UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA - UFBA
Departamento Saúde Coletiva I
AVALIAÇÃO: CONCEITOS
BÁSICOS E
INSTITUCIONALIZAÇÃO
Brasil, 2007
AVALIAÇÃO – PRINCIPAIS DEFINIÇÕES
 É a determinação do esforço, mérito ou valor de algo. (Joint
Committee on Standards , 1994; Scriven, 1991);
 É a aplicação sistemática de métodos e técnicas oriundas da
pesquisa social para aferir programas de intervenção social
(Rossi & Freeman, 2004);
 É a coleta sistemática de informações sobre as atividades,
características e produtos dos programas para fazer
julgamentos sobre o programa, melhorar a efetividade do
mesmo e ou informar decisões sobre futuras programações
(Patton, 1997);
 É o julgamento que se faz sobre uma intervenção ou sobre
qualquer dos seus componentes com o objetivo de auxiliar na
tomada de decisões. (Contandriopoulos , 2000).
(Vieira da Silva, 2005)
ESPECTRO DA AVALIAÇÃO
OBJETIVOS FREQUENTESS
 Para demonstrar que uma gestão foi
bem sucedida
 Para demonstrar que uma gestão foi
mal sucedida
 Para retardar a tomada de decisões
 Para legitimar decisões
 Para aumentar o controle sobre a
intervenção
 Para satisfazer as exigências dos
organismos financiadores
OBJETIVOS DESEJADOS E POSSÍVEIS
 Auxiliar no processo de planejamento e
tomada de decisão;
 Aperfeiçoar o programa;
 Prestar contas à sociedade;
 Contribuir para com o desenvolvimento
do conhecimento;
(Vieira da Silva, 2005)
O QUÊ AVALIAR?
Principais atributos para avaliação em saúde
 Relacionados com a adequação das ações aos
objetivos e problemas de saúde: direcionalidade
e consistência (análise estratégica);
 Relacionados com a disponibilidade e
distribuição social dos recursos:
a)Cobertura
b)Acessibilidade
c)Equidade
(Vieira da Silva, 2005)
O QUÊ AVALIAR?
 Relacionados com o efeito das ações:
a) eficácia
b) efetividade
c) impacto
 Relacionados com os custos das ações:
eficiência
 Relacionados com a a adequação das
ações ao conhecimento técnico e
científico vigente:
qualidade técnico-científica
(Vieira da Silva, 2005)
O QUÊ AVALIAR?
 Relacionados com o processo de implantação das
ações
a) avaliação do grau de implantação e (ou) avaliação de
processo.
b) análise de implantação - Estudos que investigam as relações
entre o grau de implantação, o contexto e os feitos das ações:
 Características relacionais entre os agentes das
ações:
a) usuário x profissional (percepção dos usuários sobre as
práticas, satisfação dos usuários, aceitabilidade, acolhimento,
respeito a privacidade e outros direitos cidadãos);
b) profissional x profissional (relações de trabalho e no
trabalho)
c) gestor x profissonal (relações sindicais e de gestão)
AVALIAÇÃO - ABORDAGENS (Donabedian)
Estrutura:
a) recursos materiais
b) recursos humanos
c) características organizacionais
Processos - atividades constitutivas do
cuidado à saúde.
 Resultados:
a) produtos
b) modificações no estado de saúde
c) satisfação do usuário
OS COMPONENTES DAS INTERVENÇÕES
Situação
Problemática
Efeitos
Objetivos
Serviços
Recursos
Contexto
Fonte: Contandriopoulos, JP et al. A avaliação em saúde: conceitos e métodos. Rio de Janeiro. Fiocruz, 1997.
OS COMPONENTES DAS INTERVENÇÕES
Situação
Problemática
A População
Efeitos
Os Administradores
Objetivos
Serviços
Os Usuários
Os Financiadores
Os Profissionais
Recursos
O Poder Público
Contexto
Fonte: Contandriopoulos, JP et al. A avaliação em saúde: conceitos e métodos. Rio de Janeiro. Fiocruz, 1997.
OS COMPONENTES DAS INTERVENÇÕES
Avaliação
da acessibilidade e cobertura
Situação
Problemática
Análise estratégica
Efeitos
População-alvo
Objetivos
Serviços
Análise da Intervenção
Avaliação de Efeitos
Recursos
Análise de Produtividade
Análise da Implantação
Contexto
Fonte: Contandriopoulos, JP et al. A avaliação em saúde: conceitos e métodos. Rio de Janeiro. Fiocruz, 1997.
Incorporação do ponto de vista dos agentes
 Avaliação focada na utilização (Patton, 1997;
2002)
 Avaliação de quarta geração (Guba &
Lincoln,1989)
 “Empowerment” evaluation (Fetterman,
1994)
 responsiva: as questões, a informação a ser
reunida, os critérios e padrões são definidos de
forma negociada entre usuários (gestores e
avaliadores)
 o avaliador externo é um mediador
 o processo da avaliação geralmente resulta em
melhoria da qualidade do programa.
INSTITUCIONALIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO
Institucionalização: incorporação da avaliação à rotina
dos serviços
Necessidade do fortalecimento e/ou desenvolvimento de
capacidade técnica, nas diversas esferas do sistema
de saúde:
1. Ações de monitoramento e avaliação como subsidiárias
ou intrínsecas ao planejamento e à gestão;
2. Instrumento de suporte à formulação de políticas, ao
processo decisório e de formação dos sujeitos
envolvidos (gestores, usuários do sistema de saúde e
profissionais dos serviços e das instituições de ensino e
pesquisa)
INSTITUCIONALIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO
A avaliação de políticas e programas de saúde deve
contemplar ampla participação e o uso de
múltiplos focos e métodos, permitindo que a
visão de diferentes grupos seja considerada no
objeto de estudo
AVALIAÇÃO
Para Hartz (2002):
[...] Institucionalizar a avaliação tem o sentido de
integrá-la em um sistema organizacional no qual esta
seja capaz de influenciar o seu comportamento, ou
seja, um modelo orientado para a ação ligando
necessariamente as atividades analíticas às de gestão.
PARA COMPREENDER
MELHOR...
Como são definidos os indicadores
do Pacto pela Saúde 2007, Pacto de
atenção básica 2006, 2005, 2004
[...]?
CRITÉRIOS, NORMAS, PADRÕES E INDICADORES
 Critérios: conjunto de fenômenos que são
atributos da estrutura, processo ou resultados;
 Norma: regra geral acerca do que é desejável;
 Padrão: Modelo ou valor de referência para
mensuração do fenômeno ou objeto, considerado
como ideal, podendo ou não ser expresso
numericamente;
 Indicador: razão entre variáveis ou critérios
capaz de guardar relação com aquilo que se
deseja medir
PACTO PELA SAÚDE 2007: EXEMPLO 01
Critério
Morte na
primeira
infância
Acesso à atenção
odontológica
Indicador
Coeficiente de
Mortalidade
infantil
Cobertura da
primeira consulta
odontológica
Padrão
< 12 mortes por
mil nascidos
vivos
Cobertura
superior a 12%
da população
Norma
“A morte infantil
pode ser evitada
e deve tender a
zero”
“Deve-se ampliar
o acesso ao
tratamento
restaurador no
serviço público”
PACTO PELA SAÚDE 2007: EXEMPLO 02
Critério
Financiamento da
saúde
Ampliação do acesso
á APS
Indicador
Proporção da receita
própria aplicada em
saúde conforme
previsto
na regulamentação da
EC 29/2000.
Proporção da
população coberta
pelo Programa Saúde
da Família
(PSF) em cidades
acima de 500 mil
habitantes
Padrão
12% da receita
Superior a 50%
Norma
“Maior aporte
financeiro à saúde
pode melhorar os
serviços”
“A ampliação da ESF
pode possibilitar
maior acesso às
práticas preventivas”
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 Silva, L. M. V. Material didático (slides) elaborado
para o projeto de Monitoramento e Avaliação da
Atenção Básica. MS, 2005.
 Silva, L. M. V. & Formigli, V. L. A. Avaliação em
Saúde: Limites e Perspectivas . Cad. Saúde
Públ., Rio de Janeiro, 10(1): 80-91, Jan/Mar,
1994.
 Felisberto, E. Monitoramento e Avaliação na
atenção Básica: Novos horizontes. Revista
Brasileira de Saúde da Família, Ano V, n. 7,
edição especial, jan. 2003 a abri. 2004, p. 24 a
29.
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Aula 6 - Conceitos básicos avaliação