AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES TO PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU ID O PE LA LE I DE DI R EI AVM FACULDADE INTEGRADA EG Alfabetização nas Séries iniciais do Ensino Fundamental: a intervenção do supervisor DO CU M EN TO PR OT pedagógico para a construção de uma alfabetização significativa ANA ROSA REIS E SILVA TERESINA 2013 1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA Alfabetização nas Séries iniciais do Ensino Fundamental: a intervenção do supervisor pedagógico para a construção de uma alfabetização significativa Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Supervisão Escolar da Candido Mendes como requisito para obtenção do título de Especialista em Supervisão Escolar. Orientador: Vilson Sergio de Carvalho TERESINA 2013 2 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar agradeço a Deus, por está sempre em minha vida, ao meu esposo José, por me dá incentivo para continuar essa nova jornada, aos meus filhos Andreia e Júnior por estarem sempre presentes nas horas difíceis me apoiando, aos meus amigos que sempre me ajudaram quando precisei, em especial os da Escola Camilo Filho. 3 "A escrita é uma construção coletiva e não individual". "... A minha contribuição foi encontrar uma explicação segundo a qual, por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa" (Emília Ferreiro) 4 RESUMO Este trabalho apresenta um estudo sobre Alfabetização nas Séries iniciais do Ensino Fundamental: a intervenção do supervisor pedagógico para a construção de uma alfabetização significativa em escolas municipais de Teresina-PI, durante o segundo semestre de 2012. Desse modo, o estudo tem como objetivo geral: Enfatizar no processo de alfabetização a atuação do supervisor pedagógico no desenvolvimento de um trabalho articulado com o professor para a construção de uma alfabetização significativa numa escola pública de Teresina; e, por objetivos especificos: Identificar a atuação do supervisor pedagógico no âmbito da alfabetização; Compreender a importância de uma alfabetização significativa segundo os pressupostos teóricos; Descrever a relação do binômio professor-supervisor para a construção de uma alfabetização significativa. Neste caso, essa fundamentação baseia-se em estudos pesquisados como: Cagliari (1998), Batista (2005), Magda Soares (1990), Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (2001) dentre outros. No decorrer da investigação constituíram-se colaboradores do estudo 02 professores e 02 supervisores pedagógicos do Ensino Fundamental em turmas de alfabetização. O instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário e a técnica de observação na escola campo de pesquisa. O estudo possibilitou discutir as práticas escolares de alfabetização, situando a língua escrita como objeto sociocultural. Desse modo, compreendemos que o processo de alfabetização deve acontecer articulando os usos escolares da escrita aos seus usos sociais. O trabalho indica que as professoras e supervisoras valorizam o processo de alfabetização nas situações de ensinoaprendizagem, contribuindo de forma satisfatória para formar crianças letradas, capazes de ampliar seus conhecimentos nesse mundo globalizado. Enfim, ressaltamos que o estudo é relevante por contribuir com as discussões sobre alfabetização, no contexto escolar. Palavras-chave: alfabetização, letramento, supervisor pedagógico. 5 SUMÁRIO INTRODUÇÃO..............................................................................................................07 METODOLOGIA...........................................................................................................09 CAPITULO I – A PRÁTICA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO.............................11 1. 1 - Compreensão da Leitura e da Escrita.................................................................11 1.2 - Elementos que subsidiam a prática pedagógica no ensino da leitura e da escrita...........................................................................................................................14 1.3 - Alfabetização na sociedade brasileira como tem se configurado?......................17 O CAPITULO II – O TRABALHO DO SUPERVISOR ESCOLAR ..............................23 2.1 - O Supervisor Pedagógico no cenário escolar: um breve olhar...........................23 CAPITULO III - O TRABALHO DO SUPERVISOR PEDAGÓGICO JUNTO AOS PROFESSORES NA CONSTRUÇÃO DE UMA ALFABETIZAÇÃO SIGNIFICATIVA...........................................................................................................27 3.1 - A proposta para a alfabetização da escola..........................................................27 3.2 - O trabalho de alfabetização com os alunos.........................................................28 3.3 - Interação do professor com o supervisor.............................................................29 3.4 - Maiores dificuldades no exercício da prática........................................................29 3.5 - O método de Alfabetização..................................................................................30 3.6 - A alfabetização dos alunos, dificuldades e contribuições....................................31 3.7 - Alfabetizar na perspectiva de letramento.............................................................32 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................34 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA.................................................................................36 ANEXOS.......................................................................................................................38 6 INTRODUÇÃO A alfabetização é um processo enriquecedor e ao mesmo tempo imprescindível para a aquisição da compreensão da linguagem oral e escrita. Nesse processo a aquisição da leitura e da escrita pressupõe uma das etapas mais importantes, pois através dela, o aluno vai desenvolver o percurso independente, uma vez que tal processo alcance essa eficiência, a dependência do aluno reduz, pois se encontra mais confiante e mais autônomo seja com as atividades escolares, seja pela relação com outras atividades que permitam o uso eficiente dos mecanismos da alfabetização. Além disso, a alfabetização não é mais encarada com a finalidade de ler e decifrar os signos linguísticos. Vai muito além da razão da necessidade de interagir a leitura do mundo, dos saberes de experiência do aluno de modo a aglutiná-los com os saberes sistematizados na escola para que ele possa na prática, exercer a leitura, oralidade e escrita com expressividade, podendo posicionar com criticidade o seu ponto de vista, encontrar soluções e corresponder com os demais eixos disciplinares, o que antes era concebido com nítida dissociação. Partindo desta perspectiva, o presente estudo objetiva investigar o processo de alfabetização e a atuação do supervisor pedagógico no desenvolvimento de um trabalho articulado com o professor para a construção de uma alfabetização significativa, pois implica diretamente no processo de ensino-aprendizagem, preocupando, portanto, a sociedade e a todos que fazem parte do ambiente escolar. A temática da pesquisa nesse trabalho de investigação emergiu da necessidade de enfatizar no processo de aquisição da leitura e escrita consciente a articulação do profissional supervisor em trabalho com o professor e a eficiência desse processo, compreendendo quão é imprescindível o papel de ambos para o bom êxito da alfabetização, tornando-a significativa e consciente para o aluno. Para melhor compreensão e sustentação deste estudo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica contemplando autores que pudessem contribuir para desvendar essa problematização, autores devidamente consagrados na literatura educacional, 7 como Cagliari (1998), Batista (2005), Magda Soares (1990), Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (2001), dentre outros, que nortearam a fundamentação desse trabalho. Para explicação da temática em estudo, o texto foi estruturado em quatro capítulos. O primeiro capítulo descreve a prática no processo de alfabetização que se subdivide nos seguintes subtítulos sendo o 1.1 - Compreensão da Leitura e da Escrita, 1.2 - Elementos que subsidiam a prática pedagógica no ensino da leitura e da escrita, 1.3 - Alfabetização na sociedade brasileira como tem se configurado. O segundo, procurou-se discorre sobre o trabalho do Supervisor Escolar. Os dados coletados junto aos professores e aos supervisores compõem o resultado deste estudo que foram analisados e discutidos no terceiro capítulo do trabalho monográfico. Ao final estão às considerações finais, referências bibliográficas e os anexos que trazem os questionários utilizados na pesquisa para coleta de dados. 