III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM
LINGUÍSTICA DA UNIFRAN
M E ST R A D O
III SELINFRAN
SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN
LÍNGUA E
COMUNICAÇÃO,
TEXTUALIZAÇÃO
E SENTIDO
CADERNO DE RESUMOS
14 e 15 de setembro de 2012
FRANCA – SP
ISSN 2177-9864
CADERNO DE RESUMOS
III SELINFRAN
SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA DA UNIFRAN
“LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO”
ISSN 2177-9864
Setembro de 2012
ORGANIZAÇÃO DO VOLUME
Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann
REVISÃO E NORMALIZAÇÃO
Fabrício Floro e Silva
COMISSÃO ORGANIZADORA DOCENTE
Prof. Dr. Fernando Ap. Ferreira
Prof. Dr. Juscelino Pernambuco
Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo
Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann
Profa. Dra. Vera Lúcia Rodella Abriata
COMISSÃO ORGANIZADORA DISCENTE
Flávia Karla Ribeiro Santos
Fabrício Floro e Silva
Renata Cristina Duarte
PROMOÇÃO
Programa de Mestrado em Linguística da Unifran
e GTEDI – Grupo de Texto e Discurso
APOIO
Universidade de Franca e Editora Unifran
PROJETO GRÁFICO
Sérgio Ribeiro
APRESENTAÇÃO
O
SELINFRAN – Seminário de Pesquisa
em Linguística da UNIFRAN chega a
sua terceira edição mantendo-se fiel
ao seu objetivo primeiro: divulgar e promover
o debate sobre as pesquisas desenvolvidas
pelos discentes do Programa de Mestrado em
Linguística da UNIFRAN.
A submissão das pesquisas dos alunos
do Mestrado a uma avaliação externa isenta e
transparente só pode ser concretizada com a
colaboração de pesquisadores de reconhecida excelência.
Ao longo do evento, mais uma vez pudemos contar com a participação de nomes
importantes da Linguística brasileira, como a
Professora Doutora Letícia Marcondes Rezende, Professora Titular da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara, especialista na teoria das operações predicativas e
enunciativas, a Professora Doutora Loredana
Límoli, Pós-doutora pela USP, Professora da
Universidade Estadual de Londrina, especialista em semiótica francesa, e o Professor Doutor
Roberto Leiser Baronas, Pós-doutor pela PUC/
SP, Professor da Universidade Federal de São
Carlos, especialista em Análise do Discurso e
Filosofia da Linguística.
O diálogo com outros pesquisadores,
de instituições já consolidadas no cenário da
Linguística nacional, inseridos em Programas
de Pós-graduação tradicionais, além de fortalecer a pesquisa que se realiza no Mestrado
em Linguística da UNIFRAN, permite também
que os mestrandos ampliem seu horizonte de
possibilidades, podendo assim dar continuidade a seus estudos e ao ensino em outros
centros de pesquisa, na medida em que podem tecer um maior número de relações de
trabalho no meio acadêmico. Dessa maneira,
o SELINFRAN cumpre um segundo objetivo, o
de dar espaço para o florescimento de novas
pesquisas e parcerias interinstitucionais.
Neste ano de 2012, o tema escolhido
para organizar as reflexões do evento foi “Língua e comunicação, textualização e sentido”,
tema que aponta para uma realidade cada vez
mais comum: o interesse de linguistas pelo
fenômeno da comunicação, nos mais diversos meios e suportes, como indicam muitas
pesquisas desenvolvidas pelos mestrandos
do Programa. Tais pesquisas tratam ainda de
outros temas, como a natureza da linguagem
literária, do sincretismo de linguagens, das noções de texto e suporte, das noções de discurso, ideologia e gênero, entre outras.
Os trabalhos aqui reunidos foram apresentados nos dias 14 e 15 de setembro de
2012, na Universidade de Franca, segundo
duas modalidades distintas: comunicação individual e painel. As comunicações individuais
resultaram em resumos expandidos, que dão
conta do estágio atual das pesquisas dos alunos em fase de redação de suas dissertações.
Os painéis originaram resumos simples, fruto
de reflexões iniciais dos alunos ingressantes
no Programa.
Esperamos que o material reunido neste Caderno de Resumos possa representar os
interesses e as preocupações atuais dos pesquisadores do Mestrado em Linguística da
UNIFRAN, atestando a qualidade e a atualidade da pesquisa que se faz nessa instituição.
Franca, 18 de setembro de 2012.
Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann
PRIMEIRA PARTE
RESUMOS EXPANDIDOS
7
A (RE)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO
IDOSO FACE ÀS PRÁTICAS DISCURSIVAS NAS
REDES SOCIAIS
Tânia Maria Vário
9
A CONSTRUÇÃO DOS ATORES MASCULINO E
FEMININO EM CANÇÕES DE JOÃO BOSCO E
ALDIR BLANC
Vinícius de Almeida Boutelet
11
A CONSTRUÇÃO DOS ATORES MIGUILIM E
DITO NA NOVELA “CORPO DE BAILE”
Pedro P. C. Balieiro
13
A PRÁTICA DIDÁTICA DA WEBQUEST: UMA
FORMA DE INTERAÇÃO PROGRAMADA
Julieta Maria Franchini Neves
15
A PRESENÇA DIALÓGICA EM SLOGANS
BRASILEIROS DE CERVEJAS DO ANO 2000
Adriana Pernambuco Montesanti
17
ANÁLISE DA COMPETÊNCIA COMUNICATIVA
DE ALUNOS DO ENSINO SUPERIOR
Frank Sérgio Pereira
19
AUTORIA E ORIGINALIDADE NO DESIGN
GRÁFICO A PARTIR DA ANÁLISE DOS
DISCURSOS DO PLÁGIO NA INTERNET
Ana Márcia Zago
23
25
CONCEITOS RETÓRICOS – ARGUMENTATIVOS
PRESENTES EM TEXTOS DIDÁTICOS DE
COMUNICAÇÃO EM ENFERMAGEM
Adilson Pereira Teodoro
DA CLAUSURA À LOUCURA: ANÁLISE
SEMIÓTICA DO CONTO “CASA TOMADA”, DE
JULIO CORTÁZAR
Edna Aparecida Rodrigues da Silva
27
DE CINDERELA A LULUZINHA – DISCURSOS
E REPRESENTAÇÕES DE ADOLESCENTES NA
REDE SOCIAL TUMBLR MANIFESTADAS NA
LEITURA E NA ESCRITA
Michelle Aparecida Pereira Lopes
29
“DRACONIANO”: A CONSTRUÇÃO DE UMA
IDENTIDADE PASSIONAL EM A ELITE DA
TROPA 2
Leandro Rodrigues Doroteu
31
EDITORIAS DE MODA, PRÁTICAS
DISCURSIVAS E EFEITOS DE SENTIDO: UM
OLHAR SOBRE A HARPER’S BAZAAR BRASIL
Orlando Aparecido Cabrera
33
ESCRILEITURAS DE ADOLESCENTES DO
ENSINO TÉCNICO NO FACEBOOK
Claudete BOSSHARD
35
INTERTEXTUALIDADE E DIALOGISMO NO
ROMANCE 50 ANOS DEPOIS, DE CHICO
XAVIER
Márcia Regina Bregagnoli
37
LEITORES E AUTORES DO BLOG DO
FOLHATEEN: ADOLESCENTES COMO
SUJEITOS DISCURSIVOS PROMOVENDO A
ESCRILEITURA
Danilo Vizibeli
39
LER E COMPREENDER GÊNEROS TEXTUAIS
NO ENSINO FUNDAMENTAL
Clemilda Felix Correa
41
O CASO DA APRENDIZAGEM DA LÍNGUA
INGLESA: O EFEITO DAS PAIXÕES
ARISTOTÉLICAS SOBRE AS TEORIAS
MOTIVACIONAIS
Sinelle Duarte
43
O DISCURSO PEDAGOGICO NOS CURSOS DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Sumaya Florence Tavares da Silva
45
O ESPETÁCULO SEMIÓTICO: “A HORA E VEZ
DE AUGUSTO MATRAGA”, O DIÁLOGO ENTRE
O TEXTO DRAMÁTICO E O TEXTO LITERÁRIO
Fabrício Floro e Silva
47
O ETHOS DISCURSIVO DO APÓSTOLO
PAULO MANIFESTADO NA II EPÍSTOLA AOS
CORÍNTIOS
Carlos Cesar Silveira
49
O INTERACIONISMO SOCIODISCURSIVO, O
LIVRO DIDÁTICO E A GRAMÁTICA
Ana Cláudia Garcia de Carvalho
51
PRÁTICAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA: O
DISCURSO DA ONG RIO DE PAZ
Marcos Aurélio Gomes Alves da Silva
SEGUNDA PARTE
RESUMOS DE PAINÉIS
53
A ARTICULAÇÃO NECESSÁRIA ENTRE LINGUÍSTICA
E GRAMÁTICA NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Cristiane Alves de Oliveira
53
A COMPETÊNCIA METAGENÉRICA E A
COMPREENSÃO DE TEXTOS NO ENSINO MÉDIO
Mateus Barbosa de Oliveira
54
A CONSTRUÇÃO DO ATOR PROTAGONISTA EM
“OBSCENIDADES PARA UMA DONA DE CASA”, DE
IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
William Vinícius Machado Tristão
54
A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTIL NA
EDUCAÇÃO INFANTIL PARA A FORMAÇÃO DE
SUJEITOS-LEITORES
Elisa Garcia Bertoni Idalgo
55
55
A LEITURA E A COMPREENSÃO DE GÊNEROS NO
ENSINO SUPERIOR
Raquel Cristina de Souza Melo
56
AFORIZAÇÃO E ETHOS NO BLOG CRÔNICAS
URBANAS: MINHAS IMPRESSÕES DIGITAIS
Elisângela S. Carvalho
56
AS ESTRATÉGIAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL NA
CIBERCULTURA. UMA ANÁLISE DAS FANFICTIONS
Paulo Eduardo de Melo
57
AS RELAÇÕES ENTRE ENUNCIADOR E
ENUNCIATÁRIO EM “VAI”
Renata Cristina Duarte
57
58
COMO APRENDER UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA: O
PAPEL DOS GÊNEROS NA AUTODIDÁTICA
Natália Danzmann de Freitas
58
59
A SEXUALIDADE EM REDES SOCIAIS: UMA ANÁLISE
DOS DISCURSOS DE SUBJETIVIDADE NO FACEBOOK
Fausi dos Santos
COMPORTAMENTO LEITOR DE ALUNOS DE ENSINO
MÉDIO NAS NOVAS CULTURAS TRASMIDIÁTICAS
Eloísa Maria Ávilla de Carvalho
COMPREENSÃO DE TEXTOS NO ENSINO
FUNDAMENTAL II
Lívia Cárnio Custódio Silva
CRÍTICA E AVALIAÇÃO: FORMAS EUFÓRICAS E
DISFÓRICAS DA IDENTIDADE GAY/TRAVESTI EM
KATYLENE.COM
Luiz Henrique Pereira
59
DISCURSOS E REPRESENTAÇÃO DA CORRUPÇÃO
NA MÍDIA: UM ESTUDO DE CASO
Rafael Furlan Lo Giudice
60
ESCRILEITURA ADOLESCENTE NO UNIVERSO
DAS FANFICS: UMA RELEITURA DE SI A PARTIR DA
TRILOGIA JOGOS VORAZES
Fernanda Godoy Tarcinalli
60
FORMAÇÃO DO PROFESSOR COM A LEITURADOS
GÊNEROS DIGITAIS E TRANSMIDIÁTICOS
Ana Cristina dos Santos Faleiros
61
61
O FEMININO NA CONSTRUÇÃO DA FORMA DE VIDA
MAFALDIANA
Denise de Melo Mendes
62
O PROCESSO DE COMPREENSÃO DE GÊNEROS
TEXTUAIS POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Marília de Souza Neves
62
63
O RESSENTIMENTO NO CONTO “A COLEIRA NO
PESCOÇO” DE MENALTON BRAFF
Flávia Karla Ribeiro Santos
63
64
O PERFUME CHANEL N° 5: CORPOREIDADE,
PRÁTICAS E FORMAS DE VIDA
Fabrício Coelho Malta
OS CADÁVERES DA BENNETON: FORMAS DE
EUFORIA E DISFORIA NA IMAGEM PUBLICITÁRIA DE
OLIVIERO TOSCANI
Karina Spineli Gera
OS GARIMPEIROS DE SERRA PELADA NA
FOTOGRAFIA DE SEBASTIÃO SALGADO
Gustavo H. Gyrão de Paula Lopes
PODCAST NA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA: MÍDIA
AUXILIAR, SUPORTE DE APRENDIZAGEM E OS
EFEITOS DE SENTIDO DO DISCURSO PEDAGÓGICO
DE UTILIZAÇÃO
Eduardo Yoshimoto
64
PROCESSO DE LEITURA / RECEPÇÃO DE TEXTOS
TRANSMIDIÁTICOS
Renata Moschiar Papadópoli Ramos
65
PROCESSOS DISCURSIVOS DE FORMAÇÃO DE
CARACTERÍSTICAS POLÍTICAS PELA MÍDIA
Camila Cristina Branquinho Barbosa Tozzi
65
PROFESSOR POR VOCAÇÃO: DISCURSOS E
REPRESENTAÇÕES DE PROFESSORES DA
CONTEMPORANEIDADE NO FACEBOOK
Ythallo Vieira Borges
66
RETOMADA AOS CLÁSSICOS DA LITERATURA:
PRODUÇÃO DE SENTIDOS E AUTORIA A PARTIR DA
ABORDAGEM EM QUADRINHOS
Leny Pimenta
66
TV VERSUS INTERNET: O TELEJORNALISMO COMO
GÊNERO TEXTUAL
Joarle Soares
67
UM ESTUDO DE CASO DAS RELAÇÕES DE PODER E
SABER DISCURSIVOS SOBRE QUESTÕES JURÍDICAS
EXERCIDAS PELOS USUÁRIOS DA REDE SOCIAL
FACEBOOK
Carla Andrea Pereira de Rezende
A (RE)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO IDOSO FACE
ÀS PRÁTICAS DISCURSIVAS NAS REDES SOCIAIS
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Tânia Maria Víário (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Fernando Aparecido Ferreira (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
7
DA UNIFRAN
estas idosas vêm reconstruindo a sua identidade ou
construindo uma nova identidade, considerando
seus aspectos ideológicos e socioculturais. Para
esta pesquisa serão analisadas as postagens e comentários dos leitores de três blogs, selecionados
pelo expressivo número de seguidores, tempo de
atividade e destaque obtido, sendo que a ênfase
maior será dada para a discursividade do blog da
Vovó Neuza. Editado por uma senhora de 80 anos
que se destaca por sua maneira espontânea de se
expressar e por assumir uma identidade em constante transformação. Além deste, também serão
analisados os seguintes blogs: “Blog da Vovó... mas
não só” (blogdavovohelo), em atividade desde
2008; e “Vovós na Rede”, blog veiculado ao jornal
Zero Hora, onde Liana Plentz, sua editora, escreve
sobre vários assuntos sempre mostrando um lado
saudosista ligado às lembranças do passado.
A importância deste trabalho se resume no
fato de haver poucos estudos a esse respeito, deste
assunto estar despertando interesse, visto a quantidade de artigos e reportagens veiculados na mídia
e, também, por este tema fazer parte da atualidade
(a relação dos idosos com as novas tecnologias).
Para fundamentar as análises, serão utilizadas as
teorias da Análise do Discurso francesa de Michel
Pêcheaux, seu fundador, que foca o sujeito discursivo sempre em processo de construção considerando os fatores sociais, históricos e ideológicos.
Completando o arcabouço teórico, também serão
utilizadas as teorias de Michel Foucault ao que se
refere às “técnicas de si” e a “escrita de si”, bem
como os estudos do sociólogo Zygmund Bauman
sobre o sujeito na sociedade contemporânea, e
outros autores que fazem parte da área da Análise
do Discurso e das ciências sociais.
Através da análise dos excertos tirados dos
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
A
s redes sociais on-line surgiram para criar
um espaço virtual onde fosse possível a
discussão de assuntos tanto pessoais como
profissionais e também, pela vantagem de criar
novas amizades, trocar experiências e ter acesso a
conhecimentos de outras culturas. De acordo com
Raquel Recuero, respeitada pesquisadora brasileira
da área de Ciências Humanas e Sociais, “compreender essas redes é essencial para compreender os
novos valores construídos, os fluxos de informação
divididos e as mobilizações que emergem no ciberespaço”.
Dentro desse universo virtual, surgiram também os blogs, que conquistaram um expressivo
espaço, sendo que seus criadores vão desde adolescentes até pessoas idosas que veem neste veículo de comunicação, um novo meio de interação
com diversos segmentos da sociedade. O blog hoje
é uma evolução dos antigos diários, onde pessoas
registram informações constantes não só de acontecimentos de suas vidas pessoais, mas também
de suas opiniões sobre os mais variados assuntos.
Neste contexto verifica-se cada vez mais, uma
crescente adesão por parte da terceira idade, especialmente mulheres, a estes “diários virtuais”, onde
a troca de experiências, o compartilhamento de
lembranças e a inserção social se fazem presentes
nas mais diversas formas. Percebe-se que as atuais
“vovós” estão criando uma nova identidade com
a ajuda destas práticas de escrita nos ambientes
virtuais, ampliando sua inserção na sociedade para
além das atividades e estilo de vida que até hoje
lhes eram associadas.
O presente trabalho tem por objetivo analisar
as práticas discursivas de senhoras da terceira
idade em seus blogs, partindo da hipótese de que,
nestas práticas de escrita e interação com o outro,
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
blogs dos idosos que compõem o corpus desta
pesquisa, será possível verificar como ocorre a
reconstrução da identidade ou a nova identidade
construída pelo próprio idoso, por meio do que é
dito, como é dito e também do não dito. Percebe-se
ainda, que as identidades assumidas pelas “vovós”
em seus blogs possuem ligações com o interdiscurso e com a memória discursiva, bem como revela
como se processa a adaptação dos membros da
terceira idade à contemporaneidade.
Palavras-chave:
 terceira idade;
 discurso;
 redes sociais
REFERÊNCIAS
BAUMAN, Z. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi/ Zygmunt Bauman; tradução, Carlos Alberto Medeiros. – Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Ed., 2005
. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
BLOG DA VOVÓ...MAS NÃO SÓ. Disponível em <http://blogdavovohelo.blogspot.com.br/ >. Acesso em 01.09.2012.
CARVALHO, N. G. de. Blog da Vovó Neuza (blog). Disponível em < http://vovoneuza.blogspot.com.br>. Acesso em 01.09.2012.
FOUCAULT, M. A escrita de si. In: O que é um autor? Lisboa: Passagens. 1992.
. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1996.
. As técnicas de si. Tradução de Wanderson Flor do Nascimento e Karla Neves. In: Dits et Écrits. Paris: Gallimard, v. IV,
1994. p. 783-813. Disponível em: www.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/techniques.html. Acesso em 01.09.2012.
PÊCHEUX, M. Análise automática do discurso: três épocas. In: GADET, F & HACK, T. (org.). Por uma análise automática do discurso. Introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Unicamp, 1990a.
PLENTZ, L. Blog das vovós (blog). Disponível em: <http://wp.clicrbs.com.br/vovosnarede/?topo=13,1,1,,,>. Acesso em 01.09.2012.
RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
8
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
A CONSTRUÇÃO DOS ATORES MASCULINO E FEMININO
EM CANÇÕES DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Vinícius de Almeida Boutelet (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
9
DA UNIFRAN
e femininos, descrevendo seus papéis actanciais,
temáticos e patêmicos. Também procuramos descrever os percursos temático-figurativos que nos
textos se manifestam e os mecanismos de projeção
dos atores, assim como os efeitos de sentido que
eles criam nos textos.
Em “Dois pra lá, dois pra cá”, observamos a
projeção de um narrador em primeira pessoa, que
rememora o seu envolvimento passional com um
sujeito feminino por meio de uma dança ocorrida
entre o casal. O ator masculino sofre ainda, no presente da enunciação, o estado de alma de nostalgia
em relação a tal relação afetiva, o qual se estende
no tempo.
Na letra de “Incompatibilidade de gênios”
manifesta-se no texto um sujeito masculino, no
papel de narrador que, no presente da enunciação,
relata a um narratário, “dotô”, seu estado patêmico
de frustração em relação às atitudes vingativas e
de indiferença de sua mulher em relação a ele que
o levaram a transformar-se em sujeito virtual que
deseja a separação.
Em “Miss suéter” também se projeta um narrador, no presente da enunciação, que relata certos
fatos da vida de um sujeito feminino, com quem se
envolveu no pretérito e que venceu o concurso de
Miss Suéter, que ocorria no Brasil nas décadas de
1950 e 1960. Nota-se que enquanto o ator feminino
se envolve afetivamente com o masculino, este apenas se envolve eroticamente com aquele.
Nossa hipótese é que as paixões da indiferença
e da vingança ocorrem na canção “Incompatibilidade de gênios”, revelando a temática das relações
afetivas em crise, enquanto em “Dois pra lá, dois
pra cá” e “Miss Suéter”, as paixões da nostalgia e do
amor são as que parecem se manifestar nos textos.
Nesse sentido, queremos lembrar que, num pri-
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
N
ossa pesquisa analisa, com base no referencial teórico da semiótica francesa, três
letras de canções de João Bosco e Aldir
Blanc: “Dois pra lá dois pra cá”, “Incompatibilidade
de gênios” e “Miss Suéter”.
As canções foram escolhidas em função do
tema, pois todas tratam de relacionamentos afetivos entre atores que se projetam no presente da
enunciação, como sujeitos narradores, que rememoram seus percursos como sujeitos do enunciado.
Procuramos aplicar elementos do percurso gerativo
de sentido com o objetivo de apreender a significação das letras das canções. Utilizamos também
o esquema passional canônico com a intenção de
verificar os estados de alma dos sujeitos que nelas
se manifestam. Devemos lembrar que entendemos
as paixões como “efeitos de sentidos inscritos e
codificados nas linguagens” (BERTRAND, 2003,
p. 358).
Outro objetivo é analisar as relações entre
o plano de conteúdo e o plano de expressão das
letras com a finalidade de apreender as relações
semissimbólicas que nelas se concretizam. Assim,
observamos que há correlações entre categorias
sonoras da expressão e categorias semânticas do
conteúdo nos textos. Segundo Barros (1987, p. 7),
os sistemas semissimbólicos ocorrem como linguagens secundárias, poéticas no verbal por meio das
quais um novo saber sobre o mundo se instaura.
Nesse sentido, observamos que a presença de
relações semissimbólicas nos textos contribui para
enfatizar seu caráter poético.
A análise dos textos leva em conta também o
nível fundamental em que se apreendem as oposições semânticas que estão na base do texto. Por
fim, no nível discursivo, temos por objetivo analisar a
construção da subjetividade dos atores masculinos
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
meiro momento, estamos aplicando os elementos
do percurso gerativo de sentido para a análise dos
textos para, posteriormente, analisarmos as paixões
que neles se manifestam.
Palavras-chave:
 ator;
 paixão;
 semissimbolismo.
REFERÊNCIAS
ASSUNÇÃO, R. C. A poética de Aldir Blanc. Um olhar sobre o ourives do palavreado. Rio de Janeiro, UFRJ, Faculdade de Letras,
2004.
BARROS, D. L. P. Estudos do discurso. In FIORIN, José Luiz. (Org.) Introdução à linguística II. Princípios de análise. São Paulo:
Contexto, 2003.
. Teoria do discurso. Fundamentos Semióticos. São Paulo: Atual, 2002.
. Teoria semiótica do texto. São Paulo: Ática, 1990.
. Problemas da expressão: figuras do conteúdo e figuras da expressão. Significação. Revista Brasileira de Semiótica.
n. 6, janeiro de 1987.
BATISTA. C. C.S.O Lugar dos Galos de Briga: Aldir Blanc e a década de 1970. Programa de Pós-Graduação em Letras. U.F.R.J.,
2010 (Tese de doutorado).
BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Tradução de Ivan Carlos Lopes etal. Bauru-SP: EDUSC, 2003.
FONTANILLE, J.; DITCHE, E. R.; LOMBARDO, P. Dictionnaire des passions littéraire. França: Belin, 2005.
GREIMAS, A.J. COURTÉS, J. Dicionário de semiótica. São Paulo: Contexto, 2011.
; FONTANILLE, J. Semiótica das paixões. São Paulo: Ática, 1993.
TATIT, L. Análise semiótica através das letras. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
10
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
A CONSTRUÇÃO DOS ATORES MIGUILIM E
DITO NA NOVELA “CORPO DE BAILE”
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Pedro P. C. Balieiro (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
11
DA UNIFRAN
paixão da cólera e suas variantes se manifestam em
cenas da novela que tratam da relação conflituosa
entre os dois atores. Tomamos por base a configuração do dispositivo passional da cólera, proposto por Jacques Fontanille em “Dictionnaire de
passions littéraires” (2005). Fontanille, nessa obra,
baseando-se em Greimas, estabelece uma sequência canônica da paixão da cólera a qual é composta
das seguintes etapas: confiança, espera, frustração;
descontentamento, agressividade, explosão.
Há vários momentos de manifestação de fases paixão da cólera na novela rosiana: o ódio e a
vingança, variantes da fase de agressividade, de
acordo com Fontanille se concretizam na novela em
cena em que Miguilim toma uma surra do pai, por
ter batido em seu irmão mais velho que maltratara
um pobre coitado. Procuraremos analisar as fases
da sequência canônica da cólera que se manifestam tanto na atitude do pai, quanto na reação de
Miguilim perante a agressão que sofre e que o faz
perceber o erro e a injustiça cometida por Bero a
quem o menino enfrenta.
O exame da paixão da cólera, que se materializa na novela, possibilita-nos compreender como
se processa a relação entre pai e filho no texto, que
objetivamos associar à noção de formas de vida,
tal como a concebe Greimas (1993, p. 32-33): [...]
“um estilo de vida partilhável por um grupo social,
um comportamento esquematizável, muitas vezes
estereotipado, que, quando contestado, possibilita
o surgimento de novas formas de vida”.
Nesse sentido, consideramos que Bero manifesta um comportamento estereotipado, típico da
sociedade patriarcal, ao agir com violência contra
Miguilim. O menino, por sua vez, vai gradativamente
ultrapassando o medo em relação à figura prepotente e patriarcal do pai, e, ao conseguir afrontá-lo,
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
C
om base no referencial teórico da semiótica
francesa, nossa pesquisa analisa a novela
“Campo Geral”, de João Guimarães Rosa,
com o objetivo de observar a construção dos atores
Miguilim e Dito. De acordo com os estudos de Bertrand (2003, p.416), “o conceito de ator situa-se na
junção da sintaxe narrativa (é um actante dotado de
programas narrativos) com a semântica discursiva
(possui um papel temático), [...] e manifesta-se sob
uma forma figurativa”. Partindo, portanto, do conceito de ator em semiótica, analisaremos a construção dos atores “Miguilim” e “Dito”, observando
não somente seus papéis actanciais e temáticos,
mas principalmente seus papéis patêmicos. Sabe-se que, a partir dos anos 1980, com o desenvolvimento da semiótica das paixões, acrescenta-se
à definição de ator, a noção de papel patêmico.
Conforme Bertrand (2003, p. 426), “o estudo da
dimensão patêmica do discurso, complementar às
dimensões pragmática e cognitiva concerne não
mais á transformação dos etados de coisas (fulcro
da narratividade), mas à modulação dos estados do
sujeito, seus ‘estados de alma’”.
Privilegiamos as cenas da novela que envolve a
relação de Miguilim com seu pai Bero e com o irmão
Dito, focalizando os estados de alma do ator protagonista, perante as injustiças cometidas pelo pai
e perante a morte do irmão querido. Desse modo,
nossa análise incidirá sobre as relações afetivas que
se estabelecem entre Miguilim, Bero e Dito, observando o valor que eles atribuem a seus objetos de
valor. Quanto ao nível discursivo, voltamo-nos para
as projeções actoriais que se manifestam no texto
e para os efeitos de sentido que se criam a partir
de tais projeções.
Tendo em vista as relações entre Miguilim e
o pai Bero, buscaremos observar o modo como a
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
propõe uma nova forma de vida, pautada pela sensibilidade e pelo senso de justiça, que se deixa observar em seu comportamento em relação ao pai.
Por outro lado, tendo em vista as relações entre Miguilim e Dito, selecionamos a análise de cenas
da novela, que ainda não analisamos, em que se
nota a paixão do amor fraternal entre os dois atores,
a admiração de Miguilim por Dito e seus estados de
sofrimento perante a morte do irmão que o fazem
percorrer as trilhas do amadurecimento.
Palavras-chave:
 semiótica;
 nível discursivo;
 Guimarães Rosa.
REFERÊNCIAS
BARROS, D. L. P. Teoria Semiótica do Texto. São Paulo: Editora Ática, 1990.
BERTRAND, D. Caminhos da Semiótica literária. Bauru: EDUSC, 2003.
GREIMAS, A. J. ; COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. SP: Cultrix, s.d.GREIMAS, A. J. Le beau geste. Recherches sémiotiques.
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III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
12
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
A PRÁTICA DIDÁTICA DA WEBQUEST: UMA
FORMA DE INTERAÇÃO PROGRAMADA
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Julieta Maria F. Neves (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Matheus N. Schwartzmann (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
13
DA UNIFRAN
reprogramada, desafiando, assim, os estudantes a
aprofundarem ainda mais seus conhecimentos. Como esse modelo de aprendizagem proporciona
muita autonomia ao aluno pode ser usado por um
grupo de alunos ou também de forma individual.
Diante disso, o objetivo principal deste trabalho é
analisar as práticas de interação que são propostas
pela WebQuest e, especialmente, a prática didática
que sustenta o roteiro de construção desse tipo de
atividade. O que se percebe aqui é a presença de
um tipo de interação que, se seguirmos os preceitos
dos trabalhos de Eric Landowski, podemos chamar
de “interação programada”. A interação é de ordem
programada quando o ator se apoia em certas determinações pré-existentes, estáveis e cognoscíveis,
do comportamento de outro ator ou objeto.
Partindo, portanto, dos preceitos da Teoria
Semiótica de linha francesa, principalmente das
noções de prática semiótica e interação, buscamos
ver o uso da WebQuest como uma prática de dois
caminhos, isto é, uma prática semiótica em que se
deixa de considerar os alunos meros receptores de
conhecimento e passa-se a vê-los como produtores
de sentido que têm autonomia diante da prática didática e que com ela interagem. Para tanto, deve-se
partir do pressuposto de que para que um sujeito
possa atuar/operar sobre um objeto qualquer, é
necessário que esse objeto faça parte de um programa. Tal ideia de programação nos leva à ideia
de um conjunto ordenado de comportamentos
narrativizados que remetem à construção de papéis temáticos. Assim sendo, qualquer que seja o
objeto que se apresente diante dos sujeitos – aqui,
no caso, o objeto sendo as partes integrantes de
uma WebQuest – todas as operações que se devam
nele realizar deverão funcionar de acordo com um
programa de comportamento determinado. Desse
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
D
urante o período de maior disseminação da
rede on-line de computadores, a Internet,
em 1995, o professor de tecnologia educativa da Universidade Estadual de San Diego, Bernie
Dodge, apoiado por Tom March, desenvolve uma
ferramenta on-line voltada para o ensino que visa
oferecer ao aluno uma nova maneira de aprender e,
ao professor, uma nova visão sobre a forma de ensinar. Assim, essa ferramenta, a WebQuest, quando
usada na sala de aula, atualmente, tem como objetivo criar metas para os alunos e enfocar o ensino
de forma que esse se torne efetivo. De acordo com
Dodge (1995a apud TORRES, 2004, p. 231) a utilização dessa estratégia não está limitada a uma área
de conhecimento ou a uma disciplina, pois contém
em si a qualidade de ser interdisciplinar, proporcionando ao professor a liberdade para criar atividades
motivadoras que lhe permitam realizar e fomentar
nos estudantes o pensamento dito “crítico”, deixando para trás a ideia de compreensão mecânica engendrada no ensino tradicional. Chegamos, dessa
forma, ao processo de criação de uma WebQuest,
que deve seguir as seções já pré-estabelecidas por
Dodge para que se obtenha sucesso ao colocá-la em prática. Toda WebQuest é constituída por
cinco ou sete seções a saber: introdução – define
e informa; tarefa – é o resultado final da atividade;
processo – descreve os passos a serem seguidos e
disponibiliza os recursos a serem utilizados; avaliação – explica de que forma será avaliada; conclusão
– recorda o que foi aprendido e motiva a continuar
a aprendizagem, portanto, sua criação deve partir
da determinação de um Tema e propor um Tarefa
como um trabalho de cooperação em que cada
aluno é responsável por determinada parte. Uma
WebQuest bem produzida pode ser utilizada várias vezes, pois a atividade nela descrita poderá ser
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
modo, para cada prática, um papel específico será
desenvolvido. No caso deste trabalho, pretendemos
mostrar primeiro, como tais operações de interação
estão marcadas por essa programação, por esses
papéis, atualizando, na própria prática de construção e leitura da WebQuest, uma forma de interação
programada específica, que reúne papéis e fazeres
didáticos (o professor, o aluno, o aprendiz, o ensino,
a leitura, a aprendizagem, a escrita, etc.). Em segundo lugar, descreveremos a estrutura da WebQuest
para dela depreender as práticas de interação que
as suas sete seções manifestam e a sua programação, que leva o sujeito a um conjunto ordenado de
operações que permitem encontrar a solução de
um problema – que lhe é proposto inicialmente pela
WebQuest – que poderíamos aqui chamar, como
o faz Landowski em suas “Interactions risquées”
(2005), de “algoritmo de comportamento”. Tal
algoritmo, que por fim iremos descrever e analisar,
traduz-se desse modo em um percurso narrativo
estereotipado e recorrente, já que comporta sujeitos que realizam ações de forma sucessiva, apresentando, figurativamente, papéis temáticos que
delimitam semanticamente suas esferas de ação.
Palavras-chave:
 interação programada;
 práticas de interação;
 WebQuest.
REFERÊNCIAS
BARROS, D. L. P. Teoria Semiótica do Texto. São Paulo: Ática, 2005.
DODGE, B. The WebQuest Page. Disponível em: <http://webquest.sdsu.edu/webquest.html> Acesso em: 20/04/2012.
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php>. Acesso em: 20/04/2012.
. Tareotomía del WebQuest: una Taxonomía de Tareas. Disponível em: <http://www.eduteka.org/Tema11.php>. Acesso
em: 22/04/2012.
GREIMAS, A. J.; COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. São Paulo: Contexto, 2012.
LANDOWSKI, E. Interacciones Arriesgadas. Perú: Universidad de Lima, 2009.
TORRES, I. P. Diseño de Webquests para la Enseñanza/Aprendizaje del Inglés como Lengua Extranjera: Aplicaciones en la Adquisición de Vocabulario y la Destreza Lectora. Granada: Editorial Universidad de Granada, 2006.
. English as a Second or Foreign Language. Disponível em: <http://www.isabelperez.com/>. Acesso em: 10/02/2012.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
14
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
A PRESENÇA DIALÓGICA EM SLOGANS
BRASILEIROS DE CERVEJAS DO ANO 2000
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Adriana P. Montesanti (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
15
DA UNIFRAN
femininas se cruzam dialogicamente nesse gênero
discursivo.
O arcabouço teórico será constituído pelas
reflexões e descobertas de Bakhtin (2003) e pelos
estudos de Fiorin (2006), Koch (2009) e Marcuschi (2008). O aporte metodológico consistirá em
analisar aproximadamente dez slogans de cerveja
de 2000 em diante. Essas análises partirão dos
conceitos das principais obras bakthinianas sobre
dialogismo e polifonia e das considerações de estudiosos da obra desse pensador russo bem como
de outros pesquisadores dos gêneros textuais e discursivos. Como material de análise serão coletadas
propagandas de revistas, televisivas e ainda sites
das empresas da marca e das agências de publicidades envolvidas, verificando suas especificidades
ideologias entre outros aspectos. A justificativa
desse trabalho deve-se ao fato de que é necessário
verificar a razão de que há uma presença predominante da figura das mulheres nas propagandas
e de um discurso extremamente masculino sobre
a figura feminina.
Os resultados esperados após análise individual de cada slogan é de observar quais seriam as
possíveis relações dialógicas entre esses slogans
e quais os efeitos de sentido da imagem feminina
construída pelas agências de publicidade e veiculadas pela mídia. Com base nas reflexões de
Bakhtin (2003), é possível descobrir que as vozes
sociais, pela boca dos falantes, vivem em múltiplos e contínuos contatos que constituem uma
imensa teia dialógica chamada de heteroglossia
dialogizada. Nela as vozes sociais se interiluminam,
interpenetram-se, apoiam-se mutuamente, entram
em conflito, contradizem-se, rejeitam-se total ou
parcialmente. É esse tenso embate dialógico que dá
dinamicidade à língua como realidade social vivida.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
O
s slogans midiáticos de cerveja no Brasil
têm conseguido agradar o telespectador e
despertar a curiosidade dos pesquisadores
pela criatividade e originalidade, mas é estimulante
observar o que há subjacente à construção imagética deles e ao texto que eles veiculam. A escolha
pela análise de slogans de cerveja, deste trabalho,
se dará com o objetivo de identificar as construções
discursivas e vozes apresentadas pelas empresas
de cervejas brasileiras veiculadas na mídia do século XX, que nos remete a várias possíveis vozes
arraigadas na ideologia proposta pelas empresas
em conjunto com seus interesses comerciais, fortemente impregnados nestes slogans.
O estudo do corpus se dará na observação
dos aspectos morais, sociais, conceitos, ideologias
e também os objetivos específicos da empresa na
escolha de seus slogans, observando sua atividade
responsiva. As vozes para Bakhtin são o discurso
construído a partir do discurso do outro, que nunca
está concluso, uma vez que nada mais são do que
vozes e sentidos constituídos ou reconstruídos
entre sujeitos. Essas construções e reconstruções
enunciativas são muito evidentes em slogans, despertando assim o interesse em comparar esse
gênero secundário discursivo de um mesmo segmento, que no caso de nosso trabalho será o da
cervejaria. Sobre esse aspecto Bakhtin salienta que
qualquer enunciado considerado isoladamente é,
claro, individual, mas cada esfera de utilização da
língua elabora seus tipos relativamente estáveis de
enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso. As análises dos slogans, ou seja, o
recorte do corpus se dará na escolha de slogans
brasileiros da cervejaria para que se possa também
verificar como se dará a exposição da imagem
feminina, onde as vozes sejam as masculinas e/ou
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
É o que pretendemos comprovar na pesquisa a ser
desenvolvida. Os slogans utilizados neste trabalho
serão os das cervejas: Devassa “Todo mundo tem
um lado Devassa”; Antarctica “Antarctica BOA”;
Kaiser, “Essa é gostosa!; Bavária: Não beba só uma,
Bebavárias, “Para bom bebedor, Meia palavra basta;
Schin “Cervejão”; Brahma: “Refresca até pensamento”; Itaipava “Feita especialmente para você”e Bohemia “O mesmo prazer desde 1953”, para verificar
as marcas dialógicas e polifônicas do slogan e os
efeitos de sentido alcançados. Espera-se com esta
pesquisa analisar o dialogismo em suas diferentes
manifestações presentes nos textos dos slogans de
cerveja para verificar o jogo polifônico das vozes
que se confrontam nesse tipo de construção textual
de apelo popular.
Palavras-chave:
 dialogismo;
 gêneros discursivos;
 slogans brasileiros.
REFERÊNCIAS
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Polifonia,Intertextualidade. 2 ed. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2003. p. 1-9.
BRAIT, B. As Vozes Bakhtinianas e o diálogo inconcluso. In: FIORIN, J. L.; BARROS, D. L. P. (orgs). Dialogismo, polifonia, intertextualidade: em torno de Bakhtin. 2. ed. São Paulo: EDUSP, 2003. p. 11-27.
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CITELLI, A. Linguagem e persuasão. 15. ed. São Paulo: Ática, 2003.
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. Os cem primeiros anos de Mikhail Bakhtin. Tradução Pedro Jor-
gensen Jr. Rio de Janeiro: DIFEL, 2003.
FIORIN, J. L. Introdução ao pensamento de Bakthin. São Paulo: Ática, 2006.
KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do Texto. São Paulo: Cortez, 2002. 168 p.
MEYER, M. A retórica. Tradução Marly PERES. São Paulo: Ática, 2007.
SANDY FAZ PROPAGANDA DA CERVEJA DEVASSA. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=KosFBa3Ku70&feature=related>. Acesso em: 3 nov. 2011.
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III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
16
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
ANÁLISE DA COMPETÊNCIA COMUNICATIVA
DE ALUNOS DO ENSINO SUPERIOR
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Frank Sérgio Pereira (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Naiá Sadi Câmara (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
17
DA UNIFRAN
argumentativa é fundamental na formação do estudante. Assim, com base nas características do perfil
profissional do advogado, por exemplo, podemos
afirmar que a leitura e a interpretação de textos são
fundamentais para o sucesso de um estudante de
Direito, pois para ingressar em qualquer carreira
jurídica, o egresso desse curso deverá possuir uma
excelente competência comunicativa, não somente
para atuar como também para passar por provas,
como é o caso do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, composta de duas fases, uma objetiva
e uma prática em que o candidato deverá demonstrar seus conhecimentos adquiridos ao longo do
curso devendo ler, interpretar e encontrar uma
solução para o caso proposto. Quando o aluno não
sabe como realizar tarefas teoricamente simples
que deveriam ter sido ensinadas nos ensinos fundamental e médio, como a leitura e a interpretação
de textos, surge também a dificuldade de comunicação entre o discente e o docente. Entendemos
por competência comunicativa como a capacidade de ler e produzir textos. Considerando que
essa competência é fundamental para a formação
profissional em todas as áreas do saber, objetivamos verificar as fragilidades dessa capacidade em
textos produzidos por alunos ingressantes de um
curso de Direito de uma universidade particular do
interior do estado de São Paulo a fim de identificar o
grau de letramento desses sujeitos. Segundo Koch
(2006), a competência comunicativa possui três
grandes sistemas de conhecimento sendo: o conhecimento linguístico que abrange o conhecimento gramatical e lexical, os saberes acerca das regras
de funcionamento da língua, no nível fonológico,
morfológico, sintático e semântico; o conhecimento enciclopédico ou conhecimento de mundo que
são os conhecimentos gerais sobre o mundo; e o
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
A
educação, fator primordial para a evolução
do ser humano em todos os aspectos de
sua vida, infelizmente tem sido tratada de
maneira não tão importante quanto deveria ser.
Com as deficiências de aprendizagem apresentadas no decorrer da formação básica, deficiências
essas detectadas pelas várias avaliações: Saresp,
Enem, entre outras, o aluno quando se insere em
uma faculdade apresenta enormes dificuldades
em acompanhar um curso superior uma vez que
este exige competências que deveriam ter sido
desenvolvidas em etapas anteriores. Em um curso
de Direito não é diferente e pelas experiências detectadas por nós enquanto docentes deste curso
há cinco anos, as barreiras que os alunos encontram são, na sua maioria, dificuldades ligadas à sua
formação no ensino fundamental e médio. O aluno
ingressante, para acompanhar o curso de Direito,
não pode dar-se ao luxo de imaginar que irá ler e
estudar somente matérias relacionadas ao mundo
jurídico, mas deverá se adequar ao mundo do saber
num todo. O aluno deverá buscar e construir seu
próprio conhecimento, aprendendo não só a lidar
com o Direito, mas também a ser um profissional
integrado à realidade social em que vive. Em um
curso de Direito há a necessidade de uma visão
ampla e não somente legalista, para que o aluno
possa participar ativamente do processo social
global, deixando de ser um mero técnico vinculado,
exclusivamente, às atividades forenses, aja visto que
em muitos casos, esse profissional precisa estar
preparado para solucionar conflitos de maneira
extrajudicial também. Dentre as habilidades que
devem ser adquiridas no processo de formação
está a habilidade em comunicação. A palavra escrita e falada é o meio pelo qual as partes em conflito
se compõem, portanto, a habilidade de persuasão
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
conhecimento interacional referindo-se às formas
de interação por meio da linguagem englobando
os conhecimentos ilocucional, comunicacional,
metacomunicativo e superestrutural.
Diante desses elementos que compõem a
competência comunicativa entendemos que o fato
de muitos alunos ingressantes não conseguirem
acompanhar um curso superior mais precisamente
um curso de Direito, está relacionado às deficiências
ou dos três níveis ou de um ou outro: conhecimento
linguístico, enciclopédico ou conhecimento interacional. Atualmente, uma grande dificuldade encontrada pelos docentes é em, por exemplo, criar no
aluno uma vontade em conhecer, em ler e entender,
não somente aquilo que lhe é devido, que o interessa momentaneamente, mas que possa ter uma
cultura de mundo. Mas de nada adiantará o aluno
ingressante ter um vasto conhecimento de diversas
áreas e não ter a capacidade de transformar essa
leitura vasta em um texto coerente, pois falta a ele
o básico que é ler e compreender.
Desta forma, partindo do pressuposto que a
competência comunicativa constitui-se na competência base para a formação do sujeito advogado,
acreditamos que identificar as fragilidades dessa
competência em textos produzidos por alunos
ingressantes de um curso de Direito poderá contribuir para a elaboração de projetos que visem a
eliminação dessas fragilidades a fim de promover
uma significativa melhora no desempenho. O corpus deste trabalho, então, será composto de textos
e provas realizadas ao longo do primeiro semestre
na disciplina de Direito Civil I – Parte Geral pelos alunos ingressantes desse curso no ano letivo de 2012.
Palavras-chave:
 competência comunicativa;
 análise de textos;
 ensino superior.
REFERÊNCIAS
BARROS, D. P. de. A comunicação humana. In FIORIN, José Luiz (org.) Introdução à linguística. I. Objetos teóricos. 6. ed. São
Paulo, Contexto, 2011.
KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e compreender - os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
SANTOS, M. do C. O. T. Retratos da escrita na universidade. Maringá: Eduem, 2000.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
18
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
AUTORIA E ORIGINALIDADE NO DESIGN
GRÁFICO A PARTIR DA ANÁLISE DOS
DISCURSOS DO PLÁGIO NA INTERNET
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Ana Márcia Zago (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Fernando Aparecido Ferreira (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
19
DA UNIFRAN
determinar o referencial de competência criativa
dos designers gráficos.
A internet, espaço de interatividade e troca
de conhecimentos, permite a rápida apropriação
de conteúdos, bem como sua modificação, para
fins legais ou não. O plágio nasce da apropriação
ilegal de uma ideia materializada, ou seja, da “reprodução” (total ou parcial) de um projeto não
autorizado e não creditado ao “primeiro autor”. Esta
apropriação, no design, muitas vezes é traduzida
como falta de “originalidade” e de “criatividade”
do “segundo autor”, porém não há uma definição
acerca dos parâmetros que podem levar um trabalho a ser considerado “cópia” de outro, nem onde
devem estar assentados os aspectos originalidade
e criatividade em um projeto de design. Mesmo
os dispositivos legais que tratam deste tema não
estão suficientemente preparados para solucionar
os conflitos que pairam sobre o plágio.
Embora a autoria e o plágio sejam temas abordados de forma recorrente, inclusive na internet, a
exemplo dos casos levantados por esta pesquisa,
tais conceitos nem sempre são tratados de forma
reflexiva. Quando se fala em produção autoral, na
maior parte das vezes os discursos estão diretamente ligados às relações de força e poder entre os
sujeitos que desejam se intitular autores, mas não
há uma discussão acerca dos parâmetros, dos indicadores de autoria que podem tornar tais discursos
“inéditos”. Trazendo esta discussão para a esfera
da comunicação visual, torna-se de suma importância compreender como é entendido o conceito
“autoria”. Este estudo se torna relevante a partir do
momento que permite conhecer os discursos sobre
o plágio na internet e seus efeitos de sentido, propondo-se a refletir e contribuir para a construção
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
L
evando em conta que o plágio tem sido uma
preocupação de âmbito geral, já que pode
ocorrer em praticamente todas as áreas de
atuação, inclusive no ambiente acadêmico, muitos
são os debates acerca desta prática, especialmente
pelos sujeitos que utilizam a internet como espaço
para publicação e/ou promoção dos seus trabalhos: profissionais de design gráfico, que produzem
representações visuais diretamente ligadas a aspectos como a estética da forma, a funcionalidade,
a inovação e a originalidade criativa. Como estes
profissionais são valorizados pelo caráter inédito
dos discursos visuais produzidos, torna-se relevante
entender como são construídos os conceitos de
autoria, de plágio e de originalidade, o que acontece
neste trabalho com o auxílio da Análise do Discurso.
Esta pesquisa busca investigar os efeitos de
sentido dos discursos do plágio e da autoria no
design, tomando por corpus algumas matérias,
notícias e comentários feitos pelos leitores que as
acompanharam, em casos de grande destaque
nos cenários nacional e internacional e que foram
postadas em endereços eletrônicos tais como o
do portal UOL, Yahoo, site do Clube de Criação de
São Paulo e da versão digital da revista Exame. Os
referidos casos compreendem os seguintes projetos de design: a campanha Happy Drive, criada pela
Agência de Publicidade Africa para promover o
carro Grand Vitara, da marca Suzuki (2011); o logotipo desenvolvido para representar as Olimpíadas
2016 do Rio de Janeiro (2010/2011); e a ilustração
“oficial” criada para homenagear o empresário
Steve Jobs, fundador da Apple, na ocasião de sua
morte (2011). Por meio das análises, pretende-se verificar como o conceito de originalidade se constrói
nesses discursos, bem como se este conceito pode
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
dos conceitos de originalidade e criatividade como
indicadores de autoria no design gráfico.
Esta pesquisa está embasada na abordagem
teórico-metodológica da Análise do Discurso francesa e seus fundamentos. Dentro deste vasto campo de estudos, serão mais trabalhados os conceitos
desenvolvidos por Michel Foucault, que permitem
compreender a autoria enquanto fenômeno complexo, conceituado como um modo de existência
no tempo e no espaço no qual o autor se apaga
para dar ensejo à “função autor” que circula no interior dos discursos, tendo em vista que discursos
por sua vez são desejados e temidos ao mesmo
tempo, já que dizem respeito às relações de saber
e poder que dirigem as sociedades.
Embora a internet, seja um local de interação,
de publicação, apropriação e modificação de conteúdos de forma instantânea, também é um espaço
que permite reflexões sobre as práticas discursivas
do plágio. Tais práticas podem funcionar ativamente para a construção dos conceitos de originalidade
e criatividade no design gráfico, que por sua vez
são fundamentais para estabelecer parâmetros de
identificação do que pode ou não ser considerado
como apropriação indevida. Além disso, as práticas
discursivas acerca da autoria e do plágio podem
colaborar para o aperfeiçoamento dos mecanismos
que os devem disciplinar, beneficiando a todos os
profissionais que desenvolvem atividade inventiva
e autoral.
Palavras-chave:
 plágio;
 autoria;
 discurso.
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DA UNIFRAN
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SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
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LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
21
DA UNIFRAN
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III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
BRAIT, B. As Vozes Bakhtinianas e o diálogo inconcluso. In: FIORIN, J. L.; BARROS, D. L. P. (orgs). Dialogismo, polifonia, intertex-
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
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em Comunicação) – Faculdade de Comunicação Social, PUCRS.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
22
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
CONCEITOS RETÓRICOS – ARGUMENTATIVOS
PRESENTES EM TEXTOS DIDÁTICOS DE
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
COMUNICAÇÃO EM ENFERMAGEM
Adilson Pereira Teodoro (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
23
DA UNIFRAN
à condição de indivíduo humano, o cuidador técnico precisa dominar conhecimentos específicos,
que o capacitem ao exercício do diálogo com os
utentes sob seus cuidados. Um diálogo que diríamos profissional, próprio do fazer cotidiano de
enfermagem, que conduza ao atendimento pleno
das necessidades tanto do técnico cuidador quanto
das expectativas do paciente. Neste ponto voltamos nosso olhar para a formação profissional dos
agentes cuidadores, antes de chegarem ao mercado de trabalho e como o processo comunicativo é
tratado durante essa fase. Não se trata de examinar
currículos ou ementas e contabilizar disciplinas que
abordem a temática; propomos uma pesquisa sobre as obras que são reconhecidas como didáticas
ou como indicações de leitura complementares
(livros, revistas especializadas, teses acadêmicas
entre outras) no ensino de comunicação em enfermagem, retirando delas aquilo que é prescrito
como modelo de interação eficaz e produtoras da
qualidade pretendida durante o atendimento.
A partir de análises destes fragmentos queremos ir além da afirmação óbvia de que a comunicação é o ponto central na terapia dos pacientes
hospitalizados, pretendemos mostrar a presença
de conceitos próprios das ciências da linguagem
que sugerimos fossem mais bem aproveitados na
capacitação dos futuros cuidadores. Utilizaremos
para tanto como sustentação teórica para a análise pretendida os conceitos oriundos da teoria da
retórica de base aristotélica, sobretudo a teoria
da argumentação, presentes em estudos que se
fundam nela como em Perelman e Tyteca, Meyer,
Abreu, Citelli, entre outros. Nosso objetivo primeiro
é identificar a presença desses conceitos linguísticos nos fragmentos em análise e observar em que
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
H
istoricamente conhecida e destacada como
a ciência do bem cuidar, a enfermagem tem
como um de seus pilares a qualidade na
atenção dispensada aos clientes, sobretudo àqueles que se encontram hospitalizados. Trata-se de
uma busca incessante através dos tempos que
caminha junto com o reconhecimento da atividade
e da permanente evolução técnico-científica. Esta
qualidade na atenção é tanto melhor quanto maior
for o conhecimento obtido junto ao cliente/paciente
a ser cuidado. Desta forma a interação cuidador-paciente torna-se fundamental na determinação
das práticas que poderão ser adotadas para o atendimento das demandas deste paciente, bem como
no tipo de relação que será estabelecida entre os
agentes envolvidos no processo terapêutico. É imprescindível, para que haja trocas entre cuidador e
paciente, tanto para o primeiro, na sua necessidade
de julgamento e definição do estado clínico, quanto
para o segundo, na expectativa de bom atendimento e reestabelecimento da sua saúde, que a
comunicação seja eficiente. Consequentemente, o
domínio de habilidades comunicativas é imperativo
para o profissional cuidador de saúde, haja vista a
constância das relações comunicativas que se estabelecem. O profissional cuidador de enfermagem
na sua necessidade de obtenção de informações
corretas sobre o estado clínico de seu paciente
precisará empreender um processo de reciprocidade e cooperação mútua, e só desta forma existirá
confiabilidade nas informações passadas de parte
a parte. Isso implica então em quanto o cuidador
está preparado para exercer ativamente o papel
de condutor da interlocução que necessariamente
se estabelecerá. Assim, compreendendo que mais
do que a simples habilidade comunicativa inerente
SELINFRAN
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
24
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
sentido contribuem para melhor interação entre
técnico cuidador e paciente. E por considerarmos
a argumentação um dos principais veículos de
acesso à realidade do indivíduo a ser tratado analisaremos os aspectos persuasivos presentes na fala
a ser utilizada pelos profissionais. Embora não se
constitua como linha principal deste trabalho, pretendemos ainda pesquisar a presença de disciplinas
que tratem especificamente da temática da comunicação nos currículos das principais instituições
formadoras de profissionais de saúde.
Este trabalho é embasado na dissertação de
mestrado que apresentaremos para qualificação
e que está em fase de desenvolvimento, porém já
podemos apresentar a título de indicação do rumo
que estamos tomando. O fragmento que segue, foi
extraído do livro “A comunicação nos diferentes
contextos da enfermagem” da autora Maguida
Costa Stefanelli:
“No intercâmbio de mensagens que se processa, o enfermeiro tem de conhecer o repertório
do paciente, sua bagagem cultural e de vida, ou
seja, entre outros elementos, seu vocabulário, seu
linguajar, sua escolaridade, sua origem e suas expectativas, para que o significado das ideias veiculadas no processo de comunicação possa tornar-se comum. Com isso, o profissional estará apto a
oferecer elementos ao paciente para que consiga
reestruturar suas ideias, analisar suas crenças e
seus valores, suas atitudes e seu comportamento
e engajar-se conscientemente em um processo de
mudança (...).”
O trecho acima comporta vários conceitos
abrigados pela Teoria retórica em momentos diversos e em teóricos diferentes, entretanto para
cumprir o objetivo a que se propõe este resumo associaremos a este fragmento a teoria dos auditórios
de Perelman que afirma que “ para argumentar é
preciso ter apreço pela adesão do interlocutor, pelo
seu consentimento, pela sua participação mental.”
E ainda “o mínimo indispensável à argumentação
parece ser a existência de uma linguagem comum,
de uma técnica que possibilite a comunicação.”
Classificamos assim, para efeito didático, o enfermeiro do texto como sendo o orador que pretende
e necessita convencer/persuadir seu auditório (particular), aqui representado pelo paciente admitido
em internação a aceitação da terapia e uma consequente mudança de comportamento.
O contexto hospitalar é demasiado fértil de
relações passíveis de análise retórica , assim como
na maioria dos espaços onde existam pessoas interagindo, porém consideramos este um espaço de
interações comunicativas especiais, haja vista que
os motivos que levam um indivíduo a um hospital
são quase sempre contrários a sua vontade. Isso
por si só já faz do técnico cuidador um orador diferenciado e com necessidade de domínio amplo da
competência comunicativa.
Palavras-chave:
 retórica;
 texto didático;
 enfermagem.
REFERÊNCIAS
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LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
DA CLAUSURA À LOUCURA: ANÁLISE SEMIÓTICA DO
CONTO “CASA TOMADA”, DE JULIO CORTÁZAR
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Edna Aparecida R. da Silva (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Matheus N.Schwartzmann (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
25
DA UNIFRAN
“fosse um dom inato, e não algo que se cultiva e
desenvolve”. Esta pesquisa é, portanto, relevante,
pois traz à tona a análise de uma produção discursiva e salienta a democratização da depreensão dos
efeitos de sentido produzidos no conto por meio
de um projeto teórico científico e não apenas de
um projeto intuitivo. O presente trabalho propõe
analisar as construções figurativa e passional da
loucura no espaço de reclusão que se constrói no
conto “Casa tomada”, do livro Bestiário, de Cortázar,
de 1951.
O suporte teórico desta pesquisa são os estudos sobre a Teoria Semiótica realizados principalmente por Greimas (1973), Greimas e Fontanille
(1993), Floch (2001), Bertrand (2003), Barros (2001,
2005), Fiorin (1999, 2007, 2008), Greimas e Courtés (2008).
A dissertação está desenvolvida em cinco
capítulos nomeados respectivamente em: Teoria
Semiótica: os precursores, Constituição da Linguagem e percurso gerativo de sentido, Enunciação e
paixão, Julio Cortázar: o autor e Análise do conto
“Casa tomada”.
No conto, os irmãos, de modo metódico, gradativamente abandonam uma existência exterior
para viver e valorizar o interior da casa. Dedicando
a maior parte do dia a atividades de organização
do imóvel, os irmãos assumem uma forma de vida
perturbadora, uma vez que criam um sistema severo de limpeza e manutenção da ordem da grande
casa, único espaço de debate e embate desses dois
adultos solitários. Essa limitação e esse sofrimento
solitário são o ponto chave dos estados de alma
dos sujeitos, pois é justamente o enclausuramento que desencadeia o conflito modal presente no
conto. Isso quer dizer que a gradação e reiteração
das emoções a que as personagens estão subme-
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
E
m 5 de agosto de 2005, o então presidente
Luís Inácio Lula da Silva promulgou a Lei nº
11.161 que dispunha sobre a obrigatoriedade
da oferta do Espanhol pelas escolas de Ensino
Médio. A inclusão do Espanhol no currículo do
Ensino Médio respondia à necessidade de assegurar melhores condições de inserção dos jovens na
sociedade atual. O processo de integração regional
e a afirmação dos valores culturais dos países ibero-americanos foram, também, pontos determinantes
para justificar o estudo de outro idioma na grade
curricular, tendo em vista o cenário internacional.
Nesse contexto político e pedagógico, diversas universidades se movimentaram na tentativa de
formar professores de Espanhol aptos a trabalhar
com o idioma. Desse modo, os cursos de Letras
voltaram-se também ao estudo da Literatura Hispano-americana. E é nesse cenário que nasce a história desta dissertação, pois Julio Cortázar, escritor
argentino, apareceu, então, como um dos autores
em potencial que permitiria uma análise cuidadosa
e minuciosa de sua obra. Essa identificação com
o autor se deu pela temática que aborda no livro
“Bestiário”, em especial no conto “Casa tomada”. A
solidão e o desassossego metafísicos nos instigaram a pensar sobre a forma do conteúdo do conto
e em como essas sensações eram, portanto, nele
construídas.
Nesta dissertação parte-se do pressuposto de
que na literatura há um problema de linguagem e,
por isso, a teoria semiótica é um suporte eficiente
para analisar o conto. A semiótica, enquanto a teoria do discurso, permite-nos uma análise pautada
em um projeto teórico de análise discursiva, eliminando o propósito de que para analisar um texto
é preciso ter “sensibilidade” ou “talento” apenas,
como se a análise, como diz Fiorin (1999, p.09),
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
tidas revela um desequilíbrio entre o querer-ser e o
poder-ser. As personagens vivem, portanto, uma
rotina muito rígida dedicada exclusivamente à casa,
como se ela, embora um ser inanimado, tivesse
vida e fosse capaz de determinar os modos de
ação dos seus moradores. O conto é desenvolvido
sob um tom de mistério, criando em seu interior
um forte clima de expectativa e suspense os quais
desencadeiam estados afetivos nos sujeitos; ou
seja, durante o percurso narrativo, o ator principal,
o irmão, aponta informações sobre seu estilo de
vida exótico, revelando comportamentos estereotipados – manias, medos, angústias, obsessões
– que nos permitem pensar em uma isotopia da
loucura. Essa loucura é marcada inicialmente por
um estado de desesperança que vai, no entanto, no
decorrer do conto, intensificando-se de modo que
gera outros estados passionais nos sujeitos. Assim,
esta análise buscará mostrar como o enunciador do
conto constrói a sua própria identidade, a da irmã e
a da própria casa, a partir das coerções do espaço-tempo em que vivem, e como as transformações
dos sujeitos estão diretamente ligadas às ideias de
loucura e sanidade, realidade e irrealidade, de exterioridade e interioridade que parecem circundar
todo o texto.
Palavras-chave:
 semiótica;
 paixão;
 loucura.
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III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
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SHAW, D. Nueva narrativa hispanoamericana. Madrid: Cáte Dr.ª 1988.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
DE CINDERELA A LULUZINHA – DISCURSOS
E REPRESENTAÇÕES DE ADOLESCENTES
NA REDE SOCIAL TUMBLR MANIFESTADAS
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
NA LEITURA E NA ESCRITA
Michelle Aparecida P. Lopes (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Maria Regina Momesso (Oientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
27
DA UNIFRAN
deixavam transparecer o romantismo dos contos
de fadas, síndrome de “Cinderela”, do sonho com
o príncipe encantado, do encontro com o par perfeito. O amálgama entre essas visões distintas do
perfil feminino é o ‘fio de Ariadne’ dessa pesquisa.
Com essa linha condutora levantaram-se assim
várias questões, a saber: Qual imagem tem de si as
jovens garotas nesse limiar do século XXI? Como
percebem o mundo ao seu redor? Quais leituras
escolhem para se expressar? Como dão vozes a
si mesmas na rede? Que perfis escolhem para si?
Como se identificam e como pretendem ser identificadas pelo outro? Mediante as concepções pecheutianas no que tange as formações imaginárias, e nas
contribuições de Foucault sobre tecnologias de si,
pode-se observar que as publicações do Tumblr
funcionam como um poderoso objeto de estudo da
identidade juvenil por espelharem práticas leitoras
e manifestarem discursos carregados de sentido.
Com esse olhar entende-se a rede social Tumblr como uma das tecnologias da contemporaneidade que possibilitam ao sujeito criar para si uma
identidade que lhe satisfaça e agrade ao outro. O
sujeito projeta uma imagem de si mesmo baseada
na necessidade de pertencer, ainda que temporariamente, ao grupo que escolhe. Dessa projeção
de si mesmo e do outro emergem discursos marcados pela (re)significação e por novos sentidos
desenvolvidos a partir do confronto do ‘eu’ com
os demais. Interessam à pesquisa as leituras feitas
pelo sujeito porque, na visão discursiva, considera-se o sujeito leitor como produto de sua história de
leitura, e as suas leituras realizadas como resultado
de sua história como sujeito social. A Sociologia
é uma coadjuvante desse estudo à medida que
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
O
bjetiva-se investigar a constituição da identidade de adolescentes entre 12 e 15 anos,
sexo feminino, estudantes da rede particular de ensino da cidade de São Sebastião do
Paraíso-MG, mediante a perspectiva da Análise do
Discurso de linha francesa embasada nos preceitos
de Michel Pechêux e Michel Foucault. O corpus
escolhido é a rede social Tumblr, e estão sendo analisadas as postagens a partir de maio de 2011. Ao ser
criado, em 2007, pelo americano David Karp, essa
rede buscou aliar o que havia de mais prático em
outras ferramentas combinando assim várias possibilidades de publicação, desde textos, sem limite
de caracteres, até vídeos e imagens. Como ocorreu
com todas as suas similares, o Tumblr rapidamente
tornou-se popular e querido. No Brasil, também se
disseminou depressa atingindo um público de todas as idades, mas especialmente por adolescentes
que o usam para se representarem socialmente.
Pode-se dizer que essa pesquisa iniciou-se de uma
grande curiosidade da autora que percebeu em
suas alunas certa empolgação pela ferramenta.
As jovens relataram que estavam usando o Tumblr
como um diário pessoal no qual podiam escrever
sobre si mesmas e sobre tudo que lhes acontecia.
Ao conhecer a plataforma e tornar-se seguidora de suas alunas diversos questionamentos
passaram a intrigar a autora já que as postagens
acompanhadas evidenciavam uma mescla de universos femininos um tanto contraditórios: se de um
lado as meninas buscavam mostrarem-se como
mulheres desse tempo, verdadeiras “Luluzinhas”
independentes, inteligentes, teimosas e donas de
si, a imagem da autossuficiência, por outro, muitas frases, imagens, versos e trechos de música,
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
as reflexões de Hall e Bauman sobre identidade
e sociedade contemporânea contribuem para se
conceber a identidade feminina segundo a óptica
da ambivalência como o resultado de um processo
de interação entre os indivíduos e as diversas leituras de seu cotidiano.
Palavras-chave:
 discurso;
 leitura;
 identidade feminina.
REFERÊNCIAS
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III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
28
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
“DRACONIANO”: A CONSTRUÇÃO DE UMA
IDENTIDADE PASSIONAL EM A ELITE DA TROPA 2
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Leandro Rodrigues Doroteu (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Matheus N. Schwartzmann (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
29
DA UNIFRAN
fortemente perceptível na sociedade e os discursos
apaixonados que são repetidos em outros contextos sociais, remetendo sempre à obra.
Ao construir a narrativa, o autor narrador inicia
manifestando a paixão da nostalgia, trata da honestidade e da desonestidade de policiais (papéis ligados à paixão da ambição) e chega a um estado de
ressentimento e cólera. Dessa forma, se apresenta
como um sujeito altamente afetado pelas paixões
ou patemizado, como nos mostra Barros (1990,
p. 47) “as paixões entendem-se como efeitos de
sentido de qualificações modais que modificam o
sujeito de estado”. A análise mostrará justamente a
mudança de estado do sujeito durante a narrativa.
Trata-se de uma obra literária em que a ficção
e a vivência pessoal dos escritores manifestam ao
público paixões restritas, até então, ao convívio
entre policiais. A novidade como essas informações reais foram apresentadas em forma de ficção
contribuíram para que a obra pudesse ser classificada como um best seller brasileiro, contagiando e
influenciando a sociedade.
A aplicação da Teoria semiótica das Paixões
foi eleita para servir como base para o estudo da
obra pelo fato de ser uma teoria da significação que
procura dizer o que o narrador (e mesmo o ethos
autoral complexo do nosso caso, dividido em diversas obras) diz e qual o percurso que ele cria para
conseguir dizer o que diz. Importante destacar que
não se trata de tentar desvendar o real interesse
dos autores escritores, pois a aplicação da teoria
busca alcançar o resultado obtido com os efeitos
de sentido empregados.
A metodologia adotada é a de revisão bibliográfica com construção de um referencial teórico
e aplicação das teorias postuladas através de análises realisadas no corpus. As análises têm por base
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
O
presente trabalho pretende aplicar os pressupostos teóricos da semiótica francesa,
mais especificamente da semiótica das
paixões postulada por A. J. Greimas e J. Fontanille
e também desenvolvida D. Bertrand, para o estudo do nosso corpus, formado por trechos do livro
Elite da Tropa 2. A obra apresenta trechos onde há
a narração de histórias e, entre as histórias, trechos
em que se simulam postagens na rede social Twitter,
que será o real foco das análises. A aplicação da
mencionada teoria que se ocupa da significação
pretende mostrar como o autor narrador se utiliza
de recursos discursivos para construir uma identidade passional.
O discurso apresentado no livro é um discurso
carregado de paixão, única no gênero até então,
pois é a apresentação do discurso policial mostrado
pela primeira vez, como a crítica disse, “de forma
genuína”. No entanto, cabe aqui, de início, uma
importante distinção entre discurso apaixonado
e discurso da paixão proposta por Greimas: enquanto o discurso apaixonado foca na enunciação,
o discurso da paixão foca no enunciado, que é o
objeto de estudo do presente trabalho (GREIMAS;
FONTANILLE, 1993).
A característica do corpus – simular o Twitter
– sujeita o enunciador a expressar todos os seus
sentimentos em postagens de 140 caracteres, algo
reproduzido pela obra impressa com fidelidade,
desde o layout adotado pela rede social. O livro
onde o corpus se situa faz parte de um conjunto
que inclui um documentário que inspirou posteriormente dois filmes e dois livros. A proposta dos
autores é apresentar narrativas com uma linha muito tênue entre ficção e realidade, o que certamente
contribuiu para a sua classificação como best seller
brasileiro, e justifica a influência cultural que ficou
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
métodos formulados e explicados no referencial teórico como o percurso gerativo do sentido e o quadrado semiótico e o esquema passional canônico.
Palavras-chave:
 semiótica;
 identidade passional;
 Twitter.
REFERÊNCIAS
BARROS, D. L. P. de. Teoria Semiótica do Texto. São Paulo, Ática, 1990.
BATISTA, A. FERRAZ, C. PIMENTEL, R. SOARES L.E. Elite da tropa 2. Rio de janeiro, Nova Fronteira, 2010.
BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Tradução de Ivan Carlos Lopes et al.Bauru, EDUSC, 2003.
FIORIN, J. L. (org.). Introdução à linguística I – objetos teóricos. 2ed. São Paulo, Contexto, 2003.
. Sendas e veredas da semiótica narrativa e discursiva. Delta, v. 15, n. 1, São Paulo,fev./jul. 1999.
. Semiótica das Paixões: O ressentimento Alfa, v.51 (1): 9-22, São Paulo, 2007.
FONTANILLE, J. Semiótica do discurso. São Paulo, Contexto, 2007.
GREIMAS. A. J. FONTANILLE, J. Semiótica das paixões: dos estados de coisas aos estados de alma. Tradução de Maria José
Rodrigues Coracini. São Paulo: Ática, 1993.
; COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. Tradução de Alceu Dias Lima et al. São Paulo, Contexto, 2008.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Disponível em: <http://houaiss. uol.com.br/busca.jhtm>. Acesso em:
05 set. 2007.
SAUSSURE, F. de. Curso de linguística geral. 15ª ed. São Paulo: Cultrix, 1989.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
30
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
EDITORIAS DE MODA, PRÁTICAS DISCURSIVAS
E EFEITOS DE SENTIDO: UM OLHAR SOBRE
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
A HARPER’S BAZAAR BRASIL
Orlando Aparecido Cabrera (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Fernando Aparecido Ferreira (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
31
DA UNIFRAN
leitoras, explicitando qual a relação entre os discursos apresentados e quais efeitos de sentido eles
revelam.
Inicialmente pretende-se apresentar um breve
panorama das publicações de moda no Brasil, no
intuito de compreender o papel das revistas de
moda na cultura, do século passado aos dias de
hoje, e suas características discursivas. Como corpus, recortamos as cartas editoriais, as matérias e as
imagens presentes na revista Harper’s Bazaar Brasil,
em suas primeiras edições no país (novembro de
2011 a maio de 2012). Os resultados preliminares
apontam práticas discursivas e de representação
que idealizam a leitora da revista: criando efeitos
de sentido de uma mulher que escolhe e dita sua
própria moda, não se permitindo influenciar pelas
práticas discursivas da revista. O discurso conferido
nas cartas editoriais inicia-se numa interlocução entre editoria e leitoras em tom intimista, que parece
condensar em uníssono em seu discurso a voz da
editoria e de suas leitoras, revelando, em contrapartida, uma tensão com relação aos discursos das
demais seções da revista.
Observa-se que as “dicas” propostas às leitoras revelam uma prática discursiva prescritiva de
tendências e referências imagéticas que acabam
por criar modelos, restringindo a liberdade e a
autonomia que a revista diz, em seus editoriais,
reconhecer em suas leitoras. Para Foucault, a compreensão que temos de nós mesmos como pessoas
capazes de efetuar escolhas livres e autônomas é,
ela própria, uma construção que nos permite ser
governados. A questão do poder assume, com
Foucault, a posição de um instrumento de diálogo
entre os indivíduos de uma sociedade, dessa for-
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
A
presente pesquisa tem por objeto de estudo a revista Harper’s Bazaar Brasil – ao lado
da Vogue, uma das duas melhores publicações de moda no mundo –, mais especificamente
suas seis primeiras edições. Este recorte foi eleito
em face de as primeiras edições da revista revelar
de forma mais explícita sua identidade e a dinâmica
discursiva por ela proposta. No mercado há aproximadamente 150 anos, a revista foi criada a partir do
modelo de uma publicação alemã – a Der Bazar –,
cujo diferencial com relação às revistas americanas
consistia especialmente na alta qualidade gráfica
das ilustrações de moda. Desde a primeira edição
(1867), tornou-se mais sofisticada, elaborada, ganhou um segundo “a” no título e passou a determinar as tendências. Como ponto de partida, a análise
do corpus volta-se às cartas editoriais e à relação
entre os seus discursos e os das demais seções da
revista. Suas edições fazem dos discursos, verbais
e imagéticos, produzidos por seus editores, fotógrafos e stylists lendários, a referência para leitoras
que buscam o pertencimento, ou seja, o estar em
dia com o universo da moda.
Diante do exposto, objetiva-se analisar as práticas discursivas presentes na revista, que tratam
de moda e estilo para mulheres com atitude, bem
como verificar quais efeitos de sentido tais práticas
produzem em suas leitoras.
Centrada no aporte teórico-metodológico
da Análise do Discurso francesa, bem como nos
estudos foucaultianos sobre práticas discursivas,
relações de saber e poder e tecnologias de si, esta
pesquisa concentra-se em analisar como a revista
cria uma imagem de si, enquanto publicação de
moda, e como projeta uma identidade para suas
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
ma, o sujeito utiliza-se da moda como um meio de
enquadramento e aceitação em um determinado
grupo, porém ao mesmo tempo buscando uma
forma de se colocar em evidência. Este é o grande
paradoxo em que a moda se insere: a eterna busca
pela individuação, enquanto persiste a necessidade
de o indivíduo ser igual aos seus pares. Ao propor
ou sugerir uma tendência, o discurso presente na
revista oferta às suas leitoras uma falsa sensação
de liberdade de escolha, e ao mesmo tempo cria a
possibilidade de inserção. O que responde ao fato
de sermos dóceis com relação ao poder, enquanto
o seu veículo atua como agente e instrumentador
de imposição. Para o filósofo, o cuidado de si apareceria aqui como uma forma de conversão ao
poder, ou seja, um modo de exercer uma espécie
de controle sobre ele.
Palavras-chave:
 discurso;
 moda;
 revista.
REFERÊNCIAS
ALI, F. A Arte de Editar Revistas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.
BAUMAN, Z. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.
CORRÊA, T. So. A revista no Brasil. São Paulo: Abril, 2000.
FERNANDES, C. A. Análise do Discurso, reflexões introdutórias. São Carlos: Claraluz, 2008.
FOUCAULT, M. O que é um autor? Nova Vega (Portugal): ARTIPOL-Artes Tipográficas, 2006.
GAMA, G. O. Ética e cuidado de si: uma possibilidade de resistência em Foucault. Buenos Aires. Revista Digital, Ano 14, n. 139,
dez. 2009.
GREGOLIN, M. do R. Foucault e Pechêux na analise do discurso – diálogos & duelos. São Carlos: Claraluz, 2004.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
32
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
ESCRILEITURAS DE ADOLESCENTES DO
ENSINO TÉCNICO NO FACEBOOK
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Claudete Bosshard(Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Maria Regina Momesso (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
33
DA UNIFRAN
procurar modificar uma visão cristalizada a respeito
de como a sociedade vê o sujeito dentro de determinado grupo social. Assim, devido a interatividade
entre os usuários do Facebook ser vivenciada de
forma rápida e expressiva, o ato passivo da leitura
transforma-se numa atividade participativa de
um movimento parcial ou total de leitura-escrita e
escrita-leitura o leitor/usuário assume a identidade
de um escrileitor (wreader) e constrói um perfil de
representação a partir das suas ideias, angústias,
expectativas, perspectivas e identificações com
pessoas, com ideologias e as próprias escrileituras
que ele indica, tais como, citações de livros e autores importantes para si ou de letras de músicas
que o envolvem ou de ainda relatos e notícias de
seu cotidiano e suas opiniões sobre tudo isso. De
acordo com Foucault (2006), é a própria alma que
se constitui naquilo que escreve.
Ademais, nas redes sociais são formadas comunidades que ficam conectadas umas às outras
em busca de novas informações, novos conhecimentos ou outros assuntos de objetivos comuns
(RECUERO, 2009). Para Chartier (1997) as práticas
de leitura e escrita se modificam de acordo com o
suporte que as materializa, sendo assim essa pesquisa se justifica na medida em que sua proposta
é analisar práticas escrileitoras pouco conhecidas
– tendo em vista que a ocorrência se dá fora da
escola, num ambiente virtual – e por acreditar que
tais práticas podem interferir dentro da escola. Esta
pesquisa faz parte da dissertação de mestrado em
andamento cujo objetivo é analisar discursivamente
as representações das práticas escrileitoras entre os
usuários da rede social do Facebook.
O recorte do corpus da pesquisa foi feito nas
postagens do período de maio a agosto de 2012
retiradas das homepages de alunos de um colé-
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
E
sta pesquisa faz parte da dissertação de
mestrado em andamento, cujo objetivo é
analisar discursivamente as representações
das práticas escrileitoras entre os usuários da rede
social Facebook – e está sendo desenvolvida dentro
do Projeto Observatório da Educação 2010 intitulado “Linguagens, códigos e tecnologias: práticas
de ensino de leitura e de escrita na educação básica – ensino fundamental e médio”, chancelado
pela CAPES/INEP/OBEDUC. Com a implantação
das novas TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação nos espaços da educação tecnológica,
também as redes sociais instalaram-se todo vapor
no cotidiano acadêmico dos jovens. Seu uso é significativo entre eles.
Uma rede social é uma estrutura composta
por pessoas ou organizações, e a base se dá num
espaço onde o usuário indica questões relacionadas às suas atividades acadêmicas, profissionais,
sociais, culturais, entretenimento, ou qualquer outra informação que queira compartilhar com um
grupo de pessoas. Nesse ambiente, encontram-se
os mais diversos discursos de apresentação de si
ou de representação de si para os amigos virtuais.
Entende-se que as redes sociais constituem um ambiente propício para a livre expressão do sujeito no
que concerne aos seus modos de ver, sentir, ouvir,
falar e até se representar para si mesmo e para o
outro. Pelo jogo das leituras escolhidas e da escrita
assimiladora realizada pelo sujeito, Foucault (2006)
entende que deve tornar-se possível formar para si
próprio uma identidade através da qual se lê uma
genealogia espiritual inteira.
Nessa perspectiva, nas redes sociais, tem-se
uma dinâmica constante de encontrar estratégias
discursivas que possam levar a um trabalho de
pensar em si ou de modificar-se ou até mesmo de
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
gio de ensino médio profissionalizante situado no
interior de São Paulo, escolhidos aleatoriamente
entre os amigos virtuais desta pesquisadora com
os alunos da referida instituição. O aporte teórico
metodológico é a perspectiva da Análise de Discurso Francesa (AD) derivada de Michel Pêcheux. As
ideias de Michel Foucault também serão utilizadas
para as questões da subjetividade, mais especificamente o que tange a “escrita de si”. Para trabalhar
as práticas de leitura na contemporaneidade o
estudo assenta-se ainda nos conceitos reflexões
de leitura de Eni Orlandi e Roger Chartier. Para
as questões da contemporaneidade e do sujeito
abordaremos os conceitos na perspectiva sociológica de Bauman que tratam das relações sociais
na sociedade líquido moderna. Para as questões da
virtualidade serão utilizados os autores Pierre Levy
e Raquel Recuero. Em Hall, analisaremos o deslocamento da noção de subjetividade resultante de
um complexo de processo de forças de mudança,
que, por conveniência, pode ser sintetizado sob
o termo de globalização e outros estudiosos que
possam contribuir.
Os resultados preliminares apontam, aparentemente, para uma prática escrileitora superficial,
proveniente de uma leitura fragmentada e sem
profundidade no conteúdo, que revelam um sujeito
cuja leitura está pautada em sínteses ou apenas em
pequenas citações daquilo que mais gostou.
Palavras-chave:
 escrileitura;
 adolescente;
 rede social.
REFERÊNCIAS
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
BRANDÃO, H. N. Introdução à análise do discurso. 7. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1998.
CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador. Trad. Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes. São Paulo: Unesp/
Imprensa Oficial, 1998.
FERNANDES, C. A. Análise do discurso: reflexões introdutórias. 2ª edição. São Carlos: Claraluz, 2008.
FOUCAULT, M. O que é um autor? Trad. António Fernando Cascais e Eduardo Cordeiro. 6ª Ed. Lisboa: Nova Veja, 2006.
. A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009.
. A ordem do discurso. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. 20ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2010.
GREGOLIN, M. do R. Foucault e Pêcheux na análise do discurso: diálogos e duelos. 3ª ed. São Carlos: Claraluz, 2007.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 11ª ed. Rio de Janeiro:
DP&A, 2006.
LÉVY, Pierre. O que é o virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo: Ed. 34, 1996.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
34
. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Ed. 34, 1999.
ORLANDI, E. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 5ª ed. Campinas: Pontes, 2007.
. Discurso e leitura. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2008.
. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 8ª ed. Campinas: Pontes, 2009.
. (org,) A leitura e os leitores. 2ª ed. Campinas: Pontes, 2003.
PÊCHEUX, M. Discurso: estrutura ou acontecimento. Trad. Eni Puccineli Orlandi. 3ª ed. Campinas: Pontes, 2002.
RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2010.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
INTERTEXTUALIDADE E DIALOGISMO NO
ROMANCE 50 ANOS DEPOIS, DE CHICO XAVIER
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Márcia Regina Bregagnoli (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
35
DA UNIFRAN
linguística e literária verificar como se dá o dialogismo em um romance com as características peculiares a uma obra literária de cunho espírita e a sua
organização como texto romanesco. Compreender
o universo espírita dentro do universo literário é a
recriação estética de ações, estruturas dentro de
uma outra proposta existencial, dentro de um outro
real. Ao mesmo tempo em que permanece verossimilhança, a semelhança entre esse outro mundo e
o mundo real tem que haver um salto de compreensão para aceitar o que acontece. No romance
estudado, há uma complexificação em relação à
autoria, na questão da enunciação do romance. Em
Bakhtin (1993) o objeto estético inclui o criador, no
caso do romance espírita, esse criador/autor está
propondo que ele é só o escritor, que tem uma voz
anterior que realmente criou aquele universo.
Do ponto de vista linguístico o autor manipula
a linguagem de forma a criar uma entidade superior,
um personagem que convença o leitor da existência
de um universo paralelo, de um universo extrassensorial. Do ponto de vista ético-religioso o escritor/
instrumento é um ser encarnado e o autor é uma
entidade espiritual que por meio da psicografia,
escrita feita por um médium sob a influência direta
de um espírito desencarnado, transmite à narrativa.
O leitor é quem dará a significação da leitura. Para
aqueles que leem o romance, sendo Chico Xavier
o autor, darão à obra o valor de uma ficção, já os
que aceitam Emmanuel como autor o verão como
uma revelação.
O analista da linguagem estética deve lidar
com as palavras e não com as crenças do autor ou
do leitor, se houver alguma crítica para estabelecer
algum critério de verdade em relação a qualquer
religião já estaremos no nível do pré-conceito, conceitos outros em relação ao conteúdo da obra. Os
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
O
presente trabalho tem como proposta
analisar os conceitos de intertextualidade
e dialogismo na leitura do romance espírita
50 anos depois, de Emmanuel, psicografado por
Chico Xavier. O embasamento teórico serão os
conceitos bakhtinianos da enunciação (BAKHTIN,
1993), que vincula o homem à linguagem tornando-o um ser sócio-histórico. Tais conceitos permitirá
uma reflexão sobre a língua e sobre a linguagem
com maior profundidade, admitirá um desvelamento dos mecanismos linguísticos que arquitetam
a recriação de um universo paralelo. O romance
como objeto cultural complexo tem influência de
tudo que predomina num determinado contexto,
de todos os campos do conhecimento. Dessa relação, surge o dialogismo que permite ao homem
instituir-se como um sujeito dotado de alteridade e
intersubjetidade. O sujeito constitui-se a si mesmo
no reconhecimento do outro.
O estudo da linguagem incorporada ao social
ocorre também em textos literários, pois esses são
constituídos por meio de um conjunto de fatos que
se manifestam e adquirem significação e são escolhidos de um modo determinado pelo autor, a fim
de criar uma nova realidade para que o homem real
possa apreendê-la e tentar modificar as estruturas
de sua sociedade. A arte não vai criar a verdade
de alguma coisa, mas ela vai permitir escavar essa
verdade. Assim, esta investigação terá como suporte teórico-metodológico, além das reflexões de
Bakhtin (1993) os princípios da Linguística Textual,
especialmente nos trabalhos de Koch (2006) para
analisar a organização textual do romance, para
explorar a resiginificação da fábula por meio da
dinâmica entre a superfície e a profundidade, a
expressão e o conteúdo.
Espera-se com este trabalho de investigação
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
textos atraem o leitor à medida que provocam nele
um verdadeiro choque de reconhecimento, levando-o a reconhecer-se no texto naquilo que ele traz
de valores e mensagens. Assim, leitor competente
é o que consegue perceber no texto as diferentes
vozes que nele estão presentes e o diálogo que ele
trava com outros textos.
Palavras-chave:
 intertextualidade;
 dialogismo;
 50 anos depois.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Questões de literatura e estética: a teoria do romance. São Paulo: Hucitec, 1993.
. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1997.
CASTILHO, J. A. A literatura espírita: seu estudo e sua divulgação. Capivari: Editora EME, 1994.
KOCH, I. G. V. Introdução à Lingüística Textual: trajetória e grandes temas. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
. Desvendando os segredos do texto. 4a.. ed. São Paulo: Cortez, 2002
. O Texto e A Construção do Sentido. Campinas, SP: Contexto, 1997.
SOBRAL, A. Do dialogismo ao gênero: as bases do pensamento do círculo de Bakhtin. Campinas: Mercado de Letras, 2009.
XAVIER, F. C. 50 anos depois. Rio de Janeiro: FEB, 1989.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
36
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
LEITORES E AUTORES DO BLOG DO FOLHATEEN:
ADOLESCENTES COMO SUJEITOS DISCURSIVOS
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
PROMOVENDO A ESCRILEITURA
Danilo Vizibeli (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Maria Regina Momesso (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
37
DA UNIFRAN
das condições de produção dos discursos selecionados, identificando tais práticas e a função-autor
presentes nesse espaço.
A hipótese de pesquisa versa que o adolescente tem suas histórias de leituras, mas que não
condizem com o modelo canônico escolar, porém
as práticas escrileitoras são profícuas e podem ser
exploradas pela escola. A utilização das redes sociais e blogs propicia uma leitura que transparece
o desejo da busca do poder e da totalidade dos
controles. A esse respeito Chartier (1998) postula
que há um sonho em que todas as pessoas de todo
o mundo controlarão os discursos e as leituras que
circulam, ou seja, há o sonho do universal que se
conquista por meio das publicações daquilo que
é particular.
A proposta teórica para esta pesquisa parte
do eixo principal dos Estudos Linguísticos, contemplando a Análise do Discurso de Linha Francesa
(AD), referenciada em Michel Pêcheux e Michel
Foucault. Serão mobilizados diversos conceitos
importantes como autoria e interdiscursividade
e utilizando do arcabouço teórico foucaultiano
procurar-se-á compreender as relações de poder
e saber que se dão nesse espaço discursivo virtual,
as técnicas de si utilizadas na construção da subjetividade adolescente em questão, os micropoderes
instaurados e as formações discursivas que marcam o jogo ideológico no Blog do Folhateen, jogo
este ora polissêmico ora parafrástico.
O levantamento bibliográfico inclui além de
Michel Pêcheux e Michel Foucault autores como Eni
Orlandi, Françoise Gadet, Tony Hak, Jean-Jacques
Courtine, Maria do Rosário Gregolin e Cleudemar
Alves Fernandes para questões do discurso. No
que diz respeito às práticas escrileitoras, vale-se dos
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
A
dentra-se à blogosfera e abrem-se múltiplas possibilidades de práticas discursivas
e principalmente de práticas de escrileitura.
Muitos leem para transformar o mundo e outros
escrevem para ter voz e deixar suas marcas no
universo real e virtual. Partindo dessa temática, o
estudo apresentado aborda as práticas escrileitoras
de adolescentes de 13 a 18 anos no Blog do Folhateen (http://blogdofolhateen.folha.blog.uol.com.br).
A cibermídia em questão é um espaço escrito por
um grupo de apoio da Folha de São Paulo, como
complemento à versão impressa do Folhateen,
tabloide semanal que acompanhou este que é um
dos maiores jornais de circulação no Brasil até novembro de 2011, quando deixou de circular e passou
a ser uma coluna dentro do caderno Folha Ilustrada.
Sendo assim, as postagens no Blog do Folhateen também foram suspensas, mas o conteúdo publicado permanece on-line até hoje. Diante
desse quadro, por perceber ser o blog um cenário
permeado das práticas discursivas dos adolescentes, a pesquisa continuou. Alguns veículos de
comunicação divulgaram como sendo o motivo “o
fato dos adolescentes não lerem” e é esse jargão
que perpassa nossa problematização. A pesquisa
resultará na dissertação de mestrado que está
sendo desenvolvida dentro do Projeto Observatório da Educação 2010: “Linguagens, códigos
e tecnologias: práticas de ensino de leitura e de
escrita na educação básica – ensino fundamental e
médio”, chancelado pela CAPES/INEP/OBEDUC. O
objetivo geral é analisar os discursos sobre leitura
e escrita contidos em textos publicados pelos adolescentes no blog. Pretende-se também verificar os
efeitos de sentido provocados por essas práticas
e os gestos de interpretação. Parte-se da análise
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
estudos de Roger Chartier e outros historiadores
da temática. Sobre as questões da contemporaneidade e da virtualidade utilizam-se os autores
Stuart Hall, Zygmunt Bauman, Pierry Levy e Raquel
Recuero. O recorte do corpus foi feito entre as publicações do período de 1º de janeiro a 30 de novembro de 2011. Entre as publicações desse período
foram escolhidas aquelas que tratam das temáticas
relacionadas a livros, filmes e músicas. Selecionados
os textos a análise será feita usando o referencial
teórico acima citado numa abordagem qualitativa.
Os resultados preliminares apontam para uma
grande diversidade de textos que se aproximam
do gênero “resenha”. Os textos se assemelham à
estrutura argumentativa solicitada pelas provas
dos vestibulares, mas ao mesmo tempo é um texto
híbrido seguindo-se o padrão jornalístico com a característica da objetividade, sem perder, entretanto,
a subjetividade adolescente. São textos marcados,
portanto, pelo processo escrileitor nas redes sociais.
Em posts já analisados intitulados como “Não sou
este tipo de garota”, “Os livros de Mary Hogan”,
“Meu primeiro livro” e “Trocando letras com Paula
Pimenta” percebe-se o movimento da posição-autor ora assumida, ora não, pelos adolescentes,
gestos de interpretação e as representações discursivas sobre leitura e escrita manifestadas em
diferentes formações discursivas. Apresentam-se
regularidades nas práticas de leitura que são percebidas no Blog do Folhateen. O recorte do corpus
mostra o movimento do adolescente na construção
não só de sua identidade, mas também do seu discurso. Pois, podemos salientar que é pelo discurso
enquanto manifestação maior da linguagem, que o
sujeito se constitui.
Palavras-chave:
 discurso;
 escrileitura;
 cibermídia.
REFERÊNCIAS
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
BLOG DO FOLHATEEN. Disponível em: <http://blogdofolhateen.folha.blog.uol.com.br/>. Acesso em: 19 ago. 2012.
BRANDÃO, H. N. Introdução à análise do discurso. 7. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1998.
CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador. Trad. Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes. São Paulo: Unesp/ Imprensa Oficial, 1998.
COURTINE, J-J. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. Trad. Cristina de Campos Velho
Birck et. al. São Carlos: EdUFSCar, 2009.
FERNANDES, C. A. Análise do discurso: reflexões introdutórias. 2ª edição. São Carlos: Claraluz, 2008.
FOUCAULT, M. O que é um autor? Trad. António Fernando Cascais e Eduardo Cordeiro. 6ª Ed. Lisboa: Nova Veja, 2006.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
38
. A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009.
. A ordem do discurso. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. 20ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2010.
GADET, F.; HAK, T. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Trad. Bethania S. Mariani.
4ª ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2009.
GREGOLIN, M. do R. Foucault e Pêcheux na análise do discurso: diálogos e duelos. 3ª ed. São Carlos: Claraluz, 2007.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 11ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
LÉVY, P. O que é o virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo: Ed. 34, 1996.
. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Ed. 34, 1999.
ORLANDI, E. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 5ª ed. Campinas: Pontes, 2007.
. Discurso e leitura. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2008.
. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 8ª ed. Campinas: Pontes, 2009.
. (org,) A leitura e os leitores. 2ª ed. Campinas: Pontes, 2003.
PÊCHEUX, M. Discurso: estrutura ou acontecimento. Trad. Eni Puccineli Orlandi. 3ª ed. Campinas: Pontes, 2002.
. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Puccineli Orlandi et. al. 4ª ed. Campinas: Editora da
Unicamp, 2009.
RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2010.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
LER E COMPREENDER GÊNEROS TEXTUAIS
NO ENSINO FUNDAMENTAL
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Clemilda Felix Correa (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Naiá Sadi Câmara (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
39
DA UNIFRAN
constituição do corpus selecionamos produções de
textos realizadas pelo aluno do 9º ano. Utilizaremos
nas propostas de redação, textos de diferentes gêneros com a finalidade de verificarmos o grau de
apreensão do mesmo. Serão empregadas nas atividades uma crônica: ‘’Piscina’’ de Fernando Sabino,
um texto jornalístico: ‘’Reservas falham na proteção
de espécies’’, um texto literário: ‘’Uma galinha’’ de
Clarisse Lispector e um clipe: ‘’Racismo É burrice’’de
Gabriel, o pensador.
Foi selecionado o último ano do ensino fundamental, porque entendemos que é o fechamento de
ciclo, da formação do ensino básico, que prepara
o aluno para continuar os estudos em níveis mais
avançados. Com elas a nossa intenção é verificar
quais são as habilidades e competências que a
escola conseguiu transmitir. Tendo em vista que
um sujeito leitor competente é aquele capaz de
inserir-se na sociedade e no mundo do trabalho
como transformador do meio por intermédio do
conhecimento, também adquirir conhecimentos
de valores éticos e universais.
Acreditamos que os resultados de nossa pesquisa poderão auxiliar os professores, em especial o
de língua portuguesa, a utilizarem nas suas práticas
pedagógicas estratégias de leituras que facilitarão
a aprendizagem do aluno na busca da compreensão de diversos gêneros textuais que circulam na
sociedade contemporânea. Para Bakhtin (2006),
os gêneros são, pois, tipos de enunciados relativamente estáveis, caracterizados por um conteúdo
temático, uma construção composicional e um
estilo. Falamos sempre por meio de gêneros no
interior de uma dada esfera de atividade. Cada gênero textual tem suas particularidades que exigem
do leitor o uso de estratégias diferenciadas para
realizar a compreensão com sentido, como afirma
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
D
e acordo com os parâmetros curriculares
(1997) é função da escola, em todas as disciplinas, sobretudo da disciplina de Língua
Portuguesa, promover a formação de um sujeito
letrado, ou seja, todo o currículo deve ser organizado para possibilitar a realização de um trabalho
concomitante que contribua para a construção de
um leitor com habilidades e competências que lhe
permitam realizar práticas de leituras de diferentes
tipos de textos construídos por diferentes linguagens e gêneros na sociedade atual. Entretanto,
atualmente, observamos uma grande defasagem
e dificuldade na construção da competência leitora
do aluno do ensino fundamental e consequentemente no ensino médio. Este fato pode ser identificado nos resultados dos diferentes instrumentos
de avaliação utilizado no país, tais como: SARESP,
PROVA BRASIL e ENEM. A fim de verificarmos as
causas desse problema, realizaremos, em nosso
projeto de mestrado, uma pesquisa com o objetivo
de analisar o processo de ensinoaprendizagem da
competência leitora do aluno da escola pública
estadual da cidade de Franca.
Com essa pesquisa, acreditamos que é possível identificar as potencialidades e as fragilidades da competência leitora dos alunos do ensino
fundamental a partir de atividades de práticas de
leitura de diferentes gêneros textuais. A metodologia utilizada será descritiva e reflexiva com base
nas concepções teóricas da Linguística Textual.
Segundo Koch (2006), a leitura é um processo de
construção de sentidos que necessita de estratégias sociocognitivas que são divididas em três sistemas de conhecimento: conhecimento linguístico
(gramatical e léxico); conhecimento enciclopédico
(o de mundo); e conhecimento interacional (formas de interação por meio da linguagem). Para a
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Marcuschi (2008) que a apropriação de sentido
nunca e definitiva e completa.
Assim os gêneros textuais podem liberta o sujeito da sua ignorância em cada texto. Potencializa-o em conhecimentos que favorecem a aquisição
de aprendizagem nova em diferentes fases da vida,
promove uma relação harmoniosa entre as pessoas com quem convive a partir das suas diferenças
sociais, culturais e ideológicas, bem como o ajuda a
resolver os problemas do mundo de forma reflexiva
e crítica. Também possibilita que o sujeito seja um
ser discursivo.
Palavras-chave:
 competência leitora;
 aprendizagem;
 gêneros.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa / Secretaria de Educação
Fundamental. – Brasília, 1997.
BRAIT, B. (Org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas: Ed. Da Unicamp, 1997.
DUCROT, O. Princípios de semântica linguística: dizer e não dizer. São Paulo: Cultrix, 1977.
FIORIN, J. L. Introdução ao pensamento de Bakhtin. São Paulo: Atica, 2006.
KATO, M. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1985.
KLEIMAN, Â. Leitura: ensino e pesquisa. Campinas, São Paulo: Pontes Editores, 2004.
KOCH, I. V; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006.
ROGER, C. Práticas de leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
40
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
O CASO DA APRENDIZAGEM DA LÍNGUA
INGLESA: O EFEITO DAS PAIXÕES ARISTOTÉLICAS
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
SOBRE AS TEORIAS MOTIVACIONAIS
Sinelle Duarte (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
41
DA UNIFRAN
de que aprender uma língua estrangeira é um tipo
de conhecimento que só o adquire quem assim o
deseja. Buscam um aprendizado desse tipo apenas
indivíduos que encontram motivos para fazê-lo, sendo que seu domínio não constitui um conhecimento
inevitável para a vida dos sujeitos de um modo geral.
Segundo o autor, um aluno motivado não é apenas
o que exprime um desejo de aprender, mas aquele
que, além disso, mantém-se focado em um objetivo,
demonstrando sentimentos que podem ser classificados como positivos por serem considerados
adequados à situação de aprendizagem. Um aluno
motivado é, portanto, aquele em que paixões adequadas, de acordo com o meio situacional, que neste
caso é representado pelo ambiente escolar, estejam
sendo despertadas. Dessa forma, essas paixões tendem a agir
como estimulantes da motivação e a motivação
desempenha, nesse processo, o papel de um agente catalisador da aprendizagem. Sendo assim atribuída a importância das paixões despertadas no
ambiente escolar e a relevância da motivação que
um aluno apresenta para que a aprendizagem de
uma língua estrangeira se efetive, o presente estudo
pretende analisar a correlação entre essas paixões
despertadas nos alunos e o nível de motivação
apresentado por eles durante o aprendizado da
língua inglesa. Sabemos que o aprendizado do
inglês e a língua inglesa em si despertam paixões diversas nos alunos e, por esse estudo, pretendemos
verificar se essas paixões acabam por influenciar a
motivação que os alunos possuem frente ao aprendizado da língua.
Portanto, a fim de rastrear a presença das paixões nos aprendizes desse idioma, neste trabalho,
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
A
ristóteles, instigado pelo entendimento
das reações humanas frente aos diferentes discursos, postulou que as paixões são
sentimentos que alteram as pessoas de tal modo,
que as fazem diferir seus julgamentos. Algumas
das paixões por ele elencadas são: o medo, o amor,
a calma e a emulação. Sabendo-se que em toda
interação comunicativa paixões diversas são suscitadas, o mesmo acontece quando tratamos das
interações que ocorrem no ambiente escolar. Em
toda situação de ensinoaprendizagem paixões
distintas são despertadas em cada aprendiz de
modo que esse aluno varie seus julgamentos, e
essa mudança pode apresentar como resultado um
efeito positivo ou negativo para a aprendizagem.
Conforme a paixão provocada em cada aprendiz,
ela pode vir a servir como um meio de estímulo ao
aprendizado, incentivando-o a querer cada vez
mais aprender, ou pode ainda distanciar esse aluno
da aprendizagem. Uma mesma paixão pode provocar efeitos distintos no sujeito por ela tomado, não
havendo assim paixões positivas ou negativas, mas
sim paixões adequadas à situação comunicativa e
que possam levar os interactantes à identificação.
Para que a aprendizagem se concretize, Gardner;
Lambert (1972) advogam que se faz necessária a
junção de quatro componentes, e que, na ausência
de um deles, a aprendizagem se torna falha. Um
desses componentes é a motivação, daí a sua importância para o processo de ensinoaprendizagem.
Em seus estudos, Gardner (2007) expõe a relevância da motivação, sobretudo no que concerne ao
aprendizado de uma língua estrangeira.
Essa especificidade da motivação referente ao
aprendizado de uma segunda língua se deve ao fato
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
propomo-nos a analisar redações escritas por dois
grupos de alunos adolescentes: o primeiro grupo é
constituído por alunos que frequentam um curso de
idiomas, e o segundo, por alunos que têm acesso ao
ensino da língua somente no ambiente escolar, na
escola de ensino regular. Os discentes pertencentes a esse primeiro grupo encontram-se nos níveis
básico, intermediário e pré-avançado da escola de
idiomas, já os estudantes provenientes da escola de
ensino regular são alunos que estão cursando do
6.º ao 9.º anos. A constituição desse corpus se deu
de forma que nos possibilitasse confrontar essas
duas realidades de ensino a partir das redações nas
quais os alunos puderam expressar o papel que o
aprendizado do inglês exerce em suas vidas assim
como os sentimentos que esse idioma é capaz de
suscitar neles.
De posse desses dados, torna-se factível identificar a interferência que as paixões que foram e
ainda são provocadas no estudante exercem na
sua motivação para o aprendizado da língua. Para
a análise desses textos far-se-á uso da teoria da
Argumentação e da Retórica por meio da análise
das paixões segundo Aristóteles e também de um
estudo realizado a partir da visão de autores como
Gardner, Harmer e Lightbown e Spada que tratam
da motivação na aprendizagem de uma segunda
língua. Com este estudo, pretende-se atingir uma
compreensão mais abrangente do conceito de motivação na aprendizagem de uma língua estrangeira
a partir das reflexões ocasionadas pelo estudo das
paixões despertadas no aprendiz ao longo desse
processo.
Palavras-chave:
 língua inglesa;
 paixões;
 motivação.
REFERÊNCIAS
ARISTÓTELES. Retórica. Tradução de Marcelo Silvano Madeira. São Paulo: Rideel, 2007. (Coleção Biblioteca Clássica).
. Retórica das paixões. Prefácio de Michel Meyer; introdução, notas e tradução do grego: Isis Borges B. da Fonseca.
São Paulo: Martins Fontes, 2003.
GARDNER, R. C. Motivational variables in second-language acquisition. 1960. 70 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – McGill University.
. Motivation and second language acquisition. Porta Linguarum, University of Western Ontário, n. 8, p. 9-20, 2007.
; LAMBERT, W. E. Attitudes and motivation in second-language learning. Rowley: Newbury House Publishers, 1972.
HARMER, J. How to teach English. Edinburgh: Longman, 1998.
LIGHTBOWN, P. M.; SPADA, N. How languages are learned. New York: Oxford University Press, 2006.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
42
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
O DISCURSO PEDAGÓGICO NOS CURSOS
DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Sumaya Florence T. da Silva (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Naiá Sadi Câmara (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
43
DA UNIFRAN
da linguagem, ou seja, pela seleção de recursos
lexicais, fraseológicas e gramaticais da língua, mas
acima de tudo de sua construção composicional.
(Tripé bakhtiniano, todo gênero tem uma função e
uma forma, estilo e conteúdo). Cada enunciado particular é individual, mas cada campo de utilização
da língua (apostila) elabora seus tipos relativamente
estáveis de enunciado, os quais denominamos Gêneros do Discurso.
Composição: a forma que a apostila é organizada, como as informação são dispostas, o padrão
gráfico incluindo ilustrações;
Tema: conforme Câmara é o mesmo em todas as suas manifestações, já que todos versam
sobre um ensinamento de um programa de curso.
As variações serão determinadas pelos contextos
específicos de cada nível de aprendizagem, de
cada disciplina, instituição, e, sobretudo pelo tipo
de gênero, entre outros fatores;
Estilo: escrita informal.
Gêneros são formas textuais escritas ou orais
de acordo com Bakhtin (2010, p. 155). “Todos os diversos campos da atividade humana estão ligados
aos usos da linguagem. Compreende-se perfeitamente que o caráter e as formas desse uso sejam
tão multiformes quanto os campos da atividade
humana” (BAKHTIN, 2010, p. 261). O discurso pedagógico do material objetiva atender o perfil do
aluno. O estudo de gênero não é novo, o que é novo
é a forma de abordagem que esse gênero vem a
estabelecer na atual abordagem. Devemos nos reportar a Brait quando cita Bakhtin do ponto de vista
do dialogismo, trazendo para a nossa pesquisa, se
analisa a polifonia presente no EAD que resulta de
gêneros discursivos acolhidos pela diversidade da
linguagem manifestada no discurso pedagógico no
formato apostilado que passa a ser um gênero por
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
N
ossa proposta é apresentar os resultados
parciais de nossa pesquisa sobre Gênero
Pedagógico utilizado no material instrucional de uma Universidade particular em nível de
graduação para a modalidade EAD. Considera-se
a multiplicidade de gêneros discursivos, presentes
no ensino a distância, tais como a livros, apostilas,
enfim, um conjunto composicional que determinam
o processo educacional. Nossa analise embasa no
material organizado por professores/autores que
é disponibilizado como fonte de aprendizagem
viabilizando o conhecimento. Para descrever e analisar essa espécie de gênero didático-pedagógico
recorremos a aportes teóricos de Bakhtin (2010),
Marcuschi (2008) e outros. A metodologia adotada
é a análise de material didático pedagógico e método dedutivo bibliográfico.
Nos anos 1960 nasce o ensino a distância.
Caracterizado por possuir forma mais célere e de
baixo custo, atende a uma população geograficamente dispersa, em especial as localidades periféricas, elimina o ensino corpo a corpo, presença do
tutor/professor, ou seja, um mediador do processo
ensinoaprendizagem, possibilitando uma educação
em que o contato aluno/professor é mediado pela
tecnologia do computador e acesso a internet, entre outras facilidades.
Nasce um novo tipo de comunicação designado por Marcuschi como “A comunicação medida
por computador (CMC) (tecnologia computacional)”. O Gênero surge para atender as diferentes
atividades discursivas. Todas as áreas da atividade
humana estão ligadas ao uso as linguagem. O emprego da língua efetua-se em forma de enunciado
(orais e escritos) concretos e únicos. Esses enunciados refletem as condições específicas e as finalidades não só por seu conteúdo temático e pelo estilo
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
abarcar a multiplicidade de vários gêneros e não
um suporte, mas sim um novo gênero. A riqueza e
a diversidade dos gêneros do discurso são infinitas
porque são inesgotáveis as possibilidades da multiforme atividade humana e porque em cada campo
dessa atividade é integral o repertório de gêneros
do discurso, que cresce e se diferencia à medida
que se desenvolve (BAKHTIN, 2010, p. 262).
O gênero didático-pedagógico presente no
discurso educacional, segundo Marcuschi, [...] “entende-se como o domínio discursivo em uma esfera
da vida social ou institucional (jurídica, pedagógica..., etc.) na qual se dão práticas que organizam
formas de comunicação e respectivas estratégias
de compreensão” (MARCUSCHI, 2008, p. 194). O
discurso exerce uma relação de poder. No domínio
discursivo, não lidamos com textos, mas sim com
formações históricas e sociais que se originam os
discursos (com variáveis). Os gêneros não são entidades formais, mas sim entidades comunicativas
em que predominam os aspectos relativos a funções, propósitos, ações e conteúdos (MARCUSCHI,
2008, p. 159).
Segundo Câmara (2012), O Gênero Discursivo
Pedagógico pode então ser definido como um conjunto de textos cujo objetivo é instruir e determinar
as doutrinas e métodos que devem ser seguidos no
processo de ensino e aprendizagem, no domínio
discursivo educacional.
Ainda dentro da conceituação fornecida por
Câmara (2012) a apostila é gênero cuja construção
composicional estabelece o maior distanciamento
com o discurso de referência, estabelecendo a “diluição” do conteúdo;
Ao final pretendemos demonstrar que não é
um suporte e sim um gênero didático pedagógico
porque responde a necessidade da característica
do aluno na especialidade graduação/pós-graduação atende a necessidade sociocomunicativas de
uma esfera específica de um determinado campo.
Palavras chave:
 discurso;
 gêneros;
 pedagógico.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
BRAIT, B. Bakhtin Conceitos – Chave. São Paulo: Contexto, 2007.
CÂMARA, N, S. O gênero didático-pedagógico: uma caracterização. UNIFRAN - Observatório da Educação; UNI-FACEF.
Franca-SP.
FARACO, R. Linguagem e Diálogo as ideias linguísticas do círculo de Bakhtin. Curitiba: Criar, 2006.
KOCH, I, V; ELIAS, V, M. Ler e compreender os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2011.
MAIA, M, C, R, A. A formação de um novo gênero do discurso: caderno didático da Universidade Aberta do Brasil. 2012. 76 f.,
Dissertação (mestrado em linguística) – Universidade de Franca, Franca- SP.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
44
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
O ESPETÁCULO SEMIÓTICO: “A HORA E VEZ
DE AUGUSTO MATRAGA”, O DIÁLOGO ENTRE O
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
TEXTO DRAMÁTICO E O TEXTO LITERÁRIO
Fabrício Floro e Silva (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
45
DA UNIFRAN
ber religioso, é quem delega a competência ao ator
protagonista na busca de seu novo objeto valor: a
absolvição de seus pecados. Lembremos que Matraga tivera uma formação religiosa e se desvirtuara, portanto, havia nele um crer relacionado à esfera
religiosa que reaviva, após o período de sofrimentos
e perda do sentido de sua vida pregressa. Recuperado, torna-se um sujeito virtual que quer alcançar
a salvação. Nessa fase conhece o ator Joãozinho
Bem-Bem, que é tido por todos como sujeito perigoso, cruel e severo, Nhô Augusto tem novamente
o destino alterado e o tema da violência sertaneja
reaparece nos dois textos: o literário e o dramático
com o surgimento de Joãozinho Bem-Bem ocorre
um confronto de valores, pois de um lado temos
esse ator com sua ética violenta, mesmo que faça
uso da injustiça, e do outro lado, Nhô Augusto e sua
crença e ética cristã.
Assim, o objetivo central de nosso trabalho
é analisar o texto teatral, segmentando-o e comparando cenas que nele se apreendem a cenas
do texto literário, para observar de que forma se
processa tal diálogo intertextual. Já os objetivos
específicos são:
• analisar quais estratégias enunciativas
são utilizadas pelo enunciador teatral para
fazer crer no texto enunciado e em que
medida ele dialoga com as estratégias
utilizadas pelo enunciador rosiano;
• analisar o nível discursivo dos dois textos,
observando as identidades e diferenças
que se estabelecem entre suas isotopias
temáticas e figurativas;
• analisar a sintaxe discursiva dos dois textos, observando o modo de projeção de
atores, espaço e tempo nos dois textos;
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
N
ossa pesquisa tem por objetivo analisar o
diálogo que se processa entre “A hora e vez
de Augusto Matraga”, adaptação teatral do
diretor Antunes Filho, conto de João Guimarães
Rosa, e o texto rosiano do mesmo nome, publicado
na obra Sagarana. Utilizaremos como arcabouço
teórico a Semiótica Francesa e levaremos em conta
o percurso gerativo de sentido para recuperar, no
conto de Rosa, especialmente os níveis narrativo e
discursivo com o objetivo de analisar de que maneira esses elementos do texto de base se manifestam
na versão teatral da obra.
O conto rosiano tem como protagonista um
ator que é nomeado de três formas diferentes:
como Matraga, Augusto Esteves e Nhô Augusto;
assumindo identidades distintas que se associam
às diferentes fases de um mesmo sujeito na história. Assim, no início do conto, o ator é projetado no
papel temático de fazendeiro que herdou terras
e bens financeiros do pai e por isso ele sentia-se
superior e maltratava a esposa e a filha, além de
submeter seus capangas a crimes e desmandos.
Entretanto, esse poder foi se perdendo de acordo
com as dívidas que acumulava. Dessa maneira,
ocorre uma reviravolta no conto, pois, cansados
da prepotência de Augusto, mulher e filha o abandonam e seus capangas, para se libertarem dele,
oferecem seus préstimos a seu inimigo, o Major
Consilva. No entanto, mesmo sozinho, Nhô Augusto
dominado pelo desejo de vingança enfrenta o inimigo e inicia-se uma luta desigual em que Matraga
é praticamente massacrado.
Nhô Augusto, contudo, não morre, mas entra
em disjunção com a saúde, bens e a família, e passa,
como sujeito de estado, a ser cuidado por um pelo
casal de pretos e por um padre que, dotado do sa-
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
•
analisar o cartaz da peça com o objetivo de observar de que maneira figuras
e temas, manifestados no texto verbal,
permanecem no texto visual, observando
ainda as relações semissimbólicas que se
apreendem no texto visual.
Para isso, estamos escrevendo um capítulo
sobre o arcabouço teórico utilizado, a semiótica
francesa, voltando-nos especialmente para o modo
como a semiótica concebe o diálogo intertextual.
Esboçamos também algumas análises de cenas
dos dois textos que apresentamos em congressos.
Palavras-chave:
 semiótica;
 Guimarães Rosa;
 Antunes Filho.
REFERÊNCIAS
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BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Bauru: EDUSC, 2003.
COUTO, R. C. A hora e vez de Augusto Matraga e Duelo: um estudo semiótico de contos de Sagarana. Franca: Dissertação
(Mestrado em Linguística), UNIFRAN, 2008.
BARROS, D.L.P.; FIORIN, J.L F. (orgs.) Dialogismo, Polifonia, Intertextualidade. São Paulo: EDUSP, 1994.
GALVÃO, W. N. Mitológica rosiana. São Paulo: Ática, 1978.
GREIMAS, A.J. Du Sens II. Paris: Seuil, 1983.
GEORGE, D. Grupo Macunaíma: carnavalização e mito. São Paulo: Perspectiva, 1990.
GUIMARÃES, C. Antunes Filho: um renovador do teatro brasileiro. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1998.
MILARÉ, S. Hierofania: o teatro segundo Antunes Filho. São Paulo: Edições SESC SP, 2010.
NASCIMENTO, E. M. F. S.; COVIZZI, L M. João Guimarães Rosa: Homem Plural Escritor Singular. São Paulo: Atual, 1988.
ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
46
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
O ETHOS DISCURSIVO DO APÓSTOLO PAULO
MANIFESTADO NA II EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Carlos Cesar Silveira (Mestrado/UNIFRAN)
Prof.a Dr a. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
47
DA UNIFRAN
acordo com o mesmo teórico, é constituído pelo
ethos de potência, de caráter, de inteligência, de
humanidade, de chefe e de solidariedade. Esses
ethos que compõem o ethos de identificação vão
sendo construídos discursivamente à medida que
Paulo vai se identificando com seu auditório. Para
cada ethos citado por Charaudeau apresentaremos
um texto extraído da II epístola aos Coríntios que
o manifesta. Cremos que esta pesquisa seja plenamente justificável, pois, além do apóstolo Paulo ter
se tornado um líder de grande influência dentro do
meio religioso, o ethos discursivo aqui estudado
vem ocupando um papel de grande importância
para as pesquisas atuais. Entre as várias cartas escritas por Paulo encontradas na bíblia (Romanos,
I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossensses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito e
Filemon), selecionamos como corpus do presente
trabalho a II epístola de Paulo aos coríntios. Nessa
carta Paulo fala de sua experiência com Deus e de
seu relacionamento com a igreja de Corinto, procurando orientá-la contra as mensagens (heresias)
pregadas pelos falsos mestres.
A escolha desse corpus se deu pelo fato da II
epístola aos Coríntios ser uma carta em que Paulo
se revela como um homem que possui um discurso
merecedor de créditos, apresentando diferentes
facetas de sua personalidade. Para reiterar nossa
escolha, lembramos as palavras de Meyer que
nos recorda que a palavra ethos, além de estar
relacionada à ética e ao caráter, para os gregos
significava também a personalidade, os traços de
comportamento e a escolha de vida e dos fins. Nosso arcabouço teórico compreenderá os diferentes
estudos a respeito da constituição do ethos a partir
dos estudos retóricos.
Para isso, fundamentaremos nosso trabalho
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
A
bíblia, como um dos pilares da literatura
universal, tem no apóstolo Paulo um de
seus mais relevantes escritores. Para que
entendamos melhor quem foi Paulo é fundamental
que antes de tudo conheçamos um pouco de suas
origens, suas influências culturais e políticas, pois o
ethos discursivo que Paulo constrói em seus discursos tem estreita ligação com a experiência cultural
que ele obteve durante sua vida. Pertencente a
uma família judaica e com grande influência greco-romana, Paulo desde a sua infância recebeu uma
séria formação religiosa e filosófica, tornando-se,
assim, um dos maiores líderes dentro do cristianismo e sendo considerado, por muitos estudiosos,
um dos principais oradores do início da era cristã,
se não o maior. Até os dias de hoje seus discursos
têm despertado o interesse de pesquisadores de
áreas diversas.
Diante da importância que o discurso de Paulo e o ethos ocupam para a pesquisa moderna,
o presente trabalho, à luz dos estudos retóricos,
tem como objetivo analisar o ethos discursivo do
apóstolo Paulo manifestado na II epístola aos Coríntios. Salientamos que nossa análise será baseada
nas palavras de Patrick Charaudeau, para quem o
ethos está ligado ao exercício da palavra, ou seja,
ao processo discursivo que o orador vai construindo ao longo de seu discurso. Começaremos nossa
pesquisa analisando o ethos de credibilidade que,
de acordo com Charaudeau, é constituído pelo
ethos de sério, de virtude e de competência. A
credibilidade que Paulo conquista por parte dos
membros da igreja de Corinto é o resultado da
construção discursiva que ele gerencia em seus
discursos, se apresentando como homem sério,
virtuoso e competente. Em seguida Paulo constrói
em seu discurso o ethos de identificação que, de
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
em autores como: Aristóteles, Michel Meyer, Ruth
Amossy, Ekkehard Eggs, Galit Haddad e Patrick
Charaudeau. Para atingir os objetivos propostos, o
presente trabalho apresenta a seguinte organização
metodológica: pesquisa bibliografica de abordagem qualitativa numa extensão argumentativa e
retórica. Até o presente momento os resultados são
preliminares, pois o trabalho ainda se encontra em
fase de análise.
Palavras-chave:
 ethos;
 texto bíblico;
 apóstolo Paulo.
REFERÊNCIAS
AMOSSY, R. Imagens de si no discurso: a construção do ethos. Tradução de Dílson Ferreira da Cruz, Fabiana Komesu, Sírio
Possenti. São Paulo: Contexto, 2005.
ARISTÓTELES. Arte retórica e arte poética. Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1964.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. Tradução das introduções e notas
de La Bible de Jerusalém, edição de 1998, publicada sob a direção da “École biblique de Jérusalem”. São Paulo: Paulus, 2002.
CHARAUDEAU, P. Discurso político. Tradução de Fabiana Komesu e Dílson Ferreira da Cruz. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011.
MEYER, M. A retórica. 2. ed. Tradução de Marly N. Peres. São Paulo: Ática, 2007.
PERELMAN, C.; TYTECA, L. O. Tratado da argumentação: a nova retórica. 2. ed. Tradução de Maria Ermantina de Almeida Prado
Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
48
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
O INTERACIONISMO SOCIODISCURSIVO,
O LIVRO DIDÁTICO E A GRAMÁTICA
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Ana Cláudia G. de Carvalho (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
49
DA UNIFRAN
sentido de um enunciado não basta saber o significado das unidades linguísticas que o compõem; é
indispensável à percepção das relações dialógicas
que ele trava com outros enunciados. É preciso não
confundir fonética, morfologia e sintaxe com dialogismo. As unidades da língua por si sós não são
dialógicas. As unidades reais de comunicação são
os enunciados que se constituem com as unidades
da língua. A significação das unidades da língua
é depreendida da relação com outras unidades
da mesma língua ou de outras. A interação verbal
constitui assim a realidade fundamental da língua.
Com amparo nessas premissas teóricas, esta pesquisa buscará investigar se os manuais didáticos
se valem dos princípios do interacionismo, para
desenvolver uma prática de ensino de gramática
que tenha como finalidade habilitar o aluno para
a interação social, em vez de promover um ensino
predominantemente metalinguístico.
A metodologia consistirá na análise de dois
livros didáticos de Língua Portuguesa de diferentes autores, para o ensino fundamental. A análise
partirá dos conceitos de interacionismo de origem
bakhtiniana e dos preceitos dos PCNs para verificar
se os exercícios gramaticais propostos pelos autores dos livros didáticos escolhidos como corpus
orientam-se por uma prática de interlocução viva,
ou seja, pela interação linguística. Este trabalho
encontra justificativa no fato de que se tem constatado ainda o insucesso do ensino de português
como língua materna na escola brasileira, pela dificuldade que os professores enfrentam no ensino da
gramática, tratando-a como um fim em si mesma.
O ensino gramatical pode ser mais produtivo do
que o é, se se tornar um ensino do uso da língua, em
vez de ser apenas um ensino a respeito de aspectos
gramaticais, desvinculados do uso.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
A
interação verbal é a realidade fundamental
da língua, e o discurso é o modo pelo qual
os sujeitos produzem essa interação, um
modo de produção social da língua. A língua existe
porque existe a interação entre os sujeitos e são os
diferentes textos que fazem o intermédio entre a
comunicação e o sujeito, isto é, toda ação humana
procede de interações de textos. A filosofia de
Bakhtin (2006) nos dá pistas para calcularmos o
momento da passagem dos estudos transfrásticos aos estudos do texto, ou seja, do estudo sem
significação para um que signifique. O pensador
russo defende a ideia de que a evolução da língua
é um processo ininterrupto e os sujeitos pensam
e se comunicam de formas diferentes através de
discursos, ou melhor, gêneros discursivos. Com
fundamento nas reflexões e descobertas de Bakhtin
(2003) e nos estudos e pesquisas de Bronckart
(2002) sobre o interacionismo sociodiscursivo,
este trabalho pretende investigar as propostas de
ensino de gramática presente em livros didáticos
do ensino fundamental, discutir formas de ensino
a partir dos conceitos interacionistas e apresentar
princípios para uma proposta de ensino de gramática com base no interacionismo bakhtiniano.
Bronckart (2009) fiel à abordagem interacionista
de Vigotsky, define os estudos interacionistas como
uma posição epistemológica geral, no qual dialoga
com as diversas correntes da filosofia e das ciências
humanas.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs,
1998) postulam que interagir pela linguagem significa realizar uma atividade discursiva e que um
texto só pode ser compreendido como unidade
de enunciados. Bakhtin (2003), filosofando sobre
a linguagem, observa que ela é primordialmente
dialógica e interacionista. Para a apreensão do
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Com isso o estudo poderá ser suporte para
professores, futuros professores, alunos, para a
escola, produtores de material didático e todos os
interessados em informações acerca do ensino que
segue o modelo interacionista. O ensino metalinguístico de língua materna não tem conseguido habilitar o aluno para o uso da língua no que se refere
à produção de textos escritos e falados. Um ensino
de orientação interacionista poderá levar o aluno
a perceber que o domínio das estruturas da língua
só tem importância para a sua interação discursiva.
Espera-se, com este trabalho, fornecer algumas
contribuições para o trabalho pedagógico do professor de língua portuguesa e para a produção de
livros didáticos que se valham do interacionismo
para um ensino de gramática mais produtiva.
Palavras-chave:
 interacionismo sociodiscursivo;
 livro didático;
 ensino.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Estética da Criação verbal. São Paulo, Martins Fontes [1979]. 1992.
. Os gêneros do discurso. In: Estética da Criação Verbal. 2ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/
SEF, 1998.
BRONCKART, J.P. (1999). Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Trad. Anna Rachel
Machado, Péricles Cunha. São Paulo: EDUC.
VIGOTSKI, L. S. O pensamento e linguagem. Trad. Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
50
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
PRÁTICAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA:
O DISCURSO DA ONG RIO DE PAZ
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
Marcos Aurélio G. A. da Silva (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Matheus N. Schwartzmann (Orientador)
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
51
DA UNIFRAN
contradiscurso sobre a violência, como forma de indignação e desabafo, aliada à angústia por se viver
sob a mira de uma violência avassaladora. A ONG
em estudo traz esse contradiscurso assentado na
formação discursiva de que a conscientização e a
mudança de comportamento das pessoas só irão
ocorrer se o discurso imagético e linguístico fizer
com que o interlocutor sinta a dor concretizada no
próprio corpo.
Isso fica patente ao se observar na imagem
posicionada no canto inferior esquerdo da faixa,
onde se encontram os dizeres “Gelson Domingos,
o tiro que atingiu o seu peito atingiu os nossos
olhos”. A imagem em questão, na cor vermelha,
traz refletida uma vidraça irrompida por um tiro,
que atinge o olho de um rosto. O contradiscurso é
a própria imagem da violência (tiro no olho) para
combater a violência em si mesma (tiro no peito
do jornalista). Também podemos encontrar no
enunciado em análise dois conceitos que surgem
de forma indissociável na AD, quais sejam os de
formação ideológica e formação discursiva. Segundo Brandão (2006), a formação ideológica tem
obrigatoriamente como um dos seus componentes
uma ou várias formações discursivas interligadas.
São as formações discursivas que, em uma determinada formação ideológica, levam em conta
uma relação de classe, determinam o que pode e
deve ser dito a partir de certa posição e em uma
determinada conjuntura. No discurso, a partir da
contradição, percebe-se o embate de duas formações discursivas.
Há nos dizeres da faixa a presença dessa formação discursiva filiada a um pensamento consciente e tocada pelos problemas sociais (combate
ou redução da violência) e outro inserido na própria
imagem da violência (tiro no olho, refletido na ima-
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
O
trabalho objetiva analisar o discurso presente na frase destacada em faixas, afixadas nas praias do Rio de Janeiro, pela
Organização Não Governamental (ONG) Rio de
Paz e seus efeitos de sentido, particularmente na
luta político-ideológica dessa ONG no combate à
violência urbana, que implementa ou supre políticas
públicas originalmente pertencentes ao Estado.
Através da Análise do Discurso propõe-se uma discussão acerca do discurso sobre e sob a violência,
a partir de recortes do site “www.riodepaz.org.br”
e da imagem fotográfica da faixa em referência.
Busca-se ainda analisar o discurso da omissão,
que tem por base a ausência do Estado no combate
efetivo à violência, dando lugar ao surgimento de
organizações não governamentais que se propõem
a combater esse mal. Esse é o caso da ONG Rio de
Paz, notadamente na cobertura do caso do cinegrafista morto no Rio de Janeiro, Gelson Domingos,
quando trabalhava nas filmagens de uma incursão
da Polícia Militar na favela Antares.
Para a AD, o sujeito não pode ser reputado
como aquele que decide sobre os sentidos e as
possibilidades enunciativas do próprio discurso,
mas como aquele que ocupa um lugar social e a
partir dele enuncia. Isso significa dizer que “o sujeito
não é livre para dizer o que quer, mas é levado, sem
que tenha consciência disso, a ocupar um lugar em
determinada formação social e enunciar o que é
possível a partir do lugar que ocupa” (MUSSALIN,
2006, p. 110).
Assim, o discurso sobre a redução da violência,
emanado da ONG Rio de Paz, ocupa um lugar social
específico de onde se enuncia um discurso marcado por uma dada ideologia. Especificamente em
relação aos dizeres na faixa afixada nas praias do
Rio de Janeiro, podemos perceber a presença do
SELINFRAN
PRIMEIRA PARTE • RESUMOS EXPANDIDOS
gem no canto inferior esquerdo da faixa). Posto isso,
devem ser analisadas as condições de produção
em sentido estrito, referente às circunstâncias da
enunciação e o contexto imediato, não podendo
deixar de ser observado o contexto sócio-histórico,
ideológico. Fica entendido como contexto imediato,
no enunciado ora analisado, as campanhas feitas
pela ONG Rio de Paz após um período social emblemático, tumultuado, em que a própria sociedade
se organizou com o fim de amenizar ou reduzir os
traços da violência.
Enfim, na omissão do Estado em proporcionais políticas públicas que diminuam ou cessem
as atividades criminosas, a violência engrossa suas
fileiras, surgindo, de entremeio, as organizações
empreendidas pela própria sociedade, quase sempre apolíticas e dotadas de um regime organizado,
que buscam suprir essa carência estatal. No caso, a
ONG Rio de Paz busca, através de suas mensagens,
reduzir a violência, principalmente no Estado do
Rio de Janeiro.
Palavras-chave:
 mídia;
 violência;
 discurso.
REFERÊNCIAS
BRANDÃO, H. H. Nagamine. Introdução à análise do discurso. Campinas-SP; UNICAMP, 2004.
DADOUN, R. A violência: ensaio acerca do “homo violens”. Rio de Janeiro: DIFEL, 1998. 112 p. FERNANDES, C. A. Análise do Discurso reflexões introdutórias. Goiânia: Trilhas Urbanas, 2005.
FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.
GREGOLIN, M. R., ET AL. (Orgs.). Análise do Discurso: entornos do sentido. São Paulo: Cultura Acadêmica / Araraquara: UNESP-Car – Laboratório Editorial, 2001.
MORAES, A. de. Constituição do Brasil Interpretada e legislação constitucional. 7ªed. Atlas: São Paulo, 2007.
ORLANDI, E. P. Análise de discurso; princípios e procedimentos. Campinas-SP; Pontes/UNICAMP, 2005.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
52
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
A ARTICULAÇÃO NECESSÁRIA ENTRE
LINGUÍSTICA E GRAMÁTICA NO
ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
A COMPETÊNCIA METAGENÉRICA
E A COMPREENSÃO DE TEXTOS
NO ENSINO MÉDIO
Cristiane Alves de Oliveira (Mestrado/UNIFRAN)
Mateus Barbosa de Oliveira (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador)
Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora)
M
uito se discute na sociedade sobre a competência do aluno em interpretar textos, o que
tem uma relação direta com a qualidade do ensino
que é ofertado, seja na rede pública, seja na rede
particular. O presente projeto objetiva investigar a
capacidade de compreensão de textos de diferentes gêneros, sendo escolhidos como norteadores
da pesquisa os gêneros tira, provérbio e poema.
Dessa forma, o trabalho apoia-se nos pressupostos
teóricos postulados por Bakhtin e pela perspectiva
sociointerativa e cognitiva desenvolvida por Marcuschi. A aplicação da pesquisa será feita com 20
alunos do 2.º ano do ensino médio de uma escola
particular na cidade de Franca com a apresentação
dos textos seguida de uma instrução para que o
aluno faça a leitura e registre a compreensão do
texto, sem nenhum tipo de interferência, seja por
debate, seja por orientação prévia sobre os gêneros ofertados. Espera-se, assim, verificar o nível de
compreensão apresentado pelos alunos e estabelecer uma possível correlação entre o gênero e o
grau de compreensão do texto.
Palavras-chave:
 gêneros textuais;
 leitura;
 ensino médio.
Palavras-chave:
 Proposta Curricular;
 linguística textual;
 livro didático.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
53
DA UNIFRAN
ste projeto tem como objetivo analisar as Propostas Curriculares do Estado de São Paulo a
fim de avaliar quais contribuições a Linguística pode
trazer ao ensino de Língua Portuguesa, tanto para
professores como e, especialmente, para os alunos
do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Sabendo
que os índices da competência textual revelados pelas
provas, como SAEB, SARESP, ENEM demonstram
que o desempenho do alunado não é satisfatório.
Este trabalho justifica-se pela constatação de que os
materiais oferecidos pela Secretaria de Educação do
Governo do Estado de São Paulo têm dado ênfase
ao sóciointeracionismo, o que quer dizer que, por
vezes, os professores não têm recebido o treinamento
necessário para aplicá-lo de forma adequada, quando se pensa na articulação entre a Linguística e a
Gramática. Muitas vezes, percebe-se que o professor
sente-se indeciso na opção por uma ou outra linha teórica, dito de outra forma, não sabe se ensina o texto,
a gramática ou a gramática no texto. Para alcançar o
objetivo deste trabalho, pretende-se fundamentar a
pesquisa nos estudos e descobertas da Linguística
Textual. Como metodologia de trabalho, analisar-se-á
o tratamento que é dado à gramática e à linguística
por meio de comparação entre as Propostas Curriculares e dois livros didáticos aprovados pelo PNLD.
Assim, com base nessa investigação, pretende-se
mostrar que é possível haver um entendimento entre
Linguística e Gramática. Não como sendo teorias
dicotômicas, mas sim, complementares, que, se bem
entendidas e aplicadas, poderão nortear novos caminhos para o professor, tanto teóricos quanto práticos,
que auxiliarão seu trabalho em sala de aula, sempre
em busca de melhores resultados com uma aprendizagem da língua que se quer efetiva, clara e por que
não, sedutora.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
E
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS
A CONSTRUÇÃO DO ATOR
PROTAGONISTA EM “OBSCENIDADES
PARA UMA DONA DE CASA”, DE
IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA
INFANTIL NA EDUCAÇÃO
INFANTIL PARA A FORMAÇÃO
DE SUJEITOS-LEITORES
William Vinícius Machado Tristão (Mestrado/UNIFRAN)
Elisa Garcia Bertoni Idalgo(Mestrado/UNIFRAN)
Prof . Dr . Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora)
Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador)
O
T
a
a
presente trabalho é parte de pesquisa mais
ampla – projeto do mestrado em Linguística
da Unifran –, o qual consiste na análise de uma seleção de contos publicados nos anos 1980, reunidos
no livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, de organização de Italo Moriconi. A temática
dos textos é voltada para os “roteiros do corpo”,
expressão utilizada pelo organizador, porquanto
as narrativas tratam de temas relativos à revolução
sexual, à erotização feminina, à homossexualidade.
Temos por objetivo analisar o conto “Obscenidades para uma dona de casa”, de Ignácio de Loyola
Brandão, à luz da teoria semiótica francesa, mais
precisamente de acordo com o percurso gerativo de sentido, desdobrável nos seus três níveis:
fundamental, narrativo e discursivo. Procuramos
mostrar como se dão as significações do texto,
descrevendo, mais precisamente, a construção do
ator protagonista, que assume dois papéis e passa
a relacionar-se, por intermédio de cartas, como se
dois sujeitos distintos fosse. Nesse contexto, ao examinarmos o conto, pretendemos também constatar
o modo como os percursos temático-figurativos se
concretizam no texto e como se enquadram no que
Moriconi denominou de “roteiros do corpo”.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
54
Palavras-chave:
 semiótica francesa;
 percurso gerativo de sentido;
 ator.
em sido constatado que a literatura é uma das
atividades fundamentais para o desenvolvimento da criança. O fato é que, se desde cedo a criança
estiver em contato com a literatura, ela ampliará a
sua capacidade de imaginação, atenção, imitação
e memória, entre outras. Este trabalho tem como
objetivo verificar a contribuição da literatura infantil
para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança na Educação Infantil. O trabalho
partirá da hipótese de que a literatura infantil não
está sendo utilizada na prática diária dos professores de maneira a contribuir para a formação de
crianças leitoras. A justificativa da pesquisa reside
na constatação de que há uma grande dificuldade
por parte dos professores em explorar a literatura
infantil como se deve, a fim de conseguir formar
sujeitos-leitores. A fundamentação teórica será com
base nos estudos e descobertas de alguns teóricos
como Bakhtin (1992); Zilberman (2003); Abramovich (2006); Coelho (2000); Faria (2006); Fregonezi (2003); Lajolo (2002); e as contribuições dos
Referenciais Curriculares Nacionais da Educação
Infantil (RCNEI) (1998). A metodologia do trabalho
consistirá na análise do trabalho dos professores
da Educação Infantil de duas escolas, sendo uma
particular e a outra municipal. Com este trabalho
espera-se comprovar se os professores buscam conhecer e desenvolver na criança a competência de
leitura e como a literatura infantil pode influenciar
de maneira positiva neste processo.
Palavras-chave:
 literatura infantil;
 educação infantil;
 professor.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
A LEITURA E A COMPREENSÃO DE
GÊNEROS NO ENSINO SUPERIOR
A SEXUALIDADE EM REDES SOCIAIS:
UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS DE
SUBJETIVIDADE NO FACEBOOK
Raquel Cristina de Souza Melo (Mestrado/UNIFRAN)
Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora)
Profa. Dra. Maria Regina Momesso (Orientadora)
objetivo da pesquisa é identificar e refletir discursivamente os modos de ler e ver a sexualidade e o corpo em redes sociais que discutem
gênero, sexo, corpo e as diferentes manifestações
de opção sexual. O corpus de análise configura-se
nos Facebooks das comunidades “Sexualidade Sagrada” e “Sexualidades Desobedientes”. A obra de
Michel Foucault, História da Sexualidade, será um dos
pontos de referência, pois se revela uma ferramenta
essencial no entendimento dos mecanismos de
poder e de saber utilizados pela sociedade na construção de enunciações. Estas exercem influências
fundamentais na estruturação da subjetividade ou
da identidade do sujeito “sexual”. O conceito foucaultiano de “sujeito assujeitado” reforça a hipótese de
que a existência das redes sociais como plataforma
utilizada na manifestação dos desejos e frustrações
sobre temas relacionados à sexualidade (opção
sexual, discriminação de gênero, homofobia, corpo
e sexo), colabora na elaboração de enunciações
que denunciam mudanças significativas na percepção de si e na elaboração de novos dispositivos de
manifestação da sexualidade. As atuais máquinas
informacionais e comunicacionais não se contentam em veicular conteúdos representativos, mas
concorrem igualmente para a confecção de novos
agenciamentos de enunciação (individuais e/ou
coletivos). Sendo as maquinarias das redes sociais
hoje utilizadas como tecnologias de si, questiona-se
qual influência elas exercem no contexto de elaboração de enunciações sobre a sexualidade e o
corpo? E ainda, como essas maquinarias exercem
poder de suporte na produção de subjetividade?
Desta forma, acredita-se estabelecer alguns pontos
de reflexão para melhor entender os modos de ler e
ver a sexualidade e o corpo e, consequentemente, os
discursos elaborados nas redes sociais e em outras
plataformas de produção de leitura e texto.
Palavras-chaves:
 sexualidade;
 Facebook;
 subjetividade.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
55
DA UNIFRAN
 gêneros textuais;
 ensino superior;
 leitura.
O
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
A
s diferentes avaliações efetuadas com alunos
do Ensino Médio na atual sociedade brasileira
têm demonstrado a deficiência de parte desse
alunado no que concerne à capacidade de leitura e
de compreensão de textos. A consequência disso é
que, quando esses mesmos alunos são inseridos no
Ensino Superior, tendem a apresentar dificuldades
relacionadas à leitura, à produção e, principalmente,
à interpretação de gêneros diversos. Dessa forma, o
presente trabalho objetiva observar as dificuldades
constantes observadas e encontradas pelos professores de língua portuguesa no cotidiano da sala de
aula no nível de educação superior. Para atingir tal
objetivo, serão selecionados textos pertencentes a
três gêneros textuais: a tira, o provérbio e o poema,
os quais serão aplicados para 20 alunos que cursam
Engenharia Civil em uma instituição privada, no
município de Patos de Minas-MG. Será estipulado
o tempo de 50 minutos para cada gênero e, nesse
período, os alunos deverão fazer a leitura e, em seguida, produzir um texto referente à compreensão
atingida. Para fundamentar essa pesquisa serão
considerados os estudos de Bakhtin e Marcuschi a
respeito dos gêneros e de suas repercussões para
o ensino.
Palavras-chave:
Fausi dos Santos (Mestrado/UNIFRAN)
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS
SELINFRAN
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
56
SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS
AFORIZAÇÃO E ETHOS NO BLOG
CRÔNICAS URBANAS: MINHAS
IMPRESSÕES DIGITAIS
AS ESTRATÉGIAS DE PRODUÇÃO
TEXTUAL NA CIBERCULTURA. UMA
ANÁLISE DAS FAN FICTIONS
Elisângela S. Carvalho (Mestrado/UNIFRAN)
Paulo Eduardo de Melo (Mestrado/Unifran)
Profa. Dra. Maria Regina Momesso (Orientador)
Profa. Dra. Naiá Sadi Câmara (Orientadora)
A
S
utilização de aforismos nas redes sociais tem
se tornado prática comum na interação e comunicação de seus usuários. Objetiva-se analisar, a
partir da Análise do Discurso, a construção do ethos
por meio dos aforismos presentes nas redes sociais
blog e twitter Crônicas urbanas e o posicionamento
adotado pela autora na escolha desses aforismos.
O conceito de ethos assumido nesta pesquisa alia-se aos estudos sobre ethos desenvolvidos por
Maingueneau. O estudioso alerta que é um conceito
complexo, pois ultrapassa o tratado pela argumentação, e também se deve levar em consideração os
diversos fatores envolvidos, entre eles, a observação de vários fenômenos, como, por exemplo, os
índices, desde a escolha do registro da língua até o
ritmo, a modulação, etc., que envolvem sua construção. Para esta apresentação, o corpus de pesquisa
configura-se em um recorte do blog “Crônicas Urbanas minhas impressões digitais”: o post <http://
cronicasurbanas.wordpress.com/author/mveado/>
intitulado “Curtinhas” e os comentários acerca do e-texto postado. Os resultados preliminares apontam
que existe uma relação profunda entre o modo de
enunciação e os enunciados aforizantes presentes
no blog e em seu twitter, pois cria um efeito de informação descontraída e informativa que corresponde
ao ethos de pessoa simples, mas de opiniões fortes
a respeito dos acontecimentos. Isso ocorre porque
os enunciados aforizantes, apesar de sustentarem
um tom de verdade absoluta, quase sempre estão
relacionados a posições divergentes nos diferentes
temas, pois condensam posicionamentos e caracterizam personagens ou grupos sociais.
egundo Jenkins em Cultura da Convergência
(2009), fan fictions são histórias contadas pelos fãs como se fosse uma continuação da história
original, se reúnem (em meio virtual ou não) para
promover discussão a respeito. Nessas histórias,
são definidos caracteres de tempo, espaço e ações
referentes às personagens que seguem a linearidade (ou não) daquele que cria a história, sem seguir
necessariamente o roteiro estabelecido pelo texto
original. É uma interação entre o fã e a história,
como um jogo de RPG. Com o crescente número
destas fan fictions, torna-se necessário fazer uma
análise dessas produções. Nossa pesquisa objetiva
analisar uma fan fiction a fim de analisar suas características discursivo-textuais bem como as estratégias de produção de textos utilizadas por seus
usuários, onde o envolvimento com a fantasia passa
a ocupar um lugar fundamental em nossa cultura e
caminha em direção a uma relação colaborativa e
participativa no meio virtual.
Palavras-Chave:
 fan fiction;
 colaborativa;
 cibercultura.
Palavras-chave:
 aforismo;
 ethos;
 discurso.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
AS RELAÇÕES ENTRE ENUNCIADOR
E ENUNCIATÁRIO EM “VAI”
COMO APRENDER UMA LÍNGUA
ESTRANGEIRA: O PAPEL DOS
GÊNEROS NA AUTODIDÁTICA
Renata Cristina Duarte (Mestrado/UNIFRAN)
Profa. Dra. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora)
Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora)
Palavras-chave:
 contrato fiduciário;
 tematização;
 figurativização.
F
ruto da globalização e disseminação do conhecimento, a busca pela comunicação sem
fronteiras ou grandes desafios tem gradualmente
crescido. Nunca, na história da humanidade, foi
possível presenciar tamanha banalização do ensino
e aprendizagem de línguas estrangeiras. Cursos,
aulas particulares, programas de intercâmbio cultural e livros didáticos com CD multimídia prometem
alcançar diversos objetivos, todos esses tendo algo
em comum: atenuar a linha entre aprendiz e falante
nativo. Nenhum dos métodos citados, porém, se
mostrará efetivo se não houver suficiente interesse
e dedicação por parte do estudante ou aprendiz
de línguas estrangeiras. A aprendizagem, portanto,
será o principal foco do presente estudo, e não há
melhor maneira de exemplificá-la do que com a
figura do autodidata. O mesmo, naturalmente, se
utiliza do texto, em diferentes gêneros, para fins
didáticos. A fim de descobrir a melhor maneira de
utilizá-los, textos representantes de gêneros distintos serão analisados à luz da teoria da gramática
gerativa transformacional de Noam Chomsky e da
linguística textual, em busca do gênero mais efetivo
para cada fase do aprendizado. O método autodidata proposto não dispensa, de maneira alguma,
qualquer forma de ensino, mas apenas facilita a
aquisição da fluência, preparando o aprendiz para
buscar a proficiência em sala de aula.
Palavras-chave:
 autodidata;
 aprendizagem;
 línguas estrangeiras.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
57
DA UNIFRAN
bjeto de estudo desta análise é o conto “Vai”
do autor brasileiro contemporâneo Ivan Ângelo, que faz parte do livro “O ladrão de sonhos e
outras histórias”. O referencial teórico utilizado é a
Teoria Semiótica Francesa. Objetivamos não apenas analisar as relações entre narrador e narratário
projetados no texto, mas também o contrato fiduciário que se processa entre enunciador e enunciatário, ou seja, a relação entre o fazer persuasivo do
enunciador e o fazer interpretativo do enunciatário
para a construção das isotopias figurativas e temáticas que se apreendem no texto. Interessa-nos,
nesse sentido, observar a função dos conectores
de isotopias que contribuem para criar o efeito de
sentido irônico do texto e que possibilitam ao enunciatário vislumbrar seu caráter estético. Esta análise
faz parte da nossa pesquisa de mestrado e está
inserida no âmbito do projeto “Linguagens, códigos
e tecnologias: práticas de ensino de leitura e de
escrita na educação básica – ensino fundamental
e médio”, financiado pela CAPES/INEP/OBEDUC.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
O
Natália Danzmann de Freitas (Iniciação Científica/UNIFRAN)
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS
COMPORTAMENTO LEITOR DE
ALUNOS DE ENSINO MÉDIO NAS
NOVAS CULTURAS TRASMIDIÁTICAS
Lívia Cárnio Custódio Silva (Mestrado/UNIFRAN)
Eloísa Maria Ávilla de Carvalho (Mestrado/UNIFRAN)
Prof . Dr . Naiá Sadi Câmara (Orientadora)
a
a
E
sta comunicação tem por finalidade apresentar
os resultados parciais de nossa pesquisa de
mestrado, cujo objetivo é realizar um diagnóstico da
capacidade leitora dos alunos da Escola Estadual
Professor Martinho Sylvio Bizutti, do município de
Igarapava, pois com o advento tecnológico e as
transformações pelas quais passa as formas de
comunicação, como por exemplo, as narrativas
transmídias, novos recursos de interação leitor e
texto surgem a todo instante. Neste cenário, um
dos questionamentos do momento refere-se sobre como o leitor do Ensino Médio utiliza as diferentes linguagens e os diferentes textos inseridos
no hibridismo cibernético, em que novas pistas e
recursos surgem a cada instante no universo da
convergência midiática. Nosso objeto de estudo
será composto por textos produzidos em diversas
plataformas midiáticas por alunos de ensino médio,
a fim de verificarmos sobre os multiletramentos que
esses textos com novas configurações exigem nas
práticas de leituras. Utilizaremos as bases teóricas
da Linguística Textual, especialmente as pesquisas
sobre multiletramento de Rojo e as discussões sobre narrativas transmídias de Jenkis.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
58
COMPREENSÃO DE TEXTOS NO
ENSINO FUNDAMENTAL II
Palavras-chave:
 transmídia;
 ensino médio;
 linguística textual.
Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador)
T
em sido constatado que um dos problemas
mais sérios do ensino de língua materna é a
maneira como os livros didáticos exploram a interpretação e a compreensão de textos para o ensino
fundamental. Há evidências de que o modo de
condução do trabalho pedagógico com os textos
não habilita os alunos à aquisição da competência
de compreensão de leitura como uma prática que
envolve conhecimento linguístico, enciclopédico e
sociointeracional. Este trabalho tem como objetivo
analisar o tratamento que os livros didáticos dão
aos exercícios dessa prática pedagógica. A justificativa da pesquisa reside na constatação de que
há uma dificuldade por parte dos alunos, quando é
preciso fazer a interpretação e compreensão de um
texto. Para alcançar o objetivo deste trabalho, pretende-se fundamentar a pesquisa nos estudos da
Linguística Textual, com base em Marcuschi (2010)
e Koch (2011). A metodologia do trabalho consistirá
na comparação de dois livros didáticos adotados
na rede pública do município de Altinópolis-SP,
para observar as diferenças de tratamento para as
práticas de leitura, interpretação e compreensão.
Com este trabalho espera-se tentar comprovar
se os alunos aprendem realmente a interpretar e
compreender textos ou se eles estão aprendendo
somente a retirar informações que não os leva a
compreender um texto como um projeto de dizer.
Palavras-chave:
 texto;
 interpretação;
 livro didático.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
CRÍTICA E AVALIAÇÃO: FORMAS
EUFÓRICAS E DISFÓRICAS DA
IDENTIDADE GAY/TRAVESTI
EM KATYLENE.COM
DISCURSOS E REPRESENTAÇÃO
DA CORRUPÇÃO NA MÍDIA:
UM ESTUDO DE CASO
Rafael Furlan Lo Giudice (Mestrado/UNIFRAN)
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS
Profa. Dra. Maria Regina Momesso (Orientadora)
O
humor ferino característico de certos homossexuais (notadamente drag queens), que lhes
confere um status análogo ao de um clown moderno e lhes possibilita a ascensão a um papel de destaque na sociedade, leva-os, principalmente hoje,
a uma maior aceitação e menor marginalização da
classe LGBT. Um exemplo da valoração desse tipo
de humor é o blog Katylene.com, de grande destaque na mídia, espécie de viral entre jovens, que
noticia o mundo das celebridades segundo uma
nova perspectiva: a crítica gay. A autora do blog,
Katylene Bismarcky, uma travesti fictícia de língua
ferina, valendo-se de gírias e elementos próprios
do pajubá (dialeto social corrente entre gays), ao
construir suas críticas, realiza um processo de seleção e triagem (sancionador) separando os comportamentos que são bons e qualificados, dos que
são ruins e desqualificados em relação não só ao
mundo das celebridades, mas também ao universo gay. Assim, valendo-nos do arcabouço teórico
da teoria semiótica greimasiana, nosso objetivo é
destacar, de partes do blog, os temas e figuras que
constituem as principais isotopias presentes nos
critérios que fundamentam esse “controle de qualidade”, assim como os valores (foria) constitutivos
do discurso “discriminatório” de Katylene.
Palavras-chave:
 blog;
 homossexualidade;
 semiótica.
A
temática da corrupção sempre frequentou a
mídia seja em forma de informação, denúncia, debate ou mote de entretenimento/humor. Os
discursos sobre a corrupção que circulam na mídia
(televisiva, impressa, digital e outras) delineiam uma
determinada “ordem discursiva” do que se pode ou
não se deve dizer acerca do assunto. É sabido que o
modo como os órgãos de comunicação organizam
os discursos e dão destaque a alguns acontecimentos e apagam outros, criam efeitos de sentido sobre
a corrupção e determinam o modo de dizer e pensar
essa temática. Diante do exposto, objetiva-se observar as práticas discursivas sobre a corrupção e como
estas estão presentes na cibermídia, bem como
constroem concepções e representações sociais
acerca da corrupção no Brasil. O corpus de pesquisa configura-se do site da Campanha do Ministério
Público Democrático “Não Aceito Corrupção”. Para
este trabalho recorta-se para análise discursiva o
vídeo “Bebê”, presente no site e veiculado também
na mídia televisiva. O referencial teórico ancora-se
na perspectiva discursiva francesa, fundador Michel
Pêuchex, principalmente nas ideias foucaultianas
acerca das concepções de práticas discursiva, ordem discursiva, jogos de verdade, relações de saber
e poder. Saber ler e interpretar os discursos midiáticos sobre a corrupção é essencial na contemporaneidade, uma vez que os veículos de comunicação,
em especial o televisivo, destacam situações que
colocam a corrupção da política brasileira em evidência criando uma espetacularização dos fatos em
detrimento da compreensão dos acontecimentos
e da conscientização dos efeitos nefastos da corrupção. Essa evidência da corrupção e a repetição
dos discursos de casos de corruptos e corruptores
e a descrença na impunidade parecem naturalizar a
corrupção no Brasil, esvaziando assim a criticidade e
a conscientização do cidadão acerca da corrupção.
Palavras-chave:
 corrupção;
 discurso;
 mídia.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
59
DA UNIFRAN
Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Orientador)
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
Luiz Henrique Pereira (Iniciação Científica/UNIFRAN)
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS
ESCRILEITURA ADOLESCENTE
NO UNIVERSO DAS FANFICS: UMA
RELEITURA DE SI A PARTIR DA
TRILOGIA JOGOS VORAZES
Ana Cristina dos Santos Faleiros (Mestrado/Unifran)
Fernanda Godoy Tarcinalli (Mestrado/UNIFRAN)
Prof . Dr .Maria Regina Momesso (Orientadora)
a
a
A
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
60
FORMAÇÃO DO PROFESSOR
COM A LEITURADOS GÊNEROS
DIGITAIS E TRANSMIDIÁTICOS
s sagas literárias constituem um centro de despertar de interesse do público escrileitor adolescente na atualidade. Nesse contexto, observa-se
um amplo espaço de livre-expressão de caráter
discursivo por meio da elaboração e publicação
no meio virtual das fanfics baseadas nas séries de
obras literárias em destaque. Tais narrativas surgem
como uma forma de representação de si produzida
por meio da identificação com os autores das obras
originais. O presente estudo tem por objeto um
recorte da rede social AnimeSpirit, na seção Fanfics, mais especificamente uma fanfic baseada no
primeiro livro da trilogia Jogos vorazes, de autoria
de Suzzane Collins – recém-lançada também em
filme no Brasil: http://animespirit.com.br/fanfics/
historia/fanfiction-livros-jogos-vorazes-safe-and-sound-392594/capitulo1. O que particularmente
interessa a este estudo, do ponto de vista da Análise do Discurso francesa, apoiada nos pressupostos teóricos propostos por Foucault, é o como se
constituem as práticas de si na produção discursiva
promovida por meio do fake estabelecido por um
então escrileitor adolescente. Destacando-se quais
estratégias discursivas fundamentam a representação de si enquanto leitor assumindo o papel da
autoria original da série por meio da escrileitura.
Palavras-chave:
 fanfics;
 escrileitura;
 discurso.
Profa. Dra. Naiá Sadi Câmara (Orientadora)
P
artindo do pressuposto que o letramento digital e a leitura de gêneros textuais virtuais e até
transmidiáticos, fazem parte do mundo atualmente,
o presente projeto objetiva realizar uma reflexão
acerca das práticas de leitura e produção desses
novos gêneros. São claras as transformações sofridas pelo texto e pela escrita nos hipertextos, já que
o texto virtual carrega em si múltiplas semioses e
um hibridismo entre a modalidade oral e escrita.
Nos caminhos para uma nova educação, questionamos a forma como essas novas tecnologias de
educação estão sendo inseridas em nossas escolas.
Verificaremos como os professores irão se apropriar dessa nova maneira de leitura para beneficiar
o ensinoaprendizagem e se esses professores são
multiletrados. Face a essa indagação faremos um
estudo sobre as condições do professor em atuar
de forma letrada com o trabalho na leitura hipertextual e transmidiática, e abordaremos algumas
considerações sobre a textualidade eletrônica, as
narrativas transmídias, que devem não só facilitar
a aprendizagem dos alunos, para os quais as novas
mídias já fazem parte do cotidiano, como também
motivar os professores para o acolhimento destas
novas tecnologias e uma cultura que vai de encontro com outras novas culturas. Essa pesquisa
se apoiará numa pesquisa bibliográfica e também
numa pesquisa de campo com entrevistas, textos
de alunos e professores.
Palavras-chave:
 gêneros textuais;
 letramento;
 hipertexto.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
O FEMININO NA CONSTRUÇÃO DA
FORMA DE VIDA MAFALDIANA
O PERFUME CHANEL N° 5:
CORPOREIDADE, PRÁTICAS
E FORMAS DE VIDA
Denise de Melo Mendes (Mestrado/ Unifran)
Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Orientador)
Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Orientador)
afalda, do cartunista argentino Quino (Joaquín Salvador Lavado), é uma personagem
de tira em quadrinhos conhecida mundialmente
por apresentar uma ideia de feminilidade que, especialmente à sua época, era tomada como fora
do comum, tomada frequentemente como uma
forma de protesto. Diante, então, de tal personagem, pretende-se reconstituir, no presente trabalho,
essas formas de vida femininas “não padrão” que
são apresentadas nas tiras. Visando a segmentação
do corpus, a princípio, recorreu-se à obra “Toda
Mafalda”, na qual estão todas as tiras publicadas
por Quino, de 1964 a 1973. Diante de quase uma
década de produção, fez-se um recorte, em que foram selecionadas apenas as três primeiras histórias
de Mafalda, por conterem então as personagens
principais da tirinha e darem uma ideia geral das relações que mantém entre si. Além disso, em outros
períodos, personagens novas foram criadas, o que
acaba por desconfigurar o núcleo inicial, formado
por Mafalda e sua família, e os amigos, Felipe, Manolito, Susanita e Miguelito. Desse modo, partindo dos
pressupostos da Semiótica Francesa, focando-se
especialmente nos processos de figurativização e
tematização, buscar-se-á neste trabalho descrever
e analisar as diversas formas de vida que circundam
a personagem Mafalda, buscando assim evidenciar
os valores que qualificam (ou desqualificam) o feminino, o masculino, e os papéis temáticos que os
representam nas narrativas estudadas.
A
partir das reflexões propostas pela teoria semiótica francesa, o presente trabalho irá analisar
as diversas linguagens utilizadas na divulgação e
circulação do perfume feminino Chanel N° 5, um
dos perfumes mais conhecidos no mundo e que
se mantém também com um dos mais vendidos
no Brasil. O trabalho pretende, assim, partindo da
análise das próprias embalagens, de peças gráficas
e de discursos diversos sobre o produto, como o
publicitário e o institucional, identificar, descrever
e analisar os valores da marca que estão instaurados no perfume, as formas de vida femininas que
o perfume propõe, e a natureza da relação que há
entre a forma da embalagem e do frasco e os esses
valores. Para tanto, o corpus será constituído pelo
próprio perfume, sua embalagem e seu frasco, por
publicidades diversas (impressas e audiovisuais),
por trechos do site oficial da marca e do perfume,
especialmente aqueles que tratam dos valores que
o Chanel n° 5 constrói. Do arcabouço teórico, serão
utilizados os conceitos de Percurso Gerativo do
sentido, especialmente os processos de tematização e figurativização, Prática semiótica e Formas
de vida.
Palavras-chave:
 Prática Semiótica;
 embalagem;
 Forma de vida.
Palavras-chave:
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
 semiótica;
 formas de vida;
 Mafalda.
61
DA UNIFRAN
M
Fabrício Coelho Malta (Mestrado/UNIFRAN)
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS
O PROCESSO DE COMPREENSÃO DE
GÊNEROS TEXTUAIS POR ALUNOS
DO ENSINO FUNDAMENTAL
O RESSENTIMENTO NO CONTO
“A COLEIRA NO PESCOÇO”
DE MENALTON BRAFF
Marília de Souza Neves (Mestrado/UNIFRAN)
Flávia Karla Ribeiro Santos (Mestrado/UNIFRAN)
Profa. Dra. Maria Flávia Figueiredo (Orientadora)
Profa. Dra. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora)
A
partir da análise de 20 textos produzidos por
discentes do oitavo e nono anos do ensino fundamental de uma escola pública localizada na zona
rural (município de São Sebastião do Paraíso-MG),
o presente projeto objetiva avaliar a capacidade de
compreensão dos alunos após a leitura de três textos pertencentes aos gêneros: tira, provérbio e poema, posto que muitos são os alunos que realizam
uma leitura superficial dos textos que lhes chegam
às mãos, visualizando-os como simples material
a ser decodificado, e não, compreendido. Sob
esse prisma, o professor de Língua Portuguesa se
questiona, continuamente, sobre o porquê de seus
educandos não manterem estreita relação entre
leitura e compreensão textual e de que forma pode
auxiliá-los a reconhecerem a importância do estudo da língua materna baseada na interação autor/
texto/leitor. Tomando o texto como objeto de estudo deste projeto e empregando-se o arcabouço
teórico proposto por Bakhtin e implementado por
Marcuschi, pretende-se definir o grau de correlação
estabelecido entre leitura e compreensão feitas
pelos discentes, de modo a possibilitar ao professor
melhorar ou redefinir sua prática pedagógica no
ensino da Língua Portuguesa.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
62
Palavras-chave:
 leitura;
 gêneros textuais;
 ensino fundamental.
E
ste trabalho analisa, por meio da teoria semiótica greimasiana, o conto “A coleira no pescoço”,
de Menalton Braff. No texto, um velho e um cão,
também ancião, sobem penosamente uma ladeira,
pois enfrentam as dificuldades impostas pela idade
avançada e pela intempérie. Nesse caminho, refletem sobre a relação entre eles e sobre os efeitos do
tempo em suas vidas. O cão, resistente às caminhadas matinais, é ressentido em razão da prisão que
há tantos anos lhe fora imposta e do comportamento agressivo do velho, razão pela qual somente sobe
a ladeira quando arrastado pela corrente, presa na
coleira em seu pescoço. O velho, diante da resistência do animal, demonstra o ressentimento em
relação às limitações físicas resultantes da velhice
e credita ao cão a responsabilidade de ter aumentado os efeitos das dores que sente uma vez que
precisa ser arrastado. Nosso objetivo é analisar o
percurso passional e o papel patêmico dos atores,
observando a paixão do ressentimento nos atores
cão e velho, modalizados respectivamente pelo/
querer não ser/aprisionado e pelo/querer não ser/
idoso. Essa paixão de morte foi mencionada no texto e manifesta-se explicitamente na relação entre
os atores. O cão é ressentido por não ter recebido
do dono um tratamento justo e por não ter conseguido livrar-se do aprisionamento. O velho, por ter
envelhecido e não poder fazer nada para conter as
ações do tempo.
Palavras-chave:
 paixão;
 ressentimento;
 papel patêmico.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
Os garimpeiros de Serra
Pelada na fotografia de
Sebastião Salgado
Gustavo H. Gyrão de Paula Lopes (Mestrado/UNIFRAN)
Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (Orientador)
O
presente trabalho tem por objetivo analisar
fotografias de Oliviero Toscani usadas em
campanhas da marca Benetton e os discursos proferidos pelo fotógrafo sobre as suas próprias fotos.
Oliviero Toscani é um conhecido fotógrafo italiano,
ganhador de diversos prêmios, que, nos anos 1990,
propôs uma nova maneira de se fazer publicidade,
ressaltando temas polêmicos como racismo, sexualidade e Aids, ao invés de ressaltar as características dos produtos fotografados. Em sua obra “A
publicidade é um cadáver que nos sorri” (1997), o
fotógrafo apresenta algumas de suas fotografias a
as analisa, tendo como objetivo avaliar o impacto
que causaram na imprensa da época. Desse modo,
tomaremos a obra e o conjunto de fotografias como
objeto de estudo tendo como objetivo analisar as
construções figurativas e temáticas e os valores
(forias) que nos são apresentados, comparando-as
entre si. Também se que analisar neste trabalho as
noções de atração e repulsa que são convocadas
pela obra do fotógrafo, visado avaliar que impactos
a repulsa, especialmente, pode causar na publicidade. Para tanto, tomaremos como referencial
teórico a teoria semiótica francesa, notadamente,
as noções de Percurso gerativo do sentido e paixão.
Palavras-chave:
 fotografia;
 Oliviero Toscani;
 semiótica.
Profa. Dra. Vera Lucia Rodella Abriata (Orientadora)
E
ste trabalho analisa um texto, que é parte constituinte do corpus de nossa pesquisa de mestrado, na qual propomos uma leitura de fotografias
do livro “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado,
a partir dos pressupostos teóricos da Semiótica
francesa, voltando-nos sobretudo para um de
seus desdobramentos mais recentes, a semiótica
visual ou plástica. Para a análise de uma fotografia
da série utilizaremos o conceito de semissimbolismo, observando as homologações entre categorias
dos planos da expressão e do plano de conteúdo
do texto. Faz-se necessário, então, compreender
de que maneira as categorias do sensível, o plano
da expressão (categorias topológicas, cromáticas
e eidéticas), se correlacionam com as categorias
do inteligível, o plano do conteúdo. Aplicaremos
ainda ao texto elementos do percurso gerativo de
sentido, observando o conceito de narrativa como
espetáculo que simula o fazer do homem que transforma o mundo. Por outro lado, em termos de nível
discursivo, voltaremos nossa análise para as correlações entre figuras e temas do texto, em que nos
chama a atenção a manifestação de atores homens,
no papel temático de trabalhadores: eles descem
ao fundo da mina de mãos vazias, no escuro, num
semitom de cinza que praticamente os funde com
a própria montanha escavada, para emergirem – na
porção mais clara da cena, trazendo nas costas os
sacos brancos, que podem conter ouro – para a
superfície da Terra. Interessa-nos observar a relação entre esse fazer coletivo, a transformação de
estados que ele opera, e as relações entre natureza
e cultura que se apreendem no texto.
Palavras-chave:
 fotografia;
 semissimbolismo;
 percurso gerativo de sentido.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
63
DA UNIFRAN
Karina Spineli Gera (Mestrado/UNIFRAN)
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
OS CADÁVERES DA BENNETON:
FORMAS DE EUFORIA E DISFORIA
NA IMAGEM PUBLICITÁRIA
DE OLIVIERO TOSCANI
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS
PODCAST NA EDUCAÇÃO À
DISTÂNCIA: MÍDIA AUXILIAR,
SUPORTE DE APRENDIZAGEM E OS
EFEITOS DE SENTIDO DO DISCURSO
PEDAGÓGICO DE UTILIZAÇÃO
Eduardo Yoshimoto (Mestrado/UNIFRAN)
Prof . Dr . Maria Regina Momesso (Orientadora)
a
a
E
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
64
ste trabalho pretende refletir sobre as práticas
discursivas pedagógicas, que tratam da utilização de podcasts na educação à distância e quais
os efeitos de sentido de tais práticas no que tange
a construção da concepção e representação de
aprendizagem por meio da audição sem a presença
do professor. A proposta teórica e metodológica
escolhida é a perspectiva discursiva francesa, com
estudos de Michel Foucault e educação, apoiando-se também na questão da modernidade sobre o
signo sociológico de Zygmunt Bauman, a abordagem da inteligência coletiva por Pierre Levy e
com referencial técnico cunhado por Ana Amélia
Amorim de Carvalho no que tange aos conceitos
operacionais do podcast. O podcast é um arquivo
digital de áudio no formato MP3, atualmente este
tipo de arquivo pode ser produzido de forma rápida e simples sem grandes custos com software e
hardware. Outra característica interessante deste
meio é poder ouvi-lo em vários lugares de diversas
formas, inclusive realizando tarefas concomitantes
a sua execução. Além disso, ele possui uma tecnologia de distribuição em massa rápida e simples, seus
usuários podem assinar o programa e o episódio
do podcast é disponibilizado automaticamente
sem que seja necessário entrar no site ou blog em
que ele esteja hospedado, se optar pelo download
poderá gravá-lo em qualquer dispositivo que reproduza arquivos MP3. Desta maneira pode-se estudar
mesmo longe da plataforma original de distribuição
e em qualquer espaço. Esse projeto faz-se importante, pois a investigação das práticas discursivas e
seus efeitos na aprendizagem de conceitos com o
uso do áudio na educação à distância ainda foram
pouco explorados em nosso país.
Palavras-chave:
 discurso;
 podcast;
 EAD.
PROCESSO DE LEITURA / RECEPÇÃO
DE TEXTOS TRANSMIDIÁTICOS
Renata Moschiar Papadópoli Ramos (Mestrado/UNIFRAN)
Profa. Dra. Naiá Sadi Câmara (Orientadora)
O
presente projeto objetiva investigar, partindo
de bases teóricas de estudos já existentes,
como as práticas de leitura apresentadas nos livros da Ingedore Kock e estudos sobre narrativas
transmídia apresentados no livro “Cultura de Convergência” de Henry Jenkins, quais mecanismos de
leitura são utilizados por alunos do ensino superior
em práticas de leitura de textos transmidiáticos,
ou seja, textos apresentados simultaneamente em
diferentes plataformas de mídia. Demonstraremos
que os conceitos utilizados para caracterizar a
narrativa transmídia: colaboração, investigação,
participação e interação, podem fornecer subsídios
para compreendermos e caracterizarmos as novas
estratégias de leitura utilizadas no processo de
produção do sentido por parte do leitor, que será
denominado em todo projeto como transmediador
(leitor de textos transmidiáticos) em um cenário
onde a sociedade se interage e participa integralmente na construção do sentido dos textos. Hoje,
com as informações sendo passadas em inúmeras
plataformas de mídia, as pessoas não só detém o
poder de escolha do que consumir dentro das mídias, como podem também interagir e participar
dos conteúdos passados por essas mídias. É neste
contexto que esta pesquisa vai se aprofundar para
responder questões como: Quais estratégias de
leitura são utilizadas pelo transmediador nos textos
transmídias? Como se dá o processo de produção
de sentido em textos transmidiáticos? Em um segundo momento do trabalho, aprofundaremos
sobre o conceito de multiletramento, consequência
da narrativa transmídia, como bases para melhores
resultados da investigação, uma vez que o transmediador parece compreender a forma de uso dessas
plataformas de mídia.
Palavras-chave:
 transmídia;
 estratégias de linguagem;
 multiletramento.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
PROCESSOS DISCURSIVOS DE
FORMAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS
POLÍTICAS PELA MÍDIA
Camila Cristina B. Barbosa Tozzi (Mestrado/UNIFRAN)
PROFESSOR POR VOCAÇÃO:
DISCURSOS E REPRESENTAÇÕES
DE PROFESSORES DA
CONTEMPORANEIDADE
NO FACEBOOK
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS
Profa. Dra. Naiá Sadi Câmara (Orientadora)
Palavras-chave:
 identidade;
 mídia;
 política.
Profa. Dra. Maria Regina MOMESSO (Orientadora)
N
a contemporaneidade as redes sociais são
utilizadas para dar visibilidade e/ou construir
identidades e representações dos indivíduos com
o intuito de gerar capital social, reconhecimento
e visibilidade. Entende-se que esta construção
de representação e identidade se dá por meio de
práticas discursivas e escrileitoras dos usuários do
espaço virtual e no modo como estas se organizam,
ou seja, por modos e usos da linguagem. Diante do
exposto, a pesquisa tem por objetivo identificar e
refletir sobre as práticas discursivas, escrileitoras e
identitárias que constituem o sujeito “professor” na
internet, em especial, na homepage do facebook
intitulada “Professor por Vocação”. O corpus do
trabalho configura-se de alguns post e comentários
do espaço “Fotos do Mural” da referida página, a
qual possui mais de 92.000 membros. Em meio a
tantas análises possíveis de se fazer no facebook,
observou-se no perfil destinado aos professores,
uma infinidade de discursos, práticas de leitura e
escrita que definem o professor contemporâneo
como um ser fragmentado, fluido e angustiado
por postar discursos e imagens de valorização da
educação e do professor, bem como construir uma
imagem positiva para o real papel do professor
dentro de uma sociedade que parece valorizar muito pouco este profissional. As práticas escrileitoras
emergentes no facebook se fazem por discursos
de pedagogos, políticos, grandes personagens da
história que venceram por meio de uma educação
afetiva. Além dos discursos tem-se imagens/banners que configuram as “fotos do mural”, onde o
moderador do perfil posta imagens relacionadas à
profissão e ao que a ela se refere sempre procurando reconstruir e significar a imagem do professor
como eufórica, positiva e essencial a sociedade.
Palavras-chave:
 discurso;
 leitura;
 escrita.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
65
DA UNIFRAN
objetivo do presente trabalho é verificar como
ocorre a construção da identidade de candidatos a um cargo político. O trabalho é fundamentado nos estudos da semiótica, especialmente
as propostas desenvolvidas por Eric Landowisk.
No livro “Presenças do outro” (2012), constata-se
que as identidades são estabelecidas nas relações
intersubjetivas e pela força do uso. Analisaremos
como os candidatos, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), ambos candidatos a prefeito da
cidade de São Paulo, constroem sua identidade,
no período eleitoral, de maio a outubro de 2012.
Segundo Câmara (2011), julgamos que o estudo
dos meios de construção da identidade política nos
possibilita identificar o papel de destinador social
da mídia na formação dos valores e referências que
devem ser seguidos pela sociedade. A análise das
construções das identidades acontecerá através
do meio transmidiático. Jenkins (2009) afirma em
seu livro Cultura da Convergência, que transmídia
é uma ação publicitária que abrange várias mídias
ao mesmo tempo. Haverá uma pesquisa com dados
secundários por meio da bibliografia e uma com
dados primários, que será a análise do material
coletado. No caso dos candidatos, verificamos a
presença deste tipo de campanha no facebook,
blog entre outros.
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
O
Ythallo Vieira Borges (Iniciação Científica/UNIFRAN)
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMOS DE PAINÉIS
RETOMADA AOS CLÁSSICOS DA
LITERATURA: PRODUÇÃO DE
SENTIDOS E AUTORIA A PARTIR DA
ABORDAGEM EM QUADRINHOS
Joarle Soares (Mestrado/UNIFRAN)
Leny Pimenta (Mestrado/UNIFRAN)
Prof . Dr . Maria Regina Momesso (Orientadora)
a
a
O
III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
DA UNIFRAN
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TV VERSUS INTERNET: O
TELEJORNALISMO COMO
GÊNERO TEXTUAL
trabalho visa refletir sobre as práticas discursivas que tratam de alguns questionamentos em
relação à resistência dos alunos à leitura tradicional
dos clássicos da literatura, de como a instituição
escolar regula e controla os gestos de interpretação
do aluno definindo o quê e como se interpreta, naturalizando sentidos, comprometendo o processo
de instauração da autoria. A reflexão sustenta-se
na Análise do Discurso de “linha” francesa e na
Psicanálise lacaniana, em que os postulados se
ocupam da determinação histórica dos processos
de significação, considerando que os sentidos são
construídos de forma singular, na relação com o
outro e seu ambiente e, para isso, o sujeito tem que
se apropriar do campo da linguagem. Considera-se
a fala e a escuta do professor de suma importância
na construção dos sentidos dos alunos. Pretende-se
ainda por meio da aplicação dos literatures-cards
(cartões literários) realizados sobre a obra Shakesperiana, “Sonho de uma noite de verão”, investigar
o discurso dos alunos a partir das suas narrativas
como leitores-autores-leitores. Buscaremos nos
enunciados e nas sequências de enunciados, alguns possíveis pontos de deriva, ofertados como
um chamamento para interpretações. A partir dos
resultados, será possível avaliar a eficácia de um
trabalho alternativo, que foge a imposição de sentidos comum na escola, na aproximação do aluno
com as obras clássicas.
Palavras-chave:
 resistência;
 discurso;
 autoria.
Prof. Dr. Juscelino Pernambuco (Orientador)
C
om o advento da web e a popularização das
redes sociais, o discurso jornalístico adotado
pelos telejornais parece ter ganhado um contorno,
até então pouco comum, capaz de aproximar a
linguagem dessas duas mídias. Com características
distintas e bem marcadas, a TV e a internet vivem
uma fase na qual a convivência entre elas passou a
se estabelecer de maneira que a informação dada
por uma complementa a da outra. Este trabalho
tem como objetivo discutir como essa configuração tem influenciado o discurso dos telejornais
da Rede Globo, mais precisamente os de maior
audiência, Jornal Hoje e Jornal Nacional, diante da
popularização das redes sociais, que se tornaram
um poderoso meio do telespectador manifestar sua
opinião. A realização deste estudo justifica-se pela
constatação de que há diferenças fundamentais
entre as linguagens empregadas no Jornal Hoje,
exibido à tarde, e no Jornal Nacional, levado ao
ar no horário nobre. É preciso analisar as razões
que levam a essas diferenças, deixando o discurso
dos dois noticiários com marcas distintas tanto do
ponto de vista linguístico quanto do jornalístico.
Para chegar ao objetivo deste trabalho, pretende-se
fundamentar a pesquisa nos estudos da Linguística
Textual, nas reflexões e descobertas de Bakhtin
(2006) e nos estudos das teorias da comunicação e
do jornalismo, como os de Nelson Traquina (2005).
A metodologia consistirá em uma comparação da
linguagem usada nos dois principais telejornais da
Rede Globo, citados anteriormente. Para tanto,
cinco edições de cada um dos noticiários serão
analisadas minuciosamente, de forma a se identificar traços que justifiquem o tema proposto por este
estudo. Com isso, espera-se verificar como os dois
programas moldam o telejornalismo de maneira a
torná-lo um gênero textual agregador de público
e discursos.
Palavras-chave:
 telejornalismo;
 internet;
 linguagens.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
UM ESTUDO DE CASO DAS RELAÇÕES
DE PODER E SABER DISCURSIVOS
SOBRE QUESTÕES JURÍDICAS
EXERCIDAS PELOS USUÁRIOS
DA REDE SOCIAL FACEBOOK
SELINFRAN
SEGUNDA PARTE • RESUMO DE PAINÉIS
Carla Andrea Pereira de Rezende (Mestrado/UNIFRAN)
Profa. Dra. Maria Regina Momesso (Orientadora)
P
Palavras-Chave:
 poder;
 discurso;
 subjetividade.
LÍNGUA E COMUNICAÇÃO, TEXTUALIZAÇÃO E SENTIDO
DA UNIFRAN
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III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUÍSTICA
retende-se analisar as relações e práticas de
poder e saber nos discursos acerca de questões jurídicas cotidianas e sociais circulantes na
rede Facebook, discursos esses realizados por seus
usuários. O poder tem suas práticas e relações em
cadeia, as quais não se fragmentam em partes e
essas são exercidas em rede. Todos somos detentores de um certo poder e esse exerce-se em diferentes pontos das redes sociais. A rede social virtual
congrega ao individuo a representação positiva
do poder, podendo fazê-lo de forma democrática
e sem repressões. Essa prática do exercício do
poder discursivo constrói também subjetividades,
de modo que esse usuário se sente detentor de
liberdade de expressão e um ser que tem voz e
autoridade. O corpus da análise discursiva é a homepage do Facebook “Advogados Públicos”, que
destaca em seus posts uma determinada ordem
discursiva, regras, controles que o sistema jurídico
estabelece paras as várias áreas do direito de forma a precisar as relações de poder vigente deste
ou daquele ramo jurídico. Se o poder é o conjunto
de técnicas pelas quais os sistemas de poder vão
ter por alvo e resultado os indivíduos em sua singularidade. Então, para individualizar uma pessoa,
utiliza-se do exame, que é vigilância permanente,
classificatória, que permiti medir, localizar, utilizar
e julgar ao máximo o individuo. Assim, o Facebook
“Advogados Públicos” funciona como um meio
para as práticas ou relações de poder, para seu
exercício, na medida em que coloca em destaque
a posição de determinados juristas e não de outros,
em determinado lugar e não em outro. Desta forma,
toda a construção da verdade sobre o individuo é
uma forma de hierarquia do poder.
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iii seminário de pesquisa em linguística da unifran