SNPTEE SEMINÁRIO NACIONAL DE PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA GGH-19 19 a 24 Outubro de 2003 Uberlândia - Minas Gerais GRUPO I GRUPO DE ESTUDO DE GERAÇÃO HIDRÁULICA – GGH O HIDROGERADOR E A EXCITAÇÃO ESTÁTICA Marco Saltara * Alstom Brasil Ltda RESUMO Valores elevados ( maiores do que três e, no Brasil, maiores do que cinco ) da tensão de teto em vazio da excitatriz estática, tem provocado o aparecimento de correntes de excitação com intensidades acima daquelas calculadas com métodos convencionais de cálculo. Este trabalho analisa o fenômeno e sugere um método empírico de cálculo que permite prever com boa precisão as correntes que serão medidas quando dos ensaios. Discute também o aumento observado das perdas em vazio e curto circuito permanente, a natureza destas e a influência sobre o rendimento obtido por segregação das perdas. PALAVRAS – CHAVE Harmônicas de excitação. Corrente de excitação. Perdas por excitação estática. Efeitos da tensão de teto. Mauro Ken Iti Uemori Alstom Brasil Ltda But practical measures decreasing excitation voltage a.c. components are used sometimes; namely some kind of filters, two group rectifier scheme with working and forcing groups (I) (FR) (SU) and others.” Com isso fica claro que um limite de até 2 p.u. não preocupa e que um valor de 3 p.u. inspira o desejo de adotar algumas medidas que atenuem a influência das harmônicas da tensão. Recentemente a Operadora Nacional de Sistemas (ONS) decidiu que duas condições deveriam ser respeitadas, a fim de melhorar as condições de estabilidade das redes nacionais: a mínima tensão de teto, em relação à tensão em vazio, deve ser 5 p.u.; se a tensão nos terminais do gerador cair para 35% da nominal, a excitatriz estática deve poder ainda fornecer a corrente de excitação de plena carga. Esta última condição, nos dizeres dos fabricantes de excitatrizes, leva a tensões de teto superiores a 5 p.u. 2.0 – A ONDA DE TENSÃO 1.0 – INTRODUÇÃO O sistema de excitação estático é utilizado em todos os novos geradores hidráulicos e as unidades mais velhas estão sendo aos poucos convertidas para este sistema, mais moderno e altamente confiável. Quando o sistema começou a se impor no mercado, o Grupo 11 do Cigré circulou um questionário entre os membros. Um condensado das respostas foi publicado no número 50 da revista Electra, e está reproduzido a seguir. “C. Harmonics in the excitation circuits with rectifiers. C.1. According to the answers received no special requirements to limit a.c. components of excitation voltage are needed, at least for the excitation systems with ceiling voltage not higher than 2 p.u. (J) or 3 p.u. (GB). A fim de entender a preocupação com as harmônicas da tensão, apresentamos o oscilograma da forma de onda gerada em vazio pelas excitatrizes estáticas dos geradores de Salto Caxias. Ver Figura 1. Lembre-se que uma excitatriz estática é, basicamente, um sistema de seis tiristores. Cada tiristor conduz corrente durante um sexto do período, ou seja 60° ou p/3 rd ou , em unidade de tempo, p/(3w) segundos, sendo w = 2pf , onde f = freqüência da rede de alimentação em Hz. O disparo de cada tiristor se dá a partir de um sinal do sistema de controle, e a condução começa a partir de um ângulo identificado por a e chamado de ângulo de disparo. Na, realidade há uma pequena demora, caracterizada pelo ângulo de comutação m , que é função da corrente e de a ( ver Kimbark, E. W. - Direct Current Transmission – Volume I – Wiley Interscience) * Rua João Paulo I, 20 Apto 11 – CEP 12031-170 – Taubaté – SP - Brasil Fone: (012) 225-3565 Fax: (012) 225-3472 E-mail: [email protected] (...) 