1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUTOS NATURAIS E SINTÉTICOS BIOATIVOS MARINE RAQUEL DINZ DA ROSA Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional JOÃO PESSOA-PB 2011 2 MARINE RAQUEL DINIZ DA ROSA Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, como parte dos requisitos para obtenção do título de DOUTOR EM PRODUTOS NATURAIS E SINTÉTICOS BIOATIVOS. Área de concentração: FARMACOLOGIA Orientadora: Profa. Dra. Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz. JOÃO PESSOA-PB 2011 3 R788i Rosa, Marine Raquel Diniz da. Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional / Marine Raquel Diniz da Rosa.-- João Pessoa, 2011. 103f. : il. Orientadora: Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz Tese (Doutorado) – UFPB/CCS 1. Produtos Naturais. 2. Citrus aurantium L. 3. Óleo essencial. 4. Ansiedade – trabalhadores - ruído ocupacional. UFPB/BC 547.9(043) CDU: 4 FOLHA DE APROVAÇÃO Marine Raquel Diniz da Rosa Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional Aprovada em: ____/____/_____ BANCA EXAMINADORA _____________________________________________ Profa. Dra. Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz Universidade Federal da Paraíba-Orientadora _______________________________________________ Prof. Dra. Ana Tereza Medeiros Cavalcanti da Silva Universidade Federal da Paraíba-Examinadora externa ________________________________________________ Prof. Dr. Natanel Antônio dos Santos Universidade Federal da Paraíba- Examinador externo _____________________________________________ Prof. Dra. Bagnólia Araújo da Silva Universidade Federal da Paraíba- Examinadora interna ______________________________________________ Prof. Dr. José Pinto Siqueira Junior Universidade Federal da Paraíba-Examinador interno _____________________________________________ Prof. Dr. Fábio Correa Sampaio Universidade Federal da Paraíba-Examinador externo _______________________________________________ Profa. Dra. Edeltrudes de Oliveira Lima Universidade Federal da Paraíba-Examinadora interna (Suplente) 5 Dedico este trabalho a Deus por me manter perseverante para trilhar meu caminho e ter segurado na minha mão, em todos os momentos; a Nossa Senhora por interceder ao Pai por mim, sempre abençoando e iluminando meus passos. 6 AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Geraldo e Marize, pelo exemplo de conduta, dignidade, fortaleza e confiança depositada. Todo meu amor e admiração. Ao meu esposo, Marçal, pela compreensão, dedicação, ajuda e paciência. Por estar comigo em todos os momentos e depositar em mim toda confiança. Todo meu imenso amor. A minha irmã, Danielle, pelo incentivo e apoio, mesmo distante. Todo meu amor e carinho. À profa Dra. Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz pela competência, experiência e dedicação à pesquisa, por demonstrar confiança em mim, e ao mesmo tempo pelo estímulo constante indispensável à realização deste trabalho, meu respeito e gratidão. Aos Profs. membros da Banca examinadora pelas valiosas contribuições para minha pesquisa. À coordenação do Programa de Pós Graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos pela oportunidade e acolhida durante minha permanência no curso. A todos os docentes do Programa de Pós Graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos pelos ensinamentos e auxilio na construção do conhecimento. Em especial ao Prof. Dr. Reinaldo Nóbrega de Almeida pelos conselhos, ensinamentos e atenção; à Profa. Dra. Liana Clébia pelo incentivo e atenção e à Profa. Dra. Bagnólia Araújo da Silva pela acolhida e incentivo. Aos meus colegas do doutorado por todos os momentos compartilhados. A todos os funcionários do Programa de Pós Graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos pela atenção, apoio e presteza. Ao Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba pelo apoio e compreensão. À amiga Anna Alice Figueiredo de Almeida pela paciência, auxílio, incentivo e valiosa colaboração para minha pesquisa. Às alunas do Programa Institucional de Voluntários de Iniciação CientíficaPIVIC Caroline Gonçalves Silva e Maria Aline Ribeiro Lima pela ajuda na coletada dos dados. À Fonoaudióloga Valéria Gonçalves, funcionários e trabalhadores da empresa em que realizei a pesquisa. Ao colega Wagner Teobaldo pela revisão e formatação do meu trabalho. 7 Ao colega Jaims Ribeiro pela contribuição teórica e na avaliação das mensurações psicológicas. Ao pesquisador Fábio Santos de Sousa e ao analista de controle de qualidades Valmir Gomes de Souza do Laboratório de Controle de Qualidade de Produtos Farmacêuticos-LCQPF do Departamento de Ciências Farmacêuticas do Centro de Ciências da Saúde da UFPB pela análise cromatográfica do óleo essencial utilizado na pesquisa. A todas as pessoas, que direta ou indiretamente contribuíram para a finalização deste sonho, principalmente, aos participantes desta pesquisa pela colaboração e participação. 8 "Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. Fazer ou não fazer algo, só depende de nossa vontade e perseverança" (Albert Einstein) 9 ROSA, M.R.D. Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. 2011. 103p. Tese. Programa de Pósgraduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos. Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa. Paraíba. RESUMO O ruído é um agente físico que pode causar efeitos auditivos e extra-auditivos. Tratando-se dos efeitos extra-auditivos, a ansiedade é um sintoma ainda pouco estudado relacionando-se com o ruído, mas é uma desordem psiquiátrica comum na população exposta ao ruído ocupacional. Para tratar ou minimizar os transtornos de ansiedade existem disponíveis medicamentos ansiolíticos, tais como, benzodiazepínicos, antidepressivos, dentre outros. Entretanto, estes provocam efeitos colaterais (sonolência, tontura, diminuição da atenção e concentração), fato que, muitas vezes, impede o uso do medicamento. Atualmente, pesquisas utilizando óleos essenciais buscam o tratamento da ansiedade, reduzindo a possibilidade de ocorrência de efeitos colaterais. O óleo essencial de CiaL. demonstrou ação no Sistema Nervoso Central, reduzindo os efeitos comportamentais em animais (permanência em campo aberto, entrada e saída no labirinto em cruz-braços aberto e tempo de permanência no mesmo) e vem sendo utilizada por profissionais da saúde para restabelecer o bem-estar emocional, reduzir depressão, ansiedade e estresse. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do óleo essencial de CiaL. na ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. Tratou-se de um ensaio clínico, cuja amostra do estudo foi composta por 48 trabalhadores expostos a ruído ocupacional de uma indústria de papel da Paraíba com idade entre 20 e 51 anos, sendo todos do sexo masculino. Os trabalhadores, que atenderam aos critérios de inclusão da pesquisa, foram divididos em quatro grupos de forma não-aleatória, pareados de acordo com a idade e de acordo com liberação do setor de produção: grupo alta ansiedade experimental (n=8); grupo ata ansiedade controle (n=8); grupo baixa ansiedade experimental (n=16) e grupo baixa ansiedade controle (n=16). Os trabalhadores do grupo experimental foram expostos à inalação do CiaL. (10 mL), durante 25 minutos, individualmente em uma sala e os parâmetros psicológicos (Inventário de Ansiedade Traço e Estado- estado) e fisiológicos (pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura de extremidade e condutância elétrica da pele) foram avaliados antes e imediatamente após a exposição. Os indivíduos dos grupos controle participaram do mesmo ensaio clínico, mas sem inalação do óleo essencial. Os resultados foram analisados por meio de teste paramétricos ANOVA e correlação de Pearson. Observou-se correlação positiva entre Inventário de Ansiedade Traço e Estado -traço e Self report questionnaire-20, com escores mais elevados nos grupos alta ansiedade. Com a aplicação do IDATE-estado, antes e depois da inalação do Citrus aurantium L., demonstrouse redução dos escores para os grupos baixa e alta ansiedade experimental. Na mensuração dos parâmetros fisiológicos, observou-se redução da pressão arterial, frequência cardíaca e condutância elétrica apenas para o grupo baixa ansiedade. Portanto, os resultados encontrados evidenciam o efeito ansiolítico do CiaL. ,imediatamente após intervenção aguda, nos grupos de baixa ansiedade/alta ansiedade conforme parâmetros psicológicos e apenas no grupo de baixa ansiedade, considerando os parâmetros fisiológicos. Palavras-chave: ansiedade, ruído, óleo essencial, Citrus aurantium L. 10 ROSA, M.R.D. The interference of the Citrus aurantium L. essential oil in the anxiety of workers exposed to occupational noise 2011. 103p. Thesis. Health Sciences Center, Federal University of Paraíba, João Pessoa. Paraíba ABSTRACT Noise is a physical agent which can cause both auditory and extra-auditory effects. Regarding the extra-auditory effects related to noise, anxiety is a symptom still little studied, but it is a common psychiatric disorder in the population exposed to occupational noise. It could be defined as an emotional response characterized by physiologic, psychological and behavioral reaction to situations of threat or undetermined danger. In order to treat or minimize the anxiety disorders, there are available anxiolytics drugs such as benzodiazepines, selective serotonin reuptake inhibitors, monoamine oxidase inhibitors and tricyclic antidepressants, among others. However, they cause side effects, which often preclude the use of the drug. Presently, there have been developed researches which employ essential oils to treat anxiety, reducing the possibility of side effects. The Citrus aurantium L. essential oil has not only demonstrated action on the central nervous system by reducing the behavioral effects in animals, but also it has been used by health professionals to restore emotional well-being, reduce depression, anxiety and stress. The aim of this study was to evaluate the effect of the Citrus aurantium L essential oil on the anxiety of workers exposed to occupational noise. It was a clinical trial (phase II) and model of experimental study. The study sample consisted of 48 workers of a paper industry in Paraíba, Brazil, exposed to occupational noise, aged between 20 and 51 years, all male. The workers, who met the inclusion criteria for the study, were divided into four groups, matched according to their ages: experimental high anxiety group (n = 8), high-anxiety control group (n = 8), experimental low anxiety group (n = 16) and low-anxiety control group (n = 16). Workers in the experimental group were exposed to inhalation of Citrus aurantium L. (10 mL) for 25 minutes alone in a room with a stretcher. The psychological parameters (STAI-state) as well as the physiological parameters (blood pressure, heart rate, extremities temperature and electrical conductance of the skin) were evaluated before and immediately after the exposure, in another room. The individuals of the control groups have participated of the same trial, but without inhalation of the essential oil. The results were analyzed by means of parametric ANOVA tests and Pearson’s correlation. There was a positive correlation between STAI-trait and SRQ-20, with the high anxiety groups presenting higher scores. Through the application of the STAI-state, before and after inhalation of Citrus aurantium L., it was demonstrated a reduction of the scores of those with low and high experimental anxiety. Concerning the measure of physiological parameters, it was observed a reduction of the blood pressure, heart rate and skin electrical conductance only in the low anxiety group. Therefore, the results are evidence of the Citrus aurantium L anxiolytic effect immediately after an acute intervention in the groups of low anxiety and high anxiety, regarding psychological parameters; but, considering the physiological parameters, only in the low anxiety group. Keywords: anxiety, noise, essential oil, Citrus aurantium L. 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AA – Alta Ansiedade ATC – Antidepressivo Tricíclico BA – Baixa Ansiedade BAS - Brief Anxiety Scale bpm – Batimentos por minuto BPRS – Brief psychiatric rating scale BZD – Benzodiazepínico CAS - Clinical Anxiety Scale CiaL- Citrus aurantium L. CiaL-OE- óleo essecial de Citrus aurantium L. CNS – Conselho Nacional de Saúde dB – decibel DPM - distúrbios psiquiátricos menores DSM-IV – Quarta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais FC – Frequência cardíaca GABA – Ácido gama-aminobutírico GC- Grupo controle GE- Grupo experimental HADS - Hospital Anxiety and Depression Scale HADS – Hospital anxiety and depression scale HAMA – Hamilton anxiety scale HAMD – Hamilton depression scale HPA - hipotálamo-hipófise-adrenal IDATE - Inventário de Ansiedade Traço-estado IDATE-E - IDATE-Estado IDATE-T - IDATE-Traço IMAO - inibidores da monoaminaoxidade ISRS - inibidores seletivos de recaptação de seratonina LCE - labirinto em cruz elevado mmhg – milímetros de mercúrio NIOSH - National Institute for Occupational Safety and Health NPS – Nível de Pressão Sonora ºC – Grau Celsius OE – Óleo essencial OMS – Organização Mundial de Saúde PA – Pressão Arterial PAD – Pressão arterial diastólica PAIR – Perda Auditiva induzida por ruído PAS – Pressão arterial sistólica POMS- Profile of Mood States SCL- Symptom Checklist SCWT – Stroop color-word teste SNC – Sistema nervoso central SRQ – Self report questionnaire TAG – Transtorno de ansiedade generalizada TAS – Transtorno de Ansiedade Social TP – Transtorno de pânico TSFP- Teste de Simulação de Falar em Público 12 VRSCWT - Video Recorded Stroop Color-Word Test μMHO - micromoh μV – microvoltz 13 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Cromatograma do CiaL apontando o pico do limoneno com tempo de retenção em 4,5min...........................................................................................54 Figura 2. Média e erro padrão dos escores do IDATE-estado dos grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois da exposição ao CiaL.............................................................................................66 Figura 3. Média e erro padrão das medidas de frequência cardíaca entre grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois da inalação do CiaL...............................................................................68 Figura 4. Média e erro padrão das medidas da Temperatura de extremidade entre grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois inalação do CiaL.......................................................................69 Figura 5. Média e erro padrão das medidas da condutância da pele entre grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois da inalação do CiaL...............................................................................70 14 LISTA DE TABELAS E QUADRO QUADRO 1: Limite de exposição ao ruído em dB (A) x horas.........................43 TABELA 1. Média e erro padrão (EP) da idade e tempo de trabalho dos sujeitos da pesquisa..........................................................................................62 TABELA 2. Caracterização da amostra, de acordo com os grupos, conforme momento de maior ansiedade e turno de início do trabalho na empresa.........63 TABELA 3. Dados referentes à média e erro padrão (EP) do IDATE-traço e questionário SRQ-20 dos grupos experimental e controle...............................64 TABELA 4. Correlação entre IDATE-traço com questionário SRQ-20, idade, momento de maior ansiedade, turno e tempo de trabalho...............................64 TABELA 5. Correlação entre IDATE-traço com as variáveis do questionário SRQ-20 entre os grupos experimental e controle.............................................65 TABELA 6. Dados referentes às médias e erro padrão (EP) do IDATE-estado de acordo com o grupo e momento..................................................................66 TABELA 7. Dados referentes às médias, erro padrão (EP) e p valor do parâmetro fisiológico pressão arterial (sistólica e diastólica) antes e após inalação do CiaL. nos grupos experimental e controle (alta e baixa ansiedade)........................................................................................................67 15 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...............................................................................................16 2 JUSTIFICATIVA.............................................................................................19 3 REVISÃO DA LITERATURA.........................................................................22 3.1 Considerações sobre a