8 METODOLOGIA Segundo Cagliari (1998) o processo de alfabetização envolve muitos fatores, e quanto mais ciente estiver o professor sobre esses conhecimentos mais condições terá de encaminhar o educando ao sucesso escolar, e é partindo desse pressuposto que a presente pesquisa teve como objetivo geral enfatizar o processo de alfabetização e a atuação do supervisor pedagógico no desenvolvimento de um trabalho articulado com o professor para a construção de uma alfabetização significativa. Este estudo constitui-se uma pesquisa de campo, que segundo Minayo (1992, p. 53), é concebida “como recorte que o pesquisador faz em termos de espaço, representando uma realidade empírica a ser estudada a partir das concepções teóricas que fundamentam o objeto da investigação”. Quanto ao tipo de abordagem, escolhe-se a abordagem qualitativa, visto que nesse tipo, a quantificação de dados, não é necessária, mas a interpretação e compreensão dos dados coletados são suficientes para descrever o processo do estudo, pois o caráter descritivo é típico dessa abordagem. Chizzoti (1995) faz as seguintes considerações sobre a abordagem qualitativa: A abordagem qualitativa parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito (...) o conhecimento não se reduz a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa: o sujeitoobservador é parte integrante do processo de conhecimento e interpreta os fenômenos atribuindo-lhe significados. (p. 79). . A pesquisa foi realizada em duas escolas de rede municipal de Teresina Piauí, durante o segundo semestre de 2012. Para conseguirmos as informações acerca do tema em estudo optamos pelo seguinte instrumento de coleta de dados: aplicação de questionário. Vale ressaltar que antes de aplicarmos os questionários, fez-se necessário um conhecimento prévio sobre a possibilidade de aceitação por parte dos educadores pela pesquisa. Essa investigação previa deu-se através de conversa informal com os professores e supervisores das series iniciais do ensino fundamental. 9 Após breve conhecimento sobre os sujeitos da investigação, foram aplicados questionários, com os professores e supervisores num total de quatro. Os questionários foram elaborados em duas categorias: professor/ supervisor. Esse instrumento teve como finalidade a obtenção de dados sobre o tema proposto para estudo, baseado em perguntas simples e de fácil entendimento, em número equilibrado, conforme roteiro em anexo. Das duas professores entrevistados todos tem formação superir em pedagogia, mas, não mencionaram nenhuma pós – graduação, já as duas supervisoras além da formação acadêmica possuem pós-graduação na área de supervisão. O tempo de serviço entre as professoras e supervisoras varia de um a cinco anos. Recolhido os questionários realizou-se o levantamento das informações obtidas na pesquisa seguindo a análise e interpretação baseada nos seguintes teóricos Cagliari (1998), Batista (2005), Magda Soares (1990), Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (2001) dentre outros. 10 CAPÍTULO I A PRÁTICA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO A experiência cotidiana dos alunos, partilhando de diferentes usos da leitura e da escrita, contribui para contextualizar processo da alfabetização, pois essas experiências vividas pelas crianças têm elementos expressivos de leitura e escrita. Para que as habilidades de leitura e de escrita se desenvolvam o professor precisa estimular o conhecimento de forma que viabilize situações concretas de reflexões sobre o ler e o escrever. È importante ressaltar que no ato de aprender, o aluno desempenha um papel ativo, é também sujeito desse conhecimento. Por este motivo, não se deve considerar o aluno como ser passivo transmitindo-lhe informações somente para memorizá-lo. O aluno deve ser respeitado em todas as instâncias de sua vida, ou seja, como deve ser considerado como ser histórico e social. É com essa compreensão que neste capitulo discutimos sobre a prática da alfabetização nas séries iniciais. 1. 1 - Compreensão da Leitura e da Escrita Para Soares (In: apud FRAGO, 1995) Nos dias de hoje, em que as sociedades do mundo inteiro estão cada vez mais centradas na escrita, ser alfabetizado é, saber ler e escrever tem se revelado condição insuficiente para responder adequadamente as demandas atuais. É preciso ir além da simples aquisição do código escrito, é preciso fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, apropriar-se da função dessas práticas, é preciso letrar-se. Entender como a criança aprende vem sendo alvo de estudos ao longo das gerações. A cada nova teoria descoberta acredita se que deve haver novas revisões teóricas como também metodológica por parte dos educadores, pois o professor que ensinar a ler e escrever precisa estar ciente dos processos teóricos decorrentes das teorias de aquisição da linguagem e aprendizagem da leitura e escrita. O conhecimento sobre as teorias são essenciais para o estudo da prática no ensino da linguagem, entre elas destacam-se: a tese inatista; a tese funcionalista; a cognitivistafuncionalista de Bever; a tese construtivista de Piaget; a teoria histórico-social de 11 Vygotsky; o papel do jogo e da história; o papel da consciência; entre outras teorias importantes. Segundo Silva (1985), o ato de ler é uma necessidade concreta para aquisição de significados e, consequentemente, de experiência nas sociedades onde a escrita se faz presente, o autor afirma que o ato de ler se inicia quando um sujeito, através de sua percepção toma consciência de documentos escritos existentes. A letra se manifesta então, como a experiência resultante e do trajeto seguido pela consciência do sujeito em seu projeto de desfilamento do texto. Para Silva, a leitura não pode ser confundida com decodificações finais, com reprodução mecânica de formações ou com respostas convergentes a estímulos pré-elaborados. O objetivo mais geral do ensino de português para todas as séries da escola é mostrar como funciona a linguagem humana e, de modo particular, o português; quais os usos que tem, e como os alunos devem fazer para estenderem ao máximo ou abrangendo metas especificas, esses usos nas suas modalidades escritas e orais em diferentes situações da vida. (CAGLIARI, 1997a p. 28) Segundo o autor, as crianças vivem em contato com vários tipos de escrita: os logotipos, as placas de trânsito, rótulos, cartazes, além de textos de revistas, jornais, televisão, etc. Todas essas vivencias devem ser aproveitadas pelo professor para, justamente com os alunos, refletir sobre as possibilidades da escrita e observar que marcas muito individuais restringem a possibilidade de leitura e que para facilitar a comunicação entre todas as pessoas de uma sociedade, é que se estabeleceu um código, se convencionou um desenho para as letras. Para Cagliari, o ato de ler não acontece aleatoriamente, em sua aquisição é necessário conhecer teorias que possa contribuir para essa prática de mediador no processo e espaço adequado. A princípio, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (2001), em estudo da psicogênese da língua escrita destacam alguns níveis a serem observados na iniciação da escrita do aluno. O nível pré-silábico, pelo quais as crianças imitam a escrita rápida dos adultos elabora a hipótese de que a escrita dos nomes é proporcional ao tamanho do objeto ou ao ser que se refere, como por exemplo: o nome do boi; o nome da formiga. No nível silábico, no qual a criança lê coisas diferentes e precisa usar formas diferentes ao tentar escrever ela respeita a quantidade de letras (nunca inferior a três) e a variedade entre elas (não podem ser repetidas). No nível silábico-alfabético, são 12 feitas tentativas de dar um valor sonoro a cada uma das letras que compõem a palavra, surgindo assim à hipótese silábica, onde cada grafia corresponde a uma sílaba pronunciada podendo usar letras ou outro tipo de grafia. O nível alfabético já traz a aparição de letras convencionais, algumas bem formadas, e outras formadas incorretamente, a criança já compreende que para formar a palavra deverá representar por meio de sílaba. A partir desses níveis é possível compreender o que a criança deseja expressar, de forma que o educador análise oriente e incentive para desenvolver essas etapas conduzindo a aprendizagem, pois no seu trabalho de mediador do processo de leitura e escrita é importante que o professor tenha