UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO – NPGA PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL AVANÇADA – CPA ANÁLISE DO PLANEJAMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SAÚDE – SMS, EM PLATAFORMAS DE SONDAGEM AUTO-ELEVATÓRIA – NNE, DA PETROBRÁS. Carlos Alberto Pires Daltro Junior Paulo César Sales Coelho Tiago Brandão Correia Este artigo monográfico é apresentado como parte obrigatória e integrante da disciplina Métodos de Pesquisa I, do Curso de Pós-Graduação em Administração da UFBA, Turma 03/01, sob orientação do Prof. Robinson Tenório. Salvador – Bahia Julho 2004 II ANÁLISE DO PLANEJAMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SAÚDE – SMS, EM PLATAFORMAS DE SONDAGEM AUTO-ELEVATÓRIA – NNE, DA PETROBRÁS. AUTORES: Carlos Alberto Pires Daltro Junior Paulo César Sales Coelho Tiago Brandão Correia III RESUMO: A E&P – SERV/US – SAE – Unidade de Serviços de Sondagem Auto-Elevatória da Petrobrás começou a operar em novembro de 2000, operando cinco plataformas e gerenciando mais uma. Essas plataformas seguem rígidas normas de segurança e cuidados com o meio ambiente, pois as atividades das mesmas são consideradas de altíssimo risco para as partes envolvidas e para o meio ambiente. Diante de um quadro de funcionários próprios e contratados, o que causa uma dificuldade em manter o controle e o padrão de atividades desempenhadas em uma organização, e de um quadro de altíssimo risco, extremamente delicado, a Petrobrás conseguiu corrigir e implementar um Sistema de SMS – Segurança, Meio Ambiente e Saúde com enorme sucesso. Diante disso, resolveu-se estudar como a Petrobrás desenvolveu e executou esse grande projeto estratégico, a fim de obter um modelo adaptável de planejamento estratégico para outras organizações. O Planejamento é a primeira das funções administrativas e requer o reconhecimento do ambiente da organização, a estimulação da criatividade e o encorajamento de novas idéias e abordagens inovadoras aos desafios da administração, como também deve levar em conta o componente psicológico das pessoas envolvidas na organização. Para a realização dos objetivos organizacionais é fundamental a identificação dos fatores críticos. A Petrobrás contratou uma empresa de consultoria mundialmente conhecida, a DuPont Safety Resources, para realizar uma auditoria em suas unidades, e esta empresa fez um levantamento detalhado de todos os pontos críticos existentes. A partir daí, foram tomadas medidas corretivas, de maneira que o Sistema tornouse um processo contínuo, envolvendo desde a alta gerência, até os empregados contratados, e fez com que cada um se sentisse responsável pelo sucesso da implementação e manutenção do programa, que atingiu as metas estabelecidas antes do prazo previsto e foi de grande sucesso em uma organização do porte da Petrobrás, servindo de modelo para outras unidades espalhadas pelo Brasil. IV ABSTRACT: E&P - SERV/US - SAE - Unidade de Serviços de Sondagem Auto-Elevatória of Petrobrás it began to operate in November of 2000, operating five platforms and more management one. Those platforms follow rigid norms of safety and cares with the environment, because the activities of the same ones are considered of high risk for the involved parts and for the environment. Before a picture of own and contracted employees, what causes a difficulty in maintaining the control and the pattern of activities carried out in an organization, and of a picture of high risk, extremely delicate, to Petrobrás got to correct and to implement a System of SMS - Safety, Environment and Health with enormous success. Before that, she decided to study as to Petrobrás it developed and it executed that great strategic project, in order to obtain an adaptive model of strategic planning for another organizations. The Planning is the first of the administrative functions and it requests the recognition of the atmosphere of the organization, the stimulation of the creativity and the encouragement of new ideas and innovative approach to the challenges of the administration, as well as it should take into account the people's psychological component involved in the organization. For the accomplishment of the objective organization it is fundamental the identification of the critical factors. To Petrobrás it globally hired a consultation company well-known, DuPont Safety Resources, to accomplish an audit in its units, and this company made a detailed rising of all the existent critical points. Starting from there, measured corrective was taken, so that the System became a continuous process, involving from the high management, until the contracted employees, and she did with that each one if it felt responsible for the success of the implementation and maintenance of the program, that reached the goals established before the foreseen period and it was of great success in an organization of the load of Petrobrás, serving as model for other units spread by Brazil. V SUMÁRIO: p. 1.0 INTRODUÇÃO 01 2.0 REVISÃO DE LITERATURA 06 3.0 QUESTÕES OPERACIONAIS 16 4.0 METODOLOGIA 18 4.1 Abordagem 18 4.2 Local 18 4.3 Fonte de dados 18 4.4 Procedimento de coleta 19 4.5 Tratamento de dados 19 4.6 Análise dos dados 19 5.0 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 20 5.1 Identificação da necessidade de correção 20 5.2 Levantamento dos pontos críticos 20 5.3 Avaliação dos riscos 23 5.4 Planejamento das ações corretivas e preventivas 29 5.4.1 Treinamento dos empregados 31 5.4.2 Auditoria 33 5.4.3 Equipamentos e instalações 35 5.4.4 Comunicação 36 5.4.5 Saúde ocupacional 37 VI p. 5.4.5.1 Atividades promotoras do bem estar 40 5.4.5.1.1 Programa coração & ação 40 5.4.5.1.2 Programa de readaptação profissional 40 5.4.5.1.3 Programa de prevenção e recuperação de dependência química 40 5.4.5.1.4 Programa dez minutos de higiene 41 5.4.5.1.5 Programa de ginástica na empresa 41 5.4.5.1.6 Programa de educação para saúde 42 5.4.5.1.7 Programa de saúde bucal 42 5.4.5.1.8 Programa de vigilância epidemiológica 42 5.4.5.1.9 Programa médico para situações de emergência 43 5.4.6 Organização para controle de emergência 43 6.0 CONCLUSÃO 45 7.0 REFERÊNCIAS 50 8.0 GLOSSÁRIO 52 VII TABELAS E GRÁFICOS: p. Tabela 1 Taxa de freqüência de acidente com afastamento (TFCA) 04 Tabela 2 Severidade dos riscos 27 Tabela 3 Probabilidade/freqüência dos riscos 27 Gráfico 1 Taxa de freqüência de acidente com afastamento 04 VIII 1.0 INTRODUÇÃO A E&P-SERV/US-SAE - Unidade de Serviços de Sondagem Auto-Elevatória iniciou suas atividades em novembro de 2000. A criação do então Serviços Compartilhados de Sondagem Auto-Elevatória originou-se do novo modelo de gestão e organização da PETROBRÁS. Sua atribuição, dentro da nova estrutura organizacional, é a de prestar serviços de Sondagem Auto-Elevatória às Unidades de Negócio da PETROBRÁS, com plataformas próprias ou contratadas, de acordo com as políticas e metas do E&P. A Unidade opera 5 (cinco) plataformas próprias - PETROBRÁS I, PETROBRÁS III, PETROBRÁS IV, PETROBRÁS V e PETROBRÁS VI - e, atualmente gerencia o contrato de operação de 1 (uma) plataforma – a PA-29 (Schahin Engenharia). Além destas gerências, a unidade possui mais quatro: o Suporte Administrativo (SADM); o Suporte Técnico Operacional (STO); Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) e a Programação de Contato com o Cliente (PCC), que dão suporte técnico às plataformas. As plataformas da E&P-SERV/US-SAE seguem rígidas normas de segurança e cuidados com o meio ambiente, seu sistema abrange todas as atividades e instalações do Órgão e tem como referência as normas NBR ISO 9001:2000 (Sistema de Gestão da Qualidade – Requisitos), NBR ISO 14001:1996 (Sistema de Gestão Ambiental – Especificação e Diretrizes para uso) e BS8800:1996 (Sistema de Gerenciamento de Segurança – Guide to Occupational Health and Safety Management Systems – BSI/Reino Unido) com elementos de enfoque comportamental. 2 Atividades em Plataformas de Exploração Auto-Elevatória são consideradas como atividades de altíssimo risco tanto para as partes envolvidas como também para o meio ambiente. Sabe-se que nestas Plataformas atuam empregados da Petrobrás e de empresas contratadas, o que causa uma dificuldade em manter o controle e o padrão de atividades desempenhadas na empresa. Acidentes em plataformas tem potencial para provocar sérios danos em suas vítimas e/ou meio ambiente, trazendo enormes prejuízos econômico-social a uma empresa de porte internacional. Na tentativa de zerar os acidentes ocorridos nas plataformas, a US-SAE promoveu no ano de 2001 uma reestruturação no programa de gestão de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde). O sucesso da correção do sistema foi fruto de um grande projeto estratégico iniciado em 2001 e que está incluído no Plano de Negócios da US-SAE, através da estratégia EXCELÊNCIA OPERACIONAL. De início foi contratada uma empresa mundialmente conhecida, a DuPont Safety Resources (DSR) para conduzir uma rigorosa avaliação e diagnóstico do sistema de gerenciamento de SMS Esta avaliação cobriu os principais aspectos do sistema de gestão de segurança, utilizando como padrão de comparação, as melhores práticas Dupont para Excelência no Gerenciamento de Segurança de Processo. Um enfoque complementar no comportamento e atitudes de SMS da Unidade completou o processo. 