FACULDADE LOURENÇO FILHO
BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS
FRANCISCO FÁBIO SILVA
IDENTIFICAÇÃO DOS EFEITOS DA CRISE FINANCEIRA
2008-2009 NO BALANÇO PATRIMONIAL DE EMPRESAS
BRASILEIRAS ATRAVÉS DA ANÁLISE DAS
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
FORTALEZA – 2010
FRANCISCO FÁBIO SILVA
IDENTIFICAÇÃO DOS EFEITOS DA CRISE FINANCEIRA 2008-2009 NO
BALANÇO PATRIMONIAL DE EMPRESAS BRASILEIRAS ATRAVÉS DA ANÁLISE
DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Monografia apresentada ao curso de
Bacharelado em Ciências Contábeis como
requisito parcial necessário à obtenção do
grau de Bacharel em Ciências Contábeis
da Faculdade Lourenço Filho.
Orientação: Professor Ms. Luciano Guerra
DEZEMBRO - 2010
FRANCISCO FÁBIO SILVA
IDENTIFICAÇÃO DOS EFEITOS DA CRISE FINANCEIRA 2008-2009 NO
BALANÇO PATRIMONIAL DE EMPRESAS BRASILEIRAS ATRAVÉS DA ANÁLISE
DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Monografia Apresentada ao curso de Bacharelado em Ciências Contábeis da
Faculdade Lourenço Filho, como parte dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Bacharel em Ciências Contábeis.
Aprovada em: _____/____/_____
Conceito: __________
Composição da Banca Examinadora:
_______________________________________
Prof. Ms. Luciano Guerra
(Orientador)
_______________________________________
Prof. Ms Cristiano Melo Reinaldo
_______________________________________
Prof.ª Ms Suelene Silva Oliveira
_______________________________________
Prof. Ms Vagner Viana Dantas
Coordenador do Curso
A Deus e a minha família: minha mãe
Lucimar, minha esposa Leidiane aos
meus queridos filhos Eduardo e Gustavo
e as minhas irmãs Flávia, Flaviana e
Lucélia.
AGRADECIMENTOS
A Deus, Nosso Pai e Criador, que está sempre guiando meus passos e me levando
para o melhor caminho;
À minha família, pela compreensão nos momentos de ausência;
A todos os amigos e colegas de turma, pelos momentos de carinho e parceria.
“O degrau da escada não foi inventado
para repousar, mas apenas para
sustentar o pé o tempo necessário para
que o homem coloque o outro pé um
pouco mais alto”.
Aldous Huxley
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo identificar os efeitos da crise financeira 2008-2009
no balanço patrimonial de empresas brasileiras através da análise das
Demonstrações Contábeis. Ele está dividido em três capítulos: no primeiro busca-se
entender as causas e a evolução da crise que deixou todos os países em alerta. No
segundo apresentam-se as técnicas de análise das Demonstrações Contábeis que
se utilizam nas empresas. Nesse momento enfatiza-se como funciona a análise
horizontal, vertical e os índices econômico-financeiros. Na aplicação prática do
trabalho procedeu-se uma pesquisa em 3 (três) grandes empresas brasileiras, a
saber; Grupo Pão de Açúcar, Natura Cosmético e Editora Saraiva. As
Demonstrações contábeis utilizadas foram Balanço Patrimonial e Demonstração do
Resultado do Exercício. A pesquisa revela que, durante a crise, empresas com
maior dependência de capital de terceiro tendem a reduzir seu endividamento, ao
mesmo tempo, a crise incentivou as empresas a reduzirem custos e a controlar
gastos.
Palavras-chave: Situação
Técnicas de Análise.
Econômico-financeira.
Demonstrações
Contábeis.
ABSTRACT
This work aims to identify the effects of the 2008-2009 financial crisis in the balance
sheet of Brazilian companies through the analysis of financial statements. It is
divided into three chapters the first seeks to understand the causes and evolution of
the crisis that has left all countries on alert. The second presents the technical
analysis of financial statements that are used in businesses. At this point it is
emphasized how the horizontal analysis, vertical and economic-financial indices. In
practical application the work proceeded with a search in 3 (three) large Brazilian
companies, namely, Grupo Pão de Açúcar, Natura Cosmeticos and Editora Saraiva.
The financial statements were used Balance Sheet and Statement of Income. The
research reveals that during the crisis, firms with greater dependence on capital from
third tend to reduce their indebtedness, at the same time, the crisis has encouraged
companies to reduce costs and control spending.
Keywords:
techniques
Economic
and
financial
situation. Financial
statements. Analysis
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1: Cronologia das crises (desde 1929)
12
QUADRO 2: Evolução da crise
14
QUADRO 3: Entenda como a crise financeira global afeta o Brasil
16
QUADRO 4: Processo contábil/análise
18
QUADRO 5: Etapas do processo de análise
19
QUADRO 6: Tipos relatórios provenientes da análise
19
QUADRO 7: Índices de estrutura de capital
22
QUADRO 8: Índices de liquidez
24
QUADRO 9: Liquidez seca x liquidez corrente
26
QUADRO 10: Índices de rentabilidade
27
QUADRO 11: Quadro clínico das empresas
37
LISTA DE TABELAS
TABELA 1: Balanço patrimonial
29
TABELA 2: Resultado do exercício
30
TABELA 3: Índices
30
TABELA 4: Balanço patrimonial
31
TABELA 5: Resultado do exercício
32
TABELA 6: Índices
33
TABELA 7: Balanço patrimonial
34
TABELA 8: Resultado do exercício
35
TABELA 9: Índices
35
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
12
1 A CRISE 2008-2009 DOS (EUA)
14
1.1 O impactos da crise no Brasil
15
1.2 A importância da análise das demonstrações contábeis
17
2 TÉCNICAS DE ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
20
2.1 A análise horizontal
20
2.2 A análise vertical
20
2.3 A análise através de índices
21
2.3.1 Índices de Estrutura de Capital
21
2.3.2 Índices de Liquidez
23
2.3.3 Índices de Rentabilidade
26
3 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
29
CONSIDERAÇÕES FINAIS
39
REFERÊNCIAS
40
INTRODUÇÃO
Crise
é
um
momento
de
transição
para
uma recessão ou depressão
econômica, uma crise financeira afeta diretamente as operações bancária. É um
período em que o andamento normal de um processo econômico sofre de uma
avaria provisória. (SANDRONI, 1999)
As crises estouram de tempos em tempos, o quadro abaixo mostra as
principais crises econômico-financeiras desde 1929 até 2009.
QUADRO 2: Cronologia das crises (desde 1929)
2008: Crise financeira de 2008-2009
2001-2002: Crise econômica da Argentina: quebra do sistema bancário
1998: Crise financeira russa: desvalorização do rublo e inadimplência da Rússia.
1997-1998: Crise financeira asiática: desvalorizações e crise bancária em vários países da Ásia.
1994-1995: Crise econômica do México 1994: ataque especulativo e inadimplência do México.
Fonte: Adaptado Exame.com (2010) Acessado em 30/09/10
Em momentos como esses, as organizações precisam estar preparadas, a fim
de evitar maiores consequências e minimizar danos. As empresas devem tomar
decisões e, nesse momento, a informação é fundamental, seja informação interna ou
externa.
As informações extraídas dos relatórios contábeis, especialmente as
necessárias à formação da análise econômico-financeira, são de suma importância
para a tomada de decisão.
A crise financeira nos Estados Unidos refletiu em todos os países, inclusive
no Brasil, em face dessa crise e seus efeitos sobre a economia mundial cabe um
questionamento “quais foram os impactos da crise financeira mundial de 2008-2009
nas grandes empresas do Brasil”.
Num mundo de constantes mudanças, onde o avanço da tecnologia tem se
expandido de forma acelerada, é preciso que as organizações estejam cada vez
mais atentas ao analisar a evolução do mercado para identificar ameaças e
- 13 -
oportunidades, diagnosticar sua situação econômico-financeira, definir seus
objetivos estratégicos, assim como, analisar sistematicamente os resultados obtidos
para conseguir uma posição competitiva, vantajosa e sustentável, para serem
rentáveis e sobreviverem em meio à crise ou até mesmo a concorrência desleal. As
organizações precisam ser geridas com eficácia, de modo que os objetivos
propostos sejam alcançados.
