UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
LEONARDO CAETANO DA ROCHA
JUVENTUDES PARTIDÁRIAS E INTERNET: REPERTÓRIOS DE AÇÃO
POLÍTICA NOS WEBSITES DAS ORGANIZAÇÕES DE JUVENTUDES
PARTIDÁRIAS DO PARANÁ
CURITIBA
2011
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
LEONARDO CAETANO DA ROCHA
JUVENTUDES PARTIDÁRIAS E INTERNET: REPERTÓRIOS DE AÇÃO
POLÍTICA NOS WEBSITES DAS ORGANIZAÇÕES DE JUVENTUDES
PARTIDÁRIAS DO PARANÁ
Monografia apresentada ao Curso de Graduação
em Ciências Sociais, Setor de Ciências
Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal
do Paraná, para conclusão do curso e obtenção
do grau de bacharel.
Orientador: Profº. Dr. Sérgio Soares Braga
CURITIBA
2011
2
À Espedito Rocha, por sua luta e arte.
3
AGRADECIMENTOS
Em um primeiro momento agradeço a meus pais, Caetano e Sueli, e a
meus irmãos, Rogério e Soraia, meus primeiros e eternos educadores.
Agradeço aos demais parentes, amigos, colegas de trabalho e
camaradas do Partido Comunista Brasileiro, pela compreensão e apoio nos
momentos necessários.
Agradeço aos companheiros da academia, André Becher, Arthur Mercer,
Benno Alves, Cassio Carvalho, Juliano Braga, Roberta Picussa e Victor
Castillo, entre outros, pela relação de amizade e auxílio no desenvolvimento
intelectual.
Agradeço também aos professores que ao longo do curso moldaram
meu perfil acadêmico, tendo cada um colaborado de forma imprescindível a
minha formação enquanto cientista e indivíduo. Faço uma menção especial ao
Prof. Ricardo Costa, o qual foi essencial para despertar meu interesse no que
concerne a Ciência Política e ampliar minhas visões acerca das relações de
poder.
Por fim, agradeço especialmente ao Prof. Sérgio Braga, orientador e
responsável pelo surgimento deste trabalho, tendo sido o principal responsável
por minha atuação discente, minha constituição como cientista social e pelo
desejo de continuidade na formação acadêmica, além de um grande amigo.
4
SUMÁRIO
Pg
Resumo....................................................................................................................
6
Introdução...............................................................................................................
7
1. Reconectando a política? Os partidos políticos, a juventude e a Internet –
Objetivos, breve revisão bibliográfica e metodologia........................................
12
1.1 Os partidos políticos e o sistema partidário brasileiro.......................................
13
1.2 Partidos políticos e Internet...............................................................................
21
1.3 Juventudes partidárias e Internet......................................................................
26
1.4 Metodologia.......................................................................................................
30
2. Os websites dos partidos políticos paranaenses..........................................
32
2.1 Os partidos políticos paranaenses na web........................................................
32
2.2 Configuração dos websites partidários..............................................................
36
3. Militância política virtual? As juventudes partidárias do estado do Paraná
e a internet..............................................................................................................
39
3.1 A presença das instituições de juventude na web...........................................
40
3.2 Comunicação política nos websites das juventudes.......................................
44
3.3 Ações dirigidas nos websites das juventudes...................................................
48
3.4 Morfologia dos websites das juventudes..........................................................
52
Conclusão..............................................................................................................
60
Referências Bibliográficas....................................................................................
64
5
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo analisar como as instâncias partidárias
vêm utilizando as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs),
em especial a internet. De forma mais especifica, procuramos entender como
as organizações de juventudes partidárias paranaenses estão utilizando novos
repertórios de ação virtual. Para tanto efetivamos uma análise de caráter
quantitativo e qualitativo dos websites ou páginas concernentes a tais
instituições. Nossa hipótese é a de que mesmo em um contexto de baixa
legitimidade por parte das organizações partidárias perante a sociedade civil, e
a grande familiaridade do âmbito jovem da população com a esfera virtual, a
internet não está sendo utilizada de maneira efetiva pelos partidos e suas
entidades internas como forma mais eficiente e interativa de mediar as relações
entre Estado e sociedade. Os resultados apontam para uma utilização ainda
inexpressiva da internet pelas organizações de juventudes partidárias
regionais, no sentido de propiciar uma nova lógica na relação entre jovens e
instituições, tendo em vista que a pouca representação virtual tende a
reproduzir o que é de interesse das organizações e de seus líderes em
detrimento a uma relação dialógica com o setor da sociedade que pretende
representar.
Palavras chave: partidos políticos; juventudes partidárias; comunicação
política; website.
6
INTRODUÇÃO
O trabalho em referência iniciou-se com a realização de uma pesquisa
com caráter de trabalho final de uma disciplina de graduação no curso de
Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná, por sugestão do
professor orientador desta monografia, Sérgio Soares Braga, o qual também
ministrava a disciplina em questão. Com efeito, este trabalho teve como
resultado uma análise não muito detalhada da utilização dos websites por parte
das organizações de juventudes partidárias do Paraná, sendo complementado
durante outra disciplina cursada nas mesmas condições.
Istoposto, a presente pesquisa tem como objetivos analisar o
desenvolvimento do processo de comunicação partidária no Paraná, tendo em
vista as modificações em tal processo que estão sendo introduzidas por
intermédio das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs),
com foco na Internet. Tendo em vista que tais modificações ocorrem num
contexto de perda de legitimidade por parte das organizações partidárias,
enquanto instituições responsáveis pela mediação entre Estado e sociedade
civil, fato que, em conjunção com a não efetivação de políticas de distribuição
de renda e a uma corrupção institucional generalizada, produzem impactos na
cultura política brasileira, dentre os quais a desconfiança da classe e
instituições políticas (BAQUERO, 2001; MENDONÇA, 2008).
Nessa perspectiva, nosso objetivo mais geral tem relação ao fato de
como as juventudes partidárias vem se estruturando dentro dos partidos
políticos, abrindo espaços para uma reflexão no sentido de como estes
entendem a importância de suas vertentes jovens e, com isso, o grau de
importância atribuído as mesmas no âmbito da instituição. Para tanto, serão
analisados os websites das organizações de juventudes partidárias em âmbito
regional, em nosso caso o Paraná, buscando a compreensão do quantoas
mesmas vem atribuindo importância a esta ferramenta dentro do jogo político
como ferramenta de divulgação, mobilização, interação e democratização
interna.
A relevância deste trabalho encontra-se, antes de qualquer coisa, na
necessidade crescente por parte dos partidos políticos de estabelecer novas
formas de relacionamento com os componentes da sociedade. Esta ideia está
7
no sentido de propiciar novas formas de relacionamento tanto no interior das
instituições, com uma maior democratização nas tomadas de decisão e na
distribuição de capital político, quanto em suas relações exteriores, na disputa
pela direção do Estado e no processo de recrutamento de novos quadros, além
do relacionamento com as demais instituições(BAQUERO, 2001;(MENDONÇA,
2008; PANEBIANCO, 2005).
A configuração do sistema políticos brasileiro pode ser entendida
também como responsável pelos problemas de legitimação das instituições
partidárias, tanto de uma perspectiva de sua construção histórica (LIMA, 2002),
quanto de uma perspectiva estrutural (BRAGA, 2004; 2006).
Portanto, apesar da internet possuir este potencial unificador, interativo,
mobilizador
e
inovador,
estando
inserida
e
sendo
constantemente
potencializada pelos diversos segmentos da sociedade, em especial pelos
mercados produtivo e financeiro, a esfera política ainda deixa muito a desejar.
A literatura em âmbito internacional debate essencialmente acerca deste
potencial mobilizador da internet, em criar novas formas de interação,
propiciando uma maior possibilidade de ação política por parte dos indivíduos
junto ao Estado e aos partidos, potencializando a representatividade dentro das
democracias contemporâneas, existindo perspectivas otimistas, pessimistas e
neutras relativas a esta questão (NORRIS, 2001; NORRIS, 2003).
Assim, observa-se a incorporação das NTIC´s pelos partidos políticos na
angariação de recursos, no recrutamento de novos quadros, na ampliação da
possibilidade de participação nas decisões internas, nas disputas eleitorais,
demonstrando como e quanto tais tecnologias podem se contrapor ou interagir
com as mídias tradicionais, e a sua influência nas oportunidades criadas para
as diferentes organizações equilibrarem as disputas políticas.
A literatura acerca da ação dos partidos brasileiros na internet, mesmo
que ainda possa ser considerada escassa, denota a fragilidade da atuação
partidária neste meio virtual, tendo em vista o potencial já mencionado destas
novas ferramentas para tais instituições. Com efeito, podemos citar alguns
estudos demonstrando a utilização dos websites como meios suplementares de
difusão de informação ao invés de favorecer uma participação efetiva dos
cidadãos em consonância com as organizações (BLANCHARD, 2006), a falta
da utilização do potencial dialógico da Internet tendo em vista a dificuldade de
8
se deixar para trás o caráter unidirecional das mídias tradicionais (MARQUES,
2005), ou os índices deficientes de utilização da web para propiciar uma
democracia mais transparente (BRAGA, FRANÇA e NICOLÁS, 2009).
Entretanto, a discussão estabelecida por Pereira (2011) concernente aos
novos repertórios de ação política dos movimentos sociais nos permite verificar
que as novas tecnologias de informação, no caso a internet, podem modificar e
dinamizar as relações entre instituições e militantes, ou até mesmo não
militantes, quando as mesmas são apropriadas e utilizadas por estes sujeitos,
abrindo novas possibilidades de organização, difusão e mobilização. Estes
repertórios se efetivam por meio da produção de boletins eletrônicos,
oferecimento de denúncias, cooptação de novos membros entre outros,
propiciando uma comunicação mais imediata entre instituições e sociedade civil
e a uma maneira mais rápida de se alcançar os objetivos propostos. Segundo o
autor
estes
novos
repertórios,
todavia,
não
devem
substituir,
mas
complementar as mídias tradicionais, acelerando a comunicação entre os
membros da instituição, ainda que produza “custos” mais baixos de
mobilização e seja ainda inacessível a muitos indivíduos. Neste sentido,
buscaremos estender esta análise às organizações de juventudes partidárias
com o intuito de compreender se estas relações estabelecidas pelos repertórios
de ação virtual tem efetividade neste âmbito.
Em relação à juventude, podemos destacar a sua importância histórica
nas lutas políticas desenvolvidas no Brasil e no mundo, sendo característico o
seu potencial agregador. No Brasil, em especial após a redemocratização em
1988, os partidos passaram a criar estruturas no sentido de abarcar não
apenas o segmento jovem, como também o sindical, de mulheres, entre outros.
No que diz respeitoà juventude, além dos fatos já citados, a necessidade de
recrutar e formar os futuros quadros dirigentes dos partidos, somada ao
número expressivo de eleitores dessa faixa etária (inclusive com o voto
facultativo aos 16 e 17 anos), torna imprescindível uma maior atenção das
instituições em sua relação.
Todavia, a descrença em nos partidos, já expressiva em outros
segmentos da população, torna-se maior entre os jovens. Entretanto, tais
indivíduos nãoapresentam uma postura de apatia, tanto no contexto nacional
quanto global, mas uma participação política diferenciada, onde o contexto de
9
crise social produz uma identificação dos jovens com ideias de mudança, mas
não através da militância política convencional e sim por intermédio do
voluntarismo social (SINGER, 2005). Fato notado pela grande participação de
jovens em órgãos de representação como ONG´s, e em manifestações
provenientes da internet (KRISCHKE, 2003; NORRIS, 2004).
Com isso, a internet pode justamente ser a ferramenta necessária aos
partidos para trazer este segmento cada vez mais descrente e afastado do
âmbito da militância partidária. Contudo, a produção teórica que conjugue
partidos – juventudes – internet, se mostra ainda mais escassa. Desta feita,
procurando nos referenciarem trabalhos como os de Dornelles (2005) e
Teixeira (2009), os quais analisaram e constataram o quanto é tímida a
atuação das organizações de juventudes partidárias nacionais na web, a
presente pesquisa pretende analisar esta relação em uma perspectiva regional,
ao entender enquanto imprescindível a tais organizações uma atuação mais
efetiva no âmbito virtual para produzir uma abertura do meio partidário ao
público jovem.
Para abordar tais questões, organizamos nossa exposição da seguinte
forma: Em um primeiro momento será efetivada uma breve revisão bibliográfica
acerca dos partidos políticos e do sistema político brasileiro, para então passar
a discutir a relação entre internet, partidos e juventudes partidárias.
Isto posto, será definido de maneira mais detalhada o objetivo da
pesquisa, além da metodologia que balizará o trabalhoda mesma, tendo
basenos trabalhos de Braga, França e Nicolás (2009), Dornelles (2005) e
Teixeira (2009) . A partir de então, será verificada a existência de websites das
organizações partidárias do Paraná, para que seja efetuada uma analisa breve
sobre seus conteúdos.
Com efeito, procederemos da mesma maneira com relação aos websites
das juventudes partidárias quanto a sua existência, para então ser realizada
uma análise mais profunda de suas configurações, tendo em vista aspectos
quantitativos e qualitativos em acordo com as categorias de análise retiradas
da bibliografia
Dessa forma, buscaremos analisar como ocorre a atuação das
organizações das juventudes partidárias no mundo virtual tendo por intermédio
10
de seus websites, demonstrando o grau de mobilização, interação, democracia
interna, entre outros, que se explicitam nos mesmos. As relações entre os
websites das instituições partidárias e dos websites de suas juventudes,
também serão considerados na análise.
11
1. Reconectando a política? Os partidos políticos, a juventude e a
internet – Objetivos, breve revisão bibliográfica e metodologia.
Este trabalho busca ampliar o leque de pesquisas referentes a comunicação
partidária, tendo em vista a utilização das NTIC´s com foco na Internet. Dessa
forma, visa analisar como os partidos tem implementado novos repertórios de
ação política virtual (PEREIRA, 2011) junto a um dos principais segmentos de
sua estrutura, a juventude.
