Adriana Akemi Hiraki Arai Ana Paula Souza de Oliveira Silva REENCANTAR A DOCÊNCIA NAS VEREDAS DA FILOSOFIA Pindamonhangaba – SP 2015 Adriana Akemi Hiraki Arai Ana Paula Souza de Oliveira Silva REENCANTAR A DOCÊNCIA NAS VEREDAS DA FILOSOFIA Artigo apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do Diploma de Licenciatura em Pedagogia pelo Curso de Pedagogia da Faculdade de Pindamonhanagaba. Orientador: Prof. Dr. Alan Ricardo de Sousa Araújo Pindamonhangaba – SP 2015 Arai, Adriana Akemi Hiraki; Silva, Ana Paula Souza de Oliveira Reencantar a docência nas veredas da Filosofia / Adriana Akemi Hiraki Arai; Ana Paula Souza de Oliveira Silva / Pindamonhangaba-SP: FUNVIC Fundação Universitária Vida Cristã, 2015. 31f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Pedagogia) FUNVIC-SP. Orientador: Prof. Dr. Alan Ricardo de Sousa Araújo 1 Relacionamento. 2 Desencantamento. 3 Reencantamento. 4 Educação. 5 Docência I Reencantar a docência nas veredas da Filosofia. II Silva, Ana Paula Souza de Oliveira À Banca Examinadora O artigo em questão será encaminhado à revista Educação e Pesquisa da USP para publicação, portanto esclarecemos à Banca que por se tratar de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) há uma divisão na formatação: no início do trabalho, seguem as normas da Instituição FAPI/FUNVIC e, a partir do sumário, seguem as normas da revista. Agradecemos pela compreensão. Adriana Akemi Hiraki Arai Ana Paula Souza de Oliveira Silva Adriana Akemi Hiraki Arai Ana Paula Souza de Oliveira Silva REENCANTAR A DOCÊNCIA NAS VEREDAS DA FILOSOFIA Artigo apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do Diploma de Licenciatura em Pedagogia pelo Curso de Pedagogia da Faculdade de Pindamonhanagaba. Data: ___________________ Resultado: _______________ BANCA EXAMINADORA Prof.____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba Assinatura__________________________ Prof. ____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba Assinatura__________________________ Prof. ____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba Assinatura__________________________ Dedico este trabalho a DEUS, por seu amor e fidelidade. Sem ELE, não estaria aqui. Ao meu marido Egídio e meus filhos Lucas e Rafael. Sem o apoio e o incentivo deles, isso seria quase impossível! Obrigada por compreenderem a minha presença ausente durante esse período. Adriana Akemi Hiraki Arai Dedico este trabalho ao Autor e Consumador da minha fé: JESUS, socorro sempre presente. Ao meu esposo Fábio e às minhas filhas Milena e Lavínia, meus alicerces, pelo amor, dedicação e compreensão nos momentos de minha ausência. Aos meus pais, Paulo Jainon e Mariana, que cuidaram de minhas filhas enquanto me dedicava aos estudos, sem os quais tudo isto seria impossível. A eles amor e gratidão sem fim. Ana Paula Souza de Oliveira Silva AGRADECIMENTOS Ao nosso Deus. Seu fôlego de vida em nós foi o sustento que nos deu coragem para caminhar questionando realidades e propondo uma nova vereda de possibilidades, Ao nosso orientador professor Doutor Alan Ricardo S. Araújo, pelo suporte no pouco tempo que lhe coube, pelas suas correções e incentivos. Por ter nos levado a dúvida e à busca de novos encantos e novos caminhos e ensinado a termos um pensamento reflexivo e contestador, À Professora e Coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade de Pindamonhangaba, Marina Buselli, pelo apoio e incentivo constante, A todos os professores, em especial: Ângelo Fonseca, Célio Machado, Fernanda Aquino, Hilda Montemór, Kátia Corregiari, Karina Paz, Luiz Haruna, Patrícia Chipolleti e Sandra Costa que nos proporcionaram o conhecimento não apenas racional, mas a manifestação do caráter e afetividade da educação no processo da nossa formação profissional. À Funvic- Fundação Universitária Vida Cristã, pela oportunidade de fazermos o curso em um ambiente amigável proporcionando uma janela da qual hoje vislumbramos um horizonte repleto de ricas possibilidades. À nossa amiga Ana Carolina A. Iwamoto. Sua ajuda e incentivo nos momentos críticos nos fizeram manter o foco. À amiga-irmã Ana Paula, pelo apoio nos momentos difíceis, por fazer parte dessa vitória e por ter me ensinado a “conviver junto”... À amiga-irmã Adriana, pelo carinho e aceitação. oferecemos a Deus. Esta vitória é nossa e juntas “Precisamos recuperar o saboreamento da graça naquilo que fazemos. Revolucionários tristes só podem fazer tristes revoluções. Falei em revolução? Por que não, já que todos os paradigmas entraram em crise?” Hugo Assmann (1998, p. 235) RESUMO A prática docente é um espaço privilegiado que tem sido esquecida por uma sociedade cada vez mais centrada em si mesma. Apesar de este assunto ser amplamente discutido por diversos e renomados autores, ainda cabem diversas discussões, implicações e soluções práticas a serem discutidas e implementadas neste campo. É preciso refletir sobre as razões que desencantaram o mundo e a educação, buscando possíveis caminhos para promover o reencantamento pedagógico. Este artigo visa à compreensão do processo de desencantamento do mundo e da docência, iniciado por volta do século XVI, através da expansão do Iluminismo. As implicações deste desencantamento para a área educacional e possíveis caminhos para o reencantamento do educador é o caminho assumido neste artigo pela via da reflexão pedagógica. Esta reflexão, portanto, deve ser uma constante na prática docente. O reencantamento da prática pedagógica é, pois, o cerne desta pesquisa, que retrata a fragmentação do ser humano, o encantamento capitalista e outros como algumas das possíveis causas de tal desencantamento; o retorno ao sagrado e o reencontro com as questões filosóficas como prováveis caminhos para se reencantar a educação no docente. Por meio de referências teóricas, utilizando-se de pesquisa bibliográfica, conclui-se que o reencantamento da prática pedagógica compreende a alegria, o prazer, o diálogo, a autonomia, o autoconhecimento, a habilidade de escutar e, finalmente, estar atento à fala do outro. Palavras-chave: Relacionamento. Desencantamento. Reencantamento. Educação. Docência. Sumário Introdução ................................................................................................................................. 11 Método ...................................................................................................................................... 12 1 O desencantamento do mundo e da docência ........................................................................ 13 2 Os efeitos do desencantamento para a Educação .................................................................. 14 2.1 O encantamento capitalista ............................................................................................. 