ISSN 1678-1929 Inter Ação Revista das Faculdades Integrada de Paranaíba Paranaíba-MS. Volume 4, Número 1 – Jan./ Dez 2007 2 Nota: A Revista Inter Ação é uma publicação anual do Centro Educacional Visconde de Taunay – CEVITA ISSN 1678 - 1929 CONSELHO EDITORIAL Luiz Miguel Martins Garcia – Presidente Ana Paula Mendes de Medeiros Edilva Bandeira Souza Érica Vasconcelos de Morais Georgia Suppo Prado Veiga Jakeline Margaret de Queiroz Ortega Julio Cezar Siqueira Marcia Donizeth Prete Roberto Pereira da Silva CENTRO EDUCACIONAL VISCONDE DE TAUNAY Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR DIRETORES Prof. Msc.Edna Mendes de Medeiros Prof. Esp.Carlos Joaquim Rodrigues da Cunha Prof. Esp.Ana Paula Mendes de Medeiros REVISÃO Luiz Miguel Martins Garcia Edilva Bandeira Souza Ana Paula Mendes de Medeiros Ione Vieira dos Santos Editoração: Editora FIPAR Impressão: EDEN Gráfica Revista Inter Ação. FIPAR Editora, 2007. Vol. 4, n. 1, jan./dez. 2007 – Paranaíba (MS) : Anual ISSN 1678-1929 1. Educação – Estudo e Ensino. Linguagem 4. Administração 2. Pesquisa – Periódico 5. Ciências Contábeis. 3. Letras - CDD 002 * Preparada pela Bibliotecária Ana Paula Mendes de Medeiros - CRB1/ 1969 ______________________________________ ¹ Endereço para correspondência: Rua Maclino de Queiroz, 270 – Jardim Redentora Paranaíba – MS CEP: 79500-000 Fone/Fax: (0XX67) 3668-1945. e-mail: [email protected] 3 Sumário 1 ABORDAGEM CONCEITUAL DE ÈTICA PROFISSIONAL CONTÁBIL Cacildo Lacerda de Amorim e Weber Dias Pedro ............................................................ 6 2 A IMPORTÂNCIA DE UMA AUDITORIA NADETECÇÃO DE FRAUDE NAS EMPRESAS Diego de Oliveira Mariano ......................................................................... 15 3 AUDITORIA E CONTROLE INTERNO Mônica de Souza Oliveira Gonçalves ............................................................................ 26 4 CONCEITOS DE ORÇAMENTO E A CONTABILIDADE Carlos Alberto Leão Barros e Welce Martins Andrade ................................................... 43 5 O IMPACTO DOS TRIBUTOS NA CLASSE EMPRESARIAL BRASILEIRA Claudia Roberta C. dos Santos Oliveira, Roberto Cezar dos Santos e Edevar Souto de Oliveira ........................................................................................................................... 55 6 MARKETING PESSOAL: A FERRAMENTA PARA O SUCESSO PROFISSIONAL Cleuslene da Silva Barboza e Raquel de Oliveira Alves ................................................ 66 7 O NOVO VELHO ENFOQUE DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL Denismar Rosa da Silva e Israel Marques de Oliveira ................................................... 75 8 FLUXO DE CAIXA: TÉCNICAS GERENCIAIS Flávio M. Henrique e Franklin B. Mota ........................................................................... 92 9 COMPETÊNCIA E CAPACIDADE TRIBUTÁRIA DIFERENÇAS CONCEITUAIS E TÉCNICAS Gilberto Ramos Rossi e Wéliton Marques de Souza..................................................... 99 10 A IMPORTÂNCIA DAS FUNÇÕES DO AUDITOR Karolini Janaina Barbosa ............................................................................................. 112 11 A IMPORTÂNCIA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS NAS FIPAR Michele Bianchini Borges e Gláucia Nolasco de Souza ............................................... 123 12 A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE PARA AS EMPRESAS PECUÁRIAS Joéber Henrique França Tabuas .................................................................................. 134 4 13 ASPECTOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS COM ENFOQUE GERENCIAL José Antônio Alves Moreira .......................................................................................... 147 14 A IMPORTÂNCIA DA AUDITORIA INTERNA DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES Joseli Lopes de Oliveira e Mariely Palhares Vilela ...................................................... 161 15 CONTRIBUIÇÃO DA AUDITORIA INDEPENDENTE NA MELHORIA DA QUALIDADE DAS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS Leila Pitaro Guimarães e Nilson Luiz da Silva .............................................................. 172 16 BIODISEL ENERGIA RENOVÁVEL NO CONTEXTO SOCIAL E NA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL Luiz Agostini e Rozilda Delidia Batista ......................................................................... 179 17 ÉTICA CONTÁBIL UM PENSAMENTO EMPRESARIAL Gilmar Ferreira Domingues e Manasses Antônio da Silva ........................................... 190 18 A CRISE DA AGROPECUÁRIA NO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL Mara Glauciene Oliveira da Silva ................................................................................. 199 19 A MENSURAÇÃO CONTÁBIL: VALOR HUMANO DAS ORGANIZAÇÕES, CONHECIDO COMO SEU CAPITAL INTELECTUAL Maria Cristina da Fonseca Ferreira e Wendel Alves da Silva ...................................... 209 20 A IMPORTÂNCIA DA AUDITORIA CONTÁBIL Claudines Vicente Borges e Paulo C. Gabaron Vargas ............................................... 221 21 A CONTABILIDADE GERENCIAL COMO FERRAMENTA DE GESTÃO NAS PEQUENAS EMPRESAS PARA TOMADA DE DECISÃO Regina Dias Alves e Jagliane Freitas Costa................................................................. 231 22 A AUDITORIA INTERNA E SUA ACEITAÇÃO NAS EMPRESAS Renata Oliveira Caires ................................................................................................. 242 23 A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA PROFISSÃO CONTÁBIL Roney Ottoni de Souza ................................................................................................ 254 24 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES CONTÁBEIS A CONTABILIDADE HOJE Clair Teresa de Oliveira Ramos e Soiane Dornelos de Oliveira ................................... 265 5 25 O NOVO DESAFIO PARA O PERITO DE CONTABILIDADE E A EVOLUÇÃO DA PERÍCIA CONTÁBIL Wesley Dias Pedro e Paulo Ribeiro de Moraes............................................................ 273 ABORDAGEM CONCEITUALDE ÈTICA PROFISSIONAL CONTÁBIL 6 Cacildo Lacerda de Amorim Weber Dias Pedro Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Prof. ª. Lúcia Helena Fratari RESUMO A Ética é a ciência vinculada a julgamento de apreciação moral, sobre juízos de valores amarrados à distinção entre o bem e o mal. Ela é um valor de primeira grandeza para o profissional. Nunca o contabilista deve abrir mão de certos princípios, como a honestidade e a transparência. O problema é o que fazer para manter tais princípios. É necessário desenvolver uma boa estratégia para garantir a manutenção da ética. PALAVRAS CHAVE: Ética; Profissão; Contadores. 1 INTRODUÇÃO A Ética é a ciência que estuda a conduta dos seres humanos, analisando os meios que devem ser empregados para que a referida conduta se reverta sempre em favor do homem. De acordo com Vasquez (1995, p. 12) a ética “é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, ou seja, é a ciência de uma forma específica de comportamento humano”. A Ética é indispensável ao profissional, porque na ação humana “o fazer” e “o agir” estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua 7 profissão, ou seja, ético é todo profissional que tem como meta sentir-se íntegro e pleno da alegria de viver. Convicto de que todos os demais podem se sentir assim também. Cultiva o pensamento cooperativo. Tem um profundo inabalável respeito pelos acordos firmados. A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, “o agir” da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: “o que é o homem” e “para que vive”, logo toda capacitação cientifica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p.69) A Ética está relacionada á opção, ao desejo de realizar a vida, mantendo com outras relações justas e aceitáveis. Via de regra está fundamentada nas idéias do bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa existência plena e feliz. Hoje, mais do que nunca, a atitude dos profissionais em relação ás questões éticas pode ser o seu diferencial no mercado. 2 ÉTICA PROFISSIONAL CONTÁBIL O profissional contábil é aquele cuja atividade, basicamente, é a prestação de serviços, tendo como função á de fornecer informações e avaliações, principalmente as de natureza física, financeira e econômica sobre o patrimônio das pessoas físicas ou jurídicas de qualquer natureza e que objetivam auxiliar no processo de tomada de decisões e inferências sobre as tendências futuras dessas entidades. De acordo com Fortes (2002, p. 108): Os contabilistas, como classe profissional, caracterizam-se pela natureza e homogeneidade do trabalho executado, pelo tipo e características do conhecimento, habilidades técnicas e habilitação legal exigidos para o seu exercício da atividade contábil. Portanto, os profissionais da contabilidade representam um grupo especifico com especialização no conhecimento da sua área, sendo uma força viva na sociedade, vinculada a uma grande responsabilidade econômica e social, sobretudo na mensuração, controle e gestão do patrimônio das pessoas e entidades. O papel do contador na sociedade é, a cada dia, mais relevante. A contabilidade não é somente registrar e controlar fatos administrativos, gerar guias e escriturar livros 8 como a maioria das pessoas pensa. Ao conhecer profundamente a empresa, o profissional contábil é chamado constantemente e não apenas evidenciar o que já aconteceu; é chamado sim a dar sua opinião sobre o futuro da empresa, respondendo á pergunta: que caminho seguir agora? Sendo assim, o contador é peça fundamental para a sobrevivência das empresas, subsidiando as tomadas de decisões. Revela-se, no concurso para a continuidade das entidades, seu papel social, como na geração de bem-estar da coletividade. Para atingir esse nível, o contador deve entender com profundidade a contabilidade, os Princípios e as Normas Contábeis, o Código de Ética e as diversas legislações, como exemplo: o Código Civil. Ao saber de seu valor, poderá valorizar sua profissão. Ao valorizar sua profissão, saberá aplicar os princípios éticos, não como uma imposição legal ou organizacional, mas como instrumento fundamental de conduta, condição sem a qual sua existência profissional perde o sentido. Provará sua importância e relevância para a sociedade, não apenas pela profissão que exerce, mas também pelo exemplo de profissionalismo e de conduta ética e moral. Não consegue ser valorizado, aquele que não se valoriza. Silva e Speroni (1998, p. 78) afirmam que: A ética profissional tem como premissa maiôs o relacionamento do profissional com seus clientes e com outros profissionais, levando em conta valores como a dignidade humana, auto-realização e sociabilidade. Na profissão contábil existe o código de ética, que pode ser entendido como uma relação das práticas de comportamento que se espera que sejam observadas no exercício da profissão. Tendo como objetivos de habilitar o contador a adotar uma atitude pessoal, de acordo com os princípios éticos, ou seja, tais princípios dizem respeito á responsabilidade perante a sociedade e para com os deveres da profissão. Para Fortes (2002, p. 117): O Código de ética profissional do Contabilista, como fonte orientadora da condita dos profissionais de classe contábil brasileira, tem por objetivo fixar a forma pela qual se devem conduzir os profissionais da contabilidade, sobretudo no exercício das suas atividades e prerrogativas profissionais estabelecidas na legislação vigente. 9 Logo, o código de ética profissional do contabilista determina que conceitos básicos de direitos e deveres dentro de uma profissão sejam cumpridos, que não se admite erros, que estes conceitos sejam conhecidos na íntegra, antes de emiti-los. Estabelecido o Código de Ética, cada contabilista passa a subordinar-se sob pena de incorrer em transgressão, punível pelo órgão competente, incumbido de fiscalizar o exercício profissional. Tal código assume um papel relevante de garantia sobre a qualidade dos serviços prestados e da conduta humana dos profissionais contábeis. 3 A ÉTICA E SUA IMPORTANCIA NAS EMPRESAS Na sociedade atual, lamentavelmente, o sucesso econômico passou a ser a medida de todas as coisas. Apenas a riqueza e o poder contam e separam os vencedores dos excluídos. As pessoas são na sua maioria materialistas e individualistas e, por isso, pouco responsáveis e solidárias. Para exercer a profissão contábil no contexto empresarial, mais do que palavras é necessário ação. A premissa básica para que isso aconteça é responder e agir em coerência com a resposta á seguinte pergunta: o que eu estou disposto a fazer para que este grupo seja mais feliz? Ou, qual é o meu compromisso para que a vida nessa empresa se torne mais saudável e beneficie a todos? Parece utopia, coisa de santo? Pois é, parece. E de fato é, já que pessoas éticas são antes de qualquer coisa esperançosas, acreditam em utopia, sabem que o amanhã poderá ser melhor que o hoje assumem as suas escolhas e as conseqüências perante o que fazem. São livres, e usam esta liberdade de maneira adequada, acreditam que tem inteligência suficiente para escolherem bem, sabem que se deixarem de escolher, já estarão fazendo uma escolha. Não responsabilizam outros por seus atos, não se deixam escravizar. Para viver eticamente em qualquer ambiente é preciso primeiro mergulhar dentro de si mesmo, assumir as escolhas e lutar por um mundo melhor. Acreditar que a felicidade é possível, já que esse é o objetivo maior da ética. 10 É do interesse das empresas agirem sempre de maneira ética. Todos os melhores funcionários e fornecedores, as melhores fontes de financiamento tenderão a preferir aquelas que costumam tratá-los bem. E os clientes que têm critério, que sabem escolher, dificilmente serão leais a um produto de menor qualidade, ou um serviço que seja pouco eficiente. A ética está diretamente relacionada com valores morais, com bem e mal, o que é certo ou errado; não existe um “código de ética dos negócios” uma série de normas especificas para as empresas. Não faz parte da finalidade das empresas, na realidade, perseguir esses objetivos. Da mesma forma, que têm seu “credo”, ou “código de conduta”, repleto de frases sobre a responsabilidade social da empresa, ou de suas obrigações para com a comunidade, farão com que seus funcionários encarem esses “credos” ou “códigos” com ceticismo. De acordo com Nash (1993, p. 04): São muitas as razões para a recente promoção da ética no pensamento empresarial. Os administradores percebem os altos custos impostos pelos escândalos na empresas: multas pesadas, quebra da rotina normal, baixo moral dos empregados, aumento da rotatividade, dificuldades de recrutamento, fraude interna e perda de confiança pública na reputação da empresa. Todos devemos ser éticos tanto na vida profissional como familiar, entre outras relações em sociedade, que nada mais é do que ser honesto, responsável, proceder sempre de forma que se não puder ajudar não atrapalhe, vamos além. Ser ético é viver sempre com a consciência tranqüila. Atuar eticamente, entretanto vai muito além de não roubar ou não fraudar a empresa. Qualquer decisão ética tem por trás um conjunto de valores fundamentais. Eis alguns dos principais que o autor Jacomino (2000, p. 25): - Ser honesto é a conduta que obriga ao respeito e à lealdade para com o bem de terceiros. Um profissional comprometido com a ética não se deixa corromper em nenhum ambiente, ainda que seja obrigado a viver e conviver com ele. - Ter coragem, pois ajuda a reagir às críticas, quando injustas, e a defender dignamente quanto está consciente de ser dever. Ajuda a não ter medo de defender a verdade e a justiça, principalmente quando estas forem de real interesse para tomar decisões, indispensáveis e importantes, para a eficácia do trabalho, sem levar em conta a opinião da maioria. - Ser humilde só assim o profissional consegue ouvir o que os outros têm a dizer e reconhecer que o sucesso individual é resultado do trabalho da equipe. - Manter o sigilo é a completa reserva quanto a tudo o que se sabe e que lhe é revelado ou o que veio, a saber, por força da execução do trabalho. 11 - Integridade é agir dentro dos seus princípios éticos, seja em momentos de instabilidade financeira, seja na hora de apresentar ótimas soluções. - Tolerância e flexibilidade um líder deve ouvir as pessoas e avaliar as situações sem preconceitos. 4 CONSCIENCIA PROFISSIONAL Para ter sucesso jogando limpo não existe uma receita universal e completamente eficaz para todo mundo. Mas, em linhas gerais, convém seguir estes conselhos segundo Jacomino (2000, p. 28): - Compartilhe seus conhecimentos, pois sós assim eles têm valor. Confie nos colegas até que provem não merecer sua confiança. É mais produtivo para você e para toda a equipe. - Não faça nada que você não possa assumir em público. - Caso um colega tente levar a fala por um projeto do qual você participou, converse primeiro com ele. O diálogo é impossível? Não estará sendo antiético se levar o problema aos seus superiores, de preferência acompanhada de mais pessoas envolvidas na história. Só tome cuidado com acusações infundadas, fofocadas, dados distorcidos. - Escolha empresas éticas para trabalhar. Aquelas que discutem a sua missão, além de princípios e valores, para chegar a um consenso que deve ser compartilhado com todos. - Se um subordinado seu for antiético, o primeiro passo é educar, orientar. Já as reincidências têm de ser tratadas com rigor. - Quanto mais poder a pessoa pouco ética tem dentro da organização, mais cuidado devemos tomar. Muitas vezes a solução é buscar uma vaga em outro setor ou, em casos extremos, denunciá-lo ao departamento de recursos humanos. - Lembre-se que os valores sociais devem suplantar os individuais. - Por último, agir eticamente dentro ou fora da empresa sempre foi e será uma decisão pessoal sua. Mesmo sujeito a deslizes e equívocos, você deve ter consciência de que esse costuma ser um caminho sem volta. Para seu sucesso ou seu fracasso profissional. De acordo com Jacomino (2000, p. 36): Agir eticamente dentro (ou fora) da empresa sempre foi e sempre será uma decisão pessoal. Uma vez que você tenha despertado para o assunto, mais e mais ele tem de ser considerado nas decisões, num processo permanente, sem fim. É claro que sempre estamos sujeitos a deslizes e equívocos. Nunca se esqueça, porém, de que esse costuma ser um caminho sem volta. Para o bem ou para o mal. 12 5 CONCLUSÃO Se que ser ético está ligado diretamente aos princípios morais da sociedade e o individuo cresce aprendendo esses princípios através deles vai formando o seu caráter moral, religioso e social, pois o homem que possui caráter com certeza será um profissional ético, como estamos falando em ética contábil, podemos afirmar que o contador ético é aquele que tem bom caráter, que acredita nos valores morais, na dignidade humana, na busca pela realização plena, tanto pessoal como profissional, pois é necessário estar feliz pessoalmente para conseguir ser feliz profissionalmente e vice versa, e todo contador deve atuar porque gosta realmente do que faz, pois somente assim, sendo feliz, se sentindo realizado com a profissão contábil ele será um profissional ético e sempre e sempre evidenciará “ A ética na sua Profissão”. Conclui-se que o profissional contábil tem que ter um comportamento éticoprofissional inquestionável, saber manter sigilo, ter conduta pessoal, dignidade e honra, competência e serenidade para que proporcione ao usuário uma informação com segurança e confiabilidade que ele merece, são fatores condicionantes do sucesso. ABSTRACT The Ethics is the science linked to judgment of moral appreciation, on judgments of values tied badly to the distinction between the good and the. She is a value of first greatness for the professional. Never the accountant should give up certain beginnings, as the honesty and the transparency. The problem is what to do to maintain such beginnings. It is necessary to develop a good strategy to guarantee the maintenance of the ethics. WORDS KEY: Ethics; Profession; Accountants. 13 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA FORTES, José Carlos. Ética e responsabilidade profissional do contabilista. Fortaleza: Fortes, 2002. JACOMINO, Darlen. Você é um profissional ético? 25.ed.. Revista Você S.A., São Paulo: Editora Abril, ano 3, p. 28-36, jul. 2000. MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural Edições, 1984. NASH, Laura L.. Ética nas empresas. São Paulo: Makron Books, 1993. SILVA, Tânia Moura da; SPERONI, Valdemar. Os princípios éticos e a ética profissional. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, ano 27, nº. 113, p. 77-79, set / out. 1998. VASQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. 15. ed.. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995. 14 A IMPORTÂNCIA DE UMA AUDITORIA NA DETECÇÃO DE FRAUDE NAS EMPRESAS 15 Diego de Oliveira Mariano Graduando 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Ms. Márcia Donizeth Prete RESUMO O artigo tem como objetivo discutir a importância de uma auditoria na detecção de fraude nas empresas, entretanto outros assuntos abrangentes de uma contabilidade sem fraude. Em decorrência da evolução das fraudes seja no aspecto quantitativo, seja no aspecto qualitativo atingindo desde empresa de pequeno porte a uma sociedade anônima, empresas públicas e privadas em países desenvolvidos, todos são vítimas de fraudes em nossas instituições de trabalho. É evidenciada a função do auditor que por essência está diretamente associada ao conhecimento e descoberta da fraude. Tratase de uma análise reflexiva para propiciar ao segmento empresarial a magnitude quantitativa das fraudes, e a relevância da variável auditoria como ferramenta indispensável para contrapor esta “doença“. Os fraudadores sempre procuram saber tudo o possível sobre suas vítimas, de preferência sem que estas não percebam. Também costumam ser bem informados nos assuntos que irão enfrentar, de maneira a manter permanentemente uma superioridade estratégica que lhe facilite alcançar seus objetivos. PALAVRAS-CHAVE: Fraudes; Qualidade; Auditoria. 1 INTRODUÇÃO Desde as origens da economia (alguns milhares de anos atrás) existem, na vida das pessoas e no mundo dos negócios, "golpistas" que se dedicam a por em prática vários tipos de fraudes, armadilhas, sistemas e esquemas para enganar e roubar o próximo. De acordo com algumas pesquisas recentes descobriram, por exemplo, que antigos egípcios, por volta de 500 A.C., fraudavam ricos e nobres vendendo falsos gatos e outros animais sagrados embalsamados para suas cerimônias fúnebres. As 16 múmias de animais fraudulentas, na realidade, continham somente gravetos e algodão, em alguns casos continham também pedaços de ossos de outros animais. Ninguém esta imune à fraude. Independente do porte ou ramo de atividade, as empresas sofrem ataques freqüentes em qualquer parte do mundo. Se as empresas sobreviverão às experiências ou emergirão mais fortes dependerá, em última análise, das atitudes e dos processos internos em vigor, para responder, controlar e prevenir a fraude. Assim como baixos índices de criminalidade não significam a aparente ausência de crimes, o desconhecimento de fraudes em sua organização não significa sua inexistência. Fraudes provocam, além das altas perdas financeiras, outras conseqüências por demais devastas. No âmbito do ambiente de trabalho, provocam um clima de insegurança e desconfiança entre os funcionários e suas chefias. No âmbito da direção geral da empresa, provocam suspeitas e desconfianças sobre a capacidade de gestão de seus administradores. No âmbito externo, maculam a imagem da organização junto ao público consumidor. As fraudes, atualmente, assumem inúmeras e de diversas formas, modalidades e características dentro e fora das organizações. Elas se tornaram complexas e sofisticadas, acompanhando o progresso tecnológico. Não perdoam ninguém, atacando quaisquer tipos de entidades. Nenhuma empresa pode afirmar que está imune à sua ação. A auditoria tem um papel fundamental na detecção de fraudes nas organizações, através dela é possível verificar e confirmar com veracidade as demonstrações contábeis, permitindo melhor controle administrativo e o cumprimento das obrigações fiscais, verificando assim os erros e as fraudes. 2 A CONTABILIDADE DAS ORGANIZAÇÕES EMPRESARIAIS SEM FRAUDE A fraude, como qualquer outro risco do negócio, pode ser eficazmente gerenciada por meio de estratégias apropriadas para sua detecção e controle. Seu impacto não se limita a perdas financeiras: o ato fraudulento pode deteriorar o ambiente 17 de trabalho, afetar a reputação de toda a entidade e corroer lentamente as bases organizacionais e administrativas. Muitas são as formas em que as empresas, seus sócios e administradores podem ser condenados por leis comerciais, civis e penais pelo fato de não manter em ordem sua Contabilidade. Segundo o KPMG (2007) relata que: Seja pelo motivo de não levar a sério a documentação relativa à transação operacional, fazer negócios fora do objeto social, misturar ou confundir bens particulares do sócio e da empresa, cometer desvios, ou até mesmo, efetuar contratação de um profissional despreparado. Os atos do contador são corretos: documentação adequada, transações negociais dentro do objeto da empresa, o reflexo é imediato: a Contabilidade é transparente. Caso contrário pode ser utilizada para incriminar a empresa, sócios, administradores e contador que foram relapsos e desleixados. No Brasil, principalmente nas médias e pequenas empresas, há o vício dos administradores não se preocuparem com a Contabilidade: “a Contabilidade é que se vire”. Essa atitude custa caro: crime fiscal, indisponibilidade dos bens dos sócios e administradores, pesadas multas, tributos, ingerência, concordata, falência, etc. São raros os empresários e contadores conhecerem a definição de crimes, fraudes, dolos, erros, simulações, arbitramentos fiscais, distribuição de lucros, responsabilidade; meios e privilégios de manter a escrita contábil saudável, como prova a favor da empresa nos mais variados embates em que estão sujeitos. De acordo com o site KPMG (2007): Não basta que o Contador apenas evite os procedimentos viciosos para não se configurar fraude. Deverá, também, manter em ordem a Contabilidade da empresa e para isso deverá conciliar a Contabilidade com os documentos e os diversos relatórios dos demais setores que dão suporte aos lançamentos contábeis, bem assim elaborar planilhas, relatórios e composição dos saldos da contas contábeis, isto é, planilhas auxiliares que comprovem a correção dos saldos existentes na contabilidade. Exemplo: Planilha de empréstimos bancários com os respectivos juros e atualizações, os quais estão em conformidade com a Contabilidade. O objetivo é que as Demonstrações Contábeis espelhem a realidade da empresa dentro dos Princípios, Convenções e Postulados Contábeis. 18 O Contador, por sua vez, deve ter ciência dos saldos existentes no Balancete ou no Balanço Patrimonial. A certeza de que os saldos contábeis estão corretos está na empresa e quanto mais houver o confronto dos relatórios de cada setor com a Contabilidade, maior será a precisão das informações contidas no Balanço Contábil da empresa. Pode-se dizer que a Contabilidade espelha realidade da empresa desobrigando os sócios, os administradores e o próprio contador de responderem com seus bens pessoais em questionamentos tributários, civis, comerciais, penais e criminais, provando que os mesmos não agiram de forma enganosa, lesiva ou com abuso de poderes perante terceiros. 3 A IMPORTÂNCIA DA AUDITORIA NA DETECÇÃO DE FRAUDE NO BRASIL No Brasil, muito se tem ouvido falar em corrupção, fraudes e lavagem de dinheiro. Embora o problema seja antigo, nos últimos anos, na esfera pública principalmente, tem havido uma verdadeira avalanche de denúncias que levaram à instalação de dezenas de Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) na Câmara Legislativa e no Senado. Na área privada, apesar de não existirem estatísticas sobre os casos de corrupção, os especialistas afirmam que este número é crescente. Um agravante no caso brasileiro é que os casos de fraudes só vêm à tona através de denúncias, seja por parte de um empregado insatisfeito, algum oportunista ou até mesmo de familiares, o que geralmente ocorre quando o montante dos ilícitos já atingiu a casa dos milhões de reais. Na maioria dos casos as empresas ocultam as ocorrências temendo o desgaste de imagem perante a população, pois poderia evidenciar certa fragilidade das mesmas. De acordo com Franco; Marra (1992, p. 20) Para mensurar a adequação e confiabilidade dos registros e das demonstrações contábeis, a Contabilidade utiliza-se também de uma técnica que lhe é própria, chamada auditoria, que consiste no exame de documentos, livros e registros, inspeções, obtenção de informações e confirmações internas e externas, obedecendo a normas apropriadas de procedimento, objetivando verificar se as demonstrações contábeis representam adequadamente a 19 situação nelas demonstrada, de acordo com princípios fundamentais e normas de contabilidade, aplicadas de maneira uniforme. A auditoria tem uma importância fundamental para o sucesso de medidas como estas e pode contribuir e muito, para a reversão deste quadro. Não somente evidenciando fraudes, mas, principalmente, evitando as condições ambientais necessárias para a prática destes delitos, aliás, a principal função do auditor é exatamente a de criar controles internos para que estes crimes não possam ser praticados, e não apenas identificar atos já consumados. Hoje em dia está bem mais fácil fraudar no país em função de cortes de pessoal, gerando redução de controles e do número de auditorias internas. A falta de recursos e de uma cultura preventiva e não corretiva, facilitam as irregularidades, sendo mais preocupante ainda a situação nas pequenas empresas, cujo montante do desvio de recursos é desconhecido porque poucas costumam recorrer às consultorias especializadas. A prevenção deve ser uma preocupação constante, devendo começar a partir da contratação dos empregados. As áreas mais críticas são: o setor de compras, financeiro e de recursos humanos. Um bom sistema de controle interno é fundamental como fator de proteção da entidade e a existência na empresa de uma auditoria regular ou permanente, é um inibidor da ação de fraudadores. A distinção clara entre o que vem a ser um simples erro e o que se possa caracterizar como fraude se faz necessário para o adequado encaminhamento do trabalho do auditor. A ação premeditada para lesar alguém, e erro como uma ação involuntária, sem o intuito de causar dano. Portanto, a primeira corresponde ao dolo, ou seja, aquela ação premeditada que visa ao proveito de alguma forma para si ou terceiros. A segunda diz respeito à culpa, e ocorre geralmente por esquecimento, desatenção, imperícia, etc. Embora não seja o objetivo principal da auditoria a detecção de fraudes e erros contábeis, durante a execução dos trabalhos, algumas ocorrências podem ser descobertas, devendo o auditor agir de forma tempestiva conforme o exigido para cada situação, comunicando à administração da entidade e sugerindo as medidas corretivas cabíveis. 20 Conforme o site SEBRAEES (2007): Todo o planejamento da auditoria deve considerar o risco da existência de erros ou fraudes de modo a detectar os que comprometam a apresentação fidedigna das demonstrações contábeis. O auditor deverá avaliar o sistema contábil e o controle interno atentando para as condições ou eventos que favoreçam estas ocorrências. O risco dos exames de auditoria não detectarem a existência de fraudes é maior do que para os casos de erros porque na fraude, normalmente, existe todo um planejamento para que aquela seja ocultada. Apesar da existência de um sistema contábil e de controle interno eficaz que reduza a probabilidade destas ocorrências sempre existirá um risco destes controles não funcionarem como o esperado. As fraudes são praticadas quase sempre por pessoas que possuem autoridade, sobretudo quando acumula funções. Quando implicam em volumes maiores, a fraude geralmente ocorre mediante formação de conluio, sendo desta forma, mais difícil a detecção. Segundo Franco; Marra (1992, p. 175) A auditoria interna é aquela exercida por funcionários da própria empresa, em caráter permanente. Apesar de seu vinculo à empresa, o auditor interno deve exercer sua função com absoluta independência profissional, preenchendo todas as condições necessárias ao auditor externo, mas também exigindo da empresa os cumprimentos daquelas que lhe cabem. Ele deve exercer sua função com total obediência as normas de auditoria e o vinculo de emprego não lhe deve tirar a independência profissional, pois subordinação à administração da empresa deve ser apenas sob o aspecto funcional. O vinculo empregatício do auditor interno com a empresa deve ser meramente circunstancial, em virtude de seus serviços serem prestados exclusivamente para a empresa, em tempo integral. Suas funções, entretanto, devem ser exercidas com mais absoluta independência, sem interferência da administração, que apesar de sua função superiormente hierárquica, deve sujeitar-se também ao seu controle e submeter o seu exame todos os atos por ela praticados. Somente empresas de porte acima o médio comportam a manutenção de auditor interno, pois o volume de suas operações, as complexidades de suas organizações e as diversificações dos fatos nela ocorridos exigem controle permanente, em tempo integral, o que não poderia ser exercido por auditor externo, que presta serviços a varia empresas. Há empresas que, por seu tamanho, exigem organização autônoma de auditores internos, com os respectivos assistentes e auxiliares, que sob a chefia de auditor chefe, constitui órgão independente, colocando no mesmo plano da administração geral, com ela colaborando, mas também fiscalizando seus atos. A vantagem da auditoria interna é a existência, dentro da própria organização, de um departamento que exerce permanente controle – prévio concomitante conseqüente – de todos os atos da administração. Os componentes desse departamento - auditores, assistentes e auxiliares – devem exercer sua função com absoluta independência, conforme já dissemos, e devem ter a liberdade 21 de acesso a qualquer dos departamentos da empresa, para fazer verificações, exames, levantamentos e pedir informações e dados para suas conclusões. Pelo fato de permanecerem em tempo integral na empresa, os auditores internos podem programar uma auditoria geral e continua, com revisão integral de todos os registros contábeis e verificações periódicas das existências físicas – estoques, títulos, dinheiros, ativo fixo etc. Muitas empresas podem ainda, estar sendo utilizadas para a prática de diversas formas de fraudes com o intuito da "lavagem de dinheiro", a saber, processo através do qual um indivíduo esconde a existência, a fonte ilegítima ou a aplicação ilegal de renda, disfarçando ou transformando essa renda para fazer com que pareça legítima. As ocorrências de erros e fraudes podem tornar-se verdadeiros gargalos no atendimento dos objetivos das empresas e cabe ao auditor a grande responsabilidade de identificar estes fatos e sugerir as medidas corretivas necessárias. 4 FATORES PSICOLÓGICOS QUE LEVAM A FRAUDE NAS EMPRESAS Como relatado no site Monitor das Fraudes (2007): Acontece na maioria dos crimes, as fraudes podem ser explicadas pela coexistência de três fatores primários: 1 - A existência de golpistas motivados; 2 - A disponibilidade de vítimas adequadas e vulneráveis; 3 - A ausência de regras, "guardas" ou controladores eficazes. No caso específico do Brasil (mas podem acreditar que vale, por uma razão ou outra, também para muitos outros países, inclusive do “primeiro mundo”) isso se concretiza, gerando um ambiente propício às fraudes, principalmente em função dos seguintes fatores e condições: Existência de Golpistas Motivados: carência de alternativas para determinadas classes sociais, ineficiência das leis, incerteza da pena, incerteza jurídica, sistema financeiro evoluído, existência de inúmeras oportunidades, pouca fiscalização, pouca 22 organização das autoridades em nível nacional, desrespeito as leis encarado como comportamento comum (inclusive em função dos exemplos em nível de governo). Disponibilidade de vítimas adequadas e vulneráveis: pouca informação e divulgação preventivas, necessidade em muitos setores (capital nas empresas, crédito nas classes baixas), ignorância e ingenuidade difusas, ganância come valor cultural difuso, desrespeito as leis encarado como comportamento comum (inclusive em função dos exemplos em nível de governo). Ausência de regras, "guardas" ou controladores eficazes: percepção do problema como não prioritário, despreparo e pouco treinamento específico das autoridades de policia, escassa coordenação em nível nacional de ações contra fraudadores, falta de leis específicas e pouca clareza em algumas das existentes, falta de organismos dedicados à luta a estes fenômenos. Um princípio básico é muito freqüente na elaboração de uma fraude é desfrutar a ganância das pessoas que sonham em obter muito dinheiro (ou outras vantagens) sem os correspondentes esforços e riscos. Esta é uma equação que infelizmente não existe a não ser para ganhadores de loterias. Estes últimos, aliás, estão sujeitos a um risco elevadíssimo sendo que numa loteria você troca uma perda total muito provável (o preço do bilhete) por uma possibilidade muito remota de ganhar um valor elevado (o prêmio). Uma exceção são as fraudes tecnológicas onde o que se desfruta são os escassos conhecimentos técnicos da pessoa média. Um caso típico é boa parte das várias fraudes por internet nas quais se captam dados sigilosos das vítimas (para depois usá-los em fraudes ou roubos) desfrutando do pouco conhecimento tecnológico das mesmas ou de outras armadilhas tecnológicas. Outro exemplo são fraudes envolvendo cartões de crédito. Existem ainda algumas outras "alavancas" psicológicas ou "fraquezas" das vítimas que exploradas e aproveitadas pelos golpistas na elaboração de seus esquemas. Em síntese no site Monitor de Fraude (2007) as principais alavancas sobre as vítimas, usadas pelos fraudadores são: 23 1 - Ganância e Vontade de fazer "Dinheiro Fácil". 2 - Ignorâncias (Tecnológica, Operacional, Legal, Comercial, etc.). 3 - Gostinho do "Ilegal" e do "Proibido". 4 - Gostinho do "Misterioso" e do "Exclusivo" ou "Inédito". 5 - Irracionalidade e tendência a negar as evidências para perseguir um sonho. 6 - Ingenuidade, Credulidade e Escassa Atenção. 7 - Necessidade e Outras Pressões/Urgências. Todas as fraudes são baseadas no aproveitamento sem escrúpulos de uma ou mais destas freqüentes "características" ou "condições" humanas. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Como foi relatada a fraude, dentro das organizações no qual precisa ser abonado. Antes mesmo de ser encontrado, o essencial é a prevenção através de controles e meios fiscais. É possível detectar e conseguir meios de reverter o aumento quantitativo desse quadro assombroso que vem acontecendo nos últimos anos e vem sendo uma sangria nas organizações. Isso tudo prova que o problema das fraudes é bem antigo. Obviamente com o progresso tecnológico e a evolução do mundo também estes sistemas evoluíram. Os fraudadores são muito criativos, freqüentemente bem informados, flexíveis e adaptáveis a novas situações, por isso novas fraudes aparecem de contínuo se ajustando e desfrutando cada nova oportunidade. Para algumas situações existe a obrigação legal desta comunicação sendo requerida ao auditor à quebra deste sigilo, conforme o Código de Ética do Contabilista e as Normas Profissionais do Auditor Independente. Um princípio básico e muito freqüente na elaboração de uma fraude é desfrutar a ganância das pessoas que sonham em obter muito dinheiro sem os correspondentes esforços e riscos. 24 ABSTRACT The article aims to discuss the importance of an audit in the detection of fraud in companies, however other matters without reaching an accounting fraud. As a result of the evolution of fraud is the quantitative aspect, either in qualitative aspect reaching from the small company to a corporation, public and private enterprises in developed countries, we are all victims of fraud in our institutions work. It highlighted the role of the auditor for that essence is directly linked to the knowledge and discovery of the fraud. This is a reflexive analysis for the business segment to provide quantitative magnitude of the fraud, and the relevance of the variable audit as a tool essential to counter this "disease". The fraudsters always trying to learn everything possible about their victims, preferably without these do not understand. We tend to be well informed on issues that will face, in order to permanently maintain a strategic superiority that it facilitates achieving their goals. KEYWORDS: Fraud; Quality; Audit. 25 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AUDIBRA – Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Procedimentos de auditoria interna - organização básica. São Paulo: Biblioteca Técnica de Auditoria Interna, 1992. ASSOCIAÇÃO CEARENSE DE ESTUDOS E PESQUISAS. A Importância da auditoria na fraude no Brasil. Disponível em: http://acep.org.br/forum.auditoria/art1.htm, Acesso em: 10 de set. de 2007. FRANCO, Hilário. MARRA, Ernesto. Auditoria contábil. 2 ed. São Paulo. Atlas, 1992. KPMG FORENSIC SERVICES. A fraude no Brasil – relatório de pesquisa 2004. Brasil, 2004. Disponível em: http://www.kpmg.com.br. Acesso em: 10 set 2007. MONITOR DAS FRAUDES. Teoria geral da fraude e fatores psicológicos. Disponível em: http://www.fraudes.org.br . Acesso em: 06 de jun. de 2007. PORTAL DE CONTABILIDADE. A Importância de uma contabilidade saudável. Disponível em : http://www.portaldecontabilidade.com.br. Acesso em: 10 set 2007 SERVIÇO Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Espírito Santo. Fraude empresarial. Disponível em: http://www.sebraees.com.br/IdeiasNegocios/pag_ide_neg.asp. Acesso em: 10 set 2007 26 AUDITORIA E CONTROLE INTERNO Mônica de Souza Oliveira Gonçalves Graduanda 4º Ano de Ciências Contábeis 27 Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientador: Profº Esp. José Manuel Barroso de Oliveira RESUMO O Auditor é o profissional responsável para averiguar a funcionalidade dos controles internos da organização. Atualmente, é praticamente desconhecida uma acepção clara de controle interno. Um Controle Interno adequado é aquele estruturado pela administração e que possa propiciar uma razoável margem de garantia que os objetivos e metas serão atingidos de maneira eficaz, eficiente e com a necessária economicidade, evitando que haja desperdícios, fraudes, erros involuntários que resultam na perda do patrimônio. Um Sistema de Controle Interno inadequado resulta, obviamente, na possibilidade de diversas irregularidades que permitem a ocorrência de anomalias, fraudes e atos de dolo contra a empresa e para que uma Auditoria funcione corretamente, não depende apenas do planejamento efetivo da empresa e da eficiência dos procedimentos e práticas instituídas, mas também da competência de todo o pessoal envolvido para levar adiante, de forma eficiente e econômica, os procedimentos. PALAVRAS-CHAVE: Sistema de Controle; Práticas Instituintes; Controle Interno. 1 INTRODUÇÃO Este artigo tem como objetivo geral demonstrar a importância da auditoria e do controle interno nas organizações. Enquanto objetivo especifica, o estudo pretende: Identificar a confiabilidade do Controle Interno nas empresas a partir das quais os empresários tomarão suas decisões e diagnosticar o controle interno existente na organização. O controle interno abordado no âmbito geral e as normas usuais de autoria são objetos de estudo do segundo capítulo. O terceiro e último capítulo trata dos aspectos da responsabilidade e confiabilidade do controle interno. 28 2 ORIGEM E EVOLUÇÃO DA AUDITORIA Há mais de 6.000 anos atrás, o comércio era intenso, o controle religioso sobre o estado já era grande e poderoso, daí derivando grande quantidade de fatos a registrar, não demorando, também, o desenvolvimento da Auditoria. É difícil precisar quando começa a história da auditoria, pois toda pessoa que possuía a função de verificar a legitimidade dos fatos econômico-financeiros, prestando contas a um superior, pode ser considerado como auditor. Pois, a escrita contábil já havia conquistado um razoável grau de evolução e o trabalho de registrar já era confiado a ‘profissionais especialistas’. Provas, também, de ‘revisões’ ou ‘conferências’ dos registros para certificar a exatidão foram encontradas. Uma primitiva, mas eficiente ‘auditoria’ já ocorria 2.600 anos a. C., feita por revisores ou ‘inspetores de contas’ na época do Rei UruKagina (tal prova acha-se no museu do centenário, em Bruxelas, na Bélgica e foi estudada pelo emérito historiador da Contabilidade, o Professor Federico Melis, das Universidades de Florença e Pisa). (SÁ, 1994, p. 13-14) Attie (1998, p. 28) define a auditoria como uma atividade nova, com indícios da profissão do auditor a partir do século XIV: Foi a partir da criação do SEC, em 1934, nos Estados Unidos, que a profissão do auditor assume importância e cria um novo estímulo, uma vez que as empresas que transacionavam ações na Bolsa de Valores foram obrigadas a se utilizarem dos serviços de auditoria para dar maior credibilidade a suas demonstrações financeiras. O Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Imobiliários foram os órgãos responsáveis pela regulamentação do trabalho da auditoria. Almeida (2003, p. 28) define a implantação e aperfeiçoamento da auditoria no Brasil da seguinte forma: Somente em 1965, pela Lei 4.728 (que disciplinou o mercado de capitais e estabeleceu medidas para seu desenvolvimento), foi mencionada pela primeira vez na legislação brasileira a expressão "auditores independentes". Posteriormente, o Banco Central do Brasil – BCB – estabeleceu uma série de regulamentos, tornando obrigatória à auditoria externa ou independente em quase todas as entidades integrantes do Sistema Financeiro Nacional – SFN – e companhias abertas. O BCB estabeleceu também, por meio da circular n° 29 179, de 11-5-1972, as normas gerais de auditoria. Cabe ressalvar que a Resolução nº 321/72 do Conselho Federal de Contabilidade – CFC – aprovou as normas e os procedimentos de auditoria, os quais foram elaborados pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – IAIB -, atualmente denominado Ibracon (Instituto Brasileiro de Contadores). A auditoria, por ser bastante dinâmica e estar em permanente mutação, desenvolveu várias normas, à medida que novas circunstâncias assim exigiam, e também para modificar as antigas de modo a adaptá-las as novas situações de mercado. Em função do envolvimento de um número maior de pessoas nas organizações foi possível dividir o trabalho, sendo criadas as funções de custodia dos bens e dos registros contábeis, criando assim, novos controles internos para proteger os bens, detectar e evitar fraudes. A partir desse momento, a verificação de todas as operações e de todos os registros se tornou inviável, em função de seu alto custo e, por conseguinte, a função do auditor contábil foi alterada, passou a examinar o sistema de controles internos e o sistema contábil, com a finalidade de verificar se a forma como é projetado permite manter registros exatos, proteger os ativos e elaborar relatórios merecedores de confiança. 4 IMPORTÂNCIA DA AUDITORIA A auditoria cumpre um papel fundamental na empresa: subsidia o administrador com dados e informações tecnicamente elaborados, relativos às atividades para cujo acompanhamento e supervisão este não tem condições de realizar, e ela o faz mediante o exame da: - adequação e eficácia dos controles; - integridade e confiabilidade das informações e registros; - integridade e confiabilidade dos sistemas estabelecidos para assegurar a observância das políticas, metas, planos, procedimentos, leis, normas e regulamentos e da sua efetiva aplicação pela empresa; 30 - eficiência, eficácia e economicidade do desempenho e da utilização dos recursos; dos procedimentos e métodos para salvaguarda dos ativos e a comprovação de sua existência, assim como a exatidão dos ativos e passivos; e - compatibilidade das operações e programas com os objetivos, planos e meios de execução estabelecidos. Como a Auditoria leva em consideração o controle interno das companhias auditadas, e assume cada vez mais um papel de assessoria, uma definição mais abrangente seria, segundo Crepaldi (2000, p. 27) a seguinte: A Auditoria compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionados com o controle do patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis deles decorrentes. O trabalho do auditor é executado com a finalidade de atender a interesses de acionistas, investidores, financiadores e do próprio Estado, ou para cumprir normas legais que regulam o mercado acionário. É comum, ao término de uma auditoria a emissão de um documento formal, conhecido como Parecer da Auditoria, que serve para publicação junto às Demonstrações Financeiras ou Contábeis, no encerramento de um período ou do exercício social, por força de exigência da legislação. É relevante lembrar que no desempenho de suas funções o auditor não tem responsabilidade direta nem autoridade sobre as atividades que examina. Os problemas administrativos não desaparecem só porque uma empresa foi auditada, o responsável pela gestão das empresas são os empresários. O termo auditor, no latim, significava "aquele que ouve", ou "ouvinte", e foi utilizado para descrever a atividade de "conferentes e revisores". Sá (2000, p. 25) descreve auditoria da seguinte forma: Auditoria é uma tecnologia contábil aplicada ao sistemático exame dos registros, demonstrações e de quaisquer informes ou elementos de consideração contábil, visando a apresentar opiniões, conclusões, críticas e orientações sobre situações ou fenômenos patrimoniais da riqueza aziendal, pública ou privada, quer ocorridos quer por ocorrer ou prospectados e diagnosticados. Segundo Franco e Marra (2001, p. 28) a palavra auditoria é definida como: 31 A técnica contábil que - através de procedimentos específicos que lhes são peculiares, aplicados nos exames de registros e documentos, inspeções, e na obtenção de informações e confirmações, relacionados com o controle do patrimônio de uma entidade – objetiva obter elementos de convicção que permitam julgar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com princípios fundamentais e normas de Contabilidade e se as demonstrações contábeis deles decorrentes refletem adequadamente a situação econômicafinanceira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e as demais situações nelas demonstradas. Crepaldi (2002, p. 23) conceitua auditoria de forma bastante simples: Pode-se definir auditoria como o levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas e das demonstrações financeiras de uma entidade. A auditoria compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionados com o controle do patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis deles decorrentes. Consiste em controlar as areas-chaves nas empresas a fim de evitar situações que propiciem fraudes, desfalques e subornos, por meio de testes regulares nos controles internos específicos de cada organização. Auditoria é uma técnica contábil desenvolvida para alcançar o controle patrimonial, dando maior segurança aos administradores, proprietários, fisco, financiadores no sentido da integridade do valor. Deve ser compreendida como um conjunto de ações de assessoramento e consultoria. A verificação de procedimentos e a validação dos controles internos utilizados pela organização permitem ao profissional auditor emitir uma opinião de aconselhamento à direção, Em decorrência das diferentes necessidades de verificação dos processos, dos seus reflexos e vantagens, a auditoria pode apresentar-se sob diferentes formas. Crepaldi (2002, p. 30) divide a auditoria em duas classes fundamentais, quais sejam: Auditoria das demonstrações financeiras: é o exame das mesmas, por um profissional independente com o desígnio de emitir parecer técnico sobre sua finalidade. Auditoria operacional ou de gestão: é um processo de avaliação do desempenho real, e confronto com o esperado, o que leva inevitavelmente, a apresentação de recomendações destinadas a melhorar o êxito da organização. O auditor interno é pessoa de confiança dos gerentes, profissional ligado à empresa, ou por uma seção própria para tal fim, e dentro dessa organização ele não deve estar subordinado àqueles cujo trabalho examina, possui menor grau de 32 independência, sua função é acompanhar diariamente o cumprimento dos procedimentos internos. O auditor interno é de suma importância para as organizações, desempenhando papel de grande relevância, por estar dentro da empresa tendo pleno acompanhamento de todas as movimentações financeiras, se seguir todas as normas e procedimentos terá um melhor desempenho que a auditoria externa. A ação da auditoria estende-se a revisão do sistema contábil e dos pertinentes controles internos, revisão das informações financeiras e operacionais, avaliação da economicidade, eficácia e eficiência de todos os serviços, programas, operações e controles existentes na empresa. O auditor externo ou auditor independente não tem vinculo empregatício com a empresa auditada possui maior grau de independência, executa apenas auditoria contábil. Seu trabalho tem como principal objetivo emitir um parecer ou opinião sobre as demonstrações contábeis, no sentido de verificar se estas refletem adequadamente a posição patrimonial ou financeira, o resultado das operações, as origens e aplicações de recursos da empresa examinada, obedecendo aos princípios fundamentais da contabilidade. Na perspectiva comportamental não basta o auditor ter competência técnica para realizar um excelente trabalho de auditoria, pois além da revisão de registro, documentos e sistemas de controle da entidade auditada, o auditor necessita manter contato com as pessoas que executam as atividades e controlam os processos para extrair o máximo de informações do setor ou empresa. O Objetivo do exame das demonstrações financeiras é expressar uma opinião sobre a propriedade das mesmas e assegurar que elas representem adequadamente a posição patrimonial e financeira, o resultado de suas operações e as origens e aplicações de recursos correspondentes aos períodos em exame, de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade, aplicados com uniformidade durante os períodos. O sistema de controles internos constitui a base sobre a qual a auditoria fundamenta seu trabalho. Dessa forma, dificilmente o auditor obterá evidências 33 suficientes para emissão de um parecer, sobre as demonstrações contábeis dissociadas da utilização do sistema de controles internos da empresa auditada. Tal é a influência do controle interno sobre o trabalho da auditoria, ao ponto em que as "Normas de Auditoria" determinam que o estudo e avaliação do sistema de controles da companhia sob exame é tarefa obrigatória do auditor. Logo, essa avaliação é contemplada como parte da execução do seu trabalho. 5 NORMAS DE AUDITORIA E CONTROLE INTERNO No Brasil, as primeiras normas de auditoria foram compiladas em 1972, com base na experiência de outros países mais adiantados. Esse trabalho foi elaborado pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, hoje IBRACON (Instituto Brasileiro de Contadores) e as normas foram oficializadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, por meio da resolução 321/72, e confirmadas pela resolução 220 de 15/05/1972, do Banco Central do Brasil. Convencionou-se chamar o conjunto de princípios e preceitos mínimos que norteiam os serviços de "Normas de Auditoria". Segundo Attie, (1998, p. 55): As normas de auditoria diferem dos procedimentos de auditoria, uma vez que eles se relacionam com ações a serem praticadas, conquanto as normas tratam das medidas de qualidade na execução destas ações e dos objetivos a serem alcançados através dos procedimentos. As normas dizem respeito não apenas às qualidades profissionais do auditor, mas também a sua avaliação pessoal pelo exame efetuado e do relatório emitido. O autor deixa claro, diante desse conceito, que as normas servem para controlar a qualidade do exame e do relatório emitido pelos auditores, enquanto os procedimentos de auditoria descrevem as tarefas realmente cumpridas pelo auditor na realização do seu trabalho. O controle interno, muitas vezes é confundido com a auditoria interna, por se tratar de uma metodologia científica de administração recentemente adotada no País, em que as pessoas por ignorância tratam como sinônimos. 