ENELIRAM DE AGOSTO AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS NA DÉCADA DE 1990: UM ESTUDO DE CASO 2002 2 “Anular a capacidade de trabalho do indivíduo é roubar-lhe a própria essência de viver. Eliminar as dificuldades e os problemas que lhe cercam a sobrevivência, é privar o seu raciocínio e inibir a sua criatividade, alienando-o no comodismo e jogando-o no tédio. Pois somente se compreende a vida como uma luta constante, onde a esperança do amanhã e a vontade de participar e realizar esteja presente em cada gesto e atitude. Porque é o desafio que nos difere das demais espécies: a capacidade de pensar, produzir, realizar, guiar nosso futuro pelas nossas mãos.” Autor desconhecido. “Temos de definir o modo pelo qual vamos ter melhores oportunidades nessa economia globalizada. E isso requer ciência e tecnologia. Isso requer aumento da qualidade”. Fernando Henrique Cardoso. 3 SUMÁRIO LISTA DE SIGLAS...............................................................................................................v LISTA DE TABELAS.........................................................................................................vii LISTA DE QUADROS E FIGURAS....................................................................................x LISTA DE ANEXOS...........................................................................................................xi RESUMO.............................................................................................................................xii INTRODUÇÃO......................................................................................................................1 1 PROCESSOS HISTÓRICOS DA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA..................5 1.1 Organização da Produção Capitalista..............................................................................5 1.2 As Revoluções Industriais e as Grandes Guerras Mundiais............................................6 1.3 Principais Processos da Reestruturação Produtiva no Século XX................................17 1.4 Processo de Reestruturação Produtiva no Brasil...........................................................23 1.5 Impactos da Reestruturação Produtiva Sobre o Mercado de Trabalho.........................26 1.5.1 O Desemprego Estrutural...........................................................................................30 1.5.2 Os Sindicatos..............................................................................................................33 2 AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS - ECT NA DÉCADA DE 1990.........................................................................................................37 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 Aspectos Históricos, Missão e Objeto...........................................................................37 A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos no Contexto Atual..............................47 Estrutura Organizacional e Funcionamento................................................................53 Os Produtos e Serviços..................................................................................................55 A Presença Social dos Correios.....................................................................................59 Prêmio de Qualidade do Governo Federal....................................................................60 Modernização e Medidas de Sobressaltos que Impactaram nos Rumos da ECT e dos Seus Empregados...................................................................................................63 2.8 Avanços Tecnológicos Ocorridos.................................................................................66 2.9 Política de Recursos Humanos Adotada.......................................................................71 2.10 Qualificação dos Empregados - Treinamentos Realizados.........................................74 2.11 Banco Postal................................................................................................................77 2.12 Correios do Brasil S/A ................................................................................................78 3 OS IMPACTOS CAUSADOS PELAS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS-ECT NA DÉCADA DE 1990.........................................................80 Objetivo da Pesquisa............................................................................................................81 3.2 Tipo da Pesquisa...........................................................................................................81 3.3 Metodologia..................................................................................................................81 3.4 Resultados.....................................................................................................................82 3.5 Análise, interpretação e tabulação dos dados................................................................83 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................100 4 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................104 6 ANEXOS......................................................................................................................112 5 LISTA DE SIGLAS ABC - Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema AC - Administração Central ACs - Agências de Correio AR - Aviso de Recebimento ARCO - Associação Recreativa dos Correios ARSIN - Assessoria de Relações Intersindicais BIRD - Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento BNDE - Banco Nacional de Desenvolvimento BSB - Distrito Federal e parte da Região Geo-econômica (exceto Minas Gerais) CACEX - Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil CAGED - Cadastro Geral de Empregado e Desempregado CEP - Código de Endereçamento Postal CEP - Controle Estatístico de Processos CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas CONECTA - Sistema de Conecção e Capitação de Dados CPF - Cadastro de Pessoa Física CSN - Companhia Siderúrgica Nacional CUT - Central Única dos Trabalhadores DCT - Departamento de Correios e Telégrafos DELOG - Departamento de Logística e Operações DETEN - Departamento de Atendimento DF - Distrito Federal DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos ECT - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ENEM - Exame Nacional de Ensino Médio ESAP - Escola Superior de Administração Postal EUA - Estados Unidos da América FAC - Franqueamento Autorizado de Cartas FEBRABAN - Federação Brasileira das Associações de Bancos FMI - Fundo Monetário Internacional FNDE - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FUP - Federação Única dos Petroleiros GCR - Gerenciamento de Competências e Resultados GD - Gerenciamento de Desempenho GT - Goiás e Tocantins IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBOPE - Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística INSS - Instituto Nacional de Seguro Social IPTU - Imposto Predial e Territorial Urbano J.K - Juscelino Kubitschek LTR - Linha Tronco Regional MEC - Ministério da Educação e Cultura MERCOSUL - Mercado Comum do Sul MP - Mão própria MPT - Manutenção Produtiva Total OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico 6 OCEE - Organização para a Cooperação Econômica Européia OPA - Operação Pan-Americana PAEG - Plano de Ação Econômica do Governo PAT - Programa de Apoio ao Trabalhador PC - Pedido de Confirmação PEA - População Economicamente Ativa PED - Plano Estratégico de Desenvolvimento Petrobrás - Petróleo do Brasil PIB - Produto Interno Bruto PND - Programa Nacional de Desenvolvimento PNQ - Prêmio Nacional de Qualidade PNQC - Programa Nacional de Qualidade dos Correios PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento POSTALIS - Instituto de Seguridade dos Correios e Telégrafos PQGF - Prêmio de Qualidade do Governo Federal PQGF - Prêmio de Qualidade do Governo Federal PR - Posta Restante RPN - Rede Postal Noturna SAA - Sistema de Automação de Agência SATE - Serviço de Atualização de Endereço SCADA - Sistema de Captação e de Desempenho de Agência SEDEX - Serviço de Encomenda Expressa SEED - Serviço de Entrega Especial de Documentos SERCA - Serviço de Correspondência Agrupada SESI - Serviço Social da Indústria SISCOMEX - Secretaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior SRO - Sistema de Rastreamento de Objetos SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste TBC - Treinamento Baseado em Computador TLT - Treinamento no Local de Trabalho UPU - União Postal Universal URSS - União das Repúblicas Soviéticas Socialistas USP - Universidade de São Paulo 7 TABELAS TABELA 1 - DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS DE ACORDO COM O SEXO...83 TABELA 2 - DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA.......................................................................................................83 TABELA 3 - DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS, OBSERVANDO O GRAU DE ESCOLARIDADE.......................................................................................84 TABELA 4 - DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS DE ACORDO COM O TEMPO DE SERVIÇO NA ECT...............................................................................84 TABELA 5 - DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS DE ACORDO COM O MÉTODO DE CONTRATAÇÃO UTILIZADO PELA ECT.......................................85 TABELA 6 - GRAU DE EXIGÊNCIA DE EXPERIÊNCIA PARA CONTRATAÇÃO PELA ECT...................................................................................................85 TABELA 7 - MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NA ECT COM RELAÇÃO AO TEMPO EM FORAM CONTRATADOS..................................................................85 TABELA 8 - CONHECIMENTO DOS PADRÕES DE QUALIDADE DA ECT...........86 TABELA 9 - AVANÇOS TECNOLÓGICOS OCORRIDOS NO SISTEMA PRODUTIVO DA ECT NA DÉCADA DE 1990, PARA MANTÊ-LA COMPETITIVA.....................................................................87 TABELA 10 - MUDANÇAS OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA ECT QUE MAIS CONTRIBUÍRAM PARA A RACIONALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES...............................................................................................87 TABELA 11 - CONTRIBUIÇÃO DOS NOVOS SERVIÇOS E PRODUTOS DA ECT PARA ATENDER AS NECESSIDADES DOS CLIENTES......................88 TABELA 12 - AUMENTO DA EXIGÊNCIA DA ECT, NOS ÚLTIMOS ANOS, EM FUNÇÃO DAS MUDANÇAS OCORRIDAS.............................................88 TABELA 13 - INVESTIMENTOS DA ECT NA QUALIFICAÇÃO DOS EMPREGADOS...........................................................................................89 TABELA 14 - INCENTIVOS DA ECTRESULTANDO EM MAIOR PRODUÇÃO.......89 TABELA 15 - CONTRIBUIÇÃO DOS TREINAMENTOS RELIZADOS PARA O DESENVOLVIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL DOS EMPREGADOS...........................................................................................90 TABELA 16 - ACOMPANHAMETO DO TRABALHO DESENVOLVIDO PELOS 8 EMPREGADOS..........................................................................................90 TABELA 17 - CONTIBUIÇÃO DA POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS PARA MELHOR SITUAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA DOS EMPREGADOS...90 TABELA 18 - VALORIZAÇÃO (SOCIAL) DA PROFISSÃO NA ECT.........................91 TABELA 19 - DEMISSÃO CAUSADA NA ECT PELOS AVANÇOS TECNOLÓGICOS......................................................................................92 TABELA 20 - CAPACITAÇÃO DO EMPREGADO DA ECT, PARA COMPETIR NO MERCADO DE TRABALHO.............................................................92 TABELA 21 - DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES DE ACORDO COM O SEXO..........93 TABELA 22 - DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA......................................................................................................93 TABELA 23 - DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES DE ACORDO COM O GRAU DE ESCOLARIDADE......................................................................................93 TABELA 24 - DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES POR CATEGORIA...........................94 TABELA 25 - DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES DE ACORDO COM OS SERVIÇOS MAIS UTILIZADOS..................................................................................94 TABELA 26 - AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS AGILIZARAM O ATENDIMENTO........................................................................................95 TABELA 27 - AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS PROPORCIONARAM MAIS COMODIDADE..........................................................................................95 TABELA 28 - AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NA ECT CONSOLIDAM A CREDIBILIDADE DA EMPRESA........................................................95 TABELA 29 - CONHECIMENTO DAS TAREFAS QUE EXECUTAM, POR PARTE DOS ATENDENTES DA ECT...................................................................96 TABELA 30 - OS SERVIÇOS E PRODUTOS DA ECT ATENDEM AS NECESSIDADES DOS CLIENTES...........................................................96 TABELA 31 - AVALIAÇÃO DA ECT EM TERMOS DE EFICIÊNCIA........................97 TABELA 32 - MELHORIA NOS SERVIÇOS DOS CORREIOS DA DÉCADA DE 1990.............................................................................................................97 TABELA 33 - CONFIANÇA NOS CORREIOS, DE MANEIRA GERAL, POR PARTE DOS CLIENTES.........................................................................................98 TABELA 34 - ASPECTOS IMPORTANTES NO ATENDIMENTO DE UMA AGÊNCIA DE CORREIO...........................................................................98 9 TABELA 35 - O QUE A ECT PODE FAZER PARA TORNAR-SE MAIS COMPETITIVA...........................................................................................99 10 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 - PROGRESSO DOS TRANSPORTES...........................................................9 QUADRO 2 - PROGRESSO DAS COMUNICAÇÕES.....................................................10 QUADRO 3 - RECEITAS E DESPESAS DA ECT - 1999 E 2000....................................49 QUADRO 4 - INFRA-ESTRUTURA DA ECT – 2000......................................................53 QUADRO 5 - DISTRIBUIÇÃO DOS ÓRGÃOS E SUAS COMPOSIÇÕES....................54 QUADRO 6 - AGÊNCIAS E CLIENTES ENTREVISTADOS........................................80 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - MISSÃO DA ECT-2001...............................................................................65 FIGURA 2 - CENÁRIO DA ECT......................................................................................65 11 LISTA DE ANEXOS ANEXO 1 - EVOLUÇÃO DA CARTA........................................................................113 ANEXO 2 - EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE DA CARGA POSTAL......................................................................................................114 ANEXO 3 - EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE DA CARGA POSTAL......................................................................................................115 ANEXO 4 - EVOLUÇÃO DE ALGUNS CARGOS DOS EMPREGADOS DOS CORREIOS.................................................................................................116 ANEXO 5 - APARELHO MORSE E PRIMEIRO SELO POSTAL LANÇADO NO MUNDO...............................................................................................117 ANEXO 6 - PRIMEIRO SELO POSTAL LANÇADO NO BRASIL, O SEGUNDO NO MUNDO...............................................................................................118 ANEXO 7 - EVOLUÇÃO DA CAIXA DE COLETA...................................................119 ANEXO 8 - EVOLUÇÃO DA CAIXA POSTAL..........................................................120 ANEXO 9 - SÍMBOLO DA UNIÃO POSTAL UNIVERSAL-UPU.............................121 ANEXO 10 - AS REVOLUÇÕES DOS CORREIOS......................................................122 ANEXO 11 - MUDANÇAS OCORRIDAS NA ECT......................................................123 ANEXO 12 - CORREIOS BRASILEIROS-339 ANOS, ECT-33 ANOS.........................124 ANEXO 13 - QUESTIONÁRIO PARA APLICAÇÃO AOS EMPREGADOS DA ECT LOTADOS NAS AGÊNCIAS ENTREVISTADAS....................125 ANEXO 12 - QUESTIONÁRIO PARA APLICAÇÃO AOS CLIENTES DAS AGÊNCIAS ENTREVISTADAS...............................................................129 12 RESUMO Ultimamente, o mundo do trabalho tem sofrido profundas transformações, visto que a tecnologia e o redimensionamento das forças produtivas contribuíram para o surgimento da globalização, a qual vem impondo às empresas uma postura flexível em relação aos processos organizacionais e produtivos, frente ao mercado competitivo. Não podia ser diferente com as empresas brasileiras, nem com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos-ECT. Portanto, este trabalho objetiva demonstrar as transformações ocorridas no sistema produtivo da ECT, na década de 1990, enfatizando os avanços tecnológicos realizados que resultaram na exigência de uma mão-de-obra mais qualificada, na perspectiva de atender melhor ao mercado. Neste contexto, foram feitas pesquisas bibliográficas com dados secundários, tais como: edições da própria ECT, além de literatura sobre a reestruturação da Empresa e a reestruturação produtiva no Brasil e suas conseqüências para a economia e o mercado de trabalho; em seguida, fez-se algumas considerações sobre os Correios e as medidas adotadas visando adequarem-se ao novo processo produtivo. E, mediante a aplicação de dois questionários compostos de perguntas fechadas e abertas, objetivando aferir o impacto causado pelo processo de modernização na Empresa, realizou-se uma pesquisa de campo em duas agência dos correios, cujos dados revelam que as transformações ocorridas no sistema produtivo da ECT na década de 1990, impactaram diretamente no nível de qualificação da mão-de-obra empregada, resultando em maior produtividade e competitividade. Dessa forma, conclue-se que os novos conceitos produtivos, organizacionais e de gestão implementados pela ECT, contribuíram para mantê-la competitiva frente ao mercado concorrencial. 13 INTRODUÇÃO Diariamente constatamos que os avanços tecnológicos atravessam fronteiras e colocam em questão novas formas de organização do tempo, do espaço e do trabalho. Dessa forma, é preciso situar o momento histórico em que se vive para abordar as significativas transformações ocorridas no sistema produtivo, já que as “novas” tendências mundiais influenciaram todos os componentes do ambiente macroeconômico, refletindo na necessidade de mudança nas organizações do mundo como um todo, principalmente no Brasil, as quais vêm impondo às empresas uma postura flexível em relação ao processo organizacional, estrutural e produtivo. Assim, para manterem-se nesse mercado que se tornou altamente competitivo, as empresas tiveram que se reestruturar e se adaptar aos novos sistemas de modernização, através das inovações tecnológicas, bem como realizando uma reestruturação interna, baseada na padronização dos processos, na aplicabilidade dos programas de qualidade total, na qualificação de seus empregados e na criação de novos serviços e produtos. Esse cenário definido pela concorrência em constante mutação, também demanda dos profissionais uma postura caracterizada pelo comprometimento com o negócio da Empresa, no qual a excelência do processo de gerenciamento dos líderes com a equipe favorece uma cultura ética centrada nos princípios e valores organizacionais e humanos, tornando o trabalho um instrumento de realização pessoal e profissional. Contudo, a busca da modernidade tecnológica supõe não só substituição de equipamentos obsoletos por novas tecnologias, mas também de investimentos em uma nova qualificação de recursos humanos que respondam com facilidade às necessidades do mercado, tendo como nova ordem a polivalência da mão-de-obra, produtividade e competitividade e o cliente como peça fundamental. Mas, embora se constate um conjunto de mudanças importantes na forma de gerenciamento de produção e aponte efetivamente no sentido da criação de ambientes de trabalho menos conflituosos e autoritários, o processo é muito heterogêneo e apresenta um conjunto de limites que devem ser investigados no estudo do impacto da modernização sobre os trabalhadores e as relações de trabalho de maneira geral, pois, paralelo ao segmento que surge com trabalhadores como novos perfis e de novas formas de relações de trabalho, há em contrapartida uma crescente massa de empregados que perde os seus 14 direitos, e ao não se inserir de forma competitiva no novo paradigma tecnológico, torna-se desempregada e marginalizada. Nesse contexto, até meados da década de 1960, os serviços postais eram executados de forma artesanal quase em sua totalidade. Todavia, como o progresso brasileiro se acelerou, a amplitude dos negócios criados gerou necessidades que suplantaram a capacidade operacional dos correios (PLANO ESTRATÉGICO-1990-2000, 1990). Conseqüentemente, limitados pela estrutura dimensionada para o início do século passado, os correios tiveram que se adequar ao novo cenário que nascia. Para isso, em 1969, o Departamento de Correios e Telégrafos-DCT foi transformado em Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos-ECT, a qual passou a agir com maior autonomia administrativa, sob a forma de empresa pública. Para enfrentar os desafios da demanda e a concorrência crescente advinda de outros segmentos interessados no mercado postal (Federal Express e Companhias Aéreas), a ECT iniciou um processo de reestruturação, por meio da consolidação da infra-estrutura de apoio, criação de órgãos de planejamento, de processamento de dados, de recursos humanos e comercialização Na verdade, estabelecia-se uma completa reformulação administrativa, operacional e comercial. Porém, na década de 1980, a Empresa sofreu as conseqüências da situação econômica brasileira1 e pouco investiu nessa área. Todavia, a partir de 1990, com o surgimento de novas mudanças, principalmente no sistema produtivo e na prestação de serviços, a ECT passou a atuar em ambiente concorrencial2 e deixou de ser atividade exclusiva do Estado, uma vez que passou a conviver com capitais privados sob diversas formas como as de franquia, parceria e terceirização, mantendo, entretanto, o controle, logo esses fatores visam garantir-lhe condições de sobrevivência diante de um ambiente em contínua modificação. Para tanto, todos os esforços foram feitos visando assegurar níveis sustentáveis de lucratividade e de competitividade. Entretanto, essas elas não ocorreram somente na ECT, mas nos correios de quase todos os países do mundo. 1 Na chamada década perdida, foram minguados os recursos destinados as empresas públicas, em função dos poucos recursos destinados a investimentos. 2 A esfera na qual está orbitada a ECT é de concorrência a produtos/firmas similares, fazendo com que a concorrência surja eminentemente, é óbvio, no entanto, que permanece o monopólio caracterizado pelo setor. 15 É com base nessas considerações que se justifica a importância deste estudo, uma vez que o objetivo geral se resume em descrever as transformações ocorridas no sistema produtivo da ECT na década de 1990, visando manter-se competitiva frente ao mercado concorrencial, como também aferir o impacto causado por essas mudanças no ponto de vista do seu quadro de empregados e dos clientes. Em termos do objetivo específico, esse aborda o processo da organização produtiva capitalista, enfatizando as tendências e o desencadeamento da reestruturação produtiva e as novas formas organizacionais e estruturais do sistema produtivo e da ECT, além de identificar as principais modificações e investimentos tecnológicos implementados no sistema produtivo e na qualificação da mão-de-obra, bem como o desemprego estrutural. Para o alcance dos objetivos propostos nesta monografia, realizaram-se pesquisas bibliográficas em fontes secundárias, para as quais foram utilizadas obras de diversos autores na sua composição, literatura sobre reestruturação produtiva no Brasil e principalmente a que trata da reestruturação da ECT, teses, dissertações com dados relacionados ao assunto e edições da própria ECT, denominadas Boletins da ECT, Boletins Técnicos, Rede Urgente, Rede Agências, Rede de Gerência, Revista Cofi e Correios Hoje, permitindo analisar várias idéias a respeito dos assuntos mencionados. Aplicando-se questionários compostos de perguntas fechadas e abertas, também foram feitas pesquisas de campo com os empregados lotados em duas agências de correios, além de clientes pertencentes a essas agências. Para tanto, este trabalho é composto por três Capítulos, sendo que o primeiro trata da Organização da Produção, ilustrando uma retrospectiva das Revoluções Industriais aos Principais Processo da Reestruturação Produtiva no Século XX, o Processo de Reestruturação Produtiva no Brasil, os Impactos da Reestruturação Produtiva Sobre o Mercado de Trabalho, o Desemprego Estrutural e os Sindicatos. O Capítulo II, descreve as Transformações Ocorridas no Sistema Produtivo da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos-ECT na Década de 1990, e permitindo uma análise evolutiva dos Correios e espelhando a conjuntura nacional e internacional própria de cada época, faz algumas considerações sobre a capilaridade dessa empresa do ponto de vista dos Aspectos Históricos, Missão e Objeto. Ainda nesse Capítulo, descreve-se sobre a Empresa no Contexto Atual, a Estrutura Organizacional e Funcionamento, os Produtos e Serviços que ela oferece, sua Presença Social, a Participação da ECT no Prêmio de Qualidade do Governo Federal, a 16 Modernização e Medidas de Sobressalto que Impactaram nos Rumos da ECT e de seus Empregados, os Avanços Tecnológicos Ocorridos, a Política de Recursos Humanos Adotada, a Qualificação dos Empregados, os Treinamentos Realizados, a atuação da ECT como Banco Postal e o Projeto Correios do Brasil S.A. O Capítulo III destina-se a uma Pesquisa de Campo realizada em duas agências de correios, na qual foram aplicados questionários dirigidos aos empregados lotados nessas duas unidades e de forma aleatória a setenta clientes, conforme se mencionou anteriormente, como também apresenta a análise, interpretação e tabulação dos resultados obtidos, os quais demonstram que as transformações ocorridas no sistema produtivo da ECT contribuíram para melhoria do nível de qualificação da mão-de-obra, resultando em mais produtividade e competitividade. E por último, as Considerações Finais, nas quais verifica-se que a estratégia hoje adotada caminha em três direções básicas, sendo que a primeira consiste numa profunda rearticulação do capital monopolista com a retirada do Estado na intervenção da economia, traduzindo-se numa transferência, os grupos privados, das empresas lucrativas controladas pelo Estado, a chamada desestatização, a qual é objeto do modelo econômico brasileiro atual; a segunda que mostra uma nova forma de organização e exploração do trabalho através da introdução maciça de novas tecnologias, visando acelerar a produção em busca de produtividade e eficiência e finalmente, a terceira que mostra um voraz crescimento do desemprego estrutural, sendo que a ECT reverteu esse quadro, isso em função da criação de novos serviços e produtos e da diversificação de sua atuação e participação no mercado (Banco de Serviços, Banco Postal, Correio Híbrido, etc.), registrando-se um crescimento na taxa de contratação de mão-de-obra, prova disso é a constatação de que a ECT vem correspondendo ao nível de exigência dos tempos modernos em que vive a sociedade, situando-se entre os melhores correios do mundo, buscando sempre alargar suas próprias fronteiras para fazer-se presente nos novos segmentos, por meio da intensificação dos processos de inovações tecnológicas e organizacionais, revisão dos processos de qualificação da mão-de-obra e criando modelos que tentam assegurar a motivação dos empregados, para que estes trabalhem sob ritmo acelerado de transformações das filosofias e políticas empresariais, cada vez mais voltadas para o cliente, a produtividade e a qualidade. 17 1 PROCESSOS HISTÓRICOS DA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA Na primeira seção deste capítulo tratar-se-á dos Processos Históricos da Reestruturação Produtiva, enfocando a Organização da Produção a partir das Revoluções Industriais ao Processo de Reestruturação Produtiva no Século XX. Serão também abordados o Processo de Reestruturação Produtiva no Brasil, os Impactos da Reestruturação Produtiva Sobre o Mercado de Trabalho, o Desemprego Estrutural e os Sindicatos. 1.1 Organização da Produção O início do processo de produção capitalista ocorreu na Inglaterra com seu comércio urbano e ligas artesanais na segunda metade do século XVI e no início do XVII, isso quando muitos trabalhadores sob o comando do capital, baseados na força do trabalho assalariado, foram reunidos em fábricas para produzirem uma mesma espécie de mercadorias, com o objetivo de fornecer produtos para trocar no mercado, o que resultou no desenvolvimento das trocas, do mercado e da organização da produção. Assim, o capital começou a penetrar na produção em escala considerável, seja na forma de uma relação bem amadurecida entre capitalista e assalariado ou em outra forma menos desenvolvida, que é de subordinação dos artesãos domésticos que trabalhavam em seus próprios lares3. A partir daí, o capitalismo se estabeleceu como um sistema orientado para obtenção e o crescimento dos lucros e como principal modo de produção europeu, o que tornou a economia capitalista e a indústria como a atividade econômica mais importante, colocando em evidência o abismo sócio-econômico entre a família burguesa e o proletariado, mediante a exploração dos trabalhadores que reinava e péssimas condições de trabalho, visto que desde o início do processo de produção, o capital procurou criar condições satisfatórias para o aumento da produtividade, principalmente através da intensificação do processo de apropriação do valor criado pelos trabalhadores. Com o sistema capitalista, inicialmente emergiu a indústria artesanal coorporativa e, 3 Ver HUNT & SHERMAM. História do Pensamento Econômico, Rio de Janeiro, Campus, 2002. 18 posteriormente a manufatura e a indústria (COTRIM, 1997, p. 255-259; VESENTINI, 1999, p. 13). 