15 3 O necessário reencantamento da educação ............................................................................ 16 4 Possíveis caminhos para o reencantamento da Educação ..................................................... 19 4.1 Necessidade do retorno ao sagrado ................................................................................. 20 4.2 A Filosofia como vereda - O retorno às práticas filosóficas ........................................... 21 Conclusão ................................................................................................................................. 24 Referências ............................................................................................................................... 26 Anexo – Normas da Revista Educação e Pesquisa ................................................................... 28 Instruções aos colaboradores .................................................................................................... 28 Diretrizes para a submissão de artigos ..................................................................................... 28 Métodos e estatísticas ............................................................................................................... 30 Avaliação inicial ....................................................................................................................... 30 Processo de Avaliação pelos Pares ........................................................................................... 30 Autoria ...................................................................................................................................... 31 Conflitos de interesse e ética de pesquisa ................................................................................. 31 11 Introdução Este artigo visa encontrar possíveis respostas para se resgatar o reencantamento da docência em sala de aula e reviver a alegria de ensinar. A importância de se trazer à tona os vários motivos que levaram ao desencantamento no labor educativo, especialmente nas salas de aula, e possíveis medidas para o resgate da alegria de ensinar, é a principal motivação desta trajetória reflexiva. É fato que alguns autores têm alertado para o tema, mas há ainda um longo caminho a ser percorrido. A prática docente é um espaço privilegiado que tem sido esquecida por uma sociedade cada vez mais centrada em si mesma. Dessa forma, alguns problemas foram levantados, entre eles: quais as razões que desencantaram o mundo e a educação?; por que este desencantamento afeta profundamente o educador?; e, ainda, o que fazer para promover o reencantamento do mundo, do professor e da educação? Um dos maiores desafios consiste em resgatar no docente a chama do primeiro amor pela educação. Busca-se despertar nele, por meio desta reflexão, respostas criativas aos problemas vivenciados pela experiência diária. Despertar o interesse em conhecer os embasadores filosóficos, revelando as entranhas do cotidiano, nem sempre tão auspiciosas, mas desafiantes, grávidas de ricas possibilidades, de criação, de múltiplas cores, sons, beleza e carente de novos olhares. Tudo isso para além de um cotidiano de negação, cinzento e de estranhamentos. A sala de aula é um ambiente efervescente de acontecimentos, cabe-nos fazer as escolhas certas. Os objetivos deste artigo consistem em refletir sobre as razões que desencantaram o mundo e a educação, entender os efeitos do desencantamento na vida, no educador e na educação e sugerir possíveis caminhos para reencantar a vida, em uma esfera de ação educativa brasileira. Este artigo faz uma revisão literária de alguns autores reconhecidos no assunto. Literatura que mescla pensamentos amadurecidos e assuntos candentes, que serviram de base para a realização de nosso trajeto aqui. O presente artigo tem o seguinte desdobramento: em primeiro lugar, falaremos sobre as possíveis razões para o desencantamento do mundo, da vida e consequentemente da educação; em segundo lugar, levantaremos alguns dos motivos para este desencantamento; finalmente, buscaremos prováveis respostas ou caminhos para promover o reencantamento docente. 12 Método Esta pesquisa foi elaborada a partir de elementos bibliográficos como livros publicados, artigos científicos, monografias e dissertações disponíveis em acervos digitais pertinentes ao tema, tendo por finalidade, contribuir de maneira mais significativa para a reflexão das problemáticas apresentadas. 13 1 O desencantamento do mundo e da docência Para reencantar a docência é preciso primeiro entender como iniciou o processo de desencantamento no ser humano. De acordo com Mello e Donato (2011), por volta do século XVI, houve uma mudança acerca da funcionalidade da ciência e do lugar do indivíduo no mundo, através da ascensão do pensamento filosófico e científico. Mas essa mudança só foi possível através da expansão do Iluminismo, tendo como marco histórico a Revolução Francesa. Esta revelou novos paradigmas como a decadência do pensamento clerical, o racionalismo como propulsor do saber e o indivíduo recolocado como centro do conhecimento universal. Esses paradigmas foram consolidados em um primeiro momento no saber eclesiástico, com a ideia da providência divina e em segundo momento, no saber científico, pela Revolução Francesa. A mudança trazida pela revolução promoveu as potencialidades humanas e a condução do conhecimento tecnológico. O processo da transformação social e a técnica levaram à dissolução dos mitos e a substituição da imaginação pelo saber racional e científico, que se sobrepôs ao conhecimento religioso e ao senso comum. A ciência atingiu as regiões mais profundas da existência humana, que culminou com a perda dos valores eclesiásticos predominantes no pensamento pré-liberal. Enquanto o pensamento clerical visava manter o status quo da Igreja sobre a sociedade, baseada no medo como forma de dominar o imaginário, afirmando a brevidade do fim dos tempos, por sua vez, os filósofos representantes do Iluminismo com o pensamento liberal romperam com essa forma de pensamento pré-Revolução Francesa dominante, colocando o homem no centro do universo, tirando a concepção da providência divina dos acontecimentos históricos, conforme Mello e Donato (2011). Assim, a Igreja perdeu espaço na sociedade como fonte do “saber”, ficando com a incumbência de transmitir a fé. Desse modo, a ciência de destacaria como detentora e promotora da construção dos saberes. O universo perderia seu encanto. Presenciamos o fim das certezas, o declínio das verdades, a crise da racionalidade científica e o fracasso das grandes ideologias. Isso revela que nossas vidas se baseiam em aparências, em espetáculos e até mesmo, em simulacros. (WONSOVICS, 2003, p. 106). O paradigma moderno foi fundamentado em uma espécie de obsessão pela Ciência. Este paradigma estruturou o pensamento intelectual, social e educacional durante sete ou oito décadas do século XX, conforme Doll Junior (1997). Este ainda afirma que a onda do futuro eram as máquinas que ensinavam, aprendizagem programada e um currículo à prova de 14 professor. Tudo isto era o caminho para a salvação social. “A Ciência se expandiu, de uma disciplina ou procedimento, para um dogma, [...] criando o cientismo.” (DOLL JUNIOR, 1997, p. 18). Foi o início de um desencantamento que perdura até os dias de hoje. O ser humano sempre esteve em busca do mistério, do inatingível, do sagrado. Contudo, com o avanço do conhecimento, de uma cultura cada vez mais antropocêntrica e novas tecnologias, todo o encantamento pelo misterioso que estava encoberto foi descortinado, levando a um processo de desencantamento do mundo e consequentemente da educação e do docente. 