I Seminário de História: Caminhos da Historiografia Brasileira Contemporânea
Universidade Federal de Ouro Preto
http://www.ichs.ufop.br/seminariodehistoria
José Wasth Rodrigues e uma história da cultura material
Angela Brandão
[email protected]
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
Resumo:
Os procedimentos de identificação, classificação e catalogação de acervos históricos
são, muitas vezes, entendidos como um esforço de arquivismo ou de museologia, menos
adequados à tarefa interpretativa e reflexiva do historiador. Houve, no entanto, um curioso
exemplo de estudo histórico realizado por um membro do Serviço de Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional nos anos 1950: José Wasth Rodrigues (São Paulo, 1891 – Rio de
Janeiro, 1957). Escreveu, em 1952, uma história do mobiliário brasileiro. O texto faria parte
de uma completa coleção de história das artes plásticas no Brasil, nunca concluída. Pintor,
desenhista e historiador, Wasth Rodriges dedicou-se, também, ao estudo minucioso e ao
registro da arquitetura, Documentário Arquitetônico: relativo à antiga construção civil no
Brasil, de 1950, assim como dos trajes civis e militares e da heráldica. Seus estudos
constituiram-se de uma dissecação dos edifícios e objetos do passado em detalhes formais.
Poderíamos ler os escritos de Wasth Rodrigues apenas como um exercício de classificação
de um desenhista-historiador ou como um importante esforço de levantamento do
patrimônio histórico brasileiro e um convite a uma história de nossa cultura material?
Palavras-chave: José Wasth Rodrigues, história, patrimônio, mobiliário.
Resumé:
L’identification, la classification et la catalogación des ensembles historiques ne sont
pas compris, en general, comme propre aux travaux d’interpretation et reflection des
historiens. Il y a, cependant, un curieux exemple d’étude realisé par un membre du Serviço
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, au Brésil. Cet historien a écrit en 1952 une
histoire du mobilier brésilien, qui devrait faire partie d’une collection complète d’histoire
de l’art en Brésil, jamais conclue. Peintre, dessinateur et historien, Wasth Rodrigues a
réalisé un étude détaillé de l’architecture historique, toujours au Brésil. Il a publié, par
exemple, le Documentário Arquitetônico: relativo à atinga construção civil no Brasil, en
1950 et des textes a propos des vêtements et de l’héraldique. Ses études sont formés d’un
dissection des bâtiments y des objets du passé en details formels. Est-ce-qu’on peut lire les
écrits de Wasth Rodrigues comme un exercice d’un “dessinatuer-historien” ou comme un
important effort de reconnaissance du patrimoine historique brésilien et une suggestion
pour une histoire de notre culture materiale?
Mots-clef: José Wasth Rodrigues, histoire, patrimoine, mobilier
1
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Os procedimentos de identificação, classificação e catalogação de acervos históricos
são, muitas vezes, entendidos como um esforço de arquivismo ou de museologia, menos
adequados à tarefa interpretativa e reflexiva do historiador. Houve, no entanto, um curioso
exemplo de estudo histórico realizado, nos anos 1950, por parte de José Wasth Rodrigues
(São Paulo, 1891 – Rio de Janeiro, 1957), em que o levantamento visual e o
reconhecimento dos objetos do passado foi fundamental.
Nascido em São Paulo, em 1891, José Wasth Rodrigues era pintor e desenhista.
Como desenhista, ilustrou alguns importantes livros, especialmente edições de Monteiro
Lobato, com traços de tendências realistas. Estudara pintura em Paris, com Jean Paul
Laurens, um célebre pintor de história em seu tempo, professor da Academia e da Escola de
Belas Artes de Paris, com realizações de importantes encargos de decorações murais, como
a pintura do teto do teatro Odéon de Paris1. José Wasth Rodrigues, como historiador, foi
membro da Secretaria de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e dedicou-se ao estudo
e registro de paisagens históricas brasileiras, que aparecem tanto em suas ilustrações
“científicas” quanto em suas obras de pintura. Um exemplo é seu quadro Paisagem de
Minas, de 1932, conservado na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foi um dos primeiros
a estudar, sistematicamente, a história da indumentária, com publicações sobre trajes civis e
militares: Fardas do Reino Unido e do Império, Trajes civis e militares do Brasil durante o
domínio holandês e Tropas paulistas de outrora2.
Porém, talvez tenha sido sua obra mais importante o Documentário Arquitetônico:
relativo à antiga construção civil no Brasil, publicada em 1950, em quatro volumes. Feito a
partir de anotações de viagens e de fotografias reunidas desde sua primeira estadia nas
cidades históricas de Minas Gerais, em 1918, o livro registrava minuciosamente os
elementos do passado: chafarizes, grades, luminárias, bandeiras de janelas, sacadas,
cornijas, até os espelhos das fechaduras, os sistemas dos trincos e o funcionamento das
fechaduras de portas. Seus desenhos são tomados por uma obsessão em dissecar os detalhes
do passado, minuciosamente, com suas medidas e escalas, como numa lição de anatomia. O
1
2
CUZIN, J.P.; LACLOTTE, M. Dictionnaire de la Peinture. Paris: Larousse, 1996. p . 1206
PONTUAL, Roberto. Dicionário de Artes Plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
2
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esforço detalhista e documental de Wasth Rodrigues parece querer não apenas conservar o
passado, mas refazê-lo através do desenho3.
Esse livro consistia, portanto, num inventário minucioso da arquitetura colonial na
região de Minas Gerais, sobretudo em torno das cidades de Ouro Preto e Mariana. Wasth
Rodrigues, depois de viajar detidamente por aquelas cidades, reconstituiu em desenhos o
aspecto original dos edifícios e de certos aspectos urbanísticos, comparando-os com seu
aspecto então atual. Dedicou-se a registrar os detalhes, como fechaduras de portas e
ferragens de janelas, num esforço comparável ao de um colecionador de borboletas. O
passado, em sua materialidade, era dissecado cientificamente por Wasth Rodrigues4.
A observação de Wasth Rodrigues seria, portanto, a de um estudioso da arquitetura
colonial, com o mesmo detalhismo com que se dedicou ao estudo das fardas do Reino
Unido e do Império, dos uniformes do exército à heráldica, com o mesmo detalhismo com
que se dedicará ao estudo do mobiliário.
Foi, no entanto, entre o final dos anos 1940 e o início da década de 1950 que surgiu o
projeto de publicação de uma obra completa dedicada à história da arte brasileira. A
coleção seria composta de vários volumes com o apoio de duas instituições financeiras.
Dirigido por Rodrigo Melo Franco de Andrade, o projeto não foi nunca finalizado, tendo
sido publicado apenas o primeiro volume. Nesta obra, um dos capítulos era dedicado ao
mobiliário brasileiro. Seu autor era, justamente, José Washt Rodrigues. Sobre este capítulo
nos deteremos com maior atenção.
Na introdução geral da coleção, onde se inseriu o capítulo sobre mobiliário de Wasth
Rodrigues, Rodrigo Melo Franco de Andrade indicava que enquanto alguns aspectos do
patrimônio artístico nacional eram alvo de estudos sucessivos, outros continuavam
“descurados e desconhecidos por completo, à espera da atenção dos investigadores”5.
Assim, também, considerava fundamental o inventário das obras produzidas no Brasil , pois
a partir deste “domínio das obras” seria possível investigá-las. Era talvez, entre outras
3
RODRIGUES, José Wasth. Documentário Arquitetônico: Relativo à antiga construção civil no Brasil. São
Paulo: Martins, 1950.
4
Ibid. Idem
5
ANDRADE, R.M.F. in RODRIGUES, José Wasth. Mobiliário: as artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro:
Ediouro, s/d. p.12.
3
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obras, o mobiliário brasileiro um dos aspectos do patrimônio ainda merecedor de esforço de
levantamento.
Da mesma forma, em sua introdução, José Wasth Rodrigues, insistia sobre o
problema da falta de estudos acerca do mobiliário brasileiro: “É necessário estudar-se o
tema - mobiliário luso-brasileiro - buscando suas raízes ou origens e suas razões históricas,
em método científico (...)”. E, mais adiante: “A falta de melhor divulgação e de estudos
metódicos sobre nosso mobiliário tem, como resultado, o completo alheamento e
desconhecimento de seus característicos por parte de autores estrangeiros (...)”6.
A história do mobiliário brasileiro de Wasth Rodrigues dividia-se em três partes
desiguais. A primeira tratava das peças anteriores ao século XVIII, agrupadas de modo
tipológico (armários, mesas, etc.). A segunda e mais importante parte, à qual o autor
dedicou seus maiores esforços, abordava o móvel brasileiro do século XVIII, dividido entre
os estilos D. João V, D. José I e D. Maria I. A última pequena parte tratava do móvel do
século XIX, sob os estilos Império e Restauração. Quanto a esta última abordagem, ficava,
pela primeira vez e definitivamente, esclarecida a diferença entre os estilos D. Maria I e D.
João VI, antes apresentados como um mesmo estilo por Almeida Santos7.
A apresentação do móvel brasileiro, na obra de Rodrigues, estabelecia, também por
primeira vez, a combinação entre dois critérios de abordagem. Este recurso metodológico
solucionava, aparentemente, o complexo emaranhado do estudo das formas. Combinava um
sistema de estudo cronológico (séculos XVI-XVII, século XVIII e século XIX) a um
tratamento estilístico (filiando-se à convenção de denominar os estilos com uso dos nomes
dos monarcas portugueses). E, mais importante, acrescentava ao estudo cronológicoestilístico uma divisão tipológica da mobília (mesas, cadeiras, etc.). Esse critério parece ter
sido adotado em vários estudos que se seguiram no século XX sobre o mobiliário brasileiro,
tanto em produções historiográficas quanto em catalogações de museus.
O aprofundamento no mundo das formas pelo olhar cuidadoso de Wasth Rodrigues
levou-o a considerar que a mobília resultava de uma complexa combinação de formas, as
quais apenas a cronologia e o estilo seriam insuficientes para elucidar. Cruzava, assim,
informações por categorias de tempo, de denominações de estilos por nomes de monarcas
6
Ibid. p.26
4
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às influências inglesas, francesas, estilísticas propriamente, como barroco e rococó e a
tipologia da mobília8.
Longe de adotar uma solução simplista, o autor propunha a difícil tarefa de
reconhecimento dos objetos do passado, traçando uma rede complexa de influências e de
permanências. Assim, em sua origem portuguesa, a mobília brasileira resultava da
combinação de diversas matrizes culturais, orientais, medio-orientais e européias9.
Reconhecia, como problema para uma precisa delimitação cronológica dos móveis, a
permanência e a sobreposição de características, traindo de modo coerente, a noção rígida
de estilo10. Num determinado ponto de seu estudo, admitia a questão: “Esta peça, como
algumas outras, pelo seu estilo definido, passa para o século XVIII, conservando a mesma
composição e ornamentação, o que dificulta clareza de época, e do que resultam equívocos
(...)11”.
Por outro lado, uma das principais preocupações de José Wasth Rodrigues era,
justamente, uma apreciação detalhada e a definitiva diferenciação entre os dois principais
estilos do século XVIII no mobiliário luso-brasileiro, D. João V e D. José I. Em suas
palavras: “(...) não existe diferenciação bastante nos móveis produzidos no reinado de D.
João V, em relação aos produzidos no de D. José I, que permita classificá-los
distintamente? Sim. E essa diferenciação é tão grande que não se justifica mais o uso de
expressões vagas e acomodatícias para distingui-la”12. Estabelecia regras formais para
identificá-los, compreendendo, no entanto, a transição e as sobreposições entre um período
e outro.
Uma de suas intenções era, certamente, dar ênfase e valorizar os móveis produzidos
sob o período de D. José I, associados de modo geral ao rococó: “(...) peculiaridade dos
móveis deste feliz momento é a perfeição técnica com que são realizados seus movimentos
7
SANTOS, José de Almeida. Mobiliário Artístico Brasileiro. São Paulo: 1944.
RODRIGUES, José Wasth. Mobiliário: as artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d. p. 106
9
Ibid. p.23
10
Ibid. p.97
11
Ibid. p.40
12
Ibid. p.24
8
5
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e baixo-relevos; perfeição que nos produz uma satisfação indefinível, levando-nos pelo tato
a sentir seu mórbido encanto” 13.
Ao observar o estilo no mobiliário D. José I e suas características formais, Wasth
Rodrigues estabelecia, porém, uma ampliação importante na compreensão histórica da
correlação entre artes aplicadas, os efeitos decorativos na mobília, e a escultura e os
trabalhos em talha na decoração interna da arquitetura religiosa. Para ele, Antônio
Francisco Lisboa, o Aleijadinho “não só sentiu e interpretou o estilo D. José I, como criou em suas portadas, lavabos e púlpitos - obras singulares, nas quais exalta e domina o estilo
com a segurança de mestre insuperado”14. Era talvez inédita essa compreensão do
mobiliário como parte da criação artística de um período da história da arte brasileira.
Assim, muitos de seus estudos dos ornatos presentes na talha dos móveis, apareciam
acompanhados de exemplos de detalhes das obras de Aleijadinho, propondo
definitivamente a relação entre mobiliário e escultura em madeira e pedra15.
O grande esforço de José Wasth Rodrigues, em sua história do mobiliário brasileiro
era estabelecer critérios formais para compreensão visual e identificação dos estilos
apresentados. Para tanto, seu texto detém-se com rigor em detalhadas descrições formais
das peças de trastaria, entre tantos exemplos: “a (...) forma retangular mantida em Portugal
nos mais variados modelos deste gênero de móvel, sendo mais comum o armário dividido
ao centro formando duas partes iguais, com portas de duas folhas, tendo algumas vezes
gavetas na linha central16.” Quando não bastassem as palavras, ali estava o desenho e o
desmembramento das partes para não restar dúvidas no reconhecimento da peça. Wasth
Rodrigues propunha-nos, assim , um guia para o olhar.
O estudo dos ornatos, como vimos, parecia, portanto, fundamental. Era nos detalhes
da mobília que se podia encontrar sua situação histórica. Nas pranchas, cuidadosamente
desenhadas pelo autor, acumulavam-se detalhes formais e fragmentos de entalhes
17
. Da
mesma maneira, preocupava-se em esclarecer problemas construtivos, madeiras utilizadas,
sistemas de encaixes e montagem, uso de materiais como colas, etc.
13
Ibid. p.79.
Ibid. p.76
15
Ibid. p.81
16
Ibid. p.29
17
Ibid. pp. 58-59
14
6
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Embora a tônica do estudo de Wasth Rodrigues fosse, sem dúvida, a forma, não
confundindo, de maneira alguma, seu modo de compreender a mobília como a opção
sociológica de Gilberto Freyre, em alguns pontos de seu livro, abre-se uma rápida
contextualização histórica para situar um momento da história do mobiliário. Apresenta,
por exemplo, de modo muito acertado, o contexto cultural do reinado de D. João V e o
gosto da corte pelo barroco italiano, os trabalhos de Mafra, para em seguida apresentar a
mobília18.
Como não poderia deixar de ser, o livro “Mobiliário” de José Wasth Rodrigues partia
da observação direta das obras. Assim como em seu “Documentário Arquitetônico” de
1950, o “Mobiliário” resultava da consulta de acervos, no entanto, estes especialmente
situados em São Paulo e Rio de Janeiro, entre coleções particulares e museus. Assim, a
fonte principal da pesquisa histórica de Wasth Rodrigues era os móveis propriamente,
sendo raras as ampliações das fontes para outras espécies de documentação.
Num dos poucos exemplos de apresentação da possibilidade de se estudar
historicamente a mobília a partir de outros documentos, que não apenas os móveis em si
mesmos, aparece na sugestão de documentos visuais, onde se apresentam descrições de
mobília. Tratava-se, especificamente, das imagens de ex-votos presentes na sala dos
milagres da Basílica de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas
Gerais, “(...) onde se vêem camas torneadas e de galeria de uso popular”19.
Ainda que todo o esforço do trabalho de Wasth Rodrigues se concentrasse nos
móveis de caráter mais refinado, de luxo, poderíamos dizer, ele apresentou uma curiosa e
importante valorização da mobília brasileira de caráter popular. Justamente sobre as camas
no Brasil, afirmou: “Ocorre no século XVIII uma grande variedade de camas e catres de
galeria, rústicas, de origem popular, cuja existência se constata em Portugal e no Brasil (...).
Distinguem-se pelo entalhe grosseiro e pelo desenho ingênuo (...) São sempre interessantes
pelo imprevisto das soluções e pelas originalidades que apresentam”20. Deixava, assim, em
aberto o caminho para o estudo da história do mobiliário brasileiro para além dos jõoes e
dos josés.
18
Ibid.p.57
Ibid. p.86
20
Ibid. pp.69-70
19
7
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A contribuição metodológica para o estudo histórico do mobiliário brasileiro de José
Wasth Rodrigues foi, sob diferentes aspectos, fundamental. Despia-se dos preconceitos
modernos com relação ao século XIX e ao ecletismo. Precisamente por seu esforço
científico em descrever e reconhecer, datar e agrupar com diferentes métodos o conjunto do
acervo que pretendia analisar, foi capaz de traçar objetivamente a organização do estudo
histórico do mobiliário, sem obscurecer, no entanto, a complexidade de combinações de
estilos e suas procedências, as limitações mesmo das classificações dos objetos artísticos.
A descrição, identificação, datação e catalogação dos acervos históricos brasileiros
foram entendidas, muitas vezes, como esforços mais próprios para arquivistas e
museólogos e menos como um esforço próprio do historiador. Abordagens mais formalistas
seriam, portanto, “menores” se comparados às ampliações de caráter contextual e
sociológico. Mas era, talvez, a partir da tarefa de autores como José Wasth Rodrigues, que
se construía aquele “domínio das obras” que Rodrigo Melo Franco de Andrade reclamava
na introdução da coleção inconclusa de história geral da arte brasileira. Poderíamos ler os
escritos de Wasth Rodrigues apenas como um exercício de classificação de um desenhistahistoriador ou como um importante esforço de levantamento do patrimônio histórico
brasileiro e, portanto, como o convite para uma história de nossa cultura material?
8
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Referências:
CUZIN, Jean-Pierre; LACLOTTE, Michel. Dictionnaire de la Peinture. Paris: Larousse, 1996.
PONTUAL, Roberto. Dicionário de Artes Plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
RODRIGUES, José Wasth. Documentário Arquitetônico: Relativo à antiga construção civil no Brasil. São
Paulo: Martins, 1950.
RODRIGUES, José Wasth. Mobiliário: as artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.
SANTOS, José de Almeida. Mobiliário Artístico Brasileiro. São Paulo: 1944.
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