UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ LEONARDO CAETANO DA ROCHA JUVENTUDES PARTIDÁRIAS E INTERNET: REPERTÓRIOS DE AÇÃO POLÍTICA NOS WEBSITES DAS ORGANIZAÇÕES DE JUVENTUDES PARTIDÁRIAS DO PARANÁ CURITIBA 2011 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ LEONARDO CAETANO DA ROCHA JUVENTUDES PARTIDÁRIAS E INTERNET: REPERTÓRIOS DE AÇÃO POLÍTICA NOS WEBSITES DAS ORGANIZAÇÕES DE JUVENTUDES PARTIDÁRIAS DO PARANÁ Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Ciências Sociais, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, para conclusão do curso e obtenção do grau de bacharel. Orientador: Profº. Dr. Sérgio Soares Braga CURITIBA 2011 2 À Espedito Rocha, por sua luta e arte. 3 AGRADECIMENTOS Em um primeiro momento agradeço a meus pais, Caetano e Sueli, e a meus irmãos, Rogério e Soraia, meus primeiros e eternos educadores. Agradeço aos demais parentes, amigos, colegas de trabalho e camaradas do Partido Comunista Brasileiro, pela compreensão e apoio nos momentos necessários. Agradeço aos companheiros da academia, André Becher, Arthur Mercer, Benno Alves, Cassio Carvalho, Juliano Braga, Roberta Picussa e Victor Castillo, entre outros, pela relação de amizade e auxílio no desenvolvimento intelectual. Agradeço também aos professores que ao longo do curso moldaram meu perfil acadêmico, tendo cada um colaborado de forma imprescindível a minha formação enquanto cientista e indivíduo. Faço uma menção especial ao Prof. Ricardo Costa, o qual foi essencial para despertar meu interesse no que concerne a Ciência Política e ampliar minhas visões acerca das relações de poder. Por fim, agradeço especialmente ao Prof. Sérgio Braga, orientador e responsável pelo surgimento deste trabalho, tendo sido o principal responsável por minha atuação discente, minha constituição como cientista social e pelo desejo de continuidade na formação acadêmica, além de um grande amigo. 4 SUMÁRIO Pg Resumo.................................................................................................................... 6 Introdução............................................................................................................... 7 1. Reconectando a política? Os partidos políticos, a juventude e a Internet – Objetivos, breve revisão bibliográfica e metodologia........................................ 12 1.1 Os partidos políticos e o sistema partidário brasileiro....................................... 13 1.2 Partidos políticos e Internet............................................................................... 21 1.3 Juventudes partidárias e Internet...................................................................... 26 1.4 Metodologia....................................................................................................... 30 2. Os websites dos partidos políticos paranaenses.......................................... 32 2.1 Os partidos políticos paranaenses na web........................................................ 32 2.2 Configuração dos websites partidários.............................................................. 36 3. Militância política virtual? As juventudes partidárias do estado do Paraná e a internet.............................................................................................................. 39 3.1 A presença das instituições de juventude na web........................................... 40 3.2 Comunicação política nos websites das juventudes....................................... 44 3.3 Ações dirigidas nos websites das juventudes................................................... 48 3.4 Morfologia dos websites das juventudes.......................................................... 52 Conclusão.............................................................................................................. 60 Referências Bibliográficas.................................................................................... 64 5 RESUMO Este trabalho tem por objetivo analisar como as instâncias partidárias vêm utilizando as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs), em especial a internet. De forma mais especifica, procuramos entender como as organizações de juventudes partidárias paranaenses estão utilizando novos repertórios de ação virtual. Para tanto efetivamos uma análise de caráter quantitativo e qualitativo dos websites ou páginas concernentes a tais instituições. Nossa hipótese é a de que mesmo em um contexto de baixa legitimidade por parte das organizações partidárias perante a sociedade civil, e a grande familiaridade do âmbito jovem da população com a esfera virtual, a internet não está sendo utilizada de maneira efetiva pelos partidos e suas entidades internas como forma mais eficiente e interativa de mediar as relações entre Estado e sociedade. Os resultados apontam para uma utilização ainda inexpressiva da internet pelas organizações de juventudes partidárias regionais, no sentido de propiciar uma nova lógica na relação entre jovens e instituições, tendo em vista que a pouca representação virtual tende a reproduzir o que é de interesse das organizações e de seus líderes em detrimento a uma relação dialógica com o setor da sociedade que pretende representar. Palavras chave: partidos políticos; juventudes partidárias; comunicação política; website. 6 INTRODUÇÃO O trabalho em referência iniciou-se com a realização de uma pesquisa com caráter de trabalho final de uma disciplina de graduação no curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná, por sugestão do professor orientador desta monografia, Sérgio Soares Braga, o qual também ministrava a disciplina em questão. Com efeito, este trabalho teve como resultado uma análise não muito detalhada da utilização dos websites por parte das organizações de juventudes partidárias do Paraná, sendo complementado durante outra disciplina cursada nas mesmas condições. Istoposto, a presente pesquisa tem como objetivos analisar o desenvolvimento do processo de comunicação partidária no Paraná, tendo em vista as modificações em tal processo que estão sendo introduzidas por intermédio das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs), com foco na Internet. Tendo em vista que tais modificações ocorrem num contexto de perda de legitimidade por parte das organizações partidárias, enquanto instituições responsáveis pela mediação entre Estado e sociedade civil, fato que, em conjunção com a não efetivação de políticas de distribuição de renda e a uma corrupção institucional generalizada, produzem impactos na cultura política brasileira, dentre os quais a desconfiança da classe e instituições políticas (BAQUERO, 2001; MENDONÇA, 2008). Nessa perspectiva, nosso objetivo mais geral tem relação ao fato de como as juventudes partidárias vem se estruturando dentro dos partidos políticos, abrindo espaços para uma reflexão no sentido de como estes entendem a importância de suas vertentes jovens e, com isso, o grau de importância atribuído as mesmas no âmbito da instituição. Para tanto, serão analisados os websites das organizações de juventudes partidárias em âmbito regional, em nosso caso o Paraná, buscando a compreensão do quantoas mesmas vem atribuindo importância a esta ferramenta dentro do jogo político como ferramenta de divulgação, mobilização, interação e democratização interna. A relevância deste trabalho encontra-se, antes de qualquer coisa, na necessidade crescente por parte dos partidos políticos de estabelecer novas formas de relacionamento com os componentes da sociedade. Esta ideia está 7 no sentido de propiciar novas formas de relacionamento tanto no interior das instituições, com uma maior democratização nas tomadas de decisão e na distribuição de capital político, quanto em suas relações exteriores, na disputa pela direção do Estado e no processo de recrutamento de novos quadros, além do relacionamento com as demais instituições(BAQUERO, 2001;(MENDONÇA, 2008; PANEBIANCO, 2005). A configuração do sistema políticos brasileiro pode ser entendida também como responsável pelos problemas de legitimação das instituições partidárias, tanto de uma perspectiva de sua construção histórica (LIMA, 2002), quanto de uma perspectiva estrutural (BRAGA, 2004; 2006). Portanto, apesar da internet possuir este potencial unificador, interativo, mobilizador e inovador, estando inserida e sendo constantemente potencializada pelos diversos segmentos da sociedade, em especial pelos mercados produtivo e financeiro, a esfera política ainda deixa muito a desejar. A literatura em âmbito internacional debate essencialmente acerca deste potencial mobilizador da internet, em criar novas formas de interação, propiciando uma maior possibilidade de ação política por parte dos indivíduos junto ao Estado e aos partidos, potencializando a representatividade dentro das democracias contemporâneas, existindo perspectivas otimistas, pessimistas e neutras relativas a esta questão (NORRIS, 2001; NORRIS, 2003). Assim, observa-se a incorporação das NTIC´s pelos partidos políticos na angariação de recursos, no recrutamento de novos quadros, na ampliação da possibilidade de participação nas decisões internas, nas disputas eleitorais, demonstrando como e quanto tais tecnologias podem se contrapor ou interagir com as mídias tradicionais, e a sua influência nas oportunidades criadas para as diferentes organizações equilibrarem as disputas políticas. A literatura acerca da ação dos partidos brasileiros na internet, mesmo que ainda possa ser considerada escassa, denota a fragilidade da atuação partidária neste meio virtual, tendo em vista o potencial já mencionado destas novas ferramentas para tais instituições. Com efeito, podemos citar alguns estudos demonstrando a utilização dos websites como meios suplementares de difusão de informação ao invés de favorecer uma participação efetiva dos cidadãos em consonância com as organizações (BLANCHARD, 2006), a falta da utilização do potencial dialógico da Internet tendo em vista a dificuldade de 8 se deixar para trás o caráter unidirecional das mídias tradicionais (MARQUES, 2005), ou os índices deficientes de utilização da web para propiciar uma democracia mais transparente (BRAGA, FRANÇA e NICOLÁS, 2009). Entretanto, a discussão estabelecida por Pereira (2011) concernente aos novos repertórios de ação política dos movimentos sociais nos permite verificar que as novas tecnologias de informação, no caso a internet, podem modificar e dinamizar as relações entre instituições e militantes, ou até mesmo não militantes, quando as mesmas são apropriadas e utilizadas por estes sujeitos, abrindo novas possibilidades de organização, difusão e mobilização. Estes repertórios se efetivam por meio da produção de boletins eletrônicos, oferecimento de denúncias, cooptação de novos membros entre outros, propiciando uma comunicação mais imediata entre instituições e sociedade civil e a uma maneira mais rápida de se alcançar os objetivos propostos. Segundo o autor estes novos repertórios, todavia, não devem substituir, mas complementar as mídias tradicionais, acelerando a comunicação entre os membros da instituição, ainda que produza “custos” mais baixos de mobilização e seja ainda inacessível a muitos indivíduos. Neste sentido, buscaremos estender esta análise às organizações de juventudes partidárias com o intuito de compreender se estas relações estabelecidas pelos repertórios de ação virtual tem efetividade neste âmbito. Em relação à juventude, podemos destacar a sua importância histórica nas lutas políticas desenvolvidas no Brasil e no mundo, sendo característico o seu potencial agregador. No Brasil, em especial após a redemocratização em 1988, os partidos passaram a criar estruturas no sentido de abarcar não apenas o segmento jovem, como também o sindical, de mulheres, entre outros. No que diz respeitoà juventude, além dos fatos já citados, a necessidade de recrutar e formar os futuros quadros dirigentes dos partidos, somada ao número expressivo de eleitores dessa faixa etária (inclusive com o voto facultativo aos 16 e 17 anos), torna imprescindível uma maior atenção das instituições em sua relação. Todavia, a descrença em nos partidos, já expressiva em outros segmentos da população, torna-se maior entre os jovens. Entretanto, tais indivíduos nãoapresentam uma postura de apatia, tanto no contexto nacional quanto global, mas uma participação política diferenciada, onde o contexto de 9 crise social produz uma identificação dos jovens com ideias de mudança, mas não através da militância política convencional e sim por intermédio do voluntarismo social (SINGER, 2005). Fato notado pela grande participação de jovens em órgãos de representação como ONG´s, e em manifestações provenientes da internet (KRISCHKE, 2003; NORRIS, 2004). Com isso, a internet pode justamente ser a ferramenta necessária aos partidos para trazer este segmento cada vez mais descrente e afastado do âmbito da militância partidária. Contudo, a produção teórica que conjugue partidos – juventudes – internet, se mostra ainda mais escassa. Desta feita, procurando nos referenciarem trabalhos como os de Dornelles (2005) e Teixeira (2009), os quais analisaram e constataram o quanto é tímida a atuação das organizações de juventudes partidárias nacionais na web, a presente pesquisa pretende analisar esta relação em uma perspectiva regional, ao entender enquanto imprescindível a tais organizações uma atuação mais efetiva no âmbito virtual para produzir uma abertura do meio partidário ao público jovem. Para abordar tais questões, organizamos nossa exposição da seguinte forma: Em um primeiro momento será efetivada uma breve revisão bibliográfica acerca dos partidos políticos e do sistema político brasileiro, para então passar a discutir a relação entre internet, partidos e juventudes partidárias. Isto posto, será definido de maneira mais detalhada o objetivo da pesquisa, além da metodologia que balizará o trabalhoda mesma, tendo basenos trabalhos de Braga, França e Nicolás (2009), Dornelles (2005) e Teixeira (2009) . A partir de então, será verificada a existência de websites das organizações partidárias do Paraná, para que seja efetuada uma analisa breve sobre seus conteúdos. Com efeito, procederemos da mesma maneira com relação aos websites das juventudes partidárias quanto a sua existência, para então ser realizada uma análise mais profunda de suas configurações, tendo em vista aspectos quantitativos e qualitativos em acordo com as categorias de análise retiradas da bibliografia Dessa forma, buscaremos analisar como ocorre a atuação das organizações das juventudes partidárias no mundo virtual tendo por intermédio 10 de seus websites, demonstrando o grau de mobilização, interação, democracia interna, entre outros, que se explicitam nos mesmos. As relações entre os websites das instituições partidárias e dos websites de suas juventudes, também serão considerados na análise. 