2 Os efeitos do desencantamento para a Educação Esse desencantamento tem afetado profundamente o educador e a educação, pois o mundo atual revela através da atitude da maioria dos jovens, que encantados pelos anseios de consumo produzidos pela mídia, não procuram mais um sentido para a vida em si, mas buscam realizar-se através da aquisição de bens ou da manutenção de uma aparência estética que é imposta pelos meios de comunicação através das redes sociais, sites, blogs entre outros. Os jovens não mais possuem uma visão de “mudança para um mundo melhor”, de emancipação. Estão vivendo por viver numa sociedade que se importa apenas com os bens de consumo sob o efeito de certa hipnose veiculada pelos meios de comunicação que não mais oferecem produtos e sim satisfação, emoção e prazer, conforme Sung (2012). De acordo com Santo (2001), nossas escolas acabam educando pessoas que não sabem mais que são seres humanos. É impossível educar um jovem numa linha exclusivamente conteudista, que visa prepará-lo para vestibulares e ingresso em melhores escolas. Os jovens podem não se encantar com lutas pela emancipação, mas se encantam ou pelo menos são tentados, pelo consumo de bens apresentados de forma enfeitiçante e fascinante pelas propagandas e pelos estilos de vida veiculados pela mídia. Estilos esses que vêm sempre associados ao consumo de certas mercadorias ou serviços. (SUNG, 2012, p. 100). Estes mesmos jovens são os que, há alguns anos, ocupam as cadeiras universitárias. Ocupam-nas com o objetivo de obter graduação para então realizarem os mais arraigados desejos de consumo, impostos subliminarmente ou não pela mídia, pela família ou através da própria escola. 15 Sung (2012, p. 101) diz que “o desencanto se expressa na perda do sentido próprio do processo educacional, que vai sendo reduzido cada vez mais ao critério econômico-financeiro”. Além disso, Gentili e Alencar ressaltam o fato de muitos terem “acesso à escola não significa que todos tenham acesso ao mesmo tipo de escolarização.” (2001, p. 37). O processo educativo hoje, em qualquer grau ou instância requer a recuperação da sensibilidade perdida como tarefa inadiável. (SANTO, 2001). O desencantamento educacional afeta o docente de maneira singular, conforme observado em Lapo e Bueno (2003, p. 75): Quando a organização do trabalho docente e a qualidade das relações estabelecidas dentro do grupo (incluindo-se aí o resultado obtido como trabalho em sala de aula) não correspondem aos valores e às expectativas do professor, este se vê diante da dificuldade de estabelecer ou manter a totalidade de vínculos necessários ao desempenho de suas atividades no magistério. Assim, pode-se dizer que o abandono é consequência da ausência parcial ou do relaxamento dos vínculos, quando o confronto da realidade vivida com a realidade idealizada não condiz com as expectativas do professor, quando as diferenças entre essas duas realidades não são passíveis de serem conciliadas, impedindo as adaptações necessárias e provocando frustrações e desencantos que levam à rejeição da instituição e/ou da profissão. Portanto, tal desencantamento pode trazer efeitos devastadores para todos que fazem parte do sistema educacional. O aluno perde o sentido da vida e da educação e o docente, vendo-se envolto numa atmosfera de desânimo e perda da esperança acaba por desistir da profissão, desencantando-se até mesmo com a vida. 2.1 O encantamento capitalista O desencanto da vida e o encantamento capitalista continuam a refletir no campo educacional, de acordo com Gentili e Alencar (2001, p. 17). “[...] o campo educacional, como não poderia deixar de ser, sofre também a invasão do desencanto. De uma forma ou de outra, todos parecem concordar que as coisas, dentro da escola, não vão bem”. Cada vez mais a educação é direcionada para o pensamento econômico ou financeiro. Os jovens que querem “formar-se”, o fazem em prol de uma vida econômica que satisfaça seus desejos de consumo e os posicionem em um confortável status social. Isso ocorre devido aos ensinos que são estabelecidos dentro das salas de aula, tanto de escolas particulares, quanto de escolas públicas e das práticas comerciais a que alguns estabelecimentos de ensino se prestam visando dispor um número maior de “clientes”. Sendo assim, como clientes, pais e alunos, estariam sempre com a razão em detrimento das opiniões dos docentes, conforme afirma Sung (2012). 16 Santiago (2003, p. 80), diz que “a escola desenvolve a educação formal devido à exigência da criação de um grupo preparado para exercer determinadas funções.” A escola nem sempre existiu, e sua importância variou na história de acordo com as necessidades socioeconômicas da sociedade da qual fazia parte. A escola perde então o sentido de educar para a vida durante a vida e passa então a tentar satisfazer apenas os anseios dos pais em tornar seus filhos profissionais de sucesso estabelecidos no mercado de trabalho, aptos a realizar os anseios de consumo que um dia farão parte de suas vidas. Ao mesmo tempo, os alunos submetem-se a um ensino propedêutico, preocupado em torná-los apenas ingressantes nas grandes universidades através dos famigerados e temidos vestibulares. O professor, como peça chave, como elo importante da cadeia educativa passa a agir de maneira a atender os anseios deste ciclo vicioso cujo principal objetivo é o de obter, de consumir. No entanto, para que aconteça uma mudança nos modelos vigentes de educação, é necessário um despertamento profundo dos sentimentos de esperança e desejo de mudança que estão adormecidos, para que estes aflorem, quebrando barreiras impostas por anos de comodismo e frustrações. 