do custo. Para o autor, a forma de lidar com a concorrência é extremamente importante na competição dos mercados. No aspecto foco, ele enfatiza que empresas optam por concentrarem seus esforços na escolha de um tipo específico de cliente e atender da melhor forma possível. Já quando a empresa opta pela estratégia diferenciação, ela canaliza todos os seus esforços procurando identidade própria para seu produto ou serviço, tornando-os nitidamente diferenciados dos concorrentes. E por fim, a empresa pode optar pela liderança do custo, onde nesse caso, o objetivo não é diferenciar-se dos concorrentes, mas oferecer produto ou serviço mais barato. Para Ansoff (1990), a estratégia competitiva se dá pelo crescimento ou comportamento prospectivo. Ele enfatiza que o crescimento é gerado pela reputação da qualidade dos produtos e serviços que a empresa oferece, impulsionando assim, mais fidelização dos seus clientes. Esse crescimento também pode ser alcançado por meio de compra de concorrentes, fornecedores ou PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 30 distribuidores, ingressos em outros ramos de negócios (às vezes por meio de compras de outras empresas) e estabelecimento de parcerias com empresas de ramos de negócios complementares. Esse autor também salienta a questão de avaliar estratégias através de duas variáveis de crescimento que são: o produto e o mercado. Para ele, esse crescimento é avaliado constantemente em mercados e produtos novos e tradicionais. Percebe-se que Porter (1990) e Ansof (1990) enfatizam muita a questão da concorrência, e Porter (1990), inserido nesse posionamento, enfatiza a questão liderança de custo ou diferenciação, enquanto Ansof (1990), também inserido no fator concorrência, aborda a questão qualidade, fusão ou incorporação de empresas, como também avaliação de mercado e produto novos ou tradicionais. Mais recentemente, Kim e Mauborgne (2005), afirmam que as empresas não devem ficar preocupadas com os concorrentes, mas precisam ir além da competição. As empresas precisam criar um novo espaço de mercado inexplorado através da criação da demanda latente, que por sua vez está acima das fronteiras setoriais de competição conhecidas. O importante é converter essa demanda potencial em demanda real, criando espaços de mercados inexplorados; criando e capturando a demanda, romper o trade-off valor-custo e alinhando todo o sistema de atividades da empresa em busca da diferenciação e baixo custo. Aumenta-se o valor para os compradores, ampliando-se e criando-se atributos que nunca foram oferecidos pelo setor. Muitas empresas hoje se posicionam como seguidoras de regras, sendo assim, conservadoras em atender os clientes. Para Souza (2008), a nova dinâmica competitiva está exigindo que as empresas evoluam da posição tradicional de sustentar algumas vantagens duradouras, para um movimento constante de criar várias vantagens temporárias. Não são apenas os mais fortes que superam os mais fracos, ou os maiores que derrotam os menores. Os mais velozes ultrapassam os mais lentos. Deve-se inovar bastante em vez de imitarem, agilizando velocidade e agilidade nos mercados. Portanto, enfatiza o autor, as empresas devem criar vantagens competitivas de forma ininterrupta. Devem mudar a base da competição no setor como um todo, não se satisfazendo simplesmente em atender expectativas PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 31 de clientes, mas em criar expectativas neles. Deve-se inovar bastante em vez de imitarem, agilizando velocidade e agilidade nos mercados. Algumas empresas, no entender de Maximiano (2006), apresentam a performance de adotarem a estratégia da reação, isto é, ela (empresa), reage para ver o que fazem os líderes do mercado, ou é apanhada de surpresa pela inovação dos concorrentes, perdendo assim, a competitividade. Muitas empresas têm sua carteira de produtos que são cópias de diversos concorrentes. Porém enfatiza o autor que essa estratégia não é sustentável na atual era da globalização. Maximiano (2006) também aborda que muitas empresas preferem estratégia da cooperação, esta por sua vez, é uma ação orquestrada entre duas ou mais empresas, objetivando gerar vantagens competitivas para o conjunto através da chamada de aliança estratégica. Elas buscam vantagem ou sinergia a custo mais baixo para todas. A aliança se sustenta em um contrato formal entre as empresas. Segundo esse autor a estratégia de cooperação se perfaz em: cooperativa com compradores, fornecedores, associações para desenvolvimento e vendas de produtos de compradores, contrato com fornecedores e associações entre distribuidor e vendedor para entrada em novos mercados. Na abordagem das alianças estratégicas, esse autor argumenta que a empresa se expandi sem fugir de sua especialidade e de sua competência central. Ao mesmo tempo implica e diminuem os riscos de todos os parceiros. Nota-se que a maior diferença entre as estratégias competitivas abordadas pelos autores é a questão de romperem ou não o trade-off ( valor-custo). Para Kim e Mauborgne (2005), quando se utilizam estratégias, porém não gerando riqueza para a economia, não está sendo muito eficaz a sua utilização. Para esses autores, qualidade e produtividade só seriam eficientes se atuarem em mercados inexplorados, englobando diferenciação e custo ao mesmo tempo. Para Porter (1990) a estratégia seria ou liderança ou custo, o que na opinião de Kim e Mauborgne (2005) não estaria efetuando um salto de valor para os clientes. Para a estratégia da reação o problema se torna mais grave ainda, pois segundo Maximiano (2006), a imitação é que rege essa estratégia. Souza (2008) enfatiza muito claramente a questão de que na atual conjuntura, a empresa que não inova PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 32 pode a qualquer momento ser eliminada por outra que tenha acesso aos mesmos mercados, oferecendo produtos de melhor qualidade e menos custos. Percebe-se também que a estratégia da cooperação é bastante relevante na atual conjuntura, pois une esforços para obtenção de interesses comuns, ganhando produtividade, qualidade e menores custos em virtude das atividades de ações conjuntas no setor. Esse tipo de estratégia é muito vivenciado nas aglomerações produtivas de sucesso, o que tem provocado um grande avanço em suas economias externas. 2.2.3 Competitividade em aglomerados produtivos A competitividade em aglomerados produtivos gera um maior dinamismo principalmente às MPMEs, para que se posicionem no mercado com maior sustentabilidade. Quando essas empresas estão inseridas nessas aglomerações produtivas, adquirem mais vantagens competitivas. Portanto, muitas delas se mobilizam através de ações empreendedoras, aproveitando as oportunidades para canalizar competências gerenciais e técnicas para o seu desenvolvimento. Para as MPMEs, a configuração em rede representa estratégia para a competitividade, pois, na maioria das vezes, apresentam dificuldades tais como: obterem melhores preços e vantagens de compras de matérias-primas e componentes, custos de participação em feiras, custos de campanhas publicitárias, custos de reciclagem e treinamentos de mão-de-obra, atualização tecnológica, acesso a linhas de crédito e financiamentos, custos de aluguel, custos envolvidos na exportação de produtos, etc. Esses problemas dificilmente desaparecerão, contudo, podem ter seus efeitos neutralizados ou amenizados pela ação coletiva em aglomerados produtivos conjugadas as entidades de apóio (COSTA, et al. 2006). O primeiro a abordar o aspecto das vantagens competitivas em aglomerações de empresas que se situam numa mesma região foi Marshall (1920). Três tipos básicos são apontados por Marshall (apud GARCIA, 2006), oriundas da especialização dos agentes produtivos locais, conhecidos como “Trindade Marshalliana “ que também são utilizados de forma quase unânime por diversos autores. São as chamadas economias externas, cujas vantagens competitivas são: PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 1. Existência concentrada 33 de mão-de-obra qualificada e com habilidades específicas ao setor ou segmento industrial em que as empresas locais são especializadas. Deve-se destacar a existência de organismos especializados no treinamento e na qualificação da mão-de-obra, pois representa diminuição de custos para as empresas locais. 2. Fornecedores especializados de bens e serviços que se situam na mesma região da aglomeração provocam redução de custos, pois a assistência de agentes voltados tanto organizacional quanto tecnológica é aplicada de perto. Pela presença desses agentes, as empresas locais têm acesso a custos reduzidos. Em virtude dos serviços prestados por fornecedores especializados, são inseridas informações técnicas e de mercado, certificação da qualidade e assessoria técnica e organizacional. 3. Possibilidades de transbordamentos (spill-overs) de conhecimento, tecnologia e de habilidades. Através desse processo, é facilitada a informação, pois o conhecimento é circulado de maneira eficiente, através de canais próprios de comunicação e de fontes específicas de informação. Também o fomento para o processo de aprendizado, dadas as maiores facilidades de acesso as informações. No entendimento de Krugman (1998), um dos elementos fundamentais que explicam as vantagens competitivas das firmas é justamente a capacidade de se apropriar de ganhos oriundos da aglomeração de produtores. Para esse autor, a análise das aglomerações industriais está associada à preocupação primordial sobre os determinantes da participação dos países no comércio internacional. O trabalho desse autor teve grande mérito devido ao fato de incorporar as economias externas ou os retornos crescentes de escala, na discussão sobre a configuração do comércio internacional. Porter (1990) salienta o fato de que a aglomeração de produtores é capaz de atrair a presença de indústrias correlatas e de apóio ligadas à atividade principal. Esses agentes contribuem para o incremento da competitividade dos produtores aglomerados, por meio de fornecimento de máquinas e equipamentos, matériaprima, peças e componentes específicos, além da prestação de serviços especializados. Entre esses serviços, pode-se relacionar a provisão de informações PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 34 técnicas e de mercado, serviços na área de normalização e certificação de qualidade, comercialização do produto em mercados distantes, consolidação de canais de distribuição e outros (PORTER, 2001). Outro elemento, além das economias externas salientadas por Marshal (1920), para contribuir à geração de vantagens competitivas, são as ações conjuntas deliberadas entre os agentes. Estas surgem através da interação de agentes locais que podem ser empresas privadas, organizações de prestações de serviços aos produtores, ou pelo poder público local (GARCIA, 2006). Essas ações conjuntas são abordadas por Schmitz (1997) que enfatiza a cultura da cooperação, e isto se perfaz através da cooperação horizontal que ocorre entre as empresas competidoras, e a cooperação vertical, entre as empresas e fornecedores. Combinando economias externas locais e espontâneas com ações deliberadas das empresas, pode-se chegar a produzir vantagem competitiva mais dinâmica, denominada por esse autor de eficiência coletiva. Para Meyer- Stamer e Harmes-Liedtke (apud PAGANI, 2006), são fundamentais formas de cooperação tais como trocas de informações entre empresas e seus fornecedores; entre empresas e associações comerciais, entre os empregados das empresas através de associações profissionais em conferências, seminários. Também ações coletivas como compras e vendas conjuntas; consórcio de exportação, stands conjuntos em feiras de negócios e instituições de apoio, provendo treinamento para os colaboradores das empresas dos clusters. No ponto de vista de Lastres e Cassiolato (2003), a competitividade em aglomerados produtivos se dá pela ênfase no aprendizado interativo e na inovação que tem sido considerado como elementos centrais na dinâmica do crescimento das empresas. Para o Sebrae (2007), a inovação garante novos estímulos ao consumidor final e pode ser considerada uma efetiva estratégia de barreira para enfrentar a concorrência externa, perfazendo-se por melhores produtos, serviços ou processos produtivos mais eficientes. O sistema de inovação em aglomerados produtivos tem como característica essencial o aprendizado interativo que é alicerçado pelo conhecimento e pela difusão de informações entre os atores empresariais e institucionais que compõem o sistema. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 35 Segundo Freeman (1988), Lundvall (1992) e Nelson (1993) (apud SEBRAE, 2007), o sistema de inovação é como um aprendizado fundamental em uma estrutura social e econômica. No ponto de vista de Porter (1989) (apud SOUZA e ARICA 2006), o desenvolvimento de processos e produtos tecnológicos mais avançados e inovadores, têm sido considerados como principais pilares para se obter vantagem competitiva nas empresas. Portanto, para Souza e Arica (2006), características de pressões aos ideais visionários de líderes devem ser desafiadas para acelerar o processo de mudança e inovação nas aglomerações produtivas. No entender do BNDS (2004) a característica de vantagem competitiva se verifica com as estreitas cooperações entre as entidades e o representante das empresas; presença de instituições de desenvolvimento tecnológico no aglomerado produtivo; planejamento estratégico permanente e participativo; acesso a mão-deobra especializada para atividades criativas ou estratégicas do setor e por fim grau de confiança mútua preexistente no local. Diante desses vários autores abordando competitividade em aglomerações produtivas, percebe-se que a inovação, cooperação, mudança, confiança, qualificação da mão-de-obra, custos, geração de conhecimentos, informações e entrelaçamento com fornecedores e clientes estão intimamente relacionados com a competitividade nesses aglomerados. Cabe a cada setor de empresas se munirem de perfil empreendedor para assegurar grande dinamismo, a fim de mobilizarem todas essas habilidades e competências para serem mais competitivas no mercado global. 2.3 Liderança e cooperação 2.3.1 Liderança compartilhada no contexto dos aglomerados produtivos O conceito de liderança nas empresas vem sendo modificado a cada era para auxiliar no dinamismo, desenvolvimento e crescimento sustentável. Na análise de Luppa (2006), a liderança compartilhada é capaz de colocar a habilidade a serviço da condução de pessoas, em busca de um resultado comum, respeitando suas diferenças naturais. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 36 Um dos maiores desafios no ambiente empresarial é a capacidade de saber liderar os pares, ou seja, pessoas que não estão diretamente sob o comando do líder. A liderança se torna mais complexa quando extrapola o ambiente de uma única empresa. Neste contexto se inserem os aglomerados produtivos. Agrupamentos de empresas onde seus gestores precisam exercer uma liderança vertical e horizontal, ou seja, liderar entre seus colaboradores e de igual forma, entre seus pares. Nos aglomerados produtivos são preponderantes as mobilizações e conexões com a finalidade de provocar os indivíduos a agirem de maneira mais interativa. Segundo Pagani (2006), deve haver um relacionamento interno eficiente entre colaboradores, clientes, fornecedores e concorrentes, assim como externamente com o governo, universidades e institutos de pesquisa, concluindo com uma troca de informações em feiras, encontros, publicações, patentes, entre outros. 2.3.2 Características de cooperação e ação conjunta nos aglomerados produtivos Uma das características mais marcantes para o desenvolvimento dos aglomerados produtivos é a capacidade de desenvolver a cultura da cooperação nas empresas. Entretanto, a cooperação deriva de conceitos humanísticos como solidariedade e confiança em seus pares. Um dos grandes paradigmas de desenvolvimento dos aglomerados de empresas com um alto grau de cooperação são os distritos industriais da Nova Itália. Nessas aglomerações, a cultura da cooperação é à base de sustentação para os grandes avanços competitivos que vêm sendo desenvolvidos e praticados. A importância da cooperação entre os agentes locais é de extrema importância para o desenvolvimento dos aglomerados produtivos, pois tem sido evidenciado como a característica fundamental na sua cadeia produtiva. No entender de Casarotto e Pires (2001), a cooperação entre as empresas de porte menor é algo tão irreversível como a globalização, ou seja, talvez seja a maneira como as pequenas empresas possam assegurar sua sobrevivência e a sociedade garantir seu desenvolvimento equilibrado. Nesse aspecto, a cooperação se perfaz através de troca de informações entre empresas, intercâmbio de idéias, desenvolvimento de visão estratégica, análise conjunta dos problemas, solução em comum e definição das contribuições entre parceiros. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 37 Segundo a Redesist (2007), para que o desenvolvimento dos aglomerados produtivos tenha uma competitividade sustentável, na linha de frente dentre as suas conquistas, deve ser inserido o potencial da cooperação. O aprendizado coletivo, conhecimento e capacidade inovativa seriam conseqüência do potencial da cooperação. A cooperação estratégica é um dos aspectos fundamentais para a caracterização de um aglomerado produtivo. Na análise de Stainsack (2005), isso ocorre justamente em virtude de sua capacidade de atender às necessidades e interesses de seus empresários e trabalhadores. Segundo a autora, as lideranças empresariais e representantes locais devem compartilhar responsabilidades e forças, pois é fundamental para a dinâmica da competitividade. Num mundo globalizado e altamente competitivo, no entender de Schmitz (1998), entre outros autores, só a união e o associativismo são o caminho para as pequenas e médias empresas adquirirem estratégia e força competitiva. De acordo com Ilha et al. (2006), o principal elemento para uma aglomeração é a cooperação, pois ela afeta diretamente a produtividade do setor e seu potencial de inovação. É preponderante também salientar o aspecto da confiança como fator propício à cooperação entre os agentes locais. Se esta habilidade for negligenciada, poderá romper com a integração do aglomerado produtivo. Para Humphrey e Schmitz (1995), pode advir de três maneiras: confiança contratual de âmbito jurídico, que garante o cumprimento dos contratos; confiança/ competência, que sobrepõe que o parceiro pode cumprir o contrato mesmo verbalmente; e por fim, a confiança/boa vontade, onde está solidificada na reciprocidade e no comprometimento para a busca de resultados comuns. 2.3.3 Correlação da liderança compartilhada e os aglomerados produtivos Uma das habilidades mais surpreendentes no relacionamento humano é a capacidade de inspirar pessoas a trabalharem de maneira compartilhada e comprometida. Isto resulta uma cultura competitiva influenciada por uma liderança dinâmica e envolvente por todos os atores do processo produtivo. No caso dos aglomerados produtivos, a significância dessas habilidades se faz com mais PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 38 notoriedade, pois todos os participantes dessas aglomerações devem compartilhar informações interna e externamente às empresas. Nesse contexto nota-se que, o grande entrave em muitos aglomerados produtivos é a falta de confiança exercida pelos empresários, pois visualizam os parceiros como obstáculos, ao invés de atentarem para a benéfica vantagem de economias de escala e de escopo que são geradas com a inserção em aglomerações. Evidencia-se que, se o empresariado, principalmente das MPMEs, atentar para as metas de crescimento sustentável que suas empresas poderão obter, talvez valorizem mais as vantagens geradas nessas aglomerações. O foco principal desses aglomerados produtivos é direcionar as empresas para que se posicionem no mercado de uma maneira mais arrojada e agressiva, ultrapassando seus limites. Portanto, é fundamental que se tenha uma visão muita clara e atraente para todos no ambiente empresarial. Liderança não é sinônimo de gerência, mas de influência e nisto está à força de sua atuação (HUNTER, 2006). Segundo Chiavenato (2005), essa influência é renovadora, pois o líder atua como agente de mudança e melhoria contínua. Nota-se que o aspecto da influência é de extrema importância no que concernem as aglomerações produtivas, pois os líderes deverão ser capazes de persuadirem uns aos outros, convencerem de que se agrupando nessas aglomerações, poderão melhorar a inovação e a produtividade das empresas, agregando assim mais valor aos seus produtos e serviços, aumentando o lucro e a geração do emprego e renda. Olhar a liderança como uma responsabilidade de apenas uns poucos escolhidos é menosprezar o vasto recurso de energia de liderança potencial latente no restante da população organizacional (HOOVER E VALENTI, 2006). Percebe-se que no aspecto do compartilhamento de responsabilidades, é primordial nas aglomerações produtivas que a liderança seja exercida por todos os atores do processo produtivo, tanto internamente às empresas, quanto externamente. A força do empreendedorismo, isto é, a capacidade de fazer e acontecer, deve ser internalizada a cada empresa para que possa aproveitar os recursos técnicos, comerciais e gerenciais oriundos dessas aglomerações. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 39 Ainda, o ato de construir e conservar os relacionamentos com os parceiros faz com que o líder seja um ativador de rede, ou seja, um ator com habilidades de relacionamento junto a grupos de referência, dinamizando o compartilhamento de informações, construindo assim um processo inovador (FONSÊCA et al., 2006). Esse aspecto é tipicamente vivenciado nas aglomerações produtivas de sucesso. A capacidade de relacionamento dos empresários com todos os atores públicos e privados pode gerar economias externas através da diminuição de custos. Isto se perfaz através de uma mão-de-obra especializada, fornecedores de bens e serviços próximos da aglomeração e principalmente transbordamentos de conhecimentos tecnológicos que são proporcionados às empresas inseridas nesse contexto (GARCIA, 2001; 2004). O empreendedorismo interno é um forte aliado na prática dessa liderança, pois as pessoas desenvolvem visões complementares; isto é, possibilitam que outros possam contribuir de maneira criativa e inovadora no ambiente empresarial. Nas aglomerações produtivas, o líder integral atua como um impulsionador de redes de contato, maximizando todas as oportunidades de crescimento sustentável, inovador e competitivo que possa ser oferecido ao desenvolvimento das MPMEs. No aspecto da visão empreendedora, o líder deve procurar melhores maneiras de liberar o potencial de todos em sua organização e também precisa confiar mais em quem está ao seu lado (JENSEN, 2002). Pinchot e Pellman (2004) afirmam que os líderes empreendedores devem procurar acionar diferentes tipos de recursos para que o talento intraempreendedor dos colaboradores possa ser desenvolvido. Através da transmissão da visão a todos eles, procura compartilhar sua visão sobre o empreendimento; cria também canais como o fomento e feiras de inovações, possibilitam o vivenciar empreendedor dos colaboradores; possibilita treinamentos contínuos, supervisiona e aperfeiçoa o clima de inovação para que intraempreendedores saibam valorizar a oportunidade de crescerem junto com a empresa. É possível notar que as características da liderança compartilhada, através de suas habilidades, são capazes de mobilizar o dinamismo nos aglomerados produtivos, pois não visualizam a liderança como uma característica de uns poucos no ambiente empresarial. Ao contrário, todos são convidados a participar do PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 40 processo de compartilhamento de responsabilidades em todos os centros de resultados do empreendimento. Evidencia-se que líderes capazes de potencializar as habilidades e talentos de seus colaboradores e também exercerem influência cada vez maior entre seus pares, é primordial. Deve-se conectar com flexibilidade, renovando a cultura organizacional e oxigenando-a com inovação e mudança. A nova escola da liderança quando compreendida e aplicada nos aglomerados produtivos, poderá trazer resultados cada vez mais eficientes e eficazes entre as lideranças empresariais, externalizando assim para todos os demais atores do processo produtivo. A liderança compartilhada vem sendo demonstrada como um diferencial competidor das empresas que compõem o atual mercado de conexões arrojadas, flexíveis e dinâmicas do mundo globalizado. 