ansiedade..............................................................22 3.1.1 Conceito e classificação da ansiedade....................................................22 3.1.2 Bases neuroanatômicas da ansiedade....................................................25 3.1.3 Mensuração da ansiedade.......................................................................27 3.1.4 Tratamentos farmacológicos da ansiedade.............................................30 3.2 Aromaterapia e óleos essensiais................................................................32 3.2.1 Óleos essenciais e ansiedade..................................................................36 3.2.2 Citrus aurantium L. e ansiedade..............................................................38 3.3 Ruído e os efeitos da exposição ao ruído ocupacional...............................41 4 OBJETIVOS...................................................................................................48 4.1 Geral............................................................................................................48 4.2 Específicos..................................................................................................48 5 MATERIAIS E MÉTODOS.............................................................................50 5.1 Material........................................................................................................50 5.1.1Sujeitos da pesquisa.................................................................................50 5.1.2 Droga vegetal...........................................................................................52 5.1.2.1 Parâmetros cromatográficos do CiaL....................................................52 5.1.3 Equipamentos..........................................................................................53 5.1.4 Local de realização do ensaio clínico.......................................................53 5.2 Método........................................................................................................54 5.2.1 Parâmetros de mensuração psicológica.................................................54 5.2.2 Parâmetros de mensuração fisiológica....................................................55 5.3 Ensaio clínico..............................................................................................56 5.3.1 Estabelecimento do tempo de inalação do CiaL......................................56 16 5.3.2 Etapas do ensaio clínico..........................................................................56 5.4 Questões éticas...........................................................................................58 5.5 Análise estatística.......................................................................................58 6 RESULTADOS...............................................................................................61 6.1 Parâmetros de mensuração psicológica.....................................................62 6.2 Parâmetros de mensuração fisiológica.......................................................66 7 DISCUSSÃO..................................................................................................71 8 CONCLUSÃO................................................................................................78 REFERÊNCIAS.................................................................................................80 ANEXOS............................................................................................................93 APÊNDICE........................................................................................................98 17 INTRODUÇÃO 18 1 INTRODUÇÃO O ruído, termo usado para descrever um som indesejável, é o agente físico nocivo mais comum encontrado no ambiente de trabalho (SELIGMAN, 2001; MIRANDA, 1998) e pode afetar o ser humano nos planos físicos, psicológico e social. Devido a alta prevalência de exposição a intensidades prejudiciais à audição, constitui-se em um importante agravo à saúde dos trabalhadores em todo o mundo (DIAS et al., 2006). Segundo a Organização Mundial da Saúde (2001), aproximadamente 15% dos trabalhadores de países desenvolvidos estão expostos ao ruído. A exposição ocupacional ao ruído intenso está associada a várias manifestações sistêmicas, tais como elevação do nível geral de vigilância, aceleração da frequência cardíaca e respiratória, elevação da pressão arterial e da função intestinal, dilatação das pupilas, aumento do tônus muscular, aumento da produção de hormônios tireoidianos e estresse (COSTA; KITAMURA, 1995). Dentre as queixas, relacionadas à audição, destacam-se como sintomas auditivos: hipoacusia, zumbido, plenitude auricular e otalgia; e como sintomas extra-auditivos, encontra-se com mais frequência queixas de nervosismo, ansiedade, cefaléia, problemas no estômago e dificuldade para dormir (CALDART et al., 2006; FERNANDES; MORATA, 2002). Há uma possível associação causal entre exposição ocupacional a ruído e acidentes do trabalho (CORDEIRO et al., 2005). Além disso, alterações neuropsíquicas, como ansiedade, insegurança e desconfiança, também podem ser associadas à exposição ao ruído (SANTOS; MORATA, 1999). O ruído pode prejudicar a saúde e encontra-se presente também em ambiente hospitalar e em empresas, sendo chamado de ruído ocupacional (TOPF; THOMPSOM, 2001; ALMONDES; ARAÚJO, 2009). A maioria dos trabalhadores expostos ao ruído exerce atividade laboral em sistema de turnos alternados, horários não convencionais, como durante a madrugada, ou não possuem turnos fixos. Isto, por si só, pode alterar o organismo do trabalhador, como, por exemplo, o ciclo circadiano, importantíssimo para regulação das funções fisiológicas e psicológicas, causando então ansiedade, estresse e problemas sociais (ALMONDES; ARAÚJO, 2009). 19 Diversos medicamentos eficazes encontram-se disponíveis para a terapêutica dos transtornos de ansiedade, tais como benzodiazepínicos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina, inibidores da monoamino oxidase e antidepressivos tricíclicos, dentre outros (POLLACK et al., 2007; BYSTRISKY, 2006). No entanto, alguns demoram a reduzir os sintomas da ansiedade, outros apresentam muitos efeitos colaterais ou causam dependência (HETEM; SCALCO, 2004). O uso de plantas aromáticas, misturas complexas de compostos naturais voláteis e odoríferos, cuja atividade em geral tem sido atribuída aos óleos essenciais (OE), tem sido utilizado no controle da ansiedade apresentando uma diversidade de efeitos farmacológicos como: analgésico, ansiolítico, anticonvulsivante, antidepressivo, anti-inflamatório, antioxidante, antireumático, cicatrizante, expectorante, imunoestimulante, entre outros (ALMEIDA et al., 2003) A relação entre a percepção do odor e a emoção mostra uma correlação neuroanatômica com a amígdala (POLLATOS et al., 2007). No caso particular da atividade no Sistema Nervoso Central (SNC), a predominância dos relatos tem sido para o possível efeito ansiolítico e anticonvulsivante do OE com base em estudos pré-clínicos controlados e avaliação comportamental, utilizando diferentes modelos animais (UMEZU, 1999; UMEZU, 2002). Estudos pré-clínicos sugerem que o óleo essencial extraído do CiaL., que pertence à família Rutaceae, tem ação no SNC reduzindo efeitos comportamentais (ansiedade) em animais (LEITE et al., 2008). Estudos clínicos em pacientes expostos a aroma cítrico, lavanda e gerânio no ambiente, como sala de espera de consultórios, registram significante redução do grau de ansiedade (ITAI et al., 2000; LEHRNER et al., 2000; SETZER, 2009). Há uma escassez de pesquisas envolvendo ruído ocupacional e ansiedade, principalmente, no que diz respeito ao tratamento com OE. Estudos desta natureza podem contribuir para a redução dos efeitos da ansiedade produzida por ruído ocupacional, melhorando assim a qualidade de vida dos trabalhadores. 20 JUSTIFICATIVA 21 2 JUSTIFICATIVA Atualmente, tem aumentado a incidência de transtornos mentais e comportamentais (LOPES; FOERSTEIN; CHOR, 2003). Na verdade, não se sabe ao certo se estes já estavam presentes na população ou apenas receberam nomes “científicos”, tendo em vista a evolução da tecnologia e do diagnóstico na área da Saúde Mental. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, os transtornos mentais e comportamentais mais comuns estão ligados à depressão, a ansiedade e a transtornos de ajustamento (ARAÚJO; MELO; LEITE, 2007). A indústria farmacêutica fornece vários medicamentos na classe de psicofármacos utilizados no tratamento da ansiedade, tais como, os benzodiazepínicos (BZDs) e os antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina- ISRS (SILVA; LEITE, 2000; GROSS; HEN, 2004). Entretanto, as reações adversas e a possibilidade de dependência, aliada à crescente incidência e prevalência dos transtornos de ansiedade, estimulam o desenvolvimento de pesquisas e investigações de produtos naturais com possível atividade ansiolítica e efeitos colaterais mínimos. O uso de fitoterápicos, medicamentos obtidos a partir de plantas medicinais, vem sendo empregado para este fim. Nesse contexto, o óleo essencial Citrus aurantium L. (CiaL.) é um exemplo e tem demonstrado efeito na insônia, no tratamento do nervosismo, ansiedade e histeria, além de suas flores serem utilizadas com fins sedativos (SANGUINETTI, 1989; VASQUEZ et al., 1997; LEHRNER et al., 2000). CiaL. é comercializado com propriedade medicinal antiespasmódica, antiinflamatória, antireumática, digestiva, hipotensora, assim como antidepressiva, relaxante, dentre outras. Pesquisas pré-clínicas (UMEZU, 1999; UMEZU, 2002; LEITE et al., 2008) e clínicas (ITAI et al., 2000; LEHRNER et al., 2000) demonstraram sua eficácia na possibilidade de redução da ansiedade. No entanto, tratando-se de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional, ainda não existem pesquisas utilizando o CiaL. para investigar a redução do sintoma da ansiedade. Dessa forma, considerando que o ruído é um agente físico que pode causar, além de perda auditiva induzida por ruído, a ansiedade (KASPER; GÓMEZ; ZAHER, 2005) e que pesquisas demonstraram a presença desse 22 sintoma em trabalhadores expostos ao ruído (FERNADES; MORATA, 2002; ANDRADE et al., 1998; ALMONDES; ARAÚJO, 2009). É importante a realização de um estudo de Fase II (RESOLUÇÃO 251/97 CNS), visando demonstrar a atividade e estabelecer a segurança em curto prazo do CiaL., na população em questão. Haja vista a possibilidade desse OE. provocar efeitos colaterais mínimos, fato importante que não atrapalharia a execução das máquinas durante o trabalho na indústria. Esta pesquisa teve as seguintes hipóteses: H0 = O CiaL. não altera na ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional e H1= O CiaL. altera na ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. Com isso, pretende-se ampliar os conhecimentos científicos na área em prol da ciência e dos indivíduos acometidos por tal sintoma, para que assim os mesmos exerçam suas atividades laborais de forma adequada, além da melhoria na qualidade de vida. 23 REVISÃO DA LITERATURA 24 3 REVISÃO DA LITERATURA 3.1 Considerações sobre a ansiedade 3.1.1. Conceito e classificação de ansiedade A ansiedade pode ser definida como um sentimento de desconforto ou temor que é acompanhado por uma resposta autonômica, endócrina, motora e respiratória. Sua fonte é frequentemente não específica ou desconhecida para a pessoa, tornando-se um sentimento de apreensão causado pela antecipação de perigo. É um sinal variável que alerta para um perigo iminente e pertinente à pessoa, convocando-a a tomar medidas para lidar com a ameaça (GRAEFF; GUIMARÃES, 2000; KAPLAN; SADOCK; GREEB, 2003). Para alguns autores a ansiedade é uma condição afetiva normal e quando em excesso, pode acarretar distúrbios do humor, bem como de pensamento, de comportamento e da atividade fisiológica (SILVA; LEITE, 2000; ANDREATINI et al., 2002). As alterações psicofisiológicas que compõem a ansiedade são semelhantes às do medo, relacionando-se às reações de sobrevivência e de aspectos evolutivos da reação de luta ou fuga (STAHL, 1996). Para diferenciar a ansiedade normal da patológica é necessário considerar o nível de ansiedade do indivíduo em determinada situação, quanto tempo dura o episódio, com que frequência ocorre e o número de comportamentos disfuncionais que são provocados pela ansiedade (CASTILLO et al., 2000). Outro aspecto importante a ser considerado é a avaliação da própria pessoa que experiencia a ansiedade (RIEF; HERMANUTZ, 1996). Pode ser classificada em dois tipos: ansiedade-estado e ansiedadetraço. O primeiro tipo é relativo a uma sensação de desconforto ou tensão transitória determinada pelas circunstâncias em que o sujeito se encontra. Enquanto o segundo refere-se a uma tendência do sujeito perceber, ao longo da vida, situações ameaçadoras entre si (SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHNENE, 1970). A ansiedade-traço reflete diferenças individuais na tendência à ansiedade (EDELMANN, 1992). 25 Os indivíduos que apresentam alta ansiedade-traço têm predisposição a ver o mundo como perigoso ou ameaçador, além disso, experimentam reações de ansiedade-estado mais frequentemente e com maior intensidade que as pessoas com baixa ansiedade-traço (SPIELBERGER; POLLANS; WORDEN, 1984). As manifestações de ansiedade podem ser divididas em subjetivas ou psíquicas e objetivas. Atualmente, acredita-se que a ansiedade é um estado que se expressa por meio de quatro componentes: manifestações cognitivas, somáticas, comportamentais e emocionais (EDELMANN, 1992). As manifestações cognitivas incluem todos os aspectos de percepção do indivíduo e da avaliação do estímulo, tais como: nervosismo, irritabilidade, malestar indefinido, insegurança, entre outros. As somáticas associam-se à excitabilidade autonômica, acarretando o aumento da frequência cardíaca e respiratória, sudorese; à hiperventilação que gera tontura, dor ou pressão no peito; tensão muscular e tremores. As comportamentais abrangem o comportamento de esquiva do estímulo eliciador de ansiedade, ou outros como: gesticulação aumentada ou diminuída, mudanças na postura, sobressaltos, insônia. As manifestações emocionais são as sensações subjetivas de desconforto e desprazer (EDELMANN, 1992). A ansiedade é capaz de desencadear reações orgânicas que preparam o indivíduo para a manutenção e preservação de seu meio e vida. No entanto, quando presente em níveis elevados, compromete o desempenho da pessoa, fazendo com que este apresente comportamento inadequado para a situação vivenciada, caracterizando um quadro patológico (BERNIK; CORREGIARI, 2002). De acordo com Guimarães (2008), a ansiedade é uma emoção normal e o seu caráter aversivo a torna um fator motivador para o desempenho na vida cotidiana. A emoção quando atua por muito tempo, passa a ser um estado patológico. No caso da ansiedade, quando em excesso pode prejudicar, caracterizando-se como um transtorno de ansiedade. A prevalência de doenças mentais é alta, com relatos de até 30% na população geral, sendo de 18,1% ao ano (KESSLER; CHIU; DEMLER, 2005). Os transtornos ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns tanto em crianças quanto em adultos, com uma prevalência estimada durante o período 26 de vida de 9% e 15%, respectivamente (BERNSTEIN; BORCHARDT; PERWIEN, 1996). Em estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil apresentou a maior prevalência de TM na população adulta de 15-59 anos, com índices elevados para os transtornos da ansiedade, transtornos do humor e os transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas (WHO, 2000). De acordo com a classificação apresentada no DSM-IV (2002) distinguem-se os seguintes tipos de transtornos de ansiedade: transtorno de pânico com agorafobia; transtorno de pânico sem agorafobia; agorafobia sem ataque de pânico; fobia simples; fobia social; transtorno obsessivo-compulsivo; transtorno de estresse pós-traumático; transtorno de estresse agudo; transtorno de ansiedade generalizada; transtorno de ansiedade devido à condição clínica inespecífica; transtorno de ansiedade induzida por fármaco e transtorno de ansiedade não especificado. Em pesquisas, observa-se um conjunto de respostas que caracterizam uma reação de defesa que normalmente acompanha os estados aversivos característicos da ansiedade. Lewis (1979) salienta a existência e os tipos de manifestações corporais involuntárias mais comuns para esse fenômeno: secura da boca, sudorese, palpitações, vômitos, arrepios, tremor, dores abdominais e outras alterações biológicas e bioquímicas. São detectáveis por métodos apropriados de investigação, ainda lista alguns outros atribuídos que podem ser incluídos na descrição da ansiedade: ser normal ou patológica, ser leve ou grave, ser prejudicial ou benéfica, ser episódica ou persistente, ter uma causa física ou psicológica, ocorrer sozinha ou junto com outro transtorno, e afetar ou não a percepção e a memória. Como exemplo de alteração biológica, tem-se o aumento da pressão arterial e, com base na hipótese de que o estado emocional interfere na variabilidade da pressão arterial, pesquisadores investigaram os efeitos da felicidade, da raiva e da ansiedade em pacientes com hipertensão arterial borderline e concluíram que esses três estados emocionais elevam a pressão arterial, encontrando assim associação entre a intensidade da ansiedade e a pressão arterial diastólica (JAMES et al., 1986). E por meio de revisão da literatura, Fonseca et al. (2009) perceberam que a associação entre distúrbios emocionais e alterações nas funções viscerais, como, por exemplo, a 27 hipertensão arterial, se evidencia quando as estruturas límbicas, responsáveis pelas emoções, são acionadas e produzem respostas cardiovasculares e respiratórias. Em pesquisas pré-clínicas, observa-se: atividade motora intensa acompanhada de saltos, ao lado de reações neurovegetativas, como aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca, da tensão muscular, da respiração, hipersecreção gástrica, piloereção, micção, defecação, exoftalmia, secura da boca, sudorese, arrepios, tremor, vômito, palpitações, dores abdominais, dentre outros sintomas. Essas respostas incondicionadas estão associadas ao chamado sistema de fuga/luta ou sistema cerebral aversivo, representado pelo hipotálamo medial, pela substância cinzenta periaquedutal dorsal e pela amígdala (GRAEFF; GUIMARÃES, 2000; BRANDÃO et al., 2003). 