34 O controle interno visa à aferição e análise da ação e da gestão, como a avaliação de metas e objetivos, execução de programas e orçamento, bem como a devida comprovação de aspectos atinentes à legalidade do procedimento administrativo. Normalmente é realizado por órgão da administração da entidade auditada. O controle interno pode ser subdividido em Controle Interno Contábil e Controle Interno Administrativo. O Controle Interno Contábil está relacionado à salvaguarda de ativos e a fidedignidade dos registros financeiros, enquanto o Controle Interno Administrativo está relacionado ao plano organizacional e todos os métodos e procedimentos referentes à eficiência operacional e a obediência às diretrizes administrativas que estão correlacionadas indiretamente com os registros contábeis e financeiros. Existem vários conceitos abrangentes de controle interno, de forma que não existe uma unidade de pensamento. O Comitê de Procedimentos de Auditoria do Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (2005, p. 12), afirma que o significado de Controle Interno é: O Controle Interno compreende o plano de organização e o conjunto coordenado de métodos e medidas adotadas pela empresa, para proteger seu patrimônio, verificar a exatidão e fidelidade dos dados contábeis, promover a eficiência operacional e encorajar a adesão à política traçada pela administração. Como observado, a definição de controle interno é muito mais ampla do que o próprio termo, pois não se resume apenas à questão contábil e financeira, mas a todos os aspectos operacionais da empresa. A análise do controle interno deve ser observada pelos seus diversos fatores como: - Métodos e medidas: que estabeleçam os caminhos e os meios de comparação e julgamento para se chegar a um determinado fim, mesmo que não tenham sido preestabelecidos formalmente através de normas, manuais, sistemas, rotinas, etc., de forma que possam gerar e registrar informações fidedignas, de maneira prática, eficiente, econômica e útil para o planejamento, além de promover o controle 35 sobre as operações e as atividades inerentes aos sistemas através de manuais específicos. O cumprimento de todos os procedimentos estabelecidos em conformidade com a política da empresa alcance os objetivos desejados de forma eficiente, entretanto, as organizações que não possuem essa política, terão dificuldades de obter um resultado satisfatório de forma eficiente, devidas à dificuldade de enxergar os objetivos operacionais da empresa. Outro fator que resulta numa eficiência administrativa é à disposição do quadro de pessoal adequadamente dimensionado, qualificado, independente funcionalmente, atualizado, integrado, coordenado, responsável, capaz, eficiente e motivado. Para tornar-se mais eficaz costumam-se utilizar entre outros princípios do controle interno a qualificação adequada, treinamento e rodízio de funcionários com a intenção de reduzir e eliminar possíveis fraudes. Medidas de efetividade e de custos razoáveis é a decorrência do conceito de comparar o valor do risco ou da perda potencial contra o custo do controle respectivo. Controles eficientes permitem cumprir os objetivos de maneira correta e tempestiva com a mínima utilização de recursos. Com o desenvolvimento da informática há necessidade de um controle maior desses meios eletrônicos, de forma que os seus programas sejam elaborados para atender a todos os departamentos, com a ressalva de que cada funcionário tenha uma senha específica para alimentar apenas os dados referentes à sua função, de forma que os dados sejam precisos e sejam evitadas fraudes. O mesmo pode ser aperfeiçoado, por não se tratar de um elemento inflexível, adaptando-se as atualizações normativas e facilitando o acompanhamento ao longo da existência da empresa das deficiências, evita a ocorrência de fraudes, o dolo, à salvaguarda dos ativos de forma que seja verificada a exatidão e fidelidade das informações, além de servir de subsídio para o controle externo, visando, também, à integridade entre todos os departamentos da empresa, de forma a evitar perdas e riscos devidos a erros ou irregularidades. São diversos os conceitos atribuídos para o termo controle interno, dentre os quais pode observar que o AICPA - American Instiutute of Certified Public 36 Accountants (2000, p. 110) por meio do Relatório Especial da Comissão de procedimentos de Auditoria, definiu: O Controle Interno compreende o plano de organização e o conjunto coordenado dos métodos e medidas, adotados pela empresa, para proteger seu patrimônio, verificar a exatidão e a fidedignidade de seus dados contábeis, promover a eficiência operacional e encorajar a adesão à política traçada pela administração. O Instituto de Auditores Internos do Brasil, AUDIBRA (1992, p. 48) registra: Controles internos devem ser entendidos como qualquer ação tomada pela administração (assim compreendida tanto a Alta Administração como os níveis gerenciais apropriados) para aumentar a probabilidade de que os objetivos e metas estabelecidos sejam atingidos. A Alta Administração e a gerência planejam, organizam, dirigem e controlam o desempenho de maneira a possibilitar uma razoável certeza de realização. Por esses conceitos, pode-se observar que a alta administração e a gerência da organização têm responsabilidade de planejar, organizar, dirigir e controlar todos os desempenhos da organização, de forma que seja possível uma razoável segurança para a realização dos negócios. Attie (2000, p. 111) afirma que: “o controle interno compreende todos os meios planejados numa empresa para dirigir, restringir, governar suas várias atividades com o propósito de fazer cumprir os seus objetivos”. Diante desses conceitos, pode-se afirmar de forma bastante genérica que o controle interno envolve todos os processos e rotinas de natureza contábil e administrativa, com o intuito de organizar a empresa de tal forma que seus maiores colaboradores compreendam, respeitem e façam cumprir as políticas traçadas pela administração; os ativos tenham sua integridade protegida; e por fim, todas as operações da empresa sejam adequadamente registradas nos relatórios contábeis e fidedignamente retratados pelas demonstrações financeiras. Com a finalidade de compreender o que significa controle interno quanto ao seu real significado, observam-se, por partes, os vários fatores que compõem esse conceito. 37 a) Políticas – Compreende o conjunto de declarações de caráter administrativo a respeito das intenções da organização em relação a um determinado tema. São decisões aplicadas a situações repetitivas, tendo em vista alinhar os processos para um mesmo objetivo. As políticas podem ser: a.1) Políticas Globais – São políticas estratégicas; a.2) Políticas Operacionais – São as regras de trabalho b) Objetivos – Os objetivos são entendidos como planos e declarações estratégicas, através de metas e seleção, desenho, implementação e manutenção dos sistemas que têm a finalidade de assegurar os objetivos estabelecidos. c) Metas – São os alvos específicos, quantificados, dentro de sistemas específicos. Devem ser identificadas em cada sistema, claramente definidas, mensuráveis, com adequado grau de realismo e consistentes com os objetivos estratégicos estabelecidos. d) Plano de Organização – É o modo pela qual se organiza um sistema. A divisão de trabalho adequada, a forma de hierarquia, as responsabilidades e autoridades dos diversos níveis. Representa, em outras palavras, a definição de quem faz o serviço, de quem tem autoridade sobre quem na empresa. e) Métodos e Medidas – São os que estabelecem os caminhos e os meios para se chegar a um determinado fim, mesmo que não tenham sido preestabelecidos formalmente (as normas, sistemas, manuais de serviço, etc.). A estruturação de um sistema, além de ser eficiente, prático, econômico e útil, deve levar em consideração a definição de procedimentos específicos destinados a promover o controle sobre as operações e as atividades formalizadas através de manuais. f) Proteção do Patrimônio – São as formas pela qual são salvaguardados e defendidos os bens e direitos da entidade. g) Exatidão e fidedignidade dos dados contábeis – Corresponde à adequada precisão e observância aos elementos dispostos na contabilidade. A definição de procedimentos que possibilitem a analise, conciliação e solução tempestiva de qualquer divergência são elementos de relevância para a fiel escrituração contábil (plano de contas, regras de contabilização, manuais internos, conciliação contábil, etc.). 38 h) Eficiência Operacional – Refere-se a ação ou força a ser posta em prática na organização. A eficiência operacional é obtida através do alinhamento entre um adequado plano de organização e a implementação de normas salutares. i) Interdependência – De acordo com os fatores de controles internos expostos anteriormente, é fácil compreender que todos os itens interinfluenciam de forma acentuada. Esses elementos são essenciais para um bom desempenho dos controles internos, que a grave deficiência de qualquer deles compromete o funcionamento eficiente de todo o sistema. Pode-se observar que todos esses planos de políticas, sistemas e organização são "ferramentas" utilizadas por pessoas. Dentro de uma visão sistêmica da empresa, é fácil compreender que, mesmo com sistemas, políticas, etc. planejados, a eficiência organizacional será comprometida, se a empresa não dispuser de um quadro de pessoal adequadamente dimensionado e qualificado. 6 PRECISÃO E CONFIABILIDADE DOS CONTROLES INTERNOS A função de contabilidade, como instrumento de controle administrativo, é hoje unanimemente reconhecida. Um sistema de contabilidade que não esteja apoiado em um controle interno eficiente é, até certo ponto, inútil, uma vez que não é possível confiar nas informações contábeis contidas em seus relatórios. Informações contábeis distorcidas podem levar as conclusões erradas e danosas para a empresa. É possível estabelecer que vários são os procedimentos e práticas que, em conjunto, formam os objetivos do controle. Attie (2000, p. 117) diz: “o conceito, a interpretação e a importância do controle interno envolvem imensa gama de procedimentos e práticas que, em conjunto, possibilitam a consecução de determinado fim, ou seja, controlar”. De forma bastante sucinta, pode-se definir os objetivos do controle interno em quatros tópicos básicos: - A salvaguarda dos interesses da empresa; 39 - A precisão e a confiabilidade dos informes e relatórios contábeis, financeiros e operacionais; - O estímulo à eficiência operacional; - A aderência às políticas existentes. “O objetivo do controle interno relativo á salvaguarda dos interesses remete-se a proteção do patrimônio contra quaisquer perdas e riscos devidos a erros ou irregularidades”. (ATTIE, 2000, p.117) As principais práticas que podem dar suporte à salvaguarda dos interesses são as seguintes, conforme o autor citado: a) Segregação de Funções: Estabelece a independência para as funções de execução operacional, custódia física e contabilização; b) Sistemas de autorização e aprovação: Compreende o controle das operações através de métodos de aprovações, de acordo com as responsabilidades e os riscos envolvidos; c) Determinações de Funções e responsabilidades: as existências de organogramas claros determinam linhas de responsabilidade e autoridades definidas por toda a linha hierárquica; d) Rotação de funcionários: corresponde ao rodízio de funcionários designados para cada trabalho. Dessa forma, é possível reduzir a ocorrência de fraudes e contribuir para o surgimento de novas idéias: e) Legislação: corresponde a atualização permanente sobre a legislação vigente, visando diminuir riscos não expondo a empresa a contingências fiscais e legais pela não-obediência aos preceitos atuais vigentes; f) Contagens físicas independentes: corresponde à realização de contagens físicas de bens e valores, de forma periódica, por intermédio de pessoas independente ao custodiante, visando maximizar o controle físico e resguardar os interesses da empresa. 7 CONCLUSÃO 40 Ao término deste artigo, pode-se observar que há uma tendência de se ter controle interno como sinônimo de auditoria, o que é uma idéia equivocada. A auditoria equivale a um trabalho organizado de revisão e apuração dos controles internos, normalmente executados por departamentos específicos, enquanto que o controle interno refere-se a procedimento adotado pela organização de maneira permanente e diante dos estudos realizados em diversas obras referentes à importância da auditoria e dos controles internos nas organizações, conclui-se que a atividade de auditoria tem fundamental importância para a obtenção de controles internos funcionais, colaborando diretamente com a administração para o bom desempenho dos controles e oferecendo maior segurança para a entidade. Auditoria e controles internos são todos os instrumentos da organização destinados à vigilância, fiscalização e verificação administrativa, que permitem prever, observar e governar os acontecimentos que se verificam dentro da empresa e que refletem em seu patrimônio e os auditores, para exercerem suas atividades, estão ancorados por normas e princípios que regulamentam sua profissão que no desenvolvimento habitual de suas atividades devem ter o conhecimento abrangente sobre diversos assuntos, mantendo-se sempre atualizado e com a conduta ética inquestionável. ABSTRACT The Auditor is the responsible professional to discover the functionality of the internal controls of the organization. Now, it is ignored a clear meaning of internal control practically. An appropriate Internal Control is that structured by the administration and that can propitiate a reasonable warranty margin that the objectives and goals will be reached in way effective, efficient and with the necessary economicidade, avoiding that there are wastes, frauds, involuntary mistakes that result in the loss of the patrimony. A System of inadequate Internal Control results, obviously, in the possibility of several irregularities that you/they allow the occurrence of anomalies, frauds and fraud actions against the company and for an Auditing to work correctly, it doesn't just depend on the effective planning of the company and of the efficiency of the procedures and instituted practices, but also of the whole personnel's competence involved to take ahead, in efficient and economical way, the procedures. 41 KEYWORD: System of Control; Práticas Instituintes; Internal Control. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 4. ed.. São Paulo: Atlas, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: apresentação de citações em documentos. Rio de Janeiro. 2002. ______. NBR 14724: informação e documentação – trabalhos acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro. 2002. ______. NBR 6023: informação e documentação – referência – elaboração. Rio de Janeiro. 2002. ______. NBR 6024: numeração progressiva das seções de um documento – procedimento. Rio de Janeiro. 1989. ______. NBR 6027: Sumário – procedimento. Rio de Janeiro. 1989. ______. NBR 6028: Resumo – Procedimento. Rio de Janeiro. 1990. ATTIE, Willian. Auditoria: conceitos e aplicações. 3. ed.. São Paulo: Atlas, 1998. ______, Willian. Conceitos e aplicações. 5. ed.. São Paulo: Atlas, 2000. ______, Willian. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1986. COLELLA, Vitor. Auditoria: controle interno e estoques. São Paulo: Saraiva, 1984. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO. Curso Básico de Auditoria 1: normas e procedimentos. 2. ed.. São Paulo: Atlas, 1992. CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria contábil: teoria e prática. 6. ed.. São Paulo: Atlas, 2002. 42 FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria contábil. 4. ed.. São Paulo: Atlas, 2001. MOTTA, João Mauricio. Auditoria: princípios e técnicas. 2. ed.. São Paulo: Atlas, 1992. SANTOS, Luiz Carlos dos. Apontamentos de sala de aula sobre projeto de pesquisa. Salvador: FVC/FACIC, 2004. CONCEITOS DE ORÇAMENTO E A CONTABILIDADE 43 Carlos Alberto Leão Barros Welce Martins Andrade Graduandos 4° Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete RESUMO O artigo mostra que através dos anos o orçamento e a contabilidade foram adaptandose e acompanhando as tendências das modernas teorias de gestão. A presença do orçamento passou a ser constante dentro do ambiente contábil. Para as empresas, o orçamento é um instrumento criado pela administração para aumentar seus controles, minimizar os custos. Atualmente é o meio indispensável de confirmação da eficiência dos controles e o fator de maior tranqüilidade para a administração e de maior garantia para os investidores. As empresas que tem um bom sistema orçamentário estão na frente das empresas que não possuem, pois essas empresas já planejaram e determinaram quais os investimentos prioritários e possíveis, dentro dos investimentos desejáveis. PALAVRAS CHAVE: Orçamento; Contabilidade; Gestão. 1 INTRODUÇÃO Diariamente, em toda parte do mundo, surgem diversos tipos de empresas, mas, também várias fecham suas portas. As empresas estão em constantes mudanças, o mercado é muito acirrado e sofre transformações diárias afetando os procedimentos gerenciais. Contudo, nesse processo de mudanças; os gestores têm que trabalhar com controle e assegurar que a empresa esteja preparada, para enfrentar as mudanças. O orçamento passou a interagir com a contabilidade dando condições de fazer inúmera analise antecipada, preparando a empresa, para os eventuais impactos que a globalização expõe as organizações. Portanto, baseados nestes fatos, os gestores devem elaborar um orçamento para suas empresas, pois a falta deste acarretará em uma série de fatores negativos para a mesma. 44 A contabilidade fornece ao gestor informações contábeis precisas. Com base nestas informações é possível estabelecer um orçamento para resultados futuros. Ao se planejar, organizar e controlar, os resultados serão vistos com clareza. 2 OBJETIVOS E CONCEITOS DE ORÇAMENTO Orçamento é um módulo criado especialmente para facilitar o trabalho do usuário, pois permite elaborar uma previsão dos elementos Ativos e Passivos, para o plano de conta contábil gerencial. Através deste controle, podem-se comparar os valores Orçados e o valor Realizado registrado em cada conta. A necessidade de orçar é tão antiga quanto a humanidade. Os homens das cavernas precisavam prever a necessidade de comida para os longos invernos; com isso desenvolveram práticas orçamentárias formais até mais antigas que a origem do dinheiro. (LUNKES, 2003, p. 35) Segundo o autor, a origem da palavra orçamento deve-se aos antigos romanos, que usavam uma bolsa de tecido chamada de Fiscus para coletar os impostos. Posteriormente, a palavra foi também utilizada para as bolsas da tesouraria e também para os funcionários que as usavam. No inicio da Idade Média, a tesouraria do Reino Unido era conhecida como Fisc. No Brasil, o orçamento passou a ser foco de estudos a partir de 1940, mas não pouco utilizado pelas empresas. A partir de 1970, o orçamento começou a ser freqüentemente adotado pelas empresas. Através dos anos o orçamento foi adaptando-se e acompanhando as tendências das modernas teorias de gestão. De acordo com Lopes de Sá (1995, p. 337), O orçamento é a previsão de fatos patrimoniais; predeterminação de despesas e receitas de uma entidade; previsão de gastos. De acordo com o rigor contábil, o orçamento pode significar qualquer previsão de fato patrimonial, seja de que natureza for. Denomina-se contabilidade orçamentária a que acompanha a execução do orçamento. 45 De acordo com Brookson (2001, p. 6), Orçamento é uma declaração de planos financeiros para o período que esta por vir, normalmente de um ano. Em geral imagina-se que ele deve incluir somente as entradas e as saídas de dinheiro (conta de lucros e perdas, ou de resultado), que representam respectivamente as receitas esperadas e as despesas autorizadas. No entanto, o orçamento também precisa conter os planos da empresa para seus ativos e passivos (balanço orçado) e as estimativas de épocas e de valores previsto para as entradas e as saídas de caixa (fluxo de caixa orçado). Nos países desenvolvidos, as empresas viram-se forçadas pela crescente agressividade mercadológica da concorrência a estabelecer, a curto e médio prazo, uma rotina para as suas atividades, através da qual pudessem orçar os resultados a serem alcançados. Desta forma, teve início à utilização do orçamento como instrumento de planejamento e de controle na empresa. De acordo com Lunkes (2003, p. 39), Os orçamentos além de serem parâmetros para avaliação dos planos, permitem a apuração do resultado por área de responsabilidade, desempenhando papel de controle por meio dos sistemas de custos e contabilidade. O orçamento está onipresente no ciclo administrativo. Ele pode ser definido em termos amplos, com um enfoque sistemático e formal à execução das responsabilidades do planejamento, execução e controle. Além de instrumento de gestão, quando começa a ser realizado, o orçamento torna-se também uma forma de exercer o controle da aplicação dos gastos. O orçamento obriga a administração a definir claramente seus objetivos e metas. 3 AS VANTAGENS E DESVANTAGEM DO ORÇAMENTO - As vantagens do orçamento são inúmeras, orçamento induz a minimização dos custos e a contenção das despesas; - O sistema orçamentário elimina "doenças" da empresa - Através da comparação entre estimativas e realizações localizam-se os pontos fracos da empresa. O orçamento permite, portanto, maior rentabilidade, com mais segurança; 46 - O uso mais lógico e racional dos recursos próprios (investimentos em ativo fixo, financiamento do capital de giro circulante, etc.); - A maximização do uso dos recursos de terceiros, dentro dos limites do próprio negócio; - O orçamento é a peça mais essencial num sistema de informações empresarial - A necessidade de registro contínuo de dados de entrada, bem como da geração de relatórios de apoio à tomada de decisões, fortalece a empresa, e facilita a tomada de decisões críticas; - A eliminação de otimismos e pessimismos exagerados - As avaliações e julgamentos passam a ser compartilhado por todos, e essa ação coletiva impede os exageros de previsão; - A homogeneização e integração efetiva entre todos os objetivos setoriais da empresa - pois o alvo comum destes setores passa a ser o resultado final previsto pelo orçamento; - O orçamento é um poderoso instrumento de avaliação das políticas de vendas, de produção e de operações financeiras da empresa. O orçamento prevê os Investimentos e por tanto determina o futuro da empresa e de seus funcionários - Somente os Investimentos (e os Desinvestimentos) são capazes de mudar a história! Esse planejamento determina quais os investimentos prioritários e possíveis, dentro de uma lista sempre mais ampla dos investimentos desejáveis, bem como a chance de serem bem sucedidos. O conjunto de análises exigidas pelo orçamento assegura um futuro melhor para a empresa – Os estudos de mercado, de produtos, dos métodos de comercialização e manufatura, dos recursos necessários, permite um planejamento muito mais seguro para médio e longo prazo da empresa. O orçamento pode aferir as duas habilidades desejadas num administrador: a capacidade de planejar, e a capacidade de executar. Ao apresentar os desvios de rota, pode-se aferir se os problemas estão concentrados no planejamento, ou na execução. Um sistema orçamentário traz prestígio à empresa. As empresas que possuem um bom sistema orçamentário costumam gozar de maior flexibilidade e 47 prestígio junto às fontes externas de recursos (financiadores ou investidores), bem como junto aos credores em geral, pois demonstram ter o negócio "nas mãos". De acordo com Brookson (2001 p. 8), Os orçamentos garantem uma estrutura dentro da qual funcionários, departamentos e a empresa toda podem trabalhar. Estimulam as pessoas a pensar no futuro e planejar com antecedência, servindo-se de uma pauta básica que facilita a comunicação dos diversos objetivos. Segundo Lunkes (2003 p. 47) finalmente, A preparação de um orçamento para toda a empresa tende a melhorar a utilização dos recursos disponíveis, bem como ajustá-los as atividades consideradas prioritárias, para que sejam alcançados seus objetivos. Concluem que o orçamento força uma auto-análise periódica da empresa. 4 IMPLANTAÇÃO DE ORÇAMENTO EMPRESARIAL Para onde vai sua empresa neste e no próximo ano? Muitos administradores não estão conscientes do benefício de um orçamento empresarial bem elaborado e controlado para atingir as metas traçadas pelos acionistas, sócios da empresa. A implantação de um orçamento tem como objetivo criar um instrumento de ação gerencial, de modo que os responsáveis pelos departamentos se comprometam com metas de receitas, a partir de fundamentos da realidade do mercado da empresa, e por conseqüência com as despesas e investimentos necessários, autorizados e controlados dentro dos limites do equilíbrio financeiro necessário. Em períodos de instabilidade como os atuais associados à forte competição, a capacidade da empresa em entender o seu funcionamento e saber o que ela pode esperar no futuro em termos de resultados pode determinar sua sobrevivência, seu sucesso ou a entrada em períodos de dificuldades. As empresas nunca são iguais. Por isso cada uma deve desenvolver um sistema orçamentário próprio, e não copiar cegamente o das outras. 48 Não elabore um orçamento rígido e estéril, diante da qual qualquer resultado venha ser classificado como total sucesso ou total fracasso. Você não conseguira fazê-lo útil se fixar metas pouco realistas e tentar medir o desempenho em relação a elas. Adote uma abordagem pragmática, que torne o orçamento uma importante ferramenta administrativa e não um empecilho ao sucesso. (BROOKSON, 2001, p. 21) 5 CONTABILIDADE A Contabilidade é um dos conhecimentos mais antigos e não surgiu em função de qualquer tipo de legislação fiscal ou societária, nem embasada em princípios filosóficos, ou em regras estipuladas por terceiros, mas pela necessidade prática do próprio gestor do patrimônio, normalmente seu proprietário, preocupado em elaborar um instrumento que lhe permitisse, entre outros benefícios, conhecer, controlar, medir resultados, obter informações sobre produtos mais rentáveis, fixar preços e analisar a evolução de seu patrimônio. Esse gestor passou a criar rudimentos de escrituração que atendessem a tais necessidades. Muitas tentativas foram sendo elaboradas, ao longo dos séculos, até que o método das partidas dobradas (que consiste no princípio de que para todo débito em uma conta, existe simultaneamente um crédito, da mesma maneira que a soma do débito será igual à soma do crédito, assim como a soma dos saldos devedores será igual à soma dos saldos credores) mostrou-se o mais adequado, produzindo informações úteis e capazes de atender a todas as necessidades dos usuários para gerir o patrimônio. Com a formação de grandes empresas, a Contabilidade passou a interessar a grupos cada vez maiores de indivíduos: acionistas, financiadores, banqueiros, fornecedores, órgãos públicos, empregados, além da sociedade em geral, pois a vitalidade das empresas tornou-se assunto de relevante interesse social. De acordo com Lopes de Sá (1995, p. 97), “contabilidade é a ciências que estuda os fenômenos patrimoniais sob o aspecto do fim aziendal; é a ciências que tem por objetivo estudar o sistema da riqueza administrativa a fim de observar se ela atinge os fins propostos pelo sujeito aziendal’. 49 Segundo o autor, a contabilidade é uma ciência, isto porque estuda fenômenos que se verificam de forma universal e em todos os tempos, apresentando verdades (leis) em torno de um mesmo objeto (o patrimônio aziendal) e sob um aspecto determinado, que é o da medida da obtenção do fim aziendal (ou seja, aquilo a que realmente se propôs o sujeito aziendal). A contabilidade é um instrumento que fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa. Ela é muito antiga e sempre existiu para auxiliar as pessoas a tomarem decisões. Com o passar do tempo o governo começa a utiliza-se dela para arrecadar impostos e a torna obrigatória para a maioria das empresas. (MARION, 1998, p. 34) A contabilidade tem como objetivo identificar, mensurar e comunicar informações econômicas, financeiras, físicas e sociais a seus usuários. Assim, a contabilidade é uma fonte de informações essencial à sobrevivência das entidades. A principal finalidade da contabilidade é permitir a obtenção de informações econômicas e financeiras acerca da entidade. As informações de natureza econômica compreendem, principalmente, os fluxos de receitas e de despesas, que geram lucros ou prejuízos, e as variações no patrimônio da entidade. (RIBEIRO, 2002, p. 34) O objetivo da contabilidade é fornecer informações fidedignas e tempestivas sobre o patrimônio, e sobre o resultado da entidade aos diversos usuários da informação contábil. Nesse aspecto, vale salientar que fundamentalmente a contabilidade deve propiciar condições para que a administração possa tomar decisões mais racionais para preservação, ampliação do patrimônio e conseqüentemente continuidade da entidade. 6 CONTABILIDADE E O ORÇAMENTO 50 O orçamento empresarial pode ser um instrumento importante no processo decisório da empresa. Ao se planejar, organizar e controlar os resultados serão vistos com clareza. Um programa orçamentário pode permitir ao administrador trabalhar os itens controláveis e assegurar que a empresa esteja preparada para enfrentar as mudanças nos itens não controláveis, tirando vantagens das mudanças favoráveis e minimizando o impacto das mudanças desfavoráveis. Uma ameaça faz com que o gestor busque alternativas. Na era da economia e da informação, surge a necessidade de se estabelecer uma aliança estratégica entre a Contabilidade e as novas tecnologias de informação, proporcionando as empresas condições mais seguras para tomarem decisões estratégicas mais eficientes. Todas as áreas da contabilidade são de suma importância para o processo orçamentário, mas dentre eles está a Contabilidade Gerencial que abrange todas as informações geradas pela Contabilidade. O perfeito e desejado relacionamento entre planejamento e controle através de orçamentos pressupõe a respeito da execução dos planos, de modo a permitir a comparação entre valores planejados e valores efetivos. Portanto, tanto os planos elaborados quanto os relatórios de controle devem obedecer a um mesmo esquema de geração e apresentação de informações, o que se faz principalmente através da contabilidade. De acordo com Lopes de Sá, (1995, p. 106), Contabilidade aplicada ao orçamento, ou seja, a contabilidade que se aplica às previsões de fatos; tem por fim acompanhar a execução do orçamento pondo em evidência as diferenças que durante o exercício financeiro, se verificam entre as operações realizadas e as previstas; é adotada em escala maior na contabilidade aplicada às entidades públicas (Prefeituras, Estados e Federação) e mesmo nas empresas privadas, assim como na escrita de custos (quer nos estimativos quer nos standards). Segundo o autor, obedece a uma técnica no registro das variações, que tanto pode operar-se diretamente na conta prevista como nas de movimento e nas especiais, criadas para acumular as discrepâncias ou variações. 51 De acordo Iudícibus e Marion (2002, p. 53), O objetivo da contabilidade pode ser estabelecido como sendo o de fornecer informação estruturada de natureza econômica, financeira e, subsidiariamente, física, de produtividade e social, aos usuários internos e externos à entidade objeto da contabilidade. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS No competitivo ambiente de negócios os gestores precisam atuar de forma ágil para que suas decisões não sejam tomadas tarde demais. As empresas devem buscar a utilização de ferramentas que lhes permitam um maior número de informações possíveis com um alto grau de confiabilidade. A contabilidade tem um papel fundamental para a tomada de decisão, assim como também o orçamento é essencial para o auxílio do planejamento e controle das organizações. O orçamento é parte integrante do sistema de planejamento e controle, que tem o objetivo de quantificar e apresentar antecipadamente os planos, projetos e estratégias da empresa. A característica principal do orçamento engloba todas as atividades da empresa, estabelece relação entre as receitas e as despesas, comparam os resultados previstos com os efetivamente realizados e principalmente pré-determina operações a serem realizadas. O orçamento é uma poderosa ferramenta de decisão, que possibilita, aos gestores, fixarem objetivos e políticas concretas. Através desta ferramenta é possível envolver todos colaboradores para o mesmo objetivo. Portanto, a utilização desta ferramenta é imprescindível para o crescimento sustentável e direcionado da organização. Não há mais espaço para empresas, conduzirem seus negócios baseadas no empirismo. No mercado globalizado altamente competitivo é importante que operem com um mínimo de planejamento estratégico. Devem ter bons sistemas de controles internos e externos. O orçamento empresarial é uma ferramenta que auxilia muito a tomada de decisões da empresa. 52 ABSTRACT The article shows that through the years the budget and the accounting went adapting and accompanying the tendencies of the modern administration theories. The presence of the budget became constant inside of the accounting atmosphere. For the companies, the budget is an instrument created by the administration to increase their controls, to minimize the costs. Now it is the indispensable way of confirmation of the efficiency of the controls and the factor of larger peacefulness for the administration and of larger warranty for the investors. The companies that he/she has a good budget system are in front of the companies that don't possess, therefore those companies already drifted and they determined which the priority and possible investments, inside of the desirable investments. WORDS KEY: Budget; Accounting; Administration. 53 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS BROOKSON, Stephen. Como elaborar orçamentos. São Paulo: Publifolha, 2001. IUDÍCIBUS, Sérgio de.; MARION, José Carlos. Introdução à teoria da contabilidade. 3. ed.. São Paulo: Atlas, 2002. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial. 6. ed.. São Paulo: Atlas, 1998. LUNKES, Roberto João. Manual de orçamento. São Paulo: Atlas, 2003. MARION, José Carlos. Contabilidade básica. 6. ed.. São Paulo: Atlas, 1998. RIBEIRO, Osni Mauro. Contabilidade geral. São Paulo: Saraiva, 2002. SÁ, Antonio Lopes de. Dicionário de contabilidade. 9. ed.. São Paulo: Atlas, 1995. SANVICENTE, Antonio Zoratto; SANTOS, Celso da Costa. Orçamento administração de empresas: planejamento e controle. São Paulo: Atlas, 2000. na WALTER, Milton Augusto. Orçamento integrado. 2. ed.. São Paulo: Saraiva, 1981. ZDANOWICZ, José Eduardo. Orçamento operacional: uma abordagem prática. ed.. Porto Alegre: Luzzato, 1989. 3. 54 O IMPACTO DOS TRIBUTOS NA CLASSE EMPRESARIAL BRASILEIRA 55 Claudia Roberta C. dos Santos Oliveira Roberto Cezar dos Santos Edevar Souto de Oliveira Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª: Divina Garcel Calil RESUMO: O trabalho tem por objetivo principal o questionamento da cobrança e aplicação dos tributos cobrados da classe empresarial brasileira. Levando em consideração que o Brasil é um dos países que possui maior carga tributária do mundo, ainda continua com um dos menores índices de crescimento. Desta forma o texto questionará os impostos, taxas e contribuições que são aplicadas à toda classe empresarial, e principalmente o destino destes valores, pois tanto é cobrado e não é possível visualizar melhorias nas principais áreas, como saúde, educação e segurança. PALAVRAS-CHAVE: Tributo; Impostos; Taxas; Contribuições. 1 INTRODUÇÃO Nos últimos anos as empresas brasileiras têm sido extremamente pressionadas, em relação aos tributos instituídos pela União, Estados e Municípios, o que desmotiva muitos empresários de inúmeros segmentos. Sabe-se que o Brasil hoje é o país que possui a carga tributária mais alta do mundo e por isso mesmo, os empresários se desdobram cada vez mais, para conseguir cumprir com suas obrigações tributárias e ainda manter suas empresas consolidadas no mercado em que atuam. Tributo é certa quantia em dinheiro que os contribuintes (pessoas físicas ou jurídicas), são obrigados a pagar ao Estado quando praticam certos fatos geradores previstos pelas leis tributárias. Representa ele o ponto central do direito tributário. (CASSONE, 2004, p.82) Segundo Cassone, (2004, p.83) nosso sistema tributário é rígido, quanto aos impostos, porque a Constituição Federal relaciona um a um todos eles, destinando 56 às pessoas políticas (União, Estados, Distrito Federal, e Municípios), as suas competências privativas com poderes para, instituir e exigir dos respectivos contribuintes. Atualmente, uma empresa que consegue se manter firme no mercado com toda esta carga tributária e ainda consegue maximizar o seu capital, pode ser considerada vitoriosa, pois em vários segmentos, os tributos exigidos são tantos e fixados de tal forma que, infelizmente, muitos acabam por desistir. A esperança de todos os brasileiros é que realmente aconteça uma reforma tributária, pois além da elevada carga tributária, cada vez mais o Poder Público vem modernizando o sistema de arrecadação de tal forma que torne se impossível a sonegação dos impostos. Sabe-se que o país arrecada muito, mas, infelizmente, o Poder Público não tem uma política adequada para a aplicação de todos estes recursos financeiros, que são recolhidos do povo brasileiro. O objetivo maior desde trabalho é apresentar de forma clara e de fácil entendimento, o quanto as empresas vêm sofrendo com a carga tributária brasileira, e questionar o desafio enfrentado para se manterem consolidadas no mercado. 2 O DESAFIO DA TRIBUTAÇÃO NA CLASSE EMPRESARIAL Os impostos no Brasil, embora abusivos, são de suma importância, pois é através deles que os governos oferecem à sociedade lazer, segurança, saúde, educação, etc. Mas, de acordo com a realidade brasileira é notório que estes não vêm sendo aplicados de forma adequada nas questões mensionadas. Segundo Lima (2006/2007, p. 4): O Brasil possui atualmente uma das maiores cargas tributária do mundo, atingindo quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e levando, dessa forma, o custo dos produtos e serviços nele produzidos. Na recente história do Brasil, os governos, de uma maneira geral, têm adotado medidas que elevaram a carga tributária. Os impostos transformados em receitas são os recursos necessários aos governos para o alcance dos objetivos públicos. O art. 6º da Constituição Federal de 1988 trata dos direitos sociais e definiu que a educação, a saúde o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e a infância e a assistência aos desamparados constituem direitos sociais dos 57 cidadãos. Sendo assim, é dever do Estado, e a população assim espera promover o bem estar de toda a sociedade sem pré-conceitos de origem, raça, sexo, cor idade ou qualquer outra forma de discriminação, atendendo-a principalmente nas suas necessidades básicas como saúde, educação, trabalho e segurança. Os impostos são os custos de funcionamento que se paga para garantir uma sociedade civilizada: através da arrecadação dos impostos, os governos poderão realizar as atividades para as quais foi constituído. Portanto, os tributos se constituem numa forma de transferência de recursos da sociedade para o governo; influenciando no comportamento dos agentes econômicos, ou seja, nas decisões desses agentes no que diz respeito ao uso de seus recursos, podendo causar, por vezes, ineficiência na alocação dos recursos como resultado de escolhas que não representam as melhores para a sociedade. Relaciona-se então a carga tributária a idéia de sacrifício na qual o consumo é compulsoriamente reduzido em troca da provisão de bens públicos e nem sempre atendem satisfatoriamente aos mesmos contribuintes. Em função da elevada carga tributária e dos seus impactos na vida das empresas e das pessoas físicas, surgem constantemente, no Brasil, discussões e debates sobre a carga tributária e a necessidade de se promover uma ampla reforma. Outra questão preocupante para todos os países é a evasão tributária. Estudos vêm sendo realizados no sentido de identificar as razoes que levam o contribuinte a evadir os impostos, bem como o valor da perda de arrecadação derivada da prática da sonegação fiscal. Os recursos que deveriam ser disponibilizados, como subsídios a indústria e comércio, muitas vezes são desviados, prejudicando o investimento correto nas áreas. Com isso, as empresas ficam em situação cada vez mais difícil e buscam forma menos onerosa, através de orientações contábeis (“supostos contadores”), meios que possam reduzir seus impostos a recolher. Muitos empresários optam por tais meios até como forma de protesto pela má administração pública, pois infelizmente, já se tornaram corriqueiras as notícias, através dos veículos de comunicação (rádio, TV, jornais, etc.) de roubos e desvios de recursos públicos. 3 TRIBUTOS Os tributos (gênero) se classificam cientificamente em duas espécies: tributos não vinculados e tributos vinculados, (FABRETTI, 1996 p. 116). Conforme relacionado a seguir. IMPOSTO – è aquele que, uma vez instituído por lei, é devido, independentemente de qualquer atividade estatal em relação ao contribuinte. Portanto, não está vinculado a nenhuma prestação especifica do Estado ao sujeito passivo. Trata-se da espécie denominado IMPOSTO, definida no art. 16 58 do CTN: “O Art. 16. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independentemente de qualquer atividade específica, relativa ao contribuinte.” O imposto é de competência privativa, atribuída pela Constituição Federal, ou seja, é exclusivamente da União ou dos Estados ou dos Municípios ou do Distrito Federal (arts. 153 a155 da CF/88) Todas as empresas brasileiras são hoje submetidas à cobrança de impostos de acordo com o que é citado acima, instituídos pela União, Estado e Municípios. Se a empresa não acata a carga tributária que lhe é atribuída fica impossibilitada de exercer suas funções, ficando irregular no meio fiscal. Ainda relatando, Fabreti, (1996 p. 117), define: TAXA – Está definida nos arts. 77 e 78 do CNT e tem como fato gerador o exercício regular do poder de política ou a utilização efetiva ou potencial de serviço publico, especifico e divisível, prestado ou colocado à disposição do contribuinte (art.77). Poder de polícia é a atividade da administração pública que limita e disciplina direito, interesse ou liberdade em razão do interesse público, concernente a segurança, a higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção, do mercado, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos (art. 78). Assim, embora todo cidadão seja livre para estabelecer-se como uma indústria, não pode, entretanto, instalá-la em um bairro estritamente residencial. O poder da administração pública de limitar esse direito de instalar indústria chama-se poder de policia. Policia, no caso refere-se à possibilidade de fiscalizar e autorizar determinada atividade, limitando-a em razão do interesse público, relativo à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, etc., de conformidade com o art. 78 do CTN. Atualmente é possível perceber que toda a classe brasileira tanto, pessoa física, quanto pessoa jurídica, sem qualquer distinção, está submetida à cobranças excessivas de taxas, seja no comércio, na conta de telefone, na conta bancária, em qualquer tipo de serviço prestado, etc. Todos estão cercados pela abusiva cobrança de taxas, que só se tornarão mais justa quando todas as classes sujeitas a elas se rebelarem, pois a maioria das cobranças alem de exorbitantes, são injustas. Existe também a Contribuição de Melhoria, que para maior compreensão, segue abaixo definição para a mesma: CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA – Essa contribuição é anterior à instituição das contribuições sociais. O art. 5º do CTN (Lei nº 5.172/66) dispõe: “Art. 5º Os Tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. ”Logo, desde a edição do CTN (1966) já estava especificada como um tributo, diferente do imposto e taxa, portanto uma terceira espécie. O CTN dispõe que só podem ser cobradas se, em virtude de obra pública, decorrer valorização imobiliária 59 para o contribuinte (arts. 81 e 82): “Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. Art. 82. A Lei relativa à contribuição de melhoria observa os seguintes requisitos mínimos: I – publicação prévia dos seguintes elementos: a. memorial descritivo do projeto; b. orçamento do custo da obra; c. determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuição; d. delimitação da zona beneficiada; e. determinação do fator de absorção do benefício da valorização para toda a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas. II – fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, para impugnação, pelos interessados, de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior; III – regulamentação do processo administrativo de instrução e julgamento da impugnação a que se refere o inciso anterior, sem prejuízo da sua apreciação judicial.” (FABRETTI, 1996 p. 114-115) As contribuições apresentadas neste trecho, referem-se a tributos cuja obrigação tem por fato gerador uma situação que representa um benefício especial auferido pelo contribuinte. Seu fim se destina às necessidades do serviço ou à atividade estatal. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. Vista assim a classificação dos tributos em que são apresentados apenas três tópicos, pessoas leigas no assunto poderiam pensar que são poucos os tributos que as empresas recolhem mensalmente, mas enganam-se, pois cada um destes tópicos comporta vários tipos de impostos, taxas e contribuições das mais diversas. Segundo Lima (2006/2007, p. 5), “muito da literatura trata a questão dos tributos como direto e indireto”. Para maior entendimento e clareza em relação à classificação dos tributos, que são compostos por impostos, taxas e contribuições de melhoria, serão apresentados de acordo com a teoria de Lima (2006/2007, p. 5) de forma mais simples, objetiva e de fácil assimilação: 60 Para fins de determinação da carga fiscal bruta, consideram-se todos os tributos arrecadados anualmente pelos governos federal, estadual e municipal. A legislação brasileira cita como espécies de tributos os impostos, taxas e as contribuições de melhorias. Ao mesmo tempo, o Código Tributário Nacional apresenta uma definição mais ampla, dando margem á inclusão, no conceito de tributo, das contribuições sociais e econômicas. Neste sentido, a Secretaria da Receita Federal utiliza-se do conceito mais amplo de tributo para a apuração da carga tributária. Muito da literatura trata a questão dos tributos como direto e indireto, entretanto, para finalidade deste estudo serão tratos da seguinte forma: a) Bens e Serviços: ICMS, IPI, PIS, COFINS, CPMF, ISS e CIDE; b) Salários: INSS, FGTS, e CONTRIBUIÇÃO DO SERVIDOR PÚBLICO; c) Renda: IR e CSLL; d) Comércio Exterior – IMPOSTO SOBRE EXPORTAÇÃO e) Patrimônio – IPVA, IPTU, ITBI, ITCD, e ITR; f) Outros Impostos, Taxas e Contribuições. Neste contexto, realizou-se estudos para verificar quais os tributos que mais contribuíram para o aumento da carga tributaria brasileira, considerando a tributação sobre: Bens e Serviços, Salários, Capital e Outras Rendas e o Patrimônio, compreendendo os períodos entre 1980 a 2006. Visando atingir ao objetivo proposto, realizou-se regressão múltipla, a qual indicou 88,3% da variação da carga tributária é explicada pelo tributo Cofins e que apenas 7% é explicado pelo tributo de INSS. Diante dos resultados apresentados, em função dos testes realizados, conclui-se que o tributo Confins durante o período analisado é o que mais explica a elevação da carga tributaria brasileira. Além de todos os impostos, taxas, contribuição de melhoria, fixados por lei, existem também os tributos aplicados de forma indireta, os empréstimos compulsórios e contribuições especiais parafiscais ou especiais. Assim, conforme o Dicionário NET, empréstimos compulsórios podem ser definidos da seguinte forma: Empréstimos compulsórios - É aquele instituído pela União, através de lei complementar, para atender despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência, e também, no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada às despesas que fundamentou sua criação. Ver Art. 148 da Constituição Federal. Profundas divergências doutrinárias existiam a respeito da natureza jurídica dos empréstimos compulsórios. Atualmente, a questão é pacífica, em razão do posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal: é um tributo restituível, fato, aliás, que o impulsiona a ser uma figura tributária autônoma. Ademais, os empréstimos compulsórios estão previstos no art. 148 da Constituição Federal, em pleno capítulo referente ao Sistema Tributário Nacional. 61 Tratando de empréstimos compulsórios, há que se estabelecer distinção entre a circunstância que autoriza a instituição e o fato gerador da respectiva obrigação de pagar. De acordo com Tributário Net (2007), as circunstâncias autorizadoras são os eventos, hoje previstos nos incisos do art. 148 da Constituição, que permitem a deflagração do processo político, que elaborará a lei instituidora do empréstimo. Atualmente, a guerra externa ou sua iminência, a calamidade pública ou, o investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Ou seja, trata-se de uma situação que por si só não gera qualquer obrigação para os contribuintes. Ela apenas abre a possibilidade de órgãos políticos federais – o Congresso Nacional e o Presidente da República – impulsionarem o processo legislativo tendente à instituição do empréstimo. Ainda é relatado no Tributário Net (2007), o fato gerador de um tributo, ou melhor, o fato gerador da obrigação tributária, é uma hipótese prevista na respectiva lei instituidora, que, se concretizada, fará surgir para o sujeito passivo o dever de entregar uma soma em dinheiro ao Poder Público. Ou seja, é fato que gera, para o sujeito passivo, o dever de pagar. As circunstâncias autorizadoras da instituição constam atualmente na Constituição. No entanto, os eventuais fatos geradores não são mencionados na carta, mas deverão ser definidos pela respectiva lei instituidora. Contribuições especiais (parafiscais) - Contribuição cobrada com a finalidade de gerar receita. As contribuições especiais (parafiscais) apresentavam as seguintes características: a) não contabilização no Orçamento; b) aplicação especial e restrita; c) poder de dispor delegado a autarquias descentralizadas. Inicialmente, estas contribuições especiais ficavam fora do controle a que estavam submetidos os demais tributos, pois se tratavam de exigências previstas em normas infralegais (sem obediência a um regime estrito), não integravam o orçamento público e não eram incluídas no controle do Tribunal de Contas da União. Nesse sentido, trata-se de um novo papel assumido pelo Estado e de um novo critério de definição da razão determinante da cobrança de valores pecuniários. Diante desta 62 novidade, a tendência inicial foi no sentido de discipliná-la da maneira mais flexível possível e sem as peias que outras figuras estavam submetidas. Sujeitam-se ao controle por parte do Tribunal de Contas da União. A necessidade de controle das contribuições parafiscais é idênticos aos demais tributos. O controle é feito quanto à instituição das contribuições (pressupostos materiais e formais qualificados constitucionalmente), bem como na destinação destas receitas tributárias. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente os tributos vêm corroendo a classe empresarial, em razão da alta carga de taxas, impostos, contribuições de melhoria e outras contribuições, além de suscitar revolta, pois apesar de tantas cobranças, nenhum retorno existe por parte do Poder Público. Ao contrário, cada vez mais acontecem fraudes, roubos e desvios de dinheiro público são vistos e divulgados em todos os veículos de comunicação do país. As verbas públicas são utilizadas, em sua maior parte, para benefício próprio da classe política. Sabe-se que o Brasil é o país com a maior carga tributária do mundo, “entram e saem governantes e a situação continua a mesma”. O país só poderá melhorar quando o povo se conscientizar e começar reivindicar maior prestação de contas, isto é, a apresentação de toda a aplicação dos valores arrecadados através da classe empresarial e da sociedade em geral. Afinal, é a população que escolhe e elege seus governantes, os grandes idealizadores e executores das decisões da administração pública, portanto, cabe a cada brasileiro o papel de exigir esta prestação de contas. A situação se agrava na medida em que quanto maior for o faturamento de uma determinada organização, maiores serão suas obrigações tributárias. Por isso mesmo, nota-se que muitas empresas não conseguem se manter no mercado, desmotivando os empresários que acabam por fechar suas empresas e aplicar o seu patrimônio, se houver, em ações, que aumenta o índice de desemprego, já tão alto, no país. Não é necessário ir longe para comprovar este fato. No estado de Mato Grosso do 63 Sul, por exemplo, muitas empresas que se instalaram em alguns Municípios do Estado, e obtiveram isenção de alguns tipos de tributos, de acordo com convênios de cooperação firmados entre Estado, Município e Empresa, ainda conseguiam conciliar seus custos em razão destas isenções. Mas, com o vencimento dos convênios e conseqüentemente, dos incentivos fiscais, muitos empresários deixaram de exercer a atividade empresarial buscando aplicações mais rentáveis e menos onerosas. É fácil notar, até para as pessoas mais inexperientes, que a legislação tributária precisa ser revista, pois os tributos são cada vez mais cobrados e fiscalizados, cada vez mais se arrecada, e o país continua com um dos menores índices de crescimento do mundo. Ao se analisar a situação dos serviços públicos, tais como: saúde, educação segurança, etc. – verifica-se uma situação de calamidade, um verdadeiro caos. A saúde é precária, inúmeras pessoas enfrentam problemas críticos, muitos morrendo em filas de hospitais, aguardando um tratamento digno, o que não acontece, pois não existem recursos disponíveis. A mesma situação acorre na área educacional, onde existem verbas específicas destinadas à educação; e o que temos, são escolas péssimas, ensino de baixa qualidade, professores mal pagos, entre outros fatores. A segurança também é discutida, pois a violência urbana tem matado um enorme número de pessoas. O medo e a insegurança imperam no país. Entretanto, milhões de reais são arrecadados todos os anos com pagamento de tributos e não são aplicados de forma certa e séria. Infelizmente é em razão destes fatos que o investidor brasileiro já não se anima em manter empresas funcionando a pleno vapor, pois além dos elevados custos operacionais, deve arcar também com enorme e inexplicável carga tributária, o que acaba levando a economia interna a um círculo viciosa: mais tributos, menos empresas, menos empregos, menor arrecadação. 64 ABSTRACT The work has for main objective the questioning of the collection and application of the charged tributes of the Brazilian enterprise classroom. Leading in consideration that Brazil is one of the countries that greater possesss tax burden of the which had world and to the fact, still continues with one of the lesser indices of growth. Of this form the same it will question the taxes, taxes and contributions that are applied to the all enterprise classroom, and mainly the destination that all these values take, therefore in such a way is charged and it is not possible to visualize improvements in the main areas, as health, education and security. Key works: Tribute, taxes, fees, contributions 65 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA CASSONE, Vittorio. Direito tributário. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2004. EMPRÉSTIMOS Compulsórios. Vem Concursos, 31 de Set. 2002. Empréstimos. Disponível em: http://www.vemconcursos.com/opiniao/index.phtml?page_sub=5&page_id=1021. Acesso em 02/09/07. EMPRÉSTIMOS. Dicionário Jurídico. Dicionário Net. Disponível http://www.direitonet.com.br/dicionario_juridico/x/14/88/148/. Acesso em 02/09/07. em: FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade tributária. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2001. LIMA, E M. Um estudo sobre a evolução da carga tributária no Brasil. Jornal do CRCMS, Campo Grande, Nov./Dez. 2006 e Jan. 2007. p. 4-5. TAVARES, Noel. As contribuições especiais no direito constitucional brasileiro. Maio de 2004. Disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7341. Acesso em 02/09/07. TEIXEIRA, Márcio Antônio. Os empréstimos compulsórios brasileiros. São Paulo, 15/10/03. Disponível em: http://www.vemconcursos.com/opiniao/index.phtml?page_sub=5&page_id=1391. Acesso em 02/09/07. 66 MARKETING PESSOAL: A FERRAMENTA PARA O SUCESSO PROFISSIONAL Cleuslene da Silva Barboza Raquel de Oliveira Alves Graduandas 4º Ano de Ciências Contábeis 67 Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientador: Prof. Fábio Henrique Silvério RESUMO O artigo buscou apresentar a importância do marketing pessoal para o ser humano tanto na vida pessoal como na vida profissional, mostrando tópicos fundamentais para as pessoas que tenham a intenção de mudar sua imagem e ter mais projeção e visibilidade. O marketing pessoal é elemento de diferenciação, ajuda na construção de redes de relacionamentos e na captação de novos clientes, e é decisivo para a ascensão profissional. Palavras – chaves: Marketing pessoal; Aparência; Conhecimento. 1 INTRODUÇÃO A realidade do mundo atual exige cada vez mais que os profissionais das mais diversas áreas desenvolvam métodos e técnicas de diferenciação e superação, como alternativa para se manter no mercado. Uma estratégia bastante utilizada nos dias de hoje é o marketing pessoal como forma de destacar a atuação profissional no seu meio, gerando a possibilidades de novos negócios e ascensão. O marketing pessoal é um tema recente, instigante e polêmico, mas ainda pouco estudado e sem bases teóricas sólidas. Na área contábil, ele é ainda um tema pouco conhecido e desenvolvido no meio, envolvendo assuntos diversos como publicidade, ética, imagem pessoal, relacionamento e desenvolvimento profissional. Se algum profissional utiliza as técnicas de marketing pessoal como estratégia para a sua ascensão, estas não são muito divulgadas ou admitidas. Em sua formação acadêmica ou no próprio mercado de trabalho, os contadores em geral, não têm acesso ás questões relativas ao marketing pessoal. E hoje, é a ferramenta mais eficiente de fazer com que seus pensamentos e atitudes, sua apresentação e comunicação, trabalhem a seu favor no ambiente profissional. Além, desses detalhes o cuidado com a ética e a capacidade de liderar, a habilidade de se 68 auto-motivar e de motivar as pessoas a sua volta, também fazem parte do marketing pessoal. 2 MARKETING PESSOAL: ORIGENS, DEFINIÇÕES E IMPORTÂNCIA O marketing pessoal surgiu na antiguidade como forma de comportamento utilizado pelas pessoas que iriam se dirigir aos reis. Era o modo como as pessoas se apresentariam perante a autoridade, relativo ao modo de falar, vestir e como se comportar. Conforme Hansen e Bôer (2004) em meados da década de 80 o marketing pessoal era conhecido como Etiqueta Social. Porém, até a década de 90, o termo etiqueta social estava se desintegrando, uma vez que este estava restrito apenas ás pessoas de classe média alta. Foi então que houve a queda deste conceito e passou a ser conhecido como marketing pessoal ou self promotion. Atualmente, se tornou uma ferramenta fundamental nessa transição de oferta de emprego para a procura por talentos. De acordo com Doin (2004, p.05), o marketing pessoal é como um conjunto de ações estratégicas, atitudes e comportamentos que conduzem a trajetória pessoal e profissional (...) por meio de qualidades e habilidades inatas ou adquiridas (...) que, aperfeiçoadas, promoverão comportamentos favoráveis á realização dos seus próprios objetivos. Segundo Cruz (2003), a palavra Marketing é “criar e identificar necessidades e criar rapidamente um produto”. Martins (2004, p. 08) cita: O marketing pessoal “é uma das ferramentas mais importantes para se acabar com o conformismo e o despreparo (...), porque”: - É a base para o planejamento de sua imagem pessoal e profissional, pois desperta o individuo para o auto desenvolvimento e auto gerenciamento da própria carreira profissional e vida pessoal; - Permite o reconhecimento de suas competências e a forma correta de expô – las; - Mostra como criar, ampliar e gerenciar sua rede de contatos – networking; - Reforça auto-estima e coragem para enfrentar desafios; - Amplia percepção para lidar com mudanças; 69 - Instrui sobre formas adequadas de postura e etiqueta profissional. Para ser eficaz no marketing pessoal, o conhecimento da dimensão humana e seu aprimoramento pessoal, são fundamentais, porque acima de tudo, o marketing pessoal é um processo de desenvolvimento pessoal e o sucesso é apenas conseqüência de se procurar sair do primário da vida. Para realizar um Marketing Pessoal gratificante em todos os sentidos da vida, é necessário saber utilizar, de forma coerente e consistente, as novas tecnologias, a mídia e o marketing como ferramentas estratégicas, valorizando a imagem que se pretende transmitir. As empresas de hoje analisam muito mais do que sua experiência profissional. A preocupação com o capital intelectual e a ética, é fundamental na definição do perfil daqueles que serão parceiros/colaboradores. E na dose certa e de forma planejada, é possível criar e desenvolver uma imagem coerente e consistente, envolta em associações psicológicas positivas que dêem visibilidade necessária para que uma pessoa se transforme em uma referência no seu ambiente vivencial e possa fazer parte dos projetos de vida das outras pessoas. É preciso ter criatividade e certa dose de coragem para criar motivos para interagir com as pessoas e aparecer. Cada área de atividade pode permitir uma série de ações planejadas que, na sua essência, criarão uma rede de relacionamentos. É nessa interatividade que se desenvolve e se constrói o valor para a marca pessoa. No mundo competitivo em que se vive, é grande a importância de um diferencial na atuação dos profissionais. A trajetória pessoal e profissional sempre foi e continuará sendo, um patrimônio individual a ser administrado com rigor e competência. Conforme site WIKIPÉDIA (2007), O Marketing Pessoal valoriza o ser humano em todos os seus atributos e características. Inclusive em sua complexa estrutura física, intelectual e espiritual. Visa possibilitar a utilização plena das capacidades e potencialidades humanas na área profissional e na da vida pessoal. Quando bem praticado, o marketing pessoal é uma ferramenta extremamente eficaz para o alcance do sucesso social e profissional. E o melhor é que, além de beneficiar quem o pratica, ele também proporciona bem estar para os que estão ao redor. 