1.2 As Revoluções Industriais e as Grandes Guerras Mundiais Os séculos XVIII e XIX foram marcados por profundas transformações econômicas, sociais, políticas e culturais. Transformações que muito contribuíram para a criação de um novo modo de produção, baseado na substituição das habilidades humanas pelo uso intensivo de máquinas e equipamentos. O mundo do trabalho passou a ser norteado pelas emergentes idéias do sistema capitalista de produção. Este período foi denominado de Revolução Industrial. Na Inglaterra, após 1760, as pequenas oficinas de artesão foram substituídas por fábricas, as ferramentas por máquinas, as fontes de energia com água, vento e força muscular por carvão; tais fatos ocasionaram o progresso técnico da indústria têxtil, da mineração de carvão, da fundição de ferro e do domínio do vapor, e isso fez a industrialização concentrar operários nas fábricas e nas cidades pequenas ligadas por canais, o que tornou a Inglaterra o primeiro país europeu a desenvolver o processo de industrialização e tornar-se industrializado. Em 1854, a Inglaterra por exemplo, exportava mais de 20% de sua produção e representava uma participação nas exportações mundiais de manufaturados em torno de 40%, o que tornava o mercado dos produtos ingleses basicamente externo. Antes de 1850, a Bélgica, a França e os Estados Unidos da América haviam avançado na industrialização, posteriormente a Alemanha, a Itália, o Japão, a Escandinávia e a Rússia. Na metade do século XIX, depois de 1870, nos países recém-industrializados, Bélgica, França e os Estados Unidos da América, onde as exportações eram importantes na sustentação da demanda, freqüentemente, o comércio internacional era chamado de MOTOR DO CRESCIMENTO DO SÉCULO XIX, tornando-as essenciais para a expansão das áreas de colonização, isso, graças à introdução em larga escala dos navios a vapor e a não-adoção da política de Laissez-Faire (não intervenção do Estado na economia). A I Revolução Industrial iniciou-se no final da segunda metade do século XVIII na Inglaterra, maior potência industrial do mundo, na época. No século XIX se expandiu para os outros países europeus, especialmente a Alemanha, a França, a Bélgica e 19 os Estados Unidos da América. No final do século XIX, ela atingiu a Rússia, o Japão, à Austrália e a Nova Zelândia. Baseando-se quase completamente no desenvolvimento da máquina a vapor e nas indústrias têxteis e tendo o carvão mineral como fonte de energia, as empresas normalmente eram pequenas e médias, típicas do capitalismo concorrencial ou liberal. Quanto à mão-de-obra, pode-se dizer que o destaque foi o uso do trabalho intensivo (média de 12 ou até 16 horas por dia), além de mal remunerada e sem qualquer qualificação. A I Revolução Industrial terminou por volta de 1870. Abrindo caminho para a II Revolução Industrial, nas últimas décadas do século XIX o mundo conheceu o advento de novas tecnologias, no qual a Inglaterra pouco a pouco perdeu a liderança para outros países com economias mais dinâmicas, como a Alemanha e principalmente os Estados Unidos da América. A II Revolução Industrial é marcada pela descoberta da eletricidade e dos motores elétricos, pelo uso de várias fontes modernas de energia (nuclear, solar, das marés e de origem orgânica), petróleo e inovações técnicas, ocorrendo uma grande expansão das empresas maiores e uma substituição gradativa do capitalismo competitivo pelo monopolista. O carvão, ainda importante, é substituído pelo petróleo, que com o advento da indústria automobilística torna-se a principal fonte de energia do mundo; a siderurgia, as indústrias metalúrgica, petroquímica e automobilística (século XX), substituem a indústria têxtil, onde o motor a combustão interna e a utilização do petróleo como combustível alicerçaram a indústria automobilística, que se tornara o principal ramo da economia mundial do século XX. Nesse período, a média diária de trabalho cai para 8 horas e o trabalhador torna-se mais especializado, recebendo uma melhor remuneração (VESENTINI, 1999, p. 14-24) . Durante a II Revolução Industrial, dois aspectos ou processos se destacam: o Taylorismo e principalmente o Fordismo. Por muitas décadas a produtividade industrial dependeu essencialmente da habilidade e do ritmo do trabalho dos operários, até que em torno de 1900, a organização fabril saltou para um novo patamar com as pesquisas e métodos de FREDERICK WINSLOW TAYLOR, que na condição de gerente, criou um sistema capaz de reduzir o tempo do trabalho empregado na fabricação das mercadorias, de forma a extrair o máximo do trabalhador no menor tempo possível, o qual consistia na produção em pequena quantidade e em grande variedade, com isso, o Taylorismo aumenta a produtividade da fábrica, mas também a exploração do trabalhador. O padrão têxtil, a energia carbonífera e a organização taylorista definiram os contornos do mundo industrial. 20 Como um complemento do Taylorismo, surgiu na segunda década de 1920, o Fordismo, que consiste num conjunto de métodos voltados para produzir em massa, em quantidades nunca vistas anteriormente. O Fordismo absorve algumas técnicas do Taylorismo, mas vai além, visto que trata de organizar a linha de montagem de cada fábrica de forma a se produzir mais, inclusive controlando melhor as fontes de matériasprimas e de energia, a formação da mão-de-obra, os transportes e o aperfeiçoamento das máquinas para ampliar a produção. O Fordismo, cujo nome vem do industrial norteamericano HENRY FORD, um pioneiro da indústria automobilística, tinha como lema, produzir em grande quantidade e em pouca variedade, produzir e consumir em massa, buscando ampliar esses dois fatores. O seu modelo marcou a supremacia industrial dos Estados Unidos da América e foi adotado por quase todos os países desenvolvidos. A lógica do Fordismo consistia no fato de que para se produzir em massa é necessário que existam consumidores para comprar toda a produção; para isso seria necessário um imenso mercado consumidor e a grande maioria da população de qualquer país era constituída por trabalhadores, conseqüentemente era preciso pagar-lhes bem para que eles pudessem comprar, consumir em grandes quantidades, o que aumentava a produção e os lucros. Enquanto o Taylorismo se preocupava com a máxima utilização do tempo de trabalho do operário, o Fordismo com o tempo livre, além do consumo. Dessa forma, o trabalho fabril sofreu uma revolução, adaptando-se a um novo patamar tecnológico e a expansão do consumo. Na sua fábrica pioneira, FORD montou um esquema no qual os seus trabalhadores permaneciam em postos fixos enquanto uma correia transportadora movia as peças, especializando assim os operários na realização de operações simples e repetitivas, excluindo a necessidade de habilidades especiais. Não se tratava de trabalhar mais, mas de trabalhar com mais especialização e consumir mais. O padrão eletromecânico, a energia elétrica e a organização fordista estruturaram a economia industrial do século XX, sobrevivendo à Depressão e à II Guerra Mundial e isso foi um dos fatores que ajudaram na melhoria dos padrões de vida dos países desenvolvidos no século XX. A II Revolução Industrial terminou entre os anos de 1960 e 1970. Nas últimas décadas do século XX, em especial nos anos 1970 iniciou-se a III Revolução Industrial ou Revolução Técnico-cientifíca, a qual é marcada pelo enorme papel do conhecimento e da tecnologia avançada, exigindo maior tecnologia e maior qualificação da força de trabalho, onde novos setores de ponta tornam-se cada vez mais importantes modificando os demais: a informática, a robotização, as telecomunicações, a química fina, 21 a indústria de novos materiais, a biotecnologia e em particular a engenharia genética (id, 1996, p. 113-153). A Revolução Técnico-científica abandonou o conceito da produção serializada para mercados homogêneos. Os novos produtos caracterizam-se pela variedade de versões, que se adaptam a nichos de mercado com exigências específicas. A meta fordista de redução de preços através da constante ampliação da escala de produção foi substituída pelo contínuo aperfeiçoamento tecnológico dos produtos e pela incorporação de maior valor a cada versão. As indústrias de ponta da nova era concentram os seus esforços na criação de novos produtos e dependem intensamente de mão-de-obra de elevada qualificação (MAGNOLI, 1997, p. 21). Segundo MAGNOLI (1997), a III Revolução Industrial ou Técnico-científica começou alterar o panorama produtivo mundial na década de 1970, onde os fundamentos dessa nova fase industrial repousam, de um lado, sobre a emergência das tecnologias da microeletrônica e da transmissão de informações, e de outro, sobre a automatização e a robotização dos processos produtivos. O salto de produtividade proporcionado pelos métodos de produção repercutiu sobre a utilização de energia e a demanda da força de trabalho. Segundo SALERMO (1992), o processo de reestruturação que visa atingir flexibilidade e integração, onde os aspectos organizacionais são decisivos com rápido atendimento ao mercado, aumento do giro do capital e da capacidade de lançar produtos inovadores abrindo novos nichos de mercados e da redução de estoque e do custo financeiro, pode ser caracterizado como a III Revolução Industrial, tendo por conseqüência transformações na divisão internacional e técnica do trabalho e na redistribuição da produção entre unidades produtivas e nas próprias formas de execução efetiva da atividade laboral. Dentre as mais importantes conquistas técnicas que marcaram a I Revolução Industrial e o início da II, pode-se relacionar as seguintes inovações, conforme Quadros 1 e 2. QUADRO 1: PROGRESSO DOS TRANSPORTES ANOS CONTRIBUIÇÕES 1735 Produção de Ferro com Carvão-Coque 1769 Máquina a Vapor 1785 Tear Mecânico 1834 Motor Elétrico 1867 Dínamo 1885 Automóvel 1897 Motor Diesel 1903/04 Avião FONTE: Baseado em COTRIM, 1997, p. 259. RESPONSÁVEL(IS) Darby James Watt Ricard Arkwright Jacobi Siemens Daimler/Bens Diesel Irmãos Wright/Santos Dumont 22 QUADRO 2: PROGRESSO DAS COMUNICAÇÕES ANOS CONTRIBUIÇÕES 1832 Telégrafo 1839 Máquina Fotográfica 1861/76 Telefone 1877 Fonógrafo 1895 Projetor de Cinema 1897 Telégrafo sem Fio FONTE: Baseado em COTRIM, 1997, p. 259 RESPONSÁVEL(IS) Morse Daguerre Reis/Bell Gray Édson Lumiére Marconi Quanto às transformações sociais, as Revoluções Industriais tiveram como conseqüências, entre outras: Divisão do trabalho e alienação: visando aumentar a produtividade industrial, o trabalho do operário foi subdividido nas fábricas em múltiplas operações, dando origem às linhas de montagem. Com a divisão do trabalho, o operário perdia a noção do conjunto do processo do produtivo, fragmentando seu saber e colaborando para a sua alienação; Produção em série e padronização dos gostos: as linhas de operação e de montagem existentes nas fábricas trabalhavam para realizar uma produção em série do mesmo artigo. O aumento da produção em série colaborava para homogeneizar o gosto dos compradores dos produtos industriais; Desenvolvimento dos transportes e das comunicações: as Revoluções Industriais influíram decisivamente no progresso dos meios de transportes e de comunicação, sem os quais não se poderiam vender produtos industrializados nos mercados cada vez mais amplos, cujos momentos significativos desse progresso são as invenções do navio a vapor, da locomotiva e do telégrafo; Urbanização: as cidades cresceram devido à concentração das indústrias e da grande massa de trabalhadores. A população urbana aumentou rapidamente. Na Inglaterra, por exemplo, a partir de 1750, houve um verdadeiro salto populacional, de 6.571 de habitantes, a população aumentou para 16.345 milhões em 1801 e saltou para 27.533 em 1851. Com relação às diferenças entre as Revoluções Industriais, pode-se afirmar que cada uma delas assinalou um momento de desenvolvimento tecnológico. A I, feita com bases técnicas mais simples (máquina a vapor, carvão como principal fonte de energia e, força de trabalho não especializada nem qualificada), ocorreu até o final do século XIX e caracterizou-se por ter feito da Inglaterra a grande potência mundial e principal exemplo de 23 industrialização e pelas indústrias têxteis como setor de vanguarda. Já a II exigiu uma base técnica mais complexa (refino do petróleo, que se tornou a principal fonte de energia do século XX, máquinas e motores mais sofisticados, mão-de-obra especializada) e se estendeu do final do século XIX até o início da década de 1980 do século XX. Os Estados Unidos da América foram a grande potência econômica e o principal modelo de industrialização dessa fase, que se caracterizou ainda pelo predomínio da indústria automobilística e outras a ela interligadas (petroquímica, siderúrgica, etc.). A III Revolução Industrial encontra-se em andamento desde o final dos anos 1970 e deverá se desenvolver mais plenamente no século XXI. Ela é marcada pelo predomínio de indústrias altamente sofisticadas: informática, robótica, biotecnologia e telecomunicações, que exigem muita tecnologia e maior qualificação da força de trabalho. Enquanto na I Revolução Industrial a procura por mão-de-obra barata e desqualificada era imensa, também por matérias-primas em geral, na Revolução Técnicocientífica, essa procura diminuiu e foi substituída por robôs, ocorrendo também uma desvalorização das matérias-primas em geral; o importante passou a ser a tecnologia e as pesquisas, que substituíram metais raros por outros mais abundantes, produzindo novas variedades de gêneros agrícolas e desenvolvendo fontes de energia em laboratórios. Nesses termos, a importância da natureza foi reduzida (o tamanho do território de um país e de seus recursos naturais) e aumentou a educação, ou seja, novas idéias e técnicas e uma mão-de-obra qualificada (VESENTINI, 1999, p.23-24; COTRIM, 1997, p. 261-263). Todavia, no início do século XX, havia um clima de grande tensão e rivalidade entre as grandes potências européias, o que contribuiu para a eclosão da I Guerra Mundial (1914-1918), provocando a destruição da Europa e interrompendo o ciclo do progresso econômico, como também a queda do regime czarista, sendo substituído pelo primeiro governo comunista do mundo, na União Soviética, que não honrou as dívidas russas, aniquilando grande parte da riqueza externa acumulada pela França. Os principais fatores que contribuíram para essa situação foram à concorrência econômica, a disputa colonial e os conflitos nacionalistas. No que diz respeito à concorrência econômica, ela se tornou particularmente intensa entre a Inglaterra (principal país europeu a expandir seus mercados industriais) e Alemanha (país que depois da unificação política entrou em rápido desenvolvimento industrial), visto que as grandes potências industrializadas buscavam por todos os meios dificultar a expansão econômica dos países concorrentes. 24 A disputa colonial, por sua vez, gerada pela concorrência econômica entre as nações industrializadas teve como importante conseqüência à disputa por colônias na África e na Ásia, tendo em vista esse domínio ser a solução do capitalismo monopolista para os problemas de excedentes de produção, garantindo a conquista de novos mercados e de controle das fontes fornecedoras de matérias-primas. Quanto aos conflitos nacionalistas, esses foram gerados porque a Europa possuía focos de conflito no plano político. Em diversas regiões surgiram movimentos nacionalistas, apresentando como argumento ideológico o objetivo de agrupar, sob o mesmo Estado, povos considerados de mesmas raízes culturais. Entretanto, todos esses movimentos políticos também estavam vinculados a interesses econômicos. Posteriormente, tentou-se restabelecer o padrão ouro, mesmo com paridade inalterada por parte dos EUA e Inglaterra, apesar da inflação diferencial que surgiu, submetendo a Inglaterra a altas taxas de desemprego em toda década de 1920, enquanto a Alemanha e outros países europeus sofriam com a hiperinflação mundial. Muita coisa foi feita buscando o restabelecimento econômico, mas, nada adiantou, pois o desemprego atingiu níveis elevados, os bancos faliam, as dívidas deixavam de ser pagas, os mercados de capitais secavam, o padrão ouro era abandonado, a desvalorização concorrencial do câmbio tornava-se prática comum e o protecionismo vencia (COTRIM, 1997, p. 337-338). Com o término da I Guerra Mundial restabeleceu-se a mobilidade do capital, mas ele não mais fluía da Inglaterra e França, fluía da nova potência dominante do mundo, os Estados Unidos da América. Para se ter uma idéia, em 1920, a indústria norte-americana era responsável por 50% da produção mundial. A Europa, arrasada, tornou-se um mercado dependente de exportações americanas. Os Estados Unidos da América com quase a metade de todo o ouro que circulava nos mercados financeiros mundiais, sai ganhando e torna-se a maior potência financeira mundial do pós-guerra. Os países europeus voltaram a organizar e a desenvolver sua estrutura produtiva. Para acelerar a recuperação econômica, tomaram uma série de medidas protecionistas, que acabaram reduzindo as importações de produtos americanos. Enquanto isso, o ritmo de produção industrial e agrícola os Estados Unidos da América continuava a crescer aceleradamente, em descompasso com as necessidades de seu mercado interno e com as possibilidades de compra do mercado internacional. Na medida em que se recuperavam dos traumas da guerra, os países europeus industrializados (Inglaterra, França e Alemanha), foram atualizando seus métodos 25 industriais, adotando procedimentos técnicos de racionalização da produção e desenvolvendo suas indústrias químicas, mecânicas e elétricas. Todos esses fatores colaboraram para aumentar o desequilíbrio entre o excesso de mercadorias produzidas e o escasso poder aquisitivo dos consumidores. Configurava-se assim uma conjuntura econômica de superprodução capitalista (id, ibid, p. 343-346). Entretanto, a fase de euforia dos Estados Unidos da América durou até 1929, já que nesse ano o país também foi abalado por grave crise econômica, crise da superprodução, que repercutiu no mundo todo. Um dos grandes marcos dessa crise foi o dia 29 de outubro de 1929, dia do crack da Bolsa de valores de Nova York, que representava o grande termômetro econômico do mundo capitalista. Nesse dia, as ações das grandes empresas sofreram uma queda vertigiosa, perdendo quase todo o seu valor financeiro, quando inúmeras delas e alguns bancos faliram. Os preços das matérias-primas e dos produtos agrícolas também caíram. Havia produtos demais no mercado, enquanto existiam poucos consumidores com condições de adquiri-los (VESENTINI, 1996, p. 80-83). Diante desse quadro, as empresas foram obrigadas a reduzirem o ritmo de sua produção, o que gerou demissão em massa de seus funcionários. Em função disso, a crise econômica ganhava dimensão social. Como não podiam vender seus produtos, os Estados Unidos da América deixaram de comprar produtos de outros países, provocando considerável redução nas exportações dos países que vendiam seus produtos para o mercado norte-americano. Exemplo disso, foi o Brasil que era extremamente dependendo das exportações de café para os Estados Unidos da América. Sem esse mercado consumidor, o Brasil queimou milhares de sacas desse produto. O desastre econômico não só abalou a classe cafeicultora brasileira, como também as estruturas políticas da República Velha, abrindo caminho para a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Tudo isso favoreceu a o surgimento de outra guerra, a II Grande Guerra Mundial (1939-1945), que foi considerada a mais devastadora na história humana. Nela verificou-se um enorme aperfeiçoamento das técnicas militares de destruição. Aos instrumentos tradicionais de guerra, foram somados novos tanques, foguetes, radares, aviões, submarinos e a bomba atômica. Mas, apesar das grandes perdas humanas e econômicas resultantes da guerra, ela incentivou o progresso técnico e industrial, visto que no seu apogeu, fez-se um planejamento de um mundo pós-guerra promovedor de prosperidade e desenvolvimento, 26 voltado para a paz. Numa conferência em Bretton Woods, New Hampshire, estabeleceu-se à criação do Fundo Monetário Internacional-FMI destinado a tratar de questões monetárias e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento-BIRD ou Banco Mundial destinado a promover um fluxo de empréstimos em longo prazo para a reconstrução e o desenvolvimento. A União Soviética participou dessa conferência, mas não ingressou nas instituições criadas, e contrariamente aos interesses de outras nações, criou governos comunistas no Leste europeu sob a proteção do Exército Vermelho. Com o término da II Grande Guerra Mundial, consolida-se o poder dos Estados Unidos da América, que juntamente com a ex-União das Repúblicas Soviéticas Socialistas tornam-se as duas maiores potências mundiais. Enquanto os EUA lideravam o bloco dos países capitalistas, a URSS lideravam o dos países socialistas (COTRIM, 1997, p. 360-376). Já em 1948, a produção e o comércio mundial reconquistaram o nível anterior ao início da guerra. Em 1950, a economia mundial encontrava-se praticamente recuperada dos danos causados pelo conflito. Disputando áreas de influências em todo o mundo, esses blocos viveram um período de tensões, denominado Guerra Fria (1946), cuja época foi marcada por extrema rivalidade. Com o fim da Guerra Fria, o mundo se caracteriza por um poder formado por três blocos: EUA, Alemanha e Japão (id, ibid, p. 384-386). Esse período foi dominado pela transferência maciça de recursos dos Estados Unidos da América para a Europa e o Japão, onde as grandes companhias norte- americanas implantaram filiais e adquiriram firmas da Europa Ocidental, retomando assim sua multinacionalização, e os países europeus e o Japão reconstruíram seus parques industriais e incorporaram tecnologia e padrões de consumo dos EUA. Gradativamente, as diferenças entre todas as economias envolvidas na globalização foram sendo eliminadas até constituírem um todo econômico bastante homogêneo. Após a II Grande Guerra, os vencedores capitaneados pelos EUA, colocaram a retomada da globalização econômica como objetivo primordial. Os EUA estavam no auge de sua hegemonia, com elevados níveis de produção e consumo, produtividade e salários; os demais países tinham suas economias afetadas pelo conflito, carência de recursos e dificuldades de reabsorver os ex-combatentes (esta primeira tentativa de globalização afundou com a I Guerra Mundial (1914-18) e pouco depois com a grande crise da década de 1930, em seguida pela II Grande Guerra Mundial (1939-45). Na mesma época, as lutas de classe nos países industrializados haviam se intensificado, alimentadas por crescente insatisfação de uma classe operária de 27 escolaridade elevada com um trabalho monótono e alienante. Grandes jornadas grevistas eram resolvidas com elevações salariais que superavam os ganhos de produtividade e pressionavam os lucros. As empresas, pressionadas, transferiam em grande escala de linhas de produção industrial para a periferia, onde grandes centros industriais na Europa e na América do Norte foram literalmente esvaziados, com prédios fabris abandonados e muitos homens desempregados. Desta vez, a globalização causava desindustrialização e empobrecimento de cidades e regiões inteiras. Pouco a pouco a globalização vai fazendo jus ao seu nome. A economia capitalista industrial tende a superar os limites do estadonação quase desde o seu início (SINGER, 2000, p.19-21; VESENTINI, 1999, p.68-71). Foi também após a II Grande Guerra Mundial que o processo de produção capitalista mudou sua performance produtiva, dando início a um movimento acelerado, intensificado e generalizado do capitalismo no mundo contemporâneo, o qual é palco de modificações qualitativas e quantitativas nas relações societárias, cujos mercados se mundializam, formando uma sociedade global, em que predominam a tendência a concentração e o controle do capital por parte dos grandes grupos ou setores produtivos, combinados à dispersão da produção nas mais diversas regiões do mundo, esse processo é conhecido por globalização, que transforma a economia, a sociedade, a política, a cultura e o homem. A sociedade global tem como dinâmica a interdependência e a integração, e ao mesmo tempo, as diversidades, as desigualdades e as contradições. Esse período pode também ser chamado como uma época de capitalismo em configuração madura, com período de produção, troca e consumo mais intenso, onde operam cadeias e redes ligando globalmente os processos produtivos, de distribuição e de consumo, não existindo mercado neutro, cuja circulação das mercadorias assegura a vitalidade da sociedade global. Desde então, iniciou-se um período de reconstrução. A liberação do comércio dentro da Europa, sobre os conselhos da Organização para a Cooperação Econômica Européia-OCEE e com o apoio da União Européia de Pagamento trouxe grandes benefícios em termos de eficiência, crescimento e bem-estar. A recuperação enfim fora formalizada pela declaração de conversibilidade monetária feita pelos principais países europeus no final de 1958 e pela transformação da OCEE na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE. De 1960 a 1973, o PIB cresceu em torno de 7,5% ao ano, crescimento alto se comparado com o obtido por décadas pelo produto inglês; no começo do século XVIII, 2,5% ou 1,5% ao ano no período anterior ao da grande depressão mundial (1860 a 1914). 28 Para esse crescimento, valorizam o dinamismo tecnológico, a energia barata, a expansão da educação, a aplicação com sucesso dos conceitos de Keynes e uma crescente interdependência. A mobilidade do capital também foi essencial para esse crescimento, bem como o Plano Marshall criado pelos EUA. Quando aconteceu o encerramento dessa reconstrução, estava em andamento a maior expansão da história do mundo, a qual foi generalizada, afetando toda humanidade. De 1970 em diante, as economias capitalistas desenvolvidas abriram seus mercados internos aos produtos industrializados do Terceiro Mundo, ao mesmo tempo, a crise do dólar levava à flutuação das taxas de câmbio e à constituição de uma grande mercado financeiro internacional, o mercado de eurodivisas, não submetido a qualquer controle público. O grande capital passou a implantar nos países em processo de industrialização um parque industrial destinado a abastecer os mercados dos países do Primeiro Mundo. Mesmo assim, no período de 1973 a 1974, registra-se um crescimento pequeno, com um PIB em torno de 5% ao ano, uma desaceleração uniforme, com destaque nos países desenvolvidos, e uma redução no crescimento da renda per capita. Embora tenha ocorrido em 1973, a I crise do petróleo, as causas disso não são evidentes. Pressupõe-se que ela foi menor nos países desenvolvidos, dado o combate à inflação e que em muitos deles, a mão-de-obra não estava disposta à queda dos salários reais necessários. Isso era para os capitalistas considerarem rentável a continuidade da mesma quantidade de empregados de antes, uma vez que a parcela maior do produto bruto se desviara para os produtores de petróleo, colocando as autoridades numa situação de terem que escolher entre maior desemprego ou inflação explosiva. Alguns achavam que o aumento dos preços da energia interferiu no retardamento do crescimento econômico, isso por terem desviado recursos do investimento fabril (razão incremental capital-produto baixa) para o setor energético (capital-produto alto) e que a inflação, os impostos e as leis de proteção ao ambiente também contribuíram. É oportuno frisar que o comércio de produtos manufaturados entre os países desenvolvidos e a exportação de petróleo deixou de ser o item mais importante no comércio mundial, papel esse absorvido pelas exportações de manufaturas pelos países em desenvolvimento e de produtos agrícolas das zonas temperadas. O comércio de serviços, por sua vez, representou 25% de sua totalidade, cujos fatores de diversidade que o compõe são o turismo e a renda do capital. O turismo que é influenciado por determinantes climáticos e geográficos, principalmente os europeus que 29 procuraram o Mediterrâneo e a renda do capital (lucros e juros) que é gerada por investimentos e empréstimos anteriores. Com a crise do mundo socialista no final de 1980 produzindo um impasse no Brasil, a sociedade brasileira teve que se reorganizar para repensar no seu futuro para enfrentar a III Revolução Industrial. Assim, a globalização se expandiu ainda mais, visto que o chamado Segundo Mundo vivia até o início dessa década mais ou menos à margem do mundo capitalista, com seu próprio comércio e suas empresas estatais, conseqüentemente, com a abertura desses países ex-socialistas para a economia de mercado e o capitalismo, a globalização atingiu todo o planeta (id, 1996, p.190-191). 1.3 Principais Processos da Reestruturação Produtiva no Século XX A industrialização não consiste apenas na criação de um número cada vez maior de indústrias, mas também no constante aprimoramento tecnológico e no domínio de cidade sobre o campo e da técnica sobre a natureza, tendo em vista a industrialização de uma sociedade sempre acarretar urbanização e maior divisão do trabalho entre as pessoas e as regiões, ou seja, surge um número maior de atividades nas cidades, e as regiões do país passam a ser mais integradas ou interdependentes (VESENTINI, 1999, p. 22). Apesar de ser um processo secular de desenvolvimento da sociedade moderna e do capitalismo, no ponto de vista político-econômico, a industrialização pode ser dividida em três diferentes tipos: a clássica ou original, a planificada e a tardia ou retardatária, e no ponto de vista da complexidade tecnológica, ela dividi-se em três fases que consistem nas três Revoluções Industriais. A industrialização clássica é típica dos países desenvolvidos ou do Norte. Como o próprio nome diz, foi a primeira, a original, bem anterior às demais. Ela começou na Inglaterra, em meados do século XVIII, e no século XIX se espalhou para outros países europeus e de outros continentes (Estados Unidos da América e Japão). A industrialização planificada, por sua vez, ocorreu somente no século XX, nos países que adotavam economias planificadas, denominadas socialistas. Constitui num notável esforço para ampliar os estabelecimentos industriais, com amplo predomínio das empresas estatais e ênfase nas indústrias pesadas ou de meios de produção. Esse tipo de industrialização existiu até o final da década de 1980, tendo sido importante para o avanço industrial de países como a ex-União Soviética das Repúblicas Socialistas, a antiga Alemanha Oriental, a Polônia, a Bélgica, entre outros. 30 Por fim, vem a industrialização tardia ou retardatária, a de fato ocorrida no Brasil. É uma industrialização que, como o nome sugere, foi historicamente atrasada em relação à industrialização original – ela foi mais comum no século XX, embora em alguns casos tenha se iniciado de forma tímida no final do XIX- e ocorreu em muitos países subdesenvolvidos ou do Sul. Apenas na década de 1950, com a implantação da indústria automobilística no país, é que o Brasil ingressou na II Revolução Industrial, portanto, mais de meio século atrasada em relação aos países do Norte, situação, porém, não tão precária, se comparada com a do mundo subdesenvolvido, já que uma imensa parte dos países do Sul, especialmente na África, Américas Central e do Sul e no Sudoeste da Ásia, ainda se encontra nos estágios característicos da I Revolução Industrial, ou seja, aqueles não possuem até hoje indústrias automobilísticas e petroquímicas consolidadas, nem outras indústrias típicas dessa fase (id, ibid, 1999, p.22-23). A industrialização tardia ou retardatária difere dos outros dois tipos por ser feita em grande parte com capitais estrangeiros, ao inverso das outras duas, em que predominam os capitais nacionais; ter por base um maior desenvolvimento das indústrias de bens de consumo, ao contrário da industrialização planificada, em que predominam as indústrias de base e da industrialização clássica, caracterizada por um desenvolvimento equilibrado entre esses dois tipos de indústrias e por utilizar basicamente tecnologia estrangeira, ao contrário dos outros dois tipos, que criam sua própria tecnologia. Desta forma, reestruturação produtiva é um termo que engloba o grande processo de mudanças ocorridas nas empresas e principalmente na organização do trabalho industrial nos últimos tempos, via introdução de inovações tanto tecnológicas como organizacionais e de gestão, buscando-se alcançar uma organização do trabalho integrada e flexível. Atualmente, a principal atividade industrial, a que concentra cada vez mais uma fatia crescente da renda nacional dos países desenvolvidos, é a indústria no sentido amplo, ou seja, as atividades principalmente as terciárias (ligadas à prestação de serviços) que usam os métodos da indústria moderna: produção em grande escala e uso de máquinas substituindo mão-de-obra. As atividades econômicas de maior crescimento são aquelas que produzem serviços, idéias, técnicas e novas formas de utilização de recursos. Na agricultura, a pesquisa biológica é vista como melhor negócio do que a produção de alimentos. 31 O setor bancário, os serviços em geral (assessoria, turismo, lazer, pesquisas, etc.), além dos meios de comunicação, passaram a representar uma parcela cada vez mais abrangente da renda total das economias mais dinâmicas. Esses são os setores que mais crescem a cada ano. Segundo CASTELLS (1999), a década mais importante é a de 1970, a era da informação, com avanços tecnológicos visíveis em alguns setores, tais como a microinformática, a química fina e a biotecnologia4. Mas foi a informática que mais se destacou, implementando inovações através da automação, robotização e particularmente a Internet. Dentre as principais inovações da tecnosociedade predominam a comutação 5 eletrônica, os satélites de baixa órbita, os cabos axiais, as fibras óticas e a disseminação, o barateamento e a miniaturização dos computadores. Com o desenvolvimento e a aplicação dos computadores, todas as demais atividades econômicas (ou até domésticas) sofreram transformações: os bancos, os escritórios e os correios tornaram-se automatizados, podendo, em algumas situações, reduzirem o número de funcionários, as fábricas passaram a dispor de máquinas inteligentes, os aeroportos no monitoramento dos aviões com mais segurança e maior controle, as construtoras projetando e visualizando um prédio, inclusive vendo no vídeo os detalhes dos cômodos e dimensões, antes mesmo de sua construção, os governos, as universidades e outras instituições a processarem informações e arquivando dados. O microcomputador se tornou um eletrodoméstico tão comum quanto um televisor. É na robótica que o uso dos computadores vem sendo mais revolucionário. Cada dia aumenta a introdução da robotização nas economias desenvolvidas, substituindo o homem, principalmente nas atividades repetitivas ou até perigosas, aquelas de linha de montagem ou de atividade sem qualificação (pintura industrial, solda, ferramentaria, torno, trabalhos em ambientes muito quentes ou sem ar, limpeza, serviços simples mas que exigem grande precisão ou que utilizam peças minúsculas, entre outros). No Japão, país mais robotizado do mundo, existem fábricas que funcionam praticamente só com robôs. 