ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE
PROFESSORAS ALFABETIZADORAS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO
DE PAU DOS FERROS/RN
Déssica Rocha da Silva¹
Maria Eridan da Silva Santos ²
Thais Chaves de Oliveira ³
Tuanny Luma da Silva4
RESUMO: Este trabalho foi desenvolvido como atividade final do componente curricular
Práticas Pedagógicas Programadas III, no quarto período do Curso de pedagogia CAMEAM/UERN. Com o objetivo de apresentar fundamentos teóricos referentes ao impacto
sobre o letramento para as práticas alfabetizadoras. Buscando entender o processo de
alfabetização e letramento necessários para o professor alfabetizador desenvolver no processo
de aprendizagem das crianças. Para tanto utilizamos um questionário destinado a duas
professoras da Escola Municipal São Benedito do município de Pau dos Ferros/RN, atuante das
séries iniciais 1º ano do ensino fundamental I e a observação da sala de aula. Buscando
compreender como o professor desenvolve seu trabalho acerca de alfabetização e letramento,
que estão imbricados no contexto de sala de aula, realizamos ainda, uma pesquisa bibliográfica
utilizando autores como: Magda Soares (2011) e Emilia Ferreiro (2001). Deste modo,
procuramos identificar o impacto dos estudos sobre letramento para as práticas educativas,
reforçando a contribuição que temos hoje sobre o processo de aprender a ler e escrever, os
desafios referentes a esse processo da leitura e escrita, o desafio do professor durante esse
procedimento para a aprendizagem dos alunos e a contribuição dos autores (as) para uma nova
prática educativa.
PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização, Letramento, Prática Docente.
1. INTRODUÇÃO
Este artigo tem como foco central o processo de aprendizagem dos alunos das
séries iniciais do 1º ano do ensino fundamental I da rede municipal de ensino, através do
processo de alfabetização e letramento e o impacto dos estudos referente à temática
sobre o letramento nas práticas alfabetizadoras. Diante isto, se tem como suporte teórico
publicações de Magda Soares (2011) e Emilia Ferreiro (2001).
Desse modo, através do suporte teórico, dos questionários destinados a
professoras do Ensino fundamental I e da observação em sala de aula, buscamos
apresentar a importância dos meios que cercam o processo do aprender da leitura e da
escrita, os obstáculos e desafios que permeiam a prática do profissional da área
educativa, a importância da leitura e da escrita no cotidiano do indivíduo na sociedade e
as perspectivas do professor alfabetizador em torno do desenvolvimento da
aprendizagem dos alunos.
________________________
1
Aluna do curso de Pedagogia, do Departamento de Educação do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa
de Albuquerque Maia – UERN.
² Professora do Departamento de Educação, do Campus Avançado “Profa. Maria Elisa de Albuquerque
Maia”, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
³. Aluna do curso de Pedagogia, do Departamento de Educação do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa
de Albuquerque Maia – UERN.
4
Aluna do urso de Pedagogia, do Departamento de Educação do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de
Albuquerque Maia – UERN.
Partindo assim desses aspectos, analisaremos não apenas os conceitos
correlacionados a alfabetização e letramento, mas as necessidades encontradas na leitura
e na escrita, nas quais possam ser visíveis para que ocasione mudanças significativas
que tenha como finalidade conciliar tanta a alfabetização quanto o letramento, em que
permita formar um sujeito capacitado para a interpretação, sistematização de ideias, o
uso na prática da escrita para a sua inclusão na sociedade.
Segundo Magda Soares (2011), o processo de alfabetização e letramento não é
linear, é um processo de natureza complexa, trata-se de um fenômeno de múltiplas
facetas que fazem dele objeto de estudo de várias ciências.
Deste modo, o processo de alfabetização é contínuo, requer não apenas o
conhecimento da leitura e da escrita de modo a decodificá-las, mas uma relação
indissociável dos benefícios que a alfabetização e o letramento, ocasionam através da
expressão, comunicação, da busca imensurável da aprendizagem.