11 1. Reconectando a política? Os partidos políticos, a juventude e a internet – Objetivos, breve revisão bibliográfica e metodologia. Este trabalho busca ampliar o leque de pesquisas referentes a comunicação partidária, tendo em vista a utilização das NTIC´s com foco na Internet. Dessa forma, visa analisar como os partidos tem implementado novos repertórios de ação política virtual (PEREIRA, 2011) junto a um dos principais segmentos de sua estrutura, a juventude. Assim, buscando contribuir \os escassos estudos sobre partidos e internet, os quais, inclusive, raramente abarcam as juventudes partidárias, procuramos entender como os partidos organizam as suas juventudes no espaço virtual, no sentido de como se transmitem os recursos políticos, como se dá o processo de recrutamento, além do debate político nesse espaço. Para tanto, focaremos nosso estudo na utilização dos websites pelas organizações das juventudes partidárias em âmbito regional, no caso, o estado do Paraná, como meio de difusão de informação, interação, mobilização e aumento da democracia interna. A pesquisa tem como referencial os estudos de Dornelles (2005) e Teixeira (2009), acerca dos websites das juventudes partidárias brasileiras em nível nacional. Tais trabalhos analisaram os itens que aparecem com maior frequência nos websites das juventudes partidárias, sendo estes, portanto, considerados essenciais pela literatura no processo organizativo das mesmas. Além destas, a pesquisa de Braga, França e Nicolás (2009), sobre os websites dos partidos políticos brasileiros, contribui para a presente pesquisa atribuindo um caráter analítico qualitativo às páginas das juventudes paranaenses, explicitando um nível satisfatório ou não dos elementos presentes nestas. 12 1.1 Os Os partidos políticos e o sistema partidário brasileiro. partidos políticos, dentro de um contexto de democracia representativa, são instituições de importância inquestionável para a efetivação da participação popular dentro das esferas governamentais. Contemporaneamente, tais organizações têm perdido sua legitimidade dentre os indivíduos que teriam como principal função representar, em um contexto global e especialmente no Brasil. A recuperação de seu status perante a sociedade pode ter referência no bom aproveitamento das NTIC´s, reaproximando e promovendo a interação entre tais setores. Assim, procuramos trazer brevemente os autores centrais que teorizaram acerca dos partidos político, além das causas que levaram a sua atual fragilidade, para então focalizarmos nuances próprias dos mesmos no território brasileiro, em virtude das particularidades de seu sistema políticopartidário. Nossa conceituação de democracia tem base no trabalho de Dahl (2001), onde um sistema político democrático deve ter entre suas características, a capacidade de ser inteira, ou quase inteiramente, responsivo por todos. Com isso, todo cidadão deve ter oportunidades plenas de formular e expressar suas preferências aos demais cidadãos e ao governo, bem como as ter consideradas igualmente na conduta deste (DAHL, 2001, pg.26). Dessa forma, a competição entre governo e oponentes torna-se de extrema importância nessa espécie de regime, onde a contestação aos condutores do Estado é permitida. Os partidos políticos aparecem, justamente, como os responsáveis pela fomentação dessa dinâmica (democrática), a qual é balizada, segundo Dahl (2001), pela inclusividade (participação) e a liberalização (contestação pública). Dessa relação, entende-se que quanto mais os custos da supressão excederem os custos da tolerância, tanto maior a possibilidade de um regime competitivo (DHAL, 2001, pg.37). A democracia passa a ser vista como um ideal regulador, sendo a realização empírica a ser buscada desse ideal denominada poliarquia, entendida como regime substancialmente liberalizado e popularizado, sendo 13 fortemente inclusivo e amplamente aberto a contestação pública (DAHL, 2001, pg. 31). Em uma análise mais centrada nas organizações partidárias, Duverger (1985) as classifica como reunião de grupos difundidos pelo território do Estado (seções, comitês, associações locais) ligados e coordenados por uma instituição central, com um núcleo programático a partir do qual realiza suas alianças. Sua configuração e distinção aos demais, passa a ganhar contornos com a dimensão dos países e seus traços culturais, por exemplo, tendo a estabilidade política como valor fundamental, mas que possui equivalências distintas com as particularidades regionais. De sua origem “exterior”, uma vez que surgiram de organizações alheias a relação eleição/parlamento (como sindicatos e igrejas), chegam a uma atual e relevante tipificação que os separam entre partidos “de quadros”, de origem parlamentar, estrutura menos rígida e controle centradonos notáveis (parlamentares), e de “massa”, de origem na sociedade civil, com estrutura centralizada e participação de seus membros nas decisões, ainda que seja admitida a existência de partidos “intermediários” (DUVERGER, 1985). Essa divisão decorre da forma como as organizações partidárias modernas organizam-se, com viés mais ou menos centralizado, variando a autonomia e o grau do controle parlamentar por estas. O autor ainda destaca a influência dos sistemas partidários por parte dos sistemas eleitorais, direcionada para a relação proporcional-multipartidarismo e distrital-bipartidarismo, ainda que seja relativizada por alguns autores (BRAGA, 2004). De maneira simplificada, ao produzir o efeito mecânico, os sistemas partidários favorecem os maiores partidos que transformam seus votos em cadeiras no parlamento, produz-se então o chamado efeito psicológico influenciando dirigentes e eleitores, em especial os últimos que tendem a não votar em partidos sub-representados com o receio de perder seu voto. Michels (2001), também discute a organização moderna dos partidos políticos, tendo como norte a sua desvirtuação na relação dirigentes/dirigidos, ou melhor, como estas instituições que buscam a manutenção e o aprimoramento da democracia, tornaram-se oligárquicos na relação em referência. 14 A problemática situação econômica e cultural da classe trabalhadora prejudica sobremaneira sua força política, e, por consequência, sua atuação legitimadora e condutora dos partidos, que ao se proclamarem democráticas, necessitam desses fatores. Este espaço “em aberto” passa a ser ocupado por correntes conservadoras com a consolidação de instituições democrático/formais, desvirtuando o âmbito democrático ao representarem interesses específicos com uma roupagem geral. Isto posto, a necessidade de representação nas democracias contemporâneas vem a favorecer um Estado oligárquico, tendo em vista que as instituições representantes tem, de fato, este teor. Dá-se, com isso, a formação de uma classe (técnicos) política, a qual consagra-se como tal ao dominar o aparato legal, elaborando as regras que norteiam o Estado. As instituições que formam o mesmo fornecem,portanto, o aparato técnico (ou cultura científica) que concentra a vontade coletiva na deliberação das elites, aumentando o distanciamento entre estas e as massas, e não o contrário (MICHELS, 2001). Com efeito, a complexidade das sociedades modernas também produz uma complexidade de interesses, entretanto, o afastamento das massas dos processos decisórios, efetiva o desinteresse e renúncia desses indivíduos para com os assuntos públicos, existindo a necessidade de que sejam dirigidos, para que estes dirigentes então reconhecidos organizem a diversidade em referência,evitando eventuais conflitos (DUVERGER, 1985; MICHELS, 2001). Deste modo, os partidos funcionam como filtros para a seleção ou recrutamento daqueles indivíduos que formarão as elites políticas nas democracias, em especial quando há a necessidade de filiação partidária para a disputa de cargos eletivos, como no Brasil. Cabem, assim, às elites partidárias o indispensável papel de seleção daqueles que terão a oportunidade de ocupar os cargos de poder (PERISSINOTTO & BOLOGNESI, 2007). Panebianco (2005), também estabelece uma abordagem do viés organizativo dos partidos, centrando-se em alguns dilemas dessa perspectiva para analisá-los. Primeiramente, com olhar voltado a organização interna, os partidos podem ser analisados com o modelo racional, tendo em vista seus objetivos últimos, ou por meio do modelo do sistema natural, onde o equilíbrio 15 entre as diferentes forças atuantes torna-se o foco. Ressaltando que as visões podem atuar como complementares. Outro viés de análise remete aos incentivos distribuídos pelos líderes das instituições, uma vez que a sua associação é voluntária o que leva a supor o interesse em recebê-los para estabelecer suas atuações. Tais incentivos podem ser coletivos, distribuídos igualmente, ouseletivos, distribuído de maneira desigual. Torna-se necessária a distribuição de ambos nas organizações partidárias, tendo cada um importância consonante com cada nível da estrutura partidária. O terceiro “dilema” diz respeito a relação do partido com o ambiente, podendo o mesmo valorizar a adaptação ao ambiente (atitude mais passiva) ou o predomínio sobre o ambiente (atitude mais ativa), sendo a relação entre ambas as atitudes importante para a ação partidária. Por fim, avalia o grau de autonomia dos líderes frente às decisões dos partidos, onde deve-se olhar para o grau de interação nas decisões entre indivíduos com interesses dispersos, e a quantidade de autonomia oferecida aos principais líderes na relação com as demais instituições. Panebianco (2005) estabelece ainda outros elementos em sua análise relacionados a dinâmica partidária, como quanto a origem do partido para seus fins organizativos, se o mesmo possui uma origem central e difusão às periferias ou provém de organizações locais, se possui alguma instituição externa que o influencie em termos financeiros e ideológicos, se possui um grau elevado de personalismo dentre suas principais figuras. Por outro lado, quanto a sua institucionalização, acredita ser importante a sua autonomia em relação ao seu ambiente e o grau de coesão entre as unidades que compõe sua estrutura. Focalizando mais precisamente os aspectos que levam a atual crise dos partidos políticos, Mendonça (2008) nos demonstra a existência de uma série de rupturas históricas dentre os partidos ocidentais. Estas crises têm a seguinte cronologia: o desmembramento dos reinos medievais levaram a disputa entre centro e periferia, formando partidos centralistas (nacionais) e separatistas; tentativa de unificação dos Estados nacionais e consequente diminuição dos poderes da Igreja Católica, criação dos partidos religiosos em oposição aos laicos; tendo como palco a industrialização, partidos urbanos e agrários 16 representavam a rivalidade entre campo e cidade; a última e mais importante, ocorreu na Idade Moderna com a cisão capital/trabalho e a estratificação social, envolvendo toda a comunidade nacional e opondo partidos operário e burgueses. Portanto, o conceito de crise remonta a própria história dos partidos, sendo seu o meio encontrado para a resolução de conflitos e adaptação, estando implícito em sua identidade (MENDONÇA, 2008, pg. 76). Desta feita, a crise do Estado de Bem Estar Social e a sobrecarga dos governos implicam também na atual falta de legitimação dos partidos com o afastamento de suas bases e redução da independência frente a setores importantes, tais como imprensa, associações e grupos econômicos. A tal crise, soma-se ainda o estabelecimento da eficácia como orientador das instituições junto ao Estado independentemente de uma representatividade de fato, colocando as organizações como representantes de si mesmas e de seus dirigentes em detrimento da população. O papel da mídia de massa constituída enquanto formadora de opinião dos indivíduos, o avanço dos movimentos sociais (pacifistas, ecologistas, dentre outros) no recrutamento para ação contestatória, bem como a presença de outsiders, personagens sem trajetória política inseridos neste âmbito pela mídia, contribuem e são reflexos ao contexto de crise. Ainda que exista esse problemático contexto representativo, para Duverger (1980), não é o regime dos partidos que ameaça a democracia: “A democracia não está ameaçada pelo regime dos partidos, mas pelo rumo contemporâneo das suas estruturas internas; o perigo não se acha na própria existência dos partidos, mas na índole militar, religiosa ou totalitária, de que às vezes se revestem. (DUVERGER, 1980, pg.459/460). O sistema político brasileiro atravessa problemas de mesma ordem, ainda com determinados agravamentos. A dificuldade de mediação entre Estado e sociedade civil, a corrupção institucional generalizada e a não concretização de políticas de distribuição de renda, produzem impactos na cultura política brasileira, com as consequentes descrença na classe e instituições políticas, institucionalização do individualismo e a sobreposição do privado ao público. Nem mesmo a modernização presente nesse âmbito 17 diminui a desconfiança e o afastamento da população em relação a arena política (BAQUERO, 2001; BRAGA, 2004, 2006). Baquero (2001), que segue esta linha de raciocínio atribui a elementos históricos este sentimento de impotência relativo a uma justiça de caráter comum. Apresenta dois vieses analíticos de especificidades históricas desse processo, o culturalista e o patrimonialista, concluindo que os instrumentos necessários para a construção democrática estavam ausentes ou mal utilizados ou foram utilizados com predisposição ideológica, tendo os meios de comunicação papel fundamental nessa dinâmica. Assim, ainda que ao longo da República tenha-se caminhado para uma ampliação significativa do direito ao voto (LIMA, 2002),o frágil sistema partidário não atua enquanto meio de mobilização e participação, tornando os pleitos eletivos espaços para práticas de cunho subjetivo, emocional, personalista e clientelista (BAQUERO, 2001, pg.99/100). No Brasil contemporâneo a democracia se sustenta, mas com forte submissão aos interesses privados e econômicos. Produz-se um paradoxo, posto que ao invés de ter suas instituições destruídas, a democracia tem as mesmas colocadas à disposição de uma minoria social que alavanca seu domínio e poder econômico em detrimento da maioria, pelo fato de que sua durabilidade sobrepõe-se aos custos sociais de sua precariedade. Com isso, ao mesmo tempo legitima-se democraticamente a dominação e disparidade econômica, e deslegitimam-se as instituições democráticas (BAQUERO, 2001, pg. 102). Baquero (2001), remonta ao fato de que este paradoxo e a consequente crise das organizações partidárias, propicia uma relação Estado-indivíduo por meio da emergência de figuras carismáticas personalistas e práticas não democráticas de resolução, como medidas provisórias, negociações espúrias, etc. Tal configuração é alimentada e difundida pela vertente neoliberal, que procura conjugar um desfavorável (à muitos) crescimento econômico a existência de estabilidade social, o surgimento de organizações paraestatais com práticas deletérias em grupos à margem da sociedade, e a naturalização da exclusão social. A baixa institucionalização dos partidos políticos brasileiros é vista, também, por parte da literatura como um dos impedimentos para a estabilidade 18 da democracia no país. Esta fragilidade tem base na correlação entre alguns elementos do sistema político estabelecidos por intermédio da Constituição Federal de 1986, em especial relativo ao sistema proporcional de lista aberta multipartidário, que permite coligação, sendo que, particularmente,não leva em conta a quantidade votos de cada integrante da mesma, atribuindo a coligação a função de partido. Estando estes elementos ainda, correlacionados ao sistema presidencialista (JONES,1995; LAMONIEUR,1991; MAINWARING,1993; TAVARES, 1998;AMES, 1995; GEDDES, 1994, in: BRAGA, 2006). Com efeito, o individualismo e a autonomia de líderes partidários se sobressaem em relação a estratégias coletivas e o consequente fortalecimento das organizações partidárias, principalmente devido à lista aberta. Disso, se desenvolvem partidos descentralizados tendo em vista o controle de suas autoridades que ocorre de maneira mais incisiva nas esferas locais em detrimento a um controle mais centralizado das lideranças. Sem contar a tendência à fragmentação partidária favorecida pelo sistema peculiar de coligação já descrito, que torna os partidos em entidades passíveis de serem negociadas na esfera eleitoral. Os partidos se mostram, através dessa leitura, com extremas dificuldades no sentido da efetivação de entidades nacionais fortes devido ao contexto, implicando nas suas inconsistências programáticas e baixo controle das bases. Isto implica em uma maior autonomia e potencial dos ocupantes de cargos públicos, principalmente no parlamento, relativa às lideranças partidárias, bem como prevalecendo um modelo parlamentar de catch-allcom bancadas parlamentares heterogêneas e lideranças fracas. Socorro Braga (2004, 2006) contesta está implicação direta e incondicional entre o sistema político e a fragilidade do sistema partidário no Brasil. Se pauta, para tanto, na existência de uma coalizão dominante formada por dirigentes e parlamentares (fundadores) comprometidos com a estabilidade organizativa. Esta coalizão necessita controlar a distribuição dos incentivos coletivosa fim de superar as incertezase propiciar a estabilidade (PANEBIANCO, 2005). Uma das principais incertezas tem a ver com o recrutamento, como os dirigentes mantêm o controle sobre tal, selecionando aqueles que integram o 19 partido e aqueles que serão candidatos ao parlamento, mantém o controle sobre a elite responsável pela representação política. Mesmo com a lista aberto, são os dirigentes que regulam aqueles que terão acesso alista, que serão os futuros parlamentares (BRAGA, 2006). Nesse sentido, Keurbauy& Severino (2011), trazem importantes contribuições ao estudarem as organizações partidárias em suas estruturas relacionais internas (construção de redes sociais e capital político), divergindo das análises tradicionais dos resultados eleitorais. Explicitaram que o funcionamento das organizações depende da reciprocidade e tensão entre os atores reconhecidos por ter capital político, motivados pela possibilidade de ampliá-los ao fazerem parte da organização. Os partidos têm suas dinâmicas impulsionadas pelas estratégias estabelecidas pelos atores políticos que compõem a organização,em especial por aqueles que ocupam posições estratégicas no acesso aos recursos políticos partidários (KEURBAUY & SEVERINO, 2011, pg.318). Seus estudos demonstram que os aspectos relacionais influenciam sobremaneira a ocupação de cargos de direção interna, e a possibilidade de concorrência a cargos eletivos, e, consequentemente, o acesso e manutenção de capital político (KEURBAUY & SEVERINO, 2011, pg.320). Outro aspecto contestado por Braga (2006) tem referência na total autonomia local em relação ao central no espectro partidário. Ainda que reconheça a autonomia das instâncias regionais em relação as instâncias superiores, na organização e na escolha de lideranças, acredita na subordinação local aos recursos centrais, especialmente econômicos. A autora, tratando do multipartidarismo, defende que o sistema proporcional atua reduzindo a fragmentação parlamentar em relação à eleitoral. No Brasil, ocorre um grande grau de redução de partidos efetivos (parlamentares) ainda que suas características sistemáticas próprias, como o peculiar sistema de coligação, estimulem a fragmentação. As recentes disputas eleitorais mostram uma diferença considerável entre os partidos participantes do pleito eleitoral daqueles com efetiva representação parlamentar 1(BRAGA, 2004). 1 Após o pleito eleitoral de 2002, apenas quatro partidos representavammais de 62% do parlamento (BRAGA, 2004). 20 1.2 Partidos políticos e internet. Os estudos sobre a utilização das NTIC´s na esfera política remetem aos anos 90 mundialmente e mais contemporaneamente no Brasil, tendo em vista como a internet auxilia na evolução do processo democrático. Tendo foco nos partidos, busca-se saber como a mesma interfere e dinamiza suas relações internas, aumentando o teor democrático das decisões, a interação e o recrutamento junto a sociedade, a organização estrutural e a seleção das elites políticas. Também infere nas relações externas das organizações com governo, parlamento e outros partidos. A sistematização de Norris (2001; 2003) sobre os enfoques de análise, chamada de ondas de estudo, demonstram bem a evolução da visão sobre o tema. A primeira onda, caracterizada enquanto otimista (ou muitootimista), vê a internet como revitalizadora da democracia, perpassando pela revitalização dos partidos. Assim, ocorreria uma verdadeira radicalização da democracia, com a diminuição da distância entre governo e população e o surgimento de novas formas de mobilização política (NEGROPONTE, 1995; DUDGE, 1996, in: BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009). O cidadão comum teria com isso, uma possibilidade maior de interação na vida político/partidária. Essas mudanças poderiam equiparar os partidos pequenos aos grandes, pelas características próprias de divulgação e interação da internet, elementos não dispensados aos partidos menores pelas mídias tradicionais. Sendo esta última hipótese conhecida como de equalização, observando uma alteração nos padrões de competição política, além de poder alterar a distribuição de poder interna nos partidos (BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009; ALBUQUERQUE & MARTINS, 2010). Outra onda seria a dos cibercéticos (ou pessimistas), na qual a internet aparece como reprodutora das práticas políticas tradicionais, reproduzindo conteúdos já existentes em outras mídias, sofrendo forte moderação e a escassez de recursos de deliberação e interação (MARGOLIS & ROSNICK, 2000; GIBSON & WARD, 2003, in:BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009). 21 Os partidos maiores, tal como nas demais mídias, teriam maior e melhor presença, mas sem propiciar uma maior participação, com vistas no recrutamento dos já politicamente engajados (NORRIS, 2003)2. Dessa forma, a hipótese de normalização defende que o conteúdo da web apenas reproduz os demais meios midiáticos, não estimulando uma relação entre partido e cidadão. A onda de estudo consequente, identificado como de ciberotimistas moderados, observa a Internet como produtora de mudanças, mas dentro dos limites da forma de democracia estabelecida, atribuindo um maior pluralismo a mesma, com elevação da visibilidade dos partidos menores e adição de mais um canal de participação política. A democracia ganha com ampliação de espaços deliberativos por intermédio da internet, com as novas ferramentas os cidadãos podem criar e difundir informação, sendo está uma interação não existente tradicionalmente nas mídias. Contudo, estas possibilidades são limitadas pelas próprias características do sistema, não sendo um fator contundente para reverter a descrença partidária e a apatia eleitoral (EISENBERG, 2003; CASTELLS, 2003). Finalmente, a onda referente aos ciberpessimistas moderados, visualiza uma melhora na dinâmica informacional, entretanto, não encontra inovações para além das mídias tradicionais, como também não vê a internet fora docontrole das elites partidárias. Sendo assim, remonta a mais uma forma de construir e divulgar a imagem dos partidos (algo como a retomada da imprensa partidária), do que de interação com os cidadãos. Como demonstra Blanchard (2006), a interação, a presença da fala cidadão, é pouco explorado pelos websites partidários, os quais passam a ser utilizados como espaço de valorização dos discursos próprios. A presença de falas provenientes de fora é vista como nociva a imagem unitária das instituições e aos seus discursos, criando fortes mecanismos de mediação e tendendo a uma configuração mais próxima de outras mídias (BLANCHARD, 2006). 2 Ainda que a autora não se enquadre nesta linha, ao demonstrar que os websites propiciem uma distribuição mais igual entre os diferentes partidos (NORRIS, 2003). 