SONIA MARIA DE CARVALHO SILVA AÇÕES DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DESENVOLVIDAS NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Sistemas de Gestão da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Sistemas de Gestão. Área de concentração: Responsabilidade Social e Sustentabilidade. Orientador: Stella Regina Reis da Costa, D.Sc. Niterói 2011 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. SONIA MARIA DE CARVALHO SILVA AÇÕES DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DESENVOLVIDAS NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Sistemas de Gestão da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Sistemas de Gestão. Área de concentração: Responsabilidade Social e Sustentabilidade. Aprovado em 07 de janeiro de 2011. BANCA EXAMINADORA ___________________________________________ Stella Regina Reis da Costa Universidade Federal Fluminense ___________________________________________ Eduardo Rodrigues Gomes Universidade Federal Fluminense ___________________________________________ Hélio Fernandes Machado Júnior Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Dedico este trabalho Aos meus pais, Osmar e Marli, que me ensinaram a caminhar com disciplina, determinação, responsabilidade e integridade. Aos meus filhos Gabriel e Mariana, razão maior da minha vida. AGRADECIMENTOS À minha orientadora, Profª Stella Regina Reis da Costa, por sua intervenção precisa, acompanhamento sistêmico e por todas as preciosas indicações, bem como, aos demais professores do curso. Ao Profº Cid Alledi, por me ajudar a encontrar o real sentido desta proposta de pesquisa. À Universidade Federal Fluminense, por fazer parte da minha trajetória estudantil e profissional e por servir, pela terceira vez, de objeto de estudo de minhas pesquisas. Ao meu irmão Nilton e sobrinhos, pelo carinho, e por representarem presenças expressivas em minha vida. Ao tio José Carlos, pela relação amorosa que tem nos mantido unidos ao longo dos anos. Ao primo Mauro Motta, pelos constantes elogios, respeito, carinho e por toda confiança depositada no meu desempenho profissional. A amiga/irmã Regina Maria Abílio Simão, pelo apoio nos momentos mais difíceis, mantendose cúmplice das minhas alegrias e tristezas, certezas e dúvidas, acertos e desacertos. Aos amigos: Loana, Allan, Juliana e Paulo Castro, Leila Zanelli, Roseli Rios, Sandra Coelho, Luiz Otávio Chuller, Valmir Estrella, e Denise Gass, pelo carinho e por terem me estendido suas mãos, emprestando-me seus ouvidos e ombros. Sempre dotados de muita paciência, compreensão e, principalmente, respeito. Aos meus colegas de turma Luiz Arruda e Alberto José do Patrocínio, pela respeitosa e competente parceria em trabalhos e projetos desenvolvidos dentro e fora da sala de aula. A todos os atores que participaram desta pesquisa (professores, estudantes e técnicos da UFF), pela valiosa contribuição que viabilizou e deu sentido a presente proposta. Àqueles que ao me levarem a interromper uma jornada exaustiva de trabalho, fechando ‘velhas portas’, propiciaram a abertura de novos horizontes, contribuindo para o meu crescimento pessoal, acadêmico e profissional. “O sentido essencial da responsabilidade social da educação superior consiste em produzir e socializar conhecimentos que tenham não só o mérito científico, mas também valor social e formativo [...] Que a universidade não seja um motor de globalização da economia de mercado, mas sim da globalização da dignidade humana”. (José Dias Sobrinho) RESUMO Nos últimos tempos, ocorreram transformações significativas nas relações estabelecidas entre Estado, sociedade civil, empresa e meio ambiente, fato que contribui para a incorporação da Responsabilidade Social no campo de atuação da Universidade que se vê diante do desafio de proporcionar uma formação mais ampla, focada não somente no conhecimento técnico científico, mas também nos princípios da ética e da cidadania. Esta pesquisa objetiva identificar impactos e desdobramentos sobre a formação dos estudantes que participam das ações de Responsabilidade Social, desenvolvidas em Programas e Projetos de Extensão. Trata-se de um estudo de caso sobre os Programas e Projetos de Extensão, coordenados pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense. Na pesquisa de campo utilizou-se da aplicação de questionários e entrevistas realizadas com técnicos, gestores, coordenadores e, principalmente, estudantes que participam das atividades de Extensão. Deuse ênfase aos dados qualitativos com a utilização do método reflexivo de análise e síntese. Apresenta como resultado quatro modelos relacionais construídos a partir do referencial teórico. Na pesquisa de campo foram realizadas avaliações com base nas ações associadas aos indicadores da Responsabilidade Social, estruturados a partir das diretrizes fixadas pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, visando caracterizar os processos de reconhecimento, gestão, divulgação e incentivo institucional. As análises realizadas evidenciam que o envolvimento com ações de Responsabilidade Social promove maior aproximação e comprometimento dos estudantes universitários com as questões socioambientais, contribuindo para transformá-los em profissionais/cidadãos. Palavras-chave: Responsabilidade Social. Papel social da Universidade. Programas e Projetos de Extensão. Formação de profissionais/cidadãos. ABSTRACT Lately, there have been significant transformations in relations between state, civil society, business and environment, thus contributing to the incorporation of social responsibility in the field of that the University faces the challenge of providing a broader training, focused not only in scientific expertise, but also the principles of ethics and citizenship. This study attempts to identify impacts and repercussions on the education of students who have rallied for Social Responsibility, developed programs and Extension Projects. This is a case study on the Programs and Extension Projects, coordinated by the Dean of Extension, Fluminense Federal University. In field research made use of questionnaires and interviews with coaches, managers, supervisors, and especially students who participate in Extension activities. Emphasis was placed on qualitative data using the method of reflective analysis and synthesis. Presents as a result four relational models constructed from the theoretical. In the field research were evaluated based on the actions associated with indicators of social responsibility, structured on the basis of guidelines established by the National Assessment of Higher Education in order to characterize the processes of recognition, management, dissemination and institutional incentive. The analysis carried out showed that the involvement with actions to promote greater social responsibility approach and commitment of students with social and environmental issues, helping transform them into professionals / citizens. Keywords: Social Responsibility. Social role of the University. Programs and Extension Projects. Training for professionals / citizens. LISTA DE FIGURAS Figura 01 Envolvimento da empresa na sociedade: abordagem estratégica ...................35 Figura 02 Desenvolvimento Sustentável / Tripé da Sustentabilidade Empresarial ........38 Figura 03 A Reforma da RSU proposta por Vallaeys ....................................................59 Figura 04 Processos chaves para o desenvolvimento dos princípios e valores da RSU..61 Figura 05 MODELO DE REDE: Ações de RS, focadas nas questões socioambientais, que funcionam como o núcleo da relação de interdependência estabelecida entre Estado, sociedade e empresa, considerando o equilíbrio a ser mantido entre os três pilares da sustentabilidade .........................................................77 Figura 06 MODELO RELACIONAL I: Ações de RS que funcionam como o núcleo da relação de interdependência estabelecida entre Estado, sociedade, empresa e meio ambiente.................................................................................................78 Figura 07 MODELO RELACIONAL II: Ações de RS que funcionam como o núcleo da relação de interdependência estabelecida entre Estado, sociedade, empresa, meio ambiente e universidade ........................................................................79 Figura 08 MODELO RELACIONAL III: Ações de RS, desenvolvidas nos Programas e Projetos de Extensão das universidades, que funcionam como o núcleo da relação de interdependência estabelecida entre Estado, sociedade, empresa e meio ambiente ...............................................................................................80 Figura 09 Atividade de ensino – Queda dos Corpos – com alunos do Instituto Educacional Professor Ismael Coutinho (localizado em Niterói – Rio de Janeiro ..........................................................................................................104 Figura 10 Kit experimental para o ensino de Forças (grandeza vetorial) – exploração do tato do deficiente visual ................................................................................104 Figura 11 Aluna de 42 anos da Escola de Jovens e Adultos participando de atividades que envolvem jogos eletrônicos no computador - trabalho direcionado para estudantes que apresentam dificuldade de aprendizagem e deficiências cognitivas .....................................................................................................104 Figura 12 Material didático produzido pelos estudantes da Escola de Inclusão, direcionados para alunos com deficiência visual .........................................105 Figura 13 Aluna da UFF a bolsista do Programa Jovem Talento (CECIERJ/FAPERJ) apresentando o projeto na Semana de Extensão em 2008 ............................105 Figura 14 Atividade de demonstração das partes constituintes de uma planta, com ênfase na importância da flor para a reprodução dos vegetais (atividades de valorização do meio ambiente) ................................................................... 106 Figura 15 Aluno de graduação em oficina com os alunos da escola .......................... .106 Figura 16 Início da marcação de canteiros pelo bolsista de Extensão ..........................106 Figura 17 Estudantes universitários coordenando trabalho em grupo e ministrando aula no curso Pré Universitário Popular da UFF .................................................107 Figura 18 Estudantes realizando pesquisa na caminhada promovida pela ACELBRA na Praia de Icaraí/2008 ......................................................................................107 Figura 19 Estudantes de Nutrição realizando explanação durante a oficina de culinária/2010 ...............................................................................................107 Figura 20 Estudante proferindo palestra em atividade do GEAC/2010 .......................107 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 Percentuais do pagamento de bolsas aos participantes dos Projetos de Extensão .........................................................................................................99 Gráfico 02 Percentuais dos conceitos que definem as ações dos Projetos de Extensão..100 Gráfico 03 Percentuais do tempo de permanência na universidade dos estudantes que participam dos Projetos de Extensão ............................................................109 Gráfico 04 Percentuais do tempo de participação dos estudantes nos Projetos de Extensão .......................................................................................................................110 Gráfico 05 Percentuais das atribuições desempenhadas nos Projetos que têm relação com o curso de formação dos estudantes .............................................................112 Gráfico 06 Percentuais dos estudantes pesquisados que recebem bolsa para atuar nos Projetos de Extensão ....................................................................................113 Gráfico 07 Percentuais dos conceitos que melhor definem as ações dos Projetos de Extensão, segundo a visão dos estudantes....................................................114 Gráfico 08 Percentuais de mudanças identificadas pelos estudantes, após atuação nos Projetos de Extensão ....................................................................................117 Gráfico 09 Percentuais da intenção dos estudantes de participarem futuramente em ações voluntárias ....................................................................................................118 LISTA DE QUADROS Quadro 01 Fatos relevantes que demarcaram a incorporação da RSE nas atividades empresariais brasileiras ...................................................................................27 Quadro 02 Ações de viabilidade para a construção de uma universidade socialmente responsável .....................................................................................................50 Quadro 03 Dimensões de avaliação das IES e seus respectivos pesos, determinados pelo SINAES ..........................................................................................................54 Quadro 04 Estrutura da matriz do SINAES referente à terceira dimensão do processo de avaliação externa das IES ...............................................................................55 Quadro 05 Descrição das orientações do SINAES para avaliação e pontuação dos indicadores vinculados as atividades de Extensão, focadas na RSU...............56 Quadro 06 Programas e Projetos de Extensão pesquisados .............................................85 Quadro 07 Etapas da Pesquisa ..........................................................................................87 Quadro 08 Ações de Extensão da PROEX/UFF ..............................................................95 Quadro 09 Ações associadas aos indicadores da RSU propostas a partir das diretrizes do SINAES.........................................................................................................121 LISTA DE TABELAS Tabela 01 Distribuição das populações de projetos cadastrados em 2010 e selecionados de acordo com os critérios adotados ...............................................................83 Tabela 02 Distribuição das populações de projetos selecionados e contactados, em relação à amostra de projetos pesquisados .................................................... 84 Tabela 03 Distribuição da população que atua nos projetos pesquisados, em relação à amostra de coordenadores e estudantes pesquisados ......................................84 LISTA DE SIGLAS ACELBRA Associação de Celíacos do Brasil ADCE Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas ADVB Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil APE Assessoria de Projetos Especiais CAJUFF Centro de Assistência Jurídica da UFF CAPES Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior CEAEX Centro de Apoio à Extensão CEIM Centro de Estudos de Iniciação Musical CEMEX Centro de Memória da Extensão CIAEX Coordenadoria de Integração Acadêmica CIEEX Coordenação de Infra-Estrutura da Extensão CNPq Conselho Nacional de Pesquisa CONAES Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior CPAs Comissões Próprias de Avaliação CPIEX Coordenadoria de Projetos Institucionais DDC Departamento de Difusão Cultural EASIC Enfermagem na Atenção à Saúde do idoso e seus cuidadores ENEM Exame Nacional de Ensino Médio FAU Farmácia Universitária FAPERJ Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro FE Formulário Eletrônico FINEP Financiadora de Projetos Especiais FORPROEX Fórum Nacional dos Pró-Reitores de Extensão GEAC Grupo de Estudo e Apoio ao Doente Celíaco GTZ Agência Alemã de Cooperação Técnica HUAP Hospital Universitário Antonio Pedro IES Instituições de Ensino Superior IFES Instituições Federais de Ensino Superior INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais IPAHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional LABHIAL Laboratório de Hialotecnia LDB Lei de Diretrizes e Bases LURA Laboratório Universitário Rodolpho Albino MEC Ministério de Educação e Cultura NEICT Núcleo de Estudos em Inovação, Conhecimento e Trabalho NEPHU Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos NUFEP Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas ONGS Organizações não governamentais OSN Orquestra Sinfônica Nacional PIBIC Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica PDI Projeto de Desenvolvimento Institucional PNBE Pensamento Nacional das Bases Empresariais PPC Projetos Pedagógicos dos Cursos PPE Programas e Projetos de Extensão PPI Projeto Pedagógico Institucional PROAC Pró Reitoria de Assuntos Acadêmicos PROEX Pró Reitoria de Extensão PROEXT Programa de Extensão Universitária PROLEM Programa de Línguas Estrangeiras Modernas PROPLAN Pró Reitoria de Planejamento PROPPI Pró Reitoria de Pesquisa, Pós Graduação e Inovação RS Responsabilidade Social RSE Responsabilidade Social Empresarial RSU Responsabilidade Social Universitária SE Sustentabilidade Empresarial SIGPROJ Sistema de Informação e Gestão de Projetos SINAES Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior SPA Serviço de Psicologia Aplicada TBL Triple Bottom Line (Teoria dos Três Pilares) UFF Universidade Federal Fluminense UNESCO Organização Educativa, Científica e Cultural das Nações Unidas USP Universidade de São Paulo SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................17 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA .....................................................................17 1.2 OBJETIVO GERAL...................................................................................................18 1.2.1 Objetivos Específicos................................................................................................18 1.3 DELIMITAÇÃO........................................................................................................18 1.4 IMPORTÂNCIA E JUSTIFICATIVA.......................................................................19 1.5 QUESTÕES................................................................................................................20 1.6 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO...............................................................................21 2 REVISÃO DA LITERATURA ..............................................................................24 2.1 RESPONSABILIDADE SOCIAL NO BRASIL: ORIGEM E INSERÇÃO NO CONTEXTO SOCIAL ..............................................................................................24 2.1.1 A Base Conceitual da Responsabilidade Social ...................................................28 2.1.2 A Responsabilidade Social e o Estado ...................................................................31 2.1.3 A Responsabilidade Social e o valor social da Empresa ......................................32 2.1.4 Responsabilidade Social, Empresa e Sociedade....................................................34 2.1.5 Responsabilidade Social, Empresa e Meio Ambiente ..........................................36 2.2 SISTEMA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR ................................................................40 2.2.1 O papel social da Universidade enquanto Instituição formadora de cidadania: enfoques diferenciados ............................................................................................42 2.3 RESPONSABILIDADE SOCIAL UNIVERSITÁRIA ............................................48 2.3.1 A RSU e os indicadores de avaliação do SINAES.................................................51 2.3.2 Aplicabilidades da RSU no setor Público e Privado ............................................57 2.3.3 A Reforma da RSU proposta por Vallaeys ...........................................................58 2.3.4 Princípios e valores da RSU ....................................................................................60 2.4 EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ORIGEM E PAPEL SOCIAL.............................62 2.4.1 A interface estabelecida entre a Extensão Universitária e a RSU .......................69 2.5 ANÁLISE SOBRE A ESSÊNCIA DA RS E APRESENTAÇÃO DE MODELOS RELACIONAIS CONSTRUÍDOS A PARTIR DO REFERENCIAL TEÓRICO ...73 3 METODOLOGIA ....................................................................................................81 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA .........................................................................81 3.2 AMOSTRAGEM .......................................................................................................82 3.2.1 Especificação da Amostra .......................................................................................83 3.3 MÉTODOS E INSTRUMENTOS DE PESQUISA ..................................................86 3.4 ETAPAS DA PESQUISA..........................................................................................87 4 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO: A PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE .......................89 4.1 PROGRAMAS E PROJETOS DE EXTENSÃO DA PROEX/UFF..........................94 4.2 PROCESSO DE CADASTRAMENTO E CONCESSÃO DE BOLSAS DE EXTENSÃO ..............................................................................................................95 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................98 5.1 ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS COORDENADORES DOS PROGRAMAS E PROJETOS DE EXTENSÃO ......................................................98 5.2 ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ESTUDANTES QUE ATUAM NOS PROGRAMAS E PROJETOS DE EXTENSÃO............................................108 5.3 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS BASEADA NAS AÇÕES ASSOCIADAS AOS INDICADORES DE AVALIAÇÃO DA RSU .......................................................121 5.4 ANÁLISE GERAL DOS DADOS COLETADOS .................................................129 6 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS... 134 REFERÊNCIAS.....................................................................................................139 APÊNDICES...........................................................................................................149 ANEXOS.................................................................................................................164 17 1 INTRODUÇÃO Este capítulo apresenta a contextualização do tema de pesquisa; situação problema; delimitação; importância e justificativa; hipóteses; questões e organização do estudo, visando proporcionar maior compreensão da proposta desta pesquisa. 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA A ditadura e a política neoliberal levaram o Estado a reduzir seu campo de atuação nas questões sociais. As empresas induzidas pelo desejo de melhorar sua imagem, diante de consumidores mais conscientes e exigentes passaram a assumir, cada vez mais, parte dessa responsabilidade. Assim sendo, o mercado começa buscar profissionais que compreendam as necessidades do mundo atual e que saibam propor soluções criativas e inovadoras, comprometidos com as questões socioambientais. Essa realidade deu maior status à responsabilidade social empresarial (RSE) e, conseqüentemente, a sociedade começa a exigir das universidades a oferta de uma formação que atenda a todos esses requisitos. (SILVA, 2008) Nesse contexto, as universidades se viram diante do desafio de proporcionar uma formação mais ampla, focada na ética e na cidadania. A relevância dada a RSE no mundo dos negócios gerou, consequentemente, o crescimento do número de profissionais que atuam no Terceiro Setor. Tudo isto tem exigido das universidades a formação de profissionais capazes de atuarem em busca de soluções voltadas para minimizar os anos de ausência do Estado e para gerar resoluções inovadoras sobre, por exemplo, as questões que geram injustiça social e destruição do meio ambiente. E assim, com a adoção desta postura, acredita-se que será possível reduzir os impactos socioambientais e aproximar os estudantes universitários de realidades distintas, visto que as teorias não são suficientes para capacitar os futuros profissionais/cidadãos que irão atuar em todas as instâncias sociais (OLIVEIRA, 2004; VALLAEYS, 2006; CHAUÍ, 2001). Oliveira (2004) adverte que não basta expor os estudantes a constantes palestras que versem sobre a destruição do planeta, sobre a necessidade de desenvolver meios de preserválo, sobre a importância da adoção de processos de reciclagem ou de inclusão social. Portanto, cabe à universidade desenvolver programas e projetos que envolvam seus estudantes em 18 práticas de intervenção socioambiental. Caso contrário, dificilmente a conscientização sobre a importância do papel de cada um na sociedade se dará por meio da formação universitária. Logo, no contexto atual cabe às universidades formar profissionais/cidadãos, capazes de produzirem conhecimentos que promovam o desenvolvimento da sociedade, dando à dimensão social a mesma relevância que tem sido dada à dimensão política e econômica (DIAS SOBRINHO, 2005; CHAUÍ, 2003; VALLAEYS, 2006). 1.2 OBJETIVO GERAL • Levantar impactos e desdobramentos sobre a formação dos estudantes que participam das ações de Responsabilidade Social, desenvolvidas em Programas e Projetos da Pró Reitoria de Extensão (PROEX) da Universidade Federal Fluminense (UFF), para identificar se a universidade está cumprindo parte do seu papel social, enquanto instituição formadora de profissionais/cidadãos. 1.2.1 Objetivos Específicos • Confirmar se os Programas e Projetos de Extensão da PROEX/UFF desenvolvem ações de Responsabilidade Social; • Identificar se as ações de Responsabilidade Social, desenvolvidas na Extensão Universitária, contribuem para a formação dos estudantes; • Pesquisar como se caracterizam as ações de RS, desenvolvidas na Extensão Universitária, com relação aos processos de reconhecimento, gestão, divulgação e incentivo institucional. 1.3 DELIMITAÇÃO As propostas comumente apresentadas sobre a adoção de ações de Responsabilidade Social Universitária (RSU) consideram as esferas administrativa e acadêmica, tratando-se de estudos mais amplos que já têm sido alvo da atuação de várias universidades da América Latina. Nesse sentido, Wagenberg (2006) relata sobre a existência de universidades que estão desenvolvendo um processo de auto-análise com foco no seu desempenho acadêmico, por estarem conscientes da questionável atitude que adotam ao super valorizarem o repasse de 19 conhecimentos teóricos, criando um verdadeiro abismo entre o discurso e a prática da formação ofertada. Cabe ressaltar que a Responsabilidade Social Universitária, ora contextualizada, é mais restrita, pois se refere especificamente às atividades acadêmicas desenvolvidas em Programas e Projetos de Extensão (PPE), cadastrados em 2010 e coordenados pela PróReitoria de Extensão (PROEX) da Universidade Federal Fluminense (UFF). 1.4 IMPORTÂNCIA E JUSTIFICATIVA A Constituição de 1988 define a educação como um direito de todos e dever do Estado, compreende a origem da responsabilidade da educação na formação do ser humano ético e cidadão. Logo, entende-se que é um dever de toda Instituição de Ensino Superior produzir um ensino de qualidade que garanta a formação de profissionais/cidadãos (VALLAEYS, 2006; SILVA, 2008). Diferentes autores sinalizam que cabe às universidades ultrapassar barreiras, derrubar muros e sair da confortável posição de ‘neutralidade’ para, além da formação profissional, formar cidadãos envolvidos e comprometidos com as questões geradoras de injustiças sociais e de devastação ambiental (CALDERÓN, 2006; GURGEL, 1989). Oliveira (2004) considera importante o estabelecimento de uma política de Extensão Universitária que estabeleça princípios, critérios e indicadores de demanda para seleção de projetos extensionistas, fornecendo uma base clara e pública, mesmo sabendo que não é possível a qualquer Pró Reitoria de Extensão assumir todas as demandas da sociedade. Fica assim, sob pena de ter seu trabalho caracterizado como ineficaz e ineficiente ou meramente assistencialista. Logo, considera-se relevante a realização de estudos que retratem a amplitude e relevância do trabalho extensionista, focado nas ações de Responsabilidade Social, com base na análise dos seus impactos e desdobramentos, além de propor alguns indicadores que possam subsidiar a construção de um processo de gestão da Responsabilidade Social Universitária (RSU). Neste sentido, a escassa produção científica sobre o estado da arte das ações de RSU dificulta ainda mais a realização de análises. Esta realidade tem mantido em aberto uma lacuna a ser preenchida, sendo oportuno investigar se as Instituições de Ensino Superior (IES) 20 estão cumprindo parte do seu compromisso social, enquanto instituições formadoras de profissionais/cidadãos. 1.5 QUESTÕES Pesquisas realizadas nos últimos anos demonstram que a origem do conceito de Responsabilidade Social, fortemente ligada ao setor empresarial, desperta de forma ainda muito tímida o interesse de dirigentes das Instituições públicas de Ensino Superior em vincular suas ações acadêmicas ao conceito de Responsabilidade Social. E assim, os autores indicam um quadro de pouca divulgação, falta de apoio, incentivo e reconhecimento das ações de Responsabilidade Social Universitária. Por meio do envolvimento dos estudantes neste tipo de ação, considera-se ser possível comprovar o cumprimento de parte do papel social das universidades, enquanto instituições formadoras de profissionais/cidadãos (GURGEL, 1986; CHAUÍ, 2003; VALLAEYS, 2006). Os autores sinalizam que, no sentido inverso daquele percorrido pelas empresas e IES privadas, as universidades públicas realizam ações de Responsabilidade Social, mas não as reconhecem, nem as conceituam como tais. As ações de Responsabilidade Social, ocorridas dentro das universidades públicas, datam desde a origem da Extensão Universitária, tendo sido incluídas oficialmente, no Ensino Superior em 2004 pelo Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (SINAES). Logo, não se tem registro de estudos que visem a identificar ações de Responsabilidade Social, desenvolvidas especificamente em Programas e Projetos de Extensão, objetivando analisar seus impactos e desdobramentos sobre a formação dos estudantes. Assim sendo, o presente estudo busca investigar, segundo a ótica dos atores que participam diretamente das atividades acadêmicas pesquisadas, as seguintes questões: • Os Programas e Projetos de Extensão da PROEX/UFF desenvolvem ações de responsabilidade social? • Quais são os impactos e desdobramentos sobre a formação dos estudantes que participam das ações de responsabilidade social, desenvolvidas nos Programas e Projetos de Extensão da PROEX/UFF? 21 • Por meio do desenvolvimento de Programas e Projetos de Extensão, focados em ações de responsabilidade social, a universidade está cumprindo parte do seu papel social, enquanto instituição formadora de profissionais/cidadãos? • Como se caracterizam as ações de responsabilidade social, desenvolvidas na Extensão, com relação aos processos de reconhecimento, gestão, divulgação e incentivo institucional? 1.6 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO A revisão da literatura é composta de cinco seções que abordam a Responsabilidade Social no Brasil; o Sistema de Educação Superior; a Responsabilidade Social Universitária, a Extensão Universitária e uma análise sobre a essência da Responsabilidade Social. A primeira seção retrata o contexto social que deu origem à concepção da Responsabilidade Social no Brasil, segundo Alledi Filho (2002); Silva (2008); Rosa (2008) e Toldo (2002). Apresenta os principais fatos que demarcaram a incorporação da Responsabilidade Social nas atividades empresariais e sua base conceitual, por Ashley (2002; 2003) e pelo Instituto Ethos (2002). Traz algumas reflexões sobre a relação da Responsabilidade Social com o Estado, realizadas basicamente por Dupas (1998; 2008). Dispõe sobre o valor social da empresa e a relação que ela estabelece com a sociedade e com o meio ambiente, de acordo com Kirschner (2006); Porter e Kramer (2006) e outros. Objetiva focar o contexto maior que envolve as ações de responsabilidade social através da relação de interdependência estabelecida com o Estado, empresa, sociedade e meio ambiente. A segunda seção apresenta as características do Sistema de Educação Superior e aborda o papel social da universidade, enquanto instituição formadora de cidadania, através de três enfoques diferenciados: o primeiro abordado por Chauí (2003) que se refere à relação a ser estabelecida entre a universidade e a sociedade, bem como a forma de atuação que as universidades públicas devem seguir; o segundo enfoque é dado por Dias Sobrinho (2005) que avalia o papel social da universidade, enquanto formadora de cidadãos, considerando as relações mantidas entre universidade, sociedade civil e Estado e, principalmente, as transformações globais impostas pela política neoliberal. O terceiro e último enfoque é retratado por Vallaeys (2006) e refere-se, especificamente, a questão da Responsabilidade Social Universitária, enquanto possibilidade de formar cidadãos informados. Esta seção visa proporcionar maior compreensão sobre o papel social da universidade e o contexto em que as 22 ações de responsabilidade social universitária encontram-se inseridas. A terceira seção retrata a base legal, origem, papel social e importância da responsabilidade social universitária. Apresenta algumas considerações de Bueno (2007), que assume uma visão crítica sobre a postura adotada pela universidade nos últimos anos. Neste contexto, o autor indica algumas ações que se fazem necessárias para viabilizar a construção de uma universidade socialmente responsável. Aborda as aplicabilidades da RSU no setor público e privado, segundo Calderón (2006). Apresenta ainda diretrizes de avaliação das IES, definidas pelo SINAES e uma proposta de reforma universitária de responzabilização social, formulada por Vallaeys (2006). Por último, demonstra os princípios e valores da Responsabilidade Social Universitária, definidos por Fontecilla; La Jarra e Troncoso (2006). Esta seção retrata uma visão contextualizada sobre a RSU, questão central do presente estudo. Na quarta seção, são apresentadas a definição, origem, características, função social e importância da Extensão Universitária, segundo Fontecilla; La Jarra e Troncoso (2006); Gurgel (1986); Chauí (2001); Nogueira (2000), dentre outros. Aponta a importância dos Projetos de Extensão na formação dos cidadãos, segundo Chauí (1983; 2003; 2006) que afirma ser possível, através deles, reduzir as diferenças sociais proporcionando cidadania, não só ao público-alvo das ações de RS dos projetos de Extensão, mas também aos coordenadores, alunos e demais atores que deles participam direta ou indiretamente. As atividades de extensão pelas quais as universidades contribuem para a educação permanente dos cidadãos e tornam acessíveis os saberes nela conquistados a todos aqueles que deles possam precisar e se beneficiar, são um dos aspectos fundamentais do compromisso social [...] É, portanto, imperioso que as universidades públicas dêem a tais atividades a importância e o alcance a elas devidos - enquanto derivadas de suas funções institucionais próprias – e que as compreendam de maneira abrangente, não só como difusão de conhecimentos, mas como meios de inserção cultural e de educação para a vida e a cidadania. (CHAUÍ, 2003) Em seguida, apresenta uma contextualização sobre a interface estabelecida entre a Extensão Universitária e a Responsabilidade Social Universitária, defendendo que a dimensão formadora da educação superior precisa ultrapassar as dimensões acadêmicas e informativas, devendo conduzir seus estudantes a aprender a formular novas reflexões sobre as questões que se colocam no mundo atual, função que pode ser cumprida por meio do trabalho extensionista (CALDERÓN, 2006; KLINSBERG, 2006; WAGENBERG, 2006; CHAUÍ, 2003; VALLAEYS, 2006). Por último, retrata algumas contextualizações sobre a essência da RS como base no referencial teórico utilizado. Apresenta como resultado da pesquisa bibliográfica quatro 23 modelos relacionais construídos para demonstrar esquematicamente a relação de interdependência estabelecida entre a RS e as diferentes instâncias sociais. O terceiro capítulo traz a Metodologia adotada, classificando a presente pesquisa como exploratória, descritiva, bibliográfica e documental, segundo Vergara (2006); Marconi e Lakatos (1999). Trata-se de um Estudo de Caso, segundo Yin (2001), pois foram pesquisadas as ações de RS desenvolvidas em Projetos de Extensão, coordenados pela Pró-Reitoria de Extensão(PROEX) de uma Instituição Federal de Ensino Superior, a Universidade Federal Fluminense (UFF). Apresenta ainda especificações da amostra; métodos, instrumentos utilizados, bem como as etapas da pesquisa. O quarto capítulo aborda a caracterização do estudo de caso ao relatar a infra-estrutura da PROEX/UFF; define seus objetivos; processos de cadastramento; concessão de bolsas e cita alguns Programas e Projetos de Extensão, desenvolvidos nos últimos anos, denominados pela referida Pró-Reitoria de ‘ações de extensão’. O quinto capítulo apresenta os resultados da pesquisa de campo, acompanhados das respectivas análises e discussões, realizadas por meio de questionários aplicados e de entrevistas conduzidas com base nos indicadores de avaliação das ações de RS. O sexto capítulo é constituído de algumas considerações finais. Relata os principais resultados alcançados na pesquisa de campo, visando atender aos objetivos da pesquisa e responder as questões levantadas inicialmente. E, por último, traz sugestões indicando à realização de futuras pesquisas. 24 2 REVISÃO DA LITERATURA O presente capítulo divide-se em cinco seções que retratam a Responsabilidade Social no Brasil; o Sistema de Educação Superior, a Responsabilidade Social Universitária, a Extensão Universitária e uma análise crítica sobre a essência da Responsabilidade Social. Visa demonstrar fundamentalmente a interface estabelecida entre Responsabilidade Social, Estado, sociedade, empresa, meio ambiente, universidade e Extensão Universitária. Através da apresentação de discussões conceituais que têm sido travadas por diferentes autores no campo da Responsabilidade Social (RS), objetiva-se possibilitar reflexões e abordagens diferenciadas sobre suas funcionalidades e importância. Parte-se do princípio de que é necessário entender a origem, o contexto social e a base conceitual da RS, bem como a relação de interdependência estabelecida entre as diferentes instâncias sociais. 2.1 A RESPONSABILIDADE SOCIAL NO BRASIL: ORIGEM E INSERÇÃO NO CONTEXTO SOCIAL O conceito de que a empresa deveria responder apenas aos seus acionistas começou a receber críticas durante a Segunda Guerra Mundial - nessa época, diversas mudanças aconteceram nos Estados Unidos. Assim, a responsabilidade social empresarial (RSE), no período pós-guerra a RSE passou a vincular-se à idéia de que as empresas deveriam ter obrigações sociais para com seus empregados, entendendo que, ao cumprir o que determinava a lei, já estariam cumprindo seu papel diante da sociedade, conforme Silva (2008). A autora coloca que, nos anos 60, especialistas europeus já discutiam sobre os problemas sociais e possíveis soluções a serem encontradas pelo meio empresarial. Estudos mostram que, desde então, as empresas começaram a se preocupar nos Estados Unidos com a questão ambiental e a divulgar suas atividades no campo social. Nos anos 70, a RSE recebeu uma nova e ampla abordagem com foco na ação social, propriamente dita, passando a enfatizar a capacidade organizacional das empresas de agir responsavelmente, focada na proteção dos direitos humanos e na proteção da justiça social. Para Silva (2008), essa visão ampliada serviu para alinhar a RSE, enquanto um processo de gestão que permitiu consolidar a parceria formada entre empresas, governo e 25 sociedade na promoção do desenvolvimento sustentável e de maior justiça social. Desde então, começou a preocupação com a questão sobre como as empresas deveriam ou poderiam responder por suas obrigações sociais e sobre como poderiam tornar pública essa mudança de postura diante da sociedade. A disseminação do pensamento neoliberal se iniciou no Brasil em meados dos anos 80, sendo fortemente implantado a partir dos anos 90, cujo modelo de política macro-econômica baseava-se na adoção de políticas de estabilização econômica, fundamentadas na redução do papel do Estado. Tal modelo político-econômico foi responsável pela privatização de empresas estatais, pela descentralização da assistência social e deu ênfase às parcerias com a sociedade civil, considerando as demandas sociais. Nesse mesmo período, o conceito de ‘Terceiro Setor’1ganhou força, representando uma nova orientação nos papéis do Estado, do mercado e da participação do cidadão nas comunidades. Até então, as organizações da sociedade civil, presentes há muito tempo no Brasil, trabalhavam de forma filantrópica e beneficente (SILVA, 2008). Ruth Cardoso, enquanto Presidente do Conselho da Comunidade Solidária, apontou como razões para o crescimento do Terceiro Setor no Brasil quatro argumentos: o Estado sozinho não poderia confrontar os desafios do desenvolvimento equitativo e sustentável; o crescimento das organizações não-governamentais no campo de projetos sociais específicos; a quebra da dicotomia tradicional entre as esferas particulares e públicas - entendendo particulares como negócios e pública, como Estado e governo e o esgotamento dos modelos de controle impessoal do Estado e da lei do mercado de lucro (MELLO NETO; FRÓES, 2001; SILVA, 2008). Ocorre então no Brasil uma profunda mudança na relação do Estado com as organizações do Terceiro Setor que ao reconhecer sua importância, alterou a distribuição e o controle de recursos governamentais destinados a esse tipo de atividade, visando à superação do modelo assistencialista e sem transparência (SILVA, 2008). O cenário de evolução constante deste setor teve respaldo na legislação que o regulamenta, através da Constituição Federal de 1988 que atribui também à sociedade civil, por meio de organizações privadas sem fins lucrativos, o dever de contribuir para a consecução dos objetivos do Estado brasileiro. (MÂNICA, 2006, p. 31) 1 São todas as organizações privadas, sem fins lucrativos que visam à produção de um bem coletivo. (Silva, 2008) 26 Em 1998 é publicada a lei nº 9.608/98, que regulamenta o trabalho voluntário2. Com o fortalecimento da sociedade civil e o reposicionamento do Estado, as empresas privadas passaram a incluir em seu escopo ações de responsabilidade social que se distinguem das atividades diretamente relacionadas com o negócio e que, cada vez mais, fazem parte da vida corporativa. São ações de longo prazo, de caráter contínuo e de relacionamento com seus públicos e grupos de interesse, compreendendo questões sociais e ambientais, também traduzidas como oportunidades de investimentos (ROSA, 2008). Tinoco (2001) considera que para controlar, avaliar e tornar pública a atuação das empresas focadas em ações de responsabilidade social foi criado o balanço social, dentre outros instrumentos de origem nacional e internacional. Segundo o autor, a França foi o primeiro país do mundo a ter uma lei que obrigava as empresas que tivessem mais de 300 funcionários a elaborar e publicar o balanço social3. Seu objetivo principal era informar o clima social na empresa, a evolução do efetivo, ou melhor, estabelecer o desempenho da empresa no domínio social. Esse balanço social, segundo o autor, era bastante paternalista, pois excluía os fatos econômicos dos fatos sociais. Alledi Filho (2002) afirma que a publicação do balanço social é fortemente recomendada, pois através dele é possível demonstrar as ações sociais empreendidas pela organização, bem como os resultados alcançados e os investimentos realizados. Ainda sobre a importância dos balanços, das normas e certificações sociais, Rosa (2008) menciona que esses instrumentos deram origem a uma nova geração de empresas caracterizadas pela consciência da importância do equilíbrio a ser mantido entre o desempenho econômico financeiro e a atuação social e ambiental responsável. Vários acontecimentos passaram a ser considerados como fatos históricos marcantes que contribuíram para o estabelecimento das ações de RSE no Brasil, apontados por Toldo (2002), conforme consta no Quadro 01, a seguir. 2 É uma “atividade não remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive de mutualidade” (BARBOSA, 2007). 3 O modelo citado foi de uma iniciativa isolada e bem rudimentar, uma vez que o primeiro modelo de Balanço Social mundialmente disseminado foi criado bem mais tarde, em 1997 - proposto pela Global Reporting Iniciative / GRI (MÜLLER, 2006). 27 DATA 1960 1979 1984 1991 1992 1993 1997 1998 1999 OCORRÊNCIA - Criação da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), com sede em São Paulo - Organização pela ADCE do 2º Encontro Nacional de Dirigentes de Empresas - Elaboração do primeiro trabalho acadêmico realizado pelo professor João Eduardo Prudêncio Tinoco - Encaminhamento ao Congresso de um anteprojeto propondo a publicação do Balanço Social pelas empresas - Publicação, pelo Banespa, de um relatório divulgando suas ações sociais - Lançamento pelo o sociólogo Herbert de Souza - o Betinho, da Campanha Nacional da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, com o apoio do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) - Lançamento por Betinho de um modelo de Balanço Social e criação do selo do Balanço Social, em parceria com a Gazeta Mercantil. - Criação do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, pelo empresário Oded Grajew - Publicação do balanço, no Brasil, por 68 empresas - Fundação do Instituto Coca-Cola no Brasil - Premiação, pela Câmara Municipal de São Paulo com o selo Empresa Cidadã, destinada às empresas que praticaram a RS e publicaram o Balanço Social - Inclusão do prêmio Top Social, pela Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) - Projeção da Fundação Abrinq através da defesa dos Direitos da Criança como iniciativa de erradicação do trabalho infantil DESDOBRAMENTO - Marcou o início da divulgação sobre a Responsabilidade Social entre os dirigentes das empresas - O tema central do evento foi o Balanço Social da Empresa que passou a organizar seus congressos anuais fazendo com que o Balanço Social começasse a ser um objeto de reflexão -Tratava-se de uma dissertação de mestrado do da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP com o título de Balanço Social: uma abordagem socioeconômica da Contabilidade - Esse anteprojeto não foi aprovado - Começou no Brasil o trabalho de divulgação e marketing das ações de RS das empresas privadas - Esse fato representou um marco da aproximação dos empresários brasileiros com as ações sociais -Essa ação estimulou as empresas a divulgarem seus resultados na participação social - O Instituto serve de ponte entre os empresários e as causas sociais. Objetiva disseminar a prática da RSE por meio de publicações, experiências, programas e eventos para os interessados em RS - Com essa ação as empresas confirmaram sua adesão ao movimento social - Instituição focada na educação, a exemplo da fundação existente nos EUA desde 1984 - As empresas passaram a ser reconhecidas diante da sociedade por suas ações de RS - Ocorreu a divulgação de uma imagem positiva das empresas que passaram a atuar de forma socialmente responsável - Esse exemplo atraiu um número crescente de adeptos e a empresa que combateu o abuso contra criança ganhou o selo Empresa Amiga da Criança QUADRO 01 – Fatos relevantes que demarcaram a incorporação da RSE nas atividades empresariais brasileiras Fonte: Toldo (2002) – modificado e adaptado Nesse contexto, em 2000, as empresas apresentavam acréscimos expressivos na área social, direcionados aos seus empregados, porém o investimento social das empresas ainda não estava compatível com o que delas se espera. Entretanto, a média de gastos por 28 empregado cresceu em praticamente todos os indicadores sociais internos, aumentando em mais de 80% o valor gasto com empregados em alimentação, previdência privada, saúde, segurança e medicina no trabalho, educação, cultura, participação nos lucros e capacitação e desenvolvimento profissional. A média de gastos com previdência privada foi duas vezes maior e a participação nos lucros quase dobrou. A única exceção foram os gastos com creche que apresentaram uma pequena redução. Ultimamente muito tem sido feito no campo da RSE, inúmeros são os exemplos de empresas que decidiram por adotar normas, critérios de autoavaliação e, principalmente, realizar ajustes financeiros que envolvam, até mesmo, a redução das suas margens de lucro, por conta da ampliação nos investimentos sociais e ambientais capazes de promover a sua própria sustentabilidade. (TOLDO, 2002) Nos últimos anos, a transparência e a responsabilidade social vêm, a cada dia, fazendo mais parte do vocabulário dos gestores. Debates sobre sustentabilidade fizeram com que analistas ampliassem o horizonte de medições do Balanço Social por meio de índices que reflitam, adequadamente, a qualidade das informações prestadas à sociedade. Conforme a Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (BOVESPA, 2005), “foi lançado em dezembro de 2005 o primeiro Índice de Sustentabilidade da América Latina, que tem por finalidade servir como indicador do comportamento do mercado como um todo ou de um segmento econômico específico do mercado”. E esse foi mais um fato marcante para a institucionalização da RSE. Nesse sentido, várias linhas de pesquisa contábil almejam o desenvolvimento e a adoção de uma política social, envolvendo valores monetários, informações econômicofinanceiras e que devem ter uma análise criteriosa. Tais procedimentos acarretam em gastos, tais como, investimentos sociais relevantes de obrigações legais e contratuais. Não bastando à empresa adotar ações de responsabilidade social, sendo importante divulgar para a sociedade suas informações econômicas e financeiras. Um instrumento para essa evidenciação é o Balanço Social. 2.1.1 A Base Conceitual da Responsabilidade Social Por meio de inúmeras leituras realizadas e com base nos diferentes autores pesquisados, seria pertinente afirmar que há consensos e controvérsias que permeiam o conceito da responsabilidade social. Alledi Filho (2002) considera que a própria terminologia ainda está em processo de construção, na medida em que várias expressões têm sido utilizadas para denominá-la, dentre elas destacam-se: cidadania corporativa, gestão social, governança 29 corporativa, dentre outras. Para o autor, existe uma tendência de mudança do termo para “responsabilidade coorporativa”. O surgimento do Terceiro Setor no mundo ocidental ocorreu no contexto de minimização das responsabilidades do Estado que passou a ser bem vista. Em paralelo, surgem, na década de 90, as políticas de ajuste fiscal, de desregulamentação da economia e de flexibilização das relações trabalhistas. No entanto, Silva (2008) coloca que, com a redução da participação do Estado no âmbito das políticas sociais, as empresas passaram a se articular com o Terceiro Setor, determinando que a sociedade civil fosse capaz de dar conta das questões socioambientais, de forma mais eficiente e eficaz do que até então era feito pelo Estado, que sempre atuou de forma centralizada, burocrática e ineficaz. Essa situação retrata uma tendência mundial do capitalismo em busca de legitimação social da atividade das corporações e das empresas. A responsabilidade social tem suas raízes fincadas na década de 50 nos Estados Unidos, onde Milton Friedman apresenta uma visão econômica clássica, definindo que a empresa socialmente responsável é aquela que responde às expectativas de seus acionistas (ASHLEY, 2003). No âmbito empresarial, o conceito evoluiu, passando a contemplar ações direcionadas não só aos interesses dos acionistas, mas também dos empregados, fornecedores, consumidores e sociedade. Mais tarde as ações de filantropia, passaram a incluir ações de apoio ao desenvolvimento da comunidade em que a empresa está inserida, à preservação do meio ambiente, bem como, às relações com seus funcionários, acionistas, fornecedores, concorrentes e consumidores. Muito mais do que filantropia, “sugere uma idéia de comunidade baseada numa sensibilidade moral” (BEGHIN, 2005). O conceito de Responsabilidade Social, tal como hoje é concebido, tem sua origem na perspectiva do desenvolvimento das atividades ditas do terceiro setor. Abrange todas as formas de relacionamento da empresa com seus signatários, respondendo de forma positiva as suas expectativas. Segundo Silva (2008), a incorporação de valores éticos, morais e de responsabilidade, por parte da empresa, fortalece a relação entre as pessoas que com ela interagem e eleva as aspirações coletivas. O termo “Responsabilidade Social” teve sua conceituação clássica, realizada por Howard Bowen, em 1953: "obrigação social do homem de negócios de adotar orientações, tomar decisões e seguir linhas de ação que sejam compatíveis com os fins e valores da sociedade."(ASHLEY, 2003, p.6). Para a autora a responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que uma organização deve ter com a sociedade, expresso por meio de 30 atos e atitudes que a afetem positivamente, de modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo específico, agindo de forma pró-ativa e coerentemente no que tange a seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas para com essa sociedade. A organização, neste sentido, assume obrigações de caráter moral, além das estabelecidas em lei, mesmo que não diretamente vinculadas as suas atividades, mas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável dos povos. Assim, numa visão expandida, responsabilidade social é toda e qualquer ação que possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade (ASHLEY, 2003). Alledi Filho (2002) considera como partes integrantes ao movimento da responsabilidade social os conceitos de ética e transparência, em que a ética funciona como o pilar central que dará sustentação, direção e consistência ao processo de responsabilidade social e a transparência é a chancela que objetiva disponibilizar para a sociedade as informações sobre as ações responsáveis da organização. O autor define responsabilidade social como um movimento corporativo cujo objetivo final é promover o bem estar dos diversos públicos (stakeholders4) de uma organização. A responsabilidade social empresarial, para o Instituto Ethos5 (2002), é uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa parceira em co-responsável pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e consegue incorporá-los ao planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos, não apenas dos acionistas ou proprietários. O referido instituto entende que uma empresa é socialmente responsável quando atua além da obrigação legal, incluindo o pagamento dos impostos e a manutenção de condições adequadas de segurança e de saúde para os trabalhadores. O INEP (2006) define responsabilidade social como a contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural. Através das diferentes definições é possível observar a amplitude do seu campo de atuação, fato que contribui para aumentar a exigência das 4 Designa uma pessoa, grupo ou entidade com legítimos interesses nas ações e no desempenho de uma organização e cujas decisões e atuações possam afetar, direta ou indiretamente, essa outra organização. Estão incluídos nos stakeholders os funcionários, gestores, proprietários, fornecedores, clientes, credores, Estado (enquanto entidade fiscal e reguladora), sindicatos e diversas outras pessoas ou entidades que se relacionam com a empresa. 5 Instituição fundada em 1998. Possui algumas centenas de empresas associadas e tem como objetivo divulgar a cidadania empresarial no Brasil. Esse instituto foi criado por empresários da iniciativa privada, tratando-se de uma organização não-governamental que se destaca como importante fonte de informações e consultas, na medida em que passou a produzir inúmeros relatórios a respeito da responsabilidade social. 31 empresas que precisam de profissionais capacitados para atuarem frente aos inúmeros desafios impostos pelo mundo globalizado. Essa realidade, por sua vez, gera para as universidades uma responsabilidade cada vez maior na medida em que lhes cabe formar profissionais competentes e conectados com as questões sociais e ambientais (SILVA, 2008). 2.1.2 A Responsabilidade Social e o Estado Cheibub e Locke (2002) consideram que o impacto causado pela assustadora diferença social que predomina no Brasil gera recorrentes questionamentos e possibilidades de novas reflexões sobre que medidas governamentais poderiam contribuir para a mudança do modelo de responsabilidade social proposto pelo próprio Estado. O modelo de RSE considerado mais adequado por Dupas (1998) é aquele em que a empresa, a sociedade e o Estado “ganham” com o envolvimento nas ações sociais e especificamente as de preservação ambiental, resultantes dos projetos e programas existentes. Para o autor, a internacionalização dos agentes econômicos privados e a privatização dos serviços públicos, além de trazer claros benefícios à eficiência econômica da produção, têm gerado desemprego formal e crescente flexibilização da mão de obra. Dupas (1998) considera ainda que para o alcance da construção de um novo pacto social voltado para a implantação efetiva da responsabilidade social serão necessárias mudanças nas relações estabelecidas entre Estado, sociedade civil e setor privado, a fim de que se possa estabelecer prioridades, mas sempre tendo de encarar o enorme desafio de não conflitar a cruel meta de manutenção do equilíbrio orçamentário com as necessidades sociais. As tendências do cenário internacional têm provocado a urgência de uma revisão sobre o papel do Estado moderno, da sociedade e das organizações, surgindo então o debate entre a idéia da necessidade de se estabelecer a construção de um ‘Estado forte.’6 Nesse contexto, a Responsabilidade Social tem assumido um papel de relevância através da nova percepção da sociedade e das organizações sobre o fenômeno da exclusão social que tem causado emergências humanitárias, gerando preocupações e reflexões sobre a redefinição dos limites do papel de um novo Estado (DUPAS, 1998). Diante desse quadro, há que se questionar, assim como sinalizam Cheibub e Locke (2002), os discursos de gestores e políticos que atribuem o surgimento da responsabilidade social à “consciência” do Estado, da sociedade e das organizações que por se sentirem 6 Dupas (1998) se refere a um Estado que saiba atuar no mundo globalizado, minimizando seus impactos, inclusive os causadores da exclusão social, através dos princípios preconizados pela Responsabilidade Social. 32 responsáveis pelas desigualdades sociais existentes, decidiram por atuar por intermédio de inúmeros programas, projetos e ações desenvolvidas por organizações públicas e privadas e, principalmente, pelas Organizações não governamentais (ONGs)7. As ações sociais, originárias da sociedade civil e de empresas não ocorrem espontaneamente, ao explicitar que o mercado é o elemento regulador das ações do Estado que foca, por sua vez, suas ações nas atividades econômicas. Esta é uma alternativa do Estado de reduzir seu comprometimento com as ações de proteção trabalhistas, postura que induz forçosamente a criação de políticas e programas de proteção social, visando a diminuir as desigualdades sociais que se configuram (DUPAS, 1998). Para o autor a responsabilidade social ganha força constante; prova disso é o aumento dos gastos realizado pelo governo brasileiro, nos últimos anos, voltado para as questões sociais, através de programas assistencialistas, sendo possível atribuir como principais causas desse tipo de atuação: o envelhecimento da população, o que aumenta os custos da Previdência; a evolução tecnológica incorporada aos serviços sociais através da compra de equipamentos médicos de alta tecnologia; o surgimento de doenças caras de perfil epidemiológico, tratando-se, portanto, de uma questão de saúde pública. 2.1.3 A Responsabilidade Social e o valor social da Empresa Kirschner (2006) desenvolve algumas hipóteses, explicitadas nesta seção, para explicar os fatos que ocasionaram a ascensão do valor social da empresa nos últimos anos e mostra o quanto a sociologia da empresa, teorizada pelos sociólogos Business e Sainsaulieu8, pode ser útil na discussão dessa questão. Para a autora, o papel social desempenhado pelas empresas se deu através do esgotamento do modelo do Bem Estar Social e da ascensão do Neoliberalismo, ocorridos em meados dos anos 80, que levou tanto o Estado quanto à sociedade, a realizar cobranças das empresas que resultaram na adoção de uma postura de maior responsabilidade social e ambiental, indo além do comportamento ético e de maior transparência com relação as suas 7 São organizações não governamentais, sem fins lucrativos que atuam, basicamente, com foco nas questões sociais e ambientais. 8 Foram os primeiros sociólogos a usarem a expressão “sociologia as empresa”, esse estudo refere-se a busca da sociedade por uma nova forma de regulação das relações sociais que não se concentra apenas no consumo ou nos meios de subsistência, mas na esfera da produção de bens e serviços. Ciência que analisa a relação que se estabelece entre sociedade e empresa - considerada como uma instituição social que ao manter relações sociais e culturais, gera novas identidades. (Kirschner, 2006) 33 ações. No Brasil, a redução dos investimentos sociais por parte do Estado, levou as empresas a aumentarem suas ações em responsabilidade social e a focar o bem estar dos seus colaboradores. Essa situação contribuiu para o aumento do valor social da empresa, gerando uma nova forma de regulação das relações sociais que não se restringe mais à questão do consumo ou dos meios de subsistência, atingindo não só a esfera da produção e de bens de serviço. Ocorre uma mudança das relações sociais que surge a partir do enfraquecimento do Estado, frente às ações sociais. Com isso, abriu-se um espaço para que as empresas reafirmassem sua posição, na medida em que passaram a criar maior identidade cultural no seu local de atuação (KIRSCHNER, 2006). Nesse contexto, a autora considera que surgem as ações de privatização, de abertura de mercado, dentre outras, adotadas pelo governo brasileiro e, a partir da segunda metade dos anos 80, esses fatos geraram a reestruturação da política econômica brasileira. A lógica do Estado passou a ser comandada pela lógica do mercado, ocasionando mudança no relacionamento do Estado com a sociedade e, fundamentalmente, com os principais atores das relações empresariais. Para Kirschner (2006), essa mudança da forma de atuação do Estado contribuiu para intensificar o debate ideológico criado em torno da questão social. Ocorre uma transferência de responsabilidades, em que o Estado repassa para as empresas muitas das suas atribuições que passaram, por sua vez, a desenvolver projetos relacionados às questões sociais e ambientais. Nesse contexto, eleva-se a posição da empresa, que deixa de ser apenas uma entidade geradora de lucros, para assumir uma posição social de enorme relevância, na medida em que, além de geradora de empregos, passa a atuar como um sujeito social que promove e mantém ações de solidariedade, de acesso a tecnologia, de promoção da cultura e de envolvimento com os problemas locais (KIRSCHNER, 2006). A autora afirma ainda que a empresa passa a exigir dos profissionais uma formação capaz de gerar a postura de um “cidadão” que se envolva com questões sociais, contribuindo para minimizar as desigualdades existentes. A empresa, desse modo, se vê como um sistema de dimensões sociais que ultrapassa as questões de interesse econômico em que, através das suas ações de responsabilidade social, cria espaços de socialização e de convívio social, mantendo-se em constante interação com a sociedade. Cabe às universidades e a sociedade civil ofertar uma formação centrada nos princípios da ética e da cidadania. 34 2.1.4 Responsabilidade Social, Empresa e Sociedade Porter e Kramer (2006) levantam a questão da relação de interdependência que se estabelece entre a empresa e a sociedade. Para os autores, ambas podem e devem se beneficiar dos resultados alcançados por ações de responsabilidade social gerando um relação simbiótica em que, tanto o sucesso da empresa quanto o sucesso da comunidade, passam a reforçar mutuamente a troca que se estabelece. E, quanto maior for o vínculo da empresa com a questão social, maior será a oportunidade de alavancar os recursos da organização e os benefícios para a sociedade. Existem outros autores que também se referem a esse tipo de relação: Para Joyner e Payne, existe uma verdade fundamental no que diz respeito à relação entre a sociedade e as organizações, segundo a qual as organizações não podem existir sem a sociedade, e a sociedade não pode avançar nem se desenvolver sem os diferentes tipos de organização que nela existem. Nesta simbiose as organizações devem reconhecer a existência da sociedade e a sociedade deve demandar das organizações um comportamento adequado (ALBEJANTE, QUELHAS, ZANCA, 2009, p.8). Para os autores, quanto maior for a integração entre empresa e sociedade, maior será o avanço para a responsabilidade social empresarial, pois um amplo entendimento dessa interrelação, ancorada em estratégias e atividades específicas da empresa para com a sociedade, é uma forma de solucionar problemas e atender interesses de ambas. Porter e Kramer (2006) reafirmam a dependência que se estabelece, colocando que uma empresa de sucesso precisa de uma sociedade saudável e que uma sociedade saudável expande as demandas a serem atendidas pelas empresas. A dependência mútua de empresas e sociedade significa que tanto decisões empresariais quanto políticas sociais devem seguir o princípio do valor compartilhado. Ou seja, devem trazer benefícios para os dois lados. Uma empresa ou uma sociedade que investe em políticas que promovem seus interesses à custa da outra parte está trilhando uma rota perigosa. O ganho temporário de uma vai minar a prosperidade de longo prazo de ambas ( PORTER; KRAMER, 2006, p. 58). Os autores ainda sinalizam que, quanto maior for o vínculo de uma questão social com a atividade da empresa, maior será a oportunidade de obter recursos em benefício da sociedade, entendendo que as melhores iniciativas de cidadania empresarial vão muito além da ajuda financeira e servem para gerar uma publicidade positiva e melhorar as relações com governos locais e outros públicos de igual importância. Neste sentido, Porter e Kramer (2006, p.3) classificam dois tipos de responsabilidade social empresarial, descritas a seguir e representadas graficamente na Figura 01: 35 • Responsabilidade Social Empresarial Responsiva - abrange dois elementos: a atuação cidadã corporativa da empresa, considerada uma condição sine qua non da responsabilidade social empresarial que deve se manter focada nas preocupações sociais e na mitigação de efeitos adversos atuais ou previstos pelas atividades da empresa. • Responsabilidade Social Empresarial Estratégica - vai além das ações de boa cidadania corporativa e da mitigação do impacto nocivo da cadeia de valor, referindo-se à promoção de um número pequeno de iniciativas cujos benefícios sociais e empresariais sejam mais amplos e distintos, contribuindo para o fortalecimento da competitividade da empresa. Figura 01 – Envolvimento da empresa na sociedade: abordagem estratégica Fonte: Porter; Kramer (2006) Segundo os autores a responsabilidade social não pode nem deve ser vista como um modismo e, sim, como uma realidade do mundo empresarial, pronta a colaborar na mudança gradativa de comportamentos e de valores nas organizações, devendo estar presente nas decisões da alta administração e servindo de alicerce no seu relacionamento com, funcionários, clientes e sociedade. No cenário atual, um fato inquestionável, refere-se redução a cada dia de investidores que queiram arriscar seus patrimônios em organizações que se recusam a adotar medidas preventivas , focalizadas nas questões socioambientais (SILVA, 2008). Alledi Filho (2002) já sinalizava para o crescente número de consumidores conscientes que se recusavam a adquirir produtos de empresas que adotam práticas não-éticas, 36 conforme pesquisa realizada pelo Instituto Ethos em 2002, apontando quais seriam as atitudes das empresas que fariam com que os consumidores não voltassem jamais a comprar seus produtos ou utilizar seus serviços, com destaque para as situações mais votadas: • propaganda enganosa; • danos físicos ou morais causados aos seus trabalhadores; • venda de produtos nocivos à saúde dos consumidores; • poluição do meio ambiente; • uso de mão de obra infantil. Anos após a realização dessa pesquisa, observa-se que a cosncientização dos consumidores aumentou, assim como o grau de exigência. Logo, entende-se que essa mudança de postura não pode e nem deve deixar de ser incluída nos conteúdos dos currículos direcionados aos universitários, que jamais serão considerados profissionais completos, caso não estejam antenados com as questões sociais e ambientais exigidas pelo mercado globalizado. 2.1.5 Responsabilidade Social, Empresa e Meio Ambiente A temática da responsabilidade social ambiental vem sendo alvo de inúmeros debates no meio empresarial. O principal motivo desse debate é a recente emergência do papel de protagonista da sociedade civil organizada, que sempre esteve à margem desse processo, e que nos últimos dez anos começou a se manifestar. As empresas perceberam que não bastava produzir bens e serviços e que era preciso atentar para toda a cadeia produtiva e o impacto de suas ações na sociedade e no meio ambiente. Assim, empresas de diferentes modalidades estão sendo convocadas a repensar seu papel no cenário de mudanças do mundo atual que se vê ameaçado pela crescente ação de total degradação dos recursos naturais (ALVAREZ; SÁ, 2009). Os autores afirmam que atualmente o conceito de desenvolvimento sustentável é de alta relevância para as empresas, expressão que passou a ser construída a partir dos anos 60 por um grupo de estudiosos que já percebiam a impossibilidade de preservação dos recursos naturais para as gerações futuras, caso permanecessem os mesmos padrões de consumo adotados pela sociedade. Em 1972, vários países se reuniram em Estocolmo para discutir sobre esse tema, visando propor ações mitigadoras. Em 1987, foi elaborado o relatório Brundland que 37 convencionou como conceito de desenvolvimento sustentável a satisfação das necessidades presentes sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem suas próprias necessidades (ROSA, 2008). A empresa deve ampliar seus impactos positivos e diminuir os negativos, mantendo e melhorando as condições ambientais, minimizando as ações que resultam em danos ao meio ambiente e divulgando suas práticas e ações realizadas nessa área. “A empresa deve desenvolver projetos e investimentos que visem a compensação por danos causados ao meio ambiente, aprimorar os seus processos e desenvolver novos negócios voltados para a sustentabilidade ambiental.” (ALLEDI FILHO, 2002, p.77). Na busca do equilíbrio a ser estabelecido pelo desempenho econômico, financeiro, social e ambiental, Elkington desenvolveu, em 1994, a “teoria dos três pilares”9 - trata-se de um modelo de sustentabilidade que leva em conta a dimensão ambiental, a justiça social e o desenvolvimento econômico da responsabilidade social. Esse modelo propõe maior equilíbrio na utilização dos recursos naturais que são essenciais para garantir o alcance de uma sociedade mais próspera e justa, a fim de que seja mantida sua saúde ambiental e, consecutivamente, melhor qualidade de vida às gerações futuras. Conforme preconiza a “Teoria dos Três Pilares”, as dimensões essenciais às quais todas as organizações humanas devem estar atentas são: a econômica, a ambiental e a social, devendo as mesmas co-existirem de forma harmoniosa e equilibrada. O pilar econômico, bem conhecido, representa a geração de riqueza pela e para a sociedade, através do fornecimento de bens (duráveis) e serviços; o pilar ambiental relaciona-se à conservação e ao manejo dos recursos naturais, e ao pilar social compete atingir a eqüidade e a participação de todos os grupos sociais na construção e manutenção do equilíbrio do sistema, compartilhando direitos e responsabilidades (CRUZ, LORENZETTI, RICIOLI, 2008). Logo, segundo os autores, essa teoria defende que a existência da sustentabilidade deve demandar do equilíbrio a ser estabelecido entre seus três pilares. O pilar econômico da sustentabilidade refere-se ao impacto das organizações sobre as condições econômicas das partes interessadas e sobre o sistema - é acompanhado por indicadores que estão relacionados à rentabilidade econômico financeira da empresa. A questão ambiental refere-se ao uso dos recursos naturais atenta para a contaminação. Põe em foco ‘tragédias lentas’ com perspectiva de observar seus resultados, a longo prazo, 9 Em Inglês triple bottom line (TBL), essa expressão traduz uma perspectiva da sociedade e das organizações que passaram a entender que o lucro não é o único fator relevante nas transações empresariais, sendo de igual importância e necessidade os resultados sociais e ambientais originados por elas. 38 considerando mais fácil medir as ações adotadas, do que mensurar os impactos sociais resultantes delas. O desempenho social é mensurado por meio da análise do impacto das organizações sobre as partes interessadas em âmbito local, nacional e global (CRUZ, LORENZETTI, RICIOLI, 2008). Portanto, de acordo com a figura 02, a ordem mundial consiste na busca do desenvolvimento sustentável, que se baseia em três critérios fundamentais a serem obedecidos simultaneamente: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica. Figura 02 – Desenvolvimento Sustentável/Tripé da Sustentabilidade Empresarial Fonte: www.copesul.com.br. Acesso em: 21/01/ 2010 Com a propagação pela mídia de que os recursos naturais não são inesgotáveis cresce, em escala progressiva, a consciência sobre a necessidade da implantação de ações de responsabilidade social no mundo dos negócios, onde a melhor solução encontrada está nas novas tecnologias, mais adequadas ao meio ambiente. Exemplo clássico disso é a utilização do princípio da reciclagem. A idéia de que as fontes de recursos seriam inesgotáveis caiu por terra quando o mundo tomou conhecimento, a partir do relatório intitulado - Limites do Crescimento, divulgado em 1972 pelo Clube de Roma, que evidenciou as projeções de esgotamento dos recursos naturais no planeta Terra (AMARAL, ASHLEY, MALHEIROS, 2009, p. 4). 39 Este novo fazer foi construído no Brasil, devido à forte influência que se configurou a partir dos resultados obtidos no evento Rio-9210 que serviu para alastrar e estruturar a noção de desenvolvimento sustentável. Durante esse evento foi assinado um protocolo de intenções intitulado Agenda Global ou Agenda 21 Global11 (AMARAL ASHLEY, MALHEIROS, 2009). A noção e os conceitos de sustentabilidade trazem um novo desafio a ser encarado pela gestão ambiental e sob esse aspecto, Kraemer (2000) afirma que as empresas têm um papel de grande relevância, pois somente através de uma prática empresarial sustentável, será possível provocar mudanças de valores e de orientação em seus sistemas operacionais, que deverão estar engajados à idéia de desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente. Segundo Coelho, Dutra, Cardoso (2000), as empresas por sua vez buscam demonstrar cada vez mais que atuam de forma ecologicamente responsável visando, dentre outros objetivos, manter uma boa imagem diante dos seus clientes e da sociedade como um todo. Essa postura, segundo os autores, surgiu do entendimento de que a melhoria das condições de vida passa, obrigatoriamente, por um conjunto de ações que transcendem ao importante item de preservação ambiental e se expandem para a melhoria das condições de trabalho, assistência médica e social, além do incentivo às atividades culturais, artísticas, bem como à preservação, reforma e manutenção de bens públicos e religiosos. Desta maneira, a questão ambiental está se tornando, paulatinamente, matéria obrigatória das agendas dos executivos se mantém atentos para o fato de que cresce o número de consumidores mais conscientes e exigentes com relação à preservação do meio ambiente e à qualidade de vida. Cabe às empresas contratar profissionais, capacitados para atender a essa nova demanda do mercado e, consecutivamente às universidades formarem profissionais antenados com as questões impostas por essa mudança de paradigma (COELHO, DUTRA, CARDOSO, 2000). Neste novo paradigma, Almeida (2002) afirma que a idéia de integração e interação pode representar uma nova maneira de olhar e transformar o mundo, baseada no diálogo entre visões, saberes, conhecimentos e interesses diversos. No mundo sustentável, uma atividade – a econômica, por exemplo, não pode ser pensada ou praticada em separado das questões 10 Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – UNCED, realizada na cidade do Rio de Janeiro, também conhecida como ECO-92. Teve como objetivo examinar a situação ambiental no mundo e as mudanças ocorridas depois de vinte anos da Conferência de Estocolmo, ocorrida em 1972. 11 Trata-se de um modelo de construção de um plano de ação estratégica, envolvendo sociedade, poder público, empresas e demais instituições. Sua construção parte de um diagnóstico da comunidade. 40 políticas e sociais, em que encontram-se inseridas as questões ambientais. E, tanto os interesses do Estado, como os das empresas, e da sociedade devem se manter inter relacionados e em permanente diálogo com as questões ambientais. Prova disto é que, atualmente, os clientes/cidadãos adotam uma postura de optar por se relacionar com empresas que atuem com ética, comprometidas com as questões sociais e, consequentemente, ambientais. 2.2 SISTEMA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR Nesta seção são apresentadas as características do Sistema de Educação Superior e, em seguida, algumas abordagens sobre o papel social das universidades enquanto instituições formadoras de profissionais/cidadãos. Através da exposição dessas abordagens, pretende-se alcançar maior embasamento para a construção de uma análise que levará em conta a visão de diferentes autores que consideram o contexto social, político e econômico que envolve as ações de RSU, tendo em vista a posição de centralidade que a universidade assume na presente análise. O Sistema de Educação Superior no Brasil é diversificado e possui instituições distintas em qualidade, prestígio, objetivos, finalidades educativas, dentre outros aspectos. É formado por 236 instituições públicas (representadas pelas federais, estaduais e municipais) e 2.016 privadas (representadas por 1.579 instituições particulares, sendo 437 instituições distribuídas entre as filantrópicas com fins lucrativos, comunitárias e confessionais, sem fins lucrativos). O sistema se organiza da seguinte maneira: 183 Universidades (são instituições complexas que se ocupam do ensino, extensão, pesquisa e pós-graduação, em geral possuem muitas áreas do conhecimento, embora existam algumas especializadas em determinada área); 124 Centros Universitários (não possuem obrigação com a pesquisa); 1.911 Faculdades. Observa-se que cerca de quase 90% das instituições do sistema são privadas e apenas um pouco mais de 10% são públicas (INEP/MEC, 2008). As universidades públicas brasileiras classificadas como Federais e Estaduais. Atualmente possuem características bem distintas dos demais tipos de instituições de ensino superior, sendo estruturadas sob a forma de Autarquias ou Fundações12. Através do seu processo histórico é possível observar que estas instituições sempre sofreram interferência 12 Autarquias são entidades governamentais que possuem autonomia administrativa e Fundações são instituições destinadas às finalidades beneméritas ou culturais. 41 direta das ações governamentais, tendo sido sua atuação influenciada por questões econômicas, sociais e principalmente políticas. E, apesar das sérias dificuldades enfrentadas pelas universidades públicas, nas últimas décadas, ocasionadas pela falta de investimentos no setor público, é possível visualizar que mesmo assim, o sistema educacional superior conseguiu aumentar sua eficiência, medida através de vários índices que sinalizam aumento na sua produção (AMARAL, 1999). O orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) é discutido e aprovado pelo Congresso Nacional, fazendo parte do orçamento geral da União. As fontes de recurso são divididas em recursos oriundos do tesouro nacional, recursos diretamente arrecadados, denominados de recursos próprios, e aqueles originários de convênios firmados com organismos públicos ou privados, sendo estes últimos, representados por uma parcela ínfima. Os principais convênios firmados entre as IFES e os organismos públicos são oriundos de agências federais de fomento, entre elas pode-se citar a Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (CAPES), o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Projetos Especiais (FINEP). O grande problema que essas agências geram para as universidades públicas é o fato delas não financiarem as despesas de manutenção originárias dos investimentos realizados nas IFES, gerando posteriormente encargos que contribuem para onerar ainda mais essas instituições (AMARAL, 1999, p.194). Outra característica a ser considerada é a grande heterogeneidade do sistema educacional de ensino superior brasileiro, em que as Instituições possuem os mais variados estágios acadêmicos e a distribuição dessas instituições dentro do território nacional é completamente desigual, concentrando-se na região Sudeste o maior percentual das IFES (INEP/MEC, 2008). Amaral (1999) já identificava as IFES como Instituições que precisavam alcançar uma definição clara de seus objetivos e de formas de atuação mais eficientes; sua estrutura organizacional sempre foi considerada complexa, seus procedimentos técnico-administrativos altamente burocráticos, tratando-se de Instituições carentes de um processo de gestão dos próprios recursos. Dentro de uma visão produtivista, segundo Chauí (1999), as universidades públicas passaram a ser obrigadas a atuar de forma competitiva, sendo levadas a disputar recursos no setor produtivo e a submeterem-se a outras normas e lógicas que não são as suas. Essas ações, segundo alguns autores, serviram para colocar em risco a identidade da instituição 42 universitária e, como obviamente não conseguiram atender satisfatoriamente a todas as exigências que lhes foram impostas, passaram a ser apontadas como instituições socialmente ineficientes. As universidades, ineficientes e dispendiosas, não estariam promovendo a eqüidade social. O retorno para a sociedade seria muito baixo, comparado com os investimentos. Portanto, sugere o Banco Mundial, os governos devem restringir os gastos públicos com o ensino superior e aumentar os investimentos na educação básica, a qual ofereceria maior taxa social de retorno (DIAS SOBRINHO, 1999, p.153). Sendo assim, visando proporcionar fundamentos para a construção de uma análise bem elaborada será necessário considerar, segundo Dias Sobrinho e Brito (2008), as alterações propostas pela Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394 de 1996, principal responsável por seu atual perfil de diversificação e flexibilização do sistema de ensino superior brasileiro. E, com base em todas as alterações ocorridas é possível caracterizar esse sistema como heterogêneo, complexo e diversificado, cabendo à comunidade universitária encontrar formas alternativas que sejam capazes de garantir a sobrevivência das IFES, considerando sempre seus princípios, importância do papel social que ocupa, além do contexto ao qual elas encontram-se inseridas. 2.2.1 O papel social da Universidade enquanto Instituição formadora de Cidadania: enfoques diferenciados Segundo Chauí (2003) a universidade é uma instituição social e, como tal, exprime a estrutura e o modo de funcionamento da sociedade. Exemplo disso é a presença de opiniões, atitudes e projetos conflitantes, existentes dentro da instituição universitária que exprimem divisões e contradições da sociedade. Essa relação interna, estabelecida entre a universidade e a sociedade, serve para explicar o fato de que a universidade pública sempre foi reconhecida como uma instituição social, como uma ação social e como uma prática social, com base no reconhecimento público de sua legitimidade e de suas atribuições. Para a autora, através das lutas sociais e políticas, desencadeadas a partir das revoluções sociais ocorridas no século XX, a educação e a cultura passaram a ser concebidas como formadoras da cidadania e, consecutivamente como construtoras dos direitos dos cidadãos, fazendo com que a universidade se tornasse também uma instituição social, inseparável da idéia de democracia e de democratização do saber. 43 A universidade é determinada pela estrutura da sociedade e do Estado, ou seja, atua como um reflexo deles. Trata-se de uma instituição social diferenciada que, definida por sua autonomia intelectual, se relaciona com a sociedade e com o Estado de maneira conflituosa, dividindo-se internamente entre o grupo dos que são favoráveis e o daqueles que são contrários à maneira como a sociedade e o Estado reforçam a divisão e a exclusão social, impedindo a concretização republicana da instituição universitária e suas possibilidades democráticas (CHAUÍ, 2003). Outra questão a ser considerada é a idéia da formação que tem sido repassada que deve ser motivo de constantes estudos e análises, pois conforme Chauí (2003), só há formação quando há pensamento, questionamentos, reflexão e crítica. O que significa exatamente formação? Antes de mais nada, como a própria palavra indica, uma relação com o tempo: é introduzir alguém ao passado de sua cultura (no sentido antropológico do termo, isto é, como ordem simbólica ou de relação com o ausente), é despertar alguém para as questões que esse passado engendra para o presente, e é estimular a passagem do instituído ao instituinte (CHAUÍ, 2003, p. 12). Enquanto a autora emite duras críticas à política direcionada à educação superior nos últimos anos e sugere formas de atuação focadas no combate radical a elas. Dias Sobrinho (2005) faz sua avaliação sobre o papel social da universidade, como formadora de cidadãos, compreendendo que, para tratar da universidade, da sociedade e da democracia é preciso considerar e refletir sobre o processo de globalização, sem o qual não será possível obter um entendimento amplamente aceitável sobre qualquer um desses temas. Neste sentido, o autor aponta que não há consensos razoáveis sobre a relação estabelecida entre a universidade e a sociedade e qualquer análise realizada não poderá separá-la da complexa e contraditória sociedade da qual a instituição universitária faz parte. Nada em nosso tempo pode ser pensado sem que sejam levadas em conta as características atuais da globalização. Tendo em vista que os esquemas simples de compreensão da realidade social são insuficientes para dar conta da complexidade e da pluralidade de sentidos dos fenômenos humanos, especialmente com a fragmentação e a multiplicação dos conhecimentos, das informações e dos intercâmbios, já não se pode pensar que uma instituição central da sociedade, radicalmente ligada às mudanças do mundo, como é o caso da universidade, possa ser explicada a partir de uma única idéia ou de um só princípio interno (DIAS SOBRINHO, 2005, p.164). Dias Sobrinho (2005) ressalta ainda que os problemas da universidade não são somente dela, eles são de toda a sociedade. E assim, trata-se de entraves difíceis de serem solucionados, portanto, não serão sanados apenas com medidas internas, muito menos através de decisões oriundas da administração central. O autor também afirma que os avanços 44 alcançados nas esferas da ciência e da tecnologia e as disfunções da globalização no campo social, econômico, político e ético têm gerado claramente efeitos sobre a educação superior. Diante dessa realidade, as universidades estão abdicando de sua função de intermediação entre o indivíduo, a sociedade civil e o Estado. E, assim estão perdendo muito da utopia social que lhes era atribuída, durante os anos 60 e 70, momento em que assumia o papel central na democratização das sociedades e na diminuição das desigualdades. Assim sendo, o autor retrata do seguinte modo seu entendimento sobre a responsabilidade social da educação superior: O sentido essencial da responsabilidade social da educação superior consiste em produzir e socializar conhecimentos que tenham não só o mérito científico, mas também valor social e formativo [...] Que a universidade não seja um motor de globalização da economia de mercado, mas sim da globalização da dignidade humana (DIAS SOBRINHO, 2005, p.172, 173). Um dos desafios a ser vencido, sinalizado pelo autor, é o de ordem ética e política originado do caráter público das instituições de educação superior, referindo-se não só às instituições mantidas pelo Estado, mas também às da iniciativa privada. Essa postura dará um sentido de bem comum às atividades universitárias que se encontram inseridas num mundo em transformação e em crise de valores. A educação superior, por mais que seja influenciada pela economia de mercado, não pode renegar o seu papel de formação intelectual e moral e de desenvolvimento material das sociedades que se dão por meio das atividades públicas de construção e promoção de conhecimentos e valores. A educação superior é um patrimônio público, pois exerce funções de caráter político e ético que vão além de uma simples função de capacitação técnica e de treinamento de profissionais para as empresas, entendendo essa função pública como a responsabilidade social das universidades (DIAS SOBRINHO, 2005). Portanto, para o autor, cabe à educação superior a produção de conhecimentos e formação orientada para o sentido de pertinência social, que se dará por meio do conhecimento e do trabalho de formação, sem abrir mão de suas competências críticas, devendo desenvolver em seus estudantes a capacidade de resposta às demandas e às carências da sociedade. Essa situação lhe exige autonomia para identificar as prioridades e o conteúdo social das carências e demandas que, por sua vez, exige uma ampla participação de estudantes, professores e pesquisadores na definição de prioridades sociais e na produção e socialização do conhecimento adequado a ser adquirido. O autor sinaliza o seguinte: 45 [...] é preciso instaurar uma ética da responsabilidade social que vincule os atores acadêmicos e os agentes da sociedade civil organizada às agendas públicas realmente voltadas ao atendimento das demandas das populações, e não à legitimação do mercantilismo da globalização neoliberal (DIAS SOBRINHO, 2005). Com relação à questão da formação da cidadania o autor considera que novos sentidos têm sido introduzidos, não sendo apropriado depreciar nem os valores que geram a obtenção da cidadania democrática, nem os da capacitação que geram a inovação e as mudanças tecnológicas, pois entende-se que a formação poderá enfatizar tanto as questões de interesse público, quanto as que atendam aos interesses do mercado tecnológico e altamente competitivo. Dias Sobrinho (2005) refere-se à importância de uma formação13 capaz de gerar cidadania e vincula a essa questão os princípios da ética que devem se contrapor às possíveis assimetrias geradas nas esferas econômicas, sociais e culturais. E assim, sinaliza para a promoção de uma integração na vida democrática, embasada por leis de interesse geral que assegurarão o exercício da cidadania pública que sustenta as instituições sociais. Logo, a formação promovida pela educação superior não deve subestimar a ética e a técnica, devendo sim ser responsável pela elevação e ampliação da sociedade e da democratização política e econômica, consolidando assim a democracia. O autor refere-se ao papel da responsabilidade social na educação superior, ponderando que não há por que rejeitar os progressos materiais, quando eles são fundamentados na produção de sentidos, na ética da justiça social, das políticas de maior inclusão e da mais ampla participação dos cidadãos na vida pública: [...] a responsabilidade social da educação superior deve significar relevância científica e pertinência, fortalecimento da vida democrática e da justiça social, aprofundamento da ética e do sentido estético da sociedade. O sentido essencial da responsabilidade social da educação superior consiste em produzir e socializar conhecimentos que tenham não só mérito científico, mas também valor social e formativo. Portanto, que sejam importantes para o desenvolvimento econômico que tenha sentido de cidadania pública (DIAS SOBRINHO, 2005). Segundo avaliação do autor, a realidade das transformações globais impõe a produção de novas visões e de novos papéis da educação superior, bem como suas relações com a sociedade civil e com o Estado, essas relações sinalizam para a necessidade de construção de 13 Dias Sobrinho (2005) entende que o conhecimento e a formação devem cumprir os requisitos universais, mas ressalta que eles também devem ser relevantes para o contexto regional e nacional - global e internacional, que sirva ao desenvolvimento econômico, porém como um instrumento da humanização e não como horizonte último e razão determinante da sociedade. 46 reformas que propiciarão o desenvolvimento econômico e que, sobretudo, venham a ser fundamentais na verdadeira vida democrática. Vallaeys (2006) se refere ao papel social das universidades considerando, especificamente, a meta da responsabilidade social universitária enquanto possibilidade de formar cidadãos informados capazes de refletir e de dialogar considerando que a universidade deve ser o espaço de debates e reflexões mais apropriado para cumprir essa tarefa. Segundo o autor, essa meta já foi alcançada, em parte, pelas universidades através dos congressos, seminários abertos ao público e palestras proferidas por especialistas comprometidos em difundir a formação da cidadania. No entanto, tais iniciativas ainda são individuais, faltando incluir a educação da cidadania na política institucional das universidades e no currículo de suas diversas áreas de estudo. Sobre essa questão o autor coloca: Um dos espaços sociais mais propícios à obtenção desta formação de cidadãos adultos e responsáveis é a universidade. É um espaço privilegiado para a formação cidadã, para o enriquecimento da capacidade de reflexão e de tomar decisões de forma sensata, em um mundo no qual a maioria dos meios de comunicação tem demonstrado sua incompetência em fazê-lo, por não ter nem a vontade, nem a independência de critérios diante do poder econômico e do poder político, nem suficiente conhecimento, nem a capacidade formativa própria dos docentes universitários. Curiosamente, concluímos que, em nossas sociedades ditas democráticas, falta um verdadeiro espaço público de aprendizagem e exercício da cidadania (VALLAEYS, 2006, p. 51). Em contrapartida, o autor alerta que, ao objetivar depositar essa confiança na universidade, enquanto formadora cidadã de seus estudantes e da própria sociedade corre-se o risco de cair no ativismo político e no doutrinamento desses estudantes. Este temor é legítimo, mas o autor entende que a universidade precisa sair da posição de pseuda neutralidade que se constitui através da perspectiva do currículo oculto14, sendo esse o pior tipo de ativismo político, porque ele é dissimulado e se apresenta como uma forma inadequada de doutrinamento, porque ele é invisível e negado. Para Vallaeys (2006), ao contrário do que se pensa, essa postura transformaria a universidade em um espaço aberto e declarado de debate cidadão sobre os problemas sociais. Só assim a universidade estaria incluindo em sua agenda, de forma institucional e não individual, a denúncia dos desvios, das tendências e intenções de recuperação, entendendo que essa seria uma estratégia responsável que propiciaria a ocorrência da formação e dos debates cidadãos. 14 É o conjunto de normas e valores que são implicitamente, mas eficazmente ensinados nas instituições escolares, dos quais, em geral, não se costuma falar quando da enunciação das finalidades e dos objetivos dos professores (Vallaeys, 2006). 47 O autor entende que um dos grandes fracassos da democracia moderna foi a sua incapacidade de transmitir às pessoas o uso racional de seus direitos cidadãos. Ele considera que a partir da publicação da primeira Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, os direitos humanos não têm deixado de fortalecer-se no mundo, mas os direitos do cidadão não progrediram. Para o autor, o que ocorre atualmente é a redução da atividade cidadã à simples dimensão pontual do direito de votar, com pouquíssimo controle sobre a seleção dos candidatos dos processos eleitorais, cada vez mais onerosos e contaminados pela ação dos meios de comunicação, além do descumprimento do que foi prometido pelos eleitos. No mundo globalizado, a vida cotidiana restringe-se apenas, ao cidadão/consumidor; tal visão valoriza as atividades de serviços e produtos privados e públicos, tendo ele, apenas o direito de queixar-se e fazer valer seus direitos, apenas enquanto consumidor, mas sem a possibilidade de exercer, de fato, a cidadania autônoma (VALLAEYS, 2006). Segundo Vallaeys (2006) cabe à universidade essa atividade cidadã de fomento de uma opinião pública inteligente, mas essa não é uma função a ser assumida imediatamente, porque implica em formação, informação, capacidade de opinar, diálogo, raciocínio, decisão, militância e toda uma série de atividades humanas racionais, públicas e políticas, que não se dão de forma natural. Trata-se de um processo complexo que necessita de certa aprendizagem. Portanto, o autor considera que um dos espaços sociais mais propícios à obtenção desta formação de cidadãos adultos e responsáveis é a universidade, e o principal pilar de um desenvolvimento sustentado e sustentável só se dará através da formação de profissionais com enfoque no desenvolvimento social. O que falta é o sentimento de urgência para que rapidamente a atual formação acadêmica esteja centrada em uma profissionalização que instrumentalize o estudante e o docente, desvinculando-os da visão estreita do êxito pessoal, tão bem propagado pela sociedade de consumo. No entender do autor a universidade deve assumir um papel central, pois sua responsabilidade social deve ter o sentido de orientar a formação geral e especializada do estudante, com vistas à promoção do desenvolvimento justo e sustentável, criando, assim, um novo perfil do estudante universitário, preocupado com as injustiças sociais; informado e capaz de contextualizar os problemas sociais; formado com base na ética e na capacidade de dialogar; promotor da democracia e da participação e, principalmente, capaz de se beneficiar das experiências sociais formativas para construir sua base emocional com consciência. Esta nova função social da universidade permitirá o reencontro com legitimidades sociais, perdido há muitos anos, e assim, terá como escapar do perigo de tornar-se mera instituição mercantil de capacitação profissional, além da possibilidade de poder reencontrar- 48 se com o interesse estudantil, ao passar a adotar novos enfoques e métodos de ensino; reequilibrar seu papel político e sua relação com seu entorno social, abrindo-se amplamente à sociedade civil, não para adaptar-se a ela, mas, sim, para prepará-la culturalmente, segundo seus valores e princípios endógenos (VALLAEYS, 2006). Para o autor, esse seria o novo contrato social a ser estabelecido entre a universidade e a sociedade que poderia ser formulado nos seguintes termos: a sociedade garantiria à universidade autonomia e recursos e a universidade geraria mais democracia, por meio da formação de estudantes e cidadãos responsáveis, propagadores de uma ciência mais responsável, lúcida e aberta à solução dos problemas sociais da humanidade e melhor desenvolvimento, equitativo, inovador e sustentável, com profissionais competentes e comprometidos. Com relação às propostas apresentadas por Chauí (2003); Dias Sobrinho (2005) e por Vallaeys (2006), considera-se oportuna a realização de uma constatação: é consenso que, qualquer proposta de mudança que contemple a introdução de conceitos preconizados por processos de gestão e de princípios que embasem a introdução de ações de responsabilidade social, implicará em alterações na estrutura administrativa e acadêmica das IFES e exigirá, na prática, a adoção de transformações complexas e de difícil implantação. Apesar das inúmeras propostas de reformas realizadas por diferentes autores aqui referendados e pelo próprio governo, tendo sido muitas delas formuladas há vários anos, essa constatação serve para reforçar o enorme distanciamento que há entre o discurso e a prática, não só da responsabilidade social universitária, mas de todas as demais soluções que se apresentam para os entraves existentes nas IFES. Cabe ressaltar que a introdução de práticas de responsabilidade social na esfera das IFES existe desde sempre, uma vez que a missão primeira das universidades públicas é a formação de cidadãos, ato que deve ser realizado através das suas três instâncias: ensino, pesquisa e extensão. 2.3 RESPONSABILIDADE SOCIAL UNIVERSITÁRIA Este terceiro eixo retrata a base legal que institucionalizou a inclusão da RS na esfera das Instituições de Ensino Superior; apresenta as diretrizes de avaliação do SINAES; apresenta as aplicabilidades da RSU no setor público e privado, segundo Calderón (2006) e apresenta a proposta de Vallaeys (2006) de reforma universitária. Por último, apresenta os princípios e valores da RSU indicados por Fontecilla; La Jarra; Troncoso (2006). 49 Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, artigo 6º, a educação é um direito social assegurado a todos. A legislação determina, através do artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” Para garantir este direito social, o artigo 206 determina os princípios que deverão ser observados na organização do ensino, destacam-se dentre eles: a igualdade de condições para acesso e permanência na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; gestão democrática do ensino público e garantia de padrão de qualidade (BRASIL, 2006). Através desses artigos, a declaração constitucional oficializa a relação embrionária do conceito de responsabilidade social aplicado às instituições educacionais. Determina ser dever de toda a instituição que se propõe a trabalhar com educação produzir um ensino de qualidade que garanta a formação de indivíduos capazes de transformar e desenvolver a sociedade. Logo, a escolaridade deve ser encarada como um investimento social que produz capital humano, cujo retorno é assegurado nos níveis individual e social, em que o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para a cidadania e sua habilitação para o trabalho devem ser a base para a desmarginalização social (SILVA, 2008). Dentro dessa perspectiva, a universidade se localiza no ápice desta cadeia de formação de cidadãos e seu papel no contexto social vem sendo amplamente questionado e rediscutido. E, enquanto entidade produtora e transmissora de conhecimento legitima o seu caráter emancipatório do ser humano. É preciso, pois repensar a sua responsabilidade ética e social ampliada, pois segundo Silva (2008), a universidade deve “colocar a sua inteligência e criatividade a serviço dos que não atingiram ainda, condições mínimas de vida”. A visão humana e social que está na origem de seu trabalho educacional deve oferecer a todos que a freqüentam e que por ela passam, muito mais do que o acúmulo de conhecimento e habilidades profissionais. Deve, antes de tudo, propiciar uma visão ampla e crítica da realidade a fim de promover a reflexão autônoma do indivíduo na formação de sua práxis profissional e social (SILVA, 2008, p.54). No meio acadêmico, muitas pesquisas focalizadas em responsabilidade social universitária, tomam por base o que determina a Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, que inclui o indicador da RS no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). 50 Esta lei estabelece o processo de avaliação das Instituições de Ensino Superior e contempla em suas dimensões a Responsabilidade Social da instituição universitária considerando, especificamente, a questão da inclusão social, da defesa do meio ambiente, do desenvolvimento econômico e social, da produção artística, da memória e do patrimônio cultural (INEP, 2006). Assim sendo, há que se entender que, tanto os estudos quanto as ações de responsabilidade social empresarial que se configuram no Brasil são recentes, sendo embrionários e escassos os trabalhos que abordam a temática específica sobre a responsabilidade social universitária na esfera pública, uma vez que sua aplicabilidade encontra-se em fase de desenvolvimento e consolidação e pouco se produz sobre este tema fato que tem levado pesquisadores a analisar e comparar as bases conceituais do mundo corporativo e suas aplicabilidades nas IFES. Cabe reforçar que a inclusão do referido tema na agenda das IFES não se deu de forma espontânea, tendo ocorrido após indicação do governo federal que a definiu como uma das dimensões a ser avaliada pelo SINAES. A universidade brasileira pode e deve desempenhar um papel fundamental na consolidação do conceito e da prática de responsabilidade social, ao cumprir seu papel de instituição, focada na formação de novas gerações, devendo estar comprometida com os valores da contemporaneidade, com destaque para questão da ética, da transparência, do profissionalismo, do interesse público e a justiça social. Precisa, além disso, estar empenhada firmemente em difundi-los pela sociedade (BUENO, 2007). Galgado na certeza de que a universidade pode e deve contribuir para a consolidação da prática de responsabilidade social, o autor indica algumas ações que se fazem necessárias para viabilizar a construção de uma universidade socialmente responsável, conforme consta no quadro 02. AÇÕES A SEREM ADOTADAS PELAS IFES COM VISTAS À INCLUSÃO DA RSU Incorporação das reais demandas da sociedade brasileira na grade curricular e definição dos problemas de pesquisa Criação de canais de relacionamento com segmentos sociais através da adoção de uma postura pró-ativa para tornar públicos os resultados de seus estudos e pesquisas e consolidação do processo de alfabetização e da pesquisa científica Realização de exercícios de criatividade que visem a incorporação dos jovens e idosos na programação de atividades voltadas para soluções que favoreçam o diálogo entre as gerações Desenvolvimento de pesquisas que priorizem produtos e processos voltados para a minimização do impacto ambiental e estímulo a parceria com as autênticas organizações do Terceiro Setor POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS Retorno do conhecimento de resultados práticos e obtenção da confiança depositada na universidade Alcance da autêntica cidadania Eliminação de preconceitos de toda ordem (racial, religioso, de gênero etc.) e promoção da diversidade como valor fundamental Formação de profissionais e educadores que estejam em sintonia com as expectativas das populações mais pobres continua 51 continuação AÇÕES A SEREM ADOTADAS PELAS IFES COM VISTAS À INCLUSÃO DA RSU Resgate e valorização do saber e dos conhecimentos tradicionais Reforço da identidade nacional POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS Incorporação das necessidades dos que não têm diploma, mas que contribuem para o desenvolvimento nacional e da afirmação de nossa cultura (conceito distinto de crescimento, refém de indicadores econômicos) Geração de resistência à tentativa avassaladora de gestar uma cultura globalizada que atenda apenas aos interesses dos países hegemônicos e de corporações que visam unicamente à sustentabilidade do seu próprio negócio Quadro 02 - Ações de viabilidade para a construção de uma universidade socialmente responsável Fonte: Bueno (2007) – adaptado Para Bueno (2007), a sociedade brasileira anseia por uma universidade nova, democrática, transparente, embasada numa cultura de gestão que sirva de exemplo para as demais organizações e que seja capaz de conciliar a eficiência administrativa com propósitos nobres e, sobretudo, que esteja mobilizada para construir as bases de um país mais justo e humano. O tripé básico em que se apóia uma universidade – pesquisa, ensino e extensão – deve definitivamente contemplar a sociedade e nela os segmentos menos favorecidos. Uma universidade que atenda a este compromisso será, certamente, uma universidade socialmente responsável (BUENO, 2007). O autor sinaliza que na prática das IFES, as ações de responsabilidade social surgem como iniciativas individuais, oriundas de professores e profissionais conscientes do seu papel social e da contribuição que sua área pode fornecer para a sociedade. Através de programas e projetos, a comunidade acadêmica pode promover a igualdade social e a preservação ambiental visando, pelo menos, contribuir com a diminuição do processo de exclusão social, entendendo ser esse o papel das universidades, enquanto formadoras de cidadãos. E assim, caso as ações de RSU passassem a ser mais articuladas, segundo o autor, a universidade teria condições de dividir suas responsabilidades com o Governo e outras instituições sociais. Pois só então, a sociedade ganharia soluções e aplicações alternativas das diferentes áreas do conhecimento para os problemas que possui, os professores teriam a possibilidade de testar estudos e conhecimentos e os estudantes ganhariam a enorme possibilidade de aprimoramento da sua formação profissional e cidadã. 2.3.1 A RSU e os indicadores de avaliação do SINAES 52 O SINAES atribuiu à Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES)15 a competência para estabelecer diretrizes, critérios e estratégias para o processo de avaliação da educação superior, visando a implementação do processo de auto-avaliação das IES e, em especial, sua operacionalização. O SINAES aprovou dois documentos: Diretrizes para a Avaliação das Instituições de Educação Superior e Roteiro de Auto-Avaliação Institucional: Orientações Gerais. Considerando a concepção, os princípios e as dimensões da avaliação postulados pelo SINAES, o CONAES determina as diretrizes que se constituem em referências para a realização do processo de Avaliação Externa das IES. As diretrizes, acompanhadas do instrumento de avaliação, estabelecem que o processo de avaliação das IES deve considerar dez dimensões, em dois momentos. São eles: a autoavaliação, a ser coordenada por Comissões Próprias de Avaliação (CPAs) e a avaliação externa, a ser realizada por comissões de docentes da educação superior, devidamente cadastrados e capacitados. Esta sistemática de avaliação institucional estabelecida pelo SINAES, através do CONAES, foi construída com base em três processos de avaliação: a Avaliação da Instituição (Autoavaliação e Avaliação Externa); a Avaliação do Desempenho dos Estudantes (ENADE) e a Avaliação dos Cursos de Graduação (INEP/MEC, 2005). Em novembro de 2004, houve o lançamento do Roteiro de Auto-avaliação das IES. Atualmente, existe um novo Instrumento de Avaliação Externa das Instituições de Educação Superior, construído de acordo com as dimensões definidas no Roteiro de Auto-avaliação e com as diretrizes determinadas pelo CONAES/SINAES. A partir da lei nº 10.861, a responsabilidade social passa a ser definida como um dos princípios norteadores do SINAES, considerando a educação como uma prática social que pode dinamizar outros processos sociais, visando oportunizar a construção de uma sociedade inclusiva e cidadã. Os princípios que regem a avaliação proposta pelo SINAES, segundo as Diretrizes para a Avaliação das Instituições de Educação Superior, são: • Responsabilidade Social com a qualidade da educação superior; • Reconhecimento à diversidade do sistema; • Respeito à identidade, à missão e à história das instituições; 15 Órgão colegiado de coordenação e supervisão do SINAES (INEP/MEC, 2005). 53 • Globalidade institucional, pela utilização de um conjunto significativo de indicadores considerados em sua relação orgânica; • Continuidade do processo avaliativo como instrumento de política educacional para cada instituição e para o sistema da educação superior em seu conjunto (INEP/MEC, 2005, p.13). Os documentos institucionais definidos pelo SINAES como elementos norteadores do processo de avaliação das IES são: • Projeto Pedagógico Institucional (PPI) – instrumento político, filosófico e teórico-metodológico que norteia as práticas acadêmicas da IES, tendo em vista sua trajetória histórica, inserção regional, vocação, missão, visão e objetivos gerais e específicos; • Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) – instrumento de gestão flexível que considera a identidade da IES. Refere-se às diretrizes pedagógicas, à estrutura organizacional, às atividades acadêmicas e científicas desenvolvidas; • Comissão Própria de Avaliação (CPA) e Relatório de Avaliação Interna – instrumentos desenvolvidos pela própria instituição, focados no processo de auto-avaliação; • Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC) – definem as políticas acadêmicas institucionais; • Currículos - conjunto de elementos que integram os processos de ensinar e de aprender num determinado tempo e contexto, garantindo a identidade do curso e o respeito à diversidade regional (INEP/MEC, 2005). Estes documentos devem explicitar o posicionamento da IES sobre sociedade, educação e ser humano, além de assegurar o cumprimento de suas políticas e ações. Os projetos, o plano e o currículo, muito mais que documentos técnicos burocráticos, devem ser considerados instrumentos de ação política e pedagógica que garantam “uma formação global e crítica para os envolvidos no processo, como forma de capacitá-los para o exercício da cidadania, a formação profissional e o pleno desenvolvimento pessoal” (VEIGA, 2004, p.16). A matriz do instrumento institucional de avaliação da CONAES/SINAES é definida por dez dimensões, trinta grupos de indicadores, setenta e três indicadores e seus respectivos critérios, visando, segundo a referida comissão, promover uma perspectiva orgânica e norteadora da elaboração dos instrumentos e das ações pertinentes ao desenvolvimento da avaliação externa (INEP/MEC, 2005). 54 O quadro 03 apresenta os elementos centrais que compõem as dez dimensões do processo de avaliação, em que atribui-se peso 10 para a responsabilidade social. DIMENSÕES DE AVALIAÇÃO PESOS 1 A missão e o Plano de Desenvolvimento Institucional 2. A política para o ensino, a pesquisa, a pós-graduação, a extensão e as respectivas normas de operacionalização, incluídos os procedimentos para estímulo à produção acadêmica, as bolsas de pesquisa, de monitoria e demais modalidades 3 A responsabilidade social da instituição, considerada especialmente no que se refere à sua contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural 4. A comunicação com a sociedade 05 30 5. As políticas de pessoal, de carreiras do corpo docente e corpo técnico-administrativo, seu aperfeiçoamento, desenvolvimento profissional e suas condições de trabalho 6. Organização e gestão da instituição, especialmente o funcionamento e representatividade dos colegiados, sua independência e autonomia na relação com a mantenedora, e a participação dos segmentos da comunidade universitária nos processos decisórios 7. Infra-estrutura física, especialmente a de ensino e de pesquisa, biblioteca, recursos de informação e comunicação 8. Planejamento e avaliação, especialmente em relação aos processos, resultados e eficácia da auto avaliação institucional 9 Políticas de atendimento aos estudantes 20 10. Sustentabilidade financeira, tendo em vista o significado social da continuidade dos compromissos na oferta da educação superior TOTAL Quadro 03 - Dimensões de avaliação das IES e seus respectivos pesos, determinados pelo SINAES Fonte: INEP/MEC (2005) – adaptado 05 10 05 05 10 05 05 100 A dimensão 3, estabelecida pelo SINAES, considera a inclusão da Responsabilidade Social avaliada com base na interação e no cumprimento dos compromissos da instituição para com a sociedade, do ponto de vista da missão educativa e científica de uma IES. No processo avaliativo definido pelo SINAES, as dimensões são agrupamentos de grandes traços ou características referentes aos aspectos institucionais sobre os quais se emite juízo de valor e que, em seu conjunto, expressam o perfil da instituição. O grupo de indicadores é o conjunto de características comuns usadas para agrupar, com coerência e lógica, os indicadores. Entretanto, não são objetos de avaliação e pontuação. Os indicadores representam algum aspecto ou característica da realidade que se pretende avaliar, eles expressam algum aspecto da realidade a ser observada, medida, qualificada e analisada (INEP/MEC, 2005, p. 34). O quadro 04 apresenta a estrutura da matriz, referente à terceira dimensão da avaliação externa das IES, os grupos de indicadores e os indicadores de qualidade. Representa um nível mais detalhado da avaliação que visa caracterizar as evidências dos aspectos institucionais. 55 DIMENSÃO 3. A Responsabilidade Social da instituição, considerada especialmente no que se refere à sua contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural GRUPO DE INDICADORES INDICADORES 3.1 Nas políticas Institucionais 3.1.1. Compromisso da IES com os programas de inclusão social, ação afirmativa e inclusão digital 3.1.2. Relações da IES com o setor público, o setor produtivo e o mercado de trabalho 3.2 Nas atividades de ensino, pesquisa e extensão 3.2.1. Responsabilidade Social no Ensino 3.2.2. Responsabilidade Social na Pesquisa 3.2.3. Responsabilidade Social na Extensão Quadro 04 - Estrutura da matriz do SINAES referente à terceira dimensão do processo de avaliação externa das IES Fonte: INEP/MEC (2005) Cabe ressaltar que o indicador da matriz de avaliação encontra-se associado aos critérios previamente estabelecidos, descritos de forma detalhada e de acordo com as atividades relacionadas a cada indicador. Segundo o CONAES/SINAES (2005), o juízo de valor sobre o nível de atendimento de cada critério deve ser construído a partir das múltiplas fontes de informações disponíveis no processo de avaliação, baseado na documentação institucional, informações de caráter qualitativo e quantitativo, avaliação in loco, entrevistas e reuniões com grupos focais. Assim sendo, são definidos critérios a serem utilizados para avaliar e pontuar as atividades da Responsabilidade Social na Extensão Universitária, visando identificar até que ponto essas ações são coerentes com as políticas constantes dos documentos oficiais da IES (PDI, PPI, etc.). Busca-se verificar ainda, se essa coerência resulta e/ou expressa uma diretriz de ação acessível ao conhecimento da comunidade interna e externa e se todas as políticas de implementação das atividades de RS na Extensão estão implantadas. Podendo esta realidade ser constatada por meio do impacto de melhoria na sociedade quanto à: inclusão digital; defesa do meio ambiente; memória cultural; produção artística e patrimônio cultural (INEP/MEC, 2005). Ainda sobre a avaliação externa das IES, o instrumento de avaliação elaborado pelo CONAES/SINAES (2005) apresenta um conjunto de orientações para a IES que visa o preenchimento adequado, pelas instituições, do Formulário Eletrônico (FE), bem como o levantamento de informações complementares para subsidiar os trabalhos da Comissão durante o período da avaliação in loco. 56 Assim sendo, o quadro 05 apresenta a descrição das orientações, referentes aos indicadores definidos pelo CONAES/SINAES, em que foram selecionados aqueles que encontram-se vinculados aos principais temas abordados no presente estudo de caso, com destaque para a questão da responsabilidade social desenvolvida na Extensão Universitária. Visa fundamentar as argumentações utilizadas na etapa de apresentação das análises e resultados alcançados, com base nas fundamentações dos autores pesquisados e no referido instrumento de avaliação da IES, e entendido como primordial, por representar a base legal que determinou a inclusão da Responsabilidade Social no âmbito das IES. INDICADOR ORIENTAÇÕES 1.1.3. Articulação entre o PDI e o PPI nas Políticas de Extensão • Anexar PDI e PPI; • Descrever, no campo específico do FE, a articulação existente entre o PDI e as políticas; • Especificar as informações complementares consideradas importantes • Anexar cópias de alguns dos principais programas e projetos da instituição, mostrando seu vínculo com o PDI; • Especificar as informações complementares consideradas importantes • Descrever, no campo específico do FE, a concepção de extensão e sua relação com as políticas constantes dos documentos oficiais da IES, bem como as formas de articulação com a pesquisa e o ensino; • Disponibilizar regulamento da extensão; • Anexar relatório contendo uma descrição resumida das atividades de extensão dos últimos três anos • Descrever, no campo específico do FE, como se dá a vinculação das atividades de extensão com a formação dos alunos e sua relevância na comunidade; • Especificar as informações complementares consideradas importantes Descrever, no campo específico do FE, como a instituição desenvolve as atividades vinculadas aos compromissos de responsabilidade social; • Descrever as atividades que tenham impacto de melhoria na sociedade quanto à inclusão social, desenvolvimento econômico e social, defesa do meio ambiente, memória cultural, produção artística e patrimônio cultural; • Especificar as informações complementares consideradas importantes • Descrever, no campo específico do FE, como a instituição se relaciona com os setores público e produtivo e o mercado de trabalho; • Especificar as informações complementares consideradas importantes • Descrever, no campo específico do FE, como o tema responsabilidade social está incorporado nas atividades de extensão; • Disponibilizar relatórios contendo resultados das atividades de extensão que tiveram impacto na sociedade SINAES para avaliação e pontuação dos indicadores vinculados as 1.2.2 Utilização do PDI como referência para programas e projetos 2.5.1. Políticas Institucionais de Extensão e formas de sua operacionalização 2.5.2 Vinculação das atividades de extensão com a formação e sua relevância na comunidade 3.1.1. Compromisso da IES com os programas de inclusão social, ação afirmativa e inclusão digital 3.1.2 . Relações da IES com o setor público, o setor produtivo e o mercado de trabalho 3.2.3. Responsabilidade Social na Extensão Quadro 05 – Descrição das orientações do atividades de Extensão, focadas na RSU Fonte: INEP/MEC (2005) - adaptado 57 Esta proposta de avaliação das IES tem sido alvo de inúmeras críticas e questionamentos realizados por estudiosos das diversas áreas do conhecimento, em que o próprio SINAES reconhece a avaliação das IES como uma atividade complexa, por se tratar de um processo sistemático de identificação de mérito e valor que envolve diferentes momentos e diversos agentes. Propõe avaliar dimensões quantitativas e qualitativas com base no projeto de formação ofertada aos indivíduos e a sociedade como um todo. O INEP/MEC (2005, p.28) define a avaliação das IES da seguinte maneira: É uma atividade política e técnica que requer competências e habilidades de todos os atores sociais envolvidos nesse processo de construção coletiva, o que implica na decisão da instituição de investir na formação acadêmica, bem como proporcionar as condições para a integração do ensino com a realidade social com ênfase no impacto da avaliação no processo de transformação social. A avaliação das IES também é definida pela referida comissão como uma atividade estruturada que permite a verificação da qualidade institucional, no sentido de sua responsabilização com o social e no redimensionamento das ações da própria instituição. Segundo o INEP/MEC (2005), os resultados favoráveis da avaliação só se concretizam se a avaliação for assumida por todos os seus integrantes de forma rigorosa, isenta e autônoma, em se tratando de uma base legal fundamental para a realização de qualquer análise que contemple a questão da Responsabilidade Social e o campo da Extensão Universitária. 2.3.2 Aplicabilidades da RSU no Setor Público e Privado Calderón (2006) afirma que, através da implantação da responsabilidade social universitária, é possível pensar na universidade como um instrumento de promoção de mudanças sociais, por conta dos resultados a serem alcançados com seus trabalhos realizados por professores e alunos que investem seu tempo desenvolvendo Projetos de Extensão, focados na preservação do meio ambiente, no auxílio à comunidade de baixa renda, na prestação de serviços médicos, na organização de cursos gratuitos para possibilitar o acesso à universidade pública, dentre outras ações de tamanha importância. A responsabilidade social universitária ganha maior relevância com as mudanças provocadas pelo mundo globalizado, fazendo com que a universidade repense seu papel na sociedade contemporânea. Sobre essa questão existem vários artigos de Wagenberg (2006), Klinsberg (2006), Vallaeys (2006), e Carrizo (2006), apontando a necessidade da 58 universidade estabelecer um novo contrato ou pacto social com a sociedade, tendo como norte o desenvolvimento humano (CALDERÓN, 2006). Existem vários entraves a serem ultrapassados pelas IFES, caso elas pretendam incluir em sua estrutura princípios que regem a responsabilidade social, pois, segundo Calderón (2006) e Chauí (2003), as estruturas administrativas das universidades privadas são autônomas, bem distintas das IFES e são conduzidas por profissionais especialistas em administração empresarial que já utilizam com sucesso os preceitos da responsabilidade social. No entanto, apesar da experiência desses profissionais, eles desconhecem a dimensão da esfera pública que se perpetuou através de uma complexa infra-estrutura, de relações baseadas no corporativismo e no clientelismo, da forte influência política que conduz o processo decisório das instituições federais que ministram o ensino superior (CHAUI, 2003). Desta forma, Calderón (2006) afirma que nasce um grande desafio a ser superado, pois, ao comparar as técnicas gerenciais adotadas pelas IES privadas com as burocráticas estruturas das universidades públicas, surgem atritos entre as regras sugeridas pelos experientes executivos em responsabilidade social da rede de ensino privada com as práticas adotadas por docentes e técnicos que atuam nas universidades públicas. Cabe então, a adoção de uma postura cautelosa que considere características, especificidades, demandas e pontos de vista do corpo docente, das autoridades acadêmicas das IFES que viabilizam as atividades de ensino, pesquisa e extensão, por se tratarem de universos completamente distintos. Portanto, a aplicabilidade da responsabilidade social universitária deve considerar as especificidades das instituições do setor privado e do setor público. Neste sentido qualquer análise sobre suas características, formas de atuação e perspectivas futuras, terá que contemplar suas singularidades. Sobre essa ótica da Responsabilidade Social Universitária, o autor coloca que: ... o mercado de ensino superior possui suas especificidades. Trata-se de um cenário no qual deveriam interagir instituições voltadas ao interesse público e, portanto, às atividades universitárias que seriam reflexos de uma estrutura gerencial irradiando princípios e valores (institucionais, pessoais e sociais) e acenando para o desenvolvimento humano, numa clara demonstração de que seria possível e necessário, como diz Klinsberg (2006), superar a dicotomia economia-ética (CALDERÓN, 2006, p. 18). 2.3.3 A Reforma da RSU proposta por Vallaeys Diante do atual cenário Vallaeys (2006) propõe a construção de uma reforma universitária de responzabilização social, devendo ser ela fruto de profunda reflexão sobre o 59 significado social da produção do conhecimento e da formação profissional dos futuros líderes do país. Vallayes (2006) percebe a necessidade de uma reforma universitária planejada individualmente a partir de um diagnóstico próprio, para que a responsabilidade social universitária se dê de forma consciente e gradual no seio da comunidade acadêmica. Neste sentido, para o desenvolvimento de um projeto de promoção social, oriundo da autoavaliação, o autor indica a construção de um balanço social universitário, capaz de superar as más políticas, as más epistemologias e os maus conhecimentos, vigentes por vezes, na esfera universitária. Para o autor muitos dos fatores dessa reforma da responsabilidade social universitária já se encontram presentes na maioria das universidades, através da pesquisa interdisciplinar, da projeção social, do desenvolvimento de métodos pedagógicos, do aprendizado baseado em problemas e dos projetos extensionistas. Porém, embora essas ações já ocorram nas universidades públicas, elas se dão de forma desarticulada e sem uma perspectiva institucional integrada. O esquema a seguir, constante na Figura 03, possibilita a visualização do caráter global e central da reforma da responsabilidade social universitária, indicada por Vallaeys (2006), evidenciada na atividade acadêmica e na estrutura administrativa das universidades. Figura 03 - A Reforma da RSU proposta por Vallaeys Fonte: Vallayes (2006) 60 A responsabilidade social universitária exige, a partir de uma visão holística, a articulação dos diversos setores da instituição, em um projeto de promoção social de princípios éticos e de desenvolvimento social eqüitativo e sustentável, com vistas à produção e transmissão de saberes responsáveis e à formação de profissionais cidadãos igualmente responsáveis (VALLAYES, 2006, p.39). Sob este enfoque, Vallayes (2006) propõe um novo contrato social entre a universidade e a sociedade no qual se redefinem as atividades de ensino, pesquisa e extensão, com base em três grandes eixos: a responsabilidade social da ciência; a formação visando à cidadania democrática e a capacitação para o desenvolvimento, em consonância com esta proposição e preocupado em manter o foco na função pública da educação. Logo, entende-se que esta questão envolve uma enorme superação de barreiras que se perpetuam ao longo dos anos na complexa estrutura administrativa da esfera pública e considera-se que sua análise exigirá a realização de novos estudos. 