consciência do papel a exercer e qual contribuição poderá oferecer, de acordo com TEBEROSKY (2001, p.15): “Se o professor é capaz de oferecer uma ajuda efetiva quanto à diversidade das situações de uso, a criança poderá aprender por meio desse uso, as regras de funcionamento na linguagem escrita”. A professora precisa, portanto distinguir a atividade de decifração de letras em palavras de leitura de texto propriamente dita. Para a criança ler um texto é preciso deixar antes que o estude, decifre-o treine sua leitura. (CAGLlARI,1997, p. 161-171) Segundo Cagliari (1997), o ato de ler é uma decifração e uma decodificação não podendo ser confundida como a fala da escrita, se a criança for introduzida ao processo leitura, através de uma técnica que a obrigue a processar a leitura por pequenas partes, acompanhando letras na escrita, fazendo com que cada pedaço seja processado e falado como um bloco, o resultado será uma leitura desestruturada, muito diferente da fluência normal de quem fala espontaneamente. O material de leitura a ser utilizado nas aulas de português deverá envolver textos científicos, cotidianos, da cultura popular, o professor para incentivar a leitura poderá direcionar o aluno a fazer dúzias de pequenos textos tais como: livros como histórias, trechos de obras literárias que podem interessar à criança, poesias. Canções de músicas populares, entre outros. Letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou aprender a ler e escrever,bem como o resultado da ação de usar essas habilidades em práticas sociais, é o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da língua escrita e de terse inserido num mundo organizado diferentemente: a cultura escrita. (BATISTA, 2005, p. ·1·1) 13 Segundo o autor, a língua é um sistema que se estrutura no uso e para uso, escrito e falado, sempre contextualizado. A condição básica para o uso da língua, envolve, da parte dos alunos, um aprendizado muito específico independente do contexto de uso, relativos aos componentes do sistema fonológico da língua e as suas inter-relações. Segundo Batista (2005), entende-se por alfabetização o processo específico e indispensável de apropriação do sistema de escrita, a conquista dos princípios alfabéticos e ortográficos que possibilita ao aluno ler e escrever com autonomia e define letramento como o processo de inserção e participação na cultura escrita. Assim, o processo de aquisição da linguagem pelo aluno não se trata de escolher entre alfabetizar ou letrar; trata-se de alfabetizar letrando. Também não se trata de pensar os dois processos como seqüências, isto é, vindo um depois do outro, como se o letramento fosse uma espécie de preparação para a alfabetização ou então como se a alfabetização fosse condição indispensável para o inicio do processo de letramento. As capacidades lingüísticas da alfabetização, segundo Batista (2005, p. 14), “são capacidades de ler, de escrever, falar e ouvir com compreensão, em diferentes situações das familiares, não acontecem espontaneamente”. Para o autor, um sistema de escrita é uma maneira estruturada e organizada com base em determinados princípios para representação da fala. Há sistemas de escrita que representam o significado das palavras e há aqueles que representam os “sons” da língua, sua “pauta sonora”. Nosso sistema de escrita (alfabético ou alfabético-ortográfico) representa “sons” ou fonemas, em geral cada letra correspondendo a um som e vice versa. Defende os pressupostos de que as capacidades lingüísticas estão organizadas em torno dos eixos mais relevantes para a apropriação da língua escrita, que são destacadas como compreensão e valorização da cultura escrita, leitura, produção escrita e desenvolvimento da oralidade. 1 .2 - Elementos que subsidiam a prática pedagógica no ensino da leitura e da escrita Na escola sempre ouvimos falar de planejamento. Temos a semana do planejamento, data de entrega de planejamento, revisão de planejamento, atualização de planejamento. No entanto na maioria das vezes em que somos lembrados ou cobrados do planejamento, ele vem acompanhado de 14 tarefas que julgamos burocráticas e para as quais não vemos utilidades ou sentido na rotina escolar. (GUEDES-PINTO, 2005, p. 26-30) Segundo a autora, o planejamento é uma ferramenta que poderá contribuir para realização de um trabalho intencional e também para nossa tarefa de formar alunos com maior domínio dos conhecimentos que a escola e o professor devem dificultar. O planejamento deverá ser tomado como possibilidade de fazer da rotina escolar um momento de escolha e decisão. Aquele professor ou professora que analisa a sua classe aprende a conhecer seus alunos, enxerga as suas necessidades, busca atividades, ações, interferências para que seus alunos avancem na qualidade do domínio do conhecimento escolar. O planejamento define-se como um instrumento didático necessário, flexível e inacabado, pois isso se faz necessário a inclusão das crianças no planejamento deverá ser elaborado juntamente com as crianças conhecendo o que elas querem estudar e aprender. O planejamento da rotina é uma tarefa que cabe aos professores, é entendido como uma organização das atividades, dentro do tempo pedagógico é visto sob a ótica da escolha e do controle do professor sobre seu próprio trabalho, não se pode improvisar o planejamento sem buscar fórmulas antigas, saberes já consolidados a respeito do que vem a ser a aula, o planejamento é sinônimo de escolhas e cabe ao professor fazê-las. São os usos sociais da língua oral e escrita que devem balizar o trabalho da escola, cabendo a nós professores, principalmente das séries iniciais aprender a: ouvir, ler, corrigir, rever, refazer, apresentar, formar leitores, e oferecer aos alunos o domínio da norma padrão, do registro escrito, mas para que isso ocorra deve haver um planejamento do tempo pedagógico. (GUEDES – PINTO, 2005, p. 58-71). Para Soares (1990), entre outras habilidades/capacidades a leitura incluí a necessidade de fazer previsões sobre o texto, de construir significados combinando conhecimento prévio e informação textual, de refletir sobre o significado que foi lido e tirar conclusões sobre o assunto enfocado. O professor deverá ter conhecimento e utilizar estratégias de leitura, reconhecendo a importância que as estratégias de leitura têm no processo de construção de sentido do texto e a necessidade do professor desenvolver uma prática em que elas sejam contempladas. Segundo Ferreira (2006, p. 23-25), as estratégias de leitura de antecipação ou previsão de interferência e de verificação, possibilitam ao aluno a compreensão de 15 textos, oportunizando ao aluno condições de vivenciar desde a alfabetização, a funcionalidade de cada gênero e da própria linguagem escrita. Segundo Vieira (2006), As atividades de leitura devem constituir o foco por excelência no encaminhamento do ensino-aprendizagem da língua materna na perspectiva de letramento. Para a autora, os recursos mais essenciais no ensino da leitura e da escrita envolve o material que leve a aluno ao conhecimento de textos autênticos, integrais, que contemplam uma variedade de gêneros textuais (contos de fadas, poema, crônica, tirinha, piada, reportagem, verbete, receita, etc), de usos sociais (literatura, jornalismo, publicidade, ciência, cotidiano, arte,), de suportes (livros, revistas, jornal, embalagem, cartaz etc.) e de contextos da atuação verbal (rural urbano, informal e linguagem das diferentes regiões do país). Os projetos são excelentes situações para que os alunos produzam textos de forma contextualizada, além do que, dependendo de como se organizam, exigem leitura, escrita de leitura, produção de textos orais, estudo, pesquisa e outras atividades. Os projetos podem ser de curta ou média duração, envolver ou não áreas do conhecimento e resultar em diferentes produtos: uma coletânea de textos de um gênero (poemas, contos de assombração ou de fadas, lendas etc.). Um livro sobre um tema pesquisado, uma revista sobre vários temas estudados, um mural ou uma cartilha sobre cuidados com a saúde, um jornal mensal, um folheto informativo, um panfleto, os cartazes de divulgação de uma festa na escola ou em um único cartaz. (PCN' s, 1197, p. 70- Língua Portuguesa) Entre os recursos que o professor deverá utilizar para ampliar o universo de aprendizagem de leitura e escrita, entre os instrumentos importantes para o trabalho do professor estão os jogos e brincadeiras no ensino da Língua Portuguesa. No cotidiano da Sala de aula, professores buscam formas de tornar o ensino: mais eficaz e estimulante. “Outro recurso essencial para incentivar o conhecimento do aluno na apreensão da linguagem padrão, é possibilitar a criança aproximar-se dos livros, pois, segundo Vieira (2006, p. 26),” aprender não é uma atividade natural, para a qual a criança se capacita sozinha. De acordo com a autora, não há receitas a seguir: cada professor (a), de acordo com sua história de leitura e as necessidades de seus alunos, deverá buscar promover a formação de leitores com leituras estimulantes, reflexivas, diversificadas, criticas, ensinando os alunos a usarem a leitura para viverem melhor. 