3 Os elementos avaliados foram: • Organização; • Política de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS); • Responsabilidades de Linha; • Profissionais de SMS; • Investigação e análise de perdas potenciais e desvios; • Auditorias Comportamentais e Gerenciais; • Treinamento e desempenho; • Compromisso Visível; • Motivação, Conscientização e Sensibilização de SMS; • Procedimentos Operacionais; • Metas e Objetivos Desafiadores; • Comunicação eficaz em SMS; • Mudanças de Pessoal; • Contratados; • Qualidade Assegurada; • Integridade Mecânica; • Revisão de Pré-partida; • Mudanças das Instalações; • Informações de Processos; • Mudança de Tecnologia; • Estudos de Riscos; • Planos de Contingência. 4 O processo foi conduzido pelos avaliadores da DuPont em março de 2001 e todas as atividades foram efetuadas nas instalações da Unidade de Sondagem Auto-Elevatória, tendo por objetivo recomendar ações pontuais e sistêmicas para que a Petrobrás possa elevar seu padrão de gerenciamento de SMS, ao nível de excelência e minimizar seus riscos de processos. A tabela 1 e o gráfico 1 abaixo mostram a evolução do indicador para a atividade de sondagem auto-elevatória no período. Tabela 1 – Taxa de freqüência de acidente com afastamento – TFCA (relação entre o número de acidentados com afastamento por milhão Homens Horas de Exposição ao Risco no período). Ano TFCA 1999 2000 2001 Petrobrás 1,54 1,57 1,49 Contratada 10,55 7,89 1,48 Composto 5,74 4,72 1,48 Fonte: Prêmio de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional Gráfico 1 – Taxa de freqüência de acidente com afastamento. 12 10 8 Colunas 3D 1 6 Petrobras 4 Contratada Composto 2 0 1999 2000 2001 Fonte: Prêmio de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional 5 Percebendo o grande sucesso desta iniciativa, que envolveu desde empregados da Petrobrás até empregados prestadores de serviços, e no intuito de poder adaptar tais métodos a outras empresas, resolvemos estudar e analisar como a Unidade desenvolveu e implementou este sistema de sucesso. 6 2.0 REVISÃO DE LITERATURA Toda organização ou unidade organizacional deve ser continuamente configurada e reconfigurada pelos seus administradores, logo, eles precisam ter em mente o modo de tomar decisões estratégicas e planejar o futuro da sua organização. É preciso definir qual rumo sua organização deve seguir, tomar as decisões necessárias e elaborar planos para que o planejamento ocorra. O planejamento está voltado para o futuro, e o futuro requer uma atenção especial. Nenhuma organização pode operar na base da improvisação e nem funciona ao acaso, pelo contrário, ela requer planejamento para todas as suas operações e atividades, principalmente quando operam em ambientes dinâmicos, complexos e competitivos. O planejamento é um importante componente da vida organizacional capaz de dar-lhe condições de rumo e continuidade em sua trajetória em direção ao sucesso. DRUKER (1975, p.136) afirma que planejamento estratégico é o processo contínuo de tomar decisões empresariais, envolvendo riscos, no presente de modo sistêmico e com o maior conhecimento possível do seu futuro; é organizar sistematicamente os esforços necessários para que se cumpram essas decisões; e é medir os resultados dessas decisões contra as expectativas através de uma retroalimentação sistemática e organizada. Segundo CHIAVENATO (1999, p. 209), o planejamento é a primeira das funções administrativas, vindo antes da organização, da direção e do controle, e assim sendo, planejar significa interpretar a missão organizacional e estabelecer os objetivos da organização, bem 7 como os meios necessários para realização desses objetivos com o máximo de eficácia e eficiência. Segundo PRITZKER (1965, p. 36-45), o planejamento apresenta como uma das suas finalidades fundamentais o estabelecimento do entrosamento da organização com as atividades efetivas. Os planos não só proporcionam orientação, mas também servem como base para comparar resultados e estabelecer controles diversos. A estipulação do que deve ser planejado em longo prazo (dois a cinco anos) e em curto prazo (imediatamente e por um ano), permite a conjugação dos programas, projetos e atividades de controle de produção com os respectivos objetivos. Já para DRUCKER (1975, p. 132-133), a idéia de planejamento a curto prazo e a longo prazo não são definidos por um intervalo de tempo determinado. Uma decisão não é a curto prazo só porque leva alguns meses para ser executada. O importante é o intervalo de tempo durante o qual ela é eficaz. Planejar o que é o nosso negocio, planejar o que ele será e planejar o que ele deveria ser, tem que ser um todo integrado. O que é a curto prazo e o que é a longo prazo, é então decidido pelo intervalo de tempo e pelo que há de futuro na decisão. Tudo que é “planejado” se torna trabalho e compromissos imediatos. O planejamento é um processo que inclui a definição dos objetivos organizacionais, e a seleção das políticas, procedimentos e métodos desenhados para o alcance desses objetivos. O sucesso da função de planejar requer o reconhecimento do ambiente da organização, a estimulação da criatividade e o encorajamento de novas idéias e abordagens inovadoras aos desafios da administração. Logo, o planejamento fundamenta os próximos estágios do processo administrativo, como a organização, a direção e o controle. 8 O planejamento aumenta a possibilidade da empresa de se adaptar aos acontecimentos futuros e combater adversidades. Uma redução de operações planejada é menos custosa e desorganizadora do que uma redução improvisada. Emergências, tais como, incêndios e inundações, também tem dado ênfase à importância do planejamento (ALBERS, 1971, p. 374). Para HENDERSON (1989), apud MONTGOMERY (1998, p. 5), estratégia é a busca deliberada de um plano de ação para desenvolver e ajustar a vantagem competitiva de uma empresa. Para qualquer empresa, a busca é um processo imperativo que começa com o reconhecimento de quem somos e do temos nesse momento. Seus competidores mais perigosos são os que mais se parecem com você. As diferenças entre você e seus competidores são as bases da sua vantagem. Se você participa do mercado e é auto-suficiente, pode já ter uma vantagem competitiva, não importa se pequena ou sutil. A capacidade de criar um “pacote” de metas estratégicas precisas, coerentes e mensuráveis, não necessariamente resultará num planejamento estratégico bem sucedido, caso o gestor do novo projeto não leve em consideração o componente psicológico das pessoas envolvidas neste processo. Segundo QUINN (p. 14, 1979), para modificar significativamente a cultura de uma organização, tem o executivo de superar algumas potentes forças político-psicológicas. O sucesso que possa obter dependerá do grupo cujas percepções ele deseja modificar. A mudança de metas estratégicas envolve tipicamente a administração, durante vários anos, de uma complexa cadeia de eventos e forças em interação. 