UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS FLÁVIO ROBERTO DE OLIVEIRA GARCIA PRODUÇÕES ACADÊMICAS DE PESQUISAS CONTÁBEIS NO TERCEIRO SETOR NO BRASIL ENTRE OS ANOS 2010 E 2011 Natal/RN 2012 FLÁVIO ROBERTO DE OLIVEIRA GARCIA PRODUÇÕES ACADÊMICAS DE PESQUISAS CONTÁBEIS NO TERCEIRO SETOR NO BRASIL ENTRE OS ANOS DE 2010 E 2011 Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientadora: Prof. Msc. Izabel de Medeiros Coelho Natal/RN 2012 FLÁVIO ROBERTO DE OLIVEIRA GARCIA PRODUÇÕES ACADÊMICAS DE PESQUISAS CONTÁBEIS NO TERCEIRO SETOR NO BRASIL ENTRE OS ANOS DE 2010 E 2011 Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. BANCA EXAMINADORA DA MONOGRAFIA: Profª. Msc. IZABEL DE MEDEIROS COELHO- Orientadora Profª. Msc. MAXWELL DOS SANTOS CELESTINO - Membro Prof. ISABEL CRISTINA DA COSTA NASCIMENTO - Membro Aprovada em: Natal/RN, 20 de dezembro de 2012. Aos meus amigos e familiares, em especial à minha mãe, pelos anos dedicados à minha formação pessoal e humana. AGRADECIMENTOS Agradeço Àquele que tudo me deu, que sempre olhou por mim e me amou antes mesmo de minha concepção. Àquele o qual um dia ouvi falar e que por amor se apresentou a mim e deu o verdadeiro sentido à minha vida. Que me elevou à condição de Filho. Agradeço a Ti Senhor, por todo amor com que me conduzistes e permitistes que hoje eu alcançasse mais essa vitória na minha vida. Agradeço ainda a Nossa Senhora, que silenciosamente cuidou de mim, esteve ao meu lado e me protegeu de todo o mal, escondendo-me sob o seu manto e me conduzindo ao coração de seu Filho. Agradeço aos meus familiares, em especial aos meus pais: Luciana e Garcia, que, com lutas, sempre me proporcionaram educação e proveram o necessário para o meu sustento. Ao meu irmão Fábio, aos meus avós, tios e primos, por todo o apoio. Sou grato à Comunidade Católica Shalom, pelos ensinamentos e por ter me proporcionado o encontro com Deus. Agradeço à minha amiga, companheira e namorada Samária, pela dedicação com que esteve ao meu lado durante todo esse tempo, suportando meus estresses e passando comigo as dificuldades da vida, me dando forças para continuar. Agradeço aos meus mestres, que compartilharam comigo seus conhecimentos e contribuíram para a minha formação intelectual e humana. Agradeço de forma particular à minha orientadora Izabel Coelho, que com paciência e sabedoria soube tão bem me orientar nessa jornada, que para mim tornou-se um desafio superado através dos ensinamentos e da sua sábia condução. Sou grato ainda aos meus companheiros de faculdade: Ronaldo, Poliana, Dalchem, Daniel, Pascoal, Luciana, José Severo, Maviael, entre outros, que durante esses cinco anos compartilharam comigo os desafios da jornada acadêmica. Agradeço aos meus companheiros de trabalho: Jorge, Janaína, Mara, Jakson, Pedro, Isak, Edivaldo, Clebson, entre outros tantos que convivo diariamente e também tanto contribuem para que eu consiga passar pelos reveses da vida. A todos vocês, aqui citados ou não, que foram de tamanha importância para eu chegar até aqui, meu muito obrigado! “Se você quer encontrar a nascente, tem que subir contra a correnteza” Papa João Paulo II RESUMO Diversos autores têm sua própria definição para o Terceiro Setor, onde cada um avalia o segmento de acordo com sua visão, baseado em tudo que envolve esta parte da sociedade, que no Brasil ainda não possui uma definição exata do que seria, mas uma reunião de suas características. Santos (2000, p.5) define o segmento como “uma designação residual e vaga com que se pretende dar conta de um vastíssimo conjunto de organizações sociais que não são nem estatais nem mercantis”. Percebe-se que o Brasil não atende a contento às necessidades básicas de sua população, pois a cada dia se vê nos diversos meios de comunicação ou em experiências pessoais, que o serviço público ainda não consegue atender em sua integralidade, “tendo em vista a incapacidade estatal e da iniciativa privada em responder às vastas precisões populacionais” (Barros e Santos, 2010, p. 18), aquilo que tem obrigação de oferecer à população. Devido a este cenário, o desenvolvimento deste trabalho visa responder a seguinte pergunta: como evoluíram as publicações de teses, dissertações, congressos e periódicos sobre o terceiro setor no Brasil nos anos de 2010 e 2011? Em vista de alcançar os objetivos propostos para a elaboração do trabalho, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e exploratória. Para a resolução do problema de pesquisa, utilizou-se a análise de dados quantitativa. Após o término do trabalho proposto, verificou-se que foram produzidos 20 trabalhos relativos à contabilidade do terceiro setor de acordo com as delimitações do período e do campo de pesquisa estabelecidos, e de forma geral, as publicações acadêmicas mantiveram um padrão linear de produção, com uma pequena evolução, visto que a média de produções anuais obteve um pequeno crescimento, passando de 7 trabalhos para 7,5 em média por ano. Palavras-chave: Terceiro Setor, Contabilidade, Serviço Público. ABSTRACT Several authors have their own definition for the Third Sector, which evaluates each segment according to its particular vision based on everything involving this part of society, that Brazil does not have an exact definition of what would be, but a meeting of characteristics. Santos (2000, p.5) defines the segment as "a vague and residual designation with which to deal with a vast number of social organizations that are neither state nor market". It noticed that Brazil does not meet the satisfaction of basic needs of its population, because every day we see in various media or personal experiences that the public still can not meet in their entirety, "with a view to inability of the state and private sector to respond to the vast population precisions". Barros and Santos, 2010, p. 18), what has the obligation to offer the people. Due to this scenario, the development of this paper is to answer the following question: how evolved the publication of theses, dissertations, conferences and journals on the third sector in Brazil in 2010 and 2011? In order to achieve the proposed objectives for the development work, we conducted a literature search and exploratory. For solving the search problem was used to quantitatively analyze the data. Upon completion of the proposed work, it was found that 20 papers were produced for the accounting of the third sector in accordance with the demarcation of the period and established the research field, and in general, academic publications maintained a standard linear production with small changes, since the average annual productions obtained a little growth, from 7.5 to 7 works on average each year. Keywords: Third Sector, Accounting, Public Service. LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Representação dos setores Quadro 2 – Base de Dados Quadro 3 – Produção Acadêmica e sua Divulgação no Período 2000 a 2011 Quadro 4 - Período 2010 a 2011 por Instituição/Programa LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Produção Acadêmica nos anos 2000 a 2011 Gráfico 2 – Médias comparadas dos anos de 2000 a 2009 e 2010 a 2011 Gráfico 3 – Médias das publicações anuais dos anos 2000 a 2011 Gráfico 4 – Percentual da Produção Acadêmica Contábil no Terceiro Setor de 2000 a 2009 Gráfico 5 - Produção Acadêmica Contábil no Terceiro Setor de 2000 a 2011 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Autores e a Produção Acadêmica no Período 2010 a 2011 Tabela 2 – Produção Acadêmica de Artigos no Período 2010 a 2011, por Evento/Revista LISTA DE SIGLAS CEMPRE – Cadastro Central de Empresas CFC – Conselho Federal de Contabilidade CNAS - Conselho Nacional da Assistência Social CNSS - Conselho Nacional de Serviço Social CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis CRC – Conselho Regional de Contabilidade ENANPAD – Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração ESFL – Entidades Sem Fins Lucrativos FEA/USP - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo FECAP – Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado FURB – Universidade Regional de Blumenau IASB - International Accounting Standards Board IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDH - Índice de Desenvolvimento Humano IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas LOAS - Lei Orgânica da Assistência Social NBC T – Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica ONG - Organização Não-Governamental OSCIPs - Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público PIB - Produto Interno Bruto PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil PUC – Pontifícia Universidade Católica RBC – Revista Brasileira de Contabilidade RDH - Relatório de Desenvolvimento Humano RePEC - Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais UFMS – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul UFPB – Universidade Federal da Paraíba UFPR – Universidade Federal do Paraná UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte UNB – Universidade de Brasília UNIFECAP – Centro Universitário Álvares Penteado UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNIVALE – Universidade do Vale do Itajaí SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO........................................................................................................... 14 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA ................................................................. 