4 BIOTECNOLOGIA: Aplicação de processos biológicos á produção de materiais e substâncias para uso industrial, medicinal, farmacêutico, etc. 5 COMUTAÇÃO: Processo mecânico em que se converte a corrente alternada que flui na armadura de um de um gerador em corrente contínua de saída do gerador. 32 É na robótica que o uso dos computadores vem sendo mais revolucionário. Cada dia aumenta a introdução da robotização nas economias desenvolvidas, substituindo o homem, principalmente nas atividades repetitivas ou até perigosas, aquelas de linha de montagem ou de atividade sem qualificação (pintura industrial, solda, ferramentaria, torno, trabalhos em ambientes muito quentes ou sem ar, limpeza, serviços simples mas que exigem grande precisão ou que utilizam peças minúsculas, entre outros). No Japão, país mais robotizado do mundo, existem fábricas que funcionam praticamente só com robôs. Com relação à biotecnologia e em especial a engenharia genética, ela é muito útil tanto na indústria, na medicina, nas fontes de energia, na agricultura e na pecuária. Através do mapeamento e da manipulação dos genes6 é possível melhorar plantas e animais e produzir microrganismos para determinados usos. Na produção farmacêutica já existem muitas substâncias novas que foram por ela produzidas, desde vacinas até coagulantes de sangue, interferons (droga anticancerígena), entre outras. Já a indústria de alimentos vem produzindo muitos elementos oriundos de pesquisas biotecnológicas: novos adoçantes, aromas, fermentos e condimentos, sucos pigmentados e de frutas tratadas e vitaminas derivadas de algas microscópicas. O grande impacto da biotecnologia tem ocorrido na agropecuária, na produção de alimentos e matérias-primas de origem orgânica, onde é possível se obter maior produção utilizando menos espaço . Existem hormônios que fazem o gado crescer mais rapidamente ou produzir mais carne e leite, melhoramentos que fazem as plantas resistir às pragas ou crescer em áreas onde antes não se adaptavam, que fazem as mesmas plantas dar colheita duas vezes ao ano. Para o futuro, existe grande possibilidade do aumento de produção de alimento 7 in vitro , o que faz reduzir a importância de um imenso espaço rural, e países com poucos solos agricultáveis, como o Japão, podem deixar de serem importadores e se tornarem exportadores de alimentos e de matérias-primas de origem agropecuária. 6 GENES: partículas bioquímicas que determinam a hereditariedade. Os genes localizam-se nos cromossomos, minúsculos filamentos encontrados no núcleo das células. Com o mapeamento e a manipulação dos genes de um organismo (troca, aprimoramento, introdução de um gene num organismo para corrigir ou modificar algo, etc.), é possível evitar doenças hereditárias ou ainda aperfeiçoar o organismo: isto é o que se chama de engenharia genética. 7 IN VITRO: em meio artificial, sem a necessidade de solo ou do meio rural. 33 Outros usos ou aplicações da biotecnologia estão sendo descobertos e desenvolvidos. Certos microrganismos melhorados podem produzir plásticos a partir da cana-de-açúcar ou de outras plantas, o que futuramente vai eliminar mais ainda a necessidade do petróleo; outros podem produzir gases a partir do lixo, o que significa uma fonte de energia não poluidora; outros ainda podem absorver petróleo e ajudar na despoluição de praias ou mares onde tenha ocorrido um derramamento de óleo (VESENTINI, 1996, p.142-148). As empresas, por sua vez, começaram a sentir que era preciso se adequar à realidade, passando por um processo de reestruturação produtiva que tende a dar origem a um novo padrão de acumulação de capital e de organização da produção, padrão este que vem sendo chamado pelos estudiosos de pós ou neofordismo, acumulação flexível, modelo japonês, entre outras nomenclaturas. Empresários buscaram, então, competitividade através de novas formas de ganhos de produtividade aliados à flexibilidade da produção, visando adequar ao aparelho produtivo às novas exigências de um mercado de muita produção e pouco consumo, numa concorrência não só nacional mas principalmente internacional, com produtos de qualidade e que estão em constante inovação. Dessa forma, a capacidade de inovar em produtos e processos passou a ser elemento de diferencial estratégico para as organizações. Entre as principais mudanças em curso encontram-se as inovações de base técnica, organizacionais e de gestão da empresa e o novo padrão de inter-relacionamento de firmas. No tocante as inovações de base técnica, organizacionais e de gestão da empresa, dentre elas destacam-se a automação flexível, através da qual passa-se da economia de tempo através da intensificação do trabalho, própria do Taylorismo, para uma economia baseada no tempo de otimização da máquina, que comanda agora o ritmo de trabalho, a informática, a telemática, novos materiais (como os plásticos especiais, as cerâmicas e as fibras óticas), novos processos, a engenharia genética, a química fina e a mecânica fina, entre outras (SALERNO,1992). Entre as inovações organizacionais e de gestão destacam-se o Modelo Japonês de produção enxuta ou Just in Time8, o Controle da Qualidade Total (TQC) e a Reengenharia, as quais são estratégias que facilitam a adaptação das empresas à nova configuração da competitividade internacional, exigindo mudanças não só técnicas, mas 8 JUST IN TIME: método de produzir a partir das necessidades do consumidor, fabricando-se somente o necessário e com grande controle de qualidade. 34 também, de comportamento e de valores. Entre as mudanças organizacionais, as mais importantes são a redução substancial dos níveis hierárquicos, a polivalência e multifuncionalidade do trabalhador, o trabalho em grupos, mão-de-obra com maior capacitação e disposta a participar, a aprendizagem, a autonomia e a cooperação. É importante frisar que também mudam as qualificações necessárias para esse novo trabalho, pois o uso de novas tecnologias produz uma mudança significativa nos padrões de produção, o qual exige novas demandas de qualificação da força de trabalho. Desta maneira, o novo paradigma que privilegia a flexibilidade, a integração e uma nova filosofia da produção, está voltado para mudanças profundas na organização e nas relações de trabalho e propõe uma mão-de-obra superqualificada que possa ser capaz tanto de utilizar-se de uma maquinaria sofisticada tecnologicamente como também de aperfeiçoar métodos e projetos para melhor atender às exigências de produtividade e competitividade do mercado (LEITE, 1994; HIRATA, 1994; apud ESPÓSITO, 1994). Segundo IANNI (1997), para esclarecer esses modos de produzir e reproduzir o capital, identifica três ciclos na história do capitalismo: O modo capitalista de produção é organizado em moldes nacionais, revolucionando as formas de vida e trabalho locais, regionais e feudais. Institui a produção de mercadorias, de valores de troca, compreendendo a dissociação entre o trabalhador e a propriedade dos meios de produção; Organizado em base nacional, o capitalismo atravessa fronteiras e expande mercados, busca matérias-primas, movimenta-se na procura de novas fontes de lucros, instituindo o colonialismo e imperialismo. Subsistem e crescem as formações econômicas nacionais e desenvolvem-se os sistemas mundiais, porém com sistemas centralizados em países dominantes e coloniais, dependentes ou associados; O capitalismo atinge uma escala global, em que os processos de concentração e centralização do capital adquirem maior força e invadem cidades, nações e continentes, formas de trabalho e de vida, modos de ser e de pensar. Segundo MATTOSO (1996, p. 70), a emergência da III Revolução Industrial e da reestruturação mundial do capitalismo processa não somente uma ruptura com o paradigma industrial e tecnológico anterior, mas também uma ofensiva do capital estruturado sob dominância financeira com o realinhamento da relação capital/trabalho. 35 Essas alterações afetam o conjunto do mundo do trabalho desde suas relações no interior do processo produtivo até o mercado do trabalho, as representações sindicais e o padrão de sociabilidade de um sistema baseado no trabalho, além de afetarem o âmago do processo produtivo, criando novas mas restritas relações de trabalho, como também acentuando as características de exclusão econômica e social do sistema capitalista. Portanto, a organização industrial e as relações de trabalho que emergem com o novo padrão produtivo e tecnológico têm sido crescentemente estudadas, revelando duas faces distintas: a inovação tecnológica, baseada em computadores, máquinas de controle numérico computadorizado e robôs, entre outros, e a inovação organizacional, que revela um trabalhador mais escolarizado, participativo e polivalente em contraposição ao trabalhador do modelo fordista, bem como a terceirização e o trabalho em equipe. Este segmento de trabalhadores estaria localizado em empresas líderes, preparados para uma produção flexível, com possibilidade de garantia de emprego e de maiores salários, elevando os níveis de educação-qualificação e o perfil ocupacional da mão-de-obra, buscando sempre a qualidade total. É bom lembrar a Declaração de Veneza (1986) que focalizou a necessidade de aproximação das ciências e das tradições na busca do conhecimento dicotomizado, em conseqüência dos paradigmas que se instalaram no pensamento moderno a partir da chamada Revolução Científica. Em 1989, a Declaração de Vancouver enfatizou a necessidade de maior responsabilidade na formulação de políticas energéticas e no uso de recursos naturais. E em 1992, a Declaração de Belém salientou a responsabilidade social e política na elaboração de novas relações entre as nações e de uma nova ordem econômica internacional. 1.4 Processo de Reestruturação Produtiva no Brasil Segundo LEITE (1994), marcado pelos novos padrões de competitividade internacional e por um conjunto de mudanças econômicas, políticas e sociais que ocorrem simultaneamente no país, o processo de reestruturação produtiva brasileira teve seu início no final da década de 1970, mas foi no começo da década de 1980 que se tornou mais efetivo. Buscando qualidade e flexibilidade, esse processo baseia-se nos novos padrões de competitividade internacional e por um conjunto de mudanças econômicas, políticas e 36 sociais que ocorrem simultaneamente no país. Num contexto de instabilidade, concorrência e reestruturação produtiva, as empresas, no intuito de satisfazer os novos padrões de consumo em mercados altamente concorrenciais e segmentados, concentram seus esforços nas estratégias organizacionais, bem como na adoção de novas formas de gestão da mãode-obra mais compatíveis com as necessidades de flexibilização do trabalho e com o envolvimento dos trabalhadores com a qualidade e produtividade. Segundo AZEVEDO (1997), as mudanças tecnológicas, organizacionais e institucionais causam impacto nas estruturas de mercado, alteram os padrões de concorrência, impõem mudanças no comportamento das firmas, as quais por sua vez reformulam suas decisões de investir, comprar, produzir e contratar força de trabalho. Assim, elas buscam a qualidade de produtos cada vez mais individualizados e diversificados, capazes de atender a demandas instáveis, voláteis e diferenciadas. Para isso se reestruturam, utilizando tecnologias de base microeletrônica e concepções de organização da produção que se baseiam em novos conceitos de engenharia produtiva e na administração participativa, o que requer novas práticas de gestão, determinando transformações nas relações com clientes, fornecedores e com os próprios funcionários da Empresa. Essas mudanças têm também como indicativos a preocupação com a estabilização da mão-de-obra, treinamento de pessoal, simplificação de estruturas de cargos e salários e redução de níveis hierárquicos e de conflitos no ambiente de trabalho e uma nova postura dos empregados. Essa técnica consiste em realizar treinamento em todo corpo funcional em busca da padronização das atividades e a melhoria dos processos a partir da atuação dos próprios empregados. Segundo CASTEL (1998), nas empresas, a corrida à eficácia e competitividade acarreta a desqualificação dos "menos aptos". A exigência de novas formas de gestão exige a mobilização de competências não apenas técnicas, mas sociais e culturais que em geral vão contra a cultura profissional tradicional de uma maioria de assalariados. Na busca de uma formação permanente para adaptar as qualificações decorre também uma seleção mais criteriosa, quando da contratação de novos empregados, passando a exigir no mínimo o Ensino Médio para serem contratados, aumentando o acompanhamento da escolaridade de seu pessoal. Embora se constate um conjunto de mudanças importantes na forma de gerenciamento da produção e do trabalho e aponte efetivamente no sentido da criação de 37 ambientes de trabalho menos conflituosos e autoritários, o processo é muito heterogêneo e apresenta um conjunto de limites que devem ser investigados no estudo do impacto da modernização sobre os trabalhadores e as relações de trabalho de maneira geral. Assim, tratar de reestruturação produtiva é tratar das formas que as empresas vêm utilizando na busca de uma maior flexibilidade em seus processos produtivos e de trabalho. Essa trajetória ou nova prática produtiva é uma questão não apenas de liderança, mas sobretudo de sobrevivência, em face do novo contexto econômico e social que se desenha, no país a partir dos anos 1980. Desde esta época e até recentemente, o país viveu um ciclo recessivo, marcado por forte queda do investimento e declínio das taxas de expansão econômica, atingindo em cheio o setor industrial, que foi “o carro chefe” da década anterior. Num contexto de instabilidade crônica e desordem econômica internacional, o capital busca reestruturar-se, movendo-se contra o trabalho organizado. É importante frisar que a participação do setor primário da economia brasileira (agropecuária e extrativismo) no total da renda nacional vem declinando de 33% em 1940, passou para 21% em 1960 e para 11% em 1996. No setor secundário (indústrias) vem ocorrendo o inverso em longo prazo: em 1940 ele participava com 18% da renda nacional, em 1960 com 37% e em 1996 com 35%. O setor terciário (bancos, comércio, setor público, serviços médicohospitalares, escolas, telecomunicações, etc.) também vem aumentando, mas ainda depende fundamentalmente do secundário. Na origem dessas transformações estão os avanços de uma tecnologia que se internacionalizou e mudou o roteiro do sistema capitalista. Conseqüentemente, de rural e agrário, o Brasil tornou-se urbano e industrial. Isso não significa que ele deixou de ser um país do Sul, pelo contrário, visto que os elementos básicos do subdesenvolvimento permanecem. Dessa forma, na década de 1990, assiste-se a consolidação de uma Nova Economia que se constitui de empresas de alta tecnologia, dos editores de soffwares, dos operadores de telecomunicações, das empresas de mídia, dentre outras. E tentando atender às novas exigências do mercado, as empresas tiveram que se adaptarem ao processo de modernização, através de inovações tecnológicas no processo produtivo, realizando uma reestruturação interna, baseada na definição de novos produtos na organização e no aperfeiçoamento das linhas de produção existentes. 38 A ECT também está inserida neste contexto, pois vem utilizando novas tecnologias, métodos de informatização e automação, além de investir em Recursos Humanos, uma vez que vem exigindo que os funcionários continuem estudando, no sentido de aumentarem o seu nível de escolaridade. Por outro lado, investiu na criação de novo produtos e serviços que procuram cada vez mais atender as necessidades dos clientes. Nos capítulos 2 e 3 se detalhará o processo de reestruturação produtiva da ECT ocorrido na década de 1990. 1.5 Impactos da Reestruturação Produtiva Sobre o Mercado de Trabalho Atualmente, vive-se um momento de profundas transformações no mundo de trabalho, onde a polivalência e a multifuncionalidade são necessárias e as tecnologias empregadas são tidas como máquinas lingüísticas destinadas a permitir a fluidez e a aceleração da circulação das informações. E para a sobrevivência de uma empresa, num mundo globalizado, onde o novo modelo de organização do trabalho exige automação flexível, produção mais diversificada e trabalhador polivalente, a adoção de um novo paradigma de produção. Para tal propósito, são condições fundamentais o aumento de eficiência, a elevação da qualidade dos produtos, a rápida adaptação aos sinais de mercado e a introdução contínua das inovações, como por exemplo, abandonar atividades pouco rentáveis, melhorar serviços aos clientes, desenvolver novos produtos, penetrar em novos mercados e introduzir novos processos produtivos e novas formas de relacionamento com fornecedores e clientes, almejando a redução dos custos. Sob esse aspecto, a força de trabalho tem que ter uma grande capacidade de adaptação às variações quantitativas e qualitativas do processo de produção, visto que a formação básica do indivíduo e da qualificação do trabalhador para enfrentar as novas condições impostas pelas alterações de produção e de organização do trabalho, diz respeito diretamente a qualidade do emprego e ao preparo da mão-de-obra na execução de tarefas de maior complexidade. Mas, para que os trabalhadores possam se inserir nesse novo mundo do trabalho e enfrentar a introdução de novas tecnologias, participando das decisões no local de trabalho e tornando possível a inserção das empresas em um mercado internacional mais competitivo, também surge a necessidade de investimento em relação à qualidade do 39 emprego, como formação, qualificação, treinamento e reciclagem da mão-de-obra, visto que num contexto competitivo, baseado na contínua evolução das tecnologias e na crescente modernização das práticas do trabalho, há a necessidade de uma força de trabalho capaz de captar o que existe, entender, adaptar-se e modificar de modo a ajustar os referidos avanços às condições concretas de cada empresa. Para isso, é de suma importância, a educação e a qualificação profissional. Desse modo, com relação à capacitação profissional, as tendências apontam para trabalhadores com qualificações mais diversificadas, inseridos num processo de aprendizado que privilegia não só habilidades técnicas, como também as habilidades de negócios necessárias para operar em um ambiente marcado por transformações organizacionais, tecnológicas e por novas formas de relacionamento entre empregador, empregado, clientes e fornecedores. Segundo esse enfoque, a substituição da força de trabalho por equipamentos intensivos em automação, os quais são fundamentais nos processos de racionalização em busca da eficiência por parte das firmas e empresas, é um dos recursos utilizados no sentido de aumentar seus níveis de competitividade como forma de sobreviver à globalização dos mercados. Mas, o aumento de produtividade tem parecido não significar novos empregos, visto que a produção vem aumentando sem que isso signifique aumento de funcionários, ou seja, cada vez mais se produz em maior quantidade com menos empregado. Cabe destacar que principalmente o emprego industrial tem reduzido-se (segundo dados da FIERGS, 80.090 postos de trabalho foram fechados na indústria gaúcha), sendo que certa parte do contingente dispensado tem deslocado-se para o setor terciário, assim como tem aumentado o número de empregados terceirizados e até quarteirizados, os quais geralmente caracterizam trabalho precário. Nesse novo cenário reflete o fato de que a modernização tecnológica implica numa elevação da produtividade que tem contrapartida o aumento do desemprego estrutural9. Dessa forma, os impactos da reestruturação produtiva no mercado de trabalho vêm gerando formas de mobilidade da mão-de-obra, crescimento da participação do 9 DESEMPREGO ESTRUTURAL: desemprego causado pela reestruturação produtiva. Nenhum outro fenômeno foi mais responsabilizado pelo aumento do desemprego, nos últimos tempos, do que o avanço tecnológico, visto que ele altera de modo contundente, as relações da sociedade com os meios de produção. Basta olhar a linha de produção de uma indústria automobilística, para se deparar com robôs, computadores e outras máquinas que substituíram equipes humanas. 40 trabalho informal, redução dos salários reais na maioria dos setores, aumento do recurso à subcontratação do trabalho, com a participação do trabalho a domicílio e maior seletividade das empresas na contratação de trabalhadores, em termos da sua qualificação, atitudes e a grande disponibilidade de mão-de-obra no mercado. No entanto, a reestruturação produtiva não pode ser considerada como um fenômeno homogêneo, visto que ocorre em diferentes empresas, setores e regiões. Estudos demonstram que enquanto algumas empresas apresentam um comportamento mais estável de emprego, pessoal qualificado e uma preocupação com a qualidade, como é o caso das indústrias metal-mecânica do interior de São Paulo, outras apresentam práticas como a subcontratação, baseada em formas precárias de emprego, como a indústria de confecção do Rio de Janeiro. Muitos economistas vêm argumentando que um dos impactos sobre o mercado de trabalho quanto à aceleração dos processos de automação, são as relações de trabalho precárias e os baixos salários, além da ampliação dos níveis de desemprego. Nesse caso, a redução dos salários médios pode ser atribuída ao enfraquecimento do movimento sindical, onde uma parte expressiva da força de trabalho fica sem voz ativa. Neste sentido, as modernas técnicas de administração de recursos humanos, como a reengenharia, acabam desempenhando o papel de fortalecedor da capacidade de negociação do empregador em relação ao empregado. Assim, o desemprego e a pobreza têm sido o grande temor de muitos trabalhadores face à chamada “produção enxuta”. Um estudo realizado nas 268 maiores empresas de São Paulo revelou que a maior parte das reestruturações ainda não envolveu grandes investimentos, principalmente em treinamento e qualificação da mão-de-obra. Assim, altos níveis de rotatividade, fruto principalmente da insatisfação constante e da facilidade de contratação/demissão dos funcionários (flexibilidade de mercado), continuam caracterizando essas empresas, ocasionando baixos índices de qualidade e produtividade. Dessa forma, destaca-se a precarização das relações de trabalho e o desemprego como fortes impactos da reestruturação. A precarização é tida na medida em que as relações formalizadas de emprego (com registro na carteira de trabalho) são substituídas cada vez mais por relações informais de compras e venda de serviços, frutos principalmente das terceirizações, trabalho em domicílio (agora também em setores não tradicionais) e a contratação por tempo limitado. 41 Segundo SINGER (2000), o trabalho formal está transformando-se mais em exceção do que uma regra, os trabalhadores precários trabalham cada vez mais, cumprindo longas jornadas que podem levá-los até a fadiga física e/ou mental. Em 1993, o DIEESE realizou uma pesquisa voltada para os efeitos da terceirização. Os dados mais importantes dizem respeito aos menores salários e benefícios, como também problemas de higiene e segurança no trabalho, trabalho menos qualificado, falta de registro em carteira e até jornada mais extensa em 5% dos casos. Assim, pode-se falar em uma divisão crescente entre trabalhadores (entre setores, grupos, trabalhadores com vínculo e sem vínculo, trabalhadores em ambiente precário, etc.) e uma alteração na composição da força de trabalho. As empresas concentram seus esforços nas estratégias organizacionais, bem como na adoção de novas formas de gestão da mão-de-obra, mais compatíveis com as necessidades de flexibilização do trabalho e com o envolvimento dos trabalhadores com a qualidade e produtividade. As mudanças nas formas de gestão do trabalho têm como indicativos no contexto das empresas, a preocupação com a estabilização da mão-de-obra, treinamento de pessoal, simplificação de estruturas de cargos e salários e diminuição de níveis hierárquicos e redução de conflitos no ambiente de trabalho. O temor do desemprego e da possibilidade de um trabalho muito mais precário, o medo dos trabalhadores de não conseguirem adaptarem-se às novas tecnologias e ao esperado por seu empregador, as pressões de mudanças visando maior produtividade e as maiores exigências de decisões acertadas, são alguns dos desafios vivenciados por pelos trabalhadores nesse momento de reestruturação, e que, de certa forma, colocam-lhes em muita força de negociação, em uma posição de luta delicada frente ao patrão. Segundo MATTOSO (1996), paralelo ao surgimento de um segmento de novos trabalhadores e de novas formas de relações de trabalho, há em contrapartida uma crescente massa de trabalhadores que perde os seus direitos, e ao não se inserir de forma competitiva no novo paradigma tecnológico, torna-se desempregada e marginalizada implicando em altos níveis de desemprego, rápida destruição e reconstrução de habilidades, ganhos modestos de salários reais e retrocesso do poder sindical. 42 1.5.1 O Desemprego Estrutural Desde o século XVIII, a civilização do trabalho colocou a economia no posto de comando e a produção na base de desenvolvimento social. Portanto não se poderia subestimar as inovações que se fazem alternativas para ultrapassar a concepção clássica do trabalho. Segundo CASTEL (1998: p. 578), a dignidade de um indivíduo não é necessariamente o emprego assalariado ou o trabalho, mas sua utilidade social, isto é, sua participação na produção da sociedade. O trabalho é mais que o trabalho e, portanto, o não trabalho é mais que o desemprego, visto que o trabalho continua sendo uma referência não só economicamente mas também psicologicamente, culturalmente e simbolicamente dominante, como provam as reações dos que não o têm. Em muitos anos, o significado do trabalho na vida das pessoas tem sido tema de muitos estudos, sendo que, em termos psicológicos, as investigações e articulações que situam o campo saúde mental e trabalho datam da década de 1980 para cá. Não há fato que assuste mais o ser humano que vive em sociedade do que o desemprego, prova disso é que os meios de comunicação diariamente o apontam como um dos principais fantasmas sociais do século XX, levando pessoas a se preocuparem mais com sua situação no emprego do que com a segurança pessoal e saúde. O sofrimento físico, social e mental é indissociável e está intimamente relacionado com a psicopatologia do desemprego, e na análise psicológica revela manifestações específicas como sensação de carência de sentido de vida, distanciamento cultural, isolamento, apatia, agressividade entre outros mecanismos específicos. No relato de casos pesquisados a autora destaca que o discurso é permeado por um sofrimento em todas as dimensões de vida do sujeito, seus afetos e relações mais íntimas são invadidos e atacados pelo fato social do desemprego, onde as preocupações apresentadas envolvem a saúde geral de trabalhadores, causando inclusive sua inserção familiar, social e política. A autora aponta ainda que na realidade brasileira é preciso considerar a tendência histórica que associa desemprego a vagabundagem numa perspectiva de preconceito e rejeição social. Segundo CATTANI (1996), as situações laborais e as relações sociais estruturadas na atividade produtiva formam uma espécie de cimento social constituindo elementos definidores de boa parte do sentido da vida das pessoas e o não- 43 trabalho/desemprego também se transformou em elemento fundamental à medida que, na década de 1990, tornou-se um fenômeno mais visível e sinalizador das grandes mudanças na esfera produtiva., visto que numa sociedade que tem como valor máximo o consumo e para entender a vivência de trabalhadores frente à realidade do não-trabalho, é necessário entender a exclusão desta possibilidade. A noção de emprego, estava associada à de estabilidade, previsibilidade e certeza. Mas com a reestruturação produtiva, cujos avanços tecnológicos são considerados os maiores responsáveis pelo aumento do índice de desemprego nos últimos anos, o trabalhador sente-se ameaçado em seu trabalho, temendo ser substituído pelas máquinas. Nesse contexto, com o avanço tecnológico, o emprego migrou da indústria para os serviços formais e informais, tornando-se instáveis e autônomos. Nesse sentido, as grandes cidades já estão convivendo com pessoas que procuram por conta própria garantir sua sobrevivência, principalmente os biscateiros, os camelôs, os que optam pela prestação de serviços a domicílio (encanador, eletricista, etc.) e outras que têm encontrado trabalhos para desenvolver em suas próprias casas, caracterizando um fenômeno que ficou conhecido por terceirização (prestação autônoma de serviços). Assim, o autônomo encontra serviço, e as empresas diminuem seus custos de produção. Além do trabalho autônomo, há uma modalidade de serviço que também virou uma prática no Brasil: o subemprego. Trata-se de um compromisso informal entre empregado e empregador, muito parecido com um emprego, mas sem garantias trabalhistas para o empregado. Nessa situação, o trabalhador comparece ao trabalho, tem horário e tarefas bem estabelecidos, mas fica à mercê da vontade do empregador. De uma hora para outra, o empregador pode resolver demiti-lo sem o cumprimento dos direitos trabalhistas. Nesse aspecto, as formas particulares de emprego que se desenvolvem recobrem uma infinidade de situações heterogêneas, contratos de trabalho por tempo determinado, interinidade, trabalho de tempo parcial e diferentes formas de empregos ajudados, isto é, mantidos pelos poderes públicos no quadro da luta contra o desemprego. O aumento da renda na economia informal mostra que os trabalhadores sem carteira fortalecem seu poder de barganha. Se a legislação impõe o pagamento de elevados encargos trabalhistas às empresas, a informalidade aumenta sua capacidade de competir, em detrimento do setor formal. É importante notar que o crescimento da renda informal é sinal de atividadade econômica em formas produtivas diferentes daquelas oficialmente reconhecida. 44 É claro que o subemprego é uma prática condenável, pois só traz vantagens para o empregador. Nesse caso, a lei trabalhista protege o trabalhador. Mas o subempregado que reclama na Justiça, contra o patrão, nem sempre consegue caracterizar sua situação, pois tem dificuldade de apresentar provas. O exemplo mais típico do subemprego é o dos trabalhadores domésticos. A grande maioria das pessoas que prestam serviços braçais nas residências brasileiras não tem vínculo de emprego. No setor público, o servidor é pressionado a buscar um novo perfil, a rediscutir e reinventar o serviço público, enquanto o governo privatiza empresas públicas, que, de forma direta ou indireta também passam a demitir em massa. Existiam previsões feitas durante a década de 1980, de que na década de 1990 o avanço tecnológico levaria à substituição dos trabalhadores por máquinas inteligentes nas atividades que demandavam esforços físicos, previsões essas que se concretizaram e continuam se expandindo no dia-a-dia. Dados do Ministério do Trabalho (1998), demonstram que o índice de trabalhadores com Carteira Profissional assinada está em declínio, ao mesmo tempo cresce um segmento de trabalhadores por conta própria e sem carteira assinada. De modo geral, o problema do desemprego no final do século XX se agravou nos países do Primeiro Mundo. Nesses países, a mão-de-obra ficou cara porque os profissionais se tornaram especializados, exigindo salários elevados. Soma-se a isso a evolução dos trabalhadores, que se organizaram em sindicatos fortes e atuantes. A saída que as multinacionais têm encontrado para contornar o problema do custo operacional é montar suas fábricas em países pobres do Terceiro Mundo, onde a mão-de-obra ainda custa menos do que a instalação e manutenção de robôs e computadores. É por isso que em muitos países da Ásia e da África as taxas de desemprego têm sido razoavelmente baixas. Em contrapartida, a Europa tem alcançado índices de desemprego que só foram vistos em períodos de pós-guerra. Nos países avançados há um grande número de pessoas desempregadas com dificuldade de retorno ao mercado de trabalho, principalmente as pessoas jovens e idosas com menor qualificação e as mulheres. No se refere à realidade brasileira, esses dados são mais alarmantes, considerando nossa realidade de concentração de renda e exclusão. As expressões numéricas revelam a gravidade da situação que permeia a relação trabalho/não-trabalho à medida que se vislumbra a vida cotidiana de pessoas. Geralmente quem trabalha em 45 empresas ouve falar que algum colega foi demitido sem justa causa, o que é mais freqüente em regiões superpopulosas, como é o caso da Grande São Paulo. A razão para essas demissões é sempre a mesmo: queda do consumo e custo de produção elevado. E isso acontece porque os produtos de determinada indústria sofrem queda de consumo, trazendo como sintoma direto uma queda no faturamento, a empresa percebe que a concorrência aumentou (em geral, pela entrada de produtos importados) e vê que a saída é diminuir o custo de produção ou a própria produção. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, os trabalhadores informais somam no Brasil, trinta e nove milhões de pessoas, ou seja, constituem uma parte significativa da População Economicamente Ativa-PEA, estimada há pouco em setenta e quatro milhões de pessoas. Do total dos empregados, sessenta e nove milhões, somente trinta milhões estavam na economia formal. Além disso, as atividades informais que se concentram no setor de serviços são as principais geradoras de emprego. Não é só o brasileiro que enfrenta o problema do desemprego. Ele é global. Na Alemanha atinge 12% da população. Na União Européia, alcança em média 11%. O medo do desemprego, a atração pelo novo e a precária organização sindical em boa parte das fábricas facilitam os esquemas de “trabalhos polivalentes” (qualificados ou não) e admitem mobilidade entre postos de trabalho. Além disso, programas de qualidade total, a melhoria contínua, a padronização de processos, o fortalecimento da gerência intermediária que sobrevive ao enxugamento e a própria obtenção de certificados da série ISO 9000 também alteram as condições de execução das tarefas, na medida que impõe uma nova pressão sobre os trabalhadores, que incorporam outras atividades às originais, como no caso da Manutenção Produtiva Total-MPT ou do Controle Estatístico de Processos-CEP. 1.5.2 Os Sindicatos Na verdade, a existência de sindicatos não é um fato novo, eles nasceram e se consolidaram na Europa, a partir da II Revolução Industrial, onde se tornaram uma força institucional decisiva na organização das relações de trabalho. Em 1787, por exemplo, na Europa, numa crise de desemprego, os fabricantes de musseline de Glasgow tentaram reduzir o preço que pagavam por peça de tecido. Os trabalhadores recusaram-se a trabalhar por menos que o preço mínimo por eles fixado, organizaram-se e resistiram 46 contra os fabricantes que se negavam a aceitar o mínimo reivindicado. O confronto terminou em motim e em tiroteio. Com a experiência acumulada nessa luta, criaram um sindicato poderoso. Em 1792, um sindicato de tecelões obrigou a Bolton And Bury Manufacturers a aceitar um acordo coletivo. A legislação trabalhista e os contratos coletivos firmados entre as empresas e os funcionários passaram a ser moldados, em grande parte pelas campanhas sindicais, dessa forma, os sindicatos têm grande importância para os assalariados, cujo papel é defender os interesses dos trabalhadores no que se refere a aumentos salariais, horas trabalhadas e condições de trabalho. Quando os sindicatos são fortes, isto é, quando são apoiados pelos trabalhadores e verdadeiramente os representam, pesam a favor de uma melhor distribuição de renda, pois ajudam a fortalecer os que vivem de salários. As organizações sindicais cresceram rapidamente na década de 1790. O fortalecimento dos sindicatos e o profundo descontentamento econômico e social que imperava na época preocuparam as classes dominantes. Os partidos socialistas e social-democratas encontraram nas centrais sindicais o seu pilar principal de sustentação social e eleitoral. Na Grã-Bretanha, o Partido Trabalhista foi fundado pelos sindicatos, tornando-se por muito tempo, a expressão parlamentar da vontade sindical. Mais tarde, os países comunistas inverteram esse percurso, criando centrais sindicais que funcionaram como correias de transmissão da sua influência entre os assalariados. Nos Estados Unidos da América o sindicalismo jamais se associou tão estreitamente à política partidária. No pós-guerra, os números dos sindicatos cresceram, estagnaram na década de 1970 e regrediram significativamente nos anos de 1980. Há indícios de queda da sindicalização na década de 1990. Essa redução dramática reflete a diminuição do emprego nas indústrias tradicionais, nas quais os trabalhadores perderam o emprego tanto pela modernização tecnológica como pelo deslocamento industrial na direção de países onde a força de trabalho custa menos. Os sindicatos não trabalham isoladamente, pois existe uma união entre os sindicatos de todo o mundo. Hoje, com a facilidade de comunicação, qualquer problema que atinja a classe trabalhadora de um país é imediatamente alardeado para o mundo todo. Desse modo, os colegas de outros países se posicionam e se solidarizam com o grupo em dificuldades. Quando o problema é muito grave, como o que acontece nas demissões em massa, o que faz com que os trabalhadores promovam manifestações públicas de protesto, 47 é comum os sindicatos de alguns países mandarem representantes para apoiar aqueles que estão em desconforto. Isso tem contribuído para que os trabalhistas criem organizações internacionais de ajuda mútua. Vale citar uma rodada de protestos, ocorrida em março de 1997, em Paris, quando a fábrica de automóveis Renault anunciou que fecharia uma fábrica na cidade belga de Vilvoorde, próximo a Bruxelas, o que implicaria a demissão de dois mil e oitocentos funcionários. Lideranças sindicais da França reuniram-se em Paris com outras de países vizinhos para decidir a estratégia das manifestações. Por conta disso realizaram uma passeata, no dia 12 daquele mês, em Boulogne-Billancourt (nos arredores de Paris), com aproximadamente doze mil manifestantes. Além dos trabalhadores franceses, estavam também muitos belgas, espanhóis e portugueses. Isso sem contar que países orientais e americanos e húngaros fizeram uma manifestação pública, cada grupo em seu respectivo país, para protestar contra o desemprego. É claro que todos esses episódios foram articulados pelo sindicalismo internacional. Logo, enquanto a produção se globaliza, globalizam-se também os trabalhadores. No Brasil, o sindicalismo renasceu no final da década de 1970, com a crise do regime militar. As novas lideranças dos trabalhadores conduziram um movimento de ruptura das estruturas dos sindicais tradicionais, organizadas por Getúlio Vargas seguindo um modelo corporativo inspirado na legislação trabalhista do fascismo italiano. Esse movimento foi deflagrado na região industrial do ABC paulista, onde se concentrava a produção de automóveis e autopeças. A mais importante central sindical do Brasil é a Central Única dos Trabalhadores-CUT , que surgiu a partir dessa base. Entretanto, nos últimos anos, a onda de inovação tecnológica atingiu as montadoras automobilísticas no Brasil. A exposição do mercado interno à concorrência externa e os novos investimentos internacionais no setor impulsionaram a automação das linhas de montagem e a ampliação da produtividade. Entre 1992 e 1996, a produção de veículos cresceu aceleradamente, praticamente sem qualquer ampliação na força de trabalho empregada. Essa tendência continua a se acentuar, com uma produção cada vez maior e a redução dos trabalhadores empregados. Em 1986, a produção por empregado era pouco mais de oito unidades por ano. Dez anos depois, um empregado produz dezesseis e a projeção indica que esse número dobraria novamente em meia década. Como a quantidade de empregados foi reduzida, também se reduziu a quantidade de empregados sindicalizados. 48 Para aumentar seus salários, os assalariados têm uma arma, o direito de greve. Esse é um direito democrático que existe há muito tempo nos países onde as condições de vida dos trabalhadores são melhores (Estados Unidos da América, Suécia, Inglaterra, França, etc.). A ameaça (ou o uso) da greve faz com que nas negociações entre empregados e empregadores para estabelecer aumentos salariais, os empregadores em geral concedam aumentos superiores à inflação, para não terem sua produção paralisada. Esse direito de greve é mais importante ainda nos países com altos índices de inflação (mais de 20% ao ano), pois nesse caso a necessidade de constantes reajustes salariais é maior, o que ocasiona tensões mais freqüentes entre empregados e empregadores. A mais importante greve realizada pelos empregados brasileiros, foi a dos petroleiros, em maio de 1995. Uma greve em defesa do monopólio do petróleo, ameaçado pelo atual governo, e principalmente, pelo cumprimento do Acordo de Trabalho firmado em novembro de 1994 entre a Petróleo do Brasil-Petrobrás e a Federação Única dos Petroleiros-FUP, da qual aderiram 21 entidades sindicais, em 14 estados. Dessa forma, é nos países do Sul que normalmente existem as maiores desigualdades na distribuição da renda nacional pelo conjunto da população. Isso porque nesses países os índices de inflação são maiores e é raro existir de fato um direito de greve sem restrições. Mesmo os sindicatos de trabalhadores são poucos combativos, controlados em geral por diretores que visam, antes de qualquer coisa, continuar no controle da situação, sem criar atritos com as empresas e o governo. Além disso, uma política de assistência social aos desempregados, aos mais pobres da população, é algo que quase não existe nos países subdesenvolvidos. 49 2 AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS-ECT NA DÉCADA DE 1990 A primeira seção deste capítulo faz algumas considerações sobre a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos-ECT, abordando os Aspectos Históricos, Missão e Objeto, e a segunda seção discorre sobre a ECT no Contexto Atual: a Estrutura Organizacional e funcionamento, os Produtos e Serviços, a Presença Social dos Correios, a Participação da ECT no Prêmio de Qualidade do Governo Federal-PQGF e sua disseminação, a Modernização e Medidas de Sobressaltos que Impactaram nos Rumos da ECT e de seus Empregados, os Avanços Tecnológicos Ocorridos, a Política de Recursos Humanos Adotada, a Qualificação dos Empregados-Treinamentos Realizados visando adequar o quadro funcional aos novos processos produtivos, a atuação da Empresa como Banco Postal e a reforma proposta pelo anteprojeto da Lei Geral do Sistema Nacional de Correios que consiste na mudança da ECT para Correios do Brasil S/A. 2.1 Aspectos Históricos, Missão e Objeto da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos-ECT A história postal brasileira está presente na vida do país desde os primórdios da colonização, confundindo-se com à do próprio homem e do Brasil, uma vez que o ser humano sempre sentiu necessidade de se comunicar, seja através de sinais, gestos ou de forma escrita, e por ter sido com uma carta escrita por Pero Vaz de Caminha, endereçada ao rei de Portugal, Dom Manuel, na qual ele descreveu suas primeiras impressões sobre o descobrimento da terra de Vera Cruz, inaugurando-se assim a primeira página histórica dos Correios no Brasil. Muitos anos iriam se passar, até que o país tivesse um serviço postal regular e eficiente. Isso porque, durante o período colonial, os próprios portugueses não dispunham de um sistema postal organizado, recorrendo freqüentemente aos seus vizinhos europeus para o transporte de correspondências. O Império Persa foi o mais eficiente sistema de Correios da Antigüidade, no qual homens a cavalos ficavam estacionados nas estradas em intervalos estabelecidos, sendo um homem e um cavalo para cada jornada de um dia. 50 Mas, com a implantação do Feudalismo, o sistema de notícias progrediu. Os senhores feudais possuíam estafetas que cruzavam seus domínios carregando suas ordens e executando a troca de mensagens entre os diversos feudos. E com a decadência do Feudalismo e o aparecimento da imprensa na Idade Moderna, a troca de correspondência se intensificou, surgindo novos serviços postais. Antes do século XVI, o sistema postal de Portugal não era organizado e recorria a outras instituições européias. Entretanto, no século XVI se estabeleceu uma ligação postal que abrangia quase toda a Europa. Este sistema era administrado por uma única família e só desapareceu com a unificação dos Estados alemães. Enquanto o sistema postal da Europa passava por mudanças, no continente americano o império asteca possuía um eficiente serviço de mensagens. Na mesma época, surgiu na Inglaterra um razoável sistema postal com rotas regulares e estações espalhadas pelo país. Entre os incas que habitavam na América do Sul, o sistema de correios era também eficiente e organizado. Durante os primeiros tempos da colonização, embarcações portuguesas levavam e traziam correspondências, mas a distribuição em territórios brasileiros era feita por portadores ocasionais que não ofereciam muita segurança; nos locais afastados dos portos somente escravos, viajantes e tropeiros faziam essas tarefas. Em 1520, que foi criado o cargo de Correio-mor do Reino, pelo qual era conhecido o privilégio da exploração do serviço postal. Em 1657 criou-se o ofício de Correio-mor do Reino e das Costas do Mar que estendia sua jurisdição aos domínios coloniais, incluindo o Brasil. Todavia, somente cinco anos depois, em 25.01.1663, sob o controle do Estado, denominados Correios-mores no Brasil, mediante a criação do cargo de Assistente de Correio-mor para o Brasil, os correios foram instalados no território brasileiro, iniciando assim, a atividade postal regular no país. É por esse motivo que o dia 25 de janeiro é consagrado ao carteiro e ele é considerado o símbolo do correio. No entanto em 1797, o sistema postal, por enfrentar sérias dificuldades foi extinto, e as atividades passaram a ser desempenhadas pela Administração dos Portos, Correios e Diligências de Terra e Mar do Governo de Portugal (LACOMBE, [1991?], p. 11-20). Em 1798, é instituído o processo de organização postal dos Correios, realiza-se a ligação postal marítima regular entre o Brasil e Portugal, instala-se a Administração do Correio, no Rio de Janeiro e cria-se o Regulamento do Serviço Postal Interno. 51 Em seguida, o Governo Português instituiu definitivamente os Correios Marítimos para o Brasil, os quais ficaram subordinados ao Ministério da Marinha do Reino e criou os Correios Interiores, a fim de facilitar a comunicação com todas as capitanias. Nasceu assim, com novos regulamentos e a organização técnica dos serviços postais do Brasil, mediante a criação de caixas postais (1801), o ofício de carteiro, a regulamentação de taxas, os serviços de registrados e de entrega domiciliária. Paulatinamente os serviços foram evoluindo até a chegada da Família Real em 1808, cuja ocorrência elevou o território à condição de Reino-Unido, possibilitando uma ampla reorganização dos correios, inclusive instituindo a primeira Legislação Postal do Brasil, o Regulamento Provisional da Administração Geral dos Correios do Rio de Janeiro. Como o desenvolvimento do comércio com a abertura dos Portos às Nações Amigas e os assuntos da Coroa exigiam um eficiente serviço de comunicações, em novembro de 1808, o governo aprovou o primeiro Regulamento Postal do Brasil, o qual ditava normas de trabalho e regras para recebimento e expedição e fixou em 1809 o serviço postal entre o Rio de Janeiro e São Paulo, ampliando-se gradativamente para outras partes do interior do Brasil. Durante seu reinado, D. Pedro I fez inovações nos serviços postais. Quando, em 1821, a Família Real retornou a Portugal, deixou uma estrutura postal bem desenvolvida, que teve continuidade com o Príncipe regente que ficara no Brasil. Em 1822, grandes transformações propiciaram novos progressos nas comunicações em todo país, fruto da implantação do Telégrafo Elétrico na Corte, tendo sua primeira ligação em 11 de maio entre o Quartel General do Exército e a Quinta da Boa Vista, numa comunicação entre o Imperador e o Ministro Euzébio de Queiroz. Posteriormente foi criado o primeiro Regulamento para Repartição dos Telégrafos Elétricos. Contribuição importante no sistema de telegrafia, foi à invenção do Morse, criado em 1832 pelo norte-americano Samuel Morse, aparelho utilizado na transmissão de mensagens mediante códigos formados por pontos e traços. Com o passar dos anos, os serviços começaram a avançar para o interior do país e linhas regulares foram sendo criadas para as demais províncias (id, ibid, [1991?], p. 21-22). Em 1840, foi lançado na Inglaterra o primeiro selo postal, denominado PENNY BLACK, tinha o valor de l penny (moeda inglesa) e representava a efígie da Rainha Vitória. 52 Ciente de que um serviço postal desenvolvido era sinônimo de nação igualmente desenvolvida, Dom Pedro II, ao iniciar o II Reinado em 1841, deu novo impulso e dinamismo a atividade postal, concedendo franquia postal a todos os jornais, livros e revistas nacionais e estrangeiras, dando assim, aos brasileiros a oportunidade de maior informação e contatos com o mundo. Em 1° de agosto de 1843, o Brasil se tornou o segundo país a adotar o selo postal, o qual ficou conhecido como OLHO DE BOI, nos valores de 30, 60 e 90 réis, como taxa de serviço postal, o que foi um marco na história dos Correios no mundo. Por essa razão, no dia 1° de agosto comemora-se o Dia do Selo. Antes disso, quem pagava a postagem da carta era o destinatário. O remetente, no envelope, escrevia em código o assunto principal da carta, e o destinatário ao ver o envelope, lia o que nele estava escrito e decidia se recebia a carta ou não. Se recebesse, teria que pagar o porte, ao contrário, a carta seria devolvida ao remetente. Com isso o correio tinha muito prejuízo, já que a maioria das cartas era devolvida. O primeiro país a emitir um selo comemorativo foi o Peru, ilustrando uma estrela de ferro, em seguida foi a Inglaterra, quando faleceu Sir Winston Churchill. No Brasil, o primeiro selo comemorativo foi emitido em 1900, comemorando o IV Centenário do Descobrimento do país. Em 1845, no Rio de Janeiro, foram instaladas as primeiras Caixas de Coletas do Império. Vinte anos depois foi criado o serviço de Vale Postal. Em 1874, realizou-se em Berna (Suíça), um Tratado relativo à criação da União Geral dos Correios que se transformaria depois em União Postal Universal-UPU10. Em 1877, através da promulgação do Ato de adesão ao Tratado, o Brasil tornou-se membro da UPU e assim permanece até os dias atuais. Ainda em 1874, ligando Recife ao bairro de Lisboeta de Caravelos, estendendo-se a Londres, neste mesmo ano também se criou a primeira linha telegráfica internacional e realizou-se a primeira ligação telegráfica Brasil-Europa (id, ibid, [1991?], p. 23-55). Ressalta-se que este período foi bastante conturbado por lutas pela independência e o correio desempenhou importante papel como meio de comunicação entre aqueles que trabalhavam para separar a Colônia da Metrópole. Uma das figuras mais destacadas foi o mensageiro Paulo Bregaro, que seguindo ordens de José Bonifácio: “... 10 No mundo, existem 189 Administrações Postais filiadas a UPU. 53 Estoure três ou quatro cavalos, pois caso contrário não mais será correio” (grifo nosso), galopou velozmente do Rio de Janeiro a São Paulo a fim de entregar cartas da Princesa Leopoldina, dos Ministros e das Cortes de Lisboa informando sobre as novas exigências de Portugal em relação ao Brasil, cartas consideradas causadoras do grito do Ipiranga. Por seu fiel desempenho, Paulo Bregaro tornou-se o Patrono dos Correios do Brasil. Consequentemente, a declaração de Independência do Brasil foi mais um marco simbólico na história dos Correios. Iniciou-se, portanto, um novo ciclo de transformações que determinaram o progresso das comunicações, como a edição do Guia Postal do Império do Brasil em 1882 e a promulgação do último Decreto Imperial em 1888, o qual promovia uma reforma nos serviços postais no Brasil, instituindo o Monopólio Postal11. No ano da Proclamação da República, 1889, foi criado o primeiro Museu Postal Brasileiro. Em 1900, o correio criou o serviço de collis-postaux (encomenda internacional). Em 1909, os correios passaram a ser subordinados ao Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas que havia sido implantado, época em foi estabelecida a I Legião de Carteiros e de Condutores de Malas e do Sistema de Entrega de Correspondência. Apesar de todos esses fatores terem contribuído para o desenvolvimento e a integração nacional, marcando um período notório de desenvolvimento dos correios, estes tiveram que inovar ainda mais, tendo em vista as grandes transformações12 que aconteciam no cenário postal internacional. Em 1921 foi transportada a primeira mala postal via aérea. Em 1923, foi transportada a primeira mala postal internacional e quatro anos depois foi iniciado o transporte regular de correspondências via aérea entre a América do Sul e a Europa (id, ibid, [1991?], p. 56-63). 11 O Monopólio Postal consiste no recebimento, transporte e entrega no território nacional e a expedição para o exterior de carta e cartão postal, recebimento, transporte e entrega no território nacional de correspondência agrupada e na fabricação e emissão de selos e de outras fórmulas de franquia. 12 Uma das primeiras formas de comunicação à distância, foi escrever carta. Naquela época, ela não tinha as características atuais, pois eram escritas em pedra. Com o tempo, tomaram outras formas: plaquetas de argila, rolos de papiro e finalmente na Idade Média, papel. Em 4.000 a. C, os chineses já possuíam um serviço regular de transporte de notícias. 54 Em 1924, o correio brasileiro passou a utilizar a máquina de franquear correspondências, fabricada pela União Postal de Londres. Com relação ao período republicano, este não foi um dos mais frutíferos para o desenvolvimento dos Correios, pois a Revolução de 1930 causou alterações profundas na estrutura econômico-político-administrativa do Brasil, de forma que os Correios não Com relação ao período republicano, este não foi um dos mais frutíferos para o desenvolvimento dos Correios, pois a Revolução de 1930 causou alterações profundas na estrutura econômico-político-administrativa do Brasil, de forma que os Correios não podiam ficar indiferentes a essas alterações, e assim, passaram por uma reestruturação buscando a evolução de sua capacidade de melhorias no sistema de comunicação, além de ter passado por um período de crise, prejudicando a qualidade de seus serviços. Visando a retomada do crescimento do setor postal, em 1931, o então Presidente Getúlio Vargas, baixou decreto fundindo a Direção-Geral dos Correios com a Repartição Geral dos Telégrafos originando o DEPARTAMENTO DE CORREIOS E TELÉGRAFOS-DCT, órgão subordinado ao Ministério da Viação e Obras Públicas. Durante a década de 1940, o serviço de correios continuou se expandindo. Reorganizou-se o cadastro das agências, iniciou-se o processo de mecanização na separação de correspondências, remodelou-se o sistema de assinatura de caixas postais e surgiu o serviço de telegrama fonado. Na década seguinte surgiram novos regulamentos para os serviços postais e telegráficos. Em 1958, criou-se o Núcleo Filatélico que se transformou em Assessoria Filatélica, responsável pela programação anual dos selos. A partir de 1960, o desenvolvimento dos setores produtivos no Brasil acelerou o progresso, e a amplitude dos negócios criados necessitava de uma comunicação mais intensa. O DCT tentou atender essas carências, mas não teve estrutura para isso. Tornava-se necessário reorganizar os serviços postais em torno de um modelo mais moderno do que os definidos pelo DCT, uma vez que o mesmo não apresentava infra-estrutura compatível com as necessidades dos usuários, haja vista sua limitação pela ausência de uma política tarifária, dispondo de instalações e equipamentos dimensionados para o início do século, contando com uma mão-de-obra pouco qualificada, ausência de parâmetros de qualidade, serviços limitados e prestados por tradição, atendimento seletivo, investimentos políticos, insatisfação por parte dos usuários, arrecadação do faturamento para o Tesouro e dependência total de recursos da União. Com isso, o DCT deteriorou-se, 55 gerando descrédito público. Era necessária uma radical transformação (id, ibid, [1991?], p. 64-68). Foi assim que em 25 de fevereiro de 1967 o Governo Federal emitiu o Decreto-Lei Nº 200 que estabelecia critérios para a organização da Administração Federal e Reforma Administrativa, dividiu a Administração Federal em Administração Direta e Indireta, criou o Ministério das Comunicações (Artigo 199) e autorizou o Poder Executivo a transformar o Departamento de Correios e Telégrafos em entidade da Administração Indireta (Artigo 167), dando flexibilidade ao setor das comunicações e modernização a estrutura e a recuperação do serviço postal e telegráfico. Nesse sentido, através do Decreto-Lei Nº 509, em 20 de março de 1969, foi criada a EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS-ECT, como empresa pública vinculada ao Ministério das Comunicações. A partir daí o sistema postal voltou a ganhar agilidade e eficiência. O surgimento da ECT corresponde a uma nova postura por parte dos poderes públicos, principalmente com relação à importância das comunicações e, particularmente dos serviços postais e telegráficos, para o desenvolvimento do país. A ECT desempenha um papel muito importante para a sociedade, cuja missão, em seu processo de criação, consistia, na esfera econômica, em PRESTAR SERVIÇOS DE CORREIOS CONVENCIONAIS E AVANÇADOS, TRANSPORTE DE ENCOMENDAS E ATENDIMENTOS ESPECIAIS DE FORMA EMPRESARIAL, COM COMPETITIVIDADE E LUCRATIVIDADE, DE ACORDO COM A QUALIDADE EXIGIDA PELOS DIVERSOS SEGMENTOS DE MERCADO, como missão voltada para seus recursos humanos BEM COMO ATRAIR, DESENVOLVER E MOTIVAR PESSOAS PARA GARANTIR A EXCELÊNCIA DESSES SERVIÇOS e na área social APOIAR PROJETOS VOLTADOS PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESPORTE E DA CULTURA, além da PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. Como objeto da Empresa, por meio da Lei Nº 6.538/78 foi estabelecido: Planejar, implantar e explorar o serviço postal e de telegrama; Explorar atividades correlatas; Promover a formação e o treinamento do pessoal necessário ao desempenho de suas atribuições; Exercer outras Comunicações. atividades afins, autorizadas pelo Ministério das 56 Logo após a transformação do DCT em ECT, as Diretorias Regionais ganharam mais autonomia, estabelecendo-se uma verdadeira reformulação administrativa e operacional. São pontos, dentre tantos outros, que merecem destaque nesse esforço de reestruturação: Criação da Rede Postal Noturna-RPN; Criação de cinco Centros de Treinamento; Criação da Escola Superior de Administração Postal-ESAP; Criação de Centros de Distribuição Domiciliária que, aliados ao preparo constante de pessoal, permitiu a ECT alcançar padrões de qualidade compatíveis com as exigências do público usuário; Reformulação do Vale Postal e do Reembolso Postal, do Serviço de Entrega de Documentos–SEED; Desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada para a valorização do cliente, permitindo que ele seja mais informado sobre os produtos e serviços da Empresa; Lançamento de novos produtos e serviços dotados de modernos recursos de tecnologia de informação; Ampliação e modernização do atendimento, assegurando o acesso da população aos serviços postais, especialmente nas localidades onde predominasse o interesse social; Transformação da rede de atendimento, tornando-a elemento diferenciador e indutor de vantagens competitivas; Realização de estudos periódicos para conhecer o mercado com vistas a viabilizar a exploração de todo o seu potencial; Participação em maior escala, dos correios nos mercados de encomendas e marketing direto, Fortalecimento do papel dos correios como canal de distribuição de bens e mercadorias; Investimento de 0,8% a 1% da Receita Operacional da Empresa em propaganda e publicidade; Realização de parcerias com outras organizações públicas ou privadas, nacionais ou internacionais, para exploração de mercados; 57 Criação de uma política que promova a descentralização e agilização dos processos decisórios em todos os níveis; Aplicação de 1,5% da receita operacional bruta nas atividades de Gestão de Pessoas; Modernização da gestão empresarial, incluindo os aspectos de automação administrativa e de sistemas de informação; Implementação do conceito de Franchising; Busca da melhoria contínua da qualidade e da produtividade em todas as fases do fluxo postal, tanto no aspecto de execução quanto no de gestão, com ênfase na redução de custos e na viabilidade econômico-financeira de projetos; Automatização e melhora de seus processos, de forma a assegurar adequada fluidez e integração aos mesmos; Avaliação periódica de gestão que permita identificar claramente o posicionamento da Empresa em relação aos resultados esperados; Transformação da Empresa, tornando-a mais flexível para tornar-se mais competitiva; Implantação de um sistema gerencial voltado para aferir o desempenho do empregado-Gerenciamento de Desempenho. Com isso foi possível executar o trinômio: RAPIDEZ, REGULARIDADE E SEGURANÇA, fatores essenciais para atingir e manter o mais alto nível de qualidade do serviço postal (id, ibid, [1991?], p. 69-79). Em 1970, com a colaboração da União Postal Universal-UPU, utilizando recursos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento-PNUD, deu-se especial ênfase ao treinamento de pessoal, condição básica para concretização da reestruturação da Empresa. Nesse mesmo ano, a Administração Central da Empresa transferiu-se do Rio de Janeiro para Brasília. Paralelamente também se buscava reduzir e anular o hiato deficitário, e, em contrapartida, obter resultados operacionais crescentes. Com o aprimoramento dos serviços básicos e da implantação e expansão de novos sistemas, ampliou-se o faturamento. 58 Pelo aumento da produtividade e por um controle rígido, reduziu-se a despesa. Com um ajuste paulatino na tarifas, conseguiu-se equilibrar de tal modo receita e despesa, que finalmente, em 1977, a ECT alcançou pela primeira vez o superávit financeiro. Dessa forma, o Brasil se colocava entre as poucas nações que obtêm resultados positivos na exploração dos serviços postais. Aproximava-se uma nova década, mas a ECT encontrava-se preparada para ela., pois apresentava uma estrutura organizacional dinâmica e moderna, possuindo já em 1974, seu próprio Núcleo de Processamento de Dados, em Brasília, que logo se estendeu para as Diretorias Regionais. O desenvolvimento verificava-se em todas as áreas, entre elas, a filatélica. O planejamento, a criação e a elaboração do selo postal foram aprimorados, permitindo ampliar sua penetração no mercado filatélico nacional e internacional, como divulgador da arte e da cultura brasileiras. O padrão gráfico melhorou consideravelmente, graças ao acompanhamento de técnicos junto à entidade emissora–a Casa da Moeda. Como conseqüência do conjunto de ações que transformaram a imagem da ECT, em 1979 o país sediou o Congresso anual da União Postal Universal. Em termos de desempenho, de 1969 a 1985, verificou-se uma busca constante da qualidade do serviço, dentro do conceito de compromisso com a rapidez na entrega da correspondência e com forte crescimento da carga postal. Em 1985, foi iniciado um período de maior estabilização no processo evolutivo. O processo de crescimento da ECT se deu em três fases distintas: Até 1975, fazendo parte do chamado “milagre brasileiro”, quando o PIB cresceu a taxas reais de 11,6% a.a.; De 1975 a 1985, período em que a infra-estrutura implantada no período anterior e a acentuada melhoria da qualidade dos serviços influenciaram positivamente esta evolução; De 1985 a 1988, decorrente do cansaço do modelo de expansão apoiado exclusivamente na disseminação da infra-estrutura, iniciou-se um processo de estabilização do tráfego. Com o objetivo de regular o fluxo de carga postal e de pequenos objetos postais na região, em 1989 foi inaugurada a Rede Postal Fluvial da Amazônia, a qual atendia os estados do Pará e Amazonas, beneficiando inicialmente não só as capitais, mas 22 cidades do interior. 59 Dessa maneira, a ECT auxiliou a expandir as características sociais da área e facilitou o intercâmbio comercial do Sul com o Norte do Brasil (id, ibid, [1991?], p. 8096). Os Anexos 1 a 12 ilustram a evolução dos Correios brasileiros. 2.2 A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos no Contexto Atual A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é uma empresa pública da administração indireta, vinculada ao Ministério das Comunicações, sediada em Brasília/DF e controlada pelo poder público. Tem autonomia administrativa própria, com empregados admitidos por meio de concurso público. Rege-se pela Consolidação das Leis Trabalhistas–CLT, Estatutos, Regulamento de Pessoal, Decretos, Convenções e Documentos Básicos e dispõe de recursos financeiros, materiais e humanos próprios. Ela está presente no País inteiro, visto que em todas as cidades existem agências dos correios e em quase todas as vilas e lugarejos têm postos, agência de correio comunitária ou caixa de coleta dos correios. A Empresa tem também uma forte presença no cenário econômico do país, pois é a maior empregadora do Brasil em regime CLT, contando com mais de 94 mil13 empregados. A maior parte desse efetivo está na área de atendimento e operações. O serviço postal nacional tem a sexta tarifa mais barata e se alinha entre os dez mais produtivos do mundo. Os principais produtos da ECT estão expostos em diferentes grupos, onde 34% do total de suas receitas, são provenientes do grupo constituído por cartas e produtos telemáticos, 29% de produtos como Franqueamento Autorizado de Cartas-FAC, Serviço de Entrega Especial de Documentos- SEED e Serviço de Correspondência Agrupada-SERCA e 37% originam-se dos serviços de Mala Direta e Encomendas Não-Urgentes (CONTAS DE 2000, 2001, p. 12-13). O tráfego postal da ECT14 atingiu em 2000, 8,78 bilhões de objetos, o maior de sua história, superando o de 1999 em 18,0%, e vem crescendo nos últimos tempos a uma taxa média de 8% ao ano, em 2001 chegou a 9,5 bilhões de objetos, revelando um 13 Os correios do mundo constituem a maior força de trabalho de todos os setores da economia mundial, representada por 6,1 milhões de empregados. 