CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO CEARÁ FACULDADE CEARENSE - FAC CURSO DE BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO LIDIANE DO NASCIMENTO MARQUES ALVES ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA PARA O PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL FORTALEZA 2013 LIDIANE DO NASCIMENTO MARQUES ALVES ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA PARA O PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL Monografia submetida à aprovação da Coordenação do Curso de Administração do Centro Superior do Ceará, como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Administração. Professor-Orientador: Barbosa Sousa, Ms. FORTALEZA 2013 Paulo Francisco LIDIANE DO NASCIMENTO MARQUES ALVES ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA PARA O PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL Monografia como pré-requisito para obtenção do título de Bacharelado em Administração, outorgada pela Faculdade Cearense (FAC), tendo sido aprovada pela banca examinadora composta professores. Data da aprovação: ___ / ___ / ____ BANCA EXAMINADORA _______________________________________________________________ Professor Paulo Francisco Barbosa Sousa, Ms. Orientador _______________________________________________________________ Francisco Almeida Barroso, Ms. Membro ______________________________________________________________ João Queiroz Junior, Esp. Membro pelos Dedico este trabalho acima de tudo a Deus por ter me guiado nesta jornada, aos meus pais, familiares, amigos, e sem esquecer a minha amada filha Beatriz. AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço a Deus por ter me proporcionado sabedoria, perseverança e determinação para seguir em frente, sempre me suprindo com força e coragem para superar os obstáculos da vida. Aos meus familiares, por estarem sempre me apoiando em minhas decisões e acreditarem no meu potencial, em especial meus pais que me auxiliam na educação da minha filha e ter incentivado na conclusão deste trabalho. As minhas tias Eloisa e Lilian, pelo amor e carinho transmitidos desde sempre, e por estarem presentes em todos os momentos da minha vida. Agradeço imensamente a minha pequena Beatriz, mesmo que hoje ela não entenda essa gratidão por ter apenas quatro aninhos, mas no futuro que ela saiba que as inúmeras horas de ausência ao seu lado foram para construir uma vida melhor para nós duas. Ao mestre e orientador Paulo Francisco pelo acompanhamento, apoio e compreensão depositados no desenvolvimento desta pesquisa. Ao diretor da empresa onde foi realizado o estudo, em fornecer informações e disponibilizar tempo para a contribuição deste trabalho. Ao meu querido cunhado Marcilio, por ter me incentivado a superar os desafios da vida, e pela amizade conquistada ao longo do tempo. Á Faculdade Cearense, por ter repassado conhecimentos e discernimento fundamental para minha carreira profissional, e também por ter proporcionado momentos felizes ao conhecer pessoas maravilhosas. Não poderia deixar de ressaltar o agradecimento as minhas colegas de sala: Patrícia Furtado, Lidiane e Adriana, em trocarem experiências e aprendizados para a realização deste estudo e incentivarem para seguir em frente. E todos que participaram direto ou indiretamente de alguma maneira na concretização deste trabalho. “Aprender é a coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”. (Leonardo da Vinci) RESUMO Devido ao crescente desenvolvimento que o setor da construção civil tem apresentado no mercado, torna-se importante adotar ações gerenciais e estratégicas. Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo analisar a aplicação do fluxo de caixa como ferramenta de auxilio na gestão financeira das micro e pequenas empresas do setor da construção civil. E como hipóteses serão verificadas se as micro e pequenas empresas do setor da construção civil encontram dificuldades em utilizar o fluxo de caixa no gerenciamento financeiro, e se essa ferramenta contribui para uma melhor gestão financeira. Para atingir o objetivo proposto, os procedimentos metodológicos utilizados foram abordagem descritiva, explicativa, bibliográfica e estudo de caso, obtida através de livros, artigos, e trabalhos científicos em geral, assim como também dados fornecidos pela empresa pesquisada. Este estudo caracterizou-se ainda, como pesquisa qualiquantitativa, onde foi desenvolvida uma análise da demonstração do fluxo de caixa e entrevista por meio de um questionário de múltiplas escolhas aplicado in loco com os responsáveis da área financeira. Como resultado, observou-se que a empresa adota o fluxo de caixa em suas atividades rotineiras, por se tratar de uma ferramenta de caráter essencial e importante no gerenciamento das transações financeiras. As hipóteses foram confirmadas com a identificação de dificuldade na utilização do fluxo de caixa, e possuir contribuição positiva para gerenciamento financeiro. Palavras-chave: fluxo de caixa. Gestão financeira. Planejamento. Construção civil. ABSTRACT Due to the increasing development that the construction industry has had on the market, it becomes important to adopt managerial and strategic actions. Given the above, this study aims to examine the application of cash flow as a tool to aid in the financial management of micro and small enterprises in the construction sector. And as hypotheses will be verified if the micro and small enterprises in the construction sector find it difficult to use the cash flow in financial management, and this tool helps to better financial management. To achieve the proposed objectives, the methodological procedures used were descriptive, explanatory, a literature and a case study approach, obtained through books, articles and scientific papers in general, as well as data provided by the company searched. This study was also characterized as qualitative and quantitative research, which was developed from an analysis of the cash flow statement and interview through a multiple-choice questionnaire applied in situ to the leaders of finance. As a result, it was observed that the company uses cash flow in their routine activities, because it is a tool for essential and important character in the management of financial transactions. The hypotheses were confirmed with the identification of difficulty in the use of cash flow, and possess positive contribution to financial management. Keywords: Cash flow. Financial management. Planning. Construction. LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURAS Figura 1 Tipos de ciclo. ............................................................................................ 21 GRÁFICOS Gráfico 1 Representação do grupo de despesas do fluxo de caixa ......................... 50 Gráfico 2 Representação dos custos operacionais .................................................. 51 Gráfico 3 Caixa líquido da empresa ......................................................................... 52 Gráfico 4 Composição do fluxo de caixa .................................................................. 56 LISTA DE TABELAS E QUADROS QUADROS Quadro 1: Modalidades da gestão financeira ............................................................ 17 Quadro 2: Indicadores na construção civil ................................................................ 24 Quadro 3: Atividades do fluxo de caixa ..................................................................... 27 Quadro 4: Vantagens x desvantagens do método direto .......................................... 31 Quadro 5: Modelo DFC - método direto .................................................................... 32 Quadro 6: Vantagens e desvantagens do método indireto ....................................... 34 Quadro 7: Modelo DFC - método indireto ................................................................. 35 Quadro 8: Modelo de fluxo de caixa projetado .......................................................... 38 TABELAS Tabela 1. Fluxo de caixa pelo plano de contas ......................................................... 49 Tabela 2. Fluxo de caixa analítico ............................................................................. 53 Tabela 3. Análise vertical e horizontal ....................................................................... 54 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AH - Análise Horizontal AV - Análise Vertical CE - Ciclo Econômico CF - Ciclo Financeiro CO - Ciclo Operacional DFC - Demonstração do Fluxo de Caixa FC - Fluxo de Caixa FCP - Fluxo de Caixa Projetado MPE - Micro e Pequenas Empresas SEBRAE - Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 12 2 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA .......................................................................... 15 2.1 O papel do gestor financeiro ............................................................................. 17 2.2 O planejamento e controle financeiro ................................................................ 18 2.3 A administração do capital de giro .................................................................... 20 2.4 O Planejamento financeiro na atividade da construção civil ............................. 22 3 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ..................................................................... 25 3.1 Fluxo de caixa ................................................................................................... 26 3.2 Importância do Fluxo de caixa .......................................................................... 28 3.3 Elaboração e análise do fluxo de caixa ............................................................. 30 3.3.1 Fluxo de caixa pelo método direto.................................................................. 30 3.3.2 Fluxo de caixa pelo método indireto ............................................................... 33 3.4 Fluxo de caixa projetado ................................................................................... 35 3.5 Fluxo de caixa realizado .................................................................................... 39 3.5.1 Análise vertical e horizontal ............................................................................ 40 4 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA ................................................. 42 5 ANÁLISE DOS RESULTADOS ............................................................................. 47 5.1 Apresentação da empresa ................................................................................ 47 5.2 Análise e discussão dos resultados .................................................................. 48 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 59 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 61 APÊNDICE A - ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA ..................... 67 12 1 INTRODUÇÃO Segundo SEBRAE (2011), as micro e pequenas empresas têm contribuído para o crescimento econômico do Brasil e indicadores revelam que elas são responsáveis por, pelo menos, dois terços do total das ocupações existentes no setor privado da economia. Dessa forma, se faz necessário um monitoramento do negócio para a sobrevivência desses empreendimentos, que é um processo indispensável para o desenvolvimento econômico do País. De acordo com Ferreira (2013), a construção civil, comparado aos outros segmentos industriais no estado do Ceará, é o que mais cresce. Isso pode ser confirmado no estudo “Sobrevivência das Empresas” desenvolvido pelo SEBRAE (Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) no ano de 2013, onde a construção civil encontra-se em terceiro lugar entre os setores que apresentam maior sucesso em relação à sobrevivência no mercado. Os autores Medeiros e Rodrigues (2002) afirmam que, o setor da construção civil é importante para o desenvolvimento econômico nacional, além de envolver estruturas sociais, culturais e políticas, gerando assim influencia de modo significativo no nosso país. Portanto, a construção civil é um setor representativo na economia brasileira, possuindo características particulares e se destacando por apresentar uma variedade de atividades em seu processo de produção. Dado o crescimento deste mercado, observa-se a necessidade de implantar um planejamento financeiro eficiente nas organizações do setor, assim como um gerenciamento periódico capaz de controlar a vida financeira das empresas. A partir deste cenário, o trabalho proposto faz uma análise do fluxo de caixa, que é uma ferramenta capaz de apresentar a real situação da organização, e ainda é um instrumento para diagnostico e controle das transações financeiras da empresa. Segundo Silva e Ferreira (2007, p. 2) entende-se como fluxo de caixa: O registro e controle sobre a movimentação de caixa de qualquer empresa, expressando as entradas e saídas de recursos financeiros ocorridos em determinados períodos de tempos. O fluxo de caixa assume importante papel no planejamento financeiro das empresas. Portanto, constitui-se num exercício dinâmico, que deve ser constantemente revisto atualizado na tomada de decisões. 