22 As análises produzidas no Brasil, apesar de escassas já contribuíram para o aprimoramento do tema. Wilson Gomes (2005) explicita que a Internet pode propiciar diversos graus de participação política, desde a disponibilização de informação e prestação de serviços, até uma democracia direta com mecanismos de discussão para se chegar ao convencimento mútuo. Com efeito, ela pode influir na variabilidade do grau de representação das democracias representativas, incorporando novos atores e, assim, a perspectiva de diferentes grupos políticos na sociedade (MIGUEL, 2000, 2003 in CRUZ, 2011), além de poder aumentar a transparência e prestação de contas (accountability)3. Elemento imprescindível às democracias atuais com caráter de controle e monitoramento, o accountability, tem na Internet a grande possibilidade de desenvolvimento pelo espaço privilegiado de divulgação de informações, demonstrando não somente quem decide, mas o que se decide (BRAGA & NICOLÁS, 2008, in CRUZ, 2011). Isto posto, mesmo que o aumento da ligação entre esfera pública, elites partidárias e cidadãos comuns, produza influência e controle do último sobre os primeiros, e um consequente aumento no accountability (CRUZ, 2011), isto não garante sua real influência nas decisões políticas, sendo sua potencialidade de recursos interativos subutilizada, não efetivando maior participação e uma lógica horizontal na comunicação partidária (GOMES, 2005; MARQUES, 2005). Deve-se também este fato à presença dos profissionais de comunicação na gestão dos sites, por vezes instituindo a lógica da competência técnica em detrimento aos recursos e competências próprios da esfera partidária (ALBUQUERQUE & MARTINS, 2011, pg.13).Com isso, Marques (2005) afirma sobre o atual estado da utilização dos recursos da web: “É possível afirmar que, apesar de serem vistas como instrumentos que podem servir ao aperfeiçoamento da forma democrática de governo, apenas mais recentemente os partidos e candidatos a cargos eletivos vêm se dando conta dos benefícios e potencialidades oferecidos pelas redes digitais de comunicação.Esta fase inicial em que se ganha intimidade no emprego da Internet,ainda é marcada por uma lógica que tende a copiar, em muitos momentos, o que já é produzido em outras plataformas”(MARQUES, 2005, pg.145). 3 Mecanismo utilizado para promover pressão sobre a prestação de contas das ações governamentais à sociedade. 23 De um viés mais organizativo como propõe Panebianco (2005),enquanto lugar oficial da voz partidária, a internet, por meio dos websites, tem a função de propiciar a estabilidade interna das organizações partidárias além dos objetivos intensamente analisados como obter votos e influenciar a agenda política. Com isso, serve também como meio da distribuição dos incentivos coletivos e seletivos, potencializando a capacidade de influenciar as lideranças internas e externas, e, por conseguinte a capacidade de intervenção na lógica interna e nas relações com demais instituições (ALBUQUERQUE & MARTINS, 2010; MARTINS, 2011). Em uma análise centrada na atual situação dos websites partidários, Braga, França e Nicolás (2009), observam uma crescente na utilização dos recursos da web pelos partidos mesmo que contemporaneamente ainda se efetive de maneira consideravelmente precária. Isto porque mesmo informações bastante triviais são apresentadas com grande deficiência, fato que compromete o aumento da transparência. Como prolongamento da vontade das direções partidárias, que publicam as informações que traduzem seus interesses, atuam com forte moderação nos elementos que poderiam incitar uma maior interação. Aparecem então como grandes fontes de informação em detrimento a um caráter mais interativo, interessando, em essência, como meio de mobilização interna aos dirigentes dos grandes partidos que já gozam de grande exposição nas mídias convencionais. Contudo, mesmo em tal patamar de precariedade, o estudo aponta para a existência de um subsistema partidário virtual, onde 26 dos 27 partidos brasileiros possuíam sites razoavelmente organizados, denotando não exclusivamente a precariedade, mas uma eventual possibilidade de se caminhar rumo a um sistema partidário virtual (BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009, pg.207). A hipótese da normalização não se aplica, portanto, inteiramente nesta realidade, em especial pelos índices interessantes de utilização dos websites por partidos de portes pequeno e médio em relação aos grandes, interferindo e modificando os padrões comunicativos e organizacionais (BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009, pg.207). 24 A internet aparece não somente como mera reprodutora dos padrões existentes, como previam os ciberpessimistas, nem subverteu por completo os padrões anteriores, como entendiam os ciberotimistas, uma vez que deu maior visibilidade aos partidos de menor representação aumentando a competição pluralista no sistema político, entretanto, não modificou de maneira incisiva o mesmo servindo, por vezes, como reprodutora da lógica vigente. “Podemos afirmar, portanto, que há evidências da ampliação das oportunidades para partidos de oposição e pequenos partidos exporem seus pontos de vista em condições de relativa igualdade com os partidos hegemônicos, verificando-se a existência de algo assemelhado a um “fórum cívico pluralista” no subsistema partidário virtual brasileiro. Entretanto, não se confirmam completamente as proposições segundo as quais os WP servirão como um canal adicional para manifestação e deliberação políticas, na medida em que coletamos poucas evidências de mecanismos de interatividade e de participação política mais ativa dos cidadãos nos WP brasileiros” (BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009, pg.207). Por fim, trazemos à discussão o debate de Pereira (2011) sobre a importância da utilização de novos repertórios de ação política virtual numa situação de imprescindível papel das mídias na interpretação da realidade, na formação da opinião pública e, por consequência, na construção de identidades individuais e coletivas. O acesso e distribuição da informação são elementos de extrema relevância no contexto das relações de poder nas esferas públicas e privadas, como a internet pode contribuir no sentido da independência desses meios para a consolidação de uma sociedade democrática é elemento que se procura entender. Tal fato se daria por intermédio da criação de canais informativos que contrapõe as grandes mídias, possibilitando a interação, a troca de opiniões de diferentes indivíduos, em referência a variadas questões. Contudo, isto não implica na separação entre estes dois campos, uma vez que mídias tradicionais e meios alternativos criam uma relação de mão dupla, onde pautam e são pautados, definindo os assuntos e suas respectivas interpretações que devem ganhar relevância na esfera pública (PEREIRA, 2011, pg.6/7). A Internet, com isso, propicia o desenvolvimento de novos repertórios como produção de boletins eletrônicos, oferecimento de denúncias, cooptação 25 de novos membros, entre outros. Dinamiza, assim, o processo de mobilização e interação entre instituições e sociedade civil, com uma comunicação de viés mais imediato que possibilita o alcance mais rápido de objetivos, além de ter um “custo mais baixo” ao engajamento em detrimento da “militância formal”, elemento que produz resultados de validade relativa às organizações (PEREIRA, 2011, pg. 21/22). Tendo em vista a análise produzida por Pereira (2011) acerca dos movimentos sociais, pretendemos entender estes novos repertórios de ação virtual no contexto da utilização da web pelos partidos, tendo como referência seus setores de juventude. 1.3 Juventudes partidárias e internet. Assim como nas demais camadas da população, e talvez de maneira ainda mais severa, os partidos políticos sofrem com a falta de credibilidade no âmbito jovem da sociedade. Por outro lado, a internet aparece como forma de inclusão e mobilização política especialmente dentre este setor, propiciando novas formas de ação. A reportagem do portal IG, Jovens se afastam dos partidos e buscam a web para fazer política (15/06/2011), retrata bem este quadro. Segundo a mesma, 59% dos jovens brasileiros não possuem preferência partidária, número que se eleva conforme diminui a faixa de renda, enquanto 71% consideram a web como um meio de se fazer política. Isso denota uma busca por outras formas de atuação política em detrimento a institucional/partidária, sendo a internet considerada a principal. Antes de considerações da literatura acerca do tema, é valido procurar identificar como se configura o perfil do jovem brasileiro. A pesquisa acima também demonstra que 89% da juventude do país estão otimistas quanto ao futuro deste, nesse sentido, Lassance (2005) classifica o jovem, ainda que tendo em vista as eventuais modificações em nível regional, como satisfeito com a família, com a auto-imagem, pessimista em relação ao mundo mas otimista em relação ao Brasil e com seu próprio futuro, compreensor do 26 conceito de cidadania e do risco que implica ser jovem,na pouca consideração com a política e com a alteração das desigualdades, e na preocupação com o desemprego. Em uma análise mais geral, a juventude é vista como um período de formação das identidades onde se experimenta várias expressões públicas, procurando por reconhecimento em círculos de naturezas diferentes, como na escola, família, amizades, política. Nesse momento se estabelecem laços sociais e significados coletivos que terão impacto no decorrer de suas opções pela vida (ERIKSON, 1968, in MISCHE 1997, pg.9). No viés da atuação política, alguns autores creem em uma mudança de foco da atuação política com a redemocratização do país depois de 1988, com um caráter diferenciado da participação tradicional em períodos anteriores (MISCHE, 1997; SINGER, 2005). A militância política, o caráter ideológico/partidário, a figura do estudante, foram elementos de suma importância para a participação dos jovens nas questões centrais do país principalmente a partir de 1964, com a perspectiva de luta por ideais de democracia e liberdade em meio a um período de privação dos direitos. Com a redemocratização do país os fatores já descritos nesse trabalho para ilustrar a apatia da população em geral com relação à política, como a corrupção e resquícios de autoritarismos nas novas instituições democráticos e a recessão econômica, também confluíram para um ceticismo para com estas instituições e uma tendência à paralisação política entre os jovens. Neste momento, a juventude que aprovava os ideais de liberdade e participação, mas não acreditava nas instituições em vigência para alcançá-los, deixou para trás o caráter partidário e ideológico de sua atuação, bem como sua caracterização enquanto estudante, para uma noção de cidadão-em-formação, o qual teria como objetivo resgatar a democracia-emformação da herança de corrupção e impunidade pública (MISCHE, 1997). A pesquisa de Krischke (2003) traz dados interessantes, explicitando que ainda que grande parte dos jovens (83%) reconheça a importância dos partidos políticos, uma parcela muito inferior se identifica com os mesmos (47%), e uma inferior ainda (34%) possui confiança neles. O autor vai além e relaciona a participação dos jovens com alguns elementos que os estabelecem 27 na sociedade, concluindo que a relação entre educação, renda e ocupação (participação no mercado), irá regular seu grau de participação política. Um maior acesso a estes elementos tende a produzir uma maior adesão ao sistema democrático, enquanto um menor acesso implica em desconhecimento ou indiferença sobre o tema, sobretudo pela variável educação. Com efeito, Norris (2003) demonstra que o ativismo político juvenil tem aumentado e não regredido como previam alguns estudos, contudo, passou por uma mudança qualitativa das formas convencionais para outras não convencionais, mais espontâneas e associativas. Através de seus estudos explicita que ainda que haja um desalinhamento partidário dos jovens, seu senso de eficácia (governo responde aos seus interesses) e subjetivo (possibilidade de influenciar política/governo), tal como sua grande participação em manifestações/petições, denota seu engajamento. Nesse prisma, a Internet aparece como meio espontâneo e associativo promotor de atuação políticapara além dos espaços convencionais partidários, propiciando o debate e a mobilização como instrumentos de influência no jogo político. (NORRIS, 2003). Teixeira (2009) por outro lado, critica a escassez de obras que analisem os jovens em consonância, com democracia, instituições e cultura política, e a imprecisão das análises sobre o espaço ocupado pelos mesmos na política, pois estes não alcançaram somente a cidadania ativa, com o direito de votar, mas também a cidadania passiva, com o direito de competir em pleitos (DAHL, 2001). No Brasil, a redemocratização conjugada ao multipartidarismo, o aumento populacional e a conquista de direitos por alguns setores, levou a busca de quadros para além da questão eleitoral, tendo em vista a necessidade de mobilização. Os jovens passaram a ser vistos como portadores de enorme potencial mobilizador pelos dirigentes partidários, que, apesar dos problemas organizativos das instituições, passaram não somente a recrutar elementos da juventude, mas também instituir espaços dentro das organizações (secretárias), estimulando a participação efetiva dos jovens dentro da esfera partidária e eleitoral, por vezes assumindo papéis de liderança (TEIXEIRA, 2009, pg.7/8). Isto posto, como já visto, os partidos são condicionantes para a ocupação de cargos, regulando aqueles que pretendem emergir aosmesmos, 28 sendo esta regulação pautada na forma como os partidos organizam-se, tendo em vista elementos como posição social e carreira interna. Assim, as juventudes, possuidoras das direções futuras dos partidos, têm em mãos a possibilidade de modificação/reestruturação dos mesmos em âmbito interno e externo, podendo