16 1.3 - Alfabetização na sociedade brasileira como tem se configurado? Tem se observado que ao longo dos tempos, o processo de alfabetização vem mudando no Brasil. Cada vez mais há um número crescente de professores que vem conduzindo um processo de alfabetização diferente do método das cartilhas, procurando equilibrar o processo de ensino com o de aprendizagem; apostando na capacidade de todos os alunos para aprender a ler e escrever no primeiro ano escolar e desejando que essa habilidade se desenvolva nas séries seguintes até chegar ao amadurecimento esperado pela a escola. Nessa perspectiva, Cagliari (1998, p. 31) afirma: cada vez mais professores estão se dedicando ao próprio objeto de estudo e ensino que é a linguagem. Velhas idéias, porém básicas, como ensinar o alfabeto, as relações entre letras e sons, o diferente sistema de escrita que temos no mundo em que vivemos a ortografia, estão voltando a ter importância na alfabetização dentro de nossa sociedade brasileira. Porém a história da alfabetização que poderia e deveria ser um processo de construção de conhecimento que se faz com certa facilidade, tornou-se um pesadelo na escola. Cagliari (1998, p. 32) considera que “a razão principal é a atitude autoritária da instituição escolar. A autoridade escolar funciona depois que os alunos já estão “domados”. Nesse primeiro momento a atitude autoritária não funciona bem”. E coloca, ainda, que a criança ao chegar a escola traz consigo todo uma educação família assim impõe resistência ao novo. Enquanto a alfabetização escolar ficou presa a autoridade dos mestres, métodos e livros, que já possuíam todo o processo imposto, constatou-se que muitos alunos não correspondiam as expectativas dos mestres, métodos e livros sendo considerados incapazes e acabavam de fato não conseguindo se alfabetizar. Quando a criança passou a ser valorizada como ser capaz de construir seu conhecimento dentro da sala de aula, passou-se a perceber um melhor desenvolvimento, criaram um clima mais calmo e tranquilo nesse ambiente, uma melhor interação entre professor e aluno, proporcionou condições mais saudáveis para que o processo de alfabetização se realizasse. Os órgãos da administração pública encarregados na educação interferiram muito no trabalho escolar, quer ditando as regras da burocracia quer, sobretudo, 17 ditando normas pedagógicas. Como se vê este é um país onde tudo é feito por meio de leis e decretos e, desse modo, todo mundo tem uma desculpa para o próprio fracasso, achando que tudo está bem e correto quando a burocracia está em dia. São tantos “pacotes educacionais” de acordo com o modismo da época que as formações de professores para o magistério, guiados por estranhos ideais vindas das faculdades de educação que atormentam a professores com tantas mudanças acabam experimentando todos os tipos de pacotes. Com tanto modismo os professores acabam tendo a versão de tudo o que é novo, mesmo que tragam contribuições muito importantes para o desenvolvimento de seu trabalho. Para Cagliari (1998) o que realmente precisa começar a mudar nessa história é a mente de professores alfabetizadores que nem se quer são capazes de avaliar o que vêem diante de seus olhos, um professor que não sabe avaliar com precisão se um método é bom ou não, dando as razões de sua conclusão é um professor mal preparado. Mas não só ele tem a culpa, muitas vezes à culpa cabe também às escolas de formação e dos famosos modismo educacionais. Mas em parte vem também do professor que não se interessou pessoalmente em estudar o que não foi ensinado. Essa competência está ligada ao conhecimento de muitos aspectos de nossa atuação como educador (a) e como professor (a) alfabetizador. Cagliari (1998) ressalta que estudar disciplina ligada à pedagogia é importante, mais ninguém se torna um bom alfabetizador só com essas disciplinas. O fundamental é saber como as linguagens orais e escritas são, e os seus usos. A competência técnica do professor alfabetizador se apóia em sólidos e profundos conhecimentos, aliados ao de pedagogia e psicologia, fazem dele um profissional que sabe exatamente que faz e por que faz de um jeito e não de outro. Se formássemos de maneira correta nossos professores alfabetizadores, teriam, nesse país, em pouco tempo uma outra realidade em termo de alfabetismo. Hoje não só existem milhões de pessoas analfabetas, más também pessoas que foram, de fato, mal alfabetizadas. Nenhum método educacional garante bons resultados sempre em qualquer lugar, isso só se obtém com a competência do professor. Cagliari (1998, p.34) também afirma que: O Brasil precisa de uma modificação profunda na educação e, em especial, na alfabetização. Para isso necessita de professores de melhor formação técnica. As escolas de formação dedicam muito tempo as disciplinas pedagógicas, metodologia e psicologia e não ensinam o que devem a 18 respeito da linguagem; nem se quer tem curso de lingüística (ou de aritmética) . Como um professor pode lidar com o fenômeno lingüístico, se ele nunca estudou lingüística? Ninguém alfabetiza só com metodologia e psicologia, como também não só alfabetiza só com lingüística. A escola precisa saber dosar todos esses conhecimentos para poder atuar de maneira correta. Nada substitui a competência do professor e, enquanto nossas escolas continuarem a formar mal nossos professores, a alfabetização e o processo escolar como um todo continuará seriamente comprometido. É constante o apelo que se faz na literatura educacional, no sentido de uma qualificação que torne o professor capaz de realizar um trabalho com êxito. Muita coisa precisa ser feita na busca dessa qualificação profissional, e que necessariamente precisa ser coletiva para que haja uma ação pedagógica melhor e tecnicamente e mais acertada politicamente. De com os dados da Revista Nova Escola (1990), as falhas que se verifica nas escolas se relacionam, em partes com expectativas de certa forma inadequada. O sistema escolar espera um aluno ideal, existente apenas de forma abstrata, nos pensamentos de professores que não tem nenhuma visão crítica da realidade, profissionais mal preparados para lidar com o cotidiano das crianças em sala de aula. O professor de escolas púbicas espera um aluno imaginário, que já tenha à sua volta elementos variados de conhecimentos, essa criança existe, mas numa pequena camada da população. A criança que chega à escola pública é uma criança real, oriunda da periferia das grandes cidades, sem perspectiva, filha de operário que na maioria das vezes, se quer tem o ensino fundamental completo, essa criança sim é uma criança real, da maior parte da população brasileira. A alfabetização é uma das coisas mais importante que as pessoas fazem na escola e na vida. Todos os espaços devem estar voltados para essa ação. Magda Soares (1990.p.16) entende a alfabetização como um processo complexo que se prolonga vida a fora. A alfabetização só pode ser compreendida plenamente se levarmos em conta o conceito de que a mesma passe por um concurso de ciências como a antropologia, psicologia, lingüística, neurologia, economia, filosofia, como também tomar a criança a partir de sua própria experiência de vida. Segundo dados da Revista Nova Escola (1990. p. 17) o conceito de alfabetização que inclui o mundo do alfabetizado como um dado determinante na relação professor e aluno ganharam adeptos no Brasil e em outros países do chamado Terceiro Mundo, a partir dos trabalhos do educador Paulo Freire. 