Assim, buscando contribuir \os escassos estudos sobre partidos e
internet, os quais, inclusive, raramente abarcam as juventudes partidárias,
procuramos entender como os partidos organizam as suas juventudes no
espaço virtual, no sentido de como se transmitem os recursos políticos, como
se dá o processo de recrutamento, além do debate político nesse espaço. Para
tanto, focaremos nosso estudo na utilização dos websites pelas organizações
das juventudes partidárias em âmbito regional, no caso, o estado do Paraná,
como meio de difusão de informação, interação, mobilização e aumento da
democracia interna.
A pesquisa tem como referencial os estudos de Dornelles (2005) e Teixeira
(2009), acerca dos websites das juventudes partidárias brasileiras em nível
nacional. Tais trabalhos analisaram os itens que aparecem com maior
frequência nos websites das juventudes partidárias, sendo estes, portanto,
considerados essenciais pela literatura no processo organizativo das mesmas.
Além destas, a pesquisa de Braga, França e Nicolás (2009), sobre os websites
dos partidos políticos brasileiros, contribui para a presente pesquisa atribuindo
um caráter analítico qualitativo às páginas das juventudes paranaenses,
explicitando um nível satisfatório ou não dos elementos presentes nestas.
12
1.1
Os
Os partidos políticos e o sistema partidário brasileiro.
partidos
políticos,
dentro
de
um
contexto
de
democracia
representativa, são instituições de importância inquestionável para a efetivação
da
participação
popular
dentro
das
esferas
governamentais.
Contemporaneamente, tais organizações têm perdido sua legitimidade dentre
os indivíduos que teriam como principal função representar, em um contexto
global e especialmente no Brasil. A recuperação de seu status perante a
sociedade
pode
ter referência
no
bom
aproveitamento das NTIC´s,
reaproximando e promovendo a interação entre tais setores.
Assim, procuramos trazer brevemente os autores centrais que
teorizaram acerca dos partidos político, além das causas que levaram a sua
atual fragilidade, para então focalizarmos nuances próprias dos mesmos no
território brasileiro, em virtude das particularidades de seu sistema políticopartidário.
Nossa conceituação de democracia tem base no trabalho de Dahl
(2001), onde um sistema político democrático deve ter entre
suas
características, a capacidade de ser inteira, ou quase inteiramente, responsivo
por todos. Com isso, todo cidadão deve ter oportunidades plenas de formular e
expressar suas preferências aos demais cidadãos e ao governo, bem como as
ter consideradas igualmente na conduta deste (DAHL, 2001, pg.26).
Dessa forma, a competição entre governo e oponentes torna-se de
extrema importância nessa espécie de regime, onde a contestação aos
condutores do Estado é permitida. Os partidos políticos aparecem, justamente,
como os responsáveis pela fomentação dessa dinâmica (democrática), a qual é
balizada, segundo Dahl (2001), pela inclusividade (participação) e a
liberalização (contestação pública). Dessa relação, entende-se que quanto
mais os custos da supressão excederem os custos da tolerância, tanto maior a
possibilidade de um regime competitivo (DHAL, 2001, pg.37).
A democracia passa a ser vista como um ideal regulador, sendo a
realização empírica a ser buscada desse ideal denominada poliarquia,
entendida como regime substancialmente liberalizado e popularizado, sendo
13
fortemente inclusivo e amplamente aberto a contestação pública (DAHL, 2001,
pg. 31).
Em uma análise mais centrada nas organizações partidárias, Duverger
(1985) as classifica como reunião de grupos difundidos pelo território do Estado
(seções, comitês, associações locais) ligados e coordenados por uma
instituição central, com um núcleo programático a partir do qual realiza suas
alianças. Sua configuração e distinção aos demais, passa a ganhar contornos
com a dimensão dos países e seus traços culturais, por exemplo, tendo a
estabilidade política como valor fundamental, mas que possui equivalências
distintas com as particularidades regionais.
De sua origem “exterior”, uma vez que surgiram de organizações alheias
a relação eleição/parlamento (como sindicatos e igrejas), chegam a uma atual
e relevante tipificação que os separam entre partidos “de quadros”, de origem
parlamentar, estrutura
menos rígida
e
controle
centradonos notáveis
(parlamentares), e de “massa”, de origem na sociedade civil, com estrutura
centralizada e participação de seus membros nas decisões, ainda que seja
admitida a existência de partidos “intermediários” (DUVERGER, 1985). Essa
divisão decorre da forma como as organizações partidárias modernas
organizam-se, com viés mais ou menos centralizado, variando a autonomia e o
grau do controle parlamentar por estas.
O autor ainda destaca a influência dos sistemas partidários por parte dos
sistemas eleitorais, direcionada para a relação proporcional-multipartidarismo e
distrital-bipartidarismo, ainda que seja relativizada por alguns autores (BRAGA,
2004). De maneira simplificada, ao produzir o efeito mecânico, os sistemas
partidários favorecem os maiores partidos que transformam seus votos em
cadeiras no parlamento, produz-se então o chamado efeito psicológico
influenciando dirigentes e eleitores, em especial os últimos que tendem a não
votar em partidos sub-representados com o receio de perder seu voto.
Michels (2001), também discute a organização moderna dos partidos
políticos, tendo como norte a sua desvirtuação na relação dirigentes/dirigidos,
ou melhor, como estas instituições que buscam a manutenção e o
aprimoramento da democracia, tornaram-se oligárquicos na relação em
referência.
14
A problemática situação econômica e cultural da classe trabalhadora
prejudica sobremaneira sua força política, e, por consequência, sua atuação
legitimadora e condutora dos partidos, que ao se proclamarem democráticas,
necessitam desses fatores. Este espaço “em aberto” passa a ser ocupado por
correntes
conservadoras
com
a
consolidação
de
instituições
democrático/formais, desvirtuando o âmbito democrático ao representarem
interesses específicos com uma roupagem geral.
Isto
posto,
a
necessidade
de
representação
nas
democracias
contemporâneas vem a favorecer um Estado oligárquico, tendo em vista que as
instituições representantes tem, de fato, este teor. Dá-se, com isso, a formação
de uma classe (técnicos) política, a qual consagra-se como tal ao dominar o
aparato legal, elaborando as regras que norteiam o Estado. As instituições que
formam o mesmo fornecem,portanto, o aparato técnico (ou cultura científica)
que concentra a vontade coletiva na deliberação das elites, aumentando o
distanciamento entre estas e as massas, e não o contrário (MICHELS, 2001).
Com efeito, a complexidade das sociedades modernas também produz
uma complexidade de interesses, entretanto, o afastamento das massas dos
processos decisórios, efetiva o desinteresse e renúncia desses indivíduos para
com os assuntos públicos, existindo a necessidade de que sejam dirigidos,
para que estes dirigentes então reconhecidos organizem a diversidade em
referência,evitando eventuais conflitos (DUVERGER, 1985; MICHELS, 2001).
Deste modo, os partidos funcionam como filtros para a seleção ou
recrutamento daqueles indivíduos que formarão as elites políticas nas
democracias, em especial quando há a necessidade de filiação partidária para
a disputa de cargos eletivos, como no Brasil. Cabem, assim, às elites
partidárias o indispensável papel de seleção daqueles que terão a
oportunidade de ocupar os cargos de poder (PERISSINOTTO & BOLOGNESI,
2007).
Panebianco (2005), também estabelece uma abordagem do viés
organizativo dos partidos, centrando-se em alguns dilemas dessa perspectiva
para analisá-los. Primeiramente, com olhar voltado a organização interna, os
partidos podem ser analisados com o modelo racional, tendo em vista seus
objetivos últimos, ou por meio do modelo do sistema natural, onde o equilíbrio
15
entre as diferentes forças atuantes torna-se o foco. Ressaltando que as visões
podem atuar como complementares.
Outro viés de análise remete aos incentivos distribuídos pelos líderes
das instituições, uma vez que a sua associação é voluntária o que leva a supor
o interesse em recebê-los para estabelecer suas atuações. Tais incentivos
podem ser coletivos, distribuídos igualmente, ouseletivos, distribuído de
maneira desigual. Torna-se necessária a distribuição de ambos nas
organizações partidárias, tendo cada um importância consonante com cada
nível da estrutura partidária.
O terceiro “dilema” diz respeito a relação do partido com o ambiente,
podendo o mesmo valorizar a adaptação ao ambiente (atitude mais passiva) ou
o predomínio sobre o ambiente (atitude mais ativa), sendo a relação entre
ambas as atitudes importante para a ação partidária. Por fim, avalia o grau de
autonomia dos líderes frente às decisões dos partidos, onde deve-se olhar para
o grau de interação nas decisões entre indivíduos com interesses dispersos, e
a quantidade de autonomia oferecida aos principais líderes na relação com as
demais instituições.
Panebianco (2005) estabelece ainda outros elementos em sua análise
relacionados a dinâmica partidária, como quanto a origem do partido para seus
fins organizativos, se o mesmo possui uma origem central e difusão às
periferias ou provém de organizações locais, se possui alguma instituição
externa que o influencie em termos financeiros e ideológicos, se possui um
grau elevado de personalismo dentre suas principais figuras. Por outro lado,
quanto a sua institucionalização, acredita ser importante a sua autonomia em
relação ao seu ambiente e o grau de coesão entre as unidades que compõe
sua estrutura.
Focalizando mais precisamente os aspectos que levam a atual crise dos
partidos políticos, Mendonça (2008) nos demonstra a existência de uma série
de rupturas históricas dentre os partidos ocidentais. Estas crises têm a seguinte
cronologia: o desmembramento dos reinos medievais levaram a disputa entre
centro e periferia, formando partidos centralistas (nacionais) e separatistas;
tentativa de unificação dos Estados nacionais e consequente diminuição dos
poderes da Igreja Católica, criação dos partidos religiosos em oposição aos
laicos; tendo como palco a industrialização, partidos urbanos e agrários
16
representavam a rivalidade entre campo e cidade; a última e mais importante,
ocorreu na Idade Moderna com a cisão capital/trabalho e a estratificação social,
envolvendo toda a comunidade nacional e opondo partidos operário e
burgueses. Portanto, o conceito de crise remonta a própria história dos
partidos, sendo seu o meio encontrado para a resolução de conflitos e
adaptação, estando implícito em sua identidade (MENDONÇA, 2008, pg. 76).
Desta feita, a crise do Estado de Bem Estar Social e a sobrecarga dos
governos implicam também na atual falta de legitimação dos partidos com o
afastamento de suas bases e redução da independência frente a setores
importantes, tais como imprensa, associações e grupos econômicos. A tal
crise, soma-se ainda o estabelecimento da eficácia como orientador das
instituições junto ao Estado independentemente de uma representatividade de
fato, colocando as organizações como representantes de si mesmas e de seus
dirigentes em detrimento da população. O papel da mídia de massa constituída
enquanto formadora de opinião dos indivíduos, o avanço dos movimentos
sociais (pacifistas, ecologistas, dentre outros) no recrutamento para ação
contestatória, bem como a presença de outsiders, personagens sem trajetória
política inseridos neste âmbito pela mídia, contribuem e são reflexos ao
contexto de crise.
Ainda que exista esse problemático contexto representativo, para
Duverger (1980), não é o regime dos partidos que ameaça a democracia:
“A democracia não está ameaçada pelo regime dos partidos, mas pelo rumo
contemporâneo das suas estruturas internas; o perigo não se acha na própria
existência dos partidos, mas na índole militar, religiosa ou totalitária, de que às vezes
se revestem. (DUVERGER, 1980, pg.459/460).
O sistema político brasileiro atravessa problemas de mesma ordem,
ainda com determinados agravamentos. A dificuldade de mediação entre
Estado e sociedade civil, a corrupção institucional generalizada e a não
concretização de políticas de distribuição de renda, produzem impactos na
cultura política brasileira, com as consequentes descrença na classe e
instituições políticas, institucionalização do individualismo e a sobreposição do
privado ao público. Nem mesmo a modernização presente nesse âmbito
17
diminui a desconfiança e o afastamento da população em relação a arena
política (BAQUERO, 2001; BRAGA, 2004, 2006).
Baquero (2001), que segue esta linha de raciocínio atribui a elementos
históricos este sentimento de impotência relativo a uma justiça de caráter
comum. Apresenta dois vieses analíticos de especificidades históricas desse
processo, o culturalista e o patrimonialista, concluindo que os instrumentos
necessários para a construção democrática estavam ausentes ou mal
utilizados ou foram utilizados com predisposição ideológica, tendo os meios de
comunicação papel fundamental nessa dinâmica. Assim, ainda que ao longo da
República tenha-se caminhado para uma ampliação significativa do direito ao
voto (LIMA, 2002),o frágil sistema partidário não atua enquanto meio de
mobilização e participação, tornando os pleitos eletivos espaços para práticas
de cunho subjetivo, emocional, personalista e clientelista (BAQUERO, 2001,
pg.99/100).
No Brasil contemporâneo a democracia se sustenta, mas com forte
submissão aos interesses privados e econômicos. Produz-se um paradoxo,
posto que ao invés de ter suas instituições destruídas, a democracia tem as
mesmas colocadas à disposição de uma minoria social que alavanca seu
domínio e poder econômico em detrimento da maioria, pelo fato de que sua
durabilidade sobrepõe-se aos custos sociais de sua precariedade. Com isso,
ao mesmo tempo legitima-se democraticamente a dominação e disparidade
econômica, e deslegitimam-se as instituições democráticas (BAQUERO, 2001,
pg. 102).
Baquero (2001), remonta ao fato de que este paradoxo e a consequente
crise das organizações partidárias, propicia uma relação Estado-indivíduo por
meio da emergência de figuras carismáticas personalistas e práticas não
democráticas de resolução, como medidas provisórias, negociações espúrias,
etc. Tal configuração é alimentada e difundida pela vertente neoliberal, que
procura conjugar um desfavorável (à muitos) crescimento econômico a
existência de estabilidade social, o surgimento de organizações paraestatais
com práticas deletérias em grupos à margem da sociedade, e a naturalização
da exclusão social.
A baixa institucionalização dos partidos políticos brasileiros é vista,
também, por parte da literatura como um dos impedimentos para a estabilidade
18
da democracia no país. Esta fragilidade tem base na correlação entre alguns
elementos do sistema político estabelecidos por intermédio da Constituição
Federal de 1986, em especial relativo ao sistema proporcional de lista aberta
multipartidário, que permite coligação, sendo que, particularmente,não leva em
conta a quantidade votos de cada integrante da mesma, atribuindo a coligação
a função de partido. Estando estes elementos ainda, correlacionados ao
sistema
presidencialista
(JONES,1995;
LAMONIEUR,1991;
MAINWARING,1993; TAVARES, 1998;AMES, 1995; GEDDES, 1994, in:
BRAGA, 2006).
Com efeito, o individualismo e a autonomia de líderes partidários se
sobressaem em relação a estratégias coletivas e o consequente fortalecimento
das organizações partidárias, principalmente devido à lista aberta. Disso, se
desenvolvem partidos descentralizados tendo em vista o controle de suas
autoridades que ocorre de maneira mais incisiva nas esferas locais em
detrimento a um controle mais centralizado das lideranças. Sem contar a
tendência à fragmentação partidária favorecida pelo sistema peculiar de
coligação já descrito, que torna os partidos em entidades passíveis de serem
negociadas na esfera eleitoral.
Os partidos se mostram, através dessa leitura, com extremas
dificuldades no sentido da efetivação de entidades nacionais fortes devido ao
contexto, implicando nas suas inconsistências programáticas e baixo controle
das bases. Isto implica em uma maior autonomia e potencial dos ocupantes de
cargos públicos, principalmente no parlamento, relativa às lideranças
partidárias, bem como prevalecendo um modelo parlamentar de catch-allcom
bancadas parlamentares heterogêneas e lideranças fracas.
Socorro Braga (2004, 2006) contesta está implicação direta e
incondicional entre o sistema político e a fragilidade do sistema partidário no
Brasil. Se pauta, para tanto, na existência de uma coalizão dominante formada
por dirigentes e parlamentares (fundadores) comprometidos com a estabilidade
organizativa. Esta coalizão necessita controlar a distribuição dos incentivos
coletivosa
fim
de
superar
as
incertezase
propiciar
a
estabilidade
(PANEBIANCO, 2005).
Uma das principais incertezas tem a ver com o recrutamento, como os
dirigentes mantêm o controle sobre tal, selecionando aqueles que integram o
19
partido e aqueles que serão candidatos ao parlamento, mantém o controle
sobre a elite responsável pela representação política. Mesmo com a lista
aberto, são os dirigentes que regulam aqueles que terão acesso alista, que
serão os futuros parlamentares (BRAGA, 2006).
Nesse sentido, Keurbauy& Severino (2011), trazem importantes
contribuições ao estudarem as organizações partidárias em suas estruturas
relacionais internas (construção de redes sociais e capital político), divergindo
das análises tradicionais dos resultados eleitorais. Explicitaram que o
funcionamento das organizações depende da reciprocidade e tensão entre os
atores reconhecidos por ter capital político, motivados pela possibilidade de
ampliá-los ao fazerem parte da organização.
Os partidos têm suas dinâmicas impulsionadas pelas estratégias
estabelecidas pelos atores políticos que compõem a organização,em especial
por aqueles que ocupam posições estratégicas no acesso aos recursos
políticos partidários (KEURBAUY & SEVERINO, 2011, pg.318). Seus estudos
demonstram que os aspectos relacionais influenciam sobremaneira a ocupação
de cargos de direção interna, e a possibilidade de concorrência a cargos
eletivos, e, consequentemente, o acesso e manutenção de capital político
(KEURBAUY & SEVERINO, 2011, pg.320).
Outro aspecto contestado por Braga (2006) tem referência na total
autonomia local em relação ao central no espectro partidário. Ainda que
reconheça a autonomia das instâncias regionais em relação as instâncias
superiores, na organização e na escolha de lideranças, acredita na
subordinação local aos recursos centrais, especialmente econômicos.
A autora, tratando do multipartidarismo, defende que o sistema
proporcional atua reduzindo a fragmentação parlamentar em relação à eleitoral.
No Brasil, ocorre um grande grau de redução de partidos efetivos
(parlamentares) ainda que suas características sistemáticas próprias, como o
peculiar sistema de coligação, estimulem a fragmentação. As recentes disputas
eleitorais mostram uma diferença considerável entre os partidos participantes
do pleito eleitoral daqueles com efetiva representação parlamentar 1(BRAGA,
2004).
1
Após o pleito eleitoral de 2002, apenas quatro partidos representavammais de 62% do parlamento
(BRAGA, 2004).
20
1.2
Partidos políticos e internet.
Os estudos sobre a utilização das NTIC´s na esfera política remetem aos
anos 90 mundialmente e mais contemporaneamente no Brasil, tendo em vista
como a internet auxilia na evolução do processo democrático. Tendo foco nos
partidos, busca-se saber como a mesma interfere e dinamiza suas relações
internas, aumentando o teor democrático das decisões, a interação e o
recrutamento junto a sociedade, a organização estrutural e a seleção das elites
políticas. Também infere nas relações externas das organizações com
governo, parlamento e outros partidos.
A sistematização de Norris (2001; 2003) sobre os enfoques de análise,
chamada de ondas de estudo, demonstram bem a evolução da visão sobre o
tema.
A primeira onda, caracterizada enquanto otimista (ou muitootimista), vê a
internet como revitalizadora da democracia, perpassando pela revitalização dos
partidos. Assim, ocorreria uma verdadeira radicalização da democracia, com a
diminuição da distância entre governo e população e o surgimento de novas
formas de mobilização política (NEGROPONTE, 1995; DUDGE, 1996, in:
BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009).
O cidadão comum teria com isso, uma possibilidade maior de interação
na vida político/partidária. Essas mudanças poderiam equiparar os partidos
pequenos aos grandes, pelas características próprias de divulgação e interação
da internet, elementos não dispensados aos partidos menores pelas mídias
tradicionais. Sendo esta última hipótese conhecida como de equalização,
observando uma alteração nos padrões de competição política, além de poder
alterar a distribuição de poder interna nos partidos (BRAGA, FRANÇA &
NICOLÁS, 2009; ALBUQUERQUE & MARTINS, 2010).
Outra onda seria a dos cibercéticos (ou pessimistas), na qual a internet
aparece como reprodutora das práticas políticas tradicionais, reproduzindo
conteúdos já existentes em outras mídias, sofrendo forte moderação e a
escassez de recursos de deliberação e interação (MARGOLIS & ROSNICK,
2000; GIBSON & WARD, 2003, in:BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009).
21
Os partidos maiores, tal como nas demais mídias, teriam maior e melhor
presença, mas sem propiciar uma maior participação, com vistas no
recrutamento dos já politicamente engajados (NORRIS, 2003)2. Dessa forma, a
hipótese de normalização defende que o conteúdo da web apenas reproduz os
demais meios midiáticos, não estimulando uma relação entre partido e cidadão.
A onda de estudo consequente, identificado como de ciberotimistas
moderados, observa a Internet como produtora de mudanças, mas dentro dos
limites da forma de democracia estabelecida, atribuindo um maior pluralismo a
mesma, com elevação da visibilidade dos partidos menores e adição de mais
um canal de participação política.
A democracia ganha com ampliação de espaços deliberativos por
intermédio da internet, com as novas ferramentas os cidadãos podem criar e
difundir informação, sendo está uma interação não existente tradicionalmente
nas mídias. Contudo, estas possibilidades são limitadas pelas próprias
características do sistema, não sendo um fator contundente para reverter a
descrença partidária e a apatia eleitoral (EISENBERG, 2003; CASTELLS,
2003).
Finalmente, a onda referente aos ciberpessimistas moderados, visualiza
uma melhora na dinâmica informacional, entretanto, não encontra inovações
para além das mídias tradicionais, como também não vê a internet fora
docontrole das elites partidárias. Sendo assim, remonta a mais uma forma de
construir e divulgar a imagem dos partidos (algo como a retomada da imprensa
partidária), do que de interação com os cidadãos.
Como demonstra Blanchard (2006), a interação, a presença da fala
cidadão, é pouco explorado pelos websites partidários, os quais passam a ser
utilizados como espaço de valorização dos discursos próprios. A presença de
falas provenientes de fora é vista como nociva a imagem unitária das
instituições e aos seus discursos, criando fortes mecanismos de mediação e
tendendo a uma configuração mais próxima de outras mídias (BLANCHARD,
2006).
2
Ainda que a autora não se enquadre nesta linha, ao demonstrar que os websites propiciem uma
distribuição mais igual entre os diferentes partidos (NORRIS, 2003).
22
As análises produzidas no Brasil, apesar de escassas já contribuíram
para o aprimoramento do tema. Wilson Gomes (2005) explicita que a Internet
pode propiciar diversos graus de participação política, desde a disponibilização
de informação e prestação de serviços, até uma democracia direta com
mecanismos de discussão para se chegar ao convencimento mútuo. Com
efeito, ela pode influir na variabilidade do grau de representação das
democracias
representativas,
incorporando
novos
atores
e,
assim,
a
perspectiva de diferentes grupos políticos na sociedade (MIGUEL, 2000, 2003
in CRUZ, 2011), além de poder aumentar a transparência e prestação de
contas (accountability)3. Elemento imprescindível às democracias atuais com
caráter de controle e monitoramento, o accountability, tem na Internet a grande
possibilidade de desenvolvimento pelo espaço privilegiado de divulgação de
informações, demonstrando não somente quem decide, mas o que se decide
(BRAGA & NICOLÁS, 2008, in CRUZ, 2011).
Isto posto, mesmo que o aumento da ligação entre esfera pública, elites
partidárias e cidadãos comuns, produza influência e controle do último sobre os
primeiros, e um consequente aumento no accountability (CRUZ, 2011), isto não
garante sua real influência nas decisões políticas, sendo sua potencialidade de
recursos interativos subutilizada, não efetivando maior participação e uma
lógica horizontal na comunicação partidária (GOMES, 2005; MARQUES, 2005).
Deve-se também este fato à presença dos profissionais de comunicação na
gestão dos sites, por vezes instituindo a lógica da competência técnica em
detrimento aos recursos e competências próprios da esfera partidária
(ALBUQUERQUE & MARTINS, 2011, pg.13).Com isso, Marques (2005) afirma
sobre o atual estado da utilização dos recursos da web:
“É possível afirmar que, apesar de serem vistas como instrumentos que podem
servir ao aperfeiçoamento da forma democrática de governo, apenas mais
recentemente os partidos e candidatos a cargos eletivos vêm se dando conta dos
benefícios e potencialidades oferecidos pelas redes digitais de comunicação.Esta fase
inicial em que se ganha intimidade no emprego da Internet,ainda é marcada por uma
lógica que tende a copiar, em muitos momentos, o que já é produzido em outras
plataformas”(MARQUES, 2005, pg.145).
3
Mecanismo utilizado para promover pressão sobre a prestação de contas das ações governamentais à
sociedade.
23
De um viés mais organizativo como propõe Panebianco (2005),enquanto
lugar oficial da voz partidária, a internet, por meio dos websites, tem a função
de propiciar a estabilidade interna das organizações partidárias além dos
objetivos intensamente analisados como obter votos e influenciar a agenda
política. Com isso, serve também como meio da distribuição dos incentivos
coletivos e seletivos, potencializando a capacidade de influenciar as lideranças
internas e externas, e, por conseguinte a capacidade de intervenção na lógica
interna e nas relações com demais instituições (ALBUQUERQUE & MARTINS,
2010; MARTINS, 2011).
Em uma análise centrada na atual situação dos websites partidários,
Braga, França e Nicolás (2009), observam uma crescente na utilização dos
recursos da web pelos partidos mesmo que contemporaneamente ainda se
efetive
de
maneira
consideravelmente
precária.
Isto
porque
mesmo
informações bastante triviais são apresentadas com grande deficiência, fato
que compromete o aumento da transparência. Como prolongamento da
vontade das direções partidárias, que publicam as informações que traduzem
seus interesses, atuam com forte moderação nos elementos que poderiam
incitar uma maior interação. Aparecem então como grandes fontes de
informação em detrimento a um caráter mais interativo, interessando, em
essência, como meio de mobilização interna aos dirigentes dos grandes
partidos que já gozam de grande exposição nas mídias convencionais.
Contudo, mesmo em tal patamar de precariedade, o estudo aponta para
a existência de um subsistema partidário virtual, onde 26 dos 27 partidos
brasileiros possuíam sites razoavelmente organizados, denotando não
exclusivamente a precariedade, mas uma eventual possibilidade de se
caminhar rumo a um sistema partidário virtual (BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS,
2009, pg.207).
A hipótese da normalização não se aplica, portanto, inteiramente nesta
realidade, em especial pelos índices interessantes de utilização dos websites
por partidos de portes pequeno e médio em relação aos grandes, interferindo e
modificando os padrões comunicativos e organizacionais (BRAGA, FRANÇA &
NICOLÁS, 2009, pg.207).
24
A internet aparece não somente como mera reprodutora dos padrões
existentes, como previam os ciberpessimistas, nem subverteu por completo os
padrões anteriores, como entendiam os ciberotimistas, uma vez que deu maior
visibilidade aos partidos de menor representação aumentando a competição
pluralista no sistema político, entretanto, não modificou de maneira incisiva o
mesmo servindo, por vezes, como reprodutora da lógica vigente.