14 Os Correios do mundo todo processam anualmente cerca de 410 bilhões de objetos postais, o que equivale aproximadamente a 1,1 bilhão de objetos por dia. 60 ritmo mais acelerado do que o observado em administrações postais de países com mercado mais consolidado, como a Alemanha (4%), França (3%) e EUA (2%). Esta evolução reflete o potencial de aumento do tráfego postal per capita do Brasil, o qual depende diretamente do crescimento da economia (Produto Interno Bruto-PIB) e da população. Este tráfego concentra-se em seis produtos: Cartas, FAC, SEED, Impressos, Serviço de Encomenda Expressa-SEDEX e SERCA, que em conjunto, representam 98% do tráfego postal da ECT e geram 89% de sua receita postal. Nos últimos anos, a Empresa de Correios e Telégrafos vem se modernizando a cada dia, sendo que a década de 1990 foi marcada por altos investimentos realizados. E apesar do volume de recursos aplicados no desenvolvimento de novos projetos e de infraestrutura para modernizar os serviços postais no País, a ECT chegou a dezembro de 2000 e 2001 com resultado financeiro superavitário. Esse bom desempenho se deve a uma combinação de vários fatores. A começar pelo crescimento expressivo da receita gerada por todos os mercados em que a ECT atua. Outro fator foi a Internet, visto que a expansão das comunicações está diretamente ligada a inserção da Empresa em novos segmentos da economia. Em termos de receita operacional bruta, a ECT, em 2000 atingiu R$ 3,84 bilhões e a relação receita/despesa alcançou 105,14%. Ela ocupa o quinto lugar entre as empresas do setor público. Apesar de sua estrutura complexa, tem ostentado resultados expressivos nos últimos anos com um lucro de R$ 243,0 milhões em 2000 (CONTAS DE 2000, 2001, p. 14-15). No comparativo de 1999 e 2000, a receita operacional cresceu 16,7%, enquanto a receita total aumentou 12,19%, aproximando-se de R$ 4 bilhões. Mais um recorde para os serviços postais. Os indicadores da Empresa atingiram patamares bem superiores, tanto em termos de evolução financeira, quanto em tráfego, o que resultou em crescimento de 3,6% do Produto Interno Bruto do Setor de Serviços. (ISTO É–DINHEIRO, EDIÇÃO EXTRA, nº 204, p. 5-50, 2001; CONTAS DE 1999/2000, 2001, p.11-12). No ano 2000 as despesas apresentaram crescimento de 15,39% em relação a 1999, ou seja, 3,2 pontos percentuais superiores ao crescimento da receita, o que determinou um resultado líquido inferior ao alcançado no exercício anterior. Esse aumento das despesas foi provocado por aumentos substanciais nas contas Provisões (45,5%) Transporte de Malas e Malotes (21,8%) e Impostos, Taxas e Contribuições (48,8%), entre outras, conforme Quadro 3. 61 Para garantir a modernização e a qualidade dos serviços postais, a Empresa tem feito investimentos constantes em todos seus setores, principalmente nas áreas operacionais e de atendimento. Não é à toa que a empresa conta atualmente com uma mega estrutura operacional que permite a movimentação de 32 milhões de objetos por dia. Os números do balanço apontam que a ECT está mais forte do que nunca. QUADRO 3: RECEITAS E DESPESAS DA ECT - 1999 E 2000 Em R$ milhões Anos Receita Variação Receita Variação Despesa Operacional (%) Total (%) Total 1999 3.289,392 3.506,164 3.242,460 2000 3.838,644 16,70 3.933,622 12,19 3.741,420 FONTE: Presidência da ECT, Relatório de Contas de 1999/2000, 2001, p.12. Variação (%) 15,39 R/D 108,13 105,14 Para isso, a ECT conta com uma rede de transportes aérea e de superfície, com Centros de Tratamento e de Distribuição. A malha de transportes aérea é composta por vinte e oito linhas, Rede Postal Noturna-RPN, especialmente fretada para o transporte noturno de mais de 320 toneladas de objetos por dia, interligando todas as capitais do país com prazo de entrega até o dia seguinte ao da postagem. Além da RPN, a Empresa dispõe ainda de uma malha de superfície formada por, aproximadamente, 13.637 linhas rodoviárias, incluídas as Linhas Troncos Regionais-LTRs e as linhas auxiliares, e sete fluviais responsáveis pelo transporte de mais de 65 mil toneladas de objetos por mês, utilizando uma frota que percorre diariamente uma distância aproximada de 650 mil quilômetros, composta de motocicletas, veículos leves e pesados e frota contratada. Objetivando obter maior qualidade, controle e agilidade no tratamento e na distribuição dos objetos postais, em 2000 foram assinados contratos de financiamento na ordem de US$ 187 milhões, viabilizando a implementação dos contratos comerciais para o fornecimento de mais quarenta e quatro sistemas automatizados. Nesse projeto foi planejado para o período de 1998 a 2002 um investimento de R$ 1,1 bilhão. A automação da triagem é uma das áreas que onde os correios mais investem. Esses recursos vão permitir alcançar em breve um índice de produtividade em torno de 170 mil objetos por empregado ao ano. Já existem vinte máquinas de automação funcionando no país e serão 86 no final de 2002. Em pouco tempo a leitura automática será feita em 80% das encomendas. Diariamente, chegam mais de 32 milhões de objetos, nas 37 mil caixas de captação e nas agências dos correios, dentre os quais se destacam: contas telefônicas, CDs comprados em alguma loja virtual, livros, propagandas de serviços, cartas escritas de 62 próprio punho, revistas e telegramas. Em 6 dias isso equivale a um objeto para cada brasileiro. Só a cidade de São Paulo recolhe cento e setenta toneladas de material por dia, número esse que cresce nas festas de final de ano, atingindo picos de 240 toneladas. Mas o trabalho de recolher o material está longe de ser o mais árduo. A aventura começa no final da tarde, quando o comércio se prepara para fechar: os Centros de Tratamento da ECT dão início a operacionalização da carga da Rede Postal Noturna-RPN, operação essa que consome o trabalho de 442 caminhões, 4.016 furgões, 7.290 motocicletas e 28 aviões para transportar as cargas entre países, estados e cidades. O trânsito e a movimentação das pessoas produzem um tumulto organizado nos galpões da Empresa durante toda noite. Uma imagem caótica para quem olha de fora, mas disciplinada para quem está acostumado com a rotina e já domina as regras do jogo. Espalhados pelo território nacional existem 104 Centros de Tratamento similares ao de São Paulo. Na triagem todo o volume é separado duas vezes, e colocado à parte, de acordo com o Código de Endereçamento Postal-CEP. Nos centros de maior porte, a seleção das cartas é auxiliada por máquinas capazes de ler trinta mil etiquetas por hora e enviá-las para uma caixa específica, de acordo com o destino. Existem também equipamentos com sofisticados programas de computador, os quais são capazes de decifrar a caligrafia das pessoas mais simples. As encomendas são etiquetadas com seus códigos de barra ainda nas agências. Nos Centros de Tratamento, os funcionários usam pequenos leitores manuais. Nos maiores centros do país, após identificação, os pacotes são colocados numa esteira a três metros do chão, onde são levadas até um ponto programado do trajeto onde a esteira se inclina, separando os pacotes em compartimentos, de acordo com o destino. Toda essa sinfonia é orquestrada por computadores. Concluída a triagem, começa o transporte. As encomendas são acondicionadas em malotes ou caixotes de plásticos que abastecem furgões e caminhões que saem para as cidades mais longínquas. O volume que a ECT transporta corresponde a 30% do tráfego cargueiro aéreo brasileiro. O primeiro avião decola de Rio Branco no Acre, às 17h, e o fluxo de ida e volta segue intenso durante a noite inteira, terminando às 8h do dia seguinte. Durante toda a madrugada, a chegada dos objetos que viajaram pelo País dá nova vida aos Centros de Tratamento. A missão novamente é separar várias vezes os lotes e colocá-los nas mochilas dos carteiros. Em torno das 9h, aproximadamente 42 mil carteiros, de moto, bicicleta, 63 furgão ou a pé saem para entregar as cartas e encomendas mais variadas em todos os lugares do País. A ECT possui a maior e a mais eficiente rede de distribuição brasileira. A distribuição de objetos nas capitais dos estados vem atingindo índices satisfatórios, as encomendas SEDEX, por exemplo, atingiram 99,2% de satisfação (entrega dentro dos prazos especificados). No caso da carta simples, o percentual de acerto foi de 92,4 %. O balanço mostra que o resultado do correto funcionamento de toda essa infra-estrutura operacional é a garantia de níveis de qualidade compatíveis com os dos melhores correios do mundo. No que se refere ao horário de funcionamento, as agências abrem às 8h, sendo que todas estão prontas para acolher os 32 milhões de correspondências e recomeçar o ciclo novamente. Os Centros de Tratamento dos grandes capitais também dispõem de máquinas e equipamentos com detectores de metais, espectrômetros, filmadoras e câmeras fotográficas especiais, que são utilizados para impedir que objetos ilegais ou perigosos utilizem a estrutura de distribuição da empresa. Cada dia, um volume maior de negócios é realizado pela Empresa. São grandes os desafios, mas a ECT tem as respostas. No final de 2000, a ECT criou o Exporte Fácil , serviço que reúne um conjunto de facilidades para exportação tornando a tarefa de vender para outros países tão simples como postar uma encomenda. Nos cinco primeiros meses de funcionamento do Exporte fácil, em 2001, as exportações cresceram 200% passando de 269 mil unidades em janeiro, para 849 mil em maio. É notório que tanto no Brasil como no exterior, o segmento postal está em franca expansão: só no País, o setor de correspondências cresceu em torno de 2,5% ao ano. Já a estratégica área de encomendas avança cerca de 7,5% . Hoje o faturamento da ECT é R$ 3,2 bilhões, dos quais 63% vêm de atividades monopolistas, cartas, malotes, cartão postal e telegrama, e os outros 37% são provenientes das demais atividades de mercado, Mala Direta e Encomenda Não-Urgentes. Dessa forma, as fronteiras entre os vários meios de comunicação tendem a se apagar. A modernização dos Correios facilitará e ajudará na preparação dessa convergência na economia brasileira. Um das grandes preocupações da Empresa é fazer com que seus clientes estejam sempre satisfeitos com a prestação de seus serviços e a qualidade de seus produtos. 64 Atender bem ao público, portanto, é meta primordial e constante para a ECT. E por este motivo, através do IBOPE, ela realizou uma pesquisa em junho de 1994, ouvindo cerca de 23 mil pessoas em todo o país. A realização dessa pesquisa, projeto do Departamento de AtendimentoDATEN e do Departamento de Logística e Operações-DELOG, visou essencialmente ao aprimoramento do sistema de aferição da qualidade, no ponto de vista do cliente, e ao fornecimento de subsídios que colaborassem na melhoria dos serviços prestados, permitindo à Empresa direcionar ou redirecionar as suas ações, de acordo com os aspectos considerados relevantes. As informações obtidas demonstraram que 92% dos entrevistados consideravam os correios, uma Empresa eficiente ou muito eficiente. Indagados sobre a razão desta opinião, 56% responderam que era a confiabilidade, 27% disseram que era a rapidez e 15% afirmaram que era a modernidade. Em 2000, outra pesquisa também realizada pelo IBOPE, a qual entrevistou mil l000 clientes, mostra que 99% dos brasileiros consideram os correios muito importantes para o desenvolvimento do país, enquanto 91% concordaram que o atendimento dos correios é muito bom, 74% são contra a privatização da Empresa, em consonância com o Projeto da Lei Postal, que manterá a futura empresa Correios do Brasil S.A. sob o controle da União e 77% dos brasileiros entrevistados acharam que os serviços dos correios estão melhores em 2000 do que em 1995. Na pesquisa de Qualidade e Produtividade realizada FA/USP em 2000, os correios obtiveram 93% no índice Imagem Institucional, ficando em segundo lugar, precedida da Instituição Família. Em 2002, os correios conquistaram o mais importante prêmio Revista Exame, Melhores e Maiores, do setor empresarial brasileiro, o sendo escolhida a melhor empresa do setor de serviços públicos de 2001, reconhecimento concedido pela Editora Abril às mais eficientes organizações empresariais do Brasil. Segundo a Revista, os correios aparecem ainda em sexto lugar dentre as cinqüenta maiores empresas estatais do Brasil. O então Presidente da ECT, Hassan Gebrim, em seu discurso, ao receber o prêmio, disse que ele era um reconhecimento aos resultados obtidos pelos correios em seu processo de modernização, de expansão da competitividade e de melhoria dos serviços prestados à população e que os empregados tiveram grande participação naquele sucesso (CONTAS DE 2000, 2001, p. 15-16). 65 Ainda em setembro de 2002, a ECT, através da Diretoria Regional do Rio Grande do Norte, foi agraciada com o primeiro lugar no Prêmio Serviço Social da Indústria-SESI 2002 de Qualidade no Trabalho, na categoria Grandes Empresas. 2.3 Estrutura Organizacional e Funcionamento Toda a estrutura administrativo-operacional da ECT é constituída pela Administração Central-AC, sediada em Brasília, composta pela Diretoria, os Conselhos de Administração e Fiscal, pelos Departamentos e órgãos do mesmo nível, e, ainda pela Administração Regional, representada por 24 Diretorias Regionais, conforme Quadro 4. QUADRO 4: INFRA-ESTRUTURA DA ECT – 2000 ITENS15 QUANTIDADE Administração Central Diretorias Regionais16 Regiões Operacionais Agências (Incluindo Franquias e Postos de Correios) Postos de Vendas de Produtos Caixas de Coleta Unidades de Tratamento e Distribuição Centros de Serviços Telemáticos Centro de Atendimento Fonado Serviço de Atendimento Ao Usuário Caixas Postais Comunitárias Rede Postal Aérea Noturna (Linhas) Veículos Motos Bicicletas Máquinas de Venda de Selos e Produtos FONTE: Presidência da ECT, Relatório Empresarial de 2000, 2001, p. 46. 1 24 150 12.212 16.839 25.912 773 23 7 24 355.855 28 9.500 8.017 22.425 273 Das 24 Diretorias Regionais, quatro abrangem dois estados: GT: abrange os estados de Goiás e de Tocantins; PA: abrange os estados do Pará e do Amapá; AM: abrange os estados do Amazonas e de Roraima; BSB: abrange o Distrito Federal e parte da região geo-econômica (exceto municípios do estado de Minas Gerais). 15 No mundo, os Correios contam com setecentas mil agências de atendimento e setecentos mil veículos. DIRETORIAS REGIONAIS: Alagoas, Amazonas, Bahia, Brasília, Ceará, Espírito Santo, Goiânia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Noroeste, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo Interior e São Paulo Metropolitano. 16 66 As Diretorias Regionais e as áreas setoriais (administrativa, financeira, comercial e técnica) são interdependentes, ou seja, cada um exerce seu papel. Aquela que apresentar bom funcionamento, contribui para o desempenho de outra área, o que favorece a prestação dos serviços e fornecimento de produtos que atendam às necessidades do cliente. QUADRO 5: DISTRIBUIÇÃO DOS ÓRGÃOS E SUAS COMPOSIÇÕES ÓRGÃOS DEFINIÇÕES/FUNÇÕES Órgão executivo da Empresa. É formada pela Direção, constituída do Presidente da Empresa e de seis diretores, e pelos Conselhos de Administração e Fiscal, formados pelo Presidente da Empresa e mais cinco diretores nomeados pelo Presidente Diretoria da República. Exercer a supervisão e o controle das atividades operacionais e administrativas da Empresa, baixando os atos normativos necessários à orientação dessas atividades. Órgão que exerce a administração superior da Empresa. Conselho de Administração Constitui-se do Presidente da ECT e de mais cinco membros nomeados pelo Presidente da República. Administrar a Empresa. É o órgão de fiscalização da Empresa. Conselho Fiscal Constitui-se de três membros efetivos e três suplentes. Fiscalizar os atos de gestão dos administradores da empresa e verificar o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários. Órgãos de planejamento, elaboração de normas, coordenação e controles setoriais. Departamentos e Órgãos do São dirigidos por chefes supervisionados pelo respectivo membro da mesmo nível Diretoria ao qual está vinculado. Planejar, elaborar as normas, coordenar e controlar os órgãos setoriais. É formada pelas Diretorias Regionais. Administração Regional A ECT compõe-se de vinte e quatro Diretorias Regionais, cujos Diretores Regionais são indicados pelo Presidente da Empresa e nomeados pelo Presidente da República. Realizar em âmbito regional, os serviços a cargo da Empresa. FONTE: Quadro elaborado pela autora, com base em Presidência da ECT, Relatório Empresarial de 2000, 2001, p. 47. A ECT possui objetivos e metas a serem cumpridas, que constam do Planejamento Estratégico e do Plano de Negócios. Anualmente a Administração Central elabora um novo Plano de Negócios, com metas corporativas. As Diretorias Regionais, por sua vez, elaboram o seu Planejamento e repassam-no a todas as áreas, as quais distribuem às equipes de trabalho as metas a serem cumpridas nos períodos. 67 2.4 Os Produtos e Serviços A ECT oferece uma infinita diversidade de produtos e serviços que procuram atender as necessidades específicas de mercado. Dentre os PRODUTOS, destacam-se: Selos (ordinários e comemorativos); Aerogramas (nacional, social e internacional); Envelope pré-franqueado; Envelope pré-selado Carta Mundial; Cartão postal pré-franqueado; Comprovantes de franqueamento (nacional e internacional); Etiqueta de franqueamento para registro nacional; Cupom resposta internacional; Telegrama pré-taxado; Kits de aerogramas (nacional, social e internacional); Kit de papel de carta Disney; Kit envelope pré-selado Disney; Kit envelope pré-selado; Kit Solicitação e Entrega de Passaporte; Produtos de papelaria; Caixas de encomenda (tipos 01, 02, 03 e 04); Envelope SEDEX (cartonado médio e grande e Estadual pré-franqueado); Sur postal 24 horas; Sur postal expresso; Guia postal brasileiro; Produtos filatélicos (coleção anual de selos, Pin Olho-de-boi, mouse pad, cartões postais, envelope comemorativos, carimbos comemorativos e de 1° Dia de Circulação, agendas, etc.); Griffe CORREIOS (camisetas, bonés e chaveiros); Cheque Correios (venda); Formulário Requerimento para Passaporte. Griffe CORREIOS (camisetas, bonés e chaveiros); 68 Cheque Correios (venda); Formulário Requerimento para Passaporte. SERVIÇOS POSTAIS que se destacam, são: Carta (internacional); Serviço de Atualização de Endereço (SATE); Vale postal (nacional e internacional); Caixa postal (assinatura e renovação); Reembolso postal (postagem cliente avulso); Carta nacional (comercial, não-comercial, social e eletrônica); Franqueamento Autorizado de Cartas (FAC); Guia postal brasileiro (meios magnéticos); Franqueamento mecanizado; Serviço Especial de Entrega de Documentos (SEED)17; Impresso (nacional e internacional); Cecograma18. SERVIÇOS DE ENCOMENDA: SEDEX nacional (A cobrar, Estadual pré-franqueado, Hoje e 1019); Encomenda postal nacional (normal, comercial, customizada)20; Mercadoria econômica internacional; Mercadoria prioritária internacional; Exporte Fácil; SEDEX internacional; 17 SEED: Serviço Especial de Entrega de Documentos. Consiste na coleta e entrega de correspondências, contas, títulos, avisos e outros documentos com e sem comprovante de entrega, oferecido a pessoas jurídicas mediante contrato. 18 CECOGRAMA: objeto de correspondência, de âmbito nacional ou internacional, impresso em relevo, pelo sistema cecográfico (BRAILLE), com peso máximo de 7kg, e é isento de tarifa (destinado aos cegos). 19 SEDEX 10: é o SEDEX que é entregue até às 10h do dia seguinte ao da postagem. Válido somente para as principais capitais do país. 20 ENCOMENDA POSTAL NACIONAL: . NORMAL: com foco no varejo, oferecendo uma tarifa mais acessível; esta modalidade permite a remessa de objetos de até 30 kg. A entrega ao destinatário realiza-se na agência dos correios mais próxima do endereço do destinatário; . ENCOMENDA COMERCIAL: modalidade que visa atender alguns percursos específicos e permite a remessa de cargas para um mesmo destinatário; . ENCOMENDA CUSTOMIZADA: serviço oferecido aos grandes clientes para distribuição em operações especiais, como é o caso dos livros didáticos e do Kit de remédios da farmácia básica, que devem ser entregues nas mais diversas localidades do país, exigindo da ECT a montagem de uma estrutura e de logística diferenciados em custos e prazos inteiramente planejados para a operação. 69 Sur Postal (documentos urgentes destinados aos países do Mercosul). SERVIÇOS POSTAIS ADICIONAIS: Aviso de Recebimento (AR); Posta Restante (PR); Registros (facultativo, módico e obrigatório); Registro para entrega ao próprio destinatário - Mão Própria (MP); Valor declarado. SERVIÇO DE APOIO AO MARKETING DIRETO21: Distribuição de peças promocionais sem endereçamento (panfletagem); Envelope encomenda resposta; Porte pago; Reembolso postal; Mala direta postal domiciliária; Carta/Cartão-resposta; Devolução garantida. SERVIÇOS REALIZADOS MEDIANTE CONTRATOS: Pagamento aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social-INSS22; Encaminhamento e entrega de medicamentos; Encaminhamento e entrega de livros didáticos23; Recebimento das prestações do carnê do Baú da felicidade; Venda do carnê do Baú da felicidade; Recebimento das prestações do carnê do Baú da felicidade; Taxa e Multa do serviço Militar; 21 SERVIÇO DE APOIO AO MARKETING DIRETO: no mundo dos negócios, o Marketing Direto tem sido uma ferramenta inteligente, prática e econômica para a conjuntura e ampliação das vendas. Através dele, atinge-se diretamente o consumidor final, dispensando as redes de distribuidores e a necessidade de grandes estoques. Para isso, os Correios oferecem diversos serviços ligados a esse segmento. 22 PAGAMENTO AOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DO INSS: desde 1992, os correios realizam o pagamento de benefícios previdenciários do INSS a mais de setecentas mil pessoas por mês, entre aposentados e pensionistas. Esse pagamento ocorre nas cidades, em sua grande maioria, onde não existem instituições bancárias. A execução de atividades previdenciárias pelas agências dos correios tem como objetivo facilitar o acesso do cidadão aos serviços prestados pelo INSS, propiciando-lhe comodidade. 23 ENCAMINHAMENTO E ENTREGA DE LIVROS DIDÁTICOS: através de uma parceria entre a ECT e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, todos os anos os correios distribuem mais de sessenta milhões de livros didáticos às escolas públicas atendidas pelo Programa Nacional de Livro Didático. Cerca de trinta milhões de alunos matriculados na Rede Oficial de Ensino são beneficiados com a melhoria da qualidade de ensino no país. 70 Inscrições para o Exame Nacional de Ensino Médio-ENEM; Recebimento de contas diversas (telefone, energia e água); Solicitação, entrega, cadastramento e recadastramento de CPF; Programa do Imposto de Renda-Pessoa Física; Recebimento de inscrições para concursos; Recebimento de inscrição do vestibular; Título de Domínio aos Trabalhadores Rurais; Venda de telesena; Kit Segurado Urbano; Pagamento de Vale-gás e da Bolsa-alimentação (Emergência). SERVIÇOS TELEMÁTICOS: Telegrama via Internet; Telégrafo restante; Fax Post; Telegrama simples e urgente (nacional e internacional); Telegrama nacional fonado, pré-datado e radiomarítimo; Endereço telegráfico registrado; Pedido de confirmação de entrega de mensagem (PC). SERVIÇO DE MALOTES: Serviço de Correspondência Agrupada (SERCA). SERVIÇOS DE UTILIDADE PÚBLICA: Achados e perdidos; Fale conosco (reclamações via Internet); Serviço de Atendimento ao Cliente (reclamações, informações e telegrama fonado). PAGAMENTOS: Cheque Correios; Vale Postal (nacional e internacional). 71 2.5 A Presença Social dos Correios A consciência da responsabilidade social da ECT torna-se cada vez mais nítida no meio empresarial, e toma corpo e compreensão de que todo e qualquer negócio é parte integrante e dependente da sociedade, razão de ser de sua existência, sendo, portanto, fruto das necessidades dessa mesma sociedade e reflexo de seus interesses e desejos. Ainda que contemporânea, a responsabilidade social da ECT é tão importante quanto a sua função econômica. Nela estão compreendidos os efeitos de suas atividades sobre o bem-estar da comunidade, a preservação do meio ambiente, a qualidade dos seus produtos e serviços e as conseqüências da utilização dos mesmos e, antes de tudo, o reconhecimento de que uma empresa é composta por seres humanos, de quem depende intrinsicamente seu desempenho econômico-financeiro. Portanto, ao longo de sua trajetória, a Empresa tem consolidado seu papel como importante agente de ação comunitária, mediante projetos sociais de grande relevância, tais como: Projeto Beija-Flor, Projeto Grande Otelo, Projeto os Defensores da Natureza, Projeto Criança e Cidadania, Projeto Amigos da Escola, Projeto Todos os Cantos do Brasil, Projeto Papai Noel nos Correios, Projeto Educando para o Futuro, Programa de Estágio Curricular, Projeto de Apoio aos Portadores de Deficiência Física, Programa de Absorção de Mão-de-Obra de Apenados, Projeto Carteiro Amigo, Projeto Soro Caseiro, Projeto de Doação Voluntária de Sangue, Projeto de Doação de Cartuchos de Impressora Usados, Projeto Dia Nacional Sem Tabaco e Dia Nacional de Combate ao Fumo, Projeto Cidadania na Internet e Caixas Postais Comunitárias, além do transporte e entrega de doações em casos de calamidade. Através de seus selos, os correios também divulgam campanhas de natureza social e de preservação do meio-ambiente, promovidas pelo Governo e por instituições nacionais e internacionais. Em 1996, campanhas como Luta Contra o Abuso de Drogas, Luta Contra a Exploração Sexual de Criança e Adolescente, Defensores da Natureza e Dia Mundial da Luta Contra a Desertificação foram divulgadas a todos os cantos do país mediante os selos temáticos emitidos pela ECT. Os Correios mantêm ainda sólida parceria com o esporte nacional, cujo objetivo é estimular a prática esportiva e incentivar o surgimento de novos talentos. O ponto alto desse patrocínio ocorreu na Olimpíada de Atlanta, EUA, em 1996, quando os 72 medalhistas Gustavo Borges e Fernando Scherer (uma de prata e duas de bronze) agitaram a bandeira do Brasil e exibiram a logomarca dos correios para 3,2 bilhões de telespectadores ao redor do mundo (CONTAS DE 2000, 2001, p. 17-18; BALANÇO SOCIAL 1996, 1998, p. 4-5). Assim, agindo dessa forma, os Correios firmam mais uma vez, compromisso com a cidadania. Essas iniciativas da Empresa foram reconhecidas não só pelos órgãos governamentais, mas pelas instituições de Marketing e pela população brasileira, razão pela qual vem sendo premiada sucessivamente24. 2.6 Prêmio de Qualidade do Governo Federal Como modelo de avaliação da gestão fundamentado nos Critérios de Excelência do Prêmio Nacional da Qualidade-PNQ , o Governo Federal criou em 1998 o Programa de Qualidade do Governo Federal-PQGF, cujo principal objetivo é estimular organizações públicas a implementarem programas de melhoria de qualidade e do desempenho institucional, atuando como mecanismo de reconhecimento formal e público 24 PREMIAÇÕES: . 1986, 1987 e 1988: Prêmio “Melhores e Maiores”, na categoria Melhor Desempenho no Setor de Serviço Público, Revista Exame, Ed. Abril;: . 1992: Prêmio “A Empresa do Ano”, na categoria Melhor Desempenho do Setor de Serviço Público, Revista Exame, Ed. Abril; . 1996: Premiação do I Concurso Nacional de Experiências Inovadoras da Gestão Pública com o PROJETO DOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA FÍSICA; . 2000: Troféu Leão de Ouro em Cannes-França (Oscar de Publicidade Mundial), na categoria Press & Pôster, campanha criada e reproduzida pela agência de publicidade Sales/D’Arcy, com o PROJETO CADA SELO É UM PEDACINHO... . Prêmio O GLOBO, troféu entregue em outubro de 2000. conquistou por unanimidade dos jurados, com o anúncio SE QUISER A GENTE MANDA RAPIDINHO PARA VOCÊ, que enfocava a rapidez e eficiência do SEDEX; . Prêmio TOP Social da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil – ADVB com o PROJETO CARTEIRO AMIGO, o qual mobilizou carteiros de todo país num trabalho de esclarecimento às mães gestantes e às mulheres mães recentemente, quanto a importância do aleitamento materno, como forma de redução da mortalidade infantil. Só no ceará, o projeto ajudou a reduzir em 20% a mortalidade infantil; . 2002: Prêmio Word Mail Wards 2002, na categoria Serviços ao Cliente, pela atuação no Programa Nacional dos Livros Didáticos (PNLD), em solenidade realizada em Amsterdã, Holanda. 73 dos resultados das instituições comprometidas com a qualidade da gestão e com seus usuários. A ECT vem participando do mesmo desde o seu primeiro ciclo, tendo como resultado, o reconhecimento da Diretoria Regional do Rio Grande do Sul em 1998 e as Diretorias Regionais de Minas Gerais e Rio de Janeiro em 1999. Em 2000, participaram quarenta e cinco empresas públicas e pela primeira vez a Diretoria Regional do Rio Grande do Norte candidatou-se, sendo agraciada com a faixa bronze, juntamente com a Diretoria do Paraná. Objetivando incentivar a melhoria dos métodos de gestão, a Empresa implantou o Programa Nacional de Qualidade nos Correios-PNQC em todos os setores, contanto com a disseminação dos seguintes projetos: Programa 5S: implantado em todos os setores da Empresa. objetiva preparar todos os empregados da ECT para a implantação do PNQC; Modelo de Excelência dos Correios: objetiva promover a excelência do desempenho dos correios, por meio da adoção de métodos e práticas de gestão de classe mundial, em consonância com os Critérios de Excelência do PNQ; Melhoria do Atendimento: objetiva disseminar na Empresa, a cultura de foco do cliente, por meio da implantação do novo modelo de excelência no atendimento aos clientes; Gerência de Rotina e Gerenciamento de Melhorias: objetiva promover, por meio de análises sistemáticas das rotinas e do uso das ferramentas de Qualidade Total e do trabalho em equipe, a eficiência e eficácia dos processos produtivos de trabalho; ISO 9000: objetiva promover a excelência de produtos e serviços prestados pela Empresa, adequando-os aos requisitos internacionais de Qualidade estabelecidos pela ISO-International Standardization Organization. O Centro de Distribuição de Mogi das Cruzes/SP, o Serviço SEDEX DETRAN/RS e a Agência Cidade Universitária/SC conquistaram os certificados ISO 2002, no exercício de 2000; Sensibilização para a Qualidade Total: foram realizados treinamentos com todos os empregados, além de apresentações de peças teatrais abordando 74 conceito relativos à Qualidade Total, Programa 5S e Excelência no Atendimento a Clientes; Gestão do Meio Ambiente: objetiva dotar a Empresa de um Sistema de Gestão Ambiental e de um Plano de Ações Corporativas, que visem à administração das questões relacionadas à preservação do meio ambiente. Os benefícios obtidos com a implantação na Empresa, destes Programas de Qualidade foram os melhores possíveis, visto que resultaram em: Maior segurança no gerenciamento dos processos; Melhoria das condições de trabalho; Aumento da satisfação dos empregados e dos clientes; Melhoria na qualidade dos serviços; Redução do desperdício e dos custos operacionais; Aumento na lucratividade dos produtos e serviços. O Programa Nacional de Qualidade nos Correios pretende tornar a ECT uma referência mundial de excelência em prestação de serviços, abrangendo todos os níveis de atividades da ECT, a fim de focar o cliente como objetivo prioritário da organização. Para isso, a Empresa vem criando uma cultura favorável a mudanças, concentrando esforços para melhorar seu atendimento e criando novos produtos e serviços adequados às exigências do mercado e da sociedade, onde o desenvolvimento e o incentivo profissional aos empregados devem ser uma política permanente, assim, como o aperfeiçoamento dos processos de trabalho, o desempenho das pessoas e a atualização da tecnologia. Visando instituir um modelo único de auto-avaliação nas 24 Diretorias Regionais, a partir de critérios pré-definidos, onde cada delas seria avaliada e a partir disso, receberia uma determinada pontuação, cabendo àquelas mais bem pontuadas serem premiadas, a ECT criou em 2002 o Prêmio de Qualidade Correios. Tais dados mostram o quanto a Empresa preocupa-se com a qualidade e produtividade, visto que nos dias atuais, esse binômio é um conceito amplo e representa uma filosofia de gestão empresarial que pretende conduzir todos os segmentos da ECT a uma postura de pró-qualidade e produtividade, através de um compromisso total de dirigentes e empregados, em todas as fases do processo produtivo. Tal postura assegura produtos e serviços com qualidade, conforme as especificações, e totalmente orientados para as aspirações do mercado. Por isso, Qualidade Total nas empresas, é atualmente a 75 palavra de ordem, a excelência da administração, visto que ela garante a sobrevivência das organizações e, sobretudo, abre novas portas para o sucesso. 