& economia e finanças CARTA MENSAL Fevereiro - 2012 Preparada com Informações Disponíveis até 07/02/12 Rosenberg Consultores Associados Tel.: (11) 3661-8855 e-mail: [email protected] http://www.rosenberg.com.br Esta carta mensal foi preparada exclusivamente para clientes da Rosenberg Consultores Associados e tem por objetivo acompanhar, relatar e analisar os principais eventos da conjuntura econômica brasileira e internacional, bem como projetar os seus principais indicadores macroeconômicos. É proibida a reprodução ou disponibilização para terceiros. As análises aqui contidas baseiam-se nas melhores informações disponíveis, recolhidas a partir de fontes oficiais, cujos erros ou omissões não são de nossa responsabilidade. Equipe: Luís Paulo Rosenberg José Augusto Arantes Savasini Thaís Marzola Zara Rafael Bistafa Daniel Lima Mariana Vergueiro [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 2 -- Índice I. Sumário Executivo ...................................................................................................................... 04 II. Mercados e Gestão .................................................................................................................... 07 III. Indicadores de Conjuntura....................................................................................................... 09 Comentários sobre a Economia Chinesa por Michael Pettis...........................................................................................................................24 Comentários sobre a Economia Argentina por Espert Consultores Associados.................................................................................................30 CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 3 -- I. SUMÁRIO EXECUTIVO Ao que tudo indica, a profecia maia, que agenda o fim do mundo para 2012, pode ser adiada. Nada de substancial se alterou na economia mundial: a Europa ainda vai experimentar uma recessão, com o problema de gregos, lusitanos etc sendo postergado; os EUA registrando uma leve recuperação e a China em desaceleração (pouso suave). O duro e difícil processo de desalavancagem está em curso, ainda muito longe de se completar. Entretanto, todos os problemas estruturais foram momentaneamente postos de lado e o humor dos mercados internacionais - tão estável quanto Quadro I.1 Hipóteses ECONOMIA MUNDIAL Crescimento EUA Japão União Européia China Volume de comércio mundial 2010 2012 3% 3,9% 1,8% 10,3% 11,5% 1,5% a 2,5% 0% a 1% -2% a -1% 7,5% a 8,5% 4,0% 1,34 81,3 1,20 a 1,30 75-85 US$ 1,20 a US$ 1,30/Euro em 2013 ¥ 75-85/US$ nos próximos anos 0,18% 1,04% 0% a 0,25% em 2011 1,0% a 1,5% em 2011 estabilidade nos próximos dois anos. estabilidade nos próximos dois anos Próximos anos 1,0% a 2,0% próximos dois anos 0% a 1% nos próximos dois anos -0,5% a 0,5% nos próximos dois anos 8,0% a 9,0% nos próximos dois anos 4% a 5% nos próximos dois anos Moedas (final do período) US$/euro Yen/US$ Política monetária (final do período) Fed funds Libor (em US$, 6 meses) Preços de Commodities (média do período) Petróleo Brent Commodities agrícolas (CRB) 80,3 US$ 100 estável aos preços de jan/12 US$ 100 estabilidade Commodities metálicas (CRB) queda de 5% contra preços de jan/12 estabilidade RISCOS: CENÁRIO ALTERNATIVO Riscos advindos do cenário mundial: Risco de um double dip passou de quase nulo a algo a ser considerado; principais fatores: - China cresce abaixo de 7/8% - Recessão na Europa - Repercussões sociais e políticas de difícil manejo na Europa Riscos domésticos: De forma geral, todos os riscos externos apontam para crescimento menor no Brasil (bom para inflação, mas doloroso). Elaboração R&A CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 4 -- de qualquer paciente bipolar – melhorou; a razão por trás deste comportamento foi a bem sucedida injeção de liquidez realizada pelo BCE, um tipo de quantitative easing travestido. Além disso, a boa safra de dados norteamericanos fornece lenha à fogueira do otimismo. Tudo isso impacta preço de commodities, que subiram no curto prazo e devem cair menos do que o esperado (comparando-se as médias anuais). Tal quadro ainda está sujeito a chuvas e trovoadas, mas a sensação é de que se ganhou mais tempo – e este, como já dizemos há muito, é o ativo fundamental na fina arte de se evitar uma catástrofe. O ambiente internacional tornou-se, portanto, um pouco menos avesso ao risco – embora não haja garantias de que novidades como a saída de uma Grécia da Zona do Euro não possam afetá-lo. A liquidez abundante que circula pelos bancos europeus e americanos passa a procurar oportunidades mais rentáveis e eis que as terras tupiniquins se assemelham cada vez mais à terra prometida. Um oásis de juros reais altos, responsabilidade fiscal e crescimento econômico em meio à aridez das economias desenvolvidas, dragadas pela areia movediça da desalavancagem. O resultado não poderia ser outro: começa nova enxurrada de dólares ao país, trazendo o câmbio a patamares que jogam a indústria Quadro I.2 Cenário Macroeconômico 2010 Efetivo 2011 Prev. 2012 Prev. 7,5 6,3 10,4 5,5 2.143 3.770 2,7 3,0 1,7 2,8 2.472 4.132 3,0 0,8 1,7 3,5 2.424 4.513 6,7 6,1 6,8 2,6 -2,8 40,4 0,5 -3,2 39,0 1,0 -3,0 38,1 20,1 201,9 -181,8 -70,3 -47,3 -2,2 29,8 256,0 -226,2 -85,2 -52,6 -2,1 18,0 254,4 -236,4 -88,7 -67,8 -2,8 48,5 288,6 66,7 352,0 55,7 361,1 5,9 11,3 13,9 6,5 5,1 4,3 6,0 5,1 4,2 Taxa de juros Over-Selic acumulada (%) Meta para Selic fim de período (%) 9,66 10,75 11,60 11,00 9,72 9,50 Taxa de Câmbio Final de período (R$/US$) Variação % sobre o ano anterior Média no período (R$/US$) Variação % sobre o ano anterior 1,67 -4,3 1,76 -11,8 1,88 12,6 1,67 -4,8 1,80 -4,0 1,75 4,5 Contas Nacionais PIB real (%) Agropecuária (%) Indústria (%) Serviços (%) PIB nominal - US$ bilhões PIB nominal - R$ bilhões Mercado de Trabalho Taxa de desemprego (% da PEA) Necess. Financ. Setor Público (1) Nominal (% do PIB) Primário (3) (% do PIB) Dívida Líquida do Setor Público (% do PIB) Balanço de Pagamentos USOS Balança Comercial (US$ bilhões) Exportações (US$ bilhões) Importações (US$ bilhões) Serviços e Rendas (US$ bilhões) Transações Correntes(4) (US$ bilhões) Transações Correntes(4) (% do PIB) FONTES Investimento Estrangeiro Direto (US$ bilhões) Reservas Internacionais (US$ bilhões) Inflação IPCA - IBGE (2) (%) IGP-M - FGV (%) IPA-M - FGV (%) (1) Sinal negativo = superávit; Deflator: IGP-DI centrado. (2) Índice escolhido como parâmetro para o sistema de metas inflacionárias. (3) C ifras negativas indicam superávit. (4) Inclui Transferências unilaterais. Fontes: Ministério da Fazenda; Planejamento; IBGE; BAC EN; e MDIC . – já afogada em tributos, encargos trabalhistas, custos logísticos e etc – ainda mais ao fundo do poço. O governo ameaça apelar ao protecionismo, mas a experiência de quem já viu este filme antes não é das melhores. No longo prazo, isso só resulta em uma indústria ainda mais ineficiente, produtos de pior qualidade e inflação. No curto prazo, entrementes, a entrada maciça de recursos vai financiar o consumo e manter CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 5 -- elevada a absorção doméstica, mesmo que o PIB seja ancorado por um crescimento menos expressivo da indústria. A inflação cede a pouco e pouco, terminando 2012 em 6% e 2013 em 5,3%. Ainda longe do centro da meta, mas com o benefício de ter juros reais um pouco menos escorchantes numa época em que juros negativos são a regra entre os desenvolvidos. A balança comercial continua se beneficiando de preços elevados das matérias-primas aqui produzidas, com superávit um pouco inferior ao de 2011, enquanto o déficit em transações correntes se aprofunda por conta de aluguéis e viagens, além do envio de lucros e dividendos, importantes para as matrizes nestes tempos de dificuldades, especialmente as européias. Nada que a entrada de divisas via IED não financie com folga, permitindo acumulação extra de reservas (o BC já voltou às compras). Com isso, o dólar deve se manter no patamar de R$ 1,70 a R$ 1,85, aproximando-se mais do teto do intervalo conforme o noticiário internacional for mais pessimista. Politicamente, em ano de eleições municipais, o PT fará de tudo para tentar ultrapassar seu teto de votos no rincão tucano, a capital paulista, de cerca de 30%. Até mesmo unir-se ao ex-DEM, Kassab, que também está de olho nas eleições para o governo do estado em 2014. A fisiologia continua sendo uma das mais notáveis características dos políticos brasileiros, da esquerda à direita. No plano nacional, nada de substancial em termos de reformas, nem mesmo ministerial; ao mesmo tempo em que os aeroportos são privatizados, há um certo saudosismo do dirigismo econômico estatal - com um toque feminino, sempre que possível. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 6 -- II. MERCADOS E GESTÃO O problema da Europa não será resolvido em 2012, mas em vários anos. Será necessário aumentar a produtividade da mão de obra ou reduzir salários nos países do sul da Europa para que o déficit da Balança Comercial e de Transações Correntes destes países seja diminuído e, conseqüentemente, não precisem de tanto financiamento dos países do norte da Europa. Em regimes de moeda única, não se pode recorrer à desvalorização cambial para reduzir salários; serão necessárias medidas internas dentro de cada um dos países do Sul da Europa. Aqui mora o perigo, pois como é difícil aumentar a produtividade em tão pouco tempo, será necessário retirar vários benefícios dos assalariados que foram dados nos últimos anos. Não há como diminuir salário por decreto, portanto o único meio de fazê-lo será aumentando ainda mais o desemprego. Fazer isso sem comoção social é ainda mais difícil: greves e manifestações populares acontecerão e as repercussões políticas serão tais que os governantes demorarão mais para tomar as decisões quanto ao corte das despesas. Os países da Europa concordaram em reduzir o déficit público; todavia, uma coisa é desejar fazer, outra é realmente fazer. Para isto, é importante aumentar a arrecadação de impostos em economias que estão sem crescimento, já que reduzir despesas nestas economias é tarefa ainda mais complicada. A ver. Durante 2012, os preços dos ativos oscilarão. Como na Europa a demanda por investimentos será reduzida, a melhor coisa que pode acontecer para o Brasil será estes recursos virem, em parte, para investimentos aqui. Neste caso, as oscilações dos preços para baixo serão mínimas no Brasil. No começo deste ano, observamos uma entrada de recursos maior que as saídas – mesmo com muitas empresas enviando dólares para a matriz. Ao mesmo tempo, aumentaram as compras dos estrangeiros na Bolsa e o preço das commodities no mundo também se recuperou, depois da queda no final do ano. Tudo como conseqüência do ambiente externo mais animado, refletindo a esperança de que vá se ganhando tempo para diluir os problemas da Europa. No Brasil, o setor industrial é o grande problema, com os preços de muitos produtos bem acima dos internacionais. O governo vem aumentando o protecionismo, via aumento de impostos para os produtos importados, para tentar auxiliá-la. Medidas como esta já foram tomadas no passado e não resolveram os problemas crônicos da indústria, como o investimento em recursos humanos qualificados. Agora, os prejuízos trazidos pelo protecionismo são muito mais sérios, pois vivemos em uma economia CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 7 -- II. MERCADOS E GESTÃO 7 globalizada, onde em cada produto há uma combinação muito grande de partes e peças feitas em outros países. É a forma de se absorver as vantagens comparativas. No Brasil, o problema é quase o mesmo do sul da Europa, pois precisamos diminuir o custo de produção com aumento da produtividade da mão de obra. Como isto não é possível no curto prazo, é preciso redução dos tributos, diminuição dos custos de transporte, melhoria na qualificação da mão de obra e, porque não dizer, redução do salário em dólares. Não é um problema fácil de resolver no curto prazo. Podemos tomar medidas heróicas para solucionar os problemas da indústria no curto prazo. Mas não nos esqueçamos que algumas soluções heróicas podem gerar problemas no longo prazo. Por exemplo, desvalorizar o câmbio pode ser uma solução, mas isto vai dar um incentivo muito grande para a agricultura e para outros produtores de commodities metálicas, levando o país a se tornar um grande produtor de commodities. E, com a exportação destas, o câmbio tenderá a se valorizar ainda mais no futuro. Com a queda dos juros e aumento da liquidez, dado pelo crédito, podemos ter um crescimento do consumo acima do crescimento da indústria, o que levará a mais importações e, conseqüentemente, mais reclamações para proteger o mercado interno das importações. Isto dá mais incentivo à tomada de medidas heróicas. O cenário para o preço das ações é de alta enquanto o investimento estrangeiro estiver entrando, como aconteceu em janeiro. Mas, cuidado: a bolsa não tem direção única, sujeita às variações de humor do mercado internacional. No curto prazo, pode até cair um pouco. Para o câmbio, não há tendência à depreciação, com o BC comprando para tentar evitar que vá abaixo de R$ 1,70/US$. Quadro II.1 Indicadores Financeiros IGP-DI (FGV) variações percentuais 2 IPA-OG Ind (FGV) TR (BACEN) OVER (SELIC) CDI CETIP 1 CDB 30 dias HOT MONEY OURO BLACK DÓLAR COM. 3 BOVESPA 2007 7,90 2,54 1,21 8,98 8,96 7,90 29,27 1,15 -11,02 -13,99 35,96 2008 2009 9,11 12,97 1,63 12,48 12,38 11,53 32,57 32,13 25,63 31,94 -41,22 -1,44 -4,43 0,71 9,92 9,87 9,18 33,23 -3,04 -23,20 -25,49 82,66 2010 11,31 10,13 0,69 9,78 9,76 8,78 42,31 32,27 -3,65 -4,31 1,05 jan 0,98 0,62 0,07 0,86 0,86 0,75 3,41 -9,39 -0,54 0,43 -3,94 fev 0,96 0,73 0,05 0,84 0,84 0,72 3,45 5,52 -0,54 -0,73 -0,80 mar 0,61 0,42 0,12 0,92 0,92 0,96 3,46 0,00 -2,73 -1,52 3,86 abr 0,50 0,58 0,04 0,84 0,84 0,91 3,48 1,40 -1,69 -3,83 -3,58 mai 0,01 0,32 0,16 0,99 0,99 0,95 3,49 -0,88 0,57 0,42 -5,39 jun -0,13 0,13 0,11 0,96 0,95 0,93 3,50 2,16 -1,70 -1,19 -0,26 jul -0,05 -0,07 0,12 0,97 0,97 0,94 3,52 9,32 -1,16 -0,31 -5,74 ago 0,61 0,46 0,21 1,07 1,07 1,03 3,51 7,93 2,34 1,99 -3,95 set 0,75 0,62 0,10 0,94 0,94 0,93 3,46 3,07 14,29 16,83 -7,39 out 0,40 0,87 0,06 0,88 0,88 0,86 3,43 -4,49 -5,50 -8,95 11,49 nov 0,43 0,27 0,06 0,86 0,86 0,91 3,38 8,77 4,23 7,25 -2,51 dez 2011 -0,16 -0,58 0,09 0,91 0,90 0,89 3,37 -6,59 2,54 3,58 -0,21 5,01 4,45 1,21 11,62 11,59 11,32 50,32 15,86 9,19 12,58 -18,11 jan - - 0,06 0,89 0,89 0,86 3,50 0,63 -5,45 -7,37 1,89 2012 - - 0,06 0,89 0,89 0,86 3,50 0,63 -5,45 -7,37 (1) Taxa efetiva no final do mês. (2) TR refere-se ao primeiro dia do mês. (3) Final de período. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 8 -- 1,89 Fonte: Broadcast III. INDICADORES DE CONJUNTURA E CONOMIA BRASILEIRA CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 9 -- Atividade: mercado de trabalho apertado e melhor perspectiva de crédito trazem bons ventos para início de 2012 A cara do ritmo de atividade em 2012 já é conhecida desde o final do ano passado: começo mais comedido, ainda sentindo os efeitos da desaceleração do final de 2011, acelerando ao longo do ano (conforme as medidas monetárias expansionistas surtissem efeito sobre a economia). Nada mudou neste quadro, mas há sinais de que o primeiro trimestre pode até ser um pouco melhor que o inicialmente esperado, colocando um viés positivo sobre a taxa de crescimento anual – atualmente, a projeção R&A está em 3%. Este viés justifica-se pelo mercado de trabalho ainda bastante apertado, como pode ser visto no gráfico III.1. Mesmo que alguma desaceleração seja esperada para este ano, em conseqüência do menor ritmo de atividade no final de 2011 (lembrando que o mercado de trabalho costuma ter uma defasagem grande de reação em relação ao ritmo de atividade Gráfico II I.1 como um todo), ainda será forte fonte de sustentação do consumo. Além disso, há também o crédito, que já mostra sinais de maior participação dos bancos públicos (vide Gráfico III.2), evidenciando um dos caminhos adotados pelo governo para continuar injetando crédito e, portanto, vitalidade, no mercado interno. A inadimplência deve ter alta sazonal no primeiro trimestre, com pequeno aumento também da série dessazonalizada, mas ainda bem abaixo do que chegou a ser em 2009 (vide Gráfico III.3) e sob controle, de modo que mesmo as instituições financeiras privadas, que ganharam novo fôlego de captação no exterior, podem continuar ampliando o crédito (mesmo que de forma mais moderada que as públicas, cuja tendência é continuar ganhando participação de mercado). GráficoII I.3 Inadimplência dessazonalizada Taxa de desemprego dessazonalizada (%) (% da PEA) Participação das inst. finan. públicas no crédito jun-11 jun-10 jun-09 jun-08 jun-06 jun-05 jun-04 2,4 2,3 3,1 3,6 I.12 III.12 IV.12 1,3 IV.11 II.12 2,1 III.11 II.11 I.11 III.10 IV.10 IV.09 -1,5 -2,4 Último dado: dez/11 III.09 Fonte: Banco Central. Elaboração: R&A. -2,7 jan/07 abr/07 jul/07 out/07 jan/08 abr/08 jul/08 out/08 jan/09 abr/09 jul/09 out/09 jan/10 abr/10 jul/10 out/10 jan/11 abr/11 jul/11 out/11 16,0% I.09 17,8% II.09 Total Pessoa Física 3,3 19,5% 4,2 38,0% 6,9 21,3% 5,3 40,5% 8,8 23,0% (Var. % interanual) II.10 43,0% PIB a preços de mercado 5,3 24,8% 33,0% Último dado: dez/11 GráficoII I.4 45,5% 35,5% jun-03 jun-02 jun-01 Fonte: BC. Dessaz. R&A. *Atrasos > 90 dias. 9,3 Gráfico II I.2 Pessoa Jurídica jun-00 dez/11 dez/10 dez/09 dez/08 Último dado: dez/11 Pessoa Física I.10 Fonte: IBGE.*Dessazonalização: R&A. dez/07 dez/06 dez/05 dez/04 dez/03 dez/02 dez/01 8,5 7,5 6,5 5,5 4,5 3,5 2,5 1,5 jun-07 13,5 12,5 11,5 10,5 9,5 8,5 7,5 6,5 5,5 Fonte: IBGE. Elab. R&A. Proj. a partir de IV.11. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 10 -- Último dado: III.11 Tudo considerado, o PIB deve ter crescimento mais forte nos últimos trimestres do ano, embora a série dessazonalizada possa aferir uma maior taxa de expansão no primeiro trimestre (por conta dos dois Nível de Atividade (1) PIB - IBGE (%) (1) Prod. Industrial - IBGE (%) (1) Faturamento real - CNI (%) (2)(3) Utilização da Cap. Instalada - CNI (%) (1) Vendas no Comércio - IBGE (%) (2) Taxa de desemprego - IBGE (% da PEA) últimos trimestres de 2011, cujo crescimento foi muito baixo), ainda encerrando 2012 com crescimento de 3%, mas com viés de alta (vide Gráfico III.4). 