GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho ANUÁRIO DO TRABALHO DECENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO 2015 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Geraldo Alckmin Governador SECRETARIA DO EMPREGO E RELAÇÕES DO TRABALHO Secretário de Estado José Luiz Ribeiro Secretário Adjunto Eufrozino Pereira Chefe de Gabinete Jefferson Coriteac Coordenador de Políticas de Emprego e Renda Pedro Nepomuceno de Souza Filho Coordenadora do Trabalho Decente Letícia Mourad Lobo Leite Equipe Trabalho Decente Jiane da Penha Caldeira Rita de Cássia Oliveira Leonardo de Souza Morgana Souza de Godoi FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO Presidente do Conselho Superior Angelo Del Vecchio Diretor Geral Waltercio Zanvettor Projeto “Implementação da Agenda Estadual de Emprego e Trabalho Decente” Coordenação Institucional Aluisio Teixeira Junior Coordenação Técnica Carla Regina Mota Alonso Diéguez Cecília de Almeida Gomes Equipe Técnica Andrei Chikhani Massa Camila Rossi Gabriela Cecília Von Ellenrieder Isabela Oliveira Pereira da Silva Luciana Silveira Marta de Aguiar Bergamin Pedro C. Chadarevian Assistentes Ana Maria Rodrigues da Silva Iolanda Sales da Silva Neide da Silva Estagiários Kleber Aparecido da Silva Rafael Diniz Alcaraz ANUÁRIO DO TRABALHO DECENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO 2015 São Paulo. Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho. Anuário do Trabalho Decente do Estado de São Paulo / Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. – São Paulo, 2015. 149 p. : il., gráficos, tabelas. 1. Trabalho decente. 2. Trabalho infantil. 3. Emprego. 4. Renda. 5. Diálogo social. 6. Direitos do trabalho. I. Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. CDD 331.013 Lista de siglas e abreviaturas AEAT - Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho APL - Arranjo Produtivo Local Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados Coetrae - Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos EPI – Equipamento de proteção individual Fespsp - Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPVS – Índice Paulista de Vulnerabilidade Social MDS - Ministério do Desenvolvimento Social MTE – Ministério do Trabalho e Emprego OIT – Organização Internacional do Trabalho OMS – Organização Mundial de Saúde ONU - Organização das Nações Unidas Padef - Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência PEA – População economicamente ativa PEQ - Programa Estadual de Qualificação PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil PIA – População em idade ativa PIB – Produto interno bruto PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Rais – Relação Anual de Informações Sociais MDS – Ministério do Desenvolvimento Social MPAS – Ministério da Previdência Social MTE – Ministério do Trabalho Seade – Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Sedes - Secretaria de Desenvolvimento Social SERT – Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho SITI - Sistema de Informações sobre Focos de Trabalho Infantil no Brasil Lista de tabelas 40 Tabela 1: PIB das regiões administrativas em milhões de reais (2002 e 2012) 47 Tabela 2: Número de trabalhadores formais na PIA – Regiões Administrativas (2000, 2004, 2007 e 2012) 54 Tabela 3: Salário médio nominal – Região Administrativa (2003 e 2013) 60 Tabela 4: Média de horas semanais trabalhadas pelas pessoas ocupadas no emprego formal – Região Administrativa (2003 e 2013) 68 Tabela 5: Proporção de mães economicamente ativas – Região Administrativa (2000 e 2010) 75 Tabela 6: Cidades paulistas com alto índice de trabalho infantil (10 a 13 anos) – 2000 76 Tabela 7: Cidades paulistas com alto índice de trabalho infantil (10 a 13 anos) – 2010 77 Tabela 8: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos – Região Administrativa (2000 e 2010) 78 Tabela 9: Variação anual do percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos Região Administrativa (2000-2010) 79 Tabela 10: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por cor Região Administrativa (2000 e 2010) 85 Tabela 11: Valor da remuneração média nominal pela quantidade de trabalho formal por sexo – Região Administrativa (2003-2013) 86 Tabela 12: Valor da remuneração média nominal pela quantidade de trabalho formal por sexo – Região Metropolitana (2003-2013) 88 Tabela 13: Desigualdade ocupacional por sexo – Região Administrativa (2003, 2007, 2010 e 2013) 94 Tabela 14: Taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores – Região Administrativa (2002 a 2005) 95 Tabela 15: Taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores – Região Administrativa (2006 a 2012) 97 Tabela 16: Destaques negativos – taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores (2008) 103 Tabela 17: Taxa de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família – Região Administrativa (2004, 2006 e 2010) 104 Tabela 18: Cidades paulistas com maior número de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família (2010) 111 Tabela 19: Taxa de Rotatividade - Região Administrativa (2006 e 2013) 112 Tabela 20: Variação anual da taxa de rotatividade – Região Administrativa (2006-2013) 138 Tabela 21: PIB das regiões metropolitanas em milhões de reais de 2012 (2002 e 2012) 138 Tabela 22: Número de trabalhadores formais na PIA – Região Metropolitana (2000, 2004, 2007 e 2012) 139 Tabela 23: Média das horas trabalhadas no emprego formal – Região Metropolitana (2003-2013) 139 Tabela 24: Proporção de jovens “nem-nem” – Regiões Metropolitanas (2000 e 2010) 140 Tabela 25: Variação anual da proporção de jovens nem-nem – Região Administrativa (2000-2010) 140 Tabela 26: Variação anual da proporção de jovens nem-nem – Região Metropolitana (2000-2010) 141 Tabela 27: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos – Região Metropolitana (2000-2010) 141 Tabela 28: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por cor – Região Metropolitana (2000-2010) 142 Tabela 29: Variação anual do percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por cor Região Administrativa (2000-2010) 142 Tabela 30: Variação anual do percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por cor Região Metropolitana (2000-2010) 143 Tabela 31: Variação anual da proporção de mães economicamente ativas – Região Administrativa (2000-2010) 143 Tabela 32: Variação anual da proporção de mães economicamente ativas – Região Metropolitana (2000-2010) 144 Tabela 33: Desigualdade ocupacional por sexo – Região Administrativa (2003, 2007, 2010 e 2013) 144 Tabela 34: Percentual de pessoas com deficiência em empregos formais – Região Administrativa (2007-2013) 145 Tabela 35: Percentual de pessoas com deficiência em empregos formais – Região Metropolitana (2007-2013) 145 Tabela 36: Taxa de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família por – Região Metropolitana (2004, 2006 e 2010) 146 Tabela 37: Variação anual dos beneficiários do Programa Bolsa Família – Região Administrativa (2004-2010) 146 Tabela 38: Variação anual dos beneficiários do Programa Bolsa Família – Região Metropolitana (2004-2010) 147 Tabela 39: Taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores – Região Metropolitana (2002-2012) 147 Tabela 40: Taxa de rotatividade – Região Metropolitana (2006 e 2013) 148 Tabela 41: Taxa de sindicalização por sexo (2003-2013) 149 Tabela 42: Taxa de sindicalização por cor (2003-2013) Lista de gráficos e figuras 41 Gráfico 1: PIB das regiões metropolitanas em milhões de reais (1999-2012) 46 Gráfico 2: Número de trabalhadores formais na PIA – Regiões Metropolitanas (2000-2012) 48 Gráfico 3: Proporção de jovens “nem-nem” – Regiões Metropolitanas (2000 e 2010) 55 Gráfico 4: Salário médio nominal – Região Metropolitana (2001 a 2013) 61 Gráfico 5: Média de horas semanais trabalhadas pelas pessoas ocupadas no emprego formal – Região Metropolitana (2002-2013) 68 Gráfico 6: Proporção de mães economicamente ativas – Região Metropolitana (2000 e 2010) 79 Gráfico 7: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos – Região Metropolitana (2000 e 2010) 88 Gráfico 8: Desigualdade Ocupacional por sexo – Região Metropolitana (2003-2013) 89 Gráfico 9: Percentual de pessoas com deficiência pelo total de ocupados Região Metropolitana (2007-2013) 96 Gráfico 10: Taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores Região Metropolitana (2002-2012) 106 Gráfico 11: Taxa de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família Região Metropolitana (2004, 2006 e 2010) 113 Gráfico 12: Taxa de rotatividade – Região metropolitana (2006-2013) 118 Gráfico 13: Taxa de sindicalização no estado de São Paulo (2001-2013) 119 Gráfico 14: Taxa de sindicalização por sexo no estado de São Paulo (2003-2013) 120 Gráfico 15: Taxa de sindicalização por cor no estado de São Paulo (2003-2013) Sumário Apresentação Institucional 21 Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho Apresentação Técnica 23 Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho O Anuário do Trabalho Decente do Estado de São Paulo 27 O Contexto do Trabalho Decente no Brasil 31 e no Estado de São Paulo Contexto Social e Econômico do Trabalho Decente 37 Indicadores que compõem o tema 39 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 39 Oportunidade de Emprego 43 Indicadores que compõem o tema 45 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 45 Rendimentos adequados 51 Indicadores que compõem o tema 54 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 54 Jornada de Trabalho Decente 57 Indicadores que compõem o tema 60 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 60 Combinação entre trabalho, vida pessoal e vida familiar 63 Indicadores que compõem o tema 65 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 65 Trabalho a ser abolido 71 Indicadores que compõem o tema 74 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 74 Igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego 81 Indicadores que compõem o tema 83 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 84 Ambiente de trabalho seguro 91 Indicadores que compõem o tema 93 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 93 Seguridade social 99 Indicadores que compõem o tema 101 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 102 Estabilidade e Segurança no Trabalho 107 Indicadores que compõem o tema 109 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 110 Diálogo social e representação 115 de trabalhadores e empregadores Indicadores que compõem o tema 117 Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões 118 Encerramento 123 REFERÊNCIAS 129 GLOSSÁRIO 133 ANEXO ESTATÍSTICO 137 Anuário do Trabalho Decente |21 Apresentação Institucional Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho Eufrozino Pereira (Secretário adjunto) Pela efetiva inclusão Durante toda minha vida pública, embora tantos avanços eu tenha testemunhado, reconheço que uma sociedade estruturada com igualdade de direitos e oportunidades ainda se constitui em um cenário desafiador. Uma distribuição de renda justa, o fortalecimento da nossa indústria nacional, crédito barato, projeto voltado para a geração de emprego, ampliação de nossas exportações, incentivar uma política de fomento à economia. Todos esses são assuntos urgentes e que estão na pauta dos movimentos sindicais e dos governos comprometidos com o trabalho, como é este governo do estado de São Paulo. Mas nada disso será suficiente, se o conceito do trabalho decente não for aplicado em toda sua extensão e sua complexidade. Trabalho decente é promover a igualdade de salários, de gênero, de raça, de cor, de nacionalidade. Trabalho decente é sustentabilidade, é distribuir riquezas. É lutar pela superação da pobreza, pelo fim da desigualdade e pela efetiva inclusão. É não paralisar frente ao absurdo de termos um mundo com 1% dos mais ricos da humanidade donos do mesmo que os 57% mais pobres. 22 | Apresentação Institucional É promover oportunidade para que homens e mulheres obtenham um trabalho produtivo e de qualidade, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humana. Cabe a nós, baseados na ética e no compromisso social que assumimos em nossa vida pública ou empresarial, levar o que ainda é conceito para além das barreiras ideológicas. Que o trabalho decente efetivamente ganhe as mentes e as ruas e se transforme em um caminho possível e viável, através de nossos esforços conjuntos. É certo que o trabalho decente virá dessa união, do tripartismo, para que o conceito estabelecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1999, seja consolidado. Que projetos estimulantes das boas práticas, como o desenvolvido pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, sirvam de inspiração e que logo possamos comemorar o Trabalho Decente como a realidade de cada uma das empresas paulistas. Anuário do Trabalho Decente |23 Apresentação Técnica Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho Letícia Mourad Lobo Leite (coordenadora do Trabalho Decente) A Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu a noção de Trabalho Decente, compreendido como “um trabalho adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de garantir uma vida digna”1 , apoiada nos seguintes pilares: i) respeito aos princípios e direitos fundamentais do trabalho; ii) geração de mais e melhores empregos; iii) ampliação da proteção social; e iv) promoção do diálogo social. A Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho do Estado de São Paulo (SERT), nos últimos anos, desenvolveu projetos para tornar a temática do Trabalho Decente constituinte dos objetivos de seus programas e de suas ações e para implantar no território paulista práticas dignas de trabalho. Para isso, durante os anos de 2011 e 2012, realizou pesquisas sobre a história do conceito de Trabalho Decente e sua aplicabilidade para a análise de políticas públicas e constituiu indicadores para avaliação do progresso do Trabalho Decente no estado de São Paulo. Em 2013, foi realizado o projeto Caminhos para uma Agenda Estadual do Emprego e Trabalho Decente, desenvolvendo 16 oficinas nas 14 Regiões Administrativas do Estado de São Paulo e a Região Metropolitana de São Paulo, com o objetivo de MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Agenda Nacional do Trabalho Decente. Brasília: OIT, 2006. p. 5 1 24 | Apresentação Técnica verificar as demandas de cada região e ter a base para a construção daquela Agenda, na ratificação de propostas já deliberadas pela Conferência Estadual. Neste mesmo ano, foi instituída pela SERT a Comissão Estadual de Emprego e Trabalho Decente do Estado de São Paulo, que tem por objetivo construir a Agenda e o Plano Estadual de Trabalho Decente no Estado de São Paulo. Em 2014, a SERT realizou a Caravana do Trabalho Decente, que visitou nove regiões do estado, realizando cinco formações gratuitas de temas relativos ao Trabalho Decente, como inserção dos jovens no mercado de trabalho, discussão do trabalho em sala de aula, saúde e segurança do trabalho, prevenção e erradicação do trabalho escravo e infantil e inclusão dos indicadores de trabalho decente nos planos das Comissões de Emprego. A ação estabeleceu um diálogo entre trabalho, educação e saúde, capacitando um público específico que pode criar ferramentas de integração das políticas regionais de trabalho. Continuando com o seu compromisso de tornar a Agenda Estadual do Emprego e Trabalho Decente uma realidade, o governo estadual de São Paulo, no final de 2013, decretou a institucionalização da Comissão Estadual do Emprego e Trabalho Decente, que, coordenada pela Secretaria do Emprego, tem como uma das principais finalidades monitorar e elaborar a Agenda, bem como planejar a garantia de recursos para ações estaduais de desenvolvimento do Trabalho Decente. Assim, o Anuário de Trabalho Decente visa mostrar as ações que estão sendo desenvolvidas pela SERT na promoção de um trabalho decente no estado de São Paulo, além de divulgar um panorama dos indicadores relativos ao tema, para subsidiar e instrumentalizar os Anuário do Trabalho Decente |25 gestores públicos no desenvolvimento de políticas de emprego e renda. O Anuário é um documento multiplicador, pois subsidia a análise do diagnóstico da realidade e contribui para a construção de políticas de emprego e renda mais assertivas, que conseguem realizar a leitura dos problemas sociais e desenvolver ações que melhorem as condições dos trabalhadores. Desta forma, é de total importância que o governo paulista continue a desenvolver políticas de emprego e trabalho decente, tornando-as objeto central na orientação das políticas públicas de trabalho, emprego e renda do estado. A presente publicação tem como objetivo divulgar as ações e os esforços promovidos pelo governo estadual, por meio da SERT e levar aos gestores públicos um diagnóstico social e econômico que mostre o caminho para a promoção de um trabalho mais digno. O Anuário do Trabalho Decente do Estado de São Paulo Trabalho Decente: “promover oportunidades para que homens e mulheres possam conseguir um trabalho decente e produtivo em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humanas”. Lais Abramo, diretora do Escritório da OIT no Brasil Anuário do Trabalho Decente |29 O Anuário do Trabalho Decente do Estado de São Paulo O Anuário do Trabalho Decente do Estado de São Paulo é uma publicação da SERT cujo objetivo é apresentar dados que permitam construir um quadro sobre a situação do Trabalho Decente no estado de São Paulo. O conceito de Trabalho Decente foi criado pela Organização Internacional do Trabalho em 1999 e consiste em “[...] promover oportunidades para que homens e mulheres possam conseguir um trabalho decente e produtivo em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humanas”2. Sua finalidade é combater os efeitos deletérios da globalização e da nova forma do capitalismo, assentado no sistema financeiro e cuja produção e reprodução excede as fronteiras das nações. A partir da definição do conceito, a OIT organizou a Agenda Global de Trabalho Decente, fundamentada em quatro eixos estratégicos — promoção e respeito quanto às normas internacionais do trabalho, geração de mais e melhores empregos com igualdade de oportunidades, extensão da proteção social e promoção do tripartismo e do diálogo social —, e orientou os países-membros a organizarem suas agendas nacionais e estimularem a formação de agendas subnacionais (regionais, estaduais ou municipais). Com isso, a OIT iniciou os estudos para a elaboração de indicadores de Trabalho Decente, que auxiliem os países-membros na compreensão da situação do mundo do trabalho em seus territórios e na condução de políticas que abordem os problemas encontrados e que dificultam o completo desenvolvimento do Trabalho Decente. Tais estudos resultaram na realização do encontro tripartite de especialistas em avaliação do Trabalho Decente3, em 2008, que estabeleceu onze áreas temáticas como parâmetros para mensuração do Trabalho Decente, adotadas no Anuário, a saber: i) oportunidades de emprego; ii) rendimentos adequados e trabalho produtivo; iii) jornada de trabalho decente; iv) combinação entre vida pessoal, trabalho e vida familiar; v) trabalho a ser abolido; vi) estabilidade e segurança no trabalho; vii) igualdade de oportunidades e tratamento no emprego; viii) ambiente de trabalho seguro; ix) seguridade social; x) diálogo social e representação de trabalhadores e empregadores; e xi) contexto social e econômico do trabalho decente. A proposta dos especialistas da OIT inclui indicadores quantitativos básicos (que devem ser ABRAMO, Lais. Trabalho Decente: o itinerário de uma proposta. Bahia Análise & Dados. Salvador, v. 20, n. 2/3, p.151-171, jul./set. 2010. p. 152 2 Cf. INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION. Measurement of decent work - Discussion paper for the Tripartite Meeting of Experts on the Measurement of Decent Work. Geneva: ILO, 2008. Disponível em >http://www.ilo.org/wcmsp5/ groups/public/---dgreports/---stat/documents/meetingdocument/wcms_100335.pdf>; acesso em 16 jan. 2012. 3 30 | O Anuário do Trabalho Decente do Estado de São Paulo utilizados pelos países-membros), adicionais (que podem ser utilizados, caso o país-membro ache necessário) e futuros (que serão adotados conforme houver estatísticas nacionais que comportem seu cálculo), que tenham como fonte o Sistema Nacional de Estatísticas Públicas. Aos indicadores quantitativos são acrescidos os indicadores normativos, que procuram verificar o cumprimento pelos países-membros das normas internacionais do trabalho e a formulação de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento do Trabalho Decente. A finalidade da proposição destes indicadores é proporcionar parâmetros de avaliação que sirvam para comparações internacionais entre os países-membros, mas que permitam aproximações internas, com análises regionais. Por ter um bom Sistema Nacional de Estatísticas Públicas, o Brasil foi escolhido pela OIT para o Projeto OIT/Comunidade Europeia “Monitorando e Avaliando o Progresso no Trabalho Decente” (MAP), o qual, utilizando como fonte as estatísticas públicas, produziu os indicadores de Trabalho Decente para a realidade brasileira em três momentos: em 20094, em 20125 e 20146. Assim, o estado de São Paulo, ao elaborar o Anuário do Trabalho Decente, adota as áreas temáticas e os indicadores sugeridos pela OIT. As áreas temáticas constituem os capítulos deste Anuário. Em cada capítulo, é apresentado o conteúdo do tema, quais indicadores o compõem — com suas definições — e a análise dos indicadores para o estado e suas regiões administrativas, considerando as especificidades de cada região. Espera-se ao final oferecer ao leitor um quadro sobre a situação do Trabalho Decente no âmbito paulista, contribuindo para uma reflexão em torno do que ainda é preciso e do que é possível ser feito para que o estado de São Paulo torne-se, em sua totalidade, território do Trabalho Decente. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Perfil do Trabalho Decente no Brasil. Brasília, DF: OIT, 2009. Disponível em <http://www.oit.org.br/sites/default/files/topic/decent_work/pub/perfil_do_trabalho_decente_301.pdf> 4 GUIMARÃES, José Ribeiro Soares. Perfil do Trabalho Decente no Brasil: um olhar sobre as unidades da federação. Brasília, DF: OIT, 2012. Disponível em: <http://www.oit.org.br/sites/default/files/topic/gender/pub/indicadorestdnovo_880. pdf> 5 6 Cf. Sistema de Indicadores Municipais de Trabalho Decente. <http://simtd.oit.org.br/> O contexto do Trabalho Decente no Brasil e no estado de São Paulo 2003: o Brasil comprometeu-se com a OIT a elaborar sua Agenda Nacional de Trabalho Decente, assinando o Memorando de Entendimento para Estabelecimento de um Programa de Cooperação Técnica para a Promoção de uma Agenda do Trabalho Decente. 