ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE PROFESSORAS ALFABETIZADORAS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE PAU DOS FERROS/RN Déssica Rocha da Silva¹ Maria Eridan da Silva Santos ² Thais Chaves de Oliveira ³ Tuanny Luma da Silva4 RESUMO: Este trabalho foi desenvolvido como atividade final do componente curricular Práticas Pedagógicas Programadas III, no quarto período do Curso de pedagogia CAMEAM/UERN. Com o objetivo de apresentar fundamentos teóricos referentes ao impacto sobre o letramento para as práticas alfabetizadoras. Buscando entender o processo de alfabetização e letramento necessários para o professor alfabetizador desenvolver no processo de aprendizagem das crianças. Para tanto utilizamos um questionário destinado a duas professoras da Escola Municipal São Benedito do município de Pau dos Ferros/RN, atuante das séries iniciais 1º ano do ensino fundamental I e a observação da sala de aula. Buscando compreender como o professor desenvolve seu trabalho acerca de alfabetização e letramento, que estão imbricados no contexto de sala de aula, realizamos ainda, uma pesquisa bibliográfica utilizando autores como: Magda Soares (2011) e Emilia Ferreiro (2001). Deste modo, procuramos identificar o impacto dos estudos sobre letramento para as práticas educativas, reforçando a contribuição que temos hoje sobre o processo de aprender a ler e escrever, os desafios referentes a esse processo da leitura e escrita, o desafio do professor durante esse procedimento para a aprendizagem dos alunos e a contribuição dos autores (as) para uma nova prática educativa. PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização, Letramento, Prática Docente. 1. INTRODUÇÃO Este artigo tem como foco central o processo de aprendizagem dos alunos das séries iniciais do 1º ano do ensino fundamental I da rede municipal de ensino, através do processo de alfabetização e letramento e o impacto dos estudos referente à temática sobre o letramento nas práticas alfabetizadoras. Diante isto, se tem como suporte teórico publicações de Magda Soares (2011) e Emilia Ferreiro (2001). Desse modo, através do suporte teórico, dos questionários destinados a professoras do Ensino fundamental I e da observação em sala de aula, buscamos apresentar a importância dos meios que cercam o processo do aprender da leitura e da escrita, os obstáculos e desafios que permeiam a prática do profissional da área educativa, a importância da leitura e da escrita no cotidiano do indivíduo na sociedade e as perspectivas do professor alfabetizador em torno do desenvolvimento da aprendizagem dos alunos. ________________________ 1 Aluna do curso de Pedagogia, do Departamento de Educação do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia – UERN. ² Professora do Departamento de Educação, do Campus Avançado “Profa. Maria Elisa de Albuquerque Maia”, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN ³. Aluna do curso de Pedagogia, do Departamento de Educação do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia – UERN. 4 Aluna do urso de Pedagogia, do Departamento de Educação do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia – UERN. Partindo assim desses aspectos, analisaremos não apenas os conceitos correlacionados a alfabetização e letramento, mas as necessidades encontradas na leitura e na escrita, nas quais possam ser visíveis para que ocasione mudanças significativas que tenha como finalidade conciliar tanta a alfabetização quanto o letramento, em que permita formar um sujeito capacitado para a interpretação, sistematização de ideias, o uso na prática da escrita para a sua inclusão na sociedade. Segundo Magda Soares (2011), o processo de alfabetização e letramento não é linear, é um processo de natureza complexa, trata-se de um fenômeno de múltiplas facetas que fazem dele objeto de estudo de várias ciências. Deste modo, o processo de alfabetização é contínuo, requer não apenas o conhecimento da leitura e da escrita de modo a decodificá-las, mas uma relação indissociável dos benefícios que a alfabetização e o letramento, ocasionam através da expressão, comunicação, da busca imensurável da aprendizagem. Portanto, salientamos a relevância do tema para a prática não apenas na sala de aula, mas também com o mundo em que fazemos parte, pois estamos imersos em meio a informações contínuas que estão em todos os lugares que permeiam a sociedade, bem como as dificuldades e superação dos obstáculos enfrentados no processo de aprendizagem dos alunos. 2. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO A alfabetização tem demasiadamente um significado abrangente, pois segundo Soares (2011, p.15): Esta é considerada um processo permanente que se estenderia por toda vida e que não se esgotaria na aprendizagem da leitura e da escrita, pois atribui um significado muito amplo ao processo de alfabetização seria negar-lhe a especificidade, com reflexos indesejáveis na caracterização de sua natureza, na configuração das habilidades básicas de leitura e escrita, na definição das competências de alfabetizar. Toma-se, por isso, a alfabetização em seu sentido próprio, especifico: processo de aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e escrita. Em relação ao conceito de alfabetização o debate básico desenvolve-se em torno de dois pontos de vistas que, estão presentes no duplo significado do verbo ler e escrever. Esse duplo significado dos verbos ler e escrever não implica veracidade ou falsidade de um ou outro significado, assim, os dois pontos de vistas do conceito de alfabetização não implicam veracidade ou falsidade de um ou outro conceito, pois sem dúvida a alfabetização é um processo de representação de fonemas em grafemas, mas é também um processo de compreensão/expressão de significados por meio de código escrito. Já que uma pessoa não é considerada alfabetizada apenas se for capaz de decodificar símbolos visuais ou símbolos sonoros, lendo, por exemplo, sílabas ou palavras isoladas, como também não se consideram alfabetizada uma pessoa incapaz de usar adequadamente o sistema ortográfico de sua língua, ao expressar-se por escrito. Convém que o processo de alfabetização deva levar a aprendizagem de uma mera tradição do oral para o escrito, e deste para aquele, mas a aprendizagem de uma peculiar e muitas vezes idiossincrática relação fonemas-grafemas, de um outro código, que tem, em relação ao código oral, especificidade morfológica e sintética, autonomia de recursos de articulação de textos e estratégias próprias de expressão/compreensão. E também o processo de alfabetização é essencialmente um processo de natureza linguística, pois do ponto de vista propriamente linguístico, o processo de alfabetização, é fundamentalmente, um processo de transferência da sequência temporal da fala para a sequência espaço-direcional da escrita, e de transferência da forma sonora da fala para a forma gráfica da escrita. Entretanto, conforme a própria autora afirma é necessário diferenciar o processo de aquisição da língua (oral e escrita) de um processo de desenvolvimento da língua (oral e escrita), sendo este último tido como o que nunca é interrompido. Nas quais, o termo alfabetização designe tanto ao processo de aquisição da língua escrita quanto o de seu desenvolvimento, em que etimologicamente o termo não ultrapassa o significado de levar á aquisição do alfabeto, ou seja, ensinar o código da língua escrita, ensinar as habilidades de ler e escrever. Sem dúvida atribuir um significado muito amplo ao processo de alfabetização seria negar-lhes a especificidade, com reflexos indesejáveis na caracterização de sua natureza, na configuração das habilidades básicas de leitura e escrita, na definição da competência em alfabetizar. Por isso, a alfabetização em seu sentido próprio específico é o processo de aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e escrita, sendo também um conjunto de habilidades, o que a caracteriza como um fenômeno de natureza complexa, multifacetado, o que implica no seu estudo por vários pesquisadores específicos do seu campo de pesquisa, tornando-a com uma visão reducionista, fragmentada e com incoerência nas análises e interpretações propostas, possuindo a necessidade de uma articulação e integração dos estudos e pesquisas a respeito de suas diferentes facetas. As autoras Ferreiro (2001) e Soares (2011) trazem suas concepções que permite entender as razões que levam as crianças á representação da linguagem como código de transcrição gráficas das unidades sonoras. Ser alfabetizado, isto é, aprender, a saber, ler e escrever, tem se revelado condição insuficiente para responder adequadamente as demandas atuais. Há pouco tempo bastava que a pessoa soubesse assinar o nome, hoje, saber ler é escrever de forma mecânica não garante a uma pessoa interação plena com os diferentes tipos de textos que circulam na sociedade. É preciso ser capaz de não apenas decodificar sons e letras, mas entender os significados e usos das palavras em diferentes contextos. Soares (2011.p.15) argumenta que: Tem se tentado, ultimamente, atribuir um significado demasiado abrangente a alfabetização, considerando-a um processo permanente, que se estenderia por toda a vida, que não se esgotaria na aprendizagem da leitura e da escrita. É verdade que, de certa forma, a aprendizagem da língua materna, quer escrita, quer oral, é um processo permanente, nunca interrompido. Até muito recente, considerava-se que a entrada da criança no mundo da escrita se fazia apenas pela alfabetização, pelo aprendizado das “primeiras letras”, pelo desenvolvimento das habilidades de codificação e de decodificação. Ferreiro (2001) afirma que a escrita infantil segue uma linha de evolução surpreendentemente regular, através de diversos meios culturais, situações educativas e diversas línguas. Assim sendo, a alfabetização trata da escrita, ou seja, a relação entre as letras e os sons da fala. O casamento entre letras e sons nem sempre é monogâmico, o modelo ideal do sistema alfabético é o de que cada letra corresponda a um som a uma letra, mas essa relação ideal só se realiza aos poucos. Ferreiro (2001) e Soares (2011), ao estudarem o desenvolvimento da língua escrita dentro de uma abordagem epistêmica e psicolinguística, explicam como a criança constrói e compreende o sistema alfabético da escrita. Segundo as autoras, as passagens pelos estágios pré-silábica, silábica e alfabética se dá pela descoberta de que a escrita tem relação com a fala. No entanto, não caracterizam com clareza como a criança constrói suas hipóteses após sua elaboração alfabética de escrita, já que para que a criança possa evoluir para construções ortográficas é necessário perceber que a escrita não é fiel à sua oralização. As relações entre sons da fala e as letras do alfabeto são encontradas em três tipos: relação de uma para um, cada letra com seu som e cada som cm sua letra; relação de um parta mais de um, determinadas a partir da posição, onde cada letra com um som numa posição é cada som com uma letra numa posição, e, relações de concorrência, onde mais de uma letra para o mesmo som na mesma posição. Há que se dizer que existe uma gradação entre essas relações. Muitas crianças não compreendem os sons que compõem as palavras porque estão presas ao significado, dessa forma, as primeiras dificuldades da criança na escrita correta é conceber as palavras enquanto sequência de sons independentes de seu significado. Porém, a outra grande dificuldade são as múltiplas representações de um mesmo som pelas letras. A escola deve colaborar na aquisição da escrita correta provocando reflexões sobre a língua, relacionando ortografia e significado. Através do estudo dos processos que envolvem a aquisição da leitura podemos distinguir três tipos de problemas significativos na aprendizagem de leitura: as crianças que encontram dificuldades para aprender a ler, as crianças que leem de forma passiva e as crianças que têm dificuldades na compreensão. Considerando tais fatos, muitos estudiosos como Ferreiro (2001) e Soares (2011) aborda na aprendizagem de leitura um conjunto de fatores cognitivos, sociais e pedagógicos, levando em consideração as singularidades do código alfabético e os componentes utilizados nas atividades leitoras. Essa clareza cognitiva encara como aquisição de uma habilidade e aprendizagem de leitura, igualando a situação à destreza de apreensão de qualquer aprendizado. Muitas crianças chegam à escola com o que se pode chamar de “confusão cognitiva”, ou seja, um estado de não compreensão e diferenciação tanto das propriedades formais de escrita como dos objetivos da leitura. É esse estado de confusão, quando evoluído, que gera a aprendizagem leitora, pois assim as crianças veem de forma mais clara os conceitos funcionais e as características alfabéticas da linguagem escrita. O ato de ler implica a síntese de operações centradas sobre a identificação dos segmentos gráficos de um texto. Isto significa dizer que para compreensão e aprendizagem da leitura faz-se necessário que a criança aprenda as relações entre as letras, ás sílaba e as palavras no corpo do texto estudado, considerando os aspectos interativos, heterogêneos e estratégicos que envolvem a linguagem. Muitas são as falhas na escrita, que podem ser agrupadas em três ordens, decorrente a primeira quando o aprendiz ainda está na fase de dominar as capacidades prévias da alfabetização, cometendo as falhas na leitura lenta, com soletração de cada sílaba, escrita com repetição de letras; a segunda falha é acometida quando o aprendiz pronuncia ao ler, cada letra ajustando no seu valor central, e na escrita faz um à transição fonética da fala, enquanto a terceira ordem de falha se limita o aprendiz a trocar letras concorrentes, como por exemplo. O “s” pelo “z”. Quando se constata que o aprendiz ainda comete falhas de segunda ordem é que ela não está alfabetizada. Somente será considerado alfabetizado o aprendiz que comete falhas de terceira ordem. 3. QUAL O CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO ARRAIGADOS NO DISCURSO E NA PRÁTICA DO PROFESSOR Diante a observação em sala de aula e de acordo com a análise, será feito um breve relato da aula observada e da concepção das professoras, e com isso, entender a importância do processo de alfabetização de acordo com a visão das duas professoras da rede municipal de ensino, no decorrer da aula analisada, explicitando o conteúdo que foi trabalhado, quais as metas a serem alcançadas e a importância destes para a aprendizagem dos alunos. Assim sendo, o educador, precisa ter clareza de uma concepção de linguagem que aborde o processo de alfabetização de forma mais ampla. Desta forma, é importante considerar o letramento como um processo de aprendizagem social e histórico da leitura e da escrita, tanto em contextos informais quanto para usos materiais. A partir dessas observações primeiramente será abordado à observação da primeira turma do 1º ano, em seguida a segunda análise juntamente com a concepção das professoras acerca da alfabetização e letramento. 1º Ano “A” do Ensino Fundamental I No primeiro momento a aula transcorreu através das apresentações dos alunos, que são dezessete, sendo realizadas orações, como: em nome do pai, o pai nosso e santo anjo e a música bom dia visitante, sendo que ao final das orações todos os alunos disseram “Estamos aqui Senhor para estudar”. Após isto, se sucedeu a contação da história de chapeuzinho vermelho e a professora explicitou que existem várias versões da mesma, incluindo a chapeuzinho amarelo. Nas quais, os alunos foram participativos durante a contação em que depois os próprios começaram a recontar o que havia sido lido, citando os personagens como o lobo, a chapeuzinho, a vovó, os caçadores, entre outros. Com o termino da história se realizou a leitura do alfabeto em sequencia, depois da última letra até a primeira, sendo contada a quantidade de letras correspondentes ao alfabeto, as consoantes e as vogais. Depois desta breve leitura do alfabeto correlacionado para as vogais foi realizada a correção da tarefa de casa e dando continuidade a aula, começou a ser escrito o cabeçario e conforme estava sendo escrito a professora perguntava “com qual letra começa a palavra ESCOLA” e, os alunos respondiam com E, e assim sucessivamente com as demais palavras. Esta parte citada anteriormente é uma forma que a professora instiga seus alunos a se questionarem acerca das palavras escritas, perguntando qual é a letra, fazendo com que os alunos faça a junção das sílabas para conseguir formar as palavras. A professora passa em todas as cadeiras dos alunos para verificar como está sendo desenvolvida a atividade, observando se estão conseguindo aprender e caso estejam com dificuldades procura auxilia-los nas dificuldades encontradas, como a leitura da pergunta para responder ao que se pede, já que os mesmos estão na fase pré-silábica e silábica, em que a professora disse que ainda não tem nenhum por enquanto na silábica alfabética. Assim sendo, para dar ênfase aos argumentos segue em anexo atividades desenvolvidas com o objetivo de identificar as fases citadas anteriormente, nas quais a docente explicitou que foi elaborado o ditado de palavras para verificar o nível de cada aluno, sendo que serão expostas apenas algumas destas atividades para analisar e confrontar com conceitos teóricos. Conceito da professora P.1 acerca de alfabetização e letramento do 1º ano “A” do Ensino Fundamental I matutino A partir destes posicionamentos destacamos alguns conceitos de professoras referentes à alfabetização e letramento, desta maneira se tem a seguinte concepção referida à professora P.1¹, ressalvando se é possível ou não um indivíduo viver em uma sociedade sem desenvolver processos de alfabetização e letramento e as dificuldades encontradas pelo professor alfabetizador, concerne o respectivo posicionamento: Com certeza várias pessoas se encontram nesta situação, nem por isso, deixam de ser cidadão e estão inserido no mundo letrado, mesmo sem saber ler convencionalmente, mas tem a leitura de mundo. Já no que se concerne a dificuldade encontrada pelo professor alfabetizador, é quando nos deparamos com crianças que não tem interesse tornando difícil seu processo de ensino-aprendizagem, e quando não temos acompanhamento em sala de aula. Perante a declaração da professora, nota-se que primeiramente uma pessoa para ser cidadão não precisa necessariamente ser rotulada como alfabetizada, que passou por um processo de aprendizagem numa instituição, pois independentemente dessas condições este está inserido numa sociedade repleta de informações, em que as pessoas estão inseridas. Segundo, a mesma fala que é dificultosa o processo de alfabetização de crianças, pois algumas são tidas como desinteressadas, que não contribuem para que tal ato ocasione o desenvolvimento da leitura, escrita, decodificação, interpretação, interação como o meio em que vive, sendo explicitada a falta de acompanhamento. Então nos questionamos acompanhamento por quem, qual a meta/finalidade, para que, e partindo deste víeis formulamos três hipóteses: primeiro falta de acompanhamento dos próprios profissionais da escola, da coordenação pedagógica para buscar soluções viáveis para as dificuldades encontradas, dos pais em acompanhar o desenvolvimento dos seus filhos, do professor por considerar que a criança não que aprender, e o que deve ser feito deixá-la excluída e auxiliar quem já está em desenvolvimento do processo de alfabetização, o porquê de não buscar meios que a tragam para o mundo mágico da alfabetização, o porquê de não instigar a curiosidade da criança demonstrando que tudo isto é muito mais do que escrever e ler, apresentado que ser alfabetizado é está em contanto com si mesmo e com o meio em que vive, relatando que aprender a ler escrever é poder decifrar textos, canções, poemas, conhecer o que está a sua volta, demonstrando como é prazeroso fazer parte de um mundo que está em nossas mãos decorrentes da prática da alfabetização. Acreditamos assim, que alfabetizar e está letrado é uma junção que corresponderá a um cidadão completo, no sentido de ler e compreender, escrever de forma coerente e saber o porquê do ato da escrita, está incluso na sociedade e não excluído por ser considerado apenas por saber ler e escrever, porém, não saber para que finalidade. A partir disso, se ver a necessidade do despertar por uma alfabetização em que o professor não utilize de discursos incoerentes em que o aluno não quer aprender, pois se este não apresenta interesse que se formule soluções para o seu despertar e se não há acompanhamento para que ocorra isto, que se proponham meios que não venha a atrasar e dificultar a aprendizagem dos alunos e que se busque constantemente este acompanhamento por todos que compõem a escola, que são os funcionários que prezam para a formação do cidadão e dos pais que se interessem cotidianamente pela educação dos seus filhos, enfim, a busca contínua de fatores que ocasione o aprender dos alunos. Baseando-se nestas discussões se ver a complexidade da alfabetização, e segundo Soares (2011. p.24): A natureza complexa do processo de alfabetização evidencia, ainda, como tem sido apenas parcialmente enfrentado o problema da identificação dos pré-requisitos e da preparação da criança para a alfabetização. Essa questão ainda está restrita a apenas uma das facetas do processo de alfabetização, á faceta psicofisiológica; é necessário ampliar a visão do processo e acrescentar, a análise dos pré-requisitos e á organização de programas de preparação para a alfabetização, o enfoque da Psicologia, da Psicolinguística, da Sociolinguística e da Linguística. Portanto, essa articulação deve está presente nas práticas das professoras no contexto da sala de aula, pois estas devem ter uma preparação que as leve a compreender essas facetas (psicológica, psicolinguística, sociolinguística e linguística) e todos os condicionantes (sociais, culturais e políticos) do processo de alfabetização, para que possa utilizá-las no processo de alfabetização da criança, relacionando fatores que caracterizem a aprendizagem da leitura e da escrita, a interação com o meio social, com as informações adquiridas e sistematizadas para o desenvolvimento das mesmas no percurso escolar e social. 1º Ano “B” do Ensino Fundamental I conceito da professora P.2 acerca de alfabetização e letramento A professora da segunda turma observada tem uma concepção mais limitada do que seja alfabetização e letramento, além de suas falas, sua prática denuncia isso claramente. O autoritarismo e a indelicadeza com que conduz suas aulas e trata seus alunos auxiliam para essa visão que se forma em torno dela. No primeiro momento da aula a docente fazia um ditado para um grupo seleto de alunos, os quais haviam faltado anteriormente e ainda não haviam cumprido a tarefa, que parecia senão da escola, ao menos dos primeiros anos da mesma. O ditado tinha como objetivo conhecer as fases em cada aluno se encontra para assim serem trabalhados em cima de cada dificuldade, uma espécie de diagnóstico. Nenhum dos alunos que realizaram a atividade naquele momento conseguiu escrever corretamente as palavras, a maioria não tinha sequer noção de sílabas, alguns faziam apenas uma letra descontextualizada para representar a palavra pedida. Um deles não conseguiu transcrever da ficha para o papel seu próprio nome, assim como o cabeçalho do quadro. Foi ainda trabalhado no primeiro momento, um livro falando sobre aves, o mesmo apresentava algumas de suas espécies. Depois de terem ouvido a professora e visto os animais ilustrados no livro, a docente conseguiu fazer uma boa relação com a realidade das crianças perguntando se existiam nas suas casas, na sua rua ou se eles conheciam alguma daquelas aves ou de outro tipo. Enquanto os alunos diziam espécies diferentes como: galinha; azulão; louro (papagaio); galo de campina; etc. ela escrevia os nomes na lousa formando uma lista, eles a escreverem em seus cadernos e ainda circularam as vogais existentes em cada uma, as quais eram do conhecimento da maioria da turma. Já no segundo momento foi trabalhado lateralidade. Previamente, a professora perguntava o que estava em cima e embaixo das crianças, do seu lado direito e esquerdo e na frente ou atrás deles. Eles respondiam como entendiam e quando o faziam de forma inesperada e considerada errada pela docente, eram ignorados ou contrariados e expostos visivelmente. Com o livro didático foi realizada uma atividade explorando esses conhecimentos. Não se percebeu em nenhum momento da aula a preocupação da docente com a curiosidade dos alunos pela a escrita, para que eles se esforçassem e se interessassem. O incentivo, instrumento tão essencial na aprendizagem da leitura e da escrita de crianças, desaparece nessa fase anulando seu direito de descobrir, de explorar o conhecimento. Por fim, no que se concerne ao conceito da professora acerca da alfabetização e letramento, a mesma atribui o seguinte conceito: “É um processo lento, simultâneo é uma troca, sendo que ao mesmo tempo em que se ensina se aprende”. Assim sendo, a professora de certa forma tem uma visão reducionista, a qual considera um processo lento pela forma que se desenvolve, porém, a pesar de ser tido como demorado, é contínuo, sendo que é uma troca entre o aluno com o professor, para que ocorra o processo de alfabetização dos mesmos. ______________________ 1 Professora do Ensino Fundamental I da Escola Municipal São Benedito do município de Pau dos Ferros/RN. ² Professora do Ensino Fundamental I da Escola Municipal São Benedito do município de Pau dos Ferros/RN. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho buscou mostrar como acontece a prática do professor e como a criança compreende o sistema da escrita e o funcionamento de sua linguagem, isso por que a alfabetização é o momento mais importante na formação escolar da criança. Ao iniciar a descoberta do sistema alfabético de escrita, a criança passa por um momento em que percebe que podemos escrever tudo o que falamos, em seguida, ela precisa descobrir que nem tudo que é grafado equivale à forma que é falada. Assim sendo, as pesquisas de Ferreiro (2001) e Soares (2011) alegaram clareza sobre o modo como se dá a aprendizagem da leitura e a escrita na criança e sua correspondência de letras e sons. Para as autoras levar em consideração o conhecimento adquirido fora da escola é fundamental para dar continuidade à evolução da concepção do sistema da escrita e oral. Nas quais, as dificuldades que as crianças apresentam no início de escolarização referem-se ao seu desconhecimento do assunto, em que, a partir de seu processo de desenvolvimento da aprendizagem através do auxilio do professor, terá uma nova fase em que sucederá os conhecimentos que possuíam adquiridos no seio familiar juntamente com os novos que serão adquiridos na escola, onde as crianças passam a ter mais contato com o que antes era considerado desconhecido, como a escrita, que esta começará através de rabiscos, desenhos para depois começar a formar palavras e a leitura que se sucederá através de imagens e da junção das sílabas simples e compostas. Pode-se perceber que essa aprendizagem não é coisa fácil de aceitação e entendimento aos olhos de quem aprende, visto que, as crianças possuem hipótese referente à escrita e que as hipóteses classificam-se em níveis de aprendizado, ou seja, etapas de desenvolvimento que serão vividas no cotidiano e no âmbito escolar. Porém, se o educador em sua prática tiver clareza de uma concepção de linguagem que submirja o processo de alfabetização de forma mais objetiva, conseguirá não apenas que seu aluno leia e escreva, mas que interprete, entenda o ato da escrita, o porquê de escrever, para quem escrever, e que possa chegar à conclusão que escrevermos para o outro ler e que através da leitura ingressamos em um novo mundo sendo assim, é importante considerar o processo de alfabetização e letramento como um processo de aprendizagem social e histórico da leitura e da escrita, tanto em contextos informais quanto para usos materiais. Deste modo, alfabetizar não é apenas ensinar a ler e a escrever, mas também o domínio da leitura e da escrita é um processo que não se baliza ao simples reconhecimento de letras ou ao exercício de ligar letras para constituir sílabas, palavras e frases. Concebemos a alfabetização como possibilidade de interação com o mundo por meio da língua escrita, a qual permite que o aluno desenvolva e reveja sua maneira de entender o mundo e de representa-lo. Alfabetizar, portanto, é um desafio contínuo que segue uma progressiva evolução no tempo, relacionado ao contexto que as crianças estão imbricadas desde ao seu contato por meio familiar até sua chegada à escola. Por conseguinte, o processo de alfabetização não pode centrar-se somente no domínio da letra, da palavra ou da frase que, isoladas, fora do contexto, não preparam a criança para produzir discursos orais e escritos, de acordo com as situações de comunicação das quais participa, antes de qualquer coisa, é necessário que o professor consinta que a criança faça suas experimentações, suas tentativas de acerto, suas descobertas. Portanto, uma das preocupações que o professor deve ter no início do processo de alfabetização é de estimular o aluno a registrar o que pensa desde a alfabetização. Assim sendo, os seus registros iniciais poderão ser garatujas, letras, desenhos, números, ou seja, ele vai escrever como acredita que um texto pode ou deve ser escrito. O aluno precisa compreender para que serve ler e escrever, isto é, qual é a função da leitura e da escrita. Par que assim ocorra produções espontâneas que vão indicar os recursos que a criança utilizou para compreender a natureza da escrita. Nesse momento o professor deve subsidiar o aluno em todos os momentos, tornando-se o mediador entre o aluno e o objeto do conhecimento. REFERENCIAS FERREIRO, Emília. Reflexões sobre a alfabetização. 24 ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 10 -95. SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. 6. ed., 1ª reimpressão. -São Paulo: Contexto, 2011. p. 15-84. ANEXO ANEXO 1 Atividade referente a um ditado de palavras, em que os alunos deveriam escrever as seguintes palavras: casa, bola, mesa, dado e vaca. Sendo que a partir desta atividade, a professora relatou que ocorreria uma reunião para identificar os alunos que estão na fase silábica, pré-silábica e silábico-alfabética. Primeiro Exemplo Neste exemplo a escrita da criança está com diferenciações interfigurais, pois o interfigurais se expressa sobre o eixo quantitativo, como a quantidade mínima de letras, correspondente, geralmente a três, para que o que foi escrito transmita algo e que o eixo qualitativo tenha uma variação interna necessária para que uma série de grafias possa ser interpretada, ou seja, se o que foi escrito é ou não interpretável. Segundo Exemplo Essa escrita é silábica, e segundo Ferreira (2001), são letras de forma convencional, mas utilizadas sem um valor sonoro, sendo que cada letra vale uma sílaba. (1) Ca-sa Casa (2) Me-sa Mesa (3) Bo-la Bola (4) Da-do Dado (5) Va-ca Vaca Compreender-se deste modo, que a criança está na descoberta da quantidade de letras com que se vai escrever cada palavra, em que a mesma está descobrindo as partes da escrita correspondentes a outras partes das palavras, nas quais as partes das palavras são inicialmente as suas sílabas, iniciando assim o período silábico que evolui até chegar a uma exigência rigorosa, que corresponde a uma sílaba por letra, sem omitir sílabas e sem repetir letras. Terceiro Exemplo Neste último exemplo se tem a escrita silábico-alfabética, nesta fase se marca a transição entre os esquemas prévios em via de serem construídos. Em que a criança, descobre que a sílaba não pode ser considerada como uma unidade, mas que ela é, por sua vez, reanalisável em elementos menores, ingressa no último passo de compreensão do sistema socialmente estabelecido.