“A logística deve ser feita pelos especialistas” 9 Abril 2010 Miguel Félix António, Director Geral Adjunto da S-LOG – Serviços e Logística S.A. A S-LOG é uma empresa que faz a logística de peças automóveis e também em outras áreas, tudo “chave na mão”: recepcionam a mercadoria nas suas instalações, armazenam-na já referenciada e têm capacidade de a colocar nos clientes dos clientes, traduzindo-se numa logística integrada. O que é a S-LOG? A S-LOG - Serviços e Logística, S.A. é uma empresa do Grupo Entreposto que presta serviços na área da logística. O Grupo Entreposto tem várias áreas de negócio em Portugal, Moçambique e Brasil, sendo que em Portugal a área central de negócio é a actividade no sector automóvel, quer através da importação, quer através dos concessionários, que dispõem de stands e oficinas, mas também no sector do imobiliário e no da logística, neste último caso com a S-LOG. A S-LOG tem basicamente duas divisões, uma de logística de viaturas e outra de logística integrada. A divisão de logística de viaturas está vocacionada para prestar serviços a fabricantes, importadores ou concessionários, fazendo a operação logística desde a recepção das viaturas, ao seu manuseamento em parque e à preparação quando é necessário, e finalmente a expedição para os concessionários. E temos também o sector dos recondicionamentos, viaturas que não são novas, por vezes provenientes de rent-a-car e que depois são colocadas novamente no mercado de rent-a-car ou vendidas a clientes. A divisão de logística integrada, por seu turno, trata de fazer a recepção de mercadorias, seu manuseamento, e depois procede à expedição para o cliente final. A S-LOG neste sector da logística integrada trabalha uma área muito forte no sector automóvel, a logística de peças de várias marcas; A empresa que tem neste momento 20 colaboradores, está sediada em Setúbal em instalações que pertencem ao Grupo Entreposto, facturou em 2009 cerca de 3,1 milhões de euros, o que representou um decréscimo em relação aos 5 milhões de euros de 2008, fundamentalmente porque a logística de peças Nissan, que era feita na S-LOG, passou, por decisão do fabricante, a ser efectuada a partir de Espanha. Estamos a procurar reforçar as competências que temos na área automóvel e aproveitando a grande exigência desta indústria, cujos requisitos de rigor e eficiência satisfazemos de forma adequada, vender operações logísticas também fora deste sector, nomeadamente na logística integrada. Estão em condições de oferecer serviços de logística com preços competitivos e do tipo “chave na mão”? Sim, tudo o que fazemos é “chave na mão”, portanto recepcionamos a mercadoria nas nossas instalações, colocamo-la no nosso armazém, toda referenciada, e depois temos a capacidade de a colocar nos clientes dos nossos clientes, portanto a operação é uma logística completamente integrada. Nós não temos transportes próprios mas temos contratos com transportadores que nos permitem ter alguma agilidade, ter flexibilidade e conseguir fazer a operação com preços que consideramos serem bastante competitivos. A garantia que nós damos aos nossos potenciais clientes é a de que não perdem qualidade de serviço, antes pelo contrário, nós somos especialistas, e a actividade de logística ganha em ser feita por especialistas. Tendo escala, volume, capacidade, para além de preços competitivos, e em função do know-how, proporcionamos um serviço com um elevado nível de excelência. Aliás, este ano, a empresa viu o seu Sistema de Gestão da Qualidade certificada pela APCER, o que é também um factor muito positivo de diferenciação e de garantia que estamos no caminho certo, fazendo as coisas como devem ser feitas em benefício último do cliente; estamos neste momento a arrancar com um processo que esperamos esteja concluído com êxito no início do 2º semestre de 2010 e que é certificar a empresa pela norma ambiental e pela norma referente à saúde e segurança do trabalho. Na sua opinião, porque é que as empresas, hoje em dia, ainda querem ter a sua própria logística, não abrindo mão disso? Considero que há vários factores, um primeiro factor, eventualmente nestes tempos de crise, deve-se ao facto de muitas empresas terem imobiliário alocado à operação e esta não ser a melhor altura para venderem imobilizado, daí que possam pensar duas vezes antes de externalizarem a função. Este é um factor que eu diria ter uma natureza conjuntural. Mas penso que há um outro factor, de natureza estrutural que se verifica ainda muito em Portugal ao contrário de outros países: basta olhar para Espanha onde a percentagem de operações logísticas em regime de “outsourcing” é muito maior do que no nosso país e fundamentalmente eu julgo que esta circunstância de existirem muitas empresas a preferirem ser elas a fazer esta função, se prende com o facto de entenderem que podem ter um controlo directo sobre a operação logística, portanto têm algum medo de que se a operação logística lhes sair das mãos isso poder depois vir a afectar o negócio. Entendemos que as empresas ganhariam muito mais em entregar a operadores competentes e qualificados e, no mínimo, certificados para esta operação, porque o facto de a logística ser desenvolvida por entidades especializadas permite duas coisas: garantir um nível de serviço e eficiência melhor do que quando é feito por empresas cuja actividade central não é a logística; e menores custos. Para qualquer tipo de produto? Sim, exceptuando os produtos perecíveis e medicamentos. Já fazemos estas operações logísticas para o sector automóvel que tem um grau de exigência elevadíssimo, logo com mais naturalidade faremos este tipo de operações para outro tipo de mercadorias, porque no fundo fazer a logística de peças de várias marcas automóvel não é muito diferente de fazer a logística de perfumes, material electrónico, produtos de grande consumo, etc. O mercado externo também é apetecível? Sim, fundamentalmente na zona da Península Ibérica, aliás temos já apresentado propostas para potenciais clientes em Espanha, algumas estão em fase de apreciação, porque pensamos que o facto de estarmos junto ao Porto de Setúbal e a um ramal da linha ferroviária, bem como na confluência da A2 que liga o Norte ao Sul do país, faz com que a localização seja um factor também que nos posiciona de uma forma muito competitiva. Temos a expectativa que com a retoma e com o enraizamento da ideia nos decisores das empresas de que lhes é favorável entregar a terceiros especializados a operação logística, que temos condições de crescimento: temos capacidade instalada, temos um corpo de colaboradores com competências, temos uma boa localização e o facto de a empresa ter sido certificada é mais uma garantia clara nesta área para todos os potenciais clientes.