19 Em primeiro lugar é necessário saber exatamente o que se fazer e o que se estende por alfabetização. Muitos problemas surgiram na historia da alfabetização realizada na escola porque os objetivos a serem alcançados não eram muitos claros. Por exemplo, todo começo de período veio como uma concepção de alfabetização baseada numa teoria discriminatória contra a capacidade intelectual das crianças, criando nelas uma auto-avaliação de incapacidade para aprender os conhecimentos que se adquirem nas escolas. A alfabetização passou a se resumir, então grande parte a exercício que preparavam o aluno para o estudo, enquanto o mais importante era deixado de lado, ou seja, essa ligação de conhecimento que o aluno já traz de seu dia-a-dia. Alfabetizar crianças não é diferente de alfabetizar jovens e adultos, penso que é necessário criar um quadro escolar em termos de ambientes de alfabetização, não apenas em termos de métodos de ensino, como sempre foi sugerido e praticado. È fundamental refletir sobre os tipos de praticas através das quais jovens e adultos possam ser inseridos. Goodman (1995) Constata-se que na maioria das vezes, as praticas escolares apresentam o conhecimento como um objeto em si. As crianças e os adultos podem reproduzi-los, entretanto estão proibidos de experimentá-los. Essas são as praticas escolares que colocam as crianças, jovens e adultos às margens do saber, na medida em que consideram os aprendizes como espectadores passivos ou receptadores mecânicos. Só se complica o que é simples quando se querem confundir os outros. “Alfabetizar é simples”, conclui Eloísa Meireles (1990. p. 14) – autora da cartilhaCasinha Feliz, e alerta para que não se confunda alfabetização com leitura em níveis mais complexos, que exige, alem do domínio dos códigos, a capacidade de entender elementos ocultos, ordem inversa, uso de símbolos e etc. Fica aparente, portanto, que de um ponto de vista sociointeracionista, a alfabetização, enquanto processo individual, não se completa nunca, visto que a sociedade está em continuo processo de mudança e a atualização individual para acompanhar essa mudança é constante. Por exemplo, produzir ou decodificar significativamente um texto narrativo simples de uma cartilha ou manual didático, e um texto que descreve o funcionamento de um computador não constitui duas atividades iguais, do ponto de vista da alfabetização do mesmo indivíduo. Assim talvez seja melhor não falar em alfabetização simplesmente, mas em graus, ou níveis de alfabetização. O movimento do indivíduo dentro dessa escola de desempenho, de inicialmente estar ligada à instrução escolar, parece seguir posteriormente um caminho 20 que é determinado sobre tudo pelas práticas sociais nas quais ele se engajar. (WILLIAM TEALE 1982 apud TFOUNI 2000. P.15). Pierre Giroux (1983, apud TFOUNI 2000, P.16) esclarece a citação acima dizendo que: “embora a criança possa primeiramente entrar em contato com a linguagem através da família é principalmente na escola que a alfabetização se consuma”. Percebe-se que na citação acima fica patente que o autor desconsidera o conhecimento do cotidiano, desse modo, o ato de alfabetizar na visão dele passa existir somente quando parte das práticas escolares e ignoram-se as práticas sociais mais amplas. A critica desse ponto de vista poderia ser levada mais adiante, visto que esse ideal de conhecimento ignora os demais conhecimentos trazidos pela a criança ao adentrar na escola. Por outro lado, lembremos que, por mais que queiramos, não podemos deixar de identificar esse conhecimento trazido pela criança, ele é real, no qual evolui para outros conhecimentos. Antes que a criança seja iniciada nos rituais da alfabetização, a escrita existia. Historicamente falando, não restam duvidas de que a escrita tem uma origem extra-escolar que o inicio de sua organização enquanto objeto de conhecimento procede às praticas escolares; a escrita efetiva evolui na criança através de modos de organização que a escola desconhece, por ter herdado, do tempo da formação de outros conhecimentos. A escrita existe inserida numa complexa. É tendência da escola cada vez mais controlar a criação, reelaboração da criança, ela internamente reelabora a seu modo, mas é impossibilitada de chegar a outro, porque tem que seguir as regras ditadas pelo professor. Dessa forma não há uma troca espontânea. Estamos formando criaturas sem criatividades, o que de fato está por traz de toda essa história é um grande número de professores alfabetizadores que nem de quer são capazes de avaliar o que vêem diante de seus olhos. Um professor que não sabe avaliar se um método é bom ou não, dando as razões de sua conclusão, é sem duvida um professor mal preparado, diria incompetente, porque a culpa não é só dele, em grande parte vem das escolas de formação, mas pode partir do próprio professor, quando não se interessa pessoalmente em estudar o que não lhe foi ensinado. 21 “Alfabetizar é ensinar a ler e escrever, o segredo da alfabetização é a leitura (decifração). Escrever é uma decorrência do conhecimento para produzir sua própria escrita” (CAGLIARI, 1998. p. 104). Resumindo, a competência técnica do professor alfabetizador se apóia em sólidos e profundos conhecimentos de lingüística e dos sistemas de escrita. Esses conhecimentos, aliados ao de pedagogia e de psicologia, fazem dele um profissional que sabe exatamente o que fazer e porque fazer de um jeito e não de outro. Se formássemos de maneira correta os professores alfabetizadores, teríamos, neste país, em pouco tempo uma realidade em termos de analfabetismo. Hoje, não só existem milhões de pessoas analfabetas, como pessoas que foram de fato, mal alfabetizadas. Nenhum método educacional garante bons resultados sempre e em qualquer lugar, isso só se obtém com a competência do professor. Ao longo dos últimos anos, na nossa sociedade brasileira a alfabetização tem se configurado de maneira que tem se confundido com todas as coisas estranhas e tem se amarrado a tantas atividades inúteis, que o tempo necessário para um aluno aprender a ler e escrever se estendeu demais. Por outro lado, alguns professores vivem em meio de algumas frustrações porque exigem demais deles (principalmente o de alfabetização). É preciso avaliar um pouco essas tensões na escola, acalmar a ansiedade e ter perspectivas mais realistas. Cagliari (1998) diz, “O importante é o professor e o aluno trabalharem sério e constantemente, com perseverança e calma, porque a aprendizagem não tem dia marcado para acontecer”. O professor deve assumir o comando do trabalho e não abrir mão disso na educação se propõe, e não se impõe. Quando a autoridade seja de quem for, se impõe a razão do professor, significa que a educação perdeu seu sentido e tornou-se uma máquina de produzir resultados intelectuais. A educação vive da criatividade de todos. A busca de conhecimentos novos é importante para a sobrevivência do sistema quando a alimentação para os seres vivos. Porém esses conhecimentos precisam ser dirigidos, ponderados, avaliados, para depois encontrarem na correta seqüência do nosso sistema educacional. 22 CAPITULO II O TRABALHO DO SUPERVISOR ESCOLAR A discussão a respeito do trabalho que o supervisor pedagógico deve assumir no processo de sua carreira é um tema cada vez mais questionado por professores e especialistas, tendo em vista a grande responsabilidade que esse profissional de educação está preparado a desenvolvendo dentro das instituições escolares. Neste capítulo buscamos descrever a função do Supervisor na construção da aprendizagem dos educandos. 2.1 - O Supervisor Pedagógico no cenário escolar: um breve olhar Vivemos em uma sociedade que funciona basicamente de forma hierarquizada, onde as estruturas de trabalho são determinadas, havendo, assim, uma nítida separação entre os que determinam, decidem e os que se limitam ao comprometimento das decisões. No campo educacional isso não poderia ser diferente, pois a comunidade escolar também é composta por muitos membros, porém há sempre aquele que define os passos que os demais deverão seguir, embora o trabalho articulado seja denominado como democrático. Nesse contexto, ressalta-se a figura de um profissional que é conceituado como aquele que “Organiza e/ou conduz, dando orientação”, Supervisor Pedagógico, um profissional de educação que esta sendo cada vez mais interrogado sobre como vem ocorrendo o desenvolvimento de seu papel no cenário escolar, e isso, esta acontecendo devido o momento histórico vivido hoje, onde as concepções lineares voltadas para princípios positivistas de ciências e funcionalistas de mundo articulam novos métodos de ensino que acabam por criar, apenas, uma nova roupagem no cenário escolar, que vista sob a ótica da sociedade demonstra mudanças, deste modo, a atuação desse profissional tem abarcado um papel importante e extenso, pois ao supervisor pedagógico cabe a contribuição para a melhoria do processo educacional. Entretanto para que esse profissional exerça a sua prática necessita-se que o mesmo tenha em mente qual papel irá desempenhar entre as visões atribuídas a sua profissão, a visão de um mero representante dos objetivos e princípios da escola