Automatização do Controlo de Qualidade na Indústria Cerâmica Rafael Guerreiro Baeta Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Mecânica Orientadores: Prof. João Rogério Caldas Pinto, Prof. Carlos Baptista Cardeira Júri Presidente: Prof. Viriato Sérgio de Almeida Semião Orientador: Prof. João Rogério Caldas Pinto Vogal: Prof. Paulo Alexandre Fernandes Ferreira Novembro, 2014 Trabalho “O trabalho vence tudo.” - José Guerreiro (Avô) Dedicação “O sucesso está nos pormenores.” - Jay Elliot (sobre Steve Jobs) Ambição “Não nasci para ser segundo.” - Ayrton Senna Perfecionismo “Quem pensa pouco erra muito. ” – Leonardo da Vinci I Agradecimentos Sem o seu contributo, a elaboração desta dissertação não seria possível, como tal, não posso deixar de agradecer: Aos meus orientadores, João Rogério Caldas Pinto e Carlos Cardeira, pela orientação dada e pelas horas despendidas na busca do rigor que este trabalho exige. Numa primeira fase, ao CTCV, pelos contatos e apoio proporcionados e à empresa Matcerâmica, pela disponibilidade demonstrada na visita efetuada à fábrica e disponibilização de material, tendo sido fundamentais para a realização deste trabalho. Aos meus amigos, que sempre me apoiaram neste meu percurso, em especial, ao Pedro Mota e à Patrícia Ferreira, por todas as horas de companhia e paciência para me aturarem. À Isabelle e ao António Luís, pelos conselhos e apoio, numa busca constante por um melhor trabalho. À minha família, em especial aos meus pais. A eles agradeço aquilo que sou hoje, a educação que me foi proporcionada, a dedicação constante e o amor diário por eles demonstrado. Por fim agradecer à grande mulher que nos últimos 10 anos esteve a meu lado. Dedico este trabalho à Ana, que abdicou de sonhos e projetos para que esta fase da minha vida fosse concluída com o maior sucesso possível. II Resumo O presente trabalho tem como objetivo projetar um sistema automático para deteção de defeitos em pratos de cerâmica. São detetadas irregularidades ao nível do rebordo, bem como eventuais pontos negros, em ambos os lados dos pratos. A deteção de defeitos é feita através de fotografia e, com técnicas de processamento de imagem, é feita uma interpretação das imagens, que permite uma decisão de rejeição ou aceitação dos pratos. Foi projetado um sistema de iluminação especial, que impede a incidência de luz diretamente no prato, evitando assim reflexos indesejáveis. Para a análise das imagens, foram desenvolvidos três algoritmos, sendo o primeiro para deteção dos pontos pretos na face superior do prato, o segundo com idênticas funções para a face inferior do prato e o terceiro para análise da bordadura e geometria. Nos algoritmos decidiu-se utilizar a binarização e técnicas de morfologia, como base, para a deteção dos defeitos. Nos ensaios realizados, com o protótipo de luz construído, recorreu-se a uma base de dados de 643 fotografias concluindo-se que o índice de fiabilidade é de 100%. As fotografias, foram realizadas a pratos sem defeitos e com os defeitos mais usuais, tendo havido o cuidado de os rodar, para colocar as imperfeições em diferentes posições em relação à câmara. O tempo de deteção variou, nos diversos algoritmos, entre 2,95 e 3,46 segundos para cada operação. Como conclusão, pode afirmar-se que foi projetado um sistema simples, de baixo custo de construção e de funcionamento, com uma fiabilidade muito elevada. Palavras-Chave Controlo de qualidade em pratos de cerâmica, CAD, Inspecção Visual automática, Sistema de Aquisição de Imagens, Defeitos em cerâmica, Imagem binarizada, transformada de Hough III Abstract The goal of this project was to design an automatic system to detect flaws and edge irregularities on ceramic plates. Edge irregularities are detected as well as black spots on both sides of the plates. The detection of defects using photography and image processing techniques allows image interpretation leading to a decision to accept or reject the plates. A special system of lightning was designed. This lightning doesn’t focus directly on the plates, therefore avoiding undesirable reflects. To analyse the data, 3 algorithms were developed, the first to detect the black dots on the upper side of the plate, the second with identical role for the lower side of the plate and the third to analyse the edge and the geometry. For the algorithms, binarization and techniques of morphology were used to detect flaws on the plates. In the tests performed, with the developed prototype and with a database with 643 photographs, we concluded that the reliability is 100%. The photographs were taken from plates without flaws and with the most common flaws. The plates were carefully rotated, to place the flaws in different positions towards the camera. The detection time varied, for the 3 algorithms, between 2,95 and 3,46 seconds for each operation. To conclude, we can say that we have projected a simple system, of low construction cost and functional, with an high reliability, which can contribute to enhance the quality of the plates and lower its costs, increasing, therefore, national competitively. Keywords Quality control of ceramic plates, CAD, Automation Visual Inspection, Image Acquision System, Ceramic Defects, Binary Image, Hough Transform IV Abreviaturas PLC – Programmable logic controller Grafcet – graphe fonctionnel de commande étapes / transitions FPS – Frames per second EXIF – Exchangeable image file format CMOS – Complementary metal-oxide-semiconductor CCD – Charge-coupled device CTCV – Centro Tecnológico para a Cerâmica e Vidro V Índice Agradecimentos ......................................................................................................................... II Resumo ..................................................................................................................................... III Palavras-Chave ......................................................................................................................... III Abstract.................................................................................................................................... IV Keywords ................................................................................................................................. IV Abreviaturas .............................................................................................................................. V Índice ....................................................................................................................................... VI Índice de figuras ...................................................................................................................... IX Índice de tabelas ..................................................................................................................... XII 1 Introdução ............................................................................................................................ 1 1.1. Enquadramento histórico ............................................................................................. 1 1.2. Motivação e Objetivos ................................................................................................. 4 1.3. Contribuições da dissertação ........................................................................................ 5 1.4. Organização da tese...................................................................................................... 5 2 Estado da arte ....................................................................................................................... 7 2.1. Inspeção e Controlo de qualidade ................................................................................ 7 2.2. Técnicas de processamento de imagem ..................................................................... 12 2.3. Técnicas de iluminação .............................................................................................. 14 2.4. Contribuições face ao estado da arte .......................................................................... 15 3 Sistema automático de inspeção......................................................................................... 17 3.1. Conceito ..................................................................................................................... 17 3.2. Desenvolvimento do conceito .................................................................................... 18 3.2.1 Sistema de centragem ........................................................................................... 18 3.2.2 Sistema de visão/iluminação ................................................................................ 21 3.2.3 Sistema de viragem .............................................................................................. 21 3.2.4 Sistema de rejeição ............................................................................................... 23 3.2.5 Sistema de estampagem ....................................................................................... 25 3.2.6 Sistema automático de inspeção completo ........................................................... 25 VI 3.3. Automatização............................................................................................................ 26 3.4. Produção e dimensionamento mecânico .................................................................... 29 3.5. Iluminação e câmaras ................................................................................................. 32 4 Técnicas de processamento de imagem ............................................................................. 35 4.1. Introdução teórica....................................................................................................... 35 4.1.1 Binarização ........................................................................................................... 35 4.1.2 Morfologia............................................................................................................ 36 4.1.3 Transformada de Hough ....................................................................................... 37 4.2. Tipos de defeitos ........................................................................................................ 37 4.3. Métodos implementados ............................................................................................ 38 4.3.1 Pré-processamento ............................................................................................... 38 4.3.2 Algoritmo deteção de defeitos pela face superior ................................................ 39 4.3.3 Algoritmo deteção de defeitos pela face inferior ................................................. 40 4.3.4 Algoritmo de análise da bordadura verificação de geometria .............................. 41 5 Apresentação e discussão de resultados ............................................................................. 43 5.1. Iluminação .................................................................................................................. 43 5.2. Base de dados ............................................................................................................. 45 5.3. Método implementado ............................................................................................... 48 5.3.1 Pré-processamento ............................................................................................... 48 5.3.2 Algoritmo deteção de defeitos pela face superior ................................................ 54 5.3.3 Algoritmo deteção de defeitos pela face inferior ................................................. 57 5.3.4 Algoritmo de análise da bordadura e verificação de geometria ........................... 60 5.4. Resumo global dos resultados .................................................................................... 62 6 Conclusões e trabalhos futuros........................................................................................... 64 6.1. Conclusões ................................................................................................................. 64 6.2. Trabalhos Futuros....................................................................................................... 65 6.2.1 Sistema automático de inspecção ......................................................................... 65 6.2.2 Iluminação ............................................................................................................ 66 6.2.3 Técnica de processamento de imagem ................................................................. 66 7 Bibliografia ....................................................................................................................... 68 8 Apêndice ............................................................................................................................ 70 VII 8.1. Apêndice A................................................................................................................. 70 8.2. Apêndice B ................................................................................................................. 71 8.3. Apêndice C ................................................................................................................. 75 8.4. Apêndice D................................................................................................................. 76 8.5. Apêndice E ................................................................................................................. 78 VIII Índice de figuras Figura 1 - Protótipo de inspeção ................................................................................................. 9 Figura 2 - Esquema tecnológico do setor de qualidade de inspeção .......................................... 9 Figura 3 - Sistema manipulador ............................................................................................... 10 Figura 4 - Esboço do equipamento de inspeção (Optomachine) .............................................. 11 Figura 5 – Optomachine – Equipamento de controlo de qualidade ......................................... 12 Figura 6 - Optomachine - Layout do equipamento .................................................................. 12 Figura 7 - Sistema de separação e centragem ........................................................................... 19 Figura 8 - Sistema de separação e centragem - Vista lateral .................................................... 20 Figura 9 - Pormenor de transição de tapetes ............................................................................ 20 Figura 10 – Sistema de visão/iluminação ................................................................................. 21 Figura 11 - Sistema de viragem ................................................................................................ 22 Figura 12 - Sistema de dedos de captação ................................................................................ 22 Figura 13 - Pormenor de captação do prato.............................................................................. 23 Figura 14 - Sistema de rejeição ................................................................................................ 24 Figura 15 - Rejeição - Tapete rolos motorizados ..................................................................... 24 Figura 16 - Sistema de estampagem ......................................................................................... 25 Figura 17 – Sistema automático de inspeção – Vista isométrica ............................................. 26 Figura 18 – Sistema automático de inspeção – Vista lateral .................................................... 26 Figura 19 - Montagem encoder no conjunto Motor-redutor .................................................... 28 Figura 20 - Grafcet do sistema automático de inspeção ........................................................... 29 Figura 21 - Sistema de iluminação e visão ............................................................................... 33 Figura 22 - Interior do sistema de iluminação .......................................................................... 33 Figura 23 - Quadro de comando iluminação ............................................................................ 34 Figura 24 - Imagem a cores (direita) e a mesma imagem binarizada (esquerda) ..................... 36 Figura 25 – Fluxograma de pré-processamento ....................................................................... 39 Figura 26 - Fluxograma do algoritmo de deteção de defeitos pela face superior..................... 40 Figura 27 - Fluxograma do algoritmo de deteção de defeitos pela face inferior ...................... 41 Figura 28 - Deteção das linhas limite do prato ......................................................................... 41 IX Figura 29 - Imagem prato com luz direta ................................................................................. 43 Figura 30 – Aplicação de luz difusa. Prato completamente branco rebordo simples (esquerda) e Prato completamente branco rebordo trabalhado (direita) ............................................ 43 Figura 31 - Aplicação de luz difusa. Prato decalque e rebordo simples (esquerda) e Prato com rebordo simples invertido (direita) ................................................................................... 44 Figura 32 – Apresentação de defeito tipo A – luz directa (esquerda) e luz difusa (direita) ..... 44 Figura 33 - Canon EOS Utility - controlo remoto Canon 600D............................................... 46 Figura 34 - Fluxograma da base de dados ................................................................................ 47 Figura 35 - Imagem de um prato em formato RAW (esquerda) e em formato JPEG (direita) .......................................................................................................................................... 48 Figura 36 - Detalhe de um defeito - Zoom 200%. Imagem em formato RAW (esquerda) e em formato JPEG (direita) ..................................................................................................... 