2.4 Produtividade e ambiente empreendedor para os colaboradores A produtividade e a valorização de colaboradores satisfeitos no ambiente de trabalho têm sido evidenciadas como grande fator competitivo empresarial. Algumas organizações empreendedoras já estão sintonizadas na relação satisfação dos funcionários com resultado financeiro melhor. Portanto, isso gera uma questão estratégica de negócios. Segundo balanços sociais publicados anualmente por diversas empresas, verifica-se que, quanto maior é a valorização, integração e satisfação dos colaboradores, maior é a produtividade oferecida por todos eles. De acordo com Chiavenato (2005), existe um grupo de empresas que consegue fazer do bom relacionamento com seus empregados um dos motores para a competitividade e crescimento. Para essas empresas, criar e manter um ambiente de trabalho saudável não é só uma questão de “bom-mocismo”, mas de estratégia. Funcionário feliz ajuda a gerar lucros maiores. As pessoas realizadas são significativamente mais criativas e produtivas quando lhes é dado oportunidade para crescer e se desenvolver. Os melhores resultados ocorrem quando crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional são encorajados e apoiados como uma questão de política e prática organizacional (CHIAVENATO, 2005). PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 41 Observa-se a cada dia que muitos empresários empreendedores já perceberam que os colaboradores gostam de ser respeitados, valorizados, desafiados, reconhecidos e recompensados. Já estão compreendendo que os valores tradicionais como remuneração, benefícios, cargos, entre outros, são insuficientes para formarem os pilares de uma boa empresa para se trabalhar. Investindo em respeito, imparcialidade e credibilidade poderão alavancar o orgulho e a auto-estima dos colaboradores. Segundo Montandon (2007), uma das grandes oportunidades, senão a maior para esse século, é investir naquilo que poucos têm, ou seja, uma cultura capaz de explorar todo o potencial humano, que promova e integre diferentes culturas com foco no desenvolvimento na sociedade e nas organizações. Proceder-se-á a abordagem de quatro importantes fatores para o dinamismo empreendedor dos colaboradores nas empresas. 2.4.1 Motivação A motivação é manter a pessoa entusiasmada, querendo agir e dar o melhor de si à sua equipe, influenciando e inspirando à ação. Suborno e punições são soluções de curto prazo, não alcançam à mente e o coração das pessoas (HUNTER, 2006). Segundo Welch (2007), para entusiasmar os colaboradores a produzir resultados imediatos, faz-se com incentivos e recompensas através de uma atitude contagiante de vitória. Contudo, não pode jamais deixar de se preocupar com o seu crescimento, proporcionando a eles diferentes experiências, submetendo-os a novas atividades e encorajando-os a correr riscos. No entender de Drucker (2005), para que as pessoas sejam empreendedoras, a empresa precisa criar uma estrutura na qual as pessoas precisam ser asseguradas de que suas recompensas e incentivos recompensem o comportamento empreendedor correto. Em se tratando de recompensas, já é notório o fato de que, oferecer um pacote com melhores salários e benefícios mais recheados para os profissionais nas empresas, não são necessariamente fatores determinantes para que alguém diga que se sente bem e satisfeito no trabalho. O essencial está muito mais além. Na análise Silveira (2007), as queixas das pessoas são mais relacionadas à falta de PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 42 oportunidade de desenvolvimento profissional, ao pouco acesso que elas têm aos líderes, de não serem ouvidas e respeitadas e de não saberem realmente qual o seu papel na empresa. 2.4.2 Criatividade Na análise de Quinn et al. (2003), quando os indivíduos são incentivados a serem criativos em suas idéias e na resolução de seus problemas, é mais provável que se sintam singulares, valorizados e afirmados como profissionais importantes pela organização. O estímulo ao pensamento criativo pode acarretar substâncias benéficas à organização, à unidade de trabalho e aos indivíduos que exercitam suas habilidades criativas. Deve-se oferecer uma ambiente seguro para o fluxo de idéias dos funcionários. Na era do conhecimento, as empresas precisam da criatividade humana em todos os níveis para serem competitivas. Portanto, os líderes precisam criar condições para que se manifestem o potencial criativo em todos os colaboradores, trazendo assim, um desenvolvimento sustentável em todos os centros de resultados (SOUZA, 2008). A criatividade está completamente ligada com a emoção, e pouco com a razão. Por isso, um ambiente corporativo que envolva os colaboradores num clima de satisfação e comprometimento é preponderante para o desenvolvimento do potencial criativo. Para Dilts et al. (2004),`a proporção que as pessoas gerenciam e selecionam novas idéias, implementam, utilizam o feedback e preparam-se para começar um novo projeto; preparam-se para se adaptarem às mudanças aceleradas na tecnologia e na sociedade, alavancando assim, um potencial sustentável no mercado global. 2.4.3 Comunicação interna Outro fator extremamente importante dentro do ambiente organizacional é a comunicação interna. Para Silveira (2007), quando uma empresa se comunica de maneira adequada com seus profissionais, cria-se um ambiente favorável. O colaborador precisa entender aonde a empresa precisa chegar, o que quer, e qual a sua estratégia. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 43 Quando a alta direção se chega mais perto dos colaboradores, ouve suas aspirações e escuta o que eles têm a contribuir, aumenta a capacidade de interação entre eles. O colaborador contribui com sua visão sobre o empreendimento, suas maneiras de ver as oportunidades de melhoria nos serviços, processos e produtos (DRUCKER, 2005). Muitas empresas têm se utilizado do endomarketing, isto é, o uso de técnicas de marketing e modernos conceitos de recursos humanos utilizados para construir relacionamentos com o público interno, harmonizando e fortalecendo suas relações pessoais. No ponto de vista de Skora (2008), assim como uma empresa procura vender seus produtos aos clientes, prestando todas as informações necessárias para compra tem-se demonstrado fator crítico de sucesso; assim também os líderes devem vender as idéias aos seus colaboradores, tornando-os assim, aliados da organização e preocupados em apresentar idéias, sugestões, conquistando parceiros na gestão de negócios. Continua afirmando Skora (2008) que, os funcionários devem saber a importância do lugar onde trabalha e de sua própria importância, pois assim poderá ter um ambiente de trabalho adequado e um excelente trabalho de equipe. Os colaboradores de qualquer organização não perdoam dissonâncias entre o que é comunicado pela alta direção e o que é realmente praticado pela empresa. Ao contrário do empenho, comprometimento, motivação e sinergia, pode-se criar um ambiente de descrédito, desconfiança, baixa performance e até prejuízo na retenção de talentos. 2.4.4 Qualidade de vida no trabalho Em relação à qualidade de vida no trabalho, Maximiano (2006) enfatiza que, quanto maior for o seu grau, maior será a satisfação dos colaboradores e mais positivo o clima organizacional. No entender de David (2004), a qualidade de vida no trabalho não deve ser somente do ponto de vista técnico, mas também do humano. Uma maior motivação dos funcionários, idéias criativas e inovadoras e aumento da produtividade, requerem outro desafio: implementar também na organização a qualidade de vida como caminho para a qualidade pessoal. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 44 De acordo com Friedman et al. (1998), deve haver um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, pois essas instâncias são complementares e não concorrentes em termos de prioridades. Nesse contexto, esses autores a chamam de filosofia “ganhaganha”. Isso deve repercutir tanto na organização como na vida pessoal dos colaboradores. A gestão do conhecimento e das competências, a transformação das empresas em agências de aprendizagem são decorrências diretas das pessoas estarem integradas no desenvolvimento organizacional (CHIAVENATO, 2005). Ambientes que promovam o incentivo a aprendizagem dos colaboradores, trará como conseqüência mais criatividade e trocas de experiências enriquecedoras aos participantes (MOELLER, 2002). Em relação ao ambiente de trabalho, pode-se notar que os colaboradores se posicionam de maneira mais empreendedora a partir das oportunidades que lhes são oferecidas através de programas de capacitação e valorização. Na análise sobre a produtividade e a satisfação dos colaboradores, evidencia-se que, melhores resultados ocorrem quando crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional são encorajados e apoiados como uma questão de política e prática organizacional. 2.4.5 Resiliência No entender de Herzog (2007), a crescente ansiedade e inconstância do mercado é uma das maiores preocupações dos empresários. O risco iminente dos produtos, serviços ou tecnologias de produção tornarem-se obsoletos ou de novos concorrentes surgirem de onde menos se espera, é motivo para se posicionar de forma mais arrojada e dinâmica. Atualmente, graças à mobilidade do capital e do conhecimento, não há mais limite para a competição. Essa nova realidade impõe que os gestores sejam mais rápidos em suas decisões. Isso significa que ninguém pode avaliar mais calmamente informações acerca de todas as variáveis do seu negócio. Sem tempo e pressionados, eles precisam desenvolver sistemas de informações rápidas, objetivas e, sobretudo confiáveis (HERZOG, 2007). Inserido nessas circunstâncias, uma competência muito importante chamada de resiliência é essencial. Para Grotberg (2005, p. 15), a definição de resiliência na área PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 45 das ciências humanas é “a capacidade para enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidades”. Para este autor, a conduta resiliente exige se preparar, viver e conseguir aprender com as constantes experiências adversas que se apresentam a cada dia. Para Gallende (2004) é a adversidade que produz resiliência. Explica o autor que as circunstâncias que são adversas produzem condições criativas, que enriquecem as possibilidades práticas de atuar sobre a realidade em que vive, transformá-la ou transformar-se. E para Rodriguez (2005), resiliência é a resposta criativa para superação da adversidade. Entretanto, para Baxter (1982), a resiliência tem um significado um pouco mais otimista e dinamizador, pois o autor salienta que a adversidade não deve ser considerada como ameaça, mas desafio. Para ele o ser humano administra sua própria subjetividade diante das crises diárias, e se renova como pessoa reafirmando-se sujeito de sua história e de sua adaptação. Percebe-se que para Baxter (1982), Rodriguez (2005) e Gallende (2004), esse atributo de personalidade, quando ativado e desenvolvido, possibilita ao sujeito superar-se às pressões, desenvolvendo assim um autoconceito realista, autoconfiança e um senso de autoproteção que não desconsidera a abertura ao novo, à mudança e a criatividade. Nesse contexto, encontram-se muitos profissionais que, de forma estruturada, ajudam as empresas a reverterem os resultados adversos, devolvendo a energia acumulada durante o período de pressão, para visualizar novas formas de se fazer negócios, obtendo assim, resultados compensadores. A pressão no mercado atual vai continuar a existir. As empresas precisam ser cada vez mais enxutas pela necessidade de otimizar recursos com tempo cada vez menores. Para tanto, é questão de prudência e sensatez exercer a resiliência com uma capacidade de responder de forma mais consciente aos desafios, equilibrando tensão e habilidade de lutar, adquirindo com isso um aprendizado através das intempéries dos mercados. Nos ambientes organizacionais é notória a característica da pressão por resultados rápidos, eficientes e com muita qualidade. Para tanto, faz-se necessário PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 46 muita resiliência. Coutu (apud BARLACH, 2005), aponta três características das pessoas resilientes, a saber: a) a firme aceitação da realidade; b) uma crença profunda de que os embates da vida são fortemente sustentados por um entender que a vida é significativa e c) uma misteriosa capacidade de improvisar. Para Barlach (2005), a primeira característica atitude é interpretada como o otimismo forte que é cultivado pela pessoa resiliente; no segundo aspecto seria a possibilidade do indivíduo transcender de posição de vítima das circunstâncias exteriores, extraindo assim lições práticas de vida, e o terceiro aspecto argumenta a habilidade para improvisar uma determinada solução de um problema sem ter as ferramentas ou matérias próprias. Enfatizando os aspectos dinâmicos da resiliência, Job (2003) associa suas características com a preservação da identidade e da auto-afirmação. Segundo o autor, a pressão e responsabilidade do trabalho, a incapacidade de aceitar as próprias falhas, a falta de tempo para a família, à falta de apoio dos pares e / ou superiores, a falta de reconhecimento, a frustração e a falta de domínio sobre o futuro, são fatores de sofrimento no trabalho. É necessário exercitarem fatores de proteção tais como: autonomia, auto-estima, autodeterminação, respeito, reconhecimento, participação da família e amigos. Para Arroba e James (1988), as pessoas precisam de um nível favorável de pressão para um bom desempenho e o mesmo acontece com as organizações. E afirma que, quando o nível de pressão está muito baixo, a organização não consegue canalizar totalmente seus recursos; e no outro extremo, quando a pressão está muito alta, a organização se torna tensa, o que impede um bom desempenho. Em vista disso, muitos empresários já estão antenados em contratar colaboradores com características resilientes para os embates diários nas empresas, pois já perceberam o valor que estes possuem em serem auto-motivados, alegres, otimistas e que não dependem do ambiente externo para se sentirem motivados. Nesse contexto, Rodriguez (2005), aborda um aspecto muito relevante como auxiliador de condutas resilientes. O autor enfatiza que o humor pode ser considerado um indicador de resiliência. Entretanto, o humor por si só não é garantia de operatividade; porém, quando associado à resiliência, possibilita mudanças de percepção, habilita a visão alternativa da realidade e permite novas linhas de ação. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 47 Enfatizando o aspecto positivo das adversidades organizacionais, Carmello (apud BISPO, 2007), salienta que as mesmas têm o poder de eliciar nos gestores e colaboradores recursos e inteligências, que se não tivessem experimentado antes, não teriam conhecido competências anteriormente adormecidas. O lado negativo quanto ao enfrentamento das adversidades e riscos é quando gera um alto nível de pressão, constante e desmedida, onde as pessoas não têm capacidade de assimilálas, e começam a entrar em desgaste e exaustão, influenciando negativamente o ambiente e desempenho organizacional. Por isso, para o autor, o foco não deve estar na adversidade e sim no propósito e na capacidade da equipe em superá-la. Percebe-se que conflitos e adversidades fazem parte do ambiente corporativo. Entretanto, quando líderes e colaboradores sabem tirar proveito dessas situações, encarando as adversidades como circunstâncias em que possivelmente se tornarão em aprendizado, é fundamental. Observa-se que as pessoas que não sabem conviver com as adversidades e riscos, não estarão abertas as mudanças, logo, servirão de entrave ao crescimento organizacional. O atributo da resiliência tem potencializado as pessoas a serem mais empreendedoras, favorecendo uma melhor performance empresarial na competição dos mercados. Portanto, Chiavenato (2000) alerta que a resiliência determina o grau de defesa ou vulnerabilidade do sistema às pressões ambientais externas. Quando modelos tradicionais e burocráticos sofrem resistências ao avanço da inovação e da mudança, a saída nesses casos, não está em programas de desenvolvimento, mas em esforços de mudanças para ultrapassar o seu nível de resiliência. Para que os empreendedores possam enfrentar mais prontamente os diversos obstáculos e situações muitas vezes inesperadas, Conner (apud MOELLER, 2002), salienta que aprender os padrões e os princípios que permitem administrar mudanças e aumentar a resiliência, não é um fator de segundo plano, e sim uma necessidade. Dessa forma, o autor enfatiza cinco características para enfrentar as situações de risco e mudanças inesperadas dos mercados: - Flexibilidade: ser maleável e flexível ao responder a incerteza. Acreditar que pode gerenciar as mudanças e aceitar a ambigüidade, sendo assim, não deve ficar permanentemente atônito com os contratempos, e sim ter o hábito de desafiar situações e modificar suas próprias suposições e hipóteses. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 2 Referencial Teórico 48 - Foco: possuir uma visão clara do que deseja alcançar. Esse deve ser capaz de orientá-lo durante a transição e mesmo quando ocorre quebra significativa nas suas expectativas. Assim sendo, consegue estabelecer os seus propósitos. - Organização: buscar fazer uma análise adequada, procurando verificar os temas relevantes que estão presentes em situações confusas. Aceita negociar prioridades durante uma mudança, o que está de acordo com sua flexibilidade. Pessoas com alto grau de organização conseguem gerenciar diversas tarefas simultaneamente e, com sucesso, mesmo em situações de estresse. - Positividade: ver a vida como desafiadora, e ao mesmo tempo com muitas oportunidades e possibilidades. Acreditar que existem lições a aprender, embora em momentos difícies, crer nas recompensas. - Pró-ação: não evitar as mudanças. Avaliar os riscos que estejam envolvidos nas diferentes situações, embora muitas vezes as conseqüências possam ser potencialmente negativas, essas pessoas extraem lições de experiências, procurando aplicá-las em situações posteriores. O perfil empreendedor dos empresários de pequeno porte deve ser de tal maneira que sejam orientados para as oportunidades que são oferecidas a cada momento. É notório que para o seu crescimento não sejam orientados pelo perigo. Sendo assim, serão pessoas que reagem com bastante resiliência tornando-se um diferencial na conquista dos mercados. Perceber esse atributo como estimulante ao crescimento e competitividade é bastante desafiador. Assim fazendo, as empresas estarão cada vez mais preparadas para os embates das crises e turbulências inerentes nos dias atuais. A resiliência organizacional tem se tornado um escape para muitas organizações aprenderem com as vicissitudes, ganhando com isso mercados nunca antes explorados. O motivo é simples, mas profundo. Extraíram força e coragem a cada empecilho para atravessar crises empresariais, portando-se assim, como verdadeira empresa empreendedora. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 49 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Neste capítulo são apresentados os procedimentos nos quais permitem a compreensão do delineamento metodológico adotado pela pesquisa. 3.1 Classificação da pesquisa 3.1.1 Método de abordagem O método é um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados com a finalidade de se chegar ao conhecimento (GIL, 1999). Em relação ao método de abordagem, a pesquisa se caracteriza por indutiva quando é uma forma de raciocínio ou argumentação, que leva a conclusão cujo conteúdo é muito mais amplo que o das premissas (CERVO e BERVIAN, 1996). Continua afirmando Cervo e Bervian (1996) que, mesmo não podendo garantir que as conclusões de um argumento indutivo sejam verdadeiras, quando as premissas o são, o que se pode dizer sobre sua conclusão é a indicação de ser provavelmente verdadeira. Para Gil (1999, p. 28), o método indutivo é “um processo onde a pesquisa parte do particular e coloca a generalização como produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares”. E Lakatos e Marconi (2001), corroboram o pensamento de Gil (1999) afirmando que o objetivo dos argumentos indutivos é levar às conclusões, cujo conteúdo seja mais amplo que o das premissas as quais se basearam. Portanto, esta pesquisa, a partir da análise de um referencial teórico, deverá demonstrar que a partir da premissa de que se as empresas que compõem o Setor de Móveis e Metal e Sistema de Armazenagem e Logística possuem um perfil empreendedor, logo poderão ser mais competitivas. 3.1.2 Natureza da pesquisa Para essa análise foi abordada a pesquisa aplicada em virtude da necessidade do estudo se enquadrar na intenção de um problema prático, ou seja, a necessidade de se relacionar o perfil empreendedor do setor com a competitividade das empresas. A pesquisa aplicada é aquela desenvolvida com o objetivo imediato de solucionar um problema, sua finalidade é notoriamente prática (BOENTE e BRAGA, 2004). PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 50 3.1.3 Forma da pesquisa Para satisfazer os objetivos da pesquisa, que é justamente analisar o perfil empreendedor do setor, os dados coletados foram quantificados em gráficos e tabelas. Sendo, portanto, uma abordagem quantitativa. Entretanto, a pesquisa também está relacionada com ações e relações humanas, logo procedimentos qualitativos complementares foram aplicados. 3.1.4 Objeto da pesquisa O presente estudo trata-se de uma pesquisa descritiva com caráter exploratório, pois o objetivo da pesquisa é proporcionar uma visão mais precisa sobre o perfil empreendedor do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística. O principal objetivo de uma pesquisa descritiva é a descrição das características de um determinado fenômeno ou população, utilizando as técnicas de coleta de dados, como por exemplo, o questionário. Para Boente e Braga (2004), a pesquisa descritiva não compara, só aprofunda os fatos ou fenômenos. Quando se está descrevendo uma população ou um fenômeno, não se atém a explicá-los, mas suas informações podem servir de base para futuras explicações de fenômenos. Para as pesquisas exploratórias o objetivo é proporcionar uma visão geral, do tipo aproximativo, com relação a determinado fato, não elaborando hipótese a serem testadas na pesquisa, mas restringindo-se a definirem seus objetivos e buscar maiores informações sobre determinada questão (CERVO e BERVIAN, 1996; GIL, 1999). 3.1.5 Procedimentos técnicos O método do procedimento aplicado foi o levantamento (Survey) através do instrumento de coleta de dados pelo formulário e questionário aplicado aos líderes e colaboradores. Para Gil (1999), o levantamento (Survey), proporciona o conhecimento da realidade, permite a viabilização de dados em pouco tempo e também permite a quantificação de dados em tabelas e gráficos. Para Yin (2005), o levantamento (Survey) procura levantar questões do tipo “quem”, “o que”, “onde” e “quantos”, para que se possa conhecer o objeto de estudo que no caso da pesquisa em questão será: PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 51 Quem: as lideranças empresariais e os colaboradores do setor produtivo; O que: o perfil empreendedor dessas empresas na visão dos líderes e colaboradores; Onde: no Setor de Móveis e Sistemas de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa-PR; Quantos: o número de empresas a serem pesquisadas. De acordo com Boente e Braga (2004), nesse planejamento se utiliza uma série de questões compiladas para estudar uma ou mais variáveis de interesse. Estas questões são direcionadas em uma amostra de entrevistados, que respondem a um questionário, ou questões por telefone ou via e-mail. 3.2 Delimitação da população e amostra A pesquisa foi aplicada na cidade de Ponta Grossa localizada no Paraná, distante 130 km da capital Curitiba. Nesta região, a metalurgia é tradição característica, pois é marcante a presença do aglomerado produtivo do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística. Para o levantamento dos dados foram definidas como população as dezoito empresas que compõem o setor, conforme a Rede APL do Paraná. Em virtude de ser uma região madeireira, surgiram inicialmente empresas metalúrgicas fabricando serra-fitas e outros materiais de corte para madeira. O conhecimento em metalurgia foi trazido pelos alemães que trouxeram as técnicas do trabalho com o aço. Há 33 anos foi fundada a empresa Águia Metais, sendo assim a pioneira nessa atividade. Desta, surgiram no município outras empresas fabricantes de móveis de metal, fundadas por ex-funcionários, entre as quais vale ressaltar a empresa W3, a Insulpar e a Pontasul (IPARDES, 2006a). De acordo com Pagani (2006), dos empresários fundadores das empresas, 60% são ex-funcionários do setor, 27% são filhos de empresários de empresas correlatas (ferramentaria e metalurgia) e 13% filhos de empresários do setor. A atividade econômica do aglomerado é predominantemente de metal e com menor predominância a fabricação de outros produtos elaborados de metal. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 52 Um segmento do setor produz móveis de metal e produtos afins, tais como cofres eletrônicos, móveis de madeira com estruturas metálicas, estantes, arquivos e armários de aço, gôndolas, dentre outros. Outro segmento atua na área de sistema de armazenagem e logística, produzindo produtos como porta pallets, cantilever, armazenagem dinâmica paletizada, mezanino, transelevadores, mini-loads, transportadores horizontais de roletes e correntes, mesas elevatória e hidráulicas, elevadores de cargas, entre outros. O setor gera em torno de quase 2000 empregos formais diretos, de acordo com entrevista ao líder do sindicato patronal. Para a maioria das empresas que compõem o aglomerado, o mercado é predominantemente nacional, onde os clientes concentram-se na Região Sul e no Estado de São Paulo (IPARDES, 2006a). 3.2.1 Amostra do estudo Não foi possível realizar a pesquisa com o 100% da população, mesmo com várias tentativas por telefone, e-mail, e visitas no local em cada uma. A amostra, portanto, configurou-se como não probabilística por acessibilidade, sendo a pesquisa feita em 15 empresas do setor. O processo de análise foi dividido em duas etapas para dar suporte ao objetivo principal proposto, ou seja, validar a competitividade de aglomerados produtivos pelo viés do empreendedorismo. Portanto, foi necessário analisar o perfil empreendedor dos líderes empresariais e colaboradores no aglomerado produtivo pesquisado. Na primeira etapa, para se analisar o perfil empreendedor das lideranças empresariais, foram selecionados 15 diretores, sócio-proprietários ou o líder indicado pela direção geral, pois para essa etapa seria necessário apenas um líder em cada empresa. Na segunda etapa, definiu-se o tamanho da amostra com uma confiabilidade de 95% para uma população de 1479 colaboradores, conforme demonstrado no Quadro 1. A amostra correspondeu a um total de 305 pessoas; entretanto, por acessibilidade, só foi possível pesquisar um total de 251 colaboradores. A Tabela 1 ilustra os dados relativos ao universo pesquisado. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 53 2 Z ⎞ Npq ⎛⎜ α 2 ⎟⎠ ⎝ n = 2 Zα ⎞ ⎛ pq ⎜ + ( N − 1 )E 2 ⎟⎠ ⎝ E 2 → Margem de erro com que vamos trabalhar, que será de 5% N →Tamanho da população = 1479 (Total de funcionários do setor produtivo do aglomerado de empresas) q → Probabilidade de sucesso = 0,5 p → Probabilidade de fracasso = 0,5 ⎛ Zα ⎞ ⎜ 2 ⎟ →Valor crítico correspondente ao grau de confiança utilizado, sendo este de 1,96 do qual ⎝ ⎠ corresponde ao grau de confiança de 95%. n → tamanho da amostra, que corresponderá ao número de colaboradores do setor produtivo pesquisado = 305 (corresponde a 20,5% do total de 1479). Fonte: TRIOLA, M.F. Introdução à estatística. 7. ed. Rio de Janeiro, 1999, p. 161 Quadro 1 - Fórmula para se calcular o número da amostra dos colaboradores do setor produtivo da aglomeração analisada PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 54 Tabela 1 - Número de líderes e colaboradores da produção do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística-PR da Região dos Campos Gerais –PR 98 68 02 W3 Ind Metalúrgica Ltda 1989 01 375 77 64 03 Inca Ind Metalúrgica Ltda 1989 01 78 16 15 04 Sheffer Logística e Automação Ltda 1995 01 102 21 18 05 Pontasul Ind Metalúrgica Ltda 1991 01 38 8 8 06 Imsulpar Ind metal Sul Pr Ltda 1993 01 56 11 11 07 Da Rocha Instal Com Ltda 1996 01 63 13 12 08 GGL Ind Móveis de Aço Ltda 1999 01 32 6 5 09 Metalsistem do Brasil 1999 01 69 14 14 10 Edwirges Ind e Com Móveis Ltda 1999 01 22 5 5 11 Camaqui- Aquino & Barbosa Ltda 2001 01 22 5 5 12 Movag- Ind Comerc Móveis em Aço Ltda 2004 01 22 5 5 13 RCH 2004 01 60 12 10 14 Rústica 2004 01 22 5 3 15 Vallus 2005 01 44 9 8 TOTAL 15 1479 305 251 Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) PPGEP – Gestão Industrial (2008) Acessibilidade 474 Nº de funcionários por 01 20,5% 1973 Nº de funcionários da produção selecionados Águia Sistema de Armazenagem S. A. 100% Nº diretores ou sócio-proprietá selecionados 01 Nº de funcionários da Produção Ano de Fundação EMPRESA Capítulo 3 Metodologia 55 3.3 Elaboração da metodologia de caracterização do instrumento de pesquisa Para que se pudesse analisar o perfil empreendedor do aglomerado produtivo do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa, foi necessário levar em consideração uma metodologia para a caracterização requerida. Para o levantamento dos dados, foi desenvolvido um formulário conforme apêndice B, e um questionário conforme apêndice C. O formulário e o questionário foram construídos a partir do referencial teórico (Apêndice D e E) que deu suporte a formulação das perguntas, sendo atreladas questões pertinentes à competitividade em aglomerados produtivos utilizando as técnicas de gestão empreendedora. Entende-se que na atual era, muito dependerá da qualidade das lideranças empresariais e de sua equipe de colaboradores, a performance competitiva das empresas, dentre outros fatores conjunturais. Portanto, no formulário (Apêndice B), foram abordados temas de competitividade sob a ótica dos líderes envolvendo inovação, relação multilateral e interempresarial, estratégia de mercado, interação profícua com clientes e as bases de fornecimento, qualificação da mão-de-obra, comunicação interna, normalização, liderança e resiliência organizacional. Entretanto, para dar suporte à pesquisa, foram elaboradas questões que analisaram a competitividade das empresas sob a ótica dos colaboradores, pois os mesmos têm sido considerados os maiores ativos empresariais na atualidade, com grande significância quando se considera o potencial competitivo de qualquer empresa. Portanto, no questionário (Apêndice C), foram abordados atributos tais como; motivação, criatividade, comunicação interna, qualidade de vida no trabalho, incentivo a liderança e resiliência organizacional. Percebeu-se que tanto no formulário, quanto no questionário, as perguntas sintetizaram a análise de competitividade em aglomerados produtivos através da gestão empreendedora, fornecendo bases para se avaliar esses aglomerados quanto ao desempenho competitivo nos mercados. 3.3.1 Estrutura do instrumento de pesquisa Optou-se por formulário e questionário com perguntas fechadas, a fim de fornecer informações de um maior número de respondentes com significativa PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 56 agilidade, mesmo porque, principalmente para os colaboradores do setor produtivo, é deveras importante à brevidade de duração na aplicação da pesquisa. Primeiramente foi calculada a pontuação do perfil empreendedor de cada empresa. Logo após, foi calculado uma avaliação da pontuação do aglomerado de empresas no geral, representando o Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística. Para as respostas dos formulários e dos questionários aplicados ao setor, utilizou-se a Escala proposta por Likert, com cinco opções para os respondentes. Depois de respondidos por empresa, os valores foram tabulados, sendo tirada a média aritmética de cada uma (empresa). Foram aplicadas 49 perguntas, sendo 25 para os líderes e 24 para os colaboradores, divididas em 10 tópicos para os líderes e 06 diferentes tópicos para os colaboradores. A pontuação máxima para o formulário (Apêndice B) somada ao questionário (Apêndice C) é de 196 pontos, correspondente às 49 questões aplicadas. A Tabela 2 ilustra a Escala de Likert demonstrando as intensidades e pontuações em que o perfil empreendedor por empresa foi calculado. Tabela 2 - Escala de Likert: perfil empreendedor por empresa Freqüentemente Raramente Não sabe Sempre Nunca 4 (quatro) pontos 3(três) pontos 2 (dois) pontos 1 (um) ponto 0 (zero) 4 x 49 = 196 3 x 49 = 147 2 x 49 = 98 1 x 49 = 49 0 x 49 = 0 Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) A partir disso, definiu-se os intervalos de pontos pelo qual foi avaliado o perfil empreendedor em cada empresa e suas devidas características, conforme ilustrado na Tabela 3. Tabela 3 - Intervalo de pontos: características do perfil empreendedor por empresa Intervalo Características 147 a 196 A empresa já é empreendedora, pois possui as características comuns do empreendedorismo corporativo e tem tudo para se diferenciar como empresa. 98 a 146 Possui características empreendedoras, porém deve melhorar ainda mais, equilibrando os pontos ainda fracos com os fortes. Menos de 98 A empresa não é empreendedora, e se continuar a agir assim, dificilmente sobreviverá. Precisa urgentemente reavaliar suas estratégias empreendedoras. Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 57 Entretanto, para avaliar o perfil empreendedor do setor no geral, a pontuação máxima pode atingir até 2.940 pontos, que é o somatório dos 100% do perfil empreendedor do setor de empresas, sendo que para cada intensidade foi multiplicado pelas 15 empresas analisadas, conforme a Tabela 4 ilustra. Tabela 4 - Escala de Likert: perfil empreendedor do setor Freqüentemente Raramente Não sabe Sempre 196 x 15 = 2.940 147 x 15 = 2.205 98 x 15 = 1.470 49 x 15 = 735 Nunca 0 x 15=(zero) Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) A Tabela 5 ilustra os intervalos de pontos definidos para avaliar o perfil empreendedor do setor e suas devidas características. Tabela 5 - Intervalo de pontos: características do perfil empreendedor do setor Intervalo Características 2.205 a 2.940 O setor já é empreendedor, pois possui as características comuns do empreendedorismo corporativo. 1.470 a 2.204 O setor possui características empreendedoras, porém deve melhorar ainda mais para poder aproveitar as oportunidades de se tornar uma aglomeração produtiva amadurecida. Menos de 1.470 O setor não é empreendedor e se continuar assim, não aproveitará os recursos de apóio que as aglomerações produtivas proporcionam, e possivelmente não sobreviverá à concorrência acirrada dos mercados. Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) 3.4 Validação da metodologia Para validação dessa metodologia foi analisado o Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística. Destaca-se que essa metodologia pode ser aplicada em qualquer aglomeração produtiva, sendo que nessa pesquisa foi realizada no setor referido, em virtude de representar mais de 50% da produção em beneficiamento de aço do segmento de armazenagem no Brasil (IPARDES, 2006b). A pesquisa de campo através da aplicação do formulário aos líderes e questionário aos colaboradores foi feita no período de 25 de outubro a 25 de novembro de 2007. A pesquisa foi realizada in loco. Foi feito um agendamento prévio com todas as empresas do setor que permitiram a realização da pesquisa, para uma possível data para a aplicação dos formulários com os líderes e dos questionários aos colaboradores do setor produtivo. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia 58 Os formulários com os lideres levaram um tempo aproximado de 30 minutos e a aplicação dos questionários com os colaboradores levou em torno de 15 a 20 minutos. O formulário (Apêndice B) foi direcionado aos líderes de cada empresa (diretor geral, sócio-proprietário ou líderes indicados pelos empresários), onde os mesmos respondiam assuntos referentes à sua gestão empreendedora. Em cada pergunta, eram feitas observações, tanto da parte da pesquisadora, quanto da parte do líder, para enriquecimento melhor da pesquisa e uma visão melhor do que se pretendia em cada argüição. O questionário (Apêndice C) seria aplicado a princípio a 305 colaboradores do setor produtivo, sendo respondentes apenas 251, conforme o Quadro 01. Em algumas empresas, os colaboradores eram agrupados em salas, e na presença da pesquisadora, iam respondendo pessoalmente cada pergunta antes de uma rápida explicação feita pela mesma. Em outras empresas, os questionários eram deixados na empresa, e logo após uma semana eram recolhidos para análise. 3.5 Tratamento e análise dos dados A interpretação dos dados foi realizada após a coleta do resultado dos formulários e questionários. Os resultados alcançados, por serem de natureza quantitativa, são apresentados através de gráficos e tabelas, pois segundo Gil (1999), o tratamento dos dados tem como objetivo tornar a inferência e a interpretação dos mesmos válidos e significativos, sendo utilizados procedimentos estatísticos que sintetizem as informações obtidas. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 3 Metodologia PPGEP – Gestão Industrial (2008) 59 Capítulo 4 Análise dos dados 60 4 ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO Este capítulo refere-se ao estudo sobre o levantamento de dados para identificar o perfil empreendedor do Aglomerado Produtivo de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística, localizado em Ponta Grossa, Paraná. Primeiramente será apresentada a pontuação adquirida do aglomerado de empresas, e logo após uma análise dos resultados através de figuras, tabelas e quadros, baseados no referencial teórico já anteriormente abordado. 4.1 Caracterização do perfil empreendedor do aglomerado produtivo Para o presente estudo sobre o perfil empreendedor do setor, das 15 pesquisadas, percebeu-se que, embora quatro delas se posicionassem de modo refratário, preferiu-se mantê-las na pesquisa em virtude desse fato não alterar substancialmente o percentual geral analisado. 4.1.1 Pontuação adquirida sobre o perfil empreendedor do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa-PR Segundo os resultados obtidos, das 15 empresas estudadas, 01 se caracterizou como empreendedora, 10 com características empreendedoras e 04 se classificaram como não empreendedoras. Em relação à pontuação total, os resultados estão ilustrados na Tabela 6 e 7. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 61 Para a demonstração do perfil empreendedor do setor sob a ótica de suas lideranças, a Tabela 6 fornece os resultados por blocos de perguntas. Tabela 6- Resultado do perfil empreendedor do setor sob a ótica das lideranças empresariais Pontuação Porcentagem Blocos Pontuação Máxima Média Geral Adquirida no Adquirida por (1- 10) por Bloco* por Bloco (%) Bloco Questão (%) 1.1) 58,25 1- INOVAÇÃO 180= (15x4x3) 109 60,56 1.2) 65,00 1.3) 58,25 2.1) 08,33 2- COOPERAÇÃO 120=(15x4x2) 24 20,00 2.2) 31,67 3.1) 43,33 3-ESTRATÉGIA DE 180=(15x4x3) 92 51,11 3.2) 63,33 MERCADO 3.3) 46,67 4.1) 18,33 4-NORMALIZAÇÃO 120=(15x4x2) 20 16,67 4.2) 15,00 5.1) 70,00 5- CLIENTES 180=(15x4x3) 101 56,11 5.2) 56,67 5.3) 41,67 6-COMUNICAÇÃO 6.1) 35,00 120=(15x4x2) 46 38,33 INTERNA 6.2) 41,67 7.1) 11,65 7-FORNECEDORES 120=(15x4x2) 25 20,83 7.2) 30,00 8- QUALIFICAÇÃO 8.1) 50,00 120=(15x4x2) 58 48,33 MÃO-DE-OBRA 8.2) 46,67 9.1) 20,00 9-LIDERANÇA 180=(15x4x3) 97 53,89 9.2) 68,33 9.3) 73,33 10.1) 81,67 10-RESILIÊNCIA 180=(15x4x3) 140 77,88 10.2) 78,33 ORGANIZACIONAL 10.3) 73,33 Total (Setor)►LID 1500 712 47,47 * 15 = nº de empresas; 4 = pontuação (sempre); 3 ou 2 = nº de questões. Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 62 A Tabela 7 ilustra o resultado obtido sob a ótica dos colaboradores. Tabela 7- Resultado do perfil empreendedor do setor sob a ótica dos colaboradores Pontuação Porcentagem Blocos Pontuação Máxima Média Geral Adquirida por Adquirida por (1- 6) por Bloco* por Bloco (%) Bloco Questão (%) 1.1) 74,10 1.2) 71,60 1- MOTIVAÇÃO 240=(15x4x4) 165,54 68,98 1.3) 65,55 1.4) 64,65 2-COMUNICAÇÃO 2.1) 75,40 180=(15x4x3) 103,22 55,91 INTERNA 2.2) 36,12 3.1) 67,68 3.2) 60,52 3-CRIATIVIDADE 240=(15x4x4) 134,95 57,08 3.3) 49,77 3.4) 63,03 3.5) 44,43 4.1) 72,95 4- QUALIDADE DE VIDA NO 180=(15x4x3) 141,42 78,57 4.2) 79,55 TRABALHO 4.3) 83,20 5.1) 68,15 5.2) 76,10 5- LIDERANÇA 300=(15x4x5) 229,26 76,42 5.3) 83,70 5.4) 81,50 5.5) 72,65 6.1) 74,30 6.2) 70,37 6-RESILIÊNCIA 300=(15x4x5) 237,52 79,17 6.3) 75,93 ORGANIZACIONAL 6.4) 81,60 6.5) 93,67 Total (Setor)►COL 1440 1011,91 70,27 * 15 = nº de empresas; 4 = pontuação (sempre); 5, 4, 3 ou 2 = nº de questões. Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Percebe-se que o setor adquiriu uma pontuação de 712 no perfil das lideranças, conforme Tabela 6; e uma pontuação de 1011,91 no perfil dos colaboradores, conforme Tabela 7. Essa análise totalizou um valor de 1723,92 pontos. Em virtude desse cálculo, conforme a metodologia (Tabela 5), o setor possui características empreendedoras. Entretanto, foi feito uma análise a partir dos dados e blocos de perguntas apresentados nas Tabelas 6 e 7 ao Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística do Paraná, comparando com o posicionamento da literatura já anteriormente apresentada. Proceder-se-á a essa análise nos tópicos a seguir. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 63 4.1.2 Inovação As empresas na atual conjuntura dos mercados precisam competir com mais desenvoltura empreendedora. Para tanto, faz-se necessário o empenho, a criatividade e participação crescente de idéias de todos os funcionários no desenvolvimento das inovações. Na pesquisa de campo, a abrangência da participação nesse processo atingiu um percentual de 58,25%. Observou-se, entretanto, que o grau de concentração no pensar criativo para inovar nas empresas fica muito direcionado a um grupo específico de pessoas. Nas de menor porte, somente os sócios, diretores ou encarregados são responsáveis pelo processo de inovação. Nas de porte maior, existem equipes de técnicos exclusivos que atuam conjuntamente com a área comercial e gerencial no desenvolvimento das inovações contínuas. Isto, segundo David (2004) gera resistência à mudança, pois a gestão participativa se encontra estruturada com alto grau de centralização do processo decisório. Percebe-se, de acordo com a Figura 2, a predominância de sete empresas onde raramente os colaboradores se envolvem no processo de inovação através de participação contínua de idéias criativas e soluções para o melhor desempenho competitivo da empresa. 8 7 6 4 4 2 2 1 1 Não sabe Nunca 0 Sempre Frequentemente Raramente Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 2- Intensidade e número de empresas onde a inovação é vista como algo abrangente, envolvendo todos os setores. Em relação ao aspecto das empresas procurarem desenvolver novos produtos, processos e serviços para os seus clientes, o índice atingido foi de 58,25%. Todavia, constatou-se uma diferenciação nas empresas pesquisadas. Algumas empresas, PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 64 principalmente de pequeno porte, desenvolvem melhorias incrementais. De acordo com a Figura 3, somente três empresas afirmaram estar sempre alicerçadas em participar do ambiente empresarial de concorrência agressiva, através de produtos altamente inovadores no mercado. Estas, por sua vez, são as que mantêm conexão direta com centro de pesquisa e feira de inovação. 7 6 5 4 3 2 1 0 6 3 3 2 1 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 3- Intensidade e número de empresas onde se procura desenvolver novos produtos a seus clientes Percebeu-se também que a inovação para a maioria das empresas do setor está relacionada apenas ao produto, alcançando um percentual de 65,00%. Nesse aspecto, afirma Hashimoto (2006, p. 34) que, “engana-se quem acha que a inovação só pode existir onde está o produto. Equivoca-se quem acredita que a inovação significa somente novos produtos, novas funcionalidades nos já existentes ou melhorias e correções nesses produtos. A inovação tem espaço em qualquer lugar na empresa”. Para esse autor, crescer e prosperar exige que cada colaborador faça alguma coisa e melhor a cada dia no ambiente empresarial. No que concerne ao segmento das empresas, onde o setor produz móveis de metal e produtos afins, tais como: cofres eletrônicos, móveis de madeira com estruturas metálicas, estantes, arquivos e armários de aço, gôndolas, dentre outros; o fator inovação nos produtos é essencialmente alicerçado em transformações sem muito impacto no mercado, apesar de algumas atrelarem aos seus produtos uma tecnologia mais avançada. Para a maioria dessas empresas, há somente adaptações freqüentes em seus produtos, pois esses na verdade não mudam, são PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 65 funcionais, sendo encarados pelas empresas como commodities. Grande parte delas ainda não desenvolve inovações tecnológicas em seus produtos. Na visão de alguns empresários entrevistados, a marca competitiva não está em oferecer algo diferenciado no mercado, e sim no atendimento e serviço oferecido ao cliente. Todavia, percebe-se uma lacuna na estratégia competitiva desses empresários no aspecto inovação, pois nesse momento da história global, as empresas necessitam se mostrar ao mundo e ao mercado com produtos e serviços inovadores. Para Souza (2008), a nova dinâmica competitiva está exigindo que as empresas inovem bastante, devendo criar vantagens competitivas de forma ininterrupta, não se satisfazendo simplesmente em atender as expectativas dos clientes. E Maximiano (2006) afirma que a competitividade das empresas tem sido impossibilitada justamente pela carteira de produtos de muitas delas (empresas) serem cópias de diversos concorrentes, ignorando assim, a inovação contínua. Já para as empresas entrevistadas que atuam no segmento de armazenagem e logística, percebeu-se uma dinâmica mais agressiva nas inovações para que seus produtos cheguem aos mercados com maior competitividade. Pôde-se notar a presença de atrelarem aos seus produtos alta tecnologia na área de mecânica, eletro-eletrônica e informática, capacitando de forma regular suas equipes sobre os últimos avanços nas suas respectivas áreas. Duas dessas empresas trabalham em forma conjunta com empresa estrangeira para desenvolverem inovações radicais. Tudo para atenderem as exigências dos mercados crescentes. Produtos como pallets, cantilever, armazenagem dinâmica paletizada, mezanino, transelevadores, mini-loads, transportadores horizontais de roletes e correntes, mesas elevatórias hidráulicas, entre outros são comercializadas para relevantes empresas nacionais. Uma das empresas que atua nesse segmento é líder nacional no sistema de armazenagem e logística com mais de 45% do mercado. De acordo com a pesquisa, nessas empresas, os projetos são desenvolvidos para cada cliente, onde se equaliza os ganhos de produtividade, diminuição nos gastos operacionais e energia elétrica para seus consumidores. Para o IBIE (2007), no cenário competitivo dos mercados em que estão vivenciando as empresas, não é suficiente oferecer produtos e serviços novos, nem melhores formas de alcançar os clientes. É necessário também implantar diversos PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 66 tipos de inovações que vão desde aumento da qualidade; redução da duração do ciclo de produção; novos métodos para diminuir impactos ambientais e melhor oferta de serviços internos. Nesse contexto, evidenciou-se nas empresas de porte maior uma estrutura de produção mais organizada, favorecendo a implantação de melhoria dos serviços internos, assim como, diminuição do ciclo de produção. Elas possuem maquinário e componentes modernos, e significante preocupação no tratamento e reaproveitamento de resíduos químicos e sólidos que podem prejudicar o meio ambiente. Também procuram se conscientizar cada vez mais da relevância de reduzir custos e de produzir bens com maior qualidade. Entretanto, para a maioria das empresas de pequeno porte, faz-se necessário uma reestruturação do processo produtivo. Em algumas acontece o re-trabalho ou o re-processamento da montagem dos produtos elevando os custos. Outro fator desfavorável nessas empresas (menor porte), seria as ações referentes às questões de qualidade dos seus produtos e serviços, assim como a relação com o meio ambiente no que concerne ao tratamento de seus resíduos sólidos (rebarbas de metal) e líquidos (sobra de tintas e solventes) que são gerados durante o processo de fabricação. 60% dessas empresas admitem usar algum tipo de material poluente. Percebe-se então que as empresas de porte menor precisam atentar para a questão de crescimento sustentável, principalmente na questão de diminuição de impactos ambientais e qualidade de seus produtos e serviços. 4.1.3 Relações interempresariais e multilaterais Quanto às relações interempresariais e multilaterais, o setor se encontra relativamente em situação desfavorável. No aspecto da interação dinâmica entre as empresas do setor, observa-se, conforme a Figura 4, que em 12 empresas não existe nenhum um tipo de cooperação no que tange a atividade de inovação. Grande parte atua muito independente nessa área, o que não caracteriza um esforço de desempenho conjunto do setor. O índice atingido foi extremamente baixo, sendo este pontuado a 8,33%. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 67 14 12 10 8 6 4 2 0 12 3 0 Sempre Frequentemente 0 0 Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 4- Intensidade e número de empresas onde existe uma cooperação entre as mesmas, complementando a atividade de inovação Na pesquisa de campo, evidenciou-se que três empresas se relacionam freqüentemente, a fim de aprimorarem seus produtos de forma ininterrupta no mercado. Todavia, isto é pouco significativo no universo de 15 empresas analisadas. Nota-se que esse aglomerado de empresas atua de forma bastante isolada, não existindo cooperação mais profícua entre elas sobre processos produtivos. Ilha et al. (2006) aponta que esse fato afeta diretamente a produtividade do setor e o seu potencial de inovação. Para IPARDES (2006b), a troca de informações nesses processos é de vital importância, pois conduz a médio e longo prazo, a cooperação em desenvolver novos processos de produção e novos produtos, beneficiando o conjunto de empresas. No setor, há uma certa insegurança e falta de confiança entre os empresários no que concerne ação conjunta para melhora de estratégia competitiva. Schimitz (1997) salienta que as ações conjuntas proporcionam um ganho maior de eficiência que uma empresa sozinha raramente é capaz de alcançar. Isso tem sido evidenciado como fator de sobrevivência e desenvolvimento equilibrado fundamental para a cadeia produtiva de aglomerações de empresas do mesmo setor (CASAROTTO e PIRES, 2001). O que se pôde evidenciar no setor sobre ação cooperativa mais freqüente foi à troca de empréstimos de materiais e de componentes de produção necessários para atender a quantidade de clientes importantes. Fato que não configura relacionamento estratégico competitivo no setor. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 68 No que tange as relações multilaterais, esta ainda se mostra tímida, com um percentual relativamente pequeno (31,37%), porém mais expressivo que no fator anterior considerado. Aparece, conforme a Figura 5, a presença de quatro empresas, além das três mencionadas anteriormente, que estão interagindo com órgãos públicos e privados, agências de fomento, clientes, sindicatos, entre outros. Verifica-se que a interação ainda não é eficiente para direcionar a competitividade do setor, pois as parcerias que impulsionam as empresas a se projetarem com mais dinamismo nos mercados, ainda se encontram incipientes. 8 7 6 4 4 2 2 1 1 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 5- Intensidade e número de empresas onde existe parcerias externas com fornecedores, clientes, consultores, universidades, agencias de fomento, centro de pesquisa e outras instituições de apoio Lastres e Cassiolato (2003) abordam que a capacidade de gerar inovações nas empresas se perfaz através de intensa interdependência entre diversos atores, produtores e usuários de bens, serviços e tecnologias. No setor, algumas empresas de porte maior atuam com mais intensidade com esses atores, principalmente com centro de pesquisa e instituições de apoio, fato demonstrado nas inovações tecnológicas alcançadas. Entretanto, para a maioria das empresas de pequeno porte, cujo grau de inovação é bastante deficitário, as interações com esses atores se revelam bastante fragilizadas. Apesar da região apresentar instituições (universidades) e agências de fomento capazes de orientá-las e capacitá-las nas competências organizacionais e técnicas, as empresas ainda não se mobilizaram para aproveitarem essa oportunidade essencial. Quanto à interação com clientes e fornecedores, acontece em grau de maior integração, todavia, precisando de melhorias substanciais como será salientado em blocos posteriores. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 69 No tocante às externalidades econômicas geradas por empresas que se agrupam em rede, é importante a possibilidade de transbordamento de conhecimento, tecnologia e habilidades. Através desse processo, são facilitados a informação e o aprendizado, pois o conhecimento é circulado de maneira eficiente (GARCIA, 2001). No tocante a esse aspecto, verificou-se que uma \ empresa de porte grande interage eficientemente com uma de médio e pequeno porte através de intensivo transbordamento de tecnologia e conhecimento. Entretanto, para a maioria das empresas essa situação não é desenvolvida. Conforme pesquisa anterior efetuada por Pagani (2006), foram efetuados várias reuniões para que as empresas pudessem unir esforços através da cultura da cooperação interempresarial e multilateral. Entretanto, não houve uma resposta positiva e proativa por parte da maioria das empresas. Na presente pesquisa, ainda observa-se essa relutância pelos empresários, que infelizmente ainda não visualizam a importância dessa união nesse momento crucial dos mercados. É preciso cooperar para poder competir. 4.1.4 Fornecedores A busca de escala, custos mais baixos e maior influência nos mercados direcionam as empresas a interagirem melhor com as bases de seus fornecimentos, o que tem sido evidenciado como estratégia competitiva. No setor em questão, a interação com os fornecedores no sentido de se gerar produtos inovadores de impacto no mercado se encontra deficitária. Conforme a Figura 6, observa-se que seis empresas raramente interagem com os fornecedores, e um número expressivo composto por seis empresas não têm nenhum relacionamento para definirem estratégias inovadoras com os fornecedores. O setor atingiu um índice relativamente baixo de interação nesse atributo de competitividade, sendo este de 30,00%, o que representa um alerta a esse importante dinamizador de inovação e custos nos produtos e serviços (os fornecedores). PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 70 7 6 5 4 3 2 1 0 6 6 3 0 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 6- Intensidade e número de empresas onde se gera consistentemente uma atitude prática de inovação com seus fornecedores, gerando soluções inovadoras de impacto no mercado De acordo com a pesquisa, somente três empresas estão em interação com os fornecedores no processo de inovação. Segundo Lastres e Cassiolato (2003) e também Schmitz (1997), essa interação dinamiza a inovação, pois é uma aliança fundamental na dinâmica do crescimento das empresas. Para Garcia (2001) e Porter (1990; 2001), os fornecedores são responsáveis por incrementarem a competitividade através de máquinas, matéria-prima, equipamentos e outros serviços, acelerando assim a inovação nas empresas. Notou-se que as empresas menores utilizam máquinas e equipamentos não modernos e já utilizados por outras empresas do segmento, o que lhes impede a incrementação das inovações nos seus produtos. Já para as empresas maiores, apesar de possuírem equipamentos mais modernos acelerando as inovações incrementais e até radicais, para algumas empresas, equipamento de ponta ainda é uma dificuldade a ser superada. Observou-se também que, apesar da maioria das empresas ainda não interagirem no processo de inovação com os fornecedores mais acirradamente, ficou evidente que existe um bom relacionamento através de relações cooperativas extra comerciais no sentido de fornecer informações sobre como melhor utilizar os insumos produzidos, e algumas melhorias do processo produtivo. Para Porter apud Souza e Arica (2006), para se acelerar o processo de mudança e inovação nas empresas, é necessário começar a conhecer e relacionar-se melhor com os fornecedores, pois assim obterão maior desempenho quanto à quantidade, preço e custo oferecidos aos clientes. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 71 Já que as empresas do setor têm um bom relacionamento com os fornecedores, seria interessante, conforme IPARDES (2006b), políticas adequadas para que se desenvolvam ações conjuntas com eles (fornecedores) para que auxiliem com mais proficuidade sugestões de auxílio referente à melhora, organização e modernização no processo produtivo e desenvolvimento de melhor materiais. Assim, a confecção dos produtos tornar-se-iam mais duráveis, maleáveis, com menor índice de defeitos e re-trabalho. Isto possibilitaria a eficiência do processo produtivo, reduzindo custos de produção e melhorando a qualidade dos produtos, principalmente das empresas menores. O resultado dessa interação está no oferecimento de produtos finais mais competitivos no mercado. Para Souza (2008), deve-se ter uma conexão eficiente entre fornecedor-empresa, pois através dessa interação conjunta, pode-se atender melhor o cliente, pois é nas mãos deles (clientes) que as empresas estão. Essa visão empreendedora precisa estar internalizada na gestão dos líderes do setor, para que possam atingir mais eficientemente o mercado (consumidor). A parceria das empresas com fornecedores situados na mesma região é consideravelmente ínfima, atingindo o setor percentual de 11,67%. Das quinze empresas pesquisas, conforme a Figura 7, treze não tem nenhuma parceria com fornecedores na região dos Campos Gerais, onde se situa a aglomeração. Os mais expressivos estão situados na capital Curitiba, de São Paulo e Florianópolis, de onde vem à matéria prima e os acessórios diretos. 14 12 10 8 6 4 2 0 13 1 1 Sempre Frequentemente 0 0 Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 7- Intensidade e número de empresas onde há parcerias com fornecedores especializados de bens e serviços situados na mesma região Segundo Garcia (2006), a vantagem em se relacionar com fornecedores na mesma região é que gera economias externas às empresas, provocando redução de PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 72 custos, permitindo também assistência tanto organizacional quanto tecnológica, pois esta é aplicada de perto. O que se observa é que, embora não se tenha uma quantidade de fornecedores situados na própria região dos Campos Gerais, os empresários afirmaram que eles (fornecedores), estão próximos do aglomerado de empresas reduzindo o custo e o tempo de transporte, permitindo o fácil acesso a volumes maiores de matéria prima em termo de custo, caso seja necessário ampliar a produção ante uma expansão de demanda. Nota-se então que, para os empresários, a atual localização dos fornecedores em regiões próximas não dificulta a produção de seus produtos e serviços em termos de competitividade. 4.1.5 Clientes Na atual fase da história, não somente as empresas estão se globalizando, mas também grande parte dos clientes também vivencia essa real situação. Em virtude desse momento mercadológico, é preponderante a percepção de qualidade e inovação contínua pelos clientes para com a empresa, pois os mesmos demandam produtos e serviços com qualidade cada vez mais alta e preços cada vez mais baixos. Para Slack et al. (1997), em conseqüência da comoditização acelerada dos produtos e serviços, e pelo fato do cliente atual ser muito sofisticado, sensível e volúvel, este precisa perceber qualidade e inovação contínua dos produtos e serviços, para que possa acontecer a sua fidelização em potencial. De acordo com a pesquisa, em apenas cinco das empresas analisadas os clientes estão percebendo qualidade e inovação constantes nos produtos e serviços. O restante das empresas a percepção é relativamente menor. Destarte, verificou-se que na maioria das empresas não se tem uma interação mais alicerçada com o cliente a fim de obter um feedback deles no processo de inovação de produtos e serviços. Para Pinchot e Pellman (2004), as empresas devem conhecer bem seus clientes, certificando-se que a oferta apresenta uma grande vantagem aos seus olhos, pois assim não precisarão cobrar um alto valor para ter um bom retorno sobre seus investimentos. Na era da conectividade a aspiração maior do empreendimento é conquistar e fidelizar clientes. Conforme a Figura 8 ilustrada, o grau de fidelização dos clientes para com as empresas atinge um índice de 56,67%, destacando-se 7 empresas com intensidade rara. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 73 8 7 6 4 4 2 2 2 0 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 8- Intensidade e número de empresas onde há fidelização de clientes Verificou-se que para a maioria do empresários, a tradição da empresa, a marca do produto e o respeito pelo prazo de entrega é um fator que influência na competitividade dos bens comercializados, gerando fidelização de clientes. Entretanto, seria interessante para o setor entender que esse aspecto de competitividade visualizado por eles e implementado em suas empresas, encontrase sem muita força competitiva. Atualmente, o desenvolvimento de novos produtos aos clientes que adicionem melhor valor agregado aos produtos e serviços, gerando também resultados significativos em termos de eficiência e redução de custos na manufatura, é primordial. Para Souza (2008), deve-se oferecer ao cliente soluções integradas, transformando-o no maior vendedor e não apenas o comprador do produto. Deve-se entender que não existe apenas um “mercado”, mas sim “o cliente”, cada um diferente e único, fará a diferença na sua fidelização. Pressupõe que isso amplie a gama de clientes no setor. No aspecto da comercialização, a característica mais diminuta seria o fato dos empresários não participarem de exposições em feiras e marketing de forma conjunta. Verificou-se que alguns clientes na região compram os produtos das empresas da aglomeração, não sabendo que foram fabricados pelas mesmas. No entender de Porter (2001), o marketing conjunto é uma das causas principais para a aglomeração acelerar a imagem do produto e fornecer melhor cobertura de mercado. Entretanto, não se deve esquecer nunca de que na era da integração, a maior imagem do produto quem faz é o cliente. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 74 O principal canal de vendas no aglomerado são os representantes comerciais, depois à licitação e a venda direta ao cliente. As maiores empresas utilizam a internet e feiras, e as menores (empresas) por não possuírem esses meios de conhecimento e informações adequados, comercializam de forma mais restrita. Para o IPARDES (2006b), a criação de um núcleo de comercialização por representantes de empresas menores que disponibilizassem seus produtos na internet e nas feiras, poderia ampliar a capacidade de vendas nas mesmas. Em relação à política de preços oferecidos pelas empresas aos clientes, constatou-se, conforme a Figura 9, uma intensidade expressiva de empresas onde a pessoa do cliente não tem muita interferência na questão dos custos dos produtos e serviços. Na pesquisa observou-se que a maioria das empresas faz uma pequena negociação na hora de fechar o contrato, mas os custos de produção não estão atrelados ao que o mercado (consumidor) pode ou não pagar pela qualidade e inovação dos produtos e serviços. Somente em 41,67% das empresas, os preços que os clientes estão em condições de pagar é que está definindo os custos de produção. 12 10 10 8 6 4 4 2 1 0 0 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 9- Intensidade e número de empresas onde os preços que os clientes estão em condições de pagar é que define os custos de produção Percebe-se que, principalmente as empresas de pequeno porte, o preço do produto é o principal determinante para a comercialização, dado ao baixo grau de diferenciação, resultando em produtos homogênios de reduzido valor agregado. Para Kim e Mauborgne (2005), é a combinação da utilidade excepcional (inovação), precificação, estratégia e custo que impulsiona a empresa a obter inovação de valor aos clientes. Tanto para Souza (2008), quanto Kim e Mauborgne (2005), para ser PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 75 posicionar de forma empreendedora nos mercados atuais, os preços é que definem os custos. Ao invés das empresas lograrem seus lucros através de custos ineficientes de produção, deveriam gastar a partir dos preços que seus clientes estão condições de pagar pelos seus produtos e serviços. Para o IPARDES (2006b), a ampliação do nível de diferenciação dos bens produzidos no aglomerado elevaria a competitividade das empresas, e assim, com benefício dos produtos diferenciados, um fator primordial de competitividade sobressairia nas empresas, qual seja: o aumento de suas receitas. 4.1.6 Estratégia de mercado No aspecto de estratégia de explorar mercados além da concorrência, percebeuse que o setor atingiu um índice de 43,33%, onde ficou notório, através da Figura 10, a paridade de empresas com intensidade rara e nunca. Esse quadro de circunstâncias pode estar relacionado com as demonstradas na Figura 3, onde se percebeu que algumas empresas não apresentam inovações de impacto no mercado, e sim, flexíveis adaptações em seus produtos e serviços. Isso pode, a princípio, tornarem vulneráveis a competitividade das empresas, pois a qualquer momento podem ser superadas por outras que oferecem melhor preço e qualidade aos consumidores. 6 5 5 5 4 4 3 2 1 1 0 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 10- Intensidade e número de empresas onde existe uma política de explorar mercados além da concorrência No entender de Kim e Mauborgne (2005), a maior sustentabilidade da empresa é quando ela se desenvolve fora da competição dos mercados saturados em vigor. Desbravar espaços inexploráveis é oferecer salto de valor tanto para os clientes, quanto para as próprias empresas. Constatou-se, entretanto, que para a maioria das PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 76 empresas de porte maior, explorar mercados além da fronteira setorial de competitividade é algo mais freqüente, pois a maioria possui recursos significativos em termos tecnologia, aproximação de centro de pesquisa, máquinas e equipamentos modernos, visita a feiras em regiões de dentro e fora do país, site especializados na internet e acesso a financiamentos e benefícios fiscais mais expressivos, já que possuem maior volume de patrimônio e de fluxo de recursos em bancos e agencias de desenvolvimento. Todavia, para as empresas menores, a situação é bem diferenciada. Elas não possuem toda a gama de recursos (já mencionados no parágrafo anterior) que as maiores empresas possuem. Nota-se também que o maior entrave encontrado seria as empresas não utilizarem recursos de terceiros para aplicação nos seus investimentos (máquinas, equipamentos, capital de giro, entre outros), sendo esses oriundos quase que totalmente de capital próprio. Isso impossibilita qualquer estratégia de inovação nas empresas, principalmente de explorar mercados além da concorrência, além de toda uma complicação de estrutura financeira, organizacional e técnica. Verificou-se que 46,67% das empresas afirmaram que tem suas estratégias próprias de mercado e não esperam o que os líderes no setor estão fazendo, para depois definir as suas. Entretanto, o que ficou evidenciado na pesquisa, é que as carteiras de produtos de muitas delas (empresas) ainda continuam sendo cópias de diversos concorrentes. Segundo Maximiano (2006), isto é definido como estratégia de reação, ou seja, as empresas reagem para ver o que fazem os líderes no mercado, ou é apanhada de surpresa pela inovação dos concorrentes, perdendo assim competitividade. Logo, percebeu-se que mais de 50,00% das empresas se encontram nessa estratégia. Atualmente, o cenário global obriga as empresas a crescerem, buscando melhor desempenho nos mercados. É nesse momento crucial, que muitas empresas estão aproveitando para partirem para a estratégia da cooperação, estabelecendo alianças estratégias, em busca de vantagem competitivas em conjunto (MAXIMIANO, 2006). Acredita-se ser esta uma grande oportunidade para esse setor em estudo se consolidar como um aglomerado produtivo de sucesso, pois, através de sua inserção nesse programa de desenvolvimento econômico, as empresas possuiriam maior PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 77 ganho de escala, custos mais baixos por unidade produzida, maior influência nos mercados, mais inovação nos produtos e serviços e por conseguinte maior competitividade. Segundo a Figura 11, um número expressivo composto por 10 empresas raramente consegue alinhar diferenciação e custo ao mesmo tempo. 12 10 10 8 6 4 3 2 2 0 0 Não sabe Nunca 0 Sempre Frequentemente Raramente Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 11- Intensidade e número de empresas onde se busca diferenciação (inovação) e baixo custo simultaneamente Constatou-se que para a maioria das empresas, estratégia de preço (isoladamente) ainda é marca de competitividade. Por não haver uma política de incentivos a inovação e a diversificação de produtos no aglomerado de empresas, essas optam pela estratégia de preço para se manterem no mercado, e entendem que possuem já espaço assegurado nessas vendas. Todavia, percebe-se uma certa acomodação de muitas empresas em relação a esse assunto. Segundo Kim e Mauborgne (2005), oferecer preço sem inovação não atinge o cliente que é o alvo de toda a empresa. Faz-se necessário à estratégia de inovação de valor (diferenciação e menor custo simultaneamente), para que possa assegurar continuamente o mercado (consumidor) que anda ávido por essa estratégia. 4.1.7 Normalização Vivencia-se o momento em que as pequenas e médias empresas estão tendo muita oportunidade de se expandirem para o mercado externo. Segundo França (2007), um meio de se organizar o mercado interno e instrumento de inserção no mercado externo, seria o cumprimento das normas como padrão de qualidade pelas empresas. Segundo a Figura 12 assim ilustrada, observa-se que 11 empresas não PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 78 usam essas normas, o que possivelmente pode desfavorecer sua posição de crescimento. O índice atingido pelo setor pode ser considerado baixo, pois só atingiu 18,33%. 11 12 10 8 6 4 2 1 1 Sempre Frequentemente 2 0 0 Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 12- Intensidade e número de empresas onde as normas (ISO 9000/2000) como padrão de qualidade estão sendo utilizadas Segundo a pesquisa, 93,3% das empresas não utilizam qualquer sistema formal de controle de qualidade, e a falta desse fator, dentre outros, está impedindo que obtenham certificação de qualidade. Isso está acarretando em algumas empresas a remanufaturação dos seus produtos em nível crescente, como também elevando os custos devido à falta de organização do processo produtivo. Esse quadro está impossibilitando sobremaneira muitas empresas de comercializarem no exterior, exceto algumas de porte maior, que, pelo fato de possuírem organização no processo produtivo, já comercializam há algum tempo no mercado externo. No entender de Porter (2001), um dos incrementos da competitividade dos produtores aglomerados, estaria nos serviços na área de normalização e certificação de qualidade. E para Krugman (1998), um dos elementos fundamentais que explicam as vantagens competitivas das firmas está em obterem economias externas ou retornos crescentes de escala, inseridos assim numa constante participação no comercio internacional. Sendo assim, nota-se que uma posição mais empreendedora de ampliação dos nichos de atuação das empresas é imprescindível para o crescimento econômico das empresas. Percebe-se então a necessidade do mercado atual direcionar as empresas a passos crescentes no processo da estratégia de internacionalização. Na pesquisa, o setor apresentou, de acordo com a Figura 13, uma posição não muito favorável PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 79 nessa estratégia, apesar de demonstrarem disposição na busca por esse atributo de competitividade. Atingiu um índice de 15% nas empresas pesquisadas. 14 12 10 8 6 4 2 0 12 1 1 1 Sempre Frequentemente Raramente 0 Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 13- Intensidade e número de empresas onde existe estratégia de internacionalização Evidencia-se que a maioria das empresas parece estar alheia ao inevitável movimento de internacionalização das economias. Constatou-se que a comercialização da maioria delas concentra-se muito no mercado interno, o que na atual conjuntura, não é mais tanto sustentável em virtude de não haver mais mercado protegido. O setor precisa compreender que a quebra das barreiras alfandegárias e clientes informatizados, quase que obriga as empresas a lançarem seus produtos e serviços no mercado externo. Isso atualmente tem sido evidenciado como estratégia primordial de competitividade, e necessidade imprescindível de sustentabilidade. Para Camargo (2007), possuir estratégia de internacionalização eleva a escala de produção, desenvolve relações duradouras com os clientes, e também impulsiona cada vez mais a produção de produtos diferenciados em face da comoditização acelerada. Pelo relatório do IPARDES (2006b), a maioria das empresas do setor, devido à deficiência na qualidade do produto, ao desconhecimento da burocracia do processo de exportação e de peculiaridades referentes às características dos clientes externos, interessou-se pela criação de uma instituição (escritório de exportação) a fim de que seja responsável pela identificação das potencialidades do mercado externo e assuma a colocação dos produtos das empresas no exterior. Entende-se que realmente o setor (quase a totalidade) precisa atentar para essa PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 80 alternativa, pois há quase duas décadas atua somente no mercado interno como meio de manter a competitividade de suas empresas, o que se pressupõe um possível engodo mercadológico. 4.1.8 Qualificação da mão-de-obra Em relação à qualificação da mão-de-obra, verificou-se que o setor precisa investir mais acirradamente nessa área. De acordo com a Figura 14, um número expressivo de empresas aparece com intensidade rara em proporcionar o aperfeiçoamento contínuo de seus colaboradores. O setor pontuou 50% nessa questão da pesquisa. Isso pode representar que outra metade não está investindo na capacitação dos colaboradores. 8 7 6 4 4 3 2 1 0 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 14- Intensidade e número de empresas onde se estimula o aperfeiçoamento contínuo da mão-de-obra nos colaboradores Percebeu-se que para a maioria das empresas acontece a seguinte situação: a mão-de-obra é treinada durante a atividade de produção, os colaboradores possuem um baixo nível de escolaridade, as empresas não promovem aperfeiçoamento contínuo tanto na atividade de produção quanto de gestão e não direcionam treinamentos dos colaboradores em centro de pesquisa e universidades de apoio. Em relação ao aperfeiçoamento contínuo, a exceção ficou por conta de duas empresas de porte maior, onde seus colaboradores são treinados na área técnica e de gestão. Se as empresas investirem na capacitação dos seus colaboradores, poderão obter, segundo o IPARDES (2006b), mais produtividade desses parceiros no negócio, refletindo-se em redução de custos de produção na atividade fim (produto) PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 81 e meio (gestão), como também qualidade e volume de produção ampliado. Evidenciou-se a situação de algumas empresas re-manufaturarem os seus produtos em níveis elevados indicando que a produção não está tão eficiente. Para Garcia (2006) e Costa et al. (2006), a qualificação da mão-de-obra representa diminuição de custos de desperdícios na produção e serviços, e Maximinano (2006) diz que fazendo assim, as empresas aproveitam mais os recursos. Segundo Chiavenato (2005) e Pinchot e Pellman (2004) as empresas devem ser transformadas em agências de aprendizagem, em decorrência direta dos colaboradores estarem integrados no desenvolvimento organizacional. Deve haver aperfeiçoamento contínuo dos colaboradores, pois isso proporciona mais participação, autonomia, proatividade, inovação e comprometimento por parte de todos eles. Em relação ao setor, a questão de treinamento e qualificação da mão-de-obra constitui um problema comum à maioria das empresas. Logo, mais qualificação dos colaboradores poderia ser uma das possíveis soluções para esses entraves na competitividade das empresas. A criação de programas de treinamento conjunto aos colaboradores, através de parcerias com universidades, agencias de fomento, centro de pesquisa, dentre outros, poderia minimizar essa lacuna de competitividade que está sendo tão negligenciada pelas lideranças empresariais. No tocante a contratação dos colaboradores ao longo dos anos, observou-se que o aumento está nas empresas onde o percentual de inovação tecnológica está mais acelerado. Conforme a Figura 15, evidencia-se que cinco empresas (1 sempre e 4 freqüentemente) estão numa posição de crescimento favorável, seis de expansão lenta e 4 paralisadas em seu crescimento de funcionários. Num total, o índice atingido foi de 46,67% em relação ao aumento de emprego aos colaboradores. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 82 7 6 5 4 3 2 1 0 6 4 4 1 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 15- Intensidade e número de empresas onde está havendo aumento na contratação de mão-de-obra ao longo dos anos Conforme IPEA apud Prado (2007), as empresas que mais inovam tecnologicamente em seus produtos e serviços, têm como conseqüência maior ganho de produtividade, e como resultado, abrem novas fontes de trabalho. Esse tipo de inovação demanda mão-de-obra mais qualificada, impulsiona o desenvolvimento de novos produtos, tornando-se como principal fator de competição de muitas empresas. Verifica-se assim, que o setor mostra-se coerente com a pesquisa do IPEA, pois as empresas mais arrojadas no aspecto da inovação foram as que mais cresceram na contratação de colaboradores atingindo percentuais bastante diferenciados, variando de 200% a 12,5%, conforme Tabela 11. 4.1.9 Comunicação interna Quando a empresa se comunica de maneira adequada com seus profissionais, cria-se um ambiente favorável de comprometimento, motivação e sinergia ao invés de descrédito, desconfiança e baixo desempenho (SKORA, 2008). Na pesquisa foi verificado um índice de 75,40% na perspectiva dos colaboradores no que concerne à comunicação aberta e de fácil entendimento dos líderes para com eles. Percebese que não é um índice baixo, o que pode representar uma satisfação dos colaboradores em trabalhar nesse aglomerado de empresas, principalmente no aspecto comunicação líderes e colaboradores. Entretanto, pôde-se perceber na pesquisa um índice relativamente baixo no aspecto da disseminação de informações sobre mudanças, clientes, fornecedores e tecnologia nos ambientes internos da empresa. O índice foi de 35,00% e 36,12% no entender dos líderes e colaboradores respectivamente. Corroborando com esses PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 83 índices, pode-se visualizar, conforme ilustra a Figura 16, uma expressiva quantidade de empresas, onde essa interação de informações ainda não é transmitida para os colaboradores a fim de obter mais participação e proatividade deles. 9 10 8 5 6 4 2 1 0 0 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 16- Intensidade e número de empresas onde os colaboradores compartilham informações sobre clientes, fornecedores e tecnologia livremente no ambiente das empresas No ponto de vista de Skora (2008), os líderes devem vender as idéias aos seus colaboradores, tornando-os assim, aliados da organização e preocupados em apresentar idéias, sugestões, conquistando parceiros na gestão de negócios. E Dilts et al. (2004) corrobora essa fala salientando que ambientes de trabalho em que os colaboradores são participantes ativos no processo de inovação, desencadeiam um processo de compromisso constante com o crescimento e a competitividade da empresa. Para o setor em questão, esse tipo de comunicação está defasado, precisando melhoras substanciais. De acordo com a pesquisa, para alguns líderes das empresas de porte maior, o compartilhamento de informações sobre mudanças, clientes, fornecedores e tecnologia concentra-se somente com a diretoria, departamento comercial, pesquisa e desenvolvimento e administrativo. Quando é de porte menor, fica somente restrito ao sócio, gerente ou encarregado. Evidencia-se assim, a falta de compartilhamento de fluxo de idéias e informações de maneira dinâmica e espontânea nas empresas. Para Pinchot e Pelman (2004), as empresas mais inovativas e empreendedoras são as que possibilitam que as informações fluam livremente de forma horizontal e vertical, ou seja, os colaboradores compartilham informações com seus líderes e também entre eles (colaboradores). PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 84 Percebe-se que em virtude da pouca qualificação dos colaboradores, como já anteriormente analisado, a visão crítica para se posicionar a respeito de mudança, clientes, fornecedores e principalmente inovação fica bastante obliterada. Nota-se visivelmente que para a maioria dos colaboradores, a comunicação aberta e de fácil entendimento se perfaz através de um bom relacionamento de respeito, amizade e prestimosidade. Entretanto, isso não é suficiente quando se trata de empresas empreendedoras, onde a participação em todos os centros de resultados é fator crítico de sucesso para o crescimento econômico e social do empreendimento. Portanto, cada colaborador deve ser capaz de acrescentar sugestões, idéias e criatividade para melhorar a competitividade empresarial. Mas para tanto, é necessário cursos de treinamento ou programas formais de qualificação para que a comunicação possa ser mais profícua entre os colaboradores e liderança, envolvendo aí, aspecto chaves para as empresas, dentre outros, tais como: recursos e conhecimento sobre como integralizar clientes, comunicação eficiente com fornecedores, mudanças estratégicas e principalmente formas de se desenvolver melhoras nas inovações tanto incrementais e até quem sabe radicais. No tocante a participação das decisões empresariais dos líderes em ação conjunta com os colaboradores, o índice pontuou 41,67%, mas continua sinalizando falta de interação mais dinâmica. De acordo com a Figura 17, o maior destaque (decifitário) é para seis empresas que nunca inserem os colaboradores em ação conjunta na tomada de decisões na empresa. 7 6 5 4 3 2 1 0 6 4 3 2 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 17- Intensidade e número de empresas onde as decisões são tomadas em ação conjunta com os colaboradores PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 85 Para Drucker (2005), quando a direção se chega mais perto dos colaboradores, ouvindo suas aspirações e escutando o que eles têm a contribuir, aumenta a interação entre eles. Cria-se assim, um clima de mais alta eficácia, instalando uma visão empreendedora por toda a empresa. Continua afirmando o autor em questão que, o colaborador precisa contribuir com sua visão sobre o empreendimento, sua maneira de ver as oportunidades e a melhoria nos serviços, processos e produtos, para que se sinta um empreendedor corporativo e contribua mais com o crescimento da empresa. No setor em geral, os colaboradores precisam ser incentivados de que quando vêem que algo precisa ser melhorado, posicionem-se imediatamente a contribuir com idéias e sugestões, tendo apoio eficiente da liderança em termos de credibilidade. Isso se perfaz através de comunicação empreendedora, da qual o setor precisa se adequar. 4.1.10 Motivação Quanto à motivação para trabalhar nos ambientes das empresas, constatou-se que os colaboradores se posicionaram com níveis decrescentes de percentuais, passando de 74,10% até atingir 64,65% conforme ilustra a Tabela 8. Tabela 8- Aspecto motivacional dos colaboradores no setor A empresa está preocupada em mantê-lo motivado? 74,10% (sim) A empresa conhece suas necessidades e aspirações no seu trabalho? 71,60%( sim) Sua empresa reconhece todos os seus esforços e talentos que vc faz para melhorar o desempenho da empresa? 65,55%(sim) Você é treinado para trabalhar melhor? 64,65%(sim) Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Através da Tabela 8 verifica-se que nas duas primeiras perguntas se enfatiza o fato de a empresa manter seus colaboradores motivados e conhecer suas necessidade e aspirações no trabalho. O nível de respostas foi de 74,10% e 71,60%, respectivamente, o que representa um bom percentual. Entretanto, quando se perguntou sobre o aspecto da empresa reconhecer os esforços e talentos dos colaboradores e também oferecer treinamento para se trabalhar melhor, houve uma queda para 65,55% e 64,65% respectivamente. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 86 Nota-se que os colaboradores num primeiro momento se sentem motivados, mas quando lhes é feita a pergunta sobre recompensa de seus talentos e seu crescimento profissional, há certa reflexão, e pontuam as perguntas com menor intensidade. Nesse aspecto, tanto Chiavenato (2005), quanto Hunter (2006), abordam enfaticamente que, os fatores motivacionais estão estritamente relacionados com o sentimento de crescimento do indivíduo, de reconhecimento profissional e de suas necessidades de auto-realização. E Luppa (2006) corrobora essa visão, salientando que se devem motivar os colaboradores dando-lhes a real chance de caminhar para o alto, concedendo espaço para eles crescerem tanto no lado pessoal, quanto profissional. Para se produzir melhor, Katrin et al. (2006) enfatizam que o elemento motivação é o impulsionador de todo processo criativo. É um suporte potencial para se compensar as deficiências de outras competências. Pelos dados apresentados nesse bloco, e também na pesquisa in loco, percebeu-se que existe um bom ambiente de trabalho; entretanto, falta mais investimento na qualificação dos funcionários, pois redundará em uma ação mais empreendedora em todos eles. 4.1.11 Criatividade Apoiar uma cultura de estímulo à criatividade nos ambientes empresariais pode transformar toda uma performance competitiva nos mercados. Hoje, num mundo complexo, as empresas não podem depender de apenas uns poucos no processo criativo, mas de uma rede de colaboradores, nos mais diversos setores, com capacidade real de contribuir para o sucesso da empresa. Todo funcionário deve ser direcionado a pensar e criar continuamente, pois isso é um diferencial para o crescimento nas organizações modernas. Drucker (2005), afirma que é primordial que ambientes empresariais favoreçam a criatividade, inovação e mudança e que potencializem cada vez mais os talentos dos colaboradores. Pinchot e Pellman (2004) argumentam que os colaboradores precisam de ambientes empresarias que impulsionem liberdade para testarem novas idéias, observando o que ocorre, aprendendo assim a partir da experiência. De acordo com a Tabela 9, percebe-se que os menores índices foram na parte de recompensas, e participação conjunta na ferramenta criatividade. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 87 Tabela 9- Aspecto da criatividade dos colaboradores no setor Você é incentivado a participar com idéias novas, melhorando o desempenho 67,68% (sim) da empresa? As novas idéias propostas por você são aceitas? A empresa recompensa a criatividade de você para melhorar algum produto ou serviço? Em caso de erro ou fracasso na sua idéia para melhorar a inovação na empresa, vc continua sendo incentivado? Pessoas de diferentes setores em sua empresa se reúnem em grupo para elaborar idéias criativas? Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) 60,52%(sim) 49,77%(sim) 63,03%(sim) 44,43%(sim) Observou-se que 67,68% dos colaboradores afirmaram ser incentivados a participarem com idéias novas, melhorando o desempenho da empresa. Todavia, quando foi perguntado se elas (idéias) eram aceitas, houve uma queda de 7,16% passando para 60,52%. Isso pode indicar alguns entraves em aceitar as opiniões e participações dos funcionários nesse processo. Além disso, há dois aspectos importantes a ressaltar que não se coadunam com as respostas dos colaboradores. Primeiro, é que o nível de participação deles (colaboradores) no processo de inovação está muito incipiente; e segundo, o nível de inovações no setor se encontra regular. Esses dois aspectos já foram analisados em blocos anteriores, confirmando assim, a falta de preparo técnico e de gestão dos colaboradores no âmbito participativo da criatividade atrelada à inovação. É importante salientar que os colaboradores se tornam mais envolvidos e produtivos, quando percebem o interesse da empresa em sua opinião, na sua criatividade e participação contínuas nas inovações. Nesse aspecto, Quin et al. (2003) argumentam que se deve oferecer um ambiente seguro para o fluxo de idéias dos colaboradores. Esses autores enfatizam que, quando os indivíduos são incentivados em suas idéias e na solução dos problemas na empresa, é mais provável que se sintam singulares, valorizados e afirmados como profissionais importantes na organização. Quando se perguntou sobre a recompensa que a empresa oferece quando o colaborador se empenha com sua criatividade para contribuir na melhoria de produtos, processos e serviços, o índice reduziu mais ainda, sinalizando 49,77%, com uma queda de 17,91% em relação à primeira pergunta sobre criatividade. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 88 Percebeu-se que houve em muitas empresas uma certa insatisfação no assunto recompensas. Segundo Drucker (2005), para que os colaboradores sejam empreendedores, a empresa precisa criar uma estrutura na qual as pessoas precisam ser asseguradas de que suas recompensas e incentivos valorizem o comportamento empreendedor correto. Vale ressaltar que não é só recompensas financeiras que motivam o colaborador, mas principalmente a preocupação com uma real chance deles crescerem tanto do lado profissional, quanto pessoal e familiar, através de programas de valorização instituídos pelas empresas. Segundo a Tabela 9, observou-se uma certa complacência em caso de erro ou fracasso do colaborador em sua idéia de melhorar a inovação dentro da empresa. O índice atingido foi de 63,03%. Todavia, seria interessante aos empresários incentivarem os colaboradores a correrem riscos calculáveis no processo de geração de ideais, através de uma contagiante atitude de vitória, não permitindo que o medo ou receio do fracasso possa envolvê-los nesse processo. Pinchot e Pellman (2004) afirmam que o segredo para desenvolver produtos econômicos é não evitar erros. Convém cometer erros e aprender rapidamente com eles. Se a empresa se prender a preconceitos com erros, o custo da mudança pode ser alto demais. Em virtude disso, um dos maiores erros é não tolerar erros e tirar conclusões precipitadas. No setor em análise, evidenciou-se que é necessária mais liberdade e apoio aos colaboradores, para que eles não receiem em participar ativamente com sua criatividade para o crescimento de suas empresas, mesmo cometendo erros, pois o maior risco é não arriscar. Um aspecto também muito importante sobre criatividade nas empresas é o incentivo ao trabalho em equipe, pois impulsiona a auto-estima e o comprometimento do colaborador. Pela Tabela 9, o menor índice registrado no bloco de criatividade foi à pergunta sobre a interação e reunião de diferentes setores para elaborar idéias criativas nas empresas, atingindo 44,43%. O ponto forte do intercâmbio é que fornece vantagens para todo o processo, pois promove melhorias ao preparar e amadurecer as pessoas para a análise e solução de problemas. Para Hoover e Valenti (2006), é importante plantar a noção de tensão criativa nos colaboradores. Os melhores resultados criativos emergem do livre debate que propicia tempestades cerebrais entre mentes contrárias e pensamentos opostos. A PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 89 qualidade do trabalho será muito maior. Portanto, percebe-se que para o aglomerado, é necessário desenvolver a criação de um ambiente mais favorável a participação conjunta entre diferentes setores, incentivando o trabalho em equipe, envolvendo-os em todos os centros de resultados. 4.1.12 Qualidade de vida no trabalho Quanto ao aspecto de qualidade de vida no trabalho, percebem-se índices considerados relativamente satisfatórios pelos colaboradores. De acordo com a Tabela 10, verifica-se uma crescente pontuação percentual, o que pode sinalizar que para eles (colaboradores), as empresas oferecem boa qualidade de vida no ambiente empresarial. Tabela 10- Aspecto qualidade de vida nas empresas do setor Vc está satisfeito com suas condições de trabalho (jornada, ambiente 72,95%(sim) saudável,)? Vc consegue equilibrar o tempo aplicado ao trabalho, com o tempo dedicado ao 79,55%(sim) lazer e a família? Seu trabalho permite o desenvolvimento e o uso de suas capacidades 83,20%(sim) oferecendo segurança? Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Isto é muito positivo, pois como salienta Maximiano (2006), quanto maior for o grau de satisfação dos colaboradores, mais alta é a qualidade de vida no trabalho e mais positivo o clima organizacional. E segundo David (2004), essa qualidade não deve ser somente do ponto de vista técnico, mas também humano. Para que possam ter idéias criativas e inovadoras e aumento de produtividade, faz-se necessário outro desafio: implementar nas empresas a qualidade de vida como caminho para a qualidade pessoal. Observou-se na pesquisa um ambiente amistoso dos líderes e colaboradores nos ambientes internos da empresa, envolvendo companheirismo, amizade, respeito e prestatividade. Entretanto, não se verificou na pesquisa as empresas implantarem programas de ações sociais ou comunitários envolvendo os colaboradores e sociedade. Outro aspecto também importante seria ampliar o programa de adequação ergonômica efetuado pelas empresas envolvendo ginástica laboral, adaptação antropométrica, entre outros. Percebeu-se que em poucas empresas de porte maior estão atrelando a este fato. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 90 Outra situação seria envolver os familiares dos colaboradores em programas de recompensas da empresa, pois impulsiona um bom desempenho deles (colaboradores) de acordo com Jensen (2002) e Luppa (2006). Segundo esses autores, isso pode contribuir para que sejam mais solícitos e empreendedores, visto que suas famílias estão sendo recompensadas no processo empresarial. Nesse aspecto também não houve citação dos entrevistados (líderes) que as empresas estejam atuando. No aspecto do equilíbrio entre o tempo aplicado ao trabalho, ao lazer e a família, os colaboradores pontuaram 79, 55% segundo a Tabela 10. Isso pode sinalizar que não está muito defasada a carga horária de trabalho, a ponto de prejudicar o relacionamento no aspecto social e familiar. Para Friedman et al.(1998), deve haver equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, pois essas instâncias são complementares e não concorrentes em termos de prioridades. O índice que obteve a maior pontuação nesse bloco foi o de desenvolvimento e o uso de suas capacidades oferecendo segurança no trabalho, pontuando 83,20%. Verifica-se que nessa área os colaboradores se posicionaram com expressiva satisfação pela maneira como as empresas procuram oferecer segurança em seus postos de trabalho. Todavia, de todos os três itens analisados, apesar dos colaboradores se posicionarem de um modo bastante positivo, autores como Chiavenato (2005) e Moeller (2002) enfatizam que qualidade de vida no trabalho também está estritamente relacionada com desenvolvimento pessoal e profissional do colaborador. Ambientes que incentivem a aprendizagem devem ser encorajados como política e prática organizacional, pois gera mais criatividade e trocas de experiências enriquecedoras aos participantes. Nesse aspecto, conforme Figura 14, o setor encontra-se com índice insuficiente, pois sete empresas raramente investem no contínuo aperfeiçoamento dos colaboradores e três nunca. Isso pode representar um aspecto deficitário do setor, necessitando mudanças radicais. Para Fernandes (1996, p.43) a qualidade de vida no trabalho abrange a “conciliação dos interesses dos indivíduos e das organizações, ou seja, ao mesmo tempo em que melhora a satisfação do trabalhador, melhora a produtividade da empresa”. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 91 4.1.13 Relacionamento entre líderes e liderados Num contexto econômico e social de rápidas transformações, é preciso saber liderar. E para isso, uma das habilidades mais surpreendentes do relacionamento humano é a capacidade de inspirar pessoas a trabalharem de maneira compartilhada e comprometida. Isto resulta uma cultura competitiva influenciada por uma liderança dinâmica e envolvente por todos os atores do processo produtivo. Segundo Dolabela (2008), um dos fatores que contribuem para o sucesso de uma empresa é, justamente, a capacidade do líder empreendedor e a qualidade de sua equipe. Para tanto, a liderança ocupa espaço primordial. Observa-se, de acordo com a Figura 18, uma presença notória de oito empresas que evidenciam estar interagindo freqüentemente com seus colaboradores, buscando articulações até obterem informações relevantes. 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 8 4 3 Sempre Frequentemente Raramente 0 0 Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 18- Intensidade e número de empresas onde se proporciona buscar oportunidades e articulações com os colaboradores, até obter informações relevantes Nesse aspecto, Fonseca et al.(2006) se posiciona de modo enfático salientando que o líder deve ser um ativador de rede, ou seja, um ator com habilidades de relacionamento, dinamizando e compartilhando informações, construindo assim, um processo inovador por toda a empresa. Na pesquisa em questão, evidenciou-se que a interação para muitos líderes empresariais do setor seria se comunicarem com os colaboradores ao nível mais relacional, não inserindo tanto o aspecto de inovação, clientes, e tomada de decisão conjunta, dentre outros aspectos já analisados em blocos anteriores. É evidente que um ambiente descontraído para se trabalhar é primordial, pois fortalecem as amizades e companheirismo. Entretanto, para que haja um comprometimento maior PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 92 do colaborador, faz-se necessário que ele entenda aonde a empresa quer chegar, o que quer e qual a sua estratégia para que possa contribuir de forma mais empreendedora. Para se inserir na competitividade ferrenha dos mercados, os líderes devem incentivar parcerias e apoiar. Para Filion (2004), os líderes devem procurar acionar diferentes tipos de recursos para que os talentos dos colaboradores possam ser desenvolvidos. Através da transmissão de valor a todos eles, procura compartilhar a sua visão sobre o empreendimento. Esse autor também aborda que o líder deve possibilitar treinamentos contínuos, e também supervisionar o clima de inovação para que os colaboradores saibam valorizar as oportunidades de crescerem junto com a empresa. No aspecto dos líderes proporcionarem condições para que se manifeste o potencial de liderança nos colaboradores, o índice atingindo foi de 68,33%. Na Figura 19, pode-se observar um número de sete empresas atuando raramente nessa área, mas também, cinco com intensidade freqüente e três sempre. Algumas empresas estão fornecendo aos seus colaboradores programas de capacitação em liderança. Isso tem ajudado em seus relacionamentos internos, mais falta maior capacitação para interagir com clientes e fornecedores, o que ficou evidenciado em análises anteriores. 