70 3 APARÊNCIA FÍSICA, POSTURA E COMPORTAMENTO Difícil alguém não perceber, nos dias de hoje, que a aparência conta – e muito. A aparência é mais uma ferramenta no dia - a - dia profissional, e deve-se aprender a usá-la para favorecimentos. O Marketing Pessoal tornou-se uma ferramenta estratégica essencial no processo de se conduzir com sucesso uma marca pessoal nos dias atuais. O site Câmara Brasileira (2007) relata que qualquer pessoa pode e deve formular um programa de marketing pessoal, independentemente de profissão, de idade, de sexo. Não é tão complicado assim como parece. O que se precisa, a princípio, é avaliar a sua própria imagem a partir do retorno que tem dela. Para Mccaffrey (1983, p. 53) ressalta que: (...) usar roupas mais conservadoras, boas e apropriadas para a função, ter uma aparência onde sugestiona limpeza, asseio e cuidado leva a uma boa primeira impressão. Usar objetos de valor, como boas canetas, gravatas, relógios e óculos também é um meio de transmitir um certo poder e status para as pessoas e estas impressões sempre são impactantes.” Tão importante quanto estar bem-vestido é manter uma postura correta e elegante. Sobre o assunto, Bordin Filho (2002, p.45) afirma: ’Andar sempre com a coluna reta e elegante impõe respeito. Apoiar a cabeça na mão não é bom porque dá idéia de desleixo e desânimo, ser calmo nos gestos demonstra educação e elegância.. Assim como se torna abominável roer unhas e fumar em público. Um bom curso de dicção é recomendável pois mesmo não tendo dificuldades de fala, se pode aperfeiçoar a arte do falar bem e para o público. A má dicção pode comprometer a credibilidade. O modo de agir também tem sua importância, principalmente no primeiro momento: olhos nos olhos, um firme aperto de mão, a maneira que você se senta, dentre outros pormenores é maneiras não verbal de mandar sua mensagem sobre quem você é. Mccaffrey (1983, p. 56), aconselha: 71 (...) se você tiver condições de decidir ou organizar a posição de cada um em uma reunião, aproveite esta oportunidade para criar situações onde os interessados tenham uma boa visão e proximidade de você, assim suas chances de sucesso serão bem maiores. A maneira que você se senta diante do interlocutor diz a ele muito sobre você. Quanto mais perto o contato físico, mais aberto psicologicamente este estará a negociações, pois terá a sua imagem como um parceiro em busca de soluções. 4 ABRANGÊNCIA DO MARKETING PESSOAL Conforme Programa Fantástico exibido em 05 de agosto de 2007, o consultor particular de carreiro Max Gehringer relata os dez mandamentos do marketing pessoais abaixo relacionados: 1º - Liderança: pessoa que têm uma habilidade muito maior de influenciar as outras, comandando e orientando em qualquer tipo de ação; 2º - Confiança: pessoa em que confiamos, sentimos segurança e tratamos com familiaridade; 3º - Visão: é alguém entender o que está fazendo e por que está fazendo, e sugerir pequenas mudanças para melhorar o próprio trabalho ou o trabalho dos colegas; 4º - Espírito de equipe: é oferecer ajuda aos colegas, mesmo sem ser solicitado e realizar tarefa em grupo; 5º - Maturidade: é saber solucionar conflitos sem provocar mais conflitos, um ajudando o outro é que se consegue melhor; 6º - Integridade: é fazer o seu trabalho sem prejudicar ninguém. Não ser excessivamente ambicioso e atropelar quem aparece pela frente. Nós temos sentimentos, emoções e, muitas vezes, no trabalho, nós temos que guardar isso para a gente mesmo; 7º - Visibilidade: ser o primeiro a levantar a mão quando alguém precisar de ajuda, estando disposto sempre; 8º - Empatia: é saber elogiar o trabalho de um colega e reconhecer o mérito dos outros. 9º - Otimismo: ter disposição, encarar tudo pelo lado positivo, esperar o melhor; 72 10º - Paciência: esperar serenamente um resultado, estar tranqüilo, preservar na continuação de uma tarefa lenta e difícil. 5 REDE SOCIAL Para WIKIPEDIA (2007) Rede Social é uma das formas de representação dos relacionamentos afetivos ou profissionais dos seres humanos entre si ou entre seus agrupamentos de interesses mútuos. A rede é responsável pelo compartilhamento de idéias entre pessoas que possuem interesses e objetivos em comum e também valores a serem compartilhados. Assim, um grupo de discussão é composto por indivíduos que possuem identidades semelhantes. Essas redes sociais estão hoje instaladas principalmente na Internet devido ao fato desta possibilitar uma aceleração e ampla maneira das idéias serem divulgadas e da absorção de novos elementos em busca de algo em comum.Todos têm obrigação de investir em seu relacionamento. A capacidade de conhecer outras pessoas e áreas é fundamental para o crescimento no trabalho. É a comunicação interpessoal pode ser definida como sendo o grande elo que destaca um indivíduo em meio á massa. Quando ele fala, quando se expressa por escrito ou oralmente, quando cria vínculos de comunicação continuada, o indivíduo externa o que tem de melhor em seu interior. Assim, usar um português correto e adequado a cada contexto, escrever bem, vencer a timidez, usar diálogos motivadores e edificantes e manter um fluxo de comunicação regular com as pessoas é básico para um bom desenvolvimento do marketing pessoal. Temos sempre a tendência de ver as pessoas que se comunicam bem como líderes no campo em que atuam. O autor Withaker (1998,p.25) relata: Uma estrutura em rede (...) corresponde também ao que seu próprio nome indica: seus integrantes se ligam horizontalmente a todos os demais, diretamente ou através dos que os cercam. O conjunto resultante é como uma malha de múltiplos fios, que pode se espalhar indefinidamente para todos os lados, sem que nenhum dos seus nós possa ser considerado principal ou central, nem representante dos demais. Não há um “chefe”, o que há é uma vontade coletiva de realizar determinado objetivo 73 A prática de ações de apoio, ajuda e incentivo para com os demais é o grande elemento do marketing pessoal e, como destaque social, a melhor forma de galgar um lugar nas mentes e corações dos que nos cercam. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O artigo esclarece a importância do marketing pessoal para que o profissional se torne um diferencial marcante no mercado.O Marketing Pessoal possibilita a utilização plena das capacidades e potencialidades humanas na área profissional e na vida pessoal, valorizando seus atributos e características. Para se conseguir um posicionamento bom no mercado de trabalho cada vez mais exigente, não é fácil para quem não conhece os processos sob os quais atuam o Marketing Pessoal. Quando bem praticado ele se torna uma ferramenta á favor, ajudando a projetar a imagem que cada pessoa possui, revelando suas melhores características. Cada vez mais deve - se procurar aperfeiçoamento nesta área, quanto mais ênfase der a este tema com certeza os profissionais serão melhores vistos e apreciados. O Marketing Pessoal é um tema recente e pouco estudado, a cada dia surgem mudanças e discussões sobre o assunto. O Marketing Pessoal deve ser adotado pelas diversas profissões, inclusive pelos profissionais contábeis, assim como os médicos usam roupas brancas e os advogados usam ternos, investindo na sua imagem. Os contadores devem investir em si próprios e auto-projetarem. Além de investirem na sua imagem, deve – se estar sempre buscando aperfeiçoamentos e novos conhecimentos, mantendo – se atualizados de acordo com as mudanças que vão surgindo. ABSTRACT The article sought to present the importance of the marketing staff for humans both in personal life and in professional life, showing key topics for people who have the intention to change its image and projection and have more visibility. The marketing staff is element of differentiation, help in building networks of relationships and the capture of new customers, and is crucial to the rise professionally. 74 Keywords: marketing staff, appearance, knowledge REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Artigo III SiAR & I SIACC Pereira Barreto, SP, Brasil, 08 a 11 de setembro de 2004 – Marketing pessoal: você mais que uma embalagem, um produto de qualidade – Adriana de Oliveira Hansen(FIU) e Ana Paula Ferreira Boer (FIU) BORDIN FILHO, Sady. Marketing Pessoal: 100 dicas para valorizar a sua imagem. Rio de Janeiro:Record, 2002. CRUZ, Gilberto. Marketing Pessoal. São Paulo:2003. I – CD – ROM. DOIN, Elaine. Marketing Pessoal. São Paulo:2004Apresenta Informações sobre Marketing Pessoal. .Disponível em:http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos. DOIN, Elaine. O Marketing Pessoal na sua Trajetória Profissional. 2003. Disponível em:http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos. WIKIPEDIA. Marketing pessoal. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Marketing Pessoal>, Acesso em 08abril de 2007. CAMARA brasileira. Projeto saber.Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/projetosaber.htm, Acesso em 08abril de 2007. FANTASTICO. Mandamentos do marketing pessoal. Disponível em: <http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,AA1603968-8648,00.html>, Acesso em 06agosto de 2007. MARTINS, Rogério. Marketing Pessoal, antes que seja tarde. Apresenta informações sobre marketing pessoal. São Paulo: FNP on line 2004. Disponível em: http://www.esag.Edu.Br/biblioteca/mkt_art5.html. MCCAFFREY, Mike. Personal Marketing Strategies. How sell Yourself, Your ideas and Your Services. New Jersey:Editora Spectrum book, 1983. MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 13. ed. São Paulo:Atlas WITHAKER, Francisco (1998). Redes: Uma estrutura Alternativa de Organização. Disponível em: http://www.rits.org.br/redes_teste/rd_estrutalternativa.cfm 75 O NOVO VELHO ENFOQUE DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL Denismar Rosa da Silva Israel Marques de Oliveira Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete 76 RESUMO Ao distinguir os diferentes enfoques da Contabilidade Gerencial e Financeira e relatar as constatações de uma pesquisa de campo, aponta, também, desafios que, se bem trabalhados, poderão representar um precioso estímulo para o profissional da área contábil. Desse modo, pretende provocar uma reflexão nesse setor profissional em geral e, em particular, nos meios acadêmicos, responsáveis pela formação desses profissionais. A premissa fundamental deste trabalho é que a Contabilidade representa um instrumento gerencial por excelência e não apenas um procedimento para apuração de impostos. PALAVRAS CHAVE: Sistema de Informações Contábeis; Contador Fiscal; Contador Gerencial. 103 1 INTRODUÇÃO Ouvir-se que, na prática, o profissional da área contábil direciona 95% de seu tempo de trabalho e de seu esforço para o preenchimento de formulários, cumprimento de formalidades legais e apuração de resultados para pagamento de impostos. Existe, inclusive, a referência de que o contador, remunerado pela empresa que o contrata, atua, predominantemente, como um funcionário público, isto é, sua ação beneficia os órgãos arrecadadores de impostos e taxas. 2 BREVE ESPAÇO PARA UMA CONTEXTUALIZAÇÃO A história da humanidade é marcada por mudanças. No entanto, o seu ritmo, observado na atualidade, é tão acentuado que são comuns referências e comparações com um ambiente após a passagem de um terremoto. Isso se deve ao fato de que os efeitos desse fenômeno são incontroláveis e violentos, assim como o são os efeitos das mudanças que, por sua vez, nem sempre são devidamente avaliados. Essas transformações acarretam novas questões e novas respostas, 77 advindas da complexidade e da dinâmica de elementos sociais, num caminho contínuo e inacabado percorrido pela sociedade. O acelerado crescimento econômico ocorrido na segunda metade do século XX pode ter propiciado um desenvolvimento científico e tecnológico. No entanto, segundo Freitas (1999, p. 20-30) Não se pode relacionar as transformações no ambiente cultural, social, religioso ou político como conseqüências do econômico. Essas alterações são interdependentes, seus efeitos múltiplos e suas influências recíprocas, dificultando a identificação linear de causa e efeito. Nesse contexto de grandes mutações, torna-se complexo identificar as variáveis dependentes das independentes, tal o grau de relacionamento e influência existentes. Outro fator que dificulta o processo de identificação, estudo e análise das mudanças sociais, na visão da autora, é a inserção do observador nesse redemoinho. Sua posição não possibilita um distanciamento crítico que lhe permita entender as mudanças. No entanto, apesar de todas as dificuldades, os principais fatores que impulsionaram as atuais mudanças foram: o papel da educação, o modelo capitalista, a tecnologia e o papel social da mulher. O atual ambiente educacional é caracterizado pela democratização do ensino em contraposição à existência de um privilégio para poucos. Esse processo derivou da implementação de novas políticas educacionais, em busca de uma mão-deobra mais especializada para atender à indústria nacional, bem como à própria pressão da sociedade que almejava maiores possibilidades e direitos. Como conseqüência, o próprio sistema educacional é constantemente questionado a repensado no sentido de sua incapacidade de preparar profissionais para as demandas do futuro, pois nem mesmo pode se afirmar que profissões existirão. Desse modo, é exigência essencial a formação de seres humanos capazes de se adaptar a novos ambientes, capazes de compreender e dominar a complexidade das relações e atividades humanas e, acima de tudo, capazes de coordenar o turbilhão de informações e novos conhecimentos que se contrapõem aos padrões de referência até então dominantes. Assim, cabe aos 78 educadores, provocar e incentivar o debate sobre os rumos da educação, refletindo sobre que conhecimentos, competências e habilidades são indispensáveis aos futuros profissionais da área contábil. 3 CULTURA E GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES As organizações são frutos da época e do contexto histórico em que estão inseridas. As organizações modernas são produtos da história e do tempo das sociedades onde se inserem, bem como da evolução dessas sociedades. Se hoje elas têm papel cada vez mais importante no cenário social é porque o próprio social lhes abre espaço. (FREITAS, 1999, p. 55) O que se observa é que, num contexto de mudanças aceleradas, as organizações que apresentam maior capacidade de adaptação evoluem, pois mostram maior potencialidade de captar as alterações sociais e, de maneira ágil e aceitável respondem, influindo, por sua vez, no meio social em que se localizam. Por esse motivo, espera-se que as instituições de ensino assumam o papel de questionar e incentivar a redefinição do perfil desejado para seus egressos. Conforme Santos (1992, p. 18-19), A cultura organizacional tem merecido diversas abordagens científicas: psicológica, antropológica e sociológica. A autora se refere a um estudo de antropólogos culturais que reuniram 164 definições diferentes para o conceito dessa cultura, por ela agrupadas em três categorias. Deduzindo-se dessas diversas percepções, pode-se concluir que a cultura organizacional existe, podendo ser considerada como a personalidade da empresa, capaz de explicar e controlar o comportamento dos componentes da organização, sendo, assim, definida: Cultura organizacional é definida como valores e crenças compartilhados pelos membros de uma organização, a qual funciona como um mecanismo de controle organizacional, informalmente aprovando ou proibindo comportamentos e que dá significado, direção e mobilização para os membros da organização. (SANTOS, 1992, p. 26) 79 O processo de gestão das organizações é influenciado pelas crenças, valores e expectativas de seus idealizadores que definirão sua missão, filosofia e objetivos que, por sua vez, delimitarão os demais subsistemas organizacionais. É fundamental, portanto, que esse conjunto de normas, princípios e conceitos constituam um direcionamento seguro para que as atividades sejam conduzidas de maneira firme, dentro de um nível aceitável de riscos, respeitando-se a capacidade instalada da organização e conhecendo-se as condições internas e externas que interferem na atividade empresarial. Deduz-se que o modelo de gestão, retratando o modus operandi existente na empresa, refletir-se-á em todas as etapas de sua gestão, como planejamento, execução e controle. De acordo com Guerreiro (1989, p. 243–253), O modelo de gestão, além de impactar em todos os demais subsistemas da empresa, abrangerá todas as etapas gerenciais, tais como: planejamento, controle, gestão econômica e sistema de informação. Esse sistema de gestão será, então, um elo capaz de permitir a busca de um mesmo fim, que é o cumprimento da missão empresarial, utilizando-se uma linguagem comum. O processo de gestão pressupõe as atividades de planejamento, execução e controle. O planejamento, por sua vez, divide-se em dois tipos: estratégico e operacional. Segundo Arantes (1994, p. 138): Planejar é um processo de reflexão que leva o administrador a tomar decisões hoje sobre as coisas que ele quer que aconteçam no futuro. É essencialmente um processo de criar o futuro que queremos para a nossa empresa. É também o exercício de definir os caminhos que devem ser seguidos para atingir esses estados futuros desejados. Por isso, o planejamento é talvez o principal momento em que o administrador exercita, em toda a extensão, suas habilidades, conhecimentos, criatividade, sabedoria e intuição. É o momento também que exige dele a ousadia e capacidade de assumir riscos. No entanto, nem mesmo um bom planejamento garantirá o sucesso se não for devidamente executado. Desse modo, afirma Arantes (1994, p. 163): “a função de direção visa criar e garantir todas as condições requeridas para que as ações planejadas sejam bem executadas e os resultados previstos sejam atingidos”. É, nessa fase, que maiores desafios se apresentam. Um planejamento não garantirá sucesso se não apresentar praticidade e funcionalidade. Assim, é necessário que a execução ou 80 ação assegure a alocação de pessoal qualificado para as atividades planejadas, que promova os processos de comunicação dos planos, motivando, orientando e coordenando. Novamente, o questionamento: como executar sem conhecer as informações contábeis? Que fazer para que os futuros contadores assumam o controle das informações gerenciais? Na visão do autor, acima citado, tão importante quanto o planejamento e a execução é o controle. A função de controle pode ser dividida em três etapas: fase da avaliação dos resultados, fase da comunicação dos desvios e fase de acompanhamento das correções. Constata-se que o controle implica, necessariamente, a fixação de parâmetros que possibilitem a comparação entre o planejado e o executado. Não se controla, apenas, por meio de relatórios sobre o que foi realizado, pois não se detectarão os desvios, visto não existir um parâmetro previamente determinado. Vale ressaltar, ainda, que é indispensável uma ligação muito forte entre planejamento e controle, implicando, inclusive, a utilização da mesma linguagem e critérios uniformes. Entretanto, esses parâmetros, indicadores de desempenho funcional, só poderão ser fixados com a ajuda dos registros e informações contábeis. Conclui-se que o processo de gestão dependerá, essencialmente, da existência de um sistema de informações, devidamente estruturado, que permita a comparação entre o planejado e o executado. Segundo Horngren (1985, p. 5), “o núcleo do processo administrativo é a decisão, a escolha, dirigida para um fim, de uma dentre várias alternativas de ação à luz de algum objetivo”. Em decorrência dessa característica, constata-se a importância e destaque que a Contabilidade deve representar nesse sistema geral de informações e como é fundamental a formação gerencial no ensino da ciência contábil. 4 INFORMAÇÕES CONTÁBEIS E DECISÕES GERENCIAIS As complexidades do ambiente econômico e o crescimento das organizações têm dificultado a gestão dos negócios, demandando informações cada vez mais claras, oportunas e relevantes, capazes de embasar o processo de decisão. 81 A contabilidade, ao registrar todos os fatos ocorridos na organização, caracteriza-se como um banco de dados que poderá se transformar em informações úteis e imprescindíveis no processo decisório. Entretanto, o que se observa é que, realizada de acordo com a legislação e nem sempre de acordo com os fundamentos teóricos, ela distorce o valor real do patrimônio, privilegiando interesses de grupos econômicos dominantes que atuam sobre as decisões governamentais. O que se espera, no entanto, é que dados reais sejam apurados com fidelidade e transparência, em tempo hábil, e que constituam base segura na fundamentação de decisões gerenciais. É imprescindível ressaltar que os relatórios direcionados aos usuários internos não poderão apresentar os mesmos fundamentos e mesma estrutura, já que os objetivos desses analistas são diferentes. Com o intuito de atender a esses diferentes objetivos é que a Contabilidade apresenta enfoques diferentes, como a Contabilidade Gerencial e a Contabilidade Financeira. A Contabilidade Gerencial apresenta o propósito básico de embasar as decisões internas para controle e feedback do desempenho operacional; seu foco é orientado para o futuro, não é regulamentada por lei, mas definida pela administração para atender necessidades estratégicas e operacionais da organização. (WARREN, REEVE e FESS, 2001, p. 2-5) Utilizando-se de processos de mensuração física e operacional, apura informações mais subjetivas, relevantes, sujeitas a juízo de valor. Por outro lado, a Contabilidade Financeira, voltada ao atendimento de usuários externos, é delimitada por restrições, regras e princípios determinados por autoridades governamentais para apurar informações de natureza objetiva, aditáveis, consistente e agregada. Ela apresenta um foco histórico com o propósito de demonstrar o desempenho passado. Vale acentuar que aproximadamente 30% dos empresários entrevistados, na referida pesquisa, conhecem e se referem à Contabilidade como sistema de apuração de tributos. O que se pode concluir é que existem necessidades e objetivos distintos quanto às informações contábeis que deverão ser apuradas por processos e critérios também diferentes. É válido ressaltar que a mensuração de eventos passados já é 82 tarefa consagrada à Contabilidade, sendo um desafio a estruturação de um modelo de mensuração aplicável a eventos futuros. Trata-se, portanto, de uma tarefa mais complexa uma vez que essas medidas referem-se a estimativas subjetivas. Entretanto, convém frisar a existência de modelos matemáticos e estatísticos capazes de resolver tal problema, possibilitando a apuração de informações fidedignas. No entanto, é necessário que a academia acentue e valorize, sempre mais, este aspecto gerencial. Vale destacar que as principais características das informações devem ser suas relevâncias, a relação do custo-benefício e a flexibilidade perante o usuário e o contexto situacional: Informação contábil deve, pois, necessariamente, ser significativa para os problemas decisórias do usuário (relevância) e não custar mais para ser produzida do que o valor esperado de sua utilização (economicidade). Por outro lado, como uma atividade decisória específica determina as necessidades, a relevância está em direta inter-relação (adaptação) com o contexto decisório dessa decisão e com as atitudes e preferências de quem assumirão a decisão. (MARTIN, 1980, p. 3) Ressalte-se, ainda, que a Contabilidade pode suprir o gestor de informações em todas as etapas do processo decisório: planejamento, execução e controle. Como identificar problemas e escolher a melhor alternativa sem a existência de informações contábeis? Na fase de identificação dos problemas, a Contabilidade pode apontar as variações entre os padrões estabelecidos e o realizado. Na identificação das alternativas, ela poderá, por exemplo, evidenciar a alternativa que permita maior rentabilidade ou retorno sobre o investimento. Outro aspecto digno de menção é a determinação da qualidade e quantidade de informações. Conforme Beuren (1998, p. 32-33) é uma tarefa por demais complexa e insegura: Sabe-se que o valor da informação repousa em seu uso final, isto é, seu valor está diretamente associado à redução da incerteza derivada do uso da informação. Todavia, na prática, não é fácil identificar o volume de informação que deve ser gerado para equalizar sua utilidade e custo marginal, especialmente, pela dificuldade de estabelecer a potencialidade que uma informação tem de influenciar uma decisão ou reduzir a incerteza da identificação do curso de eventos futuros. 83 Desse modo, é prudente ressaltar que a qualidade deve ser mais valorizada do que a quantidade das informações. A produção em massa de informações, devido às facilidades tecnológicas, sem a devida restrição e definição do usuário, não parece ser a solução, mas, sim, um dos problemas relativos ao sistema de informações de uma instituição. É importante observar que uma informação só será útil se atender às necessidades do usuário e que sua utilidade varia de acordo com o usuário, com o processo de decisão adotado, bem como com o comportamento daquele em relação ao uso das informações. A vida atual dos profissionais e das organizações apresenta um nível de complexidade sem precedentes. Pela primeira vez na história, tem-se a capacidade de criar mais informação do que se pode absorver, de gerar mais interdependência do que se pode administrar e de acelerar as mudanças com mais rapidez do que se pode acompanhar. Por isso, torna-se imprescindível buscar formas de se preparar para aprender a aprender, desenvolvendo a capacidade de crítica e ação. Somente desse modo as organizações terão condições de responder, com maior rapidez, às exigências da atualidade, procurando, sempre, se antecipar e prever possíveis alterações que possam ocorrer no futuro. (SENGE, 1990, p. 25) 5 TECNOLOGIA E RELATÓRIOS GERENCIAIS Conforme Iudícibus (2000, p. 20-21): A Contabilidade pode ser vislumbrada sob três ângulos. A visão neopatrimonialista na qual o objeto da ciência contábil é o acompanhamento das variações quantitativas e qualitativas do patrimônio. A visão utilitária, em que se destaca a importância das informações contábeis para subsidiar o processo de decisões nas organizações. A terceira visão, denominada econômica, analisa essa ciência pela sua capacidade de avaliar quais os recursos utilizados pelas organizações e em que grau de eficiência transcorreu esse uso. A Contabilidade Gerencial deve enquadrar-se não apenas na visão utilitária da ciência contábil, como, também, na visão econômica, voltando-se, portanto, ao atendimento das necessidades dos usuários internos. Desse modo, deve ser identificada pelos seguintes objetivos: - gerar informações específicas, precisas e atualizadas; - buscar forma mais aprimorado de avaliação patrimonial sob o aspecto econômico, sem restringir-se apenas ao aspecto financeiro; 84 - aliar-se a outras áreas de conhecimento para complementar a informação contábil. Como forma de atingir os objetivos citados, é necessário que a Contabilidade Gerencial defina os caminhos a seguir, ou seja, defina estratégias de ação, tais como: - participar do desenvolvimento de ferramentas de automação que permitam melhor execução das atividades contábeis, com maior agilidade, flexibilidade e precisão; - buscar parcerias com outras áreas de conhecimento que contribuam para a criação de indicadores e modelos de avaliação e contabilização de intangíveis; - estruturar um sistema contábil descentralizado, mas integrado, que atenda às necessidades dos clientes nos níveis operacionais e estratégicos; - aprimorar a forma de comunicação das informações contábeis através de interpretações mais assimiláveis; - adequar os produtos gerados pela Contabilidade às expectativas, desejos e exigências dos clientes. A informação é a característica predominante de nossa era, influenciando toda nossa vida. No âmbito contábil, pode-se afirmar que as informações são indispensáveis e determinantes em todas as fases das decisões organizacionais. A tecnologia utilizada nas fases de coleta, processamento, transformação e distribuição das informações constituirão um fator determinante da qualidade dessas informações, sejam elas gerenciais financeiras, tributárias ou de auditoria. Longe de ser considerada como ameaça, a tecnologia deve ser vislumbrada como parceira na busca pelo aprimoramento da informação contábil. O uso de tecnologias mais avançadas permitirá, por exemplo, a aplicação de métodos de custeio mais apurados, como o método ABC, ou, ainda, a atribuição de custo específico às atividades, unidades ou setores produtivos. A tecnologia atual permite o processamento de dados capazes de atender às decisões estratégicas, gerenciais ou operacionais. Decisões operacionais relacionam-se com problemas organizacionais de curto prazo, como correção ou execução de tarefas rotineiras, devidamente estruturadas. As decisões administrativas, 85 oriundas do planejamento gerencial, referem-se a ações futuras e envolve o processamento de dados não rotineiros. Quanto às decisões estratégicas existem linguagens de programação avançada, constituindo os sistemas de inteligência artificial. Desse modo, a tecnologia, partindo do processamento de dados ou de transações rotineiras, permite a elaboração de aplicativos simples, como folha de pagamento, até o suporte às decisões gerenciais, que envolve uma estrutura mais complexa. As decisões estratégicas das organizações não mais se limitam ao aspecto financeiro, elas se voltam, também, para novas categorias de medidas de desempenho, tais como: conhecimento do cliente, qualidade do produto, inovação e eficácia de processos. Segundo Moscove (2002, p. 30): “é importante notar que medir o sucesso de uma empresa nos atributos financeiro e não financeiro representa tanto um problema quanto uma oportunidade para a contabilidade tradicional”. No entanto, para Moscove (2002, p. 414), a estrutura de um sistema de informações é sempre a mesma: “Os componentes de um sistema de suporte à tomada de decisão são um usuário, um ou mais bancos de dados, uma linguagem de planejamento e o modelo básico”. Os autores destacam alguns sistemas de informações contábeis: sistema de contabilidade de custos, sistema de orçamento de capital, sistema de análise de variação de orçamento, sistema geral de suporte à tomada de decisão e, ainda, os programas de planilha eletrônica. As decisões estratégicas envolvem grandes investimentos e retornos de longo prazo, demandando o conhecimento de dados do ambiente interno e externo da organização. 6 PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS As características e o perfil de um profissional devem evoluir paralelamente ao desenvolvimento da ciência que lhe fornece o suporte para a ação. Inicialmente, os sistemas contábeis das empresas foram desenhados para atender à tomada de decisões e às necessidades dos administradores em controlar o patrimônio sob sua responsabilidade. Do contador, nesse contexto, esperava-se que registrasse, devidamente, as transações ocorridas internamente, que serviriam de 86 parâmetros para as decisões gerenciais num ambiente relativamente estável e não competitivo. Com o desenvolvimento das transações comerciais e financeiras, a Contabilidade, visando atender à clientela externa que financiava os negócios, passou a ser elaborada segundo regulamentações rígidas e relatórios padronizados. Essas exigências levaram algumas empresas a dar mais ênfase à elaboração das demonstrações financeiras externas do que àquelas voltadas para tomada de decisões e controle gerencial interno. Nesse contexto, o contador, sufocado por leis, regulamentos e normas que direcionavam seus trabalhos, encontrava-se quase impedido de apurar informações gerenciais. Com o início da aplicação dos recursos tecnológicos no setor contábil, as informações detalhadas sobre o custo por hora, por departamento, por funcionário, permitiram melhorar e acompanhar o processo produtivo. Tornou-se possível controlar e melhorar a eficiência, fixando preços e mix de produtos mais rentáveis, avaliando investimentos que incrementavam melhorias nos produtos ou nos processos, verificando a existência ou não de capacidade ociosa, acompanhando o desempenho dos funcionários, identificando necessidades de treinamento e analisando vantagens da terceirização. Nesse contexto, pode-se afirmar que o papel do contador tornou- se mais abrangente e significativo, sendo considerado como um consultor de negócios. O Instituto Americano de Contadores Públicos (AICPA) bem como os autores Moscove, (2002, p. 36) identificaram valores, competências e questões mais relevantes para o futuro da profissão contábil. Os valores mais importantes destacados foram: - educação continuada e aprendizagem constante; - competência; - integridade; - sintonia com questões empresariais amplas; - objetividade. As cinco competências mais relevantes a serem desenvolvidas, destacadas pelos autores foram: - habilidade de comunicação; 87 - pensamento crítico e estratégico; - foco no cliente e no mercado; - interpretação de informações convergentes; - conhecimento tecnológico. Quanto às questões mais relevantes a serem discutidas, apresentadas pelos autores, foram: - o futuro sucesso da profissão depende do público perceber as qualificações e o papel dos contadores; - os contadores precisam tornar-se orientados para o mercado e não depender de regulamentações para que continuem trabalhando; - o mercado demanda menos auditoria e contabilidade e mais serviços de consultoria que agreguem valor; - a especialização é fundamental para a sobrevivência da profissão; - o mercado exige que os contadores sejam versados em práticas e estratégias globais de negócios. Vale realçar, ainda, que a visão sobre o profissional da Contabilidade desenvolveu-se e se modificou, sendo utilizado outro termo para designá-lo: Controller. Segundo Horngren (1985, p. 9): O termo controller significa o principal executivo da área de contabilidade administrativa. O conceito moderno de controladoria sustenta que, num sentido especial, o controller realmente controla: fazendo relatórios e interpretando dados pertinentes, ele exerce uma força ou influência ou projeta uma atitude que impele a administração rumo a decisões lógicas e compatíveis com os objetivos. 111 Ousa-se afirmar, apoiando-se em Cosenza (2001, p. 61), O profissional contábil deverá apresentar as seguintes características: ser um eterno aprendiz; ser capaz de acompanhar e usar as inovações tecnológicas que facilitam seu trabalho; ser capaz de interagir com outros profissionais em busca da melhor solução para a empresa; ser capaz de captar as interferências externas que influirão internamente. Assim o autor se expressa: Não há dúvida de que a profissão contábil caminha para a intelectualidade, em lugar do exagerado pragmatismo atual. Assim, a atuação do contabilista deverá ultrapassar sua área específica de atuação e se integrar com as diversas áreas de conhecimento aplicado aos negócios, como Economia, Administração, 88 Direito etc. Isto tudo leva a crer que o contador que terá maiores condições de sobreviver, nesse novo milênio, será aquele que se propuser a mover-se da cultura analítica retrospectiva para a visão prospectiva holística, além de estar sempre aberto para aprender novos conceitos. (COSENZA, 2001, p. 61) Schwez (2001, p. 71) acrescenta, ainda, às características do profissional contábil, a responsabilidade social e a necessidade de desenvolver um marketing contábil. Desse modo, percebe-se que a Contabilidade irá até onde seus profissionais puderem levá-la. Sua importância, relevância e valorização dependerão, essencialmente, do conhecimento, das habilidades e atitudes dos profissionais. Existem diversos instrumentos contábeis e uma tecnologia bastante desenvolvida à sua disposição. Indispensável se torna, então, a atuação eficiente e eficaz dos professores que poderão promover o conhecimento necessário, deverão desenvolver as habilidades e incentivar atitudes mais dinâmicas e gerenciais dos futuros contadores. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se concluir que é necessário maior esforço nos meios acadêmicos quanto à formação e preparação de profissionais competentes, com senso ético e responsabilidade social. Acredita-se, ainda, ser indispensável incentivar a divulgação das potencialidades das informações contábeis como elemento de gestão; demonstrar a existência de outros enfoques contábeis além do fiscal; mostrar a possibilidade de coexistência entre Contabilidade Gerencial e a Financeira; insistir na simplificação e clareza das ferramentas contábeis gerenciais; enfim, retornar à primordial função contábil que é fornecer informações seguras, em tempo hábil, ao processo de gerenciamento das organizações. 89 ABSTRACT When distinguishing the different focuses of the Managerial and Financial Accounting and to tell the verifications of a field research, it appears, also, challenges that, if well worked, they can represent a precious incentive for the professional of the accounting area. He/she gave way, it intends to provoke a reflection in general in that professional section and, in matter, in the academic means, responsible for those professionals' formation. The fundamental premise of this work is that the Accounting represents a managerial instrument par excellence and not just a procedure for counting of taxes. WORDS KEY: System of Accounting Information; Fiscal Accountant; Managerial Accountant. 90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ARANTES. Nélio. Sistemas de gestão empresarial: conceitos permanentes na administração de empresas válidas. São Paulo: Atlas, 1991. BEUREN, Ilse Maria. Gerenciamento da informação: um recurso estratégico no processo de gestão empresarial. 2. ed.. São Paulo: Atlas, 1998. COSENZA, José Paulo. Perspectivas para a profissão contábil num mundo globalizado: um estudo a partir da experiência brasileira. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília: n. 130, jul./ago. 2001. 112 FREITAS, Maria Ester de. Cultura organizacional: formação, tipologias e impacto. São Paulo: Makron Books, 1999. GUERREIRO, Reinaldo. Modelo conceitual de sistema de informação de gestão econômica: uma contribuição à teoria da comunicação. São Paulo: FEA/USP, 1989. HORNGREN, Charles T.. Introdução à contabilidade gerencial. 5. ed.. São Paulo: Prentice-Hall do Brasil. 1985. IBRACON – Princípios Contábeis: Pronunciamento do IBRACON; Normas Brasileiras de Contabilidade – CFC e Normas Internacionais de Contabilidade – IAIC. São Paulo: Atlas, 1994. IUDÍCIBUS, Sérgio. A contabilidade no meio econômico e administrativo. Revista de Contabilidade – CRC SP. São Paulo, n.13, set. 2000. MARTIN, Nilton Cano. Análise de projetos de investimento: um problema da contabilidade decisorial. São Paulo: Atlas, 1980. MOSCOVE, Stephen A.; SIMKIN, Mark G.; BAGRANOFF, Nancy A.. Sistemas de processamento de informações e conhecimento em Contabilidade. In: Sistemas de informações contábeis. São Paulo: Atlas, 2002. SANTOS, Neusa Maria Bastos F.. Impacto da cultura organizacional no desempenho das empresas, conforme mensurado por indicadores contábeis: um estudo interdisciplinar. São Paulo: Atlas, 1992. SCHWEZ, Nicolau. Responsabilidade social: meta e desafio do profissional da Contabilidade para o próximo milênio. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília, n. 130, jul./ago. 2001. SENGE, Peter M.. A quinta disciplina: arte, teoria e prática da organização da aprendizagem. 12. ed. São Paulo: Best Seller, 1990. 91 WARREN, Carl S.; REEVE, James M.; FESS, Philip E.. Diferenças entre a Contabilidade Gerencial e a Financeira. In: Contabilidade Gerencial. São Paulo: Pioneira, 2001. 92 FLUXO DE CAIXA: TÉCNICAS GERENCIAIS Flávio M. Henrique Franklin B. Mota Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc Márcia Prete 93 RESUMO No processo de elaboração do fluxo de caixa deverão ser utilizadas técnicas gerenciais para se projetar as vendas e os custos da empresa, de forma que não existam desperdícios para os seus caixas. O fluxo de caixa constitui-se em instrumento essencial para que a empresa possa ter agilidade e segurança em suas atividades financeiras. Logo, o fluxo de caixa deverá refletir com precisão a situação econômica da empresa, em termos financeiros de futuro. PALAVRAS CHAVE: Fluxo de caixa; Dinheiro; Despesas. 1 INTRODUÇÃO Fluxo de Caixa é a previsão de entradas e saídas de recursos monetários, por um determinado período. Essa previsão deve ser feita com base nos dados levantados nas projeções econômicas – financeiras atuais da empresa, levando, porém em consideração a memória de dados que respaldará essa mesma previsão. O principal objetivo dessa previsão é fornecer informações para tomada de decisões tais como: Prognosticar as necessidades de captação de recursos bem como prever os períodos em que haverá sobras ou necessidades de recursos; aplicar os excedentes de caixas nas alternativas mais rentáveis para a empresa sem comprometer a liquidez. 2 FLUXO DE CAIXA NA CONTABILIDADE A contabilidade é conceituada como sendo um sistema de informações e avaliação, capaz de prover seus usuários com demonstrações de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, devidamente estruturadas, tem constituído, ao longo dos tempos, ferramenta indispensável à boa gestão das entidades. As entidades sempre continuaram a demandar instrumentos mais dinâmicos, que se propusessem a acomodar fluxos completos de toda a movimentação financeira e não se limitassem a apresentar receitas e despesas exclusivamente seguindo o regime de competência. 94 Em resposta a essa demanda surgiu o Fluxo de Fundos, diferente dos demais Demonstrativos, por se preocupar com o capital circulante líquido de curtíssimo prazo e o enfoque volta-se para o caixa propriamente dito. O Fluxo de Caixa constitui ferramenta de fundamental importância para a boa administração e avaliação das organizações. A sua adoção possibilita uma boa gestão dos recursos financeiros, evitando situações de insolvência ou falta de liquidez que representa sérias ameaças à continuidade das organizações. É o Fluxo de Caixa que viabiliza a avaliação da capacidade de financiamento do capital de giro da empresa ou a identificação da necessidade de cobertura de eventuais situações de déficits, além de orientar as aplicações dos seus excedentes de caixa. Desta forma, a boa utilização dessa ferramenta possibilita o conhecimento do grau de independência financeira das organizações. 3 A UTILIZAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE FLUXO DE CAIXA NAS EMPRESAS Existem duas formas para tratamento das informações relativas ao Fluxo de Caixa; a primeira forma refere-se ao Fluxo de Caixa Histórico (ou passado) que representa o desempenho passado; e a segunda ao fluxo de Caixa Projetado (ou Orçamento de Caixa) que procura antever as situações relacionadas ao caixa das organizações. O Fluxo de Caixa histórico estabelece o rastreamento da atividade passada com vistas a elucidar pontos críticos no desempenho financeiro das organizações, fornecendo subsídio para tomada de decisões, correção de rumos e incrementos de resultados. Sua análise permite avaliar a forma como o recurso de cada fonte vem sendo aplicado e proporciona uma visão acerca do crescimento da organização. Também, aliado os outros indicadores, serve como base para a construção do Fluxo e Caixa Projetado. O Fluxo de Caixa Projetado ou Orçamento de Caixa antecipa situações futuras de caixa, antevendo pontos críticos que poderão ser antecipadamente tratados ou situações de excesso de caixa que podem ensejar decisões e redirecionamento de recursos. Para sua elaboração utiliza-se o auxílio da matemática e estatística. Como se 95 trata de previsão não está isentas dos efeitos da subjetividade, sendo, portanto, de extrema importância à observação do princípio da prudência por ocasião de sua elaboração. Para uma perfeita análise das informações, o Fluxo de Caixa de uma organização deve apresentar uma estrutura do determinado grau de detalhamento, para que o administrador possa analisar entender e decidir adequadamente sobre sua liquidez. 4 MÉTODOS PARA ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE FLUXO DE CAIXA O Método Direto consiste em classificar os recebimentos e pagamentos de uma empresa utilizando as partidas dobradas. A vantagem deste método é que permite gerar as informações com base em critérios técnicos, eliminando, portanto, qualquer interferência da legislação fiscal. Este método é mais informativo, pela clareza com que revela as informações do caixa. O método Indireto e a onde as empresas ao decidirem não mostrar os recebimentos e pagamentos operacionais deverão relatar à mesma importância de fluxo de caixa líquido das atividades operacionais indiretamente, ajustando o lucro líquido para reconciliá-lo ao fluxo de caixa das atividades operacionais eliminando os efeitos: - De todos os deferimentos e pagamentos operacionais passados e de todas as provisões de recebimentos e pagamentos operacionais futuros; e - De todos os itens que são incluídos no lucro líquido que não afetam recebimentos e pagamentos operacionais. Zdanowicz demonstra as formas de Apresentação do Fluxo de Caixa (2000; p.48): Apresentação do Método Direto INGRESSOS DE RECURSOS (+) Recebimentos de Clientes (-) Pagamento a Fornecedores (-) Despesas de Vendas / Administrativas / Gerais (-) Imposto de Renda (+) Dividendos (=) Ingressos Provenientes das Operações (+) Resgate de Investimentos Temporários 96 (+) Recebimentos por Vendas de Investimentos (+) Recebimento por Venda de Imobilizado (+) Ingressos de Novos Empréstimos A (=) Total de Ingressos de Recursos Financeiros DESTINAÇÃO DE RECURSOS (+) Aquisição de Bens do Imobilizado (+) Aplicações no Diferido (+) Pagamento de Empréstimo Bancário (+) Pagamento de Dividendos B (=) Total das Destinações de Recursos Financeiros C (A – B) Variação Líquida de Caixa D Saldo Inicial de Caixa (C + D) Saldo de Caixa (Final / Atual) Apresentação do Método Indireto ORIGENS Lucro Líquido do Exercício Acertos / Conciliação (+) Depreciação e Amortização (+) Variações Monetárias de Empréstimos e Financiamentos (LP) (-) Ganhos de Equivalência Patrimonial (-) Correção Monetária (-) Lucros nas vendas de Imobilizado Variações Patrimoniais (+/-) Aumento / Diminuição em Fornecedores (+/-) Aumento / Diminuição em Contas a Pagar (+/-) Aumento / Diminuição em Juros a receber (+/-) Aumento / Diminuição em Juros e Impostos (+/-) Aumento / Diminuição em Contas a Receber (+/-) Aumento / Diminuição em estoques (+/-) Aumento / Diminuição em Despesas de Exercícios Futuros (=) Caixa Gerado pelas Operações (+) Resgate de Investimentos Temporários (+) Venda de Investimentos (+) Venda de Imobilizado (+) Ingressos de Novos Empréstimos (+) Ingresso de Capital A (=) Total de Ingressos Disponíveis APLICAÇÕES (+) Integralização de Capital em Outras Companhias (+) Aquisição de Imobilizado (+) Aplicação no Diferido (+) Aplicações em Outras Empresas (+) Pagamento de Empréstimos (+) Pagamento de Dividendos B (=) Total das Aplicações de Disponível C (A – B) Variação Líquida do Disponível D (+) Saldo Inicial (C + D) Saldo Final Disponível. 97 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A contabilidade já não pode mais se limitar a registrar fatos passados e a manter livros fiscais escriturados com o único fim de recolhimento de tributos e ao cumprimento de obrigações acessórias. Pois seu papel, cada vez mais, passa a ser cobrado como uma atividade integrada ao todo das organizações. Neste sentido, o estudo voltado para o desenvolvimento de novas ferramentas que auxiliem o processo de tomada de decisão deve ser incentivado. Dentre os instrumentos gerenciais de caráter mais dinâmicos, o fluxo de caixa merece destaque, seja por sua relação de liquidez, como pela propriedade de projetar situações futuras. ABSTRACT In the process of elaboration of the cash flow managerial techniques should be used to project the sales and the costs of the company, so that wastes they don't exist for their boxes. The cash flow is constituted in essential instrument so that the company can have agility and safety in their financial activities. Therefore, the cash flow should reflect the economical situation of the company accurately, in financial terms of future. KEYWORDS: Cash flow; Money; Expenses. 98 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 6. ed.. São Paulo: Atlas, 2003. BIO, Rodrigues Sérgio. Sistema de informação: um enfoque gerencial. São Paulo: Atlas, 1989. MATZ, Adolph; CURRY, Other; GEORGE, Frank W. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 1987. NEVES, das Silvério; VICENCONTI, E. V. Paulo. Contabilidade básica. São Paulo: Frase, 2002. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 1997. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. São Paulo: Saraiva, 1996. ZDANOWICZ, José Eduardo. Fluxo de Caixa. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2000. 99 COMPETÊNCIA E CAPACIDADE TRIBUTÁRIA DIFERENÇAS CONCEITUAIS E TÉCNICAS Gilberto Ramos Rossi Wéliton Marques de Souza Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Divina Garcez Calil 100 RESUMO O artigo faz uma explanação sobre competência e capacidade tributárias ativa na legislação brasileira. Procurando esclarecer as suas diferenças conceituais e técnicas, os seus paradigmas, abordadas os tributos que competem a cada órgão tributaste ou ente político, seus modelos de exercício, princípios tributários, buscando mostrar o ponto de vista de tributaristas e doutrinadores na área tributária, as incidências dos tributos nas transações comerciais. PALAVRAS CHAVES: Competência, Capacidade e Tributos. 1 INTRODUÇÃO O estudo da competência e capacidade tributária ativa encontra-se diretamente ligado aos princípios da federação, cujos entes políticos detentores de autonomia política e legislativa, obedecem a uma série de princípios constitucionais, aos quais, tanto as competências tributárias, quanto a capacidade tributária ativa são subordinadas. Além de melhor conhecer o alcance de cada um dos instrumentos em estudo, nosso objetivo é, também, evidenciar a diferença entre eles. Segundo Cassone (2004) na década de 60 já vigorava no Brasil um sistema tributário tripartite, parecido com o atualmente adotado, ou seja, o Estado Federal era dividido em três esferas de poder: Federal, Estadual e Municipal, todos com poderes específicos para instituir e gerir seus próprios tributos, pois os entes políticos eram autônomos e independentes. Hoje, no Brasil, mesmo sendo o tributo de competência de um ente tributante, outros entes políticos participam da repartição de sua receita, como acontece, por exemplo, com o Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal e com o Fundo de Participação dos Municípios. Assim, dentro do sistema de tripartição dos poderes, a Constituição Federal instituiu poderes específicos a cada um dos entes da federação, dentre eles, as competências tributárias e a capacidade tributária ativa, com diferentes características. Capacidade tributária ativa é a faculdade de exigir o cumprimento da obrigação tributária. É o poder de executar a lei de maneira a obter o pagamento do tributo devido. Essa faculdade é exercida nas atividades de fiscalização e cobrança, 101 típica do pólo ativo da relação jurídica tributária, mas, exclusivamente nos limites de lei tributária já instituída. Apenas a arrecadação pode ser atribuída a pessoas jurídicas de direito privado, como é o caso dos bancos habilitados a receber tributos, para posterior repasse aos cofres públicos. Competência tributária é o poder de instituir tributos, sendo o seu detentor o único capaz de inovar o ordenamento jurídico, podendo alterar alíquotas, reduzir ou majorar base de cálculo, criar novas hipóteses de incidência, estabelecer isenções, enfim, dispor sobre o tributo em questão. A diferença é bastante significativa. Enquanto a competência tributária é uma atribuição legislativa indelegável, a capacidade tributária ativa é uma atribuição executiva delegável. Ainda que a capacidade ativa tenha sido delegada, permanece o detentor da competência tributária com o seu poder intacto, uma vez que a delegação é revogável. Como visto, o assunto é vasto e interessante. Não há a pretensão de inovar ou tampouco esgotar o assunto, mas levantar alguns aspectos que possam dirimir dúvidas e favorecer o esclarecimento das questões abordadas pelo artigo. 2 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA A definição de Competência tributária segundo Estevão (1988, p.166) “É o poder que tem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios para instituir tributos, de acordo com suas respectivas atribuições.”. Ramos (2007) definem competência tributária como sendo a parcela do poder de tributar conferida pela Constituição a cada ente político para criar tributos. Harada (2.002, p.341) esclarece que: O texto Magno estabelece a repartição de competência legislativa de cada uma, delimitando o campo de atuação de cada pessoa jurídica de direito público interno, notadamente em matéria tributária, que mereceu um tratamento específico em atenção à tipicidade da Federação Brasileira, Onde o Contribuinte é súdito, ao mesmo tempo de três governos distintos. 102 Portanto, muitas são as definições para competência tributária. Em um contexto geral, competência tributária é a aptidão para a criação de tributos, ou a parcela do poder de tributar conferida pela Constituição a cada ente político, dentro dos limites impostos pela própria carta Magna. 3 MODELO DE EXERCÍCIO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA A competência tributária, como já visto, tem origem na Constituição Federal. Esta indica o alcance do poder de tributar; as vedações constitucionais e como devem agir as pessoas políticas em matéria tributária. As pessoas públicas necessitam de um poder legislativo para criar tributos, que só podem ser constituídos mediante lei. A partir do momento em que esta lei que deu origem ao tributo é editada, e passa a fazer parte do mundo jurídico, a competência tributária cede espaço ao que se chama de capacidade tributária ativa. 4 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Ichihara (2006, p.60) define os princípios constitucionais tributários como: As limitações constitucionais ao poder de tributar ora aparecem como verdadeiras vedações ou proibições, que se traduzem em imunidades constitucionais, ora aparecem na esteira de proteção dos direitos e garantias individuais, ou, ainda apresentam-se como limitações da competência tributária entre as diversas pessoas jurídicas de direito público (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Portanto, os princípios constitucionais representam à essência das doutrinas e teorias relativas ao direito tributário, dentro desse aspecto abordam-se alguns dos principiais princípios constitucionais, que regularização a legislação tributária brasileira, como segue abaixo: O princípio da Indelegabilidade conforme nos mostra o art. 7º do CTN dispõe que a competência tributária é indelegável, o que inviabiliza a delegação de uma pessoa jurídica de direito público a outra. 103 Art. 7º - A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. § 1º - A atribuição compreende as garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir. § 2º - A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido. Com efeito, apenas a arrecadação pode ser atribuída a pessoas jurídicas de direito privado. É o caso de bancos estarem habilitados a receber os tributos, para posterior repasse aos cofres públicos. Outro princípio muito importante e o princípio da territorialidade, quando nos reportamos ao princípio da territorialidade das leis. Segundo Ribeiro Neto (2007, p.2) entende-se por esse princípio, “as leis vigoram somente no território da entidade política responsável pela sua edição”. Em direito tributário, refere-se que as leis tributárias somente vigoram no território do ente tributante que as editar. O principio da Não Cumulatividade é o princípio pelo qual se regulariza a compensação de tributos que forem devidos em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Já o princípio da isonomia, parte do pressuposto de que todos são iguais perante a lei, segundo Ichihara (2006, p.65), “Em matéria tributária, o princípio da isonomia é dirigido ao legislador, no sentido de evitar normas que quebrem este princípio. Na Constituição de 1988, a isonomia aparece como super princípio”. Ramos (2007, p.3) esclarecem que: O art. 150, inciso II, da Constituição da República, veda o tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situações equivalentes. Esse princípio é corolário do princípio geral de que todos são iguais perante a lei. Portanto, o princípio veda o tratamento desigual entre contribuintes que se encontre em situações equivalentes, sem qualquer distinção. É também denominado de princípio da igualdade tributária, que significa igualdade no sentido de 104 proporcionalidade. Seria verdadeiro absurdo pretender-se que todos pagassem o mesmo tributo. 5 IMPOSTOS Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal especifica relativa ao contribuinte, (art. 16 Código Tributário Nacional). Nogueira (1990, p.1) comenta que, “O imposto é a viga mestra da arrecadação tributaria, é um levantamento pecuniário junto aos particulares, baseado apenas em uma medida geral de capacidade econômica ou contributiva (...)”. Portanto, como se pode observar, o imposto é uma prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, sendo que o tributo só pode ser instituído por lei e regulamentado por decreto se a lei não for auto aplicável, pois não pode existir imposto sem lei que o determine. Harada (2002) argumenta em, que os impostos de competência da União estão regularizados de acordo com o art.153 da Constituição Federal. Portanto os impostos cuja competência pertence à União, são os seguintes: A- Imposto de Importação e IE – Imposto de Exportação, Impostos cobrados sobre a importação de produtos estrangeiros e exportação de produtos nacionais ou nacionalizados de qualquer natureza. Têm como fato gerador a entrada ou a saída de mercadorias no território nacional. Segundo Harada (2002, p.361) “Esses impostos, existentes em todos os países, têm a função de regular o comércio internacional, sempre sujeito ás oscilações conjunturais”. Por serem reguladores da economia, esses impostos estão livres do princípio da anterioridade tributária. B- IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados, Segundo Palaía (2.002, p.75) “Esse tributo incide sobre as mercadorias importadas ou sobre os produtos nacionais industrializados”. 105 É o imposto cobrado sobre a industrialização de produtos. Suas alíquotas são atribuídas de acordo com a essencialidade da mercadoria conforme a TIPI (Tabela de Imposto sobre Produtos Industrializados). C- IOF – Imposto sobre Operações Financeiras, de acordo com Palaía (2.002, p.77) “Trata-se de um imposto extra fiscal, e exerce função política para efeito de manipulação da política de crédito, câmbio e seguro.”, Assim incide sobre as operações de créditos, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários. D- IR – Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza, o fato gerador do IR - Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza, de acordo com Palaía (2002, p.77) “É a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e de proventos de qualquer natureza”, ou seja, esse Imposto incide sobre rendas e proventos de qualquer natureza. E- ITR – Imposto Territorial Rural, Conforme a redação do art. 29 Código Tributário Nacional, e segundo Oliveira (1992, p.27) “Tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana dos Municípios”. Portanto, o imposto cobrado sobre a propriedade territorial rural incidirá inclusive sobre terra nua. A União dentro da sua capacidade tributária pode também cobrar: Taxas e Contribuições e contribuições de melhorias. Outros tributos cobrados pela união segundo Ichiraha (2006, p70), “Contribuições Sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, tais como: contribuição do FGTS, contribuição Previdenciária, Contribuição Sindical, CPMF etc.”. O art. 155 da Constituição Federal brasileira regulariza a competência dos impostos no âmbito estadual, os quais são relatados abaixo: A - ITCD – Imposto sobre Transmissões Causa Mortis e Doações, imposto cobrado sobre transmissão causa mortis e doações de qualquer bem ou direito. B - ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, a definição segundo Ichihara (2006, p71), “Imposto sobre operações relativas à circulação 106 de mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação.”. C - IPVA – Imposto Sobre a Propriedade de veículos automotores, imposto cobrado sobre a propriedade de veículos automotores incluindo aeronaves. Os Estados e o Distrito Federal dentro das suas capacidades tributária poderão também cobrar: Taxas e Contribuições. Contribuições de Melhorias. Contribuições Sociais, conforme art. 149 da constituição federal. O art. 156 da Constituição Federal brasileira estabelece a competência dos impostos de caráter municipal, os quais são descritos abaixo: A - IPTU – Imposto Sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana, Imposto cobrado sobre a propriedade predial e territorial urbano, como exemplo: casas, prédios, terrenos baldios, etc. B - ITBI – Imposto sobre Transmissões entre Vivos de Bens e Imóveis, a definição segundo Ichihara (2006, p73), “Imposto sobre transmissão “intervivos”, a qualquer titulo, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direito à sua aquisição.”. C - ISS – Imposto Sobre Serviços, Imposto cobrado sobre serviços de qualquer natureza, exceto os de transportes interestaduais, intermunicipais e de comunicação. Os municípios dentro das suas capacidades tributárias, poderão também cobrar: Taxas e Contribuições, contribuições de Melhorias e contribuições sociais, conforme art. 149 da constituição federal. 107 6 CAPACIDADE TRIBUTÁRIA ATIVA Segundo FUHRER (2004, p.43), “A capacidade tributaria é um conceito que envolve apenas a fiscalização e a cobrança, por delegação, sem poder de legislar. Neste caso está, por exemplo, o INSS”. O art. 7º do Código Tributário Nacional também atribui a função de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de exercer leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributaria, conferida por uma pessoa jurídica de direito publico a outra, nos termos do § 3 do art. 18 da constituição federal. O § 3 do art. 18 da constituição federal aplica a seguinte redação: Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. Assim a Capacidade tributária ativa é designada como a aptidão para ser titular do direito de exigir do particular que cumpra a competente prestação. 6.1 Modelo de Exercício O exercício da capacidade tributária ativa não implica necessariamente competência, pode alguém ter a capacidade de arrecadar tributos, sem ter de instituílos, como é o caso das autarquias e entes estatais. Carvalho (2005, p.239) esclarece que: Manifesta-se, de fato a competência tributaria, ao desencadearem-se os mecanismo jurídicos do processo legislativo, acionado, respectivamente, nos planos Federal, Estadual e Municipal. Por esse Iter, rigidamente seguido em obediência às proposições prescritas existentes, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios elaborem as leis, (acepção larga), que são promulgadas e logo depois, expostas ao conhecimento geral pelo ato da publicação. Vencidas as dificuldades desse curso formativo, ingressam, os textos legislados no ordenamento em vigor, surgindo a disciplina jurídica de novas situações tributarias, no quadro do relacionamento da comunidade social. Foi exercida a competência, enriquecendo-se o direito positivo com o acréscimo de outras unidades normativas sobre tributos. 108 Portanto, nunca é demais repetir que as normas jurídicas são as significações que a leitura do texto desperta em nosso espírito, são juízos hipotéticos, em que se encontra determinada, conseqüência à realização condicional de um fato. Por isso, entende-se que cumprida a marcha do processo legislativo, são introduzidos os textos das leis tributarias no sistema jurídico brasileiro. Lendo-os, elaboram os estudiosos as significações da mensagem escrita, exibindo os juízos hipotéticos nela contidos. 6.2 Delegação Conforme Visco (2007, p.1) Quem tem o poder de instituir tributo, também tem poder para cobrá-lo. Mas, ao contrário da competência, a capacidade tributária ativa é delegável. Segundo o art. 7º do CTN, as funções de arrecadação, fiscalização, ou execução de leis, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, podem ser delegadas a outra pessoa jurídica de direito público. Apenas a arrecadação pode ser delegada a pessoas jurídicas de caráter privado. É o caso das casas lotéricas e bancos receberem os tributos e posteriormente repassarem aos cofres públicos. Havendo a delegação da capacidade tributária ativa, ocorre também a transferência das garantias e os privilégios processuais da pessoa jurídica detentora da competência tributária. Tal delegação pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido. Assim, conclui-se que a competência para instituir tributos é indelegável, constituindo atividade própria do ente político nomeado pela Constituição Federal, existindo, porém, previsão legal para a delegação da capacidade tributaria ativa que é o poder de exigir o cumprimento da obrigação tributaria. 109 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nos estudos de direito tributário, uma das primeiras e mais importantes distinções feitas envolve os conceitos de competência e capacidade tributárias. Segundo Castro (2004, p.2), define as diferenças técnicas e conceituais de capacidade e competência tributaria, como: Competência tributária entende-se o poder de instituir ou criar determinado tributo, definindo todos os elementos integrantes da regra-matriz de incidência. Já a noção de capacidade tributária comporta a presença na relação jurídico-tributária, efeito próprio da ocorrência do fato gerador, aqui considerado como fato jurídico. A diferença é bastante significativa. Enquanto a competência tributária é uma atribuição legislativa indelegável, a capacidade tributária ativa é uma atribuição executiva delegável. Dutra Jr. (2007, p.2) relata a principal diferença entre competência e capacidade tributária. Capacidade tributaria, por seu turno, é aptidão para arrecadação e fiscalização de tributos. Diferentemente da competência tributária, a capacidade tributaria ativa é delegável nos termos do art. 7º do CTN, litteris. Art. 7º A competência tributaria é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito publico a outra, nos termos do § 3º do art. 18 da constituição. O exemplo mais ilustrativo era a cobrança das contribuições previdenciárias pelo INSS. O detentor da competência, nesse caso, é a União, pessoa jurídica de direito público interno. O INSS, autarquia federal e, portanto, pessoa jurídica de direito público distinta da União, até bem pouco tempo atrás era responsável pelas funções de cobrança, arrecadação e fiscalização das contribuições previdenciárias. Hoje, a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), órgão da administração direta, integrante da estrutura do Ministério da Previdência Social, é a responsável pelo exercício de tais funções. 110 Portanto não se deve confundir competência tributária com capacidade tributária, visto que esta pode ser atribuída pela Constituição Federal, ou por uma lei, a ente estatal (não necessariamente dotado de poder legislativo), sendo exercida através de atos administrativos. É detentor de capacidade tributária o ente estatal credor de uma obrigação tributária. SUMMARY The article gives an explanation on competence and capability tax active in the Brazilian legislation. Looking clarify their conceptual differences and techniques, their paradigms, addressed the tributes that compete with each body tributante or between political, its model year, tax principles, seeking to show the point of view of tributaristas and doutrinadores in tax, the effect the taxes on business transactions. KEYWORDS: Competence; Capacity and Taxes. 111 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASSONE, Vittório. Direito tributário. 16 ed. São Paulo: Atlas, 2004. CASTRO, Aldemiro Araújo. Disponível em http://conjur.estadao.com.br/static/text/30731,1 . Acessado em 25 de Agosto de 2007. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. ICHIHARA, Yoshiaki. Direito tributário. 15 ed. São Paulo: Atlas, 2006. ESTEVÃO, Francisco. Curso básico de direito e legislação. São Paulo: Atlas, 1988. FUHRER, Maximilianus Cláudio Américo, FUHRER, Maximiliano Roberto Ernesto. Resumo de Direito Tributário. 13 ed. coleção 8. São Paulo: Malheiros Editores, 2004. DUTRA Jr., José Cardoso. Disponível em: http://www.aldemario.adv.br/dutraterc.htm . Acessado em 12 de setembro de 2007. OLIVEIRA, Juarez. Código tributário nacional. 21 ed. São Paulo: Saraiva, 1992. PALAÍA, Nelson. Noções essenciais de direito. São Paulo: Saraiva, 2002. HARADA, Kiyoshi. Direito financeiro e tributário. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2002. NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Curso de Direito Tributário. 10 ed. São Paulo: Saraiva, 1990. RAMOS, Augusto César Disponível em ttp://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2621 Acessado em 10 junho de 2007 às 16:57. RIBEIRO NETO, José. Disponível em http://www.sintafce.org.br/artigos/doc/jrn_ICMS.doc. Acessado em 16 de junho de 2007 às 00:05. VISCO, Murillo Lo. Disponível em http://www.editoraferreira.com.br/publique/media/murillo_toq1.pdf Acessado em 21 agosto de 2007 às 13:08. 112 A IMPORTÂNCIA DAS FUNÇÕES DO AUDITOR Karolini Janaina Barbosa Graduanda 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Ms. Márcia Donizeth Prete 113 RESUMO A crise de credibilidade enfrentada pela auditoria, desencadeada por escândalos que abalaram as relações de confiança entre empresas, investidores e a sociedade em geral, ensejou a necessidade de aumento do rigor normativo sobre procedimentos técnicos e profissionais. Ressalte-se a recém – editada norma de revisão pelos pares, do Conselho Federal de Contabilidade, a qual visa à garantia de qualidade do processo auditorial. A almejada transparência e adequada evidenciação na prestação de contas, só podem ser atingidas mediante comportamento ético. Referida conduta ética envolve não só os geradores de informações, como também, aqueles cuja responsabilidade é assegurar a fidedignidade das mesmas. Entende-se que a independência e a competência técnica contribuem significativamente para essa postura. A repercussão desses fatos alcançou a área governamental, capitaneando a discussão acerca das especificidades da mesma e da necessidade de serem estabelecidas normas voltadas para esta realidade, afirmando assim, o direito da população à cidadania. Palavras-chaves: Contabilidade, auditoria, ética. 1 INTRODUÇÃO Este estudo tem o objetivo de demonstrar a importância dos profissionais da Auditoria, dentro das organizações na atual economia. Para isso cabe a eles entenderem como funcionam as variáveis que controlam os aspectos relevantes na definição das fronteiras e como traduzi-los em elementos que possam ser utilizados pelas empresas na otimização de seus resultados. Para mensurar a adequação e confiabilidade dos registros e das demonstrações contábeis, a Contabilidade utiliza-se também de uma técnica que lhe é própria, chamada auditoria, que consiste no exame de documentos, livros e registros, inspeções, obtenção de informações e confirmações internas e externas, obedecendo à normas apropriadas de procedimento, objetivando verificar se as demonstrações contábeis representam adequadamente a situação nelas demonstrada, de acordo com princípios fundamentais e normas de contabilidade, aplicados de maneira uniforme. A perplexidade dos usuários de informações diante do volume e diversificação das transações econômicas, enseja cada vez mais, a necessidade de transparência 114 nos negócios. No decorrer da evolução econômica, a auditoria foi a ferramenta utilizada para atender estas demandas. Recentemente, sucessivos escândalos puseram, momentaneamente, em dúvida, esta função. O presente estudo pretende demonstrar que tais fatos representam reforço à idéia de importância desta atividade e, que decorreram não da atuação da auditoria e sim, da prática, no mínimo, equivocada da mesma. Ressalte-se que esta importância se eleva quando o campo de atuação é a área governamental, dadas as especificidades e peculiaridades inerentes ao setor. No pano de fundo destas questões e, mais importante que a correta aplicação das técnicas de auditoria, está a postura do profissional que a executa. A independência, atributo requerido, inclusive por normas, é exigida, não só de fato, como também, em termos de atitude mental. Esta, decorre naturalmente da competência técnica e é pressuposto da conduta ética. Entidades públicas e privadas utilizam sistema de informações contábeis como apoio; há uma expectativa de uso adequado de recursos por parte dos interessados diretos, e da sociedade em geral; conseqüentemente, nos dois casos, o requisito credibilidade precisa ser atendido mediante análise técnica independente. 2 CONTABILIDADE TRIBÚTARIA Segundo Almeida (2003), a Contabilidade Tributaria é o ramo da contabilidade que tem por objetivo aplicar na pratica conceitos, princípios e normas básicas da contabilidade e da legislação tributária, de forma simultânea e adequada. A contabilidade tributaria demonstra a situação do patrimônio e o resultado do exercício, de forma clara e precisa, rigorosamente de acordo com os princípios e normas básicas da contabilidade. Entretanto, a legislação tributaria freqüentemente atropela os resultados econômicos para, por imposição legal, adaptando-se aos resultados fiscais que nela são impostos, tumultuando os resultados contábeis. 115 Pois, é comum uma empresa operando com prejuízo econômico, ao qual o fisco manda acrescentar despesas que considera indedutíveis, chega apresentar um lucro fiscal que recebe o nome de "Lucro Real". Os sócios ou acionistas tem o direito de saber o efetivo resultado econômico, que não pode ser modificado para atender exigências fiscais. A contabilidade deve demonstrar com exatidão o patrimônio e o resultado do exercício. O objetivo da Contabilidade tributaria é apurar com exatidão o resultado econômico do exercício social, demonstrando-o de forma clara e sintética, para atender de forma extra contábil as exigências das legislações do IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro determinado a base de calculo fiscal para formação das provisões destinadas ao pagamento de tributos e abatimentos no resultado econômico. (ALMEIDA, 2003, p. 56) Dispondo ao acesso dos acionistas, sócios ou os interessados. A Contabilidade Tributaria consiste basicamente consiste em: • Adequado planejamento tributaria (que exige conhecimento da legislação tributaria) • Relatórios contábeis eficazes que demonstrem a exata situação das contas do patrimônio e do resultado. O planejamento tributário exige um bom senso do planejador, pois as alternativas legais nas grandes, médias e pequenas empresas levam de vez em quando para alternativas diversas onde as opções são necessárias. O perigo do mau planejamento é redundar em evasão fiscal, que é a redução da carga tributaria descumprindo determinações legais. A contabilidade, entre outras funções, é instrumento gerencial para a tomada de decisões. Por isso, deve estar atualizados os relatórios administrativos para o bom funcionamento da gestão empresarial. Na Contabilidade Tributaria a pessoa jurídica tem três possibilidades de optar para pagar seus tributos que comentaremos abaixo. Podem ser pelo Simples, Real e Presumido. 116 3 SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Direito é a ciência das normas obrigatórias que disciplinam homens e sociedades para que se destaquem essas normas gerais de direito tributário aplicáveis a União, Estados, Distrito Federal e Municípios que constituem o Sistema Nacional Tributário, disciplinando a arrecadação e distribuição das rendas. Contabilidade é a ciência que estuda, orienta, controla e registra os fatos da administração que serve de ferramenta para gerenciamento do patrimônio da entidade para tomadas de decisões e prestação de contas a sócios ou a quem possa interessar, destacando-se as autoridades responsáveis pelas arrecadações dos tributos da nação ou do estado. (FRANCO, 2001, p. 496) No exercício de suas funções de contador devendo obedecer a normas, princípios e a legislação tributaria conforme correta apuração, registro, divulgação e arrecadação de tributos, sobre a ocorrência de lucro num determinado período. 4 AUDITORIA Em termos de uma conceituação mais abrangente, convém reproduzir a definição de auditoria definida por Franco e Marra (2000 p. 28), como segue: A auditoria compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionados com o controle do patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis deles decorrentes. Os exames são efetuados de acordo com as normas de auditoria usualmente aceitas e incluem os procedimentos que os auditores julgarem necessários, em cada circunstância, para obter elementos de convicção, com o objetivo de comprovar se os registros contábeis foram executados de acordo com os princípios fundamentais e normas de contabilidade e se as demonstrações contábeis deles decorrentes refletem adequadamente a situação econômico-financeira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e outras situações nelas demonstradas. 117 A Auditoria Operacional é exercida por auditores independentes; administradores gerentes; técnicos de controle externo, funcionários do controle governamental sobre instituições financeiras; economistas, etc. Sua principal meta deve ser dentro de um largo conceito de independência buscar sempre o controle das transações, sob a ótica da economicidade, eficiência e eficácia. A auditoria compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionadas com o controle do patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis deles decorrentes. Os exames, são efetuados de acordo com as normas de auditoria usualmente aceitas e incluem os procedimentos que os auditores julgarem necessários em cada circunstância, para obter elementos de convicção, com o objetivo de comprovar se os registros contábeis foram executados de acordo com princípios fundamentais e normas de contabilidade e, se as demonstrações contábeis deles decorrentes refletem adequadamente à situação econômica do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e outras situações nelas demonstradas. A Contabilidade, através de técnicas próprias, estuda e controla o patrimônio, com a finalidade de demonstrar e fornecer informações sobre sua estrutura e sua composição, bem como sobre suas variações quantitativas e qualitativas. A auditoria é a técnica contábil utilizada para avaliar essas informações, constituindo, assim. complemento indispensável para que a Contabilidade atinja plena mente sua finalidade. As demonstrações e informações contábeis destinam-se não somente a auxiliar os órgãos administrativos do patrimônio, como também a de resguardar os interesses de terceiros a ele vinculados - investidores (titulares do patrimônio); financiadores e fornecedores (credores do patrimônio); o fisco (que participa nas operações e nos resultados da atividade patrimonial. e trabalhadores (que participam da atividade produtiva e se beneficiam das contribuições da entidade aos fundos de assistência. de previdência social e de garantia do tempo de serviço dos empregados). Attie (1998, p. 69), define a auditoria como: 118 A técnica contábil que - através de procedimentos especificas que lhe são peculiares, aplicados no exame de registros e documentos, inspeções, e na obtenção de informações e confirmações. relacionados com o controle do patrimônio de uma entidade - objetiva obter elementos de convicção que permitam julgar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com princípios fundamentais e normas de Contabilidade e se as demonstrações contábeis deles decorrentes refletem adequadamente a situação econômicofinanceira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e as demais situações nelas demonstradas. Os indígenas no Brasil, dentro de suas limitações, praticavam os conceitos de controle e auditoria de maneira rudimentar, mas eficiente para os fins a que se destinavam. O pesquisador brasileiro, professor Lopes de Sá, contador e estudioso das origens contábeis, encontrou em estudos realizados no Museu do Louvre e no Museu Britânico, indícios de que as práticas contábeis já eram comumente usadas pelos povos da Antiguidade, como os Sumérios e os Babilônios: A necessidade de guardar memória dos fatos ocorridos com a riqueza patrimonial gerou critérios de escrita em formas progredidas mesmo nas civilizações mais antigas, como na Suméria; há cerca de 6.000 anos, encontram- se já registros em peças de argila que indicam tais evoluções. Pequenas tábuas de barro cru serviam para gravar, de forma simples, fatos patrimoniais diversos (SÁ, 2002, p. 13). Portanto seria leviano afirmar após os estudos realizados pelo Professor Lopes de Sá que o controle e a auditoria surgiram na Inglaterra ou mesmo na Itália: Segundo Sá (2002, p.14) "Na Suméria, a escrita contábil já havia conquistado um razoável grau de evolução e o trabalho de registrar já era confiado a profissionais especialistas". Uma eficiente auditoria já ocorria 2.600 anos a.C., feita por revisores ou inspetores de contas na época do Rei Uru-Kagina (tal prova acha-se no Museu do Centenário, em Bruxelas, na Bélgica e foi estudada pelo emérito historiador da Contabilidade, o Professor Frederico Melis, da Universidade de Florença e Pisa). O Professor Tito Antonio, relata as influências absorvidas do mundo árabe e a prática contábil nas navegações marítimas. Por esse motivo analogamente existem evidências de que aqui, no Brasil, existisse uma prática contábil ativa por conta da influência dessas expedições marítimas que aqui aportavam. Atualmente, enquanto não se chega a uma conclusão definitiva acerca das origens contábeis em território brasileiro, o 119 surgimento da Auditoria convencional é dado como proveniente da terceira década do século XX. Nessa ocasião, instalaram-se aqui, no Brasil, firmas estrangeiras que estavam habituadas a controlar internamente suas operações rotineiras. Diante desse novo tipo de conduta, os empresários brasileiros passaram então a adotar essas novas formas de controle e auditoria contábeis. Com a evolução da Ciência Contábil, que se tornou imprescindível às administrações das empresas, desenvolveu-se também, de forma notável, a técnica de auditoria, chegando ao nível de hoje, não sendo ela instrumento apenas de mera observação, algo estático, mas também e principalmente capaz de prever, analisar, interpretar, tornando-se um instrumento dinâmico e em constante evolução. Atualmente, a Auditoria pode ser analisada como o levantamento, o estudo e a avaliação sistemática de transações, procedimentos, rotinas e demonstrações contábeis de uma entidade, com a finalidade de oferecer à seus usuários uma maneira segura eficiente, eficaz e econômica de gerenciar seus controles administrativos, financeiros e gerenciais. As funções do Auditor vão muito além do conceito de fiscalização. Além de detectar eventuais falhas nos sistemas de controle e no plano de organização, o Auditor preocupa-se também com a manutenção desses sistemas de forma que as não-conformidades sejam minimizadas, atuando de forma preventiva e alicerçando conceitos de Qualidade Total. Perez Júnior (1995, p. 203), a conceitua como: (...) o levantamento, o estudo e a avaliação sistemática de transações, procedimentos, rotinas e demonstrações contábeis de uma entidade, com o objetivo de fornecer a seus usuários uma opinião imparcial e fundamentada em normas e princípios sobre a sua adequação. O Auditor deve fazer uma avaliação e estudo do sistema ao qual está ligado para determinar a natureza, oportunidade e extensão da aplicação dos procedimentos e técnicas de auditoria. Após a avaliação criteriosa dos sistemas de controle interno, o auditor definirá os procedimentos ou técnicas de que se valerá para a aplicação de seu trabalho. 120 Não podemos definir técnicas para a detecção de fraudes ou erros culposos num trabalho de auditoria, estes são descobertos com conseqüência natural de um trabalho criterioso. De acordo com Franco (2001), o auditor deve planejar seu trabalho consoante as Normas Brasileiras de Contabilidade e de acordo com os prazos e demais compromissos contratualmente assumidos com a entidade. O planejamento pressupõe adequado nível de conhecimento sobre o ramo de atividade, negócios e práticas operacionais da entidade. Para Franco (2001), o auditor deve efetuar o estudo e avaliação do sistema contábil e de controles internos da entidade. como base para determinar a natureza, oportunidade e extensão da aplicação dos procedimentos de auditoria. O sistema contábil e de controles internos de responsabilidade da administração da entidade, porém o auditor deve efetuar sugestões objetivas para seu aprimoramento decorrentes de constatações feitas no decorrer do seu trabalho. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Como resultado de pesquisa, verificou-se a importância das funções do Controller e do Auditor, suas diferenças e semelhanças dentro uma organização no sentido de auxiliar a gerência no controle, planejamento e nas decisões operacionais, visando manter e aumentar a performance financeira da sociedade. Demonstrando que a ausência dessas funções na gerência da empresa pode gerar conflitos que influenciam negativamente na administração e desenvolvimento da sociedade. Apontamos cenário das divergências contábeis correntes no mundo, e ressaltamos a necessidade de se harmonizarem as práticas contábeis, em beneficio do desenvolvimento econômico-financeiro das empresas. Os escândalos gerenciais acontecidos com empresas multinacionais onde o mau uso de critérios contábeis, mostrou que há necessidade de uma normalização nos padrões contábeis, para proporcionar uma maior transparência e fidelidade aos relatórios financeiros. A crise de credibilidade enfrentada pela auditoria, desencadeada por escândalos que abalaram as relações de confiança entre empresas, investidores e a sociedade em 121 geral, ensejou a necessidade de aumento do rigor normativo sobre procedimentos técnicos e profissionais. Ressalte-se a recém – editada norma de revisão pelos pares, do Conselho Federal de Contabilidade, a qual visa à garantia de qualidade do processo auditorial. A almejada transparência e adequada evidenciação na prestação de contas, só podem ser atingidas mediante comportamento ético. Referida conduta ética envolve não só os geradores de informações, como também, aqueles cuja responsabilidade é assegurar a fidedignidade das mesmas. Entende-se que a independência e a competência técnica contribuem significativamente para essa postura. A repercussão desses fatos alcançou a área governamental, capitaneando a discussão acerca das especificidades da mesma e da necessidade de serem estabelecidas normas voltadas para esta realidade, afirmando assim, o direito da população à cidadania. ABSTRACT The credibility crisis faced by the audit, unchained by scandals that affected the trust relationships in general among companies, investors and the society, the need of increase of the normative rigidity on technical and professional procedures. The is pointed out newly - edited revision norm by the pairs, of the Federal Council of Accounting, which seeks to the warranty of quality of the process. Longed for her/it transparency and appropriate in the accounts rendered, they can only be reached by ethical behavior. Referred ethical conduct it involves not only the generators of information, as well as, those whose responsibility is to assure the of the same ones. He/she/you understands each other that the independence and the technical competence contribute significantly for that posture. The repercussion of those facts reached the government area, captaining the discussion concerning the of the same and of the need of they be established norms gone back to this reality, affirming like this, the right of the population to the citizenship. Key words: Accounting, audit, ethics. 122 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 6. ed., São Paulo: Atlas, 2003. ATTIE, Willian. Auditoria, conceitos e aplicações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998. CARDOZO, Júlio Sérgio Souza. Relatórios e pareceres de Auditoria. São Paulo: Atlas, 1987. FRANCO, Hilário & MARRA, Ernesto. Auditoria Contábil. São Paulo: Atlas, 2000. LOPES DE SÁ, Antônio. Curso de Auditoria. São Paulo: Atlas, 1998. PEREZ JUNIOR, José Hernandez. Auditoria de Demonstrações Contábeis: Normas e procedimentos. São Paulo: Atlas, 1995. 123 A IMPORTÂNCIA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS NAS FIPAR Michele Bianchini Borges Gláucia Nolasco de Souza Graduandas 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Ms. Márcia Donizeth Prete 124 RESUMO: Este artigo procura mostrar a importância do estágio supervisionado junto aos alunos do curso de Ciências Contábeis onde se coloca em prática a teoria aprendida durante o curso em empresas da nossa região, bem como proporcionar ao estudante oportunidades de desenvolver suas habilidades, analisar situações e contribuir para as mudanças que surgir diante da empresa. Para chegar a tais dados foi realizada uma pesquisa de campo, mostrando a importância do estágio supervisionado no curso de Ciências Contábeis da FIPAR. Palavras-chaves: Contabilidade; Pesquisa de Campo; Estágio Supervisionado; Discentes. 1 INTRODUÇÃO O estágio supervisionado no curso de Ciências Contábeis tem objetivo de interagir a teoria com a prática. O primeiro estágio supervisionado realizado no curso de Ciências Contábeis foi no ano 1999 como disciplina da grade, sendo que o estágio era colocado em prática só no quinto ano do curso. Atualmente o estágio é realizado no terceiro ano do curso devido ás mudanças que a grade teve durante os anos. De acordo com a Resolução CNE/CES 10, de 16 de dezembro de 2004, no artigo 7, nos inciso 1,2 e 3 relatam a seguintes situações Art. 7º O Estágio Curricular Supervisionado é um componente curricular direcionado para a consolidação dos desempenhos profissionais desejados, Inerentes ao perfil do formando, devendo cada instituição, por seus colegiados Superiores Acadêmicos, aprovar o correspondente regulamento, com suas diferentes modalidades de operacionalização. s 7º O estágio de que trata este artigo poderá ser realizado na própria instituição de ensino, mediante laboratórios que congreguem as diversas ordens práticas. Correspondentes aos diferentes pensamentos das Ciências Contábeis e desde que sejam estruturados e operacionalizados de acordo com regulamentação própria, aprovada pelo conselho superior acadêmico competente, na instituição. s 2º As atividades do estágio poderão ser reprogramadas e reorientadas de acordo com os resultados teórico-práticos gradualmente revelados pelo aluno, Até que os responsáveis pelo estágio curricular possam considerá-lo concluído, Resguardando, como padrão de qualidade, os domínios indispensáveis ao exercício da profissão. s 3º Optando a instituição por incluir no currículo do curso de graduação em Ciências Contábeis o Estágio Supervisionado de que trata este artigo, deverá. Emitir regulamentação própria, aprovada pelo seu conselho superior Acadêmico, contendo, obrigatoriamente, critérios, procedimentos e mecanismo de avaliação, observada o disposto no parágrafo precedente. 125 O manual de estágio (2007) supervisionado do curso de Ciências Contábeis da FIPAR Faculdades Integradas de Paranaíba proporciona a construção de competência e habilidade e, que contribui para o aprimoramento da vida pessoal e profissional do acadêmico. Outra habilidade citada pelo manual do Estágio Supervisionado (2007) é oferecer, aos professores e alunos do curso de Ciências Contábeis, uma base de informações gerais sobre o funcionamento da disciplina de Laboratório Contábil como Estágio Supervisionado, que se constitui em disciplina obrigatória do currículo do curso. O estágio supervisionado tem também como objetivos: a) Proporcionar ao estudante oportunidades de desenvolver suas habilidades, analisar situações e contribuir para mudanças no contexto empresarial e social; b) Aprimorar o processo ensino-aprendizagem, através da busca do aprimoramento pessoal e profissional; c) Amenizar os efeitos da passagem da vida de estudante para a vida profissional, propiciando às estagiárias mais oportunidades de conhecimento e diretrizes, organização e funcionamento do sistema organizacional; d) Propiciar a atualização de conteúdos disciplinares, permitindo ao estagiário adequar-se ás inovações técnicas, políticas, econômicas e sociais que estão sujeitos; e) Promover a integração entre Escola, Empresa, Poder Público e Comunidade. 2 Dimensões Operacionais do Estágio Supervisionado na FIPAR De acordo com o manual de estágio (2007) a sua operacionalização é feita da seguinte forma: a) Professor de Estágio: é um profissional designado pelo Coordenador do Curso de Ciências Contábeis, para desenvolver atividades de orientação de estágio profissional; 126 b) Supervisor na Empresa: É um profissional designado pelas empresas e sob suas responsabilidades para atender estagiários das Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR; c) Estagiários: Os estagiários são alunos do curso de Ciências Contábeis das Faculdades Integradas de Paranaíba, que, de acordo com o currículo, desenvolvem atividades que privilegiem as relações Teoria-Prática. Conforme o Manual de Estágio (2007) as competências do professor de estágio são as seguintes: a) É função do professor de Estágio, coordenar, acompanhar e orientar o desenvolvimento do ESTÁGIO SUPERVISIONADO, auxiliando os estagiários e os supervisores nas empresas (e/ou outros órgãos) quando solicitado ou se fizer necessário, durante todo ano letivo, enquanto se mantiverem as atividades de estágios. O Manual de estágio (2007) também relata as funções do professor que são as seguintes: b) Orientar os alunos sobre os procedimentos iniciais para viabilizar os estágios; c) Orientar e acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos dos alunos sobre o estágio supervisionado; d) Manter contato com diretores de escolas, empresas, instituições públicas ou privadas, bem como supervisores de estágios nas empresas, quando for o caso; e) Avaliar periodicamente o estagiário, sugerindo, quando necessário, as mudanças no “Projeto de Estágio”; f) Arquivar fichas ou documentos, relatórios, desenvolvimento do estágio e de acordo com calendário do curso; g) Estar atento á postura ética que o estágio supervisionado requer. Outra situação relatada pelo Manual de Estágio Supervisionado (2007) é a função do Supervisor na Empresa. A empresa cedente poderá designar, por seu próprio interesse, um Supervisor no local de estágio. Este profissional da empresa acompanhará os estágios desenvolvidos pelos alunos das Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR e possui, entre outras, as responsabilidades abaixo relacionadas: a) Introduzir o aluno estagiário na empresa; 127 b) Orientar, acompanhar e organizar as atividades práticas do estagiário na empresa; c) Facilitar e oferecer os meios necessários para o desenvolvimento das tarefas; d) Auxiliar o estagiário em suas ansiedades, curiosidades, medos e dificuldades; e) Manter contato com o Professor de Estágio do Curso de Ciências Contábeis, quando necessário; f) Visar bimestralmente o Relatório de Acompanhamento de Atividades, quando solicitado pelo professor da FIPAR. Conforme o Manual de Estágio (2007) cabe ao Estagiário a seguinte solução: a) Encontrar e identificar a empresa ou instituição onde pretende desenvolver seus estágios; b) Fazer todos os contatos necessários com a organização escolhida; c) Submeter-se a processo seletivo, quando houver; d) Após definição de aceitação, providenciar a documentação exigida (manual de estágio), atendendo ás exigências legais do departamento; e) Procurar e apresentar-se ao responsável pela supervisão dos trabalhos a serem desenvolvidos nas empresas, instituições públicas e outros; f) Apresentar-se ao Professor de Estágio ou no Curso conforme cronograma estabelecido por eles, para as orientações e acompanhamentos necessários; g) Atender as orientações e prazos estabelecidos do manual de estágios elaborado pelo professor de Estágio do Curso; h) Apresentar ao professor de Estágios ou “relatório” bimestral, conforme for estabelecido; i) Apresentar á secretaria a documentação que for necessária e solicitada; j) Apresentar o cumprimento do cronograma previsto pela Supervisão de Estágios em comum acordo com o coordenador do Curso; k) Iniciar coleta bibliográfica e outras fontes de consulta para subsidiar os relatórios; l) Utilizar as Normas e Padrões para apresentação de trabalhos Acadêmicos e Científicos da FIPAR. 128 3 Metodologia de pesquisa A pesquisa de campo, como Marconi (2003, p. 186) cita: Consiste na observação dos fatos tal como ocorrem respontaneamente na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente relevantes para ulteriores análises. Esta espécie de pesquisa não permite o isolamento e o controle das variáveis supostamente relevantes, mas permite o estabelecimento de relações constantes entre determinadas condições – variáveis independentes – e determinados eventos – variáveis dependentes -, observadas e comprovadas. O trabalho utilizou-se o estudo de caso para o seu desenvolvimento. BARROS; LEHFEUD ( 2000, p.95) cita: A origem do termo ‘’estudo de caso ”remonta à pesquisa médica e psicológica referindo-se à análise minuciosa de um caso individual, explicativa de patologias. Chizotti, em sua obra pesquisa em ciências humanas e sociais (1991), caracteriza o estudo de caso como uma modalidade estudo nas ciências sociais, que se volta à coleta e ao registro de informações sobre um ou vários casos particularizados, elaborando relatórios críticos organizados e avaliados, dando margem a decisões e intervenções sobre o objeto escolhido para a investigação (uma comunidade, uma organização, uma empresa etc). 4 Análise dos dados A pesquisa realizada no curso de Ciências Contábeis na Fipar (Faculdades Integradas de Paranaíba) teve como objetivo levantar algumas informações relevantes para a realização do trabalho. Conforme o gráfico 1 abaixo mostra que 54% dos entrevistados foram mulheres e 46% homens. Gráfico 1 - Sexo dos entrevistados. Sexo 46% 54% Masculino Feminino 129 No gráfico 2 são relatados a idade dos respondentes, 14% tem de 19 a 21 anos, 65% de 22 a 25 anos e 21% de 31 a 40 anos. Gráfico2 - Idade dos respondentes 0% 0% Idade 0% 18 anos ou menos 0% De 19 a 21 anos De 22 a 25 anos 14% 21% De 26 a 30 anos 0% De 31 a 40 anos De 41 a 50 anos De 51 a 60 anos 65% 61 anos ou mais No gráfico 3 foi analisada a opção de escolha do curso de ciências contábeis pelos entrevistados, sendo 14% foi por falta de opção, 43% mercado de trabalho, 36% já atua no ramo de contabilidade e 7% por indicação. Gráfico 3 – Escolha do Curso de Ciências Contábeis. Porque da escolha do curso de Ciências Contábeis? Por falta de opção Mercado de trabalho 7% 0% 14% Já atua no ramo de contabilidade 36% 43% Por indicação Outras 130 No gráfico 4,100% dos entrevistados responderam que o estágio supervisionado é importante para o curso de Ciências Contábeis. Gráfico 4 – O estágio supervisionado é importante para o curso de Ciências Contábeis. O estágio supervisionado e importante para o curso de Ciências Contábeis? 0% Sim Nao 100% No gráfico 5 mostra como é considerado o material utilizado em sala de aula do estágio supervisionado, sendo 7% ótimo, 64% bom e 29% regular. Gráfico 5 – Como você considera o material utilizado em sala de aula do estágio supervisionado. Como você considera o material utilizado em sala de aula do estágio supervisionado? 29% 7% Ótimo Bom 64% Regular 131 No gráfico 6 representa qual a grande deficiência do aprendizado do estágio supervisionado, sendo que 6% as normas e os métodos, 52% falta de laboratório, 12% programa específicos para contabilidade, 24% os professores e laboratórios, 6% material mais objetivo. Gráfico 6- Qual a grande deficiência do aprendizado do estágio supervisionado. Qual a grande deficiência do aprendizado do estágio supervisionado? As normas e os métodos 6% 0% 6% Falta de laboratório 24% Programa específicos para contabilidade 52% 12% Os professores e labaratórios Material mais objetivo No gráfico 7, abaixo mostra qual o seu interesse no estágio supervisionado sendo que, 93% aprender toda prática contábil, 7% não tenho nenhum interesse. Gráfico 7 – Qual a grande deficiência do aprendizado do estágio supervisionado. Qual o seu interesse no estágio supervisionado? 0% 7% Aprender toda prática contabil 0% So para ter currículo 93% Não tenho nenhum interesse 132 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento do trabalho foi feito através de pesquisa de campo, tendo como entrevistados alunos dos 3 ao 4 ano do curso de Ciências Contábeis da FIPAR (Faculdades Integradas de Paranaíba), onde deram suas respostas e opiniões sobre a importância do estagio supervisionado no curso de Ciências Contábeis. A pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Ela consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados referentes e no registro de variáveis que se presumem relevantes, para analisá-los. Observou-se pelos dados colhidos que 100% acham que o estágio supervisionado é importante para o curso de Ciências Contábeis, onde 64% consideram o material utilizado em sala de aula bom para o estágio supervisionado e 93%para aprender toda a prática contábil mostrando assim os seus interesses pelo o estágio supervisionado no curso de Ciências Contábeis na FIPAR. SUMMARY: This article seeks to show the importance of supervised training with the students of the course of Sciences Accounting where he puts into practice the theory learned during the course of business in our region, as well as provide opportunities for students to develop their skills analyze situations and help the changes that occur in the face of company. To reach such data was carried out a search of fields, showing the importance of supervised training in the course of Accounting Sciences of FIPAR. KEYSWORD: Accounting; Field Research, Supervised Internship, students 133 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BARROS, AIDIL J. Da S; LEHFEL, N. A de S. Um guia para a inicialização cientifica. São Paulo Mcgraw-Hill, 1986. MARCONI, MARIANA DE ANDRADE. Fundamentos de metodologia 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2003. RUIZ, JOÃO ÁLVARO. Metodologia cientifica guia para eficiência nos estudos 5. Ed. São Paulo, 2002. BARROS, AIDIL J. Da S; LEHFEL, N. A. de S. Fundamento de metodologia cientifica: um guia para a iniciação científica. 2. Ed. São Paulo: Makron Books, 2000. MANUAL DE LABORATORIO. Curso de Ciências Contábeis, (2007). 134 A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE PARA AS EMPRESAS PECUÁRIAS Joéber Henrique França Tabuas Graduando 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Ms. Márcia Dozineth Prete 135 RESUMO Aborda a história da pecuária no Brasil e sua importância na economia. Faz uma revisão conceitual a respeito da informação contábil como insumo essencial para a tomada de decisão econômico-financeira, contemplando o ambiente da pecuária e expõe visões a respeito do papel e da importância da Contabilidade enquanto sistema de coleta, tratamento e suprimento de dados e informações gerenciais. Faz um breve histórico da contabilidade, enfatizando a estrutura das Demonstrações Contábeis e sua utilização no processo decisório, bem como a contribuição que a Contabilidade tem dado à pecuária no Brasil. Palavras-chave: Contabilidade; Pecuária; Informação Contábil; Tomada de Decisão. 1 INTRODUÇÃO Por constituir-se a pecuária no Brasil, numa atividade de grande relevância econômica e também por estar presente em grande parte das propriedades rurais, será apresentado a seguir, características da atividade pecuária e alguns entendimentos contábeis. Em se tratando de contabilidade pecuária no Brasil, há dois métodos de avaliação do estoque vivo (plantel): - valores de custo, e - valores de mercado. Apresentam-se a metodologia desses dois métodos, seus efeitos fiscais e gerenciais. Faz-se necessário, preliminarmente, alguns comentários sobre a atividade pecuária bovina. Nem todas as pessoas têm uma compreensão exata de como a contabilidade se insere no mundo dos negócios. Entretanto, é uma necessidade imperiosa para quem exerce alguma atividade, seja comercial, industrial, bancária, de serviços, agrícola ou qualquer outra. Ao contrário do que muitos empresários pensam, contabilidade não é luxo nem é burocracia: é uma necessidade para qualquer empreendimento. 136 No setor agro-pecuário, inclusive, a contabilidade é um imperativo para bem controlar as atividades e os resultados, seja uma grande propriedade, um minifúndio ao estilo catarinense, ou até mesmo um fundo de quintal. Onde quer que alguém explore alguma atividade produtiva, a contabilidade será uma ferramenta da maior importância para colocar em destaque como as operações estão se desenvolvendo e qual o custo dos itens produzidos. Tomemos como exemplo uma empresa agropecuária, que bem poderá ser uma granja avícola e de suínos, uma produtora de hortaliças ou uma grande plantação de soja. É compreensível que, nessas condições, nossa empresa tenha suas atividades setorizadas (ou departamentalizadas), compreendendo atividades-meio e atividadesfim. Assim teremos os setores de apoio – como mecanização rural (tratores, grades, arados, etc.), irrigação (bombas e tubulações), transportes, oficinas (manutenção) e outros acaso necessários – e os setores mais especificamente ligados às atividadesfim, que serão as explorações agro-pecuárias. A exploração pecuária precisa ser subdividida em corte, leite, produção de matrizes e reprodutores, etc. A exploração agrícola deverá destacar as espécies trabalhadas, como tomate, pimentão, cenoura, soja, arroz, milho, feijão, etc. Consoante Iudícibus (1994, p.17): “A contabilidade tem a finalidade de prover os usuários dos demonstrativos financeiros com informações que os ajudarão a tomar decisões”. Com base no exposto, o presente estudo busca a constatação do papel que a Contabilidade exerce no setor de pecuária, no cumprimento de sua finalidade para tomada de decisão, em suprir o gestor com informações que sejam úteis à sua gestão. 2 UM BREVE HISTÓRICO DA PECUÁRIA A empresa, enquanto ativo real, é um meio de gerar riqueza para seus donos, quotistas ou acionistas. Independentemente da missão, objetivo ou filosofia empresarial, na sociedade capitalista a disposição de investir é estimulada pelos fluxos de caixa esperados, ou seja, pela perspectiva de ganhos que serão gerados para os investimentos tanto a curto, quanto a longo prazo. 137 Atualmente os produtos se apresentam com recursos, durabilidade e desempenho equivalentes. Qual o HD1 de computador que é capaz de acumular maior quantidade de informações? Qual geladeira refrigera mais, com menor consumo de energia? Qual TV oferece som estéreo? Qual o modelo de carro tem o motor mais potente? Se estes atributos são comuns aos produtos existentes no mercado, então o diferencial competitivo recairá no gerenciamento de processos de produção, no sentido de reduzir os custo ou preços, na batalha global pela competitividade. Imagina-se que a demanda por informações para fins gerenciais esteja seguindo o mesmo ritmo das mudanças que estão se processando nas relações entre os povos. Isto pode ser percebido por meio da formação de grandes blocos de mercados – Comunidade desenvolvimento das Européia, comunicações, Nafta, da ALCA, quebra de Mercosul etc., do barreiras ideológicas alto e, principalmente, através da valorização de regionalismos e etnias, sem perder de vista conceitos globais de cidadania e direitos humanos. Em qualquer organização produtiva, a interpretação das informações processadas fator decisivo e, sem dúvida, um bom medidor de desempenho do gestor. Neste sentido, Silva (2000, p. 45) afirma que: Partindo do pressuposto que gerenciar é tomar decisões e para tomar decisões é essencial o acesso a informações, certamente que a estruturação de um sistema de informações propiciará condições de melhorar o processo gerencial. As ameaças e oportunidades futuras estão embutidas muitas vezes em relatórios legais ou gerenciais. E este fator representa um problema para qualquer gestor. Segundo Miranda e Silva (2002, p. 137) Gerenciar uma organização é definir a prioridade com que seus recursos (físicos, financeiros, humanos, tecnológicos, etc.) serão consumidos, visando a alcançar os objetivos predeterminados. Assim, a fim de acompanhar sistematicamente como esses recursos são alocados e convertidos em ação operacional na busca dos objetivos organizacionais (...). O lucro que uma empresa alcança corresponde ao resultado programado, fruto do planejamento empresarial e da inteligência das mais diversas áreas do 138 conhecimento humano que, acredita-se, seja embarrado nas informações finais geradas pelos diversos sistemas que compõem a Contabilidade, financeira ou gerencial, como meio de suporte para a tomada de decisão. É relevante a preocupação e a busca de um sistema de informação gerencial compatível com o atual nível de desenvolvimento que o processo de globalização exige. Neste contexto, a Contabilidade pode contribuir com um vasto potencial de informações desde que explorada com sabedoria. Conforme Potsch (1965, p. 111): “O Brasil ocupa o 4º lugar no mundo na criação de bovinos. Graças às suas imensas possibilidades, que a natureza generosamente colocou à sua disposição, terá em próximo futuro o 1º lugar”. Ainda conforme Marion (1996, p.13): O sistema agroindustrial brasileiro representa uma parcela relevante do PIB, porém, em termos de gestão e controle do sistema como um todo, e mais especificamente no início da cadeia, está muito carente em aprofundamento de estudos e pesquisas contábeis. Esse comportamento tende a mudar com o tempo e as empresas pecuárias já demonstram estreitas ligações com as condições mercadológicas atuais, pois a cotação da arroba do boi, hoje, dispõe de índice oficial do mercado e está na mídia de forma on-line, em como nos jornais de grande circulação, escritos e televisionados do nosso país. Conforme Lemes (2001, p.515): [...] o aumento do consumo em nível mundial, a exigência dos consumidores por qualidade e, por conseguinte, a necessidade de aumento da produção diária de leite e a premência na redução do período de engorda dos animais pedem maiores investimentos no manejo, nos cuidados veterinários, na alimentação e na reprodução do animal, e, principalmente, em formas mais efetivas e eficazes de gestão. 139 3 CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS SOBRE A UTILIZAÇÃO DA CONTABILIDADE PARA FINS GERENCIAIS A partir do momento em que o homem começou a acumular algum bem material em suas cavernas, passou a se preocupar em controlá-lo, e o fez através da Contabilidade, mesmo que de forma rudimentar, relacionando um boi a uma pedra equivalente, ou um camelo a uma bola de argila. Conforme Iudícibus (1997, p.44): A Contabilidade é tão remota quanto o homem que pensa, ou, melhor dizendo, que conta. A necessidade de acompanhar a evolução dos patrimônios foi o grande motivo para o seu desenvolvimento. O surgimento do capitalismo deu impulso definitivo a esta disciplina, potencializando seu uso e aumentando sua eficácia. A Contabilidade, ao que parece, é uma ciência que nasceu com a razão humana; em época remota, o homem controlava seus pertences através de uma relação biunívoca, entre um bem qualquer e uma pedra correspondente. Higson e Jochem ( 1997, p. 4)destacam que: A contabilidade trata de mensurar, documentar e controlar a faceta principal da vida da empresa, que é o dinheiro. Sua importância, portanto, dificilmente pode ser exagerada. O desenvolvimento da contabilidade precedeu e, em grande parte, possibilitou a evolução do comércio e da atividade bancária. Em algumas sociedades, principalmente na Grã-Bretanha e sobretudo no meio dos contadores, era comum no passado acreditar que a formação da contabilidade era o único treinamento necessário para o exercício da administração geral. Com a evolução natural da humanidade, a limitação provocada pela escassez de recursos, e a crescente necessidade social ensejada pelo conhecimento de novos bens e serviços de consumo, o acompanhamento e o controle do patrimônio tornaram-se cada vez mais importantes no mundo dos negócios. A Contabilidade parece ter surgido de maneira natural, de acordo com as necessidades humanas. 140 Abordando antecedentes da Contabilidade, Hendriksen e Breda (1999, p.41), afirmam: “À medida que a história é contada, torna-se rapidamente evidente que a contabilidade foi o produto de muitas mãos e muitas terras”. Sobre o ensino da contabilidade no Brasil, Iudícibus (1997, p. 36) destaca: Provavelmente, a primeira escola especializada no ensino da Contabilidade foi a Escola de Comércio Álvares Penteado, criada em 1902, [...] entretanto, foi com a fundação da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da USP, em 1946, e com a instalação do curso de Ciências Contábeis e Atuárias, que o Brasil ganhou o primeiro núcleo efetivo, embora modesto, de pesquisa contábil nos moldes norte-americanos. Desde 1946 a Contabilidade vem assumindo cada vez maior relevância no Brasil, a partir dos registros da atividade ocorrida na gestão dos negócios, através da Contabilidade Geral, produzindo, assim, o principal banco de dados por meio do qual serão produzidas as informações destinadas a suportar as decisões econômicofinanceiras. Através do registro e sistematização, a Contabilidade identifica e acumula os eventos ocorridos no patrimônio das entidades, formando um banco de dados capaz de ser transformado em informações de utilidade importante na tomada de decisão, através da Contabilidade Gerencial, a qual utiliza os dados produzidos pela contabilidade geral, transformando-os em informações finais que serão utilizadas pelos gestores como sistema de informação. De acordo com Pereira (2202, p. 61): A efetivação dos resultados desejados é alcançada por meio de informações gerenciais. Neste sentido, é necessário o desenvolvimento de sistemas de informações gerenciais que garantam o suporte requerido à atuação gerencial preconizada. As informações geradas pela Contabilidade Gerencial constituem um sistema de informações finais de grande utilidade no processo de tomada de decisão econômico financeira. Conforme Kassai (2000, p.142): “A contabilidade é a forma mais organizada e eficaz de se controlar um empreendimento.” 141 Em uma abordagem gerencial sobre o sistema de informações contábil, Iudícibus ( 1994, p. 20) afirma: Provavelmente, o sistema de informação contábil dentro da empresa deveria ser dimensionado para captar e registrar uma série bastante ampla de informações elementares, que poderiam ser agregadas, classificadas e apresentadas em vários subconjuntos, conforme o interesse particular de cada tipo de usuário. Assim, a Contabilidade alimenta de informações a administração, dando suporte ao gestor de bases adequadas e úteis em seu processo de tomada de decisão econômico financeira. Dessa forma, pode-se dizer que o sistema contábil constitui um sistema de informações destinado a suportar o seu usuário no processo de tomada de decisão. É notório que a Contabilidade exerce o papel de principal vertente de informações para fins gerenciais no apoio do processo decisório. Conforme Barbosa (2203, p. 73): Os dados da contabilidade financeira ou societária servem como ponto de partida para a contabilidade gerencial, que tem sua principal característica de fornecedora de informações aos administradores, auxiliando-os no processo decisório da empresa. A característica tempestividade focaliza a oportunidade da informação para fins gerenciais. 