14 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA ...................................................................................... 16 1.3 OBJETIVOS ................................................................................................................. 17 1.3.1 Geral ............................................................................................................................. 17 1.3.2 Específicos .................................................................................................................... 17 1.4 JUSTIFICATIVA ......................................................................................................... 17 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................. 19 2.1 TERCEIRO SETOR ..................................................................................................... 19 2.1.1 Aspectos Históricos ...................................................................................................... 19 2.1.2 Conceito ........................................................................................................................ 22 2.2 CONTABILIDADE DO TERCEIRO SETOR ............................................................. 24 2.2.1 Normas .......................................................................................................................... 24 2.2.2 Transparência ................................................................................................................ 27 2.2.3 Importância ................................................................................................................... 29 2.2.4 Pesquisas de Contabilidade no Terceiro Setor.............................................................. 31 3. METODOLOGIA ....................................................................................................... 32 3.1 DEFINIÇÃO DA AMOSTRA ..................................................................................... 32 3.2 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ............................................. 33 3.3 QUANTIFICAÇÃO DOS TRABALHOS APRESENTADOS: .................................. 34 3.4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS AUTORES RESPONSÁVEIS PELA REALIZAÇÃO DOS TRABALHOS ENCONTRADOS ........................................................ 39 3.5 ANÁLISE DAS ORIGENS DOS TRABALHOS REALIZADOS QUANTO ÀS INTITUIÇÕES, PROGRAMAS E REVISTAS ....................................................................... 41 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 43 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 45 ANEXO I: DISSERTAÇÕES E TESES ................................................................................. 49 ANEXO II: PUBLICAÇÕES EM CONGRESSOS E REVISTAS ........................................ 50 14 1. INTRODUÇÃO 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA O terceiro setor é um termo relativamente novo no Brasil. Segundo Milani Filho (2008) ainda existem poucos estudos no país sobre o tema. Entretanto, devido à sua importância, este setor vem crescendo de forma gradativa, ganhando cada vez mais espaço e notoriedade na sociedade brasileira. Para se conceituar um segmento da sociedade como “terceiro” setor, pressupõe-se a existência de pelo menos outros dois. Dessa forma, Resende et al (2006) disciplina que o Estado é formado por três setores que têm relação entre si e se complementam. Fernandes (1994, p.21) assim caracteriza esses setores: Quadro 1: Representação dos setores Setor Agentes 1º Setor (Estado) Públicos 2º Setor (Mercado) Privados 3º Setor Privados Fins Públicos Privados Públicos FONTE: FERNANDES, 1994 Desta forma, o primeiro setor é o governo, cuja representação se dá pela administração pública e é constituído por entes que possuem personalidade jurídica de direito público. É o ente responsável pela manutenção do que é do povo e cujas funções não se podem delegar à particular, sendo elas: “legislar; fiscalizar, aplicar a justiça; dar segurança geral; etc.” (Resende et al, 2006, p. 25); o segundo setor é o mercado, cuja representação se dá por entidades com fins de lucro. São pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao direito privado. O terceiro setor, objeto deste estudo, é aquele formado por pessoas jurídicas de direito privado – assim como o segundo setor – mas sem fins lucrativos, tal qual o primeiro setor. Ou seja, o terceiro setor é um segmento que embora tenha aspectos do primeiro e segundo setores, não se confunde com eles, pois tem características particulares. “Ser terceiro setor significa participar de um terceiro segmento, além do Estado e do mercado” (Olak e Nascimento, 2010, p. 3) 15 É importante salientar que a não finalidade de gerar lucros, ou como é chamado no setor: superávit, não significa que elas não o gerem, mas sim que não os distribuem entre seus membros ou mantenedores e que essa “não é a sua razão de ser, mas um meio necessário para garantir a continuidade e o cumprimento de seus propósitos institucionais” (Olak e Nascimento, 2010, p. 6). Esta afirmação pode ser vista no §1º do art.1º da Lei nº 9.790/99, mais conhecida como a lei das OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público): [...] Considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcela do seu patrimônio, auferidos, mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social. Tachizawa (2007), ainda define o terceiro setor como sendo uma união de sociedades civis sem finalidade de lucro, que têm a capacidade de gerar projetos, assumir responsabilidades, desenvolver ações e arrecadar recursos necessários para o desenvolvimento do país. A partir da definição de Tachizawa, pode-se perceber que este segmento tem uma grande responsabilidade: auxiliar no crescimento da nação. Esse pensamento converge com o de Panceri (2001), que acredita que não só o Estado, mas também a sociedade é responsável pelo que é público. Dessa forma, vê-se que junto com o crescimento do terceiro setor, cresce também a consciência de que a administração pública não é a única responsável pelo atendimento das necessidades da população e que existem formas para que a sociedade contribua para o desenvolvimento do país. Entende-se que, em nível mundial, as organizações do terceiro setor assumem um papel fundamental na sociedade moderna [...]. No entanto, em meio a tantas organizações voltadas para causas sociais, a busca por diferenciais competitivos não deve levar as organizações orientadas por valores a esquecerem os ideais que justificam sua existência: as necessidades humanas. (Barros e Santos, 2010, p. 18) Diante de tudo o que foi visto, pode-se, portanto, confirmar o que fala Alves et al (2008) quando diz que as entidades do terceiro setor desempenham funções cada vez mais abrangentes e de grande relevância para a sociedade. 16 Esse aumento da importância das entidades do terceiro setor demanda uma movimentação cada vez maior de recursos, alguns deles, segundo Barea (2008), advindos da capacidade que essas organizações vão a cada dia mais adquirindo de gerarem receitas próprias; outros, obtidos através de recebimentos de recursos de terceiros. Dessa forma, o gerenciamento dessas empresas torna-se cada dia mais complexo, necessitando, assim, um controle sobre essa movimentação financeira e sobre a evolução patrimonial dessas entidades. Desta feita, Bettiol Junior (2005) disciplina que as ciências contábeis surgem como um grande aliado aos tomadores de decisão das ESFL. Este um novo cenário trazido pelo terceiro setor, provoca a contabilidade a buscar uma melhor forma de cumprir seu papel, isto é, este novo campo a ser explorado pela contabilidade estimula esta ciência a disponibilizar a correta instrução sobre a formação do patrimônio, suas mutações e seu resultado do período, sendo este, segundo Franco (1997), o objetivo da contabilidade. Sendo assim, o terceiro setor acaba sendo também um auxílio para o desenvolvimento da contabilidade e esta por sua vez é imprescindível para o crescimento deste setor. Portanto, há uma contribuição mútua na evolução de ambos, pois o terceiro setor é importante para a contabilidade e esta para o terceiro setor. Portanto, o estudo trazido em 2008 por Olak e Nascimento, bem como o realizado por Chagas et al em 2011, onde o primeiro busca analisar as evoluções da produção acadêmica acerca da contabilidade no terceiro setor entre os anos de 2000 a 2008 e o segundo continua este trabalho o atualizando até o ano de 2009, são de grande importância tanto para o terceiro setor como para a contabilidade, pois servem como termômetro para analisar o desenvolvimento das produções acadêmicas a respeito da contabilidade do setor, apontar qual o caminho que estão seguindo os estudos da contabilidade deste segmento e revelando que campos podem ser mais explorados. 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA Devido à carência de pesquisas na área de contabilidade do terceiro setor e a consequente falta de material disponível, encontram-se grandes dificuldades de pesquisa nesse ramo. Tendo em vista o avanço da importância do setor e a contribuição da contabilidade no segmento, este trabalho busca dar continuidade às pesquisas na área, contribuindo para um maior entendimento e disseminação desse campo de estudo. Dessa forma, o desenvolvimento 17 deste trabalho visa responder a seguinte pergunta: como evoluíram as publicações de teses, dissertações, congressos e periódicos sobre a contabilidade do terceiro setor no Brasil nos anos de 2010 e 2011? 