UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS BRUNO HENRIQUE RISTOW PROPOSTA DE UMA SISTEMÁTICA PARA NEGOCIAÇÃO NA ÁREA DE COMPRAS BASEADA NA ANÁLISE DA GESTÃO DO PROCESSO DE CUSTOS JOINVILLE – SC – BRASIL 2011 2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS BRUNO HENRIQUE RISTOW PROPOSTA DE UMA SISTEMÁTICA PARA NEGOCIAÇÃO NA ÁREA DE COMPRAS BASEADA NA ANÁLISE DA GESTÃO DO PROCESSO DE CUSTOS Trabalho de Graduação apresentado à Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro de Produção e Sistemas. Orientador: Dr. Lírio Nesi Filho JOINVILLE – SC – BRASIL 2011 3 BRUNO HENRIQUE RISTOW PROPOSTA DE UMA SISTEMÁTICA PARA NEGOCIAÇÃO NA ÁREA DE COMPRAS BASEADA NA ANÁLISE DA GESTÃO DO PROCESSO DE CUSTOS Trabalho de Graduação aprovado como requisito parcial para a obtenção do título de Engenheiro do curso de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade do Estado de Santa Catarina. Banca Examinadora: Orientador: ______________________________________ Dr. Lírio Nesi Filho Membro: ______________________________________ Dr. José Oliveira da Silva Membro: ______________________________________ Msc. Valdésio Benevenutti Joinville, 11/11/2011 4 "Obrigado a todas as pessoas que contribuíram para meu sucesso e para meu crescimento como pessoa. Sou o resultado da confiança e da força de cada um de vocês." Augusto Branco 5 AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus pelas oportunidades que tive até hoje e pelos desafios que superei com sua ajuda. Ao meu avô Ristow (in memoriam) que foi como um pai para mim e muito aprendi com ele nestes anos. Sua sabedoria e o jeito como levava a vida muito me motivaram a chegar até aqui e continuar buscando meus objetivos. A minha mãe Lylian por tudo que fez e ainda faz por mim, sem ela com certeza não alcançaria meus sonhos e objetivos. A minha amada e futura esposa Camila por me acompanhar nestes últimos três anos e ter compreendido que minhas ausências eram necessárias para concluir minha graduação. Ao meu irmão Felipe pelo companheirismo de vários anos. Ao meu pai Roland que mesmo ausente em muitos momentos sempre acreditou no meu potencial e sabia que este dia chegaria. À todos da minha família que participaram de alguma forma para minha formação, Cinthia, Ique, Jô entre outros. Aos meus avôs e avós, Dona Nuty, Dona Ivone e Seu Mário, por tudo que fizeram por mim até hoje. Ao professor Lírio pela orientação e dedicação deste trabalho. À UDESC e todos os professores por proporcionar meu desenvolvimento profissional. Aos meus amigos da faculdade Pablo, Ricardo, Felipe, Genivaldo, Dani e Débora, por todos os momentos que passamos juntos. 6 BRUNO HENRIQUE RISTOW PROPOSTA DE UMA SISTEMÁTICA PARA NEGOCIAÇÃO NA ÁREA DE COMPRAS BASEADA NA ANÁLISE DA GESTÃO DO PROCESSO DE CUSTOS RESUMO O sucesso da empresa depende cada vez mais da relação entre fornecedor e cliente, pois a participação do custo da matéria-prima do produto tem grande relação com o preço final de venda e para isso esse relacionamento precisa ser na condição de parceria com o resultado positivo no final do processo. O objetivo deste trabalho é propor uma sistemática de negociação para análise de preço de matéria-prima baseado no custo de fabricação do componente e adicionado a este custo um markup de acordo com as taxas de mercado. A metodologia utilizada para este estudo de caso é baseada em um pesquisa exploratória que foi fundamentada através de uma pesquisa bibliográfica. O estudo de caso, desenvolvido em uma empresa multinacional fabricante de compressores herméticos e soluções de refrigeração direcionado para o negócio de soluções de refrigeração comercial, apresenta uma análise da situação atual, através de avaliação da curva ABC de compras com foco para busca de redução de custos e em seguida a apresentação e proposta para solução do problema com a aplicação da sistemática de negociação. Para análise de uma proposta comercial que resultará no fornecimento de um determinado componente, muitas vezes a avaliação é elaborada com base em benchmarking do mercado ou com o custo alvo que aquele produto poderá ter para que seja vendido a um custo competitivo. Porém com a competitividade do dia-a-dia, uma grande ferramenta de negociação para realmente termos um fornecimento competitivo de um componente é o “should cost analisys”, que avalia realmente quanto àquele componente deveria custar para estar competitivo no mercado e ainda assim gerando margem de contribuição positiva para empresa e para o fornecedor. Foi elaborada uma proposta de análise para os principais itens da curva ABC de compras do fornecedor selecionado no estudo de caso de modo a obter redução de custos na compra destes itens através da aplicação da ferramenta. Como resultado, tem-se uma sistemática para negociações comerciais envolvendo cliente e fornecedor, cuja análise proporciona redução de custos e relacionamento em longo prazo para ambas as empresas. PALAVRAS-CHAVE: Compras, Custo de fabricação, Negociação. 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1– Componentes do processo de negociação ................................................................ 19 Figura 2 – Processo de negociação .......................................................................................... 19 Figura 3 - Modelo de Should Cost Analysis ............................................................................. 22 Figura 4 - Total de compras por categoria ............................................................................... 32 Figura 5 - Curva ABC de compras ........................................................................................... 34 Figura 6 - Divisão do montante gasto por componente ........................................................... 35 Figura 7 - Custos enviados pelo fornecedor ............................................................................. 36 Figura 8 - Método de preço e aplicação do SCA ..................................................................... 38 Figura 9 - O processo “Should Cost Analysis”......................................................................... 39 Figura 10 - Custos totais através do “Should Cost Analysis” .................................................. 47 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Definição do termo negociação ............................................................................... 16 Tabela 2 - Peso (kg) de cada componente analisado ................................................................ 43 Tabela 3 - Custo do aço por peça ............................................................................................. 43 Tabela 4 - Custo da tinta por peça ............................................................................................ 44 Tabela 5 - Custo total de Matéria-Prima .................................................................................. 44 Tabela 6 - Custos do fornecedor x custos SCA ........................................................................ 46 Tabela 7 - Ganho com a negociação ........................................................................................ 49 9 LISTA DE ABREVIATURAS DGF Despesas Gerais de Fabricação SAP System Application and Products SCA Should Cost Analysis UDESC Universidade do Estado de Santa Catarina 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ..................................................................................... 15 2.1 NEGOCIAÇÃO E SUAS ESTRATÉGIAS ....................................................................... 15 2.2 O PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO .................................................................................. 18 2.3 O PLANEJAMENTO DA NEGOCIAÇÃO ...................................................................... 20 2.4 ANÁLISE DE CUSTOS .................................................................................................... 21 2.4.1 Custo................................................................................................................................ 23 2.4.1.1 Custo de fabricação ...................................................................................................... 23 2.4.1.2 O custo padrão .............................................................................................................. 24 2.4.1.3 A fixação do custo padrão ............................................................................................ 25 2.4.2 Despesa............................................................................................................................ 25 2.4.3 Perda ................................................................................................................................ 26 2.5 FIXAÇÃO DO PREÇO DE VENDA ................................................................................ 26 2.5.1 Formação de preços com base em custos ........................................................................ 27 2.5.2 Markup ............................................................................................................................ 27 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ..................................................................... 29 3.1 ETAPAS DA PESQUISA .................................................................................................. 29 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS .................................................. 31 4.1 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA .................................................................................. 31 4.2 DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL........................................................................... 31 4.2.1 Necessidade de redução de custos ................................................................................... 33 4.2.2 Determinação do fornecedor e dos itens para análise de redução de custos ................... 33 4.2.3 Cenário atual de custos .................................................................................................... 35 4.2.4 O processo de negociação ............................................................................................... 37 4.3 PROPOSTA DA SITUAÇÃO FUTURA .......................................................................... 37 4.3.1 A ferramenta de negociação ............................................................................................ 