4 A CONTRIBUIÇÃO DA CONTABILIDADE NA ATIVIDADE PECUÁRIA O papel do gestor pode ser entendido como o de direcionar os recursos postos à sua disposição para uma combinação adequada de fatores (materiais, humanos e tecnológicos), que façam da empresa um conjunto afinado que possam levá-la à perpetuidade, naturalmente com sucessivos lucros em cada evento de sua gestão. 142 A combinação de tais fatores só será possível com o auxílio de ferramentas que traduzam as informações operacionais e contábeis, e estas em linguagem monetária, para que o gestor possa tomar suas decisões adequadamente. Conforme Procópio (1996, p.19): Administrar uma atividade agropecuária requer ampla abrangência de informações em termos de desempenho físico e financeiro. Algumas vezes, entretanto, muitas das informações necessárias são registradas apenas na memória de quem administra ou em anotações informais. O gestor da empresa pecuária já pode dispor da informação contábil, de acordo com as especificidades próprias do ramo, para identificar se a sua gestão está de acordo com o planejamento. Sobre o uso da informação contábil, Procópio (1996, p. 20) enfatiza o seguinte: Há muitas razões por que um sistema contábil para um negócio agropecuário deveria ser mantido. [...] a contabilidade está constantemente gerando informações diretamente relacionadas com a lucratividade, liquidez e risco do negócio. O acompanhamento constante, e correções quando necessárias fornece ao gestor as condições adequadas para manter o controle das operações. Conforme Beuren (2002, p.17): “Durante a era agrícola, os fazendeiros usavam sistemas contábeis rudimentares para determinar os custos de produção das colheitas”. Comparando esses custos com as vendas realizadas, verificavam quanto ganhavam ou perdiam em cada safra. 5 FLUXO CONTÁBIL DA ATIVIDADE PECUÁRIA A Contabilidade tem contribuído no processo organizacional, operacional, de gestão e controle das empresas pecuárias através da sistematização de informações contábeis, que são utilizadas na tomada de decisão econômico-financeira pelos gestores. 143 Conforme Lemes (1996, p.36): Duas classificações iniciais básicas são necessárias para entendimento do fluxo contábil da atividade pecuária: a) Ativo Circulante – Estoque – gado que será comercializado ou consumido pela empresa sob a forma de bezerro, novilho magro ou novilho gordo. b) Ativo Permanente – Imobilizado – gado destinado à reprodução (reprodutor – touro ou matriz-vaca). Assim, a ciência contábil tem dado valiosas contribuições a esta área através de literaturas destinadas à pecuária, com sistematização de obras de Contabilidade destinadas ao atendimento desse setor. Sobre este aspecto, Lemes (1996, p.36-41) destacam alguns temam de relevância para o setor: - Tratamento contábil do bezerro; - Métodos de avaliação dos estoques; - Método do custo histórico; - Fluxo contábil no método do custo histórico; - Mortes no rebanho; - Método do valor de mercado; - Variação patrimonial líquida; - Distribuição de dividendos; - Momento da avaliação; - Fluxo contábil no método do valor de mercado. Essa é uma amostra do que a Contabilidade tem produzido base conceitual relevante voltada para o setor pecuário, trazendo contribuições valiosas nessa disciplina, bem como nas atividades voltadas para o mercado, e em situações pragmáticas que envolvem o setor. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente a competitividade gerada pela universalidade das informações tem provocado uma corrida exacerbada em busca da eficiência gerencial entre as organizações para atingir a eficácia das operações. 144 Essa competição apresenta-se nos dias atuais como condição no processo de tomada de decisão das empresas, as quais, se não forem capazes de se enquadrarem rápida e adequadamente a novas situações, ficam expostas à corrosão provocada pela incompetência, e fadadas à descontinuidade. A constatação antecipada de condições adversas ao bom desempenho, através de pesquisa empírica, poderá trazer grandes benefícios, oferecendo ao gestor um diagnóstico prévio a tempo de poderem ser evitadas. O conhecimento e aplicação de ferramentas gerenciais, adequadas e compatíveis com as atuais condições do mercado, podem ser o “divisor de águas” entre a continuidade ou não de uma organização. Nesse contexto, o presente estudo tem a finalidade de identificar a prática gerencial na atividade pecuária do Rio Grande do Norte com a utilização das informações geradas pela Contabilidade para a tomada de decisão. Em qualquer organização, para que a tomada de decisão seja eficaz, é preciso que ela esteja subsidiada com informações que possam suprir o gestor de alternativas que lhe mostrem, com alguma margem de segurança, as conseqüências a seguir. Quando as informações contábeis não proporcionam uma clara noção dos resultados futuros gerados pela tomada de decisão, devem pelo menos fornecer informações que permitam saber qual a melhor escolha dentre um elenco de alternativas. E isso só é possível se a organização puder dispor de informações contábeis que registrem os atos da gestão e que forneçam ao gestor mensuração adequada dos resultados gerados por suas decisões. Ademais, a adequada mensuração do patrimônio da empresa proporcionalhe condições de produzir com baixo custo e vencer a guerra global pela competitividade. As informações geradas pela Contabilidade devem propiciar aos seus usuários base segura às suas decisões pela compreensão do estado em que se encontra a entidade, seu desempenho, sua evolução, riscos e oportunidades que oferece. O setor de pecuária está inserido no contesto de competitividade global e se preocupa, com a busca incessante da produtividade, da qualidade e da utilização de estratégias, tanto no âmbito da produção, quanto na gestão. 145 ABSTRACT This work deals with the cattle raising activity in Brasil, it´s importance for the. A conceptual review is done regarding accounting information and considering it as an essencial input for economical and finantial decision making, related to the state cattle rainsing environment. It also aims to expose visions related to the role and the importance of Accounting as system that colects, treats and supplies managerial information.A brief historic of Accounting is done, emphasizing the Accounting Demonstration Structureand its use in the decision making process, as well as the contribution it has node for the cattle raising activity in Brazil. Key-words: Accountancy; Cattle Raising; Accounting Information; Decision Madding 146 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001. CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade gerencial: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 1998. GRECO, Alvísio Lahorgue; AREND, Lauro Roberto. Contabilidade: Teoria e prática básicas. 6. ed. Porto Alegre: Sagra – DC Luzzatto, 1996. HIGSON, Chris; JOCHEM, Zimmermenn. A Contabilidade parece uma coisa fácil e direta, mas é repleta de dificuldades. São Paulo: Gazeta Mercantil, 1997. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de Balanços. 7. ed. São Paulo: Atlas, 1998. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARION, José Carlos; PEREIRA, Elias. Dicionário de Termos de Contabilidade. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2003. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo: Atlas, 2003. KASSAI, José Roberto [at al.] Retorno de Investimento: abordagem matemática e contábil do lucro empresarial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. LEMES, Sirlei. Contabilidade na Agropercuária. In: MARION, José Carlos (Coord.). Contabilidade e Controladoria em Agribusiness. São Paulo: Atlas, 1996. MARION, José Carlos. Contabilidade rural. 7ed. São Paulo: Atlas, 2002. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MASSILON, Araújo Júnior. Fundamentos do agronegócio. São Paulo: Atlas, 2003. MATTOS, Zilda Paes de Barros. Contabilidade Financeira Rural. São Paulo: Atlas, 1999. MIRANDA, Luiz Carlos; SILVA, José Dionísio Gomes da. Medição de Desempenho. In: NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E. V. Contabilidade Avançada e Análise das Demonstrações Financeiras. 8. ed. São Paulo: Frase, 1999. PROCÓPIO, Adriana Maria. Organização Contábil-Administrativa dos Produtores Rurais na Região de Ribeirão Preto. In: MARION, José Carlos (Coord.). Contabilidade e Controladoria em Agribusiness. São Paulo: Atlas, 1996. SOUZA, R. de. [et al.] A administração da fazenda. São Paulo: Globo, 1992. 147 ASPECTOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS COM ENFOQUE GERENCIAL José Antônio Alves Moreira Graduando 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete 148 RESUMO O objetivo da contabilidade de custo é fornecer informações sobre os produtos, de tal forma que essas informações possam auxiliar a administração da empresa na tomadas de decisões. Atualmente, a contabilidade de custos passou de mera auxiliar na avaliação de estoques, para uma importante ferramenta de auxílio no âmbito gerencial, dados para que a empresa realize previsões, avaliações, planejamento, controle e fixações de preço, uma vez que para competir no mercado é preciso buscar a maximização dos lucros. Esse ramo da contabilidade acaba se tornando flexível a adaptações aos diversos modelos de produções existente nas empresas industriais, possibilitando a aplicação de técnicas da avaliação e de controle diferenciados, durante o período de consumo dos recursos produtivos. PALAVRAS CHAVE: Custos; Contabilidade; Lucros. 1 INTRODUÇÃO Este artigo tem o objetivo de evidenciar como A diferenciação entre custos e despesas é importante para a contabilidade financeira, pois os custos são incorporados aos produtos (estoques), ao passo que as despesas são levadas diretamente ao resultado do exercício. Entretanto, no enfoque gerencial essa diferenciação não muito relevante. Os contadores de custos devem dispensar a mesma atenção aos custos e as despesas. Se a eficiência é importante no setor de produção, ela deve ser considerada da mesma forma na área administrativa. Para compreender os sistemas de custos numa empresa faz-se necessário, em um primeiro momento, uma avaliação e um estudo da evolução da Contabilidade-Financeira, uma vez que está área estão intimamente ligadas e comprometidas entre si. 2 ANÁLISE DA CONTABILIDADE DE CUSTOS A contabilidade de custos, como já foi dito, surgiu da contabilidade geral, uma vez que o homem sentia a necessidade de aumentar seu controle sobre os valores 149 dos produtos estocados, determinado o produto a ser fabricado, a sua quantidade física e o seu período de produção. A contabilidade de custos auxilia no controle dos custos, fornecendo informações quanto à movimentação dos produtos. Assim sendo, a contabilidade de custos coleta dados, acumula esses dados de uma forma organizada, em seguida analisa-os e por último interpreta-os, de tal forma que acabam fornecendo informações para solução de problemas que ocorrem na entidade. Em resumo a contabilidade de custos tem sido cada vez mais aplicada nas empresas por fornecer aos diversos níveis da administração e operação alguns relatórios com informações sobre custos, visando á tomada de decisões. Posteriormente Leone (2000, p.19) disse que é e para que serve a contabilidade de custo: A contabilidade de custos é ramo da contabilidade que se destina a produzir informações para os diversos níveis gerenciais de uma entidade, como auxílio ás funções de determinação de desempenho, de planejamento e controle das operações e de tomadas de decisões. A contabilidade de custos coleta classifica e registra os dados operacionais das diversas atividades da entidade, denominados de dados internos, bem como, algumas vezes, coleta e organiza dados externos. Os dados coletados podem ser tanto monetário como físicos. Exemplo de dados físicos operacionais: unidades produzidas, horas trabalhadas, quantidade de requisições de materiais e de ordens de produção, entre muitos outros. Neste ponto, reside uma das grandes potencialidades da contabilidade de custos: a combinação de dados monetários e físicos resulta em indicadores gerenciais de grande poder informativo. Em seguida a contabilidade de custos acumula, organiza, analisa e interpreta os dados operacionais, físicos e os indicadores combinados no sentido de produzir, para os diversos níveis de administração e de operação, relatório com as informações de custos solicitadas. Outra particularidade da contabilidade de custos é que ela trabalha dados operacionais de vários tipos: os dados podem ser históricos, estimados (futuros), padronizados e produzidos. Para o autor, uma das fortes vantagens da contabilidade de custos é que ela pode e deve fornecer informações de custos diferentes para atender necessidades gerenciais diferentes. São muitas as necessidades gerenciais. Apenas como forma de atender a uma exigência didática, os estudiosos classificaram as necessidades gerenciais em três grandes grupos, conforme relata Leone (2000, p. 20). 150 1. Informações que servem para a determinação da rentabilidade e dos desempenhos das diversas atividades da entidade; 2. Informações que auxiliam a gerências a planejar, controlar e administrar o desenvolvimento das operações; 3. Informações para a tomada de decisões. Para Leone (2000, p. 20). Nas grandes empresas, principalmente as industriais, os componentes da contabilidade de custos devem ficar subordinados a uma controladoria ou uma diretoria financeira e terá, nesse caso, o mesmo nível do componente contabilidade. Não obstante essa semelhança de níveis, a contabilidade de custos deverá trabalhar em sintonia com a Contabilidade Financeira, recebendo desta orientação em termos de políticas, diretrizes, critérios e procedimentos. Em muitos casos, deverá haver perfeita integração e coordenação entre os dois componentes. Através das definições acima é possível observar que a contabilidade de custos tem se tornado uma importante arma de controle gerencial dentro da empresa, isto porque elas não estão mais dando ênfase apenas ao cumprimento das obrigações fiscais, mas solucionando a apuração de seus estoques e resultados, tratando-se de um instrumento gerencial, que auxilia no desenvolvimento da empresa, para planejamento das atividades e políticas a serem desenvolvidas. Portanto, o contador de custos deve conhecer o ambiente onde a contabilidade de custos está inserida, preparando informações diferentes, que irão atender ás necessidades gerenciais distintas no processo decisório da empresa. 3 CONTABILIDADE DE CUSTOS COM ENFOQUE GERENCIAL Uma vez que se abordou sobre o que é contabilidade de custos e contabilidade gerencial, é possível estabelecer a relação entre ambas, sendo assim, conforme discutido anteriormente, durante longos anos a contabilidade de custos serviu apenas para soluções de problemas fiscais. Com o passar dos anos, as empresas começaram a sentir que a contabilidade de custos existente, não mais era suficiente para suprir suas 151 necessidades. Foi então que surgiu a contabilidade de custos com enfoque ao auxílio na administração da empresa. A contabilidade de custos é o ramo da contabilidade que se destina a produzir informações para os diversos níveis gerenciais de uma entidade, com auxílio ás funções de determinação de desempenho, de controle das operações e de tomadas de decisões. (LEONE, 1997, p. 19) Atualmente, a contabilidade de custos passou de mera auxiliar na avaliação de estoques, para uma importante auxiliar no âmbito gerencial, fornecendo dados para que a empresa estabeleça previsões, fixações de preços e outros. A contabilidade de custos, quando utilizada na função gerencial, não está presa aos requisitos legais ou fiscais, nem a convenções padronizadas. Contudo, é possível observar que a contabilidade de custos tem como objetivo, dentre outros, fornecerem informações sobre a situação dos produtos, orientado a administração da empresa em suas decisões por negociações. Cabe aqui finalizar, lembrando que a contabilidade de custos com enfoque gerencial produz dada e informações para que a entidade analise o andamento das suas atividades, podendo planejar as operações futuras servindo como apoio ao gerenciamento da entidade. 4 TERMINOLOGIAS CONTÁBEIS Para facilitar a compreensão do assunto é necessário que alguns conceitos relativos à área de estudos sejam definidos. As terminologias contábeis são de suma importância, uma vez que as informações geradas devem comprometer-se com a realidade da organização, propiciando uma base segura de dados para que os gestores possam tomar decisões e, para tanto é imprescindível que os usuários destas informações saibam diferenciálas. Assim, pode-se afirmar que as terminologias são instrumentos necessários para a boa comunicação entre os diversos usuários, justificando a importância de se conhecer o real significado. 152 A seguir serão apresentados os significados das principais terminologias utilizadas pelos usuários deste ramo de atividade, como custo, despesa, gasto, investimento, desembolso e perda. Algumas empresas, diariamente, na prática costumam tratar com o mesmo significado os custos e as despesas, por acharem que na realidade possuem a mesma definição, mas isso não é verdade, pois as duas terminologias possuem significados diferentes, embora ambas possam ser tratadas como gastos. Conforme Figueredo; Caggiano (1997, p. 37) “o primeiro termo a ser discutido são os custos, os quais podem ser definidos como sendo essencialmente medidas monetárias dos sacrifícios com os quais uma organização tem que arcar a fim de atingir seus objetivos”, Segundo Martins (1998, p. 24), "o custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens ou serviços), para fabricação de um produto ou execução de um serviço". Outra expressão que se confunde com custos e gastos são as despesas que podem ser tratadas como bem ou serviços consumidos direta ou diretamente para obtenção de receitas. Conforme Leone (1997, p. 46), Despesas como sendo todos os gastos que são efetuados para se obter em troca uma receita, em outras palavras são todos os gastos necessários para que o produto acabado chegue até o seu destino final, com intenção de gerar receitas. Sendo assim, pode se dizer que todos os gastos realizados com o produto desde a entrada da matéria-prima sendo transformada até chegar ao produto acabado são considerados como custo, a partir disso são despesas. Cabe aqui uma ressalva, pois existem alguns gastos ocorridos antes da produção que também são considerados como despesas. Para Martins (1998, p. 23) o gasto é o "sacrifício financeiro que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega dos ativos (normalmente dinheiro)". 153 Os custos podem ser definidos ainda como sendo fatores que são aplicados no processo de produção de bens ou serviços, para que seja possível transformar a matéria-prima em produto acabado. É possível conceituar custos como aquela porção do preço de aquisição de produtos, bens ou serviços que foi diferida, ou seja, que ainda não foi utilizada para a realização de renda. (BACKER; JACOBSE, 1974, p. 04) Enquanto os produtos ficam em estoque, os custos são ativados, aparecem no balanço e não na demonstração de resultado, e só fazem parte do cálculo do lucro ou prejuízo quando se efetua a venda desse produto, passando então a existir na embalagem, a energia gasta na fábrica. Uma outra terminologia muito utilizada é o investimento, que pode ser definido como sendo o gasto com bem ou serviço ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuídos a períodos futuros. Isso quer dizer que, o investimento caracteriza-se pela intenção de utilização no momento em que ocorre a aquisição de um determinado bem ou serviço, por exemplo, quando a empresa adquire uma máquina para confeccionar parte de seu produto, a mesma está efetuando um investimento, pois o seu objetivo não é de comercializar a máquina e sim de utilizá-la no processo produtivo. (CREPALDOI, 1998, p. 57) Nota-se que os gastos são diferenciados de acordo com sua aplicação, podendo ser considerados como: custo, despesa ou investimento quando os serviços ou bens adquiridos são prestados ou possam a ser de propriedade da empresa. Ao comprar a matéria-prima, por exemplo, pode-se denominá-la como gasto de investimento, uma vez que a mesma ainda não foi utilizada no processo produtivo e será contabilizada temporariamente em uma conta do ativo circulante (estoque); mas quando ela for requisitada pelo setor de produção para integrar o processo de fabricação, será considerada como custo, pois será consumida na produção de bens ou serviços, assim será baixada da conta do ativo e transferida para custos. Já o termo despesa, mesmo sendo considerada como gasto, não contribuiu para a transformação da matéria-prima em produto acabado, por tratar-se de um sacrifício para obtenção de receita, pois se refere os gastos administrativos com vendas e também ás despesas financeiras, integrado a demonstração de resultados do exercício do período em que incorre. 154 Normalmente, as despesas são aqueles gastos administrativos e de comercialização, necessários para colocar determinado produto no mercado. Vale dizer que somente os valores relevantes que possuem visível e claramente uma parte relacionada com os custos e outra relacionada com as despesas por critérios não muito arbitrários é que devem ser divididos nos dois grupos. Dessa forma, os gastos com embalagens são denominados custos, enquanto participam do processo produtivo, ou seja, o produto tem que ser vendido embalado. Já as despesas são caracterizadas após a produção, como é o caso do produto que possui embalagem, embora não necessite ser vendido embalado, pois essa acaba sendo uma opção da entidade. Como despesa pode-se ter os salários e encargos sociais dos funcionários do departamento vendas, a energia elétrica consumida no escritório, os gastos com combustíveis para colocar o produto a venda, os gastos com refeições do pessoal do escritório, os colocar o produto a venda, os gastos com refeições do pessoal do escritório, os impressos e materiais de uso no escritório, o aluguel, os impostos, as assinaturas em jornais e outros. Uma outra terminologia conhecida dentro das organizações são as perdas, as quais ocorrem por fatores externos, de força maior ou até da atividade produtiva normal da empresa. As perdas anormais são gastos que não fazem parte dos planos da organização, podendo ocorrer a qualquer momento e até alguns deles podem provocar a descontinuidade da organização, como é o caso de perdas por incêndios ou enchentes, nesse caso sendo consideras da mesma natureza que as despesas e lançadas diretamente contra o resultado do período. (MARTINS, 1998, p. 41) Já as perdas normais são aquelas pequenas quantidades de materiais que acabam sendo desperdiçadas naturalmente durante o processo produtivo, as quais são consideradas como custos do período por serem decorrentes de valores previsíveis que são sacrificados na busca da obtenção de receitas. Finalmente, o desembolso caracteriza-se como o momento do pagamento, resultante de uma aquisição de bens ou serviço efetuando pela entidade, sendo este no momento da compra de materiais para o escritório com a opção de ser efetuar o pagamento a vista (no momento gasto) ou prazo (após a ocorrência do gasto). 155 Há também desembolso antes do gasto, quando, por exemplo, efetua-se um depósito na conta do fornecedor sem ele tenha enviado a mercadoria solicitada. 5 SISTEMA DE CUSTO Sistemas são elementos que se interagem para alcançar um objetivo comum. Segundo Padoveze (2000, p. 36), "sistemas é um conjunto de elementos interdependentes, ou um todo organizado, ou partes que interagem formando um todo unitário e complexo”. Podemos definir Sistemas de Informação como um conjunto de recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros agregados segundo uma seqüência lógica para o processamento dos dados e tradução em informação, para com seus produtos, permitir ás organizações o cumprimento dos seus objetivos principais. (PADOVEZE, 2000, p. 36) Assim, um sistema de custo tem a mesma característica dos sistemas de informação, pois este também coleta dados, processa-os e os transforma em informações, os dados coletados pelo sistema de custos são internos e externos, monetários e não monetários, mas sempre quantitativos. A Contabilidade de Custos se assemelha a um centro processador de informações, que recebe (ou obtém) dados, acumula-os de forma organizada, analisa-os e interpreta-os, produzido informações de custos para os diversos níveis gerenciais. (LEONE, 1996, p. 17) Conforme relata Bio (1989, p. 34): Os sistemas de informações podem ser classificados em dois grupos principais: sistemas de apoio ás operações e sistemas de apoio á gestão. Desta forma, os sistemas de custo é um sistema de apoio á gestão, pois gera informações para auxilio a tomada de decisão, de fatos passados e futuros necessários para o planejamento. Segundo Matz (1987, p. 60): Um sistema de custo deve ser aperfeiçoado de forma que: calcule os custos de vendas; proporcione um meio de avaliar os inventários; auxilie no controle e na administração da empresa; meça a eficiência de homens, materiais e máquinas, e ajude a eliminar o desperdício e, como conseqüência, reduza o custo. 156 Assim, para que um sistema traga os resultados esperados é necessário que este tenha um objetivo definido, pois o objetivo é sua razão de existência e servirá para definição das suas característica, devendo a empresa definir com antecedência os objetivos pela qual o sistema vai ser criado. É o sistema de acumulação de custo que determina a forma como os valores referentes aos custos utilizados na produção serão armazenados e transformados em informações. É também chamado de custeamento. O sistema de acumulação indica os caminhos para coleta, processamento e saída de informação dentro de um sistema de informação contábil, e está ligado fundamentalmente ao tipo de produto e ao processo de fabricação adotado. (PADOVEZE, 2000, p. 04) Desta forma, um sistema de custo deve ser adequado á realidade da entidade, pois o custeamento será definido de acordo com a natureza das atividades de produção adotado. Assim, se a empresa adotar a produção por encomenda o sistema de acumulação de custo será por ordem de produção, já se a empresa adotar a produção contínua o sistema de acumulação de custo será processo. O sistema de encomenda, onde cada ordem de produção é considerada uma encomenda particular, e é separada uma das outras, até mesmo porque os serviços a serem realizados em cada encomenda possuíram característica especial. Segundo CRC/SP (1992, p. 101): As principais características de um sistema de Custos por ordem de produção são: os custos são apropriados diretamente em cada "ordem de Produção"; os custos reais são determinados por tipo de produto e é feita à apuração do custo total de produção, é não custo unitário, quer do produto final ou de determinado componente. Um sistema de custeio por ordem coleta os custos de cada serviço ou fator de produção, sem levar em cota o período que realiza o trabalho, mas sim o custo total utilizado na ordem, mesmo que este trabalho ultrapasse o exercício contábil. As encomendas de longo prazo de duração podem ser tratadas diferentemente do que é normal na contabilidade, pode ter seu resultado apropriado a cada período proporcionalmente á parte executada, sem necessidade de ser apropriar 157 pelo término e entrega do bem. Os critérios para alocação podem ser proporcionalmente ao custo total de conversão ou aos valores contratados para cada fase. O sistema de custeio por ordem é muito utilizado nas empresas prestadoras de serviços, onde cada serviço prestado é tratado como uma ordem, e tem seus custos identificados no serviço. Assim, os custos de uma ordem, querem de serviços, quer de produtos são registrados em uma folha chamada de folha de custo, onde são registrados os custos dos materiais, diretos e indiretos, mão-de-obra. Direta e indireta, aplicáveis na ordem especifica. Essas folhas recebem um número, que será colocado em cada requisição de material e ficha de tempo de mão-de-obra. Assim, a empresa tem condições de apurar o lucro de cada ordem executada. No sistema de custeamento por processo todos os custos de um período de tempo são coletados sem serem atribuídos a um produto específico. Nesse sistema, o total dos custos incorridos em determinado período é dividido pelo número total de unidades produzidas no período, para chegar ao custo unitário de cada processo. 6 IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA Para implantar um sistema é normal haver reações contrárias e uma implantação de forma geral poderá não ocorrer de acordo com o esperado, o ideal é que seja feita a implantação por partes, ou seja, departamentos, produtos etc, para que as pessoas possam se familiarizar com o sistema de forma gradativa e até se sentirem motivadas a contribuir para que o sistema traga os resultados esperados. Tendo-se em vista o comentado quando ás reações contrárias á implantação de qualquer Sistema de Custo, bem como o próprio custo de seus funcionamento, é fácil verificar que a implantação deve, normalmente, ser gradativa. (MARTINS, 1998, p. 379) Para a implantação do sistema é necessário que seja criado um modelo específico para empresa, obedecendo a suas características, e procurando gerar as informações necessárias a administração. 158 Um sistema não é constituído apenas de máquinas e recursos, ele também é constituído por pessoas, as quais geralmente têm reação contrária ao sistema, principalmente às pessoas ligadas á produção, alegando que pelo sistema de custo ser uma forma de controle ele traz burocracia. Esta reação contrária gera problemas comportamentais como rejeição e resistência na colaboração com o sistema. A primeira reação é a da sensação de estar sendo iniciada uma era de controle, e toda pessoa que sempre trabalhou sem sentir formalmente essa "Fiscalização" tem uma natural predisposição contrária. Pessoas que sempre sentiram ser de confiança da Administração podem passar a achar que perderam, pelo menos parcialmente, essa condição. (MARTINS, 1998, p. 377) O ideal é que haja motivação do pessoal, mostrando como são importantes e podem contribuir para que o sistema dê certo, e ainda, como o sistema pode facilitar o seu trabalho, pois assim, todos iram se envolver com o sistema e não haverá mais este tipo de problema. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS A contabilidade de custo tem como objetivo fornecer dados e informações para que a entidade analise o andamento das suas atividades, podendo planejar as operações futuras servindo de apoio ao gerenciamento da empresa. A finalidade principal deste trabalho foi apresentar alguns conceitos e noções aos usuários que desejam iniciar um estudo na área de custos, haja vista que para se desenvolver um trabalho na vida prática é imprescindível efetuar também um estudo com base teórica. Na discussão, procurou-se demonstrar que a contabilidade de custos com aspecto gerencial cresceu de forma gradativa com o passar dos anos e, atualmente, tem sido uma ferramenta de apoio a empresa em sua gestão de negócios. Devido a grande exigência da competitividade no mercado atual, as empresas tendem a diminuir seus custos, para tanto é possível reconhecer que esse ramo da contabilidade é conhecido como um instrumento indispensável aos administradores das empresas em seu processo decisório. 159 Atualmente, a competitividade de mercado sugere ao empresário a busca da melhor lucratividade, uma vez que o mercado consumidor exige produtos de qualidade com preços cada vez menores. Desta forma, as empresas acabam sendo convencionadas a acatar tais exigências, para enfrentar tal situação, o controle e gerenciamento dos custos de seus produtos estão sendo os recursos mais utilizados. ABSTRACT The objective of the cost accounting is to supply information on the products, in such a way that those information can aid the administration of the company in the sockets of decisions. Nowadays, the accounting of costs passed of mere auxiliary in the evaluation of stocks, for an important tool of aid in the managerial extent, data for the company to accomplish forecasts, evaluations, planning, control and price fixations, once to compete at the market it is necessary to look for the maximização of the profits. That branch of the accounting ends if turning flexible to adaptations to the several models of productions existent in the industrial companies, making possible the application of techniques of the evaluation and of control differentiated, during the period of consumption of the productive resources. KEYWORDS: Costs; Accounting; Profits. 160 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA BACKER, Morton; JACOBSEN, Lyle E.. Contabilidade de custos: uma abordagem gerencial. 2. ed. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1974. BIO, Rodrigues Sérgio. Sistema de informação: um enfoque gerencial. São Paulo: Atlas, 1989. CONSELHO Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo. Curso Sobre Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 1992. CREPALDI, Silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 1998. ______. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. FIGUEREDO, Sandra; CAGGIANO, Paulo César. Controladoria: teoria e prática. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1997. HORNGREN, Charles T. Contabilidade de custos: um enfoque administrativo. São Paulo: Atlas 1986. LEONE, George S. Guerra. Curso de contabilidade de custos. São Paulo: Atlas 1997. ______. Guerra. Custos planejamento, implantação e controle. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ______. Curso de contabilidade de custos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1998. MATZ, Adolph; CURRY, Other; GEORGE, Frank W. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 1987. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 1997. 161 A IMPORTÂNCIA DA AUDITORIA INTERNA DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES Joseli Lopes de Oliveira Mariely Palhares Vilela Graduandas 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Érica Maria Arouca 162 RESUMO A Auditoria consiste num serviço ou departamento interno de uma entidade incumbido pela direção de efetuar verificações e de avaliar os sistemas e procedimentos da entidade, com vista a minimizar as probabilidades de fraudes, erros ou práticas ineficazes. A auditoria deve ser independente da organização e reportar diretamente à direção. Na aplicação dos testes de observância, o auditor devera verificar a existência, efetividade e continuidade dos controles internos. Os papéis de trabalho constituem a documentação preparada pelo auditor ou fornecida a este na execução da auditoria. Palavras-chave: Auditoria; controle; contabilidade. 1 INTRODUÇÃO A auditoria surgiu como parte da evolução do sistema capitalista. No início, as empresas eram fechadas e pertenciam a grupos familiares. Com a expansão do mercado e o acirramento da concorrência, houve a necessidade de a empresa ampliar suas instalações fabris e administrativas, investir no desenvolvimento tecnológico e aprimorar os controles e procedimentos internos em geral, principalmente visando à redução de custos e, portanto, tornando mais competitivos seus produtos no mercado. A aplicação dos procedimentos de auditoria deve ser realizada, em razão da complexidade e volume das operações, por meio de provas seletivas, testes e amostragens, cabendo ao auditor, com base na análise de riscos de auditoria e outros elementos de que dispuser, dos exames necessários à obtenção dos elementos de convicção que sejam válidos para o todo. Os principais objetivos de um auditor interno são: verificar a existência, a suficiência e a aplicação dos controles internos, bem como contribuir para o seu aperfeiçoamento; verificar se as normas internas estão a ser seguidas; verificar a necessidade de melhoramento das normas internas vigentes; avaliar a necessidade de novas normas internas; O auditor deve documentar todas as questões que foram consideradas importantes para proporcionar evidência, visando a fundamentar o parecer da auditoria 163 e comprovar que a auditoria foi executada de acordo com as Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis. 2 AUDITORIA INTERNA DO DESEMPENHO DE SUAS FUNÇÕES A Auditoria Interna é uma atividade de avaliação independente e de assessoramento da administração, voltada para o exame e avaliação da adequação, eficiência e eficácia dos sistemas de controle, bem como da qualidade do desempenho das áreas em relação às atribuições e aos planos, metas, objetivos e políticas definidos para as mesmas. A ação da Auditoria Interna estende-se por todos os serviços, programas, operações e controles existentes na entidade. De acordo com Mello (2007, p.02): O posicionamento da Auditoria Interna na organização deve ser suficientemente elevado para permitir-lhe o desempenho de suas responsabilidades com abrangência e independência. Em tese, o departamento de auditoria deve sempre estar vinculado ao nível mais alto da organização. A independência da Auditoria Interna visa a que possa desincumbir-se das responsabilidades, atribuições e tarefas atribuídas pelas normas, atos, decisões e solicitações dos colegiados e autoridades integrantes da diretoria da entidade. Com base no manual de auditoria (2007) a auditoria interna tem por missão básica, assessorar a Administração no desempenho de suas funções e responsabilidades, através do exame da: • adequação e eficácia dos controles; • integridade e confiabilidade das informações e registros; • integridade e confiabilidade dos sistemas estabelecidos para assegurar a observância das políticas, metas, planos, procedimentos, leis, normas e regulamentos e da sua efetiva utilização; • eficiência, eficácia e economicidade do desempenho e da utilização dos recursos; dos procedimentos e métodos para salvaguarda dos ativos e a comprovação de sua existência, assim como a exatidão dos ativos e passivos; e 164 • compatibilidade das operações e programas com os objetivos, planos e meios de execução estabelecidos. No site auditoria interna (2007) deve ser considerada os seguintes níveis de intervenção da Auditoria Interna: • Auditoria de regularidade ou de Contas; • Auditorias de Demonstrações Financeiras (ou contábil) e Tributária; • Auditoria Operacional; • Auditoria de Gestão; • Auditoria de Informática; • Auditorias Especiais Os auditores são responsáveis não só perante a administração da organização a que prestam serviços, mas também perante muitos usuários das atividades dessa organização. 3 CONTROLE INTERNO E OS ÓRGÃOS DA ATIVIDADE O controle interno é aquele que o executivo exerce sobre suas próprias atividades. Seu objetivo é assegurar a execução dessas atividades dentro dos princípios básicos da administração pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência). Esse controle trata do poder-dever de autocontrole a administração tem sobre seus próprios atos e agentes. Em cada órgão, a execução dos programas que lhe concernem e a observância das normas que disciplinam suas atividades são controladas pela Chefia competente. Segundo Almeida (2003, p.63): O controle interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa. Os dois primeiros objetivos representam controle contábeis e o último, controle administrativos. São exemplos contábeis: sistemas de conferência, aprovação e autorização; segregação de funções (pessoas que tem acesso aos registros contábeis não podem 165 custodiar ativos da empresa); controles físicos sobre ativos; auditoria interna. São exemplos de controles administrativos: análises estatísticas de lucratividade por linha produtos; controle de qualidade; treinamento de pessoal; estudos de tempo e movimentos; análise das variações entre os valores orçados e os incorridos; controle dos compromissos assumidos, mas ainda não realizados economicamente. Logo, o auditor deve somente avaliar os controles relacionados com estas demonstrações, que são, no caso, os controles contábeis. Evidentemente, se algum controle administrativo tiver influencia nos relatórios da contabilidade, o auditor deve considerar também a possibilidade de avaliá-lo. O custo do controle interno não deve exceder aos benefícios que dele se espera obter. Isso quer dizer que os controles mais sofisticados (normalmente mais onerosos) devem ser estabelecidos para transações de valores relevantes, enquanto os controles menos rígidos devem ser implantados para as transações menos importantes. Exemplificando, uma empresa poderia estabelecer os seguintes procedimentos para a área de compras, como é dado na tabela 1 abaixo: Tabela 1 - De Licitação Salarial VALOR PROCEDIMENTOS Até 1 salário mínimo Não necessita de licitação. De 2 a 10 salários mínimos Licitação por telefone com no mínimo dois fornecedores. Acima de 11 salários mínimos Licitação por meio de formulários próprios com no mínimo três fornecedores. Fonte: Site Ciset – MRE (2007, p.03) Devido aos pontos relatados, mesmo no caso de a empresa ter um excelente sistema de controle interno, o auditor deve executar procedimentos mínimos de auditoria. 166 4 PARECER DOS AUDITORES O Parecer dos Auditores Independentes, é o documento mediante o qual o auditor expressa sua opinião, de forma clara e objetiva, sobre as demonstrações contábeis por ele auditadas. De acordo com CFC (1999, p.42): Em condições normais, o parecer é dirigido aos acionistas, cotistas ou sócios, ao conselho de administração ou à diretoria da entidade, ou outro órgão equivalente, segundo a natureza deste. Em circunstâncias próprias, o parecer é dirigido ao contratante dos serviços. Como o auditor assume, através do parecer, responsabilidade técnico-profissional definida, inclusive de ordem pública, é indispensável que tal documento obedeça às características intrínsecas e extrínsecas, estabelecidas nas normas de auditoria. Conforme o site Manual de Auditoria (2007) existe quatro tipos de pareceres que o auditor utiliza para expressar uma opinião sobre a fidedignidade das demonstrações contábeis: a) Parecer sem Ressalva ou Limpo: quando o auditor considera que as demonstrações contábeis apresentam fidedignamente a situação reportada – posição patrimonial e financeira, resultado econômico das operações, mutações no patrimônio liquido e modificações na situação financeira. b) Parecer com Ressalva ou Qualificado: existem situações em que o auditor não tem condições de emitir um parecer limpo, em face de certas restrições quanto à adequada apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto. Existem três razões básicas para a emissão de um parecer com ressalva: afastamento dos princípios fundamentais de contabilidade; inconsistência na aplicação desses princípios; e limitação na extensão dos exames de auditoria. Quando o auditor não concordar com a fidedignidade das demonstrações contábeis, ele deve emitir um parecer com ressalva, esclarecendo criteriosamente os motivos que o levaram a tal decisão. Para tanto, o parecer incluirá um ou mais parágrafos intermediários. 167 c) Parecer com Abstenção de opinião: se o auditor não tiver evidencias suficientes para formar uma opinião acerca da fidedignidade das demonstrações contábeis, o parecer apropriado a ser emitido é do tipo “com abstenção de opinião”. Os pareceres com abstenção de opinião contem uma expressa declaração de que o auditor não deseja emitir uma opinião sobre a fidedignidade das demonstrações contábeis. O auditor, utilizando-se de parágrafo intermediário, deve esclarecer os motivos que o levaram a abster-se de opinar. Os motivos que normalmente levam o auditor a emitir um parecer com abstenção de opinião são incluídos na seguinte lista: limitação na extensão dos exames; incerteza ou contingência muito relevante, que possa afetar consideravelmente as demonstrações contábeis; sistema de controles internos deficiente; e demonstrações contábeis não aditadas. d) Parecer adverso: uma opinião adversa significa que o auditor considera que as demonstrações contábeis não representam, adequadamente, a posição patrimonial e financeira, o resultado do exercício, as mutações do patrimônio liquido e as modificações ocorridas na situação financeira, de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade. É obvio que uma opinião adversa tem um considerável efeito negativo junto aos usuários das demonstrações contábeis. Tal opinião somente é emitida depois de esgotados todos os meios para convencer o cliente a ajustar suas demonstrações contábeis, de forma a aderir integralmente aos princípios de contabilidade. 5 PAPÉIS DE TRABALHO DO PROFISSIONAL AUDITOR O auditor deve registrar nos papéis de trabalho informação relativa ao planejamento de auditoria, a natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos aplicados, os resultados obtidos e suas conclusões da evidência da auditoria. Conforme Instituto dos Auditores Internos do Brasil (1992, p. 162): Os papéis de trabalho devem incluir o juízo do auditor acerca de todas as questões significativas, juntamente com a conclusão a que chegou. Nas áreas que envolvem questões de princípio ou de julgamento difícil, os papéis de trabalho devem registrar os fatos pertinentes que eram do conhecimento do auditor no momento em que chegou às suas conclusões. 168 A extensão dos papéis de trabalho é assunto de julgamento profissional, visto que não é necessário nem prático documentar todas as questões de que o auditor trata; entretanto, qualquer matéria que, por ser relevante, possa influir sobre o seu parecer, deve gerar papéis de trabalho que apresentem as indagações e conclusões do auditor. Ao avaliar a extensão dos papéis de trabalho, o auditor deve considerar o que seria necessário para proporcionar a outro auditor, sem experiência anterior com aquela auditoria, o entendimento do trabalho executado e a base para as principais decisões tomadas, sem adentrar os aspectos detalhados da auditoria. É possível que esse outro auditor somente possa entender os fatos analisados pela auditoria discutindo-os com os auditores que preparam os papéis de trabalho. Os papéis de trabalho são elaborados, estruturados e organizados para atender às circunstâncias do trabalho e satisfazer as necessidades do auditor para cada auditoria. Segundo o site portal de contabilidade (2007, p.05): Os principais objetivos dos papéis de trabalho são: atender às normas de auditoria geralmente aceitas; acumular as provas necessárias para suportar o parecer do auditor; auxiliar o auditor durante a execução do seu trabalho; facilitar a revisão dos trabalhos por parte do supervisor responsável; servir como base para avaliação dos auditores; ajudar no trabalho da próxima auditoria. Os papéis de trabalho padronizados podem melhorar a eficácia dos trabalhos, e sua utilização facilita a delegação de tarefas, proporcionando meio adicional de controle de qualidade. Entre os papéis de trabalho padronizados encontram-se, além de outros: listas de verificação de procedimentos, cartas de confirmação de saldos, termos de inspeções físicas de caixa, de estoques e de outros ativos. O auditor pode usar quaisquer documentos e demonstrações preparadas ou fornecidas pela entidade, desde que avalie sua consistência e se satisfaça com sua forma e conteúdo. No caso de auditorias realizadas em vários períodos consecutivos, alguns papéis de trabalho, desde que sejam atualizados, podem ser reutilizados, 169 diferentemente daqueles que contêm informações sobre a auditoria de um único período. Nos papéis de trabalho devem constar os seguintes dados de identificação: referências através de sistema alfanumérico; a letra representado o título da atividade auditada, grupo ou subgrupo de contas do balanço patrimonial, orçamento, licitações, etc.; a parte numérica representando a ordem seqüencial dentro de cada seção, grupo ou subgrupo; o último papel de trabalho de cada seção, grupo ou subgrupo deverá conter a observação "última folha arquivada"; devem ser feitas em lápis de cor vermelha. Conforme o site Notadez (2007) o auditor deve registrar nos papéis de trabalho informação relativa ao planejamento de auditoria, a natureza, a oportunidade e a extensão dos procedimentos aplicados, os resultados obtidos e as suas conclusões da evidência da auditoria. Os papéis de trabalho devem incluir o juízo do auditor acerca de todas as questões significativas, juntamente com a conclusão a que chegou, inclusive nas áreas que envolvem questões de difícil julgamento. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Quando o auditor inicia suas tarefas de averiguação, a maior parte da tarefa do contador terá sido completada na empresa. Para o auditor cabe o trabalho de dar sua sugestão se as demonstrações contábeis e as operações internas simulam ou não as conseqüência das operações da entidade. A fim de fazê-lo, ele começa com o produto do trabalho do contador as demonstrações contábeis, que ele então revisa, para opinar sobre sua precisão e lealdade. Caso o auditor, durante a revisão analítica, não obtiver informações objetivas para dirimir as questões suscitadas, deve efetuar verificações adicionais, aplicando novos procedimentos de auditoria, até alcançar conclusões satisfatórias. O desígnio fundamental do auditor é dar um julgamento sobre as demonstrações financeiras auditadas. Conforme demonstrado, não basta ter somente 170 alguns bons controles internos. É necessário sempre está atualizando-os e adaptandoos à realidade. A auditoria tem um papel de extrema importância na avaliação permanente dentro das organizações; tem ainda um papel decisivo na prevenção e apuração das demonstrações contábeis nas empresas. ABSTRACT The audit is an internal service department or an entity responsible for the direction of making checks and to evaluate the systems and procedures of the entity in order to minimize the likelihood of fraud, errors or practices ineffective. The audit must be independent of the organization and report directly to the director. In applying the tests of compliance, the auditor should verify the existence, effectiveness and continuity of internal controls. Working papers are the documentation prepared by the auditor or provided to this in the implementation of the audit. KEYWORDS: Audit; Control; Accounting. 171 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AUDIBRA - Instituto dos Auditores Internos do Brasil. Procedimentos de auditoria interna: organização básica. São Paulo: Biblioteca Técnica de Auditoria Interna, 1992. ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 6º ed. São Paulo: Atlas. 2003 CONSELHO Federal de Contabilidade - CFC. Princípios fundamentais de contabilidade e normas brasileiras de contabilidade. Brasília: CFC, 1999. CISET – MRE. Um estudo sobre os dispositivos, instrumentos e sistemas de controle. Disponível em: http://www2.mre.gov.br/ciset/conceito.htm. Acesso em 27 set 2007. DÓRO, Antônio Carlos. Notadez. Disponível em: http://www.notadez.com.br/content/normas.asp?id=10111. Acesso em 27 set. 2007. MANUAL de Auditoria. Procedimentos de auditoria. Disponível em http://www.financas.rj.gov.br/instituicao/orgaos/age/textos_estudos/volume1/parte5/010. shtml. Acesso em 27 set. 2007. MELLO, Agostinho de Oliveira, Auditoria Interna. Disponível em: http://www.auditoriainterna.com.br/conceitos.htm, Acesso em 01 jul. 2007. PORTAL de Contabilidade. Papéis de trabalho e documentação da auditoria. Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/t1102.htm. Acesso em 27 set 2007. 172 CONTRIBUIÇÃO DA AUDITORIA INDEPENDENTE NA MELHORIA DA QUALIDADE DAS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS Leila Pitaro Guimarães Nilson Luiz da Silva Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete 173 RESUMO A evidenciação está diretamente associada aos usuários das demonstrações contábeis. Segundo alguns autores, a quantidade de informações a serem fornecidas depende do grau de necessidade desses usuários. Essa consideração é importante, entretanto, de maneira generalizada, os diversos organismos de regulamentação contábil, consideram um conjunto mínimo de informações necessárias para seus usuários, independente de suas necessidades. PALAVRAS CHAVE: Contribuição; Auditoria; Informações Financeiras. 1 INTRODUÇÃO Este artigo pretende abordar, de maneira estruturada, a divulgação das informações, principalmente, aos usuários externos à empresa. Para tais usuários, o papel do parecer da auditoria independente assume grande importância, atestando a adequada utilização dos princípios de contabilidade geralmente aceitos. 2 CONTRIBUIÇÃO DA AUDITORIA INDEPENDENTE NA MELHORIA DA QUALIDADE DAS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS A função da auditoria independente é muito importante ao mercado de capitais e a todos os usuários das demonstrações contábeis auditadas para suportar determinadas transações e decisões, pela confiança que gera à todo processo, quanto a qualidade das informações prestadas. A credibilidade e importância devem a diversos fatores, entre os quais se destaca, conforme Boyton & Kell (1995: 35–36): Conflito de interesses: Muitos usuários das demonstrações contábeis estão preocupados com o atual ou potencial conflito de interesses entre eles e a administração da entidade. Esta preocupação estende-se ao receio de que tais demonstrações e as informações adicionais preparadas pela administração possam ser intencionalmente 174 enviesadas em favor da administração. Conflitos de interesses podem também existir entre as diferentes classes de seus usuários, como credores e acionistas. Assim, os usuários procuram obter, através dos acionistas, a certeza de que a informação está: (1) livre de viés da administração; (2) neutra com respeito a vários grupos de usuários, isto é, a informação não é apresentada de forma que favoreça um grupo de usuários em detrimento a outro. Conseqüência: Demonstrações contábeis publicadas representam uma importante e, em alguns casos, a única fonte de informações utilizadas na execução de significativos investimentos, empréstimos e outras decisões. Assim sendo, os usuários querem que essas demonstrações contenham o máximo possível de informações relevantes. Em função das conseqüências econômicas, sociais e outras, provenientes de suas decisões, os usuários procuram os auditores independentes para obtenção da segurança de que estas demonstrações contábeis foram preparadas de acordo com os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos, incluindo todas as divulgações apropriadas. Complexidade: Tanto a contabilidade como o processo de preparação das demonstrações financeiras tem se tornado incrivelmente complexo. As normas de contabilização e divulgação de leasing, pensões, imposto de renda e lucro por ação são exemplos deste fato. Assim como o nível de complexidade aumenta, também aumenta o risco de interpretações errôneas e erros não intencionais. Afastamento: Distância, tempo e custo tornam impraticável para a maioria dos usuários interessados em demonstrações contábeis o acesso direto aos registros contábeis subjacentes para executar suas próprias verificações das afirmações contidas em tais demonstrações. É preferível aceitar a qualidade dos dados financeiros, uma vez que, novamente, os usuários confiam na independência do relatório do auditor para suprir suas necessidades. 175 3 SITUAÇÃO ATUAL DAS INFORMAÇÕES AUDITADAS O auditor, contudo, está exposto a questões de litígios, mesmo quando executados seus exames em conformidade com as normas de auditoria e opinião adequada em relação às demonstrações contábeis. Kanitz & Matarazzo (1974; p. 58): Em adição ao risco de auditoria, o auditor também está exposto a perdas ou danos a sua prática profissional decorrente de litígios, publicidades adversas, ou outros eventos que surgem em conexão com as demonstrações contábeis que foram por ele auditadas e sobre as quais emitiu-se uma opinião. Esta exposição está presente mesmo quando o auditor executou seus exames de acordo com as normas de auditoria geralmente aceitas e emitiu uma opinião adequada com relação às demonstrações contábeis. Gelbcke (1997; p. 36) observa que nos exterior, litígios e processos contra empresas de auditoria têm crescido consideravelmente. Em 1992, havia mais de 4.000 processos pendentes totalizando mais de trinta bilhões de dólares, e os custos totais das, então, big six com litígios pagos, advogados e prêmios de seguro foi de US$ 600 milhões, isto é, 11% da receita total, representando a maior despesa da empresa, exceto com salários. Cabe ressaltar que uma parcela significativa desses processos está relacionada à política de deep pockets, uma vez que, sobre o faturamento, as empresas de auditoria que atuam nos Estados Unidos depositam um percentual para um fundo de reserva destinado a ressarcir as partes que foram de alguma forma, prejudicadas em conseqüência dos trabalhos e opiniões emitidas sob sua responsabilidade. Considerando o fenômeno da globalização, onde as empresas possuem investimentos e atuam, nos diversos países do planeta, a disponibilidade de informações precisas em tempo real tem papel preponderante na credibilidade das informações Evidências recentes, como as crises econômicas da Rússia e dos países do sudeste asiático, demonstram um grau de fragilidade nos sistema de controle e de informações. Nesta oportunidade, o Banco Mundial aconselhou as empresas de auditoria a exigirem as demonstrações contábeis em conformidade com as normas 176 internacionais de contabilidade, e não as locais, a fim de propiciar a transparência das informações divulgadas pelas empresas. A ampliação do espaço geográfico e o aumento da competitividade das operações nos dão à dimensão da importância do papel da evidenciação das informações contábeis de maneira adequada. Neste contexto, a auditoria assume relevante papel na contribuição para o fornecimento de tais informações, Dessa forma pode-se afirmar que é necessária uma supervisão além das que são adotadas pela auditoria tradicional, com o objetivo de reduzir os riscos e aumentar a qualidade e transparência das informações para os tomadores de decisão, evitando perdas relevantes. Para manter e aumentar a credibilidade das informações apresentadas pelos gestores das empresas, o auditor deve explorar as oportunidades em agregar valor em todas as áreas do processo decisório das empresas, de forma a garantir a asseveração e a transparência das informações divulgadas aos seus usuários, internos ou externos, para a tomada de decisão. Além dos serviços a emissão de parecer acerca das demonstrações contábeis de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos, a figura do auditor é, pela suas características, o profissional mais indicado para emitir parecer aos diversos tipos de usuários quanto a: mensuração de desempenho, comércio eletrônico, avaliação de riscos, confiabilidade nos sistemas, melhoria operacional e de lucratividade, bencmarkirg, nível de prestação de contas de órgão governamentais, controle interno, auditoria interna, compliance, qualidade dos produtos, questões ambientais, fusões, aquisições, emissão de títulos, entre outros. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A complexidade das informações, aliada à outros fatores como a atuação das empresas em vários mercados, contínuas e rápidas alterações em processos e ambientes nos quais as empresas estão inseridas fez com que empresas de auditoria procurassem novas formas de atuação a fim de cumprir o seu papel específico. 177 As empresas de auditoria, assim, visando atender a essas necessidades dos tomadores de decisão, passaram a oferecer diversos tipos de serviços, além das auditorias das demonstrações contábeis anuais ou semestrais, em casos de instituições financeiras, expandindo seu campo de atuação, como mostra a figura abaixo, mantendo-se a independência e a objetividade para atender a necessidades dos diversos tipos de usuários, não apenas os credores e investidores. ABSTRACT The evidenciação is directly associated the users of the accounting demonstrations. As some authors, the amount of information to be supplied depends on the degree of those users' need. That consideration is important, however, in a widespread way, the several organisms of accounting regulation, consider a minimum group of necessary information for their users, independent of their needs. WORDS KEY: Contribution; Auditing; Financial Information. 178 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA BOYTON, Willian C.; KELL, Walter G. Auditoria moderna. 6. ed.. São Paulo: Átlas, 1996. DOWNES, Jonh., GOODMAN, Jordan Eliott. Dicionário de termos financeiros e de investimento. São Paulo: Nobel, 1993. FRANCO & MARRA. Auditoria contábil. 3. ed.. São Paulo: Atlas, 2000. GELBCKE, Ernesto Rubens. Auditoria: os riscos profissionais e a complexidade dos novos ambientes. São Paulo: Águas de Lindóia, 1997. KANITZ, Stephen C., MATARAZZO, Dante. Análise de balanços: material direcionado ao programa de treinamento para pessoal de alto nível do setor elétrico brasileiro. São Paulo: Atlas, 1974. SILVA NETO, Lauro de Araújo. Derivativos: definições, emprego e riscos. São Paulo: Atlas, 1997. 179 BIODISEL ENERGIA RENOVÁVEL NO CONTEXTO SOCIAL E NA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL Luiz Agostini Rozilda Delidia Batista Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Ms. Márcia Donizeth Prete 180 RESUMO O uso energético de óleos vegetais no Brasil foi proposto em 1975, originando o Próóleo – Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos. Seu objetivo era gerar um excedente de óleo vegetal capaz de tornar seu custo de produção competitivo com os do petróleo. O cultivo de matérias-primas e a produção industrial de biodiesel, ou seja, a cadeia produtiva do biodiesel tem grande potencial de geração de empregos, promovendo, dessa forma, a inclusão social, especialmente quando se considera o amplo potencial produtivo. No Semi-Árido brasileiro e na região Norte, a inclusão social é ainda mais premente. Os agricultores também tem acesso a linhas de crédito do Pronaf, por meio dos bancos que operam com este programas, assim como acesso à assistência técnica, fornecida pelas próprias empresas detentoras do Selo Combustível Social. O Biodisel é um combustível Biodegradável derivado de fontes renováveis. O óleo diesel é derivado de Biomassa renovável se tornando desta forma a revolução do futuro em energia. Palavras-Chave: Óleos; Vegetal; Biodiesel. 1 INTRODUÇÃO A partir de 1980 iniciam-se as pesquisas de matéria-prima para se extrair óleos e incorporar o diesel, e criar se assim o biodisel. Em 1993 no Estado da Bahia criou-se uma planta piloto que foi financiada pela Agencia Nacional de Energia Elétrica com apoio da Nordeste Generetion Secti/Faberp. Foi aprovado o projeto que iria dimensionar, e projetar, operar uma planta otimizada em escala piloto, para produção de biodisel a partes de gorduras residuais (OGR) e/ ou óleos vegetais in natura, particularmente, óleo de dendê, mamona, soja, algodão, girassol, etc, com capacidade de 5.000.000 litros por ano, podendo ser ampliada. De acordo com Sachs (2007, p.01) Faz uma alerta para a (febre aguda) do etanol, no país a bioenergia não pode ser limitada ao etanol derivado da cana de açúcar, hoje o Brasil tem uma competitividade enorme, mas, para que sejam mantidas no futuro, outras bioenergia não pode ser omitida, diz no curto prazo, outras fontes de energia sustentável viáveis incluem o biodiesel, o etanol celulósico e a energia a lenha. Para o Eco-socio-economistas, o boom da agroenergia deve ser acompanhado com cuidado. 181 A alta do preço do petróleo reaqueceu o mercado do biodiesel no Brasil. O clima favorável, a abundância de terras agrícolas e de biodiversidade aponta que o caminho do desenvolvimento do Brasil está no campo, e, além disso, ele revela que centenas de plantas brasileiras são desconhecidas, destaca que o país deveria investir mais em pesquisas para potencializar estas vantagens. 2 HISTÓRIA DO BIODIESEL Em 1859 foi descoberto petróleo na Pennsylvania tendo sido utilizado principalmente para produção de querosene de iluminação. Segundo o Biodiselbr (2007, p.02) é relatado que: “Durante a Exposição Mundial de Paris, em 1900, um motor diesel foi apresentado ao público funcionando com óleo de amendoim. Os primeiros motores tipo diesel eram de injeção indireta”. De acordo com o site Biodiselbr (2007), cita-se que: (...) o combustível especificado como "óleo diesel" somente surgiu com o advento dos motores diesel de injeção direta, sem pré-câmara. A disseminação desses motores se deu na década de 50, com a forte motivação de rendimento muito maior, resultando em baixos consumos de combustível. Além dos baixos níveis de consumos específicos, os motores diesel modernos, produzem emissões, de certa forma aceitáveis, dentro de padrões estabelecidos. Historicamente, o uso direto de óleos vegetais como combustível foi rapidamente superado pelo uso de óleo diesel derivado de petróleo por fatores tanto econômicos quanto técnicos. Àquela época, os aspectos ambientais, que hoje privilegiam os combustíveis renováveis como o óleo vegetal, não fora considerado importantes. Biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos tais como o craqueamento, a esterificação ou pela transesterificação. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como mamona, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras. 182 O Biodisel substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores ciclodiesel automotivos (de caminhões, tratores, camionetas, automóveis, etc) ou estacionários (geradores de eletricidade, calor, etc). Pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções. A mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B2 e assim sucessivamente, até o biodiesel puro, denominado B100. Conforme é citado no site O Biodiesel (2007, p.01): Biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil. A transesterificação é processo mais utilizada atualmente para a produção de biodiesel. Consiste numa reação química dos óleos vegetais ou gorduras animais com o álcool comum (etanol) ou o metanol, estimulada por um catalisador, da qual também se extrai a glicerina, produto com aplicações diversas na indústria química. Além da glicerina, a cadeia produtiva do biodiesel gera uma série de outros co-produtos (torta, farelo etc.) que podem agregar valor e se constituir em outras fontes de renda importantes para os produtores. O programa visa apoiar a produção, a comercialização e o uso do biodiesel como fonte de energia renovável e atividade geradora de emprego e renda. A assistência ao setor produtivo será feita por meio da disponibilização de linhas de financiamento de custeio, investimento e comercialização, colaborando para a expansão do processamento de biodiesel no país, a partir do incentivo à produção de matéria-prima, à instalação de plantas agroindustriais e à comercialização. O Programa beneficiará os diversos componentes da cadeia produtiva do biodiesel de forma sistêmica: a) Na produção agrícola, com linhas de crédito de custeio, investimento e comercialização, disponíveis para financiamento ao produtor rural familiar e empresarial. b) Na industrialização: BNDES Biodiesel, Pronaf Agroindústria, Prodecoop, Crédito Agroindustrial (aquisição de matéria-prima), além das linhas disponíveis para o setor industrial. 183 Hoje, 10% do diesel consumido no Brasil são importados. Este combustível, utilizado principalmente no transporte de passageiros e de cargas, é o mais utilizado no país, com comercialização anual da ordem de 38,2 bilhões de litros, o que corresponde a 57,7% do consumo nacional de combustíveis veiculares. Segundo Ching (2007, p.27) O biodiesel permite a economia de divisas com a importação de petróleo e óleo diesel, trata-se de uma vantagem estratégica ao reduzir a dependência das importações de petróleo. Esse combustível renovável terá impacto na balança comercial brasileira por permitir a redução da importação de óleo diesel. O uso comercial do B2 (mistura de 2% do biodiesel ao diesel) cria um mercado potencial para a comercialização de 800 milhões de litros de biodiesel/ano, o que representa uma economia anual da ordem de US$ 160 milhões na importação de diesel. O Brasil apresenta reais condições para se tornar um dos maiores produtores de biodiesel do mundo por dispor de solo e clima adequados ao cultivo de oleaginosas. Assim, além de assegurar o suprimento interno, o biodiesel produzido no Brasil tem grande potencial de exportação. Este combustível já é utilizado comercialmente nos Estados Unidos e em países da União Européia. A Alemanha é responsável por mais da metade da produção européia de combustíveis e já conta com centenas de postos que vendem o biodiesel puro (B100), com plena garantia dos fabricantes de veículos. O total produzido na Europa já ultrapassa 1 bilhão de litros por ano, tendo crescido à taxa anual de 30% entre 1998 e 2002. A União Européia definiu meta de que até 2005, 2% dos combustíveis consumidos devem ser renováveis. Em 2010, de acordo com a diretiva 30 do Parlamento Europeu, de maio de 2003, este percentual deve ser de 5,75%. Entretanto, o continente tem restrições quanto à área de cultivo disponível para oleaginosas e a capacidade industrial, o que abre oportunidades ao Brasil para exportar seu combustível. Em médio prazo, o biodiesel pode tornar-se importante fonte de divisas para o País, somando-se ao álcool como combustível renovável que o Brasil pode e deve oferecer à comunidade mundial. 184 3 DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E NO MEIO AMBIENTE O Brasil desenvolve pesquisas sobre biodiesel há quase meio século e foi um dos pioneiros ao registrar a primeira patente sobre o processo de produção de combustível, em 1980. Pode-se dizer que o País já dispõe de conhecimento tecnológico suficiente para iniciar e impulsionar a produção de biodiesel em escala comercial, embora deva continuar avançando nas pesquisas e testes sobre esse combustível, como, aliás, se deve avançar em todas as áreas tecnológicas, de forma a ampliar a competitividade do produto. Em resumo, é só usar e aperfeiçoar o que já temos. O objetivo relevante da rede é a identificação, eliminação de gargalos tecnológicos que venham a surgir durante a evolução do Programa Nacional em questão, o que será feito por meio de constante pesquisa e desenvolvimento tecnológico realizados no âmbito de parcerias entre instituições de P&D e o setor produtivo. De acordo com o site O Biodisel (2007, p.01): No decorrer de 2003 e 2004, foram elaborados projetos em parceria com 23 Estados, os quais firmaram entre si um Acordo de Cooperação. Este trabalho permitiu o mapeamento da competência instalada no país, servindo como base para a estruturação e implantação da Rede. A execução dos projetos e demais atividades no âmbito da Rede contam R$ 12 milhões dos Fundos Setoriais de C&T alocados em 2003 e 2004. Estão sendo pleiteados novos recursos em 2005. Ressalta-se ainda que todos os Estados entraram com contrapartida. Segundo o site O Biodisel (2007) cita que: As ações nas demais áreas contemplam o seguinte: 1. Programa de testes e ensaios com motores no sentido de avaliar a viabilidade do aumento gradativo da mistura do biodiesel ao diesel. 2. Desenvolvimento (otimização) de tecnologia para produção de biodiesel em laboratório e em escalas adequadas às produções locais de óleo, de forma a garantir qualidade e economicidade. 3. Destino e uso dos co-produtos (glicerina, torta, farelo etc.) para que seja garantida a agregação de valor e criadas outras fontes de renda para os produtores. 4. Caracterização e controle de qualidade do combustível. Caracterização do óleo in natura, dos combustíveis oriundos de diversas matérias-primas e suas misturas, com análise da qualidade segundo critérios e normas estabelecidos. 185 Desenvolvimento de metodologias para análise e controle de qualidade, visando praticidade e economicidade. 5. Critérios e formas de armazenamento do biodiesel e das misturas (biodiesel & diesel), visando ao alcance das condições ideais de condicionamento do produto. Estudos quanto ao período de armazenamento e à necessidade de uso de aditivos. 6. Estruturação de laboratórios e formação de RH, relevantes para atendimento às demandas do mercado de biodiesel – quanto ao suporte técnico à produção, controle de qualidade do combustível produzido e mão-de-obra especializada – cuja produção deverá ocorrer em plantas instaladas de forma dispersa no território nacional. Estudos indicam os males do efeito estufa e o uso de combustíveis de origem fóssil tem sido apontado como o principal responsável por isso. Melhorar as condições ambientais, sobretudo nos grandes centros metropolitanos, significa também melhorar a qualidade de vida da população e evitar gastos dos governos e dos cidadãos no combate aos males da poluição. A Comunidade Européia, os Estados Unidos e diversos outros países vêm estimulando a substituição do petróleo por combustíveis de fontes renováveis, incluindo principalmente o biodiesel, diante de sua expressiva capacidade de redução da emissão de poluentes e de diversos gases causadores do efeito estufa. A atenção ao meio ambiente é uma das formas mais eficazes de projetar o nome de um país no cenário internacional, diante da visibilidade e da importância crescente do tema ambiental. Além disso, a produção de biodiesel possibilita pleitear financiamentos internacionais em condições favorecidas, no mercado de créditos de carbono, sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previstas no Protocolo de Quioto. 4 SELO COMBUSTÍVEL SOCIAL Além das vantagens econômicas e ambientais, há o aspecto social, de 186 fundamental importância, sobretudo em se considerando a possibilidade de conciliar sinergicamente todas essas potencialidades. Conforme o site energia.ufba (2007, p.01) A área plantada necessária para atender ao percentual de mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é estimada em 1,5 milhão de hectares, o que equivale a 1% dos 150 milhões de hectares plantados e disponíveis para agricultura no Brasil. Este número não inclui as regiões ocupadas por pastagens e florestas. As regras permitem a produção a partir de diferentes oleaginosas e rotas tecnológicas, possibilitando a participação do agronegócio e da agricultura familiar. O cultivo de matérias-primas e a produção industrial de biodiesel, ou seja, a cadeia produtiva do biodiesel tem grande potencial de geração de empregos, promovendo, dessa forma, a inclusão social, especialmente quando se considera o amplo potencial produtivo da agricultura familiar. No Semi-Árido brasileiro e na região Norte, a inclusão social é ainda mais premente. Para estimular ainda mais esse processo, o Governo Federal lançou o Selo Combustível Social, um conjunto de medidas específicas visando estimular a inclusão social da agricultura, nessa importante cadeia produtiva, conforme Instrução Normativa no. 01, de 05 de julho de 2005. Em 30 de Setembro de 2005, o MDA publicou a Instrução Normativa no. 02 para projetos de biodiesel com perspectivas de consolidarem-se como empreendimentos aptos ao selo combustível social. O enquadramento social de projetos ou empresas produtoras de biodiesel permite acesso a melhores condições de financiamento junto ao BNDES e outras instituições financeiras, além dar direito de concorrência em leilões de compra de biodiesel. As indústrias produtoras também terão direito a desoneração de alguns tributos, mas deverão garantir a compra da matéria-prima, preços pré-estabelecidos, oferecendo segurança aos agricultores familiares. Há, ainda, possibilidade dos agricultores familiares participarem como sócios ou quotistas das indústrias extratoras de óleo ou de produção de biodiesel, seja de forma direta, seja por meio de associações ou cooperativas de produtores. Os agricultores familiares também terão acesso à linhas de crédito do Pronaf, por meio dos bancos que operam com esse Programa, assim como acesso à assistência técnica, fornecido pelas próprias empresas detentoras do Selo Combustível Social, com apoio do MDA por meio de parceiros públicos e privados. Na safra 20052006 os agricultores familiares que desejarem participar da cadeia produtiva do 187 biodiesel têm à disposição uma linha de crédito adicional do Pronaf para o cultivo de oleaginosas. Com isso, o produtor terá uma possibilidade a mais de gerar renda, sem deixar a atividade principal de plantio de alimentos. Essa nova linha vai viabilizar a safrinha. Os agricultores manterão suas produções de milho e mandioca, por exemplo, e na safrinha farão o plantio de oleaginosas. O limite de crédito e as condições do financiamento seguem as mesmas regras do grupo do Pronaf em que o agricultor estiver enquadrado. 5 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Após ver o mercado de suínos caminharem ladeira abaixo e o preço do milho morro acima, o produtor João Paulo Muniz de Caconde, de São Paulo, tomou uma decisão ousada. Comprou um biodigestor para dar destino aos desejos dos porcos de sua fazendola e tentar fazer alguma economia. Dos restos produzidos de seus 2.250 animais, responsáveis por um severo passivo ecológico, ele fez dinheiro. Com o auxilio do equipamento, ele passou a produzir gás metano e deixou de gastar 100 botijões ao mês, numa economia de R$ 3 mil. Não bastasse, ele passou a produzir seu próprio biofertilizante, que aduba a plantação de milho. O tamanho da economia? R$ 40 mil por safra. Conforme a Revista Cultivar (2007): Com um fertilizante de mais qualidade a produtividade subiu e nunca mais precisou comprar milho fora. “O milho alimentou os porcos, que, entre outras coisas, viram torresmos”, diz. A gordura que sobra desse processo, ele “transforma” em H100, ou seja, um óleo 100% vegetal que abastece não só os seus tratores, mas sua caminhonetes Mitshubishi 1.200 ano 2005. “E o motor roda macio, macio” , garante. Em suas contas, são menos dois mil litros de óleo a R$ 1,80, o que corresponde a menos R4 3.600 de despesas com combustível.”Claro que eu tenho um custo para comparar, ate porque a própria energia da propriedade é 50 % fornecida pelo gás que produzimos”, informa. E tudo isso em apenas um ano e dez meses. “Quando eu falo isso para as pessoas, fico tão assustado quanto elas”. 188 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se afirmar com convicção que o biodiesel, será a revolução do futuro, no contexto de: efeito estufa, por não poluir o meio ambiente, fonte inesgotável e renovável de matéria prima e principalmente, porque o Brasil possui todas as condições climáticas e territoriais favoráveis para sua produção de baixo custo, tornando desta forma um produto acessível no mercado competitivo internacional, propiciando divisas para o país. Além de vantagens econômicas e ambientais o biodiesel tem um aspecto social muito forte, produzindo empregos na área agrícola no desenvolvimento tecnológico industrial, seja de forma direta ou por meio de associações ou cooperativas de produtores. ABSTRACT The energy use of vegetable oils in Brazil was proposed in 1975, causing the oil-ProPlan Production of Vegetable Oils for Energy Fins. His goal was generating a surplus of vegetable oil capable of making their cost of production competitive with oil. The cultivation of raw materials and industrial production of biodiesel, which is the production chain of biodiesel has great potential to generate jobs, promoting thus social inclusion, especially when considering the large production potential. In Semi-Árido Brazilian and in the North, social inclusion is even more pressing. Farmers also have access to lines of credit of Pronaf, through banks that operate with the programs, as well as access to the technical assistance provided by the companies themselves hold the Seal Fuel Social. The Biodisel is a fuel Biodegradável derived from renewable sources. The diesel oil is derived from renewable biomass thus becoming the revolution of the future in energy. KEYWORDS: Oil; Vegetable; Biodiesel. 189 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS CHING, Wang Hsiu. Revista Bio Diesel. Rio de Janeiro. Varela, 2007. DINHEIRO Rural. Especial Publieditorial. SEBRAE parte integrante da revista Dinheiro Rural NP 030. HISTÓRIA do Biodisel, Biodisel Brasil. Disponível: http://www.biodieselbr.com/biodiesel/historia/biodiesel-historia.htm. Acesso 09 jun. 2007. INFORMATIVO Grupo Cultivar. Revista Cultivar. Disponível: http://www.revistacultivar.com.br. Acesso 04 abr. 2007. O BIOSIDEL. Biodisel. Disponível: http://www.biodiesel.gov.br. Acesso 13 jun. 2007. PLANTAÇÃO Piloto. Energia Universal. Disponível: html://www.energia.ufba.br/apresentacao/plantapiloto.htm. Acesso 03 abr. 2007. 190 ÉTICA CONTÁBIL: UM PENSAMENTO EMPRESARIAL Gilmar Ferreira Domingues Manasses Antônio da Silva Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete 191 RESUMO A Ética é a ciência vinculada a julgamento de apreciação moral, sobre juízos de valores amarrados à distinção entre o bem e o mal. Ela é um valor de primeira grandeza para o profissional. Nunca o contabilista deve abrir mão de certos princípios, como a honestidade e a transparência. O problema é o que fazer para manter tais princípios. É necessário desenvolver uma boa estratégia para garantir a manutenção da ética. PALAVRAS CHAVE: Ética; Profissão; Contadores. 1 INTRODUÇÃO A ética é a ciência que estuda a conduta dos seres humanos, analisando os meios que devem ser empregados para que a referida conduta se reverta sempre em favor do homem. De acordo com Vasquez (1995, p. 12) a ética "é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, ou seja, é a ciência de uma forma específica de comportamento humano". A ética é indispensável ao profissional, porque na ação humana "o fazer" e "o agir" estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão, ou seja, ético é todo profissional que tem como meta sentir-se íntegro e pleno da alegria de viver. Convicto de que todos os demais podem se sentir assim também. Cultiva o pensamento cooperativo. Tem um profundo e inabalável respeito pelos acordos firmados. A ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, "o agir" da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: "o que é o homem” e “para que vive", logo toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p. 69) 192 A ética está relacionada à opção, ao desejo de realizar a vida, mantendo com as outras relações justas e aceitáveis. Via de regra está fundamentada nas idéias do bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa existência plena e feliz. Hoje, mais do que nunca, a atitude dos profissionais em relação às questões éticas pode ser o seu diferencial no mercado. 2 ÉTICA PROFISSIONAL CONTÁBIL O profissional contábil é aquele cuja atividade, basicamente, é a prestação de serviços, tendo como função à de fornecer informações e avaliações, principalmente as de natureza física, financeira e econômica sobre o patrimônio das pessoas físicas ou jurídicas de qualquer natureza e que objetivam auxiliar no processo de tomada de decisões e inferências sobre as tendências futuras dessas entidades. De acordo com Fortes (2002, p. 108): Os contabilistas, como classe profissional, caracterizam-se pela natureza e homogeneidade do trabalho executado, pelo tipo e características do conhecimento, habilidades técnicas e habilitação legal exigidos para o seu exercício da atividade contábil. Portanto, os profissionais da contabilidade representam um grupo específico com especialização no conhecimento da sua área, sendo uma força viva na sociedade, vinculada a uma grande responsabilidade econômica e social, sobretudo na mensuração, controle e gestão do patrimônio das pessoas e entidades. O papel do contador na sociedade é, a cada dia, mais relevante. A contabilidade não é somente registrar e controlar fatos administrativos, gerar guias e escriturar livros como a maioria das pessoas pensa. Ao conhecer profundamente a empresa, o profissional contábil é chamado constantemente a não apenas evidenciar o que já aconteceu; é chamado sim a dar sua opinião sobre o futuro da empresa, respondendo à pergunta: que caminho seguir agora? Sendo assim, o contador é peça fundamental para a sobrevivência das empresas, subsidiando as tomadas de decisões. Revela-se, no concurso para a continuidade das entidades, seu papel social, sendo na colaboração de manutenção dos empregos e até criação de novos, como na geração de bem-estar da coletividade. 193 Para atingir este nível, o contador deve entender com profundidade a contabilidade, os Princípios e as Normas Contábeis, o Código de Ética e as diversas legislações, como exemplam o Código Civil. Ao saber de seu valor, poderá valorizar sua profissão. Ao valorizar sua profissão, saberá aplicar os princípios éticos, não como uma imposição legal ou organizacional, mas como instrumento fundamental de conduta, condição sem a qual sua existência profissional perde o sentido. Provará sua importância e relevância para a sociedade, não apenas pela profissão que exerce, mas também pelo exemplo de profissionalismo e de conduta ética e moral. Não consegue ser valorizado, aquele que não se valoriza. Silva e Speroni (1998, p. 78) afirmam que: A ética profissional tem como premissa maior o relacionamento do profissional com seus clientes e com outros profissionais, levando em conta valores como a dignidade humana, auto-realização e sociabilidade. Na profissão contábil existe o código de ética, que pode ser entendido como uma relação das práticas de comportamento que se espera que sejam observadas no exercício da profissão. Tendo como objetivo o de habilitar o contador a adotar uma atitude pessoal, de acordo com os princípios éticos, ou seja, tais princípios dizem respeito à responsabilidade perante a sociedade e para com os deveres da profissão. Para Fortes (2002, p. 117): O Código de ética profissional do Contabilista, como fonte orientadora da conduta dos profissionais da classe contábil brasileira, tem por objetivo fixar a forma pela qual se devem conduzir os profissionais da contabilidade, sobretudo no exercício das suas atividades e prerrogativas profissionais estabelecidas na legislação vigente. Logo, o código de ética profissional do contabilista determina que conceitos básicos de direitos e deveres dentro de uma profissão sejam cumpridos, que não se admite erros, que estes conceitos sejam conhecidos na íntegra, antes de emitilos. 194 Estabelecido o Código de Ética, cada contabilista passa a subordinar-se sob pena de incorrer em transgressão, punível pelo órgão competente, incumbido de fiscalizar o exercício profissional. Tal código assume um papel relevante de garantia sobre a qualidade dos serviços prestados e da conduta humana dos profissionais contábeis. 3 A ÉTICA E SUA IMPORTÂNCIA NAS EMPRESAS Na sociedade atual, lamentavelmente, o sucesso econômico passou a ser a medida de todas as coisas. Apenas a riqueza e o poder contam e separam os vencedores dos excluídos. As pessoas são na sua maioria materialistas e individualistas e, por isso, pouco responsáveis e solidárias. Para exercer a profissão contábil no contexto empresarial, mais do que palavras são necessário ação. A premissa básica para que isso aconteça é responder e agir em coerência com a resposta à seguinte pergunta: o que eu estou disposto a fazer para que este grupo seja mais feliz? Ou, qual é o meu compromisso para que a vida nessa empresa se torne mais saudável e beneficie a todos? Parece utopia, coisa de santo? Pois é, parece. E de fato é, já que pessoas éticas são antes de qualquer coisa esperançosas, acreditam em utopia, sabem que o amanhã poderá ser melhor que o hoje assumem as suas escolhas e as conseqüências perante o que fazem. São livres, e usam esta liberdade de maneira adequada, acreditam que tem inteligência suficiente para escolherem bem, sabem que se deixar de escolher, já estarão fazendo uma escolha. Não responsabilizam outros por seus atos, não se deixam escravizar. Para viver eticamente em qualquer ambiente é preciso primeiro mergulhar dentro de si mesmo, assumir as escolhas e lutar por um mundo melhor. Acreditar que a felicidade é possível, já que esse é o objetivo maior da ética. É do interesse das empresas agirem sempre de maneira ética. Todos os melhores funcionários e fornecedores, as melhores fontes de financiamento tenderão a preferir aquelas que costumam tratá-los bem. E os clientes que têm critério, que sabem escolher, dificilmente serão leais a um produto de menor qualidade, ou um serviço que seja pouco eficiente. A ética está diretamente relacionada com valores morais, com 195 bem e mal, o que é certo ou errado; não existe um "código de ética dos negócios", uma série de normas específicas para as empresas. Não faz parte da finalidade das empresas, na realidade, perseguirem esses objetivos. Da mesma forma, empresas que têm seu "credo", ou "código de conduta", repleto de frases sobre a responsabilidade social da empresa, ou de suas obrigações para com a comunidade, farão com que seus funcionários encarem esses "credos" ou "códigos" com ceticismo. De acordo com Nash (1993, p. 04): São muitas as razões para a recente promoção da ética no pensamento empresarial. Os administradores percebem os altos custos impostos pelos escândalos nas empresas: multas pesadas, quebra da rotina normal, baixo moral dos empregados, aumento da rotatividade, dificuldades de recrutamento, fraude interna e perda de confiança pública na reputação da empresa. Todos devem ser éticos tanto na vida profissional como familiar, entre outras relações em sociedade, que nada mais é do que ser honesto, responsável, proceder sempre de forma que se não puder ajudar não atrapalhe, vamos além. Ser ético é viver sempre com a consciência tranqüila. Atuar eticamente, entretanto vai muito além de não roubar ou não fraudar a empresa. Qualquer decisão ética tem por trás um conjunto de valores fundamentais. Eis alguns dos principais que o autor Jacomino (2000, p. 25): - Ser honesto é a conduta que obriga ao respeito e à lealdade para com o bem de terceiros. Um profissional comprometido com a ética não se deixa corromper em nenhum ambiente, ainda que seja obrigado a viver e conviver com ele. - Ter coragem, pois ajuda a reagir às críticas, quando injustas, e a defender dignamente quando está consciente de seu dever. Ajuda a não ter medo de defender a verdade e a justiça, principalmente quando estas forem de real interesse para outrem ou para o bem comum. Ter coragem ainda para tomar decisões, indispensáveis e importantes, para a eficiência do trabalho, sem levar em conta a opinião da maioria. - Ser humilde só assim o profissional consegue ouvir o que os outros têm a dizer e reconhecer que o sucesso individual é resultado do trabalho da equipe. - Manter o sigilo é a completa reserva quanto a tudo o que se sabe e que lhe é revelado ou o que veio, a saber, por força da execução do trabalho. - Integridade é agir dentro dos seus princípios éticos, seja em momentos de instabilidade financeira, seja na hora de apresentar ótimas soluções. - Tolerância e flexibilidade um líder deve ouvir as pessoas e avaliar as situações sem preconceitos. 196 4 CONSCIÊNCIA PROFISSIONAL Para ter sucesso jogando limpo não existe uma receita universal e completamente eficaz para todo mundo. Mas, em linhas gerais, convém seguir estes conselhos segundo Jacomino (2000, p. 28): - Compartilhe seus conhecimentos, pois só assim eles têm valor. Confie nos colegas até que provem não merecer sua confiança. É mais produtivo para você e para toda a equipe. - Não faça nada que você não possa assumir em público. - Caso um colega tente levar a fama por um projeto do qual você participou, converse primeiro com ele. O diálogo é impossível? Não estará sendo antiético se levar o problema aos seus superiores, de preferência acompanhada de mais pessoas envolvidas na história. Só tome cuidado com acusações infundadas, fofocas, dados distorcidos. - Escolha empresas éticas para trabalhar. Aquelas que discutem sua missão, além de princípios e valores, para chegar a um consenso que deve ser compartilhado com todos. - Se um subordinado seu for antiético, o primeiro passo é educar, orientar. Já as reincidências têm de ser tratadas com rigor. - Quanto mais poder a pessoa pouco ética tem dentro da organização, mais cuidado devemos tomar. Muitas vezes a solução é buscar uma vaga em outro setor ou, em casos extremos, denunciá-lo ao departamento de recursos humanos. - Lembre-se que os valores sociais devem suplantar os individuais. - Por último, agir eticamente dentro ou fora da empresa sempre foi e será uma decisão pessoal sua. Mesmo sujeito a deslizes e equívocos, você deve ter consciência de que esse costuma ser um caminho sem volta. Para seu sucesso ou seu fracasso profissional. De acordo com Jacomino (2000, p. 36): Agir eticamente dentro (ou fora) da empresa sempre foi e será uma decisão pessoal. Uma vez que você tenha despertado para o assunto, mais e mais ele tende a ser considerado nas decisões, num processo permanente, sem fim. É claro que sempre estamos sujeitos a deslizes e equívocos. Nunca se esqueça, porém, de que esse costuma ser um caminho sem volta. Para o bem ou para o mal. 5 CONCLUSÃO Ser ético está ligado diretamente aos princípios morais da sociedade e o indivíduo cresce aprendendo esses princípios e através deles vai formando o seu caráter moral, religioso e social, pois o homem que possui caráter com certeza será um 197 profissional ético, como estamos falando em ética contábil, podemos afirmar que o contador ético é aquele que tem bom caráter, que acredita nos valores morais, na dignidade humana, na busca pela realização plena, tanto pessoal como profissional, pois é necessário estar feliz pessoalmente para conseguir ser feliz profissionalmente e vice e versa, e todo contador deve atuar porque gosta realmente do que faz, pois somente assim, sendo feliz, se sentindo realizado com a profissão contábil ele será um profissional ético e sempre evidenciará "A Ética na sua Profissão". Conclui-se que o profissional contábil tem que ter um comportamento ético-profissional inquestionável, saber manter sigilo, ter conduta pessoal, dignidade e honra, competência e serenidade para que proporcione ao usuário uma informação com segurança e confiabilidade que ele merece, são fatores condicionantes do seu sucesso. ABSTRACT The Ethics is the science linked to judgement of moral appreciation, on judgements of values tied badly to the distinction between the good and the. She is a value of first greatness for the professional. Never the accountant should give up certain beginnings, as the honesty and the transparency. The problem is what to do to maintain such beginnings. It is necessary to develop a good strategy to guarantee the maintenance of the ethics. WORDS KEY: Ethics; Profession; Accountants. 198 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA FORTES. José Carlos. Ética e responsabilidade profissional do contabilista. Fortaleza: Fortes, 2002. JACOMINO, Darlen. Você é um profissional ético?. Revista Você S.A., São Paulo: Editora Abril, ano 3, p. 28-36, jul.2000. MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural Edições, 1984. NASH, Laura L.. Ética nas empresas. São Paulo: Makron Books, 1993. SILVA, Tânia Moura da; SPERONI, Valdemar. Os princípios éticos e a ética profissional. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, ano 27, nº 113, p. 77-79, set/out.1998. VASQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. 15. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995. 199 A CRISE DA AGROPECUÁRIA NO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL Mara Glauciene Oliveira da Silva Graduanda 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Maria Tânia da Silva 200 Resumo Os representantes de Mato Grosso do Sul destacam que o Estado(detentor do maior rebanho bovino nacional, com cerca de 25 milhões de cabeças) foi penalizado com a confirmação de casos de febre aftosa. Os preços pagos pelo boi gordo, que já estavam em baixa, devido à defasagem cambial, caíram ainda mais depois de detectada a doença. È importante salientar que a aftosa não contamina seres humanos. O reinado do Brasil como maior exportador mundial de carne bovina está ameaçado. O Campo vem ancorando este país ao longo de suas sucessivas e difíceis crises na agropecuária. Palavras-chave: Gago bovino; Agropecuária e febre aftosa. 1 Introdução Com a evolução e a busca por adquirir produtos de melhores qualidades, o produtor rural necessita desenvolver cada vez mais técnicas tanto na área de produção como também no gerenciamento financeiro de sua propriedade. Além disso, deve buscar um acompanhamento para suas atividades e para a tomada de decisões, pois cada vez mais luta-se por mais espaço no mercado e o aprimoramento dos produtos agrícolas. A agricultura passou por uma crise na década de 1990 muita gente ficou no meio do caminho e só sobreviveu quem adotou método de gestão profissional no campo. Através desses acontecimentos houve uma melhor exploração dos seus recursos, com a finalidade de obter de forma ágil e segura o retorno do seu investimento, e adquirir maior rentabilidade dentro da atividade desenvolvida. E associado a isso, agregou-se melhores produtos para os consumidores, pois o mercado atual requer cada dia mais qualidade em seus produtos. Dessa forma, a contabilidade pode desempenhar um importante papel como ferramenta gerencial, através de informações que permitam o planejamento, o controle e a tomada de decisão, transformando a propriedades rurais em empresas com capacidade para acompanhar a evolução do setor, principalmente no que tange aos objetivos e atribuições da administração financeira, controle dos custos, diversificação de culturas e comparação de resultados. 201 A sociedade organizada exige que cada setor, ao colocar o seu pleito, exponha a razão que justifica a necessidade de solução. A agricultura tem carregado o país sob o ponto de vista econômico, do emprego, até mesmo de alimentação barata para a cidade. 2 CRISE NA AGROPECUARIA DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL Conforme o site Abreamovay (2007) a crise no campo iniciou-se com os seguintes fatos: • O aumento de custos de produção; • Queda dos preços; • Perda da produção climática; • Ausência de seguro rural; • Defasagem cambial que reduz o preço recebido; • Dificuldade de prorrogação dos financiamentos juntos aos bancos na negociação cãs a caso; • Falta de instrumentos que possibilitem o alongamento dos prazos de pagamentos das aquisições de defensivos fertilizantes; • Máquinas e outros insumos agropecuários junto aos fornecedores privados • A deficiência de logística e infra-estrutura para armazenar e escoamento das safras; • Importação de produtos agrícolas de MERCOSUL e a proibição dos produtores brasileiros de comprar defensivos mais baratos dos países do MERCOSUL; • E a febre aftosa. A agricultura brasileira enfrenta a pior crise a pior crise dos últimos anos, mostrando que o governo subestima o tamanho e a proporção do problema para o país. Conforme relata Aliski (2007, p.02): 202 Três anos consecutivos de estiagem, queda nos preços pagos pelas commodities agropecuárias, além do reaparecimento de casos de febre aftosa levaram o Estado de Mato Grosso do Sul a atingir, atualmente, um quadro de crise, afetando diretamente a renda do produtor. Com o objetivo de evitar agravamento da crise, e permitir que, em curto prazo, Mato Grosso do Sul recupere seu potencial produtivo, líderes do Estado estiveram em Brasília, apresentando propostas de recuperação econômica da produção rural em MS. Representantes do Governo Federal e do Banco do Brasil receberam informações sobre a descapitalição do produtor sul-mato-grossense e a necessidade da implantação de medidas de emergência de apoio ao setor rural. Os relatos demonstraram que a perda de produção, decorrente de fatores climáticos, pragas nas pastagens e doenças nas lavouras vai exigir a adoção de novos mecanismos para a adequação das dividas de crédito rural. Trata-se de contratos de custeio e financiamento do ano passado, que foram prorrogados devido à estiagem, e dos contratos das mesmas linhas referentes há este ano. O produtor sul-mato-grossense precisaria do dobro de receita para honrar seus compromissos financeiros, mas na prática atravessa período de perda de renda. Como relata no site Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (2007): O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul (FAMASUL), lembra que, o caso das parcelas de custeio, há como utilizar mecanismos do Manual de Crédito Rural (MCR) para estabelecer um calendário factível de pagamentos, garantindo a adimplência e a continuidade da produção rural. Outras Linhas de crédito também podem ser alvo de remodelação, comprovada a queda de produção devido a fatores climáticos. Animais vivos que eram enviados para abate em São Paulo não puderam mais cruzar a divisa do Estado. Outros segmentos, como pecuária de leite, avicultura e criação de suínos também sofreu com a queda de vendas. Segundo Veiga (1991,p.01): No município de Pedro Gomes, o produtor chegou a receber apenas R$ 0,18 pelo litro de leite. A situação tornou-se ainda mais grave nos cinco municípios do Sul de MS que ficaram isolados após os casos de febre aftosa (Eldorado, Japorâ, Mundo Novo, Iguatemi e Itaquiraí) e não puderam comercializar sua produção, nem mesmo dentro do Estado. 203 No norte do Estado, as dificuldades de comercialização da produção agropecuária estão gerando outro problema: a degradação de pastagens, com a morte de capim-braquiária. Isso ocorre devido à superlotação dos pastos, com excesso de animais. Devido a tal cenário, os líderes de MS pediram a aplicação de condições especiais nas linhas de crédito para retenção de matrizes e de recuperação de pastagens. Os produtores pedem que em Mato Grosso do Sul sejam disponibilizadas operações de Aquisição do Governo Federal (AGF) para arroz, de forma a sustentar preços. 3 OS ASPECTOS RELEVANTES A FEBRE AFTOSA Conforme o site Educacional (2007): a pecuária brasileira, apesar dos grandes avanços zootécnicos, tem passado por momentos muito difíceis com prognósticos pouco favoráveis para os próximos anos, condições esta mais uma vez circulada a questões de saúde animal e segurança alimentar. Não se pode ficar estático justificando tais fatos com argumentos relacionados a injustiças do comercio internacional ou as injustiças do comercio internacional ou a incompetência de que o mercado globalizado também sofre intervenções de paises influentes, por meio de acordos políticos e econômicos. Entretanto torna-se necessário compreender as relações comerciais e sua forças que são necessidade, preço e confiança no produto: indentificar os pontos críticos e tendências de cada mercado; e acreditar no processo de gestão do negocio com qualidade e competência. Nesse sentido a qualidade e os custos de produção tornam-se dois quesitos interessantes a serem observados. Para tanto, práticas como avaliações continuas de desempeno animal (ganho em peso, produção de leite e reprodução), do fornecimento de alimentos (uso adequado da pastagem e suplementos), do bem-estar (conforto térmico e sanidade), da manutenção dos bens de produção (maquinas, equipamentos e instalações) e do controle e organização do estoque de insumos ( pesticidas, adubos, combustíveis, medicamentos, semêm e suplementos concentrados e minerais) podem ser adotados na propriedade. 204 Segundo o site Educacional (2007): É importante evidenciar a necessidade de esforços conjuntos, realizados ao longo de toda a cadeia produtiva, inclusive dos gestores de negócios internacionais, os quais possibilitam resultados positivos facilitadores da permanência do produto no mercado, mesmo em momentos com dificuldades comerciais. Vale lembrar uma outra afirmação clássica que destaca ser uma boa empresa, aquela capaz de manter no mercado mesmo em momentos difíceis. O surgimento de um foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, pólo do gênero, já custou o embargo da carne brasileira em vários países. Perdem não somente os produtores diretamente afetados pela doença, mas todo o Brasil, que agora luta para recuperar sua economia e imagem. Conforme Silva (1999,p.25): A aftosa é inofensiva para o ser humano, mas está prejudicando seriamente a saúde financeira do Brasil. O surgimento recente de um foco da doença no estado do Mato Grosso do Sul já resultou no embargo de mais de trinta países à carne bovina da região, incluindo a Rússia, maior importador do Brasil no gênero. Desses países, a maioria deixou de comprar também de outros estados brasileiros. Justamente agora que nossos produtores comemoravam a marca de quase 1 milhão de toneladas de carne bovina vendidas para fora em 2004. É um crescimento impressionante se comparado aos números de 10anos atrás. No site Estudos Avançados (2007) relata que a contaminação de animais sadios pode ocorrer de diferentes formas: • por meio da salivação excessiva dos animais doentes, que eliminam os vírus na pastagem e no solo, contaminando novas cabeças do rebanho; • pelo vento, que pode disseminar o vírus da aftosa em distâncias de até 60 km, alastrando o problema para outras áreas; • além disso, os vírus podem continuar ativos mesmo depois da morte do animal, presentes na medula óssea, gânglios e vísceras. Caso essa carne seja transportada para outras localidades, podem contaminar rebanhos distantes; 205 Por isso, a exploração de carnes fica comprometida, afetando a economia da região atingida pela doença. O problema causado por essa doença é a disseminação do vírus pelos rebanhos, o que ocasiona grandes perdas econômicas: quando um animal aparece contaminado, os outros devem ficar em quarentena ou ser sacrificados e enterrados em valas, como o que foi feito, por exemplo, na Fazenda Velozzo, no Mato Grosso do Sul. 4 INFLUÊNCIA DA CRISE DA AGROPECUARIA NA ECONOMIA DO PAÍS Não há dúvida de que muito antes historiadoras e historiadores produziram trabalhos que trataram, direta ou indiretamente, deste tema ou daquela relação. De acordo com Ramos (1999,p.28): A mencionada autocrítica dos economistas pode ser considerada uma das fontes de inspiração para trabalhos que, dada à impossibilidade de se tratar a estrutura fundiária e sua alteração como “variável” dos modelos na teorização econômica, tem buscado analisar a experiência histórica dos países industrializados para discutir as relações entre naquela estrutura e um desenvolvimento social menos heterogêneo. Consolidava-se entre os economistas especializados nas questões do chamado setor agropecuário uma elaboração teórico-historico que fala das “funções da agricultura no processo de desenvolvimento”. Assim como Friehlich (2007) cabe logo apontar a critica que se pode fazer a tal elaboração: ao abordar assim a relação entre as atividades agropecuárias e o processo de desenvolvimento. Essa perspectiva “funcionalista” deixou em segundo plano as alternativas de posse e uso do solo no cumprimento daquelas “funções” e acabou contribuindo para consolidar a já mencionada visão de que o desenvolvimento se limita ao processo de urbanização-industrialização: à agropecuária caberia transferir renda e liberar mão-de-obra e, ao mesmo tempo, construir mercado para o processo; gerar divisas para a economia industrializar-se/desenvolver-se ao mesmo tempo em que deveria fornecer alimentos e matérias-primas em quantidade e a preços adequados 206 para tanto etc. Não há dúvida de que, assim, ela acabou sendo vista como um grande “externalidade” àquele processo. Mas ainda, fica evidente a confusão que se estabeleceu entre desenvolvimento agrícola e desenvolvimento agrário, e o nãoestaque para um “desenvolvimento rural”. Conforme Silva (1971): Trabalhos que discutiam a inexistência de associação positiva entre tamanho de propriedade e rendimento por área e chamou a atenção para o fato de que, no Brasil, dois aspectos dificultavam a realização de uma reforma agrária: a não-distinção das figuras sociais, pois os industriais, comerciantes, profissionais liberais, políticos etc...eram ao mesmo tempo proprietários fundiários, associando isto ao fato de que a terra acabava sendo um seguro contra a inflação. É óbvio que isto remete novamente à questão de como se vê a terra, agora tendo em conta uma economia na quais as figuras se superpõem e ocorre um processo inflacionário intenso. Talvez seja por isso que ele tenha deixado claro um pouco antes que reforma agrária implicaria a “criação Massal e imediata de novos donos de terra com condições de se transformarem em produtores rurais bem sucedidos”. De acordo co Perroux (1981,p.241): A consideração das “assimetrias” entre agricultura/indústria e o fato de a fome ser fundamentalmente um fenômeno presente no mundo subdesenvolvido implicam reconhecer que “o novo desenvolvimento é uma reivindicação de reestruturação total das nações menos desenvolvidas e do mundo”, no qual deve ser tido em conta a “dimensão espacial e social” daqueles “assistemetrias”, não se limitando as reflexões à idéia de que se deve transpor, para os países subdesenvolvidos, a “ experiência européia”. Destaca-se ser a alteração estrutural, seja violenta, que explica, na análise dos casos na história mundial, a criação e a manutenção das políticas destinadas às atividades agropecuárias ou ao que vem sendo chamado de desenvolvimento rural. Em outras palavras, são as lutas sociais que determinam a criação de instituições mediadoras/apaziguadoras. Se os países desenvolvidos apresentam menos disparidades territoriais e sociais, é exatamente aquela alteração que explica tal fato, tinha muito claro ao apontar a insuficiência da política tributária para provocar aquele tipo de alteração no cãs brasileiro. 207 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho teve-se como preocupação central mostrar que a atual discussão sobre desenvolvimento da agropecuária no Mato Grosso do Sul faz sentido quando inserida nas reflexões contemporâneas que os pensadores de diversas formações vêm fazendo sobre o processo de desenvolvimento, pensado nacionalmente ou não. Em Mato Grosso do Sul, a seca gerou um cenário singular, com dificuldades para a agropecuária um Estado que historicamente apresenta bons resultados na produção rural. Os produtores enfrentaram mais vez a perda de renda, mas acumularam parcelas de financiamentos. Abstract Representantives of Mato Grosso do Sul, stressed that tht state (hoider of the largest national beef herd, with about 25 million head) was penalized with the confirmation of cases of foot and mouth disrase. Prices paid by ox fat, which were already at low because of the lang exchange, fell further after detected the disease. It is important to note that aftosa not contaminates humans. The reign of Brazil as world’s leading exporte of beef is threatened. The field is anchoring the=is coutry over successive and difficult crises in farming Keywords: Cattle; Farming; FMD. 208 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALISKI. Líderes Rurais de MS negociam soluções para a crise da agropecuária no Estado.disponível em: http://www.aliski.org.br/site / noticias.php?ag=0&n=18645. Acesso em: 20 nov.2007. ABRAMOVAY, R. Paradigmas do capitalismo agrário em questão. São Paulo, Hucitec,1992. CONFEDERAÇÃO da agricultura e pecuária do Brasil. Protesto contra a crise na agropecuária reúne produtores em vários pontos do Brasil. Disponível em: http://www.cna.org.br/site/noticia.php?ag=0&n=8375. Acesso em:20 nov.2007. EDUCACIONAL. A vacinação sistemática dos rebanhos é o único método que pode garantir a um país estar livre de febre aftosa. Disponível em : http://www.educacional.com.br/noticiacomentada/051025not01.asp. Acesso em: 16 nov.2007. ESTUDOS avançados. Desenvolvimento Rural. Disponível em: http://wwwscielo.br/scielo.php?pid=S0103-142001000300012&script=sci_artterxt&tlng=. Acesso em: 16 nov.2007. FROEHLICH, W. Posse e usso da terra, industrialização e establidade social, experiência e perspectiva na Ásia. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura-Usaid, aliança para o progresso, 1991. PERROUX, F. Ensaio sobre a filosofia do novo desenvolvimento. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,1981. RAMOS, P. Agricultura e (sub) desenvolvimento:aspectos teóricos e elmentos para uma reinterpretação do caso brasileiro. Reforma Agrária, 1999. SILVA, J. G. A reforma agrária no Brasil: frustração camponesa ou instrumento de desenvolvimento? Rio de Janeiro: Zahar, 1971. VEIGA, J. E. da. O desenvolvimento agrícola: uma visão histórica. São Paulo, Edusp/hucitec,1991. 209 A MENSURAÇÃO CONTÁBIL: VALOR HUMANO DAS ORGANIZAÇÕES, CONHECIDO COMO SEU CAPITAL INTELECTUAL Maria Cristina da Fonseca Ferreira Wendel Alves da Silva Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete 210 RESUMO O modelo tradicional de contabilidade, que descreveu com tanto brilho as operações das empresas durante meio milênio, não tem conseguido acompanhar a revolução que está ocorrendo no mundo dos negócios. A contabilidade deverá continuar atual, moderna e sempre acompanhando as inovações introduzidas no nosso cotidiano. Caminhamos para dias nos quais será difícil não se conceber demonstrações de natureza intelectual, humana, ecológica e social. PALAVRAS CHAVE: Intelectual; Contábil e Organização. 1 INTRODUÇÃO A metodologia utilizada para nesse artigo foi a análise de documentação direta através de pesquisa bibliográfica, complementada por informações retiradas de sites da internet, entrevistas publicadas em revistas especializadas e outros artigos já escritos sobre o assunto, mesmo porque outro tipo de metodologia não pode ser aplicada a este assunto, uma vez que o mesmo não ainda encontra-se em discussão, sem chegar a um consenso entre os estudiosos do assunto. A proposta deste trabalho é demonstrar a necessidade de se buscar uma harmonização das práticas contábeis – sintonizadas com a expectativa dos empreendedores e procurar estimular os contadores a desenvolverem mecanismos que permitam valorizar e mensurar nos balanços o valor do capital intelectual. Como os problemas que enfrentamos com a padronização das Normas Contábeis a nível global, também problemas surgirão na padronização de um modelo que evidencie e mensure o Capital Intelectual das entidades. Os tradicionais modelos contábeis, no que concerne aos parâmetros de avaliação do Patrimônio, objeto fim das avaliações, estudos e considerações da Contabilidade, requerem uma suplementação de informações, visto que um novo valor está influenciando diretamente o valor real das entidades, ou seja, o valor humano das organizações conhecidas como seu Capital Intelectual. 211 2 ATIVOS INTANGÍVEIS Existem várias definições para Ativo, sendo uma das mais utilizadas a dos conceituados autores Sérgio de Iudícibus e José Carlos Marion (1999, p. 143) "(...) ativo é o conjunto de bens e direitos à disposição da administração...". Em uma visão mais avançada e de forma mais analítica, Iudícibus (1998, p. 106), diz: A característica fundamental é a sua capacidade de prestar serviços futuros à entidade que os tem, individual ou conjuntamente com outros ativos e fatores de produção, capazes de se transformar, direta ou indiretamente, em fluxos de entrada de caixa. Todo ativo representa, mediata ou imediatamente, direta ou indiretamente, uma promessa futura de caixa. Quando falamos indiretamente, queremos referir-nos aos ativos que não são vendidos como tais para realizarmos dinheiro, mas que contribuem para o esforço de geração de produtos que mais tarde de transformam em disponível. Dentro do Ativo encontraremos o grupo dos Ativos Intangíveis, que será abordado nesse trabalho. A palavra tangível tem sua origem no latim "tango", que significa algo que pode ser tocado. Inversamente, intangível é algo que não pode ser tocado, ou que não tenha existência física. Na contabilidade, o Ativo Intangível representa um elemento sem substância física, mas com valor econômico como, por exemplo, patentes, marcas, direitos autorais, goodwill, Capital Intelectual, etc .. A principal característica de um bem intangível é a sua inexistência física. Mas é evidente que assume um valor no contexto do patrimônio quando vinculado a um bem tangível ou a uma determinada situação da empresa. As despesas significativas com pesquisas e desenvolvimento de produtos são conceituadas como bens intangíveis. Há outros bens intangíveis que assumem característica específica. Podem ser transferidos a outra empresa que passa utilizar os seus direitos de uso, como exemplo, as patentes de invenção, as marcas de indústria e comércio e o fundo de comércio. Os ativos intangíveis surgiram em resposta a um crescente reconhecimento de que fatores extracontábeis podem ter uma importante participação no valor real de uma empresa. Eles são considerados como invisíveis, por não se tratar de algo material ou de dinheiro, ou seja, não são palpáveis, nem de concreto. E sim, provenientes da 212 inteligência humana e dos recursos intelectuais, tanto na economia em geral como na economia das empresas. E, à medida que os anos passam, o papel desses intangíveis tornará cada vez mais importante, até o ponto que, em algumas empresas, ele exceda totalmente os ativos tangíveis, segundo o Prof. Antonio Lopes de Sá (2001, p. 04): Existem empresas que valem mais pela força de seus intangíveis que mesmo pela dos elementos corpóreos, como são muitos do ramo de informática e outras de altas especializações científicas e de prestação de serviços, onde não se pode desprezar na avaliação, como riqueza efetiva, o que possuem de imaterial. Assim sendo, os ativos intangíveis, são muito discutidos no mundo contábil em relação a sua mensuração, principalmente por ser a essência dos elementos que hoje formam o valor real da entidade, e como observa Martins (1972, p.54): “Talvez a característica mais comum a todos os itens do Ativo Intangível seja o grau de incerteza existente na avaliação dos futuros resultados que por eles poderão ser proporcionados”. Em outras palavras, a falta de objetividade. 3 CAPITAL INTELECTUAL É uma combinação de ativos intangíveis, fruto das mudanças nas áreas da tecnologia da informação, mídia e comunicação, que trazem benefícios intangíveis para as empresas e que capacitam o seu funcionamento, classificados em: Ativos de Mercado, Ativos Humanos, Ativos de Propriedade Intelectual e Ativos de Infra-Estrutura. O conceito para Stewart (1997, p. 08): Capital Intelectual é a soma de conhecimento de todos em uma empresa, o que lhe proporciona vantagem competitiva. Constitui a matéria intelectual, experiência que pode ser utilizada para gerar riqueza. 4 MENSURAÇÃO CONTÁBIL DO CAPITAL INTELECTUAL Se a própria definição de Capital Intelectual ainda não está muito bem 213 consolidada, quanto mais a sua mensuração e contabilização no campo objetivo da contabilidade. Em todo o mundo, as demonstrações das situações patrimoniais das empresas, deixaram de representar uma realidade. Isto se comprova quando se tem que vender uma empresa ou ceder parte do capital a terceiros. É comum a diferença entre os dados oficiais legais e a realidade das riquezas. Visando a atender essa questão, a ciência da Contabilidade, tem desenvolvido estudos no sentido de fixar condições de apuração das coisas "imateriais". Uma empresa pode perder uma linha de crédito porque a análise de sua situação, a partir de seu balanço, demonstra que ela está em condições de ineficácia de pagamento. É possível, também, que desanime um investidor em aplicar na mesmo, porque os resultados apresentados aparentam lucros baixos ou até perdas. A realidade, entretanto, pode ser outra, em razão de estar mal evidenciada através de defeitos de informação. A projeção da imagem da empresa, através de suas demonstrações contábeis, tem o poder de abrir linhas de crédito, movimentar investimentos em bolsas, prestar contas a terceiros. É evidente a necessidade de detalhar aos usuários da Contabilidade tais informações relevantes. Para isto é preciso que existam ferramentas disponíveis aos contadores para mensurar e contabilizar o Capital Intelectual. É claro que, por se tratar de um ativo intangível, torna-se difícil à mensuração do capital intelectual em virtude de sua subjetividade. Porém, de acordo com Sérgio de Iudícibus (1998, p.60): Sabe-se que a Contabilidade, em seu aspecto de mensuração, é um sistema relacional, tipo espelho. Os números que, afinal, são associados a ativos, passivos, receitas, despesas, perdas, ganhos e ao patrimônio líquido expressam uma representação da realidade e, não a própria realidade dos elementos avaliados. A contabilidade deve ser um reflexo da realidade, mesmo em se tratando de bens intangíveis. A subjetividade de mensurar o capital intelectual não pode ser um obstáculo para que os profissionais da área contábil não reconheçam o mesmo. Eles devem, sim, buscar definir parâmetros que permitam a mensuração dos ativos intangíveis da forma mais fiel possível. 214 O atual modelo contábil é inadequado para a economia moderna, porém é preciso desenvolver novas ferramentas para ampliar o alcance desse modelo. Apesar das dificuldades dos processos de mensuração do capital intelectual e das coerentes e muitas vezes necessárias restrições impostas pelos princípios e convenções contábeis, são indispensáveis procurar criar mecanismos alternativos que evidenciem aos usuários dos relatórios contábeis informações sobre o capital intelectual. O modelo "tradicional" de contabilidade que descreveu as operações que se passam nas organizações durante meio milênio, não está mais conseguindo corresponder com tanta firmeza às mudanças que vêm ocorrendo. Os demonstrativos contábeis mostram-se cada vez mais obsoletos, para acompanhar as organizações modernas. Para as organizações baseadas no conhecimento, os demonstrativos financeiros registram exclusivamente o capital físico e financeiro, onde perdem totalmente a relevância, já que as técnicas contábeis existentes no Brasil e no mundo em geral são bastante precárias na avaliação dos ativos intangíveis internamente gerados pela empresa, tais como habilidades dos funcionários, marcas e patentes, treinamento e desenvolvimento. A contabilidade tradicional, não oferece informações sobre as tradições e a filosofia da empresa. As informações tradicionais contidas nas linhas de um balanço patrimonial, como máquinas, terrenos e estoques, não indicam muitas coisas sobre a competitividade atual ou o potencial de lucros futuros de uma empresa. De repente, dá-se conta de que os demonstrativos obrigatórios exigidos pela Lei 6.404/76 das Sociedades por Ações, não evidenciam a realidade da empresa. Logo, a avaliação do patrimônio feito pela contabilidade não reflete a verdadeira situação de muitas empresas. Pois para a Contabilidade tradicional, o que não se pode medir não se pode compreender controlar ou alterar. Há uma crescente crítica aos demonstrativos patrimoniais tradicionais, por não evidenciar os intangíveis. Os estudiosos afirmam que não se pode observar só os bens físicos, é necessário, também, incluir o intelectual e a riqueza imaterial para se ter uma real situação patrimonial da empresa. 215 A incapacidade do modelo contábil atual para refletir corretamente o impacto dos intangíveis na situação presente e futura da empresa, decorre da razão de que as demonstrações contábeis encontram-se incapazes de refletir a imagem fiel (verdadeira e justa) da posição financeira da empresa. Tal incapacidade deriva-se da intervenção das normas e leis no sistema contábil, gerada esta, de fontes nem sempre preocupada com os princípios científicos da contabilidade. O Prof. Antonio Lopes de Sá (1999, p. 01) faz críticas a parte contábil da lei 6.404/76 – Lei das Sociedades por Ações, dizendo que deveria ser revogada por ser de "débil qualidade informativa". Fazendo menção ao projeto da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de que é preciso mais transparência das demonstrações contábeis, sequer tomou conhecimento do que foi enviado ao Ministério da Fazenda. Ele defende que a matéria contábil deve regular-se pelos contabilistas, como as de saúde pelos médicos, como a de obras por engenheiros etc. E, ainda Lopes de Sá (1999, p. 01) complementa: Legalmente, não há amparo para que o contador registre como patrimônio, por exemplo, a capacidade do pessoal de uma empresa, mas, na realidade ela pode ser apurada através de meios sofisticados, de uma tecnologia aplicada ao denominado Capital Intelectual. Tudo ocorre porque o critério das escritas é apenas o oficial, aquele determinado por lei e sabemos que esta nem sempre está de acordo com a verdade. Nossos balanços não representam a realidade, não porque os profissionais da Contabilidade desejem, não por intenção, mas por incompetência do texto legal. O valor do capital de uma empresa, registrado oficialmente, quase nunca coincide com a realidade. Os valores constantes de registros, dentro da burocracia exigida pela lei, não funcionam no mundo dos negócios. Os contadores são obrigados a apresentar em seus balanços os valores oficialmente registrados, mas, as demonstrações contábeis, elaboradas por força de lei, não evidenciam o valor efetivo ou real de uma empresa. A própria legislação que possuímos é a grande responsável para que a riqueza não seja traduzida com fidelidade nas demonstrações contábeis. Não é a 216 Contabilidade que falha, mas, o que o Poder Público faz com ela, obrigando as empresas a produzirem peças fora da realidade, por força de lei. Uma empresa tem muitos valores o seu favor e que não os pode registrar porque a lei não permite. Dentre eles estão os de seu ponto comercial, marcas de fábrica, patentes de invenções, direitos autorais, concessões para exploração de jazidas, concessões de serviços públicos, cartas de patentes, clientela, organização, qualidade de pessoal, etc. A aplicação restrita dos princípios e convenções contábeis traz uma série de dificuldades para qualquer tentativa de contabilização do capital intelectual. O princípio do custo como base de valor (ou do registro pelo valor original) implica que somente a partir dos valores monetários de entrada (custo histórico ou custo de reposição) poder-se-ia apurar o valor a ser registrado para determinado ativo. Entretanto, ocorre que muitos itens relacionados ao capital intelectual são produzidos internamente pela empresa em suas atividades e processos. Algumas convenções contábeis, tais como a da materialidade e a do conservadorismo, impõem restrições a qualquer tipo de evidenciação que esteja carregada de subjetivismo e que possa comprometer a confiabilidade e consistência exigida das demonstrações financeiras. Os princípios e as normas contábeis devem acompanhar as alterações que ocorrem nas organizações, orientando e atendendo as necessidades aos usuários da informação contábil. 5 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA MENSURAÇÃO As informações contidas num relatório de Capital Intelectual são de interesse tanto dos usuários internos (gestores) quanto dos usuários externos, especialmente para os acionistas. Considerando que as medições de Capital Intelectual bem gerenciada contribuem para que a empresa possa se conhecer melhor e, conseqüentemente, para o seu aprimoramento, é importante enfatizar quais são as suas utilidades. 217 O conhecimento do Capital Intelectual é uma fonte rica de informações sobre a organização como um todo e, em particular, um instrumento valioso para os seguintes aspectos. Analisar o valor da empresa, fornecer um foco para programas de educação organizacional e treinamento, confirmarem a habilidade da organização para atingir objetivos, planificar a Pesquisa e Desenvolvimento, fornecer informações básicas aos programas de reengenharia e ampliar a memória organizacional. Do ponto de vista externo da organização, ou seja, para os usuários externos, podem-se identificar as seguintes vantagens: Os relatórios contendo indicadores do Capital Intelectual são subsídios valiosos para os analistas e financiadores, em função da projeção da futura capacidade da empresa em gerar caixa. Para os acionistas, estes relatórios são de fundamental importância, porque, fazendo uso das palavras de Edvinsson, "eles mostram o valor oculto das organizações" que não estão aparentes nas Demonstrações Contábeis. Os acionistas podem ter, igualmente, a posição do momento e a visão de futuro, ou seja, as tendências apresentadas pela empresa. E segundo Antunes (1999, p. 166) "A sua divulgação pode explicar a diferença entre o valor contábil e o de mercado de uma entidade, mesmo não sendo de forma objetiva". Em suma, pode-se concluir que as informações contidas em um relatório de Capital Intelectual são relevantes tanto para os usuários internos quanto para os usuários externos da Contabilidade. Isto se deve ao fato do Capital Intelectual identificar, de uma forma dinâmica, o potencial da organização no presente e a sua capacidade de gerar benefícios no curto e longo prazo. Até o momento não se identificaram desvantagens, mas apenas algumas limitações, que podem ser consideradas temporárias, e algumas observações a serem feitas. Deve-se levar em conta, naturalmente, a novidade do assunto. Conforme a autora Maria Thereza Pompa Antunes em sua Dissertação de Mestrado (1999, p.166), ainda não existe um modelo padrão para a divulgação dessas informações, embora seja do conhecimento que órgãos internacionais como o IASC – 218 International Accounting Standards Committee; o FASB – Financial Accounting Standards Board e a SEC – Securities Exchange Comission tenham patrocinado reuniões para debater tal assunto. A divulgação do relatório do Capital Intelectual objetiva levantar diálogo e sugestões para um futuro consenso do modelo universal. É nesse sentido que a Federação Internacional de Contadores – IFAC vem trabalhando a fim de divulgar o conceito do Capital Intelectual e a sua importância na sociedade atual. E ainda conforme Antunes, embora se considere que a idéia de um modelo universal seja remota, o máximo talvez seja um modelo por setor, tendo em vista as particularidades inerentes a cada um dos setores da economia. E, por se tratar de um modelo desenvolvido para identificar e mensurar componentes subjetivos do Goodwill não apresenta uma unidade padrão de mensuração. 6 CONSIDERAÇÕS FINAIS O valor real de uma empresa está se deslocando de edifícios, estoques, equipamentos para a era intelectual, exigindo cada vez mais a reformulação da contabilidade tradicional, para que assim possa avaliar com mais objetividade os ativos intangíveis e proporcionar às empresas uma maior realidade, visto que, para o sucesso das organizações na era do conhecimento, eles são tão importantes quanto os ativos físicos e tangíveis. Se os ativos e as capacidades intangíveis da empresa pudessem ser avaliados dentro do modelo de contabilidade tradicional, e as organizações aumentassem esses ativos, poderiam verificar um benefício maior em toda a sua estrutura organizacional, na qual envolve fornecedores, acionistas, clientes, funcionários e, até mesmo a própria sociedade. A Capital Intelectual passa a ser uma ferramenta importantíssima para a tomada de decisões tipo: investir em treinamento, em educação, substituir ou não homens por máquinas, terceirizar ou não etapas no processo produtivo, criar ou eliminar níveis de gerência etc. 219 Apesar das evidências e da importância do tema, não se pode afirmar que o número de empresas cujos sistemas de informações focalizem o Capital Intelectual seja expressivo. Várias questões precisam ser melhor exploradas no sentido de desenvolver e aprimorar essa nova perspectiva gerencial. ABSTRAT The traditional model of accounting, that described with so much shine the operations of the companies for half millennium, it has not been getting to accompany the revolution that is happening in the world of the businesses. The accounting should continue current, modern and always accompanying the innovations introduced in our daily one. We walked for days us which it will be difficult if he/she doesn't conceive demonstrations of nature intellectual, human, ecological and social. KEYWORDS: Intellectual; Accounting; Organization. 220 REFERENCIA BIBLIOGRAFIA ANTUNES, Maria Thereza Pompa. Capital Intelectual. 3. ed.. São Paulo: Atlas, 2000. ANTUNES, Maria Thereza Pompa. Contribuição ao entendimento e mensuração do capital intelectual. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da contabilidade. 5. ed.. São Paulo: Atlas, 1999. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da contabilidade. 5. ed.. Atlas, 1998. IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Introdução à Teoria da Contabilidade para o Nível de Graduação. São Paulo: Atlas, 1999. LOPES, João Francisco. Capital intelectual: contribuições à sua mensuração e classificação contábil. 1. ed.. Itapetininga, 2001. MARTINS, Eliseu. Capital intelectual: verdades e mitos. Goiânia, 2000. ______. Contribuição à avaliação do ativo intangível. São Paulo. 1972. PACHECO, Vicente. O Capital intelectual e sua divulgação pela contabilidade de recursos humanos. Goiânia, 2000. REVISTA EXAME. A empresa digital. São Paulo, 2002. SÁ, Antonio Lopes de. Projeto da CVM e realidade dos balanços. São Paulo: Atlas, 1999. ______. Projeto da CVM e realidade dos balanços. 2. ed.. São Paulo: Atlas, 2001. SANTOS, Ivan Macedo dos. Conceito de ativo: pensar contábil. 2. ed.. São Paulo, 1998. SVEIBY, Karl. Capital intangível. Rio de Janeiro, 2000. 221 A IMPORTÂNCIA DA AUDITORIA CONTÁBIL Claudines Vicente Borges Paulo Cesar Gabaron Vargas Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete 222 RESUMO Todas as empresas visam resguardar e salvaguardar seus interesses constitui, por política, a área de auditoria que tem por finalidade fornecer aos administradores, em todos os níveis, informações que os auxiliem a controlar as operações e atividades pelas quais são responsáveis. Para tanto, o trabalho estuda a Auditoria contábil que tem como escopo determinar se as demonstrações contábeis da empresa representam adequadamente sua situação financeira, os resultados de suas operações e seus fluxos de caixa, de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitam. PALAVRAS CHAVE: Contabilidade; Auditoria; Empresa. 1 INTRODUÇÃO As mudanças econômicas, culturais e sociais que atravessam o Brasil, a oferta de serviços de auditoria hoje é bastante diversificada, inclui desde o tradicional serviço de certificação das demonstrações contábeis fundamentado num profundo conhecimento dos negócios do cliente e os riscos aos quais está sujeito, passando por serviços direcionados para empresas de médio e pequeno porte até serviços de auditoria ambiental. A questão principal do estudo é: Qual a importância da Auditoria Contábil para a Empresa? E, para isso apresentamos como hipótese: A auditoria contábil tem a sua importância bem acentuada porque ela determina se todas as receitas, custos e despesas atribuídos a certo período estão devidamente comprovados e contabilizados, cuidando de avaliar os procedimentos contábeis e verificando a sua autenticidade, a fim de promover a eficiência e a eficácia da organização, evitando irregularidades, fraudes e desvios financeiros. 2 CONCEITUAÇÕES E OBJETIVOS DA AUDITORIA A auditora contábil atualmente é mais uniforme entre as nações, conseqüência do processo de harmonização que teve início na década de 70. As normas Internacionais de Auditoria – NIAs, resultado desse processo, são 223 desenvolvidos e emitidas pelo Comitê Internacional de Práticas de auditoria – CIPA, comitê permanente do Conselho da Federação Internacional de Contadores – IFAC. Para o CIPA, a emissão de normas de procedimentos de auditoria internacional melhora o grau de uniformidade das práticas de auditoria e serviços correlatos em todo o mundo. É a técnica contábil que através de procedimentos específicos que lhe peculiares, aplicados no exame de registros e documentos, inspeções e na obtenção de informações e confirmações, relacionadas com o controle patrimonial de uma entidade - objetiva obter elementos de convicção que permitem julgar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com os Princípios de Contabilidade geralmente aceitos e se as demonstrações Contábeis deles decorrentes refletem adequadamente a situação econômico – financeira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e as demais situações nelas demonstradas. (FRANCO, 2002, p. 10) Segundo Basso (1991, p. 23): A Auditoria preocupa-se com a verificação de elementos contábeis e em determinar a exatidão e a felicidade das demonstrações e relatórios contábeis. Provavelmente o mais importante elemento de qualquer auditoria é o auditor, a pessoa que verifica os elementos contábeis e relata o resultado de seu trabalho. Muito pode ser descoberto acerca do que é auditoria, investigando a atitude, o treinamento e os procedimentos do auditor. A Auditoria tem como objetivo principal o controle de todo o patrimônio administrativo da empresa e, surge como uma especialização do Curso de Ciências Contábeis onde, através de uma fiscalização rigorosa observa se todos as demonstrações contábeis, registros, documentos, fichas, arquivos e anotações comprovam a veracidade dos registros e a legitimidade dos atos dos interesses patrimoniais. Além disso, tem também como função, verificar ainda, os fatos e atos ligados ao patrimônio, ainda que carentes de registros, identificáveis por outros fatos e através de testemunhas. Portanto, a Auditoria tem como meta fazer com que a empresa cumpra as obrigações fiscais, resguardando o patrimônio contra multas e autuações fiscais, resguardando créditos de terceiros contra possíveis fraudes e dilapidação do patrimônio, evitando sua destruição física e econômica, permitindo a cobertura financeira. 224 A auditoria possibilita um melhor controle dos bens, direitos e obrigações que constituem o patrimônio da empresa contribui para a redução de ineficiência, negligência, incapacidade e improbidade de empregados e administradores. Segundo Almeida (1996, p. 126): O planejamento da auditoria varia de acordo com o porte da entidade, a complexidade do trabalho e o conhecimento acumulado que o auditor tem da entidade e do ramo de negócio em que ela atua e cumpre os seguintes objetivos: a) ajuda a garantir que o auditor concentre os seus esforços em áreas importantes da auditoria; b) a identificar problemas em potencial; c) a completar rapidamente o trabalho; d) a distribuir e coordenar o trabalho entre os assistentes e outros auditores especialistas. 3 A HABILIDADE E TRABALHO DO AUDITOR O auditor tem uma grande responsabilidade também sobre o lançamento dos impostos. Deve conhecer bem as leis, e estar sempre atualizado. Deve estar à par dos lançamentos de Imposto sobre a Renda, Imposto sobre Circulação de Mercadorias, Imposto sobre Produtos Industrializados, Imposto sobre Operações de Crédito, Imposto Único sobre Minerais, Imposto sobre Serviços, sem contar os recolhimentos compulsórios acerca de outras especialidades e assim por diante. Segundo Attie (1986, p. 42). A empresa, visando resguardar e salvaguardar seus interesses, constitui, por política, a área de auditoria que tem por finalidade fornecer aos administradores, em todos os níveis, informações que os auxiliem a controlar as operações e atividades pelas quais são responsáveis. Tendo em vista fortalecer a base da auditoria e permitir que sua atividade se desenvolva no mais alto grau de aceitação e profissionalismo, a auditoria atuará em nível de acessória. Atualmente, com toda a sistematização das empresas, o auditor deve conhecer também o processamento eletrônico de dados. Deve ter conhecimento técnico suficiente na área de processamento de dados para que possa manusear os aplicativos operacionais, os equipamentos de computação e seus periféricos. 225 O processamento eletrônico de dados é parte presente, e cada vez em maior escala, da organização, fazendo com que mais setores, áreas e atividades sejam por ele auxiliados e controlados. O auditor, por um lado, utiliza os critérios e procedimentos que lhe traduzem provas que assegurem a efetividade dos valores propostos nas demonstrações contábeis e, por outro lado, cerca-se dos procedimentos que lhe permitem assegurar a inexistência de valores ou fatos não constantes das demonstrações contábeis que sejam necessários para seu bom entendimento. Os procedimentos aplicados no exame das demonstrações contábeis são aqueles que, a juízo do auditor, permitem uma conclusão quanto à razoabilidade das operações e aos seus reflexos nas demonstrações contábeis. Os procedimentos aplicados em uma auditoria e a extensão de sua aplicação. São determinados pelo julgamento do auditor que deve considerar a natureza e os problemas da empresa e observar a qualidade e eficiência de seus procedimentos contábeis e seus controles internos. Os procedimentos de auditoria são selecionados e aplicados em conformidade com as normas usuais de auditoria que exigem que o exame de auditoria seja executado com o devido cuidado profissional por pessoas com capacidade técnica, competência e independência ético-profissional, que o exame de auditoria seja planejado e supervisionado convenientemente. Incluindo-se o estudo e avaliação dos controles internos, conclusivos quanto aos elementos comprobatórios suficientes e adequados que permitam a formulação da opinião do auditor sobre as demonstrações contábeis em exame. 4 O PROCESSO, AVANÇOS E MISSÕES DA AUDITORIA O processo compreende o desenvolver dos trabalhos em busca da veracidade das informações gerais da empresa em atendimento aos princípios contábeis e final emissão de parecer do auditor, devendo contemplar no curso desses trabalhos um roteiro sinóptico a seguir: análise da afirmação, avaliação da afirmação, obtenção de elementos comprobatórios e formação da opinião. 226 Os empresários não querem mais saber apenas de demonstrações contábeis auditadas, mas da empresa toda auditada, avaliada e criticada. Eles esperam além da credibilidade conteúdo do parecer do auditor, a sua ética, a sua qualificação técnica e sua experiência como contribuição para o sucesso da entidade. Segundo Almeida (1996, p. 448): O auditor testa o saldo das contas de balanço patrimonial e os valores acumulados das contas de receitas e despesas, no entanto, o auditor quando executa esses testes, não tem uma visão geral das demonstrações financeiras das empresas auditadas. Os empresários esperam que o auditor seja um verdadeiro consultor de negócios, pois com um profundo conhecimento do negócio e uma visão ampla ele passa ultrapassar os próprios conhecimentos que alguns dirigentes tenham sobre a entidade. Querem receber uma informação fidedigna, em tempo apropriado e com uma amplitude tal que lhes permita ter uma visão geral dos negócios. Segundo Franco e Marra (1991, p. 163): A auditoria em geral, como próprio nome indica, é aquela exercida sobre todos os elementos componentes do patrimônio, bem como sobre todas as operações de um exercício, ao fim do qual o auditor emite parecer sobre as demonstrações contábeis em conjunto e sobre os registros de que se originaram. O fato concreto é que os auditores têm sido cada vez mais exigidos pelos clientes e a única resposta capaz de suprir essas necessidades foi ampliar os serviços que executam. Essa ampliação forçou o auditor a uma profunda modificação em seu modo de pensar, agir e preparar-se para os novos desafios. Obrigaram-se a fazer uma reciclagem profissional de grande profundidade, que vai desde a interação com os novos instrumentos e recursos da informática até o conhecimento de reengenharia, qualidade total, balanço social e inúmeras técnicas de gestão. O auditor que não fez essa reciclagem profissional teve que buscar parcerias com outros profissionais, de outras profissões, perdendo espaço no mercado de trabalho. As firmas de auditoria passaram a ser firmas de consultoria empresarial. O percentual de participação dos trabalhos típicos de auditoria das demonstrações 227 contábeis é cada vez menor no total do faturamento das firmas de serviços profissionais de auditoria e consultoria. Se de um lado aumentou o grau de exigência do auditor, de outro aumentou consideravelmente o leque de serviços que lhe são demandados. Saber dar a resposta a todos esses desafios é a grande afirmação de “capacitação profissional” que os auditores devem dar a sociedade, mas principalmente aos usuários de seus serviços. A mais avançada tecnologia precisa de pessoas capacitadas e motivadas para conduzi-la. A empresa não é nada sem as pessoas, e só pessoa satisfeitas podem contribuir com o desenvolvimento da organização. Hoje o papel do auditor vai muito além de simplesmente identificar problemas. Ele tem que conhecer a empresa e atuar no sentido de corrigir as falhas existentes dentro do processo de gestão. Com isso, ele ajuda no desenvolvimento da organização e contribui para o aperfeiçoamento de sua competitividade, A missão da auditoria é salvaguardar protegendo e servindo organizações, público, acionistas, clientes, diretores e a alta administração das empresas. Pois a auditoria existe para ajudar os administradores e a empresa em geral a identificar riscos significativos, enquanto as conseqüências potenciais forem ainda avaliáveis, preservando, desse modo, tanto os fatos como a integridade das empresas. A oportunidade de execução, a maneira de executar, a postura e a habilidade do auditor necessitam ser gradativamente reavaliadas com vistas ao futuro. A motivação do auditor torna-se elemento vital para possibilitar essa mudança comportamental que permite a inovação, a descoberta de novas técnicas e formas de abordagem para os serviços de auditoria. Para Franco e Marra (1991, p. 163): A auditoria parcial ou especifica é aquela feita em apenas uma ou algumas das demonstrações contábeis, ou de livros, ou atos de gestão e com objetivos especiais, tais como: apurar a situação econômica e/ou financeira da entidade; conferir os custos; confirmar a existência de determinados valores patrimoniais; confirmar saldos de contas de terceiros; verificar o cumprimento de obrigações fiscais; verificar o atendimento dos preceitos da legislação societária; apurar erros e fraudes e determinar o valor real do patrimônio líquido da sociedade. 228 Sucesso no futuro está relacionado à habilidade dos auditores de liberarem seus produtos e serviços de forma mais oportuna, eficiente e efetiva. Entretanto, a auditoria deve tirar proveito da lição obtida no passado, de como, quando e sob quais condições evoluiu. Dessa forma pode projetar e antecipar o futuro quanto às oportunidades que ele trará e estar apto a responder aos desafios que aquelas oportunidades apresentarão. O grande objetivo é conduzir a missão futura da auditoria de forma competente e profissional, passando não a esperar para depois simplesmente reagir, mas agir o quanto antes. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A auditoria é um processo de investigação sistemática e, independente dos objetivos que busca alcançar, sempre estará apoiado no planejamento, obtenção e análise de evidências e preparações e divulgação de relatórios. Também os aspectos de ordem fiscal começavam a ter maior interferência na vida das empresas e a simples revisão de contas não era mais factível. Então, o crescimento das empresas determinou que não bastasse revisar as contas se a estrutura de controles da empresa não era adequada. Para tanto, passou-se a exigir dos auditores uma maior atenção e necessária avaliação dos controles internos adotados pelas empresas e com base na qualidade desses controles, incluso aí a qualidade do sistema contábil. Como pode-se ver, um trabalho eficiente de Auditoria, realizado de acordo com as leis que a regulamentam, leva a empresa a alcançar resultados concretos e ganhos significativos. A Auditoria garante a qualidade dos números contábeis, ajuda no aprimoramento dos controles internos, permite a detecção de fraudes, e aprimora o desenvolvimento das pessoas. Enfim, é um serviço que contribui muito para o desenvolvimento e continuidade da empresa. 229 ABSTRACT All of the companies seek to protect and to safeguard their interests, it constitutes, for politics, the auditing area that has for purpose to supply the administrators, in all of the levels, information that aid them to control the operations and activities for the which are responsible. For so much, the work studies the accounting Auditing that he/she has as mark to determine the accounting demonstrations of the company represent his/her financial situation, the results of their operations and their cash flows appropriately, in agreement with the accounting beginnings you usually accept. KEYWORDS: Accounting; Auditing; Company. 230 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ATTIE, Willian. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1986. BASSO, J. L.. Engenharia e análise do valor mais as abordagens da administração, contabilidade. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 1991. FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria contábil. São Paulo: Atlas, 2002. _______, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria contábil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1991. JONES, Manley Howe. Tomada de decisão pelo executivo. São Paulo: Atlas, 1973. SÁ, A. Lopes de. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1968. UHL, Franz; FERNANDES, Teodorico F. S.. Auditoria interna. 2. ed.. São Paulo: Atlas, 1976. 231 A CONTABILIDADE GERENCIAL COMO FERRAMENTA DE GESTÃO NAS PEQUENAS EMPRESAS PARA TOMADA DE DECISÃO Regina Dias Alves Jagliane Freitas Costa Graduandas 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientação: Prof. Fábio Henrique Silvério 232 RESUMO Este trabalho corresponde ao desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica sobre a necessidade de se ter acesso a informações úteis que possibilitem ao gestor administrar seu negócio de maneira eficiente, é demonstrar a importância da Contabilidade Gerencial como instrumento de apoio na gestão dos negócios aos empresários de pequeno porte. Para dar melhor ênfase ao tema proposto, serão feitas algumas reflexões sobre, a história da Contabilidade, a informação como recurso eficiente e útil na gestão e sobre algumas ferramentas da Contabilidade Gerencial que são de extrema importância no processo administrativo de uma empresa. Palavras-Chave: Contabilidade gerencial; Pequenas empresas; Tomada de decisão. 1 INTRODUÇÃO A Contabilidade Gerencial é um instrumento de auxílio à pequena empresa como sendo uma continuação da Contabilidade Geral, para fornecer informações exclusivas a serem utilizadas no processo decisório por parte de seus administradores. Com base nessas informações os administradores avaliam a situação da empresa e, tomam decisões as quais fornecem vantagens para investimentos. Muitos pesquisadores afirmam que estamos na era do conhecimento, o que torna necessário a criação de mecanismos, por parte da empresa, que disponibilizem uma leitura mais adequada de informações sobre a situação. No entanto, surge à importância da utilização de ferramentas de controles gerencial nas empresas. O objetivo desse artigo é discutir a importância e a possibilidade de utilização da contabilidade gerencial nas pequenas empresas. É adequado mostrar que, não o bastante as peculiaridades desse tipo de empresa e da utilização de ferramentas de controle gerencial, por parte, principalmente, de pequenas empresas. Podem contribuir para melhorar sua competitividade, à medida que, a tomada de decisão vai ser subsidiada por um processo formal que disponibiliza informações de maneira mais precisa e confiável. 233 2 CONTABILIDADE, CONCEITOS E DEFINIÇÕES A Contabilidade é um dos conhecimentos que surgiu em função de qualquer tipo de legislação fiscal ou societária, não baseada em princípios filosóficos, ou em regras estipuladas por terceiros, mas sim, pela necessidade prática do próprio gestor do patrimônio. Esse gestor passou a criar rudimentos de escrituração que atendessem a tais necessidades. Com a formação de grandes empresas, a contabilidade passou a interessar a grupos cada vez maiores de indivíduos: acionistas, financiadores, banqueiros, fornecedores, órgãos públicos, empregados, além da sociedade em geral, pois a vitalidade das empresas tornou-se assunto de relevante interesse social. Abaixo, serão apresentadas definições evidenciadas por escritores que no cenário atual são considerados os maiores nomes da contabilidade no Brasil: Para Iudícibus (1995, p. 21): O objetivo básico da contabilidade, portanto, pode ser resumido no fornecimento de informações econômicas para os vários usuários, de forma que propiciem decisões racionais. [...] todo procedimento, técnica, informação ou relatório contábil feito ‘sob medida’ para que a administração os utilize na tomada de decisões entre alternativas conflitantes, ou na avaliação de desempenho. De acordo com Crepaldi (1995, p. 20): A contabilidade tem como objetivo: controlar o patrimônio da entidade: apurar o resultado das entidades: prestar informações sobre o patrimônio, sobre o resultado das entidades aos diversos usuários das informações contábeis. Marion (1998, p. 24) relata que: A Contabilidade é o instrumento que fornece o máximo de informações úteis para tomada de decisões dentro e fora da empresa. Uma empresa sem boa contabilidade é como um barco, em alto-mar, sem bússola. Assim, pode-se dizer que a contabilidade surgiu e foi criada em função de sua característica utilitária, de sua capacidade de responder a dúvidas e de atender as 234 necessidades de seus usuários. Conjunto este de características que não só foi eficiente para o surgimento da contabilidade como também para sua própria evolução. 3 CONTABILIDADE GERENCIAL, ORIGEM, CONCEITOS E DEFINIÇÕES Sendo a Contabilidade Gerencial uma das ciências mais antiga do mundo e de grande importância para a sociedade, muitos estudiosos ainda não descobriram a época exata de seu surgimento, muitos acreditam que ela tenha surgido junto com a origem do homem em atividade econômica. Entretanto a preocupação com a riqueza faz parte do ser humano, e à medida que foram desenvolvendo as dimensões e complexidade, o homem teve que aperfeiçoar suas técnica de avaliação patrimonial. Há os que defendem sua existência enquanto ramo da contabilidade, com técnicas e procedimentos próprios. Outros acreditam existir a partir de ações que a torne concreta, produzindo, num lapso determinado de tempo, relatórios, avaliações, interpretação e informações de fatos contábeis e econômicos a fim de oferecer subsídios aos administradores para tomada de decisões. Analisam-se algumas das posições defendidas por renomados autores e estudiosos da contabilidade: Para Iudícibus (1998, p. 20). Considera que a Contabilidade Gerencial procura suprir informações que se encaixem de maneira válida e efetiva no modelo decisório do administrador, levando em conta cursos de ação futuros. Informação é uma poderosa ferramenta de gestão a disposição da organização, podendo-se traçar um planejamento estratégico adequado a partir dessas informações. De acordo com Padoveze (2000, p.27): O processo de identificação, mensuração, acumulação, análise, preparação, interpretação e comunicação de informações financeiras utilizadas pela administração para planejamento, avaliação e controle dentro de uma organização e para assegurar e contabilizar o uso apropriado de seus recursos. 235 Atkinson (2000, p. 798): A Contabilidade Gerencial é o processo de produzir informação operacional e financeira para funcionários e administradores. O processo deve ser direcionado pelas necessidades dos indivíduos internos da empresa e deve orientar suas decisões operacionais e de investimentos. Conforme Crepaldi (1998, p.18): Contabilidade Gerencial é o ramo da contabilidade que tem por objetivo fornecer instrumentos aos administradores de empresas que se auxiliem em suas funções gerenciais. É voltada para a melhor utilização dos recursos econômicos da empresa, através de um adequado controle dos insumos efetuado por um sistema de informação gerencial. São várias opiniões sobre a forma como a Contabilidade Gerencial se apresenta, não sendo unânime sua definição e caracterização. O fato é que, de alguma forma ela está presente, tanto nas empresas, a partir do gerenciamento das atividades e produção de informações à tomada de decisão, quanto no mundo acadêmico. 3.1 Abrangência e Aplicabilidade Segundo Padoveze (2000, p.48): Na atualidade não há como imaginar a Contabilidade Gerencial dissociada de um sistema de informação gerencial no sentido de utilização de recursos tecnológicos que possibilitem [on line] e [reall time] o acesso às informações para o gerenciamento da entidade. Um sistema de informação gerencial necessariamente deverá ser abrangente no sentido de obter informações das mais diversas áreas da contabilidade, vez que a contabilidade gerencial como disciplina abstrata só se faz existir concretamente quando atua como elo de ligação das diversas disciplinas autônomas visando subsidiar administradores para a tomada de decisão. Auxiliar a gerência na tomada de decisões é o objetivo precípuo da contabilidade gerencial, a identificação dos fatos contábeis e sua quantificação para estabelecer as diretrizes a serem adotadas pelos administradores devem acompanhar passo a passo o cotidiano empresarial. Portanto compete ao contador gerencial evidenciar aquilo que é relevante ou irrelevante para ser objeto de análise, aliás, a simples aglomeração de dados é algo extremamente simples de se obter através dos 236 atuais sistemas de informações computacionais. A relevância da contabilidade gerencial reside na identificação daquilo que realmente vai fazer a diferença na decisão de fabricar um bem ou adquirir de terceiros, deixar de produzir uma linha de produtos, terceirizar, enfim, cabe ao contador atuar para subsidiar o modelo para a decisão entre diferentes linhas de ação. Segundo a tipologia estabelecida por Padoveze (2000, p. 34 e 51): Existem três macros conjuntos de informações; o primeiro conjunto para satisfazer a alta administração da empresa, essas informações são caracterizadas por se apresentarem de forma sintética em grandes agregados a fim de possibilitar ao administrador uma visão conjuntural da empresa, tratam-se de informações sobre o todo empresarial e daí denominadas gerenciamento contábil global. Um segundo conjunto de informações, objetiva suprir à demanda da média administração, neste grupamento as informações é pouco mais detalhado que a anterior, mas ainda contém elevado grau de sinterização, tais informações objetivam o estabelecimento de contabilidade por responsabilidade ou contabilidade divisional em que as informações contábeis qualificam e quantificam a performance de unidades, divisões, departamentos denominado de gerenciamento contábil setorial. Por último temos o Gerenciamento Contábil Específico, o qual fornece informações detalhadas relativas às atividades operacionais, neste conjunto de informações inexiste a visão de conjunto sendo as informações diretamente associadas a uma unidade e ou setor específico. A Contabilidade Gerencial tem o seu enfoque no futuro, portanto as informações pretéritas serão relevantes se balizarem ações futuras, esta característica define como estratégicas para a contabilidade gerencial as áreas de orçamentos e projeções. Segundo Atkinson (2000, p. 45): Os objetivos dos sistemas contábeis em termos gerenciais seriam:- --Controle Operacional – Fornece Informação [feedback] sobre a eficiência e a qualidade das tarefas executadas. Custeio do produto e do cliente – Mensura os custos dos recursos para se produzir, vender e entregar um produto ou serviço aos clientes. Controle administrativo – Fornece informação sobre o desempenho dos gerentes e de unidades operacionais. Controle estratégico – Fornecem informações sobre o desempenho financeiro e competitivo de longo prazo, condições de mercado preferência dos clientes e inovações tecnológicas. 4 A CONTABILIDADE GERENCIAL NAS PEQUENAS EMPRESAS Quando se fala de pequena empresa a tendência é não dar muita importância, pois os órgãos governamentais, também não dão à devida importância. É 237 importante citar alguns números do que representa a pequena empresa no contexto da economia nacional. As pequenas empresas, no contexto do desenvolvimento regional, têm um papel decisivo. Segundo o banco de dados do SEBRAE (1999), no Brasil, apenas no ano de 1999 foram constituídas 475.005 mil empresas, dentre as quais 267.525 mil são microempresas, representando um percentual de 56,32% do total de empresas constituídas no Brasil. Baseado em números levantados pelo Sebrae, percebe-se que o Brasil começou dar mais valor para esses pequenos empreendedores, que na maioria das vezes são deixados á própria sorte. O SEBRAE (1999), nesta mesma pesquisa cita algumas das principais causas de mortalidade de pequenas empresas, como por exemplo: - Falta de Planejamento prévio; isto é, não fizeram nenhum planejamento ou plano de negócio para entrar nessa atividade. - Despreparo para a Gestão Empresarial; isto é, não tinham um fluxo de caixa, um controle financeiro, orientação sobre a comercialização, formação de preços adequados, controle de estoques, etc. Há muito descaso do empresário, quando o assunto é se basear em informações contábeis para tomada de decisão, devido o trabalho de contabilidade gerencial exigir esforço redobrado do contador na busca de dados que aos poucos se transformam em informações pensadas, analisadas e relevantes, trazendo à tona a realidade da entidade, mas as empresas não querem pagar por esse trabalho, e com isso os escritórios estão se acomodando, acabando por fornecer apenas as informações estritamente necessárias para cumprir as obrigações fiscais e legais. Assim o contador deixa de orientar o empresário com relação à contabilidade gerencial, tão indispensável para tomada de decisões na empresa; daí explica-se o alto índice de mortalidade das micro e pequenas empresas. Serão feitas algumas colocações para o pequeno empresário que depende totalmente de uma contabilidade gerencial para manter sua empresa dentro da lei e rentável. 238 O que poderia fazer a contabilidade gerencial para as pequenas empresas sem onerar muito seu custo. Conforme a pesquisa do SEBRAE (1999, p. 62) é importante citar os principais: - Orientar o empresário na formação do preço de venda, pois é fundamental embutir no preço todos os impostos, as despesas e o lucro desejado. - Montar uma planilha simples de fluxo de caixa (entradas e saídas de dinheiro), onde será registrado o saldo atual de caixa (bancos), a previsão das entradas pelas duplicatas ou vendas a receber, e ou previsão de vendas futuras; e as saídas, que são os pagamentos já compromissados e a previsão de gastos, como: Matérias primas ou mercadorias, folha de pagamento, encargos, impostos, empréstimos e outras despesas, etc. - Solicite mensalmente o volume de compras e o estoque atualizado em quantidades e valor, este será o seu termômetro para novas compras ou atender aos pedidos extras. - Solicite da mesma forma o volume de vendas e o estoque em quantidades e valor, que lhe servira de parâmetro para planejar sua produção, vendas ou serviços. - Solicite mensalmente um balancete contábil ou uma previsão mais perto da realidade, (vendas, menos impostos, menos custo das mercadorias vendidas, menos despesas), para saber o lucro do mês, isto vai lhe dar um parâmetro, para verificar se o seu preço de venda foi calculado corretamente ou se suas despesas não estão além do planejado. Com estas informações em mãos, sente-se com seu contador ou reúna-se uma vez por mês com o escritório de contabilidade para avaliação do desempenho do mês, comparando sempre com meses anteriores. O empresário também pode colaborar muito para sua empresa, fazendo cursos de capacitação de gestão de empresas, oferecido pelo Sebrae, pelo Simpi Sindicato dos micros e pequenas empresas, pela Fiesp/Ciesp, pela Associação Comercial, ou outras associações da classe. Segundo Warren (2001, p.02): A informação contábil é dividida em duas áreas: financeira e gerencial, as informações da contabilidade financeira são relatadas em Demonstrativos Contábeis úteis para os usuários da contabilidade, como por exemplo, administradores, acionistas, credores, instituições governamentais e público em geral. 239 Segundo Warren (2001, p.03): “Na medida em que a administração usa esses demonstrativos contábeis para dirigir operações atuais e planejar operações futuras, as duas áreas contábeis sobrepõem-se“. A Demonstração Contábil, objetiva e periódica, relata os resultados das operações e a condição financeira da empresa de acordo com os princípios fundamentais da contabilidade. As informações da Contabilidade gerencial incluem dados históricos e estimados usados pela administração na condução de operações diárias, no planejamento das operações futuras e no desenvolvimento de estratégias de negócios integradas. As características da contabilidade gerencial são influenciadas pelas variadas necessidades da Administração. Os relatórios de contabilidade gerencial auxiliam a administração a responder às oportunidades de negócios. Na Contabilidade moderna cada vez mais, a informação deve aparecer no suporte do ciclo de planejamento, execução e controle, que se desenvolve no processo de gestão, dai a contabilidade surgiu pela necessidade do homem em ter informações econômicas e financeiras sobre a sua empresa Segundo Marion (1993, p.30) “A função básica do contador é produzir informações úteis aos usuários da Contabilidade para a tomada de decisões”. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Podem-se observar, alguns autores defendem uma posição doutrinária no sentido da Contabilidade Gerencial, ter sua existência abstrata, ou seja, reconhecem a mesma como uma ação, tal qual um sentimento entre duas pessoas o qual todos reconhecem que existe, mas de fato, no mundo real somente existirá concretamente se houver um ato ou efeito que atue para sua ocorrência. Outros estudiosos sobre o tema, diversamente entendem a Contabilidade Gerencial como algo concreto, como um ramo da contabilidade análogo a outras disciplinas existentes da contabilidade. Neste sentido, a Contabilidade Gerencial existe por si só, possui vida própria como um membro do corpo da contabilidade. 240 Além das grandes organizações que já a utiliza, hoje com o mundo globalizado as pequenas empresas devem se preocupar cada vez mais com um bom planejamento e utilizar-se das ferramentas gerenciais que a contabilidade pode fornecer. A eficácia da contabilidade gerencial depende fundamentalmente de informações precisas, oportunas e pertinentes sobre o ambiente em que a empresa atua, e o seu desempenho dependerá das atitudes dos funcionários e gerentes, que são cruciais na conquista do sucesso de cada empresa. É vital para a sobrevivência da empresa, inserida num ambiente competitivo e diante de um cenário de incertezas, que seus gestores estejam assessorados e recebam informações as quais visualizem com antecedência os problemas futuros, e que essas informações os auxiliem nas decisões racionais, ao invés de trazer apenas demonstrações que revelam dados ultrapassados. ABSTRACT This work corresponds to the development of a research on the necessity of if to have access the useful information that make possible the manager to manage its business in efficient way, is to demonstrate the importance of the Managemental Accounting as instrument of support in the management of the businesses to the entrepreneurs of small transport. To give emphasis better to the considered subject, some reflections will be made on, the history of the Accounting, the information as efficient and useful resource in the management and on some tools of the Managemental Accounting that are of extreme importance in the administrative proceeding of a company. KEYWORKS:: Managemental accounting; Small Companies; Taking of Decision. 241 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ATKINSON, Anthony A. Contabilidade gerencial. 2.ed, São Paulo: Atlas, 2000. CONTABILIDADE. Vista & Revista. Belo Horizonte, v.13, n. 2, p. 9-24, abr. 2002. CREPALDI, Silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade: 4.ed. São Paulo: Atlas., 1995. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial: 6.ed. São Paulo: Atlas, 1998. IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Dicionário de ternos de contabilidade: São Paulo: Atlas, 1995. MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial: São Paulo: Atlas, 1993. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 2000. SEBRAE-MS. Controles gerenciais: Disponível em http://www.sebraems.com.br. Acesso em 10 de Abril de 2007. SEBRAE, período de agosto de 1998 à junho de 1999. Pesquisa desenvolvida pelo serviço brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas: Disponível em http://www.sebrae.com.br. Acesso em 10 de Abril de 2007. WARREN, Carl S.; REEVE, James M.; FESS, Philip E., Contabilidade gerencial: São Paulo: Pioneira, 2001. 242 A AUDITORIA INTERNA E SUA ACEITAÇÃO NAS EMPRESAS Renata Oliveira Caires Graduanda 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Érica Maria Aroca de Oliveira 243 RESUMO A empresa, através de seus dirigentes, é responsável pelo estabelecimento de diretrizes contábeis adequadas, pela proteção dos ativos e pelo planejamento e manutenção de um sistema de controle interno que possa assegurar, entre outras coisas, a apresentação adequada das demonstrações financeiras. A proteção que a auditoria oferece à riqueza patrimonial da empresa, dando maior segurança e garantia aos administradores, proprietários, fisco e inventores, se apresenta diante de aspectos de controle interno, como custos, financeiro, ético, econômico, administrativo, fiscal, técnico, entre outros. Embora a auditoria seja considerada instrumento indispensável de controle na moderna administração de uma empresa, não deverá no que se referem as suas funções ser interpretada com exagero, tomada como órgão de supervisão geral da empresa e substituta da própria administração. PALAVRAS-CHAVES: Auditoria; Empresa; Controle interno. 1 INTRODUÇÃO A auditoria interna é de suma importância para as organizações, desempenhando papel de grande relevância, ajudando a eliminar desperdícios, simplificar tarefas, servir de ferramenta de apoio à gestão e transmitir informações aos administradores sobre o desenvolvimento das atividades executadas, com a expansão do mercado e a grande concorrência, houve a necessidade das empresas ampliarem a suas instalações fabris e administrativas, investindo no desenvolvimento tecnológico e aprimoramento dos controles com o principal objetivo de reduzir custos e tornar mais competitivos seus produtos no mercado. As constantes mudanças e a crescente competitividade em todos os segmentos de mercado têm forçado as empresas a buscarem novas alternativas de gestão cada vez mais flexíveis e fáceis de serem adaptadas a uma nova realidade. 244 Por mais eficiente que seja um administrador, sempre pode haver algumas situações que, se não resolvidas, acabam levando a empresa para caminhos indesejáveis. 2 ORIGEM E EVOLUÇÃO DA AUDITORIA A auditoria surgiu como conseqüência da necessidade de confirmação dos registros contábeis, em virtudes do aparecimento das grandes empresas e da taxação do imposto de renda, baseado nos resultados apurados em balanço. Sua evolução ocorreu paralelamente ao desenvolvimento econômico, que gerou as grandes empresas, formadas por capitais de muitas pessoas, que têm na confirmação dos registros contábeis a proteção ao seu patrimônio. Conforme, Franco Marra (1992, p.33). A auditoria surgiu primeiramente na Inglaterra, que, como dominadora dos mares e controladora do comercio mundial, foi a primeira a possuir as grandes companhias de comércio e a primeira também a instituir a taxação do imposto de renda, baseado nos lucros das empresas. As mesmas causas responsáveis pelo surgimento da auditoria são determinantes de sua extraordinária evolução. A grandeza econômica e comercial da Inglaterra, em fins do século passado, bem como dos Estados Unidos, onde hoje a profissão é mais desenvolvida, determinou a evolução da auditoria, como conseqüência do crescimento das empresas, do aumento de sua complexidade e do envolvimento do interesse da economia popular nos grandes empreendimentos. 3 A AUDITORIA APURANDO ERROS E FRAUDES A auditoria dificulta a ocorrência de erros e fraudes, mas não se deve levar ao exagero a interpretação das possibilidades de sua total eliminação, pois isso somente seria possível com fiscalização integral e constante de todos os registros contábeis, bem como de todos os atos de administradores e funcionários. 245 Muitos erros e fraudes são dissimulados na escrituração, enquanto outras irregularidades, praticadas contra o patrimônio, não são contabilizadas, somente podendo ser apuradas por ocasião da conferencia física dos valores patrimoniais. Segundo Franco, Marra (1992, p.171). “A auditoria especifica para apurar erros e fraudes, entretanto, é aquela contratada por empresas que não mantêm auditores e que os procuram somente nos momentos em que o erro ou a fraude se manifesta”. Nessa hipótese, a administração sabe que há alcance em caixa, ou desvio de mercadorias do estoque, ou falta de prestação de contas de cobradores e responsáveis pelos valores a receber, mas desconhece a causa da irregularidade. 4 A AUDITORIA NA EMPRESA MODERNA Devido ao processo de evolução das empresas e sua potencialidade no atendimento de suas metas é preciso uma política sólida e estruturada apostando no crescimento da diversificação das atividades econômicas assegurando aos empresários um patrimônio que de retorno a suas expectativas. As empresas estão expandindo cada dia mais suas atividades, inaugurando novas filiais, diversificando e aumentando sua produção, adquirindo novos compromissos e contratando funcionários, despertando preocupações no sentido de controlar e obter informações de pessoas independentes daquelas que a executam. No entanto a administração passa a necessitar de um auditor que lhes afirme que os controles técnicos e as rotinas de trabalho estão sendo habilmente executados e que os dados contábeis, com efetividade a realidade econômica e financeira da empresa. Segundo Attie (1992 p 25): Cabe a auditoria interna convencer a administração e seus executivos de que pode auxiliá-los na melhoria dos seus negócios identificando áreas problemáticas e sugerindo correção para obter o apoio necessário ao desenvolvimento de prestação de serviço a toda empresa. A auditoria interna deve ser aplicada como um todo de forma transparente, toda empresa deve-se abrir as portas, pois será examinado dentro de sua efetividade o acesso livre ajudar, identificar e avaliar todas as áreas problemáticas concedendo-lhes alternativas sustentáveis. 246 Quando se trata de auditoria não importa a que nível, função ou setor que você exerça tudo deve ser rigorosamente analisado desde gavetas, armários, estoques, inventários etc. É importante observar que todos os setores da empresa sejam revisados em tempo hábil, para que todas as perguntas sejam respondidas em tempo real. A comunicação da auditoria deve ser formalizada e documentada mesmo depois de ocorrida, pois sempre há colaboradores interessados a corrigir os pontos a melhorar fazendo com tempo estimado os planos de ação corretivos que por sua vez deverá ser anexada no histórico da auditoria, a auditoria interna precisa planejar toda a auditoria, documentando todo seu estudo que consiste em informações básicas sobre as atividades a serem examinadas. Para que a função da auditoria interna encontre ressonância na organização é preciso que esteja firmemente escorada de um lado, na aceitação dos administradores e de outro lado pela execução de um serviço continuo e imaginativo que possa fornecer a administração. Segundo Attie (1992 p.26) O auditor interno, por sua formação, tem capacidade de revisar controles administrativos e gerenciais de qualquer atividade na empresa. Com toda está capacidade não pode ser estendida à avaliação do desempenho de atividades profissionais ou técnicas que requeiram estudo e conhecimento especializado. Esses aspectos, pois se aplicam igualmente tanto para o auditor que deve procurar fornecer amplos benefícios a sua empresa quanto para o administrador que tem conhecimento desses benefícios, mas que ainda não os obteve da auditoria interna. 5 A NECESSIDADE DA AUDITORIA INTERNA DENTRO DA EMPRESA Com as expansões dos negócios, a administração da empresa sentiu a necessidade de dar maior atenção às normas ou aos procedimentos internos. Isso decorreu do fato de que o administrador e, em alguns casos, o proprietário da empresa, não poderia supervisionar pessoalmente todas as suas atividades. 