3.1.2. Bases neuroanatômicas da ansiedade O Sistema Límbico, nome popularizado por Paul MacLean em 1952, representa importante função na emoção, memória e controle das funções viscerais. É composto por hipotálamo, que ocupa a região central, fornecendo um elo entre as estruturas límbicas telencefálicas (giros orbitofrontal, cingulado e para-hipocampal, o hipocampo, a amígdala e a área septal) e os locais límbicos mesencefálicos, especialmente, a substância cinzenta periaquedutal (CANTERAS; BITTENCOURT, 2008). Mais recentemente, o córtex pré-frontal medial, estrutura neocortical, foi incorporada ao Sistema Límbico (GUIMARÃES, 2008). Segundo Guyton (1992), a parte mais importante do sistema límbico, para o comportamento, é o hipotálamo, pois muitas das partes circundantes do sistema límbico, incluindo o hipocampo, a amígdala e o tálamo, transmitem grande parte de seus sinais eferentes para o hipotálamo, a fim de causar efeitos variados no corpo como dor e prazer ou em sensações relacionadas à fome, ao sexo e à raiva. Além disso, alguns aspectos do controle límbico são transmitidos por meio do sistema endócrino, tendo em vista que diversas evidências clínicas e experimentais apontam o hipotálamo como responsável pela integração de diversas respostas endócrinas, autônomicas e 28 comportamentais essenciais para a sobrevivência (CANTERAS; BITTENCOURT, 2008). No que diz respeito à amígdala, foi mostrado por Kluver-Bucy em 1937 que a estimulação desta, em seres humanos, produz ansiedade e sentimento de medo e, animais, que sofrem lesão amigdaliana, se tornam extremamente dóceis, apresentam quadro de hipersexualidade e levam todo tipo de objetos à boca, inclusive objetos ameaçadores, como, por exemplo, serpentes (CANTERAS; BITTENCOURT, 2008). A amígdala, por possuir conexões nervosas tanto com o neocórtex quanto com estruturas límbicas mais profundas, funciona como uma interface sensório-emocional, responsável por avaliar o tipo e grau do estímulo, integrando as informações que recebem um cunho afetivo, e então, o resultado é transmitido para o hipotálamo medial e a substância cinzenta periaquedutal dorsal. A função desta substância é de selecionar e organizar as reações comportamentais e fisiológicas mais apropriadas (GRAEFF; GUIMARÃES, 2000). Cabe ressaltar também, que a amígdala recebe informações olfatórias do bulbo olfatório, bem como de outras modalidades sensoriais (audição, visão, gustação, somestesia) por meio de áreas neocorticais associativas (CANTERAS; BITTENCOURT, 2008). No entanto, as informações olfativas não passam pelo tálamo, vão diretamente ao córtex entorrinal e à amígdala. Enquanto que as informações auditivas e demais modalidades sensoriais passam pelo tálamo, percorrem o córtex primário e córtex de associação até chegarem na amígdala (SWANSON; PETROVICH, 1998). Paralelamente à ativação da amígdala, a ativação do córtex pré-frontal permite o fluxo de informações dos sistemas sensoriais diretamente para os sistemas visceromotores, cuja estimulação pode produzir reações cardiovasculares e respiratórias, por meio de projeções para o hipotálamo e substância cinzenta periaquedutal (PRICE, 1999). Além disso, ocorre a ativação do córtex adrenal, bem como do ramo simpático do Sistema Nervoso Autônomo, levando a liberação de hormônios como: glicocorticóides, norepinefrina e epinefrina que provocam mudanças fisiológicas no organismo, como por exemplo, a norepinefrina que aumenta a força de contração e a frequência cardíaca, promove vasodilatação nos músculos, vasoconstrição na periferia e nas vísceras, dentre outras mudanças, 29 o que consequentemente eleva a pressão arterial, sinal comum em indivíduos com medo, estresse ou ansiedade (RANG; DALE; RITTER, 1995; GUYTON; HALL, 1997). O conhecimento das estruturas e suas funções relacionadas à emoção são imprescindíveis para o entendimento e identificação dos sinais e sintomas relacionados à ansiedade. Entretanto, as explicações acima são apenas a base para o assunto ansiedade, visto que alguns dados ainda permanecem desconhecidos ou contraditórios. 3.1.3. Mensuração da ansiedade A mensuração da Ansiedade é realizada com base em métodos indiretos, tais como escalas de avaliação subjetivas. Existem também medidas de alterações fisiológicas, porém existe baixa correlação entre os parâmetros fisiológicos, comportamentais e subjetivos. Então, o relato verbal ainda é a forma mais utilizada para a avaliação padronizada e reproduzível de estados subjetivos (UHDE; TANCER, 1989; JANKE; NETTER, 1983; COULTHARD; ROOD, 1993; GUIMARÃES, 2000). Existem escalas que medem a ansiedade normal e outras que medem a ansiedade patológica. Segundo Keedwell e Snaith (1996), as escalas de ansiedade medem vários aspectos, tais como: o humor; a cognição; o comportamento; o estado de hiperalerta; sintomas somáticos, dentre outros. Como também, tanto em sujeitos normais, quanto em pacientes, é útil a distinção entre ansiedade–traço e ansiedade–estado (ANDRADE; GORENSTEIN, 1998). Faz-se necessário mencionar ainda a existência de instrumentos com finalidades diferentes: a) diagnóstica; b) de quantificação de intensidade ou gravidade em sujeitos diagnosticados (KEEDWELL; SNAITH, 1996; ANDRADE; GORENSTEIN, 1998; GUIMARÃES, 2000). De acordo com levantamento realizado por Keedwell e Snaith (1996), as escalas de ansiedade mais utilizadas nos últimos anos são: escala de ansiedade de Hamilton (HAM-A; HAMILTON, 1959); escala de ansiedade de Beck (BECK et al.,1988); escala clínica de ansiedade (Clinical Anxiety Scale – CAS; SNAITH et al., 1982); escala breve de ansiedade (BAS – TYRER; OWEN; 30 CICCHETTI, 1984); escala breve de avaliação psiquiátrica (BPRS – OVERALL; GORHAN, 1962) para a escala de avaliação clínica. E para as escalas de autoavaliação são: o inventário de ansiedade traço-estado (IDATE – SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHENE, 1970, STAI); escala de ansiedade de Zung (ZUNG, 1971); escala de ansiedade manifesta de Taylor (TAYLOR, 1953); subescala de ansiedade do Symptom Checklist (SCL-90 – DEROGATIS; LIPMAN; COVI, 1973); POMS (Profile of Mood States – LORR; MCNAIR, 1984); escala hospitalar de ansiedade e depressão (HADS – ZIGMOND; SNAITH, 1983). Além disso, Keedwell e Snaith (1996), em estudo de revisão nas principais revistas psiquiátricas entre 1990 e 1994, constataram entre as publicações que as escalas de Hamilton e de Beck estão entre as de avaliação clínica mais utilizadas, enquanto que o IDATE e a subescala de ansiedade do "Symptom Checklist" (SCL-90) são os instrumentos de auto-avaliação mais utilizados. O Inventário de Ansiedade Traço-Estado IDATE (SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHENE, 1970) é uma escala de auto-avaliação que mensura o grau de ansiedade e pode ser aplicada tanto em sujeitos normais como em indivíduos ansiosos. Ela tem como base a concepção dualística de ansiedadetraço e ansiedade-estado. E consta de uma escala de Traço de ansiedade com 20 itens que requerem que os sujeitos descrevam como geralmente se sentem e de uma escala de ansiedade Estado que consta também de 20 afirmações, em que indivíduo deve indicar como se sente naquele determinado momento. Entretanto, cada 20 itens dos tipos de ansiedade são independentes e diferentes em conotação, avaliando apenas um único tipo de ansiedade. A pontuação de 20 a 40 indica baixo grau de ansiedade, maior que 40 (40-60 indica médio grau de ansiedade e maior que 60 (60-80) indica alto grau de ansiedade (BIAGGIO; NATALÍCIO, 1979). Os escores da escala estado de ansiedade aumentam quando respondidos em situação de perigo físico ou estresse psicológico, e diminuem quando resultados de uma situação de relaxamento. A elevação dos escores da escala Estado de ansiedade em indivíduos com escores elevados na escala Traço de ansiedade, depende da maneira pela qual cada um percebe tal situação como perigosa ou ameaçadora, o que é muito influenciado pelas 31 experiências passadas de cada individuo (SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHENE, 1970). O IDATE traço tem sido adotado como procedimento para a estratificação dos grupos de acordo com a ansiedade traço da pessoa, isto é, a sua propensão em responder com ansiedade em situações potencialmente ameaçadoras (GUIMARÃES, 2000). O IDATE foi traduzido e adaptado para o Brasil por Biaggio (BIAGGIO; NATALICIO, 1979) e desde então, pesquisas clínicas com o objetivo de avaliar a ansiedade vêm sendo realizadas utilizando-se o IDATE como forma de mensuração subjetiva da ansiedade. Estas vem sendo realizadas em estudantes universitários, profissionais da saúde, famílias dentre outras populações (ZUARDI; PROTA; DEL-BEM, 2008; PENICHE, 2005; MALUF, 2002). No entanto, além da utilização do IDATE, algumas pesquisas tem unido medidas fisiológicas mais objetivas que a mensuração subjetiva. Silva (2001), com o objetivo de avaliar possíveis alterações fisiológicas e psicológicas produzidas pela situação ansiogênica do Video Recorded Stroop Color-Word Test (VRSCWT), verificar se essas alterações poderiam ser prevenidas pelo diazepam, avaliou homens e mulheres, em três experimentos diferentes, por meio do IDATE, escala analógica do nível de tensão e escala de Norris e de medidas fisiológicas (eletromiografia dos músculos frontal e gastrocnêmio, condutância da pele, temperatura de extremidade, fluxo saguíneo periférico, frequencia cardíaca e respiratória). Seus resultados sugerem que, além do VRSCWT ser capaz de eliciar ansiedade em voluntários normais, as manifestações psicológicas e fisiológicas da ansiedade não são exatamente interdependentes, de forma que drogas ansiolíticas podem bloquear uma sem necessariamente afetar a outra. Giuntini (2006) avaliou dois grupos de pacientes operadas sob regime ambulatorial e de internação com o objetivo de quantificar e comparar mediante utilização das escalas analógica visual e IDATE, como também dosagem do cortisol salivar, o grau de ansiedade de pacientes submetidas a cirurgias. Com os resultados encontrados conclui-se que não houve diferença entre os grupos em relação ao cortisol, à pressão arterial sistólica e frequência cardíaca, no entanto, os escores de ansiedade traço foram maiores no grupo operado em regime ambulatorial. 32 Borini (2008) realizou pesquisa com o objetivo de avaliar a variabilidade interdias e intradias dos valores dos registros eletromiográficos, da parte superficial do músculo masseter e parte anterior do músculo temporal e a relação destes registros com o fator emocional, ansiedade, em três dias distintos de coleta em 16 voluntárias sem disfunção temporomandibular. Para mensuração da ansiedade, utilizou o IDATE e para medir a atividade muscular utilizou o eletromiógrafo. Ao final da pesquisa concluiu que a ansiedade-traço e estado podem influenciar nos registros eletromiográficos mesmo em situações não experimentais. Almeida (2009), por meio do Teste de Simulação de Falar em Público (SFP), avaliou 24 sujeitos, com o objetivo de verificar se a ansiedade gerada por uma tarefa ansiogênica modifica as respostas dos indivíduos quanto aos parâmetros psicológicos, fisiológicos e vocais, bem como investigar a possível correlação existente entre a ansiedade traço e ansiedade estado em relação aos parâmetros vocais selecionados. Para tal, realizou a mensuração de medidas psicológicas (IDATE), medidas fisiológicas (frequência cardíaca, condutância elétrica da pele, temperatura de extremidade, eletromiograma do músculo frontal e cortisol salivar) e vocais (auto-avaliação vocal, avaliação perceptivo-auditiva-visual do comportamento vocal e análise acústica). Ao final, concluiu que ansiedade induzida experimentalmente em voluntários sadios pode gerar alterações psicológicas, fisiológicas e vocais. Além de que, quanto maior o grau de ansiedade traço, maior o comprometimento da comunicação e da qualidade de vida em diversos aspectos relacionados ao uso da voz. Sendo assim, a junção de medidas psicológicas e fisiológicas auxilia na avaliação e diagnóstico da ansiedade, tornando-se uma ferramenta importante para a terapêutica. 3.1.4. Tratamentos farmacológicos da ansiedade O tratamento do transtorno de ansiedade engloba abordagens farmacológicas e não-farmacológicas. A abordagem não-farmacológica, atualmente, tem sido muito reconhecida como fator essencial na terapia. No entanto, nesta seção será abordado apenas a farmacológica, sabendo embora que combinação de ambas tem efeito terapêutico aditivo ou sinérgico. 33 Atualmente, existem diversas medicações eficazes para os transtornos de ansiedade disponíveis, tais como benzodiazepínicos, que são os mais utilizados, barbitúricos e alguns antidepressivos, incluindo os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, os inibidores da monoamino oxidase e os antidepressivos tricíclicos (BYSTRISKY, 2006; POLLACK et al., 2008). Segundo Guimarães (2008), os fármacos antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina são a alternativa primária de tratamento para os transtornos de ansiedade. Mas, atualmente, os fármacos classificados como ansiolíticos são os benzodiazepínicos e a buspirona. E não estão mais em uso os barbituratos e meprobamato. No que diz respeito aos benzodiazepínicos (BDZs), os mecanismos dos seus efeitos começaram a ser elucidado nos anos 70, ao se descobrirem no cérebro locais específicos de atuação dos mesmos, que nos dias atuais, sabese que são no receptor para GABA (ácido gama-aminobutírico), principal neurotransmissor inibitório do Sistema Nervoso Central (GORENSTEIN; POMPÉIA, 1999; GUIMARÃES, 2008). Os BDZs são efetivos no tratamento dos principais transtornos de ansiedade em adultos e seus principais representantes são o diazepam, o clordiazepóxido, lorazepam, bromazepam, oxazepam, clorazepato e alprazolam (GUIMARÃES, 2008). A buspirona é a única droga da classe das azapironas comercializadas, mostrou-se eficaz no tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Seus efeitos colaterais são tonturas, náuseas, irritabilidade/agitação e dor de cabeça (HETEM; SCALCO, 2004). Necessita de uso prolongado para produzir seus efeitos terapêuticos (GUIMARÃES, 2008). Os antidepressivos tricíclicos (ATCs) agem bloqueando a recaptação de serotonina, de noradrenalina, em proporções variáveis e interagem com receptores histaminérgicos, alfa-adrenérgicos, muscarínicos e dopaminérgicos. São exemplos de ATCs imipramina, amitriptilina, clomipramina e nortriptilina (HETEM; SCALCO, 2004). Dentre os inibidores da monoaminaoxidade (IMAO), a inibição pode ser não-seletiva e irreversível (tranilcipromina e fenelzina) ou reversível e seletiva (moclobemida) (HETEM; SCALCO, 2004). Os mesmos são raramente usados como tratamento primário. 