ao qual pertence seja ela municipal, estadual e/ou privada, a visão de favorecer a 23 formação continuada do docente não esquecendo que deve agir sobre as diretrizes que permeiam a sua prática e por fim a visão do profissional que estabelece o seu próprio fazer levando em consideração seus métodos e técnicas educacionais. Certamente, para que ocorra um bom desempenho mediante as mudanças educacionais o supervisor pedagógico necessita romper com os paradigmas históricos que definem a sua ação, e objetivar o seu trabalho com base em uma nova visão histórica fundamentada em um leque de competências que deve está articulado ao domínio mínimo das mesmas. A construção dessas é fundamentada em ações e atividades de acompanhamento, assistência, orientação e articulação que segundo Falcão Filho (2007, P.58), “contribui para que a escola e seus profissionais concretizem seus objetivos primeiro: a formação dos alunos”. Para que essa formação aconteça, o supervisor pedagógico necessita acompanhar o professor no desenrolar de sua prática, pois a partir desse processo saberá objetivar com precisão as dificuldades que os docentes e os discentes têm quanto ao ensino-aprendizagem, pois é por meio do acompanhamento dessas atividades que este poderá proporcionar assistência e orientação quanto aos problemas que por ventura aparecerão no decorrer do período letivo podendo haver assim, um direcionamento das atividades para que se obtenham os objetivos desejados. Porém, há de se convir que esse processo não ocorre com frequência, em virtude do grupo de docentes que nem sempre comungam das mesmas finalidades, necessitando que supervisor envolva a equipe como um todo, havendo, pois uma articulação em torno desses profissionais, entretanto essa articulação constitui-se como uma das maiores dificuldades do trabalho coletivo por procriar um confronto de perspectivas e aspiração que precisa de condições especiais para serem resolvidas. Partindo desse ponto, o supervisor pedagógico estará fundamentando o principal elo no ambiente escolar. Onde, Silva Junior descreve que (1998, p. 30-31) É na compreensão e no entendimento da forma de tratamento dado pelo professor aos conteúdos e às condições de existência dos alunos que o supervisor sistematiza o trabalho no interior da escola. Essas duas dimensões configuram o processo de ensinar e aprender, que se dá numa relação entre o professor que ensina-e-aprende, o aluno que aprende-eensina e o supervisor que orienta-aprende-e-ensina, embora não se possa identificar com precisão quem ensina este processo. Este processo está sendo por mim denominado de “parceria”. (grifo do autor). 24 Com base nessa compreensão e tratamento direcionados ao professor e ao aluno é necessário que o supervisor pedagógico seja um profissional capaz de coordenar o processo tomando por alicerce as competências que conduzem ao exercício do seu trabalho. Não esquecendo de que todas as ações desse profissional acontecerão antes ou após a ação do docente assim como afirma Filho (2007, p. 50) “As ações desse profissional não se darão durante o desenrolar do processo de ensino – aprendizagem, cuja organização, planejamento, controle e execução deverão está exclusivamente a cargo do professor. Acontecerão antes ou depois da ação docente”. Tendo em vista que, a educação é um processo que exige a transmissão de preceitos éticos e morais necessários para que cada educando construa uma boa convivência social, o essencial é que se encontre um ponto de equilíbrio entre esses agentes educacionais. Portanto, o supervisor pedagógico precisa possuir conhecimentos gerais e específicos que lhes possibilitará exercer atividades que vise o alcance dos objetivos propostos para a formação do educando como: A melhoria constante do processo de ensino aprendizagem; o desenvolvimento e a implantação da Proposta Pedagógica, do Currículo Escolar e de Programas Educacionais, com foco em competências e habilidades; o crescimento profissional dos educadores, numa sistemática de educação permanente; a utilização de métodos/estratégias e recursos pedagógicos mais apropriados para o desenvolvimento dos educandos, bem como a adoção de outros procedimentos que os favoreçam nesse sentido. Magalhães (2008, p. 1). Nesse contexto, há se entender que o desenvolvimento e aperfeiçoamento das competências só ocorrerão com a prática em si mesmo, como também com o aprofundamento deste técnico em estudos que servirão de subsídios para a compreensão de aprimoramento da prática pedagógica desse profissional de educação. Nesta finalidade entende-se que o supervisor pedagógico configura-se em meio a uma parceria com os docentes, onde ambos devem refletir sobre os mesmos problemas, o que em muitos casos não acontecem. Pois, num determinado instante compartilham-se entre os docentes que essa figura de supervisor simboliza um processo de controle centralizado no trabalho desses profissionais. Ora, tal afirmação só é compartilhada por diversos professores, porque o comprometimento do 25 supervisor pedagógico às vezes, deixa a desejar, haja vista que, assumir novas técnicas no campo escolar requer um comprometimento político-crítico, mediante as novas práticas, pois não há como incorporar e/ou conduzir novas práticas sem que se modifiquem os atos que permeiam a mesma. 26 CAPITULO III O TRABALHO DO SUPERVISOR PEDAGÓGICO JUNTO AOS PROFESSORES NA CONSTRUÇÃO DE UMA ALFABETIZAÇÃO SIGNIFICATIVA Percebe-se que ao longo dos tempos, precisamente nas últimas décadas tem se vivido um amplo debate sobre o ensino e aprendizagem da língua escrita, observase que muitas escolas – públicas ainda continua praticando um ensino de alfabetização com métodos tradicionais, mesmo os professores trazendo para dentro da escola textos, noticias, letras de músicas, textos literário, etc., muitos continuam praticando um ensino tradicional, nesse sentido, é preciso que os professores apresentem meios de estruturação de sua pratica. Partindo desse pressuposto, analisaremos como está ocorrendo à construção da alfabetização tendo como integrantes do processo, professores e supervisores. 3.1- A proposta para a alfabetização da escola A alfabetização é um processo de representação que envolve substituições gradativas como, por exemplo: ler um objeto, uma figura ou desenho, uma palavra, onde o objetivo, maior é assimilação e compreensão do mundo, desde o que está mais próximo à criança ao que está mais distante, visando a comunicação e a aquisição de conhecimentos. Nessa perspectiva, percebe-se que os professores e supervisores da escola “A” ainda não estão em parceria, pois não partilham do mesmo conhecimento, entretanto os agentes da escola “B” já têm conhecimentos, porém não estão pondo em prática, conforme descreveram abaixo. Não lembro, pois geralmente trabalho com maternal. (Professor A) O Programa Alfa e Beto que é desenvolvido pelo método metafônico. (supervisor A) Nossa proposta alfabetizadora baseia-se nas Diretrizes Curriculares do Município de Teresina, que tem como um de seus pressupostos teóricos a Teoria Socioconstrutivista. (Professor B) 27 O ensino ocorre de forma tradicional, embora os professores coloquem que o construtivismo também é utilizado, pois segundo eles o uso de textos, notícias, letras de músicas etc., tem diferenciado essa prática, porém a estrutura é a mesma. (supervisor B) 3.2 - O trabalho de alfabetização com os alunos. Quando questionados sobre o trabalho de desenvolvimento da alfabetização dos alunos os agentes da escola “A” mais uma vez entraram em contradição quanto a maneira de trabalhar o desenvolvimento do aluno neste processo, já os agentes da escola “B” demonstram que as habilidades para o desenvolvimento da alfabetização precisam ser coletivamente. É desenvolvido através de atividades de rotina com leituras individualizadas e coletivas. Atividades que também estão no cotidiano dos alunos. (Professor A) Através de 04 fontes diferentes (supervisor A) 1. O Livro Gigante – objetivo: desenvolver familiaridade com livros e consciência fonológica; 2. O livro 3- Letras e Sons: desenvolver a decodificação 3. Os minilivros- desenvolver a fluência; 4. A Coletânea- desenvolver o vocabulário e compreensão de leitura. Através de atividades concretas e significativas planejadas, que possibilitem a interação dos alunos e a aquisição de conhecimentos e habilidades necessários para o uso social da leitura e da escrita, indispensável para a formação e atuação do (a) cidadão na sociedade moderna. (Professor B) Através de textos, frases palavras escritas pelos alunos ou em grupo, produção, oralidade etc., ou seja, é feito por meio de um processo analítico. (supervisor B) Segundo as respostas da professora e supervisora da escola “B” percebe-se que ambas fazem uso do processo analítico o que facilita a aprendizagem da criança na aquisição do conhecimento. Quando ambas em suas respostas dizem que fazem 28 uso de diferentes tipos de textos de modo geral, mostra que suas metodologias estão indo contra a metodologia empregada nos primórdios da alfabetização. 