ou não, transformar ou comprometer a atuação futura das instituições (DUVERGER, 1985; TEIXEIRA, 2009). Tendo todos estes elementos em jogo, Teixeira (2009), acredita que os mesmos impliquem na formulação de estratégia para aliar juventude e partidos, através de iniciativas dos últimos (TEIXEIRA, 2009, pg.10). Portanto, a mobilização política com presença em espaços não convencionais a outros segmentos etários, como escolas, universidades, a perspectiva de renovação das elites partidários trazendo consigo capital social, além da relação diferenciada com indivíduos insatisfeitos com as organizações, denotam a importância das juventudes aos partidos políticos (TEIXEIRA, 2009). “Seguindo essa lógica e associando-se, ainda, a grande penetração que ainternet vem tendo nas camadas mais jovens da população brasileira, podemos afirmar que a mesma não pode mais ser ignorada, tanto pelas instituições políticas e governamentais quanto pelos partidos políticos, como espaço de fomento no universo de construção das imagens públicas. Fazendo parte do sistema global de comunicação, a Internet passa a ocupar lugar de destaque em meio a esse atual cenário das redes informativas, cuja diversidade tem determinado uma multiplicidade de informações fragmentadas.” (TEIXEIRA, 2009, pg.23) A internet aparece, com isso, como elemento essencial aos partidos na forma de mobilização de eleitores e agentes mobilizadores entre o setor jovem, pelo contexto desfavorável às instituições, principalmente dentre este segmento, além da expansão da internet enquanto meio de comunicação, promovendo a troca instantânea de informações. (DORNELLES, 2005; TEIXEIRA, 2009). Tal fato se explicita, quando a internet é elencada como principal instrumento no contexto eleitoral em detrimento as mídias tradicionais pelos jovens (DORNELLES, 2005, pg.4), quando se verifica um crescimento de nove para dezesseis o número de organizações de juventudes partidárias com websites entre 2002 e 2009, superando a metade dos partidos com registro no 29 TSE (TEIXEIRA, 2009, pg.22/23), ou quando os links para estes espaços nas páginas iniciais dos websites nacionais dos partidos aparecem com uma frequência interessante de 59,3% (BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009, pg.196). A partir disso, Dornelles (2005) vê a Internet como um espaço de utilização de recursos tecnológicos, exposição de conteúdos e interatividade, propiciando a utilização de imagens e sons que não pode ter sua utilização abdicada quando o foco está voltado à uma juventude habituada com está dinâmica. A diversidade de elementos pode auxiliar na configuração da internet como meio de ligação entre partido e juventude, adequando o primeiro às tendências da modernidade e propiciando com a interatividade uma aproximação menos impessoal, mais direta (DORNELLES, 2005, pg.18). Dessa maneira, o fortalecimento da imagem institucional dos partidos, imprescindível num contexto desfavorável aos mesmos em relação à sociedade, passa por uma aproximação com o público jovem não apenas na exposição de posições e conceitos, mas na troca de ideias, no sentido de formulação da uma rede, a qual efetiva o sentimento de participação numa construção democrática: “Sabendo que a comunicação interfere diretamente no processo de construção da imagem da política e dos processos eleitorais, a Internet pode vir representar um eficaz canal de aproximação e captação para os partidos, de parte dos eleitores juvenis. Contudo, somente se bem trabalhada e conduzida.” (DORNELLES, 2005, pg.18/19). 1.4 Metodologia Num primeiro momento (Capítulo 2 – Os partidos políticos paranaenses e a internet)serão elencados os partidos com registro no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), para então se verificar a existência de website de cada instituição no estado. Isto posto, será efetivada uma análise da página inicial do site tendo em vista as categorias de análise previstas no artigo de 30 Dornelles (2005) adicionando algumas outras categorias previstas em Braga, França e Nicolás(2009). Estes elementos serão dispostos em uma tabela, para posteriormente serem averiguados de maneira breve. Também será verificada a existência de links para seções internas ou páginas independentes das juventudes, ou alguma alusão da mesma espécie. A próxima seção (Capítulo 3 - Militância política virtual? As juventudes partidárias do estado do Paraná e a internet) se inicia pela demonstração das organizações de juventudes partidárias do Paraná que possuem websites 4. Como já verificado em trabalhos anteriormente realizados5, com uma frequência relevante os websites das juventudes são representados por blogs 6, bem como por vezes páginas municipais funcionam como a referência virtual estadual das juventudes, assim, estas páginas serão consideradas enquanto os representantes dos websites regionais. Também será demonstrada a nomenclatura dessas organizações. A partir desta seleção, estes websites serão submetidos a três unidades de análises conforme Dornelles (2005, p.7), que se referem àcomunicação política, ações dirigidas e morfologia dos sites. Todavia, não nos preocupamos com a perspectiva eleitoral uma vez que este não é o foco de nossa pesquisa, ainda que estudos do gênero se mostrem interessantes para observar a importância das juventudes partidárias no processo eletivo. Em relação à comunicação política, oito categorias de análise irão nortear a observação acerca dos websites, sendo que cada uma contempla variados elementos considerados importantes ao contexto. São elas: O partido/o setor jovem, atualidades, publicações, programas, campanhas e movimentos, captação,estratégias/material de divulgação e relatórios de eventos/congressos (DORNELLES, 2005, p.8). Nossa pesquisa, contudo, pretende ir além da demonstração da existência desses itens, com isso, procuramos verificar se os mesmos apresentam-se de maneira:informaçãocompleta ou satisfatória (10), informação incompleta ou 4 Pela verificação de link no website partidário, pela existência de link no website nacional da organização, por websites correlacionado e de busca. 5 Trabalhos finais realizados em disciplinas de graduação no curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná, ministradas pelo Prof. Dr. Sérgio Soares Braga, orientador desta monografia. 6 Site que disponibiliza menos opções de navegação, mas que permite o rápido acréscimo de artigos ou posts. 31 insatisfatória (5), sem informação (0), atribuindo os valores entre parênteses (BRAGA, FRANÇA e NICOLÁS, 2009). A segunda verificação, referente às ações dirigidas, a análise se dará da mesma forma que a anterior, sendo que as categorias de análise neste caso tem o intuito de explicitar ações e estratégias de divulgação e aproximação com o público, como, por exemplo, congressos, programas de formação,organização de entidades estudantis, protestos, entre outros (DORNELLES, 2005, p.11). Com relação a morfologia dos websites, nossa análise vai no sentido da perspectiva da atratividade destes com seus recursos visuais e linguísticos: “Na intenção de obter uma análise mais aprofundada, observamos a apresentação desses espaços virtuais dedicados à juventude, considerando que nestas novas gerações, já habituadas à interatividade, podem sentir-se mais ou menos atraídas,conforme os recursos visuais e linguísticos aplicados. Como normalmente o usuário acessa na página aquilo que aviva sua curiosidade, assumindo assim o papel de editor desse espaço interativo, podemos considerar que decorre da forma de apresentação o despertar da atenção e interesse, fazendo com que o mesmo prossiga a sua busca. (DORNELLES, 2005, p.12) Por fim, serão efetuadas as considerações finais tendo em vista o resultado da aplicação das categorias de análise nos websites, e as análises já realizadas nos capítulos anteriores. 2. Os websites dos partidos políticos paranaenses. Nesta seção procuraremos explicitar a existência de websites das seções estaduais do Paraná dos partidos políticos brasileiros, para então, caso exista, analisarmos de maneira breve o seu conteúdo. 2.1 Os partidos políticos paranaenses na web. Primeiramente observamos os partidos políticos com registro no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná até o prazo legal para a disputa das eleições 32 municipais do ano de 20127. Ressalta-se que a disposição dos partidos no quadro segue o modelo disposto no site do TER-PR, servindo como modelo aos demais quadros e gráficos presentes no trabalho. QUADRO 1 – Partidos políticos registrados no Paraná. NÚMERO SIGLA 10 PRB 11 PP 12 PDT 13 PT 14 PTB 15 PMDB 16 PSTU 17 PSL 19 PTN 20 PSC 21 PCB 22 PR 23 PPS 25 DEM 27 PSDC 28 PRTB 31 PHS 33 PMN 36 7 NOME PRESIENTE PARTIDO REPUBLICANO BRASILEIRO Presidente: EDSON DA SILVA PRACZYK PARTIDO PROGRESSISTA Presidente: NELSON MEURER PARTIDO DEMOCRATICO TRABALHISTA Presidente: OSMAR FERNANDES DIAS PARTIDO DOS TRABALHADORES Presidente: ENIO JOSE VERRI PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO Presidente: ALEX CANZIANI SILVEIRA PARTIDO DO MOVIMENTO DEMOCRATICO BRASILEIRO Presidente: WALDYR PUGLIESI PARTIDO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES UNIFICADOS Presidente: MARCELLO BARBATTO LOCATELI PARTIDO SOCIAL LIBERAL Presidente: ADELINO RIBEIRO SILVA PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL Presidente: JOSE ELIZEU CHOCIAI PARTIDO SOCIAL CRISTAO Presidente: CARLOS ROBERTO MASSA JUNIOR PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO Presidente: AMADEU FELIPE DA LUZ FERREIRA PARTIDO DA REPÚBLICA Presidente: FERNANDO LUCIO GIACOBO PARTIDO POPULAR SOCIALISTA Presidente: RUBENS BUENO DEMOCRATAS Presidente: ELIO LINO RUSCH PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA CRISTAO Presidente: LUIZ ADAO MARQUES PARTIDO RENOVADOR TRABALHISTA BRASILEIRO Presidente: MARINO JOSE TEIXEIRA PARTIDO HUMANISTA DA SOLIDARIEDADE Presidente: VALTER VIANA PARTIDO DA MOBILIZACAO NACIONAL Presidente: MANOEL BATISTA DA SILVA JUNIOR PARTIDO TRABALHISTA CRISTAO 07/10/2011, um ano antes das eleições do ano subsequente conforme o Tribunal Superior Eleitoral. 33 PTC Presidente: ULISSES SABINO NOGUEIRA PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO 40 Presidente: SEVERINO NUNES DE PSB ARAUJO PARTIDO VERDE 43 Presidente: CLEUSA ROSANE RIBAS PV FERREIRA PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA 44 PRP Presidente: JORGE LUIZ DE PAULA MARTINS PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA 45 BRASILEIRA PSDB Presidente: CARLOS ALBERTO RICHA PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE 50 PSOL Presidente: LUIZ FELIPE BERGMANN PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO 55 Presidente: EDUARDO FRANCISCO PSD SCIARRA PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL 65 Presidente: FRANCISCO LACERDA PC DO B BRASILEIRO PARTIDO TRABALHISTA DO BRASIL 70 PT DO B Presidente: DANILO BECKER D'AVILA Fonte: site do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (05/10/2011) De acordo com o site do TRE-PR, dos 29 partidos políticos brasileiros com registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral, apenas o PCO e o PPL 8 não possuem representação no estado do Paraná. Dentre as instituições em referência, buscamos saber quais possuem websites de seus diretórios regionais, para tanto será verificada a existência de link para o mesmo nos websites dos diretórios nacionais, além de busca em sites que disponibilizam esta ferramenta. QUADRO2: Partidos políticos do Paraná que possuem Website Partido Website Endereço PRB Possui http://www.prb10pr.org.br/ PP Não possui ----------------- PDT Não possui ----------------- PT Possui (link) http://www.pt-pr.org.br/ 8 Vale ressaltar que o Partido Pátria Livre (PPL) havia sido deferido pelo TSE apenas um dia antes (04/10/2011) da coleta de dados. O PSD estava em situação semelhante, mas havia sido deferido já a alguns dias (27/09/2011). 34 PTB Possui (link)9 http://www.ptb.org.br/?estado=pr PMDB Possui (link) www.pmdbpr.org.br PSTU 10 http://pstucuritiba.blogspot.com/ 11 http://www.pslnacional.org.br/?tipo=estados&estado=16 Possui (link) PSL Possui (link) PTN Possui (link)12 http://www.ptn.org.br/estados/pr/ PSC Possui http://www.pscparana.com.br/ PCB Não possui ----------------- PR Possui (link) http://www.prparana.org.br/ PPS Possui (link)13 http://www.ppspr.org.br/site/WFR_PPS_Home.aspx DEM Possui (link) http://www.democrataspr.org.br/ PSDC Não possui ----------------- PRTB Possui (link) http://www.prtb28parana.org PHS Não Possui ----------------- PMN Possui http://pmnparana.wordpress.com/ PTC Possui (link)14 http://ptcparana.blogspot.com/ PSB Não possui ----------------- PV Possui (link) http://www.verde.org.br/ PRP Não possui ----------------- PSDB Possui (link) http://www.psdb-pr.org.br/ PSOL Possui http://psolpr.org.br/ PSD Não possui ----------------- PC DO B Possui (link)15 http://www.pcdob.org.br/estados/pr/ PT DO B Não possui ----------------- Fonte: Websites partidários do Paraná Observamos que a grande maioria dos partidos políticos organizados no Paraná possuem websites próprios, sendo que apenas 9 não possuem, em um universo de 27 entidades. Dentre estes destacam-se grandes partidos do cenário político nacional e estadual, como PP, PDT e PSB, os quais juntos 9 Página dentro do site nacional do partido. 10 Blog do municipal de Curitiba. Página dentro do site nacional do partido. 12 Página dentro do site nacional do partido. 13 Página dentro do site nacional do partido. 14 Blog. 15 Página dentro do site nacional do partido. 11 35 possuem 93 cadeiras na Câmara dos Deputados16, além do prefeito da capital Curitiba17 e do 2º colado nas eleições ao governo do estado em 2011 18. Entre os demais estão o histórico PCB, que atualmente passa por fase de reestruturação, partidos de pequeno porte (PSDC, PHS, PRP e PTdoB), além do grande PSD que ainda organiza-se na unidade da federação. Entre os possuidores de websites, um número relevante tem sua página abrigada no sítio nacional do partido (PTB, PSL, PTN, PPS, PCdoB). O PTC possui um blog que funciona como ferramenta do partido na web, e também consideramos o blog do PSTU do diretório municipal de Curitiba por ser o canal de contato da direção estadual com oeleitorado. Os demais possuem websites independentes. 2.2 Configuração dos websites partidários Verificada a presença dos partidos na web, iremos efetuar nossa breve análise quantitativa tendo em vista as seguintes categorias de análise: 1- O Partido/Histórico; 2- Atualidades/Notícias; 3- Publicações; 4- Programas/Estatuto; 5- Campanhas e movimentos; 6- Captação/Contatos; 7- Newsletter; 8- Eventos/Congressos; 9- Fórum de discussões; 10-Estratégias/Materiais de divulgação; 11-Contribuição financeira; 12-Links; 16 54ª Legislatura. Luciano Ducci (PSB). 18 Osmar Dias (PDT). 17 36 13-Filiação; 14-Composição do diretório; 15-Redes sociais; 16-Juventude. TABELA 03 – Análise dos websites partidários do Paraná Partido PRB PT PTB PMDB PSTU PSL PTN PSC PR PPS 1 x X DEM x x x x x PRTB PMN x PTC x 2 x x x x x x 3 x x x x X x (desatualizado) x x (desatualizado) x (desatualizado) x x x x 4 x x x X 5 x x x 6 x x 7 x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x PV x PSDB x x PSOL x x PC DO x x x x B* Fonte: Websites partidários do Paraná 8 9 x x x x 10 x x 11 x x 13 x x x x 14 15 16 x x x X X x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x X x x x x x x x x x x x x x x x x x x 12 x x x x x x x x x x x x x x x X X X x x x x x x X x Podemos entender que os resultados apontam para uma frequência interessante dos itens Atualidades/Notícias, Captação/Contatos, Programas/Estatuto, Composição do diretório, Links, O Partido/Histórico, Newsletter e Filiação,respectivamente. Tais fatos sugerem, sobretudo pelos dois primeiros e último itens, que o principal intuito dos websites é transmitir a mensagem do partido, quem ele é, como entende a realidade e como deveríamos agir segundo sua perspectiva, ou seja, efetuar uma autopropaganda e auto-promoção, bem como buscar cooptar mais membros para aderirem a estes preceitos. Isto está na contramão no ideário da internet como ferramenta de interação, como uma via dialógica de correspondência entre partido e sociedade civil, uma vez que justamente os mecanismos de interação, aparecem sub-representados. 37 Chama também a atenção o baixo número de partidos que abordam a questão da contribuição financeira (3)19, elemento que desde a campanha de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos da América em 2008, parecia que iria adquirir função importante de arrecadação por intermédio dos websites. Pode-se entender que no Brasil, a configuração personalista e pouco ideológica das instituições, ligadas a concepção de que a esfera política é um âmbito de se “ganhar” e não “gastar” recursos, pode explicar está tendência. Nesta linha, também salta aos olhos a baixa frequência em que aparecem referências as redes sociais nos websites (7), num contexto de extrema utilização desses meios para o relacionamento dos indivíduos e o engajamento em campanhas de ordens diversas, por vezes de cunho político. Vale lembrar que não foram buscadas nas redes sociais as páginas ou contas dos partidos, mas apenas os links existentes nos websites. Além disso, o já citado alto grau de personalismo na política e instituições partidárias brasileiras, denotam uma maior utilização de páginas ou contas das figuras dirigentes e ocupantes decargos públicos, ao invés de páginas ou contas institucionais. Isto posto, os links para páginas das juventudes aparecem em um número razoável (9) pelo elevado número de partidos que não possuem elevada representação parlamentar nem viés ideológico firmado, o que tende a não organização de setores jovens nos mesmos. Em relação aos partidos, explicitamos que PPS, PT, PSDB, PMDB, PSC, PRB e PV, possuem um número relevante de elementos em seus websites em acordo com as categorias por nós levantadas, e uma configuração que leva ao fácil e atrativo acesso a tais elementos, em especial no que concerne aos quatro primeiros partidos aqui elencados. O PCdoB também apresenta boa parte dos recursos, contudo, sua “página estadual” é apenas uma seção do website nacional da instituição, sendo os recursos apresentados concernentes a esta página, ou seja, não são ferramentas específicas da página estadual. Dentre estes partidos por sua pujança em nível estadual e nacional, pode-se entender como normal que PSDB, PMDB e PT estejam nesta seleção, uma vez que o primeiro possui o governo do estado e maior bancada na 19 Números entre parênteses denotam a quantidade verificada. 38 Assembléia Legislativa, o segundo é o maior partido em número de filiados do país, e o último governa a federação há nove anos. O PPS, ainda que “menor”, também possui interessante representação parlamentar e figuras públicas relevantes, no âmbito estadual. O PV se mostra um partido com boa reputação no contexto atual, ligando sua perspectiva do desenvolvimento sustentável com as novas formas de comunicação, além de ter sido talvez o partido que mais focou na utilização mais interativa do meio virtual nas eleições presidências de 2010. Surpreendem PSC e PRB, sendo o primeiro capitaneado por figura pública do setor de comunicação da capital paranaense que obtém a dois pleitos votações extremamente expressivas, e o segundo, aliado do governo federal há muitos anos, pega carona em sua popularidade. Negativamente, podemos citar o DEM, partido já muito expressivo no estado e na nação, com importantes figuras públicas regionais, que hoje sofre com problemas internos e uma acentuada fragmentação, que redundou na saída de importantes de seus quadros, os quais foram os principais responsáveis pela fundação do PSD. Além disso, os partidos de caráter socialista parecem não ter aderido ainda ao desenvolvimento das novas formas de interação, ainda que possuam uma boa representação junto ao público jovem, em especial na esfera estudantil. 3. Militância política virtual? As juventudes partidárias do estado do Paraná e a internet. No capítulo final iremos explicitar as organizações de juventudes partidárias do estado do Paraná que possuem websites, bem como analisaremos como se configuram tais páginas na internet com um viés qualitativo. 39 3.1 A presença das instituições de juventude na web. Dessa forma, iniciamos elencando os partidos que possuem setores jovens para buscarmos suas páginas em nível estadual. Entretanto, por primeiro demonstraremos a nomenclatura das juventudes. QUADRO 04 – Nomenclatura dos setores jovens dos partidos políticosorganizados no Paraná. Partido PRB Nomenclatura da juventude PRB Jovem PP Juventude Progressista PDT Juventude Socialista do PDT (JSPDT) PT Juventude do PT (JPT) PTB Juventude do PTB (JPTB) PMDB PMDB Jovem PSTU Juventude do PSTU PSL PSL Jovem PTN PTN Jovem PSC Juventude PSC (JPSC) PCB União da Juventude Comunista (UJC) PR PR Jovem PPS Juventude Popular Socialista (JPS) DEM Juventude Democratas PSDC Juventude PSDC (JPSDC) PRTB PRTB Jovem PHS Juventude Humanista Solidária (JHS) PMN PMN Jovem PTC PTC Jovem PSB Juventude Socialista Brasileira (JSB) PV Juventude Verde (JPV) PRP PRP Jovem PSDB Juventude do PSDB (JPSDB) PSOL Juventude do PSOL 40 PSD PSD Jovem PC DO B União da Juventude Socialista (UJS) PT DO B Juventude do PTdoB Fonte: Websites nacionais e regionais dos partidos políticos brasileiros; Websites nacionais e regionais das juventudes partidárias brasileiras. QUADRO 05 – Relação entre partidos políticos paranaenses, seus websites, links para o setor jovem e página independente da juventude do partido, Link Partido Website Jovem/J uventud e PRB PP PDT 21 Não possui Não possui PT Possui PTB Possui PMDB Possui PSTU Possui PSL Possui PTN Possui PSC Possui PCB 20 Possui Não possui Não possui Página independent e da juventude do partido Não possui - Possui (blog) - Possui (blog) Possui Não possui Possui Não possui Não possui Não possui Possui - Endereço do webstite Possui (blog)20 ----------------http://juventudepppr.blogspot.com/ http://jspdtpr.blogspot.com/ http://juventude.ptcuritiba.org.br Não possui ----------------- Possui http://jpmdbpr.org.br Não possui ----------------- Não possui ----------------- Não possui ----------------- Possui (blog) Possui (blog)21 http://www.juventudepsc.blogsp ot.com/ htpp://www.ujccuritiba.info/ Blog JPT Curitiba. BlogUJC Curitiba. 41 PR Possui PPS Possui DEM Possui PSDC PRTB PHS Não possui Possui Não Possui PMN Possui PTC Possui PSB PV PRP Não possui Possui Não possui Não possui Possui Não possui Não possui Possui (blog)22 Possui (blog) ----------------http://jpscuritiba.blogspot.com/ http://juventudedemocrataspr.bl ogspot.com/ Não possui ----------------- Não possui ----------------- - Não possui ----------------- Possui Não possui ----------------- Não possui ----------------- Não possui Não possui Não Possui (blog)23 http://jsbcuritiba.blogspot.com/ Possui (blog) http://juventudepv.blogspot.com/ - Não possui ----------------- possui PSDB Possui Possui Possui http://www.jpsdb-pr.org.br/ PSOL Possui Possui Não possui ----------------- - Não possui ----------------- Possui Não possui ----------------- - Não possui ----------------- PSD PC DO B Não possui Possui PT DO Não B possui Fonte: Websites nacionais e regionais dos partidos políticos brasileiros; Websites nacionais e regionais das juventudes partidárias brasileiras. 22 23 Blog JPS Curitiba. Blog JSB Curitiba. 42 Evidenciamos que apenas um númeroreduzido de organizações (10 de 27) possuem websites regionais, sendo, inclusive, em sua maioria blogs, e por vezes de seções municipais. Tais instrumentos também serão levados em consideração uma vez que servem como o principal, ou único, mecanismo virtual das juventudes no estado, além de que apenas PSDB e PMDB apresentaram efetivamente um website. Chama a atenção a falta de espaços virtuais entre as juventudes de partidos com relevante representação parlamentar como PRB, PTB, PR e PCdoB. Em especial no que diz respeito ao último, tendo em vista que sua juventude, a UJS, dirige inúmeros órgãos estudantis no país e no estado tanto em nível superior quanto secundarista, além de estar a frente há um longo período da União Paranaense dos Estudantes (UPE), da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Nacional dos Estudantes Secundaristas (UBES) 24. Ainda neste viés, também surpreende a não presença de juventudes de esquerda como a Juventude do PSTU e a Juventude do PSOL, entidades que também possuem boa representação no movimento estudantil, dirigindo importantes entidades deste teor, como, por exemplo, o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Paraná (DCE-UFPR), no caso da última. Isto posto, as páginas elencadas serão submetidas a três unidades de análises conforme Dornelles (2005, p.7), que se referem a comunicação política, ações dirigidas e morfologia dos sites. Todavia, com o intuito de propiciar um viés qualitativo à analise, além de verificar a existência do item atribuiremos um valor no sentido de verificar se a informação se apresenta ou não de maneira informaçãocompleta completa ou ou satisfatória, satisfatória (10), conforme informação esta atribuição: incompleta ou insatisfatória (5), sem informação (0). Tendo base essa qualificação conforme Braga, França e Nicolás, (2009). 24 Em gestões com ou sem composição com outras agremiações, mas mantendo há um longo período a hegemonia no movimento estudantil. 43 3.2 Comunicação política nos websites das juventudes. Esta primeira seção de análise dos websites das juventudes abarca as seguintes categorias de análise, conforme Dornelles (2005): 1- Opartido/o setor jovem – conheça o partido/ núcleo da juventude, história, quem somos,princípios, líderes/figuras históricas; 2- Atualidades – notícias em geral, entrevistas; 3- Publicações – artigos, livros, textos, pesquisas. 4- Programa/Estatuto/Relatórios de eventos e congressos; 5- Captação – contato, e-mail, fale com a organização, faca parte; 6- Newsletter; 7- Estratégias/materiais de divulgação – boletim, jingle,banner,slogan, programas de TV e rádio, materiais, camisetas, bonés. 