“Podemos
afirmar,
portanto,
que
há
evidências
da
ampliação
das
oportunidades para partidos de oposição e pequenos partidos exporem seus pontos de
vista em condições de relativa igualdade com os partidos hegemônicos, verificando-se
a existência de algo assemelhado a um “fórum cívico pluralista” no subsistema
partidário virtual brasileiro. Entretanto, não se confirmam completamente as
proposições segundo as quais os WP servirão como um canal adicional para
manifestação e deliberação políticas, na medida em que coletamos poucas evidências
de mecanismos de interatividade e de participação política mais ativa dos cidadãos nos
WP brasileiros” (BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009, pg.207).
Por fim, trazemos à discussão o debate de Pereira (2011) sobre a
importância da utilização de novos repertórios de ação política virtual numa
situação de imprescindível papel das mídias na interpretação da realidade, na
formação da opinião pública e, por consequência, na construção de identidades
individuais e coletivas. O acesso e distribuição da informação são elementos de
extrema relevância no contexto das relações de poder nas esferas públicas e
privadas, como a internet pode contribuir no sentido da independência desses
meios para a consolidação de uma sociedade democrática é elemento que se
procura entender.
Tal fato se daria por intermédio da criação de canais informativos que
contrapõe as grandes mídias, possibilitando a interação, a troca de opiniões de
diferentes indivíduos, em referência a variadas questões. Contudo, isto não
implica na separação entre estes dois campos, uma vez que mídias tradicionais
e meios alternativos criam uma relação de mão dupla, onde pautam e são
pautados, definindo os assuntos e suas respectivas interpretações que devem
ganhar relevância na esfera pública (PEREIRA, 2011, pg.6/7).
A Internet, com isso, propicia o desenvolvimento de novos repertórios
como produção de boletins eletrônicos, oferecimento de denúncias, cooptação
25
de novos membros, entre outros. Dinamiza, assim, o processo de mobilização
e interação entre instituições e sociedade civil, com uma comunicação de viés
mais imediato que possibilita o alcance mais rápido de objetivos, além de ter
um “custo mais baixo” ao engajamento em detrimento da “militância formal”,
elemento que produz resultados de validade relativa às organizações
(PEREIRA, 2011, pg. 21/22).
Tendo em vista a análise produzida por Pereira (2011) acerca dos
movimentos sociais, pretendemos entender estes novos repertórios de ação
virtual no contexto da utilização da web pelos partidos, tendo como referência
seus setores de juventude.
1.3
Juventudes partidárias e internet.
Assim como nas demais camadas da população, e talvez de maneira
ainda mais severa, os partidos políticos sofrem com a falta de credibilidade no
âmbito jovem da sociedade. Por outro lado, a internet aparece como forma de
inclusão e mobilização política especialmente dentre este setor, propiciando
novas formas de ação.
A reportagem do portal IG, Jovens se afastam dos partidos e buscam a
web para fazer política (15/06/2011), retrata bem este quadro. Segundo a
mesma, 59% dos jovens brasileiros não possuem preferência partidária,
número que se eleva conforme diminui a faixa de renda, enquanto 71%
consideram a web como um meio de se fazer política. Isso denota uma busca
por outras formas de atuação política em detrimento a institucional/partidária,
sendo a internet considerada a principal.
Antes de considerações da literatura acerca do tema, é valido procurar
identificar como se configura o perfil do jovem brasileiro. A pesquisa acima
também demonstra que 89% da juventude do país estão otimistas quanto ao
futuro deste, nesse sentido, Lassance (2005) classifica o jovem, ainda que
tendo em vista as eventuais modificações em nível regional, como satisfeito
com a família, com a auto-imagem, pessimista em relação ao mundo mas
otimista em relação ao Brasil e com seu próprio futuro, compreensor do
26
conceito de cidadania e do risco que implica ser jovem,na pouca consideração
com a política e com a alteração das desigualdades, e na preocupação com o
desemprego.
Em uma análise mais geral, a juventude é vista como um período de
formação das identidades onde se experimenta várias expressões públicas,
procurando por reconhecimento em círculos de naturezas diferentes, como na
escola, família, amizades, política. Nesse momento se estabelecem laços
sociais e significados coletivos que terão impacto no decorrer de suas opções
pela vida (ERIKSON, 1968, in MISCHE 1997, pg.9).
No viés da atuação política, alguns autores creem em uma mudança de
foco da atuação política com a redemocratização do país depois de 1988, com
um caráter diferenciado da participação tradicional em períodos anteriores
(MISCHE, 1997; SINGER, 2005).
A militância política, o caráter ideológico/partidário, a figura do
estudante, foram elementos de suma importância para a participação dos
jovens nas questões centrais do país principalmente a partir de 1964, com a
perspectiva de luta por ideais de democracia e liberdade em meio a um período
de privação dos direitos. Com a redemocratização do país os fatores já
descritos nesse trabalho para ilustrar a apatia da população em geral com
relação à política, como a corrupção e resquícios de autoritarismos nas novas
instituições democráticos e a recessão econômica, também confluíram para um
ceticismo para com estas instituições e uma tendência à paralisação política
entre os jovens. Neste momento, a juventude que aprovava os ideais de
liberdade e participação, mas não acreditava nas instituições em vigência para
alcançá-los, deixou para trás o caráter partidário e ideológico de sua atuação,
bem como sua caracterização enquanto estudante, para uma noção de
cidadão-em-formação, o qual teria como objetivo resgatar a democracia-emformação da herança de corrupção e impunidade pública (MISCHE, 1997).
A pesquisa de Krischke (2003) traz dados interessantes, explicitando
que ainda que grande parte dos jovens (83%) reconheça a importância dos
partidos políticos, uma parcela muito inferior se identifica com os mesmos
(47%), e uma inferior ainda (34%) possui confiança neles. O autor vai além e
relaciona a participação dos jovens com alguns elementos que os estabelecem
27
na sociedade, concluindo que a relação entre educação, renda e ocupação
(participação no mercado), irá regular seu grau de participação política. Um
maior acesso a estes elementos tende a produzir uma maior adesão ao
sistema democrático, enquanto um menor acesso implica em desconhecimento
ou indiferença sobre o tema, sobretudo pela variável educação.
Com efeito, Norris (2003) demonstra que o ativismo político juvenil tem
aumentado e não regredido como previam alguns estudos, contudo, passou
por uma mudança qualitativa das formas convencionais para outras não
convencionais, mais espontâneas e associativas. Através de seus estudos
explicita que ainda que haja um desalinhamento partidário dos jovens, seu
senso de eficácia (governo responde aos seus interesses) e subjetivo
(possibilidade de influenciar política/governo), tal como sua grande participação
em manifestações/petições, denota seu engajamento. Nesse prisma, a Internet
aparece como meio espontâneo e associativo promotor de atuação políticapara
além dos espaços convencionais partidários, propiciando o debate e a
mobilização como instrumentos de influência no jogo político. (NORRIS, 2003).
Teixeira (2009) por outro lado, critica a escassez de obras que analisem
os jovens em consonância, com democracia, instituições e cultura política, e a
imprecisão das análises sobre o espaço ocupado pelos mesmos na política,
pois estes não alcançaram somente a cidadania ativa, com o direito de votar,
mas também a cidadania passiva, com o direito de competir em pleitos (DAHL,
2001).
No Brasil, a redemocratização conjugada ao multipartidarismo, o
aumento populacional e a conquista de direitos por alguns setores, levou a
busca de quadros para além da questão eleitoral, tendo em vista a
necessidade de mobilização. Os jovens passaram a ser vistos como portadores
de enorme potencial mobilizador pelos dirigentes partidários, que, apesar dos
problemas organizativos das instituições, passaram não somente a recrutar
elementos
da
juventude,
mas
também
instituir
espaços
dentro
das
organizações (secretárias), estimulando a participação efetiva dos jovens
dentro da esfera partidária e eleitoral, por vezes assumindo papéis de liderança
(TEIXEIRA, 2009, pg.7/8).
Isto posto, como já visto, os partidos são condicionantes para a
ocupação de cargos, regulando aqueles que pretendem emergir aosmesmos,
28
sendo esta regulação pautada na forma como os partidos organizam-se, tendo
em vista elementos como posição social e carreira interna. Assim, as
juventudes, possuidoras das direções futuras dos partidos, têm em mãos a
possibilidade de modificação/reestruturação dos mesmos em âmbito interno e
externo, podendo ou não, transformar ou comprometer a atuação futura das
instituições (DUVERGER, 1985; TEIXEIRA, 2009). Tendo todos estes
elementos em jogo, Teixeira (2009), acredita que os mesmos impliquem na
formulação de estratégia para aliar juventude e partidos, através de iniciativas
dos últimos (TEIXEIRA, 2009, pg.10).
Portanto, a mobilização política com presença em espaços não
convencionais a outros segmentos etários, como escolas, universidades, a
perspectiva de renovação das elites partidários trazendo consigo capital social,
além da relação diferenciada com indivíduos insatisfeitos com as organizações,
denotam a importância das juventudes aos partidos políticos (TEIXEIRA, 2009).
“Seguindo essa lógica e associando-se, ainda, a grande penetração que
ainternet vem tendo nas camadas mais jovens da população brasileira, podemos
afirmar que a mesma não pode mais ser ignorada, tanto pelas instituições políticas e
governamentais quanto pelos partidos políticos, como espaço de fomento no universo
de construção das imagens públicas. Fazendo parte do sistema global de
comunicação, a Internet passa a ocupar lugar de destaque em meio a esse atual
cenário das redes informativas, cuja diversidade tem determinado uma multiplicidade
de informações fragmentadas.” (TEIXEIRA, 2009, pg.23)
A internet aparece, com isso, como elemento essencial aos partidos na
forma de mobilização de eleitores e agentes mobilizadores entre o setor jovem,
pelo contexto desfavorável às instituições, principalmente dentre este
segmento, além da expansão da internet enquanto meio de comunicação,
promovendo a troca instantânea de informações. (DORNELLES, 2005;
TEIXEIRA, 2009).
Tal fato se explicita, quando a internet é elencada como principal
instrumento no contexto eleitoral em detrimento as mídias tradicionais pelos
jovens (DORNELLES, 2005, pg.4), quando se verifica um crescimento de nove
para dezesseis o número de organizações de juventudes partidárias com
websites entre 2002 e 2009, superando a metade dos partidos com registro no
29
TSE (TEIXEIRA, 2009, pg.22/23), ou quando os links para estes espaços nas
páginas iniciais dos websites nacionais dos partidos aparecem com uma
frequência interessante de 59,3% (BRAGA, FRANÇA & NICOLÁS, 2009,
pg.196).
A partir disso, Dornelles (2005) vê a Internet como um espaço de
utilização de recursos tecnológicos, exposição de conteúdos e interatividade,
propiciando a utilização de imagens e sons que não pode ter sua utilização
abdicada quando o foco está voltado à uma juventude habituada com está
dinâmica. A diversidade de elementos pode auxiliar na configuração da internet
como meio de ligação entre partido e juventude, adequando o primeiro às
tendências da modernidade e propiciando com a interatividade uma
aproximação menos impessoal, mais direta (DORNELLES, 2005, pg.18).
Dessa maneira, o fortalecimento da imagem institucional dos partidos,
imprescindível num contexto desfavorável aos mesmos em relação à
sociedade, passa por uma aproximação com o público jovem não apenas na
exposição de posições e conceitos, mas na troca de ideias, no sentido de
formulação da uma rede, a qual efetiva o sentimento de participação numa
construção democrática:
“Sabendo que a comunicação interfere diretamente no processo de construção
da imagem da política e dos processos eleitorais, a Internet pode vir
representar um eficaz canal de aproximação e captação para os partidos, de
parte dos eleitores juvenis. Contudo, somente se bem trabalhada e conduzida.”
(DORNELLES, 2005, pg.18/19).
1.4
Metodologia
Num primeiro momento (Capítulo 2 – Os partidos políticos paranaenses
e a internet)serão elencados os partidos com registro no Tribunal Regional
Eleitoral do Paraná (TRE-PR), para então se verificar a existência de website
de cada instituição no estado. Isto posto, será efetivada uma análise da página
inicial do site tendo em vista as categorias de análise previstas no artigo de
30
Dornelles (2005) adicionando algumas outras categorias previstas em Braga,
França e Nicolás(2009).
Estes elementos serão dispostos em uma tabela, para posteriormente
serem averiguados de maneira breve. Também será verificada a existência de
links para seções internas ou páginas independentes das juventudes, ou
alguma alusão da mesma espécie.
A próxima seção (Capítulo 3 - Militância política virtual? As juventudes
partidárias do estado do Paraná e a internet) se inicia pela demonstração das
organizações de juventudes partidárias do Paraná que possuem websites 4.
Como já verificado em trabalhos anteriormente realizados5, com uma
frequência relevante os websites das juventudes são representados por blogs 6,
bem como por vezes páginas municipais funcionam como a referência virtual
estadual das juventudes, assim, estas páginas serão consideradas enquanto
os representantes dos websites regionais. Também será demonstrada a
nomenclatura dessas organizações.
A partir desta seleção, estes websites serão submetidos a três unidades
de análises conforme Dornelles (2005, p.7), que se referem àcomunicação
política, ações dirigidas e morfologia dos sites. Todavia, não nos preocupamos
com a perspectiva eleitoral uma vez que este não é o foco de nossa pesquisa,
ainda que estudos do gênero se mostrem interessantes para observar a
importância das juventudes partidárias no processo eletivo.
Em relação à comunicação política, oito categorias de análise irão
nortear a observação acerca dos websites, sendo que cada uma contempla
variados elementos considerados importantes ao contexto. São elas: O
partido/o setor jovem, atualidades, publicações, programas, campanhas e
movimentos, captação,estratégias/material de divulgação e relatórios de
eventos/congressos (DORNELLES, 2005, p.8). Nossa pesquisa, contudo,
pretende ir além da demonstração da existência desses itens, com isso,
procuramos
verificar
se
os
mesmos
apresentam-se
de
maneira:informaçãocompleta ou satisfatória (10), informação incompleta ou
4
Pela verificação de link no website partidário, pela existência de link no website nacional da
organização, por websites correlacionado e de busca.
