Ano XIII • Nº 144 • Agosto 2011 • R$ 10,00
temperos
Em alta, mercado
de condimentos e
especiarias ainda se
ressente de requinte
em embalagens
Cresce
o apetite
Fornecedores tentam
difundir no Brasil um
conceito que já faz
sucesso lá fora: o
acondicionamento de
alimentos em bisnagas
entrevista
Joice Joppert Leal,
da Associação Objeto
Brasil, fala dos desafios
para a valorização do
design brasileiro
bebidas
Guaraná Antarctica é
o primeiro refrigerante
nacional a adotar
garrafa que incorpora
PET reciclado
Editorial
UMA CONVERSA COM O LEITOR
Um compromisso
que convém ampliar
Dentre as expressões
mais corriqueiras utilizadas no jargão
mercadológico, “agregar valor” disputa lugar com as palavras “inovação”,
“parceria”, “sustentabilidade” e tantos outros mantras sacados do coldre
de marqueteiros ao menor piscar de
olhos do interlocutor ou da audiência.
É verdade, como foi abordado na edição anterior, que a indústria brasileira
(ainda que em volume modesto frente
às de países desenvolvidos e emergentes) vem investindo cada vez mais em
inovação de produtos. No entanto, no
universo da embalagem, no qual a equipe de EmbalagemMarca vivencia o dia
a dia prático dos negócios, é perceptível
forte resistência de empresas em transformar em atos o discurso que ouvem
ou que fazem sobre adição de valor.
Não se veja nos exemplos citados a
seguir um suposto posicionamento da
revista em favor de um ou outro tipo
de embalagem, na medida em que a
parte central de sua missão é defender
e estimular o avanço da cadeia de valor
da embalagem em sua totalidade. Mas
na apuração para produzir duas das
reportagens de maior peso nesta edição
– sobre o uso de bisnagas para acondicionar produtos alimentícios e sobre o
potencial não aproveitado de adição de
valor a temperos gourmet (especiarias)
– reforçou-se na equipe a impressão de
que predomina em muitas empresas
pesado desinteresse em adicionar valor
aos produtos por meio de novos tipos
de embalagens.
No exterior já é comum o uso de
bisnagas para acondicionar alimentos
pastosos, como queijos e condimentos,
não só como forma de substituir outros
tipos de embalagem, mas para trans-
mitir a idéia de ampliação de leques de
opção e de valor agregado. No campo
de produtos destinados à gastronomia, a crescente presença de artigos
importados, acondicionados em embalagens sofisticadas, é por si mesma
uma demonstração de que existe espaço para colocar-se em recipientes top
de linha a inigualável variedade disponível de especiarias nativas, ou mesmo
importadas.
O assunto é abordado de forma crítica também na Entrevista do mês, com
Joice Joppert Leal, diretora executiva da
Associação Objeto Brasil.
Tudo isso suscita questões que não
cabe discutir neste espaço, mas é inevitável colocar que, ao lado da inapetência da indústria usuária em resistir
à fórmula fácil de concorrer com preços
cada vez mais baixos, os fornecedores
de embalagens nem sempre facilitam
as coisas. Uma queixa frequente diz
respeito aos lotes mínimos exigidos nas
encomendas.
Para evitar que esta mensagem
possa ser tomada apenas como lamúria, fica o registro de uma boa notícia
que vai na contramão de tudo que
foi tratado nos parágrafos anteriores.
Trata-se do excelente nível das inscrições de cases concorrentes à quinta
edição do Prêmio EmbalagemMarca
que vêm chegando a nossas mãos. A
alta qualidade das descrições e dos
materiais apresentados nos entusiasma pela antevisão de que a festa de
premiação, no dia 18 de outubro, será
o coroamento do permanente processo
de avanço da cadeia de valor da embalagem no Brasil.
“No jargão mercadológico, falase muito em adição de valor,
mas no universo da embalagem,
no qual vivenciamos o dia a
dia prático dos negócios, é
perceptível forte resistência de
empresas em transformar em
atos o discurso que ouvem ou
que fazem sobre essa prática”
WIlson palhares
Agosto 2011 |
3
Sumário
Edição 144 • Agosto 2011
24 Reportagem de capa
BISNAGAS
Dispostos – e aptos – a trocar
margens por ganhos de escala,
fornecedores querem promover
no mercado nacional o uso de
bisnagas para o acondicionamento
de alimentos pastosos. Que
benefícios essas embalagens podem
oferecer a produtos comestíveis?
POR guilherme kamio
3 Editorial Desinteresse em fugir às convenções no campo das
embalagens mostra resistência das empresas em transformar
em atos o discurso que ouvem ou que fazem sobre adição de valor
10 Espaço Aberto Críticas, sugestões e elogios dos leitores
12 Limpeza doméstica Estreia no País um novo conceito em
12
14
lava-louças sustentável. Produto, superconcentrado e acondicionado
em sachês, pede diluição em água e sugere a reutilização de frascos
14 Painel Videolar estreia em tampas para garrafas de bebidas.
Empresa francesa adquire controle da Mappel. Dow retoma projeto de
bioplásticos brasileiros. Player chinês em caixinhas se movimenta
22 EM Foco EmbalagemMarca foi às ruas saber o que pensa o
consumidor sobre o novo envoltório do bombom Sonho de Valsa
32 Bebidas Inventados por empresa austríaca, destilados e
22
32
energéticos envasados em bisnagas de alumínio já estão presentes em
24 países. Agora, preparam desembarque no Brasil
34 Tecnologia Multinacional americana desenvolve solução que
possibilita o envase a quente de bebidas de alta acidez em garrafas e
frascos mais leves, propiciando, de quebra, maior liberdade de design
38 Prêmio Novo troféu do Prêmio EmbalagemMarca, além de obedecer
processo de criação e fabricação de uma embalagem, apresentará cor
diferenciada e estojo sofisticado
34
38
Edição 144 • Agosto 2011
Sumário
42 Entrevista Joice Joppert Leal, diretora executiva da Associação
Objeto Brasil, fala sobre a importância da valorização do design
brasileiro e o que falta para o País aprimorar na criação de embalagens
48 Ciclo de Conhecimento Fórum Design de Resultados, ocorrido
em São Paulo e Curitiba no final de junho último, mostrou maneiras de
facilitar a obtenção de resultados por projetos de embalagens
42
48
50 Alimentos Aquecido pela melhora do poder de renda da
população e pela demanda por produtos gourmet, segmento de
temperos e especiarias ainda se ressente de melhores embalagens
58 Vinhos Até hoje, a impressão digital sempre foi vista como recurso
para pequenas tiragens. Novos rótulos de vinícola gaúcha, com dados
variáveis e acabamento fino, mostram que tecnologia pode ir além
50
58
60 Sustentabilidade Há dois anos, Walmart criou projeto para
estimular fornecedores a tornar produtos mais sustentáveis. Segunda
rodada do projeto agora apresenta treze novas conquistas
64 Refrigerantes Em iniciativa inédita no mercado nacional de
refrigerantes, AmBev desenvolve garrafa formulada parcialmente com
resina PET pós-consumo reciclada
66 Ideias Blisters para medicamentos sensíveis à luz sempre
contiveram proteção de alumínio. Multinacional verde-amarela anuncia
embalagem fotoprotetora sem necessidade de barreira opaca
66
70
68 Internacional Na Inglaterra, surge o primeiro refrigerante em
aerossol, que promete revolucionar o consumo de bebidas gaseificadas
70 Internacional No Canadá, 7Up, da PepsiCo, adota garrafas
inteiramente feitas de PET reciclado
72 Display Surge uma nova linha de cosméticos para homens. Aurora
lança novos vinhos com tampa de rosca. Sabonetes Palmolive adotam
visual internacional. Lysoform agora é também higienizador para pés.
72
78
78 Almanaque A arcaica origem da maquiagem de olhos. Modelo de
tampas metálicas inspirou nome de vinho. O sumiço da Peixe, indústria
alimentícia com origem no sertão. Obras de arte francesa foram
“absorvidas” por latinhas de balas e doces
Empresas que anunciam nesta edição
Antilhas.........................................................15
Aaron............................................................81
Abeaço........................................................ 75
Aptar B&H................................................... 33
Arol............................................................... 35
Baumgarten.......................................... 4 e 5
Bispharma....................................................31
Bosch Packaging...................................... 23
BP Filmes.................................................... 43
CCL Label......................................... 2ª capa
Ciclo de Conhecimento..........................71
CMP..............................................................61
Congraf.......................................................49
Cryovac............................................. 4ª capa
Esko-Graphics........................................... 39
Frascomar................................................... 53
Giro News................................................... 73
Grif.......................................................40 e 41
Ibema........................................................... 47
Inapel........................................................... 29
Indexflex...................................................... 37
Lisboa Turismo..........................................69
Markem-Imaje............................................ 11
MetaPack Máquinas................................. 55
Moltec..........................................................81
Nitro Química................................... 20 e 21
Optima...........................................................7
Owens-Illinois............................................ 59
Pack Point....................................................19
Papirus..........................................................13
Plastic Solution...........................................19
Plastimagen.................................................21
Prakolar......................................................... 9
Prêmio EmbalagemMarca............56 e 57
Rigesa...........................................................51
Santher........................................................ 65
Simbios-Pack..............................................81
Technopack................................................81
Versacolor.................................................. 27
Videojet....................................................... 67
Vidro Porto................................................. 55
Vitória Régia............................................... 63
Wheaton........................................... 3ª capa
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Flávio Palhares | [email protected] • Marcelo Marcondes | [email protected] • Comercial: Juliana Lenz | juliana@
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Espaço aberto
opiniões, críticas e sugestões
de nossos leitores
Edição de aniversário
A edição de junho comemorou com grande
estilo – renovador – o 12º aniversário da revista
EmbalagemMarca. Parabéns! Este veículo
de comunicação não se limita a preparar os
empresários que lêem seus artigos e reportagens para o futuro, pois acredita que o futuro é
agora e que os recursos e resultados se encontram fora da empresa: nos consumidores, nos
fornecedores, nas tendências de mercado. Ao
ler a revista, ficou nítido que os resultados provêem do aproveitamento das oportunidades, e
estas significam experimentar novos caminhos
e novas tecnologias, com sustentabilidade e
responsabilidade.
Luiz Carlos de Menezes
Sócio-administrador
General Embalagens Industriais
São Paulo, SP
Licenciamentos
Muito bacana e oportuna a matéria “Com
uma mãozinha de heróis e outras turmas”
(EmbalagemMarca 143, julho de 2011). Foi
esclarecedora, informou passo a passo, deu
ótimos exemplos e imagens, com a linguagem
na medida certa.
Valeu. Um abraço.
Maurício Speranzini
Speranzini Design
São Paulo, SP
Novo projeto gráfico
Parabéns a toda a equipe de EmbalagemMarca
pela nova comunicação visual. Ficou bem mais
atraente e agradável, além de proporcionar rápido e fácil entendimento ao leitor. Adoramos!
Excelente, também, o artigo “Síntese do que
há de melhor em conhecimento”. O conteúdo
convida os profissionais envolvidos e os consumidores a pensar de maneira mais ampla sobre
a embalagem e sua real importância.
Elen Nunes
Frisson Assessoria
São Paulo, SP
Save Food
Ao ler na edição nº 140 de EmbalagemMarca
(abril de 2011) a reportagem da página 65, “Para
salvar comida”, ficamos alarmados com a infor-
10 | Agosto 2011
“O mercado de embalagem brasileiro não seria a mesma
coisa sem a revista EmbalagemMarca. Parabéns pelos doze
anos de vida e por sempre inovarem em todos os sentidos.
Espero que continuem sempre nos surpreendendo”
Vítor G. de Oliveira
Gerente de Compras Novos Negócios – Química Amparo (Ypê)
Amparo, SP
mação sobre perda de alimentos, da ordem de
1,3 bilhão de toneladas/ano, que equivale a 7,5
vezes a produção total de grãos do Brasil. A
perda per capita de alimentos por ano nos países adiantados chega a 300 quilos. Esse volume
daria para saciar a fome de 1,5 cidadão faminto
do mundo anualmente. Fazendo a conta: se os
667 milhões de cidadãos dos países ricos zerassem suas perdas, teríamos saciada a fome de
1 bilhão de pessoas.
Júlio da Silva Rocha Junior
Faes - Federação da Agricultura e
Pecuária do Estado do Espírito Santo
Vitória, ES
Ciclo de Conhecimento
Acabo de ver várias fotos do Seminário Design
de Resultados, do qual participei, e da exposição na Panamericana Escola de Arte e Design.
O palestrante principal, Ravi Sawhney, e sua
esposa, Amália, pedem-me que lhes transmitamos a satisfação que tiveram em participar
e também sua mais sincera gratidão por vocês
terem contribuído para que sua estada em São
Paulo fosse muito agradável.
John Kiehle
Gerente de marketing
RKS Design
Thousand Oaks, Califórnia (EUA)
Maionegg’s no Almanaque
Obrigado pela publicação da nota sobre a
Maionegg’s na seção Almanaque (EmbalagemMarca 143, julho de 2011). A equipe do
Centro de Memória Bunge gostou bastante
do registro. Eles pediram apenas para orientar que a empresa que lançou os potes de
vidro com a boca larga para a Maionegg´s
foi a Sanbra – Sociedade Algodoeira do
Nordeste Brasileiro, outra empresa adquiri-
da pela Bunge, e não a Santista Alimentos,
conforme divulgado.
Paulo Ricardo Ritta
CDN Comunicação Corporativa
São Paulo, SP
Não no Brasil
Acabo de ler a matéria sobre as embalagens
arredondadas da Danone na Espanha (EmbalagemMarca 142, junho 2011). A reportagem
diz que ainda não se sabe se o Brasil adotará
o formato da Espanha. Informamos que a
empresa ainda não planeja adotar esse formato
de embalagem no Brasil.
Mariana Ramos
Andreoli MSL – Assessoria de
imprensa da Danone/Activia
São Paulo, SP
EM Foco
Gostaria de agradecer por ver mais uma matéria relacionada ao Capri-Sun na revista EmbalagemMarca (edição 143, junho 2011, seção
EM Foco). Vendo o vídeo no Youtube podemos
notar que a embalagem gera a curiosidade de
experimentação. Isso é muito bom, além de,
claro, dar destaque à nossa marca.
Luísa Tovani Benzaquen
Coordenadora de Marketing
i9 – Inovação em Bebidas
São Paulo, SP
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limpeza doméstica
Para preparar
em casa
Em iniciativa inédita, Soin vende
frasco vazio e detergente concentrado
em sachê, para ser diluído com
água pelo consumidor
Um cartucho de papel cartão
trazendo um frasco de PET vazio, uma
válvula pump e um sachê envasado com
detergente líquido superconcentrado.
Nesse kit consiste o Zap Eco, da Soin.
O conceito adotado pelo lançamento é
inédito no mercado brasileiro de lavalouças: o produto deve ser diluído em
água pelo consumidor.
“Na primeira compra, leva-se para
casa uma embalagem vazia com o sachê
para produzir o conteúdo correspondente àquela embalagem”, explica Angela Fernandes, diretora comercial da
Soin. A empresa disponibiliza, portanto, o primeiro conteúdo do detergente,
incentivando o sistema de dissolução.
“Depois, o consumidor poderá optar
pelo sistema de refil, adquirindo um
novo sachê, vendido separadamente por
um preço bem mais em conta do que o
dos detergentes do mercado, podendo
ainda reaproveitar a embalagem”, ela
Frasco de PET chega
vazio ao consumidor, ...
12 | Agosto 2011
ressalta. Cada refil, depois de diluído em
água, rende 500 mililitros de detergente.
os demais lava-louças disponíveis
no mercado têm embalagens produzidas com até 35 gramas de plástico, que
são descartadas após o uso. Angela faz
a comparação, e diz que “o sachê-refil
tem apenas 2,5 gramas de plástico”. Ela
ressalta que a embalagem reutilizável
reforça o conceito de sustentabilidade,
afirmando que a troca de uma descartável por uma reutilizável com refil reduz
o descarte de plásticos em até 93%.
A diretora da Soin enumera outras
vantagens do Zap Eco: “Em relação às
embalagens, há economia de 80% de
...que deve enchê-lo de
água até a marca indicada
espaço no momento do armazenamento, e no transporte há impacto direto
no valor do frete, pois se trata de uma
carga 80% mais leve em relação aos
detergentes comuns”. O produto em si
também tem apelo ecológico: baseia-se
num ativo biodegradável que, segundo o
fabricante, não agride o ambiente.
O design das embalagens foi desenvolvido pela própria Soin, que também
sopra os frascos de PET internamente.
A empresa não informa quem fornece as
válvulas pump.
Depois de cheio, detergente
concentrado é acrescentado
Consumidor precisa
agitar a embalagem...