Partindo dessas considerações, o trabalho em questão tem como objetivo
geral identificar os efeitos econômicos financeiro da crise bancária de 2008-2009
nas empresas brasileiras. Como objetivos específicos, destacam-se:
Levantar as causas e evolução da crise.
Entender as técnicas de análise de balanços e sua utilidade.
Analisar as Demonstrações Contábeis.
Na aplicação do procedimento metodológico para a elaboração do estudo em
questão, dentre as tipologias utilizou-se a pesquisa bibliográfica e explicativa.
Primeiramente, uma pesquisa sobre a crise econômica mundial de 2008-2009 e
seus efeitos sobre o Brasil, bem como as técnicas de análise mais utilizadas
atualmente para diagnosticar a situação econômico-financeira de uma empresa, em
seguida o levantamento de dados através de informações publicadas na internet de
grandes empresas Brasileiras e finalizando com uma análise desses Balanços
Patrimoniais (BP), Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE) e dos
indicadores financeiros.
- 14 -
1 A CRISE 2008-2009 DOS (EUA)
Em um mundo globalizado não existem fronteiras e as organizações precisam
estar atentas para as mudanças que ocorrem no mundo. Dentre as crises
financeiras que afetaram a economia mundial, destaca-se a crise imobiliária dos
Estados Unidos em 2008-2009, que deixou os países em alerta.
Segundo Telles (2008, on-line)
A crise financeira mundial, que mexeu com os mercados de ações, de
crédito e de câmbio em 2008 que começou com uma onda de calotes no
mercado imobiliário dos Estados Unidos e os seus efeitos foram sentidos no
comércio, nos empregos e no cotidiano de todo o mundo. O momento
financeiro entrou no que muitos economistas chamam de “crise patrimonial”.
Como qualquer empresa, bancos e instituições financeiras têm obrigações a
pagar (são os chamados passivos) e direitos a receber (os ativos). Uma
firma “bem das pernas” sempre tem mais ativos do que passivos. Quando o
valor dos ativos cai abaixo do valor das obrigações, o capital se torna
negativo e isto significa que a empresa está falida. Não adianta continuar
funcionando porque as receitas que vai receber não cobrem as despesas.
Foi isso que aconteceu com os bancos e financeiras norte-americanas que
compraram papéis lastreados em hipotecas. Muitos ficaram expostos. Os
que tinham mais papéis não resistiram. As autoridades norte-americanas
agiram e obrigaram instituições menos afetadas a comprarem as que
estavam em maiores dificuldades para evitar o pior.
O quadro a seguir apresenta, em linhas gerais, as principais causas que
estimularam a eclodir a maior crise internacional dos últimos tempos.
QUADRO 2: Evolução da crise
Em março de 2001, a economia americana havia entrado em recessão, na esteira do
estouro da bolha das empresas "pontocom". O Federal Reserve (Fed, o BC americano)
iniciou uma sequência de cortes de juros que levou a taxa a 1% ao ano em junho de 2003
e na qual permaneceu até junho de 2004. Com juros baixos, a economia recebeu o
impulso que precisava para sair da recessão. Um ano de juros baixos foi o suficiente para
estimular o mercado imobiliário americano, além de elevar o consumo e a circulação de
crédito de modo geral. Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado.
Com juros baixos, as companhias hipotecárias passaram a explorar o segmento de
clientes "subprime" que contém um risco maior que o de clientes com classificação melhor
de crédito, mas compensado por taxas de retorno mais altas.
Os papéis de dívidas hipotecárias atraíram gestores de fundos e bancos. Essas
instituições compraram esses títulos hipotecários "subprime" e permitiram que uma nova
quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo de o primeiro empréstimo ser pago.
Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, comprou o
título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerou uma cadeia de venda de títulos.
Em 2006, o mercado imobiliário já dava sinais de saturação, com preços e estoques altos
de casas, ao lado de uma taxa de juros que vinha subindo desde junho de 2004,
chegando a 5,25%. Com os juros mais altos, as correções nos contratos de hipotecas
dificultaram os pagamentos de prestações, e a consequência foi o aumento da
inadimplência.
- 15 -
Com isso, as instituições financeiras, que compraram os títulos hipotecários "subprime" e
os revenderam sob a forma de derivativos, também começaram a ter problemas. Se a
ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não
recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a
ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de
liquidez (retração de crédito).
Em 2007, o setor financeiro sofreu o primeiro golpe, quando o aumento da inadimplência
nas hipotecas "subprime" aumentou o risco embutido nos derivativos lastreados nesses
papéis de dívida. O banco francês BNP Paribas Investment Partners divisão do banco
francês BNP Paribas congelou, em agosto daquele ano, resgates em três fundos,
alegando dificuldades de avaliar os valores dos investimentos ligados a essas hipotecas
de risco.
Com esse primeiro sinal de problemas, a reação foi à mesma de todas as crises que
envolvem o mercado financeiro: pânico. Primeiro foram algumas gigantes do setor
hipotecário, como a American Home Mortgage (AHM): uma das 10 maiores empresa do
setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, a empresa teve de pedir concordata. A
Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of
America.
Das empresas hipotecárias, a crise passou para os bancos. O marco inicial da onda de
pânico que conduziu a esses resultados foi a quebra do Lehman Brothers. Desde então,
alguns dos principais grupos financeiros não só dos EUA, mas do mundo todo, que já
vinham sentindo os abalos da crise, entraram em um ritmo acelerado de perdas.
A crise provocada pelo problema que começou no mercado imobiliário e que se infiltrou no
sistema financeiro acabou por se espalhar para todos os setores da economia. O mercado
de trabalho também sofre uma contração, nos EUA e além, causada pela crise de crédito
originada nos problemas do mercado imobiliário. A taxa de desemprego nos EUA fechou
2008 em 7,2%, pior nível desde 1993. O número de desempregados no país no ano
passado chegou a 2,6 milhões, maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Fonte: Adaptado Folha online (2010) Acessado em 30/09/10
1.1 Os impactos da crise no Brasil
Segundo Silva e Resende (2008, p. 72) “a economia brasileira está sendo
menos afetada se comparada a outras economias; entretanto, é uma oportunidade
única para o País repensar a discussão sobre políticas alternativas para proteger a
economia”.
Enfatizando, os autores sugerem cautela e destacam:
Não raro encontramos na imprensa a avaliação de que a economia
brasileira estava preparada para enfrentar a crise do sistema financeiro
mundial. Porém, a natureza da inserção externa do País e as tímidas
políticas de melhorias do seu Sistema Nacional de Inovações (doravante SI)
sugerem cautela em relação a esta assertiva. Ainda que não exista
consenso sobre a magnitude da crise, sabe-se que é grave e está afetando
o lado real da economia brasileira, visto que o acesso ao crédito bancário já
está mais difícil e caro no País, a linhas de crédito externo estão escassas,
os projetos de investimento estão sendo abortados e o câmbio está muito
volátil e se desvalorizando. A desvalorização cambial dificulta o alcance da
meta de inflação, o que ajuda a inibir a redução da taxa básica de juros,
comprometendo o crescimento econômico do País. (SILVA; RESENDE,
2008, p. 72)
- 16 -
O quadro abaixo procura mostrar como o Brasil foi atingido e o que o país fez
para minimizar os efeitos da crise financeira global.
QUADRO 3: Entenda como a crise financeira global afeta o Brasil.
O Brasil inicialmente não foi atingido em cheio pela crise, os bancos não possuíam papéis
ligados às hipotecas de alto risco ("subprime") que originaram os problemas. Mas vários
setores sofreram com a contração de crédito e, em seguida, pela queda das exportações
e da demanda interna, que foi o "motor" do crescimento do país nos últimos dois anos. O
resultado é o avanço do desemprego e a expectativa de desaceleração no crescimento
econômico do país, embora, espera-se que fique melhor do que o da maioria dos países
desenvolvidos e emergentes.
As quebras e os problemas enfrentados por bancos americanos e europeus até então
considerados importantes e sólidos geraram o que se chama de "crise de confiança". Em
um mundo de incertezas, o dinheiro para de circular: quem possui recursos sobrando não
empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça.
Isso fez cair e encarecer o crédito disponível. E numa economia globalizada, a falta de
dinheiro em outro continente afeta empresas no mundo todo.
Com a circulação de dinheiro congelada e o consumo comprometido, o resultado
esperado é a contração das economias, uma vez que todos passam a encontrar
dificuldade em financiarem seus projetos. Justamente para injetar liquidez (dinheiro nos
mercados) os Bancos Centrais fazem leilões de moeda e criam linhas especiais de bilhões
de dólares.
