O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, A INSTITUCIONALIZAÇÃO ORGANIZACIONAL E A BASE DA PIRÂMIDE: ARTICULANDO SOCIEDADE, ORGANIZAÇÃO E INDIVÍDUO [email protected] APRESENTACAO ORAL-Agropecuária, Meio-Ambiente, e Desenvolvimento Sustentável MARCELO TREVISAN; EUGENIO ÁVILA PEDROZO. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, PORTO ALEGRE - RS BRASIL. O Desenvolvimento Sustentável, a Institucionalização Organizacional e a Base da Pirâmide: articulando sociedade, organização e indivíduo The Sustainable Development, the Organizational Institutionalization and the Base of the Pyramid: pronouncing society, organization and the being Grupo de Pesquisa: Agropecuária, Meio-Ambiente, e Desenvolvimento Sustentável Resumo Embora não exista uma unanimidade para o conceito de sustentabilidade, observa-se a crescente preocupação das pessoas pelas questões ambientais. Este estudo objetiva discutir a respeito das organizações utilizarem-se da preservação do meio ambiente para valorizarem-se diante da sociedade, no entanto, ainda desconsiderando a Base da Pirâmide como um componente na busca do Desenvolvimento Sustentável. A opção por adotar práticas vinculadas à sustentabilidade não confere a uma organização a qualidade de que ela esteja comprometida e de que valoriza os conceitos específicos dessas práticas. Produtos considerados sustentáveis são produzidos para a parte superior da pirâmide social. Acredita-se, erroneamente, que é somente nesta classe social que está o dinheiro e que é o único mercado disponível a atender. Para superar esse equívoco, é relevante gerir desafios em infra-estrutura técnica e econômica, educação, recursos financeiros e diferenças culturais capazes de criar uma fonte de inovação sustentável em um cenário de ruptura social e econômica. A dimensão ambiental da sustentabilidade envolve ações que incluem o comprometimento do coletivo e essa colaboração deve ser institucionalizada em atos das organizações e dos stakeholders, enquanto integrantes ativos da sociedade. Assim, é necessário considerar as culturas de cada local com a preocupação de desenvolver um perfil profissional e pessoal com habilidades e características adequadas ao contexto socioambiental. Discutir sobre o Desenvolvimento Sustentável a partir dos estudos da Base da Pirâmide e da perspectiva da Teoria Institucional, abre novas e diversas frentes de entendimento a respeito de um tema que, devido a sua natureza sistêmica, permite analisálo de maneiras multifacetadas com a intenção de contribuir nas interpretações das ações organizacionais. O uso dessas três abordagens, conjuntamente, pode permitir uma articulação sustentável entre sociedade, organização e indivíduo. 1 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural Palavras-chaves: Desenvolvimento Sustentável, Institucionalização Organizacional, Base da Pirâmide Abstract Although there is no unanimity for the concept of sustainability, one observes the growing concern from people to environmental matters. This study aims to discuss about organizations making use of environmental preservation in order to value themselves in society, however, considering yet the Base of the Pyramid as a component in search of Sustainable Development. The choice of adopting practices related to sustainability does not grant that an organization is committed and that this organization values specific concepts of such practices. Products considered sustainable are produced for the highest part of the social Pyramid. One believes, erroneously, that it is only in this social class that the money is held and that such is the only market available to serve. To overcome this mistake it is relevant to manage challenges in technical and economical infrastructure, education, financial resources and cultural differences able to create a source of sustainable innovation in scenery of social and economical rupture. The environmental extension of sustainability takes actions that involve the commitment of the collective and such contribution must be institutionalized in acts of organizations and of stakeholders, while being active components of the society. Thus, it is necessary to consider the culture of each place with the concern of developing a professional and personal profile with abilities and characteristics suitable to the social environment. Discussing about the Sustainable Development from the Base of the Pyramid’s studies and from the perspective of Institutional Theory, it opens new and several fronts of comprehension regarding to a theme that due to the systemic nature allows to analyze it in multifaceted ways in order to contribute in interpretations of organizational actions. The use of these three approaches concurrently can allow a sustainable articulation among society, organization and the Being. Key words: Sustainable Development, Organizational Institutionalization, Base of the Pyramid 1. INTRODUÇÃO No presente estudo busca-se a interação entre sociedade, organização