37 4.3.2 O processo “Should Cost Analysis” ................................................................................ 38 4.3.2.1 Compilar os dados ........................................................................................................ 39 4.3.2.2 Cálculo dos insumos de produção ................................................................................ 40 4.3.2.3 Cálculo dos custos de produção ................................................................................... 40 11 4.3.2.4 Margens ........................................................................................................................ 41 4.3.2.5 Identificação de oportunidades..................................................................................... 41 4.3.3 Levantamento de dados ................................................................................................... 42 4.3.3.1 Matéria-Prima............................................................................................................... 42 4.3.3.2 O processo de fabricação.............................................................................................. 45 4.3.3.3 Custos adicionais .......................................................................................................... 45 4.3.3.4 Custos totais através do “Should Cost Analysis” ......................................................... 46 4.3.4 Estratégia de negociação ................................................................................................. 48 4.3.4.1 Resultados financeiros com a negociação .................................................................... 49 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 52 LISTA DE APÊNDICES ....................................................................................................... 55 12 1 INTRODUÇÃO Com a forte pressão das indústrias em reduzir o preço de compra da matéria-prima utilizada para fabricação de seus produtos e serviços e a grande concorrência em todos os segmentos de mercado, a participação da área de compras com as negociações comerciais se torna cada dia mais necessária para as organizações. Além de encontrar o melhor preço no mercado, as organizações precisam adotar estratégias de negociação que tragam benefícios tanto para a empresa quanto para seus fornecedores. Neste sentido a função do comprador é de suma importância no contexto das organizações. Segundo Baily et al (2000), a função de compras exerce papel importante no julgamento do preço correto de qualquer aquisição, e esta tarefa torna-se mais dramática no mercado de commodities. Como os preços são afetados pelos custos, uma função importante dos compradores é trabalhar com fornecedores para erradicar os custos desnecessários que podem estar relacionados desde o excesso de especificação até o modal de transporte dos componentes. A competitividade das organizações no mercado não está apenas voltada para os baixos custos internos e com isto a possibilidade de melhores margens para a área de vendas e marketing, o diferencial competitivo começa desde a negociação de preço com os fornecedores para aquisição de matéria-prima, visto que para a empresa também é um diferencial competitivo na formação do preço de venda para seus clientes, pois a matériaprima tem um alto valor agregado no preço de um produto ou serviço. Segundo Dias e Costa (2003), cabe ao departamento de compras buscar, obrigatoriamente, o menor custo possível para a aquisição do produto ou a contratação do serviço desejado. Na condição de comprador, devem-se investir todos os esforços visando, sempre, à procura do menor custo possível. De acordo com o contexto, a empresa analisada no estudo de caso está direcionada para a compra de matéria-prima em termos globais de fornecimento, ou seja, em qualquer lugar onde os requisitos sejam cumpridos com um preço de aquisição competitivo e com o objetivo de parceria entre empresa e fornecedor. Assim, com forte atuação da área de compras em todos os mercados os preços de aquisição estão no limite de cada especificação atual e as reduções não acontecem conforme o planejado pela empresa. O estudo de caso é oriundo deste problema: como tornar o negócio cada vez maior e mais competitivo no âmbito global quando muitas vezes as negociações com os fornecedores de matéria-prima já foram esgotadas e não existem mais margens para negociação de redução de custos? 13 A hipótese proposta está fundamentada em gerenciar o relacionamento com os fornecedores através de uma negociação “ganha-ganha” e assim transformar o relacionamento de compra e venda em uma parceria de longo prazo. Além disto, desenvolver uma sistemática para quantificar os custos para produzir ou entregar um produto ou serviço, colocar em evidência margens elevadas do fornecedor, levantar dados para a negociação através de planilhas e gráficos, quantificar o valor acrescentado e quantificar as diferenças de custo entre os fornecedores. O objetivo geral deste trabalho é propor uma sistemática de negociação para análise de preço de matéria-prima baseado no custo de fabricação do componente e adicionado a este custo um markup de acordo com as taxas de mercado específicas para este mesmo componente. A partir do objetivo geral, desenvolveram-se os objetivos específicos, relacionados conforme segue: 1. Identificar o fornecedor a ser analisado na curva ABC de compras; 2. Identificar os itens a serem analisados do fornecedor identificado no ponto anterior; 3. Identificar a ferramenta para definição da estratégia de negociação; 4. Aplicar os conceitos da ferramenta de negociação para levantamentos dos dados e oportunidades de ganho; 5. Aplicar a estratégia para obtenção da melhor negociação. Muitas empresas têm dificuldades em gerar dados confiáveis para negociação, principalmente em informações relacionadas à área de custos. Conforme Padoveze (2006), a maior parte das informações necessárias ao custeamento dos produtos já existem, pois são informações necessárias ao desempenho das diversas atividades existentes na empresa. Desta forma o estudo científico é de extrema importância para levantamento das informações pertinentes a negociação, como os custos envolvidos do processo e as premissas que serão utilizadas para obter uma relação “ganha-ganha” através de resultados positivos para ambas as partes. O trabalho será desenvolvido em uma empresa fabricante de compressores herméticos e soluções de refrigeração com foco para o negócio de soluções de refrigeração comercial limitando-se na proposta de metodologia para implantação da ferramenta de análise de custo e formação do preço de matéria-prima. O foco do trabalho envolve a equipe que está denominada dentro da estrutura como Procurement Cooling Solutions e atende todos os desenvolvimentos e negociações voltadas 14 aos produtos do mercado de refrigeração comercial onde a empresa possui uma filial na cidade de Itaiópolis para fabricação e comercialização dos mesmos. Este trabalho terá a seguinte estrutura: O primeiro capítulo apresenta a fundamentação teórica conforme literatura existente, na qual aborda os conceitos de negociação, o planejamento das negociações, as estratégias das negociações, os custos de fabricação, o custo padrão, as terminologias dos custos industriais, fixação e formação do preço de venda e práticas do markup. O segundo capítulo apresenta a metodologia apresentada para a viabilização deste estudo identificando as etapas necessárias para aplicação nesta pesquisa. O terceiro capítulo aborda o estudo de caso com a metodologia desenvolvida para negociação de preço de matéria-prima baseado no custo de fabricação do componente e adicionado a este custo um markup de acordo com as taxas de mercado específicas para este mesmo componente. No quarto e último capítulo são apresentados às considerações finais deste estudo. 15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo são apresentados os conceitos teóricos relacionados ao desenvolvimento da pesquisa, que tem por objetivo propor uma metodologia de negociação baseada em uma ferramenta para quantificar os custos para produzir ou entregar um produto ou serviço. Para isso, este capítulo aborda a importância da negociação entre as empresas, o processo de negociação entre elas, as informações técnicas e comerciais para a negociação e as ferramentas utilizadas para identificar as causas e atuar na solução, que serão o suporte teórico ao desenvolvimento do trabalho. 2.1 NEGOCIAÇÃO E SUAS ESTRATÉGIAS Para iniciar um processo de negociação e agir conforme os objetivos da empresa é preciso entender exatamente qual o produto ou serviço que está sendo avaliado e qual a importância deste em termos financeiros e estratégicos no âmbito da empresa, ou seja, o quanto esta negociação será benéfica para ambas as partes. Neste contexto, para que as empresas adotem as melhores estratégias é preciso ter bem definido o conceito de negociação. Segundo Baily et al (2000), o termo negociação implica em alguma maturidade de desejos, solucionada por troca. De acordo com Monte Alto, Alves e Pinheiro (2009) negociação é o processo dinâmico por meio do qual duas partes buscam um acordo mutuamente satisfatório, em que cada parte procura obter um grau ótimo de satisfação. Para Martinelli e Almeida (1998), negociação é o processo onde as partes envolvidas precisam definir alguns aspectos-chave. Primeiro, precisam conseguir separar as pessoas envolvidas dos problemas. Em seguida, devem se concentrar nos interesses básicos, examinando os interesses de ambas as partes da negociação. A busca por alternativas de ganhos mútuos é outro aspecto a ser considerado, bem como a busca por critérios objetivos para a solução do problema. Conforme Heinritz e Farrell (1983), negociação é o processo de solucionar ao mesmo tempo programa de compra e venda, com o objetivo de se alcançar um acordo mutuamente satisfatório. Ele ainda cita que a negociação é a arte de se chegar a um entendimento comum por meio da barganha sobre os pontos essenciais de um encontro, tais como a entrega, especificações e preços. 