8 7 6 4 5 3 2 0 0 Não sabe Nunca 0 Sempre Frequentemente Raramente Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 19- Intensidade e número de empresas onde se proporcionam condições para que se manifeste o potencial de liderança nos colaboradores em todos os setores da empresa Apesar de um percentual elevado de 83,70% de colaboradores responderem que eram incentivados a buscar soluções sem precisar serem mandados, o que ficou evidente é que precisa maior dinamismo e proficuidade nessa interação, pois PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 93 procurar soluções empreendedoras requer apoio irrestrito de quem os lidera. Percebe-se que na visão de muitos colaboradores, a liderança está latente, faltando apenas mais visão holística e sistêmica da parte dos que estão da linha de frente (líderes), para potencializarem as habilidades de cada colaborador em liderar. Liderança não tem sido mais um atributo somente de alguns, mas habilidade que pode ser capacitada por todos na tomada de decisão em sua empresa. Segundo Drucker (2005), a liderança não é gerência, mas influência, e nisto está à força de sua atuação. Os líderes devem ser capazes de ajudar os colaboradores a mostrarem o melhor de si, criando espaço para que eles se desenvolvam, agregando dinamismo e salto de valor naquilo que fazem. Observou-se na pesquisa, carência em muitas empresas de treinamento para atenderem as habilidades técnicas, comportamentais e de gestão necessárias para cada colaborador no cargo exercido. Hoover e Valenti (2006) enfatizam que olhar a liderança como uma responsabilidade de apenas uns poucos escolhidos, é menosprezar o vasto recurso de energia de liderança potencial latente no restante da população organizacional. Isso tem que ser compartilhado, pois se desenvolve um grande círculo de liderança, onde atitudes, desempenho e produtividade aumentam. Segundo Jensen (2002), o líder deve procurar melhores maneiras de liberar o potencial de todos na empresa e também confiar mais em quem está do seu lado. Um aspecto deficitário no setor é a questão de interação dos colaboradores e centros de aprendizagem impulsionados pela liderança. Esse índice foi considerado bastante deficitário, atingindo apenas 20,00%. Segundo a Figura 20, observa-se um percentual muito expressivo de empresas onde não acontece essa interação (10 empresas nunca e 4 raramente ). PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 94 12 10 10 8 6 4 4 1 2 0 0 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 20- Intensidade e número de empresas onde se proporcionam intercâmbio de informações entre colaboradores e centros de aprendizagem Maiores investimentos são necessários da parte da liderança no aspecto de se empenharem que os seus colaboradores se capacitem em centros de aprendizagem. Em muitas empresas, observou-se que dependem do Sindicato para a realização dessas capacitações, em contrapartida, poucas partem para a especialização mais vantajosa de seus funcionários em Feiras de Tecnologia e aperfeiçoamento em Universidades, Centro de Pesquisa, Instituições de apoio, entre outros. Tanto Souza (2008), quanto Chiavento (2005) se posicionam enfaticamente no aspecto que os líderes devem impulsionar seus colaboradores no desenvolvimento de suas competências em centros de aprendizagem. Devem potencializar as habilidades e talentos dos funcionários, pois eles estão integrados diretamente no desenvolvimento organizacional. Isso tem se demonstrado como fator primordial na competitividade das empresas. Essa situação de falta de empenho na capacitação dos colaboradores no setor já era sinalizada como deficitária na pesquisa Pagani (2006), onde se percebeu uma relutância por parte das lideranças empresariais em interagir com essas instituições que estão dispostas a habilitar profissionais nos mais diversos ramos de atividade. Dentre essas, pode-se citar: gestão, informática, qualidade, segurança no trabalho, mecânica, solda, pintura, torneiro entre outros. Observa-se que está faltando mais resposta empreendedora por parte da liderança, possibilitando parcerias que possam capacitar técnica e organizacionalmente seu colaborador. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 95 4.1.14 Resiliência organizacional Resiliência tem sido considerado um atributo empreendedor para muitas empresas diante de uma era marcada por transições contínuas. Portanto, inserido nesse contexto, esta habilidade tem sido um suporte empresarial para o enfrentamento dos mercados. Segundo Grotberg (2005, p.15) ela “é a capacidade de enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidades”. Para esse autor, a conduta resiliente exige se preparar, viver e conseguir aprender com as constantes experiências contrárias que se apresentam cada dia. No setor em análise, quando foi perguntado aos colaboradores se a ansiedade deles é moderada no ambiente de trabalho, eles pontuaram 70,37%. Assim como 81,60% responderam que mantêm calma diante de situações de dificuldade na empresa. O que pode representar um bom equilíbrio de suas tensões emocionais no trabalho. No aspecto da capacidade de transformar um insucesso numa fonte de aprendizagem, constatou-se que na perspectiva dos líderes, o índice foi de 81,67%, representado na Figura 21. 9 10 8 6 5 4 1 2 0 0 Não sabe Nunca 0 Sempre Frequentemente Raramente Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 21- Intensidade e número de empresas onde se promove a capacidade de se transformar o insucesso numa fonte de aprendizagem Para Gallende (2004), as circunstâncias que são adversas produzem condições criativas, enriquecem as possibilidades práticas de atuar sobre a realidade em que vive, transformá-la ou transformar-se. E Baxter (1982) salienta que o insucesso ou adversidade não deve ser considerado uma ameaça, mas desafio. Para Barlach (2005), a pressão por resultados rápidos, eficientes e com qualidade necessita de PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 96 pessoas que tenham: otimismo forte e possibilidade de transcender da posição de vítimas das circunstâncias exteriores, adquirindo determinada solução de um problema, sem ter as ferramentas ou matérias próprias. Fazendo uma conexão com os autores citados, e os dados do setor em relação à reação às adversidades, percebe-se que há uma certa paridade de posicionamento, visto que essas muitas empresas cresceram em números de funcionários, mesmo diante de vários momentos de crise na economia brasileira. De acordo com a Tabela 11, verifica-se o percentual de crescimento, decrescimento ou estagnação do número de funcionários no setor. Tabela 11- Percentual de crescimento, decrescimento ou estagnação do número de funcionários do setor de 2005 a 2007 Número de empresas Aumento de funcionários Diminuição de funcionários 01 empresa 200% 01 empresa 58,22% 01 empresa 89,8% 01 empresa 31,25% 01 empresa 29,41% 01 empresas 18,1% 02 empresas 12,5% 01 empresa 16,6% 01 empresa 21,0% 01 empresa 27,0% 01 empresa 37,5% 03 empresas Permaneceu inalterado o quadro de funcionários Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Através da Tabela 11, percebe-se que o percentual de crescimento dos funcionários oscilou entre 12% a 200% em oito empresas. O de decrescimento oscilou entre 16% a 38% em quatro empresas, e o percentual de estagnação no quadro de funcionários só atingiu três empresas. Isso pode refletir um aspecto muito positivo do setor, pois a grande maioria das empresas conseguiu aumentar a geração de emprego e renda para seus funcionários. Observa-se assim, uma capacidade resiliente, pois a maioria está conseguindo superar as crises e adversidades por que passam as empresas brasileiras, no tocante à demissão como fator de escape para solução de seus revezes gerenciais. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 97 Pelo levantamento, os líderes atingiram um índice de 73,33% quando lhes foi perguntado sobre a cultura da empresa de não evitar as mudanças. Foi também registrado um percentual de 74,30% nos colaboradores que gostam e aceitam as mudanças no cotidiano de suas empresas e 72,65% disseram serem incentivados pelos líderes para que se adaptassem melhor a essas circunstâncias. E mais ainda, um índice bem expressivo foi atingido nos colaboradores no tocante a estarem abertos a novas experiências, ao novo e a criatividade, pontuando 93,67%. Esses índices indicaram uma certa adaptabilidade a situações novas e desafiadoras. Na Figura 22, percebe-se que as empresas estão acessíveis ao fator mudanças. 7 6 5 4 3 2 1 0 6 4 4 1 0 Sempre Frequentemente Raramente Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 22- Intensidade e número de empresas onde se promove uma cultura de não evitar as mudanças Todavia, apesar dos índices percentuais das empresas ficarem acima de 70% em relação à cultura de não se evitar as mudanças, observa-se uma lacuna muito importante a ser preenchida pelo setor no que tange ao desafio de se tornarem um aglomerado produtivo amadurecido. Dados da pesquisa desenvolvida por Pagani (2006), identificaram essa aglomeração produtiva com grande potencial de se tornar um APL de sucesso, promovendo desenvolvimento regional e local. Entretanto, esse setor precisa aproveitar mais as oportunidades que estão sendo oferecidas desde 2005, quando vários esforços foram e estão sendo feitos, desde o apoio do governo, até Universidades, Sindicatos, Agências de Fomento, entre outros. Faz-se necessária mais atitude empreendedora dos empresários locais para que possam visualizar o fato que, ao se agruparem em APLs, irão possuir mais competências organizacionais e técnicas das quais tanto necessitam nessa era da competição acirrada dos mercados. Percebe-se que falta mais resiliência nesse PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 98 sentido, porém, em contrapartida, deve-se aproveitar mais as oportunidades de crescimento empresarial, não sendo guiados pela falta de confiança e cooperação que tem sido evidenciada tanto na pesquisa Pagani (2006), como da atual em questão. Segundo Conner (apud MOELLER, 2002) o fator mudança está atrelado a compromisso de se colocar na dianteira dos desafios, aproveitando as oportunidades, e sempre direcionando o foco empresarial a qualquer mudança que seja necessária na conquista de mercados. Para Chiavenato (2000), o fator resiliência determina o grau de defesa ou vulnerabilidade do sistema às pressões ambientais externas. Quando modelos tradicionais ou burocráticos sofrem resistência ao avanço da inovação e da mudança, a saída nesses casos é ultrapassar o seu nível de resiliência. Segundo Hamel (2007), o atributo da resiliência tem potencializado as pessoas a serem mais empreendedoras, favorecendo assim um melhor desempenho na competição dos mercados. Inserido nesse contexto, o setor precisa refletir mais sobre sua postura empreendedora e resiliente para atuar nos mercados atuais. Em relação ao aspecto dos líderes escutarem seus colaboradores insatisfeitos, o setor apresentou um percentual de 78,33%. E 75,93% dos colaboradores apontaram que se sentem motivados, alegres e otimistas no ambiente de trabalho. Nesse aspecto, Rodriguez (2005) aponta que o humor é associado à resiliência, e possibilita mudanças de percepção, habilita a visão alternativa da realidade e permite novas linhas de ação. Através da Figura 23, observa-se que a intensidade maior foi registrada em seis empresas, acompanhadas de cinco freqüentes e raras. 7 6 5 4 3 2 1 0 6 5 4 Sempre Frequentemente Raramente 0 0 Não sabe Nunca Fonte: A autora, dados da pesquisa (2008) Figura 23- Intensidade e número de empresas onde se promovem hábitos de se escutar os colaboradores insatisfeitos PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 4 Análise dos dados 99 Para Drucker (2005), os líderes devem chegar mais perto dos colaboradores, ouvindo suas aspirações e escutar o que eles têm a contribuir. Cria-se um clima de comunicação de mais alta eficácia, instalando uma visão empreendedora por toda a empresa. Nesse aspecto, observa-se que o setor ainda está em ritmo gradual de aprendizado, pois fatores que corroboram como comunicação interna, criatividade, dentre outros já analisados anteriormente, ainda se encontram com lacunas a serem fortalecidas para impulsionarem melhor o setor nos mercados competitivos, dinâmicos e flexíveis do mundo globalizado. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 5 Conclusões e Recomendações 100 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 5.1 CONCLUSÕES Esta pesquisa buscou através do referencial teórico abordado, um modelo metodológico pelo qual avaliar o perfil empreendedor em aglomerações produtivas, sendo considerado como campo de pesquisa o Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa-PR. Portanto, utilizou-se as técnicas do empreendedorismo corporativo (intraempreendedorismo), cuja importância na gestão empresarial tem sido evidenciado como fator essencial, pois dinamiza e possibilita mudanças radicais na estrutura das empresas, tornando-as mais competitivas. Primeiramente, como objetivo principal, foi desenvolvida uma metodologia para análise de aglomerações produtivas pelo viés do empreendedorismo, pela qual se mostrou adequada, após pesquisa de campo e aplicação metodológica num setor que, atualmente, representa mais de 50% da produção do País (Brasil) em beneficiamento de aço no segmento de sistemas de armazenagem. Para fornecer um maior suporte a pesquisa, foram desenvolvidos os objetivos específicos dos quais se chegou as seguintes conclusões: 1) Em relação à verificação das condições ambientais para o desenvolvimento do perfil empreendedor sob a ótica dos líderes do setor, segundo a proposta de análise, percebeu-se que: ¾ O desenvolvimento das inovações na aglomeração produtiva é diferenciado, pois as empresas que atuam no segmento de armazenagem e logística são bastante inovadoras e ganham espaço considerável no mercado nacional. Isso, entretanto, não se verifica nas empresas que atuam no segmento de móveis de metal, onde suas inovações se encontram sem muita diferenciação e impacto em termos de produtos, processos e serviços. Este segmento por sua vez é formado pela maioria por empresas de pequeno porte. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 5 Conclusões e Recomendações 101 ¾ A cooperação interempresarial e multilaterial se encontra insuficiente, prejudicando a inovação em rede. A fidelização dos clientes se encontra regular, em virtude de falta de interação mais profícua entre fornecedorempresa-cliente, conjugando assim, uma parceria relevante para o crescimento econômico, financeiro e de marketing no setor. ¾ Quanto à estratégia de mercado, o preço do produto na maioria das empresas de pequeno porte, ainda é a principal vantagem competitiva, gerando como conseqüência, pouca inovação de valor que possibilite equilíbrio entre diferenciação e custo concomitante. ¾ O grau de inserção no mercado externo está bastante incipiente no setor, sendo resultado da não adequação ao uso das normas como padrão de qualidade pela maioria das empresas. ¾ As lideranças precisam atentar também para a qualificação da mão-deobra, através de programas de treinamento conjunto com parceiras nas universidades, centro de pesquisa, consultores, dentre outros, dos quais poderá minimizar o desperdício e retrabalho na produção. Uma melhor qualificação no colaborador fornecerá o desenvolvimento de sua empregabilidade, tornando-o mais produtivo e realizado profissionalmente no ambiente de trabalho. As lideranças precisam potencializar mais seus colaboradores através de comunicação mais dinâmica, envolvendo informações sobre as estratégias de competitividade das empresas, tornando-os sócios no empreendimento. ¾ Quanto à resiliência organizacional em relação aos líderes, demonstrou-se com índices elevados, precisando tão somente atentar para as oportunidades de inserção em programas de desenvolvimento regional para possibilitar maior crescimento sustentável para as empresas de médio e pequeno porte. 2) Quanto à análise das condições ambientais para o desenvolvimento do perfil empreendedor sob a ótica dos colaboradores através da proposta de análise, verificou-se que: PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 5 Conclusões e Recomendações 102 ¾ A motivação se encontra com percentuais acima de 60%, entretanto, foi sinalizado que os colaboradores pontuaram com menor intensidade quando lhes é perguntado sobre a recompensa do desenvolvimento dos seus talentos e crescimento profissional. ¾ Em relação à criatividade, o fator mais incipiente indicado pelos colaboradores foi o desenvolvimento do trabalho em equipe para elaboração de soluções criativas para a melhora dos mais variados problemas das empresas. ¾ Quanto à comunicação interna, percebeu-se que os colaboradores afirmaram através de percentuais acima de 70%, que existe comunicação aberta e de fácil entendimento para eles. Entretanto, falta mais disseminação de informações sobre mudanças, interação com clientes e fornecedores e tecnologia. Isso representa ruído na comunicação interna e falta de mais proficuidade nessa interação. ¾ Os colaboradores se mostraram em níveis satisfatórios com a qualidade de vida no trabalho, pontuando com níveis acima de 70%. Todavia, para as empresas de porte menor precisam de melhores investimentos na questão da climatização e iluminação para um maior desempenho dos colaboradores no ambiente de trabalho. ¾ Quanto à relação entre líderes e liderados, o aspecto mais incipiente foi a questão do incentivo dos líderes aos colaboradores quanto ao aperfeiçoamento deles em centros de aprendizagem. Quanto a condições para que se manifestem o potencial de liderança nos colaboradores, algumas empresas já desenvolvem programas de liderança, devendo, portanto, ser estendido às outras empresas do setor. ¾ A resiliência organizacional dos colaboradores foi demonstrada com altos índices de desempenho, precisando apenas ser potencializada pelas lideranças para que possam extrair o máximo do desenvolvimento dos talentos desses, que atualmente, tem sido o maior ativo empresarial de competitividade. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 5 Conclusões e Recomendações 103 3) Quanto à análise da competitividade do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística pelo viés do empreendedorismo, verificou-se que o setor analisado, conforme metodologia aplicada, apresentou um perfil empreendedor moderado, onde uma empresa já é empreendedora, 10 possui características empreendedoras e 04 não possui essas habilidades. Atributos como resiliência organizacional, qualidade de vida no trabalho e liderança interna, apresentaram os maiores índices, apesar de, conforme revisão de literatura, todos necessitarem de aprimoramentos substanciais. Atributos de pontuações regulares encontradas como: motivação, criatividade, comunicação interna e inovação, também necessitam de ações mais eficientes e eficazes. Por fim, atributos incipientes verificados como cooperação, normalização, interação com fornecedores, foco nos clientes, e principalmente qualificação da mão-de-obra, necessitam de ações estruturantes mais agressivas para que possam se desenvolver com mais competitividade. 4) Quanto à relação entre as condições ambientais para o desenvolvimento do perfil empreendedor do setor com os conceitos de competitividade, verificouse que as empresas que mais cresceram com o aumento de emprego e renda, variando de 200% a 12,5% conforme Tabela 11, foram oito empresas, configurando assim, um acréscimo de 27,31% de emprego no setor. Estas empresas foram as que mais se destacaram com níveis positivos nos atributos de análise da proposta. Isso pode sinalizar que a metodologia se mostrou adequada para avaliar a competitividade de aglomerações através de inserção de técnicas de intraempreendedorismo nas aglomerações produtivas. Percebeu-se que o grande desafio dos empresários consiste em identificar o que está acontecendo no ambiente dos negócios e a importância de novas maneiras de se organizar a produção. As lideranças empresarias precisam interagir-se nas novas abordagens de política regional que vem sendo adotadas em diversas partes do mundo como meio de impulsionar a competitividade em aglomeração produtiva de empresa. Nesse aspecto, é imprescindível a criação e aperfeiçoamento dos recursos de natureza imaterial como o capital humano. Para tanto, as forças de ações intraempreendedoras fazem-se necessárias, pois elas direcionam fortemente na PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 5 Conclusões e Recomendações 104 capacitação das competências essenciais das pessoas nos processos de gestão e produção. A maior competitividade empresarial atualmente se encontra no potencial humano: qualificado; motivado; aberto a mudança; comprometido; criativo; com habilidades de relacionamento interpessoal; visão estratégica, holística e sistêmica; foco em resultados; liderança; proativo; resiliente; dentre outros. E isso engloba a liderança e seus colaboradores no ambiente empresarial. Evidenciou-se também que no perfil empreendedor do setor, apesar de, em termos proporcionais, este ser um dos maiores aglomerados de empresas em beneficiamento de aço no Brasil, com infra-estrutura logística considerada favorável, acesso aos principais centros consumidores do país, próximo ao Porto de Paranaguá e presença no mercado há quase duas décadas para a maioria das empresas; está faltando mais visão holística e sistêmica, dentre outros fatores, por parte das lideranças empresariais. Nos desafios competitivos nos mercados atuais, alcançar a competitividade é formular estratégias concorrências duradouras e sustentáveis. Através da inserção de características intraempreendedoras nos aglomerados produtivos, pode-se auxiliar, modificar ou controlar as fragilidades internas das empresas, impulsionandoas a serem mais dinâmicas, ganhando espaço cada vez maior nos mercados. 5.2 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS a) Discutir mais aprofundadamente a relação líder e colaborador e seus vínculos com a competitividade da empresa; b) Utilizar a metodologia desenvolvida em outros aglomerados produtivos com uma realidade distinta; c) Aprofundar o conceito de empreendedorismo para rede de empresas; d) Ampliar a metodologia para uma proposta de definição de maturidade para aglomerados produtivos. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Capítulo 5 Conclusões e Recomendações PPGEP – Gestão Industrial (2008) 105 Referências 106 REFERÊNCIAS ANSOFF, I. A nova estratégia empresarial. 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O dinamismo da liderança compartilhada em arranjos produtivos locais. ADM 2007. 20° Congresso Internacional de Administração. Anais... Ponta Grossa: Setembro, 2007. 4. MORAES, Simone C, S .; RESENDE, Luis M.; SCANDELARI, L. A força do empreendedorismo através da inovação de valor, liderança compartilhada e valorização dos colaboradores. ADM 2007. 20° sCongresso Internacional de Administração. Anais... Ponta Grossa: Setembro, 2007. 5. MORAES, Simone C, S .; RESENDE, Luis M. Competitividade através da valorização do cliente. IV Encontro Paranaense de Empreendedorismo e Gestão Empresarial. EXPO UT 2007. 6. MORAES, Simone C, S .; SANTOS, Luis A. Produtividade dos colaboradores impulsionada pela liderança centrada em pessoas. IV Encontro Paranaense de Empreendedorismo e Gestão Empresarial. EXPO UT 2007. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Apêndice B 115 APÊNDICE B – ROTEIRO DO FORMULÁRIO APLICADO AOS EMPRESÁRIOS Entrevistado(a) __________________________________________________ Telefone( ) _______________ E-mail ________________________________ Empresa: _______________________________________________________ Cidade__________________ Data __________________________________ CARGO NA EMPRESA: _____________________________________________________ S(sempre) F(frequentemente) R (raramente) NS (não sabe)) N(nunca) BLOCO 1- INOVAÇAO S F R NS N S F R NS N S F R NS N 1- A inovação é vista como algo abrangente dentro da empresa, envolvendo todos os setores? 2- Sua empresa busca as inovações em seus produtos, processos e serviços? 3- Sua empresa procura desenvolver novos produtos a seus clientes? BLOCO 2- RELAÇÕES DE COOPERAÇÃO 4. Sua empresa colabora com outras empresas do mesmo setor no processo produtivo, complementando a sua atividade de inovação? 5. Sua empresa tem parcerias externas tais como: fornecedores, clientes, usuários, consultores, sócios, universidades, centro de pesquisa, agencias de fomento e outras instituições de apoio? BLOCO 3- ESTRATÉGIA DE MERCADO 6. Sua empresa tem uma política de explorar novos mercados além da concorrência ? 7. Quando sua empresa busca diferenciação, simultaneamente a baixos custos? 8. Sua empresa busca ela alinha referência em líderes de mercado para PPGEP – Gestão Industrial (2008) Apêndice B 116 definir suas estratégias? BLOCO 4 – NORMALIZAÇÃO S F R NS N S F R NS N S F R NS N S F R NS N S F R NS N 9. As normas ( ISO 9000-2000 ) como padrão de qualidade estão sendo utilizado na sua empresa? 10. Sua empresa tem estratégia de internacionalização? BLOCO 5- RELAÇÃO COM CLIENTES 11. Os clientes estão percebendo qualidade e inovação nos produtos e serviços? 12. Está havendo fidelização dos clientes? 13. Na sua empresa os preços que os clientes estão dispostos a pagar é que define os custos de produção? BLOCO 6- COMUNICAÇÃO INTERNA 14- Os colaboradores compartilham informações sobre clientes e tecnologia livremente no ambiente da sua empresa? 15- As decisões empresarias são tomadas em ação conjunta com os colaboradores? BLOCO 7- RELAÇÃO COM FORNECEDORES 16. Sua empresa tem parcerias com fornecedores especializados de bens e serviços situados na mesma região? 17. Sua empresa procura gerar consistentemente uma atitude prática de inovação com seus fornecedores, induzindo-os a procurar soluções inovadoras de grande impacto no seu negócio? BLOCO 8- MÃO-DE-OBRA 18. Sua empresa estimula o aperfeiçoamento contínuo da mão-deobra dos colaboradores? 19. Está havendo aumento da qualificação na contratação de mãode-obra ao longo dos anos? PPGEP – Gestão Industrial (2008) Apêndice B 117 BLOCO 9- LIDERANÇA S F R NS N S F R NS N 20. Sua empresa tem proporcionado intercâmbio de informações e idéias entre os colaboradores e centros de aprendizagem? 