1
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUTOS NATURAIS E
SINTÉTICOS BIOATIVOS
MARINE RAQUEL DINZ DA ROSA
Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a
ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional
JOÃO PESSOA-PB
2011
2
MARINE RAQUEL DINIZ DA ROSA
Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a
ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional
Tese apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Produtos Naturais
e Sintéticos Bioativos do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade
Federal da Paraíba, como parte dos
requisitos para obtenção do título de
DOUTOR
EM
PRODUTOS
NATURAIS
E
SINTÉTICOS
BIOATIVOS. Área de concentração:
FARMACOLOGIA
Orientadora: Profa. Dra. Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz.
JOÃO PESSOA-PB
2011
3
R788i
Rosa, Marine Raquel Diniz da.
Interferência do óleo essencial de Citrus
aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores
expostos ao ruído ocupacional / Marine Raquel Diniz
da Rosa.-- João Pessoa, 2011.
103f. : il.
Orientadora: Margareth de Fátima Formiga
Melo Diniz
Tese (Doutorado) – UFPB/CCS
1. Produtos Naturais. 2. Citrus aurantium L. 3.
Óleo essencial. 4. Ansiedade – trabalhadores - ruído
ocupacional.
UFPB/BC
547.9(043)
CDU:
4
FOLHA DE APROVAÇÃO
Marine Raquel Diniz da Rosa
Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a
ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional
Aprovada em:
____/____/_____
BANCA EXAMINADORA
_____________________________________________
Profa. Dra. Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz
Universidade Federal da Paraíba-Orientadora
_______________________________________________
Prof. Dra. Ana Tereza Medeiros Cavalcanti da Silva
Universidade Federal da Paraíba-Examinadora externa
________________________________________________
Prof. Dr. Natanel Antônio dos Santos
Universidade Federal da Paraíba- Examinador externo
_____________________________________________
Prof. Dra. Bagnólia Araújo da Silva
Universidade Federal da Paraíba- Examinadora interna
______________________________________________
Prof. Dr. José Pinto Siqueira Junior
Universidade Federal da Paraíba-Examinador interno
_____________________________________________
Prof. Dr. Fábio Correa Sampaio
Universidade Federal da Paraíba-Examinador externo
_______________________________________________
Profa. Dra. Edeltrudes de Oliveira Lima
Universidade Federal da Paraíba-Examinadora interna (Suplente)
5
Dedico este trabalho a Deus por me manter
perseverante para trilhar meu caminho e ter
segurado na minha mão, em todos os
momentos; a Nossa Senhora por interceder ao
Pai por mim, sempre abençoando e iluminando
meus passos.
6
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, Geraldo e Marize, pelo exemplo de conduta, dignidade,
fortaleza e confiança depositada. Todo meu amor e admiração.
Ao meu esposo, Marçal, pela compreensão, dedicação, ajuda e paciência. Por
estar comigo em todos os momentos e depositar em mim toda confiança. Todo
meu imenso amor.
A minha irmã, Danielle, pelo incentivo e apoio, mesmo distante. Todo meu
amor e carinho.
À profa Dra. Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz pela competência,
experiência e dedicação à pesquisa, por demonstrar confiança em mim, e ao
mesmo tempo pelo estímulo constante indispensável à realização deste
trabalho, meu respeito e gratidão.
Aos Profs. membros da Banca examinadora pelas valiosas contribuições para
minha pesquisa.
À coordenação do Programa de Pós Graduação em Produtos Naturais e
Sintéticos Bioativos pela oportunidade e acolhida durante minha permanência
no curso.
A todos os docentes do Programa de Pós Graduação em Produtos Naturais e
Sintéticos Bioativos pelos ensinamentos e auxilio na construção do
conhecimento. Em especial ao Prof. Dr. Reinaldo Nóbrega de Almeida pelos
conselhos, ensinamentos e atenção; à Profa. Dra. Liana Clébia pelo incentivo e
atenção e à Profa. Dra. Bagnólia Araújo da Silva pela acolhida e incentivo.
Aos meus colegas do doutorado por todos os momentos compartilhados.
A todos os funcionários do Programa de Pós Graduação em Produtos Naturais
e Sintéticos Bioativos pela atenção, apoio e presteza.
Ao Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba pelo
apoio e compreensão.
À amiga Anna Alice Figueiredo de Almeida pela paciência, auxílio, incentivo e
valiosa colaboração para minha pesquisa.
Às alunas do Programa Institucional de Voluntários de Iniciação CientíficaPIVIC Caroline Gonçalves Silva e Maria Aline Ribeiro Lima pela ajuda na
coletada dos dados.
À Fonoaudióloga Valéria Gonçalves, funcionários e trabalhadores da empresa
em que realizei a pesquisa.
Ao colega Wagner Teobaldo pela revisão e formatação do meu trabalho.
7
Ao colega Jaims Ribeiro pela contribuição teórica e na avaliação das
mensurações psicológicas.
Ao pesquisador Fábio Santos de Sousa e ao analista de controle de qualidades
Valmir Gomes de Souza do Laboratório de Controle de Qualidade de Produtos
Farmacêuticos-LCQPF do Departamento de Ciências Farmacêuticas do Centro
de Ciências da Saúde da UFPB pela análise cromatográfica do óleo essencial
utilizado na pesquisa.
A todas as pessoas, que direta ou indiretamente contribuíram para a finalização
deste sonho, principalmente, aos participantes desta pesquisa pela
colaboração e participação.
8
"Deus nos fez perfeitos e não escolhe os
capacitados, capacita os escolhidos. Fazer ou não
fazer algo, só depende de nossa vontade e
perseverança" (Albert Einstein)
9
ROSA, M.R.D. Interferência do óleo essencial de Citrus aurantium L. sobre a ansiedade
de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. 2011. 103p. Tese. Programa de Pósgraduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos. Universidade Federal da Paraíba, João
Pessoa. Paraíba.
RESUMO
O ruído é um agente físico que pode causar efeitos auditivos e extra-auditivos.
Tratando-se dos efeitos extra-auditivos, a ansiedade é um sintoma ainda pouco
estudado relacionando-se com o ruído, mas é uma desordem psiquiátrica
comum na população exposta ao ruído ocupacional. Para tratar ou minimizar
os transtornos de ansiedade existem disponíveis medicamentos ansiolíticos,
tais como, benzodiazepínicos, antidepressivos, dentre outros. Entretanto, estes
provocam efeitos colaterais (sonolência, tontura, diminuição da atenção e
concentração), fato que, muitas vezes, impede o uso do medicamento.
Atualmente, pesquisas utilizando óleos essenciais buscam o tratamento da
ansiedade, reduzindo a possibilidade de ocorrência de efeitos colaterais. O
óleo essencial de CiaL. demonstrou ação no Sistema Nervoso Central,
reduzindo os efeitos comportamentais em animais (permanência em campo
aberto, entrada e saída no labirinto em cruz-braços aberto e tempo de
permanência no mesmo) e vem sendo utilizada por profissionais da saúde para
restabelecer o bem-estar emocional, reduzir depressão, ansiedade e estresse.
O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do óleo essencial de CiaL. na
ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. Tratou-se de um
ensaio clínico, cuja amostra do estudo foi composta por 48 trabalhadores
expostos a ruído ocupacional de uma indústria de papel da Paraíba com idade
entre 20 e 51 anos, sendo todos do sexo masculino. Os trabalhadores, que
atenderam aos critérios de inclusão da pesquisa, foram divididos em quatro
grupos de forma não-aleatória, pareados de acordo com a idade e de acordo
com liberação do setor de produção: grupo alta ansiedade experimental (n=8);
grupo ata ansiedade controle (n=8); grupo baixa ansiedade experimental
(n=16) e grupo baixa ansiedade controle (n=16). Os trabalhadores do grupo
experimental foram expostos à inalação do CiaL. (10 mL), durante 25 minutos,
individualmente em uma sala e os parâmetros psicológicos (Inventário de
Ansiedade Traço e Estado- estado) e fisiológicos (pressão arterial, frequência
cardíaca, temperatura de extremidade e condutância elétrica da pele) foram
avaliados antes e imediatamente após a exposição. Os indivíduos dos grupos
controle participaram do mesmo ensaio clínico, mas sem inalação do óleo
essencial. Os resultados foram analisados por meio de teste paramétricos
ANOVA e correlação de Pearson. Observou-se correlação positiva entre
Inventário de Ansiedade Traço e Estado -traço e Self report questionnaire-20,
com escores mais elevados nos grupos alta ansiedade. Com a aplicação do
IDATE-estado, antes e depois da inalação do Citrus aurantium L., demonstrouse redução dos escores para os grupos baixa e alta ansiedade experimental.
Na mensuração dos parâmetros fisiológicos, observou-se redução da pressão
arterial, frequência cardíaca e condutância elétrica apenas para o grupo baixa
ansiedade. Portanto, os resultados encontrados evidenciam o efeito ansiolítico
do CiaL. ,imediatamente após intervenção aguda, nos grupos de baixa
ansiedade/alta ansiedade conforme parâmetros psicológicos e apenas no
grupo de baixa ansiedade, considerando os parâmetros fisiológicos.
Palavras-chave: ansiedade, ruído, óleo essencial, Citrus aurantium L.
10
ROSA, M.R.D. The interference of the Citrus aurantium L. essential oil in the anxiety of
workers exposed to occupational noise 2011. 103p. Thesis. Health Sciences Center, Federal
University of Paraíba, João Pessoa. Paraíba
ABSTRACT
Noise is a physical agent which can cause both auditory and extra-auditory
effects. Regarding the extra-auditory effects related to noise, anxiety is a
symptom still little studied, but it is a common psychiatric disorder in the
population exposed to occupational noise. It could be defined as an emotional
response characterized by physiologic, psychological and behavioral reaction to
situations of threat or undetermined danger. In order to treat or minimize the
anxiety disorders, there are available anxiolytics drugs such as
benzodiazepines, selective serotonin reuptake inhibitors, monoamine oxidase
inhibitors and tricyclic antidepressants, among others. However, they cause
side effects, which often preclude the use of the drug. Presently, there have
been developed researches which employ essential oils to treat anxiety,
reducing the possibility of side effects. The Citrus aurantium L. essential oil has
not only demonstrated action on the central nervous system by reducing the
behavioral effects in animals, but also it has been used by health professionals
to restore emotional well-being, reduce depression, anxiety and stress. The aim
of this study was to evaluate the effect of the Citrus aurantium L essential oil on
the anxiety of workers exposed to occupational noise. It was a clinical trial
(phase II) and model of experimental study. The study sample consisted of 48
workers of a paper industry in Paraíba, Brazil, exposed to occupational noise,
aged between 20 and 51 years, all male. The workers, who met the inclusion
criteria for the study, were divided into four groups, matched according to their
ages: experimental high anxiety group (n = 8), high-anxiety control group (n =
8), experimental low anxiety group (n = 16) and low-anxiety control group (n =
16). Workers in the experimental group were exposed to inhalation of Citrus
aurantium L. (10 mL) for 25 minutes alone in a room with a stretcher. The
psychological parameters (STAI-state) as well as the physiological parameters
(blood pressure, heart rate, extremities temperature and electrical conductance
of the skin) were evaluated before and immediately after the exposure, in
another room. The individuals of the control groups have participated of the
same trial, but without inhalation of the essential oil. The results were analyzed
by means of parametric ANOVA tests and Pearson’s correlation. There was a
positive correlation between STAI-trait and SRQ-20, with the high anxiety
groups presenting higher scores. Through the application of the STAI-state,
before and after inhalation of Citrus aurantium L., it was demonstrated a
reduction of the scores of those with low and high experimental anxiety.
Concerning the measure of physiological parameters, it was observed a
reduction of the blood pressure, heart rate and skin electrical conductance only
in the low anxiety group. Therefore, the results are evidence of the Citrus
aurantium L anxiolytic effect immediately after an acute intervention in the
groups of low anxiety and high anxiety, regarding psychological parameters;
but, considering the physiological parameters, only in the low anxiety group.
Keywords: anxiety, noise, essential oil, Citrus aurantium L.
11
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AA – Alta Ansiedade
ATC – Antidepressivo Tricíclico
BA – Baixa Ansiedade
BAS - Brief Anxiety Scale
bpm – Batimentos por minuto
BPRS – Brief psychiatric rating scale
BZD – Benzodiazepínico
CAS - Clinical Anxiety Scale
CiaL- Citrus aurantium L.
CiaL-OE- óleo essecial de Citrus aurantium L.
CNS – Conselho Nacional de Saúde
dB – decibel
DPM - distúrbios psiquiátricos menores
DSM-IV – Quarta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças
Mentais
FC – Frequência cardíaca
GABA – Ácido gama-aminobutírico
GC- Grupo controle
GE- Grupo experimental
HADS - Hospital Anxiety and Depression Scale
HADS – Hospital anxiety and depression scale
HAMA – Hamilton anxiety scale
HAMD – Hamilton depression scale
HPA - hipotálamo-hipófise-adrenal
IDATE - Inventário de Ansiedade Traço-estado
IDATE-E - IDATE-Estado
IDATE-T - IDATE-Traço
IMAO - inibidores da monoaminaoxidade
ISRS - inibidores seletivos de recaptação de seratonina
LCE - labirinto em cruz elevado
mmhg – milímetros de mercúrio
NIOSH - National Institute for Occupational Safety and Health
NPS – Nível de Pressão Sonora
ºC – Grau Celsius
OE – Óleo essencial
OMS – Organização Mundial de Saúde
PA – Pressão Arterial
PAD – Pressão arterial diastólica
PAIR – Perda Auditiva induzida por ruído
PAS – Pressão arterial sistólica
POMS- Profile of Mood States
SCL- Symptom Checklist
SCWT – Stroop color-word teste
SNC – Sistema nervoso central
SRQ – Self report questionnaire
TAG – Transtorno de ansiedade generalizada
TAS – Transtorno de Ansiedade Social
TP – Transtorno de pânico
TSFP- Teste de Simulação de Falar em Público
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VRSCWT - Video Recorded Stroop Color-Word Test
μMHO - micromoh
μV – microvoltz
13
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Cromatograma do CiaL apontando o pico do limoneno com tempo de
retenção em 4,5min...........................................................................................54
Figura 2. Média e erro padrão dos escores do IDATE-estado dos grupos de
baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois da
exposição ao CiaL.............................................................................................66
Figura 3. Média e erro padrão das medidas de frequência cardíaca entre
grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e
depois da inalação do CiaL...............................................................................68
Figura 4. Média e erro padrão das medidas da Temperatura de extremidade
entre grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos
antes e depois inalação do CiaL.......................................................................69
Figura 5. Média e erro padrão das medidas da condutância da pele entre
grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e
depois da inalação do CiaL...............................................................................70
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LISTA DE TABELAS E QUADRO
QUADRO 1: Limite de exposição ao ruído em dB (A) x horas.........................43
TABELA 1. Média e erro padrão (EP) da idade e tempo de trabalho dos
sujeitos da pesquisa..........................................................................................62
TABELA 2. Caracterização da amostra, de acordo com os grupos, conforme
momento de maior ansiedade e turno de início do trabalho na empresa.........63
TABELA 3. Dados referentes à média e erro padrão (EP) do IDATE-traço e
questionário SRQ-20 dos grupos experimental e controle...............................64
TABELA 4. Correlação entre IDATE-traço com questionário SRQ-20, idade,
momento de maior ansiedade, turno e tempo de trabalho...............................64
TABELA 5. Correlação entre IDATE-traço com as variáveis do questionário
SRQ-20 entre os grupos experimental e controle.............................................65
TABELA 6. Dados referentes às médias e erro padrão (EP) do IDATE-estado
de acordo com o grupo e momento..................................................................66
TABELA 7. Dados referentes às médias, erro padrão (EP) e p valor do
parâmetro fisiológico pressão arterial (sistólica e diastólica) antes e após
inalação do CiaL. nos grupos experimental e controle (alta e baixa
ansiedade)........................................................................................................67
15
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...............................................................................................16
2 JUSTIFICATIVA.............................................................................................19
3 REVISÃO DA LITERATURA.........................................................................22
3.1 Considerações sobre a ansiedade..............................................................22
3.1.1 Conceito e classificação da ansiedade....................................................22
3.1.2 Bases neuroanatômicas da ansiedade....................................................25
3.1.3 Mensuração da ansiedade.......................................................................27
3.1.4 Tratamentos farmacológicos da ansiedade.............................................30
3.2 Aromaterapia e óleos essensiais................................................................32
3.2.1 Óleos essenciais e ansiedade..................................................................36
3.2.2 Citrus aurantium L. e ansiedade..............................................................38
3.3 Ruído e os efeitos da exposição ao ruído ocupacional...............................41
4 OBJETIVOS...................................................................................................48
4.1 Geral............................................................................................................48
4.2 Específicos..................................................................................................48
5 MATERIAIS E MÉTODOS.............................................................................50
5.1 Material........................................................................................................50
5.1.1Sujeitos da pesquisa.................................................................................50
5.1.2 Droga vegetal...........................................................................................52
5.1.2.1 Parâmetros cromatográficos do CiaL....................................................52
5.1.3 Equipamentos..........................................................................................53
5.1.4 Local de realização do ensaio clínico.......................................................53
5.2 Método........................................................................................................54
5.2.1 Parâmetros de mensuração psicológica.................................................54
5.2.2 Parâmetros de mensuração fisiológica....................................................55
5.3 Ensaio clínico..............................................................................................56
5.3.1 Estabelecimento do tempo de inalação do CiaL......................................56
16
5.3.2 Etapas do ensaio clínico..........................................................................56
5.4 Questões éticas...........................................................................................58
5.5 Análise estatística.......................................................................................58
6 RESULTADOS...............................................................................................61
6.1 Parâmetros de mensuração psicológica.....................................................62
6.2 Parâmetros de mensuração fisiológica.......................................................66
7 DISCUSSÃO..................................................................................................71
8 CONCLUSÃO................................................................................................78
REFERÊNCIAS.................................................................................................80
ANEXOS............................................................................................................93
APÊNDICE........................................................................................................98
17
INTRODUÇÃO
18
1 INTRODUÇÃO
O ruído, termo usado para descrever um som indesejável, é o agente
físico nocivo mais comum encontrado no ambiente de trabalho (SELIGMAN,
2001; MIRANDA, 1998) e pode afetar o ser humano nos planos físicos,
psicológico e social. Devido a alta prevalência de exposição a intensidades
prejudiciais à audição, constitui-se em um importante agravo à saúde dos
trabalhadores em todo o mundo (DIAS et al., 2006).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (2001), aproximadamente
15% dos trabalhadores de países desenvolvidos estão expostos ao ruído. A
exposição ocupacional ao ruído intenso está associada a várias manifestações
sistêmicas, tais como elevação do nível geral de vigilância, aceleração da
frequência cardíaca e respiratória, elevação da pressão arterial e da função
intestinal, dilatação das pupilas, aumento do tônus muscular, aumento da
produção de hormônios tireoidianos e estresse (COSTA; KITAMURA, 1995).