e indivíduo pelo uso da Teoria da Institucionalização Organizacional de forma articulada com o Desenvolvimento Sustentável e a discussão sobre a Base da Pirâmide. Para isso, inicia-se pelos estudos sobre o Institucionalismo, que tiveram como um dos seus expoentes o sociólogo Philip Selznick e, em particular no argumento aqui exposto, dos trabalhos de Paul DiMaggio e Walter Powell que trataram dos mecanismos que causam mudanças isomórficas institucionais. Enquanto que, por meio da institucionalização, uma organização se estrutura de forma diferenciada e é reconhecida pela sociedade, o isomorfismo se manifesta quando as organizações se tornam cada vez 2 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural mais homogêneas, parecidas umas com as outras, pois buscam as mesmas estratégias para sobrevirem e serem legitimadas. O outro elemento que contribuiu na elaboração do presente trabalho está relacionado com os estudos sobre a Base da Pirâmide (Bottom of the Pyramid - BOP). Trata-se da denominação atribuída ao grupo social e econômico, em torno de 4 bilhões de pessoas no mundo, que vivem especialmente em países em desenvolvimento e cuja renda é, em geral, menor que US$ 2 por dia. A análise da Base da Pirâmide propõe a busca de alternativas para o problema da pobreza por meio do estabelecimento de um sistema de aprendizagem que resulta da articulação, concepção de idéias e oportunidades para reforçar as potencialidades sociais e os sistemas econômicos dos indivíduos que a compõem (PRAHALAD, 2005; GARDETTI, 2006). Tendo referenciado de forma preliminar os elementos relacionados aos estudos da Teoria Institucional (com destaque para os escritos de DiMaggio e Powell sobre o isomorfismo) e aos da Base da Pirâmide, é o momento de relacioná-los com o Desenvolvimento Sustentável. Observa-se a incorporação de princípios ecológicos e do meio ambiente na teoria e na prática organizacional. Porém, essa observação não ocorre sem a presença de controvérsias e conflitos de interesses sociais, políticos, culturais e econômicos, entre outros. Provavelmente, um dos aspectos mais marcantes nos vários e diferentes conceitos de Desenvolvimento Sustentável está no como se dá a relação do homem com a natureza no contexto da busca de soluções realmente sustentáveis. Assim, o argumento proposto envolve o emprego, por parte das organizações, do discurso da preocupação com o Desenvolvimento Sustentável para a legitimação social sem considerar adequadamente as pessoas que compõem a Base da Pirâmide. Em outras palavras, o objetivo é discutir a respeito das organizações utilizarem-se da preservação do meio ambiente como uma mudança isomórfica para valorizarem-se diante da sociedade, no entanto, atualmente, ainda desconsiderando a Base da Pirâmide como um componente na busca do Desenvolvimento Sustentável. Para tanto, este estudo está estruturado em quatro partes, além desta breve introdução. A primeira aborda aspectos do Desenvolvimento Sustentável; a segunda referese aos estudos da Teoria Institucional, destacando os escritos de DiMaggio e Powell sobre o Isomorfismo Institucional; a terceira parte contempla a Base da Pirâmide e, por fim, apresentam-se as considerações finais. 2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Entre os temas que se destacam desde os últimos anos do século passado está o da preocupação ambiental, manifestado pelo intuito e porque não dizer, pela necessidade de equilibrar a relação desafiadoramente antagônica e aparentemente utópica entre o crescimento econômico e a preservação da natureza. Gradativa e lentamente a sociedade, representada pelos consumidores, fornecedores, acadêmicos, governos, investidores, entre tantos outros atores, passa a valorizar iniciativas relacionadas com a sustentabilidade ambiental. Inseridas nesse contexto, percebe-se organizações que, para não afetar sua competitividade, investem em estratégias e campanhas publicitárias associando seu nome e 3 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural imagem aos elementos de preservação do meio ambiente divulgando-as como ações alinhadas ao desenvolvimento sustentável. De acordo com o relatório da World Commission on Environment and Development (2009), que foi estabelecido desde 1987, pela Assembléia Geral das Nações Unidas, o desenvolvimento sustentável é alcançado quando as necessidades do presente são supridas sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias. Ou seja, a qualidade de vida do ser humano hoje deve ser ampliada até o limite suportado pelos recursos renováveis para garantir a existência de ambos no longo prazo. Decorrente disso, entre outros requisitos, constata-se a necessidade de modificar atitudes e práticas pessoais, permitir que as comunidades cuidem de seu próprio ambiente, que gerem uma estrutura nacional integrada de conservação e constituam uma aliança global, de tal forma que a gestão dos recursos naturais de um local não ocorra independentemente dos recursos globais (PNUMA, 2009). Destaca-se a forte presença de uma visão que pode ser considerada holística ou sistêmica em detrimento de um pensamento mecanicista ou cartesiano. Conforme afirma Banerjee (2003) os problemas ambientais (como a poluição) não reconhecem fronteiras nacionais ou regionais. No entanto, Hopwood, Mellor e O’Brien (2005) ressaltam que atualmente a visão dominante na agenda das grandes corporações, no plano prático do Desenvolvimento Sustentável, ainda é aquela em que a economia, a sociedade e o meio ambiente são considerados como elementos separados. Embora que Mauerhofer (2008) argumente que atingir os objetivos ambientais é pré-condição para a própria manutenção do sistema econômico e social. Assim, para que se possa visualizar a aplicação da sustentabilidade em uma organização, é necessário que ocorra um processo de transformação em que o uso dos recursos, o destino dos investimentos, os rumos do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional levem em consideração as necessidades das futuras gerações (BUFFARA e PEREIRA, 2003). Para Sachs (1992) o Desenvolvimento Sustentável é constituído por dimensões da sustentabilidade, conforme estão expostas no Quadro 01. Dimensões Sustentabilidade social Sustentabilidade cultural Sustentabilidade ecológica Sustentabilidade ambiental Sustentabilidade territorial Sustentabilidade econômica Sustentabilidade política (nacional) Componentes justa distribuição de renda e bens, direitos iguais à dignidade humana e solidariedade social respeito ao local, regional e nacional em contraponto à padronização imposta pela globalização, respeito aos diferentes modos de vida solidariedade com o planeta, a biosfera e seus respectivos recursos respeito aos ecossistemas naturais superação das disparidades inter-regionais, busca de estratégias para o desenvolvimento ambiental ancorada na avaliação da sustentabilidade do social analisada no seu contexto organizativo da vida material apropriação universal dos direitos humanos, desenvolvimento da capacidade do Estado para 4 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural Sustentabilidade política (internacional) implementar o projeto nacional, em parceria com a sociedade garantia da paz e da cooperação internacional, controle do sistema internacional de negócios, da gestão do meio ambiente e dos recursos naturais, prevenção das mudanças globais negativas, proteção da diversidade biológica (e cultural) e gestão do patrimônio global, como herança comum da humanidade Quadro 01 - Dimensões da sustentabilidade Fonte: Adaptado de SACHS (1992). Estudos sobre a sustentabilidade, como os de Robinson (2004), Banerjee (2003) e Mauerhofer (2008), demonstram que este é um termo que abarca várias dimensões (Quadro 01) em que se destacam a econômica, a social e a ambiental. No primeiro elemento encontram-se as preocupações com o desempenho financeiro, a competitividade e o impacto econômico. No social incluem-se a igualdade no interior da organização e no âmbito internacional e melhorias sociais internas e externas. Já o elemento ambiental é composto de cuidados com recursos naturais, com as emissões poluentes e as suas respectivas consequências. A concisa apreciação do contexto do Desenvolvimento Sustentável evidencia que, conforme afirmaram Gladwin; Kennelly e Krause (1995), estes são conceitos que despertam diversas interpretações e ainda permitem espaço para novas proposições dada a essência multidisciplinar e a constatação de que são definições em construção. Nesse sentido, Robinson (2004) enfatiza que o Desenvolvimento Sustentável envolve a criação de novos métodos, disciplinas e ferramentas que são integradoras e que geram ativamente sinergia, não apenas a soma. Talvez isso seja efeito do fato de que tais conceituações se encontram em um âmbito muito subjetivo, favorecendo a propagação de inúmeras interpretações sobre o tema. Embora, por outro lado, observa-se alguns elementos similares presentes em publicações e que enfatizam, por exemplo, aspectos relacionados à maximização simultânea dos sistemas biológicos, econômicos e sociais, bem como, o incremento da qualidade de vida humana, em uma ótica ecossistêmica suportável (GLADWIN; KENNELLY e KRAUSE, 1995). Por ser composta por elementos multidimensionais, o Desenvolvimento Sustentável provoca alterações em vários campos de pesquisa e de ação das organizações e dos indivíduos. A escolha entre um ou outro direcionamento, entre uma sociedade não sustentável ou uma sociedade sustentável, será o indicador da responsabilidade das pessoas como seres morais e depende de suas concepções e valores. No entanto, o caminho para o Desenvolvimento Sustentável ainda é longo. Em evidências como o uso insensato das fontes renováveis e das não-renováveis, a emissão crescente de novas substâncias sintéticas e nocivas ao meio ambiente e a crescente distância entre os recursos disponíveis para os países mais ricos e os utilizados pelos países mais pobres, constata-se que o sistema de produção e de consumo atual não é nenhum pouco sustentável (MANZINI e VEZZOLI, 2005). 5 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural As orientações organizacionais ainda estão voltadas para o crescimento e a globalização da economia por meio da elevação permanente do consumo, em que a moeda precisa girar com agilidade e o que se produz deve ser consumido rapidamente, podendo gerar desperdício de energia e de matérias-primas. Estas orientações, além de serem meramente econômicas, trazem danos à biosfera e à própria sobrevivência do homem, de tal forma que em um reduzido período de tempo não se contará com a possibilidade de reversão (LERÍPIO, 2001). Sem dificuldade, visualiza-se no horizonte a predominância do modelo capitalista que objetiva ao lucro e a crise do paradigma tradicional que atesta sua incapacidade de ser sustentável ao longo prazo. Algumas parcelas da sociedade apóiam manifestações de reação, outras apenas acompanham, outras são resistentes e creditam as mudanças climáticas a transformações naturais. Entretanto, é nítida a crescente valorização das pessoas pelas questões ambientais, que incluem preocupações de ordem sociais e econômicas. Organismos internacionais como o Greenpeace e a Organização das Nações Unidas, lideram movimentos que procuram soluções inseridas no contexto do Desenvolvimento Sustentável. As demandas pela sustentabilidade ambiental envolvem práticas que precisam incluir o comprometimento de diversos grupos, pois a colaboração deve ser institucionalizada em ações das organizações e dos stakeholders, enquanto partícipes da sociedade. Percebe-se, portanto, que os atos organizacionais gradativamente tendem a ser pautados por essa concepção de sustentabilidade ambiental, que evoluiu para o conceito atual de Desenvolvimento Sustentável, o qual prevê o uso dos recursos naturais no tempo presente sem comprometer a capacidade de sobrevivência no futuro, de tal forma que seja defendida como um valor social. Isso faz com que executivos a percebam como um custo inerente aos negócios ou um mal necessário para a obtenção da legitimidade e a manutenção do direito de a empresa funcionar (HART e MILSTEIN, 2003). As atividades organizacionais não podem ser desenvolvidas sem levar em conta o ambiente ou contexto onde a organização está inserida. Nesse sentido, considera-se, cada vez mais, os contextos sociais, econômicos, culturais e políticos a que estão vinculadas, pois seus gestores sentem-se pressionados e, em alguns casos até comprometidos em atender às demandas de clientes e stakeholders. Necessitam, ao longo do tempo, providenciar a adoção dos valores reconhecidos pela sociedade se quiserem sobreviver, acompanhando tendências, imitando ações bem sucedidas e cedendo às pressões externas em uma escala de valores que pode ser diferente da atual. O resultado é que as organizações tendem a tornarem-se isomórficas em seus ambientes, pois sem este ajustamento terão dificuldades para a aquisição dos recursos e a obtenção da legitimidade necessárias para operar nestes cenários. Aspectos que serão tratados na próxima seção. 3. TEORIA INSTITUCIONAL E O ISOMORFISMO INSTITUCIONAL Philip Selznick pode ser considerado o precursor da Teoria Institucional, considerando-a como uma perspectiva simbólica-interpretativa em que se destaca a construção social da realidade organizacional (FACHIN e MENDONÇA, 2003). Em outros termos, os estudiosos dessa teoria procuram definir as instituições organizacionais de forma ampla, pois consideram outros elementos que orientam a ação humana, como os 6 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural sistemas de símbolos, os aspectos morais e os esquemas cognitivos, além das regras e procedimentos formais. Utilizando-se das palavras do próprio Selznick, Fachin e Mendonça (2003, p. 41) apresentam que a “teoria institucional traça a emergência de formas, processos, estratégias, perspectivas e competências distintas, à medida que emergem de padrões de interação e adaptação organizacional” classificados como reações ao ambiente em que as organizações estão inseridas. No presente estudo, não será apresentada e nem discutida a classificação ou as versões do instititucionalismo: velho, novo e neo, assim como fazem os autores Scott (1995) e Fachin e Mendonça (2003). Entretanto, pretende-se dedicar um espaço para delinear possíveis relações entre a referida teoria e o Desenvolvimento Sustentável. Para tanto, inicialmente, procura-se delinear o que é considerada uma organização e a sua institucionalização do ponto de vista dos estudos institucionais assim como o significado de isomorfismo. Na concepção de Selznick sobre organização, atributos impregnados por termos amenos como consenso e harmonia, são realçados em detrimento de palavras relacionadas ao poder, ao conflito, à desigualdade e à dominação. No entanto, não se pode deixar de tratar da imagem organizacional que mantém uma relação concreta com o ambiente, reforçada por valores e símbolos que colaboram para a sua adaptação, sobrevivência e legitimação. Nem que para isso seja necessário utilizar conceitos como o de cooptação, que consiste em integrar na estrutura, na liderança ou na política de uma organização a partilha de autoridade a componentes que não recebem o poder de fato. Trata-se de uma estratégia que se usa como defesa perante possíveis ameaças para a estabilidade organizacional e, mais do que isso, para que possa se institucionalizar (FACHIN e MENDONÇA, 2003). Uma organização se transforma em instituição ao ser infundida de valor. Ou seja, à medida que há essa transformação, surgem rituais administrativos próprios, ideologias, se cria uma estrutura formal, aparecem normas informais e outros processos que resultam em uma história particular, com identidade e competência distintas. Thomson (1973) citado por Ranson; Hinings e Greenwood (1980) afirma que, nesses processos, os membros das organizações tendem a elaborar esquemas estruturais que são simbolicamente adequados aos seus valores. A institucionalização conduz ao alcance de uma situação organizacional diferenciada capaz de adaptar-se e interagir com os ambientes externos e internos para perpetuar-se. Observa-se, então, que a institucionalização é um fator de manutenção social antes de ser um elemento de mudança social. É relevante ressaltar que há uma preocupação dos teóricos da abordagem institucional, em especial, de Selznick em explicar a estabilidade (institucionalização) das organizações e a capacidade de adaptarem-se às mudanças que lhes são impostas. Nesse sentido, o papel do líder institucional é reconhecido como aquele responsável pelo provimento da capacidade de infundir valor à organização, de obter o reconhecimento na e pela sociedade em um ambiente rico em interesses e valores (FACHIN e MENDONÇA, 2003). Assim, pode-se afirmar que nem toda organização se transforma em uma instituição, o processo inicia no interior organizacional e necessita ser legitimado pela sociedade. Mais, uma organização não está livre de ser submetida ao caminho inverso 7 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural depois de institucionalizada e ainda, o reconhecimento institucional em um determinado lugar não garante que tal status seja ampliado para outros locais. O líder institucional, na busca de legitimar sua organização, depara-se com incertezas e restrições naturais do ambiente competitivo, diverso, amplo e imprevisível que o cerca. Dessa forma, sua tomada de decisão acaba sendo direcionada para a homogeneização em vez do caráter distintivo que, eventualmente, poderia almejar quando iniciou sua atividade. Ao procurar sua própria identidade, sua variação estrutural e cultural, a organização termina (por comodidade, insegurança, incompetência e pressões, entre outros motivos) encontrando o oposto do que desejava. As organizações tornam-se semelhantes ou isomórficas. Ressalta-se que as organizações atuando em um mesmo campo organizacional podem ser distintas em vários aspectos, porém, muito semelhantes em outros. Aqui se entende por campo organizacional o conceito apresentado por DiMaggio e Powell (2005, p. 76), “organizações que, em conjunto, constituem uma área reconhecida da vida institucional: fornecedores-chave, consumidores de recursos e produtos, agências regulatórias e outras organizações que produzam serviços e produtos similares”. Constata-se a existência de um campo quando se pode defini-lo institucionalmente por meio de uma ampla interação entre as organizações envolvidas; quando há definição de estruturas de coalizões; quando se percebe um incremento no volume de informações com as quais as organizações devem trabalhar e a presença da consciência dos seus integrantes de que estão em um negócio comum (DiMAGGIO e POWELL, 2005). Nesta etapa, é possível estabelecer um paralelo com o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (Supply Chain Management – SCM), que se refere ao gerenciamento do fluxo de materiais, informações e fundos através de toda a cadeia, desde os fornecedores, dos produtores de componentes, passando pelos montadores, distribuidores, até chegar ao consumidor final. O fato de atuarem em cadeia e com normativas sancionadas faz com que as organizações, ao longo do tempo, criem ao redor de si próprias um ambiente que limita sua capacidade de mudanças, de adaptabilidade e até mesmo de se tornarem mais eficientes. Pois precisam considerar, entre outros elementos que afetam as suas decisões (disputa por recursos, por mercados, por poder político, a busca da legitimação e do ajustamento social), a existência e as ações das demais organizações. Portanto, a opção por adotar práticas vinculadas ao Desenvolvimento Sustentável, não confere a uma organização a qualidade de que ela esteja comprometida e de que valoriza os conceitos específicos dessas práticas. Seus atos podem ter apenas o intuito de ser vista como “inovadora”, “pró-ativa”, que acompanha as tendências, nem sempre realizados de maneira que expressem conscientemente e com a qualidade necessária as metas preconizadas pelas dimensões e ideias da sustentabilidade. Inclusive organizações iniciantes, que teriam a possibilidade de agir como fontes de variação e de inovação, mas por estarem em um campo com alto nível de incertezas, tenderão a ultrapassá-las utilizando-se de ações já estabelecidas dentro desse campo (DiMAGGIO e POWELL, 2005). Desse modo, mediante a homogeneização organizacional, tem-se a concretização do isomorfismo institucional. Hawley (1968) citado por DiMaggio e Powell (2005, p. 76), afirma que o isomorfismo “constitui um processo de restrição que força uma unidade em uma população 8 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural a se assemelhar a outras unidades que enfrentam o mesmo conjunto de condições ambientais” e apresentam três mecanismos por meio dos quais acontecem as mudanças isomórficas institucionais. O primeiro designado de isomorfismo coercitivo origina-se de processos externos (implícitos ou explícitos) à organização que a pressionam para realizar algo. Caso exista resistência em atender às exigências, poderão vir acompanhados de sanções. Por sua vez, o isomorfismo mimético deriva de soluções para enfrentar a incerteza, pois investir (por meio da imitação) em operações comprovadamente bemsucedidas e tecnologias reconhecidas eleva a legitimidade organizacional e as perspectivas de sobrevivência, além da tendência de implicar em menor nível de análises aprofundadas. O terceiro mecanismo isomórfico é o normativo, resulta das relações que os integrantes da organização possuem com entidades acadêmicas, profissionais e comerciais. Está relacionado com a ideia de que quanto mais elaboradas são as redes de relacionamentos entre as organizações e seus componentes, maiores são a estrutura coletiva do meio que as rodeia e a tendência de uma organização ser semelhante a outras do seu campo. É possível realizar uma comparação entre os três mecanismos isomórficos com algumas práticas organizacionais de gestão ambiental ou da dimensão ambiental da sustentabilidade (Figura 01). O coercitivo pode ser associado às diversas imposições governamentais apresentadas perante o tema, o mimético pode vincular-se a aplicações de produção mais limpa (P+L) e o normativo à adoção da certificação da ISO 14000. Mecanismos Isomórficos Coercitivo Práticas Organizacionais de Gestão Ambiental Imposições governamentais Mimético • Aplica ções da Produ ção + Limpa Normativo Adoção Certificaç ão ISO 14000 Figura 01 - Mecanismos isomórficos e algumas práticas organizacionais de gestão ambiental Ainda é conveniente salientar, que DiMaggio e Powell (2005) deixam claro que os mecanismos expostos se referem a uma tipologia analítica, já que, empiricamente, nem sempre se apresentam distintos. 4. A BASE DA PIRÂMIDE 9 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural Em vários países do globo terrestre seus habitantes vivem em uma economia de excedentes, capaz de satisfazer as suas necessidades básicas e ainda sobrar para ser útil a outras pessoas que não fazem parte daquelas nações (SANNE, 2005), como as da base da pirâmide. Essa distribuição distorcida é um problema político, não de falta de recursos e não deve servir de motivo para procrastinar uma adaptação a formas mais sustentáveis de vida, justamente no momento em que a humanidade começa a tomar consciência dos limites ecológicos do planeta que habita. Talvez seja por esse contexto paradoxal que Horkheimer e Adorno (1972), citados por Sanne (2005), afirmam que a sociedade atual consegue, habilmente, manter uma ameaça excedente à distância. Algo que Heller (1993) define como uma humanidade insatisfeita, porém que consegue manter essa insatisfação organizada. No cenário organizacional não é diferente. Lang (2003) observa que as grandes indústrias do mundo estão ficando cada vez maiores e as pequenas organizações estão sendo pressionadas e comprimidas pela concorrência globalizada. O autor exemplifica ao afirmar que os dez principais varejistas irão aumentar a sua participação de mercado, com fusões e aquisições, de 37% para 60% até 2010. Nos Estados Unidos apenas cem empresas já respondem por 80% do total de valor que circula no setor em evidência. Ainda, segundo Lang (2003), no período compreendido entre os anos de 1993 e 1999, entre as cinqüenta maiores empresas da União Européia, a concentração total dos dez primeiros varejistas aumentou 24,9%, enquanto a parcela de mercado das dez menores organizações diminuiu 72,2%. Assim, a noção de Desenvolvimento Sustentável reconhece a “insustentabilidade” ou a inadequação econômica, social e ambiental do padrão de desenvolvimento das sociedades contemporâneas (ALMEIDA, 1997). Inadequações que contribuíram para que entre os objetivos de Desenvolvimento do Milênio, adotados pelos Estados-Membros das Nações Unidas, figure como meta a redução da pobreza extrema para a metade em 25 anos (KARNANI, 2006). Nesse contexto, que envolve um grupo social e econômico constituído por aproximadamente 4 bilhões de pessoas que possuem uma renda diária, em geral, de US$ 2 encontram-se os estudos sobre a Base da Pirâmide (Bottom of the Pyramid - BOP). Segundo Gardetti (2006), a análise da Base da Pirâmide implica uma outra e significativa concepção da atual proposta de valor para os negócios e uma melhor compreensão das necessidades locais e paradigmas de Desenvolvimento Sustentável. Ou seja, as soluções devem ser buscadas considerando as especificidades de cada região geográfica (HAHN, 2009). À medida que houver o reconhecimento de que as pessoas que fazem parte desse grupo social podem se tornar empreendedores e partícipes da sociedade, permitir-se-á uma visão de oportunidades capazes, até mesmo, de recuperar sua autoestima (PRAHALAD, 2005). Já que, conforme Gardetti (2006), tais indivíduos podem ser privados de recursos financeiros, mas não de capacidades e aptidões. Com o intuito de ampliar a compreensão sobre a Base da Pirâmide, apresenta-se, na Figura 02, a pirâmide da população global, destacando no seu lado esquerdo o poder de compra das pessoas (em dólares), de acordo com a classe social que são classificadas na área interna do triângulo. No seu lado direito, são apresentadas a quantidade de indivíduos que compõem cada nível. 10 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural Figura 02 - A pirâmide da população global: poder de compra e número de pessoas participantes Fonte: Adaptado de Hart (2005, p. 25). Para Hart (2005), ao longo dos últimos dez ou quinze anos uma classe totalmente nova de pessoas surgiu e a humanidade está diante de um desafio causado pelo crescimento explosivo da população ocorrido nas cinco décadas anteriores. Existem oportunidades não aproveitadas na parte inferior do triângulo, embora com uma lógica competitiva diferente. É necessária uma reestruturação da indústria e a implementação de iniciativas com visão de longo prazo em que a inovação, com foco na sustentabilidade ambiental, deve ser a prioridade (HART, 2005). O autor afirma que há uma forte relação entre o Desenvolvimento Sustentável e a Base da Pirâmide, pois a oferta de produtos para essa camada da população deve acontecer com a utilização eficiente do que se produz para não devolver ao ambiente mais resíduos. Outro aspecto preocupante e abordado por Hart (2005) refere-se ao fato de que os produtos considerados sustentáveis são produzidos e comercializados apenas para a parte superior da pirâmide (aproximadamente 800 milhões de pessoas). O topo do triângulo global de consumidores tem sido o foco exclusivo de corporações multinacionais por muito tempo. Acredita-se, erroneamente, que é apenas nesta classe social que está o dinheiro e que é o único mercado disponível a atender. 11 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural O pressuposto tem sido que a Base da Pirâmide é um ambiente que deve ser cuidado pelos governos e pelos setores sem fins lucrativos. Estima-se (a estimativa ocorre porque diversos números vinculados à Base da Pirâmide estão fora das estatísticas oficiais devido à informalidade) que somente o patrimônio imobiliário da população da classe social inferior represente US$ 9,3 trilhões (HART, 2005). A Base da Pirâmide implica em gerir desafios substanciais em infra-estrutura técnica e econômica, educação, recursos financeiros e diferenças culturais. Trata-se de uma fonte de inovação sustentável em um cenário de ruptura social e econômica. Por sua vez, Edelstein (2004) destaca que a vida moderna gera condições que exigem alguma forma de ação coletiva pró-ativa para resolver os problemas vinculados ao Desenvolvimento Sustentável. A Base da Pirâmide forçará a humanidade a chegar a bons termos com o uso dos recursos naturais de uma maneira que até agora não foi alcançada (PRAHALAD, 2005). Karnani (2006) defende que o setor privado pode ajudar a aliviar a pobreza, centrando-se sobre as competências de seus quadros gerenciais. Di Natale (2004, 2005), citado por Gardetti (2006) ressalta que, no entanto, os executivos possuem certas características (ênfase na formação técnica, autonomia de decisão, auto-confiança, liderança, auto-estima) que impedem a compreensão necessária de Desenvolvimento Sustentável para líderes de empreendimentos sustentáveis. Apesar disso, há um crescente número de empresas multinacionais que inseriram na declaração de sua visão, princípios ou missão para o futuro a orientação para a sustentabilidade ambiental, principalmente, na presente década. Essa visão é crítica em estratégias de negócios na Base da Pirâmide. Na classe social inferior do triângulo o retorno do investimento é mais demorado (em torno de 7 a 10 anos) pois é necessário ganhar a confiança das pessoas em suas comunidades e forjar alianças. Para que os executivos tenham uma visão de Desenvolvimento Sustentável adequada, além das características acima devem ter uma compreensão do ambiente, uma capacidade de diálogo, flexibilidade razoável, uma visão do presente e do futuro, sensibilidade social, compromisso e paixão (GARDETTI, 2006). Observa-se, conforme ilustra a Figura 03, que o perfil dos gestores atuais ratifica o argumento proposto neste estudo. Ou seja, as organizações tendem a empregar o discurso da preocupação com o Desenvolvimento Sustentável para a legitimação social sem considerar adequadamente as pessoas que compõem a Base da Pirâmide (Bottom of the Pyramid - BOP). O foco de atuação está voltado para a parcela rica e reduzida da população situada na parte superior da pirâmide social. Assim, Birkinshaw; Hamel e Mol (2008) afirmam que poucas empresas têm experiência na área de inovação gerencial. O que normalmente se percebe são investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para inovações em tecnologias inadequadas para a classe social mais pobre. 12 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural Figura 03 - Ações organizacionais focadas na parte superior da pirâmide social Por sua vez, Prahalad (2005), alerta que o processo de inovação para a Base da Pirâmide impõe um novo conjunto de disciplinas e que para atendê-lo é imprescindível um outro modelo de negócios nas multinacionais. Segundo o autor, são poucas as empresas desse porte que têm se dedicado a examinar as implicações de suas próprias operações na Base da Pirâmide em relação às suas operações globais, mesmo que tenha declarado que integrará o Desenvolvimento Sustentável como um orientador para suas políticas e estratégias. Robinson (2004) reforça esse pensamento ao afirmar que o Desenvolvimento Sustentável deve ser construído por meio de um processo essencialmente social, pelo qual o conhecimento do cientista e do executivo é combinado com os valores, preferências e crenças de toda a sociedade para dar lugar a uma emergente co-produzida compreensão das possibilidades e resultados preferidos. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do Institucionalismo e da Base da Pirâmide, o objetivo deste estudo foi estabelecer uma discussão a respeito do emprego, por parte das organizações, do discurso do Desenvolvimento Sustentável como uma forma de legitimação perante a sociedade. Mesmo considerando que a análise apresentada seja inicial e carente de exames aprofundados, percebe-se que há reduzido encaixe entre as intenções de uma organização ao adotar práticas vinculadas às questões ambientais e ao discurso do desenvolvimento sustentável e os conceitos específicos preconizados por essas práticas ou discursos. Predominantemente o que se observa nas organizações é a busca da aceitação pela sociedade e o foco na lógica em inovações de caráter econômico, em detrimento do investimento em inovações na lógica do Desenvolvimento Sustentável. Ressalta-se que as próprias definições dos termos vinculados à área ambiental, pelo seu caráter multidisciplinar, permitem diversas interpretações e as teorias que podem dar o suporte necessário ainda estão em expansão. 13 Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural Acrescenta-se a essas considerações que se evidencia um terreno fértil para debates, contrapontos e interesses nem sempre comuns. É um tema gerador de conflitos de ordem política, social, cultural, econômica, entre outros, propondo e requerendo condutas alternativas. A dimensão ambiental da sustentabilidade envolve ações que incluem o comprometimento do coletivo e essa colaboração deve ser institucionalizada em atos das organizações e dos stakeholders, enquanto integrantes ativos da sociedade. Assim, é necessário considerar as culturas de cada local com a preocupação de desenvolver um perfil profissional e pessoal com habilidades e características adequadas ao Desenvolvimento Sustentável e à Base da Pirâmide. Entre tais habilidades destacam-se a resiliência e a flexibilidade, que precisam estar presentes no comportamento dos atores que ocupam os diversos papéis na esfera das organizações, sejam como líderes institucionais, como fornecedores, como consumidores, entre outros. Enfim, como membros de uma coletividade. Discutir sobre o Desenvolvimento Sustentável a partir dos estudos da Base da Pirâmide e da perspectiva da Teoria Institucional, abre novas e diversas frentes de entendimento a respeito de um tema que, devido a sua natureza sistêmica, permite analisálo de maneiras multifacetadas com a intenção de contribuir nas interpretações das ações organizacionais. O uso dessas três abordagens, conjuntamente, sugere uma articulação sustentável entre sociedade, organização e indivíduo, pois pode servir como ambiente da Teoria Institucional beneficiando as pessoas na própria Base da Pirâmide, as organizações institucionalizadas pelos valores do Desenvolvimento Sustentável e, naturalmente, a sociedade como um todo. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Jalcione. Da ideologia do progresso à idéia de desenvolvimento (rural) sustentável. In: ALMEIDA, Jalcione; NAVARRO, Zander (Orgs.) Reconstruindo a agricultura: idéias e ideais na perspectiva do desenvolvimento sustentável. 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