5
Trabalhos finais realizados em disciplinas de graduação no curso de Ciências Sociais na Universidade
Federal do Paraná, ministradas pelo Prof. Dr. Sérgio Soares Braga, orientador desta monografia.
6
Site que disponibiliza menos opções de navegação, mas que permite o rápido acréscimo de artigos ou
posts.
31
insatisfatória (5), sem informação (0), atribuindo os valores entre parênteses
(BRAGA, FRANÇA e NICOLÁS, 2009).
A segunda verificação, referente às ações dirigidas, a análise se dará da
mesma forma que a anterior, sendo que as categorias de análise neste caso
tem o intuito de explicitar ações e estratégias de divulgação e aproximação
com
o
público,
como,
por
exemplo,
congressos,
programas
de
formação,organização de entidades estudantis, protestos, entre outros
(DORNELLES, 2005, p.11).
Com relação a morfologia dos websites, nossa análise vai no sentido da
perspectiva da atratividade destes com seus recursos visuais e linguísticos:
“Na intenção de obter uma análise mais aprofundada, observamos a apresentação
desses espaços virtuais dedicados à juventude, considerando que nestas novas gerações, já
habituadas à interatividade, podem sentir-se mais ou menos atraídas,conforme os recursos
visuais e linguísticos aplicados. Como normalmente o usuário acessa na página aquilo que aviva
sua curiosidade, assumindo assim o papel de editor desse espaço interativo, podemos
considerar que decorre da forma de apresentação o despertar da atenção e interesse, fazendo
com que o mesmo prossiga a sua busca. (DORNELLES, 2005, p.12)
Por fim, serão efetuadas as considerações finais tendo em vista o
resultado da aplicação das categorias de análise nos websites, e as análises já
realizadas nos capítulos anteriores.
2. Os websites dos partidos políticos paranaenses.
Nesta seção procuraremos explicitar a existência de websites das
seções estaduais do Paraná dos partidos políticos brasileiros, para então, caso
exista, analisarmos de maneira breve o seu conteúdo.
2.1
Os partidos políticos paranaenses na web.
Primeiramente observamos os partidos políticos com registro no Tribunal
Regional Eleitoral do Paraná até o prazo legal para a disputa das eleições
32
municipais do ano de 20127. Ressalta-se que a disposição dos partidos no
quadro segue o modelo disposto no site do TER-PR, servindo como modelo
aos demais quadros e gráficos presentes no trabalho.
QUADRO 1 – Partidos políticos registrados no Paraná.
NÚMERO
SIGLA
10
PRB
11
PP
12
PDT
13
PT
14
PTB
15
PMDB
16
PSTU
17
PSL
19
PTN
20
PSC
21
PCB
22
PR
23
PPS
25
DEM
27
PSDC
28
PRTB
31
PHS
33
PMN
36
7
NOME
PRESIENTE
PARTIDO REPUBLICANO BRASILEIRO
Presidente: EDSON DA SILVA PRACZYK
PARTIDO PROGRESSISTA
Presidente: NELSON MEURER
PARTIDO DEMOCRATICO TRABALHISTA
Presidente: OSMAR FERNANDES DIAS
PARTIDO DOS TRABALHADORES
Presidente: ENIO JOSE VERRI
PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO
Presidente: ALEX CANZIANI SILVEIRA
PARTIDO DO MOVIMENTO
DEMOCRATICO BRASILEIRO
Presidente: WALDYR PUGLIESI
PARTIDO SOCIALISTA DOS
TRABALHADORES UNIFICADOS
Presidente: MARCELLO BARBATTO
LOCATELI
PARTIDO SOCIAL LIBERAL
Presidente: ADELINO RIBEIRO SILVA
PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL
Presidente: JOSE ELIZEU CHOCIAI
PARTIDO SOCIAL CRISTAO
Presidente: CARLOS ROBERTO MASSA
JUNIOR
PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
Presidente: AMADEU FELIPE DA LUZ
FERREIRA
PARTIDO DA REPÚBLICA
Presidente: FERNANDO LUCIO GIACOBO
PARTIDO POPULAR SOCIALISTA
Presidente: RUBENS BUENO
DEMOCRATAS
Presidente: ELIO LINO RUSCH
PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA
CRISTAO
Presidente: LUIZ ADAO MARQUES
PARTIDO RENOVADOR TRABALHISTA
BRASILEIRO
Presidente: MARINO JOSE TEIXEIRA
PARTIDO HUMANISTA DA
SOLIDARIEDADE
Presidente: VALTER VIANA
PARTIDO DA MOBILIZACAO NACIONAL
Presidente: MANOEL BATISTA DA SILVA
JUNIOR
PARTIDO TRABALHISTA CRISTAO
07/10/2011, um ano antes das eleições do ano subsequente conforme o Tribunal Superior Eleitoral.
33
PTC
Presidente: ULISSES SABINO NOGUEIRA
PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO
40
Presidente: SEVERINO NUNES DE
PSB
ARAUJO
PARTIDO VERDE
43
Presidente: CLEUSA ROSANE RIBAS
PV
FERREIRA
PARTIDO REPUBLICANO
PROGRESSISTA
44
PRP
Presidente: JORGE LUIZ DE PAULA
MARTINS
PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA
45
BRASILEIRA
PSDB
Presidente: CARLOS ALBERTO RICHA
PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE
50
PSOL
Presidente: LUIZ FELIPE BERGMANN
PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO
55
Presidente: EDUARDO FRANCISCO
PSD
SCIARRA
PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL
65
Presidente: FRANCISCO LACERDA
PC DO B
BRASILEIRO
PARTIDO TRABALHISTA DO BRASIL
70
PT DO B
Presidente: DANILO BECKER D'AVILA
Fonte: site do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (05/10/2011)
De acordo com o site do TRE-PR, dos 29 partidos políticos brasileiros
com registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral, apenas o PCO e o PPL 8
não possuem representação no estado do Paraná.
Dentre as instituições em referência, buscamos saber quais possuem
websites de seus diretórios regionais, para tanto será verificada a existência de
link para o mesmo nos websites dos diretórios nacionais, além de busca em
sites que disponibilizam esta ferramenta.
QUADRO2: Partidos políticos do Paraná que possuem Website
Partido
Website
Endereço
PRB
Possui
http://www.prb10pr.org.br/
PP
Não possui
-----------------
PDT
Não possui
-----------------
PT
Possui (link)
http://www.pt-pr.org.br/
8
Vale ressaltar que o Partido Pátria Livre (PPL) havia sido deferido pelo TSE apenas um dia antes
(04/10/2011) da coleta de dados. O PSD estava em situação semelhante, mas havia sido deferido já a
alguns dias (27/09/2011).
34
PTB
Possui (link)9
http://www.ptb.org.br/?estado=pr
PMDB
Possui (link)
www.pmdbpr.org.br
PSTU
10
http://pstucuritiba.blogspot.com/
11
http://www.pslnacional.org.br/?tipo=estados&estado=16
Possui (link)
PSL
Possui (link)
PTN
Possui (link)12
http://www.ptn.org.br/estados/pr/
PSC
Possui
http://www.pscparana.com.br/
PCB
Não possui
-----------------
PR
Possui (link)
http://www.prparana.org.br/
PPS
Possui (link)13
http://www.ppspr.org.br/site/WFR_PPS_Home.aspx
DEM
Possui (link)
http://www.democrataspr.org.br/
PSDC
Não possui
-----------------
PRTB
Possui (link)
http://www.prtb28parana.org
PHS
Não Possui
-----------------
PMN
Possui
http://pmnparana.wordpress.com/
PTC
Possui (link)14
http://ptcparana.blogspot.com/
PSB
Não possui
-----------------
PV
Possui (link)
http://www.verde.org.br/
PRP
Não possui
-----------------
PSDB
Possui (link)
http://www.psdb-pr.org.br/
PSOL
Possui
http://psolpr.org.br/
PSD
Não possui
-----------------
PC DO B
Possui (link)15
http://www.pcdob.org.br/estados/pr/
PT DO B
Não possui
-----------------
Fonte: Websites partidários do Paraná
Observamos que a grande maioria dos partidos políticos organizados no
Paraná possuem websites próprios, sendo que apenas 9 não possuem, em um
universo de 27 entidades. Dentre estes destacam-se grandes partidos do
cenário político nacional e estadual, como PP, PDT e PSB, os quais juntos
9
Página dentro do site nacional do partido.
10
Blog do municipal de Curitiba.
Página dentro do site nacional do partido.
12
Página dentro do site nacional do partido.
13
Página dentro do site nacional do partido.
14
Blog.
15
Página dentro do site nacional do partido.
11
35
possuem 93 cadeiras na Câmara dos Deputados16, além do prefeito da capital
Curitiba17 e do 2º colado nas eleições ao governo do estado em 2011 18. Entre
os demais estão o histórico PCB, que atualmente passa por fase de
reestruturação, partidos de pequeno porte (PSDC, PHS, PRP e PTdoB), além
do grande PSD que ainda organiza-se na unidade da federação.
Entre os possuidores de websites, um número relevante tem sua página
abrigada no sítio nacional do partido (PTB, PSL, PTN, PPS, PCdoB). O PTC
possui um blog que funciona como ferramenta do partido na web, e também
consideramos o blog do PSTU do diretório municipal de Curitiba por ser o canal
de contato da direção estadual com oeleitorado. Os demais possuem websites
independentes.
2.2
Configuração dos websites partidários
Verificada a presença dos partidos na web, iremos efetuar nossa breve
análise quantitativa tendo em vista as seguintes categorias de análise:
1- O Partido/Histórico;
2- Atualidades/Notícias;
3- Publicações;
4- Programas/Estatuto;
5- Campanhas e movimentos;
6- Captação/Contatos;
7- Newsletter;
8- Eventos/Congressos;
9- Fórum de discussões;
10-Estratégias/Materiais de divulgação;
11-Contribuição financeira;
12-Links;
16
54ª Legislatura.
Luciano Ducci (PSB).
18
Osmar Dias (PDT).
17
36
13-Filiação;
14-Composição do diretório;
15-Redes sociais;
16-Juventude.
TABELA 03 – Análise dos websites partidários do Paraná
Partido
PRB
PT
PTB
PMDB
PSTU
PSL
PTN
PSC
PR
PPS
1
x
X
DEM
x
x
x
x
x
PRTB
PMN
x
PTC
x
2
x
x
x
x
x
x
3
x
x
x
x
X
x
(desatualizado)
x
x
(desatualizado)
x
(desatualizado)
x
x
x
x
4
x
x
x
X
5
x
x
x
6
x
x
7
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
PV
x
PSDB
x
x
PSOL
x
x
PC DO
x
x
x x
B*
Fonte: Websites partidários do Paraná
8
9
x
x
x
x
10
x
x
11
x
x
13
x
x
x
x
14
15
16
x
x
x
X
X
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
X
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
12
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
X
X
X
x
x
x
x
x
x
X
x
Podemos entender que os resultados apontam para uma frequência
interessante
dos
itens
Atualidades/Notícias,
Captação/Contatos,
Programas/Estatuto, Composição do diretório, Links, O Partido/Histórico,
Newsletter e Filiação,respectivamente. Tais fatos sugerem, sobretudo pelos
dois primeiros e último itens, que o principal intuito dos websites é transmitir a
mensagem do partido, quem ele é, como entende a realidade e como
deveríamos agir segundo sua perspectiva, ou seja, efetuar uma autopropaganda e auto-promoção, bem como buscar cooptar mais membros para
aderirem a estes preceitos. Isto está na contramão no ideário da internet como
ferramenta de interação, como uma via dialógica de correspondência entre
partido e sociedade civil, uma vez que justamente os mecanismos de interação,
aparecem sub-representados.
37
Chama também a atenção o baixo número de partidos que abordam a
questão da contribuição financeira (3)19, elemento que desde a campanha de
Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos da América em 2008,
parecia que iria adquirir função importante de arrecadação por intermédio dos
websites. Pode-se entender que no Brasil, a configuração personalista e pouco
ideológica das instituições, ligadas a concepção de que a esfera política é um
âmbito de se “ganhar” e não “gastar” recursos, pode explicar está tendência.
Nesta linha, também salta aos olhos a baixa frequência em que
aparecem referências as redes sociais nos websites (7), num contexto de
extrema utilização desses meios para o relacionamento dos indivíduos e o
engajamento em campanhas de ordens diversas, por vezes de cunho político.
Vale lembrar que não foram buscadas nas redes sociais as páginas ou contas
dos partidos, mas apenas os links existentes nos websites. Além disso, o já
citado alto grau de personalismo na política e instituições partidárias brasileiras,
denotam uma maior utilização de páginas ou contas das figuras dirigentes e
ocupantes decargos públicos, ao invés de páginas ou contas institucionais.
Isto posto, os links para páginas das juventudes aparecem em um
número razoável (9) pelo elevado número de partidos que não possuem
elevada representação parlamentar nem viés ideológico firmado, o que tende a
não organização de setores jovens nos mesmos.
Em relação aos partidos, explicitamos que PPS, PT, PSDB, PMDB,
PSC, PRB e PV, possuem um número relevante de elementos em seus
websites em acordo com as categorias por nós levantadas, e uma configuração
que leva ao fácil e atrativo acesso a tais elementos, em especial no que
concerne aos quatro primeiros partidos aqui elencados. O PCdoB também
apresenta boa parte dos recursos, contudo, sua “página estadual” é apenas
uma seção do website nacional da instituição, sendo os recursos apresentados
concernentes a esta página, ou seja, não são ferramentas específicas da
página estadual.
Dentre estes partidos por sua pujança em nível estadual e nacional,
pode-se entender como normal que PSDB, PMDB e PT estejam nesta seleção,
uma vez que o primeiro possui o governo do estado e maior bancada na
19
Números entre parênteses denotam a quantidade verificada.
38
Assembléia Legislativa, o segundo é o maior partido em número de filiados do
país, e o último governa a federação há nove anos. O PPS, ainda que “menor”,
também possui interessante representação parlamentar e figuras públicas
relevantes, no âmbito estadual. O PV se mostra um partido com boa reputação
no contexto atual, ligando sua perspectiva do desenvolvimento sustentável com
as novas formas de comunicação, além de ter sido talvez o partido que mais
focou na utilização mais interativa do meio virtual nas eleições presidências de
2010. Surpreendem PSC e PRB, sendo o primeiro capitaneado por figura
pública do setor de comunicação da capital paranaense que obtém a dois
pleitos votações extremamente expressivas, e o segundo, aliado do governo
federal há muitos anos, pega carona em sua popularidade.
Negativamente, podemos citar o DEM, partido já muito expressivo no
estado e na nação, com importantes figuras públicas regionais, que hoje sofre
com problemas internos e uma acentuada fragmentação, que redundou na
saída de importantes de seus quadros, os quais foram os principais
responsáveis pela fundação do PSD.
Além disso, os partidos de caráter
socialista parecem não ter aderido ainda ao desenvolvimento das novas formas
de interação, ainda que possuam uma boa representação junto ao público
jovem, em especial na esfera estudantil.
3. Militância política virtual? As juventudes partidárias do estado do
Paraná e a internet.
No capítulo final iremos explicitar as organizações de juventudes
partidárias do estado do Paraná que possuem websites, bem como
analisaremos como se configuram tais páginas na internet com um viés
qualitativo.
39
3.1
A presença das instituições de juventude na web.
Dessa forma, iniciamos elencando os partidos que possuem setores
jovens para buscarmos suas páginas em nível estadual. Entretanto, por
primeiro demonstraremos a nomenclatura das juventudes.
QUADRO 04 – Nomenclatura dos setores jovens dos partidos
políticosorganizados no Paraná.
Partido
PRB
Nomenclatura da juventude
PRB Jovem
PP
Juventude Progressista
PDT
Juventude Socialista do PDT (JSPDT)
PT
Juventude do PT (JPT)
PTB
Juventude do PTB (JPTB)
PMDB
PMDB Jovem
PSTU
Juventude do PSTU
PSL
PSL Jovem
PTN
PTN Jovem
PSC
Juventude PSC (JPSC)
PCB
União da Juventude Comunista (UJC)
PR
PR Jovem
PPS
Juventude Popular Socialista (JPS)
DEM
Juventude Democratas
PSDC
Juventude PSDC (JPSDC)
PRTB
PRTB Jovem
PHS
Juventude Humanista Solidária (JHS)
PMN
PMN Jovem
PTC
PTC Jovem
PSB
Juventude Socialista Brasileira (JSB)
PV
Juventude Verde (JPV)
PRP
PRP Jovem
PSDB
Juventude do PSDB (JPSDB)
PSOL
Juventude do PSOL
40
PSD
PSD Jovem
PC DO B
União da Juventude Socialista (UJS)
PT DO B
Juventude do PTdoB
Fonte: Websites nacionais e regionais dos partidos políticos brasileiros; Websites nacionais e
regionais das juventudes partidárias brasileiras.
QUADRO 05 – Relação entre partidos políticos paranaenses, seus websites,
links para o setor jovem e página independente da juventude do partido,
Link
Partido
Website
Jovem/J
uventud
e
PRB
PP
PDT
21
Não
possui
Não
possui
PT
Possui
PTB
Possui
PMDB
Possui
PSTU
Possui
PSL
Possui
PTN
Possui
PSC
Possui
PCB
20
Possui
Não
possui
Não
possui
Página
independent
e da
juventude do
partido
Não possui
-
Possui (blog)
-
Possui (blog)
Possui
Não
possui
Possui
Não
possui
Não
possui
Não
possui
Possui
-
Endereço do webstite
Possui
(blog)20
----------------http://juventudepppr.blogspot.com/
http://jspdtpr.blogspot.com/
http://juventude.ptcuritiba.org.br
Não possui
-----------------
Possui
http://jpmdbpr.org.br
Não possui
-----------------
Não possui
-----------------
Não possui
-----------------
Possui (blog)
Possui
(blog)21
http://www.juventudepsc.blogsp
ot.com/
htpp://www.ujccuritiba.info/
Blog JPT Curitiba.
BlogUJC Curitiba.
41
PR
Possui
PPS
Possui
DEM
Possui
PSDC
PRTB
PHS
Não
possui
Possui
Não
Possui
PMN
Possui
PTC
Possui
PSB
PV
PRP
Não
possui
Possui
Não
possui
Não
possui
Possui
Não
possui
Não possui
Possui
(blog)22
Possui (blog)
----------------http://jpscuritiba.blogspot.com/
http://juventudedemocrataspr.bl
ogspot.com/
Não possui
-----------------
Não possui
-----------------
-
Não possui
-----------------
Possui
Não possui
-----------------
Não possui
-----------------
Não
possui
Não
possui
Não
Possui
(blog)23
http://jsbcuritiba.blogspot.com/
Possui (blog)
http://juventudepv.blogspot.com/
-
Não possui
-----------------
possui
PSDB
Possui
Possui
Possui
http://www.jpsdb-pr.org.br/
PSOL
Possui
Possui
Não possui
-----------------
-
Não possui
-----------------
Possui
Não possui
-----------------
-
Não possui
-----------------
PSD
PC DO
B
Não
possui
Possui
PT DO
Não
B
possui
Fonte: Websites nacionais e regionais dos partidos políticos brasileiros; Websites nacionais e
regionais das juventudes partidárias brasileiras.
22
23
Blog JPS Curitiba.
Blog JSB Curitiba.
42
Evidenciamos que apenas um númeroreduzido de organizações (10 de
27) possuem websites regionais, sendo, inclusive, em sua maioria blogs, e por
vezes de seções municipais. Tais instrumentos também serão levados em
consideração uma vez que servem como o principal, ou único, mecanismo
virtual das juventudes no estado, além de que apenas PSDB e PMDB
apresentaram efetivamente um website.
Chama a atenção a falta de espaços virtuais entre as juventudes de
partidos com relevante representação parlamentar como PRB, PTB, PR e
PCdoB. Em especial no que diz respeito ao último, tendo em vista que sua
juventude, a UJS, dirige inúmeros órgãos estudantis no país e no estado tanto
em nível superior quanto secundarista, além de estar a frente há um longo
período da União Paranaense dos Estudantes (UPE), da União Paranaense
dos Estudantes Secundaristas (UPES), da União Nacional dos Estudantes
(UNE) e da União Nacional dos Estudantes Secundaristas (UBES) 24. Ainda
neste viés, também surpreende a não presença de juventudes de esquerda
como a Juventude do PSTU e a Juventude do PSOL, entidades que também
possuem boa representação no movimento estudantil, dirigindo importantes
entidades deste teor, como, por exemplo, o Diretório Central dos Estudantes da
Universidade Federal do Paraná (DCE-UFPR), no caso da última.
Isto posto, as páginas elencadas serão submetidas a três unidades de
análises conforme Dornelles (2005, p.7), que se referem a comunicação
política, ações dirigidas e morfologia dos sites. Todavia, com o intuito de
propiciar um viés qualitativo à analise, além de verificar a existência do item
atribuiremos um valor no sentido de verificar se a informação se apresenta ou
não
de
maneira
informaçãocompleta
completa
ou
ou
satisfatória,
satisfatória
(10),
conforme
informação
esta
atribuição:
incompleta
ou
insatisfatória (5), sem informação (0). Tendo base essa qualificação conforme
Braga, França e Nicolás, (2009).
24
Em gestões com ou sem composição com outras agremiações, mas mantendo há um longo período a
hegemonia no movimento estudantil.
43
3.2
Comunicação política nos websites das juventudes.
Esta primeira seção de análise dos websites das juventudes abarca as
seguintes categorias de análise, conforme Dornelles (2005):
1- Opartido/o setor jovem – conheça o partido/ núcleo da juventude,
história, quem somos,princípios, líderes/figuras históricas;
2- Atualidades – notícias em geral, entrevistas;
3- Publicações – artigos, livros, textos, pesquisas.
4- Programa/Estatuto/Relatórios de eventos e congressos;
5- Captação – contato, e-mail, fale com a organização, faca parte;
6- Newsletter;
7- Estratégias/materiais de divulgação – boletim, jingle,banner,slogan,
programas de TV e rádio, materiais, camisetas, bonés.
8- Redes Sociais – links para Twitter, Facebook, Orkut, Youtube, Flickr,
Myspace.
TABELA 02 – Comunicação política nos websites das juventudes paranaenses
Organização
1
2
3
4
5
6
7
8
Juventude Progressista
5
5
0
0
5
0
0
5
JSPDT
0
0
0
0
0
0
0
0
JPT
0
10
0
0
5
5
0
0
PMDB Jovem
0
5
0
0
10
0
5
5
JPSC
0
5
0
0
0
0
0
5
UJC
5
10
10
10
5
0
10
0
JPS
0
5
0
0
0
0
0
0
Juventude Democratas
5
5
5
0
5
0
0
10
JSB
0
10
5
0
5
0
5
5
JPV
0
10
5
0
5
0
0
5
JPSDB
10
10
0
10
10
0
10
10
Fonte: Websites e blogs das juventudes estaduais e municipais
44
No geral os websites apresentam diversas deficiências quanto à
frequência dos quesitos entendidos como interessantes a uma boa ferramenta
dessa ordem.
Entre os elementos que mais aparecem, Atualidades, na figura de
notícias, é o que mais se destaca (10)25 especialmente pela grande presença
dos blogs que tem quase como função única, justamente a disseminação de
notícias. Ainda que a grande maioria esteja desatualizada (8), esses veículos
denotam a ideia das páginas como via de mão única, onde as organizações se
utilizam dos espaços para a divulgação de notícias e eventos que acreditam
ser pertinentes para sua auto-promoção, além da forte presença de
informações relativas a lideranças e parlamentares oriundos das mesmas.
Assim, a perspectiva da interação fica posta de lado, atuando a Internet como
meio de disseminação das práticas características das mídias tradicionais.
Talvez, outra categoria de destaque as Redes Sociais (7), denotem certa
modificação neste cenário, uma vez ser típico dessas ferramentas da web a
troca de informações e a constante manifestação de opiniões sobre os temas
levantados nelas, como também sua capacidade de mobilização. Entretanto, as
redes sociais podem, também, serem utilizadas como meras formas de
disseminação de informações, atuando enquanto uma extensão dos websites
ou blogs. Para solucionar este questionamento, mostra-se necessário um
estudo mais aprofundado acerca das redes sociais, que não é objetivo deste
estudo.
A última categoria de destaque, a Captação, valida as afirmações de que
os partidos devem voltar-se ao segmento jovem da população no sentido de
seu recrutamento pelos fatores já citados no trabalho. Da mesma forma valida
as inferências relativas à internet como um dos principais meios, se não o
principal entre a juventude, para promover a aproximação dos partidos com
este setor afim de que elementos do mesmo venham futuramente integrar suas
fileiras.
Posto isso, áreas que mostram “quem é” e o “motivo de sua existência”,
bem
25
como
a
estruturação
interna,
como
“O
setor
jovem”
(4)
e
Números entre parênteses denotam a quantidade verificada.
45
“Programa/Estatuto/Relatórios
de
eventos
e
congressos”
(2),
estão
subrepresentadas num contexto de configuração das páginas que valorizam a
disseminação de informações sobre eventos pontuais e sobre figuras públicas
ligadas as instituições, em detrimento de uma busca pelo fortalecimento das
instituições como tais que não estaria vinculado ao personalismo.
De maneira intermediária aprecem ainda as categorias “Publicações” (4)
e “Estratégias/Materiais de divulgação” (4). Quanto ao primeiro, a maioria tem
teor de textos pontuais sobre assuntos tais quais, sendo quase inexistentes
notas políticas embasadas e construídas oficialmente pelas organizações.
Estratégias de utilização de vídeos, músicas, símbolos, também não se
mostram prioritárias, e em número ainda mais reduzido aparecem os materiais
institucionais, salvo algumas exceções, as organizações não buscam o
fortalecimento de sua “marca” e a expressão dos elementos que marcaram sua
trajetória e representam o seu norte atual. Vale ainda ressaltar, que a
“Newsletter”, ferramenta antes muito utilizada para se chegar ao cidadão,
praticamente inexiste com apenas uma aparição que ainda não possui retorno.
GRÁFICO 1 -Comunicação política nos websites das juventudes paranaenses
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Fonte: Websites e blogs das juventudes estaduais e municipais
Ao observarmos o enquadramento qualitativo das páginas, vemos o
destaque das organizações JPSDB e UJC. A primeira possui elementos em
46
quase todas as categorias, sendo todos os apresentados qualificados como
satisfatórios. Aparece como única a apresentar uma verdadeira introdução ao
setor jovem e a ter e dar destaque para os links de diversas redes sociais, além
de manter um blog com notícias atualizadas e a explicitar vídeos e materiais
institucionais.
O destaque da JPSDB é compreensível pela força do partido que
representa em especial no Paraná onde possui o seu governador e uma forte
base na capital, contudo, a UJC aparece como surpresa por se tratar de uma
organização histórica, mas em reestruturação tal como seu partido, sendo que
este sequer possui website regional. Destaca-se por manter ativa a atualização
de suas notícias as quais abrangem aspectos regionais, nacionais e,
sobretudo, internacionais. Também é a que mais valoriza a simbologia e a sua
marca própria, e ainda que seja um blog municipal, vincula com freqüência
materiais como artigos próprios sobre questões de teor variado.
Em uma situação intermediária aprecem websites que a priori
aparentavam serem bastante completos como os JPT e JPMDB, mas que do
viés qualitativo aproximam-se, e por vezes ficam abaixo, de blogs (alguns
municipais) como os da Juventude Progressista, Juventude Democrata, JSB e
JPV. Estas páginas, em suma, disseminam notícias, mas também atribuem
destaques à captação, reproduzindo em algumas situações textos próprios, e
com a explicitação de uma preocupação relativa ao redimensionamento às
redes sociais. Ainda assim, pela importância de seus partidos, fica a impressão
de que estas organizações ainda estão muito aquém de uma ferramenta virtual
efetiva.
Todavia, qualitativamente ficaram realmente aquém as páginas de JPSC
e JPS, com blogs que apenas vinculam notícias com baixa freqüência. Além
disso, o blog da JSPDT somente reproduz a propaganda concernente a um
encontro da seção sul da instituição no país.
47
3.3
Ações dirigidas nos websites das juventudes
A segunda seção de análise é pautada em acordo com as seguintes
categorias segundo Dornelles (2005):
1- Congressos, fóruns, convenções, seminários, encontros, plenárias;
2- Cursos, programas de formação, atividades de organização política;
3- Movimentos estudantis, organização de instituições estudantis;
4- Manifestações, movimentos, protestos, mobilizações;
5- Campanhas, programas, frentes, prêmios;
6- Espaço de discussões, opine.
TABELA 03 – Ações dirigidas nos websites das juventudes paranaenses
Organização
1
2
3
4
5
6
Juventude Progressista
10
0
0
5
0
0
JSPDT
5
0
0
0
0
0
JPT
10
0
5
10
10
0
PMDB Jovem
5
5
10
0
0
0
JPSC
5
0
0
5
0
0
UJC
10
10
10
10
10
0
JPS
5
0
0
0
5
0
Juventude Democratas
10
5
0
0
5
0
JSB
5
5
0
5
5
0
JPV
5
5
5
10
10
0
JPSDB
5
5
0
0
10
5
Fonte: Websites e blogs das juventudes estaduais e municipais
48
As ações dirigidas concentram-se, sobretudo, nas postagens dos blogs
ou nos espaços de notícias dentro dos websites. Fica clara a predominância
das
notícias
relacionadas
a
congressos,
seminários,
convenções,
e
principalmente, encontros (11)26, que visam discutir temas pontuais ou
estruturar a organização em algum município ou até mesmo no estado, uma
vez que todas as páginas estudadas apresentam este quesito. Pode-se
entender que a web está sendo utilizada pelas juventudes como meio de
divulgar suas atividades e trazer outros membros para as mesmas que ocorrem
fora do âmbito da web, do que promover ações voltadas à internet em si.
Posteriormente, temos as campanhas, frentes (7), manifestações e
protestos (6), enquanto bem representadas na web pelas juventudes
partidárias. Seguindo a mesma lógica da categoria exposta no parágrafo
anterior, procuram chamar a essas campanhas, manifestações, etc., assim
como explicitar seus resultados. Essas atitudes buscam demonstrar que as
instituições estão em acordo com as demandas da sociedade civil, procurando
colaborar para que os anseios das mesmas sejam realizados, no sentido de
transparecer uma organização atuante e ligada a população. Em algumas
situações, esses elementos exploram as perspectivas ideológicas destas
seções partidárias.
A segunda categoria, que trata de cursos e programas de formação (6),
apresenta frequência parecida com as mencionadas anteriormente, mas como
são ações de caráter extremamente pontual, com exceção da UJC, podem ser
caracterizadas como de importância inferior para as direções de juventude.
Surpreende a baixa freqüência que aparecem menções ao movimento
estudantil (4), haja vista ser historicamente o principal espaço de disputa e de
efetivação de políticas por parte das juventudes partidárias. Isto pode denotar
que tais instituições já não atribuam mais a mesma importância a essas
instâncias legais de organização da juventude, em especial por seu
aparelhamento contemporâneo, ou simplesmente por acreditarem que outras
formas de organização de caráter diverso, possam ter mais efetividade junto a
juventude atual. Outro elemento, diz respeito a grande frequência com que se
26
Números entre parênteses denotam a quantidade verificada.
49
destacam os dirigentes das juventudes em instituições ligadas a partida de
caráter fisiológico.
A
última
categoria,
espaço
de
discussão
(1),
extremamente
subrepresentada, com apenas uma aparição e ainda com link para um website
“fora do ar”, denota novamente a pouca relevância atribuída a internet como
instrumento de interação e de busca da participação, aproximação e
mobilização por parte das juventudes partidárias paranaenses. Os websites,
quando propõem ações dirigidas, chamam a reuniões, protestos, campanhas,
já produzidas e de interesse da instituição, nunca convocam a juventude para
construir conjuntamente as pautas de reivindicações, e tampouco buscam
entender suas demandas.
GRÁFICO 2 – Ações dirigidas nos websites das juventudes paranaenses
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Fonte: Websites e blogs das juventudes estaduais e municipais
Nas ações dirigidas, a UJC também surpreende e atinge os melhores
níveis qualitativos. Seu blog possui referências diretas a congressos e
atividades de formação, com espaço exclusivo aos mesmos. Também é única
com links específicos para campanhas de caráter regional, nacional e
internacional, e com grande enfoque em atividades relativas ao movimento
50
estudantil e campanhas sobre o movimento estudantil. Apresenta ainda posts
relativos a diversos debates e seminários, bem como diversas manifestações e
ocupações promovidas pela instituição.
Em situação intermediária aparecem organizações de importantes
partidos, JPT, JPV e JPSDB. A primeira apresenta muitas postagens sobre
congressos e atividades partidárias, manifestações contra a corrupção na
cidade e no estado, além de manifestações por questões diversas como o
incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte, até por seu partido estar
na oposição nestes âmbitos. Aparecem também campanhas em épocas
eleitorais e frentes de discussões acerca de aspectos como a legislação da
comunicação no país. Certas menções a movimentos sociais e parlamentares,
contudo, apenas uma menção ao movimento estudantil sendo a instituição
liderança nas principais entidades desse teor no estado.
A JPV, com o olhar voltado a questão ambiental, explicita diversas
campanhas e chamadas para manifestações, como também eventos
institucionais e partidários, mas de forma desatualizada. Já a JPSDB que
possui um website bastante completo, foca, de maneira intensa, em
mobilizações e reuniões pelo estado e em campanhas de participação jovem,
todavia, muitos elementos estão desativados ou desatualizados,
Em situação inferior, mas ainda intermediaria estão as páginas da
JPMDB, Juventude Democrata e JSB. A JPMDB faz uma referência a
congresso e na mesma intensidade a formação política, além de algumas
referências a atividades parlamentares e instâncias legais de discussão e
deliberação sobre juventude. Chama a atenção o fato de que mesmo não tendo
grande atuação junto ao movimento estudantil, efetua diversas alusões a UNE
e a mobilização em volta dela.
Já a Juventude Democrata, refere-se com certa frequência a congressos
e encontros e de maneira muito menor a formação, ainda que o faça em
detrimento a muitas outras, da mesma forma que a uma campanha. A JSB se
remete a diversos encontros, congressos e seminários, entretanto, sem muita
profundidade.
Qualitativamente inferiores se apresentam as páginas da Juventude
Progressista, JPSC e JPS. A primeira com várias postagens referentes a
organização estrutural da juventude no Paraná. A segunda com informes sobre
51
reuniões e um congresso do partido, além de algumas palestras e
manifestações pontuais. E a JPS com uma única menção ao próprio congresso
e uma mobilização virtual contra a utilização de drogas.
Por
fim,
a
JSPDT
apresenta
somente
informações,
inclusive
incompletas, em relação ao 2º Encontro Sul-brasileiro da Juventude Socialista,
um evento institucional.
3.3
Morfologia dos websites das juventudes.
Tendo em vista o fato dos setores jovens da população já serem
habituados ao âmbito digital, e que os mesmos podem sentir-se mais a vontade
e tencionados a acessar espaços virtuais com recursos visuais e linguísticos
que despertem sua atenção e interesse para prosseguir o acesso, atuando
enquanto editores dos conteúdos que lhes convenha (DORNELLES, 2005,
pg.12), procuramos analisar a apresentação de cada página das juventudes
paranaenses para entendermos como essas se apresentam ao seu público.
Dessa forma, pautaremos nossa análise tendo em vista como as páginas se
estruturam em relação as cores utilizadas, a existência de links, a disposição e
aos elementos que configuram o website, a analogia aos símbolos e ao próprio
partido, a constância da utilização de imagens e vídeos, bem como as formas
como os textos são redigidos, propiciando ou não, uma clara e dinâmica
compreensão dos elementos dispostos nestes.
Juventude Progressista
O blog da Juventude Progressista no Paraná apresenta um layout
extremamente simples e pouco trabalhado, sem símbolos da organização e de
seu partido com posts rápidos que, em suma, explicam fotos e certos eventos.
Sua configuração se mostra muito pouco atraente e desorganizada, mesmo
que seja apenas como um meio de se obter informações.
52
JSPDT
O blog da JSPDT apesar de somente se remeter a um evento da
mesma, no que diz respeito a isso apresenta uma configuração bastante
interessante com alusões aos símbolos da organização e do partido, bem como
as bandeiras dos estados do sul do país. Seu acesso é simplificado e incita o
acesso, contudo os conteúdos inexistem.
JPT
A home page da JPT explicita uma configuração muito bem estruturada,
atrativa e de fácil acesso. Menciona por vezes a instituição e o respectivo
partido, além da constante presença de seus símbolos, com o vermelho
predominado como principal cor. O acesso as principais notícias vinculadas e
os links estão bem expostos, sendo as primeiras bem ilustradas com fotos,
charges e artes, sempre com textos bem explicativos e de fácil compreensão.
53
PMDB Jovem
O website do PMDB jovem demonstra-se simples, mas esteticamente
atrativo. Marcado pelas cores do partido e com aparições da logomarca da
instituição com frequência interessante, ainda que simples e com poucas
opções. A utilização de imagens e fotos pode ser classificada enquanto média,
contudo, os textos postos são de bom tamanho e com uma linguagem tal qual
interessante.
JPSC
A JPSC segue a linha dos demais blogs, com um banner relativo a sua
logamarca na parte superior, todavia, explicita um layout desorganizado e
com cores que apenas lembram as da organização. Nos posts, aparecem
poucas imagens e fotos sem muita qualidade da mesma forma que os
textos que as acompanham.
54
UJC
Mesmo com uma estrutura simples a UJC, em seu blog municipal,
consegue oferecer uma página atrativa aos jovens que possuem inclinações
ideológicas compatíveis as da organização. A mesma é marcada pelos
símbolos que representam tanto a UJC quanto o PCB, em especial pela
foice e o martelo, símbolo histórico do comunismo. Além disso, diversos
links para campanhas, cursos e manifestações bem elaborados aparecem
no decorrer da página, que também contempla links para páginas
relacionadas a UJC. Seus posts são, por vezes, longos, mas elucidativos,
marcados por várias imagens, como fotos e charges, bem como vídeos.
Ressalta-se ainda os antigos posts bem organizados ao lado da página e
elementos únicos quando comparados as outras juventudes, como contador
de visitantes, tradutor para diversas línguas e apontador com os visitantes
de todo o planeta.
55
JPS
Tal instituição possui uma das piores configurações de website. Seu
blog, que possui um logo da mesma no topo, se demonstra extremamente
desorganizado com imagens desconexas, textos sem um padrão e por
vezes postados de maneira qualquer. Seus poucos links ao lado contrastam
com a cor branca que permeia o decorrer da página.
Juventude Democratas
O blog da Juventude Democratas apresenta um visual bastante
agradável, com uma cor em degrade que contempla as cores do partido.
Destaca-se pela extrema organização, com uma rápida apresentação
institucional ao lado direito, seguido pelo contato, links para redes sociais e
histórico de mensagens. Estas sempre explicitadas de forma coesa com
fotos ilustrativas e textos de rápida leitura e fácil compreensão.
56
JSB
O blog possui além da logo no topo que se refere ao partido (PSB) e não
propriamente a JSB, um fundo bastante chamativo com diversos desenhos
que ao tentar passar uma imagem mais “descolada” acaba comprometendo
toda a página, principalmente no que concerne a leitura dos textos. Estes,
que quase sempre possuem um vídeo ou imagem acompanhando, são bem
coesos e organizados. Isto posto, existem também alguns links e chama a
atenção que em ambos os lados da página aparecem referências ao twitter
da instituição, os quais acompanham o rolamento da página.
JPV
O blog da JPV assemelha-se ao da Juventude Democratas, explicitando
um layout bastante interessante marcado pela cor verde e com referências
constantes ao que se pode chamar de “movimento verde”. Seu contato,
links e arquivo aparecem também muito bem organizados, e seus posts são
57
sempre dinâmicos e de fácil compreensão, adaptando-se bem a este
caráter de rápida disseminação da informação típico dos meios virtuais.
JPSDB
O website da JPSDB no Paraná, sem dúvida, se destaca em relação aos
demais, tendo, talvez a JPT como a página mais próxima. Sua página inicial
é
extremamente
bem
elaborada
contemplando
símbolo
e
cores
institucionais com desenhos que justamente atribuem um caráter jovem.
Links muito bem trabalhados, como um do mapa do Paraná, permeiam o
website, com as últimas notícias em destaque e endereço e contato
discretamente colocados abaixo, mas ainda assim bem visíveis. Seus textos
variam de médios a longos, sempre com muitas fotos e vídeos postados.
Contudo, o maior destaque está no canto direito superior onde aparecem
referências a algumas notícias e flashes que perguntam e sugerem o perfil
do jovem paranaense quanto ao gosto musical, seguido de algumas
imagens muito bem feitas que se adéquam a cada sugestão, como hip-hop,
58
sertanejo e rock, para, então suscitar o ato dos jovens se manifestarem. Por
fim, colocam grande ênfase nas redes sociais, ao colocar links a diversos
websites dessa natureza ao lado das imagens já citadas.
59
CONCLUSÃO
Tendo em vista a análise dos dados, entendemos que a utilização da
internet na figura dos websites pelos partidos políticos, mais especificamente
suas juventudes, se apresenta ainda enquanto muito precário, ao menos num
contexto regional.
Percebemos que os meios virtuais são utilizados essencialmente como
formas de difusão de informações, e em medida consideravelmente menor de
mobilização, em detrimento a uma perspectiva de interatividade que boa parte
da literatura acreditava ser o aspecto inovador das NTICs, da mesma forma
que elementos que sugerissem um maior aumento da democracia interna são
praticamente imperceptíveis.
Com efeito, temos em grande escala a reprodução e valorização dos
discursos próprios das direções partidárias e das juventudes, portanto, não se
observa uma maior participação social nos processos que poderiam ser
mediados pelos partidos, posto que não se propicia um caráter dialógico por
intermédio da internet, fato que coloca a mesma, em grande escala, como
reprodutora da perspectiva unidirecional das mídias tradicionais.
Isto se comprova devido ao grande número de blogs, páginas que
servem como reprodutora daquilo que as instituições crêem ser pertinente a
sociedade e passível de ser levado a esfera pública, produzindo, no máximo,
formas de mobilização que também passam pelo crivo das direções. Assim,
ferramentas que procurem perceber as demandas por parte dos setores da
sociedade, em especial a juventude, não são frequentes, da mesma forma que
não são frequentes ferramentas que propiciem a discussão até mesmo acerca
do que as direções entendem como relevantes à sociedade, e muito menos
debates relativos a atuação das próprias organizações.
Contudo, o questionamento que se apresenta concerne ao fato de que,
será realmente interessante aos partidos políticos e aos seus setores de
juventude, propiciar espaços de caráter efetivamente deliberativo. Ou seja,
para o desenvolvimento de tais instituições, e pela própria busca de possuir
maior legitimidade perante a sociedade, e até mesmo no sentido de se
alcançar os cargos pretendidos, seria oportuno desenvolver canais interativos
que busquem a reprodução das perspectivas da população acerca das
60
mesmas, ou isto poderia ter efeito contrário. Pode-se entender que ferramentas
virtuais que reproduzam os interesses institucionais, e possam atuar em
conjunção ou contraposição as demais mídias, promovam melhores resultados
nos aspectos descritos anteriormente a partidos e juventudes, ao invés de
espaços onde a contestação de suas condutas e perspectivas possam ser
reproduzidas livremente.
Em acordo com os dados obtidos, os novos repertórios de ação virtual
não parecem produzir efetivamente aos partidos e suas juventudes em âmbito
regional, novas formas de organização, difusão e mobilização. No entanto,
demonstrou-se que estes repertórios propiciam que instituições sem espaços
nas mídias tradicionais, como os partidos de menor porte, possuam um
espaço, ainda que marcado pela difusão em detrimento a interação, onde estão
postas suas visões sobre as nuances que permeiam o Estado. Da mesma
forma, tanto estes partidos de menor porte, quanto os de maior representação
junto a sociedade, constituem o espaço virtual como de contraponto ao que
eventualmente se vincula nas mídias tradicionais, ou mesmo como elementos
passíveis de pautar tais meios. Podemos então, situar a realidade obtida entre
as perspectivas ciberotimistas e ciberpessimistas.
Entretanto, ainda que esteja posto uma maior visibilidade aos partidos
menores, fato que imprescindivelmente leva a um aumento da competição
interpartidária, não ocorre nenhuma modificação incisiva no sistema partidário
em decorrência da introdução destes meios virtuais. Por outro lado, a internet
pode atuar enquanto reprodutora da lógica deste sistema, em determinadas
ocasiões.
Deve-se levar em conta que as diferenças internas que permeiam os
diversos partidos do espectro político brasileiro, provavelmente atuam na
direção de produzir formas diferentes de conduzir as formas e o que se vincula
em seus meios de comunicação, não sendo diferente a seus websites. Estas
diferenças podem estar pautadas em aspectos ideológicos, regionais, dentre
outros, todavia, não efetuamos uma análise neste sentido que nos propicie
conclusões deste teor. Ainda assim, podemos entender que mesmo com
eventuais diferenças internas, a utilização dos websites é inexpressiva,
principalmente pelas juventudes.
61
Isto posto, ainda que de maneira não tão substancial, quando
comparado aos websites dos partidos políticos paranaenses, as juventudes
possuem páginas relativamente interessantes face a precariedade de suas
instâncias superiores na utilização dos recursos virtuais. Esta perspectiva pode
nos levar a dois focos de análise: por um lado, nos remete ao fato de que,
justamente não podemos esperar uma melhor utilização dos websites pelas
juventudes se as próprias organizações partidárias não o fazem; por outro lado,
podemos entender, ou até mesmo esperar, que sejam os setores jovens dos
partidos que devem voltar suas atenções ao âmbito virtual, uma vez que o
público que pretendem atingir e recrutar seja o que com maior frequência e de
melhor forma utilize e, consequentemente, legitime este espaço como produtor
de participação e mobilização política, podendo, inclusive, impulsionar a
utilização das NTICs pelos partidos políticos.
Por fim, podemos mencionar a JPSDB e a UJC como instituições que
utilizaram de forma mais eficientes seus websites em acordo com as categorias
de análise, ambas com caráter diferenciado. Enquanto a UJC, apresentou um
blog com diversas referências ideológicas e partidárias, notícias concernentes
a aspectos da política nas várias esferas do poder, além de links, documentos
e chamadas a mobilização, a JPSDB apresentou um website muito bem
estruturado, com uma composição bastante interessante e instigante que
contemplava grande parte dos quesitos entendidos como necessários a boa
utilização de websites por instituições políticas. Chama a atenção a diferença
entre ambas não apenas no viés ideológico, mas estrutural de seus partidos,
tendo em vista que a JPSDB representa o partido que detêm o governo do
estado do Paraná e deteve durante um longo período a capital do mesmo,
sendo um dos maiores partidos do Brasil, já a UJC, representa o partido mais
antigo e com participação efetiva na história da nação, mas que no momento
passa por um longo processo de reestruturação, com uma representação no
executivo e legislativo praticamente nula pelo país.
Em outra perspectiva, observamos muitas instituições ligadas a partidos
de grande porte e representatividade no cenário político nacional e estadual,
como JPMDB, JPT e Juventude Democrata, ou que tem atuação de enorme
proporção no meio estudantil, como a UJS, que deixaram muito a desejar em
62
seus website, sendo que algumas sequer possuiam tais meios de comunicação
virtual.
63
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- ALBUQUERQUE, Afonso; MARTINS, Adriane Figuerola. Apontamentos para
um modelo de análise dos partidos na Web. In: XIX Encontro Nacional dos
Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS). 2010, Rio de
Janeiro – RJ. Anais do XIX Encontro Nacional dos Programas de PósGraduação
em
Comunicação
(COMPÓS).
Rio
de
Janeiro:
Compos,
2011.Disponível
em:
<http://compos.com.pucrio.br/media/gt3_afonso_de_albuquerque_adriana_figu
eirola_martins.pdf>
- BAQUERO, Marcello.
Cultura Política Participativa e Desconsolidação
Democrática: reflexões sobre o Brasil Contemporâneo, Revista São Paulo
em Perspectiva, 15 (4), 2001.
- BITTAR, Eduardo Carlos Bianca. Cidadania: condição de exercício dos
direitos humanos. Panóptica, Vitória, ano 1, n. 1, set. 2006, p. 1-5. Disponível
em: <http://www.panoptica.org>
- BLANCHARD, G. O uso da internet a serviço da comunicação do partido.
Líbero,
São
Paulo,
n.18,
p.
9-19,
dez.
2006.
Disponível
em:
HTTP://www.revistas.univerciencia.org/index.php/libero/article/download/4617/4
343
- BOKANY, Vilma & VENTURI, Gustavo. Maiorias adaptadas, minorias
progressistas. In: ABRAMO, Helena Wendel & BRANCO, Pedro Paulo
Martoni (orgs.). Retratos da Juventude Brasileira: análises de uma
pesquisa nacional. São Paulo: Instituto Cidadania/Fundação Perseu Abramo,
351-446, 2005
- BRAGA, Maria do Socorro. Sistema Eleitoral e Sistemas Partidários em
perspectiva comparada: Especificidades e Similaridades. In: IV Encontra
64
Nacional da Associação Brasileira de Ciência Política. Rio de Janeiro, 2004.
Disponível em www.cienciapolitica.org.br
-BRAGA, M. S. S. Partido Políticos: organização e controle sobre a
dinâmica de representação na democracia brasileira. In: V Encontro
Nacional da Associação Brasileira de Ciência Política. Belo Horizonte, 2006.
- BRAGA, Sérgio Soares; FRANÇA, Andressa Silvério Terra ; NICOLAS, María
Alejandra . Os partidos políticos brasileiros e a internet: uma avaliação
dos websites dos partidos políticos do Brasil. Revista de Sociologia e
Política (UFPR. Impresso), v. 17, p. 183-208, 2009.
- CASTELLS, M. A galáxia internet: reflexões sobre a internet, os negócios
e a sociedade. Rio de Janeiro. Zahar, 2003.
- CRUZ, Letícia Carina, Elites parlamentares e NTICS: Um estudo sobre o
uso da internet pelos deputados estaduais brasileiros da 16ª legislatura
(2007-2011). Dissetação (Mestrado em Ciência Política) – Universidade
Federal do Paraná, 2011
- DAHL, Robert. Poliarquia, São Paulo, EDUSP, 2001.
- DORNELLES, Souvenir Maria Graczyk. O significado da internet junto ao
público jovem no trabalho de comunicação dirigida de partidos políticos:
Uma análise sob o enfoque das Relações Públicas, INTERCOM 2005,
Faculdade de Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul – PUCRS, Junho/2005.
- DUVERGER. Maurice. Os Partidos Políticos, Rio de Janeiro, Zahar Editores,
1985.
- EISENBERG, J. Internet, Democracia e República. Dados, Rio de Janeiro,
v. 46, n. 03, p.491-511, 2003
65
- GOMES, W. S. Internet e participação política em sociedades
democráticas. Revista FAMECOS, Porto Alegre, v. 27, p. 58-78, 2005.
- KERBAUY, M. T. M.; SEVERINO, R. P. Redes sociais e capital político:
uma proposta metodológica para a análise das organizações partidárias.
Politica & Sociedade, 2011.
- KRISCHKE, Paulo J. Perfil da Juventude Brasileira: questões sobre
cultura
política
e
participação
democrática.
Revista
Internacional
Interdisciplinar – INTERTHESIS, PPGICH, UFSC, 2003.
- LASSANCE, A. Brasil: Jovens de norte a sul. In: ABRAMO, Helena Wendel &
BRANCO, Pedro Paulo Martoni (orgs.). Retratos da Juventude Brasileira:
análises de uma pesquisa nacional. São Paulo: Instituto Cidadania/Fundação
Perseu Abramo, 2005.
- LIMA, Eduardo Martins de. O Sistema Eleitoral Brasileiro. In:Revista do
Legistalivo.
ALMG,2002
Disponível
em:
http://www.almg.gov.br/revistalegis/Revista35/eduardo35.pdf
- MARQUES, Francisco Paulo Jamil Almeida. Sobre a comunicação políticopartidária na Internet: um estudo dos informativos digitais do PT e do
PSDB. Revista Galáxia, São Paulo, n.10, p. 129-146, dez. 2005.
- MARTINS, Adriane Figuerola. Modelo organizacional de partidos políticos
na Internet: Um estudo sobre o Partido dos Trabalhadores. In: IV Encontro
da Compolítica.2011,Rio de Janeiro. Anais do IV Encontro da Compolítca. Rio
de
Janeiro:
Compolítca,
2011.
Disponível
em:
http://www.compolitica.org/home/wpcontent/uploads/2011/03/AdrianeMartins.pdf
66
- MENDONÇA, José Carlos. Partidos Políticos: Da visão dos clássicos aos
desafios da (pós?) modernidade. Em Tese (Florianópolis), v. 4, p. 67-83,
2008.
- MICHELS, Robert, Para uma sociologia dos partidos políticos na
democracia moderna. Lisboa, Antígona, 2001.
- MISCHE, Ann. De estudantes a cidadãos: redes de jovens e participação
política. In: XX Congresso Internacional da LASA. Guadalajara, México, 1997.
- NORRIS, P. Digital Divide. Civic Engagement, Information Poverty, and
the Internet Worldwide. Cambridge, Cambridge University, 2001.
- NORRIS, P. Preaching to the Converted? Pluralism, Participation and Party
Websites. In: Party Politics, 9(1): 21-45, 2003.
- PANEBIANCO, Angelo. Modelos de Partido: organização e poder nos
partidos políticos, São Paulo: Editora Martins Fontes, 2005.
- PEREIRA, M. A.Internet e mobilização política - os movimentos sociais
na era digital. In: IV ENCONTRO DA COMPOLÍTICA, 2011, Rio de Janeiro.
Anais do IV Encontro da Associação Brasileira de Pesquisadores em
Comunicação e Política, 2011.
- PERISSINOTTO, Renato M. & BOLOGNESI, Bruno. O recrutamento político
no PT e no PFL paranaenses nas eleições de 2006: sugestões de
pesquisa, Paper apresentado no 5º Encontro da ABCP, Belo Horizonte, 2007.
- SINGER, Paul. A juventude como coorte: uma geração em tempo de crise
social. In: ABRAMO, Helena Wendel &BRANCO, Pedro Paulo Martoni (orgs.).
Retratos da Juventude Brasileira: análises de uma pesquisa nacional. São
Paulo, Instituto Cidadania/Fundação Perseu Abramo, 2005. P. 27-35.
67
- TEIXEIRA, J. A., Militância Virtual? Organizações de Juventudes
Partidárias na Rede Mundial de Computadores. In: 33º Encontro da
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais
(ANPOCS). Caxambu, 2009.
68
Download

Monografia - Setor de Ciências Humanas