9 O problema fundamental é de ordem psicológica porque se tratam de dificuldades psíquicas básicas que impedem a ampla maioria de pessoas de viver suas potencialidades em toda a plenitude (RANDOLPH, 1977, p. 77). QUINN ainda afirma (p. 17) que as pessoas temem o futuro e resistem a mudanças porque carecem de direção e são incapazes de controlar e dirigir estas mudanças. Este estado de espírito é extremamente prejudicial, tanto para os indivíduos como para as organizações, porque vivemos numa era em que a única coisa constante são as mudanças. A relação do que é necessário planejar, deve, naturalmente, ser elaborada com a participação da assessoria de controle de produção e de quaisquer outros funcionários que possam cooperar, tendo em vista o alcance, a profundidade e os critérios que permitam o atendimento das necessidades específicas da empresa. Contudo, tais informações não precisam ser redigidas com todos os detalhes, mas serem suficientemente explícitas, a fim de facilitar o planejamento. Após a definição dos planos de operação, deve ser elaborado um cronograma que servirá como base para comparar o progresso real com os resultados planejados. Este cronograma permite que as gerências reestruturem o planejamento sempre que o mesmo esteja desvirtuando dos objetivos centrais. Em paralelo, devem ser estabelecidos planos de custo e orçamentos, que auxiliarão na visualização das divergências dos custos orçados e os custos reais (PRITZKER, 1965, p. 36-45). Ao planejar, o primeiro passo é definir objetivos para a organização, e estes são estabelecidos para cada subunidade, como suas divisões e departamentos. Estes objetivos devem ser alcançados através de planos que definirão programas sistemáticos e racionais. Ao selecionar objetivos e desenvolver programas, o administrador deve considerar sua 10 viabilidade e aceitação pelos gerentes e funcionários da organização, com isto, quanto maior e mais variado o grupo que compõe a organização, mais complicado será. Segundo CHIAVENATO (1999, p. 211), objetivos são os resultados específicos ou metas que se deseja atingir, e um plano é uma colocação ordenada daquilo que é necessário para atingir os objetivos. Sendo assim, os planos irão identificar os recursos necessários, as tarefas a serem executadas, as ações a serem empreendidas e os tempos a serem seguidos. Como norma geral, recomenda-se que o Programa de Administração do Planejamento inclua todas as pessoas com responsabilidade ambição e acima da rotina. O único critério para participar deve ser um desejo de progredir, a atuação de alguém e a presente situação bem como um compromisso no senti do de adquirir e aplicar a alta disciplina necessária para tal. O programa deve incluir todos os dirigentes, desde o Presidente até o supervisor da linha principal na empresa, como também os funcionários em ação junto à freguesia e os secretários (RANDOLPH, 1977, pg.139). QUINN (1979, pg. 15) afirma que a administração da inovação devera processar-se por meio de adaptações, à medida que surgirem as oportunidades e se desenvolverem os líderes e os centros de poder. Como todo planejamento se subordina a uma filosofia de ação, ACKOFF (1998) aponta três tipos de filosofia do planejamento; sendo que no primeiro, o planejamento conservador, o planejamento é voltado para estabilidade e a manutenção da situação existente, já no planejamento otimizante, ele é voltado para adaptabilidade e inovação dentro da 11 organização, e finalmente no planejamento adaptativo, o planejamento é voltado para as contingências e o futuro das organizações. PORTER (1986, p. 49-54) classifica as estratégias competitivas genéricas em três grandes grupos que são: liderança no custo de produção, que consiste em atingir a liderança no custo total em uma industria através de um conjunto de fatores funcionais orientados para este objetivo básico, embora a qualidade, a assistência e outras áreas não possam ser ignoradas; diferenciação, que consiste em diferenciar o produto ou serviço oferecido pela empresa, criando algo que seja considerado único ao âmbito de toda a industria; e o enfoque, que pode ser em um determinado grupo comprador, um segmento da linha de produtos ou um mercado geográfico. Conseqüentemente, o mesmo Autor afirma que as estratégias genéricas implicam em arranjos organizacionais diferentes como também na adoção de procedimentos de controle e sistemas criativos, requerendo estilos diferentes de liderança que se traduzam em atmosferas e culturas bastante diferentes nas empresas. Logo, o compromisso contínuo com uma das estratégias, como alvo primário, é geralmente necessário para que o sucesso venha a ser atingido. 12 CHIAVENATO (1999, p. 215) considera o planejamento como um processo constituído de uma série seqüencial de seis passos: 1. Definir os objetivos; 2. Verificar qual a situação atual em relação aos objetivos; 3. Desenvolver premissas quanto às condições futuras; 4. Analisar as alternativas de ação; 5. Escolher um curso de ação entre varias alternativas; 6. Implementar o plano e avaliar resultados. Observando estes passos entende-se que para fazer o planejamento é vital que se conheça onde a organização está inserida. Em outras palavras, qual é o seu macro-ambiente, qual a sua missão e quais os seus objetivos básicos, sobretudo, quais os fatores-chave para o seu sucesso. A partir daí, pode-se começar a pensar em planejamento. Logo, a identificação dos fatores críticos de sucesso é fundamental para a realização dos objetivos organizacionais. CHIAVENATO (1999, p. 219-220) afirma que existem duas maneiras de identificar os fatores críticos de sucesso. O primeiro é dissecar os recursos organizacionais e o mercado de maneira imaginativa para identificar os segmentos que são mais importantes. A segunda é descobrir o que distingue as organizações bem-sucedidas das mal-sucedidas e analisar as diferenças entre elas, aqui se aplica o benchmarking. O benckmarking seria o processo contínuo e sistemático de pesquisa para avaliar produtos, serviços e processos de trabalho de organizações que são reconhecidas como líderes empresarias ou representantes das melhores práticas, com o propósito de aprimoramento organizacional. Isto é, o benchmarking constitui uma fonte inesgotável de idéias 13 proporcionadas por outras organizações, identificando e comparando com o “melhor do mundo”. Como já foi descrito, o planejamento é feito através de planos e o administrador deve saber lidar com diferentes tipos de planos. Estes podem incluir períodos de longo a curto prazo, como podem envolver a organização inteira, uma divisão ou um departamento, ou ainda uma tarefa. Analisando a organização em três níveis: institucional, intermediário e operacional, o mesmo Autor dividiu o planejamento em três tipos: estratégico, tático e operacional respectivamente. No nível institucional, o planejamento estratégico está relacionado com a adaptação da organização por inteiro em um ambiente mutável, é orientado para o futuro, é compreensivo, é um processo de construção de consenso e é uma forma de aprendizagem organizacional. É um planejamento de longo prazo que aborda a organização como um todo. No nível intermediário, o planejamento tático geralmente se refere a planos de produção, planos financeiros, planos de marketing e planos de recursos humanos. É um planejamento menos genérico e mais detalhado, de médio prazo que aborda cada umidade organizacional em separado. Finalmente no nível operacional, o planejamento operacional é constituído de uma infinidade de planos operacionais que se proliferam nas diversas áreas e funções dentro das organizações, e podem ser classificados em quatro tipos: procedimentos, orçamento, 14 programas ou programações e finalmente regras e regulamento. É um planejamento detalhado e analítico, de curto prazo e micro-orientado, abordando cada operação em separado. Observa-se então que como o administrador pode trabalhar em vários níveis de autoridade, ele deve planejar em função de diferentes níveis de tempo. Logo, enquanto o supervisor desafia o espaço de três meses, um gerente pode lidar com períodos de um ano, e um diretor lida com uma amplitude que pode ir de três, cinco ou mais de dez anos. O Sistema de Administração do Planejamento é baseado nas atividades da mente humana. Ele fornece os instrumentos de que o indivíduo precisa para usar conscientemente a sua mente para melhor planejar, dirigir e controlar a si mesmo, a sua situação presente e o seu futuro. Importante que se compreenda que o Sistema de Administração do Planejamento é simplesmente um instrumento e, como tal depende do seu usuário. Para que seja eficiente, este Sistema precisa de um usuário que tenha o autodomínio para aumentar ao máximo suas grandes energias e superar suas dificuldades (RANDOLPH, 1977, p. 35). QUINN (1979, p. 26-30) afirma que diferentemente da preparação de um fino banquete, é praticamente impossível ao alto-executivo orquestrar todas as decisões internas, acontecimentos externos, relações comportamentais e de poder, necessidades técnicas e de informação e as ações de inteligentes opositores, a fim de que tudo se coordene num exato momento. O mesmo Autor afirma que qualquer posição rígida assumida será condenável. Pois, o objetivo das estratégias é o incognoscível, não o incerto. Envolve forças em tão grande número, tão vigorosas e tais poderes combinatórios que os eventos se tornam imprevisíveis no 15 sentido probabilístico. Por isso a lógica determina que se proceda flexível e experimentalmente, partindo-se de conceitos amplos para chegar a compromissos específicos, só assumidos no ultimo momento possível, a fim de capacitar os benefícios da melhor informação alcançável, constituindo assim o processo de “incrementalismo lógico”. Este “incrementalismo lógico” não consiste em alcançar intuitiva e arriscadamente. Consiste, sim, num bom método gerencial – consciente, com intenções explícitas e “proativo”. Bem administrado, possibilita ao executivo interligar coerentemente as contribuições proporcionadas pelas análises sistematizadas, as teorias políticas e de poder, e os conceitos relativos ao comportamento organizacional. Pode ajudá-lo a alcançar coesão interna e identificação com novos direcionamentos. Permite-lhe atender adequadamente às relações de poder e às necessidades comportamentais dos indivíduos. E por fim lhe possibilita utilizar a menor informação alcançável e as contribuições analíticas, para decidir sobre os melhores cursos de ação. 16 3.0 QUESTÕES OPERACIONAIS No presente trabalho, identificamos seis questões operacionais, que entendemos que contribuíram com planejamento e implementação deste sistema de sucesso nas Plataformas de Sondagem Auto-Elevatória da Petrobrás. Estas questões operacionais são descritas a seguir. 