2.3.4 Princípios e valores da RSU Fontecilla, La Jarra, Troncoso (2006) definem que a responsabilidade social universitária pode se dar por meio de quatro processos considerados essenciais. Entendemos por responsabilidade social universitária a capacidade que tem a universidade de difundir e colocar em prática um conjunto de princípios e valores gerais e específicos, por meio de quatro processos considerados essenciais, quais sejam, gestão, docência, pesquisa e extensão universitária. Comprometendo- nos, assim, do ponto de vista social, com a própria comunidade universitária e com o país em que se insere (FONTECILLA, LA JARRA, TRONCOSO, 2006, p.63). Os princípios e valores de uma universidade socialmente responsável, sinalizados pelos autores, são fundamentais para manter a coexistência da base universitária, mantida por três funções tradicionais: docência, pesquisa e extensão. Logo, eles entendem que a gestão é uma atividade indispensável em toda organização e apontam que no centro dos processos chaves, encontram-se os princípios e valores gerais e específicos, que orientam e constituem o cerne da RSU, funcionando como um sol do sistema. E, os quatro processos da tarefa universitária, devem ser iluminados pelos princípios e valores definidos previamente. Deve-se verificar, na tarefa universitária, a prática dos princípios e valores sinalizados pelos autores. Em conseqüência, a relação entre esses princípios e valores e os processos essenciais funcionam como faróis a guiar o comportamento humano, sendo fundamentais e permanentes em uma universidade socialmente responsável, conforme consta na figura 04. 61 FIGURA 04 – Processos chaves para o desenvolvimento dos princípios e valores da RSU Fonte: Fontecilla, La Jarra, Troncoso (2006) Os princípios e valores definidos na figura 04 estruturam-se em uma constelação ou sistema e podem ser ordenados em três planos: social, pessoal e universitário, conforme segue: a) Princípios e valores do Plano Social: • Promoção da dignidade humana em todos os campos da vida acadêmica e social; • Liberdade de todos os membros da comunidade universitária: de pensamento, de discernimento e de religião; de pesquisa, de opinião, de expressão e de ensino; de reunião e associação; de desenvolvimento de sua personalidade, entre outros; • Integridade: qualidade de pessoas e instituições coerentes com seus princípios e valores, tanto em suas declarações quanto em suas ações, sendo disciplinadas, transparentes e honestas. b) Princípios e valores do plano pessoal: • Bem comum e equidade social; • Desenvolvimento sustentável e meio ambiente; • Socialização e solidariedade para fins de convivência; • Aceitação e reconhecimento da diversidade; • Cidadania, democracia e participação. c) Princípios e valores do plano universitário: 62 • Compromisso com a verdade; • Excelência; • Interdependência e transdisciplinalidade (FONTECILLA, LA JARRA, TRONCOSO, 2006). Complementando a presente proposta, os autores ainda apontam os indicadores que foram projetados para serem utilizados como uma ferramenta de gestão da responsabilidade social universitária, estabelecendo regras de condutas concretas que deverão ser verificadas na universidade, para se constatar a adoção dos princípios e valores antes definidos. Os autores reconhecem que tais indicadores não esgotam as condutas com eles coerentes nas tarefas dos universitários, mas entendem que os mesmos poderão contribuir para que se tenha uma referência capaz de servir de espelho, permitindo aos gestores observar, avaliar e planejar ações corretivas relacionadas com a responsabilidade social universitária. Através da presente proposta pretende-se demonstrar que, assim como na RSE, alguns autores já têm desenvolvido metodologias e sinalizam esquemas operacionais que objetivam viabilizar o monitoramento e a avaliação da responsabilidade social universitária. Cabendo questionar se a aplicação desse tipo de metodologia será facilmente implantada na esfera das complexas IFES. Mesmo assim, há que se reconhecer a importância da construção desse tipo de metodologia, uma vez que ela poderá servir de parâmetro para qualquer processo de avaliação de RSU que se pretenda implantar, deixando de ter como parâmetro apenas o modelo fixado pelo SINAES. 2.4 EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ORIGEM E PAPEL SOCIAL Nesta quarta seção são retratadas a origem, o conceito, os objetivos e a importância da Extensão Universitária, além do papel social que esta exerce na universidade e na sociedade. Em seguida, aborda a interface estabelecida entre a Extensão Universitária e a RSU, com foco na formação de cidadãos, tema central do presente estudo. O Plano Nacional de Extensão define a Extensão Universitária como a filosofia, uma ação política, democrática, e indica que as Instituições de Ensino Superior que desenvolvem Projetos e Programas de Extensão se mantém engajadas na solução de problemas sociais, pois através desses trabalhos podem se utilizar de pesquisas básicas e aplicadas, o que lhes permite intervir diretamente sobre a realidade. 63 A origem da Extensão Universitária se confunde com a origem das universidades européias. Uma análise sobre a Universidade de Bolonha avalia que, por ser influxo na sociedade, a alma mater medieval desempenhou um papel igual de Extensão, porque irradiou a cultura para fora de seus muros, mediante os profissionais que trabalhavam nos diversos segmentos da sociedade (CAPELETTE; MAZZEI, 2008). Para Rocha (2001), a Extensão nasceu no Mosteiro de Alcabaça, em Portugal, por volta do ano de 1269, e foi adotada por colégios religiosos, incluindo os criados pelos jesuítas na América Latina, no período colonial. A história da Extensão Universitária tem seu auge a partir do Movimento Estudantil de Córdoba na Argentina, em 1918. Neste período a extensão é incorporada como uma das bandeiras de luta, onde os universitários assumem o poder na Universidade Católica tradicional. As fases de desenvolvimento das ações de extensão universitária ocorreram da seguinte maneira: • Experiências de pequena dimensão grupos de pequena projeção e ações vinculadas à religião; • Participação de docentes e discentes em movimentos emancipatórios de caráter ideológico diferenciado, com ações pensadas a partir da Universidade; • Processo de modernização da sociedade Revolução Industrial, Revolução Americana, dentre outros movimentos semelhantes; • Construção, reconstrução e questionamentos críticos da Extensão Universitária, enquanto política social do Estado; • Novo assumir interno por parte da Universidade; • Fase atual do assumir em rede, oportunidade de construção de grande cadeia. Através da descrição das fases da Extensão Universitária, apontadas por Rocha (2001), pode-se perceber que ela vem apenas se modificando com o passar dos tempos e, desde o período medieval, se adequando a cada período político, social e econômico. O manifesto de estudantes, ocorrido em Córdoba, em 21 de junho de 1918, reivindicando a abertura e a atenção da universidade para as questões sociais, a participação nos órgãos diretores, a gratuidade de ensino, a autonomia universitária, o ingresso público para carreira docente e a eleição dos dirigentes através de assembléias com participação estudantil e docente, deu origem à Extensão Universitária na América Latina (GURGEL, 1986). Segundo o autor, para esses estudantes, os recursos pacíficos estavam esgotados, havendo a necessidade de se propor uma saída, mesmo que fosse a paralisação da sociedade. 64 Na Argentina, sob a presidência de Hipólito Yrigoyen, o país passou por uma renovação política com a ascensão ao Governo Nacional da União Cívica Radical. E, contra a tríplice aliança formada pelo governo, clero e sociedade, levantaram-se os estudantes cordobeses. Esse Manifesto ainda é lembrado e foi seguido por muitos países, inclusive o Brasil. Nesse contexto, a extensão universitária, no documento de Córdoba, é mostrada como um fortalecimento da universidade, ao incentivar a cultura universitária voltada para a sociedade e por sua preocupação com os problemas nacionais. Somente na segunda metade do século XIX a extensão universitária teve sua primeira experiência como elemento de questionamento das estruturas sociais, a exemplo da Universidade de Cambridge, localizada na Inglaterra. Mais tarde, surgiram nos Estados Unidos uma grande diversidade de metodologias e tecnologias, representadas por experiências de extensão universitária sob a forma de prestação de serviços técnicos, difusão técnicocientífica, realização de cursos profissionalizantes, educação à distância, educação permanente, cursos noturnos, dentre outras ações (CAPELETTE; MAZZEI, 2008). Os autores afirmam que no Brasil, as precursoras da extensão universitária foram as Escolas Superiores de Lavras e de Viçosa que, em 1921, iniciaram trabalhos de divulgação técnico-científica com a publicação da revista “O Agricultor”. A Escola Superior de Agricultura de Viçosa iniciou, em 1929, com a realização da Semana do Fazendeiro que contava com a participação de 39 pecuaristas. Desde o Manifesto de Córdoba, os assuntos relacionados à missão social da universidade passaram a fazer parte dos discursos oficiais e das propostas dos segmentos da estrutura universitária. Os estudantes argentinos abriram espaço para a construção de uma universidade mais crítica e suas idéias foram importantes não só naquela época, passando a influenciar a concepção da educação superior, além das fronteiras da Argentina. Atualmente, sabe-se que qualquer experiência de extensão universitária foi herdada deste movimento (GURGEL, 1986). O conceito de extensão universitária definido pelo Fórum de Pró Reitores de Extensão16 das Universidades Públicas Brasileiras, realizado em 2001, determina que a extensão universitária deva ser um processo educativo capaz de articular o ensino e a pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre universidade e sociedade. A 16 Instância focada na relevância social da ação extensionista, se mantém direcionando a política extensionista a projetos que considerem o compromisso social e o papel da universidade frente aos problemas sociais. Esse Fórum tem se pautado na estruturação de uma Política de Extensão das Universidades Públicas brasileiras, considerando sua atuação e operacionalidade com foco nos fomentos dos projetos. 65 Extensão é uma via de mão dupla com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará na sociedade a oportunidade da elaboração do conhecimento acadêmico. No retorno à universidade, docentes, discentes e demais atores participantes deste processo terão um aprendizado que submetido à reflexão teórica, seria acrescido ao conhecimento original (GURGEL, 1986). Através deste fluxo, fica estabelecida a troca de saberes sistematizados, unindo o acadêmico com o popular que terá como resultado a mudança de conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na ação da universidade (FÓRUM NACIONAL DE PRÓREITORES DE EXTENSÃO, 2001). Segundo Gurgel (1986), através da extensão, é possível ultrapassar o conhecimento adquirido nas salas de aula permitindo o aprendizado também pela aplicação, pelo fazer e pela prática. Ela atua na realidade como uma forma de interação que deve existir entre a universidade e a comunidade, na qual encontra-se inserida. A Extensão promove a construção de uma ligação permanente entre a universidade e os mais variados setores da sociedade. Essa relação funciona como uma via de mão dupla, em que a universidade leva conhecimentos e benefícios à comunidade e recebe dela retornos positivos, ao tomar ciência sobre suas reais necessidades, anseios e aspirações, permitindo-lhe também aprender com o saber dessas comunidades. Silva (1997) aponta que, por meio dessa troca, a universidade repassa conhecimentos, princípios e valores, além de aprender com a comunidade sobre seus valores, necessidades e cultura, pois, só assim, a universidade pode planejar e executar suas atividades de extensão, respeitando e levando em conta valores e culturas locais. Ela ainda coloca que a universidade, através das ações de Extensão, pode influenciar a comunidade e também pode ser influenciada por ela, ou seja, a extensão propicia o estabelecimento de uma troca de valores entre a universidade e a sociedade, além de influir na formação da cidadania. Por meio da extensão, a universidade se relaciona com a comunidade, recebendo-a em seu espaço ou indo até ela; dessa forma, dissemina o conhecimento que detém. Trata-se de uma forma de a universidade socializar e democratizar o conhecimento, levando-o a sociedade (SILVA, 1997). Neste contexto, o autor considera que fica definida a característica das universidades públicas brasileiras que mantém a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, Em que pela pesquisa, são produzidos novos conhecimentos que são passados em sala de aula através do ensino. Paralelamente, esses conteúdos são repassados pela extensão que divulga o conteúdo aprendido à comunidade, prestando-lhe os serviços que, por muitas vezes, vão além 66 da assistência e da filantropia, configurando-os como ações de responsabilidade social. Assim, a universidade pode aproveitar esse contato com a sociedade para coletar dados e informações que servirão de base para a realização de novos estudos e pesquisas. Ao comunicar-se com a realidade social a universidade adquire a possibilidade de realizar reflexões inovadoras sobre a sua própria forma de atuação, condições de infraestrutura, grades curriculares em vigor e demais características, ação que a conduz atender a verdadeira realidade do país (SILVA, 1997). Para o autor, a extensão universitária pode representar também um processo de avaliação institucional e de divulgação da produção científica, ao mostrar uma imagem positiva para a sociedade na qual está inserida, na medida em que coordena projetos voltados para o atendimento às necessidades da comunidade. A ação extensionista possibilita a identificação da maneira como a Instituição de Ensino Superior (IES) se relaciona com o entorno, ao interagir com a sociedade, atuando de acordo com o que está anunciado na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), artigo 43 – VII, a qual menciona que a prestação de serviços da universidade se implementa ao promover a extensão aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. Neste sentido, Silva (1997) aponta que a extensão universitária surge como uma possibilidade de exercitar o ensino-aplicação de maneira bem planejada, viabilizando o preparo de seus profissionais não apenas com a teoria, mas complementando a formação com a estratégia do ensino-aplicação em que o verdadeiro conhecimento só é adquirido com a execução desses dois elementos. É, portanto, imprescindível que as universidades públicas dêem às atividades de extensão a importância e o alcance a elas devido, pois enquanto derivadas de suas funções institucionais próprias, é fundamental compreendê-las de maneira ampla, não só como difusão de conhecimentos, mas como meios de inserção cultural e de educação para a vida e para a formação da cidadania, segundo indica Chauí (2001), através das diretrizes estabelecidas no Fórum de Pró Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras. Neste sentido, foram apresentadas algumas propostas direcionadas às universidades públicas que cabe aqui mencionar: 1. Os planos de atuação deverão conter, obrigatoriamente, diretrizes de políticas específicas de extensão e cultura, voltadas para os interesses e necessidades das populações locais e concebidas como forma de integração e cooperação eficaz entre a comunidade 67 universitária (professores, estudantes e funcionários) e a sociedade; 2. Uma porcentagem fixa e permanente dos recursos orçamentários de cada uma das universidades federais será designada e obrigatoriamente destinada à implementação de suas políticas de extensão e cultura, conforme definidas em seus planos de atuação periódicos. Em hipótese alguma as atividades de extensão poderão ter fins lucrativos ou de suplementação dos recursos orçamentários destinados à instituição ou de remuneração indireta a professores ou servidores; 3. A coordenação e gestão das políticas de extensão e cultura deverão ficar sob a responsabilidade de uma Comissão Universitária de Extensão e Cultura de ampla representatividade – integrada por professores de diferentes unidades, estudantes e funcionários, coordenada pela respectiva Pró-Reitoria de Extensão e Cultura ou órgão equivalente; 4. As autoridades universitárias deverão providenciar as condições necessárias para a abertura dos Campi às populações locais, dando-lhes livre acesso aos espaços comuns e incentivando sua presença através de programações de caráter nitidamente cultural (exposições, cineclubes, música, teatro, palestras e cursos), que lhes serão franqueadas – gratuitamente – assim como a todos os estudantes; 5. Todos os professores das universidades públicas – independentemente de seu grau acadêmico, função institucional ou administrativa, deverão obrigatoriamente realizar a cada ano ao menos uma atividade caracterizada como de extensão e tais atividades serão incluídas na carga horária obrigatória dos docentes (CHAUÍ, 2001). Nogueira (2000, p.63) afirma que “a universidade e, em especial, as Pró Reitorias de Extensão devem induzir programas e projetos que visem enfrentar os problemas específicos produzidos pela situação de exclusão.” Segundo o autor, a extensão universitária promove a interação entre a universidade e a comunidade. Seu principal objetivo é a produção e troca de conhecimento, que gera benefícios para ambas as partes. Dessa forma, os universitários que participam desses projetos têm a oportunidade de praticar suas futuras profissões, expandir horizontes e aprender novas culturas e a comunidade encontra apoio especializado para solução de problemas sociais. Os projetos de extensão sensibilizam a comunidade acadêmica para a causa social e para o exercício da cidadania. A Extensão Universitária é um processo educativo, cultural e científico que articula ensino e pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre universidade e sociedade. A extensão é uma via de mão-dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade da elaboração da práxis do conhecimento acadêmico. No retorno à universidade, 68 docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será acrescido àquele conhecimento... Além de instrumentalizadora deste processo dialético de teoria/prática, a extensão é um trabalho interdisciplinar que favorece a visão integrada do social (NOGUEIRA, 2000, p.11). O autor avalia que a Extensão Universitária é um importante instrumento para a construção, desenvolvimento e transformação da sociedade, por meio de ações que visam a inclusão social, a justiça, o desenvolvimento humano, fazendo valer a solidariedade humana. Os projetos extensionistas devem sensibilizar e mobilizar a comunidade acadêmica para a causa social e ambiental, para o exercício da cidadania, para o voluntariado e para a importância da atividade propriamente dita, na perspectiva da responsabilidade social. Para Oliveira (2004) a Extensão propicia aos meios acadêmicos a sintonia fina entre sociedade e universidade, permitindo reconstruir historicamente a universidade nos diversos contextos da sociedade. A ação extensionista é apontada pela autora como um projeto social ou como uma atividade de caráter continuado. Assim sendo, a autora alerta que, dentro da ótica de compromisso social da universidade, cabe a produção de estudos que identifiquem se, através dela, realmente ocorre a construção da cidadania. Por tudo isto, vale questionar como a universidade tem interagido com a sociedade e se tem formado profissionais/cidadãos, cumprindo assim o seu papel social neste contexto. É sabido que a universidade pode suavizar a questão da pobreza, através de Programas e Projetos de Extensão, considerando que há uma política pública que não dá conta da volumosa demanda, levando em conta que a pobreza é uma questão estrutural (NOGUEIRA, 2000). O autor afirma que o trabalho realizado pelos Projetos de Extensão está desviando o olhar do aluno e demais atores participantes desse processo, para a pobreza e/ou para as questões ambientais que, sensibilizados, passam a ter consciência sobre seu papel social e sobre a responsabilidade que cada um deve ter sobre todos os problemas existentes na sociedade. É preciso considerar que não basta levar o aluno por um tempo a olhar a pobreza e as necessidades de sobrevivência do planeta, há que se ter ações de Extensão continuadas, de caráter efetivo, que realmente permitam que a universidade cumpra com o seu papel social. “[...] a formação do profissional cidadão, é imprescindível sua efetiva interação com a sociedade, seja para se situar historicamente, para se identificar culturalmente e/ou para referenciar sua formação técnica com os problemas que um dia terá que enfrentar (NOGUEIRA, 2000, p.120). Para o autor há que se estabelecer, entretanto, que a extensão precise, além de conjugar-se às políticas públicas, estar também profundamente articulada com o projeto 69 acadêmico da universidade, tendo em vista a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, devendo estar alicerçada no perfil de profissional/cidadão que se quer formar. A Universidade poderia constituir-se em um espaço de reflexão acerca das diferentes realidades e, dentro desse processo, seria possível repensar sobre o papel do Estado e de sua operacionalidade quanto às políticas públicas. E em se refletindo conjuntamente (Universidade/Estado), o papel extensionista se conjuga com o de contribuir com o conhecimento acadêmico nesta permanente redefinição da interrelação público/privado, repensando e introduzindo ferramentas para o estabelecimento, avaliação e implementação de políticas públicas (NOGUEIRA, 2000). O autor ressalta que essa ação precisa ser acompanhada de perto pelos coordenadores dos projetos (sejam docentes ou técnico-administrativos), estabelecendo os laços entre realidades, aprendizagens, pesquisa e sala de aula. Este repensar precisa retornar à universidade e oxigenar os atores da mesma e, consequentemente, suas ações. Portanto, cabe às universidades repensar e reorganizar as ações extensionistas, estruturadas através de uma equipe capacitada, qualitativa e quantitativamente suficiente, caso elas queiram realmente desenvolver uma extensão qualificada e focada cada vez mais na concepção da responsabilidade social (NOGUEIRA, 2000). 2.4.1 – A interface estabelecida entre a Extensão Universitária e a RSU Os participantes do XXV Congresso Mundial da Pax Romana, cujo tema era a Responsabilidade Social Universitária, ressaltaram que “a universidade deveria insistir na sua função educadora, não esquecendo a dimensão social da educação, por meio do despertar no estudante o espírito social em prol dos setores sociais menos favorecidos via atividades de extensão universitária (CALDERÓN, 2006, p.14). Especialistas em educação superior e educadores universitários, envolvidos com Projetos de Extensão, mantém a compreensão de que a universidade também deve ser responsável pelo desenvolvimento da comunidade, via ações de extensão. Outro princípio a ser considerado nesta análise, segundo Calderón (2006), é aquele que preconiza a indissociabilidade a ser mantida pelas IFES entre ensino, pesquisa e extensão, exigida pela lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004 que objetiva garantir que a universidade atinja seus fins sociais. Diante deste quadro, é possível associar os resultados obtidos pelos Projetos de Extensão, com foco nas ações de responsabilidade social, a uma das missões das universidades, enquanto formadoras de cidadãos. 70 Para Klinsberg (2006) surge um novo contrato social em que a universidade deve incorporar urgentemente na sua agenda o questionamento sobre a ética do desenvolvimento, passando a repassar o conhecimento da realidade, seja por meio da pesquisa séria que contemple temas que envolvam a realidade social, no que se refere à pobreza e à desigualdade social, seja lutando pela formação ética dos estudantes, por meio da reflexão e da vivência de experiências de solidariedade e voluntariado com a comunidade, que se dá através dos Programas e Projetos de Extensão. Seguindo essa linha, Wagenberg (2006) se refere à dimensão formadora da educação superior que, segundo o autor, precisa ultrapassar a formação acadêmica e informativa, entendendo que a universidade deve conduzir seus estudantes a aprender a formular novas reflexões sobre as questões que se colocam no mundo atual. Diferentes autores se referem a um novo pacto social a ser estabelecido entre as universidades e a sociedade e sinalizam algumas opções para a construção de uma universidade socialmente responsável. Neste sentido, Vallaeys (2006) considera que a universidade teria maior sustentação, caso se comprometesse em garantir a responsabilidade social da ciência, em promover a formação da cidadania democrática, por meio da formação de estudantes e cidadãos e em contribuir para o desenvolvimento, por meio da formação do estudante como agente do desenvolvimento, considerando a problemática do desenvolvimento como tema central em todas as carreiras. Segundo Calderón (2006), tradicionalmente, a construção das pontes que se estabelece entre a universidade e a sociedade, a concretização do compromisso social da universidade e a reflexão ética sobre a dimensão social do ensino e da pesquisa têm sido uma tarefa da extensão universitária. No entanto, no Brasil, é comum afirmar que a Extensão Universitária é a ‘prima pobre da universidade’. Para o autor essa visão ocasiona uma compreensão equivocada do trabalho extensionista e acaba fazendo com que os professores que atuam na extensão não tenham o mesmo reconhecimento acadêmico nem o mesmo status dos docentes que atuam na pesquisa. Observa-se que a falta de recursos e a inexistência, na maioria das vezes, de políticas institucionais extensionistas consistentes são as principais causas dessa situação. E, ainda sobre a posição que as universidades imputam sobre a Extensão, o autor faz algumas considerações: No Dicionário da Crise Universitária, Cristovam Buarque (1994) coloca o seguinte: a extensão universitária é apenas um método para ensino e pesquisa. Não deveria ser uma categoria especial. Mas pelo desprezo com 71 que professores e alunos tratam a extensão, foi necessário fazer dela um tipo especial de atividade acadêmica. Sob esta mesma perspectiva, Boaventura de Sousa Santos (1995) avaliou que: a legitimidade da universidade só será cumprida quando as atividades, hoje ditas de extensão, se aprofundem tanto que desapareçam enquanto tais e passem a ser parte integrante das atividades de investigação e de ensino (CALDERÓN, 2006, p. 14). Para o autor a atuação da extensão universitária acabou se tornando, na maioria dos casos, uma ONG dentro da universidade, onde diante desse cenário, o conceito de RSU pode ajudar a refletir sobre a universidade e, principalmente, sobre seu processo de gestão. Neste sentido, os princípios e valores que alicerçam a Responsabilidade Social Universitária deveriam se estabelecer através da manutenção de uma estreita relação a ser definida entre as práticas acadêmicas e as práticas gerenciais. Para Vallaeys (2006), a Responsabilidade Social Universitária exige que a universidade supere a posição em que se coloca a Extensão Universitária, pois no meio acadêmico ela é encarada como um apêndice da formação estudantil e da produção de conhecimentos, em demérito a todo o trabalho que se realiza de auxílio à diminuição da pobreza e da exclusão social, de formação e geração da cidadania, de proteção do meio ambiente, dentre outros. A conclusão da graduação já não é mais garantia certa de sucesso financeiro que requer atualmente outros atributos além da formação profissional, com destaque para a questão do caráter, criatividade, motivação e persistência e estas características são exigidas, fundamentalmente, para a formação de lideranças éticas e responsáveis. Para o autor, mesmo que existam disciplinas que objetivem ensinar ética até a exaustão, na prática, quando este estudante se vir diante de uma circunstância em que não seja capaz de resistir à pressão do mercado, tudo o que foi aprendido, teoricamente, deixará de ter importância (VALLAEYS, 2006). Segundo o autor, lamentavelmente, poucas universidades são capazes de transmitir tais conhecimentos e em geral, não é possível ensinar esses valores somente através da teoria, pois o aprendizado só se concretiza mediante observação e experiência própria. Seguindo esta linha de raciocínio, entende-se que, através dos Projetos de Extensão, ocorre o exercício da cidadania que futuramente resultará na formação do profissional/cidadão, com base na definição de Responsabilidade Social Universitária estabelecida por Vallaeys: [...] a Responsabilidade Social Universitária exige, a partir de uma visão holística, a articulação das diversas partes da instituição, em um projeto de promoção social de princípios éticos e de desenvolvimento social eqüitativo e sustentável, com vistas à 72 produção e transmissão de saberes responsáveis e à formação de profissionais cidadãos igualmente responsáveis (VALLAEYS, 2005, p.28). Para La Jarra (2003), a aplicação dos conceitos da responsabilidade social universitária só poderá se configurar através de práticas desenvolvidas no ensino, na pesquisa e na extensão. Desta maneira é possível colocar o trabalho acadêmico a serviço das necessidades sociais do país. O envio de universitários para atuarem em ações fora dos muros da universidade, torna possível aproximá-los da realidade local, sensibilizando-os através do conhecimento das mais diversas necessidades e, quem sabe, conscientizando-os da necessidade de continuarem atuando em trabalhos voluntários, desta natureza, mesmo após a conclusão do seu curso. Para Wagenberg (2006), cabe à universidade facilitar o desenvolvimento individual de seus alunos. Entretanto, é preciso reconhecer que o desenvolvimento do aluno consiste em ensinar-lhe a pensar por si mesmo, em ajudá-lo a fortalecer seus próprios ideais, opiniões e idéias, através da realidade do mundo, cercado de pobreza e desnutrição. Para o autor, ao ensinar esta realidade, a universidade passa a assumir seu compromisso social e o estudante começa a compreender sua própria responsabilidade diante da sociedade, iniciando-se assim a transformação social, pois quando se constrói a universidade ao redor de um núcleo social não ocorre um processo paralelo como o da projeção social. Vallaeys (2006) afirma que a universidade deve realizar uma reflexão acadêmica sobre si mesma, considerando sua responsabilidade no contexto do entorno social, cabendo assumir sua parcela de culpa com relação aos problemas crônicos da sociedade e devendo deixar de se colocar à margem das questões sociais. Assim, o autor sinaliza também a necessidade do alcance de uma reflexão mais ampla sobre o papel da Extensão Universitária com relação à aplicabilidade da responsabilidade social universitária. A exemplo da empresa, que precisou superar o enfoque filantrópico do investimento social (como despesa extra) para entender a si mesma em função do novo paradigma da responsabilidade social, a universidade precisa tratar de superar o enfoque da ‘projeção social e extensão universitária’ como ‘apêndices’ bem intencionados de sua função central de formação estudantil e produção de conhecimentos, a fim de poder atender ao que de fato está a exigir a Responsabilidade Social Universitária (Vallaeys, 2006, p. 38). O autor aponta que as ações de responsabilidade social universitária que se configuram através dos Projetos de Extensão fazem parte de uma série de iniciativas isoladas, individuais ou de interesse de pequenos grupos. Essa fragmentação serve para enfraquecer a importância da ação extensionista. As ações de responsabilidade social universitária das 73 universidades públicas ocorrem, em geral, desvinculadas das estratégias e dos interesses da administração central, ficando à deriva e mantendo-se com pouca visibilidade interna e externa. Desse modo, sobrevivem carentes de divulgação, de reconhecimento oficial, de apoio político e financeiro da própria Instituição. Sendo esses, em alguns casos, extintos por uma desses motivos. No entanto, a realidade que se configura, segundo Vallaeys (2006), é de um emaranhado de iniciativas desconectadas umas das outras, sem indicação e/ou apoio da administração central, que poderia servir de fio condutor capaz de manter um vínculo entre elas, pois a realidade que se estabelece é que cada uma delas atua voltada para atender públicos e interesses distintos, com pouca ou quase nenhuma visibilidade. O autor ainda coloca que a consequência dessa fragmentação das atividades de RSU pode representar uma enorme perda para as IFES que estão desconsiderando a oportunidade de gerar maiores avanços sociais, tornado-se incapazes de beneficiar não só o público-alvo das ações extensionistas, mas a todos os atores que delas participam e a si própria, deixando de lado, a chance de autopromoção e de ampliação da missão social das IFES. 2.5 ANÁLISE SOBRE A ESSÊNCIA DA RS E APRESENTAÇÃO DE MODELOS RELACIONAIS CONSTRUÍDOS A PARTIR DO REFERENCIAL TEÓRICO Esta seção aborda alguns questionamentos sobre a essência da responsabilidade social e apresenta quatro modelos relacionais, construídos a partir de análises realizadas com base no referencial teórico utilizado, a fim de demonstrar esquematicamente a relação de interdependência estabelecida entre a responsabilidade social e as diferentes instâncias sociais. Evidencia o papel de centralidade que pode e deve ser assumido pela universidade, enquanto uma das instituições formadoras dos futuros profissionais que irão atuar em posições estratégicas de todas as instâncias da rede. Alguns autores consideram que para um melhor entendimento sobre a essência das ações de responsabilidade social devem ser considerados três elementos básicos: os valores, as ações e as relações que se estabelecem, estando neste tripé a essência da RS “[...]os valores serão éticos, morais, ou culturais; as ações serão dirigidas para algum grupo comunitário, ou social mais amplo, e as relações deverão ser com os stakeholders” (MORETTI; FIGUEIREDO, 2007). 74 Outros autores consideram que, para uma empresa, instituição ou organização ser socialmente responsável é preciso levar em conta os princípios éticos e os valores morais inseridos num abrangente conceito de cultura, considerando a economia global em que desenvolvem suas atividades. Ashley (2003) coloca que essas responsabilidades éticas correspondem a valores morais específicos e dizem respeito a crenças pessoais sobre comportamentos eticamente corretos ou não, tanto por parte do próprio indivíduo, quanto com relação aos outros. Com base nos diferentes conceitos de RS pesquisados, entende-se que sob o aspecto ético, os autores sinalizam que a Responsabilidade Social Universitária deve pautar as atividades e ações acadêmicas e administrativas de forma a promover valores e comportamentos morais universalmente aceitos, no que diz respeito aos direitos de cidadania, ao desenvolvimento econômico, à preservação do meio ambiente com foco na questão da sustentabilidade. Observa-se que o mundo de competitividade acirrada e globalizado tem exigido das organizações uma postura cada vez mais ética e responsável em suas ações, diante do contexto sociocultural em que se inserem e caso desejarem fazer parte da economia global. Vários autores sinalizam para o entendimento da dinâmica da responsabilidade social e da ética como um aspecto decisivo para a consolidação das práticas e do debate sobre esta temática no mundo das instituições e das relações sociais, haja vista que a motivação de uma empresa ou organização para a prática da responsabilidade social pode ter diferentes razões. Entre essas razões, estão as de cunho ideológico, de aumento de produtividade, a busca de uma imagem positiva, por meio da associação da marca aos projetos de cunho social e pelo papel do líder empresarial ou do gestor institucional, atentos as questões sociais e à importância de sua implantação. Em contrapartida, Moretti e Figueiredo (2007) questionam a dimensão atribuída à questão da ‘ética’, presente nos diversos conceitos de responsabilidade social empresarial, quando apontam que o argumento de uma empresa ética parece bastar por si mesmo para justificar as ações de responsabilidade social implantadas. E que, por vezes, o que se pretende é resguardar a imagem de compromisso da organização com a sociedade, sendo esse objetivo maior que a própria ação social. Portanto, os autores apontam para a existência de uma idiossincrasia no processo ético que permeia a Responsabilidade Social Empresarial, distanciando os conceitos mais referendados das práticas que se estabelecem no mundo dos negócios. Diante de tantos questionamentos focados nos conceitos de responsabilidade social 75 empresarial que atribuem à ética como sendo o principal elemento norteador das suas ações, existe outro fato inquestionável a ser considerado na presente avaliação, ressaltado por Silva (2008), que se refere ao inegável papel de protagonistas que as universidades têm ocupado na sociedade ao contribuírem com o desenvolvimento social das nações, pois os inúmeros trabalhos que têm sido realizados e os resultados alcançados por ações de Responsabilidade Social não podem, nem devem ser negligenciados. Os inúmeros conceitos existentes de responsabilidade social causam, atualmente, grande discussão devido às divergências que se configuram entre a teoria e a prática. Mas, apesar de várias empresas se intitularem como socialmente responsáveis, muito há que se questionar. Um dos grandes impasses a serem superados está na questão da definição de indicadores que permitam traçar um perfil sobre o desempenho social de uma organização, pois o modo como essas ações são avaliadas e divulgadas tem sido alvo de inúmeros questionamentos, exigindo estudos e análises mais aprofundadas que possam representar a realidade do estado da arte da responsabilidade social que se configura no cenário brasileiro. Segundo o entendimento de alguns autores para que uma instituição seja considerada socialmente responsável é preciso ir além do cumprimento integral das obrigações jurídicas. É preciso investir no capital humano, no meio ambiente e nas relações com as partes interessadas, não se tratando apenas de uma ação filantrópica ou assistencialista. No caso específico da responsabilidade social universitária, parte-se do princípio de que as atividades desenvolvidas na Extensão universitária podem e devem beneficiar, não somente o públicoalvo, mas também os estudantes que atuam à frente dessas ações, sendo possível ofertar-lhes uma formação complementar e diferenciada. E, neste cenário de mudanças globais, por mais questionamentos que haja sobre as práticas de responsabilidade social, é visível a consciência de parte dos empresários e gestores públicos de que a sua atuação junto à sociedade é determinante para a existência consciente das organizações e instituições. As lideranças governamentais e alguns gestores passaram a perceber, recentemente, que não há como desvincular a educação superior deste processo, uma vez que a universidade é uma das instituições onde são formados os futuros profissionais que irão ocupar as posições estratégicas em todas as instâncias sociais. Nesse contexto, é preciso considerar a importância do papel social da universidade e a sua influência sobre as empresas e demais organizações, enquanto uma das instituições promotoras de mudanças, por meio do desenvolvimento intelectual do ser humano. É pois, necessário reconhecer que muita coisa séria tem sido feita neste meio e que qualquer projeto que se desenvolva no âmbito da responsabilidade social universitária, seja de foco no público 76 interno ou externo, precisa ser considerado como mais um meio de educar o indivíduo para a cidadania, sem o qual, ele próprio se vê desprovido das condições básicas de convivência na sociedade e de uma atuação diferenciada no mercado de trabalho. Entende-se que a expressão ‘Responsabilidade Social’ passou a se destacar em função da idéia do compromisso e do papel social assumido pelas diversas instituições sociais. Tal fato tem causado impacto também nas universidades brasileiras, uma vez que, no âmbito acadêmico, tradicionalmente se fala e se questiona muito sobre o compromisso e o real papel social da instituição. Assim sendo, torna-se perceptível que o uso da expressão ‘Responsabilidade Social’ no meio acadêmico não significa meramente uma mudança de terminologia, mas um novo enfoque político e legal, que vem acompanhado do abandono de certas expectativas. Essas expectativas já não fazem mais sentido no atual contexto das esferas universitárias e se referem à consciência do papel da educação superior na formação de futuros profissionais/cidadãos que devem aprender, cada vez mais, realizar intervenções socioambientais sendo capazes de contribuir no processo de inclusão social e de sustentabilidade. Por meio da explicitação de diferentes visões e conceitos de responsabilidade social não se pretende assumir ou defender posicionamentos sobre qual seria a definição mais apropriada ou sobre a veracidade do que se divulga neste campo. O que se visa demonstrar, além das diferentes definições existentes e das inúmeras discussões que circundam o tema da responsabilidade social, é a importância e o papel de centralidade que a responsabilidade social universitária pode e deve assumir nas relações estabelecidas com as diferentes instâncias sociais. E, principalmente, os reflexos causados sobre os atores que participam diretamente das ações de RS que se configuram no trabalho extensionista. Para embasar a presente contextualização, foram utilizadas diferentes abordagens e teorias realizadas por vários autores em que o modelo de rede, apresentado na figura 05, representa a relação de interdependência estabelecida entre as diferentes instâncias sociais, atribuindo à responsabilidade social, focada nas questões socioambientais, a posição central. O modelo de rede proposto contempla os três pilares da sustentabilidade que visam garantir o alcance do desenvolvimento sustentável. Baseia-se nos três critérios primordiais a serem cumpridos, simultaneamente, são eles: o pilar social – representado pela equidade social; o pilar ambiental – representado pela prudência ecológica e o pilar financeiro – representado pela eficiência econômica. Cabe ressaltar que nessa rede os três pilares devem ser mantidos presentes na teia relacional de forma equilibrada e igualitária, a fim de que se 77 possa atender aos interesses e às necessidades dos diferentes atores que compõem toda a teia de relacionamentos. E, com base nas abordagens apresentadas objetivou-se explicitar que o alcance do desenvolvimento sustentável exige a manutenção de determinadas condições, apresentadas na figura 05. ESTADO PILAR SOCIAL: equidade social Ações de RS focadas nas questões socioambientais SOCIEDADE PILAR AMBIENT AL: AMBIENTAL: prudência ecoló ecológica EMPRESA PILAR FINANCEIRO: eficiência econômica Silva, 2010 Figura 05 – MODELO DE REDE: Ações de RS, focadas nas questões socioambientais, que funcionam como o núcleo da relação de interdependência estabelecida entre Estado, sociedade e empresa, considerando o equilíbrio a ser mantido entre os três pilares da sustentabilidade Fonte: Elaborado pela Autora (2010) E assim, conforme preconiza a “teoria dos três pilares”, as dimensões essenciais às quais todas as organizações humanas devem estar atentas são: a econômica, a ambiental e a social, devendo as mesmas co-existirem de forma harmoniosa e equilibrada. Não cabendo, por exemplo, manter os interesses financeiros à frente dos interesses sociais e ambientais, assim como, não será produtivo para a rede supervalorizar os interesses e as necessidades socioambientais, desqualificando a importância da eficiência econômica. Portanto, entende-se que a presente proposta expõe dois desafios a serem vencidos: o primeiro deles está na adoção de medidas de captação, por parte das diferentes instâncias sociais, de profissionais especializados em ações de responsabilidade social, focadas nas questões socioambientais. O segundo desafio está na alocação de profissionais capacitados para promover a inclusão e na manutenção equilibrada dos três pilares da sustentabilidade. Porém, acredita-se que a consciência sobre a importância desta questão, repassada na formação universitária, será um dos fatores motivadores que impulsionará as diferentes instâncias sociais, rumo à busca desses profissionais. E assim, os conceitos de responsabilidade social e a noção da importância da 78 sustentabilidade, visando o alcance do desenvolvimento sustentável, trazem um novo desafio a ser encarado pelas universidades e demais instituições educacionais. Através da explicitação da relação de interdependência estabelecida entre a responsabilidade social com as diferentes instâncias sociais e das inúmeras contextualizações que circundam este tema, conceituado como atual e urgente, pretende-se demonstrar a importância da responsabilidade social e do papel de centralidade que ela vem assumindo na rede de relacionamentos, ora contextualizada, considerando o equilíbrio que deve ser mantido entre os três pilares da sustentabilidade, em busca do desenvolvimento sustentável. Com base nesta abordagem, foi construído o primeiro modelo relacional, demonstrado na figura 06, que representa esquematicamente a relação de interdependência mantida entre a responsabilidade social, Estado, sociedade, empresa e meio ambiente. Esta contextualização compôs a primeira seção da presente Revisão da Literatura, em que foram retratadas a origem, o contexto social e as conceituações de responsabilidade social. Observa-se que nesta rede de relacionamentos, a responsabilidade social ocupa a posição central, representada por profissionais especializados, que podem e devem atuar em todas as instâncias sociais. Figura 06 – MODELO RELACIONAL I: Ações de RS que funcionam como o núcleo da relação de interdependência estabelecida entre Estado, sociedade, empresa e meio ambiente Fonte: Elaborado pela autora (2010) A segunda seção deste capítulo retrata o Sistema de Educação Superior e o papel social da Universidade, enquanto instituição formadora de cidadania, em que são apresentadas diferentes abordagens sobre a função social da universidade. E assim, a universidade foi acrescentada na rede de relacionamentos contextualizada inicialmente. 79 Logo, a figura 07 apresenta, o segundo modelo relacional proposto na presente pesquisa que representa a relação de interdependência estabelecida entre a responsabilidade social, Estado, sociedade, empresa e meio ambiente. Neste modelo relacional é acrescida a universidade e a RS é mantida na posição central. Figura 07 – MODELO RELACIONAL II: Ações de RS que funcionam como o núcleo da relação de interdependência estabelecida entre Estado, sociedade, empresa, meio ambiente e universidade Fonte: Elaborado pela autora (2010) Com base nas contextualizações apresentadas na terceira e quarta seção deste capítulo, em que foram retratadas a base legal, origem, papel social, importância, aplicabilidades, princípios e valores da RSU e da Extensão Universitária, objetivou-se ampliar a visão que se tem sobre o papel social da universidade e produzir um olhar diferenciado com relação à interface estabelecida entre a Extensão Universitária e a RSU, considerando a possibilidade da realização de futuros estudos que visem identificar o estado da arte das ações de RSU, desenvolvidas nas diversas universidades públicas. Assim sendo, a figura 08 apresenta a representação esquemática conclusiva, representada pelo terceiro modelo relacional, que visa demonstrar a amplitude da relação de interdependência estabelecida entre a responsabilidade social universitária, Estado, sociedade, empresa e meio ambiente. E, de acordo com a contextualização apresentada, a RSU dos Programas e Projetos de Extensão (PPE), desenvolvidos nas universidades pode e deve ocupar a posição de centralidade, no momento em que as universidades atuam como uma das instituições sociais que capacitam e contribuem para a oferta da formação dos profissionais/cidadãos que irão atuar nas posições estratégicas de todas as instâncias dessa rede de relacionamentos. Entende-se que esse modelo define e representa todo o conteúdo bibliográfico 80 apresentado, servindo para complementar as análises anteriores que representam esquematicamente o desencadear das relações de interdependência estabelecidas entre a responsabilidade social e as diferentes instâncias sociais, demonstradas nas figuras 06 e 07. Figura 08 – MODELO III: Ações de RSU, desenvolvidas pelos Programas e Projetos de Extensão das universidades que funcionam como o núcleo da relação de interdependência estabelecida entre Estado, sociedade, empresa e meio ambiente Fonte: Elaborado pela autora (2010) Com base na pesquisa bibliográfica realizada, observa-se que após três décadas do surgimento da responsabilidade social, tanto no mundo dos negócios quanto na esfera universitária, este conceito ainda encontra-se em processo de consolidação, levando estudiosos a procurar definições que melhor descrevam suas funcionalidades e aplicações, considerando ainda as atividades empresariais e educacionais e, principalmente, as especificidades de cada instituição. Essa realidade tem gerado muitos questionamentos no âmbito das universidades públicas, com relação ao seu papel social, enquanto uma das instituições responsáveis pela produção do conhecimento e pela formação acadêmica de profissionais que irão atuar em todas as instâncias sociais. E, segundo os autores pesquisados, a universidade deve desenvolver a formação cidadã naturalmente, como ação intrínseca de suas funções, pois somente assim estará estimulando, o progresso social. Mesmo sabendo que, evidentemente, não se esgota no campo de atuação das ações de RS desenvolvidas na Extensão Universitária, a possibilidade da oferta de uma formação ética e cidadã, aliada aos conhecimentos técnicos científicos. 81 3 METODOLOGIA Este capítulo aborda a metodologia adotada na presente pesquisa ao apresentar seus objetivos e classificação que, segundo Vergara (2006), se distingue, quanto aos fins, como exploratória e descritiva e, quanto aos meios, como bibliográfica, documental e pesquisa de campo. Trata-se de um Estudo de Caso, segundo Yin (2001), sobre os Programas e Projetos de Extensão que desenvolvem ações de RS, coordenados pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense (PROEX/UFF). 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA Quanto aos fins, segundo Vergara (2006), a presente pesquisa classifica-se como exploratória, pois embora a PROEX seja um órgão de uma Instituição Federal de Ensino Superior, com tradição e alvo de pesquisas em diversas áreas do conhecimento, não se verificou estudos que abordem os impactos e desdobramentos das atividades de Extensão, focadas em ações de Responsabilidade Social. É também um estudo descritivo, porque levanta as principais características dos Programas e Projetos de Extensão da PROEX/UFF e relata os reflexos causados sobre os estudantes que desenvolvem as ações de Responsabilidade Social. Quanto aos meios de investigação, classifica-se como bibliográfica. Sua fundamentação teórica se baseou em fontes e temas que se correlacionam com a questão central deste estudo, considerando as visões de diversos autores. É de teor documental, uma vez que foram utilizados dados extraídos de documentos de trâmites internos à PROEX / UFF que serviram para proporcionar maiores detalhes sobre o processo de cadastramento, acompanhamento e registro dos Projetos de Extensão pesquisados. Trata-se de um Estudo de Caso que, segundo Vergara (2006, p.48), é o circunscrito de uma ou poucas unidades, entendidas essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão público, comunidade ou mesmo país. Para Yin (2001, p. 35) "o Estudo de Casos, como outras estratégias de pesquisa, representa uma maneira de se investigar um tópico empírico seguindo-se um conjunto de procedimentos pré-especificados". O autor cita que o Estudo de Caso, comparativamente ao método histórico, possui a vantagem de poder lidar com uma variedade maior de evidências e 82 o conceitua da seguinte maneira "o Estudo de Caso é apenas uma das muitas maneiras de se fazer pesquisa em ciências sociais" (YIN, 2001, p. 19). Assim sendo, pretendeu-se realizar um estudo mais detalhado sobre as ações de Responsabilidade Social Universitária, desenvolvidas em Programas e Projetos, coordenados pela Pró-Reitoria de Extensão de uma Instituição Federal de Ensino Superior. Quanto à abordagem, esta pesquisa classifica-se como qualiquantitativa, pois os resultados encontrados focam interesses mais amplos, cabendo ressaltar que algumas questões foram definidas na medida em que o estudo foi se desenvolvendo, em que buscou-se compreender a realidade, segundo a visão dos principais sujeitos envolvidos. 3.2 AMOSTRAGEM O estudo teve como referência inicial cerca de 440 Projetos de Extensão, cadastrados no ano de 2010, em que foram selecionados 180 projetos inseridos nos critérios previamente definidos, de acordo com os objetivos da pesquisa. Deste grupo foram enviados emails para 56 coordenadores dos Programas e Projetos de Extensão, sendo que 20 responderam o questionário enviado, correspondendo cerca de 36% da população de projetos contactados. Considera-se oportuno explicitar que não caberia considerar a população total dos projetos cadastrados, porque nem todos realizam ações de responsabilidade social. E, conforme sinalizam Lakatos e Marconi (1999, p. 43), para colher informações sobre um determinado tema referente a um universo numeroso de dados torna-se praticamente impossível fazer um levantamento do todo, surgindo assim a necessidade de investigar apenas uma parte deste universo. Logo, segundo os autores a amostragem permite escolher uma parte representativa do todo. Durante a seleção dos projetos que se pretendia pesquisar, foi preciso levantar suas principais características, para só então definir quais deles fariam parte da população amostral. Desta forma, este estudo utilizou a amostragem não probabilista, pois segundo definição de Marconi e Lakatos (1999, p.44 e 55), durante o processo de escolha da amostra, não foram aplicadas fórmulas estatísticas, tendo-se utilizado o critério da acessibilidade, uma vez que dos 56 questionários enviados, 20 coordenadores responderam. Desse grupo, dezessete retornaram por email, e três agendaram encontros para responder pessoalmente os questionários e disponibilizar os contatos dos estudantes. 83 3.2.1 Especificação da Amostra Seguem os critérios adotados para a escolha dos 180 Programas e Projetos de Extensão que compuseram a população amostral do presente Estudo de Caso: a) Projetos coordenados apenas por professores da UFF; b) Projetos que contam com a participação de estudantes, os principais sujeitos da pesquisa; c) Projetos que prestam serviços gratuitos ou que adotam a cobrança de taxas simbólicas; d) Projetos com foco no processo de inclusão social ou de preservação ambiental, pois estas são duas dimensões fundamentais na Responsabilidade Social, preconizadas pela Teoria do Triple Botton Line; e) Projetos cujas ações não se resumem na realização de eventos tais como: semanas acadêmicas e científicas, seminários, palestras, congressos, etc. A tabela 01 apresenta a distribuição da população dos projetos cadastrados em 2010 na PROEX/UFF em relação à população dos projetos selecionados, distribuídos por área de atuação, e segundo os critérios definidos de acordo com o enfoque da presente pesquisa. Ressalta-se que a população dos projetos selecionados corresponde a 41% da população dos projetos cadastrados. Tabela 01 - Distribuição das populações de projetos cadastrados em 2010 e selecionados de acordo com os critérios adotados ÁREA DE ATUAÇÃO POPULAÇÃO PROJETOS CADASTRADOS VALOR RELATIVO VALOR ABSOLUTO POPULAÇÃO PROJETOS SELECIONADOS VALOR RELATIVO VALOR ABSOLUTO SÁUDE 35% 153 42,5% 65 CULTURA 10% 44 41% 18 EDUCAÇÃO 31% 137 44,5% 61 M. AMBIENTE 5,2% 23 30,4% 07 COMUNICAÇÃO 5,7% 25 30,4% 07 TRABALHO 3,9% 17 29,4% 05 TEC. E PRODUÇÃO 4,5% 20 15% 03 DIREITOS 4,7% 21 67% 14 HUMANOS E JUSTIÇA TOTAL: 100% 440 41% 180 Fonte: Listagem de Ações de Extensão cadastradas no SIGPROJ / ano 2010 (Relatório emitido em 10/06/2010) - adaptado A tabela 02 apresenta a distribuição da população dos projetos selecionados e contactados, distribuídos por área de atuação, em relação à amostra utilizada, representada 84 pela quantidade de projetos pesquisados. Conforme consta na referida tabela, a população dos projetos contactados representa 31% com relação à população dos projetos selecionados e a amostra utilizada na pesquisa de campo, representa 36% dos projetos contactados. Tabela 02 - Distribuição das populações de projetos selecionados e contactados, em relação à amostra de projetos pesquisados ÁREA DE ATUAÇÃO POPULAÇÃO PROJETOS SELECIONADOS VALOR RELATIVO SÁUDE 42,5% CULTURA 41% EDUCAÇÃO 44,5% M. AMBIENTE 30,4% COMUNICAÇÃO 30,4% TRABALHO 29,4% TEC. E PRODUÇÃO 15% DIREITOS 67% HUMANOS E JUSTIÇA TOTAL: 41% Fonte: Elaborado pela Autora (2010) POPULAÇÃO PROJETOS CONTACTADOS AMOSTRA PROJETOS PESQUISADOS VALOR ABSOLUTO VALOR RELATIVO VALOR ABSOLUTO VALOR RELATIVO VALOR ABSOLUTO 65 18 61 07 07 05 03 14 21,5% 11% 31% 85,7% 28,5% 80% 33,3% 57% 14 02 19 06 02 04 01 08 21,4% *** 47,3% 67% 50% 50% *** 12,5% 3 *** 9 4 1 2 *** 1 180 31% 56 36% 20 A tabela 03 apresenta a distribuição da população de coordenadores e estudantes que atuam nos Programas e Projetos de Extensão pesquisados, em relação à amostra utilizada, representada pela quantidade de coordenadores e estudantes que responderam os questionários e participaram das entrevistas. Tabela 03 - Distribuição da população que atua nos projetos pesquisados, em relação à amostra de coordenadores e estudantes pesquisados POPULAÇÃO TOTAL AMOSTRA RESPONDENTES QUESTIONÁRIOS AMOSTRA ENTREVISTADOS VALOR VALOR RELATIVO ABSOLUTO VALOR RELATIVO VALOR ABSOLUTO VALOR RELATIVO VALOR ABSOLUTO COORDENADORES 100% 20 100% 20 40% 08 ESTUDANTES 100% 230 32% 74 13,5% 31 Fonte: Elaborado pela Autora (2010) Cabe explicitar que as entrevistas realizadas contaram ainda com a participação de 03 (três) gestores e 03 (três) técnicos, pertencentes às diferentes áreas do conhecimento que atuam nos Programas e Projetos de Extensão pesquisados, perfazendo um total de 45 pessoas 85 entrevistadas. Nesta etapa da pesquisa buscou-se levantar maiores detalhes sobre as atividades desenvolvidas nos projetos e tirar algumas dúvidas sobre as informações prestadas por escrito, nos questionários aplicados anteriormente. O Quadro 06 apresenta os 20 Programas e Projetos de Extensão pesquisados, distribuídos por áreas de atuação. Estes projetos foram extraídos do universo dos 56 projetos contactados, como já foi explicitado, tendo sido os mesmos previamente selecionados de acordo com os critérios já explicitados na especificação da amostra. Cabe ressaltar que dentre os projetos pesquisados, 03 da área de Educação e 01 da área de Direitos Humanos e Justiça possuem vertente voltada para a área de meio ambiente, conforme informação fornecida pelos próprios coordenadores. ÁREA DE ATUAÇÃO SAÚDE EDUCAÇÃO COMUNICAÇÃO TRABALHO MEIO AMBIENTE DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA PROGRAMAS E PROJETOS DE EXTENSÃO - Grupo de Estudo e Apoio ao Doente Celíaco – GEAC; - Enfermagem na Atenção à Saúde do Idoso e seus CuidadoresEASIC; - Atenção à Saúde Bucal de Pessoas com Necessidades Especiais - Escola de Inclusão; - Educação Inclusiva e a formação do professor de Física; - Desenvolvimento de Atividades para Ampliação do Acervo Didático do Laboratório de Ensino de Geometria do Instituto de Matemática; - Pré Universitário Oficina do Saber; - Curso Pré Universitário Popular da UFF; - Inclusão Social de Alunos com Necessidades Educacionais Especiais; - Aprendendo e ensinando com as plantas (*); - Instrumentalização e Contextualização para o Ensino de Ciências (*); - Adote uma Árvore: Estratégia para reposição/composição de mata ciliar em Santo Antônio de Pádua (*) - Rádio Pop Goiaba – UFF - Economia Solidária: Feira de Trocas em Niterói - Reabilitação Humana, trabalho e inserção social: uma análise das “deficiências” a partir do dispositivo passe livre em Niterói - LIXO TECNOLÓGICO: Recuperação e Reaproveitamento de seus componentes; - Gestão de Resíduos Químicos no Instituto de Química da UFF - Coleta Seletiva de Lixo; - Resíduos & Memória - Madeira de Lei (*) Quadro 06 – Programas e Projetos de Extensão pesquisados Fonte: Elaborado pela Autora (2010) (*) Projetos com vertente voltada para a área de Meio Ambiente 86 3.3 MÉTODOS E INSTRUMENTOS DE PESQUISA A opção pelos instrumentos de investigação ocorreu durante a etapa do planejamento da pesquisa, momento em que se definiu pela utilização de questionários e entrevistas, direcionados aos atores que atuam diretamente nos Programas e Projetos de Extensão pesquisados. Nas visitas a PROEX objetivou-se realizar o levantamento dos dados específicos sobre todo o aparato técnico-administrativo que envolve o cadastramento, acompanhamento e registro dos Programas e Projetos de Extensão, por meio do acesso aos documentos oficiais e relatórios da PROEX/UFF. Nesse momento, foram colhidos relatos de experiências e opiniões sobre as várias questões que vão além dos dados oficiais, contidos na documentação disponibilizada, conforme descrição apresentada na análise dos dados coletados. Para efeito de minimização do tempo, os questionários direcionados aos coordenadores e estudantes foram encaminhados por email, tendo sido apenas 15% deles preenchidos no papel. Esses questionários foram acompanhados pelas respectivas cartas de apresentação, visando apresentar o tema e o objetivo da pesquisa (Ver Apêndices A e B). Optou-se pela utilização dos questionários semi-estruturados, com perguntas fechadas e abertas, aplicados aos coordenadores e estudantes que participam das atividades pesquisadas (Ver Apêndices C e D). As perguntas foram estruturadas visando colher as principais características dos projetos (público alvo, objetivos, atividades desenvolvidas e resultados alcançados); a definição das ações desenvolvidas, tomando por base o conceito de RS do INEP e os reflexos causados sobre os estudantes que participam dessas ações extensionistas. As respostas às perguntas fechadas foram apresentadas percentualmente através de gráficos. As respostas às perguntas abertas foram analisadas com base no referencial teórico utilizado, tendo sido algumas delas transcritas. Cabe ressaltar que os questionários foram submetidos a testes prévios que antecederam a sua aplicação, em que foi solicitada a apreciação e o julgamento de três coordenadores dos Projetos de Extensão, sendo eles de reconhecida competência na sistematização do trabalho extensionista. Objetivou-se a realização de avaliação e correção não só do conteúdo, mas também do formato em que foram elaborados. Vergara (2006, p.56) indica que questionários devem ser submetidos aos seus apreciadores para que se façam as devidas correções e, em seguida, lhes solicite, novamente, o julgamento do questionário reformulado. A entrevista, segundo Marconi e Lakatos (1999, p.95), é um importante instrumento 87 de trabalho nos vários campos das ciências sociais, tendo como objetivo principal a obtenção de informações, por meio do entrevistado, sobre determinado assunto ou problema. As entrevistas realizadas deram liberdade aos entrevistados de expor suas idéias sobre as questões levantadas. Houve um roteiro de tópicos estabelecidos de acordo com a proposta dos indicadores de medição da Responsabilidade Social, fixados pelo SINAES (Ver Apêndice E). Na construção do referido roteiro foram priorizadas as questões da formação, imagem da IES e divulgação interna e externa dos resultados alcançados, bem como seus impactos e desdobramentos a formação, visando responder os objetivos e as questões da presente pesquisa e com base na abordagem de Vallaeys (2006) que caracteriza a atividade extensionista, desenvolvida nas IFES, como ações desarticuladas, sem perspectiva institucional integradora, apresentando-se como iniciativas e interesses de grupos restritos. Logo, cabe reforçar que os dados obtidos na pesquisa de campo consideraram a ótica dos coordenadores dos projetos e, principalmente, dos próprios estudantes foram, sendo resultantes de um processo de auto-avaliação, em que os atores que participam diretamente das ações de responsabilidade social, foram levados a refletir e expor suas percepções sobre as questões levantadas durante a aplicação dos questionários e realização das entrevistas. 3.4 ETAPAS DA PESQUISA Segundo Vergara (2006, p.54), a coleta de dados deve responder ao problema de pesquisa e os dados podem ser coletados por meio de técnicas interativas diversas como, por exemplo, segundo a visão dos sujeitos da pesquisa ou por outros meios que permitam visualizar a situação problema. Assim sendo, o quadro 07 apresenta a definição dos objetos, sujeitos, ações e objetivos de cada etapa da presente pesquisa. ETAPAS 1ª OBJETOS Fontes bibliográficas; SUJEITOS Autores referendados AÇÕES OBJETIVOS Levantamento bibliográfico; Definição dos objetivos, delimitação, hipóteses e importância da pesquisa; Construção da Revisão da Literatura; Definição da metodologia adotada Identificar autores que dão base e fundamentam às hipóteses levantadas que propiciarão o alcance dos objetivos da pesquisa; apresentar um referencial teórico bem elaborado e coerente com a proposta da pesquisa continua 88 continuação OBJETOS 2ª PROEX Relatórios e documentos oficiais da PROEX Coordenadores e Técnicos PROEX Realização da pesquisa documental; Coleta de relatos Realização de entrevistas Coletar dados para identificar o processo de cadastro, acompanhamento e registro dos PPE 3ª Programas e Projetos de Extensão (PPE) Coordenadores dos PPE Aplicação de questionários; Coleta dos resultados Obtenção dos emails dos estudantes Levantar o estado da arte das ações de RSU da UFF, ao identificar suas principais características e resultados, além dos impactos causados sobre os estudantes 4° Programas e Projetos de Extensão (PPE) Estudantes universitários que participam dos PPE Aplicação de questionários; Coleta e organização dos resultados Pesquisar a visão dos estudantes sobre os impactos e importância dos PPE 5ª Programas e Projetos de Extensão (PPE) Coordenadores e Estudantes que participam dos PPE Realização de entrevistas; Aplicação dos indicadores de medição da RSU; Utilização do processo de observação e análise; Levantamento das questões da pesquisa; Coleta e organização dos resultados Pesquisar sobre os processos de formação, reconhecimento, divulgação, gestão e apoio institucional às ações de RS; Observar de perto os reflexos causados sobre os estudantes com base nos indicadores propostos 6ª Programas e Projetos de Extensão (PPE) Autores referendados; Técnicos, Coordenadores e Gestores da PROEX; Coordenadores e estudantes dos PPE Organização e sistematização dos dados coletados; Avaliar e apresentar os resultados alcançados; Redigir as considerações finais com base no referencial teórico e na análise dos dados coletados Quadro 07 - Etapas da Pesquisa Fonte: Elaborado pela Autora (2010) SUJEITOS AÇÕES OBJETIVOS ETAPAS 89 4 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO: A PRÓ REITORIA DE EXTENSÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Este capítulo apresenta as características da Pró-Reitoria de Extensão da UFF, órgão responsável pela coordenação dos Programas e Projetos de Extensão pesquisados. Descreve sua infra-estrutura, missão e composição, para que se possa conhecer em que contexto é desenvolvido o trabalho extensionista a que se refere o presente Estudo de Caso. Apresenta um quadro que relaciona algumas ações de Extensão cadastradas, junto a PROEX/UFF, nos últimos cinco anos, visando demonstrar a abrangência destes trabalhos. Por último, faz uma breve abordagem sobre o processo de cadastramento e concessão das bolsas de Extensão da PROEX/UFF. Cabe ressaltar que parte dos dados apresentados neste capítulo encontra-se disponibilizada no site da PROEX e serve para demonstrar a importância e a dimensão do trabalho extensionista gerido pela UFF. A UFF possui, em sua infra-estrutura administrativa, vários setores, dentre eles, encontra-se a PROEX, órgão que coordena os Projetos de Extensão pesquisados. Os órgãos Executivos da UFF são a Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos; o Departamento de Administração Escolar; a Coordenadoria de Seleção Acadêmica; a Pró-Reitoria de Planejamento; a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós Graduação e Inovação e a Pró-Reitoria de Extensão. Segue a descrição das Pró-Reitorias: a) Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROAC) - funciona como um órgão de atividade meio. Desenvolve ações que viabilizam a discussão e construção dos projetos político-pedagógicos dos Cursos de Graduação; b) Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAN) - órgão central de planejamento e administração que desenvolve e coordena as atividades administrativas, programação orçamentária, execução de serviços gerais e de pessoal; c) Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PROPPi) - suas principais atribuições são: propor diretrizes e executar as políticas de pesquisa, pós-graduação, capacitação docente e técnica e cooperação externa; d) Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) - coordena atividades de integração com a comunidade de Niterói e dos municípios de dentro e fora do Estado do Rio de Janeiro, através da interiorização. É responsável por articular e coordenar as atividades de extensão de diversos setores da Universidade através de programas, projetos, prestação de serviços, atividades culturais, cursos, eventos, etc. Além disso, abre espaço para o diálogo 90 entre Universidade e sociedade, trazendo questões a serem pensadas, conhecendo e acompanhando de forma interativa as produções da comunidade, reduzindo distâncias através do fazer extensionista. As Pró-Reitorias de Extensão das universidades tratam dos projetos aplicados, vinculados tanto à Pós Graduação quanto à Graduação e, em muitos casos, não vinculados ao ensino. No caso específico da UFF existe uma forte tradição extensionista, cuja Pró-Reitora de Extensão (PROEX) foi institucionalizada há quase 38 anos e se mantém vinculada as comunidades em que os conhecimentos universitários permitem o abrandamento das dificuldades sociais. A extensão universitária é a forma de articulação entre universidade e sociedade por meio de diversas ações. Como o próprio nome já diz, é estender a universidade para além dos seus muros, interagindo com a comunidade, visando à troca de saberes, pois acredita-se que só assim se constrói uma universidade pública de qualidade. “A Extensão Universitária é o processo educativo, cultural e científico que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre a Universidade e a Sociedade. " (FÓRUM NACIONAL DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO , 2008).. A política extensionista se estabelece a partir do Plano Nacional de Extensão, formulada pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, cujas diretrizes devem estar presentes em todas as ações de Extensão e que podem ser expressas em quatro eixos: impacto e transformação; interação dialógica; interdisciplinaridade e indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão. Para organização e construção de sua política, a PROEX utiliza a interação entre Ensino e Pesquisa baseada nos seguintes cenários: a) identificação e participação em editais para financiamento de programas e projetos de órgãos e agências de fomento dos governos federal, estadual e municipal, atuando junto aos ministérios, prefeituras e secretarias de governo; b) participação em editais para atividades de extensão financiadas por empresas estatais, privadas ou de economia mista; c) internamente, busca a articulação permanente com o Gabinete do Reitor, Pró-Reitorias e Superintendências, Unidades acadêmicas, Pólos e Núcleos de Extensão, dentre outros (http://www.proex.uff.br. Acesso em: 05/01/2010). Além das diretrizes do Fórum Nacional de Extensão, a política de extensão da UFF desenvolve-se em consonância com o Plano Nacional de Extensão Universitária, 91 especialmente no que se refere à interação com a comunidade, visando à inserção social e econômica dos segmentos populacionais historicamente excluídos do processo de desenvolvimento do país. Neste sentido, a PROEX, atua como espaço técnico, político e pedagógico, tendo como objetivos: a) Estimular, junto aos departamentos de ensino/setores da UFF, ações extensionistas que articulem o ensino e a pesquisa, conforme o interesse e as necessidades da comunidade; b) Gerenciar os dados das Ações Extensionistas utilizando a estratégia de cadastro, acompanhamento e avaliação; c) Incentivar a participação dos alunos com o objetivo de contribuir para formação de profissionais com consciência social e política, uma vez que o processo de aprendizado não se restringe à sala de aula; d) Fomentar a participação de alunos nas ações de extensão através do Programa de Bolsa de Extensão; e) Fortalecer a troca de saberes entre os atores envolvidos, nas ações extensionistas, buscando a construção de novos saberes de forma coletiva; f) Contribuir para reformulação nas concepções e práticas curriculares; g) Promover atividades que propiciem a aproximação da Pró-reitoria com as Unidades e Pólos do interior do Estado; h) Coordenar o Campus Avançado na cidade de Oriximiná / Pará, na Região da Amazônia Legal, com o objetivo de desenvolver ações extensionistas; i) Manter um Centro para produção e difusão da diversidade artístico cultural (http://www.proex.uff.br. Acesso em: 05/01/2010). A PROEX presta serviço à comunidade através dos seguintes setores: • Farmácia universitária (FAU) – atende a população dos ambulatórios do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) e quaisquer receitas provenientes do serviço público da cidade de Niterói e adjacências; • Programa de Línguas Estrangeiras Modernas (PROLEM) – curso de línguas estrangeiras que tem como objetivos desenvolver o ensino de idiomas e culturas estrangeiras; • Centro de Assistência Jurídica da UFF (CAJUF) - presta ampla Assistência Jurídica para a população carente, a terceira idade e ao vestibular social; 92 • Centro de Controle de Intoxicações – atua com pacientes intoxicados, fornece informações à comunidade sobre intoxicações, promove a Tóxico farmaco vigilância e participa de Projetos de Cidadania e Ação Social; • Rádio POP GOIABA - criada em 2003, surgiu da necessidade dos artistas de atingirem seu público e da dificuldade que os mesmos encontram para serem veiculados na mídia. A infra-estrutura da PROEX é coordenada por um Pró Reitor de Extensão e é constituída pelos seguintes órgãos de assessoramento: Coordenadoria de Infraestrutura da Extensão (CIAPEX); Coordenadoria de Projetos Institucionais (CPIEX); Coordenadoria de Integração Acadêmica (CIAEX); Coordenadoria Financeira; Coordenadoria de Convênios e Editais; Escola de Extensão; Secretaria Administrativa; Assistente do Pró-Reitor; Núcleo de Tecnologia da PROEX; Centro de Apoio à Extensão (CEAEX); Departamento de Difusão Cultural e UNITEVÊ. Dentro da estrutura da UFF, ainda encontra-se vinculados a PROEX os seguintes setores e/ou órgãos: • Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (NEPHU) - desenvolve trabalhos relativos ao cadastramento sócio-econômico; realiza pesquisas sobre tecnologias apropriadas e não convencionais para uso em sistemas de ajuda mútua; prepara projetos de moradias populares e pesquisas urbanas e sobre metodologia de trabalho e permitam o efetivo envolvimento da população alvo no desenvolvimento de projetos; • DataUff Institucional - mantém grupos de estudo interdisciplinares a fim trocar conhecimentos que possam ser incorporados em suas pesquisas; • Oriximiná - funciona desde 1973, inicialmente sediada em Óbidos/Pará sendo transferida dois anos após para Oriximiná. Visa proporcionar ao estudante universitário oportunidade de treinamento profissional em área geoeconômica diversa do Estado do Rio de Janeiro e leva a essas áreas contribuição organizada para a aceleração do processo de seu desenvolvimento; • Laboratório de Hialotecnia (LabHial) - é responsável pela produção e recuperação de instrumentais vítreos e afins, destinados aos laboratórios de ensino e pesquisa; funciona como campo de estágio e de aulas práticas; desenvolve atividades voltadas 93 para a formação profissional de pessoas da comunidade interna e externa. Objetiva a formação de técnicos especialistas em hialotecnia17; • Laboratório Universitário Rodolpho Albino (LURA) - realiza o controle de qualidade de medicamentos não só para a ANVISA como para outros laboratórios; • UNITEVÊ - é um canal universitário que mantém no ar uma programação diária, no canal de uma televisão a cabo que funciona em Niterói e São Gonçalo. Exibe programas da UFF, gravados e ao vivo, bem como, programas conveniados; • Orquestra Sinfônica Nacional (OSN) - UFF: criada em 1961, durante toda a década de 1960 atuou no sistema oficial de radiodifusão.Realiza concertos quinzenais com entrada franca, no Cine-Arte UFF; • Departamento de Difusão Cultural (DDC) - realiza programas voltados para todas as manifestações artísticas, promove a interação artísticocultural da UFF com a comunidade. Em seu conjunto de espaços, reúne a Galeria de Arte UFF, o Espaço UFF de Fotografia, o Espaço Aberto UFF, o Cine Arte UFF e o Teatro da UFF; • Centro de Estudos de Iniciação Musical (CEIM) - criado em 2002, iniciando suas atividades como curso de iniciação à música. Possibilita a convivência, integração, disciplina e cidadania e prepara o jovem músico para o mercado de trabalho. Possui cerca de 130 alunos e tem como meta a criação da Escola de Música da UFF; • Núcleo de Estudos em Inovação, Conhecimento e Trabalho (NEICT) - surgiu em 1998 com o intuito de construir um referencial teórico pluridisciplinar que permitisse a utilização da inovação, do conhecimento e do trabalho como fio condutor de atividades de pesquisa, ensino e extensão; • Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu - é desenvolvido em uma parceria entre a UFF, o IPAHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e as comunidades jongueiras. Investiga sobre a cultura e a identidade negra e sobre a construção de um projeto coletivo; • Centro de Memória da Extensão da Universidade Federal Fluminense (CEMEX-UFF) - pretende manter o registro das ações desenvolvidas pela PROEX e objetiva contribuir para o acesso à informação e a preservação da sua memória; • Escola de Extensão - criada em 2007, se configura como um espaço de apoio técnico-administrativo, responsável pela divulgação e concretização de atividades extensionistas. Busca resgatar e preservar a História da Extensão na UFF; 17 É o nome dado ao processo de moldagem do vidro. É também considerada como a arte de fabricação de vidraria científica para laboratórios. 94 • Assessoria de Projetos Especiais (APE) - fomenta o intercâmbio entre a universidade e os setores de agropecuária, indústria, comércio e finanças. Cria projetos que indicam soluções e fornece suporte gerencial e administrativo aos projetos prospectados junto a empresas, criados por professores, pesquisadores e alunos (http://www.proex.uff.br. Acesso em: 05/01/2010). Através da exposição de todos os setores que compõem a PROEX é possível observar a abrangência da sua área de atuação e a importância dos trabalhos realizados, bem como o vínculo que muitas das ações desenvolvidas, mantém com a questão da RS, mesmo que este link não seja frequentemente realizado. A pesquisa sobre a infra-estrutura da PROEX/UFF permite visualizar que as ações dos diversos setores existentes auxiliam na aproximação da universidade com o público externo e servem para dar aos estudantes a oportunidade de maior envolvimento com questões socioambientais que podem auxiliar na oferta de uma formação mais ampla. 4.1 PROGRAMAS E PROJETOS DE EXTENSÃO DA PROEX/UFF A PROEX/UFF possui Programas e Projetos de Extensão que atuam vinculados as diversas áreas do conhecimento. Esses trabalhos promovem a interação da universidade e dos estudantes não só com as diferentes comunidades, mas também com as empresas. Logo, por meio dessas ações, a universidade mantém a essência do trabalho extensionista, através da interação universidade/estudante/empresa/sociedade. A fim de que se possa ter noção da amplitude de todo o trabalho realizado pela PROEX/UFF que pressupõe, em determinados casos, o desenvolvimento de ações de RS, foram relacionados alguns Programas e Projetos de Extensão, cadastrados nos últimos anos. A PROEX/UFF denomina esses projetos ou programas de ‘ações de extensão’ e os divide por área, conforme consta no Quadro 08. 95 ÁREA DE ATUAÇÃO NOME DO PROGRAMA OU PROJETO Saúde Saúde Saúde Cultura Cultura Cultura Cultura Educação Educação SOS Mulher/HUAP (Mulheres Vítimas de Violência) Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) Promoção a Saúde do Idoso e Resgate da Cidadania (NEPSI) Antropologia e Vigilância em Saúde Ambiental Um Museu na Casa da Descoberta Projeto Incluir Curso de Formação de Agentes Culturais Populares Alfabetização de Jovens e Adultos Inclusão Social de Crianças com Necessidades Especiais no Contexto Educacional: ações pedagógicas, psicossociais, psicodiagnósticas e terapêuticas Educação Negros e Negras em Movimento: as relações étnico-raciais na escola e o debate sobre a Lei 10.693/2003 Educação Compartilhar Responsabilidades na Educação Inclusiva Educação PROALE: Programa de Alfabetização e Leitura Comunicação Conforto Ambiental Aliado à Eficiência Energética Comunicação Construir fraternidade para transformar a sociedade Comunicação Escola de Inclusão Trabalho Rede de Cooperativas Populares em Economia Solidária: Responsabilidade Ambiental como Meta Trabalho Inclusão sócio-produtiva pela economia solidária Trabalho Segurança do trabalho: meta fundamental para um país desenvolvido Trabalho Programa de Extensão Universitária para a Promoção da Biossegurança em Ambientes Coletivos Meio Ambiente Programa de Educação Ambiental Meio Ambiente LIXO TECNOLÓGICO: recuperação e reaproveitamento de seus componentes Meio Ambiente Recuperação de Cobertura Vegetal de Encosta Meio Ambiente Infâncias Urbanas Desfavorecidas, Educação Ambiental e Sustentabilidade Meio Ambiente Coleta Seletiva de Lixo Tecnologia e Produção Controle Energético – Utilização Racional de Energia Tecnologia e Produção Grupo de Estudos de Produtividade Empresarial Direitos humanos e Justiça Assistência, Cidadania e População de Rua Direitos humanos e Justiça Educação e Trabalho para o Exercício da Cidadania Direitos humanos e Justiça Ética e Cidadania: Ações mais humanas Direitos humanos e Justiça Trabalho social junto ao Juizado da Infância e Adolescência da Comarca de Niterói – SSN Direitos humanos e Justiça Observatório da violência social e intra familiar contra criança e adolescente na área da saúde de Niterói Direitos humanos e Justiça Comunidade e Construção da Cidadania Direitos humanos e Justiça Regularização fundiária sustentável e urbanização do assentamento popular da beira da Lagoa de Piratininga Direitos humanos e Justiça Cidadania, um caminho a seguir Direitos humanos e Justiça Exclusão, Direitos Sociais e Gestão Pública: A Política da Assistência Social em Questão QUADRO 08 - Ações de Extensão da PROEX/UFF Fonte: www.proex.uff.br. Acesso em: 05/01/2010 - Adaptado pela Autora (2010) 4.2 PROCESSO DE CADASTRAMENTO E CONCESSÃO DE BOLSAS DE EXTENSÃO Esta seção apresenta um breve resumo sobre a forma como são operacionalizados os processos de cadastramento, registro e acompanhamento dos Programas e Projetos de 96 Extensão da PROEX/UFF, a fim de proporcionar maior compreensão sobre as avaliações e colocações realizadas por técnicos, gestores, coordenadores e estudantes que participaram da pesquisa de campo. Cabe ressaltar que todo o processo de controle técnico administrativo, coordenado pela PROEX/UFF, se baseia em um aparato legal que inclui Resoluções, Normas e Instruções de Serviço, Editais e formulários que regularizam o cadastramento, acompanhamento e registro oficial das ações de Extensão (Ver Anexo A). A elaboração dessas ações é realizada diretamente pelo coordenador/tutor da proposta, em formulário on-line, constante no Sistema de Informação e Gestão de Projetos (SIGPROJ)18, conforme as normas definidas pela PROEX/UFF. Para cadastrar uma ação de Extensão, o coordenador deve estar vinculado à universidade e ter um cadastro prévio no referido sistema que objetiva auxiliar o planejamento, gestão, avaliação e a publicização de ações de Extensão, projetos de pesquisa, ensino e assuntos estudantis desenvolvidos e executados nas universidades brasileiras. Este sistema permite o acesso a vários dados, assim como o número de Programas e Projetos de Extensão que solicitaram e ganharam bolsas e o número de bolsas solicitadas e concedidas (Ver Anexos B e C). A PROEX produziu um Guia de Cadastramento das ações de Extensão, que apresenta avisos, dicas, informações e o passo a passo do processo de cadastramento das ações de Extensão, visando facilitar a compreensão dos Coordenadores na utilização do SIGPROJ (Ver Anexo D). O Edital de Bolsas de Extensão 2010 dispõe sobre as normas propostas pela Comissão de Bolsa de Extensão, pela Coordenação de Infra-Estrutura da Extensão e pela Câmara Técnica de Extensão. Este documento é designado para os Coordenadores que solicitam bolsas de extensão para estudantes que participam dessas ações. A opção do Fluxo Contínuo destina-se aos coordenadores que não solicitam bolsas para os estudantes. A concessão da bolsa de Extensão visa propiciar, segundo a PROEX, a participação do estudante em programas, projetos, pesquisas e eventos que os interligam com as demandas da sociedade, por meio das atividades de ensino, pesquisa e extensão. A Comissão de Bolsa é composta por doze professores da universidade, consultores e 18 Este sistema está sendo desenvolvido por pesquisadores e alunos de várias universidades brasileiras (formando uma comunidade SIGPROJ) sob a coordenação do Ministério da Educação (MEC). Representa um importante avanço na Institucionalização da Extensão Universitária, pois visa criar uma rede de conhecimento da produção extensionista das IES de âmbito nacional. (http://www.proex.uff.br. Acesso em: 05/01/2010) 97 três técnicos administrativos de nível superior, indicados pelo Pró Reitor de Extensão. Essa comissão avalia as ações de extensão tendo como base os indicadores explicitados no item 6 do Edital de Bolsa de 2010. Através desses indicadores, as ações são avaliadas e pontuadas de acordo com as áreas temáticas. Esse edital é lançado uma vez ao ano, geralmente, entre os meses de novembro e dezembro e se destina aos coordenadores que solicitam bolsas de extensão para os estudantes que atuam nos projetos (Ver Anexo E). Existem setores da PROEX/UFF responsáveis pelo registro e guarda dos resultados alcançados, conforme já foi mencionado anteriormente. O registro das ações de Extensão estabelece o caráter oficial das atividades desenvolvidas, junto à UFF. Essas atividades devem ser fundamentadas e encaminhadas de acordo com uma Instrução de Serviço/PROEX, publicada anualmente, e que regulamenta a elaboração das ações de Extensão, para avaliação pela Câmara Técnica de Extensão, quanto à sua pertinência (Ver Anexo F). 98 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Este capítulo apresenta os resultados alcançados na pesquisa de campo, bem como as discussões dos dados levantados, em que são explicitados os percentuais, seguidos de avaliações baseadas nas abordagens dos autores pesquisados. Buscou-se identificar, através dos questionários aplicados, as principais características dos Projetos de Extensão que desenvolvem ações de responsabilidade social, priorizando os reflexos causados sobre a formação dos estudantes que participam destes trabalhos. Nas entrevistas realizadas com base nas ações associadas aos indicadores de avaliação das ações de RS foram focados os processos de formação, reconhecimento, divulgação, gestão e apoio institucional. Em seguida, retrata as discussões que enfocam os resultados alcançados e analisados com base no referencial teórico e na pesquisa de campo realizada. 5.1 ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS COORDENADORES DOS PROGRAMAS E PROJETOS DE EXTENSÃO Através deste questionário (Ver Apêndice C) objetivou-se conhecer as principais características dos projetos pesquisados; confirmar se os coordenadores reconhecem suas atividades como ações de RS e, principalmente, identificar os impactos causados sobre os estudantes que participam das ações de RS, sob a ótica dos coordenadores dos Projetos de Extensão. Este questionário foi formulado com um total de 12 questões fechadas e abertas. Na primeira parte solicitou-se a identificação dos projetos (título e tempo de atuação). Nas duas primeiras questões buscou-se confirmar se o coordenador era docente da UFF e, em caso afirmativo, solicitou-se a identificação do Departamento e curso de vínculo. Perguntou-se também se o projeto conta com a participação de estudantes, uma vez que, dentre os critérios de composição da população amostral, determinou-se previamente que seriam pesquisados apenas projetos coordenados por professores e que contam com a participação de estudantes universitários. As questões de número três a seis visaram levantar as principais características dos projetos pesquisados: público alvo, objetivos, atividades desenvolvidas e resultados alcançados, tendo servido para confirmar o foco dos projetos nas ações de RS. As respostas a 99 estas questões deram origem ao resultado parcial da pesquisa de campo e permitiram o cumprimento de um dos objetivos específicos do presente estudo. Cabe ressaltar que alguns dos dados coletados, encontram-se disponibilizados nos relatórios e site da PROEX. No entanto, considera-se que o presente levantamento apresenta um diferencial, na medida em que retrata a visão dos coordenadores das ações extensionistas pesquisadas (Ver Apêndice F). As respostas atribuídas às perguntas fechadas, de nº 7 a 11, foram analisadas percentualmente com base no referencial teórico utilizado. E algumas das respostas atribuídas às perguntas abertas, foram selecionadas e transcritas, conforme segue: A questão nº 7 perguntou se os participantes do projeto recebem algum pagamento, ajuda de custo ou bolsa pelas atividades desenvolvidas: 28% dos coordenadores responderam ‘SIM’, todos recebem bolsas; 64% responderam ‘SIM’, alguns recebem bolsa e apenas 8% responderam ‘NÃO’, ninguém do projeto recebe bolsa, conforme consta no gráfico 01. Recebe algum pagamento, ajuda de custo ou bolsa? 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% SIM, todos SIM, alguns NÃO, ninguém Gráfico 01 – Percentuais do pagamento de bolsas aos participantes dos Projetos de Extensão Fonte: Elaborado pela autora (2010) Com estas respostas, identificou-se que existe incentivo financeiro; este é pago sob a forma de bolsa, originária de diferentes fontes (PROEX, PROAC, PIBIC, FAPERJ, PROEXT, dentre outras). A maior parte dos coordenadores informou que nem todos os estudantes recebem bolsa, ficando configurada nessa resposta a presença dos inúmeros voluntários que atuam nos projetos pesquisados, informados pelos coordenadores na questão dois do questionário (Ver Apêndice F). A questão nº 8 solicitou que fosse(m) assinalado(s) o(s) conceito(s) que melhor define(m) as ações do Projeto, conforme as opções que se seguem: a) Atuação que tem por finalidade compartilhar as responsabilidades da Universidade com o Estado e a sociedade civil. 100 b) É uma atitude ética da universidade que favorece a formação de seus estudantes e do público alvo, enquanto cidadãos. c) É uma atividade que propicia a promoção de valores éticos, morais específicos e/ou sócio ambientais para melhorar a qualidade de vida da comunidade em que se insere. Nessa questão apenas 2% dos coordenadores reconheceram suas ações na definição da letra A; 24% optaram pela definição da letra B; 9% escolheram apenas a definição da letra C e 65% , ou seja, a maioria dos coordenadores optaram por caracterizar as ações dos seus projetos como um mix das definições das letras B e C, conforme consta no gráfico 02. Definições das ações do Projeto 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% LETRA A LETRA B LETRA C LETRAS B e C Gráfico 02 – Percentuais dos conceitos que definem as ações dos Projetos de Extensão Fonte: Elaborado pela Autora (2010) Essa questão foi formulada com o objetivo de caracterizar as ações dos projetos pesquisados, segundo a visão dos coordenadores. E, com base nas respostas fornecidas, foi possível observar que a maioria identificou nas atividades realizadas a contribuição para a oferta de uma formação mais ampla que contempla a questão do exercício da cidadania dos seus participantes, além de um percentual expressivo que vincula suas atividades à promoção de valores éticos, morais e socioambientais. Alguns Coordenadores criaram suas próprias definições, conforme se pode observar: “Atividade que visa a troca de saberes e experiências, que favorece a formação do cidadão e a conscientização da preservação do ambiente.” (Projeto Aprendendo e ensinando com as plantas) “O projeto ao entender a ação extensionista vinculada à formação, a produção de conhecimento comprometida com a transformação social, baseia-se em dois eixos: a questão do direito a informação como condição de uma cidadania ativa e o lugar da certificação médica na produção de concepções de deficiência.” (Projeto Reabilitação Humana, trabalho e inserção social: uma análise das “deficiências” a partir do dispositivo passe livre em Niterói) “Projeto que promove a melhoria da qualidade do ensino, relacionada à formação de uma sociedade mais acessível.” (Projeto Escola de Inclusão) 101 A questão nº 9 apresentou uma definição do INEP (2006): a “Responsabilidade Social” como a contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural. Com base nessa descrição, perguntou-se aos coordenadores se os Projetos que eles coordenam promovem ações de responsabilidade social. Nesta questão 100% dos coordenadores responderam ‘SIM’. Essa pergunta foi formulada com o objetivo de identificar se os coordenadores reconhecem as ações dos projetos que coordenam como ações de responsabilidade social, segundo definição do INEP (2006), pois caso houvesse alguma dúvida sobre a abrangência da expressão ‘Responsabilidade Social’, a referida definição serviria de referência. A partir das respostas fornecidas, foi possível confirmar que todos os coordenadores identificam ações de RS nos seus projetos. Ainda nessa questão, perguntou-se por que os coordenadores consideram que seus projetos promovem ações de responsabilidade social e algumas justificativas merecem destaque: “Por ir ao encontro de pessoas que estão, na maioria das vezes, ‘fora’ de uma rede de proteção social e apostar no compartilhamento de diferentes experiências...” (Projeto Reabilitação Humana, trabalho e inserção social: uma análise das “deficiências” a partir do dispositivo passe livre em Niterói) “Uma vez que o projeto transmite a importância do meio ambiente através da construção do conhecimento sobre as plantas e objetiva ainda a educação ambiental.” (Projeto Aprendendo e ensinando com as plantas) “O projeto promove a reflexão-ação de professores, no sentido de favorecer uma ação docente condizente com os princípios da educação inclusiva.” (Projeto Educação Inclusiva e a formação do professor de Física) Entende-se que essas respostas servem para demonstrar que os projetos pesquisados atuam focados no processo de inclusão social e de preservação ambiental, uma vez que todos os coordenadores identificam suas atividades desempenhadas como ações de Responsabilidade Social, em que alguns ainda justificaram suas respostas, de forma a complementar a definição do INEP, ao buscar descrever com maiores detalhes a atuação dos seus projetos. A questão nº 10 perguntou se, no entendimento do coordenador, a participação do estudante no projeto contribui para a complementação da sua formação, enquanto cidadão. Esta questão teve como objetivo fazer com que o coordenador expressasse sua percepção quanto ao tipo de formação complementar que ele repassa para os alunos, através das ações realizadas nos projetos. Todos foram unânimes, ou seja, 100% dos coordenadores responderam ‘SIM’, reconhecendo que a participação dos estudantes nos projetos contribui para a oferta de uma formação mais ampla. 102 Essas respostas remetem à abordagem de Oliveira (2004) que aponta o trabalho extensionista das universidades como uma possibilidade de interação dos alunos com as questões mais emergentes das comunidades do entorno, direcionando seu olhar à pobreza, pois, segundo a autora, a extensão sensibiliza e constrói o perfil do cidadão. Para a autora, não basta levar o aluno por um tempo a olhar a pobreza, há que se ter ações continuadas, de caráter efetivo, que realmente cumpram com o papel da universidade perante a sociedade e ao seu aluno. E, para que se pudesse observar mais detalhadamente a visão dos coordenadores, perguntou-se por que eles consideram que a atuação no projeto contribui para a formação cidadã dos estudantes. Algumas respostas foram transcritas a fim de demonstrar que a visão dos coordenadores condiz com o posicionamento dos autores pesquisados: “Particularmente, por favorecer o desenvolvimento de ações que levem em conta o respeito às diferenças individuais”. (Projeto Educação Inclusiva e a formação do professor de Física) “Permite ampliar a dimensão acadêmica e cultural para além da sala de aula.” (Projeto: Madeira de Lei) “Porque são pessoas mais sensíveis que se interessam em melhorar as condições de vida escolar de alunos com deficiência.” (Projeto Escola de Inclusão) “[...] considera-se que contribui para a formação, pois ele tem o ensino teórico e aplica na prática com os idosos e seus cuidadores.” (Projeto Enfermagem na Atenção à Saúde do idoso e seus cuidadores - EASIC) “Ao ministrarem aulas de sua vocação profissional, os alunos mestres participam do nosso curso como um Laboratório de Práticas Pedagógicas exercitando suas ações inerentes aos cursos da UFF que estão matriculados [..] e assim repassam conhecimentos e exercem cidadania.” (Projeto Curso Pré Universitário Solidário) A questão nº 11 perguntou se após a atuação dos estudantes no projeto, o coordenador consegue identificar se houve alguma mudança de visão, postura e hábitos, ou seja, se para ele(a) os estudantes passaram a ter novas percepções, noções de cidadania ampliadas ou atitudes de valores éticos que não possuíam anteriormente: Com esta questão objetivou-se identificar se os estudantes que participam das ações de Extensão passam a apresentar mudanças de visão e de comportamento, a fim de avaliar os reflexos causados sobre eles enquanto cidadãos, segundo a ótica dos coordenadores. E, ao tabular as respostas pôde-se observar que 100%, ou seja, todos os coordenadores identificam mudanças ocorridas com os estudantes. Essas respostas demonstraram que a percepção dos coordenadores, quanto à complementação na formação dos estudantes que atuam nas ações extensionistas, é a mesma sinalizada pelos autores pesquisados, assim como afirma Vasconcelos (2006) que entende a Extensão universitária como uma forma de seguir um dos caminhos para a construção e sistematização do conhecimento acadêmico, servindo de pilar de sustentação da tarefa 103 educativa que a universidade vem desenvolvendo na sociedade, bem como, forma de cumprimento de sua responsabilidade social. A autora ainda coloca que os projetos sociais em execução estão voltados para atender às necessidades das pessoas da Comunidade, mas também têm contribuído para a ampliação da formação profissional dos estudantes que neles atuam. A autora aponta ainda para a posição estratégica que a Extensão deve assumir, formando jovens com um perfil profissional enriquecido de valores éticos e sensibilidade para os problemas sociais que afligem as populações carentes. Ainda sobre a questão nº 11, solicitou-se que o coordenador comentasse as principais mudanças identificadas e alguns depoimentos se destacam: “Todos os alunos vão á campo nas filmagens, conhecendo comunidades diversas e participando de reuniões etc. Isso certamente amadurece bastante os mais jovens, a ampla maioria, e consolida perspectivas críticas.” (Projeto Madeira de Lei) “Há depoimentos nas reuniões semanais sobre o impacto do projeto na mudança de comportamento deles, quanto à preservação ambiental, consumo responsável, redução do consumo, reutilização de objetos, etc.” (Projeto Economia solidária – feira de trocas em Niterói) “Muitos alunos têm dificuldade de comunicação com os pacientes, principalmente com o idoso, no projeto ele conseguem superar esta dificuldade [...] passam a respeitar muito mais os idosos da comunidade e de sua família.” (Projeto Enfermagem na Atenção à Saúde do idoso e seus cuidadores - EASIC) “Os alunos participantes desenvolvem uma postura de agentes multiplicadores de um ensino de Física alicerçado nos princípios da educação inclusiva.” (Projeto Educação Inclusiva e a formação do professor de Física) “A atenção ao indivíduo com necessidades especiais proporciona ao futuro profissional a possibilidade de lidar com sentimentos e expectativas que favorecem o autoconhecimento e seu papel na sociedade, a percepção de si mesmo, dos outros, das potencialidades e limites, pelo contato com as diferenças e interfaces entre ‘estranho/familiar’, oportunizando ao aluno uma maior vivência e experiência para lidar com os indivíduos, sejam eles especiais ou não.” (Projeto Atenção à Saúde Bucal de Pessoas com Necessidades Especiais) “Eu não diria que os estudantes não possuíam valores éticos e passaram a ter ministrando aulas no nosso curso, mas podemos afirmar que esses sentidos ficam aguçados e aprimorados pelo fato de participarem de um grupo cujas metas e ações estão voltadas para o bem comum de uma camada da sociedade que anseia por apoios culturais de outros jovens que estão em melhores condições no âmbito da Universidade.” (Projeto Curso PréUniversitário Solidário) “Maior amadurecimento e senso crítico. Conseguem perceber a importância do trabalho na construção do conhecimento, estimulando e despertando o interesse do público alvo.” (Projeto Aprendendo e ensinando com as plantas) Na questão nº 12, foram solicitadas as experiências mais marcantes, visando à realização de uma pequena coletânea sobre ocorrências, eventos e resultados que tenham chamado a atenção dos coordenadores, enquanto docentes, pesquisadores e cidadãos. Esta questão foi formulada com o objetivo de colher relatos sobre as experiências e atividades desenvolvidas nos projetos pesquisados, como também verificar se todos os atores que participam dessas ações sofrem reflexos das ações de RS desenvolvidas nos Projetos de Extensão. 104 Ao responder essa questão alguns coordenadores fizeram relatos que merecem destaque, além de terem enviado fotos dos estudantes participando das ações desenvolvidas e de material produzido nos projetos, conforme consta nas figuras de número 09 a 20. Figura 09 - Atividade de ensino – Queda dos Corpos – com alunos do Instituto Educacional Professor Ismael Coutinho (localizado em Niterói – RJ) Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Educação Inclusiva e a formação do professor de Física Figura 10 - Kit experimental para o ensino de Forças (grandeza vetorial) – exploração do tato do deficiente visual Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Educação Inclusiva e a formação do professor de Física “A atuação no projeto tem contribuído para o desenvolvimento da criatividade e da postura de professor formador dos graduandos que transparecem, respectivamente, na produção/elaboração de material didático e na socialização do conhecimento adquirido.”(Projeto Educação Inclusiva e a formação do professor de Física). Figura 11 - Aluna de 42 anos da Escola de Jovens e Adultos participando de atividades que envolvem jogos eletrônicos no computador - trabalho direcionado para estudantes que apresentam dificuldade de aprendizagem e deficiências cognitivas Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Inclusão Social de Alunos com Necessidades Educacionais Especiais “Eu destacaria a experiência com os alunos do EJA (Escola de Jovens e Adultos) em 2008. São alunos de 19 a 60 anos. Suas atividades profissionais variavam desde empregadas 105 domésticas, jardineiros até trabalhadores da construção civil. Embora nosso foco fosse os especiais, quase toda turma pedia para participar das atividades. Todos tinham dificuldade de aprendizagem, embora apenas alguns tivessem deficiências cognitivas. As atividades envolviam jogos eletrônicos no computador e nenhum deles havia tido alguma experiência deste tipo. Todos nós da equipe nos sentíamos extremamente gratificados com a alegria expressada pelos grupos. Uma das alunas chegou a comentar que só tinha tido uma experiência com o computador - limpando o aparelho da sua patroa.” (Projeto Inclusão Social de Alunos com Necessidades Educacionais Especiais) Figura 12 - Material didático produzido pelos estudantes da Escola de Inclusão, direcionados para alunos com deficiência visual Fonte: Email enviado pelo(a) Coordenador(a) do Programa Escola de Inclusão “Acho que o projeto colabora na formação dos professores para que tenham uma visão e orientação em relação aos alunos com necessidades educacionais e especiais. Desta forma, estes alunos não serão ‘deixados de lado’ na sala de aula.” (Programa Escola de Inclusão) Figura 13 - Aluna da UFF e bolsista do Programa Jovem Talento (CECIERJ/FAPERJ) apresentando o projeto na Semana de Extensão em 2008 Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Adote uma árvore: Estratégia para reposição/composição de mata ciliar em Santo Antônio de Pádua “O Projeto oportunizou o envolvimento do estudante em trabalhos de Educação Ambiental, permitindo um contato mais estreito com os problemas ambientais do município.” ( Projeto 106 Adote uma árvore: Estratégia para reposição/composição de mata ciliar em Santo Antônio de Pádua) a b Foto 5 - Atividade de demonstração das partes constituintes de uma planta, com ênfase na importância da flor para a reprodução dos vegetais (atividades de valorização do meio ambiente) Figura 14 - Atividade de demonstração das partes constituintes de uma planta, com ênfase na importância da flor para a reprodução dos vegetais (atividades de valorização do meio ambiente) Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Aprendendo e Ensinando com as plantas Figura 15 - Aluno de graduação em oficina com os alunos d a escola Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Aprendendo e Ensinando com as plantas Figura 16 - Início da marcação de canteiros pelo bolsista de extensão Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Aprendendo e Ensinando com as plantas “É preciso conhecer para preservar. Se não se conhece a importância das plantas para o meio ambiente como conscientizar de que devemos preservá-las?” (Projeto Aprendendo e Ensinando com as plantas) 107 Figura 17 - Estudantes universitários coordenando trabalho em grupo e ministrando aula no curso Pré Universitário Popular da UFF Fonte: www.uff.br/prepopular. Acesso em 28/08/2010 “Um retrato marcante e que virou rotineiro, consiste no fato de ao ministrarem aulas de um mesmo tema e assunto por vários anos sucessivos devido a atuação freqüente no projeto, suas habilidades e conhecimentos ficam aflorados na memória de cada um e tem como resultado aprovação em concursos que os mais antigos professores não conseguem. Desse fato, uma grande parte dos professores atuais são também professores concursados em exames prestados para a Prefeitura e Estado e consideram que conseguiram esta etapa pela assiduidade e repetição das mesmas aulas que garantiram um maior aprofundamento e aperfeiçoamento nos conhecimentos adquiridos e transmitidos.” (Projeto: Curso Pré-Universitário Solidário) Foto 18 – Estudantes realizando pesquisa na caminhada promovida pela ACELBRA na Praia de Icaraí/2008 Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Grupo de Estudo e Apoio ao Doente Celíaco – GEAC Foto 19 - Estudantes de Nutrição realizando explanação durante a oficina de culinária/2010 Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Grupo de Estudo e Apoio ao Doente Celíaco – GEAC Figura 20 - Estudante proferindo palestra em atividade do GEAC/2010 Fonte: Questionário enviado pelo(a) Coordenador(a) do Projeto Grupo de Estudo e Apoio ao Doente Celíaco – GEAC 108 “O entusiasmo geral da equipe que participa de todas as atividades e contribui com idéias. A participação voluntária dos estudantes nas caminhadas promovidas pela ACELBRA, iniciativa deles em proferir palestras sobre o tema em diferentes eventos. Existe uma grande adesão de estudantes não cadastrados ao projeto que atuam como voluntários sem remuneração.” (Projeto Grupo de Estudo e Apoio ao Doente Celíaco – GEAC) Considera-se que, através de todas as respostas dadas às perguntas do questionário e dos relatos coletados, foi possível obter uma amostra significativa das ações de responsabilidade social desenvolvidas nos Projetos de Extensão da PROEX/UFF, tendo-se observado que, segundo a visão dos coordenadores, essas ações se refletem na mudança de atitude dos estudantes. Desta maneira, tais Projetos contribuem para a oferta de uma formação mais ampla que concilia tecnologia, ciência e cidadania, conforme a abordagem de Wagenberg (2006), que entende o trabalho extensionista como a possibilidade da universidade assumir seu compromisso social e do estudante começar a compreender sua própria responsabilidade diante da sociedade, iniciando-se assim a transformação social. Segundo o autor, quando se constrói a universidade ao redor de um núcleo social não ocorre um processo paralelo como o da projeção social. Assim, o profissional formado por ela apresenta-se preparado para enfrentar diferentes desafios, estando apto a atuar nas diferentes frentes de trabalho. 5.2 ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ESTUDANTES QUE ATUAM NOS PROGRAMAS E PROJETOS DE EXTENSÃO Os objetivos deste questionário (Ver Apêndice D) foram: identificar o perfil dos estudantes que participam dos Projetos de Extensão; mapear suas áreas de atuação e atribuições no projeto; identificar o tipo de interesse que os leva a participar do trabalho extensionista; verificar se eles reconhecem que os projetos aos quais participam promovem ações de RS e, principalmente, levantar os reflexos/impactos causados sobre eles, com base no processo de auto-avaliação. O questionário foi formulado com um total de 11 questões, sendo a primeira parte composta da identificação sobre o vínculo dos estudantes com os cursos e projetos pesquisados, tendo sido solicitadas as seguintes especificações: curso, nome do projeto, semestre e ano de ingresso na universidade. 109 As perguntas foram respondidas por 74 estudantes, entre bolsistas e voluntários, que atuam nos projetos pesquisados. Dentre os estudantes que participaram da pesquisa, 88% são graduandos e 12% são mestrandos. Através dos questionários respondidos identificou-se estudantes dos cursos de graduação em Psicologia, Matemática, Nutrição, Pedagogia, Ciências Sociais, Física, Ciências Biológicas, História, Enfermagem, Farmácia, Letras (Português/Francês), Nutrição, Comunicação Social, Produção Cultural, Estudos de Mídia, Química, Odontologia, Direito, Geografia, Ciências Econômicas e Engenharia de Produção. Participaram também da pesquisa mestrandos em Educação, Ciência Ambiental, Ciências da Saúde e Direito. E assim, foi possível observar que os Projetos de Extensão perpassam as diversas áreas do conhecimento, estando na área Médica e da Educação, especificamente, nas Licenciaturas, a maior concentração de ações extensionistas. Através da solicitação do semestre e ano de ingresso, identificou-se os índices do tempo de permanência dos estudantes na universidade, em que apenas 8% dos estudantes que participam dos projetos pesquisados estão no primeiro semestre. Ou seja, esses estudantes estão a menos de seis meses na universidade; 12% estão na universidade de 6 meses a um ano; 25% estão de um a dois anos e 55% estão de dois a quatro anos, conforme consta no gráfico 06. Tempo de permanência na universidade 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% ATÉ6 MESES DE6 MA 1 ANO DE1 A 2 ANOS DE2 a 4 ANOS Gráfico 03 – Percentuais do tempo de permanência na universidade dos estudantes que participam dos Projetos de Extensão Fonte: Elaborado pela autora (2010) Esses percentuais servem para demonstrar que, quanto maior é o tempo de permanência dos estudantes da universidade, maior é a sua participação e envolvimento com as atividades de Extensão. 110 A segunda parte do questionário compunha-se de questões fechadas e abertas. Essas questões foram tabuladas e analisadas. As respostas dadas às perguntas fechadas foram analisadas percentualmente e algumas das respostas dadas às perguntas abertas foram avaliadas, selecionadas e transcritas, conforme segue: A questão nº 1 solicitou que o estudante indicasse o tempo de participação no Projeto. Esta questão teve como objetivo observar o tempo de atuação do estudante no projeto para identificar se as respostas dadas e opiniões expressas se basearam em experiências muito recentes ou se o estudante fundamentou-se em experiências mais sedimentadas. Observou-se que, quanto maior o tempo de atuação do estudante no projeto, mais fundamentadas são as avaliações e mais significativos são os relatos e as experiências descritas. Da mesma forma, também foi maior a quantidade de reflexos apontados das ações dos projetos sobre sua percepção e noção de cidadania. Assim sendo, observou-se que 16% dos estudantes pesquisados estão atuando nos projetos há menos de seis meses; 34% atuam nos projetos de seis meses a um ano; 28% atuam de um a dois anos e 22% atuam há mais de dois anos, conforme consta no gráfico 07. Há quanto tempo participa do projeto? 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% ATÉ6 MESES DE6 MA 1 ANO DE1 A 2 ANOS ACIMA DE2 ANOS Gráfico 04 – Percentuais do tempo de participação dos estudantes nos Projetos de Extensão Fonte: Elaborado pela Autora (2010) Com essas respostas identificou-se índices bem distribuídos, estando o maior número de estudantes pesquisados atuando nos projetos no período de seis meses a um ano. Este índice pode ser atribuído ao fato de que, em geral, os estudantes ficam de um a dois semestres vinculados aos Projetos de Extensão, devido ao cumprimento de algum componente curricular. Mas os outros índices demonstram que uma quantidade significativa de estudantes continua mantendo vínculo com Projetos, ultrapassando dois anos de atuação, dado que serve 111 para comprovar o grau de envolvimento desses estudantes com as ações extensionistas, independentemente de qualquer exigência acadêmica. Os percentuais apresentados demonstram que 16% dos estudantes participam dos projetos por menos de seis meses e que os demais têm uma atuação acima de seis meses chegando, em alguns casos, a ultrapassar dois anos de atuação. A questão nº 2 solicitou que o estudante informasse suas atribuições no Projeto. Nesta questão objetivou-se identificar de forma detalhada, quais seriam as atribuições dos estudantes nos Programas e Projetos de Extensão, visando observar de que forma os coordenadores estão definindo a participação dos estudantes nos projetos. Pelas respostas dadas a essa questão, foi possível observar a correlação das atribuições desenvolvidas nos projetos com o curso de formação dos estudantes, a ampliação de conhecimentos técnicos científicos adquiridos e a complementação sobre a sua formação cidadã. Seguem algumas descrições feitas pelos estudantes: “[...] faço tudo no projeto: construção e verificação de kits experimentais que visam à inclusão de alunos cegos nas aulas de Física, apresentação e divulgação em seminários, simpósios, etc. além da criação de artigos.” (Projeto Educação Inclusiva e a formação do professor de Física) “Desenvolvimento de artefatos e de condições para a ampliação do Laboratório de Ensino de Geometria, voltados para educação inclusiva.” (Projeto Extensão Desenvolvimento de Atividades para Ampliação do Acervo Didático do Laboratório de Ensino de Geometria do Instituto de Matemática) “Auxílio em atividades do ambulatório de nutrição para atendimento de portadores da doença celíaca[...] manutenção da parceria com a Associação de Celíacos do Brasil – sessão Rio de Janeiro – ACELBRA, auxílio na organização e execução das oficinas de culinária desenvolvidas pelo projeto (oficinas para profissionais, para estudantes e para portadores da doença celíaca e seus familiares).” (Projeto Grupo e Estudo e Apoio ao Doente Celíaco – GEAC, integração ensino-pesquisa) “Participo de discussões de textos e acontecimentos no âmbito da deficiência e trabalho; faço entrevistas com pessoas com deficiência [...] participo de eventos no âmbito da deficiência juntamente com o grupo.” (Projeto Reabilitação Humana, trabalho e inserção social: uma análise das “deficiências” a partir do dispositivo passe livre em Niterói) Através destas respostas é possível comprovar a importância dos conhecimentos e experiências adquiridas pelos estudantes nos Projetos de Extensão pesquisados. A questão nº 3 perguntou se as atribuições no projeto têm relação com o curso de formação dos estudantes. O objetivo era identificar se as atividades desempenhadas pelos estudantes dos projetos pesquisados têm relação com o curso que realizam, visando investigar se eles se vinculam apenas a projetos ligados as suas áreas de formação e de que forma as atividades realizadas podem refletir em sua formação. Nessa questão, 82% dos estudantes responderam ‘SIM’, ou seja, a maior parte dos estudantes correlaciona as atividades desempenhadas nos projetos com os seus cursos de 112 formação e apenas 18% responderam “EM PARTE’, as atribuições têm relação com seu curso, conforme consta no gráfico 08. As atribuições realizadas no projeto têm relação com o curso? 100% 80% 60% 40% 20% 0% SIM NÃO EMPARTE Gráfico 05 – Percentuais das atribuições desempenhadas nos Projetos que têm relação com o curso de formação dos estudantes Fonte: Elaborado pela Autora (2010) Através destas repostas foi possível observar que nenhum dos estudantes pesquisados se vincula a Projetos de Extensão cujas atividades não tenham algum tipo de relação com o seu curso de formação. Com relação aos estudantes cujas atribuições nos Projetos se relacionam em parte com seus cursos, observou-se que esse pequeno grupo está buscando realizar ações de RS, independentemente do vínculo total das ações do projeto com suas áreas de formação. A questão nº 4 perguntou se o estudante recebe algum pagamento, ajuda de custo ou bolsa para participar do projeto. Esta questão foi formulada inicialmente com o objetivo de identificar se todos os estudantes que atuam nos Projetos de Extensão recebem algum tipo de remuneração, como forma de incentivo. Com base nas respostas tabuladas, conforme consta no gráfico 09, observou-se que 63% dos estudantes pesquisados, recebem algum tipo de incentivo financeiro e que 37% não recebem qualquer pagamento. Este índice é representado por estudantes que atuam como voluntários ou por aqueles que se inscrevem em alguma disciplina que mantém vínculo com o Projeto, assim como é o caso dos Projetos pesquisados de Enfermagem na Atenção à Saúde do idoso e seus Cuidadores – EASIC o de Odontologia: Atenção à Saúde Bucal de Pessoas com Necessidades Especiais. 113 Recebe algum pagamento, ajuda de custo ou bolsa? 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% SIM NÃO AS VEZES Gráfico 06 – Percentuais de estudantes pesquisados que recebem bolsa para atuar nos Projetos de Extensão Fonte: Elaborado pela autora (2010) Através desses percentuais, é possível observar que a universidade está fazendo a sua parte no que se refere à oferta de algum tipo de incentivo financeiro, destinado aos estudantes que atuam em Projetos de Extensão focados em ações de Responsabilidade Social. De acordo com Chauí (2001), é imprescindível que as universidade públicas dêem às atividades de Extensão a importância e o apoio devidos, sendo fundamental compreendê-la de maneira mais ampla, não só como difusão de conhecimentos, mas como meio de inserção cultural e de oferta de uma educação mais ampla, mais completa, capaz de formar o profissional/cidadão. As questões de número três a seis visaram levantar as principais características dos projetos pesquisados: público alvo, objetivos, atividades desenvolvidas e resultados alcançados, tendo servido para confirmar o foco nas ações de RS. As respostas a estas questões deram origem ao resultado parcial da pesquisa de campo e permitiram o cumprimento de um dos objetivos específicos do presente estudo. Cabe ressaltar que alguns dos dados coletados, encontram-se disponibilizados nos relatórios e site da PROEX. No entanto, considera-se que o presente levantamento apresenta um diferencial, na medida em que retrata a visão dos coordenadores das ações extensionistas pesquisadas A questão nº 6 solicitou que o estudante assinalasse o(s) conceito(s) que, no entendimento dele, melhor define(m) as ações do Projeto de que participa, de acordo com as opções que seguem: a) Atuação que tem por finalidade compartilhar as responsabilidades da Universidade com o Estado e a sociedade civil. b) É uma atitude ética da universidade que favorece a formação de seus estudantes e do público alvo, enquanto cidadãos. 114 c) É uma atividade que propicia a promoção de valores éticos, morais específicos e/ou socioambientais para melhorar a qualidade de vida da comunidade em que se insere. Com base nas respostas dos estudantes, apenas 2% reconheceram as ações do Projeto na definição da letra A; 9% encaixaram as ações do projeto na definição da letra B; 19% reconheceram as ações na definição da letra C e 70% dos estudantes escolheram as duas definições, referentes às letras B e C, de acordo com o gráfico 11. Qual conceito melhor define as ações do Projeto? 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% LETRA A LETRA B LETRA C LETRAS B e C Gráfico 07 – Percentuais dos conceitos que melhor definem as ações dos Projetos de Extensão, segundo a visão dos estudantes Fonte: Elaborado pela Autora (2010) Esta questão foi formulada com o objetivo de identificar como os estudantes conceituam e avaliam as ações dos projetos de que participam. Com base nas respostas fornecidas, foi possível observar que a maioria deles reconhece que as atividades realizadas contribuem para a oferta da sua formação, enquanto cidadãos, além de um percentual expressivo que vincula suas atividades à promoção de valores éticos, morais e socioambientais. Essas respostas servem também para comprovar o grau de consciência dos estudantes sobre as ações de RS desenvolvidas pelos projetos pesquisados, em que a universidade partilha sua responsabilidade com o Estado e a sociedade; eles percebem que há um favorecimento no que tange à oferta de uma formação diferenciada, concentrada na questão da cidadania, dos valores éticos, morais e socioambientais. Nesta questão foi solicitado aos estudantes que, caso desejassem, criassem sua própria definição para o projeto, mas todos optaram pelas definições apresentadas, ou seja, nenhum estudante apresentou outra definição, além daquelas apresentadas no questionário. A questão nº 7 apresentou a definição do INEP (2006): a “Responsabilidade Social” como a contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à 115 defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural. Com base nesse conceito, foi perguntado aos estudantes se eles concluem que o projeto, do qual participam, promove ações de responsabilidade social. O objetivo desta pergunta foi observar se os estudantes conseguem identificar as ações dos projetos de que participam como ações de responsabilidade social. Observou-se que 100% dos estudantes responderam ‘SIM’; logo, todos foram unânimes em responder que os Projetos de Extensão dos quais eles participam, realizam ações de RS, com base na conceituação do INEP (2006). Nesta questão foi perguntado também por que, no entendimento dos estudantes, os Projetos de Extensão de que participam realizam ações de responsabilidade social. Dentre as respostas fornecidas, foram selecionadas algumas de estudantes que atuam no Projeto Escola de Inclusão: “Nosso projeto permite a inclusão de pessoas ‘especiais’, digo, com necessidades educacionais, na sociedade. Além de nos proporcionar uma oportunidade única de capacitação profissional que objetiva viabilizar o processo de ensino-aprendizagem focado nos portadores de deficiência visual e auditiva.” “Porque tem uma contribuição para a formação docente mais consciente em relação aos excluídos socialmente.” “Porque promove a nossa formação enquanto cidadãos e nos permite ser professores mais bem capacitados para atuar junto aos deficientes visuais.” Com essas respostas é possível observar a percepção dos estudantes quanto à abrangência do trabalho realizado nos projetos e à consciência sobre a sua importância. A questão nº 8 perguntou ao estudante se a atuação dele no projeto contribui para a complementação da sua formação, enquanto cidadão. Esta questão visou levar o estudante a refletir, através de um processo de auto-avaliação, se as atividades desempenhadas no projeto contribuem para a complementação da sua formação, enquanto cidadão, ou mesmo, identificar se o estudante está atento à importância do trabalho extensionista que realiza. Através das respostas dadas, verificou-se que 100% dos estudantes responderam ‘SIM’. Logo, para todos os estudantes que participam da pesquisa sua atuação no projeto tem influência sobre sua formação. Nesta questão também foi perguntado por que as ações dos projetos contribuem para a obtenção de uma formação cidadã e, dentre as respostas fornecidas, foram selecionadas algumas dos estudantes do Projeto Escola de Inclusão: “No projeto estou aprendendo a respeitar o espaço do outro.” “Aqui aprendi a ultrapassar preconceitos, aprendi ajudar, aceitar as diferenças e saber lidar com elas.” 116 “Porque nossa atuação no projeto ultrapassa preconceitos, nos ajuda a aceitar os ‘diferentes’ e as ‘diferenças’ e, principalmente, nos ensina a lidar com elas.” “Porque a minha formação enquanto cidadão também se torna inclusiva e completa na medida em que aprendo a atuar com as diferenças.” “Porque aqui estou promovendo um grande enriquecimento pessoal, profissional e de conscientização da RS, enquanto educador e cidadão.” Estas respostas demonstram que os estudantes reconhecem o tipo de formação diferenciada que recebem por atuarem nos Projetos de Extensão e servem para confirmar as abordagens de Chauí (2003), que afirma só haver formação quando houver pensamento, questionamentos, prática e reflexão crítica. Sobre essa questão, Dias Sobrinho (2005) coloca que a formação promovida pela educação superior não deve subestimar a ética e a técnica, tendo a universidade de ser responsável pela elevação e ampliação da formação cidadã dos seus estudantes. Vallaeys (2006) se refere ao papel social das universidades, considerando a RSU enquanto possibilidade da oferta de formar cidadãos informados, capazes de refletir e dialogar. E, segundo as respostas dos estudantes, considera-se que a universidade tem conseguido realizar o seu papel social. Na medida em que, por meio dos seus Projetos de Extensão consegue difundir uma formação cidadã aos estudantes que deles participam. Cabe ressaltar que o número de alunos que desenvolvem essas ações ainda é pequeno, mesmo assim, há de se considerar que trata-se de um começo a ser disseminado. A questão nº 9 perguntou ao estudante se após sua atuação no projeto, ele identificou se houve alguma mudança de visão, postura ou hábitos, ou seja, se ele passou a ter sua noção de cidadania ampliada, novas percepções ou atitudes éticas que não possuía anteriormente. Esta questão foi formulada como o objetivo de levar o estudante a realizar um processo de auto-avaliação mais específico sobre os impactos causados na sua visão de mundo, postura ou hábitos, por conta de sua atuação no projeto. Conforme consta no gráfico 14, 98% dos estudantes responderam ‘SIM’; logo, a grande maioria dos estudantes identificou ou sinalizou alguma alteração expressiva no seu comportamento ou na sua visão de mundo. 117 Houve alguma mudança após atuação no Projeto? 100% 80% 60% 40% 20% 0% SIM NÃO Gráfico 08 – Percentuais de mudanças identificadas pelos estudantes, após atuação nos Projetos de Extensão Fonte: Elaborado pela autora (2010) O pequeno grupo de 2% dos estudantes pesquisados que respondeu ‘NÃO’, por não ter identificado nenhuma alteração de comportamento e visão de mundo, após sua participação no Projeto, são aqueles que já participavam de trabalhos focados no processo de inclusão social e de preservação ambiental, antes mesmo de ingressarem na universidade. Por esse motivo, este pequeno grupo justificou não ter identificado mudanças, cabendo ressaltar que tais envolvimentos anteriores foram influenciados por participação em grupos religiosos, políticos, estudantis, familiar, dentre outros sinalizados pelos próprios estudantes. Seguem, alguns relatos sobre as principais mudanças identificadas, segundo avaliação dos próprios estudantes que atuam no Projeto Escola de Inclusão: “A partir da entrada no projeto passei a conhecer melhor o ‘mundo’ da acessibilidade.” “Passei a ver de outra maneira as necessidades educacionais das pessoas com deficiência.” “Minha percepção social se ampliou, além da consciência quanto a necessidade de trabalhar para contribuir sempre para a melhoria das condições de vidas das pessoas especiais que tornou-se algo fundamental para mim.” “A partir da minha entrada no projeto passei a conhecer o ‘mundo’ da acessibilidade ou a falta dela na nossa sociedade. Onde quer que eu vá, avalio a falta de acessibilidade, seja nos bancos, nas bibliotecas, nas escolas... passei a me colocar no lugar deles todos os dias.” “Passei a ter melhor percepção das reais necessidades dos deficientes e passei a visualizar as ações que ainda precisam ser feitas nesse processo de inclusão social deles no sistema educacional.” A questão nº 10 perguntou se, futuramente, o estudante pretende participar de alguma atividade voluntária que promova ações de inclusão social, de preservação ambiental ou de qualquer outra natureza. Esta questão foi formulada com a finalidade de observar até que ponto a atuação dos estudantes em Projetos de Extensão que realizam ações de 118 responsabilidade social pode vir a influenciar a participação em futuras atividades voluntárias. Através das respostas fornecidas, 79% dos estudantes responderam ‘SIM’, conforme consta no gráfico 15. Pretende participar futuramente de alguma atividade voluntária? 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% SIM NÃO TALVEZ Gráfico 09 – Percentuais de intenção dos estudantes de participarem futuramente em ações voluntárias Fonte: Elaborado pela autora (2010) Logo, percebe-se que os estudantes pretendem continuar participando de trabalhos dessa natureza, dado que serve para comprovar a influência positiva que esse tipo de atuação pode trazer para a oferta de uma formação mais ampla e cidadã, conforme abordagem de La Jarra (2003) que acredita que o envio de universitários para atuarem em ações fora dos muros da universidade possibilita a complementação da sua formação ética, ao aproximá-los da comunidade local; sensibiliza os estudantes por intermédio das diversas necessidades sociais e degradações ambientais e conscientiza quanto à necessidade de continuarem atuando em trabalhos voluntários, desta natureza, mesmo após a conclusão do seu curso. Dentre os 21% dos estudantes que responderam ‘TALVEZ’, foram apontadas algumas ressalvas, cabendo descrevê-las: esses estudantes sinalizaram que só irão se envolver em futuras ações voluntárias, após ter conhecimento da real intenção de quem estará promovendo as ações de responsabilidade social ou isso irá depender do tipo de ação e do tempo disponível que terão. Logo, através dessas ressalvas, percebe-se que dentro deste grupo de estudantes, não se pode descartar totalmente a possibilidade de futuras participações em trabalhos focados nas ações de Responsabilidade Social. Ainda nesta questão, perguntou-se por que os estudantes pretendem participar no futuro de atividades voluntárias e seguem algumas justificativas selecionadas e transcritas: 119 “Porque tenho interesse na inclusão social mesmo que seja como voluntária.” “Se tiver tempo eu pretendo continuar nesta área, ajudando na formação de professores.” “No intuito de contribuir para ampliar o acesso da sociedade ao conhecimento da importância da educação na perspectiva da inclusão.” “Porque considero fundamental a preocupação com o meio em que vivemos e sua preservação, social, ambiental, cultural e econômica.” (Projeto Economia Solidária – feira de trocas em Niterói) “Atualmente já participo de atividades voluntárias, e não pretendo parar de participar.” (Projeto Curso Universitário Oficina do Saber) “Eu gosto de voluntariado, acho importante para o meu crescimento como pessoa.” (Projeto Grupo e Estudo e Apoio ao Doente Celíaco – GEAC) “...muitos não pensam na natureza, no tanto que ela nos proporciona e que precisamos cuidar dela para que continue tendo árvores, nuvens, rios[..].por isto acredito que atitudes de preservação ambiental também são essenciais no mundo de hoje. Por isto tudo tenho vontade e quero participar no futuro de atividades como essas.”(Projeto Reabilitação Humana, trabalho e inserção social: uma análise das “deficiências” a partir do dispositivo passe livre em Niterói) Essas respostas retratam o grau de consciência dos estudantes que participam dos Projetos de Extensão pesquisados, quanto à necessidade de dar continuidade às atuações focadas nas questões socioambientais. Sob esse aspecto, Wagenberg (2006) coloca que cabe à universidade propiciar o desenvolvimento individual do estudante, ensinando-o a pensar por si mesmo, ajudando-o a fortalecer seus ideais e opiniões, através da realidade do mundo. Para o autor, ao ensinar essa realidade, a universidade passa a cumprir seu papel social e o aluno começa a compreender sua própria responsabilidade diante da sociedade, iniciando-se de fato, a transformação social, pois, por meio da ação extensionista, focada nas ações de responsabilidade social, a formação construída toma por base o núcleo social real, não havendo o risco de se fazer uma projeção social que em muito se distancia das questões socioambientais. E, seguindo a abordagem do autor, observa-se claramente o processo de transformação social ocorrido com os estudantes pesquisados. A questão nº 11 solicitou, caso o estudante desejasse, um relato sobre alguma experiência marcante, ocorrida durante a sua atuação no projeto, que tenha impactado sobre sua visão de mundo ou ampliado sua percepção com relação ao processo de inclusão social e/ou de preservação ambiental. Com essa pergunta objetivou-se coletar relatos de experiências marcantes para identificar se os estudantes percebem algum tipo de impacto sobre sua visão de mundo, após participação nos Projetos de Extensão, pois entende-se que essas experiências retratam a importância e a riqueza dos trabalhos desenvolvidos nos Projetos de Extensão pesquisados. Por meio dos relatos descritos a seguir, fica bem claro o comprometimento espontâneo dos estudantes que acreditam na possibilidade da construção de uma sociedade mais justa, centrada na inclusão social e na preservação ambiental. 120 Entende-se que esses relatos servem para comprovar o reconhecimento dos estudantes sobre a importância dos trabalhos que desenvolvem, tendo tido, segundo eles, sua postura alterada e sua visão de mundo ampliada ao participar do trabalho extensionista, focalizado na responsabilidade social: “Uma boa demonstração de como a feira faz as pessoas repensarem seus valores se deu quando duas crianças se interessaram por dois mangás. Um menino aceitou trocá-los por uma caixa de bijuterias e uma pulseira. As crianças queriam ler uma estória e ele queria dar um presente para a irmã. Valores de uso estiveram em seu auge, enquanto o valor-dinheiro fora deixado de lado. Deixou-se de comprar, criando lixo, para trocar, reaproveitando coisas úteis. Se as crianças aprenderam alguma coisa, não se sabe; mas sua mãe, provavelmente, sim. E com isso, eu aprendo mais e mais a cada dia.” (Projeto Economia Solidária – Feira de trocas em Niterói) “O contato com os alunos cegos me fez acreditar nas potencialidades deles e me fez acreditar nas possibilidades de espaços que podemos e devemos abrir para eles.” (Programa Escola de Inclusão) “Uma experiência marcante foi quando fiz minha primeira entrevista com uma pessoa deficiente visual, e nessa entrevista ela relata suas dificuldades depois que foi perdendo a visão, de como foi difícil sair do seu emprego que trabalhava a mais de 25 anos[...] e a partir desse relato pude ver como é difícil a inclusão dos deficientes no nosso meio, e foi este mais um motivo que me deu vontade de batalhar pela inclusão destas pessoas como de outras que precisariam de mais atenção e muitas vezes são ‘deixadas de lado’ em nossa sociedade.” (Projeto Reabilitação Humana, trabalho e inserção social: uma análise das “deficiências” a partir do dispositivo passe livre em Niterói) Os resultados obtidos por meio dos questionários direcionados aos estudantes servem para demonstrar que a participação deles em Projetos de Extensão atende não somente às necessidades do público alvo, mas contribui para a oferta de uma formação diferenciada, na medida em que o estudante passa a ter acesso a questões e realidades impossíveis de serem compreendidas plenamente através de teorias. Segundo Vallaeys (2006), a universidade deve caminhar no sentido da oferta de uma formação geral e especializada, com vistas à promoção do desenvolvimento inclusivo e sustentável. Cria-se assim, um novo perfil de estudante universitário: preocupado com as injustiças sociais; informado e capaz de contextualizar os problemas sociais; formado com base nos princípios éticos e na capacidade de dialogar; capaz de se beneficiar das experiências sociais formativas e de construir uma base social e emocional consciente. Por meio das respostas aqui transcritas, foi possível identificar essas características nos estudantes que participaram da pesquisa de campo, segundo avaliações realizadas pelos próprios. Através das colocações dos estudantes, foi possível observar também a posição estratégica que a Extensão Universitária ocupa no desempenho da função social da Instituição pesquisada, conseguindo influenciar na oferta de uma formação mais ampla, de acordo com as abordagens dos autores pesquisados. 121 5.3 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS BASEADA NAS AÇÕES ASSOCIADAS AOS INDICADORES DE AVALIAÇÃO DA RSU Esta seção apresenta as análises das entrevistas realizadas que tomaram por base um roteiro (Ver apêndice E), montado de acordo com ações associadas aos indicadores de avaliação da responsabilidade social universitária. Esta proposta foi construída a partir das diretrizes fixadas pelo SINAES, em que alguns indicadores referentes a outras dimensões foram adaptados e incluídos na dimensão 3, referente à responsabilidade social da instituição. Cabe ressaltar que as ações associadas aos referidos indicadores não foram pontuadas, mas sim analisadas qualitativamente, tendo servido de base para a montagem do roteiro das entrevistas. A definição dessas ações, avaliadas durante as entrevistas, considerou algumas especificidades que cabe destacar: • Coleta de informações dos atores que atuam diretamente nas atividades pesquisadas; • Foco na dimensão da responsabilidade social da IES, buscando detalhar o processo de avaliação das atividades de Extensão; • Inclusão de ações associadas aos indicadores da RS focados na formação ética e cidadã, ofertada aos estudantes universitários que participam das atividades de Extensão que desenvolvem ações de RS e na divulgação da imagem da IES, vinculados aos resultados alcançados, visando avaliar o processo de identificação e reconhecimento das atividades de Extensão pesquisadas; • Contemplação do processo de gestão como uma das soluções para garantir maior apoio institucional, participação e acompanhamento da administração central. Assim sendo, de acordo com as especificações citadas, o quadro 09 apresenta a proposta de um instrumento de avaliação da RSU, baseada nas diretrizes do SINAES que inclui algumas ações associadas aos indicadores da dimensão 3 da RS, tendo as mesmas servido de base para a análise qualitativamente, realizada durante as entrevistas. DIMENSÃO 3. A Responsabilidade Social da instituição, considerada especialmente no que se refere à sua contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural GRUPOS DE INDICADORES 3.1 Nas políticas Institucionais AÇÕES ASSOCIADAS AOS INDICADORES 3.1.1 Estabelecimento do compromisso da IES com os programas de inclusão social, ação afirmativa e inclusão digital 3.1.2 Manutenção de relações da IES com o setor público, o setor produtivo e o mercado de trabalho 3.1.2.1 Estabelecimento de convênios e intercâmbios que viabilizem a montagem da infra-estrutura necessária para o desenvolvimento das atividades de Extensão, focadas em RS continua 122 continuação 3.1.3 Comprometimento da IES com a formação ética e cidadã dos estudantes, através da participação da atividades de Extensão, focados na RS 3.2 Nas atividades de 3.2.1 Responsabilidade Social no Ensino ensino, pesquisa e 3.2.2 Responsabilidade Social na Pesquisa 3.2.3 Responsabilidade Social na Extensão extensão 3.2.3.1 Vinculação da imagem pública da IES aos resultados alcançados pelas atividades de Extensão, focadas na RS 3.2.3.2 Implantação de um Sistema de Gestão das atividades de Extensão, focadas na RS 3.2.3.3 Divulgação externa por meio de Publicações e produções resultantes das atividades de Extensão, focadas na RS 3.2.3.4 Divulgação interna dos resultados alcançados pelas atividades de Extensão, focadas em RS, por meio de registro em relatórios, formulários e sites QUADRO 09 - Indicadores da RSU propostos a partir das diretrizes do SINAES Fonte: INEP/MEC (2005) – Adaptado e modificado pela Autora (2010) Objetivou-se, prioritariamente, avaliar os processos de formação, gestão, reconhecimento, identificação, divulgação e apoio institucional, direcionados às atividades de Extensão. De acordo com a abordagem de Vallaeys (2006), esses processos carecem de um novo olhar e direcionamento das IES, pois para ele, caso as ações de RSU passassem as ser mais articuladas institucionalmente, deixando de ser iniciativas individuais de pequenos grupos, tanto a comunidade universitária, quanto o governo e a sociedade ganhariam soluções alternativas, oriundas das diferentes áreas do conhecimento. Cabe explicitar os resultados alcançados com base nas ações associadas aos indicadores de RS avaliados durante as entrevistas e relacionados no quadro 09. • AÇÃO 3.1.1, referente ao campo de atuação dos projetos: 42% dos entrevistados identificaram as atividades dos projetos de que participam como ações de preservação ambiental; 36% identificaram suas atividades como ações de inclusão social; 7% identificaram como ação afirmativa; 12% com ação de inclusão digital e 3% responderam outros campos de atuação. Logo, percebe-se que as atividades de Extensão desenvolvidas pelos entrevistados têm maior relação com as áreas de meio ambiente e inclusão social, dimensões contempladas pela Teoria dos Três Pilares. • AÇÃO 3.1.2.1, referente ao estabelecimento de convênios e intercâmbios: 19% apontaram a participação dos projetos em convênios firmados com Prefeituras ou demais órgãos públicos; 4% indicaram o estabelecimento de intercâmbios com bancos ou demais entidades da rede privada; 20% sinalizaram a manutenção de vínculo com alguma agência 123 nacional ou internacional; e 57% afirmaram que o projeto não mantém relação direta com nenhum órgão externo à universidade. O último percentual demonstra que ainda há um longo caminho a ser percorrido pelos projetos de Extensão pesquisados, no sentido de estabelecer convênios e intercâmbios, pois nesta relação, ganham coordenador, estudantes, público-alvo e instituição conveniada. Mesmo assim, observou-se que a PROEX/UFF organiza alguns eventos que buscam promover maior apoio externo e divulgação dos resultados alcançados. • AÇÃO 3.1.3, referente ao compromisso da IES com a formação ética e cidadã dos estudantes: Sendo esta questão muito complexa, cabe colocar alguns dados colhidos que merecem ser analisados. Muitos coordenadores fizeram questão de reforçar que a atuação e o envolvimento dos estudantes vão além de questões financeiras. Até mesmo porque os trabalhos realizados nos projetos pesquisados, segundo eles, exigem dos estudantes dedicação, comprometimento e envolvimento com as questões socioambientais, características que lhes atribuem um perfil de consciência humana e social diferenciado, refletindo na sua formação. Nas entrevistas realizadas com os estudantes, perguntou-se sobre as atividades desenvolvidas nos projetos e foram constatados alguns impactos significativos. Segundo os próprios estudantes, através do aprendizado adquirido nos projetos eles estão tendo a oportunidade de se lançarem no mercado com um diferencial, ou seja, eles se identificam como estudantes que estão adquirindo ética e cidadania ao estarem sendo capacitados para atuar nas suas áreas com um olhar focado em pessoas e situações especiais, pois atuam junto a realidades sociais que se distanciam da sua experiência pessoal. Sendo assim, os estudantes fizeram auto-avaliações que merecem destaque no que se refere à formação adquirida durante a participação nas atividades de Extensão, focadas em responsabilidade social: “Acredito que fazemos um trabalho especial porque trabalhamos para pessoas especiais.” “...esse tipo de atuação é favorável tanto para quem ensina, quanto para quem aprende, como para quem coordena.” “O nosso envolvimento nesse trabalho nos permitirá uma formação diferenciada e isso nos dará maiores chances de inserção no mercado, mas o nosso interesse aqui é a preservação ambiental - esse é o nosso maior objetivo.” “Apesar de pertencermos a diferentes cursos, o que nos une no Projeto é o interesse pela inclusão social. Aqui não há divisões de áreas, somos pessoas focadas num mesmo objetivo. Por isso trocamos idéias e conhecimentos, somamos nossas experiências e não nos dividimos por curso.” “Me considero diferente porque aqui no projeto realizo um trabalho para pessoas diferentes e isso me permitirá uma atuação profissional mais humana e consciente.” 124 “Gerar consciência ambiental é minha missão.” “Trabalhar com gente me fez mais gente.” “Quando entrei no projeto era apenas um estudante, agora sou um cidadão consciente do meu papel na sociedade.” “Minha participação no projeto me faz ver, a cada dia, o tamanho da minha responsabilidade diante da sociedade.” “Quando falo de meio ambiente para as crianças digo que as fontes naturais vão acabar e uso sempre essa frase: ‘Reciclar pra quê? Reciclar pra sobreviver!’. Sempre mostro pra eles que o lixo que jogamos pelas janelas dos ônibus e nas ruas é o mesmo que entope nossos bueiros, inunda nossas casas e destrói nosso planeta.” “Não dá mais para estudar conceitos e técnicas, negligenciando o caos social e ambiental que estamos vivendo. Precisamos praticar nossa cidadania e consciência ambiental a todo instante.” “Levei 18 anos da minha vida para entender que as folhas de papel jogadas fora, representam menos árvores, que representam menos ar, que acarretará na extinção da espécie humana[...] Aqui passei a pensar na natureza de forma diferente e repassar para as pessoas informações sobre o estrago que estamos fazendo no planeta.” “Aprendi no projeto que se compararmos a idade do Planeta Terra, avaliada em quatro bilhões e meio de anos, com a idade de uma pessoa de 45 anos, quando começaram a florescer os primeiros vegetais a Terra já teria 42 anos, ela só teria convivido com o homem moderno nas últimas quatro horas e há cerca de uma hora, o homem começou a plantar e colher, em menos de um minuto surgiram máquinas e indústrias. E, de acordo com a denúncia de uma ONG de defesa do meio ambiente, que não me lembro o nome: foi nos últimos sessenta segundos que se produziu todo o lixo do planeta[..] Você não acha isso alarmante? [...] estou aqui para ajudar a mudar essa realidade.” Ainda sobre a questão da formação, através das respostas dos coordenadores, percebeu-se que eles reconhecem que também ganham cidadania, ao coordenar projetos de tamanha magnitude que lhes exige uma dedicação que extrapola o cumprimento dos seus deveres oficiais para com a universidade, enquanto docentes. Pois, por muitas vezes, segundo eles, a atuação nos projetos lhes exige dedicação nos finais de semana e demais horas de folga, envolvendo comprometimento e convicções que transcendem os conhecimentos técnico científicos que lhes cabe repassar aos estudantes. Permite-lhes contribuir ainda na construção de uma base profissional consciente, mais humana e cidadã. Logo, conforme sinalizam alguns autores, tanto os universitários, quanto os demais atores que participam dos Projetos de Extensão, centrados nas ações de RS, têm a oportunidade de expandir horizontes, aprender e entender novas culturas e a comunidade encontra apoio especializado para a solução dos problemas socioambientais existentes. Para Chauí (2003) e Oliveira (2004) os Projetos de Extensão atuam como um importante instrumento para a construção, desenvolvimento e transformação da sociedade, 125 por meio de ações que visam à inclusão social, a justiça, o desenvolvimento humano, fazendo valer a solidariedade humana, por parte de quem atua nesse tipo de trabalho. Considera-se os resultados alcançados servem para comprovar as colocações dos diversos autores pesquisados, por afirmarem ser indiscutível a contribuição do trabalho extensionista no desenvolvimento integral dos alunos e no cumprimento do papel social das universidades. Eles apontam a importância do contato direto desses estudantes com a realidade socioambiental, centrada no aprofundamento dos conhecimentos teóricos, no aperfeiçoamento profissional e na construção de saberes que envolvem uma nova visão de mundo, de relacionamento humano e outras perspectivas de vida e de trabalho. E, segundo Oliveira (2004), a experiência com a comunidade pode resultar numa aprendizagem significativa em diversos aspectos. AÇÃO 3.2.3.1, referente à vinculação da imagem pública da IES aos resultados alcançados. Não se identificou nenhum trabalho sendo realizado no sentido de vincular a imagem da instituição às ações de responsabilidade social desenvolvidas na Extensão. 100% dos entrevistados entendem que a preocupação com o repasse de uma imagem positiva seja uma estratégia de marketing, comumente utilizada na rede privada, não fazendo parte da realidade da esfera pública de ensino superior. Um dos entrevistados fez uma analogia que retrata bem a visão do grupo sobre esta questão: “... vincular a imagem da instituição aos resultados dos Projetos de Extensão que desenvolvem ações de Responsabilidade Social seria o mesmo que sair por aí divulgando que eu estou vivo, porque como e durmo todos os dias [...] seria querer divulgar o óbvio.” Esse resultado é surpreendente, pois retrata uma visão estreita que negligencia a possibilidade da instituição obter benefícios através das ações de RS. • AÇÃO 3.2.3.2, referente à implantação de um Sistema de Gestão: 78% dos entrevistados manifestaram o entendimento de que uma atuação expressiva da administração central, de maior reconhecimento e incentivo, baseada nos princípios do Sistema de Gestão, seria fundamental para manutenção e ampliação das atividades extensionistas, focadas nas ações de Responsabilidade Social. E 22% dos entrevistados consideraram que o sucesso do desenvolvimento desses projetos independe do envolvimento e incentivo institucional e governamental, porque entendem que essas ações já estão incorporadas na rotina da universidade e, portanto, acontecem como resultado da atividade acadêmica, independentemente de qualquer processo de gestão institucional. 126 Em contrapartida, um dos coordenadores entrevistados colocou que as ações de Responsabilidade Social, desenvolvidas nos Projetos de Extensão, deveriam ser fruto de frentes de atuação e apoiadas pela administração central das universidades públicas e pelo governo, cujo apoio seria primordial para manter e incentivar, cada vez mais, o desenvolvimento de projetos de significativa expressão no processo de intervenção socioambiental e de ampliação da formação dos estudantes, enquanto cidadãos. Perguntou-se aos entrevistados ainda sobre a origem do apoio financeiro concedido, visando à concessão de bolsas aos estudantes que atuam nos projetos pesquisados e, 64% responderam ser da PROEX; 14% responderam que eram da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ); 11% responderam que eram do Programa de Extensão Universitária (PROEXT)19; 8% responderam ser da PROAC e 3% responderam outras fontes. Com relação ainda à concessão de bolsas, os coordenadores e técnicos sinalizaram que a quantidade de bolsas cresceu de forma significativa nos últimos anos (Ver Anexos B e C). Eles consideram que o pagamento dessas bolsas contribui para o envolvimento e a participação dos estudantes, servindo de estímulo. Mas para eles, esse não é o principal elemento motivador, pois muitos projetos contam com a expressiva contribuição dos voluntários que atuam com o mesmo interesse e comprometimento dos bolsistas. Quanto ao apoio financeiro externo detectou-se que alguns projetos chegam a recebem financiamentos bem expressivos e até mesmo de agências internacionais que viabilizam a montagem da infra-estrutura, compra de equipamentos e de todo o aparato necessário para viabilizar o desenvolvimento das suas atividades. Assim como é o caso do Projeto ‘Inclusão Social de alunos com necessidades especiais no contexto educacional: ações psicopedagógicas, psicossociais e psicodiagnósticas’, que ganhou por dois anos consecutivos o edital de seleção do MEC PROEXT 2009 e 2010, segundo relato da coordenadora do referido projeto. O Projeto “Coleta Seletiva de Lixo” também recebeu, durante a sua implantação, apoio financeiro da Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ) e de outras agências que contribuíram com a aquisição de tratores e outros equipamentos, além do apoio recebido da American Beverage Company (AMBEV), desde 1992. Observou-se que o sistema de gestão é um processo complexo a ser implantado na estrutura acadêmica e administrativa das IFES, considerando a dificuldade de controle de uma instituição de grande porte, composta por inúmeros setores responsáveis por toda a burocracia 19 Esse programa tem o objetivo de apoiar as instituições públicas de ensino superior no desenvolvimento de programas ou projetos de extensão que contribuam para a implementação de políticas públicas. Foi criado em 2003, abrange a extensão universitária com ênfase na inclusão social. (www. portal.mec.gov.br Acesso em: 15/08/2010) 127 que permeia as IFES, além da cultura enraizada, caracterizada pela carência de planejamento, controle e registro de todas as ações desenvolvidas. • AÇÕES 3.2.3.3 e 3.2.3.4, referentes ao reconhecimento, divulgação interna e externa dos resultados alcançados: com base nas respostas fornecidas, observou-se que os entrevistados não desconhecem que realizam ações de Responsabilidade Social. No entanto, 82% dos entrevistados consideram as ações de RS como uma ‘obrigação’ da universidade, pois entendem que essas ações fazem parte da essência do trabalho extensionista, ou melhor, da missão da universidade. Logo, para a maioria dos entrevistados, ao desenvolver ações de RS nos Projetos de Extensão, a universidade estaria cumprindo uma das suas missões, sendo considerado desnecessário qualquer processo de ampla divulgação, registro ou reconhecimento formal que vincule diretamente as ações extensionistas ao conceito da RS. Talvez esse resultado sirva para explicar a tímida participação dos estudantes nas ações extensionistas, pois apesar da instituição ter muitos projetos focados na RS existem vários trabalhos sendo desenvolvidos sem contar com valiosa a participação de estudantes. Segundo eles, trata-se de uma expressão surgida no meio empresarial, sendo utilizada como forma de ampliação dos negócios, através do marketing gerado em torno dessas ações. Observou-se também que o conceito de RS não é totalmente difundido pelos entrevistados, não sendo uma expressão amplamente utilizada pela comunidade universitária pesquisada. Percebeu-se ainda, certa resistência quanto à utilização do termo, mesmo que a sua inclusão no Ensino Superior date desde o surgimento da Extensão e que legalmente já tenha sido incluída na avaliação do SINAES, desde 2004. Durante as entrevistas buscou-se identificar quais são os meios de divulgação mais utilizados, além dos relatórios e formulários oficiais da PROEX/UFF, cujo preenchimento é exigido para registrar os resultados alcançados e as principais atividades desenvolvidas. Dentre os entrevistados, 2% responderam: publicidade externa; 6% responderam: material impresso, distribuído em eventos; 8% responderam: ambiente virtual específico (site do projeto); 13% responderam: eventos acadêmicos científicos, através da apresentação de monografias, dissertações e artigos; 68% responderam as duas últimas opções: ambiente virtual específico e eventos acadêmicos científicos e 3% responderam outros. Com essas respostas identificou-se que os meios de divulgação das ações de RS mais utilizados ficam restritos à comunidade acadêmica e a iniciativas do próprio grupo que monta seu site, individualmente, ou busca apresentar seus resultados em eventos de cunho acadêmico científico. 128 As entrevistas também permitiram observar que a associação das ações extensionistas ao conceito de Responsabilidade Social Universitária ocorreu com maior facilidade após a leitura do conceito atribuído pelo INEP (2006), conceito também utilizado nos questionários (Ver Apêndices C e D). Quanto ao controle administrativo dos Projetos de Extensão, verificou-se ainda nas entrevistas realizadas com técnicos e coordenadores da PROEX, alguns detalhes que merecem destaque: • As expressões ‘programas’ e ‘projetos’ estão sendo substituídas pela expressão ‘ações de extensão’; • Existem várias Ações de Extensão que funcionam há muitos anos, deixando de ser denominadas de ‘Projetos’ e passando a ser reconhecidas como ‘Programas’ e existem programas que se desmembram em subprojetos, assim como aconteceu com o Programa Oficina do Saber que originou vários subprojetos, assim como o curso Pré Universitário Oficina do Saber; • Os estudantes podem participar dos Projetos de Extensão como bolsistas ou voluntários; • Toda Ação de Extensão é coordenada por professor ou técnico de nível superior; • Ao final das atividades, os participantes recebem um certificado validando sua participação no projeto; • Apesar de toda atividade de Extensão ter que ser devidamente cadastrada na PROEX, existem projetos sendo desenvolvidos na universidade sem o cumprimento dessa exigência; • O valor atual da bolsa de extensão concedida aos estudantes é de R$ 400,00 (quatrocentos reais); • Em 2010, foram solicitadas 591 bolsas e foram concedidas 367 (Ver Anexo C); • O processo de seleção dos alunos que atuam nos Projetos de Extensão fica a critério de cada coordenador, sendo essa questão alvo de algumas críticas e questionamentos; • A PROEX/UFF realiza, anualmente, três grandes eventos; são eles: Encontro de Bolsistas, Semana de Extensão e a Agenda Acadêmica (objetivam 129 promover maior divulgação dos resultados e interação com a comunidade interna e externa); • Muitos projetos cadastrados contemplam ações de ensino, pesquisa e extensão. Por isto, estes projetos recebem bolsas de apoio interno, oriundas das três Pró Reitorias: Graduação (PROAC), Extensão (PROEX) e Pós Graduação, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC)20, podendo os mesmos receberem bolsas de origem externa, como é o caso de alguns Projetos pesquisados que possuem bolsistas do PROEXT, CNPq, MEC SESU e FAPERJ, através do Programa Jovens Talentos21. Ao término das entrevistas, não se esperava alcançar resultados muito diferentes daqueles já obtidos durante a aplicação dos questionários. No entanto, ao aplicar as ações associadas aos indicadores da responsabilidade social, baseados nas diretrizes do SINAES, pretendeu-se obter resultados mais específicos com enfoques diferenciados sobre a questão da formação, gestão, divulgação e apoio das ações de RS. 5.4 ANÁLISE GERAL DOS DADOS COLETADOS Uma visita aos sites das IFES permite perceber que, assim como o site da PROEX/UFF, a maioria das Pró-Reitorias ou Coordenadorias de Extensão das universidades públicas não vincula e nem conceitua suas ações extensionistas como ações de responsabilidade social. Observou-se que prevalece no meio acadêmico o entendimento de que as ações de responsabilidade social fazem parte do DNA das universidades e, talvez por este motivo, não sejam conceituadas e amplamente divulgadas como tais, assim como fazem a maioria das IES privadas, ONGs e empresas que buscam manter uma imagem positiva, através da divulgação das ações de RS que desenvolvem. Esta estreita visão se refletiu, surpreendentemente, tanto durante as entrevistas quanto 20 É o programa financiado pelo CNPq ou pela Universidade. Voltado para o aluno de graduação, tem como objetivos: despertar vocação científica e incentivar talentos potenciais entre estudantes de graduação, mediante participação em projeto de pesquisa. (www.proppi.uff.br/node/1147. Acesso em: 20/09/2010) .21 Programa da Rede Estadual de Educação do RJ. Tem como objetivo selecionar estudantes com grande interesse pela ciência e potencial para atuar em pesquisa científica; estimular a formação dos estudantes criando possibilidade de identificar novos quadros para atuação profissional no campo do saber científico (www.faperj.br. Acesso em 19/10/ 2010). 130 nos questionários, encontros e leitura de relatórios, documentos oficiais e site da PROEX, em que observou-se que poucas são as ações de Extensão divulgadas ou conceituadas como ações de responsabilidade social. Em se tratando de uma expressão pouco utilizada no meio acadêmico pesquisado, foi necessária a socialização de uma definição de responsabilidade social para que a mesma fosse identificada ou correlacionada com as atividades desenvolvidas nos projetos pesquisados. Em contrapartida, um grupo menor de atores pesquisados demonstrou estar mais conectado com as exigências do mercado, no que diz respeito à necessidade de ofertar uma formação focada no processo de inclusão social e preservação ambiental, pois para eles as ações de RSU da UFF ainda carecem de maior divulgação, reconhecimento e incentivo. Mas, mesmo assim, grande parte dos atores considera irrelevante o vínculo do trabalho extensionista ao conceito de responsabilidade social, pois, entendem que sua existência independe desse tipo de identificação, tendo alguns deles apresentado estranheza quanto à utilização do referido termo, mesmo que o reconhecimento oficial na esfera das IFES já tenha ocorrido desde 2004, após a inclusão da RS como um dos indicadores do SINAES. Entende-se que esta visão limitada poderia ser atribuída a duas situações identificadas: a primeira estaria relacionada ao fato da expressão “Responsabilidade Social” ter surgido, ser amplamente utilizada e divulgada na rede de ensino privada e no meio empresarial, não sendo usualmente utilizada na rede pública de ensino superior, conforme identificou-se na pesquisa de campo. A segunda estaria ligada à visão de alguns atores que entendem a Extensão como uma ‘missão’ das universidades públicas. Logo, consideram desnecessário qualquer trabalho de reconhecimento oficial ou de identificação das ações de Extensão, enquanto ações de Responsabilidade Social. Para eles, as ações de responsabilidade social estão incorporadas nas universidades públicas, desde a criação da Extensão Universitária e demais dimensões do ensino universitário, incluindo o ensino e a pesquisa, tratando-se, portanto, apenas do cumprimento de sua obrigação. Cabe ressaltar que pesquisas, recentemente realizadas por Reis (2007), Silva (2008) e outros autores, apontam que as universidades públicas carecem de maior reconhecimento e divulgação das ações de responsabilidade social. Esta realidade serve para reforçar o tímido papel da administração central, detectado na instituição pesquisada, naquilo que se refere ao processo de promoção, maior incentivo, gestão e divulgação do trabalho extensionista, com destaque para as ações de responsabilidade social. Assim como também sinaliza Vallaeys (2006), que propõe a construção de uma Reforma Universitária de responzabilização social, como fruto de uma reflexão mais aprofundada sobre o significado social da produção do 131 conhecimento e da formação profissional que tem sido repassada aos futuros profissionais e possíveis líderes do país. E, embora as ações de responsabilidade social já façam parte da atividade acadêmica desenvolvida nas universidades públicas, observou-se que elas se dão de forma desarticulada e sem uma perspectiva institucional integradora, percebe-se que se apresentam como fruto de iniciativas e interesses de grupos restritos, tendo sido esta situação apontada por alguns atores entrevistados, servindo para confirmar a abordagem dos autores pesquisados. Independentemente deste tipo de visão, identificada na pesquisa de campo, observouse que os projetos pesquisados proporcionam aos estudantes a obtenção de princípios e valores voltados para as questões da ética e da cidadania, por meio do envolvimento direto com realidades e práticas impossíveis de serem plenamente compreendidas em atividades repassadas teoricamente. Evidenciou-se que o contato com a realidade contribui para a formação do profissional e do homem, tendo daí surgido a expressão ‘profissional/cidadão’, utilizada por Vallaeys (2006) e outros autores, referendados na revisão da literatura. Detectou-se que uma parte expressiva dos estudantes que optam por atuar em Programas e Projetos de Extensão, focados nas ações de responsabilidade social trazem para a universidade um histórico de envolvimento anterior com as questões de inclusão social e preservação ambiental, tendo sido esses alunos influenciados, não somente pela área de atuação dos seus cursos de formação ou por seus professores, mas também pela própria família, grupos religiosos ou políticos, movimentos estudantis, trabalhos realizados em ONGs e associações de bairros, dentre outros grupos dos quais já participavam antes mesmo do ingresso na universidade. Enfim, identificou-se que as experiências anteriores vividas pelos estudantes, lhes permitem um perfil diferenciado que os leva a se interessarem, especificamente, por projetos que desenvolvem ações de RS, fato comprovado pelo percentual de estudantes que se engajam em Projetos de Extensão desta natureza, desde o primeiro período, independentemente de exigências curriculares ou de concessão de bolsas. Segundo o relato de um dos coordenadores: “Esses alunos são especiais, por isso escolhem participar de ações voltadas para situações e pessoas especiais. [...] Aqui eles adquirem uma visão ampliada, sendo capacitados para entrarem no mercado como profissionais ‘diferentes’.” Durante a pesquisa de campo, observou-se também que o envolvimento dos estudantes em ações de RS, não se origina de uma condução institucional proveniente de uma ação coletiva e consciente sobre a emergente necessidade da implantação de um processo de gestão, avaliação e incentivo dessas ações. Pois, seus principais interesses revelados são 132 pessoais e acadêmicos, agregados por um processo de motivação conduzido, na maioria das vezes, por alguns professores. Constatou-se que, tanto os bolsistas quanto os voluntários atuam com responsabilidade e dedicação, fato que serve para demonstrar que o envolvimento com ações de RS, pode se dar muito mais por consciência socioambiental, por comprometimento pessoal e por noção de cidadania, do que apenas por cumprimento de algum tipo de exigência acadêmica ou interesse financeiro. Para Oliveira (2004), toda ação extensionista precisa ser acompanhada de perto pelos coordenadores dos projetos, estabelecendo elos entre realidades, pesquisa e o processo ensinoaprendizagem. Segundo a autora, este fazer precisa retornar à Universidade, oxigenar os professores, estes devem refletir, realizar novas análises sobre os currículos, mais especificamente, sobre que tipo de formação que tem sido repassada aos seus estudantes. Neste sentido, observou-se que a ação sinalizada pela autora, reflete na prática dos coordenadores dos Programas e Projetos de Extensão da PROEX/UFF, quanto à conduta de acompanhamento sistêmico e quanto à promoção do entrosamento de estudantes com as questões socioambientais. Cabe ressaltar que, se por um lado a instituição possui um amplo aparato que visa coordenar as ações de Extensão, além de desenvolver inúmeros projetos focados na RS, por outro lado identificou-se um número ainda reduzido de alunos que têm acesso a esse tipo de ação. Tratando-se de um importante começo que deve ser incentivado cada vez mais. Após o término do presente estudo de caso, é possível afirmar que o trabalho extensionista, coordenado pela PROEX/UFF, é um território natural da responsabilidade social universitária. O posicionamento assistencialista e filantrópico da Extensão é algo ultrapassado pelas ações de Extensão pesquisadas, pois o que ocorre é a adoção de atividades pontuais na dimensão do trabalho desenvolvido que mescla neste bojo ações de ensino, pesquisa e extensão, evidenciadas na inclusão social e na preservação ambiental. E, apesar das mesmas não serem assim definidas e divulgadas, acabam beneficiando não somente o público alvo dessas ações, mas também aos estudantes que delas participam. Quanto à prática da RS a que se refere o SINAES, observou-se que a UFF, através dos seus Programas e Projetos de Extensão, já realiza a responsabilidade social há muito tempo, considerando que alguns dos Projetos de Extensão pesquisados atuam há mais de dez anos (Ver Apêndice F). Observou-se que a PROEX, através do trabalho extensionista, contribui para a melhoria da qualidade do ensino repassado aos estudantes e realiza a interface entre ensino, pesquisa e extensão. Neste sentido, a universidade dá início a essa missão como parte 133 da sua responsabilidade, ao possibilitar o acesso de alguns estudantes a comunidades, por meio dos mais diversos Programas e Projetos de Extensão coordenados por professores e desenvolvidos por estudantes de diferentes áreas do conhecimento. Sendo que, esse começo merece maior divulgação a fim de ampliar o número de estudantes participantes dessas ações. De Sordi (2005, p.33) alerta sobre a complexidade de desenvolver nos estudantes a consciência de seu papel social, sendo mais complexa ainda a forma de mensurá-la. A autora defende que todo espaço e atividade que se intitula educativa deva conter em si o compromisso com a RS e cuidar para que a mesma seja exercitada em situação real, visando o fortalecimento da ação providenciadora de um futuro mais humano e humanizado. Cabe esclarecer que não se pretendeu através do presente estudo de caso, mensurar a formação dos estudantes que participam das ações de RS, pois entende-se que as mudanças relatadas, apesar de significativas, são subjetivas e intangíveis. Mas, segundo os atores pesquisados, a participação em Programas e Projetos de Extensão pode proporcionar uma educação complementar e uma formação mais ampla. Contudo, não se pretende aqui simplificar a idéia da formação universitária, resumindo à prática das atividades de Extensão, ao afirmar que os estudantes que atuam nos Programas e Projetos de Extensão da PROEX/UFF adquirem uma formação de melhor qualidade, somente quando se envolvem com questões socioambientais. Sabe-se que a avaliação quanto à formação ofertada ao estudante universitário é um processo complexo e subjetivo. Portanto, não se objetivou quantificar ou qualificar a formação universitária através do levantamento das mudanças ocorridas, após participação em atividades de Extensão focadas nas ações de RS. Até mesmo porque esta tentativa resultaria na obtenção de dados inconsistentes, mas acredita-se que, ao identificá-las e registrá-las, seja possível provocar novas reflexões e realizar análises significativas, por meio da divulgação do trabalho que tem sido realizado nas universidades públicas, no âmbito da Extensão, no que concerne a Responsabilidade Social Universitária. 134 6 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Através de pesquisa de campo realizada foi possível observar mudanças significativas após a participação dos estudantes em Projetos de Extensão, cujas práticas os colocam em contato direto com as questões socioambientais, permitindo-lhes o acesso a uma formação complementar, baseada na construção da ética e da cidadania, transcendendo a formação técnico-científica, tradicionalmente ofertada pelas universidades. Em atendimento aos objetivos da presente pesquisa e visando responder as questões inicialmente levantadas, cabe explicitar alguns dos resultados alcançados, baseados na ótica dos sujeitos que participam diretamente dos Programas e Projetos de Extensão da PROEX/UFF: • Os projetos pesquisados desenvolvem ações de responsabilidade social e têm uma atuação relevante, focada na inclusão social ou na preservação do meio ambiente; • As ações de responsabilidade social desenvolvidas na Extensão Universitária contribuem para a complementação da formação dos estudantes que delas participam, enquanto profissionais/cidadãos, na medida em que os estudantes passam a apresentar mudanças de opinião, postura e hábitos, adquirem novas percepções, noção de cidadania ampliada, além de princípios e valores éticos diferenciados; • As atividades desempenhadas nos projetos de Extensão pesquisados têm relação com o curso de formação dos estudantes e os principais interesses que conduzem os estudantes a participarem das ações de RS são pessoais e acadêmicos; • Existe uma quantidade expressiva de estudantes universitários que atuam nos projetos pesquisados como voluntários, independentemente da concessão de bolsas ou de exigências acadêmicas; • As ações de RS desenvolvidas nos projetos pesquisados caracterizam-se, por vezes, como atividades fragmentadas, tratando-se de iniciativas isoladas, individuais ou de pequenos grupos que se mantêm mesmo sem fazer parte dos principais interesses da administração central; • A instituição pesquisada dispõe, através da sua Pró-Reitoria de Extensão, de uma infra-estrutura bem montada que contém vários setores e profissionais 135 responsáveis pela coordenação das atividades extensionistas desenvolvidas. No entanto, detectou-se alguns entraves operacionais, típicos da burocracia que permeia a esfera acadêmico-administrativa das IFES; • Apesar de todos os entraves, limitações e dificuldades, apontados pelos atores que participaram da pesquisa de campo, existe um vasto e silencioso trabalho sendo desenvolvido na UFF, no campo da RS, que apesar de carecer de maior divulgação, incentivo e reconhecimento, faz com que a universidade cumpra parte do seu papel social, enquanto instituição formadora de profissionais/cidadãos; • Detectou-se um número ainda reduzido de estudantes que participam dos Projetos de Extensão, cabendo a promoção de maior incentivo que os levem a atuarem ativamente nos Projetos de Extensão, focados nas ações de RS, visando à oferta de uma formação ética e cidadã. Trata-se de uma atividade que deve ser incentivada e ampliada, a fim de envolver um número cada vez maior de estudantes; • Observou-se que grande parte dos atores que participam diretamente das ações de RS, não as reconhecem, conceituam e divulgam. Logo, durante a realização da pesquisa de campo, houve a necessidade de apresentar um dos conceitos de RS para que fosse realizado o link entre o trabalho desenvolvido e a referida expressão; • Através da pesquisa de campo percebeu-se que prática da responsabilidade social tem sido desenvolvida amplamente nos Projetos de Extensão pesquisados. No entanto, não se verificou o desenvolvimento de um processo de gestão que atue pautado no planejamento das ações de RS desempenhadas e na ampla divulgação dos resultados alcançados, como forma de apoiar os Projetos existentes, incentivar o desenvolvimento de novas ações e estimular a participação de um número maior de estudantes. Conclui-se finalmente que, através dos Programas e Projetos de Extensão pesquisados, a PROEX/UFF tem conseguido fazer a ponte com a sociedade, levando seus estudantes a conhecer e atuar junto a comunidades que lhes possibilitam a obtenção de uma formação, senão mais ampla, pelo menos ‘diferenciada’, transformando-os em profissionais/cidadãos. Independentemente dessas ações vir a ser definidas enquanto ‘função’, ‘missão’ ou 136 ‘obrigação’ da universidade, ou mesmo de ser identificadas, reconhecidas, incentivadas e amplamente divulgadas, enquanto ações de responsabilidade social. No entanto, entende-se que a ampliação do seu campo de atuação é uma questão eminente, podendo ocorrer através da criação de mecanismos que incentivem maior participação dos estudantes nas ações de RS. Acredita-se que esse tipo de ação contribuirá, de forma definitiva, para que a universidade cumpra parte do seu papel social, enquanto instituição formadora de profissionais pautados em princípios e valores éticos, capazes de apresentar soluções criativas e inovadoras, centrados na perspectiva de redução dos processos de exclusão social e devastação ambiental. Ao pesquisar algumas ações de Extensão, coordenadas pela PROEX/UFF, percebeu-se que há uma estrutura bem elaborada, no que se refere ao processo de cadastramento, acompanhamento e registro, porém não se detectou um processo de gestão institucional que promova uma ampla divulgação e incentivo a implantação de novas ações de Responsabilidade Social, desenvolvidas nos Programas e Projetos de Extensão, que envolva um número cada vez maior de estudantes. . Entende-se que, para isto, a universidade teria que introduzir uma cultura coletiva, considerando as políticas de pesquisa e Extensão de tal forma que explicitem os valores éticos e morais institucionais que encontram-se contemplados nas políticas públicas nacionais da educação superior, fixados pelo SINAES. É preciso ressaltar que, somente através de uma avaliação mais minuciosa que considere todo o processo de gestão educacional, integrado não apenas às ações específicas da Extensão, focadas na RS, será possível confirmar a interferência dessas ações sobre a formação universitária ofertada pela UFF. No entanto, os resultados alcançados pelo presente estudo de caso levam a crer que há que se considerar os impactos causados sobre os estudantes que participam dessas ações, enquanto contribuições significativas no processo de formação ética e cidadã. Ressalta-se que a pesquisa de campo realizada, com base na visão dos atores que atuam diretamente nos Programas e Projetos de Extensão pesquisados e nas ações associadas aos indicadores de avaliação da responsabilidade social, aqui propostas e avaliadas, não permite nenhuma projeção em relação a outras IFES, representando apenas uma amostra significativa da realidade que vigora em alguns projetos coordenados pela PROEX/UFF. Ainda assim, a apresentação dos resultados demonstra que não há como deixar de vincular, a participação de estudantes, à expansão de valores e princípios éticos, disseminados por todos e para todos os atores que participam do trabalho extensionista. 137 E, apesar das ações associadas aos indicadores da RSU terem servido de referência na montagem do roteiro das entrevistas realizadas (Ver Apêndice E), cabe reforçar que os mesmos não foram quantificados, mas sim analisados qualitativamente. Assim sendo, ressalta-se que a validação do referido instrumento só se dará por meio de futuras pesquisas que busquem aplicá-los de forma sistêmica e por profissionais especializados, considerando ainda novos enfoques e instituições que, assim como a UFF, também desenvolvem ações de Responsabilidade Social na Extensão Universitária. Neste sentido, entende-se que será preciso acompanhar a evolução deste processo de avaliação dos reflexos das ações de Responsabilidade Social, para que se tenha condições de responder com maior precisão aos inúmeros questionamentos existentes no meio acadêmico, em que se percebe não haver clareza se a responsabilidade social se constitui enquanto ‘função’, ‘obrigação’ ou ‘responsabilidade’ da universidade. Pois, somente através de um aprofundamento sobre o tema em questão, se poderá obter resultados mais específicos a serem alcançados em pesquisas futuras que considerem e comparem a essência das ações da Responsabilidade Social empresarial com a Responsabilidade Social Universitária, considerando as características específicas das empresas e das universidades, tais como: processo histórico, natureza jurídica, atividades meio e fim,objetivos, público alvo, etc. Entende-se que para atendimento às exigências do SINAES, a UFF e demais IFES deverão realizar algumas adequações que acarretarão em reformulações das complexas práticas acadêmicas e administrativas, a fim de que se possam prestar contas de sua responsabilidade social, em forma de ações claramente definidas e documentadas, facilitando dessa forma, o processo de avaliação, divulgação e gestão que deve ser instaurado no âmbito da esfera universitária. Mesmo assim, foi possível constatar que as ações de RS, mapeadas nos Programas e Projetos de Extensão da PROEX/UFF, representam o cumprimento de parte do papel social da Universidade. Assim sendo, espera-se que os resultados obtidos no presente estudo de caso possam servir de parâmetro a ser considerado em futuras análises sobre o estado da arte das ações de responsabilidade social universitária, contribuindo para o processo de validação dos indicadores das ações de RS, ora propostos. Esta pesquisa aponta ainda para a realização de futuros estudos que investiguem, não somente os impactos e desdobramentos das ações de responsabilidade social sobre a formação dos estudantes universitários, mas também sobre o público alvo dos Projetos de Extensão. Considera-se que o processo de gestão institucional avaliativa dessas ações possa beneficiar os estudantes, a sociedade e a universidade que deve atuar como uma das instâncias mais 138 elevadas na formação de profissionais/cidadãos, preparando seus estudantes para ocupar posições estratégicas nas diversas instâncias sociais. Faz-se necessário recomendar que a administração central das universidades oferte maior dinamização e incentivo ao desenvolvimento do trabalho extensionista, transformandoo em uma rica fonte de consultas e referências, com base nas ações desenvolvidas e nos resultados alcançados por seus Programas e Projetos de Extensão, visando orientar o processo de reflexão e de tomada de decisões durante a elaboração dos Planos Políticos Pedagógicos das Universidades e dos Planos de Desenvolvimento Institucional, conforme orientação do INEP/MEC (2006). 139 REFERÊNCIAS ALBEJANTE, Lia Mazon; QUELHAS, Osvaldo Luis Gonçalves; ZANCA, Jose Francisco Ramos. 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O presente estudo de caso está sendo conduzido pela mestranda Sonia Maria de Carvalho Silva e orientado pela doutora Stella Regina Reis da Costa, fazendo parte do processo necessário à pesquisa de campo sobre os Programas e Projetos de Extensão da UFF que desenvolvem ações de Responsabilidade Social. O objetivo principal do presente estudo é pesquisar os impactos e desdobramentos das ações de Responsabilidade Social que se configuram através de alguns Programas e Projetos de Extensão da UFF, com foco nos reflexos causados sobre os estudantes que participam desses trabalhos. Seu projeto foi selecionado, juntamente com outros Programas e Projetos de Extensão da UFF que promovem ações de Responsabilidade Social, para participar desta pesquisa. Segue, em anexo, o arquivo do questionário a ser respondido. Garantimos que os dados aqui obtidos serão sigilosos, seu uso será estritamente acadêmico e os nomes das pessoas não serão divulgados. Desde já agradecemos sua participação. Atenciosamente, Sonia Carvalho Mestranda do Programa de Pós Graduação em Sistemas de Gestão da Escola de Engenharia LATEC / UFF Tels. 26299991 / 97768300 150 APÊNDICE B – CARTA DE APRESENTAÇÃO ENVIADA AOS ESTUDANTES Niterói, de julho de 2010. Prezado(a) Estudante(a), Vimos por meio desta, solicitar sua colaboração na pesquisa que está sendo desenvolvida no Programa de Mestrado em Sistemas de Gestão da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense (LATEC / UFF), após autorização concedida pelo(a) Coordenador(a) do Projeto de Extensão que você participa. O presente estudo de caso está sendo conduzido pela mestranda Sonia Maria de Carvalho Silva e orientado pela doutora Stella Regina Reis da Costa, fazendo parte do processo necessário à pesquisa de campo sobre os Programas e Projetos de Extensão da UFF que desenvolvem ações de Responsabilidade Social. O objetivo principal do presente estudo é pesquisar os impactos e desdobramentos das ações de Responsabilidade Social que se configuram através de alguns Programas e Projetos de Extensão da UFF, com foco nos reflexos gerados sobre os estudantes que participam desses trabalhos. O Projeto ao qual você atua foi selecionado para participar desta pesquisa, juntamente com outros Programas e Projetos de Extensão da UFF que promovem ações de Responsabilidade Social. Segue, em anexo, o arquivo do questionário a ser respondido. Garantimos que os dados aqui obtidos serão sigilosos, seu uso será estritamente acadêmico e os nomes das pessoas não serão divulgados. Desde já agradecemos sua participação. Atenciosamente, Sonia Carvalho Mestranda do Programa de Pós Graduação em Sistemas de Gestão da Escola de Engenharia LATEC / UFF Tels. 26299991 / 97768300 151 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO DIRECIONADO AOS COORDENADORES Título da Pesquisa – AÇÕES DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DESENVOLVIDAS NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR Objetivo: Esta pesquisa tem como principal objetivo identificar reflexos e desdobramentos das ações de Responsabilidade Social, desenvolvidas em Programas e Projetos de Extensão da UFF e verificar os reflexos causados sobre os estudantes que participam desses trabalhos. Trata-se de uma dissertação de mestrado em Sistemas de Gestão do LATEC/UFF, desenvolvida pela mestranda Sonia Maria de Carvalho Silva, sob a orientação do Prof. Dr. Stella Regina Reis da Costa. Manifestamos o compromisso de respeitar os princípios éticos da pesquisa e não identificar pessoas que contribuirão com a coleta de dados. Gostaríamos de contar com a sua colaboração para o preenchimento deste questionário. Identificação Nome do projeto: Tempo de atuação do projeto: 1. Você é docente da UFF? SIM ( ) NÃO ( ) Em caso afirmativo, informe Departamento e Curso de vínculo: 2. O projeto conta com a participação de estudantes da UFF? SIM ( ) NÃO ( ) Em caso afirmativo, informe quantos (especifique se eles pertencem a graduação ou a pós graduação): 3. Informe o público alvo do projeto: R: 4. Informe os objetivos do projeto: R: 5. Relacione as principais atividades desenvolvidas no projeto: R: 6. Relate os resultados já alcançados: R: 7. Os participantes do projeto recebem algum pagamento, ajuda de custo ou bolsa pela função que exercem? 152 SIM , todos recebem ( ) SIM, alguns recebem ( ) NÃO, ninguém recebe ( ) Em caso afirmativo, informe a(s) fonte(s) pagadora(s): 8. Assinale o(s) conceito(s) abaixo que, no seu entendimento, melhor define(m) a ação do Projeto: a) Atuação que tem por finalidade compartilhar as responsabilidades da Universidade com o Estado e a sociedade civil. ( ) b) É uma atitude ética da universidade que favorece a formação de seus estudantes e do público alvo, enquanto cidadãos. ( ) c) É uma atividade que propicia a promoção de valores éticos, morais específicos e/ou socioambientais para melhorar a qualidade de vida da comunidade em que se insere. ( ) Caso deseje, crie sua própria definição: 9. O INEP (2006) define a “Responsabilidade Social” como a contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural. Com base nesse conceito, você conclui que o Projeto ao qual coordena promove ações de Responsabilidade Social? SIM ( ) Por quê? NÃO ( ) ATENÇÃO: As próximas perguntas só deverão ser respondidas, caso haja a participação de estudantes da UFF no projeto. 10. No seu entendimento, a participação do estudante no projeto contribui para a complementação da sua formação, enquanto cidadão? SIM ( ) Por quê? NÃO ( ) 11. Após observar a atuação dos estudantes no projeto, você consegue identificar se houve alguma mudança de visão, postura e hábitos, ou seja, você percebe que os estudantes passaram a ter novas percepções, noções de cidadania ampliadas ou atitudes de valores éticos que não possuíam anteriormente? SIM ( ) NÃO ( ) Em caso afirmativo, comente as principais mudanças identificadas: 12. Relate alguma experiência marcante, durante sua atuação no projeto, que esteja relacionada com fatos que comprove a formação cidadã, adquirida pelos estudantes que participam ou já participaram do projeto. Caso deseje, envie fotos, registros de eventos e/ou de execução de atividades realizadas que sirvam de exemplo para demonstrar que através do projeto, ocorre uma formação ética e cidadã que vai além da obtenção dos conhecimentos técnicocientíficos: R: 153 APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO DIRECIONADO AOS ESTUDANTES Título da Pesquisa – AÇÕES DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DESENVOLVIDAS NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR Objetivo: Esta pesquisa tem como principal objetivo identificar reflexos e desdobramentos das ações de Responsabilidade Social desenvolvidas em Programas e Projetos de Extensão da UFF e verificar os reflexos causados sobre os estudantes que participam desses trabalhos. Trata-se de uma dissertação de mestrado em Sistemas de Gestão do LATEC/UFF, desenvolvida pela mestranda Sonia Maria de Carvalho Silva, sob a orientação do Prof. Dr. Stella Regina Reis da Costa. Manifestamos o compromisso de respeitar os princípios éticos da pesquisa e não identificar pessoas que contribuirão com a coleta de dados. Gostaríamos de contar com a sua colaboração para o preenchimento deste questionário. Identificação Curso: Semestre e ano de ingresso: Nome do Projeto de Extensão que participa: 1. Indique há quanto tempo participa do Projeto: R: 2. Informe suas atribuições no Projeto: R: 3. Suas atribuições no projeto têm relação com seu curso? SIM ( ) NÃO ( ) EM PARTE ( ) 4. Você recebe algum pagamento, ajuda de custo ou bolsa para participar do projeto? SIM ( ) NÃO ( ) ÀS VEZES ( ) 5. Informe por qual motivo se vinculou ao Projeto: Interesse pessoal ( ) Interesse acadêmico( ) Interesse financeiro ( ) Outros:especificar abaixo ( ) R: 6. Assinale o(s) conceito(s) abaixo que, no seu entendimento, melhor define(m) as ações do Projeto: a) Atuação que tem por finalidade compartilhar as responsabilidades da Universidade com o Estado e a sociedade civil. ( ) b) É uma atitude ética da universidade que favorece a formação de seus estudantes e do público alvo, enquanto cidadãos. ( ) c) É uma atividade que propicia a promoção de valores éticos, morais específicos e/ou socioambientais para melhorar a qualidade de vida da comunidade em que se insere. ( ) Caso deseje, crie sua própria definição: 154 7. O INEP (2006) define a “Responsabilidade Social” como a contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural. Com base nesse conceito, você conclui que o projeto do qual participa promove ações de Responsabilidade Social? SIM ( ) Por quê? NÃO ( ) 8. No seu entendimento, sua atuação no projeto contribui para a complementação da sua formação, enquanto cidadão? SIM ( ) Por quê? NÃO ( ) 9. Após sua atuação no projeto, houve alguma mudança de visão, postura ou hábitos, ou seja, você passou a ter sua noção de cidadania ampliada, novas percepções ou atitudes éticas que não possuía anteriormente? SIM ( ) NÃO ( ) Em caso afirmativo, comente as mudanças identificadas: 10. Futuramente você pretende participar de alguma atividade voluntária que promova ações de inclusão social, de preservação ambiental ou de qualquer outra natureza? SIM ( ) Por quê? NÃO ( ) TALVEZ ( ) 11. Caso deseje, relate alguma experiência marcante, ocorrida durante sua atuação no projeto, que tenha impactado sobre a sua visão de mundo ou ampliado sua percepção com relação ao processo de inclusão social e/ou de preservação ambiental: R: Obrigada por sua participação!!! 155 APÊNDICE E – ROTEIRO DAS ENTREVISTAS 1. a) b) c) d) e) Identificação do campo de atuação do projeto: Inclusão social; Ação afirmativa; Inclusão digital; Preservação ambiental; Outros 2. a) b) c) d) Relação do projeto com o mercado de trabalho: Participação em convênios com Prefeituras ou demais órgãos públicos Estabelecimento de intercâmbios com bancos ou demais entidades da rede privada; Manutenção de vínculo com alguma agência nacional ou internacional; Outros 3. Reflexos causados sobre os estudantes após a participação em atividades de Extensão, focadas em RS: a) A participação do estudante no projeto contribui para a melhoria do seu desempenho enquanto cidadão? b) Quais os reflexos detectados após a participação no projeto? c) Que contribuições o projeto dá para a formação do estudante? 3. Vinculação da imagem pública da IES aos resultados alcançados pelas atividades de Extensão, focadas na RS: a) A administração da universidade vincula os resultados alcançados à imagem da UFF? Em caso afirmativo: Como? Em caso negativo: Por que não? 4. Sistema de gestão: a) Existe um sistema de gestão das ações de extensão? Em caso afirmativo: relate Em caso negativo: considera que este tipo de ação poderia gerar contribuições para o projeto? Exemplifique: b) Percebe a presença da administração, ou seja, há algum tipo de apoio, incentivo da administração? Em caso afirmativo, relate: 5. Formas de divulgação das ações do projeto: a) Quais os meios de divulgação utilizados? Opções: publicidade externa; material impresso; ambiente virtual (sites); eventos e outros 6. Apoio financeiro e estrutural: a) O projeto tem algum tipo de apoio financeiro? Em caso afirmativo: o apoio é interno ou externo? De qual órgão? 7. Identificação de ações de RS no projeto: a) Reconhece as atividades do projeto como ações de RS? (ler conceituação do INEP/2006) 156 APÊNDICE F - PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS AÇÕES DE EXTENSÃO PESQUISADAS CURSO OU SETOR DE VÍNCULO FÍSICA TÍTULO DA AÇÃO DE EXTENSÃO EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FÍSICA TEMPO DE ATUAÇÃO 6 meses OBJETIVOS PÚBLICO ALVO Proporcionar formação aos professores de Física; Desenvolver habilidades coerentes com a educação inclusiva, para atender as políticas públicas Licenciandos e professores de Física do Ens. Médio e Superior; alunos do Ensino Médio e Fundamental com necessidades especiais ( visuais e auditivas) QUANT. DE ALUNOS 05 MATEMÁTICA DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES PARA AMPLIAÇÃO DO ACERVO DIDÁTICO DO LABORATÓRIO DE ENSINO DE GEOMETRIA DO INSTITUTO DE MATEMÁTICA 19 anos Ampliar o acervo didático do Lab de Ens. de Geometria-LEG para atender à comunidade de professores dos Ensinos Fundamental e Médio; criação de recursos pedagógicos, visando à inclusão social de alunos com deficiência Visual Professores, alunos com deficiência visual do Ensino Fundamental e Médio; licenciandos de Matemática 02 PSICOLOGIA REABILITAÇÃO HUMANA, TRABALHO E INSERÇÃO SOCIAL: UMA ANÁLISE DAS “DEFICIÊNCIAS” A PARTIR DO DISPOSITIVO PASSE LIVRE EM NITERÓI 4 anos e 6 meses Realizar um estudo/intervenção sobre as concepções de deficiência Pessoas com deficiência usuárias do passe livre em Niterói 07 PRINCIPAIS ATIVIDADES PRINCIPAIS RESULTADOS Produção de textos e de kits experimentais; Filmagem e edição de vídeos didáticos com legenda em Libras; Socialização do material produzido na Internet; Elaboração e apresentação de trabalhos em eventos acadêmico científicos Elaboração de recursos pedagógicos; treinamento de licenciados em softwares livres e específicos para representações em Geometria, específicos para portadores de deficiência visual; manutenção dos acervos didático e bibliográfico do LEG Preparação, realização, registro e análise de entrevistas a partir do cadastro do passe livre Produção de vídeos didáticos para e com alunos surdos; atividade de ensino sobre Queda dos Corpos visando a inclusão de alunos surdos; produção de vídeo didático; elaboração e apresentação de 2 trabalhos monográficos Produção de um curso de Extensão para professores de Matemática do Ensino Básico; testagem e aplicação dos módulos instrucionais desenvolvidos para alunos do Ensino Básico e para professores portadores de deficiência visual no Instituto Benjamin Constant Apresentação de trabalhos em eventos científicos; realização de entrevistas aos deficientes beneficiados; produção de artigo continua 157 CURSO OU SETOR DE VÍNCULO COPE – Coordenadoria de Projetos Educacionais / PROEX TÍTULO DA AÇÃO DE EXTENSÃO PRÉUNIVERSITÁRIO OFICINA DO SABER (trata-se de um sub Projeto do Programa Oficina do Saber) TEMPO DE ATUAÇÃO 10 anos CIÊNCIAS SOCIAIS ECONOMIA SOLIDÁRIA: FEIRA DE TROCAS EM NITERÓI (nome fantasia: O bonde da Troca) 2 anos NUTRIÇÃO GRUPO DE ESTUDO E APOIO AO DOENTE CELÍACO – GEAC: INTEGRAÇÃO EXTENSÃO-ENSINOPESQUISA 3 anos OBJETIVOS PÚBLICO ALVO Possibilitar a participação de jovens oriundos de escolar públicas e de menor poder aquisitivo em concursos das Univ. Públicas; proporcionar aos universitários vivência junto às camadas populares para influir na formação profissional Conscientizar sobre outra forma de consumo consciente e solidário; promover interação entre as pessoas, através da reutilização de objetos; suprir necessidades sem a utilização do dinheiro; incluir os “excluídos do mercado” convencional para que eles possam ser agentes, trocando ao invés de comprar Solidificar e ampliar ações para portadores de doença celíaca Jovens e adultos com Ensino Médio que concluíram ou em conclusão, oriundos de Escolas Públicas e moradores de Bairros Populares População de Niterói; pessoas de outras regiões interessadas em vivenciar a experiência; comunidade universitária: funcionários; estudantes e técnicos, além de transeuntes da Praça Leoni Ramos, localizada na Cantareira Portadores de doença celíaca e familiares, estudantes de Nutrição, nutricionistas; Estudantes do Ensino Fundamental; profissionais da área de saúde e leigos em geral QUANT. DE ALUNOS 03 (bolsistas) 12 voluntário s = 15 04 04 (bolsistas) 04 Voluntári os = 08 PRINCIPAIS ATIVIDADES Aulas expositivas; monitorias; atividade extra-classe (arte terapia; música; visitações...); há uma previsão de atendimento a 120 alunos Participação em feiras de Trocas Solidarias realizadas em praças publicas, igrejas ou onde houver interesse na sua multiplicação; adoção de um caráter pedagógico que promove uma nova forma de pensar a economia, através da comercialização solidária com base nas diretrizes da Economia Solidária Realização de atendimento ambulatorial; oficina culinária; atividades de Educ.Nutricional; elaboração de manual, palestras e trabalhos; publicação de artigos continuação PRINCIPAIS RESULTADOS Aprovações para Universidades Públicas; produções acadêmicas (TCC, Teses e artigos); concessão do Prêmio de Projeto Inovador de Defesa dos Direitos Humanos / 2006; apresentações em Congressos e Seminários Parceria com a Fundação de Educação de Niterói para realização de Feiras nas Creches Comunitárias; parceria com a Cúria Metropolitana de Niterói e as Igrejas membro do Cons. Nac. das Igrejas para realização de Feiras nas paróquias da cidade. Em 2009 e 2010 foram realizadas 32 Feiras de Trocas Solidárias Atendimento ambulatorial (28); oficina de culinária (26) em 2009 e (16) em 2010; atividades de Educação Nutricional (50) em 2010; palestras (62); apresentação de trabalhos (7); parceria realizada com a ACELBRA/RJ continua 158 CURSO OU SETOR DE VÍNCULO CIÊNCIAS BIOLÓGICAS TÍTULO DA AÇÃO DE EXTENSÃO APRENDENDO E ENSINANDO COM AS PLANTAS CIÊNCIAS SOCIAIS RÁDIO POP GOIABA – UFF DIREITO MADEIRA DE LEI TEMPO DE ATUAÇÃO 3 anos OBJETIVOS PÚBLICO ALVO QUANT. DE ALUNOS 03 Construir uma horta orgânica na escola para produção de alimentos nutricionalmente ricos visando incrementar a merenda escolar; estimular o ensino de Botânica e a Educação no Ensino Fundamental Alunos do Ensino Fundamental; professores da rede pública de educação; pais e familiares de alunos e professores; moradores da região de Jurujuba 8 anos Realizar divulgação científica e cultural; disseminar a proposta ética do projeto é uma referencia na produção de conteúdo da rádio A População em geral, mas com foco maior em estudantes; professores; artistas e agentes sócioculturais 04 (*) Realizar programa de entrevistas televisivas, e pesquisas desenvolvidas no Mestrado e no Doutorado na área de sociologia e Direito; ampliar e consolidar as perspectivas críticas dos alunos através do contato com a realidade social Público universitário (estudantes da UFF) 2 graduação 17 doutorado 8 mestrado = 27 PRINCIPAIS ATIVIDADES Atividades interativas na horta com os professores e alunos; capacitação de professores e de estudantes de graduação da UFF na prática de docência em ambiente escolar; aproximação da universidade, escola e sociedade Desconstrução do modelo tradicional de programas de rádio para abertura e liberdade na produção de linguagens inovadoras, visando a criação de novos conteúdos que representam um avanço na formação cidadã e na visão de sociedade do estudante Realização de entrevistas filmadas e de curta metragens que ampliam a dimensão acadêmica e cultural para além da sala de aula. Os alunos vão a campo nas filmagens, conhecendo comunidades diversas continuação PRINCIPAIS RESULTADOS Atividades interativas com as crianças; produção de material didático; interação dos estudantes da UFF com a sociedade através da questão ambiental Há 7 anos a rádio vem sendo uma referência Nacional de Rádio Comunitária, divulgando a cultura local e popularizando a produção acadêmica; ganhou o Prêmio Aluísio Palhano de Direitos Humanos (2005); produziu eventos e documentários com o NUFEP A realização do filme “Narrativas de Encruzilhada”;, curta metragens e entrevistas em preparo continua 159 CURSO OU SETOR DE VÍNCULO ENFERMAGEM ODONTOLOGIA TÍTULO DA AÇÃO DE EXTENSÃO ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DO IDOSO E SEUS CUIDADORES-EASIC ATENÇÃO À SAÚDE BUCAL DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS TEMPO DE ATUAÇÃO 13 anos (*) OBJETIVOS PÚBLICO ALVO Dar aos alunos do projeto condições de articular o ensino, a pesquisa e a extensão; contribuir para a formação cidadã dos alunos através da prática com os idosos e seus cuidadores Idosos saudáveis e portadores de doenças crônicas e degenerativas e cuidadores de idosos Promover a sensibilização e aperfeiçoamento técnico-científico de acadêmicos de Odontologia para a prática profissional que considere os aspectos biopsicossociais inerentes ao contexto da vida de pessoas com necessidades especiais, além de promover a atenção à saúde bucal desses indivíduos Pessoas com necessidades especiais e alunos de Odontologia QUANT. DE ALUNOS 60 graduação 12 Pós graduação 03 Mestrado = 75 01 bolsista + Turma Estágio Supervisio nado (+ 15) PRINCIPAIS ATIVIDADES Consulta de Enfermagem; Oficinas terapêuticas com idosos com demência e seus cuidadores; visita domiciliar; sala de espera; atividades de promoção à saúde Ações de educação em saúde individuais e coletivas; atendimento odontológico e atividades que estimulem a aproximação da Universidade com a comunidade e a interdisciplinaridade, como discussão de casos e seminários continuação PRINCIPAIS RESULTADOS Produções de artigos, TCC, monografias, dissertações, tese de doutorado; trabalhos apresentados em eventos científicos; superação dos alunos da dificuldade de comunicação com os pacientes; melhora a qualidade de vida do idoso com os cuidados prestados; os alunos passam a respeitar muito mais os idosos da comunidade e de sua família Formação e acompanhamento de participantes com necessidades especiais para atuação como agentes multiplicadores de saúde; quatro oficinas de Saúde, sendo 2 para a as famílias; planejamento conjunto de material didático e estratégias pedagógicas para educação em saúde adequadas aos escolares com NEE continua 160 CURSO OU SETOR DE VÍNCULO PEDAGOGIA ENGENHARIA PEDAGOGIA TÍTULO DAS AÇÕES EXTENSÃO ESCOLA DE INCLUSÃO CURSO PRÉUNIVERSITÁRIO POPULAR DA UFF INCLUSÃO SOCIAL DE ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS TEMPO DE ATUAÇÃO 2 anos 11 anos 3 anos OBJETIVOS Formar professores interessados em transformar o cotidiano escolar em ambientes inclusivos Levar conhecimentos sobre disciplinas pertinentes ao Ensino Médio, visando capacitar os alunos para aprovação no vestibular Desenvolver conhecimentos transdisciplinares e cursos de aperfeiçoamento psicopedagógicos e psicopatológicos, interativos e dinâmicos; promover intervenções psicossociais/psicopedagó gicas e orientações junto aos professores, diretores, alunos e famílias visando inclusão e desenvolvimento de alunos com NEES PÚBLICO ALVO Alunos de Licenciatura; profissionais do Ensino formal e não formal; org. governamentais e não governamentais Alunos carentes que concluíram o Ensino Médio e que pretendem realizar vestibular para universidades públicas; alunos que atuam como mestres Professores da rede Municipal do RJ; Alunos da rede pública com NEE, com dificuldades de aprendizagem, com transtornos do desenvolvimento e da aprendizagem e suas famílias QUANT. DE ALUNOS 12 32 Graduaçã o 04 Pós Graduação = 36 07 PRINCIPAIS ATIVIDADES Oferta de curso de formação em Braille, Libras, Materiais Acessíveis. Exposição itinerante de materiais acessíveis e na Agenda Acadêmica Ministrar aulas a noite e aos sábados (atualmente estão inscritos 640 alunos). O curso funciona como um Laboratório de práticas pedagógicas para os licenciandos que, ao ministrarem as aulas, estão adquirindo uma rica experiência profissional Cursos especiais aos professores da rede pública; Ações psicodiagnósticas com alunos NEES; Ações psicopedagógicas (jogos eletrônicos educativos) com alunos NEES; Ações psicossociais com as famílias de alunos NEES continuação PRINCIPAIS RESULTADOS Montagem de 5 cursos e criação de 29 materiais acessíveis Aprovação anual de aproximadamente 140 alunos nas universidades públicas, sendo 70 no turno noturno. O curso já aprovou 650 alunos nas universidades públicas Publicações em anais de congressos e artigos em periódicos; apresentação dos resultados sumarizados com avanços cognitivos, sociais e acadêmicos dos alunos continua 161 CURSO OU SETOR DE VÍNCULO QUÍMICA QUÍMICA TÍTULO DAS AÇÕES DE EXTENSÃO LIXO TECNOLÓGICO: RECUPERAÇÃO E REAPROVEITAMENTO DE SEUS COMPONENTES INSTRUMENTALIZAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS (trata-se de um sub Projeto do Programa Lixo Tecnológico) TEMPO DE ATUAÇÃO *** *** OBJETIVOS PÚBLICO ALVO Demonstrar a viabilidade econômica da recuperação dos componentes e artefatos tecnológicos; separar os diversos componentes dos artefatos; recuperar os elementos e os compostos ou produzir, a partir destes, substâncias de maior valor agregado; transformar a reutiluzação dos materiais em um grande ganho sócioambiental; diminuir o material enviado para os aterros Comunidade do Instituto de Química, do Campus do Valonguinho e do Gragoatá; estudantes de graduação; Equipe do Laboratório de Hialotecnia Produzir material didático para o Ensino Básico, Médio e de graduação; desenvolvimento de novos experimentos, visando a produção de artefatos para auxiliar na definição de conceitos Institutos ou Departamentos de Química e Biologia de outras instituições; Escolas Técnicas e Colégios (nível médio); espaço UFF de Ciências; Casa da Descoberta QUANT. DE ALUNOS 02 04 PRINCIPAIS ATIVIDADES Coleta do lixo tecnológico para evitar o desperdício de matéria prima pura; reutilização dos vários componentes presentes nos artefatos; desenvolvimento de técnicas de separação, purificação ou transformação em outras substâncias com valor agregado; redução do impacto produzido pelo processo extrativo; criação de postos de trabalho para pessoas com pequena qualificação; capacitação técnica dos estudantes de graduação Auxílio aos Professores e o Técnico na confecção do instrumental; teste de todos os experimentos produzidos; edição de texto, para cada ensaio proposto; auxiliar aos professores nas apresentações para divulgação do material continuação PRINCIPAIS RESULTADOS Treinamento dos alunos bolsistas e desenvolvimento de outras estratégias para separação dos componentes das baterias de celulares; duas apresentações em eventos: “I Curso de Educação Ambiental” – PURO (26/06/2009) e “Acolhimento Estudantil na UFF” (março/2009); trabalho apresentado na XIV Semana de Extensão da UFF 2009 Participação na XIII Semana de Extensão UFF (dois Pôsteres); produção de aulas teóricas e experimentais envolvendo o meio ambiente, respaldadas com instrumental básico/comercial de fácil montagem; apresentação do tema da aula sob a forma de questionário continua 162 CURSO OU SETOR DE VÍNCULO QUÍMICA PROGRAMA DE CIÊNCIA AMBIENTAL TÍTULO DAS AÇÕES DE EXTENSÃO GESTÃO DE RESÍDUOS QUÍMICOS NO INSTITUTO DE QUÍMICA DA UFF (trata-se de um sub Projeto do Programa Lixo Tecnológico) COLETA SELETIVA DE LIXO TEMPO DE ATUAÇÃO (*) 25 anos OBJETIVOS PÚBLICO ALVO Manter no Instituto de Química da UFF o Programa de Gestão de Resíduos Químicos; levantar e catalogar os rejeitos produzidos nas diferentes atividades desenvolvidas no Inst. de Química; promover o tratamento e a recuperação dos resíduos gerados; manter o sistema informatizado de dados para reagentes e resíduos Docentes, funcionários, alunos de graduação e pósgraduação da UFF, docentes e alunos de outras instituições de nível superior, escolas técnicas e profissionalizantes, escolas da rede pública de ensino, escolas particulares Realizar e disseminar a proposta da coleta seletiva de lixo; possibilitar o processo de reciclagem; produzir um trabalho prático de educação ambiental para gerar uma nova relação entre a comunidade e os resíduos gerados; contribuir para a proteção ambiental Moradores e comerciantes do Bairro São Francisco (Niterói/RJ) – conta com a participação de mais de 1200 residências, além dos comércios; alunos de Pós- Graduação – pesquisadores da área de resíduos sólidos QUANT. DE ALUNOS 02 (*) PRINCIPAIS ATIVIDADES Coordenação do Projeto e pela orientação dos bolsistas; implantação da gestão de resíduos no Departamento de Química Inorgânica e do banco de dados de reagentes; divulgação do projeto e promoção da formação de recursos humanos Recolhimento dos materiais separados pelos moradores; realização de triagem e armazenamento; envio do material recolhido à Indústria de reciclagem; realização de parcerias com o Centro Comunitário do bairro e Agências Internacionais; gera empregos diretos e indiretos (serve de fonte permanente de estudos) continuação PRINCIPAIS RESULTADOS Controle das descargas dos resíduos químicos e seus impactos no meio ambiente, do decréscimo da produtividade e exposição do homem às substâncias nocivas; avaliação da contribuição para este impacto ecológico e implementação dos mecanismos de controle dos rejeitos; capacitação e qualificação de recursos humanos visando a recuperação de materiais que seriam descartados como lixo inútil Trata-se de uma experiência pioneira de coleta de lixo seletiva; aquisição de tratores e outros equipamentos através da Agência Alemã de Coop. Técnica e outras; apoio da AmBev desde 1992; criação do C. de Inf. Sobre Resíduos Sólidos que desenvolveu seminários, pesquisas e publicações continua 163 CURSO OU SETOR DE VÍNCULO PROGRAMA DE CIÊNCIA AMBIENTAL Matemática/Pádua - GEM TÍTULO DAS AÇÕES DE EXTENSÃO RESÍDUOS & MEMÓRIA (trata-se de um sub Projeto do Programa Coleta Seletiva de Lixo) ADOTE UMA ÁRVORE: ESTRATÉGIA PARA REPOSIÇÃO/COMPOSIÇ ÃO DE MATA CILIAR EM SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA TEMPO DE ATUAÇÃO (*) 2 anos OBJETIVOS PÚBLICO ALVO Evitar a perda de um patrimônio valioso que poder perdido diariamente com o descarte inconsciente de pequenos e anônimos acervos; recuperar e conservar materiais culturais recolhidos na coleta de lixo seletiva Comunidade local, nacional e internacional; estudiosos e pesquisadores da área de humanas Buscar meios que viabilizem a recuperação e a conservação da mata ciliar no Município de Santo Antônio de Pádua Professores e alunos de escolas públicas e seus familiares; pessoas vinculadas a Secretaria de Meio Ambiente e ao Sindicato das Pedras e clubes de serviço dos municípios de Santo Antônio de Pádua QUANT. DE ALUNOS (*) (*) PRINCIPAIS ATIVIDADES Recolhimento nas residências de exemplares, acervos particulares, selos, cartões postais, fotos e moedas antigas; recuperação de materiais culturais; estabelecimento de parceria com o Centro Comunitário do bairro de São Francisco e com o Centro de Memória Fluminense da UFF Levantamento de informações sobre a mata ciliar e das plantas nativas na região; realização de oficinas para alunos do Ensino Médio objetivando ensinar formas de plantio, conservação de mudas e outro temas que possibilite a discussão sobre a conservação dos recursos ambientais; Adoção e acompanhamento das mudas plantadas Fonte: Dados extraídos de relatórios, entrevistas e questionários respondidos pelos Coordenadores das Ações de Extensão pesquisadas (*) Dados não informados continuação PRINCIPAIS RESULTADOS Recuperação de milhares de exemplares; criação de um rico acervo; manutenção da memória de famílias e da história do bairro; conservação de material histórico; desenvolvimento de seminários; realização de pesquisas e publicação de artigos Levantamento e mapeamento de nascentes da região; avaliação do plantio das mudas; construção de viveiros de mudas florestais nativas; inclusão de uma escola no projeto ambiental do Distrito de Paraoquena; Oportunizou o envolvimento do estudante em trabalhos de Educação Ambiental, permitindo um contato mais estreito com os problemas ambientais do município Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros de Física Baixar livros de Geociências Baixar livros de Geografia Baixar livros de História Baixar livros de Línguas Baixar livros de Literatura Baixar livros de Literatura de Cordel Baixar livros de Literatura Infantil Baixar livros de Matemática Baixar livros de Medicina Baixar livros de Medicina Veterinária Baixar livros de Meio Ambiente Baixar livros de Meteorologia Baixar Monografias e TCC Baixar livros Multidisciplinar Baixar livros de Música Baixar livros de Psicologia Baixar livros de Química Baixar livros de Saúde Coletiva Baixar livros de Serviço Social Baixar livros de Sociologia Baixar livros de Teologia Baixar livros de Trabalho Baixar livros de Turismo