2010 7,5 10,5 9,4 82,3 10,9 6,7 Out -2,2 4,8 81,4 4,2 5,8 Nov -2,7 4,8 81,4 6,8 5,2 Dez -1,2 3,8 81,3 4,7 Fontes: IBGE e CNI. (1) Em relação ao mesmo período do ano anterior. (2) Média no período. (3) Desssazonalizado. CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 11 -- Proj 11 2,7 0,3 5,1 82,2 6,0 Inflação: O que podemos esperar de 2012? Primeiramente, para traçarmos o quadro prospectivo da inflação em 2012, analisemos a evolução recente dos principais agregados do IPCA desde 2009. Pela tabela abaixo, verifica-se que a pressão inflacionária em 2011 não foi algo concentrado em apenas um grupo, mas sim dispersa por quase todas as categorias de bens e serviços; apenas produtos comercializáveis tiveram desaceleração em relação a 2010, influenciados pela queda do dólar médio no período. Com isso, quase que por um milagre, o IPCA não estourou o teto da meta, ficando exatamente no limite extremo “aceitável”, ajudado pela redução do IPI sobre a linha branca no final do ano (que levou a uma deflação de 0,87% em artigos de residência, com contribuição de -0,03 p.p), possibilitando que o IPCA de dezembro encerrasse em 0,50%, um número quase mágico. Tabela II I.2 2009 Serviços 6,4 Administrados 4,7 Comercializáveis 2,6 Não comercializáveis (excl. serviços) 4,2 Total 4,3 *Projeção R&A utilizando a nova podenração. Fonte: IBGE. Elaboração: R&A. 2010 7,6 3,1 6,9 6,7 5,9 2011 9,0 6,2 4,4 7,8 6,5 (%) 2012* 8,5 5,5 4,5 6,5 6,0 Sendo assim, 2012 começa influenciado pela alta inflação do ano passado e, mesmo com o acumulado em 12 meses em trajetória de desaceleração desde outubro de 2011 (devendo seguir neste movimento até maio de 2012), após o pico de 7,31% em setembro, o mercado em geral mantém expectativas de inflação afetadas pela inércia, longe da meta. Vale notar que tanto o boletim Focus do Banco Central de 31 de dezembro de 2010 quanto o de 30 de dezembro de 2011 apontavam alta de 5,32% para o respectivo ano seguinte (expectativas desancoradas, portanto, do centro da banda de metas de inflação, de 4,5%). A projeção do primeiro relatório já mostrou-se longe do resultado efetivo e, para 2012, temos, dentre outros, os seguintes fatores de risco: Além disso, é importante considerar que a possível aceleração da economia no sAlém disso, é importante Além disso, é importante considerar que a possível aceleração da economia no segundo semestre, somada aos efeitos do afrouxamento monetário iniciado em agosto de 2011, com aumento do crédito (via bancos públicos, principalmente) e a continuidade da pressão em serviços (influenciada, em parte, pelo aumento de 14,1% no salário mínimo) traçam um quadro nada favorável à inflação. Outro fator que merece especial atenção é a evolução as commodities (vide gráfico), pois a melhora no cenário internacional (dados positivos nos EUA, certo alívio marginal na zona do euro com o QE disfarçado implementado pelo BCE e alguma possibilidade de equacionamento da dívida com os credores da Grécia) e, principalmente, uma desaceleração apenas gradual na China – o chamado pouso suave, ou “soft landing” – poderiam dar sustentação aos preços dos produtos primários, tanto os agrícolas quanto os industriais. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 12 -- GráficoII I.5 GráficoII I.6 Commodities Metálicas (US$ X R$) Commodities Agrícolas (US$ X R$) (base: 2001 = 100) Fonte: Folha de São Paulo 295 265 250 Sendo assim, partindo de uma premissa de não deterioração substancial do cenário global, uma desinflação consistente no quadro doméstico vinda de fora fica cada vez mais distante no horizonte e, internamente, mesmo com o quadro fiscal em ordem (como o foi em 2011), há fatores inflacionários fev-12 jan-12 dez-11 nov-11 set-11 out-11 jul-11 Fonte: Folha de São Paulo ago-11 jun-11 abr-11 mai-11 fev-11 mar-11 235 Último dado: Último 03/02/2012 Dado Inflação e Pol. Monetária IPCA - IBGE (%) IGP/M - FGV (%) IPA/M - FGV (%) IPC - Fipe (%) Meta da Taxa de Juros - Over-Selic (% aa) 475 450 425 400 375 350 325 US$ 280 fev-12 jan-12 dez-11 nov-11 set-11 out-11 jul-11 ago-11 jun-11 abr-11 mai-11 fev-11 mar-11 jan-11 R$ US$ (base: 2001 = 100) 310 R$ 350 335 320 305 290 275 260 jan-11 250 245 240 235 230 225 220 215 210 205 Último dado:Último 03/02/2012 Dado suficientes em nosso cenário para dar sustentação ao caráter de persistência da inflação, com o IPCA desacelerando de 6,5% em 2011 para algo em torno de 6,0% em 2012 (bastante longe, ainda, do centro da meta). 2011 6,5 5,1 4,3 5,8 11,00 Nov 0,52 0,50 0,52 0,60 11,50 Fontes: IBGE. FGV. Fipe e BCB. CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 13 -- Dez 0,50 -0,12 -0,48 0,61 11,00 Jan -0,25 -0,07 0,66 10,50 Proj 12 6,0 5,1 4,0 5,5 9,50 Política Fiscal: Responsabilidade Fiscal na Agenda O superávit primário do Setor Público Consolidado alcançou, em 2011, R$ 128,7 bi, o equivalente a 3,11% do PIB, cumprindo assim, até com certa folga, a meta do ano, que era de R$ 127,9 bilhões. Em 2010, o superávit havia sido de R$ 101,7 bilhões (2,70% do PIB). Ou seja, entre esforços do lado da receita e de redução do ritmo de crescimento das despesas não financeiras, o governo, como um todo, foi capaz de extrair, em um ano, um adicional de poupança primária de 0,41% do PIB. Nada mal, pois reverte uma tendência que vinha dos últimos anos do governo Lula de piora nesse importante parâmetro fiscal. Para 2012, o Orçamento Geral da União, aprovado e sancionado, deve sofrer, via o Decreto de programação das despesas públicas, um contingenciamento, que segundo as informações da imprensa deve atingir R$ 60 bilhões (no ano passado, o contingenciamento foi de R$ 50 bilhões). Com esse valor, a equipe econômica entende que consegue, ao mesmo tempo, garantir o superávit primário cheio (R$ 139,8 bilhões) e impulsionar os investimentos públicos. Mas o cumprimento das metas em 2011 e a indicação de austeridade para 2012 são sinais importantes, e consistentes, do compromisso do governo Dilma com a Responsabilidade Fiscal. Em uma análise preliminar, a magnitude de contingenciamento estará em linha com o cumprimento da meta em 2012 (ratificado pela mensagem da Presidente ao Congresso, no início do Ano Legislativo), mas, como já alertamos, este ano essa será uma missão mais difícil, com as pressões eleitorais, as repercussões do grande reajuste nominal do salário mínimo e a necessidade de investimentos pesando do lado das despesas e um provável menor crescimento da arrecadação, do outro lado. Ainda no campo das receitas, o relativo sucesso (sucesso sob a ótica da receita; sob o ponto de vista técnico, as propostas vencedoras parecem infladas, carregando risco de não cumprimento; ademais, havia candidatos certamente melhor qualificados – uma pena) no leilão de privatização dos aeroportos pode criar a sensação de que ficou mais fácil atingir o primário deste ano. Ledo engano. Senão vejamos: a) o valor corresponde aos pagamentos de outorgas dos três aeroportos, superior a R$ 24 bilhões, será desembolsado pelos vencedores das licitações ao longo dos períodos de concessão (20 anos para Guarulhos, 25 para Brasília e 30 anos para Viracopos). Assim, o impacto na receita em cada ano é relativamente pequeno e deve começar apenas em 2013, quando os novos gestores dos aeroportos assumem de fato as respectivas gestões, após uma fase transitória de seis meses a partir da assinatura dos contratos, que deve acontecer até maio; b) por outro lado, a ”arrecadação” dos valores correspondentes às outorgas não é a única receita nova da União decorrente da privatização. Os novos operadores têm obrigações previstas no Edital, como o recolhimento de uma porcentagem sobre a receita auferida, valor que não é desprezível, ainda mais em se tratando de operador privado que supostamente administrará melhor os ativos aéreos (taxas aeroportuárias, carga), comerciais (estacionamento, duty free, hotel, lojas) e outros. Portanto, ano a ano, a União arrecada mais do que parece à primeira vista; c) existe ainda uma característica específica, cujo impacto fiscal é difícil de estimar, que é a participação obrigatória da Infraero em todos os Consórcios. Por isso, a Infraero deverá ser capitalizada (gasto da União) para poder manter o(alto) grau de participação previsto; e c) os recursos serão recolhidos a um Fundo de Modernização de Aeroportos (ou seja, é um recurso vinculado), que pode liberar recursos “livres” hoje alocados para esse fim, mas que são extremamente reduzidos. Ou seja: a maior parte será vinculada a investimentos na modernização dos aeroportos ou a engordar o superávit primário. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 14 -- De qualquer maneira, pelos efeitos acima, não há contribuição efetiva para o superávit primário deste ano, e nos anos seguintes, as contribuições serão Setor Externo Balança comercial (US$ bilhões) Transações correntes (US$ bilhões) (1) Reservas internacionais (US$ bilhões) (2) Taxa de câmbio. final do período (R$/US$) relativamente modestas. Portanto, o contingenciamento de despesas continua sendo fundamental para o cumprimento das metas. 2011 29,8 -52,6 352,0 1,88 Nov 0,583 -6,7 352,1 1,81 Fontes: Secex/MDIC e BCB. (1) Conceito de liquidez internacional. Dado do último mês é preliminar. CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 15 -- Dez 3,817 -6,0 352,0 1,88 Jan -1,291 355,1 1,74 2012 18,0 -67,8 361,1 1,75/1,85 Setor Externo: aumenta entrada de dólares e chama BC às compras Depois de transitar pelo terreno negativo durante boa parte do segundo semestre de 2011, o fluxo cambial voltou ao azul em janeiro deste ano (vide Gráfico III.7), impulsionado tanto pelas captações externas por parte de empresas brasileiras como pela maior entrada de capital estrangeiro na bolsa (vide Gráfico III.8). Tudo isso é reflexo da melhora recente dos humores do mercado internacional, onde imperam elevados níveis de liquidez em busca de melhores oportunidades de rendimento. Com isso, o Brasil acaba sendo um dos destinos prediletos, o que se reflete no fluxo cambial e na cotação do câmbio. Não é à toa que o BC voltou ao mercado à vista, comprando dólares, operação que não se via desde setembro do ano passado. Esta deve ser, mais uma vez, a tônica do setor externo neste ano: balança comercial superavitária, ainda que mais modesta que a do ano passado, aprofundamento do déficit em serviços e rendas, gerando um saldo em transações correntes mais negativo, tudo plenamente financiável pela entrada de IED e de capital (desde que não haja surpresas negativas no ambiente internacional, o que não parece ser o caso, por ora). Por conta da volatilidade que pode ser trazida pelo ambiente externo, nossa projeção de câmbio para o final do ano encontra-se no intervalo de R$ 1,75 a R$ 1,85. GráficoII I.7 GráficoII I.8 Saldo Fluxo Cam bial Financeiro Capital Estrangeiro na Bovespa MM 20 dias (US$ milhões MM 20d) (US$ milhões) 4.500 800 3.500 600 2.500 400 1.500 200 500 Fonte: Banco Central 03.01 18.01 02.02 17.02 04.03 19.03 03.04 18.04 03.05 18.05 02.06 17.06 02.07 17.07 01.08 16.08 31.08 15.09 30.09 15.10 30.10 14.11 29.11 14.12 29.12 13.01 28.01 26.jan 27.dez 28.out 27.nov 28.set 29.ago 30.jul 30.jun 31.mai 01.abr -2.500 01.mai -1.500 -400 31.jan -200 02.mar -500 01.jan 0 Último dado: 4ªs. Jan. Setor Externo Balança comercial (US$ bilhões) Transações correntes (US$ bilhões) (1) Reservas internacionais (US$ bilhões) (2) Taxa de câmbio. final do período (R$/US$) Fonte: BM&F Bovespa 2011 29,8 -52,6 352,0 1,88 Nov 0,583 -6,7 352,1 1,81 Fontes: Secex/MDIC e BCB. (1) Conceito de liquidez internacional. Dado do último mês é preliminar. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 16 -- Último Últimodado: dado:fev/12 Dez 3,817 -6,0 352,0 1,88 Jan -1,291 355,1 1,74 2012 18,0 -67,8 361,1 1,75/1,85 IV. INDICADORES DE CONJUNTURA E CONOMIA MUNDIAL CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 17 -- Estados Unidos A boa safra de dados da economia norte americana tem fortalecido a percepção de que a recuperação da atividade ganhou força, possibilitando um certo descolamento da crise européia. Sem dúvida, a notícia mais animadora foi a melhora no mercado de trabalho, que já vinha sendo sinalizada pela tendência de queda nos pedidos semanais de auxílio desemprego (vide gráfico III.9 e III.10). GráficoIV.1 EUA - Pedidos de Auxílio-Desemprego 700 novos pedidos média 4 semanas 650 600 550 500 450 400 Fonte: Departament of Labor jan-12 jul-11 out-11 abr-11 jan-11 jul-10 out-10 abr-10 jan-10 jul-09 out-09 abr-09 Em janeiro, houve geração de 243 mil postos de trabalho e queda de 8,5% para 8,3% na taxa de desemprego (menor nível desde fevereiro de 2009), sendo importante destacar que a redução na taxa foi novamente resultado de ganhos efetivos no emprego (PEA subiu 508 mil e a população ocupada teve expressivo aumento de 847 mil) e não por aumento do desalento. jan-09 350 Último dado:27/01/12 GráficoIV.2 EUA - Desemprego (%) 18 16 14 12 10 8 Alternativa 6 Outro destaque foi a declaração do presidente do Fed, Ben Bernanke, sobre o prolongamento da política de juros baixos e oficialização da adoção do sistema de metas para a inflação. Último dado: jan/12 Com isso, a instituição age no sentido de reforçar uma posição de política monetária “altamente acomodativa”, visando basicamente a eliminar/reduzir choques determinados por alterações de expectativas, sendo que ao prolongar, de meados de 2013 para o final de 2014, o prazo de manutenção dos juros a níveis historicamente baixos, a autoridade monetária mostra firme compromisso com estímulo à atividade e ao emprego. Além disso, a oficialização da adoção do sistema de metas de inflação, com meta de 2% ao ano - já Fonte 2010 ANO 1º tri 2º tri 2011 3º tri 4º tri ANO BEA 3,0 0,4 1,3 1,8 2,8 1,7 Consumo das famílias 2,0 2,1 0,7 1,7 2,0 2,2 PIB Anualizado Dessaz. (%) jan/12 set/11 jan/11 set/10 mai/10 jan/10 set/09 mai/09 jan/09 set/08 mai/08 Fonte: Bureau of Labor Statistics Outro dado positivo foi o PIB do quarto trimestre do ano passado, com alta de 2,8%, impulsionada pelo crescimento dos investimentos e o aumentos do consumo das famílias, sinalizando que a população tem voltado às compras com a perspectiva melhor da economia em geral. Com isso, a economia cresceu 1,7% em 2011, praticamente em linha com nossa expectativa. mai/11 Convencional 4 jan/08 De fato, o emprego é uma das maiores preocupações dos americanos e essa evolução recente favorece a imagem do presidente Obama, candidato democrata à reeleição. Investimentos 17,9 3,8 6,4 1,3 20 4,7 Exportações 11,3 7,9 3,6 4,7 4,7 6,8 Importações 12,5 1,4 1,2 4,4 5,0 Governo 0,7 8,3 -5,9 -0,9 -0,1 -4,6 -2,1 CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 18 -- implícita nas ações de política monetária - facilita a ancoragem das expectativas. Assim, o FED tenta estreitar a percepção do mercado quanto ao futuro, reduzindo distorções e ruídos em momentos de incerteza e volatilidade. De concreto, temos que a economia norteamericana passa por momentos um pouco melhores, embora ainda esteja distante de apresentar forte crescimento. Mas já é o suficiente para trazer algum alento aos mercados. EUA (1) PIB, variação real (%) (2) Produção industrial, variação real (%) (3) Tx. de desemprego (% da PEA) Balança comercial (US$ bilhões) (2) Inflação, CPI (%) (3) Fed funds (% aa) (3) T-bond 10 anos (% aa) 2010 Ano 3,0 5,3 9,4 -500,027 1,39 0,18 3,29 Fontes: BLS, BEA e Fed. (1) Variação anualizada dessazonalizada em relação ao período anterior. (2) Dado dessazonalizado. (3) Final de período. CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 19 -- Out 2,8 0,6 8,9 -43,3 -0,1 0,07 2,31 2011 Nov -0,3 8,7 -47,8 -0,02 0,08 2,19 Dez 0,4 8,5 0,01 0,07 2,13 Zona do Euro: Santa liquidez O movimento empreendido pelo BCE em dezembro de 2011, emprestando um total de € 489 bilhões a 523 bancos, numa linha de crédito de três anos a juros de 1% a.a., tem tido resultados bastante satisfatórios. Não só tem ajudado a evitar um credit crunch e aumentar a demanda por títulos de dívida dos países da região do euro, como o desempenho favorável dos leilões fortalece a percepção de desempoçamento de liquidez, dando tempo extra para que os imbróglios sejam resolvidos. Gráfico IV.4 Os yields pagos – o principal termômetro da aversão ao risco – tiveram desempenho melhor que o esperado, caindo a níveis recordes. Não há garantias que o mesmo desempenho vigore ao longo do ano, sendo que o mercado já tem voltado a aumentar as preocupações quanto à Grécia, por conta dos pesados vencimentos que ocorrerão em março (vide Gráficos). Enquanto isso, as negociações com os credores Gráfico IV.5 CDS - 2 anos CDS - 5 anos Fonte: Bloomberg Último: 06.02 Gráfico IV.6 (bps) 12.000 11.000 10.000 9.000 8.000 7.000 6.000 5.000 Espanha 02.02 26.01 19.01 12.01 05.01 29.12 Grécia (dir.) 01.12 02.02 26.01 19.01 12.01 05.01 29.12 22.12 15.12 08.12 01.12 Grécia (dir.) Itália 22.12 Espanha (bps) 650 600 550 500 450 400 350 300 15.12 Itália (bps) 16.000 15.000 14.000 13.000 12.000 11.000 10.000 9.000 08.12 (bps) 650 600 550 500 450 400 350 300 Fonte: Bloomberg Último: 06.02 Gráfico IV.7 Vencimento de amortizações e juros - Itália Vencimento de amortizações e juros - Grécia (€ bilhões) (€ bilhões) 60 20 50 16 40 12 30 8 20 4 10 Fonte: Bloomberg, Elaboração R&A dez-13 out-13 ago-13 jun-13 abr-13 fev-13 dez-12 out-12 ago-12 jun-12 abr-12 dez-13 out-13 ago-13 jun-13 abr-13 fev-13 dez-12 out-12 ago-12 jun-12 abr-12 fev-12 fev-12 0 0 Fonte: Bloomberg, Elaboração R&A Gráfico IV.8 Gráfico IV.9 Vencimento de amortizações e juros - Espanha Vencimento de amortizações e juros - Portugal (€ bilhões) 35 (€ bilhões) 12 30 10 25 Fonte: Bloomberg, Elaboração R&A Fonte: Bloomberg, Elaboração R&A CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 20 -- dez-13 out-13 ago-13 jun-13 abr-13 fev-13 dez-12 out-12 ago-12 jun-12 fev-12 dez-13 out-13 ago-13 jun-13 abr-13 fev-13 dez-12 out-12 0 ago-12 2 0 jun-12 4 5 abr-12 6 10 fev-12 15 abr-12 8 20 privados no país helênico continuam e está ficando cada vez mais difícil ver uma luz no fim do túnel, o que alimenta as incertezas – ainda que mitigadas pela percepção de que o BCE está pronto a fornecer União Européia* (1) PIB, variação real (%) (1) Produção industrial, variação real (%) (2) Taxa de desemprego (% da PEA) Inflação, IPCH (%) (1) (3) Taxa de juros (% aa) (3) Taxa de câmbio (US$/€) auxílio, quando for necessário. Como não há solução indolor ou rápida, a tendência é que a volatilidade continue. 2011 Ano 2,0 9,6 2,2 1,00 1,30 Fontes: Census, BCE e Eurostat. (1) Variação em relação ao mesmo período do ano anterior. (2) Dado dessazonalizado. (3) Final de período. * Formação de 01/01/2007, composta por 27 países. CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 21 -- 2011 nov -0,1 9,8 3,4 1,25 1,40 dez 9,9 3,0 1,00 1,30 2012 jan - 1,00 1,31 China Está em curso o processo (bastante lento, é verdade) de transição do investimento como principal driver de crescimento chinês para o mercado interno. A composição da expansão de 9,2% do PIB em 2011 já foi um pouco mais balanceada: enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo contribuiu com 5 pp, o consumo contribuiu com 4,7 pp e as exportações líquidas com -0,5pp; em 2010, o investimento havia contribuído com 5,6 pp, e 5 pp também é um número bem inferior ao registrado nos anos que antecederam a crise de 2008. A maior preocupação com a China continua sendo o superinvestimento, que poderia minar o crescimento dos próximos anos; que há investimentos excessivos, parece ser um quase consenso. Há divergências sobre a localização destes excessos, contudo: há os que crêem que eles se encontram principalmente no setor imobiliário, enquanto outros acreditam que eles estejam na infra-estrutura. O setor imobiliário está mostrando uma ligeira desaceleração, mas os investimentos em infra-estrutura ainda estão sendo realizados a todo vapor. China (1) PIB, variação real (%) (1) Produção industrial, variação real (%) Taxa de desemprego (% da PEA Urbana) Balança comercial (US$ bilhões) CPI (% interanual) (3) Taxa de juros (% aa) (2) Taxa de câmbio (yuan/US$) Ainda assim, os dados de crescimento trimestral confirmam que está em curso um moderamento do crescimento na China, ao mesmo tempo em que entram em ação políticas monetárias e fiscais mais acomodatícias. A inflação cadente, no momento, não é uma restrição à política monetária – embora, num futuro não muito distante, se os preços de commodities voltarem a subir, a inflação pode voltar a ser um tema relevante na China. Apesar disso, o crescimento do volume de empréstimos bancários tem sido limitado pela elevada alavancagem dos últimos anos e, também, pela inadimplência, que começa a preocupar, especialmente das províncias (embora exista a sensação de que o Banco Central Chinês está a postos para auxiliar no que for preciso). Em suma, os dados chineses apontam para uma leve desaceleração, deixando-nos confortáveis com nossa expectativa de um crescimento entre 7,5% e 8,5%. Qualquer surpresa para baixo pode acabar reverberando sobre preço de commodities, com conseqüências para as exportações brasileiras. 2010 Ano 10,4 15,4 4,1 184,53 4,6 5,81 6,61 Fonte: National Bureal Statistics of China. (1) Variação em relação ao mesmo período do ano anterior. (2) Final de período. (3) Benchmark Lending Rate – final de período CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 22 -- Out 9,2 13,2 4,1 14,5 5,5 6,56 6,36 2011 Nov 12,4 17,3 4,2 6,56 6,38 Dez 12,8 14,5 4,1 6,56 6,30 Argentina A Argentina, altamente dependente do setor externo (especialmente exportações de soja e trigo) deve crescer menos em 2012, porém o quadro melhorou levemente para o país, com o ambiente externo pouco mais favorável (e, portanto, quedas menos intensas dos preços de commodities vis-à-vis os vigentes em 2011. De todo modo, segue em frente o mesmo modelo econômico aplicado no último século: fechar a economia, inflar a economia doméstica por meio de Argentina (1) PIB, variação real (%) (1) Produção industrial, variação real (%) Taxa de desemprego (% da PEA Urbana) Balança comercial (US$ milhões) Reservas internacionais (US$ bilhões) IPC (% no ano) (3) Taxa de juros em pesos (% aa) (2) Taxa de câmbio (pesos/US$) políticas monetárias e fiscais expansionistas e, quando não for mais possível, desvalorizar a moeda e recomeçar novamente o ciclo. Já começam a ecoar os pedidos dos empresários que competem com importações; deste modo, o mais provável é que o país retorne à sua taxa de crescimento média de longo prazo, em torno de 3%, em 2012. Enquanto isso, a reputação do INDEC segue em cheque, bem como as dúvidas a cerca das reais cifras de inflação e crescimento. 2010 Ano 9,2 9,7 7,3 11.630 52,190 14,6 9,6 3,91 Fontes: INDEC, MECON e BCRA. (1) Variação em relação ao mesmo período do ano anterior. (2) Final de período. (3) Taxa de juros a prazo fixo, de 30 a 59 dias. CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 23 -- 2011 Out 4,1 1.222 47,52 12,7 11,2 4,22 Nov 4,0 684 46,06 12,7 10,6 4,26 Dez 46,38 12,7 9,8 4,29 COMENTÁRIO SOBRE A ECONOMIA CHINESA BUILDING D EBT Por Michael Pettis, em 23.01.2012 Before starting on the subject of debt I wanted to make a quick reference to something sent to me by Charles Horner, a senior fellow at the Hudson Institute. I am glad to say that the overinvestment thesis is much more widely acknowledged today than it was even two or three years ago, but one myth, I think, is that most of the overinvestment excesses in China are concentrated in the real estate sector. I have always argued that it is infrastructure where the most amount of investment has been wasted. Its impossible to prove one way or the other, but Horner sent me a paper in the Oxford Review of Economic Policy, by Oxford’s Bent Flyvbjerg, with the rather alarming title “Survival of the unfittest: why the worst infrastructure gets built—and what we can do about it”, which suggests why we need to be so worried about infrastructure spending in China – aide from the fact that the numbers are simply huge. In the paper Flyvbjerg looks at infrastructure projects in a number of countries (not in China, though, because he needed decent data) and shows how the benefits of these projects are systematically overstated and the costs systematically understated. More important, he shows how these terrible results are simply the expected outcomes of the way infrastructure projects are typically designed and implemented. It is not a very happy paper in general, but I am pretty sure that many people who read it probably had a thought similar to mine: if infrastructure spending can be so seriously mismanaged in relatively transparent systems with greater political accountability, what might happen in a country with a huge infrastructure boom stretching over decades, much less transparency, and very little political accountability? Isn’t the potential for waste vast? Who knows, but it seems that Beijing is increasingly worried about that possibility. Here is an article from this week’s Caijing: A golden but brief era for urban railway suppliers, builders and related companies across China appears to have ended in recent months. Local governments nationwide have slashed infrastructure spending since last summer, and the urban rail business has slowed to a crawl after several years of rapid growth. …NDRC imposed extremely tight CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 24 -- regulations on the approval process for subway construction before 2008, said Jin Yongxiang, general manager of Beijing’s Dayue Consulting Firm, which advises subway projects. Jin said “the situation took a 180 degree turn” in April 2009, when the State Council reduced the minimum capital requirement for urban rail projects to 25 percent. At that time, a NDRC source told Caixin, credit was loose and bank loans were easy to obtain. “In some cases, the NDRC gave a nod to an urban rail project even if a local government had yet to meet the minimum capital requirement,” the source said. “With NDRC’s approval for subway projects, banks were willing to lend and would not hold city governments to the capital requirement.” In some cities, though, enthusiasm for the urban railway building went too far. For example, rail lines were built where few people live on the outskirts of the Hunan Province city of Changsha, said Wang Chengli, an urban transit professor at the city’s Central South University. Today, exit gates for some of the city’s finished subway stations lead to farm fields. Wang said Changsha authorities installed far fewer kilometers of track in the city’s center than in its suburbs. Each project was approved by the central government, he added. Zhang says China learned important lessons from the fast-track subway program. For example, he now thinks subways should never have been built in “many cities.” “The only cities that should have built subways are super-large ones such as Beijing, Shanghai, Tianjin, Shenzhen, Wuhan, Nanjing and Guangzhou,” Zhang said. “Provincial capitals such as Shenyang and Taiyuan can handle their transit needs with a single, light-rail line.” Subways can be uneconomical in smaller cities. Zhang said final costs for many projects were often much higher than a local government’s estimate. Little by little the claim repeated by so many China bulls – that you can never spend too much on infrastructure – is being eroded. It is possible, it turns out, to waste a lot of money even on infrastructure, and if debt-fueled investment is being wasted in China, as I have been arguing for over half a decade, then without doubt debt must be rising at an unsustainable pace. Last week Bloomberg had this article, which suggests that even the official numbers, which show debt soaring, may be understating the reality: Debt accumulated by companies financing local governments such as Tianjin…is rising, a survey of Chineselanguage bond prospectuses issued this year indicates. It also suggests the total owed by all such entities likely dwarfs the count by China’s national auditor and figures disclosed by banks. Bloomberg News tallied the debt disclosed by all 231 local government financing companies that sold bonds, notes or commercial paper through Dec. 10 this year. The total amounted to 3.96 trillion yuan ($622 billion), mostly in bank loans, more than the current size of the European bailout fund. There are 6,576 of such entities across China, according to a June count by the National Audit Office, which put their total debt at 4.97 trillion yuan. That means the 231 borrowers studied by Bloomberg have alone amassed more than three-quarters of the overall debt. The fact so few of the companies have accumulated that much debt suggests a bigger problem, says Fraser Howie, the Singaporebased managing director of CLSA Asia-Pacific Markets who has written two books on China’s financial system. “You should be more worried than you think,” he said of Bloomberg’s findings. “Certainly more worried than the banks will tell you. Why debt matters CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 25 -- There is more to the article. For example Huang Jifa, in the investment banking division at ICBC, reportedly says that local government loans aren’t a problem because the projects will generate returns, even if not immediately. “The money that Chinese local governments have borrowed is not like the money people borrowed in Europe or Greece,” Huang said in a Nov. 24 interview. “The Chinese government’s borrowed money is all invested. Many projects will have returns.” Maybe, but I am pretty skeptical. The problem of course is that it doesn’t matter that many infrastructure projects in China have returns. I am sure many do (as did many projects in Greece, no doubt). What really matters is whether all the various projects in the aggregate are generating greater returns than the debt servicing cost, adjusting of course for all hidden and explicit subsidies. If not, then debt levels must be rising faster than the economy’s ability to service the debt. Here, by the way, is another interesting related article, from last week’s South China Morning Post. Auditors have uncovered 530 billion yuan (US$84.21 billion) worth of irregularities with local government debt, the National Audit Office said on Wednesday. An audit report, published on China’s central government website, reveals some of the problems investment analysts had believed to lay beneath the 10.7 trillion mountain of debt that local governments had amassed by the end of last year. The report, conducted for the last year budget year, found problems including 46.5 billion yuan worth of “irregular credit guarantees”, 73.2 billion yuan worth of loans secured against irregular collateral, 35.1 billion yuan spent on stocks, houses and polluting plants and 132 billion yuan worth of expenditure not made by its approved deadline. “A fifth problem is the fraudulent and underpayment of registered capital in financing vehicles, which amounted to 244.15 billion yuan,” the report said. The local governments involved have been ordered to correct wrongdoings, but the clean-up work remains less than half done in some areas, the report shows. Xinhua later added an update to the story in which they focused on the amount of the irregularity that had been recouped: Nearly half of the misused funds uncovered in the auditing of China’s local government debts in 2010 has been recouped, authorities said on Wednesday. Of the 530.9 billion yuan (about 84.3 billion U.S. dollars) of misused funds uncovered for the year 2010, around 259.2 billion yuan had been recouped by Oct. 2011, the National Audit Office (NAO) said in a report on the year’s auditing progress. …Violations of the management of local debts involved illegal guarantees for local debts, misdirected funds to capital, property and energy-consuming markets, and the operation of fake investment companies, the report said, adding that the governments have been moving actively to correct the irregularities. This particular story is less important than the frequency with which we hear similar stories. Every credit bubble in history seems to have been accompanied by a surge in accounting “irregularities”. Irving Fisher explained why in the 1930s, and Hyman Minsky also indirectly showed why this might happen. It is, I guess, a necessary accompaniment to out-of-control credit expansion. I get many calls from investors and journalists on these debt-related topics, usually because they worry about the ability of specific borrowers and sectors to service the reported debt, and I always make the same response. The debt will be serviced. One way or the other it will be assumed by the central government through the banking system. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 26 -- But this is not the important issue. The important issue is that it is clearly proving impossible to keep GDP growth levels high without explosive debt growth, and there are serious debt capacity limits to this kind of debt growth. I have no idea where the debt will next show up, or what the next debt panic will be (I suspect this year it will be SOE debt), but I have no doubt that there will be more of these debt panics. This is not an accident. It is intrinsic to the way the development model works. that caused household consumption to drop after the last banking crisis from a very low 46% of GDP in 2000 to an astonishing 34% in 2010. In that light, it was interesting to see this article in Wednesday’s South China Morning Post: The problem, then, is not that there will be defaults. The problem is that the only alternative to default is to service the debt, and this is what will cause the real damage to the economy. If the economic benefits generated by the investment are less than the correctly-valued debt-servicing costs, as they almost certainly are, the difference has to be made up in the form of a transfer of resources from some sector of the economy. The Chinese government is planning new policies to boost domestic consumption, especially of vehicles and appliances, in a bid to offset the effects of sagging export demand, the China Daily reported on Wednesday, quoting a government official. With tax rebates on vehicles and domestic appliances either having expired or due to expire, the government is working on new measures, said Huang Hai, former assistant minister of commerce and a member of the economic and trade policy consulting committee linked to the Ministry of Commerce. As we saw in the last debt crisis, a decade ago, debt-servicing costs are only manageable in China thanks to financial repression – i.e. extremely low lending rates funded by even lower deposit rates — which implies a huge transfer, equal to several percentage points of GDP annually, from household savers to corporate and government borrowers. Households, in other words, typically clean up banking messes. These may include subsidies for families living in affordable housing that buy electrical appliances and for consumers planning to change cars, the paper said. The newspaper also quoted a Ministry of Commerce spokesman as saying that the ministry was considering new programmes to expand consumption, with details to be announced next week. Only consume! The problem with this solution is in what it implies about future growth in demand. If investment is being wasted, it must be reduced or it will create a debt crisis eventually. If the external environment is tough, the demand impact of a sharp drop in investment cannot be made up for by a surge in the trade surplus – in fact the trade surplus may actually contribute negative demand. So where will the demand come from needed to pull the Chinese economy? The only possibility is a surge in domestic consumption. Can consumption possibly surge? No, not if the household sector is going to be forced to clean up the banking mess again. This is the same problem Huang also said over 10 government agencies, including the Ministry of Commerce, the National Development and Reform Commission (NDRC) and the Ministry of Finance, are expected to co-operate and propose concrete plans to boost consumption at a meeting slated for April. “If at first you don’t succeed, try, try again,” WC Fields advised but, he added, “then quit. There’s no point in being a damn fool about it.” I don’t think this new attempt to boost consumption has any chance of succeeding, any more than similar polices did in 2009 and 2010. Sure, consumption of automobiles and white CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 27 -- goods surged back then, just as you would have expected given the subsidies, and they will surge again no doubt, but since those subsidies were ultimately paid for by the household sector, the policies did not translate into an overall surge in consumption because there was no net increase in household wealth. In fact during both of those years consumption continued to decline sharply as a share of GDP. The Financial Times version of this story makes a classic mistake: China has ample room to stimulate consumption. Household spending accounted for half of gross domestic product two decades ago but dwindled to just 33.8 per cent of GDP in 2010, a record low for a major economy in peacetime. China is probably now at a turning point in that consumption is beginning to become a bigger force in the economy, but this will be a “longer-term process”, said Zhu Haibin, an economist with JPMorgan. For years China bulls have been arguing that because the Chinese save so extraordinarily much money, there is plenty of room to stimulate consumption – just get them to save a little less. The problem with this reasoning is that consumption is not low because Chinese households save a lot (they save in line with other Asian countries as a share of their income, and less than some). It is low because household income is such a low share of GDP. It isn’t about household savings The only way to boost household consumption is either to redistribute income from the low-consuming rich to the high consuming poor, or, better yet, to redistribute wealth from the state to households. Both of these have serious political implications that have to be resolved and are unlikely even to be addressed with consumption subsidies. After five years of this argument, during which time consumption has plummeted relative to total savings, you would think they would start to abandon the idea that all we need to do to get consumption to surge is to reduce household savings a little. When we add in the possibility of a continued decline in house prices throughout China, we may start to feel some kind of wealth effect dragging consumption growth down even further as a share of GDP, although I am not sure I am too worried about that. The housing boom seems to have mainly benefitted speculators, and I don’t think that it translated into a significant increase in consumption when housing pieces were on their way up. In that case it shouldn’t matter too much on the way down either, although it is better to wait and see what happens. Nonetheless on Tuesday Xinhua has this to say about housing prices: Sales of both new and existing homes in Beijing plummeted in 2011 as a result of the government’s efforts to cool down the runaway property market. New home sales in Beijing dropped 18.4 percent to 90,605 units in 2011 from a year ago, the Beijing News reported Monday, citing data from the city’s housing regulator. In terms of square footage, sales slumped 22.4 percent to 9.56 million square meters last year, falling below 10 million square meters for the first time in six years, the paper said. Existing property transactions also plunged. Sales in 2011 shrank 38.2 percent to 121,512 units, hitting a three-year low. Monthly sales of existing homes have stayed below 10,000 units since April, the paper said. Increased down-payment requirements and mortgage rates, as well as limits on home purchases, led to the declines, the paper said, citing Zhang Dawei, a chief analyst with Centaline Property. Consumers will likely expect further price drops in 2012, as the government has reiterated that it will maintain the policies, Zhang said. Property prices in Beijing are likely to fall 10 percent to 20 percent over the next six to 12 months, he said. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 28 -- On a related note, on Tuesday, Li Yan, a young musician I know, called me up to ask me for some advice. His parents, who come from and still live in because they were sure that in a few years the same apartment would cost an awful lot more. He wantedto know from me whether it made sense to do so. He had heard prices are coming down rapidly and asked me whether he should tell his parents to wait. Yes, I told him, wait. I mention this story because Li Yan is a 21-yearold kid who has just started to become famous among Chinese youth for his wild antics and wilder music, and I suspect he thinks about and discusses finance and real estate as often as I think about and discuss life on Venus. Yet even he has heard that real estate prices are dropping. Two years ago, of course, no one in China had any doubt that real estate prices can only go up. CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 29 -- COMENTÁRIO SOBRE A ECONOMIA ARGENTINA DESHOJANDO “LA MARGARITA” DE LO QUE PUEDE PASAR EM 2012 Por Espert Consultores Associados, em 07.02.2012 En primer lugar, el elemento clave para explicar nuestro extraordinario crecimiento de la última década, el sector externo, ha cambiado para mal de manera sensible de cara a 2012 (salvo las políticas monetarias de muchos bancos centrales, que están volviendo a bajar las tasas de interés). Por un lado, la economía mundial seguirá en su sendero de desaceleración del crecimiento, ya iniciado en 2011. Presentará una eurozona en leve recesión (en el mejor de los casos), prendiendo una vela a cada santo todos los días para que ninguno de los Piigs (Portugal, Italia, Irlanda, Grecia y España) desbarranque por fracaso de la reestructuración de la deuda griega, comportamiento de manada del resto de la periferia europea frente a la negociación helena o caída de algún banco grande en Europa. Del otro lado del planeta, los BRIC (Brasil, Rusia, India y China) crecerán entre uno y dos puntos menos que el año pasado. Estados Unidos sería de las pocas excepciones, porque es probable que crezca a una tasa similar a la de 2011, levemente por encima del 2 por ciento. Como consecuencia de lo anterior, más la fortaleza del dólar o debilidad del euro (que aúnestá demasiado alto, dado sus fundamentals ), nuestras commodities de exportación, que tenían pronósticos de llegar a caer hasta más de 20% respecto de 2011, ahora, merced a la sequía que azota a la Argentina (que a su vez generará US$ 4000 millones menos de exportaciones agropecuarias), pueden llegar a estar entre 10% y 15% debajo de los promedios del año pasado (salvo el petróleo). Así que, con la única excepción de las políticas monetarias de los bancos centrales, tanto el crecimiento del mundo, el dólar firme contra el euro, nuestras commodities sin caída libre pero débiles y la sequía, configuran un cuarteto de cosas que tienden a hacer que la Argentina crezca menos en 2012 que el año pasado. A nivel doméstico, no quedan dudas de que para el agro será un mal año (como mucho, su demanda no caerá significativamente si es que usa ahorros acumulados en la bonanza). La industria ya está creciendo menos de un tercio que hace un año, por la desaceleración de Brasil y el deterioro de las expectativas inversoras por la discrecionalidad del Gobierno. Para las personas de ingresos fijos dentro de convenios colectivos de trabajo, el cierre de la economía y la presión de los Moyano por salarios al 25% compensará parte de los impuestazos CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 30 -- provinciales y municipales y los tarifazos que les regaló el dúo dinámico de Cristina Kirchner y Mauricio Macri, por lo que a lo mejor su capacidad de gasto no cae sustancialmente. Finalmente, para los que están fuera de convenio y los cuentapropistas, en el año del Dragón (horóscopo chino) los espera el famoso “ajustáte el cinturón”, porque reciben todo lo malo de los tarifazos y poco y nada de los ajustes moyanistas. Es decir que, desaparecido el opio o la polvareda que levantaba la supersoja que subió por obra de la política monetaria norteamericana alrededor de 10% por año durante 10 años, quedó al desnudo el mismo modelo decadente de los últimos 100 años en el país, que consiste en cerrar la economía, inflar la demanda interna con políticas monetarias, fiscales y salariales expansivas y, cuando éstas no dan más (por deflación, estanflación o pérdida de reservas), devaluar para volver a empezar. Basta fijarse en los reclamos de los sectores que compiten con importaciones, hoy al frente de la UIA (al mando, a su vez, del mejor lobbysta argentino, José Ignacio de Mendiguren), que vuelven a pedir a gritos (sin pedirlo) una devaluación del peso, que ya la lograron a través de un cierre de la economía a las importaciones como no se veía en muchas décadas. Y como los precios internacionales de nuestras commodities son un “ruido blanco”, lo más probable es que en 2012, el “modelo productivo” nos devuelva nuestra pobre tasa de crecimiento de largo plazo de 3% (un país de ingresos medios tiene que crecer más que la economía mundial) o 4% como máximo. Nota al pie: con el Indec destruido, que ya dibuja también los datos de actividad, ¿Quién puede discutir cualquier número de crecimiento?¿Quién dice cuál es la verdadera cifra a la que crecerá la Argentina este año? Pero cuidado. El escenario más probable para 2012 es sólo de desaceleración del crecimiento, pero no el único posible. Por un lado, el mundo puede dar sorpresas cuando se están jugando partidos muy complicados y por aquí hay que seguir los pasos de un gobierno que no tendrá viento de cola. Habrá que ver cómo lidia con un Moyano que se lo quiere comer crudo, porque lo quieren meter preso a él, y con el goteo de los depósitos en dólares que ya retornó a los bancos. Hay que ver qué hace Moreno con el control de las exportaciones agropecuarias ahora que la sequía le birló varios miles de millones de dólares (claro, no están dispuestos a hacer nada razonable como muchos países vecinos para evitar que los argentinos se lleven al exterior US$ 25.000 millones por año); los cheques rechazados ya están en niveles elevados. ¿Cómo se financiará un déficit fiscal de 2,5% del PBI? Por eso, hay que mirar con cuatro ojos las medidas que tome el Gobierno. No sea que... Por ejemplo, parecería que se viene fuerte el embate por la reforma constitucional ya sea para instaurar la figura de la reelección indefinida o la de los gobiernos parlamanetarios ¿Va en serio el intento del gobierno de comprar YPF? (los dólares no alcanzan para pagar al Club de París y comprar la petrolera). Hasta ahora la sintonía fina ha consistido en nombrar de otra manera la famosa frase de la “radicilizacion del populismo” que la hizo famosa el ex Vice Ministro de Economía Roberto Feletti y llevar a cabo un “apriete” sobre la clase empresaria realmente impactante ¿Cómo responderá la inversión entonces? Otra: el nuevo régimen de DJNI puede afectar negativamente la actividad industrial que ya estaba creciendo, antes de la medida, a una tasa del 4%, una tercera parte de la tasa que tenia un año atrás. Además al cerrar la economía puede acelerar la tasa de inflación y por lo tanto disparar nuevas rondas de ajustes salariales… El presidente de la Reserva Federal (Fed) de los Estados Unidos, Ben Bernanke, instó al Congreso a controlar el “insostenible” déficit fiscal del país pero de una forma en que no afecte el crecimiento de la economía. “Para alcanzar estabilidad económica y financiera, la política fiscal de los EE.UU. debe ubicarse en una senda sostenible que asegure que la deuda en relación con el ingreso nacional sea al menos estable o, preferentemente, que decline con el tiempo”, aseguró CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 31 -- el funcionario ante el Comité de Presupuesto de la Cámara de Representantes. Bernanke señaló además que la economía estadounidense “mejoró”, aunque su recuperación es “frustrantemente lenta”. Es por eso que llamó a los legisladores “a encarar el urgente problema de la sostenibilidad fiscal, de una manera que no frene innecesariamente la actual recuperación”. “No hacer daño es un importante consejo que les ofrecería”, afirmó el titular de la Fed. Bernanke dejó en evidencia así su preocupación por el posible impacto en la economía estadounidense que podrían tener los planes de recorte del gasto público y consolidación fiscal, y puso como ejemplo el caso de Europa, en donde las duras medidas de ajuste contribuyeron a provocar la entrada en recesión de la eurozona. Según los cálculos de la Oficina de Presupuestos del Congreso, el déficit presupuestario de EE.UU. alcanzará en 2012 los 1,1 billones de dólares, lo que representa un 7 % del PIB. De esta forma, será el cuarto año consecutivo en el que este dato culminará por encima del billón de dólares. Vemos que Bernanke hace énfasis en que a mediano y largo plazo es insostenible que una economía crezca con un déficit fiscal tan elevado, por lo tanto, hay que ir corrigiéndolo, pero siempre a medida de que EE.UU. vaya saliendo de la recesión. Lo que dice Bernanke básicamente es: “No voy a hacer lo que está haciendo Europa, de ajustar salvajemente, hasta que no mejoren más los niveles de desempleo en el país”. Según él todavía no es el momento de ajustar de forma fuerte porque sino a EE.UU. le va a pasar lo mismo que a Europa, que llegó a un récord histórico de desempleo del 10 por ciento. Peligro. En su discurso, Bernanke advirtió además sobre los riesgos procedentes de Europa, donde la desaceleración de la economía y las presiones financieras sobre algunos países podrían afectar a la recuperación estadounidense en marcha. “Estamos en contacto frecuente con las autoridades europeas, continuaremos vigilando la situación de cerca y tomaremos todas las medidas disponibles para proteger el sistema financiero y la economía de EE.UU.”, explicó. Bernanke elogió las últimas y “positivas” medidas del Banco Central Europeo (BCE) de flexibilización de la política monetaria y el acuerdo de integración fiscal de los países de la eurozona. La “Gran Recesión” mundial 2008/09 recién fue superada en 2010, año en el cual el PBI mundial volvió a crecer a una tasa del 5.1%. Sin embargo, en 2011, la exacerbación de la crisis de la Euroárea impidió la consolidación de la recuperación iniciada el año anterior; estimándose para dicho período una tasa de crecimiento global del orden del 4%. Ahora bien: ¿cuál es el escenario actual y las perspectivas para 2012? En términos conceptuales, parece claro que a la fecha -al menos en materia económica- el mundo presenta una situación bipolar. Por un lado, la Unión Monetaria (UM) envuelta en una severa crisis de deudas soberanas, déficits fiscales y gobernabilidad. Por el otro, el resto de las economías avanzadas (EA) las cuales, luego de sufrir un claro proceso de desaceleración en 2011, enfrentan el corriente año con evidentes síntomas de recuperación. El futuro de este mundo bipolar dependerá, lógicamente, de la evolución de sus contrapartes. En lo que respecta a la UM, es claro que su actual y errónea política de exigir severos ajustes fiscales, no permitir estrategias de estímulo para el crecimiento y el empleo, presentar increíbles demoras en la toma de decisiones., restringir la flexibilidad del Banco Central Europeo (BCE) y no admitir eurobonos para refinanciar deudas a largo plazo, ha conducido a una ya inevitable recesión para el año en curso. En el mejor de los escenarios, esto es asumiendo cambios de políticas y enmienda de errores, la recesión sería leve (- 0.5%) y la recuperación podría comenzar a partir del cuarto trimestre del año en curso. Caso contrario, es decir asumiendo un escenario menos optimista, la caída de los niveles de actividad sería CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 32 -- mayor al 1% y la recesión más prolongada en el tiempo: como mínimo, hasta finales del 2013. Por su parte, el resto de las EA procurarán ir saliendo de la desaceleración que sufrieran en 2011, de manera de comenzar su recuperación sostenida a lo largo de 2012. Para ello, sin duda, continuarán con las actuales políticas de estímulos –tanto monetarias como fiscales, que la mayoría de ellas han iniciado a lo largo del segundo semestre del año anterior. Lógicamente, su suerte no será independiente del escenario de la UM ya que este conjunto de 17 naciones con 330 millones de habitantes constituyen, por tamaño de PBI, la segunda economía del mundo. Sin embargo, ninguno de los dos escenarios planteados anteriormente para la UM, impedirán que las EA logren salir de su desaceleración. Claro está que, de darse la alternativa menos optimista, la consolidación de la recuperación recién se daría hacia fines de 2012 o, incluso, a principios de 2013. En síntesis. A la fecha, la economía global presenta un claro escenario bipolar: la UM en recesión y las EA en recuperación e intentando retomar su sendero de crecimiento. El tiempo que éstas últimas demoren en alcanzarlo dependerá de la intensidad de la caída del PBI de la UM pero, finalmente, lo lograrán. En consecuencia -al menos por ahora- debe descartarse la posibilidad de caer, tal como aconteció en 2008/2009,en una nueva recesión mundial. En efecto, el “consenso” estima que -en el escenario base- el PBI global podría crecer 3.5% en 2012 y 4.2% en 2013 De nuevo, la “Gran Recesión” mundial 2008/09 agudizó dramáticamente los ya por entonces graves problemas a nivel mundial de desempleo y pobreza. Sólo como referencia, basta mencionar que a la fecha – de acuerdo al reciente informe anual de la OIT- la desocupación global aumentó en 30 millones, llevando el total a 225 millones (7.0 % de la población activa); por su parte, los niveles de pobreza (ingresos diarios menores a dos dólares diarios) alcanzaron a casi 1000 millones de personas. La recuperación de la economía mundial en 2010 permitió atenuar esta tendencia negativa pero, lamentablemente, la crisis de la Euroárea y la desaceleración mundial volvieron a complicar el panorama en 2011. Por razones de espacio, en esta nota sólo se analizará el tema del desempleo y, únicamente, el referido a la Unión Monetaria (UM) y a EE UU. A este respecto, los últimos datos publicados a diciembre 2011, son bien demostrativos de la gravedad de la situación. La UM alcanzó una tasa de desempleo del 10.3% (16,4 millones), mientras que en EE UU el registro fue del 8,5% (13.1 millones). Vale decir, entonces, que las dos mayores economías del mundo conviven actualmente con la friolera de casi 40 millones de desocupados. Cabe aclarar, sin embargo, que -si bien ambos mercados laborales son problemáticos- los escenarios son claramente diferentes. Tomando como inicio de la recesión global el mes de enero 2008, se advierte que a esa fecha el ratio de desempleo en la UM era del 7.2%, mientras que en el país del norte era del 5,1 %. A partir de allí, los comportamientos han sido claramente disímiles. En efecto, en la UM el total de desocupados ha mostrado una sostenida tendencia creciente; llegando, en diciembre último, al mencionado ratio de 10.3%. Por el contrario, en EE UU, el desempleo tuvo una primera y fuerte etapa creciente; la cual finalizó con un máximo del 10.2%, alcanzado en octubre 2009. A partir de allí, la situación se revirtió generándose una continua creación neta de empleo; la cual disminuyó el ratio hasta el actual 8.5%. Vale decir entonces que, desde el inicio de la recesión, la UM no dejó de destruir empleo (5 millones), mientras que en EE UU hubo también una primera etapa de estas características; habiéndose generado durante la misma nada menos que 9 millones de desocupados adicionales. Desde esa fecha, y hasta la actualidad, la economía del país del norte ha recuperado casi 3 millones de puestos de trabajo. ¿Cómo se explica esta clara diferencia de comportamiento de los mercados laborales analizados: uno sin recuperación a la vista y el otro con una evidente tendencia positiva? Sin duda, la respuesta debe encontrarse en las distintas políticas CARTA MENSAL - FEVREIRO 2012 -- 33 -- macroeconómicas seguidas por las economías bajo análisis. La UM siguió al pie de la letra el fundamentalismo alemán: “primero ajustar las cuentas públicas, luego crecer”. De esta manera, en medio de un franco y general deterioro de sus economías, las autoridades comunitarias exigieron a sus países miembros -especialmente a los más comprometidos - salvajes ajustes fiscales que, como lo indica la teoría y la experiencia, por ahora lo único que han logrado es más recesión y, consecuentemente , mayor desempleo. A este respecto, para 2012 se estima una caída de su PBI del orden del 1.0 % y un agravamiento de su desempleo a un ratio no menor al 11.0%. Por el contrario, EE UU, siguió el camino inverso: “primero crecer, luego ajustar.” En consecuencia, en vez de implementar ajustes, puso en prácticas políticas de estímulo -tanto monetarias como fiscales- las cuales le han permitido no sólo evitar una doble recesión (“double dip”) sino también entrar en el 2012 con claros síntomas de recuperación. En efecto, para el corriente año, el “consenso” pronostica una expansión del orden del 2.5% y una disminución de su ratio de desempleo al 8.0%. En síntesis. La recesión global ha impactado de lleno en el mercado laboral de las dos primeras economías del mundo. Sin embargo, EE UU ya ha comenzado su recuperación mientras que la UM se encamina a una nueva recesión y a mayores niveles de desocupación. ¿No será hora entonces que las autoridades europeas flexibilicen los ajustes y comiencen, de una vez por todas, a implementar políticas de estímulo? A este respecto, la OIT en su último informe ha sido muy explícita. “En estos momentos, lo más necesario es concentrarse en la economía real para apoyar el crecimiento del empleo. CARTA MENSAL - FEVEREIRO 2012 -- 34 --