2.7 Modernização e Medidas de Sobressaltos que Impactaram nos Rumos da Empresa e dos Seus Empregados Tradicionalmente, a atividade postal se organizou, em todos os países, sob a tutela estatal, segundo a ótica monopolista. Por isso, em função da ausência de desafios, os correios mundiais, até meados da década de 1960, priorizavam inadequadamente as necessidades e anseios de seus usuários, empregavam processos artesanais e assumiam que suas atividades não estavam Por isso, em função da ausência de desafios, os correios mundiais, até meados da década de 1960, priorizavam inadequadamente as necessidades e anseios de seus usuários, empregavam processos artesanais e assumiam que suas atividades não estavam nem deveriam estar sujeitas à competição. Nessa época, porém, começaram a surgir empresas privadas oferecendo o serviço de transporte de documentos e mercadorias, iniciando então um processo de competição com os correios (PLANO ESTRATÉGICO 2000-2003, 1999, p. 6). Como reação natural, os correios estatais foram obrigados a atuar sob nova visão, em ambiente concorrencial, no qual o cliente tornou-se o centro de atenção, exigindo uma organização postal mais moderna e orientada para o mercado. Assim, a ECT passou a agir com maior autonomia administrativa sob a forma de empresa pública, para enfrentar os desafios da demanda e da concorrência crescente. Essas transformações não só aconteceram no correio brasileiro, mas no correio de quase todos os países do mundo. Não se trata de modismo, e sim da constatação objetiva de que, diante da transformação social, política, econômica e tecnológica, não é mais possível manter uma atitude de passividade. Acrescenta-se a isso o fato de que o modelo de exploração da atividade postal estava fortemente baseado no conceito de território nacional, o que fazia com que o limite de mercado se confundisse com o limite geográfico das nações. Isso decorreu, em grande parte, do papel estratégico da atividade postal em um mundo condicionado por uma polarização política e tecnológica. Com a mudança do paradigma de polarização para globalização, a atividade postal gradativamente recebeu novo enfoque. E, cada vez mais afastado da visão de 76 Estado, o setor assume o papel de canal para transações comerciais em um mundo no qual, freqüentemente, o produtor e o consumidor se encontravam geograficamente distantes. Desafiados a responder a essa nova demanda, o Estado foi incapaz não só de realizar os investimentos necessários à melhoria do setor, como também de gerenciá-lo de forma empresarial. Simultaneamente, observando o grande potencial de mercado, a iniciativa privada redescobriu os correios como atividade postal e deixa de ser atividade exclusiva de Estado e passa a conviver com capitais privados sob diversas formas: Franquia: expansão da rede de atendimento com a participação de parceiros da iniciativa privada na instalação e na operação de agências postais; Parceria: acordos operacionais e comerciais para a exploração de mercado específico em que o operador público não detém a tecnologia e a agilidade necessárias para a oferta de serviços competitivos; Terceirização: contratação de empresas para executar determinadas etapas do fluxo postal como linhas de transporte aéreo e transporte rodoviário urbano, estadual e nacional, como é freqüente nos diversos correios do mundo. Todas essas mudanças visam garantir condições de sobrevivência diante de um ambiente em contínua modificação. Para tanto, todos os esforços devem ser feitos visando assegurar níveis sustentáveis de lucratividade e competitividade, pois a Empresa deve ser capaz de cumprir seu papel social, mas não menos importante, deve também garantir lucratividade para cumprir seu papel perante os acionistas, já que o sustentáculo dos níveis de lucratividade e competitividade agrega-se aos demais fatores estratégicos para promover o desenvolvimento continuado da Empresa e assegurar sua sobrevivência. Dessa forma, a década de 1990 foi marcada por consideráveis inovações da ECT, sendo considerada uma das mais importantes desde sua criação, visto que, em função dos altos investimentos na tecnologia e na capacitação de seus recursos humanos, a Empresa ingressou num novo estágio, tendo a qualidade e a produtividade como fatores dominantes, enfatizando sempre a soberania do cliente e a necessidade de contar com seus empregados capacitados para a execução de suas atividades e motivados para desenvolvêlas. Assim, em 2001, a Empresa adequou sua missão ao novo cenário mundial, além de desenvolver estratégias focando o cliente, conforme Figuras 1 e 2. 77 FIGURA 1: MISSÃO DA ECT – 2001 INTERCONECTAR PESSOAS E ORGANIZAÇÕES NO BRASIL E NO MUNDO, GARANTINDO O ATENDIMENTO DE SUAS NECESSIDADES DE SERVIÇOS DE CORREIOS. FONTE: Elaborada pela autora, com base na REVISTA CEP BRASIL, ed. n° 30, 2002, p. 11. FIGURA 2: CENÁRIO DA ECT MUDANÇAS COMERCIAIS GOVERNAMENTAIS SOCIAIS TECNOLÓGICAS PROFISSIONAIS NAS NOVAS SITUAÇÕES DE CONCORRÊNCIA, É NECESSÁRIO VALORIZAR E CAPACITAR OS TALENTOS HUMANOS, PARA, COM BASE EM CONHECIMENTO E TECNOLOGIA, ATENDER AS NECESSIDADES DOS CLIENTES FONTE: Elaborado pela autora, com base na REVISTA BEM-VINDO, Ambientação nº 1, 2001, p.11. Caderno 78 2.8 Avanços Tecnológicos Ocorridos Se antes o monopólio era o principal esteio de sustentação do setor, hoje a competição e a busca de satisfação do cliente são as palavras de ordem para todos os organismos que almejam adentrar e, principalmente, prosperar nos dias atuais e nos próximos anos. No início da década de 1990, quando a Internet começou a dar os primeiros passos, pensou que os serviços postais se acabariam. O senso comum dizia que ela e as atividades seculares dos correios eram coisas opostas, e que a tecnologia digital logo iria engolir a velha e boa carta. Todavia, em vez de se preparar para o derradeiro fim, a ECT fez justamente o contrário, tornou-se uma nova empresa, que existe e se expande tanto no mundo real como no virtual, e com a credibilidade que já é a sua marca registrada. Nesse aspecto, diversos projetos de modernização revolucionaram todas as áreas da Empresa, otimizando os recursos e aumentando a produtividade, tais como: Implantação da REDE CORPORATIVA, mediante a implementação dos Projetos CorreiosNet25, Auto-atendimento, Automação das agências, Mecanização da triagem e Sistema de Rastreamento de Objetos-SRO; Aplicação de softwares no protocolo, entrega e baixa de objetos postais; Instalação em todas as agências, do programa CONECTA, permitindo a transmissão via rede, de toda situação financeira e operacional; Instalação de linha telefônica (direto e/ou ramal) em todas as unidades da Empresa, sejam administrativas, operacionais e de atendimento; Criação do Banco de Serviços (1990); 25 CorreioNet: interligação de todas as áreas da ECT (atendimento, administrativa e operacional) por meio de uma rede interna de computadores; . Auto-atendimento: instalação de máquinas de auto-atendimento para venderem selos e demais produtos. Iniciativa que se encontra em fase experimental em dez Diretorias Regionais, num total de 131 agências; . Automação das agências: instalação dos aplicativos: Sistema de Capacitação e Administração de Agências-SCADA e Sistema de Automação de Agências-SAA em todas as agências do país; . Mecanização da triagem: automação de todos os Centros Operacionais, mediante a informatização das atividades operacionais, alocação de equipamentos de triagem eletrônica nos Centros de Triagem de todas as Diretorias Regionais, nas Seções de Exportação e introdução de equipamentos modulares de triagem por distrito (área de abrangência do carteiro); . Sistema de Rastreamento de Objetos-SRO: automação dos Centros Operacionais e Agências por meio da leitura por caneta ótica e Internet. Essa ferramenta representa um benefício muito importante para o cliente, uma vez que poderá se informar do andamento e/ou da localização do objeto postal com maior rapidez e segurança. 79 Implantação de equipamentos detectores de drogas, explosivos, metais e cartas-bomba; Conteinerização das Linhas de Superfície e da Rede Postal Noturna-RPN; Implementação de uma rede de informações dando suporte a toda malha de transportes da ECT; Implantação de paletização da carga nos Centros Operacionais Triagem e de um novo ambiente de teleinformática para e de atender as atividades administrativas, operacionais e informações gerenciais; Utilização de microinformática nas tarefas intermediárias ao processo produtivo; Sistema de Melhoria do Controle e Modernização do Parque de Máquinas de Franquear; Substituição das antigas máquinas transmissoras e receptoras de telegramas por computadores; Instalação de alarme eletrônico nas menores agências e naquelas maiores foi colocado um sistema de circuito fechado, como também o fornecimento de cofres com retardos eletrônicos; Estabelecendo um Plano de Trabalho para a Diretoria Regional realizou a reformulação do Gerenciamento de Desempenho-GD tornando-o mais flexível, ágil e eficaz (1994); Criação da ECT-NORMAS (integra todos os manuais e normas da ECT, via CorreiosNet); Implantação do Almoxarifado Expresso26 (sistema automatizado de distribuição de material para todas as unidades dos correios de todo o estado de São Paulo); Substituição do GD pelo Gerenciamento de Competências e ResultadosGCR; Implantação do Serviço de Automação do Serviço Médico-SASMED; Sistema de Automação da Rede de Agências-SARA; Implantação do Serviço de Gerenciamento de Espera e Atendimento-SGEO. 26 ALMOXARIFADO EXPRESSO:sistema automatizado de distribuição de materiais e de produtos para todas as unidades dos correios de todo o estado de São Paulo. Posteriormente o sistema será estendido às outras Diretorias Regionais. 80 Assim, aliando sensibilidade para definir o momento de implementar mudanças à capacidade de assimilá-las, a Empresa não apenas conseguiu se manter no mercado, mas ampliar sua participação. Entre as novidades oferecidas na rede da Internet, com base em estudos realizados no final da década de 1990, a ECT lançou no final de 2001, o portal e-Post. Oferecendo vários serviços, como a certificação digital (assegurando a confidencialidade, autenticidade e a inviolabilidade nas transações eletrônicas), o pagamento eletrônico (quitação de faturas com código de barra) e a mensageria eletrônica (cartas e telegramas escritos via Internet e entregues em meio físico), novo modelo de shopping virtual (com hospedagem de lojas próprias e de terceiros, permitindo a ampliação no número de quiosques de acesso público à Internet) e o fornecimento de endereço eletrônico permanente aos clientes, esse projeto vem contribuindo para o cumprimento das metas de universalização do acesso à Internet e fortalecer o papel dos Correios como principal via de comunicação entre a população e o governo. O projeto digital mais importante para a modernização da empresa é o Correio Híbrido. Para operacionalização nesse novo campo, os correios firmaram parcerias e consórcios, com o objetivo de fazer a transição de serviços postais para o espaço virtual. Com isso, o Correio Híbrido inaugurou novas aplicações nos serviços da Empresa: Correio Híbrido Telemático, Correio Híbrido Postal e Correio Híbrido Reverso. O Correio Híbrido Telemático é o telegrama com um desing atualizado, cuja impressão processa-se a laser, e substitui o telex. Também conhecido como a carta ou telegrama do futuro, está sendo usada a WEB27 para enviar correspondência, isto é, permite que qualquer usuário da Internet envie mensagens para alguém que não tenha acesso a rede de computadores; a mensagem é recebida pela ECT por meio eletrônico mas a entrega será feita no papel como o telegrama tradicional. Já para quem não tem computador pode enviar as mensagens nas agências para serem enviadas eletronicamente. O Correio Híbrido Postal, é um serviço voltado especialmente para grandes empresas que utilizam os serviços postais em larga escala, no qual os correios poderão processar bilhões de correspondências e efetuar a entrega aos destinatários tanto impressas da maneira tradicional como virtualmente. Correio Híbrido Reverso, por sua vez, é simplesmente a carta eletrônica, podendo ser enviada por e-mail. 27 WEB: Recurso ou serviço oferecido pela Internet. 81 Para acompanhar toda essa operação, via Internet, foram criados dois centros de dados corporativos localizados em Brasília e São Paulo. O Coração desse projeto é a criação de endereço eletrônico permanente, no domínio CorreiosNet, os quais estão associados aos quatrocentos milhões de endereços físicos que hoje fazem parte do Diretório Nacional de Endereços da ECT (ISTO É– DINHEIRO, Ed. Extra, p.18 , 2001). Ao mesmo tempo em que se lança nos negócios virtuais, a ECT cumpre seu papel de empresa-cidadã, contribuindo para democratizar o acesso da população mais carente, aos benefícios da Internet. Desde julho de 2000, algumas agências do correio passaram a oferecer o acesso à rede por meio de quiosques eletrônicos dotados de computadores. Com um cartão que dá direito a utilização do sistema por quinze minutos, as pessoas podem navegar pela Internet, consultar informações de interesse público, enviar e receber e-mails e fazer compras. No final de 2000 existiam quiosques instalados em mais de 120 agências do Rio de Janeiro e São Paulo. Nos primeiros seis meses do projeto, a empresa registrou mais de trezentos mil acessos. No período inicial, a ocupação dos terminais chegou a 81%. Esse projeto busca alcançar os dez milhões de clientes que freqüentam semanalmente as agências de correios no país. Esses quiosques constituem a maior rede pública de acesso à rede mundial de computadores do País (http://www.correios.com.br, 2002). Também já está disponível para os clientes de Shopping virtual, uma solução integrada de comércio para a venda de artigos com a marca dos Correios e de terceiros tanto atacadistas como varejista que quiserem expandir os seus negócios. O site Correio On-line (http://www.correios.com.br, 2002) já conquistou uma posição de destaque no ranking das cem agências postais mais movimentadas do País, embora seja uma agência virtual. Atualmente, o serviço mais requisitado é o Busca CEP, pois é muito útil para quem quer mandar carta e não sabe o CEP, é necessário somente digitar o endereço que o código de endereçamento aparece poucos segundos depois. Outro Produto, que desperta muita atenção é o telegrama virtual, no qual a mensagem segue eletronicamente às agências de Correios, onde é impressa e entregue pelas vias normais. O texto é entregue em 4h nas principais cidades brasileiras. Os Correios pretendem deixar o telegrama cada vez mais parecido com o email, principalmente agora que o produto responde por 10% de todos os telegramas despachados no País. 82 Não é só a ECT que vem inovando nesse sentido, mas os correios da maioria dos países. No final de agosto de 1999, o correio francês (La Poste) e a France Telecom uniram forças para explorar o e-comércio, coletam os pedidos on-line e fazem a entrega física dos produtos. O correio britânico (The Post Office) está favorecendo o ViaCode, sistema de comunicação eletrônica de alta segurança, específico para o segmento business-tobusiness. O novo serviço tem como público-alvo os bancos, empresas de serviços financeiros e órgãos do governo. Para os anos de 2000 e 2001, foi estimado que o mercado de e-comércio do Reino Unido movimentará mais de US$ 640 milhões. O correio alemão (Deutsche Post AG), em parceria com a empresa Platon Media Solutions está oferecendo em caráter experimental, um serviço que promete poupar trabalho a quem precisa encontrar determinados endereços. Empresas que usam a Internet para comercializar produtos, poderão checar automaticamente dados como nomes de rua, caixas postais e códigos de endereçamento em 192 países do mundo. O sistema ainda permite corrigir endereços incompletos ou com erros de grafia. O correio irlandês, juntamente com a empresa Baltimore Technologies está prestando em âmbito nacional um serviço de certificação digital para negócios cibernéticos. A idéia é fornecer provas de identidade para as assinaturas de e-mails, a fim de aumentar a segurança das negociações. Um novo serviço que vem tendo boa receptividade é o e-Sedex28. Elaborado para atender empresas que vendem pela rede mundial de computadores, nasceu depois que foi feita uma pesquisa que constatou que os correios só dominavam uma fatia ínfima de 4% do mercado, trabalhos complicados em lugares distantes e inacessíveis onde a concorrência não tinha interesse em trabalhar. Depois do e-Sedex esse quadro mudou, aumentando muito o número de clientes para a ECT, chegando a ser utilizado em mais de duzentos e cinqüenta sites. A família sedex ganhou mais um produto: o SEDEX 10. Com ele a ECT garante a entrega até 10h do dia seguinte, nas principais cidades do país. Modernizar o atendimento também significa introduzir novidades no ambiente físico das agências. Nesse contexto, os correios lançaram um novo conceito de lojas de 28 e-SEDEX: sistema de entrega de encomenda, cujo pedido foi realizado via Internet. Está disponível para ser aplicada em três modalidades, conforme a urgência da encomenda: Standard, Prioritário e Expres. Mas em todas elas, a entrega da encomenda por ser feita em menos de 24 horas. 83 varejo, que agrega ações de merchandising ao conjunto tradicional de produtos, oferecendo mais facilidades e conveniência aos clientes. Essas agências de merchandising funcionam em negócios já instalados como hipermercados, lojas de departamento, centros comerciais, drogarias, farmácias e papelarias. Com relação as tradicionais agências de Correios, essas estão também sendo beneficiadas nesse processo de modernização que tomou conta dos serviços postais. Saem de cena as agências equipadas com máquinas obsoletas, para darem lugar a máquinas rápidas e modernas, como também a ambientes compactos e funcionais. Prova disso, é que toda a estrutura da rede de atendimento dos Correios, que conta com mais de dez mil agências em todo País, está sendo modernizada. Além de oferecerem maior número de serviços e produtos, estão totalmente informatizadas. Diante do exposto, é notável o quanto a ECT tem procurado se modernizar, utilizando todos os recursos possíveis para acompanhar as tendências da globalização ora em curso. Ela vem expandindo o número de agências chegando a estar presente em todos os municípios brasileiros, tem feito investimentos em tecnologia digital equipando suas agências com computadores, máquinas, veículos e vários outros equipamentos, além de Internet. Por outro lado, a ECT também tem investido em seus empregados, visando uma melhor adaptação dos mesmos às inovações. Para isso, implantou os programas 5S e Qualidade Total, ampliou vários cursos em suas diversas áreas, aperfeiçoando a metodologia já utilizada, no sentido de que eles atuem num novo cenário reestruturado e muito mais moderno. 2.9 Política de Recursos Humanos Adotada Uma instituição como os correios, presente em todo o território nacional, enriquecida por mais de três séculos de história e exposta ao desafio permanente de se atualizar e se antecipar ao futuro tecnológico, uma instituição desse porte só poderia funcionar bem se contar com seu pessoal motivado e se sua estrutura atuar consciente da importância de recolher a mensagem, onde quer que viva o remetente, e garantir a sua entrega, onde quer que esteja o destinatário. Por isso, constantemente a ECT tem trabalhado no aprimoramento profissional e no aumento da qualidade de vida de seus quadros, mediante ações nos campos da educação, saúde, esporte, cultura e lazer. 84 Alinhada a esse princípio, a Empresa tem investido maciçamente em formação profissional, por meio de uma estrutura constituída por quatro Centros de Treinamentos (Recife, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre), 24 Unidades Regionais de Capacitação de Pessoal, além da Escola Superior de Administração Postal-ESAP, localizada em Brasília e reconhecida internacionalmente. Ao todo, essa área de desenvolvimento promoveu em 1996, um total de 2.624 eventos de capacitação, aperfeiçoamento e formação profissional, envolvendo 96.709 participantes e 2,4 milhões de horas de instrução. Na assistência a saúde dos seus empregados, a Empresa proporciona serviços gratuitos, médico-hospitalares e odontológicos, extensivos aos dependentes, prestados através de uma rede de 77 ambulatórios internos, equipados para funcionar como unidades de primeiro atendimento. Uma rede conveniada de hospitais, clínicas e laboratórios que funcionam em regime compartilhado, complementa a prestação de atendimentos especializados. O sistema atende em torno de 260 mil pessoas, entre empregados e dependentes diretos, sendo responsável, em 1996, pela realização de 1,1 milhão de consultas médicas, 1,3 milhão de exames laboratoriais, 31,5 mil internações hospitalares e 369,4 mil atendimentos odontológicos, investimento social que totalizou R$ 75 milhões no período. As grandes unidades dos correios mantêm restaurante em suas instalações e os empregados recebem mensalmente vales-refeição e uma cesta básica. Existem outros benefícios, o vale-transporte, reembolso creche, auxílio para filhos portadores de necessidades especiais, salário-educação, gratificação de férias e de produtividade, e a partir de 2002, participação nos lucros da Empresa. Quanto ao Serviço Social, este vem consolidando sua política de atuação, voltada para o bem-estar pessoal e familiar do empregado. Existem ainda outros programas sociais básicos: Preparação para Aposentadoria, Prevenção do Alcoolismo e Outras Drogas, Prevenção da AIDS e Outras Doenças Sexualmente Transmissíveis e Projeto de Controle da Pressão Arterial. A Empresa reconhece o trabalho e a dedicação de seus empregados ao longo dos anos e os a homenageia com base no tempo de serviço, quinze, vinte e cinco, trinta e cinco e quarenta e cinco anos ininterruptos de serviços prestados aos correios, por ocasião da solenidade alusiva ao aniversário da Empresa, a 20 de março de cada ano, data em que também o Empregado-Padrão Nacional é premiado. 85 Ela ainda desenvolve atividades voltadas para a integração empregado-famíliaempresa por meio de encontros, reuniões, exibição de filmes, dramatizações, exposições e eventos sociais. Neste sentido, foram criados o Coral Canto Postal e o ECT TEATRO, compostos por empregados e dependentes. Com relação ao esporte e lazer, a Empresa criou a Associação Recreativa dos Correios-ARCO, entidade dos próprios empregados, na qual são realizados eventos diversos: Festival da Canção, Garota Correios, Campeonatos de Futebol e Natação, Torneio de Futebol, Dia dos Pais, Dia das Mães, dentre outros, além de parcerias com diversos segmentos, como por exemplo, farmácias, livrarias e academias, propiciando ao associado e/ou dependente descontos na utilização dos serviços e na aquisição dos produtos e prazos para pagamento. Dando lugar ao Gerenciamento de Competências e Resultados-GCR, o Gerenciamento de Desempenho-GD foi totalmente adaptado ao novo sistema gerencial. Trata-se de uma ferramenta constituída por metas claras e negociáveis, por isso flexível, dinâmica, moderna e integrada à vida da Organização. O Gerenciamento de Competências e Resultados não só acompanha o desempenho do empregado, que aliás tornou-se colaborador, como também identifica as potencialidades, traça o perfil, o grau de comprometimento com os objetivos da Empresa e identifica a necessidade de treinamento/aperfeiçoamento e está se transformando e se consolidando como um instrumento fundamental de apoio à gerência em todos os níveis. Além disso, o Gerenciamento de Competências e Resultados serve para aprimorar a política de aumento da produtividade e da qualidade, bem como dar subsídio para a ECT aplicar recompensas, promoções, planos de desenvolvimento e indicações para participação em projetos e designações. No campo das Relações Sindicais, a partir de 1988 os empregados da Empresa passaram a dispor de sindicatos representativos da categoria para a defesa de seus interesses nas relações de trabalho. Nesse mesmo ano, celebrou-se o I Acordo Coletivo de Trabalho entre a ECT e as entidades sindicais. Com o objetivo maior de modernidade administrativa, descentralizando ainda mais as atividades da área e dinamizando a relação capital e trabalho, foi implantada uma nova estrutura na área de Recursos Humanos, o que permitiu ao Departamento de Relações Sindicais, criar Assessorias de Relações Sindicais–ARSINS em todas as Diretorias Regionais, o que vem facilitando o aprimoramento do processo de comunicação com os empregados. Assim, torna-se mais fácil mantê-los atualizados sobre todos os passos das 86 negociações entre os Correios e Sindicatos e de outros fatos que possam afetar suas relações profissionais com as da Empresa. Esta ação demonstra claramente a atenção que é dada pelos correios aos assuntos de natureza sindical, facilitando a solução dos problemas regionais vivenciados junto as Entidades Sindicais e aos empregados. No momento de se aposentar, o empregado colhe os frutos do seu esforço e previdência, resultantes da destinação, ao longo dos anos, de uma parcela mensal do salário à formação do fundo de previdência privada dos empregados dos correios, administrada pelo Instituto de Seguridade dos Correios e Telégrafos-POSTALIS, órgão criado em 1981 para garantir o futuro desses empregados, complementando o valor da aposentadoria pelo INSS, do qual quase 100% dos empregados da ECT são sócios. 2.10 Qualificação dos Empregados - Treinamentos Realizados Atualmente tem sido cada vez mais crescente a discussão sobre os efeitos causados pela informatização. Para alguns, esse avanço tecnológico tem acentuado o afastamento do homem de uma convivência social e real, tornando essa relação homemmáquina motivo de desconfiança por parte de alguns críticos. Outro grupo, que vê na violência urbana o motivo principal para ficar em casa, assegura que a informatização, além de facilitar o processo de aquisição de conhecimentos, aproxima o homem cada vez mais, visto que permite estabelecimento contínuo de comunicação. Enquanto perdura essa controvérsia, acompanha-se simultaneamente, pelos meios de comunicação, as facilidades oferecidas através da rede Internet. Os computadores passam a ser pedras angulares desta revolução informacional à medida que invadem os lares e as organizações em um verdadeiro passe de mágica, esses equipamentos atuam integrando os variados tipos de aplicações, permitindo treinamentos e maiores especificações em conteúdos programáticos. A cada dia, as empresas enfrentam todo tipo de desafios no que refere-se a valorização e desenvolvimento do ser humano, considerando, essencialmente, a rapidez e o avanço com que as novas tecnologias se inserem nos sistemas organizacionais. As dificuldades geradas em função desse contexto passam a exigir uma maior concentração 87 de esforços, de modo a transformar o discurso teórico dos profissionais de recursos humanos em prática emergente e eficaz. Diante dessa mais recente realidade, o executivo brasileiro passa a sentir cada vez mais a necessidade de ampliar seus conhecimentos, atualizar-se, conhecer novas tecnologias e métodos. Assim, acredita poder acompanhar a rapidez e a qualidade que predominam no mundo moderno. A ECT, a par desse desafio, vem capacitando seus empregados a trabalhar com as novas ferramentas disponíveis, através de programas de treinamento e informatização, o que permite o crescimento pessoal e profissional, maior segurança no controle operacional e financeiro da Empresa, agilidade no atendimento ao cliente, enfim, mais qualidade e agilidade nos processos como um todo, pois ela acredita que tecnologia, modernas máquinas e matéria-prima são compradas, mas o ser humano capacita-se, desenvolve-se e educa-se. É ele quem faz diferenciar o competitivo das organizações. E é dentro desse propósito que a ECT tem caminhado, para tanto ela investe 1,5% da sua receita operacional bruta às atividades de treinamento de seus empregados, como também vem realizando avaliação periódica de clima organizacional entre os mesmos, além de pesquisa de campo com seus clientes, buscando, portanto, meios para fazer as correções que se fizerem necessárias. Em 1996, a Empresa contava com 77.620 empregados, em 2000 esse número cresceu para aproximadamente, 82 mil, e hoje conta com mais de 94 mil empregados e outros 21 mil trabalhando em regime de prestação de serviços, totalizando mais de 115 mil pessoas fazendo os correios do Brasil (CORREIOS DO BRASIL, 2002, p.1). Representando mais de 45% do efetivo, a Empresa tem aproximadamente 41.000 carteiros, os quais, com uma média salarial de R$ 400,00 para jornada de trabalho de 8h, são o alvo principal de uma abrangente política de recursos humanos da empresa, que obviamente se estende a toda Corporação. A política de Recursos Humanos começa na importância dada ao empregado e inclui uma série de benefícios indiretos, como de vale alimentação, cesta básica, reembolso de gastos com creche, plano de saúde e incentivos à educação, entre outros. A meta da Empresa é alcançar o índice de 95% dos empregados com o Ensino Médio completo até o final de 2003. Para isso, em 1997 foi implantado o Plano Diretor de Educação Empresarial. De 1997 a 2000, 25% da força de trabalho mudaram de grau de escolaridade, onde 22,7 mil empregados voltaram para escola, sendo que 90% desse total são de nível básico. O estímulo da empresa, calculado em R$ 4,5 milhões mensais, é feito 88 a partir de convênios e a da montagem de salas de aula dentro das dependências dos escritórios regionais. Mas o grande incentivo está naquilo que a Empresa oferece ao empregado que subir de escolaridade além do exigido para seu cargo: aumento de 5% no salário-base. Fora os gastos com os benefícios diretos e indiretos, os correios investem mensalmente 13,5 milhões em treinamento de seus empregados, incluindo o estímulo à educação, o valor sobe para 18 milhões. No ano 1999, foram realizadas, em média 97 horas de treinamento por empregado, com a participação de 637 mil funcionários. Em 2000, esses números aumentaram passando para 101,6 horas de treinamento por empregado, representando um aumento de 4,6%, com 720 mil participações. Uma das modalidades mais incentivadoras durante 2000 foi o Treinamento no Local de TrabalhoTLT, metodologia que ensina os empregados em seu próprio de trabalho, a buscar soluções para problemas específicos de suas unidades operacionais, a sanar dificuldades nas tarefas rotineiras e a executar novos procedimentos com segurança, preparando-os também para novas tarefas a serem implantadas. Outro projeto de destaque foi o Treinamento Baseado em Computador-TBC. Trata-se de cursos de informática realizados à distância, cuja ferramenta utilizada é o próprio computador munido de programas auto-instrutivos. O resultado desse empreendimento representa 17 mil participações em 2000. Além disso, uma das metas do GCR é que cada empregado gestor participe anualmente, de no mínimo 64 horas-aula e o não-gestor de 32 horas-aula. Esses incentivos, programas e cursos de capacitação, preparando os empregados para o uso de novas tecnologias, o aprimoramento dos processos de trabalho e atuação competente frente às exigências do mercado, contribuíram de forma significativa para os resultados de produtividade apresentados. Com isso, a produtividade em 2000 atingiu 106.577 objetos por empregado, 17,7% maior que o registrado em 1999, que foi de 90.545 objetos. Essa produtividade posiciona os correios do Brasil uma situação similar com outras administrações postais mundiais, como a França e a Alemanha (ibid). Na tentativa de alcançar um melhor nível de qualificação de seus empregados, a empresa inaugurou sua primeira Universidade Coorporativa, em um prédio de 25 mil metros quadrados, em Brasília, o que representa um investimento de R$ 24,1 milhões. Apesar do nome, não se trata de um curso superior, mas de uma instituição responsável por gerar conhecimento estratégico. Mesmo localizada em Brasília, essa instituição estará aparelhada para atuar nacionalmente via Internet ou vídeo conferência nos processos de 89 treinamento em parceria com outras instituições de ensino nacionais e internacionais e atenderá a totalidade dos empregados da Empresa, bem como seus clientes, fornecedores, franqueados e outros parceiros. A busca constante da qualidade, produtividade e efetividade trouxeram uma nova imagem para a ECT junto ao público. Mas esse cenário desafiador requer profissionais treinados e motivados e a pessoa certa no lugar certo, além de gerentes capazes de lidar com fatos novos, tomar decisões e agir rapidamente, tornando dessa forma, o empregado, colaborador, e o gerente, gestor, predominando a polivalência. Só dessa forma se constrói empresas que se articulam em torno de relações, pois a empresa que consegue humanizar o ambiente de trabalho, contando com profissionais comprometidas, cresce mais forte. 2.11 Banco Postal O projeto Banco Postal nasceu em 1998, com o objetivo de democratizar o acesso aos serviços financeiros básicos, como a abertura de contas e poupanças, pagamentos e recebimentos de contas e títulos, pedido de cartão e de talão de cheques, remessa de fundos, fornecimento de saldos e extratos, cópias de documentos, depósitos, saques, consultas e transferências e recepção e encaminhamento de pedidos de empréstimos e financiamentos. Inicialmente o Banco Central estabelecera que o Banco Postal só existiria nas cidades onde não existisse banco de qualquer natureza. Todavia, em março de 2000, outra resolução alterou e revogou a anterior, ampliando o campo de atuação para qualquer município do País, medida que pode beneficiar diretamente cerca de quarenta e cinco milhões de pessoas que vivem à margem do sistema bancário tradicional. Trata-se de um banco com as mais baixas tarifas do mercado, sem burocracia e com agências estrategicamente localizadas em todos os municípios do país. As primeiras agências postais já começaram a dividir seu espaço físico com bancos de varejo para prestar serviços financeiros básicos. O Banco Postal é acima de tudo um banco social, pois vai permitir que milhões de trabalhadores de baixa renda passem a ter direito aos benefícios que fazem parte da rede bancária. A meta da ECT é que no final de 2002, três mil unidades de correios funcionem como Banco Postal e em 2003, todas as agências do Brasil. A parceria que era 90 com o Banco do Brasil, em 2001 foi alterada para o Bradesco, maior banco privado nacional, com uma rede de duas mil e oitocentas agências. A previsão é que no Rio Grande do Norte, 2002 se encerre com noventa e oito agências atuando nessa modalidade A fase bem sucedida de testes comprovou que é possível juntar três princípios: estimular o desenvolvimento do Brasil, criar empregos e ampliar os serviços prestados à população (REDE AGÊNCIAS, 2002, p. 4-5). Os modelos de banco postal, públicos e privados adotados em países como o Japão, Holanda (um dos mais eficientes do mundo, no ponto de vista empresarial), França, Alemanha e a Eslováquia resultam em experiências bem-sucedidas, servindo de referência para o Brasil. No mundo, 36 instituições atuam tipicamente como Banco Postal. 2.12 Correios do Brasil S/A Em 1969, quando o correio passou pela maior transformação que foi de DCT para ECT, consolidou sua imagem de instituição mais confiável do País. Trinta anos depois, uma nova reforma confirma a tendência dos correios para a modernidade, visto que em 1999, foi dado outro importante passo na trajetória da ECT, quando o Exmo. Sr. Presidente da República enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 1.491/99, propondo a transformação da Empresa em CORREIOS DO BRASIL S.A.; desde então a ECT se prepara para uma nova revolução. Essa lei é um conjunto de ferramentas legais voltadas para a abertura do mercado a operadores privados, que poderão competir pelos serviços ou explorar novos negócios em parceria com a nova Empresa, o que vai possibilitar profundas alterações no setor, modernizando ainda mais a Empresa, tornando-a mais competitiva, aberta, capaz de concorrer sem a reserva de mercado assegurado pelo monopólio, proporcionando amplo espaço para a entrada da iniciativa privada e da competição, acabando dessa forma com o monopólio em duas etapas num período de dez anos, abordando questões complexas como a definição dos serviços essenciais até a eliminação gradativa dos chamados serviços monopolizados (REDE AGÊNCIAS, 1999, p.1-7). Numa etapa posterior, ela terá a possibilidade de desmembrar-se em várias empresas, com a finalidade de atuar em segmentos específicos. 91 Também estão previstas radicais transformações nos sistemas de gestão e nos estilos gerenciais, predominando um ambiente de altíssima competitividade, o que vais exigir dos Correios do Brasil uma postura agressiva, pautada pela rapidez nas decisões, aumento da produtividade e perseguição constante do melhor preço. O que implica a redução significativa dos custos operacionais e administrativos da empresa, a ser obtida pela racionalização de processos e pela introdução de novas tecnologias. Outra mudança significativa é a separação das atribuições de regulação e operação do sistema, que vai ocorrer com a criação da Agência Nacional de Serviços de Correios, agência essa que será criada nos moldes das existentes no setor de telecomunicações e de energia elétrica e terá a missão de regular e fiscalizar o setor postal. Portanto, não se trata de privatização, pois a União continuará com o controle acionário da Empresa, mas de quebra do monopólio com uma mudança no Estatuto da ECT. Além da melhoria dos serviços que se espera com uma maior competição, a nova empresa, terá outro compromisso: manter a universalização dos serviços postais a toda população, principalmente aquela mais carente ou distante dos centros urbanos. Isso não será construído do zero. Será resultado direto do processo de modernização vivido pelos Correios nos últimos anos. Essas mudanças profundas e marcantes, são necessárias para que os Correios ganhem mais eficiência e agilidade para melhor atender seus usuários. A criação da nova empresa como sociedade anônima é uma das condições para que os Correios possam continuar investindo em qualidade e eficiência num ambiente altamente competitivo. 92 3 OS IMPACTOS CAUSADOS PELAS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS-ECT NA DÉCADA DE 1990 Este trabalho monográfico não estaria completo caso não fossem pesquisadas as opiniões dos empregados e dos clientes da ECT, quanto aos impactos causados pelas transformações ocorridas no sistema produtivo daquela Empresa, na década de 1990. Não tendo como realizar uma pesquisa em escala tal que possibilitasse estabelecer uma comparação do espectro tecnologia em maior grau, a cidade X serviu como parâmetro do estudo. Foram dois segmentos consultados para a efetivação da pesquisa em pauta: empregados de duas agências próprias e setenta clientes29, conforme Quadro 6. QUADRO 6: AGÊNCIAS E CLIENTES ENTREVISTADOS AGÊNCIA Quantidade Empregados Entrevistados Clientes Entrevistados 7 7 50 Entrevistados Clientes Entrevistados A AGÊNCIA Quantidade Empregados B 3 3 20 FONTE: Elaborado pela autora com base no Cadastro de Agências, REOP/RN- 01, 2002, p. 3. Acrescenta-se que da agência A foram entrevistados sete empregados, enquanto da agência B entrevistaram-se três. Com relação aos clientes, foram entrevistados setenta, sendo cinqüenta da agência A e vinte da B, os quais foram escolhidos aleatoriamente. 29 A escolha da amostra deveu-se em parte ao tipo de clientela atingida pelas agências pesquisadas, considerando, segundo estudos da própria Empresa o perfil sócio-econômico e a rotatividade dos clientes, volume e diversificação dos serviços prestados, além dos tipos de produtos vendidos. 93 3.1 Objetivo da Pesquisa O objetivo da pesquisa resume-se em aferir o impacto causado pelas transformações ocorridas no sistema produtivo da ECT na década de 1990, visando manter-se competitiva frente ao mercado concorrencial. 3.2 Tipo da Pesquisa Pesquisa de campo descritiva, de natureza quanti-qualitativa, com caráter técnico e teor científico. 3.3 Metodologia Através de entrevista pessoal, com dados colhidos na fonte, portanto, primários, mediante a aplicação de dois tipos de questionários, compostos de perguntas fechadas e abertas, denominados PESQUISA DE AVALIAÇÃO ORGANIZACIONAL OS IMPACTOS CAUSADOS PELAS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA ECT NA DÉCADA DE 1990, NA ÓTICA DOS SEUS EMPREGADOS e PESQUISA DE AVALIAÇÃO ORGANIZACIONAL - OS IMPACTOS CAUSADOS PELAS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA ECT NA DÉCADA DE 1990, NA ÓTICA DOS SEUS CLIENTES, Anexos 13 e 14, respectivamente. O primeiro modelo, Anexo 13, aplicado aos empregados lotados nas agências A e B, compõe-se inicialmente da coleta de dados característicos de sexo, faixa etária e grau de escolaridade; em seguida, indaga-se o tempo de serviço do entrevistado na ECT; forma de contratação pela Empresa; existência de alguma exigência de experiência na área de trabalho ao ser contratado; se a Empresa modificou-se muito em relação período ao em que foi contratado; conhecimento dos padrões de qualidade da Empresa; contribuição dos avanços tecnológicos ocorridos na ECT na década de 1990, para mantê-la competitiva; quais mudanças no sistema produtivo da ECT mais contribuíram para a racionalização das operações; se os novos serviços e produtos criados pela ECT têm contribuído para atender as necessidades dos clientes; mais exigência da ECT nos últimos 94 anos, tendo em vista as mudanças ocorridas; investimento da ECT na qualificação dos empregados; mais produção com os incentivos proporcionados pela Empresa; se os treinamentos realizados pela ECT, contribuíram para o desenvolvimento pessoal e profissional do entrevistado; se existe algum acompanhamento do trabalho; contribuição da política de recursos humanos adotada pela ECT para uma melhor situação sócioeconômica de seus empregados; existência da uma política de valorização (social) da profissão na ECT; demissão na ECT causada pelos os avanços tecnológicos e por último, se ele fosse desligado dos quadros da ECT, se consideraria apto para competir no mercado de trabalho. Por sua vez, o questionário aplicado aos clientes das agências escolhidas, Anexo 14, nas perguntas iniciais também tenta traçar um resumido perfil dos entrevistados, mediante sexo, faixa etária, grau de escolaridade e categoria do cliente; posteriormente buscam identificar o serviço mais utilizado pelo entrevistado e alguns aspectos que ele considera importante para um melhor atendimento, como também obter opinião acerca das possíveis melhorias no atendimento geradas pelos avanços tecnológicos realizados pela ECT na estrutura física e ambiental das agências e os treinamentos de qualificação desenvolvidos com o quadro de pessoal que trabalha na linha de frente das ACs, além de pretender medir o grau de confiança depositada na Empresa. 3.4 Resultados Os resultados encontram-se na Análise, Interprestação e Tabulação dos Dados Obtidos, os quais demonstram que o impacto causado pelas transformações ocorridas no sistema produtivo da ECT na década de 1990, segundo a opinião dos empregados e clientes das agências pesquisadas, afetou os processos operacionais, organizacionais e estruturais, exigindo uma reestruturação interna, a qual foi marcada pela qualificação da mão-de-obra e investimentos na tecnologia, resultando numa maior produtividade e competitividade. 95 3.5 Análise, Interpretação e Tabulação dos Dados Obtidos Os dados obtidos fazem parte da amostra de duas agências próprias, dentre as dez existentes no município X. Por se tratar de dois tipos de questionários direcionados a dois segmentos distintos, empregados das agências A e B e clientes dessas, a análise, interpretação e tabulação dos resultados foram feitas pelo conjunto dos segmentos iguais, observando porém, a congênere das perguntas, conforme Tabelas de 1 a 35, das quais, 1 a 20 fazem parte da pesquisa realizada com os empregados das agências, enquanto a numeração de 21 a 35, compõe os dados obtidos da pesquisa realizada com os clientes. TABELA 1: DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS DE ACORDO COM O SEXO AGÊNCIAS AGÊNCIA A AGÊNCIA B TOTAL % QUANTIDADE % QUANTIDADE % 3 MASCULINO 42,9 1 33,3 4 40,0 FEMININO 4 52,1 2 66,7 6 60,0 TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. SEXO Na Tabela 1, observa-se a predominância de mulheres no quadro de empregados, onde 60% dos entrevistados são do sexo feminino. Acredita-se que esse resultado é conseqüente das duas agências não realizarem distribuição domiciliária, cuja atividade exige muito esforço e resistência física, sendo assim exercida praticamente só por homens. TABELA 2: DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA FAIXA ETÁRIA ATÉ 21 ANOS ENTRE 22 E 30 ANOS ENTRE 31 A 40 ANOS ENTRE 41 E 50 ANOS TOTAL AGÊNCIAS AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % 1 1 5 7 14,3 14,3 71,4 100,0 3 3 100,0 100,0 TOTAL % 1 1 8 10 10,0 10,0 80,0 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 2 demonstra que a faixa etária de maior representatividade de empregados, é entre 41 a 50 anos, equivalendo a 80%, e que 10% deles tem idade compreendida entre 31 a 40 anos, enquanto o mesmo percentual apresenta uma faixa etária entre 22 e 30 anos. Segundo estes dados, os mesmos não são tão jovens, pois 90% dos entrevistados têm idade superior a 30 anos. Porém, ressalta-se que quando foram 96 contratados pela Empresa ainda eram muito jovens, pois 100,0% dos entrevistados possuem tempo de serviço superior a 10 anos, conforme se observa na Tabela 4. TABELA 3: DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS, OBSERVANDO O GRAU DE ESCOLARIDADE GRAU DE ESCOLARIDADE 1° GRAU COMPLETO 1° GRAU INCOMPLETO 2° GRAU COMPLETO 2° GRAU INCOMPLETO 3° GRAU COMPLETO 3° GRAU INCOMPLETO TOTAL AGÊNCIAS AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % 6 TOTAL 85,7 1 14,3 1 2 7 100,0 3 % 33,3 66,7 6 1 3 60,0 10,0 30,0 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 3 apresenta que apenas 10% não têm o 2° grau completo, enquanto 60% concluíram o ensino médio e 30% concluíram o ensino superior. Pode-se considerar que o nível de escolaridade dos empregados das agências pesquisadas não é baixo. Isso se justifica pela própria política de recursos humanos da ECT enfatizada anteriormente, uma vez que tem exigido que todos os seus funcionários concluam, no mínimo, o ensino médio. TABELA 4: DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS DE ACORDO COM O TEMPO DE SERVIÇO NA ECT TEMPO DE SERVIÇO NA ECT ATÉ 10 ANOS ENTRE 11 E 20 ANOS ENTRE 21 E 30 ANOS ACIMA DE 30 ANOS TOTAL AGÊNCIAS AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % 2 2 3 7 28,6 28,6 42,8 100,0 3 3 3 100,0 TOTAL % 2 2 6 10 20,0 20,0 60,0 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 4 demonstra que 20%, estão trabalhando na Empresa entre 11 e 20 anos, o mesmo percentual trabalha na ECT entre 21 e 30 anos, enquanto a maioria, 60% dos entrevistados, trabalha nos Correios há mais de 30 anos, resultando na conclusão de que os empregados das agências entrevistadas não são tão novos na Empresa, tendo em vista 80% deles encontrarem-se inseridos entre 21 e 30 e acima de 30 anos de serviço nos Correios. Outro fator importante é que, os empregados entrevistados, tendo em sua maioria, no mínimo 21 anos de Empresa, na década escolhida (1990) para este estudo, pertenciam ao quadro funcional da ECT e isso contribui para confirmar o resultado das pesquisas, já que acompanharam e vivenciaram as transformações ocorridas. 97 TABELA 5: DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS DE ACORDO COM O MÉTODO DE CONTRATAÇÃO UTILIZADO PELA ECT MÉTODO DE CONTRATAÇÃO UTILIZADO AGÊNCIAS AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % CONCURSO PÚBLICO TESTE SELETIVOINTERNO INDICAÇÃO OUTROS MEIOS TOTAL 4 2 1 7 57,1 28,6 14,3 100,0 3 100,0 3 100,0 TOTAL % 7 2 1 10 70,0 20,0 10,0 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Conforme Tabela 5, 70% dos entrevistados foram contratados através de Teste Seletivo Interno, 20% contrataram-se por meio de Indicação e 10% por Outros Meios. É importante lembrar que todos os empregados que compõem a amostra, trabalham na ECT há mais de dez anos, portanto, quando foram contratados, não existia Concurso Público. TABELA 6: GRAU DE EXIGÊNCIA DE EXPERIÊNCIA PARA CONTRATAÇÃO PELA ECT AGÊNCIAS TOTAL % AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 1 33,3 1 10,0 NÃO 7 100,0 2 66,7 9 90,0 TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. EXIGÊNCIA ADOTADA A Tabela 6 demonstra que para serem contratados, 90% não receberam exigência de experiência na área de trabalho, enquanto 10% receberam. Ressalta-se que apesar da ECT não ter exigido experiência na área, o candidato submetia-se a um teste seletivo interno, exames médicos e ambulatoriais, testes psicológicos e entrevista pessoal e apresentava uma carta de recomendação. TABELA 7: MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NA ECT COM RELAÇÃO AO TEMPO EM QUE OS ENTREVISTADOS FORAM CONTRATADOS A ECT AGÊNCIAS TOTAL % PASSOU POR AGÊNCIA A AGÊNCIA B MODIFICAÇÕES QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 7 100,0 3 100,0 10 100,0 NÃO TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Na Tabela 7, observa-se que 100% dos empregados entrevistados concordam que a ECT passou por modificações em relação ao período em que foram contratados. Indagados sobre essas mudanças e em que sentido elas ocorreram, responderam: Para 10%, foi a informatização das agências; 98 Para 20%, foi a informatização de todas as áreas da Empresa; Para 40%, foram a informatização de todas as áreas da Empresa e a capacitação profissional e pessoal; Para 10%, foram a exigência de maior qualificação e a evolução tecnológica; Para 10%, foi a mudança ocorrida na parte operacional; 10% não especificaram. Os resultados demonstram que os empregados perceberam as modificações ocorridas na ECT, com relação à época em que foram contratados e 80% dão ênfase aos avanços tecnológicos implementados. TABELA 8: CONHECIMENTO DOS PADRÕES DE QUALIDADE DA ECT CONHECIMENTO DOS PADRÕES AGÊNCIA DE QUALIDADE A DA ECT QUANTIDADE SIM 6 NÃO 1 TOTAL 7 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. AGÊNCIAS AGÊNCIA % TOTAL B % QUANTIDADE % 85,7 3 100,0 9 90,0 14,3 1 10,0 100,0 3 100,0 10 100,0 A Tabela 8 demonstra que 90% dos entrevistados afirmam que conhecem os padrões de qualidade da ECT, ocorrendo o contrário com 10% deles. Indagados se poderiam falar dos padrões de qualidade da Empresa, obteve-se o seguinte resultado: Para 40%, os padrões de qualidade são criados para acompanhar o mercado; Para 20%, são rapidez, segurança e regularidade; 40% não especificaram. Acrescenta-se que a Empresa publica periodicamente diversos Boletins de circulação interna, nos quais constam diversas informações de interesse dos empregados, tais como: mudança de serviço, novos serviços e/ou produtos, metas a serem atingidas e resultados alcançados, índices de qualidade obtidos, política de recursos humanos, movimentação de empregados, operacionalização de serviços, dentre outros, o que demonstra preocupação da ECT em manter seus empregados informados. 99 TABELA 9: AVANÇOS TECNOLÓGICOS OCORRIDOS NA ECT NA DÉCADA DE 1990 PARA MANTÊ-LA COMPETITIVA MUDANÇAS AGÊNCIAS OCORRIDAS PARA AGÊNCIA A AGÊNCIA B TOTAL % MANTER A ECT COMPETITIVA QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 7 100,0 3 100,0 10 100,0 NÃO TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Conforme demonstra a Tabela 9, 100% dos entrevistados afirmam que os avanços tecnológicos ocorridos na ECT na década de 1990, contribuíram para mantê-la competitiva. TABELA 10: MUDANÇAS OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA ECT QUE MAIS CONTRIBUÍRAM PARA RACIONALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES MUDANÇAS QUE CONTRIBUÍRAM PARA RACIONALIZAR OPERAÇÕES Informatização Venda de produtos de outras empresas e informatização Informatização, aumento da frota de veículos e contratação de novos empregados Informatização e exigência de mais qualificação dos empregados AGÊNCIAS AGÊNCIA AGÊNCIA A B QUANTIDADE 4 1 1 % 57,1 14,3 14,3 1 14,3 7 100,0 TOTAL FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. QUANTIDADE % 3 100,0 3 T O T A L % 7 1 1 70,0 10,0 10,0 1 10,0 100,0 10 100,0 A Tabela 10 demonstra que 70% dos entrevistados afirmam que das mudanças ocorridas na ECT, a que mais contribuiu para a racionalização das operações foi a informatização adotada; 10% atribuem à venda de produtos de outras empresas e informatização, 10% acreditam que foi a informatização, o aumento da frota de veículos e contratação de novos empregados e para 10% foram à informatização e a exigência de mais qualificação dos empregados. Esses resultados confirmam que os empregados reconhecem que a Empresa passou por um processo de mudança e identificam como a mais importante, a informatização, visto que todos eles citaram-na. 100 TABELA 11: CONTRIBUIÇÃO DOS NOVOS SERVIÇOS E PRODUTOS DA ECT PARA ATENDER AS NECESSIDADES DOS CLIENTES NOVOS SERVIÇOS AGÊNCIAS E PRODUTOS AGÊNCIA AGÊNCIA TOTAL % ATENDEM AS A B NECESSIDADES QUANTIDADE % QUANTIDADE % DOS CLIENTES SIM 6 85,7 3 100,0 9 90,0 NÃO 1 14,3 1 10,0 TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 11 demonstra que na opinião de 90% dos entrevistados, os novos serviços e produtos criados pela ECT têm contribuído para atender as necessidades dos clientes, enquanto 10% discordam. Indagados sobre o motivo dessas afirmações, obteve-se as seguintes respostas: Para 80%, a ECT sempre buscou atender as necessidades dos clientes; Para 10%, existe falta de criatividade na elaboração dos produtos; Para 10%, falta envelope grande para postagem de carta. Ressalta-se que a maioria dos entrevistados, o que representa 80%, percebeu que a Empresa tem procurado atender a necessidade dos clientes. TABELA 12: AUMENTO DA EXIGÊNCIA DA ECT, NOS ÚLTIMOS ANOS, EM FUNÇÃO DAS MUDANÇAS OCORRIDAS AUMENTO DAS AGÊNCIAS TOTAL EXIGÊNCIAS DA ECT AGÊNCIA A AGÊNCIA B % % NOS ÚLTIMOS ANOS QUANTIDADE % QUANTIDADE 100,0 100,0 10 111100,0 SIM 7 3 NÃO 100,0 100,0 10 TOTAL 7 3 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 12 demonstra que 100% dos entrevistados afirmam que a Empresa passou a exigir mais de seus funcionários. Indagados sobre o motivo da necessidade de aumentar essas exigências, obteve-se o seguinte resultado: Para 70%, essas exigências estão voltadas para uma maior escolaridade e conhecimento de informática e isso é para acompanhar as exigências do mercado; Para 10%, essas exigências visam o aumento da receita da Empresa; Para 20%, foi porque a ECT investiu nos empregados e quer retorno disso. 101 Com base nos dados apresentados, a maioria dos empregados da ECT reconhece que a Empresa investiu neles e diante disso, aumentou o grau de exigência. TABELA 13: INVESTIMENTO DA ECT NA QUALIFICAÇÃO DOS EMPREGADOS INVESTIMENTO AGÊNCIAS NA AGÊNCIA AGÊNCIA TOTAL QUALIFICAÇÃO A B % DOS EMPREGADOS QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 7 100,0 3 100,0 10 100,0 NÃO TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Segundo a Tabela 13, 100% dos entrevistados afirmam que a ECT tem investido na qualificação dos empregados. Como foi mencionado anteriormente, a ECT investiu muito na qualificação dos empregados, nos últimos anos, principalmente na realização de treinamentos, visando à capacitação dos seus recursos humanos. Indagados sobre o motivo pelo qual a ECT investiu na qualificação dos seus empregados, o resultado foi o seguinte: Para 50%, o maior investimento foi em treinamento; Para 40%, a Empresa percebeu que é necessário investir na qualificação de seus empregados para acompanhar a competitividade; Para 10%, os investimentos na qualificação dos empregados visam um melhor atendimento as necessidades dos clientes. Os resultados apresentados demonstram que os empregados da ECT estão sintonizados com as mudanças ocorridas e que elas são importantes para a continuidade da Empresa. TABELA 14: INCENTIVOS DA ECT RESULTANDO EM MAIOR PRODUÇÃO AGÊNCIAS TOTAL % COM INCENTIVOS AGÊNCIA A AGÊNCIA B SE PRODUZ MAIS QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 7 100,0 3 100,0 10 100,0 NÃO TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 14 demonstra que 100% dos empregados concordam que os incentivos oferecidos pela ECT fazem com que se produza mais. 102 TABELA 15: CONTRIBUIÇÃO DOS TREINAMENTOS REALIZADOS PARA O DESENVOLVIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL DOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO AGÊNCIAS DOS AGÊNCIA A AGÊNCIA B TOTAL % TREINAMENTOS QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 7 100,0 3 100,0 10 100,0 NÃO TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 15 demonstra que 100% dos empregado afirmam que os treinamentos realizados pela ECT, contribuem para o desenvolvimento pessoal e profissional. Esse resultado ratifica o reconhecimento dos empregados, quanto aos investimentos realizados pela Empresa na capacitação de seus recursos humanos. TABELA 16: ACOMPANHAMENTO DO TRABALHO DESENVOLVIDO PELOS EMPREGADOS ACOMPANHAMENTO DO TRABALHO DESENVOLVIDO SIM NÃO AGÊNCIAS TOTAL AGÊNCIA A AGÊNCIA B % QUANTIDADE % QUANTIDADE % 7 100,0 3 100,0 10 100,0 TOTAL 7 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. 100,0 3 100,0 10 100,0 A Tabela 16 demonstra que 100% afirmam que existe acompanhamento do trabalho desenvolvido pelos empregados da ECT. Esse acompanhamento é constante e ocorre mediante o Gerenciamento de Competências e Resultados-GCR, conforme foi comentado anteriormente. Ele consiste num Plano de Trabalho elaborado pela chefia imediata do empregado, contendo metas a serem atingidas. Diariamente são feitas anotações, dependendo do desempenho apresentado, e no final do semestre faz-se o fechamento do período avaliativo. Trata-se de uma ferramenta aberta, negociável e ajustável, na qual registra-se também o perfil do empregado, a necessidade de aperfeiçoamento e as dificuldades encontradas. TABELA 17: CONTRIBUIÇÃO DA POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS-RH PARA MELHOR SITUAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA DOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO AGÊNCIAS TOTAL POLÍTICA AGÊNCIA A AGÊNCIA B % DE RH QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 6 85,7 3 100,0 9 90,0 10,0 NÃO 1 14,3 1 TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. 103 Conforme demonstra a Tabela 17, para 90% dos entrevistados, a política de recursos humanos adotada pela ECT, contribui para uma melhor situação sócio-econômica de seus empregados, enquanto 10% são contrários a essa afirmação. Indagados o motivo dessa contribuição proporcionada pela política de RH, obteve-se o seguinte resultado: Para 10% dos entrevistados, a ECT beneficia a minoria; Para 80%, dos entrevistados, a ECT oferece muitos benefícios importantes; 10% não responderam. TABELA 18: VALORIZAÇÃO (SOCIAL) DA PROFISSÃO NA ECT AGÊNCIAS TOTAL % VALORIZAÇÃO AGÊNCIA A AGÊNCIA B (SOCIAL) QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 6 85,7 3 100,0 9 90,0 NÃO 1 14,3 1 10,0 TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 18 demonstra que 90% dos entrevistados afirmam que na Empresa existe uma política de valorização (social) da profissão. 10% não concordam com essa afirmação. Indagados sobre o tipo de valorização adotado pela ECT, os resultados foram: Para 70%, a Empresa reconhece o trabalho desenvolvido; Para 10%, existe maior investimento nas áreas ligadas diretamente aos lucros; 20% não responderam. Sobre esse aspecto, a ECT anualmente faz premiação do Empregado-padrão Regional (por estado), na categoria Carteiro, Atendente Comercial, Operador de Tráfego Telegráfico, Motorista e Operador de Carga e Transbordo, em seguida é escolhido o Empregado-padrão Nacional por cargo e numa etapa seguinte o Empregado-padrão da ECT, além de premiar os empregados que completam quinze, vinte e cinco, trinta e cinco e quarenta e cinco anos ininterruptos de serviços prestados aos Correios. 104 TABELA 19: DEMISSÃO CAUSADA NA ECT PELOS AVANÇOS TECNOLÓGICOS DEMISSÃO AGÊNCIAS CAUSADA PELOS % AGÊNCIA AGÊNCIA TOTAL AVANÇOS A B TECNOLÓGICOS QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 1 14,3 1 10,0 NÃO 6 85,7 3 100,0 9 90,0 TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 19 demonstra que 90% dos entrevistados afirmam que os avanços tecnológicos ocorridos na ECT não vêm causando demissão. Essa afirmação faz parte das Considerações Finais da presente Monografia, na qual menciona-se que esse resultado é conseqüente das estratégias adotadas no sentido de abertura do sistema postal, realizando parcerias, diversificando sua atuação no mercado (Banco de Serviços, Banco Postal, Correio Híbrido, etc.) e criando uma gama de novos serviços e produtos. TABELA 20: CAPACITAÇÃO DO EMPREGADO DA ECT PARA COMPETIR NO MECADO DE TRABALHO AGÊNCIAS TOTAL % CAPACITAÇÃO AGÊNCIA A AGÊNCIA B PARA COMPETIR QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 6 85,7 3 100,0 9 90,0 NÃO 1 14,3 1 10,0 TOTAL 7 100,0 3 100,0 10 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Conforme Tabela 20, 90% dos empregados da ECT, se desligados dos quadros da Empresa, se consideram com capacidade para competir no mercado de trabalho, enquanto 10% discordam, o que confirmam o investimento dos Correios na qualificação da mão-de-obra. Esses dados demonstram que a ECT investiu na qualificação de seus empregados, e que os mesmos se consideram preparados para competir no mercado de trabalho, caso sejam demitidos pelos Correios. Com relação aos resultados das pesquisas realizadas com os clientes, as Tabelas 21 a 35 105 TABELA 21: DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES DE ACORDO COM O SEXO AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS SEXO AGÊNCIA A AGÊNCIA B TOTAL % QUANTIDADE % QUANTIDADE % MASCULINO 30 60,0 8 40,0 38 54,3 FEMININO 20 40,0 12 60,0 32 45,7 TOTAL 50 100,0 20 100,0 70 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 21 demonstra que 54;3% dos clientes entrevistados são do sexo masculino, enquanto 45,7 compõem-se de mulheres, o que configura um certo equilíbrio nos resultados dos clientes das duas agências. TABELA 22: DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA FAIXA ETÁRIA ATÉ 21 ANOS ENTRE 22 E 30 ANOS ENTRE 31 A 40 ANOS ENTRE 41 E 50 ANOS ACIMA DE 50 ANOS TOTAL AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS TOTAL AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % 8 12 15 12 3 50 16,0 24,0 30,0 24,0 6,0 100,0 4 6 8 2 20,0 30,0 40,0 10,0 20 100,0 12 18 23 14 3 70 % 17,1 25,7 32,9 20,0 4,3 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Conforme Tabela 22, a faixa etária que representa maior incidência dos clientes entrevistados é de 31 a 40 anos, com 32,9%, enquanto 25,7% compõem-se de clientes entre 22 e 30 anos, 20% têm entre 41 e 50 anos, 17,1% até 21 anos e 4,3% estão na faixa etária acima de 50 anos. Esses dados confirmam que os clientes, cujos percentuais apresentam maiores índices, estão na idade madura, na qual existe maior probabilidade de se encontrarem inseridos no mercado de trabalho e que na década escolhida para o presente estudo, mais de 60% tinham idade superior a 20 anos. TABELA 23: DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES DE ACORDO COM O GRAU DE ESCOLARIDADE GRAU DE ESCOLARIDADE 1° GRAU COMPLETO 1° GRAU INCOMPLETO 2° GRAU COMPLETO 2° GRAU INCOMPLETO 3° GRAU COMPLETO 3° GRAU INCOMPLETO TOTAL AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS TOTAL AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % % 5 10,0 2 10,0 7 10,0 25 6 10 4 50 50,0 12,0 20,0 8,0 100,0 10 2 4 2 20 50,0 10,0 20,0 10,0 100,0 35 8 14 6 70 50,0 11,4 20,0 8,6 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. 106 A Tabela 23 demonstra que 50% concluíram o 2° grau, 20% têm o ensino superior, 11,4 não concluíram o ensino médio, 10% têm o 1° grau completo e 8,6% não concluíram o 3° grau. Diante desses dados, observa-se que o grau de escolaridade dos clientes é bastante satisfatório, considerando-se, principalmente que 50% concluíram o 2° grau, 20% o curso superior e 8,6 não concluíram o 3° grau, totalizando 78,6% dos entrevistados. TABELA 24: DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES POR CATEGORIA AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS CATEGORIA DO AGÊNCIA A AGÊNCIA B TOTAL % CLIENTE QUANTIDADE % QUANTIDADE % PESSOA FÍSICA 20 40,0 15 75,0 35 50,0 PESSOA JURÍDICA 30 60,0 5 25,0 35 50,0 TOTAL 50 100,0 20 100,0 70 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 24 demonstra que existe uma paridade na categoria dos clientes entrevistados, na qual 50% são pessoas físicas e jurídicas, respectivamente. Todavia, observa-se que a agência A apresenta maior percentual de clientes na categoria pessoa jurídica, com 60% dos entrevistados, enquanto na agência B ocorre o contrário, na qual 75% dos clientes são pessoas físicas30. TABELA 25: DISTRIBUIÇÃO DOS CLIENTES DE ACORDO COM OS SERVIÇOS MAIS UTILIZADOS SERVIÇOS MAIS UTILIZADOS CARTA SEDEX IMPRESSO ENCOMENDA NORMAL TELEGRAMA OUTROS NÃO ESPECIFICARAM TOTAL AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % 18 27 36,0 54,0 15 3 75,0 15,0 5 50 10,0 100,0 2 20 10,0 100,0 TOTAL % 33 30 47,0 43,0 7 10,0 70 1 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 25 demonstra que 47% dos clientes vão às agências para enviar carta, 43% para utilizar o serviço SEDEX, enquanto 10,% não especificaram. 30 Embora a análise e interprestação dos dados sejam realizadas com os resultados obtidos das duas agências pesquisadas como uma única amostra, fez-se comentário também de forma individualizada das respostas obtidas e apresentadas na Tabela 24, considerando-se a significativa diferença entre os resultados obtidos, o que confirma a diferença de perfil e categoria dos clientes das unidades pesquisadas. 107 Esses resultados também apresentam uma certa paridade na procura desses dois serviços pelos clientes, analisando-se o resultado da média das agências como uma única amostra. Entretanto, se analisados por agência, constata-se que na agência A não existe grande diferença nos serviços utilizados, o que não ocorre na agência B, pois 75% utilizam mais o serviço de carta, enquanto 15%, utilizam Sedex. TABELA 26: AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS AGILIZARAM O ATENDIMENTO INOVAÇÕES AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS TECNOLÓGICAS AGÊNCIA AGÊNCIA TOTAL AGILIZANDO A B % QUANTIDADE % QUANTIDADE % ATENDIMENTO SIM 48 96,0 20 100,0 68 97,0 NÃO 2 4,0 2 3,0 TOTAL 50 100,0 20 100,0 70 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 26 demonstra que 97% afirmam que as inovações tecnológicas ocorridas na ECT agilizaram o atendimento, enquanto 3,0% discordam, o que confirmam o aumento da qualidade com os avanços tecnológicos implementados pela Empresa. TABELA 27: AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS PROPORCIONARAM MAIS COMIDIDADE INOVAÇÕES AGÊNCIAS DOS CLIENTES TECNOLÓGICAS ENTREVISTADOS PROPORCIONARAM AGÊNCIA AGÊNCIA TOTAL MAIS A B % COMODIDADE QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 50 100,0 20 100,0 70 100,0 NÃO TOTAL 50 100,0 20 100,0 70 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Conforme Tabela 27, para 100% dos entrevistados, as inovações tecnológicas ocorridas na ECT proporcionaram mais comodidade. Esse resultado demonstra que as inovações tecnológicas proporcionaram benefícios aos clientes. TABELA 28: AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NA ECT CONSOLIDAM A CREDIBILIDADE DA EMPRESA CONSOLIDAÇÃO AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS DA AGÊNCIA AGÊNCIA CREDIBILIDADE A B DA ECT QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 49 98,0 20 100,0 NÃO 1 2,0 TOTAL 50 100,0 20 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. TOTAL % 69 1 70 98,5 1,5 100,0 108 Conforme dados da Tabela 28, na opinião de 98,5% dos clientes entrevistados, as transformações no sistema produtivo da ECT, principalmente as inovações tecnológicas, consolidam a credibilidade da Empresa, enquanto 1,5% não concordam. Constata-se dessa forma, que as transformações ocorridas no sistema produtivo dos Correios, consolidam o elevado grau de credibilidade da Organização, perante os clientes. TABELA 29: CONHECIMENTO DAS TAREFAS QUE EXECUTAM, POR PARTE DOS ATENDENTES DA ECT CONHECIMENTO AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS DAS AGÊNCIA A AGÊNCIA B TOTAL % TAREFAS QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 50 100,0 20 100,0 70 100,0 NÃO TOTAL 50 100,0 20 100,0 70 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Os dados apresentados na Tabela 29, demonstram que 100% dos entrevistados afirmam que os atendentes das agências da ECT, demonstram conhecimento das tarefas que executam. Esse resultado é reflexo do alto investimento da ECT na qualificação dos seus empregados, sejam mediante a realização de treinamento e/ou incentivo aos estudos. TABELA 30: OS SERVIÇOS E PRODUTOS DA ECT ATENDEM AS NECESSIDADES DOS CLIENTES OS PRODUTOS E AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS SERVIÇOS AGÊNCIA AGÊNCIA TOTAL ATENDEM A B % NECESSIDADES QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 49 98,0 20 100,0 69 98,5 NÃO 1 2,0 1 1,5 TOTAL 50 100,0 20 100,0 70 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 30 demonstra que 98,5% dos entrevistados afirmam que os serviços e produtos criados pela ECT têm contribuído para atender suas necessidades, enquanto 1,5% discordam, o que significa que a Empresa tem procurado atender os anseios do público usuário. 109 TABELA 31: AVALIAÇÃO DA ECT EM TERMOS DE EFICIÊNCIA GRAUS AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS TOTAL DE EFICIÊNCIA AGÊNCIA A AGÊNCIA B % DA ECT QUANTIDADE % QUANTIDADE % NADA EFICIENTE POUCO EFICIENTE EFICIENTE 2 4,0 1 5,0 3 4,3 MUITO EFICIENTE 48 96,0 19 95,0 67 95,7 TOTAL 50 100,0 20 100,0 70 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. A Tabela 31 demonstra que 95,¨% dos clientes consideram a ECT muito eficiente, enquanto 4,3 discordam. Indagados do motivo que a torna eficiente, tem-se o seguinte resultado: Para 82,9%, ela é eficiente devido a credibilidade que oferece; Para 14,3%, ela é eficiente por ter procurado acompanhar o ritmo das mudanças; 2,8% não responderam. Esses resultados indicam que os clientes consideram a ECT uma Empresa eficiente. TABELA 32: MELHORIA NOS SERVIÇOS DOS CORREIOS NA DÉCADA DE 1990 MELHORIA NOS SERVIÇOS MELHORARAM POUCO MELHORARAM MUITO PERMANECERAM IGUAIS PIORARAM POUCO PIORARAM MUITO AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % TOTAL % 50 100,0 20 100,0 70 100,0 50 TOTAL FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. 100,0 20 100,0 70 100,0 A Tabela 32 demonstra que para 100% dos entrevistados, na década de 1990, os serviços dos correios melhoraram muito. Isso confirma a preocupação da ECT em aperfeiçoar sempre mais seus métodos, serviços e produtos, na busca de atender as necessidades dos clientes. 110 TABELA 33: CONFIANÇA NOS CORREIOS, DE MANEIRA GERAL, POR PARTE DOS CLIENTES CONFIANÇA AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS NA AGÊNCIA A AGÊNCIA B ECT QUANTIDADE % QUANTIDADE % SIM 49 98,0 20 100,0 NÃO 1 2,0 TOTAL 50 100,0 20 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. TOTAL % 69 1 70 98,5 1,5 100,0 A Tabela 33 demonstra que 98,5% dos entrevistados, de maneira geral, confiam na ECT, enquanto 1,5% não confiam, confirmando dessa forma, a confiança que os clientes têm na Empresa. Tais resultados confirmam os dados apresentados na Tabela 28, na qual os clientes foram indagados da credibilidade dos Correios. TABELA 34: ASPECTOS IMPORTANTES NO ATENDIMENTO DE UMA AGÊNCIA DE CORREIO AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS AGÊNCIA A AGÊNCIA B QUANTIDADE % QUANTIDADE % ASPECTOS IMPORTANTES Atendente conhecer o serviço Rapidez no atendimento Atendimento com qualidade Tratamento dado ao cliente/atenção/cortesia Clareza no fornecimento de informações pelos atendentes Apresentação dos atendentes Tempo de espera na fila Disponibilidade dos serviços e produtos Localização/acesso à agência Apresentação/organização da AC Ambiente físico da agência/conforto interno Sinais e placas de sinalização dentro da unidade Funcionamento das máquinas e outros equipamentos TOTAL TOTAL % 1 1 1 1 50 50 50 50 1 1 1 1 20 20 20 20 70 70 70 70 100,0 100,0 100,0 100,0 1 50 1 20 70 100,0 1 1 1 50 50 50 1 1 1 20 20 20 70 70 70 100,0 100,0 100,0 1 1 1 50 50 50 1 1 1 20 20 20 70 70 70 100,0 100,0 100,0 1 50 1 20 70 100,0 1 50 1 20 70 100,0 100,0 70 100,0 100,0 FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Conforme Tabela 34, 100% dos entrevistados consideram como itens importantes numa Agência de Correio, o atendente conhecer os serviços da ECT, atender com rapidez e qualidade, oferecer ao cliente um tratamento com atenção/cortesia, fornecer informações com clareza e a apresentação pessoal. O mesmo percentual também tem a mesma opinião quanto ao tempo de espera na fila, a disponibilidade dos serviços e produtos, 111 a apresentação, a organização, o ambiente físico/conforto interno e a localização da agência, bem como o funcionamento das máquinas, os sinais e placas de sinalização dentro da unidade e o acesso à mesma. Esses resultados demonstram que o cliente é exigente com a qualidade do atendimento oferecido pelas agências da ECT, pois considera aspectos importantes desde a localização da unidade ao conhecimento dos serviços por parte do atendente. Acrescenta-se ainda, com base nas pesquisas bibliográficas realizadas, que nos últimos anos, principalmente na década de 1990, a Empresa, investiu não só na qualificação da mão-de-obra, mas também nas instalações tanto de atendimento, como de tratamento (Centros Operacionais) e administrativas, tornando-as mais confortáveis, o que, por sua vez, contribuiu para a difusão positiva de sua imagem perante a sociedade, como um todo. TABELA 35: O QUE A ECT PODE FAZER PARA TORNAR-SE MAIS COMPETITIVA AGÊNCIAS DOS CLIENTES ENTREVISTADOS AGÊNCIA AGÊNCIA A B QUANTIDADE % QUANTIDADE OPINIÕES DOS CLIENTES Aumentar a rede de atendimento Aprimorar os serviços existentes Aumentar a quantidade de empregados Não responderam TOTAL FONTE: Pesquisa de Campo, 2002. Segundo a % % T O T A L 4 2 3 5,7 2,9 4,3 4 2 1 8,0 4,0 2,0 2 10,0 43 50 86,0 100,0 18 20 90,0 100,0 61 87,1 70 100,0 Tabela 35, 5,7% afirmam que para a ECT tornar-se mais competitiva, é necessário aumentar a rede de atendimento, para 2,9% é preciso aprimorar os serviços existentes e 4,3% acrescentam a necessidade de aumentar a quantidade de empregados. 87,1% não responderam. Esses dados demonstram que a Empresa vem cumprindo sua missão que consiste em “INTERCONECTAR PESSOAS E ORGANIZAÇÕES NO BRASIL E NO MUNDO, GARANTINDO O ATENDIMENTO DE SUAS NECESSIDADES DE SERVIÇOS DE CORREIOS” e que as transformações ocorridas no sistema produtivo da ECT na década de 1990 exigiram uma mão-de-obra mais qualificada, e que ela adequou-se a essas novas exigências, investindo na qualificação de seus empregados e em novas tecnologias, contribuindo assim, para maior produtividade e competitividade. 112 CONSIDERAÇÕES FINAIS No Brasil, desde meados da década de 1980, o processo de reestruturação produtiva vem alimentando novas práticas de gestão voltadas cada vez mais para a busca da integração, flexibilidade e competitividade. Assim, diante das novas estruturas desencadeadas na economia brasileira, com a introdução de inovações e difusões tecnológicas, este trabalho procurou descrever o processo de organização da produção mediante a reestruturação produtiva, as conseqüências dessa reestruturação, e como tema-base “AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SISTEMA PRODUTIVO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS NA DÉCADA DE 1990”, os quais foram estudados com profundidade, tanto pelo aspecto da pesquisa bibliográfica, que enfatizou teoricamente a problemática das inovações tecnológicas sofridas pelo sistema produtivo do país e da ECT, quanto pela realização de quatro pesquisas de campo efetivadas em duas agências de correios com dez empregados e setenta clientes, nas quais procurou-se aferir os impactos causados pelos avanços tecnológicos realizados na Empresa na década de 1990. De acordo com o estudo realizado, observou-se que a reestruturação produtiva e a globalização em nosso país vieram em resposta à necessidade de ajustamento frente aos padrões internacionais de produtividade e de qualidade, elemento básico de competitividade nos dias atuais. Trazendo questionamento a inadequação dos princípios tayloristas e fordistas às novas condições do mercado, elas difundem novos conceitos como de automação, flexibilidade, produção enxuta, polivalência, qualidade total, descentralização produtiva e valorização do trabalhador qualificado. Todavia, esse novo cenário é marcado por um forte conservadorismo empresarial e pela ausência de políticas indutoras da competitividade social, o que tem agravado a concentração de renda, a precarização e a informalização do mercado de trabalho. Na década de 1980, por exemplo, apesar da taxa anual de geração de emprego ter sido de 3,5%, superando a taxa anual de crescimento do PIB (1,5%), houve uma queda de 14% do salário médio real e de 50% do salário mínimo real, ou seja, foram gerados empregos de menor qualidade e com baixos salários. Ainda assim, o total de empregos gerados no país está aquém das necessidades, visto que a cada ano, 1,5 milhão de jovens aumentam o contingente da força de trabalho. 113 Tais fatos vêm multiplicando a subproletarização, presente na ampliação do trabalho parcial, precarizado, temporário, inseguro, precário, subcontratado, terceirizado, sem remuneração definida e vinculado à economia informal. Neste caso, a diminuição dos salários pode ser atribuída ao enfraquecimento do movimento sindical, onde uma parte expressiva da força de trabalho ficou sem voz ativa. É importante ressaltar que o fenômeno da precarização do trabalho não é mais uma característica das sociedades do chamado “terceiro mundo”. A deteriorização das condições de trabalho toma forma e se expande também nos países desenvolvidos de economia pós-industrial, principalmente em conseqüência da deslocalização das empresas que migraram para outros países e em razão da redução do salário real, que obrigou os indivíduos acumular vários empregos, a fim de manter o padrão de vida anterior. Diante desses fatos, é realidade incontestável o crescimento dos serviços e da busca pelo trabalho autônomo e de consultoria, isto é, maior espaço no setor terciário da economia, bem como a redução do emprego industrial. O maior desafio para a educação é acompanhar essas mutações no mundo do trabalho e na sociedade do conhecimento ou da informação. Para mudar esse quadro, não basta somente melhorar a distribuição pessoal da renda, é preciso que o Estado intervenha na economia e busque resultados inalcançáveis pelos automatismos do mercado, promova ao mesmo tempo a substituição de importações e o aumento das exportações, o que diminuirá a dependência brasileira com relação aos capitais externos especulativos, que sejam adotadas políticas econômicas sólidas e reformas estruturais para permitir o funcionamento adequado dos mercados que são essenciais para enfrentar os desafios a nível nacional e internacional, que a educação seja reavaliada e que os treinamentos aumentem a capacidade de adequação do mercado de trabalho às condições econômicas, além de preparar a população e ajustá-las a todas as alterações estruturais, enfim, que o governo não seja cúmplice, refém, subserviente ou feitor do capital financeiro internacional e da economia neoliberal, mas que se volte para as necessidades fundamentais do país, visto que o Brasil é hoje a décima economia industrial do mundo, possui condições para uma política de comércio exterior vigorosa e moderna, criadora de riquezas e de oportunidades para negócios, para o trabalho qualificado e a dignidade dos brasileiros. No que se refere as transformações ocorridas no sistema produtivo da ECT na década de 1990, com base nas pesquisas bibliográficas realizadas e a opinião dos empregados e clientes entrevistados, conclui-se que a Empresa vem evoluindo rapidamente 114 com a adoção de práticas de gestão e investimentos em todos os segmentos, no sentido de garantir a qualidade dos produtos e dos serviços prestados nas áreas operacionais e de atendimento, e que para isso, passou por um importante processo de modernização, destacando-se a informatização das agências, aquisição de novos equipamentos e a intensificação dos treinamentos com os seus empregados, cujos investimentos efetuados têm como alvo principal à automação de todos os setores e a capacitação dos recursos humanos, Para esse último objetivo, a empresa criou sua própria escola – A Universidade Corporativa, além da implantação de métodos como o programa 5S, a gestão de Qualidade Total e implementação de outros projetos, como por exemplo o de incentivo ao grau de escolaridade, o que tem permitido melhorar o nível de qualificação da mão-de-obra empregada e aumentar sua produtividade, como um todo. Sabe-se que empresas bem sucedidas que atuam no mercado mundial de negócios, como a XEROX, IBM, 3-M ou McDonald’s, dentre outras, não foram construídas somente com muita ação e muito trabalho. O trabalho precisa estar apoiado em posicionamentos conceituais, valores e estratégias. Observou-se ainda, que apesar da Empresa ser regida pela CLT, é regulamentada por uma série de normas internas, Regulamento de Pessoal, Estatutos, Decretos, Convenções, Documentos Básicos, dentre outros, o que denota excesso dessa regulamentação, além da falta de autonomia das agências, uma vez que todas decisões são tomadas pela Direção Geral, gerando, em algumas situações, atraso nos processos. Conforme o exposto anteriormente, pode-se dizer que os correios compreenderam as vantagens da exploração de novas tecnologias para aprimorar a qualidade dos serviços e ampliar a linha de produtos oferecidos, podendo responder à evolução das necessidades da clientela e obter maior eficácia e rapidez. E adaptada à evolução das condições do mercado e à concorrência acirrada dos novos prestadores de serviços postais tradicionais e de serviços de comunicação, tais como o correio eletrônico, a transmissão de mensagens por telefone portátil e Internet, a ECT está pronta para competir com os outros correios do mundo e que as inovações tecnológicas, organizacionais e estruturais ocorridas em seu sistema produtivo na década de 1990, impactaram diretamente no nível de qualificação da mão-de-obra empregada, o que resultou em maior produtividade e competitividade e que ao contrário de outras empresas, os avanços tecnológicos não causaram desemprego, tendo em vista as estratégias adotadas no sentido de abertura do sistema, realizando parcerias e criando uma gama de novos 115 serviços e produtos, o que confirma um efeito compensador de demanda , haja vista que o aumento de produtividade em um setor, produz de uma forma ou de outra, por meio de menores preços, aumentos reais de renda, e que aumentos de gastos resultarão em nova demanda de trabalho, naquele setor ou em outras atividades, compensando os postos perdidos pelo aumento inicial de produtividade. Nesse contexto, é notório que as principais oportunidades dos correios estão no crescimento do comércio eletrônico, na imagem positiva da Empresa e na importância da certificação digital, pois o futuro dos negócios postais depende cada vez mais da sua habilidade em utilizar a tecnologia da informação para desenvolver novos produtos e serviços. Hoje a ECT é, de uma forma geral, a organização que reúne as melhores condições para integrar os fluxos financeiros, de informação e de logística, que caracterizam o comércio eletrônico. Finalmente, essas ponderações não esgotam o assunto, dada sua amplitude e complexidade; apenas resumem reflexões sobre os temas estudados. Espera-se, pois, que no futuro próximo, a dicotomia da reestruturação no sistema produtivo seja contornada e que os avanços tecnológicos, acompanhem com qualidade e produtividade o mundo do trabalho, mas possibilitando o surgimento de outros setores promissores da economia com novos nichos de emprego, conquistando novas fatias do mercado. 116 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho: ensaios sobre a metamorfose e a centralidade do mundo do trabalho. São Paulo: Cortez, 1995. ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1989. AZEVEDO, José Sérgio Gabrielli. Programas de qualidade: alguns impactos sobre o trabalho em pequenas e micro-empresas da Bahia. In. Reestruturação produtiva e mercado de trabalho no Brasil. São Paulo: Hucitec Ltda, 1997, p. 189-214. BALANÇO Social: exercício de 1996. In. A presença social dos correios. Brasília: Art Print , p. 4-5-11-12-42-43-45-46, mar. 2001. BEM-VINDO. Cenários da ECT. 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Sociedade e Espaço-Geografia Geral e do Brasil. São Paulo: Ática, 1996, 35ª ed, p.114-115. ___________. A Revolução Técnico-científica: As novas indústrias ou terciário moderno. In. Sociedade e Espaço-Geografia Geral e do Brasil. São Paulo: Ática, 1996, 35ª ed, p.142-148. ___________. Brasil: país industrializado do III Mundo. O Brasil nos anos 90. In. Sociedade e Espaço-Geografia Geral e do Brasil. p.190-191. São Paulo: Ática, 1996, 35ª ed, 124 ANEXOS 125 ANEXO 1 EVOLUÇÃO DA CARTA Antigamente, em torno de 3.000 a.C., as cartas eram cunhadas em pedra. Depois em plaquetas de argila... rolos de papiro... Com o surgimento da imprensa, o papel passou a ser utilizado. e com o advento da tecnologia, a INTERNET. 126 ANEXO 2 EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE DA CARGA POSTAL No início da colonização brasileira, os objetos postais eram transportados e entregues por escravos, viajantes e tropeiros. Diligência Postal utilizada para transportar a carga postal e passageiros em torno de 1850. Pastilhão da América, construído em 1797 para servir de correio entre o Brasil/ Portugal e Salvador/Lisboa. Furgão Postal utilizado noutilizada transporte Diligência postal da carga postal no perímetro entre as províncias dourbano RJ e das maiores cidades brasileiras. MG, a partir de meados do século XIX. ANEXO 2 127 ANEXO 3 EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE DA CARGA POSTAL EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE DA CARGA POSTAL Nos dias atuais Frota de automóvel, moto e bicicleta renovada. Um dos aviões que compõe a Rede Postal Noturna-RPN. Veículos que transportam a carga postal nos recantos mais longínquos. Barca da Rede Postal Fluvial da Amazônia, ligando o Pará ao Amazonas. 128 ANEXO 4 EVOLUÇÃO DE ALGUNS CARGOS DOS EMPREGADOS DOS CORREIOS TROPEIRO 4 ESTAFETA CARREGADOR SÉCULO XIV XIV 1817 CARTEIRO ESTAFETA CARTEIRO 1849 1888 1888 INSPETOR MENSAGEIRO CARTEIRO 1888 DÉCADA DE 1920 DÉCADA DE 1930 DE MALA-1817 129 ANEXO 5 APARELHO MORSE E PRIMEIRO SELO POSTAL LANÇADO NO MUNDO Aparelho Morse, inventado em 1832 pelo norte-americano Samuel Morse. PENNY BLACK Primeiro selo postal criado no mundo (em 1840, na Inglaterra), tinha o valor de l Penny (moeda inglesa) e representava a efígie da Rainha Vitória. 130 ANEXO 6 PRIMEIRO SELO POSTAL LANÇADO NO BRASIL, O SEGUNDO NO MUNDO OLHO DE BOI Primeiro selo postal lançado pelo Brasil, segundo país do mundo a criar o selo postal, o qual foi lançado em 1° de agosto de 1843 e tinha o valor de 30, 60 e 90 réis. 131 ANEXO 7 EVOLUÇÃO DA CAIXA DE COLETA Em 1845, no Rio de Janeiro, foi instalada a primeira Caixa de Coleta do Império. Em 1890 foi instalada a primeira Caixa de Coleta do início da República. Anos depois, foi criada a Caixa de Coleta que prevalece nos dias atuais. ANEXO 2 132 ANEXO 8 EVOLUÇÃO DA CAIXA POSTAL Em 1877 foi instalada a primeira Caixa Postal do Império. Anos depois, foi instalada a primeira Caixa Postal da República. Posteriormente foi instalada a Caixa Postal utilizada atualmente. 133 ANEXO 9 SÍMBOLO DA UNIÃO POSTAL UNIVERSAL-UPU União Postal Universal-UPU, criada em 1874 (sede em Berna, Suíça). Em 1877, o Brasil tornou-se membro e assim permanece até os dias atuais. ANEXO 4 134 ANEXO 10 AS REVOLUÇÕES DOS CORREIOS I REVOLUÇÃO Em 1931, o então Presidente Getúlio Vargas, baixou decreto fundindo a Direção-Geral dos Correios com a Repartição Geral dos Telégrafos, originando o DEPARTAMENTO DE CORREIOS E TELÉGRAFOSDCT. II REVOLUÇÃO ANEXO 7 Através da Lei Nº 509, em 20 de março de 1969, o DCT foi transformado em EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS-ECT, como empresa pública vinculada ao Ministério das Comunicações. III REVOLUÇÃO Década de 1990. 135 ANEXO 11 MUDANÇAS OCORRIDAS NA ECT GRANDES MUDANÇAS NO SETOR POSTAL E TELEGRÁFICO. AUTOMAÇÃO, MECANIZAÇÃO, INFORMATIZAÇÃO, QUALIFICAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA, ENTRE OUTRAS. ANEXO 5 ANEXO 12 136 ANEXO 12 CORREIOS BRASILEIROS - 339 ANOS ECT - 33 ANOS 339 ANOS ECT 33 ANOS 137 ANEXO 13 PESQUISA CIENTÍFICA QUESTIONÁRIO APLICADO AOS EMPREGADOS DA ECT Prezado(a) Senhor(a) Este questionário faz parte de uma pesquisa para elaboração de um trabalho monográfico, exigido como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Economia. 2. Nesse sentido, vimos solicitar sua colaboração, respondendo ao questionário abaixo, pelo que agradecemos antecipadamente. IDENTIFICAÇÃO PESSOAL DO EMPREGDO 1. Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino 2. Idade: ( ) Até 21 anos ( ) Entre 22 e 30 anos ( ) Entre 31 e 40 anos ( ) Entre 41 e 50 anos ( ) Acima de 50 anos 3. Grau de Escolaridade: ( ) 1° grau completo ( ) 1º grau incompleto ( ) 2° grau completo ( ) 2° grau incompleto ( ) 3° grau completo ( ) 3° grau incompleto 138 DADOS FUNCIONAIS DO EMPREGADO 4. Tempo de serviço na ECT : ( ) Até 10 anos ( ) Entre 11 e 20 anos ( ) Entre 21 e 30 anos ( ) Acima de 30 anos 5. Para ser contratado(a) pela ECT, o(a) senhor(a) participou de: ( ) Concurso Público ( ) Teste Seletivo Interno ( ) Indicação ( ) Outros 6. Quando o(a) senhor (a) foi contratado(a) pela ECT, houve alguma exigência de experiência na área de trabalho? ( ) Sim ( ) Não 7. Na sua opinião, a empresa se modificou muito em relação ao período em que foi contratado(a)? ( ) Sim ( ) Não ( ) Em que sentido?.................................................................................................................. 8. O senhor (a) conhece os padrões de qualidade da ECT? ( ) Sim ( ) Não ( ) O que o Sr.(a) poderia falar sobre eles?.............................................................................. .................................................................................................................................................. 9. Na sua opinião, os avanços tecnológicos ocorridos na ECT na década de 1990, contribuíram para mantê-la competitiva? ( ) Sim ( ) Não 139 10. Na sua opinião, quais as mudanças no sistema produtivo da ECT que mais contribuíram para a racionalização das operações? .................................................................................................................................................. .................................................................................................................................................. .................................................................................................................................................. ............................................................................................................................... .................................................................................................................................................. .................................................................................................................................................. 11. Na sua opinião, os novos serviços e produtos criados pela ECT têm contribuído para atender as necessidades dos clientes? ( ) Sim ( ) Não Por quê?.................................................................................................................................... .................................................................................................................................................. 12. Na sua opinião, com as mudanças introduzidas na ECT nos últimos anos, a Empresa passou a exigir mais de seus funcionários? ( ) Sim ( ) Não Por quê?.................................................................................................................................... .................................................................................................................................................. 13. Na sua opinião, a ECT tem investido na qualificação dos empregados? ( ) Sim ( ) Não Por quê?.................................................................................................................................... .................................................................................................................................................. 14. Na sua opinião, os incentivos proporcionados pela empresa fazem com que realmente se produza mais ? ( ) Sim ( ) Não 140 15. Na sua opinião, os treinamentos realizados pela ECT, contribuíram para seu desenvolvimento pessoal e profissional? ( ) Sim ( ) Não 16. Existe algum acompanhamento do seu trabalho? ( ) Sim ( ) Não 17. Na sua opinião, a política de recursos humanos adotada ECT contribui para uma melhor situação sócio-econômica de seus empregados? ( ) Sim ( ) Não Por quê?.................................................................................................................................... .................................................................................................................................................. 18. Na sua opinião, existe uma contrapartida da Empresa, no sentido de valorização (social) da profissão na ECT? ( ) Sim ( ) Não Qual? ................................................................................................................................................. .................................................................................................................................................. 19. Na sua opinião, os avanços tecnológicos vêm causando demissão na ECT? ( ) Sim ( ) Não 20. Na sua opinião, se ocorrer um desligamento do(a) senhor (a) dos quadros da ECT, acha que estaria pronto(a) para competir no mercado de trabalho? ( ) Sim ( ) Não 141 ANEXO 14 PESQUISA CIENTÍFICA QUESTIONÁRIO APLICADO AOS CLIENTES Prezado(a) Senhor(a) Este questionário faz parte de uma pesquisa para elaboração de um trabalho monográfico, exigido como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Economia. 2. Nestes sentido, vimos solicitar sua colaboração, respondendo ao questionário abaixo, pelo que agradecemos antecipadamente. 1. Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino 2. Faixa etária: ( ) Até 21 anos ( ) Entre 22 e 30 anos ( ) Entre 31 e 40 anos ( ) Entre 41 e 50 anos ( ) Acima de 50 anos 3. Grau de Escolaridade: ( ) 1° grau completo ( ) 1º grau incompleto ( ) 2° grau completo ( ) 2° grau incompleto ( ) 3° grau completo ( ) 3° grau incompleto 142 4. Categoria do entrevistado: ( ) Pessoa física ( ) Pessoa jurídica 5. Qual dos serviços abaixo, o sr. (a) mais utiliza? (marque somente uma opção) ( ) Carta ( ) Sedex ( ) Impressos ( ) Encomenda Normal ( ) Telegrama ( ) Outros. Especificar: ........................................................................................................... 6. Na sua opinião, as inovações tecnológicas ocorridas na ECT agilizaram o atendimento? ( ) Sim ( ) Não 7. Na sua opinião, as inovações tecnológicas ocorridas na ECT proporcionaram mais comodidade? ( ) Sim ( ) Não 8. Na sua opinião, as transformações no sistema produtivo da ECT, principalmente as inovações tecnológicas, consolidam a credibilidade da Empresa? ( ) Sim ( ) Não 9. Na sua opinião, os atendentes demonstram conhecimento das tarefas que executam? ( ) Sim ( ) Não 10. Na sua opinião, os serviços e produtos criados pela ECT têm contribuído para atender suas necessidades? ( ) Sim ( ) Não 143 Por quê?.................................................................................................................................... .................................................................................................................................................. 11. Como o Sr.(a) avalia a ECT em termos de eficiência? ( ) Nada eficiente ( ) Pouco eficiente ( ) Eficiente ( ) Muito eficiente ( ) Não sei Por quê?.................................................................................................................................... .................................................................................................................................................. 12. Na sua opinião, na década de 1990, os serviços dos correios: ( ) Melhoraram pouco ( ) Melhoraram muito ( ) Permaneceram iguais a década anterior ( ) Pioraram pouco ( ) Pioraram muito 13. De maneira geral, o(a) Sr.(a) confia nos correios? ( ) Sim ( ) Não 14. Abaixo, relação de diferentes aspectos do atendimento de uma agência de correio. Selecione e ordene de 1 a 3, onde 1 é o mais importante, o 2 mais ou menos importante e o 3 menos importante: ( ) Conhecimento do serviço ( ) Rapidez no atendimento ( ) Atendimento com qualidade ( ) Tratamento dado ao cliente/Atenção/Cortesia ( ) Clareza no fornecimento de informações pelos atendentes ( ) Apresentação dos atendentes ( ) Tempo de espera na fila ( ) Disponibilidade dos serviços e produtos 144 ( ) Localização/Acesso à agência ( ) Apresentação/Organização da agência ( ) Ambiente físico da agência/Conforto interno ( ) Sinais e placas de sinalização dentro da unidade ( ) Funcionamento das máquinas e outros equipamentos 15. Na sua opinião, o que a ECT pode fazer para tornar-se mais competitiva? .................................................................................................................................................. ..................................................................................................................................................