48 Figura 37 - Imagem de abertura do pré-processamento ........................................................... 49 Figura 38 - Pormenor do defeito do prato ................................................................................ 49 Figura 39 - Imagem binarizada - threshold 0,75 ...................................................................... 50 Figura 40 - Zoom out da imagem binarizada - threshold 0,75 ................................................. 50 Figura 41 - Imagem binarizada - threshold 0,635 .................................................................... 51 Figura 42 - Imtool - diâmetro prato .......................................................................................... 52 Figura 43 - Transformada de Hough ........................................................................................ 52 Figura 44 - Transformada de Hough - pormenor de contorno do prato ................................... 52 Figura 45 - Transformada de Hough optimizada - pormenor do contorno do prato ................ 53 Figura 46 - Crop da imagem reduzida em 50% ....................................................................... 54 Figura 47 - Imagem do prato com cor invertida ....................................................................... 55 Figura 48 - Prato defeituoso face superior ............................................................................... 55 Figura 49 - Prato pela face inferior com anel no rebordo......................................................... 57 Figura 50 - Prato defeituoso face inferior................................................................................. 58 Figura 51 - Contorno do prato .................................................................................................. 60 Figura 52 - Rebordo partido prato simples ............................................................................... 60 Figura 53 - Rebordo partido prato com decalque ..................................................................... 61 Figura 54 - Esquema elétrico sistema de iluminação ............................................................... 75 Figura 55 - Prato com defeito do tipo A ................................................................................... 76 Figura 56 - Prato com defeito do tipo A/B ............................................................................... 76 Figura 57 - Prato com defeito do tipo B ................................................................................... 76 X Figura 58 - Prato com defeito do tipo C ................................................................................... 77 Figura 59 - Prato com defeito do tipo D (direita) e tipo E (esquerda)..................................... 77 Figura 60 - Prato com defeito do tipo F ................................................................................... 77 XI Índice de tabelas Tabela 1 - Descrição dos defeitos ............................................................................................. 38 Tabela 2 - Excerto do Excel da base de dados ......................................................................... 46 Tabela 3 - Resultados do nº defeitos encontrados na face superior.......................................... 56 Tabela 4 - Resultados do nº defeitos encontrados face inferior ............................................... 59 Tabela 5 - Resultados parciais da análise da geometria ........................................................... 62 Tabela 6 - Resultados finais globais ......................................................................................... 62 Tabela 7 – Resultados totais da análise da geometria .............................................................. 78 XII 1 Introdução 1.1. Enquadramento histórico A cerâmica, ou arte do oleiro, consiste na fabricação de loiça de barro, ou objetos análogos. A sua origem parece remontar a uma fase avançada do mesolítico, do período intermediário entre o paleolítico e o neolítico, mas é no neolítico que se estabelece o uso corrente da cerâmica, inicialmente sob a forma de vasilhas e de tigelas, recipientes utilitários, preciosos pelas suas funções. Mais tarde, iriam ser preciosos, igualmente, pela sua arte. [1] A cerâmica é um sinal de vida sedentária e coincide com a agricultura e outros hábitos de apego ao solo, sendo avessa ao nomadismo, que prefere vasilhame de madeira e de outras matérias, que não sejam frágeis. Inicialmente o fabrico dos vasos era feito à mão, só aparecendo a roda de oleiro na Idade do Ferro. Os vasos eram recipientes empregues para conterem alimentos, líquidos, etc., embora também fossem utilizados como urnas funerárias, entre outras funções. Alguns marcos na história da cerâmica incluem a arte egípcia, que utilizava a excelente argila do Nilo, sendo os objetos, alguns dos quais muito esbeltos, revestidos com uma camada de esmalte. A cerâmica assíria, babilónica e persa, tinha como particularidade a sua aplicação ornamental por meio de tijolos, por vezes esmaltados, com um aspeto decorativo muito especial. A arte cipriota, em que os objetos de cerâmica eram revestidos por uma massa protetora, com maior realce de cores, evitando a sua absorção. A arte grega, em particular, a coríntia, que marca um dos períodos mais florescentes da arte grega, tendo-se encontrado vasos coríntios em quase todos os sítios do Mundo; os vasos áticos com figuras vermelhas, correspondem ao apogeu artístico de Atenas. A cerâmica muçulmana, é uma das mais belas cerâmicas que se conhecem, sobretudo os exemplares de reflexos metálicos obtidos com silicatos de cobre ou prata. A cerâmica hispano-mourisca marca a mais alta expressão artística de origem muçulmana. Um dos seus legados foi a aplicação da sua indústria à produção de azulejos, pelos ceramistas sevilhanos do século XV. A cerâmica italiana tem uma riqueza notável e uma grande variedade, que inclui, por exemplo, as majólicas que têm origem na cidade de Faenza, da qual derivam as louças vidradas produzidas em França, Portugal e outros países, que foram denominadas Fayence, Faiance, Faiança, etc. A cerâmica de Siena teve como especialidade a produção de azulejos, no século XVI. A cerâmica veneziana distingue-se pelo verniz, que era sempre azulado e espesso, como o da cerâmica persa e turca. A cerâmica francesa com grande variedade de produção, nas manufaturas de Monstiers, na Provença, de Lille, Valenciennes, Lião, Avinhão, Rennes, conheceu a celebridade 1 quando, nos meados do século XVIII, se estabeleceu em França, a fabricação de porcelana, em Sèvres. A louça inglesa introduziu a decoração estampada, passando a utilizar-se a porcelana nos serviços de mesa de luxo e nas obras de arte. A porcelana tornou-se na principal indústria cerâmica inglesa após a introdução, em Staffordshire de uma pasta branca, que foi aperfeiçoada por Wedgood, sendo exportada para todo o mundo. A decoração consistia em aplicações de uma pasta de cor sobre a superfície branca, ou vice-versa. A cerâmica germânica atinge o seu esplendor máximo com as porcelanas de Saxe. A cerâmica espanhola, já referida a propósito das cerâmicas hispano-mouriscas, teve os seus centros mais importantes em Palência, Córdova, Sevilha, Mérida, Sagunto e Ampurias. Merecem destaque as olarias de Talavera de la Reina, onde nasce uma cerâmica bem espanhola, pela forma e decoração. A cerâmica chinesa destaca-se pelo fabrico, pela primeira vez, de uma cerâmica branca de pasta translúcida, chamada porcelana, no século III. A cerâmica das primeiras dinastias só é conhecida pelas descrições históricas. A cerâmica da dinastia tártara, azul e branca, do século XIII, foi exportada para a Síria e para a Pérsia e, daí, os exploradores portugueses e holandeses trouxeram-na para a Europa, nos séculos XVI e XVII. O seu sucesso levou a uma exportação para a Europa, em grande escala, da porcelana chinesa. [1] A indústria da cerâmica em Portugal é tão antiga que se torna impossível determinar a sua origem, sendo certo que em épocas muito anteriores à formação da nossa nacionalidade já os azulejos e outros artefactos de barro existiam na Península, tendo estas manifestações artísticas sido provavelmente transmitidas pelos Árabes. Até meados do século XVII a produção de cerâmica em Portugal ressentiu-se da importação da louça de China, muito utilizada pelas classes ricas. As classes menos abastadas utilizavam muito a louça produzida nas olarias de Talavera ou, em alternativa, a louça nacional, que não tinha grande qualidade. Nos meados do século XVIII o marquês de Pombal deu novo impulso a esta indústria, concedendo privilégios e isenções e, ainda, avultados subsídios pecuniários aos empregados das fábricas, cujos progressos e desenvolvimento patrocinava, sendo, nalguns casos, empresário o próprio Estado. A produção oleira do país pode ser dividida em três grandes zonas: a do Norte, a do Centro e a do Sul. No Norte o melhor fabrico pode atribuir-se às fábricas de Viana do Castelo, particularmente às de Darque, às fábricas do Porto e de Gaia (como as fábricas de Massarelos e de Miragaia, do século XVIII e as fábricas do Cavaco ou do Cavaquinho, e do Carvalhinho, do séculos XIX). Por razões que não são bem conhecidas, a zona de Aveiro constitui um dos centros de produção de cerâmica mais antigos do país. Supõe-se que o estabelecimento das primeiras olarias da região data do século XVI, tendo a loiça vidrada aparecido mais tarde. O distrito de Aveiro, no final do século XIX continha 17 fábricas, com um número considerável de operários, ocupando o segundo lugar nacional nesta atividade. É justo fazer uma referência às fábricas da Vista Alegre, que tanta fama vieram a obter. No Centro, data de tempos imemoriais a indústria da cerâmica conimbricense, que nalgumas épocas, foi das mais florescentes do país. As Caldas da Rainha foram um dos centros oleiros mais antigos de 2 Portugal, podendo atribuir-se algumas peças de cerâmica ao século XV. A construção do um hospital nas Caldas da Rainha, aproveitando as magníficas termas, poderá ter contribuído para a produção de louça apropriada, levando à criação de várias fábricas. Sucederam-se várias gerações de oleiros até atingirem o máximo de perfeição e desenvolvimento no tempo de Rafael Bordalo Pinheiro, nos finais do século XIX e início do século XX. Com este notável artista apareceram novas formas, novas estilizações da natureza, caricaturas em louça, obtendo ainda inovações técnicas, como a fixação de cores, atingindo o próprio branco lácteo, que até então ainda não tinha sido conseguido. Reproduziu o vermelho e o azul de Sèvres, até então inteiramente desconhecidos nas fábricas das Caldas. A sua maior realização foi, no entanto, a modelação de figurinhas, como as da Via Sacra, destinadas às capelinhas do Buçaco. No Sul, no século XVIII, Lisboa foi o centro cerâmico mais importante do país, pela qualidade das manufaturas e pela expansão das suas numerosas fábricas, das quais uma das mais valiosas foi a Fábrica do Rato. As peças produzidas nesta fábrica foram das mais perfeitas e famosas, comparadas com as das outras fábricas do país. Aí foram produzidos objetos de uso comum, assim como graciosas estatuetas decorativas e os famosos boiões, potes e canudos de forma cilíndrica, de farmácia, ou para conservar doces. Outras fábricas importantes incluíram a Real Fábrica da Bica do Sapato, a Fábrica da Travessa dos Ladrões, a Fábrica da Panasqueira, a Fábrica de Belas, a Fábrica de Santo Amaro, a Fábrica Constança, a Fábrica da Viúva Lamego, a Fábrica de Louça de Sacavém, entre outras. A sul de Lisboa, no Alentejo e Algarve registam-se também atividades nesta área, nomeadamente das fábricas de Estremoz. [1] Técnica cerâmica A cerâmica é a arte de fabricar objetos baseando-se na propriedade que os barros têm de formar com a água uma pasta ligada, plástica, que depois de cozida se torna resistente e inalterável. Distinguem-se 2 tipos de barros: a) os caulinos, que em geral se encontram nos lugares onde se formaram; são brancos ou pouco corados, pouco elásticos, refratários e essencialmente constituídos por caulinite. Em Portugal existem jazigos de caulinos nos concelhos da Feira, Ovar, Matosinhos, Viana do Castelo, Cartaxo, Viseu, Santarém, etc. São usados para a porcelana e faiança fina nas fábricas de Vista Alegre, Sacavém, Carvalhinhos; b) as argilas, que resultam do transporte dos caulinos pelas águas até às partes mais inclinadas, onde se depositam. Podem ser brancas, mas geralmente são mais ou menos coradas pelos elementos que o caulino encontrou no seu caminho. Pela mesma razão são mais ou menos fusíveis ou mesmo refratárias, consoante os elementos que foram incluídos, como compostos de ferro, manganês, titânio, matérias orgânicas, cálcio, magnésio, etc. Por estes motivos, são muito mais plásticas do que os caulinos. As argilas encontram-se, em maior ou menor abundância, em todas as regiões do país. Os barros têm duas propriedades que lhes são características, a plasticidade e o endurecimento. A plasticidade é a qualidade que os barros têm de formar com a água uma pasta ligada, que se molda facilmente nas formas desejadas. Pela dessecação ao ar o objeto conserva a sua forma, diminuindo de 3 volume, mas a sua resistência é pequena. Submetidos ao calor rubro, os caulinos e as argilas perdem a água de combinação, tornando-se a pasta dura, sonora, inalterável, desaparecendo a plasticidade. A técnica cerâmica tem várias fases, que incluem: a) preparação das matérias-primas; b) preparação das pastas; c) obtenção das peças; d) dessecação; e) vidrados; f) cozedura (parte fundamental, insubstituível, da indústria cerâmica). Os produtos cerâmicos podem ser classificados da seguinte forma: [2] 1. Cerâmicas de pasta porosa, permeáveis a. Barros cozidos i. Cerâmicas não refratárias (e.g. loiça comum, tijolos e telhas) ii. Cerâmicas refratárias b. Faianças i. Louça vidrada ii. Faiança ou louça esmaltada iii. Faiança fina 2. Cerâmicas de pasta vítrea, impermeáveis – é neste grupo que se encontram as porcelanas, que constituem o tipo mais perfeito da indústria cerâmica pela beleza da pasta, riqueza da decoração, resistência maior em relação às outras loiças. Nomes de fábricas célebres de porcelana incluem as fábricas de Sèvres, da Saxónia, de Copenhaga, da China, do Japão e, em Portugal, da Vista Alegre. 1.2. Motivação e Objetivos Na indústria cerâmica, atualmente, o processo de controlo de qualidade, na sua grande maioria, é realizado através de inspeção visual humana. Para este tipo de controlo recorre-se a pessoas com elevado grau de experiência na deteção de defeitos, tal é a sua especificidade e variedade. Tendo em vista o aumento de produtividade e competitividade das empresas, é desejado o desenvolvimento de um processo de controlo de qualidade mais adequado. Esse processo deverá ser rápido, fiável e de baixo investimento. É com este objetivo que uma das empresas de referência do setor de produção de faiança, Matcerâmica (ver Apêndice A), no âmbito do projeto PRODUTECH da Agência de Inovação (AdI), se mostrou recetiva ao estudo de um processo automático, por forma a aumentar a sua produtividade. O desenvolvimento deste trabalho tem como principal objetivo melhorar o controlo de qualidade na indústria cerâmica. Este será efetuado a dois níveis distintos, ao nível de equipamento de inspeção visual automática e ao nível de software de controlo. Por forma a propor um equipamento de inspeção visual automática, será necessário fazer um levantamento dos processos inerentes atualmente realizados. Inicialmente, modelar-se-á o tipo de 4 operações manuais e, posteriormente, prosseguir-se-á automatização dos processos, tanto quanto possível. Apesar de este ser um dos principais objetivos, ter-se-á sempre presente o desenvolvimento de um equipamento com o máximo de fiabilidade e, acima de tudo, de baixo investimento. Caso contrário, a solução proposta poderá ser utópica, devido à sua complexidade e necessidade de grande investimento, sendo a melhor solução o tipo de inspeção manual atualmente utilizada. Complementando o equipamento proposto para inspeção visual automática, serão propostos algoritmos que permitam o controlo de qualidade em tempo real. Os algoritmos deverão ser capazes de detetar a presença de defeitos, caso existam, na faiança fornecida aos clientes pela empresa Matcerâmica. Os pratos fornecidos para este trabalho apresentam defeitos nas faces superior e inferior. Assim, os algoritmos terão que ser robustos ao ponto de detetar os mesmos defeitos nas faces côncavas e convexas do prato. Para que a deteção seja feita com grande fiabilidade, a inspeção visual terá que ser acompanhada por técnicas de luz e câmaras indicadas para o efeito, por forma a evitar brilhos ou ruídos. Este tipo de problemas na deteção poderá originar falsos positivos no processo de análise por parte do algoritmo. Integrando o equipamento de inspeção visual automática e o melhor algoritmo encontrado, será possível analisar toda a solução como um conceito completo. 1.3. Contribuições da dissertação Este trabalho vem contribuir para o desenvolvimento da industria cerâmica a vários níveis: • Desenvolvimento de um sistema automático de inspecção para pratos de cerâmica; • Construção de um sistema de iluminação de luz difusa, para posterior criação de uma base de dados de imagens; • Desenvolvimento e aplicação de diversos algoritmos para a deteção de defeitos em pratos de cerâmica. 1.4. Organização da tese Este trabalho encontra-se estruturado em 6 capítulos. No capítulo 1 é feito um enquadramento histórico da evolução da cerâmica ao longo dos séculos. Além disso permite ao leitor tomar conhecimento de técnicas utilizadas na arte da cerâmica. Ainda neste capítulo são explanados os motivos e objetivos deste trabalho, bem como as contribuições deste trabalho. 