8- Redes Sociais – links para Twitter, Facebook, Orkut, Youtube, Flickr, Myspace. TABELA 02 – Comunicação política nos websites das juventudes paranaenses Organização 1 2 3 4 5 6 7 8 Juventude Progressista 5 5 0 0 5 0 0 5 JSPDT 0 0 0 0 0 0 0 0 JPT 0 10 0 0 5 5 0 0 PMDB Jovem 0 5 0 0 10 0 5 5 JPSC 0 5 0 0 0 0 0 5 UJC 5 10 10 10 5 0 10 0 JPS 0 5 0 0 0 0 0 0 Juventude Democratas 5 5 5 0 5 0 0 10 JSB 0 10 5 0 5 0 5 5 JPV 0 10 5 0 5 0 0 5 JPSDB 10 10 0 10 10 0 10 10 Fonte: Websites e blogs das juventudes estaduais e municipais 44 No geral os websites apresentam diversas deficiências quanto à frequência dos quesitos entendidos como interessantes a uma boa ferramenta dessa ordem. Entre os elementos que mais aparecem, Atualidades, na figura de notícias, é o que mais se destaca (10)25 especialmente pela grande presença dos blogs que tem quase como função única, justamente a disseminação de notícias. Ainda que a grande maioria esteja desatualizada (8), esses veículos denotam a ideia das páginas como via de mão única, onde as organizações se utilizam dos espaços para a divulgação de notícias e eventos que acreditam ser pertinentes para sua auto-promoção, além da forte presença de informações relativas a lideranças e parlamentares oriundos das mesmas. Assim, a perspectiva da interação fica posta de lado, atuando a Internet como meio de disseminação das práticas características das mídias tradicionais. Talvez, outra categoria de destaque as Redes Sociais (7), denotem certa modificação neste cenário, uma vez ser típico dessas ferramentas da web a troca de informações e a constante manifestação de opiniões sobre os temas levantados nelas, como também sua capacidade de mobilização. Entretanto, as redes sociais podem, também, serem utilizadas como meras formas de disseminação de informações, atuando enquanto uma extensão dos websites ou blogs. Para solucionar este questionamento, mostra-se necessário um estudo mais aprofundado acerca das redes sociais, que não é objetivo deste estudo. A última categoria de destaque, a Captação, valida as afirmações de que os partidos devem voltar-se ao segmento jovem da população no sentido de seu recrutamento pelos fatores já citados no trabalho. Da mesma forma valida as inferências relativas à internet como um dos principais meios, se não o principal entre a juventude, para promover a aproximação dos partidos com este setor afim de que elementos do mesmo venham futuramente integrar suas fileiras. Posto isso, áreas que mostram “quem é” e o “motivo de sua existência”, bem 25 como a estruturação interna, como “O setor jovem” (4) e Números entre parênteses denotam a quantidade verificada. 45 “Programa/Estatuto/Relatórios de eventos e congressos” (2), estão subrepresentadas num contexto de configuração das páginas que valorizam a disseminação de informações sobre eventos pontuais e sobre figuras públicas ligadas as instituições, em detrimento de uma busca pelo fortalecimento das instituições como tais que não estaria vinculado ao personalismo. De maneira intermediária aprecem ainda as categorias “Publicações” (4) e “Estratégias/Materiais de divulgação” (4). Quanto ao primeiro, a maioria tem teor de textos pontuais sobre assuntos tais quais, sendo quase inexistentes notas políticas embasadas e construídas oficialmente pelas organizações. Estratégias de utilização de vídeos, músicas, símbolos, também não se mostram prioritárias, e em número ainda mais reduzido aparecem os materiais institucionais, salvo algumas exceções, as organizações não buscam o fortalecimento de sua “marca” e a expressão dos elementos que marcaram sua trajetória e representam o seu norte atual. Vale ainda ressaltar, que a “Newsletter”, ferramenta antes muito utilizada para se chegar ao cidadão, praticamente inexiste com apenas uma aparição que ainda não possui retorno. GRÁFICO 1 -Comunicação política nos websites das juventudes paranaenses 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Fonte: Websites e blogs das juventudes estaduais e municipais Ao observarmos o enquadramento qualitativo das páginas, vemos o destaque das organizações JPSDB e UJC. A primeira possui elementos em 46 quase todas as categorias, sendo todos os apresentados qualificados como satisfatórios. Aparece como única a apresentar uma verdadeira introdução ao setor jovem e a ter e dar destaque para os links de diversas redes sociais, além de manter um blog com notícias atualizadas e a explicitar vídeos e materiais institucionais. O destaque da JPSDB é compreensível pela força do partido que representa em especial no Paraná onde possui o seu governador e uma forte base na capital, contudo, a UJC aparece como surpresa por se tratar de uma organização histórica, mas em reestruturação tal como seu partido, sendo que este sequer possui website regional. Destaca-se por manter ativa a atualização de suas notícias as quais abrangem aspectos regionais, nacionais e, sobretudo, internacionais. Também é a que mais valoriza a simbologia e a sua marca própria, e ainda que seja um blog municipal, vincula com freqüência materiais como artigos próprios sobre questões de teor variado. Em uma situação intermediária aprecem websites que a priori aparentavam serem bastante completos como os JPT e JPMDB, mas que do viés qualitativo aproximam-se, e por vezes ficam abaixo, de blogs (alguns municipais) como os da Juventude Progressista, Juventude Democrata, JSB e JPV. Estas páginas, em suma, disseminam notícias, mas também atribuem destaques à captação, reproduzindo em algumas situações textos próprios, e com a explicitação de uma preocupação relativa ao redimensionamento às redes sociais. Ainda assim, pela importância de seus partidos, fica a impressão de que estas organizações ainda estão muito aquém de uma ferramenta virtual efetiva. Todavia, qualitativamente ficaram realmente aquém as páginas de JPSC e JPS, com blogs que apenas vinculam notícias com baixa freqüência. Além disso, o blog da JSPDT somente reproduz a propaganda concernente a um encontro da seção sul da instituição no país. 47 3.3 Ações dirigidas nos websites das juventudes A segunda seção de análise é pautada em acordo com as seguintes categorias segundo Dornelles (2005): 1- Congressos, fóruns, convenções, seminários, encontros, plenárias; 2- Cursos, programas de formação, atividades de organização política; 3- Movimentos estudantis, organização de instituições estudantis; 4- Manifestações, movimentos, protestos, mobilizações; 5- Campanhas, programas, frentes, prêmios; 6- Espaço de discussões, opine. TABELA 03 – Ações dirigidas nos websites das juventudes paranaenses Organização 1 2 3 4 5 6 Juventude Progressista 10 0 0 5 0 0 JSPDT 5 0 0 0 0 0 JPT 10 0 5 10 10 0 PMDB Jovem 5 5 10 0 0 0 JPSC 5 0 0 5 0 0 UJC 10 10 10 10 10 0 JPS 5 0 0 0 5 0 Juventude Democratas 10 5 0 0 5 0 JSB 5 5 0 5 5 0 JPV 5 5 5 10 10 0 JPSDB 5 5 0 0 10 5 Fonte: Websites e blogs das juventudes estaduais e municipais 48 As ações dirigidas concentram-se, sobretudo, nas postagens dos blogs ou nos espaços de notícias dentro dos websites. Fica clara a predominância das notícias relacionadas a congressos, seminários, convenções, e principalmente, encontros (11)26, que visam discutir temas pontuais ou estruturar a organização em algum município ou até mesmo no estado, uma vez que todas as páginas estudadas apresentam este quesito. Pode-se entender que a web está sendo utilizada pelas juventudes como meio de divulgar suas atividades e trazer outros membros para as mesmas que ocorrem fora do âmbito da web, do que promover ações voltadas à internet em si. Posteriormente, temos as campanhas, frentes (7), manifestações e protestos (6), enquanto bem representadas na web pelas juventudes partidárias. Seguindo a mesma lógica da categoria exposta no parágrafo anterior, procuram chamar a essas campanhas, manifestações, etc., assim como explicitar seus resultados. Essas atitudes buscam demonstrar que as instituições estão em acordo com as demandas da sociedade civil, procurando colaborar para que os anseios das mesmas sejam realizados, no sentido de transparecer uma organização atuante e ligada a população. Em algumas situações, esses elementos exploram as perspectivas ideológicas destas seções partidárias. A segunda categoria, que trata de cursos e programas de formação (6), apresenta frequência parecida com as mencionadas anteriormente, mas como são ações de caráter extremamente pontual, com exceção da UJC, podem ser caracterizadas como de importância inferior para as direções de juventude. Surpreende a baixa freqüência que aparecem menções ao movimento estudantil (4), haja vista ser historicamente o principal espaço de disputa e de efetivação de políticas por parte das juventudes partidárias. Isto pode denotar que tais instituições já não atribuam mais a mesma importância a essas instâncias legais de organização da juventude, em especial por seu aparelhamento contemporâneo, ou simplesmente por acreditarem que outras formas de organização de caráter diverso, possam ter mais efetividade junto a juventude atual. Outro elemento, diz respeito a grande frequência com que se 26 Números entre parênteses denotam a quantidade verificada. 49 destacam os dirigentes das juventudes em instituições ligadas a partida de caráter fisiológico. A última categoria, espaço de discussão (1), extremamente subrepresentada, com apenas uma aparição e ainda com link para um website “fora do ar”, denota novamente a pouca relevância atribuída a internet como instrumento de interação e de busca da participação, aproximação e mobilização por parte das juventudes partidárias paranaenses. Os websites, quando propõem ações dirigidas, chamam a reuniões, protestos, campanhas, já produzidas e de interesse da instituição, nunca convocam a juventude para construir conjuntamente as pautas de reivindicações, e tampouco buscam entender suas demandas. GRÁFICO 2 – Ações dirigidas nos websites das juventudes paranaenses 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Fonte: Websites e blogs das juventudes estaduais e municipais Nas ações dirigidas, a UJC também surpreende e atinge os melhores níveis qualitativos. Seu blog possui referências diretas a congressos e atividades de formação, com espaço exclusivo aos mesmos. Também é única com links específicos para campanhas de caráter regional, nacional e internacional, e com grande enfoque em atividades relativas ao movimento 50 estudantil e campanhas sobre o movimento estudantil. Apresenta ainda posts relativos a diversos debates e seminários, bem como diversas manifestações e ocupações promovidas pela instituição. Em situação intermediária aparecem organizações de importantes partidos, JPT, JPV e JPSDB. A primeira apresenta muitas postagens sobre congressos e atividades partidárias, manifestações contra a corrupção na cidade e no estado, além de manifestações por questões diversas como o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte, até por seu partido estar na oposição nestes âmbitos. Aparecem também campanhas em épocas eleitorais e frentes de discussões acerca de aspectos como a legislação da comunicação no país. Certas menções a movimentos sociais e parlamentares, contudo, apenas uma menção ao movimento estudantil sendo a instituição liderança nas principais entidades desse teor no estado. A JPV, com o olhar voltado a questão ambiental, explicita diversas campanhas e chamadas para manifestações, como também eventos institucionais e partidários, mas de forma desatualizada. Já a JPSDB que possui um website bastante completo, foca, de maneira intensa, em mobilizações e reuniões pelo estado e em campanhas de participação jovem, todavia, muitos elementos estão desativados ou desatualizados, Em situação inferior, mas ainda intermediaria estão as páginas da JPMDB, Juventude Democrata e JSB. A JPMDB faz uma referência a congresso e na mesma intensidade a formação política, além de algumas referências a atividades parlamentares e instâncias legais de discussão e deliberação sobre juventude. Chama a atenção o fato de que mesmo não tendo grande atuação junto ao movimento estudantil, efetua diversas alusões a UNE e a mobilização em volta dela. Já a Juventude Democrata, refere-se com certa frequência a congressos e encontros e de maneira muito menor a formação, ainda que o faça em detrimento a muitas outras, da mesma forma que a uma campanha. A JSB se remete a diversos encontros, congressos e seminários, entretanto, sem muita profundidade. Qualitativamente inferiores se apresentam as páginas da Juventude Progressista, JPSC e JPS. A primeira com várias postagens referentes a organização estrutural da juventude no Paraná. A segunda com informes sobre 51 reuniões e um congresso do partido, além de algumas palestras e manifestações pontuais. E a JPS com uma única menção ao próprio congresso e uma mobilização virtual contra a utilização de drogas. Por fim, a JSPDT apresenta somente informações, inclusive incompletas, em relação ao 2º Encontro Sul-brasileiro da Juventude Socialista, um evento institucional. 3.3 Morfologia dos websites das juventudes. Tendo em vista o fato dos setores jovens da população já serem habituados ao âmbito digital, e que os mesmos podem sentir-se mais a vontade e tencionados a acessar espaços virtuais com recursos visuais e linguísticos que despertem sua atenção e interesse para prosseguir o acesso, atuando enquanto editores dos conteúdos que lhes convenha (DORNELLES, 2005, pg.12), procuramos analisar a apresentação de cada página das juventudes paranaenses para entendermos como essas se apresentam ao seu público. Dessa forma, pautaremos nossa análise tendo em vista como as páginas se estruturam em relação as cores utilizadas, a existência de links, a disposição e aos elementos que configuram o website, a analogia aos símbolos e ao próprio partido, a constância da utilização de imagens e vídeos, bem como as formas como os textos são redigidos, propiciando ou não, uma clara e dinâmica compreensão dos elementos dispostos nestes. Juventude Progressista O blog da Juventude Progressista no Paraná apresenta um layout extremamente simples e pouco trabalhado, sem símbolos da organização e de seu partido com posts rápidos que, em suma, explicam fotos e certos eventos. Sua configuração se mostra muito pouco atraente e desorganizada, mesmo que seja apenas como um meio de se obter informações. 