Ua9100yAntónio José Rocha Silva
COIMBRA
Aeminium do Período Romano
Mestrado Integrado em Arquitectura
Urbanismo I -Teoria e História
Universidade Católica Portuguesa
2009/10
Aeminium – Coimbra do período Romano
INDICE
O sítio e a posição ..................................................................................................................... 3
Aeminium, capital de civitas ..................................................................................................... 4
Monumentos de Aeminium ....................................................................................................... 4
O arco honorífico .................................................................................................................. 4
O forum ................................................................................................................................. 5
Teatro .................................................................................................................................... 6
O aqueduto ............................................................................................................................ 7
Os arruamentos da cidade de Aeminium ................................................................................... 7
Bibliografia ............................................................................................................................... 9
Webgrafia .................................................................................................................................. 9
António José Rocha Silva
Aeminium – Coimbra do período Romano
O sítio e a posição
MARTINS (1951), numa feliz expressão, falou das vantagens do sítio e da posição de
Coimbra.
A cidade antiga assentou num morro de calcário com a
configuração de um ovo. O seu eixo maior orienta-se de
nascente para poente — e é exactamente do lado oriental
que se encontra a cota mais elevada, no pátio interior do
Colégio das Artes.
Segundo Alarcão (2008), o sítio tinha vantagens, à da sua
natural defesa juntava-se a da boa exposição solar. Mas
tinha a desvantagem de consideráveis declives que
tornaram sempre difícil a circulação de carros na Almedina,
fossem eles puxados por bois ou por mulas ou cavalos; por
exemplo os 14º de declive médio da porta de Almedina ao cimo da rua de Quebra-Costas.
Perfil da Rua de Quebra-Costas.
Conforme ALARCÃO (2008), a estrada que, na época romana ligava Olisipo (Lisboa) a
Bracara Augusta (Braga) atravessava o
rio em Aeminium (Coimbra). A ocidente
o Mondego era largo em demasia; a
oriente, começavam montes e ladeiras
por onde o percurso seria difícil. A
cidade era um lugar privilegiado de
encontro e cruzamento.
A ria do Mondego
António José Rocha Silva
Aeminium – Coimbra do período Romano
Para ALARCÃO (2008) a posição trouxe à cidade porém, também inconvenientes. Estes
derivaram do grande assoreamento do rio entrando o Mondego em Coimbra numa planície.
A inclinação do leito do rio, a partir de Coimbra e até à foz, é reduzida. Isto fez com que as
terras e as areias, desprendidas das margens e arrastadas pela corrente, se depositassem
principalmente de Coimbra para jusante. Alteou-se o leito e as cheias tornaram-se frequentes.
Aeminium, capital de civitas
Segundo ALARCÃO (2008), a sul, Aeminium confrontava
com Conimbriga a norte, com Talabriga a oriente, com
Bobadela (Oliveira do Hospital) cujo nome é desconhecido.
Um miliário de Calígula encontrado um pouco a sul da
Mealhada marca a milha X, não tendo indicação do ponto
de origem da contagem, esse não pode ter sido outro senão
Aeminium, dado que esta cidade ficava, de facto, a XII
milhas (ou 18 quilómetros) do lugar onde o miliário se
encontrou. Ora, porque era normal contarem-se as milhas a
partir de oppida que eram capitais de civitates, o miliário
de Calígula, erguido em 39 d.C., reforça a ideia de que
Aeminium era, já então, capital de civitas.
Miliário de Calígula
Monumentos de Aeminium
O arco honorífico
Não é peremptória a existência de um arco honorífico
romano à Estrela, muito se tem discutido este assunto.
Tendo por base o desenho de Baldi do pormenor da porta
de Belcouce, D. Jerónimo de Mascarenhas e Coelho
Gasco afirmam a não existência do arco.
Porta de Belcouce – Baldi
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Aeminium – Coimbra do período Romano
À existência de um tetrapilo ou arco quadrifronte, ALARCÃO (2008) objectiva que tais
arcos se encontravam, normalmente, num quadrivium, isto é, num cruzamento de duas vias
rigorosamente ortogonais. À Estrela não podiam encontrar-se duas vias perpendiculares.
Havia, é certo, um cruzamento — e o
próprio nome de Estrela justifica-se,
possivelmente, pela existência dessa
cruz de caminhos. Os dois eixos
articular-se-iam, porém, ob1iquamente.
Admitindo um arco quadrifronte, pelo
menos uma das suas arcadas não daria
passagem a nenhuma via. Mas daria
acesso a patamar donde poderia gozarse admirável vista sobre o rio. Uma
solução de algum modo semelhante
encontra-se num arco romano de
Rodes.
Possível localização do arco romano junto da porta de Belcouce
O forum
Citando ALARCÃO (2008), o monumento principal do oppidum romano foi erguido, como
era normal, bem no centro da cidade. Este sítio tinha, porém, um inconveniente: não era uma
plataforma, mas uma vertente, aliás considerável — pois da cota de 90m, do lado oriental,
passa-se à de 77m, do lado oposto, na rua das Covas (ou de Borges Carneiro). Houve
necessidade, por isso, de construir um criptopórtico, em dois andares do lado do poente.
O
piso superior é constituído por duas galerias em ∏, abobadadas, uma envolvente da outra e
ambas intercomunicantes por passagens compassadamente colocadas. Do lado ocidental,
entre os braços do ∏, sete celas no mesmo enfiamento estabelecem outra passagem.
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Aeminium – Coimbra do período Romano
No piso inferior observam-se outras sete celas, também abobadadas de volta inteira, muito
mais altas que as anteriores. Nos dois extremos do lado ocidental, amplas escadarias
permitiam a comunicação entre os dois pisos. Uma entrada no canto sudeste permitiria o
acesso do exterior ao piso de cima do criptopórtico. Não está ainda esclarecido se o piso
inferior tinha acesso directo a partir da rua.
Corte do criptopórtico
Vista interior do criptopórtico
Teatro
MANTAS (1992) propôs a localização do
teatro na área da rua das Flores, beco da
Anarda e rua de João Jacinto. Através da
fotografia aérea, identificou uma grande
estrutura semicircular, cujo diâmetro (cerca de
60m) sugere a cavea de um teatro — tanto
mais que se orienta perpendicularmente ao
limite oriental do criptopórtico.
Reconstituição hipotética do anfiteatro romano
António José Rocha Silva
Aeminium – Coimbra do período Romano
O aqueduto
Conforme ALARCÃO (2008), para além dos
Arcos do Jardim, o aqueduto observa-se no
interior da cerca da Cadeia Penitenciária, onde
se perde. Mas é fácil imaginar que a nascente
se situava entre a rua de Pedro Monteiro e a
avenida de D. Afonso Henriques. Poderiam
ser captadas águas também na fonte da Rainha.
No fim do aqueduto, à entrada da cidade,
existiria, na época romana, um castelium
aquae, isto é, uma destas estruturas de que se
conhecem tantos exemplos romanos e que
permitiam a decantação das impurezas e a
distribuição regulada da água pelos vários
sectores de uma cidade.
Aqueduto de S. Sebastião
Os arruamentos da cidade de Aeminium
Perfil hipotético da cidade romana
1. Muralha; 2. Domus; 3. Forum; 4. Templo do culto imperial; 5. Anfiteatro.
Para ALARCÃO (2008), o traçado dos arruamentos de Aeminium é um dos maiores
problemas com que se debate quem pretende imaginar a cidade romana. Não é credível que,
em Aeminium, tenha havido um traçado hipodâmico, isto é, ruas ortogonais definindo
quarteirões (insulae) tão regulares quanto as casas de um tabuleiro de xadrez. Numa cidade
de encostas e declives tão acentuados como os de Aeminium, este modelo era impraticável.
António José Rocha Silva
Aeminium – Coimbra do período Romano
A haver uma planta desse tipo, dada a topografia do morro, só seria praticável com enormes
cortes na rocha e desmontes. Sem isso, muitas ruas teriam excessivas e impraticáveis
inclinações. Sem dúvida que alguns cortes foram feitos: observam-se, por exemplo, no
interior do criptopórtico — estes cortes romanos devem ter-se restringido ao mínimo
necessário.
ALARCÃO (2008) refere que, o decumanus maximus da cidade romana (rua principal de
sentido este-oeste) começaria no ponto onde na Idade Média se ergueu o castelo.
Acompanhando o aqueduto, dirigir-se-ia ao canto sudeste do forum. Contornaria o forum
seguindo pela rua das Covas até ao patamar da Sé e desceria daqui pela rua de Quebra-Costas.
A fachada oriental do forum abrir-se-ia num outro arruamento principal da cidade romana, de
orientação norte-sul: o cardo maximus. Mas o traçado deste também suscita dúvidas.
Pode objectar-se que, normalmente, estas ruas principais se prolongavam para fora da área
urbana em vias que mantinham o mesmo alinhamento. Isso não seria possível em Aeminium,
dado que, a norte e a sul, do suposto cardo conduzia a pontos da encosta que, pelo seu
excessivo declive, não permitiam a extensão do alinhamento. A mesma objecção pode fazerse, porém, se fizermos coincidir o cardo maximus com o eixo da couraça dos Apóstolos e das
ruas de S. João e de S. Pedro.
Arruamentos da cidade de Aeminium
1.Forum 2. Anfiteatro 3. Teatro 4. Aqueduto 5. Templo de culto imperial 6. Alcáçova 7. Igreja de S. Pedro.
António José Rocha Silva
Aeminium – Coimbra do período Romano
Bibliografia
ALARCÃO, Jorge de – Coimbra: A Montagem do Cenário Urbano. Coimbra: Universidade
de Coimbra, 2008.
GASCO, António Coelho – Conquista, antiguidade e nobreza da mui insigne ínclita cidade
de Coimbra. Lisboa, 1805
MANTAS, Vasco Gil – Notas sobre a estrutura urbana de Aeminium, Biblos, 1992.
MARTINS, Alfredo Fernandes – Esta Coimbra… Alguns apontamentos para uma palestra.
Coimbra, 1951ª.
MASCARANHAS, D. Jerónimo de – História da cidade de Coimbra, Arquivo Coimbrão,
1956.
Webgrafia
http://mnmachadodecastro.imc-ip.pt/pt-PT/minisitios/ContentDetail.aspx?id=632
Consultado em 26 de Maio de 2010
António José Rocha Silva
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