34 Os inibidores seletivos de recaptação de seratonina (ISRS) têm apresentado eficácia contra alguns dos transtornos de ansiedade (BALLENGER, 1999). São exemplos desta categoria: fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina e citalopam (HETEM; SCALCO, 2004). Existem ainda a venlafaxina que é um inibidor de recaptação de serotonina e noradrenalina, com baixa afinidade por outros receptores; a mirtazapina, antidepressivo que atua por via noradrenérgica e serotonérgica, como também a hidroxizina e kava kava que ainda precisam de mais estudos e por fim, os β-bloqueadores, com atuação periférica e em todo Sistema Nervoso Central, como por exemplo, o propanolol (HETEM; SCALCO, 2004). É notório que existe uma gama de fármacos para o tratamento da ansiedade, no entanto ainda há um número elevado de efeitos colaterais. Para tanto, existem pesquisas com plantas aromáticas, como óleos essenciais (O.E.), no tratamento da ansiedade, visando a terapêutica com redução dos efeitos colaterais. 3.2 Aromaterapia e óleos essenciais Aromaterapia é um termo que se refere ao uso terapêutico dos óleos essenciais, constituintes orgânicos voláteis extraídos de flores, folhas e outras partes da planta, com a intenção de equilibrar, acalmar e rejuvenescer a mente, o corpo e o espírito (STYLES, 1997; COOKE; ERNST, 2000). É uma antiga tradição no Egito e na Índia, mas seu termo foi inicialmente utilizado pelo químico francês Gattefossé em 1936 (GATTEFOSSÉ, 1993). Nos dias de hoje, é realizada por meio de massagem com uma variedade de extratos vegetais aromáticos conhecidos como óleos essenciais (VICKERS; ZOLLMAN, 1999). Atualmente, vem sendo considerada uma terapia complementar holística com objetivo de aumentar o conforto e diminuir o estresse, sendo utilizada por profissionais da saúde (LINDBERG, 1997; BUCKLE, 1998). Alguns autores destacaram também suas propriedades em restabelecer o bem-estar emocional, reduzir depressão, ansiedade e estresse (LOUIS; KOWALSKI, 2002; EDGE, 2003; KYLE, 2006; ATSUMI; TONOSAKI, 2007). 35 Os óleos essenciais da aromaterapia são absorvidos pelo corpo através do sistema olfativo por inalação; através da pele, por meio de banhos, compressas e massagens; e por meio de ingestão oral, cápsulas ou aditivos alimentares (BUCKLE, 1998; PERRY; PERRY, 2006). Em relação à via inalatória, existem vias no sistema olfatório que afetam várias atividades neurofisiológicas, assim como o comportamento (SHEPHERD, 1985; STOCKHORST; PIETROWSKY, 2004). A influência do comportamento está diretamente relacionada às conexões neurais do sistema olfatório com o cérebro, principalmente com o hipotálamo e Sistema Límbico (BALACS, 1992; BUCHBAUER, 1993; ALEXANDER, 2000). Para Silveira (2008), os estímulos adequados para a sinalização dos neurônios quimiorreceptivos olfatórios (cerca de 10 milhões que ocupam toda a mucosa olfatória) são moléculas pequenas, voláteis e geralmente lipossolúveis dispersas pelo ar. E, de acordo com o mesmo autor, o córtex olfatório pode ser dividido em cinco áreas: córtex piriforme e periamigdalóide, o qual tem projeções via núcleo mediodorsal do tálamo para áreas isocorticais orbitofrontais (precepção consciente dos odores); núcleo olfatório anterior; tubérculo olfatório e o grupo nuclear cortiço medial da amígdala, os quais projetam para os núcleos hipotalâmicos e estão implicados na regulação de comportamentos; e o córtex entorrinal de transição que projeta para o hipocampo (consolidação da memória olfatória). Segundo Balazs (1995), através da inalação das substâncias voláteis, os óleos essenciais podem entrar na corrente sanguínea por difusão por meio da mucosa do nariz, ou serem transportados através dos nervos olfatórios até o Sistema Límbico, onde interage com neurotransmissores, tais como endorfina, serotonina e noradrenalina (LAWLESS, 1994). Born et al. (2002) descreveram na via intranasal de seres humanos a entrada de neuropeptídeos e, em pesquisas pré-clínicas. Rochefort, Gheusi e Vincent (2002) mostraram a evidência de que um ambiente enriquecido com odor aumenta a neurogênese no cérebro de camundongos adultos. Os efeitos da aromaterapia são, geralmente, instantâneos e podem afetar o Sistema Nervoso Central de forma direta ou indireta (PERRY; PERRY, 2006). No que diz respeito ao efeito direto, a resposta é mais imediata por meio de alterações fisiológicas, sendo observado na maioria da população. Em relação ao efeito indireto, este envolve questões cognitivas e psicológicas, 36 estando relacionada com a cultura, a expectativa, experiências anteriores e personalidade (BROUGHAN, 1998/1999). A maioria das pesquisas de aromaterapia utiliza principalmente a massagem. No que diz respeito à via inalatória, ainda não existem muitas evidências científicas, tendo em vista a dificuldade em estudos duplo-cedo, já que os voluntários saberiam pelo odor que estariam expostos ao óleo essencial, além de que muitos odores já tem uma associação, evocando memórias que simplesmente não podem ser removidas. Outra dificuldade da aromaterapia é em relação à mensuração quantitativa dos seus resultados, tendo em vista a não padronização das pesquisas e falhas no desenho metodológico de algumas. No entanto, atualmente, muitos estudos têm sido realizados utilizando a aromaterapia e a mensuração por medidas fisiológicas e psicológicas, assim como utilizando, uma ou mais, das três formas de absorção do O.E., citadas por Burkle (1998), que vem documentando e comprovando a eficácia e o efeito dos óleos essenciais. No que diz respeito às mudanças fisiológicas como efeito da aromaterapia, pesquisas têm demonstrado diminuição da pressão arterial, respiração e pulso, como indicativo da redução de ansiedade e dor (LOUIS; KOWALSKI, 2002). Estudos clínicos com pacientes pós-cirurgia cardíaca e de unidades intensivas, utilizando massagem com óleos essenciais, demonstraram benefícios fisiológicos, além de melhorar a ansiedade e o humor (BUCKLE, 1993; STEVENSEN, 1994; DUNN; SLEEP; COLLETT, 1995). Outros estudos indicam que a massagem por si só reduz os escores de ansiedade, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória (FERRELL-TORRY; GLICK, 1993; FRASER; ROSS-KERR, 1993). Corner, Cawley e Hildebrand (1995) e Kite et al. (1998) identificaram que os benefícios de curto prazo de massagem de aromaterapia, especialmente em termos de redução ansiedade, são atribuídos ao duplo efeito de inalação e contato dos óleos essências/aromaterapia. Hongratanaworakit (2009), utilizando óleo de rosa (Rosa damascena) por meio de absorção da pele, excluindo o estímulo olfativo por meio de máscaras, avaliou parâmetros autonômicos (pressão arterial, frequência respiratória e cardíaca, temperatura e saturação de oxigênio arterial) e respostas emocionais (escala análoga-visual: relaxamento, vigor, calma, 37 atenção, humor e estado de alerta) em quarenta voluntários saudáveis. Como resultado, após o contato com o óleo essencial, houve diminuição significante da taxa de respiração, saturação de oxigênio no sangue e pressão arterial sistólica, o que indica uma diminuição de excitação autonômica. Em relação à resposta emocional, os indivíduos expostos ao O.E. classificaram-se como mais calmos, mais relaxados e menos alerta que os indivíduos do grupo controle. Em relação à utilização da via inalatória, Hongratanaworakit e Buchbauer (2004), com o objetivo de investigar os efeitos do óleo de ylangylang (Cananga odorata) nos parâmetros fisiológicos (temperatura da pele, frequência cardíaca, taxa de respiração e pressão arterial) e de auto-avaliação (vigilância, atenção, calma, humor, relaxamento e vigor) administraram o O.E. por inalação em vinte e quatro voluntários saudáveis. Como resultado encontrou reduções significantes na pressão arterial e pulsação, bem como aumentos de atenção e alerta. Sendo assim, existe uma série de óleos essenciais atualmente utilizados na aromaterapia para diversos fins. Seguem alguns exemplos com seus respectivos efeitos: Bergamota (Citrus bergamia): Antidepressivo, calmante, sedativo; Laranja (Citrus aurantium L): anticonvulsivante, ansiolítico e sedativo; Camomila Romana (Chamomelium nobilis): Analgesico, hipnotico, relaxante, sedativo; Gerânio (Pelargonium graveolens): Analgésico, antidepressivo; Jasmin (Jasminum grandiflorum): Antidepressivo, afrodisíaco; Lavanda (Lavandula angustifolia): Analgesico, antidepressivo, anticonvulsivante; Limão (Citrus limonum): estimulante da mente; Zimbro (Juniperus communis): Analgesico, afrodisiaco; Mandarin (Citrus deliciosa): Sedativo; Marjerona (Origanum majorana): Analgesico, ansiolítico, afrodisiaco; Melissa (Melissa officinalis): Ansiolítico, calmante, hipnotico, sedativo; Neroli (Neroli bigarade): Sedativo; Patchuli (Pogostemon cabin): Calmante, sedativo; Rosa (Rosa damascena): Antidepressivo, afrodisiaco, relaxante, sedativo; Alecrim (Rosmarinus officinalis): Analgesico, ansiolítico, estimulante mental; Hortelã (Mentha spicata): Analgesico, stimulante; Ylang-Ylang (Cananga odourata): Analgesico, afrodisiaco, relaxante; Vetiver (Vetivera zizanoides): Calmante, sedativo (PERRY; PERRY, 2006). 38 3.2.1 Óleos essenciais e ansiedade Sabendo que o Brasil possui a mais rica e inexplorada flora do planeta, com diversas espécies ainda desconhecidas, busca-se nas plantas medicinais a grande possibilidade de descoberta de novos compostos promissores para tratamento de doenças que atingem a população e que seu tratamento depende de medicamentos que causam diversos efeitos colaterais, além da dependência (NUNES, 1996). No contexto das pesquisas em “Plantas Aromáticas”, tendo em vista às ações farmacológicas e fisiológicas apresentadas pelo uso, os óleos essenciais (O.E.) vem sendo objeto de estudo de diversos pesquisadores, conforme algumas já citadas na seção anterior. Os O.E. são produtos geralmente contendo largo espectro de componentes voláteis incluindo os arilpropanóides. Aos mesmos têm monoterpenos, sido sesquiterpenos e atribuídas as mais variadas propriedades biológicas como antimicrobiana, antiparasitária, antioxidante e psicotrópica (MOREIRA; CRUZ; LOPES, 2001). No que diz respeito à atividade no sistema nervoso central (SNC) a predominância dos relatos tem sido para o possível efeito ansiolítico e anticonvulsivante, com base em estudos pré-clínicos controlados e avaliação comportamental, utilizando diferentes modelos animais. Os constituintes do O.E. ao chegarem no sangue, atravessam a barreira hemato-encefálica e entram no Sistema Nervoso Central, após aplicação cutânea ou inalação, intraperitoneal ou subcutânea e administração oral (JIROVETZ; BUCHBAUER; JADER, 1990; BUCHBAUER; JIROVETZ; JADER, 1991; MOREIRA; CRUZ; LOPES, 2001). Estudos in vitro e in vivo em animais confirmam que os óleos essências tem ação ansiolítica, sedativa, anticonvulsivante e estimulante do Sistema Nervoso Central que são importantes para o tratamento de sintomas como: ansiedade, insônia, agitação, epilepsia, apatia, letargia, sonolência excessiva diurna e catatonia, presentes em muitos transtornos psiquiátricos (PERRY; PERRY, 2006). Um exemplo da avaliação comportamental em animais pode ser observado no trabalho desenvolvido por Umezu (1999) que, utilizando dois 39 testes de conflito, de Geller e o de Vogel, observou que a essência de rosa exercia um significante efeito anticonflito, mediado por sítios benzodiazepínicos acoplados ao complexo-receptor GABAA. Outro trabalho, desenvolvido pelo mesmo autor, constatou que o óleo de lavanda aumentava o nível de respostas de camundongos na fase punida do teste de conflito de Geller, de maneira dose-dependente, indicando um efeito anticonflito (UMEZU, 2002). Faturi et al. (2010) também desenvolveram um estudo pré-clinico e tiveram o objetivo de investigar os efeitos de Citrus sinensis em ratos Wistar no labirinto em cruz elevado seguido de claro/escuro. Os animais foram expostos ao aroma (100, 200 ou 400 mL) por 5 minutos e de acordo com as respostas dos testes comportamentais, demonstrou-se atividade ansiolítica em pelo menos um dos testes e, na maior dose, apresentou significante efeito, em ambos os modelos animais. Alguns estudos clínicos também têm sido realizados e verificado o efeito dos óleos essenciais no sintoma da ansiedade. Por exemplo, Edge (2003), em um estudo piloto com oito sujeitos, relatou que a aromaterapia (massagem com óleos essenciais individualizados) reduziu a ansiedade e melhorou o humor, de acordo com a escala visual analógica e questionários Hospital Anxiety and Depression (HAD), em seis dos sujeitos avaliados durante oito meses. Outra importante contribuição ao estudo clínico dos óleos essenciais envolveu 14 pacientes do sexo feminino que estavam em tratamento crônico de hemodiálise e ao serem submetidas à exposição com aromas de óleo de lavanda e óleo de HIBA foram avaliados mediante duas escalas de Hamilton. Sendo uma para depressão (HAMD) e a outra específica para avaliar ansiedade (HAMA). Os resultados obtidos indicaram que os pacientes expostos ao óleo de HIBA apresentaram um acentuado efeito benéfico no controle da depressão e ansiedade, enquanto que a exposição ao óleo de lavanda promoveu um significante alívio da ansiedade (ITAI et al., 2000). Um estudo realizado com homens e mulheres expostos a gotas de óleo essencial de Citrus sinensis na ante-sala de consultório odontológico mostrou que esta exposição provocou efeito relaxante nos pacientes, especialmente no caso de mulheres que apresentaram menor nível de ansiedade, melhora do humor e maior estado de tranquilidade (LEHRNER et al., 2000). 40 Hongratanaworakit (2009) também encontrou efeito relaxante ao utilizar óleo de Rosa damascena em indivíduos saudáveis e o mesmo causou alívio da depressão e do estresse. Conforme visto anteriormente, existe uma série de óleos essenciais atualmente em uso como agentes de aromaterapia para aliviar a ansiedade, estresse e depressão. Os mais comumente utilizados com atividade ansiolítica são: Lavandula angustifólia; Rosa damascena, Citrus sinensis, Citrus aurantium, Citrus limon, Santalum álbum, Salvia sclarea, Anthemis nobilis e Pelargonium spp (SETZER, 2009). Por fazer parte dos objetivos da tese em questão, será enfatizado apenas o Citrus aurantium L, sendo reservada a próxima seção para pesquisas e estudos sobre este O.E. 3.2.2 Citrus aurantium L. e ansiedade Os óleos essenciais (OE) são extraídos de plantas por meio da técnica de arraste a vapor e são compostos principalmente de mono e sesquiterpenos e de fenilpropanoides, metabólitos que conferem suas características organolépticas. O Brasil tem lugar de destaque na produção de OE, ao lado da Índia, China e Indonésia, que são considerados os quatro grandes produtores mundiais. A posição do Brasil deve-se aos OE de plantas cítricas, sendo a laranja a principal delas (BIZZO; HOVELL; REZENDE, 2009). O gênero Citrus (Rutaceae) compreende árvores frutíferas de origem Oriental e são muito utilizados devido ao seu teor de óleo volátil, além de serem fontes de flavonóides, pectinas e cumarinas (KUSTER; ROCHA, 2003; ZUANAZZI; MONTANHA, 2003). Os registros de cultivos do Citrus, vem de uma cultura antiga, desde 2100 a.C. (MOORE, 2001). Como exemplos do gênero Citrus podem-se citar: Citrus bergamia, Citrus limonum, Citrus deliciosa, Citrus reticulada, Citrus sinensis, Citrus paradisi e Citrus aurantium L. (CiaL.).Alguns dos mesmos vem sendo utilizados na alimentação, medicamentos, indústria de cosméticos e aromaterapia (SAIYUDTHONG; MARSDEN, 2010). 41 Na aromaterapia, algumas pesquisas tem demonstrado atividade ansiolítica em estudos pré-clinicos do Citrus bergamia (SAIYUDTHONG; MARSDEN, 2010), assim como clínicos. Um exemplo de estudo clínico foi o realizado por Lehrner et al. (2000) em que utilizou óleo essencial (Citrus sinensis), via inalatória, na sala de espera de um consultório odontológico, e avaliou a ansiedade traço-estado de 72 pacientes. Após a exposição, observou-se menor escore da ansiedade estado, principalmente em mulheres, quando comparadas com o grupo controle (grupo controle: 33,8 ± 6,3 homens/ 44 ± 12,7 mulheres; grupo de estudo: 37,7 ± 12,5 homens/ 38,3 ± 10,5 mulheres). Em 2005, Lehrner e colaboradores investigaram o efeito do óleo de laranja e de lavanda na ansiedade em duzentos pacientes na sala de espera de um consultório odontológico e comprovaram a eficácia do uso de odores na redução da ansiedade. CiaL. é conhecido popularmente como laranja-amarga, laranjeira-azeda, laranjeira-cavalo e laranjeira de Sevilha. Seus frutos, flores e folhas tem sido usados na medicina popular para o tratamento de ansiedade, insônia e como anticonvulsivante (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002). Na região do Mediterrâneo, é usado desde os tempos medievais como estimulante cardíaco e vascular, digestivo, sedativo, tranquilizante, estimulante de apetite e tônico geral, além de antídoto contra venenos (ARIAS; RAMÓN-LACA, 2005). Na medicina tradicional chinesa, a laranja-amarga, que é conhecida como “zhi shi”, é usada como estimulante da função gastrointestinal e tônico geral (BOUCHARD et al., 2005). No que diz respeito a sua composição, CiaL., alguns autores analisaram a casca da laranja e averiguaram a composição de hidrocarbonetos monoterpenos: o limoneno (96,86%), β-pineno (1,37%), (E)-β-ocimeno (0,31%), sabineno (0,28%) e α-pineno (0,27%), sendo os principais componentes. Linalol (0,17%) e verbenona (0,12%) foram os principais monoterpenos oxigenados encontrados. E os Hidrocarbonetos sesquiterpenos foram representados principalmente por α-humuleno (0,15%) e α-calacoreno (0,12%). O sesquiterpeno oxigenado foi o grupo menos representado dos componentes, sendo o α-ciperone (0,12%) o único composto detectado (HOSNI et al., 2010). Outros estudos anteriores, realizados na Tunísia, Itália e Brasil, mostram que pode haver diferenças quanti e qualitativas na composição dos 42 constituintes do óleo da casca da laranja, dependendo do genótipo, estação, maturação e outros fatores climáticos. No entanto, a presença dos principais componentes como o limoneno em maior quantidade sempre foi uma constante (CACCIONI et al., 1998; BOUSSAADA; CHEMLI, 2007; MORAES et al., 2009). Com relação a seus efeitos no SNC é popularmente utilizado para curar a insônia, tratar nervosismo, ansiedade e histeria, e as flores são utilizadas com fins sedativos (SANTOS; TORRES; LEONART, 1988; SANGUINETTI, 1989; VASQUEZ; SUAREZ; PEREZ, 1997; LEHRNER et al., 2000). Pultrini, Galindo e Costa (2006) avaliaram dois modelos experimentais para o transtorno de ansiedade generalizada e transtorno obsessivo compulsivo em camundongos, os quais foram tratados de forma aguda por via oral (dose única) ou uma vez por dia durante 15 dias (doses repetidas), antes dos procedimentos experimentais. Houve efeito ansiolítico apenas na dose aguda para o experimento (claro/escuro) e resultados mais consistentes para o outro experimento (marble-burying). Leite et al. (2008) avaliaram doze ratos, previamente expostos à inalação do O.E. (CiaL.), nas concentrações de 1,0%; 2,5% e 5,0%, durante 7 minutos em caixas de acrílico. Os mesmos foram avaliados em dois modelos de ansiedade: labirinto em cruz elevado (LCE) e campo aberto. Observaram diminuição do grau de emocionalidade dos animais em ambos modelos experimentais, sugerindo assim uma possível ação central. Outro estudo pré-clínico, utilizando diferentes preparações do OE de CiaL., obtidas de diversas partes da planta, foram avaliadas quanto a sua potencial ação sobre o sistema nervoso central, em modelos para testar a atividade anticonvulsivante, sedativa-hipnotica e ansiolítica Esse trabalho demonstrou que o óleo obtido das cascas dos frutos foi capaz de aumentar o tempo de permanência dos animais sobre os braços abertos do labirinto em cruz elevado, sem apresentar qualquer comprometimento sobre o estado de atenção ou sobre a atividade motora dos camundongos, perfil comportamental que indica um potencial efeito ansiolítico (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002). Compostos de fragrância pura e óleos essenciais tem vários efeitos em humanos e em outras espécies de mamíferos. O óleo essencial obtido das cascas das frutas de CiaL. apresenta propriedades ansiolíticas comprovadas em trabalhos anteriores (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002; PULTRINI; 43 GALINDO; COSTA, 2006), no entanto, ainda há escassez de estudos clínicos que comprovem esses dados. Levantamentos etnofarmacologicos comprovam o uso popular do CiaL. como tratamento alternativo de distúrbios relacionado ao SNC. Um estudo realizado na Martinica comprova que a decocção das flores e folhas desta espécie vegetal tem efeito sedativo quando administrada oralmente (LONGUEFOSSE; NOSSIN, 1996). Sendo assim, diante da constatação do efeito ansiolítico do CiaL. em estudo pré-clinicos, comprovação do mesmo efeito em estudos clínicos de outros exemplos do gênero Citrus e da escassez de respostas clínicas, faz-se necessário o investimento em estudos e pesquisas em humanos sobre o efeito do CiaL. na ansiedade. 3.3 Ruído e os efeitos da exposição ao ruído ocupacional O ruído é um sinal acústico aperiódico, originado da superposição de vários movimentos de vibração com diferentes frequências que não apresentam relação entre si (FELDMAN; GRIMES, 1985). É formado por um espectro de frequências aleatórias, não harmônicas, e caracterizado pela intensidade, quantidade de energia vibratória que se propaga nas áreas próximas, a partir da fonte emissora, e pela frequência, representada pelo número de vibrações completas por segundo. Pode ser classificado como: estacionário, com variações dos níveis desprezíveis durante o período de observação; contínuo, cujo nível varia continuamente de um valor apreciável durante o período de observação; e de impacto, que se apresenta em picos de energia acústica de duração inferior a um segundo (SANTOS; MORATA, 1999). Conforme a Portaria n° 3.214 (BRASIL, 1978), existem limites de tolerância à exposição ao ruído e o tempo de exposição deve reduzir à medida que a intensidade do ruído aumenta. Conforme tabela a seguir: 44 Quadro 1: Limite de exposição ao ruído em dB (A) x horas NPS dB (A) Máxima exposição diária permissível (horas) 85 08 86 07 87 06 88 05 89 04,5 90 04 Adapatado do ANEXO I NR 15 Segurança e Medicina do Trabalho – Atividades e Operações Insalubres (BRASIL, 1978). Quando o ruído é intenso e a exposição a ele é continuada, em média 85dB(A) por oito horas por dia, ocorrem várias alterações no indivíduo. Ele afeta o ser humano simultaneamente nos planos físico, psicológico e social. Os seus efeitos vão desde alterações passageiras até graves danos irreversíveis. Acima de 90 dB, o ruído afeta desfavoravelmente a produtividade, bem como a qualidade do produto em atividade de longa duração e que requerem contínua e muita atenção. Um indivíduo normal precisa gastar aproximadamente 20% de energia extra para realizar uma tarefa, sob o efeito do ruído perturbador intenso (BRASIL, 2006). A exposição ocupacional ao ruído intenso está associada a várias manifestações sistêmicas, tais como elevação do nível geral de vigilância, aceleração da frequência cardíaca e respiratória, alteração da pressão arterial e da função intestinal, dilatação das pupilas, aumento do tônus muscular, aumento da produção de hormônios tireoidianos e estresse (COSTA; KITAMURA, 1995). No que diz respeito à alteração da pressão arterial em decorrência do ruído, de acordo com VanKempen et al. (2002), tem sido sugerido que a exposição ao ruído está associada a alterações da pressão arterial e risco de doença cardíaca, mas a evidência epidemiológica ainda é limitada. Corrêa Filho et al. (2002) estimaram a prevalência de perda auditiva induzida por ruído e hipertensão arterial, em 108 condutores de ônibus urbanos da cidade de Campinas, e encontram 32,7% com perda auditiva induzida por ruído e 13,2% de hipertensão arterial diastólica (PAD≥90 mmHG; PAS≥140 mmHG). Valores próximos ao estimado para o Brasil (15%) por Kholmann et al. (1999). 45 Seligman (2001) refere como sinais e sintomas auditivos a perda auditiva, zumbidos, dificuldades no entendimento de fala e outros sintomas menos frequentes como: plenitude auricular, dificuldade na localização da fonte sonora. Ogido, Costa e Machado (2009), com o objetivo de estimar a prevalência de sintomas auditivos e vestibulares em trabalhadores expostos a ruído ocupacional, analisaram os prontuários de 175 trabalhadores com perda auditiva induzida por ruído, atendidos em um centro de referência de saúde ocupacional e como seus resultados obtiveram 74% casos de hipoacusia (diminuição auditiva), 81% com zumbidos e 13,2% com vertigem. No entanto, a associação entre hipoacusia e idade, tempo de exposição ao ruído e limiares auditivos tonais e entre vertigem e tempo de exposição ao ruído, não foram significantes. O zumbido é um dos sintomas mais comumente relatados pelos portadores da perda auditiva induzida por ruído (PAIR), e provoca muito incômodo (KANDEL; SCHWARTZ; JUSSEL, 2003). Ele é definido como sendo a manifestação do mau funcionamento, no processamento de sinais auditivos envolvendo componentes perceptuais e psicológicos (VESTERAGER, 1997). Num estudo com 3.466 trabalhadores requerentes de indenização por PAIR, McShane, Hyde e Alberti (1988) observaram uma prevalência de zumbido de 49,8%. Destes, 29,2% afirmaram que o zumbido era o problema principal. Estima-se que a prevalência de zumbido aumenta de acordo com a evolução do dano auditivo, influenciado pela idade e tempo de exposição ao ruído (DIAS et al., 2006). No que diz respeito à perda auditiva, são considerados como sinônimos: perda auditiva por exposição ao ruído, no trabalho, perda auditiva ocupacional, surdez profissional, disacusia ocupacional, perda auditiva induzida por níveis elevados de pressão sonora, perda auditiva induzida por ruído ocupacional, perda auditiva neurossensorial por exposição continuada a níveis elevados de pressão sonora de origem ocupacional. Morata e Lemasters (1995) propuseram a utilização do termo “perda auditiva ocupacional”, por ser mais abrangente, considerando o ruído, como o agente mais comum. No entanto, o mesmo pode estar associado a produtos químicos e vibração, fatores que podem prejudicar mais ainda o trabalhador (SILVA, 2002). 46 No ano de 1996, o National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) publicou o Guia Prático para Prevenção de Perda Auditiva Ocupacional, utilizando o termo “perda auditiva ocupacional” para definir não só a perda auditiva induzida por ruído, como também as provocadas por exposições a solventes aromáticos, metais e alguns asfixiantes, e vibração (FIORINI; NASCIMENTO, 2001). Além da perda auditiva propriamente dita, o indivíduo exposto ao ruído pode apresentar o trauma acústico, quando a exposição ao ruído é de forma súbita e muito intensa, lesando, temporária ou definitivamente, diversas estruturas do ouvido. Ou pode apresentar a mudança transitória do limiar que se caracteriza por uma diminuição da acuidade auditiva que pode retornar ao normal, após um período de afastamento do ruído (BRASIL, 2006). Para Borchgrevink (2003), ruído é um risco para a saúde. E um dos efeitos do ruído mais divulgados e cientificamente provados é a perda auditiva. No entanto, o ruído pode causar efeitos psicossociais e orgânicos inespecíficos. Além disso, exposição crônica ao ruído, caracterizada por alta intensidade e frequência baixa pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como também, bioquímicas, gastrointestinais, respiratórias e afetar o sistema imunológico (HESSEL; SLUIS-CREMER, 1994; VAN KEMPEN et al., 2002; VAN CAMPEN et al., 2002). Seligman (2001) também refere como efeitos do ruído, chamados de extra-auditivos: Transtornos da comunicação; Alterações do sono; Transtornos neurológicos; Transtornos vestibulares; Transtornos digestivos; Transtornos comportamentais. E a exposição ao ruído pode induzir respostas psicossociais como aborrecimento, cansaço, distúrbios do sono e ansiedade (MILLER, 1974; MELAMED; BRUHIS, 1996). Gitanjali e Ananth (2003) estudaram os efeitos do ruído (acima de 75 dB) em trabalhadores de indústria e observaram aumento significante do cortisol e estresse após a exposição, além de mudanças no sono e no batimento cardíaco. Chiovenda et al. (2007) investigaram os efeitos neuropsicológico, neurofisiológico e estado emocional de guardas de trânsito, além de avaliar os efeitos do ruído ambiental a que os guardas de trânsito são expostos versos a tarefa de Stroop (ruído induzido), por meio do potencial cognitivo P300 e questionário IDATE. Obtiveram como resultado amplitudes rebaixadas do P300 47 mais evidentes em escores ansiedade estado elevado. E não houve diferença entre os dois grupos (guardas de trânsito e controle) nos resultados dos testes neuropsicológicos e psicológicos, apenas nas mensurações neurofisiológicas e essas variações estavam associadas com o humor e ansiedade dos guardas de trânsito. Melamed e Bruhis (1996), ao estudarem 35 trabalhadores saudáveis de uma indústria têxtil, observaram atenuação do ruído maior que 85 dB (A) para 30 -33 dB com protetores auriculares em trabalhadores, reduziram o nível do cortisol na urina, além de diminuir o cansaço e irritabilidade após o trabalho Fernandes e Morata (2002) com o objetivo de investigar as queixas de saúde e achados audiológicos de 73 trabalhadores expostos ao ruído e vibração (divididos em dois grupos), encontraram a ansiedade entre os problemas de saúde mais citados pelos trabalhadores do grupo exposto ao ruído e vibração de corpo inteiro. Enquanto que a porcentagem de audiogramas alterados foi mais elevada no grupo exposto a vibração transmitida por meio das mãos-braços. Andrade et al. (1998) também encontraram queixa de ansiedade entre os trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. Entretanto, ambas as pesquisas não utilizaram questionário específico e auto-avaliação para mensuração da ansiedade. Sabe-se que agentes físicos como o ruído estão presentes em vários locais de trabalho, mas ainda existem os estressores organizacionais, que são aqueles relacionados à organização do trabalho como, por exemplo, turnos, ritmo e ergonomia (FERNANDES; MORATA, 2002). Em se tratando de indivíduos que trabalham em indústrias, estes possuem escalas de trabalho não convencionais e existem evidências de que o esquema de organização dos cronogramas de trabalho é um fator que provoca níveis de estresse e ansiedade, afetando negativamente a saúde física e mental e o desempenho do indivíduo (MONK, 1988; OLSSON; KANDOLIN; KAUPPINEN- TOROPAINEN, 1989). A explicação para essas consequências ao trabalhador seria: alteração do ciclo circadiano, alteração da homeostase e ausência de vida familiar/social (COSTA, 1996; HARRINGTON, 1994; MONK, 2000). Combinados, esses estressores (ruído e horários não convencionais) podem ter uma série de efeitos sobre a saúde e bem-estar dos trabalhadores, aumentando a 48 sensibilidade aos agentes estressores ambientais e, consequentemente, o risco de acidentes de trabalho (FERNANDES; MORATA, 2002). Almondes e Araújo (2009) avaliaram ansiedade e estresse em 239 trabalhadores em diferentes esquemas de trabalhos, por meio do Inventário de Ansiedade Traço-Estado e Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp. Os resultados mostraram que os trabalhadores em turnos apresentaram maiores escores de Ansiedade Traço-Estado quando comparados com os trabalhadores diurnos fixos (t=-4,994, p=0,0001; t=-2,816, p=0,005, respectivamente). Os autores concluíram que esquemas de trabalhos em turnos causam mais ansiedade-estado e traço, mas não elevam significativamente níveis de stress quando comparados com diurnos fixos. Dessa forma, além da exposição ao ruído que pode trazer consequências à saúde mental, como por exemplo, a ansiedade, citada na literatura, os trabalhadores ainda tem o fator horário de trabalho que também pode trazer consequências neste sentido. 49 OBJETIVOS 50 4 OBJETIVOS 4.1 Geral Avaliar o efeito do óleo essencial de Citrus aurantium L (CiaL.) extraído da casca da laranja na ansiedade de trabalhadores expostos a ruído ocupacional. 4.2 Específicos Identificar trabalhadores com alta e baixa ansiedade; Correlacionar o tempo de trabalho, idade e turno com momento de maior ansiedade e comportamento emocional; Comparar as mensurações dos parâmetros psicológicos entre os grupos de trabalhadores com alta e baixa ansiedade; Comparar as mensurações dos parâmetros fisiológicos entre os grupos de trabalhadores com alta e baixa ansiedade. 51 MATERIAL E MÉTODOS 52 5 MATERIAL E MÉTODOS 5.1 Material 5.1.1 Sujeitos da pesquisa A população do estudo foi formada por voluntários com alta e baixa ansiedade que trabalham em uma indústria de papel, localizada na BR 101 Km 06, Paraíba. A utilização desta população no estudo justificou-se pela constatação da presença de ansiedade em trabalhadores expostos a ruído ocupacional em estudos desenvolvidos por Andrade et al. (1998), Fernandes e Morata (2002) e Almondes e Araújo (2009). A seleção dos sujeitos foi realizada através de triagem, durante avaliação audiológica demissional/periódica/admissional, entre setembro de 2010 a julho de 2011, na sala do setor médico da empresa. Foram aplicados, individualmente, o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) e o SelfReport Questionnaire-SRQ 20 (Anexo B e Anexo A, respectivamente), por meio de entrevistas, ou seja, as perguntas dos questionários eram lidas em voz alta, o trabalhador respondia e a pesquisadora anotava. Caso, não entendesse a pergunta, a mesma era refeita sem alteração do sentido. A aplicação do IDATE-traço teve o objetivo de identificar a presença e o grau de ansiedade (baixo ou alto) nos trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. O SRQ-20 para detecção de distúrbios psiquiátricos menores. Além disso, durante a entrevista, questionou-se o momento de maior ansiedade do trabalhador: antes, durante ou após o trabalho, para a ocasião de exposição ao óleo essencial CiaL. Foram triados 180 trabalhadores, dos quais foram excluídas cinco mulheres para que fatores relacionados ao gênero (fatores hormonais) não interferissem nos resultados, dois por não finalizarem a avaliação completa (ensaio clínico), 31 trabalhadores que foram desligados da empresa, um trabalhador por fazer uso de medicamento psicotrópico, oito por estarem em período de férias e 87 por não poderem ser liberados da produção, pois atrapalharia o andamento das atividades laborais. 