Portanto, salientamos a relevância do tema para a prática não apenas na sala de
aula, mas também com o mundo em que fazemos parte, pois estamos imersos em meio a
informações contínuas que estão em todos os lugares que permeiam a sociedade, bem
como as dificuldades e superação dos obstáculos enfrentados no processo de
aprendizagem dos alunos.
2. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
A alfabetização tem demasiadamente um significado abrangente, pois segundo
Soares (2011, p.15):
Esta é considerada um processo permanente que se estenderia por toda
vida e que não se esgotaria na aprendizagem da leitura e da escrita,
pois atribui um significado muito amplo ao processo de alfabetização
seria negar-lhe a especificidade, com reflexos indesejáveis na
caracterização de sua natureza, na configuração das habilidades
básicas de leitura e escrita, na definição das competências de
alfabetizar.
Toma-se, por isso, a alfabetização em seu sentido próprio, especifico: processo
de aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e escrita. Em relação ao
conceito de alfabetização o debate básico desenvolve-se em torno de dois pontos de
vistas que, estão presentes no duplo significado do verbo ler e escrever.
Esse duplo significado dos verbos ler e escrever não implica veracidade ou
falsidade de um ou outro significado, assim, os dois pontos de vistas do conceito de
alfabetização não implicam veracidade ou falsidade de um ou outro conceito, pois sem
dúvida a alfabetização é um processo de representação de fonemas em grafemas, mas é
também um processo de compreensão/expressão de significados por meio de código
escrito. Já que uma pessoa não é considerada alfabetizada apenas se for capaz de
decodificar símbolos visuais ou símbolos sonoros, lendo, por exemplo, sílabas ou
palavras isoladas, como também não se consideram alfabetizada uma pessoa incapaz de
usar adequadamente o sistema ortográfico de sua língua, ao expressar-se por escrito.
Convém que o processo de alfabetização deva levar a aprendizagem de uma
mera tradição do oral para o escrito, e deste para aquele, mas a aprendizagem de uma
peculiar e muitas vezes idiossincrática relação fonemas-grafemas, de um outro código,
que tem, em relação ao código oral, especificidade morfológica e sintética, autonomia
de recursos de articulação de textos e estratégias próprias de expressão/compreensão.
E também o processo de alfabetização é essencialmente um processo de natureza
linguística, pois do ponto de vista propriamente linguístico, o processo de alfabetização,
é fundamentalmente, um processo de transferência da sequência temporal da fala para a
sequência espaço-direcional da escrita, e de transferência da forma sonora da fala para a
forma gráfica da escrita.
Entretanto, conforme a própria autora afirma é necessário diferenciar o processo
de aquisição da língua (oral e escrita) de um processo de desenvolvimento da língua
(oral e escrita), sendo este último tido como o que nunca é interrompido. Nas quais, o
termo alfabetização designe tanto ao processo de aquisição da língua escrita quanto o de
seu desenvolvimento, em que etimologicamente o termo não ultrapassa o significado de
levar á aquisição do alfabeto, ou seja, ensinar o código da língua escrita, ensinar as
habilidades de ler e escrever.
Sem dúvida atribuir um significado muito amplo ao processo de alfabetização
seria negar-lhes a especificidade, com reflexos indesejáveis na caracterização de sua
natureza, na configuração das habilidades básicas de leitura e escrita, na definição da
competência em alfabetizar.
Por isso, a alfabetização em seu sentido próprio específico é o processo de
aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e escrita, sendo também um
conjunto de habilidades, o que a caracteriza como um fenômeno de natureza complexa,
multifacetado, o que implica no seu estudo por vários pesquisadores específicos do seu
campo de pesquisa, tornando-a com uma visão reducionista, fragmentada e com
incoerência nas análises e interpretações propostas, possuindo a necessidade de uma
articulação e integração dos estudos e pesquisas a respeito de suas diferentes facetas.