2 p m m p p sen[( l + 1)( - )] cos[( l + 1)(a + + ) + ] 6 2 2 6 3 } l +1 A série de Fourier é: • v(t) = v(0) + Â v(an) cos(ëù t) + v(bn) sen(ëù t) 1 v(cn) é o valor máximo da harmônica de ordem n e é dado por: v(cn) = v(an) 2 + v(bn) 2 e fase q(n)=atan ( v(bn) ) v(an) 3 .0 – A CORRENTE DE CAMPO FIGURA 1 –Oscilograma da onda de tensão, em vazio, para os geradores de Salto Caxias. Na Figura 1 aparece a tensão de pico da onda trifásica que alimenta a ponte de tiristores 1450 V, o ângulo de disparo avaliado graficamente em 82,7 graus e, no original, o ângulo m = 3°. Com Vmo = tensão máxima da onda trifásica p é v(t)= Vmo sen( + wt) (1) 3 p a a+m no intervalo t(1) = a t(2) = + w 3w w O valor médio, calculado no intervalo [p/(3w)-m/w] e que é o primeiro termo da decomposição em série de Fourier, resulta igual a m 6 p m Vmo * sen( - ) * cos( a + ) v(0)= (2) p - 3m 6 2 2 Considerando n = inteiro = 1;2;3;4;.......e fazendo: l = 6n os termos da decomposição em série de Fourier são: v(an)= 6 Vmo * ∂ p m m p p sen[( l - 1)( - )] sen[( l - 1)(a + + ) - ] 6 2 2 6 3 + * {l -1 p m m p p sen[( l + 1)( - )] sen[( l + 1)(a + + ) + ] 6 2 2 6 3 + } l +1 Analogamente v(bn) = 6 Vmo * ∂ p m m p p sen[( l - 1)( - )] cos[( l - 1)(a + + ) - ] 6 2 2 6 3 + *{ l -1 O enrolamento de campo de um gerador constitui um circuito série com L e R, alimentado pela tensão dada pela equação (1), podendo-se desprezar o efeito da capacitância. Portanto, sendo i a corrente de campo, pode-se escrever: v(t) = Ri + L di/dt = Vmo sen( p / 3 + wt ) (3) equação cuja solução é: Vmo p p i= [R sen( + wt ) - X cos( + wt )] + Ce- t / t 3 3 Z2 onde Z_ = R_ +X_ X=wL t = L / R = constante de tempo do campo (seg) Considerando que, em cada ciclo, a corrente inicial é igual à corrente final do ciclo anterior e chamando esta corrente de I(if), constante uma vez alcançada a estabilização, ou seja para t = t(1) e t = t(2), com: X = Z sen j R = Z cos j Imx = Vmo / Z resultam: C =[ I(if) - Imx sen( p / 3 + a + m - j ) ] e ( a + m ) / wt p I(if) = Imx [ sen( + a + m - j) + 3 p m m e-m / wt ] (4) - ) sen( j - a - ) -m / wt 6 2 2 e - e-1 / 6 ft p i(t) = Imx [ sen ( + wt - j) + 3 +2sen( a p m m +2sen( - ) sen(j-a- ) 6 2 2 -t e wt -m -1 et ] (5) e wt - e 6 ft Decompondo em série de Fourier, no intervalo ì ∂ 3ù ù p m - ) 6 2 Imx [ cos(j-a- m ) + i(0) = p - 3m 2 m + wt sen(j-a- ) ] (6) 2 Analogamente ao que foi feito com a tensão, podem ser desenvolvidas as expressões de i(an) e i(bn) da série de Fourier. Ver anexo I 6 sen( (..) 3 Observe-se que, se m = 0 , é l = 6n e as freqüências harmônicas são os múltiplos de 6 da freqüência fundamental. As harmônicas de freqüências 6n±1 ou seja 5;7;11;13;.....aparecem no secundário do transformador de excitação. 4.0 – A ENERGIA TROCADA COM O MEIO Partindo da equação (3) pode-se escrever: di v i dt = R i_ dt + L i dt dt A última parcela representa a energia trocada com o meio, armazenada neste enquanto a corrente aumenta e devolvida quando a corrente diminui. A integral t( 2) di Út(1) Li dt dt é igual a zero O ponto t(0) , no qual a derivada da corrente se anula, pode ser determinado por tentativas ou pela expressão aproximada p m m 2 sen( - ) sen( j - a - ) p 1 -1 6 2 2 ] t(0) = [ j - + cos ( -m -1 3 w wt(e wt - e 6 ft ) com diferenças, entre os dois métodos, inferiores a 0,02%. Pode-se considerar a corrente como sendo um valor função de tempo adicionado a I(if), que é constante, portanto a integral da energia será calculada para a diferença [ i – I(if) ] e estendida ao intervalo de tempo t(0) – t(1). A expressão desta grandeza, indicada por Earm, se encontra no anexo I. A potência associada a esta energia é W = Earm / [ t(0)-t(1) ] (watt) A corrente de excitação é dada pela expressão empírica : i (exc) @ I(if) + p W Lalt (A) (7) Ralt L válida para as condições de carga e vazio, e ,no caso de curto circuito permanente, pela expressão: Lalt (A) Zalt L p = número de pares de pólos Ralt = resistência de campo para 6f L = indutância do campo (H) Lalt = Indutância do campo para 6f i(exc)@I(if)+p W onde (8) (W) (H) (H) 2 Ralt + (2p * 6fLalt )2 (W) A corrente de excitação é maior do que a corrente que circularia se a excitação fosse em corrente contínua e é tanto maior quanto maior o ângulo de disparo. Zalt = 5.0 – A RESISTÊNCIA Com m = número de fios radialmente superpostos na bobina de campo R cc = resistência em corrente contínua (W) h = espessura do fio do campo (m) f p = freqüência da pulsação predominante = 6f (Hz) m 0 = 4p * 10 -7 (Wseg / m) a = largura do fio do campo (m) b = distância média ponderada entre o núcleo do pólo e a linha de centro entre pólos contíguos (m) r = resistividade do material do fio na temperatura de operação (Wm) l = comprimento lateral médio da meia espira (m) l m = comprimento médio da meia espira (m) x=h j(x)= x p6fm0al rblm senh( 2x ) + sen( 2x ) cosh( 2x ) - cos( 2x ) Finalmente: y(x) = 2x Ralt = R cc [ j(x)+ senh x - sen x cosh x + cos x 1 ( m_ -1) 3 y(x) ] (W) 6.0 – A INDUTÂNCIA A indutância do enrolamento de campo é dada por F L= 2p N (Henry) i(0) 2 p = número de pólos N = número de espiras por pólo F = fluxo por pólo concatenado com as N espiras (Wb) i(0) = corrente média de excitação (A) Por ter a bobina um núcleo de aço, sua indutância é afetada pela pulsação da corrente e pelo nível de saturação do material magnético. Com: d = espessura da lâmina de material magnético (m) 6f = freqüência da pulsação (Hz) m = permeabilidade na indução de trabalho do núcleo em Wseg / m r = resistividade do material do núcleo (Wm) x=d p6fml rlm Lalt = L 1 senh x + sen x x cosh x + cos x (H) 7.0 - COMPARAÇÕES Foram feitas comparações entre valores de corrente de excitação calculadas com o programa de cálculo padrão usado e comprovado há mais de 40 anos , os valores medidos em ensaios e os valores calculados usando as equações desenvolvidas acima. Se escolheram unidades recentemente comissionadas, providas de sistema de monitoramento do entreferro, o que permite conhecer os valores reais dos entreferros em operação . Os cálculos padronizados foram refeitos introduzindo nos programas os valores dos entreferros reais. As máquinas escolhidas são : unidade #3 da UHE Salto Caxias com 345 MVA, f.p.0,9, 16 kV, 60Hz, 80 pólos ( 90 min -1 ); unidade #5 da UHE Itá com 305 MVA, f.p. 0,95, 16 kV, 60 Hz, 56 pólos (128.57 min -1 ); unidade da UHE Colbun (Chile) com 93 MVA, f.p. 0,9, 13,8 kV, 50 Hz, 24 pólos ( 250 min -1 ),com tensão de teto 3,5 p.u. O valor medido da corrente de excitação em vazio foi muito questionado pelo cliente, que (...) 4 considerava inaceitável o desvio em relação ao valor calculado. Note-se que, no ensaio em curto circuito permanente, o transformador de excitação não tem tensão para alimentar a excitatriz estática, que deve ser alimentada por uma fonte de tensão independente. Quando a tensão do gerador é de 16 kV , é praxe utilizar a tensão de 13,8 kV, normalmente disponível. A análise da equação (2) , para v(0) quase constante, mostra que, para compensar a diminuição de Vmo , o ângulo de disparo a deve diminuir. Isto afeta o conteúdo de harmônicas da tensão e da corrente de excitação, alterando a magnitude das perdas e da corrente de excitação. adaptadas ao programa de cálculo peculiar de cada empresa. O objetivo do trabalho é, no entanto, o de mostrar que os valores da coluna “Cálculo padrão”, apesar de não muito diferentes dos valores medidos em ensaio, são sistematicamente inferiores a estes. A diferença é função da tensão de pico da onda trifásica da tensão de saída do transformador de excitação, que define o valor da tensão de teto da excitatriz. Com os altos valores da tensão de teto hoje exigidos em função das determinações da ONS, parece interessante introduzir nos programas de cálculo uma simples correção, para encontrar nos ensaios valores mais próximos dos previstos. TABELA 1 – Valores comparativos das correntes de excitação em Ampères em Salto Caxias, com desvio percentual D entre o valor da equação (7) ou (8) e o valor medido. Cálculo Equação D% Condição Medição padrão (7)ou (8) 9.0 – PERDAS Vazio 1293,3 1375 1379,8 + 0,3 Curto permanente 1051,6 1092 1107 +1,4 Plena carga 2192 2288 2272,4 -0,7 TABELA 2 – Valores comparativos das correntes de excitação em Ampères em Itá, com desvio percentual D entre o valor obtido pela equação (7) ou (8) e o valor medido. Cálculo Equação D% Condição Medição padrão (7)ou(8) Em 1047,05 1096 1102,7 +0,6 vazio Curto 965,7 983 999.4 +1,7 permanente Plena carga 1764 1860 1811,3 -2,7 TABELA 3 – Valores comparativos da corrente de excitação em Ampères, em vazio, em Colbun, com o desvio percentual entre o valor obtido pela equação (7) e o valor medido Cálculo Equação D% Condição Medição padrão (7) Vazio 506,25 550 545,9 0,75 8.0 – CONCLUSÔES E COMENTÁRIOS Fórmulas empíricas, do tipo apresentado, são adequadas para uso com um programa específico de cálculo. Cada empresa tem programas que obviamente respeitam os princípios físicos que regem as máquinas elétricas , mas que, em maior ou menor medida, estão embutidos com coeficientes empíricos, baseados em experiência, cuja finalidade é melhorar a precisão dos cálculos. Portanto as equações (7) e (8) devem ser O aumento da corrente de magnetização gera fluxos não úteis ( a tensão nos terminais da máquina é constante). Estes fluxos tem freqüências elevadas e provocam perdas nas massas de ferro, seja do tipo de perdas por correntes parasitas (Foucault), seja perdas por ciclos de histerese. A este respeito é interessante verificar a experiência realizada nos ensaios em vazio do gerador da UHE Itá, alimentando o primário do gerador de excitação antes com 13,8 kV e depois com 16 kV. Confirmando o modelo apresentado neste trabalho, houve aumento do ângulo de disparo, da corrente de excitação, para a mesma tensão nos terminais do gerador, e das perdas no ferro: tensão (kV) 13.8 16 a (graus) ª 78,3 ª 81,9 corrente (A) 1086,5 1096 perdas (kW) 807,46 881,48 Infelizmente, apesar do espírito de colaboração e do interesse dos engenheiros da Gerasul, por problemas de logística e de tempo disponível, não foi possível repetir a experiência no ensaio de curto circuito permanente, no qual seria verificada a mesma tendência. É importante notar aqui duas coisas: que o incremento de perdas mostrado acima seria maior se comparado com as perdas que se mediriam se a alimentação do campo fosse em corrente contínua; que o incremento de perdas, causado por fluxos harmônicos de altas freqüências, é de mesma natureza em vazio e em curto circuito permanente. Conclui-se que a adoção da excitação estática, sem dúvida um importante progresso tecnológico, levou a um aumento das perdas nas máquinas. Este aumento é provavelmente desprezível se a tensão de teto for limitada aos valores analisados pelo Grupo 11 do Cigré (ver introdução), mas certamente sensível ao usar tensões de teto na faixa de 5 p.u. Adicionalmente, ao determinar o rendimento pelo método de segregação das perdas previsto pelas normas IEC 34-2 e ANSI-IEEE 115, são consideradas duas vezes, na soma para determinar as perdas em plena carga, perdas da mesma natureza. Voltando para Itá, somando as perdas suplementares medidas com alimentação 13,8 kV e iguais a 579,50 kW ( seriam maiores com alimentação 16 kV) com as (..) 5 perdas no ferro de 881,48 kW, resulta um valor de 1460,98 kW a ser considerado em plena carga. A máquina tendo sido ensaiada diretamente em plena carga e obtida por diferença a soma das perdas suplementares com as perdas no ferro, foi encontrado o valor 1166,16 kW. Há aqui um excesso de 294,82 kW. É interessante observar que na base de 3000 US$ por kW de perdas ( valor não infreqüente no mercado internacional ) isto corresponde a uma multa de quase um milhão de dólares, pela aplicação de uma norma internacional, que não prevê uma condição peculiar dos sistemas brasileiros: uma tensão de teto muito elevada. É difícil acreditar que uma problemática puramente local possa ser coberta por uma norma internacional. Caberia à ABNT fazê-lo. É de conhecimento geral dos projetistas de motores acionados por inversores, principalmente do tipo PWM (Pulse Width Modulation), que as perdas no ferro resultam maiores do que seriam sem os inversores, fato reconhecido pelo Amendment 2 das Normas IEC 34-2. O trabalho experimental de Boglietti et al, sobre máquinas alimentadas por inversores tipo PWM, mostra aumento de cerca de 90% nas perdas com indução de 1,7 T, valor este comum em grandes máquinas síncronas em condições de plena carga. Infelizmente, não há um método de cálculo satisfatório para determinar o incremento das perdas. Não há razão lógica para não se aceitar que haja perdas elevadas nas máquinas síncronas com excitatrizes estáticas, principalmente nas peças polares. Novamente, não há maneira de se calcularem as perdas de forma satisfatória. A teoria de Bertotti, com o conceito das perdas em excesso, base das equações usadas por Fiorillo e Novikov, apresenta desvios cada vez mais sensíveis a partir de 1,5 T de indução. Os modernos hidrogeradores trabalham bem acima deste limite. O trabalho de Amar e Kaczmarek, apresenta uma superposição de harmônica à onda fundamental, considerando o efeito do ângulo de defasagem. Enquanto todos estes desenvolvimentos constituem um passo à frente em relação às equações de Steinmetz, não resolvem o problema representado pelos ciclos menores de histerese das harmônicas, contidos dentro do ciclo da fundamental. Este problema, assim como a conseqüência da não linearidade dos circuitos magnéticos, está muito bem explicado nos trabalhos de Batistela, que sugere um método numérico, baseado em cálculo por elementos finitos, e um método analítico válido para induções bem abaixo dos valores normais em hidrogeradores. Pelas razões expostas, não temos um método de cálculo, nem teórico nem empírico, para apresentar. Estamos trabalhando e esperamos , num próximo Seminário, completar a análise aqui iniciada. 10.0 – BIBLIOGRAFIA (1) KÜPFMÜLLER, K. Électricité théorique et appliqueé – Dunod – Paris – Tradução de Einführung in die Theoretische Elektrotechnik – Springer Verlag- Berlin (2) KIMBARK, E. W. Direct current transmission – Volume I - Wiley Interscience (3) BERTOTTI, G. Physical interpretation of eddy current losses in ferromagnetic materials. I. Theoretical considerations. – J. Appl. Phys. 57(6), 15 March 1985 (4) BERTOTTI, G. Physical interpretation of eddy current losses in ferromagnetic materials. II. Analysis of experimental results.- J.Appl.Phys. 57(6), 15 March 1985 (5) FIORILLO, F. and NOVIKOV, A. Power losses under sinusoidal, trapezoidal and distorted induction waveform. – IEEE Transactions on magnetics - Vol. 26, No 5, September 1990 (6) AMAR, M. and KACZMAREK, R. A general formula for prediction of iron losses under nonsinusoidal voltage waveform. – IEEE Transactions on magnetics – Vol. 31, No 5, September 1995 (7) BOGLIETTI, A. et al Iron losses in magnetic materials with six-step and PWM inverter supply IEEE Transactions on magnetics, Vol. 27, No 6, November 1991 (8) BATISTELA, N.J. A caracterização de materiais magnéticos na conversão eletromecânica de energia. – Artigo submetido ao Concurso Público para Professor Adjunto, na Área da Conversão Eletromecânica de Energia, do Departamento de Energia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, ano de 2002 (9) BATISTELA, N. J. Caracterização e modelagem eletromagnética de lâminas de aço ao silício tese de doutoramento – UFSC – Florianópolis 2002 (...) 6 ANEXO I Apresentam-se aqui as equações da série de Fourier para as correntes: sen( 2wt com K = 1 + (lwt)2 6 i(an) = Imx { ∂ 6 i(bn) = Imx { ∂ p m m - ) sen( j - a - ) 6 2 2 e -m wt -e -1 6 ft ∂ ∂ ∂ ] sen[( ë - 1)(á + ) + ö - ] 6 6 3 + ë-1 ∂ ∂ ∂ sen[( ë + 1)( )] sen[( ë + 1)(á + ) - ö + ] 6 6 3 + + ë+1 -1 / 6 fô + K [ cos (la) - lwt sen (la) ] * (1-e )} sen[( ë - 1) ∂ ∂ ∂ sen[( ë - 1)( )] cos[( ë - 1)(á + ) + ö - ] 6 6 3 + ë-1 ∂ ∂ ∂ sen[( ë + 1)( )] cos[( ë + 1)(á + ) - ö + ] 6 6 3 + ë+1 - +K [ sen ( l a) + lwt cos ( l a)] * (1- e com valor máximo i(cn) = (i(an)2 + i(bn)2 ) -1 6 ft )} q(n) = arctang( i(bn) e fase i(an) ) a série de Fourier fica; i(t) = i(0) + • Â i(an) cos( lwt ) + i(bn) sen ( lwt ) 1 Energia armazenada no intervalo t(0)-t(1): t(0 ) Earm = L Ú [i( t ) - I(if )] t (1) com di dt dt A = 2 sen ( p m m - ) sen( j-a- ) 6 2 2 e e -m wt a wt -e -1 6 ft resulta: -t A 2 -2 t t t( 0 ) 1 2p p [ cos ( + 2wt - 2j ) ] + A sen ( + wt - j ) e t + e t (1) + 2 4 3 3 -m -a -t p p - L Imx_ [ sen ( + a + m - j ) + A e wt e wt ] sen ( + wt - j ) + A e t tt ((10)) 3 3 Earm = L Imx_ -