53 A amostra foi constituída por 48 trabalhadores, todos do sexo masculino, com idade entre 20 e 51 anos, os quais se enquadram nos critérios de inclusão, como idade acima de 18 anos e sem antecedentes psiquiátricos; de exclusão, ou seja, não apresentavam doenças neurológicas, usuário de estimulantes, fitoterápicos, ansiolíticos, antidepressivos, portadores de rinites e sinusites e alérgicos a odores. Os voluntários que participaram do ensaio clínico (n=48) foram alocados de forma não-aleatória, de acordo com o grau de ansiedade (baixa ou alta), pareados por idade e conforme liberação do setor de produção que trabalha. Posteriormente, os sujeitos foram subdivididos em quatro grupos: grupo experimental alta ansiedade (n=8); grupo controle alta ansiedade (n=8); grupo experimental baixa ansiedade (n=16) e grupo controle baixa ansiedade (n=16). Conforme ilustrado no Fluxograma 1. Fluxograma 1: Demonstrativo sujeitos e grupos da pesquisa. SRQ-20 EXCLUÍDOS: 5-mulheres 31-desligados 1-uso psicotrópico 8-período de férias 87-não liberados do setor TRIAGEM N=180 IDATETraço SELECIONADOS N= 48 Grupo experimental Baixa Ansiedade N=16 Grupo experimental Alta Ansiedade N=8 Grupo controle Baixa Ansiedade N=16 -De acordo com o grau de ansiedade (IDATE-traço); -Grupos pareados por idade -Liberação do trabalhador pelo setor de produção Grupo controle Alta Ansiedade N=8 54 5.1.2 Droga vegetal Para a realização deste experimento clínico utilizou-se 10 mL de Óleo Essencial Citrus aurantium L. (CiaL-OE.), o qual foi cedido pelo International Flavours and Fragrance Inc (IFF) de São Paulo – Brasil. O cálculo da concentração de CiaL. (10 mL) foi feito, pelo IFF, de acordo com área da sala em que foi realizado o ensaio clínico: 2,47 cm de largura, 3,72 cm de cumprimento, 2,63 cm de altura (referência da fita métrica: v12-3; starrett - 3M; EDP Nº67822) O CiaL. foi extraído da casca da laranja e é composto por 98% de limoneno (figura 1). 5.1.2.1 Parâmetros cromatográficos do CiaL-OE. Para verificação e confirmação da composição do CiaL-OE. foi realizada cromatografia no Laboratório de Controle de Qualidade de Produtos Farmacêuticos- LCQPF da Universidade Federal da Paraíba-UFPB, por dois farmacêuticos Fábio Santos de Sousa e Valmir Gomes de Souza. (Figura 1). Os cromatogramas foram obtidos de um cromatógrafo a gás diretamente interfaciado com um espectrômetro de massas (Shimadzu GC-MS-QP5050A). Coluna capilar com fase estacionária de 5% fenil e 95% dimetilpolisiloxano com 30 m de comprimento, 0,25mm de diâmetro interno e 0,25 µm de espessura do filme, fabricada pela J & W Scientific. A programação de temperatura inicial é de 70ºC a 105 ºC (8 ºC/min) depois segue até 250ºC (40ºC/min), e temperatura de interfaciamento de 250 ºC; apresentando tempo de programação de 9,0 min. A temperatura do injetor foi de 250º C, o hélio foi utilizado como gás de arraste a um fluxo de 1,5 mL/min, com razão de Split de 1:5. O volume de injeção foi de 10µL. A ionização dos componentes foi realizada por impacto eletrônico a 70eV, com detector de 1,25Kv. O espectrômetro foi operado no modo SCAN, varrendo uma faixa de massas de 45 a 450 u.m.a. A temperatura da fonte de íons foi de 280 ºC. A identificação dos compostos foi realizada comparando 55 seus espectros de massas com os espectros existentes no banco de dados do equipamento (biblioteca Willey/NBS). Figura 1. Cromatograma do CiaL apontando o pico do limoneno com tempo de retenção em 4,5min. 5.1.3 Equipamentos Utilizou-se um fisiógrafo Modelo I-330-C2+ da J&J Engineering para a mensuração das medidas fisiológicas (temperatura de extremidade e condutância da pele) e tensiômetro digital de pulso Marca Techmed para avaliação da pressão arterial e freqüência cardíaca. Para a vaporização do OE utilizou-se o aparelho de vaporização, fabricado pela World`s Natural Fragancies (WNF) Indústria e Comércio LTDa.São Paulo/Brasil. 5.1.4 Local de realização do ensaio clínico A pesquisa foi realizada em duas salas no setor médico da empresa, uma ao lado da outra. Na sala 1 foram realizadas as mensurações pré e pós inalação do CiaL. Na sala 2 foi realizada a inalação do odor do CiaL., a mesma continha uma maca e uma cadeira confortável. Em ambas as salas foram mantidas temperatura aproximadamente 23°C (ou confortável para o sujeito) e quanto à luminosidade, na sala 1 foi mantida a luz acesa e na sala 2, luz apagada, mantendo luz natural ambiente vinda da janela de vidro alta. 56 5.2 Métodos A pesquisa tratou-se de um ensaio farmacológico clínico (Fase II) e modelo de estudo quase-experimental, pois foi avaliada a eficácia terapêutica do óleo essencial CiaL. em trabalhadores expostos ao ruído, antes e após intervenção a curto prazo por inalação. 5.2.1 Parâmetros de mensuração psicológica Nesse tipo de mensuração, utilizou-se o Inventário de Ansiedade TraçoEstado-IDATE (Anexo B) e o Self-Report Questionnaire-SRQ-20 (Anexo A). O SRQ-20 foi utilizado, apenas no momento da triagem, por ser útil como o primeiro estágio no processo diagnóstico de transtornos mentais e comportamentais, tendo em vista sua alta sensibilidade (83%) e especificidade (80%) (MARI; WILLIAMS, 1986). Além disso, é recomendado pela Organização Mundial de Saúde para esta finalidade e tem se mostrado eficaz na detecção de distúrbios psiquiátricos menores (DPM), sendo inclusive superior ao próprio exame clínico realizado por médicos generalistas (MARI et al., 1987). Os pontos de corte estabelecidos para caracterizar a presença de distúrbios psiquiátricos menores foram distintos para os sexos - 6 para os homens e 7 para as mulheres. O Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) em sua versão validada para o português (BIAGGIO, NATALÍCIO, 1979) contém duas subescalas com vinte itens e escala de quatro pontos cada. As respostas (escala de quatro pontos) para o IDATE-estado são: 1. Absolutamente não 2. Um pouco 3. Bastante 4. Muitíssimo e para o IDATE-traço são: 1.Quase nunca 2. Às vezes 3. Frequentemente 4. Quase sempre). O IDATE tem a finalidade de medir a ansiedade de forma subjetiva, a fim de abordar a autopercepção do indivíduo em relação à ansiedade traço (característica de propensão à ansiedade) e ansiedade estado (estado emocional no momento da aplicação). Existem alguns itens do IDATE com escore alto que representam baixa ansiedade, desta forma para a contagem dos pontos os valores de alguns itens devem ser invertidos, ou seja, as respostas marcadas 1 2 3 4 devem 57 corresponder a 4 3 2 1 na contagem dos escores. No IDATE-traço (Parte II) os itens que devem inverter as respostas na contagem são: 1 6 7 10 13 16 19. No IDATE-estado (Parte I) os itens são: 1 2 5 8 10 11 15 16 19 20. A pontuação em ambas as escalas varia de 20-80 pontos, sendo considerado baixa ansiedade de 20 a 40 pontos, média ansiedade de 41 a 60 e de 61 a 80 pontos alta ansiedade (CHAVES, 1994). Nesta pesquisa, serão considerados 20 a 40 pontos baixa ansiedade e de 41 a 80 alta ansiedade na escala traço do IDATE (ALMEIDA, 2009), realizado apenas durante a triagem, para a identificação de alta ou baixa ansiedade e divisão dos sujeitos em dois grupos de estudo. Quanto à escala estado do IDATE, teve como objetivo neste estudo avaliar a ansiedade antes e após exposição ao CiaL. A análise dos parâmetros psicológicos contou com a colaboração de um profissional psicólogo (Apêndice A-relatório). 5.2.2 Parâmetros de mensuração fisiológica Para a análise objetiva do estado de ansiedade foram mensuradas as seguintes medidas: pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura de extremidade e condutância elétrica da pele. A pressão arterial e a frequência cardíaca foram medidos por meio do tensiômetro digital de pulso, no pulso direito do trabalhador com o braço relaxado e apoiado na mesa do consultório do setor médico da empresa. Sabese que a ansiedade provoca manifestações somáticas relacionadas à hiperatividade autonômica e hiperventilação (BERNIK, 1999). A unidade de medida utilizada na pressão arterial foi milímetro de mercúrio (mmHg) e na frequencia cardíaca foi batimentos por minuto (bpm). A temperatura de extremidade foi mensurada a partir de um sensor térmico preso ao dedo anelar da mão dominante por um pedaço de esparadrapo micropore®. A unidade de medida utilizada nesse parâmetro foi grau Celsius (°C). Sabe-se que a temperatura de extremidade é um dos sintomas mais frequentes em momentos de ansiedade, além de ser um marcador bastante sensível para mensuração. A condutância elétrica da pele foi medida por meio de dois sensores presos ao dedo indicador e médio da mão dominante por um pedaço de 58 esparadrapo micropore®. A unidade de medida utilizada nesse parâmetro foi picosiemens (µS). A condutância elétrica é a mensuração da sudorese na palma da mão, que é outro relevante e frequente sintoma presente na ansiedade (ALMEIDA, 2009) Os eletrodos utilizados foram acoplados ao Fisiógrafo I-330-C2+ da J&J Engineering, o qual estava acoplado a um notebook de marca HP. 5.3 Ensaio clínico 5.3.1 Estabelecimento do tempo de inalação No que diz respeito ao tempo de inalação dos óleos essenciais, as pesquisas descritas na literatura informam que o período de exposição ao odor para estudos pré-clínicos foi de 7 minutos (LEITE et al., 2008) e para estudos clínicos não ultrapassou de 20 minutos (LEHRNER et al., 2005). Para padronizar o tempo de exposição ao CiaL. na presente pesquisa, realizou-se estudo piloto e verificou-se sensação de relaxamento após 15 minutos de inalação e efeitos colaterais de náuseas após 25 minutos, assim como alergia nasal na avaliadora. Dessa forma, estabeleceu-se o tempo de 25 minutos para exposição ao CiaL. no ensaio clínico da pesquisa. 5.3.2 Etapas do ensaio clínico Separados os grupos e identificado o momento de maior ansiedade, aplicou-se o IDATE-estado e foram mensuradas as medidas fisiológicas na sala 1 do setor médico da empresa. E então, o sujeito foi encaminhado para a sala 2 do setor médico, onde permaneceu sozinho, deitado em uma maca ou da maneira que se sentisse mais a vontade, durante 25 minutos, inalando o odor do CiaL. No momento da realização do ensaio clínico, não era mais informado ao sujeito da pesquisa que existia odor na sala, era solicitado apenas que relaxasse e esperasse alguns minutos para a próxima mensuração. 59 Após 25 minutos, as medidas fisiológicas e o IDATE-estado foram realizadas novamente. Posteriormente, questionava-se ao sujeito se havia relaxado, cochilado ou dormido, se estava sentindo-se bem, se havia sentido algum odor e se o mesmo era agradável ou não. Além disso, solicitou-se que prestasse atenção em como se sentiria durante o restante do dia, tanto em relação ao trabalho, quanto humor e sono (Fluxograma 2). A avaliação do grupo controle, sem exposição ao CiaL., foi realizada cerca de um mês após o grupo experimental. Os mesmos procedimentos foram utilizados sem a inalação do odor CiaL. A duração de todo os procedimentos de cada ensaio clínico foi em média de 40 (quarenta) minutos. Fluxograma 2: Etapas do ensaio clínico. EXPOSIÇÃO AO ÓLEO ESSENCIAL CiaL 10 mL MOMENTO ANTES Medida Psicológica: IDATE-estado Após 25 min Medidas Fisiológicas: Pressão Arterial/ Frequência Cardíaca/ Condutância de Pele/ Temperatura de extremidade MOMENTO DEPOIS Medida Psicológica: IDATE-estado Grupo controle: mesmo procedimento, sem inalação do O.E. Medidas Fisiológicas: Pressão Arterial/ Frequência Cardíaca/ Condutância de Pele/ Temperatura de extremidade 60 5.4 Questões Éticas Em obediência à Resolução n° 196/96, do Conselho Nacional de Saúde, referente à ética em pesquisa envolvendo seres humanos, a presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética do Hospital Universitário Lauro Wanderley, Protocolo n°. 583/10; folha n°. 359244 (Anexo C). Antes do experimento, o diretor da Empresa autorizou a realização da pesquisa e cada voluntário foi informado sobre o objetivo do estudo e assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de acordo com a resolução 196/96 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa - CONEP (Apêndice B). Este estudo seguiu as normas regulamentadoras contidas na Resolução 251/97 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) do Ministério da Saúde para execução de ensaios farmacológicos clínicos de Fase II. 5.5 Análise dos Dados Para verificar a homogeneidade entre os grupos da pesquisa utilizou-se o teste paramétrico t de Student, o qual para indicar que as amostras eram homogêneas mostrou valor de p>0,05. As amostras dos parâmetros de mensuração psicológica (IDATE-estado) e de mensurações fisiológicas são dependentes, pois os mesmos grupos foram avaliados antes e após intervenção com o CiaL. Os dados coletados foram agrupados em um banco de dados confeccionado no Microsoft Excel. Posteriormente, tal planilha foi importada para o software estatístico GraphPad Prism, versão 4.03 (GraphPad Software Inc., USA), onde foi realizada a análise estatística descritiva e inferencial. Na análise estatística descritiva, optou-se pela utilização da média e erro padrão das variáveis estudadas, como: idade; turno de início de trabalho; momento de maior ansiedade; tempo de trabalho exposto ao ruído; IDATEtraço e estado; SRQ-20; frequência cardíaca; pressão arterial; temperatura de extremidade e condutância elétrica da pele. 61 Na análise estatística inferencial, foram selecionados testes paramétricos, devido serem variáveis intervalares e estarem dentro da normalidade. Para comparar os diferentes momentos (antes e depois) do IDATEestado, pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura de extremidade e condutância da pele utilizou-se o teste ANOVA de medidas repetidas. Com a finalidade de comparar os grupos (baixa ansiedade experimental, alta ansiedade experimental, baixa ansiedade controle e alta ansiedade controle) e as variáveis IDATE-estado, IDATE-traço, pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura de extremidade e condutância da pele utilizou-se o teste ANOVA one way. O teste de correlação de Pearson foi empregado com o objetivo de verificar o grau de correlação entre duas variáveis, como: IDATE-traço x SRQ20, IDATE-traço x momento de maior ansiedade, IDATE-traço x idade, IDATEtraço x tempo de trabalho e IDATE-traço x turno. Quando os testes acima mencionados apresentavam significância, utilizou-se o post test Bonferroni, para identificar quais dos pares de grupos diferem. As diferenças foram consideradas significantes quando apresentaram p<0,05. 