As autoras Ferreiro (2001) e Soares (2011) trazem suas concepções que permite
entender as razões que levam as crianças á representação da linguagem como código de
transcrição gráficas das unidades sonoras. Ser alfabetizado, isto é, aprender, a saber, ler
e escrever, tem se revelado condição insuficiente para responder adequadamente as
demandas atuais. Há pouco tempo bastava que a pessoa soubesse assinar o nome, hoje,
saber ler é escrever de forma mecânica não garante a uma pessoa interação plena com
os diferentes tipos de textos que circulam na sociedade. É preciso ser capaz de não
apenas decodificar sons e letras, mas entender os significados e usos das palavras em
diferentes contextos. Soares (2011.p.15) argumenta que:
Tem se tentado, ultimamente, atribuir um significado demasiado abrangente a
alfabetização, considerando-a um processo permanente, que se estenderia por
toda a vida, que não se esgotaria na aprendizagem da leitura e da escrita. É
verdade que, de certa forma, a aprendizagem da língua materna, quer escrita,
quer oral, é um processo permanente, nunca interrompido.
Até muito recente, considerava-se que a entrada da criança no mundo da escrita
se fazia apenas pela alfabetização, pelo aprendizado das “primeiras letras”, pelo
desenvolvimento das habilidades de codificação e de decodificação. Ferreiro (2001)
afirma que a escrita infantil segue uma linha de evolução surpreendentemente regular,
através de diversos meios culturais, situações educativas e diversas línguas.
Assim sendo, a alfabetização trata da escrita, ou seja, a relação entre as letras e
os sons da fala. O casamento entre letras e sons nem sempre é monogâmico, o modelo
ideal do sistema alfabético é o de que cada letra corresponda a um som a uma letra, mas
essa relação ideal só se realiza aos poucos.
Ferreiro (2001) e Soares (2011), ao estudarem o desenvolvimento da língua
escrita dentro de uma abordagem epistêmica e psicolinguística, explicam como a
criança constrói e compreende o sistema alfabético da escrita. Segundo as autoras, as
passagens pelos estágios pré-silábica, silábica e alfabética se dá pela descoberta de que a
escrita tem relação com a fala. No entanto, não caracterizam com clareza como a
criança constrói suas hipóteses após sua elaboração alfabética de escrita, já que para que
a criança possa evoluir para construções ortográficas é necessário perceber que a escrita
não é fiel à sua oralização.
As relações entre sons da fala e as letras do alfabeto são encontradas em três
tipos: relação de uma para um, cada letra com seu som e cada som cm sua letra; relação
de um parta mais de um, determinadas a partir da posição, onde cada letra com um som
numa posição é cada som com uma letra numa posição, e, relações de concorrência,
onde mais de uma letra para o mesmo som na mesma posição. Há que se dizer que
existe uma gradação entre essas relações.
Muitas crianças não compreendem os sons que compõem as palavras porque
estão presas ao significado, dessa forma, as primeiras dificuldades da criança na escrita
correta é conceber as palavras enquanto sequência de sons independentes de seu
significado. Porém, a outra grande dificuldade são as múltiplas representações de um
mesmo som pelas letras. A escola deve colaborar na aquisição da escrita correta
provocando reflexões sobre a língua, relacionando ortografia e significado.
Através do estudo dos processos que envolvem a aquisição da leitura podemos
distinguir três tipos de problemas significativos na aprendizagem de leitura: as crianças
que encontram dificuldades para aprender a ler, as crianças que leem de forma passiva e
as crianças que têm dificuldades na compreensão.
Considerando tais fatos, muitos estudiosos como Ferreiro (2001) e Soares (2011)
aborda na aprendizagem de leitura um conjunto de fatores cognitivos, sociais e
pedagógicos, levando em consideração as singularidades do código alfabético e os
componentes utilizados nas atividades leitoras. Essa clareza cognitiva encara como
aquisição de uma habilidade e aprendizagem de leitura, igualando a situação à destreza
de apreensão de qualquer aprendizado.