Dentre as queixas, relacionadas à audição, destacam-se como sintomas
auditivos: hipoacusia, zumbido, plenitude auricular e otalgia; e como sintomas
extra-auditivos, encontra-se com mais frequência queixas de nervosismo,
ansiedade, cefaléia, problemas no estômago e dificuldade para dormir
(CALDART et al., 2006; FERNANDES; MORATA, 2002).
Há uma possível associação causal entre exposição ocupacional a ruído
e acidentes do trabalho (CORDEIRO et al., 2005). Além disso, alterações
neuropsíquicas, como ansiedade, insegurança e desconfiança, também podem
ser associadas à exposição ao ruído (SANTOS; MORATA, 1999).
O ruído pode prejudicar a saúde e encontra-se presente também em
ambiente hospitalar e em empresas, sendo chamado de ruído ocupacional
(TOPF; THOMPSOM, 2001; ALMONDES; ARAÚJO, 2009). A maioria dos
trabalhadores expostos ao ruído exerce atividade laboral em sistema de turnos
alternados, horários não convencionais, como durante a madrugada, ou não
possuem turnos fixos. Isto, por si só, pode alterar o organismo do trabalhador,
como, por exemplo, o ciclo circadiano, importantíssimo para regulação das
funções fisiológicas e psicológicas, causando então ansiedade, estresse e
problemas sociais (ALMONDES; ARAÚJO, 2009).
19
Diversos medicamentos eficazes encontram-se disponíveis para a
terapêutica dos transtornos de ansiedade, tais como benzodiazepínicos,
inibidores seletivos da recaptação da serotonina, inibidores da monoamino
oxidase e antidepressivos tricíclicos, dentre outros (POLLACK et al., 2007;
BYSTRISKY, 2006). No entanto, alguns demoram a reduzir os sintomas da
ansiedade,
outros
apresentam
muitos
efeitos
colaterais
ou
causam
dependência (HETEM; SCALCO, 2004).
O uso de plantas aromáticas, misturas complexas de compostos naturais
voláteis e odoríferos, cuja atividade em geral tem sido atribuída aos óleos
essenciais (OE), tem sido utilizado no controle da ansiedade apresentando
uma diversidade de efeitos farmacológicos como: analgésico, ansiolítico,
anticonvulsivante, antidepressivo, anti-inflamatório, antioxidante, antireumático,
cicatrizante, expectorante, imunoestimulante, entre outros (ALMEIDA et al.,
2003)
A relação entre a percepção do odor e a emoção mostra uma correlação
neuroanatômica com a amígdala (POLLATOS et al., 2007). No caso particular
da atividade no Sistema Nervoso Central (SNC), a predominância dos relatos
tem sido para o possível efeito ansiolítico e anticonvulsivante do OE com base
em estudos pré-clínicos controlados e avaliação comportamental, utilizando
diferentes modelos animais (UMEZU, 1999; UMEZU, 2002).
Estudos pré-clínicos sugerem que o óleo essencial extraído do CiaL.,
que pertence à família Rutaceae, tem ação no SNC reduzindo efeitos
comportamentais (ansiedade) em animais (LEITE et al., 2008).
Estudos clínicos em pacientes expostos a aroma cítrico, lavanda e
gerânio no ambiente, como sala de espera de consultórios, registram
significante redução do grau de ansiedade (ITAI et al., 2000; LEHRNER et al.,
2000; SETZER, 2009).
Há uma escassez de pesquisas envolvendo ruído ocupacional e
ansiedade, principalmente, no que diz respeito ao tratamento com OE. Estudos
desta natureza podem contribuir para a redução dos efeitos da ansiedade
produzida por ruído ocupacional, melhorando assim a qualidade de vida dos
trabalhadores.
20
JUSTIFICATIVA
21
2 JUSTIFICATIVA
Atualmente, tem aumentado a incidência de transtornos mentais e
comportamentais (LOPES; FOERSTEIN; CHOR, 2003). Na verdade, não se
sabe ao certo se estes já estavam presentes na população ou apenas
receberam nomes “científicos”, tendo em vista a evolução da tecnologia e do
diagnóstico na área da Saúde Mental.
De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, os transtornos
mentais e comportamentais mais comuns estão ligados à depressão, a
ansiedade e a transtornos de ajustamento (ARAÚJO; MELO; LEITE, 2007).
A indústria farmacêutica fornece vários medicamentos na classe de
psicofármacos utilizados no tratamento da ansiedade, tais como, os
benzodiazepínicos (BZDs) e os antidepressivos inibidores de recaptação de
serotonina- ISRS (SILVA; LEITE, 2000; GROSS; HEN, 2004). Entretanto, as
reações adversas e a possibilidade de dependência, aliada à crescente
incidência e prevalência dos transtornos de ansiedade, estimulam o
desenvolvimento de pesquisas e investigações de produtos naturais com
possível atividade ansiolítica e efeitos colaterais mínimos.
O uso de fitoterápicos, medicamentos obtidos a partir de plantas
medicinais, vem sendo empregado para este fim. Nesse contexto, o óleo
essencial Citrus aurantium L. (CiaL.) é um exemplo e tem demonstrado efeito
na insônia, no tratamento do nervosismo, ansiedade e histeria, além de suas
flores serem utilizadas com fins sedativos (SANGUINETTI, 1989; VASQUEZ et
al., 1997; LEHRNER et al., 2000).
CiaL. é comercializado com propriedade medicinal antiespasmódica,
antiinflamatória,
antireumática,
digestiva,
hipotensora,
assim
como
antidepressiva, relaxante, dentre outras. Pesquisas pré-clínicas (UMEZU, 1999;
UMEZU, 2002; LEITE et al., 2008) e clínicas (ITAI et al., 2000; LEHRNER et al.,
2000) demonstraram sua eficácia na possibilidade de redução da ansiedade.
No entanto, tratando-se de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional, ainda
não existem pesquisas utilizando o CiaL. para investigar a redução do sintoma
da ansiedade.
Dessa forma, considerando que o ruído é um agente físico que pode
causar, além de perda auditiva induzida por ruído, a ansiedade (KASPER;
GÓMEZ; ZAHER, 2005) e que pesquisas demonstraram a presença desse
22
sintoma em trabalhadores expostos ao ruído (FERNADES; MORATA, 2002;
ANDRADE et al., 1998; ALMONDES; ARAÚJO, 2009). É importante a
realização de um estudo de Fase II (RESOLUÇÃO 251/97 CNS), visando
demonstrar a atividade e estabelecer a segurança em curto prazo do CiaL., na
população em questão. Haja vista a possibilidade desse OE. provocar efeitos
colaterais mínimos, fato importante que não atrapalharia a execução das
máquinas durante o trabalho na indústria.
Esta pesquisa teve as seguintes hipóteses: H0 = O CiaL. não altera na
ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional e H1= O CiaL.
altera na ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional.
Com isso, pretende-se ampliar os conhecimentos científicos na área em
prol da ciência e dos indivíduos acometidos por tal sintoma, para que assim os
mesmos exerçam suas atividades laborais de forma adequada, além da
melhoria na qualidade de vida.
23
REVISÃO DA LITERATURA
24
3 REVISÃO DA LITERATURA
3.1 Considerações sobre a ansiedade
3.1.1. Conceito e classificação de ansiedade
A ansiedade pode ser definida como um sentimento de desconforto ou
temor que é acompanhado por uma resposta autonômica, endócrina, motora e
respiratória. Sua fonte é frequentemente não específica ou desconhecida para
a pessoa, tornando-se um sentimento de apreensão causado pela antecipação
de perigo. É um sinal variável que alerta para um perigo iminente e pertinente à
pessoa, convocando-a a tomar medidas para lidar com a ameaça (GRAEFF;
GUIMARÃES, 2000; KAPLAN; SADOCK; GREEB, 2003).
Para alguns autores a ansiedade é uma condição afetiva normal e
quando em excesso, pode acarretar distúrbios do humor, bem como de
pensamento, de comportamento e da atividade fisiológica (SILVA; LEITE, 2000;
ANDREATINI et al., 2002). As alterações psicofisiológicas que compõem a
ansiedade são semelhantes às do medo, relacionando-se às reações de
sobrevivência e de aspectos evolutivos da reação de luta ou fuga (STAHL,
1996).
Para diferenciar a ansiedade normal da patológica é necessário
considerar o nível de ansiedade do indivíduo em determinada situação, quanto
tempo dura o episódio, com que frequência ocorre e o número de
comportamentos disfuncionais que são provocados pela ansiedade (CASTILLO
et al., 2000). Outro aspecto importante a ser considerado é a avaliação da
própria pessoa que experiencia a ansiedade (RIEF; HERMANUTZ, 1996).
Pode ser classificada em dois tipos: ansiedade-estado e ansiedadetraço. O primeiro tipo é relativo a uma sensação de desconforto ou tensão
transitória determinada pelas circunstâncias em que o sujeito se encontra.
Enquanto o segundo refere-se a uma tendência do sujeito perceber, ao longo
da vida, situações ameaçadoras entre si (SPIELBERGER; GORSUCH;
LUSHNENE, 1970). A ansiedade-traço reflete diferenças individuais na
tendência à ansiedade (EDELMANN, 1992).
25
Os indivíduos que apresentam alta ansiedade-traço têm predisposição a
ver o mundo como perigoso ou ameaçador, além disso, experimentam reações
de ansiedade-estado mais frequentemente e com maior intensidade que as
pessoas com baixa ansiedade-traço (SPIELBERGER; POLLANS; WORDEN,
1984).
As manifestações de ansiedade podem ser divididas em subjetivas ou
psíquicas e objetivas. Atualmente, acredita-se que a ansiedade é um estado
que se expressa por meio de quatro componentes: manifestações cognitivas,
somáticas, comportamentais e emocionais (EDELMANN, 1992).
As manifestações cognitivas incluem todos os aspectos de percepção do
indivíduo e da avaliação do estímulo, tais como: nervosismo, irritabilidade, malestar indefinido, insegurança, entre outros. As somáticas associam-se à
excitabilidade autonômica, acarretando o aumento da frequência cardíaca e
respiratória, sudorese; à hiperventilação que gera tontura, dor ou pressão no
peito; tensão muscular e tremores. As comportamentais abrangem o
comportamento de esquiva do estímulo eliciador de ansiedade, ou outros
como:
gesticulação
aumentada
ou
diminuída,
mudanças na
postura,
sobressaltos, insônia. As manifestações emocionais são as sensações
subjetivas de desconforto e desprazer (EDELMANN, 1992).
A ansiedade é capaz de desencadear reações orgânicas que preparam
o indivíduo para a manutenção e preservação de seu meio e vida. No entanto,
quando presente em níveis elevados, compromete o desempenho da pessoa,
fazendo com que este apresente comportamento inadequado para a situação
vivenciada, caracterizando um quadro patológico (BERNIK; CORREGIARI,
2002).
De acordo com Guimarães (2008), a ansiedade é uma emoção normal e
o seu caráter aversivo a torna um fator motivador para o desempenho na vida
cotidiana. A emoção quando atua por muito tempo, passa a ser um estado
patológico. No caso da ansiedade, quando em excesso pode prejudicar,
caracterizando-se como um transtorno de ansiedade.
A prevalência de doenças mentais é alta, com relatos de até 30% na
população geral, sendo de 18,1% ao ano (KESSLER; CHIU; DEMLER, 2005).
Os transtornos ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns tanto em
crianças quanto em adultos, com uma prevalência estimada durante o período
26
de vida de 9% e 15%, respectivamente (BERNSTEIN; BORCHARDT;
PERWIEN, 1996).
Em estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o
Brasil apresentou a maior prevalência de TM na população adulta de 15-59
anos, com índices elevados para os transtornos da ansiedade, transtornos do
humor e os transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas (WHO,
2000).
De acordo com a classificação apresentada no DSM-IV (2002)
distinguem-se os seguintes tipos de transtornos de ansiedade: transtorno de
pânico com agorafobia; transtorno de pânico sem agorafobia; agorafobia sem
ataque de pânico; fobia simples; fobia social; transtorno obsessivo-compulsivo;
transtorno de estresse pós-traumático; transtorno de estresse agudo;
transtorno de ansiedade generalizada; transtorno de ansiedade devido à
condição clínica inespecífica; transtorno de ansiedade induzida por fármaco e
transtorno de ansiedade não especificado.
Em pesquisas, observa-se um conjunto de respostas que caracterizam
uma reação de defesa que normalmente acompanha os estados aversivos
característicos da ansiedade. Lewis (1979) salienta a existência e os tipos de
manifestações corporais involuntárias mais comuns para esse fenômeno:
secura da boca, sudorese, palpitações, vômitos, arrepios, tremor, dores
abdominais e outras alterações biológicas e bioquímicas. São detectáveis por
métodos apropriados de investigação, ainda lista alguns outros atribuídos que
podem ser incluídos na descrição da ansiedade: ser normal ou patológica, ser
leve ou grave, ser prejudicial ou benéfica, ser episódica ou persistente, ter uma
causa física ou psicológica, ocorrer sozinha ou junto com outro transtorno, e
afetar ou não a percepção e a memória.
Como exemplo de alteração biológica, tem-se o aumento da pressão
arterial e, com base na hipótese de que o estado emocional interfere na
variabilidade da pressão arterial, pesquisadores investigaram os efeitos da
felicidade, da raiva e da ansiedade em pacientes com hipertensão arterial
borderline e concluíram que esses três estados emocionais elevam a pressão
arterial, encontrando assim associação entre a intensidade da ansiedade e a
pressão arterial diastólica (JAMES et al., 1986). E por meio de revisão da
literatura, Fonseca et al. (2009) perceberam que a associação entre distúrbios
emocionais e alterações nas funções viscerais, como, por exemplo, a
27
hipertensão arterial, se evidencia quando as estruturas límbicas, responsáveis
pelas emoções, são acionadas e produzem respostas cardiovasculares e
respiratórias.
Em pesquisas pré-clínicas, observa-se: atividade motora intensa
acompanhada de saltos, ao lado de reações neurovegetativas, como aumento
da pressão arterial, da frequência cardíaca, da tensão muscular, da respiração,
hipersecreção gástrica, piloereção, micção, defecação, exoftalmia, secura da
boca, sudorese, arrepios, tremor, vômito, palpitações, dores abdominais, dentre
outros sintomas. Essas respostas incondicionadas estão associadas ao
chamado sistema de fuga/luta ou sistema cerebral aversivo, representado pelo
hipotálamo medial, pela substância cinzenta periaquedutal dorsal e pela
amígdala (GRAEFF; GUIMARÃES, 2000; BRANDÃO et al., 2003).
3.1.2. Bases neuroanatômicas da ansiedade
O Sistema Límbico, nome popularizado por Paul MacLean em 1952,
representa importante função na emoção, memória e controle das funções
viscerais. É composto por hipotálamo, que ocupa a região central, fornecendo
um elo entre as estruturas límbicas telencefálicas (giros orbitofrontal, cingulado
e para-hipocampal, o hipocampo, a amígdala e a área septal) e os locais
límbicos mesencefálicos, especialmente, a substância cinzenta periaquedutal
(CANTERAS; BITTENCOURT, 2008). Mais recentemente, o córtex pré-frontal
medial,
estrutura
neocortical,
foi
incorporada
ao
Sistema
Límbico
(GUIMARÃES, 2008).
Segundo Guyton (1992), a parte mais importante do sistema límbico,
para o comportamento, é o hipotálamo, pois muitas das partes circundantes do
sistema límbico, incluindo o hipocampo, a amígdala e o tálamo, transmitem
grande parte de seus sinais eferentes para o hipotálamo, a fim de causar
efeitos variados no corpo como dor e prazer ou em sensações relacionadas à
fome, ao sexo e à raiva. Além disso, alguns aspectos do controle límbico são
transmitidos por meio do sistema endócrino, tendo em vista que diversas
evidências clínicas e experimentais apontam o hipotálamo como responsável
pela
integração
de
diversas
respostas
endócrinas,
autônomicas
e
28
comportamentais
essenciais
para
a
sobrevivência
(CANTERAS;
BITTENCOURT, 2008).