13 Deve-se destacar que a crescente competitividade no mercado obriga as organizações a buscarem ações gerenciais e estratégicas para ganhar espaço e terem, ainda, um diferencial competitivo entre seus concorrentes. Com o intuito de melhorar o nível de desempenho das empresas e torná-las mais competitivas, o presente estudo pretende responder ao seguinte questionamento: a ferramenta de fluxo de caixa é utilizada para o planejamento e controle financeiro das micro e pequenas empresas (MPE) do setor da construção civil? A partir desta problemática, apresenta-se como objetivo geral dessa pesquisa analisar a aplicação do fluxo de caixa como ferramenta de auxílio na gestão financeira das micro e pequenas empresas do setor da construção civil. Quanto aos objetivos específicos da pesquisa, busca-se identificar as reais dificuldades em utilizar a ferramenta do fluxo de caixa no gerenciamento financeiro, verificar quais resultados a ferramenta de fluxo de caixa pode trazer para a gestão financeira da empresa e identificar a periodicidade de utilização desta ferramenta nas empresas do ramo da construção civil de Fortaleza, onde será realizada a pesquisa por meio de um estudo de caso. Como hipóteses, será verificado se as MPE do setor da construção civil encontram dificuldades em utilizar o fluxo de caixa no gerenciamento financeiro e se essa ferramenta contribui para uma melhor gestão financeira. O desenvolvimento deste trabalho justifica-se pela importância de identificar as deficiências que as MPE encontram no controle financeiro e o emprego do fluxo de caixa que elas fazem em suas rotinas financeiras. Sobre este aspecto, os entendimentos adquiridos neste estudo poderão auxiliar para o planejamento e controle eficaz nessas organizações. O trabalho, além desta introdução, está divido em capítulos conforme a seguir: Nos capítulos 2 e 3 serão abordados o referencial teórico mediante as pesquisas bibliográficas sobre os assuntos relacionados ao tema da pesquisa; de uma forma generalizada serão tratadas as peculiaridades da administração financeira e as demonstrações financeiras com foco na demonstração do fluxo de caixa, relatando seus conceitos e tipologias de aplicações. Adiante no capítulo 4 foi mostrada a metodologia utilizada, ou seja, a descrição dos métodos utilizados para a elaboração da pesquisa. De acordo com Beuren (2009, p. 83), “os procedimentos na pesquisa científica referem-se à maneira 14 pela qual se conduz o estudo e, portanto, se obtêm os dados”. Para atingir o objetivo principal da pesquisa, fez-se uma pesquisa bibliográfica e documental, ao mesmo tempo realizou-se um estudo de caso no intuito de confirmar as teorias pesquisadas. Já no capítulo 5 foi abordada a análise dos dados, desenvolvida através de uma interpretação do fluxo de caixa juntamente com uma entrevista aplicada numa empresa no ramo da construção civil. E, em seguida, finalmente foram apresentadas as considerações finais e nelas foram mencionados os principais resultados oriundos da pesquisa, assim como também os comentários sugestivos do estudo. 15 2 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Possuir conhecimento da área de finanças é essencial para o auxílio na tomada de decisões financeiras, principalmente para quem trabalha em atividades ligadas a essa área, pois poderão estar em sinergia com as pessoas e processos financeiros (GITMAN, 2010). Portanto, o conhecimento em finanças é fundamental, pois é uma área essencial na tomada de decisão gerencial. Os autores Brigham e Houston (1999, p. 7) afirmam que em todas as decisões da empresa há situações financeiras, com isso se faz necessário que todos os executivos, até mesmo os não ligados à área financeira, devam estar atentos à área de finanças, para que este entendimento lhe auxilie em suas análises. De acordo com Gitman (2004, p. 4), “podemos definir finanças como a arte e a ciência da gestão do dinheiro”. Ainda, em se tratando de conceito de finanças, Bodie e Merton (2002) o definem como sendo o estudo de como as pessoas fazem a alocação dos recursos escassos num período estabelecido e a evolução do sistema financeiro ao longo do tempo. Portanto, para que a empresa consiga atingir seus objetivos, a administração financeira deverá auxiliar na interpretação dos resultados e seu acompanhamento deve acontecer de forma frequente, junto ao controle e à utilização de ferramentas de análise (SANVICENTE, 1995). Ou seja, a administração financeira é uma área estratégica da organização, pois ela coordena os compromissos financeiros da empresa direcionando para a maximização dos lucros. De acordo com Zdanowicz (2000, p. 22): A Administração Financeira é a centralização na captação, na aplicação dos recursos necessários e na distribuição eficiente dos mesmos, para que a empresa possa operar de acordo com os objetivos e as metas a que se propõe a sua cúpula diretiva. Outros autores como Neto (2007, p. 46) afirma que a administração financeira tem como objetivo maximizar a riqueza dos acionistas, através da demonstração do retorno de investimentos realizados e a gestão de seus recursos. Diante desse contexto e das definições comentadas, entende-se que o objetivo 16 econômico e financeiro de uma empresa é melhorar seus resultados e maximizar o seu valor, através da geração de lucro e caixa ao longo prazo por meio dos seus objetivos e atividades operacionais. Para Hoji (2007 apud Hoji, 2004, P.21) o ponto de vista dos acionistas em relação à gestão financeira é: [...] uma empresa pode ser visualizada como um sistema que gera lucro e aumenta os recursos nela investidos. A empresa, representada por seus administradores (diretores e gerentes) e empregados em geral, interage com os agentes econômicos do ambiente em que está inserida, gera os resultados econômicos e financeiros e remunera os acionistas pelo investimento realizado. De acordo com o entendimento de Groppelli e Nikbakht (2005), “a administração financeira fornece os meios de tomar decisões de investimento flexíveis e corretas no momento apropriado e mais vantajoso”. Deste modo, os gestores financeiros deverão optar pelas ferramentas mais viáveis existentes na empresa para o controle e alcance de uma vantagem competitiva. As atividades de finanças não devem ser comparadas com as de controladoria; existem duas diferenças entre elas, são: a tomada de decisões e a ênfase em fluxo de caixa (GITMAN, 2004). Esclarecendo essa distinção, os autores Di Agustini e Zelmanovits (2005) explanam que o regime de competência está relacionado ao processo contábil de apuração de resultado (lucro ou prejuízo) e de posições patrimoniais, diferente do regime de caixa, no qual o impacto dos acontecimentos sobre o ativo, o passivo e o resultado é verificado nos períodos em que os respectivos fatos geradores incidem. Complementando essa disparidade entre as áreas de contabilidade e finanças, a primeira está voltada para a coleta de dados e a apresentação dos dados financeiros, enquanto a outra analisa os demonstrativos contábeis, aprimora os dados e parte para a tomada de decisão fundamentada nos possíveis retornos e riscos inerentes (GITMAN, 2004). Contudo, a empresa deve ter um planejamento financeiro eficiente, voltado para a gestão, controle e acompanhamento dos recursos disponíveis. De acordo com Sá (2008), planejamento financeiro é um agrupamento de operações financeiras realizadas em prol de um objetivo definido. 17 2.1 O papel do gestor financeiro A utilização adequada da administração financeira na organização pode facilitar o controle e gestão dos seus recursos, auxiliando da melhor maneira possível para a tomada de decisão. No entanto, o gestor financeiro deve ter uma visão holística e estratégica do negócio, assim como estar atualizado com os assuntos relacionados ao mercado como um todo, pois os instrumentos de análise financeira por si só são insuficientes para o planejamento organizacional. No quadro 1 apresentam-se as três modalidades que o administrador deverá estar atento. Essas modalidades têm por base o entendimento de Ross et al (2009). Quadro 1: Modalidades da gestão financeira Orçamento de capital • Planejamento e gerenciamento dos investimentos da empresa à longo prazo. Estrutura de capital • Junção do capital de terceiros à longo prazo e o capital próprio que a empresa produz para financiar suas transações financeiras. Administração do capital de giro • Ativos e passivos à curto prazo que a empresa possui, a administração dos mesmos é importante para que os recursos existentes sejam suficientes no decorrer da operação. Fonte: adaptado de Ross et al. (2009). Verifica-se no quadro 1 que o orçamento de capital refere-se aos investimentos em longo prazo que a empresa possui, em que o administrador deverá identificar oportunidades de investimentos e gerenciá-los. Em seguida, a estrutura de capital diz respeito às decisões que o administrador deverá tomar em relação ao capital que a empresa possui e onde deverá levantar recursos para financiar suas operações, recorrendo a empréstimos e fontes mais acessíveis para a organização. Já a administração do capital de giro refere-se à administração dos ativos e passivos de curto prazo da empresa, na qual o gestor deverá gerenciar os recursos para assegurar a continuidade da operação. 18 O gestor financeiro tem a responsabilidade de gerir os setores relacionados a finanças, desempenhando assim diversas atividades que se resumem em: planejamento, orçamentos, controle financeiro, administração do caixa, crédito e cobrança, identificação e análise de investimentos e a captação de recursos. De acordo com Chiavenato (2005), uma das principais atividades do administrador financeiro de uma empresa é controlar as movimentações financeiras, ou seja, coordenar, monitorar e avaliar as atividades da empresa através de informações obtidas, além de tomar decisões de investimentos e de financiamentos. O administrador financeiro tem total responsabilidade pela vida financeira da empresa, ou seja, pelo sucesso ou fracasso da organização, onde deverá realizar a análise e gestão diariamente no que se refere aos recursos existentes. De acordo com Hoji (2007, p. 17), o gestor financeiro é de suma importância para a empresa, pois ele é responsável pelo planejamento e controle das transações financeiras e por nortear a uma melhor direção a ser seguida, através de suas habilidades técnicas e visão sistêmica do negócio. Neste mesmo cenário, os autores Brigham e Houston (1999, p. 37) comentam que no passado cada setor tinha sua responsabilidade de acordo com a sua área e o administrador financeiro tinha a tarefa de somente levantar os fundos necessários para investimentos e compras que fossem essenciais e hoje essa situação mudou, o diretor financeiro toma as decisões com ritmo mais coordenado e é responsável pelo processo de controle da empresa. O administrador financeiro deve realizar periodicamente um acompanhamento das transações financeiras, fazendo uma análise crítica dos acontecimentos e adotar ações corretivas caso seja necessário. Em síntese, Neto e Silva (2010) afirmam que a função da administração financeira é prover a empresa de recursos de caixa suficientes para honrar seus compromissos assumidos e a maximizar a riqueza da organização. 2.2 O planejamento e controle financeiro Independente do segmento que a empresa esteja inserida, a concorrência no mercado encontra-se cada vez mais competitiva, com isso, exacerba-se o 19 empenho das empresas em executarem um planejamento e controle financeiro para permanecerem em um nível competitivo. Baseado na obra de Lucion (2005), a ineficiência da gestão financeira pode acarretar vários problemas, são eles: dificuldade na formação de preço, descontrole nos custos, falta de gerenciamento do capital de giro, acompanhamento ineficaz do fluxo de caixa, índice elevado de inadimplência, ou seja, várias dificuldades que podem acontecer na organização caso não haja administração financeira de forma eficiente. De acordo com o SEBRAE (2009), alguns fatores podem ocorrer na empresa quando não é realizado um acompanhamento financeiro, tais como: -não ter as informações corretas sobre saldo do caixa, valor dos estoques das mercadorias, valor das contas a receber e das contas a pagar, volume das despesas fixas e financeiras. isso ocorre porque não é feito o registro adequado das transações realizadas; - não saber se a empresa está tendo lucro ou prejuízo em suas atividades operacionais, porque não é elaborado o demonstrativo de resultados; - não calcular corretamente o preço de venda, porque não são conhecidos seus custos e despesas; - não conhecer corretamente o volume e a origem dos recebimentos, bem como o volume e o destino dos pagamentos, porque não é elaborado um fluxo de caixa, um controle do movimento diário do caixa; - não saber o valor patrimonial da empresa, porque não é elaborado o balanço patrimonial; - não saber quanto os sócios retiram de pró-labore, porque não é estabelecido um valor fixo para a remuneração dos sócios; - não saber administrar corretamente o capital de giro da empresa, porque o ciclo financeiro de suas operações não é conhecido e - não fazer análise e planejamento financeiro da empresa, porque não existe um sistema de informações gerenciais (fluxo de caixa, demonstrativo de resultados e balanço patrimonial). Diante de todos esses problemas, evidencia-se a necessidade de um monitoramento para a sobrevivência da empresa e um profissional qualificado para esta função. Na perspectiva de Groppelli e Nikbakht (2005), planejamento financeiro é o processo de análise da real necessidade de um financiamento para que a organização continue suas operações, definindo assim a maneira de realizar esse financiamento com poder decisivo. Para a empresa ter um bom funcionamento e sustentabilidade nas suas atividades operacionais, é necessário possuir um planejamento financeiro, pois ele irá fornecer subsídios na direção, coordenação e controle de suas ações no alcance dos objetivos (GITMAN, 2004, p. 92). 20 O planejamento financeiro se torna essencial e importante nas companhias, com o intuito de prever as necessidades de financiamentos ou investimentos, de modo que não exponha a empresa a riscos e que tenha recursos suficientes para honrar seus compromissos. De acordo com Groppelli e Nikbakht (2005, p. 322), “A principal parte do planejamento financeiro é a administração da liquidez”. Consonante com Cardoso (2009, p. 3), o planejamento financeiro é um processo que proporciona à empresa um acompanhamento das diretrizes de mudanças e adequação das metas, contribuindo para a previsão de possibilidades de investimentos, o índice de endividamento e o capital de giro necessário, direcionando a empresa para o desenvolvimento e a rentabilidade. Segundo Oliveira (2005, p.14), “Não adianta a empresa ter uma série de dados se os registros existentes não forem confiáveis e se os procedimentos não estiverem organizados para fornecer informações em tempo fácil”. Entende-se que a organização precisa que as informações existentes estejam alinhadas e ordenadas de forma eficiente. 2.3 A administração do capital de giro Capital de giro é a capacidade de a empresa converter seu ativo circulante em caixa, em que os ativos circulantes devem ser capazes de sanar as obrigações do passivo circulante, permitindo a liquidez da empresa em curto prazo (GITMAN, 2010). Segundo Neto e Silva (2002, p. 14), o termo “giro” refere-se: Aos recursos correntes (curto prazo) da empresa, geralmente identificados como aqueles capazes de serem convertidos em caixa num prazo máximo de um ano. A delimitação de um ano não costuma ser seguida por empresas cujo ciclo produção-venda-produção ultrapasse caracteristicamente este prazo (estaleiros, atividade rural etc.), prevalecendo nesta situação o ciclo operacional para se definirem os recursos correntes. De acordo com Hoji (2003, p. 110), o capital de giro, também denominado capital circulante, são os recursos aplicados em ativos circulantes e se transformam dentro do ciclo operacional frequentemente. Seguindo a mesma visão, Silva (2010) conceitua capital de giro como sendo a diferença entre o ativo circulante e o passivo 21 circulante, constituindo uma medida estática da folga financeira de que a organização dispõe para sanar seus compromissos de curto prazo. Segundo Neto e Silva (2010, p. 15), “o capital de giro representa os recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais”. Entende-se que o capital de giro são recursos necessários para uma organização cumprir com suas necessidades operacionais e deve estar disponível durante todo o processo da operação do negócio. Para exercer uma gestão do capital de giro eficiente, é importante possuir conhecimento do ciclo financeiro (CF), ou seja, o período entre os pagamentos e os recebimentos, em que o capital de giro deverá manter o processo operacional. Segundo Padoveze (2003), existem três períodos que devem ser gerenciados: a) ciclo operacional (CO): parte do processo inicial da compra da mercadoria e vai até o recebimento das vendas; b) ciclo econômico (CE): é o tempo percorrido entre as compras de mercadorias e saídas da mercadoria realizadas pelas vendas e c) ciclo financeiro (CF): período entre o pagamento de fornecedores referente às compras até o recebimento das vendas. A figura 1 ilustra como estes ciclos interagem ao longo do tempo e como são gerenciados na organização. CO Dias 0 Compra Mercadoria 30 Venda CE Figura 1 – Tipos de ciclo Fonte: adaptado de Padoveze (2003, p. 282). 45 Pagamento da compra 60 Recebimento da venda CF |-----------------------------| NCG 22 O CO refere-se a todas as atividades operacionais da empresa no seu dia a dia, com início na compra da matéria-prima até recebimento da venda. O CE demonstra o período da compra da matéria-prima e vai até a venda da mercadoria. Por fim, o CF compreende o intervalo de tempo entre o pagamento da compra ao recebimento da venda (PADOVEZE, 2011). De acordo com a figura 1, o CO requer atenção, pois neste ciclo a empresa adquire recursos antes da entrada de caixa. O tempo de rotação de estoque, ou seja, o período em que o produto permanece no estoque desde a compra até sua venda é visualizado no CE, ele deve ser administrado para não haver compras sem necessidade. Outro ciclo que merece uma análise minuciosa é o ciclo financeiro, pois nesse período acontece o pagamento de fornecedores e o recebimento das vendas poderá ter necessidade de capital de giro (NCG); dessa forma, quanto menor for o tempo entre eles melhor será para a saúde financeira da empresa. Diante da análise de cada ciclo, o gestor deverá gerenciar o caixa a fim de evitar um resultado negativo no CO, no qual os intervalos dos períodos dos ciclos devem ser menores para proporcionar um aumento no capital de giro e permitir realizar maiores investimentos. Nas empresas, para haver um funcionamento apropriado, é fundamental o capital de giro e os meios para se conseguir financiamento. Para este fim, é determinado por cada porte que a organização esteja inserida. Empresas grandes e bem avaliadas por institutos especializados geralmente têm amplo acesso a financiamentos de capital de giro, já as pequenas empresas geralmente financiam suas necessidades de capital de giro com empréstimos em bancos locais (GITMAN, 2000, p. 237). 2.4 O Planejamento financeiro na atividade da construção civil De acordo com Ferreira, Machado e Santos (2004, p. 173), a construção civil é definida como extensa, abrangendo desde a preparação do solo (terraplanagem, limpeza do solo, remoção de rochas, abertura de poços etc.) até a limpeza final da obra após a sua conclusão. Portanto, engloba: a construção propriamente dita, a demolição, fundações, pintura, revestimentos, a ampliação, a reforma, a recuperação e, em alguns casos, a própria conservação do imóvel, obras complementares e quaisquer benfeitorias ao solo ou subsolo. 23 As empresas da atividade da construção civil são conceituadas como indústria. De acordo com Ferreira, Machado e Santos (2004, p. 173), “a empresa da construção civil é caracterizada como indústria, uma vez que se dispõe a transformar a matéria-prima em um novo produto acabado e pronto para a utilização”. Segundo SEBRAE (2012), o setor da construção civil apresenta projeções otimistas para os próximos anos e entre os motivos para este comportamento destacam-se o ‘Programa Minha Casa, Minha Vida’, as obras para a Copa do mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Motivado pelo crescimento e tendências no ramo da construção civil, foi verificada a importância de um planejamento e controle financeiro neste setor, a fim de acompanhar o desenvolvimento das empresas e seu gerenciamento financeiro. Como descrito por Ferreira, Machado e Santos (2004), as construtoras possuem dois regimes na apuração de suas receitas, são eles: a) regime de competência: as receitas de aluguéis, de serviços prestados e demais receitas, à vista ou a prazo, apropria-se essas receitas e sobre as mesmas a carga tributária incidente e b) regime de caixa: somente para as receitas a prazo de vendas de unidades imobiliárias, isto é, quando a receita for realizada e identificado o recebimento no banco ou caixa, apropriam-se dessas receitas para o resultado e verifica-se a carga tributária. Os principais indicadores de desempenho na construção civil são apresentados de acordo com o quadro 2: 24 Quadro 2: Indicadores na construção civil INDICADORES OBJETIVOS Econômicos Analisar a empresa sob o ponto de vista de rentabilidade e oferecer importantes entendimentos sobre o seu desempenho nos exercícios sociais considerados. São eles: margem bruta, margem líquida e retorno sobre o patrimônio líquido. Financeiros Focar a situação de caixa e liquidez da empresa, bem como a capacidade de geração e manutenção de sua posição de equilíbrio financeiro. São eles: liquidez corrente, seca, imediata e geral, ebitda, capital circulante líquido e cobertura de juros. Capacidade financeira Demonstrar a capacidade de liquidação dos compromissos financeiros com terceiros, especialmente financiamentos. São eles: idade média dos passivos onerosos, capacidade de amortização dos passivos e folga de capacidade de amortização dos passivos. Desempenho Avaliar quanto a empresa pode se comprometer com novos empreendimentos. São eles: comprometimento do patrimônio líquido em número índice, comprometimento do patrimônio líquido em valor e comprometimento do patrimônio líquido e valor (contemplando a folga financeira de curto prazo). Fonte: adaptado de Neto (2002). Através do acompanhamento destes indicadores, o gestor terá a posição da empresa, podendo juntamente com outras informações de mercado realizar projeções para a continuidade do negócio. As atividades financeiras tornam-se mais complexas à medida que as empresas crescem; nesse sentido, os gestores financeiros necessitam de informações ágeis que auxiliem em suas tomadas de decisão. Para que uma organização possa ter um controle financeiro e com isso um gerenciamento financeiro é de suma importância a utilização de alguns dados visualizados em relatórios, orçamentos e demonstrações financeiras. 25 3 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Segundo Brigham e Houston (1999, p. 29), as demonstrações financeiras realizam projeções, ao mesmo tempo em que revelam históricos dos índices operacionais dos últimos cinco ou dez anos, obtidos através da sua visão contábil das movimentações financeiras da empresa. De acordo com Morais e Lourenço (2013), as demonstrações financeiras são representações estruturadas da posição que se encontra a empresa e os dados que deverão ser elaborados para mostrar o desempenho financeiro e o fluxo de caixa para os tomadores de decisões econômicas. Nesse sentido, as demonstrações financeiras pode-se dizer que são um relatório resumido de todas as movimentações ocorridas num período estipulado. Para Marion (2006, p. 43), nas demonstrações financeiras: Os relatórios são elaborados de acordo Evidentemente, um relatório sobre o destacará muito menos pormenores normalmente, tem um número elevado negócios, diversos tipos de impostos agencias bancárias. com as necessidades dos usuários. resultado anual de uma farmácia que o de uma siderúrgica, que de proprietários, grande volume de a recolher, operações em muitas Segundo a Resolução CFC nº 1.255/2009, as sociedades limitadas e demais sociedades comerciais, desde que não enquadradas pela Lei nº. 11.638/07 como sociedades de grande porte, também são tidas, para estes fins, como pequenas e médias empresas, devem incluir as seguintes demonstrações em suas demonstrações contábeis: I) Balanço patrimonial ao final do período; II) Demonstração do resultado do período de divulgação; III) Demonstração do resultado abrangente do período de divulgação. A demonstração do resultado abrangente pode ser apresentada em quadro demonstrativo próprio ou dentro das mutações do patrimônio líquido. A demonstração do resultado abrangente, quando apresentada separadamente, começa com o resultado do período e se completa com os itens dos outros resultados abrangentes; IV) Demonstração das mutações do patrimônio líquido para o período de divulgação; V) Demonstração dos fluxos de caixa para o período de divulgação; VI) Notas explicativas, compreendendo o resumo das políticas contábeis significativas e outras informações explanatórias. 26 Para Hoji (2003, p. 31), a distinção entre o regime de competência e o regime de caixa é aspecto temporal, pois os dois abordam os mesmo dados. Assim sendo, a análise dos ciclos operacional, econômico e financeiro fornecem importantes subsídios para tomadas de decisões financeiras. Nesse estudo, daremos ênfase nos aspectos teóricos necessários para a confecção e utilização de uma DFC (demonstração do fluxo de caixa), que pode ser uma ferramenta eficaz no planejamento e controle financeiro de uma empresa. Dessa forma, se faz necessário conhecer esta ferramenta e sua importância no processo de gestão organizacional. 3.1 Fluxo de caixa De acordo com Filho (1997), o fluxo de caixa registra e controla a movimentação do caixa de qualquer empresa, expressando as entradas e saídas de recursos financeiros que acontecem em períodos de tempo definidos. Os autores Silva e Ferreira (2007, p. 2) entendem como fluxo de caixa o registro e controle sobre a movimentação de caixa, demonstrando as entradas e saídas num certo período, assumindo um papel importante nas empresas. Acrescenta, ainda, que é um processo dinâmico e deve ser sempre atualizado para o auxílio das tomadas de decisões. A DFC é elaborada pelo regime de caixa, no qual são apresentadas as entradas e as saídas de movimentações disponíveis na empresa (caixa, bancos, aplicações de liquidez imediata) numa linha de tempo, facilitando a compreensão e visualização dos dados. Na definição de Neto e Silva (1997, p. 38) fluxo de caixa “é um processo pelo qual a empresa gera e aplica seus recursos de caixa determinados pelas várias atividades desenvolvidas”. São elas: operacionais, de investimento e de financiamento. Para um melhor entendimento destes três elementos que compõem o fluxo de caixa, Silva (2010, p.124) define estas classes de fluxos de caixa como segue apresentado no quadro 3: 27 Quadro 3: atividades do fluxo de caixa ATIVIDADES CONCEITO Operacionais São atividades que objetivam demonstrar a movimentação do caixa, decorrente da própria natureza das operações, visando à produção, à entrega de bens e serviços que são basicamente derivados das principais atividades geradoras de resultado da entidade. Investimentos São atividades que objetivam gerar receitas futuras, sendo que normalmente referem-se aos aumentos e diminuições dos ativos de longo prazo que a empresa utiliza para produzir bens e serviços. Financiamentos São atividades que objetivam demonstrar os recebimentos e liquidações de empréstimos ou integralização de capital social. Fonte: adaptado de Silva (2010, p. 124). O fluxo relacionado à atividade operacional é constituído pela produção e venda dos bens e/ou serviços, ou seja, são as operações responsáveis pela geração de receita da empresa. São exemplos desta atividade as despesas e receitas relacionadas à operação da empresa: os recebimentos de vendas, pagamento de fornecedores de mercadorias, pagamento de funcionários, entre outros. O fluxo de atividade de investimento refere-se ao aumento ou diminuição do ativo imobilizado, com o objetivo de gerar resultados para a organização em longo prazo. Podemos exemplificar esta atividade com os recebimentos de recursos provenientes da venda de bens dos ativos, como imobilizado e intangível, compra ou venda de ações, compra de terrenos, entre outros. Já o fluxo da atividade de financiamento contempla as informações de empréstimos e financiamentos adquiridos. Neste caso, os recebimentos e pagamentos de empréstimos são exemplos desta atividade, assim como também o envio de ações e debêntures. “Demonstração de fluxo de caixa é o relatório do impacto das atividades de operação, investimento e financiamento de uma empresa sobre o fluxo de caixa durante um exercício fiscal” (WESTON, BRIGHAM, 2000, p. 45). Este formato da DFC no qual as atividades que compõem a situação financeira do negócio são analisadas separadamente permite ao gestor uma melhor análise de cada atividade, ao mesmo tempo em que proporciona uma visão mais detalhada dos impactos que elas poderão interferir no caixa da empresa e como essas atividades se relacionam entre si. 28 Para Brigham e Ehrhardt (2008), a DFC apresenta os fluxos de caixa operacionais, de investimento e financiamento da organização, conciliando os mesmos com as alterações dos saldos de caixa e aplicações em títulos negociáveis no respectivo período. Seguindo a mesma definição, Santos (2001, p. 57) conceitua o fluxo de caixa como “um instrumento de planejamento financeiro que tem por objetivo fornecer estimativas da situação de caixa da empresa em determinado período de tempo à frente”. 3.2 Importância do Fluxo de caixa Essa ferramenta financeira é de suma importância para as empresas de todos os segmentos, pois ela dá um direcionamento para os administradores financeiros, auxiliando na melhor tomada decisão econômica. Como descrito por Azevedo (2008, p. 17) o principal objetivo da DFC é a de “oferecer aos usuários informações relevantes sobre as movimentações de entradas e saídas de caixa de uma entidade num determinado período ou exercício, no sentindo de evidenciar/tornar transparente a situação financeira da entidade”. Na percepção de Marion (2006, p. 119), uma empresa não tem como projetar, planejar e ter uma administração financeiramente sadia sem a aplicação do fluxo de caixa. Nessa visão, esta ferramenta tem uma grande vantagem de identificar com antecedência a disponibilidade ou a falta de dinheiro em caixa, permitindo que o empresário defina a melhor ação a ser tomada e auxilia nas suas rotinas administrativas. O resultado apresentado no fluxo de caixa, de acordo Azevedo (2008, p. 17), fornece as seguintes informações para os gestores financeiros: a) uma base para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, para efeito de honrar seus compromissos; b) se a entidade está gerando fluxos de caixa positivo ou negativo; c) demonstrar as necessidades da entidade de financiamento; d) demonstrar de onde (origem) e onde (destino) está sendo investido o dinheiro. Segundo Gitman (2004, p. 84), fluxo de caixa é de grande importância para as empresas, pois sem ele o gestor não terá um acompanhamento dos recursos existentes na empresa. Nesse caso, as empresas que necessitam 29 continuamente de empréstimos imediatos poderão ser prejudicadas caso os bancos não disponibilizem linhas de créditos para financiamentos. Do mesmo modo, Cardoso (2009, p. 2) afirma a importância do fluxo de caixa nas organizações: O fluxo de caixa tem se apresentado como uma das ferramentas mais eficazes na gestão financeira das empresas. O fluxo de caixa possibilita ao gestor programar e acompanhar as entradas (recebimentos e as saídas pagamentos) de recursos financeiros, de forma que a empresa possa operar de acordo com os objetivos e as metas determinadas, em curto e em longo prazo. Em curto para gerenciar o capital de giro e em longo para fins de investimentos, proporcionando ao gestor uma radiografia permanente das entradas e saídas de recursos financeiros. O fluxo de caixa evidencia tanto o passado como o futuro, o que permite projetar, dia a dia, a evolução do disponível, de forma que se possam tomar, com a devida antecedência, as medidas cabíveis para enfrentar a escassez ou o excesso de recursos. O déficit de caixa é um problema muito comum nas pequenas empresas. Silva e Ferreira (2007, p. 3) explicam que todas as empresas passam por problema de caixa limitado em algum momento, no entanto, as grandes empresas são mais maleáveis por terem um controle do caixa e bens de valor para negociá-los, já as pequenas são mais restritas aos tradicionais mercados de capital. Como descrito por Pivetta (2005, p. 3), na pequena empresa, devido à simplicidade de estrutura, a principal contribuição da DFC é o entendimento dos efeitos das decisões tomadas em relação aos recursos existentes na empresa. O gestor, ao negociar prazos ou descontos aos clientes, pode gerar a necessidade de buscar recursos para cumprir suas obrigações, levando assim à implicância de custos financeiros. E essa transação deve ser considerada ao calcular o custo da operação, principalmente nas vendas a prazo. De acordo com o entendimento dos autores supracitados, evidencia-se a importância do fluxo de caixa, pois ele se apresenta como um instrumento útil para os gestores na resolução de possíveis problemas, identificando onde o dinheiro está sendo gasto, programar com controle os pagamentos de acordo com as datas acessíveis, evitando assim custos desnecessários e mostrando segurança para que o gestor possa se contingenciar para situações futuras. Outro âmbito positivo é que o fluxo de caixa pode evidenciar a sobra de dinheiro, direcionando ao administrador o melhor momento de investir ou negociar descontos em pagamentos antecipados e dessa forma gerar rendimentos do dinheiro que estaria parado em caixa. 30 Na opinião de Araújo e Holanda (2004, p. 7), esta ferramenta é essencial para que a empresa seja ágil e tenha segurança em suas atividades financeiras, transmitindo com precisão a situação econômica do negócio. Diante destas afirmações o fluxo de caixa permite agrupar várias informações que fornecem condições para o gestor avaliar prudentemente a saúde financeira da empresa; trazendo melhores resultados frente à competitividade do mercado, define-se a utilização da DFC como um instrumento fundamental na tomada de decisões. 3.3 Elaboração e análise do fluxo de caixa Entende-se que o fluxo de caixa é uma ferramenta necessária na gestão de uma de uma empresa, auxiliando o administrador no gerenciamento dos recursos financeiros e conduzindo-o para a melhor tomada de decisão organizacional. Podemos dizer que o principal objetivo da DFC é informar os recebimentos e pagamentos de uma empresa num dado período e com isso fornecer subsídios referentes às atividades operacionais, de investimento e de financiamento da empresa no respectivo período. Para o processo de elaboração do fluxo de caixa, Zdanowicz (2000) afirma que é importante ser flexível e considerar as oscilações caso aconteçam, pois elas irão implicar em ajustes dos valores projetados. Quanto à elaboração da DFC, pode ser apresentada sob dois métodos: o direto e o indireto, eles se diferenciam pela maneira como são apresentados os recursos decorrentes das operações financeiras. 3.3.1 Fluxo de caixa pelo método direto Para Ribeiro (2009), o método direto visualiza os recebimentos e pagamentos relativos às atividades operacionais, ou seja, da atividade social do negócio. De acordo com os autores Neves e Viceconti (2005, p. 283), este método “corresponde a uma descrição dos fluxos de entradas e saídas no disponível durante o exercício”. 31 “A vantagem desse método é que permite gerar as informações com base nos critérios técnicos, eliminando, assim, qualquer interferência da legislação fiscal” (FILHO 1999, p. 30). Na visão de Sá (2008), o fluxo de caixa no método direto auxilia o empresário perceber se o caixa está tendo um déficit ou superávit. Outra vantagem da utilização do método direto na DFC, é que ele proporciona um melhor entendimento para o gestor, uma vez que nela é possível visualizar integralmente a movimentação dos recursos financeiros decorrentes das atividades operacionais (FILHO, 1999). Segundo Reis (2009), o método direto fundamenta-se no regime de caixa, apresentando todas as entradas e saídas no período, sem se preocupar se estas operações se referem a outros períodos. O método direto “está baseado no livro caixa, no qual são demonstrados os recebimentos e pagamentos ocorridos em determinado período, não levando em conta os princípios da competência” (SILVA, 2010, p. 128). Este método é baseado no regime de caixa, todos os ingressos e desembolsos das atividades operacionais são considerados no período do seu acontecimento, permitindo aos administradores uma visualização das movimentações de caixa de forma mais prática. Com base na argumentação, apresenta-se no quadro 4 algumas vantagens e desvantagens da utilização deste método: Quadro 4: Vantagens x desvantagens do método direto VANTAGENS DESVANTAGENS Cria situações favoráveis para que a classificação dos recebimentos e pagamentos siga critérios técnicos e não fiscais. Custo adicional para classificar recebimentos e pagamentos. Permite que a cultura de administrar pelo caixa seja introduzida mais rapidamente nas empresas. A falta de experiência dos profissionais das áreas contábil e financeira para classificar os recebimentos e pagamentos. os As informações de caixa podem estar disponíveis diariamente. Fonte: adaptado de Filho (1999, p. 48). De acordo com o quadro 4, o método direto possui um formato mais simplificado e isso é um ponto forte deste modelo. Complementado as vantagens, Azevedo (2008, p. 49) diz que a maneira simples de elaborar o fluxo de caixa é a principal vantagem do método direto. “Nele são destacados apenas os recebimentos e pagamentos derivados da atividade da empresa, os fluxos que geram ou consomem o caixa das operações”. 32 A evidenciação dos dados que transitam no caixa é essencial para uma análise e gestão detalhada do fluxo financeiro da empresa; o método referenciado permite um melhor manuseio dos dados revelados das informações do caixa. Segue, de acordo com o quadro 5, uma demonstração do método direto, na qual podemos verificar a divisão por fluxos: operacionais, investimentos e financiamento, em que serão apresentadas apenas as entradas e saídas referentes aos recursos do caixa. Quadro 5: modelo DFC - método direto ATIVIDADES MOVIMENTAÇÕES (+) Recebimento de clientes (-) Pagamentos a Fornecedores FLUXOS OPERACIONAIS (-) Salários/encargos colaboradores (-) Impostos e outras despesas legais (+/-) (=) Caixa líquido das atividades operacionais (+) Venda de Imobilizado (-) Aquisição de Imobilizado FLUXO DE INVESTIMENTO (-) Aquisição de outras empresas (+/-) (=) Caixa líquido das atividades de investimento (+) Empréstimos tomados (+) Aumento de capital FLUXO DE FINANCIAMENTO (=) Caixa líquido das atividades de financiamento Aumento/diminuição líquida de caixa/equivalente Fonte: adaptado de Silva (2010, p. 129). Conforme podemos observar, as atividades operacionais referem-se às entradas e saídas relativas às operações do negócio, nas quais, nesse caso, foram colocados como exemplo os recebimentos de vendas realizadas a clientes, e os pagamentos de mão de obra e fornecedores para a produção de um determinado material. Em seguida, nas atividades de investimento, elas acontecem quando é realizada a venda ou a compra de um ativo imobilizado para a geração do negócio da organização. E nas atividades de financiamento, as movimentações surgem à medida que é adquirido algum empréstimo para captação de recursos, assim como também o lançamento de sua amortização em prol da liquidação da dívida. Logo adiante, será apresentado o método indireto, em que o resultado de uma mesma organização deverá ser idêntico nos dois métodos: direto e indireto, pois a demonstração é do fluxo de caixa visualizado em dois modelos distintos, ou seja, analisados com vista em dois ângulos. 33 3.3.2 Fluxo de caixa pelo método indireto Por outro lado, o “método indireto é aquele no qual os recursos provenientes das atividades operacionais são demonstrados a partir do lucro líquido, ajustado pelos itens considerados nas contas de resultado que não afetam o caixa da empresa” (SILVA & NEIVA, 2010, p. 29). De acordo com Sá (2008), o método indireto é realizado através de informações contidas nas demonstrações contábeis, dessa forma, o fluxo de caixa indireto é também conhecido como fluxo de caixa contábil. Segundo Peres Júnior e Begalli (1999, p. 183): O método Indireto parte do resultado das operações sociais, isto é, o lucro líquido do período, ajustado pelas despesas e receitas que não interferem diretamente no caixa ou disponibilidades da entidade, tais como depreciações, amortizações, exaustões. O método indireto apresenta um conteúdo mais detalhado, auxiliando assim a compreensão da formação do caixa na empresa e reduzindo o lucro ou prejuízo das operações que não afetaram diretamente o caixa. Mediante o autor Filho (1999, p. 44), na elaboração do método indireto é necessário ter conhecimento do regime de competência (balanço patrimonial e demonstração de resultados) e do regime de caixa (demonstração dos fluxos de caixa). Portanto, a maioria dos gestores das MPE talvez opte pelo método direto, pois para utilizar o método indireto se requer uma habilidade contábil para a sua formulação e sua composição é baseada em dados do balanço patrimonial e da demonstração de resultados. Visto que o método indireto é uma ferramenta que pode ser utilizada na tomada de decisão, apresenta-se o relato de algumas vantagens e desvantagens da utilização deste método, como se pode observar no quadro 6: 34 Quadro 6: Vantagens e desvantagens do método indireto VANTAGENS DESVANTAGENS Apresenta baixo custo. Basta utilizar dois balanços patrimoniais (o do início e final do período), a demonstração de resultados e algumas informações adicionais obtidas na contabilidade. O tempo necessário para as informações pelo regime de competência e só depois convertê-las para regime de caixa. Se isso for feito uma vez ao ano, por exemplo, podemos ter surpresas desagradáveis e tardiamente. Se há interferência da legislação fiscal na contabilidade oficial, e geralmente há, o método indireto irá eliminar somente parte dessas distorções. Concilia lucro contábil com fluxo de caixa operacional líquido, mostrando como se compõe a diferença. Fonte: adaptado de Filho (1999, p. 48). Complementando o quadro 6, o autor Azevedo (2008, p. 49) diz que algumas das principais vantagens do fluxo de caixa pelo método indireto são de realizar a reconciliação entre o lucro líquido do exercício e o caixa e identificar aumentos e reduções de determinados itens. A apresentação dos valores referente à movimentação do caixa proporciona uma análise minuciosa do fluxo financeiro da organização. O método indireto possui característica informativa, em virtude da clareza que demonstram as informações do caixa. Ao mesmo tempo, o método supracitado gera agilidade para o gestor avaliar a situação econômica da empresa, destacando toda a movimentação dos recursos financeiros, as disponibilidades de caixa e onde foram aplicados. Para que o método indireto tenha efeito positivo, é de fundamental importância o administrador ter conhecimento da área contábil para gerenciar esses dados e com isso ter uma gestão mais eficiente. Pode-se observar, de acordo com o quadro 7, um exemplo do método indireto, no qual basicamente apresenta a mesma estrutura do método direto, porém, a principal disparidade entre eles está na formulação do fluxo operacional, em que o método indireto apresenta o lucro líquido ou prejuízo do exercício anterior com seus devidos ajustes. 35 Quadro 7: Modelo DFC - método indireto ATIVIDADES MOVIMENTAÇÕES (+) Lucro (+) Depreciação e amortizações (+) Provisão para devedores duvidosos FLUXOS OPERACIONAIS (+/-) Aumento/diminuição em fornecedores (+/-) Aumento/diminuição em contas a pagar (+/-) Aumento/diminuição em contas a receber (+/-) Aumento/diminuição em estoques (+/-) (=) Caixa líquido das atividades operacionais (+) Venda de imobilizado FLUXOS DE INVESTIMENTOS (-) Aquisição de imobilizado (-) Aquisição de outras empresas (+/-) (=) Caixa líquido das atividades de investimento (+) Empréstimos tomados (+) Aumento de capital FLUXOS DE FINANCIAMENTOS (=) Caixa líquido das atividades de financiamento Aumento/diminuição líquida de caixa/equivalente Caixa/equivalente - início do período Caixa/ equivalente - final do período Fonte: adaptado de Silva (2010, p. 131). Observa-se, no quadro apresentado, que a demonstração pelo método indireto exige do usuário um conhecimento da área contábil, principalmente no início da estrutura. Diante das argumentações da utilização dos métodos direto e indireto, fica a critério de cada gestor diante a necessidade de a empresa avaliar a aplicação de um dos métodos, ressaltando-se que o resultado final de ambos é idêntico. 3.4 Fluxo de caixa projetado O fluxo de caixa projetado (FCP) tem como principal objetivo antever entradas e saídas de movimentações financeiras em um determinado período de tempo, permitindo prever situações de excesso ou escassez de caixa que deverão ser ajustados e direcionados em prol da sobrevivência da organização. O fluxo de caixa é parte integrante do planejamento financeiro. 36 Sá (2008) define projeção do fluxo de caixa como sendo: [...] produto final da integração das contas a receber com as contas a pagar. Seu objetivo é identificar as faltas e os excessos de caixas, as datas em que ocorrerão, por quantos dias e em que montante. É a partir do fluxo de caixa projetado que fazemos o planejamento financeiro (2008, p. 59). Neste aspecto, a projeção do fluxo de caixa auxiliará o administrador na análise das entradas e saídas futuras de caixa e em paralelo direcioná-lo para a tomada de decisões antecipadas, se precavendo de situações indesejáveis. O saldo mínimo necessário para a movimentação do caixa é determinado pelas previsões do fluxo de caixa, ou seja, quanto maior for a incerteza dos dados referente ao FCP, maior deverá ser o saldo mínimo de caixa e ao contrário a tratativa é a mesma, quanto menor as dúvidas em relação ao FCP menor deverá ser o saldo mínimo de caixa (SÁ, 2008). Logo, quanto maior o índice de erros na programação do fluxo de caixa maior será a sustentação da empresa no saldo mínimo de caixa, fazendo dessa forma com que a empresa tenha sempre um recurso disponível e às vezes mais do que o necessário. Diante desse mesmo aspecto, os dados que são apresentados no FCP devem estar precisos para auxiliar o gestor nas suas atividades rotineiras, diminuindo o risco e evitando futuros transtornos na atividade financeira da empresa. Segundo Marion (2006), o fluxo de caixa projetado é essencial nas empresas, pois identifica a situação econômica em que se encontra e sinaliza para o gestor quando precisar de um financiamento ou quando puder investir para captação de recursos. Para os autores Weston e Brigham (2000), as ações para serem tomadas em relação ao processo de projeção de caixa são: coordenar os esforços dos outros departamentos, como engenharia e marketing; garantir que todos os envolvidos na projeção utilizem uma série consistente de suposições econômicas e garantir que nenhuma distorção esteja incluída nas projeções. Na perspectiva de Silva (2005, p. 112), “O gerenciamento do caixa tem como finalidade básica atender às necessidades da empresa na qualidade e no 37 tempo corretos, seja na captação ou aplicação de recursos”. O fluxo de caixa projetado é representado por Zdanowicz (2000, p. 126) da seguinte forma: SFC = SIC + I - D em que: SFC: saldo final de caixa SIC: saldo inicial de caixa I: ingressos D: desembolsos Nesse sentido, o FCP é uma ferramenta aplicada pelo administrador financeiro para identificar o saldo final de caixa, através das informações existentes do saldo que se inicia no caixa, juntamente com os ingressos e os desembolsos no período que se deseja detectar o resultado. Portanto, o fluxo de caixa projetado é um instrumento de análise que pode ser aplicado em qualquer organização, lembrando que após a projeção do fluxo de caixa, o gestor analisa a sua execução e ele passa a ser um fluxo de caixa realizado. Com isso, os valores previstos são comparados com o efetivado, permitindo o gerenciamento das movimentações ocorridas e auxiliando um planejamento de caixa mais próximo da realidade da empresa. Demonstrando de forma mais detalhada, o quadro 8 ilustra um modelo de estrutura para a implantação do FCP: 38 Quadro 8: Modelo de fluxo de caixa projetado ITENS MESES JAN FEV MAR ABR MAI JUN SOMA 1. ENTRADAS Vendas de mercadorias à vista Vendas de mercadorias a prazo Venda de veículo Aumentos de capital social Aluguéis a receber Receitas financeiras SOMA 2. SAÍDAS Compras de mercadorias á vista Compras de mercadorias a prazo Salários Despesas administrativas Despesas com vendas Despesas tributárias Despesas financeiras Aluguéis a pagar Compras de material de consumo Compra de microcomputador Contraprestações de arrendamento mercantil SOMA 3. DIFERENÇA DO PERÍODO (1-2) 4. SALDO INICIAL DE CAIXA 5. DISPONIBILIDADE ACUMULADA (3 + 4) 6. NÍVEL DESEJADO DE CAIXA 7. EMRÉSTIMOS A CAPTAR 8. APLICAÇÕES NO MERCADO FINANCEIRO 9. AMORTIZAÇÕES DE EMPRÉSTIMOS 10. RESGATES DE APLICAÇOES FINANCEIRAS 11. SALDO FINAL DE CAIXA PROJETADO Fonte: adaptado de Zdanowicz (2000). Esse modelo de projeção é uma estrutura que deve ser adaptada de acordo com a atividade de cada empresa; o ideal é que possua um sistema informatizado para o acompanhamento do fluxo de caixa, pois à medida que é feita a inclusão das entradas e saídas no sistema, automaticamente atualizam-se as informações das previsões. 39 De acordo com Sá (2008), a projeção do fluxo de caixa se torna difícil nas previsões das entradas, em que o controle é maior nas saídas em relação às entradas. Isso se explica porque não podemos obrigar o cliente a utilizar os serviços ofertados pela organização. Na construção civil, por exemplo, fica mais difícil prever, pois os clientes não são fixos e nesse caso não se sabe quanto vai ser faturado, exceto os clientes que possuem contrato firmado por um certo período. 3.5 Fluxo de caixa realizado Para Soares (2008), os fluxos de caixa realizados têm o intuito de revelar o que realmente ocorreu de entradas e saídas de recursos financeiros no caixa da empresa em um determinado período, servindo como referência no planejamento de futuros fluxos. Para Souza (2009, pp. 24-25), Um aspecto a ser considerado é a comparabilidade que existe entre os fluxos de caixa realizado e o projetado. Isso possibilita identificar os motivos das variações ocorridas, se ocorreram por falha de projeções ou por falhas de gestão. A análise das variações ocorridas no fluxo de caixa permite identificar as causas de eventuais divergências de valores; funciona como feedback, gerando informações para o processo decisório e para o planejamento financeiro futuro. Com os resultados do fluxo de caixa é possível compará-los com as projeções realizadas antes do período de execução, podendo indicar variações que indicarão eficiência e/ou ineficiência na natureza das projeções. O controle do fluxo de caixa exige um acompanhamento do desempenho do período analisado, para levantar as distorções entre o projetado e o realizado, sendo importante fazer anotações das justificativas das variações que impactaram na análise, auxiliando assim nas futuras projeções (SILVA, 2005). A seguir serão mostrados dois métodos: análise vertical (AV) e análise horizontal (AH), que possuem suma importância na interpretação da estrutura e da tendência dos índices de uma empresa, em confronto com vários períodos. Entretanto, pode auxiliar no diagnóstico dos números financeiros e identificar as principais movimentações do negócio. 40 3.5.1 Análise vertical e horizontal As análises vertical e horizontal possuem objetivos distintos e se completam, ou seja, não devem ser realizadas individualmente, pois o resultado não será conforme o desejado. Elas em conjunto com o fluxo de caixa complementam as análises realizadas por meio de índices. Para Matarazzo (1998, p. 254): É recomendável que estes dois tipos de análise sejam usados conjuntamente. Não se deve tirar conclusões exclusivamente da análise horizontal, pois determinado item, mesmo apresentando variação de 2.000%, por exemplo, pode continuar sendo um item irrelevante dentro da demonstração financeira a que pertence. Para Ribeiro (2002, p. 173), a análise vertical “é aquela através da qual se compara cada um dos elementos do conjunto em relação ao total do conjunto. Ela evidencia a porcentagem de participação de cada elemento no conjunto”. O autor ainda complementa que o principal objetivo desta análise é revelar a participação representativa de cada conta dentro de um todo, isto é, frente à demonstração financeira a que está inserida. O cálculo para análise vertical do fluxo de caixa deve ser realizado conforme abaixo: VALOR DO ÍTEM AV= X 100 VALOR DO CAIXA LÍQUIDO DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS De acordo com Blatt (2001), a AV tem por objetivo visualizar a relevância de cada uma das contas em relação ao total que está incluso. Quando é realizado no balanço patrimonial calcula-se a participação de cada conta em relação ao capital total. E quando é feita através da demonstração de resultados se faz o cálculo baseado no valor da receita operacional líquida. Já a análise horizontal tem como objetivo: 41 Demonstrar o crescimento ou queda ocorrida em itens que constituem as demonstrações contábeis em períodos consecutivos. A análise horizontal compara percentuais ao longo de períodos, ao passo que a análise vertical compara-os dentro de um período. Esta comparação é feita olhando-se horizontalmente ao longo dos anos nas demonstrações financeiras e nos indicadores (BLATT, 2001, p. 60). Seguindo a mesma visão, Ribeiro (2002, p. 176) diz que a AH tem por finalidade evidenciar a trajetória dos dados das demonstrações financeiras num certo período, permitindo assim um acompanhamento das contas individualmente constituídas na demonstração averiguada. Diante disso, verifica-se a importância da análise horizontal, nela é verificado o histórico de variação dos itens financeiros da organização, e mediante isso se faz um comparativo dos elementos em relação a um conjunto patrimonial em determinados períodos. No entendimento de Silva (2001, p. 208), o intuito da AH é justamente esse, “permitir o exame da evolução histórica de uma das contas que compõem as demonstrações financeiras”. Para Neto (2002, p. 100), a análise horizontal é um processo de análise temporal, em que se faz uma comparação entre os valores de uma mesma conta ou grupo de contas em exercícios distintos, desenvolvido por meio de números-índices. O método utilizado para realizar a análise horizontal do fluxo de caixa pode ser visualizado abaixo: VALOR DO ITEM EM UM PERÍODO ESPECÍFICO DA SÉRIE AH= VALOR DO ITEM NO ANO-BASE De acordo com Reis (2003, p. 110), o método da AH compara o valor de uma determinada verba em relação ao período anterior de forma percentual. Segundo Ribeiro (2002, p. 180) “em qualquer processo de análise de balanço, seja por meio de quocientes, comparação com padrões, análise vertical ou horizontal, não se pode desprezar o problema da inflação”. Para o autor, para que as comparações sejam efetuadas visando à menor margem de erro possível, “há necessidade de traduzir os valores dos exercícios analisados para uma moeda de poder aquisitivo constante”. 42 4 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA Este capítulo aborda a metodologia utilizada no desenvolvimento do presente trabalho, que será realizada através de um estudo de caso. Logo, seguem informações teóricas sobre o tipo de pesquisa, a caracterização e abordagem, as fontes e instrumentos de coleta de dados, bem como o método para análise dos resultados. Segundo Andrade (2009, p. 119), a metodologia se caracteriza pelo “conjunto de métodos ou caminhos que são percorridos na busca do conhecimento.” Acrescenta Leite (2008, p. 101), que na metodologia de pesquisa serão descritos os procedimentos de coleta de dados, as análises e interpretação das informações, com foco nos objetivos gerais e específicos da pesquisa referenciada. Para Marconi e Lakatos (2010), a metodologia direciona as atividades do pesquisador, auxiliando assim suas decisões através de ferramentas adequadas e disponíveis. De acordo com Gil (2002), a pesquisa é um procedimento racional e sistemático, que tem o objetivo de responder aos problemas sugeridos. No que se refere à abordagem do problema, o presente trabalho apresenta perspectivas da pesquisa qualiquantitativa. Na definição de Flick (2009, p .9), a pesquisa qualitativa se resume em “estabelecer um conceito bem definido daquilo que se estuda e de formular hipóteses no início para depois testá-los. Em vez disso, os conceitos são desenvolvidos e refinados no processo de pesquisa”. A pesquisa qualitativa é utilizada nas informações com características interpretativas, em que se busca compreender, classificar e entender os processos. Em contrapartida Pessoa (2005) comenta que a abordagem quantitativa é baseada em dados numéricos de mensuração quantitativa, enquanto que a qualitativa enfatiza opiniões abertas, motivações e questões subjetivas. Neste entendimento, a pesquisa apresenta índices numéricos visualizados no fluxo de caixa, utilizando algumas técnicas com o intuito de evitar quaisquer distorções nos dados coletados e na sua interpretação. Segundo Silva e Silveira (2008, p. 149), “Na pesquisa quantitativa, a preocupação com a precisão cientifica é a tônica. Então, o pesquisador deve estar 43 atento aos métodos estatísticos e aos termos a ele relacionados”. O universo da pesquisa compreende os funcionários da Construtora em estudo. De acordo com Lakatos e Marconi (2003, p. 223), “universo ou população é o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum”. O critério utilizado para compor a amostra foi a amostragem não probabilística, em que foram entrevistadas duas pessoas que trabalham no setor financeiro da Construtora. De acordo com Malhota (2005), a amostragem não probabilística está sujeita ao julgamento pessoal do pesquisador, em vez do acaso, na escolha dos componentes da amostra. Quanto à técnica de amostragem não probabilística, foi definida a amostragem por conveniência, caracterizada pelo autor pela tentativa da obtenção de um elemento com base na conveniência do pesquisador. A amostragem não probabilística por conveniência é definida por Mattar (2001, p.132): Aquela em que a seleção dos elementos da população para compor a amostra depende ao menos em parte do julgamento do pesquisador ou do entrevistador no campo. Não há nenhuma chance conhecida de que um elemento qualquer da população venha a fazer parte da amostra. Em relação à tipologia, a respectiva pesquisa utilizou-se de uma abordagem descritiva, explicativa, bibliográfica, documental e estudo de caso. Os tipos de pesquisa são classificados tantos aos fins quanto aos meios Vergara (2009). Quanto aos fins, divide-se em exploratória, descritiva, explicativa, metodológica, aplicada e intervencionista. Já quanto aos meios, em pesquisa de campo, pesquisa de laboratório, documental, bibliográfico, experimental, ex post facto, participante, pesquisa-ação e estudo de caso. Baseando-se nesta concepção, o presente estudo optou por características descritiva e explicativa. Será descritiva quando se pretende mostrar as características das ferramentas de gerenciamento financeiro utilizados pelo objeto de estudo. “As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relação entre variáveis” (GIL, 2002, p. 42). Para Leite (2008, p. 65), a pesquisa descritiva é utilizada para descrever e interpretar os acontecimentos examinados através de seu contexto e processos. 44 Será explicativa quando pretende esclarecer os motivos que definem os métodos aplicados no processo. Dessa forma, Gil (2002, p. 42) afirma que as pesquisas explicativas focam na identificação dos fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, sendo assim a mais próxima da realidade. Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, ou seja, quanto aos meios, foram utilizadas fontes bibliográficas, documental e estudo de caso; a primeiro foi utilizado para a fundamentação teórica, a segundo e o última para um melhor detalhamento do objetivo proposto. Os levantamentos bibliográficos revestem-se de grande importância para o aprofundamento do estudo, envolvendo a busca de conhecimento e pensamento dos estudiosos em assuntos ligados ao tema, através de livros, revistas especializadas, dentre outros (MATTAR, 2008). Na pesquisa documental, Andrade (2009) propõe o manuseio de dados oriundos de outros documentos ou materiais, ou seja, de outras fontes. Neste trabalho, foram buscadas informações de fonte própria do pesquisador referente à Construtora, através de documentos e dados do setor financeiro da empresa. Complementa Vergara (2009) que a pesquisa documental é realizada em documentos restritos, podendo ser: registros anuais, regulamentos, filmes, memorandos, ofícios, circulares, balancetes, dentre outros. Neste contexto, o estudo de caso foi definido como metodologia por se tratar de um contexto voltado para a vida real, na qual se fazem questionamentos relacionados ao ‘como’ e ‘por que’ o fluxo de caixa proporciona controle financeiro nas empresas, trazendo assim eficiência para as organizações. Esclarece Yin (2001, p. 29) que para o uso do estudo de caso, “[...] faz-se uma questão do tipo ‘como’ e ‘por que’ sobre um conjunto contemporâneo de acontecimentos sobre o qual o pesquisador tem pouco ou nenhum controle”. Portanto, esse método aborda um acontecimento atual sem a necessidade de o pesquisador ter conhecimento sobre o assunto explorado. A pesquisa voltada para o estudo de caso tem característica marcante no que diz respeito ao estudo limitado em um único fato. Ele é a preferência dos pesquisadores que almejam aprofundar seu conhecimento em um determinado caso específico (YIN, 2001, p. 84). O objeto de estudo da presente pesquisa baseia-se em uma empresa familiar de pequeno porte do ramo da construção civil, atuando há 11 anos no 45 mercado com localização na cidade de Fortaleza, estado do Ceará. Em princípio, o negócio partiu da visão do engenheiro-proprietário que trabalhava anteriormente como diretor-financeiro em outra organização e nela identificou uma oportunidade de trabalhar com seu próprio empreendimento. Nos procedimentos operacionais da pesquisa, a coleta de dados foi dividida em duas etapas, na primeira os dados secundários foram coletados através de pesquisa bibliográfica e de coleta documental; já na segunda etapa foi utilizada para obtenção dos dados primários uma entrevista através do instrumento questionário. Na coleta documental, foram utilizados arquivos particulares da empresa como fonte complementar de informações. Para Lakatos e Marconi (2003, p. 174), “a característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos escritos ou não”. Os autores ainda complementam que os arquivos particulares de instituição de ordem privada são um dos tipos de fonte documental. O instrumento de pesquisa a fim de que os objetivos desta pesquisa fossem alcançados utilizou-se de uma entrevista através de um questionário com perguntas abertas e fechadas como instrumento da coleta de dados, no qual será respondido pelo gerente e assistente administrativo relacionado à área financeira da empresa referenciada. As entrevistas foram realizadas de maneira semiestruturada, permitindo ao entrevistador uma descrição do tema proposto. Para Vergara (2009), no método de entrevista as respostas são transmitidas oralmente pelo entrevistado. O questionário para Cervo (1996) é o método mais utilizado na coleta de dados, pois possibilita avaliar com melhor exatidão o que se deseja. O questionário é constituído por um conjunto de questões voltadas para um problema central. Dessa forma, se busca identificar informações através de uma análise minuciosa sobre questões essenciais para o aprimoramento deste trabalho. São elas: a) o perfil dos respondentes; b) o perfil da empresa; c) ferramentas utilizadas no planejamento e controle financeiro e d) práticas de gestão financeira. 46 Foram elaboradas tabelas e gráficos para a análise dos dados coletados, permitindo realizar um diagnóstico através das opiniões dos funcionários e a demonstração do fluxo de caixa. Com a aplicação da entrevista, foi possível atingir o objetivo geral desta pesquisa, que foi analisar a aplicação do fluxo de caixa como ferramenta de auxilio na gestão financeira das micro e pequenas empresas do setor da construção civil, bem como objetivos específicos: identificar as reais dificuldades em utilizar a ferramenta do fluxo de caixa no gerenciamento financeiro, verificar quais resultados a ferramenta de fluxo de caixa pode trazer para a gestão financeira da empresa e identificar o índice de utilização desta ferramenta nas empresas do ramo da construção civil de Fortaleza. 47 5 ANÁLISE DOS RESULTADOS Este capítulo descreve a empresa objeto do estudo de caso deste trabalho, em seguida, apresenta os dados coletados na pesquisa aplicada, assim como seus resultados. Os dados foram apresentados por meio de tabelas e gráficos, com o intuito de responder à problemática proposta e atingir os objetivos traçados. 5.1 Apresentação da empresa O nome da empresa analisada não pode ser mencionado por solicitação da diretoria, portanto, ao longo deste trabalho ela foi mencionada como Construtora. Ela é uma sociedade empresarial limitada, atua no setor da construção civil desde 2002 no estado do Ceará, refere-se a uma empresa familiar constituída por dois sócios, pai e filho e atualmente é administrada e dirigida pelo pai. A Construtora está localizada em Fortaleza, conta com 30 funcionários distribuídos em obras e um escritório administrativo. Atua no mercado há 11 anos, prestando serviços de construção e reformas, como, por exemplo: criação de estandes de vendas de apartamentos, reformas em escritórios comerciais, construção de lojas, galpões, entre outros. O empresário além de possuir a Construtora, é dono também de empresas coligadas, sendo uma administradora de imóveis e uma empresa de prestações de serviços postais. A gestão financeira é um dos maiores interesses da Construtora, pois se entende que através dela o negócio estará preparado financeiramente para o mercado. De acordo com Gitman (2004), as atividades da administração financeira favorecem o alcance do maior objetivo das organizações que é o de aumentar o valor da empresa em longo prazo. A empresa referenciada fez um investimento há pouco mais de um ano com a aquisição de um sistema informatizado, criado especialmente para o gerenciamento e controle de empresas relacionadas à construção civil. O sistema possui vários módulos, sendo os mais utilizados: engenharia, suprimentos, financeiro e suporte à decisão, estes dois últimos foram as fontes utilizadas na pesquisa. 48 As operações financeiras são executadas com disciplina e prioridade em suas rotinas administrativas, cuja programação de pagamentos e recebimentos é realizada semanalmente e acontece da seguinte forma: I todos os desembolsos são lançados no sistema informatizado, por data de vencimento, de acordo com o seu centro de custo e o plano de contas; II toda sexta-feira são autorizados pela diretoria os pagamentos do período de sábado a segunda-feira da semana seguinte; III os pagamentos autorizados são efetuados diariamente de acordo com a data de vencimento; IV as receitas são lançadas de acordo com o recebimento na movimentação bancária e V são inclusos no sistema informatizado projeções de pagamentos e recebimentos, a fim de prever os acontecimentos futuros no relatório do fluxo de caixa. Por fim, vale ressaltar que se trata de uma MPE, com faturamento menor ou igual à receita bruta anual de R$ 1,6 milhão, enquadrada na tributação do imposto simples nacional, sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte. 5.2 Análise e discussão dos resultados A análise dos resultados foi divida em duas etapas. Na primeira etapa apresentou-se a demonstração do fluxo de caixa da Construtora e em seguida na segunda etapa, complementando o estudo, foi realizada uma entrevista com os responsáveis pela gestão financeira da empresa. No primeiro momento, a demonstração do fluxo de caixa apresentado se referiu ao período de janeiro a junho do ano de 2013, em que foram extraídas as movimentações financeiras realizadas de cinco obras, juntamente com o setor administrativo. As informações foram obtidas pelos relatórios do fluxo de caixa emitidos pelo sistema utilizado pela empresa, através das inclusões diárias dos módulos: contas a pagar e contas a receber. Os dados coletados dos relatórios 49 foram lançados em planilhas do programa Excel para uma melhor visualização e análise. O relatório do sistema permite vários formatos de visualização do fluxo de caixa e a seguir expostos os dois modelos mais utilizados na empresa: I fluxo de caixa pelo plano de contas: nele são mostradas todas as entradas e saídas organizadas pelo plano de contas, identificando com uma melhor visualização o total da movimentação de cada conta e II fluxo de caixa analítico: esse modelo apresenta de forma mais detalhada os registros financeiros num determinado período. Os lançamentos são distribuídos de acordo com o plano de contas do sistema informatizado da empresa; todas as entradas menos as saídas geram o resultado do mês e se apresentam tanto positivo como negativo. Dessa forma, quando o resultado mantém o saldo positivo, diz-se que os valores das entradas foram maiores do que os valores das saídas; já o inverso acontece para o saldo negativo quando as saídas forem maiores do que as entradas. O resultado de cada mês da Construtora pode ser visualizado na tabela 1: Tabela 1 Fluxo de caixa pelo plano de contas CONTAS JAN FEV MAR ABR MAI JUN TOTAL % ENTRADAS/RECEITAS RECEITA DE SERVIÇOS EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS RESGATE DE APLICAÇÕES R$ 183.848 R$ 101.248 R$ 82.600 R$ 145.629 R$ 112.646 R$ 498.792 R$ 356.652 R$ 310.320 R$ 1.607.888 R$ 68.839 R$ 104.861 R$ 176.481 R$ 113.480 R$ 252.088 R$ 816.996 51% R$ 76.791 R$ 7.786 R$ 322.311 R$ 120.172 R$ 53.606 R$ 663.266 41% R$ 123.000 R$ 4.625 R$ 127.626 8% SAÍDAS/CUSTOS/DESPESAS R$ 134.197 R$ 121.555 R$ 106.598 R$ 413.313 R$ 417.039 R$ 235.873 R$ 1.428.576 CUSTO OPERACIONAL MÃO DE OBRA PRÓPRIA E ENCARGOS SERVIÇOS DE TERCEIROS MATERIAIS APLICADOS BENEFÍCIOS PROLABORE DESPESAS GERAIS DESPESAS COM IMÓVEL DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DESPESAS COM VEÍCULOS DESPESAS COMERCIAIS DESPESAS FINANCEIRAS DESPESAS TRIBUTÁRIAS R$ 54.240 R$ 10.517 R$ 12.978 R$ 17.082 R$ 3.172 R$ 6.080 R$ 1.186 R$ 426 R$ 33 R$ 320 R$ 413 R$ 2.032 R$ 2 R$ 56.828 R$ 7.183 R$ 11.920 R$ 20.897 R$ 4.057 R$ 8.579 R$ 2.369 R$ 423 R$ 83 R$ 185 R$ 796 R$ 569 R$ 796 R$ 569 FINANCIAMENTOS EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS R$ 79.161 R$ 79.161 R$ 64.157 R$ 64.157 RESULTADO DO MÊS R$ 49.650 R$ 24.074 R$ 38.686 R$ 62.761 INVESTIMENTO FUNDO PARA INVESTIMENTO IMOBILIZADO SALDO ACUMULADO SALDO 31/12/12 = -10.964,10 Fonte: adaptado da Construtora (2013). R$ 1.088 R$ 44 R$ 84.741 R$ 120.444 R$ 154.699 R$ 146.280 R$ 18.260 R$ 27.014 R$ 26.916 R$ 32.859 R$ 16.735 R$ 28.108 R$ 37.290 R$ 27.481 R$ 20.120 R$ 24.614 R$ 47.708 R$ 49.078 R$ 13.194 R$ 7.969 R$ 9.798 R$ 7.075 R$ 12.524 R$ 23.106 R$ 19.061 R$ 21.683 R$ 1.241 R$ 3.738 R$ 3.089 R$ 2.245 R$ 203 R$ 540 R$ 3.590 R$ 2.371 R$ 270 R$ 35 R$ 35 R$ 115 R$ 303 R$ 1.694 R$ 3.557 R$ 1.120 R$ 400 R$ 0 R$ 2.506 R$ 1.000 R$ 1.126 R$ 2.713 R$ 539 R$ 657 R$ 365 R$ 913 R$ 610 R$ 597 R$ 555 R$ 218.227 R$ 0 R$ 217.478 R$ 555 R$ 749 R$ 617.233 R$ 122.749 R$ 134.512 R$ 179.499 R$ 45.265 R$ 91.033 R$ 13.867 R$ 7.552 R$ 571 R$ 7.179 R$ 4.320 R$ 8.156 R$ 2.530 43% 9% 9% 13% 3% 6% 1% 1% 0% 1% 0% 1% 0% R$ 6.352 R$ 5.803 R$ 549 R$ 31.745 R$ 31.174 R$ 571 R$ 258.245 18% R$ 254.455 18% R$ 3.790 0% R$ 21.302 R$ 21.302 R$ 74.642 R$ 255.988 R$ 74.642 R$ 255.988 R$ 57.848 R$ 57.848 R$ 553.098 39% R$ 553.098 39% R$ 6.048 R$ 85.479 -R$ 60.387 R$ 74.447 R$ 68.809 R$ 154.288 R$ 93.901 R$ 168.348 50 Conforme se observa na tabela 1, é possível identificar no plano de contas o que mais impactou no resultado de cada mês, permitindo ao gestor implantar ações que melhorem o resultado financeiro da empresa, como, por exemplo: captação de recursos junto a bancos ou a empresa do grupo, realizar aplicações financeiras ou investimentos como forma de render o capital e manter um controle baseado em metas para o controle de todas as despesas. Na análise da tabela 1, as contas mais representativas nas entradas são as receitas advindas da prestação de serviço, ou seja, o recebimento dos clientes com 51% em relação à receita total. Já o recebimento de empréstimos é equivalente a 41%, que são realizados junto aos bancos, juntamente com o recebimento efetuado com as empresas coligadas. E os resgates de aplicações se mostram com apenas 8%, em que houve a captação de recursos nos dois últimos meses pesquisados. Os desembolsos da Construtora foram separados em custos operacionais, investimento e financiamento, a fim de ter uma demonstração analítica dos grupos de despesas. O gráfico 1 apresenta como cada um destes grupos se comportaram no período de janeiro a junho de 2013. 20% 18% 25% 39% 1% 59% 53% 61% 13% 53% 12% 0% 1% 79% 2% 62% 40% 49% 47% 29% JAN FEV MAR CUSTO OPERACIONAL ABR 37% MAI INVESTIMENTO Gráfico 1 Representação do grupo de despesas do fluxo de caixa Fonte: elaborado pela autora (2013). JUN FINANCIAMENTOS MÉDIA 51 Diante do que foi exposto no gráfico 1, os valores que mais impactaram nas saídas foram as despesas efetivadas para a operação do negócio, que são os custos operacionais, com uma média 49% do total das despesas. Em seguida, com 39%, aparecem as despesas de financiamentos e com apenas 12% se mostram os desembolsos relacionados a investimentos. Lembrando que os investimentos, apesar de estarem nas saídas, são aplicações financeiras com o intuito de gerar receitas em longo prazo. Com estes resultados, percebeu-se a importância de se realizar uma análise nos custos operacionais, com o intuito de se identificar quais as contas que possuem maiores desembolsos dentro da totalizadora. A representação das despesas podem ser visualizados no gráfico 2: CUSTOS OPERACIONAIS 7% 2% 29% 15% 20% 22% MATERIAIS APLICADOS MÃO DE OBRA PRÓPRIA / ENCARGOS BENEFÍCIOS SERVIÇOS DE TERCEIROS PROLABORE DESPESAS GERAIS Gráfico 2 Representação dos custos operacionais Fonte: elaborado pela autora (2013). Os dados revelaram quais contas devem ser trabalhadas em prol de uma redução de custos e ganhar com isso melhores resultados financeiros. O gráfico 2 revela ainda que as maiores saídas referem-se a serviços prestados por terceiros e despesas relacionadas à mão de obra, com 22% e 20%, respectivamente. A despesa com pró-labore representou 15% do custo operacional e é nele que o empresário recebe a remuneração pelo trabalho desenvolvido pela empresa. 52 E com menos representatividade, com 7% e 2%, se apresentaram os custos com benefícios e despesas gerais, respectivamente. Através da visualização das informações do fluxo de caixa pelo plano de contas, foi possível verificar de uma forma mais clara a geração do caixa líquido disponível na empresa, fazendo-se um comparativo das saídas em relação às entradas. O cálculo foi feito com o seguinte critério: entradas menos as saídas, com relação ao total de entradas representado mês a mês, conforme evidenciado no gráfico 3: 100% 80% 60% 73% 83% 95% 76% 83% 117% 40% 20% 27% 17% 0% 5% 24% 17% -17% -20% JAN FEV MAR ABR CAIXA LIQUIDO SAÍDAS MAI JUN Gráfico 3 Caixa líquido da empresa. Fonte: elaborado pela autora (2013). Analisando-se esta composição de caixa líquido, pode-se observar que quase todos os meses o caixa permaneceu positivo, com exceção do mês de maio, que ficou 17% com saldo negativo, em consequência do aumento de empréstimos que houve nesse período. Podem-se destacar, ainda, os meses de janeiro e junho, com o maior caixa líquido gerado, com 27% e 24%, respectivamente. Dessa forma, no relatório fluxo de caixa pelo plano de contas emitido pela Construtora, é possível identificar o resultado de cada mês sem a interferência dos saldos nas contas disponíveis, verificando-se assim se os ingressos são capazes de honrar todos os desembolsos da organização. O relatório em questão pode ser visualizado a qualquer momento para a tomada de decisão, mas o ideal que é seja 53 examinado mensalmente, após o encerramento do mês, a fim de se comparar as movimentações com o mês anterior e realizar projeções para o mês seguinte. Além desta demonstração do fluxo de caixa, a Construtora possui outro relatório bastante utilizado em suas rotinas financeiras, o relatório fluxo de caixa analítico, em que se visualizam semanalmente as despesas e receitas diárias, pois ele age como auxílio na programação de pagamentos. O sistema é abastecido por diversos lançamentos de compras efetuadas pelo setor de suprimentos, que emite ordens de pagamento de acordo com as condições pactuadas com os fornecedores. O sistema também é constituído de previsões de pagamento originados pelos pedidos de compras em andamento e previsões de obrigações que possuem datas estabelecidas, mas não possuem valores atualizados no momento do relatório, como, por exemplo: conta de energia, tributos, folha de pagamento, encargos, entre outros. Os dados emitidos em forma de relatório fornecem informações diárias, de movimentações dos ingressos e desembolsos num dado período, conforme ilustra a tabela 2: Tabela 2 Fluxo de caixa analítico Disponível em 31/12/2012 -10.964,10 Entradas Saídas 0,00 55,45 0,00 52,10 0,00 132,84 0,00 531,11 0,00 2.556,28 0,00 78,61 0,00 357,00 0,00 3763,39 Saldo -11.019,55 -11.071,65 -11.204,49 -11.735,60 -14.291,88 -14.370,49 -14.727,49 Entradas 43.126,15 0,00 0,00 43.126,15 Saídas 0,00 360,00 290,00 650,00 Saldo 28.398,66 28.038,66 27.748,66 Data Cliente/Fornecedor 04/01/2013 MB COMÉRCIO DE MATERIAIS 04/01/2013 DEPÓSITO DE CONSTRUÇÃO HERMÍNIO 04/01/2013 PISOART COMÉRCIO DE MATERIAL Total do dia 4/1/2013 Entradas Saídas 0,00 260,02 0,00 240,00 0,00 1.648,96 0,00 2.148,98 Saldo 27.488,64 27.248,64 25.599,68 Total do período Fonte: adaptado da Construtora (2013). 43.126,15 6.562,37 Data 02/01/2013 02/01/2013 02/01/2013 02/01/2013 02/01/2013 02/01/2013 02/01/2013 Data 03/01/2013 03/01/2013 03/01/2013 Cliente/Fornecedor IOF S/EMPREST C/C COBRANCA DE IOF JUROS PROV USO LIMITE DEP. PLANALTO DE MAT. DE CONST. METALÚRGICA L C R LTDA PROLUX COMÉRCIO LTDA MANDACARU ADM. DE CARTÕES Total do dia 02/01/2013 Cliente/Fornecedor EMPRESA I MOTO S/A DEPÓSITO DE CONSTRUÇÃO HERMÍNIO Total do dia 03/01/2013 54 Este modelo apresentado pode ser extraído por qualquer período, mas neste caso foi retirado do período de 2 a 4 de janeiro de 2013, para visualizarmos uma pequena amostra do que este relatório pode nos fornecer de vantagens para a gestão do administrador financeiro e aqui separamos alguns benefícios: I prever futuros imprevistos, tomando soluções antecipadamente como buscar recursos para honrar com os compromissos; II realizar programação de pagamento, gerando um controle e organização do setor financeiro; III prever a posição financeira num dado período através do saldo do dia, gerenciando as movimentações bancárias; IV negociar com os fornecedores melhores prazos e condições de pagamento e V auxiliar na tomada de decisões questões com cunho econômico. As modalidades de análise do fluxo de caixa apresentados pelo sistema foram os fluxos de caixa pelo plano de contas e fluxo de caixa analítico, porém, existem outros tipos de análises que foram adaptados pela Construtora, através das informações obtidas destes de relatórios: análise vertical (AV) e análise horizontal (AH). A análise vertical faz uma comparação de cada conta em relação ao grupo que ela está inserida, mostrando sua participação representativa dentro do mesmo período. Esta análise é realizada da seguinte forma: os elementos do fluxo de caixa são divididos pelo total do conjunto em que estão inclusos, daí o resultado ser visualizado em forma percentual, revelando a participação relativa de cada conta. Já a análise horizontal faz uma avaliação de uma determinada conta financeira do fluxo de caixa em relação ao mês anterior, acompanhando sua evolução ou retrocesso. Logo, o cálculo é feito de maneira simples, em que se pega o período atual e o divide pelo período anterior e o resultado deverá ser mostrado em forma percentual. A Construtora utiliza estas duas análises em seu gerenciamento financeiro. A tabela 3 irá apresentar os resultados que essa modalidade pode gerar. 55 Tabela 3 Análise vertical e horizontal FLUXO DE CAIXA SALDO INICIAL 1 BIM R$ 2 BIME - R$ AV ENTRADAS RECEITA DE SERVIÇOS EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS RESGATE DE APLICAÇÃO FINANCEIRA 3 BIME 13.725 AV R$ 55.252 AH AV AH R$ 269.477 100% R$ 561.439 100% 108% R$ 606.972 100% 8% R$ 110.086 41% R$ 231.342 41% 110% R$ 305.568 50% 32% R$ 159.391 59% R$ 330.097 59% 107% R$ 173.778 29% -47% R$ 127.626 21% 103% R$ 652.913 108% R$ - SAÍDAS R$ 255.752 95% R$ 519.911 93% CUSTO OPERACIONAL R$ 111.069 41% R$ 205.185 37% 50% 47% 7% R$ 45.274 8% 156% R$ 59.775 10% 32% 24.898 9% R$ 44.843 8% 80% R$ 64.771 11% 44% 37.979 14% R$ 44.734 8% 18% R$ 96.787 16% 116% R$ 7.228 3% R$ 21.163 4% 193% R$ 16.873 3% -20% R$ 14.660 5% R$ 35.630 6% 143% R$ 40.743 7% 14% DESPESAS GERAIS R$ 3.555 1% R$ 4.979 1% 40% R$ 5.334 1% 7% DESPESAS COM IMÓVEL R$ 849 0% R$ 743 0% -13% R$ 5.960 1% 703% DESPESAS COM EQUIPAMENTOS R$ 116 0% R$ 305 0% 163% R$ 150 0% -51% DESPESAS COM VEÍCULOS R$ 505 0% R$ 1.997 0% 296% R$ 4.677 1% 134% DESPESAS COMERCIAIS R$ 413 0% R$ 400 0% -3% R$ 3.506 1% 777% DESPESAS FINANCEIRAS R$ 3.121 1% R$ 3.839 1% 23% R$ 1.196 0% -69% DESPESAS TRIBUTÁRIAS R$ 45 0% R$ 1.278 0% 2720% R$ 1.207 0% -6% INVESTIMENTO R$ 1.365 1% R$ 218.783 39% 15927% R$ 38.097 6% -83% FUNDO PARA INVESTIMENTO R$ 0 0% R$ 217.478 39% R$ 36.977 6% -83% IMOBILIZADO R$ 1.365 1% R$ 1.305 0% -4% R$ 1.120 0% -14% FINANCIAMENTOS R$ 143.318 53% R$ 95.944 17% -33% R$ 313.836 52% 227% EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS R$ 143.318 53% R$ 95.944 17% -33% R$ 313.836 52% 227% MÃO DE OBRA PRÓPRIA / ENCARGOS R$ 17.700 SERVIÇOS DE TERCEIROS R$ MATERIAIS APLICADOS R$ BENEFÍCIOS PROLABORE SALDO FINAL R$ 13.725 R$ 85% R$ 300.979 26% 55.252 R$ 9.312 Fonte: adaptado Construtora, 2013. Neste estudo, foi examinado o primeiro, segundo e terceiro bimestre do ano de 2013 e conforme observado é desejável que a análise vertical seja complementar à análise horizontal, ou seja, as considerações devem ser realizadas diante de uma análise conjunta, pois uma determinada conta pode apresentar uma variação de 2.720% na AH e ser irrelevante na AV, como é o caso da conta despesas tributárias, que no segundo bimestre teve uma evolução exorbitante, mas é um item não representativo no contexto geral. A análise vertical e horizontal é importante para a gestão financeira, uma vez que ela identifica a participação representativa de cada conta frente à demonstração financeira que a engloba, permitindo assim avaliar a estruturação do plano de contas e auxiliar na tomada de decisão. 56 Diante de todas as informações visualizadas, foi possível realizar um comparativo das entradas e saídas, conforme ilustra o gráfico 4: Composição do Fluxo de caixa 18% 9% 53% 20% ENTRADAS CUSTO OPERACIONAL INVESTIMENTO FINANCIAMENTOS Gráfico 4 Composição do fluxo de caixa Fonte: elaborado pela autora (2013). Neste gráfico houve uma composição de entradas juntamente com as saídas (custo operacional, investimento e financiamentos). Dessa forma, evidenciase mais uma vez que os custos operacionais são as despesas mais representativas com 20% e em seguida vem os financiamentos com 18% e com apenas 9% os investimentos. A partir da análise vertical e horizontal podemos concluir que é possível elaborar um plano de adequação das despesas, ou seja, fazer uma análise minuciosa de todos os custos para uma revisão de todas elas. Na segunda etapa da pesquisa, foi realizada por meio de uma entrevista com duas pessoas da área financeira, um assistente e um gerente financeiro. As pessoas pesquisadas possuem faixa etária entre 25 e 30 anos, uma sendo do sexo feminino e a outra do sexo masculino. Trabalham em média há quatro anos na empresa e há dois anos no cargo financeiro. Apenas um possui nível superior, enquanto a outra está com nível superior em andamento. 57 Com o intuito de fundamentar a pesquisa, os respondentes foram indagados quanto ao conhecimento e a aplicabilidade do fluxo de caixa da empresa em questão. Diante disto, eles responderam que conhecem totalmente e aplicam esta ferramenta em suas rotinas administrativas e isso acontece porque possuem um planejamento e controle dos recebimentos e pagamentos, pois sem eles seria impossível ter uma gestão através do fluxo de caixa. Ao serem questionados sobre a importância do FC, afirmaram com segurança no pronunciamento que o fluxo de caixa se faz uma ferramenta muito importante no dia a dia da empresa, pois ela informa qual a situação financeira disponível, quais as contas que contribuíram para o resultado, seja ele negativo ou positivo, atuando ainda de forma decisória no gerenciamento financeiro. Diante da importância que se tem com a aplicação do fluxo de caixa, foram comentados alguns benefícios fornecidos por ela, são eles: auxilia em qualquer tomada de decisão de cunho financeiro, evitando possíveis acontecimentos desagradáveis; permite deixar um histórico financeiro para possíveis consultas futuramente; proporciona um gerenciamento através de dados confiáveis e faz com que se tenha um planejamento e controle financeiro; De acordo com os entrevistados, o fluxo de caixa é atualizado semanalmente, conforme os dados são inseridos no sistema; se houver necessidade para a tomada de alguma decisão, o fluxo de caixa pode ser atualizado durante o dia. Segundo eles, a demonstração do fluxo de caixa tem contribuído bastante para o planejamento financeiro, pois nele é possível projetar as receitas e despesas através de metas estabelecidas durante o ano pela empresa e em consequência disto ter um norte a ser seguido em suas transações financeiras. Com isso, os respondentes dialogaram que com o uso do FC se obtém um controle financeiro eficiente, pois as contas são monitoradas e analisadas no fechamento de cada mês. Com o objetivo de identificar as possíveis dificuldades na utilização do FC, os entrevistados garantiram que o sistema é bastante eficiente na utilização do 58 fluxo de caixa, porém, as dificuldades surgem no âmbito operacional, por conta das diversidades de atividades financeiras às vezes falta tempo na atualização diária deste instrumento. Em relação à periodicidade de utilização desta ferramenta, seu emprego acontece no período semanal, pois dessa forma o gestor consegue associá-la a outras atividades financeiras. Os entrevistados informaram que a empresa não adotou ainda um fluxo de caixa projetado, mas tem interesse de implantar essa metodologia no ano de 2014, pois acreditam que poderão realizar através dele medições e análises entre o fluxo de caixa projetado x real, direcionando-os para uma gestão mais eficiente. 59 CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho de pesquisa foi realizado através de literaturas existentes e um estudo de caso desenvolvido numa construtora situada em Fortaleza, em que foi analisado um relatório da demonstração do fluxo de caixa em diferentes aspectos e a aplicação de uma entrevista. O objetivo geral do trabalho monográfico foi analisar a aplicação do fluxo de caixa como ferramenta de auxílio na gestão financeira das micro e pequenas empresas do setor da construção civil. Os resultados responderam a este objetivo, quando da aplicação da DFC identificam-se os dados capazes de revelar a posição financeira da empresa e através dela auxiliar a tomada de decisão. Além disso, por meio da realização das entrevistas junto aos responsáveis pelo setor financeiro da Construtora, foi possível ainda identificar que ela é uma ferramenta fundamental nas atividades rotineiras da organização. Quanto ao objetivo específico, identificar as reais dificuldades em utilizar a ferramenta do fluxo de caixa no gerenciamento financeiro, o estudo apontou como única dificuldade, a falta de tempo para a atualização do fluxo de caixa, fazendo que com sua aplicação não esteja disponível a todo instante. Em relação ao objetivo específico - verificar quais resultados a ferramenta de fluxo de caixa pode trazer para a gestão financeira da empresa - a pesquisa revelou que: informa a posição financeira da empresa, através da geração do caixa liquido; identifica as despesas que mais impactaram no plano de contas; armazena informações, gerando um histórico financeiro; possibilita uma gestão através de dados confiáveis e desenvolve uma prática de planejamento e controle financeiro; Quanto ao objetivo específico, identificar a periodicidade de utilização desta ferramenta na empresa objeto de estudo, foi apresentado na pesquisa que seu uso é semanal, permitindo realizar uma programação de pagamentos e recebimentos no mesmo período. Segundo os respondentes, este período atende 60 aos prazos estipulados pela empresa, auxiliando nas decisões financeiras e atuando como suporte na programação de pagamentos e recebíveis. Diante do estudo realizado, evidencia-se que a demonstração do fluxo de caixa é uma ferramenta gerenciadora e flexível, como verificado na empresa estudada, atendendo aos seus objetivos e gerenciando de modo eficaz os financeiros. As análises divulgaram que a Construtora possui um planejamento e controle financeiro graças à utilização do FC, pois este instrumento necessita que todas as informações estejam inseridas e atualizadas no sistema. Este instrumento é utilizado na empresa porque gera resultados positivos e dá um suporte na gestão econômica, assim como também proporciona confiança em suas decisões. De acordo com o estudo, recomenda-se que a aplicação do fluxo de caixa projetado seja implantada na Construtora, conforme interesse que os respondentes possuem, a fim de poder gerenciar os custos e receitas ao longo do ano através de dados orçados. Partindo da relevância do tema pesquisado, recomenda-se para futuros estudos a elaboração de pesquisas voltadas para MPE de outros ramos de atividades, de forma a auxiliar as organizações no gerenciamento de suas transações financeiras e verificar quais os modelos de fluxo de caixa mais utilizados nas empresas. 61 REFERÊNCIAS ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2009. AZEVEDO, Osmar Reis. Comentários às novas regras contábeis brasileiras. 2ª ed. São Paulo: IOB, 2008. NETO, Alexandre Assaf; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do capital de giro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1997. ______. Administração do Capital de Giro. 3 Ed. São Paulo: Atlas, 2010. ______. Administração do capital de giro. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. NETO, Alexandre Assaf. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico e financeiro. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. ______. 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Cumprimentando-os, cordialmente, informa-se que este roteiro de entrevista é o instrumento da pesquisa de campo - Análise do fluxo de caixa para o planejamento e controle financeiro em empresa do ramo da construção civil – elaborada pela graduanda Lidiane do Nascimento Marques Alves, sob orientação do Professor Ms. Paulo Francisco Barbosa Sousa. A pesquisa visa levantar informações para subsidiar a elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), do curso de Administração da Faculdade Cearense – FaC. Por este instrumento, espera-se obter informações sobre a gestão financeira. Desde já, agradeço pelo valoroso tempo destinado a responder os questionamentos abaixo citados e pela inestimável colaboração. I – CARACTERIZAÇÃO DO ENTREVISTADO 1) Sexo ( ) Masculino ( ) Feminino 2) Faixa etária ( ) 18 a 24 anos ( ) 25 a 30 anos ( ) Acima de 30 anos 3) Tempo que trabalha na empresa ( ) Até 3 anos ( ) De 3 até 5 anos ( ) Acima de 5 anos 4) Grau de instrução (Escolaridade) ( ) Analfabeto ( ) Ensino Fundamental ( ) Superior ( ) Pós-Graduação ( ) Ensino Médio ( ) _______________ 5) Cargo ocupado ( ) Proprietário ( ) Supervisor ( ) Gerente ( ) ________________ ( ) Administrador ( ) Assistente financeiro 6) Tempo no cargo atual ( ) Até 3 anos ( ) De 3 até 5 anos II - CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA 1) Constituição da empresa: ( ) Sociedade Anônima ( ) Sociedade Limitada ( ) Empreendedor Individual ( ) outros. Qual?________________ ( ) Acima de 5 anos 68 2) Ramo de atuação da empresa ( ) indústria ( ) comércio ( ) outros. Qual?________________ ( ) serviços 3) Quais mercados abrange: ( ) local ( ) nacional ( ) internacional 4)Tempo de atividade da empresa ( ) Até 5 anos de vida ( ) De 5 até 10 anos de vida ( ) Acima de 10 anos de vida 5)Força de trabalho composta atualmente por: ( ) Até 49 funcionários ( ) De 50 à 100 funcionários ( ) Acima de 100 funcionários 6) Faturamento anual médio: ( ) Até R$ 80.000,00 ( ) De R$ 250.000,00 até 1,5 milhão 7) Forma de tributação: ( ) tributação pelo Lucro Real ( ) tributação pelo Simples Nacional ( ) De R$ 81.000,00 até R$ 250.000,00 ( ) Acima de R$ 1,5 milhão ( ) tributação pelo Lucro Presumido III - APLICABILIDADE DO FLUXO DE CAIXA 1) Você aplica o fluxo de caixa na empresa? ( ) Sim ( )Não 2) Como você avalia seu nível de conhecimento sobre o fluxo de caixa? ( ) Conheço parcialmente ( ) Conheço totalmente ( ) Desconheço 3) A empresa possui planejamento das receitas, custos e despesas? ( ) Sim ( ) Não 4) Qual a importância do fluxo de caixa no gerenciamento da empresa? ( ) Muito Importante ( ) Importante ( ) Não é importante Por que? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 5) Você utiliza o fluxo de caixa como ferramenta de auxílio nas tomadas de decisões? ( ) Sim ( ) Não 6) O fluxo de caixa proporcionar benefícios para a gestão financeira? Comente. ( ) Sim ( ) Não Comente,________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 69 7) Qual a periodicidade de utilização do fluxo de caixa? ( )Diário ( ) Semanal ( ) Mensal ( ) Anual ( ) Outro____________ 8) Você utiliza o fluxo de caixa como ferramenta do planejamento financeiro? ( ) Sim ( ) Não 9) Você consegue obter um controle financeiro eficiente através do fluxo de caixa? ( ) Sim ( ) Não Se não, comente... _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 10) Quais as dificuldades que você encontra na aplicação do fluxo de caixa? ( ) Tempo para atualizar os dados ( ) Falta de conhecimento ( ) Sistema informatizado ineficiente ( ) Nenhum ( ) Outros________________ 11) A empresa possui fluxo de caixa projetado? ( ) Sim ( ) Não 12) Se possui, qual é o prazo desta provisão? ( ) Curto prazo ( ) Longo prazo ( ) Ambas