5 No capítulo 2 é feito um levantamento das técnicas e projetos existentes, nos âmbitos de: Inspecção e controlo de qualidade, processamento de imagem e iluminação. Neste capitulo são descritos os contributos que este trabalho fornece face ao levantamento realizado. No capítulo 3 é efetuada uma descrição detalhada de todos os módulos integrantes do equipamento de controlo de qualidade desenvolvido, incluindo: processo de automatização do sistema e produção e dimensionamento dos componentes mecânicos. É apresentado o sistema de iluminação desenvolvido e construído para a aquisição de imagens, assim como o tipo câmara utilizada. De seguida, no capítulo 4, é feita uma introdução teórica das diversas técnicas a serem usadas, completada pela apresentação dos diversos tipos de defeitos. São explanados os diversos algoritmos desenvolvidos, em função dos tipos de defeitos abordados. No capítulo 5, procede-se à apresentação dos resultados. São apresentados os resultados ao nível do sistema de iluminação criado e de toda a base de dados construída com os pratos fornecidos , em seguida, os resultados inerentes aos diversos algoritmos, como a presença de defeitos e os tempos de execução, procedendo-se à discussão dos mesmos. Por fim, no capítulo 6, é apresentada a conclusão do trabalho onde é verificado se este vai ao encontro dos objetivos definidos inicialmente. São também apresentadas sugestões de trabalhos futuros nas diversas áreas abordadas ao longo deste trabalho . 6 2 Estado da arte 2.1. Inspeção e Controlo de qualidade O processo que permite determinar se um produto se desvia de um determinado conjunto de especificações designa-se por inspeção. A inspeção de um produto, geralmente, envolve a medição de características específicas, como a integridade da peça, o acabamento superficial e as dimensões geométricas. Considera-se, então, como uma tarefa de controlo de qualidade, mas distinguindo-se de ensaios, como, por exemplo, de análise de tensões [3], ao analisar aspetos visuais, de acabamento e perfeição da peça inspecionada. É possível considerar que o controlo de qualidade, em concreto, na indústria cerâmica, tem várias fases que vão desde a escolha e preparação das matérias-primas, como a desagregação e a purificação dos barros, a preparação das pastas, a obtenção das peças, a sua dessecação e vidragem e, fundamentalmente, a sua cozedura. Após a obtenção das peças acabadas, o controlo de qualidade é essencialmente visual, por forma a serem detetadas falhas no seu fabrico. Para esse trabalho, dependese de pessoas altamente treinadas [2] . Foi possível constatar, em visita às instalações da empresa Matcerâmica, que o processo de controlo de qualidade, na sua grande maioria, é visual, com recurso a pessoas especializadas/peritas neste processo. A descrição do trabalho realizado por esta empresa, apesar de ter sido observado, é apresentada por Luís Martins [4]. Os operadores especializados verificam visualmente as peças de cerâmica e, também, o som emitido por estas ao serem batidas por um componente metálico. De seguida, a peça é colocada em um de dois lotes, um lote designado por peças sem defeito, onde as peças seguirão para o processo seguinte da fábrica, e outro lote, designado por peças com defeito. Neste lote, as peças seguirão dois caminhos distintos: (1) apresentam pequenos defeitos e passiveis de serem recuperadas ou (2) caso contrário, as peças serão totalmente destruídas. No seguimento da visita à empresa Matcerâmica, verificou-se que todas as peças, após a vitrificação, são inspecionadas. Foi publicado um estudo onde, analisados os diversos tipos de inspeção visual, conclui-se que será mais vantajosa a análise por lotes, em detrimento da inspeção total das peças [5]. Nesse estudo, é referido que a inspeção de uma amostra de um determinado lote, onde o resultado da inspeção é aplicado ao lote correspondente, é mais preciso que uma inspeção a todas as peças do lote. Isto deve-se ao simples facto dos operadores especializados apresentarem fadiga e inconsistência após algum tempo de trabalho. Como tal, existe a necessidade, por parte das empresas, ao realizarem inspeção à totalidade das peças, de um sistema de redundância de operadores. Este tipo de necessidade leva a um aumento de custos e tempo de inspeção. 7 Assim, como referenciado em 1.2, algumas empresas procuram inovar e aumentar a sua produtividade apostando na automatização. Uma das principais razões para a modernização do processo de inspeção passa, então, pela redução da presença humana, minimização do erro humano e redução dos custos atualmente elevados [6]. Um sistema automático daria às empresas a hipótese de inspecionar todas as peças dos diferentes lotes de forma rápida e com custos controlados. Independentemente da necessidade das empresas e da automatização de determinados processos, deve analisar-se a sua viabilidade. Esse estudo foi, mais uma vez, realizado há cerca de 20 anos por Newman e Jay [3]. Apesar de escrito em 1995, e a tecnologia ter evoluído desde então, é possível obter uma ideia das capacidades de base que um sistema deve ter, tais como: correr em tempo real, ser consistente, robusto e rentável. As capacidades que um sistema de inspeção automático poderá ter podem tornar o desenvolvimento do mesmo bastante dispendioso e demorado. O custo de desenvolvimento de um equipamento robusto poderá chegar às várias centenas de milhares de dólares [7], pois existem alguns componentes dispendiosos que não poderão ser eliminados, tais como, uma iluminação especial, um sistema de análise de imagem e, caso necessário, um sistema de orientação das peças. Contudo, existem procedimentos que podem levar à redução da complexidade do sistema, bastando, para tal, o posicionamento dos objetos a serem inspecionados. Para este efeito seriam usados guias de posicionamento especiais, tapetes transportadores e mesas rotativas [3]. Apesar dos custos envolvidos no desenvolvimento, muitos sistemas de inspeção visual têm sido desenvolvidos e construídos na última década, com aplicações que vão desde mosaicos até pratos de cerâmica e todo o tipo de faiança. Os equipamentos desenvolvidos e vocacionados para mosaicos têm uma particularidade, em regra, existe apenas a necessidade de uma inspeção da face superior. Analisando dois sistemas conceptuais para este fim [8] e [9] verifica-se que ambos partilham do mesmo número de etapas: Aquisição, Análise e Atuação. No caso do protótipo desenvolvido em [8], como se pode ver na Figura 1, à esquerda, existem dois módulos distintos, um de captura e outro de processamento, sendo o módulo de captura inserido na linha de produção. Este módulo é constituído por duas câmara industriais, um sistema de iluminação e duas fotocélulas que são utilizadas para a sincronização da aquisição imagem. 8 Peças cerâmicas Figura 1 - Protótipo de inspeção O módulo de processamento é constituído por um PC de alto desempenho, com uma placa de aquisição de imagem. Neste módulo, é processada a imagem, segmentada e atribuída uma classificação ao mosaico. Apesar destes dois módulos serem a base do protótipo, este contempla um sistema pneumático integrado na linha de produção, que elimina os mosaicos de pior qualidade. Além disso, existe um alarme que notifica o operador se um número elevado de mosaicos está a ser rejeitado. Ainda num dos estudos [8] é feita uma análise das vantagens deste sistema. É agora possível, com este protótipo, inspecionar automaticamente todos os mosaicos, podendo os operadores ficar alerta caso o número de mosaicos com defeitos seja acima do espectável. Além disso, permitirá, caso o protótipo seja montado antes do forno, inspecionar os mosaicos e, em caso de algum defeito, conseguir reciclar o produto. Estas vantagens permitem melhorar os custos de produção. Existem estudos onde o protótipo para inspeção de peças lisas em cerâmica está mais desenvolvido, indo mais além do que um simples conceito, como os ilustrados nas Figura 2 e Figura 3 [10]. Figura 2 - Esquema tecnológico do setor de qualidade de inspeção 9 Figura 3 - Sistema manipulador Neste trabalho são apenas analisados os defeitos de superfície, que, regra geral, ocorrem durante o processo de pintura, criando variação da tonalidade de cor ou saliências. Contudo, é referida a existência de outro tipo de defeitos no perímetro, como cantos partidos. O sistema apresentado na Figura 2 promove o transporte das peças até a estação de inspeção, onde se irá efetuar o controlo de qualidade da face superior do lote produzido. Na zona de controlo de qualidade encontra-se um manipulador Figura 3. Este tem uma dupla função: 1) suporte do sistema de inspeção que irá promover a análise de conformidade das peças produzidas e 2) o transporte, que irá retirar a peça e colocá-la em dois pontos distintos, dependendo do estado em que se encontra a peça (defeituosa ou não defeituosa). Os trabalhos acima descritos, como referenciado anteriormente, têm um ponto em comum: a inspeção de peças cerâmicas no face superior (mosaicos). Existindo a necessidade de uma inspeção mais completa, como é exigida pela faiança, estes sistemas tornam-se incompletos, não existindo em nenhum deles o conceito de virar as peças ou inspecionar inclusivamente pela face inferior. Um sistema mais completo deverá permitir detetar múltiplos defeitos em todas as faces da peça. Um desses sistemas é o representado na Figura 4. Apresentado em 2006, sob a forma de uma patente, este sistema tem a capacidade de deteção de inúmeros defeitos, tais como: pontos pretos grandes e pequenos, pontos brancos sobre um prato branco brilhante, rebordos danificados e defeitos na estampagem [11]. 10 Figura 4 - Esboço do equipamento de inspeção (Optomachine) Conseguindo detetar diversos defeitos, recorrendo à ajuda de três braços motorizados (BR1, BR2 e BR3), o sistema tem a capacidade de rodar os objetos e inspecionar todas as suas faces. As peças são transportadas pelo tapete transportador A (Figura 4) até ao sistema onde o braço BR1, com recurso a um gripper, fixa a peça e a transporta até à dome de iluminação 1. Após conclusão da inspeção, o braço motorizado BR2 transporta a peça da dome de iluminação 1 e coloca-a sob a dome de inspeção 2. No transporte do prato para a segunda dome no BR2, recorre-se de um sistema de ventosas para capturar a peça e, assim, transportá-la. Concluída a segunda inspeção, o braço motorizado BR3 transporta a peça para um de dois tapetes transportadores, tapete das peças aceites (posição BR3a) ou tapete das peças defeituosas (posição BR3b). É anunciado um processamento de 1200 peças por hora. Como resultado da patente acima descrita, a Optomachine (detentora da patente), construiu o equipamento de controlo de qualidade que se vê na Figura 5 [12]. Apresentando umas dimensões significativas (Figura 6), o equipamento demonstra algumas alterações face ao publicado por François Paradis [11]. Com uma limitação de diâmetro nos pratos de cerâmica entre 130mm e 320mm, este equipamento tem agora uma cadência apresentada de 700 peças/hora tendo sido reduzido para metade do anunciado pela patente [11]. 11 Figura 5 – Optomachine – Equipamento de controlo de qualidade Figura 6 - Optomachine - Layout do equipamento 2.2. Técnicas de processamento de imagem Qualquer equipamento de inspeção e controlo de qualidade requer um software que promova a deteção e seleção do produto a ser inspecionado. É possível considerar-se que ambos os sistemas são indissociáveis. Independentemente do sistema desenvolvido para inspeção, um braço robótico ou um gripper a simular a mão humana, é da maior relevância o desenvolvimento de um sistema que consiga ter os mesmos resultados do olho humano e capacidade de decisão, de um operador especializado. Os produtos de cerâmica são complexos de avaliar, devido às características inerentes como alto brilho, defeitos muito pequenos e produtos bastante frágeis. Neste contexto, e com as capacidades tecnológicas atuais, existem cada vez mais estudos para deteção de defeitos nestes produtos. Um desses estudos foi feito por Silveira e col [6] que desenvolveram um sistema de inspeção, com o objetivo de detetar três tipos defeitos específicos em pratos de cerâmica: 1) Fissuras; 2) Pontos pretos; 12 3) Relevos na superfície. Neste estudo foram apenas usados pratos brancos, de cor uniforme e sem padrões decorativos. Os autores afirmam, também ,que o desenvolvimento de sistemas de inspeção por visão computacional têm vindo a aumentar nos últimos anos no setor da cerâmica, mas no setor das loiças em cerâmica há ainda muito a desenvolver. A deteção de defeitos é efetuada em duas fases: a segmentação e a identificação. O principal objetivo da segmentação é isolar o defeito do fundo do prato. Depois, os módulos de identificação procedem à classificação do mesmo. Para cada tipo de defeito, foi desenvolvido e implementado, um algoritmo especifico. No caso das fissuras, a segmentação é feita com recurso a um algoritmo Canny Edge, que começa por aplicar um filtro Gaussiano para a redução do ruído. Numa segunda fase, é calculada a magnitude e direção do gradiente de imagem. De seguida, na fase de identificação, a imagem segmentada é dilatada, para minimizar a possibilidade de segmentos com cantos partidos. No final, é aplicado o processo que permite identificar as fissuras e diferenciá-las de outros defeitos. Depois de identificadas as fissuras, um retângulo em 2D é desenhado à volta das mesmas. No caso dos pontos pretos, é aplicado um algoritmo de threshold adaptativo. Esta abordagem permite levar em consideração o tamanho reduzido destes defeitos e a dificuldade em ter condições de iluminação aceitáveis. Neste método, o prato é dividido em regiões, de forma a tornar a iluminação mais uniforme em cada um delas. O resultado é uma imagem binarizada que vai ser submetida a um operador morfológico, de forma a eliminar algum ruído existente. Na fase de identificação, recorre-se a um algoritmo desenvolvido para fissuras. Depois de obtidos os contornos para as fissuras que a peça possa ter, obtemos uma nova imagem de fundo preto e contornos brancos. Após passar por um operador de dilatação, são eliminadas as fissuras, deixando apenas os contornos dos pontos pretos. Ao longo de muitos anos, muitos dos softwares comerciais para inspeção automática recorreram à binarização. A binarização no sentido lato da sua aplicação [3] é, por vezes, mais que suficiente para a determinação de defeitos em muitos objetos industriais. Além disso, economicamente, o uso de um algoritmo como base na binarização é uma vantagem, pois não é necessário o uso de sensores caros em conjugação como sistemas de luz simples. Este tipo de algoritmos reduz a quantidade de dados a ser processada e é bastante usado na contagem de píxeis, tendo, inclusivamente, a capacidade de análise de fronteiras de objetos. [13] Nesta área de inspeção, as peças de cerâmica nem sempre apresentam defeitos que permitam o uso exclusivo de técnicas como a binarização. Por vezes, é necessário recorrer a algoritmos mais poderosos, e computacionalmente mais pesados, para a deteção de defeitos. 13 No trabalho apresentado por Luís Martins [4], o tipo de pratos a analisar (pratos com decalques) impedia a utilização, única e exclusiva, de um algoritmo baseado na segmentação de imagem e aplicação da binarização. Neste caso, foi necessário recorrer a técnicas do tipo SIFT ou SURF, de modo a retirarem-se as características (descritores) dos pratos de cerâmica bons e com defeito. Obtidas estas características, foram implementados algoritmos de redes neuronais para o processo de decisão. A base de dados foi dividida em três partes por forma a treinar, validar e testar a rede construída. O recurso a algoritmos de decisão e avaliação de dados é fundamental neste tipo de análises, existindo para tal variadíssimas hipóteses. Num outro caso, onde o processo de análise de defeitos não é simples, é quando se pretende analisar mosaicos ou ladrilhos [14]. Neste processo, recorreu-se a algoritmos de lógica fuzzy. Foi necessário ter um processo de aprendizagem (em off-line), onde o algoritmo recolhe o máximo de características do produto, desde cor à forma, dos diversos desenhos do mosaico. De seguida, após serem criadas todas as regras fuzzy necessárias para o processo, são colocados novos mosaicos por forma a validar-se o algoritmo. Este tipo de algoritmos não é aplicado unicamente à inspecção e controlo de qualidade na indústria da cerâmica. Como se pode ver no estudo realizado por Luiz Martins [15], estas técnicas podem ser utilizadas em diversas indústrias, como a dos aços, por exemplo. Neste estudo foram realizadas imagens numa linha de produção de laminação de aços da siderúrgica ArcelorMittal, para a deteção de seis tipos de defeitos: solda laminada, grampo, furo de identificação, esfoliação, oxidação e marca de ondulação ou repuxo. De seguida, para a deteção desses defeitos e sua classificação, foram usadas técnicas de extração de características (Principal Component Analysis - PCA). Para a classificação dos defeitos com formas geométricas de maior complexidade, recorreu-se ao modelo de redes neuronais. 2.3. Técnicas de iluminação A escolha da iluminação na inspeção visual automática é um factor preponderante na obtenção de bons resultados. No desenrolar de uma apresentação promovida pela empresa INFAIMON em 2010 no Instituto Superior Técnico, o orador, especialista em técnicas de iluminação e deteção, referiu que 80% da viabilidade de uma aplicação de visão depende da iluminação. Existem diversos tipos de iluminação, desde luz direcional, luz difusa, passando pela iluminação estroboscópica. Cada um destes tipos de iluminação adequa-se melhor a um determinado produto que outro. Recorrendo-se aos inúmeros estudos e artigos nesta área, todos têm em comum o tipo de iluminação base, iluminação do tipo difusa, entre outras. Este tipo de luz, pelo facto de não ser direta, impede a formação de brilhos parasitas no objeto a ser estudado. No caso da patente [11] é referido que o sistema de luz usado é na sua maioria do tipo difuso, sendo também usados lasers para análise de geometria. A luz difusa é produzida com recurso a um dome em 14 forma de semiesfera, existindo uma abertura para a introdução do objeto a ser estudado. Contudo, é referenciado que o dome poderá ter a forma do tipo cilíndrica ou rectangular. No estudo realizado por Joaquim Silveira e col [6] é realizada uma descrição mais aprofundada. Para a deteção de relevos foi usado o método de reflexão de luz. Através deste método, todos os pratos sem defeitos de superfície refletirão a luz de forma uniforme e todos os pratos com defeitos refletirão a luz de forma não uniforme. Também neste método foi selecionada uma zona de interesse no prato, onde se fará incidir a luz de forma uniforme. Para a identificação de fissuras e pontos pretos, a iluminação foi feita com recurso a leds frontais, cuja luz é refletida numa campânula oval de cor branca (iluminação difusa). O resultado é uma imagem de um prato com iluminação uniforme. No caso da inspeção para detetar relevos, o método é um pouco diferente, pois só se analisa uma parte do prato. A iluminação utilizada é também de leds mas, vai incidir diretamente sobre o prato, a contrário do método anterior. Uma análise ao tipo de lâmpada usada foi feita por Ahmed Patel e col [16]. Neste artigo é descrito que os requerimentos fundamentais no sistema de inspeção visual automática consistem no tipo de câmara a usar e no sistema de iluminação. É referido que no tipo de luz difusa, poderá ser usada luz fluorescente, halogéneo ou leds. Este artigo faz menção às mais recentes pesquisas, onde foi demonstrado que comparando a luz fluorescente, halogéneo e leds, as imagens resultantes de um sistema de iluminação com luz led apresentam menos ruído, sendo as imagens obtidas de melhor qualidade. 