8º Congresso de Pós-Graduação
A ESCOLA E O CONHECIMENTO - MARIO SERGIO CORTELA
Autor(es)
SANDRA BOTELHO CHAVES
Orientador(es)
PORFº JOSÉ MARIA DE PAIVA
1. Introdução
O autor Cortela, em seu livro "A escola e o conhecimento, nos alerta que a Educação nacional está em crise, e que ainda não
atingimos uma justiça social uma vez que a educação não é usufruída por todos e, sim, por uma minoria. Alega que esta crise é
proveniente de diferentes fatores, e que o fracasso escolar se deve a causas extra-escolares e também a causas intra-escolares, sendo
que para tanto propõe aos educadores que façam uma articulação entre o epistemológico e o político, a fim de que o conhecimento
seja uma ferramenta de liberdade e um meio de se superarem as desigualdades.
2. Objetivos
Pretendemos, com esta experiência de leitura do texto, mostrar aos alunos e pesquisadores o pensamento do autor Cortela sobre o
tema Escola e o Conhecimento
3. Desenvolvimento
A introdução ao texto “A escola e o conhecimento” do autor Cortela nos traz um chamamento ao problema da crise educacional
existente até os dias de hoje, apontando como causas não só a baixa qualidade de ensino, o despreparo dos educadores, a evasão e
retenção escolar, mas também que esta crise é resultado de um projeto deliberado de exclusão e de dominação social por parte das
elites econômicas. Remédio para esta crise seria a democratização do saber, para garantir a todos o acesso e a apropriação do
conhecimento universal acumulado, a fim de que o conhecimento seja uma ferramenta de mudança, ou seja, para que os alunos
compreendam sua realidade e se fortaleçam como cidadãos.
No Cap. I - “Humanidade, Cultura e Conhecimento” - O autor nos diz que existe um jogo econômico-político que dificulta o avanço
da educação, uma vez que o resultado da ação científica, ou seja, o conhecimento, não atinge a todos da mesma forma, tendo em vista
a sua distribuição desigual e discriminatória. Sua tese fundamental é que somos seres não especializados, portanto somos capazes de
produzir conscientemente uma ação transformadora no ambiente em que vivemos, a fim de moldá-lo às nossas necessidades, sendo o
trabalho o instrumento, e o efeito de sua realização a cultura, ou seja, o conjunto das produções humanas e valores que vamos
agregando. Neste sentido, o conhecimento também é uma produção dos indivíduos, dando-se em sociedade: não é neutro, é
imprescindível à nossa existência. Para tanto, o autor propõe uma educação formadora do ser humano, que não o deixe alienado; uma
pedagogia que dê acesso ao conhecimento; uma escola que coloque o aluno como construtor de um conhecimento que para ele faça
sentido e o estimule.
Já no Cap. II - “Conhecimento e Verdade: A matriz da noção de descoberta” - O autor faz uma incursão pela Filosofia grega, mais
especificamente da sua produção de conhecimento, que possibilita a reflexão sobre a construção da idéia de verdade como
“descoberta”, e sobre a origem da escola dissociada da prática produtiva, pois é fruto do ócio (tempo livre) e riqueza da aristocracia.
Opondo-se a este entendimento, de que a verdade é algo a ser “descoberto” pelo sujeito sobre o objeto, Cortela concebe a verdade
como uma dimensão fundamental do conhecimento, mas com caráter social e que se constrói a partir da relação entre o sujeito e o
objeto, na vivência do coletivo. Afirma que a concepção de conhecimento que se originou na civilização grega ainda permeia nossas
práticas pedagógicas e precisa ser superada, para que nossos alunos percebam que são eles que constroem seu conhecimento, e que a
verdade e o conhecimento são construções históricas, sociais e culturais, resultado do trabalho humano e que, portanto, não são
neutros e nem imutáveis.
No Cap.III - “A escola e a construção do conhecimento”- Cortela nos adverte que devemos relativizar a concepção do conhecimento
como algo pronto sem conexão com a história, transcendental e estático e, que cabe aos educadores, a fim de se evitar a incapacidade
cognitiva de seus alunos, praticarem a relativização dos conhecimentos, oferecendo a eles as condições de produção da qual os
conhecimentos se cercaram, ou seja, que se desfaça a visão mítica do conhecimento. Para tanto, o autor coloca que o conhecimento
pressupõe uma intencionalidade, uma finalidade, sendo o método a ferramenta para sua execução, que nada mais é que a garantia da
rigorosidade. Ainda, o conhecimento sendo o resultado de um processo, de uma busca, é passível de erros, sendo que não devemos
anular os erros, uma vez que estes nos possibilitam chegar a novos conhecimentos. Aponta também como fatores básicos do trabalho
pedagógico que não há conhecimento significativo sem pré-ocupação, ou seja, que este conhecimento parta das preocupações que
seus alunos possuem, para só assim serem por eles apropriados e ainda que, a sala de aula seja um lugar impregnado de amorosidade e
humanidade, um lugar onde haja alegria e prazer no ato de ensinar e aprender.
No Cap.IV - “Conhecimento Escolar: epistemologia e política” - O autor trata da relação sociedade/escola nos dizendo que o sentido
social da profissão de um educador está na dependência da compreensão política que ele possui de seu trabalho pedagógico. Aponta
algumas concepções ainda presentes no trabalho pedagógico da relação Escola e Sociedade, a saber: 1) o otimismo pedagógico que
atribui à escola a missão de ser a propulsora do desenvolvimento e do progresso de nosso país; 2) pessimismo ingênuo que deposita
na educação a tarefa de servir primordialmente o Poder, ou seja, passa a ser reprodutora da desigualdade social, uma vez que a escola
é aparelho ideológico do Estado; 3) otimismo crítico na qual a educação teria uma função conservadora e uma função inovadora
concomitantemente, uma vez que indica o valor que a escola deva ter, reconhecendo que esta não deva ser neutra, bem como
reconhece seu papel útil para a transformação social. Conclui o autor, que cabe aos educadores ter uma atuação política frente às
demandas sociais, levando em conta a realidade social de nossos alunos, a fim de conduzi-los à autonomia e à cidadania livre e a uma
realidade social livre das desigualdades.
4. Resultado e Discussão
Pretendemos com esta leitura um esclarecimento da conduta a ser adotada pelos nossos educadores .
5. Considerações Finais
Com a leitura deste texto podemos concluir que cabe aos nossos educadores terem em seu dia a dia pedagógico uma atuação política
frente às demandas sociais, levando em consideração a realidade de seus alunos, para que estes sejam livres a cidadãos autônomos.
Referências Bibliográficas
CORTELA, Mario Sergio. A escola e o conhecimento. São Paulo: Editora Cortez, 2002.
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