16 Segundo Martinelli e Ghisi (2006), existem diversas definições para o termo negociação. Neste sentido observa-se na Tabela 1 as diferentes definições para o termo negociação com base na visão de diferentes autores selecionados e listados em ordem cronológica. Tabela 1 - Definição do termo negociação Autores/ano Definição Cohen (1980) Negociação é o uso da informação e do poder com o fim de influenciar o comportamento dentro de uma “rede de tensão”. Nierenberg (1981) Negociação é um processo que pode afetar profundamente qualquer tipo de relacionamento humano e produzir benefícios duradouros para todos os participantes. Fisher e Ury (1985) Negociação é um processo de comunicação bilateral, com o objetivo de se chegar a uma decisão conjunta. Sparks (1992) Negociação implica caracteristicamente uma troca de dar e receber entre o negociador e o oponente, que tentam chegar a uma conclusão agradável ou aceitável no ajuste de um problema ou disputa. Acuff (1993) Negociação é o processo de comunicação com o propósito de atingir um acordo sustentável sobre diferentes idéias e necessidades. Kozicki (1998) Negociação é a arte de se alcançar um acordo, resolvendo as diferenças por meio do uso da criatividade. Envolve dois lados tentando chegar a um acordo, uma solução que, idealmente, deixará ambas as partes felizes – a clássica solução “ganha-ganha”. Steele, Murphy e Negociação é um processo no qual as partes se direcionam de suas Russill (1995) posições divergentes para um ponto em que se possa alcançar um acordo. Hodgson (1996) Negociação é uma atividade que envolve um elemento de negócio ou barganha, que permite que ambas as partes alcancem um resultado satisfatório. Scare e Martinelli Negociação é um conceito em contínua formação, que está amplamente (2001) relacionado à satisfação de ambos os lados. Fonte: Martinelli e Ghisi, 2006. 17 Na negociação a empresa deve estabelecer uma estratégia que será adotada no decorrer do processo de interação entre as partes ao alcance dos objetivos. Conforme Monte Alto, Alves e Pinheiro (2009), estratégia é a arte de estabelecer e explorar condições favoráveis para alcançar objetivos específicos, ou seja, é um plano de ação abrangente e amplo para negociar com eficácia, do início até o final do processo. Segundo Baily et al (2000), a estratégia da negociação está voltada para a forma que os compradores negociam com os seus fornecedores, ou seja, como eles considerarão a abordagem de negociação em termos de: • Futuras negociações: a estratégia manipuladora ou tática em curto prazo pode prejudicar um acordo de parceria em longo prazo; • Desenvolvendo um fornecedor: podem adotar um enfoque mais agressivo de negociação durante o desenvolvimento de um fornecedor; • Reduzindo a base de fornecedores: o fornecedor preferido pode receber tratamento totalmente diferenciado em relação aos outros. Conforme Martinelli e Almeida (1998), a estratégia da negociação está diretamente relacionada com a importância do relacionamento e a relevância do resultado. Então surgem cinco tipos básicos de estratégias possíveis no processo: • Estratégia de evitar: tende a levar a negociação para um “perde-perde”; • Estratégia de acomodação: abre-se mão dos resultados, em favor da preservação do relacionamento e tende a ser uma estratégia “perde-ganha”; • Estratégia competitiva: trata-se do caso em que o negociador busca ganhar a qualquer custo, normalmente uma negociação “ganha-perde”; • Estratégia colaborativa: priorizam-se tanto o relacionamento quanto os resultados, encaminhando a negociação para o “ganha-ganha”; • Estratégia do compromisso: trata-se de um enfoque combinado, quando as partes não conseguem atingir boa colaboração, mas ainda pretendem atingir alguns resultados e/ou preservar o relacionamento. Os negociadores devem levar em conta dois pontos fundamentais para escolher a estratégia que deve ser usada: quão importante é o resultado a ser obtido com a negociação e quão importante é o relacionamento passado, presente e futuro com o oponente. A estratégia da negociação está relacionada com alguns elementos-chave e depende muito da cultura de cada país, são eles: a comunicação, o relacionamento entre as partes e o interesse no negócio. 18 Conforme Farrell e Heinritz (1983), a estratégia da negociação está voltada para estabelecerem-se as forças do comprador e de seu fornecedor. A força do comprador será afetada pela intensidade de concorrência que houver na área, pelo real valor da análise de preços que se tenha feito, pelo volume de negócios de que ele dispuser para oferecer ao fornecedor e quanto tempo há disponível para se chegar a um acordo. A força do fornecedor será afetada pelo interesse que possa ter o negócio, qual o grau de segurança de que obterá a venda e quanto tempo há disponível para se chegar a um acordo. 2.2 O PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO Toda negociação deve ter começo, meio e fim, ou seja, o processo de negociação é um sistema que se inicia com os dados de entrada de ambas as partes e finaliza-se com o resultado definido em conjunto ao longo do processo. Conforme Martinelli e Ghisi (2006), o processo de negociação é um sistema de transformação de entradas (estímulos) em saídas (respostas). Para tal explicação, primeiramente contextualiza-se a palavra “sistema” como uma equação matemática que descreve alguns relacionamentos entre as suas variáveis. A negociação ideal, em uma análise sistêmica, pode ser definida como um processo que envolve duas ou mais partes, baseada na comunicação bilateral, iniciada a partir de interesses comuns, por meio de relações duradouras que irão satisfazer as necessidades de todos os envolvidos. As entradas de um processo de negociação podem ser classificadas como: as diferenças individuais, os valores pessoais, os interesses comuns, o relacionamento humano, a participação no processo, o uso da informação e do poder, a comunicação bilateral e a barganha e flexibilidade. Já no caso das saídas de um processo de negociação, elas podem ser classificadas como: conquista de pessoas, concessões, persuasão, satisfação das necessidades, decisão conjunta, acordo, soluções de conflito, benefícios do conflito, benefícios duradouros ou ainda visão estratégica. Observa-se na Figura 1 os componentes do processo de negociação conforme Martinelli e Ghisi (2006). Conforme Monte Alto, Alves e Pinheiro (2009), o processo de negociação pode ser realizado mediante formas distintas de relacionamento entre as partes: face a face, em equipe, com mediador, por telefone e por meio eletrônico. 19 Figura 1– Componentes do processo de negociação Fonte: Martinelli e Ghisi, 2006. Segundo Baily et al (2000), o processo de negociação passa por três fases amplas que são: • Preparatória: analisam-se as informações, definem-se os objetivos e desenvolvem-se as estratégias; • Reunião: através de introduções, esclarecimentos e definições de um acordo; • Final: onde é feita a implementação do acordo. Observa-se na Figura 2 as duas visões do processo de negociação conforme Baily et al (2000). Figura 2 – Processo de negociação Fonte: Baily et al (2000). 20 2.3 O PLANEJAMENTO DA NEGOCIAÇÃO Segundo Martinelli e Ghisi (2006), o planejamento da negociação consiste em buscar as informações do processo na forma de roteiro ou plano de ação e assim preparar o desenvolvimento da negociação, objetivando prever os eventuais problemas e obstáculos que poderão surgir no decorrer do processo. A etapa inicial para o processo de planejamento da negociação é o mapeamento da situação, cuja função é munir os negociadores de dados e informações para que eles sejam capazes de visualizar o cenário em que irão atuar, bem como ter segurança no momento decisivo das discussões com a outra parte. A segunda etapa deste processo é o estabelecimento de parâmetros para a negociação, ou seja, definir claramente quais as metas ou os objetivos a serem atingidos com a negociação, os limites máximos e mínimos para o acordo e ainda possíveis alternativas viáveis. A terceira etapa consiste na montagem do cenário para a negociação, no qual o objetivo é tratar dos procedimentos formais da negociação como agenda, local e os participantes. A quarta e última etapa é em relação a preparação final para negociação, no qual deve ser feita uma análise acurada dos dados e informações disponíveis, destinada à verificação da sua adequação, qualidade e profundidade. As informações e os argumentos desenvolvidos devem ser testados em uma simulação do próprio processo de negociação. O objetivo desta simulação é identificar e corrigir os pontos fracos e as falhas nas argumentações e demais aspectos que possam prejudicar a atuação do negociador. Conforme Martinelli e Almeida (1998), o primeiro ponto básico a ser definido em uma negociação é identificar claramente qual é o problema a ser resolvido, ou seja, identificar o objetivo da negociação e aquilo que se pretende efetivamente solucionar. Uma boa negociação deve conter os seguintes passos durante seu planejamento e execução: separar as pessoas dos problemas e concentrar-se nos interesses, buscar alternativas de ganhos mútuos e encontrar critérios objetivos. O planejamento da negociação deve ser executado objetivando um resultado que satisfaça ambas as partes envolvidas no negócio, através de informações concretas e confiáveis, pois a análise destas em conjunto precisa estar baseada em dados que representam a realidade do negócio. Conforme Farrell e Heinritz (1983), o planejamento da negociação começa com a coleta de dados essenciais incluindo informações não apenas de caráter econômico, mas também das áreas de engenharia, contabilidade, jurídico e financeiro, que sejam pertinentes ao 21 assunto em particular a ser discutido. Essas informações devem ser identificadas e classificadas segundo a sua importância. Dentro da etapa do planejamento da negociação de um produto ou serviço, um fator relevante para levantamento de dados é o conhecimento dos custos da empresa e do fornecedor, por exemplo, do produto que será negociado entre as áreas de compras e vendas das empresas em questão. 