No que diz respeito à amígdala, foi mostrado por Kluver-Bucy em 1937
que a estimulação desta, em seres humanos, produz ansiedade e sentimento
de medo e, animais, que sofrem lesão amigdaliana, se tornam extremamente
dóceis, apresentam quadro de hipersexualidade e levam todo tipo de objetos à
boca, inclusive
objetos ameaçadores, como,
por exemplo, serpentes
(CANTERAS; BITTENCOURT, 2008).
A amígdala, por possuir conexões nervosas tanto com o neocórtex
quanto com estruturas límbicas mais profundas, funciona como uma interface
sensório-emocional, responsável por avaliar o tipo e grau do estímulo,
integrando as informações que recebem um cunho afetivo, e então, o resultado
é transmitido para o hipotálamo medial e a substância cinzenta periaquedutal
dorsal. A função desta substância é de selecionar e organizar as reações
comportamentais e fisiológicas mais apropriadas (GRAEFF; GUIMARÃES,
2000).
Cabe ressaltar também, que a amígdala recebe informações olfatórias
do bulbo olfatório, bem como de outras modalidades sensoriais (audição, visão,
gustação,
somestesia)
por
meio
de
áreas
neocorticais
associativas
(CANTERAS; BITTENCOURT, 2008). No entanto, as informações olfativas não
passam pelo tálamo, vão diretamente ao córtex entorrinal e à amígdala.
Enquanto que as informações auditivas e demais modalidades sensoriais
passam pelo tálamo, percorrem o córtex primário e córtex de associação até
chegarem na amígdala (SWANSON; PETROVICH, 1998).
Paralelamente à ativação da amígdala, a ativação do córtex pré-frontal
permite o fluxo de informações dos sistemas sensoriais diretamente para os
sistemas
visceromotores,
cuja
estimulação
pode
produzir
reações
cardiovasculares e respiratórias, por meio de projeções para o hipotálamo e
substância cinzenta periaquedutal (PRICE, 1999).
Além disso, ocorre a ativação do córtex adrenal, bem como do ramo
simpático do Sistema Nervoso Autônomo, levando a liberação de hormônios
como: glicocorticóides, norepinefrina e epinefrina que provocam mudanças
fisiológicas no organismo, como por exemplo, a norepinefrina que aumenta a
força de contração e a frequência cardíaca, promove vasodilatação nos
músculos, vasoconstrição na periferia e nas vísceras, dentre outras mudanças,
29
o que consequentemente eleva a pressão arterial, sinal comum em indivíduos
com medo, estresse ou ansiedade (RANG; DALE; RITTER, 1995; GUYTON;
HALL, 1997).
O conhecimento das estruturas e suas funções relacionadas à emoção
são imprescindíveis para o entendimento e identificação dos sinais e sintomas
relacionados à ansiedade. Entretanto, as explicações acima são apenas a base
para o assunto ansiedade, visto que alguns dados ainda permanecem
desconhecidos ou contraditórios.
3.1.3. Mensuração da ansiedade
A mensuração da Ansiedade é realizada com base em métodos
indiretos, tais como escalas de avaliação subjetivas. Existem também medidas
de alterações fisiológicas, porém existe baixa correlação entre os parâmetros
fisiológicos, comportamentais e subjetivos. Então, o relato verbal ainda é a
forma mais utilizada para a avaliação padronizada e reproduzível de estados
subjetivos (UHDE; TANCER, 1989; JANKE; NETTER, 1983; COULTHARD;
ROOD, 1993; GUIMARÃES, 2000).
Existem escalas que medem a ansiedade normal e outras que medem a
ansiedade patológica. Segundo Keedwell e Snaith (1996), as escalas de
ansiedade medem vários aspectos, tais como: o humor; a cognição; o
comportamento; o estado de hiperalerta; sintomas somáticos, dentre outros.
Como também, tanto em sujeitos normais, quanto em pacientes, é útil a
distinção
entre
ansiedade–traço
e
ansiedade–estado
(ANDRADE;
GORENSTEIN, 1998).
Faz-se necessário mencionar ainda a existência de instrumentos com
finalidades diferentes: a) diagnóstica; b) de quantificação de intensidade ou
gravidade
em
sujeitos
diagnosticados
(KEEDWELL;
SNAITH,
1996;
ANDRADE; GORENSTEIN, 1998; GUIMARÃES, 2000).
De acordo com levantamento realizado por Keedwell e Snaith (1996), as
escalas de ansiedade mais utilizadas nos últimos anos são: escala de
ansiedade de Hamilton (HAM-A; HAMILTON, 1959); escala de ansiedade de
Beck (BECK et al.,1988); escala clínica de ansiedade (Clinical Anxiety Scale –
CAS; SNAITH et al., 1982); escala breve de ansiedade (BAS – TYRER; OWEN;
30
CICCHETTI, 1984); escala breve de avaliação psiquiátrica (BPRS – OVERALL;
GORHAN, 1962) para a escala de avaliação clínica. E para as escalas de autoavaliação
são:
o
inventário
de
ansiedade
traço-estado
(IDATE
–
SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHENE, 1970, STAI); escala de ansiedade de
Zung (ZUNG, 1971); escala de ansiedade manifesta de Taylor (TAYLOR,
1953); subescala de ansiedade do Symptom Checklist (SCL-90 – DEROGATIS;
LIPMAN; COVI, 1973); POMS (Profile of Mood States – LORR; MCNAIR,
1984); escala hospitalar de ansiedade e depressão (HADS – ZIGMOND;
SNAITH, 1983).
Além disso, Keedwell e Snaith (1996), em estudo de revisão nas
principais revistas psiquiátricas entre 1990 e 1994, constataram entre as
publicações que as escalas de Hamilton e de Beck estão entre as de avaliação
clínica mais utilizadas, enquanto que o IDATE e a subescala de ansiedade do
"Symptom Checklist" (SCL-90) são os instrumentos de auto-avaliação mais
utilizados.
O Inventário de Ansiedade Traço-Estado IDATE (SPIELBERGER;
GORSUCH; LUSHENE, 1970) é uma escala de auto-avaliação que mensura o
grau de ansiedade e pode ser aplicada tanto em sujeitos normais como em
indivíduos ansiosos. Ela tem como base a concepção dualística de ansiedadetraço e ansiedade-estado. E consta de uma escala de Traço de ansiedade com
20 itens que requerem que os sujeitos descrevam como geralmente se sentem
e de uma escala de ansiedade Estado que consta também de 20 afirmações,
em que indivíduo deve indicar como se sente naquele determinado momento.
Entretanto, cada 20 itens dos tipos de ansiedade são independentes e
diferentes em conotação, avaliando apenas um único tipo de ansiedade. A
pontuação de 20 a 40 indica baixo grau de ansiedade, maior que 40 (40-60
indica médio grau de ansiedade e maior que 60 (60-80) indica alto grau de
ansiedade (BIAGGIO; NATALÍCIO, 1979).
Os escores da escala estado de ansiedade aumentam quando
respondidos em situação de perigo físico ou estresse psicológico, e diminuem
quando resultados de uma situação de relaxamento. A elevação dos escores
da escala Estado de ansiedade em indivíduos com escores elevados na escala
Traço de ansiedade, depende da maneira pela qual cada um percebe tal
situação como perigosa ou ameaçadora, o que é muito influenciado pelas
31
experiências passadas de cada individuo (SPIELBERGER; GORSUCH;
LUSHENE, 1970).
O IDATE traço tem sido adotado como procedimento para a
estratificação dos grupos de acordo com a ansiedade traço da pessoa, isto é, a
sua propensão em responder com ansiedade em situações potencialmente
ameaçadoras (GUIMARÃES, 2000).
O IDATE foi traduzido e adaptado para o Brasil por Biaggio (BIAGGIO;
NATALICIO, 1979) e desde então, pesquisas clínicas com o objetivo de avaliar
a ansiedade vêm sendo realizadas utilizando-se o IDATE como forma de
mensuração subjetiva da ansiedade. Estas vem sendo realizadas em
estudantes universitários, profissionais da saúde, famílias dentre outras
populações (ZUARDI; PROTA; DEL-BEM, 2008; PENICHE, 2005; MALUF,
2002). No entanto, além da utilização do IDATE, algumas pesquisas tem unido
medidas fisiológicas mais objetivas que a mensuração subjetiva.
Silva (2001), com o objetivo de avaliar possíveis alterações fisiológicas e
psicológicas produzidas pela situação ansiogênica do Video Recorded Stroop
Color-Word Test (VRSCWT), verificar se essas alterações poderiam ser
prevenidas pelo diazepam, avaliou homens e mulheres, em três experimentos
diferentes, por meio do IDATE, escala analógica do nível de tensão e escala de
Norris e de medidas fisiológicas (eletromiografia dos músculos frontal e
gastrocnêmio, condutância da pele, temperatura de extremidade, fluxo
saguíneo periférico, frequencia cardíaca e respiratória). Seus resultados
sugerem que, além do VRSCWT ser capaz de eliciar ansiedade em voluntários
normais, as manifestações psicológicas e fisiológicas da ansiedade não são
exatamente interdependentes, de forma que drogas ansiolíticas podem
bloquear uma sem necessariamente afetar a outra.
Giuntini (2006) avaliou dois grupos de pacientes operadas sob regime
ambulatorial e de internação com o objetivo de quantificar e comparar mediante
utilização das escalas analógica visual e IDATE, como também dosagem do
cortisol salivar, o grau de ansiedade de pacientes submetidas a cirurgias. Com
os resultados encontrados conclui-se que não houve diferença entre os grupos
em relação ao cortisol, à pressão arterial sistólica e frequência cardíaca, no
entanto, os escores de ansiedade traço foram maiores no grupo operado em
regime ambulatorial.
32
Borini (2008) realizou pesquisa com o objetivo de avaliar a variabilidade
interdias e intradias dos valores dos registros eletromiográficos, da parte
superficial do músculo masseter e parte anterior do músculo temporal e a
relação destes registros com o fator emocional, ansiedade, em três dias
distintos de coleta em 16 voluntárias sem disfunção temporomandibular. Para
mensuração da ansiedade, utilizou o IDATE e para medir a atividade muscular
utilizou o eletromiógrafo. Ao final da pesquisa concluiu que a ansiedade-traço e
estado podem influenciar nos registros eletromiográficos mesmo em situações
não experimentais.
Almeida (2009), por meio do Teste de Simulação de Falar em Público
(SFP), avaliou 24 sujeitos, com o objetivo de verificar se a ansiedade gerada
por uma tarefa ansiogênica modifica as respostas dos indivíduos quanto aos
parâmetros psicológicos, fisiológicos e vocais, bem como investigar a possível
correlação existente entre a ansiedade traço e ansiedade estado em relação
aos parâmetros vocais selecionados. Para tal, realizou a mensuração de
medidas psicológicas (IDATE), medidas fisiológicas (frequência cardíaca,
condutância elétrica da pele, temperatura de extremidade, eletromiograma do
músculo frontal e cortisol salivar) e vocais (auto-avaliação vocal, avaliação
perceptivo-auditiva-visual do comportamento vocal e análise acústica). Ao final,
concluiu que ansiedade induzida experimentalmente em voluntários sadios
pode gerar alterações psicológicas, fisiológicas e vocais. Além de que, quanto
maior o grau de ansiedade traço, maior o comprometimento da comunicação e
da qualidade de vida em diversos aspectos relacionados ao uso da voz.
Sendo assim, a junção de medidas psicológicas e fisiológicas auxilia na
avaliação e diagnóstico da ansiedade, tornando-se uma ferramenta importante
para a terapêutica.
3.1.4. Tratamentos farmacológicos da ansiedade
O tratamento do transtorno de ansiedade engloba abordagens
farmacológicas e não-farmacológicas. A abordagem não-farmacológica,
atualmente, tem sido muito reconhecida como fator essencial na terapia. No
entanto, nesta seção será abordado apenas a farmacológica, sabendo embora
que combinação de ambas tem efeito terapêutico aditivo ou sinérgico.
33
Atualmente, existem diversas medicações eficazes para os transtornos
de ansiedade disponíveis, tais como benzodiazepínicos, que são os mais
utilizados, barbitúricos e alguns antidepressivos, incluindo os inibidores
seletivos da recaptação da serotonina, os inibidores da monoamino oxidase e
os antidepressivos tricíclicos (BYSTRISKY, 2006; POLLACK et al., 2008).
Segundo Guimarães (2008), os fármacos antidepressivos inibidores de
recaptação de serotonina são a alternativa primária de tratamento para os
transtornos de ansiedade. Mas, atualmente, os fármacos classificados como
ansiolíticos são os benzodiazepínicos e a buspirona. E não estão mais em uso
os barbituratos e meprobamato.
No que diz respeito aos benzodiazepínicos (BDZs), os mecanismos dos
seus efeitos começaram a ser elucidado nos anos 70, ao se descobrirem no
cérebro locais específicos de atuação dos mesmos, que nos dias atuais, sabese que são no receptor para GABA (ácido gama-aminobutírico), principal
neurotransmissor inibitório do Sistema Nervoso Central (GORENSTEIN;
POMPÉIA, 1999; GUIMARÃES, 2008).
Os BDZs são efetivos no tratamento dos principais transtornos de
ansiedade em adultos e seus principais representantes são o diazepam, o
clordiazepóxido,
lorazepam,
bromazepam,
oxazepam,
clorazepato
e
alprazolam (GUIMARÃES, 2008).
A buspirona é a única droga da classe das azapironas comercializadas,
mostrou-se eficaz no tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada
(TAG). Seus efeitos colaterais são tonturas, náuseas, irritabilidade/agitação e
dor de cabeça (HETEM; SCALCO, 2004). Necessita de uso prolongado para
produzir seus efeitos terapêuticos (GUIMARÃES, 2008).
Os antidepressivos tricíclicos (ATCs) agem bloqueando a recaptação de
serotonina, de noradrenalina, em proporções variáveis e interagem com
receptores histaminérgicos, alfa-adrenérgicos, muscarínicos e dopaminérgicos.
São exemplos de ATCs imipramina, amitriptilina, clomipramina e nortriptilina
(HETEM; SCALCO, 2004).
Dentre os inibidores da monoaminaoxidade (IMAO), a inibição pode ser
não-seletiva e irreversível (tranilcipromina e fenelzina) ou reversível e seletiva
(moclobemida) (HETEM; SCALCO, 2004). Os mesmos são raramente usados
como tratamento primário.
34
Os inibidores seletivos de recaptação de seratonina (ISRS) têm
apresentado
eficácia
contra
alguns
dos
transtornos
de
ansiedade
(BALLENGER, 1999). São exemplos desta categoria: fluoxetina, fluvoxamina,
paroxetina, sertralina e citalopam (HETEM; SCALCO, 2004).
Existem ainda a venlafaxina que é um inibidor de recaptação de
serotonina e noradrenalina, com baixa afinidade por outros receptores; a
mirtazapina, antidepressivo que atua por via noradrenérgica e serotonérgica,
como também a hidroxizina e kava kava que ainda precisam de mais estudos e
por fim, os β-bloqueadores, com atuação periférica e em todo Sistema Nervoso
Central, como por exemplo, o propanolol (HETEM; SCALCO, 2004).
É notório que existe uma gama de fármacos para o tratamento da
ansiedade, no entanto ainda há um número elevado de efeitos colaterais. Para
tanto, existem pesquisas com plantas aromáticas, como óleos essenciais
(O.E.), no tratamento da ansiedade, visando a terapêutica com redução dos
efeitos colaterais.
3.2 Aromaterapia e óleos essenciais
Aromaterapia é um termo que se refere ao uso terapêutico dos óleos
essenciais, constituintes orgânicos voláteis extraídos de flores, folhas e outras
partes da planta, com a intenção de equilibrar, acalmar e rejuvenescer a mente,
o corpo e o espírito (STYLES, 1997; COOKE; ERNST, 2000).
É uma antiga tradição no Egito e na Índia, mas seu termo foi inicialmente
utilizado pelo químico francês Gattefossé em 1936 (GATTEFOSSÉ, 1993). Nos
dias de hoje, é realizada por meio de massagem com uma variedade de
extratos vegetais aromáticos conhecidos como óleos essenciais (VICKERS;
ZOLLMAN, 1999).
Atualmente, vem sendo considerada uma terapia complementar holística
com objetivo de aumentar o conforto e diminuir o estresse, sendo utilizada por
profissionais da saúde (LINDBERG, 1997; BUCKLE, 1998). Alguns autores
destacaram também suas propriedades em restabelecer o bem-estar
emocional, reduzir depressão, ansiedade e estresse (LOUIS; KOWALSKI,
2002; EDGE, 2003; KYLE, 2006; ATSUMI; TONOSAKI, 2007).
35
Os óleos essenciais da aromaterapia são absorvidos pelo corpo através
do sistema olfativo por inalação; através da pele, por meio de banhos,
compressas e massagens; e por meio de ingestão oral, cápsulas ou aditivos
alimentares (BUCKLE, 1998; PERRY; PERRY, 2006).
Em relação à via inalatória, existem vias no sistema olfatório que afetam
várias
atividades
neurofisiológicas,
assim
como
o
comportamento
(SHEPHERD, 1985; STOCKHORST; PIETROWSKY, 2004). A influência do
comportamento está diretamente relacionada às conexões neurais do sistema
olfatório com o cérebro, principalmente com o hipotálamo e Sistema Límbico
(BALACS, 1992; BUCHBAUER, 1993; ALEXANDER, 2000).