2011: o governo do estado de São Paulo, através da SERT, iniciou um conjunto de estudos, envolvendo a história e a elaboração de indicadores de Trabalho Decente. Anuário do Trabalho Decente |33 O contexto do Trabalho Decente no Brasil e no estado de São Paulo O conceito de Trabalho Decente foi apresentado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em junho de 1999, durante a 87ª Reunião da Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, na Suíça. O objetivo foi a “formulação de uma nova abordagem para se pensar as relações do mundo do trabalho e outras questões mais amplas que se relacionam com o fazer laboral”7. A aplicação do conceito de Trabalho Decente pode sofrer variações de acordo com as culturas dos países-membros da OIT, o que não impede a busca de um pacto de padrões mínimos para o mundo do trabalho. Assim, a despeito das diferenças entre os países, o conceito de Trabalho Decente está baseado em quatro eixos estratégicos, desenvolvidos a partir da Declaração da OIT sobre os princípios e direitos fundamentais no trabalho8 , adotada na 86ª Reunião da Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra no dia 18 de junho de 1998: i. respeito às normas internacionais do trabalho e aos princípios e direitos fundamentais do trabalho; ii. geração de mais e melhores empregos, com igualdade de oportunidades; iii. extensão da proteção social; iv. promoção do diálogo social. O conceito de Trabalho Decente é amplo e, segundo a OIT, apenas pode ser assim considerado aquela atividade que englobe os quatro eixos estratégicos, o que inclui a existência de oportunidade de trabalho produtivo, com remuneração adequada e com respeito à igualdade de oportunidades e tratamento entre homens e mulheres, brancos e não brancos, pessoas com deficiência, jovens, idosos e outros grupos vulneráveis; o cumprimento das normas de saúde e segurança no trabalho; a abolição de todas as piores formas de trabalho; o estabelecimento de padrões mínimos de proteção social ao trabalhador e sua família; o atendimento à jornada de trabalho estabelecida por lei; e o respeito a liberdade de organização, reunião e participação. Sucintamente, o conceito de Trabalho Decente adotado pela OIT pode ser entendido como a promoção de “oportunidades para mulheres e homens para que obtenham trabalho decente e SILVEIRA, Luciana, SILVA, Isabela Oliveira Pereira da. O Trabalho Decente como conceito e política. In: DIÉGUEZ, Carla Regina Mota Alonso; LEITE, Letícia Mourad Lobo (org.). Realidade e Perspectivas do Trabalho Decente no Estado de São Paulo. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, 2014. p. 19 7 Cf. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Declaração da OIT sobre os princípios e direitos fundamentais no trabalho. Disponível em <http://www.oitbrasil.org.br/sites/default/files/topic/oit/doc/declaracao_ oit_547.pdf> 8 34 | O contexto do Trabalho Decente no Brasil e no estado de São Paulo produtivo, em condições de liberdade, igualdade, segurança e dignidade humana”9. Desta forma, o Trabalho Decente pode ser entendido como um trabalho digno, que considera, antes de tudo, o trabalhador como portador de dignidade humana10 , com respeito aos direitos fundamentais do trabalho, que permitam ao trabalhador o exercício de uma vida digna. A proposição do conceito de Trabalho Decente foi feita entre mudanças contundentes na economia mundial e no mundo do trabalho, resultado da crise de acumulação dos anos 1970 e 1980, e que “[...] foram impulsionadas pela crescente implantação da tecnologia, a expansão do processo de mundialização do capital e a adoção do ideário de redução de gastos sociais e enxugamento da máquina pública por grande parte dos Estados nacionais”11. Junto com o conceito de Trabalho Decente, a OIT apresentou a Agenda Global de Trabalho Decente. Apoiada nos quatro eixos estratégicos, esta Agenda tem por objetivo incentivar os países-membros a elaborarem suas agendas de Trabalho Decente. A Agenda de Trabalho Decente é considerada um compromisso político de governos, empregadores e trabalhadores para o estabelecimento de boas práticas que contribuam para o desenvolvimento da dignidade do trabalho. Esse compromisso é colocado em ação por meio do plano de Trabalho Decente. Em 2003, o Brasil comprometeu-se com a OIT a elaborar sua Agenda Nacional de Trabalho Decente, assinando o Memorando de Entendimento para Estabelecimento de um Programa de Cooperação Técnica para a Promoção de uma Agenda do Trabalho Decente12. A partir desse compromisso, foram desenvolvidos a Agenda Nacional de Trabalho Decente13, divulgada em 2009, e o Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente14, publicado em 2010, com metas a serem cumpridas até 2011 e 2015. A partir do estabelecimento do compromisso do Brasil com a OIT, incentivou-se a formulação de agendas subnacionais, nomenclatura dada pelo organismo para definir agendas estaduais, regionais e municipais. Nesse impulso, o governo paulista imprimiu esforços para elaborar a agenda estadual. Em 2011, o governo do estado de São Paulo, através da SERT, iniciou um conjunto de estudos, envolvendo a história e a elaboração de indicadores de Trabalho Decente. Nesse mesmo ano, realizou-se a I Conferência Estadual de Emprego e Trabalho Decente, na qual foram deliberadas propostas a serem encaminhadas à I Conferência Nacional de Emprego e Trabalho OIT, s.d, apud HEPPLE, Bob. Rights at work. In: Decent Work – Objectives and Strategies p.32-72. ILO, 2006, Genève. p. 38. 9 10 SIMBALISTA, Silmara. Trabalho decente: uma agenda brasileira. Análise Conjuntural, v. 29. n. 11-12, p. 15, nov./dez. 2007. 11 SILVEIRA; SILVA, idem, 2014. p. 21 Disponível em <http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C816A419E9E34014276115556723A/Memorando%20de%20 Entendimento%20Brasil%20-%20OIT.pdf> 12 13 MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Idem. 2006. BRASIL. Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente. Brasília, DF: MTE, 2010. Disponível em <http://portal.mte. gov.br/data/files/8A7C82C62F308465012F8DC9A719356C/PORTUGUES-%20PNETD.pdf> 14 Anuário do Trabalho Decente |35 Decente, que aconteceu em agosto de 2012, e na qual a delegação paulista contou com mais de 70 representantes de trabalhadores, de empregadores, do governo e de organizações da sociedade civil. Em 2013, a SERT realizou o projeto “Caminhos para a Agenda de Emprego e Trabalho Decente do Estado de São Paulo”, que consistiu em oficinas realizadas nas cidades-sede das regiões administrativas paulistas e na Região Metropolitana de São Paulo, com o objetivo de disseminar o conceito de Trabalho Decente. Ao mesmo tempo, aferiu demandas das regiões em torno das políticas de trabalho, emprego e renda, como contribuição para a efetivação do Trabalho Decente. Houve 16 oficinas, nas quais foram obtidas impressões, propostas, indicações e sugestões sobre os caminhos que o estado de São Paulo pode traçar em relação à construção de um programa estadual de Trabalho Decente. O material obtido nessas oficinas foi utilizado pela SERT e pela Comissão Estadual de Emprego e Trabalho Decente na elaboração da Agenda de Emprego e Trabalho Decente paulista. A Comissão foi instituída em 2013, pelo Decreto nº 59.52615, e é responsável pela elaboração da Agenda e do Plano de Emprego e Trabalho Decente do estado de São Paulo, por seu desenvolvimento e pelo fomento das atividades que auxiliem na efetiva consecução das políticas de Trabalho Decente. É importante ressaltar que, em suas diversas secretarias, o governo paulista mantém programas, projetos e comissões que contribuem para o progresso do Trabalho Decente. Entre esses programas, cabe destacar aqueles mantidos pela própria SERT — Time do Emprego, Programa Estadual de Qualificação (PEQ), Pró-Egresso e Banco do Povo Paulista, entre outros — a Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, sediada e organizada pela Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania, além do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), programa do governo federal, gerido no estado de São Paulo pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), e o Programa São Paulo Solidário, também gerido pela Sedes, que une o Programa Renda Cidadã do governo estadual e o Programa Bolsa Família do governo federal. Assim, cabe à Comissão Estadual de Emprego e Trabalho Decente avaliar o alcance desses programas para os temas correlatos e propor mudanças, ampliações e mesmo a criação de novos programas que incentivem o Trabalho Decente. É importante lembrar também que a efetivação do Trabalho Decente só acontecerá em parceria com os demais setores — empregadores, trabalhadores e organizações da sociedade civil — em franca atuação do tripartismo. Desta forma, esses setores podem também elaborar projetos e ações que contribuam com o progresso do Trabalho Decente, tal como apoiar todas as ações governamentais que tenham o mesmo objetivo. Em 2014, a SERT realizou um conjunto de ações para disseminar o conceito de Trabalho Decente no estado de São Paulo e torná-lo parte da realidade da população paulista. Entre essas 15 Disponível em <http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/2013/decreto-59526-12.09.2013.html> 36 | O contexto do Trabalho Decente no Brasil e no estado de São Paulo ações está a Caravana do Trabalho Decente, que levou para o Interior paulista formações voltadas para temas caros ao Trabalho Decente, como erradicação do trabalho escravo e do trabalho infantil, saúde e segurança do trabalho, emprego juvenil, elaboração de políticas de trabalho, emprego e renda, entre outros. A Caravana visitou nove cidades do estado entre os meses de agosto e novembro, formando jovens estudantes, professores, trabalhadores dos setores público e privado e membros das comissões municipais de emprego, com o objetivo de proporcionar aos integrantes desse público mais conhecimento sobre o tema e torná-los multiplicadores do conceito e das ações de Trabalho Decente. Ainda em 2014, foi iniciado o processo de Diplomação de Boas Práticas de Trabalho Decente, que visa reconhecer empresas que apresentem critérios condizentes com o conceito. As empresas diplomadas poderão ostentar em suas marcas o certificado “Boas Práticas de Trabalho Decente”, contribuindo, assim, com o efetivo desenvolvimento do tema no estado de São Paulo. Por fim, foi elaborada uma base de dados com 14 indicadores que permitem avaliar o progresso do Trabalho Decente. Essa base de dados — disponível para consulta na internet16 foi realizada tendo por recorte o estado de São Paulo, suas 15 regiões administrativas, suas cinco regiões metropolitanas e seus 645 municípios. Os indicadores produzidos para essa base de dados são a fonte deste Anuário. Assim, é possível dizer que o estado de São Paulo tem realizado um número crescente de ações para a efetiva disseminação e progresso do Trabalho Decente em seu território. Este Anuário consolida esse processo e objetiva contribuir para a identificação de problemas e demandas para novas ações que possam tornar o Trabalho Decente parte das práticas sociais, políticas e econômicas da população paulista. 16 Cf <www.trabalhodecentesp.com.br> Contexto Social e Econômico do Trabalho Decente Contextualizar social e economicamente uma região é fundamental para iniciar a primeira aproximação em direção ao Trabalho Decente, tendo em vista identificar os atores sociais que fazem parte do que deve ser um diálogo tripartite. Anuário do Trabalho Decente |39 Contexto social e econômico do Trabalho Decente Contextualizar social e economicamente uma região é fundamental para iniciar a primeira aproximação em direção ao Trabalho Decente, tendo em vista identificar os atores sociais que fazem parte do que deve ser um diálogo tripartite. Com uma realidade distinta e complexa, o estado de São Paulo apresenta diferentes contextos sociais, políticos e econômicos, o que traz diferentes consequências para o bom desenvolvimento do Trabalho Decente. O produto interno bruto (PIB), ou seja, a soma de toda a riqueza produzida em determinada região, é um bom índice para se averiguar as condições sociais e econômicas do estado e suas regiões. O crescimento do PIB pode ser convertido na geração de novos postos de trabalho ou, ainda, na ampliação da proteção social dos trabalhadores, temas caros ao Trabalho Decente. Indicadores que compõem o tema O indicador ora apresentado visa exatamente apresentar um retrato do contexto econômico e social do estado de São Paulo, com dados sobre o PIB de todas as regiões paulistas entre 2002 e 2012. Estes números possibilitam identificar as regiões que apresentam economias menos dinâmicas, com baixo PIB, o que restringe a capacidade de atuação da administração local e traz consequências negativas para os trabalhadores. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões O estado de São Paulo conta com pouco mais de 44 milhões de habitantes distribuídos ao longo de suas 15 regiões administrativas e das cinco regiões metropolitanas, o que, segundo o IBGE, representa quase 22% da população nacional. Somando-se os dados das regiões administrativas de Campinas, São José dos Campos, Santos e Sorocaba e da Região Metropolitana de São Paulo, conclui-se que aproximadamente 75% da população, ou pouco mais de 29 milhões de habitantes, vivem em um raio de 100 quilômetros da capital paulista. O estado de São Paulo apresentava, em 2010, um grau de urbanização de 95,94%, com destaque para a Região Administrativa de Santos (99,79%), com a maior urbanização, e a Região Administrativa de Registro (71,4%), com a menor. Ao levar em conta a questão de gênero, as mulheres representam maioria na população do estado, perfazendo 51% dos habitantes. 40 | Contexto social e econômico do Trabalho Decente Tabela 1: PIB das regiões administrativas em milhões de reais (2002 e 2012) PIB (em R$ milhões de 2012*) — Região Administrativa Região Administrativa 2002 2012 Central 76,05 89,06 Araçatuba 46,69 60,26 Barretos 44,41 37,09 Bauru 62,57 83,67 Campinas 542,04 775,58 Franca 42,83 52,03 Itapeva 22,31 28,51 Marília 56,17 72,01 Presidente Prudente 46,10 57,18 Registro 10,13 13,67 Ribeirão Preto 92,07 122,29 136,01 207,32 São José do Rio Preto 89,59 115,16 São José dos Campos 226,12 226,54 Sorocaba 141,65 207,54 3.687,97 4.862,09 Santos Total do estado Fonte: IBGE. Elaboração: Fespsp. * Deflacionado pelo Def. Implícito do PIB. O estado de São Paulo destaca-se também, entre os outros estados da Federação, por apresentar um PIB de R$ 1,5 trilhão, que alcançou cerca de 32% do PIB nacional em 2012. Em relação ao PIB, novamente destacam-se a Região Metropolitana de São Paulo e as regiões administrativas de Campinas, São José dos Campos e Sorocaba, que, juntas, respondem por 82% do PIB estadual. Cabe destacar que a indústria é o segundo setor que mais gera empregos nessas economias, ficando atrás somente do setor de serviços. Além disso, a indústria não só representa o desenvolvimento tecnológico e gera empregos, como também exibe os maiores salários do mercado de trabalho, o que possibilita melhores condições de vida para os trabalhadores e contribui para o desenvolvimento econômico das cidades. Para ter uma ideia do quanto representa o salário na indústria, tome-se o exemplo da Região Administrativa de São José dos Campos, onde, segundo dados da Fundação Seade, um trabalhador formal recebe em média R$ 2.109,87, mas, na indústria, o salário médio alcança R$ 3.677,77. Na Região Administrativa de Sorocaba, destacava-se, em 2012, o próprio município de Sorocaba, com um PIB de pouco mais de R$ 65 milhões, seguido pelos municípios de Itu e Botucatu. A atividade industrial empregava quase um terço da força de trabalho na região, ficando atrás somente do setor de serviços. A Região Administrativa de Campinas apresenta números próximos aos da Região Administrativa de Sorocaba no que tange a distribuições dos trabalhadores nos setores da economia, com importante participação das indústrias em sua economia. Em nenhuma região administrativa paulista outro setor da economia ultrapassa o setor de Anuário do Trabalho Decente |41 serviços na geração de empregos formais. Na Região Metropolitana de São Paulo e na Região Administrativa de Santos, este setor gera mais empregos que a média estadual: 59,6% e 63,5%, respectivamente. Nas regiões administrativas de Bauru, São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente, Central e Franca, o setor oferece em média remuneração acima da ofertada pela indústria, que é, também em média, o setor com a melhor remuneração do estado (R$ 2.336,04). Por outro lado, vale apontar as regiões administrativas de Marília, Franca, Presidente Prudente e Registro como as regiões com as menores rendas per capita do estado, pois em nenhuma se atingia, em 2010, mais de R$ 16 mil. Segundo dados da Fundação Seade, a média estadual girava em torno de R$ 27 mil. Destaca-se negativamente a Região Administrativa de Registro, que apresenta a menor média de renda per capita (R$ 9.446,00) e é a única região com números abaixo de R$ 4 mil (per capita) em todo o estado. Esta região é também a que apresenta maior dependência das atividades econômicas ligadas diretamente à agricultura. Esse setor é responsável pelos salários mais baixos, se comparado com os outros setores da economia. A Região Metropolitana de São Paulo responde por mais de 55% do PIB estadual. Notabilizase por ser uma economia de serviços, posto que o setor proporcionava mais da metade (51,5%) dos empregos formais do estado em 2012. Conta ainda com importante participação das indústrias na geração de emprego e renda. Entre seus municípios, destaca-se o município de São Paulo com o maior PIB estadual, R$ 1.723,33 milhões. Em seguida, São Bernardo do Campo, Osasco, Guarulhos e Barueri complementam a lista dos principais municípios com maior PIB da Região Metropolitana de São Paulo. Gráfico 1: PIB das regiões metropolitanas em milhões de reais (1999-2012) PIB Regional (em R$ milhões de 2012) 2.800 400 350 300 2.700 Região Metropolitana de São Paulo (escala da direita) 2.600 Região Metropolitana de Campinas 2.500 2.400 250 2.300 200 2.200 150 2.100 2.000 100 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Região Metropolitana da Baixada Santista Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte Região Metropolitana de Sorocaba Fonte: IBGE. Elaboração FESPSP. Em 2012, a Região Metropolitana de Sorocaba apresentava o menor PIB entre as regiões metropolitanas paulistas. Com exceção dos municípios de Sorocaba e Itu, os outros 24 municípios que compõem essa região metropolitana tinham PIB inferior a R$ 10 milhões. Já os PIB dos 42 | Contexto social e econômico do Trabalho Decente municípios de Jumirim, Alambari, Capela do Alto, Tapiraí, Sarapuí e Cesário Lange ficaram abaixo de R$ 1 milhão, em 2012. Por outro lado, a Região Metropolitana de Campinas, com uma economia diversificada, detinha o segundo maior PIB do estado. Entre os vinte municípios que a compõem, seis detinham PIB acima dos R$ 10 milhões, com destaque para o município de Campinas, com um PIB de R$ 107,39 milhões. Nenhum de seus municípios possuía, também em 2012, PIB inferior a R$ 1 milhão. Com isso, pode-se inferir a necessidade de incentivar a diversificação da economia das regiões com baixo PIB, para que aumente o número de postos de trabalho nos setores, como a indústria e os serviços, responsáveis por dinamizar a economia. Para além disso, o crescimento do PIB pode se transformar em benefícios para a população, pois traria maior arrecadação para ser investida nas áreas de saúde, educação e moradia, entre outras. Oportunidade de emprego A oportunidade de emprego é um dos eixos escolhidos pela OIT para se lutar pela conquista da dignidade do trabalho no mercado formal. Umas das principais características desse eixo é a formalização do trabalho, para que os trabalhadores consigam garantir direitos sociais relacionados ao trabalho formal. Anuário do Trabalho Decente |45 Oportunidade de emprego A oportunidade de emprego é um dos eixos escolhidos pela OIT para se lutar pela conquista da dignidade do trabalho no mercado formal. Umas das principais características desse eixo é a formalização do trabalho, para que os trabalhadores consigam garantir direitos sociais relacionados ao trabalho formal. A oportunidade de empregos, em grande medida, depende da situação macroeconômica externa e das políticas econômicas internas do país. Em momentos de maior oferta de emprego, pode haver, como consequência, maior formalização do trabalho e melhores ganhos salariais, como aconteceu no Brasil na primeira década dos anos 2000. Ainda assim, as medidas relacionadas a incentivos ao mercado de trabalho e a formalização do emprego estimulam a constante melhora desse mercado e da oferta de empregos, tanto no setor privado como no público. Indicadores que compõem o tema Um dos indicadores analisados para esse eixo é a taxa de formalização da população em idade ativa (PIA) no estado de São Paulo, resultado da razão entre o número de trabalhadores formais e a população economicamente ativa (acima de 14 anos). O indicador é medido com base nos trabalhadores formais cadastrados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e em uma estimativa da PIA (a partir do Censo). Esse indicador permite acompanhar os indivíduos que compõem a PIA, com idade laboral ativa, na aquisição de renda através do trabalho formal. O segundo indicador utilizado para ampliar a discussão sobre o tema é a proporção de jovens de 15 a 24 anos que não estão trabalhando nem estudando, e também não estão procurando emprego, os chamados “nem-nem”. O indicador é formado pela razão entre o número de jovens de 15 a 24 anos sem nenhuma ocupação e fora da escola/universidade sobre o total de jovens nesta faixa etária. Ou seja, é o número de jovens que não trabalham, não estudam e não estão procurando emprego sobre o total de jovens na faixa etária de 15 a 24 anos. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões Muitos fatores contribuem para uma entrada no mercado de trabalho que possa render uma trajetória profissional satisfatória e que tenha como princípio a dignidade do trabalho. Quando a economia do país está melhor, as oportunidades de trabalho são maiores e melhores e, de forma geral, o acesso a trabalhos de melhor qualidade é facilitado. Há melhora substancial para todos, mesmo para aqueles que estão nas pontas mais precárias do mercado de trabalho. Com conjunturas mais favoráveis, os trabalhadores podem buscar situações laborais melhores, tanto no que se 46 | Oportunidade de emprego refere a condições de trabalho, como a remunerações mais elevadas e possibilidade de crescimento profissional. O gráfico 2 e a tabela 2, através de uma série de anos, mostram que a formalização do trabalho na PIA no estado de São Paulo tem crescimento gradual e Formalização do trabalho importante do início dos anos 2000 até 2013. da População em Observa-se um crescimento consistente da Idade Ativa (PIA) formalização do trabalho da PIA, que vai no estado de São Paulo: se tornando, na última década, a população Crescimento Gradual e Consistente de forma geral mais formalizada. Há um crescimento médio de 11,8% da formalização Há crescimento médio de 11,8% do trabalho da PIA nessa série de anos da formalização do trabalho da PIA analisados (dados de 2000 a 2013). Em algumas nessa série de anos analisados, regiões administrativas — algumas coincidentes de 2000 a 2013. com regiões de maior rotatividade do trabalho, como a Região Administrativa de Araçatuba —, há ainda grande margem para maior formalização dos trabalhadores. Gráfico 2: Número de trabalhadores formais na PIA — Regiões Metropolitanas (2000-2012) Taxa de Formalização (% da PIA) 0,5 Região Metropolitana de São Paulo 0,45 0,4 Região Metropolitana de Campinas 0,35 Região Metropolitana de Sorocaba Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 0,3 Região Metropolitana da Baixada Santista 0,25 0,2 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Fonte: IBGE, RAIS. Elaboração FESPSP. Anuário do Trabalho Decente |47 Tabela 2: Número de trabalhadores formais na PIA — Regiões Administrativas (2000, 2004, 2007 e 2012) Região Administrativa 2000 2004 2007 2012 Formais/ PIA Formais/ PIA Formais/ PIA Formais/ PIA Central 35,20% 36,90% 42,00% 48,00% Araçatuba 27,00% 31,60% 33,90% 37,60% Barretos 21,70% 24,70% 27,20% 31,00% Bauru 22,80% 29,80% 30,80% 35,90% Campinas 25,20% 28,10% 32,50% 37,30% Franca 27,80% 30,90% 35,70% 40,10% Itapeva 22,30% 26,70% 28,70% 32,20% Marília 15,70% 19,70% 21,10% 24,80% Presidente Prudente 22,30% 24,40% 27,30% 31,70% Registro 17,60% 21,00% 24,10% 27,50% Ribeirão Preto 13,70% 15,50% 17,40% 21,40% Santos 27,00% 29,50% 33,80% 38,40% São José do Rio Preto 21,70% 22,80% 26,30% 29,80% São José dos Campos 19,50% 23,20% 26,30% 32,80% Sorocaba 22,80% 24,80% 28,10% 31,90% Total do estado 26,10% 26,90% 29,90% 33,80% Fonte: Rais-MTE e Censo Demográfico - IBGE. Elaboração: Fespsp Note-se que, historicamente, regiões administrativas como Itapeva, Presidente Prudente, Registro e Santos exibem menores índices de formalização do trabalho. A Região Administrativa de Registro também tem situação historicamente mais precária economicamente, com baixa formalização do trabalho. A Região Administrativa de Presidente Prudente, com atividade econômica calcada fortemente nos serviços, mantém alta rotatividade em trabalhos que exigem pouca qualificação. Esse quadro de maior formalização modifica substancialmente, de forma geral, o mercado de trabalho. Uma população que não tinha acesso a direitos sociais ligados ao trabalho começa a ter garantias sociais que a formalização do trabalho Maior formalização: modificações e garantias no mercado de trabalho possibilita: acesso a pelo menos um salário A população começa a ter garantias mínimo de remuneração, direito a licença sociais como o acesso a pelo menos médica e maternidade, férias, décimo terceiro salário mínimo de remuneração, direito a salário, etc. Também é importante ressaltar que, quando o desemprego é menor, os trabalhadores podem escolher trabalhos com mais direitos e melhor remuneração. licença médica e maternidade, férias, décimo terceiro salário, etc. 48 | Oportunidade de emprego Mas, da mesma maneira que em momentos de boa conjuntura econômica e social há uma melhora para todos, de forma geral, também em momentos de ciclos negativos da economia há uma piora acentuada para quem está nas pontas do mercado de trabalho. Os negros, as mulheres, as pessoas com deficiência, os jovens, os trabalhadores desqualificados, os trabalhadores dos setores mais precários são mais afetados em qualquer crise que se estenda para o mercado de trabalho. Para que as melhorias permaneçam para esses grupos mais vulneráveis, mesmo em momentos de maior instabilidade na economia, é preciso que as conquistas sejam efetivadas para se propiciar trabalho decente para todos nas suas oportunidades de emprego. Para os jovens, a oportunidade de empregos tem início na entrada no mercado de trabalho como um momento crucial para o bom desempenho futuro na vida laboral. O primeiro emprego determina, de alguma maneira, a trajetória profissional de muitos ingressantes no mundo do trabalho. Um primeiro emprego com baixos salários ou baixa remuneração, com poucas possibilidades de promoção ou mesmo crescimento profissional, pode determinar uma trajetória de pouco crescimento profissional, como é o caso dos empregos domésticos, ocupados em grande medida por mulheres, com forte presença de negras e de jovens. Um trabalho que não exige qualificação e escolaridade e com poucas possibilidades de se vislumbrar crescimento profissional pode levar a uma estagnação das próprias pretensões ligadas ao desenvolvimento no mundo do trabalho. No Gráfico 3, vê-se a proporção de jovens “nem-nem” (que não estão nem trabalhando nem estudando) nas regiões metropolitanas paulistas. Gráfico 3: Proporção de jovens “nem-nem” — Regiões Metropolitanas (2000 e 2010) Nem-Nem 16% (% Jovens 15-24 anos que não estudam ou trabalham) 15% Região Metropolitana de Campinas 14% Região Metropolitana de Sorocaba Região Metropolitana de São Paulo 13% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte Região Metropolitana da Baixada Santista 12% 11% 10% 2000 2010 Fonte: IBGE. Elaboração FESPSP. Na primeira década de 2000, houve aumento na proporção dos jovens nem-nem na média do estado de São Paulo: em 2000, eram 12,7%; em 2010, 14,1% — fenômeno digno de observação, porque a taxa de desocupação caiu, mas uma faixa de jovens não acompanhou o crescimento da economia. Em algumas regiões administrativas, pode-se perceber leve queda na proporção de jovens que nem trabalham nem estudam, mas, na média, há elevação de 1,4% nesse indicador, no Anuário do Trabalho Decente |49 estado de São Paulo. Podem ser relacionadas algumas possibilidades de explicação para o fenômeno, dentre as quais a maior incidência, nesse grupo de jovens, de mulheres, muitas delas mães que estão nas camadas de mais baixa renda. Em um contexto de pleno emprego na economia e de aumento da cobertura dos programas sociais, é compreensível que alguns jovens aguardem o momento mais oportuno para estudar e trabalhar. Rendimentos adequados Rendimentos adequados e trabalho produtivo, como dita a OIT em seus estudos sobre o Trabalho Decente, é um quesito dos mais controversos no debate tripartite, pois toca em uma dimensão fundamental da relação trabalhista: que seria uma remuneração justa e decente? Anuário do Trabalho Decente |53 Rendimentos adequados Rendimentos adequados e trabalho produtivo, como dita a OIT em seus estudos sobre o Trabalho Decente, é um quesito dos mais controversos no debate tripartite, pois toca em uma dimensão fundamental da relação trabalhista: que seria uma remuneração justa e decente? Em uma economia capitalista, por definição, o capital apropria-se de parte do excedente produzido pelo trabalho humano; a proporção em que se dá esta apropriação depende do processo de barganha em curso entre capital e trabalho e do nível tecnológico do setor econômico. O restante é definido pela dinâmica do mercado de trabalho, ou seja, pela oferta e procura de trabalho. E o mercado remunera mais em função, fundamentalmente, da qualificação do trabalhador. No Brasil, portanto, estamos novamente diante de uma dimensão cuja determinação devese a fatores em geral externos à capacidade de atuação dos governos regionais, tendo em conta que a regulação da relação entre capital e trabalho ocorre no âmbito da justiça federal e é fruto de legislação federal, que define o salário mínimo e os benefícios constitucionais (férias, décimo terceiro salário, etc.). No estado de São Paulo, o governo tem atuado para fixar o salário mínimo estadual acima do valor estipulado pelo Congresso Nacional, de acordo com diretrizes do Ministério do Trabalho. Outros aspectos ligados ao Trabalho Decente podem ser lembrados: a ampliação de benefícios, a ampliação do tempo de férias, aumentos reais nos salários e nos tetos das carreiras do funcionalismo público estadual e municipal. A importância do salário na composição da renda familiar é reforçada por dados do IBGE: em 2008-2009, o rendimento oriundo do trabalho representava 61,1% do total da renda dos brasileiros17. Com isso, podemos sublinhar a necessidade de remuneração adequada aos trabalhadores, tendo em vista que, em grande parte, eles dependem da remuneração proveniente do trabalho. Alavancado principalmente pela política de valorização do salário mínimo, o rendimento dos trabalhadores no Brasil apresentou crescimento considerável na última década. Dados da OITBrasil18, contudo, mostram o estado de São Paulo, entre 2004 e 2009, com o menor crescimento da renda dos trabalhadores (12,4%) entre os estados da Federação. Ainda assim, é importante ressaltar que é neste estado que se encontra uma das maiores rendas médias do País. Cf Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/ pof/2008_2009/default.shtm> 17 18 GUIMARÃES, idem, 2012. 54 | Rendimentos adequados Indicadores que compõem o tema A seguir, apresenta-se o rendimento médio dos trabalhadores formais do estado de São Paulo — ou seja, a relação entre o total de salários pagos aos trabalhadores formais e a quantidade de trabalhadores formais. Este indicador é importante para averiguar, dentro do estado, discrepâncias que impõem desafios para o avanço do Trabalho Decente. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões Tabela 3: Salário médio nominal* — Região Administrativa (2003 e 2013) Região Administrativa 2003 2013 Central 799 1.826 Araçatuba 684 1.619 Barretos 669 1.649 Bauru 779 1.738 1.016 2.170 Franca 700 1.587 Itapeva 608 1.330 Marília 712 1.652 Presidente Prudente 687 1.560 Registro 653 1.516 Ribeirão Preto 891 1.994 1.039 2.133 São José do Rio Preto 724 1.745 São José dos Campos 1.152 2.210 858 1.884 Região Metropolitana de São Paulo 1.299 2.629 Total do estado 1.127 2.328 Campinas Santos Sorocaba Fonte: Rais-MTE. Elaboração: Fespsp. * Valores em reais Os trabalhadores das regiões administrativas de Santos, Campinas e São José dos Campos e da Região Metropolitana de São Paulo recebiam os maiores rendimentos — em 2013 — e são os únicos a superar os R$ 2 mil. A Região Administrativa de Itapeva, criada recentemente, com rendimento médio de R$ 1.330,00, tem o pior desempenho. Já as regiões administrativas de Registro, Franca e Presidente Prudente, com médias em torno dos R$ 1,5 mil, merecem atenção, pois registraram a segunda média mais baixa. Anuário do Trabalho Decente |55 Gráfico 4: Salário médio nominal — Região Metropolitana (2001 a 2013) Salário Médio Nominal (em R$) 3.000 Região Metropolitana de São Paulo 2.500 Região Metropolitana de Campinas 2.000 Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 1.500 Região Metropolitana da Baixada Santista 1.000 Região Metropolitana de Sorocaba 500 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: RAIS. Elaboração FESPSP. A Região Metropolitana de São Paulo destaca-se com a maior média, mesmo entre as outras regiões metropolitanas. As cidades de Barueri (R$ 2,868 mil), São Bernardo do Campo (R$ 2,866 mil) e São Paulo (R$ 2,805 mil) são as principais responsáveis por elevar a média da Região Metropolitana de São Paulo. Em contrapartida, São Lourenço da Serra, com R$ 1,184 mil, tem a média mais baixa da região. As regiões economicamente mais dinâmicas tendem a concentrar maior volume de trabalhadores com ensino superior, dadas as exigências de seu mercado de trabalho e as oportunidades de qualificação ali existentes. Isso ajuda a compreender por que as regiões administrativas de Santos, Campinas e São José dos Campos e a Região Metropolitana de São Paulo apresentam as maiores médias. A economia destas regiões administrativas é complexa e diversificada: possuem considerável pátio industrial e/ou polo tecnológico e grande presença de trabalhadores ligados ao setor de serviços. Ambos os setores, indústria e serviços, são em geral responsáveis pelos mais altos salários no mercado de trabalho. As Regiões Administrativas de Itapeva, Registro e Presidente Prudente apresentam as menores médias salariais; em todas, não por coincidência, é a agricultura que mais gera empregos. Em Registro, a banana é o principal produto e, em Presidente Prudente, destaca-se, além da agricultura, a criação de gado. Historicamente, dentre todos os setores da economia, a agricultura é o que proporciona a remuneração mais baixa. A valorização dos trabalhadores rurais e a busca por dinamizar a economia destas regiões são caminhos possíveis para amenizar a situação destes trabalhadores e da região em geral. Jornada de Trabalho Decente A definição da jornada de trabalho sempre foi motivo de disputa entre trabalhadores e empregadores. O tempo médio despendido pelo trabalhador em seu lugar de trabalho é um dos indicadores mais tradicionais da qualidade de uma relação trabalhista. Anuário do Trabalho Decente |59 Jornada de Trabalho Decente A definição da jornada de trabalho sempre foi motivo de disputa entre trabalhadores e empregadores. O tempo médio despendido pelo trabalhador em seu lugar de trabalho é um dos indicadores mais tradicionais da qualidade de uma relação trabalhista. Historicamente, desde a Revolução Industrial, a duração da jornada vem se reduzindo como resultado da organização sindical e de sua regulamentação pelo Estado. Na realidade, aquilo que se considera como tempo adequado de trabalho diário — ou jornada de Trabalho Decente — pode variar consideravelmente de acordo com a época, o país, a região e mesmo o setor econômico. No Brasil, data de 1932 o primeiro decreto referente ao tema (Decreto nº 21.365), que limitava a jornada de trabalho semanal a 48 horas; mas ainda se admitiam jornadas de dez e 12 horas diárias. Em 1943, ainda na Era Vargas, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabeleceu a jornada de trabalho de oito horas por dia e/ou 48 horas semanais. A OIT deliberou, em 1961, por uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. A jornada de trabalho atual no Brasil, de 44 horas semanais, foi instituída em 1988, em pleno período de redemocratização do País. Em 1998, a aprovação da Lei nº 9.601 tornou mais flexível o sistema de compensação de horas extras, com a criação do sistema “banco de horas”. Recentemente, a argumentação pela redução da jornada de trabalho tem ganhado mais força entre as entidades representantes dos trabalhadores19, que afirmam consideráveis benefícios individuais e coletivos caso a jornada seja reduzida para 40 horas. Em 2010, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) publicou uma nota à imprensa, na qual reafirmava que a redução da jornada traria benefícios para a economia, pois geraria novos postos de trabalho, aqueceria o mercado interno e aumentaria a arrecadação de impostos, o que possibilitaria melhora na distribuição da renda no País. As centrais sindicais — CUT, CTB, CGTB, UGT, Força Sindical e NCST — lançaram, no início de 2014, uma campanha nacional unificada pela redução da jornada de trabalho sem diminuição de salários e perda de benefícios. As centrais afirmam que a redução geraria, de imediato, mais de dois milhões de empregos. Há também o Projeto de Lei do Senado (PLS) 254/2005 que prevê a redução da jornada para 40 horas semanais, também sem perda salarial ou de benefícios. Esse PLS foi colocado em enquete pelo Portal do Senado20, e 84% dos internautas votaram a favor e apenas 16% foram contra. DIEESE. Redução da jornada de trabalho para 40 horas já!: o debate sobre a redução da jornada de trabalho no Congresso Nacional. Nota à imprensa. São Paulo, 11 fev. 2010. Disponível em: <http://www.dieese.org.br/ notaaimprensa/2010/notaImprensaJornada0209.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2015. 19 20 Cf. http://www.senado.gov.br/senado/datasenado/enquetes.asp?ano=2014. 60 | Jornada de Trabalho Decente Indicadores que compõem o tema O indicador ora apresentado é o resultado da proporção entre o total de horas semanais trabalhadas e o total de trabalhadores formais. Desta maneira, busca-se identificar quantas horas em média trabalhadores e trabalhadoras despenderam em seu trabalho. Porém, mais importante do que o dado tomado individualmente é a sinalização que traz: a possível diferença entre as regiões do estado na média da jornada de trabalho semanal pode ser motivada pelo tipo de atividade econômica de cada região. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões No geral, houve pequena redução, entre 2003 e 2013, na média de horas trabalhadas por semana no estado de São Paulo. A média de todo o estado baixou 0,1 hora, passando de 41,54 para 41,44 horas. Entre todas as regiões administrativas, dez tiveram redução de suas médias, como a Central, a de Franca e a de Registro. Outro destaque positivo foi a Região Administrativa de Santos, que, apesar do leve aumento da jornada média dentro daquele período, exibe a menor média de todo o estado. A Região Administrativa da Baixada Santista tem forte atividade industrial, principalmente no refino de petróleo, na fabricação de produtos químicos e na metalurgia básica, com destaque para a cidade de Cubatão. Neste ramo da economia, historicamente, concentra-se o maior número de trabalhadores sindicalizados, fato que pode gerar maior fiscalização por parte das entidades sindicais no cumprimento da jornada de trabalho. Tabela 4: Média de horas semanais trabalhadas pelas pessoas ocupadas no emprego formal Região Administrativa (2003 e 2013) Regiões Administrativas de São Paulo 2003 2013 Central 42,28 41,89 Araçatuba 41,89 41,82 Barretos 42,18 42,19 Bauru 41,88 41,50 Campinas 41,97 41,91 Franca 42,28 41,96 Itapeva 42,46 42,18 Marília 41,74 41,69 Presidente Prudente 41,61 41,72 Registro 42,11 41,73 Ribeirão Preto 41,11 41,48 Santos 40,96 41,02 São José do Rio Preto 41,97 41,99 São José dos Campos 41,86 41,80 Sorocaba 42,27 42,14 Total do estado 41,54 41,44 Fonte: Rais-MTE. Elaboração: Fespsp Anuário do Trabalho Decente |61 Entre 2003 e 2013, as Regiões Administrativas de Barretos, Itapeva e Sorocaba mantiveramse com as maiores médias do estado, superiores a 42 horas semanais. Entre estas regiões, a de Itapeva apresenta as mais altas médias, com destaque para os municípios de Ribeirão Branco, Barra do Chapéu, Ribeira, Arandu e Taguaí, todos com médias superiores a 43 horas. Como a Região Administrativa de Itapeva foi criada no final de 2014, ainda não há dados disponíveis sobre a economia da região. A Região Administrativa de Barretos é fortemente marcada pelas atividades relacionadas à agricultura e ao agronegócio, haja vista que nestes setores emprega aproximadamente um terço de seus trabalhadores. As atividades do campo não têm forte atuação dos sindicatos e sofrem pouca fiscalização por parte do Estado, o que pode permitir práticas que não condizem com o Trabalho Decente. Por outro lado, na Região Administrativa de Sorocaba há diversificada presença de fábricas — de tecidos e de componentes aeronáuticos, entre outras —, além de atividades ligadas à agricultura. As indústrias empregam um terço da mão de obra da região. Desta forma, tanto as horas extras dos trabalhadores das indústrias quanto a baixa adesão aos sindicatos dos trabalhadores rurais podem contribuir para elevar a média da região. De acordo com a Tabela 4, apesar de manterem a média dentro das 41 horas, as Regiões Administrativas de Presidente Prudente, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto apresentaram leve aumento na quantidade de horas trabalhadas. Ao observar as Regiões Metropolitanas, a Região Metropolitana de Sorocaba destaca-se por ser a única Região Metropolitana a apresentar, ao longo da série histórica, média superior a 42 horas. Em seguida, aparecem as Regiões Metropolitanas de Campinas e Vale do Paraíba e Litoral Norte que também apresentam números acima da média estadual. Gráfico 5: Média de horas semanais trabalhadas pelas pessoas ocupadas no emprego formal Região Metropolitana (2002-2013) Jornada de Trabalho (média de horas trabalhadas) 43,0 42,5 Região Metropolitana de Sorocaba 42,0 Região Metropolitana de Campinas 41,5 Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 41,0 Região Metropolitana de São Paulo 40,5 Região Metropolitana da Baixada Santista 40,0 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: RAIS. Elaboração FESPSP. 62 | Jornada de Trabalho Decente As Regiões Metropolitanas de São Paulo e Santos são as únicas regiões, de todo o estado, que apresentam médias abaixo da estadual em todos os anos da amostra. A maior parte dos trabalhadores destas duas regiões metropolitanas está empregada nos setores industrial e de serviços, diferentemente das outras regiões que possuem números mais elevados de trabalhadores empregados no comercio e na agricultura. Desta forma, é necessário fortalecer os sindicatos rurais para o avanço rumo a uma jornada de trabalho decente que possibilite aos trabalhadores conciliarem melhor o trabalho com momentos de lazer, estudos, convívio familiar entre outros. Outro fator importante, porém que foge do escopo estadual, pois é atribuição federal, é o baixo número de fiscais do trabalho. Por fim, avançar no debate sobre a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais é fundamental para a melhoria da qualidade de vida de todos os trabalhadores. Combinação entre trabalho, vida pessoal e vida familiar A combinação entre vida pessoal e trabalho é um dos eixos principais que compõem os aspectos que a OIT observa como fundamentos para o Trabalho Decente. Trazer determinadas questões para iluminar o debate sobre a participação no mercado faz com que se possa atentar para os mecanismos sociais que reproduzem desigualdades. Anuário do Trabalho Decente |65 Combinação entre trabalho, vida pessoal e vida familiar A combinação entre vida pessoal e trabalho é um dos eixos principais que compõem os aspectos que a OIT observa como fundamentos para o Trabalho Decente. Trazer determinadas questões para iluminar o debate sobre a participação no mercado faz com que se possa atentar para os mecanismos sociais que reproduzem desigualdades e que estão presentes no mercado de trabalho. Questões de gênero, de raça, geracionais ligadas diretamente ao mercado de trabalho e sua dinâmica contribuem para a discussão sobre esse eixo, mas deve-se ressaltar que algumas composições indiretas da vida social também interferem de forma contundente na participação no mercado de trabalho. Quando se afirma que as mulheres têm dupla jornada de trabalho trata-se de papéis sociais de gênero que são desempenhados na vida social cabendo às mulheres as tarefas de cuidado da casa e da família, ainda tomando um tempo maior nessas atividades do que os homens. Isso explica grande parte da diferença na participação de homens e mulheres no mercado de trabalho. Indicadores que compõem o tema Para tratar desse eixo Combinação entre Trabalho, Vida Pessoal e Vida Familiar será utilizado o indicador Proporção de mães economicamente ativas. Para tanto se considera a razão entre mulheres com filhos na população economicamente ativas (PEA) e mulheres com filhos na população em idade ativa (PIA). A composição do indicador se refere aos dados de mães que trabalham ou tomam providência para trabalhar, em idade ativa. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões Ao tratar da combinação entre trabalho, vida pessoal e vida familiar aborda-se especialmente a participação das mulheres no mercado de trabalho em combinação com as atividades domésticas – já que cabe especialmente às mulheres compor a atividade profissional com as atividades domésticas, diferente do que representa essas atividades de cuidado da casa e dos familiares para grande parte dos homens. Isso ocorre, pois às mulheres em nossa sociedade, em uma composição de papéis de gênero, estão destinadas as tarefas de cuidados da casa, filhos, familiares e cônjuge. Essas são as chamadas tarefas domésticas não remuneradas que configuram para as mulheres uma dupla jornada de trabalho, especialmente para as trabalhadoras que têm família e uma vida econômica ativa e não podem contar com uma rede de apoio a essas tarefas. 