No Brasil, esse foi o principal efeito da crise quando ela estourou: a dificuldade em se
obter dinheiro. Grandes empresas que dependiam de financiamento externo passam a
encontrar menos linhas de créditos disponíveis. Por consequência, com a dificuldade em
captar no exterior, ficam comprometidos projetos de construção dessas empresas, que
por sua vez gerariam empregos e renda ao país. E, quando captam no mercado interno,
ajudam a reduzir ainda mais a capacidade de empréstimo dos bancos locais a quem já
dependia habitualmente deles.
Para reduzir os efeitos da crise internacional, o BC (Banco Central) anunciou mudanças
nos depósitos compulsórios das instituições financeiras. Por meio do depósito
compulsório, o órgão obriga os bancos a depositar em uma conta no próprio BC parte dos
recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança. Assim,
quando reduz o compulsório, o BC libera aos bancos mais dinheiro para emprestar.
Na esteira da contração do crédito, outra consequência da crise é haver redução no
consumo das famílias e do investimento das empresas, dois dos principais pilares de
expansão da economia nos últimos anos. Eles cresceram justamente pela farta oferta de
crédito. Com menos dinheiro, gasta-se menos, produz-se menos e o crescimento é
menor. Também são afetadas as exportações do país, que devem cair porque os países
compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro para comprar.
O próximo passo dos problemas causados pela crise no Brasil é o desemprego. A
combinação das reduções do consumo interno, do crédito, das exportações e dos
investimentos causa uma diminuição da demanda das empresas, que se veem obrigadas
a rever seus quadros de funcionários.
Diversas empresas iniciaram no último bimestre do ano uma onda de férias coletivas e
demissões que ainda prosseguem. O mês de dezembro deixou isso claro: segundo o
- 17 -
Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o mês apresentou redução
de 654.946 postos de trabalho o maior volume para o mês desde 1999, o início da série
histórica do dado divulgado pelo Ministério do Trabalho.
Os setores que mais sofrem com a queda da demanda, tanto no Brasil como no resto do
mundo, são o automotivo, o imobiliário e o de bens de capital (ligado aos investimentos).
Isso ocorre porque vendem produtos que dependem diretamente de financiamento, que
está escasso.
Devido a esta situação, o governo federal e de alguns Estados tomaram algumas medidas
para tentar reforçar as vendas e estancar das demissões. Entre as que mais tiveram
repercussão estão a redução temporária das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) sobre automóveis e eletrodomésticos da "linha branca" e a injeção de
RR$ 100 bilhões no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
para realizar empréstimos.
O reflexo da crise se espelhará no desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.
A cada semana, os analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central através da pesquisa
Focus empurra cada vez mais para baixo a previsão para o desempenho da economia
local: na última, projeta uma queda de 0,53% enquanto o governo prevê um crescimento
de 1%, de qualquer forma aquém dos 4% previstos antes da crise aportar de vez aqui.
Outro reflexo visível da crise no mundo, e que teve especial repercussão no Brasil, foi a
forte queda nos mercados acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise
financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas
investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise
aumenta, o que faz os investidores tirarem mais dinheiro.
Ou seja, como a crise americana provoca justamente aversão ao risco, os investidores em
ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos
mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o
Brasil, vende seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender,
os preços dos papéis caem e os índices desvalorizam.
Fonte: Adaptado Folha online (2010) Acessado em 30/09/10
1.2 A importância da análise das demonstrações contábeis
Segundo Marion (2008, p. 210)
A análise das demonstrações contábeis, também conhecida como análise
das demonstrações financeiras, desenvolveu-se com o surgimento dos
bancos interessados na situação econômico-financeira das empresas
tomadoras de financiamento. A abertura de capital por parte das empresas
(Corporation - S. A), possibilitando a participação a participação de
pequenos ou grandes investidores como acionista, leva-os à escolha de
mais bem sucedidas, tornando a análise das demonstrações contábeis um
instrumento de grande importância e utilidade para a tomada de decisões.
- 18 -
A análise das demonstrações contábeis é muito importante, pois consiste de
técnicas de análise que tem como objetivo extrair dos relatórios contábeis
informações que mostram os rumos que a empresa está tomando, como por
exemplo, se ela está sendo bem ou mal administrada.
Segundo Padoveze (2009, p. 439), a análise de balanço “constitui-se em um
processo de meditação sobre os demonstrativos contábeis, objetivando uma
avaliação da situação da empresa, em seus aspectos operacionais, econômicos,
patrimoniais e financeiros.”
Matarazzo (2003, p. 15), por sua vez, afirma “que a análise de balanços
objetiva extrair informações das demonstrações financeiras para a tomada de
decisões”.
O analista de balanços se preocupa em coletar junto às demonstrações
contábeis os dados, processá-los e fornecer informações para os mais
variados tipos de decisões que envolvem a empresa. Estas informações
podem ser de caráter e utilização interna ou externa e podem esclarecer,
por exemplo, se a empresa merece ou não crédito, se está em situação de
solvência, se suas atividades estão sendo eficientes, se é ou não lucrativa.
(MATARAZZO, 2003, p. 17).
Para entender melhor a importância da análise de balanço, precisa-se
conhecer seus métodos, quem são seus usuários e o que se pretende inferir com a
análise, bem como o processo contábil dentro de uma organização. O quadro 4
abaixo mostra como se dá esse processo. Nele utilizam-se dados ou eventos
econômico-financeiro sintetizando-os em demonstrações financeiras que através de
técnicas de análise transforma-os em informações que mostram seus efeitos dentro
das organizações.
QUADRO 4: Processo contábil/análise
Fonte: Matarazzo (2003, p. 16)
- 19 -
Os quadros 5 e 6 mostram respectivamente: as etapas de processo de tomada
de decisões e as informações produzidas por uma dessas etapas.
QUADRO 5: Etapas do processo de análise:
QUADRO 6 Tipos relatórios:
(1ª) escolha dos indicadores;
Situação financeira
alterações
e
causas
das
(2ª) comparação com padrões;
Situação econômica
alterações
e
causas
das
(3ª) diagnóstico ou conclusões; e
Desempenho
(4ª) decisões.
Eficiência e eficácia na utilização dos
recursos
Adequação das fontes às aplicações de
recursos
Evolução, tendências e perspectivas
Pontos fortes e fracos
Fonte: Adaptado Matarazzo (2003, p.19)
Fonte: Adaptado Matarazzo (2003, p.18)
- 20 -
2 TÉCNICAS DE ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Este tópico apresenta as técnicas de análise das demonstrações contábeis:
análise vertical, análise horizontal e os índices que são muito importantes na
geração de informações.
Permite verificar resultados e tendências através dos
dados coletados nas demonstrações contábeis, podendo posteriormente fazer
comparações com outros resultados para ajudar na tomada de decisão.
2.1 A análise vertical
Segundo Padoveze (2009, p. 439):
Denominamos de análise vertical a análise de participação ou de estrutura
dos elementos dos Demonstrativos Contábeis. Assume-se como 100% um
determinado elemento patrimonial, que, em princípio, deve ser o mais
importante, e se faz uma relação percentual de todos os demais elementos
sobre ele.
A análise vertical mostra a relevância de cada item de um grupo em termos
percentuais, ou seja, quanto por cento cada elemento contribui para a formação do
grupo. Em linha com o pensamento de Matarazzo (2003) a análise vertical mostra
que o percentual de cada conta tem sua real importância no conjunto, e para isso é
necessário calcular esses percentuais em relação a um valor- base.
2.2 A análise horizontal
Segundo Iudícibus (2009, p. 83) “A finalidade principal da análise horizontal é
apontar o crescimento de itens dos Balanços e das Demonstrações de Resultado
(bem como de outros demonstrativos) através dos períodos, a fim de caracterizar
tendências.”
De acordo com Matarazzo (2003, p. 245) análise horizontal “Baseia-se na
evolução de cada conta de uma série de demonstrações financeiras em relação à
demonstração anterior e/ou em relação a uma demonstração financeira básica,
geralmente a mais antiga da série.”
A análise horizontal revela a evolução de cada item de um grupo, tomando um
período como base (base cem) e comparando-o com período(s) subsequente.
- 21 -
2.3 A análise através de índices
Segundo Padoveze (2009, p. 440):
Compreende a geração de um painel básico
complementar a análise vertical e horizontal. Estes
tanto de relações entre elementos do Balanço
elementos da Demonstração de Resultados que
Balanço Patrimonial.
de indicadores para
indicadores podem ser
Patrimonial, como de
se relacionem com o
Como ressaltado por Matarazzo (2003, p. 147), “Índice é a relação entre contas
ou grupo de contas das Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar
determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa.”
A seguir apresentam-se os principais índices que devem ser utilizados na
análise de balanços.
Estrutura de Capital
Liquidez
Rentabilidade
2.3.1 Índices de Estrutura de Capital
Conforme Marion (2005, p. 105)
Não há dúvida de que, principalmente em época inflacionária, é apetitoso
trabalhar mais com Capital de Terceiros que com Capital Próprio. Essa
tendência é acentuada quando a maior parte do Capital de Terceiros é
composta de „exigíveis não onerosos‟, isto é, exigíveis que não geram
encargos financeiros explicitamente para a empresa (não há juros nem
correção monetária: fornecedores, impostos, encargos sociais a pagar etc.).
E continua:
Por outro lado, uma participação de Capital de Terceiros exagerada em
relação ao Capital Próprio torna a empresa vulnerável a qualquer
intempérie. Normalmente, as instituições financeiras não estarão dispostas
a conceder financiamentos para as empresas que apresentarem esta
situação desfavorável. Em média, as empresas que vão à falência
apresentam endividamento elevado em relação ao patrimônio Líquido.
Os índices desse grupo mostram as grandes linhas de decisões financeiras,
em termos de obtenção e aplicação de recursos. Os índices de endividamento
revelam o montante de capital de terceiro em poder da empresa e qual a proporção
desses recursos no curto e longo prazo.
- 22 -
O quadro 7 apresenta os principais índices de endividamento, suas fórmulas e
como interpretá-los.
QUADRO 7: Índices de estrutura de capital
Índice
Participação de Capital de
Terceiros (Endividamento)
Composição do
Endividamento
Imobilização do
Patrimônio Líquido
Fórmula
Capital de Terceiros
Patrimônio Líquido
Passivo Circulante
Capital Terceiros
Ativo Permanente
Patrimônio Líquido
Análise
Quanto a empresa tomou
de capital de terceiros
para cada R$ 100 de
capital próprio
Qual o percentual de
obrigações a curto
prazo em relação às
obrigações totais
Quantos R$ se
aplicou no Ativo
Permanente para
cada R$ 100 de
Patrimônio Líquido
Interpretação
Quanto menor, melhor
Quanto menor, melhor
Quanto menor,
melhor
Fonte: Adaptado Matarazzo (2003, p. 152)
a) Participação de Capital de Terceiros
Capital de Terceiros
X 100
Patrimônio Líquido
Neste
quociente,
encontram-se
relacionados os dois grandes blocos
componentes das fontes de recursos que a empresa possui: Capital de Terceiros e
Capital Próprio. Da sua análise é possível detectar quanto a empresa tomou de
capitais de terceiros para cada R$ 100 de capital próprio investido.
Do ponto de vista de obtenção de lucro, Matarazzo (1997, p.160) afirma que "...
pode ser vantajoso para a empresa trabalhar com capitais de terceiros, se a
remuneração paga a esses capitais de terceiros for menor que o lucro obtido com a
sua aplicação nos negócios".
- 23 -
b) Composição do Endividamento
Passivo Circulante
X 100
Capital de Terceiros
O índice de Composição do Endividamento consiste em identificar o percentual
das obrigações totais da empresa correspondente às dívidas de curto prazo.
De forma geral, quanto menor for este índice, melhor, ou seja, é muito mais
conveniente para a empresa que suas dívidas sejam de longo prazo, pois assim ela
terá mais tempo para buscar ou gerar recursos para saldá-las.
c) Imobilização do Patrimônio Líquido
Ativo Permanente
Patrimônio Líquido
X 100
O quociente tem como intuito revelar a porcentagem dos recursos próprios que
está imobilizada ou que não está em giro. O cálculo da Imobilização do Patrimônio
Líquido deverá revelar quanto a empresa aplicou no Ativo Permanente para cada R$
100 de Patrimônio Líquido.
Matarazzo (1997, p. 164 ) afirma com muita propriedade:
O ideal em termos financeiros é a empresa dispor de Patrimônio Líquido
suficiente para cobrir o Ativo Permanente e ainda sobrar uma parcela –
CCP = Capital Circulante Próprio – suficiente para financiar o Ativo
Circulante. (Por suficiente entende-se que a empresa deve dispor da
necessária liberdade de comprar e vender sem precisar sair o tempo todo
correndo atrás de bancos.
2.3.2 Índices de Liquidez
Estes índices, assim como os de estrutura de capital, evidenciam a base da
situação financeira da empresa. É por meio dos indicadores de liquidez que se
procura identificar a capacidade de pagamento da empresa, ou seja, mostra se a
- 24 -
empresa tem recursos para saldar seus compromissos de curto e longo prazo e até
mesmo os disponíveis para pagamento imediato.
O quadro 8 apresenta os principais índices de liquidez, suas formulas e como
interpretá-los.
QUADRO 8: Índices de liquidez
Índice
Liquidez Geral
Liquidez Corrente
Liquidez Seca
Fórmula
Ativo Circulante
Realizável LP
Passivo Circulante
Exigível LP
Ativo Circulante
Passivo Circulante
Ativo Circulante Estoques
Quanto a empresa
possui de Ativo
Circulante +
Realizável a LP para
cada R$ 1 de dívida
total
Quanto à empresa
possui de Ativo
Circulante para cada
R$ 1 de dívida de
curto prazo
Análise
Interpretação
Passivo Circulante
Quanto maior, melhor Quanto maior, melhor
Quanto à empresa
possui de Ativo
Circulante, para cada
R$ 1 de dívida de curto
prazo, sem
comprometer os
estoques
Quanto maior, melhor
Fonte: Adaptado Matarazzo (2003, p. 152)
a) Liquidez Geral
Ativo Circulante + Ativo Realizável a Longo Prazo
Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo
Este quociente se destina a retratar como anda a saúde financeira de longo
prazo (global) da firma. Objetiva-se, portanto, responder se a empresa conseguirá
fazer frente a todas as suas obrigações. Sua análise indicará quanto a organização
possui no Ativo Circulante e no Realizável a Longo Prazo para cada R$ 1,00 de
dívida total para com terceiros.
- 25 -
b) Liquidez Corrente
Ativo Circulante
Passivo Circulante
Este quociente relaciona todos os ativos de curto prazo (dinheiro prontamente
disponível e recursos rapidamente realizáveis) com os passivos de curto prazo da
organização, representando o quanto de recursos está disponível para se liquidarem
as dívidas do passivo circulante.
Esse é um dos mais populares índices de liquidez. Iudícibus (1995, p.82), ao
comentar a utilização deste quociente, afirma:
Consideramos que excessiva importância tem sido atribuída a este
quociente. Em alguns casos, a inclusão dos estoques no numerador pode
diminuir a aderência do quociente, como teste de liquidez. Quando a
empresa e a economia se encontrarem em períodos de recessão ou de
"desaquecimento", e os investimentos em estoques forem sensíveis, não se
podem considerar "igualmente realizáveis" itens tão diferentes como
estoques e contas a receber. Aqueles têm de ser vendidos primeiro, o que
nem sempre é fácil num período de queda dos negócios.
Matarazzo (1997, p. 178 ) acrescenta: “Eis aí o significado do índice de liquidez
corrente a margem de folga para manobras de prazos visa equilibrar as entradas e
as saídas de caixa. Quanto maiores os recursos, maior essa margem, maior a
segurança da empresa, melhor a situação financeira".
Marion (2005, p. 84) observa alguns aspectos importantes relativo à liquidez
corrente: o índice não revela a qualidade dos itens no ativo, nem a sincronização
entre recebimento e pagamento. Outro aspecto é o estoque estar avaliado a custo
histórico.
c) Liquidez Seca
Ativo Circulante – Estoques
Passivo Circulante
O índice de liquidez seca assemelha-se ao de liquidez corrente, diferenciandose apenas no fato de se excluírem os estoques a fim de se reduzir um fator de
incerteza, tendo em vista que, ainda que este faça parte do Ativo Circulante, não se
tem plena certeza do tempo da sua realização.
- 26 -
Em empresas em que os prazos médios de contas a receber e a pagar sejam
assemelhados, este quociente se torna um dos mais significativos para se elucidar a
posição da firma, isto porque evidencia quanto a empresa possui de Ativo Líquido
(Circulante – Estoques) para cada R$ 1,00 de dívidas de curto prazo.
Através do cálculo e interpretação deste indicador, é possível se verificar
quanto de recursos correntes a empresa possui para fazer frente a cada R$ 1,00 de
suas obrigações de curto prazo. Num caso, por exemplo, em que o índice
encontrado seja de 1,05, pode-se concluir que para cada R$ 1,00 de dívida de curto
prazo a organização possui R$ 1,05 para pagar, ou seja, sobram-lhe R$ 0,05 a cada
R$ 1,00, isto tudo sem comprometer ou contar com os valores dos estoques.
Segundo Matarazzo (1997, p.179) este índice é um teste de força aplicado à
empresa, pois visa medir o grau de excelência da sua situação financeira. Esse
índice baixo pode indicar alguma dificuldade, mas raramente tal conclusão será
mantida quando a liquidez corrente for satisfatória.
O quadro 9 apresenta uma relação entre os índices de liquidez seca e corrente.
QUADRO 9: Liquidez seca x liquidez corrente
Índices
Liquidez corrente
Liquidez corrente
Alta
Baixa
Alta
Situação Financeira Boa
Situação financeira em
princípio satisfatória,
mas atenuada pela boa
Liquidez Seca. Em
certos casos pode até
ser considerada
razoável.
Baixa
Situação financeira em
princípio satisfatória. A baixa
Liquidez Seca não indica
necessariamente
comprometimento da situação
financeira. Em certos casos
pode ser sintoma de
excessivos estoques
"encalhados"
Situação Financeira
Insatisfatória
Níveis
Liquidez
seca
Liquidez
seca
Fonte: Matarazzo (1997, p. 179)
- 27 -
2.3.3 Índices de Rentabilidade
Os índices de rentabilidade procuram evidenciar qual a rentabilidade dos
capitais investidos, ou seja, mostram o resultado das operações realizadas por uma
organização. É através da análise desses índices que se verifica a situação
econômica da firma.
O quadro 10 apresenta os principais índices de rentabilidade, suas formulas e
como interpretá-los.
QUADRO 10: Índices de rentabilidade
Índice
Giro do Ativo
Margem
Líquida
Rentabilidade do
Ativo
Rentabilidade do
Patrimônio
Líquido
Fórmula
Vendas Líquidas
Ativo
Lucro Líquido
* Vendas
Líquidas
Lucro Líquido *
Ativo
Lucro Líquido * PL
Análise
Quanto a
empresa vendeu
para cada R$ 1
de investimento
total
Quanto a
empresa
obtém de
lucro para
cada R$ 100
vendidos
Interpretação
Quanto maior,
melhor
Quanto maior,
melhor
Quanto a empresa Quanto a empresa
obtém de lucro
obtém de lucro
para cada R$ 100 para cada R$ 100
de investimento
de capital próprio
total
investido
Quanto maior,
melhor
Quanto maior,
melhor
Fonte: Adaptado Matarazzo (2003, p. 152)
a) Giro do Ativo
Vendas Líquidas
Ativo
O giro do ativo demonstra quantas vezes o ativo girou como resultado ou efeito
das vendas ou quanto a empresa vendeu para cada R$ 1,00 de investimento total.
Matarazzo (1997, p. 182) afirma que o sucesso de uma empresa depende em
primeiro lugar de um volume adequado de vendas. No entanto, o volume de vendas
tem relação com montante de investimentos. Por essa razão, é conveniente, na
- 28 -
análise de balanço, fazer relação do volume de vendas com outros fatores, a fim de
se conhecer se o rendimento ou desempenho foi ou não satisfatório.
b) Margem Líquida
Lucro Líquido
Vendas Líquidas
X 100
A Margem Líquida ou Margem Operacional evidencia qual foi o retorno que a
empresa obteve frente ao que conseguiu gerar de receitas.
c) Rentabilidade do Ativo
Lucro Líquido
Ativo
X 100
A rentabilidade do ativo é calculada quando se deseja ter uma idéia da
lucratividade total do empreendimento, independentemente de onde vieram
os
recursos, e como foram aplicados. Este indicador mede quanto a empresa obtém de
lucro para cada R$ 100,00 de investimento total, por isso, é visto como uma medida
de potencial de geração de lucro da empresa.
Segundo Matarazzo (1997, p.185), este quociente representa uma medida da
capacidade da empresa em gerar lucro líquido e assim poder capitalizar-se. É ainda
uma medida do desempenho comparativo da empresa ano a ano.
d) Rentabilidade do Patrimônio Líquido
Lucro Líquido
Patrimônio Líquido
X 100
O papel do índice de rentabilidade do patrimônio líquido é mostrar qual a taxa
de rentabilidade do capital próprio ou quanto a empresa obtém de lucro para cada
R$ 100 de capital próprio investido.
A análise de Balanço tem a finalidade de transformar dados em informações
que irão ajudar os administradores na tomada de decisões, por isso se deve formar
o maior número possível de informações, que tornem claras as decisões
necessárias ao benefício da empresa.
3 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Neste trabalho, utiliza-se uma relação entre análise vertical/horizontal e análise
de indicador econômico-financeiro, num sentido específico de identificar os impactos
da crise bancária 2008/2009 nas demonstrações contábeis das empresas
brasileiras. A seguir estão reproduzidas as demonstrações de três empresas
brasileiras que mostram os resultados do primeiro trimestre do exercício de 2009.
GRUPO PÃO DE AÇÚCAR
BALANÇO PATRIMONIAL
Em milhares de reais - R$
TABELA 1: Balanço patrimonial
ATIVO
CIRCULANTE
Caixa e bancos
Aplicações financeiras
Clientes
Créditos Diversos
Estoques
NÃO CIRCULANTE
Créditos Diversos
Créditos c/Pessoa Ligada
PERMANENTE
Investimentos
Imobilizado
Intangível
TOTAL DO ATIVO
31/03/09
3.548.159
40.677
857.656
644.342
611.813
1.393.671
1.433.805
826.466
607.339
6.047.634
1.481.273
4.138.608
427.753
11.029.598
%V
32%
0%
8%
6%
6%
13%
13%
7%
6%
55%
13%
38%
4%
100%
31/12/2008
3.653.414
133.026
1.120.701
858.774
412.183
1.128.730
1.487.522
965.425
522.097
6.016.732
1.463.174
4.166.728
386.830
11.157.668
%V
33%
1%
10%
8%
4%
10%
13%
9%
5%
54%
13%
37%
3%
100%
%H
97,12%
30,58%
76,53%
75,03%
148,43%
123,47%
96,39%
85,61%
116,33%
100,51%
101,24%
99,33%
110,58%
98,85%
PASSIVO
CIRCULANTE
2.849.389
26%
Empréstimos e Finan.
667.145
6%
Debêntures
6.984
0%
Fornecedores
1.741.281
16%
Impostos, Taxas e Contrib.
64.500
1%
Dividendos a Pagar
61.971
1%
Dívidas c/Pessoa Ligada
14.247
0%
Outros
293.261
3%
NÃO CIRCULANTE
2.684.221
24%
Empréstimos e Finan.
514.857
5%
Outros
2.169.364
20%
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
5.495.988
50%
Capital Social Realizado
4.439.816
40%
Reservas de Capital
578.945
5%
Reservas de Lucro
477.227
4%
Lucros/Prej. Acumulados
0
0%
TOTAL DO PASSIVO
11.029.598
100%
Fonte: ADAPTADO INTERNETE / SITE http://gpari.com.br
2.691.612
285.048
36.861
1.834.286
87.394
61.851
12.279
373.893
3.058.340
898.702
2.159.638
5.407.716
4.450.725
574.622
382.369
0
11.157.668
24%
3%
0%
16%
1%
1%
0%
3%
27%
8%
19%
48%
40%
5%
3%
0%
100%
105,86%
234,05%
18,95%
94,93%
73,80%
100,19%
116,03%
78,43%
87,77%
57,29%
100,45%
101,63%
99,75%
100,75%
124,81%
0,00%
98,85%
- 30 -
TABELA 2: Resultado do exercício
1T09
%V
1T08
%V
%H
Receita
Bruta
3.636.134 100% 3.440.092 100% 105,70%
DEMONSTRAÇÕES
DO RESULTADO
Deduções
-455.892 -13%
-534.121 -16% 85,35%
Receita Líquida
3.180.242 100% 2.905.971 100% 109,44%
Custos
-2.350.187 -74% -2.129.021 -73% 110,39%
Resultado Bruto
830.055 26%
776.950 27% 106,84%
Desp./Rec. Operacionais
-703.074 -22%
-732.739 -25% 95,95%
Com Vendas
-481.695 -15%
-478.932 -16% 100,58%
Gerais e Administrativas
-110.159
-3%
-111.577 -4% 98,73%
Financeiras
-44.704
-1%
-49.054 -2% 91,13%
Rec. Financeiras
61.903
2%
54.065
2% 114,50%
Desp. Financeiras
-106.607
-3%
-103.119 -4% 103,38%
Outras Rec. Operacionais
-352
0%
-288
0% 122,22%
Outras Desp. Operacionais
-84.623
-3%
-111.856 -4% 75,65%
Equivalência Patrimonial
18.459
1%
18.968
1% 97,32%
Resultado Operacional
126.981
4%
44.211
2% 287,22%
Resultado Não Operacional
0
0%
0
0%
0,00%
Resultado Antes Trib./Particip.
126.981
4%
44.211
2% 287,22%
Provisão para IR e Contrib. Social
-3.118
0%
226
0%
0,00%
IR Diferido
-25.814
-1%
-8.631
0% 299,08%
Particip./Contrib. Estatutárias
-3.191
0%
-2.582
0% 123,59%
Lucro/Prejuízo do Período
94.858
3%
33.224
1% 285,51%
Fonte: ADAPTADO INTERNETE / SITE http://gpari.com.br
TABELA 3: Índices
Liquidez
Corrente
Seca
Imediata
Geral
Endividamento
Quantidade do Endividamento
Qualidade do Endividamento
Garantia do Capital Próprio ao Capital de Terceiros
Rentabilidade
Margem Líquida
Giro do Ativo
Taxa de Retorno do Investimento (TRI)
Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL)
Termômetro de Kanitz
Prazo Médio de Renovação dos Estoques (PMRE)
Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV)
Prazo Médio de Pagamento de Compras (PMPC)
Posicionamento Relativo
Estrutura
Índice de Imobilização do Patrimônio Líquido
Índice de Imobilização dos Recursos de Longo Prazo
Valor das compras de mercadorias
CMV = EI + C - EF
C = CMV - EI + EF
31/03/09 31/12/2008
H%
1,25
1,36 91,74%
0,76
0,94 80,61%
0,53
0,62 85,63%
0,90
0,89 100,70%
H%
0,50
0,52 97,35%
0,51
0,47 110,00%
0,99
0,94 105,61%
H%
2,98%
1,14% 260,89%
0,29
0,28 103,54%
0,86%
0,32% 270,13%
1,73%
0,66% 262,64%
2,52
3,06 82,55%
213,48
184,82 115,51%
72,94
96,71 75,42%
239,71
1,19
H%
0,26
0,26 100,07%
0,53
0,40 134,98%
H%
2.350.187,00
2.615.128,00
- 31 -
A análise do primeiro trimestre de 2009 no balanço do Grupo Pão de Açúcar
revela que a qualidade do endividamento aumentou em 10% em relação a
31/12/2008. Esse aumento deveu-se basicamente por conta dos empréstimos e
financiamentos onde houve uma perda de 43% desses recursos no longo prazo e
um aumento de 134% no curto prazo. Em virtude dessa dificuldade de captar
recursos de longo prazo, reflexos da crise financeira, alterou-se a estrutura de
capital da empresa que passou de 52% para 50% nesse período.
Quanto à liquidez, quase todos os índices caíram em relação à 31/12/2008.
Observa-se que os índices de liquidez corrente e liquidez seca caíram 8% e 19%
respectivamente, justamente por conta da redução das disponibilidades, caixa e
bancos caíram 69%, aplicações financeiras 23%, clientes 25%, fatores que podem
trazer problemas de liquidez caso a empresa não consiga trazer bons resultados.
Já a rentabilidade melhorou, as demonstrações do resultado mostram que o
faturamento aumentou 9% enquanto que o lucro do período aumentou em 186% e
esse aumento ocorreu devido à diminuição das despesas operacionais. Em
31/03/2008 as despesas consumiam 25% da receita e em 31/03/2009 passou para
22%, esse resultado quase que triplicou as taxas de retorno. Podemos dizer, então,
que a empresa, já prevendo dificuldades financeiras, fez um esforço muito grande
para cortar gastos, objetivando gerar recursos próprios.
NATURA COSMÉTICOS S.A.
BALANÇO PATRIMONIAL
TABELA 4: Balanço patrimonial
ATIVO
CIRCULANTE
Caixa e bancos
Aplicações financeiras
Clientes
Créditos Diversos
Estoques
Outros
NÃO CIRCULANTE
Créditos Diversos
Créditos c/Pessoa Ligada
Outros
PERMANENTE
Investimentos
Imobilizado
Intangível
TOTAL DO ATIVO
Em milhares de reais - R$
31/03/2009
788.308
2.497
190.177
327.124
0
80.745
187.765
80.399
80.399
0
0
948.187
899.059
39.993
9.135
%V
43%
0%
10%
18%
0%
4%
10%
4%
4%
0%
0%
52%
49%
2%
1%
31/12/2008
759.311
19.785
67.728
428.421
0
60.300
183.077
62.591
62.591
0
0
911.015
864.142
37.865
9.008
%V
44%
1%
4%
25%
0%
3%
11%
4%
4%
0%
0%
53%
50%
2%
1%
%H
103,82%
12,62%
280,80%
76,36%
0,00%
133,91%
102,56%
128,45%
128,45%
0,00%
0,00%
104,08%
104,04%
105,62%
101,41%
1.816.894
100%
1.732.917
100%
104,85%
- 32 -
PASSIVO
CIRCULANTE
899.361
49%
802.457
Empréstimos e Finan.
140.912
8%
5.293
Debêntures
0
0%
0
Fornecedores
43.827
2%
51.214
Impostos,Taxas e Contrib.
75.623
4%
64.361
Dividendos a Pagar
303.234
17%
311.854
Provisões
17.262
1%
15.791
Dívidas c/Pessoa Ligada
234.989
13%
250.555
Outros
83.514
5%
103.389
NÃO CIRCULANTE
69.400
4%
219.285
Empréstimos e Finan.
29.725
2%
177.972
Provisões
30.909
2%
34.293
Outros
8.766
0%
7.020
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
848.133
47%
711.175
Capital Social Realizado
393.294
22%
391.423
Reservas de Capital
140.711
8%
140.102
Reservas de Lucro
314.128
17%
179.650
Lucros/Prej. Acumulados
0
0%
0
TOTAL DO PASSIVO
1.816.894
100%
1.732.917
Fonte: ADAPTADO INTERNETE / SITE http://natura.infoinvest.com.br
46% 111,36%
0% 2662,23%
0%
0,00%
3%
85,58%
4% 117,50%
18%
97,24%
1% 109,32%
14%
91,89%
6%
80,78%
13%
31,65%
10%
16,70%
2%
90,13%
0% 124,87%
41% 120,13%
23% 100,48%
8% 100,43%
10% 100,00%
0%
0,00%
100% 104,85%
TABELA 5: Resultado do exercício
DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO
1T09
%V
1T08
Receita Bruta
1.059.095 100% 856.732
Deduções
-160.317 -15% -164.384
Receita Líquida
898.778 100% 692.348
Custos
-386.193 -43% -274.382
Resultado Bruto
512.585 57% 417.966
Desp./Rec. Operacionais
-350.747 -39% -316.854
Com Vendas
-232.816 -26% -190.797
Gerais e Administrativas
-116.862 -13% -117.941
Financeiras
8.744
1%
-3.799
Rec. Financeiras
24.761
3%
14.337
Desp. Financeiras
-16.017 -2% -18.136
Outras Rec. Operacionais
191
0%
3.128
Outras Desp. Operacionais
0
0%
0
Equivalência Patrimonial
-10.004 -1%
-7.445
Resultado Operacional
161.838 18% 101.112
Resultado Não Operacional
0
0%
0
Resultado Antes Trib./Particip.