Para Silveira (2008), os estímulos adequados para a sinalização dos
neurônios quimiorreceptivos olfatórios (cerca de 10 milhões que ocupam toda a
mucosa olfatória) são moléculas pequenas, voláteis e geralmente lipossolúveis
dispersas pelo ar. E, de acordo com o mesmo autor, o córtex olfatório pode ser
dividido em cinco áreas: córtex piriforme e periamigdalóide, o qual tem
projeções via núcleo mediodorsal do tálamo para áreas isocorticais
orbitofrontais (precepção consciente dos odores); núcleo olfatório anterior;
tubérculo olfatório e o grupo nuclear cortiço medial da amígdala, os quais
projetam para os núcleos hipotalâmicos e estão implicados na regulação de
comportamentos; e o córtex entorrinal de transição que projeta para o
hipocampo (consolidação da memória olfatória).
Segundo Balazs (1995), através da inalação das substâncias voláteis, os
óleos essenciais podem entrar na corrente sanguínea por difusão por meio da
mucosa do nariz, ou serem transportados através dos nervos olfatórios até o
Sistema Límbico, onde interage com neurotransmissores, tais como endorfina,
serotonina e noradrenalina (LAWLESS, 1994).
Born et al. (2002) descreveram na via intranasal de seres humanos a
entrada de neuropeptídeos e, em pesquisas pré-clínicas. Rochefort, Gheusi e
Vincent (2002) mostraram a evidência de que um ambiente enriquecido com
odor aumenta a neurogênese no cérebro de camundongos adultos.
Os efeitos da aromaterapia são, geralmente, instantâneos e podem
afetar o Sistema Nervoso Central de forma direta ou indireta (PERRY; PERRY,
2006). No que diz respeito ao efeito direto, a resposta é mais imediata por meio
de alterações fisiológicas, sendo observado na maioria da população. Em
relação ao efeito indireto, este envolve questões cognitivas e psicológicas,
36
estando relacionada com a cultura, a expectativa, experiências anteriores e
personalidade (BROUGHAN, 1998/1999).
A maioria das pesquisas de aromaterapia utiliza principalmente a
massagem. No que diz respeito à via inalatória, ainda não existem muitas
evidências científicas, tendo em vista a dificuldade em estudos duplo-cedo, já
que os voluntários saberiam pelo odor que estariam expostos ao óleo
essencial, além de que muitos odores já tem uma associação, evocando
memórias que simplesmente não podem ser removidas.
Outra dificuldade da aromaterapia é em relação à mensuração
quantitativa dos seus resultados, tendo em vista a não padronização das
pesquisas e falhas no desenho metodológico de algumas. No entanto,
atualmente, muitos estudos têm sido realizados utilizando a aromaterapia e a
mensuração por medidas fisiológicas e psicológicas, assim como utilizando,
uma ou mais, das três formas de absorção do O.E., citadas por Burkle (1998),
que vem documentando e comprovando a eficácia e o efeito dos óleos
essenciais.
No que diz respeito às mudanças fisiológicas como efeito da
aromaterapia, pesquisas têm demonstrado diminuição da pressão arterial,
respiração e pulso, como indicativo da redução de ansiedade e dor (LOUIS;
KOWALSKI, 2002).
Estudos clínicos com pacientes pós-cirurgia cardíaca e de unidades
intensivas, utilizando massagem com óleos essenciais, demonstraram
benefícios fisiológicos, além de melhorar a ansiedade e o humor (BUCKLE,
1993; STEVENSEN, 1994; DUNN; SLEEP; COLLETT, 1995). Outros estudos
indicam que a massagem por si só reduz os escores de ansiedade, pressão
arterial, frequência cardíaca e respiratória (FERRELL-TORRY; GLICK, 1993;
FRASER; ROSS-KERR, 1993). Corner, Cawley e Hildebrand (1995) e Kite et
al. (1998) identificaram que os benefícios de curto prazo de massagem de
aromaterapia, especialmente em termos de redução ansiedade, são atribuídos
ao duplo efeito de inalação e contato dos óleos essências/aromaterapia.
Hongratanaworakit (2009), utilizando óleo de rosa (Rosa damascena)
por meio de absorção da pele, excluindo o estímulo olfativo por meio de
máscaras, avaliou parâmetros autonômicos (pressão arterial, frequência
respiratória e cardíaca, temperatura e saturação de oxigênio arterial) e
respostas emocionais (escala análoga-visual: relaxamento, vigor, calma,
37
atenção, humor e estado de alerta) em quarenta voluntários saudáveis. Como
resultado, após o contato com o óleo essencial, houve diminuição significante
da taxa de respiração, saturação de oxigênio no sangue e pressão arterial
sistólica, o que indica uma diminuição de excitação autonômica. Em relação à
resposta emocional, os indivíduos expostos ao O.E. classificaram-se como
mais calmos, mais relaxados e menos alerta que os indivíduos do grupo
controle.
Em relação à utilização da via inalatória, Hongratanaworakit e
Buchbauer (2004), com o objetivo de investigar os efeitos do óleo de ylangylang (Cananga odorata) nos parâmetros fisiológicos (temperatura da pele,
frequência cardíaca, taxa de respiração e pressão arterial) e de auto-avaliação
(vigilância, atenção, calma, humor, relaxamento e vigor) administraram o O.E.
por inalação em vinte e quatro voluntários saudáveis. Como resultado
encontrou reduções significantes na pressão arterial e pulsação, bem como
aumentos de atenção e alerta.
Sendo assim, existe uma série de óleos essenciais atualmente utilizados
na aromaterapia para diversos fins. Seguem alguns exemplos com seus
respectivos efeitos: Bergamota (Citrus bergamia): Antidepressivo, calmante,
sedativo; Laranja (Citrus aurantium L): anticonvulsivante, ansiolítico e sedativo;
Camomila Romana (Chamomelium nobilis): Analgesico, hipnotico, relaxante,
sedativo; Gerânio (Pelargonium graveolens): Analgésico, antidepressivo;
Jasmin
(Jasminum
grandiflorum):
Antidepressivo,
afrodisíaco;
Lavanda
(Lavandula angustifolia): Analgesico, antidepressivo, anticonvulsivante; Limão
(Citrus limonum): estimulante da mente; Zimbro (Juniperus communis):
Analgesico, afrodisiaco; Mandarin (Citrus deliciosa): Sedativo; Marjerona
(Origanum majorana): Analgesico, ansiolítico, afrodisiaco; Melissa (Melissa
officinalis): Ansiolítico, calmante, hipnotico, sedativo; Neroli (Neroli bigarade):
Sedativo; Patchuli (Pogostemon cabin): Calmante, sedativo; Rosa (Rosa
damascena):
Antidepressivo,
afrodisiaco,
relaxante,
sedativo;
Alecrim
(Rosmarinus officinalis): Analgesico, ansiolítico, estimulante mental; Hortelã
(Mentha spicata): Analgesico, stimulante; Ylang-Ylang (Cananga odourata):
Analgesico, afrodisiaco, relaxante; Vetiver (Vetivera zizanoides): Calmante,
sedativo (PERRY; PERRY, 2006).
38
3.2.1 Óleos essenciais e ansiedade
Sabendo que o Brasil possui a mais rica e inexplorada flora do planeta,
com diversas espécies ainda desconhecidas, busca-se nas plantas medicinais
a grande possibilidade de descoberta de novos compostos promissores para
tratamento de doenças que atingem a população e que seu tratamento
depende de medicamentos que causam diversos efeitos colaterais, além da
dependência (NUNES, 1996).
No contexto das pesquisas em “Plantas Aromáticas”, tendo em vista às
ações farmacológicas e fisiológicas apresentadas pelo uso, os óleos essenciais
(O.E.) vem sendo objeto de estudo de diversos pesquisadores, conforme
algumas já citadas na seção anterior.
Os O.E. são produtos geralmente contendo largo espectro de
componentes
voláteis
incluindo
os
arilpropanóides. Aos mesmos têm
monoterpenos,
sido
sesquiterpenos
e
atribuídas as mais variadas
propriedades biológicas como antimicrobiana, antiparasitária, antioxidante e
psicotrópica (MOREIRA; CRUZ; LOPES, 2001).
No que diz respeito à atividade no sistema nervoso central (SNC) a
predominância dos relatos tem sido para o possível efeito ansiolítico e
anticonvulsivante, com base em estudos pré-clínicos controlados e avaliação
comportamental, utilizando diferentes modelos animais. Os constituintes do
O.E. ao chegarem no sangue, atravessam a barreira hemato-encefálica e
entram no Sistema Nervoso Central, após aplicação cutânea ou inalação,
intraperitoneal ou subcutânea e administração oral (JIROVETZ; BUCHBAUER;
JADER, 1990; BUCHBAUER; JIROVETZ; JADER, 1991; MOREIRA; CRUZ;
LOPES, 2001).
Estudos in vitro e in vivo em animais confirmam que os óleos essências
tem ação ansiolítica, sedativa, anticonvulsivante e estimulante do Sistema
Nervoso Central que são importantes para o tratamento de sintomas como:
ansiedade, insônia, agitação, epilepsia, apatia, letargia, sonolência excessiva
diurna e catatonia, presentes em muitos transtornos psiquiátricos (PERRY;
PERRY, 2006).
Um exemplo da avaliação comportamental em animais pode ser
observado no trabalho desenvolvido por Umezu (1999) que, utilizando dois
39
testes de conflito, de Geller e o de Vogel, observou que a essência de rosa
exercia um significante efeito anticonflito, mediado por sítios benzodiazepínicos
acoplados ao complexo-receptor GABAA. Outro trabalho, desenvolvido pelo
mesmo autor, constatou que o óleo de lavanda aumentava o nível de respostas
de camundongos na fase punida do teste de conflito de Geller, de maneira
dose-dependente, indicando um efeito anticonflito (UMEZU, 2002).
Faturi et al. (2010) também desenvolveram um estudo pré-clinico e
tiveram o objetivo de investigar os efeitos de Citrus sinensis em ratos Wistar no
labirinto em cruz elevado seguido de claro/escuro. Os animais foram expostos
ao aroma (100, 200 ou 400 mL) por 5 minutos e de acordo com as respostas
dos testes comportamentais, demonstrou-se atividade ansiolítica em pelo
menos um dos testes e, na maior dose, apresentou significante efeito, em
ambos os modelos animais.
Alguns estudos clínicos também têm sido realizados e verificado o efeito
dos óleos essenciais no sintoma da ansiedade. Por exemplo, Edge (2003), em
um estudo piloto com oito sujeitos, relatou que a aromaterapia (massagem com
óleos essenciais individualizados) reduziu a ansiedade e melhorou o humor, de
acordo com a escala visual analógica e questionários Hospital Anxiety and
Depression (HAD), em seis dos sujeitos avaliados durante oito meses.
Outra importante contribuição ao estudo clínico dos óleos essenciais
envolveu 14 pacientes do sexo feminino que estavam em tratamento crônico de
hemodiálise e ao serem submetidas à exposição com aromas de óleo de
lavanda e óleo de HIBA foram avaliados mediante duas escalas de Hamilton.
Sendo uma para depressão (HAMD) e a outra específica para avaliar
ansiedade (HAMA). Os resultados obtidos indicaram que os pacientes expostos
ao óleo de HIBA apresentaram um acentuado efeito benéfico no controle da
depressão e ansiedade, enquanto que a exposição ao óleo de lavanda
promoveu um significante alívio da ansiedade (ITAI et al., 2000).
Um estudo realizado com homens e mulheres expostos a gotas de óleo
essencial de Citrus sinensis na ante-sala de consultório odontológico mostrou
que esta exposição provocou efeito relaxante nos pacientes, especialmente no
caso de mulheres que apresentaram menor nível de ansiedade, melhora do
humor e maior estado de tranquilidade (LEHRNER et al., 2000).
40
Hongratanaworakit (2009) também encontrou efeito relaxante ao utilizar
óleo de Rosa damascena em indivíduos saudáveis e o mesmo causou alívio da
depressão e do estresse.
Conforme visto anteriormente, existe uma série de óleos essenciais
atualmente em uso como agentes de aromaterapia para aliviar a ansiedade,
estresse e depressão. Os mais comumente utilizados com atividade ansiolítica
são: Lavandula angustifólia; Rosa damascena, Citrus sinensis, Citrus
aurantium, Citrus limon, Santalum álbum, Salvia sclarea, Anthemis nobilis e
Pelargonium spp (SETZER, 2009).
Por fazer parte dos objetivos da tese em questão, será enfatizado
apenas o Citrus aurantium L, sendo reservada a próxima seção para pesquisas
e estudos sobre este O.E.
3.2.2 Citrus aurantium L. e ansiedade
Os óleos essenciais (OE) são extraídos de plantas por meio da técnica
de arraste a vapor e são compostos principalmente de mono e sesquiterpenos
e de fenilpropanoides, metabólitos que conferem suas características
organolépticas. O Brasil tem lugar de destaque na produção de OE, ao lado da
Índia, China e Indonésia, que são considerados os quatro grandes produtores
mundiais. A posição do Brasil deve-se aos OE de plantas cítricas, sendo a
laranja a principal delas (BIZZO; HOVELL; REZENDE, 2009).
O gênero Citrus (Rutaceae) compreende árvores frutíferas de origem
Oriental e são muito utilizados devido ao seu teor de óleo volátil, além de
serem fontes de flavonóides, pectinas e cumarinas (KUSTER; ROCHA, 2003;
ZUANAZZI; MONTANHA, 2003). Os registros de cultivos do Citrus, vem de
uma cultura antiga, desde 2100 a.C. (MOORE, 2001).
Como exemplos do gênero Citrus podem-se citar: Citrus bergamia,
Citrus limonum, Citrus deliciosa, Citrus reticulada, Citrus sinensis, Citrus
paradisi e Citrus aurantium L. (CiaL.).Alguns dos mesmos vem sendo utilizados
na alimentação, medicamentos, indústria de cosméticos e aromaterapia
(SAIYUDTHONG; MARSDEN, 2010).
41
Na aromaterapia, algumas pesquisas tem demonstrado atividade
ansiolítica em estudos pré-clinicos do Citrus bergamia (SAIYUDTHONG;
MARSDEN, 2010), assim como clínicos.
Um exemplo de estudo clínico foi o realizado por Lehrner et al. (2000)
em que utilizou óleo essencial (Citrus sinensis), via inalatória, na sala de
espera de um consultório odontológico, e avaliou a ansiedade traço-estado de
72 pacientes. Após a exposição, observou-se menor escore da ansiedade
estado, principalmente em mulheres, quando comparadas com o grupo
controle (grupo controle: 33,8 ± 6,3 homens/ 44 ± 12,7 mulheres; grupo de
estudo: 37,7 ± 12,5 homens/ 38,3 ± 10,5 mulheres). Em 2005, Lehrner e
colaboradores investigaram o efeito do óleo de laranja e de lavanda na
ansiedade em duzentos pacientes na sala de espera de um consultório
odontológico e comprovaram a eficácia do uso de odores na redução da
ansiedade.
CiaL. é conhecido popularmente como laranja-amarga, laranjeira-azeda,
laranjeira-cavalo e laranjeira de Sevilha. Seus frutos, flores e folhas tem sido
usados na medicina popular para o tratamento de ansiedade, insônia e como
anticonvulsivante (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002). Na região do
Mediterrâneo, é usado desde os tempos medievais como estimulante cardíaco
e vascular, digestivo, sedativo, tranquilizante, estimulante de apetite e tônico
geral, além de antídoto contra venenos (ARIAS; RAMÓN-LACA, 2005). Na
medicina tradicional chinesa, a laranja-amarga, que é conhecida como “zhi shi”,
é usada como estimulante da função gastrointestinal e tônico geral
(BOUCHARD et al., 2005).
No que diz respeito a sua composição, CiaL., alguns autores analisaram
a casca da laranja e averiguaram a composição de hidrocarbonetos
monoterpenos: o limoneno (96,86%), β-pineno (1,37%), (E)-β-ocimeno (0,31%),
sabineno (0,28%) e α-pineno (0,27%), sendo os principais componentes.
Linalol (0,17%) e verbenona (0,12%) foram os principais monoterpenos
oxigenados
encontrados.
E
os
Hidrocarbonetos
sesquiterpenos
foram
representados principalmente por α-humuleno (0,15%) e α-calacoreno (0,12%).
O sesquiterpeno oxigenado foi o grupo menos representado dos componentes,
sendo o α-ciperone (0,12%) o único composto detectado (HOSNI et al., 2010).
Outros estudos anteriores, realizados na Tunísia, Itália e Brasil, mostram
que pode haver diferenças quanti e qualitativas na composição dos
42
constituintes do óleo da casca da laranja, dependendo do genótipo, estação,
maturação e outros fatores climáticos. No entanto, a presença dos principais
componentes como o limoneno em maior quantidade sempre foi uma constante
(CACCIONI et al., 1998; BOUSSAADA; CHEMLI, 2007; MORAES et al., 2009).
Com relação a seus efeitos no SNC é popularmente utilizado para curar
a insônia, tratar nervosismo, ansiedade e histeria, e as flores são utilizadas
com fins sedativos (SANTOS; TORRES; LEONART, 1988; SANGUINETTI,
1989; VASQUEZ; SUAREZ; PEREZ, 1997; LEHRNER et al., 2000).
Pultrini, Galindo e Costa (2006) avaliaram dois modelos experimentais
para o transtorno de ansiedade generalizada e transtorno obsessivo
compulsivo em camundongos, os quais foram tratados de forma aguda por via
oral (dose única) ou uma vez por dia durante 15 dias (doses repetidas), antes
dos procedimentos experimentais. Houve efeito ansiolítico apenas na dose
aguda para o experimento (claro/escuro) e resultados mais consistentes para o
outro experimento (marble-burying).