52 JSPDT O blog da JSPDT apesar de somente se remeter a um evento da mesma, no que diz respeito a isso apresenta uma configuração bastante interessante com alusões aos símbolos da organização e do partido, bem como as bandeiras dos estados do sul do país. Seu acesso é simplificado e incita o acesso, contudo os conteúdos inexistem. JPT A home page da JPT explicita uma configuração muito bem estruturada, atrativa e de fácil acesso. Menciona por vezes a instituição e o respectivo partido, além da constante presença de seus símbolos, com o vermelho predominado como principal cor. O acesso as principais notícias vinculadas e os links estão bem expostos, sendo as primeiras bem ilustradas com fotos, charges e artes, sempre com textos bem explicativos e de fácil compreensão. 53 PMDB Jovem O website do PMDB jovem demonstra-se simples, mas esteticamente atrativo. Marcado pelas cores do partido e com aparições da logomarca da instituição com frequência interessante, ainda que simples e com poucas opções. A utilização de imagens e fotos pode ser classificada enquanto média, contudo, os textos postos são de bom tamanho e com uma linguagem tal qual interessante. JPSC A JPSC segue a linha dos demais blogs, com um banner relativo a sua logamarca na parte superior, todavia, explicita um layout desorganizado e com cores que apenas lembram as da organização. Nos posts, aparecem poucas imagens e fotos sem muita qualidade da mesma forma que os textos que as acompanham. 54 UJC Mesmo com uma estrutura simples a UJC, em seu blog municipal, consegue oferecer uma página atrativa aos jovens que possuem inclinações ideológicas compatíveis as da organização. A mesma é marcada pelos símbolos que representam tanto a UJC quanto o PCB, em especial pela foice e o martelo, símbolo histórico do comunismo. Além disso, diversos links para campanhas, cursos e manifestações bem elaborados aparecem no decorrer da página, que também contempla links para páginas relacionadas a UJC. Seus posts são, por vezes, longos, mas elucidativos, marcados por várias imagens, como fotos e charges, bem como vídeos. Ressalta-se ainda os antigos posts bem organizados ao lado da página e elementos únicos quando comparados as outras juventudes, como contador de visitantes, tradutor para diversas línguas e apontador com os visitantes de todo o planeta. 55 JPS Tal instituição possui uma das piores configurações de website. Seu blog, que possui um logo da mesma no topo, se demonstra extremamente desorganizado com imagens desconexas, textos sem um padrão e por vezes postados de maneira qualquer. Seus poucos links ao lado contrastam com a cor branca que permeia o decorrer da página. Juventude Democratas O blog da Juventude Democratas apresenta um visual bastante agradável, com uma cor em degrade que contempla as cores do partido. Destaca-se pela extrema organização, com uma rápida apresentação institucional ao lado direito, seguido pelo contato, links para redes sociais e histórico de mensagens. Estas sempre explicitadas de forma coesa com fotos ilustrativas e textos de rápida leitura e fácil compreensão. 56 JSB O blog possui além da logo no topo que se refere ao partido (PSB) e não propriamente a JSB, um fundo bastante chamativo com diversos desenhos que ao tentar passar uma imagem mais “descolada” acaba comprometendo toda a página, principalmente no que concerne a leitura dos textos. Estes, que quase sempre possuem um vídeo ou imagem acompanhando, são bem coesos e organizados. Isto posto, existem também alguns links e chama a atenção que em ambos os lados da página aparecem referências ao twitter da instituição, os quais acompanham o rolamento da página. JPV O blog da JPV assemelha-se ao da Juventude Democratas, explicitando um layout bastante interessante marcado pela cor verde e com referências constantes ao que se pode chamar de “movimento verde”. Seu contato, links e arquivo aparecem também muito bem organizados, e seus posts são 57 sempre dinâmicos e de fácil compreensão, adaptando-se bem a este caráter de rápida disseminação da informação típico dos meios virtuais. JPSDB O website da JPSDB no Paraná, sem dúvida, se destaca em relação aos demais, tendo, talvez a JPT como a página mais próxima. Sua página inicial é extremamente bem elaborada contemplando símbolo e cores institucionais com desenhos que justamente atribuem um caráter jovem. Links muito bem trabalhados, como um do mapa do Paraná, permeiam o website, com as últimas notícias em destaque e endereço e contato discretamente colocados abaixo, mas ainda assim bem visíveis. Seus textos variam de médios a longos, sempre com muitas fotos e vídeos postados. Contudo, o maior destaque está no canto direito superior onde aparecem referências a algumas notícias e flashes que perguntam e sugerem o perfil do jovem paranaense quanto ao gosto musical, seguido de algumas imagens muito bem feitas que se adéquam a cada sugestão, como hip-hop, 58 sertanejo e rock, para, então suscitar o ato dos jovens se manifestarem. Por fim, colocam grande ênfase nas redes sociais, ao colocar links a diversos websites dessa natureza ao lado das imagens já citadas. 59 CONCLUSÃO Tendo em vista a análise dos dados, entendemos que a utilização da internet na figura dos websites pelos partidos políticos, mais especificamente suas juventudes, se apresenta ainda enquanto muito precário, ao menos num contexto regional. Percebemos que os meios virtuais são utilizados essencialmente como formas de difusão de informações, e em medida consideravelmente menor de mobilização, em detrimento a uma perspectiva de interatividade que boa parte da literatura acreditava ser o aspecto inovador das NTICs, da mesma forma que elementos que sugerissem um maior aumento da democracia interna são praticamente imperceptíveis. Com efeito, temos em grande escala a reprodução e valorização dos discursos próprios das direções partidárias e das juventudes, portanto, não se observa uma maior participação social nos processos que poderiam ser mediados pelos partidos, posto que não se propicia um caráter dialógico por intermédio da internet, fato que coloca a mesma, em grande escala, como reprodutora da perspectiva unidirecional das mídias tradicionais. Isto se comprova devido ao grande número de blogs, páginas que servem como reprodutora daquilo que as instituições crêem ser pertinente a sociedade e passível de ser levado a esfera pública, produzindo, no máximo, formas de mobilização que também passam pelo crivo das direções. Assim, ferramentas que procurem perceber as demandas por parte dos setores da sociedade, em especial a juventude, não são frequentes, da mesma forma que não são frequentes ferramentas que propiciem a discussão até mesmo acerca do que as direções entendem como relevantes à sociedade, e muito menos debates relativos a atuação das próprias organizações. Contudo, o questionamento que se apresenta concerne ao fato de que, será realmente interessante aos partidos políticos e aos seus setores de juventude, propiciar espaços de caráter efetivamente deliberativo. Ou seja, para o desenvolvimento de tais instituições, e pela própria busca de possuir maior legitimidade perante a sociedade, e até mesmo no sentido de se alcançar os cargos pretendidos, seria oportuno desenvolver canais interativos que busquem a reprodução das perspectivas da população acerca das 60 mesmas, ou isto poderia ter efeito contrário. Pode-se entender que ferramentas virtuais que reproduzam os interesses institucionais, e possam atuar em conjunção ou contraposição as demais mídias, promovam melhores resultados nos aspectos descritos anteriormente a partidos e juventudes, ao invés de espaços onde a contestação de suas condutas e perspectivas possam ser reproduzidas livremente. Em acordo com os dados obtidos, os novos repertórios de ação virtual não parecem produzir efetivamente aos partidos e suas juventudes em âmbito regional, novas formas de organização, difusão e mobilização. No entanto, demonstrou-se que estes repertórios propiciam que instituições sem espaços nas mídias tradicionais, como os partidos de menor porte, possuam um espaço, ainda que marcado pela difusão em detrimento a interação, onde estão postas suas visões sobre as nuances que permeiam o Estado. Da mesma forma, tanto estes partidos de menor porte, quanto os de maior representação junto a sociedade, constituem o espaço virtual como de contraponto ao que eventualmente se vincula nas mídias tradicionais, ou mesmo como elementos passíveis de pautar tais meios. Podemos então, situar a realidade obtida entre as perspectivas ciberotimistas e ciberpessimistas. Entretanto, ainda que esteja posto uma maior visibilidade aos partidos menores, fato que imprescindivelmente leva a um aumento da competição interpartidária, não ocorre nenhuma modificação incisiva no sistema partidário em decorrência da introdução destes meios virtuais. Por outro lado, a internet pode atuar enquanto reprodutora da lógica deste sistema, em determinadas ocasiões. Deve-se levar em conta que as diferenças internas que permeiam os diversos partidos do espectro político brasileiro, provavelmente atuam na direção de produzir formas diferentes de conduzir as formas e o que se vincula em seus meios de comunicação, não sendo diferente a seus websites. Estas diferenças podem estar pautadas em aspectos ideológicos, regionais, dentre outros, todavia, não efetuamos uma análise neste sentido que nos propicie conclusões deste teor. Ainda assim, podemos entender que mesmo com eventuais diferenças internas, a utilização dos websites é inexpressiva, principalmente pelas juventudes. 61 Isto posto, ainda que de maneira não tão substancial, quando comparado aos websites dos partidos políticos paranaenses, as juventudes possuem páginas relativamente interessantes face a precariedade de suas instâncias superiores na utilização dos recursos virtuais. Esta perspectiva pode nos levar a dois focos de análise: por um lado, nos remete ao fato de que, justamente não podemos esperar uma melhor utilização dos websites pelas juventudes se as próprias organizações partidárias não o fazem; por outro lado, podemos entender, ou até mesmo esperar, que sejam os setores jovens dos partidos que devem voltar suas atenções ao âmbito virtual, uma vez que o público que pretendem atingir e recrutar seja o que com maior frequência e de melhor forma utilize e, consequentemente, legitime este espaço como produtor de participação e mobilização política, podendo, inclusive, impulsionar a utilização das NTICs pelos partidos políticos. Por fim, podemos mencionar a JPSDB e a UJC como instituições que utilizaram de forma mais eficientes seus websites em acordo com as categorias de análise, ambas com caráter diferenciado. Enquanto a UJC, apresentou um blog com diversas referências ideológicas e partidárias, notícias concernentes a aspectos da política nas várias esferas do poder, além de links, documentos e chamadas a mobilização, a JPSDB apresentou um website muito bem estruturado, com uma composição bastante interessante e instigante que contemplava grande parte dos quesitos entendidos como necessários a boa utilização de websites por instituições políticas. Chama a atenção a diferença entre ambas não apenas no viés ideológico, mas estrutural de seus partidos, tendo em vista que a JPSDB representa o partido que detêm o governo do estado do Paraná e deteve durante um longo período a capital do mesmo, sendo um dos maiores partidos do Brasil, já a UJC, representa o partido mais antigo e com participação efetiva na história da nação, mas que no momento passa por um longo processo de reestruturação, com uma representação no executivo e legislativo praticamente nula pelo país. Em outra perspectiva, observamos muitas instituições ligadas a partidos de grande porte e representatividade no cenário político nacional e estadual, como JPMDB, JPT e Juventude Democrata, ou que tem atuação de enorme proporção no meio estudantil, como a UJS, que deixaram muito a desejar em 62 seus website, sendo que algumas sequer possuiam tais meios de comunicação virtual. 63 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS - ALBUQUERQUE, Afonso; MARTINS, Adriane Figuerola. Apontamentos para um modelo de análise dos partidos na Web. In: XIX Encontro Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS). 2010, Rio de Janeiro – RJ. Anais do XIX Encontro Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação (COMPÓS). Rio de Janeiro: Compos, 2011.Disponível em: <http://compos.com.pucrio.br/media/gt3_afonso_de_albuquerque_adriana_figu eirola_martins.pdf> - BAQUERO, Marcello. 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