Adriana Akemi Hiraki Arai
Ana Paula Souza de Oliveira Silva
REENCANTAR A DOCÊNCIA NAS VEREDAS DA
FILOSOFIA
Pindamonhangaba – SP
2015
Adriana Akemi Hiraki Arai
Ana Paula Souza de Oliveira Silva
REENCANTAR A DOCÊNCIA NAS VEREDAS DA
FILOSOFIA
Artigo apresentado como Trabalho de Conclusão de
Curso para obtenção do Diploma de Licenciatura
em Pedagogia pelo Curso de Pedagogia da
Faculdade de Pindamonhanagaba.
Orientador: Prof. Dr. Alan Ricardo de Sousa
Araújo
Pindamonhangaba – SP
2015
Arai, Adriana Akemi Hiraki; Silva, Ana Paula Souza de Oliveira
Reencantar a docência nas veredas da Filosofia / Adriana Akemi Hiraki Arai;
Ana Paula Souza de Oliveira Silva / Pindamonhangaba-SP: FUNVIC
Fundação Universitária Vida Cristã, 2015.
31f.
Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Pedagogia) FUNVIC-SP.
Orientador: Prof. Dr. Alan Ricardo de Sousa Araújo
1 Relacionamento. 2 Desencantamento. 3 Reencantamento. 4 Educação. 5 Docência
I Reencantar a docência nas veredas da Filosofia. II Silva, Ana Paula Souza de Oliveira
À
Banca Examinadora
O artigo em questão será encaminhado à revista Educação e Pesquisa da USP para publicação,
portanto esclarecemos à Banca que por se tratar de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)
há uma divisão na formatação: no início do trabalho, seguem as normas da Instituição
FAPI/FUNVIC e, a partir do sumário, seguem as normas da revista.
Agradecemos pela compreensão.
Adriana Akemi Hiraki Arai
Ana Paula Souza de Oliveira Silva
Adriana Akemi Hiraki Arai
Ana Paula Souza de Oliveira Silva
REENCANTAR A DOCÊNCIA NAS VEREDAS DA FILOSOFIA
Artigo apresentado como Trabalho de Conclusão de
Curso para obtenção do Diploma de Licenciatura
em Pedagogia pelo Curso de Pedagogia da
Faculdade de Pindamonhanagaba.
Data: ___________________
Resultado: _______________
BANCA EXAMINADORA
Prof.____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura__________________________
Prof. ____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura__________________________
Prof. ____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura__________________________
Dedico este trabalho a DEUS, por seu amor e
fidelidade. Sem ELE, não estaria aqui.
Ao meu marido Egídio e meus filhos Lucas e
Rafael. Sem o apoio e o incentivo deles, isso
seria quase impossível! Obrigada por
compreenderem a minha presença ausente
durante esse período.
Adriana Akemi Hiraki Arai
Dedico este trabalho ao Autor e Consumador da
minha fé: JESUS, socorro sempre presente.
Ao meu esposo Fábio e às minhas filhas Milena
e Lavínia, meus alicerces, pelo amor, dedicação
e compreensão nos momentos de minha
ausência.
Aos meus pais, Paulo Jainon e Mariana, que
cuidaram de minhas filhas enquanto me
dedicava aos estudos, sem os quais tudo isto
seria impossível. A eles amor e gratidão sem
fim.
Ana Paula Souza de Oliveira Silva
AGRADECIMENTOS
Ao nosso Deus. Seu fôlego de vida em nós foi o sustento que nos deu coragem para
caminhar questionando realidades e propondo uma nova vereda de possibilidades,
Ao nosso orientador professor Doutor Alan Ricardo S. Araújo, pelo suporte no pouco
tempo que lhe coube, pelas suas correções e incentivos. Por ter nos levado a dúvida e à busca
de novos encantos e novos caminhos e ensinado a termos um pensamento reflexivo e
contestador,
À Professora e Coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade de
Pindamonhangaba, Marina Buselli, pelo apoio e incentivo constante,
A todos os professores, em especial: Ângelo Fonseca, Célio Machado, Fernanda
Aquino, Hilda Montemór, Kátia Corregiari, Karina Paz, Luiz Haruna, Patrícia Chipolleti e
Sandra Costa que nos proporcionaram o conhecimento não apenas racional, mas a manifestação
do caráter e afetividade da educação no processo da nossa formação profissional.
À Funvic- Fundação Universitária Vida Cristã, pela oportunidade de fazermos o curso
em um ambiente amigável proporcionando uma janela da qual hoje vislumbramos um horizonte
repleto de ricas possibilidades.
À nossa amiga Ana Carolina A. Iwamoto. Sua ajuda e incentivo nos momentos críticos
nos fizeram manter o foco.
À amiga-irmã Ana Paula, pelo apoio nos momentos difíceis, por fazer parte dessa vitória
e por ter me ensinado a “conviver junto”...
À amiga-irmã Adriana, pelo carinho e aceitação.
oferecemos a Deus.
Esta vitória é nossa e juntas
“Precisamos recuperar o saboreamento da graça
naquilo que fazemos. Revolucionários tristes só
podem fazer tristes revoluções. Falei em
revolução? Por que não, já que todos os
paradigmas entraram em crise?”
Hugo Assmann (1998, p. 235)
RESUMO
A prática docente é um espaço privilegiado que tem sido esquecida por uma sociedade cada vez
mais centrada em si mesma. Apesar de este assunto ser amplamente discutido por diversos e
renomados autores, ainda cabem diversas discussões, implicações e soluções práticas a serem
discutidas e implementadas neste campo. É preciso refletir sobre as razões que desencantaram
o mundo e a educação, buscando possíveis caminhos para promover o reencantamento
pedagógico. Este artigo visa à compreensão do processo de desencantamento do mundo e da
docência, iniciado por volta do século XVI, através da expansão do Iluminismo. As implicações
deste desencantamento para a área educacional e possíveis caminhos para o reencantamento do
educador é o caminho assumido neste artigo pela via da reflexão pedagógica. Esta reflexão,
portanto, deve ser uma constante na prática docente. O reencantamento da prática pedagógica
é, pois, o cerne desta pesquisa, que retrata a fragmentação do ser humano, o encantamento
capitalista e outros como algumas das possíveis causas de tal desencantamento; o retorno ao
sagrado e o reencontro com as questões filosóficas como prováveis caminhos para se reencantar
a educação no docente. Por meio de referências teóricas, utilizando-se de pesquisa bibliográfica,
conclui-se que o reencantamento da prática pedagógica compreende a alegria, o prazer, o
diálogo, a autonomia, o autoconhecimento, a habilidade de escutar e, finalmente, estar atento à
fala do outro.
Palavras-chave: Relacionamento. Desencantamento. Reencantamento. Educação. Docência.
Sumário
Introdução ................................................................................................................................. 11
Método ...................................................................................................................................... 12
1 O desencantamento do mundo e da docência ........................................................................ 13
2 Os efeitos do desencantamento para a Educação .................................................................. 14
2.1 O encantamento capitalista ............................................................................................. 15
3 O necessário reencantamento da educação ............................................................................ 16
4 Possíveis caminhos para o reencantamento da Educação ..................................................... 19
4.1 Necessidade do retorno ao sagrado ................................................................................. 20
4.2 A Filosofia como vereda - O retorno às práticas filosóficas ........................................... 21
Conclusão ................................................................................................................................. 24
Referências ............................................................................................................................... 26
Anexo – Normas da Revista Educação e Pesquisa ................................................................... 28
Instruções aos colaboradores .................................................................................................... 28
Diretrizes para a submissão de artigos ..................................................................................... 28
Métodos e estatísticas ............................................................................................................... 30
Avaliação inicial ....................................................................................................................... 30
Processo de Avaliação pelos Pares ........................................................................................... 30
Autoria ...................................................................................................................................... 31
Conflitos de interesse e ética de pesquisa ................................................................................. 31
11
Introdução
Este artigo visa encontrar possíveis respostas para se resgatar o reencantamento da
docência em sala de aula e reviver a alegria de ensinar.
A importância de se trazer à tona os vários motivos que levaram ao desencantamento no
labor educativo, especialmente nas salas de aula, e possíveis medidas para o resgate da alegria
de ensinar, é a principal motivação desta trajetória reflexiva. É fato que alguns autores têm
alertado para o tema, mas há ainda um longo caminho a ser percorrido.
A prática docente é um espaço privilegiado que tem sido esquecida por uma sociedade
cada vez mais centrada em si mesma. Dessa forma, alguns problemas foram levantados, entre
eles: quais as razões que desencantaram o mundo e a educação?; por que este desencantamento
afeta profundamente o educador?; e, ainda, o que fazer para promover o reencantamento do
mundo, do professor e da educação?
Um dos maiores desafios consiste em resgatar no docente a chama do primeiro amor
pela educação. Busca-se despertar nele, por meio desta reflexão, respostas criativas aos
problemas vivenciados pela experiência diária. Despertar o interesse em conhecer os
embasadores filosóficos, revelando as entranhas do cotidiano, nem sempre tão auspiciosas, mas
desafiantes, grávidas de ricas possibilidades, de criação, de múltiplas cores, sons, beleza e
carente de novos olhares. Tudo isso para além de um cotidiano de negação, cinzento e de
estranhamentos.
A sala de aula é um ambiente efervescente de acontecimentos, cabe-nos fazer as
escolhas certas.
Os objetivos deste artigo consistem em refletir sobre as razões que desencantaram o
mundo e a educação, entender os efeitos do desencantamento na vida, no educador e na
educação e sugerir possíveis caminhos para reencantar a vida, em uma esfera de ação educativa
brasileira.
Este artigo faz uma revisão literária de alguns autores reconhecidos no assunto.
Literatura que mescla pensamentos amadurecidos e assuntos candentes, que serviram de base
para a realização de nosso trajeto aqui.
O presente artigo tem o seguinte desdobramento: em primeiro lugar, falaremos sobre as
possíveis razões para o desencantamento do mundo, da vida e consequentemente da educação;
em segundo lugar, levantaremos alguns dos motivos para este desencantamento; finalmente,
buscaremos prováveis respostas ou caminhos para promover o reencantamento docente.
12
Método
Esta pesquisa foi elaborada a partir de elementos bibliográficos como livros publicados, artigos
científicos, monografias e dissertações disponíveis em acervos digitais pertinentes ao tema,
tendo por finalidade, contribuir de maneira mais significativa para a reflexão das problemáticas
apresentadas.
13
1 O desencantamento do mundo e da docência
Para reencantar a docência é preciso primeiro entender como iniciou o processo de
desencantamento no ser humano.
De acordo com Mello e Donato (2011), por volta do século XVI, houve uma mudança
acerca da funcionalidade da ciência e do lugar do indivíduo no mundo, através da ascensão do
pensamento filosófico e científico. Mas essa mudança só foi possível através da expansão do
Iluminismo, tendo como marco histórico a Revolução Francesa. Esta revelou novos paradigmas
como a decadência do pensamento clerical, o racionalismo como propulsor do saber e o
indivíduo recolocado como centro do conhecimento universal.
Esses paradigmas foram consolidados em um primeiro momento no saber eclesiástico,
com a ideia da providência divina e em segundo momento, no saber científico, pela Revolução
Francesa. A mudança trazida pela revolução promoveu as potencialidades humanas e a
condução do conhecimento tecnológico.
O processo da transformação social e a técnica levaram à dissolução dos mitos e a
substituição da imaginação pelo saber racional e científico, que se sobrepôs ao conhecimento
religioso e ao senso comum. A ciência atingiu as regiões mais profundas da existência humana,
que culminou com a perda dos valores eclesiásticos predominantes no pensamento pré-liberal.
Enquanto o pensamento clerical visava manter o status quo da Igreja sobre a sociedade,
baseada no medo como forma de dominar o imaginário, afirmando a brevidade do fim dos
tempos, por sua vez, os filósofos representantes do Iluminismo com o pensamento liberal
romperam com essa forma de pensamento pré-Revolução Francesa dominante, colocando o
homem no centro do universo, tirando a concepção da providência divina dos acontecimentos
históricos, conforme Mello e Donato (2011).
Assim, a Igreja perdeu espaço na sociedade como fonte do “saber”, ficando com a
incumbência de transmitir a fé. Desse modo, a ciência de destacaria como detentora e promotora
da construção dos saberes. O universo perderia seu encanto.
Presenciamos o fim das certezas, o declínio das verdades, a crise da
racionalidade científica e o fracasso das grandes ideologias. Isso revela que
nossas vidas se baseiam em aparências, em espetáculos e até mesmo, em
simulacros. (WONSOVICS, 2003, p. 106).
O paradigma moderno foi fundamentado em uma espécie de obsessão pela Ciência.
Este paradigma estruturou o pensamento intelectual, social e educacional durante sete ou oito
décadas do século XX, conforme Doll Junior (1997). Este ainda afirma que a onda do futuro
eram as máquinas que ensinavam, aprendizagem programada e um currículo à prova de
14
professor. Tudo isto era o caminho para a salvação social. “A Ciência se expandiu, de uma
disciplina ou procedimento, para um dogma, [...] criando o cientismo.” (DOLL JUNIOR, 1997,
p. 18).
Foi o início de um desencantamento que perdura até os dias de hoje. O ser humano
sempre esteve em busca do mistério, do inatingível, do sagrado. Contudo, com o avanço do
conhecimento, de uma cultura cada vez mais antropocêntrica e novas tecnologias, todo o
encantamento pelo misterioso que estava encoberto foi descortinado, levando a um processo de
desencantamento do mundo e consequentemente da educação e do docente.
2 Os efeitos do desencantamento para a Educação
Esse desencantamento tem afetado profundamente o educador e a educação, pois o
mundo atual revela através da atitude da maioria dos jovens, que encantados pelos anseios de
consumo produzidos pela mídia, não procuram mais um sentido para a vida em si, mas buscam
realizar-se através da aquisição de bens ou da manutenção de uma aparência estética que é
imposta pelos meios de comunicação através das redes sociais, sites, blogs entre outros.
Os jovens não mais possuem uma visão de “mudança para um mundo melhor”, de
emancipação. Estão vivendo por viver numa sociedade que se importa apenas com os bens de
consumo sob o efeito de certa hipnose veiculada pelos meios de comunicação que não mais
oferecem produtos e sim satisfação, emoção e prazer, conforme Sung (2012). De acordo com
Santo (2001), nossas escolas acabam educando pessoas que não sabem mais que são seres
humanos. É impossível educar um jovem numa linha exclusivamente conteudista, que visa
prepará-lo para vestibulares e ingresso em melhores escolas.
Os jovens podem não se encantar com lutas pela emancipação, mas se
encantam ou pelo menos são tentados, pelo consumo de bens apresentados de
forma enfeitiçante e fascinante pelas propagandas e pelos estilos de vida
veiculados pela mídia. Estilos esses que vêm sempre associados ao consumo
de certas mercadorias ou serviços. (SUNG, 2012, p. 100).
Estes mesmos jovens são os que, há alguns anos, ocupam as cadeiras universitárias.
Ocupam-nas com o objetivo de obter graduação para então realizarem os mais arraigados
desejos de consumo, impostos subliminarmente ou não pela mídia, pela família ou através da
própria escola.
15
Sung (2012, p. 101) diz que “o desencanto se expressa na perda do sentido próprio do
processo educacional, que vai sendo reduzido cada vez mais ao critério econômico-financeiro”.
Além disso, Gentili e Alencar ressaltam o fato de muitos terem “acesso à escola não significa
que todos tenham acesso ao mesmo tipo de escolarização.” (2001, p. 37). O processo educativo
hoje, em qualquer grau ou instância requer a recuperação da sensibilidade perdida como tarefa
inadiável. (SANTO, 2001).
O desencantamento educacional afeta o docente de maneira singular, conforme
observado em Lapo e Bueno (2003, p. 75):
Quando a organização do trabalho docente e a qualidade das relações
estabelecidas dentro do grupo (incluindo-se aí o resultado obtido como
trabalho em sala de aula) não correspondem aos valores e às expectativas do
professor, este se vê diante da dificuldade de estabelecer ou manter a
totalidade de vínculos necessários ao desempenho de suas atividades no
magistério. Assim, pode-se dizer que o abandono é consequência da ausência
parcial ou do relaxamento dos vínculos, quando o confronto da realidade
vivida com a realidade idealizada não condiz com as expectativas do
professor, quando as diferenças entre essas duas realidades não são passíveis
de serem conciliadas, impedindo as adaptações necessárias e provocando
frustrações e desencantos que levam à rejeição da instituição e/ou da profissão.
Portanto, tal desencantamento pode trazer efeitos devastadores para todos que fazem parte do
sistema educacional. O aluno perde o sentido da vida e da educação e o docente, vendo-se envolto numa
atmosfera de desânimo e perda da esperança acaba por desistir da profissão, desencantando-se até
mesmo com a vida.
2.1 O encantamento capitalista
O desencanto da vida e o encantamento capitalista continuam a refletir no campo
educacional, de acordo com Gentili e Alencar (2001, p. 17). “[...] o campo educacional, como
não poderia deixar de ser, sofre também a invasão do desencanto. De uma forma ou de outra,
todos parecem concordar que as coisas, dentro da escola, não vão bem”. Cada vez mais a
educação é direcionada para o pensamento econômico ou financeiro. Os jovens que querem
“formar-se”, o fazem em prol de uma vida econômica que satisfaça seus desejos de consumo e
os posicionem em um confortável status social. Isso ocorre devido aos ensinos que são
estabelecidos dentro das salas de aula, tanto de escolas particulares, quanto de escolas públicas
e das práticas comerciais a que alguns estabelecimentos de ensino se prestam visando dispor
um número maior de “clientes”. Sendo assim, como clientes, pais e alunos, estariam sempre
com a razão em detrimento das opiniões dos docentes, conforme afirma Sung (2012).
16
Santiago (2003, p. 80), diz que “a escola desenvolve a educação formal devido à
exigência da criação de um grupo preparado para exercer determinadas funções.” A escola nem
sempre existiu, e sua importância variou na história de acordo com as necessidades
socioeconômicas da sociedade da qual fazia parte.
A escola perde então o sentido de educar para a vida durante a vida e passa então a tentar
satisfazer apenas os anseios dos pais em tornar seus filhos profissionais de sucesso
estabelecidos no mercado de trabalho, aptos a realizar os anseios de consumo que um dia farão
parte de suas vidas. Ao mesmo tempo, os alunos submetem-se a um ensino propedêutico,
preocupado em torná-los apenas ingressantes nas grandes universidades através dos
famigerados e temidos vestibulares. O professor, como peça chave, como elo importante da
cadeia educativa passa a agir de maneira a atender os anseios deste ciclo vicioso cujo principal
objetivo é o de obter, de consumir.
No entanto, para que aconteça uma mudança nos modelos vigentes de educação, é
necessário um despertamento profundo dos sentimentos de esperança e desejo de mudança que
estão adormecidos, para que estes aflorem, quebrando barreiras impostas por anos de
comodismo e frustrações.
3 O necessário reencantamento da educação
O termo reencantamento tem sido proposto por alguns autores em Educação
(ASSMANN, 2007; MORAES; TORRE, 2004; SUNG, 2012) como forma de expressar que
durante a caminhada houve algo como um desencanto, uma decepção ou uma tristeza. Perdeuse algo que necessita ser encontrado, resgatado. Esta tendência surge de um movimento anterior
e mais amplo em que se buscava o reencantamento da própria natureza e do mundo.
Em consonância com este pensamento, Assmann (2007, p. 19) ressalta que é preciso
não apenas um novo modelo de educação, mas também de sociedade, uma sociedade
aprendente que deve estar em processo de aprendizagem constante “[...] e transformar-se numa
imensa rede de ecologias cognitivas.”.
Os docentes não devem esperar que as mudanças partam de instâncias superiores. É
preciso buscar soluções ao alcance de suas mãos, que mesmo pequenas, serão o início de uma
transição em escala maior rumo ao ideal de educação integral do ser humano enraizada em
princípios éticos e que caminha para a construção de uma sociedade mais solidária. De acordo
com Gadotti (2003, p. 55), “O novo profissional da educação é também um profissional que
domina a arte de reencantar, de despertar nas pessoas a capacidade de engajar-se e mudar.”
17
Para que este novo paradigma se consolide, os professores precisam abandonar a
mediocridade pedagógica e a inocência política, esforçando-se para reencantar o ato educativo,
desafiando a essência pedagógica da qualidade de ensino. (ASSMANN, 2007).
Ainda, de acordo com Sung (2012, p. 123), por vivermos ou estarmos em transição para
a chamada “sociedade do conhecimento”, a educação está colocada no cerne de questões
levantadas, tanto por teóricos liberais quanto por aqueles tidos como críticos. Os primeiros
veem a educação como chave para a geração de mais riquezas, enquanto os últimos propõem
uma educação de qualidade, um empenho para superar as desigualdades e a exclusão social
daqueles que se encontram marginalizados nos países em desenvolvimento.
O resgate do reencantamento implica em confrontar o comodismo instalado causando
certo desconforto. Porém, esse desconforto pode ser a abertura de novos horizontes para o início
de uma tímida mudança, uma reconstrução e inovação. Para Sung (2012, p. 79), “Aprender algo
novo e significativo para as nossas vidas pressupõe sempre se defrontar com uma surpresa, o
imprevisto, que cria em nós um certo desconforto.”
É necessário um pouco de ousadia por parte do docente e certa dose de inconformismo
diante da realidade para que as mudanças ocorram de fato. O reencantamento da educação e da
vida passa necessariamente por uma resposta consistente da razão vital à razão instrumental.
Sendo que a razão instrumental, aquela que coisifica o homem e a natureza, domina de modo
significativo o pensar e o agir da humanidade do século XXI, tornando as coisas e os objetos
parte da essência humana: o ter em detrimento do ser. Já a razão vital é aquela que valoriza a
vida, sua complexidade caracterizando um constante fazimento.
Uma educação que prima pela razão vital busca redescobrir o valor do ser humano e a
teia complexa de relações do mesmo com a própria natureza e a sociedade.
Segundo Alarcão (2005, p. 46), “queremos que os professores sejam seres pensantes,
intelectuais, capazes de gerir a sua ação profissional”, e dessa forma, encontrar a ousadia
necessária para abrir mão de antigas concepções, mudarem o pensamento de que foi sempre
assim e não adianta lutar contra o sistema. É preciso sonhar.
Alves (2012, p. 82) pergunta sobre a importância dos sonhos e responde que “todo
conhecimento começa no sonho.”
Apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas diariamente por docentes brasileiros,
como a falta de infraestrutura, os subsalários, a insegurança e outros, “o fato é que, a despeito
de todas as coisas ruins e andando na direção contrária, há professores que amam os seus alunos
e sentem prazer em ensinar”. (ALVES, 2002, p.77).
É preciso começar a ver a educação por outro ponto de vista:
18
[...] A luta pela revalorização e redignificação salarial e
profissional
dos docentes, adquiriu tal prioridade que muitos já nem se lembram de ancorála também no reencantamento do cerne pedagógico da experiência
educacional. [...] Está na hora de fazermos, sem ingenuidades políticas, um
esforço para reencantar deveras a educação, porque nisto está em jogo a
autovalorização pessoal do professorado, a autoestima de cada pessoa
envolvida, além do fato de que, sem encarar o cerne pedagógico da qualidade
de ensino, podemos estar sendo coniventes no crime de um apartheid
neuronal[...]. (ASSMANN, 2007, p. 23).
As necessidades educacionais do ponto de vista econômico e financeiro são de fato
gritantes em nosso país e dignas de receberem atenção tanto dos representantes políticos quanto
dos profissionais da educação e da sociedade como um todo. Assmann reconhece que além da
luta pela revalorização profissional do educador é preciso um retorno ao fascínio do ato
pedagógico em si, da ação de auxiliar os alunos na construção de seus conhecimentos em prol
de auxiliá-los na concepção integral de si mesmos como cidadãos deste mundo e agentes de
transformação de suas próprias vidas e do mundo à sua volta. Se assim não for feito, os
educadores poderão estar incorrendo em uma marginalização de seus alunos.
Uma educação apaixonante, no sentido filosófico e prático, é relevante para um
aprendizado eficaz. Schettini Filho (2011, p. 30) alerta que “o olhar, muitas vezes, dispensa
palavras explicativas. É a expressão da alma.”. O olhar, o estar presente por inteiro em sala de
aula e o amor demonstrado nas atitudes e no ouvir com o coração podem e fazem enorme
diferença.
Segundo Assmann (2007, p. 29), “a educação se confronta com a tarefa apaixonante de
formar seres humanos para os quais a criatividade e a ternura sejam necessidades vivenciais e
elementos que definam sonhos de felicidade individual e social”. Ao docente cabe esse
constante desafio de reencantar-se para então reencantar seus alunos e a própria educação.
Quando um sonho puder ser sonhado por muitos deixará de ser um sonho e se tornará
realidade. Infelizmente, prevalece ainda o grande mal em que muitos professores e escolas estão
vivendo sem sentido no que estão fazendo, sem perceberem que o ato educativo está ligado ao
viver com sentido e que não se pode educar sem um sonho. “Educar é empoderar, é reencantar,
despertar a capacidade de sonhar, despertar a crença de que é possível mudar o mundo.”
(GADOTTI, 2003, p. 74).
É urgente e necessário ousar sonhar e realizar mudanças nas veredas da educação.
19
4 Possíveis caminhos para o reencantamento da Educação
Para reencantar a docência nas veredas da Filosofia, como propõe o tema do trabalho,
apresentam-se alguns caminhos pelos quais o professor poderá caminhar: a necessidade do
retorno ao Sagrado e o retorno das práticas filosóficas em sala de aula.
Severino (2003) revela que o investimento pedagógico-educacional deve ser o de
esclarecer as pessoas para que possam transitar, durante toda a sua vida, em busca dos valores
positivos de modo a respeitar o valor central: a dignidade da pessoa humana, indivíduo ou
comunidade. É importante que o professor possa fundar suas opções em valores positivos para
decidir e apoiar suas decisões nesses valores.
Quando o docente defronta com as frequentes dificuldades do sistema de ensino e até
mesmo das problemáticas cotidianas da sala de aula, muitas vezes vê-se em situações que para
ele não haveriam soluções concretas e imediatas. Diante destes fatos, a fé em sua própria
formação, no sistema de ensino e até mesmo a esperança de dias melhores parecem esmorecer,
desmoronar diante de seus olhos.
Exemplificam-se situações corriqueiras que aos olhos de outros profissionais não
haveria solução: a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais (NEE) sem a
devida infraestrutura ou preparo técnico pedagógico; a falta de materiais fundamentais à
execução de boas aulas; a burocracia excessiva do sistema escolar como um todo, etc. Não
bastassem estes e outros muitos episódios, a profissão do Pedagogo no Brasil é desvalorizada
tanto social, quanto economicamente.
Tais fatores estão levando alguns dos profissionais da área da educação ao esgotamento
e, por fim, à desistência da carreira educacional, ao desencantamento com a profissão que
outrora, era digna de reconhecimento, se não financeiro, ao menos simbólico. (GENTILLI;
ALENCAR, 2003).
Este desencantamento reflete não apenas no docente ou no sistema do qual atua, mas
também nos alunos atingindo a vida como um todo. O professor que não está satisfeito com sua
carreira, passa a atender mal aos alunos, que não serão educados adequadamente e
consequentemente não poderão obter os valores necessários à construção da cidadania e de uma
sociedade mais justa e solidária.
Muitas vezes, a sociedade se vê perplexa diante de tantas atrocidades e desigualdades
que vêm ocorrendo no Brasil. A situação política, econômica e social do país vive uma crise
sem precedentes na história, mas a solução parece estar debaixo dos olhos desta mesma
sociedade. Gentilli e Alencar (2003) alertam para o fato da piora progressiva das condições de
20
trabalho docente estar levando ao surgimento de uma nova síndrome conhecida como burnout,
ou seja, a síndrome da desistência. O sentido do trabalho educacional vai se perdendo, o
desencanto vai se apoderando levando a pensar que qualquer esforço para mudar será inútil.
O burnout é ‘uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato
direto e excessivo com os outros seres humanos, particularmente quando estes
estão ocupados ou com problemas. O docente se imiscui afetivamente com
seus alunos, se desgasta e, em um extremo, desiste não aguenta mais, entra em
burnout.’ (CODO, 1998, p. 238 apud GENTILLI; ALENCAR, 2003, p. 19).
A síndrome da desistência resume, de forma perversa, no desencantamento escolar. Se
as atitudes do professor em sala de aula refletem dali para o mundo, então ali mesmo, poderiam
estar as respostas para os questionamentos sobre o que está acontecendo com os valores, com
a perda do sentido da própria dignidade humana. Ao professor cabe resgatar esta esperança,
devolver o sentido aos ensinamentos, sem esquecer as razões que muitas vezes o desanima, mas
devolvendo às ações em sala de aula a esperança, a positividade, o amor ao lecionar e saber que
em suas mãos pode estar a chave para a redescoberta de um caminho ou mudanças significativas
que levem seus alunos, a geração que fará a sociedade vindoura, se locomoverem para um futuro
digno, justo e de solidariedade. “A ideia de que as coisas poderão sofrer uma mudança qualquer,
visando a maior igualdade entre os homens, nunca está destituída de sentido”, afirma Santiago
(2003, p. 79).
Nos capítulos que se seguem, encontram-se alguns pensamentos que autores como
Santo, Assmann, Sung e outros fazem sobre esta capacidade que o professor deve ter: a de
reencantar a educação em si, refletindo daí para o mundo.
4.1 Necessidade do retorno ao sagrado
Devido à fragmentação dos saberes ocorrida no Ocidente em decorrência das ideias dos
pensadores iluministas houve também um afastamento das questões religiosas ou espirituais. A
preocupação passara à educação conteudista, especializada e coisificante deixando-se de lado a
importância da educação da alma. Entretanto, de acordo com Santo (2001, p. 17) “a inserção
da espiritualidade no contexto educacional é essencial”. Faz-se necessária então a
desfragmentação de tais saberes e um retorno ao sagrado, pois uma educação que se projete
sendo integral precisa necessariamente perpassar todas as dimensões humanas e isto inclui a
dimensão espiritual.
Severino (2003) afirma que “Antropologicamente falando, constata-se que a
religiosidade é uma dimensão fundamental da existência dos homens”. Não que este
21
ensinamento venha a substituir a reflexão filosófica, pois a dignidade humana implica no
exercício da liberdade que cada pessoa possui de poder escolher sua religião, reitera o autor.
Esta pedagogia com o olhar voltado para a espiritualidade não deve limitar-se à mera
teoria, mas oferecer uma prática coesa com tal visão abrindo caminho para experiências
inovadoras no campo educacional. Tais mudanças devem partir do educador, que não ficará
esperando apenas por ações do poder público ou de novos currículos, mas iniciará as ações que
levarão à modificação de alguns paradigmas e porque não dizer até mesmo da inserção de novos
modelos para uma educação devotada à plenitude da formação humana. (SANTO, 2001).
Dessa forma, de acordo com Morais (1997, p. 48) “a retomada do sagrado é a
recuperação da essencialidade humana e revivescência das esperanças e utopias que podem
mover a humanidade na direção de sua melhoria.”
É possível investir na identidade espiritual de cada indivíduo, respeitando suas
particularidades. Santo (2001) ressalta que o renascimento do sagrado se trata de uma visão
unificada da vida que oportunize os alunos a perceberem o sentido e o significado de suas
próprias existências englobando conhecimentos científicos ou espirituais.
4.2 A Filosofia como vereda - O retorno às práticas filosóficas
Para reencantar a docência nas veredas da Filosofia, como propõe o tema do trabalho,
precisaremos conhecer o caminho pelo qual o professor poderá caminhar.
Outra vereda que espera ser trilhada pelo docente é o da redescoberta pela Filosofia.
De acordo com Santo (2001), com a abolição da Filosofia dos currículos, as religiões
perderam o espírito, resultando no materialismo contemporâneo e todo tipo de violência. Os
jovens não sabem que são seres humanos porque isso implica na recuperação do sagrado, do
sentido.
A Filosofia é uma disciplina edificadora que auxilia nos problemas práticos,
situacionais, de acordo com Doll Junior. (1997).
A flexibilidade deve fazer parte não apenas do planejamento curricular, mas também do
cotidiano escolar: “[...] um dos desafios educacionais do mundo pós-moderno é planejar um
currículo que tanto acomode quanto estenda [...]”. (DOLL JUNIOR, 1997, p. 25). O exercício
da Filosofia como ferramenta de reflexão pode auxiliar o professor a obter modos mais versáteis
de lidar com as mais complexas situações que ocorrem no dia a dia da sala de aula, dificuldades
relacionais e das intempéries burocráticas comuns ao sistema educacional brasileiro, que às
vezes servem de razão ao desencantamento com a profissão, a educação e os próprios alunos.
22
De acordo com Chauí (2005, p. 25), a Filosofia é uma palavra grega composta de duas
outras: philo, que significa “aquele que tem um sentimento amigável”, pois deriva de philia,
que significa “amizade e amor fraterno” e sophia, que quer dizer sabedoria. Portanto, Filosofia
significa “amizade pela sabedoria” ou “amor e respeito pelo saber”, e é uma atitude que
pergunta sobre a essência (o que é?), a significação (como é?), a origem (por que é?) e a
finalidade (para que é?) de todas as coisas, dirigindo-se ao pensamento, à linguagem e à ação
dos seres humanos.
Já Aranha e Martins (1993, p. 72) dizem que o matemático Pitágoras (séc. VI a.C.) usou
pela primeira vez a palavra filosofia significando “amor à sabedoria”, observando que a filosofia
não é puro logos, pura razão. Ela é a procura amorosa da verdade.
A partir do momento em que o docente compreender e resgatar o profundo significado
da palavra e tudo o que ela carrega consigo, poderá então, despertar no aluno, por meio de
perguntas e problemas vivenciados diariamente, o interesse pela Filosofia, revelando que as
questões filosóficas não são tão estranhas nem estão distantes do cotidiano e que a sua visão é
de conjunto, relacionando cada aspecto com os outros do contexto em que está inserido.
Dessa forma, a Filosofia supera a fragmentação do real, para que o homem seja
resgatado na sua integridade e não sucumba à alienação do saber parcelado. Conforme Morais
(2003, p. 30):
[...] a Filosofia é então, elemento básico de construção de sentido, de
articulação cultural do saber. Ora, com tais características, a sua falta na
formação dos professores (ainda que não sejam docentes de filosofia)
dificilmente permitirá a emergência de profissionais de rica e lúcida visão.
Ao caminhar, o professor conseguirá informar, provocar o raciocínio, a reflexão e a
crítica, cultivar o interesse pela cultura e o prazer da interrogação, podendo então estabelecer o
elo entre as muitas formas do saber e do agir. (ARANHA; MARTINS, 1994).
Nessa caminhada, o docente perceberá que a filosofia impede a estagnação e possibilita
inúmeras descobertas ao reaprender a ver o que se passa ao redor e no mundo.
[...] um caminho nada fácil e que exige boa vontade e ausência de
preconceitos; quisera que caminhássemos lado a lado e fôssemos
companheiros (do latim: cum pane os que comem do mesmo pão), estando ou
não de acordo. Não temos mais tempo para disputas inúteis resultantes de
combates entre posições preconceituosas; de que se precisa agora é não cerrar
os olhos ante as muitas possibilidades que este tempo nos apresenta, mantendo
abertura para apreciação serena do que seja proposto. (MORAIS, 1997, p. 99).
23
Ou seja, deve-se ter a ousadia de nadar contra a correnteza, pois grande parte dos
docentes está vivendo em um mundo marcado pelo imediatismo esquecendo-se das coisas
simples e belas que encantam a vida. Tudo é para ontem. Morais (1997, p. 138) afirma que
“urge abrir nossos corações e atilar nossas inteligências para poder descobrir o sentido de estar
vivendo este momento com suas muitas inquietações.”
A filosofia exige coragem. “Filosofar não é um exercício puramente intelectual.
Descobrir a verdade é ter a coragem de enfrentar as formas estagnadas do poder que tentam
manter o status quo, é aceitar o desafio da mudança. Saber para transformar.” (Aranha, Martins,
1994, p. 76).
É preciso substituir a pedagogia das certezas e dos saberes pré-fixados por
uma pedagogia da pergunta, do melhoramento das perguntas e do acessamento
de informações. Em suma, por uma pedagogia da cumplicidade, que saiba
trabalhar com conceitos tranversáteis, abertos para a surpresa e para o
imprevisto. (ASSMANN, 1998, p.30).
Aplicando estes conhecimentos filosóficos em sala de aula, o professor poderá então
começar a romper o ciclo vicioso do ensino propedêutico, que visa preparar o aluno apenas para
os vestibulares, tratando-os como clientes e passa a envolver-se a si mesmo e ao educando no
processo educacional tornando-o vivo, encharcado de novidades e preparado para as
eventualidades e surpresas que possam surgir trazendo assim para dentro da escola uma
atmosfera de vida, de alegria, do gostar de aprender e ensinar.
24
Conclusão
A partir das profundas mudanças ocorridas, do início do século XVI até os dias atuais,
nas mais diversas áreas do conhecimento humano através do pensamento iluminista e da
expansão da Ciência, acreditou-se ter descoberto a maioria dos mistérios da natureza. Houve
uma importante mudança nos paradigmas vigentes a partir desse século. O homem fora
fragmentado, tal como a própria Ciência. A visão antropocêntrica dominava o modo de pensar
dos filósofos representantes do Iluminismo. Deu-se então o desencantamento do mundo, da
vida e por consequência da própria educação.
Desde esse momento, as explicações místicas dos acontecimentos naturais deram lugar
à Ciência. Esse desencantamento perdura até a contemporaneidade.
Os efeitos deste desencantamento refletem profundamente na Educação e no modo
como os docentes enfrentam as dificuldades cotidianas do sistema do qual fazem parte. Os
próprios educandos, devido às influências da mídia, das falhas educacionais familiares e da
escola, vivem uma perda de sentido tanto educacional, quanto da própria vida. O sistema
educacional extremamente propedêutico visa apenas à formação do aluno para a participação
em vestibulares de renomadas instituições de Ensino Superior. Os alunos tornaram-se clientes
das escolas particulares ou são vítimas do assistencialismo exacerbado das escolas públicas.
Cabe ao docente recuperar a esperança, despertar o desejo de sonhar e partir para uma
verdadeira mudança na vida dos seus alunos e no modo de encarar o dia a dia na escola.
Os professores enfrentam muitas dificuldades no sistema de ensino brasileiro: a falta de
infraestrutura e preparo, os subsalários e a desvalorização profissional que muitas vezes levamnos à desistência da profissão. Faz-se necessária uma reflexão, ousar sonhar, modificar o modo
de agir e relembrar que a partir da Educação podem acontecer as profundas reformas que são
necessárias para a criação de uma sociedade mais justa e solidária.
Neste trabalho, apresentamos o retorno ao sagrado como possível caminho para se
alcançar este sonho de redignificação do ser humano. Retorno este que resgata a essencialidade
humana, a identidade espiritual, por vezes esquecida na atualidade. Propõe-se um religamento
dos conhecimentos científicos aos conhecimentos espirituais.
Outro caminho proposto foi o da redescoberta dos princípios e reflexões filosóficas em
sala de aula. A Filosofia é uma importante ferramenta no trabalho de desconfiguração do
materialismo vigente na sociedade contemporânea. É o resgate do bem pensar, do bem fazer,
de refletir sobre as ações realizadas. Com o auxílio da Filosofia o professor passa a provocar o
raciocínio, o interesse pela cultura e o prazer pela interrogação em si mesmo e
25
consequentemente em seus alunos. O professor precisa ter a coragem de ir contra a correnteza
da razão instrumental, que coisifica e fragmenta o homem aceitando o desafio de construir um
novo ideal rumo à razão vital, que valoriza as coisas boas que fazem parte da essência humana:
o amor, a esperança, a perseverança rumo a um mundo melhor. Quando o docente reencantar a
si mesmo, surgirão novas possibilidades para o reencantamento de seus alunos e da sociedade
a qual todos esperam.
26
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ANEXO – Normas da Revista Educação e Pesquisa
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29
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c) Caso não haja citação textual, mas apenas referência ao autor, o sobrenome deste deve ser
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* As referências bibliográficas devem obedecer à norma técnica NBR6023, de 30/08/2002, da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT www.abnt.org.br). Apenas as obras citadas
ao longo do texto devem figurar na bibliografia, a qual deve constar, sob o título de Referências,
ao final do artigo e em página separada.
Exemplos:
FERNANDES, Florestan. Apontamentos sobre os problemas da indução na sociologia. São
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MARTUCCELLI, Danilo. Grand résumé de la société singulariste. SociologieS, Paris,
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VIDAL, Diana Gonçalves (Org.). Na batalha da educação: correspondência entre Anísio
Teixeira e Fernando de Azevedo (1929-1971). Bragança Paulista: EDUSF, 2000.
Métodos e estatísticas
Quando utilizados, os métodos estatísticos precisam ser descritos com o pormenor
necessário para permitir o acesso aos dados originais e a verificação dos resultados apresentados
por um leitor versado no assunto; ao mesmo tempo, deve-se evitar linguagem excessivamente
técnica e apresentá-los com suficiente clareza de modo a favorecer a compreensão de um leitor
não especializado. Tal solicitação aos autores requer providências como: procurar, sempre que
possível, quantificar os resultados e apresentá-los com os correspondentes indicadores de erro
de medição ou de incerteza (por exemplo, intervalos de confiança); evitar basear-se apenas em
testes de inferência estatística, que não veiculam informação quantitativa relevante; discutir a
elegibilidade das unidades de experimentação; fornecer informação pormenorizada sobre a
aleatorização e sobre as observações; discutir a razoabilidade dos resultados e relatar possíveis
limitações do método utilizado; especificar os programas informáticos utilizados; restringir
quadros e figuras à quantidade necessária para explicitar a fundamentação do artigo e sua
solidez; evitar quadros com muitos tópicos e duplicação de dados; definir termos estatísticos,
abreviaturas e símbolos utilizados no artigo.
Avaliação inicial
O manuscrito passa por uma apreciação preliminar feita pela comissão editorial, após a
qual ou será devolvido para o/a autor/a com observações ou enviado diretamente para
pareceristas externos/as. O objetivo dessa etapa inicial é avaliar se o manuscrito se enquadra
nas diretrizes e escopo de Educação e Pesquisa, e se tem potencial de diálogo com o campo
educacional, contribuindo para a construção de conhecimentos dentro deste campo. A partir
dessa apreciação a comissão editorial decide se uma avaliação externa integral é justificada.
Processo de Avaliação pelos Pares
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previamente avaliados pela Comissão Editorial. Aqueles que estiverem fora dos critérios
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doutor e pertencerão a instituições científicas diversas. Os nomes dos autores, dos pareceristas
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Os aspectos que orientam a avaliação dos originais encaminhados aos pares para a
análise são: conteúdo teórico e empírico, domínio da literatura científica, atualidade do tema,
contribuição para a área de conhecimento específica, originalidade da abordagem, estrutura do
31
texto e qualidade da redação. Os avaliadores poderão recomendar a aceitação integral do texto,
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