161.838 18% 101.112
Provisão para IR e Contrib. Social
-20.223 -2% -21.062
IR Diferido
-1.976
0%
-2.019
Particip./Contrib. Estatutárias
0
0%
0
Lucro/Prejuízo do Período
139.639 16%
78.031
Fonte: ADAPTADO INTERNETE / SITE http://natura.infoinvest.com.br
%V
100%
-19%
100%
-40%
60%
-46%
-28%
-17%
-1%
2%
-3%
0%
0%
-1%
15%
0%
15%
-3%
0%
0%
11%
%H
123,62%
97,53%
129,82%
140,75%
122,64%
110,70%
122,02%
99,09%
-230,17%
172,71%230,17%
88,32%
6,11%
0,00%
134,37%
160,06%
0,00%
160,06%
96,02%
97,87%
0,00%
178,95%
- 33 -
TABELA 6: Índices
Liquidez
Corrente
Seca
Imediata
Geral
Endividamento
Quantidade do Endividamento
Qualidade do Endividamento
Garantia do Capital Próprio ao Capital de Terceiros
Rentabilidade
Margem Líquida
Giro do Ativo
Taxa de Retorno do Investimento (TRI)
Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL)
Termômetro de Kanitz
Prazo Médio de Renovação dos Estoques (PMRE)
Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV)
Prazo Médio de Pagamento de Compras (PMPC)
Posicionamento Relativo
Estrutura
Índice de Imobilização do Patrimônio Líquido
Índice de Imobilização dos Recursos de Longo Prazo
Valor das compras de mercadorias
CMV = EI + C - EF
C = CMV - EI + EF
31/03/09 31/12/2008
H%
0,88
0,94 93,23%
0,79
0,87 90,90%
0,42
0,34 126,25%
0,90
0,80 112,04%
H%
0,53
0,59 89,98%
0,93
0,79 118,04%
0,88
0,69 127,34%
H%
15,54%
11,27% 137,85%
0,49
0,47 104,51%
7,69%
5,33% 144,07%
16,46%
10,50% 156,81%
3,06
3,17 96,46%
75,27
54,04 139,30%
131,03
147,79 88,66%
38,80
5,32
H%
0,09
0,07 137,64%
1,16
0,31 378,05%
H%
386.193,00
406.638,00
O endividamento da Natura Cosméticos S.A diminuiu 10% em relação à
31/12/2008, enquanto que o índice da qualidade do endividamento aumentou 18%.
Isso significa que a empresa passou a contar com menos capital de terceiros para
investir e com menos tempo para saldar seus compromissos imediatos, uma vez que
parte dos recursos de longo prazo foi transferido para o curto prazo. Isso porque
empréstimos e financiamentos de longo prazo caíram 83% enquanto os de curto
prazo aumentaram em 2562%
Apesar de o ativo circulante ter aumentado 4%, a liquidez caiu bastante, 7% na
liquidez corrente e 9% na liquidez seca. Verificando as contas, observa-se que caixa
e bancos diminuíram 87% e clientes 24%. O passivo circulante aumentou os
empréstimos enquanto que diminuiu os fornecedores em14%. Percebe-se, com isso,
que a empresa está se utilizando de recursos de curto prazo para não faltar com
seus fornecedores, mais uma análise que mostra como a crise financeira afetou as
empresas brasileiras.
Finalmente, a rentabilidade teve melhores resultados tanto na taxa de retorno
sobre investimentos como na taxa sobre o patrimônio líquido que aumentou em
média 50%. Esse resultado foi obtido por conta do bom desempenho da empresa. A
- 34 -
demonstração do resultado mostra que enquanto o lucro bruto cresceu 23% em
comparação ao primeiro trimestre de 2008 o lucro líquido aumentou 79%,
basicamente por conta do fato das despesas administrativas terem permanecido no
mesmo patamar, das receitas financeiras terem aumentado 73% e das despesas
financeiras terem diminuido 12%.
SARAIVA S.A. LIVREIROS EDITORES
BALANÇO PATRIMONIAL
Em milhares de reais - R$
TABELA 7: Balanço patrimonial
ATIVO
CIRCULANTE
Caixa e bancos
Aplicações financeiras
Clientes
Créditos Diversos
Estoques
Outros
NÃO CIRCULANTE
Créditos Diversos
Créditos c/Pessoa Ligada
Outros
PERMANENTE
Investimentos
Imobilizado
Intangível
Diferido
TOTAL DO ATIVO
31/03/2009
181.614
1.547
0
88.778
6793
83.965
531
27.791
0
16166
11625
281.616
241.714
20.188
19.714
0
491.021
%V
37%
0%
0%
18%
1%
17%
0%
6%
0%
3%
2%
57%
49%
4%
4%
0%
100%
31/12/2008
186.528
31.730
0
64.162
8132
82.381
123
65.056
0
52167
12889
217.489
179.186
18.327
19.976
0
469.073
%V
40%
7%
0%
14%
2%
18%
0%
14%
0%
11%
3%
46%
38%
4%
4%
0%
100%
%H
97,37%
4,88%
0,00%
138,37%
83,53%
101,92%
431,71%
42,72%
0,00%
30,99%
90,19%
129,49%
134,90%
110,15%
98,69%
0,00%
104,68%
PASSIVO
CIRCULANTE
84.470
17%
114.105
24%
Empréstimos e Finan.
11.272
2%
11.269
2%
Debêntures
0
0%
0
0%
Fornecedores
12.755
3%
49.160
10%
Impostos,Taxas e Contrib.
24.761
5%
12.277
3%
Dividendos a Pagar
19.776
4%
19.776
4%
Provisões
1.391
0%
3.956
1%
Dívidas c/Pessoa Ligada
0
0%
0
0%
Outros
14.515
3%
17.667
4%
NÃO CIRCULANTE
27.416
6%
19.086
4%
Empréstimos e Finan.
19.109
4%
10.247
2%
Provisões
8.117
2%
8.630
2%
Outros
190
0%
209
0%
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
379.135
77%
335.882
72%
Capital Social Realizado
147.774
30%
147.774
32%
Reservas de Capital
0
0%
0
0%
Reservas de Lucro
231.361
47%
188.108
40%
Lucros/Prej. Acumulados
0
0%
0
0%
TOTAL DO PASSIVO
491.021
100%
469.073
100%
Fonte: ADAPTADO INTERNETE / SITE http://www.saraivari.com.br/port/home/
74,03%
100,03%
0,00%
25,95%
201,69%
100,00%
35,16%
0,00%
82,16%
143,64%
186,48%
94,06%
90,91%
112,88%
100,00%
0,00%
100,13%
0,00%
104,68%
- 35 -
TABELA 8: Resultado do exercício
DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO
1T09
%V
1T08
%V
Receita Bruta
131.967 100% 112.463 100%
Deduções
-53
0%
-41
0%
Receita Líquida
131.914 100% 112.422 100%
Custos
-27.199 -21% -22.658 -20%
Resultado Bruto
104.715 79% 89.764 80%
Desp./Rec. Operacionais
-40.069 -30% -27.428 -24%
Com Vendas
-31.628 -24% -26.692 -24%
Gerais e Administrativas
-12.015
-9% -10.425 -9%
Financeiras
117
0%
1.971
2%
Rec. Financeiras
2.102
2%
3.826
3%
Desp. Financeiras
-1.985
-2% -1.855 -2%
Outras Rec. Operacionais
73
0%
386
0%
Outras Desp. Operacionais
-1.144
-1% -1.505 -1%
Equivalência Patrimonial
4.528
3%
8.837
8%
Resultado Operacional
64.646 49% 62.336 55%
Resultado Não Operacional
0
0%
0
0%
Resultado Antes Trib./Particip.