66 | Combinação entre trabalho, vida pessoal e vida familiar Uma questão fundamental para abordar a entrada, permanência e promoção das mulheres no mercado As mulheres e a dupla jornada de trabalho de trabalho é a conciliação entre vida pessoal, reprodutiva e laboral. As mulheres se encontram em menor número na PEA em relação aos homens, mas sua participação vem crescendo Papéis sociais de gênero que são desempenhados na vida social na última década enquanto para os homens cabendo às mulheres as tarefas de pode-se observar uma leve retração. As cuidado da casa e da família. mulheres participam cada vez em maior Isso explica grande parte da número do mercado de trabalho. Mas certamente para as mulheres diferença na participação de homens e mulheres no mercado com filhos conciliar a vida profissional com a de trabalho. maternidade pode representar desafios e dificuldades tanto para a volta ao mercado de trabalho depois do nascimento dos filhos, como nos arranjos para o cuidado das atividades domésticas. Há algumas razões que se pode ressaltar para isso: tanto por ser um momento em que as mulheres escolhem se dedicar integralmente à maternidade, como por vezes não é economicamente vantajoso para a mulher retornar ao mercado de trabalho quando precisa pagar para os cuidados do bebê enquanto se está fora de casa. A rede de creches nos municípios é insuficiente para cobrir as necessidades das famílias. É de fundamental importância que as crianças recebam todos os cuidados que as mães e os pais possam oferecer nesses primeiros meses de vida do bebê, como a amamentação exclusiva até os seis meses de idade do bebê, que é recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Muitos empregadores não incentivam essas práticas para as mulheres que retornam da licença maternidade, com creches, salas de amamentação ou local apropriado para a mulher coletar leite materno durante o expediente. São questões pouco tratadas, mas fundamentais para que as mulheres trabalhadoras e mães possam também se manter no mercado de trabalho. Na Para as mulheres com filhos sociedade brasileira parece que há um divórcio entre a maternidade e a vida laboral. É preciso um conjunto conciliar a vida profissional com a de práticas, medidas e de políticas públicas que levem maternidade pode representar em conta a maternidade e a paternidade como parte desafios e dificuldades tanto para integrante da sociedade para que os trabalhadores, a volta ao mercado de trabalho em especial as mulheres, ganhem maior dignidade na depois do nascimento dos filhos, como nos arranjos para o cuidado das atividades domésticas. conciliação da vida laboral, vida pessoal e familiar. As diferenças entre homens e mulheres, brancos e negros ou qualquer outra desigualdade estabelecida no mercado de trabalho devem ser combatidas com medidas efetivas em todos os âmbitos relacionados à vida social. As desigualdades são Anuário do Trabalho Decente |67 reproduzidas na manutenção e na reprodução de práticas que interferem nas oportunidades de contratação e promoção no mundo do trabalho. Os homens e, especialmente os homens brancos, ganham um estatuto de “trabalhador ideal” e recebem melhores oportunidades de trabalho (escolhas reforçadas por estereótipos hierarquizantes entre homens e mulheres, entre brancos e negros). As mulheres são vistas como trabalhadoras que possuem certas habilidades ligadas às condições femininas e não às qualificações profissionais, há uma transferência das qualidades de gênero apreendidas no processo de tornar-se mulher que são aproveitadas no mercado de trabalho como “qualidades femininas” e não como qualificação ao trabalho (mesmo em profissões técnicas que exigem grande tempo de qualificação através de cursos certificados). Para a combinação entre vida laboral, vida pessoal e familiar é preciso atentar-se para a busca de um equilíbrio para as mulheres casadas e com filhos na divisão das tarefas da casa com o cônjuge. Ao observar dados da PNAD 200921 vê-se que as mulheres trabalham mais horas por semana na soma entre tarefas da casa e trabalho remunerado, para as mulheres são 57,1 horas por semana e os homens, 51,9 horas semanais. Dessas horas, as mulheres dedicam 21,6 horas semanais ao trabalho com as coisas da casa e os homens apenas 9,5 horas semanais. Vê-se também que o número de filhos interfere diretamente na quantidade de horas no trabalho doméstico não remunerado para as mulheres, e para os homens não há mudança significativa. O que se nota é que o trabalho doméstico permanece sendo considerado, em geral, tarefa das mulheres. Assim a dupla jornada de trabalho ainda é presente no cotidiano das mulheres trabalhadoras, especialmente as mulheres mais pobres que não podem contar com uma rede de ajuda remunerada para o cuidado da casa e dos filhos, rede essa comum entre mulheres com faixas salariais superiores, interferindo na forma de entrada e de permanência das mulheres no mundo do trabalho. As dificuldades para as mulheres são sempre maiores no mercado de trabalho. O acesso ao mercado de trabalho é facilitado aos homens e para que as barreiras de oportunidades sejam quebradas é preciso expor as situações de desigualdade. As mulheres enfrentam maiores dificuldades na entrada e permanência no mercado de trabalho e, em grande medida, são aspectos subjetivos da sociedade que levam às reproduções dessas relações desiguais de gênero e raça. As mulheres são as grandes responsáveis pelos cuidados da família e dos afazeres domésticos e recebem salários mais baixos (em média em torno de 27,0%), com menores possibilidades de promoções no trabalho. Entre as barreiras de oportunidades estão as concepções de que os homens são chefes de família e o que leva a uma percepção do trabalho das mulheres como de menor importância para a composição dos rendimentos familiares, o que reforça estereótipos de gênero dando vantagem aos homens nas conquistas das vagas e de promoções. IPEA. Comunicados do IPEA nº149. Trabalho para o mercado e trabalho para casa: persistentes desigualdades de gênero. Brasília: IPEA, 2012. Disponível em <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/comunicado/120523_ comunicadoipea0149.pdf>. Acesso em 10. jul. 2013. 21 68 | Combinação entre trabalho, vida pessoal e vida familiar Tabela 5: Proporção de mães economicamente ativas – Região Administrativa (2000 e 2010) Proporção de mães economicamente ativas Região Administrativa 2000 2010 % Mães % Mães Região Administrativa Central 43,50% 50,40% Região Administrativa de Araçatuba 42,30% 47,50% Região Administrativa de Barretos 42,70% 48,70% Região Administrativa de Bauru 43,10% 49,80% Região Administrativa de Campinas 44,00% 50,70% Região Administrativa de Franca 45,10% 50,10% Região Administrativa de Itapeva 32,80% 41,40% Região Administrativa de Marília 40,70% 46,60% Região Administrativa de Presidente Prudente 39,90% 43,70% Região Administrativa de Registro 33,40% 41,40% Região Administrativa de Ribeirão Preto 44,30% 49,60% Região Administrativa de Santos 46,20% 48,20% Região Administrativa de São José do Rio Preto 41,40% 47,70% Região Administrativa de São José dos Campos 42,80% 48,30% Região Administrativa de Sorocaba 41,60% 48,90% Total Estado 44,70% 49,60% Fonte: Censo Demográfico IBGE Elaboração: Fespsp Gráfico 6: Proporção de mães economicamente ativas – Região Metropolitana (2000 e 2010) Mães Economicamente Ativas (% total de mulheres com filhos) 55% Região Metropolitana da Baixada Santista 50% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 45% Região Metropolitana de Sorocaba 40% Região Metropolitana de São Paulo 35% Região Metropolitana de Campinas 30% 2000 2010 Fonte: IBGE. Elaboração FESPSP. Anuário do Trabalho Decente |69 No Gráfico 6 é apresentada a proporção da participação das mulheres que são mães na PEA por Região Metropolitana e pode-se notar que há um aumento considerável da participação das mães no mercado de trabalho em dez anos no estado de São Paulo. A participação média cresceu 4,9%, de 2000 a 2010, e pode-se assumir que nesse período há uma série de fatores que podem ser elencados para essa elevação da participação das mães e a participação feminina de forma geral na PEA, assim como as consequências dessa maior participação. Na Região Administrativa Central, como é possível ver na Tabela 5, tem um aumento acima da média de 6,9%, assim como as Regiões Administrativas de Sorocaba e Barretos. A Região Administrativa de Campinas aparece com uma participação acima da média de mães na PEA, com 50,7% em 2010. As mulheres de qualquer forma têm a sua participação no mercado de trabalho ligada diretamente com as funções reprodutivas, que são vistas ainda como tarefas femininas. E também porque há um grande número de famílias chefiadas por mulheres com filhos. O que se conclui é que ainda existem alguns fatores que não se modificaram completamente como elementos que contribuem para a reprodução das desigualdades de oportunidades no mercado de trabalho que interfere na qualidade dessa participação feminina no mercado. Trabalho a ser abolido Em que pese as iniciativas para a erradicação do trabalho infantil no território nacional, como o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e os benefícios de transferência de renda voltados para a permanência das crianças e adolescentes na escola, este ainda é um problema que requer a atenção das pessoas e das instituições competentes. Anuário do Trabalho Decente |73 Trabalho a ser abolido De acordo com o arcabouço de convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Convenção nº 138 estabelece como idade mínima para a admissão no trabalho os 15 anos de idade. No Brasil, é legalmente aceitável o trabalho na condição de aprendiz a partir dos 14 anos e, na ausência dessa condição, mas em trabalhos sem periculosidade, a partir dos 16 anos de idade. Em que pese as iniciativas para a erradicação do trabalho infantil no território nacional, como o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e os benefícios de transferência de renda voltados para a permanência das crianças e adolescentes na escola, este ainda é um problema que requer a atenção das pessoas e das instituições competentes. Não apenas pela inserção precária e prematura no mercado de trabalho informal, mas porque essa inserção por vezes se dá ilegalmente, via exploração sexual de crianças e adolescentes. A Região Sudeste do País apresenta o menor percentual da população infantil trabalhadora levando-se em consideração o número absoluto de crianças e adolescentes na região, mas em termos de distribuição do trabalho infantil no território nacional, essa região perde apenas para o Nordeste brasileiro. A utilização de mão de obra infantil, além de ferir o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) causa efeitos físicos e psíquicos deletérios no desenvolvimento do infante, sendo perverso para a futura entrada no mercado de trabalho devido também ao peso que acarreta na formação escolar. O pensamento orientado pelo senso comum tende a acreditar que em situações familiares de alta vulnerabilidade não há problema em os filhos trabalharem para “ajudar em casa”. O trabalho exercido como medida educativa só será eficaz se for um trabalho que não ponha em risco a integridade física ou psíquica da criança, que não atrapalhe as horas de estudo, lazer e descanso e que não seja encarado como uma prioridade na vida da criança e do adolescente. Na qualidade de hipossuficiente, cabe à família e ao Estado zelar pelo menor, e não o contrário. Sugere-se que a análise dos indicadores pertinentes a esse tema seja, por parte do leitor, conjugada com a leitura da análise do tema “Seguridade Social”. Isso porque o trabalho infantil brasileiro apresenta dois fatores de importância, havendo forte correlação entre pobreza e trabalho infantil: • O fator cultural: é considerado socialmente legítimo por segmentos da população que certa classe de crianças e adolescentes trabalhem, em função de sua origem social e cor; • O fator econômico: famílias de baixa renda tendem a apelar para essa forma de trabalho como forma de complementar ou mesmo de obter algum rendimento financeiro para sustentar a família toda. 74 | Trabalho a ser abolido Um dado que desmistifica a noção de que a “ajuda” infantil sempre é financeira é a preeminência do trabalho não remunerado em ajuda a membros do domicílio — trabalho doméstico de reprodução social, invisível, não reconhecido, mas ainda assim, trabalho22. Indicadores que compõem o tema Um indicador adequado para a mensuração do trabalho infantil é a própria declaração de trabalho dada ao recenseador durante a aplicação do formulário do Censo Demográfico do IBGE. Devido à inviolabilidade do domicílio para fins de fiscalização, não é possível saber em quais condições as crianças e adolescentes exercem o trabalho doméstico; porém, é possível inferir os riscos envolvidos nos trabalhos, como contusões, queimaduras, fraturas, lesões por esforços repetitivos, riscos inerentes às atividades externas também. Devido à periodicidade da realização do Censo Demográfico (2000 e 2010), não é possível apontar uma série histórica para o primeiro decênio do século 21 quanto ao trabalho infantil. Essa restrição, porém, não impede a observação de tendências de redução ou de aumento de ocorrência de trabalho infantil. Para conhecimento de dados pontuais pertinentes aos municípios específicos, recomendase a consulta à base de dados SITI (Sistema de Informações sobre Focos de Trabalho Infantil no Brasil), mantida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Para mensurar o trabalho infantil, são apresentados os seguintes indicadores: • Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por Região Administrativa e por Região Metropolitana. • Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos de idade por município e sua participação na PEA. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões De acordo com os dados do Censo Demográfico IBGE houve aumento do trabalho de 10 a 13 anos de idade no estado de São Paulo entre os anos de 2000 e 2010. Neste cenário a capital, Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo, Osasco, Santo André, São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto e Mauá tiveram desempenho muito inferior. No entanto, cumpre lembrar que essas cidades concentravam populações maiores do que as dez municipalidades que apresentaram piores números de participação do trabalho infantil na PEA. BERGAMIN, Marta de Aguiar; DIÉGUEZ, Carla Regina Mota Alonso; SILVEIRA, Luciana. Desenvolvimento e Trabalho Decente: desafios para romper a “cultura do trabalho infantil”. Anais do I Seminário Regional Nordeste da ABET. João Pessoa: UFPB, 2014. 22 Anuário do Trabalho Decente |75 Tabela 6: Cidades paulistas com alto índice de trabalho infantil (10 a 13 anos) — 2000 2000 Município Região Administrativa Região Metropolitana % PEA São Paulo - RM de São Paulo 1,30% Guarulhos - RM de São Paulo 1,30% Campinas RA de Campinas RM de Campinas 1,70% São Bernardo do Campo - RM de São Paulo 1,00% Osasco - RM de São Paulo 1,10% Santo André - RM de São Paulo 1,00% São José dos Campos RA de São José dos Campos RM do Vale do Paraíba e Litoral Norte 1,00% Sorocaba RA de Sorocaba RM de Sorocaba 1,30% Ribeirão Preto RA de Ribeirão Preto - 1,70% Mauá - RM de São Paulo 1,50% Fonte: Censo Demográfico – IBGE Elaboração: Fespsp Apesar do alto número de ocorrências de trabalho infantil nessas dez cidades, é possível visualizar a queda em algumas regiões de 2000 para 2010. Isso sinaliza que apesar do elevado número de crianças trabalhando quando não deveriam, é possível fugir ao determinismo. Programas específicos e políticas de transferência de renda condicionada à permanência das crianças e adolescentes nas escolas, ainda que fora da faixa etária dos 10 aos 13 anos podem ser benéficos à redução da incidência de trabalho infantil, assim como o desenvolvimento econômico das regiões metropolitanas do estado de São Paulo. 76 | Trabalho a ser abolido Tabela 7: Cidades paulistas com alto índice de trabalho infantil (10 a 13 anos) - 2010 2010 Município Região Administrativa Região Metropolitana % PEA São Paulo - RM de São Paulo 3,00% Guarulhos - RM de São Paulo 2,50% Campinas RA de Campinas RM de Campinas 3,00% Mauá - RM de São Paulo 2,10% Mogi das Cruzes - RM de São Paulo 2,30% Carapicuíba - RM de São Paulo 2,70% Diadema - RM de São Paulo 2,30% Itaquaquecetuba - RM de São Paulo 2,50% São Bernardo do Campo - RM de São Paulo 1,80% São Vicente RA de Santos RM da Baixada Santista 1,50% Fonte: Censo Demográfico – IBGE Elaboração: Fespsp As cidades sede dessas regiões administrativas são as que apresentam maior incidência de casos de trabalho infantil, sendo esse os casos das cidades de Aumento da participação do trabalho infantil Araçatuba, Bauru, Presidente Prudente, Regiões administrativas do estado Registro, São José dos Campos, Ribeirão de São Paulo (2000 a 2010): Preto, Sorocaba e Itapeva – apenas Santos Araçatuba, Bauru, Presidente fugiu a essa linha, tendo visto uma redução Prudente, Registro, Santos, São José dos Campos, Ribeirão Preto, do trabalho infantil em seu município. Como exemplo dessa tendência de Sorocaba e a recente Itapeva maior incidência de trabalho infantil nas apresentaram aumento da participação do trabalho infantil na PEA de um decênio para o outro. cidades sede das regiões administrativas que já apresentavam aumento da participação dessa forma de trabalho na PEA, tem-se a cidade de Araçatuba que, apesar de ter apresentado redução no número de casos de trabalho infantil no período – de 1.149 para 990 – no entanto, apresentou ligeiro aumento da participação dessa forma de trabalho na PEA: de 2,7% para 2,9%. Anuário do Trabalho Decente |77 Tabela 8: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos – Região Administrativa (2000 e 2010) Região Administrativa 2000 2010 % PEA % PEA Região Administrativa de Bauru 3,60% 3,80% Região Administrativa de Itapeva 3,30% 3,40% Região Administrativa de Santos 3,20% 3,10% Região Administrativa de Araçatuba 3,00% 3,10% Região Administrativa de Campinas 2,90% 3,00% Região Administrativa de Barretos 2,80% 3,00% Região Administrativa de Presidente Prudente 2,50% 3,00% Região Administrativa de Marília 2,50% 2,80% Região Administrativa Central 2,20% 2,80% Região Administrativa de São José dos Campos 2,20% 2,70% Região Administrativa de São José do Rio Preto 2,10% 2,50% Região Administrativa de Registro 2,00% 2,50% Região Administrativa de Sorocaba 1,90% 2,50% Região Administrativa de Franca 1,50% 2,20% Região Administrativa de Ribeirão Preto 1,50% 2,10% Total geral 1,90% 2,70% Fonte: Censo Demográfico – IBGE Elaboração: Fespsp Os piores desempenhos em termos de variação anual couberam às regiões administrativas de Registro, Itapeva, Franca, Sorocaba e Campinas, sendo que as duas últimas se encontram entre os cinco maiores PIB regionais do estado de São Paulo. Os rigores da fiscalização do trabalho infantil e da atenção dos serviços de saúde e assistência social devem recair prioritariamente sobre essas Regiões Administrativas. 78 | Trabalho a ser abolido Tabela 9: Variação anual do percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos Região Administrativa (2000-2010) Região Administrativa 2000-2010 Região Administrativa Central 44,4% Região Administrativa de Araçatuba 9,7% Região Administrativa de Barretos -16,2% Região Administrativa de Bauru 11,2% Região Administrativa de Campinas 32,4% Região Administrativa de Franca -1,5% Região Administrativa de Itapeva 4,5% Região Administrativa de Marília 0,2% Região Administrativa de Presidente Prudente 2,6% Região Administrativa de Registro 24,6% Região Administrativa de Ribeirão Preto 47,5% Região Administrativa de Santos 42,0% Região Administrativa de São José do Rio Preto -3,3% Região Administrativa de São José dos Campos 46,6% Região Administrativa de Sorocaba 37,1% Total Estado 47,8% Fonte: Censo Demográfico – IBGE Elaboração: Fespsp Quando são consideradas as cinco regiões metropolitanas, a relação desenvolvimento econômico (mensurado por PIB, inclusive per capita) e trabalho infantil se mantém. A região metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte possui PIB per capita de R$ 27.244,70 (2010) próximo ao PIB per capita do estado – R$30.264,06 – e superior ao PIB per capita nacional, de R$ 19.016. Esse dado confirma o deslocamento do trabalho infantil do meio rural para o meio urbano, uma tendência nacional, apesar do risco maior de uma família optar pelo trabalho da criança quando domiciliada na zona rural. O uso da mão de obra infantil não remunerada especialmente em lavouras domésticas de subsistência ainda é uma realidade no Brasil. Anuário do Trabalho Decente |79 Gráfico 7: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos - Região Metropolitana (2000 e 2010) Trabalho Infantil (% crianças 10-13 anos ocupadas) 0,03 Região Metropolitana da Baixada Santista 0,025 Região Metropolitana de Campinas Região Metropolitana de São Paulo 0,02 Região Metropolitana de Sorocaba 0,015 Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 0,01 2000 Fonte: IBGE. Elaboração FESPSP. 