2.4. Contribuições face ao estado da arte Pretende-se a criação de um sistema de controlo de qualidade, com capacidade para a verificação das peças (pratos de cerâmica), de ambos os lados. O sistema desenvolvido, em comparação com o proposto pela Optomachine [12], tem como principal diferença a versatilidade e simplicidade. O sistema não necessita de nenhum braço robotizado, para a inversão dos pratos de cerâmica, nem de nenhum gripper para a fixação do prato no ato de transporte. No sistema desenvolvido, o processo de viragem é mais simples. É usada uma peça de suporte para a captação do prato num tapete próprio (tapete de recepção). O sistema é composto por diversas peças de suporte formando um carrossel. Sempre que o carrossel rodar, de um lado um prato é captado e simultaneamente do outro lado, outro prato é deixado invertido sobre um tapete (tapete de saída). Além do sistema desenvolvido ser versátil, tem na sua génese o conceito de sistema modelar. Analisando-se os desenhos da patente [11] que deu origem ao equipamento anteriormente mencionado, e imagens do equipamento construído, rapidamente se percebe que após o sistema avaliar os defeitos dos pratos, estes são colocados em dois tapetes: tapete pratos defeituosos e pratos não defeituosos. Neste tipo de produto, nunca se sabe que tipo de defeito é que se vai encontrar no processo de inspeção. 15 O equipamento da Optomachine [12] poderá de forma correta avaliar a presença ou não de um tipo de defeito, mas irá empilhar diversos pratos, com diversos defeitos, num único tapete de rejeição. O sistema proposto neste trabalho permitira adicionar tantos módulos de rejeição consoante as necessidades exigidas. A cada módulo poderá corresponder um tipo de defeito. O sistema de iluminação proposto e construído é diferente dos demais existentes. No estudo realizado por Silveira e col [6] é referido que o sistema de iluminação usado, para a deteção de defeitos do tipo ponto preto, é campânula oval de cor branca. Este mesmo sistema é descrito na patente [11] como sendo a forma de iluminar os pratos. No sistema proposto, foi explorado uma forma diferente da campânula de iluminação. Continuando-se a usar um sistema de luz difusa, a campânula tem a forma de um semicilindro, em detrimento da forma semiesférica usada nos estudos acima mencionados. Contudo e como referido por Patel [16] é usada neste sistema luz do tipo led. Neste artigo é referido que este tipo de luz permite a redução do ruído nas imagens obtidas pelo sistema de iluminação. O algoritmo de suporte criado carateriza-se, à imagem do restante trabalho, por ser simples na sua implementação e interpretação, rápido, aberto e sem qualquer constrangimento de uso. No estudo de Silveira [6] é usado um algoritmo de fissuras para a identificação de pontos pretos. O algoritmo criado classifica um prato como sendo defeituoso, a partir da presença de ponto pretos. Não necessita de algoritmos suplementares para a sua identificação. Apenas são usadas técnicas de binarização e morfologia matemática. 16 3 Sistema automático de inspeção 3.1. Conceito Na criação do conceito de um equipamento, é fulcral ter presente as necessidades reais do cliente a que este se destina. Os atuais sistemas de inspeção automáticos são equipamentos extremamente caros, inacessíveis a grande parte das empresas e pouco versáteis. Tal como referido anteriormente, a solução alternativa é a utilização de mão-de-obra qualificada neste tipo de indústrias. A criação de um equipamento adequado às necessidades e dimensão de cada empresa será uma mais-valia. Pretende-se um sistema automático de inspeção versátil, robusto e de custo inferior aos demais existentes. No decorrer da visita à empresa Matcerâmica, foi possível constatar quais os procedimentos executados pelos seus colaboradores mais experientes. Os pratos que se encontram inicialmente em estantes móveis, provenientes do forno, são retirados manualmente por um colaborador e colocados sobre uma palete. Os pratos são empilhados, existindo entre eles diversas folhas de cartão, impedindo que estes sejam danificados. Colocados todos os pratos existentes na estante sobre a palete, esta é direcionada para uma das diversas mesas, onde é feito o controlo de qualidade. Na mesa encontra-se uma pessoa que analisa os diversos pratos de ambos os lados e agrupa-os consoante os diversos defeitos. Alguns dos defeitos existentes poderão ser corrigidos e o prato reaproveitado, caso contrário, será destruído. Noutro local distinto da fábrica é efetuado o processo de estampagem dos pratos em perfeitas condições e, posteriormente, a sua embalagem. Analisada a dinâmica de trabalho existente na fábrica, foi possível começar a delinear quais seriam os constituintes necessários para um sistema de controlo de qualidade automático: 1. Sistema de centragem 2. Sistema de visão/iluminação 3. Sistema de viragem 4. Sistema de rejeição 5. Sistema de estampagem Como referido o sistema deverá ser versátil, apresentando-se assim um conceito de sistema modelar. Cada módulo da linha de inspeção automática poderá trabalhar de forma independente ou integrada, consoante as necessidades de cada empresa. 17 Colocando-se a hipótese de a empresa Matcerâmica apenas pretender inspecionar a face superior do prato, num dado ponto da fábrica, o sistema de viragem e estampagem serão dispensados. 3.2. Desenvolvimento do conceito Determinado o conceito para um sistema de controlo de qualidade, é necessário desenvolvê-lo da forma mais rigorosa possível. Para tal e por forma a mostrar-se um sistema o mais real possível recorreu-se ao software Solidworks 2010. Na secção 1.3 deste trabalho foi referido que seria interessante desenvolver o sistema da forma mais económica. Tendo esse propósito sempre presente, foi desenvolvido um sistema com base em alguns produtos existentes no mercado e de fácil obtenção. Como será possível constatar ao longo de toda a explicação do desenvolvimento, o perfil de alumínio será o denominador comum de todos os módulos. Com recurso a catálogos de uma empresa de referência na área de perfis de alumínio, a ALUSIC [17], os diversos módulos foram formados de forma simples, compacta e estruturalmente robusta. 3.2.1 Sistema de centragem O primeiro módulo da linha de controlo de qualidade é composto pelo sistema de centragem. A principal função deste sistema é centrar cada prato transversalmente no tapete (Figura 7). Este sistema é constituído por duas estruturas em alumínio, sobre as quais assentam dois tapetes transportadores. Este módulo apresenta dois tapetes independentes, pelo facto de ser necessário criar uma separação entre os pratos, caso estes se apresentem seguidos. Dado que um operador pode colocar dois pratos de seguida no tapete, torna-se necessário garantir a separação dos mesmos. Assim sendo, ao serem detetados dois pratos seguidos, o primeiro tapete transportador para, enquanto o segundo continua a trabalhar. A paragem do segundo tapete será efetuada após o prato chegar ao sistema de centragem. 18 Figura 7 - Sistema de separação e centragem Como é possível verificar na Figura 7, os dois tapetes têm motorizações independentes pois só assim poderemos interromper a marcha de forma individual. Analisando-se de forma detalhada o tipo de montagem escolhida para a motorização (Figura 8), verifica-se que é bastante distinto nos dois tapetes. A peça de fixação do motoredutor (onde se encontra o tambor motor) tem uma dimensão superior em relação à peça de fixação do tambor livre, não permitindo uma grande aproximação dos tapetes, caso estes tenham o mesmo tipo de montagem. Assim sendo, optou-se, no caso do primeiro tapete, pela montagem mais simples, colocando-se o motoredutor na zona de introdução de produto. Em tapetes transportadores de grande comprimento e sujeitos a transportes de grandes cargas, não é aconselhada a colocação de um motoredutor no início do tapete mas, sim, no fim. A colocação da motorização no final destes tapetes promove o efeito de pull e não push. Neste caso, visto o tapete ser bastante curto e o produto a transportar ser de peso reduzido, a diferença entre as duas montagens possíveis do motoredutor não é significativa. Por sua vez, a motorização do segundo tapete é diferente do primeiro pois, ao invés de se optar por uma montagem à frente ou atrás no tapete, foi escolhida uma montagem central inferior. Esta montagem promove a possibilidade de a proximidade entre tambores ser muito reduzida (Figura 9) facilitando a transição de um tapete para outro. 19 Figura 8 - Sistema de separação e centragem - Vista lateral Figura 9 - Pormenor de transição de tapetes Os dois tapetes transportadores usam o mesmo tipo e cor de tela transportadora. Como o produto não apresenta grandes especificidades, não é obrigatório usar uma tela de características especiais. Assim sendo e com recurso a catálogos de possíveis fornecedores [18], optou-se por uma tela robusta, económica e de grande versatilidade: a tela do tipo U10. A centragem de cada prato é efetuada com recurso a um cilindro pneumático. Este cilindro pneumático faz atuar duas guias, que ajustam o prato transversalmente no tapete. Estas guias não requerem qualquer tipo de afinação em função das diversas dimensões dos pratos. Esta ausência de afinação deve-se ao regulador de pressão instalado antes da válvula elétrica 5/2, que faz atuar o cilindro pneumático. Este regulador está afinado para uma pressão inferior à pressão utilizada regularmente numa unidade industrial (6 bar). Desta forma, quando as duas guias entram em contacto com o prato, centrando-o transversalmente no tapete, não irão exercer uma forca excessiva que poderia levar o prato a saltar ou a ficar danificado. 20 3.2.2 Sistema de visão/iluminação O segundo módulo do equipamento de controlo de qualidade compreende o sistema de visão e iluminação. Após sair do sistema de centragem, o prato entra neste módulo com o objetivo de ser inspecionado/fotografado. É aqui que se encontram os sistemas de iluminação e de câmaras mais adequados para o processo. Em 3.5 ambos irão ser explicados de forma detalhada. Ao analisar-se a Figura 10 podemos verificar, em comparação com o módulo anterior, que a cor da tela transportadora deste tapete é diferente, passando do usual verde para preto. Apesar das características mecânicas desta tela serem as mesmas, tornou-se necessária a escolha de uma tela preta para melhorar contraste durante o processo de recolha de imagem do prato. Regra geral, os pratos são de cor clara. Assim, de forma a facilitar a obtenção de contornos por parte do software integrante deste equipamento, optou-se por uma tela de cor escura. Esta poderá ser uma limitação para indústrias que produzam pratos de cor escura ou preta e que queiram efetuar controlo de qualidade neste equipamento. Figura 10 – Sistema de visão/iluminação A nível estrutural e mecânico (montagem do motoredutor), este módulo é igual ao módulo do sistema de centragem, promovendo assim, o acoplamento de mais um tapete transportador o mais próximo possível. 3.2.3 Sistema de viragem O sistema de viragem de pratos cerâmicos é considerado o principal módulo de todo o sistema. Diferente dos sistemas apresentados na secção 2.1, este sistema é totalmente mecânico e dispensa qualquer tipo de braço mecânico, com auxílio de grippers para o movimento de inversão dos pratos. Pensado apenas para inversão de pratos (diâmetro mínimo e máximo do prato respetivamente: 100mm a 400mm), este sistema é constituído por três partes formando um único bloco (Figura 11): dois 21 tapetes iguais, um para receção de pratos e outro para saída destes e o sistema de viragem propriamente dito. O facto das três partes serem inseparáveis deve-se ao modo de como é realizada a captação do prato. Figura 11 - Sistema de viragem O sistema de viragem é constituído por diversas peças, com o nome de dedos de captação (Figura 12). O prato, após sair do sistema de visão, desloca-se até ao fim do tapete de alimentação, onde se encontra a primeira peça de captação. Este tapete promove o deslocamento dos pratos com recurso a correias trapezoidais, pois, só assim, se permite criar uma abertura, que possibilita a passagem dos três dedos interiores da peça pelo interior do tapete (Figura 13). A peça, designada por dedos de captação, ao subir, permitirá ao prato, até então assente sobre o tapete, passar a estar sobre os dedos. Os apoios da peça irão impedir o prato de rolar para fora do sistema, como se observa na Figura 12. O sistema desenvolvido permite que, a cada subida de um prato, se promova a descida de outro, no lado oposto. Sempre que um novo prato entra no sistema, outro sai invertido. Aquando do processo de descida dos pratos para o tapete de extração, verifica-se que estes se irão encostar à peça de captação, que se encontra à frente. Assim sendo, estas peças terão que ser forradas a borracha pela frente para a captação do prato e pela parte traseira, de modo a que o prato que sucede se possa encostar no processo de descida. Na Figura 11, à direita, é possível compreender o acima descrito. Figura 12 - Sistema de dedos de captação 22 Figura 13 - Pormenor de captação do prato A nível mecânico o sistema de viragem é constituído por três motores, um para cada tapete e outro para o sistema de viragem em concreto. Os motores dos tapetes deste sistema irão andar em sincronismo com os restantes tapetes e, aquando da paragem destes, o motor do sistema de viragem irá entrar em funcionamento e proceder ao levantar de um prato do lado esquerdo e pousar outro sobre o tapete do lado direito. O desenvolvimento deste sistema teve ainda a preocupação de cumprir com os requisitos legais para equipamentos a serem colocados no mercado com necessidade de avaliação de conformidade. Como é possível ver na Figura 11 (imagem à esquerda) o sistema tem as suas partes mecânicas em movimento protegidas com um acrílico. Caso haja a necessidade de uma manutenção, a retirada desta proteção inviabilizará o movimento do sistema, levando a que o sistema só trabalhe quando devidamente protegido. Esta preocupação durante o desenvolvimento vai de encontro ao Decreto-Lei nº 103/2008 Capítulo II Artigo 5º alínea 1 a), onde é descrito que o fabricante ou o mandatário, antes da colocação da máquina no mercado ou a colocar em serviço, deve certificar-se de que a máquina cumpre os requisitos essenciais pertinentes em matéria de saúde e de segurança. 3.2.4 Sistema de rejeição O sistema de rejeição, como o próprio nome indica, é o sistema onde os pratos poderão ser rejeitados ou prosseguir na linha. Após o prato ser invertido, entrará num segundo sistema de visão/iluminação. Passando este processo, o prato deslocar-se-á para o sistema de rejeição. É neste percurso e durante a sua duração, que todo o sistema terá que processar as imagens retiradas do sistema de visão/inspeção. Caso tenha sido detetado algum tipo de defeito no prato, o sistema será ativado e o prato deslocado para o tapete em tela. Caso contrário, prosseguirá sem qualquer ação sobre ele. Este sistema é composto por um tapete de rolos motorizados e por um tapete em tela do tipo U10 Figura 14. 23 Figura 14 - Sistema de rejeição A rejeição do prato defeituoso é feita com recurso a um sistema pneumático, onde um esbarro fixo a um cilindro pneumático de fita (o espaço ocupado por este tipo de cilindro é muito inferior ao cilindro tradicional com haste) empurrará o prato. Neste ponto do sistema, o tapete sob o prato não deverá ser em tela como os restantes. Uma vez que o prato se encontra invertido, caso o tapete fosse igual aos restantes, o esbarro não conseguiria empurrar o prato pela sua bordadura e o atrito sobre a tela dificultaria o processo. Além disso, são de todo desaconselháveis movimentos perpendiculares ao sentido de andamento de tapetes em tela, podendo provocar graves desalinhamentos da mesma. Assim sendo, a solução passa pela utilização de um tapete de rolos motorizados (Figura 15). Por forma a usar-se um sistema simples de tração existente no mercado, recorreu-se ao sistema apresentado pela Interoll [19], onde o último rolo será o rolo motor, estando todos os outros ligados entre si por cordões de borracha, proporcionando tração em todos eles. Figura 15 - Rejeição - Tapete rolos motorizados 24 3.2.5 Sistema de estampagem O sistema de estampagem é o último módulo de todo o sistema. Este módulo, montado no seguimento do módulo de rejeição, é constituído por um tapete transportador e um equipamento de estampagem (Figura 16). Como é possível observar nos demais pratos existentes, todas as empresas têm interesse na marcação da marca e logótipo nos pratos por si criados. Assim, é necessário que, após o sistema de rejeição e antes do sistema de agrupagem e embalagem, todos os pratos sejam marcados. No sistema de rejeição, o prato, não tendo apresentado qualquer tipo de defeito, seguirá na linha onde parará apenas no sistema de estampagem para marcação, completando-se, assim, todo o ciclo. Neste sistema, o tapete transportador construído na mesma base dos restantes, apresentará a sua motorização no fim, proporcionando, assim, uma maior aproximação entre o sistema de estampagem e o sistema de rejeição. O equipamento de estampagem, não desenvolvido no âmbito deste trabalho, pode ser adquirido de forma fácil no mercado e colocado junto ao tapete transportador em tela. Figura 16 - Sistema de estampagem 3.2.6 Sistema automático de inspeção completo Juntando todos os módulos definidos anteriormente, obtemos um sistema completo de controlo de qualidade, que permite a inspeção dos pratos por cima e por baixo, com a capacidade de rejeição, dos pratos com defeitos, e estampagem, para os pratos sem defeitos. Após o sistema de rejeição, é possível montar sistemas equivalentes. Caso o sistema inclua algoritmos de deteção, pode reencaminhar o prato para a linha de rejeição que corresponder ao tipo de defeito detetado. Este facto leva a uma poupança de tempo, pois o operador no final da linha, saberá exatamente qual o defeito detetado e poderá encaminhar o prato de acordo com o mesmo. Os diversos módulos de rejeição podem ser acoplados sucessivamente, consoante as necessidades da empresa. 