64.646 49% 62.336 55%
Provisão para IR e Contrib. Social
-19.513 -15% -17.540 -16%
IR Diferido
-726
-1%
-873 -1%
Particip./Contrib. Estatutárias
-1.391
-1% -1.013 -1%
Lucro/Prejuízo do Período
43.016 33% 42.910 38%
Fonte: ADAPTADO INTERNETE / SITE http://www.saraivari.com.br/port/home/
%H
117,34%
129,27%
117,34%
120,04%
116,66%
146,09%
118,49%
115,25%
5,94%
54,94%
107,01%
18,91%
76,01%
51,24%
103,71%
0,00%
103,71%
111,25%
83,16%
137,31%
100,25%
TABELA 9: Índices
LIQUIDEZ
Corrente
Seca
Imediata
Geral
Endividamento
Quantidade do Endividamento
Qualidade do Endividamento
Garantia do Capital Próprio ao Capital de Terceiros
Rentabilidade
Margem Líquida
Giro do Ativo
Taxa de Retorno do Investimento (TRI)
Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL)
Termômetro de Kanitz
Prazo Médio de Renovação dos Estoques (PMRE)
Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV)
Prazo Médio de Pagamento de Compras (PMPC)
Posicionamento Relativo
Estrutura
Índice de Imobilização do Patrimônio Líquido
Índice de Imobilização dos Recursos de Longo Prazo
Valor das compras de mercadorias
CMV = EI + C - EF
C = CMV - EI + EF
31/03/09 31/12/2008
H%
2,15
1,63 131,52%
1,16
0,91 126,66%
0,11
0,35 29,97%
1,87
1,89 99,08%
H%
0,23
0,28 80,25%
0,75
0,86 88,12%
3,39
2,52 134,37%
H%
32,61%
38,17% 85,43%
0,27
0,27 100,68%
8,76%
10,18% 86,02%
11,35%
13,17% 86,17%
3,80
3,80 100,05%
1.111,34
939,85 118,25%
242,28
235,13 103,04%
159,53
8,48
H%
0,07
0,07 101,85%
1,01
0,84 120,78%
H%
27.199,00
28.783,00
- 36 -
A Editora Saraiva diminuiu no primeiro trimestre de 2009 seu endividamento
em 20%, diminuindo também ao mesmo tempo o índice da qualidade desse
endividamento em 12%. O resultado apesar de ser bom não é surpresa, pois as
demonstrações da empresa mostram que ela tem um perfil diferente das demais
empresas analisadas nesse trabalho, preferindo trabalhar com recursos próprios,
uma vez que, seu endividamento só representa 1/4 de seus recursos.
A liquidez também melhorou, os índices de liquidez corrente e liquidez seca
aumentaram em 31% e 26% respectivamente, aumento que só vem reforçar o fato
de que a empresa não estava precisando de dinheiro e estava longe de ter
problemas de liquidez.
A análise mostrou que a empresa não teve problemas de liquidez e melhorou
seu grau de endividamento, entretanto, a rentabilidade caiu bastante, pois as taxas
de retorno sobre o investimento e as sobre o patrimônio líquido caíram em média
14%. Observa-se que mesmo o faturamento tendo aumentado em 17% o lucro não
teve melhora, devido às despesas que nesse período aumentaram em 46%,
basicamente devido ao resultado de equivalência patrimonial que reduziu 49% em
relação à 31/12/2008.
O quadro 11 a seguir apresenta os principais pontos que ajudam a entender os
efeitos que a maior crise internacional dos últimos tempos provocou nas
demonstrações contábeis das empresas analisadas.
QUADRO 11: Quadro clínico das empresas
ENDIVIDAMENTO
LIQUIDEZ
RENTABILIDADE
Fonte: Dados primários
PÃO DE AÇÚCAR
NATURA S.A
SARAIVA S.A
Foi reduzido em 3% e sua estrutura
de capital passou de 52% para50%.
Foi reduzido em 10% e sua
estrutura de capital passou de 59%
para 53%.
Foi reduzido em 20% e sua
estrutura de capital passou
de 28% para 23%.
Piorou na qualidade, aumentou
10% passando de 47%
31/12/2008
para
51%
31/03/2009.
Corrente caiu 8%, reflexos
aumento do passivo circulante
Piorou na qualidade, aumentou em
18% passando de 79% em
31/12/2008
para
93%
em
31/03/2009.
Corrente
caiu
7%
também
consequência do aumento do
passivo circulante
Melhorou na qualidade,
diminuiu em 12% passando
de 86% em 31/12/2008
para 75% em 31/03/2009
Corrente aumentou 31%
desta vez consequência da
redução
do
passivo
circulante
Seca
aumentou
27%,
devido a um conjunto de
fatores como a redução do
passivo
circulante
e
clientes que aumentou
38%.
Piorou tanto a taxa de
retorno sobre investimentos
quanto as do patrimônio
líquido em média 14%.
A margem líquida caiu
14%,
por
conta
da
diminuição da equivalência
patrimonial que sofreu uma
queda de 49%.
em
em
em
do
Seca caiu 19% por conta das
disponibilidades
que
foram
reduzidas; caixa e bancos perderam
69%, aplicações e clientes também
caíram
23%
e
25%
respectivamente.
Melhorou
tanto
a
taxa
de
investimento quanto o retorno sobre
o patrimônio líquido, em média
165%.
A margem líquida aumentou 161%
por conta da redução das outras
despesas operacionais em 24%.
Seca caiu 9%, mais uma vez por
conta das disponibilidades que
caíram, caixa e bancos 87% e
clientes 24%.
Melhorou também tanto a taxa de
retorno sobre investimentos quanto
as do patrimônio líquido em média
50%.
A margem líquida aumentou 38%,
esse resultado se deveu também a
redução de gastos e resultados
financeiros.
38
A análise realizada nas demonstrações contábeis das empresas Pão de
Açúcar, Natura Cosméticos e Editora Saraiva objetivou identificar os impactos da
crise financeira no primeiro trimestre de 2009. Esse trabalho focou três pontos
considerados fundamentais para conhecer a situação econômico-financeira de uma
organização: endividamento, liquidez e rentabilidade.
O quadro apresentado anteriormente mostra que em todas as empresas houve
redução do endividamento, consequência do principal efeito da crise dificuldade em
captar recursos devido à redução dos créditos e à falta de dinheiro no mercado.
Outro ponto importante foi o aumento das obrigações de curto prazo nas empresas
Pão de Açúcar e Natura que tinham uma maior dependência de capital de terceiros,
mais de 50% dos seus recursos. Essas tiveram que obter empréstimos de curto
prazo para não faltar com seus fornecedores, e a falta dinheiro no caixa piorou a
liquidez. Já a Editora Saraiva que só contava com 1/4 de capital de terceiros teve
mais tranquilidade como mostra seus índices.
Enfim, se a falta de dinheiro trouxe transtornos para as empresas, essa
situação poderia melhorar se elas fossem mais rentáveis. As empresas Pão de
Açúcar e Natura que tiveram alterações negativas em suas estruturas de capital por
falta de caixa procuraram reduzir gastos, medida que contribuiu para aumentar e
melhorar os resultados. A Editora Saraiva que até então parecia tranquila em
relação à crise, teve uma redução em sua margem líquida de 14%. Como efeito a
rentabilidade do ativo também caiu 14%, e observou-se que a redução de 49% no
resultado de equivalência patrimonial foi o principal responsável. Isso significa que a
empresa acabou sendo indiretamente afetada, uma vez que tinha investimentos em
empresas que não estavam obtendo bons resultados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa teve como objetivo identificar os efeitos da crise financeira 20082009 no balanço patrimonial de empresas brasileiras através da análise das
Demonstrações Contábeis, explanando pontos importantes como: a própria crise
financeira e as técnicas de análise das Demonstrações Contábeis.
A pesquisa mostra que a análise vertical e horizontal e os índices são técnicas
muito importantes no que se refere à riqueza de informações, pois permitem verificar
resultados e tendências através dos dados coletados nas demonstrações contábeis,
podendo posteriormente fazer comparações com outros resultados que ajudarão na
tomada de decisões.
As observações que foram destacadas nas avaliações das empresas: Pão de
Açúcar, Natura Cosméticos e Editora Saraiva permitem concluir que na crise
internacional, por falta de dinheiro circulando, as empresas tiveram seus
endividamentos reduzidos e recorreram a empréstimos de curto prazo para cumprir
com seus compromissos imediatos, levando-as a cortarem gastos para não piorarem
ainda mais seus resultados, uma vez que, o acesso ao crédito de longo prazo ficou
mais difícil.
Diante do exposto, e tendo-se em vista a proposta inicial deste trabalho. A
pesquisa revela que durante a crise, empresas com maior dependência de capital de
terceiros tenderam a reduzir seu endividamento, ao mesmo tempo, a crise também
incentivou as empresas a reduzirem custos e a controlarem gastos.
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______. Estrutura e Análise de Balanços: um enfoque econômico-financeiro
comércio e serviços, industriais, bancos comerciais e múltiplos. 7 ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
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