Rótulos
Mark Label
(11) 2957-5706
www.marklabel.com.br
Cartuchos
Rosset
(11) 3732-4444
www.graficarosset.com.br
Sachês (Polietileno de baixa
densidade + alumínio)
Scodro Embalagens
Flexíveis
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...para homogeneizar
o conteúdo
Painel
MOVIMENTAÇÃO NO MUNDO DAS EMBALAGENS E DAS MARCAS
Edição: Guilherme Kamio
[email protected]
FECHAMENTOS
Mídias, filmes
e agora tampas
Depois de consolidar
produções de poliestireno e de filmes
de polipropileno biorientado (BOPP),
a Videolar anunciou a entrada em mais
um negócio no campo dos plásticos: o
de tampas de rosca para embalagens
de bebidas. A empresa, mais conhecida pela fabricação de CDs e DVDs
(mídias virgens ou gravadas), investiu
12 milhões de reais em duas linhas de
moldagem por compressão, fornecidas
pela italiana Sacmi. Com as aquisições,
torna-se apta a produzir 80 milhões de
tampas por mês.
O objetivo da Videolar é expandir a atuação no setor de transformação de plásticos, no qual já atua
com destaque na produção de estojos
para CDs e DVDs. “Chegou o momento
de conquistar um novo nicho: o setor
alimentício”, declarou o presidente da
empresa, Phillip Wojdyslawski.
A oferta consistirá em tampas
de rosca no diâmetro 28 milímetros
compatíveis com os padrões de gargalo
PCO 1810 e PCO 1881 – este último
14 | Agosto 2011
adequado ao emergente formato de
gargalo com perfil baixo (short height), crescentemente adotado nas garrafas de PET para refrigerantes e águas
minerais. Em ambas
Videolar anuncia
as versões as tamentrada no mercado
pas apresentarão
de fechamentos para
liner (vedante intergarrafas de PET
no) com desenho
bilabial – saliência que se amolda aos
bocais das garrafas com o intuito de
reduzir perdas de carbonatação e aprimorar a estanqueidade do conteúdo.
Os planos da Videolar para o
novo negócio não são modestos. A
empresa planeja dobrar sua capacidade de produção já no primeiro semestre de 2012, com a aquisição de duas
novas linhas da Sacmi. “A expectativa
é alcançar a marca de dez linhas até o
final do próximo ano, o que nos dará
capacidade para 400 milhões de peças
por mês e uma representativa participação no mercado nacional”, afirma
Wojdyslawski.
Tampas da Videolar terão
vedação bilabial e versões
para gargalo reduzido
Painel
MOVIMENTAÇÃO NO MUNDO DAS
EMBALAGENS E DAS MARCAS
NEGÓCIOS
Ileos ingressa na Mappel
Nome importante do mercado de embalagens para produtos de higiene
pessoal e beleza, a francesa Ileos fechou um acordo para adquirir participação majoritária na brasileira Mappel, empresa que afirma deter
a liderança no mercado nacional de embalagens para doses únicas e
amostras de cosméticos. O valor da transação não foi divulgado.
“Com o negócio, poderemos desenvolver nosso know-how e melhor
servir nossos clientes nesse país de grande potencial que é o Brasil”,
declarou o francês Philippe Geiblat, diretor da Ileos. A empresa possui
catorze fábricas distribuídas por Europa, Estados Unidos e China, conta
com 4 000 funcionários e em 2010 faturou 275 milhões de euros.
Por sua vez, a Mappel, que atua também como produtora terceirizada de cosméticos, continuará sendo presidida por sua fundadora, a
empresária Marion Appel. Aberta em 1970, a empresa conta atualmente
com 230 funcionários em suas duas unidades industriais, localizadas na
Grande São Paulo (São Bernardo do Campo e Diadema). No ano passado, registrou faturamento de 55 milhões de reais.
Ileos passa a controlar a Mappel,
referência em doses únicas e amostras de
cosméticos, como as mostradas abaixo
Reciclagem
Braskem irá utilizar
“nafta reciclada”
Depois do etanol de cana-de-açúcar, que dá origem a seu polietileno
“verde”, a Braskem anunciou que terá mais uma fonte alternativa de
matéria-prima a partir de 2013: nafta produzida a partir de plástico reciclado pós-consumo. A petroquímica espera consumir, no primeiro ano,
1,4 milhão de litros do insumo, fornecido pela Novaenergia – empresa
especializada em tratamento de resíduos que irá montar sua primeira
usina de reciclagem avançada em Salvador.
16 | Agosto 2011
MÁQUINAS
Sacmi e Oystar
firmam convênio
A Sacmi e o grupo alemão Oystar, dois pesos pesados do mercado
de máquinas para embalagem, anunciaram ter firmado um acordo
de cooperação para o desenvolvimento de soluções integradas
para a indústria de bebidas. Um exemplo seria a combinação de
enchedoras da Oystar com sopradoras da Sacmi. As parceiras também
vislumbram cooperações entre seus departamentos de engenharia
para a criação de soluções inovadoras. “Os portfólios das duas
companhias complementam-se fantasticamente”, diz o diretor geral
da Sacmi, Pietro Cassani. “Permaneceremos independentes, mas, por
meio da aliança, criaremos valor agregado genuíno para os clientes.”
CARTONADAS ASSÉPTICAS
Planta-piloto
para alimentos
No dia 30 de junho último a Tetra Pak inaugurou a
primeira planta-piloto da América Latina dedicada
a testar o acondicionamento de alimentos em conserva em embalagens cartonadas assépticas. Fruto de
um investimento de 1,4 milhão de reais, a estrutura
fica abrigada em um laboratório do campus de São
Caetano (SP) do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
De acordo com Fernando Varella, diretor executivo de vendas da Tetra Pak para o mercado de alimentos, a planta-piloto reproduz em menor escala uma
linha convencional, facilitando os desenvolvimentos
de clientes atuais e potenciais. “Os custos com testes
caem e o período pode ser reduzido em no mínimo
seis meses”, afirma o executivo. O equipamento é
capaz de processar até três lotes por dia, o que equivale a aproximadamente 360 embalagens.
Como contrapartida à cessão do espaço, a Tetra
Pak oferecerá palestras e demonstrações aos alunos
da Mauá sobre a tecnologia de cartonada asséptica
processada por autoclave, desenvolvida pela empresa
para o setor de conservas. O modelo de embalagem
oferecido para essa aplicação é a Tetra Recart – caixinha composta por nove camadas intercaladas de
papel cartão, folha de alumínio e filme de polietileno, já utilizada no Brasil por marcas como Quero e
Camil para o acondicionamento de vegetais e feijões
prontos. A intenção da Tetra Pak é estimular o uso
da solução para vendas de outros produtos, como
molhos prontos, pescados, sopas e rações.
Com espaço para testes, Tetra Pak quer estimular novas
adoções da Tetra Recart por fabricantes de alimentos
Agosto 2011 |
17
Painel
MOVIMENTAÇÃO NO MUNDO DAS
EMBALAGENS E DAS MARCAS
BIOPLÁSTICOS
Dow volta à carga em plástico “verde”
Depois de ter anunciado cerca de quatro anos
atrás um projeto de produção de bioplásticos
no Brasil em parceria com o grupo sucroalcooleiro Crystalsev, e de tê-lo visto naufragar
devido a mudanças no controle da sócia,
a Dow voltou à carga e anunciou em julho
a formação de nova aliança com a mesma
finalidade. A parceira, desta vez, é a japonesa
Mitsui. As empresas criaram uma joint venture para dividir o controle de uma operação de
cana-de-açúcar iniciada pela Dow em Santa
Vitória (MG). Segundo a química americana,
o objetivo é construir naquele local “a maior
planta integrada do mundo para a produção
de biopolímeros feitos a partir de etanol renovável derivado da cana-de-açúcar”. Os materiais serão escoados para a transformação de
embalagens flexíveis de alta performance,
produtos médicos e artigos de higiene pessoal. “Estamos mais entusiasmados do que
nunca sobre o potencial dos produtos químicos sustentáveis nessa economia em crescimento", afirmou Pedro Suarez, presidente da
Dow América Latina. Os valores do acordo,
bem como outros detalhes da operação, não
foram revelados.
CARTONADAS ASSÉPTICAS
Novidades do player chinês
GA Pack,
ex-Tralin Pak,
quer difundir
suas caixinhas
no Brasil
númeroS
A Tetra Pak
divulgou no
início de julho
os resultados de
seu mais recente
estudo sobre a
indústria mundial
de laticínios, o
Dairy Index. Veja
alguns dos dados
que constam do
levantamento:
18 | Agosto 2011
Depois de abrir seu capital no final de 2010,
tendo ações listadas na bolsa de valores de
Hong Kong, a produtora de embalagens cartonadas assépticas Tralin Pak decidiu adotar
nova identidade. A empresa mudou seu nome
para GA Pack (Greatview Aseptic Packaging),
marca que está em curso de implantação por
suas subsidiárias – como a brasileira, aberta
cerca de dois anos atrás em São Paulo. Em
julho, a companhia realizou o lançamento da
pedra fundamental de uma nova fábrica, sua
primeira na Alemanha. Localizada em Halle
30%
51%
350
70%
Será o aumento do consumo global de
leite e bebidas lácteas nos próximos dez
anos. O maior consumo desses produtos,
especialmente na Ásia, deverá fazer a
demanda mundial alcançar, em 2020,
bilhões de litros
(Saale), a unidade tem inauguração prevista
para o fim de 2012. Orçada em 50 milhões
de euros, deverá gerar 110 empregos diretos e
produzir inicialmente 4 bilhões de caixinhas
longa vida por ano. As embalagens não serão
somente destinadas ao mercado europeu,
mas também à América do Sul. “O Brasil é
um mercado estratégico, onde queremos nos
desenvolver”, diz Peder Berggren, diretor de
negócios internacionais da GA Pack. Segundo
o executivo, a empresa já tem clientes no País.
Prefere, porém, não identificá-los.
Foi a proporção das compras a granel no
consumo total de leites, em 2010, nos
países em desenvolvimento. Em 2020,
porém, o share de produtos acondicionados
em embalagens deverá ser de
Fonte: Tetra Pak Dairy Index | julho de 2011
Ásia terá papel importante
no aumento do consumo
de bebidas lácteas
CELULÓSICAS
Novo logotipo e
nova unidade fabril
A Rigesa adotou no início de junho último uma nova identidade
visual, incorporando em seu logotipo o padrão visual e a sigla
MWV, pela qual é conhecida sua controladora, a americana MeadWestvaco. A mudança coincidiu com a abertura da mais nova
fábrica de embalagens de papelão ondulado da empresa, a quinta
no País, localizada em Araçatuba (SP). Com aproximadamente 27
000 metros quadrados de área construída, a unidade conta com
sessenta funcionários. A expectativa é de que, com o aumento da
produção, passe a atuar com 250 colaboradores até 2014. “Com a
nova fábrica, poderemos impulsionar os negócios, principalmente
no interior de São Paulo e do Paraná”, acredita Davis Assis, gerente
geral da unidade.
gráficas
Aniversário
com investimentos
Importante produtora de embalagens de papel cartão, a paranaense Magistral Embalagens completou trinta anos de atividades
em julho. A comemoração contou com o anúncio de grandes
investimentos. Em jantar realizado em São Paulo, o presidente da
empresa, Marcus Conte, informou que a gráfica está aumentando em 125% sua capacidade de produção. Para isso, a Magistral
investiu nos últimos meses 35 milhões de dólares na compra de
dezesseis novos equipamentos e na ampliação física de sua sede,
que totalizará 22 000 metros quadrados de área construída. Entre
as novas aquisições da empresa estão máquinas de pré-impressão
Heidelberg, Kodak e Lasercom; de impressão Ryobi, KBA, Heidelberg, Manroland e Komori; e de corte e vinco Bobst, Autostamp e
SBL, além de equipamentos de colagem. Para 2011, a empresa ainda
prevê investimentos de mais 12 milhões de dólares em equipamentos e a abertura de um depósito de matéria-prima e de um centro de
distribuição em São Paulo, além da construção e instalação de uma
empresa especializada em serviços de acabamento, a Magitech.
EM foco
O QUE VAI PELA CABEÇA DO CONSUMIDOR
Sonho de Valsa
Consumidores analisam a nova
embalagem do bombom da Kraft Foods
O bombom
Sonho de Valsa, da Kraft Foods, passou recentemente por uma
mudança em sua embalagem (ver EmbalagemMarca nº 141, maio de 2011). O filme
de polipropileno biorientado (BOPP) metalizado substituiu o filme de polipropileno
translúcido e a folha de alumínio que era utilizada como barreira à luz. A embalagem
agora é selada, o que conserva as propriedades do chocolate por mais tempo. Mas será
que os consumidores perceberam a diferença? EmbalagemMarca foi a um supermercado de São Paulo ouvir a opinião deles:
“Tudo aquilo que venha
beneficiar um produto
tradicional como esse só
vem melhorar o processo.
Realmente agrega bastante.”
“Parece que ficou
mais firme, mais
durinha. Continua
fácil de abrir.”
Flávia B. Kell
Antonio Jorge
“Antes, quando a gente
fazia ‘assim’, ele já abria.
Agora a gente precisa
puxar aqui... Isso deve
manter o bombom mais
crocante. Gostei da nova
embalagem.”
“Eu acho que fica
melhor. Uma operação
a menos. Isso facilita
bastante. Ela já vem
mais protegida.
Maravilha. Mais prática,
mais rápida e melhor
para degustação.”
Daniela Cabral dos Santos
Vicente Donice
“Muito bacana. Gostei. Acho
que na outra embalagem o
bombom, dependendo de onde
você deixava, ficava mais fofinho,
ressecado. Agora acho que
conserva mais a consistência.”
Raquel Sena
Assista aos depoimentos na íntegra em emb.bz/144emfoco
22 | Agosto 2011
“O material parece ser mais resistente.
Não é aquele que você faz ‘assim’ e já
solta. Mais seguro, no sentido de não
abrir, de você pegar e soltar.”
Simone Zancopé
reportagem de capa
De bandeja para
Com maiores capacidades de produção e novas tec
tentar difundir uma aplicação insólita no Brasil: o ac
Por Guilherme Kamio
Assim como
consumidores de
outros países, o brasileiro já se acostumou a adquirir cremes, géis, pomadas e
especialidades químicas em bisnagas – ou
tubos, como alguns preferem. Contudo,
ainda não se habituou a ver produtos
comestíveis oferecidos nessas mesmas
embalagens. Trata-se de um conceito
bem-sucedido lá fora, mas que nunca
teve grande cartaz no mercado nacional.
Agora, fornecedores querem mudar a
situação.
Realizada em São Paulo em junho último, a mais recente edição da Fispal Tecnologia, feira de negócios cujo foco principal
é a exibição de soluções em packaging
24 | Agosto 2011
um novo mercado
© andré godoy
nologias, fornecedores redobram os esforços para
ondicionamento de alimentos pastosos em bisnagas
Agosto 2011 |
25
às margens maiores oferecidas pelo
mercado de cuidados pessoais.
As circunstâncias mudaram
graças a investimentos. Especializada
em bisnagas plásticas, a C-Pack tem
feito aportes significativos em incremento de produção. Já neste mês de
agosto, sua capacidade mensal saltará
de 10 milhões para 16 milhões de unidades com a instalação de duas novas
linhas. No primeiro semestre de 2012,
um novo aparelhamento deverá fazê-la
alcançar 24 milhões de unidades/mês.
Pelas projeções da fornecedora, a
oferta subirá para um nível bastante
superior à demanda das indústrias já
atendidas. “A sensação é de que o mercado de cosméticos não continuará
crescendo no mesmo ritmo acelerado
dos últimos anos, abrindo a oportunidade de promovermos o uso de nossas
embalagens por produtores de alimentos”, diz Yassuda.
fotos: divulgação
para a indústria alimentícia, serviu
para comprovar esse intuito. Durante o
evento, duas grandes produtoras locais
de bisnagas, a C-Pack e a Impacta,
esforçaram-se para espalhar a notícia
de que estão em busca de clientes da
área de alimentos. Os anúncios não
representam simplesmente uma disposição, mas também capacitação.
Ocorre que, até hoje, os fabricantes locais de bisnagas contiveram
o assédio ao setor de alimentos não
por falta de condições técnicas para
atendê-lo, mas por nunca terem tido
escala adequada.
Ano após ano, desde o início da
década passada, essas empresas têm
operado no limite para dar conta da
demanda, aquecida sobretudo pelos
mercados de cosméticos e medicamentos. “No nosso caso, enquanto um
grande pedido de cosméticos gira em
torno de 100 000 unidades, para alimentos seriam normais encomendas
de 1 milhão de embalagens”, ilustra
Fabio Yassuda, diretor comercial da
C-Pack. Com serviços dessa grandeza,
fornecedores de bisnagas poderiam ter
de dedicar uma linha de produção só
para dois ou três itens alimentícios –
uma imobilização nada atraente frente
Mostardas, molhos diversos
e derivados de tomate são
exemplos de alimentos já
apresentados em bisnagas
em outros países
fotos: reprodução - nordicnibbler.com
Patês e outras iguarias
oferecidas em tubos no
varejo europeu
26 | Agosto 2011
De acordo com o diretor comercial da C-Pack, os mesmos atributos
que fazem das bisnagas alavancas de
vendas no setor de personal care tornam-nas atraentes para a apresentação
de alimentos pastosos. “São embalagens leves, inquebráveis e portáteis”,
diz Yassuda. “Além disso, facilitam
a expulsão controlada do conteúdo
devido à elevada capacidade de compressão (squeezability).”