1- Compreender como a US-SAE identificou a necessidade de correção do seu Programa de SMS; Esta questão foi levantada porque se entende que é de extrema importância que a organização consiga identificar os seus pontos críticos e de que maneira esses pontos críticos foram identificados. 2- Identificar quem e quais setores participaram do planejamento do Programa; O objetivo desta questão foi entender quem, de quais níveis hierárquicos e de quais empresas definiram os objetivos organizacionais, e, conseqüentemente, a seleção das políticas, dos procedimentos e os métodos desenhados para o alcance destes objetivos. 3- Identificar quais informações foram levantadas, compreendendo de que forma as mesmas foram processadas; Desta forma buscou-se compreender a importância do levantamento e da interpretação de informações existes na organização para a elaboração do planejamento. 17 4- Identificar quais pessoas participaram da implantação (execução) do sistema, e quais pessoas estiveram envolvidas no mesmo; Nesta questão observou-se quem e de quais níveis hierárquicos aplicou as medidas corretivas produzidas ao resto da organização, executando assim o Sistema em questão. 5- Identificar as características das pessoas que estiveram envolvidas no processo; Na quinta questão operacional o objetivo foi entender quais pessoas e de que níveis hierárquicos receberam treinamento, de forma que o Sistema pôde ser implantado com êxito. 6- Identificar as informações relevantes geradas e processadas durante a implantação do processo. Nesta última questão procurou-se identificar essas informações com o intuito de que as mesmas sirvam de orientação para o planejamento e implantações de Sistemas futuros em empresas de grande porte. 18 4.0 METODOLOGIA 4.1 Abordagem Diante das questões colocadas investigamos como ocorreu a identificação de necessidade de correção do programa de SMS, analisando relatórios de Análises Críticas dos dois últimos anos e identificando os pontos críticos que foram levantados pela Gerência de SMS. 4.2 Local A pesquisa foi realizada no escritório da Unidade de Serviços de Sondagem AutoElevatória (E&P-SERV/US-SAE) que está localizado na cidade de Salvador, na Avenida Antonio Carlos Magalhães n° 1113, no Bairro do Itaigara. 4.3 Fontes de dados Como fontes de dados foram utilizados documentos da própria Unidade, dentre os quais estavam Relatórios de Análise preliminar de Risco, Boletins Técnicos, Relatórios de Ocorrência de Acidente, Relatórios de Sistema de gerenciamento de Segurança, Relatório de plano de Contingência Local e Relatórios de Auditorias de Segurança e de Auditorias internas. 19 4.4 Procedimento de coleta Todos os documentos foram lidos e analisados pelos integrantes da equipe 4.5 Tratamento dos dados Nesta etapa identificamos as informações relevantes geradas e processadas durante o processo de implantação, através da análise documental dos documentos, triangulando os dados ao final da mesma. 4.6 Análise dos dados Na última etapa foram tratados e analisados os dados obtidos através da coleta, o que gerou informações, através das quais podemos compreender um modelo de planejamento e implantação de um Sistema de sucesso na área de Segurança, Meio Ambiente e Saúde. 20 5.0 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS 5.1 Identificação da necessidade de correção A US.SAE, a partir da análise de dados que mostravam certos acidentes presentes nas suas unidades, percebeu a necessidade de uma análise mais detalhada que pudesse identificar os pontos críticos existentes na sua organização e contratou a DuPont Safety Resources DSR, empresa de consultoria em SMS mundialmente conhecida, para conduzir uma AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO DE SEU SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE SMS. A Petrobrás solicitou a DuPont que desenvolvesse conclusões e recomendações visando melhorar o desempenho operacional dos Serviços Compartilhados de Sondagem Auto-Elevatória, incluindo cinco plataformas. 5.2 Levantamento de pontos críticos No processo de avaliação, a equipe da DuPont examinou documentos, registros e práticas diversas da gestão de SMS, incluindo áreas de Operação, Manutenção, Engenharia, Processos, Recursos Humanos e Contratados, sendo entrevistados gerentes, supervisores, empregados próprios e contratados, foram encontrados números elevados de condições e atos inseguros que se persistissem resultariam em graves ocorrências a qualquer momento. A política existente e exposta nas plataformas naquele momento, era a versão publicada por um órgão, o E&P-BA, e as diretrizes e princípios nela descritos não eram completamente entendidos e praticados pela unidade. 21 Foi observado que a Gerência, o Encarregado e a Supervisão das plataformas ainda não tinham assumido o seu papel de gestão sistêmica de SMS, de modo que sua responsabilidade e liderança fossem percebidas e reconhecidas por toda unidade. Não havia entendimento claro das responsabilidades de cada nível hierárquico. Faltava aos profissionais de SMS das plataformas, um direcionamento claro, tanto pelo setor de SMS como pelo Encarregado e pelo Gerente da plataforma. A maioria dos acidentes e incidentes resultava do comportamento inadequado das pessoas ou eram causados por falhas no processo de gerenciamento de riscos, comprovando que as plataformas não possuíam um sistema de auditorias com a devida abrangência requerida pelo perfil de riscos. Não existia um procedimento de revisão do ciclo de tarefa por função, com base nas necessidades identificadas. A liderança media e acompanhava os resultados de SMS, através de índices reativos que não eram capazes de garantir melhoria continua e assegurar que o desempenho fosse consistente e sustentável. Os líderes não tinham participação ativa em SMS e sua liderança não era percebida pela unidade, no processo de gestão de SMS existente. Sem a presença constante da liderança na plataforma conversando com os funcionários, dando exemplo, demonstrando compromisso com o SMS e estimulando sua participação, os resultados de melhoria esperados não eram alcançados. 22 Em alguns casos, o processo de comunicação não era praticado de forma devida, gerando práticas inseguras e quebras de normas e procedimentos, o que gerava dúvidas quanto à eficácia da comunicação, ou falha da gerencia em motivar e treinar pessoas e exigir disciplina operacional. As práticas de trabalho das contratadas refletiam um baixo padrão de segurança. O processo de verificação de conformidade da empresa contratada era falho e assim não permitiam um adequado controle do desempenho de SMS. Procedimentos de verificação das condições operacionais das instalações não eram realizados nas plataformas, não havia evidências de que um processo sistemático e confiável estivesse em funcionamento para assegurar um completo controle sobre mudanças na instalação durante serviços de manutenção. Não existiam procedimentos para gerenciamento de mudanças de tecnologia, a falta de avaliações cíclicas dos riscos das atividades e operações das plataformas, poderia gerar potencial para acidentes de graves conseqüências. O exercício do simulado das plataformas demonstrou falhas que vinham se repetindo há muitos meses sem que nenhuma providencia tivesse sido tomada. 