2010 É possível observar que além da questão da pobreza (família mais pobres tendem a lançar mão do trabalho infantil como fator de sobrevivência) e da desigualdade na distribuição de renda (regiões administrativas com elevados PIB regionais e per capita estão entre as que mais contam com essa forma de trabalho a ser abolido), há ainda um viés de cor/raça na distribuição do trabalho infantil. Tabela 10: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por cor Região Administrativa (2000 e 2010) 2000 Região Administrativa 2010 Brancos Não Brancos Brancos Não Brancos % PEA % PEA % PEA % PEA Região Administrativa Central 1,40% 1,60% 2,40% 1,90% Região Administrativa de Araçatuba 2,60% 3,50% 3,40% 2,80% Região Administrativa de Barretos 2,90% 3,20% 2,70% 2,30% Região Administrativa de Bauru 2,20% 3,30% 2,80% 2,70% Região Administrativa de Campinas 1,60% 2,70% 2,40% 2,60% Região Administrativa de Franca 2,80% 2,80% 2,60% 3,10% Região Administrativa de Itapeva 3,20% 5,00% 3,50% 4,40% Região Administrativa de Marília 2,20% 3,50% 2,60% 2,30% Região Administrativa de Presidente Prudente 3,00% 4,00% 3,00% 4,00% Região Administrativa de Registro 1,90% 2,90% 2,00% 3,30% Região Administrativa de Ribeirão Preto 1,80% 2,40% 2,60% 3,40% Região Administrativa de Santos 1,30% 1,70% 2,20% 1,80% Região Administrativa de São José do Rio Preto 3,00% 3,90% 2,90% 3,50% Região Administrativa de São José dos Campos 2,00% 2,30% 2,80% 3,40% Região Administrativa de Sorocaba 2,20% 2,30% 2,80% 3,30% 1,70% 2,20% 2,60% 2,90% Total Estado Fonte: Censo Demográfico – IBGE Elaboração: Fespsp 80 | Trabalho a ser abolido No entanto, quando entra em cena o fator cor/raça, a presença de não brancos sofre elevação, mas reposiciona essas regiões no fim do ranking. Isso sugere que em regiões não tão ricas, o trabalho infantil não branco é ainda mais explorado, conforme a tabela 10. Não por acaso, quando se isola o fator PIB, duas das três regiões (Itapeva, Presidente Prudente e São José do Rio Preto) são responsáveis pela maior variação anual do trabalho infantil regional para o período de referência (2000-2010). Nos municípios de Barão de Antonina (região administrativa de Itapeva) e Ribeirão Branco (região administrativa de Itapeva), por exemplo, a variação anual entre crianças brancas é negativa, sinalizando que houve redução do uso dessa mão de obra – respectivamente, -17,2% e -12,3%. Quando se considera a exploração da mão de obra não branca, no entanto, esse cenário se inverte radicalmente, apresentando variação positiva, isto é, aumento intensivo da utilização dessa forma de trabalho ilegal: 300% e 258%, respectivamente. No entanto, desconsiderando-se o fator cor/raça, tem-se que as Regiões Administrativas de Bauru e Santos foram piores, no ano 2000, em termos de trabalho infantil. Note-se, porém, a diferença entre os percentuais da PEA para não brancos e os percentuais da PEA sem a dimensão do fator cor. Em relação ao ano de 2010, a presença maior de não brancos no trabalho infantil se manteve nas regiões administrativas de Itapeva, Presidente Prudente e São José do Rio Preto, mas apresentou queda. Quando se considera as crianças brancas, essa queda se manteve, mas a região de Araçatuba ultrapassou e assumiu a segunda posição. Cumpre lembrar que algumas cidades da região de Araçatuba apresentam tendência para o comércio, o que pode sinalizar trabalho infantil em meio urbano, uma tendência em todo o País. A presença das regiões administrativas mais ricas, como Ribeirão Preto, São José dos Campos e Sorocaba entre as que mais lançam mão do trabalho infantil não branco se manteve. No tocante ao trabalho infantil, uma das formas de trabalho a ser erradicadas de acordo com as convenções da OIT ratificadas pelo Brasil no primeiro decênio do século XXI (nº 138, Idade mínima de admissão; nº 182, Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil e Ação Imediata para sua Eliminação), é possível mensurar pelos dados apresentados que: • Apesar da correlação entre pobreza familiar e trabalho infantil, essa relação não é fortemente verificada quando se consideram os PIB regionais. Borá, a cidade com menor incidência de trabalho infantil no período de referência, é também o pior desempenho em PIB municipal do estado de São Paulo e uma das cidades com menor população no território estadual. • Apesar das regiões administrativas mais ricas não serem as que mais lançaram mão do trabalho infantil nos anos 2000 e 2010, foram as que apresentaram maior variação dessa forma de trabalho. • Pessoas não-brancas de 10 a 13 anos de idade vivendo em uma região rica ou pobre do estado são mais afetadas pelo trabalho infantil. Igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego As diferenças que vão se estabelecendo no mercado de trabalho são hierarquizações sociais das diferenças que são transmutadas em desigualdades. Essas desigualdades se mostram nas diferenças salariais, nas condições de trabalho, nas barreiras de oportunidades nas contratações e crescimento profissional. Anuário do Trabalho Decente |83 Igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego A igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego compõe um dos eixos que a OIT considera fundamental para a dignidade do trabalho. As diferenças que vão se estabelecendo no mercado de trabalho são hierarquizações sociais das diferenças que são transmutadas em desigualdades. Essas desigualdades se mostram nas diferenças salariais, nas condições de trabalho, nas barreiras de oportunidades nas contratações e crescimento profissional. E essas diferenças são mais visíveis em grupos específicos do mercado de trabalho: as mulheres, os negros, as pessoas com deficiência são mais vulneráveis aos preconceitos e discriminações. O mercado de trabalho e os ambientes de trabalho em geral, como espaços de sociabilidades, são extremamente sensíveis às hierarquizações de todos os tipos, o que atrapalha a quebra das barreiras de oportunidades entre todos os trabalhadores. Indicadores que compõem o tema Os indicadores escolhidos para tratamento do tema são: desigualdade salarial de gênero, percentual de mulheres nos grupos ocupacionais de direção e taxa de ocupação de pessoas com deficiência em idade ativa. O indicador de desigualdade salarial de gênero é composto pela razão entre salário das mulheres e salário dos homens em empregos formais, com dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho, tendo por base a remuneração média das mulheres e a remuneração média dos homens. O percentual de mulheres nos grupos ocupacionais de comando mostra as diferenças das atividades de ocupação entre homens e mulheres, através da quantidade de mulheres nos cargos elevados pelo total de trabalhadores homens nos cargos elevados, com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais-MTE) de 2003 a 2013. A taxa de ocupação de pessoas com deficiência é medida pela razão entre o número de pessoas com deficiência ocupadas formalmente e o número total de ocupados no emprego formal, a partir de dados da Rais-MTE de 2007 a 2013. 84 | Igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões Embora a participação das mulheres na PEA tenha tido um crescimento na última década, em oposição aos homens que têm uma pequena retração, pode-se observar que os dados mostram que no mercado de trabalho para as mulheres ainda há uma diferença de ocupação em nichos de mercado mais desvalorizados, o que representa salários menores. As diferenças salariais vão caindo aos poucos ao longo da última década em todo o estado de São Paulo, mas há ainda uma diferença na composição salarial. Segundo dados da PNAD para o ano de 200923, as mulheres se encontram principalmente nos setores de serviços domésticos, educação, saúde e serviços sociais, que são setores que apresentam historicamente menor remuneração. Os empregos domésticos são atividades nas quais se observa uma presença grande de mulheres negras, o que compõe um quadro da inserção da mulher negra no mercado de trabalho em larga medida em empregos de menor qualificação e remunerações baixas. Entre os anos de 2003 e 2013 pode-se observar uma diminuição da desigualdade salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho do estado de São Paulo. 23 Cf. DIEESE. A situação do trabalho no Brasil na primeira década dos anos 2000. São Paulo: Dieese, 2012. 80,3% 76,7% 81,3% 76,0% 80,6% 93,0% 86,1% 87,5% 96,5% 80,7% 76,0% 89,9% 66,3% 75,1% 80,5% Região Administrativa de Araçatuba Região Administrativa de Barretos Região Administrativa de Bauru Região Administrativa de Campinas Região Administrativa de Franca Região Administrativa de Itapeva Região Administrativa de Marília Região Administrativa de Presidente Prudente Região Administrativa de Registro Região Administrativa de Ribeirão Preto Região Administrativa de Santos Região Administrativa de São José do Rio Preto Região Administrativa de São José dos Campos Região Administrativa de Sorocaba Total Estado 79,8% 74,5% 64,0% 88,9% 75,2% 79,2% 95,9% 87,5% 85,7% 89,0% 78,8% 75,3% 81,0% 77,6% 79,8% 74,9% Fem/ Mas 2004 Fonte: Rais-MTE 75,9% Fem/ Mas 2003 Região Administrativa Central Região Administrativa 80,1% 74,0% 66,0% 86,5% 76,1% 79,6% 95,9% 88,0% 86,2% 88,6% 78,3% 74,9% 79,3% 76,2% 79,0% 75,3% Fem/ Mas 2006 79,7% 73,3% 65,1% 83,5% 76,5% 76,3% 98,4% 86,6% 85,2% 88,4% 77,5% 74,1% 78,8% 74,2% 76,1% 74,1% Fem/ Mas 2007 Elaboração: Fespsp 80,0% 73,4% 66,2% 88,1% 75,9% 79,6% 94,7% 86,8% 86,5% 88,7% 78,5% 75,0% 80,5% 76,8% 79,1% 75,4% Fem/ Mas 2005 78,5% 71,3% 64,8% 81,7% 74,5% 75,8% 95,6% 83,3% 83,2% 86,2% 76,5% 73,3% 77,4% 73,9% 74,9% 72,9% Fem/ Mas 2008 79,5% 73,4% 65,0% 82,1% 75,8% 78,4% 97,7% 83,8% 83,5% 86,9% 79,2% 74,6% 77,8% 75,5% 77,4% 74,8% Fem/ Mas 2009 78,4% 72,4% 64,9% 80,8% 74,9% 78,8% 94,2% 82,9% 82,7% 86,7% 78,6% 73,4% 76,7% 74,7% 75,9% 73,6% Fem/ Mas 2010 78,0% 71,7% 65,8% 80,2% 72,5% 78,1% 93,3% 81,9% 82,2% 86,1% 77,2% 73,2% 78,0% 74,6% 75,4% 73,6% Fem/ Mas 2011 78,3% 72,6% 66,1% 79,8% 73,0% 77,8% 89,6% 81,8% 83,6% 86,3% 77,3% 72,4% 78,1% 74,7% 75,8% 72,5% Fem/ Mas 2012 Tabela 11: Valor da remuneração média nominal pela quantidade de trabalho formal por sexo - Região Administrativa (2003-2013) 77,8% 72,7% 67,5% 79,6% 72,7% 78,1% 91,7% 79,6% 80,3% 86,2% 76,7% 72,8% 77,4% 73,6% 76,1% 72,7% Fem/ Mas 2013 Anuário do Trabalho Decente |85 77,10% 79,10% 71,80% 66,30% 80,50% Região Metropolitana de Campinas Região Metropolitana de São Paulo Região Metropolitana de Sorocaba Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte Total Estado 79,80% 64,00% 71,60% 78,90% 76,50% 75,20% Fem/ Mas 2004 66,20% 70,50% 79,60% 76,70% 75,90% Fem/ Mas 2005 80,10% 66,00% 71,10% 79,90% 75,70% 76,10% Fem/ Mas 2006 79,70% 65,10% 70,50% 80,10% 75,20% 76,50% Fem/ Mas 2007 Elaboração: Fespsp 80,00% Fonte: Rais-MTE 76,00% Fem/ Mas Região Metropolitana da Baixada Santista Região Administrativa 2003 78,50% 64,80% 68,80% 79,10% 74,50% 74,50% Fem/ Mas 2008 79,50% 65,00% 71,30% 80,00% 75,60% 75,80% Fem/ Mas 2009 78,40% 64,90% 70,00% 79,20% 74,00% 74,90% Fem/ Mas 2010 78,00% 65,80% 69,20% 78,90% 73,10% 72,50% Fem/ Mas 2011 78,30% 66,10% 70,30% 79,50% 72,30% 73,00% Fem/ Mas 2012 Tabela 12: Valor da remuneração média nominal pela quantidade de trabalho formal por sexo - Região Metropolitana (2003-2013) 77,80% 67,50% 70,70% 79,00% 72,60% 72,70% Fem/ Mas 2013 86 | Igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego Anuário do Trabalho Decente |87 A Região Administrativa de São José dos Campos tem a menor desigualdade salarial (embora a diferença salarial tenha subido e não caído, como foi a tendência média para o estado de São Paulo). A média do Estado de São Paulo é de 77,8% o que corresponde dizer que as mulheres ganhavam 22,2% em 2013 menos, em média, do que os homens no mercado formal. Há uma melhora gradual em quase todas as Regiões Administrativas, mas ainda há possibilidade para grandes melhoras nas Regiões Administrativas com desigualdades de gênero acentuadas como a Região Administrativa de Itupeva, de Registro e Marília. As mulheres, em média, detêm uma escolaridade maior do que os homens, mas as diferenças salariais persistem, mostrando que não é somente uma questão de qualificação do trabalho que afeta a desigualdade de gênero no Brasil. A concretização da Agenda e do Plano de Emprego e Trabalho Decente no estado de São Paulo passa pelo enfrentamento de temas fundamentais da desigualdade de oportunidade no mercado de trabalho. Para tanto, além de critérios explícitos de contratação e promoção no ambiente de trabalho, é preciso o enfrentamento das barreiras de oportunidades presentes nas representações sociais cotidianas e nas práticas naturalizadas de trabalho. Os homens são vistos como trabalhadores que precisam de promoções salariais e de cargos Para a concretização da agenda e do plano de emprego e trabalho decente: Enfrentamento de temas fundamentais da desigualdade de oportunidade no mercado de trabalho e das barreiras presentes nas representações sociais cotidianas e nas práticas naturalizadas de trabalho. mais do que as mulheres, dada a imagem que ainda cabe ao homem de ser responsável pela manutenção financeira da casa. Mas essa concepção do papel masculino no mundo do trabalho e na vida social pode ser desmontado e remodelado a partir de uma perspectiva que busque a igualdade de gênero. Assim vê-se que os critérios tácitos que operam nas contratações e nas promoções do trabalho acabam reforçando as desigualdades, sejam elas de gênero, raciais e de deficientes, dificultando a entrada e permanência mais igualitária entre todos. 88 | Igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego Tabela 13: Desigualdade ocupacional por sexo – Região Administrativa (2003, 2007, 2010 e 2013) 2003 Região Administrativa 2007 2010 2013 Fem/Total Fem/Total Fem/Total Fem/Total Região Administrativa Central 32,60% 35,10% 38,80% 40,40% Região Administrativa de Araçatuba 34,20% 35,80% 38,00% 41,40% Região Administrativa de Barretos 34,60% 33,10% 34,80% 36,00% Região Administrativa de Bauru 31,10% 33,30% 35,20% 40,30% Região Administrativa de Campinas 35,00% 36,70% 38,70% 41,80% Região Administrativa de Franca 36,30% 37,30% 39,30% 38,90% Região Administrativa de Itapeva 34,50% 38,30% 37,80% 38,60% Região Administrativa de Marília 32,70% 34,70% 36,90% 38,10% Região Administrativa de Presidente Prudente 36,40% 38,40% 41,30% 42,20% Região Administrativa de Registro 41,50% 46,10% 39,70% 51,30% Região Administrativa de Ribeirão Preto 33,20% 33,60% 37,50% 40,50% Região Administrativa de Santos 43,50% 47,50% 48,40% 47,00% Região Administrativa de São José do Rio Preto 34,80% 34,60% 36,30% 39,00% Região Administrativa de São José dos Campos 36,20% 37,90% 40,70% 42,80% Região Administrativa de Sorocaba 37,50% 36,90% 37,60% 40,00% Total Estado 36,70% 38,50% 40,40% 42,60% Fonte: Rais-MTE Elaboração: Fespsp Gráfico 8: Desigualdade Ocupacional por sexo – Região Metropolitana (2003-2013) Desigualdade Ocupacional de Gênero (% mulheres em cargos de chefia e direção) 50% Região Metropolitana da Baixada Santista Região Metropolitana de São Paulo 45% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 40% Região Metropolitana de Campinas Região Metropolitana de Sorocaba 35% 30% 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: RAIS. Elaboração FESPSP. Anuário do Trabalho Decente |89 A desigualdade ocupacional por gênero vai diminuindo em todo o estado, na média as mulheres ocuparam 5,9% mais cargos elevados de 2003 a 2013. Com destaque para a Região Administrativa de Bauru que teve uma subida de 9,2%. Há ainda possibilidades grandes de avanço para a ocupação de cargos elevados por mulheres. Na Região Metropolitana de Sorocaba quase não se avançou na melhora das condições de ocupação das mulheres em cargos elevados, subindo somente 1,1%, bem menos que a média do estado de São Paulo. As barreiras de oportunidades para pessoas com deficiência e portadores de doenças crônicas também são enormes e propõem desafios. As políticas públicas foram e são essenciais no estado de São Paulo para buscar melhorar o acesso a esse grupo ao mercado de trabalho. Programas como o Padef (Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência), do governo do estado de São Paulo, auxiliam a inserção no mercado de trabalho para pessoas com deficiência. Gráfico 9: Percentual de pessoas com deficiência pelo total de ocupados – Região Metropolitana (2007-2013) Pessoas com Deficiência Ocupadas (% do total de ocupados) 0,015 Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 0,014 0,013 Região Metropolitana de Campinas 0,012 Região Metropolitana da Baixada Santista 0,011 0,01 Região Metropolitana de Sorocaba 0,009 0,008 Região Metropolitana de São Paulo 0,007 0,006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: RAIS. Elaboração FESPSP. O Gráfico 9 mostra a taxa de ocupação de pessoas com deficiência em relação à ocupação dos trabalhadores em geral. Observa-se que é uma taxa muito pequena de ocupação em todas as Regiões Metropolitanas e ela cai ao longo dos anos. Mesmo com a existência de programas como o Padef, ainda permanecem desafios para melhorar as formas de inserção desse grupo no mercado de trabalho. Ambiente de trabalho seguro A relação entre trabalho decente e segurança e saúde no ambiente de trabalho está dada no aspecto dos princípios e direitos fundamentais no trabalho, dentre os quais, a dignidade humana condicionada à integridade física. Anuário do Trabalho Decente |93 Ambiente de trabalho seguro O Brasil é signatário da Convenção nº 155 da OIT – Segurança e Saúde dos Trabalhadores desde 1992. Essa convenção tem por objetivo estimular os países a adotarem políticas, protocolos e mecanismos de inspeção e regulação consensualmente pactuados para a prevenção e redução dos acidentes de trabalho. A OIT estima que a cada 15 segundos, um trabalhador no mundo vem a óbito em decorrência de acidente de trabalho ou de doença ocupacional; nos mesmos 15 segundos, 160 trabalhadores se acidentam. A relação entre trabalho decente e segurança e saúde no ambiente de trabalho está dada no aspecto dos princípios e direitos fundamentais no trabalho, dentre os quais, a dignidade humana condicionada à integridade física. Os impactos disso não apenas em termos humanos, mas também na economia, são suficientemente claros. As ausências no trabalho e os consequentes custos previdenciários geram impactos em todos os setores da economia, ainda que poucos estudos sejam conduzidos nesse sentido e, dentre esses poucos estudos, nem todos sejam conclusivos em suas estimativas de custo social e econômico24. Assim como os salários e as ocupações de postos de trabalho obedecem a um critério que não vem a ser estritamente meritocrático, também os acidentes de trabalho tendem a afetar aqueles que estão mais vulneráveis no mundo do trabalho, como mulheres, crianças e imigrantes. Países em estágio de desenvolvimento médio ou baixo, especialmente quando engajados em atividades agrícolas ou extrativas, tendem a apresentar maiores números de acidentes e doenças ocupacionais. Indicadores que compõem o tema Para a apresentação do aspecto de saúde e segurança no trabalho, utiliza-se a taxa de acidentes de trabalho como indicador confiável, calculada pela razão entre o número total de acidentes e o número total de trabalhadores. O cálculo do indicador foi baseado em dados do Ministério da Previdência Social e do IBGE. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões É possível observar que entre os anos de 2002 e 2005 houve a manutenção das mesmas regiões administrativas a apresentarem maior incidência de acidentes de trabalho no estado de São Paulo. Esses destaques negativos ficam por conta das regiões administrativas Central, Franca e de Ribeirão Preto, todas elas vinculadas a empreendimentos potencialmente perigosos para a segurança do trabalhador, nomeadamente, a produção agrícola da cana de açúcar e do setor coureiro calçadista. SANTANA, Vilma Sousa et al. Acidentes de trabalho: custos previdenciários e dias de trabalho perdidos. Rev. Saúde Pública vol.40 no.6 São Paulo Dec. 2006. Disponível em <http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006000700007>. 24 94 | Ambiente de trabalho seguro Tabela 14: Taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores – Região Administrativa (2002 a 2005) Região Administrativa Taxa de Acidentes no Ambiente de Trabalho (por 1000 trabalhadores) 2002 2003 2004 2005 Região Administrativa de Franca 8,591 7,586 8,628 7,867 Região Administrativa de Ribeirão Preto 8,278 7,765 8,471 8,051 Região Administrativa Central 7,088 6,295 7,663 9,188 Região Administrativa de São José dos Campos 6,730 6,315 6,615 6,756 Região Administrativa de Campinas 6,172 6,037 7,296 7,832 Região Administrativa de São José do Rio Preto 5,880 5,559 6,259 6,646 Região Administrativa de Araçatuba 5,550 5,236 6,200 5,678 Região Administrativa de Marília 5,382 5,075 5,013 4,720 Região Administrativa de Barretos 5,167 5,006 6,818 6,739 Região Administrativa de Sorocaba 4,775 4,512 5,441 5,770 Região Administrativa de Presidente Prudente 4,628 4,606 4,806 5,201 Região Administrativa de Bauru 4,405 5,010 8,339 8,325 Região Administrativa de Santos 3,491 3,302 3,844 4,127 Região Administrativa de Itapeva 2,337 2,303 2,572 3,113 Região Administrativa de Registro 1,385 1,842 2,226 2,163 Total Estado 5,461 5,263 5,937 6,250 Fonte: AEAT-MPAS e IBGE Elaboração: Fespsp O setor coureiro calçadista, segmento essencialmente industrial, apresenta maior nível de risco de acidentes de trabalho e de óbitos do que outros setores industriais de acordo com levantamento realizado pelo Serviço Social da Indústria (SESI) em 2003. A indústria, por si só, representava em 2010 cerca de 43,8% de todos os acidentes de trabalho em território nacional. A parte desse bolo, coube ao estado de São Paulo, em 2010, o quinto maior coeficiente de incidência de acidentes de trabalho na indústria: 31,1 contra a média nacional de 28,525. No estado de São Paulo, porém, destacam-se os acidentes de trabalho em municípios com atividades agrícolas. Dois municípios sempre presentes na série histórica com maiores incidências de acidentes de trabalho, Santa Rita do Passa Quatro (Região Administrativa Central) e Onda Verde (Região Administrativa de São José do Rio Preto) se destacam, respectivamente, pela agricultura (laranja e cana) e pecuária. A partir de 2006 outras regiões administrativas assumem a ponta dos acidentes de trabalho. As regiões de Campinas, São José dos Campos e São José do Rio Preto passaram a figurar com maior consistência no topo da lista da taxa de acidentes de trabalho. SESI. Panorama em Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria 2010 – Breve síntese. Disponível em: http://goo.gl/ ZqaxCM. Acesso em 10.fev.2015. 25 5,741 8,083 7,498 8,014 7,562 2,779 4,586 5,621 2,295 7,696 3,961 7,577 7,530 5,853 6,331 Região Administrativa de Araçatuba Região Administrativa de Barretos Região Administrativa de Bauru Região Administrativa de Campinas Região Administrativa de Franca Região Administrativa de Itapeva Região Administrativa de Marília Região Administrativa de Presidente Prudente Região Administrativa de Registro Região Administrativa de Ribeirão Preto Região Administrativa de Santos Região Administrativa de São José do Rio Preto Região Administrativa de São José dos Campos Região Administrativa de Sorocaba Total Estado Fonte: AEAT-MPAS e IBGE 8,394 2006 Região Administrativa Central Região Administrativa 8,489 8,253 10,736 10,429 6,630 9,237 3,860 8,920 6,835 3,107 8,497 10,304 9,360 9,625 6,255 9,061 2008 7,799 7,422 9,521 9,054 6,006 8,484 4,400 8,134 6,678 3,093 7,086 9,370 8,019 8,516 6,236 8,178 2009 Elaboração: Fespsp 7,632 7,416 9,701 9,128 5,617 8,832 3,449 8,087 6,088 2,893 8,946 9,088 8,641 9,687 5,999 9,229 2007 7,551 7,058 8,904 9,065 5,649 8,110 4,889 7,059 6,617 3,473 7,163 9,545 8,241 7,052 6,864 7,875 2010 7,590 7,459 8,594 9,094 5,870 7,948 4,161 6,422 6,119 3,238 7,317 9,984 8,244 7,125 6,919 7,918 2011 Tabela 15: Taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores – Região Administrativa (2006 a 2012) 7,295 7,094 8,188 8,908 5,257 7,560 3,893 5,872 5,519 2,978 6,589 9,686 7,929 6,872 7,730 8,213 2012 Anuário do Trabalho Decente |95 96 | Ambiente de trabalho seguro Regiões mais pobres, como Itapeva e Registro, de menores estoques de trabalho formal, figuram entre as menos atingidas pelos acidentes de trabalho notificados. As regiões administrativas de Campinas e de São José dos Campos compõem os maiores PIB regionais do estado, enquanto Itapeva e Registro compõem os menores. É possível sugerir uma relação PIB e taxa de acidentes de trabalho: quanto maior a produção de riquezas, maior a probabilidade de notificações de acidentes de trabalho, especialmente se o estoque de trabalho formal for elevado. Essas duas regiões administrativas mais ricas são também numerosas em população; podendo haver maior probabilidade de acidentes. Gráfico 10: Taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores – Região Metropolitana (2002-2012) Taxa de Acidentes de Trabalho (por 1.000 trabalhadores) 12 Região Metropolitana de Campinas 10 Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte Região Metropolitana de Sorocaba 8 6 Região Metropolitana de São Paulo Região Metropolitana da Baixada Santista 4 2 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Fonte: MPS. Elaboração FESPSP. No tocante às regiões metropolitanas do estado, a região metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte se reveza, ao longo de toda a série histórica, com a região metropolitana de Campinas no topo da lista de incidência de acidentes de trabalho. A região metropolitana do Vale do Paraíba é “sete vezes maior que a Região Metropolitana da Baixada Santista; quatro vezes mais extensa que a Região Metropolitana de Campinas; duas vezes o tamanho da Região Metropolitana de São Paulo”26, sendo ainda a décima maior Região Metropolitana do País, englobando 39 cidades, 2,3 milhões de habitantes em 6,5% do território estadual27. Ambas as regiões metropolitanas se destacam pelas atividades industriais e pela presença de parques industriais. Ainda assim, quando se comparam as taxas das regiões administrativas com maiores taxas de acidentes de trabalho em relação às regiões metropolitanas que também apresentam as maiores taxas, percebe-se que o segmento industrial no estado de São Paulo oferece menores riscos aos seus trabalhadores do que 26 EMPLASA. Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. 2012. Disponível em: http://goo.gl/joxY4f. p.25 27 EMPLASA. Idem. p.22 Anuário do Trabalho Decente |97 as atividades agropecuárias, algo que se deve provavelmente à tradição sindical nesse segmento econômico. Nesta oportunidade, toma-se como referência um único ano a título de ilustração, mas a tendência permanece na comparação em toda a série histórica. O ano de 2008 foi o de maior incidência de acidentes de trabalho registrados. Tabela 16: Destaques negativos - taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores (2008) Região Metropolitana 2008 Região Administrativa de São José dos Campos 10,736 Região Administrativa de São José do Rio Preto 10,429 Região Administrativa de Campinas 10,304 Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 10,736 Região Metropolitana de Campinas Fonte: AEAT-MPAS e IBGE 9,593 Elaboração: Fespsp A tabela 16 mostra que essa incidência aconteceu principalmente em regiões com índices altos de industrialização, como São José dos Campos e Campinas. É também o ano da crise financeira mundial, no qual a indústria brasileira foi estimulada a manter seus níveis de produção por meio de incentivos fiscais (como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados). Isso pode indicar um estímulo ao aumento da produtividade e, consequentemente, descuidos com a segurança do trabalho. Quando esses são associados as incertezas da manutenção do emprego – dada pela iminente crise – as chances de acidentes de trabalho aumentam. Seguridade social A proteção social deve ser entendida como o conjunto de benefícios e direitos garantidos aos trabalhadores durante o período que se encontram afastados do mercado de trabalho, seja por uma questão de saúde, de impossibilidade de permanência no mercado (idade) ou por questões de conjuntura social e/ou econômica, desfavoráveis ao pleno emprego. Anuário do Trabalho Decente |101 Seguridade social O Trabalho Decente tal como concebido pela OIT se assenta sobre quatro pilares, sendo um deles a proteção social. A proteção social deve ser entendida como o conjunto de benefícios e direitos garantidos aos trabalhadores durante o período que se encontram afastados do mercado de trabalho, seja por uma questão de saúde, de impossibilidade de permanência no mercado (idade) ou por questões de conjuntura social e/ou econômica, desfavoráveis ao pleno emprego. A amplitude e qualidade desses benefícios dizem respeito, necessariamente, à tradição do País e suas condições de sustentar os trabalhadores fora do mercado de trabalho. Assim, pensões, aposentadorias, auxílios de saúde e desemprego dizem respeito a essa dimensão do Trabalho Decente. Apesar de não ser um direito constitucional, o programa Bolsa Família, benefício de transferência de renda condicional, tem sido estudado na condição de motor para redução ou alívio da pobreza extrema. Tendo por público-alvo as mães de família com filhos, o objetivo principal do benefício é garantir algum nível de segurança alimentar para as crianças e adolescentes, garantindo sua permanência na escola ao menos até os 17 anos de idade. Como condicionalidades extras, há a realização de acompanhamento de saúde das crianças menores de 7 anos, grávidas e mães em estágio de amamentação. A redução e a erradicação do trabalho infantil passam por uma questão cultural, mas também pela redução e alívio da pobreza extrema, razão pela qual os dois temas se encontram interligados. Indicadores que compõem o tema O objetivo do indicador de beneficiários do programa Bolsa Família é apontar o número de famílias pobres existentes no estado de São Paulo por Região Administrativa e Região Metropolitana em comparação com o número de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. Assim, é possível verificar o nível de cobertura do programa no período de referência: 2004, ano de criação do programa; 2006 e 2010. Considera-se como famílias em situação de extrema pobreza – isto é, aptas a integrar o programa – aquelas cuja renda per capita seja inferior a R$ 77,00. Para a concessão do benefício são variáveis consideradas: a) o número de crianças até 15 anos de idade por família, pagando-se o estipêndio por até 5 crianças; e b) adolescentes até 17 anos, estipêndio concedido para até 2 pessoas nessa faixa de idade. Considera-se ainda a existência de gestantes na família. Estar qualificado para receber o benefício – isto é, atender os requisitos mínimos de renda – não significa que a família automaticamente receberá o benefício, tendo em vista que se trata de um programa e não de um benefício de prestação continuada previsto na Lei Orgânica 102 | Seguridade social de Assistência Social (LOAS). A cobertura do Programa Bolsa Família depende diretamente da dotação orçamentária prevista para esse fim, sem reserva constitucional garantida. Por esse motivo, identificar o número de famílias pobres face o número de famílias efetivamente atendidas nas localidades é um indicador relevante para a formulação de outras medidas e outros programas de superação da extrema pobreza. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões O Programa Bolsa Família, gerido no estado de São Paulo no âmbito do programa São Paulo Solidário, unificado também com o programa Renda Cidadã, é uma ferramenta para o enfrentamento à miséria. O programa conjunto pode ser considerado um aliado na promoção do Trabalho Decente na medida em que trabalhadores em situação de extrema vulnerabilidade social, uma vez beneficiados pelo programa, conseguem obter alguma margem de folga para procurar trabalhos menos indignos do que aqueles tradicionalmente oferecidos às pessoas em condição de extrema pobreza; com o benefício, é possível oferecer alguma renda de sobrevivência às famílias em situação de desamparo. O programa pode auxiliar os públicos prioritários do Trabalho Decente, nomeadamente as mulheres, os não brancos e as pessoas com deficiência, a reduzir os extremos de suas situações vulneráveis e ter, com isso, um aumento qualitativo no acesso ao mercado de trabalho e, consequentemente, às melhores condições de vida. No primeiro ano de vigência do Programa Bolsa Família (PBF), a cobertura média do programa no Estado foi de 54,2%: das 1.212.950 famílias qualificadas para receber o benefício, 657 mil foram efetivamente cadastradas. Em 2006, 77,1% das famílias pobres Duas das regiões administrativas mais do Estado recebiam o benefício, tendo havido uma redução da cobertura, em 2010, para 71,1% famílias. No entanto, não houve em PIB) já no primeiro ano do Esse número cresceu consistentemente ao programa longo do período: de 1.445.140 (2006) para 1.651.570 (2010), mas não foi acompanhado beneficiários na mesma proporção. como Registro (último lugar em PIB) e Itapeva (penúltimo lugar redução do número de famílias pobres. pelo crescimento do número de pobres do estado de São Paulo, 66% e Barretos, tiveram 65,4%, a cobertura de respectivamente. terceira Região Administrativa com menor participação no PIB paulista, também contou e ainda contava em 2010 com ampla cobertura de suas famílias no PBF. 56.873 31.482 29.401 44.516 39.072 27.390 30.644 17.863 68.217 38.361 46.967 65.086 142.528 Região Administrativa de São José do Rio Preto Região Administrativa de Bauru Região Administrativa de Ribeirão Preto Região Administrativa de Presidente Prudente Região Administrativa de Marília Região Administrativa Central Região Administrativa de Araçatuba Região Administrativa de Registro Região Administrativa de São José dos Campos Região Administrativa de Itapeva Região Administrativa de Santos Região Administrativa de Sorocaba Região Administrativa de Campinas 1.212.950 22.072 Região Administrativa de Franca Total Estado 17.263 Pobres Região Administrativa de Barretos Região Administrativa Fonte: MDS 657.099 79.399 35.471 17.786 25.091 30.656 11.788 17.781 16.767 21.671 25.679 10.996 20.341 26.936 9.950 10.712 Benef. 2004 1.445.140 200.623 89.168 60.735 30.926 79.847 17.794 24.016 29.513 33.576 31.838 36.753 34.463 43.094 22.393 14.171 Pobres Elaboração: Fespsp 54,20% 55,70% 54,50% 37,90% 65,40% 44,90% 66,00% 58,00% 61,20% 55,50% 57,70% 37,40% 64,60% 47,40% 45,10% 62,10% Taxa 1.114.328 138.464 60.299 46.428 40.278 66.770 20.109 29.597 25.755 35.798 41.106 28.954 31.796 45.984 21.250 16.917 Benef. 2006 77,10% 69,00% 67,60% 76,40% 130,20% 83,60% 113,00% 123,20% 87,30% 106,60% 129,10% 78,80% 92,30% 106,70% 94,90% 119,40% Taxa 1.651.570 189.693 80.947 70.168 40.023 90.167 21.711 24.756 27.299 35.511 33.765 35.611 30.868 39.064 21.644 12.438 Pobres Tabela 17: Taxa de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família - Região Administrativa (2004, 2006 e 2010) relacionadas ao erro amostral nas estimativas populacionais. 1.174.844 160.852 69.812 61.164 35.725 80.777 19.697 22.985 25.827 34.332 32.821 35.545 31.521 40.458 23.546 14.800 Benef. 2010 71,10% 84,80% 86,20% 87,20% 89,30% 89,60% 90,70% 92,80% 94,60% 96,70% 97,20% 99,80% 102,10% 103,60% 108,80% 119,00% Taxa distribuição regional no ano de 2010. Vale observar que em alguns casos o percentual de cobertura pode ultrapassar 100%, devido a imprecisões É possível notar, pela tabela 17, que a cobertura do programa foi ampliada em todo o estado no ano de 2006, sofrendo alguma retração e nova Anuário do Trabalho Decente |103 104 | Seguridade social Na Região Administrativa de Registro, o município mais vulnerável de acordo com a classificação do IPVS (Índice paulista de vulnerabilidade social - Fundação Seade), Barra do Turvo, em função do índice de alta vulnerabilidade entre a população rural, não foi aquele com maior cobertura em 2004. Esse rumo foi corrigido nos anos seguintes: a população extremamente pobre de Cajati, Registro e Barra do Turvo hoje se encontra completamente coberta pelo programa. Tabela 18: Cidades paulistas com maior número de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família (2010) 2010 Municípios Pobres Beneficiárias Taxa Cajati 2.101 2.283 108,70% Registro 3.414 3.534 103,50% 832 852 102,40% 1.654 1.656 100,10% 894 866 96,90% 1.137 1.099 96,70% 814 759 93,20% Sete Barras 1.286 1.187 92,30% Miracatu 2.011 1.778 88,40% Eldorado 1.461 1.282 87,70% Iguape 2.506 1.899 75,80% Jacupiranga 1.311 985 75,10% Itariri 1.578 1.084 68,70% 712 433 60,80% Barra do Turvo Juquiá Pedro de Toledo Pariquera-Açu Cananéia Ilha Comprida Fonte: MDS Elaboração: Fespsp Na série histórica, a Região Administrativa de Itapeva foi a que alcançou a maior cobertura do Programa Bolsa Família no estado, em 2006. Essa região se caracteriza pela produção de minérios, concentrando ainda áreas de reflorestamento e produção agrícola, mas ainda não há reflexo amplamente positivo dessas atividades no PIB estadual e nem na redistribuição de renda, razão pela qual os programas de erradicação de pobreza são fundamentais. Já as regiões administrativas de Registro, localizada no Vale do Ribeira, e de Barretos se caracterizam, a primeira, pela plantação agrícola e piscicultura (banana, palmito e pupunha em Registro) e, a segunda, pela agroindústria e setor terciário. As três regiões administrativas com as menores participações no PIB estadual não são as mais populosas do estado, mas entre 2004 e 2006 contavam com a maior cobertura do Programa Bolsa Família, excedendo os 100%. O desenvolvimento econômico dessas regiões não necessariamente levará também a uma redução maior do número de famílias em condições de extrema pobreza, porque há que se considerar Anuário do Trabalho Decente |105 o fator de redistribuição de renda. Na região administrativa de Barretos, cidades como Monte Azul Paulista e Bebedouro, que tiveram suas economias dinamizadas pelo crescimento do setor industrial (suco de laranja), a cobertura do Programa Bolsa Família apresentou crescimento consistente no período de referência; mas em Bebedouro, houve aumento do número de famílias pobres em todo o período. Em Monte Azul Paulista, assim como em outras cidades da região administrativa de Barretos, houve redução do número de famílias pobres aptas a entrar no programa, entre 2006 e 2010, apesar do mesmo não ter acontecido em Bebedouro. Ainda considerando a região administrativa de Barretos como um todo, houve persistente queda no número de famílias pobres entre 2004 e 2010. As regiões administrativas de Franca, São José do Rio Preto e Bauru, apesar de apresentarem a maior cobertura, são também as regiões nas quais o número de famílias pobres apresentava tendência de queda ao longo da série histórica, são também as regiões nas quais o número de famílias pobres apresentava tendência de queda ao longo da série histórica. Tanto as regiões de Barretos como de Franca se caracterizam por gerar empregos com menor exigência de escolaridade ou de especialização e Bauru conta com um arranjo produtivo local (APL) voltado para o segmento coureiro, que também exige menor qualificação da mão de obra contratada. As quatro regiões se destacam pelo setor primário e pela agroindústria, segmento que cresceu em participação no PIB estadual no período de referência. O crescimento do setor e a contrapartida de menor exigência de qualificação para a força de trabalho explica em parte a redução contínua do número de famílias em extrema pobreza. Em relação às regiões metropolitanas no ano de 2004, apenas duas obtiveram percentual de cobertura acima da média do estado: a Região Metropolitana de São Paulo e a Região Metropolitana de Sorocaba, ambas com 55,3% de cobertura. Cumpre lembrar que apesar da Região Metropolitana de Sorocaba ser recente, criada em 2014, assim como a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (2012), isso não invalida o cálculo a partir dos dados dos municípios que vieram a compor essas regiões metropolitanas. Na Região Metropolitana de São Paulo, a Região Metropolitana com maior número absoluto de famílias na condição de extrema pobreza, houve aumento do número de famílias aptas a receberem o benefício do Programa Bolsa Família que não foi acompanhado do aumento da oferta de bolsas do programa, apesar do crescimento do número de famílias beneficiadas. 106 | Seguridade social Gráfico 11: Taxa de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família - Região Metropolitana (2004, 2006 e 2010) Bolsa Família (% domicílios pobres beneficiados) 100% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 90% Região Metropolitana da Baixada Santista 80% Região Metropolitana de Sorocaba 70% 60% Região Metropolitana de Campinas 50% Região Metropolitana de São Paulo 40% 30% 2004 2006 2010 Fonte: MDS. Elaboração FESPSP. Por fim, verifica-se nas regiões metropolitanas a mesma tendência observada nas regiões administrativas do estado de São Paulo: de crescimento do número de famílias em condição de extrema pobreza, de aumento do número de famílias atendidas, mas não na proporção necessária para erradicar a pobreza. A desindustrialização de algumas regiões, como a Região Metropolitana de São Paulo, contribui para esse empobrecimento generalizado das famílias na base da pirâmide econômica. Com os próximos dados censitários, será possível aferir se a união do programa estadual “São Paulo Solidário” com o CadÚnico federal do Programa É possível verificar que em 2006, dois anos após a criação do Programa Bolsa Família, houve um aumento generalizado tanto de famílias aptas a receberam a bolsa como do número de famílias efetivamente atendidas pelo programa. Bolsa Família contribuiu para reduzir o número de famílias pobres após 2010. O crescimento do número de famílias em situação de extrema pobreza em todo o estado é compatível com a elevação do trabalho infantil em algumas regiões e pode ser considerado como um de seus fatores explicativos, em conjunto com a fundamental desigualdade na distribuição do PIB per capita. Estabilidade e Segurança no Trabalho A estabilidade no emprego pressupõe um horizonte de certeza, isto é, da oportunidade para o trabalhador planejar as etapas de sua própria vida: estudos, vida pessoal e afetiva, período fora do mercado de trabalho, qualificação profissional. Anuário do Trabalho Decente |109 Estabilidade e Segurança no Trabalho Um dos temas propostos na formulação do conceito de Trabalho Decente é a estabilidade e segurança no trabalho. A estabilidade no emprego pressupõe um horizonte de certeza, isto é, da oportunidade para o trabalhador planejar as etapas de sua própria vida: estudos, vida pessoal e afetiva, período fora do mercado de trabalho, qualificação profissional. Nesse aspecto, a proteção ao emprego foi uma política adotada por muito tempo não apenas no Brasil, mas também na Europa. A mudança de paradigma deu-se quando se passou a considerar como digno de proteção o trabalhador, não seu emprego, ainda que à custa do aumento da rotatividade do trabalho, isto é, da troca sucessiva de empregos em um dado período de tempo, usualmente curto, por parte do trabalhador. A rotatividade do trabalho, isto é, o tempo de permanência e de troca de emprego por parte do trabalhador pode sinalizar algumas coisas. Pode indicar que o mercado de trabalho está aquecido em função da qualificação dos trabalhadores que, na medida em que se requalificam, procuram empregos mais condizentes com sua nova condição; pode indicar ainda que, em termos de aquecimento do mercado de trabalho, há uma disputa entre contratantes pelos trabalhadores disponíveis, o que eleva a oferta de salários – algo que pode ocorrer em alguns segmentos, mas usualmente não ocorre em todos os segmentos que compõem o mercado. Por fim, a rotatividade pode indicar insatisfação dos trabalhadores com seus empregadores e salários. Empresas maiores ou consideradas mais tradicionais tendem a apresentar viés em relação aos trabalhadores que permanecem pouco tempo em suas ocupações, preterindo-os em processos seletivos, recusando-se a contratá-los. Em se tratando de Brasil, especialmente nos primeiros anos do século XXI, a rotatividade se tornou um lugar comum. Desde que acompanhada do aumento de escolaridade e da elevação dos rendimentos auferidos com o trabalho, isso não necessariamente significa algo negativo. Quando a rotatividade é acompanhada do fechamento de postos de trabalho – o que significaria remanejo de mão de obra para outros segmentos ou mesmo para atividades por conta própria – isso pode sinalizar o enfraquecimento do ambiente de negócios, a descrença no sistema que antecede as crises econômicas cíclicas, próprias do sistema capitalista. Indicadores que compõem o tema Para mensurar a estabilidade e a segurança que o trabalhador desfruta em seu emprego, a seção brasileira da OIT propõe como indicador confiável a taxa de rotatividade que ora se adota. No estado de São Paulo, regiões administrativas e, em particular, municípios mais industrializados, tendem a apresentar maiores taxas de rotatividade para o período de referência (2006 a 2013). O 110 | Estabilidade e Segurança no Trabalho indicador de taxa de rotatividade ora apresentado é calculado a partir dos dados do Ministério do Trabalho e Emprego nas bases da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com Campos e Pochmann28, a prática de substituição da mão de obra não é uma exclusividade brasileira, mas é no Brasil que essa prática se dá de forma constante e frequente em função da relação de desconfiança entre empregadores e empregados. Ainda segundo os autores, os empregados se ressentiriam da ameaça de demissão sem justificativa e os empregadores, do término do contrato por parte do trabalhador em razão de uma nova oportunidade de melhor remuneração em outra empresa. O déficit de confiança interpessoal que o cientista político Robert Putnam chama de baixo “capital social” gera outros déficits para além do mundo de trabalho. O esgarçamento do tecido social tem impactos na participação política e em instituições de representação, como sindicatos. Em termos concretos, a desconfiança empregador/empregado leva a menores investimentos na qualificação de mão de obra que, em tese, pode a qualquer momento ser contratada por concorrentes. Esse é o efeito mais deletério da rotatividade porque afeta as próprias condições de produtividade do País e, em larga medida, afeta também a pontualidade das contribuições previdenciárias, pondo em risco todo o sistema. Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões As regiões administrativas Central, Araçatuba, Franca e Barretos, apesar de não disporem dos maiores estoques de empregos são as regiões que apresentam as maiores taxas de rotatividade do estado no período de referência. Ao longo da série histórica (2006 a 2013), é possível observar que houve crescimento do estoque de empregos em todas as regiões administrativas do estado, tendo apenas a região administrativa de Barretos apresentado oscilação, isto é, elevação do número de empregos gerados seguido de retração e novo aumento. CAMPOS, André. POCHMANN, Márcio. Mercado de trabalho e previdência social no Brasil. CESIT. Carta Social e do Trabalho, n.7, set./dez. 2007, p. 65-100. 28 Anuário do Trabalho Decente |111 Tabela 19: Taxa de Rotatividade por Região Administrativa (2006 e 2013) Região Administrativa 2006 Estoque 2013 Rotatividade Estoque Rotatividade RA de Campinas 1.535.936 38,80% 2.133.803 48,20% RA de Sorocaba 467.982 39,40% 659.679 47,70% RA de São José dos Campos 428.121 32,20% 600.639 42,00% RA de Ribeirão Preto 285.564 48,80% 410.957 49,70% RA de Santos 299.598 27,10% 410.513 36,50% RA de São José do Rio Preto 275.909 49,10% 408.401 48,60% RA de Bauru 246.578 48,40% 329.710 52,00% RA Central 230.001 51,00% 298.178 54,80% RA de Marília 184.034 40,60% 246.122 40,10% RA de Presidente Prudente 144.859 38,90% 194.472 41,20% RA de Araçatuba 147.134 52,60% 191.735 52,30% RA de Franca 143.897 64,10% 189.548 56,70% RA de Barretos 97.372 64,70% 118.970 57,90% RA de Itapeva 74.607 40,60% 102.382 42,10% RA de Registro 31.722 27,90% 44.629 34,00% Fonte: Rais/Caged-MTE Elaboração: Fespsp É interessante notar a estabilidade das regiões administrativas no tocante às taxas de rotatividade, sempre constantes: Barretos, Franca e Araçatuba se alternam nas três primeiras colocações entre 2006 e 2009. Entre os anos de 2010 e 2013, a região administrativa Central passa a ocupar a terceira colocação, compondo as quatro maiores taxas de rotatividade do estado. As quatro regiões concentram aproximadamente 12,7% da população do estado (2010) e representam quase 20% dos municípios paulistas. Observa-se de forma geral nessas quatro regiões que as taxas de rotatividade cresceram de 2006 para 2008, apresentando queda em 2009, exceto na região administrativa de Bauru, e retomando aleatoriamente a tendência de aumento da taxa a partir de 2010. Esse fenômeno em parte pode ser explicado pelos efeitos da crise econômica internacional e o cenário de insegurança decorrente dessa condição. 3,2% Região Administrativa de Sorocaba Fonte: Rais/Caged-MTE 3,8% Região Administrativa de São José dos Campos 7,5% Região Administrativa de Presidente Prudente 7,7% -1,3% Região Administrativa de Marília Região Administrativa de São José do Rio Preto -5,0% Região Administrativa de Itapeva 2,3% -0,1% Região Administrativa de Franca Região Administrativa de Santos 2,9% Região Administrativa de Campinas -1,3% 4,8% Região Administrativa de Bauru Região Administrativa de Ribeirão Preto 9,5% Região Administrativa de Barretos 14,3% 9,6% Região Administrativa de Araçatuba Região Administrativa de Registro 3,4% 2006-2007 Região Administrativa Central Região Administrativa -7,8% -0,1% -11,4% 4,4% -8,7% -5,2% -13,6% -9,6% -6,6% -10,2% -5,7% -9,2% 1,1% -11,3% -11,2% 2008-2009 Elaboração: Fespsp 15,5% 16,2% -0,7% 14,1% 14,0% 12,5% 5,6% 10,3% 16,9% 7,7% 17,0% 9,6% -13,3% 12,8% 8,7% 2007-2008 6,5% 4,2% 7,3% 4,8% 0,5% 4,3% 5,4% 0,2% 3,5% -2,3% 5,5% 1,3% 8,5% -2,6% 15,9% 2009-2010 7,0% 7,0% 0,9% 3,7% 3,4% 0,5% 4,9% 3,7% 1,9% -0,1% 4,8% 0,8% -22,1% 0,8% -10,9% 2010-2011 Tabela 20: Variação anual da taxa de rotatividade - Região Administrativa (2006-2013) -0,7% -5,0% -5,0% 7,4% -2,8% -3,5% -5,0% -5,3% 0,8% -3,9% 0,7% -1,7% 8,1% -9,2% 3,3% 2011-2012 -2,7% 2,1% 1,6% -5,5% -1,7% -1,3% 2,9% 1,9% -6,1% -2,3% -2,0% 2,8% 2,0% 1,7% 0,9% 2012-2013 112 | Estabilidade e Segurança no Trabalho Anuário do Trabalho Decente |113 É importante considerar as atividades econômicas dessas regiões: Franca se destaca pelo setor coureiro e atacadista, assim como Barretos se destaca pelo setor primário, a região administrativa Central pelo setor agrícola, com forte participação de comércio, e Araçatuba pela agropecuária. Ou seja, predomina nessas regiões, de forma geral, o setor primário. Em todos esses segmentos, o ponto em comum é o uso de mão de obra sem maiores exigências de qualificação ou de escolaridade, além de serem setores que fazem uso intenso da mão de obra. Todas essas regiões compartilham também da cultura da cana de açúcar encadeada com a indústria sucroalcooleira – outro segmento de baixa exigência de escolaridade e qualificação. Como Os maiores estoques de trabalho foram consistentes nas regiões administrativas de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, se caracterizando pelo alto peso do setor de indústria e de serviços. Nota-se ainda que as taxas de rotatividade dessas três regiões são inferiores às demais. um todo, tais regiões têm pouca participação nos segmentos econômicos mais complexos. No entanto, considerando-se apenas as regiões metropolitanas do estado, que tendem a apresentar maior concentração de empregos, as regiões metropolitanas de Campinas e Sorocaba apresentam as maiores taxas de rotatividade dentre as cinco existentes no estado. Nessas duas regiões metropolitanas, os empregos industriais têm maior peso e as regiões concentram as atividades de apoio à indústria e setor terciário, sendo o setor de serviços uma força na Região Metropolitana de Campinas. Gráfico 12: Taxa de rotatividade - Região metropolitana (2006-2013) Rotatividade (taxa em % do total de empregados) 55% 50% Região Metropolitana de Sorocaba 45% Região Metropolitana de Campinas 40% Região Metropolitana da Baixada Santista 35% Região Metropolitana de São Paulo 30% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 25% 20% 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: RAIS. Elaboração FESPSP. 114 | Estabilidade e Segurança no Trabalho A estrutura econômica de cada região diz respeito diretamente à qualidade do emprego gerado e do nível de rotatividade no trabalho. As regiões metropolitanas são concentradoras de maior número de população (muito qualificada, mas também pouco qualificada) e apresentam maiores estoques de emprego com menores taxas de rotatividade do que algumas regiões administrativas, o que sugere o caráter sazonal e a diminuição dos empregos nos ramos de atividade primárias. Diálogo social e representação de trabalhadores e empregadores Por diálogo social compreende-se a possibilidade do diálogo entre trabalhadores, empregadores e governo para resolverem questões diretamente relacionadas a todos. A liberdade de organização e associação dos trabalhadores, ou seja, a liberdade de filiar-se a algum sindicato ou instância representativa deve ser respeitada e garantida. Anuário do Trabalho Decente |117 Diálogo social e representação de trabalhadores e empregadores O Trabalho Decente se apoia em quatro pilares fundamentais: direitos do trabalho, geração de empregos, seguridade social e diálogo social. Ao que interessa no momento, por diálogo social compreende-se a possibilidade do diálogo entre trabalhadores, empregadores e governo para resolverem questões diretamente relacionadas a todos, como, por exemplo, as questões ligadas ao mundo do trabalho. A liberdade de organização e associação dos trabalhadores, ou seja, a liberdade de filiar-se a algum sindicato ou instância representativa deve ser respeitada e garantida. Os trabalhadores têm assegurado na Convenção n°98 da OIT, o Direito de Sindicalização. Como o mercado de trabalho é o encontro de diversos atores sociais com distintos interesses, a sindicalização dos trabalhadores e o fortalecimento dos sindicatos são fundamentais para os trabalhadores e também para o desenvolvimento do Trabalho Decente, posto que são eles que lutam para resguardar e ampliar os direitos dos trabalhadores. Os sindicatos são atores imprescindíveis nas negociações tripartites do Trabalho Decente, assim como as entidades patronais e o estado. Indicadores que compõem o tema A seguir é apresentada a taxa de sindicalização dos trabalhadores do estado de São Paulo, que se refere a uma proporção entre o total de pessoas ocupadas e a quantidade de pessoas ocupadas sindicalizadas. Estes dados referem-se às PNAD realizadas entre 2001 e 2013 (com exceção de 2010) e contém também informações relacionadas sob os aspectos de gênero e cor/raça. Aqui entende-se por região metropolitana o conjunto de todas as regiões metropolitanas do estado (Regiões Metropolitanas de São Paulo, Campinas, Sorocaba, Baixada Santista e Vale do Paraíba e Litoral Norte) e por região não metropolitana os outros municípios do estado de São Paulo. 118 | Diálogo social e representação de trabalhadores e empregadores Análise do tema com base nos indicadores no estado e nas regiões Gráfico 13: Taxa de sindicalização no estado de São Paulo (2001-2013) Taxa de Sindicalização (% sobre total da PEA) 21% 20% 19% 18% Reg metropolitana 17% Reg nãometropolitanta 16% 15% 14% 13% 2013 2012 2011 2009 2008 2007 2006 2005 2004 2003 2002 2001 12% Fonte: IBGE. Elaboração FESPSP. Conforme nota-se no Gráfico 13, a taxa de sindicalização no estado de São Paulo no período ficou entre 15% e 20%, porém oscilou para baixo. A taxa apresentou crescimento apenas entre 2003/2004 e 2007/2008 de 6,1% e 4,2% respectivamente. Cabe destacar que esse crescimento foi fomentado pelas altas taxas de sindicalização (10,5% e 13,4%) dos trabalhadores da Região Não Metropolitana entre os anos acima mencionados. Ao realizar uma comparação entre 2003 (17,8%) e 2013 (14,8%), captando assim um intervalo de dez anos, constata-se uma queda de 3% na taxa de sindicalização em todo o estado. A Região Metropolitana obteve o maior número de pessoas ocupadas sindicalizadas no ano de 2004, alcançando 18,7%. Por outro lado, a Região Não Metropolitana apresentou um crescimento a partir de 2007 até 2009, quando atingiu seu ápice de sindicalizados (20,2%). Porém, a partir do ano seguinte a taxa de sindicalização passou a diminuir consecutivamente. Na Região Não Metropolitana, que engloba praticamente todas as Regiões Administrativas do estado, o agronegócio é um importante gerador de postos de trabalho. Porém houve uma queda no número de trabalhadores do setor em geral, principalmente, nos canaviais. A crise econômica mundial (2007/2008) deprimiu as exportações brasileiras, embora o Brasil tenha continuado a exportar açúcar e etanol (entre outras commodities). Paralelamente a isso, ocorreu um aumento na mecanização das plantações no estado de São Paulo, com destaque para o setor sucroalcooleiro. Estes dois fatores são essenciais para avaliarmos a queda no número de trabalhadores no setor e, consequentemente, o número de trabalhadores sindicalizados. Ao analisar os dados ressaltando os aspectos de gênero e raça/cor nota-se a mesma Anuário do Trabalho Decente |119 discrepância do mercado de trabalho em geral. A taxa de sindicalização dos homens é maior que a das mulheres em todos os anos da amostra. Em 2013, enquanto 16,3% dos homens ocupados eram sindicalizados este número era de apenas 12,8% para as mulheres. Gráfico 14: Taxa de sindicalização por sexo no estado de São Paulo (2003-2013) 25,00% 20,00% 15,00% Mulheres Homens 10,00% 5,00% 0,00% 2003 2004 2005 2006 2007 Fonte: PNAD-IBGE 2008 2009 2011 2012 2013 Elaboração: Fespsp A despeito do aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, sua sindicalização decresceu. A taxa de sindicalização das mulheres, em 2003, era de 15,4%, teve seu auge em 2005 com 15,8% e encerrou 2013 com 12,8%. Em 2003 a taxa de sindicalização dos homens era de 19,5%, porém decaiu para 16,3% em 2013. Em todo o estado de São Paulo, desde 2008, o número de homens sindicalizados vem diminuindo com destaque para os trabalhadores da Região Não Metropolitana. Ao se considerar a taxa de sindicalização entre brancos e não brancos no estado de São Paulo nota-se mais uma vez a desigualdade existente no mercado de trabalho, pois há maior presença dos brancos. A taxa de brancos sindicalizados era de 18,8% em 2003 e de 14,9% para os não brancos. Conforme o Gráfico 15 a taxa de não brancos sindicalizados oscilou entre os 15% e 16%, nunca ultrapassando estes números. Em 2005 a taxa alcançou seu maior crescimento, atingindo 16,4%. Porém, desde então, vem acumulando decréscimos, e em 2013 passou a ser de 12,6%. 120 | Diálogo social e representação de trabalhadores e empregadores Gráfico 15: Taxa de sindicalização por cor no estado de São Paulo (2003-2013) 25,0% 20,0% 15,0% Branco Não Branco 10,0% 5,0% 0,0% 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Fonte: PNAD-IBGE 2009 2011 2012 2013 Elaboração: Fespsp Como foi apontado nos gráficos acima, há uma queda no número de trabalhadores sindicalizados no estado de São Paulo nos últimos anos, e este não é um fenômeno isolado. O problema que coloca o declínio dos sindicatos nas últimas décadas tem sido extensamente analisado por estudiosos do tema29, que apontam, como resultado, uma piora nas condições de trabalho, renda e benefícios por parte dos trabalhadores. O Trabalho Decente e a presença dos sindicatos na sociedade estão, portanto, diretamente relacionados. Isso se deve à mediação que a atividade sindical proporciona à relação trabalhista, permitindo uma participação mais justa do trabalho na renda gerada. Por outro lado, na ausência de sindicatos, abre-se espaço para injustiças distributivas na apropriação do excedente produzido, em benefício do capital, resultando em uma economia de baixos salários e maiores desigualdades raciais, de gênero e de renda. A regulação da relação trabalhista e do livre exercício da atividade sindical é tarefa fundamentalmente do governo e da justiça federais. No entanto, os governos estaduais podem, e devem, estimular as empresas a respeitarem a organização dos trabalhadores, além de colocar a sua estrutura jurídica para atuar de forma a reprimir obstáculos artificiais impostos ao livre exercício dos sindicatos nos estados e municípios. É preciso também repensar formas de democratizar os sindicatos, para que mulheres, negros e outras minorias estejam realmente representadas nestas instituições. 29 Cf. ANTUNES, Ricardo (Org.) Riqueza e miséria do Trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006. Anuário do Trabalho Decente |121 O governo do estado de São Paulo fomentou durante 2013 um intenso debate tripartite sobre o Trabalho Decente, no qual os sindicatos foram figuras centrais, demonstrando a possibilidade real de um diálogo (social) entre agentes públicos, representantes de trabalhadores e patronais. O principal objetivo desse fórum consultivo foi abrir um espaço de discussão e debates acerca da temática do Trabalho Decente, para que propostas fossem apresentadas para a formulação de políticas públicas e a promoção do conceito proposto pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como sua principal meta para o início do século XXI. Outro objetivo alcançado com as reuniões tripartites foi, justamente, divulgar um entendimento do que vem a ser o conceito de Trabalho Decente e as políticas públicas vigentes no estado de São Paulo, as quais auxiliam na implementação de políticas públicas de emprego e renda. Encerramento O Estado, como ente agregador do tripartismo, tem um importante papel na reunião dos interesses dos diversos setores envolvidos com o tema, no sentido de fazê-los confluir para a promoção e manutenção de políticas que visem a disseminação do Trabalho Decente no estado de São Paulo. Anuário do Trabalho Decente |125 Encerramento O Trabalho Decente é um conceito apresentado em 1999 pela Organização Internacional do Trabalho com o objetivo de orientar as políticas dos estados-membros no combate aos efeitos deletérios da globalização econômica. Para isso, a OIT constituiu a Agenda Global de Trabalho Decente, com quatro eixos: i) respeito aos princípios e direitos fundamentais do trabalho; ii) geração de mais e melhores empregos; iii) extensão da proteção social; iv) promoção do diálogo social. Esta Agenda paulatinamente vem sendo traduzida em Agendas Nacionais, com prioridades próprias dos países membros da organização. A Agenda Nacional de Trabalho Decente brasileira foi publicada em 2006, com estímulos a elaboração de agendas regionais, em âmbito estadual e municipal. A primeira experiência foi a Agenda Bahia de Trabalho Decente, seguida por outras, como Mato Grosso e São Paulo. São Paulo iniciou o processo para elaboração de sua agenda em 2011, com a I Conferência Estadual de Emprego e Trabalho Decente. Desde então, vem realizando atividades para tornar o conceito conhecido de sua população. Essas atividades, como oficinas temáticas e cursos de formação, tem repercutido positivamente, como mostram os dados apresentados nesse Anuário. Contudo, é preciso ressaltar que ainda há muito trabalho a ser feito, tanto pelo Governo Estadual como pelos governos municipais. Em termos do trabalho a ser abolido, os dados apresentados sobre trabalho infantil evidenciam que há um ligeiro aumento dessa prática no estado de São Paulo. Deve-se lembrar de que há correlação entre pobreza familiar e a prática ilegal do trabalho infantil para “ajudar” nos rendimentos do domicílio. Nesse sentido, qualquer política pública que tenha como objetivo mitigar os efeitos da pobreza, principalmente da extrema pobreza, tende a auxiliar na redução dos números de trabalho infantil. Políticas voltadas para a permanência da criança e do adolescente em ambiente escolar, tais como programas de transferência de renda condicionada já desenvolvidos no âmbito do estado, a exemplo do Ação Jovem e do São Paulo Solidário mantidos pela Secretaria do Desenvolvimento Social (Sedes), podem cooperar para a continuidade dos estudos e o afastamento da criança ou do adolescente do trabalho infantil. Mas a evasão escolar não será detida apenas com o aumento da renda das famílias cujos filhos estão matriculados; a questão não se resume apenas ao dinheiro, mas também aos aspectos culturais, dentre os quais, o modo de vida e de consumo. Assim, é preciso também uma campanha que vise divulgar os efeitos deletérios do trabalho infantil na construção da trajetória profissional e pessoal da criança, indicando quais consequências essa prática poderá ter em termos do ingresso qualificado no mercado de trabalho e no desenvolvimento dela na idade adulta. 126 | Encerramento Além disso, deve-se considerar que os ramos ilegais de atividade econômica dispõem de recursos que o ente estatal não possui e se tornam “atrativos” as crianças e adolescentes, principalmente os mais pobres. Nesse aspecto, políticas públicas voltadas para a educação em contra turno, oferecendo atividades extracurriculares que sejam de interesse das crianças e adolescentes, devem fazer parte da pauta de discussões dos rumos a se tomar para a erradicação do trabalho infantil. Outras formas de motivar a redução do trabalho infantil são políticas públicas voltadas para o microcrédito oferecido ao microempreendedor com a justa contrapartida e fiscalização de não utilização de mão de obra infantil. Políticas com esse objetivo podem a um só tempo favorecer a ocupação produtiva e a diminuição do uso dessa forma de trabalho. Ainda em termos do trabalho a ser abolido, mesmo o trabalho escravo contemporâneo não tendo sido tratado nesse Anuário, faz-se necessário ressaltar a constituição da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) como um instrumento positivo no combate a essa prática de trabalho, que cresceu nos últimos anos no estado. Junto das ações da Coetrae, programas como Frentes de Trabalho, mantido pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, auxiliam na recolocação de pessoas com baixa qualificação e em condição de vulnerabilidade social, suscetíveis a ingressarem em trabalhos degradantes, e contribuem para a diminuição das desigualdades de oportunidades. O mesmo pode ser dito do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (Padef), também mantido pela SERT, que visa a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho de forma mais qualificada. Contudo, como é possível ver nesse Anuário, vem diminuindo a presença de pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho, o que alerta para a necessidade de rever o programa ou de pensar em outras políticas públicas que auxiliem na obtenção de qualificação profissional para o trabalhador com deficiência e mesmo a promoção de uma mudança cultural do empregador, visto que mesmo com a Lei nº 8.213/91 (Lei de Cotas), as empresas ainda não a cumprem sob a alegação de não terem condições de adaptabilidade dos locais de trabalho. Ressalte-se ainda a dificuldade de preenchimento de vagas relatada por empregadores, o que sinaliza para a importância de se desenvolver programas de requalificação específicos para este segmento da população. Ainda em termos da igualdade de oportunidades, os dados mostram que há um recuo no salário recebido pelas mulheres em relação ao salário percebido pelos homens. Em 2003, as mulheres ganhavam 20% a menos que os homens e em 2013, 23%. O recuo é pequeno, mas indica que a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ainda permanece e apresenta tendência a se ampliar. Outro dado importante é a permanência mais acentuada do trabalho infantil entre crianças não brancas, o que reverte na reprodução do ciclo de pobreza entre esse grupo e na manutenção dos não brancos em trabalhos não qualificados e com baixos salários. Políticas voltadas para a inserção da mulher no mercado de trabalho e campanhas que objetivem reduzir a discriminação (seja ela de raça, gênero, deficiência) nesse mercado podem ser importantes para a Anuário do Trabalho Decente |127 diminuição das diferenças e a ampliação do Trabalho Decente. A questão dos acidentes de trabalho que resultam em óbito e em invalidez permanente ou temporária também é um tema que requer urgência. A fiscalização e os mecanismos de denúncia idealmente devem funcionar, mas as medidas de segurança não podem se restringir a isso. Um dos problemas encontrados em segmentos econômicos específicos como a cultura da cana e a construção civil é a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), nem sempre disponibilizados ou mesmo nem sempre utilizados pelos trabalhadores. Programas educativos a respeito da necessária utilização do EPI e fortalecimento da ação sindicalizada para pressionar o fornecimento de EPI devem ser considerados, cabendo ao Estado, nesse aspecto, exercer seu papel de mediador no diálogo social. A ausência de segurança nos ambientes de trabalho pode acarretar em rotatividade no trabalho. É sabido que a precarização do trabalho, que pode ter origem em baixos salários como em péssimas condições de trabalho, tem levado os trabalhadores a buscarem trabalhos melhores, nos quais haja seguridade social, bons salários e condições de trabalho compatíveis com a atividade exercida. Portanto, quando se refere à questão da rotatividade do mercado de trabalho brasileiro, há que se considerar quais são os segmentos, ocupações e faixas salariais de maior rotatividade. A escolaridade e a qualificação profissionais são dois aspectos que devem ser levados em conta na formulação de políticas públicas voltadas para a resolução desse problema. Em contexto de alta rotatividade, poucas empresas terão os meios e a disposição de investir na qualificação de seus funcionários. Esse custo pode ser dividido entre Estado e empresas, mas há que se conscientizar as pessoas da importância da requalificação profissional O dado positivo é que a crescente taxa de rotatividade não tem baixado a taxa de formalização da população em idade ativa, como mostram os dados desse Anuário. Há uma variação menor desse indicador nos últimos anos, mas a formalização da PIA vem crescendo anualmente. Esse dado pode ser resultado das políticas de intermediação de mão de obra e qualificação profissional empreendidas pelo Governo do Estado de São Paulo, como o Time do Emprego e o Programa Estadual de Qualificação. Contudo, ao associar o crescimento da formalização e aumento da rotatividade acende-se um alerta, pois o primeiro indicador pode evidenciar a manutenção dos trabalhadores no mercado formal de trabalho, mas que talvez não seja em condições ideais, conforme ressalta o segundo indicador. Assim, não se deve tomar o aumento da formalização do trabalho como um dado isolado, sendo necessário analisá-lo em conjunto com indicadores como taxa de rotatividade, salário médio e desigualdade de oportunidades, que indicam não apenas a formalização, mas em que condições esses trabalhadores estão se inserindo no mercado formal de trabalho. Pensando nessa correlação, os dados apresentados no Anuário mostram que há um aumento do salário médio nominal nos últimos dez anos. Parte desse aumento é resultado da política nacional de valorização do salário mínimo, que compõe uma das metas do Plano Nacional de Emprego e 128 | Encerramento Trabalho Decente. Contudo, não se deve descartar o movimento, motivado por tal política, de aumento da renda salarial, empreendido principalmente pelos sindicatos de categoria. Nos últimos anos, boa parte das categorias conseguiram aumentos salariais acima da inflação a partir de negociações coletivas, o que mostra a importância do diálogo social para o desenvolvimento de um ambiente de Trabalho Decente. Apesar do sucesso recente das negociações coletivas, as taxas de sindicalização não têm crescido nestes últimos dez anos. Isso pode indicar que apesar da maior formalização e dos bons resultados das negociações coletivas, a taxa de rotatividade crescente não permite ao trabalhador estabelecer relação com a categoria, sendo a falta de identificação dele com o seu trabalho um dos motivos para não se sindicalizar. A isso, podem também relacionar-se as incertezas da permanência no trabalho, assédio moral e outras formas de coerção que, dadas as flutuações da economia e do mercado, podem levar o trabalhador a não se sindicalizar com medo de perder seu emprego. Essas flutuações podem ser uma ameaça real quando se percebe um aumento pequeno do PIB paulista nos últimos anos do decênio 2002-2012, sendo que entre os anos de 2011 e 2012, houve uma retração, o que pode indicar um encolhimento dos setores da economia e, consequentemente, uma insegurança do trabalhador quanto a manutenção do seu emprego. Com esse quadro, é possível dizer que muito se avançou nos últimos dez anos no estado de São Paulo, seja em termos do trabalho a ser abolido, da educação e qualificação profissional, das políticas macroeconômicas ou da igualdade de oportunidades; contudo, como mostra esse mesmo quadro, há ainda muito a se fazer. O Estado, como ente agregador do tripartismo, tem um importante papel na reunião dos interesses dos diversos setores envolvidos com o tema, no sentido de fazê-los confluir para a promoção e manutenção de políticas que visem a disseminação do Trabalho Decente no estado de São Paulo. Assim, ao instituir a Comissão Estadual de Emprego e Trabalho Decente e fomentar a elaboração da Agenda de Emprego e Trabalho Decente do Estado de São Paulo, o Estado constitui um importante caminho para a melhoria das condições de trabalho e de vida da população do estado de São Paulo, contribuindo para torná-lo território do Trabalho Decente. Referências 130 | Referências Referências ABRAMO, Lais. Trabalho Decente: o itinerário de uma proposta. Bahia Análise & Dados. Salvador, v. 20, n. 2/3, p.151-171, jul./set. 2010 ANTUNES, Ricardo (Org.) Riqueza e miséria do Trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006. BERGAMIN, Marta de Aguiar; DIÉGUEZ, Carla Regina Mota Alonso; SILVEIRA, Luciana. 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Glossário 134 | Glossário Glossário Diálogo social - Diálogo social é o resultado do encontro de diferentes atores sociais legitimamente reconhecidos (tais como organizações da sociedade civil, empresas, instituições, grupos políticos, entidades, governos) com a finalidade de negociar, cooperar, mediar conflitos, ou buscar soluções em assuntos de interesse comum. A definição de diálogo social proposta pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) inclui todas as formas de negociação, consulta ou troca de informação entre os representantes dos governos, empregadores e trabalhadores sobre questões de interesse comum relativas à política econômica e social. O diálogo social tem como principal objetivo promover consensos e a participação democrática dos atores envolvidos no mundo do trabalho: representantes dos governos, empregadores e sindicatos formando as chamadas “comissões tripartites”. Emprego/Trabalho - Segundo as recomendações da Organização Internacional do Trabalho, o conceito de trabalho adotado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) significa a ocupação econômica remunerada em dinheiro, produtos ou outras formas não monetárias, ou a ocupação econômica sem remuneração, desde que esta seja exercida pelo menos durante 15 horas na semana, em ajuda a membro da unidade domiciliar em sua atividade econômica, ou a instituições religiosas beneficentes ou em cooperativismo ou, ainda, como aprendiz ou estagiário. Jornada de trabalho – A jornada de trabalho é a quantidade de tempo diária dispensada pelo trabalhador em suas funções laborais. No caso da legislação brasileira, este número não pode ultrapassar oito horas diárias ou 44 horas semanais considerando-se o tempo despendido no local de trabalho ou o tempo em que o empregado fica à disposição do empregador. Organização Internacional do Trabalho - A Organização Internacional do Trabalho foi fundada em 1919 e tem como principal objetivo promover o debate acerca das condições de trabalho, bem como estabelecer, por meio de suas convenções, padrões mínimos para o exercício do trabalho nos países signatários. A OIT faz parte da ONU (Organização das Nações Unidas) e é a única agência do Sistema das Nações Unidas com uma estrutura tripartite, ou seja, composta de representantes de 1) governos e 2) de organizações de empregadores e 3) de trabalhadores. Anuário do Trabalho Decente |135 População economicamente ativa – A PEA (população economicamente ativa) é um conceito utilizado para denominar a parcela da população que está inserida no mercado de trabalho ou que, de certa forma, está procurando se inserir nele para exercer algum tipo de atividade remunerada. No Brasil, as definições da PEA são dadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e compreende em torno de 50% da população do País. População em idade ativa – A PIA (população em idade ativa) se refere a uma classificação etária (idade) da parcela da população potencialmente apta a exercer uma atividade econômica incluindo a soma da PEA (ver população economicamente ativa) e a população não economicamente ativa (como as pessoas incapacitadas para o trabalho ou que desempenham atividades não remuneradas como as atividades domésticas). Produto interno bruto (PIB) – O PIB refere-se à soma quantificada em termos monetários de toda a “riqueza” (bens e serviços finais) produzida em um determinado local (países, estados, regiões, cidades) em dado tempo. Sindicato – Sindicato é a associação formalmente reconhecida de pessoas do mesmo segmento econômico ou trabalhista. Como associações de classes, os sindicatos têm como objetivo principal zelar pelos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. Os sindicatos desempenham ainda um importante papel na mediação e resolução de conflitos de interesses entre diferentes segmentos sociais. Trabalho a ser abolido – De acordo com a Convenção da OIT (Organização Internacional do Trabalho) de 1957, em Genebra, o trabalho a ser abolido é o trabalho forçado, escravo ou análogo à escravidão (ver Trabalho Escravo). Trabalho Decente – Em junho de 1999, na realização da 87ª Reunião da Conferência Internacional do Trabalho, na cidade de Genebra, Suíça, a Organização Internacional do Trabalho apresentou o conceito de Trabalho Decente, baseado em quatro elementos, desenvolvidos a partir da Declaração da OIT sobre os princípios e direitos fundamentais no trabalho, adotada na 86ª Reunião da Conferência Internacional do Trabalho em Genebra no dia 18 de junho de 1998. Trabalho escravo – De acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), o trabalho escravo ou forçado pode assumir várias formas, desde o tráfico de pessoas até práticas abusivas de recrutamento que levam à escravidão por dívidas; a imposição de obrigações militares a civis; ou outras características da escravidão, imposição e coerção. 136 | Glossário Trabalho infantil – A Organização Internacional do Trabalho define trabalho infantil como toda atividade laboral que seja desempenhada por pessoas abaixo da idade mínima requerida pela legislação nacional. Ou ainda, atividades realizadas por jovens ou crianças menores de 18 anos que interfiram na escolarização, apresente algum risco ou ocorra em condições que afetem seu desenvolvimento em qualquer aspecto. No Brasil, é considerado trabalho infantil qualquer trabalho exercido por criança e adolescente menores de 16 anos, exceto na condição de aprendiz, com programas de formação técnico-profissional a partir dos 14 anos. O trabalho infantil é proibido por lei no Brasil. Tripartismo – O conceito de tripartismo está intimamente relacionado com o conceito de diálogo social e se define como o diálogo de diferentes atores sociais para a formulação de políticas e tomada de decisões no mundo do trabalho, sendo estes atores: o governo, os empregadores e os empregados, estes últimos representados por suas entidades ou associações de classe. Anexo Estatístico 138 | Anexo Estatístico Tabela 21: PIB das regiões metropolitanas em milhões de reais de 2012* (2002 e 2012) Região Metropolitana 2002 2012 Região Metropolitana da Baixada Santista 136,01 207,32 Região Metropolitana de Campinas 273,55 380,40 Região Metropolitana de São Paulo 2.053,26 2.714,19 Região Metropolitana de Sorocaba 113,70 168,22 Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 226,12 226,54 3.687,97 4.862,09 Total Estado Fonte: IBGE. Elaboração: Fespsp. * Deflacionado pelo Def. Implícito do PIB Tabela 22: Número de trabalhadores formais na PIA — Região Metropolitana (2000, 2004, 2007 e 2012) Região Metropolitana 2000 2004 2007 2012 Formais/ Formais/ Formais/ Formais/ PIA PIA PIA PIA Região Metropolitana da Baixada Santista 17,60% 21,00% 24,10% 27,50% Região Metropolitana de Campinas 13,70% 15,50% 17,40% 21,40% Região Metropolitana de São Paulo 27,00% 29,50% 33,80% 38,40% Região Metropolitana de Sorocaba 21,70% 22,80% 26,30% 29,80% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 19,50% 23,20% 26,30% 32,80% Total Estado 22,80% 24,80% 28,10% 31,90% Fonte: Rais-MTE e Censo Demográfico do IBGE. Elaboração: Fespsp 41,27 42,34 41,86 41,54 Região Metropolitana de São Paulo Região Metropolitana de Sorocaba Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte Total Estado 41,54 41,87 42,41 41,22 41,9 2006 41,62 41,87 42,35 41,33 41,9 41,16 Média 2007 41,6 41,78 42,38 41,3 41,98 41,16 Média 2008 Elaboração: Fespsp 41,59 41,95 42,33 41,28 41,9 41,17 Média Fonte: Rais-MTE 41,6 41,86 42,35 41,32 41,91 41,11 Média 2005 41,5 41,87 42,34 41,14 41,9 41,17 Média 2009 41,52 41,7 42,33 41,2 41,91 41,2 Média 2010 10,80% 11,70% 14,70% 13,80% 12,70% Campinas São Paulo Sorocaba Vale do Paraíba e Litoral Norte Total geral Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp 12,50% 2000 Baixada Santista Região Metropolitana 14,10% 15,30% 13,60% 13,90% 11,60% 15,70% 2010 Tabela 24: Proporção de jovens “nem-nem” — Regiões Metropolitanas (2000 e 2010) 41,89 Região Metropolitana de Campinas 41,15 Média Média 40,96 2004 2003 Região Metropolitana da Baixada Santista Região Metropolitana 2011 41,58 41,77 42,28 41,32 41,83 41,09 Média Tabela 23: Média das horas trabalhadas no emprego formal - Região Metropolitana (2003-2013) 41,46 41,88 42,26 41,12 41,92 40,91 Média 2012 41,44 41,8 42,17 41,13 41,81 41,02 Média 2013 Anuário do Trabalho Decente |139 140 | Anexo Estatístico Tabela 25: Variação anual da proporção de jovens nem-nem - Região Administrativa (2000-2010) Região Administrativa 2000-2010 Região Administrativa Central -0,2% Região Administrativa de Araçatuba 11,0% Região Administrativa de Barretos -8,1% Região Administrativa de Bauru 10,0% Região Administrativa de Campinas 3,7% Região Administrativa de Franca 8,8% Região Administrativa de Itapeva -14,6% Região Administrativa de Marília 2,2% Região Administrativa de Presidente Prudente 14,9% Região Administrativa de Registro -1,6% Região Administrativa de Ribeirão Preto 6,9% Região Administrativa de Santos 25,6% Região Administrativa de São José do Rio Preto -5,8% Região Administrativa de São José dos Campos 10,7% Região Administrativa de Sorocaba -3,4% Total Estado 10,7% Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp Tabela 26: Variação anual da proporção de jovens nem-nem - Região Metropolitana (2000-2010) Região Metropolitana 2000-2010 Região Metropolitana da Baixada Santista 25,6% Região Metropolitana de Campinas 6,8% Região Metropolitana de São Paulo 19,0% Região Metropolitana de Sorocaba -7,3% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 10,7% Total Estado 10,7% Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp Anuário do Trabalho Decente |141 Tabela 27: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos - Região Metropolitana (2000-2010) Região Metropolitana 2000 Total 2010 PEA % PEA Total PEA % PEA Região Metropolitana da Baixada Santista 10.517 153 1,5% 10.406 215 2,1% Região Metropolitana de Campinas 17.153 292 1,7% 14.141 350 2,5% 130.142 1.693 1,3% 82.468 2.201 2,7% Região Metropolitana de Sorocaba 12.907 257 2,0% 10.641 318 3,0% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 17.159 352 2,1% 14.727 443 3,0% 296.620 5.501 1,9% 238.419 6.537 2,7% Região Metropolitana de São Paulo Total geral Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp Tabela 28: Percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por cor - Região Metropolitana (2000-2010) 2000 Região Metropolitana 2010 Brancos Não Brancos Brancos Não Brancos % PEA % PEA % PEA % PEA Região Metropolitana da Baixada Santista 1,3% 1,7% 2,2% 1,8% Região Metropolitana de Campinas 1,5% 2,2% 2,4% 2,5% Região Metropolitana de São Paulo 1,1% 1,6% 2,5% 2,8% Região Metropolitana de Sorocaba 2,0% 2,0% 2,7% 3,4% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 2,0% 2,3% 2,8% 3,4% Total Estado 1,7% 2,2% 2,6% 2,9% Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp 142 | Encerramento Tabela 29: Variação anual do percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por cor Região Administrativa (2000-2010) Região Administrativa 2000-2010 Brancos Não Brancos Região Administrativa Central 65,0% 19,0% Região Administrativa de Araçatuba 30,5% -19,6% Região Administrativa de Barretos -8,9% -29,5% Região Administrativa de Bauru 28,2% -19,6% Região Administrativa de Campinas 47,0% -3,6% Região Administrativa de Franca -8,1% 12,3% Região Administrativa de Itapeva 8,8% -12,2% Região Administrativa de Marília 20,3% -32,7% Região Administrativa de Presidente Prudente -0,2% -2,1% 5,0% 14,1% Região Administrativa de Ribeirão Preto 45,8% 41,7% Região Administrativa de Santos 75,6% 6,6% Região Administrativa de São José do Rio Preto -3,4% -10,0% Região Administrativa de São José dos Campos 43,0% 45,0% Região Administrativa de Sorocaba 30,5% 43,0% Total Estado 54,7% 31,4% Região Administrativa de Registro Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp Tabela 30: Variação anual do percentual de crianças ocupadas de 10 a 13 anos por cor Região Metropolitana (2000-2010) Região Metropolitana 2000-2010 Brancos Não Brancos Região Metropolitana da Baixada Santista 75,6% 6,6% Região Metropolitana de Campinas 58,6% 12,6% Região Metropolitana de São Paulo 127,8% 73,1% Região Metropolitana de Sorocaba 36,8% 70,4% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 43,0% 45,0% Total Estado 54,7% 31,4% Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp Anuário do Trabalho Decente |143 Tabela 31: Variação anual da proporção de mães economicamente ativas Região Administrativa (2000-2010) Região Administrativa 2000-2010 Região Administrativa Central 15,7% Região Administrativa de Araçatuba 12,3% Região Administrativa de Barretos 14,1% Região Administrativa de Bauru 15,4% Região Administrativa de Campinas 15,2% Região Administrativa de Franca 11,0% Região Administrativa de Itapeva 26,4% Região Administrativa de Marília 14,5% Região Administrativa de Presidente Prudente 9,6% Região Administrativa de Registro 23,9% Região Administrativa de Ribeirão Preto 12,0% Região Administrativa de Santos 4,3% Região Administrativa de São José do Rio Preto 15,3% Região Administrativa de São José dos Campos 12,8% Região Administrativa de Sorocaba 17,6% Total Estado 11,1% Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp Tabela 32: Variação anual da proporção de mães economicamente ativas Região Metropolitana (2000-2010) Região Metropolitana 2000-2010 Região Metropolitana da Baixada Santista 4,3% Região Metropolitana de Campinas 13,0% Região Metropolitana de São Paulo 10,2% Região Metropolitana de Sorocaba 18,4% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 12,8% Total Estado 11,1% Fonte: Censo Demográfico IBGE. Elaboração: Fespsp 36,20% 36,70% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte Total Estado 38,50% 37,90% 35,70% 39,30% 35,60% 40,40% 40,70% 36,80% 41,20% 37,60% 48,40% Fem/Total 2010 2008 2009 2010 2011 2013 1,2% 0,7% 2,3% 1,1% 0,6% 0,6% 0,9% 0,8% 0,3% 0,8% 1,1% 0,8% 1,2% 1,3% 1,0% Região Administrativa de Araçatuba Região Administrativa de Barretos Região Administrativa de Bauru Região Administrativa de Campinas Região Administrativa de Franca Região Administrativa de Itapeva Região Administrativa de Marília Região Administrativa de Presidente Prudente Região Administrativa de Registro Região Administrativa de Ribeirão Preto Região Administrativa de Santos Região Administrativa de São José do Rio Preto Região Administrativa de São José dos Campos Região Administrativa de Sorocaba Total Estado Fonte: Rais-MTE 1,0% 0,8% 0,7% 1,0% 0,5% 0,9% 0,6% 0,2% 1,2% 0,6% 0,5% 0,5% 0,9% 0,9% 0,5% 0,7% 0,7% Elaboração: Fespsp 1,0% 0,9% 1,2% 0,7% 1,1% 0,8% 0,3% 0,8% 0,8% 0,5% 0,6% 1,1% 1,3% 0,7% 1,0% 1,0% 0,8% 0,7% 1,0% 0,5% 0,8% 0,6% 0,3% 1,0% 0,6% 0,4% 0,5% 0,9% 0,8% 0,5% 0,7% 0,8% 0,8% 0,7% 1,1% 0,5% 0,8% 0,7% 0,4% 0,9% 0,6% 0,4% 0,6% 0,9% 0,8% 0,5% 0,7% 0,8% 0,8% 0,7% 1,0% 0,5% 0,8% 0,7% 0,4% 0,9% 0,7% 0,4% 0,6% 0,9% 0,9% 0,5% 0,7% 0,8% 0,8% 0,8% 1,0% 0,6% 0,8% 0,8% 0,4% 0,7% 0,8% 0,6% 0,7% 0,9% 1,0% 0,6% 0,8% 0,8% N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot Emp Formal Emp Formal Emp Formal Emp Formal Emp Formal Emp Formal Emp Formal 2007 2012 42,60% 42,80% 39,10% 43,30% 41,50% 47,00% Fem/Total 2013 Tabela 34: Percentual de pessoas com deficiência em empregos formais Região Administrativa (2007-2013) Região Administrativa Central Região Administrativa 38,00% Região Metropolitana de Sorocaba Elaboração: Fespsp 37,30% Região Metropolitana de São Paulo Fonte: Rais-MTE 34,30% Região Metropolitana de Campinas 47,50% Fem/Total Fem/Total 43,50% 2007 2003 Região Metropolitana da Baixada Santista Região Metropolitana Tabela 33: Desigualdade ocupacional por sexo – Região Administrativa (2003, 2007, 2010 e 2013) 144 | Anexo Estatístico 1,20% 0,80% 1,40% 1,20% 1,00% Região Metropolitana de Campinas Região Metropolitana de São Paulo Região Metropolitana de Sorocaba Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte Total Estado 2009 2010 2011 2012 0,80% 1,00% 0,80% 0,80% 1,00% 0,90% Elaboração: Fespsp 1,00% 1,20% 1,00% 0,90% 1,20% 1,10% 0,80% 1,00% 0,70% 0,80% 1,00% 0,80% 0,80% 1,10% 0,70% 0,80% 1,00% 0,80% 57.104 535.216 45.876 68.217 Região Metropolitana de Campinas Região Metropolitana de São Paulo Região Metropolitana de Sorocaba Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 657.099 30.656 25.347 296.075 28.929 17.786 Benef. 2004 Fonte: MDS 1.212.950 46.967 Pobres Região Metropolitana da Baixada Santista Região Metropolitana 1.445.140 79.847 67.615 696.230 82.570 60.735 Pobres Elaboração: Fespsp 54,2% 44,9% 55,3% 55,3% 50,7% 37,9% Taxa 1.114.328 66.770 42.872 464.823 56.716 46.428 Benef. 2006 77,1% 83,6% 63,4% 66,8% 68,7% 76,4% Taxa 1.651.570 90.167 59.440 897.905 84.705 70.168 Pobres 80.777 49.329 484.982 66.050 61.164 Benef. 2010 0,80% 1,00% 0,70% 0,80% 1,00% 0,80% 1.174.844 Tabela 36: Taxa de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família por Região Metropolitana (2004, 2006 e 2010) Fonte: Rais-MTE 1,10% Total Estado 2008 2013 71,1% 89,6% 83,0% 54,0% 78,0% 87,2% Taxa 0,80% 1,00% 0,80% 0,80% 0,90% 0,80% N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot N° Defic/Tot Emp Formal Emp Formal Emp Formal Emp Formal Emp Formal Emp Formal Emp Formal 2007 Região Metropolitana da Baixada Santista Região Metropolitana % Deficientes - Regiões Metropolitanas Tabela 35: Percentual de pessoas com deficiência em empregos formais Região Metropolitana (2007-2013) Anuário do Trabalho Decente |145 146 | Anexo Estatístico Tabela 37: Variação anual dos beneficiários do Programa Bolsa Família Região Administrativa (2004-2010) Região Administrativa 2004 - 2006 Região Administrativa Central 2006 - 2010 42,6% 8,4% 112,4% -24,7% Região Administrativa de Barretos 92,4% -0,3% Região Administrativa de Bauru 42,8% 10,7% Região Administrativa de Campinas 23,9% 22,9% Região Administrativa de Franca 110,5% 14,6% Região Administrativa de Itapeva 99,1% -31,5% Região Administrativa de Marília 92,2% -9,3% 123,8% -24,7% 71,3% -19,7% Região Administrativa de Ribeirão Preto 110,6% 26,7% Região Administrativa de Santos 101,9% 14,0% Região Administrativa de São José do Rio Preto 125,3% -2,9% Região Administrativa de São José dos Campos 86,1% 7,1% Região Administrativa de Sorocaba 24,1% 27,5% Total Estado 42,3% -7,7% Região Administrativa de Araçatuba Região Administrativa de Presidente Prudente Região Administrativa de Registro Fonte: MDS Elaboração: Fespsp Tabela 38: Variação anual dos beneficiários do Programa Bolsa Família Região Metropolitana (2004-2010) Região Metropolitana 2004 - 2006 Região Metropolitana da Baixada Santista 2006 - 2010 101,9% 14,0% Região Metropolitana de Campinas 35,6% 13,5% Região Metropolitana de São Paulo 20,7% -19,1% Região Metropolitana de Sorocaba 14,8% 30,9% Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 86,1% 7,1% Total Estado 42,3% -7,7% Fonte: MDS Elaboração: Fespsp 5,822 5,188 5,194 Região Metropolitana de Campinas Região Metropolitana de São Paulo Região Metropolitana de Sorocaba Total Estado 5,263 6,315 4,69 5,027 6,14 3,302 2003 5,937 6,615 5,317 5,381 7,469 3,844 2004 428.121 Vale do Paraíba e Litoral Norte Baixada Santista Fonte: Rais/Caged-MTE 739.356 Campinas 7,632 9,701 7,325 7,01 8,766 5,617 2007 27,10% 29,50% 32,20% 37,10% 38,00% Rotatividade Elaboração: Fespsp 299.598 5.721.804 352.158 Estoque 2006 Sorocaba Região Metropolitana São Paulo 6,331 7,53 5,706 5,778 8,154 3,961 2006 Elaboração: Fespsp 6,25 6,756 5,534 5,745 8,104 4,127 2005 410.513 7.684.602 600.639 1.027.473 513.387 Estoque 7,551 8,904 6,87 7,018 8,974 5,649 2010 36,50% 41,00% 42,00% 47,50% 47,50% Rotatividade 7,799 9,521 7,41 7,395 8,848 6,006 2009 2013 8,489 10,736 8,232 7,885 9,593 6,63 2008 Tabela 40: Taxa de rotatividade por região metropolitana (2006 e 2013) Fonte: AEAT-MPAS 5,461 6,73 3,491 Região Metropolitana da Baixada Santista Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte 2002 Região Metropolitana Tabela 39: Taxas de acidentes de trabalho por 1000 trabalhadores – Região Metropolitana (2002-2012) 7,59 8,594 7,36 6,987 9,139 5,87 2011 7,295 8,188 7,106 6,701 8,68 5,257 2012 Anuário do Trabalho Decente |147 Total Estado Região não-metropolitana Região metropolitana 18,4% 15,6% 19,6% 14,5% 20,8% 15,3% 22,1% 16,0% 19,5% 15,4% 20,9% 15,3% Fonte: PNAD-IBGE Mas Fem 2008 Mas Fem 2003 Mas Fem 2008 Mas Fem 2003 Mas Fem 2008 Mas Fem 2003 20,0% Mas 21,2% Mas 22,0% Mas 21,7% Mas 17,7% Mas 20,6% Mas 2005 15,4% Fem 2011 15,8% Fem 2005 16,7% Fem 2011 15,4% Fem 2005 13,9% Fem 2011 16,1% Fem Elaboração: FESPSP 15,6% Fem 2009 15,7% Fem 2004 17,7% Fem 2009 15,4% Fem 2004 13,5% Fem 2009 16,2% Fem 2004 Tabela 41: Taxa de sindicalização por sexo (2003-2013) 18,5% Mas 20,5% Mas 20,4% Mas 20,9% Mas 16,4% Mas 19,9% Mas 14,4% Fem 2012 15,1% Fem 2006 15,5% Fem 2012 15,2% Fem 2006 13,2% Fem 2012 15,1% Fem 2006 17,3% Mas 20,2% Mas 18,9% Mas 20,6% Mas 15,4% Mas 19,7% Mas 12,8% Fem 2013 15,4% Fem 2007 12,3% Fem 2013 14,5% Fem 2007 13,3% Fem 2013 16,3% Fem 2007 16,3% Mas 19,6% Mas 16,2% Mas 19,2% Mas 16,5% Mas 20,0% Mas 148 | Anexo Estatístico Total Estado Região não-metropolitana Região metropolitana 2004 2005 2006 2007 15,3% 2009 20,2% 14,9% 2011 19,5% 15,4% 2012 19,2% 14,6% 2013 20,0% 15,2% 14,8% 2004 17,0% 13,9% 2005 16,4% 13,4% 2006 15,6% 12,2% 2007 16,6% 12,4% 14,4% 2009 19,5% 17,7% 2011 19,0% 17,7% 2012 18,8% 16,3% 2013 17,6% 16,1% 17,7% 2004 21,4% 17,3% 2005 19,5% 17,3% 2006 18,4% 15,7% 2007 15,3% 12,9% 14,9% 2009 19,8% 16,1% 2011 19,2% 16,4% 2012 19,0% 15,3% 2013 18,7% 15,6% 16,2% 19,5% 15,4% 18,2% Fonte: PNAD-IBGE Elaboração: FESPSP 19,5% 15,2% 17,2% 13,9% 15,9% 12,6% Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco 2008 18,8% Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco 2003 20,3% Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco 2008 18,0% Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco 2003 18,6% Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco 2008 19,9% Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco Branco Ñ-Branco 2003 Tabela 42: Taxa de sindicalização por cor (2003-2013) Anuário do Trabalho Decente |149 O Anuário de Trabalho Decente visa mostrar as ações que estão sendo desenvolvidas pela SERT na promoção de um trabalho decente no estado de São Paulo, além de divulgar um panorama dos indicadores relativos ao tema, para subsidiar e instrumentalizar os gestores públicos no desenvolvimento de políticas de emprego e renda. O Anuário é um documento multiplicador, pois subsidia a análise do diagnóstico da realidade e contribui para a construção de políticas de emprego e renda mais assertivas, que conseguem realizar a leitura dos problemas sociais e desenvolver ações que melhorem as condições dos trabalhadores.