21. Sua empresa tem criado condições para que se manifeste o potencial de liderança nos seus colaboradores em todos os setores da empresa? 22. Sua empresa busca oportunidades e articula até obter interação relevante com os colaboradores? BLOCO 10- RESILIÊNCIA ORGANIZACIONAL 23. Sua empresa tem a capacidade de transformar o insucesso numa fonte de aprendizagem? 24. Faz parte da empresa escutar os colaboradores insatisfeitos? 25. A cultura da empresa é de não evitar as mudanças? PPGEP – Gestão Industrial (2008) Apêndice B 118 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS COLABORADORES Entrevistado(a) __________________________________________________ Telefone( ) _______________ E-mail ________________________________ Empresa: _______________________________________________________ Cidade__________________ Data __________________________________ Cargo na empresa: _______________________________________________ S(Sempre) F(Frequentemente) R(Raramente) NS( Não sabe) N(Nunca) BLOCO 1- MOTIVAÇÃO S F R NS N S F R NS N S F R NS N 1- A empresa está preocupada em mantê-lo motivado? 2- A empresa conhece suas necessidades e aspirações no seu trabalho? 3- Sua empresa reconhece todos os seus esforços e talentos que você faz para melhorar o desempenho da empresa? 4- Você é treinado para trabalhara melhor? BLOCO 2- COMUNICAÇÃO INTERNA 5- A comunicação na empresa é aberta e de fácil entendimento para vocês? 6- Você tem informações no ambiente da empresa sobre mudanças, clientes e fornecedores? BLOCO 3 – CRIATIVIDADE 7- Você é incentivado a participar com idéias novas, melhorando o desempenho da empresa? 8- As novas idéias propostas por vocês são aceitas? 9- A empresa recompensa a criatividade de vocês para melhorar algum produto ou processo? 10- Em caso de erro e/ ou fracasso na sua idéia para melhorar a inovação na empresa, você continua sendo incentivado? PPGEP – Gestão Industrial (2008) Apêndice B 119 11- Pessoas de diferentes setores em sua empresa se reúnem em grupo para elaborar idéias criativas? BLOCO 4- QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO S F R NS N S F R NS N S F R NS N 12- Está satisfeito com as suas condições de trabalho (jornada, ambiente seguro e saudável)? 13-. Você consegue equilibrar o tempo dedicado ao trabalho com o tempo dedicado ao lazer e a família? 14. Seu trabalho permite o desenvolvimento e o uso de suas capacidades, oferecendo crescimento e segurança? BLOCO 5 - LIDERANÇA NA VISÃO DOS COLABORADORES 15. O seu líder/chefe tem proporcionado troca informações e idéias entre os colaboradores? de 16. O seu líder/chefe procura se relacionar de maneira aberta, escutando o que você tem a dizer? 17. Você é incentivado a tomar atitudes e buscar soluções sem precisar ser mandado? 18. Seu líder/chefe lhe dá oportunidade de desenvolver-se na sua profissão? 19- O seu líder/chefe facilita a sua adaptação a mudanças que ocorrem na empresa? BLOCO 6- RESILIÊNCIA 20- Você gosta e aceita as mudanças na empresa? 21- A sua ansiedade é moderada no ambiente de trabalho? 22- Você se sente motivado, alegre e otimista no ambiente de trabalho? 23- Você apresenta calma diante das situações de dificuldades no trabalho 24 - Você está aberto a novas experiências, ao novo e a criatividade? PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 120 APÊNDICE D – ELABORAÇÃO DO FORMULÁRIO APLICADO AOS LÍDERES CONSTRUÍDO A PARTIR DO REFERENCIAL TEÓRICO DA PESQUISA BLOCO 1 – INOVAÇÃO 1. A inovação é vista como algo abrangente dentro da empresa, envolvendo todos os setores? DORNELAS(2003) aborda que não é mais suficiente um setor comportar todo o contingente de demanda por novidades e melhorias que requer a era do conhecimento. SOUZA(2008) a empresa necessita de criatividade e inovação em todos os centros de resultados para que possa ser competitiva. DRUCKER (2005) a empresa deve adotar diretrizes de inovar os hábitos do empreendimento por toda a empresa. PINCHOT e PELMAN (2004) os colaboradores devem ser dotados de empowerment com maior eficácia quando possuem uma visão clara do futuro e dos rumos da empresa. SEBRAE (2007) a inovação gera barreira para enfrentar a concorrência e estímulo ao consumidor final. DAVID ( 2004) as empresas não devem ser estruturadas burocraticamente e com alto grau de centralização do processo decisório. Isto gera resistência à mudança, influenciando negativamente a iniciativa de independência e inovação. TEICH e CARVALHO (2007) enfatiza que se deve eliminar gradativamente a burocracia e a hierarquização para não obliterar o processo de inovação e mudança nas empresas. 2. Sua empresa busca as inovações em seus produtos, processos e serviços? IBIE (2007) no cenário competitivo dos mercados que estão vivenciando as empresas, não é suficiente oferecer produtos e serviços novos, nem melhores formas de alcançar os clientes. É necessário implantar diversos tipos de inovações para que as mesmas possam se posicionar como verdadeiras empresas empreendedoras. Inovações que envolvam o aumento da qualidade; reduções na duração do ciclo; novos métodos para diminuir impactos ambientes; novas abordagens para reunir e distribuir informações; melhor oferta de serviços internos e novas formas de participação dos colaboradores estão sendo praticadas para melhorar o desempenho da empresa. 3. Sua empresa procura desenvolver novos produtos aos seus clientes? SOUZA (2008) a nova dinâmica competitiva está exigindo que as empresas inovem bastante, devendo criar vantagens competitivas de forma ininterrupta; MAXIMIANO (2006) afirma que a competitividade das empresas tem sido impossibilitada justamente pela carteira de produtos de muitas delas (empresas) serem cópias de diversos concorrentes, ignorando assim, a inovação contínua. BLOCO 2- RELAÇÕES DE COOPERAÇÃO 4. Sua empresa colabora com outras empresas do mesmo setor no processo produtivo, complementando a sua atividade de inovação? MAXIMIANO (2006) salienta que é importante a aliança estratégia entre as empresas, pois impulsiona a entrada em novos mercados. Diminui os riscos de todos os parceiros; gera sinergia e há ganho de custo para todas as empresas. SHIMITZ(1997) enfatiza que as ações conjuntas dos empresários locais é importante no cenário competitivo dos mercados. As empresas devem colaborar umas com as outras, ou de um grupo de empresas colaborando com outro, no formato de associações ou consórcio de empresas. Essas são ações conjuntas, os quais propiciam um ganho de eficiência que uma empresa sozinha raramente é capaz de alcançar. REDESIST (2007) a cooperação entre as empresas concorrentes é primordial, pois as mesmas estão sempre limitadas por algum gargalo técnico ou organizacional que inviabiliza a inovação. Assim, esses entraves podem ser solucionados quando as empresas atuam no sistema de PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 121 cooperação conjunta. Elas precisam estar inseridas na cultura da cooperação, persuadirem-se e se pressionarem umas as outras para obterem vantagens econômicas junto a grupos de referência que estão capacitados a , pois se mantiverem isoladas não conseguirão. CASSAROTO (2001) ressalta que a cooperação entre pequenas empresas é algo tão irreversível como a globalização, sendo a maneira pelas quais essas empresas podem assegurar sua sobrevivência e garantir seu desenvolvimento equilibrado. SEBRAE (2007) a cultura da cooperação é a base de sustentação para os grandes avanços competitivos que vêm sendo desenvolvidos e praticados nas empresas empreendedoras. Entretanto, a cooperação deriva de conceitos humanísticos como solidariedade e confiança em seus pares. STAISACK (2005) as lideranças empresariais e representantes locais devem compartilhar responsabilidades e forças, pois é fundamental para a dinâmica da competitividade. CASSAROTO (2001) a importância da cooperação entre os agentes locais é de extrema importância para o desenvolvimento dos aglomerados produtivos, pois tem sido evidenciado como a característica fundamental para a sua cadeia produtiva. REDESIST (2007) para que o desenvolvimento dos aglomerados produtivos tenha uma competitividade sustentável, na linha de frente dentre as sua conquistas, deve ser inserido o potencial da cooperação. ILHA (2006) o principal elemento para uma aglomeração é a cooperação, pois afeta diretamente a produtividade do setor e o seu potencial de inovação. 5. Sua empresa tem parcerias externas tais como: fornecedores, clientes, usuários, consultores, sócios, universidades, centro de pesquisa, agencias de fomento e outras instituições de apoio? CASSILOATO (2003) salienta que a capacidade de gerar inovações é o fator chave para o sucesso das empresas. E isso é obtido através de intensa interdependência entre diversos atores, produtores e usuários de bens, serviços e tecnologias, sendo facilitada através de ambientes sócio-econômicos comuns. SEBRAE (2007) é a interação entre os diversos atores públicos e privados impulsionando as pequenas e médias empresas através de competências organizacionais e técnicas, viabilizarão a competitividade no mercado das mesmas como se fossem empresas de grande porte. PAGANI (2006) deve haver um relacionamento externo eficiente entre clientes, fornecedores, concorrentes, governo, universidades e institutos de pesquisa, concluindo com uma troca de informações em feiras, encontros, publicações e patentes, etc. MEYER e HARMES apud PAGANI (2006) é fundamental formas de cooperação tais como troca de informações entre empresas e seus fornecedores; entre empresas e associações comerciais, entre empregados das empresas através de associações profissionais em conferências, seminários. Também ações coletivas como compras e vendas conjuntas; consórcio de exportação, stands conjuntos em feiras de negócios e instituições de apoio, promovendo treinamento para os colaboradores das empresas da aglomeração. BLOCO 3- ESTRATÉGIA DE MERCADO 6. Sua empresa atua tem uma política de explorar novos mercados além da concorrência? KIM E MAUGBORGNE (2005) salienta que a produtividade e a qualidade só seriam eficientes se atuarem em mercados inexplorados, englobando diferenciação e custo ao mesmo tempo gerando assim, salto de valor para os clientes. A maior sustentabilidade da empresa é quando ela se desenvolve fora da competição dos mercados saturados em vigor. Nos setores super explorados, a diferenciação das marcas torna-se cada vez mais difícil, nas fases de alta e baixa atividade econômica. Devido a intensificada guerras por preços, surge o encolhimento das margens de lucro, não gerando aumento de riqueza. As empresas precisam oferecer salto de valor para os compradores e para as próprias empresas, que assim desbravaram espaços inexploráveis. SOUZA (2008) Deve-se inovar bastante em vez de imitarem, agilizando velocidade e agilidade nos mercados. Maximiano (2006) enfatiza que muitas empresas têm sua carteira de produtos que são cópias dos diversos concorrentes e isto impossibilita sua competitividade. 7. Quando sua empresa busca diferenciação, ela alinha simultaneamente a baixos custos? PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 122 KIM e MAUGBORGNE (2005) abordam que esse tipo de estratégia gera inovação de valor, pois alinha todo o sistema de atividades da empresa na busca de diferenciação e baixo custo. Aumenta-se o valor para os compradores e as empresas vão além da competição. Gera também riqueza para a economia. 8. Sua empresa busca referência em líderes de mercado para definir suas estratégias? MAXIMIANO (2006) afirma que as empresas não devem se posicionar na estratégia da reação, ou seja, as empresas reagem para ver o que fazem os líderes no mercado, ou é apanhada de surpresa pela inovação dos concorrentes, perdendo assim competitividade. Elas devem procurar formular suas estratégias, olhando para os concorrentes, mas tendo suas próprias estratégias, extrapolando assim as fronteiras setorias de competição. BLOCO 4 – NORMALIZAÇÃO 9. As normas como padrão de qualidade está sendo utilizado na sua empresa? FRANÇA (2007) Porque direciona queda nos custos de produção. É um meio de organizar o mercado interno e um instrumento de inserção no mercado externo. PORTER (2001) salienta que a aglomeração de produtores é capaz de atrair a presença de indústrias correlatas e de apoio à atividade principal. Esses agentes contribuem para o incremento da competitividade dos produtores aglomerados. Entre esses serviços estão na área de normalização e certificação de qualidade. 10. Sua empresa tem uma estratégia de internacionalização? CAMARGO (2007) Eleva a escala de produção, desenvolve relações duradouras com os clientes e impulsiona cada vez mais a produção de produtos diferenciados em face da comoditização acelerada. KRUGMAN (1998), a análise das aglomerações industriais está associada à preocupação primordial sobre os determinantes da participação dos países no comércio internacional. Esse autor incorporou as economias externas ou retornos crescentes de escala, na discussão sobre a configuração no comércio internacional. BLOCO 5- RELAÇÃO COM CLIENTES 11. Os clientes estão percebendo qualidade e inovação nos produtos e serviços? SLACK et al (1997) alerta quem virtude do cliente atual ser muito sofisticado, sensível, volúvel. E em virtude também da comotitização acelerada de produtos e serviços, o cliente precisa perceber qualidade e inovação nos produtos e serviços, para que possa acontecer a fidelização desses consumidores em potencial. PINCHOT e PELLMAN ( 2004) salienta que se deve conhecer bem os clientes e ter sempre projetar novos produtos e serviços. Maximizar as vantagens oferecidas ao cliente e eliminar características irrelevantes que apresentam um custo adicional. Certificar de que a oferta apresenta uma grande vantagem aos olhos do cliente; assim, não precisará cobrar um alto valor para ter um bom retorno sobre o investimento da empresa. SOUZA (2008) deve-se superar as expectativas dos clientes, agregar valor e surpreendê-los com soluções integradas, customizando cada transação para por fim cativá-los. Entender e detectar as particularidades do comportamento do cliente, pode gerar retenção para a empresa. Deve-se promover um relacionamento com o cliente, fazendo disso uma parte essencial da cultura e da missão da empresa, entendendo que não existe apenas um mercado, mas o cliente, cada um específico e único. 12. Está havendo fidelização dos clientes? PINCHOT e PELLMAN (2004) argumentam que se deve avaliar a satisfação do cliente e use-a como medidor para conceder adiantamentos e gratificações. Conversem com os clientes para saber se a idéia no processo de inovação é boa ou ruim, para poder reformulá-la ou aperfeiçoá-la. Assuma a posição de que a aprendizagem com clientes é mais importante do que evitar a revelação de segredos. Coloquem todos os colaboradores de todos os níveis em contato direto com os clientes por algum tempo. É extremamente importante se aproximar do cliente. REIS (2004) aborda que a inovação tecnológica impulsiona a fidelização dos clientes e ainda a capitalização de novos consumidores 13. Na sua empresa os preços que os clientes estão dispostos a pagar é que define os custos PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 123 de produção? SOUZA (2008) na era da competição, os preços é que definem os custos. Ao invés de fazer lucros através de percentual em cima de custos ineficientes de produção, as empresas no momento definem o que podem gastar a partir do preço que seus clientes estão dispostos a pagar pelos seus produtos e serviços. KIM E MAUGBORGNE (2005) deve-se proporcionar um salto de valor aos clientes, aliando utilidade, preço e custo. O cliente precisa perceber a utilidade do produto. Após esta etapa deve-se direcionar para o preço estratégico certo, onde o poder de compra dos clientes é inquestionável com relação à oferta. A utilidade e o preço garantem um salto de valor líquido para o comprador. A terceira etapa corresponde à geração de lucro ao preço estratégico, onde não de deve permitir que o custo determine o preço. É a combinação da utilidade excepcional, precificação, estratégica e custo que impulsiona a empresa a lograr inovação de valor aos clientes. Enfim, o preço tem que ser facilmente acessível para a massa de compradores. BLOCO 6- COMUNICAÇÃO INTERNA 14. Os colaboradores compartilham informações sobre clientes e tecnologia livremente no ambiente da sua empresa? DILTS et al. (2004), à proporção que os colaboradores gerenciam e selecionam novas idéias e implementam, preparam-se para se adaptarem às mudanças aceleradas na tecnologia. GIOVANOMI (2007) orienta a criação de um ambiente favorável à participação, à melhoria, à inovação e a pro-atividade dentro das organizações. PINCHOT e PELMAN (2004) nas empresas mais inovativas e empreendedoras as informações fluem livremente de forma horizontal e vertical, ou seja, os colaboradores compartilham informações com os seus superiores e também entre os colaboradores. 15. As decisões empresarias são tomadas em ação conjunta com os colaboradores? SILVEIRA (2007) quando uma empresa se comunica de maneira favorável com seus profissionais, cria-se um ambiente favorável. O colaborador precisa entender aonde a empresa quer chegar o que quer e qual a sua estratégia. DRUCHER (2005) Quando a direção se chega mais perto dos colaboradores, ouve suas aspirações e escuta o que eles têm a contribuir, aumenta a capacidade de interação entre eles. O colaborador contribui com sua visão sobre o empreendimento, sua maneira de ver as oportunidades de melhoria nos serviços, processos e produtos. Cria um clima de comunicação de mais alta eficácia, instalando assim uma visão empreendedora por toda a empresa. BLOCO 7- RELAÇÃO COM FORNECEDORES 16. Sua empresa procura gerar consistentemente uma atitude prática de inovação com seus fornecedores, induzindo-os a procurar soluções inovadoras de grande impacto no seu negócio? PORTER apud SOUZA e ARICA (2006) o desenvolvimento de processos e produtos tecnológicos mais avançados e inovadores, têm sido considerados como principais pilares para se obter vantagem competitiva nas empresas. Devem-se acelerar o processo de mudança e inovação nas empresas. Para isso, é necessário conhecer e relacionar-se melhor com os fornecedores, pois assim obterão maior performance quanto a quantidade, preço e custo oferecidos aos clientes. SOUZA (2008) as empresas vencedoras serão as inovadoras por excelência. Portanto se relacionar cada vez melhor com os fornecedores é questão de estratégia competitiva de mercados. LASTRES E CASSIOLATO (2003) a competitividade das empresas se dá pela ênfase no aprendizado interativo e na inovação que tem sido considerado como elementos centrais na dinâmica do crescimento das empresas. 17. Sua empresa tem parcerias com fornecedores especializados de bens e serviços situados na mesma região? GARCIA (2006) salienta que isso gera economia externa às empresas, pois provoca redução de custos, e a assistência tanto organizacional quanto tecnológica é aplicada de perto. São inseridas também informações técnicas e de mercado e certificação da qualidade. PORTER (1990; 2001) as empresas que se agrupam em aglomeração de produtores, são capazes PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 124 de atrair à presença de indústrias correlatas e de apoio a atividade principal. Esses fornecedores contribuem para o incremento da competitividade dos produtores aglomerados, por meio do fornecimento de máquinas e equipamentos, matéria-prima, peças e componentes específicos, além da prestação de serviços especializados. Esses serviços podem-se relacionar a provisão de informações técnicas e de mercado, serviços na área de normalização e certificação de qualidade, comercialização do produto em mercados distantes, consolidação de canais de distribuição e outros. BNDS (2004) a característica de vantagem competitiva se verifica com as estreitas cooperações entre os atores públicos e privados e o representante das empresas, entre elas estão os fornecedores. SCHMITZ ( 1997) enfatiza a cultura da cooperação vertical entre as empresas e fornecedores para produzir vantagem mais dinâmica e inovativa nas empresas. BLOCO 8- MÃO-DE-OBRA 18. Sua empresa estimula o aperfeiçoamento contínuo da mão-de-obra dos colaboradores? PINCHOT E PELLMAN (2004) enfatiza que deve haver estímulo para aperfeiçoar os talentos dos colaboradores, caso contrário, poderá perder esses recursos dinamizadores de competitividade para os concorrentes. MAXIMIANO (2006) aborda que o aprimoramento contínuo está sendo perseguido como forma de dinamizar os processos. A concorrência mundial devastou as empresas em todo o mundo. Os padrões de qualidade tornam-se universais, trazendo consigo a preocupação com a qualificação da mão-de- obra e com um melhor aproveitamento dos recursos. GARCIA (2006) a qualificação da mão-de-obra representa diminuição de custos para as empresas. COSTA et al (2006) as empresas que aperfeiçoam a qualificação de seus colaboradores através de treinamentos contínuos reduzem seus custos de desperdícios na produção e serviços. 19. Está havendo aumento de qualificação na contração de mão-de-obra ao longo dos anos? IPEA apud PRADO (2007) o grupo de empresas que mais inova no Brasil teve um aumento de 29% no número de contratações de colaboradores entre 2000 e 2004. As outras empresas registraram um aumento apenas de 19%. Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a disparidade pode estar atrelada a inovação tecnológica em resultar um maior ganho de produtividade, e como conseqüência, abrir novas fontes de trabalho. Também foi salientado que esse tipo de inovação demanda mão-de-obra mais qualificada, impulsiona o desenvolvimento de novos produtos, tornando-se assim como principal fator de competição em muitas indústrias. BLOCO 9- LIDERANÇA 20. Sua empresa tem proporcionado intercâmbio de informações e idéias entre os colaboradores e centros de aprendizagem? SOUZA (2008) o líder deve estimular o senso de urgência de competitividade das empresas, incentivando parcerias e apoiando parcerias. Assim, os líderes serão capazes de potencializar as habilidades e talentos dos colaboradores impulsionando o desenvolvimento de suas competências em centros de aprendizagem. MOELLER (2002) os líderes precisam promover incentivo a aprendizagem dos colaboradores, pois trará como conseqüência mais criatividade e trocas de experiências enriquecedoras aos participantes. CHIAVENATO ( 2005) as empresas precisam ser transformadas em agências de aprendizagem em decorrência dos colaboradores estarem integrados diretamente no desenvolvimento organizacional. FÔNSECA et al (2006) o líder deve ser um ativador de rede, ou seja, um ator com habilidades de relacionamento junto a grupo de referência, dinamizando e o compartilhamento de informações, construindo assim um processo inovador. GARCIA (2001) uma das externalidades econômicas positivas geradas para as empresas que compõem as aglomerações produtivas , seria a possibilidade de transbordamentos de conhecimento, tecnologia e habilidades. Através desse processo, é facilitada a informação, pois PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 125 o conhecimento é circulado de maneira eficiente, através de canais próprios de comunicação e de fontes específicas de informações. Também o fomento para o processo de aprendizado, dadas as maiores facilidades de acesso as informações. 21. Sua empresa tem criado condições para que se manifeste o potencial de liderança nos seus colaboradores em todos os setores da empresa? HOOVER e VALENTI (2006) olhar a liderança como uma responsabilidade de apenas uns poucos escolhidos, é menosprezar o vasto recurso de energia de liderança potencial latente no restante da população organizacional. A liderança tem que ser distribuída e a responsabilidade compartilhada. Tão logo as pessoas em todos os níveis da empresa sejam convidadas para o grande círculo de liderança, quase que instantaneamente as atitudes, desempenho e produtividade aumentam. DRUCKER (2005) liderança não é gerência, mas influência, e nisto está a força de sua atuação. E essa influência é renovadora, pois o líder atua como agente de melhoria contínua, oxigenando-a com inovação e mudança. Os líderes devem renovar a cultura organizacional, dinamizando e impulsionando a competitividade empresarial impulsionando cada vez mais o potencial de liderança nos colaboradores. Sua empresa busca oportunidades e articula até obter interação relevante com os colaboradores? ON (2004) afirma que os líderes devem procurar acionar diferentes tipos de recursos para que o talento dos colaboradores possa ser desenvolvido. Através da transmissão de valor a todos eles, procura compartilhar a sua visão sobre o empreendimento; cria canais como o fomento em feiras de inovações, possibilita o vivenciar empreendedor dos colaboradores; possibilita treinamentos contínuos, supervisiona e aperfeiçoa o clima de inovação para que os colaboradores saibam valorizar as oportunidades de crescerem junto com a empresa. SEN (2002) o líder deve procurar melhores maneiras de liberar o potencial de todos na empresa e também confiar mais em quem está do seu lado. BLOCO 10- RESILIÊNCIA ORGANIZACIONAL 23. Sua empresa tem a capacidade de transformar o insucesso numa fonte de aprendizagem? GROTBERG (2005, p.15) Uma competência e atributo muito essencial para atuar no mercado é a resiliência, cuja definição é “ a capacidade para enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidade”. Para o autor, a conduta resiliente exige se preparar, viver e conseguir aprender com as constantes experiências adversas que se apresentam a cada dia. PADOVANI (2007) é importante que as empresas tolerem riscos e eventuais insucessos, de forma que as intempérias não sejam consideradas perdas, mas aprendizado. CONNER apud MOELLER (2002) os gestores e líderes devem ver a vida como desafiadora, e ao mesmo tempo com muitas oportunidades e possibilidades. Acreditar que existem lições a prender, embora em momentos difícies, crer nas recompensas. Os gestores e liderem precisam possuir uma clara visão do que deseja alcançar. Eles precisam ter foco capaz de orientá-los durante a transição que vier passar a empresa, mesmo ocorrendo quebra significativa nas sua expectativas. Assim poderão estabelecer melhor os propósitos e objetivos da empresa. CONNER apud MOELLER (2002) não deve evitar as mudanças. Avaliar os riscos que estejam envolvidos nas diferentes situações, embora muitas vezes as conseqüências possam ser potencialmente negativas, as pessoas devem extrair lições de experiências, procurando aplicá-las em situações posteriores. CARMELLO apud BISPO (2007) afirma que o aspecto positivo das adversidades é quando elas têm o poder de eliciar nos gestores e colaboradores recursos e inteligências, que se não tivessem experimentado antes , não teriam conhecido competências anteriormente adormecidas. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 126 RODRIGUEZ (2005) quando o humor é associado a resiliência, possibilita mudanças de percepção, habilita a visão alternativa da realidade e permite novas linhas de ação. GALLENDE (2004) salienta que as circunstancias que são adversas produzem condições criativas, enriquecem as possibilidades práticas de atuar sobre a realidade em que vive, transformá-la ou transformar-se. RODRIGUEZ (2005) aborda que a resiliência é a resposta criativa para superação a adversidade. BAXTER (1982) ressalta que a adversidade não deve ser considerada uma ameaça, mas desafio. Isso faz com que não desconsidere a abertura ao novo, à mudança e a criatividade. 24. A cultura da empresa é de não evitar mudanças? DRUCKER (2005) o primeiro exercício da visão empresarial seria o fato de ser receptiva a inovação e estar aberto à mudança como uma oportunidade e não como uma ameaça. MOELLER (2002) a vantagem de uma maior resiliência é o fato de não estar surpreso com alguns acontecimentos da crise diárias das empresas, mas sim, reunir condições internas para exibir uma melhor reação. CONNER apud MOELLER (2002) salienta que o impacto das incertezas em virtude das transformações econômicas e tecnológicas atualmente, devem ser superados através do exercício da resiliência. Sendo assim, absorvem-se mais prontamente as transformações e ao mesmo tempo apresentam menores disfunções causadas por essas alterações, colocando-se na dianteira das mudanças. Os gestores precisam ser flexíveis ao responder a incerteza. Deve desafiar situações e modificar suas próprias suposições e hipóteses. CHIAVENATO (2000) alerta que a resiliência determina o grau de defesa ou vulnerabilidade do sistema às pressões ambientais externas. Quando modelos tradicionais e burocráticos sofrem resistência ao avanço da inovação e da mudança, a saída nesses casos está em esforços para ultrapassar o seu nível de resiliência. HAMEL (2007) para que as empresas possam sobreviver neste mundo de tanta turbulência, somente sendo resilientes poderão encarar as mudanças ocasionadas no cenário de crise. 25. Faz parte de sua empresa escutar os colaboradores insatisfeitos? UCKER (2005) afirma que os líderes devem chegar mais perto dos colaboradores, ouvindo suas aspirações e escutando o que eles tem a contribuir. Cria-se um clima de mais alta eficácia, instalando uma visão empreendedora por toda a empresa. PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 127 APÊNDICE E – ELABORAÇÃO DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS COLABORADORES CONSTRUÍDO A PARTIR DO REFERENCIAL TEÓRICO DA PESQUISA BLOCO 1- MOTIVAÇÂO 1- Sua empresa está preocupada em mantê-los motivados? HUNTER (2006). Manter os colaboradores entusiasmados, querendo agir e dar o melhor de si à sua equipe, influencia e inspira a ação. Para esse autor, conceitos como reconhecimento, elogio, apreciação, oportunidades de crescimento, desafio e satisfação no emprego são verdadeiros estímulos motivadores para a ação no trabalho. SOUZA (2008) a empresa deve motivar os colaboradores oferecendo uma causa, não apenas tarefas. Deve acreditar que as pessoas estão dispostas a oferecer o melhor de si, desde que conheçam a causa, o porquê e a razão do seu cotidiano na empresa. 2- A empresa conhece suas necessidades e aspirações no aspecto do trabalho? CHIAVENATO (2005) Os aspectos motivacionais estão relacionados com o sentimento de crescimento do indivíduo, de reconhecimento profissional e das necessidades de autorealização. Muitas vezes, as tarefas e os cargos têm sido criados só para atender os princípios da economia e da eficiência, esvaziando os aspectos dos desafios e das oportunidades para a criatividade individual. E isso perde o significado psicológico, provocando desmotivação e apatia do colaborador. KATRIN et al (2006) o elemento motivação é o impulsionador para todo o processo criativo. É um suporte potencial para compensar as deficiências de outras competências. WELCH (2007) não se pode jamais de se preocupar com o crescimento profissional dos colaboradores, proporcionando a eles diferentes experiências, submetendo-os a novas atividades e encorajando-os a correr riscos. 3- Sua empresa reconhece todos os seus esforços e talentos que você faz para melhorar o desempenho da empresa? CHIAVENATO (2005) Deve-se apoiar todos os esforços dos colaboradores e esclarecer os objetivos do desempenho. Deve-se fazer os colaboradores compreenderem a confiar que recompensas virão com o alcance do desempenho, e também identificar as necessidades individuais das pessoas e ajustar as recompensas para que se adaptem as necessidades. Os fatores motivacionais estão relacionados com os sentimentos de crescimento do indivíduo, de reconhecimento profissional e das necessidades de auto-realização. 4- Você é treinado para trabalhar melhor? CHIAVENATO (2005) para aumentar a expectância é necessário que as pessoas possam ser treinadas a usar suas habilidades; deve-se apoiar todos os esforços dos colaboradores e esclarecer os objetivos do desempenho. Para aumentar a instrumentalidade, deve-se fazer com que as pessoas compreendam a confiar na recompensa, pois esta virá com o alcance do desempenho, e para aumentar as valências, deve-se procurar as necessidades do individual das pessoas e ajustar as recompensas para que se adaptem as necessidades. LUPPA (2006) deve-se dar uma real chance do colaborador caminhar para o alto, concedendo espaço para eles crescerem tanto no lado pessoal quanto profissional. BLOCO 2- COMUNICAÇÃO INTERNA 5- A comunicação na empresa é aberta e de fácil entendimento para vocês? SILVEIRA (2007) quando uma empresa se comunica de maneira favorável com seus profissionais, cria-se um ambiente favorável. O colaborador precisa entender aonde a PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A 128 empresa quer chegar o que quer e qual a sua estratégia. DRUCKER (2005) Quando a direção se chega mais perto dos colaboradores, ouve suas aspirações e escuta o que eles têm a contribuir, aumenta a capacidade de interação entre eles. O colaborador contribui com sua visão sobre o empreendimento, sua maneira de ver as oportunidades de melhoria nos serviços, processos e produtos. 6- Você tem informações no ambiente da empresa sobre inovação, clientes e fornecedores? DILTS et al. (2004), à proporção que os colaboradores gerenciam e selecionam novas idéias e implementam, preparam-se para se adaptarem às mudanças aceleradas na tecnologia e como melhor atingir clientes. GIOVANOMI (2007) orienta a criação de um ambiente favorável à participação, à melhoria, à inovação e a pro-atividade dentro das organizações. PINCHOT e PELMAN (2004) nas empresas mais inovativas e empreendedoras as informações fluem livremente de forma horizontal e vertical, ou seja, os colaboradores compartilham informações com os seus superiores e também entre os colaboradores. BLOCO 3 – CRIATIVIDADE 7- Você é incentivado a participar com idéias novas, melhorando o desempenho da empresa? QUIN et al. (2003) O pensamento criativo pode ser empregado como uma ferramenta de motivação. Deve-se oferecer um ambiente seguro para o fluxo de idéias dos colaboradores. Esse autor enfatiza que, quando os indivíduos são incentivados em suas idéias e na resolução dos problemas na empresa, é mais provável que se sintam singulares, valorizados e afirmados como profissionais importantes pela organização. SOUZA (2008) Na era do conhecimento, as empresas precisam da criatividade humana em todos os níveis para serem competitivas. Portanto, deve-se criar condições para que se manifestem o potencial criativo em todos os colaboradores, trazendo assim, um desenvolvimento mais dinâmico e eficaz em todos os centros de resultados. PADOVANI (2007) a inovação só acontece a partir de uma ambiente criativo e que atraí competências. 8- As novas idéias propostas por vocês são aceitas? DRUCKER, 2005. Quando a alta direção se chega mais perto dos colaboradores, ouve suas aspirações e escuta o que eles têm a contribuir, aumenta a capacidade de interação entre eles. O colaborador contribui com sua visão sobre o empreendimento, suas maneiras de ver as oportunidades de melhoria nos serviços, processos e produtos. 9- A empresa recompensa a criatividade de vocês para melhorar algum produto ou processo? DRUCKER (2005) ambientes que favoreçam a criatividade, inovação e mudança e que potencializem cada vez mais os talentos dos colaboradores é primordial. Para que as pessoas sejam empreendedoras e criativas, a empresa precisa criar estrutura nas quais as pessoas sejam asseguradas de que suas recompensas e incentivos ensejem o comportamento empreendedor correto. 10- Em caso de erro e/ ou fracasso na sua idéia para melhorar a inovação na empresa, você continua sendo incentivado? WELCH (2007) para entusiasmar os colaboradores a produzir resultados imediatos, faz-se com incentivos e recompensas através de uma atitude contagiante de vitória. Deve-se encorajar a correr riscos calculáveis. PINCHOT e PELLMAN (2004) o segredo para desenvolver produtos econômicos é não evitar erros. Convém cometer erros e aprender rapidamente com eles. Se a empresa se prender a preconceitos com erros,o custo da mudança pode ser alto demais. Um dos maiores erros é não tolerar erros e tirar conclusões precipitadas. 10. Em caso de erro e /ou fracasso na sua idéia para melhorar a inovação na empresa, você continua a ser incentivado? PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A BOM ANGELO (2003) para que a empresa possa participar no ambiente empresarial de concorrência agressiva é necessário implantar uma cultura que promova riscos calculáveis para impulsionar a inovação. PADOVANI (2007) as empresas devem tolerar riscos e eventuais fracassos, pois é necessário em ambientes criativos e inovadores. Deve-se também criar fundos para financiar novos projetos. PINCHOT e PELMAN (2004) a empresa deve valorizar o bom gerenciamento de projetos que envolvam riscos e imprevisibilidade, mesmo quando ocorre tudo diferente do planejado. PINCHOT E PELMAN (2004) a inovação e a aprendizagem encontram espaço na empresa quando os colaboradores testam novas idéias, observa o que ocorre e aprende a partir da experiência. Quando os colaboradores estão testando novas idéias são punidos pelos erros cometidos elas podem deixar de testar ou então os erros são ocultados, o que ocasiona uma falta de aprendizagem organizacional. 111- Pessoas de diferentes setores em sua empresa se reúnem em grupo para elaborar idéias criativas? HOOVER e VALENTI (2006) é importante plantar a noção de tensão criativa nos colaboradores. Os melhores resultados criativos emergem do livre debate que propicia tempestades cerebrais entre mentes contrárias e pensamentos opostos. A qualidade do trabalho será muito melhor. BLOCO 4- QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO As perguntas sobre qualidade de vida no trabalha forma baseados em Walton (1973) e Nahas(2001) 12- Está satisfeito com suas condições de trabalho (jornada, ambiente seguro e saudável)? MAXIMIANO (2006) Quanto maior for o grau de satisfação dos colaboradores, mas alta é a qualidade de vida no trabalho e mais positivo o clima organizacional. Programas sociais devem ser inseridos nas organizações para cumprirem a responsabilidade social. DAVI (2004) a qualidade de vida no trabalho não deve ser somente do ponto de vista técnico, mas também humano. Uma maior motivação dos funcionários, idéias criativas e inovadoras e aumento da produtividade requerem outro desafio: implementar também na organização a qualidade de vida como caminho para a qualidade pessoal. 13- Você consegue equilibrar o tempo dedicado ao trabalho com o tempo dedicado ao lazer e a família? FRIEDMAN et al.(1998), deve haver um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, pois essas instâncias são complementares e não concorrentes em termos de prioridades. Nesse contexto, esses autores a chamam de filosofia “ganha-ganha”. Isso deve repercutir tanto na organização como na vida pessoal dos colaboradores. 14- Seu trabalho permite o desenvolvimento de suas capacidades, oferecendo crescimento e segurança? CHIAVENATO (2005) A gestão do conhecimento e das competências, a criação de universidades corporativas, a transformação das empresas em agências de aprendizagem, são decorrências diretas das pessoas estarem integradas no desenvolvimento organizacional. A produtividade e a satisfação dos colaboradores ocorrem quando crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional são encorajados e apoiados como uma questão de política e prática organizacional. MOELLER (2002) Ambientes que promovam o incentivo a aprendizagem dos colaboradores, trará como conseqüência mais criatividade e trocas de experiências enriquecedoras aos participantes. BLOCO 5 - LIDERANÇA NA VISÃO DOS COLABORADORES 15- O seu líder/chefe tem proporcionado troca de informações e idéias entre os seus colaboradores? SOUZA (2008) o líder deve estimular o senso de urgência de competitividade das empresas, PPGEP – Gestão Industrial (2008) 129 Anexo A Título do Anexo A 130 incentivando parcerias e apoiando parcerias. Assim, os líderes serão capazes de potencializar as habilidades e talentos dos colaboradores. MOELLER (2002) os líderes precisam promover incentivo a aprendizagem dos colaboradores, pois trará como conseqüência mais criatividade e trocas de experiências enriquecedoras aos participantes. CHIAVENATO ( 2005) as empresas precisam ser transformadas em agências de aprendizagem em decorrência dos colaboradores estarem integrados diretamente no desenvolvimento organizacional. 16- O seu líder/chefe procura se relacionar de maneira aberta, escutando o que vc tem a dizer? FONSÊCA et al (2006) o líder deve ser um ativador de rede, ou seja, um ator com habilidades de relacionamento junto a grupo de referência, dinamizando e o compartilhamento de informações, construindo assim um processo inovador. GARCIA (2001) uma das externalidades econômicas positivas geradas para as empresas que compõem as aglomerações produtivas, seria a possibilidade de transbordamentos de conhecimento, tecnologia e habilidades. Através desse processo, é facilitada a informação, pois o conhecimento é circulado de maneira eficiente, através de canais próprios de comunicação e de fontes específicas de informações. Também o fomento para o processo de aprendizado, dadas as maiores facilidades de acesso as informações. 17- Você é incentivado a tomar decisões atitudes e buscar soluções sem precisar ser mandado? HOOVER e VALENTI (2006) olhar a liderança como uma responsabilidade de apenas uns poucos escolhidos, é menosprezar o vasto recurso de energia de liderança potencial latente no restante da população organizacional. A liderança tem que ser distribuída e a responsabilidade compartilhada. Tão logo as pessoas em todos os níveis da empresa sejam convidadas para o grande círculo de liderança, quase que instantaneamente as atitudes, desempenho e produtividade aumentam. O seu líder/chefe dá oportunidade de desenvolver-se na sua profissão? ON (2004) afirma que os líderes devem procurar acionar diferentes tipos de recursos para que o talento dos colaboradores possa ser desenvolvido. Através da transmissão de valor a todos eles, procura compartilhar a sua visão sobre o empreendimento; cria canais como o fomento em feiras de inovações, possibilita o vivenciar empreendedor dos colaboradores; possibilita treinamentos contínuos, supervisiona e aperfeiçoa o clima de inovação para que os colaboradores saibam valorizar as oportunidades de crescerem junto com a empresa. SEN (2002) o líder deve procurar melhores maneiras de liberar o potencial de todos na empresa e também confiar mais em quem está do seu lado. 19- O seu líder/chefe facilita a sua adaptação a mudanças que ocorrem na empresa? MOELLER (2002) a vantagem de uma maior resiliência é o fato de não estar surpreso com alguns acontecimentos da crise diárias das empresas, mas sim, reunir condições internas para exibir uma melhor reação. CONNER apud MOELLER (2002) salienta que o impacto das incertezas em virtude das transformações econômicas e tecnológicas atualmente, deve ser superado através do exercício da resiliência. Sendo assim, absorvem-se mais prontamente as transformações e ao mesmo tempo apresentam menores disfunções causadas por essas alterações, colocando-se na dianteira das mudanças. Os gestores precisam ser flexíveis ao responder a incerteza. Deve desafiar situações e modificar suas próprias suposições e hipóteses. BLOCO 6- RESILIÊNCIA 20- Você gosta e aceita mudanças na empresa? DRUCKER (2005) o primeiro exercício da visão empresarial seria o fato de ser receptiva a inovação e estar aberto à mudança como uma oportunidade e não como uma ameaça. CHIAVENATO (2000) alerta que a resiliência determina o grau de defesa ou vulnerabilidade do sistema às pressões ambientais externas. Quando modelos tradicionais e burocráticos sofrem resistência ao avanço da inovação e da mudança, a saída nesses casos está em PPGEP – Gestão Industrial (2008) Anexo A Título do Anexo A esforços para ultrapassar o seu nível de resiliência. HAMEL (2007) para que as empresas possam sobreviver neste mundo de tanta turbulência,somente sendo resilientes poderão encarar as mudanças ocasionadas no cenário de crise. O atributo da resiliência tem potencializado as pessoas a serem mais empreendedoras,favorecendo uma melhor performance empresarial na competição dos mercados. 21- A sua ansiedade é moderada no ambiente de trabalho? MOELLER (2002), os colaboradores não devem ficar tão surpresos com alguns acontecimentos, mas sim, reunir condições internas para exibir uma melhor reação. O perfil empreendedor dos colaboradores deve ser de tal maneira que sejam orientados para as oportunidades que são oferecidas a cada momento, e não permitirem que sejam orientados pelas vicissitudes que muitas vezes assolam as empresas. É notório que para o seu crescimento, não sejam orientados pelo perigo. Sendo assim, os colaboradores serão motivados e dinâmicos, tornando-os um marco diferencial na conquista dos mercados. ARROBA e JAMES (1988) as pessoas precisam de um nível favorável de pressão para um bom desempenho. Quando o nível de pressão está muito baixo, a organização não consegue canalizar totalmente seus recursos; e no outro extremo, quando a pressão está muito alta, a empresa se torna tensa, o que impede um bom desempenho. 22- Você se sente motivado, alegre e otimista no ambiente de trabalho? CONNER apud MOELLER (2002) salienta que os indivíduos nas empresas precisam administrar melhores suas emoções,colocando-se na dianteira dos desafios, caso contrário, desenvolverão várias disfunções inerentes ao processo das incertezas na conjuntura atual. È importante que as empresas sejam orientadas para as oportunidades que são oferecidas a cada momento e não pelo perigo. BARLACH (2005) a pressão por resultados rápidos, eficientes e com qualidade necessita de pessoas resilientes que tenham: otimismo forte e possibilidade de transcender de posição de vítima das circunstâncias exteriores, extraindo lições práticas da vida e habilidade de improvisar uma determinada solução de um problema, sem ter as ferramentas ou matérias próprias. B ( 2003) associa os aspectos positivos da resiliência com as características da preservação da identidade e da auto-afirmação. Segundo o autor é necessário exercitarem fatores de proteção tais como: autonomia, auto-estima, autodeterminação, respeito, reconhecimento, participação da família e amigos. Isso fortalece as decisões acertadas em momentos de adversidades no ambiente de trabalho. RODRIGUEZ (2005) quando o humor é associado à resiliência, possibilita mudanças de percepção, habilita a visão alternativa da realidade e permite novas linhas de ação. 23- Você apresenta calma diante das situações de dificuldades no trabalho? CONNER apud MOELLER (2002) precisam possuir uma clara visão do que deseja alcançar. Eles precisam ter foco capaz de orientá-los durante a transição que vier passar a empresa, mesmo ocorrendo quebra significativa nas sua expectativas. GROTBERG (2005, p. 15), “ a capacidade para enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidade”. Para o autor, a conduta resiliente exige se preparar, viver e conseguir aprender com as constantes experiências adversas que se apresentam a cada dia. CARMELLO apud BISPO (2007) afirma que o aspecto positivo das adversidades é quando elas têm o poder de eliciar nos colaboradores recursos e inteligências, que se não tivessem experimentado antes , não teriam conhecido competências anteriormente adormecidas. PADOVANI (2007) é importante que as empresas tolerem riscos e eventuais insucessos, de forma que as intempérias não sejam consideradas perdas, mas aprendizado. 24 - Você está aberto a novas experiências, ao novo e a criatividade ? BAXTER (1982) ressalta que a adversidade não deve ser considerada uma ameaça, mas desafio. Isso faz com que não desconsidere a abertura ao novo, à mudança e a criatividade. PPGEP – Gestão Industrial (2008) 131 Anexo A Título do Anexo A CONNER apud MOELLER (2002) não deve evitar as mudanças. Avaliar os riscos que estejam envolvidos nas diferentes situações, embora muitas vezes as conseqüências possam ser potencialmente negativas, as pessoas devem extrair lições de experiências, procurando aplicá-las em situações posteriores. GALLENDE (2004) salienta que as circunstancias que são adversas produzem condições criativas, enriquecem as possibilidades práticas de atuar sobre a realidade em que vive, transformá-la ou transformar-se. RODRIGUEZ (2005) aborda que a resiliência é a resposta criativa para superação a adversidade. PPGEP – Gestão Industrial (2008) 132 Anexo A Título do Anexo A 133 ANEXO A – DOCUMENTO DA UTFPR PARA A APRESENTAÇÃO DA PESQUISADORA ÀS EMPRESAS MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PR UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS PONTA GROSSA Gerência de Pesquisa e Pós-Graduação OF nº 157 /2007-PPGEP Ponta Grossa, 24 de outubro de 2007 ILMO SR. NOME E CARGO ENDEREÇO At. Prezado Senhor Apresentamos a V.Sª a aluna Simone Cristina Silva Moraes, matriculada no Curso de Mestrado em Engenharia de Produção – Gestão da Produção e Manutenção, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Ponta Grossa, que está desenvolvendo a pesquisa com vistas a elaboração de dissertação na área de Rede de Empresas: avaliar a competitividade do Setor de Móveis de Metal e Sistema de Armazenagem e Logística pelo viés do empreendedorismo. A pesquisadora deverá contar com a colaboração dos dirigentes de empresas que atuam na área relacionada à linha de pesquisa em questão para a coleta de informações através de questionários e entrevistas, com a finalidade de processar os dados, analisar, discutir e emitir sugestões para a melhoria do estado da arte das práticas correntes. Dentro desses parâmetros sua empresa foi selecionada para participar dessa pesquisa. Outrossim, declaramos que as informações coletadas serão utilizadas exclusivamente para fins desta pesquisa, ficando de domínio restrito a pesquisadora e seu orientador. A divulgação dessas informações, bem como das conclusões obtidas por meio da análise, darse-á somente mediante prévia autorização dos participantes, preservando assim os interesses das empresas e o respeito a padrões éticos. Ao término da pesquisa, o resultado será disponibilizado para a apreciação e consulta das empresas participantes. No ensejo, aproveitamos para antecipar os sinceros agradecimentos pela atenção que for dispensada à solicitação do pesquisador. Atenciosamente Simone Cristina Silva Moraes Pesquisadora do PPGEP UTFPR – Campus Ponta Grossa e-mail: [email protected] PPGEP – Gestão Industrial (2008) Prof. Kazuo Hatakeyama, PhD Coordenador do PPGEP – [email protected] Prof. Luis Maurício de Resende, Dr Orientador UTFPR – Campus Ponta Grossa e-mail: [email protected]