Muitas crianças chegam à escola com o que se pode chamar de “confusão
cognitiva”, ou seja, um estado de não compreensão e diferenciação tanto das
propriedades formais de escrita como dos objetivos da leitura. É esse estado de
confusão, quando evoluído, que gera a aprendizagem leitora, pois assim as crianças
veem de forma mais clara os conceitos funcionais e as características alfabéticas da
linguagem escrita.
O ato de ler implica a síntese de operações centradas sobre a identificação dos
segmentos gráficos de um texto. Isto significa dizer que para compreensão e
aprendizagem da leitura faz-se necessário que a criança aprenda as relações entre as
letras, ás sílaba e as palavras no corpo do texto estudado, considerando os aspectos
interativos, heterogêneos e estratégicos que envolvem a linguagem.
Muitas são as falhas na escrita, que podem ser agrupadas em três ordens,
decorrente a primeira quando o aprendiz ainda está na fase de dominar as capacidades
prévias da alfabetização, cometendo as falhas na leitura lenta, com soletração de cada
sílaba, escrita com repetição de letras; a segunda falha é acometida quando o aprendiz
pronuncia ao ler, cada letra ajustando no seu valor central, e na escrita faz um à
transição fonética da fala, enquanto a terceira ordem de falha se limita o aprendiz a
trocar letras concorrentes, como por exemplo. O “s” pelo “z”. Quando se constata que o
aprendiz ainda comete falhas de segunda ordem é que ela não está alfabetizada.
Somente será considerado alfabetizado o aprendiz que comete falhas de terceira ordem.
3. QUAL O CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
ARRAIGADOS NO DISCURSO E NA PRÁTICA DO PROFESSOR
Diante a observação em sala de aula e de acordo com a análise, será feito um
breve relato da aula observada e da concepção das professoras, e com isso, entender a
importância do processo de alfabetização de acordo com a visão das duas professoras da
rede municipal de ensino, no decorrer da aula analisada, explicitando o conteúdo que foi
trabalhado, quais as metas a serem alcançadas e a importância destes para a
aprendizagem dos alunos.
Assim sendo, o educador, precisa ter clareza de uma concepção de linguagem
que aborde o processo de alfabetização de forma mais ampla. Desta forma, é importante
considerar o letramento como um processo de aprendizagem social e histórico da leitura
e da escrita, tanto em contextos informais quanto para usos materiais.
A partir dessas observações primeiramente será abordado à observação da
primeira turma do 1º ano, em seguida a segunda análise juntamente com a concepção
das professoras acerca da alfabetização e letramento.
1º Ano “A” do Ensino Fundamental I
No primeiro momento a aula transcorreu através das apresentações dos alunos,
que são dezessete, sendo realizadas orações, como: em nome do pai, o pai nosso e santo
anjo e a música bom dia visitante, sendo que ao final das orações todos os alunos
disseram “Estamos aqui Senhor para estudar”.
Após isto, se sucedeu a contação da história de chapeuzinho vermelho e a
professora explicitou que existem várias versões da mesma, incluindo a chapeuzinho
amarelo. Nas quais, os alunos foram participativos durante a contação em que depois os
próprios começaram a recontar o que havia sido lido, citando os personagens como o
lobo, a chapeuzinho, a vovó, os caçadores, entre outros.
Com o termino da história se realizou a leitura do alfabeto em sequencia, depois
da última letra até a primeira, sendo contada a quantidade de letras correspondentes ao
alfabeto, as consoantes e as vogais. Depois desta breve leitura do alfabeto
correlacionado para as vogais foi realizada a correção da tarefa de casa e dando
continuidade a aula, começou a ser escrito o cabeçario e conforme estava sendo escrito
a professora perguntava “com qual letra começa a palavra ESCOLA” e, os alunos
respondiam com E, e assim sucessivamente com as demais palavras.