25 Caso a empresa pretenda, apenas, a inspeção da face superior da peça, o sistema incluirá apenas centragem, visão pela face superior e rejeição. Não faz sentido incluir um sistema para virar os pratos, nem o módulo para estampagem, pois esta é efetuada apenas na parte de baixo e, neste caso, o prato não se encontra virado. Figura 17 – Sistema automático de inspeção – Vista isométrica Figura 18 – Sistema automático de inspeção – Vista lateral 3.3. Automatização O sistema automático acima descrito é um processo de simples automatização. Os sistemas de automatização, no passado, levariam algum tempo a serem implementados em relação ao atualmente utilizado, pois o sistema de comando e controle (autómatos) era mais dispendioso, tal como o processo de cablagem entre os diversos componentes era mais moroso. Atualmente, os sistemas de automatização disponíveis no mercado permitem criar um sistema de controlo compacto, robusto e de simples implementação. Para este sistema de inspeção foram pensados, com recurso à vasta gama de produtos da marca OMRON [20], variadores de frequência, um PLC, dois encoders e diversas células fotoeléctricas. O variador de frequência permite o controlo de velocidade de rotação do motor, sendo que, para tal, varia a frequência da corrente. O variador a utilizar neste sistema seria o modelo JX de 0,4Kw. Este modelo é um dos variadores de velocidade mais simples e económicos da gama e permite ligar dois motores ao mesmo variador. É de referir que a ligação de dois motores ao mesmo variador de frequência, implicará a aplicação da mesma frequência a ambos os motores. Além disso e com vista a um tipo de ligação mais rápida, este variador permite ligar-se ao PLC em Modbus. Este tipo de ligação 26 permitirá um tipo de programação e controlo mais simples, ao contrário da programação por trem de impulsos. O PLC para o sistema seria o CPU-CP1E. Este PLC é designado como um autómato de funcionalidade máxima, com custos mínimos. Permite a instalação de uma porta série do tipo RS485, para comunicação em Modbus e, assim, controlar os diversos variadores. Este PLC tem, nas suas características standards, 4 entradas rápidas, isto é, entradas a 10kHz por forma a se ligarem encoders. O sistema, como referido acima, necessitará apenas de dois encoders para o seu controlo. O encoder a implementar neste sistema poderá ser o encoder incremental E6B2-C, com uma resolução (impulsos por rotação) de 1000 pontos. Recorrendo ao desenho Nº 002 presente no Apêndice B é possível verificar que a distância entre os diversos sistemas é sempre a mesma, um metro exatamente. Esta distância foi idealizada desde o início do desenvolvimento do sistema, a fim de permitir a montagem dos vários componentes do mesmo. Assim sendo, sempre que um determinado prato estiver no sistema de centragem, ao serem ativados os motores dos diversos tapetes, o prato percorrerá um metro até ao sistema de iluminação e visão. Da mesma forma, o prato que se encontrava neste local percorrerá a mesma distância até à zona de captação do sistema de viragem e assim por diante. Por forma a que os pratos em qualquer ponto do sistema percorram efetivamente esta distância, a escolha da tela dos diversos tapetes teve em atenção as propriedades da mesma. A tela U10 é revestida a PVC, provocando atrito, o que levará a uma minimização dos deslizes do prato sobre o tapete. A existência de atrito permitirá a criação de rampas de aceleração e desaceleração mais abruptas . Toda a descrição acima realizada justifica a colocação de apenas um encoder num dos motores (e.g. motor do tapete do sistema de centragem), para controlar a distância que todos os pratos, nas diversas estações, têm que percorrer. Sendo a distância uma constante, o tempo em que esta é percorrida será também constante entre os diversos sistemas, as rampas de aceleração e desaceleração, bem como a frequência imposta será igual em todos os variadores de frequência. Estes parâmetros serão controlados e modificados pelo PLC. O segundo encoder será montado no motor, no sistema de viragem. Quando os diversos tapetes pararem e os pratos estiverem a ser inspecionados, em simultâneo, o sistema de viragem encontrar-se-á em funcionamento. Um prato irá ser captado para o sistema, enquanto outro o deixará no lado oposto, já invertido. Após o tempo estipulado para a inspeção terminar, os diversos tapetes entrarão em funcionamento e o prato já invertido avançará para o sistema de visão e iluminação. A montagem do encoder no sistema poderá ser feita como demonstra a Figura 19. 27 Figura 19 - Montagem encoder no conjunto Motor-redutor Tendo sempre em mente o princípio de um sistema robusto e economicamente viável, a implementação de apenas dois encoders em todo o sistema, reforça a preocupação de se cumprir com o conceito base. O equipamento necessário para o controlo do sistema de inspeção fica concluído com a aplicação de células fotoelétricas. Estas células fotoelétricas, também designadas por fotocélulas, usar-se-ão no sistema para deteção e confirmação do produto. No caso do primeiro tapete, será usada uma fotocélula para verificar se existem dois pratos seguidos. Esta deteção permitirá criar um espaço entre os dois pratos. Como descrito em 3.2.1, por forma a promover esse espaço, o primeiro tapete irá parar, continuando o segundo em marcha, até o prato se apresentar no sistema de centragem. Além da presença de uma fotocélula nesta zona, todos os sistemas terão uma fotocélula de confirmação de produto. A célula fotoelétrica a usar-se poderá ser a E3FA, sendo designado como um sensor fiável e fácil de utilizar e direcionada para diversos tipos de indústria, como a embalagem e a cerâmica [20]. Apresentados de forma detalhada os diversos componentes de controlo e suas funções, é preciso criar o programa de controlo. Contudo, antes de qualquer criação de programa, deve-se criar um pequeno diagrama, permitindo assim uma melhor interpretação de todos os passos a serem executados desde o início ao fim da linha bem como uma ideia dos diversos inputs e outputs do sistema de automação. Esse diagrama, designado por Grafcet (Figura 20), deverá ter presente as diversas etapas que estão associadas às ações e às transições que corresponderão a inputs do PLC. 28 Figura 20 - Grafcet do sistema automático de inspeção 3.4. Produção e dimensionamento mecânico Um equipamento, além da sua robustez e fiabilidade, tem como uma das suas principais características a sua capacidade de produção. Apesar do sistema ter sido pensado para um aumento de produção e competitividade de uma empresa, dificilmente um único sistema automático de inspeção poderá substituir 4 operadores especializados a trabalhar em simultâneo. Na fase de conceção e desenvolvimento, definiu-se que um valor aceitável de produção para este sistema automático, seria de 15 peças/min ou 900 peças/hora. O valor de produção anunciado é considerado um valor perfeitamente exequível, pois foi tido em consideração todo o tempo de trabalho do sistema de visão e distâncias a percorrer entre as diversas estações. 29 Como se pretende um sistema económico, foi considerado o tempo de 1 segundo para o sistema inspecionar/fotografar o prato. Além desse tempo, considerou-se 3 segundos para o prato percorrer a distância (um metro) que existe entre as diversas estações. Analisando os tempos atribuídos a cada função, é possível concluir que o tempo para inspeção permitirá uma câmara mais lenta, sendo desnecessária uma câmara rápida e com muitos FPS. Os 3 segundos irão influenciar o sistema de processamento de imagem. Sendo fundamental um controle do custo de todo o sistema, um dos equipamentos essenciais é o sistema de processamento das imagens, onde as imagens, captadas nos sistemas de visão, são analisadas e classificadas. Quanto maior for a velocidade necessária para a classificação das imagens, mais rápido terá que ser o hardware (processador) e software (algoritmos) de classificação. O sistema terá apenas 3 segundos para classificar uma determinada peça, pois é o tempo que a peça demorará entre o sistema de visão e o sistema de rejeição. Quando a peça chegar ao sistema de rejeição, terá que existir uma decisão, ou a peça é rejeitada e o cilindro pneumático é ativo ou a peça continua na linha. Por forma a cumprir com os tempos estabelecidos, é fundamental dimensionar a relação e o tamanho das caixas redutoras acopladas aos motores. Além disso, o número de rotações do motor imposto pelo variador de frequência é de extrema importância para os cálculos seguintes. Para os tapetes transportadores, consideraram-se motores de 1380rpm (50Hz). Sendo que a frequência de trabalho do variador será de 30Hz e considerando a velocidade de rotação proporcional à frequência de alimentação, teremos: 1380×30 50 = 828 𝑟𝑝𝑚 Visto que o tambor motor de todos os tapetes tem um diâmetro de 95 mm e tendo em conta a distância a percorrer entre cada sistema (um metro): 95×𝜋 = 298,45 𝑚𝑚 1000 298,45 = 3,35 Conclui-se, então, que o tambor terá que realizar 3,35 voltas ao fim de 3 segundos. Com este valor, é possível chegar à relação ideal da caixa redutora. Consultando o catálogo da Motovário Group [21] é possível definir que a caixa redutora a ser montada nos tapetes dos diversos sistemas deverá ter uma relação 1:10, de modo a obter-se a velocidade do tapete pretendida. Para o cálculo da dimensão da caixa redutora deverão ser feitos determinados cálculos para uma aproximação o mais exata possível. Considerando que o coeficiente de atrito estático entre a parte inferior do tapete e o tapete é de 0,2 e considerando que o prato pesa 1kg, temos que: 𝐹𝑎! = 0,2× 1×9,81 = 1,962𝑁 30 Considerando que o tambor do motor dos tapetes tem 95mm de diâmetro o binário exigido à caixa redutora, contemplando um fator de segurança de 1,5, será de: 𝐵𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑜 = 1,962× 0,095 2 = 0,093𝑁𝑚 𝐵𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑜!á! = 0,093×1,5 = 0,14𝑁𝑚 Recorrendo ao catálogo já referido, na página 57, é possível verificar que a implementação de uma caixa redutora de tamanho 30 (e.g. NMRV30), relação 1:10 e com o acoplamento de um motor de 0,18kw produzirá 5Nm. Este conjunto moto-redutor poderá ser uma solução para a motorização dos diversos tapetes. Apesar de todos os tapetes terem as mesmas características e, por conseguinte, as caixas redutoras montadas serem as mesmas, o dimensionamento da caixa redutora do sistema de viragem terá que ser avaliado de forma autónoma. Assim sendo e considerando o mesmo número de rotações do motor (1380rpm) e uma frequência de trabalho no variador de 30Hz teremos uma velocidade de rotação do motor de: 1380×30 50 = 828𝑟𝑝𝑚 Recorrendo ao desenho nº 003 presente no Apêndice B, verifica-se que, a cada movimento de captação os dedos de captação irão executar uma rotação de aproximadamente 26,5º. Este movimento terá que ser executado durante o tempo de paragem de um segundo pois, aquando da captação de um prato, outro do lado oposto será depositado. Após o tempo de paragem de um segundo, o prato, já invertido, irá percorrer em 3 segundos o metro de distância até ao sistema visão/iluminação. A relação ideal para esta rotação será de: 360 26,5 = 13𝑠 (𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑢𝑚𝑎 𝑣𝑜𝑙𝑡𝑎 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑙𝑒𝑡𝑎) 60 13 = 4,6𝑟𝑝𝑚 Chegado ao valor de rotações por minuto à saída da caixa redutora é possível chegar-se à relação. Recorrendo ao catálogo já referido [21], facilmente se percebe que a relação pretendida, independentemente do tamanho, não se encontra disponível, sendo o máximo catalogado 1:100. Uma solução seria baixar drasticamente a frequência do variador, fazendo com que a velocidade do motor fosse consideravelmente mais baixa. Um motor a trabalhar a baixa frequência poderá ter um problema de posicionamento, bem como aquecimento. Apesar de se conseguir colocar ventilação forçada para arrefecimento do motor, esta solução não é a mais correta. A solução passará pelo acoplamento de duas caixas redutoras. Observando a página 116 de supracitado catálogo [21], chega-se à conclusão que a relação final de 1:200 será suficiente para este caso. Considerando-se que a relação ideal foi a calculada anteriormente, diversas conjugações de tamanhos 31 de caixas redutoras podem ser feitas. A definição dos tamanhos será feita em função do binário necessário para o sistema. O desenho nº 003 do Apêndice B permite observar que o sistema de viragem é composto por 23 dedos de captação. Contudo, apenas 15 dedos estão em contacto com o guiamento de deslizamento. Considerando que a massa de cada dedo de captação e do prato são, respetivamente, 1,2kg e 1kg, é possível chegar a uma aproximação da força de atrito estática. Supondo-se que o guiamento de deslizamento tem um coeficiente de atrito de 0,2, temos que: 𝐹𝑎! = 0,2× 15×2,2×9,81 = 64,746𝑁 No desenvolvimento da motorização deste sistema foram colocados carretos de 48 dentes e um passo de ½”. Tendo este carreto um diâmetro primitivo de 194,18mm e considerando um fator de segurança de 1,5, temos: 𝐵𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑜 = 64,746× 0,194 2 = 6,29𝑁𝑚 𝐵𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑜!á! = 6,29×1,5 = 9,43𝑁𝑚 Recorrendo mais uma vez a [21], conclui-se que o acoplamento mais pequeno permitido (uma caixa redutora de tamanho 30 com uma de tamanho 40), montando um motor de 0,25kw produzirá, com uma relação final de 1:200, um binário de 65Nm. 3.5. Iluminação e câmaras A iluminação é uma das técnicas fundamentais nos processos de inspeção. Tal como referido em 2.3, existem diversos tipos de iluminação, sendo que 80% dos problemas, em visão computacional, se resolvem recorrendo a uma boa e adequada iluminação. Apesar de se verificar que o tipo de iluminação que se usa nesta área é do tipo difusa e formada por um dome (semi-esfera), neste trabalho tentou-se explorar outra alternativa. Sempre com a preocupação de se desenvolver algo económico e de fácil reprodução, criou-se um sistema de iluminação difusa (campânula) com a forma de um semicilindro como mostra a Figura 21. 32 Figura 21 - Sistema de iluminação e visão Com uma capacidade de receber pratos até 450mm de diâmetro, este sistema é formado pelas suas laterais em aglomerado de madeira e uma cúpula em chapa metálica de 1,5mm. A cúpula é de fácil produção, utilizando uma chapa e com recurso a um equipamento de curvar (calandra), foi possível chegar à forma desejada. Por forma a evitarem-se brilhos parasitas aquando da reflexão da luz, todo o sistema foi pintado de branco mate. Além da escolha da tinta, foi contemplada uma calha onde se encontra instalado todo o sistema de iluminação (Figura 22). Esta calha não permite que a luz tenha uma incidência direta no prato, sendo esta apenas emitida para a cúpula. Figura 22 - Interior do sistema de iluminação A iluminação implementada no sistema foi do tipo led. Adquirida uma fita de 5mt com 150 leds do tipo SMD5630 (branco frio 6000K), esta foi cortada em partes iguais e distribuída pelas calhas. Devido à potência da fita (40w), foi aplicada uma fonte de alimentação industrial da marca Mean Well modelo S-100F-12 com um output de 12VDC e 8.5A. Descriminado o material utilizado no sistema de iluminação, é possível ver na Figura 23 que foram ainda usados 6 interruptores. Ligando o sistema aos 33 220V, um troço da fita de cada uma das calhas acende de imediato e as restantes têm a possibilidade de serem ligadas à medida que os interruptores vão sendo acionados. No Apêndice C é possível encontrar um esquema eléctrico das ligações executadas. Figura 23 - Quadro de comando iluminação Como referido acima, a escolha de uma iluminação adequada é fundamental, mas a escolha de uma câmara é um ponto crucial. Em 3.4 foi definido que o prato estaria parado no sistema de visão e iluminação 1 segundo. Assim sendo, foi possível utilizar-se uma câmara DSLR (digital single-lens reflex) com um sensor do tipo CMOS (Complementary metal-oxide-semiconductor). Tendo sempre presente as necessidades do trabalho mas com responsabilidade económica, verifica-se que, apesar de não ser usada a nível industrial, enquadra-se perfeitamente neste trabalho. O uso de um sensor CMOS em detrimento do sensor CCD (charge-coupled device) torna esta solução mais económica, apesar de, em casos de necessidade de imagens em muito alta qualidade, os sensores CCD serem superiores aos CMOS. Neste trabalho a DSLR usada foi a Canon 600D com 18 megapíxeis e uma lente Canon EF-S 15-85mm f/3.5-5.6 IS USM. De forma a podermos comparar todas as imagens dos pratos com o mesmo rigor e equidade, ao longo de todo este trabalho, as configurações da máquina não foram alteradas, tendo sido escolhidas inicialmente de forma manual. Assim, observa-se que nas propriedades de todas as imagens o exif (exchangeable image file format) será igual, com exceção do nome. Foi configurada uma distância focal constante de 15mm, um índice de sensibilidade (ISO) de 100, uma velocidade de abertura do obturador de 1/100 e um valor de abertura do obturador de 5,6. 34 4 Técnicas de processamento de imagem 4.1. Introdução teórica O estudo das técnicas de processamento de imagem, a par do desenvolvimento de um sistema automático de inspeção, é um dos principais objetivos deste trabalho, com vista a uma melhoria no controlo de qualidade. Sendo neste estudo abordados determinados conteúdos teóricos, será feita uma pequena introdução dos mesmos. 4.1.1 Binarização A binarização é a conversão de uma imagem RGB em uma de dois tons (imagem binária) a partir de um determinado valor de threshold (variação do valor de 0 a 1). A binarização é bastante útil quando se pretende separar um motivo do seu fundo (Figura 24) e é realizada a partir dos níveis de cinzento de uma imagem a cores, sendo o threshold de dois tipos: Global ou Local. Quando um valor de threshold é do tipo Global, esse valor é constante para toda a imagem. No caso do valor ser do tipo Local, existirão diferentes valores para diferentes regiões da imagem. O valor de threshold pode ser definido de três formas diferentes: • Tentativa/erro; • Inspeção visual do histograma; • Métodos automáticos. Por tentativa e erro, o operador poderá escolher qual o valor que, em sua opinião, melhor se adequa à sua imagem. Caso a escolha do valor seja feita com recurso à análise do histograma, geralmente o valor será o ponto de cruzamento entre os picos do histograma, onde cada pico corresponde a duas características distintas da imagem. O grau de sobreposição irá depender da separação dos picos e da sua largura e, assim, influenciar no valor de threshold. Existe um determinado risco nesta escolha, pois alguns píxeis poderão ser incorretamente classificados. Apesar do erro inerente, não é fácil a obtenção clara de um valor, quando não existem dois picos claramente distintos. Numa imagem praticamente 35 uniforme, sem textura da superfície e sem nenhuma variação de cor, irá dar origem a um pico no histograma relativamente estreito. Por fim, o valor de threshold pode ser calculado de forma automática. O método de Otsu é o mais conhecido, onde o valor de threshold é escolhido para minimizar a variância intra-classe dos píxeis pretos e brancos. Figura 24 - Imagem a cores (direita) e a mesma imagem binarizada (esquerda) 4.1.2 Morfologia O estudo morfológico concentra-se na estrutura geométrica das imagens. A morfologia pode ser aplicada em diversas áreas de processamento de imagens, como, por exemplo, no realce, na filtragem, na segmentação, na esqueletização e entre outros. A ideia da morfologia é que numa imagem constituída por um conjunto de píxeis, estes são reunidos em grupos, tendo estes uma determinada estrutura bidimensional, isto é, uma determinada forma. Assim, existem determinadas operações matemáticas que podem ser utilizadas para realçar alguns aspetos específicos das formas, permitindo então que sejam contabilizadas ou reconhecidas. As operações morfológicas estão divididas em operações morfológicas binárias e operações morfológicas de imagens a cores ou de tons de cinza. Cada operação em imagem binária tem a sua correspondente para imagem em tons de cinza e a cores. Existem diversas operações básicas na morfologia binária tais como: Dilatação – É uma transformação morfológica que combina dois conjuntos usando adição vectorial (conjunto da imagem mais o elemento estruturante). O resultado será uma imagem mais preenchida. (conjunto com mais píxeis em relação ao inicial). Erosão – É uma transformação morfológica que combina dois conjuntos usando subtração vectorial (conjunto da imagem menos elemento estruturante). O resultado será uma imagem mais pequena (conjunto com menos píxeis em relação ao inicial). 36 Abertura – é uma função morfológica que conjuga uma erosão seguida de uma dilatação. Em regra, suaviza o contorno de uma imagem, elimina proeminências delgadas e pode, também, ser usada para remover ruídos de uma imagem. Fecho – é uma função com ordem contrária ao opening. Ocorre primeiro uma dilatação e, de seguida, uma erosão. O closing irá fundir pequenas quebras na imagem e, eventualmente, fechar pequenos orifícios. 4.1.3 Transformada de Hough A transformada de Hough foi originalmente elaborada para detetar características analiticamente representáveis em imagens binarizadas, assim como, linhas, círculos e elipses. Na última década, esta ferramenta tornou-se comum na visão artificial para o reconhecimento dessas mesmas características. O algoritmo inicia-se com a leitura da imagem original convertendo-se esta imagem para uma imagem binarizada. De seguida, é utilizado o método de Canny para a obtenção da imagem que contém os píxeis das bordas. Dá-se, então, início a um processo de eleição de círculos, onde os votos são atribuídos aos pontos de passagem dos possíveis círculos existentes na imagem. Os votos são acumulados numa matriz de acumulação de votos, sendo que a deteção de um possível círculo é obtida quando um valor máximo é obtido no acumulador de votos. No caso da transformada de Hough do círculo, a pesquisa dos píxeis do círculo da imagem fornecida (binária) é feita com recurso à definição matemática do círculo 𝑥 − 𝑎 ! + 𝑥 − 𝑏 ! = 𝑟 ! onde a e b são as coordenadas do centro do círculo e r o raio do mesmo. O operador deverá, de início, fornecer o valor aproximado do raio do círculo. 4.2. Tipos de defeitos Uma parte não menos importante deste trabalho é a obtenção das peças para serem analisadas. No caso deste trabalho, as peças, pratos em cerâmica, foram fornecidas aquando da visita às instalações da empresa Matcerâmica. Nessa visita, além de se constatarem os procedimentos executados pelos seus colaboradores como referido em 3.1, foi possível recolher amostras dos pratos com os defeitos mais comuns. Nesta visita verificou-se, ainda, que existe um procedimento de inspeção que não será contemplado neste trabalho, o toque. O operador, com recurso a uma peça metálica, bate no prato e, consoante o som emitido, o operador especializado tem a perceção de uma possível falha no interior do prato. Foram fornecidos pratos de três famílias: completamente brancos com rebordo trabalhado, completamente brancos com rebordo simples e pratos com um decalque na face superior e rebordo simples. Os defeitos presentes e que foram recolhidos nos pratos encontram-se descritos na Tabela 1. 37 Tabela 1 - Descrição dos defeitos Tipo de prato Tipo de defeito Letra atribuída ao defeito Completamente Pontos pretos A branco Grânulos escuros A/B Grânulos claros B Partido/lascado C Bordas partidas/lascadas F Bolha D Decalque E Bordas partidas/lascadas F Sem defeito X Com decalque Ambos No Apêndice D é possível visualizar figuras de todos os defeitos acima mencionados. Neste trabalho, para além da criação de uma base de dados com todos os pratos (apresentada em 5), foram usados os pratos completamente brancos e simples. Foram considerados defeitos do tipo ponto preto (parte de cima e parte de baixo do prato) e defeitos/irregularidades na borda tais como quebra ou pequenas protuberâncias. A análise da borda permitirá, ainda, saber se um determinado prato se encontra com a geometria correta. O prato, apesar de não apresentar nenhum defeito dos acima descritos, poderá ter as suas dimensões maiores ou menores do que foi previamente estabelecido, sendo possível neste trabalho a análise deste parâmetro. 4.3. Métodos implementados Conhecidos e apresentados os diversos defeitos a detetar, procede-se à descrição dos algoritmos implementados neste trabalho. Estes foram desenvolvidos no software Matlab versão R2009b 64bit Mac OSx. Foram elaborados três algoritmos: • um algoritmo para deteção de pontos pretos (tipo A) na face superior do prato; • outro para o mesmo defeito mas, na face inferior; • um terceiro para análise da bordadura (defeitos do tipo F) e verificação de geometria. 38 4.3.1 Pré-processamento Todos os algoritmos acima descritos têm em comum um pré-processamento. No pré-processamento teremos sempre os seguintes passos: Abertura da imagem – A imagem obtida do sistema de visão/iluminação é lida pelo algoritmo com o seu nome original. O algoritmo tem a capacidade de ler a imagem onde esta se encontra gravada, não existindo a necessidade do operador a introduzir dentro do programa. Redimensionamento da imagem – é realizada uma redução face ao tamanho original da imagem. Binarização – é definido um valor de threshold e binarizada a imagem inicial. Novo redimensionamento da imagem – é realizada uma nova redução, mais acentuada, da imagem anteriormente binarizada. Aplicação transformada de Hough – Com a imagem reduzida, é introduzido o algoritmo da transformada de Hough, de modo a calcular os contornos do prato. Os outputs obtidos são o raio da figura e as coordenadas do seu centro. Crop – Permite fazer um corte na imagem e deixar apenas o prato com um pequeno rebordo. A realização deste corte só é possível devido às coordenadas do centro do prato, bem como o raio obtido pela transformada de Hough. Redimensionamento da imagem Abertura da imagem Aplicação da transformada de Hough Crop Binarização Novo dimensionamento da imagem Figura 25 – Fluxograma de pré-processamento Descrita a fase do pré-processamento, comum aos três algoritmos, as diferenças entre os três algoritmos serão significativas. 4.3.2 Algoritmo deteção de defeitos pela face superior No caso do algoritmo responsável pela deteção de pontos pretos pela face superior, numa abordagem inicial do desenvolvimento, foi delineado um algoritmo com base nos descritores SURF. Este tipo de 39 algoritmo é um detetor de caraterísticas locais robusto, sendo atualmente utilizado nos processos de visão computacional em reconhecimento de objetos. Esta abordagem levaria à obtenção das características das diversas imagens (pratos), pelos descritores, mas, implicaria, à partida, a presença suplementar de um algoritmo de decisão. O algoritmo de decisão, a ser implementado, poderia ser uma rede neuronal ou um algoritmo de lógica fuzzy baseado no modelo Takagi-Sugeno, por exemplo. Este tipo de abordagem, e com referência em alguns trabalhos já desenvolvidos na área e apresentados na secção 2.2, poderia ser de grande interesse no cumprimento dos nossos objetivos, encontrar defeitos na face superior e inferior do prato. Contudo, o algoritmo delineado levou muito tempo para obtenção dos necessários outputs. Assim, era necessário um tipo de processamento mais robusto, de modo a ser capaz de fornecer em tempo útil o resultado das análises das imagens. O aumento do poder de processamento levaria a um aumento substancial do valor de investimento da linha de controlo de qualidades. Assim sendo, e não marginalizando de todo a possível solução acima descrita, decidiu-se utilizar uma abordagem mais simples e com a necessidade de recursos mais básicos. Procedeu-se, então, no caso da deteção de defeitos na face superior, à utilização da binarização e técnicas de morfologia para a deteção. Neste processo, o ponto crítico será o valor de threshold a ser usado. A câmara usada neste trabalho, apesar de não ser considerada uma câmara de alta velocidade, é considerada uma câmara de alta resolução. Esse facto leva à deteção nas imagens de pormenores do prato, que são praticamente impercetível ao olho humano. Assim sendo, aquando da binarização, caso o valor do threshold seja demasiado alto, além dos defeitos constituintes do prato, aparecerão os pormenores indesejáveis. Neste caso, o objetivo é aparecerem no prato única e exclusivamente os pontos pretos considerados defeitos. Optou-se por um threshold escolhido de forma manual, sendo este valor afinado para o defeito que se considera mais pequeno (aproximadamente 1mm). Escolhido o valor de threshold, o algoritmo procede à inversão da cor de todos os píxeis e conta o número de defeitos (conjunto de pontos brancos) existentes na imagem. Valor do threshold (pré-‐processamento) Inversão de cor Contagem de defeitos Figura 26 - Fluxograma do algoritmo de deteção de defeitos pela face superior 40 4.3.3 Algoritmo deteção de defeitos pela face inferior No caso da deteção de defeitos pela face inferior do prato, o algoritmo implementado é praticamente o mesmo, existindo uma pequena nuance. Como é possível verificar nas imagens do Apêndice D, os pratos não têm qualquer tipo de vitrificação no rebordo que assenta o prato sobre uma superfície. A presença de sujidade nesse rebordo poderia levar à deteção de um defeito (falso positivo). Assim sendo, procedeu-se à eliminação do rebordo na imagem com recurso ao centro calculado no préprocessamento. De notar que a eliminação deste rebordo só é possível, visto neste trabalho apenas se analisarem defeitos do tipo ponto preto. Caso fossem analisados bordos partidos ou lascados, este tipo de abordagem não poderia ser feita. O método de deteção e contabilização de defeitos, é o mesmo que foi aplicado para a face superior do prato. Escolha do threshold (préprocessamento) Eliminação do rebordo Inversão de cor Contagem de defeitos Figura 27 - Fluxograma do algoritmo de deteção de defeitos pela face inferior 4.3.4 Algoritmo de análise da bordadura verificação de geometria Após o pré-processamento é realizada a deteção do perímetro de todos os componentes da imagem. Por conseguinte, é obtida uma imagem onde é mostrada apenas a bordadura do prato, assim como os contornos dos defeitos, caso existam. De seguida são analisadas todas as linhas limite do prato, por forma a obter-se o centro exacto do prato. Sendo detetada a primeira linha (linha a vermelho da Figura 28) e a última linha (linha a azul da Figura 28) é possível obter a coordenada exata no espaço dentre as linhas. Realiza-se o mesmo procedimento para as colunas e obtém-se o centro do prato. 41 Figura 28 - Deteção das linhas limite do prato Calculado o centro do prato são eliminados todos os píxeis interiores e exteriores, em relação ao bordo do prato. É então feito um levantamento da posição de todos os píxeis da bordadura em relação ao centro calculado. A posição em (x,y) de todos os píxeis permite, com recurso ao centro, saber a distância de cada um ao centro. Obtidas todas as distâncias é elaborada a média das distâncias e o desvio padrão. A deteção de uma quebra no rebordo, é feita com recurso à distância mínima detetada na tabela de distâncias dos diversos píxeis ao centro. Caso esse valor seja inferior à média calculada, menos o desvio padrão, nesse ponto é assinalada uma falha. Caso se pretenda analisar a existência de uma protuberância no rebordo, o processo de deteção é idêntico, sendo, nesse caso, utilizado como referência o máximo valor da distância encontrada. 42 5 Apresentação e discussão de resultados 5.1. Iluminação Um sistema de iluminação correto é um elemento primordial na obtenção de bons resultados. A escolha do tipo de iluminação é feita em função do tipo de objeto que se pretende visualizar, sendo, neste caso, um prato vitrificado e com características altamente refletivas. Neste trabalho tentou obter-se um sistema de luz omnidireccional e através de uma forma diferente (semicilíndrica) chegar a resultados em muito idênticos aos obtidos com sistemas descritos em 2.3. Figura 29 - Imagem prato com luz direta Figura 30 – Aplicação de luz difusa. Prato completamente branco rebordo simples (esquerda) e Prato completamente branco rebordo trabalhado (direita) 43 Figura 31 - Aplicação de luz difusa. Prato decalque e rebordo simples (esquerda) e Prato com rebordo simples invertido (direita) Figura 32 – Apresentação de defeito tipo A – luz directa (esquerda) e luz difusa (direita) Como é possível constatar pelas imagens obtidas, visualmente foi possível chegar ao resultado previsto. Comparando os resultados de luz difusa com a imagem de luz direta, foram eliminados todos os brilhos parasitas. As imagens provenientes de sistema desenvolvido permitem ver todas as características do prato, desde rebordos, decalques bem definidos e possíveis defeitos. No sistema de iluminação foram utilizadas todas as fitas de leds ligadas. A intensidade da luz presente dentro do sistema é, assim, a mais intensa possível. Além de se promover um contraste superior, entre os defeitos e o restante prato, este fator permite, na afinação de abertura do obturador, aumentar o valor de abertura, isto é, permite ter o obturador mais fechado. Com um valor de abertura mais alto, a profundidade de campo é maior. Caso a intensidade de luz dentro do sistema fosse mais reduzida, a afinação da câmara teria que ser ajustada de modo a promover a entrada de mais luz na câmara fotográfica. Aumentando-se a abertura do obturador, a profundidade de campo seria reduzida substancialmente. Como o prato não é uma superfície plana, com a redução da profundidade de campo, a imagem do prato poderia estar bem focada no centro, mas perderia definição à medida que se avançase para o rebordo. Em todas as imagens foi colocado um pano preto por baixo do prato. Este pano preto simula a tela preta descrita em 3.2.2. Apesar da existência de pratos pretos, e tornando-se esta cor de tela propícia a problemas na deteção do contorno, na sua grande maioria, os pratos existentes no mercado são de cor clara. Assim, o sistema de iluminação, incluindo a cor da tela transportadora, está visualmente preparado para a generalidade dos casos existentes. 44 5.2. Base de dados No decorrer da visita à empresa Matcerâmica, foram fornecidos diversos pratos com diversos defeitos. Os pratos fornecidos representam a generalidade dos defeitos encontrados pelos operadores especializados. Com vista à criação de uma base de dados, essencial para este trabalho, foi possível dividir os pratos fornecidos em três famílias: • Prato branco com rebordo trabalhado (Quantidade - 35); • Prato branco com rebordo simples (Quantidade - 25); • Prato com decalque e rebordo simples (Quantidade - 24). Como é possível verificar, a quantidade de pratos fornecida não é significativa. Constatou-se que são poucos os pratos de cada família que têm o mesmo defeito. Esta situação levanta o problema de validação de quaisquer resultados obtidos, pois a amostragem de uma família de pratos com um determinado defeito é muito baixa. Assim sendo, definiu-se que, para cada prato, colocado no sistema de iluminação e visão desenvolvido (Figura 21), fossem tiradas, em média, 5 a 6 fotografias. Contudo, na amostra recolhida, havia um prato que apresentava não um ponto preto na face inferior, mas um risco, sendo, neste caso, tiradas 13 fotografias. Um prato, ao ser centrado e colocado sob a câmara fotográfica manualmente, era fotografado, rodado (sobre si mesmo) e, de seguida, fotografado novamente. Este processo foi repetido até se atingir a média de fotografias pretendida. Existem duas razões inerentes à rotação do prato. Numa primeira situação, existe o interesse de se criar uma base de dados de imagens mais completa. Rodando-se o prato, os defeitos, caso existam, encontrar-se-ão noutra posição da imagem, considerando-se, assim, que as imagens são diferentes entre si. Por conseguinte, existe o objetivo de se testar se os diversos algoritmos são invariantes à rotação. Uma segunda situação será a influência da luz. Implementando um sistema de luz difusa do tipo semiesfera, sempre que um prato fosse rodado, a distância de um defeito à fonte de luz seria sempre constante. No sistema desenvolvido com luz difusa, mas do tipo semicilindro, o prato, ao ser rodado, terá variação da distância à fonte de luz. Parte-se do princípio que a iluminação dentro deste sistema é constante em toda a sua área, contudo, existe interesse em avaliar esta situação. Para a construção de toda a base de dados foram usados dois softwares distintos. A câmara fotográfica Canon 600D, foi controlada remotamente com recurso ao software da Canon EOS utility. Este software permite controlar per computador a imagem em tempo real, verificando-se, desta forma, se o prato estava centrado na imagem, bem como verificar o exif, como se pode ver na Figura 33. 45 Figura 33 - Canon EOS Utility - controlo remoto Canon 600D Simultaneamente foi usado o software Microsoft Office Excel 2013, onde foram registados os seguintes parâmetros: • Quantidade: Mostra o número da fotografia dentro de toda a base de dados; • Identificação: Identificação da fotografia registada pela câmara fotográfica; • Definição: Existem três colunas com a descrição de Defeito por cima, Defeito por baixo ou Sem defeito. É identificada com o número 1 a coluna de definição daquela imagem e com o número 0 as restantes colunas; • Família: A família a que pertence o prato é marcada com uma cor, por uma questão de filtragem de dados; • Tipo de defeito: É colocada nesta coluna a letra correspondente ao defeito encontrado. Tabela 2 - Excerto do Excel da base de dados 46 O resultado de todo o trabalho fotográfico, com recurso ao sistema de iluminação, foi uma base de dados com 643 imagens de pratos. O fluxograma apresentado na Figura 34 resume a base de dados construída bem como a quantidade de imagens tiradas a cada família de pratos e seus defeitos. 643 imagens de pratos 568 imagens de pratos por cima 178 imagens de pratos brancos com rebordo trabalhado 178 imagens de pratos brancos com rebordo simples 75 imagens de pratos por baixo 212 imagens de pratos com decalque e rebordo simples 31 imagens com defeitos de tipo A 43 imagens com defeito do tipo A 17 imagens com defeito do tipo A 45 imagens com defeitos de tipo A/B 21 imagens com defeito do tipo A/B 46 imagens com defeito do tipo B 19 imagens com defeitos do tipo B 54 imagens com defeito do tipo B 106 imagens com defeito do tipo E 11 imagens com defeito do tipo C 5 imagens com defeito do tipo F 6 imagens com defeito do tipo F 4 imagens com defeito do tipo D 55 imagens sem defeitos 37 imagens sem defeito 29 imagens com defeito do tipo A 8 imagens com defeito do tipo A/B 38 imagens sem defeito 68 imagens sem defeito Figura 34 - Fluxograma da base de dados Cada imagem da base de dados foi tirada no formato RAW da Canon (extensão .CR2), existindo uma imagem em formato JPEG correspondente. Foi avaliada inicialmente a correspondente JPEG da imagem, devido à possível perda significativa de qualidade gráfica, aquando da compressão automática da Canon. Com recurso ao software Photoshop CS5, verificou-se que apesar da perda de informação e relativa perda da qualidade, estas apresentam qualidade mais que suficiente para uso no trabalho proposto. Na Figura 35 pode constatar-se que existe uma diferença a nível da luminosidade de cada formato. No exemplo da Figura 36, com um zoom 200%, demonstra-se que, apesar de uma visível perda de qualidade, esta não parece ser significativa. Assim sendo, no trabalho foram usadas imagens do tipo JPEG, evitando-se, assim, formatos com menos compressão (TIFF ou PNG), mas mais pesadas. Este tipo de formatos poderia, no decorrer no algoritmo, atrasar todo o processamento da imagem, devido ao seu peso. 47 Figura 35 - Imagem de um prato em formato RAW (esquerda) e em formato JPEG (direita) Figura 36 - Detalhe de um defeito - Zoom 200%. Imagem em formato RAW (esquerda) e em formato JPEG (direita) 5.3. Método implementado 5.3.1 Pré-processamento Como descrito em 4, todos os algoritmos desenvolvidos para deteção de defeitos ou análise de geometria, têm em comum o mesmo pré-processamento. 48 O pré-processamento é iniciado com a abertura da imagem. A Figura 37 mostra a imagem de um prato, escolhida da base de dados, da família dos pratos completamente brancos de rebordo simples. A imagem é lida pelo algoritmo onde esta foi gravada pelo sistema de visão e iluminação. Figura 37 - Imagem de abertura do pré-processamento Após a leitura da imagem, o algoritmo procede ao redimensionamento da imagem original. Este redimensionamento deve-se à grande dimensão da imagem original. O redimensionamento é feito a uma escala de 50% inferior ao tamanho inicial. Este processo de redimensionamento teve em atenção a possível perda de definição provocada por esta ação. Na Figura 38 é possível ver a imagem do prato lido inicialmente após o redimensionamento. Como se constata, os defeitos deste prato, três pontos pretos (defeito tipo A), são claramente visíveis. Figura 38 - Pormenor do defeito do prato Trabalhando-se, agora, com uma imagem mais “leve”, mas com um bom grau de definição, procede-se à binarização e, por conseguinte, à escolha de um valor de threshold. Como descrito em 4.3 a escolha do valor de threshold é feita de forma manual. Para determinar o melhor valor de threshold existiu o cuidado de se escolher um prato, da base de dados, que tivesse o tipo de defeito A (ponto preto) mais pequeno. Este facto permite afinar o valor, de modo a captar apenas os defeitos do prato e não outro tipo de pontos imperceptíveis ao olho humano. Iniciando-se com o valor de 0,75 (valor de threshold varia de 0 a 1), foi possível obter o resultado da 49 Figura 39. Como se constata, além dos três defeitos do prato, foram mostrados outros dois pontos que pela Figura 38 não aparentam existir. Figura 39 - Imagem binarizada - threshold 0,75 Apesar do resultado obtido, aquando da escolha do valor de threshold, foi aplicada uma transformação morfológica, a erosão. Esta transformação permitiu, de forma fácil, verificar se, além daqueles dois pontos acima mencionados, outros eram mostrados na imagem. Pela Figura 40 verifica-se visualmente que existe mais um ponto, de dimensão ainda mais reduzida, e que sem esta transformação morfológica, seria bastante difícil de detetar. Figura 40 - Zoom out da imagem binarizada - threshold 0,75 Após algumas tentativas, chegou-se ao valor de threshold de 0,63. Com este valor, apenas os três defeitos foram encontrados como mostra a Figura 41. 50 Figura 41 - Imagem binarizada - threshold 0,635 De seguida, pretende-se executar um crop da imagem, de modo a existir apenas a imagem do prato. A razão da execução de um crop da imagem prende-se com dois factores: primeiro, ter na imagem apenas o que se pretende analisar, eliminando-se excesso de informação, propícia ao aparecimento de problemas no ato da análise e, em segundo lugar, criar uma imagem mais rápida de se analisar. Apesar de se saber que o sistema de centragem desenvolvido, e explanado em 3.2.1, centra o prato transversalmente e de se ter escolhido um tipo de tela transportadora que minimizasse os escorregamentos, o crop não deverá ser feito sempre no mesmo ponto da imagem. O crop da imagem deverá ser feito em função da posição do prato. Assim, será possível ter toda a imagem do prato na figura cortada. Caso contrário, existindo a possibilidade do prato sofrer um escorregamento sobre o tapete e o crop executado sempre no mesmo ponto da imagem, a imagem resultante apresentaria um corte sobre o prato. Para a execução do crop, recorreu-se à transformada de Hough. A transformada de Hough permite determinar o centro do prato e seu diâmetro aproximado. Com estes dois outputs é possível fazer o crop da imagem em função da localização do prato. Para se proceder à transformada de Hough, é necessário introduzir um intervalo de valores para o raio do prato a ser encontrado. Por forma a encontrar esses valores, foi usado o Imtool do Matlab (Figura 42), obtendo-se uma ideia mais concreta desses valores. Assim, chegou-se ao intervalo de 1100 e 1200 píxeis. 51 Figura 42 - Imtool - diâmetro prato Aplicada a transformada de Hough sobre a imagem diminuída em 50%, o resultado obtido é mostrado na Figura 43. Como se pode constatar, da aplicação desta transformada, resultou um círculo bem definido, a vermelho, em torno do prato (Figura 44). Conseguiu-se, assim, obter as coordenadas do centro do prato, bem como o seu raio aproximado. Figura 43 - Transformada de Hough Figura 44 - Transformada de Hough - pormenor de contorno do prato 52 Numa primeira discussão para este resultado, poder-se-ia dizer que foi obtido com sucesso o que se pretendia. Contudo, ao longo do desenvolvimento de todo o algoritmo, todos os tempos de todos os processos até agora mencionados foram controlados. Aplicada a transformada de Hough, o tempo obtido não se coaduna com o desejado. O algoritmo de pré-processamento antes da aplicação da transformada de Hough apresentava um tempo de 2,8s. Após a aplicação da transformada, registou-se um tempo de 244s ou, aproximadamente, 4 minutos. Considerando-se a implementação direta deste algoritmo na linha de controlo de qualidade desenvolvida em 3.2, o bottleneck da linha passaria a ser o algoritmo, visto não cumprir com os 3 segundos de processamento desejados. É de referir que os tempos obtidos são bastante voláteis. Verificou-se que o computador, quando usado noutras tarefas em simultâneo com o algoritmo, atrasa o processo do algoritmo, chegando-se a valores bastante mais elevados. Durante a realização destes testes, os processos do computador foram reduzidos ao mínimo. Com vista à optimização do algoritmo, foi testada uma abordagem de redimensionamento, por forma a tornar a aplicação da transformada mais rápida. Assim, foi introduzida uma imagem reduzida em 90% em relação à imagem previamente reduzida. Os parâmetros obtidos (centro do prato e raio) não foram expressos na imagem reduzida em 90%, mas sim na imagem reduzida previamente. Apenas se pretendeu com a redução aumentar significativamente a velocidade de obtenção dos parâmetros. Estes, ao serem expressados na imagem inicialmente reduzida em 50%, tiveram que ter em conta a posterior redução (90%), de modo a expressarem-se na mesma escala da imagem reduzida em 50 %. A Figura 45 mostra que o resultado obtido não foi de todo o mais perfeito, existindo um escorregamento em relação ao real. Esta é a consequência de se obterem os resultados numa imagem e expressá-los noutra significativamente maior. Apesar disso, estes resultados cumprem com o pretendido, realizar um crop da imagem, garantindo sempre a presença de todo o prato. Além disso, com este passo de optimização, o algoritmo demorou aproximadamente 3,08s até a conclusão da transformada de Hough. Existiu, assim, uma redução de tempo de 98% face ao inicialmente testado. Figura 45 - Transformada de Hough optimizada - pormenor do contorno do prato 53 Recorrendo-se aos parâmetros da transformada de Hough e aplicando um crop na imagem reduzida em 50% chega-se ao resultado mostrado na Figura 46. Figura 46 - Crop da imagem reduzida em 50% Com a obtenção da imagem acima dá-se por encerrado o pré-processamento. Após a conclusão do crop, todo o pré-processamento demorou 3,11 segundos aproximadamente. Os resultados obtidos são satisfatórios, visto termos chegado a um valor de threshold que permite visualizar apenas os defeitos do prato. Além disso, de modo a se obter um crop da imagem recorreu-se à transformada de Hough, sendo que após a optimização desta se conseguiu chegar a tempos de processamento mais satisfatórios. 5.3.2 Algoritmo deteção de defeitos pela face superior Após o pré-processamento de uma determinada imagem, existe o interesse de se saber se o prato da imagem apresenta algum defeito na sua face superior. De modo a determinar se um prato é defeituoso ou não, procedeu-se a contagem, caso existam, de pontos pretos na imagem. O software Matlab tem uma função inerente de cálculo de pontos brancos. Assim sendo, foi necessário recorrer a uma inversão da cor de cada píxel. Os píxeis brancos passaram a pretos e os inicialmente pretos passaram a brancos. Continuando a usar-se a imagem resultante do préprocessamento, chegou-se à Figura 47. 54 Figura 47 - Imagem do prato com cor invertida De notar que na Figura 47 existem 4 elementos brancos, 3 defeitos e o fundo do prato. A qualquer contagem de defeitos será sempre subtraído 1, de modo a obter-se única e exclusivamente a contagem do número de defeitos. Como se pode perceber, o processo de cálculo do valor de threshold é um passo fundamental para o processo, permitindo observar-se na imagem apenas a presença de ponto pretos (antes da inversão), caso estes existam. O resultado final da avaliação deste prato resulta na deteção de 3 defeitos (assinalados com um círculo a vermelho), como se pode ver na Figura 48. Figura 48 - Prato defeituoso face superior 55 Desde a introdução da imagem, passando pelo pré-processamento, até à obtenção do resultado da inspeção, onde se inclui a apresentação da Figura 48, passaram apenas 4,86s. Caso não se procedesse à apresentação da figura e fosse apenas emitido o output do sistema (para o sistema de rejeição da linha de controlo de qualidade), em como o prato apresentava defeito, o tempo de processamento seria de 3,7s. Demonstrado o algoritmo com um caso de estudo iniciado no pré-processamento, é agora necessário percorrer o algoritmo com todos os pratos com defeito do tipo A (ponto preto). Foi inicialmente criada uma folha de Excel, onde estão registadas as imagens introduzidas no algoritmo, bem como o número de defeitos que estas apresenta. Como é possível observar na Tabela 3, as imagem de 1 à 55 correspondem aos pratos sem defeito, sendo as restantes correspondentes aos 43 pratos com defeito do tipo pontos pretos. Tabela 3 - Resultados do nº defeitos encontrados na face superior Os resultados obtidos estão conforme o esperado. Numa primeira análise, o algoritmo consegue diferenciar a 100% um prato defeituoso de um prato bom, não existindo assim falsos positivos. Todos os pratos detectados como defeituosos têm, de facto, um defeito e serão reencaminhados para o tapete de rejeição. 56 Apesar de serem detectados defeitos, nem sempre se chega ao número real de defeitos. Na Tabela 3 está marcada a vermelho a imagem nº 69. Neste conjunto de 98 imagens de pratos defeituosos e não defeituosos, foi o único prato onde o algoritmo não contou o número exacto de defeitos. Na Tabela 3 também existe a possibilidade de analisar o tempo de processamento de cada prato. O tempo médio gasto pelo algoritmo, desde a entrada da imagem até a obtenção de uma decisão, foi de 3,46s. Contando, que no decorrer desde trabalho, foi usado um computador normal e sem qualquer tipo de processador exclusivamente dedicado ao algoritmo, o tempo de 3,46s é bastante razoável face aos 3s contemplados para a linha de controlo de qualidade. 5.3.3 Algoritmo deteção de defeitos pela face inferior Na implementação do algoritmo para deteção de defeitos pela face inferior, foi necessário realizar uma modificação em relação ao algoritmo pela face superior. Foi necessário eliminar o bordo que assenta sobre a superfície. Verificou-se na construção da base de dados que alguns pratos apresentavam sujidade, sendo esta facilmente removida com um pano. Esta sujidade fixava-se pela falta de vitrificação do prato nesse rebordo. Assim sendo, não se considerou, para este trabalho, a presença do rebordo, podendo criar resultados do tipo falsos positivos, como anteriormente mencionado. Recorrendo ao centro calculado com a transformada de Hough, é possível delinear um anel de modo a tapar esse rebordo. Apesar do pequeno desfasamento conhecido que existe no cálculo do centro do prato face ao real, o anel criado elimina apenas o rebordo e não outras características do prato, como se pode ver na Figura 49. Figura 49 - Prato pela face inferior com anel no rebordo Recorrendo a um prato escolhido aleatoriamente e aplicando exactamente o mesmo pré-processamento, rapidamente foi perceptível que o valor de threshold se encontrava desajustado para esta face do prato. Notou-se que a pigmentação do prato e os pontos pretos nesta face era maiores em relação à face superior do prato. Assim sendo , e mantendo inalterados todos os passos do pré-processamento, o valor de threshold fixou-se em 0,45. 57 Como resultado desse ajustamento, conseguiu-se obter um algoritmo que detecta única e exclusivamente a presença de pontos pretos, caso existam. Neste algoritmo, à imagem do algoritmo de deteção pela face superior, foi necessário inverter as cores, de modo a serem contados os pontos pretos. Como é possível observar na Figura 49, o prato contém 3 zonas pretas, um ponto preto, o anel do rebordo e o fundo do prato. Na contagem será preciso subtrair sempre dois, de modo ter o número de defeitos do prato, caso estes existam. A Figura 50 mostra um prato que contém um defeito do tipo ponto preto. Desde a introdução da imagem até à obtenção deste resultado, o algoritmo demorou 3,2s. Figura 50 - Prato defeituoso face inferior Testado o algoritmo com um prato defeituoso, é agora necessário recorrer à base de dados e recolher todas as imagens possíveis de modo a validá-lo. Recrutando-se as 29 imagens de pratos com defeito do tipo A e as 38 imagens de pratos sem defeito, foi possível criar a Tabela 4. Nesta tabela está indicado o número das fotografias, bem como o número real de defeitos. De notar que as imagens de 1 a 13 não apresentam qualquer número de defeitos. Estas imagens referem-se a um prato com um risco totalmente descontínuo. O facto de o risco ser descontínuo faria com que o programa o encarasse como diversos pontos pretos. Ao olho humano é difícil quantificá-los, por conseguinte, optou-se pela não contabilização dos mesmos e encarar este prato apenas como defeituoso ou não. 58 Tabela 4 - Resultados do nº defeitos encontrados face inferior Analisando a tabela dos resultados obtidos, numa primeira análise estes são satisfatórios. Nenhum prato bom é considerado como defeituoso, e o contrário também não se verifica. Todos os pratos com defeitos do tipo A foram marcados como defeituosos. Contudo, o número de defeitos detectados não é coerente. No caso das 13 primeiras imagens, apesar de não se ter quantificado inicialmente o número de defeitos existentes, o algoritmo deveria detetar sempre a mesma quantidade de defeitos, uma vez que os quantifica. Verificou-se que o algoritmo quantificou o risco como tendo de 1 a 5 pontos desconectados. Tendo sido o algoritmo percorrido de forma automática com todas as imagens do início ao fim e sem qualquer intervenção, a única diferença encontrada são as imagens. Estas, apesar de representarem o mesmo prato, estão rodadas entre si. Levanta-se a questão se, de fato, a luz se encontra uniformizada dentro do sistema desenvolvido. Os defeitos apresentam-se, aquando da rotação, a distâncias diferentes da fonte de luz. Além do prato com o risco, outros quatro pratos falharam na contagem do número de defeitos, tendo sido sempre contado um a menos. Os resultados desta face do prato (lado convexo) apresentam-se, no sentido estrito da contagem de defeitos, piores que na face superior (lado côncavo). Percorrido o algoritmo com todos os pratos, o tempo médio de processamento encontra-se estabelecido em 3,04s. 59 5.3.4 Algoritmo de análise da bordadura e verificação de geometria Este algoritmo, como explicado em 4.3.4, tem duas funções: analisar a bordadura quanto à presença de quebras ou saliências e verificar se o prato da imagem apresenta a dimensão que lhe é característica. Após o pré-processamento, o algoritmo detecta o contorno de todas as características do prato, desde o rebordo aos defeitos. Apesar de na Figura 51 não ser possível visualizar, o contorno detetado é contínuo. Figura 51 - Contorno do prato Foi introduzido no algoritmo uma imagem do prato com rebordo simples e uma imagem do prato com decalque, ambos com quebras no rebordo. Calculado o centro e analisadas as diversas distâncias entre os pontos do contorno e o centro, chega-se ao resultado da Figura 52 e Figura 53. Figura 52 - Rebordo partido prato simples 60 Figura 53 - Rebordo partido prato com decalque Como se constata, o algoritmo tem a capacidade de detetar e assinalar a presença de quebras no rebordo de um prato. Esta deteção foi realizada em 4,8s. Nas 5 imagens de pratos brancos com rebordo partido e 6 imagens de pratos com decalque com rebordo partido, o prato foi sempre classificado como defeituoso. De seguida, foi introduzido no algoritmo o conjunto de 98 imagens pratos usado em 5.3.2. Sabe-se, à partida, que um prato com um diâmetro correto tem exactamente 210mm. Colocado esse prato sob a câmara e fotografando-o, após a introdução da imagem no algoritmo, constata-se que este tem um diâmetro correspondente a 1165 píxeis. Considerando-se este passo como uma calibração, toma-se como referência o valor de 1165 píxeis para um prato geometricamente perfeito. Como a distância da câmara ao prato é uma constante para cada imagem e sendo todos os passos efetuados, os mesmos, é possível, pela medição do diâmetro do prato de cada imagem, afirmar se o prato tem a forma geométrica correta ou não. No algoritmo foi colocado um intervalo de tolerância, isto é, caso o prato apresente um diâmetro superior ou inferior a 1%, será considerado defeituoso geometricamente. O valor de 1% corresponderá a um prato com 212,1mm, caso seja maior, ou 207,9mm, caso seja menor. Assumindo proporcionalidade entre o tamanho do prato e o número de píxeis, ao nível da quantidade de píxeis 1% corresponderá a 1177 e 1153, respectivamente. Na Tabela 5 estão apresentados os resultados de alguns dos pratos. É possível observar todos os dados necessários para análise da geometria do prato. A última coluna, apelidada de geometria, apresenta valores de 0 ou 1. Caso o prato se apresente dentro do intervalo de tolerância, este será marcado com 0 e considerado geometricamente perfeito. Caso o resultado seja o valor 1, o prato será considerado defeituoso geometricamente. 61 Tabela 5 - Resultados parciais da análise da geometria Analisando-se os resultados das 35 primeiras imagens, conclui-se que nenhuma das imagem contém um prato defeituoso. Constata-se no Apêndice E, onde são apresentados todos os resultados de todas as 98 imagens, que nenhum prato apresenta uma geometria defeituosa. Apesar de não se encontrar indicado na tabela, o tempo médio por cada análise geométrica foi de 2,95s. 5.4. Resumo global dos resultados Sintetizando os resultados obtidos, observam-se na Tabela 6 os principais resultados nos algoritmos de inspecção pela parte superior e inferior. Tabela 6 - Resultados finais globais Algoritmo face superior Algoritmo face inferior Algoritmo análise da bordadura Pratos corretamente classificados 100% Precisão no nº defeitos contados 98,97% Tempo médio de Processamento 3,46s 100% 74,63% 3,04s 100% - 4,8s 62 Constata-se que ambos os algoritmos têm a mesma capacidade de classificar corretamente os pratos (defeituosos e não defeituosos). Apesar disso, o algoritmo destinado ao processamento da face superior, apresenta uma precisão superior, visto conseguir contar praticamente todos os defeitos. Os dois algoritmos apresentam os resultados dentro de um valor aceitável de tempo, permitindo praticamente a implementado direta no sistema automático de inspeção. No algoritmo de análise de bordadura, os 11 pratos que apresentavam o rebordo partido foram todos assinalados como defeituosos. Neste caso, o tempo necessário para a obtenção de um resultado, em comparação com os outros algoritmos, foi superior em mais de 1 segundo. Este algoritmo teve ainda a capacidade de analisar a geometria de um conjunto de 98 pratos. Em nenhum destes foram detectadas irregularidades em relação ao seu diâmetro. Todos os pratos foram classificados como sendo perfeitos em relação à sua geometria. Este algoritmo, comparando com os restantes, apresenta tempos de trabalho bastante satisfatórios. Em média, foram necessários 2,95s para analisar a geometria de um prato. 63 6 Conclusões e trabalhos futuros 6.1. Conclusões Findo este trabalho, é possível concluir que a maioria dos objetivos inicialmente propostos foram atingidos. Numa primeira fase, foi realizada uma visita à empresa Matcerâmica, sendo esta essencial para a aquisição de conhecimentos necessários ao desenvolvimento e realização deste trabalho. Nessa visita foram feitos levantamentos de todos os processos a serem realizados no controlo de qualidade dos pratos de cerâmica. Numa segunda fase da visita foram recolhidos um total de 84 pratos, correspondendo a três famílias distintas. Para cada família, foram-nos fornecidos pratos com os defeitos mais comuns. Feito o levantamento das necessidades que este tipo de indústria tem, procedeu-se ao desenvolvimento de um sistema de controlo de qualidade automático. Este desenvolvimento teve sempre em mente a satisfação das necessidades deste tipo de empresas, tendo sido desenvolvida uma solução o mais fiável possível, ao mais baixo custo. Deste desenvolvimento, resultou um sistema modelar, em que as empresas podem adquirir apenas os módulos que necessitarem, contrariando-se, assim, os equipamentos existentes no mercado. Além disso, e reforçando o conceito de baixo custo, o sistema é idealizado com recurso a materiais já existentes no mercado. Um exemplo concreto deste sistema ser mais barato face a outros, é a utilização de um sistema mecânico, simples e fiável, para a rotação dos pratos, em detrimento de um sistema com diversos braços robóticos, com recurso a grippers. O desenvolvimento deste equipamento teve, na sua génese, o seu processo de automatização. Foi pensado de forma a serem utilizados o menor número de equipamentos possível e, os que foram de fato usados, foram os mais económicos. Para a aquisição das imagens neste trabalho, desenvolveu-se um sistema de iluminação difusa diferente dos normalmente utilizados. Este sistema, devido à sua forma, é de mais fácil reprodução e construção do que os restantes. Foi utilizado um sistema de iluminação led (energeticamente mais eficiente). A câmara utilizada para a recolha de imagens, tem em consideração o tipo de produto, o tipo de defeito a analisar e a cadência de produção da linha. Neste trabalho foram desenvolvidos 3 algoritmos para 3 situações distintas. No caso do algoritmo de controlo de qualidade pela face superior do prato, onde se pretendia detetar defeitos do tipo ponto preto, 64 concluímos que este é 100% fiável. Todos os pratos defeituosos foram classificados como tal e todos os pratos não defeituosos, também. Além disso, o algoritmo teve a capacidade de detetar, em todos os pratos, excepto em 1, a quantidade exata de defeitos que o prato daquela imagem tinha. No segundo algoritmo, de controlo de qualidade pela face inferior, os resultados obtidos foram satisfatórios, pois os pratos foram bem classificados, existindo assim 100% de fiabilidade. Tanto neste algoritmo, como no anterior, não foram obtidos resultados do tipo falso positivo. Contudo, neste algoritmo em concreto, a contagem do número de pontos pretos não foi completamente satisfatória. Verificou-se que imagens do mesmo prato, estando este rodado sob a câmara, no algoritmo, não apresentavam sempre o mesmo número de defeitos. Seria de esperar que o algoritmo, independentemente da rotação daquele prato, devolvesse sempre o mesmo número de defeitos. Pode-se concluir que, nestes casos, a única explicação possível para estes acontecimento é a forma do sistema de iluminação desenvolvida. Ao contrário de sistemas usados industrialmente, este sistema não tem uma forma semiesférica (distância do defeito à luz é sempre o mesmo) mas, sim, uma forma semicilíndrica. Apesar deste problema, o sistema de iluminação comporta-se melhor do lado côncavo de uma peça vitrificada, em comparação com o lado convexo. Em ambos os algoritmos foi controlado o tempo de processamento. Constatou-se que, apesar de os algoritmos terem sido aplicados num computador convencional, os tempos obtidos têm diferenças de décimas de segundo, face à cadência exigida pelo equipamento desenvolvido. Conclui-se, então, que aplicando este algoritmo a um processador ligeiramente mais evoluído, ou completamente dedicado, os tempos de processamento ficarão abaixo do valor máximo. No último algoritmo desenvolvido propôs-se detetar quebras nos rebordos dos pratos e análise da geometria do prato (diâmetro normalizado). Conclui-se que os objetivos propostos para este algoritmo foram completamente atingidos, existindo a capacidade de detetar alterações de diâmetro, face ao normalizado, de ± 2 mm. 6.2. Trabalhos Futuros 6.2.1 Sistema automático de inspecção Durante o processo de construção da base de dados, verificou-se a existência de sujidade sobre os pratos. Foi necessário, antes da fotografia, proceder à limpeza dos pratos um a um. É natural que num ambiente fabril, a existência de poeiras e sujidade seja ainda maior em relação ao ambiente em que foi realizado este trabalho. Assim, para a introdução dos pratos no sistema de inspeção, é aconselhável um sistema de limpeza prévio. Tratando-se de um processo de inspeção automático, com base em câmaras de visão, um grão de poeira é interpretado pelo sistema como um defeito, podendo criar assim, um falso positivo. A deteção de falsos positivos poderá ser um fator de redução da fiabilidade do sistema e aumentar significativamente os custos de produção para a empresa. 65 Diversos sistemas de limpeza podem ser aplicados, tais como o sopro de ar sobre o prato ou a lavagem. A decisão sobre qual o tipo de sistema a introduzir, deverá ter em conta a secção da fábrica onde o sistema de inspeção se encontra instalado. Neste tipo de indústria, a sílica livre cristalina é utilizada em praticamente todos os tipos de processos cerâmicos. Segundo um estudo elaborado pelo Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), o risco de contrair cancro do pulmão é duas vezes superior nos silicóticos que na restante população. Por conseguinte, a limpeza do espaço e do prato a ser analisado deve ser uma constante preocupação, sendo necessário uma apreciação global do risco. Sugere-se a leitura do Guia de Boas Práticas para a Redução da Exposição à Sílica Cristalina respirável na Indústria Cerâmica [22]. Como complemento do sistema de inspeção, seria interessante o desenvolvimento de um equipamento para empilhar e embalar o conjunto de pratos sem defeitos à saída da linha de inspeção. 6.2.2 Iluminação Obtidos os resultados acima descritos, e concluído que o factor decisivo para obtenção dos mesmos poderá ser o sistema de iluminação desenvolvido, torna-se necessário executar uma comparação. Esta comparação deverá ser feita com os sistemas de iluminação usualmente utilizados na indústria e, para posterior análise de resultados, deverão ser usados exactamente a mesma base de dados e os mesmos algoritmos. Esta comparação, ao ser executada, deverá validar se o sistema de iluminação desenvolvido poderá passar para uma fase de produção. 6.2.3 Técnica de processamento de imagem Como referenciado em 4.3.2, uma solução possível para a deteção de defeitos seria a utilização do SURF e, consequentemente, o uso de um sistema de decisão (e.g., redes neuronais). Sabendo-se que este tipo de abordagem requer um nível de processamento mais elevado para o cumprimento dos tempos exigidos, seria interessante a aplicação deste por duas razões: estabelecer uma comparação com os algoritmos acima desenvolvidos e, não modificando o sistema de iluminação, perceber se existe de facto invariância à rotação. Apesar da base de dados criada, seria interessante proceder a mais testes do algoritmo de modo a validá-lo o melhor possível. Para tal seria interessante aumentar o número de pratos com defeitos do tipo ponto preto, em ambas as faces e pratos de rebordo partido. Relativamente aos tempos adquiridos, seria interessante implementar os algoritmos num processador dedicado, por forma a obter-se tempos o mais reais possíveis. Contudo, e por forma a alcançarem-se tempos ainda melhores, e considerando os algoritmos desenvolvidos fiáveis, seria necessário convertêlos para a linguagem C. Apesar disso, hoje em dia, existem autómatos que permitem a introdução 66 directa de código executado em Matlab. É o caso do mais recente sistema da OMROM apelidado de SYSMAC. Seria interessante, utilizando uma câmara de alta definição da OMROM, ligada ao sistema SYSMAC, onde os algoritmos desenvolvidos estariam já incluídos, perceber quais as velocidades de resposta que se consegue obter num sistema comercial e desenvolvido, única e exclusivamente, para a indústria. 67 7 Bibliografia [1] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa-Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, Lda, 1960, vol. VI. [2] José Queirós, Cerâmica Portuguesa e Outros Estudos, 2nd ed., Editorial Presença, Ed. Lisboa, Portugal, 2002. [3] Timothy S. Newman and Anil K. Jay, "A survey of Automated Visual Inspection," Computer Vision and Image Understanding, vol. 61, no. 2, pp. 231-262, March 1995. [4] Luis Martins, "Inspeção Visual Automática em Problemas Industriais," Departamento Engenharia Mecânica, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2013. [5] G. Barrie Wetherill, Sampling inspection and quality control. London: Chapman and hall, 1977. [6] Joaquim Silveira, Manuel F. Ferreira, Cristina Santos, and Teresa Martins. (2009) Computer Vision Techniques Applied to the Quality Control of Ceramic Plates. [Online]. http://repositorium.sdum.uminho.pt/ [7] P. Wambacq. and A. Oosterlinck L. Van Gool, "Intelligent Robotic Visions Systems," Inteligent Robotic Systems, pp. 457-507, 1991. [8] J.M. Valiente Gonzalez, F.Acebron Linuesa, and F. 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(2014) [Online]. http://www.interroll.com/en/interroll-group/products/drummotors/standard-asynchronous-drum-motors/ [20] Omron Corporation. (2014) [Online]. http://industrial.omron.pt/pt/products/cataloguepdf [21] Motovário Group. (2013) [Online]. http://www.motovariogroup.com/data/files/Catalogo_VSF_2014%20REV.0_WEB_722014133330.pdf [22] "Guia de Boas Práticas para a Redução da Exposição à Sílica Cristalina Respirável na Indústria Cerâmica," Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, Coimbra, Relatório de trabalho nº: 333.18146-4/10 2012. 69 8 Apêndice 8.1. Apêndice A “A Matcerâmica sedeada em vale de Ourém – Batalha, no litoral do centro de Portugal, é a maior empresa produtora de faiança da Península Ibérica e uma das maiores da Europa. Numa área coberta de 25000m2, mão de obra especializada e tecnologicamente avançada, tem uma alta capacidade produtiva superior a 1 milhão peças mês. Contudo tem flexibilizado a sua produção para responder às necessidades do mercado para menores quantidades e produção mais exclusiva. Exporta a quase totalidade da sua produção, essencialmente para a Europa e também Estados Unidos da América, estando presente tanto em grandes superfícies, como no mais importante e sofisticado retalho especializado. A Matcerâmica tem se destacado cada vez mais com uma oferta de produto diversificada tanto em faiança como em grés, da mesa ao forno passando pelo decorativo, no estilo tradicional, casual ou contemporâneo” Informação retirada do site http://www.matceramica.com/pt , consultado em Setembro 2014 70 8.2. Apêndice B 71 72 73 74 8.3. Apêndice C Figura 54 - Esquema elétrico sistema de iluminação 75 8.4. Apêndice D Figura 55 - Prato com defeito do tipo A Figura 56 - Prato com defeito do tipo A/B Figura 57 - Prato com defeito do tipo B 76 Figura 58 - Prato com defeito do tipo C Figura 59 - Prato com defeito do tipo D (direita) e tipo E (esquerda) Figura 60 - Prato com defeito do tipo F 77 8.5. Apêndice E Tabela 7 – Resultados totais da análise da geometria 78