Tal qualidade convenceu a Apis
Vida, que desde o final de 2009 utiliza bisnagas plásticas da C-Pack para
acondicionar uma linha de méis. “A
ideia foi oferecer ao público uma opção
diferenciada em relação aos frascos
squeezable, porque a bisnaga facilita ainda mais a liberação do produto”, afirma o gerente de marketing da
empresa, Tito Matheus Xanthopulo.
Os tubos foram projetados para
repousar sobre a tampa flip-top neles
aplicada, orientação que permite que o
conteúdo, espesso, fique sempre próximo ao fechamento. Com isso, o consumidor não precisa esperar o produto
‘descer’ até a tampa para dispensá-lo.
Destaca-se também o fato de a tampa,
fornecida pela Aptar F+B, incorporar
válvula de silicone. O componente
proporciona controle de fluxo, evitando o acúmulo de mel ao redor do
orifício de saída ao cessar a liberação
e “cortar o fio” do produto imediatamente, assim que o consumidor para
de apertar a embalagem.
Méis em bisnaga plástica: aposta
da Apis Vida em versão mais
prática para o produto
Embora evite divulgar números,
Xanthopulo declara que os méis em
bisnaga vêm encontrando boa acolhida
no mercado. “Dificilmente recebemos
mensagens dos consumidores elogiando os produtos, mas para essa linha
muita gente nos contat0u para dar
parabéns”, declara o gerente de marketing da Apis Vida. “Ademais, o conceito
funcionou como um diferencial para
que pudéssemos retomar negócios com
uma grande rede varejista.”
Não obstante também produza bisnagas plásticas, a Impacta direciona
esforços para difundir adoções de um
outro tipo de tubo entre indústrias alimentícias: a de alumínio, mais conhecida pelo uso em pomadas, itens químicos e cosméticos como tinturas para
cabelo. A empresa também tem feito
sucessivos aportes, nos últimos anos,
para subir o teto de produção.
Os investimentos fizeram com
Impacta
emplacou uso de
tubo de alumínio
em creme de
chocolate da
Cacau Show
Com tecnologia Bacomex, que
permite a criação de “ombros”
multicamadas com barreira de EVOH
(no detalhe), C-Pack mira produtos
sensíveis, como ketchup
que a Impacta alcançasse a capacidade
atual de 33 milhões a 37 milhões de
bisnagas de alumínio por mês, número
que varia em função das dimensões
das embalagens fabricadas. Em breve,
a fábrica da empresa, situada em Cajamar (SP), receberá mais uma linha,
capaz de rodar 4 milhões de unidades/
mês. “Só agora estamos nos expondo
para o setor de alimentos porque não
podíamos frustrar a demanda”, explica
o diretor de marketing e vendas da fornecedora, Sérgio Teixeira Rolão.
No estande que montou para a
Fispal 2011, a Impacta exibiu diversos cases internacionais de alimentos
em tubos de alumínio, com o objetivo
de evidenciar aplicações viáveis. Rolão
enumera alguns exemplos. “Mostardas,
maioneses e diversos outros molhos
acondicionados em bisnagas metálicas fazem sucesso na Alemanha. Na
França, variados patês são vendidos
da mesma forma. Na Itália, é comum
encontrar tubos de extrato de tomate.”
Durante o evento a fornecedora
destacou também um recente projeto
de sua própria lavra: o tubo de alumínio adotado pela rede de chocolataria
Cacau Show para a venda de uma pasta
de chocolate. Lançado em tiragem limitada, com vistas ao Dia dos Namorados,
o produto podia ser utilizado como
creme de massagem, para momentos
de intimidade dos casais.
Conforme explica o diretor de
Cinco razões para cogitar o uso de bisnagas em alimentos
1) Praticidade
2) Portabilidade
3) Conservação
4) Inovação
5) Sustentabilidade
Por terem elevada capacidade de compressão (squeezability),
bisnagas propiciam
fácil dosagem do
conteúdo. É um
atributo interessante para molhos
como ketchups,
maionese, mostarda e dressings
para saladas, e
também para
caldas e glacês
Da mesma forma que
ocorre no mercado de
cosméticos, bisnagas
de pequenas dimensões podem ser
levadas em bolsas e
bolsos do consumidor, facilitando
o consumo
on-the-go
(em trânsito)
Quando não incorporam alumínio,
material de conhecidas propriedades de
proteção, bisnagas
podem apresentar camadas de
barreira garantidas
por especialidades
plásticas. Resultado: alimentos
com shelf life
extenso
Por terem sido pouco
utilizadas até hoje,
apenas em itens para
cuidados pessoais ou
produtos químicos,
bisnagas podem
sobressair nas
gôndolas de
gêneros alimentícios, sendo
propaladas
como um
conceito
inovador
Bisnagas podem ser
recicladas e, por
consumirem menos
matéria prima que
embalagens rígidas,
podem ser promovidas como solução
ambientalmente
mais correta para
vendas de alimentos pastosos
Fontes: Albéa, Bispharma Packaging, C-Pack, Globalpack e Impacta
28 | Agosto 2011
marketing da Impacta, um forte apelo
da bisnaga de alumínio para o acondicionamento de alimentos é a proteção
do conteúdo. “O alumínio, como se
sabe, é um material que propicia altas
propriedades de barreira”, realça Rolão.
“E como não tem efeito memória, isto
é, não retorna ao estado original quando comprimido, o material não deixa
entrar ar na embalagem, evitando a oxidação precoce.” Ainda de acordo com o
profissional, a fornecedora pode utilizar vernizes internos especiais, desenvolvidos por meio de uma parceria com
a PPG (Valspar Renner), específicos
para a proteção de alimentos.
O quesito conservação pesou para
o emprego do tubo de alumínio por
uma iguaria apreciada no Sul do País: o
queijo fundido com ervas finas Kraeuterkaese, lançado em 1948 pela Weege,
acondicionados em tubos há quase
vinte anos e desde 2002 fabricado pela
Laticínios Pomerode, da cidade catarinense homônima. “Sucede que todo
derivado de leite é bastante suscetível
ao contato com a luz, perdendo suas
propriedades”, comenta Henrique Carlini, supervisor industrial do laticínio.
“A bisnaga, opaca, alia-se à ultrapasteurização do produto, conferindo-lhe vida
de prateleira muito boa, de oito meses.”
Hoje, a Pomerode utiliza bisnagas
de alumínio da Impacta para o acondicionamento de cinco versões do queijo
fundido: tradicional, light, Tomatenkaese (com tomate seco), Paprikaese (com
páprica) e Salsa e Cebola. Carlini conta
que o produto já está “visceralmente
associado” à embalagem, cuja praticidade agrada ao consumidor. “A apresentação é um patrimônio e um diferencial
do produto. Com outra embalagem,
muito provavelmente não chamaríamos
tanto a atenção do público.”
Diretora de desenvolvimento da
Bispharma Packaging, Lucia Decot
Bisnaga é o
diferencial dos
queijos cremosos
Kraeuterkaese,
especiarias de
Santa Catarina
Sdoia, encaixa outra qualidade dos
tubos de alumínio. “A embalagem é de
fácil reciclagem, podendo passar por
infinitos ciclos de uso e ser incorporada ao mesmo circuito de reaproveitamento das latas para bebidas”, afirma.
Segundo Lucia, a empresa, que também tem passado por ciclos de incremento de capacidade, tem sido consultada por clientes da área de alimentos.
“Os principais aspectos que alavancam
interesse, contudo, são a praticidade e
a proteção oferecida pelo recipiente.”
De seu lado, a C-Pack avisa também
estar aparelhada para projetar bisnagas
plásticas de alta barreira, sob medida
para perecíveis. Além de estar apta a
produzir corpos (“luvas”) multicamadas a partir do processo de coextrusão, fazendo-os incorporar atributos de
elevada impermeabilidade, a empresa
equipou-se há cerca de um ano com a
Bacomex.
Trata-se de uma tecnologia de moldagem por compressão desenvolvida
pela suíça Aisapack para a produção de
“ombros” (bicos) com barreiras elevadas, graças à incorporação de camadas
de EVOH (copolímero de etileno e
álcool vinílico). “É um recurso importante, porque os ombros são conhecidos como brechas potenciais para o
contato do conteúdo com oxigênio e
aromas”, explica Yassuda. De acordo
com o executivo, a Bacomex viabiliza
o uso de bisnagas plásticas de shelf life
extenso “até para alimentos mais sensíveis, como atomatados”.
Noves fora as questões técnicas, há também as nuances mercadológicas da discussão. “Faz tempo que
tentamos popularizar o conceito de
alimento em bisnaga junto a indústrias
alimentícias, mas há resistência”, relata
Daniel Richena, gerente comercial da
Globalpack, tradicional produtora de
tubos plásticos. “É uma questão que
chega a ser cultural. A bisnaga não é
a primeira embalagem aventada nos
desenvolvimentos de novidades em alimentos.”
Tempos atrás, sobretudo entre o
fim dos anos 90 e o início da década
de 2000, a Globalpack apoiou adoções
de bisnagas por maioneses, ketchups
e doces de grandes players do mercado nacional como Unilever, Bunge e
Nestlé. Depois de algum tempo nas
prateleiras do varejo, os projetos foram
descontinuados.
Mesmo assim, a fornecedora não
desistiu. Sem divulgar números, Richena informa que, como resultados de
novos investimentos, a Globalpack
aumentará sua capacidade em 30%
neste ano e em mais 50% até 2013 –
aumentos que permitirão ainda mais
à empresa prospectar negócios junto
a clientes do setor alimentício. “Tentaremos emplacar a ideia”, diz o gerente
comercial, “porém reforçando a noção
de que a bisnaga não é commodity, é
embalagem premium. Até porque, para
alimentos, não temos como competir
em custo com pouches e demais embalagens flexíveis.”
Laminadas também
querem lugar à mesa
Na “coluna do meio” entre as bisnagas
plásticas e as de alumínio, por ser um
híbrido das duas soluções, a bisnaga
laminada, mais conhecida pelo emprego
como embalagem de cremes e géis
dentais, também pode ter seu lugar à
mesa no mercado de alimentos. “Temos
tentado desenvolver essa aplicação no
Brasil”, situa o vice-presidente e gerentegeral da Albéa (ex-Alcan Packaging
Beauty) nas Américas, José Filipe. “Na
Europa, a bisnaga laminada é empregada
como embalagem para ketchup, maionese, molhos para saladas e queijos”,
exemplifica.
O principal atrativo dos tubos laminados
para as vendas de alimentos, argumenta
o executivo, é a barreira à contaminação,
devido à camada de alumínio presente
na estrutura dessas embalagens. “Quase
todos os produtos alimentícios podem
ser colocados na bisnaga laminada”, diz
Filipe, destacando que a Albéa detém
tecnologia para a produção de “ombros”
(bicos) igualmente em estruturas multicamadas, incorporando, assim como os
corpos (“luvas”), película de alumínio.
Até onde se sabe, o mercado brasileiro
comportou até hoje uma única tentativa
de oferta de alimentos em bisnaga
laminada. Foi na linha Moça Top de leite
condensado, doce de leite e outros derivados lácteos produzidos pela Nestlé. Os
produtos utilizaram versões de bisnagas
laminadas importadas (da Espanha) e
nacionais, produzidas pela Dixie Toga
(procurada, a fornecedora não havia se
manifestado até o fechamento desta
edição).
De acordo com Filipe, o conceito ainda
não vingou no Brasil “porque frascos são
mais fáceis de fazer e sua tecnologia é
mais barata”. Para o executivo, a situação
encontra um paralelo no mercado de
beleza. “No Brasil, xampu e loção de banho estão em frascos. Na Europa e nos
Estados Unidos, muitos desses produtos
estão em tubos plásticos e laminados.”
Aisapack
+41 (24) 482-0600
www.aisapack.com
Bispharma Packaging
(19) 3893-3544
www.bispharma.com.br
Dixie Toga
(11) 2928-9200
www.dixietoga.com.br
Impacta
(11) 4447-7300
www.impacta-brazil.com.br
Albéa
(11) 4723-4700
www.albea-group.com
C-Pack
(11) 5547-1299
www.c-pack.com.br
Globalpack
(11) 3908-1253
www.globalpack.com.br
PPG
(11) 2139-7200
www.ppgbrasil.com.br
30 | Agosto 2011
Moça Top:
experiência
nacional no
uso de tubos
laminados
para produtos
comestíveis
bebidas
Bisnagas
de beber
Sucesso na Europa, linha de bebidas
em tubo de alumínio irá estrear no Brasil
Famosa por suas mostardas acondicionadas em bisnagas de
alumínio, a austríaca Wenger teve há
sete anos uma ideia arrojada: utilizar o
mesmo tipo de embalagem para vender
bebidas. A primeira experiência foi com
vodca. Deu certo. Depois, sob a mesma
premissa, lançou diversos coquetéis,
tequila e até cachaça, numa parceria
com a brasileira Pitú. A linha de produtos, batizada de Go Tube, já está presente em 24 países. Agora, está prestes
a chegar ao mercado brasileiro.
“Temos certeza de que o conceito
fará sucesso no País, que apresenta
uma vida noturna bastante agitada”,
diz a representante da Wenger para
o mercado nacional, Mariana Aidar,
fazendo alusão ao principal canal de
vendas explorado pelo Go Tube: pontos de dose em festas e danceterias.
“Nesses ambientes, a bisnaga é extremamente conveniente para o consumo
direto. Pode ser tampada depois de
aberta e transportada nos bolsos, deixando as mãos livres. É também uma
embalagem segura. Não quebra e evita
que drogas sejam inadvertidamente
despejadas nas bebidas”, argumenta a
profissional.
Bebidas alcoólicas não são
as únicas opções da Go Tube. A Wenger comercializa também energéticos e
isotônicos em tubos de alumínio. “São
produtos que atendem aos esportistas e
que tornam mais prático o consumo em
movimento”, diz Mariana.
A esperança de êxito do conceito
no Brasil é tão grande que já existe um
projeto para a nacionalização dos produtos. Mariana diz que já iniciou buscas de fornecedores para tentar replicar
no mercado nacional o mesmo modelo
utilizado na Europa pela Wenger. “A
empresa faz questão de gerenciar os
processos de embalagem, inclusive produzindo as próprias bisnagas a partir
da aquisição de discos de alumínio”,
detalha a representante. “Pode parecer
trabalhoso, mas vem dando certo.”
Bebidas Go
Tube miram o
consumo em casas
noturnas. Segundo
inventora austríaca,
embalagem é segura
e proporciona
praticidade durante
as “baladas”
32 | Julho 2011
tecnologia
Solução
reaquecida
Prometendo alívios de peso
e maior liberdade de design
a garrafas de PET, nova
tecnologia busca valorizar
o envase a quente de sucos,
isotônicos e outras bebidas
de alta acidez
Com ThermoShape, Plastipak
garante ser possível uso de
garrafas para hot fill até 30%
mais leves e livres de painéis
de vácuo. Sucos da Britvic já
aderiram à tecnologia
Sucos, néctares de frutas,
chás prontos, águas com sabor, isotônicos. Bebidas como essas, de alta acidez
e repletas de vitaminas e ingredientes
sensíveis, representam desafios para
o acondicionamento em PET quando se tem por objetivo produtos com
vida longa, distribuídos sob temperatura ambiente e livres dos cada vez mais
indesejados conservantes. Um recurso
encontrado pela indústria para atender
a tais requisitos, difundido a partir dos
anos 80, foi o envase a quente (hot fill).
Nos últimos anos, porém, esse processo
tem sido ofuscado por tecnologias de
envase asséptico, brandidas como mais
eficientes e modernas.
Multinacional americana com atuação destacada no mercado brasileiro de
pré-formas, a Plastipak lançou recentemente uma solução para requalificar o
hot fill. Batizada de ThermoShape, ela
34 | Agosto 2011
promete alívios expressivos de peso e
maior liberdade de design para garrafas de PET envasadas a quente. Uma
breve recapitulação ajuda a entender
melhor a importância dos benefícios
ventilados.
O conceito clássico de hot fill para
PET baseia-se no enchimento de garrafas por bebidas aquecidas a temperaturas de até 95º C. Os recipientes são
imediatamente tampados e inclinados,
tendo seus interiores totalmente esterilizados pelo líquido candente. Logo
depois, são resfriados por banhos de
água, para que o calor não afete demasiadamente as propriedades originais
dos produtos. O problema é que, com
o arrefecimento, o conteúdo envasado
retrai-se em até 3%, criando um vácuo
capaz de provocar deformações às
embalagens. Para evitar as distorções,
convencionou-se utilizar, no envase a
quente, garrafas de paredes espessas
e dotadas dos chamados painéis de
compensação – áreas dedicadas a “acomodar” o vácuo, geralmente na forma
de conjuntos de estrias.
Por não sujeitar as embalagens a
tal variação térmica, o envase asséptico
permite o uso de garrafas mais leves –
logo, com apelo de sustentabilidade – e
com formatos diferenciados, alforriados dos painéis e com maior potencial
em percepção de valor (ver EmbalagemMarca nº 77, janeiro de 2006). “A
ThermoShape surge justamente para
garantir as mesmas possibilidades ao
hot fill”, explicou a EmbalagemMarca o francês Jean-Guy Delage, diretor
de integração tecnológica da Plastipak, durante recente passagem por São
Paulo. O executivo argumenta que a
proposta difere das tecnologias já oferecidas por alguns fornecedores para o
uso de garrafas panel-less (sem painéis
de compensação) no envase a quente
de PET. “O que temos de inédito é a
isenção desses mecanismos em embalagens até 30% mais leves.”