Leite et al. (2008) avaliaram doze ratos, previamente expostos à
inalação do O.E. (CiaL.), nas concentrações de 1,0%; 2,5% e 5,0%, durante 7
minutos em caixas de acrílico. Os mesmos foram avaliados em dois modelos
de ansiedade: labirinto em cruz elevado (LCE) e campo aberto. Observaram
diminuição do grau de emocionalidade dos animais em ambos modelos
experimentais, sugerindo assim uma possível ação central.
Outro estudo pré-clínico, utilizando diferentes preparações do OE de
CiaL., obtidas de diversas partes da planta, foram avaliadas quanto a sua
potencial ação sobre o sistema nervoso central, em modelos para testar a
atividade anticonvulsivante, sedativa-hipnotica e ansiolítica Esse trabalho
demonstrou que o óleo obtido das cascas dos frutos foi capaz de aumentar o
tempo de permanência dos animais sobre os braços abertos do labirinto em
cruz elevado, sem apresentar qualquer comprometimento sobre o estado de
atenção ou sobre a atividade motora dos camundongos, perfil comportamental
que indica um potencial efeito ansiolítico (CARVALHO-FREITAS; COSTA,
2002).
Compostos de fragrância pura e óleos essenciais tem vários efeitos em
humanos e em outras espécies de mamíferos. O óleo essencial obtido das
cascas das frutas de CiaL. apresenta propriedades ansiolíticas comprovadas
em trabalhos anteriores (CARVALHO-FREITAS; COSTA, 2002; PULTRINI;
43
GALINDO; COSTA, 2006), no entanto, ainda há escassez de estudos clínicos
que comprovem esses dados.
Levantamentos etnofarmacologicos comprovam o uso popular do CiaL.
como tratamento alternativo de distúrbios relacionado ao SNC. Um estudo
realizado na Martinica comprova que a decocção das flores e folhas desta
espécie
vegetal
tem
efeito
sedativo
quando
administrada
oralmente
(LONGUEFOSSE; NOSSIN, 1996).
Sendo assim, diante da constatação do efeito ansiolítico do CiaL. em
estudo pré-clinicos, comprovação do mesmo efeito em estudos clínicos de
outros exemplos do gênero Citrus e da escassez de respostas clínicas, faz-se
necessário o investimento em estudos e pesquisas em humanos sobre o efeito
do CiaL. na ansiedade.
3.3 Ruído e os efeitos da exposição ao ruído ocupacional
O ruído é um sinal acústico aperiódico, originado da superposição de
vários movimentos de vibração com diferentes frequências que não
apresentam relação entre si (FELDMAN; GRIMES, 1985).
É formado por um espectro de frequências aleatórias, não harmônicas, e
caracterizado pela intensidade, quantidade de energia vibratória que se
propaga nas áreas próximas, a partir da fonte emissora, e pela frequência,
representada pelo número de vibrações completas por segundo. Pode ser
classificado como: estacionário, com variações dos níveis desprezíveis durante
o período de observação; contínuo, cujo nível varia continuamente de um valor
apreciável durante o período de observação; e de impacto, que se apresenta
em picos de energia acústica de duração inferior a um segundo (SANTOS;
MORATA, 1999).
Conforme a Portaria n° 3.214 (BRASIL, 1978), existem limites de
tolerância à exposição ao ruído e o tempo de exposição deve reduzir à medida
que a intensidade do ruído aumenta. Conforme tabela a seguir:
44
Quadro 1: Limite de exposição ao ruído em dB (A) x horas
NPS dB (A)
Máxima exposição diária permissível (horas)
85
08
86
07
87
06
88
05
89
04,5
90
04
Adapatado do ANEXO I NR 15 Segurança e Medicina do Trabalho – Atividades e Operações
Insalubres (BRASIL, 1978).
Quando o ruído é intenso e a exposição a ele é continuada, em média
85dB(A) por oito horas por dia, ocorrem várias alterações no indivíduo. Ele
afeta o ser humano simultaneamente nos planos físico, psicológico e social. Os
seus efeitos vão desde alterações passageiras até graves danos irreversíveis.
Acima de 90 dB, o ruído afeta desfavoravelmente a produtividade, bem como a
qualidade do produto em atividade de longa duração e que requerem contínua
e muita atenção. Um indivíduo normal precisa gastar aproximadamente 20% de
energia extra para realizar uma tarefa, sob o efeito do ruído perturbador intenso
(BRASIL, 2006).
A exposição ocupacional ao ruído intenso está associada a várias
manifestações sistêmicas, tais como elevação do nível geral de vigilância,
aceleração da frequência cardíaca e respiratória, alteração da pressão arterial
e da função intestinal, dilatação das pupilas, aumento do tônus muscular,
aumento da produção de hormônios tireoidianos e estresse (COSTA;
KITAMURA, 1995).
No que diz respeito à alteração da pressão arterial em decorrência do
ruído, de acordo com VanKempen et al. (2002), tem sido sugerido que a
exposição ao ruído está associada a alterações da pressão arterial e risco de
doença cardíaca, mas a evidência epidemiológica ainda é limitada.
Corrêa Filho et al. (2002) estimaram a prevalência de perda auditiva
induzida por ruído e hipertensão arterial, em 108 condutores de ônibus urbanos
da cidade de Campinas, e encontram 32,7% com perda auditiva induzida por
ruído e 13,2% de hipertensão arterial diastólica (PAD≥90 mmHG; PAS≥140
mmHG). Valores próximos ao estimado para o Brasil (15%) por Kholmann et al.
(1999).
45
Seligman (2001) refere como sinais e sintomas auditivos a perda
auditiva, zumbidos, dificuldades no entendimento de fala e outros sintomas
menos frequentes como: plenitude auricular, dificuldade na localização da fonte
sonora.
Ogido, Costa e Machado (2009), com o objetivo de estimar a prevalência
de sintomas auditivos e vestibulares em trabalhadores expostos a ruído
ocupacional, analisaram os prontuários de 175 trabalhadores com perda
auditiva induzida por ruído, atendidos em um centro de referência de saúde
ocupacional e como seus resultados obtiveram 74% casos de hipoacusia
(diminuição auditiva), 81% com zumbidos e 13,2% com vertigem. No entanto, a
associação entre hipoacusia e idade, tempo de exposição ao ruído e limiares
auditivos tonais e entre vertigem e tempo de exposição ao ruído, não foram
significantes.
O zumbido é um dos sintomas mais comumente relatados pelos
portadores da perda auditiva induzida por ruído (PAIR), e provoca muito
incômodo (KANDEL; SCHWARTZ; JUSSEL, 2003). Ele é definido como sendo
a manifestação do mau funcionamento, no processamento de sinais auditivos
envolvendo componentes perceptuais e psicológicos (VESTERAGER, 1997).
Num estudo com 3.466 trabalhadores requerentes de indenização por PAIR,
McShane, Hyde e Alberti (1988) observaram uma prevalência de zumbido de
49,8%. Destes, 29,2% afirmaram que o zumbido era o problema principal.
Estima-se que a prevalência de zumbido aumenta de acordo com a evolução
do dano auditivo, influenciado pela idade e tempo de exposição ao ruído (DIAS
et al., 2006).
No que diz respeito à perda auditiva, são considerados como sinônimos:
perda auditiva por exposição ao ruído, no trabalho, perda auditiva ocupacional,
surdez profissional, disacusia ocupacional, perda auditiva induzida por níveis
elevados de pressão sonora, perda auditiva induzida por ruído ocupacional,
perda auditiva neurossensorial por exposição continuada a níveis elevados de
pressão sonora de origem ocupacional.
Morata e Lemasters (1995) propuseram a utilização do termo “perda
auditiva ocupacional”, por ser mais abrangente, considerando o ruído, como o
agente mais comum. No entanto, o mesmo pode estar associado a produtos
químicos e vibração, fatores que podem prejudicar mais ainda o trabalhador
(SILVA, 2002).
46
No ano de 1996, o National Institute for Occupational Safety and Health
(NIOSH) publicou o Guia Prático para Prevenção de Perda Auditiva
Ocupacional, utilizando o termo “perda auditiva ocupacional” para definir não só
a perda auditiva induzida por ruído, como também as provocadas por
exposições a solventes aromáticos, metais e alguns asfixiantes, e vibração
(FIORINI; NASCIMENTO, 2001).
Além da perda auditiva propriamente dita, o indivíduo exposto ao ruído
pode apresentar o trauma acústico, quando a exposição ao ruído é de forma
súbita e muito intensa, lesando, temporária ou definitivamente, diversas
estruturas do ouvido. Ou pode apresentar a mudança transitória do limiar que
se caracteriza por uma diminuição da acuidade auditiva que pode retornar ao
normal, após um período de afastamento do ruído (BRASIL, 2006).
Para Borchgrevink (2003), ruído é um risco para a saúde. E um dos
efeitos do ruído mais divulgados e cientificamente provados é a perda auditiva.
No entanto, o ruído pode causar efeitos psicossociais e orgânicos
inespecíficos. Além disso, exposição crônica ao ruído, caracterizada por alta
intensidade e frequência baixa pode aumentar o risco de doenças
cardiovasculares, como também, bioquímicas, gastrointestinais, respiratórias e
afetar o sistema imunológico (HESSEL; SLUIS-CREMER, 1994; VAN KEMPEN
et al., 2002; VAN CAMPEN et al., 2002).
Seligman (2001) também refere como efeitos do ruído, chamados de
extra-auditivos: Transtornos da comunicação; Alterações do sono; Transtornos
neurológicos; Transtornos vestibulares; Transtornos digestivos; Transtornos
comportamentais. E a exposição ao ruído pode induzir respostas psicossociais
como aborrecimento, cansaço, distúrbios do sono e ansiedade (MILLER, 1974;
MELAMED; BRUHIS, 1996).
Gitanjali e Ananth (2003) estudaram os efeitos do ruído (acima de 75 dB)
em trabalhadores de indústria e observaram aumento significante do cortisol e
estresse após a exposição, além de mudanças no sono e no batimento
cardíaco.
Chiovenda et al. (2007) investigaram os efeitos neuropsicológico,
neurofisiológico e estado emocional de guardas de trânsito, além de avaliar os
efeitos do ruído ambiental a que os guardas de trânsito são expostos versos a
tarefa de Stroop (ruído induzido), por meio do potencial cognitivo P300 e
questionário IDATE. Obtiveram como resultado amplitudes rebaixadas do P300
47
mais evidentes em escores ansiedade estado elevado. E não houve diferença
entre os dois grupos (guardas de trânsito e controle) nos resultados dos testes
neuropsicológicos e psicológicos, apenas nas mensurações neurofisiológicas e
essas variações estavam associadas com o humor e ansiedade dos guardas
de trânsito.
Melamed e Bruhis (1996), ao estudarem 35 trabalhadores saudáveis de
uma indústria têxtil, observaram atenuação do ruído maior que 85 dB (A) para
30 -33 dB com protetores auriculares em trabalhadores, reduziram o nível do
cortisol na urina, além de diminuir o cansaço e irritabilidade após o trabalho
Fernandes e Morata (2002) com o objetivo de investigar as queixas de
saúde e achados audiológicos de 73 trabalhadores expostos ao ruído e
vibração (divididos em dois grupos), encontraram a ansiedade entre os
problemas de saúde mais citados pelos trabalhadores do grupo exposto ao
ruído e vibração de corpo inteiro. Enquanto que a porcentagem de
audiogramas alterados foi mais elevada no grupo exposto a vibração
transmitida por meio das mãos-braços. Andrade et al. (1998) também
encontraram queixa de ansiedade entre os trabalhadores expostos ao ruído
ocupacional. Entretanto, ambas as pesquisas não utilizaram questionário
específico e auto-avaliação para mensuração da ansiedade.
Sabe-se que agentes físicos como o ruído estão presentes em vários
locais de trabalho, mas ainda existem os estressores organizacionais, que são
aqueles relacionados à organização do trabalho como, por exemplo, turnos,
ritmo e ergonomia (FERNANDES; MORATA, 2002). Em se tratando de
indivíduos que trabalham em indústrias, estes possuem escalas de trabalho
não convencionais e existem evidências de que o esquema de organização dos
cronogramas de trabalho é um fator que provoca níveis de estresse e
ansiedade, afetando negativamente a saúde física e mental e o desempenho
do
indivíduo
(MONK,
1988;
OLSSON;
KANDOLIN;
KAUPPINEN-
TOROPAINEN, 1989).
A explicação para essas consequências ao trabalhador seria: alteração
do ciclo circadiano, alteração da homeostase e ausência de vida familiar/social
(COSTA, 1996; HARRINGTON, 1994; MONK, 2000). Combinados, esses
estressores (ruído e horários não convencionais) podem ter uma série de
efeitos sobre a saúde e bem-estar dos trabalhadores, aumentando a
48
sensibilidade aos agentes estressores ambientais e, consequentemente, o
risco de acidentes de trabalho (FERNANDES; MORATA, 2002).
Almondes e Araújo (2009) avaliaram ansiedade e estresse em 239
trabalhadores em diferentes esquemas de trabalhos, por meio do Inventário de
Ansiedade Traço-Estado e Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de
Lipp. Os resultados mostraram que os trabalhadores em turnos apresentaram
maiores escores de Ansiedade Traço-Estado quando comparados com os
trabalhadores
diurnos
fixos
(t=-4,994,
p=0,0001;
t=-2,816,
p=0,005,
respectivamente). Os autores concluíram que esquemas de trabalhos em
turnos
causam
mais
ansiedade-estado
e
traço,
mas
não
elevam
significativamente níveis de stress quando comparados com diurnos fixos.
Dessa
forma,
além
da
exposição
ao
ruído
que
pode
trazer
consequências à saúde mental, como por exemplo, a ansiedade, citada na
literatura, os trabalhadores ainda tem o fator horário de trabalho que também
pode trazer consequências neste sentido.
49
OBJETIVOS
50
4 OBJETIVOS
4.1 Geral
Avaliar o efeito do óleo essencial de Citrus aurantium L (CiaL.) extraído
da casca da laranja na ansiedade de trabalhadores expostos a ruído
ocupacional.
4.2 Específicos
 Identificar trabalhadores com alta e baixa ansiedade;
 Correlacionar o tempo de trabalho, idade e turno com momento de maior
ansiedade e comportamento emocional;
 Comparar as mensurações dos parâmetros psicológicos entre os grupos
de trabalhadores com alta e baixa ansiedade;
 Comparar as mensurações dos parâmetros fisiológicos entre os grupos
de trabalhadores com alta e baixa ansiedade.
51
MATERIAL E MÉTODOS
52
5 MATERIAL E MÉTODOS
5.1 Material
5.1.1 Sujeitos da pesquisa
A população do estudo foi formada por voluntários com alta e baixa
ansiedade que trabalham em uma indústria de papel, localizada na BR 101 Km
06, Paraíba. A utilização desta população no estudo justificou-se pela
constatação da presença de ansiedade em trabalhadores expostos a ruído
ocupacional em estudos desenvolvidos por Andrade et al. (1998), Fernandes e
Morata (2002) e Almondes e Araújo (2009).
A seleção dos sujeitos foi realizada através de triagem, durante
avaliação audiológica demissional/periódica/admissional, entre setembro de
2010 a julho de 2011, na sala do setor médico da empresa. Foram aplicados,
individualmente, o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) e o SelfReport Questionnaire-SRQ 20 (Anexo B e Anexo A, respectivamente), por meio
de entrevistas, ou seja, as perguntas dos questionários eram lidas em voz alta,
o trabalhador respondia e a pesquisadora anotava. Caso, não entendesse a
pergunta, a mesma era refeita sem alteração do sentido.
A aplicação do IDATE-traço teve o objetivo de identificar a presença e o
grau de ansiedade (baixo ou alto) nos trabalhadores expostos ao ruído
ocupacional. O SRQ-20 para detecção de distúrbios psiquiátricos menores.
Além disso, durante a entrevista, questionou-se o momento de maior
ansiedade do trabalhador: antes, durante ou após o trabalho, para a ocasião de
exposição ao óleo essencial CiaL.
Foram triados 180 trabalhadores, dos quais foram excluídas cinco
mulheres para que fatores relacionados ao gênero (fatores hormonais) não
interferissem nos resultados, dois por não finalizarem a avaliação completa
(ensaio clínico), 31 trabalhadores que foram desligados da empresa, um
trabalhador por fazer uso de medicamento psicotrópico, oito por estarem em
período de férias e 87 por não poderem ser liberados da produção, pois
atrapalharia o andamento das atividades laborais.
53
A amostra foi constituída por 48 trabalhadores, todos do sexo masculino,
com idade entre 20 e 51 anos, os quais se enquadram nos critérios de
inclusão, como idade acima de 18 anos e sem antecedentes psiquiátricos; de
exclusão, ou seja, não apresentavam doenças neurológicas, usuário de
estimulantes, fitoterápicos, ansiolíticos, antidepressivos, portadores de rinites e
sinusites e alérgicos a odores.
Os voluntários que participaram do ensaio clínico (n=48) foram alocados
de forma não-aleatória, de acordo com o grau de ansiedade (baixa ou alta),
pareados por idade e conforme liberação do setor de produção que trabalha.
Posteriormente, os sujeitos foram subdivididos em quatro grupos: grupo
experimental alta ansiedade (n=8); grupo controle alta ansiedade (n=8); grupo
experimental baixa ansiedade (n=16) e grupo controle baixa ansiedade (n=16).
Conforme ilustrado no Fluxograma 1.
Fluxograma 1: Demonstrativo sujeitos e grupos da pesquisa.
SRQ-20
EXCLUÍDOS:
5-mulheres
31-desligados
1-uso psicotrópico
8-período de férias
87-não liberados do
setor
TRIAGEM
N=180
IDATETraço
SELECIONADOS
N= 48
Grupo experimental
Baixa Ansiedade
N=16
Grupo experimental
Alta Ansiedade
N=8
Grupo controle
Baixa Ansiedade
N=16
-De acordo com o grau de
ansiedade (IDATE-traço);
-Grupos pareados por idade
-Liberação do trabalhador
pelo setor de produção
Grupo controle
Alta Ansiedade
N=8
54
5.1.2 Droga vegetal
Para a realização deste experimento clínico utilizou-se 10 mL de Óleo
Essencial Citrus aurantium L. (CiaL-OE.), o qual foi cedido pelo International
Flavours and Fragrance Inc (IFF) de São Paulo – Brasil. O cálculo da
concentração de CiaL. (10 mL) foi feito, pelo IFF, de acordo com área da sala
em que foi realizado o ensaio clínico: 2,47 cm de largura, 3,72 cm de
cumprimento, 2,63 cm de altura (referência da fita métrica: v12-3; starrett - 3M;
EDP Nº67822)
O CiaL. foi extraído da casca da laranja e é composto por 98% de
limoneno (figura 1).
5.1.2.1 Parâmetros cromatográficos do CiaL-OE.
Para verificação e confirmação da composição do CiaL-OE. foi realizada
cromatografia no Laboratório de Controle de Qualidade de Produtos
Farmacêuticos- LCQPF da Universidade Federal da Paraíba-UFPB, por dois
farmacêuticos Fábio Santos de Sousa e Valmir Gomes de Souza. (Figura 1).
Os cromatogramas foram obtidos de um cromatógrafo a gás diretamente
interfaciado com um espectrômetro de massas (Shimadzu GC-MS-QP5050A).
Coluna capilar com fase estacionária de 5% fenil e 95% dimetilpolisiloxano com
30 m de comprimento, 0,25mm de diâmetro interno e 0,25 µm de espessura do
filme, fabricada pela J & W Scientific.
A programação de temperatura inicial é de 70ºC a 105 ºC (8 ºC/min)
depois segue até 250ºC (40ºC/min), e temperatura de interfaciamento de 250
ºC; apresentando tempo de programação de 9,0 min. A temperatura do injetor
foi de 250º C, o hélio foi utilizado como gás de arraste a um fluxo de 1,5
mL/min, com razão de Split de 1:5. O volume de injeção foi de 10µL.
A ionização dos componentes foi realizada por impacto eletrônico a
70eV, com detector de 1,25Kv. O espectrômetro foi operado no modo SCAN,
varrendo uma faixa de massas de 45 a 450 u.m.a. A temperatura da fonte de
íons foi de 280 ºC. A identificação dos compostos foi realizada comparando
55
seus espectros de massas com os espectros existentes no banco de dados do
equipamento (biblioteca Willey/NBS).
Figura 1. Cromatograma do CiaL apontando o pico do limoneno com tempo de
retenção em 4,5min.
5.1.3 Equipamentos
Utilizou-se um fisiógrafo Modelo I-330-C2+ da J&J Engineering para a
mensuração das medidas fisiológicas (temperatura de extremidade e
condutância da pele) e tensiômetro digital de pulso Marca Techmed para
avaliação da pressão arterial e freqüência cardíaca.
Para a vaporização do OE utilizou-se o aparelho de vaporização,
fabricado pela World`s Natural Fragancies (WNF) Indústria e Comércio LTDa.São Paulo/Brasil.
5.1.4 Local de realização do ensaio clínico
A pesquisa foi realizada em duas salas no setor médico da empresa,
uma ao lado da outra. Na sala 1 foram realizadas as mensurações pré e pós
inalação do CiaL. Na sala 2 foi realizada a inalação do odor do CiaL., a mesma
continha uma maca e uma cadeira confortável. Em ambas as salas foram
mantidas temperatura aproximadamente 23°C (ou confortável para o sujeito) e
quanto à luminosidade, na sala 1 foi mantida a luz acesa e na sala 2, luz
apagada, mantendo luz natural ambiente vinda da janela de vidro alta.
56
5.2 Métodos
A pesquisa tratou-se de um ensaio farmacológico clínico (Fase II) e
modelo de estudo quase-experimental, pois foi avaliada a eficácia terapêutica
do óleo essencial CiaL. em trabalhadores expostos ao ruído, antes e após
intervenção a curto prazo por inalação.
5.2.1 Parâmetros de mensuração psicológica
Nesse tipo de mensuração, utilizou-se o Inventário de Ansiedade TraçoEstado-IDATE (Anexo B) e o Self-Report Questionnaire-SRQ-20 (Anexo A).
O SRQ-20 foi utilizado, apenas no momento da triagem, por ser útil
como o primeiro estágio no processo diagnóstico de transtornos mentais e
comportamentais, tendo em vista sua alta sensibilidade (83%) e especificidade
(80%) (MARI; WILLIAMS, 1986). Além disso, é recomendado pela Organização
Mundial de Saúde para esta finalidade e tem se mostrado eficaz na detecção
de distúrbios psiquiátricos menores (DPM), sendo inclusive superior ao próprio
exame clínico realizado por médicos generalistas (MARI et al., 1987). Os
pontos de corte estabelecidos para caracterizar a presença de distúrbios
psiquiátricos menores foram distintos para os sexos - 6 para os homens e 7
para as mulheres.
O Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) em sua versão
validada para o português (BIAGGIO, NATALÍCIO, 1979) contém duas
subescalas com vinte itens e escala de quatro pontos cada. As respostas
(escala de quatro pontos) para o IDATE-estado são: 1. Absolutamente não 2.
Um pouco 3. Bastante 4. Muitíssimo e para o IDATE-traço são: 1.Quase nunca
2. Às vezes 3. Frequentemente 4. Quase sempre). O IDATE tem a finalidade
de medir a ansiedade de forma subjetiva, a fim de abordar a autopercepção do
indivíduo em relação à ansiedade traço (característica de propensão à
ansiedade) e ansiedade estado (estado emocional no momento da aplicação).
Existem alguns itens do IDATE com escore alto que representam baixa
ansiedade, desta forma para a contagem dos pontos os valores de alguns itens
devem ser invertidos, ou seja, as respostas marcadas 1 2 3 4 devem
57
corresponder a 4 3 2 1 na contagem dos escores. No IDATE-traço (Parte II) os
itens que devem inverter as respostas na contagem são: 1 6 7 10 13 16 19. No
IDATE-estado (Parte I) os itens são: 1 2 5 8 10 11 15 16 19 20.
A pontuação em ambas as escalas varia de 20-80 pontos, sendo
considerado baixa ansiedade de 20 a 40 pontos, média ansiedade de 41 a 60 e
de 61 a 80 pontos alta ansiedade (CHAVES, 1994). Nesta pesquisa, serão
considerados 20 a 40 pontos baixa ansiedade e de 41 a 80 alta ansiedade na
escala traço do IDATE (ALMEIDA, 2009), realizado apenas durante a triagem,
para a identificação de alta ou baixa ansiedade e divisão dos sujeitos em dois
grupos de estudo. Quanto à escala estado do IDATE, teve como objetivo neste
estudo avaliar a ansiedade antes e após exposição ao CiaL.
A análise dos parâmetros psicológicos contou com a colaboração de um
profissional psicólogo (Apêndice A-relatório).
5.2.2 Parâmetros de mensuração fisiológica
Para a análise objetiva do estado de ansiedade foram mensuradas as
seguintes medidas: pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura de
extremidade e condutância elétrica da pele.
A pressão arterial e a frequência cardíaca foram medidos por meio do
tensiômetro digital de pulso, no pulso direito do trabalhador com o braço
relaxado e apoiado na mesa do consultório do setor médico da empresa. Sabese que a ansiedade provoca manifestações somáticas relacionadas à
hiperatividade autonômica e hiperventilação (BERNIK, 1999). A unidade de
medida utilizada na pressão arterial foi milímetro de mercúrio (mmHg) e na
frequencia cardíaca foi batimentos por minuto (bpm).
A temperatura de extremidade foi mensurada a partir de um sensor
térmico preso ao dedo anelar da mão dominante por um pedaço de
esparadrapo micropore®. A unidade de medida utilizada nesse parâmetro foi
grau Celsius (°C). Sabe-se que a temperatura de extremidade é um dos
sintomas mais frequentes em momentos de ansiedade, além de ser um
marcador bastante sensível para mensuração.
A condutância elétrica da pele foi medida por meio de dois sensores
presos ao dedo indicador e médio da mão dominante por um pedaço de
58
esparadrapo micropore®. A unidade de medida utilizada nesse parâmetro foi
picosiemens (µS). A condutância elétrica é a mensuração da sudorese na
palma da mão, que é outro relevante e frequente sintoma presente na
ansiedade (ALMEIDA, 2009)
Os eletrodos utilizados foram acoplados ao Fisiógrafo I-330-C2+ da J&J
Engineering, o qual estava acoplado a um notebook de marca HP.
5.3 Ensaio clínico
5.3.1 Estabelecimento do tempo de inalação
No que diz respeito ao tempo de inalação dos óleos essenciais, as
pesquisas descritas na literatura informam que o período de exposição ao odor
para estudos pré-clínicos foi de 7 minutos (LEITE et al., 2008) e para estudos
clínicos não ultrapassou de 20 minutos (LEHRNER et al., 2005).
Para padronizar o tempo de exposição ao CiaL. na presente pesquisa,
realizou-se estudo piloto e verificou-se sensação de relaxamento após 15
minutos de inalação e efeitos colaterais de náuseas após 25 minutos, assim
como alergia nasal na avaliadora.
Dessa forma, estabeleceu-se o tempo de 25 minutos para exposição ao
CiaL. no ensaio clínico da pesquisa.
5.3.2 Etapas do ensaio clínico
Separados os grupos e identificado o momento de maior ansiedade,
aplicou-se o IDATE-estado e foram mensuradas as medidas fisiológicas na
sala 1 do setor médico da empresa. E então, o sujeito foi encaminhado para a
sala 2 do setor médico, onde permaneceu sozinho, deitado em uma maca ou
da maneira que se sentisse mais a vontade, durante 25 minutos, inalando o
odor do CiaL. No momento da realização do ensaio clínico, não era mais
informado ao sujeito da pesquisa que existia odor na sala, era solicitado
apenas que relaxasse e esperasse alguns minutos para a próxima
mensuração.
59
Após 25 minutos, as medidas fisiológicas e o IDATE-estado foram
realizadas novamente. Posteriormente, questionava-se ao sujeito se havia
relaxado, cochilado ou dormido, se estava sentindo-se bem, se havia sentido
algum odor e se o mesmo era agradável ou não. Além disso, solicitou-se que
prestasse atenção em como se sentiria durante o restante do dia, tanto em
relação ao trabalho, quanto humor e sono (Fluxograma 2).
A avaliação do grupo controle, sem exposição ao CiaL., foi realizada
cerca de um mês após o grupo experimental. Os mesmos procedimentos foram
utilizados sem a inalação do odor CiaL.
A duração de todo os procedimentos de cada ensaio clínico foi em
média de 40 (quarenta) minutos.
Fluxograma 2: Etapas do ensaio clínico.
EXPOSIÇÃO AO ÓLEO
ESSENCIAL
CiaL 10 mL
MOMENTO
ANTES
Medida
Psicológica:
IDATE-estado
Após 25 min
Medidas Fisiológicas:
Pressão Arterial/
Frequência Cardíaca/
Condutância de Pele/
Temperatura de
extremidade
MOMENTO
DEPOIS
Medida
Psicológica:
IDATE-estado
Grupo controle: mesmo procedimento, sem inalação do O.E.
Medidas Fisiológicas:
Pressão Arterial/
Frequência Cardíaca/
Condutância de Pele/
Temperatura de
extremidade
60
5.4 Questões Éticas
Em obediência à Resolução n° 196/96, do Conselho Nacional de Saúde,
referente à ética em pesquisa envolvendo seres humanos, a presente pesquisa
foi aprovada pelo Comitê de Ética do Hospital Universitário Lauro Wanderley,
Protocolo n°. 583/10; folha n°. 359244 (Anexo C).
Antes do experimento, o diretor da Empresa autorizou a realização da
pesquisa e cada voluntário foi informado sobre o objetivo do estudo e assinou o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de acordo com a resolução
196/96 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa - CONEP (Apêndice B).
Este estudo seguiu as normas regulamentadoras contidas na Resolução
251/97 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) do Ministério da Saúde para
execução de ensaios farmacológicos clínicos de Fase II.
5.5 Análise dos Dados
Para verificar a homogeneidade entre os grupos da pesquisa utilizou-se
o teste paramétrico t de Student, o qual para indicar que as amostras eram
homogêneas mostrou valor de p>0,05. As amostras dos parâmetros de
mensuração psicológica (IDATE-estado) e de mensurações fisiológicas são
dependentes, pois os mesmos grupos foram avaliados antes e após
intervenção com o CiaL.
Os dados coletados foram agrupados em um banco de dados
confeccionado no Microsoft Excel. Posteriormente, tal planilha foi importada
para o software estatístico GraphPad Prism, versão 4.03 (GraphPad Software
Inc., USA), onde foi realizada a análise estatística descritiva e inferencial.
Na análise estatística descritiva, optou-se pela utilização da média e erro
padrão das variáveis estudadas, como: idade; turno de início de trabalho;
momento de maior ansiedade; tempo de trabalho exposto ao ruído; IDATEtraço e estado; SRQ-20; frequência cardíaca; pressão arterial; temperatura de
extremidade e condutância elétrica da pele.
61
Na
análise
estatística
inferencial,
foram
selecionados
testes
paramétricos, devido serem variáveis intervalares e estarem dentro da
normalidade.
Para comparar os diferentes momentos (antes e depois) do IDATEestado, pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura de extremidade e
condutância da pele utilizou-se o teste ANOVA de medidas repetidas. Com a
finalidade de comparar os grupos (baixa ansiedade experimental, alta
ansiedade experimental, baixa ansiedade controle e alta ansiedade controle) e
as variáveis IDATE-estado, IDATE-traço, pressão arterial, frequência cardíaca,
temperatura de extremidade e condutância da pele utilizou-se o teste ANOVA
one way.
O teste de correlação de Pearson foi empregado com o objetivo de
verificar o grau de correlação entre duas variáveis, como: IDATE-traço x SRQ20, IDATE-traço x momento de maior ansiedade, IDATE-traço x idade, IDATEtraço x tempo de trabalho e IDATE-traço x turno.
Quando os testes acima mencionados apresentavam significância,
utilizou-se o post test Bonferroni, para identificar quais dos pares de grupos
diferem. As diferenças foram consideradas significantes quando apresentaram
p<0,05.
62
RESULTADOS
63
6 RESULTADOS
Dentre os trabalhadores triados, de acordo com o escore do IDATEtraço, observou-se que 159 (88%) apresentavam baixa ansiedade (escore
abaixo de 40 pontos) e 21 (12%) alta ansiedade (escore acima de 41 pontos).
De acordo com os critérios de inclusão, grau de ansiedade, liberação
pelo setor para realização do ensaio clínico, 48 trabalhadores participaram da
pesquisa, todos do sexo masculino, com idade entre 20 e 51 anos e tempo de
trabalho exposto ao ruído de 6 meses a 23 anos. Foram subdivididos em
quatro grupos: grupo experimental alta ansiedade (n=8); grupo controle alta
ansiedade (n=8); grupo experimental baixa ansiedade (n=16) e grupo controle
baixa ansiedade (n=16), conforme Tabela 1. Verificou-se estatisticamente que
todos os grupos eram homogêneos quanto à faixa etária, sendo p=0,6527 para
os grupos experimental, p=0,9742 para os grupos controle, p=0,1228 grupos
baixa ansiedade e p=0,6583 grupos alta ansiedade.
Tabela 1. Média e erro padrão (EP) da idade e tempo de trabalho da amostra
estudada.
Variáveis
Grupo Experimental (n=24)
Idade (anos)
Tempo
de
Grupo Controle (n=24)
Baixa
Alta
Baixa
Alta
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
(n=16)
(n=8)
(n=16)
(n=8)
Média
EP
Média
EP
Média
EP
Média
EP
37,5
2,13
35,63
3,98
33
1,93
33,13
3,83
6,15
1,74
3,46
1,49
4,44
1,44
4,37
1,64
trabalho (anos)
No que diz respeito ao momento de maior ansiedade, observou-se que o
período durante e depois foram os mais relatados pelo grupo experimental
baixa ansiedade 6 (37,5%) e 6 (37,5%), assim como pelo grupo de alta
ansiedade 3 (37,5%) e 3 (37,5%), respectivamente. No grupo controle baixa
ansiedade, 7 (43,75%) não referiam um momento específico de maior
64
ansiedade, enquanto que no controle alta ansiedade, 3 (37,5%) referiram antes
do trabalho (Tabela 2).
No que se refere ao turno/início do trabalho, a maioria inicia o turno o
trabalho no período da manhã, sendo 8 (50%) no grupo experimental baixa
ansiedade, 7 (87,5%) no grupo experimental alta ansiedade e 7 (87,5%) no
controle alta ansiedade. Cabe salientar que os trabalhadores tem jornada de
trabalho de 8 horas ou 12 horas ao dia e, os turnos não são fixos. (Tabela 2).
Tabela 2. Caracterização da amostra, de acordo com os grupos, conforme
momento de maior ansiedade e turno de início do trabalho na empresa.
Variáveis
Grupo Experimental
Grupo Controle (n=24)
(n=24)
Baixa
Alta
Baixa
Alta
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
(n=16)
(n=8)
(n=16)
(n=8)
n
%
N
%
n
%
n
%
Antes do trabalho
4
25
2
25
2
12,5
3
37,5
Durante o trabalho
6
37,5
3
37,5
1
6,25
4
50
Depois do trabalho
6
37,5
3
37,5
5
31,25
1
12,5
Não refere
-
-
-
-
7
43,75
-
-
Antes e Depois
-
-
-
-
1
6,25
-
-
Manhã
8
50
7
87,5
5
31,25
7
87,5
Tarde
2
12,5
1
12,5
9
56,25
1
12,5
Noite
6
37,5
-
-
2
12,5
-
-
TOTAL:
16
100
8
100
16
100
Momento
maior
de
ansiedade
Turno/início trabalho
8
100
6.1 Parâmetro de mensuração psicológica
Os dados do IDATE-traço foram utilizados para a divisão dos grupos em
baixa ansiedade (escore entre 20 e 40 pontos) e alta ansiedade (escore acima
de 40 pontos). O questionário SRQ-20, também realizado na triagem, foi
utilizado para comparação com os dados do IDATE-traço. Os grupos alta
65
ansiedade controle e experimental apresentaram médias, estatisticamente
significantes (p<0,001), mais elevadas tanto no IDATE-traço 44,88 e 44,75
quanto no questionário SRQ-20 3,06 e 5,75, respectivamente. Descrição na
Tabela 3.
Tabela 3. Dados referentes à média e erro padrão (EP) do IDATE-traço e
questionário SRQ-20 dos grupos experimental e controle.
Variáveis
Grupo Experimental (n=24)
Grupo Controle (n=24)
Baixa
Alta
Baixa
Alta
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
(n=16)
(n=8)
(n=16)
(n=8)
Média
Ep
Média
Ep
Média
Ep
Média
Ep
IDATE-traço
25,13
0,67
44,75
2,92
29,88
1,32
44,88
1,20
SRQ-20
1,93
0,44
5,75
1,16
6
1,21
3,063
0,55
Comparando o IDATE-traço com o questionário SRQ-20 e demais
variáveis (momento de maior ansiedade, idade, tempo de trabalho, turno),
observaram-se diferenças estatisticamente significantes apenas para o IDATEtraço e SRQ-20, podendo-se afirmar que estas variáveis apresentam
correlação positiva. Assim, quanto maior o escore do SRQ-20 maior será o
escore do IDATE-traço, ou seja, maior será a ansiedade. Os demais dados não
foram dados estatisticamente significantes, conforme demonstrado na Tabela
4.
Tabela 4. Correlação entre IDATE-traço com questionário
momento de maior ansiedade, turno e tempo de trabalho
Variável
P
SRQ-20
<0,0001***
Idade
0,4641
Momento maior de ansiedade
0,8876
Turno
0,9406
Tempo de trabalho
0,6491
*** Diferença significante p<0,05; Correlação de Pearson
SRQ-20, idade,
r
0,7550
-0,1082
0,02119
0,01105
-0,06737
66
No que diz respeito às variáveis do SRQ-20 (Tabela 5), tais como sentirse nervoso, tenso ou preocupado, dificuldade de pensar com clareza, falta de
apetite, assusta-se com facilidade, tremores nas mãos, dificuldade para tomar
decisões, todas obtiveram correlação estatisiticamente significante (p<0,05)
com a ansiedade (IDATE-traço), sendo relatada pelos grupos com alta
ansiedade.
Tabela 5. Correlação entre IDATE-traço com as variáveis do questionário SRQ20 entre os grupos experimental e controle.
Variáveis
Grupo Experimental
Grupo Controle (n=24)
(n=24)
Baixa
Alta
Baixa
Alta
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
(n=16)
(n=8)
(n=16)
(n=8)
n
%
n
%
N
%
n
%
2
12,5
6
75
4
25
3
37,5
com clareza
1
6,25
3
37,5
3
18,75
2
25
Falta de apetite
2
12,5
2
25
3
18,75
5
62,5
facilidade
4
25
3
37,5
2
12,5
2
25
Tremores nas mãos
3
18,75
1
12,5
3
18,75
1
12,5
4
25
2
25
2
12,5
2
25
Nervoso,
tenso
ou
preocupado
Dificuldade
de
pensar
Assusta-se
Dificuldade
decisões
com
para
tomar
Em relação às médias dos escores do IDATE-estado nos grupos (Tabela
6) (Figura 2), houve diferença estatisticamente significante tanto entre os
grupos baixa e alta ansiedade, quanto entre os momentos antes e depois
(p<0,05). Comparando-se cada grupo considerando ambos os momentos,
constatou-se diferença estatisticamente significante apenas nos grupos
experimentais, ocorrendo diminuição significante dos escores no momento
depois (p=0,0041 BA e p=0,0263 AA). Ao comparar os grupos alta e baixa
ansiedade
(experimental)
no
momento
depois,
constatou-se
diferença
estatisticamente significante (p=0,0126), verificando-se maior diminuição dos
escores para o grupo alta ansiedade.
67
Tabela 6. Dados referentes às médias e erro padrão (EP) do IDATE-estado de
acordo com o grupo e momento.
Variáveis
Momento antes
Momento depois
Experimental
Controle
Experimental
Controle
(n=16)
(n=8)
(n=16)
(n=8)
p
Média
EP
Média
EP
Média
EP
Média
EP
Baixa ansiedade
33,44
1,88
34,38
1,20
30
2,06
32,25
1,28
0,0041
Alta ansiedade
42,88
3,11
41,63
1,94
39,88
3,06
38
3,02
0,0263
Diferença significante p<0,05;
IDATE-estado
*
50
*
Pontuação
(escore)
IDATE –Estado
40
***
30
20
10
0
Antes
Antes
Momentos
Depois
Depois
Momentos
Figura 2. Média e erro padrão dos escores do IDATE-estado dos grupos de
baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e depois da
exposição ao CiaL. *** p=0,0041 (grupo experimental BA momento antes x
grupo experimental BA momento depois); * p=0,0263 (grupo experimental AA
momento antes x grupo experimental AA momento depois); * p=0,0126 (grupo
experimental BA momento depois x grupo experimental AA momento depois).
Legenda grupos:
controle AA.
experimental BA;
controle BA;
Experimental AA;
68
Em relação ao feedback (relato do trabalhador) no dia seguinte do
experimento, não foi possível para todos, visto que alguns mudavam de turno
ou não era possível o contato com o trabalhador no setor. Então, dos nove
trabalhadores (grupo experimental), que entraram em contato, oito deram
feedback positivo, relatando que se sentiram bem e relaxados durante todo o
dia, após a inalação do CiaL.
Além disso, 16 (66%) dormiram ou cochilaram na maca, durante a
inalação, 5 (21%) referiram não terem sentido o odor do CiaL. e um (4%)
relatou não gostar do odor. Os trabalhadores dos grupos controle não referiram
diferença durante o dia e apenas um (4%) dormiu.
6.2 Parâmetros de mensuração fisiológica
Nos dados obtidos na pressão arterial (sistólica/diastólica), observou-se
diferença estatisticamente significante (p=0,0185) apenas na diastólica para o
grupo de BA experimental com médias de 140,4 (sistólica) ± 5,48 e 89,81
(diastólica) ± 3,76 mmHg antes/ 137,9 (sistólica) ± 5,48 e 84,19 (diastólica) ±
2,76 mmHg depois. Ocorrendo uma diminuição da pressão arterial após
inalação do CiaL. (Tabela 7) O grupo controle não inalou o CiaL., apenas
permaneceu durante o mesmo período em sala igual ao grupo experimental e
foram medidos os parâmetros psicológicos e fisiológicos antes e após 25
minutos.
Tabela 7. Dados referentes às médias, erro padrão (EP) e p valor do parâmetro
fisiológico pressão arterial (sistólica e diastólica) antes e após inalação do CiaL.
nos grupos experimental e controle (alta e baixa ansiedade).
Pressão
Grupo experimental
Grupo controle
Arterial
Antes
Depois
Média
EP
Média
Sistólica BA
140,4
5,48
137,9
4,88
Diastólica BA
89,81
3,76
84,19
Sistólica AA
125,3
4,34
Diastólica AA
77,38
3,13
p
Depois
Média
P
Média
EP
0,4268
126,8
2,91
127,9
2,91
0,7232
2,76
0,0185*
80,13
2,33
81,06
1,75
0,5044
122,4
4,34
0,6675
135,3
3,83
138,0
4,72
0,4099
79,13
3,34
0,5282
82,13
2,51
83,25
4,27
0,7163
* Diferença significante (p<0,05)
EP
Antes
EP
69
Observou-se diminuição significante da frequência cardíaca no grupo
experimental (p=0,0002) de baixa ansiedade no momento depois. Sendo a
média 78,13 ± 2,12 (antes)/ 71,06 ± 2,10 (depois) grupo experimental (Figura
3).
Frequencia Cardíaca
por minuto-bpm)
(batimentosbpm
Frequência Cardíaca
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
*
*** **
Antes
Antes
Depois
Depois
Momentos
Momentos
Figura 3. Média e erro padrão das medidas de frequência cardíaca entre
grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e
depois da inalação do CiaL. *** p=0,0002 (grupo experimental BA momento
antes x grupo experimental BA momento depois). Legenda grupos:
experimental BA;
controle BA;
experimental AA;
controle AA.
70
Ao avaliar-se a temperatura de extremidade, em relação aos grupos e
momentos, observou-se diferença estatística significante (p>0,05) no grupo
experimental e controle de alta ansiedade, sendo 35,09 ± 0,13 (antes) e 33,61
± 0,66 (depois)/ 31,50 ± 1,30 (antes) e 30,71 ± 0,74 (depois), respectivamente
(Figura 4).
Temperatura
40
Temperatura
graus  C(°C)
*
*
30
20
10
0
AntesAntes
Depois
Depois
Momentos
Momentos
Figura 4. Média e erro padrão das medidas da Temperatura de extremidade
entre grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos
antes e depois inalação do CiaL. * p<0,05 (grupo experimental AA momento
antes x grupo experimental AA momento depois) e (grupo controle AA
momento antes x grupo controle AA momento depois) . Legenda grupos:
experimental BA;
controle BA;
experimental AA;
controle AA.
71
Em relação à condutância elétrica da pele, observou-se resultado
estatisticamente significante (p<0.0001) no momento depois do grupo de baixa
ansiedade com diminuição das medidas tanto para o grupo experimental
(p=0.0354) quanto para o controle (p=0.0137), sendo 7,77 ± 1,78 / 7,095 ± 0,96
μMHO antes e 6,89 ± 1,65 / 5,48 ± 0,81 μMHO depois, respectivamente. Os
em  MHO
valorelétrica
da pele (μMHO)
Condutância
demais resultados não foram estatisticamente significantes (Figura 5).
Condutância elétrica da pele
10.0
*
7.5
*
5.0
2.5
0.0
Antes
Antes
Depois
Depois
Momentos
Momentos
Figura 5. Média e erro padrão das medidas da condutância da pele entre
grupos de baixa ansiedade (BA) e alta ansiedade (AA) nos momentos antes e
depois da inalação do CiaL. * p=0,0354 (grupo experimental BA momento
antes x grupo experimental BA momento depois) e * p=0,0354 (grupo controle
BA momento antes x grupo controle BA momento depois) . Legenda grupos:
experimental BA;
controle BA;
experimental AA;
controle AA.
72
DISCUSSÃO
73
7 DISCUSSÃO
A presente pesquisa teve como objetivo avaliar o efeito do óleo
essencial de Citrus aurantium L (CiaL) na ansiedade de trabalhadores expostos
a ruído ocupacional. Após a coleta e análise dos dados, os resultados foram
confrontados com a literatura, buscando respostas neuropsicológicas para
explicar os fenômenos encontrados.
Com relação à caracterização da amostra, verificou-se que os 48
(quarenta e oito) voluntários, apresentam faixa etária entre 20 e 51 anos,
trabalham expostos ao ruído entre 6 meses e 23 anos, a maioria inicia o turno
de trabalho pela manhã e referiram o período durante/ após o trabalho como
momentos de maior ansiedade no dia, conforme ilustrado nas tabelas 2 e 3.
O trabalho exposto ao ruído elevado em períodos prolongados, assim
como em horários não convencionais, podem alterar o ciclo circadiano que é
importante na regulação das funções fisiológicas e psicológicas, causando
então ansiedade, estresse e problemas sociais (ALMONDES; ARAÚJO, 2009).
Para a verificação da tendência à ansiedade na amostra da pesquisa
utilizou-se o IDATE-traço e o SRQ-20. Observaram-se escores mais elevados
do SRQ-20 em trabalhadores com alta ansiedade, ou seja, IDATE-traço acima
de 40 pontos (Tabela 3). A relação entre esses valores foi significante,
podendo-se inferir que quanto maior o IDATE-traço do trabalhador, maior o
será o escore do SRQ-20. Mostrando, dessa maneira, que o SRQ-20 pode ser
capaz de triar distúrbios psiquiátricos menores como, por exemplo, a
ansiedade, depressão e estresse, além de poder auxiliar nos primeiros estágios
do diagnóstico, conforme encontrado na literatura pesquisada (MARI;
WILLIAMS, 1986; MARI et al.,1987; DSM-IV, 2002).
No que se refere à correlação entre o IDATE-traço com o SRQ-20 e
demais variáveis (momento de maior ansiedade, idade, turno, tempo de
trabalho), mesmo não obtendo diferenças estatisticamente significante, foram
observados
escores
mais
elevados
do
IDATE-traço
e
SRQ-20
em
trabalhadores com maior tempo de exposição ao ruído e com idade acima de
33 anos e momento de maior ansiedade relatado foi depois e durante o
trabalho (Tabela 4). Os dados citados são importantes por sinalizarem a
interferência do ruído na ansiedade de trabalhadores expostos a este agente
74
físico, principalmente, em relação ao tempo de exposição, idade e momento de
maior ansiedade.
Nesse contexto, Miller (1974) e Melamed; Bruhis (1996) referiram que a
exposição ao ruído pode induzir respostas psicossociais como a ansiedade.
Fernandes e Morata (2002) também identificaram ansiedade entre os
problemas de saúde mais citados entre trabalhadores expostos ao ruído.
Melamed e Bruhis (1996) observaram que diminuindo o nível de ruído (de 85dB
para 30dB) com o uso de protetores auditivos, reduz-se o cansaço, estresse e
ansiedade após o trabalho. No entanto, cabe ressaltar que todos os
trabalhadores da presente pesquisa fazem uso de protetores, no entanto, o
ruído da produção em que trabalham é superior a 85dB.
Ao comparar o IDATE-traço com as variáveis do SRQ-20 dos grupos,
percebeu-se uma diferença significante (p<0,05) para sentir-se nervoso, tenso
ou preocupado, dificuldade de pensar com clareza, falta de apetite, assustar-se
com facilidade, tremores nas mãos, dificuldade para tomar decisões, os quais
foram mais presentes no grupo alta ansiedade (Tabela 5). Esses dados
destacam características de indivíduos com o sintoma da ansiedade e
corroboram com estudos que afirmam que a ansiedade pode interferir no sono,
causar tensão e dificuldade para tomar decisões, que são respostas reativas do
Sistema Nervoso Autônomo (SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHNENE, 1970;
EDELMANN, 1992; DSM-IV, 2002). A exposição ao ruído também pode causar
as queixas referidas, além da própria ansiedade (MILLER, 1974; MELAMED;
BRUHIS, 1996; GITANJALI; ANANTH, 2003). Dessa forma, os sintomas
supracitados tem relação tanto com o ruído quanto com a ansiedade, podendo
os mesmos serem causados ou intensificados durante a exposição ao ruído.
No que diz respeito às respostas do IDATE-estado, questionário utilizado
para mensurar o grau de ansiedade antes e depois da inalação do CiaL.,
constatou-se escores mais elevados nos grupos com alta ansiedade (Tabela 6)
e diminuição significante dos escores do IDATE-estado em ambos os grupos
(alta e baixa ansiedade experimental) no momento depois da exposição ao
CiaL. (Figura 2). Esses resultados corroboram com pesquisas pré-clínicas
utilizando o mesmo O.E. no sintoma de ansiedade (CARVALHO-FREITAS;
COSTA, 2002; PULTRINI; GALINDO; COSTA, 2006; LEITE et al., 2008), como
também pesquisas clínicas utilizando CiaL. e outros tipos de óleos essencias
(ITAI et al., 2000; LEHRNER et al., 2000; LEHRNER et al., 2005).
75
Assim, sugere-se o efeito ansiolítico do CiaL-OE. em trabalhadores
expostos ao ruído ocupacional, visto que os escores do IDATE-estado
reduziram após situação de relaxamento (inalação CiaL.), conforme citação de
Epielberger, Gorsuch, Lushene (1970). Os sujeitos da pesquisa (GE), além de
apresentarem redução dos escores do IDATE-estado, também relataram
sentirem-se “relaxados” após exposição ao O.E., como também no decorrer do
dia, e durante o ensaio clínico, os mesmos dormiram ou cochilaram.
Cabe ressaltar que a diminuição dos escores de ansiedade-estado não
se deveu apenas à permanência dos sujeitos da pesquisa deitados na maca da
sala do setor médico, usufruindo de um momento de relaxamento antes,
durante ou após o trabalho, mas sim à inalação do CiaL-OE., visto que os
sujeitos do GC não apresentaram diminuição dos escores de ansiedade do
IDATE-estado estatisticamente significantes. Assim, a inalação do OE
demonstrou uma redução da ansiedade refletida na sua saúde mental, fato
esse que acarreta em um melhor bem estar por parte dos trabalhadores.
Ao comparar os grupos alta e baixa ansiedade experimental no
momento
depois,
constatou-se
diferença
estatisticamente
significante
(p=0,0126), verificando-se maior diminuição dos escores para o grupo alta
ansiedade (Figura 2). Com isto, pode-se inferir que o CiaL-OE apresenta efeito
ansiolítico em indivíduos com alta e baixa ansiedade, parecendo ser mais
sensível em pessoas com alta ansiedade.
Um fato observado durante a pesquisa foi que nem todos os sujeitos
sentiram o odor do CiaL. Os mesmos apenas relataram sensação de
relaxamento e só informaram sentir o odor quando a pesquisadora comentou a
respeito, ao final do ensaio clínico, ou seja, após a aplicação de todo o
protocolo da pesquisa. Apenas um sujeito referiu que o odor incomodou (“não
gostou do cheiro”). Esta questão e os demais resultados discutidos nesta seção
de parâmetros de mensuração psicológica devem-se ao efeito indireto e
instantâneo da aromoterapia, tendo em vista sua relação com a cultura,
experiências anteriores e personalidade, ativando, dessa forma, a memória
olfativa (BROUGHAN, 1998/1999).
Sendo assim, a avaliação dos parâmetros psicológicos utilizados, tais
como, IDATE-traço e o SRQ-20, demonstraram ser eficientes na identificação
de distúrbios psiquiátricos menores, por exemplo, ansiedade, podendo ser de
alto ou baixo grau. Além disso, o IDATE-estado evidenciou que o CiaL-OE.
76
reduziu a ansiedade tanto nos trabalhadores com alta quanto com baixa
ansiedade, comprovando efeito ansiolítico, durante intervenção aguda, ou seja,
única exposição em trabalhadores expostos ao ruído ocupacional.
De acordo com Perry e Perry (2006), os efeitos da aromaterapia são, na
maioria das vezes, instantâneos e podem afetar o Sistema Nervoso Central de
forma direta ou indireta. No que diz respeito ao efeito direto, a resposta é mais
imediata por meio de alterações fisiológicas, sendo observado na maioria da
população (BROUGHAN, 1998/1999).
A ansiedade, estado emocional transitório marcado por tensão,
apreensão e ativação do sistema nervoso autônomo, tende a aumentar a
pressão arterial, frequência cardíaca, condutância da pele e diminuir a
temperatura de extremidade (GRAEFF; GUIMARÃES, 2000; BRANDÃO et al.,
2003; ALMEIDA, 2009). Pesquisas sobre o efeito da aromaterapia, como a de
Louis e Kowalski (2002), têm demonstrado diminuição da pressão arterial,
respiração e pulso, como indicativo da redução de ansiedade e dor (LOUIS;
KOWALSKI, 2002).
No tocante às mensurações fisiológicas, a pressão arterial diastólica no
grupo baixa ansiedade experimental reduziu significativamente após (momento
depois) inalação do CiaL-OE. (Tabela 7), assim como a diminuição da
frequência cardíaca para o grupo baixa ansiedade experimental (Figura 3).
Em relação ao aspecto fisiológico, há aumento da pressão arterial e
frequência cardíaca em situações que provocam medo ou ansiedade (JAMES
et al., 1986; RANG; DALE; RITTER, 1995), devido à relação direta com o
Sistema Límbico (FONSECA et al., 2009) e imediata ativação do eixo
hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA). Após um momento de “relaxamento”,
espera-se uma diminuição destes parâmetros. Fato que ocorreu apenas com o
grupo baixa ansiedade experimental, o que corrobora com os achados das
pesquisas de Louis e Kowalski (2002), Hongratanaworakit e Buchbauer (2004)
e Hongratanaworakit (2009), nos quais referem que a aromaterapia diminui a
excitação autonômica, reduzindo também a ansiedade, mostrando assim que a
inalação ao CiaL. foi ansiolítica para o grupo baixa ansiedade experimental.
No que diz respeito à temperatura de extremidade (Figura 4), observouse diminuição significante deste parâmetro apenas para o grupo alta ansiedade
experimental e controle. Segundo Almeida (2009), ocorre redução da
temperatura de extremidade em virtude de alterações autonômicas, como
77
constrição dos vasos periféricos, transpiração, redução de transferência de
calor para as partes distais do corpo e resposta eletrodérmica que são
causadas por tarefas ansiogênicas ou pessoas que tenham a personalidade
ansiosa. Portanto, a redução desse parâmetro demonstra que os indivíduos
permaneceram ansiosos mesmo após inalação do CiaL.
O predomínio e conservação da ansiedade, demonstrado no parâmetro
fisiológico temperatura de extremidade, no grupo com o escore do IDATE-traço
mais elevado (alta ansiedade), provavelmente deveu-se à preocupação dos
sujeitos em ter que voltar para o trabalho e, consequentemente, não
conseguirem “relaxar”.
No que concerne a condutância da pele (Figura 5), observou-se
diminuição significante nos parâmetros do grupo de baixa ansiedade tanto
controle quanto experimental. Essa redução significa menor ansiedade após a
exposição ao CiaL. Segundo Silva e Leite (2000), os níveis de condutância da
pele podem permanecer aumentados em situação estressante como, por
exemplo, em um discurso, tendo em vista a permanência do suor eliminado
durante essa situação. Por outro lado, em situações de relaxamento, como na
pesquisa em questão, a tendência é reduzir o nível de condutância elétrica da
pele.
Desta forma, os achados dos parâmetros de mensuração fisiológica
desta pesquisa apontam para o efeito redutor do CiaL. sobre a ansiedade de
trabalhadores expostos ao ruído ocupacional com baixa ansiedade.
A análise dos resultados dos parâmetros psicológicos e fisiológicos
demonstrou efeito ansiolítico do O.E. CiaL. na ansiedade de trabalhadores,
entretanto nos psicológicos observou-se redução em ambos os grupos alta e
baixa ansiedade experimental e nos fisiológicos constatou-se diminuição no
grupo baixa ansiedade. Este fato traz para a discussão a importância da
autoavaliação
do
indivíduo
na
verificação
do
impacto
de
uma
alteração/problema de saúde. Demonstrando, muitas vezes, que apenas a
avaliação clínica ou exames objetivos não evidenciam o bem estar e a
qualidade de vida do sujeito (RIEF; HERMANUTZ, 1996).
Além disso, o fato dos trabalhadores do grupo com alta ansiedade não
terem demonstrado redução da ansiedade, por meio dos parâmetros
fisiológicos, pode sugerir que estes indivíduos necessitem de uma intervenção
crônica e não aguda, conforme realizado nesta pesquisa. Fazendo-se
78
necessárias, provavelmente, intervenções consecutivas antes da atividade
laboral e com aumento da concentração do CiaL. para que se consiga registro
de índices diminuídos de pressão arterial, frequência cardíaca, condutância
elétrica e elevação da temperatura de extremidade.
Portanto, retomando as hipóteses da presente pesquisa, o CiaL-OE.
pode interferir de forma positiva na ansiedade de trabalhadores expostos ao
ruído ocupacional. Tal interferência foi demonstrada por meio da redução dos
parâmetros psicológicos e fisiológicos do GE.
Entretanto, os resultados desta pesquisa ainda sinalizam a necessidade
de ampliação das investigações acerca do CiaL-OE. sobre ansiedade,
principalmente em estudos clínicos, abrangendo populações maiores e
utilizando-se, inclusive, modelos clínicos agudos e crônicos.
A investigação do CiaL-OE. não se esgota, pois os resultados
encontrados na pesquisa em questão apontam para o efeito farmacológico
desta droga vegetal, auxiliando na descoberta de um potencial terapêutico para
redução da ansiedade. No entanto, ainda faz-se necessário o delineamento de
estudos que possam aprofundar o conhecimento a cerca do CiaL. e ansiedade,
resultando em progresso para a abordagem clínica da ansiedade e melhora da
qualidade de vida.
79
CONCLUSÕES
80
8 CONCLUSÕES
A análise dos resultados obtidos, permitem as seguintes conclusões:
 Trabalhadores com alta ansiedade apresentam escores mais elevados
do que os de baixa ansiedade no IDATE (traço e estado) e no SRQ-20;
 Os parâmetros psicológicos apresentram-se reduzidos tanto no grupo
alta quanto baixa ansiedade (experimental) após a exposição ao CiaLOE.;
 Os parâmetros fisiológicos de pressão arterial diastólica, frequência
cardíaca e condutância da pele apresentaram-se reduzidos após
exposição ao CiaL-OE., no grupo de baixa ansiedade;
 O CiaL-OE. mostrou efeito ansiolítico imediatamente após a exposição
que continuou ao longo do dia, no entanto, ainda não se sabe em
relação ao efeito em longo prazo.
A relação entre o ruído e a ansiedade em trabalhadores não se esgotam
com esta pesquisa, visto a escassez de dados relacionados na literatura. Assim
como, no que diz respeito ao efeito do CiaL-OE. na ansiedade em estudos
clínicos.
Sugerem-se estudos posteriores, com um número maior de sujeitos,
como também o uso de intervenção crônica, durante vários dias antes da
exposição ao ruído, bem como a utilização de novas concentrações e/ou tempo
de exposição ao OE junto a indivíduos com alta ansiedade.
81
REFERÊNCIAS
82
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94
ANEXOS
95
Anexo A
SRQ-20 – Self Reporting Questionnaire
Código: _________________
Nome: ______________________________________________________________________
Idade: ___________ Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino
Data: ____ / ____ / ________
Escolaridade (anos): __________
Examinador: ______________________________________
NÃO
SIM
1. Tem dores de cabeça freqüentes?
0
1
2. Tem falta de apetite?
0
1
3. Dorme mal?
0
1
4. Assusta-se com facilidade?
0
1
5. Tem tremores nas mãos?
0
1
6. Sente-se nervoso(a), tenso(a) ou preocupado(a)?
0
1
7. Tem má digestão?
0
1
8. Tem dificuldade de pensar com clareza?
0
1
9. Tem se sentido triste ultimamente?
0
1
10. Tem chorado mais do que de costume?
0
1
11. Encontra dificuldades para realizar com satisfação suas atividades diárias?
0
1
12. Tem dificuldades para tomar decisões?
0
1
13. Tem dificuldades no serviço (seu trabalho é penoso, lhe causa sofrimento)?
0
1
14. É incapaz de desempenhar um papel útil em sua vida?
0
1
15. Tem perdido o interesse pelas coisas?
0
1
16. Você se sente uma pessoa inútil, sem préstimo?
0
1
17. Tem tido a idéia de acabar com a vida?
0
1
18. Sente-se cansado(a) o tempo todo?
0
1
19. Tem sensações desagradáveis no estômago?
0
1
20. Você se cansa com facilidade?
0
1
21. Sente que alguém quer lhe fazer mal?
0
1
22. Você é alguém muito mais importante do que a maioria das pessoas pensa?
0
1
23. Ouve vozes que não sabe de onde vêm, ou que outras pessoas não podem ouvir?
0
1
96
Anexo B
IDATE (PARTES I e II )
PARTE I
Leia cada pergunta e faça um círculo ao redor do número à direita da afirmação
que melhor indicar como você se sente agora, neste momento.
Não gaste muito tempo numa única afirmação, mas tente dar a resposta que mais
se aproxime de como você se sente neste momento.
AVALIAÇÃO
Muitíssimo.................4
Um pouco......................2
Bastante.....................3
Absolutamente não.....1
1. Sinto-me calmo(a)...........................................
1 2
3
4
2. Sinto-me seguro(a)..........................................
1 2
3
4
3. Estou tenso(a)..................................................
1 2
3
4
4. Estou arrependido(a).......................................
1 2
3
4
5. Sinto-me à vontade..........................................
1 2
3
4
6. Sinto-me perturbado(a)....................................
1 2
3
4
7. Estou preocupado(a) com possíveis infortúnios..1 2
3
4
8. Sinto-me descansado(a).......................................1 2
3
4
9. Sinto-me ansioso(a).............................................1 2
3
4
10. Sinto-me “em casa”.............................................1 2
3
4
11. Sinto-me confiante..............................................1
2
3
4
12. Sinto-me nervoso(a)............................................1 2
3
4
13. Estou agitado(a)..................................................1
2
3
4
14. Sinto-me uma pilha de nervos............................1
2
3
4
15. Estou descontraído(a).........................................1
2
3
4
16. Sinto-me satisfeito(a)......................................... 1
2
3
4
17. Estou preocupado(a)......................................... 1
2
3
4
18. Sinto-me superexcitado(a) e confuso(a).............1
2
3
4
19. Sinto-me alegre...................................................1
2
3
4
20. Sinto-me bem......................................................1
2
3
4
97
PARTE II
Leia cada pergunta e faça um círculo ao redor do número à direita da afirmação
que melhor indicar como você se sente agora, neste momento.
Não gaste muito tempo numa única afirmação, mas tente dar a resposta que mais
se aproxime de como você se sente geralmente.
AVALIAÇÃO
Quase sempre.................4
Às vezes......................2
Frequentemente.............3
Quase nunca..............1
1. Sinto-me bem...................................................................1 2
3
4
2. Canso-me facilmente.......................................................1 2
3
4
3. Tenho vontade de chorar.................................................1 2
3
4
4. Gostaria de poder ser tão feliz quanto os outros parecem ser 1
2
3
4
5. Perco oportunidades porque não consigo tomar decisões
rapidamente.....................................................................1 2
3
4
6. Sinto-me descansado(a)...................................................1 2
3
4
7. Sou calmo(a), ponderado(a) e senhor(a) de mim mesmo.1 2
3
4
forma que não as consigo resolver...................................1 2
3
4
9. Preocupo-me demais com coisas sem importância..........1 2
3
4
10. Sou feliz............................................................................1 2
3
4
11. Deixo-me afetar muito pelas coisas..................................1 2
3
4
12. Não tenho muita confiança em mim mesmo(a)................1 2
3
4
13. Sinto-me seguro(a)............................................................1 2
3
4
14. Evito ter que enfrentar crises ou problemas......................1 2
3
4
15. Sinto-me deprimido(a)......................................................1 2
3
4
16. Estou satisfeito(a).............................................................1 2
3
4
3
4
tirá-los da cabeça..............................................................1 2
3
4
19. Sou uma pessoa estável.....................................................1 2
3
4
8. Sinto que as dificuldades estão se acumulando de tal
17. Às vezes, idéias sem importância me entram na cabeça
e ficam-me preocupando..................................................1 2
18. Levo os desapontamentos tão a sério que não consigo
20. Fico tenso(a) e perturbado(a) quando penso em meus problemas do
momento..........................................................................1 2
3
4
98
Anexo C
99
APÊNDICE
100
APÊNDICE
Apêndice A
101
102
103
Apêndice B
Termo de Consentimento livre e Esclarecido
1 - Titulo: Interferência do odor do Citrus aurantium L. sobre a ansiedade de trabalhadores
expostos ao ruído ocupacional.
2 - Essas informações estão sendo fornecidas para sua participação voluntária neste estudo,
que visa verificar a prevalência de ansiedade em trabalhadores expostos a ruído ocupacional;
3 - Necessitará a sua resposta a alguns questionários relacionados à ansiedade;
4 - Não existem riscos médicos ou desconfortos associados com a pesquisa;
5 - Não há benefício direto para o participante, somente ao final do estudo poderemos concluir
a presença de algum benefício para a comunidade científica e para a sociedade em geral;
6 - Garantia de acesso: em qualquer etapa do estudo, você terá acesso aos profissionais
responsáveis pela pesquisa para esclarecimento de eventuais dúvidas. A principal
investigadora é Marine Raquel Diniz da Rosa pode ser encontrada no Departamento de
Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba. Cidade Universitária - Campus I. Castelo
Branco - João Pessoa ou no telefone: 3216-7831.
7 - É do seu direito, como um participante de pesquisa, continuar ou não voluntariamente deste
estudo. Compreendendo sobre o que, como e porque este estudo está sendo feito;
8 - Direito de confidencialidade - As informações obtidas serão analisadas em conjunto com as
dos demais voluntários, não sendo divulgado a identificação de nenhum;
9 - Direito de ser mantido atualizado sobre os resultados parciais das pesquisas, quando em
estudos abertos, ou de resultados que sejam do conhecimento dos pesquisadores;
10 - Despesas e compensações: não há despesas pessoais para o participante em qualquer
fase do estudo, incluindo todo o processo. Também não há compensação financeira
relacionada à sua participação;
11 - Em caso de dano pessoal, diretamente causado pelos procedimentos propostos neste
estudo, o participante tem direito a tratamento médico na Instituição, bem como às
indenizações legalmente estabelecidas;
12 - Compromisso do pesquisador de utilizar os dados e o material coletado somente para esta
pesquisa.
Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li ou que foram
lidas para mim, descrevendo o estudo “Interferência do odor do Citrus aurantium L. sobre a
ansiedade de trabalhadores expostos ao ruído ocupacional”. Eu discuti com Marine Raquel
Diniz da Rosa sobre a minha decisão em participar nesse estudo. Ficaram claros para mim
quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a serem realizados, seus desconfortos e
riscos, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro
também que minha participação é isenta de despesas e que tenho garantia do acesso a
tratamento hospitalar quando necessário. Concordo voluntariamente em participar deste estudo
e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem
penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa ter adquirido, ou no meu
atendimento neste Serviço.
104
____________________________________
Assinatura do voluntário
Data ____/____/____
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido deste
voluntário para a participação neste estudo.
____________________________________
Assinatura do responsável pelo estudo
Data ____/____/____
CEP/HULW: 3216-7302
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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB