1 Senador PEDRO SIMON Vigília pelo Rio Grande SENADO FEDERAL 2 3 Vigília pelo Rio Grande O dia em que o senador Pedro Simon parou o Senado e discursou durante seis horas seguidas, cobrando do governo federal o cumprimento de compromisso com os gaúchos. BRASÍLIA - DF 4 - Esta publicação, sem fins comerciais, reúne uma seleção de matérias e artigos publicados por agências de notícias e veículos de comunicação do país. A finalidade é divulgar as atividades do senador Pedro Simon. Assessoria de Imprensa: Luiz Fonseca Contato: [email protected] @simonimprensa Facebook: Senador Pedro Simon Senado Federal Ala Alexandre Costa - Gabinete 03 Praça dos Três Poderes s/n 70165-900 Brasília/DF 5 “Simon discursou das 10h às 16h. ... sem almoçar... numa vigília heroica pelos interesses do Rio Grande.” - Paulo Sant’Ana. “O Rio Grande deve mais essa ao seu senador.” - Ruy Carlos Ostermann. Os artigos dos jornalistas Paulo Sant’Ana e Ruy Carlos Ostermann, dos quais foram selecionadas as frases acima foram publicados em Zero Hora (22/06/2008), e estão reproduzidos neste documento nas páginas 52 a 56. 6 7 Índice Apresentação.....................................................................9 A sessão: notícias em tempo real (manchetes)................11 Matérias: íntegra das notícias em tempo real..................17 Repercussão nos dias seguintes.......................................43 Discurso...........................................................................61 Anexo: Projeto de Lei No. 427/2013...............................85 8 9 Apresentação O senador Pedro Simon já propôs em discurso no Senado a anulação do Ato Institucional número 5. O famigerado AI-5 inaugurou a fase mais autoritária da ditadura militar. Fechou o Congresso Nacional, suprimiu as liberdades e suspendeu todas as garantias constitucionais dos cidadãos. Muitos imaginaram que o senador gaúcho sairia preso do plenário, após a sessão. A cidadania, valores democráticos e a ética na vida pública têm, em Pedro Simon, um símbolo e um exemplo no país. Considerado um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, é respeitado e admirado no parlamento por sua história, coragem e capacidade de formulação política. Simon cobra permanentemente da União o cumprimento de obrigações para com o país e o estado que representa no Senado. Projeto de lei em tramitação no Congresso, de autoria de Simon, cria comissão especial para calcular o ressarcimento ao Rio Grande por 10 investimentos realizados com recursos do estado em obras de responsabilidade federal (ver Anexo). Líder estudantil, vereador, deputado, ministro, governador e senador, Pedro Simon tem uma trajetória de coerência e de defesa da democracia. O presente documento, “Vigília pelo Rio Grande”, tem o objetivo de registrar a sessão do Senado de 20 de junho de 2008. Naquele dia, o senador Pedro Simon ocupou a tribuna durante seis horas seguidas, um esforço que teve a finalidade de exigir do governo federal o respeito a um compromisso com o estado. O gesto de Simon obteve reconhecimento e garantiu o atendimento da reivindicação, ou seja, a concessão de aval da União a empréstimo de organismo internacional ao Rio Grande do Sul. Brasília, 03 de dezembro de 2013 11 A sessão O senador Pedro Simon ocupava a tribuna há cerca de uma hora, naquela sexta-feira, quando os jornalistas que cobriam o Congresso começaram a postar notícias em sites de agências e de veículos de comunicação. 12 13 Registro das manchetes em tempo real, minuto a minuto. As respectivas matérias, na íntegra, vêm na sequência. 11:41 - Simon promete ficar no Senado até que Tesouro Nacional encaminhe empréstimo gaúcho. (Zero Hora, de Porto Alegre/RS) 11:48 - Simon aguarda leitura ainda hoje de mensagem autorizando empréstimo para o RS. (Agência Senado) 12:15 - Vigília em plenário pelo Rio Grande do Sul. (Blog do Noblat)12:32 – Simon: explicações da Procuradoria sobre empréstimo para o Rio Grande do Sul são um "deboche". (Agência Senado) 12:32 - Tesouro evita comentar manifestações de Simon. (Agência Estado) 13:35 - Desencantou. (ClicRBS - Diário de Brasília) 12:37 - Para Simon governo ridiculariza o Senado e o Rio Grande do Sul. (Agência Senado) 14 13:05 - Simon rasga email da Fazenda Nacional durante discurso no Senado. (ClicRBS, de Porto Alegre/RS) 13:45 - Vigília de Simon pela leitura de empréstimo para RS vai continuar. (Agência Senado) 14:02 - Sessão é prorrogada por duas horas. (Agência Senado) 14:09 - Sessão é prorrogada por duas horas. (Agência Senado) 15:55 - Mensagem sobre empréstimo do Rio Grande do Sul já chegou; senadores aguardam leitura. (Agência Senado) 16:02 - Mensagem autorizando empréstimo para RS é lida pela Mesa e sessão é encerrada. (Agência Senado) 16:45 - Simon é o exército de um homem só. (Blog Políbio Braga) 15 17:54 - Simon faz vigília no Plenário e Executivo envia autorização de empréstimo para o RS. (Agência Senado) 18:13 - Simon Vigília. (ClicRBS - Diário de Brasília) 19:12 - Senador faz vigília à espera de autorização para empréstimo ao governo gaúcho. (Agência Brasil) 19:31 - Simon faz vigília de cinco horas. (Folha de São Paulo on line) * 16 17 Matérias 18 19 Simon promete ficar no Senado até que Tesouro Nacional encaminhe empréstimo gaúcho Projeto deve ir para a Casa ainda nesta sexta-feira ZERO HORA - Sexta-feira, 20 de junho de 2008 – 11h41 – Atualizada às 13h32 O senador Pedro Simon (PMDB) estava discursando por volta das 11h20min desta sexta-feira na tribuna do Senado. Ele promete ficar no Plenário fazendo "vigília" até que o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, encaminhe à Casa o projeto que autoriza o Estado a adquirir empréstimo de US$ 1,1 bilhão junto ao Banco Mundial (Bird). O senador gaúcho disse ter a garantia de Arno de que a mensagem seria enviada hoje à Casa. Segundo Simon, a leitura no Plenário nesta sexta é necessária para que a matéria seja votada na próxima semana pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). - Já chegou o projeto? - perguntou Simon. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) comprometeu-se a ficar em Plenário com Simon até a chegada da mensagem. A estratégia do político gaúcho é sempre manter algum senador discursando para que a sessão não termine. De acordo com telefonema da ProcuradoriaGeral da Fazenda, repassado pelo senador Geovani Borges (PMDBAP), que preside a sessão, o texto chegará ao Senado por volta das 13h. * 20 Simon aguarda leitura ainda hoje de mensagem autorizando empréstimo para o RS Agência Senado 20/06/2008 - 11h48 Plenário - Tempo Real O senador Pedro Simon (PMDB-RS), em discurso nesta sextafeira, disse que aguarda a chegada ao Senado, para leitura ainda na sessão de hoje, de mensagem do presidente da República autorizando empréstimo para o Rio Grande do Sul com o Banco Mundial, no montante de US$ 1,1 bilhão, para recomposição da dívida do estado. O senador gaúcho disse ter tido a garantia do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, de que a mensagem seria enviada hoje de manhã à Casa. Segundo Simon, a leitura hoje no Plenário desta mensagem é necessária para que a matéria seja votada na próxima semana pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Simon chegou a sugerir a suspensão da sessão neste momento e a sua retomada às 13h, mas foi desaconselhado. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) comprometeu-se a ficar em Plenário com Simon até a chegada da mensagem. De acordo com telefonema da Procuradoria-Geral da Fazenda, repassado pelo senador Geovani Borges (PMDB-AP), que preside a sessão, a mensagem chegará ao Senado por volta das 13h de hoje. * 21 Vigília em plenário pelo Rio Grande do Sul Blog do Noblat / Enviado por Carol Pires - 20.6.2008 – 12h45 Apenas quatro senadores participam da sessão plenária do Senado. Os trabalhos começaram às 9h20. Mas se estendem até agora. É muito mais tempo do que costumam durar as sessões de sexta-feira. É que o senador Pedro Simon (PMDB-RS) aguarda uma mensagem de Lula autorizando um empréstimo de 1 bilhão de dólares do Banco Mundial para o Rio Grande do Sul. O dinheiro servirá para o Estado pagar dívidas públicas. Pelo regimento, a mensagem precisa ser lida em plenário ainda hoje para entrar na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na semana que vem. Dia 15 de julho o Banco Mundial se reúne. E o pedido de empréstimo para o Rio Grande do Sul precisa estar aprovado pela CAE e pelo plenário do Senado até lá ou o estado fica sem o dinheiro para honrar suas dívidas. Simon já discursou durante exatos 60 minutos. Depois foi a vez de Heráclito Fortes (DEM-PI) ajudar o colega. Ocupou a tribuna por mais 42 minutos. Gim Argelo, senador pelo PTB do Distrito Federal, só tinha um recado a anunciar. Ficou menos de cinco minutos ao microfone. Arno Augustin, secretário do Tesouro Nacional, garantiu a Simon que a mensagem chegará até às 13h30. - Vamos fazer uma vigília aqui pelo Rio Grande do Sul. E, mais uma vez, eu, como piauiense, proponho-lhe o acordo do chimarrão com a rapadura: o Rio Grande do Sul com o Piauí. E assunto é o que não nos falta -, disse Heráclito. - Simon está de volta à tribuna. 22 Atualização das 15h37 - Heráclito Fortes e Pedro Simon ainda se revezam nos discursos em plenário. Os dois já falaram sobre liberdade de imprensa, crise ética na política, Lei de Responsabilidade Fiscal e relembraram histórias de Tancredo Neves a Ulysses Guimarães. Gim Argelo preside a sessão. Há pouco defendeu encerrar os discursos. Foi dissuadido por Heráclito: - Eu acho que essa ira santa do senador Simon tem de ir até o fim. E diferentemente do senador Pedro Simon, você tem gordura a perder e pode esperar mais um pouquinho. Atualização das 16h01 - O pedido de empréstimo ao Banco Mundial para o Rio Grande do Sul foi lido, enfim, no plenário do Senado. Entrará na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos na próxima terça-feira. A sessão durou seis horas e quarenta minutos. Simon falou durante quatro horas e vinte minutos. * 23 Simon: explicações da Procuradoria sobre empréstimo para o Rio Grande do Sul são um "deboche" Agência Senado 20/06/2008 - 12h32 Plenário - Tempo Real O senador Pedro Simon (PMDB-RS), que aguarda, para leitura em Plenário ainda hoje, o envio de mensagem do Executivo ao Senado autorizando empréstimo do Banco Mundial, no valor de US$ 1,1 bilhão, para o Rio Grande do Sul, afirmou que o email encaminhado pela procuradora-geral adjunta substituta da Fazenda Nacional Liana Veloso é um "deboche" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para com o estado. Simon rasgou a cópia do email durante discurso em Plenário e disse que o ignoraria. O empréstimo é para a recomposição da dívida do Rio Grande do Sul. A leitura do email foi feita pelo senador Geovani Borges (PMDB-AP), que preside a sessão desta sexta-feira. O documento foi encaminhado à Secretaria-Geral da Mesa do Senado pela procuradorageral adjunta substituta. Na mensagem, Liana Veloso afirma que, segundo informações do próprio governo do Rio Grande do Sul, o registro de empréstimo para o estado junto ao Banco Mundial (Registro de Operação Financeira - Banco Central - ROF) somente poderá ocorrer a partir das 13h de hoje. Isso porque o Banco do Brasil precisa concluir a digitação da nova sistemática de pagamento em razão das alterações nas condições financeiras do contrato. Ainda no email, a procuradora substituta afirma que a versão das traduções do acordo de empréstimo e do contrato de garantia foi encaminhada pelo estado do Rio Grande do Sul à Procuradoria às 9h46, por email, com a informação de que até às 12h seria 24 encaminhada a versão definitiva. Ela diz ainda que o parecer jurídico foi encaminhado às 10h35h, também por email. A procuradora ressalta que essas exigências são do Senado Federal para encaminhamento da operação pelo Ministério da Fazenda. * 25 Simon rasga email da Fazenda Nacional durante discurso no Senado Senador gaúcho mantém vigília na Casa ClicRBS -20/06/2008 | 13h05 O senador Pedro Simon (PMDB), que aguarda o envio de mensagem do Executivo ao Senado autorizando empréstimo do Banco Mundial (Bird) no valor de US$ 1,1 bilhão para o Rio Grande do Sul, afirmou que o e-mail encaminhado pela procuradora-geral adjunta substituta da Fazenda Nacional Liana Veloso é um "deboche" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para com o Estado. Simon rasgou a cópia do e-mail durante discurso em Plenário e disse que o ignoraria. O político mantém vigília no Senado. Ele promete não deixar a Casa enquanto a leitura não for feita. Segundo o senador, a leitura no Plenário nesta sexta é necessária para que a matéria seja votada na próxima semana pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Na mensagem, Liana Veloso afirma que, segundo informações do próprio governo do Rio Grande do Sul, o registro de empréstimo para o Estado junto ao Banco Mundial somente poderá ocorrer a partir das 13h. Isso porque o Banco do Brasil precisa concluir a digitação da nova sistemática de pagamento em razão das alterações nas condições financeiras do contrato. Ainda no e-mail, ela afirma que a versão das traduções do acordo de empréstimo e do contrato de garantia foi encaminhada pelo Estado à Procuradoria às 9h46min, por e-mail, com a informação de que até as 12h seria encaminhada a versão definitiva. Ela diz ainda que o parecer jurídico foi encaminhado às 10h35min, também por e-mail. 26 A procuradora ressalta que essas exigências são do Senado Federal para encaminhamento da operação pelo Ministério da Fazenda. * 27 Tesouro evita comentar manifestação de Simon Renata Veríssimo - Agencia Estado - 20 de junho de 2008 | 13h 32 A Secretaria do Tesouro Nacional disse que não vai comentar a manifestação do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que está em vigília, junto com outros senadores, no plenário. Simon e outros senadores estão se revezando em discursos na tribuna. O Tesouro também não quis confirmar se encaminhará mesmo o aval a empréstimo do Banco Mundial ao Rio Grande do Sul, como anunciou o senador Geovani Borges (PMDB-AP), que presidia a Mesa. A vigília de Pedro Simon e outros senadores, que se revezam em discursos na tribuna do Senado, foi iniciada na manhã de hoje. Eles reivindicam do secretário do Tesouro, Arno Augustin, que envie hoje à Casa o aval ao empréstimo destinado ao governo do Rio Grande do Sul de US$ 1 bilhão, do Banco Mundial, para reestruturação da dívida do Estado. * 28 Desencantou ClicRBS – Postado por Carolina Bahia às 13h55 – Sexta-feira, 20 de junho de 2008 O Senado acaba de ser informado que o projeto sobre o empréstimo do Estado junto ao Banco Mundial foi enviado à Casa Civil. Agora, basta o Planalto encaminhar o texto ao Senado. Já é um alívio para o Estado, que temia um atraso ainda maior. - Se vossa excelência permitir, vou continuar falando até que chegue aqui – disse Simon. * 29 Para Simon governo ridiculariza o Senado e o Rio Grande do Sul Agência Senado 20/06/2008 - 13h37 Plenário - Pronunciamentos "O governo federal, de uma maneira triste e muito pequena, ridiculariza o Senado e o Rio Grande do Sul. Ridiculariza a nossa inteligência, debochando de uma maneira muito triste de todos nós", desabafou o senador Pedro Simon (PMDB-RS) ao subir pela segunda vez à tribuna na sexta-feira (20). Ele fez o novo pronunciamento após receber email da procuradora-geral adjunta substituta da Fazenda Nacional, Liana Veloso, informando que a mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizando um empréstimo de UU$ 1,1 bilhão com o Banco Mundial, para o pagamento da dívida do Rio Grande do Sul, só chegaria ao Senado após as 13h. - A minha cópia eu desconheço, eu nego e rasgo e não tomo conhecimento, porque é debochar - criticou o senador pelo Rio Grande do Sul, que já pedira a prorrogação da sessão do Senado até a chegada do documento, anteriormente aguardado para até às 13h. No email, Liana afirma que o parecer jurídico necessário para a celebração doacordo do empréstimo foi encaminhado às 10h35, por outro email, mas que ainda faltava o registro da Operação Financeira do Banco Central (ROF). Esclarece o texto que "Segundo informações do Estado, o registro da operação no ROF pelo estado do Rio Grande do Sul somente poderá ocorrer a partir das treze horas, uma vez que o Banco do Brasil precisa concluir a digitação da nova sistemática de pagamento, em razão das alterações nas condições financeiras do contrato". 30 - Se querem a autorização, dêem, se não querem, não dêem avisou Simon, ao reafirmar da tribuna seu propósito de permanecer em pronunciamento até às 13 h. Simon chegou a consultar o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) sobre as alternativas de encerrar a sessão plenária ou esperar até às 13h pelo documento. Diante da resposta do parlamentar pelo Piauí, de que "valia a pena esperar", Simon anunciou que prosseguiria seu pronunciamento até o horário anteriormente estipulado. Durante esse tempo, o senador pelo Rio Grande do Sul fez várias críticas ao governo federal e ao próprio presidente da República. - Nunca vivi momento tão triste como este, tão grosseiro e tão vulgar. O Lula está numa vaidade exagerada - afirmou Simon. * 31 Vigília de Simon pela leitura de empréstimo para RS vai continuar Agência Senado20/06/2008 - 13h45 Plenário - Tempo Real – O senador Pedro Simon (PMDB-RS) decidiu permanecer em Plenário após receber o apoio do senador Heráclito Fortes (DEM-PI) para continuar a vigília, até que chegue a mensagem do Executivo com autorização para a contratação de empréstimo com o Banco Mundial pelo governo do Rio Grande do Sul, no montante de US$ 1,1 bilhão, para recomposição da dívida do estado. A decisão foi tomada após leitura de email do procurador-geral da Fazenda, Luiz Inácio Lucena Adams, informando que já foi encaminhada à Casa Civil a documentação necessária para que seja autorizada à remessa ao Senado da mensagem. Em telefonema a Simon, o secretário-executivo adjunto da ministra-chefe da Casa Civil, Giles Azevedo, disse ter recebido autorização de Dilma Rousseff para encaminhar a mensagem ao Senado assim que receber a documentação. - Então, vamos continuar esperando - afirmou Simon. Após leitura em Plenário, a mensagem deverá ser encaminhada à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para votação. A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) deverá ser designada para relatar a matéria. 32 Sessão prorrogada por duas horas ClicRBS - Postado por Robson Bonin às 14h02 - Sexta-feira, 20 de junho de 2008 O esforço do senador Pedro Simon deu resultado. A sessão acaba de ser prorrogada até as 15h50min. Neste momento, Simon e Heráclito Fortes (DEM-PI) praticamente "jogam conversa fora" para manter a sessão em andamento. Divagam sobre tudo, enquanto o Planalto corre para viabilizar a redação do pedido de empréstimo ao Estado gaúcho. O tema no momento é a democracia: - Fico a me perguntar o que um universitário deve estar pensando da democracia. Que bonito que é o regime democrático segue Simon, que envereda a analisar o universo acadêmico, enquanto o tempo passa... * 33 Sessão é prorrogada por duas horas Agência Senado 20/06/2008 - 14h09 Plenário - Tempo Real A sessão do Senado desta sexta-feira (20) foi prorrogada por duas horas - até às 15h50. A decisão foi tomada a pedido do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Simon aguarda a chegada de mensagem do Executivo com autorização para contratação de empréstimo junto ao BancoMundial no valor de US$ 1,1 bilhão para pagamento da dívida do estado. O senador Gim Argello (PTB-DF), que preside a sessão neste momento, explicou que a prorrogação é necessária a fim de garantir a legalidade regimental para a leitura do documento ainda hoje. Somente com esse procedimento, a matéria terá prazo para ser examinada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na próxima semana. De acordo com informações repassadas pela secretaria-executiva da Casa Civil, o presidente Luiz Inácio da Silva deverá assinar o documento por volta das 15h. Simon iniciou o primeiro discurso para cobrar a mensagem às 10h46 desta sexta-feira. Ele e o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) já se revezaram na tribuna por diversas vezes à espera do documento. Heráclito manifestou apoio à vigília de Simon e lamentou o entrave que está sendo causado pela burocracia do Estado. - Mas o motivo da vigília é nobre - acrescentou Heráclito. 34 Mensagem sobre empréstimo do Rio Grande do Sul já chegou; senadores aguardam leitura Agência Senado - 20/06/2008 - 15h55 Plenário O senador Gim Argello (PTB-DF), na presidência dos trabalhos em Plenário, informou há pouco que já chegou à Secretaria Geral da Mesa a mensagem da presidência da República que autoriza o governo do Rio Grande do Sul a contratar junto ao Banco Mundial empréstimo no valor de US$ 1,1 bilhão. Os senadores, no momento, apenas aguardam sua leitura. Para apressar o encaminhamento dessa mensagem ao Congresso, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), apoiado por Heráclito Fortes (DEM-PI) e por Gim Argello, decidiu permanecer em vigília no Plenário desde as 10h36. - Valeu a pena. Foi um dia muito bonito, que soma para o Rio Grande do Sul, para o Brasil e para o Senado - disse Simon, ao saber que a mensagem havia chegado. * 35 Mensagem autorizando empréstimo para RS é lida pela Mesa e sessão é encerrada Agência Senado 20/06/2008 – 16h02 Plenário – Tempo Real O senador Gim Argello (PTB-DF), na presidência dos trabalhos em Plenário, acaba de ler amensagem da presidência da República que autoriza o governo do Rio Grande do Sul a contratar junto ao Banco Mundial empréstimo no valor de US$ 1,1 bilhão. A matéria será analisada pelaComissão de Assuntos Econômicos (CAE) e deverá ser relatada pela senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). Para apressar o encaminhamento dessa mensagem ao Congresso, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), apoiado por Heráclito Fortes (DEM-PI) e por Gim Argello, decidiu permanecer em vigília no Plenário desde as 10h36. Após a leitura do documento, a sessão foi encerrada, às 16h. * 36 Simon é o exército de um homem só Postado por Políbio Braga - 20/06/2008 16:45:00 O senador Pedro Simon (foto) tem um aguçado e incomum sentido de timing, porque sabe como ninguém mais,o momento certo de abrir a boca ou dar um passo adiante. Nesta sexta-feira,o senador do PMDB foi mais uma vez o homem certo no lugar certo, porque sustentou praticamente sozinho uma sessão que deveria acabar as 11h e foi ampliada até as 16h, mantendo o governo encurralado até que saísse do Planalto o pedido de autorização para o aval federal ao empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Mundial ao governo do RS. Quem tem interesse no que acontece no Estado, sabe do que fala esta nota. A vigília de Simon fez o governo do PT sair da toca. O pedido chegou a tempo no Senado. O secretário da Fazenda do RS, Aod Cunha, passou a semana toda advertindo que o Senado está na iminência de ingressar no seu período sabático, ou seja, no recesso, que se seguirá ao período precioo das disputas eleitorais municipais. Isto quer dizer que a coisa saía agora ou não saía mais. * 37 Simon faz vigília no Plenário e Executivo envia autorização de empréstimo para o RS Agência Senado 20/06/2008 – 17h54 Plenário Depois de pelo menos cinco horas de vigília, quando se revezou na tribuna com o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) teve sua reivindicação atendida: foi lida em Plenário a mensagem presidencial que autoriza o governo do Rio Grande do Sul a contrair empréstimo de US$ 1,1 bilhão junto ao Banco Interamericano para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), ou Banco Mundial. A mensagem teria que ser lida ainda nesta sexta-feira para poder entrar na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na próxima semana e ser votada antes do recesso parlamentar. Na pauta da comissão, já constavam outras mensagens semelhantes autorizando empréstimos junto ao Banco Mundial para Minas Gerais e Amazonas. O presidente da CAE, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), já designou como relatora da mensagem a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) e a matéria foi incluída, logo após sua leitura em Plenário, na pauta da CAE da próxima semana. 38 Em vários discursos, enquanto aguardava a chegada da mensagem ao Senado, Simon explicou que o financiamento tem por objetivo recompor a dívida do estado, com a “troca” de um passivo devido ao governo federal por outro, com o Banco Mundial, que teria taxas de juros mais baixas. Em entrevista após o encerramento da sessão, às 16h, ao ser indagado sobre a possibilidade de a “moda pegar”, Simon comemorou o entendimento ocorrido, que permitiu a leitura da mensagem, e agradeceu ao secretário de Fazenda e ao diretor do Tesouro do Rio Grande do Sul, ao procurador-geral da Fazenda, à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. - Dá para ver que, apesar de todos os pesares, há momentos em que a gente pode dar as mãos e a soma é para todos – comemorou. O senador Heráclito Fortes, que apoiou o protesto de Simon, disse que, com essa atitude, o senador gaúcho mostrou que é possível quebrar a “mitificação da burocracia brasileira”, e isentou o presidente Lula de qualquer culpa pela demora no envio da proposta, assim como a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, atribuindo-a “ao terceiro ou quarto escalão”. - O Simon deu uma aula de persistência e, acima de tudo, de experiência parlamentar. Mostrou ao Brasil que vontade e garra são fundamentais para as conquistas e essa, para o Rio Grande do Sul, é fundamental – disse, assinalando “a guerra” vencida nesta sexta-feira contra a burocracia. (...) 39 Simon Vigília ClicRBS – Postado por Rodrigo Orengo às 18h13- Sexta-feira, 20 de junho de 2008 Depois de quase seis horas de sessão, chegou ao Senado o documento do Executivo para contratação de empréstimo do RS junto ao Banco Mundial (Bird) no valor de US$ 1,1 bilhão. O senador gaúcho Pedro Simon (PMDB-RS) discursou por cerca de três horas, prolongando a sessão do Senado até às 16h, para que o documento fosse entregue. As sessões nas sextas-feiras geralmente são encerradas por volta das 11h. Simon contou com a ajuda dos senadores Heráclito Fortes, (DEM-PI), Gim Argello (PTB-DF), que presidia a sessão. A mensagem será encaminhada à Comissão de Assuntos Econômicos, que deve votar na próxima terça-feira e depois precisa passar pelo plenário. O problema agora é vencer o chamado recesso branco e as Medidas Provisórias. Mas o secretário da Fazenda, Aod Cunha, continua acreditando na liberação dos recursos já no próximo mês. * 40 Senador faz vigília à espera de autorização para empréstimo ao governo gaúcho Agência Brasil - 20/06/2008 - 19h12 Repórter Iolando Lourenço Brasília - Com apenas três dos 81 senadores em plenário, a sessão do Senado de hoje durou quase sete horas. Foi uma sessão diferente, uma "vigília", comandada pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), que aguardava a chegada de mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa autorizando o governo do Rio Grande do Sul a contratar empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Mundial. Iniciada por volta das 9h20, a sessão só foi encerrada às 16 horas, depois que chegou e foi lida a mensagem presidencial. Segundo Simon, com o empréstimo, o governo gaúcho poderá recompor a dívida do estado. Na vigília, Simon contou com a ajuda dos senadores Gim Argello (PTB-DF), que presidiu a sessão, e Heráclito Fortes (DEM-PI), que se revezou com ele nos discursos. O senador Adelmir Santana (DEM-DF) também participou do início da sessão. Pedro Simon explicou que, se a mensagem não fosse lida hoje, o empréstimo seria inviabilizado, não haveria mais tempo para que fosse feito. "Esse foi um momento muito importante para todos nós. Se a mensagem não chegasse hoje para ser lida, o empréstimo morreria, porque não teríamos condições de aprová-lo a tempo de o Banco Mundial aceitálo." Para ele, hoje a burocracia hoje foi vencida. "Foi um trabalho espetacular de todos e do presidente Lula, que saiu do almoço e foi ao Palácio do Planalto assinar a mensagem." A mensagem teria que ser lida hoje para entrar na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos na próxima semana e ser votada pela comissão e pelo Senado antes do recesso parlamentar de julho. (...) 41 Simon faz vigília de cinco horas no Senado para garantir empréstimo ao RS Folha Online - Gabriela Guerreiro - Sexta-feira, 20 de junho de 2008 O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez nesta sexta-feira uma vigília de cinco horas no plenário do Senado para garantir a leitura de uma mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que autoriza empréstimo de US$ 1,1 bilhão ao governo do Rio Grande do Sul junto ao Bird (Banco Mundial). O senador conseguiu estender a esvaziada sessão plenária ao longo da sexta-feira para permitir a leitura da mensagem até que o texto chegasse ao Senado. Como apenas os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Gim Argello (PTB-DF) estavam no plenário, Simon se revezou com o democrata em longos discursos para impedir o encerramento da sessão --uma vez que Argello ocupou a presidência da Casa na tribuna. O regimento da Casa prevê que, após os discursos dos oradores inscritos, as sessões não-deliberativas (sem votações) devem ser encerradas. Para evitar o fim da sessão sem a leitura do texto, Simon e Heráclito se revezaram nos discursos na tribuna --sem direito a pausa para almoço. Depois de mais de cinco horas de sessão, a mensagem enfim chegou ao plenário e foi lida por Argello. A pressa de Simon se justifica uma vez que, na semana que vem, o Congresso estará em "recesso branco", com as atividades do plenário praticamente paralisadas, em conseqüência das festas juninas e das convenções para as eleições municipais. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), autorizou que os deputados não compareçam ao Congresso para acompanharem as festas e as convenções. 42 A mensagem tinha que ser lida nesta sexta-feira em plenário para entrar na pauta da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) na semana que vem com a possibilidade de ser analisada pelos parlamentares antes do recesso parlamentar, em julho --uma vez que representantes do governo do Rio Grande do Sul vão viajar para os Estados Unidos no início de julho para firmarem o empréstimo com o Bird. "O Simon deu uma aula de persistência e, acima de tudo, de experiência parlamentar. Mostrou ao Brasil que vontade e garra são fundamentais para as conquistas e essa, para o Rio Grande do Sul, é fundamental. Foi uma guerra contra a burocracia", disse Heráclito. Simon, por sua vez, justificou a "vigília" com o argumento de que os recursos serão fundamentais para o Rio Grande do Sul renegociar dívidas do Estado. "Dá para ver que, apesar de todos os pesares, há momentos em que a gente pode dar as mãos e a soma é para todos", afirmou. Segundo o peemedebista, o governo estadual vai fazer uma espécie de "troca" ao firmar o empréstimo --uma vez que vai deixar de pagar juros do financiamento da dívida com taxas de 18% ao ano para o governo federal e passará a pagar taxas até 12% no empréstimo com o banco. * 43 Dias seguintes De 21 a 24 de junho de 2008. 44 45 Por verba para RS, Simon faz vigília de 6 horas Senador teve ajuda de Heráclito Fortes durante sessão O Estado de São Paulo - 21/06/2008 - Cida Fontes Valeu a pena a vigília de seis horas que os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Heráclito Fortes (DEM-PI) comandaram ontem no plenário do Senado, como forma de pressionar o governo a liberar o empréstimo de U$ 1,1 bilhão para o Rio Grande do Sul. Às 15h45 um funcionário do Palácio do Planalto chegou ao Senado com a mensagem, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a autorização para o empréstimo junto ao Banco Mundial. O dinheiro servirá para o pagamento de dívidas. "A burocracia foi vencida de forma espetacular. Foi um dia de vitória", festejou Simon. Como o plenário estava vazio, a dupla foi obrigada a se revezar na tribuna, para evitar que a sessão caísse. Sem a solidariedade de Heráclito, Simon teria que sustentar sozinho a sessão, enquanto assessores da Fazenda e da Casa Civil tentavam agilizar a documentação. "Vou passar a bola para tu um pouco", disse a Heráclito o senador gaúcho, de 78 anos, antes de fazer rápida pausa para almoçar. Ao final, as críticas ao governo se transformaram em palavras de agradecimento ao presidente Lula e à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Emocionado com o desfecho, Simon reconheceu que estava em uma encruzilhada. Se a mensagem não chegasse antes do encerramento da sessão, o empréstimo poderia ser inviabilizado, pois os prazos ficariam estreitos. Agora, a mensagem segue para a Comissão de Assuntos Econômicos. 46 Simon chegou ao plenário às 9h30, após receber do Tesouro Nacional a garantia de que o pedido seria enviado pela manhã. Mas passou a desconfiar quando a Procuradoria-Geral da Fazenda comunicou que a documentação só chegaria às 13 horas, horário esticado para as 15 horas. "Não vivi momento tão triste como este; tão grosseiro e tão vulgar. O Lula está numa vaidade exagerada, e temo porque parece que Sua Excelência é homem do bem e do mal. E a gente que o assessora vive momentos muito difíceis. Ah, prepotência e complexo de grandeza!", ironizou Simon. Já Heráclito cancelou três vôos para seu Estado para socorrer o colega. "Isso tudo serve de alerta ao governo federal para que não proceda assim outras vezes", disse. * 47 Simon recorre a vigília para obter financiamento Folha de São Paulo – Sucursal de Brasília 21/06/2008 Um dia após o anúncio do “recesso branco” do Congresso, o Senado foi palco ontem de uma vigília comandada por Pedro Simon (PMDB-RS) para que fosse lida uma mensagem para autorizar o governo do Rio Grande do Sul, em crise, a tomar emprestado US$ 1,1 bilhão do Bird. Com ajuda dos senadores Gim Argello (PTB-DF) e Heráclito Fortes (DEM-PI), Simon conseguiu prolongar a sessão, que às sextas raramente passa das 13h, até que a mensagem fosse lida às 15h45: “É um momento muito importante para todo o Brasil. A burocracia foi vencida”, disse ele. (Adriano Ceolin) * 48 Um discurso para evitar fim de sessão Simon pressiona Planalto a enviar sinal positivo para empréstimo Zero Hora 21 de junho de 2008 - Rodrigho Orengo – Brasília Para pressionar o Planalto a enviar ao Senado a mensagem autorizando o empréstimo de US$ 1,1 bilhão ao Estado, o senador Pedro Simon (PMDB) protagonizou ontem uma manobra teatral no plenário. O gaúcho discursou por mais de três horas para um plenário praticamente vazio a fim de evitar o encerramento da sessão.Como as sessões de sexta-feira costumam se estender no máximo até 11h, Simon decidiu forçar o prolongamento dos trabalhos. O senador chegou ao plenário por volta das 9h30min e só saiu às 16h, após a leitura da mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A vigília de Simon serviu para forçar o governo a apressar a liberação do documento. Tecnicamente, porém, não era necessária para acelerar a análise no Senado. A mensagem poderia ser lida em plenário na segunda-feira, sem prejuízo ao andamento do processo. A previsão é de que a operação seja aprovada terça-feira na Comissão de Assuntos Econômicos e depois vá a plenário. Em quatro discursos, Simon falou da importância do empréstimo, da crise política gaúcha, da história do Brasil e até do almoço prometido aos senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Gim Argello (PTB-DF), como recompensa por terem ficado na sessão: - Dou três opções: quibe árabe, churrasco gaúcho ou massa com perdiz à italiana - sugeria o gaúcho. 49 Votação final pelos senadores deve ficar para julhoApós o aval dos senadores, só restará o sinal verde da diretoria do Banco Mundial. O secretário da Fazenda, Aod Cunha, espera que a operação saia do papel no próximo mês. Na próxima semana, contudo, não haverá sessões deliberativas. A presidência da Casa liberou os parlamentares para participar das convenções municipais e das festas juninas no Nordeste. A votação final pelos senadores só acontecerá em julho. 50 ENFIM, NO SENADO Correio do Povo – Taline Optiz 21/06/2008 Após um ano e meio de negociações, cumprimento de metas e detalhes burocráticos e jurídicos, a mensagem da Presidência da República autorizando o Estado a efetivar empréstimo de 1,1 bilhão de dólares junto ao Banco Mundial chegou ao Senado. Depois de o prazo ter sido prorrogado quatro vezes pelo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, a bancada gaúcha endureceu a mobilização e os contatos com ministros para efetivar a transação antes do recesso. Na luta, o ato mais inesperado foi protagonizado por Pedro Simon, do PMDB. Para garantir que a sessão não fosse encerrada, possibilitando a chegada, ainda ontem, do documento, o senador permaneceu na tribuna por horas, fazendo duras manifestações. Na empreitada, ganhou o apoio do amigo Heráclito Fortes, do Dem do Piauí, que auxiliou no revezamento. Mantiveram-se assim até as 16h02min, horário em que o documento foi entregue ao plenário. Simon criou um fato político, garantiu holofotes, deixou o Planalto em situação delicada e abreviou o calvário. De quebra, gerou desconforto em parceiros da briga pela concretização do empréstimo. 51 Simon discursa para plenário vazio O SUL – 21 de junho de 2008 Com apenas três dos 81 senadores em plenário, a sessão do Senado de ontem durou quase sete horas. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez uma “vigília”, enquanto aguardava a chegada da mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizando o governo do RS a contratar empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Mundial. Simon contou com a ajuda dos senadores Gim Argello (PTBDF), que presidiu a sessão, e Heráclito Fortes (DEM-PI), que se revezou com o gaúcho nos discursos, que duraram cinco horas. Simon explicou que, se a mensagem não fosse lida ontem, o empréstimo seria inviabilizado, pois não haveria mais tempo para que fosse feito. 52 Um belo gesto dos políticos PAULO SANT’ANA – Zero Hora – 22 de junho de 2008 O que importa é o Rio Grande. Quem de sã consciência não está torcendo para que o governo Yeda Crusius obtenha o empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Mundial? Quem?Quem é que não se condói com a aflição do governo estadual e do Rio Grande com a terrível canga do pagamento da dívida, que consome 19% da arrecadação de todos os impostos, que suga o sangue gaúcho e nos faz mergulhar em uma crise de recursos e de investimentos – e salários aviltantes dos servidores do Poder Executivo - , quase paralisando o governo? Quem? A resposta é: ninguém. Constrangidos e premidos pelos trâmites demorados e encaroçados do expediente que embasa o pedido de empréstimo, petistas, pepistas, democratas, tucanos, todos se atiraram ao mutirão que visa a aprontar toda a papelada que habilita o empréstimo antes do prazo fatal que impede, por força da Lei Eleitoral, que se cometam tais transações. Do presidente Lula, passando pela ministra Dilma Rousseff, pelos senadores Paulo Paim e Sérgio Zambiasi, pelo deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB), além de outros parlamentares, todos estiveram mobilizados para que o expediente saísse do gabinete presidencial o quanto antes, a fim de que chegasse até o Senado na sexta-feira última. Então, foi comovente e patético o esforço sobre-humano do senador Pedro Simon (PMDB) para não deixar que a sessão do Senado fosse encerrada.Simon discursou das 10h às 16h. O plenário estava vazio. Só restavam ele e os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Heráclito Fortes (DEM-PI). Os três sozinhos. Os outros 78 senadores 53 tinham viajado para suas bases na quinta-feira à noite, ainda mais que é época das festas juninas e a bancada nordestina não pode perder festas juninas. E Pedro Simon, sem almoçar, com receio de que a mensagem não chegasse a tempo e o empréstimo bilionário em socorro do Rio Grande do Sul caísse por terra, foi prolongando agonicamente a sessão com seus pronunciamentos, não deixando a sessão se encerrar, não permitindo que caísse a peteca, numa vigília heroica pelos interesses do Rio Grande. E Simon foi enchendo morcilha, falava como se estivesse fazendo o Sermão da Montanha, embora estivesse consciente de que discursava para as pedras, só dois senadores o escutavam, a não ser as pessoas que o acompanhavam pela televisão, grande parte jornalistas, na sua pregação procrastinadora, na sua embromação verbalística dramática, não permitindo que o fogo da pátria rio-grandense se apagasse com o encerramento da sessão e as esperanças do empréstimo salvador se estiolassem. É de se calcular o que diziam na Casa Civil e no gabinete do presidente Lula a respeito de um senador solitário que se finava e se esganiçava na tribuna em defesa do seu Estado pedinte e necessitado. Era preciso apressar o documento que seria enviado ao Senado. E assim fez, premido pela urgência, o Planalto.E chegou a tempo o documento, por volta das 16h. Tinha valido a pena a vigília estafante de Pedro Simon. Mas se esse empréstimo balsâmico vier a ser concedido nos próximos meses, o Rio Grande terá de fazer uma homenagem solene e repleta de gratidão ao senador Heráclito Fortes, do Piauí, do distante Piauí, que acompanhou com fidelidade canina o senador Simon no desesperado aguardo do documento.Nós, gaúchos, nunca vamos 54 esquecer do gesto profundo de solidariedade do senador piauiense, a afirmar que somos todos brasileiros e que mesmo uma aflição distante que corroa a um de nós num outro extremo do país a nós pertence e merece nossa atenção e piedosa e patriótica ajuda. Toda a extensão desse episódio demonstra uma face grandiosa e nobre da política. Quando uma causa interessa vitalmente a um povo, a um Estado ou à nação, todos os políticos de todas as siglas se unem em torno dela. Num tempo de descrença nos políticos, ergamos um brinde aos que sendo gaúchos honraram nosso chão e aos que não sendo gaúchos uniram-se dedicadamente à nossa empresa, mostrando que antes de tudo são brasileiros. * 55 Simon RUY CARLOS OSTERMANN - Zero Hora 22/06/2008 O senador Pedro Simon me deixou orgulhoso na sexta-feira: sustentou, com breves apoios solidários do senador Heráclito Fortes, do DEM, Piauí, quase quatro horas de tribuna, enfeixando discursos sobre temas nem por isso fúteis ou apenas para encompridar - falou do que se esperava mantendo a sessão do Senado aberta, para o recebimento da aprovação de um empréstimo de interesse do Rio Grande - e falou com sua empolgação e contundência como se houvesse uma casa cheia, e não havia. Alguém dirá que não cabia fazer outra coisa. Mas muito poucos teriam a competência para sustentar o tempo na ponta do discurso. E sem falsificações. O Rio Grande deve mais essa ao seu senador. * 56 Entrevista: Pedro Simon, Senador (PMDB) "Aconteceu ao natural" Zero Hora - 23 de junho de 2008 - Adriano Barcelos Do alto da experiência acumulada em seus 78 anos, o senador Pedro Simon (PMDB) protagonizou no Senado, na sexta-feira, algo que jamais havia feito: seis horas de vigília no plenário, com direito a quatro discursos.O objetivo era forçar o Palácio do Planalto a enviar uma mensagem autorizando o governo gaúcho a contrair empréstimo junto ao Banco Mundial. Sobre a jornada, Simon comentou que nem passou pela cabeça deixar o plenário. A síntese da entrevista: Zero Hora - Por que o senhor fez a vigília, sendo que o processo poderia ser encaminhado nesta semana? Pedro Simon - O problema é que para poder ser votado na Comissão de Finanças, que só tem reunião na terça-feira de manhã, tinha de ser lido numa sessão ordinária. Como esta semana é considerada ponto facultativo, é muito provável que segunda-feira (hoje) não tenha reunião. ZH - Durante o longo período que ficou no plenário, o senhor não sentiu necessidade de tomar água ou ir ao banheiro? Simon - Água eu bebia até demais. A todo momento, tinha água e cafezinho. Do resto, eu nem me lembrei. Não me passou pela cabeça. ZH - O senhor já tinha feito algo parecido antes? Simon - Ficar assim, durante tanto tempo e com a sessão reduzida a tão poucas pessoas, sinceramente não. 57 ZH - De onde o senhor buscou inspiração para um discurso tão longo? Simon - É o objetivo. Tínhamos conversado com os senadores Paulo Paim, Sérgio Zambiasi e o com o secretário (da Fazenda) Aod Cunha. O Planalto havia garantido que o projeto chegaria no Senado na manhã de sexta-feira. Pelo telefone, diziam: "falta um pouquinho e vai". Às 10h, vai. Ligávamos toda hora para o chefe de gabinete da Casa Civil. Logo, já eram 11h, adiante eram 12h... Aí, nós seguimos até que chegou. Não foi nenhuma tática. É que o tempo ia passando e eles dizendo que chegaria. ZH - O senhor chegou a dizer que faria um jantar para os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Gim Argello (PTB-DF), seus companheiros naquele momento. Já pagou a promessa? Simon - Eu disse depois da sessão. O Heráclito tinha dito: o Simon vai oferecer um churrasco. Eu deixei para esta semana porque ele saiu logo depois da sessão. Vai ser amanhã (hoje) ou na terça-feira. Minha mulher é que vai fazer a janta. ZH - Ficar em pé durante tantas horas deixou sequelas? Simon - Não senti porque quando você está assim, envolvido pela emoção, o tempo não passa, você não sente nada. O que eu senti foi quando deu certo. Senti um alívio muito grande. ZH - O senhor planeja repetir uma operação dessas em outro momento? Simon - Creio que não. Essa mesmo eu já não pensava em fazer. Aconteceu ao natural, não preparei nada. 58 ZH - Em algum momento o senhor achou que o Planalto poderia não enviar a mensagem? Simon - O problema é que não tínhamos nenhuma expectativa de que o Senado abrisse nessa segunda. Se não mandassem o projeto, a imagem que iria ficar para o Banco Mundial é a de que o Planalto não queria mandá-lo. * 59 E não é que Simon conseguiu? Blog Rosane Oliveira Terça-feira, 24 de junho de 2008 Hoje eu tiro meu chapéu para o senador Pedro Simon. Se na sexta-feira se podia dizer que aquele gesto quixotesco dele não era decisivo, porque o projeto de autorização do empréstimo do Banco Mundial podia ser lido nesta semana, hoje ficou claro que a obstinação do senador é capaz de fazer o Senado se mover mesmo no Dia de São João. Recapitulando, o Senado está em recesso branco por conta das festas juninas que levam hordas de parlamentares nordestinos para suas bases eleitorais. Por conta desse recesso, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Aloizio Mercadante (PTSP) cancelou a reunião prevista para hoje. Simon não se deu por vencido. Foi atrás dos colegas, conseguiu reunir o número suficiente para garantir o quórum e a comissão aprovou o empréstimo. Não é o fim da linha — o projeto ainda tem de ser aprovado pelo plenário — mas o avanço obtido nesses últimos quatro dias será fundamental para garantir a aprovação definitiva antes do recesso de julho — e das férias que se seguirão em nome da campanha eleitoral. Claro que quem não conhece bem o projeto — ou vê defeito em tudo o que o governo faz — vai dizer que o empréstimo é ruim, porque aumenta o endividamento do Estado em dólares, ou que será um estímulo à gastança. Não é assim: os recursos serão usados para quitar dívidas antigas, de custo mais elevado, que não entraram naquela renegociação feita no governo Britto. Significa que em vez de comprometer 18% da receita com o pagamento de dívidas, a partir da liberação do empréstimo vai se comprometer um pouco menos — e sobrará um pouquinho mais para investir. 60 61 O Discurso Resumo do desenvolvimento da sessão do Senado durante as seis horas em que o senador Pedro Simon permaneceu em vigília, à espera do aval da União ao empréstimo do Banco Mundial ao Rio Grande do Sul. O discurso foi revisado e condensado, assim como as intervenções e apartes de outros senadores. A intenção é oferecer uma visão geral do que aconteceu naquele dia. Senador Pedro Simon: “Estou nesta tribuna por uma razão. O Rio Grande do Sul há muito tempo está buscando um empréstimo externo, US$1,1 bilhão, no Banco Mundial. Para quê? Para recompor a sua dívida, dinheiro que vamos usar para pagar o Tesouro Nacional. Em 1998 houve um processo de federalização da dívida dos estados. Todas foram absorvidas pelo governo federal que ficou credor. Foi o que aconteceu. Porém, desde aquela época até hoje há 62 uma diferença muito grande. Quando o estado negociou a sua dívida os juros praticados eram os de mercado, altíssimos. Ficaram menores, mas ainda assim muito altos. Em vez de pagar juros de 13% a 18% ao ano ao governo federal pagaremos praticamente a metade para o Banco Mundial. Mas, até agora, o aval da União ao empréstimo não chegou aqui. Estou falando porque o diretor do Tesouro garantiu que esse documento chega à Casa hoje e precisa ser lido nessa sessão para que a Comissão de Assuntos Econômicos vote na semana que vem. Se não chegar hoje, não sei o que pode acontecer. Nós estamos acreditando, apesar de todas as evidências contrárias, que o Governo quer fazer isso. Há meia hora, eu falava com o diretor do Tesouro, conterrâneo nosso, que foi secretário da Fazenda do Governo do PT no Rio Grande do Sul, e ele me disse que não tem nenhum problema, que essa mensagem chegará à Casa daqui a pouco. Então, estamos aguardando. O Brasil - que, pela TV Senado, está vendo esta sessão - está na expectativa de que o projeto chegue, seja lido na sessão do plenário e seja votado na semana que vem. É um empréstimo para melhorar as condições da dívida do Rio Grande do Sul. Eu, com toda sinceridade, não consigo entender. Se o juro oficial era “x” quando foi feita a renovação da dívida, e agora é praticamente a metade, naturalmente, o Tesouro, o Ministério da Fazenda, o governo federal deveriam baixar igualmente os juros cobrados dos estados. Não se trata de relações entre um banco agiota e um credor qualquer: é a União e um estado, irmão federativo. Não é justo que o Banco Mundial ofereça aquilo que o governo federal não oferece. Mas espero que hoje resolvamos essa questão. A chefe da Casa Civil está preocupada, o ministro da Fazenda também. O ilustre Líder 63 do PT, deputado federal do PT do Rio Grande do Sul também. O Zambiasi, o Paim e eu, os três Senadores, toda a bancada do Rio Grande do Sul está aguardando que isso aconteça hoje. “O que é bom para o Rio Grande é bom para o MDB” Sempre que foi necessário assumi esta tribuna para falar e ajudar o Rio Grande. Fiz isso em todos os governos: Jair Soares, Alceu Collares, Antônio Britto, Olívio Dutra, Germano Rigotto, Yeda Crusius. Aliás, temos uma bandeira do MDB do Rio Grande do Sul. Sofremos muito no passado. Na época do regime militar, o Rio Grande do Sul, terra de Jango, presidente deposto, terra de Brizola, líder importante, pagou muito caro pela defesa da liberdade e da democracia. Mesmo no regime mais autoritário, na época mais brutal, quando os governadores não eram eleitos, mas nomeados, eu, deputado estadual e depois senador da República, dizia: “O que é bom para o Rio Grande do Sul é bom para o MDB”. E não deixávamos de votar a favor do Rio Grande em todas as teses que eram importantes para o nosso estado. Líder da oposição e presidente do partido da oposição – era só Arena e MDB; e eu estava no MDB –, presidi uma comissão que levou o III Polo Petroquímico para o Rio Grande do Sul. Muita gente não aceitava. O Geisel (general Ernesto Geisel, presidente da República) não estava interessado, preferia que fosse para a Bahia. E a Oposição e o Governo Sinval Guazzelli arregimentaram o Rio Grande, que se uniu para defender o investimento. E o Polo foi para o estado. O mesmo aconteceu com a Aços Finos Piratini: eu presidi a comissão, e a empresa foi instalada. Então, essa tese de que o que é 64 bom para o Rio Grande do Sul é bom para nós, sempre a defendemos. E continuamos a defender. “Leve o Rio Grande no peito” Estou há 55 anos na vida pública. Vou completar 32 anos como senador. Comecei no Centro Acadêmico Maurício Cardoso, na Faculdade de Direito da PUC, em Porto Alegre. Vereador em Caxias do Sul; 16 anos como deputado; senador; ministro da Agricultura; governador, líder do Governo Itamar Franco no Senado. A minha vida é limpa, tranquila. Eu podia estar recebendo aposentadoria de governador, mas me recusei a receber. Não recebo a aposentadoria de deputado estadual. Defendo que o parlamentar tenha um salário absolutamente justo para as necessidades que ele tem. Criaram, aqui, a verba de representação. Eu respeito os que a recebem; eu não a recebo. Governador, não morei no Palácio, morei na minha residência, o apartamento da família que tenho e moro nele há 55 anos – a mesma casa. A fotografia de governador, no meu tempo, eu não apresentei. O que eu fiz foi mandar confeccionar um quadro com um mapa do Rio Grande do Sul. E é uma coisa muito interessante, o mapa do Rio Grande do Sul tem a configuração de um coração. Então, para todas as repartições públicas determinei a obrigatoriedade desse mapa do Rio Grande do Sul, na forma de um coração, com os dizeres: “Leve o Rio Grande no peito”. Não participei pessoalmente de nenhuma inauguração de obra em todo o meu governo. Não coloquei placas com meu nome. Nunca tive parente nomeado, nunca nomeei parente. Mas, sofri com a imprensa porque cortei verba de publicidade. O governo estava mal. Estava muito difícil. Não teve verba para publicidade. 65 A lei mais importante que eu apresentei como Governador, no Rio Grande do Sul – que também apresentei aqui, só que não sai da gaveta aqui do Senado –, determinava que o maior salário não pode ser maior do que quinze vezes o menor salário. E a aprovei; por unanimidade, a Assembleia a aprovou. Não quinze, e sim vinte, mas foi aprovada. Está em vigor até hoje. Até eu assumir, os gerentes do Banco do Rio Grande do Sul, da Caixa Econômica Estadual e diretores de colégio, eram nomeados como funcionários pelo governo. Os presidentes dos partidos, dirigentes partidários é que iam para lá. No meu governo, eram pessoas especializadas, quadros formados ali dentro daquelas instituições. “A União deve ao Rio Grande” É verdade que a União nunca pagou a dívida de R$ 1 bilhão pelos investimentos que o governo do Rio do Sul fez em estradas federais, mediante contrato assinado com o governo federal. Até agora não pagaram. O mesmo ocorreu com a compra de terras para a reforma agrária com recursos próprios e com relação a cerca de US$1 bilhão que o governo do estado colocou na Aços Finos Piratini. O governo federal privatizou a empresa e cadê o dinheiro do ressarcimento? Até agora, nada. E o Polo Petroquímico? E os milhões que o governo do estado gastou com a sua infraestrutura e com toda a campanha de combate à poluição, e o governo federal privatizou? Onde está o nosso dinheiro? O Rio Grande do Sul não pode mais exportar, quer dizer, exporta, mas não recebe de volta a compensação devida pela União em função da desoneração estabelecida pela Lei Kandir. E o governo 66 federal garantiu que iria indenizar o Estado! Até agora, não saiu nenhum tostão! Um centavo até agora não saiu. E a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), uma causa que já ganhamos de diferença de tarifa, e que o governo federal tem a obrigação de dar ao Rio Grande do Sul, não deu um centavo até agora! Apresentei no Senado projeto de lei (ver em Anexos) que determinava a criação de uma comissão especial para analisar as compensações financeiras devidas ao Rio Grande pela União. A intenção era promover um encontro de contas entre as obrigações de um e de outro. O Lula apreciou a idéia ao ponto de prometer a instalação da comissão que ficaria sob a responsabilidade da ministra chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Desde então, nunca mais se falou no assunto e a comissão nunca saiu do papel. O SR. PRESIDENTE (Geovani Borges. PMDB-AP) – Senador Pedro Simon, a nossa Secretária Executiva está informando que recebeu uma ligação do Procurador-Geral da Fazenda, Dr. Luiz Inácio de Lucena, para comunicar que está faltando um documento chamado ROF, e que este documento chegaria às 13 horas. Ela solicitou então que o Procurador-Geral da Fazenda mandasse um email, e até agora o e-mail não chegou. Então, passo essa informação a V. Exª, para que fiquemos aguardando esse documento para às 13 horas. Estou solidário a V. Exª. A Mesa está a sua disposição. O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – Estou me dirigindo ao diretor do Tesouro. Quem falou comigo foi o diretor do Tesouro. Quem garantiu que chegaria aqui foi o diretor do Tesouro. O Rio Grande do Sul está olhando para V. Sª. O Rio Grande do Sul está 67 olhando para a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff. Estamos olhando para eles, porque estamos aqui aguardando. “Estamos esperando há muito tempo” O governo federal de uma maneira triste, pequena, muito pequena, ridiculariza o Senado e o Rio Grande do Sul. Sr. Presidente, V. Exª foi informado de que até uma e meia chegaria o documento a esta Casa, para que pudéssemos ler e dar-lhe entrada. Essa é a palavra do diretor do Tesouro Nacional. Quando, ainda ontem, ele disse que o problema da Procuradoria era com ele. Então, não tinha nenhum problema. Há cerca de três horas, não sei quando, informaram a V. Exª de que até uma e meia o documento chegaria aqui. Agora não é mais o diretor do Tesouro, não é mais o Procurador-Geral da Fazenda. É uma Sra. que eu não sei quem é, adjunta substitutiva, que manda dizer por e-mail eu não sei lá o quê. Vamos nos respeitar. É uma matéria que se está esperando há longo período. O Banco Mundial está esperando há longo prazo. O líder do governo, deputado do PT do Rio Grande do Sul lá na Câmara recebeu a garantia absoluta de que hoje estaria aqui. Tão confiante estava que foi para o Rio Grande do Sul. O senador Paim e o senador Zambiasi receberam a confirmação absoluta de que estaria aqui e foram para o Rio Grande do Sul. Eu recebi a informação absoluta de que estaria aqui, mas não fui para o Rio Grande do Sul. Resolvi ficar aqui para ver se chegava. A cópia do e-mail que V. Exª me deu, eu a desconheço. Eu a nego. Eu a rasgo. Dela não tomo conhecimento. 68 “O Rio Grande tem história” O Rio Grande do Sul não merece isso! Temos uma história, temos uma tradição, temos uma biografia, nos bons e nos maus momentos. O governo tem realizado obras? Tem. Uma plataforma submarina no porto do Rio Grande? É verdade. Mas, retirou a Petrobras do controle do III Polo Petroquímico. E entregou para o Polo da Bahia. No Polo do Rio, que vai ser o mais moderno do Brasil, a Petrobras está comandando. No polo gaúcho, caiu fora. A Varig, o governo Lula deixou esmagar, ao invés de usar a Lei de Falência, uma expectativa de salvar e recuperar as empresas, inclusive intervindo na Varig, salvando-a. Mas, não, aconteceu isso que está acontecendo, assunto de que, de tão vexatório, prefiro não tratar. Para mim, a culpa na questão da Varig é do presidente Lula. Se houve uma determinação da venda da Varig nas condições em que foi vendida, eu não culpo a Dilma, eu culpo o presidente. Mas agora, aqui, há uma questão muito pequena a emperrar o envio da mensagem. Durante um ano e meio nos fazer de bobos? Ainda acredito, com toda sinceridade, que isso que eles estão inventando é tão ridículo, tão grotesco, tão vulgar, que acho que eles ainda podem encontrar alguma fórmula. Mas a gente não merecia ser tratado assim. Esse diretor, o dr. Arno, foi secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul. Como secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul mandou um ofício – Secretário da Fazenda do Governo Olívio Dutra – ao diretor do Tesouro pedindo que o Rio Grande do Sul tivesse direito de receber de volta o dinheiro investido na construção de estradas federais. 69 Quis o destino que ele, diretor do Tesouro, tivesse que opinar sobre o ofício que ele próprio havia mandado à União como secretário da Fazenda. E agora está lá:dDiretor do Tesouro, ex-secretário da Fazenda, gaúcho que faz a gente passar por esse papel ridículo. Organizações internacionais dizem que não há país onde a corrupção seja tão intensa, tão frequente e em todos os setores como no Brasil. Falam até num percentual que encareceria qualquer construção de qualquer empreendimento no Brasil, porque um percentual “x” já é destinado ao desvio. Agora, estoura um caso internacional: uma empresa estrangeira, que diz e demonstra que, lamentavelmente, para comprar apoio para aprovação dos projetos de metrô, foi gasta uma importância enorme no governo em São Paulo. Eu não sei, mas eu acho que uma grande cruzada de todos nós no sentido de retomarmos os valores da respeitabilidade seria muito importante. Eu defendo isto nesta Casa: que esta Casa não seja levada de roldão, nem pela Justiça Eleitoral, nem pela Ordem dos Advogados do Brasil, nem pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, mas que tome para si a responsabilidade de encontrar os seus caminhos. Por isso, neste dia e nesta hora, triste, esperando ainda que o governo federal – porque querendo ele faz – encontre a fórmula necessária, levo o meu abraço ao Rio Grande do Sul, à nossa gente, ao nosso povo. São tantas horas e tantas as situações que atravessamos que digo: venceremos também esta, se Deus quiser! Cassações para nomear governador No auge da ditadura, com o Congresso fechado pelo Ato Institucional número 5, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do 70 Sul ficou aberta; pela dignidade, seriedade e respeitabilidade de que gozava. A ditadura cassou oito deputados do nosso partido para eleger governador o coronel Peracchi Barcellos. Numa Assembleia de 55 – a eleição era indireta –, ele foi eleito com 22 votos, e nós tínhamos 33. Cassaram tantos quantos necessários para que o nosso candidato não fosse eleito. Tempos depois, foi feita uma CPI, apurações sobre a fazenda Santa Rita, e havia a hostilidade de todos contra o coronel Peracchi. As nossas conclusões foram de que a corrupção houve, mas ele, governador, não era culpado. Eu fui para a tribuna para disser isso: “O governador não é culpado. Nós não vamos indiciar o governador.” Essa é a minha maneira de ser. Na época, aconteceu o caso do sargento do Exército Manoel Raimundo Soares, cujo corpo apareceu amarrado, morto, torturado, nas águas do Guaíba. E nós fizemos uma CPI em plena ditadura, em meio às cassações para investigar o assunto que ficou célebre como o caso “Mãos Amarradas”. Denunciamos o chefe da Polícia e os demais responsáveis pela tortura e morte do sargento Manoel. Eu viajei para o Rio de Janeiro. Fui a uma favela dali, com alguém ao meu lado que me mostrou a esposa dele. Saímos com ela, compramos umas roupas e a levamos para Porto Alegre, ao necrotério, para reconhecer o corpo. E ela o reconheceu. E nós fizemos a CPI. * O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Sr. Presidente, não chegou? O SR. PRESIDENTE (Gim Argello. PTB – DF) – Até agora, não, Senador Pedro Simon. Ainda não. 71 O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – São 12 horas e 31 minutos. Ficaram de enviar até às 12h30m. O SR. PRESIDENTE (Gim Argello. PTB – DF) – Senador Pedro Simon, estou fazendo contato. Agora, acaba de chegar um comunicado do nosso Procurador-Geral da Fazenda Nacional, Dr. Luís Inácio Lucena Adams, informando que a versão já foi para a Casa Civil: 1 – A primeira versão das traduções do Acordo de Empréstimo e do Contrato de Garantia foi encaminhado pelo Estado do Rio Grande do Sul a esta Procuradoria às 9h46m, por e-mail, com a informação de que até as 12h mandaria a versão definitiva; 2 – O parecer jurídico foi encaminhado às 10h35m, também por e-mail; 3 – Segundo informações do Estado, o registro da operação no ROF (Registro de Operação Financeira – Banco Central) pelo Estado do Rio Grande do Sul somente poderá ocorrer a partir das 13 horas [foi aquele que nós lemos], uma vez que o Banco do Brasil precisa concluir a digitação da nova sistemática de pagamento, em razão das alterações nas condições financeiras do contrato; Ressalto que essas exigências são do Senado Federal para encaminhamento da operação por este Ministério da Fazenda. Abaixo seguem os telefones (...) E aqui nos informou: Informo que providenciei o encaminhamento da documentação relativa à operação de crédito do interesse do Rio Grande do Sul à Casa Civil da Presidência da República para que seja remetida a esta Casa mediante mensagem do Excelentíssimo Senhor Presidente da República. Atenciosamente, 72 Luís Inácio Lucena Adams Procurador-Geral da Fazenda Nacional O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Eu falei com o Dr. Giles, que é o Secretário Executivo da Ministra Chefe da Casa Civil, Drª Dilma. E ele disse: a Drª Dilma está numa reunião na Petrobras mas, permanentemente, telefona. Eu tenho autorização de ao receber a mensagem levá-la ao presidente da República e, depois, entregá-la no Senado Federal. Então, deve estar chegando. Eu agradeço ao Dr. Giles; por intermédio dele, à ministra Dilma e também ao Procurador-Geral. E acho que fizemos um movimento muito bom, se isso acontecer, porque teremos vivido um momento importante, um momento absolutamente tranquilo para uma questão do Rio Grande do Sul. * “Governador, ajudei prefeitos de Porto Alegre” O nosso Rio Grande é um estado diferente. Era governador do Rio Grande do Sul e o prefeito de Porto Alegre Alceu Collares veio me procurar dizendo que precisava terminar a obra da Casa de Cultura Usina do Gasômetro, e faltava uma importância x. Em nome do Rio Grande do Sul, em nome do governo, mandei entregar para o Collares. E ele recebeu. E ele fez o pagamento. Depois, veio me procurar o Olívio Dutra, eleito prefeito no lugar de Collares: “Olha, a Casa de Cultura da Usina do Gasômetro foi inaugurada, mas não tem um bico de luz e não tem um ponto d’água. Tem que abrir, quebrar tudo para fazer toda a canalização de água e de luz”. Dei o dinheiro para que se 73 fizesse isso. Volta depois o ainda prefeito Collares: “Olha Simon, não posso entregar o Governo para o Olívio (o Olívio já tinha ganho) sem pagar janeiro e o décimo terceiro. E eu não tenho dinheiro”. Eu adiantei o dinheiro e o Collares pagou janeiro e o décimo terceiro. Um mês depois veio Olívio Dutra, prefeito que assumiu: “Olha, ô Simon, você pagou para o Collares janeiro e o décimo terceiro e eu não tenho dinheiro para pagar fevereiro e março. Eu não posso entrar devendo.” E dei dinheiro para o Olívio pagar fevereiro e março. Eu poderia ter feito um carnaval dizendo que o Collares saiu deixando a dívida de dezembro e janeiro e que o Olívio entrou devendo fevereiro. Eu não pensei nisso. Pensei que, para a prefeitura de Porto Alegre, seria muito importante que o Collares terminasse bem e que o Olívio começasse bem. É uma maneira de ser. É uma maneira de interpretar. Eu governo assim. Por isso, quando vejo, agora, uma questão que nem essa lá no Rio Grande do Sul, custa acreditar que, numa questão como essa, as picuinhas sejam colocadas em primeiro lugar. Eu não acredito! Em primeiro lugar, cá entre nós, dentro daquilo a que o Rio Grande tem direito, é o mínimo que se pode fazer. O governo federal não vai colocar nenhum tostão. Vai assinar, vai autorizar a fazer o empréstimo; é o que se faz mensalmente para prefeituras, para governos estaduais. E não é um empréstimo... O governo do Rio Grande do Sul não vai ganhar um centavo. Não é um empréstimo que o governo agora vai usar para fazer obra, para fazer estrada, não, é para reestruturar a dívida do Estado. Com esse dinheiro, o governo vai renegociar sua dívida. Vai abater a dívida que o Estado tem com o Tesouro; e o Governo, em vez de dever para o Tesouro, vai dever para o Banco Mundial. Gritamos tanto contra os juros escorchantes dos bancos 74 internacionais, desses banqueiros que cobram e que esmagam a dívida brasileira. Agora o Rio Grande do Sul vai pegar dinheiro do Banco Mundial para pagar o Banco do Brasil, porque o juro do Banco Mundial é muito inferior ao do Tesouro Nacional. Reparem que não é caridade. Se o governo federal fizer o que está prometendo, é uma obrigação que ele tem; se não fizer, é uma dolorosa perseguição política. Este é o momento que estamos vivendo. Eu acho que é importante o que nós estamos fazendo agora, porque eu sou mais velho, tenho mais história e conheço mais isso do que o Lula e a equipe dele – eu já estava aqui quando o Lula ainda não estava no comando sindical. Nós estamos evitando que o governo Lula passe para a História como um governo cruel que abafou o Estado do Rio Grande do Sul. É isso que nós estamos evitando, é isso que nós estamos tentando evitar. Eu sempre tive certeza da ministra Dilma. Não me ocorreu que passasse pela cabeça dela essa artimanha. Não sei o que é. Pode ser burocracia exagerada, pode ser até os inconformados, o momento em que tudo está angustiadamente equivocado. * O SR. PRESIDENTE (Gim Argello. PTB – DF) – Senador Pedro Simon, eu o interrompo porque o Dr. Giles, da Casa Civil, gostaria de lhe fazer um comunicado sobre esse tema. O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – A nova informação é de que o Dr. Giles diz que está esperando agora a Exposição de Motivos, que o presidente Lula estará no Palácio às 15 horas e que estará aqui às 15 horas e 15 minutos. 75 O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM-PI) – É lamentável, Presidente, que como legisladores nós tenhamos que passar por isso. Nós estamos vivendo aqui – e é bom que o Brasil todo assista – uma demonstração do quanto o Executivo muitas vezes tripudia, não só sobre o Legislativo, mas também sobre os Estados da Federação. O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – O chefe de gabinete da ministra informou que o Procurador-Geral da Fazenda ainda não fez a redação final. E o Presidente Lula chega às três horas para assinar. Então, peço a prorrogação por duas horas. O SR. PRESIDENTE (Gim Argello. PTB – DF) – Está prorrogada a sessão por duas horas. O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Queríamos evitar que a Nação brasileira ficasse assistindo a essa luta do Congresso contra a burocracia. O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – O Governo não queria mandar a mensagem. Agora, vem a informação do Procurador-Geral da Fazenda, dizendo que está mandando. E vem a informação do chefe de gabinete da Ministra da Casa Civil, dizendo que a ministra determinou, que ele vai mandar e que vai chegar aqui às três horas. O SR. PRESIDENTE (Senador Gim Argello. PTB-DF) –Está prorrogada a sessão até as 15h50. Vamos ficar aqui e aguardar, pelo bem do Rio Grande do Sul, pelo bem do Brasil. Estamos todos aqui aguardando essa mensagem chegar para ser lida ainda hoje. * Democracia republicana Fico a me perguntar o que um estudante universitário deve estar pensando deste momento que estamos vivendo. Em primeiro lugar, 76 isso é democracia. Se não houvesse democracia, um ditador faria o que bem entendesse e não daria satisfação a quem quer que seja. Por maiores defeitos que tenha a democracia, não há regime melhor do que a democracia. Não há! Agora, temos que melhorá-la. O Brasil não encontra a fórmula da convivência entre Executivo, Legislativo e Judiciário. A democracia republicana é aquela em que temos três Poderes: o Parlamento legisla, o Executivo executa, o Judiciário julga. A nossa missão é votar as leis e fiscalizar o presidente da República. O Presidente da República executa as obras, executa a política financeira. O Judiciário fiscaliza o cumprimento da lei, condena à prisão, decide as questões de família, decide as questões entre União e Estado, decide a vida de todo dia. A Constituição diz que os Poderes são independentes e harmônicos entre si. Independente quer dizer que o Executivo exerce a sua missão com absoluta liberdade; nós, também, a nossa; e o Judiciário, a dele. Mas harmônicos quer dizer que o fato de eu ser independente e executar minha missão não quer dizer que eu não deva informação, orientação, e que de certa forma a minha atividade não esteja sujeita à atividade do outro. Por exemplo: o Judiciário pode decidir sobre atos incorretos tanto do Executivo como do Legislativo. O Judiciário pode cassar o mandato de um Deputado. O Judiciário pode dizer que uma lei é ilegítima, inconstitucional. E o que está acontecendo no Brasil? Primeiro, é o superpoder do presidente da República. Ele praticamente exerce o seu poder, mas também exerce o nosso, o do Legislativo. Hoje, o presidente da República legisla muito mais do que o Congresso Nacional. Por exemplo, qual é a lei mais importante que o Congresso vota? É o Orçamento. O Orçamento é a vida da Nação. O Orçamento determina o que o cidadão tem de pagar como imposto e as obras a que ele tem 77 direito. Toda a vida do Poder Executivo está dentro do Orçamento. O que eu posso fazer este ano? É o que está dentro do Orçamento. Em qualquer país democrático, é isso aí; o que está no Orçamento pode ser executado. No Brasil, o Orçamento não é impositivo, não é obrigação, não é determinação. O presidente cumpre se quiser. E fica por isso mesmo. De um Orçamento que o Congresso vota, o percentual que o presidente da República executa é infinitamente pequeno, porque depois ele transplanta as verbas para cá, para lá, muda, altera da maneira que ele bem entende. Então, o Executivo tem realmente superpoder. Na questão da educação, por exemplo, o Brasil deixa muito a desejar; não falo na questão da divisão social no Brasil, em cuja distribuição, apesar do crescimento, não há justiça: os ricos estão cada vez mais ricos – o Brasil, nos anos que passaram, é o país do mundo onde se criou maior número de novos milionários. Mas falo, de modo especial, naquilo que um governo deveria ter: compromisso com a sociedade, com o próprio país e com a história. Já disse muitas vezes: o Brasil vive uma série de perigos que devem ser analisados com a profundidade que merecem: o regime militar veio a pretexto de moralização – a Igreja patrocinou, inclusive, as cruzadas com Deus e a família para derrubar um presidente legitimamente constituído, para estabelecer um regime militar em que pagamos um preço muito, muito caro! Mas, o Brasil conseguiu vencer. Chega o governo Lula, a gente imaginava que era o nosso grande momento – e não há dúvida nenhuma de que em muitas coisas o governo Lula tem sido positivo. Mas o que não perdôo é que exatamente onde a gente mais esperava que desse certo, onde a gente tinha a convicção de que daria absolutamente certo, que seria na dignidade, na seriedade, na honradez, o governo deixa tanto a desejar. 78 O que a gente não imaginava é que o PT no governo seria como o PSDB de Fernando Henrique no governo. Não há nada mais igual ao PSDB do Fernando Henrique do que o PT do Lula no Governo. Eu tenho dito que o mal, no Brasil hoje, é que nós não temos referências. Nós não temos um Dom Hélder, um Dom Evaristo, um Teotônio, um Ulysses, um Tancredo, um Covas. O Brasil não tem hoje os grandes vultos que lideram e comandam a linguagem nacional e abrem caminhos para serem seguidos. * O SR. PEDRO SIMON (PMDB -RS) – Agora, quem telefonou foi o Procurador-Geral da Fazenda – não o substituto –, mas o dr. Luís Inácio Lucena Adams. E diz que providenciou “o encaminhamento da documentação relativa à operação de crédito de interesse do Rio Grande do Sul à Casa Civil da Presidência da República para que seja remetida imediatamente ao Senado”. O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Já é uma grande vitória de V. Exª. O documento já está sendo encaminhado para a Presidência da República. É preciso que seja lido hoje para ser remetido à Comissão de Assuntos Econômicos. O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – É isso que tem de ser feito. Chegando a esta Casa e lido pelo Presidente, já pode ser entregue à relatora Serys Slhessarenko, senadora do Mato Grosso, para votarmos aqui na segunda-feira. O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) - O que tinha sido prometido pelo Procurador da Fazenda Nacional, Luis Inácio Lucena Adams, já foi cumprido: foi enviado para a Casa Civil. O Dr. Giles já comunicou, da Casa Civil, que está confeccionando a mensagem. 79 Vamos esperar e ler a mensagem na segunda-feira, quando estaremos todos nós aqui... O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – Não! Vamos ler agora! O SR. PRESIDENTE (Gim Argello. PTB – DF) – Mas até a Casa Civil confeccionar a mensagem, senador… O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, quero louvar a determinação do Pedro Simon que fica aqui lutando de maneira muito brava para que haja uma solução satisfatória para esse empréstimo do Rio Grande do Sul. O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) –Se o Presidente Lula enviar a esta Casa a mensagem do empréstimo e o Senador Gim Argello a ler e comunicar que o Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Senador Antonio Mercadante, já designou relatora a Senadora do Mato Grosso, será um grande momento, altamente positivo e altamente concreto para todos nós. * “O Rio Grande precisa viver uma etapa nova” O Rio Grande do Sul, já tenho falado isso, é um estado deste país inteiro. Gaúchos levaram o progresso, o desenvolvimento e o crescimento a todos os cantos. Eu tenho dito: nós falamos muito dos paulistas, dos emboabas, dos bandeirantes, que desempenharam um papel magnífico de desbravadores, levando a civilização aonde não tinha nada. É verdade. Mas foram em busca de ouro, de pedras preciosas, de esmeraldas. Foram e voltaram. Os gaúchos, não. Os gaúchos saíram do 80 Rio Grande, levaram suas mulheres, seus filhos, venderam o que tinham e levaram dinheiro e propriedade e foram lá para morar naquele lugar. Foram para o meio do mato, no meio da selva. O senador Antonio Carlos me dizia da sua emoção quando recebeu os gaúchos lá na Bahia, numa terra que ele nunca tinha visto verde, e que os gaúchos transformaram numa plantação de soja espetacular. O senador José Sarney me falava lá no seu Maranhão, de uma região onde nunca teve absolutamente cultivo nenhum. E os gaúchos levaram o arroz, e o Maranhão passou a ser exportador de arroz. Em Rondônia, no Acre, em Roraima, lá na floresta amazônica, no Pará, gaúchos e mais gaúchos, milhares, foram com suas famílias, com seus filhos, viver ali. E plasmar uma civilização. É interessante notar isso. Vamos aqui em Goiás, em Brasília, o Centro de Tradições Gaúchas, a reunião dos gaúchos de bombachas, de cuia e chimarrão, com o seu linguajar guasco, particular, com o seu sentido de família, de sociedade cooperativa. Há mais de dois mil CTGs espalhados pelo Brasil inteiro. E se nós notarmos o crescimento, a expansão, a explosão da produção agrícola e pastoril no Brasil, nós vamos notar que é lá onde a colônia gaúcha se estabeleceu. No Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso, em Tocantins eles foram para ficar. E essa gente fez falta no Rio Grande. Nós temos uma região no Rio Grande do Sul que vive hoje em regime de muita pobreza, muita pobreza, a Metade Sul do estado. E esses gaúchos nos fizeram falta muitas vezes. Mas o brasileiro gaúcho é assim: ele tem um sentimento de pátria. 81 “Presidentes gaúchos não ajudaram o Rio Grande” O Rio Grande do Sul fez uma revolução junto com Minas e a Paraíba para levar Getúlio Vargas ao poder, em 1930 e terminar com o binômio café-com-leite – os presidentes da República eram paulistas e mineiros e se revezavam no poder. Getúlio chegou lá, e durante muitos anos os gaúchos estiveram na presidência da República. Mas, não se tem notícia de um deles que tenha feito um favor especial ao Rio Grande do Sul. Coisa interessante: Juscelino, na presidência da República, revolucionou Minas Gerais; os gaúchos se envergonham de ajudar o Rio Grande. O conceito de pátria, o conceito de credibilidade e de Nação é tão grande que eles olham primeiro o seu Brasil, para depois olharem o Rio Grande. Durante 50 anos, metade do Exército brasileiro esteve na fronteira do Brasil com a Argentina, na região da Metade Sul do estado, aonde durante quase um século foi proibido instalar fábricas. Existia um temor de um conflito com aquele país e uma potencial invasão, imaginavam os militares, se daria pelo Rio Grande. E nós queremos indústrias para desenvolver aquela região. O Rio Grande do Sul espera vencer esse seu atraso e integrar-se ao novo Brasil. Nós esperávamos que começasse a haver um rnovo tratamento ao Rio Grande do Sul. Isso nós dissemos ao próprio presidente Lula numa reunião com ele em seu gabinete. Não que essas coisas sejam do Lula, mas achávamos que ele poderia ser quem iniciasse esse retorno devido ao estado. * 82 A mensagem chega ao Senado! SR. PRESIDENTE (Gim Argello. PTB – DF) – Conforme informado pelo Dr. Giles, pela Ministra-Chefe da Casa Civil, Drª Dilma, e pelo Senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chega a mensagem, que passo a ler: - A Presidência recebeu a Mensagem nº 128, de 2008 (nº 409/2008, na origem), pela qual o Presidente da República solicita seja autorizada a contratação de operação de crédito externo, com garantia da República Federativa do Brasil, no valor de até um bilhão e cem milhões de dólares dos Estados Unidos da América, de principal, entre o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – Bird, cujos recursos são destinados a apoiar o Programa de Sustentabilidade Fiscal para o Crescimento. A matéria, a partir de agora, vai à Comissão de Assuntos Econômicos. O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – Deixe-me desabafar, ficar contente. Chegou! Valeu a pena! Foi um dia muito bonito que soma para o Rio Grande, que soma para o Brasil e o Senado! O SR. PRESIDENTE (Gim Argello. PTB – DF) – Acho que o Senado realmente viveu uma tarde de sexta-feira gloriosa. V. Exª mostrou que é um grande Senador, um monstro sagrado aqui no Senado. V. Exª sustentou esta sessão até agora, 16 horas. Vejo que o Senador Paim está ligando e agradecendo ao senhor, porque a luta também é dele, assim como do Senador Zambiasi, do Rio Grande do 83 Sul, e de todos os Senadores que, tenho certeza, estão nos acompanhando de seus Estados e estão orgulhosos. Acho que quem ganhou realmente com essa insistência foi o Parlamento brasileiro, o nosso Congresso Nacional e, principalmente, o Senado da República. Parabéns, Senador Pedro Simon! Está encerrada a presente sessão. Senado Federal Brasília, 20 de junho de 2008. 84 85 Anexo 86 87 PROJETO DE LEI DO SENADO No 427, DE 2013 Autoriza a criação de Comissão Especial destinada a avaliar as participações financeiras do Estado do Rio Grande do Sul nos processos de implantação de empresas estatais privatizadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, bem como as antecipações de recursos por parte do Governo do Estado, para a realização de obras de responsabilidade da União. O Congresso Nacional decreta: Art. 1o. Fica o Poder Executivo Federal autorizado a constituir uma Comissão Especial destinada a avaliar, quantitativamente, para fins de ajuste de contas e eventual ressarcimento aos cofres do Estado do Rio Grande do Sul, as: I - participações financeiras do Estado do Rio Grande do Sul nos processos de implantação do Polo Petroquímico do Sul e da Aços Finos Piratini, empresas estatais privatizadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização - Lei no 8.031, de 1990, II - antecipações de recursos próprios do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na pavimentação de rodovias federais e na aquisição de terras para fins de reforma agrária e demais programas e atividades de responsabilidade da União. Art. 2o. A Comissão Especial terá representação de três membros do Governo Federal e três membros do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, designados pelos Chefes do Executivos, respectivamente. 88 Art. 3o Os custos com as despesas da Comissão Especial correrão a conta dos respectivos Executivos Federal e Estadual, igualitariamente. Art. 4o. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Justificação Nos tempos em que, ainda, cabia ao Estado o papel de alavancar o crescimento econômico brasileiro, o Governo Federal decidiu implantar um novo polo petroquímico. Em contraposição, colocava-se a alternativa de duplicação das unidades já existentes em São Paulo e na Bahia. Não faltaram pressões neste último sentido. A decisão última pelo Rio Grande do Sul foi sedimentada pela mobilização das representações políticas gaúchas e pela participação, efetiva, do Governo do Estado no empreendimento. Como um verdadeiro sócio, o Rio Grande aportou recursos para obras de infra-estrutura e de proteção ao meio ambiente, algo próximo de US$ 250 milhões. O Governo gaúcho idealizou e implantou a Aços Finos Piratini. Projetada para uma produção anual de 450 mil toneladas, sua produção inicial se estabilizou em 150 mil. Sem condições financeiras para alcançar a plena capacidade, o Governo estadual, após exaustivas discussões, na Assembléia Legislativa, transferiu a empresa para a União, sob o compromisso formal do aumento integral da produção. Pois bem, com o advento do Programa Nacional de Desestatização, o Polo Petroquímico do Sul e a Aços Finos Piratini foram transferidos para mãos privadas. O primeiro, sem que o Estado do Rio Grande do Sul fosse ressarcido na proporção dos recursos 89 alocados na sua implantação. A Aços Finos Piratini, idem, e sem que a União tenha cumprido a cláusula de expansão produtiva. Iguais desfechos restaram à antecipação de recursos, pelo Governo gaúcho, para implantação de estradas federais e aquisição de terras para reforma agrária, quando da minha gestão como Governador do Estado, na década de oitenta. A promessa de ressarcimento ainda dormita nos documentos oficiais. Esses casos são, aqui, apresentados a título de exemplos. Outros mais poderão ser examinados pela Comissão. Os recursos devidos ao Rio Grande do Sul são os mesmos que faltam para desenvolver suas regiões mais pobres, como, por exemplo, a sua Metade Sul. São essas as justificativas que me orientam a apresentar esta proposição, na expectativa que o trabalho desempenhado por esta Comissão Especial possa quantificar e subsidiar a União a restituir ao Estado do Rio Grande do Sul recursos com tamanhos custos de oportunidade para o Estado. Sala das Sessões, em 13 de maio de 2013. Senador PEDRO SIMON LEGISLAÇÃO CITADA LEI No 8.031, DE 12 DE ABRIL DE 1990. Cria o Programa Nacional de Desestatização, e dá outras providências. (Às Comissões de Desenvolvimento Regional e Turismo; de Assuntos Econômicos; e de Constituição, Justiça e Cidadania, cabendo à última a decisão terminativa) Publicado no DSF, de 16/10/2013. Secretaria de Editoração e Publicações – Brasília-DF