O diferencial da ThermoShape
é a presença de uma etapa a mais no
processo de envase a quente. Depois
que a bebida resfria, a base da garrafa é reaquecida. Um equipamento
então aplica pressão nessa região, que
age como um diafragma, distorcendose concavamente para o interior da
embalagem, fazendo as demais áreas
retomar o formato original. A máquina
pode processar até 400 garrafas por
minuto, sendo capaz de trabalhar com
recipientes de 200 mililitros a 2 litros. É
compacta – ocupa uma área de aproximadamente 6,25 metros quadrados – e
pode ser adaptada a linhas convencionais de hot fill.
Segundo Delage, o novo método de envase a quente permite obter
produtos com shelf life de seis meses
a um ano e com propriedades nutritivas “quase iguais” às daqueles processados por envase asséptico, porém
com duas alegadas vantagens. “Primeiro, nossa solução tem custos muito
menores, tanto de investimento quanto de manutenção”, assegura o executivo, evitando mencionar valores.
“Ademais”, ele argumenta, “o processamento asséptico demanda o uso de
Como funciona
a ThermoShape
No método convencional de hot fill
para PET, garrafas recebem bebidas
aquecidas a altas temperaturas,
sendo esterilizadas internamente.
As embalagens são então resfriadas
por água, processo que gera
contração do líquido e vácuo no
conteúdo das garrafas
Para evitar potenciais deformações
devido ao vácuo, os recipientes
passam por uma etapa adicional,
tendo suas regiões inferiores
reaquecidas num equipamento
especial. Isso faz as bases
“dobrarem para dentro”, como
um diafragma (ver o detalhe),
compensando o vácuo e
permitindo às garrafas retomar
seus formatos originais.
insumos extras, como desinfetantes
químicos, e toda uma administração
de risco do processo desnecessária no
hot fill. É um método simples, eficiente e seguro.”
Duas empresas já utilizam a ThermoShape: a Agthia, dos Emirados Árabes Unidos, numa linha de águas enriquecidas com vitaminas, e a francesa
Pressade (marca da britânica Britvic),
numa família de sucos orgânicos. O
diretor da Plastipak esclarece que a
tecnologia não se aplica a produtos
Assepsia ao alcance de PMEs
Pequenos e médios produtores de bebidas sempre estiveram distantes das tecnologias
de envase asséptico em
garrafas de PET, baseadas em
máquinas de custo de investimento e produtividade muito
altos para suas realidades.
A Krones quer mudar essa
situação com a PET-Asept D
Compact. Trata-se de uma
máquina compacta para
envase asséptico voltada a
linhas produtivas com rendimento entre 6 000 a 12 000
garrafas por hora. O equipamento opera por meio de um
36 | Agosto 2011
processo de assepsia a seco,
em que as embalagens são
esterilizadas com peróxido
de hidrogênio gasoso. A área
principal, onde se encontra a
estação de assepsia, ocupa 6
metros por 2 metros. Segundo a Krones, a PET-Asept D
Compact pode ser instalada
como uma máquina isolada
ou vinculada em bloco com
uma sopradora.
Compacta, máquina
processa de 6 000 a
12 000 garrafas por hora
lácteos e que, no Brasil, o principal
foco de oferta será o mercado de sucos
– hoje atendido principalmente por
embalagens cartonadas assépticas.
“Não pensamos em tomar o lugar das
caixinhas, até porque as linhas já estão
instaladas”, diz Delage. “O que queremos é fornecer uma solução diferenciada, capaz de assegurar maior
destaque nas gôndolas para lançamentos ou extensões de linha com apelo
premium.”
emb.bz/144thermo
Krones
(11) 4075-9500
www.krones.com.br
Plastipak
(19) 3844-2100
www.plastipak.com.br
prêmio embalagemmarca
Inovação, surpresa
e informação
Entre outros aspectos que poderão tornar mais atraente um
evento charmoso, valorizando o conhecimento em embalagem,
sobressai o troféu, de cor especial, com um estojo sofisticado
Ao aproximar-se o prazo
de encerramento para inscrições na
quinta edição do Prêmio EmbalagemMarca – Grandes Cases de Embalagem, dia 19 de agosto, a perspectiva de
repetição e ampliação do êxito das anteriores vem fazendo os organizadores
se empenharem para solidificar ainda
mais os principais aspectos que caracterizam a iniciativa como um evento de
alta importância para o setor. Tem sido
reiterado internamente e para o público
que compõe a cadeia de valor da embalagem o compromisso com a inovação,
com a credibilidade e com a recusa a
“concorrer” com outras premiações do
setor. Significa implementar diferenças – ou ainda dizer que para este ano
será dada sequência às inovações e aos
aperfeiçoamentos que se incorporam a
cada edição do Prêmio.
Para não eliminar o efeito surpresa que sempre torna todo evento um
pouco mais charmoso que o anterior,
algumas dessas inovações somente
serão dadas a conhecer na data da
cerimônia de premiação, 18 de outubro
próximo. Porém é possível informar
que dentre as providências em andamento já foi definida a cor do troféu
criado pelo renomado designer Karim
Rashid em 2010. Essa cor será conhecida do público durante a festa, bem
como os nomes dos vencedores e os
dos jurados.
O uso de nova cor, programado
desde o início do projeto e a vigorar
sempre em futuras edições do Prêmio, ficou sob inspiração da Clariant,
que forneceu o Cleartint utilizado no
masterbatch do troféu do ano passado.
Ele se enquadra no conceito de adequação da peça aos termos do processo
de fabricação de uma embalagem, já
que se trata de um prêmio dirigido ao
universo da embalagem. A rigor, o que
ocorrerá é como que uma mudança de
visual, como acontece eventualmente com as embalagens dos produtos
comercializados no varejo.
Os demais parceiros fornecedores
dos insumos do troféu também permanecem, da mesma maneira que os materiais e os processos de fabricação. O
polipropileno de altíssima transparência da Braskem usado na produção, clarificado com aditivo da Milliken, mudou
apenas sua nomeclatura, em consequência da absorção da Quattor: o
nome da resina Luzz 130 deu lugar
a Prisma 6410. O molde, produzido
pela Formold, será reutilizado na nova
rodada de sopro, outra vez a cargo da
BMP Plásticos. A Antilhas continua
como parceira fornecedora do estojo
do troféu.
Patrocínio Platina
Patrocínio Ouro
Patrocínio Prata
Organização
Fique atento! As vagas para a cerimônia de premiação são limitadas. Se você está concorrendo
ao Prêmio, faça já a sua reserva! Informações: www.grandescases.com.br ou (11) 5181-6533
38 | Agosto 2011
Troféu com embalagem, inovação em prêmio de embalagem
A idéia de utilização de um estojo, adotada já
na segunda edição do Prêmio EmbalagemMarca – Grandes Cases de Embalagem, representou
o ápice da idéia de troféu-conceito, já que
consiste na perfeita representação de uma
embalagem primária (o troféu) acondicionada
numa embalagem secundária (o estojo). Tal
inovação em premiações, que surpreendeu o
público, foi uma evolução daquele propósito,
como pode ser observado num retrospecto
(ver sequência de fotos).
O troféu da primeira edição representava
figurativamente, na harmonização de placas
de vidro plano (depois, de acrílico), as formas
essenciais de embalagens feitas de diferentes
materiais (alumínio, celulose, plásticos, metais
e vidro). Na segunda edição, em 2008, o troféu
foi entregue aos homenageados já acondicionado em sofisticado e impactante estojo
criado e produzido pela Antilhas. Entre outras
aplicações inovadoras de acessórios, o recipiente era dotado de ímãs de fechamento e de
um led que, no ato de abertura das portas, se
acendia automaticamente e alumiava o troféu.
Foi utilizado também na edição de 2009, com
uma única diferença: a placa com o logotipo
do Prêmio, usada como fecho, mudou de cor
de um ano para outro.
Nova caixa foi desenvolvida pela Antilhas para
a edição de 2010, com a orientação de que ao
mesmo tempo acondicionasse e permitisse
boa visibilidade do troféu concebido por Karim
Rashid, em si um desafio à produção, dada a
assimetria de suas formas. Atingiu plenamente
esse objetivo, demonstrando ainda na prática
como uma embalagem – no caso, elegantíssima, com predominância de uso de tons
prateados – pode adicionar valor e dar realce
a um conteúdo já em si precioso. O estojo
do Prêmio deste ano dará continuidade a essa
trajetória inovadora.
Mais novidades – e inovações – estão em
preparação para a festa de 18 de outubro, que
só não mudará num aspecto: será compacta
e informativa, sem deixar de ser ao mesmo
tempo agradável, com boa bebida, boa comida
e público de alto nível ligado aos diferentes
elos da cadeia de embalagem.
2007
2008
2009
2010
Primeiro troféu remetia às formas
básicas de diferentes embalagens
Na segunda edição, estojo reforçou
a idéia de troféu-conceito
Na edição de 2009, a embalagem
teve placa com logo modificada
Em 2010, estojo e troféu criado por
Karim Rashid se harmonizavam
entrevista
Ela diz ser curadora,
mas talvez a definição que melhor lhe
caiba seja a de incentivadora. Há mais
de trinta anos Joice Joppert Leal batalha
para fazer o design brasileiro ser valorizado no País e no exterior. O interesse
pelo tema surgiu nos anos 60, quando
trabalhou em agências no Rio. Na década seguinte, depois de prestar serviços na Itália para o Itamaraty, recebeu
um convite do célebre empresário José
Mindlin (1914-2010) para criar o Núcleo
de Desenho Industrial da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp), coordenando-o de 1980 a 1998.
Desde então, Joice atua como diretora
executiva da Associação Objeto Brasil,
entidade dedicada a fazer um meio-decampo entre indústrias, universidades
e designers tupiniquins. Um dos gols
da entidade foi a instituição de uma
versão nacional do prêmio americano
Idea Awards, aberto também a projetos
de embalagens. Joice fecha no time
que aposta no design brasileiro, que
segundo ela “existe sim, embora tenha
muito a melhorar”. Nesta entrevista,
ela comenta que “infelizmente pouco
se inova no Brasil em design”, discute
as razões disso e aponta possíveis caminhos para a afirmação do design como
instrumento de competição comercial.
A propalada criatividade do brasileiro pode ser
mais bem aproveitada na criação de produtos
em geral, e na de embalagens em particular. Essa
é a opinião de Joice Joppert Leal, diretora
executiva da Associação Objeto Brasil
42 | Agosto 2011
FOTO: yuri zoubaref
Uma aposta
no design
Volta e meia o Brasil é apontado
como um país com vocação para a
criatividade e com amplo potencial
para o design. A senhora concorda
com essa visão?
Totalmente. A criatividade é uma qualidade do brasileiro, está no nosso DNA.
Acho que ocorreu conosco um processo darwiniano, de desenvolvimento de
uma maleabilidade, de uma capacidade
incrível de adaptação, devido ao meio
conturbado em que vivemos. Só na história recente tivemos de suportar inflação, alterações da moeda, ajustes fiscais,
tablita, URP (Unidade de Referência de
Preço) e um sem-número de outras reviravoltas. Tudo isso contribuiu para que
o brasileiro adquirisse uma capacidade
enorme de improvisação nas atitudes e
nos negócios, de dar cambalhota o dia
inteiro, de assoviar e chupar cana. Além
disso, somos um país jovem e alegre, que
O famoso design brasileiro existe, sim. Ele tem
suas características de cor, de formatos. Mas
temos muito a melhorar para chegarmos ao
mesmo estágio de outros países
não à toa é conhecido como o país do
carnaval, o país do futebol. Essa faceta
também estimula a nossa criatividade.
Por que essa capacidade inata para
a criatividade não se traduz numa
valorização mais ampla do design?
Porque a valorização do design é ainda
uma coisa muito recente no Brasil.
Começou, de leve, na década de 70,
quando se iniciou no País uma mobilização mais forte com foco na substituição das importações de manufaturados. Naquela época, porém, o design era
muito voltado à cópia. Um sentimento
mais amplo de necessidade de design só
ganhou força no início dos anos 90, com
a abertura da economia e o fim das reservas de mercado. O empresariado percebeu que tinha de arregaçar a manga. Já
não bastava visitar feiras no exterior com
máquina fotográfica. Até então, havia
muito preconceito dos empresários em
relação aos designers e vice-versa. O
designer era visto como um artista, um
criador de delírios e apoteoses cerebrais
inviáveis. O empresário era visto como
um castrador, um bedel, um síndico de
prédio. Isso foi se dissolvendo. Conseguimos alcançar uma capacidade de diálogo
muito boa entre quem demanda e quem
oferece design.
O governo teve alguma participação
nesse processo de valorização?
Sim. Lembro que, ainda durante o governo Fernando Henrique Cardoso, trabalhamos com a então ministra da Indústria e Comércio, Dorothéa Werneck, na
implantação do Programa Brasileiro de
Qualidade e Produtividade. Insisti muito
junto à ministra para que tivéssemos
um upgrade em relação à qualidade da
produção industrial. O argumento era
o de que a falta de criatividade também poderia ser uma barreira técnica
para nossas exportações. Que sentido
faria, por exemplo, exportar cópias de
sapatos italianos para a Itália? Isso foi
um embrião do Programa Brasileiro de
Design. Depois, quando houve a criação
da Apex (Agência de Promoção de Exportações), pleiteamos programas para disseminar a ideia da importância do design
junto a indústrias exportadoras, o que
foi atendido. Tudo isso ajudou a alastrar
a noção de que design pode ser um instrumento de ganho de competitividade
– como tem sido considerado nos mais
recentes mecanismos de incentivo oficial
a projetos de inovação.
Existe um design brasileiro, típico do
País? Em que áreas ele é reconhecido
como uma linha, ou escola, própria
lá fora?
O famoso design brasileiro existe, sim.
Ele tem suas características de cor,
de formatos. Na moda, temos ótimos
designers. Veja como fazemos, de forma
fantástica, biquínis, tangas. Mas temos
muito a melhorar. Falta muito para chegarmos ao mesmo estágio de uma indústria americana, de uma indústria alemã.
Já alcançamos uma identidade no
campo das embalagens?
Acredito que não. Vejo muitos escritórios de design daqui dizendo que desenham embalagens. Mas o que fazem,
na verdade, é graphic design, é comunicação visual das embalagens. E só. Em
shape (formato), infelizmente pouco se
inova no Brasil. Pode ser um reflexo da
falta de especialização de profissionais
e agências. Repare, por exemplo, que
pouquíssimos escritórios no Brasil vivem
exclusivamente de desenho de produto.
Temos uma montanha de empresas que
se intitulam de desenho industrial, mas
que vivem de projetar brindes, estandes
de feira... Nada contra. Mas, no fundo,
não vivem de design de produto. Nos
Estados Unidos, a realidade é completamente diferente. A maioria dos escritórios de design é de produto.
Da mesma forma que ocorre nos
setores de calçados, moda e têxteis, a
cadeia de valor de embalagem acaba
sendo prejudicada pela enxurrada
de importações, na medida em que
produtos de consumo já vêm para cá
acondicionados. O design de embalagens pode constituir um instrumento de competição para os produtos
nacionais?
Já que somos o país do carnaval, diria
que a embalagem é como a comissão
de frente para um produto. Compra-se
muito em função da embalagem. Por
isso, não tenho dúvida de que a apresentação pode fazer toda a diferença para a
competitividade de produtos. Essa é uma
questão que merece ser olhada com carinho. Afinal, 80% ou mais dos produtos
são oferecidos em embalagens. E é triste
ver manufaturados importados aniquilando artigos nacionais. Mas vale reforçar: a ousadia em design depende do
demandante, do contratante do serviço
de design. E investir em um novo shape,
em um novo molde, exige desembolso
alto. Aí partimos para a questão do custo
Brasil, dos impostos absurdos, do que
ainda pode ser melhorado em termos de
incentivos e financiamentos...
ças enormes no número de depósitos
de patentes. Em seu envolvimento e
seu compromisso com a inovação do
produto brasileiro, a senhora percebe alguma movimentação que prenuncie uma redução dessa distância?
Essa situação vem melhorando. Mas a
diferença é ainda muito grande. Gosto
de usar o exemplo do que aconteceu na
Coreia do Sul. Há vinte anos, a Coreia
era desconhecida. O país é pequeno, a
população é menor que a do Estado de
São Paulo. Eles criaram um programa em
que o governo injeta dinheiro nas empresas com vocação exportadora. Como
você acha que a Samsung chegou aonde
chegou? Como a LG e a Kia-Hyundai se
agigantaram? O governo deles investiu
maciçamente em qualidade partindo do
princípio do design. Aqui, o empresário
ainda encontra enormes dificuldades.
Na edição anterior de EmbalagemMarca (nº 143, julho de 2011), o
entrevistado do mês, o consultor de
empresas Edson Schrot da Silva, cita
o grande gap entre o Brasil e outros
países emergentes, como a China e a
Coreia do Sul, traduzido em diferen-
Mais parcerias entre o setor privado e as universidades não poderiam
também gerar mais projetos de inovação, inclusive focados em design?
A possibilidade existe. O problema é
que a indústria ainda tem medo da Academia, assim como teve do designer –
Não tenho dúvida de que a apresentação pode
fazer toda diferença para a competitividade
de produtos. Mas a ousadia em design de
embalagem depende do contratante
tachando-o como um artista, um hedonista, um barbudinho de jeans. Ocorre
que muitos empresários brasileiros são
self made men, e ficam inseguros porque não têm um diploma – o que não
os desabona. E acho que a Academia
também tem lá seus pecados. Vou tocar
numa ferida, mas é inevitável. Recordome de um trabalho de análise dos institutos do CNPQ e do Ministério da Ciência e Tecnologia que fiz a convite do exministro José Israel Vargas (ministro da
Ciência e Tecnologia entre 1992 e 1999).
Via alguns abusos: doutores com quatro,
cinco grupos de mestrandos que ficavam
pesquisando coisas para ele, ganhavam
salário e ficavam na Universidade com
apoio de bolsas. É verdade que existem
guetos em todas as áreas. Mas algumas
distorções são absurdas.
A senhora pode citar exemplos em
que o design de embalagens contribuiu efetivamente para o êxito
comercial de produtos?
Um caso clássico, se não me engano da
lavra do Lincoln Seragini, é o frasco de
xampu desenvolvido muitos anos atrás
para a Johnson & Johnson que apresenta
Linha Fun Ice Cream, de O Boticário, criada pela Lúmen Design; linha Natura Ekos, de autoria da
Chelles & Hayashi; produtos Fun Milk, de O Boticário, também da Lúmen; lata do Guaraná Jesus,
desenvolvida pela Dia Comunicação; e invólucros da marca Taeq, do Pão de Açúcar, assinados pela
FutureBrand. Exemplos de embalagens brasileiras premiadas nos últimos anos pelo Idea Awards
44 | Agosto 2011
Há embalagens que não indicam direito
como utilizá-las. Design é forma e função.
Não adianta o produto ser somente bonito.
Tem de ser fácil, proporcionar o uso intuitivo
orientação invertida, tendo a tampa na
base. Esse é um exemplo perfeito de
design que fez sucesso, tanto é que diversas outras empresas seguiram a mesma
trilha. E é um exemplo perfeito de como
o design é observação. A embalagem
facilita o consumo, porque à medida que
o produto vai acabando, fica mais próximo ao orifício de saída. Por que alguém
inventou uma cadeira com braços? Provavelmente porque reparou alguém com
os braços caídos ou “perdidos” enquanto
estava sentado. Ocorre-me também o
caso do leite acondicionado em caixinha
dotada de tampa plástica basculante,
com formato de alçapão. Essa tampa
facilita muito o uso, pois evita derramamentos na hora da abertura.
Que categorias de bens de largo consumo carecem de um melhor design
no Brasil?
Design é forma e função. Há embalagens
que não indicam direito como utilizar.
Outro dia, num hotel, vi um frasco de
xampu cuja tampa necessitava de uma
rotação para dar acesso ao produto. Perdi
minutos tentando entender como abrir
aquela embalagem – que, vale ressaltar,
era esteticamente muito bonita. Então,
design é forma e função. Não adianta o
produto ser somente bonito; tem de ser
conveniente, fácil, proporcionar o uso
intuitivo. Design industrial é a aplicação
de inteligência a produtos. E isso, obviamente, vale para as embalagens.
No caso de embalagens, designers
brasileiros de produtos de consumo
se queixam que as indústrias usuárias muitas vezes dão preferência aos
serviços de designers estrangeiros.
Por que isso acontece?
Acho que essa busca de serviços estrangeiros não ocorre por falta de competência e criatividade do Brasil. Temos
talentos, mas falta divulgação, marketing. Claro que quando ficamos sabendo,
por exemplo, que a (agência americana
de design) Landor fez a marca do Bradesco, não é possível que os diretores do
banco não tenham se informado sobre
opções nacionais. Acho que o Brasil tem
um lado meio caipira, como dizia o expresidente Fernando Henrique Cardoso.
Temos um pouco de complexo de inferioridade, uma admiração exagerada por
coisas de outros países. É aquela coisa
de alto executivo jogando golfe ou pólo
e dizendo: “Olha, minha marca custou
5 milhões de dólares”. Não é subalternidade, parece mais coisa de país subdesenvolvido, mesmo. Acho, também, que
muitas vezes isso passa pelas agências de
publicidade. Muitas vezes elas indicam
agências estrangeiras superbadaladas
também influenciadas por esse complexo de que o que vem de fora é melhor. Ou
então devido a algum interesse implícito.
..
Não influiria também um fator de,
chamemos assim, “política decisória”? Isto é, como parte muito expressiva das indústrias de bens de consumo de massa têm suas matrizes fora
do País, o centro de decisão sobre
o design das embalagens fica nas
sedes, cabendo às subsidiárias apenas cumprir, adaptando o visual das
embalagens à linguagem local. É correta essa interpretação?
Isso acontece, claro. Mas acho que cada
vez mais as subsidiárias locais das grandes empresas estão ganhando autonomia para desenvolver projetos regionais,
adaptados à realidade de cada mercado.
No caso de design de produtos, lembro
do caso da Motorola, que é americana,
mas tem investido em produtos desenvolvidos no Brasil. A empresa inclusive
tem inscrito projetos locais em prêmios
como o nosso (Idea Brasil).
Em seu longo contato com o universo
do design, a senhora diria que os pro-
Agosto 2011 |
45
fissionais brasileiros atuantes nessa
área – especificamente no campo
das embalagens – estão plenamente
capacitados?
Muito poucos. Aí a conversa entra na
questão da formação. O ensino está
melhorando muito. Mas como designer
se tornou uma profissão da moda, proliferaram as escolas. Hoje, são mais de 300
escolas de graduação superior e umas
cento e tantas de nível técnico. Então,
é natural que a qualidade do ensino
deixe lacunas em alguns casos. Isso não
acontece só no design de embalagens.
Também falta capacitação técnica maior
no campo do design de produtos.
Não falta mais conhecimento prático?
Sim. Os designers, sejam de produtos
ou de embalagens, precisam conhecer
chão de fábrica. Os alunos têm de visitar indústrias. O designer trabalha em
equipes multidisciplinares, então tem de
conversar com engenheiros de processos,
de materiais, tem de ver como chegam os
suprimentos. Para quem deseja se tornar
designer de embalagens é salutar visitar
a Braskem, visitar a Saint-Gobain, entender como são os processos de vidros, ir
à Alcoa, por exemplo, saber de alumínio. E as empresas, obviamente, precisam autorizar visitas às suas unidades
industriais. É uma via de duas mãos. As
próprias indústrias podem ganhar com
isso, captando novas ideias, ajudando a
formar potenciais talentos que no futuro
ela poderá absorver. A questão, então, é
mudar um establishment. Nosso desejo
é justamente esse, o de haver maior
interação entre alunos, técnicos, profissionais de indústrias, corpo docente das
escolas. Isso nos ofereceria profissionais
mais completos.
No campo do packaging, não raro
ouvimos clamores por designers que
não sejam apenas desenhistas gráficos, mas que dominem o conhecimento de processos, materiais, equipamentos. Esse tipo de profissional
existe lá fora?
Existe, mas não são muitos. O ensino lá
fora é muito bom. Acho que obriga mais
os alunos a ter contato com materiais,
equipamentos e processos. Mas a ques-
46 | Agosto 2011
Os designers, sejam de produtos ou de embalagens,
precisam conhecer chão de fábrica. Têm de conversar com
engenheiros de processos, de materiais
tão é complexa. O designer não trabalha
sozinho. Ele é fundamental porque concentra a missão de inovação. Tenho ido
bastante aos Estados Unidos, e reparo
que o designer de lá tem densidade de
demanda de trabalho, e tem experiência prática tão grande que acaba aprendendo muito. Acaba criando enorme
repertório e uma tremenda vocação para
a prática, para colocar a mão na massa.
Ante o crescimento da classe C,
temos observado duas escolas: uma
que prega a necessidade de entender melhor essa camada social, para
poder desenvolver um design específico para ela, e outra que defende
que isso é bobagem, porque o design
que esse público deseja é o mesmo
que os consumidores das classes A
e B apreciam. Qual é a abordagem
mais sensata?
Lembro daquele argumento da ditadura militar: não são necessárias eleições
porque o povo não sabe votar. Não é
verdade, e isso vale para o design. Todo
mundo sabe o que é bom. Todo mundo
(enfática). Há inclinações mais kitsch,
mais barrocas, mas são coisas subjetivas,
de gosto. Mas todos gostamos do que
é bom. Sou a favor do bom para todos.
Por que não pode haver sofás mais confortáveis nas Casas Bahia, no Magazine
Luiza ou no Ponto Frio? Mas é claro que
alguma adaptação pode ser necessária, e
é aí que entra o pensamento de design.
Por que o sofá mais confortável não pode
ser dobrável, para facilitar a passagem
na porta do consumidor da classe C? Já
vi isso acontecer: o consumidor popular
junta o dinheiro, compra o móvel e ele
não passa pela porta de sua casa. Isso de
racionalizar, de ter design, não é luxo. É
qualidade de resultado, de performance.
Dá para fazer coisas boas, bonitas e baratas. Elas não são utópicas. Dá o mesmo
trabalho fazer o certo ou o errado. Então,
façamos certo.
ciclo de conhecimento
Força estratégica
em rodada dupla
Reunindo palestras sobre a importância
de projetos inovadores de embalagem,
Fórum Design de Resultados lotou
auditórios em São Paulo e Curitiba
A importância do design de
embalagem como instrumento de diferenciação e de êxito comercial de produtos foi o tema de mais um evento de
transformação do Ciclo de Conhecimento, o Fórum Design de Resultados,
realizado em 28 de junho em São Paulo
e dois dias depois em Curitiba. Os locais
de ambos os eventos, respectivamente
Panamericana Escola de Arte e Design
e Auditório Tristão de Atahyde/PUC
Paraná, tiveram público de aproximadamente 200 pessoas.
Na Panamericana, após as apresentações, realizadas em período de meio
dia, foi oferecido pela Eastman e pela
revista EmbalagemMarca um coquetel
de abertura de exposição, com quinze
dias de duração, de oitenta painéis retratando trabalhos do designer canadense
Ravi Sawhney, CEO da RKS Design,
empresa baseada no estado americano da Califórnia. Sawhney é autor, em
parceria com a estrategista de negócios
Deepa Prahalad, do livro Predictable
Magic – Unleash the Power of Design
Strategy to Transform your Business,
não traduzido para o português. Sua
palestra centrou-se no tema da psicoestética, processo por ele desenvolvido
para liberar a força do design estratégico
(ver entrevista em EmbalagemMarca
nº 138, de fevereiro de 2011).
Naquilo que se poderia definir como
“evento redondo”, as demais palestras
tiveram como pontos em comum o foco
na importância estratégica do design
para os negócios e a afirmação de que
seu peso nesse sentido crescerá ainda
mais. Além de Sawhney, palestraram em
São Paulo: Lincoln Seragini, presidente
da Seragini Farné Guardado Design;
Gian Franco Rocchiccioli, diretor da
Abedesign e CEO da Sart Dreamaker;
Gaylon White, diretor de Design da
Eastman; Cristiana Tavares, gerente
de design da Procter & Gamble, como
representante de indústria usuária; em
Curitiba, nesta condição, falou Marcella Nogueira, gerente de Marca de O
Boticário.
A sessão curitibana contou ainda
com a participação de Marcos Minini,
diretor de criação da Brainbox Design,
em painel com Gian Franco Rocchiccioli. Todas as apresentações receberam alto índice de aprovação (média de
“ótimo” e “bom” superior a 90%) dos
assistentes, segundo enquetes feitas nas
duas ocasiões.
AUDITÓRIO em são paulo
AUDITÓRIO em curitiba
LINCOLN SERAGINI
RAVI Sawhney
Gaylon White
Cristiana Tavares
GIAN FRANCO Rocchiccioli
MARCELLA NOGUEIRA
PATROCÍNIO OURO
PATROCÍNIO PRATA
REALIZAÇÃO
Veja mais fotos:
PROMOÇÃO
MARCOS MININI
48 | Agosto 2011
Evento de SP, na
Escola Panamericana:
emb.bz/144sp
Evento de Curitiba,
na PUC Paraná:
emb.bz/144pr
alimentos
O que falta para
o bom tempero
Segmento de especiarias, aquecido pelo boom da
gastronomia gourmet, carece de boas embalagens
Por Marcelo Marcondes
© Marilyn Barbone | Dreamstime.com
50 | Agosto 2011
Condimentos, temperos, azeites especiais e tantos outros itens que compõem a categoria
das especiarias, tão presentes hoje em prateleiras de
supermercados, padarias e até vendinhas de beira
de estrada Brasil afora, têm um ponto em comum:
embalagens pobres, que em sua esmagadora maioria
mal lembram a importância que a pimenta, o cravo, a
canela e todo o arsenal de exotismos culinários tiveram no tempo das grandes navegações. As especiarias
foram causa – se não total, em expressiva parcela – de
conquistas como a rota marítima em torno da África,
o caminho das Índias, a chegada ao Novo Mundo. A
cobiça por elas levou mesmo a humanidade a muitas
guerras, algo espantoso ante o atual lugar comum em
que se encontram.
Há, é claro, exceções nesse horizonte banal mas
aberto para o tempero das boas embalagens. Em
meio à mesmice e à qualidade duvidosa, aqui e ali
despontam embalagens com requintes de acabamento e de impressão, com itens de alta funcionalidade e
de conveniência. Em última instância, tal panorama
demonstra que, do ponto de vista mercadológico, a
opção por recipientes mais adequados que aqueles
de formato padrão para ingredientes de culinária
sofisticada vacila no Brasil entre o otimismo quanto
ao crescimento do consumo e a falta de visão para
oportunidades.
De um lado, há quem identifique um bom futuro para embalagens que adicionam valor a ervas,
vinagres balsâmicos, flor de sal e outros temperos
requintados. Na outra ponta ficam os que apostam
na preferência do consumidor gourmet por aditivos
culinários com aura artesanal, caseira, comercializados a granel, ou no máximo em frascos corriqueiros e
singelos sachês, em feiras livres e “mercadões”.
Segundo Lincoln Seragini, CEO da Seragini
Farné Guardado Design, isso explica a tranquila
Outro ponto notável é que vem
se difundindo entre a classe média alta
o hábito de preparar alimentos fora do
trivial em casa. Os recém-ascendidos a
faixas mais altas da escala social, hoje
incluídos em parcelas de milhões na
classe C, também já não se contentam,
como ocorria nos primeiros anos do
Plano Cruzado, com a cota garantida de
iogurte e de frango congelado. Querem
agora o que entendem ser iguarias –
temperadas com o que entendem
ser requinte. Ou seja, estão abertos
para a oferta de bens com valor agregado, o que no caso em questão tem
tudo a ver com embalagens.
Na verdade, numa era em
que as sensações e os estímulos são maciçamente virtuais, ressalta-se a importância
do paladar. Não é descabido,
assim, imaginar que a busca por
novos sabores, de preferência de
elaboração própria, talvez seja
um dos últimos percursos sensoriais inexplorados pelas pessoas.
Tampouco é temerário concluir
que a prática da gastronomia
em círculos fechados se reforça
e abre perspectivas mercadológicas para ações e produtos fortemente
direcionados.
52 | Agosto 2011
Nesse sentido, basta lembrar, como
indício da difusão do ato de cozinhar
por prazer ou como hobby, a notável
valorização de empreendimentos imobiliários com um ambiente até há pouco
inexistente nos apartamentos: a varanda
gourmet. Seria surpreendente o fato de
as embalagens não terem protagonismo
mais enfático nesse panorama, não fosse
uma alegada dificuldade em obter com
os fornecedores disponíveis embalagens
incrementadas, em lotes geralmente
pequenos. Os custos, no caso, são sempre mais elevados que os de tiragens
convencionais.
Empresas que seguiram o caminho
de valorizar produtos gourmet com o uso
de embalagens com maior valor agregado que as triviais não se mostram
arrependidas. A Mercato, de Recife, é
um exemplo. Em abril de 2010, seus
proprietários, os irmãos Gustavo e Bruno
Accioly, lançaram a linha de temperos
premium Kook. A empresa comercializa
sais e pimentas em grãos, provindos
de países diversos, como Índia, Chipre,
Austrália, Estados Unidos, Indonésia e
Chile. Os sais especiais e as pimentas da
marca são acondicionados em frascos
de vidro de 90 gramas, com moedor de
plástico, em acabamento cristal, acoplado no topo. O acessório é importado da
China, fabricado pela Zibo Jr Co.
Já a linha de sais do Mediterrâneo
Kook é apresentada em frascos de vidro
de 50 gramas, fabricados pela Vidraria
Anchieta, com tampa twist-off de aço.
O recurso a embalagens de certa forma
complexas e de volume limitado para sal,
o mais comoditizado dos temperos culinários, é uma clara forma de transmitir
a idéia de adição de valor e de produto
incomum.
“Sempre acreditamos no poder que
uma bela apresentação tem para um
consumidor desse tipo de produto”, diz
Bruno Accioly. “Por isso investimos em
embalagens inovadoras, valorizando as
cores e reforçando o aspecto decorativo.”
Valeu a pena. Apesar de estarem há apenas um ano no mercado, os produtos da
Mercato já são comercializados em nove
Estados do Brasil, com destaque para São
Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco,
e estão em andamento tratativas para
uma primeira exportação, para Portugal.
O caso da Mercato é apenas um
exemplo da possibilidade de beneficiarse de uma tendência de negócios para a
qual potenciais fornecedores de emba-
Sais e pimentas da
pernambucana Kook:
o ‘trivial chique’ em
frascos de vidro com
moedor acoplado
© fotos: carl
os curado
aceitação do consumidor por temperos
acondicionados em sachês, por exemplo.
Em sua interpretação, ao chegar em casa
o consumidor coloca os produtos em
recipientes com fechamento hermético
– atitude que, a rigor, mais que enfraquecer fortalece a argumentação favorável ao bom potencial de mercado para
embalagens adequadas à conservação
dos produtos e sofisticadas, com apelo
para vendas por impulso.
Nesse confronto de opiniões, em
que prevalece o lema do “deixar como
está”, um dos poucos pontos claros é
que é importada a maioria dos artigos
apresentados em recipientes premium,
cada vez mais presentes nos pontos de
venda. Diferentemente da maioria dos
produtos nacionais, percebe-se neles
um grande cuidado e acentuado uso de
acabamentos em aço escovado, rótulos
serigrafados, grafismos minimalistas,
vidros jateados e pintura matte.
lagens não estariam prestando a devida
atenção. Na busca pela atenção do sempre exigente cliente de produtos gourmet, um dos pioneiros do setor, Nelo
Linguanotto, ex-proprietário da Temperos Linguanotto e hoje dono da empresa
de especiarias Bombay, prefere imprimir
identidade artesanal e caseira nos produtos da marca, por via de potes de vidro e
rótulos de papel.
A Bombay comercializa especiarias
variadas, acondicionadas em potes de
vidro espesso em formato cúbico e boca
larga “para caber uma colher de chá”.
Simples e práticos, são fechados com
uma rolha com o nome Linguanotto grafado na parte superior e recebem lacre
termoencolhível. “As embalagens foram
desenhadas para remeter ao ambiente
caseiro, porque no Brasil muitas pessoas
associam a cozinha à família e ao lar”,
destaca o empresário.
O certo é que “a gastronomia nunca
esteve tão em alta como nos dias de hoje”,
ao que comenta Patrícia Herrmann,
gerente de marketing da Companhia das
Ervas, que também vem tirando bom
proveito da onda. A empresa se esforça
para atender as crescentes levas de gastrônomos de horas vagas, produzindo
temperos variados e comercializando
especiarias como curry, manjerona, cúrcuma e zattar. Para seu amplo portfólio,
adotou um relativamento diversificado
leque de embalagens, no qual a padronização de formatos, como no caso de frascos de vidro para grãos e para pimenta, é
valorizada com o uso de rótulos de papel
pardo muito identificados com a linha.
Mas aí já se trata de um implemento de
ação anterior.
É reconhecida no mercado como
um verdadeiro pulo-do-gato e uma das
razões de seu êxito comercial a iniciativa
da Companhia das Ervas, alguns anos
atrás, de utilizar pré-formas de garrafas
de PET para acondicionar ervas. Essa
alternativa se tornou quase um equity
Os temperos da Bombay têm todos
identidade singular, acondicionados
em potes de vidro de tampa larga
para caber uma colher
da marca, hoje copiado por outras, ao
mesmo tempo em que descortinou para
a indústria de acessórios de cozinha um
novo mercado: o de estantes aramadas
para colocação dos frascos.
O aquecimento das vendas de
especiarias tem favorecido adicionalmente também o varejo, como conta o
gerente de uma loja de grande rede de
supermercados que prefere não ser identificado. Ele relata que o consumidor de
gastronomia busca utensílios de cozinha
que fujam do trivial, como caçarolas
revestidas com cobre, facas, medidores de volumes e objetos “especiais”, ao
mesmo tempo úteis e decorativos. “Não
dá para colocar uma embalagem tosca
numa varanda gourmet”, defende Rebeca
Couto, proprietária da marca francesa de
azeites premium Oliviers & Co. no Brasil.
Na onda que avança, cresce naturalmente o segmento de casas de venda de
alimentos premium. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, há
relação entre o aumento da demanda
por produtos gourmet e a abertura de
empórios e mercados de alimentos com
Pré-formas de PET da
Companhia das Ervas: Ainda
que seja uma solução simples,
distingue até hoje os produtos
da marca nas gôndolash
54 | Agosto 2011
Conservas e temperos da
Sapori receberam grafismos
mais atraentes nos rótulos,
que foram aprovados pelo
consumidor
alto valor agregado, procurados majoritariamente por pessoas das classes A e
B. Honda informa que bandeiras como
St. Marché, em São Paulo, Verdemar, em
Belo Horizonte, e Perini, em Salvador,
“vão começar a expandir suas redes, justamente para atender a essa demanda”.
Uma esperada expansão do mercado
de especiarias, porém, parece esbarrar
num antigo problema: o do custo de
embalagens personalizadas, que se diferenciem dos modelos standard adotados
necessariamente para produtos cujas
vendas são modestas em comparação
com itens de alto consumo. Atuando
num segmento vizinho daquele das
especiarias, a fabricante de molhos, conservas e antepastos Sapori busca incrementar suas embalagens por meio de
rótulos mais atraentes, segundo Angela Rappa Sanos, proprietária da marca.
“Tivemos um salto nas vendas quando
mudamos os rótulos para um estilo mais
colorido, de maior visibilidade nas gôndolas”, ela conta. Mas a agência responsável pelo desenvolvimento das embalagens, a Ad-One Propaganda, de Jundiaí
(SP), teve de limitar-se a isso e ao uso de
frascos padrão, fornecidos pela Embavidros e pela Nadir Figueiredo. Indagada
se uma apresentação incrementada de
seus produtos, com recipientes personalizados, não implementaria ainda mais
as vendas da empresa, Angela foi sintética: “Seria muito positivo, mas não temos
cacife para bancar uma produção de
potes exclusivos”.
No entanto não se trata de um caminho fechado. Ao decidir acondiconar
industrialmente os molhos e coberturas
de sua marca que comercializava em
embalagens artesanais, a rede de restaurantes e cafés Bazzar, do Rio, firmou
parceria com a Wheaton para a produção
de um pote de vidro exclusivo (que,
segundo Cristiana Beltrão, sócia-diretora
da empresa, “contribuiu para multiplicar
as vendas). Isso foi possível graças a
ajustes no design, dotado de curvas, sem
ângulos, o que facilita a produção.
“O que impede que outras empresas
do setor firmem parceria semelhante?”,
pergunta-se Marta Oliveira, gerente de
marketing da Wheaton. Ela conta que,
atualmente, a vidraria vem desenvolvendo para uma vinícola (não identificada)
um pote exclusivo para geléia, em esquema similar ao firmado com a Bazzar.
Marta afirma não serem necessárias tiragens muitos grandes para o desenvolvimento de embalagens exclusivas. “Um
pedido em torno de 100 000 unidades já
viabiliza a produção.”
Ante o quadro generalizado de
aumento da demanda de produtos gourmet e a razoável flexibilidade demonstrada por uma indústria de vidros, setor
tradicionalmente resistente a fornecer
lotes modestos, coloca-se para os supridores de embalagens feitas de outros
materiais um desafio que não deixa de
ser uma oportunidade: como atender um
segmento de mercado onde a demanda
pelo tão celebrado atributo de insumos
para adicionar valor está praticamente
desassistido? Ou, dito de outra forma,
o que é necessário para colocar tempero
no atraente mercado de especiarias?
Ad-One
(11) 3379-3303
www.ad-one.com.br/contato.htm
Embavidro
(11) 3871-1000
www.embavidro.com.br
Nadir Figueiredo
(11) 2967-8800
www.nadir.com.br
Owens-Illinois
(11) 2542-8084
www.oidobrasil.com.br
Vidraria Anchieta
(11) 2090-0670
www.vidrariaanchieta.com.br
Wheaton
(11) 4355-1800
www.wheatonbrasil.com.br
Zibo Jr. Co
+86 (533) 319-0976
www.zibojr.com
Molhos e condimentos
Bazzar são exemplos
da viabilidade
de embalagens
personalizadas mesmo
em pequenas tiragens
ANOTE
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Promoção
EmbalagemMarca
Organização
Vinhos
Funcional
com digital
Com rótulos impressos com
dados variáveis e múltiplos
recursos, Vinícola Garibaldi mostra
que impressão digital pode ser
usada em diversas situações
O vinho branco
seco
Acquasantiera Lorena Ativa, da Cooperativa Vinícola Garibaldi, traz novidades para o mercado – no conteúdo e
nas embalagens. No que diz respeito ao
produto em si, além de ser um inovador resultado de tecnologia inédita no
Brasil, fruto de parceria com a Embrapa
Uva e Vinho, o Lorena Ativa possui
quatro vezes mais antioxidantes naturais. Com propriedades e método de
vinificação semelhantes aos dos vinhos
tintos, já que a uva é fermentada com
a casca, além de oferecer o diferencial
em substâncias benéficas à saúde o
Acquasantiera Lorena Ativa mantém
as características aromáticas da variedade da uva, conforme argumenta a
vinícola. O produto agora lançado pela
Garibaldi procura situar-se no conceito
de bebida funcional e beneficiar-se do
apelo à saúde, na medida em que os
vinhos tintos teriam preferência dos
consumidores por apresentarem maior
concentração de polifenóis, antioxidantes com poder anti-inflamatório encontrados também no azeite, em frutas e
em vegetais.
Quanto às embalagens, as
novidades situam-se na decoração. Os
rótulos são produzidos em impressão
digital com dados variáveis, pelo processo de offset digital da HP, em filme
de BOPP (polipropileno biorientado)
com acabamentos de hot stamping.
Foram usadas três imagens distintas,
para diferenciar o produto nos pontos
58 | Agosto 2011
Acquasantiera:
decoração baseada
em offset digital para
“derrubar o mito” das
baixas tiragens
de venda. “Esse caso mostra
que a impressão digital pode
aumentar os recursos gráficos
e derruba o mito de que só
pode ser utilizada para pequenas tiragens”, explica Celiano
Cenci, diretor da Brazicolor, gráfica que confecciona os rótulos.
Segundo o executivo, o processo
digital foi escolhido com o objetivo
de conseguir melhor definição das
imagens. O lote encomendado para o
vinho da Garibaldi, de 30 000 unidades, é considerado médio, mas, ao que
afirma o diretor da Brazicolor, “não
seria possível fazer em outro processo
de impressão com o mesmo padrão de
qualidade offset digital, entrega rápida
e imagens variadas.”
Brazicolor
(54) 3225-1853
www.brazicolor.com.br
HP
(11) 3074-5242
www.hp.com
sustentabilidade
“Verde” do começo ao fim
Na segunda fase do projeto end-to-end do
Walmart, treze indústrias apresentam embalagens
e produtos que geram menor impacto ambiental
Em parceria com grandes
empresas fornecedoras, o Walmart lançou, no início de 2010, o projeto Endto-End, cujo objetivo era contribuir
com o desenvolvimento sustentável
do mercado brasileiro. Em julho deste
ano, a rede varejista lançou a segunda
etapa da ação. A ideia do projeto, agora
rebatizado de “Sustentabilidade de
Ponta a Ponta”, é induzir as indústrias
a escolher os principais itens em cada
categoria e trabalhar para aprimorar os
processos envolvidos.
A nova edição do projeto conta
com a participação de treze empresas:
AmBev, Danone, Kimberly-Clark, Kraft
Foods, L’Oréal, Mars, Philips, Reckitt
Benckiser, Santher, Sara Lee, SC Johnson, Whirlpool e Nat Cereais, responsável pela marca Sentir Bem, do Walmart.
De acordo com a vice-presidente de
assuntos corporativos do Walmart Brasil, Daniela de Fiori, os treze produtos
lançados (ver quadros) “foram pensados para causar o mínimo de impacto
ambiental, desde a matéria-prima utilizada até o descarte de resíduos”.
Os fornecedores escolheram um
item líder de categoria para análise
técnica de todo o seu processo de produção. A ideia, explica Marcos Samaha,
presidente do Walmart Brasil, foi fazer
as indústrias se comprometerem a
Guaraná Antarctica
PET 2 litros AmBev
Primeira garrafa de bebidas no
Brasil a utilizar uma parcela de
PET pós-consumo reciclado grau
alimentício (ver reportagem na
página 64). Foram alcançadas
melhorias no processo produtivo
e no transporte. Segundo a AmBev, o uso de PET reciclado vai
reduzir em 60,7 toneladas/ano o
consumo de resina virgem.
Papel higiênico Neve
Naturali Kimberly-Clark
A Kimberly-Clark passou a aproveitar o plástico
do refugo industrial e dos resíduos das embalagens que chegam com as matérias-primas e insumos na empresa. O material foi reunido e passou
a ser entregue para um fornecedor, que recupera
a resina e a devolve como 10% de plástico novo
para os fardos de embalagens de transporte.
Os ganhos ambientais, ao longo de um ano,
foram economias de 455 000 litros de água,
redução de 30 200 quilos de resíduos sólidos
destinados a aterros sanitários e menos 58,2
toneladas de CO2 equivalente emitidas.
Fornecedores*:
Danoninho morango
360 gramas Danone
Com o uso de uma tecnologia que expande a
chapa plástica, tornando-a aerada, a Danone conseguiu reduzir em 9,4% o volume de
matéria-prima consumido nas bandejas do
queijo petit suisse Danoninho. O processo,
inédito no País, foi transferido pela empresa a
um fornecedor brasileiro.
Fornecedores*:
chapas de poliestireno
Coexpan
(11) 4581-7963
www.coexpan.com.br
máquinas termoformadoras
Dinieper
(11) 3604-5499
www.dinieper.com.br
chapas de poliestireno
Microservice
(11) 2105-1300
www.microservice.com.br
Halls Kraft Foods
A Kraft Foods reduziu materiais de embalagem
e descartes industriais. As mudanças nas embalagens alcançaram toda a linha Halls (Base
e Creamy). Na caixa-display que acondiciona
e expõe o produto, houve redução tanto na
gramatura da caixa quanto na espessura do
filme de BOPP que envolve e protege o display.
Foram feitas mudanças também na embalagem
de transporte: as caixas de papelão foram eliminadas e os displays passaram a ser transportados diretamente em paletes.
Fornecedores*:
papel cartão
Ibema
(41) 3240-7400
www.ibema.com.br
filme strecth
Valfilm
(35) 3363-9200
www.valfilm.com.br
display
Ibratec
(11) 4772-8277
www.ibratecgrafica.com.br
impressão
Zaraplast
(11) 3952-3000
www.zaraplast.com.br
filme de BOPP
Vitopel
(11) 3883-7700
www.vitopel.com.br
Linha Elsève L’Oréal
TV LED 32” Philips
A partir do redesenho do frasco do creme de pentear Elsève,
houve redução de peso de até 21%, com aumento da resistência. Para a produção da nova embalagem foi otimizado o processo
de sopro. Assim, houve redução da
quantidade de emissão de gases e
do consumo de energia elétrica.
Esta é a primeira TV da Philips com a embalagem em papel kraft, retirando-se o componente químico do branqueamento e pintura até então utilizados,
o que gerou diferença de 10% no custo da matéria-prima, além de menos
refugos no processo industrial. As mudanças possibilitaram um consumo de
energia 35% menor, um produto mais leve, manual com menos papel e instruções na tela e embalagem com menor
utilização de fontes não renováveis.
Fornecedores*:
Fornecedor*:
frascos
Brasalpla
(11) 2104-1400
www.alpla.com
caixas de transporte
Klabin
(11) 4588-7227
www.klabin.com.br
60 | Agosto 2011
embalagens de transporte
EMAS Amazônia
(92) 2129-5500
www.emas.ind.br
melhorar seus processos produtivos.
“A opção por produtos líderes se deu
por dois motivos”, comenta Samaha.
Primeiro, para que o consumidor não
abrisse mão do produto de sua preferência. Depois, a iniciativa poderia
influenciar outros fornecedores a adotar ações semelhantes, gerando um
efeito multiplicador.”
A partir da definição, o produto
passa por uma análise técnica de todo
o processo de produção para gerar as
mudanças possíveis, do início ao fim
da cadeia. O Walmart Brasil garantiu apoio técnico, por meio do Centro
de Tecnologia de Embalagens (Cetea),
ligado ao Instituto de Tecnologia de
Alimentos do Governo de São Paulo.
Durante dezoito meses foram realizadas reuniões com as indústrias, sugeridas mudanças e avaliados resultados
do início ao fim da cadeia produtiva. A
rede varejista ofereceu, ainda, garantia
de compra, maior visibilidade e exposição diferenciada desses itens nos
pontos de venda, além de divulgação
destacada em materiais promocionais
específicos para os clientes.
De acordo com o Walmart, a reformulação dos treze produtos vai trazer
redução de mais de 250 toneladas de
materiais consumidos por ano, considerando a estimativa de um ano de
venda na rede, sendo 79 550 quilos em
matéria prima de embalagens. A redução no uso de água será de 2 milhões de
litros, e a de energia, de 19 milhões de
quilowatts/hora. Em relação às emissões de gases de efeito estufa (GEE), a
redução chega a 3 171 toneladas de dió-
Ração Whiskas lata Mars
Veja Perfumes Sensações
O produto era acondicionado em lata de aço de 94
milímetros de altura, com corpo de 0,15 milímetro de
espessura e capacidade para 340 gramas de produto. A
nova linha utiliza latas menores (83 milímetros de altura),
com corpo mais fino (0,14 milímetro) e capacidade para
290 gramas. A nova embalagem
permitiu a redução do consumo de aço e a diminuição
do tamanho do rótulo. As
instruções de abertura foram
excluídas da tampa abre-fácil
e inseridas no rótulo, eliminando consumo de tinta.
Reckitt Benckiser
Fornecedores*:
latas
Rimet
(11) 2877-5000
www.rimet.com.br
Café Pilão Origem
Toalha de papel Snob Eco Santher
Sara Lee
Por ser mais compacto, tendo
33% a mais de folhas por rolo,
o produto garante menor volume de descarte de subprodutos como filmes plásticos
das embalagens primária e
secundária e papel cartão dos
tubetes. Também proporciona
menor cubagem no transporte,
emitindo menos CO2. A quantidade de filme plástico utilizado no novo pacote também
diminuiu.
A embalagem primária usa 9%
menos matéria-prima que as embalagens similares, com 70% menos
tinta de impressão. Também houve
mudanças nas embalagens de transporte: as caixas são confeccionadas
a partir de papelão ondulado 100%
reciclado com certificação FSC (Forest Stewardship Council). Reduziu-se para zero o uso de etiquetas de
identificação nas caixas e o filme
stretch, envoltório dos paletes, teve
sua espessura
reduzida em 20%.
Fornecedores*:
Pato pastilha adesiva SC Johnson
embalagens laminadas de
polietileno, alumínio e PET
Dixie Toga
(11) 2928-9200
www.dixietoga.com.br
caixas de transporte
Jari Celulose
(11) 4689-8700
www.grupoorsa.com.br
filme strecth
Valfilm
(35) 3363-9200
www.valfilm.com.br
Os principais resultados do projeto
• Redução de emissões de gases de efeito estufa: 3,171 toneladas de CO2
equivalente (economia de 17,3 milhões de quilômetros rodados)
• Mais espaço nos caminhões com as reduções de embalagem. Aumento
entre 32% e 64% na capacidade das carretas
• Certificação de produtos e processos, engajamento em campanhas
de interesse coletivo e outras iniciativas com foco social
• Redução no consumo de óleo diesel: 232 430 litros
• Redução no consumo de energia elétrica: 19,27 gigawatts-hora
(economia de 8,03 milhões de lâmpadas de 100 watts)
• Redução no consumo de água: 2,4 milhões de litros
• Redução de massa das embalagens: 79 450 quilos
• Redução de resíduos (industrial ou agrícola, excluindo
pós-consumo): 250 400 quilos
Fonte: Walmart Brasil
62 | Agosto 2011
A empresa desenvolveu a
versão de 2 litros, que usa
47% menos material por
litro de produto quando
comparado com a
embalagem de 500 mililitros. Foi reduzido em
7% o material da tampa
e em 6% a gramatura
do rótulo, que agora
é impresso com tinta
à base de soja. Foram
reduzidos a energia no
sopro das embalagens e
o consumo de papelão
nas bandejas que transportam o produto.
As pastilhas são vendidas em caixas de cartão com três
unidades, com embalagens unitárias. Para viabilizar o
novo produto, a empresa investiu na nacionalização do
processo. Por um lado, incentivou dois fornecedores a
produzir no Brasil o filme para as flow packs primárias,
que antes era importado. Na outra ponta, a SC Johnson
implantou uma linha de produção em Manaus, em substituição à importação do produto. Com isso, houve diminuição da complexidade logística, que reduziu o consumo
de combustíveis e a emissão de CO2. O lançamento do
produto em embalagens individuais levou a um redimensionamento das embalagens secundárias e de transporte,
diminuição do consumo de matérias-primas e otimização
dos fretes com ganhos de 35% a 63% no
aproveitamento do transporte.
Fornecedores*:
flow packs
Converplast
(11) 2462-1177
www.converplast.com.br
cartuchos
Bureau Comercial
(92) 3631-0732
flow packs
PCE Embalagens
(92) 3615-1292
xido de carbono equivalentes (CO2e),
o que corresponde a uma economia de
combustível para um caminhão rodar
17,3 milhões de quilômetros.
Em sua primeira edição, o projeto do Walmart contou com dez fornecedores (ver EmbalagemMarca
nº 126, fevereiro de 2010): 3M (Ponjita), Cargill (Liza), Coca-Cola (Matte
Leão), Colgate-Palmolive (Pinho Sol),
Johnson & Johnson (Band-Aid), Nestlé (Pureza Vital), PepsiCo (Toddy),
Procter & Gamble (Pampers), Unilever
(Comfort) e o próprio Walmart Brasil
(Top Max). A rede varejista diz que
tais produtos tiveram um crescimento
médio nas vendas de 40% após o seu
lançamento, atestando a aprovação
pelos consumidores.
Aveia Sentir Bem Walmart/Nat Cereais
A linha de aveias Sentir Bem é composta por seis itens
e produzida pela Nat Cereais, de Lagoa Vermelha (RS).
O produto teve seu ciclo de vida redesenhado, num
processo que contemplou seis iniciativas que melhoraram a cadeia produtiva,
desde o plantio da aveia até o descarte da
embalagem pelo consumidor final. Foram
reduzidos o peso da embalagem e a utilização do papel sem perda de qualidade.
As caixinhas, produzidas com menos papel cartão (certificado pelo FSC – Forest
Stewardship Council), utilizam 10% menos
massa de celulose. Foi possível aumentar
de 80 para 100 o número de caixas de
produto transportado por palete.
Fornecedores*:
Design
Sart Dreamaker Brand Design
(11) 3044-4074
www.sart.com.br
Refrigerador Brastemp
Inverse Viva Whirpool
Projeto visa reforçar a coleta e reciclagem de embalagens do produto
nos centros onde a Brastemp já faz
esse tra­balho em parceria com o
Walmart. Na entrega de um produto,
a embalagem de transporte é retirada
e levada para a reciclagem. Eficiência
energética, seleção de insumos e
campanha educacional com foco em
sustentabilidade ambiental foram os
focos do projeto.
* citados apenas os fornecedores da cadeia de embalagens
refrigerantes
Barreira
superada
Guaraná Antarctica é a primeira
bebida do Brasil a utilizar garrafa
que incorpora PET reciclado
Projetos de uso de PET pós-consumo reciclado (PET-PCR) em embalagens de alimentos existem há
anos, mas sempre esbarraram no desafio de agregar a tecnologia de incorporação da resina reciclada à matéria-prima virgem, de acordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O obstáculo acaba de ser superado
pela AmBev, que, num trabalho concentrado em sua fábrica
do Rio de Janeiro, desenvolveu uma garrafa de 2 litros para o
Guaraná Antarctica. É a primeira no País a ter aprovação do
órgão regulador para utilização do PET-PCR grau alimentício.
Fruto de parceria entre a AmBev e o Walmart no projeto
Sustentabilidade de Ponta a Ponta (ver reportagem na página
60), o recipiente é formado por uma parcela não declarada,
mas ainda pequena, de resina reciclada. O objetivo é aumentar paulatinamente a substituição da quantidade de resina
virgem utilizada no processo de fabricação. No rótulo da
garrafa haverá informações que identificam o percentual de
resina de origem de PET reciclado.
Segundo a fabricante, a relevância da nova
embalagem é enorme no seu portfólio, já que o Guaraná
Antarctica é sua principal marca de refrigerante, e o recipiente de 2 litros, o principal da marca no mercado. Para viabilizar
o projeto, a AmBev investiu na qualificação de uma cadeia
de cooperativas de reciclagem que serão as fornecedoras do
insumo. “Temos necessidade de garantir o fornecimento de
matéria-prima para reciclar, preservando a qualidade do produto”, diz Thiago Ely, gerente de Inovações de Refrigerantes
da empresa. “Por isso, ampliamos o incentivo a cooperativas
de reciclagem, o que já vínhamos fazendo há muitos anos.”
Por ser uma marca tradicionalmente brasileira, o produto será comercializado somente no mercado nacional.
Segundo a empresa, os recursos utilizados no projeto, de
valor não divulgado, foram aportados totalmente pela unidade brasileira.
64 | Agosto 2011
Garrafa de 2 litros,
a mais popular do
Guaraná Antarctica,
foi escolhida para
ser a pioneira na
incorporação de
resina derivada
de material
pós-consumo
ideias
Barreira sem opacidade
Material desenvolvido no Brasil substitui alumínio em
blisters de medicamentos que precisam de barreira à luz
Reduzir drasticamente o custo de blisters
para acondicionar medicamentos que precisam de proteção
contra a luz. Isso é o que promete uma embalagem com
material desenvolvido no Brasil pela Vulcan, multinacional
brasileira controlada pela Brascom Participações, por meio
da holding ILP – Indústria de Laminados Plásticos, com
matriz no Rio de Janeiro e fábricas em São Roque (SP), na
França e na Holanda. O material desenvolvido pela empresa
é o Vinitherm PHC UV, com proteção contra raios ultravioleta (UV). Trata-se de um laminado de PVC para o mercado
farmacêutico. No nome comercial do produto, as letras PH se
referem ao mercado a que se destina (Pharma), enquanto C
alude a “colorido”, já que a chapa tem cor.
Segundo o fabricante, o laminado protege os remédios
sensíveis aos raios ultravioleta graças a uma barreira translúcida (antes, somente embalagens 100% opacas conseguiam
cumprir essa função). O gerente comercial de embalagens
rígidas da Vulcan, Benito Conde Cid Neto, diz que o Vinitherm PHC UV “pode substituir o alumínio usado
em algumas embalagens, reduzindo o custo,
pois o produto feito à base daquele
metal é cerca de 250% mais caro”.
Novidade no mercado brasileiro, o desenvolvimento do novo material recebeu investimentos de cerca de
800 000 reais. “Pelo que temos conhecimento, é o primeiro material desse tipo no
mundo”, afirma o executivo. A nova embalagem foi homologada pela Furp – Fundação
para o Remédio Popular do governo de São
Paulo. O processo de pesquisa e homologação
do novo material pela entidade durou dois anos,
e a embalagem deve começar a ser utilizada pela
Fundação ainda no segundo semestre de 2011. “Apesar
de termos feito o desenvolvimento em conjunto com a
Furp, não há exclusividade, e o material está à disposição
do mercado”, relata Benito Neto. A previsão da Vulcan é que
no curto prazo sua divisão para produtos farmacêuticos eleve
a produção em 10%, e as receitas, em 15%.
66 | Agosto 2011
Blisters
translúcidos
com proteção
UV são
alternativa
mais barata ao
alumínio
Vulcan
(21) 3362-2340
www.vulcan.com.br
internacional
Inovação a jato
Refrigerante em aerossol lançado
na Inglaterra promete revolucionar
mercado de bebidas carbonatadas
Turbo Tango. Esse foi o
nome escolhido para uma variante do
refrigerante de laranja Tango, da britânica Britvic, que busca conquistar o
público jovem por meio de uma apresentação inusitada. A novidade é acondicionada numa embalagem aerossol
totalmente produzida em plástico,
iniciativa anunciada como inédita no
campo das bebidas carbonatadas.
A ideia é que o consumidor utilize a
bebida esguichando-a diretamente na
boca. Para facilitar essa tarefa, o recipiente incorpora um bico dispensador
especial, também moldado em plástico.
O acessório apresenta uma espécie de
cânula que garante o direcionamento
do jato da bebida.
Patenteada pela Britvic, a tecnologia cria a sensação de que se está ingerindo uma espuma cremosa. “Trata-se
de uma inovação com potencial para
criar, no futuro, um segmento totalmente novo no mercado de refrigerantes”, acredita Jonathan Gatward, diretor
de marketing da fabricante da bebida.
Segundo ele, a invenção é uma resposta
ao consumidor jovem, que busca produtos diferenciados no mercado.
O projeto do Tango Turbo foi
tocado em conjunto pela Britvic e pela
consultoria de marcas e design Blue
Marlin. O desenvolvimento foi complexo. Contou com a colaboração de mais
de quarenta parceiros internacionais
para a obtenção do resultado final.
Segundo Andrew Eyles, diretor
68 | Agosto 2011
da Blue Marlin, todo o
projeto de criação da
embalagem norteouse pelos ideais de
quebra de normas da categoria
e de comunicação
irreverente com os
jovens. “Quisemos
fazer algo diferente
de tudo o que há no
mercado”, diz o profissional. Como consequência,
o recipiente plástico, com capacidade volumétrica de 375 mililitros,
ganhou formato sinuoso e decoração
com rótulo termoencolhível dotado de
grafismos que apelam à irreverência,
destacando imagens de cilindros de
oxigênio e composições que aludem
a grafites.
O design gráfico com estilo urbano,
explica Jonathan Gatward, “é inerente à
marca Tango”, que tem se notabilizado
por utilizar desenhos extravagantes em
suas embalagens. Um exemplo, lançado cerca de dois anos atrás, foi uma lata
com a decoração de cabeça para baixo
(ver EmbalagemMarca nº 118, junho
de 2009).
A Britvic evita divulgar detalhes
sobre a embalagem do Turbo Tango,
como os nomes dos fornecedores dos
componentes e os materiais em que
são produzidos. Mas alardeia, sem
cerimônias, que a receptividade do
conceito pelo público-alvo “tem sido
muito boa”.
Bico direcional (no detalhe)
garante que jato da
bebida seja dispensada
diretamente na boca
Blue Marlin
www.bluemarlinbd.com
m
V
ai set elh isit
s or or e
co c fe a
nh om ir
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PROGRAMA BÁSICO
• Saída de São Paulo: 25 de setembro de 2011
• Companhia Aérea: TAM
• Hotel: BEDFORD HOTEL BRUSSELS (categoria 1ª Classe, 4 estrelas), localizado no centro
de Bruxelas, próximo da Grand Place, com fácil acesso à feira pelo metrô.
PREÇOS DOS PACOTES DE VIAGEM POR PESSOA, A PARTIR DE*
US$ 1,905.00 + taxas aeroportuárias
US$ 2,530.00 + taxas aeroportuárias
Voo em classe econômica São Paulo/Paris/São
Paulo (traslado Paris-Bruxelas feito com o trem
de alta velocidade TGV diretamente ao centro
de Bruxelas) apartamento duplo, por 5 noites
(26/9/11 a 1/10/11), com café da manhã
Voo em classe econômica São Paulo/Paris/São
Paulo (traslado Paris-Bruxelas feito com o trem
de alta velocidade TGV diretamente ao centro
de Bruxelas) em apartamento individual, por 5
noites (26/9/11 a 1/10/11), com café da manhã
* PARA SOLICITAR MAIS DETALHES DOS PACOTES, ENTRE EM CONTATO COM [email protected]
IMPORTANTE: A viagem tem de ser adquirida em sua totalidade, com parte aérea e hospedagem em conjunto. Os
preços estão sujeitos a alteração sem prévio aviso, já que podem mudar por aumentos tarifários da companhia aérea ou
por diferenças cambiais na paridade entre o dólar e o euro.
VISITAS TÉCNICAS
Informe-se sobre a possibilidade de integrar o grupo que realizará visitas guiadas a
empresas nos arredores de Bruxelas.
Dia 27 de setembro: Reynders (convertedora de rótulos e etiquetas) e Agfa (demonstração
da impressora digital Dotrix). No final da tarde, passeio por Bruges e parada numa
cervejaria belga. Retorno para o hotel, em Bruxelas, previsto para as 22h00.
Informações e Reservas
(11) 3218-7911
[email protected]
Assistência Viagem:
Assessoria e Marketing
Internacional
Uma soda
mais “verde”
Em caráter inédito nas Américas,
7UP ganha no Canadá garrafa para refrigerante
integralmente feita a partir de PET reciclado
Três anos de pesquisa
e desenvolvimento culminaram no lançamento, no dia 13 de julho último, da
EcoGreen. Trata-se daquela que é brandida pela PepsiCo como a primeira garrafa para refrigerante 100% produzida a
partir de PET reciclado a ser utilizada
na América do Norte – e, até onde se
sabe, nas Américas. A nova embalagem
estreou no mercado canadense acondicionando o refrigerante de limão 7UP.