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Geral O objetivo geral do presente trabalho é verificar a evolução das publicações de teses, dissertações, congressos e periódicos, feitos acerca do terceiro setor no Brasil nos anos de 2010 e 2011. 1.3.2 Específicos Este trabalho tem como objetivos específicos os seguintes: • Quantificar as teses, dissertações, congressos e periódicos foram publicados no período proposto; • Identificar as autorias, bem como as Instituições/Programas de onde se originaram essas pesquisas; • Analisar a evolução dessas publicações; 1.4 JUSTIFICATIVA É notório que o Brasil ainda é deficiente quanto ao atendimento das necessidades públicas, pois a cada dia se vê nos noticiários, nas pesquisas realizadas, nas ruas ou até mesmo em experiências in loco, que o serviço público ainda não consegue atender em sua integralidade, “tendo em vista a incapacidade estatal e da iniciativa privada em responder às vastas precisões populacionais” (Barros e Santos, 2010, p. 18), aquilo que tem obrigação de oferecer à população. Uma pesquisa realizada em 2011 pela Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado revelou que 81% dos entrevistados consideraram a educação pública brasileira regular, ruim ou péssima. 18 O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), publicado no ano de 2011 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD), mostra que o país é o 84º no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ficando atrás de países como o Cazaquistão e Trinidad e Tobago, por exemplo. Este índice compara os países em seu desenvolvimento humano, considerando índices econômicos e sociais dos países. Estes dados comprovam o que é visto na prática: que o Brasil ainda não dispõe de uma educação pública satisfatória, possui grandes desigualdades sociais, não consegue oferecer a todos, principalmente aos menos favorecidos economicamente, as condições de desenvolvimento desejáveis. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2005), revela a existência no Brasil de cerca de 338 mil Organizações Não-Governamentais (OTS), empregando aproximadamente 1,7 milhão de trabalhadores remunerados. O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA, 2005), mostrou que o Terceiro Setor representa 1,5% do Produto Interno Bruto - PIB do Brasil. Isso revela a importância deste segmento para a nação. Desta forma, o terceiro setor assume no Brasil o papel de um grande aliado da administração pública, visto que promove o social, tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida da sociedade, promove a valorização da cidadania, busca devolver ao povo o respeito e a sua dignidade, que muitas vezes são “roubadas” pela falta de uma política pública que atenda suas necessidades básicas (Parente, 2008). Pois, como diz Olak e Nascimento (2010, p. 6) a respeito do terceiro setor: “Seus propósitos institucionais, quaisquer que sejam suas preocupações específicas, objetivam provocar mudanças sociais”. Entretanto, as pesquisas neste segmento ainda são muito incipientes no Brasil. O país, infelizmente, produz pouca informação sobre esse tema tão relevante para a sociedade e não se encontra com facilidade estudos sobre o assunto. No ano de 2008 foi realizado por Olak, Slomski e Alves um trabalho publicado na “Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade”1 (REPeC), cujo objetivo geral foi a análise das origens, características e evolução da produção acadêmica contábil do terceiro setor no Brasil. Foram consideradas as teses, dissertações e congressos publicados no período de 2000 a 2006. 1 Publicado na REPeC - Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade, Brasília, v. 2, n. 1, art. 2, p. 24-46, jan/abr. 2008. 19 Em 2010, foi publicado no XVII Congresso Brasileiro de Custos em Belo Horizonte/MG um trabalho realizado por Chagas, Luz, Cavalcante e Araújo que dava continuidade ao publicado em 2008, onde se buscou verificar se houve evolução nas produções acadêmicas realizadas no Brasil acerca da contabilidade do Terceiro Setor, e por ser uma continuação do anterior, foi analisado o período de 2007 a 2009. Como foi visto, existem dados sobre publicações referentes à contabilidade do terceiro setor até o ano de 2009. Diante disto, além da importância do setor frente às necessidades encontradas pela população brasileira, considerando a oferta insatisfatória dos serviços públicos e a necessidade da promoção do crescimento social, observa-se ainda a carência de estudos sobre o tema e atualização dos dados apresentados. Portanto, justifica-se que sejam aprofundadas pesquisas sobre este segmento, a fim de que ele possa crescer cada dia mais e auxilie de uma forma mais organizada e madura a população brasileira. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 TERCEIRO SETOR 2.1.1 Aspectos Históricos Segundo Mânica (2007), o termo “terceiro setor” é relativamente novo no Brasil, entretanto, sua composição histórica se deu ao longo de vários anos. Rothgiesser (2002) analisa a evolução histórica do terceiro setor, trazendo importantes fatos que contribuíram para o seu surgimento. O primeiro período destacado pelo autor é o compreendido entre o início do Império e fim da Primeira República. Nesta época, o poder central do Brasil era fortemente vinculado à Igreja Católica e esta foi a primeira a promover ações sociais no país, principalmente com os beneditinos, franciscanos e com as carmelitas. Em 1543 na Capitania de São Vicente, em Santos, foi estabelecida a Irmandade da Misericórdia, sendo esta a primeira entidade com finalidade de atender os desamparados. 20 O segundo período analisado pelo mesmo autor tem início na Revolução de 1930 e segue até 1960. Este período foi marcado pelo crescimento da industrialização e fortalecimento do Estado, então único portador do interesse público. Em 28 de agosto de 1935, período em que o Brasil vivia o chamado Estado Novo, foi editada a lei 91, que disciplinava as regras para a declaração de utilidade pública federal, trazendo em seu artigo primeiro, caput e alínea b o seguinte texto: Art 1º As sociedades civis, as associações e as fundações constituídas no País com o fim exclusivo de servir desinteressadamente à coletividade podem ser declaradas de utilidade pública, provados os seguintes requisitos: a)(...) b) que estão em efetivo funcionamento e servem desinteressadamente à coletividade; A partir de 1937 a participação da popular no âmbito público ficou impossibilitada e algumas associações de defesa de direitos passaram a ser perseguidas pelo Estado, perdendo, assim, um pouco da sua independência e força para defender seus associados (Mânica, 2007). Em contrapartida, pequenas iniciativas sociais foram surgindo como forma de reivindicação e busca de espaço e liberdade. Movimentos de iniciativa comunitária apareceram como uma forma de ajuda mútua, em luta da democracia e da defesa dos direitos (Rothgiesser, 2002). Em primeiro de julho de 1938 foi instituído o decreto lei número 525, que criava o Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS), oficializando, dessa forma, o vínculo entre a assistência Social e o Estado. A década de 1960 foi fortemente influenciada pelo surgimento da Ditadura Militar, pois nesta época, como ensina Rothgiesser (2002), o regime militar não permitia que a população participasse da esfera pública. Sendo assim, a participação social se enfraqueceu. Carvalho (2005) revela que a partir dos anos 70, com o gradual enfraquecimento da Ditadura Militar, as Organizações Não-Governamentais (ONGs) obtiveram um grande crescimento, fortalecendo, assim, a sociedade civil. Gohn (1997), disciplina que a partir dessa década até a metade de 1985 houve um forte clamor popular, tornando-se comum entre a população a idéia de que se fazia necessário formar um poder popular independente do Estado. Segundo Carvalho (2005, p. 33), a década de 1980 foi marcada pela “transição de uma ditadura militar para um regime democrático”. Iniciou-se então a reconquista da população 21 dos seus direitos constitucionais e as organizações não-governamentais começam a ser vistas como auxiliares no desenvolvimento das políticas governamentais (Rothgiesser, 2002). A Constituição de 1988 também teve grande influência no fortalecimento do terceiro setor no Brasil, pois trouxe em sua redação várias partes em que evidenciava a participação popular na esfera pública, como se pode ver em alguns trechos transcritos abaixo: Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. § 1.º - As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, [...] tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas, [...] com base nas seguintes diretrizes: I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência social; Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade [...] Art. 216 [...] § 1.º - O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro [...]. Art. 227. [...] § 1.º - O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança e do adolescente, admitida a participação de entidades não governamentais[...]. (Constituição Federal de República Brasileira. grifo nosso). A partir dos anos 90, com a Ditadura Militar acabada, com uma nova Constituição Federal que reconhecia a participação popular, surge então, segundo Carvalho (2005) uma nova forma de relacionamento entre os três segmentos da sociedade. O mesmo autor ainda indica que o Estado começa a ver nas entidades nãogovernamentais elementos que as diferenciam e que podem auxiliar a sociedade, pois “acumularam um capital de recursos, experiências e conhecimentos”, inovando na forma de encarar as questões sociais, tornando-as então, qualificadas para atuarem como auxiliares e “interlocutores das políticas governamentais”. Também é da década de 1990, segundo Parente (2008) o início da utilização do termo terceiro setor no Brasil. Desse período para cá, ainda são vistas algumas evoluções na legislação, como por exemplo, o fim do CNSS, que foi extinto pela Lei n.° 8.742, de 7 de dezembro de 1993 22 (denominada Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS), sendo criado em seu lugar o Conselho Nacional da Assistência Social (CNAS). Em 10 de janeiro de 2002 foi publicada a Lei nº 10.406, que institui o Código Civil, onde se prevê algumas formas jurídicas de direito privado que fazem parte do terceiro setor: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I - as associações; II - as sociedades; III - as fundações. IV- as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) Percebe-se, portanto, que o terceiro setor no Brasil foi evoluindo de acordo com o desenrolar histórico da nação e com a evolução da sociedade civil brasileira. Ainda não está totalmente desenhado, as leis ainda não conseguem especificar o reconhecimento e tratamento das entidades do terceiro setor, entretanto, o país vem evoluindo a cada dia rumo ao crescimento deste segmento. 2.1.2 Conceito Diversos autores têm sua própria definição para o Terceiro Setor, onde cada um avalia o segmento de acordo com sua visão particular baseado em tudo que envolve esta parte da sociedade, que no Brasil ainda não possui uma definição exata do que seria, mas uma reunião de suas características. Santos (2000, p.5) define o segmento como “uma designação residual e vaga com que se pretende dar conta de um vastíssimo conjunto de organizações sociais que não são nem estatais nem mercantis”, ou seja, o autor considera que o terceiro setor é a forma que convencionou-se chamar àqueles segmentos que não fazem parte do Estado nem do mercado, tentando mostrar que o termo é usado para aquilo que resta entre esses segmentos, ou seja, não é específico. O autor, portanto, se prende ao caráter geral que o terceiro setor assume ao ser uma denominação encontrada para se referir a um número muito grande de entidades as quais possuem outras características que as distinguem. 23 Oliveira (2005, p.465) assim define o terceiro setor: “conjunto de atividades voluntárias desenvolvidas por organizações privadas não-governamentais e sem ânimo de lucro, realizadas em prol da sociedade, independentemente dos demais setores”. Este autor abrange um pouco mais a definição deste segmento ao revelar seu caráter de não ter finalidade lucrativa, e o mais importante: suas ações são voltadas para a sociedade. Paes (2004, p.98-99) define o terceiro setor como "o conjunto de organismos ou instituições sem fins lucrativos dotados de autonomia e administração própria que apresentam como função e objetivo principal atuar voluntariamente junto à sociedade visando ao seu aperfeiçoamento". O autor, assim como Oliveira (2005), destaca a finalidade não lucrativa do segmento e a sua atenção voltada para a sociedade, entretanto vai ainda mais além, revelando a importância do setor, pois diz que este contribui para o crescimento da população na busca de aperfeiçoamento da sociedade. Souza (2004, p.96) disciplina que o Terceiro Setor “é toda ação, sem intuito lucrativo, praticado por pessoa física ou jurídica de natureza privada, como expressão da participação popular, que tenha por finalidade a promoção de um direito social ou seus princípios”. O autor, assim como a maioria dos outros citados, também destaca a não-finalidade lucrativa do segmento, e da mesma forma que Paes (2004), enfatiza a participação popular. Entretanto, traz uma importante informação, que é a de que o terceiro setor favorece o progresso dos “direitos sociais” da população, ou seja, participa da evolução da sociedade. Para um melhor entendimento da definição de Souza (2004), deve-se observar o que a Constituição Federal do Brasil em seu artigo 6º, caput, define como sendo direitos sociais: “a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”. Percebe-se então que o autor tem uma visão muito mais ampla do que seria o Terceiro Setor, pois enxerga que é aquele que contribui para a proteção da sociedade em seus mais diversos âmbitos, auxiliando o Estado inclusive a cumprir o que determina a Carta Magna, buscando melhorar as condições de vida da população e, dessa forma, o crescimento social. Beux (2003) ainda revela a importância deste setor ao afirmar que ele tem o poder de reforçar a retomada “do processo democrático-deliberativo e do resgate da cidadania”. Convergindo com o pensamento de Beux, Leal (2006) ensina que o Estado que é de fato democrático, deve buscar com veemência a participação popular no auxílio para a construção das políticas sociais e na prestação de serviços para a população. Enriquecendo ainda mais o entendimento sobre esta seção da sociedade, Olak e Nascimento (2010) elencam as principais características do Terceiro Setor, a saber: 24 • O lucro não é sua razão de ser, mas um meio necessário para garantir a continuidade e o cumprimento de seus propósitos institucionais; • Seus propósitos institucionais, quaisquer que sejam suas preocupações específicas, objetivam provocar mudanças sociais; • O patrimônio pertencente à sociedade como um todo ou segmento dela, não cabendo aos seus membros ou mantenedores quaisquer parcelas de participação econômica do mesmo; • As contribuições, doações e subvenções constituem-se, normalmente, nas principais fontes de recursos financeiros, econômicos e materiais dessas entidades. Percebe-se então que é consenso entre a maioria dos autores, que o Terceiro Setor resulta do modelo tripartite da sociedade, onde os outros dois, segundo Fernandes (1994), são o Estado (1º setor) e o Mercado (2º setor). Vê-se ainda, que os autores evidenciam a participação popular neste segmento como grande auxílio na promoção de mudanças sociais e ressaltam também a sua essencialidade para o bom desenvolvimento da nação. 2.2 CONTABILIDADE DO TERCEIRO SETOR 2.2.1 Normas Segundo Silva (2004) é difícil encontrar alguma norma ou prática contábil que abranja de forma geral as entidades do terceiro setor no Brasil. Entretanto, é percebido, segundo Alves (2008), que de forma geral, as informações contábeis das Entidades Sem Fins Lucrativos (ESFL) no país utilizam o mesmo modelo que as organizações do segundo setor, adotando, portanto, o modelo das empresas privadas, que seguem as diretrizes da lei 6.404/76. Alves (2008) ainda defende a idéia de que se faz necessário uma legislação própria para o terceiro setor, visto que este segmento possui necessidades específicas que precisam ser abrangidas em lei exclusiva. Tendo em vista essa dificuldade de encontrar uma orientação para a elaboração da contabilidade privativa para este segmento, o Conselho Federal de Contabilidade publicou em 1999 duas normas técnicas próprias para determinados ramos de atividade do terceiro setor, são elas: NBC T 10.4 – Aprovada pela resolução do CFC nº 837/99, que trata das Fundações; 25 e a NBC T 10.18 – Aprovada pela resolução CFC nº 838/99, que trata das Entidades Sindicais e Associações de Classe. Em 2000 foi publicada a NBC T 10.19 – Aprovada pela resolução CFC nº 877/00, que trata das Entidades sem Finalidades de Lucros. Esta é a primeira a trazer um esboço de como deve ser a correta contabilização das entidades do terceiro setor, sendo o primeiro passo para que este segmento tenha suas leis e normas próprias, a fim de que suas peculiaridades sejam atendidas e este setor possa desenvolver-se de uma forma mais organizada, visto que ela disciplina sobre os seguintes assuntos: “objetivo, alcance, definições, reconhecimento, registro contábil, utilização de contas de compensação, demonstrações contábeis e notas explicativas.” (NBC T 10.19). No entanto, mesmo o terceiro setor ainda não tendo sua legislação própria, caminha para este feito. Um exemplo disso é a disponibilização pelo CFC da audiência da NBC TE – para Entidades sem Finalidade de Lucro, que é uma norma específica que visa unir e estabilizar as normas técnicas anteriormente citadas, a saber: NBC T 10.4, 10.18 e 10.19. Esta norma específica traz o seguinte objetivo: [...] estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação, de registro dos componentes e variações patrimoniais, de estruturação das demonstrações contábeis e as informações mínimas a serem divulgadas em notas explicativas da entidade sem finalidade de lucros. (NBC TE – Entidades sem Finalidade de Lucros. p.1) Entretanto, essa falta de legislação geral própria, não exime as entidades de observarem as normas e interpretações técnicas da contabilidade, pois todas as resoluções do CRC citadas trazem em seu texto a seguinte determinação: “As Normas Brasileiras de Contabilidade e suas Interpretações Técnicas constituem corpo de doutrina contábil que estabelece regras de procedimentos técnicos a serem observadas quando da realização de trabalhos”. Vê-se ainda, que a resolução 750/93, determina que “A observância dos Princípios de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC).” Sendo assim, todas as entidades, tendo elas finalidades lucrativas ou não, devem obedecer tais regras. Segundo Marion (1997 apud Olak e Nascimento 2010), os Princípios Contábeis “surgiram da necessidade de se apresentar uma linguagem comum para se preparar e 26 interpretar apropriadamente os relatórios contábeis”, sendo assim, é possível perceber como sua observância é fundamental. Os Princípios Fundamentais da Contabilidade em vigor são: Art. 3º São Princípios de Contabilidade: (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1282/10) I) o da ENTIDADE; II) o da CONTINUIDADE; III) o da OPORTUNIDADE; IV) o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL; V) Revogado pela Resolução CFC nº. 1282/10 VI) o da COMPETÊNCIA; e VII) o da PRUDÊNCIA (Resolução CFC 750/93) Dentre estes princípios, destacam-se os seguintes: o da entidade, registro pelo valor original e o da competência. Verifica-se a seguinte observação acerca do Princípio da Entidade na Resolução 750 do CFC, Art. 4º: Reconhece o patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencera uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins de lucros. Vê-se então que a Resolução CFC 750, determina que o princípio da entidade deve ser observado pelas organizações que não têm a finalidade do lucro, sendo preciso apenas a existência de um patrimônio e este, portanto, não podendo ser confundido com o dos seus gestores. A Resolução 750 CFC, em seu Art. 7º, que trata do Princípio do Registro pelo Valor Original, traz o seguinte texto: “O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional.” 27 Este princípio, segundo Olak e Nascimento 2010, é de difícil aplicabilidade nas entidades sem fins lucrativos, visto que elas recebem muitas doações que não são corretamente mensuradas por quem doa. Entretanto, Andrade (1991) diz que estas doações devem ser mensuradas de forma adequada e objetiva. O princípio da competência está previsto no Art. 9º da Resolução 750 do CFC e disciplina que “os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento”. Olak e Nascimento (2010) dizem que também as entidades do terceiro setor devem obedecer a este princípio. As ESFL também devem estar atentas ao que disciplina o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), pois também elas precisam obedecer àquilo que é determinado por esse comitê. Dentre os diversos pronunciamentos feitos por ele, observa-se que o primeiro, denominado “Pronunciamento Conceitual Básico (R1)” - ou comumente chamado de CPC 00 - por ter caráter geral, abrange também às entidades do terceiro setor. Este pronunciamento define as estruturas conceituais para a elaboração e apresentação das Demonstrações Contábeis em convergência com o IASB (International Accounting Standards Board), sendo este o órgão norteador da prática contábil no mundo. Portanto, embora não haja determinação expressa de como a contabilidade das entidades do terceiro setor deve atuar, observa-se que estas devem atender ao que determina o CPC e as Normas de Contabilidade, sendo esta legitimada pelos Princípios Fundamentais da Contabilidade. Outro fator levado em consideração na contabilidade das entidades do terceiro setor é a sua condição de na ter fins lucrativos, pois o lucro não se torna objeto de mensuração do desenvolvimento dessas organizações, visto que seu objetivo está ligado ao desenvolvimento da sociedade e não a aspectos financeiros. Todavia, deve ficar bem claro que o não objetivo de lucro dessas organizações não significa que estas não almejem a obtenção de resultados positivos em seu exercício financeiro, pois se não fosse assim, sua continuidade operacional estaria comprometida (Milani Filho, 2009). 2.2.2 Transparência Segundo Milani Filho (2004), as Entidades do Terceiro Setor alcançaram um grande desenvolvimento diante a economia brasileira, crescendo da mesma forma sua importância para a sociedade. Um indicador desse crescimento é a pesquisa realizada pelo IBGE, a partir 28 do CEMPRE – Cadastro Central de Empresas (2010) que revela que havia nesse ano mais de 2,8 milhões de assalariados trabalhando nas Entidades Sem Fins Lucrativos, aumentando em quase 87% em relação ao ano de 2002. Marcovitch (1997) lembra que o fato do Terceiro Setor ter a finalidade de promover o bem público faz esperar que as entidades deste segmento preservem a transparência quanto à obtenção de recursos para seu desenvolvimento, bem como sua utilização na realização de seus trabalhos, pois, segundo Fowler (1997) as pessoas que doam para essas entidades desejam conhecer aonde o recurso é aplicado e quais os benefícios produzidos. As entidades do Terceiro Setor são beneficiadas por alguns incentivos tributários previstos na Carta Magna, a saber: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I a V – (...) VI – instituir impostos sobre: a) (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) (...) § 2º. A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às leis decorrentes. Embora essas entidades não possuam a finalidade de obtenção de lucros, sabe-se que recebem doações e incentivos fiscais, cujas aplicações desses benefícios devem ser adequadamente demonstradas, como ensina Bloedau e Lima (2008): Essas entidades têm acesso a algumas facilidades, como o financiamento público feito através de isenção de tributos. Além destes recursos, estas entidades recebem doações e contribuições de particulares ou empresas, gerando, com isto, uma necessidade de apresentarem uma adequada prestação de contas, tanto à sociedade quanto ao fisco e aos particulares que financiam, direta ou indiretamente, suas atividades Assis (2006) diz que aqueles que fazem doações às empresas do Terceiro Setor buscam que os valores doados sejam “aplicados da melhor forma possível em benefício dos 29 necessitados”. O pensamento desse autor confirma o entendimento de Vilanova (2004) que declara que a continuidade das entidades sem fins lucrativos, pelo menos aquelas que possuem intenções retas, depende da transparência de suas práticas. Dessa forma “A transparência, (...) mostra-se como uma questão intrínseca às entidades de terceiro setor e a Contabilidade possui instrumentos que poderão auxiliar na demonstração dos resultados”. (ASSIS 2006, p.2) 2.2.3 Importância Diante da necessidade de transparência nas relações de capital das Entidades do Terceiro Setor, a contabilidade surge como uma grande ferramenta de auxílio ao controle financeiro dessas entidades, contribuindo de forma preponderante na obtenção de seus resultados. Barea (2008) diz que devido aos diversos recursos recebidos pelas organizações deste segmento, além daqueles provenientes de sua geração de receita própria, a contabilidade surge como peça fundamental para o auxílio no gerenciamento de suas atividades. Dessa forma, a contabilidade atende sua finalidade geral também nesse segmento, visto que segundo Franco (1997, p.21), a Contabilidade tem o objetivo de “oferecer informações e orientação – necessárias à tomada de decisões – sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial.” Bettiol Junior (2005, p.16) ilustra bem a necessidade que as entidades do Terceiro Setor têm de utilizaram-se do conhecimento das ciências contábeis em seus trabalhos: O benefício obtido pelos indivíduos por meio dos serviços prestados por essas entidades, bem como os valores despendidos para o custeio das atividades-fim dessas organizações chamam cada vez mais atenção dos doadores de recursos e da sociedade, de forma geral. Portanto, elaborar demonstrações contábeis que possam colaborar para satisfazer essas necessidades torna-se indispensável Percebe-se durante a história que a contabilidade evolui à medida que a população também evolui, pois, esta ciência existe para atender às suas necessidades e tornar possível seu desenvolvimento. Pode-se observar esta afirmação, com o que ensina Merlo (2006): 30 O desenvolvimento da contabilidade sempre esteve associado à evolução da humanidade, ao processo das organizações, às novas formas de negócios e ao aprimoramento das relações comerciais. Sendo assim o trabalho do contabilista sempre esteve associado, e sempre estará, às demandas da sociedade, de acordo com a evolução natural e advinda do aperfeiçoamento dos negócios (MERLO, 2006, p. 11). No Terceiro Setor não foi diferente. A importância da contabilidade neste segmento foi crescendo a partir do crescimento da importância do próprio setor, evoluindo de acordo com as necessidades que foram surgindo, entretanto, a contabilidade específica para as Entidades Sem Fins Lucrativos ainda está se formando. Justificam-se, então, novos estudos voltados para a evolução da contabilidade deste setor. Diante de tudo isso, pode-se dizer que a própria contabilidade é uma das promotoras do desenvolvimento dessas entidades, pois possibilitou sua organização e contribui para a clareza de suas atividades, visto que, devido à sua crescente importância, estas organizações têm o dever de prestar contas à sociedade. A contabilidade além de ser fundamental para que as ESFL consigam efetivamente prestar contas de suas atividades à sociedade, é imprescindível também para que as organizações do Terceiro Setor consigam desenvolver-se de modo sustentável. Para que a entidade alcance a sustentabilidade, Cruz e Estraviz (2003) disciplinam que é necessária a correta mensuração dos recursos, bem como sua devida aplicação. Além disso, Ramos (2001) ainda diz que é imprescindível que esta mensuração se dê de forma especializada e profissional, devendo-se fazer a relação dos gastos e esforços despendidos para a obtenção dos ganhos, avaliando sua real vantagem. Portanto, segundo Bettiol Junior (2005), a contabilidade no Terceiro Setor tem a grande importância de esclarecer aos usuários da informação contábil como as entidades obtiveram os recursos e dão suporte para que eles possam avaliar suas aplicações. Além disso, a contabilidade também auxilia na gestão das organizações deste segmento ao ser uma ferramenta de auxílio nas suas tomadas de decisões e ao público em geral – doadores, governo, beneficiados dos trabalhos das entidades, pois possibilita a organização da evolução patrimonial dessas organizações, buscando sempre preservar a transparência das informações. 31 2.2.4 Pesquisas de Contabilidade no Terceiro Setor Silva e Pires (2009) afirmam que os estudiosos da Ciência Contábil realizam trabalhos que contribuem para o desenvolvimento desta ciência, auxiliando aos interessados na informação contábil a terem um maior conhecimento dos procedimentos e da prática da evolução financeira e patrimonial das entidades. De acordo com Chagas et al (2011), existem muitos estudos em contabilidade nas mais diversas áreas, as quais eles destacam algumas: “auditoria, custos, normas contábeis”, entretanto, os mesmos autores enfatizam a pouca produção acerca das entidades sem fins lucrativos e dão ênfase à necessidade que o segmento tem de ser mais explorado e que este estudo mais aprofundado sobre a contabilidade do setor auxilia as ciências contábeis a julgarem da melhor forma as evoluções patrimoniais das ESFL. O estudo realizado por Alves et al (2008), que investigou as “As publicações acadêmicas da pesquisa contábil no Brasil, no âmbito das organizações do terceiro setor” no período de 2000 a 2006, revelou que apenas a partir do ano de 2000 é que começaram a surgir no Brasil os primeiros trabalhos acadêmicos relevantes tratando de aspectos contábeis no Terceiro Setor. Os autores da pesquisa atribuem que esses trabalhos foram impulsionados pela publicação das primeiras Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas (NBC – T) que tratavam do terceiro setor, em 1999. Nesse mesmo ano ainda é possível apontar a Lei nº 9.790, que, segundo os realizadores do estudo, surgiu com o objetivo de fortalecer o setor. A investigação realizada em 2008 ainda traz os seguintes dados para o período em que foi realizado o estudo, isto é, 2000 a 2006: apenas uma tese, 20 dissertações, 15 congressos e duas publicações em revistas foram desenvolvidos sobre o segmento. Calculando esses números em médias, obtêm-se os seguintes resultados: 0,1 teses, 2,9 dissertações, 2,1 congressos e 0,3 publicações em revistas por ano. Em números gerais, o período de 2000 a 2006 revelou que foram publicados em média 5 trabalhos relativos à contabilidade do terceiro setor por ano. Como se vê, números muito pequenos. Constatou-se ainda que o tema mais recorrente foi: Contabilidade Geral e Controladoria, com 61% das publicações, o que representa que nesta época o maior interesse da produção foi para atender o público interno. Em 2010 foi realizada por Chagas et al um trabalho de título “Publicações Acadêmicas de Pesquisas em Contabilidade sobre Terceiro Setor no Brasil: Análise do Período de 2007 a 2009”, sendo este uma réplica do trabalho e Alves et al (2008). Desta vez, o período analisado foi de 2007 a 2009 e trouxe os seguintes resultados: 4 teses, 13 dissertações, 13 congressos e duas publicações em revistas. Dessa forma, obtêm-se as seguintes médias para o período: 1,3 32 teses, 4,3 dissertações, 4,3 congressos e 0,7 publicações em revistas por ano. No geral, no período entre 2007 e 2009, foram publicados cerca de 10,7 trabalhos por ano. Analisando estes estudos de forma conjugada, foi possível identificar que no primeiro período analisado foram publicados 38 trabalhos e na soma dos dois períodos, ou seja, de 2000 a 2009, foram publicados 70 trabalhos, o que representa um aumento de 84% das publicações. 3. METODOLOGIA Com a finalidade do alcance dos objetivos propostos para a elaboração deste trabalho, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e exploratória. Para a resolução do problema de pesquisa, utilizou-se a análise dos dados quantitativa. 3.1 DEFINIÇÃO DA AMOSTRA No presente trabalho foi feita uma réplica dos realizados por Olak, Slomski e Alves (2008) que trataram sobre “Publicações acadêmicas da pesquisa contábil no Brasil, no âmbito das organizações do terceiro setor”, cujo estudo analisou o período 2000 a 2006; e por Chagas et al (2010), cujo trabalho realizado tratou das “Publicações Acadêmicas de Pesquisas em Contabilidade sobre Terceiro Setor no Brasil: Análise do Período de 2007 a 2009”. Com o objetivo de dar continuidade, atualizar e obter dados capazes de serem comparados com os já obtidos nas referidas pesquisas, que trouxeram informações importantes até o ano de 2009, foram escolhidos os anos de 2010 e 2011 para a realização deste trabalho. Para a execução da pesquisa, seguiu-se o roteiro dos trabalhos realizados anteriormente, visto que dessa forma abre-se a possibilidade de comparação entre informações produzidas. Portanto, seguindo a linha de pesquisa, a investigação foi realizada através de consulta eletrônica. Realizou-se uma pesquisa exploratória onde foram analisadas as publicações de dissertações, teses e artigos científicos publicados entre janeiro de 2010 e dezembro de 2011. A partir desses dados foi verificado o desenvolvimento da pesquisa na área contábil para o Terceiro Setor e foi possível a comparação com os trabalhos realizados anteriormente. A pesquisa foi feita utilizando-se o banco de dados descritos no quadro a seguir: 33 Quadro 2 – Base de Dados Banco de dados Endereço eletrônico Teses e dissertações da Capes FEA/USP http://capesdw.capes.gov.br/capesdw/ http://www.eac.fea.usp.br/eac/pos/defesa.asp Anais do Enanpad http://www.anpad.org.br/busca_avancada.php http://www.cca.unb.br/index.php?option=com_content&vie w=article&id=164&Itemid=39 UNB/UFPB/UFRN UNIFECAP UNISINOS Furb http://www.fecap.br/portalinstitucional/mestrado/publicacoe s_profissional.php http://www.unisinos.br/pesquisa-e-inovacao/projetos-depesquisa http://www.furb.br/web/1854/cursos/mestrado/cienciascontabeis/apresentacao Revista Brasileira de http://www.cfc.org.br/conteudo.aspx?codMenu=291 Contabilidade Revista de Contabilidade e http://www.eac.fea.usp.br/eac/revistas/ Finanças da USP Revista de Educação e http://www.repec.org.br/index.php/repec/issue/archive Pesquisa em Contabilidade Fonte: Adaptado do trabalho de Chagas et al (2010) Para a consulta da base de dados, foram utilizadas as seguintes palavras-chave: Terceiro Setor; Organizações sociais; Organizações não-governamentais; Entidades sem-fins lucrativos; Entidades filantrópicas; Entidades beneficentes e Organizações da sociedade civil. Estas palavras-chave foram associadas à palavra “contabilidade”. Quando possível, foram averiguados também os títulos dos trabalhos listados pelas instituições. A partir da obtenção dos trabalhos através da pesquisa, foram analisados os títulos, as linhas de pesquisa e os seus respectivos resumos a fim de selecionar aqueles que eram referentes à contabilidade do terceiro setor. Quando essa análise não foi suficiente para a avaliação, também foram examinadas as partes mais relevantes dos trabalhos, para dessa forma, verificar se o trabalho entrava ou não no âmbito da pesquisa. Ao final do trabalho, encontram-se os anexos I e II, onde estão relacionados os títulos dos trabalhos e seus respectivos autores que compuseram o banco de dados desta pesquisa. 3.2 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Após a utilização dos critérios apresentados, considerando os anos de 2010 e 2011, a seleção dos dados para a análise trouxe os seguintes números: 20 trabalhos, distribuídos em 1 34 tese, 13 dissertações, 4 artigos apresentados em congressos e 2 publicações de artigos em revistas. Sendo que em 2010 foram: 8 trabalhos, distribuídos em 1 tese e 7 dissertações; e em 2011: 12 trabalhos, sendo 6 dissertações, 4 artigos apresentados em congressos e 2 publicações de artigos em revistas. No total, 27 autores realizaram os trabalhos, alguns destes, mais especificamente artigos, foram realizados por mais de um autor. Abaixo, estão descritos mais detalhadamente esses valores, bem como a comparação efetuada com os dados até então encontrados através de pesquisas anteriores. 3.3 QUANTIFICAÇÃO DOS TRABALHOS APRESENTADOS Os dados foram separados de acordo com suas características e origem, sendo demonstradas no quadro a seguir todas as publicações referentes ao período iniciado no ano 2000 até o ano de 2011. Como este trabalho analisou os anos de 2010 e 2011, os dados dos anos anteriores serviram para comparação e, assim, foi possível averiguar se houve evolução quantitativa nas pesquisas em Ciências Contábeis do Terceiro Setor. Quadro 3 - Produção Acadêmica e sua Divulgação no Período 2000 a 2011 Ano Teses Dissertações Congressos Revistas Total 2000 1 1 1 - 3 2001 - - - - 0 2002 - 2 1 - 3 2003 - 6 3 1 10 2004 - 6 2 - 8 2005 - 3 4 - 7 2006 - 2 4 1 7 2007 - 4 2 - 6 2008 - 4 2 1 7 2009 4 5 9 1 19 2010 1 7 - - 8 2011 - 6 4 2 12 Total 6 46 32 6 90 Fonte: Adaptado do trabalho de Olak et al (2008) 35 Como pode ser visto, do ano 2000 ate o ano de 2009, os trabalhos realizados contabilizavam 70. O presente trabalho revela que nos anos de 2010 e 2011 mais 20 trabalhos foram publicados, o que representa um aumento de 28,6%. Abaixo, pode-se ver graficamente a evolução dos trabalhos referentes à contabilidade do terceiro setor entre os anos 2000 e 2011: Gráfico 1 : Produção Acadêmica nos anos 2000 a 2011 FONTE: Elaboração Própria Calculando-se em médias, percebe-se que até o ano de 2006 as publicações representavam uma média de 5,4 trabalhos por ano, onde o ano que mais teve publicações foi o de 2003, com 10 trabalhos no total. A pesquisa que compreendeu os anos de 2007 a 2009, mostrou que a média dos trabalhos referentes à contabilidade do terceiro nesse período, isto é, nos três anos analisados, foi de 10,6 por ano, o que contribuiu para a elevação da média geral, considerando 2000 a 2009, para 7 trabalhos anuais, onde o ano com mais trabalhos realizados foi o de 2009, com 19 publicações, sendo aliás, o ano mais produtivo, considerando aqueles referentes a contabilidade do terceiro setor no período de 2000 a 2011. Boa parte dos trabalhos de 2009 foi publicada no Encontro da Associação nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ENANPAD). Em uma análise mais aprofundada, vê-se que o referido encontro propõe temas em suas edições, e no ano de 2009, trazia como um dos temas, o seguinte: Contabilidade Governamental e Terceiro Setor, fato este que estimulou a produção acerca do assunto. Revela-se então, a importância de estímulos à produção do tema em encontros ou revistas específicas. 36 Ao se analisar o presente trabalho, que considera os anos de 2010 e 2011, percebe-se ainda que a média do período foi de 10 trabalhos por ano, um pouco menor do que o último período analisado, entretanto, maior do que a média geral, que era de 7 trabalhos anuais. Os trabalhos realizados nos dois anos analisados contribuíram para uma pequena elevação da média geral dos 12 anos, que passou para 7,5 publicações por ano. Para uma melhor visualização, o gráfico abaixo faz uma comparação da média anual dos anos 2000 a 2009 e das médias dos anos 2010 e 2011: Gráfico 2: Médias comparadas dos anos de 2000 a 2009 e 2010 a 2011. FONTE: Elaboração Própria A partir do gráfico acima, se pode perceber que as médias anuais de elaboração de trabalhos publicados em Revistas e Congressos e as defesas de Teses de Doutorado sofreram poucas alterações: aumento de 0,5, diminuição de 0,8 e aumento de 0,1 respectivamente. Entretanto, as médias de Dissertações de Mestrado apresentadas aumentaram significativamente, onde no período iniciado no ano 2000 e terminado no ano 2009, tinha por média 3,3 Trabalhos de pós-graduação stricto sensu por ano, enquanto a média de apresentação desses trabalhos nos anos 2010 e 2011 foi de 6,5 por ano. Após a obtenção desses dados, o gráfico abaixo mostra como ficaram as médias anuais no período de 2000 a 2011: 37 Gráfico 3 : Médias das publicações anuais dos anos 2000 a 2011 FONTE: Elaboração Própria O trabalho realizado por Chagas et al (2010, p. 9), trouxe o seguinte gráfico para demonstrar percentualmente a produção acadêmica de contabilidade no terceiro setor até 2009: Gráfico 4: Percentual da Produção Acadêmica Contábil no Terceiro Setor de 2000 a 2009 FONTE: Chagas et al (2010) Para fins de comparação, a seguir o gráfico atualizado, com a adição dos trabalhos realizados sob os mesmos critérios adotados nos anos de 2010 e 2011: 38 Gráfico 5: Produção Acadêmica Contábil no Terceiro Setor de 2000 a 2011 FONTE: Elaboração Própria. Como se pode perceber, os artigos publicados em revistas tiveram um pequeno aumento, passando de 6% das publicações até o ano de 2009 para 7%, considerando os anos de 2000 a 2011. Em relação às Teses de Doutorado, percebe-se que o percentual não se alterou, mantendo-se em 7% das publicações totais, sempre considerando os dados demonstrados no período total. Os artigos publicados em congressos, que no estudo anterior mostrava 40% das publicações, sofreram uma queda, diminuindo para 35% das publicações totais. As publicações em congressos, que no último estudo havia sofrido um queda, saindo de 53% para 47%, voltou a crescer, aumentando a porcentagem total em 4 pontos percentuais, passando para 51%, sendo o carro chefe das produções acadêmicas acerca da Contabilidade no Terceiro Setor, com mais da metade das publicações entre os anos de 2000 a 2011. Dessa forma, vê-se que a publicação em revistas e as teses de doutorado ainda possuem pouca contribuição para a contabilidade no terceiro setor durante todo o período de estudo. Considerando os artigos apresentados em congressos, percebe-se que mesmo sofrendo uma queda de 5 pontos percentuais, eles continuam com uma boa contribuição para o tema analisado. Já as dissertações de mestrado permanecem sendo as que mais cooperaram para a contabilidade no setor, sempre produzindo a maior parte dos trabalhos e auxiliando, dessa forma, a disseminação do conhecimento contábil no terceiro setor. 39 3.4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS AUTORES REALIZAÇÃO DOS TRABALHOS ENCONTRADOS RESPONSÁVEIS PELA Este trabalho listou ainda os autores que realizaram os trabalhos no período objeto deste estudo. Abaixo a relação nominal dos autores das pesquisas e as respectivas quantidades de publicações no período de 2010 e 2011: Tabela 1 – Autores e a Produção Acadêmica no Período 2010 a 2011 Nº Autor Teses e Dissertações Participação em Artigos (*) Soma 1 Alessandra Veloso Duarte 1 - 1 2 Andreia Carpes Dani - 1 1 3 Anézio Luiz De Souza 1 - 1 4 Cássia Vanessa Olak Alves Cruz 1 5 Cleberson Luiz Santos De Paula 1 - 1 6 Cleston Alexandre Dos Santos 1 - 1 7 Cristiane Gomes Da Costa 1 - 1 8 Delci Grapegia Dal Vesco - 1 1 9 Flavio Da Cruz - 1 1 10 Glenda De Almeida Soprane 1 - 1 11 José Alberto Tozzi 1 - 1 12 José Humberto Da Cruz Cunha - 1 1 13 José Matias Pereira - 1 1 14 José Roberto Da Silva 1 - 1 15 Liliana Regina Ramos 1 - 1 16 Marcelle Colares Oliveira - 1 1 17 Marcelo Bicalho Viturino De Araujo 1 - 1 1 40 18 Maria Clara Cavalcante Bugarim - 1 1 19 Maria José Ribeiro - 1 1 20 Marlene De Fátima Campos Souza 1 - 1 21 Nayane Thais Krespi - 1 1 22 Osório Cavalcante Araújo - 1 1 23 Rafael Frizzo Callegaro - 1 1 24 Silvio Calazans De Toledo Piza 1 - 1 25 Tathiane Lima Da Silva - 1 1 26 Valdir De Oliveira Amorim 1 - 1 27 Vera Brotti - 1 1 14 13 27 TOTAL (*) Alguns artigos possuem mais de um autor. Fonte: Adaptado do trabalho de Chagas et al (2010) Considerando os autores dos trabalhos analisados, em relação aqueles que desenvolveram as pesquisas entre os anos de 2000 e 2009, apenas dois se repetiram nos anos de 2010 e 2011, demonstrando que ainda faltam autores que dêem continuidade às pesquisas relacionadas à contabilidade do terceiro setor. Nos 12 anos em que se têm dados, segundo os critérios estabelecidos, isto é, do ano 2000 até o ano de 2011, os maiores produtores de trabalhos acadêmicos no período foram: Cassia Vanessa Olak Alves Cruz, com 6 trabalhos realizados e Marco Antonio Figueiredo Milani Filho, Mariana Simões Ferraz do Amaral Fregonesi e Valmor Slomski, com 4 trabalhos cada. Os demais autores encontrados produziram um ou dois trabalhos apenas. Vê-se nesses números que o autor que mais produziu nesses 12 anos possui uma média de 0,5 trabalhos anuais, sendo, portanto, um número ainda pequeno diante da necessidade de produção nessa área. Considerando o ano do primeiro trabalho da autora que mais produz: 2004, vê-se que dessa época para cá a média de produções é de 0,75 por ano, sendo ainda um valor pouco expressivo. Os números revelam, então, a necessidade que se tem de estimular um maior interesse por parte dos produtores da informação contábil no terceiro setor no Brasil 41 para que estes dêem continuidade nas pesquisas e novos trabalhos sejam realizados de forma cada vez mais aprofundada. Desta forma, a análise feita por este trabalho, em conjunto com os trabalhos de Olak et al (2007) e Chagas et al (2010), começa a apontar quais os autores mais recorrentes em publicações no setor em questão, bem como revela a necessidade de que se estimulem novos autores a produzirem acerca da contabilidade no terceiro setor e que os já existentes continuem a produzir mais informações sobre o tema. 3.5 ANÁLISE DAS ORIGENS DOS TRABALHOS REALIZADOS QUANTO ÀS INTITUIÇÕES, PROGRAMAS E REVISTAS Levando-se em consideração as produções de Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado analisadas nos anos de 2010 e 2011, nota-se que os programas de pós-graduação que mais contribuíram, com dois trabalhos cada, foram o da FECAP (Ciências Contábeis), PUC/SP (Administração) e FEA/USP (Controladoria e Contabilidade). No quadro abaixo, são descritas as quantidades de trabalhos feitos de acordo com as Instituições/Programa nos anos de 2010 e 2011. Quadro 4 - Produção Acadêmica de Teses e Dissertações no Período 2010 a 2011, por Instituição/Programa Instituição/Programa Dissertações Total FECAP (Ciências Contábeis) 2 2 UFRJ (Políticas Públicas) 1 1 PUC/SP (Administração) 2 2 UFPR (Ciências Contábeis) 1 1 UNISINOS (Ciências Contábeis) 1 1 1 2 UnB/UFPB/UFRN (Ciências Contábeis) 1 1 UNIVALI (Administração) 1 1 UFMG (Ciências Contábeis) 1 1 UFMS (Administração) 1 1 PUC/SP (Ciências Contábeis e Atuariais) 1 1 13 14 FEA/USP (Controladoria e Contabilidade) TOTAL Fonte: Adaptado do trabalho de Olak et al (2008) Teses 1 1 42 Em comparação com os estudos anteriores, o estudo atual revela que algumas Instituições/Programas aparecem pela primeira vez, sendo elas: UFRJ (Políticas Públicas), PUC/SP (Administração), UFPR (Ciências Contábeis), UFMG (Ciências Contábeis) e UFMS (Administração). O surgimento de novas Instituições/Programas aparece como ponto positivo, visto que é uma forma de disseminação do conhecimento contábil no terceiro setor. Analisando-se todos os anos já estudados, as Instituições/Programas de maior destaque na elaboração de dissertações e teses foram: FEA/USP (Controladoria e Contabilidade), com 13 trabalhos promovidos e UNB/UFPB/UFRN (Ciências Contábeis), com 12 trabalhos. Os demais realizaram 3 trabalhos ou menos ao longo desses 12 anos pesquisados. Quanto à publicação de artigos em Revistas ou Congressos, a seguir, uma tabela demonstrativa indicando a quantidade que foi publicada e o correspondente local em que foram publicados. Tabela 2 - Produção Acadêmica de Artigos no Período 2010 a 2011, por Evento/Revista Congressos/Revistas Artigos USP( Controladoria e Contabilidade) - Anpad (Enanpad) 3 Contabilidade e Finanças (USP) - Revista Brasileira de Contabilidade (CFC) - Revista Brasileira e Pesquisa em Contabilidade 1 Total 4 Fonte:Adaptado do trabalho de Chagas et al (2010) Ao longo dos 10 anos anteriores à pesquisa atual, as publicações de artigos somaram 32 trabalhos, gerando uma média de 3,2 trabalhos anuais. Vê-se que nos anos de 2010 e 2011 apenas 4 trabalhos foram publicados, gerando uma média de 2 artigos publicados por ano, causando uma pequena diminuição da média geral de publicações de artigos para 3 artigos anuais. A maior contribuição das publicações de artigos ficou por parte do ENANPAD, com três publicações nos anos de 2010 e 2011 e uma média anual de 1,5 trabalhos realizados. É também o ENANPAD o maior responsável pela produção de artigos durante todo o período analisado pelas três pesquisas. Dos 36 artigos apresentados durante os anos de 2000 a 2011, 43 22 foram apresentados nos ENANPAD’s. Sendo, portanto, responsável por 61% das publicações sobre contabilidade no terceiro setor no período. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho, que teve como um dos objetivos analisar a evolução acadêmica no terceiro setor durante o período de 2010 a 2011, revelou que foram produzidos 20 trabalhos relativos à contabilidade do terceiro setor de acordo com as delimitações do período e do campo de pesquisa estabelecidas. De forma geral, as publicações acadêmicas mantiveram um padrão linear de produção, com uma pequena evolução, visto que a média de produções anuais pouco se alterou, crescendo de 7 trabalhos para 7,5 em média por ano. Os trabalhos analisados continuam sendo em sua maioria originários de dissertações de mestrado, somando 46 dissertações num total de 90 trabalhos, representando assim, 51% de toda a produção. Na sequência vem as publicações em congressos, com 32 trabalhos apresentados, correspondendo a 35% de tudo o que foi realizado. Ainda com pouca representatividade estão as teses de doutorado e as publicações em revistas, cada um com 6 trabalhos realizados, sendo responsáveis, cada um, por 7% do que foi realizado no período de 2000 a 2011. Esses números revelam que os autores de dissertações não continuaram a pesquisa na área para a realização de um doutorado ou não publicaram seus materiais em revistas especializadas. No tocante às dissertações e teses, as Instituições/Programas que mais contribuíram no período foram: FECAP (Ciências Contábeis) e PUC/SP (Administração) com duas dissertações cada, e FEA/USP (Controladoria e Contabilidade) com uma dissertação e uma tese. Em relação aos autores, foram encontrados nos anos de 2010 e 2011, 27 no total, onde comparados com os anos anteriores, percebeu-se que apenas dois se repetiram, demonstrando uma pouca continuidade das realizações das pesquisas na área. Este trabalho ainda trouxe uma análise geral de todo o período analisado pelos três trabalhos: 2000 a 2011, e constatou que embora poucos autores repitam seus trabalhos, alguns poucos já apontam como recorrentes em produções acadêmicas na área. Dessa forma, o trabalho contribuiu para revelar os autores que aos poucos vão se destacando como pesquisadores na área. Além disso, ainda considerando os 12 anos estudados pelas pesquisas, o trabalho 44 permitiu a visualização das Instituições/Programas que vem se destacando como maiores produtores de trabalhos acerca da contabilidade no terceiro setor. Analisando-se todos os anos já estudados, as Instituições/Programas de maior destaque na elaboração de dissertações e teses foram: FEA/USP (Controladoria e Contabilidade), responsável por 13 trabalhos e o programa multidisciplinar inter-regional UNB/UFPB/UFRN (Ciências Contábeis), com 12 trabalhos. No tocante às publicações de artigos, o ENANPAD vem ganhando destaque, sendo responsável por 22 trabalhos realizados no período de 2000 a 2011. Diante de tudo o que foi exposto nesta pesquisa, propõe-se que sejam aprofundados os estudos na área de contabilidade no terceiro setor, explorando novos anos e a realização de pesquisas que apontem quais temas mais carentes de estudo na área. 45 REFERÊNCIAS ALVES, Cássia Vanessa O. et al. As Publicações Acadêmicas da Pesquisa Contábil no Brasil, no Âmbito das Organizações do Terceiro Setor. Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade, Brasília, v. 2, n. 1, p.24-46, 2008. Jan/abr. ANDRADE, Guy Almeida. 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São Paulo: Atlas, 2007. 49 ANEXO I: DISSERTAÇÕES E TESES Ano Título Autor Tipo IES/Programa A contabilidade no terceiro setor e as necessidades das organizações sociais civis: um estudo de caso 2010 múltiplo de organizações localizadas na cidade de São Paulo Silvio Calazans de Toledo Piza FECAP Dissertação de CIÊNCIAS Mestrado CONTÁBEIS Descentralização Vigiada: Accountability e a Avaliação dos Serviços Publicos não Estatais e da 2010 Orientação por Resultados na Administração Pública Alessandra Veloso Duarte Dissertação de UFRJ - Políticas Mestrado Públicas 2010 Prestação de contas no terceiro setor: a dicotomia do marco regulatório José Alberto Tozzi Dissertação de PUC/SPMestrado Administração 2010 Avaliação da sustentabilidade financeira de entidades de assistência social José Robreto da Silva Dissertação de PUC/SPMestrado Administração 2010 Práticas de Contabilidade das Organizações Sem Fins Lucrativos de Curitiba Cleston Aezandre dos Santos Dissertação de UFPR - Ciências Mestrado Contábeis 2010 Tratamento Contábil Das Gratuidades Em Entidades Beneficentes De Assistência Social Liliana Regina Ramos Dissertação de UNISINOS Mestrado Ciências Contábeis Utilização De Indicadores De Desempenho No Processo De Tomada De Decisões Nas Cristiane Gomes 2010 Cooperativas De Crédito: Um Estudo Nos Estados Da Costa Ano Da Paraíba E Do Rio Grande Do Norte Unb/UFPB/UFRN Dissertação de - Ciências Mestrado Contábeis A relevância da informação contábil para os Cássia Vanessa 2010 investidores sociais privados de entidades do Olak Alves Cruz terceiro setor no Brasil: uma investigação empírica Tese de Doutorado FEA/USP Controladoria e Contabilidade Anézio Luiz de Souza Dissertação de Mestrado UNIVALE Administração Cleberson Luiz Santos de Paula Dissertação de Mestrado UFMG - Ciências Contábeis Glenda De Almeida Soprane Dissertação de Mestrado UFMS Administração 2011 Investimento Social Privado: Um Estudo de Caso na Organização Bairro da Juventude Nível de evidenciação contábil das Fundações 2011 privadas do município de Belo Horizonte: uma análise das entidades de educação e pesquisa A Accountability Como Instrumento De Transparência Em Entidades Sem Fins Lucrativos 2011 - O Caso De Uma Fundação De Apoio E Assistência Uma contribuição da contabilidade na melhoria do processo das prestações de contas nas entidades do 2011 terceiro setor. Estudo de caso: Fundação de Ensino “Eurípides Soares da Rocha” - UNIVEM A influência da tributação sobre as receitas das 2011 entidades do terceiro setor: um estudo de caso na área da saúde 2011 Informações contábeis e o risco de insolvência de cooperativas de crédito Marlene de Fátima Dissertação de Campos Souza Mestrado PUC/SP- Ciências Contábeis Valdir de Oliveira Amorim FECAP CIÊNCIAS CONTÁBEIS Dissertação de Mestrado FEA/USP Marcelo Bicalho Dissertação de Controladoria e Viturino de Araujo Mestrado Contabilidade 50 ANEXO II: PUBLICAÇÕES EM CONGRESSOS E REVISTAS Ano Título Autores Evento Captação de Recursos no Terceiro Setor Brasileiro: 2011 fatores estratégicos para divulgação de informações (1) José Humberto da Cruz Cunha (2) José Matias Pereira ENANPAD Modelo Multicritério para Avaliar e Selecionar os Projetos a serem Contemplados pela Reserva de 2011 Orçamento de Contingências (ROC) da Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) (1) Vera Brotti, Flavio da Cruz (2) Rafael Frizzo Callegaro ENANPAD (1) Delci Grapegia Dal Vesco Análise Da Estrutura Do Capital Social Por Meio (2) Andreia Carpes Das Redes De Relacionamento Corporativas, E Dani 2011 Pessoais Nas Participações Societárias Das Empresas (3) Nayane Thais De Serviço De Utilidade Pública E De Krespi Telecomunicações Listadas Na Bovespa (4) Maria José Ribeiro (1) Tathiane Lima da Silva Etapas e dificuldades de elaboração do Balanço (2) Marcelle 2011 Social de organizações não governamentais: um Colares Oliveira estudo de caso (3) Osório Cavalcante Araújo ENANPAD Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade