III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN M E ST R A D O III SELINFRAN SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO CADERNO DE RESUMOS 14 e 15 de setembro de 2012 FRANCA – SP ISSN 2177-9864 CADERNO DE RESUMOS III SELINFRAN SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN “LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO” ISSN 2177-9864 Setembro de 2012 ORGANIZAÇÃO DO VOLUME Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann REVISÃO E NORMALIZAÇÃO Fabrício Floro e Silva COMISSÃO ORGANIZADORA DOCENTE Prof. Dr. Fernando Ap. Ferreira Prof. Dr. Juscelino Pernambuco Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann Profa. Dra. Vera Lúcia Rodella Abriata COMISSÃO ORGANIZADORA DISCENTE Flávia Karla Ribeiro Santos Fabrício Floro e Silva Renata Cristina Duarte PROMOÇÃO Programa de Mestrado em Linguística da Unifran e GTEDI – Grupo de Texto e Discurso APOIO Universidade de Franca e Editora Unifran PROJETO GRÁFICO Sérgio Ribeiro APRESENTAÇÃO O SELINFRAN – Seminário de Pesquisa em Linguística da UNIFRAN chega a sua terceira edição mantendo-se fiel ao seu objetivo primeiro: divulgar e promover o debate sobre as pesquisas desenvolvidas pelos discentes do Programa de Mestrado em Linguística da UNIFRAN. A submissão das pesquisas dos alunos do Mestrado a uma avaliação externa isenta e transparente só pode ser concretizada com a colaboração de pesquisadores de reconhecida excelência. Ao longo do evento, mais uma vez pudemos contar com a participação de nomes importantes da Linguística brasileira, como a Professora Doutora Letícia Marcondes Rezende, Professora Titular da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara, especialista na teoria das operações predicativas e enunciativas, a Professora Doutora Loredana Límoli, Pós-doutora pela USP, Professora da Universidade Estadual de Londrina, especialista em semiótica francesa, e o Professor Doutor Roberto Leiser Baronas, Pós-doutor pela PUC/ SP, Professor da Universidade Federal de São Carlos, especialista em Análise do Discurso e Filosofia da Linguística. O diálogo com outros pesquisadores, de instituições já consolidadas no cenário da Linguística nacional, inseridos em Programas de Pós-graduação tradicionais, além de fortalecer a pesquisa que se realiza no Mestrado em Linguística da UNIFRAN, permite também que os mestrandos ampliem seu horizonte de possibilidades, podendo assim dar continuidade a seus estudos e ao ensino em outros centros de pesquisa, na medida em que podem tecer um maior número de relações de trabalho no meio acadêmico. Dessa maneira, o SELINFRAN cumpre um segundo objetivo, o de dar espaço para o florescimento de novas pesquisas e parcerias interinstitucionais. Neste ano de 2012, o tema escolhido para organizar as reflexões do evento foi “Língua e comunicação, textualização e sentido”, tema que aponta para uma realidade cada vez mais comum: o interesse de linguistas pelo fenômeno da comunicação, nos mais diversos meios e suportes, como indicam muitas pesquisas desenvolvidas pelos mestrandos do Programa. Tais pesquisas tratam ainda de outros temas, como a natureza da linguagem literária, do sincretismo de linguagens, das noções de texto e suporte, das noções de discurso, ideologia e gênero, entre outras. Os trabalhos aqui reunidos foram apresentados nos dias 14 e 15 de setembro de 2012, na Universidade de Franca, segundo duas modalidades distintas: comunicação individual e painel. As comunicações individuais resultaram em resumos expandidos, que dão conta do estágio atual das pesquisas dos alunos em fase de redação de suas dissertações. Os painéis originaram resumos simples, fruto de reflexões iniciais dos alunos ingressantes no Programa. Esperamos que o material reunido neste Caderno de Resumos possa representar os interesses e as preocupações atuais dos pesquisadores do Mestrado em Linguística da UNIFRAN, atestando a qualidade e a atualidade da pesquisa que se faz nessa instituição. Franca, 18 de setembro de 2012. Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann PRIMEIRA PARTE RESUMOS EXPANDIDOS 7 A (RE)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO IDOSO FACE ÀS PRÁTICAS DISCURSIVAS NAS REDES SOCIAIS Tânia Maria Vário 9 A CONSTRUÇÃO DOS ATORES MASCULINO E FEMININO EM CANÇÕES DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC Vinícius de Almeida Boutelet 11 A CONSTRUÇÃO DOS ATORES MIGUILIM E DITO NA NOVELA “CORPO DE BAILE” Pedro P. C. Balieiro 13 A PRÁTICA DIDÁTICA DA WEBQUEST: UMA FORMA DE INTERAÇÃO PROGRAMADA Julieta Maria Franchini Neves 15 A PRESENÇA DIALÓGICA EM SLOGANS BRASILEIROS DE CERVEJAS DO ANO 2000 Adriana Pernambuco Montesanti 17 ANÁLISE DA COMPETÊNCIA COMUNICATIVA DE ALUNOS DO ENSINO SUPERIOR Frank Sérgio Pereira 19 AUTORIA E ORIGINALIDADE NO DESIGN GRÁFICO A PARTIR DA ANÁLISE DOS DISCURSOS DO PLÁGIO NA INTERNET Ana Márcia Zago 23 25 CONCEITOS RETÓRICOS – ARGUMENTATIVOS PRESENTES EM TEXTOS DIDÁTICOS DE COMUNICAÇÃO EM ENFERMAGEM Adilson Pereira Teodoro DA CLAUSURA À LOUCURA: ANÁLISE SEMIÓTICA DO CONTO “CASA TOMADA”, DE JULIO CORTÁZAR Edna Aparecida Rodrigues da Silva 27 DE CINDERELA A LULUZINHA – DISCURSOS E REPRESENTAÇÕES DE ADOLESCENTES NA REDE SOCIAL TUMBLR MANIFESTADAS NA LEITURA E NA ESCRITA Michelle Aparecida Pereira Lopes 29 “DRACONIANO”: A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE PASSIONAL EM A ELITE DA TROPA 2 Leandro Rodrigues Doroteu 31 EDITORIAS DE MODA, PRÁTICAS DISCURSIVAS E EFEITOS DE SENTIDO: UM OLHAR SOBRE A HARPER’S BAZAAR BRASIL Orlando Aparecido Cabrera 33 ESCRILEITURAS DE ADOLESCENTES DO ENSINO TÉCNICO NO FACEBOOK Claudete BOSSHARD 35 INTERTEXTUALIDADE E DIALOGISMO NO ROMANCE 50 ANOS DEPOIS, DE CHICO XAVIER Márcia Regina Bregagnoli 37 LEITORES E AUTORES DO BLOG DO FOLHATEEN: ADOLESCENTES COMO SUJEITOS DISCURSIVOS PROMOVENDO A ESCRILEITURA Danilo Vizibeli 39 LER E COMPREENDER GÊNEROS TEXTUAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL Clemilda Felix Correa 41 O CASO DA APRENDIZAGEM DA LÍNGUA INGLESA: O EFEITO DAS PAIXÕES ARISTOTÉLICAS SOBRE AS TEORIAS MOTIVACIONAIS Sinelle Duarte 43 O DISCURSO PEDAGOGICO NOS CURSOS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Sumaya Florence Tavares da Silva 45 O ESPETÁCULO SEMIÓTICO: “A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA”, O DIÁLOGO ENTRE O TEXTO DRAMÁTICO E O TEXTO LITERÁRIO Fabrício Floro e Silva 47 O ETHOS DISCURSIVO DO APÓSTOLO PAULO MANIFESTADO NA II EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS Carlos Cesar Silveira 49 O INTERACIONISMO SOCIODISCURSIVO, O LIVRO DIDÁTICO E A GRAMÁTICA Ana Cláudia Garcia de Carvalho 51 PRÁTICAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA: O DISCURSO DA ONG RIO DE PAZ Marcos Aurélio Gomes Alves da Silva SEGUNDA PARTE RESUMOS DE PAINÉIS 53 A ARTICULAÇÃO NECESSÁRIA ENTRE LINGUÍSTICA E GRAMÁTICA NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA Cristiane Alves de Oliveira 53 A COMPETÊNCIA METAGENÉRICA E A COMPREENSÃO DE TEXTOS NO ENSINO MÉDIO Mateus Barbosa de Oliveira 54 A CONSTRUÇÃO DO ATOR PROTAGONISTA EM “OBSCENIDADES PARA UMA DONA DE CASA”, DE IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO William Vinícius Machado Tristão 54 A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTIL NA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA A FORMAÇÃO DE SUJEITOS-LEITORES Elisa Garcia Bertoni Idalgo 55 55 A LEITURA E A COMPREENSÃO DE GÊNEROS NO ENSINO SUPERIOR Raquel Cristina de Souza Melo 56 AFORIZAÇÃO E ETHOS NO BLOG CRÔNICAS URBANAS: MINHAS IMPRESSÕES DIGITAIS Elisângela S. Carvalho 56 AS ESTRATÉGIAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL NA CIBERCULTURA. UMA ANÁLISE DAS FANFICTIONS Paulo Eduardo de Melo 57 AS RELAÇÕES ENTRE ENUNCIADOR E ENUNCIATÁRIO EM “VAI” Renata Cristina Duarte 57 58 COMO APRENDER UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA: O PAPEL DOS GÊNEROS NA AUTODIDÁTICA Natália Danzmann de Freitas 58 59 A SEXUALIDADE EM REDES SOCIAIS: UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS DE SUBJETIVIDADE NO FACEBOOK Fausi dos Santos COMPORTAMENTO LEITOR DE ALUNOS DE ENSINO MÉDIO NAS NOVAS CULTURAS TRASMIDIÁTICAS Eloísa Maria Ávilla de Carvalho COMPREENSÃO DE TEXTOS NO ENSINO FUNDAMENTAL II Lívia Cárnio Custódio Silva CRÍTICA E AVALIAÇÃO: FORMAS EUFÓRICAS E DISFÓRICAS DA IDENTIDADE GAY/TRAVESTI EM KATYLENE.COM Luiz Henrique Pereira 59 DISCURSOS E REPRESENTAÇÃO DA CORRUPÇÃO NA MÍDIA: UM ESTUDO DE CASO Rafael Furlan Lo Giudice 60 ESCRILEITURA ADOLESCENTE NO UNIVERSO DAS FANFICS: UMA RELEITURA DE SI A PARTIR DA TRILOGIA JOGOS VORAZES Fernanda Godoy Tarcinalli 60 FORMAÇÃO DO PROFESSOR COM A LEITURADOS GÊNEROS DIGITAIS E TRANSMIDIÁTICOS Ana Cristina dos Santos Faleiros 61 61 O FEMININO NA CONSTRUÇÃO DA FORMA DE VIDA MAFALDIANA Denise de Melo Mendes 62 O PROCESSO DE COMPREENSÃO DE GÊNEROS TEXTUAIS POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL Marília de Souza Neves 62 63 O RESSENTIMENTO NO CONTO “A COLEIRA NO PESCOÇO” DE MENALTON BRAFF Flávia Karla Ribeiro Santos 63 64 O PERFUME CHANEL N° 5: CORPOREIDADE, PRÁTICAS E FORMAS DE VIDA Fabrício Coelho Malta OS CADÁVERES DA BENNETON: FORMAS DE EUFORIA E DISFORIA NA IMAGEM PUBLICITÁRIA DE OLIVIERO TOSCANI Karina Spineli Gera OS GARIMPEIROS DE SERRA PELADA NA FOTOGRAFIA DE SEBASTIÃO SALGADO Gustavo H. Gyrão de Paula Lopes PODCAST NA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA: MÍDIA AUXILIAR, SUPORTE DE APRENDIZAGEM E OS EFEITOS DE SENTIDO DO DISCURSO PEDAGÓGICO DE UTILIZAÇÃO Eduardo Yoshimoto 64 PROCESSO DE LEITURA / RECEPÇÃO DE TEXTOS TRANSMIDIÁTICOS Renata Moschiar Papadópoli Ramos 65 PROCESSOS DISCURSIVOS DE FORMAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS POLÍTICAS PELA MÍDIA Camila Cristina Branquinho Barbosa Tozzi 65 PROFESSOR POR VOCAÇÃO: DISCURSOS E REPRESENTAÇÕES DE PROFESSORES DA CONTEMPORANEIDADE NO FACEBOOK Ythallo Vieira Borges 66 RETOMADA AOS CLÁSSICOS DA LITERATURA: PRODUÇÃO DE SENTIDOS E AUTORIA A PARTIR DA ABORDAGEM EM QUADRINHOS Leny Pimenta 66 TV VERSUS INTERNET: O TELEJORNALISMO COMO GÊNERO TEXTUAL Joarle Soares 67 UM ESTUDO DE CASO DAS RELAÇÕES DE PODER E SABER DISCURSIVOS SOBRE QUESTÕES JURÍDICAS EXERCIDAS PELOS USUÁRIOS DA REDE SOCIAL FACEBOOK Carla Andrea Pereira de Rezende A (RE)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO IDOSO FACE ÀS PRÁTICAS DISCURSIVAS NAS REDES SOCIAIS SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Tânia Maria Víário (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Fernando Aparecido Ferreira (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 7 DA UNIFRAN estas idosas vêm reconstruindo a sua identidade ou construindo uma nova identidade, considerando seus aspectos ideológicos e socioculturais. Para esta pesquisa serão analisadas as postagens e comentários dos leitores de três blogs, selecionados pelo expressivo número de seguidores, tempo de atividade e destaque obtido, sendo que a ênfase maior será dada para a discursividade do blog da Vovó Neuza. Editado por uma senhora de 80 anos que se destaca por sua maneira espontânea de se expressar e por assumir uma identidade em constante transformação. Além deste, também serão analisados os seguintes blogs: “Blog da Vovó... mas não só” (blogdavovohelo), em atividade desde 2008; e “Vovós na Rede”, blog veiculado ao jornal Zero Hora, onde Liana Plentz, sua editora, escreve sobre vários assuntos sempre mostrando um lado saudosista ligado às lembranças do passado. A importância deste trabalho se resume no fato de haver poucos estudos a esse respeito, deste assunto estar despertando interesse, visto a quantidade de artigos e reportagens veiculados na mídia e, também, por este tema fazer parte da atualidade (a relação dos idosos com as novas tecnologias). Para fundamentar as análises, serão utilizadas as teorias da Análise do Discurso francesa de Michel Pêcheaux, seu fundador, que foca o sujeito discursivo sempre em processo de construção considerando os fatores sociais, históricos e ideológicos. Completando o arcabouço teórico, também serão utilizadas as teorias de Michel Foucault ao que se refere às “técnicas de si” e a “escrita de si”, bem como os estudos do sociólogo Zygmund Bauman sobre o sujeito na sociedade contemporânea, e outros autores que fazem parte da área da Análise do Discurso e das ciências sociais. Através da análise dos excertos tirados dos III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA A s redes sociais on-line surgiram para criar um espaço virtual onde fosse possível a discussão de assuntos tanto pessoais como profissionais e também, pela vantagem de criar novas amizades, trocar experiências e ter acesso a conhecimentos de outras culturas. De acordo com Raquel Recuero, respeitada pesquisadora brasileira da área de Ciências Humanas e Sociais, “compreender essas redes é essencial para compreender os novos valores construídos, os fluxos de informação divididos e as mobilizações que emergem no ciberespaço”. Dentro desse universo virtual, surgiram também os blogs, que conquistaram um expressivo espaço, sendo que seus criadores vão desde adolescentes até pessoas idosas que veem neste veículo de comunicação, um novo meio de interação com diversos segmentos da sociedade. O blog hoje é uma evolução dos antigos diários, onde pessoas registram informações constantes não só de acontecimentos de suas vidas pessoais, mas também de suas opiniões sobre os mais variados assuntos. Neste contexto verifica-se cada vez mais, uma crescente adesão por parte da terceira idade, especialmente mulheres, a estes “diários virtuais”, onde a troca de experiências, o compartilhamento de lembranças e a inserção social se fazem presentes nas mais diversas formas. Percebe-se que as atuais “vovós” estão criando uma nova identidade com a ajuda destas práticas de escrita nos ambientes virtuais, ampliando sua inserção na sociedade para além das atividades e estilo de vida que até hoje lhes eram associadas. O presente trabalho tem por objetivo analisar as práticas discursivas de senhoras da terceira idade em seus blogs, partindo da hipótese de que, nestas práticas de escrita e interação com o outro, SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS blogs dos idosos que compõem o corpus desta pesquisa, será possível verificar como ocorre a reconstrução da identidade ou a nova identidade construída pelo próprio idoso, por meio do que é dito, como é dito e também do não dito. Percebe-se ainda, que as identidades assumidas pelas “vovós” em seus blogs possuem ligações com o interdiscurso e com a memória discursiva, bem como revela como se processa a adaptação dos membros da terceira idade à contemporaneidade. Palavras-chave: terceira idade; discurso; redes sociais REFERÊNCIAS BAUMAN, Z. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi/ Zygmunt Bauman; tradução, Carlos Alberto Medeiros. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005 . Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. 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Porto Alegre: Sulina, 2009. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 8 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO A CONSTRUÇÃO DOS ATORES MASCULINO E FEMININO EM CANÇÕES DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Vinícius de Almeida Boutelet (Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 9 DA UNIFRAN e femininos, descrevendo seus papéis actanciais, temáticos e patêmicos. Também procuramos descrever os percursos temático-figurativos que nos textos se manifestam e os mecanismos de projeção dos atores, assim como os efeitos de sentido que eles criam nos textos. Em “Dois pra lá, dois pra cá”, observamos a projeção de um narrador em primeira pessoa, que rememora o seu envolvimento passional com um sujeito feminino por meio de uma dança ocorrida entre o casal. O ator masculino sofre ainda, no presente da enunciação, o estado de alma de nostalgia em relação a tal relação afetiva, o qual se estende no tempo. Na letra de “Incompatibilidade de gênios” manifesta-se no texto um sujeito masculino, no papel de narrador que, no presente da enunciação, relata a um narratário, “dotô”, seu estado patêmico de frustração em relação às atitudes vingativas e de indiferença de sua mulher em relação a ele que o levaram a transformar-se em sujeito virtual que deseja a separação. Em “Miss suéter” também se projeta um narrador, no presente da enunciação, que relata certos fatos da vida de um sujeito feminino, com quem se envolveu no pretérito e que venceu o concurso de Miss Suéter, que ocorria no Brasil nas décadas de 1950 e 1960. Nota-se que enquanto o ator feminino se envolve afetivamente com o masculino, este apenas se envolve eroticamente com aquele. Nossa hipótese é que as paixões da indiferença e da vingança ocorrem na canção “Incompatibilidade de gênios”, revelando a temática das relações afetivas em crise, enquanto em “Dois pra lá, dois pra cá” e “Miss Suéter”, as paixões da nostalgia e do amor são as que parecem se manifestar nos textos. Nesse sentido, queremos lembrar que, num pri- III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA N ossa pesquisa analisa, com base no referencial teórico da semiótica francesa, três letras de canções de João Bosco e Aldir Blanc: “Dois pra lá dois pra cá”, “Incompatibilidade de gênios” e “Miss Suéter”. As canções foram escolhidas em função do tema, pois todas tratam de relacionamentos afetivos entre atores que se projetam no presente da enunciação, como sujeitos narradores, que rememoram seus percursos como sujeitos do enunciado. Procuramos aplicar elementos do percurso gerativo de sentido com o objetivo de apreender a significação das letras das canções. Utilizamos também o esquema passional canônico com a intenção de verificar os estados de alma dos sujeitos que nelas se manifestam. Devemos lembrar que entendemos as paixões como “efeitos de sentidos inscritos e codificados nas linguagens” (BERTRAND, 2003, p. 358). Outro objetivo é analisar as relações entre o plano de conteúdo e o plano de expressão das letras com a finalidade de apreender as relações semissimbólicas que nelas se concretizam. Assim, observamos que há correlações entre categorias sonoras da expressão e categorias semânticas do conteúdo nos textos. Segundo Barros (1987, p. 7), os sistemas semissimbólicos ocorrem como linguagens secundárias, poéticas no verbal por meio das quais um novo saber sobre o mundo se instaura. Nesse sentido, observamos que a presença de relações semissimbólicas nos textos contribui para enfatizar seu caráter poético. A análise dos textos leva em conta também o nível fundamental em que se apreendem as oposições semânticas que estão na base do texto. Por fim, no nível discursivo, temos por objetivo analisar a construção da subjetividade dos atores masculinos SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS meiro momento, estamos aplicando os elementos do percurso gerativo de sentido para a análise dos textos para, posteriormente, analisarmos as paixões que neles se manifestam. Palavras-chave: ator; paixão; semissimbolismo. REFERÊNCIAS ASSUNÇÃO, R. C. A poética de Aldir Blanc. Um olhar sobre o ourives do palavreado. Rio de Janeiro, UFRJ, Faculdade de Letras, 2004. BARROS, D. L. P. Estudos do discurso. In FIORIN, José Luiz. (Org.) Introdução à linguística II. Princípios de análise. São Paulo: Contexto, 2003. . Teoria do discurso. Fundamentos Semióticos. São Paulo: Atual, 2002. . Teoria semiótica do texto. São Paulo: Ática, 1990. . Problemas da expressão: figuras do conteúdo e figuras da expressão. Significação. Revista Brasileira de Semiótica. n. 6, janeiro de 1987. BATISTA. C. C.S.O Lugar dos Galos de Briga: Aldir Blanc e a década de 1970. Programa de Pós-Graduação em Letras. U.F.R.J., 2010 (Tese de doutorado). BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Tradução de Ivan Carlos Lopes etal. Bauru-SP: EDUSC, 2003. FONTANILLE, J.; DITCHE, E. R.; LOMBARDO, P. Dictionnaire des passions littéraire. França: Belin, 2005. GREIMAS, A.J. COURTÉS, J. Dicionário de semiótica. São Paulo: Contexto, 2011. ; FONTANILLE, J. Semiótica das paixões. São Paulo: Ática, 1993. TATIT, L. Análise semiótica através das letras. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 10 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO A CONSTRUÇÃO DOS ATORES MIGUILIM E DITO NA NOVELA “CORPO DE BAILE” SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Pedro P. C. Balieiro (Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 11 DA UNIFRAN paixão da cólera e suas variantes se manifestam em cenas da novela que tratam da relação conflituosa entre os dois atores. Tomamos por base a configuração do dispositivo passional da cólera, proposto por Jacques Fontanille em “Dictionnaire de passions littéraires” (2005). Fontanille, nessa obra, baseando-se em Greimas, estabelece uma sequência canônica da paixão da cólera a qual é composta das seguintes etapas: confiança, espera, frustração; descontentamento, agressividade, explosão. Há vários momentos de manifestação de fases paixão da cólera na novela rosiana: o ódio e a vingança, variantes da fase de agressividade, de acordo com Fontanille se concretizam na novela em cena em que Miguilim toma uma surra do pai, por ter batido em seu irmão mais velho que maltratara um pobre coitado. Procuraremos analisar as fases da sequência canônica da cólera que se manifestam tanto na atitude do pai, quanto na reação de Miguilim perante a agressão que sofre e que o faz perceber o erro e a injustiça cometida por Bero a quem o menino enfrenta. O exame da paixão da cólera, que se materializa na novela, possibilita-nos compreender como se processa a relação entre pai e filho no texto, que objetivamos associar à noção de formas de vida, tal como a concebe Greimas (1993, p. 32-33): [...] “um estilo de vida partilhável por um grupo social, um comportamento esquematizável, muitas vezes estereotipado, que, quando contestado, possibilita o surgimento de novas formas de vida”. Nesse sentido, consideramos que Bero manifesta um comportamento estereotipado, típico da sociedade patriarcal, ao agir com violência contra Miguilim. O menino, por sua vez, vai gradativamente ultrapassando o medo em relação à figura prepotente e patriarcal do pai, e, ao conseguir afrontá-lo, III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA C om base no referencial teórico da semiótica francesa, nossa pesquisa analisa a novela “Campo Geral”, de João Guimarães Rosa, com o objetivo de observar a construção dos atores Miguilim e Dito. De acordo com os estudos de Bertrand (2003, p.416), “o conceito de ator situa-se na junção da sintaxe narrativa (é um actante dotado de programas narrativos) com a semântica discursiva (possui um papel temático), [...] e manifesta-se sob uma forma figurativa”. Partindo, portanto, do conceito de ator em semiótica, analisaremos a construção dos atores “Miguilim” e “Dito”, observando não somente seus papéis actanciais e temáticos, mas principalmente seus papéis patêmicos. Sabe-se que, a partir dos anos 1980, com o desenvolvimento da semiótica das paixões, acrescenta-se à definição de ator, a noção de papel patêmico. Conforme Bertrand (2003, p. 426), “o estudo da dimensão patêmica do discurso, complementar às dimensões pragmática e cognitiva concerne não mais á transformação dos etados de coisas (fulcro da narratividade), mas à modulação dos estados do sujeito, seus ‘estados de alma’”. Privilegiamos as cenas da novela que envolve a relação de Miguilim com seu pai Bero e com o irmão Dito, focalizando os estados de alma do ator protagonista, perante as injustiças cometidas pelo pai e perante a morte do irmão querido. Desse modo, nossa análise incidirá sobre as relações afetivas que se estabelecem entre Miguilim, Bero e Dito, observando o valor que eles atribuem a seus objetos de valor. Quanto ao nível discursivo, voltamo-nos para as projeções actoriais que se manifestam no texto e para os efeitos de sentido que se criam a partir de tais projeções. Tendo em vista as relações entre Miguilim e o pai Bero, buscaremos observar o modo como a SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS propõe uma nova forma de vida, pautada pela sensibilidade e pelo senso de justiça, que se deixa observar em seu comportamento em relação ao pai. Por outro lado, tendo em vista as relações entre Miguilim e Dito, selecionamos a análise de cenas da novela, que ainda não analisamos, em que se nota a paixão do amor fraternal entre os dois atores, a admiração de Miguilim por Dito e seus estados de sofrimento perante a morte do irmão que o fazem percorrer as trilhas do amadurecimento. Palavras-chave: semiótica; nível discursivo; Guimarães Rosa. REFERÊNCIAS BARROS, D. L. P. Teoria Semiótica do Texto. São Paulo: Editora Ática, 1990. BERTRAND, D. Caminhos da Semiótica literária. Bauru: EDUSC, 2003. GREIMAS, A. J. ; COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. SP: Cultrix, s.d.GREIMAS, A. J. Le beau geste. Recherches sémiotiques. Semiotic Inquiry. 