62 RESULTADOS 63 6 RESULTADOS Dentre os trabalhadores triados, de acordo com o escore do IDATEtraço, observou-se que 159 (88%) apresentavam baixa ansiedade (escore abaixo de 40 pontos) e 21 (12%) alta ansiedade (escore acima de 41 pontos). De acordo com os critérios de inclusão, grau de ansiedade, liberação pelo setor para realização do ensaio clínico, 48 trabalhadores participaram da pesquisa, todos do sexo masculino, com idade entre 20 e 51 anos e tempo de trabalho exposto ao ruído de 6 meses a 23 anos. Foram subdivididos em quatro grupos: grupo experimental alta ansiedade (n=8); grupo controle alta ansiedade (n=8); grupo experimental baixa ansiedade (n=16) e grupo controle baixa ansiedade (n=16), conforme Tabela 1. Verificou-se estatisticamente que todos os grupos eram homogêneos quanto à faixa etária, sendo p=0,6527 para os grupos experimental, p=0,9742 para os grupos controle, p=0,1228 grupos baixa ansiedade e p=0,6583 grupos alta ansiedade. Tabela 1. Média e erro padrão (EP) da idade e tempo de trabalho da amostra estudada. Variáveis Grupo Experimental (n=24) Idade (anos) Tempo de Grupo Controle (n=24) Baixa Alta Baixa Alta Ansiedade Ansiedade Ansiedade Ansiedade (n=16) (n=8) (n=16) (n=8) Média EP Média EP Média EP Média EP 37,5 2,13 35,63 3,98 33 1,93 33,13 3,83 6,15 1,74 3,46 1,49 4,44 1,44 4,37 1,64 trabalho (anos) No que diz respeito ao momento de maior ansiedade, observou-se que o período durante e depois foram os mais relatados pelo grupo experimental baixa ansiedade 6 (37,5%) e 6 (37,5%), assim como pelo grupo de alta ansiedade 3 (37,5%) e 3 (37,5%), respectivamente. No grupo controle baixa ansiedade, 7 (43,75%) não referiam um momento específico de maior 64 ansiedade, enquanto que no controle alta ansiedade, 3 (37,5%) referiram antes do trabalho (Tabela 2). No que se refere ao turno/início do trabalho, a maioria inicia o turno o trabalho no período da manhã, sendo 8 (50%) no grupo experimental baixa ansiedade, 7 (87,5%) no grupo experimental alta ansiedade e 7 (87,5%) no controle alta ansiedade. Cabe salientar que os trabalhadores tem jornada de trabalho de 8 horas ou 12 horas ao dia e, os turnos não são fixos. (Tabela 2). Tabela 2. Caracterização da amostra, de acordo com os grupos, conforme momento de maior ansiedade e turno de início do trabalho na empresa. Variáveis Grupo Experimental Grupo Controle (n=24) (n=24) Baixa Alta Baixa Alta Ansiedade Ansiedade Ansiedade Ansiedade (n=16) (n=8) (n=16) (n=8) n % N % n % n % Antes do trabalho 4 25 2 25 2 12,5 3 37,5 Durante o trabalho 6 37,5 3 37,5 1 6,25 4 50 Depois do trabalho 6 37,5 3 37,5 5 31,25 1 12,5 Não refere - - - - 7 43,75 - - Antes e Depois - - - - 1 6,25 - - Manhã 8 50 7 87,5 5 31,25 7 87,5 Tarde 2 12,5 1 12,5 9 56,25 1 12,5 Noite 6 37,5 - - 2 12,5 - - TOTAL: 16 100 8 100 16 100 Momento maior de ansiedade Turno/início trabalho 8 100 6.1 Parâmetro de mensuração psicológica Os dados do IDATE-traço foram utilizados para a divisão dos grupos em baixa ansiedade (escore entre 20 e 40 pontos) e alta ansiedade (escore acima de 40 pontos). O questionário SRQ-20, também realizado na triagem, foi utilizado para comparação com os dados do IDATE-traço. Os grupos alta 65 ansiedade controle e experimental apresentaram médias, estatisticamente significantes (p<0,001), mais elevadas tanto no IDATE-traço 44,88 e 44,75 quanto no questionário SRQ-20 3,06 e 5,75, respectivamente. Descrição na Tabela 3. Tabela 3. Dados referentes à média e erro padrão (EP) do IDATE-traço e questionário SRQ-20 dos grupos experimental e controle. Variáveis Grupo Experimental (n=24) Grupo Controle (n=24) Baixa Alta Baixa Alta Ansiedade Ansiedade Ansiedade Ansiedade (n=16) (n=8) (n=16) (n=8) Média Ep Média Ep Média Ep Média Ep IDATE-traço 25,13 0,67 44,75 2,92 29,88 1,32 44,88 1,20 SRQ-20 1,93 0,44 5,75 1,16 6 1,21 3,063 0,55 Comparando o IDATE-traço com o questionário SRQ-20 e demais variáveis (momento de maior ansiedade, idade, tempo de trabalho, turno), observaram-se diferenças estatisticamente significantes apenas para o IDATEtraço e SRQ-20, podendo-se afirmar que estas variáveis apresentam correlação positiva. Assim, quanto maior o escore do SRQ-20 maior será o escore do IDATE-traço, ou seja, maior será a ansiedade. Os demais dados não foram dados estatisticamente significantes, conforme demonstrado na Tabela 4. Tabela 4. Correlação entre IDATE-traço com questionário momento de maior ansiedade, turno e tempo de trabalho Variável P SRQ-20 <0,0001*** Idade 0,4641 Momento maior de ansiedade 0,8876 Turno 0,9406 Tempo de trabalho 0,6491 *** Diferença significante p<0,05; Correlação de Pearson SRQ-20, idade, r 0,7550 -0,1082 0,02119 0,01105 -0,06737 66 No que diz respeito às variáveis do SRQ-20 (Tabela 5), tais como sentirse nervoso, tenso ou preocupado, dificuldade de pensar com clareza, falta de apetite, assusta-se com facilidade, tremores nas mãos, dificuldade para tomar decisões, todas obtiveram correlação estatisiticamente significante (p<0,05) com a ansiedade (IDATE-traço), sendo relatada pelos grupos com alta ansiedade. Tabela 5. Correlação entre IDATE-traço com as variáveis do questionário SRQ20 entre os grupos experimental e controle. Variáveis Grupo Experimental Grupo Controle (n=24) (n=24) Baixa Alta Baixa Alta Ansiedade Ansiedade Ansiedade Ansiedade (n=16) (n=8) (n=16) (n=8) n % n % N % n % 2 12,5 6 75 4 25 3 37,5 com clareza 1 6,25 3 37,5 3 18,75 2 25 Falta de apetite 2 12,5 2 25 3 18,75 5 62,5 facilidade 4 25 3 37,5 2 12,5 2 25 Tremores nas mãos 3 18,75 1 12,5 3 18,75 1 12,5 4 25 2 25 2 12,5 2 25 Nervoso, tenso ou preocupado Dificuldade de pensar Assusta-se Dificuldade decisões com para tomar Em relação às médias dos escores do IDATE-estado nos grupos (Tabela 6) (Figura 2), houve diferença estatisticamente significante tanto entre os grupos baixa e alta ansiedade, quanto entre os momentos antes e depois (p<0,05). Comparando-se cada grupo considerando ambos os momentos, constatou-se diferença estatisticamente significante apenas nos grupos experimentais, ocorrendo diminuição significante dos escores no momento depois (p=0,0041 BA e p=0,0263 AA). Ao comparar os grupos alta e baixa ansiedade (experimental) no momento depois, constatou-se diferença estatisticamente significante (p=0,0126), verificando-se maior diminuição dos escores para o grupo alta ansiedade. 67 Tabela 6. Dados referentes às médias e erro padrão (EP) do IDATE-estado de acordo com o grupo e momento. Variáveis Momento antes Momento depois Experimental Controle Experimental Controle (n=16) (n=8) (n=16) (n=8) p Média EP Média EP Média EP Média EP Baixa ansiedade 33,44 1,88 34,38 1,20 30 2,06 32,25 1,28 0,0041 Alta ansiedade 42,88 3,11 41,63 1,94 39,88 3,06 38 3,02 0,0263 Diferença significante p<0,05; IDATE-estado * 50 * Pontuação (escore) IDATE –Estado 40 *** 30 20 10 0 Antes Antes Momentos Depois Depois Momentos Figura 2. Média e erro padrão dos escores do IDATE-estado dos grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois da exposição ao CiaL. *** p=0,0041 (grupo experimental BA momento antes x grupo experimental BA momento depois); * p=0,0263 (grupo experimental AA momento antes x grupo experimental AA momento depois); * p=0,0126 (grupo experimental BA momento depois x grupo experimental AA momento depois). Legenda grupos: controle AA. experimental BA; controle BA; Experimental AA; 68 Em relação ao feedback (relato do trabalhador) no dia seguinte do experimento, não foi possível para todos, visto que alguns mudavam de turno ou não era possível o contato com o trabalhador no setor. Então, dos nove trabalhadores (grupo experimental), que entraram em contato, oito deram feedback positivo, relatando que se sentiram bem e relaxados durante todo o dia, após a inalação do CiaL. Além disso, 16 (66%) dormiram ou cochilaram na maca, durante a inalação, 5 (21%) referiram não terem sentido o odor do CiaL. e um (4%) relatou não gostar do odor. Os trabalhadores dos grupos controle não referiram diferença durante o dia e apenas um (4%) dormiu. 6.2 Parâmetros de mensuração fisiológica Nos dados obtidos na pressão arterial (sistólica/diastólica), observou-se diferença estatisticamente significante (p=0,0185) apenas na diastólica para o grupo de BA experimental com médias de 140,4 (sistólica) ± 5,48 e 89,81 (diastólica) ± 3,76 mmHg antes/ 137,9 (sistólica) ± 5,48 e 84,19 (diastólica) ± 2,76 mmHg depois. Ocorrendo uma diminuição da pressão arterial após inalação do CiaL. (Tabela 7) O grupo controle não inalou o CiaL., apenas permaneceu durante o mesmo período em sala igual ao grupo experimental e foram medidos os parâmetros psicológicos e fisiológicos antes e após 25 minutos. Tabela 7. Dados referentes às médias, erro padrão (EP) e p valor do parâmetro fisiológico pressão arterial (sistólica e diastólica) antes e após inalação do CiaL. nos grupos experimental e controle (alta e baixa ansiedade). Pressão Grupo experimental Grupo controle Arterial Antes Depois Média EP Média Sistólica BA 140,4 5,48 137,9 4,88 Diastólica BA 89,81 3,76 84,19 Sistólica AA 125,3 4,34 Diastólica AA 77,38 3,13 p Depois Média P Média EP 0,4268 126,8 2,91 127,9 2,91 0,7232 2,76 0,0185* 80,13 2,33 81,06 1,75 0,5044 122,4 4,34 0,6675 135,3 3,83 138,0 4,72 0,4099 79,13 3,34 0,5282 82,13 2,51 83,25 4,27 0,7163 * Diferença significante (p<0,05) EP Antes EP 69 Observou-se diminuição significante da frequência cardíaca no grupo experimental (p=0,0002) de baixa ansiedade no momento depois. Sendo a média 78,13 ± 2,12 (antes)/ 71,06 ± 2,10 (depois) grupo experimental (Figura 3). Frequencia Cardíaca por minuto-bpm) (batimentosbpm Frequência Cardíaca 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 * *** ** Antes Antes Depois Depois Momentos Momentos Figura 3. Média e erro padrão das medidas de frequência cardíaca entre grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois da inalação do CiaL. *** p=0,0002 (grupo experimental BA momento antes x grupo experimental BA momento depois). Legenda grupos: experimental BA; controle BA; experimental AA; controle AA. 70 Ao avaliar-se a temperatura de extremidade, em relação aos grupos e momentos, observou-se diferença estatística significante (p>0,05) no grupo experimental e controle de alta ansiedade, sendo 35,09 ± 0,13 (antes) e 33,61 ± 0,66 (depois)/ 31,50 ± 1,30 (antes) e 30,71 ± 0,74 (depois), respectivamente (Figura 4). Temperatura 40 Temperatura graus C(°C) * * 30 20 10 0 AntesAntes Depois Depois Momentos Momentos Figura 4. Média e erro padrão das medidas da Temperatura de extremidade entre grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois inalação do CiaL. * p<0,05 (grupo experimental AA momento antes x grupo experimental AA momento depois) e (grupo controle AA momento antes x grupo controle AA momento depois) . Legenda grupos: experimental BA; controle BA; experimental AA; controle AA. 71 Em relação à condutância elétrica da pele, observou-se resultado estatisticamente significante (p<0.0001) no momento depois do grupo de baixa ansiedade com diminuição das medidas tanto para o grupo experimental (p=0.0354) quanto para o controle (p=0.0137), sendo 7,77 ± 1,78 / 7,095 ± 0,96 μMHO antes e 6,89 ± 1,65 / 5,48 ± 0,81 μMHO depois, respectivamente. Os em MHO valorelétrica da pele (μMHO) Condutância demais resultados não foram estatisticamente significantes (Figura 5). Condutância elétrica da pele 10.0 * 7.5 * 5.0 2.5 0.0 Antes Antes Depois Depois Momentos Momentos Figura 5. Média e erro padrão das medidas da condutância da pele entre grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois da inalação do CiaL. * p=0,0354 (grupo experimental BA momento antes x grupo experimental BA momento depois) e * p=0,0354 (grupo controle BA momento antes x grupo controle BA momento depois) . Legenda grupos: experimental BA; controle BA; experimental AA; controle AA. 72 DISCUSSÃO 73 7 DISCUSSÃO A presente pesquisa teve como objetivo avaliar o efeito do óleo essencial de Citrus aurantium L (CiaL) na ansiedade de trabalhadores expostos a ruído ocupacional. Após a coleta e análise dos dados, os resultados foram confrontados com a literatura, buscando respostas neuropsicológicas para explicar os fenômenos encontrados. Com relação à caracterização da amostra, verificou-se que os 48 (quarenta e oito) voluntários, apresentam faixa etária entre 20 e 51 anos, trabalham expostos ao ruído entre 6 meses e 23 anos, a maioria inicia o turno de trabalho pela manhã e referiram o período durante/ após o trabalho como momentos de maior ansiedade no dia, conforme ilustrado nas tabelas 2 e 3. O trabalho exposto ao ruído elevado em períodos prolongados, assim como em horários não convencionais, podem alterar o ciclo circadiano que é importante na regulação das funções fisiológicas e psicológicas, causando então ansiedade, estresse e problemas sociais (ALMONDES; ARAÚJO, 2009). Para a verificação da tendência à ansiedade na amostra da pesquisa utilizou-se o IDATE-traço e o SRQ-20. Observaram-se escores mais elevados do SRQ-20 em trabalhadores com alta ansiedade, ou seja, IDATE-traço acima de 40 pontos (Tabela 3). A relação entre esses valores foi significante, podendo-se inferir que quanto maior o IDATE-traço do trabalhador, maior o será o escore do SRQ-20. Mostrando, dessa maneira, que o SRQ-20 pode ser capaz de triar distúrbios psiquiátricos menores como, por exemplo, a ansiedade, depressão e estresse, além de poder auxiliar nos primeiros estágios do diagnóstico, conforme encontrado na literatura pesquisada (MARI; WILLIAMS, 1986; MARI et al.,1987; DSM-IV, 2002). No que se refere à correlação entre o IDATE-traço com o SRQ-20 e demais variáveis (momento de maior ansiedade, idade, turno, tempo de trabalho), mesmo não obtendo diferenças estatisticamente significante, foram observados escores mais elevados do IDATE-traço e SRQ-20 em trabalhadores com maior tempo de exposição ao ruído e com idade acima de 33 anos e momento de maior ansiedade relatado foi depois e durante o trabalho (Tabela 4). Os dados citados são importantes por sinalizarem a interferência do ruído na ansiedade de trabalhadores expostos a este agente 74 físico, principalmente, em relação ao tempo de exposição, idade e momento de maior ansiedade. Nesse contexto, Miller (1974) e Melamed; Bruhis (1996) referiram que a exposição ao ruído pode induzir respostas psicossociais como a ansiedade. Fernandes e Morata (2002) também identificaram ansiedade entre os problemas de saúde mais citados entre trabalhadores expostos ao ruído. Melamed e Bruhis (1996) observaram que diminuindo o nível de ruído (de 85dB para 30dB) com o uso de protetores auditivos, reduz-se o cansaço, estresse e ansiedade após o trabalho. No entanto, cabe ressaltar que todos os trabalhadores da presente pesquisa fazem uso de protetores, no entanto, o ruído da produção em que trabalham é superior a 85dB. Ao comparar o IDATE-traço com as variáveis do SRQ-20 dos grupos, percebeu-se uma diferença significante (p<0,05) para sentir-se nervoso, tenso ou preocupado, dificuldade de pensar com clareza, falta de apetite, assustar-se com facilidade, tremores nas mãos, dificuldade para tomar decisões, os quais foram mais presentes no grupo alta ansiedade (Tabela 5). Esses dados destacam características de indivíduos com o sintoma da ansiedade e corroboram com estudos que afirmam que a ansiedade pode interferir no sono, causar tensão e dificuldade para tomar decisões, que são respostas reativas do Sistema Nervoso Autônomo (SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHNENE, 1970; EDELMANN, 1992; DSM-IV, 2002). A exposição ao ruído também pode causar as queixas referidas, além da própria ansiedade (MILLER, 1974; MELAMED; BRUHIS, 1996; GITANJALI; ANANTH, 2003). Dessa forma, os sintomas supracitados tem relação tanto com o ruído quanto com a ansiedade, podendo os mesmos serem causados ou intensificados durante a exposição ao ruído. No que diz respeito às respostas do IDATE-estado, questionário utilizado para mensurar o grau de ansiedade antes e depois da inalação do CiaL., constatou-se escores mais elevados nos grupos com alta ansiedade (Tabela 6) e diminuição significante dos escores do IDATE-estado em ambos os grupos (alta e baixa ansiedade experimental) no momento depois da exposição ao CiaL. (Figura 2). Esses resultados corroboram com pesquisas pré-clínicas utilizando o mesmo O.E. no sintoma de ansiedade (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002; PULTRINI; GALINDO; COSTA, 2006; LEITE et al., 2008), como também pesquisas clínicas utilizando CiaL. e outros tipos de óleos essencias (ITAI et al., 2000; LEHRNER et al., 2000; LEHRNER et al., 2005). 75 Assim, sugere-se o efeito ansiolítico do CiaL-OE. em trabalhadores expostos ao ruído ocupacional, visto que os escores do IDATE-estado reduziram após situação de relaxamento (inalação CiaL.), conforme citação de Epielberger, Gorsuch, Lushene (1970). Os sujeitos da pesquisa (GE), além de apresentarem redução dos escores do IDATE-estado, também relataram sentirem-se “relaxados” após exposição ao O.E., como também no decorrer do dia, e durante o ensaio clínico, os mesmos dormiram ou cochilaram. Cabe ressaltar que a diminuição dos escores de ansiedade-estado não se deveu apenas à permanência dos sujeitos da pesquisa deitados na maca da sala do setor médico, usufruindo de um momento de relaxamento antes, durante ou após o trabalho, mas sim à inalação do CiaL-OE., visto que os sujeitos do GC não apresentaram diminuição dos escores de ansiedade do IDATE-estado estatisticamente significantes. Assim, a inalação do OE demonstrou uma redução da ansiedade refletida na sua saúde mental, fato esse que acarreta em um melhor bem estar por parte dos trabalhadores. Ao comparar os grupos alta e baixa ansiedade experimental no momento depois, constatou-se diferença estatisticamente significante (p=0,0126), verificando-se maior diminuição dos escores para o grupo alta ansiedade (Figura 2). Com isto, pode-se inferir que o CiaL-OE apresenta efeito ansiolítico em indivíduos com alta e baixa ansiedade, parecendo ser mais sensível em pessoas com alta ansiedade. Um fato observado durante a pesquisa foi que nem todos os sujeitos sentiram o odor do CiaL. Os mesmos apenas relataram sensação de relaxamento e só informaram sentir o odor quando a pesquisadora comentou a respeito, ao final do ensaio clínico, ou seja, após a aplicação de todo o protocolo da pesquisa. Apenas um sujeito referiu que o odor incomodou (“não gostou do cheiro”). Esta questão e os demais resultados discutidos nesta seção de parâmetros de mensuração psicológica devem-se ao efeito indireto e instantâneo da aromoterapia, tendo em vista sua relação com a cultura, experiências anteriores e personalidade, ativando, dessa forma, a memória olfativa (BROUGHAN, 1998/1999). Sendo assim, a avaliação dos parâmetros psicológicos utilizados, tais como, IDATE-traço e o SRQ-20, demonstraram ser eficientes na identificação de distúrbios psiquiátricos menores, por exemplo, ansiedade, podendo ser de alto ou baixo grau. Além disso, o IDATE-estado evidenciou que o CiaL-OE. 76 reduziu a ansiedade tanto nos trabalhadores com alta quanto com baixa ansiedade, comprovando efeito ansiolítico, durante intervenção aguda, ou seja, única exposição em trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. De acordo com Perry e Perry (2006), os efeitos da aromaterapia são, na maioria das vezes, instantâneos e podem afetar o Sistema Nervoso Central de forma direta ou indireta. No que diz respeito ao efeito direto, a resposta é mais imediata por meio de alterações fisiológicas, sendo observado na maioria da população (BROUGHAN, 1998/1999). A ansiedade, estado emocional transitório marcado por tensão, apreensão e ativação do sistema nervoso autônomo, tende a aumentar a pressão arterial, frequência cardíaca, condutância da pele e diminuir a temperatura de extremidade (GRAEFF; GUIMARÃES, 2000; BRANDÃO et al., 2003; ALMEIDA, 2009). Pesquisas sobre o efeito da aromaterapia, como a de Louis e Kowalski (2002), têm demonstrado diminuição da pressão arterial, respiração e pulso, como indicativo da redução de ansiedade e dor (LOUIS; KOWALSKI, 2002). No tocante às mensurações fisiológicas, a pressão arterial diastólica no grupo baixa ansiedade experimental reduziu significativamente após (momento depois) inalação do CiaL-OE. (Tabela 7), assim como a diminuição da frequência cardíaca para o grupo baixa ansiedade experimental (Figura 3). Em relação ao aspecto fisiológico, há aumento da pressão arterial e frequência cardíaca em situações que provocam medo ou ansiedade (JAMES et al., 1986; RANG; DALE; RITTER, 1995), devido à relação direta com o Sistema Límbico (FONSECA et al., 2009) e imediata ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA). Após um momento de “relaxamento”, espera-se uma diminuição destes parâmetros. Fato que ocorreu apenas com o grupo baixa ansiedade experimental, o que corrobora com os achados das pesquisas de Louis e Kowalski (2002), Hongratanaworakit e Buchbauer (2004) e Hongratanaworakit (2009), nos quais referem que a aromaterapia diminui a excitação autonômica, reduzindo também a ansiedade, mostrando assim que a inalação ao CiaL. foi ansiolítica para o grupo baixa ansiedade experimental. No que diz respeito à temperatura de extremidade (Figura 4), observouse diminuição significante deste parâmetro apenas para o grupo alta ansiedade experimental e controle. Segundo Almeida (2009), ocorre redução da temperatura de extremidade em virtude de alterações autonômicas, como 77 constrição dos vasos periféricos, transpiração, redução de transferência de calor para as partes distais do corpo e resposta eletrodérmica que são causadas por tarefas ansiogênicas ou pessoas que tenham a personalidade ansiosa. Portanto, a redução desse parâmetro demonstra que os indivíduos permaneceram ansiosos mesmo após inalação do CiaL. O predomínio e conservação da ansiedade, demonstrado no parâmetro fisiológico temperatura de extremidade, no grupo com o escore do IDATE-traço mais elevado (alta ansiedade), provavelmente deveu-se à preocupação dos sujeitos em ter que voltar para o trabalho e, consequentemente, não conseguirem “relaxar”. No que concerne a condutância da pele (Figura 5), observou-se diminuição significante nos parâmetros do grupo de baixa ansiedade tanto controle quanto experimental. Essa redução significa menor ansiedade após a exposição ao CiaL. Segundo Silva e Leite (2000), os níveis de condutância da pele podem permanecer aumentados em situação estressante como, por exemplo, em um discurso, tendo em vista a permanência do suor eliminado durante essa situação. Por outro lado, em situações de relaxamento, como na pesquisa em questão, a tendência é reduzir o nível de condutância elétrica da pele. Desta forma, os achados dos parâmetros de mensuração fisiológica desta pesquisa apontam para o efeito redutor do CiaL. sobre a ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional com baixa ansiedade. A análise dos resultados dos parâmetros psicológicos e fisiológicos demonstrou efeito ansiolítico do O.E. CiaL. na ansiedade de trabalhadores, entretanto nos psicológicos observou-se redução em ambos os grupos alta e baixa ansiedade experimental e nos fisiológicos constatou-se diminuição no grupo baixa ansiedade. Este fato traz para a discussão a importância da autoavaliação do indivíduo na verificação do impacto de uma alteração/problema de saúde. Demonstrando, muitas vezes, que apenas a avaliação clínica ou exames objetivos não evidenciam o bem estar e a qualidade de vida do sujeito (RIEF; HERMANUTZ, 1996). Além disso, o fato dos trabalhadores do grupo com alta ansiedade não terem demonstrado redução da ansiedade, por meio dos parâmetros fisiológicos, pode sugerir que estes indivíduos necessitem de uma intervenção crônica e não aguda, conforme realizado nesta pesquisa. Fazendo-se 78 necessárias, provavelmente, intervenções consecutivas antes da atividade laboral e com aumento da concentração do CiaL. para que se consiga registro de índices diminuídos de pressão arterial, frequência cardíaca, condutância elétrica e elevação da temperatura de extremidade. Portanto, retomando as hipóteses da presente pesquisa, o CiaL-OE. pode interferir de forma positiva na ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. Tal interferência foi demonstrada por meio da redução dos parâmetros psicológicos e fisiológicos do GE. Entretanto, os resultados desta pesquisa ainda sinalizam a necessidade de ampliação das investigações acerca do CiaL-OE. sobre ansiedade, principalmente em estudos clínicos, abrangendo populações maiores e utilizando-se, inclusive, modelos clínicos agudos e crônicos. A investigação do CiaL-OE. não se esgota, pois os resultados encontrados na pesquisa em questão apontam para o efeito farmacológico desta droga vegetal, auxiliando na descoberta de um potencial terapêutico para redução da ansiedade. No entanto, ainda faz-se necessário o delineamento de estudos que possam aprofundar o conhecimento a cerca do CiaL. e ansiedade, resultando em progresso para a abordagem clínica da ansiedade e melhora da qualidade de vida. 79 CONCLUSÕES 80 8 CONCLUSÕES A análise dos resultados obtidos, permitem as seguintes conclusões: Trabalhadores com alta ansiedade apresentam escores mais elevados do que os de baixa ansiedade no IDATE (traço e estado) e no SRQ-20; Os parâmetros psicológicos apresentram-se reduzidos tanto no grupo alta quanto baixa ansiedade (experimental) após a exposição ao CiaLOE.; Os parâmetros fisiológicos de pressão arterial diastólica, frequência cardíaca e condutância da pele apresentaram-se reduzidos após exposição ao CiaL-OE., no grupo de baixa ansiedade; O CiaL-OE. mostrou efeito ansiolítico imediatamente após a exposição que continuou ao longo do dia, no entanto, ainda não se sabe em relação ao efeito em longo prazo. A relação entre o ruído e a ansiedade em trabalhadores não se esgotam com esta pesquisa, visto a escassez de dados relacionados na literatura. Assim como, no que diz respeito ao efeito do CiaL-OE. na ansiedade em estudos clínicos. Sugerem-se estudos posteriores, com um número maior de sujeitos, como também o uso de intervenção crônica, durante vários dias antes da exposição ao ruído, bem como a utilização de novas concentrações e/ou tempo de exposição ao OE junto a indivíduos com alta ansiedade. 81 REFERÊNCIAS 82 REFERÊNCIAS ALEXANDER, M. How theories of motivation apply to olfactory aromatherapy. International Journal of Aromatherapy, v. 10, n. 3/4, p. 135-51, 2000. ALMEIDA, A.A.F. Alterações psicofisiológicas e vocais em indivíduos submetidos ao teste de simulação de falar em público. 2009. 106 f. Tese (Doutorado em Psicobiologia) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2009. ALMEIDA, R.N.; MOTTA S.C.; LEITE, J.R. 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Tem dificuldades no serviço (seu trabalho é penoso, lhe causa sofrimento)? 0 1 14. É incapaz de desempenhar um papel útil em sua vida? 0 1 15. Tem perdido o interesse pelas coisas? 0 1 16. Você se sente uma pessoa inútil, sem préstimo? 0 1 17. Tem tido a idéia de acabar com a vida? 0 1 18. Sente-se cansado(a) o tempo todo? 0 1 19. Tem sensações desagradáveis no estômago? 0 1 20. Você se cansa com facilidade? 0 1 21. Sente que alguém quer lhe fazer mal? 0 1 22. Você é alguém muito mais importante do que a maioria das pessoas pensa? 0 1 23. Ouve vozes que não sabe de onde vêm, ou que outras pessoas não podem ouvir? 0 1 96 Anexo B IDATE (PARTES I e II ) PARTE I Leia cada pergunta e faça um círculo ao redor do número à direita da afirmação que melhor indicar como você se sente agora, neste momento. Não gaste muito tempo numa única afirmação, mas tente dar a resposta que mais se aproxime de como você se sente neste momento. AVALIAÇÃO Muitíssimo.................4 Um pouco......................2 Bastante.....................3 Absolutamente não.....1 1. Sinto-me calmo(a)........................................... 1 2 3 4 2. Sinto-me seguro(a).......................................... 1 2 3 4 3. Estou tenso(a).................................................. 1 2 3 4 4. Estou arrependido(a)....................................... 1 2 3 4 5. Sinto-me à vontade.......................................... 1 2 3 4 6. Sinto-me perturbado(a).................................... 1 2 3 4 7. Estou preocupado(a) com possíveis infortúnios..1 2 3 4 8. Sinto-me descansado(a).......................................1 2 3 4 9. Sinto-me ansioso(a).............................................1 2 3 4 10. Sinto-me “em casa”.............................................1 2 3 4 11. Sinto-me confiante..............................................1 2 3 4 12. Sinto-me nervoso(a)............................................1 2 3 4 13. Estou agitado(a)..................................................1 2 3 4 14. Sinto-me uma pilha de nervos............................1 2 3 4 15. Estou descontraído(a).........................................1 2 3 4 16. Sinto-me satisfeito(a)......................................... 1 2 3 4 17. Estou preocupado(a)......................................... 1 2 3 4 18. Sinto-me superexcitado(a) e confuso(a).............1 2 3 4 19. Sinto-me alegre...................................................1 2 3 4 20. Sinto-me bem......................................................1 2 3 4 97 PARTE II Leia cada pergunta e faça um círculo ao redor do número à direita da afirmação que melhor indicar como você se sente agora, neste momento. Não gaste muito tempo numa única afirmação, mas tente dar a resposta que mais se aproxime de como você se sente geralmente. AVALIAÇÃO Quase sempre.................4 Às vezes......................2 Frequentemente.............3 Quase nunca..............1 1. Sinto-me bem...................................................................1 2 3 4 2. Canso-me facilmente.......................................................1 2 3 4 3. Tenho vontade de chorar.................................................1 2 3 4 4. Gostaria de poder ser tão feliz quanto os outros parecem ser 1 2 3 4 5. Perco oportunidades porque não consigo tomar decisões rapidamente.....................................................................1 2 3 4 6. Sinto-me descansado(a)...................................................1 2 3 4 7. Sou calmo(a), ponderado(a) e senhor(a) de mim mesmo.1 2 3 4 forma que não as consigo resolver...................................1 2 3 4 9. Preocupo-me demais com coisas sem importância..........1 2 3 4 10. Sou feliz............................................................................1 2 3 4 11. Deixo-me afetar muito pelas coisas..................................1 2 3 4 12. Não tenho muita confiança em mim mesmo(a)................1 2 3 4 13. Sinto-me seguro(a)............................................................1 2 3 4 14. Evito ter que enfrentar crises ou problemas......................1 2 3 4 15. Sinto-me deprimido(a)......................................................1 2 3 4 16. Estou satisfeito(a).............................................................1 2 3 4 3 4 tirá-los da cabeça..............................................................1 2 3 4 19. Sou uma pessoa estável.....................................................1 2 3 4 8. Sinto que as dificuldades estão se acumulando de tal 17. Às vezes, idéias sem importância me entram na cabeça e ficam-me preocupando..................................................1 2 18. Levo os desapontamentos tão a sério que não consigo 20. Fico tenso(a) e perturbado(a) quando penso em meus problemas do momento..........................................................................1 2 3 4 98 Anexo C 99 APÊNDICE 100 APÊNDICE Apêndice A 101 102 103 Apêndice B Termo de Consentimento livre e Esclarecido 1 - Titulo: Interferência do odor do Citrus aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. 2 - Essas informações estão sendo fornecidas para sua participação voluntária neste estudo, que visa verificar a prevalência de ansiedade em trabalhadores expostos a ruído ocupacional; 3 - Necessitará a sua resposta a alguns questionários relacionados à ansiedade; 4 - Não existem riscos médicos ou desconfortos associados com a pesquisa; 5 - Não há benefício direto para o participante, somente ao final do estudo poderemos concluir a presença de algum benefício para a comunidade científica e para a sociedade em geral; 6 - Garantia de acesso: em qualquer etapa do estudo, você terá acesso aos profissionais responsáveis pela pesquisa para esclarecimento de eventuais dúvidas. A principal investigadora é Marine Raquel Diniz da Rosa pode ser encontrada no Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba. Cidade Universitária - Campus I. Castelo Branco - João Pessoa ou no telefone: 3216-7831. 7 - É do seu direito, como um participante de pesquisa, continuar ou não voluntariamente deste estudo. Compreendendo sobre o que, como e porque este estudo está sendo feito; 8 - Direito de confidencialidade - As informações obtidas serão analisadas em conjunto com as dos demais voluntários, não sendo divulgado a identificação de nenhum; 9 - Direito de ser mantido atualizado sobre os resultados parciais das pesquisas, quando em estudos abertos, ou de resultados que sejam do conhecimento dos pesquisadores; 10 - Despesas e compensações: não há despesas pessoais para o participante em qualquer fase do estudo, incluindo todo o processo. Também não há compensação financeira relacionada à sua participação; 11 - Em caso de dano pessoal, diretamente causado pelos procedimentos propostos neste estudo, o participante tem direito a tratamento médico na Instituição, bem como às indenizações legalmente estabelecidas; 12 - Compromisso do pesquisador de utilizar os dados e o material coletado somente para esta pesquisa. Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li ou que foram lidas para mim, descrevendo o estudo “Interferência do odor do Citrus aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional”. Eu discuti com Marine Raquel Diniz da Rosa sobre a minha decisão em participar nesse estudo. Ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a serem realizados, seus desconfortos e riscos, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro também que minha participação é isenta de despesas e que tenho garantia do acesso a tratamento hospitalar quando necessário. Concordo voluntariamente em participar deste estudo e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa ter adquirido, ou no meu atendimento neste Serviço. 104 ____________________________________ Assinatura do voluntário Data ____/____/____ Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido deste voluntário para a participação neste estudo. ____________________________________ Assinatura do responsável pelo estudo Data ____/____/____ CEP/HULW: 3216-7302