247 No entanto, de nada valeria a implantação de quaisquer procedimentos internos sem que houvesse um acompanhamento para verificar se os mesmo eram seguidos pelos empregados da empresa. Conforme Almeida (2003, p.29) O auditor interno é um empregado da empresa e, dentro de uma organização ele não deve estar subordinado àqueles cujo trabalho examina. Além disso, o auditor interno não deve desenvolver atividades que possa um dia examinar, como, por exemplo, desenvolver lançamentos contábeis. Para que não interfira em sua independência. Para atender à administração da empresa, foi necessária uma auditoria mais periódica, com maior grau de profundidade e que visasse, também às outras áreas não-relacionadas com contabilidade, como sistema de controle de qualidade, administração de pessoal, etc. A partir das necessidades mencionadas surgiu o auditor interno com uma ramificação da profissão de auditor externo e, consequentemente, do contador. 6 AUDITORES X DIRIGENTES A distinção entre a responsabilidade do auditor e a dos dirigentes da empresa quanto à apresentação das demonstrações financeiras é um dos aspectos mais relevantes no relacionamento entre ambos. A empresa, através de seus dirigentes, é responsável pelo estabelecimento de diretrizes contábeis adequadas, pela proteção dos ativos e pelo planejamento e manutenção de um sistema de controle interno que possa assegurar, entre outras coisas, a apresentação adequada das demonstrações financeiras. De acordo com IBRACON (1996 p.15) O relatório do auditor é a forma pela qual ele expressa seu parecer, ou nega, se as circunstâncias assim o requerem. Em todos os casos o auditor declara se os exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria geralmente aceitas. Dessa forma, as transações que são refletidas nas contas e demonstrações financeiras são de conhecimento e controle direto da empresas, e o conhecimento que o auditor tem dessas transações é limitado àquele adquirido através do seu exame. 248 Consequentemente, a forma e a qualidade de apresentação dos dados nas demonstrações financeiras são responsabilidades da empresa. O auditor deve fazer sugestões quanto à forma e ao conteúdo das demonstrações financeiras. Contudo, sua responsabilidade limita-se à emissão do parecer sobre as demonstrações executadas. 7 A AUDITORIA INTERNA E SUA CONSTITUIÇÃO As empresas têm optado, cada vez em maior escala, por manter um conjunto de declarações de funções que estabelecem a autoridade e a responsabilidade dos mais altos níveis, o que define a forma pela qual cada área passa a operar em função dessas determinações. Essas declarações estabelecem, de forma piramidal e por toda a organização, como os executivos consideram os propósitos, a missão e a função dentro de cada empresa. Dentro desse conjunto de declarações encontra-se a auditoria que necessita de estrutura firme e compacta que suporte o funcionamento da atividade com independência e objetividade, a atuação da auditoria deve-se limitar a aplicação de conhecimentos, obtidos por sua experiência em trabalhos profissionais. Geralmente, o conhecimento do auditor resume-se ás matérias contábeis, econômicas, financeiras, administrativas, e de controle. De acordo com Attie (1992 p.40) Nas grandes organizações, financeiros e complexos industriais que reúnam diversidade de atividades aditáveis locais, número elevado de funcionários de empresas com atividades afins ou complementares pode tornar-se comum uma estrutura de auditoria, que engloba níveis variáveis, de diretor a auxiliares de auditoria. Cada organização precisa ser analisada de acordo com o volume de trabalho que tenha a ser realizado e a periodicidade com a qual tenha de ser concretizada. Mais recentemente a auditoria tem aumentado seu horizonte ao desenvolver os aspectos da área fiscal devido à vasta legislação e diversificação dos impostos e a área de sistemas computadorizados, tendo em vista sua acentuada utilização nos procedimentos contábeis. 249 Devido ao exposto, o documento de constituição da auditoria interna precisa determinar a finalidade, autoridade e responsabilidade deste órgão perante a empresa e a medida do necessário as limitações do alcance e formas de trabalho. A estrutura da auditoria interna pode variar de acordo com as circunstancias de cada organização as empresas de pequeno porte pode dispor-se de uma estrutura de auditoria de apenas um elemento, exercendo este as atividades de planejamento e execução. Conforme Attie (1992 p.41) Em organizações de porte médio, a auditoria interna pode ser montada considerando-se um gerente ou supervisor, que exerça a função de planejamento e controle dos serviços em andamento e um corpo de auditores que executem as tarefas e serviços planejados. Nas grandes organizações, financeiros e complexos industriais que reúnam diversidade de atividades aditáveis locais, número elevado de funcionários de empresas com atividades afins ou complementares pode tornar-se comum uma estrutura de auditoria, que engloba níveis variáveis, de diretor a auxiliares de auditoria. 8. PAPEIS DE TRABALHO Os papéis de trabalho são elaborados, estruturados e organizados para atender às circunstâncias do trabalho o auditor pode usar quaisquer documentos e demonstrações preparadas ou fornecidas pela entidade, desde que avalie sua consistência e se satisfaça com sua forma e conteúdo. Necessidades do auditor para cada auditoria os papéis de trabalho padronizados podem melhorar a eficácia dos trabalhos, e sua utilização facilita a delegação de tarefas, proporcionando meio adicional de controle de qualidade. Segundo o site Portal de Contabilidade (2007) O auditor deve adotar procedimentos apropriados para manter a custódia dos papéis de trabalho pelo prazo de cinco anos, a partir da data de emissão do seu parecer. Necessidades do auditor para cada auditoria os papéis de trabalho padronizados podem melhorar a eficácia dos trabalhos, e sua utilização facilita a delegação de tarefas, proporcionando meio adicional de controle de qualidade. 250 A confidencialidade dos papéis de trabalho é dever permanente do auditor. A extensão dos papéis de trabalho é assunto de julgamento profissional, visto que não é necessário nem prático documentar todas as questões de que o auditor trata; entretanto, qualquer matéria que, por ser relevante, possa influir sobre o seu parecer, deve gerar papéis de trabalho que apresentem as indagações e conclusões do auditor. De acordo com o site Portal de Contabilidade (2007) O auditor deve registrar nos papéis de trabalho informação relativa ao planejamento de auditoria, a natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos aplicados, os resultados obtidos e suas conclusões da evidência da auditoria. Ao avaliar a extensão dos papéis de trabalho, o auditor deve considerar o que seria necessário para proporcionar o outro auditor, sem experiência anterior com aquela auditoria, o entendimento do trabalho executado e a base para as principais decisões tomadas, sem adentrar os aspectos detalhados da auditoria, é possível que esse outro auditor somente possa entender os fatos analisados pela auditoria discutindo-os com os auditores que preparam os papéis de trabalho. 9 AUDITORIA INTERNA E AUDITORIA EXTERNA Existem diferenças entre trabalho do auditor externo, profissional contratado pela organização para a realização do trabalho de forma independente, sem vinculo empregatício, e o do auditor interno, funcionário integrante, dos quadros da empresa. Enquanto este pretende testar a eficácia dos controles internos e dos sistemas utilizados, o auditor externo é um consultor que pode auxiliar na melhor adequação dos registros contábeis da empresa, inclusive com a emissão do parecer, se necessária. Segundo o site Faculdade de Administração e Economia (2007) A auditoria externa, em virtude de sua função garantidora no exame de fidedignidade das demonstrações financeiras pode utilizar-se de parte dos serviços da auditoria interna, sem, contudo deixar de cumprir o seu objetivo. Deve, portanto, coordenar suas ações de modo que seus programas adotem procedimentos idênticos e impeçam a execução de tarefas repetidas. O auditor interno preocupa-se com o desenvolvimento do empreendimento da entidade e o auditor externo, com a confiabilidade dos registros, 251 embora operando em diferentes graus profundidade/externa, a auditoria interna e a auditoria externa tem interesses comuns, daí a conexão existente no trabalho de ambas. A auditoria é executada por profissionais habilitados para os trabalhos de auditorias contábeis, é avaliada pelo sistema contábil de controle interno da empresa, como base para determinar a confiança que neles se possa depositar, bem como fixar a natureza e a extensão dos procedimentos de auditoria a serem aplicadas. Os procedimentos serão estendidos até a obtenção dos elementos necessários à fundação do parecer do auditor. Conforme Albuquerque (1977, p.223): “Sempre que houver interrupção na prestação dos serviços, o fato será comunicado através de exposição firmada pela empresa, de que conste a anuência do auditor”. Recomenda-se que a contratação, pela empresa, dos serviços de auditor, seja feita com certa antecedência, a fim de assegurar, a este, por tempo para planejamento e trabalho a ser executado antes e por ocasião do levantamento do balanço. 10 CONSIDERAÇÕES FINAIS A função do auditor interno dentro de uma empresa é acompanhar diariamente o cumprimento dos procedimentos internos, verificar se esses procedimentos são adequados e se atingem aos objetivos da empresa. A auditoria interna é indispensável para encontrarem falhas e erros nos sistemas de gestão e produção de qualquer empresa ou unidade gerencial, sua aceitação é a chave fundamental para o desenvolvimento produtivo surgindo harmonia entre produção de alta escala e um plano de qualidade total. Portanto, fica claro que a auditoria interna é uma ferramenta importante como controle administrativo, proporcionando uma auditoria continua e maior segurança ao funcionamento correto das operações. Com o acompanhamento de um auditor e um sistema de custos adequado, a empresa fica mais reestruturada internamente, havendo, com isso maior 252 confiabilidade nos relatórios e resultados apurados. Portanto, a empresa se torna mais competitiva, pois estará com seus custos controlados, podendo levar seu produto aos clientes com um preço adequado ao do mercado. ABSTRACT The company, through its leader, is responsible for the accounting guidelines appropriate for the protection of assets and he planning and maintaining a system of internal control that could ensure, among other things, the appropriate presentation of financial statements. The protection that the audit provides the rich heritage of the company, providing greater safety and security for administrators, owners, tax authorities and investors, presents itself before aspects of internal control, such as costs, financial, ethical, economic, administrative, fiscal, technical, among other. While the audit is considered indispensable instrument of control in the modern management of a company, not as they relate to its function be interpreted with exaggeration, taken as a general oversight of the company and replacement of the administration itself. KEYWORDS: Auditor; Enterprise; Internal control. 253 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA ATTIE, William. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1992. ALMEIDA; Marcelo Cavalcanti. Auditoria: Um Curso Moderno e Completo. 6. ed.São Paulo: Atlas, 2003. ALBUQUERQUE, J.Celso, Veloso Auditoria contábil. São Paulo: Gráfica editora, 1977. CURSO básico de auditoria 1: normas e procedimentos. 2.ed. São Paulo: 1996 Atlas. FACULDADE de Administração e Economia. Auditoria interna e auditoria externa na empresa: Disponível em: <http://www.fae.edu/publicacoes.com. br>. Acesso em: 24/07/2007 FRANCO, Hilário, MARRA, Ernesto. Auditoria contábil. 2. ed. São Paulo: 1992 Atlas. PORTAL de Contabilidade. A Importância do Papeis de Trabalho na empresa. Disponível em: < http://www.portaldecontabilidade.com.br>.Acesso em: 29/06/2007 . 254 A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA PROFISSÃO CONTÁBIL Roney Ottoni de Souza Graduando 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Ms. Márcia Dozineth Prete 255 RESUMO Embora somente haja pouco tempo esse assunto venha assumindo a importância que merece, deve ser observado que nenhuma profissão e nenhuma sociedade, quaisquer que sejam suas características, podem cumprir com sucesso sua finalidade sem o suporte da Ética. A exigência Ética fundamental hoje consiste em recuperar a possibilidade de reconstruir relacionamentos de comunhão de pessoas e comunidades. O estudo irá mostrar que Ética hoje significa bem estar social, e com o desenvolvimento de geração após geração, os hábitos, costumes, enfim o modo de viver das pessoas muda. PALAVRAS-CHAVE: Ética; Contabilidade; Sociedade. 1 INTRODUÇÃO O estudo da Ética de forma geral, e o de sua aplicação ao exercício de uma profissão em particular, precisa receber maior atenção na educação e formação de todo estudante; e isso se aplica muito especialmente à formação do contador. A contabilidade está inserida no meio de agentes com interesses conflitantes; ora, está no meio da disputa entre o fisco e o contribuinte, ora entre os sócios, ora entre a empresa e seus empregados, entre o chefe e seus subordinados, entre os proprietários e os administradores, entre os concorrentes etc. Daí a necessidade de um comportamento ético a servir, a par do conhecimento técnico propriamente dito, de inabalável esteio ao exercício desta sofrida profissão. O objetivo específico da monografia é esclarecer o sentido da ética na profissão contábil, articulando os conceitos mais recorrentes nesse âmbito de discussão e procurando resgatar as determinações concretas da existência humana que engendram a esfera do valor, notadamente no que diz respeito à conduta profissional numa sociedade mundializada e, mais especialmente, às questões e dilemas éticos que acontecem a categoria dos Contabilistas. Pretende-se ainda, destacar que o conhecimento do profissional contábil, implica atualização constante, entre elas: 256 - conhecer de forma ampla a atividade da empresa, aqui incluído o seu mercado de atuação e conhecer de maneira clara o modelo de decisão dos usuários das informações contábeis; - Mostrar que o contador ético é aquele que apresenta bom caráter, que acredita nos valores morais, na dignidade humana, na busca pela realização plena, tanto pessoal como profissional; - Relatar como deve ser o perfil do profissional contábil; - Analisar o comportamento do profissional contábil, enfatizar que ele tem que ter um comportamento ético-profissional inquestionável, saber manter sigilo, ter conduta pessoal, dignidade e honra, competência e serenidade para que proporcione ao usuário uma informação com segurança e confiabilidade que ele merece, são fatores condicionantes do seu sucesso. 2 PROFISSIONAL EM CONTABILIDADE E ÉTICA GERAL Mas o que exatamente quer dizer ética? É evitar que ações individualistas comprometam o ganho coletivo, que prejudiquem alguém. É cultivar as chamadas virtudes profissionais: sigilo, lealdade, coragem, imparcialidade e responsabilidade, por exemplo. Em outras palavras, significa agir de acordo com o conjunto de valores morais da sociedade, que todos nós conhecemos ou deveríamos conhecer. Se infringirmos essas regras, baseado nos conceitos do bem e do mal está sendo antiético. E não existe meio-termo. Podemos então, conceituar a ética como sendo a ciência que estuda a conduta dos seres humanos, analisando os meios que devem ser empregados para que a referida conduta se reverta sempre em favor do homem. De acordo com Vasquez (1995, p. 12) a ética “é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja, é a ciência de uma forma específica de comportamento humano”. A ética é indispensável ao profissional, porque na ação humana “o fazer” e “o agir” estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta 257 do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão, ou seja, ético é todo profissional que tem como meta sentir-se íntegro e pleno da alegria de viver. Convicto de que todos os demais podem se sentir assim também. Cultiva o pensamento cooperativo. Tem um profundo e inabalável respeito pelos acordos firmados. Segundo Motta (1984, p. 69): A ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, “o agir” da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: “o que é” o homem e “para que vive”, logo toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. A ética está relacionada à opção, ao desejo de realizar a vida, mantendo com as outras relações justas e aceitáveis. Via de regra está fundamentada nas idéias do bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa existência plena e feliz. O Código de Ética Profissional do Contabilista não contém proibição sobre a adoção de programas de qualidade no âmbito das empresas contábeis. Por outro lado, a certificação trata da participação da empresa contábil em um programa de qualidade, no sentido de demonstrar o seu compromisso com a qualidade e a ética. Atualmente, o mercado de trabalho oferece diversas oportunidades ao Bacharel em Ciências Contábeis. Entretanto, apresenta-se altamente exigente no que diz respeito à formação desse profissional, o qual deve atender com versatilidade às diferentes demandas organizacionais. Estas, por sua vez, requerem visões aprofundadas, críticas e analíticas das diversas necessidades profissionais, incluindo aquelas que envolvem o processo gerencial e o papel de liderança, exigindo do profissional de contabilidade a formação acadêmica completa. Tendo como objetivo o de habilitar o contador a adotar uma atitude pessoal, de acordo com os princípios éticos, ou seja, tais princípios dizem respeito à responsabilidade perante a sociedade e para com os deveres da profissão. Motta (1984), afirma que a Contabilidade destaca-se por seu papel de proteção à vida da 258 riqueza das células sociais e pela capacidade de produzir informes qualificados sobre o comportamento patrimonial. Para Fortes (2002, p. 117): O Código de ética profissional do Contabilista, como fonte orientadora da conduta dos profissionais da classe contábil brasileira, tem por objetivo fixar a forma pela qual se devem conduzir os profissionais da contabilidade, sobretudo no exercício das suas atividades e prerrogativas profissionais estabelecidas na legislação vigente. Logo, o código de ética profissional do contabilista determina que conceitos básicos de direitos e deveres dentro de uma profissão sejam cumpridos, que não se admite erros, que estes conceitos sejam conhecidos na íntegra, antes de emitilos. De acordo com Nalini (1999), o profissional contábil tem que ter um comportamento ético-profissional inquestionável, saber manter sigilo, ter conduta pessoal, dignidade e honra, competência e serenidade para que proporcione ao usuário uma informação com segurança e confiabilidade que ele merece, são fatores condicionantes do seu sucesso. Para Fortes (2002), o egresso deve possuir competências multidisciplinares, capacidade de auto-aprendizagem, senso empreendedor e domínio de novas tecnologias, enfrentando as rápidas transformações da sociedade, das relações de trabalho e das condições de exercício profissional. Deve estar apto para atuar em organizações públicas ou privadas, nas mais diversas carreiras, como: consultoria, auditoria, carreiras administrativas, comércio exterior, assessoria parlamentar, dentre outras, estando preparado para se adaptar às mudanças do ambiente organizacional, econômico, político e social. Segundo Nalini (1999, p. 308): A Ética é a ciência vinculada a julgamento de apreciação moral, sobre juízos de valores amarrados à distinção entre o bem e o mal. Ela é um valor de primeira grandeza para o profissional. Nunca o contabilista deve abrir mão de certos princípios, como a honestidade e a transparência. O problema é o que fazer para manter tais princípios. É necessário desenvolver uma boa estratégia para garantir a manutenção da ética. 259 A ética profissional indaga qual deve ser a conduta do contabilista de modo a acrescentar algo a ele mesmo enquanto ser humano, e à sociedade. Logo, falar de ética profissional é falar da realização do homem, da felicidade de cada um enquanto partícipe na construção do bem de todos, pelo desempenho da sua atividade. Atualmente, pequenas e grandes empresas dos mais variados setores carecem das diversas competências do moderno profissional das Ciências Contábeis. As demandas por este profissional não mais se limitam a meros registros contábeis, mas requerem visões aprofundadas, críticas e analíticas das diversas necessidades organizacionais, inclusive aquelas que envolvem o processo gerencial e o papel de liderança, levando o Contador a buscar uma sólida formação acadêmica. O profissional de contabilidade enfrenta inúmeros dilemas éticos no cotidiano do exercício de sua profissão. Essas situações críticas situam-se na esfera dos cotidianos de dever, direito, justiça, responsabilidade, consciência e vocação. Fortes (2002), o profissional contábil é aquele cuja atividade, basicamente, é a prestação de serviços, tendo como função à de fornecer informações e avaliações, principalmente as de natureza física, financeira e econômica sobre o patrimônio das pessoas físicas ou jurídicas de qualquer natureza e que objetivam auxiliar no processo de tomada de decisões e inferências sobre as tendências futuras dessas entidades. De acordo com Fortes (2002, p. 108): Os contabilistas, como classe profissional, caracterizam-se pela natureza e homogeneidade do trabalho executado, pelo tipo e características do conhecimento, habilidades técnicas e habilitação legal exigidos para o seu exercício da atividade contábil. Portanto, os profissionais da contabilidade representam um grupo específico com especialização no conhecimento da sua área, sendo uma força viva na sociedade, vinculada a uma grande responsabilidade econômica e social, sobretudo na mensuração, controle e gestão do patrimônio das pessoas e entidades. O dever corresponde à obrigação de oferecer, realizar ou omitir algo diante do direito de alguém. A obrigação do contador de uma empresa é realizar os serviços de natureza contábil da instituição, com qualidade, dentro de um determinado prazo. Tal obrigação é um dever desse profissional e um direito da empresa. 260 4 A ÉTICA PROFISSIONAL EXERCIDA PELOS CONTADORES Para Motta (1984), é possível constatar que em virtude do desafio para o profissional contábil de manter registros verdadeiros, agir com honestidade e dignidade em meio ao mundo globalizado em que vivemos, dentro dos padrões éticos propostos, tem sido uma difícil e árdua tarefa. Muitos são os que, corrompidos, mancham essa profissão e ferem princípios jurados quando graduados. Por outro lado há aqueles que de posse de um caráter formado e de conduta reta têm exercido influência e mostrado a importância de manter tais princípios e mostrado que mais do que útil, a ciência contábil é vital, porém estes são considerados conservadores e a cada nova geração, raros. Segundo Motta (1984, p. 69): A ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, "o agir" da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética, logo toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. É possível constatar que em virtude do desafio para o profissional contábil de manter registros verdadeiros, agir com honestidade e dignidade em meio ao mundo globalizado em que vivemos, dentro dos padrões éticos propostos, tem sido uma difícil e árdua tarefa. Muitos são os que, corrompidos, mancham essa profissão e ferem princípios jurados quando graduados. Por outro lado há aqueles que de posse de um caráter formado e de conduta reta têm exercido influência e mostrado a importância de manter tais princípios e mostrado que mais do que útil, a ciência contábil é vital, porém estes são considerados conservadores e a cada nova geração, raros. 5 ATUAÇÃO PROFISSIONAL De acordo com Sá (2000), o profissional contábil deve possuir perfil e formação humanísticos, uma visão global que o habilite a compreender o meio social, 261 político, econômico e cultural onde está inserido, tomando decisões em um mundo diversificado e interdependente. Deve ter uma formação técnica e científica para desenvolver atividades específicas da prática profissional, com capacidade de externar valores de responsabilidade social, justiça e ética. Deve ter competência para compreender ações, analisando criticamente as organizações, antecipando e promovendo suas transformações, compreensão da necessidade do contínuo aperfeiçoamento profissional, desenvolvimento da autoconfiança e capacidade de transformar. O contabilista conhece todas as informações que compõem a movimentação de uma empresa, desde a negociação da compra de mercadorias ou matérias-primas até a elaboração final do produto para a venda, passando por todos os centros de custo na área da produção e por todos os setores componentes da área administrativa. Na produção, com a Contabilidade de Custos, o contabilista tem condições de diminuir os gastos despendidos pela empresa e assim aumentar a lucratividade através de uma nova composição no preço de venda. Na administração, com a Contabilidade Gerencial, detém as informações das aplicações que proporcionarão ganhos para a empresa. ..... A busca de produtividade aliada à redução de custos confirma que a globalização também atingiu a estrutura organizacional da empresa, alterando as funções existentes e deixando-as mais amplas. Para ser gerente não basta ser eficiente no desempenho das funções, é preciso ser eficaz. Ser eficaz é a função do gerente contábil. A empresa deve ter consciência dos seus objetivos. Segundo Sá (2000), a meta da empresa corresponde ao propósito global da organização e quem deve definir tal objetivo são seus proprietários. Ao contabilista cabe procurar explorar as restrições que o sistema impõe em busca de um melhor resultado, utilizando-se do seu conhecimento para estabelecer parâmetros que guiem as ações operacionais no sentido do cumprimento da meta. O planejamento das atividades é o início de uma gestão empresarial moderna que procura alternativas de ação que melhor atendam aos princípios estabelecidos. 262 A Contabilidade participa da gestão da empresa sob vários aspectos, podendo atuar em todas as áreas, através da Contabilidade Financeira, da Contabilidade Gerencial, da Contabilidade de Custos ou ainda da Auditoria. Tendo o planejamento adotado, para uma gestão eficaz, o contabilista terá que tomar as decisões visando maximizar o uso dos recursos e o retorno dos investimentos efetuados, baseando-se nas informações oferecidas pela Contabilidade. A informação é o elo entre o processo Contábil e o de tomada de decisão. O comportamento esperado do contabilista, enquanto administrador de pessoas iguala-se ao comportamento esperado de qualquer outro profissional na mesma situação. Os profissionais que mais se enquadram nessas exigências são os contabilistas, mas, para alcançar tal posição, têm que fazer do conhecimento a sua principal ferramenta. Muitas são normalmente apontadas como componentes necessários à personalidade de um líder, como honestidade, carisma, coragem, honradez etc. Uma parcela significativa dos contabilistas assume papel de liderança em seu cotidiano, seja atuando de forma independente, seja como representante de terceiros, seja como empregado. Atuando como contador de empresas, o profissional, seja ele um bacharel em Ciências Contábeis seja um Técnico em Contabilidade, como empregado ou por conta própria, precisa: conhecer de maneira profunda os Princípios Fundamentais de Contabilidade em vigor no Brasil, da mesma forma que no país de origem da empresa, quando for o caso de ela não ser brasileira. Vale destacar que esse conhecimento implica atualização constante; conhecer profundamente o sistema tributário do país, especialmente no que diz respeito aos tributos inerentes à atividade da empresa; conhecer de forma ampla a atividade da empresa, aqui incluído o seu mercado de atuação e conhecer de maneira clara o modelo de decisão dos usuários das informações contábeis. O profissional, especialmente quando na condição de empregado da empresa, não deve deixar que sua eventual dependência econômica do empregador o obrigue a divulgar informações não verdadeiras. Sá (2000); é a linguagem dos negócios, isto é, consiste na coleta de dados decorrentes de transações ou operações, mensuração e processamento dos 263 mesmos e produção de informação acerca do patrimônio e do desempenho das entidades. Essas entidades podem ser governamentais (Municípios, Estados ou a União) ou privadas (firmas com fins lucrativos, familiares, abertas, multinacionais, ou entidades sem fins lucrativos), ou mesmo, pessoas físicas. De acordo com Sá (2000), a atividade do profissional em contabilidade pode ser resumida em: reconhecimento dos eventos econômicos passíveis de registro, em mensuração ou precificação dos mesmos e em comunicação ou divulgação dos resultados dos eventos reconhecidos e mensurados. A atividade profissional do contador sofreu significativa alteração ao longo dos anos. Atualmente, é necessário que o contador conheça o negócio que a entidade para a qual trabalha desenvolve, entenda a posição dessa entidade em relação ao mercado no qual atua (fornecedor, consumidor, concorrência, governo etc.), conheça os gestores e o que eles precisam para, então, descobrir a necessidade informacional de seu cliente – o usuário da informação contábil. ABSTRACT Although there is only little time that subject it is assuming the importance that deserves, it should be observed that any profession and any society, any that are your characteristics, they can execute your success purpose without the support of the Ethics. The fundamental Ethical demand today consists of recovering the possibility to reconstruct relationships of people's communion and communities. The study will show that Ethics today means well to be social, and with the generation development after generation, the habits, habits, finally the way of living of the people changes. KEYWORD: Ethics; accounting; society 264 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA FORTES, José Carlos. Ética e responsabilidade profissional do contabilista. Fortaleza: Fortes, 2002. MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 7.ed. São Paulo: Atlas, 1998. MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural Edições, 1984. NALINI, José Roberto. Ética Geral e Profissional. 2.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. SÁ, Antonio Lopes de. Ética Profissional. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000. SILVA, Tânia Moura da; SPERONI, Valdemar. Os princípios éticos e a ética profissional. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, ano 27, nº 113, p. 77 VASQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. 15. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995. VAZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 25.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004. 265 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES CONTÁBEIS: A CONTABILIDADE HOJE Clair Teresa de Oliveira Ramos Soiane Dornelos de Oliveira Graduandos 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete 266 RESUMO O mundo dos negócios tem convidado os profissionais de diversas áreas a evoluir de forma idêntica à velocidade da tecnologia e da nova economia, Brasil vive um momento extraordinário relevante para o profissional da contabilidade e especialmente para as empresas que prestam serviços contábeis. Estas podem redirecionar suas atividades apoiando-se nos avanços tecnológicos proporcionando as seus clientes o que há de melhor no conhecimento contábil. Na atualidade, os avanços tecnológicos na área contábil vêm sendo marcados pelo ritmo acelerado e pelas variedades de inovações tecnológicas que estão sendo introduzidas no mercado. PALAVRAS-CHAVE: Internet; Tecnologia; Informação. 1 INTRODUÇÃO A Contabilidade recebe influências diretas ou indiretas das inovações tecnológicas, a serem tratadas neste trabalho. No mundo atual, todo o universo contábil pode e precisa ser apoiados pelos equipamentos, Sistemas, Produtos e Serviços de Informática com os quais suas atividades podem ser automatizadas, aumentando significativamente a sua produtividade e a qualidade nas apresentações de seus relatórios, racionalizando seu tempo e enfim racionalizando de modo efetivo todas as tarefas contábeis. As informações contábeis têm uma importância significativa na manutenção da dinâmica empresarial, sendo assim consideradas como das mais importantes dentro de todo contexto de informações gerencias. A Ciência Contábil deve dar suporte à decisão dos entes gestores de determinada entidade, com informações relevantes e oportunas, obtidas a partir de adequada mensuração dos eventos cabíveis que venham modificar seu patrimônio. Informações, controles e outras produções da Contabilidade devem ser cada vez mais eficientes, para a eficácia dos negócios, não bastando para a empresa obter as informações contábeis de qualquer maneira. Para isso as empresas podem utilizar-se da ferramenta informática, que tem cada vez mais oferecido condições de suprir tais necessidades, oferecendo grandes benefícios como: padronização do processamento das operações nos escritórios, maior disciplina na 267 preparação de dados, flexibilidade das operações, economia de tempo e dinheiro, e outros. O objetivo principal deste trabalho será demonstrar importância da informática na atividade contábil, em seus diversos segmentos, como Internet, comércio eletrônico e softwares melhorando seus instrumentos de informação no que diz respeito à qualidade, rapidez, agilidade e confiabilidade. 2 A INFLUÊNCIA DOS SISTEMAS NA CONTABILIDADE O sistema permite que a empresa padronize seu sistema de informações. Dependendo das aplicações, o sistema pode gerenciar um conjunto de atividades que permitam o acompanhamento dos níveis de fabricação em balanceamento com a carteira de pedidos ou previsão de vendas. O resultado é uma organização com um fluxo de dados consistentes que flui entre as diferentes interfaces do negócio. As empresas necessitam de uma estrutura de informática mais completa, inclusive com a utilização de redes em todas as áreas que possam prover informações. A automação das empresas atinge praticamente todos os setores, exigindo a sua integração, de maneira que a informação possa fluir com rapidez para as áreas que se interessam por ela. (OLIVEIRA, 1997, p. 57) Na essência, os sistemas funcionam com a utilização de uma base de dados comum. Assim, decisões que envolvem análise de custos, por exemplo, podem ser calculadas com o rateio de todos os custos na empresa com melhor performance do que com o levantamento parcial em cada unidade, além de evitar a conciliação manual de informações obtidas entre as interfaces dos diferentes aplicativos. Um sistema integrado oferece a possibilidade de melhoria de relatórios, fidelidade de dados, consistência e comparação de dados, devido à utilização de um critério único em todas as atividades da empresa. A grande difusão que atualmente vem acontecendo dos sistemas integrados de gestão possibilita a gestão global da empresa e ainda procura gerir toda a cadeia logística de suprimentos. O sucesso de tais softwares advém, sobretudo, dos enormes ganhos oriundos, pura e simplesmente, da integração do que antes se encontrava isolado em diversos sistemas e bases de dados, enclausurado na estrutura funcional. Seu uso traz impacto à estrutura 268 organizacional, à cultura e à estratégia da empresa, alterando seus processos e a forma como realiza suas atividades. Esses sistemas, pelos ganhos oriundos da integração, forçam o redesenho dos processos, possuindo a habilidade, inerente à concepção dos sistemas com uso de bancos de dados consolidados, de simplificar o fluxo de informações. Por conta disso, modifica as estruturas gerenciais, que passam a ser mais horizontalizadas, flexíveis e democráticas, como a própria estrutura organizacional da empresa. (CAMEIRA, 1999, p. 38) No entanto, a relato de como a automação e a integração por computador trazem fortes impactos no ambiente de negócios. O uso de softwares cada vez mais complexos, bem como o investimento na área de informação, aumentará os custos com computação. Tais custos passarão a ser tão grande que excederão o custo de ativos tangíveis no futuro. Isso significa que o gerenciamento de contabilidade de custos de software e de investimento na área de informação aumentará sua importância aos olhos dos administradores – tornando-se talvez o componente individual mais importante em um futuro próximo. 3 DESEMPENHO DOS SOFTWARES NA CONTABILIDADE É sempre bom lembrar que, salvo casos específicos, a legislação apesar de suas amplitudes, é invariavelmente a mesma para todos e, portanto, diretrizes básicas deverão ser seguidas da mesma forma por quaisquer empresas fornecedoras de softwares. Atualmente todo profissional, independentemente de sua área de atuação, depende de sistemas informatizados (software) para a gestão de negócios, sejam eles parcial ou integral. Para a contabilidade vem se tornado uma relação de dependência o uso de softwares específicos para esta área. (SAKURAI, 1997, p. 10) Já no primeiro passo, a escolha, nos depara com as primeiras dificuldades: o software terá capacidade operacional suficiente? Suas atualizações serão constantes e seguirão a legislação? O suporte técnico e operacional será eficiente? Feita a escolha e posteriormente a implantação, todo aquele universo teórico e maravilhoso que foi apresentado até então, costuma ser bem diferente na prática do dia-a-dia. 269 Constantes panes, divergências (principalmente nos primeiros meses de uso), a falta de explicações mais objetivas e de maiores esclarecimentos sobre as configurações e rotinas internas, fazem com que o profissional responsável por esta escolha sinta-se em um verdadeiro campo de batalhas, onde as informações perdidas fazem às vezes dos projéteis sem destinos. (SAKURAI, 1997, p. 99) O nível de exigência, os impactos e reflexos futuros até o acerto das configurações dos softwares impactam em sérias conseqüências, como trabalhos reprocessados, desgaste físico e mental, reflexos no ambiente organizacional, pressão interna e externa e, em alguns casos, autuações por órgãos fiscalizadores pela incompleta ou errônea entrega de informações e elaboração de impostos. Dentro deste contexto, pode-se dizer que existem dois universos distintos. O primeiro é aquele que abrange as pequenas organizações, que geralmente dependem de um único software para a administração dos dados e de outros (obrigatórios) fornecidos por órgãos governamentais, tendo dificuldades em menores dimensões, até mesmo pela quantidade de informações a serem administradas e o segundo é aquele que abrange médias e grandes organizações, onde encontramos além do software de administração de pessoais outros auxiliares, passando por dificuldades que, muitas vezes, podem tomar dimensões inimagináveis. É claro que não é somente dos softwares que as dificuldades se originam. Muitas vezes uma pane na estação de trabalho ou servidor (hardware) também pode ser fatal e apresentar conseqüências com dimensões imensuráveis. Panes em hardwares costumam originar a perda de base de dados e totais desconfiguração dos softwares (precisam ser reinstalados). É claro que a tendência é de melhora constante e as promessas são de um funcionamento e desempenho beirando a perfeição e, claro, com taxa de panes próxima de zero. Este sim é o que se espera e o que se deseja, afinal, desta forma sobrará mais tempo para o profissional de administração de pessoal se dedicar às suas tarefas fins. 270 4 A INTERNET E O COMÉRCIO ELETRÔNICO NA CONTABILIDADE A internet rapidamente disseminou-se por todo ambiente empresarial nacional, afetando por conseqüência a Contabilidade. A sua utilização como fonte de pesquisa, como local para obtenção de softwares (principalmente de órgãos públicos) através dos downloads, ou ainda a radical transformação das empresas contábeis tradicionais em virtuais são pontos significativamente importantes na atualidade do cotidiano do profissional contábil e merecedores de maiores estudos. O comércio eletrônico ou E-commerce é mais que uma tendência: já é uma realidade no cotidiano de significativa parcela dos consumidores no Brasil e em especial dos países mais desenvolvidos. As empresas que ignorarem tal realidade encontrarão dificuldades em permanecer no mercado competitivo, pois os concorrentes terão uma expressiva vantagem competitiva, quer em custos baixos e/ou em diferenciação. A Gestão Estratégica de Custos, além de sofrer o impacto desta forma de utilização das inovações tecnológicas, pode servir como um meio para que se consiga transformar o comércio eletrônico em grande oportunidade de negócios e sustentar uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes. A Contabilidade, principalmente a Contabilidade Gerencial, passa a contar com uma fonte de informações curial, que, convenientemente utilizada, pode ser uma importante ferramenta de fortalecimento da importância da área contábil no meio empresarial. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A progressiva evolução da tecnologia e as constantes mudanças no contexto econômico, social e político, e na estrutura organizacional das empresas, como é o caso das empresas virtuais, influenciam o mundo dos negócios a se adaptarem a uma nova realidade de trabalho, exigindo que os profissionais de diversas áreas estejam prontos para atenderem o mercado externo. Evidentemente a contabilidade não deixou de sofrer essas influências, passando a assumir novos 271 desafios, traduzidos pelo volume e pela complexidade das transações que envolvem as operações das empresas em geral. A revolução na atuação do profissional contábil, conta com a utilização da tecnologia da Informação que possibilitou que este trabalhasse com a internet, o comércio eletrônico e softwares na contabilidade. Essas alternativas possibilitaram uma grande eficiência no trabalho tanto para os profissionais da área como para os empresários possibilitando para esses, uma tomada de decisão. Observa-se que os avanços tecnológicos deram grande contribuição para que os profissionais repensassem em sua maneira de trabalhar, utilizando-se desses benefícios trazidos pela era virtual. Uma desvantagem da tecnologia é o vício e a dependência que limitou aos profissionais da era atual para somente trabalharem com softwares da área de contabilidade, sendo assim, ao acontecer um problema no sistema, a empresa pode correr o risco de ter todo o seu trabalho parado. ABSTRACT The world of the businesses has guest the professionals of several areas to develop from an identical way to the speed of the technology and of the new economy, Brazil lives a relevant extraordinary moment for the professional of the accounting and especially for the companies that render accounting services. These can redirect their activities leaning on in the technological progresses providing to their customers that there is of best in the accounting knowledge. At the present time, the technological progresses in the accounting area have been marked by the accelerated rhythm and for the varieties of technological innovations that you/they are being introduced at the market. KEYWORDS: Internet; Technology; Information. 272 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA CAMEIRA, Renato Flórido. Sistemas integrados de gestão: perspectivas de evolução e questões associadas. Rio de Janeiro: UFRJ, 1999. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1998. MATZ, Adolph; CURRY, Other; GEORGE, Frank W. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 1987. OLIVEIRA, Edson. Contabilidade informatizada. São Paulo: Atlas, 1997. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 1997. SAKURAI, Michiharu. Gerenciamento integrado de custos. São Paulo: Atlas, 1997. 273 O NOVO DESAFIO PARA O PERITO DE CONTABILIDADE E A EVOLUÇÃO DA PERÍCIA CONTÁBIL Wesley Dias Pedro Paulo Ribeiro de Moraes Graduanda 4º Ano de Ciências Contábeis Faculdades Integradas de Paranaíba – FIPAR Orientadora: Profª. Msc. Márcia Donizete Prete 274 RESUMO Arbitragem é o meio alternativo que se utiliza a fim de se dar solução a litígio ou divergência, havida entre duas ou mais pessoas. Trata-se de mecanismo privado de solução de litígios, através do qual um terceiro escolhido pelos litigantes, impõe sua decisão, que deverá ser cumprida pelas partes. A Lei n.º 9.307 revogou todo o sistema do juízo arbitral que constava tanto do direito material (Código Civil, arts. 1.037 a 1.048) como do direito processual (Código de Processo Civil, arts. 1.072 a 1.102). A maior inovação da Lei é a equiparação entre a cláusula compromissória e o compromisso arbitral, como formas de composição extrajudicial de litígios, cuja adoção exclui a causa do âmbito do processo jurisdicional. PALAVRAS CHAVE: Contabilidade; Perícia Contábil. 1 INTRODUÇÃO A Perícia Contábil é um dos ramos mais importantes da Contabilidade, em virtude do perito contábil possuir, além da condição legal, da capacidade técnica e da idoneidade moral, uma imensa responsabilidade. Esta responsabilidade é evidenciada face o profissional atuar como um auxiliar de justiça, já que suas afirmações merecem fé pública e servem de base à decisão do juízo. Na área trabalhista, campeã em processos que somam milhares ao dia e exemplo da sobrecarga do Judiciário, os gastos em ações muitas vezes superam a quantia reivindicada, sem falar na demora para a realização das primeiras audiências e o cumprimento de todas as etapas da demanda judicial. Processos de reestruturação de empresas, tão comuns em nossos dias, não podem parar negócios para que sócios resolvam seus conflitos, na partilha de bens em cisões, fusões e incorporações, sob pena de perdas na posição ocupada diante do mercado, sem falar no desgastante impasse criado entre antigos parceiros. 2 PERÍCIA CONTÁBIL Constata-se que a necessidade da verificação dos fatos basicamente foi o 275 que conduziu a perícia à condição de instrumento auxiliar da instância decisória, pessoal ou coletiva, judicial ou extrajudicial, mesmo nos mais remotos tempos. A perícia contábil é um conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de laudo sobre questões contábeis, mediante exame, vistoria, indagação, investigação avaliação ou certificação. (SÁ, 1997, p. 37) No Brasil, verificamos que a perícia contábil começou a surgir com maior intensidade no início deste século. Num sentido global, temos o objeto genérico de todas as perícias, que nada mais é do que as "situações, coisas ou fatos", e na especificação deste, encontraríamos as "causas, essências e efeitos da matéria examinada". Os objetivos são, também, encontrados nas definições de perícia, pois pode-se deduzir que o seu maior é a verdade sobre as questões contábeis relacionadas com a causa, as quais devem ser verificadas e submetidas à apreciação técnica do perito contábil. ALBERTO (2002, p. 45) diz: Partindo da motivação que originou a perícia contábil, mola propulsora dos objetivos específicos, depreende-se que o perito contábil deve considerar, em sua apreciação, certos caracteres essenciais, dentre os quais destacamos os abaixo elencados, pois nos parece que são os fins, a finalidade que se pretende alcançar com a utilização do instrumento. “A informação fidedigna; a certificação, o exame e a análise do estado circunstancial do objetivo; o esclarecimento e a eliminação das dúvidas suscitadas sobre o objetivo; o fundamento científico da decisão; a formulação de uma opinião ou juízo técnico; a mensuração, a análise, a avaliação ou o arbitramento sobre o quantum monetário do objeto; e trazer à luz o que está oculto por inexatidão, erro, inverdade, má-fé, astúcia ou fraude.” Dentro dos limites indicados anteriormente, examinar, realizar levantamentos, vistoriar, fazer indagações, investigar, avaliar, arbitrar – diante da falta de elementos mais concretos – em suma, fazer o necessário para ter segurança sobre o que se opinar, são procedimentos periciais. A perícia possui espécies distintas, as quais são identificáveis e conceituadas de acordo com os ambientes que atua. Os locais de atuação que definirão as características estão em linhas gerais, relacionados com a esfera judicial, a esferas extrajudiciais, a esferas arbitrais e a esfera semijudicial. 276 A perícia judicial realiza-se no âmbito do Poder Judiciário, através de determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes ativos, observando regras legais específicas. Esta espécie de perícia subdivide-se, em razão de suas finalidades no processo judicial, em meio de prova ou arbitramento. No momento em que a perícia judicial tiver como escopo o aparecimento da verdade real será considerada prova demonstrável científica ou tecnicamente, subsidiando assim a formação da convicção do julgador. Será arbitramento no instante em que tiver o objeto de quantificação, no processo de liquidação, da obrigação de dar em que aquela se constituir. Perícia Extrajudicial, segundo Alberto (2002, p. 72): (...) a perícia extrajudicial é aquela realizada fora do Estado-Poder, através da necessidade e escolha dos entes físicos e jurídicos particulares, ou seja, não haverá sua submissão a uma outra pessoa encarregada de arbitrar a questão em conflito. Esta espécie de perícia subdivide-se, de acordo com as finalidades que são designadas, em comprobatórias, demonstrativas e discriminativas. Perícia Arbitral, Alberto (2002, p. 73) declara: (...) esta espécie de perícia como sendo aquela realizada no juízo arbitral – instância decisória criada pela vontade das partes, não se enquadrando em nenhuma das anteriores – face as suas características de atuação, que agem, como se judicial e extrajudicial fosse. Esta espécie de perícia subdivide-se em probante e decisória, em conformidade com o funcionamento do meio de prova do juízo arbitral, sendo basiladora da convicção do árbitro ou, ela mesma, a própria arbitragem. Perícia Semijudicial, ainda Alberto (2002, p. 75) nos ensina que: (...) a perícia semijudicial é efetuada dentro da estrutura institucional do Estado, mas fora do Poder Judiciário, com a finalidade de ser meio de prova nos ordenamentos institucionais usuários. Esta espécie de perícia subdividese, conforme o aparato estatal atuante, em administrativo-tributário – no círculo da administração pública tributária ou conselhos de contribuinte, em parlamentar – nas comissões parlamentares de inquérito ou especiais e policial – nos inquéritos. 3 PERITO CONTÁBIL A diferenciação entre o perito e o assistente técnico reside no fato de que 277 o primeiro, conforme alterações ocorridas com o advento da Lei 8.455/92, faz a perícia, lavra e assina o laudo e o segundo emite parecer. O perito contábil, segundo Dias, (2002; p. 24): É aquele profissional nomeado por iniciativa do juiz para realizar a perícia, sendo que após a nomeação é facultada às partes a indicação de assistente técnico – perito particular do advogado da causa – o qual é mais conhecido como “perito assistente. As definições transcritas, embora limitadoras, pois se referem somente a esfera judicial, estabelecem com precisão o conceito do perito contábil que pode e deve ser aplicado aos demais campos de atuação do profissional, onde estará suprindo as necessidades de outras pessoas que não um juiz. 4 COMPETÊNCIA TÉCNICO-PROFISSIONAL O perito contador tem a necessidade de possuir profundo conhecimento contábil e geral a fim de colaborar com o julgador na apreciação dos fatos atinentes ao objeto de lide que se relaciona com a contabilidade, de modo a suprir daqueles conhecimentos técnicos e científicos que este não possui. A segunda qualidade é a de ser profissional habilitado, ou seja, deve possuir capacidade legal para o exercício da função contábil, a qual decorre de sua formação superior em Ciências Contábeis, ou equiparados, com o devido registro no Conselho Regional de Contabilidade. É essencial ao perito contábil para desempenhar com competência suas atividades, conhecimentos gerais e profundos da ciência contábil, além de outras áreas correlatas, como, por exemplo, estatística, matemática financeira, direito tributária, assim como um domínio do Código de Processo Civil, em especial no tocante aos usos e costumes relativos à perícia. Frente a dinâmica do trabalho pericial, que tem como pilares a postura e a prática investigativa, verifica-se que outras qualidades pessoais são necessárias ao perito contábil para que obtenhamos o perfil do profissional. A postura crítica é indispensável e deve ser observada pelo perito, não no sentido popular, mas sim no aspecto relacionado com o desenvolvimento desta atitude 278 quanto ao rigor e legitimidade do assunto sob apreciação, visando possibilitar afirmações ou negações decisivas. Define-se assim, segundo Sá (2002, p. 39): o espírito crítico com uma atitude íntima desenvolvida pelo perito contábil de modo a lhe permitir chegar à verdade dos fatos contábeis sobre os quais lhe é solicitado, por terceiros interessados, sua apreciação ou opinião técnica. Afirma-se que o perito contábil não crê, ele vê, portanto este olhar deve ser cuidadoso, crítico, minucioso, indagativo, com o propósito de se retirar, das questões contábeis em análise, a totalidade da veracidade das mesmas. Por fim, dois requisitos são fundamentais ao perito contábil: formação moral elevada e imparcialidade. O contador, na função de perito ou árbitro, deve manter adequado nível de competência profissional, pelo conhecimento atualizado das Normas Brasileiras de Contabilidade, das técnicas contábeis, especialmente as aplicáveis à perícia da legislação inerente à profissão, atualizando-se permanentemente através de programas de capacitação, treinamento, educação continuada e outros meios disponíveis, realizando seus trabalhos com observância da eqüidade. O perito contábil deve comprovar sua habilitação, mediante a apresentação de certidão específica emitida pelo Conselho Regional de Contabilidade. O perito contábil nomeado em juízo ou indicado pela parte, assim como os escolhidos pelas partes para perícia extrajudicial, deve cumprir e fazer cumprir a presente norma, honrando os encargos que lhe foram confiados. O perito contábil deve recusar os serviços sempre que reconhecer não estar adequadamente capacitado a desenvolvê-los, contemplada a utilização de especialistas de outras áreas, quando parte do objeto da perícia assim o requerer. A formação moral elevada retrata uma postura pessoal de integridade, de honestidade, oriunda da própria função de auxiliar da justiça que o perito contábil exerce, bem como da observância do código de ética profissional. A imparcialidade é necessária no desenvolvimento do trabalho pericial, pois o perito deve apresentar a perícia sem ser tendencioso para qualquer uma das 279 partes envolvidas no processo judicial, sendo que esta ocorre no momento em que se exerce a função pericial de forma independente. 5 O PROCESSO Iniciar um processo é usar a faculdade do direito de ação, ou seja, visar à composição de uma lide. É o direito de invocar a tutela jurisdicional, de que é titular o sujeito de uma pretensão. O autor, parte que invoca, formula uma pretensão contra ou em relação ao réu. Após o juiz tomar conhecimento desta petição inicial, se deferir irá despachá-la, iniciando a relação processual – autor e juiz – se indeferir o seu ato terá caráter de sentença. Ao deferir a produção da prova pericial o Juiz: a) nomeará perito habilitado – segundo seja a espécie da perícia – intimando-o a vir prestar o compromisso legal; b) fixará prazo para a entrega do laudo; c) facultará às partes, no prazo comum e preclusivo de cinco dias, a indicação de assistentes técnicos e a formação de quesitos; d) determinará que uma delas, ou ambas, antecipe, parcialmente, os honorários do perito, cujo valor arbitrará, provisoriamente. (DIAS, 2002, p. 56) O andamento do processo se dará "por impulso oficial", com a colaboração necessária das partes, se desenvolvendo conforme procedimentos que lhe couberem. O processo de conhecimento termina com decisão quanto ao seu mérito, julgando procedente ou improcedente a ação, isto é, acolhendo ou rejeitando o pedido do autor. Pode ainda o processo ser finalizado por acontecimentos de outras naturezas, de modo anormal, sem haver o julgamento do mérito. Alguns casos segundo Dias (2002, p. 59) em que o processo se extingue, sem julgamento do mérito: I – quando o juiz indeferir a petição inicial; II – quando ficar parado durante mais de um ano por negligência das partes; III – quando, por não promover os atos e diligências que lhe competir, o autor abandonar a causa por mais de trinta dias; IV – quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; 280 V – quando o autor desistir da ação; VI – quando ocorrer confusão entre autor e réu; 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A criação de instituições preparadas para desenvolver trabalhos de arbitragem não é o suficiente. É necessário conscientizar contadores, advogados e empresários a fazerem uso da arbitragem em seus litígios. Para que as pessoas sejam bem orientadas, estas devem ser conhecedoras das vantagens da utilização da arbitragem. O contador é portador de confiança das partes, conhecedor da Ciência Contábil, que registra as alterações/variações de fenômenos patrimoniais e as traduz em números, nada mais justo e importante que a presença dele no contexto dos negócios, no qual a velocidade das decisões tem de acompanhar a velocidade da economia, numa sociedade de consumo de massa e globalização das informações. Portanto, percebe-se que todas as áreas estão despertando para a arbitragem, então é hora do CONTADOR buscar este espaço que também é seu. ABSTRAT Arbitragem é o meio alternativo que se utiliza, a fim de se dar solução a litígio ou divergência, havida entre duas ou mais pessoas. Trata-se de mecanismo privado de solução de litígios, através do qual um terceiro escolhido pelos litigantes, impõe sua decisão, que deverá ser cumprida pelas partes. A Lei n.º 9.307 revogou todo o sistema do juízo arbitral que constava tanto do direito material (Código Civil, arts. 1.037 a 1.048) como do direito processual (Código de Processo Civil, arts. 1.072 a 1.102). A maior inovação da Lei é a equiparação entre a cláusula compromissória e o compromisso arbitral, como formas de composição extrajudicial de litígios, cuja adoção exclui a causa do âmbito do processo jurisdicional. KEYWORDS: Accounting; Accounting Expertise. 281 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia contábil. 3. ed.. São Paulo: Atlas, 2002. BRASIL. Código de processo civil. 7. ed.. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. BRASIL. Consolidação das leis do trabalho. 22. ed.. Porto Alegre: Saraiva, 2000. BRASIL. Constituição Federal. Brasília: Senado Federal, 1988. DIAS, Floriano Aguiar. Código de organização e divisão judiciárias do Estado do Rio de Janeiro. Liber Juris: Rio de Janeiro, 2002. SÁ, Antonio Lopes. Perícia contábil. 3. ed.. São Paulo: Atlas, 1997. 282