Esta parte citada anteriormente é uma forma que a professora instiga seus alunos
a se questionarem acerca das palavras escritas, perguntando qual é a letra, fazendo com
que os alunos faça a junção das sílabas para conseguir formar as palavras. A professora
passa em todas as cadeiras dos alunos para verificar como está sendo desenvolvida a
atividade, observando se estão conseguindo aprender e caso estejam com dificuldades
procura auxilia-los nas dificuldades encontradas, como a leitura da pergunta para
responder ao que se pede, já que os mesmos estão na fase pré-silábica e silábica, em que
a professora disse que ainda não tem nenhum por enquanto na silábica alfabética.
Assim sendo, para dar ênfase aos argumentos segue em anexo atividades
desenvolvidas com o objetivo de identificar as fases citadas anteriormente, nas quais a
docente explicitou que foi elaborado o ditado de palavras para verificar o nível de cada
aluno, sendo que serão expostas apenas algumas destas atividades para analisar e
confrontar com conceitos teóricos.
Conceito da professora P.1 acerca de alfabetização e letramento do 1º ano “A” do
Ensino Fundamental I matutino
A partir destes posicionamentos destacamos alguns conceitos de professoras
referentes à alfabetização e letramento, desta maneira se tem a seguinte concepção
referida à professora P.1¹, ressalvando se é possível ou não um indivíduo viver em uma
sociedade sem desenvolver processos de alfabetização e letramento e as dificuldades
encontradas pelo professor alfabetizador, concerne o respectivo posicionamento:
Com certeza várias pessoas se encontram nesta situação, nem por isso,
deixam de ser cidadão e estão inserido no mundo letrado, mesmo sem
saber ler convencionalmente, mas tem a leitura de mundo. Já no que
se concerne a dificuldade encontrada pelo professor alfabetizador, é
quando nos deparamos com crianças que não tem interesse tornando
difícil seu processo de ensino-aprendizagem, e quando não temos
acompanhamento em sala de aula.
Perante a declaração da professora, nota-se que primeiramente uma pessoa para
ser cidadão não precisa necessariamente ser rotulada como alfabetizada, que passou por
um processo de aprendizagem numa instituição, pois independentemente dessas
condições este está inserido numa sociedade repleta de informações, em que as pessoas
estão inseridas. Segundo, a mesma fala que é dificultosa o processo de alfabetização de
crianças, pois algumas são tidas como desinteressadas, que não contribuem para que tal
ato ocasione o desenvolvimento da leitura, escrita, decodificação, interpretação,
interação como o meio em que vive, sendo explicitada a falta de acompanhamento.
Então nos questionamos acompanhamento por quem, qual a meta/finalidade,
para que, e partindo deste víeis formulamos três hipóteses: primeiro falta de
acompanhamento dos próprios profissionais da escola, da coordenação pedagógica para
buscar soluções viáveis para as dificuldades encontradas, dos pais em acompanhar o
desenvolvimento dos seus filhos, do professor por considerar que a criança não que
aprender, e o que deve ser feito deixá-la excluída e auxiliar quem já está em
desenvolvimento do processo de alfabetização, o porquê de não buscar meios que a
tragam para o mundo mágico da alfabetização, o porquê de não instigar a curiosidade da
criança demonstrando que tudo isto é muito mais do que escrever e ler, apresentado que
ser alfabetizado é está em contanto com si mesmo e com o meio em que vive, relatando
que aprender a ler escrever é poder decifrar textos, canções, poemas, conhecer o que
está a sua volta, demonstrando como é prazeroso fazer parte de um mundo que está em
nossas mãos decorrentes da prática da alfabetização.
Acreditamos assim, que alfabetizar e está letrado é uma junção que
corresponderá a um cidadão completo, no sentido de ler e compreender, escrever de
forma coerente e saber o porquê do ato da escrita, está incluso na sociedade e não
excluído por ser considerado apenas por saber ler e escrever, porém, não saber para que
finalidade. A partir disso, se ver a necessidade do despertar por uma alfabetização em
que o professor não utilize de discursos incoerentes em que o aluno não quer aprender,
pois se este não apresenta interesse que se formule soluções para o seu despertar e se
não há acompanhamento para que ocorra isto, que se proponham meios que não venha a
atrasar e dificultar a aprendizagem dos alunos e que se busque constantemente este
acompanhamento por todos que compõem a escola, que são os funcionários que prezam
para a formação do cidadão e dos pais que se interessem cotidianamente pela educação
dos seus filhos, enfim, a busca contínua de fatores que ocasione o aprender dos alunos.
Baseando-se nestas discussões se ver a complexidade da alfabetização, e
segundo Soares (2011. p.24):
A natureza complexa do processo de alfabetização evidencia, ainda,
como tem sido apenas parcialmente enfrentado o problema da
identificação dos pré-requisitos e da preparação da criança para a
alfabetização. Essa questão ainda está restrita a apenas uma das
facetas do processo de alfabetização, á faceta psicofisiológica; é
necessário ampliar a visão do processo e acrescentar, a análise dos
pré-requisitos e á organização de programas de preparação para a
alfabetização, o enfoque da Psicologia, da Psicolinguística, da
Sociolinguística e da Linguística.
Portanto, essa articulação deve está presente nas práticas das professoras no
contexto da sala de aula, pois estas devem ter uma preparação que as leve a
compreender essas facetas (psicológica, psicolinguística, sociolinguística e linguística) e
todos os condicionantes (sociais, culturais e políticos) do processo de alfabetização,
para que possa utilizá-las no processo de alfabetização da criança, relacionando fatores
que caracterizem a aprendizagem da leitura e da escrita, a interação com o meio social,
com as informações adquiridas e sistematizadas para o desenvolvimento das mesmas no
percurso escolar e social.
1º Ano “B” do Ensino Fundamental I conceito da professora P.2 acerca de
alfabetização e letramento
A professora da segunda turma observada tem uma concepção mais limitada do que
seja alfabetização e letramento, além de suas falas, sua prática denuncia isso claramente.
O autoritarismo e a indelicadeza com que conduz suas aulas e trata seus alunos auxiliam
para essa visão que se forma em torno dela.
No primeiro momento da aula a docente fazia um ditado para um grupo seleto
de alunos, os quais haviam faltado anteriormente e ainda não haviam cumprido a tarefa,
que parecia senão da escola, ao menos dos primeiros anos da mesma. O ditado tinha
como objetivo conhecer as fases em cada aluno se encontra para assim serem
trabalhados em cima de cada dificuldade, uma espécie de diagnóstico.
Nenhum dos alunos que realizaram a atividade naquele momento conseguiu
escrever corretamente as palavras, a maioria não tinha sequer noção de sílabas, alguns
faziam apenas uma letra descontextualizada para representar a palavra pedida. Um deles
não conseguiu transcrever da ficha para o papel seu próprio nome, assim como o
cabeçalho do quadro.
Foi ainda trabalhado no primeiro momento, um livro falando sobre aves, o
mesmo apresentava algumas de suas espécies. Depois de terem ouvido a professora e
visto os animais ilustrados no livro, a docente conseguiu fazer uma boa relação com a
realidade das crianças perguntando se existiam nas suas casas, na sua rua ou se eles
conheciam alguma daquelas aves ou de outro tipo. Enquanto os alunos diziam espécies
diferentes como: galinha; azulão; louro (papagaio); galo de campina; etc. ela escrevia os
nomes na lousa formando uma lista, eles a escreverem em seus cadernos e ainda
circularam as vogais existentes em cada uma, as quais eram do conhecimento da
maioria da turma.
Já no segundo momento foi trabalhado lateralidade. Previamente, a professora
perguntava o que estava em cima e embaixo das crianças, do seu lado direito e esquerdo
e na frente ou atrás deles. Eles respondiam como entendiam e quando o faziam de forma
inesperada e considerada errada pela docente, eram ignorados ou contrariados e
expostos visivelmente. Com o livro didático foi realizada uma atividade explorando
esses conhecimentos.
Não se percebeu em nenhum momento da aula a preocupação da docente com
a curiosidade dos alunos pela a escrita, para que eles se esforçassem e se interessassem.
O incentivo, instrumento tão essencial na aprendizagem da leitura e da escrita de
crianças, desaparece nessa fase anulando seu direito de descobrir, de explorar o
conhecimento.
Por fim, no que se concerne ao conceito da professora acerca da alfabetização e
letramento, a mesma atribui o seguinte conceito: “É um processo lento, simultâneo é
uma troca, sendo que ao mesmo tempo em que se ensina se aprende”.
Assim sendo, a professora de certa forma tem uma visão reducionista, a qual
considera um processo lento pela forma que se desenvolve, porém, a pesar de ser tido
como demorado, é contínuo, sendo que é uma troca entre o aluno com o professor, para
que ocorra o processo de alfabetização dos mesmos.
______________________
1
Professora do Ensino Fundamental I da Escola Municipal São Benedito do município de Pau dos
Ferros/RN.
² Professora do Ensino Fundamental I da Escola Municipal São Benedito do município de Pau dos
Ferros/RN.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho buscou mostrar como acontece a prática do professor e como a
criança compreende o sistema da escrita e o funcionamento de sua linguagem, isso por
que a alfabetização é o momento mais importante na formação escolar da criança. Ao
iniciar a descoberta do sistema alfabético de escrita, a criança passa por um momento
em que percebe que podemos escrever tudo o que falamos, em seguida, ela precisa
descobrir que nem tudo que é grafado equivale à forma que é falada.
Assim sendo, as pesquisas de Ferreiro (2001) e Soares (2011) alegaram clareza
sobre o modo como se dá a aprendizagem da leitura e a escrita na criança e sua
correspondência de letras e sons. Para as autoras levar em consideração o conhecimento
adquirido fora da escola é fundamental para dar continuidade à evolução da concepção
do sistema da escrita e oral.
Nas quais, as dificuldades que as crianças apresentam no início de escolarização
referem-se ao seu desconhecimento do assunto, em que, a partir de seu processo de
desenvolvimento da aprendizagem através do auxilio do professor, terá uma nova fase
em que sucederá os conhecimentos que possuíam adquiridos no seio familiar
juntamente com os novos que serão adquiridos na escola, onde as crianças passam a ter
mais contato com o que antes era considerado desconhecido, como a escrita, que esta
começará através de rabiscos, desenhos para depois começar a formar palavras e a
leitura que se sucederá através de imagens e da junção das sílabas simples e compostas.
Pode-se perceber que essa aprendizagem não é coisa fácil de aceitação e
entendimento aos olhos de quem aprende, visto que, as crianças possuem hipótese
referente à escrita e que as hipóteses classificam-se em níveis de aprendizado, ou seja,
etapas de desenvolvimento que serão vividas no cotidiano e no âmbito escolar.
Porém, se o educador em sua prática tiver clareza de uma concepção de
linguagem que submirja o processo de alfabetização de forma mais objetiva, conseguirá
não apenas que seu aluno leia e escreva, mas que interprete, entenda o ato da escrita, o
porquê de escrever, para quem escrever, e que possa chegar à conclusão que
escrevermos para o outro ler e que através da leitura ingressamos em um novo mundo
sendo assim, é importante considerar o processo de alfabetização e letramento como um
processo de aprendizagem social e histórico da leitura e da escrita, tanto em contextos
informais quanto para usos materiais.
Deste modo, alfabetizar não é apenas ensinar a ler e a escrever, mas também o
domínio da leitura e da escrita é um processo que não se baliza ao simples
reconhecimento de letras ou ao exercício de ligar letras para constituir sílabas, palavras
e frases. Concebemos a alfabetização como possibilidade de interação com o mundo por
meio da língua escrita, a qual permite que o aluno desenvolva e reveja sua maneira de
entender o mundo e de representa-lo. Alfabetizar, portanto, é um desafio contínuo que
segue uma progressiva evolução no tempo, relacionado ao contexto que as crianças
estão imbricadas desde ao seu contato por meio familiar até sua chegada à escola.
Por conseguinte, o processo de alfabetização não pode centrar-se somente no
domínio da letra, da palavra ou da frase que, isoladas, fora do contexto, não preparam a
criança para produzir discursos orais e escritos, de acordo com as situações de
comunicação das quais participa, antes de qualquer coisa, é necessário que o professor
consinta que a criança faça suas experimentações, suas tentativas de acerto, suas
descobertas.
Portanto, uma das preocupações que o professor deve ter no início do processo
de alfabetização é de estimular o aluno a registrar o que pensa desde a alfabetização.
Assim sendo, os seus registros iniciais poderão ser garatujas, letras, desenhos, números,
ou seja, ele vai escrever como acredita que um texto pode ou deve ser escrito. O aluno
precisa compreender para que serve ler e escrever, isto é, qual é a função da leitura e da
escrita. Par que assim ocorra produções espontâneas que vão indicar os recursos que a
criança utilizou para compreender a natureza da escrita. Nesse momento o professor
deve subsidiar o aluno em todos os momentos, tornando-se o mediador entre o aluno e o
objeto do conhecimento.
REFERENCIAS
FERREIRO, Emília. Reflexões sobre a alfabetização. 24 ed. São Paulo: Cortez, 2001.
p. 10 -95.
SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. 6. ed., 1ª reimpressão. -São Paulo:
Contexto, 2011. p. 15-84.
ANEXO
ANEXO 1
Atividade referente a um ditado de palavras, em que os alunos deveriam escrever
as seguintes palavras: casa, bola, mesa, dado e vaca. Sendo que a partir desta atividade,
a professora relatou que ocorreria uma reunião para identificar os alunos que estão na
fase silábica, pré-silábica e silábico-alfabética.
Primeiro Exemplo
Neste exemplo a escrita da criança está com diferenciações interfigurais, pois o
interfigurais se expressa sobre o eixo quantitativo, como a quantidade mínima de letras,
correspondente, geralmente a três, para que o que foi escrito transmita algo e que o eixo
qualitativo tenha uma variação interna necessária para que uma série de grafias possa
ser interpretada, ou seja, se o que foi escrito é ou não interpretável.
Segundo Exemplo
Essa escrita é silábica, e segundo Ferreira (2001), são letras de forma
convencional, mas utilizadas sem um valor sonoro, sendo que cada letra vale uma
sílaba.
(1) Ca-sa
Casa
(2) Me-sa
Mesa
(3) Bo-la
Bola
(4) Da-do
Dado
(5) Va-ca
Vaca
Compreender-se deste modo, que a criança está na descoberta da quantidade de
letras com que se vai escrever cada palavra, em que a mesma está descobrindo as partes
da escrita correspondentes a outras partes das palavras, nas quais as partes das palavras
são inicialmente as suas sílabas, iniciando assim o período silábico que evolui até
chegar a uma exigência rigorosa, que corresponde a uma sílaba por letra, sem omitir
sílabas e sem repetir letras.
Terceiro Exemplo
Neste último exemplo se tem a escrita silábico-alfabética, nesta fase se marca a
transição entre os esquemas prévios em via de serem construídos. Em que a criança,
descobre que a sílaba não pode ser considerada como uma unidade, mas que ela é, por
sua vez, reanalisável em elementos menores, ingressa no último passo de compreensão
do sistema socialmente estabelecido.
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ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS