Santa Cruz Geração de Energia S.A. CNPJ nº 07.614.088/0001-80 RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO Apresentamos a seguir, relatório das principais atividades do exercício de 2010, em conjunto com as demonstrações contábeis elaboradas de acordo com a legislação societária brasileira. Perfil A Santa Cruz Geração de Energia S.A., uma empresa do Grupo Votorantim, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, foi constituída em 01/08/2005. A Votorantim Industrial S.A. detêm 100% de seu Capital. Mensagem da diretoria A Santa Cruz Geração de Energia S.A. atua no segmento de geração de energia. O resultado do exercício de 2010 apresentou, um lucro líquido após os impostos de R$ 11.750 (em mil). Sistema elétrico A Santa Cruz Geração de Energia S.A. possui 3 usinas hidroelétricas em operação, com capacidade instalada de 34,08 MW, ou 250 GWh/ano. Recursos humanos A Santa Cruz Geração de Energia S.A. oferece a seus colaboradores, Planos de Benefícios destinados à alimentação, assistência médica e odontológica, auxílio transporte complementar aos estudantes, participação nos resultados, bolsa de estudos e plano de previdência privada com contribuição definida através da Fundação Senador José Ermírio de Moraes. Conciliação das demonstrações financeiras regulatórias A ANEEL editou a Resolução Normativa nº 396 de 23 de fevereiro de 2010, instituindo, assim, a contabilidade regulatória. Em atendimento ao Despacho ANEEL nº 4.097 de 30 de dezembro de 2010 segue abaixo a conciliação entre o balanço patrimonial societário x regulatório. Para a demonstração do resultado do exercício não ocorreram ajustes regulatórios. A Administração BALANÇOS PATRIMONIAIS REGULATÓRIOS EM 31 DE DEZEMBRO (Em milhares de reais) Ativo 2010 Circulante Caixa e equivalentes de caixa Concessionários e permissionários Dividendos a receber Partes relacionadas Outras contas a receber Não circulante Realizável a longo prazo Ativo financeiro a receber Incentivos fiscais e outros Ajustes regulatórios Regulatório Societário Ajustes regulatórios Regulatório 7.984 2.317 233 1 570 11.105 – – – – – – 7.984 2.317 233 1 570 11.105 11.026 3.160 233 2.200 343 16.962 – – – – – – 11.026 3.160 233 2.200 343 16.962 11.132 132 11.264 84 – 6.324 6.408 17.672 28.777 Investimentos Imobilizado Ativos intangíveis Total do ativo 2009 Societário (11.132) – (11.132) – 17.427 (6.295) 11.132 – – 10.895 143 11.038 84 132 132 84 17.427 29 17.540 17.672 28.777 (10.895) – (10.895) – 18.389 (7.494) 10.895 – – 7.545 7.629 18.667 35.629 – 143 143 84 18.389 51 18.524 18.667 35.629 Passivo e patrimônio líquido 2010 Circulante Obrigações estimadas Dividendos propostos Encargo de uso da rede elétrica Tributos e contribuições sociais Compensação financeira pela utilização recursos hídricos Outras obrigações Patrimônio líquido Capital social Reserva de lucros Dividendos adicionais Total do passivo e patrimônio líquido Societário Ajustes regulatórios Regulatório 1.635 8.300 74 301 – – – – 153 281 10.744 12.153 2.430 3.450 18.033 28.777 2009 Societário Ajustes regulatórios Regulatório 1.635 8.300 74 301 571 – 65 167 – – – – 571 – 65 167 – – – 153 281 10.744 168 111 1.082 – – – 168 111 1.082 – – – – – 12.153 2.430 3.450 18.033 28.777 7.944 6.639 19.964 34.547 35.629 – – – – – 7.944 6.639 19.964 34.547 35.629 BALANÇO SOCIAL ANUAL Base de cálculo Receita líquida (RL) Resultado operacional (RO) Folha de pagamento bruta (FPB) Valor (mil) 136 810 63 131 8 10 73 7 1.238 Indicadores sociais internos Alimentação Encargos sociais compulsórios Previdência privada Saúde Segurança e saúde no trabalho Educação Participação nos lucros ou resultados Outros Total - indicadores sociais internos 2010 Valor (Mil reais) 25.720 17.725 3.174 % sobre % sobre FPB RL 4,28% 0,53% 25,52% 3,15% 1,98% 0,24% 4,13% 0,51% 0,25% 0,03% 0,32% 0,04% 2,30% 0,28% 0,22% 0,03% 39,00% 4,81% Valor (mil) 109 866 53 115 9 3 70 5 1.230 2009 Valor (Mil reais) 27.078 109.384 3.071 % sobre % sobre FPB RL 3,55% 0,40% 28,20% 3,20% 1,73% 0,20% 3,74% 0,42% 0,29% 0,03% 0,10% 0,01% 2,28% 0,26% 0,16% 0,02% 40,05% 4,54% Indicadores sociais externos Outros Total das contribuições para a sociedade Tributos (excluídos encargos sociais) Total - Indicadores sociais externos Indicadores do corpo funcional Nº de empregados(as) ao final do período Nº de admissões durante o período Nº de empregados(as) terceirizados(as) Nº de empregados(as) acima de 45 anos Nº de mulheres que trabalham na empresa Nº de negros(as) que trabalham na empresa BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 31 DE DEZEMBRO (Em milhares de reais) Ativo Circulante Caixa e equivalentes de caixa (Nota 5) Concessionários e permissionários (Nota 6) Dividendos a receber Partes relacionadas (Nota 18) Outras contas a receber Não circulante Realizável a longo prazo Ativo financeiro de indenização (Nota 7) Incentivos fiscais e outros Investimentos (Nota 8) Ativos intangíveis (Nota 9) Total do ativo 31 de 31 de 1º de dezembro dezembro janeiro de 2010 de 2009 de 2009 7.984 2.317 233 1 570 11.105 11.026 3.160 233 2.200 343 16.962 1.870 3.056 143 105 85 5.259 Passivo e patrimônio líquido Circulante Obrigações estimadas Dividendos propostos (Nota 10(b)) Encargo de uso da rede elétrica (CUSD) Tributos e contribuições sociais Compensação financeira pela utilização de recursos hídricos (CFURH) Outras obrigações 11.132 10.895 10.871 132 143 139 Patrimônio líquido (Nota 10) 11.264 11.038 11.010 Capital social 84 84 81.920 Reserva de lucros 6.324 7.545 8.942 Dividendos adicionais 6.408 7.629 90.862 17.672 18.667 101.872 28.777 35.629 107.131 Total do passivo e patrimônio líquido As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras. 1.635 8.300 74 301 571 – 65 167 293 14.727 93 151 153 281 10.744 168 111 1.082 158 102 15.524 12.153 2.430 3.450 18.033 28.777 7.944 42.106 6.639 6.639 19.964 42.862 34.547 91.607 35.629 107.131 Lucros acumulados – – 77.483 Total 91.607 (34.162) 77.483 – (57.519) (19.964) – – 11.750 (42.862) (57.519) – 34.547 – 11.750 – (8.300) (3.450) – (19.964) (8.300) – 18.033 NOTAS EXPLICATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2010 (Em milhares de reais, exceto quando indicado) 1. Contexto operacional A Santa Cruz Geração de Energia S.A. (“Santa Cruz” ou “Companhia”), integrante do Grupo Votorantim, é uma sociedade anônima de capital fechado, concessionária de serviços públicos de geração de energia elétrica, cuja atividade operacional se restringe, fundamentalmente, no suprimento de energia elétrica à Companhia Luz e Força Santa Cruz - CPFL Santa Cruz (Nota 6). A Santa Cruz Geração de Energia S.A. possui três usinas hidrelétricas em operação, com capacidade instalada de 34,08 MW, ou 250 GWh/ano. A Companhia opera suas usinas de forma integrada com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Possui prazo de concessão que se encerra em 2015, podendo este ser prorrogado por período adicional de 20 anos. 2. Resumo das principais políticas contábeis As principais políticas contábeis aplicadas na preparação destas demonstrações financeiras estão definidas abaixo. Essas políticas vêm sendo aplicadas de modo consistente em todos os exercícios apresentados, salvo disposição em contrário. 2.1. Base de preparação As presentes demonstrações financeiras foram aprovadas pela administração da Companhia em 13 abril de 2011. A preparação de demonstrações financeiras requer o uso de certas estimativas contábeis críticas e também o exercício de julgamento por parte da administração da Companhia no processo de aplicação das políticas contábeis da Companhia. Aquelas áreas que requerem maior nível de julgamento e possuem maior complexidade, bem como as áreas nas quais premissas e estimativas são significativas para as demonstrações financeiras, estão divulgadas na Nota 3. As demonstrações financeiras foram preparadas e estão sendo apresentadas conforme as práticas contábeis adotadas no Brasil, incluindo os novos pronunciamentos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPCs). Estas são as primeiras demonstrações financeiras apresentadas da Companhia acordo com os novos CPCs. As principais diferenças entre as práticas contábeis adotadas anteriormente no Brasil (BR GAAP antigo) e CPCs, incluindo as reconciliações do patrimônio líquido, estão descritas na Nota 18. 2.2. Moeda funcional e moeda de apresentação Os itens incluídos nas demonstrações financeiras são mensurados usando a moeda do principal ambiente econômico no qual a Companhia atua (“moeda funcional”). As demonstrações financeiras estão apresentadas em milhares de reais, que é a moeda funcional da Companhia e, também, a sua moeda de apresentação. 2.3. Caixa e equivalentes de caixa Caixa e equivalentes de caixa incluem o caixa, os depósitos bancários, outros investimentos de curto prazo de alta liquidez, com vencimentos originais de até três meses, ou menos, e com risco insignificante de mudança de valor. 2.4. Ativos financeiros 2.4.1. Classificação A Companhia classifica seus ativos financeiros sob as seguintes categorias: mensurados ao valor justo através do resultado e empréstimos e recebíveis. A classificação depende da finalidade para a qual os ativos financeiros foram adquiridos. A administração determina a classificação de seus ativos financeiros no reconhecimento inicial. (a) Ativos financeiros ao valor justo por meio do resultado Os ativos financeiros ao valor justo por meio do resultado são ativos financeiros mantidos para negociação. Um ativo financeiro é classificado nessa categoria se foi adquirido, principalmente, para fins de venda no curto prazo. Os ativos dessa categoria são classificados como ativos circulantes. (b) Empréstimos e recebíveis Os empréstimos e recebíveis são ativos financeiros não derivativos com pagamentos fixos ou determináveis, que não são cotados em um mercado ativo. São incluídos como ativo circulante, exceto aqueles com prazo de vencimento superior a 12 meses após a data de emissão do balanço (estes são classificados como ativos não circulantes). Os empréstimos e recebíveis da Companhia compreendem caixa e equivalentes de caixa, contas a receber de clientes e o ativo financeiro indenizável. 2.5. Contas a receber de clientes As contas a receber de clientes, identificáveis no balanço como Concessionários e Permissionários, correspondem aos valores a receber de clientes no decurso normal das atividades da Companhia. Se o prazo de recebimento é equivalente a um ano ou menos, as contas a receber são classificadas no ativo circulante. Caso contrário, estão apresentadas no ativo não circulante. As contas a receber de clientes são, inicialmente, reconhecidas pelo valor justo e, subsequentemente, mensuradas pelo custo amortizado com o uso do método da taxa efetiva de juros menos a provisão para devedores duvidosos. Na prática são normalmente reconhecidas ao valor faturado, ajustado pela provisão para impairment, se necessária. 2.6. Ativo financeiro indenizável e a concessão O ativo financeiro indenizável refere-se ao direito incondicional de receber caixa ou outro ativo financeiro diretamente do poder concedente pela indenização dos investimentos realizados e não amortizados até o final da concessão, conforme previsto no contrato de Concessão da Companhia e decorrente da aplicação da Interpretação Técnica ICPC 01 - “Contratos de Concessão” e da Orientação Técnica OCPC 05 - “Contratos de Concessão”. A ICPC 01 e o OCPC 05 são aplicáveis aos contratos de concessão público-privado nos quais a entidade pública controla ou regula os serviços prestados, com qual infraestrutura, a que preço e para quem deve ser prestado o serviço e, além disso, detém a titularidade dessa infraestrutura. Como o contrato de concessão da Companhia tem tais características, então esta interpretação é aplicável. De acordo com a ICPC 01, a infraestrutura enquadrada nesta interpretação não pode ser reconhecida como ativo imobilizado, mas sim como intangível, uma vez que se considera que o concessionário não controla os ativos subjacentes. Dependendo do tipo de compromisso de remuneração do concessionário assumido junto à concedente, conforme contrato estabelecido entre as partes, adota-se o modelo do ativo financeiro, do ativo intangível e o bifurcado. Como a Companhia é remunerada (i) pelo Poder Concedente no tocante ao valor residual da infraestrutura ao final do contrato de concessão e (ii) pelos usuários, pela parte que lhes cabe dos serviços de construção e pela prestação do serviço de suprimento de energia elétrica, então, aplica-se o modelo bifurcado. Segundo esse modelo, a concessão inclui simultaneamente compromissos de remuneração garantidos pelo poder concedente, direito de indenização da parcela de infraestrutura não amortizada ao final da concessão e remuneração dependentes do nível de utilização das infraestruturas da concessão, cobrados dos usuários. A Companhia procede a testes de redução ao valor recuperável relativamente ao ativo intangível da concessão sempre que eventos ou circunstâncias indiquem que o valor contábil excede o valor recuperável, sendo a diferença, caso exista, reconhecida no resultado. 2.7. Investimentos Os investimentos em coligadas existentes até o ano de 2009, foram avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Os demais investimentos, não relevantes, estão registrados ao custo. 2.8. Ativos intangíveis Compreende, basicamente, o direito de uso da infraestrutura, construída ou adquirida, pelo concessionário como parte do contrato de concessão para geração de energia elétrica destinada a serviço público (recuperação condicionada à venda de energia no mercado regulado e no mercado livre). É avaliado ao custo de aquisição, deduzido da amortização acumulada e das perdas por redução ao valor recuperável, quando aplicável. O saldo do ativo intangível relacionado à infraestrutura é amortizado pela vida útil - econômica dos bens ou pelo período de concessão, dos dois o menor. Dessa forma, a infraestrutura é amortizada até 2015, considerando o método que, na avaliação da administração, melhor reflete o padrão de consumo em relação aos benefícios econômicos esperados, que é aquele que coincide com o mecanismo da tarifa da venda de energia. Nesse sentido, a despesa de amortização de cada um dos bens é apropriada de forma linear no prazo da concessão (período em que o serviço público é prestado utilizando a infraestrutura) e o valor residual é demonstrado como ativo financeiro indenizável (Nota 2.6). As correspondentes taxas de amortização utilizadas, assim, são determinadas pela ANEEL, responsável por estabelecer a vida útil econômica estimada de cada bem integrante da infraestrutura para efeito de determinação da tarifa. Essa estimativa é revisada periodicamente e aceita pelo mercado como uma estimativa razoável e adequada para efeitos contábeis e regulatórios e que representa a melhor estimativa de vida útil econômica dos bens. 2.9. Impairment de ativos não financeiros Os ativos que têm uma vida útil indefinida, não estão sujeitos à amortização e são testados anualmente para a verificação de impairment. Os ativos que estão sujeitos à amortização são revisados para a verificação de impairment sempre que eventos ou mudanças nas circunstâncias indicarem que o valor contábil pode não ser recuperável. Uma perda por impairment é reconhecida pelo valor ao qual o valor contábil do ativo excede seu valor recuperável. Este último é o valor mais alto entre o valor justo de um ativo menos os custos de venda e o seu valor em uso. Para fins de avaliação do impairment, os ativos são agrupados nos níveis mais baixos para os quais existam fluxos de caixa identificáveis separadamente (Unidades Geradoras de Caixa (UGC)). Os ativos não financeiros, exceto o ágio, que tenham sofrido impairment, são revisados subsequentemente para a análise de uma possível reversão do impairment na data de apresentação do relatório. No período, não correram eventos que indicassem que o valor contábil possa não ser recuperável. 2.10. Capital social As ações ordinárias são classificadas no patrimônio líquido. 2.11. Distribuição de dividendos A distribuição de dividendos para os acionistas da Companhia é reconhecida como um passivo nas demonstrações financeiras ao final do exercício, com base no valor do dividendo mínimo obrigatório previsto no estatuto social da Companhia. Qualquer valor acima do mínimo obrigatório somente é tratado como passivo na data em que são aprovados pelos acionistas, em Assembleia. 2.12. Apuração do resultado O resultado é apurado pelo regime de competência, isto é, as receitas e despesas são registradas no % sobre RO 0,01% 0,01% 49,09% 49,10% 2010 45 2 5 12 2 4 % sobre RL 0,01% 0,01% 33,83% 33,84% Valor (mil) 26 26 33.381 33.407 % sobre RO 0,02% 0,02% 30,52% 30,54% 2009 45 2 5 12 2 5 % sobre RL 0,10% 0,10% 123,28% 123,37% DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO 31 de 31 de 1º de dezembro dezembro janeiro de 2010 de 2009 de 2009 DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (Em milhares de reais, exceto quando indicado) Capital Reserva Dividendos social de lucros adicionais Em 1º de janeiro de 2009 42.106 6.639 42.862 Redução do capital social (Nota 10(a)) (34.162) – – Lucro líquido do exercício – – – Destinação do lucro líquido Aprovação dos dividendos adicionais (Nota 10(b)) – – (42.862) Dividendos intermediários (Nota 10(b)) – – – Dividendos adicionais propostos R$ 2.513,41 por lote de mil ações (Nota 10(b)) – – 19.964 Em 31 de dezembro de 2009 7.944 6.639 19.964 Aumento do capital social (Nota 10(a)) 4.209 (4.209) – Lucro líquido do exercício – – – Destinação do lucro líquido Aprovação dos dividendos adicionais (Nota 10(b)) – – (19.964) Dividendos intermediários (Nota 10(b)) – – – Dividendos adicionais propostos R$ 283,88 por lote de mil ações (Nota 10(b)) – – 3.450 Em 31 de dezembro de 2010 12.153 2.430 3.450 As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras. Valor (mil) 2 2 8.701 8.703 momento de sua ocorrência. A Companhia possui concessão até o ano de 2015 para geração de energia elétrica. A estrutura de geração opera desde longa data, não existindo receitas de construção. Essa estrutura é remunerada por meio de tarifa (Nota 2.6). 3. Estimativas e julgamentos contábeis críticos As estimativas e os julgamentos contábeis são continuamente avaliados e baseiam-se na experiência histórica e em outros fatores, incluindo expectativas de eventos futuros, consideradas razoáveis para as circunstâncias. Com base em premissas, a Companhia faz estimativas com relação ao futuro. Por definição, as estimativas contábeis resultantes raramente serão iguais aos respectivos resultados reais. Segundo o contrato de concessão da Companhia, uma vez extinta a concessão, operar-se-á, de pleno direito, a reversão, ao poder concedente, dos bens e instalações vinculados a exploração dos aproveitamentos hidrelétricos, procedendo-se os levantamentos e as avaliações, bem como a determinação do montante da indenização devida à Companhia, observados os valores e as datas de sua incorporação ao sistema elétrico. Dessa forma, a Companhia adotou a premissa que tem o direito de recebimento integral de indenização (caixa) do poder concedente sobre os investimentos não amortizados ao final da concessão, e que os valores a serem indenizados tomam por base o valor contábil. No momento, existe discussão de interpretação legal e regulatória sobre esse tema, mais especificamente em relação a como calcular a indenização. Adicionalmente, a Companhia buscará a renovação da concessão, o que poderá implicar em reavaliação do valor do ativo financeiro indenizável. 4. Gestão de risco financeiro 4.1. Fatores de risco financeiro As atividades da Companhia a expõem a diversos riscos financeiros: risco de mercado (incluindo risco de taxa de juros de valor justo, risco de taxa de juros de fluxo de caixa e risco de preço), risco de crédito e risco de liquidez. A gestão de risco da Companhia se concentra na imprevisibilidade dos mercados financeiros e busca minimizar potenciais efeitos adversos no desempenho financeiro da Companhia. 4.1.1. Risco de mercado Refere-se ao risco de que o fluxo de caixa ou valor justo de instrumentos financeiros varie muito, principalmente em decorrência da flutuação da taxa de juros e do câmbio. Considerando que a Companhia não tem ativos significativos em que incidam juros ou sujeito à variação cambial, o resultado e os fluxos de caixa operacionais da Companhia são, substancialmente, independentes das mudanças nas taxas de juros do mercado. 4.1.2. Risco de crédito O risco de crédito decorre de caixa e equivalentes de caixa, instrumentos financeiros, depósitos em bancos e instituições financeiras, bem como de exposições de crédito a cliente, incluindo contas a receber em aberto. Para bancos e instituições financeiras, são aceitos somente títulos de entidades independentemente classificadas com rating mínimo “A”. No caso de clientes, a Companhia possui somente um cliente, com o qual possui contrato de longo prazo, conforme determinado pelo órgão regulador. 4.1.3. Risco de liquidez A Companhia monitora as previsões contínuas das exigências de liquidez para assegurar que ela tenha caixa suficiente para atender às necessidades operacionais. A Companhia investe o excesso de caixa em contas correntes com incidência de juros, depósitos a prazo e depósitos de curto prazo, escolhendo instrumentos com vencimentos apropriados ou liquidez adequada para fornecer margem suficiente conforme determinado pelas previsões acima mencionadas. 4.2. Risco hidrológico Em relação ao risco associado à escassez de água destinada à geração de energia, a Companhia possui acordo operativo com a Duke Energy International Geração Paranapanema S.A. que consta em seu contrato de concessão nº 76/1999, no sentido de garantir vazão de fluente mínima à UHE Jurumirim, de 147 m3/s. Em caso de impossibilidade de manutenção desta vazão, a Agência Nacional de Energia Elétrica estudará mecanismos para a compensação da energia não produzida. 4.3. Risco de regulação As atividades da Companhia, assim como de seus concorrentes são regulamentadas e fiscalizadas pela ANEEL. Qualquer alteração no ambiente regulatório poderá exercer impacto sobre as atividades da Companhia. 4.4. Risco ambiental As atividades e instalações da Companhia estão sujeitas a diversas leis e regulamentos federais, estaduais e municipais, bem como a diversas exigências de funcionamento relacionadas à proteção do meio ambiente. 4.5. Gestão de capital Os objetivos da Companhia ao administrar seu capital são os de salvaguardar a capacidade de continuidade da Companhia para oferecer retorno aos acionistas e benefícios às outras partes interessadas, além de manter uma estrutura de capital ideal para reduzir esse custo. 4.6. Estimativa do valor justo Pressupõe-se que os saldos das contas a pagar aos fornecedores e as contas a receber de cliente pelo valor contábil, menos a perda (impairment), esteja próxima de seus valores justos. O valor contábil dos instrumentos financeiros referentes aos ativos e passivos da Companhia em 31 de dezembro de 2010 e de 2009 equivale, aproximadamente, ao seu valor de mercado, considerando-se a taxa de juros corrente para operações similares e de vencimentos comparáveis. A Companhia não efetuou contratos ou operações envolvendo instrumentos financeiros derivativos no período coberto por estas demonstrações financeiras. Os únicos instrumentos financeiros na categoria de avaliados ao valor justo por meio do resultado referem-se às aplicações financeiras. 5. Caixa e equivalentes de caixa 31 de dezembro 31 de dezembro 1º de janeiro de 2010 de 2009 de 2009 Caixa e bancos 398 786 1.680 Aplicações financeiras 7.586 10.240 190 7.984 11.026 1.870 As aplicações financeiras referem-se a cotas de fundos de investimentos, remuneradas pela variação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). 6. Concessionários e permissionários O contas a receber da Companhia é composto, basicamente, pelo suprimento de energia elétrica à Companhia Luz e Força Santa Cruz - CPFL Santa Cruz. Durante o período, o faturamento com a Companhia Luz e Força Santa Cruz foi de R$ 27.937 (31 de dezembro de 2009 - R$ 27.996), dos quais R$ 2.242 (31 de dezembro de 2009 - R$ 3.101) encontram-se em aberto em 31 de dezembro de 2010. 7. Ativo financeiro a receber O saldo de R$ 11.132 em 31 de dezembro de 2010 (R$ 10.895 em 2009) refere-se ao valor a receber do poder concedente devido ao direito incondicional de receber caixa ao final da concessão, a título de indenização pelos investimentos efetuados e que não serão recuperados por meio da prestação de serviços relacionados à concessão. Estes ativos financeiros refletem o saldo remanescente do ativo intangível não amortizável após o final do prazo de concessão e são calculados com base no valor de custo dos ativos em serviço pertencentes à concessão, que serão reversíveis no final da concessão. Ver Nota 18 - Adoção dos CPCs pela primeira vez. A base de remuneração deste ativo e do ativo intangível é a tarifa determinada pelo poder concedente (Nota 2.6). 8. Investimentos 31 de dezembro 31 de dezembro 1º de janeiro de 2010 de 2009 de 2009 Votorantim Energia Ltda. – – 41.325 Votorantim Cimentos Norte e Nordeste S.A. – – 7.537 VBC Energia S.A. – – 32.966 Terrenos não vinculados a concessão 84 84 92 84 84 81.920 (a) Movimentação dos investimentos Votorantim Votorantim VBC Outros Energia Cimentos Energia investiDescrição Ltda. N/NE S.A. mentos Total Saldo em 1º de janeiro de 2009 41.325 7.537 32.966 92 81.920 Venda de ações da VBC Energia – – (32.966) – (32.966) Equivalência patrimonial 228 (223) – – 5 Dividendos (7.399) (90) – – (7.489) Dação em pagamento de dividendos a CBA (Nota 10) – (7.224) – – (7.224) Dação em pagamento de redução de capital social (Nota 10) (34.154) – – (8) (34.162) Saldo em 31 de dezembro de 2009 – – – 84 84 (b) Outras informações relevantes sobre os investimentos (i) Votorantim Energia Ltda. A Votorantim Energia Ltda. (a “Votorantim Energia”) tem por objetivo a realização, diretamente ou através de participação em outras sociedades, de pesquisas, estudos e projetos relacionados ao dimensionamento e desenvolvimento de empreendimentos energéticos, bem como a implantação de instalações novas ou já iniciadas e a operação e exploração dessas instalações, buscando sua viabilização, especialmente no que concerne aos aspectos estratégicos do setor energético nacional. A Votorantim (Em milhares de reais) Exercício findo em Exercício findo em 31 de dezembro de 2010 31 de dezembro de 2009 Receitas Vendas brutas 28.716 28.451 Outras receitas 104 4 Ganho com venda de participação societária – 90.998 Provisão para créditos de liquidação duvidosa (22) 4 28.797 119.457 Insumos adquiridos de terceiros Custo dos produtos vendidos, das mercadorias e dos serviços prestados (3.267) (3.679) Despesas de transporte – – Custo de publicidade – – Perda/recuperação de valores ativos – – Outras despesas (668) (695) (3.935) (4.374) Valor adicionado bruto 24.863 115.083 Depreciação/amortização (1.423) (1.436) Valor adicionado líquido produzido 23.440 113.647 Valor adicionado recebido em transferência – – Resultado de equivalência patrimonial – 5 Receitas financeiras 587 242 Valor adicionado total a distribuir 24.027 113.894 Distribuição do valor adicionado – – Salários e encargos (3.576) (3.440) Honorários de diretoria – (49) Impostos, taxas e contribuições (8.701) (32.922) Lucros retidos/prejuízo do exercício (11.750) (77.483) Valor adicionado distribuído (24.027) (113.894) DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO - EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO (Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma) 2010 2009 Operações continuadas Receitas de suprimento de energia (Nota 15) 25.717 27.075 Custo dos serviços prestados (Nota 16) (7.398) (7.869) Lucro bruto 18.319 19.206 Despesas administrativas (Nota 17) (1.183) (1.060) Outras receitas 103 3 Outros ganhos (perdas), líquidos (31) (28) Lucro operacional 17.208 18.121 Receitas financeiras líquidas 586 232 Participação nos lucros de coligadas (Nota 8) – 91.004 Lucro antes do imposto de renda e da contribuição social 17.794 109.357 Imposto de renda e contribuição social (6.044) (31.874) Lucro líquido do exercício 11.750 77.483 Ações em circulação ao final do exercício 12.153 7.943 Lucro por lote de mil ações - em R$ 966,84 9.754,88 A demonstração do resultado abrangente não está sendo apresentada, uma vez que não há outros resultados abrangentes além do lucro líquido do exercício. As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras. DEMONSTRAÇÕES DOS FLUXOS DE CAIXA EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO (Em milhares de reais) 2010 2009 Fluxos de caixa das atividades operacionais Lucro líquido do exercício 11.750 77.483 Ajustes Amortização 1.424 1.436 Resultado da equivalência patrimonial – (5) Ganho com venda de participação societária – (90.997) Outros – (15) Variações nos ativos e passivos Concessionários e permissionários 843 (104) Partes relacionadas 2.199 (2.095) Realizável a longo prazo 11 (4) Outros ativos (227) (348) Obrigações estimadas 1.064 278 Encargo de uso da rede elétrica (CUSD) 9 (28) Outros passivos 289 35 Caixa líquido proveniente das (aplicado nas) atividades operacionais 17.362 (14.364) Fluxos de caixa das atividades de investimentos Aquisições de bens do ativo financeiro e intangível (440) (63) Recebimento por venda de participação societária – 31.000 Caixa líquido proveniente das atividades de investimentos (440) 30.937 Fluxos de caixa das atividades de financiamento Dividendos pagos (19.964) (7.417) Caixa líquido aplicado nas atividades de financiamentos (19.964) (7.417) Aumento (redução) líquido de caixa e equivalentes de caixa (3.042) 9.156 Caixa e equivalentes de caixa no início do período 11.026 1.870 Caixa e equivalentes de caixa no final do período 7.984 11.026 Aumento (redução) líquido de caixa e equivalentes de caixa (3.042) 9.156 As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras. Energia também administra as participações do grupo Votorantim em geração e distribuição de energia. Em função de reorganização societária do grupo econômico do qual a Santa Cruz faz parte, os acionistas aprovaram a redução do capital social da Companhia, nos termos descritos na Nota 9 (a), mediante a entrega da totalidade das 14.797.917 quotas detidas do capital social da Votorantim Energia. Essa transação foi efetuada a valor contábil, no montante de R$ 34.154, e tomou por base o balanço patrimonial da Companhia levantado em 31 de maio de 2009. (ii) Votorantim Cimentos Norte e Nordeste S.A. A Votorantim Cimentos Norte e Nordeste S.A. (“VCNN”) é uma sociedade anônima de capital fechado, com sede em Recife - PE. A VCNN tem como atividades preponderantes a mineração de calcário em geral, em jazidas existentes em suas propriedades, a industrialização e comercialização de cimento, cal, calcário, seus derivados e similares e a participação em outras sociedades, atuando nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, com fábricas em Laranjeiras - SE, Caapora - PB, Sobral - CE, Paulista - PE e Barcarena - PA. Em 31 de maio de 2009, os acionistas da Companhia aprovaram a distribuição de dividendos com base em lucros acumulados de exercícios anteriores e lucros do período, com base em balanço patrimonial levantado em 30 de abril de 2009. Para pagamento de parte desses dividendos, foi utilizada a participação total detida pela Companhia na VCNN, a valor contábil, representada por 46.270 ações ordinárias nominativas, e 47.518 ações preferenciais nominativas de classe B, totalizando 93.788 ações, no valor de R$ 7.224. (iii) VBC Energia S.A. A VBC Energia S.A. (“VBC Energia”) é uma sociedade por ações de capital aberto, cujo objeto social é participar em outras sociedades primariamente dedicadas à distribuição, geração e comercialização de energia elétrica. A VBC Energia detém 27,85% do capital total da CPFL Energia (28,41% em 31 de dezembro de 2007). Em 02 de janeiro de 2009, a Companhia alienou a totalidade das ações detidas nessa investida para a Votorantim Participações S.A. (VPAR), o que compreendeu 87.483 ações nominativas sem valor nominal, e 3.738 ações preferenciais classe A e uma ação preferencial classe B, representativas de 2,4177% do capital social da VBC Energia S.A. Essa alienação, efetuada pelo valor de R$ 123.963, gerou ganho para a Companhia de R$ 90.997. O recebimento deste valor ocorreu da seguinte forma: (i) parcela em caixa, no montante de R$ 31.000, ocorrido em 30 de abril de 2009 e (ii) saldo de R$ 92.963 como pagamento de dividendo (Nota 10), mediante a entrega desse crédito a receber da VPAR, que por sua vez está fundamentado em Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, celebrado entre Camargo Corrêa S.A. e Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. na qualidade de compradores, e Votorantim Participações S.A. (VPAR), na qualidade de vendedora. 9. Ativos intangíveis Direito de uso da concessão Softwares Total 8.870 72 8.942 Saldos em 1o de janeiro de 2009 Transferência para ativo financeiro (2) – (2) Amortização (1.374) (21) (1.395) Saldos em 31 de dezembro de 2009 7.494 51 7.545 Custo total 8.868 109 8.977 Amortização acumulada (1.374) (58) (1.432) Valor residual 7.494 51 7.545 Saldos em 31 de dezembro de 2009 7.494 51 7.545 Adições 59 – 59 Amortização (1.259) (21) (1.280) Saldos em 31 de dezembro de 2010 6.294 30 6.324 Custo total 8.927 109 9.036 Amortização acumulada (2.633) (79) (2.712) Valor residual 6.294 30 6.324 Taxas médias anuais de amortização - % 14,29 5 – 10. Patrimônio líquido (a) Capital social O capital social da Companhia em 31 de dezembro de 2010 era de R$ 12.153 (31 de dezembro de 2009 - R$ 7.944), totalmente integralizado, representado por 12.153.210 (31 de dezembro de 2009 7.943.487) ações ordinárias nominativas, sem valor nominal. Em 30 de junho de 2009, devido a processo de reorganização societária do grupo econômico do qual a Companhia faz parte, os acionistas, reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, aprovaram a redução do capital social da Companhia, no montante de R$ 34.162, com o cancelamento de 34.162.123 ações ordinárias nominativas e o pagamento do preço correspondente, mediante a transferência de bens imóveis e participações societárias detidas pela Companhia (Nota 8(b)(i)). Em 27 de novembro de 2009, por meio do Despacho no 4.405, a ANEEL anuiu a redução de capital proposta pela Companhia. Em 23 de fevereiro de 2010, por meio da Resolução Autorizativa no 2.279, a Agência Nacional de Energia Energia Elétrica (ANEEL), anuiu à transferência de controle societário direto da Santa Cruz Geração de Energia S.A., detido pela Companhia Brasileira de Alumínio, para a empresa Votorantim Industrial S.A. em função de reorganização societária realizada no Grupo Votorantim. Em Assembleia Geral Ordinária, realizada em 30 de setembro de 2010, os acionistas aprovaram o Santa Cruz Geração de Energia S.A. CNPJ nº 07.614.088/0001-80 NOTAS EXPLICATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2010 (Em milhares de reais, exceto quando indicado) aumento do capital social da Companhia, no montante de R$ 4.209, com a emissão de 4.209.723 ações ordinárias nominativas, decorrente da capitalização de parte do saldo de reserva legal. (b) Dividendos Aos acionistas é assegurado o direito de receber, como dividendo obrigatório, no mínimo, a parcela de 25% do lucro líquido apurado na forma da lei. Em Assembleia Geral Ordinária, de 28 de abril de 2009, os acionistas aprovaram as demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2008, incluindo a destinação, pela administração, de 5% para a “Reserva legal”, 25% para dividendos propostos e o saldo de dividendos adicionais propostos para “Dividendos propostos”, totalizando o montante de R$ 55.172. Em Assembleia Geral Extraordinária, ocorrida em 31 de maio de 2009, os acionistas da Companhia deliberaram aprovar a declaração de dividendos no valor total de R$ 107.691 o que considera a aprovação de novos dividendos com base em lucros auferidos até 30 de abril de 2009, conforme balanço patrimonial levantado nessa data, no montante de R$ 57.519, além de saldo de dividendos de R$ 50.172. Adicionalmente, nessa mesma assembleia, os acionistas deliberaram o pagamento dos referidos dividendos no montante de R$ 107.691 da seguinte forma: • R$ 92.963 - dação em pagamento de crédito a receber da VPAR -Votorantim Participações S.A., relacionado à alienação da participação na VBC Energia (Nota 9). • R$ 7.399 - dação em pagamento de créditos detidos pela Companhia contra Votorantim Energia Ltda., oriundos de distribuição de dividendos ocorrida em maio de 2009. • R$ 105 - dação em pagamento de créditos oriundos de notas promissórias emitidas pela VPAR em benefício da Companhia no âmbito do contrato de compra e venda de ações da Igara Participações S.A. • R$ 7.224 - dação em pagamento de participação detida pela Companhia na Votorantim Cimentos N/NE S.A. Em Assembleia Geral Extraordinária, ocorrida em 28 de abril de 2010, os acionistas da Companhia deliberaram aprovar a destinação de dividendos no valor de R$ 19.964, referente ao restante do lucro líquido de 2009, registrado em “Dividendos adicionais propostos”. Em Assembleia Geral Extraordinária, ocorrida em 30 de setembro de 2010, os acionistas da Companhia deliberaram aprovar a declaração de dividendos no valor total de R$ 8.300, com base em lucros auferidos até 31 de agosto de 2010, conforme balanço patrimonial levantado nessa data. Em 31 de dezembro de 2010 o saldo da conta “Reserva legal” já havia atingido o limite legal de 20% do capital social. Assim não foi constituída a reserva legal e o lucro remanescente desse exercício de 2010 foi destinado para a conta de dividendos adicionais propostos, ainda dentro do patrimônio líquido. 11. Imposto de renda e contribuição social A Companhia optou, até 31 de dezembro de 2009, pela tributação do imposto de renda e da contribuição social através do lucro presumido. Até 2009, o imposto de renda foi recolhido trimestralmente mediante a aplicação da alíquota de 15% sobre a base de cálculo, que compreendia 8% aplicado sobre a receita bruta de vendas adicionado às demais receitas e aos ganhos de capital, além do adicional de 10% sobre a parcela da base que excedesse ao limite de R$ 60.000,00 no trimestre. Para cálculo da contribuição social, foi considerado o percentual de 12% sobre a receita bruta de venda, somada ao resultado as demais receitas. A contribuição social foi recolhida trimestralmente mediante a aplicação da alíquota de 9% sobre a base de cálculo acima mencionada. Para o ano de 2010, a Companhia passou a apurar o imposto de renda e a contribuição social com base no lucro real em virtude da receita bruta total do ano de 2009 ter excedido o limite de R$ 48.000 mil, estabelecido para o lucro presumido. Dessa forma, o lucro líquido, ajustado por adições e exclusões previstas na legislação fiscal, passou a ser tributado pela alíquota de 15% (mais adicional de 10%), no caso do imposto de renda, e 9% no caso da contribuição social. Em função de ausência de adições ou exclusões temporárias ou permanentes relevantes, não está (b) Transações e saldos sendo apresentada a reconciliação entre a despesa de imposto de renda e de contribuição social pela alíquota nominal e pela efetiva. 12. Contingências De acordo com a legislação vigente, os livros fiscais da Companhia estão sujeitos à revisão pelas autoridades fiscais, retroativamente, pelo período de até dez anos, com referência aos tributos federais e estaduais. Considerando as normas contábeis a respeito, notadamente a norma “Provisões, passivos, contingências passivas e contingências ativas”, a Companhia não possui registro contábil de contingências ou valores cuja divulgação seja requerida. 13. Seguros A Companhia mantém contratos de seguros, cujas principais coberturas podem ser assim demonstradas, nos termos que constam das apólices de seguro: Descrição 2010 2009 Veículos 168 168 Subestações 2.128 2.128 2.296 2.296 14. Receita de suprimento de energia A reconciliação das vendas brutas para a receita líquida é como segue: 2010 2009 Suprimento de energia elétrica 28.716 28.451 Deduções da receita bruta PIS (474) (185) COFINS (2.183) (854) R.G.R. (342) (337) Receita líquida 25.717 27.075 15. Custo dos serviços prestados 2010 2009 Pessoal (2.709) (2.754) Energia elétrica comprada para revenda (139) (1.124) Material (153) (202) Serviços de terceiros (637) (249) Amortização (1.424) (1.436) Outras despesas (361) (251) Encargos de uso da rede elétrica - CUSD (845) (817) Compensação financeira - CFURH (999) (914) Taxa de fiscalização - TFSEE (131) (122) (7.398) (7.869) 16. Despesas por natureza 2010 2009 Pessoal (867) (734) Material (11) (23) Serviços de terceiros (305) (303) (1.183) (1.060) 17. Partes relacionadas (a) Remuneração do pessoal-chave da administração O pessoal-chave da administração inclui somente os diretores, cuja remuneração paga até 31 de dezembro de 2009 totalizou R$ 49. Em 2010, esses diretores, também alocados a outras empresas do grupo Votorantim, foram remunerados por meio dessas outras empresas. 31 de dezembro de 2010 Ativo circulante Dividendos a receber Outros créditos Passivo circulante Dividendos a pagar Outros créditos Patrimônio líquido Dividendos adicionais propostos Custos Energia elétrica comprada para revenda Votorantim Participações S.A. Companhia Brasileira de Alumínio Votener Votorantim Comercializadora de Energia Ltda. Votorantim Cimentos Norte e Nordeste S.A. Votorantim Industrial S.A. Total – 1 – – 233 – – – 233 1 – 2 – – – – 8.300 – 8.300 2 – – – 3.450 3.450 – 139 – Companhia Brasileira de Alumínio Votener Votorantim Comercializadora de Energia Ltda. Votorantim Cimentos Norte e Nordeste S.A. Ativo circulante Concessionários e permissionários – – – – Créditos a receber – 2.200 – – Dividendos a receber – – – 233 Receita Suprimento de energia – – – – Custos Energia elétrica comprada para revenda – – 1.124 – Patrimônio líquido Dividendos adicionais propostos – 19.964 – – Resultado de participações societárias Resultado de equivalência patrimonial – – – (223) Ganho com venda de participação societária 90.997 – – – Transações de investimentos (i) – – – (7.224) (i) Transações de baixa dos investimentos da Companhia. (ii) Com a baixa do investimento na VBC Energia, esta Companhia deixou de ser parte relacionada em janeiro de 2009, conforme Nota 8. Ativo circulante Concessionários e permissionários Outros créditos Dividendos a receber Ativo permanente investimentos Passivo circulante Dividendos a pagar Encargos de uso da rede elétrica - CUSD Patrimônio líquido Dividendos adicionais propostos – 139 31 de dezembro de 2009 Companhia Luz e Força Santa Cruz - CPFL Santa Cruz (ii) Total Votorantim Energia Ltda. VBC Energia S.A. – – – – – – 3.101 – – 3.101 2.200 233 27.996 – – 27.996 – – – 1.124 – – – 19.964 – – – 5 90.997 (74.344) 228 – (34.154) – – (32.966) Votener Votorantim Comercializadora de Energia Ltda. Votorantim Cimentos Norte e Nordeste S.A. Votorantim Energia Ltda. VBC Energia S.A. 1º de janeiro de 2009 Companhia Luz e Força Santa Cruz CPFL Santa Cruz Total Votorantim Participações S.A. Companhia Brasileira de Alumínio Enercam Campos Novos Energia S.A. – 105 – – – – – – – – – – – – – – – – 143 7.537 – – – 41.325 – – – 32.966 2.834 – – – 2.834 105 143 81.828 – – 14.727 – – – – – – – – – – – – 93 14.727 93 – 42.862 – – – – – – 42.862 As condições financeiras dessas transações foram estabelecidas utilizando-se como parâmetro os preços praticados no mercado local, com exceção dos saldos de investimentos, cujas transações estão descritas na Nota 8. Adicionalmente, os valores de ativos e passivos não são corrigidos monetariamente. 18. Adoção dos CPCs pela primeira vez 18.1. Base da transição - aplicação dos CPCs 37 e 43 As demonstrações financeiras para o exercício findo em 31 de dezembro de 2010 são as primeiras demonstrações financeiras anuais em conformidade com os novos CPCs. A Companhia aplicou os CPCs 37 e 43 na preparação destas demonstrações financeiras, cuja data de transição é 1º de janeiro de 2009. A administração preparou os balanços patrimoniais de abertura segundo referidos novos CPCs nessa data. As estimativas utilizadas na preparação das demonstrações financeiras em 1o de janeiro de 2009 são consistentes com as estimativas feitas de acordo com as práticas contábeis anteriormente adotadas no Brasil. Em relação aos novos CPCs, a mudança de política contábil resume-se à: (a) Contabilização do contrato de concessão A contabilização do contrato de concessão tomou por base o ICPC 01 - Contratos de Concessão e a Orientação OCPC 05, editado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis com a finalidade de esclarecer assuntos para a adoção do ICPC 01. O item 31 do ICPC 01 prevê, como regra geral, que as alterações nas práticas contábeis devem ser contabilizadas de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 23 - Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro, ou seja, retroativamente. O item 32 do mesmo ICPC 01, por outro lado, prevê que se, nos termos de qualquer contrato de concessão em particular, for impraticável para uma entidade a aplicação retroativa dessa Interpretação no início do período mais antigo apresentado, a entidade deverá: (a) registrar os ativos financeiros e os ativos intangíveis existentes no início do período mais antigo apresentado; (b) utilizar os valores contábeis anteriores dos ativos financeiros e intangíveis (não importando a sua classificação anterior) como os seus valores contábeis naquela data; (c) e testar o valor recuperável dos ativos financeiros e intangíveis reconhecidos naquela data, a menos que isso seja impraticável, sendo que nesse caso a perda de valor residual deve ser testada no início do período corrente. No caso da Companhia, a administração concluiu ser impraticável a aplicação retroativa, em função da impossibilidade de resgate de informações antigas, e efetuou a apresentação acima requerida, não tendo sido identificada a necessidade de provisão para perdas. A melhor estimativa da administração é que o valor não amortizável da infraestrutura, ao final da concessão em 2015, será indenizada pelo poder concedente, considerando o custo histórico investido. Assim, do valor total do imobilizado na data de transição, foi apurado o valor de um ativo financeiro indenizável e, por diferença, foi apurado o saldo inicial do ativo intangível. Essa estimativa será revista periodicamente, inclusive considerando a possibilidade de renovação da concessão. (b) Contabilização de dividendos propostos e não declarados De acordo com ICPC 08 - Contabilização da proposta de pagamento de dividendos, a Companhia passou a contabilizar no passivo somente o dividendo mínimo obrigatório ou os dividendos adicionais que tenham sido aprovados dentro do exercício. A parcela proposta de dividendos que exceder a esse mínimo obrigatório está sendo mantida no patrimônio líquido, em conta específica, “dividendo adicional proposto”, até a deliberação definitiva que vier a ser tomada pelos acionistas da Companhia. 18.2. Conciliação entre BR GAAP antigo e os novos CPCs Nos termos acima detalhados, os ajustes efetuados nos balanços patrimoniais na data de transição e os efeitos em 31 de dezembro de 2009, podem ser assim resumidos: De acordo com De acordo o BR GAAP com os Em 1º de janeiro de 2009 anterior Ajuste novos CPCs Ativo não circulante Ativo financeiro indenizável – 10.871 10.871 Imobilizado 19.741 (19.741) – Intangível 72 8.870 8.942 Passivo circulante Dividendos 57.589 (42.862) 14.727 Patrimônio líquido 48.745 42.862 91.607 De acordo com De acordo o BR GAAP com os Em 31 de dezembro de 2009 anterior Ajuste novos CPCs Ativo não circulante Ativo financeiro indenizável – 10.895 10.895 Imobilizado 18.389 (18.389) – Intangível 51 7.494 7.545 Passivo circulante Dividendos 19.964 (19.964) – Patrimônio líquido 14.583 19.964 34.547 Considerando que a taxa de amortização do intangível (conjunto da infraestrutura) corresponde às taxas determinadas pela ANEEL, responsável por estabelecer a vida útil econômica estimada de cada bem integrante da infraestrutura, para efeito de determinação da tarifa, os ajustes acima não alteraram o resultado do exercício de 2009. DIRETORIA Otávio Carneiro de Rezende Diretor Presidente José Geraldo dos Santos Diretor João Bosco Silva Diretor Rodrigo Teixeira Cocchi CRC 1SP243650/O-2 RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Aos Administradores e Acionistas Santa Cruz Geração de Energia S.A. Examinamos as demonstrações financeiras da Santa Cruz Geração de Energia S.A. (a “Companhia”) que compreendem o balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2010 e as respectivas demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, assim como o resumo das principais políticas contábeis e as demais notas explicativas. Responsabilidade da administração sobre as demonstrações financeiras A administração da Companhia é responsável pela elaboração e adequada apresentação dessas demonstrações financeiras de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e pelos controles internos que ela determinou como necessários para permitir a elaboração de demonstrações financeiras livres de distorção relevante, independentemente se causada por fraude ou por erro. Responsabilidade dos auditores independentes Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações financeiras com base em nossa auditoria, conduzida de acordo com as normas brasileiras e internacionais de auditoria. Essas normas requerem o cumprimento de exigências éticas pelo auditor e que a auditoria seja planejada e executada com o objetivo de obter segurança razoável de que as demonstrações financeiras estão livres de distorção relevante. Uma auditoria envolve a execução de procedimentos selecionados para obtenção de evidência a respeito dos valores e das divulgações apresentados nas demonstrações financeiras. Os procedimentos selecionados dependem do julgamento do auditor, incluindo a avaliação dos riscos de distorção relevante nas demonstrações financeiras, independentemente se causada por fraude ou por erro. Nessa avaliação de riscos, o auditor considera os controles internos relevantes para a elaboração e adequada apresentação das demonstrações financeiras da Companhia para planejar os procedimentos de auditoria que são apropriados nas circunstâncias, mas não para expressar uma opinião sobre a eficácia desses controles internos da Companhia. Uma auditoria inclui também a avaliação da adequação das políticas contábeis utilizadas e a razoabilidade das estimativas contábeis feitas pela administração, bem como a avaliação da apresentação das demonstrações financeiras tomadas em conjunto. Acreditamos que a evidência de auditoria obtida é suficiente e apropriada para fundamentar nossa opinião. Opinião Em nossa opinião, as demonstrações financeiras acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da Santa Cruz Geração de Energia S.A. em 31 de dezembro de 2010, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. São Paulo, 18 de abril de 2011 PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes CRC 2SP000160/O-5 Valdir Renato Coscodai Contador CRC 1SP165875/O-6