3 O necessário reencantamento da educação O termo reencantamento tem sido proposto por alguns autores em Educação (ASSMANN, 2007; MORAES; TORRE, 2004; SUNG, 2012) como forma de expressar que durante a caminhada houve algo como um desencanto, uma decepção ou uma tristeza. Perdeuse algo que necessita ser encontrado, resgatado. Esta tendência surge de um movimento anterior e mais amplo em que se buscava o reencantamento da própria natureza e do mundo. Em consonância com este pensamento, Assmann (2007, p. 19) ressalta que é preciso não apenas um novo modelo de educação, mas também de sociedade, uma sociedade aprendente que deve estar em processo de aprendizagem constante “[...] e transformar-se numa imensa rede de ecologias cognitivas.”. Os docentes não devem esperar que as mudanças partam de instâncias superiores. É preciso buscar soluções ao alcance de suas mãos, que mesmo pequenas, serão o início de uma transição em escala maior rumo ao ideal de educação integral do ser humano enraizada em princípios éticos e que caminha para a construção de uma sociedade mais solidária. De acordo com Gadotti (2003, p. 55), “O novo profissional da educação é também um profissional que domina a arte de reencantar, de despertar nas pessoas a capacidade de engajar-se e mudar.” 17 Para que este novo paradigma se consolide, os professores precisam abandonar a mediocridade pedagógica e a inocência política, esforçando-se para reencantar o ato educativo, desafiando a essência pedagógica da qualidade de ensino. (ASSMANN, 2007). Ainda, de acordo com Sung (2012, p. 123), por vivermos ou estarmos em transição para a chamada “sociedade do conhecimento”, a educação está colocada no cerne de questões levantadas, tanto por teóricos liberais quanto por aqueles tidos como críticos. Os primeiros veem a educação como chave para a geração de mais riquezas, enquanto os últimos propõem uma educação de qualidade, um empenho para superar as desigualdades e a exclusão social daqueles que se encontram marginalizados nos países em desenvolvimento. O resgate do reencantamento implica em confrontar o comodismo instalado causando certo desconforto. Porém, esse desconforto pode ser a abertura de novos horizontes para o início de uma tímida mudança, uma reconstrução e inovação. Para Sung (2012, p. 79), “Aprender algo novo e significativo para as nossas vidas pressupõe sempre se defrontar com uma surpresa, o imprevisto, que cria em nós um certo desconforto.” É necessário um pouco de ousadia por parte do docente e certa dose de inconformismo diante da realidade para que as mudanças ocorram de fato. O reencantamento da educação e da vida passa necessariamente por uma resposta consistente da razão vital à razão instrumental. Sendo que a razão instrumental, aquela que coisifica o homem e a natureza, domina de modo significativo o pensar e o agir da humanidade do século XXI, tornando as coisas e os objetos parte da essência humana: o ter em detrimento do ser. Já a razão vital é aquela que valoriza a vida, sua complexidade caracterizando um constante fazimento. Uma educação que prima pela razão vital busca redescobrir o valor do ser humano e a teia complexa de relações do mesmo com a própria natureza e a sociedade. Segundo Alarcão (2005, p. 46), “queremos que os professores sejam seres pensantes, intelectuais, capazes de gerir a sua ação profissional”, e dessa forma, encontrar a ousadia necessária para abrir mão de antigas concepções, mudarem o pensamento de que foi sempre assim e não adianta lutar contra o sistema. É preciso sonhar. Alves (2012, p. 82) pergunta sobre a importância dos sonhos e responde que “todo conhecimento começa no sonho.” Apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas diariamente por docentes brasileiros, como a falta de infraestrutura, os subsalários, a insegurança e outros, “o fato é que, a despeito de todas as coisas ruins e andando na direção contrária, há professores que amam os seus alunos e sentem prazer em ensinar”. (ALVES, 2002, p.77). É preciso começar a ver a educação por outro ponto de vista: 18 [...] A luta pela revalorização e redignificação salarial e profissional dos docentes, adquiriu tal prioridade que muitos já nem se lembram de ancorála também no reencantamento do cerne pedagógico da experiência educacional. [...] Está na hora de fazermos, sem ingenuidades políticas, um esforço para reencantar deveras a educação, porque nisto está em jogo a autovalorização pessoal do professorado, a autoestima de cada pessoa envolvida, além do fato de que, sem encarar o cerne pedagógico da qualidade de ensino, podemos estar sendo coniventes no crime de um apartheid neuronal[...]. (ASSMANN, 2007, p. 23). As necessidades educacionais do ponto de vista econômico e financeiro são de fato gritantes em nosso país e dignas de receberem atenção tanto dos representantes políticos quanto dos profissionais da educação e da sociedade como um todo. Assmann reconhece que além da luta pela revalorização profissional do educador é preciso um retorno ao fascínio do ato pedagógico em si, da ação de auxiliar os alunos na construção de seus conhecimentos em prol de auxiliá-los na concepção integral de si mesmos como cidadãos deste mundo e agentes de transformação de suas próprias vidas e do mundo à sua volta. Se assim não for feito, os educadores poderão estar incorrendo em uma marginalização de seus alunos. Uma educação apaixonante, no sentido filosófico e prático, é relevante para um aprendizado eficaz. Schettini Filho (2011, p. 30) alerta que “o olhar, muitas vezes, dispensa palavras explicativas. É a expressão da alma.”. O olhar, o estar presente por inteiro em sala de aula e o amor demonstrado nas atitudes e no ouvir com o coração podem e fazem enorme diferença. Segundo Assmann (2007, p. 29), “a educação se confronta com a tarefa apaixonante de formar seres humanos para os quais a criatividade e a ternura sejam necessidades vivenciais e elementos que definam sonhos de felicidade individual e social”. Ao docente cabe esse constante desafio de reencantar-se para então reencantar seus alunos e a própria educação. Quando um sonho puder ser sonhado por muitos deixará de ser um sonho e se tornará realidade. Infelizmente, prevalece ainda o grande mal em que muitos professores e escolas estão vivendo sem sentido no que estão fazendo, sem perceberem que o ato educativo está ligado ao viver com sentido e que não se pode educar sem um sonho. “Educar é empoderar, é reencantar, despertar a capacidade de sonhar, despertar a crença de que é possível mudar o mundo.” (GADOTTI, 2003, p. 74). É urgente e necessário ousar sonhar e realizar mudanças nas veredas da educação. 19 4 Possíveis caminhos para o reencantamento da Educação Para reencantar a docência nas veredas da Filosofia, como propõe o tema do trabalho, apresentam-se alguns caminhos pelos quais o professor poderá caminhar: a necessidade do retorno ao Sagrado e o retorno das práticas filosóficas em sala de aula. Severino (2003) revela que o investimento pedagógico-educacional deve ser o de esclarecer as pessoas para que possam transitar, durante toda a sua vida, em busca dos valores positivos de modo a respeitar o valor central: a dignidade da pessoa humana, indivíduo ou comunidade. É importante que o professor possa fundar suas opções em valores positivos para decidir e apoiar suas decisões nesses valores. Quando o docente defronta com as frequentes dificuldades do sistema de ensino e até mesmo das problemáticas cotidianas da sala de aula, muitas vezes vê-se em situações que para ele não haveriam soluções concretas e imediatas. Diante destes fatos, a fé em sua própria formação, no sistema de ensino e até mesmo a esperança de dias melhores parecem esmorecer, desmoronar diante de seus olhos. Exemplificam-se situações corriqueiras que aos olhos de outros profissionais não haveria solução: a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais (NEE) sem a devida infraestrutura ou preparo técnico pedagógico; a falta de materiais fundamentais à execução de boas aulas; a burocracia excessiva do sistema escolar como um todo, etc. Não bastassem estes e outros muitos episódios, a profissão do Pedagogo no Brasil é desvalorizada tanto social, quanto economicamente. Tais fatores estão levando alguns dos profissionais da área da educação ao esgotamento e, por fim, à desistência da carreira educacional, ao desencantamento com a profissão que outrora, era digna de reconhecimento, se não financeiro, ao menos simbólico. (GENTILLI; ALENCAR, 2003). Este desencantamento reflete não apenas no docente ou no sistema do qual atua, mas também nos alunos atingindo a vida como um todo. O professor que não está satisfeito com sua carreira, passa a atender mal aos alunos, que não serão educados adequadamente e consequentemente não poderão obter os valores necessários à construção da cidadania e de uma sociedade mais justa e solidária. Muitas vezes, a sociedade se vê perplexa diante de tantas atrocidades e desigualdades que vêm ocorrendo no Brasil. A situação política, econômica e social do país vive uma crise sem precedentes na história, mas a solução parece estar debaixo dos olhos desta mesma sociedade. Gentilli e Alencar (2003) alertam para o fato da piora progressiva das condições de 20 trabalho docente estar levando ao surgimento de uma nova síndrome conhecida como burnout, ou seja, a síndrome da desistência. O sentido do trabalho educacional vai se perdendo, o desencanto vai se apoderando levando a pensar que qualquer esforço para mudar será inútil. O burnout é ‘uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto e excessivo com os outros seres humanos, particularmente quando estes estão ocupados ou com problemas. O docente se imiscui afetivamente com seus alunos, se desgasta e, em um extremo, desiste não aguenta mais, entra em burnout.’ (CODO, 1998, p. 238 apud GENTILLI; ALENCAR, 2003, p. 19). A síndrome da desistência resume, de forma perversa, no desencantamento escolar. Se as atitudes do professor em sala de aula refletem dali para o mundo, então ali mesmo, poderiam estar as respostas para os questionamentos sobre o que está acontecendo com os valores, com a perda do sentido da própria dignidade humana. Ao professor cabe resgatar esta esperança, devolver o sentido aos ensinamentos, sem esquecer as razões que muitas vezes o desanima, mas devolvendo às ações em sala de aula a esperança, a positividade, o amor ao lecionar e saber que em suas mãos pode estar a chave para a redescoberta de um caminho ou mudanças significativas que levem seus alunos, a geração que fará a sociedade vindoura, se locomoverem para um futuro digno, justo e de solidariedade. “A ideia de que as coisas poderão sofrer uma mudança qualquer, visando a maior igualdade entre os homens, nunca está destituída de sentido”, afirma Santiago (2003, p. 79). Nos capítulos que se seguem, encontram-se alguns pensamentos que autores como Santo, Assmann, Sung e outros fazem sobre esta capacidade que o professor deve ter: a de reencantar a educação em si, refletindo daí para o mundo. 4.1 Necessidade do retorno ao sagrado Devido à fragmentação dos saberes ocorrida no Ocidente em decorrência das ideias dos pensadores iluministas houve também um afastamento das questões religiosas ou espirituais. A preocupação passara à educação conteudista, especializada e coisificante deixando-se de lado a importância da educação da alma. Entretanto, de acordo com Santo (2001, p. 17) “a inserção da espiritualidade no contexto educacional é essencial”. Faz-se necessária então a desfragmentação de tais saberes e um retorno ao sagrado, pois uma educação que se projete sendo integral precisa necessariamente perpassar todas as dimensões humanas e isto inclui a dimensão espiritual. Severino (2003) afirma que “Antropologicamente falando, constata-se que a religiosidade é uma dimensão fundamental da existência dos homens”. Não que este 21 ensinamento venha a substituir a reflexão filosófica, pois a dignidade humana implica no exercício da liberdade que cada pessoa possui de poder escolher sua religião, reitera o autor. Esta pedagogia com o olhar voltado para a espiritualidade não deve limitar-se à mera teoria, mas oferecer uma prática coesa com tal visão abrindo caminho para experiências inovadoras no campo educacional. Tais mudanças devem partir do educador, que não ficará esperando apenas por ações do poder público ou de novos currículos, mas iniciará as ações que levarão à modificação de alguns paradigmas e porque não dizer até mesmo da inserção de novos modelos para uma educação devotada à plenitude da formação humana. (SANTO, 2001). Dessa forma, de acordo com Morais (1997, p. 48) “a retomada do sagrado é a recuperação da essencialidade humana e revivescência das esperanças e utopias que podem mover a humanidade na direção de sua melhoria.” É possível investir na identidade espiritual de cada indivíduo, respeitando suas particularidades. Santo (2001) ressalta que o renascimento do sagrado se trata de uma visão unificada da vida que oportunize os alunos a perceberem o sentido e o significado de suas próprias existências englobando conhecimentos científicos ou espirituais. 4.2 A Filosofia como vereda - O retorno às práticas filosóficas Para reencantar a docência nas veredas da Filosofia, como propõe o tema do trabalho, precisaremos conhecer o caminho pelo qual o professor poderá caminhar. Outra vereda que espera ser trilhada pelo docente é o da redescoberta pela Filosofia. De acordo com Santo (2001), com a abolição da Filosofia dos currículos, as religiões perderam o espírito, resultando no materialismo contemporâneo e todo tipo de violência. Os jovens não sabem que são seres humanos porque isso implica na recuperação do sagrado, do sentido. A Filosofia é uma disciplina edificadora que auxilia nos problemas práticos, situacionais, de acordo com Doll Junior. (1997). A flexibilidade deve fazer parte não apenas do planejamento curricular, mas também do cotidiano escolar: “[...] um dos desafios educacionais do mundo pós-moderno é planejar um currículo que tanto acomode quanto estenda [...]”