23 5.3 Avaliação de risco As organizações não atuam isoladamente, diversas partes, como empregados, consumidores, clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, empreiteiros, seguradoras, assim como as agências governamentais têm interesse na abordagem adotada por uma organização para com o SMS. O bom desempenho de saúde e segurança não é casual. As organizações devem dispensar a mesma importância à obtenção de altos padrões de gerenciamento de SMS como o fazem com respeito a outros aspectos chaves de suas atividades empresariais. Isto requer a adoção de uma abordagem estruturada para com a identificação, avaliação e controle dos riscos relacionados com o trabalho. Na gerência da US-SAE, o processo de avaliação de risco foi e continua sendo realizado de várias formas: através das Auditorias de Segurança e do Programa STOP (onde são detectados desvios), das Inspeções de Segurança da Permissão para trabalho, das Análises Preliminares de Risco, do Gerenciamento de Aspectos e Impactos e do PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. 24 Foram identificadas pelos Gerentes as necessidades de investimentos/melhorias de SMS, baseadas em informações/fontes como: • Planilha de levantamento de aspectos e impactos; • Conjuntos de aspectos e impactos significativos para o qual o gerenciamento implique em investimento de médio/longo prazo; • Requisitos legais – temporariamente não atendidos, que exijam investimento de médio/longo prazo; • Metas Corporativas Petrobrás; • Metas Próprias da US-SAE; • Não conformidades e ações corretivas e preventivas – necessidades identificadas que exijam investimentos de médio/longo prazo; • Requisitos originados de partes interessadas; • Orientações corporativas – requisitos oriundos da corporação tais como: Plano Estratégico da Petrobrás, Plano de Negócios do E&P, Termo de Compromisso; • Política de SMS – os objetivos e metas devem ser compatíveis com a Política, visando a implementação e manutenção da mesma e considerando os princípios de prevenção da poluição e riscos; • Proposta inicial para Plano de Negócios, elaborada por grupo de trabalho constituído por 30 empregados representantes das mais diversas atividades e gerências da US-SAE. O levantamento de Aspectos e Impactos foi realizado por um grupo multidisciplinar de funcionários da Petrobrás das áreas de Operação, Manutenção, Segurança, Saúde Ocupacional, Movimentação de Cargas e Movimentação Naval. O grupo participou de um 25 treinamento denominado de formação de Multiplicadores baseados nas normas ISO 14001 e BS8800 com carga horária de 40 horas para capacitação no levantamento dos riscos. Posteriormente foi realizado outro curso, com carga horária de 08 horas, para orientação quanto ao preenchimento da planilha de aspectos e impactos. A avaliação de aspectos e impactos iniciou-se com o agrupamento de todos os trabalhos desenvolvidos no órgão em 13 processos conforme relação abaixo: • Sondagem • Enfermagem • Manutenção Elétrica • Embarcação – DMM • Suprimento • Hotelaria • Utilização de Insumos na Plataforma • Segurança Salvatagem • Atividades de Escritório a bordo • Atividades de Escritório na Base • Manutenção Mecânica • Operações Especiais • Trabalho Embarcado Fonte: Prêmio de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional 26 Em seguida os processos foram subdivididos em tarefas e em atividades. Para cada atividade foram identificados os aspectos de SMS. Para cada aspecto, foram identificados os seus respectivos impactos, ou seja, as conseqüências e efeitos decorrentes dos referidos aspectos, considerando ar, água, solo, recursos naturais, fauna, flora, comunidade, ecossistemas específicos, onde for necessário e pertinente em função das atividades. Das planilhas de aspectos e impactos foram identificadas quinze hipóteses acidentais: 01. Incêndio ou Explosão; 02. Erupção do Poço; 03. Vazamento de Óleo ou Gás; 04. Óbito a bordo; 05. Acidente com Helicóptero; 06. Colisão de Embarcação contra a Plataforma; 07. Queda de Homem ao Mar; 08. Acidente com Fonte Radioativa; 09. Poluição no Mar; 10. Alagamento; 11. Encalhe; 12. Adernamento; 13. Plataforma à deriva; 14. Queda ou derrame de Carga Perigosa; 15. Doença ou Lesão Grave a Bordo. Fonte: Prêmio de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional 27 Foi feita uma avaliação da Importância ou do Risco, através da somatória de pontos referentes à Severidade (S) e a Freqüência/Probabilidade (P), com base nos critérios a seguir (tabela-II e tabela-III): Tabela 2 – Severidade dos riscos. Severidade Critério Pontuação Baixa Impacto de magnitude desprezível restrito ao local de ocorrência totalmente reversível com ações imediatas, sem 1 possibilidade de danos pessoais. Média Impacto de magnitude considerável reversível com ações mitigadoras; 2 Danos pessoais reversíveis. Alta Impacto de conseqüências grande muito magnitude graves, grande mesmo com extensão ações 3 mitigadoras; Morte ou danos pessoais irreversíveis. Fonte: Prêmio de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional Tabela 3 – Freqüência/probabilidade dos riscos. Freqüência ou Critério Pontuação Menor/Igual uma vez ao ano ou muito pouco provável 1 Probabilidade Baixa de ocorrer. Média Quando não for caracterizado nem como baixa nem 2 como alta ou provável de ocorrer. Alta Freqüentemente ou continuamente ou esperado que ocorra. Fonte: Prêmio de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional 3 28 Todo o processo de levantamento de Aspectos e Impactos foi implantado, abrangendo todas as áreas, tarefas e atividades do órgão, sendo os resultados disponibilizados (na rede de computadores e em cópia física) para todas as plataformas e áreas administrativas, através de planilhas. Dentro da sistemática adotada pelo órgão, a realização da Avaliação de Aspectos e Impactos se faz necessária sempre que houver: • Alterações de processos, produtos ou serviços; • Na aquisição de novos equipamentos, construção de novas instalações. Nestes casos a avaliação de aspectos e impactos é aplicada a cada alternativa de forma a possibilitar a escolha mais viável. Tal avaliação pode ser efetuada através da planilha de aspectos e impactos ou através de outros instrumentos particulares tais como check-list, etc; • Desativação de instalações; • Alterações importantes em qualquer elemento do filtro de significância. Qualquer empregado que identificasse a necessidade de realização de avaliação de aspectos e impactos comunicava esta necessidade ao seu Supervisor/Gerente, cabendo aos mesmos, a responsabilidade pela atualização dos aspectos e impactos de suas atividades, produtos e serviços, assim como as ações a serem tomadas em função de seus resultados e, a cada três (3) anos, o Representante da Alta Administração coordena a reavaliação geral dos aspectos e impactos. 29 5.4 Planejamento de Ações Corretivas e Preventivas Atualmente a US-SAE adota medidas permanentes e intermitentes de identificação e correção de falhas, adotando ações corretivas e preventivas assim que qualquer possível falha seja identificada. Todas as medidas advindas de um Relatório de Não Conformidade devem ser confrontadas com a Planilha de Aspectos e Impactos, de modo a que sejam verificadas as necessidades de alteração na mesma. Os materiais e serviços não-conformes, e todas as reclamações dos clientes são tratadas com ações imediatas, e suas causas investigadas de acordo com a magnitude e repetitividade do problema e os riscos envolvidos, e desencadeiam ações corretivas. Para causas de não-conformidades potenciais são determinadas e implementadas ações preventivas. As ações corretivas e preventivas implementadas são verificadas quanto a sua efetividade antes da análise ser considerada como concluída. Quaisquer alterações nos procedimentos resultantes dessas ações são obrigatoriamente implementadas e registradas. São tratadas e investigadas as anomalias relacionadas a: acidentes, quase acidentes, não-conformidades, falha operacional, oportunidade de melhorias, reclamação de parte interessada, entre outras causas. A eficácia das ações preventivas e corretivas para tratar estas 30 anomalias é verificada pelos gerentes das plataformas, e quando for proveniente de auditoria interna pela equipe auditora. Diante da situação encontrada nas Unidades da US-SAE, foram tomadas algumas ações como: • Preparação do Plano Geral de Metas de SMS pelo gerente da plataforma, envolvendo empregados e plano com ações específicas, prazos para execução e responsabilidades definidas, com inclusão de análise; revalidação e consolidação de todas as atividades e programas de SMS existentes em um plano com metas e objetivos específicos, desafiadores de curto, médio e longo prazo capazes de estimular a organização a obter os resultados desejados na busca da melhoria contínua; • Cronograma de reuniões para acompanhamento dos programas e atividades de SMS; • Criação de comitês para gerenciarem os programas e atividades específicas do órgão, envolvendo representantes das diversas áreas da Unidade: - Comitê de Gestão: composto pelo Gerente da US-SAE, Gerentes Setoriais do STO, SADM, SMS, PCC, das Plataformas P-I, P-III, P-IV, P-V, P-VI e Gerente dos Contratos. - Comitê Central de SMS: composto pelo Gerente da US-SAE (coordenador), Gerentes Setoriais do STO, SADM, SMS, PCC, das Plataformas P-I, P-III, P-IV, P-V, P-VI, Gerente dos Contratos, pelo Médico do Trabalho e pelo Engenheiro de Segurança; 31 - Comitê de SMS de bordo nas plataformas: composto pelo Gerente Setorial de Operação da Plataforma, Encarregado Supervisor de Apoio, Técnico de Enfermagem e Técnico de Segurança. 