2.4 ANÁLISE DE CUSTOS Para melhor entendimento dos conceitos dos vários tipos de custos que são atribuídos aos produtos e que formam o preço para negociação, é extremamente importante que dentro do planejamento e até mesmo na estratégia da negociação os custos sejam analisados através de métodos que suportem e justifiquem o preço final de um produto. Para isto, utiliza-se a ferramenta de negociação conceituada como “análise de quanto o componente deveria custar”, conhecido nas indústrias através do termo “should cost analysis”. Segundo Burt (2004), o should cost analysis é uma tentativa de suprir o necessário alcance detalhado do custo. É um procedimento utilizado para determinar quanto um produto deve custar assumindo um processo eficiente e um cenário econômico estável. Com a aplicação do should cost é possível realizar uma análise detalhada do custo além de desafiar o fornecedor para eliminar as ineficiências que atingem o preço final. Além do benefício em curto prazo com uma melhor precificação, há o benefício em longo prazo com futuras negociações. Conforme Sourcinginnovation (2006), should cost é o processo para determinar quanto um produto deve custar com base na composição dos custos de matérias-primas, custos de fabricação, despesas gerais de produção e margens de lucro. Sabendo mais ou menos quanto um produto deve custar através da estimativa de precificação é uma vantagem para os compradores frente aos fornecedores, principalmente para as compras estratégicas. Quando um comprador sabe quanto deve custar um produto, sabe o quanto deve pagar por este produto. Assim, este conhecimento é fundamental para identificar produtos com margens elevadas e fornecedores sem capacidade para serem competitivos. O conhecimento do custo é essencial para as áreas de: projetos, compras e negociações. Enquanto a empresa não sabe o quanto deveria pagar por um produto não é aconselhável que procure uma segunda fonte de abastecimento para aquele produto. Se a diferença entre o custo de um produto calculado e o 22 real for aproximadamente 20%, este produto representa uma oportunidade de ganho considerável e deve ser parte de uma iniciativa estratégica de negociação. Se a diferença for inferior a 10% o preço do produto está adequado e não se deve gastar tempo com uma negociação. De acordo com Infotech-enterprises (2010), o should cost analysis é um processo capacitado para construir modelos estimados dos custos de um componente com base em custo de matéria-prima, custos de fabricação, custos indiretos de produção e aplicação de um markup. Estes modelos de estimativas de custos fornecem dados para o desenvolvimento de produtos desde a concepção do projeto com estimativas de custos para os componentes que estão sendo analisados. Na figura 3 observa-se um modelo de should cost analysis para estimativa de custo de uma peça fundida. Figura 3 - Modelo de Should Cost Analysis Fonte: Infotech-enterprises, 2011. Conforme Scmprocurement (2011), o método do should cost pode ser utilizado para a abertura de discussão com o fornecedor sobre o preço do produto. Conhecer o custo do produto que está em negociação é importante para não tornar o negócio uma “bola preta” sem conhecimento da composição que forma o preço daquele produto. Os percentuais de cada parte do preço assim como o lucro devem estar baseados na média das indústrias, se estes percentuais não estão de acordo com o cálculo estimado e a relação com o fornecedor for boa, o melhor negócio é discutir ponto a ponto para identificar as diferenças. O ponto principal é a utilização da ferramenta should cost para cooperar com o fornecedor, ou seja, o objetivo é que esta aliança resulte em uma negociação “ganha-ganha”. Quando existem vários fornecedores habilitados para o fornecimento de um mesmo componente, o should cost pode ser utilizado 23 com um método agressivo de negociação e o preço de compra pode ser imposto pelo comprador da empresa para seu fornecedor através da análise previamente realizada. 2.4.1 Custo Dentro da ferramenta de negociação should cost analysis um tópico abrangente e determinante para aplicação desta ferramenta é o conhecimento do conceito de custo e suas classificações. Conforme Martins (2010), custo é o gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Conforme Bruni (2010) os custos correspondem aos gastos utilizados na produção de bens ou serviços. Portanto, estão associados aos produtos ou serviços produzidos pela entidade. Como exemplos de custos podem ser citados os gastos com matérias-primas, embalagens, mão-de-obra fabril, aluguéis, seguros de instalações fabris, entre outros. 2.4.1.1 Custo de fabricação Segundo Bornia (2002), custo de fabricação é o valor dos insumos utilizados na fabricação dos produtos da empresa, são exemplos destes insumos: materiais, trabalho humano, energia elétrica, máquinas e equipamentos. Os custos de fabricação estão relacionados com a manufatura dos produtos, sendo normalmente divididos em matériaprima, mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação. Os custos de matéria-prima (MP) relacionam-se com os principais materiais integrantes do produto que podem ser separados em unidades físicas específicas. Os custos de mão-de-obra direta (MOD) são aqueles diretamente relacionados com os trabalhadores em atividades de fabricação do produto, ou seja, representam o salário dos operários envolvidos com a produção. Os custos indiretos de fabricação (CIF) são todos os demais custos de produção como materiais de consumo, mãode-obra indireta, depreciação, energia elétrica, telefone, água entre outros. Conforme Megliorini (2005), o custo de fabricação consiste em alocar aos produtos todos os custos ocorridos durante a etapa de produção. Os custos de materiais são aqueles que integram fisicamente, chamados de matérias-primas, e que representam à parte “visível” do custo. O custo de mão-de-obra é aquele relacionado com a transformação da matéria-prima em produto onde há necessidade de mão-de-obra. Neste caso considera-se somente a mão-de- 24 obra que age sobre a matéria-prima de modo a modificá-la, dando origem ao produto, e por isso é chamada de mão-de-obra direta. Os demais custos são classificados como custo indireto de fabricação tais como: energia elétrica, manutenção, depreciação, telefone e impostos. Nestes casos o consumo ocorre sem que possa quantificá-lo por produto. 2.4.1.2 O custo padrão Conforme Bornia (2002) a lógica do custo padrão está relacionada ao custeio ideal por determinar um padrão eficiente de desempenho, com o qual será comparado o desempenho real do processo produtivo, chegando-se a uma variação que representaria a ineficiência (desperdício) relacionada ao item de custo analisado. Segundo Hernandez Perez Jr, Oliveira e Costa (2003), custo padrão é o custo normal de um produto, considerando um cenário de bom desempenho operacional e ainda levando em conta eventuais deficiências existentes nos materiais e insumos de produção e mão-de-obra. De qualquer forma é um custo possível de ser alcançado. A importância do custo padrão é que este será determinado a partir de medidas técnicas e definidas com base nos processos. O sistema de custo padrão é importante para eliminação e/ou mitigação das falhas nos processos produtivos e assim contribui para o aprimoramento da apuração do custo real de um componente ou serviço. De acordo com Martins (2010) o conceito de custo padrão chama-se custo padrão corrente e este diz respeito ao valor que a empresa fixa como meta para o próximo período para um determinado produto ou serviço, porém com a diferença de levar em conta as deficiências sabidas em termos de qualidade de materiais, mão-de-obra, equipamentos, fornecimento de energia, entre outros. É um valor que a empresa considera difícil de ser alcançado, porém não impossível. Conforme Dutra (2003), o custo padrão é a determinação antecipada dos componentes do produto e do serviço, em quantidade e valor, apoiada na utilização de dados de várias fontes, com validade para determinado espaço de tempo. Conforme Beulke e Berto (2005), o custo padrão constitui-se historicamente um instrumento de grande valia no esforço constante que as empresas empreendem para se manter viáveis e bem dimensionadas do ponto de vista econômico. Os custos estimados tentam antecipar os custos reais. Servem como orientação para administração e são, com freqüência, utilizados para se estabelecer os preços de venda dos produtos. 25 2.4.1.3 A fixação do custo padrão Segundo Bornia (2002) a sistemática do custo padrão pode ser aplicada a todos os custos da empresa ou somente aos custos de matéria-prima, de mão-de-obra direta ou ainda insumos relevantes ao sistema. Conforme Martins (2010) a fixação do custo padrão de cada bem ou serviço produzido depende de um trabalho conjunto entre a engenharia de produção e a contabilidade de custos e esta fixação não precisa ser imposta totalmente à empresa, pode ser apenas para certos produtos, departamentos ou custos como matéria-prima e mão-de-obra direta. É de extrema importância que as áreas envolvidas com o processo de custos atuem de forma conjunta objetivando a melhor e mais precisa informação sobre estes custos na organização. De acordo com Perez Jr, Oliveira e Costa (2003), o custo padrão é determinado a partir das medidas técnicas de produção e que são definidas com base nos processos. Inicialmente, quantifica-se o consumo e a utilização das matérias-primas, da mão-de-obra, dos custos indiretos de fabricação e demais insumos necessários para fabricação de um produto. Em seguida, associa-se o custo monetário a esses padrões de consumo de materiais e mão-deobra, e como resultado, o custo padrão será a multiplicação dos padrões de consumo pelo respectivo padrão monetário. Tanto os padrões de consumo quanto os monetários devem ser revisados sempre que ocorrerem mudanças nas especificações técnicas dos produtos, qualidade dos materiais, nível da mão-de-obra, alterações tecnológicas dos equipamentos, custos monetários, entre outros. 2.4.2 Despesa Conforme Bornia (2002) despesa é o valor dos insumos consumidos com o funcionamento da empresa e não são relacionados com a fabricação, ou seja, são atividades fora do âmbito da fabricação. Conforme Santos et al (2006), despesas são saídas ou outros gastos de ativos ou obrigações incorridas, ou ainda a combinação de ambas, originadas da entrega dos produtos produzidos, da prestação de serviços ou da execução de outras atividades que resultam das atividades principais ou das operações centrais da empresa. 26 Segundo Megliorini (2005), despesa é a parcela do gasto não ligado à produção, como mão-de-obra dos departamentos de administração e de vendas, comissões de vendedores, aluguéis de escritórios, depreciação de móveis e utensílios, manutenção e depreciação dos prédios administrativos, entre outros. Conforme Bruni (2010), as despesas correspondem aos bens ou serviços consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas. São consumos temporais e não estão associados à produção de um produto ou serviço. Neste caso podem ser citados gastos com salários de vendedores e gastos com funcionários administrativos. 2.4.3 Perda Conforme Martins (2010), perda são os bens ou serviços consumidos de forma anormal e involuntária. As perdas são oriundas de fatores não planejados e devem ser tratadas como exceção, deve-se iniciar um plano de ação para eliminação das mesmas, pois os clientes não estão dispostos a pagarem por elas. A perda gera um gasto adicional e não agrega valor ao produto ou serviço. Segundo Bruni e Famá (2002), as perdas consistem em gastos não intencionais decorrentes de fatores externos extraordinários e devem ser lançados diretamente contra o resultado do período. Podem ainda haver perdas oriundas do processo produtivo normal e assim devem ser classificadas como custo de produção do período. 2.5 FIXAÇÃO DO PREÇO DE VENDA O preço de venda é o valor a ser negociado, pois ele efetivamente é o valor que fica registrado no sistema e é debitado nas notas fiscais. A negociação acontece em torno do preço de venda do produto ou serviço. Conforme Martins (2010), para administrar o preço de venda de um produto, um dos fatores preponderantes é conhecer o custo do produto. É muito importante que o sistema de custos produza informações úteis e consistentes com a filosofia da empresa, particularmente com a política de preços. 27 Segundo Cogan (1999), os preços historicamente foram formados adicionando-se o lucro aos custos, porém em um mundo onde a competição é cada vez maior, o preço é determinado pelo mercado. 2.5.1 Formação de preços com base em custos Conforme Martins (2010), o ponto de partida para calcular o preço é o custo ou serviço apurado e sobre este custo agrega-se uma margem, denominada markup, que deve ser estimada para cobrir os gastos não incluídos no custo, os tributos e comissões incidentes sobre o preço e o lucro desejado pelos administradores. Segundo Cogan (1999), a formação do preço baseia-se na aplicação de todos os custos do produto acrescido da margem de lucro. O preço deve ser formado com base nos custos internos, porém é de extrema importância que se faça uma análise do mercado para verificação do preço em relação aos concorrentes. A liderança de mercado depende, entre outros fatores, de um preço competitivo com margens seguras conforme segmento de mercado que a empresa está inserida. Conforme England (1970), o preço justo é o preço mais baixo que o fornecedor pode praticar garantindo o fornecimento contínuo e de qualidade e ainda com um lucro razoável. Segundo Bruni e Famá (2002), os preços são estabelecidos com base nos custos totais de produção, acrescidos das despesas de vendas, de administração e da margem de lucro desejada. 2.5.2 Markup Conforme Cogan (1999), markup é o índice aplicado sobre o custo de um bem ou serviço para a formação do preço de venda. Este índice é tal que cobre os impostos e taxas aplicadas sobre as vendas, as despesas administrativas fixas, as despesas de vendas fixas, os custos indiretos fixos de fabricação e o lucro. Segundo Bruni e Famá (2002), o markup deve ser aplicado sobre os gastos de determinado bem ou serviço para permitir a obtenção do preço de venda. Genericamente, o markup pode ser empregado de diferentes formas: sobre o custo variável, sobre os gastos variáveis e sobre os gastos integrais. 28 De acordo com Bernardi (2010), markup é um método básico no qual, com base na estrutura de custos e despesas e do lucro desejado, aplica-se um fator, marcador ou multiplicador, formando-se o preço. Assim, o preço cobrirá todos os custos, despesas, impostos e terá como residual o lucro desejado. Conforme fluxo-de-caixa, a representação do markup pode ser através da fórmula: Markup = 100/ (100-(%+ ... +)), a simbologia (% + ... +) significa que será composta pelo somatório de impostos sobre venda, despesas financeiras, comissões sobre vendas, despesas administrativas, despesas com vendas, outras despesas e a margem de lucro desejada. Todos estes itens serão comparados ao faturamento e convertidos em percentuais. Todos os componentes do markup são determinados através de relações percentuais médias sobre preços de vendas e, a seguir, aplicados sobre o custo dos produtos. O preço de venda será dado através da expressão: Preço de Venda = Custo Unitário X Markup. 29 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A iniciativa da implantação da ferramenta para análise do custo ideal da matéria-prima comprada surgiu da necessidade de ter argumentos e subsídios para uma boa negociação. Para isto foi estruturada uma ferramenta que consiste em calcular detalhadamente o custo da peça de acordo com uma estrutura de cálculo padrão utilizada pela empresa. 3.1 ETAPAS DA PESQUISA Para a realização da presente pesquisa, de caráter exploratório que segundo Gil (2010), têm como propósito tornar os problemas explícitos e elaborar soluções para ele, foram levantados os dados da curva ABC de compras de todos os fornecedores de Procurement Cooling Solutions justamente para analisar quais eram as empresas que tinham as maiores contas financeiras e assim uma possibilidade de ganho maior através da redução de custo com a negociação comercial. Após definido o fornecedor alvo para a aplicação da ferramenta de negociação, é definido dentro da lista de materiais quais os itens com os maiores faturamentos para centralizar o estudo de caso em cima destes e consequentemente maiores possibilidades de redução de custos. Definidos o fornecedor e os itens para serem analisados é feita a identificação da ferramenta de negociação e os conceitos desta ferramenta para levantamento dos dados e oportunidades de ganho. Explorando o conceito da ferramenta de negociação utilizada, primeiramente foi feita uma compilação dos dados através de uma análise minuciosa da peça e suas especificações de engenharia. O desenho técnico com as especificações e uma peça padrão foi disponibilizado para análise e entendimento. Como premissas ainda nesta parte foram utilizadas questões como o volume de compras e o local de fabricação. Na seqüência realiza-se o cálculo dos insumos e custos de produção avaliando valores de matéria-prima, processo de fabricação, hora-máquina, mão-de-obra, tempo de produção e tecnologia implantada. A margem também é um fator determinante a ser analisado, pois para que se estabeleça uma relação comercial saudável com o fornecedor é fundamental que ambas as partes consigam obter ganhos justos. Nesta análise avaliam-se basicamente custos de 30 desenvolvimento de projeto específico, subsídios de produção e logística (ferramentas, embalagens, entre outros) e lucro aplicado. A negociação então se inicia em torno da construção do preço detalhado e suas hipóteses. Quando da explicação aceitável do fornecedor ajusta-se os resultados de forma coerente identificando e analisando potenciais diferenças entre o preço praticado e o preço estruturado a fim de gerar idéias de melhoria. Este tipo de negociação, além de definir valores lucrativos para a corporação, fortalece a relação de parceria com o fornecedor. 31 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA O trabalho foi desenvolvido em uma empresa multinacional fabricante de compressores herméticos e soluções de refrigeração com foco para o negócio de soluções de refrigeração comercial. Desde o ano de 2009 à empresa separou a área de Gestão de Materiais que era responsável pelos processos de desenvolvimento de fornecedor, negociação com fornecedor, abastecimento de materiais, monitoramento do fornecedor e auditoria de fornecedor, para atuar com maior ênfase em cada um dos processos que foram desmembrados. As funções de desenvolvimento de novos fornecedores e negociações técnicas e comerciais ficaram embaixo da estrutura de Procurement, atual área responsável por estes processos e foco do estudo de caso deste trabalho. Dentro da grande área de Procurement na planta Brasil existem pequenos times divididos em funções de desenvolvimento e negociação. O foco do trabalho envolve a equipe que está denominada dentro da estrutura como Procurement Cooling Solutions e atende todos os desenvolvimentos e negociações voltadas aos produtos do mercado de refrigeração comercial onde a empresa possui uma filial na cidade de Itaiópolis para fabricação e comercialização dos mesmos. Esta equipe é composta por quatro integrantes que trabalham na matriz da empresa em Joinville e atualmente têm na carteira de desenvolvimento aproximadamente 2.500 itens ativos e 120 fornecedores desenvolvidos. As informações relativas a custos serão alteradas proporcionalmente com o objetivo de preservar as informações da empresa e de seus fornecedores. Isto porque as informações são confidenciais e só as pessoas da área de Procurement da empresa é que tem acesso aos números reais. 4.2 DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL A empresa está passando por um período no qual o número de concorrentes está aumentando cada vez mais e com preços mais baixos. Em 2011, por exemplo, países com baixo custo de produção já são uma realidade no mercado de compressores e soluções para refrigeração e com preços que obrigam o mercado a estarem atentos a todas as oportunidades 32 para que o custo interno seja baixo e assim a área de vendas consiga colocar no mercado os produtos com a mesma qualidade que tornaram a empresa líder no segmento desde 1999 e com um preço de venda competitivo. Atualmente os produtos da linha de refrigeração doméstica e comercial são considerados commodities, pois grande parte das matérias-primas que são utilizadas para fabricação tem seus preços regidos pelo mercado e com pouca margem para negociação. A empresa separa a lista de matérias-primas em dois grandes grupos: commodities e peças de engenharia. Observa-se na Figura 4 como estão divididos os grupos de commodities e peças de engenharia somente para o negócio de Cooling Solutions. Figura 4 - Total de compras por categoria Fonte: Primária, 2011. No caso de commodities a negociação é global e envolve todas as plantas da empresa ao redor do mundo, justamente pelo fato em que estes materiais têm seus preços regidos pelo mercado e um dos poucos fatores que aumentam o poder de negociação é o volume de compra para todas as unidades fabris. 33 No caso das peças de engenharia, as negociações são regionais e dentro de cada equipe de atuação. Apesar de muitas peças de engenharia serem fabricadas a partir de materiais commodities, existem inúmeras idéias para redução de custos em termos de geometria das peças, quantidade de material utilizado para fabricação, tipo de processo produtivo e embalagem do produto. Dentro da categoria de materiais diversos existem componentes considerados commodities e também componentes como peças de engenharia, o motivo para estarem separados dos grandes grupos de peças de engenharia e commodities é justamente por representarem um número muito alto de fornecedores e itens com valores financeiros muito baixos. 4.2.1 Necessidade de redução de custos Dentro da área comercial de compras um tema muito conhecido é a redução de custos na compra de matéria-prima. Atualmente um dos grandes focos das empresas é a redução de custos para tornar o negócio cada vez maior e mais competitivo no âmbito local e global. Muitas vezes as negociações com os fornecedores de matéria-prima já foram esgotadas e não existem mais margens para redução. O simples fato de o negociador solicitar desconto no preço de um determinado componente não tem tido o mesmo resultado que anos atrás quando um pedido do cliente era “obrigação” e deveria ser atendido plenamente pelo fornecedor. Em uma relação “ganha-ganha” o fornecedor em conjunto com o cliente pode eliminar desperdícios e avaliar se todos os custos que envolvem o preço final do componente estão de acordo com as práticas do mercado. 4.2.2 Determinação do fornecedor e dos itens para análise de redução de custos Para determinação de qual fornecedor seria possível iniciar-se o processo de negociação foi listada a curva ABC de compras de matéria-prima destacando somente o segmento de Cooling Solutions. Dentro da metodologia de compras na empresa, são considerados dentro da curva “A” os fornecedores com os maiores faturamentos e que somados participam com aproximadamente 70% do total de compras. A curva “B” é responsável pelos fornecedores que participam com aproximadamente 20% do total de compras. Para finalizar, a curva “C” é 34 responsável pelos fornecedores que participam com aproximadamente 10% do total de compras. Observa-se na Figura 5 que o principal foco deveria ser no fornecedor “fornecedor de motor”, pois representa aproximadamente 22% do total de compras da unidade, porém a estratégia definida pelo time para este fornecedor é aplicar um mix de fornecimento entre dois fornecedores e assim negociar melhores preços e práticas comerciais com este novo fornecedor. Como o montante gasto é alto acredita-se que um novo fornecedor trará maiores reduções de custo que simplesmente uma negociação com o atual. O próximo fornecedor na escala de representatividade é o fornecedor “Fornecedor de trocadores de calor” e representa 7,19% do montante de compras. Como está classificado como peça de engenharia onde as negociações são conduzidas pela própria equipe, o foco do estudo de caso e a aplicação da ferramenta de negociação serão aplicados a este fornecedor. Figura 5 - Curva ABC de compras Fonte: Primária, 2011. Conforme curva ABC e prioridade dentro do processo de negociação definiram-se quais os códigos fornecidos pelo fornecedor “Fornecedor de trocadores de calor” seriam avaliados para aplicação do SCA. Os itens a serem estudados foram analisados através do gráfico de pareto, por se tratar de uma ferramenta que busca adequação dos preços conforme 35 cálculo de custo e assim possíveis reduções no preço de fatura, os itens selecionados para as análises são aqueles com os maiores faturamentos. A coleta de dados foi realizada no supervisório da empresa e compilada no Excel conforme se observa na Figura 6. Figura 6 - Divisão do montante gasto por componente Fonte: Primária, 2011. 4.2.3 Cenário atual de custos Após a definição dos códigos com os maiores percentuais dentro da curva ABC do fornecedor, é mostrado através de planilhas o cenário atual com os custos de fabricação envolvidos sem os impostos. Os custos são informados pelo fornecedor em planilha padrão que é utilizada para demonstração da composição do custo de fabricação da peça para os clientes. A informação contida no descritivo de custo de cada um dos itens analisados é o ponto máximo de abertura de custos que este fornecedor pratica em suas planilhas. Observam-se na Figura 7 os custos de cada um dos itens analisados. Após a formação do custo total para uma unidade do item a ser desenvolvido é colocado o markup (não revelado nas planilhas de custo) e os impostos tradicionais para formação do preço de venda, porém para cálculo estimado do custo de cada componente não se adiciona os impostos. 36 Figura 7 - Custos enviados pelo fornecedor Fonte: Primária, 2011. 37 4.2.4 O processo de negociação O processo de negociação inicia-se pela necessidade de reduzir os custos ou melhorar algum fator importante na relação entre cliente e fornecedor. Foi identificado dentro de curva ABC de compras que no fornecedor “Fornecedor de trocadores de calor” é um dos potenciais fornecedores da curva “A” na classificação de peças de engenharia e desde o desenvolvimento do mesmo nunca foi negociado o preço de compra, ou seja, o preço só aumentou conforme a inflação anual e corrigido conforme o índice de aumento de mão-de-obra também anualmente. Em um primeiro contato para verificar a possibilidade de redução dos preços de venda o fornecedor alegou que o aço, principal matéria-prima na fabricação do componente e responsável por aproximadamente 50% do preço final do componente, teve vários aumentos e estes não foram repassados no preço de cada componente fornecido. Devido a estes aumentos de aço o preço dos componentes deveria estar aumentando em aproximadamente 30% no preço final. Um aumento na ordem de 30% nos preços representaria 2,2% de aumento no total de compras da unidade de Procurement Cooling Solutions. 4.3 PROPOSTA DA SITUAÇÃO FUTURA O trabalho proposto na empresa analisada foi realizado com base em três etapas: 1. Identificar a ferramenta para definição da estratégia de negociação; 2. Aplicar os conceitos da ferramenta de negociação para levantamentos dos dados e oportunidades de ganho; 3. Aplicar a estratégia para obtenção da melhor negociação. 4.3.1 A ferramenta de negociação Para iniciar um processo de negociação baseado em fatos e argumentos que darão maior poder de decisão para o comprador, utilizou-se a ferramenta de negociação adequada para o componente em questão, a “Should Cost Analysis”. Esta ferramenta tem por conceito básico fazer o cálculo detalhado do custo da peça, ou seja, é uma ferramenta utilizada para quantificar os custos para produzir ou entregar um produto ou serviço. É uma ferramenta muita dinâmica porque muda com os movimentos do mercado, ou seja, qualquer alteração nos custos de matéria-prima, revisão das especificações, alteração do local de fabricação e outros, 38 o SCA deve ser alterado e revisado para nova base a fim de manter a estrutura de cálculo atualizada. Observa-se na Figura igura 8 que o SCA pode ser utilizado para: • Custo a mais: colocar em evidências as margens elevadas no caso do custo do fornecedor edor ser superior ao calculado. • Valor conduzido: trazer fatos para a negociação através de cálculos previamente previ executados e analisados. • Impulsionado pelo mercado: quando o negociador recebe a cotação de outra fonte e identifica que o preço está mais baixo que o praticado atualmente pelo fornecedor aprovado, utiliza-se se a análise de custo para quantificar as diferenças de custos entre as duas fontes e assim eliminar possíveis custos adicionais do atual ou iniciar o processo de desenvolvimento da nova fonte. Figura 8 - Método de preço e aplicação do SCA Fonte: Primária, 2011. 4.3.2 O processo “Should Cost Analysis” Para iniciar a negociação mostra-se na Figura 9 as etapas propostas do SCA e quais as informações devem ser levantadas para que em conjunto com o fornecedor tenham um resultado positivo na negociação. A idéia da implantação da ferramenta no processo de negociação é justamente para levantar oportunidades e fazer com quê o fornecedor analise realmente os custos de fabricação dos componentes que ele fornece. Muitas vezes nem o próprio fornecedor conhece seu custo a fim de defender uma boa negociação e manter os preços de acordo com o praticado atualmente. 39 Figura 9 - O processo “Should Cost Analysis” Fonte: Primária, 2011. 4.3.2.1 Compilar os dados Conforme primeira etapa do processo do SCA, a compilação dos dados é feita internamente com a busca dos desenhos no software utilizado pela empresa, o SAP. Com o desenho em mãos e verificação de todas as especificações corretas, são solicitadas as amostras para o fornecedor para verificação e conformidade com o desenho. Mesmo os itens já sendo fornecidos regularmente, para este processo é necessário uma inspeção das peças do processo produtivo atual e com data de fabricação recente. Para construção do SCA é extremamente necessário que as peças analisadas sejam fabricadas no processo produtivo padrão, pois assim a idéia de custo será conforme o padrão de fabricação do componente. Algumas premissas devem ser consideradas na compilação dos dados, pois será muito importante no cálculo do custo da peça, primeiramente o volume de produção, pois se o volume mensal de compras for alto, o fornecedor consegue reduzir a margem unitária e assim justifica a venda no montante vendido. Outro fator importante no alto volume de compras é a produção em escala, garantindo assim menos setups de máquinas, melhor ajuste dos 40 ferramentais de precisão dimensional, estoque de matéria-prima regulado e com giro de estoque rápido e ainda lotes econômicos para embalagem e embarque. O local de fabricação do componente é outro ponto importante na compilação dos dados, se a empresa possuir filiais em diversas regiões, o valor pago pela mão-de-obra direta que influencia diretamente no custo do componente, pode variar e assim elevar o custo de fabricação. Para aplicação do SCA é necessário saber exatamente o local de fabricação do componente, visto que as informações de salários e encargos desta região possam ser analisados e assim compilados na planilha de cálculo. 4.3.2.2 Cálculo dos insumos de produção Para esta etapa devem-se analisar todos os insumos de produção utilizados para fabricação do componente em análise. São necessárias várias visitas na fábrica do fornecedor para verificação de todas as etapas do processo produtivo e assim analisar a lista de engenharia completa do componente, pois os custos de cada insumo devem ser levados em consideração para cálculo do custo e consequentemente do preço da peça. Para verificação total do componente são necessárias também peças vindas do fornecedor, pois assim além dos insumos de produção utilizados para fabricação, todas as matérias-primas serão analisadas e assim verifica-se o custo de cada uma individualmente. 4.3.2.3 Cálculo dos custos de produção Os custos de produção são altamente importantes e direcionares do preço final do componente. Para um cálculo preciso de SCA deve-se conhecer o processo de fabricação do fornecedor, pois os meios produtivos têm grande impacto no custo da peça e assim na formulação do preço do componente. Cada processo produtivo tem suas particularidades de acordo com a tecnologia que ali é empregada e com a produtividade que consegue atingir em meio normais de produção. O custo hora-máquina deve ser analisado juntamente dentro do custo de produção, pois os insumos utilizados naquela máquina como energia, por exemplo, somados a utilização de mão-de-obra direta vão impactar no preço final do componente. A mão-de-obra direta que faz parte do custo de fabricação deve ser analisada e relatada conforme quantidade de pessoas que atuam em cada processo ou em cada 41 equipamento e contabilizadas conforme salários e encargos da região onde a fábrica está situada. O tempo de produção para fabricação de cada peça também deve ser levado em consideração no cálculo, pois quanto maior o número de peças por hora em determinado processo ou máquina, menor tende a ser o custo unitário da peça naquele processo ou máquina. 4.3.2.4 Margens As margens devem ser analisadas de acordo com as práticas do mercado, de qualquer forma a empresa pode praticar a margem que lhe for conveniente visto que ela sabe qual o percentual mínimo que deve ganhar em cada item vendido para manter o negócio rentável e bem sucedido. O lucro é estabelecido pelo fornecedor de forma que torne o negócio atrativo, porém muitas vezes o mercado em que este fornecedor está inserido tem margens de lucro pequenas e assim qualquer aumento na margem de lucro poderá ocasionar em perda de mercado e redução de clientes. Atualmente, principalmente no caso de materiais commodities e peças de engenharia que são fabricadas através de commodities, o lucro é ditado pelo mercado e as empresas devem ajustar seus custos para que no final a margem não ultrapasse o praticado pelo mercado. A empresa pode optar em não reduzir seus custos mantendo a margem que lhe é conveniente, para isto se compromete com entregas no prazo e conforme pedido, qualidade conforme requisito do cliente e ainda opções de estoques de segurança dentro da fábrica para atendimento de pedidos sazonais e/ou antecipações de produção. De qualquer forma não é aceitável margens de lucro acima do praticado pelo mercado no segmento de atuação do fornecedor. Todos os subsídios devem ser levados em consideração no cálculo do markup de determinado serviço ou componente. As embalagens que são utilizadas e as ferramentas aplicadas no processo de produção deste serviço ou componentes, gastos com administração de vendas, prêmios para os vendedores e ainda a margem de lucro que o fornecedor aplica. Todos estes dados devem estar relacionados no cálculo do SCA para acertividade do preço final do componente ou serviço. 42 4.3.2.5 Identificação de oportunidades A negociação deve-se iniciar em torno da construção do preço detalhado e suas hipóteses, o fornecedor precisa entender como foi alcançado o preço final no SCA e assim verificar se as premissas e hipóteses abordadas em todos os cálculos estão coerentes com a prática, ou seja, com o processo de fabricação quando comparado ao processo real. Caso o fornecedor tenha explicações e justificativas comprovando que determinados tópicos de custo não estão de acordo, podem-se fazer os ajustes na planilha de cálculo e assim verificar o “novo” custo para determinado componente na negociação. Todos os ajustes realizados pelo fornecedor podem e devem ser verificados in loco na fábrica onde é realizada a produção daquele componente. Havendo divergências entre o preço praticado atualmente e o preço obtido através do SCA, em conjunto na negociação cliente e fornecedor devem identificar e analisar as diferenças e atuar de forma que a negociação seja do tipo “ganha-ganha” onde ambas as partes estejam confortáveis com o preço final a ser praticado para compra do produto. Na negociação através do SCA também há opção de melhorias no processo e produto para se alcançar o preço ideal, muitas vezes no trabalho em conjunto são colocadas idéias para redução de custos em termos de processo e produto. Estas melhorias tendem a melhorar os custos internos e assim praticar um melhor preço de venda com as mesmas margens desejadas para o negócio. Todas as idéias de melhorias devem ser analisadas em conjunto com as áreas que participam diretamente do projeto e produto com a finalidade de verificar se as alterações são possíveis e quais os prazos para alcançar os resultados. É necessário ainda priorização destas oportunidades para atuação nas idéias que geram um maior ganho para a empresa e fornecedor. 4.3.3 Levantamento de dados 4.3.3.1 Matéria-Prima A primeira etapa é o levantamento de todas as matérias-primas utilizadas para fabricação dos componentes, como são componentes similares as matérias-primas utilizadas na fabricação dos itens são as mesmas. Na produção de trocadores de calor, as matérias- 43 primas utilizadas são: aço (em formato de bobina), tinta e batoques confeccionados em plástico. Para iniciar-se o cálculo do aço em bobina, é necessário conhecer o peso de cada componente estudado. O simples fato de pesar cada componente não garante que ele esteja em conformidade com as especificações, pois a análise pode ser realizada com um lote que foi produzido com problemas de qualidade e assim o resultado não seria o ideal. Para isto é necessário o cálculo com todas as informações dimensionais dos itens e assim chegar ao peso ideal de cada componente, observa-se na Tabela 2 o peso dos quatro itens em análise. Tabela 2 - Peso (kg) de cada componente analisado Código Item Espessura Comprimento de Parede (mm) (mm) Diâmetro Externo (mm) Diâmetro Interno (mm) Volume Material (mm3) Densidade (kg/mm3) Peso (kg) 24X 0,79 12000 9,52 7,94 259999,46 0,000007860 2,04 65X 0,79 12000 9,52 7,94 259999,46 0,000007860 2,04 66X 0,79 11230 7,94 6,36 199279,56 0,000007860 1,57 00X 0,79 14092 9,52 7,94 305326,04 0,000007860 2,40 Fonte: Primária, 2011. O custo da bobina de aço utilizada para fabricação dos itens é igual a R$ 2.177,04 por 1.000 quilos conforme informação do sistema da empresa e base para negociação. Este preço sem os impostos é justamente para estar na mesma base do preço utilizado pelo fornecedor. Observa-se na Tabela 3 o custo de aço por componente analisado. Tabela 3 - Custo do aço por peça Código Item Peso (kg) aço Preço (kg) aço Custo do aço por peça 24X 2.04 R$ 2.17704 R$ 4.44 65X 2.04 1.57 2.40 R$ 2.17704 R$ 2.17704 R$ 2.17704 R$ 4.44 R$ 3.42 R$ 5.22 66X 00X Fonte: Primária, 2011. Em seguida estuda-se o outro componente classificado como matéria-prima, a tinta. O preço da tinta é igual a R$ 13,50 o quilo, conforme informação do sistema da empresa. Este preço também está sem os impostos justamente para estar na mesma base do preço utilizado pelo fornecedor. A tinta representa um valor baixo no custo de matéria-prima se comparado 44 ao aço, para cálculo do peso de tinta por peça utiliza-se a informação enviada pelo fornecedor na planilha aberta de cotação onde é possível verificar todas as matérias-primas utilizadas bem como suas respectivas quantidades. Observa-se na Tabela 4 o custo de tinta por componente analisado. Tabela 4 - Custo da tinta por peça Código Item Peso tinta (Kg) Preço tinta (Kg)2 Custo da tinta por peça 24X 0.0081 R$ 13.50 R$ 0.11 65X 0.0081 R$ 13.50 R$ 0.11 66X 0.0063 R$ 13.50 R$ 0.09 00X 0.0095 R$ 13.50 R$ 0.13 Fonte: Primária, 2011. O último componente na análise de custo de matéria-prima é o batoque plástico. No sistema da empresa não existia o custo do batoque plástico, pois este não é um item utilizado pela empresa. Para isto, iniciou-se um processo de cotação com dois fornecedores já cadastrados e com fornecimentos regulares. A premissa utilizada em relação a volume foi a mesma praticada com o fornecedor de trocadores de calor. A cotação mais competitiva desconsiderando os impostos para cálculo de SCA foi R$ 0,19 por peça. Para produção de um trocador de calor são utilizados dois batoques plásticos, ou seja, o custo para um trocador de calor é igual a R$ 0,38. Observa-se na Tabela 5 o custo total de matéria-prima para fabricação de cada um dos componentes em análise. Tabela 5 - Custo total de Matéria-Prima Código do item Custo Bobina Aço Custo Tinta Custo Batoque plástico Custo total Matéria-Prima 24X R$ 4,44 R$ 0,11 R$ 0,38 R$ 4,93 65X R$ 4,44 R$ 0,11 R$ 0,38 R$ 4,93 66X R$ 3,42 R$ 0,09 R$ 0,38 R$ 3,89 00X R$ 5,22 R$ 0,13 R$ 0,38 R$ 5,73 Fonte: Primária, 2011. 45 4.3.3.2 O processo de fabricação A segunda etapa é a análise de todo o processo de fabricação do componente. Conforme análise verificada no fornecedor, todos os itens selecionados para análise passam pelos mesmos processos de fabricação. As etapas do processo de fabricação desde a chegada da matéria-prima até o processo final que é a colocação da peças na estufa são: cortar a bobina de aço em formato de fita e passar pelo processo de lavação; conformar, soldar e trefilar; tratar termicamente através do processo de recozimento e galvanizar; cortar o tubo em barras; conformar no formato da peça; formar as torres; escarear, soprar e colocar batoques; pintar; retocar e colocar na estufa. Os custos mais representativos informados na cotação do fornecedor além da matériaprima estão concentrados em energia elétrica e mão-de-obra. No caso da energia elétrica foi solicitado ao fornecedor que enviasse uma média de consumo de energia em cada etapa do processo de fabricação. O custo da energia, conforme apêndice A foi calculado com base nos valores informados pela área de controladoria da empresa e que serve como base de cálculo no SCA. Conforme apêndice B, a mão-de-obra direta foi calculada com base no relatório de auditoria de processo realizada neste fornecedor no qual se verificou a quantidade de operadores quem atuam de cada fase do processo. As informações complementares com base nos valores informados pela área de controladoria da empresa foram: o salário médio de um operador mais os encargos, as horas trabalhadas por semana, a quantidade de semanas em um mês e consequentemente a quantidade de horas trabalhadas em um mês. 4.3.3.3 Custos adicionais Para composição de alguns custos adicionais que podem estar classificados dentro da planilha do fornecedor como despesas gerais de fabricação ou simplesmente DGF, considerase 3% do custo do produto e será mantido o valor absoluto informado na planilha de cálculo do fornecedor, pois é avaliado que a margem para negociação neste tópico é quase nula. Outro tópico dentro da planilha do fornecedor é classificado como “Outros”, neste são computados alguns custos como: aproximadamente 2% de sucata e este índice é aceitável dentro do cálculo de SCA, aproximadamente 2% com despesas administrativas e de vendas e outros 2% com gastos de embalagem e manutenção. 46 Tanto para o tópico DGF quanto para “Outros” consideram-se valores aproximados e padrões em todo tipo de compra de matéria-prima, logicamente estes valores variam caso a caso, porém o percentual que estes tem sobre o custo de uma unidade é baixo em relação aos tópicos de matéria-prima, mão-de-obra direta e energia elétrica. Por fim é adicionado o markup que neste caso será de 15% sobre o custo dos produtos analisados. Este índice de 15% no mercado de refrigeração comercial é um índice aceitável e justo para cobrir os impostos e taxas aplicadas sobre as vendas, as despesas administrativas fixas, as despesas de vendas fixas, os custos indiretos fixos de fabricação e o lucro. Para composição de alguns custos que não são possíveis de calcular-se com exatidão, aplica-se ao custo SCA uma margem de erro de 10% e assim verificam-se as diferenças. 4.3.3.4 Custos totais através do “Should Cost Analysis” Na Figura 10 são mostrados no mesmo formato das planilhas do fornecedor os custos sugeridos e consequentemente qual o custo final de cada componente adicionado pelo markup. Observam-se na Tabela 6 as diferenças entre os custos enviados pelo fornecedor e os custos calculados através do SCA. Tabela 6 - Custos do fornecedor x custos SCA Código Item Custo Fornecedor Custo SCA Custo com margem de erro Diferença 24X R$ 10,3657 R$ 8,6701 R$ 9,5371 R$ 0,8286 65X R$ 10,3657 R$ 8,6701 R$ 9,5371 R$ 0,8286 66X R$ 8,8895 R$ 7,3620 R$ 8,0982 R$ 0,7913 00X R$ 11,4878 R$ 9,6621 R$ 10,6283 R$ 0,8595 Fonte: Primária, 2011. 47 Figura 10 - Custos totais através do “Should Cost Analysis” Fonte: Primária, 2011. 48 4.3.4 Estratégia de negociação Após as análises nas planilhas de custos executadas a partir do SCA, elabora-se a estratégia de negociação visando baixar os custos e consequentemente o preço de venda de cada um dos componentes avaliados. O relacionamento de parceria entre cliente e fornecedor é um dos pilares da área de Procurement da empresa, logo a negociação deverá ser do tipo “ganha-ganha”. Em primeiro lugar a negociação deverá ocorrer analisando-se o custo do ferramental envolvido em cada um dos itens analisados. Por tratar-se de componentes sem tecnologia exclusiva e de fácil acesso para aquisição de outros concorrentes, a empresa sugere que o ferramental seja eliminado da planilha de custo de cada um dos itens e a partir do ferramental existente a empresa poderá fabricar produtos semelhantes para os concorrentes, se desejável na estratégia de mercado do fornecedor. O valor amortizado nas peças já fornecidas será negociado em forma de descontos nas próximas faturas para o cliente. Em seguida a negociação ocorre analisando-se a matéria-prima de grande impacto no custo do item, o aço. A especificação do aço comprado pelo fornecedor é similar a especificação de um dos tipos de aço comprado pela empresa para fabricação de determinados componentes. Como a empresa é uma multinacional com grandes volumes de compras, ela consegue uma melhor negociação com o fornecedor do aço. Visto que o fornecedor do produto “trocador de calor” é próximo à empresa, o frete que entrega o aço na empresa também poderia entregar as quantidades necessárias no fornecedor e funcionaria como um sistema de industrialização. Essa opção foi negociada, pois o fornecedor alega que não pretende ter lucro nos preços das matérias-primas utilizadas na fabricação de seus produtos, ele deseja o lucro após a fabricação do produto final. Por fim, como não se trata de um item com tecnologia exclusiva é proposto um contrato de parceria fixando um contrato de fornecimento de dois anos com garantia de compra de 100% dos itens analisados sem considerar os aumentos de aço já aplicados ao mercado. A partir da data de assinatura do contrato todos os aumentos ou reduções referentes ao aço serão administrados pela própria empresa, pois não será mais responsabilidade do fornecedor. Com garantia de volumes por dois anos e liberação dos ferramentais para produção de itens similares aos concorrentes, o ganho de escala poderá compensar eventuais perdas com os aumentos de aço não repassados para a empresa. 49 4.3.4.1 Resultados financeiros com a negociação Os ganhos financeiros serão calculados com base na diferença entre os custos finais do fornecedor e da negociação e multiplicado pelo volume de compra de dois anos conforme acertado em contrato. A análise será realizada com os custos antes e depois e não com os preços de venda, pois a diferença entre eles é proporcional e não terá diferença no ganho final para empresa. Observa-se na Tabela 7 o ganho com a negociação dos quatro itens analisados no estudo de caso. Este montante absoluto representa uma economia de 1,5% no total de compras da unidade de negócios Procurement Cooling Solutions e está alinhado com a necessidade e aplicação do conceito de redução de custos da empresa. Tabela 7 - Ganho com a negociação Código Item Volume - 2 anos Custo Fornecedor Custo Negociação Ganho 24X 95.000 R$ 10,3657 R$ 9,5371 R$ 78.717,00 65X 87.500 R$ 10,3657 R$ 9,5371 R$ 72.502,50 66X 100.000 R$ 8,8895 R$ 8,0982 R$ 79.130,00 00X 100.000 R$ 11,4878 R$ 10,6283 R$ 85.950,00 Fonte – Primária, 2011. A negociação é finalizada conforme o escopo da estratégia previamente definido e garantindo a parceria entre cliente e fornecedor por um período estabelecido no contrato. O resultado financeiro alcançado é considerado altamente lucrativo para a unidade de negócios Procurement Cooling Solutions se comparado com a meta da empresa para este segmento de mercado. Além do fornecimento por este período, a exposição do fornecedor frente aos novos projetos da empresa também é um ponto relevante com o final da negociação, pois este estará com o contrato vigente e fornecimento constante, permitindo assim abertura de novos negócios e projetos visando aumento de faturamento e uma parceria em longo prazo. 50 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo são apresentadas as conclusões finais do estudo de caso realizado para proposta de implementação de uma ferramenta de negociação na área de compras baseada no custo de fabricação de um componente, relacionando o objetivo geral e os específicos com os resultados obtidos na execução do trabalho. A pesquisa foi originada através da necessidade de estabelecer-se uma sistemática de negociação para análise de preço de matéria-prima com o intuito de tornar o negócio cada vez maior e mais competitivo no âmbito global e ainda buscar reduções de custos. A proposta de implementação de uma ferramenta de negociação na área de compras procurou solucionar um problema constante nas negociações e que afetava o bom relacionamento entre a empresa e o fornecedor, a questão do preço não estar competitivo, as partes envolvidas não terem argumentos para justificar aumentos ou reduções, o fato de não se conseguir dados coerentes para determinar o preço de venda correto, entre outros. Neste contexto o objetivo geral foi alcançado com a proposta de criar esta ferramenta de negociação baseada no custo de fabricação de um componente para análise das informações e assim, em conjunto com o fornecedor, obter ganhos em vários aspectos para ambos. Para iniciar-se um processo de negociação identificou-se qual o fornecedor que seria avaliado visto que a curva ABC de compras continha uma grande quantidade de fornecedores e o objetivo é determinar um deles baseado no faturamento, pois assim a probabilidade do ganho ser maior é alta. Para priorização do projeto em termos de ganhos financeiros definiram-se quais os itens deste mesmo fornecedor seriam avaliados, seguiu-se a mesma linha de raciocínio com foco nos itens de maiores faturamentos buscando-se um alto valor de redução de custos. Conforme a estratégia de negociação identificou-se a ferramenta de negociação adequada para aplicação com este fornecedor, a análise de quanto cada componente analisado deveria custar baseado nos custos de matéria-prima, mão-de-obra direta, principais custos de fabricação e investimentos em ferramentais e/ou tecnologia exclusiva. A aplicação dos conceitos da ferramenta de negociação para levantamentos dos dados e oportunidades de ganho foram etapas executadas a partir da elaboração das planilhas de custos onde foi possível identificar pontos específicos de negociação e alteração de premissas na composição final do custo. 51 Dentro deste contexto a obtenção da melhor negociação foi obtida com base em uma relação “ganha-ganha” entre a empresa e o fornecedor, pois o objetivo da negociação era buscar redução de custos com a garantia que o fornecedor continuasse com o fornecimento e a parceria desejada por ambos. A proposta de um contrato de compra baseada em um volume foi uma das premissas para que o fornecedor tivesse garantia de faturamento por um longo período. Outra premissa utilizada foi a disponibilidade para venda de peças aos concorrentes visto que não há nenhuma tecnologia exclusiva e o próprio fornecedor poderia duplicar o ferramental para venda de peças similares aos interessados neste segmento de mercado. O resultado alcançado na execução deste trabalho é ponto de destaque em termos de resultados financeiros de redução de custos da área de Procurement Cooling Solutions, pois a negociação resultou em 1,5% de redução do total de compras desta unidade e um montante absoluto de R$ 316.299,50. Desta forma, concluiu-se que a ferramenta de negociação é adequada ao processo de compras, mais especificamente com a área de negociação. O desenvolvimento desta pesquisa relacionado com a aplicação da ferramenta de negociação permitiram responder a questão deste estudo de caso, apresentada no capítulo introdutório, referente a como tornar o negócio cada vez maior e mais competitivo no âmbito global quando muitas vezes as negociações com os fornecedores de matéria-prima já foram esgotadas e não existem mais margens para redução de custos. A hipótese foi confirmada, pois através da negociação “ganha-ganha” é possível transformar o relacionamento de compra e venda em uma parceria de longo prazo. Além disto, o desenvolvimento de uma ferramenta sistemática para quantificar os custos para produzir ou entregar um produto ou serviço, colocou em evidência as margens elevadas do fornecedor, gerando então fatos para a negociação. 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAILY, Peter (Et al). Compras: princípios e administração. São Paulo: Atlas, 2000. 471 p. ISBN 8522423431. BERNARDI, Luiz Antonio. 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