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Schwartzmann (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 13 DA UNIFRAN reprogramada, desafiando, assim, os estudantes a aprofundarem ainda mais seus conhecimentos. Como esse modelo de aprendizagem proporciona muita autonomia ao aluno pode ser usado por um grupo de alunos ou também de forma individual. Diante disso, o objetivo principal deste trabalho é analisar as práticas de interação que são propostas pela WebQuest e, especialmente, a prática didática que sustenta o roteiro de construção desse tipo de atividade. O que se percebe aqui é a presença de um tipo de interação que, se seguirmos os preceitos dos trabalhos de Eric Landowski, podemos chamar de “interação programada”. A interação é de ordem programada quando o ator se apoia em certas determinações pré-existentes, estáveis e cognoscíveis, do comportamento de outro ator ou objeto. Partindo, portanto, dos preceitos da Teoria Semiótica de linha francesa, principalmente das noções de prática semiótica e interação, buscamos ver o uso da WebQuest como uma prática de dois caminhos, isto é, uma prática semiótica em que se deixa de considerar os alunos meros receptores de conhecimento e passa-se a vê-los como produtores de sentido que têm autonomia diante da prática didática e que com ela interagem. Para tanto, deve-se partir do pressuposto de que para que um sujeito possa atuar/operar sobre um objeto qualquer, é necessário que esse objeto faça parte de um programa. Tal ideia de programação nos leva à ideia de um conjunto ordenado de comportamentos narrativizados que remetem à construção de papéis temáticos. Assim sendo, qualquer que seja o objeto que se apresente diante dos sujeitos – aqui, no caso, o objeto sendo as partes integrantes de uma WebQuest – todas as operações que se devam nele realizar deverão funcionar de acordo com um programa de comportamento determinado. Desse III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA D urante o período de maior disseminação da rede on-line de computadores, a Internet, em 1995, o professor de tecnologia educativa da Universidade Estadual de San Diego, Bernie Dodge, apoiado por Tom March, desenvolve uma ferramenta on-line voltada para o ensino que visa oferecer ao aluno uma nova maneira de aprender e, ao professor, uma nova visão sobre a forma de ensinar. Assim, essa ferramenta, a WebQuest, quando usada na sala de aula, atualmente, tem como objetivo criar metas para os alunos e enfocar o ensino de forma que esse se torne efetivo. De acordo com Dodge (1995a apud TORRES, 2004, p. 231) a utilização dessa estratégia não está limitada a uma área de conhecimento ou a uma disciplina, pois contém em si a qualidade de ser interdisciplinar, proporcionando ao professor a liberdade para criar atividades motivadoras que lhe permitam realizar e fomentar nos estudantes o pensamento dito “crítico”, deixando para trás a ideia de compreensão mecânica engendrada no ensino tradicional. Chegamos, dessa forma, ao processo de criação de uma WebQuest, que deve seguir as seções já pré-estabelecidas por Dodge para que se obtenha sucesso ao colocá-la em prática. Toda WebQuest é constituída por cinco ou sete seções a saber: introdução – define e informa; tarefa – é o resultado final da atividade; processo – descreve os passos a serem seguidos e disponibiliza os recursos a serem utilizados; avaliação – explica de que forma será avaliada; conclusão – recorda o que foi aprendido e motiva a continuar a aprendizagem, portanto, sua criação deve partir da determinação de um Tema e propor um Tarefa como um trabalho de cooperação em que cada aluno é responsável por determinada parte. Uma WebQuest bem produzida pode ser utilizada várias vezes, pois a atividade nela descrita poderá ser SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS modo, para cada prática, um papel específico será desenvolvido. No caso deste trabalho, pretendemos mostrar primeiro, como tais operações de interação estão marcadas por essa programação, por esses papéis, atualizando, na própria prática de construção e leitura da WebQuest, uma forma de interação programada específica, que reúne papéis e fazeres didáticos (o professor, o aluno, o aprendiz, o ensino, a leitura, a aprendizagem, a escrita, etc.). Em segundo lugar, descreveremos a estrutura da WebQuest para dela depreender as práticas de interação que as suas sete seções manifestam e a sua programação, que leva o sujeito a um conjunto ordenado de operações que permitem encontrar a solução de um problema – que lhe é proposto inicialmente pela WebQuest – que poderíamos aqui chamar, como o faz Landowski em suas “Interactions risquées” (2005), de “algoritmo de comportamento”. Tal algoritmo, que por fim iremos descrever e analisar, traduz-se desse modo em um percurso narrativo estereotipado e recorrente, já que comporta sujeitos que realizam ações de forma sucessiva, apresentando, figurativamente, papéis temáticos que delimitam semanticamente suas esferas de ação. Palavras-chave: interação programada; práticas de interação; WebQuest. REFERÊNCIAS BARROS, D. L. P. Teoria Semiótica do Texto. São Paulo: Ática, 2005. DODGE, B. The WebQuest Page. Disponível em: <http://webquest.sdsu.edu/webquest.html> Acesso em: 20/04/2012. . Cinco Reglas para Escribir una fabulosa WebQuest, en Eduteka. Disponível em: <http://www.eduteka.org/Profesor10. php>. Acesso em: 20/04/2012. . Tareotomía del WebQuest: una Taxonomía de Tareas. Disponível em: <http://www.eduteka.org/Tema11.php>. Acesso em: 22/04/2012. GREIMAS, A. J.; COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. São Paulo: Contexto, 2012. LANDOWSKI, E. Interacciones Arriesgadas. Perú: Universidad de Lima, 2009. TORRES, I. P. 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Essas análises partirão dos conceitos das principais obras bakthinianas sobre dialogismo e polifonia e das considerações de estudiosos da obra desse pensador russo bem como de outros pesquisadores dos gêneros textuais e discursivos. Como material de análise serão coletadas propagandas de revistas, televisivas e ainda sites das empresas da marca e das agências de publicidades envolvidas, verificando suas especificidades ideologias entre outros aspectos. A justificativa desse trabalho deve-se ao fato de que é necessário verificar a razão de que há uma presença predominante da figura das mulheres nas propagandas e de um discurso extremamente masculino sobre a figura feminina. Os resultados esperados após análise individual de cada slogan é de observar quais seriam as possíveis relações dialógicas entre esses slogans e quais os efeitos de sentido da imagem feminina construída pelas agências de publicidade e veiculadas pela mídia. Com base nas reflexões de Bakhtin (2003), é possível descobrir que as vozes sociais, pela boca dos falantes, vivem em múltiplos e contínuos contatos que constituem uma imensa teia dialógica chamada de heteroglossia dialogizada. Nela as vozes sociais se interiluminam, interpenetram-se, apoiam-se mutuamente, entram em conflito, contradizem-se, rejeitam-se total ou parcialmente. É esse tenso embate dialógico que dá dinamicidade à língua como realidade social vivida. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA O s slogans midiáticos de cerveja no Brasil têm conseguido agradar o telespectador e despertar a curiosidade dos pesquisadores pela criatividade e originalidade, mas é estimulante observar o que há subjacente à construção imagética deles e ao texto que eles veiculam. A escolha pela análise de slogans de cerveja, deste trabalho, se dará com o objetivo de identificar as construções discursivas e vozes apresentadas pelas empresas de cervejas brasileiras veiculadas na mídia do século XX, que nos remete a várias possíveis vozes arraigadas na ideologia proposta pelas empresas em conjunto com seus interesses comerciais, fortemente impregnados nestes slogans. O estudo do corpus se dará na observação dos aspectos morais, sociais, conceitos, ideologias e também os objetivos específicos da empresa na escolha de seus slogans, observando sua atividade responsiva. As vozes para Bakhtin são o discurso construído a partir do discurso do outro, que nunca está concluso, uma vez que nada mais são do que vozes e sentidos constituídos ou reconstruídos entre sujeitos. Essas construções e reconstruções enunciativas são muito evidentes em slogans, despertando assim o interesse em comparar esse gênero secundário discursivo de um mesmo segmento, que no caso de nosso trabalho será o da cervejaria. Sobre esse aspecto Bakhtin salienta que qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso. As análises dos slogans, ou seja, o recorte do corpus se dará na escolha de slogans brasileiros da cervejaria para que se possa também verificar como se dará a exposição da imagem feminina, onde as vozes sejam as masculinas e/ou SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS É o que pretendemos comprovar na pesquisa a ser desenvolvida. Os slogans utilizados neste trabalho serão os das cervejas: Devassa “Todo mundo tem um lado Devassa”; Antarctica “Antarctica BOA”; Kaiser, “Essa é gostosa!; Bavária: Não beba só uma, Bebavárias, “Para bom bebedor, Meia palavra basta; Schin “Cervejão”; Brahma: “Refresca até pensamento”; Itaipava “Feita especialmente para você”e Bohemia “O mesmo prazer desde 1953”, para verificar as marcas dialógicas e polifônicas do slogan e os efeitos de sentido alcançados. Espera-se com esta pesquisa analisar o dialogismo em suas diferentes manifestações presentes nos textos dos slogans de cerveja para verificar o jogo polifônico das vozes que se confrontam nesse tipo de construção textual de apelo popular. Palavras-chave: dialogismo; gêneros discursivos; slogans brasileiros. REFERÊNCIAS BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução Maria Ermantina Galvão PEREIRA. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. . Problemas da Poética de Dostoiévski. Tradução de Paulo Bezerra. 2. Ed. 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Assim, com base nas características do perfil profissional do advogado, por exemplo, podemos afirmar que a leitura e a interpretação de textos são fundamentais para o sucesso de um estudante de Direito, pois para ingressar em qualquer carreira jurídica, o egresso desse curso deverá possuir uma excelente competência comunicativa, não somente para atuar como também para passar por provas, como é o caso do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, composta de duas fases, uma objetiva e uma prática em que o candidato deverá demonstrar seus conhecimentos adquiridos ao longo do curso devendo ler, interpretar e encontrar uma solução para o caso proposto. Quando o aluno não sabe como realizar tarefas teoricamente simples que deveriam ter sido ensinadas nos ensinos fundamental e médio, como a leitura e a interpretação de textos, surge também a dificuldade de comunicação entre o discente e o docente. Entendemos por competência comunicativa como a capacidade de ler e produzir textos. Considerando que essa competência é fundamental para a formação profissional em todas as áreas do saber, objetivamos verificar as fragilidades dessa capacidade em textos produzidos por alunos ingressantes de um curso de Direito de uma universidade particular do interior do estado de São Paulo a fim de identificar o grau de letramento desses sujeitos. Segundo Koch (2006), a competência comunicativa possui três grandes sistemas de conhecimento sendo: o conhecimento linguístico que abrange o conhecimento gramatical e lexical, os saberes acerca das regras de funcionamento da língua, no nível fonológico, morfológico, sintático e semântico; o conhecimento enciclopédico ou conhecimento de mundo que são os conhecimentos gerais sobre o mundo; e o III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA A educação, fator primordial para a evolução do ser humano em todos os aspectos de sua vida, infelizmente tem sido tratada de maneira não tão importante quanto deveria ser. Com as deficiências de aprendizagem apresentadas no decorrer da formação básica, deficiências essas detectadas pelas várias avaliações: Saresp, Enem, entre outras, o aluno quando se insere em uma faculdade apresenta enormes dificuldades em acompanhar um curso superior uma vez que este exige competências que deveriam ter sido desenvolvidas em etapas anteriores. Em um curso de Direito não é diferente e pelas experiências detectadas por nós enquanto docentes deste curso há cinco anos, as barreiras que os alunos encontram são, na sua maioria, dificuldades ligadas à sua formação no ensino fundamental e médio. O aluno ingressante, para acompanhar o curso de Direito, não pode dar-se ao luxo de imaginar que irá ler e estudar somente matérias relacionadas ao mundo jurídico, mas deverá se adequar ao mundo do saber num todo. O aluno deverá buscar e construir seu próprio conhecimento, aprendendo não só a lidar com o Direito, mas também a ser um profissional integrado à realidade social em que vive. Em um curso de Direito há a necessidade de uma visão ampla e não somente legalista, para que o aluno possa participar ativamente do processo social global, deixando de ser um mero técnico vinculado, exclusivamente, às atividades forenses, aja visto que em muitos casos, esse profissional precisa estar preparado para solucionar conflitos de maneira extrajudicial também. Dentre as habilidades que devem ser adquiridas no processo de formação está a habilidade em comunicação. A palavra escrita e falada é o meio pelo qual as partes em conflito se compõem, portanto, a habilidade de persuasão SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS conhecimento interacional referindo-se às formas de interação por meio da linguagem englobando os conhecimentos ilocucional, comunicacional, metacomunicativo e superestrutural. Diante desses elementos que compõem a competência comunicativa entendemos que o fato de muitos alunos ingressantes não conseguirem acompanhar um curso superior mais precisamente um curso de Direito, está relacionado às deficiências ou dos três níveis ou de um ou outro: conhecimento linguístico, enciclopédico ou conhecimento interacional. Atualmente, uma grande dificuldade encontrada pelos docentes é em, por exemplo, criar no aluno uma vontade em conhecer, em ler e entender, não somente aquilo que lhe é devido, que o interessa momentaneamente, mas que possa ter uma cultura de mundo. Mas de nada adiantará o aluno ingressante ter um vasto conhecimento de diversas áreas e não ter a capacidade de transformar essa leitura vasta em um texto coerente, pois falta a ele o básico que é ler e compreender. Desta forma, partindo do pressuposto que a competência comunicativa constitui-se na competência base para a formação do sujeito advogado, acreditamos que identificar as fragilidades dessa competência em textos produzidos por alunos ingressantes de um curso de Direito poderá contribuir para a elaboração de projetos que visem a eliminação dessas fragilidades a fim de promover uma significativa melhora no desempenho. O corpus deste trabalho, então, será composto de textos e provas realizadas ao longo do primeiro semestre na disciplina de Direito Civil I – Parte Geral pelos alunos ingressantes desse curso no ano letivo de 2012. Palavras-chave: competência comunicativa; análise de textos; ensino superior. REFERÊNCIAS BARROS, D. P. de. A comunicação humana. In FIORIN, José Luiz (org.) Introdução à linguística. I. Objetos teóricos. 6. ed. São Paulo, Contexto, 2011. KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e compreender - os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. SANTOS, M. do C. O. T. Retratos da escrita na universidade. Maringá: Eduem, 2000. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 18 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO AUTORIA E ORIGINALIDADE NO DESIGN GRÁFICO A PARTIR DA ANÁLISE DOS DISCURSOS DO PLÁGIO NA INTERNET SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Ana Márcia Zago (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Fernando Aparecido Ferreira (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 19 DA UNIFRAN determinar o referencial de competência criativa dos designers gráficos. A internet, espaço de interatividade e troca de conhecimentos, permite a rápida apropriação de conteúdos, bem como sua modificação, para fins legais ou não. O plágio nasce da apropriação ilegal de uma ideia materializada, ou seja, da “reprodução” (total ou parcial) de um projeto não autorizado e não creditado ao “primeiro autor”. Esta apropriação, no design, muitas vezes é traduzida como falta de “originalidade” e de “criatividade” do “segundo autor”, porém não há uma definição acerca dos parâmetros que podem levar um trabalho a ser considerado “cópia” de outro, nem onde devem estar assentados os aspectos originalidade e criatividade em um projeto de design. Mesmo os dispositivos legais que tratam deste tema não estão suficientemente preparados para solucionar os conflitos que pairam sobre o plágio. Embora a autoria e o plágio sejam temas abordados de forma recorrente, inclusive na internet, a exemplo dos casos levantados por esta pesquisa, tais conceitos nem sempre são tratados de forma reflexiva. Quando se fala em produção autoral, na maior parte das vezes os discursos estão diretamente ligados às relações de força e poder entre os sujeitos que desejam se intitular autores, mas não há uma discussão acerca dos parâmetros, dos indicadores de autoria que podem tornar tais discursos “inéditos”. Trazendo esta discussão para a esfera da comunicação visual, torna-se de suma importância compreender como é entendido o conceito “autoria”. Este estudo se torna relevante a partir do momento que permite conhecer os discursos sobre o plágio na internet e seus efeitos de sentido, propondo-se a refletir e contribuir para a construção III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA L evando em conta que o plágio tem sido uma preocupação de âmbito geral, já que pode ocorrer em praticamente todas as áreas de atuação, inclusive no ambiente acadêmico, muitos são os debates acerca desta prática, especialmente pelos sujeitos que utilizam a internet como espaço para publicação e/ou promoção dos seus trabalhos: profissionais de design gráfico, que produzem representações visuais diretamente ligadas a aspectos como a estética da forma, a funcionalidade, a inovação e a originalidade criativa. Como estes profissionais são valorizados pelo caráter inédito dos discursos visuais produzidos, torna-se relevante entender como são construídos os conceitos de autoria, de plágio e de originalidade, o que acontece neste trabalho com o auxílio da Análise do Discurso. Esta pesquisa busca investigar os efeitos de sentido dos discursos do plágio e da autoria no design, tomando por corpus algumas matérias, notícias e comentários feitos pelos leitores que as acompanharam, em casos de grande destaque nos cenários nacional e internacional e que foram postadas em endereços eletrônicos tais como o do portal UOL, Yahoo, site do Clube de Criação de São Paulo e da versão digital da revista Exame. Os referidos casos compreendem os seguintes projetos de design: a campanha Happy Drive, criada pela Agência de Publicidade Africa para promover o carro Grand Vitara, da marca Suzuki (2011); o logotipo desenvolvido para representar as Olimpíadas 2016 do Rio de Janeiro (2010/2011); e a ilustração “oficial” criada para homenagear o empresário Steve Jobs, fundador da Apple, na ocasião de sua morte (2011). Por meio das análises, pretende-se verificar como o conceito de originalidade se constrói nesses discursos, bem como se este conceito pode SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS dos conceitos de originalidade e criatividade como indicadores de autoria no design gráfico. Esta pesquisa está embasada na abordagem teórico-metodológica da Análise do Discurso francesa e seus fundamentos. Dentro deste vasto campo de estudos, serão mais trabalhados os conceitos desenvolvidos por Michel Foucault, que permitem compreender a autoria enquanto fenômeno complexo, conceituado como um modo de existência no tempo e no espaço no qual o autor se apaga para dar ensejo à “função autor” que circula no interior dos discursos, tendo em vista que discursos por sua vez são desejados e temidos ao mesmo tempo, já que dizem respeito às relações de saber e poder que dirigem as sociedades. Embora a internet, seja um local de interação, de publicação, apropriação e modificação de conteúdos de forma instantânea, também é um espaço que permite reflexões sobre as práticas discursivas do plágio. Tais práticas podem funcionar ativamente para a construção dos conceitos de originalidade e criatividade no design gráfico, que por sua vez são fundamentais para estabelecer parâmetros de identificação do que pode ou não ser considerado como apropriação indevida. Além disso, as práticas discursivas acerca da autoria e do plágio podem colaborar para o aperfeiçoamento dos mecanismos que os devem disciplinar, beneficiando a todos os profissionais que desenvolvem atividade inventiva e autoral. Palavras-chave: plágio; autoria; discurso. REFERÊNCIAS ABRÃO, E. Y. (Org.). Propriedade imaterial: direitos autorais, propriedade industrial e bens de personalidade. São Paulo: Senac São Paulo, 2006. AD Brasil Arquitetura Design. Muito aquém do plágio. Disponível em: <http://www.brazildesign.com.br/?p=444>. Acesso em: 30 mar. 2012. ADG Brasil - Associação dos Designers Gráficos. O valor do design: guia ADG Brasil de prática profissional do designer gráfico. 2. ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004. ADNEWS. Ilustrador acusa Africa de Plagio agencia nega. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/ ilustrador-acusa-africa-plagio-agencia-nega-603882>. Acesso em: 5 maio 2012. AFP. 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Um diálogo que diríamos profissional, próprio do fazer cotidiano de enfermagem, que conduza ao atendimento pleno das necessidades tanto do técnico cuidador quanto das expectativas do paciente. Neste ponto voltamos nosso olhar para a formação profissional dos agentes cuidadores, antes de chegarem ao mercado de trabalho e como o processo comunicativo é tratado durante essa fase. Não se trata de examinar currículos ou ementas e contabilizar disciplinas que abordem a temática; propomos uma pesquisa sobre as obras que são reconhecidas como didáticas ou como indicações de leitura complementares (livros, revistas especializadas, teses acadêmicas entre outras) no ensino de comunicação em enfermagem, retirando delas aquilo que é prescrito como modelo de interação eficaz e produtoras da qualidade pretendida durante o atendimento. A partir de análises destes fragmentos queremos ir além da afirmação óbvia de que a comunicação é o ponto central na terapia dos pacientes hospitalizados, pretendemos mostrar a presença de conceitos próprios das ciências da linguagem que sugerimos fossem mais bem aproveitados na capacitação dos futuros cuidadores. Utilizaremos para tanto como sustentação teórica para a análise pretendida os conceitos oriundos da teoria da retórica de base aristotélica, sobretudo a teoria da argumentação, presentes em estudos que se fundam nela como em Perelman e Tyteca, Meyer, Abreu, Citelli, entre outros. Nosso objetivo primeiro é identificar a presença desses conceitos linguísticos nos fragmentos em análise e observar em que III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA H istoricamente conhecida e destacada como a ciência do bem cuidar, a enfermagem tem como um de seus pilares a qualidade na atenção dispensada aos clientes, sobretudo àqueles que se encontram hospitalizados. Trata-se de uma busca incessante através dos tempos que caminha junto com o reconhecimento da atividade e da permanente evolução técnico-científica. Esta qualidade na atenção é tanto melhor quanto maior for o conhecimento obtido junto ao cliente/paciente a ser cuidado. Desta forma a interação cuidador-paciente torna-se fundamental na determinação das práticas que poderão ser adotadas para o atendimento das demandas deste paciente, bem como no tipo de relação que será estabelecida entre os agentes envolvidos no processo terapêutico. É imprescindível, para que haja trocas entre cuidador e paciente, tanto para o primeiro, na sua necessidade de julgamento e definição do estado clínico, quanto para o segundo, na expectativa de bom atendimento e reestabelecimento da sua saúde, que a comunicação seja eficiente. Consequentemente, o domínio de habilidades comunicativas é imperativo para o profissional cuidador de saúde, haja vista a constância das relações comunicativas que se estabelecem. O profissional cuidador de enfermagem na sua necessidade de obtenção de informações corretas sobre o estado clínico de seu paciente precisará empreender um processo de reciprocidade e cooperação mútua, e só desta forma existirá confiabilidade nas informações passadas de parte a parte. Isso implica então em quanto o cuidador está preparado para exercer ativamente o papel de condutor da interlocução que necessariamente se estabelecerá. Assim, compreendendo que mais do que a simples habilidade comunicativa inerente SELINFRAN III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 24 PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS sentido contribuem para melhor interação entre técnico cuidador e paciente. E por considerarmos a argumentação um dos principais veículos de acesso à realidade do indivíduo a ser tratado analisaremos os aspectos persuasivos presentes na fala a ser utilizada pelos profissionais. Embora não se constitua como linha principal deste trabalho, pretendemos ainda pesquisar a presença de disciplinas que tratem especificamente da temática da comunicação nos currículos das principais instituições formadoras de profissionais de saúde. Este trabalho é embasado na dissertação de mestrado que apresentaremos para qualificação e que está em fase de desenvolvimento, porém já podemos apresentar a título de indicação do rumo que estamos tomando. O fragmento que segue, foi extraído do livro “A comunicação nos diferentes contextos da enfermagem” da autora Maguida Costa Stefanelli: “No intercâmbio de mensagens que se processa, o enfermeiro tem de conhecer o repertório do paciente, sua bagagem cultural e de vida, ou seja, entre outros elementos, seu vocabulário, seu linguajar, sua escolaridade, sua origem e suas expectativas, para que o significado das ideias veiculadas no processo de comunicação possa tornar-se comum. Com isso, o profissional estará apto a oferecer elementos ao paciente para que consiga reestruturar suas ideias, analisar suas crenças e seus valores, suas atitudes e seu comportamento e engajar-se conscientemente em um processo de mudança (...).” O trecho acima comporta vários conceitos abrigados pela Teoria retórica em momentos diversos e em teóricos diferentes, entretanto para cumprir o objetivo a que se propõe este resumo associaremos a este fragmento a teoria dos auditórios de Perelman que afirma que “ para argumentar é preciso ter apreço pela adesão do interlocutor, pelo seu consentimento, pela sua participação mental.” E ainda “o mínimo indispensável à argumentação parece ser a existência de uma linguagem comum, de uma técnica que possibilite a comunicação.” Classificamos assim, para efeito didático, o enfermeiro do texto como sendo o orador que pretende e necessita convencer/persuadir seu auditório (particular), aqui representado pelo paciente admitido em internação a aceitação da terapia e uma consequente mudança de comportamento. O contexto hospitalar é demasiado fértil de relações passíveis de análise retórica , assim como na maioria dos espaços onde existam pessoas interagindo, porém consideramos este um espaço de interações comunicativas especiais, haja vista que os motivos que levam um indivíduo a um hospital são quase sempre contrários a sua vontade. Isso por si só já faz do técnico cuidador um orador diferenciado e com necessidade de domínio amplo da competência comunicativa. Palavras-chave: retórica; texto didático; enfermagem. REFERÊNCIAS MEYER, M. Questões de retórica: Linguagem, Razão e Sedução. Lisboa: edições 70, 1993. PERELMAN, C. & OLBRECHTS TYTECA, L. Tratado de Argumentação: a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2005. SILVA, M. J. P. Comunicação tem remédio: a comunicação nas relações interpessoais em saúde. 8.ed. São Paulo: Loyola, 2011. STEFANELLI, M. C. Comunicação com paciente teoria e ensino. São Paulo: Robe editorial, 1993. . A comunicação nos diferentes contextos da enfermagem. 2. Ed. São Paulo: Manole, 2012. HARBORNE, J.B. Introduction to ecological biochemistry. 3.ed. London: Academic Press, 1988. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO DA CLAUSURA À LOUCURA: ANÁLISE SEMIÓTICA DO CONTO “CASA TOMADA”, DE JULIO CORTÁZAR SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Edna Aparecida R. da Silva (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Matheus N.Schwartzmann (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 25 DA UNIFRAN “fosse um dom inato, e não algo que se cultiva e desenvolve”. Esta pesquisa é, portanto, relevante, pois traz à tona a análise de uma produção discursiva e salienta a democratização da depreensão dos efeitos de sentido produzidos no conto por meio de um projeto teórico científico e não apenas de um projeto intuitivo. O presente trabalho propõe analisar as construções figurativa e passional da loucura no espaço de reclusão que se constrói no conto “Casa tomada”, do livro Bestiário, de Cortázar, de 1951. O suporte teórico desta pesquisa são os estudos sobre a Teoria Semiótica realizados principalmente por Greimas (1973), Greimas e Fontanille (1993), Floch (2001), Bertrand (2003), Barros (2001, 2005), Fiorin (1999, 2007, 2008), Greimas e Courtés (2008). A dissertação está desenvolvida em cinco capítulos nomeados respectivamente em: Teoria Semiótica: os precursores, Constituição da Linguagem e percurso gerativo de sentido, Enunciação e paixão, Julio Cortázar: o autor e Análise do conto “Casa tomada”. No conto, os irmãos, de modo metódico, gradativamente abandonam uma existência exterior para viver e valorizar o interior da casa. Dedicando a maior parte do dia a atividades de organização do imóvel, os irmãos assumem uma forma de vida perturbadora, uma vez que criam um sistema severo de limpeza e manutenção da ordem da grande casa, único espaço de debate e embate desses dois adultos solitários. Essa limitação e esse sofrimento solitário são o ponto chave dos estados de alma dos sujeitos, pois é justamente o enclausuramento que desencadeia o conflito modal presente no conto. Isso quer dizer que a gradação e reiteração das emoções a que as personagens estão subme- III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA E m 5 de agosto de 2005, o então presidente Luís Inácio Lula da Silva promulgou a Lei nº 11.161 que dispunha sobre a obrigatoriedade da oferta do Espanhol pelas escolas de Ensino Médio. A inclusão do Espanhol no currículo do Ensino Médio respondia à necessidade de assegurar melhores condições de inserção dos jovens na sociedade atual. O processo de integração regional e a afirmação dos valores culturais dos países ibero-americanos foram, também, pontos determinantes para justificar o estudo de outro idioma na grade curricular, tendo em vista o cenário internacional. Nesse contexto político e pedagógico, diversas universidades se movimentaram na tentativa de formar professores de Espanhol aptos a trabalhar com o idioma. Desse modo, os cursos de Letras voltaram-se também ao estudo da Literatura Hispano-americana. E é nesse cenário que nasce a história desta dissertação, pois Julio Cortázar, escritor argentino, apareceu, então, como um dos autores em potencial que permitiria uma análise cuidadosa e minuciosa de sua obra. Essa identificação com o autor se deu pela temática que aborda no livro “Bestiário”, em especial no conto “Casa tomada”. A solidão e o desassossego metafísicos nos instigaram a pensar sobre a forma do conteúdo do conto e em como essas sensações eram, portanto, nele construídas. Nesta dissertação parte-se do pressuposto de que na literatura há um problema de linguagem e, por isso, a teoria semiótica é um suporte eficiente para analisar o conto. A semiótica, enquanto a teoria do discurso, permite-nos uma análise pautada em um projeto teórico de análise discursiva, eliminando o propósito de que para analisar um texto é preciso ter “sensibilidade” ou “talento” apenas, como se a análise, como diz Fiorin (1999, p.09), SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS tidas revela um desequilíbrio entre o querer-ser e o poder-ser. As personagens vivem, portanto, uma rotina muito rígida dedicada exclusivamente à casa, como se ela, embora um ser inanimado, tivesse vida e fosse capaz de determinar os modos de ação dos seus moradores. O conto é desenvolvido sob um tom de mistério, criando em seu interior um forte clima de expectativa e suspense os quais desencadeiam estados afetivos nos sujeitos; ou seja, durante o percurso narrativo, o ator principal, o irmão, aponta informações sobre seu estilo de vida exótico, revelando comportamentos estereotipados – manias, medos, angústias, obsessões – que nos permitem pensar em uma isotopia da loucura. Essa loucura é marcada inicialmente por um estado de desesperança que vai, no entanto, no decorrer do conto, intensificando-se de modo que gera outros estados passionais nos sujeitos. Assim, esta análise buscará mostrar como o enunciador do conto constrói a sua própria identidade, a da irmã e a da própria casa, a partir das coerções do espaço-tempo em que vivem, e como as transformações dos sujeitos estão diretamente ligadas às ideias de loucura e sanidade, realidade e irrealidade, de exterioridade e interioridade que parecem circundar todo o texto. Palavras-chave: semiótica; paixão; loucura. REFERÊNCIAS BARROS, D. L. P. Teoria semiótica do texto. São Paulo: Ática, 2005. . Teoria do discurso: fundamentos semióticos. In: Paixões e apaixonados. São Paulo: Humanitas, 2001. p.60-71. BERTRAND, D. A semiótica da paixões. In: A enunciação em semiótica. Tradução do Grupo Casa. Bauru: EDUSC, 2003. p. 357-378. .A semiótica da paixões. In: Caminhos da semiótica literária. Tradução do Grupo Casa. Bauru: EDUSC, 2003. p. 357-378. BRASIL. Secretaria de Educação. Parâmetros curriculares nacionais: língua estrangeira. Disponível em: http://portal.mec.gov. br/seb/arquivos/pdf/pcn_estrangeira.pdf. Acesso em 20 jun. 2012. CÂMARA, L. O duplo registro na ficção de Cortázar. Recife: J. Olympio; Fundarpe, 1983. CELLA, S. História crítica de la literatura argentina. Buenos Aires: Emecé.1999. CORTÁZAR, J. Bestiário. In: Casa Tomada. Tradução (revista) de Remy Gorga, filho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1986. p. 09-18. EDUCAÇÃO, Ministério da. 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Maria Regina Momesso (Oientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 27 DA UNIFRAN deixavam transparecer o romantismo dos contos de fadas, síndrome de “Cinderela”, do sonho com o príncipe encantado, do encontro com o par perfeito. O amálgama entre essas visões distintas do perfil feminino é o ‘fio de Ariadne’ dessa pesquisa. Com essa linha condutora levantaram-se assim várias questões, a saber: Qual imagem tem de si as jovens garotas nesse limiar do século XXI? Como percebem o mundo ao seu redor? Quais leituras escolhem para se expressar? Como dão vozes a si mesmas na rede? Que perfis escolhem para si? Como se identificam e como pretendem ser identificadas pelo outro? Mediante as concepções pecheutianas no que tange as formações imaginárias, e nas contribuições de Foucault sobre tecnologias de si, pode-se observar que as publicações do Tumblr funcionam como um poderoso objeto de estudo da identidade juvenil por espelharem práticas leitoras e manifestarem discursos carregados de sentido. Com esse olhar entende-se a rede social Tumblr como uma das tecnologias da contemporaneidade que possibilitam ao sujeito criar para si uma identidade que lhe satisfaça e agrade ao outro. O sujeito projeta uma imagem de si mesmo baseada na necessidade de pertencer, ainda que temporariamente, ao grupo que escolhe. Dessa projeção de si mesmo e do outro emergem discursos marcados pela (re)significação e por novos sentidos desenvolvidos a partir do confronto do ‘eu’ com os demais. Interessam à pesquisa as leituras feitas pelo sujeito porque, na visão discursiva, considera-se o sujeito leitor como produto de sua história de leitura, e as suas leituras realizadas como resultado de sua história como sujeito social. A Sociologia é uma coadjuvante desse estudo à medida que III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA O bjetiva-se investigar a constituição da identidade de adolescentes entre 12 e 15 anos, sexo feminino, estudantes da rede particular de ensino da cidade de São Sebastião do Paraíso-MG, mediante a perspectiva da Análise do Discurso de linha francesa embasada nos preceitos de Michel Pechêux e Michel Foucault. O corpus escolhido é a rede social Tumblr, e estão sendo analisadas as postagens a partir de maio de 2011. Ao ser criado, em 2007, pelo americano David Karp, essa rede buscou aliar o que havia de mais prático em outras ferramentas combinando assim várias possibilidades de publicação, desde textos, sem limite de caracteres, até vídeos e imagens. Como ocorreu com todas as suas similares, o Tumblr rapidamente tornou-se popular e querido. No Brasil, também se disseminou depressa atingindo um público de todas as idades, mas especialmente por adolescentes que o usam para se representarem socialmente. Pode-se dizer que essa pesquisa iniciou-se de uma grande curiosidade da autora que percebeu em suas alunas certa empolgação pela ferramenta. As jovens relataram que estavam usando o Tumblr como um diário pessoal no qual podiam escrever sobre si mesmas e sobre tudo que lhes acontecia. Ao conhecer a plataforma e tornar-se seguidora de suas alunas diversos questionamentos passaram a intrigar a autora já que as postagens acompanhadas evidenciavam uma mescla de universos femininos um tanto contraditórios: se de um lado as meninas buscavam mostrarem-se como mulheres desse tempo, verdadeiras “Luluzinhas” independentes, inteligentes, teimosas e donas de si, a imagem da autossuficiência, por outro, muitas frases, imagens, versos e trechos de música, SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS as reflexões de Hall e Bauman sobre identidade e sociedade contemporânea contribuem para se conceber a identidade feminina segundo a óptica da ambivalência como o resultado de um processo de interação entre os indivíduos e as diversas leituras de seu cotidiano. Palavras-chave: discurso; leitura; identidade feminina. REFERÊNCIAS FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009. . A ordem do discurso. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. 20ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2010. . Ética, sexualidade, política. Trad. Elisa Monteiro, Inês Autran Dourado Barbosa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. MARINHO, M (Org.) Ler e Navegar: espaços e percursos da leitura. Campinas: Mercado das Letras: Associação de Leitura do Brasil – ALB, 2001. ORLANDI, E. P. Discurso e Leitura. 6ª Ed. – São Paulo, Cortez: Campinas, SP: Editora. TELLES, N. Escritoras, escritas e escrituras.In: História das mulheres no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 1997. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 28 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO “DRACONIANO”: A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE PASSIONAL EM A ELITE DA TROPA 2 SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Leandro Rodrigues Doroteu (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Matheus N. Schwartzmann (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 29 DA UNIFRAN fortemente perceptível na sociedade e os discursos apaixonados que são repetidos em outros contextos sociais, remetendo sempre à obra. Ao construir a narrativa, o autor narrador inicia manifestando a paixão da nostalgia, trata da honestidade e da desonestidade de policiais (papéis ligados à paixão da ambição) e chega a um estado de ressentimento e cólera. Dessa forma, se apresenta como um sujeito altamente afetado pelas paixões ou patemizado, como nos mostra Barros (1990, p. 47) “as paixões entendem-se como efeitos de sentido de qualificações modais que modificam o sujeito de estado”. A análise mostrará justamente a mudança de estado do sujeito durante a narrativa. Trata-se de uma obra literária em que a ficção e a vivência pessoal dos escritores manifestam ao público paixões restritas, até então, ao convívio entre policiais. A novidade como essas informações reais foram apresentadas em forma de ficção contribuíram para que a obra pudesse ser classificada como um best seller brasileiro, contagiando e influenciando a sociedade. A aplicação da Teoria semiótica das Paixões foi eleita para servir como base para o estudo da obra pelo fato de ser uma teoria da significação que procura dizer o que o narrador (e mesmo o ethos autoral complexo do nosso caso, dividido em diversas obras) diz e qual o percurso que ele cria para conseguir dizer o que diz. Importante destacar que não se trata de tentar desvendar o real interesse dos autores escritores, pois a aplicação da teoria busca alcançar o resultado obtido com os efeitos de sentido empregados. A metodologia adotada é a de revisão bibliográfica com construção de um referencial teórico e aplicação das teorias postuladas através de análises realisadas no corpus. As análises têm por base III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA O presente trabalho pretende aplicar os pressupostos teóricos da semiótica francesa, mais especificamente da semiótica das paixões postulada por A. J. Greimas e J. Fontanille e também desenvolvida D. Bertrand, para o estudo do nosso corpus, formado por trechos do livro Elite da Tropa 2. A obra apresenta trechos onde há a narração de histórias e, entre as histórias, trechos em que se simulam postagens na rede social Twitter, que será o real foco das análises. A aplicação da mencionada teoria que se ocupa da significação pretende mostrar como o autor narrador se utiliza de recursos discursivos para construir uma identidade passional. O discurso apresentado no livro é um discurso carregado de paixão, única no gênero até então, pois é a apresentação do discurso policial mostrado pela primeira vez, como a crítica disse, “de forma genuína”. No entanto, cabe aqui, de início, uma importante distinção entre discurso apaixonado e discurso da paixão proposta por Greimas: enquanto o discurso apaixonado foca na enunciação, o discurso da paixão foca no enunciado, que é o objeto de estudo do presente trabalho (GREIMAS; FONTANILLE, 1993). A característica do corpus – simular o Twitter – sujeita o enunciador a expressar todos os seus sentimentos em postagens de 140 caracteres, algo reproduzido pela obra impressa com fidelidade, desde o layout adotado pela rede social. O livro onde o corpus se situa faz parte de um conjunto que inclui um documentário que inspirou posteriormente dois filmes e dois livros. A proposta dos autores é apresentar narrativas com uma linha muito tênue entre ficção e realidade, o que certamente contribuiu para a sua classificação como best seller brasileiro, e justifica a influência cultural que ficou SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS métodos formulados e explicados no referencial teórico como o percurso gerativo do sentido e o quadrado semiótico e o esquema passional canônico. Palavras-chave: semiótica; identidade passional; Twitter. REFERÊNCIAS BARROS, D. L. P. de. Teoria Semiótica do Texto. São Paulo, Ática, 1990. BATISTA, A. FERRAZ, C. PIMENTEL, R. SOARES L.E. Elite da tropa 2. Rio de janeiro, Nova Fronteira, 2010. BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Tradução de Ivan Carlos Lopes et al.Bauru, EDUSC, 2003. FIORIN, J. L. (org.). Introdução à linguística I – objetos teóricos. 2ed. São Paulo, Contexto, 2003. . Sendas e veredas da semiótica narrativa e discursiva. Delta, v. 15, n. 1, São Paulo,fev./jul. 1999. . Semiótica das Paixões: O ressentimento Alfa, v.51 (1): 9-22, São Paulo, 2007. FONTANILLE, J. Semiótica do discurso. São Paulo, Contexto, 2007. GREIMAS. A. J. FONTANILLE, J. Semiótica das paixões: dos estados de coisas aos estados de alma. Tradução de Maria José Rodrigues Coracini. São Paulo: Ática, 1993. ; COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. Tradução de Alceu Dias Lima et al. São Paulo, Contexto, 2008. HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Disponível em: <http://houaiss. uol.com.br/busca.jhtm>. Acesso em: 05 set. 2007. SAUSSURE, F. de. Curso de linguística geral. 15ª ed. São Paulo: Cultrix, 1989. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 30 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO EDITORIAS DE MODA, PRÁTICAS DISCURSIVAS E EFEITOS DE SENTIDO: UM OLHAR SOBRE SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS A HARPER’S BAZAAR BRASIL Orlando Aparecido Cabrera (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Fernando Aparecido Ferreira (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 31 DA UNIFRAN leitoras, explicitando qual a relação entre os discursos apresentados e quais efeitos de sentido eles revelam. Inicialmente pretende-se apresentar um breve panorama das publicações de moda no Brasil, no intuito de compreender o papel das revistas de moda na cultura, do século passado aos dias de hoje, e suas características discursivas. Como corpus, recortamos as cartas editoriais, as matérias e as imagens presentes na revista Harper’s Bazaar Brasil, em suas primeiras edições no país (novembro de 2011 a maio de 2012). Os resultados preliminares apontam práticas discursivas e de representação que idealizam a leitora da revista: criando efeitos de sentido de uma mulher que escolhe e dita sua própria moda, não se permitindo influenciar pelas práticas discursivas da revista. O discurso conferido nas cartas editoriais inicia-se numa interlocução entre editoria e leitoras em tom intimista, que parece condensar em uníssono em seu discurso a voz da editoria e de suas leitoras, revelando, em contrapartida, uma tensão com relação aos discursos das demais seções da revista. Observa-se que as “dicas” propostas às leitoras revelam uma prática discursiva prescritiva de tendências e referências imagéticas que acabam por criar modelos, restringindo a liberdade e a autonomia que a revista diz, em seus editoriais, reconhecer em suas leitoras. Para Foucault, a compreensão que temos de nós mesmos como pessoas capazes de efetuar escolhas livres e autônomas é, ela própria, uma construção que nos permite ser governados. A questão do poder assume, com Foucault, a posição de um instrumento de diálogo entre os indivíduos de uma sociedade, dessa for- III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA A presente pesquisa tem por objeto de estudo a revista Harper’s Bazaar Brasil – ao lado da Vogue, uma das duas melhores publicações de moda no mundo –, mais especificamente suas seis primeiras edições. Este recorte foi eleito em face de as primeiras edições da revista revelar de forma mais explícita sua identidade e a dinâmica discursiva por ela proposta. No mercado há aproximadamente 150 anos, a revista foi criada a partir do modelo de uma publicação alemã – a Der Bazar –, cujo diferencial com relação às revistas americanas consistia especialmente na alta qualidade gráfica das ilustrações de moda. Desde a primeira edição (1867), tornou-se mais sofisticada, elaborada, ganhou um segundo “a” no título e passou a determinar as tendências. Como ponto de partida, a análise do corpus volta-se às cartas editoriais e à relação entre os seus discursos e os das demais seções da revista. Suas edições fazem dos discursos, verbais e imagéticos, produzidos por seus editores, fotógrafos e stylists lendários, a referência para leitoras que buscam o pertencimento, ou seja, o estar em dia com o universo da moda. Diante do exposto, objetiva-se analisar as práticas discursivas presentes na revista, que tratam de moda e estilo para mulheres com atitude, bem como verificar quais efeitos de sentido tais práticas produzem em suas leitoras. Centrada no aporte teórico-metodológico da Análise do Discurso francesa, bem como nos estudos foucaultianos sobre práticas discursivas, relações de saber e poder e tecnologias de si, esta pesquisa concentra-se em analisar como a revista cria uma imagem de si, enquanto publicação de moda, e como projeta uma identidade para suas SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS ma, o sujeito utiliza-se da moda como um meio de enquadramento e aceitação em um determinado grupo, porém ao mesmo tempo buscando uma forma de se colocar em evidência. Este é o grande paradoxo em que a moda se insere: a eterna busca pela individuação, enquanto persiste a necessidade de o indivíduo ser igual aos seus pares. Ao propor ou sugerir uma tendência, o discurso presente na revista oferta às suas leitoras uma falsa sensação de liberdade de escolha, e ao mesmo tempo cria a possibilidade de inserção. O que responde ao fato de sermos dóceis com relação ao poder, enquanto o seu veículo atua como agente e instrumentador de imposição. Para o filósofo, o cuidado de si apareceria aqui como uma forma de conversão ao poder, ou seja, um modo de exercer uma espécie de controle sobre ele. Palavras-chave: discurso; moda; revista. REFERÊNCIAS ALI, F. A Arte de Editar Revistas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009. BAUMAN, Z. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005. CORRÊA, T. So. A revista no Brasil. São Paulo: Abril, 2000. FERNANDES, C. A. Análise do Discurso, reflexões introdutórias. São Carlos: Claraluz, 2008. FOUCAULT, M. O que é um autor? Nova Vega (Portugal): ARTIPOL-Artes Tipográficas, 2006. GAMA, G. O. Ética e cuidado de si: uma possibilidade de resistência em Foucault. Buenos Aires. Revista Digital, Ano 14, n. 139, dez. 2009. GREGOLIN, M. do R. Foucault e Pechêux na analise do discurso – diálogos & duelos. São Carlos: Claraluz, 2004. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 32 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO ESCRILEITURAS DE ADOLESCENTES DO ENSINO TÉCNICO NO FACEBOOK SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Claudete Bosshard(Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Maria Regina Momesso (Orientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 33 DA UNIFRAN procurar modificar uma visão cristalizada a respeito de como a sociedade vê o sujeito dentro de determinado grupo social. Assim, devido a interatividade entre os usuários do Facebook ser vivenciada de forma rápida e expressiva, o ato passivo da leitura transforma-se numa atividade participativa de um movimento parcial ou total de leitura-escrita e escrita-leitura o leitor/usuário assume a identidade de um escrileitor (wreader) e constrói um perfil de representação a partir das suas ideias, angústias, expectativas, perspectivas e identificações com pessoas, com ideologias e as próprias escrileituras que ele indica, tais como, citações de livros e autores importantes para si ou de letras de músicas que o envolvem ou de ainda relatos e notícias de seu cotidiano e suas opiniões sobre tudo isso. De acordo com Foucault (2006), é a própria alma que se constitui naquilo que escreve. Ademais, nas redes sociais são formadas comunidades que ficam conectadas umas às outras em busca de novas informações, novos conhecimentos ou outros assuntos de objetivos comuns (RECUERO, 2009). Para Chartier (1997) as práticas de leitura e escrita se modificam de acordo com o suporte que as materializa, sendo assim essa pesquisa se justifica na medida em que sua proposta é analisar práticas escrileitoras pouco conhecidas – tendo em vista que a ocorrência se dá fora da escola, num ambiente virtual – e por acreditar que tais práticas podem interferir dentro da escola. Esta pesquisa faz parte da dissertação de mestrado em andamento cujo objetivo é analisar discursivamente as representações das práticas escrileitoras entre os usuários da rede social do Facebook. O recorte do corpus da pesquisa foi feito nas postagens do período de maio a agosto de 2012 retiradas das homepages de alunos de um colé- III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA E sta pesquisa faz parte da dissertação de mestrado em andamento, cujo objetivo é analisar discursivamente as representações das práticas escrileitoras entre os usuários da rede social Facebook – e está sendo desenvolvida dentro do Projeto Observatório da Educação 2010 intitulado “Linguagens, códigos e tecnologias: práticas de ensino de leitura e de escrita na educação básica – ensino fundamental e médio”, chancelado pela CAPES/INEP/OBEDUC. Com a implantação das novas TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação nos espaços da educação tecnológica, também as redes sociais instalaram-se todo vapor no cotidiano acadêmico dos jovens. Seu uso é significativo entre eles. Uma rede social é uma estrutura composta por pessoas ou organizações, e a base se dá num espaço onde o usuário indica questões relacionadas às suas atividades acadêmicas, profissionais, sociais, culturais, entretenimento, ou qualquer outra informação que queira compartilhar com um grupo de pessoas. Nesse ambiente, encontram-se os mais diversos discursos de apresentação de si ou de representação de si para os amigos virtuais. Entende-se que as redes sociais constituem um ambiente propício para a livre expressão do sujeito no que concerne aos seus modos de ver, sentir, ouvir, falar e até se representar para si mesmo e para o outro. Pelo jogo das leituras escolhidas e da escrita assimiladora realizada pelo sujeito, Foucault (2006) entende que deve tornar-se possível formar para si próprio uma identidade através da qual se lê uma genealogia espiritual inteira. Nessa perspectiva, nas redes sociais, tem-se uma dinâmica constante de encontrar estratégias discursivas que possam levar a um trabalho de pensar em si ou de modificar-se ou até mesmo de SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS gio de ensino médio profissionalizante situado no interior de São Paulo, escolhidos aleatoriamente entre os amigos virtuais desta pesquisadora com os alunos da referida instituição. O aporte teórico metodológico é a perspectiva da Análise de Discurso Francesa (AD) derivada de Michel Pêcheux. As ideias de Michel Foucault também serão utilizadas para as questões da subjetividade, mais especificamente o que tange a “escrita de si”. Para trabalhar as práticas de leitura na contemporaneidade o estudo assenta-se ainda nos conceitos reflexões de leitura de Eni Orlandi e Roger Chartier. Para as questões da contemporaneidade e do sujeito abordaremos os conceitos na perspectiva sociológica de Bauman que tratam das relações sociais na sociedade líquido moderna. Para as questões da virtualidade serão utilizados os autores Pierre Levy e Raquel Recuero. Em Hall, analisaremos o deslocamento da noção de subjetividade resultante de um complexo de processo de forças de mudança, que, por conveniência, pode ser sintetizado sob o termo de globalização e outros estudiosos que possam contribuir. Os resultados preliminares apontam, aparentemente, para uma prática escrileitora superficial, proveniente de uma leitura fragmentada e sem profundidade no conteúdo, que revelam um sujeito cuja leitura está pautada em sínteses ou apenas em pequenas citações daquilo que mais gostou. Palavras-chave: escrileitura; adolescente; rede social. REFERÊNCIAS BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. . Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. BRANDÃO, H. N. Introdução à análise do discurso. 7. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1998. CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador. Trad. Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes. São Paulo: Unesp/ Imprensa Oficial, 1998. FERNANDES, C. A. Análise do discurso: reflexões introdutórias. 2ª edição. São Carlos: Claraluz, 2008. FOUCAULT, M. O que é um autor? Trad. António Fernando Cascais e Eduardo Cordeiro. 6ª Ed. Lisboa: Nova Veja, 2006. . A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009. . A ordem do discurso. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. 20ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2010. GREGOLIN, M. do R. Foucault e Pêcheux na análise do discurso: diálogos e duelos. 3ª ed. São Carlos: Claraluz, 2007. HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 11ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. LÉVY, Pierre. O que é o virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo: Ed. 34, 1996. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 34 . Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Ed. 34, 1999. ORLANDI, E. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 5ª ed. Campinas: Pontes, 2007. . Discurso e leitura. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2008. . Análise de discurso: princípios e procedimentos. 8ª ed. Campinas: Pontes, 2009. . (org,) A leitura e os leitores. 2ª ed. Campinas: Pontes, 2003. PÊCHEUX, M. Discurso: estrutura ou acontecimento. Trad. Eni Puccineli Orlandi. 3ª ed. Campinas: Pontes, 2002. RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2010. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO INTERTEXTUALIDADE E DIALOGISMO NO ROMANCE 50 ANOS DEPOIS, DE CHICO XAVIER SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Márcia Regina Bregagnoli (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 35 DA UNIFRAN linguística e literária verificar como se dá o dialogismo em um romance com as características peculiares a uma obra literária de cunho espírita e a sua organização como texto romanesco. Compreender o universo espírita dentro do universo literário é a recriação estética de ações, estruturas dentro de uma outra proposta existencial, dentro de um outro real. Ao mesmo tempo em que permanece verossimilhança, a semelhança entre esse outro mundo e o mundo real tem que haver um salto de compreensão para aceitar o que acontece. No romance estudado, há uma complexificação em relação à autoria, na questão da enunciação do romance. Em Bakhtin (1993) o objeto estético inclui o criador, no caso do romance espírita, esse criador/autor está propondo que ele é só o escritor, que tem uma voz anterior que realmente criou aquele universo. Do ponto de vista linguístico o autor manipula a linguagem de forma a criar uma entidade superior, um personagem que convença o leitor da existência de um universo paralelo, de um universo extrassensorial. Do ponto de vista ético-religioso o escritor/ instrumento é um ser encarnado e o autor é uma entidade espiritual que por meio da psicografia, escrita feita por um médium sob a influência direta de um espírito desencarnado, transmite à narrativa. O leitor é quem dará a significação da leitura. Para aqueles que leem o romance, sendo Chico Xavier o autor, darão à obra o valor de uma ficção, já os que aceitam Emmanuel como autor o verão como uma revelação. O analista da linguagem estética deve lidar com as palavras e não com as crenças do autor ou do leitor, se houver alguma crítica para estabelecer algum critério de verdade em relação a qualquer religião já estaremos no nível do pré-conceito, conceitos outros em relação ao conteúdo da obra. Os III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA O presente trabalho tem como proposta analisar os conceitos de intertextualidade e dialogismo na leitura do romance espírita 50 anos depois, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. O embasamento teórico serão os conceitos bakhtinianos da enunciação (BAKHTIN, 1993), que vincula o homem à linguagem tornando-o um ser sócio-histórico. Tais conceitos permitirá uma reflexão sobre a língua e sobre a linguagem com maior profundidade, admitirá um desvelamento dos mecanismos linguísticos que arquitetam a recriação de um universo paralelo. O romance como objeto cultural complexo tem influência de tudo que predomina num determinado contexto, de todos os campos do conhecimento. Dessa relação, surge o dialogismo que permite ao homem instituir-se como um sujeito dotado de alteridade e intersubjetidade. O sujeito constitui-se a si mesmo no reconhecimento do outro. O estudo da linguagem incorporada ao social ocorre também em textos literários, pois esses são constituídos por meio de um conjunto de fatos que se manifestam e adquirem significação e são escolhidos de um modo determinado pelo autor, a fim de criar uma nova realidade para que o homem real possa apreendê-la e tentar modificar as estruturas de sua sociedade. A arte não vai criar a verdade de alguma coisa, mas ela vai permitir escavar essa verdade. Assim, esta investigação terá como suporte teórico-metodológico, além das reflexões de Bakhtin (1993) os princípios da Linguística Textual, especialmente nos trabalhos de Koch (2006) para analisar a organização textual do romance, para explorar a resiginificação da fábula por meio da dinâmica entre a superfície e a profundidade, a expressão e o conteúdo. Espera-se com este trabalho de investigação SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS textos atraem o leitor à medida que provocam nele um verdadeiro choque de reconhecimento, levando-o a reconhecer-se no texto naquilo que ele traz de valores e mensagens. Assim, leitor competente é o que consegue perceber no texto as diferentes vozes que nele estão presentes e o diálogo que ele trava com outros textos. Palavras-chave: intertextualidade; dialogismo; 50 anos depois. REFERÊNCIAS BAKHTIN, M. Questões de literatura e estética: a teoria do romance. São Paulo: Hucitec, 1993. . Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992. . Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1997. CASTILHO, J. A. A literatura espírita: seu estudo e sua divulgação. Capivari: Editora EME, 1994. KOCH, I. G. V. Introdução à Lingüística Textual: trajetória e grandes temas. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. . Desvendando os segredos do texto. 4a.. ed. São Paulo: Cortez, 2002 . O Texto e A Construção do Sentido. Campinas, SP: Contexto, 1997. SOBRAL, A. Do dialogismo ao gênero: as bases do pensamento do círculo de Bakhtin. Campinas: Mercado de Letras, 2009. XAVIER, F. C. 50 anos depois. Rio de Janeiro: FEB, 1989. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 36 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO LEITORES E AUTORES DO BLOG DO FOLHATEEN: ADOLESCENTES COMO SUJEITOS DISCURSIVOS SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS PROMOVENDO A ESCRILEITURA Danilo Vizibeli (Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Maria Regina Momesso (Orientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 37 DA UNIFRAN das condições de produção dos discursos selecionados, identificando tais práticas e a função-autor presentes nesse espaço. A hipótese de pesquisa versa que o adolescente tem suas histórias de leituras, mas que não condizem com o modelo canônico escolar, porém as práticas escrileitoras são profícuas e podem ser exploradas pela escola. A utilização das redes sociais e blogs propicia uma leitura que transparece o desejo da busca do poder e da totalidade dos controles. A esse respeito Chartier (1998) postula que há um sonho em que todas as pessoas de todo o mundo controlarão os discursos e as leituras que circulam, ou seja, há o sonho do universal que se conquista por meio das publicações daquilo que é particular. A proposta teórica para esta pesquisa parte do eixo principal dos Estudos Linguísticos, contemplando a Análise do Discurso de Linha Francesa (AD), referenciada em Michel Pêcheux e Michel Foucault. Serão mobilizados diversos conceitos importantes como autoria e interdiscursividade e utilizando do arcabouço teórico foucaultiano procurar-se-á compreender as relações de poder e saber que se dão nesse espaço discursivo virtual, as técnicas de si utilizadas na construção da subjetividade adolescente em questão, os micropoderes instaurados e as formações discursivas que marcam o jogo ideológico no Blog do Folhateen, jogo este ora polissêmico ora parafrástico. O levantamento bibliográfico inclui além de Michel Pêcheux e Michel Foucault autores como Eni Orlandi, Françoise Gadet, Tony Hak, Jean-Jacques Courtine, Maria do Rosário Gregolin e Cleudemar Alves Fernandes para questões do discurso. No que diz respeito às práticas escrileitoras, vale-se dos III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA A dentra-se à blogosfera e abrem-se múltiplas possibilidades de práticas discursivas e principalmente de práticas de escrileitura. Muitos leem para transformar o mundo e outros escrevem para ter voz e deixar suas marcas no universo real e virtual. Partindo dessa temática, o estudo apresentado aborda as práticas escrileitoras de adolescentes de 13 a 18 anos no Blog do Folhateen (http://blogdofolhateen.folha.blog.uol.com.br). A cibermídia em questão é um espaço escrito por um grupo de apoio da Folha de São Paulo, como complemento à versão impressa do Folhateen, tabloide semanal que acompanhou este que é um dos maiores jornais de circulação no Brasil até novembro de 2011, quando deixou de circular e passou a ser uma coluna dentro do caderno Folha Ilustrada. Sendo assim, as postagens no Blog do Folhateen também foram suspensas, mas o conteúdo publicado permanece on-line até hoje. Diante desse quadro, por perceber ser o blog um cenário permeado das práticas discursivas dos adolescentes, a pesquisa continuou. Alguns veículos de comunicação divulgaram como sendo o motivo “o fato dos adolescentes não lerem” e é esse jargão que perpassa nossa problematização. A pesquisa resultará na dissertação de mestrado que está sendo desenvolvida dentro do Projeto Observatório da Educação 2010: “Linguagens, códigos e tecnologias: práticas de ensino de leitura e de escrita na educação básica – ensino fundamental e médio”, chancelado pela CAPES/INEP/OBEDUC. O objetivo geral é analisar os discursos sobre leitura e escrita contidos em textos publicados pelos adolescentes no blog. Pretende-se também verificar os efeitos de sentido provocados por essas práticas e os gestos de interpretação. Parte-se da análise SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS estudos de Roger Chartier e outros historiadores da temática. Sobre as questões da contemporaneidade e da virtualidade utilizam-se os autores Stuart Hall, Zygmunt Bauman, Pierry Levy e Raquel Recuero. O recorte do corpus foi feito entre as publicações do período de 1º de janeiro a 30 de novembro de 2011. Entre as publicações desse período foram escolhidas aquelas que tratam das temáticas relacionadas a livros, filmes e músicas. Selecionados os textos a análise será feita usando o referencial teórico acima citado numa abordagem qualitativa. Os resultados preliminares apontam para uma grande diversidade de textos que se aproximam do gênero “resenha”. Os textos se assemelham à estrutura argumentativa solicitada pelas provas dos vestibulares, mas ao mesmo tempo é um texto híbrido seguindo-se o padrão jornalístico com a característica da objetividade, sem perder, entretanto, a subjetividade adolescente. São textos marcados, portanto, pelo processo escrileitor nas redes sociais. Em posts já analisados intitulados como “Não sou este tipo de garota”, “Os livros de Mary Hogan”, “Meu primeiro livro” e “Trocando letras com Paula Pimenta” percebe-se o movimento da posição-autor ora assumida, ora não, pelos adolescentes, gestos de interpretação e as representações discursivas sobre leitura e escrita manifestadas em diferentes formações discursivas. Apresentam-se regularidades nas práticas de leitura que são percebidas no Blog do Folhateen. O recorte do corpus mostra o movimento do adolescente na construção não só de sua identidade, mas também do seu discurso. Pois, podemos salientar que é pelo discurso enquanto manifestação maior da linguagem, que o sujeito se constitui. Palavras-chave: discurso; escrileitura; cibermídia. REFERÊNCIAS BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. . Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. BLOG DO FOLHATEEN. Disponível em: <http://blogdofolhateen.folha.blog.uol.com.br/>. Acesso em: 19 ago. 2012. BRANDÃO, H. N. Introdução à análise do discurso. 7. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1998. CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador. Trad. Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes. São Paulo: Unesp/ Imprensa Oficial, 1998. COURTINE, J-J. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. Trad. Cristina de Campos Velho Birck et. al. São Carlos: EdUFSCar, 2009. FERNANDES, C. A. Análise do discurso: reflexões introdutórias. 2ª edição. São Carlos: Claraluz, 2008. FOUCAULT, M. O que é um autor? Trad. António Fernando Cascais e Eduardo Cordeiro. 6ª Ed. Lisboa: Nova Veja, 2006. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 38 . A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009. . A ordem do discurso. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. 20ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2010. GADET, F.; HAK, T. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Trad. Bethania S. Mariani. 4ª ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2009. GREGOLIN, M. do R. Foucault e Pêcheux na análise do discurso: diálogos e duelos. 3ª ed. São Carlos: Claraluz, 2007. HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 11ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. LÉVY, P. O que é o virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo: Ed. 34, 1996. . Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Ed. 34, 1999. ORLANDI, E. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 5ª ed. Campinas: Pontes, 2007. . Discurso e leitura. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2008. . Análise de discurso: princípios e procedimentos. 8ª ed. Campinas: Pontes, 2009. . (org,) A leitura e os leitores. 2ª ed. Campinas: Pontes, 2003. PÊCHEUX, M. Discurso: estrutura ou acontecimento. Trad. Eni Puccineli Orlandi. 3ª ed. Campinas: Pontes, 2002. . Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Puccineli Orlandi et. al. 4ª ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2009. RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2010. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO LER E COMPREENDER GÊNEROS TEXTUAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Clemilda Felix Correa (Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Naiá Sadi Câmara (Orientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 39 DA UNIFRAN constituição do corpus selecionamos produções de textos realizadas pelo aluno do 9º ano. Utilizaremos nas propostas de redação, textos de diferentes gêneros com a finalidade de verificarmos o grau de apreensão do mesmo. Serão empregadas nas atividades uma crônica: ‘’Piscina’’ de Fernando Sabino, um texto jornalístico: ‘’Reservas falham na proteção de espécies’’, um texto literário: ‘’Uma galinha’’ de Clarisse Lispector e um clipe: ‘’Racismo É burrice’’de Gabriel, o pensador. Foi selecionado o último ano do ensino fundamental, porque entendemos que é o fechamento de ciclo, da formação do ensino básico, que prepara o aluno para continuar os estudos em níveis mais avançados. Com elas a nossa intenção é verificar quais são as habilidades e competências que a escola conseguiu transmitir. Tendo em vista que um sujeito leitor competente é aquele capaz de inserir-se na sociedade e no mundo do trabalho como transformador do meio por intermédio do conhecimento, também adquirir conhecimentos de valores éticos e universais. Acreditamos que os resultados de nossa pesquisa poderão auxiliar os professores, em especial o de língua portuguesa, a utilizarem nas suas práticas pedagógicas estratégias de leituras que facilitarão a aprendizagem do aluno na busca da compreensão de diversos gêneros textuais que circulam na sociedade contemporânea. Para Bakhtin (2006), os gêneros são, pois, tipos de enunciados relativamente estáveis, caracterizados por um conteúdo temático, uma construção composicional e um estilo. Falamos sempre por meio de gêneros no interior de uma dada esfera de atividade. Cada gênero textual tem suas particularidades que exigem do leitor o uso de estratégias diferenciadas para realizar a compreensão com sentido, como afirma III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA D e acordo com os parâmetros curriculares (1997) é função da escola, em todas as disciplinas, sobretudo da disciplina de Língua Portuguesa, promover a formação de um sujeito letrado, ou seja, todo o currículo deve ser organizado para possibilitar a realização de um trabalho concomitante que contribua para a construção de um leitor com habilidades e competências que lhe permitam realizar práticas de leituras de diferentes tipos de textos construídos por diferentes linguagens e gêneros na sociedade atual. Entretanto, atualmente, observamos uma grande defasagem e dificuldade na construção da competência leitora do aluno do ensino fundamental e consequentemente no ensino médio. Este fato pode ser identificado nos resultados dos diferentes instrumentos de avaliação utilizado no país, tais como: SARESP, PROVA BRASIL e ENEM. A fim de verificarmos as causas desse problema, realizaremos, em nosso projeto de mestrado, uma pesquisa com o objetivo de analisar o processo de ensinoaprendizagem da competência leitora do aluno da escola pública estadual da cidade de Franca. Com essa pesquisa, acreditamos que é possível identificar as potencialidades e as fragilidades da competência leitora dos alunos do ensino fundamental a partir de atividades de práticas de leitura de diferentes gêneros textuais. A metodologia utilizada será descritiva e reflexiva com base nas concepções teóricas da Linguística Textual. Segundo Koch (2006), a leitura é um processo de construção de sentidos que necessita de estratégias sociocognitivas que são divididas em três sistemas de conhecimento: conhecimento linguístico (gramatical e léxico); conhecimento enciclopédico (o de mundo); e conhecimento interacional (formas de interação por meio da linguagem). Para a SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Marcuschi (2008) que a apropriação de sentido nunca e definitiva e completa. Assim os gêneros textuais podem liberta o sujeito da sua ignorância em cada texto. Potencializa-o em conhecimentos que favorecem a aquisição de aprendizagem nova em diferentes fases da vida, promove uma relação harmoniosa entre as pessoas com quem convive a partir das suas diferenças sociais, culturais e ideológicas, bem como o ajuda a resolver os problemas do mundo de forma reflexiva e crítica. Também possibilita que o sujeito seja um ser discursivo. Palavras-chave: competência leitora; aprendizagem; gêneros. REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília, 1997. BRAIT, B. (Org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas: Ed. Da Unicamp, 1997. DUCROT, O. Princípios de semântica linguística: dizer e não dizer. São Paulo: Cultrix, 1977. FIORIN, J. L. Introdução ao pensamento de Bakhtin. São Paulo: Atica, 2006. KATO, M. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1985. KLEIMAN, Â. Leitura: ensino e pesquisa. Campinas, São Paulo: Pontes Editores, 2004. KOCH, I. V; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. ROGER, C. Práticas de leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 40 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO O CASO DA APRENDIZAGEM DA LÍNGUA INGLESA: O EFEITO DAS PAIXÕES ARISTOTÉLICAS SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS SOBRE AS TEORIAS MOTIVACIONAIS Sinelle Duarte (Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 41 DA UNIFRAN de que aprender uma língua estrangeira é um tipo de conhecimento que só o adquire quem assim o deseja. Buscam um aprendizado desse tipo apenas indivíduos que encontram motivos para fazê-lo, sendo que seu domínio não constitui um conhecimento inevitável para a vida dos sujeitos de um modo geral. Segundo o autor, um aluno motivado não é apenas o que exprime um desejo de aprender, mas aquele que, além disso, mantém-se focado em um objetivo, demonstrando sentimentos que podem ser classificados como positivos por serem considerados adequados à situação de aprendizagem. Um aluno motivado é, portanto, aquele em que paixões adequadas, de acordo com o meio situacional, que neste caso é representado pelo ambiente escolar, estejam sendo despertadas. Dessa forma, essas paixões tendem a agir como estimulantes da motivação e a motivação desempenha, nesse processo, o papel de um agente catalisador da aprendizagem. Sendo assim atribuída a importância das paixões despertadas no ambiente escolar e a relevância da motivação que um aluno apresenta para que a aprendizagem de uma língua estrangeira se efetive, o presente estudo pretende analisar a correlação entre essas paixões despertadas nos alunos e o nível de motivação apresentado por eles durante o aprendizado da língua inglesa. Sabemos que o aprendizado do inglês e a língua inglesa em si despertam paixões diversas nos alunos e, por esse estudo, pretendemos verificar se essas paixões acabam por influenciar a motivação que os alunos possuem frente ao aprendizado da língua. Portanto, a fim de rastrear a presença das paixões nos aprendizes desse idioma, neste trabalho, III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA A ristóteles, instigado pelo entendimento das reações humanas frente aos diferentes discursos, postulou que as paixões são sentimentos que alteram as pessoas de tal modo, que as fazem diferir seus julgamentos. Algumas das paixões por ele elencadas são: o medo, o amor, a calma e a emulação. Sabendo-se que em toda interação comunicativa paixões diversas são suscitadas, o mesmo acontece quando tratamos das interações que ocorrem no ambiente escolar. Em toda situação de ensinoaprendizagem paixões distintas são despertadas em cada aprendiz de modo que esse aluno varie seus julgamentos, e essa mudança pode apresentar como resultado um efeito positivo ou negativo para a aprendizagem. Conforme a paixão provocada em cada aprendiz, ela pode vir a servir como um meio de estímulo ao aprendizado, incentivando-o a querer cada vez mais aprender, ou pode ainda distanciar esse aluno da aprendizagem. Uma mesma paixão pode provocar efeitos distintos no sujeito por ela tomado, não havendo assim paixões positivas ou negativas, mas sim paixões adequadas à situação comunicativa e que possam levar os interactantes à identificação. Para que a aprendizagem se concretize, Gardner; Lambert (1972) advogam que se faz necessária a junção de quatro componentes, e que, na ausência de um deles, a aprendizagem se torna falha. Um desses componentes é a motivação, daí a sua importância para o processo de ensinoaprendizagem. Em seus estudos, Gardner (2007) expõe a relevância da motivação, sobretudo no que concerne ao aprendizado de uma língua estrangeira. Essa especificidade da motivação referente ao aprendizado de uma segunda língua se deve ao fato SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS propomo-nos a analisar redações escritas por dois grupos de alunos adolescentes: o primeiro grupo é constituído por alunos que frequentam um curso de idiomas, e o segundo, por alunos que têm acesso ao ensino da língua somente no ambiente escolar, na escola de ensino regular. Os discentes pertencentes a esse primeiro grupo encontram-se nos níveis básico, intermediário e pré-avançado da escola de idiomas, já os estudantes provenientes da escola de ensino regular são alunos que estão cursando do 6.º ao 9.º anos. A constituição desse corpus se deu de forma que nos possibilitasse confrontar essas duas realidades de ensino a partir das redações nas quais os alunos puderam expressar o papel que o aprendizado do inglês exerce em suas vidas assim como os sentimentos que esse idioma é capaz de suscitar neles. De posse desses dados, torna-se factível identificar a interferência que as paixões que foram e ainda são provocadas no estudante exercem na sua motivação para o aprendizado da língua. Para a análise desses textos far-se-á uso da teoria da Argumentação e da Retórica por meio da análise das paixões segundo Aristóteles e também de um estudo realizado a partir da visão de autores como Gardner, Harmer e Lightbown e Spada que tratam da motivação na aprendizagem de uma segunda língua. Com este estudo, pretende-se atingir uma compreensão mais abrangente do conceito de motivação na aprendizagem de uma língua estrangeira a partir das reflexões ocasionadas pelo estudo das paixões despertadas no aprendiz ao longo desse processo. Palavras-chave: língua inglesa; paixões; motivação. REFERÊNCIAS ARISTÓTELES. Retórica. Tradução de Marcelo Silvano Madeira. São Paulo: Rideel, 2007. (Coleção Biblioteca Clássica). . Retórica das paixões. Prefácio de Michel Meyer; introdução, notas e tradução do grego: Isis Borges B. da Fonseca. São Paulo: Martins Fontes, 2003. GARDNER, R. C. Motivational variables in second-language acquisition. 1960. 70 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – McGill University. . Motivation and second language acquisition. Porta Linguarum, University of Western Ontário, n. 8, p. 9-20, 2007. ; LAMBERT, W. E. Attitudes and motivation in second-language learning. Rowley: Newbury House Publishers, 1972. HARMER, J. How to teach English. Edinburgh: Longman, 1998. LIGHTBOWN, P. M.; SPADA, N. How languages are learned. New York: Oxford University Press, 2006. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 42 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO O DISCURSO PEDAGÓGICO NOS CURSOS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Sumaya Florence T. da Silva (Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Naiá Sadi Câmara (Orientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 43 DA UNIFRAN da linguagem, ou seja, pela seleção de recursos lexicais, fraseológicas e gramaticais da língua, mas acima de tudo de sua construção composicional. (Tripé bakhtiniano, todo gênero tem uma função e uma forma, estilo e conteúdo). Cada enunciado particular é individual, mas cada campo de utilização da língua (apostila) elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciado, os quais denominamos Gêneros do Discurso. Composição: a forma que a apostila é organizada, como as informação são dispostas, o padrão gráfico incluindo ilustrações; Tema: conforme Câmara é o mesmo em todas as suas manifestações, já que todos versam sobre um ensinamento de um programa de curso. As variações serão determinadas pelos contextos específicos de cada nível de aprendizagem, de cada disciplina, instituição, e, sobretudo pelo tipo de gênero, entre outros fatores; Estilo: escrita informal. Gêneros são formas textuais escritas ou orais de acordo com Bakhtin (2010, p. 155). “Todos os diversos campos da atividade humana estão ligados aos usos da linguagem. Compreende-se perfeitamente que o caráter e as formas desse uso sejam tão multiformes quanto os campos da atividade humana” (BAKHTIN, 2010, p. 261). O discurso pedagógico do material objetiva atender o perfil do aluno. O estudo de gênero não é novo, o que é novo é a forma de abordagem que esse gênero vem a estabelecer na atual abordagem. Devemos nos reportar a Brait quando cita Bakhtin do ponto de vista do dialogismo, trazendo para a nossa pesquisa, se analisa a polifonia presente no EAD que resulta de gêneros discursivos acolhidos pela diversidade da linguagem manifestada no discurso pedagógico no formato apostilado que passa a ser um gênero por III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA N ossa proposta é apresentar os resultados parciais de nossa pesquisa sobre Gênero Pedagógico utilizado no material instrucional de uma Universidade particular em nível de graduação para a modalidade EAD. Considera-se a multiplicidade de gêneros discursivos, presentes no ensino a distância, tais como a livros, apostilas, enfim, um conjunto composicional que determinam o processo educacional. Nossa analise embasa no material organizado por professores/autores que é disponibilizado como fonte de aprendizagem viabilizando o conhecimento. Para descrever e analisar essa espécie de gênero didático-pedagógico recorremos a aportes teóricos de Bakhtin (2010), Marcuschi (2008) e outros. A metodologia adotada é a análise de material didático pedagógico e método dedutivo bibliográfico. Nos anos 1960 nasce o ensino a distância. Caracterizado por possuir forma mais célere e de baixo custo, atende a uma população geograficamente dispersa, em especial as localidades periféricas, elimina o ensino corpo a corpo, presença do tutor/professor, ou seja, um mediador do processo ensinoaprendizagem, possibilitando uma educação em que o contato aluno/professor é mediado pela tecnologia do computador e acesso a internet, entre outras facilidades. Nasce um novo tipo de comunicação designado por Marcuschi como “A comunicação medida por computador (CMC) (tecnologia computacional)”. O Gênero surge para atender as diferentes atividades discursivas. Todas as áreas da atividade humana estão ligadas ao uso as linguagem. O emprego da língua efetua-se em forma de enunciado (orais e escritos) concretos e únicos. Esses enunciados refletem as condições específicas e as finalidades não só por seu conteúdo temático e pelo estilo SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS abarcar a multiplicidade de vários gêneros e não um suporte, mas sim um novo gênero. A riqueza e a diversidade dos gêneros do discurso são infinitas porque são inesgotáveis as possibilidades da multiforme atividade humana e porque em cada campo dessa atividade é integral o repertório de gêneros do discurso, que cresce e se diferencia à medida que se desenvolve (BAKHTIN, 2010, p. 262). O gênero didático-pedagógico presente no discurso educacional, segundo Marcuschi, [...] “entende-se como o domínio discursivo em uma esfera da vida social ou institucional (jurídica, pedagógica..., etc.) na qual se dão práticas que organizam formas de comunicação e respectivas estratégias de compreensão” (MARCUSCHI, 2008, p. 194). O discurso exerce uma relação de poder. No domínio discursivo, não lidamos com textos, mas sim com formações históricas e sociais que se originam os discursos (com variáveis). Os gêneros não são entidades formais, mas sim entidades comunicativas em que predominam os aspectos relativos a funções, propósitos, ações e conteúdos (MARCUSCHI, 2008, p. 159). Segundo Câmara (2012), O Gênero Discursivo Pedagógico pode então ser definido como um conjunto de textos cujo objetivo é instruir e determinar as doutrinas e métodos que devem ser seguidos no processo de ensino e aprendizagem, no domínio discursivo educacional. Ainda dentro da conceituação fornecida por Câmara (2012) a apostila é gênero cuja construção composicional estabelece o maior distanciamento com o discurso de referência, estabelecendo a “diluição” do conteúdo; Ao final pretendemos demonstrar que não é um suporte e sim um gênero didático pedagógico porque responde a necessidade da característica do aluno na especialidade graduação/pós-graduação atende a necessidade sociocomunicativas de uma esfera específica de um determinado campo. Palavras chave: discurso; gêneros; pedagógico. REFERÊNCIAS BAKHTIN, M. M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2010. BRAIT, B. Bakhtin Conceitos – Chave. São Paulo: Contexto, 2007. CÂMARA, N, S. O gênero didático-pedagógico: uma caracterização. UNIFRAN - Observatório da Educação; UNI-FACEF. Franca-SP. FARACO, R. Linguagem e Diálogo as ideias linguísticas do círculo de Bakhtin. Curitiba: Criar, 2006. KOCH, I, V; ELIAS, V, M. Ler e compreender os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2011. MAIA, M, C, R, A. A formação de um novo gênero do discurso: caderno didático da Universidade Aberta do Brasil. 2012. 76 f., Dissertação (mestrado em linguística) – Universidade de Franca, Franca- SP. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 44 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO O ESPETÁCULO SEMIÓTICO: “A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA”, O DIÁLOGO ENTRE O SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS TEXTO DRAMÁTICO E O TEXTO LITERÁRIO Fabrício Floro e Silva (Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 45 DA UNIFRAN ber religioso, é quem delega a competência ao ator protagonista na busca de seu novo objeto valor: a absolvição de seus pecados. Lembremos que Matraga tivera uma formação religiosa e se desvirtuara, portanto, havia nele um crer relacionado à esfera religiosa que reaviva, após o período de sofrimentos e perda do sentido de sua vida pregressa. Recuperado, torna-se um sujeito virtual que quer alcançar a salvação. Nessa fase conhece o ator Joãozinho Bem-Bem, que é tido por todos como sujeito perigoso, cruel e severo, Nhô Augusto tem novamente o destino alterado e o tema da violência sertaneja reaparece nos dois textos: o literário e o dramático com o surgimento de Joãozinho Bem-Bem ocorre um confronto de valores, pois de um lado temos esse ator com sua ética violenta, mesmo que faça uso da injustiça, e do outro lado, Nhô Augusto e sua crença e ética cristã. Assim, o objetivo central de nosso trabalho é analisar o texto teatral, segmentando-o e comparando cenas que nele se apreendem a cenas do texto literário, para observar de que forma se processa tal diálogo intertextual. Já os objetivos específicos são: • analisar quais estratégias enunciativas são utilizadas pelo enunciador teatral para fazer crer no texto enunciado e em que medida ele dialoga com as estratégias utilizadas pelo enunciador rosiano; • analisar o nível discursivo dos dois textos, observando as identidades e diferenças que se estabelecem entre suas isotopias temáticas e figurativas; • analisar a sintaxe discursiva dos dois textos, observando o modo de projeção de atores, espaço e tempo nos dois textos; III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA N ossa pesquisa tem por objetivo analisar o diálogo que se processa entre “A hora e vez de Augusto Matraga”, adaptação teatral do diretor Antunes Filho, conto de João Guimarães Rosa, e o texto rosiano do mesmo nome, publicado na obra Sagarana. Utilizaremos como arcabouço teórico a Semiótica Francesa e levaremos em conta o percurso gerativo de sentido para recuperar, no conto de Rosa, especialmente os níveis narrativo e discursivo com o objetivo de analisar de que maneira esses elementos do texto de base se manifestam na versão teatral da obra. O conto rosiano tem como protagonista um ator que é nomeado de três formas diferentes: como Matraga, Augusto Esteves e Nhô Augusto; assumindo identidades distintas que se associam às diferentes fases de um mesmo sujeito na história. Assim, no início do conto, o ator é projetado no papel temático de fazendeiro que herdou terras e bens financeiros do pai e por isso ele sentia-se superior e maltratava a esposa e a filha, além de submeter seus capangas a crimes e desmandos. Entretanto, esse poder foi se perdendo de acordo com as dívidas que acumulava. Dessa maneira, ocorre uma reviravolta no conto, pois, cansados da prepotência de Augusto, mulher e filha o abandonam e seus capangas, para se libertarem dele, oferecem seus préstimos a seu inimigo, o Major Consilva. No entanto, mesmo sozinho, Nhô Augusto dominado pelo desejo de vingança enfrenta o inimigo e inicia-se uma luta desigual em que Matraga é praticamente massacrado. Nhô Augusto, contudo, não morre, mas entra em disjunção com a saúde, bens e a família, e passa, como sujeito de estado, a ser cuidado por um pelo casal de pretos e por um padre que, dotado do sa- SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS • analisar o cartaz da peça com o objetivo de observar de que maneira figuras e temas, manifestados no texto verbal, permanecem no texto visual, observando ainda as relações semissimbólicas que se apreendem no texto visual. Para isso, estamos escrevendo um capítulo sobre o arcabouço teórico utilizado, a semiótica francesa, voltando-nos especialmente para o modo como a semiótica concebe o diálogo intertextual. Esboçamos também algumas análises de cenas dos dois textos que apresentamos em congressos. Palavras-chave: semiótica; Guimarães Rosa; Antunes Filho. REFERÊNCIAS BARROS, D. L. P. de. Teoria do discurso: fundamentos semióticos. SP: Atual, 1998. BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Bauru: EDUSC, 2003. COUTO, R. C. A hora e vez de Augusto Matraga e Duelo: um estudo semiótico de contos de Sagarana. Franca: Dissertação (Mestrado em Linguística), UNIFRAN, 2008. BARROS, D.L.P.; FIORIN, J.L F. (orgs.) Dialogismo, Polifonia, Intertextualidade. São Paulo: EDUSP, 1994. GALVÃO, W. N. Mitológica rosiana. São Paulo: Ática, 1978. GREIMAS, A.J. Du Sens II. Paris: Seuil, 1983. GEORGE, D. Grupo Macunaíma: carnavalização e mito. São Paulo: Perspectiva, 1990. GUIMARÃES, C. Antunes Filho: um renovador do teatro brasileiro. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1998. MILARÉ, S. Hierofania: o teatro segundo Antunes Filho. São Paulo: Edições SESC SP, 2010. NASCIMENTO, E. M. F. S.; COVIZZI, L M. João Guimarães Rosa: Homem Plural Escritor Singular. São Paulo: Atual, 1988. ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 46 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO O ETHOS DISCURSIVO DO APÓSTOLO PAULO MANIFESTADO NA II EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Carlos Cesar Silveira (Mestrado/UNIFRAN) Prof.a Dr a. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 47 DA UNIFRAN acordo com o mesmo teórico, é constituído pelo ethos de potência, de caráter, de inteligência, de humanidade, de chefe e de solidariedade. Esses ethos que compõem o ethos de identificação vão sendo construídos discursivamente à medida que Paulo vai se identificando com seu auditório. Para cada ethos citado por Charaudeau apresentaremos um texto extraído da II epístola aos Coríntios que o manifesta. Cremos que esta pesquisa seja plenamente justificável, pois, além do apóstolo Paulo ter se tornado um líder de grande influência dentro do meio religioso, o ethos discursivo aqui estudado vem ocupando um papel de grande importância para as pesquisas atuais. Entre as várias cartas escritas por Paulo encontradas na bíblia (Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossensses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito e Filemon), selecionamos como corpus do presente trabalho a II epístola de Paulo aos coríntios. Nessa carta Paulo fala de sua experiência com Deus e de seu relacionamento com a igreja de Corinto, procurando orientá-la contra as mensagens (heresias) pregadas pelos falsos mestres. A escolha desse corpus se deu pelo fato da II epístola aos Coríntios ser uma carta em que Paulo se revela como um homem que possui um discurso merecedor de créditos, apresentando diferentes facetas de sua personalidade. Para reiterar nossa escolha, lembramos as palavras de Meyer que nos recorda que a palavra ethos, além de estar relacionada à ética e ao caráter, para os gregos significava também a personalidade, os traços de comportamento e a escolha de vida e dos fins. Nosso arcabouço teórico compreenderá os diferentes estudos a respeito da constituição do ethos a partir dos estudos retóricos. Para isso, fundamentaremos nosso trabalho III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA A bíblia, como um dos pilares da literatura universal, tem no apóstolo Paulo um de seus mais relevantes escritores. Para que entendamos melhor quem foi Paulo é fundamental que antes de tudo conheçamos um pouco de suas origens, suas influências culturais e políticas, pois o ethos discursivo que Paulo constrói em seus discursos tem estreita ligação com a experiência cultural que ele obteve durante sua vida. Pertencente a uma família judaica e com grande influência greco-romana, Paulo desde a sua infância recebeu uma séria formação religiosa e filosófica, tornando-se, assim, um dos maiores líderes dentro do cristianismo e sendo considerado, por muitos estudiosos, um dos principais oradores do início da era cristã, se não o maior. Até os dias de hoje seus discursos têm despertado o interesse de pesquisadores de áreas diversas. Diante da importância que o discurso de Paulo e o ethos ocupam para a pesquisa moderna, o presente trabalho, à luz dos estudos retóricos, tem como objetivo analisar o ethos discursivo do apóstolo Paulo manifestado na II epístola aos Coríntios. Salientamos que nossa análise será baseada nas palavras de Patrick Charaudeau, para quem o ethos está ligado ao exercício da palavra, ou seja, ao processo discursivo que o orador vai construindo ao longo de seu discurso. Começaremos nossa pesquisa analisando o ethos de credibilidade que, de acordo com Charaudeau, é constituído pelo ethos de sério, de virtude e de competência. A credibilidade que Paulo conquista por parte dos membros da igreja de Corinto é o resultado da construção discursiva que ele gerencia em seus discursos, se apresentando como homem sério, virtuoso e competente. Em seguida Paulo constrói em seu discurso o ethos de identificação que, de SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS em autores como: Aristóteles, Michel Meyer, Ruth Amossy, Ekkehard Eggs, Galit Haddad e Patrick Charaudeau. Para atingir os objetivos propostos, o presente trabalho apresenta a seguinte organização metodológica: pesquisa bibliografica de abordagem qualitativa numa extensão argumentativa e retórica. Até o presente momento os resultados são preliminares, pois o trabalho ainda se encontra em fase de análise. Palavras-chave: ethos; texto bíblico; apóstolo Paulo. REFERÊNCIAS AMOSSY, R. Imagens de si no discurso: a construção do ethos. Tradução de Dílson Ferreira da Cruz, Fabiana Komesu, Sírio Possenti. São Paulo: Contexto, 2005. ARISTÓTELES. Arte retórica e arte poética. Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1964. BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. Tradução das introduções e notas de La Bible de Jerusalém, edição de 1998, publicada sob a direção da “École biblique de Jérusalem”. São Paulo: Paulus, 2002. CHARAUDEAU, P. Discurso político. Tradução de Fabiana Komesu e Dílson Ferreira da Cruz. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011. MEYER, M. A retórica. 2. ed. Tradução de Marly N. Peres. São Paulo: Ática, 2007. PERELMAN, C.; TYTECA, L. O. Tratado da argumentação: a nova retórica. 2. ed. Tradução de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2005. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 48 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO O INTERACIONISMO SOCIODISCURSIVO, O LIVRO DIDÁTICO E A GRAMÁTICA SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Ana Cláudia G. de Carvalho (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 49 DA UNIFRAN sentido de um enunciado não basta saber o significado das unidades linguísticas que o compõem; é indispensável à percepção das relações dialógicas que ele trava com outros enunciados. É preciso não confundir fonética, morfologia e sintaxe com dialogismo. As unidades da língua por si sós não são dialógicas. As unidades reais de comunicação são os enunciados que se constituem com as unidades da língua. A significação das unidades da língua é depreendida da relação com outras unidades da mesma língua ou de outras. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua. Com amparo nessas premissas teóricas, esta pesquisa buscará investigar se os manuais didáticos se valem dos princípios do interacionismo, para desenvolver uma prática de ensino de gramática que tenha como finalidade habilitar o aluno para a interação social, em vez de promover um ensino predominantemente metalinguístico. A metodologia consistirá na análise de dois livros didáticos de Língua Portuguesa de diferentes autores, para o ensino fundamental. A análise partirá dos conceitos de interacionismo de origem bakhtiniana e dos preceitos dos PCNs para verificar se os exercícios gramaticais propostos pelos autores dos livros didáticos escolhidos como corpus orientam-se por uma prática de interlocução viva, ou seja, pela interação linguística. Este trabalho encontra justificativa no fato de que se tem constatado ainda o insucesso do ensino de português como língua materna na escola brasileira, pela dificuldade que os professores enfrentam no ensino da gramática, tratando-a como um fim em si mesma. O ensino gramatical pode ser mais produtivo do que o é, se se tornar um ensino do uso da língua, em vez de ser apenas um ensino a respeito de aspectos gramaticais, desvinculados do uso. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA A interação verbal é a realidade fundamental da língua, e o discurso é o modo pelo qual os sujeitos produzem essa interação, um modo de produção social da língua. A língua existe porque existe a interação entre os sujeitos e são os diferentes textos que fazem o intermédio entre a comunicação e o sujeito, isto é, toda ação humana procede de interações de textos. A filosofia de Bakhtin (2006) nos dá pistas para calcularmos o momento da passagem dos estudos transfrásticos aos estudos do texto, ou seja, do estudo sem significação para um que signifique. O pensador russo defende a ideia de que a evolução da língua é um processo ininterrupto e os sujeitos pensam e se comunicam de formas diferentes através de discursos, ou melhor, gêneros discursivos. Com fundamento nas reflexões e descobertas de Bakhtin (2003) e nos estudos e pesquisas de Bronckart (2002) sobre o interacionismo sociodiscursivo, este trabalho pretende investigar as propostas de ensino de gramática presente em livros didáticos do ensino fundamental, discutir formas de ensino a partir dos conceitos interacionistas e apresentar princípios para uma proposta de ensino de gramática com base no interacionismo bakhtiniano. Bronckart (2009) fiel à abordagem interacionista de Vigotsky, define os estudos interacionistas como uma posição epistemológica geral, no qual dialoga com as diversas correntes da filosofia e das ciências humanas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1998) postulam que interagir pela linguagem significa realizar uma atividade discursiva e que um texto só pode ser compreendido como unidade de enunciados. Bakhtin (2003), filosofando sobre a linguagem, observa que ela é primordialmente dialógica e interacionista. Para a apreensão do SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Com isso o estudo poderá ser suporte para professores, futuros professores, alunos, para a escola, produtores de material didático e todos os interessados em informações acerca do ensino que segue o modelo interacionista. O ensino metalinguístico de língua materna não tem conseguido habilitar o aluno para o uso da língua no que se refere à produção de textos escritos e falados. Um ensino de orientação interacionista poderá levar o aluno a perceber que o domínio das estruturas da língua só tem importância para a sua interação discursiva. Espera-se, com este trabalho, fornecer algumas contribuições para o trabalho pedagógico do professor de língua portuguesa e para a produção de livros didáticos que se valham do interacionismo para um ensino de gramática mais produtiva. Palavras-chave: interacionismo sociodiscursivo; livro didático; ensino. REFERÊNCIAS BAKHTIN, M. Estética da Criação verbal. São Paulo, Martins Fontes [1979]. 1992. . Os gêneros do discurso. In: Estética da Criação Verbal. 2ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/ SEF, 1998. BRONCKART, J.P. (1999). Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Trad. Anna Rachel Machado, Péricles Cunha. São Paulo: EDUC. VIGOTSKI, L. S. O pensamento e linguagem. Trad. Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2003. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 50 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO PRÁTICAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA: O DISCURSO DA ONG RIO DE PAZ SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS Marcos Aurélio G. A. da Silva (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Matheus N. Schwartzmann (Orientador) LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 51 DA UNIFRAN contradiscurso sobre a violência, como forma de indignação e desabafo, aliada à angústia por se viver sob a mira de uma violência avassaladora. A ONG em estudo traz esse contradiscurso assentado na formação discursiva de que a conscientização e a mudança de comportamento das pessoas só irão ocorrer se o discurso imagético e linguístico fizer com que o interlocutor sinta a dor concretizada no próprio corpo. Isso fica patente ao se observar na imagem posicionada no canto inferior esquerdo da faixa, onde se encontram os dizeres “Gelson Domingos, o tiro que atingiu o seu peito atingiu os nossos olhos”. A imagem em questão, na cor vermelha, traz refletida uma vidraça irrompida por um tiro, que atinge o olho de um rosto. O contradiscurso é a própria imagem da violência (tiro no olho) para combater a violência em si mesma (tiro no peito do jornalista). Também podemos encontrar no enunciado em análise dois conceitos que surgem de forma indissociável na AD, quais sejam os de formação ideológica e formação discursiva. Segundo Brandão (2006), a formação ideológica tem obrigatoriamente como um dos seus componentes uma ou várias formações discursivas interligadas. São as formações discursivas que, em uma determinada formação ideológica, levam em conta uma relação de classe, determinam o que pode e deve ser dito a partir de certa posição e em uma determinada conjuntura. No discurso, a partir da contradição, percebe-se o embate de duas formações discursivas. Há nos dizeres da faixa a presença dessa formação discursiva filiada a um pensamento consciente e tocada pelos problemas sociais (combate ou redução da violência) e outro inserido na própria imagem da violência (tiro no olho, refletido na ima- III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA O trabalho objetiva analisar o discurso presente na frase destacada em faixas, afixadas nas praias do Rio de Janeiro, pela Organização Não Governamental (ONG) Rio de Paz e seus efeitos de sentido, particularmente na luta político-ideológica dessa ONG no combate à violência urbana, que implementa ou supre políticas públicas originalmente pertencentes ao Estado. Através da Análise do Discurso propõe-se uma discussão acerca do discurso sobre e sob a violência, a partir de recortes do site “www.riodepaz.org.br” e da imagem fotográfica da faixa em referência. Busca-se ainda analisar o discurso da omissão, que tem por base a ausência do Estado no combate efetivo à violência, dando lugar ao surgimento de organizações não governamentais que se propõem a combater esse mal. Esse é o caso da ONG Rio de Paz, notadamente na cobertura do caso do cinegrafista morto no Rio de Janeiro, Gelson Domingos, quando trabalhava nas filmagens de uma incursão da Polícia Militar na favela Antares. Para a AD, o sujeito não pode ser reputado como aquele que decide sobre os sentidos e as possibilidades enunciativas do próprio discurso, mas como aquele que ocupa um lugar social e a partir dele enuncia. Isso significa dizer que “o sujeito não é livre para dizer o que quer, mas é levado, sem que tenha consciência disso, a ocupar um lugar em determinada formação social e enunciar o que é possível a partir do lugar que ocupa” (MUSSALIN, 2006, p. 110). Assim, o discurso sobre a redução da violência, emanado da ONG Rio de Paz, ocupa um lugar social específico de onde se enuncia um discurso marcado por uma dada ideologia. Especificamente em relação aos dizeres na faixa afixada nas praias do Rio de Janeiro, podemos perceber a presença do SELINFRAN PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS gem no canto inferior esquerdo da faixa). Posto isso, devem ser analisadas as condições de produção em sentido estrito, referente às circunstâncias da enunciação e o contexto imediato, não podendo deixar de ser observado o contexto sócio-histórico, ideológico. Fica entendido como contexto imediato, no enunciado ora analisado, as campanhas feitas pela ONG Rio de Paz após um período social emblemático, tumultuado, em que a própria sociedade se organizou com o fim de amenizar ou reduzir os traços da violência. Enfim, na omissão do Estado em proporcionais políticas públicas que diminuam ou cessem as atividades criminosas, a violência engrossa suas fileiras, surgindo, de entremeio, as organizações empreendidas pela própria sociedade, quase sempre apolíticas e dotadas de um regime organizado, que buscam suprir essa carência estatal. No caso, a ONG Rio de Paz busca, através de suas mensagens, reduzir a violência, principalmente no Estado do Rio de Janeiro. Palavras-chave: mídia; violência; discurso. REFERÊNCIAS BRANDÃO, H. H. Nagamine. Introdução à análise do discurso. Campinas-SP; UNICAMP, 2004. DADOUN, R. A violência: ensaio acerca do “homo violens”. Rio de Janeiro: DIFEL, 1998. 112 p. FERNANDES, C. A. Análise do Discurso reflexões introdutórias. Goiânia: Trilhas Urbanas, 2005. FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. GREGOLIN, M. R., ET AL. (Orgs.). Análise do Discurso: entornos do sentido. São Paulo: Cultura Acadêmica / Araraquara: UNESP-Car – Laboratório Editorial, 2001. MORAES, A. de. Constituição do Brasil Interpretada e legislação constitucional. 7ªed. Atlas: São Paulo, 2007. ORLANDI, E. P. Análise de discurso; princípios e procedimentos. Campinas-SP; Pontes/UNICAMP, 2005. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 52 LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO A ARTICULAÇÃO NECESSÁRIA ENTRE LINGUÍSTICA E GRAMÁTICA NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA A COMPETÊNCIA METAGENÉRICA E A COMPREENSÃO DE TEXTOS NO ENSINO MÉDIO Cristiane Alves de Oliveira (Mestrado/UNIFRAN) Mateus Barbosa de Oliveira (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador) Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora) M uito se discute na sociedade sobre a competência do aluno em interpretar textos, o que tem uma relação direta com a qualidade do ensino que é ofertado, seja na rede pública, seja na rede particular. O presente projeto objetiva investigar a capacidade de compreensão de textos de diferentes gêneros, sendo escolhidos como norteadores da pesquisa os gêneros tira, provérbio e poema. Dessa forma, o trabalho apoia-se nos pressupostos teóricos postulados por Bakhtin e pela perspectiva sociointerativa e cognitiva desenvolvida por Marcuschi. A aplicação da pesquisa será feita com 20 alunos do 2.º ano do ensino médio de uma escola particular na cidade de Franca com a apresentação dos textos seguida de uma instrução para que o aluno faça a leitura e registre a compreensão do texto, sem nenhum tipo de interferência, seja por debate, seja por orientação prévia sobre os gêneros ofertados. Espera-se, assim, verificar o nível de compreensão apresentado pelos alunos e estabelecer uma possível correlação entre o gênero e o grau de compreensão do texto. Palavras-chave: gêneros textuais; leitura; ensino médio. Palavras-chave: Proposta Curricular; linguística textual; livro didático. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 53 DA UNIFRAN ste projeto tem como objetivo analisar as Propostas Curriculares do Estado de São Paulo a fim de avaliar quais contribuições a Linguística pode trazer ao ensino de Língua Portuguesa, tanto para professores como e, especialmente, para os alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Sabendo que os índices da competência textual revelados pelas provas, como SAEB, SARESP, ENEM demonstram que o desempenho do alunado não é satisfatório. Este trabalho justifica-se pela constatação de que os materiais oferecidos pela Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo têm dado ênfase ao sóciointeracionismo, o que quer dizer que, por vezes, os professores não têm recebido o treinamento necessário para aplicá-lo de forma adequada, quando se pensa na articulação entre a Linguística e a Gramática. Muitas vezes, percebe-se que o professor sente-se indeciso na opção por uma ou outra linha teórica, dito de outra forma, não sabe se ensina o texto, a gramática ou a gramática no texto. Para alcançar o objetivo deste trabalho, pretende-se fundamentar a pesquisa nos estudos e descobertas da Linguística Textual. Como metodologia de trabalho, analisar-se-á o tratamento que é dado à gramática e à linguística por meio de comparação entre as Propostas Curriculares e dois livros didáticos aprovados pelo PNLD. Assim, com base nessa investigação, pretende-se mostrar que é possível haver um entendimento entre Linguística e Gramática. Não como sendo teorias dicotômicas, mas sim, complementares, que, se bem entendidas e aplicadas, poderão nortear novos caminhos para o professor, tanto teóricos quanto práticos, que auxiliarão seu trabalho em sala de aula, sempre em busca de melhores resultados com uma aprendizagem da língua que se quer efetiva, clara e por que não, sedutora. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA E SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS A CONSTRUÇÃO DO ATOR PROTAGONISTA EM “OBSCENIDADES PARA UMA DONA DE CASA”, DE IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTIL NA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA A FORMAÇÃO DE SUJEITOS-LEITORES William Vinícius Machado Tristão (Mestrado/UNIFRAN) Elisa Garcia Bertoni Idalgo(Mestrado/UNIFRAN) Prof . Dr . Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora) Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador) O T a a presente trabalho é parte de pesquisa mais ampla – projeto do mestrado em Linguística da Unifran –, o qual consiste na análise de uma seleção de contos publicados nos anos 1980, reunidos no livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, de organização de Italo Moriconi. A temática dos textos é voltada para os “roteiros do corpo”, expressão utilizada pelo organizador, porquanto as narrativas tratam de temas relativos à revolução sexual, à erotização feminina, à homossexualidade. Temos por objetivo analisar o conto “Obscenidades para uma dona de casa”, de Ignácio de Loyola Brandão, à luz da teoria semiótica francesa, mais precisamente de acordo com o percurso gerativo de sentido, desdobrável nos seus três níveis: fundamental, narrativo e discursivo. Procuramos mostrar como se dão as significações do texto, descrevendo, mais precisamente, a construção do ator protagonista, que assume dois papéis e passa a relacionar-se, por intermédio de cartas, como se dois sujeitos distintos fosse. Nesse contexto, ao examinarmos o conto, pretendemos também constatar o modo como os percursos temático-figurativos se concretizam no texto e como se enquadram no que Moriconi denominou de “roteiros do corpo”. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 54 Palavras-chave: semiótica francesa; percurso gerativo de sentido; ator. em sido constatado que a literatura é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da criança. O fato é que, se desde cedo a criança estiver em contato com a literatura, ela ampliará a sua capacidade de imaginação, atenção, imitação e memória, entre outras. Este trabalho tem como objetivo verificar a contribuição da literatura infantil para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança na Educação Infantil. O trabalho partirá da hipótese de que a literatura infantil não está sendo utilizada na prática diária dos professores de maneira a contribuir para a formação de crianças leitoras. A justificativa da pesquisa reside na constatação de que há uma grande dificuldade por parte dos professores em explorar a literatura infantil como se deve, a fim de conseguir formar sujeitos-leitores. A fundamentação teórica será com base nos estudos e descobertas de alguns teóricos como Bakhtin (1992); Zilberman (2003); Abramovich (2006); Coelho (2000); Faria (2006); Fregonezi (2003); Lajolo (2002); e as contribuições dos Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Infantil (RCNEI) (1998). A metodologia do trabalho consistirá na análise do trabalho dos professores da Educação Infantil de duas escolas, sendo uma particular e a outra municipal. Com este trabalho espera-se comprovar se os professores buscam conhecer e desenvolver na criança a competência de leitura e como a literatura infantil pode influenciar de maneira positiva neste processo. Palavras-chave: literatura infantil; educação infantil; professor. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO A LEITURA E A COMPREENSÃO DE GÊNEROS NO ENSINO SUPERIOR A SEXUALIDADE EM REDES SOCIAIS: UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS DE SUBJETIVIDADE NO FACEBOOK Raquel Cristina de Souza Melo (Mestrado/UNIFRAN) Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora) Profa. Dra. Maria Regina Momesso (Orientadora) objetivo da pesquisa é identificar e refletir discursivamente os modos de ler e ver a sexualidade e o corpo em redes sociais que discutem gênero, sexo, corpo e as diferentes manifestações de opção sexual. O corpus de análise configura-se nos Facebooks das comunidades “Sexualidade Sagrada” e “Sexualidades Desobedientes”. A obra de Michel Foucault, História da Sexualidade, será um dos pontos de referência, pois se revela uma ferramenta essencial no entendimento dos mecanismos de poder e de saber utilizados pela sociedade na construção de enunciações. Estas exercem influências fundamentais na estruturação da subjetividade ou da identidade do sujeito “sexual”. O conceito foucaultiano de “sujeito assujeitado” reforça a hipótese de que a existência das redes sociais como plataforma utilizada na manifestação dos desejos e frustrações sobre temas relacionados à sexualidade (opção sexual, discriminação de gênero, homofobia, corpo e sexo), colabora na elaboração de enunciações que denunciam mudanças significativas na percepção de si e na elaboração de novos dispositivos de manifestação da sexualidade. As atuais máquinas informacionais e comunicacionais não se contentam em veicular conteúdos representativos, mas concorrem igualmente para a confecção de novos agenciamentos de enunciação (individuais e/ou coletivos). Sendo as maquinarias das redes sociais hoje utilizadas como tecnologias de si, questiona-se qual influência elas exercem no contexto de elaboração de enunciações sobre a sexualidade e o corpo? E ainda, como essas maquinarias exercem poder de suporte na produção de subjetividade? Desta forma, acredita-se estabelecer alguns pontos de reflexão para melhor entender os modos de ler e ver a sexualidade e o corpo e, consequentemente, os discursos elaborados nas redes sociais e em outras plataformas de produção de leitura e texto. Palavras-chaves: sexualidade; Facebook; subjetividade. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 55 DA UNIFRAN gêneros textuais; ensino superior; leitura. O III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA A s diferentes avaliações efetuadas com alunos do Ensino Médio na atual sociedade brasileira têm demonstrado a deficiência de parte desse alunado no que concerne à capacidade de leitura e de compreensão de textos. A consequência disso é que, quando esses mesmos alunos são inseridos no Ensino Superior, tendem a apresentar dificuldades relacionadas à leitura, à produção e, principalmente, à interpretação de gêneros diversos. Dessa forma, o presente trabalho objetiva observar as dificuldades constantes observadas e encontradas pelos professores de língua portuguesa no cotidiano da sala de aula no nível de educação superior. Para atingir tal objetivo, serão selecionados textos pertencentes a três gêneros textuais: a tira, o provérbio e o poema, os quais serão aplicados para 20 alunos que cursam Engenharia Civil em uma instituição privada, no município de Patos de Minas-MG. Será estipulado o tempo de 50 minutos para cada gênero e, nesse período, os alunos deverão fazer a leitura e, em seguida, produzir um texto referente à compreensão atingida. Para fundamentar essa pesquisa serão considerados os estudos de Bakhtin e Marcuschi a respeito dos gêneros e de suas repercussões para o ensino. Palavras-chave: Fausi dos Santos (Mestrado/UNIFRAN) SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS SELINFRAN III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 56 SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS AFORIZAÇÃO E ETHOS NO BLOG CRÔNICAS URBANAS: MINHAS IMPRESSÕES DIGITAIS AS ESTRATÉGIAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL NA CIBERCULTURA. UMA ANÁLISE DAS FAN FICTIONS Elisângela S. Carvalho (Mestrado/UNIFRAN) Paulo Eduardo de Melo (Mestrado/Unifran) Profa. Dra. Maria Regina Momesso (Orientador) Profa. Dra. Naiá Sadi Câmara (Orientadora) A S utilização de aforismos nas redes sociais tem se tornado prática comum na interação e comunicação de seus usuários. Objetiva-se analisar, a partir da Análise do Discurso, a construção do ethos por meio dos aforismos presentes nas redes sociais blog e twitter Crônicas urbanas e o posicionamento adotado pela autora na escolha desses aforismos. O conceito de ethos assumido nesta pesquisa alia-se aos estudos sobre ethos desenvolvidos por Maingueneau. O estudioso alerta que é um conceito complexo, pois ultrapassa o tratado pela argumentação, e também se deve levar em consideração os diversos fatores envolvidos, entre eles, a observação de vários fenômenos, como, por exemplo, os índices, desde a escolha do registro da língua até o ritmo, a modulação, etc., que envolvem sua construção. Para esta apresentação, o corpus de pesquisa configura-se em um recorte do blog “Crônicas Urbanas minhas impressões digitais”: o post <http:// cronicasurbanas.wordpress.com/author/mveado/> intitulado “Curtinhas” e os comentários acerca do e-texto postado. Os resultados preliminares apontam que existe uma relação profunda entre o modo de enunciação e os enunciados aforizantes presentes no blog e em seu twitter, pois cria um efeito de informação descontraída e informativa que corresponde ao ethos de pessoa simples, mas de opiniões fortes a respeito dos acontecimentos. Isso ocorre porque os enunciados aforizantes, apesar de sustentarem um tom de verdade absoluta, quase sempre estão relacionados a posições divergentes nos diferentes temas, pois condensam posicionamentos e caracterizam personagens ou grupos sociais. egundo Jenkins em Cultura da Convergência (2009), fan fictions são histórias contadas pelos fãs como se fosse uma continuação da história original, se reúnem (em meio virtual ou não) para promover discussão a respeito. Nessas histórias, são definidos caracteres de tempo, espaço e ações referentes às personagens que seguem a linearidade (ou não) daquele que cria a história, sem seguir necessariamente o roteiro estabelecido pelo texto original. É uma interação entre o fã e a história, como um jogo de RPG. Com o crescente número destas fan fictions, torna-se necessário fazer uma análise dessas produções. Nossa pesquisa objetiva analisar uma fan fiction a fim de analisar suas características discursivo-textuais bem como as estratégias de produção de textos utilizadas por seus usuários, onde o envolvimento com a fantasia passa a ocupar um lugar fundamental em nossa cultura e caminha em direção a uma relação colaborativa e participativa no meio virtual. Palavras-Chave: fan fiction; colaborativa; cibercultura. Palavras-chave: aforismo; ethos; discurso. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO AS RELAÇÕES ENTRE ENUNCIADOR E ENUNCIATÁRIO EM “VAI” COMO APRENDER UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA: O PAPEL DOS GÊNEROS NA AUTODIDÁTICA Renata Cristina Duarte (Mestrado/UNIFRAN) Profa. Dra. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora) Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora) Palavras-chave: contrato fiduciário; tematização; figurativização. F ruto da globalização e disseminação do conhecimento, a busca pela comunicação sem fronteiras ou grandes desafios tem gradualmente crescido. Nunca, na história da humanidade, foi possível presenciar tamanha banalização do ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras. Cursos, aulas particulares, programas de intercâmbio cultural e livros didáticos com CD multimídia prometem alcançar diversos objetivos, todos esses tendo algo em comum: atenuar a linha entre aprendiz e falante nativo. Nenhum dos métodos citados, porém, se mostrará efetivo se não houver suficiente interesse e dedicação por parte do estudante ou aprendiz de línguas estrangeiras. A aprendizagem, portanto, será o principal foco do presente estudo, e não há melhor maneira de exemplificá-la do que com a figura do autodidata. O mesmo, naturalmente, se utiliza do texto, em diferentes gêneros, para fins didáticos. A fim de descobrir a melhor maneira de utilizá-los, textos representantes de gêneros distintos serão analisados à luz da teoria da gramática gerativa transformacional de Noam Chomsky e da linguística textual, em busca do gênero mais efetivo para cada fase do aprendizado. O método autodidata proposto não dispensa, de maneira alguma, qualquer forma de ensino, mas apenas facilita a aquisição da fluência, preparando o aprendiz para buscar a proficiência em sala de aula. Palavras-chave: autodidata; aprendizagem; línguas estrangeiras. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 57 DA UNIFRAN bjeto de estudo desta análise é o conto “Vai” do autor brasileiro contemporâneo Ivan Ângelo, que faz parte do livro “O ladrão de sonhos e outras histórias”. O referencial teórico utilizado é a Teoria Semiótica Francesa. Objetivamos não apenas analisar as relações entre narrador e narratário projetados no texto, mas também o contrato fiduciário que se processa entre enunciador e enunciatário, ou seja, a relação entre o fazer persuasivo do enunciador e o fazer interpretativo do enunciatário para a construção das isotopias figurativas e temáticas que se apreendem no texto. Interessa-nos, nesse sentido, observar a função dos conectores de isotopias que contribuem para criar o efeito de sentido irônico do texto e que possibilitam ao enunciatário vislumbrar seu caráter estético. Esta análise faz parte da nossa pesquisa de mestrado e está inserida no âmbito do projeto “Linguagens, códigos e tecnologias: práticas de ensino de leitura e de escrita na educação básica – ensino fundamental e médio”, financiado pela CAPES/INEP/OBEDUC. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA O Natália Danzmann de Freitas (Iniciação Científica/UNIFRAN) SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS COMPORTAMENTO LEITOR DE ALUNOS DE ENSINO MÉDIO NAS NOVAS CULTURAS TRASMIDIÁTICAS Lívia Cárnio Custódio Silva (Mestrado/UNIFRAN) Eloísa Maria Ávilla de Carvalho (Mestrado/UNIFRAN) Prof . Dr . Naiá Sadi Câmara (Orientadora) a a E sta comunicação tem por finalidade apresentar os resultados parciais de nossa pesquisa de mestrado, cujo objetivo é realizar um diagnóstico da capacidade leitora dos alunos da Escola Estadual Professor Martinho Sylvio Bizutti, do município de Igarapava, pois com o advento tecnológico e as transformações pelas quais passa as formas de comunicação, como por exemplo, as narrativas transmídias, novos recursos de interação leitor e texto surgem a todo instante. Neste cenário, um dos questionamentos do momento refere-se sobre como o leitor do Ensino Médio utiliza as diferentes linguagens e os diferentes textos inseridos no hibridismo cibernético, em que novas pistas e recursos surgem a cada instante no universo da convergência midiática. Nosso objeto de estudo será composto por textos produzidos em diversas plataformas midiáticas por alunos de ensino médio, a fim de verificarmos sobre os multiletramentos que esses textos com novas configurações exigem nas práticas de leituras. Utilizaremos as bases teóricas da Linguística Textual, especialmente as pesquisas sobre multiletramento de Rojo e as discussões sobre narrativas transmídias de Jenkis. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 58 COMPREENSÃO DE TEXTOS NO ENSINO FUNDAMENTAL II Palavras-chave: transmídia; ensino médio; linguística textual. Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador) T em sido constatado que um dos problemas mais sérios do ensino de língua materna é a maneira como os livros didáticos exploram a interpretação e a compreensão de textos para o ensino fundamental. Há evidências de que o modo de condução do trabalho pedagógico com os textos não habilita os alunos à aquisição da competência de compreensão de leitura como uma prática que envolve conhecimento linguístico, enciclopédico e sociointeracional. Este trabalho tem como objetivo analisar o tratamento que os livros didáticos dão aos exercícios dessa prática pedagógica. A justificativa da pesquisa reside na constatação de que há uma dificuldade por parte dos alunos, quando é preciso fazer a interpretação e compreensão de um texto. Para alcançar o objetivo deste trabalho, pretende-se fundamentar a pesquisa nos estudos da Linguística Textual, com base em Marcuschi (2010) e Koch (2011). A metodologia do trabalho consistirá na comparação de dois livros didáticos adotados na rede pública do município de Altinópolis-SP, para observar as diferenças de tratamento para as práticas de leitura, interpretação e compreensão. Com este trabalho espera-se tentar comprovar se os alunos aprendem realmente a interpretar e compreender textos ou se eles estão aprendendo somente a retirar informações que não os leva a compreender um texto como um projeto de dizer. Palavras-chave: texto; interpretação; livro didático. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO CRÍTICA E AVALIAÇÃO: FORMAS EUFÓRICAS E DISFÓRICAS DA IDENTIDADE GAY/TRAVESTI EM KATYLENE.COM DISCURSOS E REPRESENTAÇÃO DA CORRUPÇÃO NA MÍDIA: UM ESTUDO DE CASO Rafael Furlan Lo Giudice (Mestrado/UNIFRAN) SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS Profa. Dra. Maria Regina Momesso (Orientadora) O humor ferino característico de certos homossexuais (notadamente drag queens), que lhes confere um status análogo ao de um clown moderno e lhes possibilita a ascensão a um papel de destaque na sociedade, leva-os, principalmente hoje, a uma maior aceitação e menor marginalização da classe LGBT. Um exemplo da valoração desse tipo de humor é o blog Katylene.com, de grande destaque na mídia, espécie de viral entre jovens, que noticia o mundo das celebridades segundo uma nova perspectiva: a crítica gay. A autora do blog, Katylene Bismarcky, uma travesti fictícia de língua ferina, valendo-se de gírias e elementos próprios do pajubá (dialeto social corrente entre gays), ao construir suas críticas, realiza um processo de seleção e triagem (sancionador) separando os comportamentos que são bons e qualificados, dos que são ruins e desqualificados em relação não só ao mundo das celebridades, mas também ao universo gay. Assim, valendo-nos do arcabouço teórico da teoria semiótica greimasiana, nosso objetivo é destacar, de partes do blog, os temas e figuras que constituem as principais isotopias presentes nos critérios que fundamentam esse “controle de qualidade”, assim como os valores (foria) constitutivos do discurso “discriminatório” de Katylene. Palavras-chave: blog; homossexualidade; semiótica. A temática da corrupção sempre frequentou a mídia seja em forma de informação, denúncia, debate ou mote de entretenimento/humor. Os discursos sobre a corrupção que circulam na mídia (televisiva, impressa, digital e outras) delineiam uma determinada “ordem discursiva” do que se pode ou não se deve dizer acerca do assunto. É sabido que o modo como os órgãos de comunicação organizam os discursos e dão destaque a alguns acontecimentos e apagam outros, criam efeitos de sentido sobre a corrupção e determinam o modo de dizer e pensar essa temática. Diante do exposto, objetiva-se observar as práticas discursivas sobre a corrupção e como estas estão presentes na cibermídia, bem como constroem concepções e representações sociais acerca da corrupção no Brasil. O corpus de pesquisa configura-se do site da Campanha do Ministério Público Democrático “Não Aceito Corrupção”. Para este trabalho recorta-se para análise discursiva o vídeo “Bebê”, presente no site e veiculado também na mídia televisiva. O referencial teórico ancora-se na perspectiva discursiva francesa, fundador Michel Pêuchex, principalmente nas ideias foucaultianas acerca das concepções de práticas discursiva, ordem discursiva, jogos de verdade, relações de saber e poder. Saber ler e interpretar os discursos midiáticos sobre a corrupção é essencial na contemporaneidade, uma vez que os veículos de comunicação, em especial o televisivo, destacam situações que colocam a corrupção da política brasileira em evidência criando uma espetacularização dos fatos em detrimento da compreensão dos acontecimentos e da conscientização dos efeitos nefastos da corrupção. Essa evidência da corrupção e a repetição dos discursos de casos de corruptos e corruptores e a descrença na impunidade parecem naturalizar a corrupção no Brasil, esvaziando assim a criticidade e a conscientização do cidadão acerca da corrupção. Palavras-chave: corrupção; discurso; mídia. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 59 DA UNIFRAN Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Orientador) III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA Luiz Henrique Pereira (Iniciação Científica/UNIFRAN) SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS ESCRILEITURA ADOLESCENTE NO UNIVERSO DAS FANFICS: UMA RELEITURA DE SI A PARTIR DA TRILOGIA JOGOS VORAZES Ana Cristina dos Santos Faleiros (Mestrado/Unifran) Fernanda Godoy Tarcinalli (Mestrado/UNIFRAN) Prof . Dr .Maria Regina Momesso (Orientadora) a a A III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 60 FORMAÇÃO DO PROFESSOR COM A LEITURADOS GÊNEROS DIGITAIS E TRANSMIDIÁTICOS s sagas literárias constituem um centro de despertar de interesse do público escrileitor adolescente na atualidade. Nesse contexto, observa-se um amplo espaço de livre-expressão de caráter discursivo por meio da elaboração e publicação no meio virtual das fanfics baseadas nas séries de obras literárias em destaque. Tais narrativas surgem como uma forma de representação de si produzida por meio da identificação com os autores das obras originais. O presente estudo tem por objeto um recorte da rede social AnimeSpirit, na seção Fanfics, mais especificamente uma fanfic baseada no primeiro livro da trilogia Jogos vorazes, de autoria de Suzzane Collins – recém-lançada também em filme no Brasil: http://animespirit.com.br/fanfics/ historia/fanfiction-livros-jogos-vorazes-safe-and-sound-392594/capitulo1. O que particularmente interessa a este estudo, do ponto de vista da Análise do Discurso francesa, apoiada nos pressupostos teóricos propostos por Foucault, é o como se constituem as práticas de si na produção discursiva promovida por meio do fake estabelecido por um então escrileitor adolescente. Destacando-se quais estratégias discursivas fundamentam a representação de si enquanto leitor assumindo o papel da autoria original da série por meio da escrileitura. Palavras-chave: fanfics; escrileitura; discurso. Profa. Dra. Naiá Sadi Câmara (Orientadora) P artindo do pressuposto que o letramento digital e a leitura de gêneros textuais virtuais e até transmidiáticos, fazem parte do mundo atualmente, o presente projeto objetiva realizar uma reflexão acerca das práticas de leitura e produção desses novos gêneros. São claras as transformações sofridas pelo texto e pela escrita nos hipertextos, já que o texto virtual carrega em si múltiplas semioses e um hibridismo entre a modalidade oral e escrita. Nos caminhos para uma nova educação, questionamos a forma como essas novas tecnologias de educação estão sendo inseridas em nossas escolas. Verificaremos como os professores irão se apropriar dessa nova maneira de leitura para beneficiar o ensinoaprendizagem e se esses professores são multiletrados. Face a essa indagação faremos um estudo sobre as condições do professor em atuar de forma letrada com o trabalho na leitura hipertextual e transmidiática, e abordaremos algumas considerações sobre a textualidade eletrônica, as narrativas transmídias, que devem não só facilitar a aprendizagem dos alunos, para os quais as novas mídias já fazem parte do cotidiano, como também motivar os professores para o acolhimento destas novas tecnologias e uma cultura que vai de encontro com outras novas culturas. Essa pesquisa se apoiará numa pesquisa bibliográfica e também numa pesquisa de campo com entrevistas, textos de alunos e professores. Palavras-chave: gêneros textuais; letramento; hipertexto. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO O FEMININO NA CONSTRUÇÃO DA FORMA DE VIDA MAFALDIANA O PERFUME CHANEL N° 5: CORPOREIDADE, PRÁTICAS E FORMAS DE VIDA Denise de Melo Mendes (Mestrado/ Unifran) Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Orientador) Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Orientador) afalda, do cartunista argentino Quino (Joaquín Salvador Lavado), é uma personagem de tira em quadrinhos conhecida mundialmente por apresentar uma ideia de feminilidade que, especialmente à sua época, era tomada como fora do comum, tomada frequentemente como uma forma de protesto. Diante, então, de tal personagem, pretende-se reconstituir, no presente trabalho, essas formas de vida femininas “não padrão” que são apresentadas nas tiras. Visando a segmentação do corpus, a princípio, recorreu-se à obra “Toda Mafalda”, na qual estão todas as tiras publicadas por Quino, de 1964 a 1973. Diante de quase uma década de produção, fez-se um recorte, em que foram selecionadas apenas as três primeiras histórias de Mafalda, por conterem então as personagens principais da tirinha e darem uma ideia geral das relações que mantém entre si. Além disso, em outros períodos, personagens novas foram criadas, o que acaba por desconfigurar o núcleo inicial, formado por Mafalda e sua família, e os amigos, Felipe, Manolito, Susanita e Miguelito. Desse modo, partindo dos pressupostos da Semiótica Francesa, focando-se especialmente nos processos de figurativização e tematização, buscar-se-á neste trabalho descrever e analisar as diversas formas de vida que circundam a personagem Mafalda, buscando assim evidenciar os valores que qualificam (ou desqualificam) o feminino, o masculino, e os papéis temáticos que os representam nas narrativas estudadas. A partir das reflexões propostas pela teoria semiótica francesa, o presente trabalho irá analisar as diversas linguagens utilizadas na divulgação e circulação do perfume feminino Chanel N° 5, um dos perfumes mais conhecidos no mundo e que se mantém também com um dos mais vendidos no Brasil. O trabalho pretende, assim, partindo da análise das próprias embalagens, de peças gráficas e de discursos diversos sobre o produto, como o publicitário e o institucional, identificar, descrever e analisar os valores da marca que estão instaurados no perfume, as formas de vida femininas que o perfume propõe, e a natureza da relação que há entre a forma da embalagem e do frasco e os esses valores. Para tanto, o corpus será constituído pelo próprio perfume, sua embalagem e seu frasco, por publicidades diversas (impressas e audiovisuais), por trechos do site oficial da marca e do perfume, especialmente aqueles que tratam dos valores que o Chanel n° 5 constrói. Do arcabouço teórico, serão utilizados os conceitos de Percurso Gerativo do sentido, especialmente os processos de tematização e figurativização, Prática semiótica e Formas de vida. Palavras-chave: Prática Semiótica; embalagem; Forma de vida. Palavras-chave: III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA semiótica; formas de vida; Mafalda. 61 DA UNIFRAN M Fabrício Coelho Malta (Mestrado/UNIFRAN) SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS O PROCESSO DE COMPREENSÃO DE GÊNEROS TEXTUAIS POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL O RESSENTIMENTO NO CONTO “A COLEIRA NO PESCOÇO” DE MENALTON BRAFF Marília de Souza Neves (Mestrado/UNIFRAN) Flávia Karla Ribeiro Santos (Mestrado/UNIFRAN) Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora) Profa. Dra. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora) A partir da análise de 20 textos produzidos por discentes do oitavo e nono anos do ensino fundamental de uma escola pública localizada na zona rural (município de São Sebastião do Paraíso-MG), o presente projeto objetiva avaliar a capacidade de compreensão dos alunos após a leitura de três textos pertencentes aos gêneros: tira, provérbio e poema, posto que muitos são os alunos que realizam uma leitura superficial dos textos que lhes chegam às mãos, visualizando-os como simples material a ser decodificado, e não, compreendido. Sob esse prisma, o professor de Língua Portuguesa se questiona, continuamente, sobre o porquê de seus educandos não manterem estreita relação entre leitura e compreensão textual e de que forma pode auxiliá-los a reconhecerem a importância do estudo da língua materna baseada na interação autor/ texto/leitor. Tomando o texto como objeto de estudo deste projeto e empregando-se o arcabouço teórico proposto por Bakhtin e implementado por Marcuschi, pretende-se definir o grau de correlação estabelecido entre leitura e compreensão feitas pelos discentes, de modo a possibilitar ao professor melhorar ou redefinir sua prática pedagógica no ensino da Língua Portuguesa. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 62 Palavras-chave: leitura; gêneros textuais; ensino fundamental. E ste trabalho analisa, por meio da teoria semiótica greimasiana, o conto “A coleira no pescoço”, de Menalton Braff. No texto, um velho e um cão, também ancião, sobem penosamente uma ladeira, pois enfrentam as dificuldades impostas pela idade avançada e pela intempérie. Nesse caminho, refletem sobre a relação entre eles e sobre os efeitos do tempo em suas vidas. O cão, resistente às caminhadas matinais, é ressentido em razão da prisão que há tantos anos lhe fora imposta e do comportamento agressivo do velho, razão pela qual somente sobe a ladeira quando arrastado pela corrente, presa na coleira em seu pescoço. O velho, diante da resistência do animal, demonstra o ressentimento em relação às limitações físicas resultantes da velhice e credita ao cão a responsabilidade de ter aumentado os efeitos das dores que sente uma vez que precisa ser arrastado. Nosso objetivo é analisar o percurso passional e o papel patêmico dos atores, observando a paixão do ressentimento nos atores cão e velho, modalizados respectivamente pelo/ querer não ser/aprisionado e pelo/querer não ser/ idoso. Essa paixão de morte foi mencionada no texto e manifesta-se explicitamente na relação entre os atores. O cão é ressentido por não ter recebido do dono um tratamento justo e por não ter conseguido livrar-se do aprisionamento. O velho, por ter envelhecido e não poder fazer nada para conter as ações do tempo. Palavras-chave: paixão; ressentimento; papel patêmico. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO Os garimpeiros de Serra Pelada na fotografia de Sebastião Salgado Gustavo H. Gyrão de Paula Lopes (Mestrado/UNIFRAN) Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Orientador) O presente trabalho tem por objetivo analisar fotografias de Oliviero Toscani usadas em campanhas da marca Benetton e os discursos proferidos pelo fotógrafo sobre as suas próprias fotos. Oliviero Toscani é um conhecido fotógrafo italiano, ganhador de diversos prêmios, que, nos anos 1990, propôs uma nova maneira de se fazer publicidade, ressaltando temas polêmicos como racismo, sexualidade e Aids, ao invés de ressaltar as características dos produtos fotografados. Em sua obra “A publicidade é um cadáver que nos sorri” (1997), o fotógrafo apresenta algumas de suas fotografias a as analisa, tendo como objetivo avaliar o impacto que causaram na imprensa da época. Desse modo, tomaremos a obra e o conjunto de fotografias como objeto de estudo tendo como objetivo analisar as construções figurativas e temáticas e os valores (forias) que nos são apresentados, comparando-as entre si. Também se que analisar neste trabalho as noções de atração e repulsa que são convocadas pela obra do fotógrafo, visado avaliar que impactos a repulsa, especialmente, pode causar na publicidade. Para tanto, tomaremos como referencial teórico a teoria semiótica francesa, notadamente, as noções de Percurso gerativo do sentido e paixão. Palavras-chave: fotografia; Oliviero Toscani; semiótica. Profa. Dra. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora) E ste trabalho analisa um texto, que é parte constituinte do corpus de nossa pesquisa de mestrado, na qual propomos uma leitura de fotografias do livro “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, a partir dos pressupostos teóricos da Semiótica francesa, voltando-nos sobretudo para um de seus desdobramentos mais recentes, a semiótica visual ou plástica. Para a análise de uma fotografia da série utilizaremos o conceito de semissimbolismo, observando as homologações entre categorias dos planos da expressão e do plano de conteúdo do texto. Faz-se necessário, então, compreender de que maneira as categorias do sensível, o plano da expressão (categorias topológicas, cromáticas e eidéticas), se correlacionam com as categorias do inteligível, o plano do conteúdo. Aplicaremos ainda ao texto elementos do percurso gerativo de sentido, observando o conceito de narrativa como espetáculo que simula o fazer do homem que transforma o mundo. Por outro lado, em termos de nível discursivo, voltaremos nossa análise para as correlações entre figuras e temas do texto, em que nos chama a atenção a manifestação de atores homens, no papel temático de trabalhadores: eles descem ao fundo da mina de mãos vazias, no escuro, num semitom de cinza que praticamente os funde com a própria montanha escavada, para emergirem – na porção mais clara da cena, trazendo nas costas os sacos brancos, que podem conter ouro – para a superfície da Terra. Interessa-nos observar a relação entre esse fazer coletivo, a transformação de estados que ele opera, e as relações entre natureza e cultura que se apreendem no texto. Palavras-chave: fotografia; semissimbolismo; percurso gerativo de sentido. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 63 DA UNIFRAN Karina Spineli Gera (Mestrado/UNIFRAN) III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA OS CADÁVERES DA BENNETON: FORMAS DE EUFORIA E DISFORIA NA IMAGEM PUBLICITÁRIA DE OLIVIERO TOSCANI SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS PODCAST NA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA: MÍDIA AUXILIAR, SUPORTE DE APRENDIZAGEM E OS EFEITOS DE SENTIDO DO DISCURSO PEDAGÓGICO DE UTILIZAÇÃO Eduardo Yoshimoto (Mestrado/UNIFRAN) Prof . Dr . Maria Regina Momesso (Orientadora) a a E III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 64 ste trabalho pretende refletir sobre as práticas discursivas pedagógicas, que tratam da utilização de podcasts na educação à distância e quais os efeitos de sentido de tais práticas no que tange a construção da concepção e representação de aprendizagem por meio da audição sem a presença do professor. A proposta teórica e metodológica escolhida é a perspectiva discursiva francesa, com estudos de Michel Foucault e educação, apoiando-se também na questão da modernidade sobre o signo sociológico de Zygmunt Bauman, a abordagem da inteligência coletiva por Pierre Levy e com referencial técnico cunhado por Ana Amélia Amorim de Carvalho no que tange aos conceitos operacionais do podcast. O podcast é um arquivo digital de áudio no formato MP3, atualmente este tipo de arquivo pode ser produzido de forma rápida e simples sem grandes custos com software e hardware. Outra característica interessante deste meio é poder ouvi-lo em vários lugares de diversas formas, inclusive realizando tarefas concomitantes a sua execução. Além disso, ele possui uma tecnologia de distribuição em massa rápida e simples, seus usuários podem assinar o programa e o episódio do podcast é disponibilizado automaticamente sem que seja necessário entrar no site ou blog em que ele esteja hospedado, se optar pelo download poderá gravá-lo em qualquer dispositivo que reproduza arquivos MP3. Desta maneira pode-se estudar mesmo longe da plataforma original de distribuição e em qualquer espaço. Esse projeto faz-se importante, pois a investigação das práticas discursivas e seus efeitos na aprendizagem de conceitos com o uso do áudio na educação à distância ainda foram pouco explorados em nosso país. Palavras-chave: discurso; podcast; EAD. PROCESSO DE LEITURA / RECEPÇÃO DE TEXTOS TRANSMIDIÁTICOS Renata Moschiar Papadópoli Ramos (Mestrado/UNIFRAN) Profa. Dra. Naiá Sadi Câmara (Orientadora) O presente projeto objetiva investigar, partindo de bases teóricas de estudos já existentes, como as práticas de leitura apresentadas nos livros da Ingedore Kock e estudos sobre narrativas transmídia apresentados no livro “Cultura de Convergência” de Henry Jenkins, quais mecanismos de leitura são utilizados por alunos do ensino superior em práticas de leitura de textos transmidiáticos, ou seja, textos apresentados simultaneamente em diferentes plataformas de mídia. Demonstraremos que os conceitos utilizados para caracterizar a narrativa transmídia: colaboração, investigação, participação e interação, podem fornecer subsídios para compreendermos e caracterizarmos as novas estratégias de leitura utilizadas no processo de produção do sentido por parte do leitor, que será denominado em todo projeto como transmediador (leitor de textos transmidiáticos) em um cenário onde a sociedade se interage e participa integralmente na construção do sentido dos textos. Hoje, com as informações sendo passadas em inúmeras plataformas de mídia, as pessoas não só detém o poder de escolha do que consumir dentro das mídias, como podem também interagir e participar dos conteúdos passados por essas mídias. É neste contexto que esta pesquisa vai se aprofundar para responder questões como: Quais estratégias de leitura são utilizadas pelo transmediador nos textos transmídias? Como se dá o processo de produção de sentido em textos transmidiáticos? Em um segundo momento do trabalho, aprofundaremos sobre o conceito de multiletramento, consequência da narrativa transmídia, como bases para melhores resultados da investigação, uma vez que o transmediador parece compreender a forma de uso dessas plataformas de mídia. Palavras-chave: transmídia; estratégias de linguagem; multiletramento. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO PROCESSOS DISCURSIVOS DE FORMAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS POLÍTICAS PELA MÍDIA Camila Cristina B. Barbosa Tozzi (Mestrado/UNIFRAN) PROFESSOR POR VOCAÇÃO: DISCURSOS E REPRESENTAÇÕES DE PROFESSORES DA CONTEMPORANEIDADE NO FACEBOOK SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS Profa. Dra. Naiá Sadi Câmara (Orientadora) Palavras-chave: identidade; mídia; política. Profa. Dra. Maria Regina MOMESSO (Orientadora) N a contemporaneidade as redes sociais são utilizadas para dar visibilidade e/ou construir identidades e representações dos indivíduos com o intuito de gerar capital social, reconhecimento e visibilidade. Entende-se que esta construção de representação e identidade se dá por meio de práticas discursivas e escrileitoras dos usuários do espaço virtual e no modo como estas se organizam, ou seja, por modos e usos da linguagem. Diante do exposto, a pesquisa tem por objetivo identificar e refletir sobre as práticas discursivas, escrileitoras e identitárias que constituem o sujeito “professor” na internet, em especial, na homepage do facebook intitulada “Professor por Vocação”. O corpus do trabalho configura-se de alguns post e comentários do espaço “Fotos do Mural” da referida página, a qual possui mais de 92.000 membros. Em meio a tantas análises possíveis de se fazer no facebook, observou-se no perfil destinado aos professores, uma infinidade de discursos, práticas de leitura e escrita que definem o professor contemporâneo como um ser fragmentado, fluido e angustiado por postar discursos e imagens de valorização da educação e do professor, bem como construir uma imagem positiva para o real papel do professor dentro de uma sociedade que parece valorizar muito pouco este profissional. As práticas escrileitoras emergentes no facebook se fazem por discursos de pedagogos, políticos, grandes personagens da história que venceram por meio de uma educação afetiva. Além dos discursos tem-se imagens/banners que configuram as “fotos do mural”, onde o moderador do perfil posta imagens relacionadas à profissão e ao que a ela se refere sempre procurando reconstruir e significar a imagem do professor como eufórica, positiva e essencial a sociedade. Palavras-chave: discurso; leitura; escrita. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO 65 DA UNIFRAN objetivo do presente trabalho é verificar como ocorre a construção da identidade de candidatos a um cargo político. O trabalho é fundamentado nos estudos da semiótica, especialmente as propostas desenvolvidas por Eric Landowisk. No livro “Presenças do outro” (2012), constata-se que as identidades são estabelecidas nas relações intersubjetivas e pela força do uso. Analisaremos como os candidatos, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), ambos candidatos a prefeito da cidade de São Paulo, constroem sua identidade, no período eleitoral, de maio a outubro de 2012. Segundo Câmara (2011), julgamos que o estudo dos meios de construção da identidade política nos possibilita identificar o papel de destinador social da mídia na formação dos valores e referências que devem ser seguidos pela sociedade. A análise das construções das identidades acontecerá através do meio transmidiático. Jenkins (2009) afirma em seu livro Cultura da Convergência, que transmídia é uma ação publicitária que abrange várias mídias ao mesmo tempo. Haverá uma pesquisa com dados secundários por meio da bibliografia e uma com dados primários, que será a análise do material coletado. No caso dos candidatos, verificamos a presença deste tipo de campanha no facebook, blog entre outros. III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA O Ythallo Vieira Borges (Iniciação Científica/UNIFRAN) SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS RETOMADA AOS CLÁSSICOS DA LITERATURA: PRODUÇÃO DE SENTIDOS E AUTORIA A PARTIR DA ABORDAGEM EM QUADRINHOS Joarle Soares (Mestrado/UNIFRAN) Leny Pimenta (Mestrado/UNIFRAN) Prof . Dr . Maria Regina Momesso (Orientadora) a a O III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN 66 TV VERSUS INTERNET: O TELEJORNALISMO COMO GÊNERO TEXTUAL trabalho visa refletir sobre as práticas discursivas que tratam de alguns questionamentos em relação à resistência dos alunos à leitura tradicional dos clássicos da literatura, de como a instituição escolar regula e controla os gestos de interpretação do aluno definindo o quê e como se interpreta, naturalizando sentidos, comprometendo o processo de instauração da autoria. A reflexão sustenta-se na Análise do Discurso de “linha” francesa e na Psicanálise lacaniana, em que os postulados se ocupam da determinação histórica dos processos de significação, considerando que os sentidos são construídos de forma singular, na relação com o outro e seu ambiente e, para isso, o sujeito tem que se apropriar do campo da linguagem. Considera-se a fala e a escuta do professor de suma importância na construção dos sentidos dos alunos. Pretende-se ainda por meio da aplicação dos literatures-cards (cartões literários) realizados sobre a obra Shakesperiana, “Sonho de uma noite de verão”, investigar o discurso dos alunos a partir das suas narrativas como leitores-autores-leitores. Buscaremos nos enunciados e nas sequências de enunciados, alguns possíveis pontos de deriva, ofertados como um chamamento para interpretações. A partir dos resultados, será possível avaliar a eficácia de um trabalho alternativo, que foge a imposição de sentidos comum na escola, na aproximação do aluno com as obras clássicas. Palavras-chave: resistência; discurso; autoria. Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador) C om o advento da web e a popularização das redes sociais, o discurso jornalístico adotado pelos telejornais parece ter ganhado um contorno, até então pouco comum, capaz de aproximar a linguagem dessas duas mídias. Com características distintas e bem marcadas, a TV e a internet vivem uma fase na qual a convivência entre elas passou a se estabelecer de maneira que a informação dada por uma complementa a da outra. Este trabalho tem como objetivo discutir como essa configuração tem influenciado o discurso dos telejornais da Rede Globo, mais precisamente os de maior audiência, Jornal Hoje e Jornal Nacional, diante da popularização das redes sociais, que se tornaram um poderoso meio do telespectador manifestar sua opinião. A realização deste estudo justifica-se pela constatação de que há diferenças fundamentais entre as linguagens empregadas no Jornal Hoje, exibido à tarde, e no Jornal Nacional, levado ao ar no horário nobre. É preciso analisar as razões que levam a essas diferenças, deixando o discurso dos dois noticiários com marcas distintas tanto do ponto de vista linguístico quanto do jornalístico. Para chegar ao objetivo deste trabalho, pretende-se fundamentar a pesquisa nos estudos da Linguística Textual, nas reflexões e descobertas de Bakhtin (2006) e nos estudos das teorias da comunicação e do jornalismo, como os de Nelson Traquina (2005). A metodologia consistirá em uma comparação da linguagem usada nos dois principais telejornais da Rede Globo, citados anteriormente. Para tanto, cinco edições de cada um dos noticiários serão analisadas minuciosamente, de forma a se identificar traços que justifiquem o tema proposto por este estudo. Com isso, espera-se verificar como os dois programas moldam o telejornalismo de maneira a torná-lo um gênero textual agregador de público e discursos. Palavras-chave: telejornalismo; internet; linguagens. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO UM ESTUDO DE CASO DAS RELAÇÕES DE PODER E SABER DISCURSIVOS SOBRE QUESTÕES JURÍDICAS EXERCIDAS PELOS USUÁRIOS DA REDE SOCIAL FACEBOOK SELINFRAN SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS Carla Andrea Pereira de Rezende (Mestrado/UNIFRAN) Profa. Dra. Maria Regina Momesso (Orientadora) P Palavras-Chave: poder; discurso; subjetividade. LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO DA UNIFRAN 67 III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA retende-se analisar as relações e práticas de poder e saber nos discursos acerca de questões jurídicas cotidianas e sociais circulantes na rede Facebook, discursos esses realizados por seus usuários. O poder tem suas práticas e relações em cadeia, as quais não se fragmentam em partes e essas são exercidas em rede. Todos somos detentores de um certo poder e esse exerce-se em diferentes pontos das redes sociais. A rede social virtual congrega ao individuo a representação positiva do poder, podendo fazê-lo de forma democrática e sem repressões. Essa prática do exercício do poder discursivo constrói também subjetividades, de modo que esse usuário se sente detentor de liberdade de expressão e um ser que tem voz e autoridade. O corpus da análise discursiva é a homepage do Facebook “Advogados Públicos”, que destaca em seus posts uma determinada ordem discursiva, regras, controles que o sistema jurídico estabelece paras as várias áreas do direito de forma a precisar as relações de poder vigente deste ou daquele ramo jurídico. Se o poder é o conjunto de técnicas pelas quais os sistemas de poder vão ter por alvo e resultado os indivíduos em sua singularidade. Então, para individualizar uma pessoa, utiliza-se do exame, que é vigilância permanente, classificatória, que permiti medir, localizar, utilizar e julgar ao máximo o individuo. Assim, o Facebook “Advogados Públicos” funciona como um meio para as práticas ou relações de poder, para seu exercício, na medida em que coloca em destaque a posição de determinados juristas e não de outros, em determinado lugar e não em outro. Desta forma, toda a construção da verdade sobre o individuo é uma forma de hierarquia do poder.