. (DOLL JUNIOR, 1997, p. 25). O exercício da Filosofia como ferramenta de reflexão pode auxiliar o professor a obter modos mais versáteis de lidar com as mais complexas situações que ocorrem no dia a dia da sala de aula, dificuldades relacionais e das intempéries burocráticas comuns ao sistema educacional brasileiro, que às vezes servem de razão ao desencantamento com a profissão, a educação e os próprios alunos. 22 De acordo com Chauí (2005, p. 25), a Filosofia é uma palavra grega composta de duas outras: philo, que significa “aquele que tem um sentimento amigável”, pois deriva de philia, que significa “amizade e amor fraterno” e sophia, que quer dizer sabedoria. Portanto, Filosofia significa “amizade pela sabedoria” ou “amor e respeito pelo saber”, e é uma atitude que pergunta sobre a essência (o que é?), a significação (como é?), a origem (por que é?) e a finalidade (para que é?) de todas as coisas, dirigindo-se ao pensamento, à linguagem e à ação dos seres humanos. Já Aranha e Martins (1993, p. 72) dizem que o matemático Pitágoras (séc. VI a.C.) usou pela primeira vez a palavra filosofia significando “amor à sabedoria”, observando que a filosofia não é puro logos, pura razão. Ela é a procura amorosa da verdade. A partir do momento em que o docente compreender e resgatar o profundo significado da palavra e tudo o que ela carrega consigo, poderá então, despertar no aluno, por meio de perguntas e problemas vivenciados diariamente, o interesse pela Filosofia, revelando que as questões filosóficas não são tão estranhas nem estão distantes do cotidiano e que a sua visão é de conjunto, relacionando cada aspecto com os outros do contexto em que está inserido. Dessa forma, a Filosofia supera a fragmentação do real, para que o homem seja resgatado na sua integridade e não sucumba à alienação do saber parcelado. Conforme Morais (2003, p. 30): [...] a Filosofia é então, elemento básico de construção de sentido, de articulação cultural do saber. Ora, com tais características, a sua falta na formação dos professores (ainda que não sejam docentes de filosofia) dificilmente permitirá a emergência de profissionais de rica e lúcida visão. Ao caminhar, o professor conseguirá informar, provocar o raciocínio, a reflexão e a crítica, cultivar o interesse pela cultura e o prazer da interrogação, podendo então estabelecer o elo entre as muitas formas do saber e do agir. (ARANHA; MARTINS, 1994). Nessa caminhada, o docente perceberá que a filosofia impede a estagnação e possibilita inúmeras descobertas ao reaprender a ver o que se passa ao redor e no mundo. [...] um caminho nada fácil e que exige boa vontade e ausência de preconceitos; quisera que caminhássemos lado a lado e fôssemos companheiros (do latim: cum pane os que comem do mesmo pão), estando ou não de acordo. Não temos mais tempo para disputas inúteis resultantes de combates entre posições preconceituosas; de que se precisa agora é não cerrar os olhos ante as muitas possibilidades que este tempo nos apresenta, mantendo abertura para apreciação serena do que seja proposto. (MORAIS, 1997, p. 99). 23 Ou seja, deve-se ter a ousadia de nadar contra a correnteza, pois grande parte dos docentes está vivendo em um mundo marcado pelo imediatismo esquecendo-se das coisas simples e belas que encantam a vida. Tudo é para ontem. Morais (1997, p. 138) afirma que “urge abrir nossos corações e atilar nossas inteligências para poder descobrir o sentido de estar vivendo este momento com suas muitas inquietações.” A filosofia exige coragem. “Filosofar não é um exercício puramente intelectual. Descobrir a verdade é ter a coragem de enfrentar as formas estagnadas do poder que tentam manter o status quo, é aceitar o desafio da mudança. Saber para transformar.” (Aranha, Martins, 1994, p. 76). É preciso substituir a pedagogia das certezas e dos saberes pré-fixados por uma pedagogia da pergunta, do melhoramento das perguntas e do acessamento de informações. Em suma, por uma pedagogia da cumplicidade, que saiba trabalhar com conceitos tranversáteis, abertos para a surpresa e para o imprevisto. (ASSMANN, 1998, p.30). Aplicando estes conhecimentos filosóficos em sala de aula, o professor poderá então começar a romper o ciclo vicioso do ensino propedêutico, que visa preparar o aluno apenas para os vestibulares, tratando-os como clientes e passa a envolver-se a si mesmo e ao educando no processo educacional tornando-o vivo, encharcado de novidades e preparado para as eventualidades e surpresas que possam surgir trazendo assim para dentro da escola uma atmosfera de vida, de alegria, do gostar de aprender e ensinar. 24 Conclusão A partir das profundas mudanças ocorridas, do início do século XVI até os dias atuais, nas mais diversas áreas do conhecimento humano através do pensamento iluminista e da expansão da Ciência, acreditou-se ter descoberto a maioria dos mistérios da natureza. Houve uma importante mudança nos paradigmas vigentes a partir desse século. O homem fora fragmentado, tal como a própria Ciência. A visão antropocêntrica dominava o modo de pensar dos filósofos representantes do Iluminismo. Deu-se então o desencantamento do mundo, da vida e por consequência da própria educação. Desde esse momento, as explicações místicas dos acontecimentos naturais deram lugar à Ciência. Esse desencantamento perdura até a contemporaneidade. Os efeitos deste desencantamento refletem profundamente na Educação e no modo como os docentes enfrentam as dificuldades cotidianas do sistema do qual fazem parte. Os próprios educandos, devido às influências da mídia, das falhas educacionais familiares e da escola, vivem uma perda de sentido tanto educacional, quanto da própria vida. O sistema educacional extremamente propedêutico visa apenas à formação do aluno para a participação em vestibulares de renomadas instituições de Ensino Superior. Os alunos tornaram-se clientes das escolas particulares ou são vítimas do assistencialismo exacerbado das escolas públicas. Cabe ao docente recuperar a esperança, despertar o desejo de sonhar e partir para uma verdadeira mudança na vida dos seus alunos e no modo de encarar o dia a dia na escola. Os professores enfrentam muitas dificuldades no sistema de ensino brasileiro: a falta de infraestrutura e preparo, os subsalários e a desvalorização profissional que muitas vezes levamnos à desistência da profissão. Faz-se necessária uma reflexão, ousar sonhar, modificar o modo de agir e relembrar que a partir da Educação podem acontecer as profundas reformas que são necessárias para a criação de uma sociedade mais justa e solidária. Neste trabalho, apresentamos o retorno ao sagrado como possível caminho para se alcançar este sonho de redignificação do ser humano. Retorno este que resgata a essencialidade humana, a identidade espiritual, por vezes esquecida na atualidade. Propõe-se um religamento dos conhecimentos científicos aos conhecimentos espirituais. Outro caminho proposto foi o da redescoberta dos princípios e reflexões filosóficas em sala de aula. A Filosofia é uma importante ferramenta no trabalho de desconfiguração do materialismo vigente na sociedade contemporânea. É o resgate do bem pensar, do bem fazer, de refletir sobre as ações realizadas. Com o auxílio da Filosofia o professor passa a provocar o raciocínio, o interesse pela cultura e o prazer pela interrogação em si mesmo e 25 consequentemente em seus alunos. O professor precisa ter a coragem de ir contra a correnteza da razão instrumental, que coisifica e fragmenta o homem aceitando o desafio de construir um novo ideal rumo à razão vital, que valoriza as coisas boas que fazem parte da essência humana: o amor, a esperança, a perseverança rumo a um mundo melhor. Quando o docente reencantar a si mesmo, surgirão novas possibilidades para o reencantamento de seus alunos e da sociedade a qual todos esperam. 26 REFERÊNCIAS ALARCÃO, I. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2005. ALVES, R. Educação dos sentidos e mais... 9. ed. Campinas, SP: Verus, 2012. _________. Por uma educação romântica. 8. ed. Campinas, SP: Papirus, 2002. ARANHA, M. L. de A., MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. 2. ed. rev. atual. São Paulo: Moderna, 1994. ASSMANN, H. Metáforas novas para reencantar a educação: epistemologia e didática. 2. ed. Piracicaba, SP: Unimep, 1998. _____________. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. 7. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. CHAUI, M. Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2005. DOLL JUNIOR., W. E. Currículo: uma perspectiva pós-moderna. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. GADOTTI, M. Boniteza de um sonho: ensinar e aprender com sentido. Novo Hamburgo, RS: Feevale, 2003. GENTILI, P.; ALENCAR, C. Educar na esperança em tempos de desencanto. Petrópolis, RJ: Vozes: 2003. LAPO, F. R.; BUENO, B. O. 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Uma vez enviados, os trabalhos serão objeto de apreciação prévia pelos integrantes da Comissão Editorial. Em seguida, aqueles que estiverem fora dos critérios editoriais da revista serão devolvidos aos autores, e os demais, encaminhados para a avaliação de pareceristas designados pela Comissão. O prazo para resposta (aceitação ou recusa) varia conforme a complexidade das avaliações e de eventuais modificações sugeridas e realizadas. As datas de recebimento e aprovação de cada colaboração serão informadas no texto publicado. Cabe à Comissão Editorial definir, a cada número da revista, os critérios para reunir os artigos já aprovados. Os trabalhos deverão ser enviados por meio da página da revista no Sistema SciELO de Publicação: http://submission.scielo.br/index.php/ep/login. Diretrizes para a submissão de artigos No ato da submissão de um artigo, a identificação do(s) autor(es) e a filiação institucional serão preenchidas em espaços próprios do Sistema SciELO e não devem constar do corpo do texto, o qual será enviado para avaliação cega dos pares. Tampouco se aceitam quaisquer outras referências que permitam ao avaliador inferir indiretamente a autoria do trabalho. As informações autorais serão registradas à parte, como metadados, e acessadas apenas pelos editores. Na redação do artigo, devem ser observadas as seguintes orientações: • O texto pode ser apresentado em português, espanhol ou inglês, devendo ser enviado em arquivos com extensão .doc, .docx ou .rtf, fonte Times New Roman, tamanho 12 e espaçamento 1,5. Todas as páginas do original devem estar numeradas sequencialmente. O texto deve contar, ainda, com o mínimo de 35.000 e o máximo de 50.000 caracteres, considerados os espaços e excluído o resumo. • O título do artigo deve ter no máximo 15 palavras. O resumo deve conter entre 200 e 250 palavras e explicitar, em caráter informativo e sem enumeração de tópicos, os seguintes itens: tema geral e problema da pesquisa; objetivos e/ou hipóteses; metodologia utilizada; principais resultados e conclusões. Recomenda-se o uso de parágrafo único, voz ativa e na terceira pessoa do singular, frases concisas e afirmativas. Devem-se evitar: neologismos, citações bibliográficas, símbolos e contrações que não sejam de uso corrente, bem como fórmulas, equações, diagramas etc. que não sejam absolutamente necessários. • As palavras-chave devem ser de 3 a 5. • Os agradecimentos (opcionais) devem ser citados junto ao título, mas em nota de rodapé e sem quaisquer referências, diretas ou indiretas, à autoria. • Tabelas, quadros, gráficos e figuras (fotos, desenhos e mapas) devem estar numerados em algarismos arábicos conforme a sequência em que aparecem, sempre referidos no corpo do texto e encabeçados por seu respectivo título. Imediatamente abaixo das figuras devem constar suas respectivas legendas textuais. Os mapas devem conter escalas e legendas gráficas. 29 • As imagens devem figurar em preto e branco, estar digitalizadas eletronicamente em formato JPG com resolução a partir de 300 dpi e ser apresentadas em dimensões que permitam sua ampliação ou redução sem que a legibilidade seja prejudicada. Todas as imagens devem ser enviadas separadamente, em seus arquivos originais. O nome de cada arquivo deve corresponder ao nome da imagem (por exemplo: Gráfíco 1). • Notas de rodapé de caráter explicativo devem ser evitadas, sendo utilizadas apenas quando estritamente necessárias para a compreensão do texto e tendo a extensão máxima de três linhas. As notas devem estar numeradas em algarismos arábicos conforme a sequência em que aparecem no texto. • Citações no corpo do texto devem obedecer aos seguintes critérios: a) Citações textuais de até três linhas devem ser incorporadas ao parágrafo, transcritas entre aspas e acompanhadas pelas seguintes informações entre parênteses: sobrenome do autor da citação, ano da publicação e número de páginas; b) Citações textuais de mais de três linhas devem estar em parágrafo isolado, com recuo de 4 cm na margem esquerda, tamanho 11 e sem aspas; c) Caso não haja citação textual, mas apenas referência ao autor, o sobrenome deste deve ser indicado entre parênteses, em caixa alta, junto com o ano da publicação referida. * As referências bibliográficas devem obedecer à norma técnica NBR6023, de 30/08/2002, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT www.abnt.org.br). Apenas as obras citadas ao longo do texto devem figurar na bibliografia, a qual deve constar, sob o título de Referências, ao final do artigo e em página separada. Exemplos: FERNANDES, Florestan. Apontamentos sobre os problemas da indução na sociologia. São Paulo: FFCL/USP, 1954. FERNANDES, Florestan. Prefácio. In: PEREIRA, Luiz. A escola numa área metropolitana. São Paulo: FFCL/USP, 1960. FERNANDES, Florestan. Sobre o trabalho teórico. Transformação, Assis, n. 2, p. 11, 1975. FERREIRA, Márcia dos Santos. O Centro Regional de Pesquisas Educacionais de São Paulo (1956/1961). Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001. MARTUCCELLI, Danilo. Grand résumé de la société singulariste. SociologieS, Paris, Armand Colin, 2010. Disponível em: <http://www.sociologies.revues.org/index3344.html>. Acesso em: 25 fev. 2011. PAIVA, Vanilda Pereira. Educação popular e educação de adultos. São Paulo: Loyola, 1973. PAIVA, Vanilda Pereira. Paulo Freire e o nacionalismo desenvolvimentista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. PARSONS, Talcott. Uma visão geral. In: PARSONS, Talcott. (Org.) A sociologia americana: perspectivas, problemas, métodos. São Paulo: Cultrix, 1970. p. 366-383. 30 VALLE, Ione Ribeiro. O lugar dos saberes escolares na sociologia brasileira da educação. Currículo sem Fronteiras, v. 8, n. 1, p. 94-108, jan./jun. 2008. VIDAL, Diana Gonçalves (Org.). Na batalha da educação: correspondência entre Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo (1929-1971). Bragança Paulista: EDUSF, 2000. Métodos e estatísticas Quando utilizados, os métodos estatísticos precisam ser descritos com o pormenor necessário para permitir o acesso aos dados originais e a verificação dos resultados apresentados por um leitor versado no assunto; ao mesmo tempo, deve-se evitar linguagem excessivamente técnica e apresentá-los com suficiente clareza de modo a favorecer a compreensão de um leitor não especializado. Tal solicitação aos autores requer providências como: procurar, sempre que possível, quantificar os resultados e apresentá-los com os correspondentes indicadores de erro de medição ou de incerteza (por exemplo, intervalos de confiança); evitar basear-se apenas em testes de inferência estatística, que não veiculam informação quantitativa relevante; discutir a elegibilidade das unidades de experimentação; fornecer informação pormenorizada sobre a aleatorização e sobre as observações; discutir a razoabilidade dos resultados e relatar possíveis limitações do método utilizado; especificar os programas informáticos utilizados; restringir quadros e figuras à quantidade necessária para explicitar a fundamentação do artigo e sua solidez; evitar quadros com muitos tópicos e duplicação de dados; definir termos estatísticos, abreviaturas e símbolos utilizados no artigo. Avaliação inicial O manuscrito passa por uma apreciação preliminar feita pela comissão editorial, após a qual ou será devolvido para o/a autor/a com observações ou enviado diretamente para pareceristas externos/as. O objetivo dessa etapa inicial é avaliar se o manuscrito se enquadra nas diretrizes e escopo de Educação e Pesquisa, e se tem potencial de diálogo com o campo educacional, contribuindo para a construção de conhecimentos dentro deste campo. A partir dessa apreciação a comissão editorial decide se uma avaliação externa integral é justificada. Processo de Avaliação pelos Pares Os artigos recebidos para eventual publicação em Educação e Pesquisa serão previamente avaliados pela Comissão Editorial. Aqueles que estiverem fora dos critérios editoriais da Revista serão devolvidos e os demais encaminhados para a análise de pareceristas, sendo no máximo um deles membro da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, à qual a Revista está subordinada. Os avaliadores consultados terão, no mínimo, o título de doutor e pertencerão a instituições científicas diversas. Os nomes dos autores, dos pareceristas e das instituições a que pertencem permanecerão em sigilo durante todo o processo. A revista publica anualmente os nomes de seu corpo de pareceristas ad hoc. Os aspectos que orientam a avaliação dos originais encaminhados aos pares para a análise são: conteúdo teórico e empírico, domínio da literatura científica, atualidade do tema, contribuição para a área de conhecimento específica, originalidade da abordagem, estrutura do 31 texto e qualidade da redação. Os avaliadores poderão recomendar a aceitação integral do texto, ou a sua recusa, ou ainda sugerir modificações para nova avaliação. A Comissão Editorial poderá submeter as sugestões de reformulações ao autor e o artigo, já reformulado, retornará aos mesmos avaliadores para um parecer final. Autoria Entende-se como autor todo aquele que tenha efetivamente participado da concepção do estudo, do desenvolvimento da parte experimental, da análise e interpretação dos dados e da redação final. Recomenda-se não ultrapassar o número total de quatro autores. Caso a quantidade de autores seja maior do que essa, deve-se informar ao editor responsável o grau de participação de cada um. Em caso de dúvida sobre a compatibilidade entre o número de autores e os resultados apresentados, a Comissão Editorial reserva-se o direito de questionar as participações e de recusar a submissão se assim julgar pertinente. Ao submeter um artigo para publicação em Educação e Pesquisa o autor concorda com os seguintes termos: 1. O autor mantém os direitos sobre o artigo, mas a sua publicação na revista implica, automaticamente, a cessão integral e exclusiva dos direitos autorais para a primeira edição, sem pagamento. 2. As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões da revista. 3. Após a primeira publicação, o autor tem autorização para assumir contratos adicionais, independentes da revista, para a divulgação do trabalho por outros meios (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), desde que feita a citação completa da mesma autoria e da publicação original. 4. O autor de um artigo já publicado tem permissão e é estimulado a distribuir o seu trabalho online, sempre com as devidas citações da primeira edição. Conflitos de interesse e ética de pesquisa Caso a pesquisa desenvolvida ou a publicação do artigo possam gerar dúvidas quanto a potenciais conflitos de interesse, o autor deve declarar em nota final que não foram omitidas quaisquer ligações a órgãos de financiamento, bem como a instituições comerciais ou políticas. Do mesmo modo, deve-se mencionar a instituição à qual o autor eventualmente esteja vinculado, ou que tenha colaborado na execução do estudo, evidenciando não haver quaisquer conflitos de interesse com o resultado ora apresentado. É também necessário informar que as entrevistas e experimentações envolvendo seres humanos obedeceram aos procedimentos éticos estabelecidos para a pesquisa científica. Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros. Os trabalhos deverão ser enviados por meio da página da revista no Sistema SciELO de Publicação: http://submission.scielo.br/index.php/ep/login