De acordo com a PepsiCo, a nova
embalagem atende a todos os requisitos
de segurança sanitária para o acondicionamento de bebidas e representa
“uma inovação revolucionária”. “Criar
uma garrafa para refrigerantes 100%
feita de plásticos reciclados é mais
desafiador do que criar uma garrafa do
mesmo gênero para bebidas não-gasosas, por causa do stress que os materiais
sofrem com a pressão da carbonatação”,
declarou a empresa em comunicado
sobre o lançamento. Calcula-se que a
EcoGreen permitirá reduzir o consumo
de resina PET virgem em aproximadamente 2 700 toneladas ao longo de um
ano. Levando-se em conta os atuais
volumes de produção do 7UP no Canadá, estudos da Association for PostConsumer Plastic Recyclers estimam
que as emissões de gases de efeito estufa diminuirão 30% e que o consumo de
energia cairá 55%.
A garrafa EcoGreen estará disponível em diversos tamanhos para o 7UP
e o Diet 7UP a partir de agosto no mercado canadense. Segundo a PepsiCo, a
embalagem irá parecer com qualquer
outra garrafa de PET para refrigerantes.
70 | Agosto 2011
“Os consumidores não detectarão qualquer diferença em relação à embalagem
ou ao gosto das bebidas”, assegura a
empresa.
Diversas fábricas da PepsiCo no
Canadá irão produzir o recipiente. A
empresa investiu 1 milhão de dólares em
aprimoramentos produtivos nas unidades industriais, incluindo sistemas de
processamento de resinas e tecnologias
de inspeção. Embora a novidade incida
num maior custo de produção, a ideia é
que não haja repasses ao consumidor e
que a linha 7UP fique no mesmo patamar de preço dos demais refrigerantes
canadenses. Presidente da divisão de
bebidas da PepsiCo no Canadá, Richard
Glover entende que a ação vale a pena.
“Os consumidores querem produtos e
embalagens que reflitam seu desejo de
proteger o ambiente”, afirma.
EcoGreen pode “salvar” o uso de 2 700 toneladas de resina virgem
emb.bz/144ecogreen
PlantBottle chega à África
Garrafa soprada em PET parcialmente derivado (30%) do etanol da cana-de-açúcar, a
PlantBottle, da Coca-Cola, estreou no mercado sul-africano. A primeira fábrica dedicada à
embalagem foi inaugurada no início de julho
em Heidelberg, cidade próxima a Joanesburgo. O primeiro produto a ser acondicionado
no recipiente será a água mineral Valpré. “A
nova garrafa representa um passo enorme na
estratégia ‘verde’ da indústria local de águas”,
disse a diretora executiva da Associação Sul-africana de Águas Engarrafadas (SANBWA),
Charlotte Metcalf.
Valpré: água
mineral sulafricana
ganha garrafa
parcialmente
obtida de etanol
da cana-deaçúcar
Mantenha-se atualizado. Acesse
www.ciclodeconhecimento.com.br | @CicloEM
Embalagens
dePapel
Cartão
Fórum
Como utiliz
tipos de em ar o poder de atraçã
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e papel car de estojos, caixas, bli
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talecer as m rs, carriers e outros
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“Chamadas de
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secundárias, a
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de papel cartã
o são as prime
iras a ser vistas”
Conteúdo:
Na cadeia de valor de embalagem,
geralmente se emprega uma expressão
limitante para definir as embalagens que
acondicionam os recipientes dos produtos
de consumo, isto é, as embalagens externas.
Ao definir-se como “embalagens primárias”
potes, garrafas e frascos, entre outras
variedades acondicionadas em caixas e estojos
de papel cartão, estes caem automaticamente
na categoria das “secundárias”. Mas não é assim
que o consumidor enxerga as embalagens de
papel cartão.
Público:
e
ionais d
s
s
i
f
o
de
r
ers, p
imento
v
l
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n
Design
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l
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inte
emb
outros
e
a
i
r
á
u
us
r.
de valo
cadeia
Para o potencial comprador que está no ponto de
venda, a embalagem de papel cartão é, na maioria
dos produtos expostos, a primeira coisa que ele vê.
A inigualável propriedade do material permite
aceitar infinitas possibilidades de formatos, impressão
e acabamentos requintados. O visual das embalagens
de papel cartão representa a mais eficaz ferramenta
para atrair a atenção do consumidor e influir em sua
decisão de compra.
Data:
e 2011
22 Novembro d
LI VA
M G
IT A
AD S
AS
!
Local:
o Britânico
Centro Brasileir
Araújo, 741
Rua Ferreira de
São Paulo, SP
O Fórum de Embalagens de Papel Cartão vai mostrar
como utilizar esses recursos e também a extrema
versatilidade de uso do material, que se adapta a
praticamente todo tipo de produto. O papel cartão está
presente em embalagens de alimentos (naturais, congelados
e para aquecer). Em perfumes. Em brinquedos. Em materiais
de limpeza. Em roupas. Ele está em praticamente todas.
Patrocínio Ouro:
A ASSOCIADA A
QUER TER A SUA MARC
EM CONTATO:
TRE
EN
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TO
EN
ESTE EV
.com.br
ciclo@embalagemmarca
ou (11) 5181-6533
Display
O QUE HÁ DE NOVO NOS PONTOS DE VENDA
Edição: flavio palhares
[email protected]
cosméticos
Feito para homens
A Feito Brasil Cosméticos amplia sua oferta para
o público masculino com a linha Homem-Urbano.
Com embalagens criadas pelo departamento de
marketing da empresa, a linha reúne diversos
itens. O xampu capilar e corporal é acondicionado
em frasco de PET dotado de válvula pump e decorado com rótulo autoadesivo confeccionado em
filme de BOPP. Um recipiente similar é utilizado
para o hidratante corporal, com a diferença de
incorporar válvula spray. A pomada capilar finalizadora e o creme hidratante para as mãos são
apresentados, respectivamente, em pote e em
frasnaga – ambos de PET e decorados com rótulo
autoadesivo de BOPP. Por fim, o sabonete em
barra é oferecido em cartucho de papel cartão.
72 | Agosto 2011
Rótulos
Cartucho
Frascos
Pote
Válvulas
frasnaga
All Flex
(44) 3306-3100
www.allflex.ind.br
Bypacking
(11) 4525-0757
www.bypacking.com.br
Gráfica Massoni
(44) 3263-6712
www.graficamassoni.com.br
Master Pumps
(11) 4072-5353
www.masterpumps.com.br
Plasticase
(11) 4159-6939
www.plasticase.com.br
Tsubaki Embalagens
(11) 4783-1022
www.tsubakiembalagens.com.br
Display
O QUE HÁ DE NOVO
NOS PONTOS DE VENDA
3
1
Tampas
Inesa
(53) 3249-1542
www.inesa.cl
LoliPlast
(11) 3812-2763
Design (rótulos)
Bendito Design
(51) 3333-2022
www.benditodesign.com.br
Design
MN Design
(11) 2345.6644
www.mndesign.com.br
Rótulos
Brazicolor
(54) 3225-1853
www.brazicolor.com.br
Tubos
TuboCap
(11) 3070-6200
www.tubocap.com.br
Garrafa
Owens-Illinois
(11) 2542-8084
www.oidobrasil.com.br
Vinhos
iogurtes
Mais leve e
com tampa
de rosca 1
Cores para
sabores 2
A Cooperativa Vinícola
Aurora segue, em seu
vinho Saint Germain, a
tendência mundial de
utilização de tampas
de rosca (screw cap).
A garrafa mantém o
formato acinturado
original, mas usa 10% a
menos de vidro em sua
composição. O rótulo
foi atualizado, com
cores específicas para
cada variedade de uva.
higiene pessoal
Antes . . .
A companhia de laticínios Tirol está diferenciando, com cores
fortes, os sabores de
seu iogurte natural. O
selo de alumínio, antes
único para toda a linha,
passa a acompanhar o
matiz do copo em cada
variedade do produto.
cuidado
dos pés em
aerossol 3
sabonetes
BANHO EM DESIGN
Seguindo uma estratégia de design criada no
exterior, os sabonetes em barra Palmolive,
da Colgate-Palmolive, apresentam embalagens com novos visuais, substituindo o
padrão colocado no mercado em 2008. Os
grafismos aplicados nos novos envelopes de
papel buscam destacar ainda mais os ingredientes naturais dos produtos.
2
ENVELOPES
Dixie Toga
(11) 2928-9200
www.dixietoga.com.br
. . . e depois
Copos
Dixie Toga/ Bemis
(11) 2928-9200
www.dixietoga.com.br
Design
Design Inverso
(47) 3028-7767
www.designinverso.com.br
74 | Agosto 2011
Tampas
Politampas
(11) 4146-6000
www.politampas.com.br
Lysoform Desodorizador
de Calçados, produto
indicado contra fungos
e bactérias que causam
maus odores, micose e
frieira, é o mais recente
lançamento da Bombril.
A linha é composta pelas
fragrâncias limão e talco,
acondicionadas em embalagens tipo aerossol de
145 mililitros.
7
Design
A La Carte
(11) 2371-0071
www.alacarte.net.br
Tampas
CSI Closures Systems
(11) 4134-2593
www.csiclosures.com
4
Rótulos
Sol PP
(11) 4199-1316
www.solembalagens.com.br
Rótulo
CCL Label
(19) 3876-9311
www.ccllabel.com.br
Frasco
Frascomar
(11) 4786-5466
www.frascomar.com.br
Design
VY2 Studio Design
(11) 5081-7813
www.vy2.com.br
higiene pessoal
cervejas
fraldas
cabeça
do herói
Stella
sleek 5
mais uma
da turma
A AmBev lança a
cerveja Stella Artois
em latas de alumínio
do tipo sleek, de 269
mililitros. O Brasil é o
primeiro país a ter a
cerveja belga nesse
tipo de embalagem.
A versão nacional da
bebida é produzida
em Jaguariúna (SP).
Huggies Turma da
Mônica Conforto Dia
e Noite é a nova fralda da Kimberly-Clark
Brasil, cujos pacotes
de polietileno de
baixa densidade têm
a decoração baseada
nos personagens de
Mauricio de Sousa.
4
Com os produtos
licenciados do
Homem-Aranha, a
Biotropic amplia sua
linha de produtos
infantis. Os frascos
do xampu dois em
um, xampu, condicionador, gel fixador e
sabonete líquido têm
o formato da cabeça
do super-herói. A
decoração é feita por
meio de rótulos termoencolhíveis.
isotônicos
6
distinção
por cores
7
A Globalbev apresenta o novo Marathon,
que teve fórmula e
visual modificados.
Os novos rótulos ressaltam as características do isotônico, com
cores diferentes para
cada sabor.
6
Design
Oz Design
(11) 3024-2670
www.ozdesign.com.br
Embalagens
5
Rhotoplás
(11) 4199-2555
www.rhotoplas.com.br
Latas
Rexam
(21) 2104-3300
www.rexam.com/brazil
Agosto 2011 |
75
Display
O QUE HÁ DE NOVO
NOS PONTOS DE VENDA
1
2
Caixinhas
Tetra Pak
(11) 5501-3200
www.tetrapak.com.br
Design
New 360
(31) 2108-2222
www.new360.com.br
Bandeja
Advento do Brasil
(11) 4055-0072
www.adventodobrasil.com.br
flexíveis
Cordel Embalagens
(11) 4582-6388
www.cordel.ind.br
cereais
Novos
“aliméticos” 1
A linha de cubos de
cereais orgânicos
Beautybar é a novidade
da Beauty’In em “aliméticos” – alimentos
alegadamente capazes
de proporcionar benefícios estéticos. Flow
packs confeccionados
em filme de BOPP
apresentam a novidade, comercializada em
porções de 30 gramas.
No interior das flexíveis,
os cubinhos são acomodados em bandejas
termoformadas.
Antes . . .
ALIMENTOS
Roseflor com novo
visual
A Farinha de Trigo Roseflor, produzida pelos
Moinhos Galópolis, aposta no design para
melhorar a leitura da marca e rejuvenescê-la.
A rosa presente no símbolo foi atualizada.
A embalagem do produto, de papel Kraft
branco monolúcido impresso em flexografia,
também sofreu leve mudança, em sua barra
ondulada verde.
bebidas
vinhos
Açaí na
caixa 2
S de
Salton
Disponível em embalagens cartonadas
assépticas de 1 litro e
de 250 mililitros, o açaí
cremoso Amazoo é a
novidade da Globalbev.
O produto pode ser
encontrado nas versões
tradicional, batido com
banana e batido com
morango.
Design
3
Gustavo D. Spegiorin
(54) 9951-7789
[email protected]
Impressão
Moschetti Embalagens
(51) 3477-4299
www.moschetti.com.br
. . . e depois
Rótulos
Gráfica Gesa
(54) 3332-1301
www.graficagesa.com.br
Tampas
Royo Cápsulas
(54) 3226-2022
Design
YG Design
Yañez Gioia Design
+54 (261) 425-7037
www.yg-d.com
76 | Agosto 2011
3
A Vinícola Salton renovou o design da Linha
Salton Classic. A letra
“S”, de Salton, foi
estilizada para compor
um desenho que dá
movimento ao rótulo,
que ganhou cores com
efeito brilhante.
4
Frascos e tampas
Embale
(47) 3436-5677
www.embalebisnagas.com.br
Rótulos
Maxcor
(31) 3303-6000
www.maxcor.com.br
Higiene pessoal
Frascos
atualizados
Antes . . .
Sucos
4
Big Apple
Com design de seu
departamento de
marketing, a Farmax
modernizou as embalagens do sabonete
íntimo Hidraderm. Os
rótulos autoadesivos,
de filme de BOPP, são
aplicados em um novo
modelo de frasco, moldado em polietileno de
alta densidade. As tampas, de polipropileno,
são do tipo flip-top.
A Yakult reformulou o design gráfico da
embalagem cartonada asséptica de 200
mililitros cartonada asséptica de 200 mililitros do seu suco de maçã. Uma grande
fruta toma praticamente todo o espaço
da caixinha, cujo plano de fundo é agora
branco, e não mais amarelo.
Design
100% Design
(11) 3032-5100
www.100porcento.net
Embalagens cartonadas assépticas
Tetra Pak
(11) 5501-3200
www.tetrapak.com.br
. . . e depois
Agosto 2011 |
77
Almanaque
A Peixe sumiu
Fundada em 1898, a Indústrias alimentícias Carlos de Britto, de Pesqueira, no
agreste pernambucano, ficou conhecida
como “Fábrica Peixe”. A Peixe foi a maior
indústria do Norte/Nordeste do Brasil no
início do século 20 e chegou a ter fábricas no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Doces de frutas e produtos à base de
tomates eram os principais produtos da
Peixe. No final da década de 90, depois
de passar por diversas crises, a empresa
foi comprada pela italiana Cirio, que acabou entrando em colapso em seu país de
origem. Junto com a Cirio, a marca Peixe
sumiu do mercado.
“Inspiração”
para a moça
A Sönksen, indústria paulistana de
chocolates, criada em 1888 por Alfredo
Richter e fechada definitivamente
em 1983, ficou famosa também por
suas balas de diversos sabores, como
cevada, tangerina, leite, anis, mel e
abacaxi, conhecidas como “azedinhas”.
Elas eram acondicionadas em latinhas de aço
ovais. O símbolo da Sönksen era uma moça
que carregava uma bandeja com um copo
d’água e uma caneca com chocolate quent
e. A
moça foi inspirada (para não dizer copiada)
no
quadro La Belle Chocolatière, do pintor suíço
Jean Etienne Liotard (1702-1789). A escolh
a
foi feita em 1888, quando a empresa ainda
se
chamava La Bombonière.
PINTURA ORIGINAL DO SUÍÇO LIOTARD
(À ESQUERDA) E CARTAZ COM A MOÇA
DA SÖNKSEN
TRADICIONAL
LATINHA
DAS BALAS
AZEDINHAS
moda que veio
do egito antigo
Dizem que começou no Egito Antigo o costume
de pintar as pestanas – naquela época com o kôhl,
pasta baseada em pó de galena, mel e outros ingredientes. O conceito moderno de máscara para cílios
só se popularizaria em meados do século 19, na
Europa, graças a uma marca que se tornaria sinônimo do produto: a Rimmel, criada pelo perfumista
francês Eugène Rimmel.
Anúncios DA DÉCADA DE 1950 de dois
produtos tradicionais da peixe:
goiabada (Acima) E suco de TOMATE
símbolo da beleza egípica, rainha nefertiti
usava cílios pintados, como retrata seu busto
Origem na tampa
vinho Chapinha
Fabricado desde 1927, o popular
arin, de
Pass
os
Vinh
da
foi o primeiro produto
recebeu
da
bebi
a
que
a
lend
a
Diz
Jundiaí (SP).
eira embalagem,
esse nome por causa da sua prim
rolha metálica
uma garrafa de 600 mililitros com
“chapinha”.
o
com
a
ecid
conh
n),
(crow
a
tipo coro
rOLHA
METÁLICA
TIPO COROA
DEU ORIGEM
AO NOME
DO VINHO
CHAPINHA
QUIZ
Em 1989 foi lançado um
sistema de fechamento de
copos de vidro que marcou
o início de uma nova era.
A novidade estreou no
requeijão em copo Chisi,
da Laticínios Poços de
Caldas, hoje pertencente
à Leitbom.
Veja em o que era em:
emb.bz/144quiz
78 | Agosto 2011
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EmbalagemMarca Nº 144