Sinopse 2016 - Sociedade Rosas de Ouro
Presidente: Angelina Basílio
Carnavalesco: André Cezari
Enredo: Arte à flor da pele. A minha história vai marcar você!
Um tema tão vasto, com inicio há mais de cinco mil anos, precisa muito mais que
algumas linhas para ser vislumbrado. O ato de marcar o corpo é tão antigo quanto à
humanidade.
Em séculos de existência, marcas criadas ou conquistadas evoluíram como o
próprio homem. Exposta como insígnia, a Tatuagem venceu feras com bravura
(caça e defesa – idade da pedra), esculpiu corpos (escarificações), consagrou
rituais (nativos – aborígenes- tribos), lutou em batalhas e virou troféu. Desbravou
os mares, e migrou com navegantes entre as antigas civilizações. Do Egito ao
Japão se desenvolveu em estilos e técnicas permanentes ou não.
Mas nem sempre, Tatuagem e religião conviveram em paz, diferentemente da
postura dos primitivos, máquinas de repetir tradição, as civilizações ocidentais eram
volúveis diante do corpo, o mesmo povo que condenava a marca a ser instrumento
de prisão perpétua no rosto de seus escravos, os imitavam sem medidas, a ponto
tal que foi preciso a intervenção da igreja mais de uma vez. Perseguida, a
Tatuagem foi proibida no ano 787 d.C., pelo Papa Adriano I. Hiato que durou 982
anos, até que rostos Maoris delineados em traços finos surgem na Europa, levados
pelo capitão James Cook, que ao aportar na Nova Zelândia, redescobriu a prática.
James Cook é o pai do termo Tattoo. (Termo originário do som da batida do
ancinho tatau, instrumento usado para desenhar na pele.).
A Tattoo se espalhou com a velocidade da luz, deixando dentes, pontas, e o tatau
“para trás” e a energia elétrica seduziu. Forjada em metal surge a Máquina de
Tatuar em 1891 – O Tatuógrafo - reproduzida a partir da invenção de Tomas
Edison, foi o imigrante irlandês, Samuel O’Reilly tatuador estabelecido em Nova
York quem mudou o curso da Tattoo-trajetória, entre inspirações e adaptações,
capta a intenção original da invenção, e usa as engrenagens para a nova geração.
Com eletricidade, agulha e tinta, tatuadores crivam a derme e concluem a arte com
rapidez e perfeição.
As peles camufladas viraram atração em espetáculos circenses. Com o passar do
tempo picadeiros europeus mostravam inusitados, arrepiantes e bizarros homens e
mulheres que se expunham, deixando o respeitável público em êxtase, no circo das
ilusões.
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Entre traços e pigmentos a Tatuagem percorreu cartas náuticas, embarcou com
marujos e seus cachimbos entre os dentes! Viagens fantásticas por todos os povos
do mundo, até guerras retratou!
A jornada marítima continua. Nos portos, braços dos valentes homens do mar,
tatuados com ancoras, sereias, tridentes, carpas, flores, andorinhas, também a
saudade eloquente, exibida na pele em forma de corações flechados, nomes
apaixonados, enfim, todo corpo era marcado. Em cada pele um festival de traços e
cores. Idolatrada entre minorias, periferias e artistas com autonomia.
O marinheiro Lucky chega ao Brasil em 1959!
E neste solo fértil, onde floresce a roseira e canta o sabiá, Lucky Tattoo fixou seu
olhar dinamarquês. Socializou sua arte na margem do cais transformando em
profissão o que desenvolveu durante suas navegações, encontrou suas primeiras
telas brasileiras entre as mulheres de vida fácil, e na malemolência dos malandros,
nos guetos, nos becos e nas vielas de Santos.
Fez fama, virou mestre! Com a arte ocupou seu lugar na sociedade, status que o
levou a tatuar pessoas de todo Brasil.
Paralelo ao Flower Power na década de 60, Lucky usou também os símbolos do
Movimento Hippie na psicodélica tribo da paz e amor. Sua arte despertou a atenção
dos cariocas que disputaram seu traço, que tatuou o dragão no braço do (José
Artur Machado, o Petit,) Menino do Rio. Mistura de sotaques e tintas nos corpos já
tatuados/dourados pelo astro-Rei (sol) que também penetra a pele e faz brotar o
pigmento natural.
O crescimento da tatuagem moderna integrou festivais de musica internacionais e
nacionais, ganhou as ruas e se transformou em galerias vivas de arte permanente.
Lucky Tattoo é o rei da Tatuagem no Brasil!
E há cinco milênios depois, as tatuagens se modificaram muito, mas não saíram de
cena. Nos jovens dos anos 70, era um dos meios de expressar rebeldia social, o
sentido estigmatizador do uso da tatuagem começa a mudar a partir do final dos
anos 80, quando se tornou até brincadeira de criança, nas areias das praias, nas
figurinhas de chiclete.
A partir dos anos 90, a opção por se tatuar converteu-se em prática crescentemente
visível, e forte característica das culturas jovens urbanas. Motoqueiros e suas
caveiras e abutres tatuados, skatistas, surfistas, skinheads, aventureiros e artistas
da musica desde Woodstock, do Heave Metal, do Rock in Rio, e do Pop, do Punk, e
do Rap. Este último, utiliza o grafite e o Tattoo, aliados ao talento musical nas
denúncias sociais, e na deflagração das condições carcerárias, prisionais.
Entre às grades e incautos, a flor nasce. Em cadeias e casas de detenção, códigos,
dialetos, separação, ritualização, conversão e saudade! Buscando com criatividade
executar a arte, detentos e seus apetrechos mostram seus símbolos. O cinema e
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Televisão exibiram a atuação da “flor do presídio” em títulos diversos,
exemplo, o filme Carandiru.
como
O estigma associado às tatuagens diminuiu, o mundo se abriu! A indústria cresceu
exponencialmente, e o mercado continuou a florescer. Apontada como obra de arte
na pele!
A Tatuagem virou o jogo, continuou a inspirar e também no esporte venceu a
partida. Disseminada nos campos, nas quadras e nas torcidas.
A sociedade aderiu e aceitou sua evolução. Tratada como identidade, conectada
virou expressão, chegou às feiras e convenções, liderando o discurso da
autenticidade, personalidade e superação. Reconhecida em todas as peles, sem
distinção. Hoje a marca esta encravada também nas pessoas tradicionais, famílias
normais onde mães e pais, trazem no corpo a lembrança de seus filhos,
eternizando os laços na memória da pele.
Presente no Rap, Pop e no Rock, no Samba não foi diferente. Virou marca de gente
bamba, que não passa a vida em branco, tinge com as cores do seu manto, o
corpo, a pele, o símbolo do seu pavilhão.
Como agulhas, os saltos finos das passistas tatuam a passarela. Os tatuadores
são: A Presidente, sua Diretoria, seus artistas, cantores, compositores, ritmistas,
baianas, velha-guarda...Sambistas! E o Carnavalesco.
A Comunidade é a
Máquina. A Pele é o Samba, que arrepia! O Estêncil é o Figurino. O Enredo são os
Flashes. O Pigmento são as Cores da Agremiação. O sentimento é o Pavilhão
desfraldado pelos casais de mestre-sala e porta-bandeira, que riscam o chão de
poesia e espalham o perfume da nossa Roseira.
No carnaval 2016, a Sociedade Rosas de Ouro mostrará seus pigmentos, suas
pétalas e marcas encravadas na pele de seus componentes, artistas da folia que
vislumbram com alegrias as profecias de seu eterno Presidente Eduardo Basílio,
que há 44 anos tatuou em seus corações a frase que reescrevemos com amor e
respeito a quem plantou está semente, e gerou rosas do metal mais precioso,
Rosas de Ouro:
“Serás eterna como o tempo, assim como a tatuagem que a partir de agora
reflorescerá a cada carnaval”.
André Cezari
Carnaval 2016
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