5.4.1 Treinamento dos Empregados A US-SAE mantém procedimentos para identificar de forma integrada, as necessidades de treinamento e conscientização em Segurança, Meio Ambiente e Saúde, para garantir que todos os empregados cujas tarefas possam causar impactos significativos recebam treinamento adequado, e informações para levar a conscientização sobre a importância do SMS e de seu papel nele. O escopo desta identificação contempla os procedimentos de trabalho e o aprimoramento técnico necessário para o contínuo desenvolvimento dos empregados. Coube a gerência de Suporte Administrativo coordenar o processo de identificação de necessidade de treinamento e desenvolvimento de Recursos Humanos e aos gerentes das plataformas coube identificar e orientar a programação de execução de treinamentos de sua gerencia. Ao empregado coube o envolvimento auto-avaliação de suas necessidades de treinamento e desenvolvimento. A identificação de necessidades de treinamentos dos empregados foi elaborada baseandose nos itens abaixo: • Planilha de Descrição de Cargos, qualificação com base na instrução (formação necessária); 32 • Matriz de Treinamento, qualificação nos procedimentos do Sistema da Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde; • Solicitação dos Supervisores no formulário de avaliação de embarque (somente para empregados lotados nas plataformas); • Qualificação em habilidades, visando dotar os empregados de conhecimentos específicos para o desempenho de suas atividades; • Levantamento de necessidades através de consulta ao empregado; • Necessidades levantadas ao longo do processo de negociação de Gerenciamento de Desempenho de Pessoal (GDP); • Prioridades do Órgão; • Alinhamento com as metas do Órgão; • Participação em eventos como encontros, seminários, workshops, mesas redondas, congressos, simpósios. Para atender os requisitos na área de SMS foram desenvolvidos vários programas específicos de treinamentos, objetivando a conscientização de cada colaborador. Estes programas são atualizados periodicamente, buscando a incorporação de novos cursos para manter o sistema alinhado com a demanda do mercado. Todos os empregados da unidade, inclusive contratados e pessoal de terra (escritório) receberam treinamentos em segurança e nos padrões do sistema de SMS, com objetivo de conscientizar e assegurar o bom desempenho de suas atividades e o comprometimento com a segurança. 33 A eficácia do treinamento recebido pelo empregado é verificada ao longo do exercício das suas funções pela observação do seu supervisor. Como as avaliações de embarque são realizadas a cada embarque, o supervisor tem condições de solicitar ou reprogramar novo treinamento para o empregado. 5.4.2 Auditoria A US-SAE estabeleceu sistemática para realização de auditorias internas do Sistema de SMS para avaliar, com base em evidencias objetivas, se o sistema está adequadamente implementado, mantido e atendendo a política e seus objetivos. As auditorias internas tiveram a finalidade de verificar, com base em evidências objetivas, se as seguintes condições ocorrem: • os padrões gerenciais, execução, instruções de serviços são adequados e eficazes; • os setores da organização estão atendendo as legislações aplicáveis; • os objetivos e metas de SMS estão sendo realizados conforme o planejamento; • as análises críticas estão sendo realizadas; • a política está sendo cumprida; • os resultados das auditorias anteriores estão sendo analisados; Elas foram realizadas levando em consideração: • busca de melhorias contínuas para o sistema de gestão implementado; • independência dos auditores internos; • notificação das áreas a serem auditadas; • planejamento dos itens a serem auditados. 34 As auditorias foram e são realizadas duas vezes por ano, garantindo que todos os requisitos aplicáveis do sistema foram auditados neste período. Nas reuniões do Comitê de Gestão e do Comitê de SMS foram realizados os acompanhamentos das implementações das não-conformidades de auditorias internas e semestralmente na análise crítica pela alta administração foram levantadas às oportunidades de melhorias para o aperfeiçoamento do sistema. Após realização da Auditoria, a equipe de Auditores emite um Relatório endereçado ao gerente da US-SAE, que define a responsabilidade de cada gerência auditada no tratamento de cada não-conformidade encontrada e encaminha cópia do relatório as gerencias para divulgação junto às áreas auditadas. Coube e cabe ao Gerente de cada área auditada, ou pessoa por ele designada, a responsabilidade do controle das ações corretivas e/ou preventivas advindas do processo de auditoria, devendo o mesmo fazer o acompanhamento de sua implementação e efetividade. Nas auditorias subseqüentes, a equipe auditora, fez e faz uma análise crítica do tratamento da não-conformidade e da efetividade das ações corretivas, propostas na auditoria anterior, registrando no relatório esta análise. A alta Administração da US-SAE realizou, e continua realizando, a análise crítica do SMS conforme procedimento específico, garantindo a contínua adequação e eficácia do Sistema de Gestão, esta análise tem como foco principal à necessidade ou oportunidade de 35 melhoria e abordou as necessidades de alteração na política, nos objetivos e em outros elementos do sistema. 5.4.3 Equipamentos e Instalações A Unidade estabeleceu uma sistemática para gerenciamento dos equipamentos e instrumentos críticos para o Sistema de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, definindo a forma de identificação dos equipamentos e instrumentos, plano de manutenção e calibração, registro da manutenção realizada, manuseio preservação e armazenamento, critérios de aceitação, proteção contra violação e situação da calibração. Nesta sistemática de gerenciamento incluiu-se a realização de Auditorias de Segurança e de Inspeções de Segurança, com periodicidade definida e com o objetivo de identificar anomalias com relação a normas, legislação, iniciadores de acidentes potenciais, de modo que sejam preservadas a integridade física dos funcionários próprios e contratados, Meio Ambiente e a continuidade operacional. As Auditorias de Segurança teve foco no comportamento humano e nas atitudes, possibilitando a detecção e correção de desvios, e as Inspeções de Segurança teve foco nas instalações, possibilitando a detecção de correção de problemas nas mesmas. Na análise de anomalias devido a equipamentos e instalações que tenham sofrido avaria foi levada em conta uma análise de riscos para a continuidade da operação, de modo a evitar a ocorrência de novos acidentes. 36 5.4.4 Comunicação Estabeleceram-se procedimentos para comunicação interna mais eficaz entre os vários níveis e funções da empresa, sendo recebidas através de qualquer meio, telefone, fax, e-mail, correio eletrônico, relatório, correspondência, jornal informativo, folders, Intranet, Murais, Revista Petrobras, Placas, Faixas, Cartazes, Displays, etc. As respostas às comunicações serão realizadas, preferencialmente pela Gerencia de Suporte Administrativo, quando for de partes interessadas internas serão efetuadas pela própria Gerencia onde o registro foi efetuado, após o devido tratamento. A comunicação de situações de emergência é realizada conforme definida nas Tabelas de Contingência. Cabe aos gerentes de Operação das Plataformas informar ao gerente de SMS e ao Gerente Geral da US-SAE a ocorrência de situações de emergências, mantendo-os informados das ações que estão sendo tomadas para controle da emergência, bem como para solicitação de recursos adicionais que se fizerem necessários. Cabe a Gerencia Geral da Unidade a coordenação das informações a serem liberadas à imprensa e aos órgãos governamentais sobre os acontecimentos, bem como a manutenção da atualização dessas informações. Para auxiliá-lo nessa tarefa, o Gerente poderá designar um responsável para estes contatos. 37 5.4.5 Saúde Ocupacional A unidade assegurou o cumprimento das exigências legais e revitalizando o PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, como parte integrante das ações decorrentes da política de Segurança, Meio Ambiente e Saúde Ocupacional do Órgão, que é responsável pelas ações relativas à Higiene do trabalho, ou seja, preocupa-se com a antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos originados nos locais de trabalho que podem prejudicar a saúde e bem estar dos trabalhadores. O objetivo do PPRA é garantir um ambiente de trabalho saudável para seus empregados, visando à prevenção da saúde dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais de trabalho. Também tem como objetivo garantir aos empregados e prestadores de serviço o conhecimento potencial de exposição aos agentes ambientais, suas conseqüências, os meios de controle e os procedimentos seguros de trabalho. De forma mais objetiva, o PPRA visa especificamente a prevenção das doenças ocupacionais através do controle dos fatores de risco nos ambientes de trabalho. A implantação, desenvolvimento e resultados de ações na área de saúde ocupacional são acompanhados pelo sistema de gestão de SMS da US-SAE. Os critérios utilizados para acompanhamento dos trabalhadores são estabelecidos a partir de dados de exposição a agentes de risco ocupacionais, definidos no PPRA e de fatores relacionados à idade, sexo e prevalência de doenças no grupo estudado. 38 Este grupo de trabalhadores está exposto a: • Condições antiergonômicas: operação de máquinas e equipamentos pesados, remanejamento de equipamentos e instalações, posições forçadas, como flexão e rotação de tronco; • Fatores de risco físicos: ruído e vibração; • Fatores de risco químico: freqüentes nas atividades de manutenção (óleo, graxa) e no manuseio do fluído de perfuração; • Fatores de risco biológico: nos serviços de saúde; • Possibilidade de acidentes, resultantes do trabalho com máquinas e equipamentos, trabalho em altura e outros. Alinhada com as diretrizes do SMS da Petrobras, a área de Saúde Ocupacional da Gerência de SMS da E&P-SERV/US-SAE desenvolveu ações dispostas em programas que compõem o Programa de Promoção da Saúde, que teve como objetivo estimular e promover a manutenção da qualidade de vida, através do estabelecimento de metas, requisitos, identificação e divulgação de melhores práticas e acompanhamento de resultados. O PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, da unidade tem os seguintes objetivos específicos: • Acompanhar a saúde dos empregados, destacando precocemente alterações relacionadas ao desenvolvimento de suas atividades e a hábitos de vida, interferindo na evolução do processo; • Desenvolver atividades de prevenção de agravos à saúde dos empregados; 39 • Reduzir os agravos à saúde, doenças ocupacionais e acidentes do trabalho, assim como o absenteísmo, contribuindo deste modo para o resultado empresarial da empresa. Para que a empresa obtenha resultados esperados estabeleceram-se responsabilidades para os seguintes níveis de competência: a. Gerencial: garantir a implantação e o desenvolvimento do PCMSO, zelando pela sua eficácia e continuidade; b. Empregados: realizar exames periódicos ocupacionais previstos neste PCMSO, assim como atender às orientações recebidas; c. Gerencia de SMS: coordenar o desenvolvimento do PCMSO, estando a atribuição de realizar exames médicos periódicos, perícias, investigação de acidentes do trabalho, etc. A promoção da saúde é desenvolvida através da sensibilização para a autoresponsabilidade e do estímulo à participação nos vários programas voltados para o bem estar, saúde e qualidade de vida dos empregados. Tendo em vista que a proteção contra os riscos ocupacionais é condição necessária, mas não suficiente para garantir o estado de saúde dos empregados, a Saúde Ocupacional da unidade abrangeu também, no seu campo de atuação, as ações preventivas e corretivas, considerando os aspectos e riscos internos e externos ao ambiente de trabalho. O desenvolvimento das ações previstas no PCMSO gera dados que são transformados em indicadores dos diversos programas, servindo de base para o planejamento de novas medidas que resultem em melhoria da qualidade de vida dos empregados. 40 5.4.5.1 Atividades Promotoras do Bem Estar 5.4.5.1.1 Programa Coração & Ação Buscou-se identificar os trabalhadores com fatores de risco para DCV. Os empregados com tais alterações passaram a serem acompanhados de acordo com o estabelecido no programa, recebendo orientação individual de nutricionista, avaliação do índice de massa corpórea – IMC, colesterol, glicose e pressão arterial quando a bordo das plataformas. São encaminhadas cartas a cada participante do programa com o objetivo de sensibilizá-los e os mesmos são acompanhados por médicos especialistas, sempre que necessário. 5.4.5.1.2 Programa de Readaptação Profissional Viabiliza posicionar o empregado em cargo compatível com a redução da sua capacidade laborativa, ocorrida em função de acidente ou doença, no menor tempo possível. Os empregados são acompanhados por médico e assistente social durante o período em que permanecem afastados, no estágio para readaptação ao trabalho, assim como no seu retorno a empresa. 5.4.5.1.3 Programa de Prevenção e Recuperação de Dependência Química O PRODEQ atua através de campanhas educativas que visam à conscientização dos empregados e seus familiares sobre os problemas relacionados ao tema, considerando os diferentes aspectos que os envolvem. Os indivíduos identificados através do exame médico periódico são abordados e avaliados pela equipe de saúde, encaminhados para o tratamento 41 mais adequado a cada situação, em ambulatórios e clínicas credenciadas, cujos custos são pagos inicialmente pela empresa. Busca-se o envolvimento do núcleo familiar em todas as fases do tratamento e recuperação. 5.4.5.1.4 Programa Dez Minutos de Higiene Programa voltado para os trabalhadores da hotelaria das Plataformas, desenvolvido por profissional de saúde. Consiste na administração de orientações sobre higiene e cuidados gerais para manuseio de alimentos, bem como doenças adquiridas por vetores e as medidas de controle. A metodologia empregada baseia-se na administração de palestras semanalmente e distribuição de material educativo. 5.4.5.1.5 Programa de Ginástica na Empresa A conscientização de que a atividade física favorece melhores condições de trabalho e previne a ocorrência de casos de doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, levou a unidade, a implantar a ginástica laboral, através da prática voluntária de atividades físicas diárias, realizada pelos trabalhadores coletivamente, por aproximadamente 15 minutos, antes da jornada de trabalho, sob orientação de profissional especializado. 42 5.4.5.1.6 Programa de Educação Para Saúde Este programa tem como objetivo principal esclarecer aos empregados sobre medidas de prevenção, transmissão e tratamento de doenças. A prática deste programa engloba a realização de palestras para empregados nas plataformas e distribuição de material educativo sobre riscos à saúde e forma de prevenção. 5.4.5.1.7 Programa de Saúde Bucal Este programa oferece aos empregados os meios de prevenir a cárie e a doença da gengiva por meio de atitudes pessoais: uso da escova, placa bacteriana, controle do açúcar, etc. 5.4.5.1.8 Programa de Vigilância Epidemiológica A gerencia de SMS através deste programa tem utilizado como indicador o percentual de tempo perdido – PTP. Este indicador avalia o absenteísmo por motivo de saúde no órgão, permitindo estimar o impacto do afastamento do empregado nas atividades produtivas da empresa. O PTP é medido mensalmente na unidade e é utilizado para instrumentalizar o planejamento de ações de saúde. 43 5.4.5.1.9 Programa Médico Para Situações de Emergência Treina-se empregados em primeiros socorros periodicamente, garantindo suporte no caso de acidentes com vítimas. 5.4.6 Preparação e atendimento a emergência Um serviço de identificação dos cenários acidentais é realizado através do levantamento de aspectos e impactos de Segurança, meio Ambiente e Saúde. A Organização para Controle de Emergência é composta por grupos que tem atribuições definidas, em função de sua área de conhecimento e que atuam no controle da emergência a bordo das plataformas, conforme organograma abaixo: ORGANIZAÇÃO PARA CONTROLE DA EMERGENCIA (OCE) Coordenador de Área Encarregado da Plataforma Assessoramento Supervisor de Apoio Engenheiro Fiscal Brigada de Incêndio Coordenador Local de Emergência Supervisor Responsável pela Área envolvida Equipe de Socorrista Grupos de Ação Comunicação Operador de Rádio Equipe de Resgate de Homem ao Mar Fonte: Prêmio de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional Tripulação de Embarcações 44 As equipes que compõem a OCE poderão ser acrescidas de profissionais com conhecimento técnico na área afetada, ficando a critério do Coordenador geral a sua possível contratação/convocação para auxiliar no controle da emergência. 45 6.0 CONCLUSÃO Observando o sucesso da Implantação do Sistema da SMS em plataformas da Petrobrás, uma empresa de grande porte que é referência mundial e que trabalha com empregados próprios e contratados, resolvemos estudar o planejamento e a implementação deste Sistema a fim de compreender como se deu a elaboração destas medidas para que possamos estipular um padrão de medidas a ser seguido. A partir das informações analisadas compreende-se que toda organização deve planejar as suas operações e atividades, sendo que o planejamento é a primeira das funções administrativas, vindo antes da organização, da direção e do controle. Para se planejar com sucesso é necessário um reconhecimento do ambiente organizacional, que haja estímulo da criatividade e o encorajamento de novas idéias e abordagens inovadoras aos desafios da administração. Um dos fatores preponderantes para o sucesso da implantação de metas estratégicas, por mais que estas sejam planejadas, é o fator psicológico das pessoas envolvidas neste processo. Logo, o administrador deve conseguir superar potentes forças político-psicológicas existentes nas organizações. Todo planejamento deve definir objetivos claros e os mesmos devem ser estabelecidos em suas unidades e sub-unidades da organização, sendo dirigidos cada vez mais ao seu ponto de ação, a fim de que sejam realizados com maior empenho e especificidade. Deve também ser considerada a viabilidade e aceitação destes objetivos pelos funcionários envolvidos na 46 organização, levando-se em conta que quão maior e diversificado for este grupo, mais difícil será a aceitação destes objetivos. Planos devem ser desenvolvidos identificando quais os recursos necessários, as tarefas a serem seguidas e executadas, as ações a serem empreendidas e os tempos a serem seguidos para que os objetivos sejam atingidos dentro de uma organização. Concluiu-se que outro fator indispensável para realização dos objetivos organizacionais é a identificação dos pontos críticos, e estes podem ser identificados dissecando os recursos organizacionais e o mercado, identificando os seguimentos mais importantes ou descobrindo o que distingue as organizações bem-sucedidas das mal-sucedidas e analisando as diferenças entre elas. Percebeu-se também que o planejamento deve ser dividido em estratégico, tático e operacional, sendo que o primeiro aborda a organização por inteiro e a longo prazo, o segundo aborda cada unidade organizacional e a médio prazo e finalmente o terceiro aborda cada operação em detalhado e a curto prazo. Observou-se que a falta constante de uma figura de liderança, que sirva de exemplo e que tenha uma participação ativa no SMS, contribuía para a falta de compromisso e o não cumprimento do programa pelos funcionários subordinados. A tarefa mais importante e freqüentemente a mais difícil é motivar. Numa empresa motivada, a gerencia está completamente envolvida no esforço de SMS e todo empregado está comprometido com um bom desempenho neste quesito. É notório que há um grande 47 envolvimento dos empregados na reformulação do programa, conseguido através de atividades especiais e da participação nas reuniões de SMS, premiando habilidades, esforços, idéias e sugestões e os resultados individuais e coletivos. Ocorre também na Unidade, a presença constante das lideranças (Gerentes, Coordenadores, etc.) nas plataformas, conversando com os empregados, dando exemplo, demonstrando compromisso com o SMS e estimulando a participação de todos. Deve-se destacar que esta Gestão participativa foi e é importante no alcance dos resultados, a principal ação do grupo é a elaboração do Plano de Negócios pelo “Grupo dos 30”, que posteriormente é analisado e validado pelo Comitê de Gestão. Este Plano norteia as atividades do Órgão nos anos posteriores a sua construção. Outro ponto observado anteriormente à implementação do Sistema foi que nem sempre o processo de comunicação era eficiente, e que isto gerava práticas inseguras e quebras de normas e procedimentos, mostrando a importância deste fator no sucesso da implantação de um programa dentro de uma organização. A avaliação cíclica dos riscos das atividades e operações, a correção de falhas encontradas em simulados, assim como uma igual atenção para com os funcionários contratados, tratando-os como parte própria da empresa, é de suma importância para o sucesso de um programa. 48 Entende-se também, que qualquer anomalia, por menor que seja, deve ser investigada e tratada, se possível gerando medidas corretivas que definam grupos de gestão e operacionalização que implantarão o Sistema. Vale destacar também que o processo de avaliação de risco das plataformas é visto como um processo contínuo, que gera um relatório preciso e confiável, de onde se pode partir para implementar medidas de controle. Na US-SAE os pequenos incidentes são tratados com o rigor, pois eles podem tornarse causas dos acidentes; não se subestima os riscos aos quais estão expostos. A equipe de Auditoria é inteiramente comprometida com o Programa, buscando obter o máximo de informação a respeito das execuções das atividades conforma padrões estabelecidos pela Unidade. Conhecer os procedimentos não é suficiente. Acidentes acontecem numa fração de tempo, portanto, é preciso que os trabalhadores internalizem cada passo da operação, de forma que, mesmo num imprevisto, sem tempo para pensar, reajam sempre da maneira correta. Os empregados, tanto os próprios quanto os contratados, devem ser constantemente e adequadamente treinados, de acordo com as necessidades encontradas pelos seus supervisores, que devem fazer constantes avaliações analisando a eficácia dos treinamentos e identificando as falhas presentes. 49 Notou-se também que a realização de constantes auditorias internas é de vital importância para o sucesso de um programa, pois foi a partir delas que os responsáveis pela implantação do Sistema conheceram a real situação e estabeleceram o tratamento das nãoconformidades existentes no Sistema. Não existem barreiras quando o assunto é segurança, as anomalias devem ser identificadas por qualquer empregado, próprio ou contratado, e devem ser comunicadas para os níveis hierárquicos pertinentes, para registro e tratamento. Programas que promovam o bem estar físico e psíquico dos empregados são de extrema importância para o sucesso de qualquer ação tomada na organização, pois estes fatores podem impactar na aceitação e implantação de certas medidas pela mesma. Podemos concluir que ponto forte desta Unidade é conseguir fazer com que todos os empregados internalizem que a Segurança é um problema de todos, gerentes e empregados, e que os contratados devem ser visto como empregados da empresa, devendo ter o mesmo tratamento, seja em treinamentos, acomodações, alimentação, etc. Isto só reforça a idéia de que toda a organização deve estar empenhada em atingir um objetivo em comum, trabalhando junta e unida para que as estratégias, planos e metas se realizem com o maior sucesso possível. 50 7.0 REFERÊNCIAS ALBERS, Henry H. Princípios de Administração. Livros Técnicos e Científicos Editora Ltda. Rio de Janeiro, 1971, 700p. CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 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Estratégia competitiva: técnicas para analise de industria e da concorrência. Tradução Elizabeth Maria Pinto Braga; revisão técnica Jorge A Garcia Gomes- Rio de Janeiro: Campus, 1986, 362p. 51 PRITZKER, ROBERT A, Modernas Técnicas de planejamento e controle da produção. Tradução do Management Center do Brasil, Avenida Paulista, 2765, 11ºandar, São Paulo, 1965, 468p. QUINN, James Brian. Metas estratégicas: processo e política. Tradução de Newton C. Ramalho. Rio de Janeiro, INCISA, 1979. RANDOLPH, Robert M. A administração do planejamento: como tornar realidade uma idéia. Trad. Attílio Cancian; revisor técnico. Luís Carlos Teixeira de Freitas. São Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 1977. SAMPAIO, José Carlos Arruda – Apostila de Segurança e Qualidade e a nova NR18, São Paulo: ITQC. SOARES, Boanergers do Amaral; GONÇALVES, Nilson. Certificação de Sistemas de Gestão Integrada pelas Normas ISO 9000, ISO 14000 e BS 8800. 52 8.0 GLOSSÁRIO DCV – Doenças Cárdio Vasculares DDM – Desmontagem – Deslocamento – Montagem E&P – SERV / US-SAE GPD – Gerenciamento de Desempenho Pessoal OCE – Organização para Controle de Emergência PCC – Programa de Contato com o Cliente PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais SADM – Suporte Administrativo SMS – Segurança, Meio Ambiente e Saúde STO – Suporte Técnico Operacional TFCA – Taxa de Frequência de Acidentes com Afastamento