3.3 - Interação do professor com o supervisor. Ao serem perguntados se há momento de interação do professor com o supervisor, ambas foram unanimes em responderem que as reuniões e o acompanhamento ocorrem sempre nos horários de HP, como também durante as reuniões mensais. Uma vez por semana no H.P (horário pedagógico) sempre que o professor precise ou que o supervisor ache necessário. (Professor A) (supervisor A) A cada dificuldade do professor o supervisor procura ajudar. Outra forma de interação ocorre durante as reuniões mensais e nas formações continuadas. (Professor B) Quando o pedagogo observa e participa das aulas do (a) professor (a), durante os planejamentos coletivos e individuais, nos horários pedagógicos, no período de avaliação da aprendizagem dos alunos. (supervisor A) 3.4 – Maiores dificuldades no exercício da prática. Quando indagadas sobre as maiores dificuldades da prática, elas comentaram que: O desinteresse dos alunos, a falta de apoio dos pais em relação às atividades de casa. (Professor A) A descontinuidade do programa nas séries seguintes, a falta de acompanhamento dos pais. (supervisor A) Às vezes, a inexperiência do(a) professor(a), turmas numerosas, a pouca participação efetiva da família na vida escolar do(a) aluno(a), entre outros fatores. (Professor B) 29 O acompanhamento dos pais é a maior dificuldade encontrada pelos professores. (supervisor B) A maior dificuldade é a compreensão dos pais ou responsáveis por essas crianças. Os pais, hoje têm uma visão equivocada em relação aos professores alfabetizadores, eles acham que é obrigação somente do professor cuidar do ensino. Ao entrar na escola os pais deixam de cuidar de seus filhos, percebe-se que eles estão a cada dia transferindo suas tarefas de acompanhamento para os professores daí a grande dificuldade na alfabetização. Nas falas dos professores fica claro que a família não incentiva seus filhos a tomar gosto pelo os estudos. 3.5 – O método de Alfabetização No que diz respeito aos métodos de alfabetização dos alunos identificou-se métodos diferentes, apesar da rede de escolas pertencerem ao município, confirmando, portanto que existem inúmeros métodos e formas de se desenvolver a alfabetização, assim como descreve as entrevistadas. Em alguns momentos trabalhamos o método fônico, pois nos habilita na melhor compreensão do alunado. (Professor A) O Programa Alfa e Beto é metafônico. (supervisor A) É desenvolvida a partir de Projetos de intervenção pedagógica elaborados pelos professores ou pela SEMEC, com base nas Diretrizes Curriculares Municipais, porém, a metodologia não é imposta e sim sugerida. Portanto, as escolas/professores têm autonomia para tomar decisões quanto a isso. (Professor B) Forma normal. (supervisor B) 30 3.6 – A alfabetização dos alunos, dificuldades e contribuições. De acordo com Soares(2010) A evolução alfabética se dá a partir do momento em que a criança encontra oportunidade estímulos e motivação para vivenciar o ato de leitura. Nesse contexto, fica claro nas falas dos agentes que as dificuldades no aprendizado dos alunos são desenvolvidas com habilidades de leitura e escrita. Como descrevem os educadores. Com atividades extras de apoio pedagógico no qual vai ajudá-los no crescimento da aprendizagem. (Professor A) Após avaliação e diagnóstico de dificuldades específicas e individuais é realizado, sempre que for possível atendimento individualizado (reforço, tarefa diversificada etc.). (Professor B) Através de jogos educativos: alfabetos móvel de letras, sílabas e palavras, manuseio de livros e essa ajuda também acontece na sala de leitura da escola. (supervisor B) Sabemos que crianças que vivem em ambientes letrados não só se motivam precocemente para ler e escrever, mas começam, desde cedo a poder refletir sobre as características dos diferentes textos (rótulos, propaganda televisiva ou escrita, revistas, jornais e livros), que circulam ao seu redor começam a fazer comparações de estilo, usos e finalidades. Nesse momento a escola tem um papel fundamental ajudando o aluno a diminuir as diferenças sociais. A escola precisa assegurar a todos os alunos uma vivência diária de praticas reais de leitura e escrita, fazendo produções de texto de diferentes modos desenvolvendo assim as suas dificuldades para o ensino aprendizagem. Entretanto quando se fala de contribuições na aprendizagem, percebe-se que os professores são unanimes quanto ao uso de atividades diversificadas e assim descrevem que para criança ler necessita-se de: Atividades de construção de palavras, leituras e escrita de textos coletivos. (Professor B) 31 Leitura de vários gêneros textuais pelo professor, repetição dos sons das letras, leitura individual do aluno (minilivros). (Professor A) Atividades que priorizem o desenvolvimento da linguagem oral e escrita e possibilitem a elaboração de hipóteses sobre a escrita, tais como: (supervisor A) Leitura de história e textos diversificados e de uso social; Análise linguística de palavras contextualizadas e significativas; Utilização de material concreto. Ex: letras e sílabas móveis para escrita de palavras; Construção de textos coletivos; Reescrita de textos individuais; Relato oral de experiências; Reconto e interpretação de histórias ou textos ouvidos ou lidos. (supervisor B) O uso de diferentes textos, porém é necessário que esta criança precisa estar em um ambiente letrado. (supervisor B) É preciso saber que é necessário expor o aluno ao mundo dos textos, alguns educadores e pesquisadores com uma visão reduzida, passaram infelizmente a achar que os alunos se alfabetizaram espontaneamente, sem uma sistemática para se aprofundar do sistema alfabético. Alfabetizar-se sem o ensinado ocorre, mas com poucos indivíduos, não é a realidade da maioria, porque disso depende do meio cultural em que vivem. 3.7– Alfabetizar na perspectiva de letramento. Em diversos estudos é comprovado que as crianças desde cedo escutam historias através da leitura de outras pessoas, quando ainda não dominam o sistema de alfabetização, elas adquirem conhecimento sobre a linguagem que se escreve e sobre os usos de diferentes gêneros textuais, antes mesmo de entrarem na escola, 32 cabe, porém a escola promover esse conhecimento que ainda é pouco priorizado. Portanto alfabetizar na perspectiva de letramento é um dos maiores desafios dos educadores, pois traz um novo sentido ao domínio de competências inerentes ao ato de ler, ou seja, tornar o aluno um usuário competente da leitura. Nesse sentido, os professores e pedagogos relatam sobre que métodos e recursos são utilizados para alfabetizar sob essa perspectiva. Cartazes que trazem maior interesse ao alunado, histórias da atualidade no qual desperta um maior aprendizado. (Professor A) Leitura de vários gêneros textuais, leituras visuais. (Professor B) Como o letramento está direcionado ao uso de diferentes materiais escritos o ideal é que se trabalhe com os mais variados tipos de textos: jornais, revistas, cartas, receitas, anúncios, poesias etc. Quanto ao método concordo com Cagliari (1998) nenhum método educacional garante bons resultados sempre em qualquer lugar, isso só se obtém com a competência do professor, ou seja, o método está atrelado ao conhecimento que o professor adquiriu nas disciplinas escolares, ao longo de sua formação que deve ser contínua. O relato, tal qual está escrito, sugere que as professoras, ao planejar com as crianças o modo de ler, o acesso e registro de historias, assumem-se como agentes de letramento promovendo com seus alunos a possibilidade de utilizarem a escrita em uma situação real de registro, documentação. Nessa situação, as crianças estão em contato com regras e modelo de escrita e também com seu uso sociaal tais como o registro da memória e da historia. 33 CONSIDERAÇÕES FINAIS Muitos problemas surgiram na história da alfabetização realizada nas escolas dada a falta de clareza de objetivos de ensino e em virtude de tais objetivos não valorizarem a capacidade intelectual das crianças, levando-as à compreensão de incapacidade para aprender os conhecimentos socializados na escola. No caso específico da alfabetização, a complexidade da ação docente concentra-se no processo de apropriação da escrita. Parece difícil aprender a ler e a escrever. Segundo Cagliari (1998, p.104) [...] o segredo da alfabetização é a leitura. Escrever é uma decorrência do conhecimento que se tem para ler. Portanto, o ponto principal do trabalho é ensinar o aluno a decifrar a escrita, em seguida aplicar esse conhecimento para produzir sua escrita. Verificamos uma necessidade ainda maior para ir além da simples aquisição da leitura e da escrita. É necessário fazer uso social dessas duas práticas, é preciso, portanto, letrar o aluno em alfabetização, pois apenas o domínio de habilidades instrumentais de usos da escrita não é suficiente para formar um leitor/escritor competente. Um dos aspectos relevantes apontados neste trabalho é o registro de práticas de alfabetização desenvolvidas em escolas públicas municipais de Teresina. Outro aspecto, igualmente relevante é a possibilidade de trazer alguma contribuição nas discussões sobre a competência do professor alfabetizador em lidar com a diversidade cultural dos alunos. Ao tentar focalizar práticas bem sucedidas, procuramos deter-nos especialmente, nas formas como as professoras utilizam as experiências e os conhecimentos que os alunos trazem para a escola, na condição de ponto de partida para novas aprendizagens. A pesquisa mostra que a inadequação das escolas em lidar com uma clientela oriunda das classes populares da sociedade compromete o desenvolvimento da aprendizagem. São raros os trabalhos que apontam para as formas efetivamente empregadas pelo professor no ensino da leitura e da escrita, tendo em vista a variedade de universos culturais encontrados na escola. É nesse sentido que se considera a contribuição desse trabalho. 34 Devemos ressaltar que os dados do estudo apontam para uma prática escolar de alfabetização voltada para os usos funcionais da lecto-escrita. Isso implica pensar o trabalho docente tendo como referencia os usos cotidianos do ler e do escrever. A escrita deve ser usada na escola tendo como referência suas peculiaridades no contexto social. Concluindo, destacamos que há necessidade de investimento na formação continuada dos professores alfabetizadores, posto que o conhecimento é dinâmico e processual. Destacamos, inclusive, que um estudo desta natureza pode trazer conclusões parciais sobre a temática. Apesar disso, reconhecemos nossa contribuição na análise da temática deste estudo. É pertinente ressaltar que neste processo o papel da supervisora é de fundamental importância, pois direciona o olhar para a perspectiva da qualidade de ensino. O entrosamento do coordenador com educadores e educandos é essencial somente assim teremos uma escola cumpridora do seu papel social. 35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BATISTA, A. A. G. et. al. Capacidades lingüísticas da alfabetização avaliação. Brasília: MEC. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação a Distância. Universidade Federal de Minas Gerais-2005. (Coleção Pró-letramento-fascículo I). BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Língua Portuguesa. Brasília: MEC, 1997. CAGLIARI, L. C. Alfabetização e Lingüística. São Paulo: Scipione, 10 ed.1997a. ________. Alfabetizar sem o ba – bé – bi – bó – bú. São Paulo: Scipione, 1998b. CHIZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 2º ed. São Paulo: Cartaz, 1995. FALCÃO FILHO, José Leão M. Coordenador Pedagógico. In: Presença Pedagógica. Belo Horizonte, Mg, v. 13, nº. 75, mai/jun,2007. FERREIRA, M. B. Relatos docentes: uma possibilidade de reflexão sobre a prática lingüística na alfabetização e no ensino da língua nas séries ou ciclos iniciais. Brasília: MEC. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação a Distancia. Universidade Estadual de Ponta Grossa-2006. (Coleção Pró-letramento-fascículo 4). FERREIRO, E. Reflexões sobre a alfabetização. Tradução: Horacio Gonzáles (et.al). 24 ed. Atualizada. São Paulo: Cortez, 2001. (Coleção questões da nossa época). FUNDAÇÃO LUIS EDUARDO MAGALHÃES, Padrões de Competência do Coordenador Pedagógico. Salvador Bahia: Agencia de Certificação Ocupacional, 2008. GOODMAN, Yetta M. (org). Como as crianças constroem a leitura e a escrita: Perspectivas Piagetianas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1995. GUEDES-PINTOS, A. L. (coord.) A organização do tempo pedagógico e o planejamento de ensino. Brasília: MEC. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação a Distancia. Universidade Estadual de Campinas – 2005. (Coleção Próletramento-fascículo 2). MEIRELES, E; MEIRELES, I. A casinha feliz: livro de alfabetização. Rio de janeiro: EDC - Editora Didática e Científica,1990. MINAYO, M.C. S. O trabalho de campo como descoberta e criação. In: MINAYO, M.C. S (org). Pesquisa Social: método e criatividade. 17.ed. São Paulo: Vozes, p. 51-65, 1999. 36 REVISTA NOVA ESCOLA. Para professores do ensino fundamental. Ano V, n.41. Agosto, 1990. SILVA JUNIOR, Celestino Alves da; RANGEL, Mary. Nove Olhares sobre a Supervisão. 2 ed.Campinas,SP: Papirus, 1998. SILVA, da Ezequiel, Leitura e Realidade Brasileira. 2ª edição. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1985. SOARES, M. 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Sendo assim, acreditando em sua livre vontade para participar desta pesquisa agradeço antecipadamente sua participação. QUESTIONÁRIO PARA PROFESSORES Nome: Série que Leciona: Turno: Turma: Grau de formação: ( ) Médio ( ) Superior Cursando ( ) Superior Completo Graduado. 1. Qual a proposta para a alfabetização de sua escola? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 2. Como é desenvolvido o trabalho de alfabetização com os alunos? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 3. Em que momento há interação do professor com o supervisor? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 4. Quais as dificuldades inerentes à prática alfabetizadora? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 5. A alfabetização dos alunos ocorre de forma normal, ou é desenvolvida por projetos (tipo método metafônico)? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 6. Como os alunos são ajudados em suas dificuldades? 39 _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 7. Que atividades são capazes de contribuir na aprendizagem das crianças na alfabetização? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 8. Alfabetizar na perspectiva de letramento é um dos maiores desafios dos educadores, pois traz um novo sentido ao domínio de competências inerentes ao ato de ler, ou seja, tornar o aluno um usuário competente da leitura. Nesse sentido, que métodos e recursos são utilizados para alfabetizar sob essa perspectiva? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 40 Prezado (a) Supervisor (a) Apresento a você, uma parte de meu Trabalho de Conclusão de Curso e, para que ele se conclua preciso de sua participação. Assim, tem uma relevância significativa em minha vida profissional e de todos aqueles que estão inseridos no processo de ensino – aprendizagem, preciso de sua ajuda para este trabalho se conclua com êxito. Desta forma, você é imprescindível para a perfeita realização deste trabalho. Sendo assim, acreditando em sua livre vontade para participar desta pesquisa agradeço antecipadamente sua participação. QUESTIONÁRIO APLICADO AO SUPERVISOR 1. Qual a proposta para a alfabetização de sua escola? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 2. Como é desenvolvido o trabalho de alfabetização com os alunos? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 3. Em que momento há interação do professor com o supervisor? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 4. Quais as dificuldades inerentes à prática alfabetizadora? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 5. A alfabetização dos alunos ocorre de forma normal, ou é desenvolvida por projetos (tipo método metafônico)? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 6. Como os alunos são ajudados em suas dificuldades? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 7. Que atividades são capazes de contribuir na aprendizagem das crianças na alfabetização? 41 _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 8. Alfabetizar na perspectiva de letramento é um dos maiores desafios dos educadores, pois traz um novo sentido ao domínio de competências inerentes ao ato de ler, ou seja, tornar o aluno um usuário competente da leitura. Nesse sentido, que métodos e recursos são utilizados para alfabetizar sob essa perspectiva? _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________. 42