EQUAÇÃO PREDIÇÃO ENERGÉTICA SURICATA (Suricata suricatta)
Henrique Luís Tavares1 Patrícia Alexandrini2
1-Zootecnista - [email protected] 2- Bióloga - [email protected].
Fundação Parque Zoológico de São Paulo
Introdução
Estratégias de conservação da fauna silvestre ameaçada, englobando desde a preservação de
seus habitats até a definição de um plano de manejo, são cruciais para a manutenção de populações
in situ e ex situ. O sucesso desses programas conservacionistas e preservacionistas está diretamente
relacionado a uma alimentação e nutrição adequada das diferentes espécies, uma vez que animais
bem nutridos apresentam maior imunidade e resistência a diversas enfermidades e possuem maior
capacidade de expressar seu potencial genético, melhorando seus índices reprodutivos, aumentando
assim as chances de sobrevivência. Com a reprodução, a nutrição forma o sustentáculo da
preservação das espécies (PEREIRA, 2004). O que tem dificultado o desenvolvimento nesta área
são as poucas informações sobre as reais necessidades nutricionais e energéticas, bem como dos
hábitos alimentares dos animais silvestres, dificultando o sucesso de manejo, reprodução em
cativeiro e os programas de conservação na natureza.
Suricatas são pequenos mamíferos diurnos, da ordem Carnívora pertencentes à família
Herpestidae (FUEHRER, 2003; MORETTO et al., 2010) que vivem em grupos matrilinear
formando uma sociedade cooperativa (CLUTTON-BROCK et al., 2005). Em cada grupo, um
macho e uma fêmea são socialmente dominantes e são os pais da maioria das ninhadas nascidas
(CLUTTON-BROCK et al., 2001a; GRIFFIN et al., 2003; STEPHENS at al., 2005), enquanto um
número variável de submissos auxiliares de ambos os sexos auxiliam na alimentação dos filhotes
(BROTHERTON et al., 2001). Filhotes de suricatas dependem fortemente do grupo para lhes
fornecer comida e proteção e os adultos os ensinam como lidar com presas potencialmente
perigosas (THORNTON & MCAULIFFE, 2006). O tamanho adulto é atingido em cerca de 6 meses
de idade e a maturidade sexual aos 12 meses (KIMBLE, 2003). O período de vida dos suricatas, em
estado selvagem, é de 5 a 15 anos (van STAADEN, 1994) e em cativeiro o recorde registrado é de
20,6 anos (WEIGL, 2005). São naturais das regiões aridas do sul da África, habitando as savanas do
Kalahari, Angola, Namíbia, Botswana, Zimbábue, Moçambique e África do Sul (WILSON &
REEDER, 1993; van STAADEN, 1994; MACDONALD & HOFFMANN, 2008).
Fig 01. Área de Ocorrência Suricata suricatta (IUCN 2011).
Nutricionalmente, suricatas têm sido descritos como generalistas oportunistas (DOOLAN &
MACDONALD, 1996; THORNTON & MCAULIFFE, 2006; ENGLISH, 2009), ou insetívoros
(van STAADEN, 1994; WETTLAUFER & SMITH, 2010) e sua dieta varia sazonalmente ou de
acordo com a disponibilidade de alimentos (DPIPWE, 2011). São caracterizados por possuírem
estômago simples, trato digestivo curto e dentes especializados (molares cúspides) em triturar o
exoesqueleto quitinoso dos invertebrados (SCHLIEMANN, 1990).
Na natureza, alimentam-se primariamente de insetos, consumindo também pequenos
vertebrados, ovos e matéria vegetal que encontram cavando no solo ou vasculhando sob rochas (van
STAADEN, 1994). Indivíduos localizam a presa usando principalmente o olfato (ENGLISH, 2009),
apresentando alta atividade de farejamento e forrageamento (MORETTO et al., 2010), passando de
5 a 8 horas por dia ao ar livre à procura de alimentos (DOOLAN & MACDONALD, 1996).
Forrageiam continuamente as potenciais presas escondidas em fendas e buracos (FLOWER, 2007)
escavando até 20 cm abaixo do solo numa distância que varia de 20 a 50 metros próxima de sua
toca ou abrigo (CLUTTON-BROCK et al., 1998).
A base de sua dieta, em ordem de importância relativa, segundo Lynch (1980) citado por
van Staaden, (1994), incluem as seguintes classes: Inseta, 82%; Arachnida, 7%; Chilopoda, 3%;
Diplopoda, 3%; Reptila, 2%; Amphibia, 2% e Aves 1%, sendo que as preferências alimentares
variam sazonalmente. Roberts (1981) e Doolan & Macdonald (1996), citados por Gutzmann et al.
(2009), estudando hábitos alimentares de suricatas na natureza descreveram que estes animais
consumiram uma grande variedade de presas, incluindo Choleoptera (p.ex. besouros), Orthoptera
(p.ex. gafanhotos), Hymenoptera (p.ex. vespas / abelhas), Neuroptera (p.ex. louva-deus), Myriapoda
(p.ex. centopéias), Solifugidae (p.ex. aranhas), Chondrodactylus (p.ex. gekko), além de escorpiões,
lagartos, serpentes e mamíferos pequenos, variando a dieta sazonal e localmente.
Fig 02. S suricatta forrageando invertebrado (Meerkats.Org, 2012).
Esses pequenos carnívoros gregários, em seu ambiente natural, pesam menos de 1 Kg de
Peso Vivo (PV) (RUSSEL et al., 2004; TATALOVIC, 2008), com uma média de 731 gramas em
machos e 720 gramas em fêmeas (SMITHERS, 1971; van STAADEN, 1994; FUEHRER, 2003).
Em cativeiro, animais estudados por Gutzmann et al. (2009), demonstraram, serem mais pesados do
que suas contrapartes selvagens (média de 1307 gramas / suricata). Kimble (2003) e Dpipwe (2011)
publicaram que o peso de suricatas cativas pode variar de 600 a 2500g. Esta diferença de peso entre
animais cativos e selvagens é comum nos empreendimentos de uso e manejo de animais silvestres e
ocorre principalmente por uma interação entre a energia da dieta, pouca possibilidade de locomoção
e exercício com consequente baixo gasto de energia e falta de ocupação (KAMPHUES, 1993;
CARCIOFFI, 2000).
Suricatas possuem um metabolismo lento para um carnívoro de seu tamanho, ajudando-os a
tolerar temperaturas quentes de forma consistente em seu ambiente natural (AZA, 2011). Muller e
Lojewski (1986) encontraram uma Taxa Metabólica Basal (TMB) 42% abaixo do valor esperado
pela massa corporal de suricatas. No entanto, um metabolismo lento também os torna mais
sensíveis a temperaturas mais frias (DENNIS, 1999).
Alimentar suricatas em cativeiro é um desafio, dada à limitada variedade de alimentos e
presas naturais disponíveis, o conteúdo nutricional variável destes itens e os requisitos de energia
geralmente restritos dos animais em cativeiro. Segundo Gutzmann et al. (2009), o objetivo de
fornecer níveis adequados de nutrientes essenciais, sem exceder os requisitos energéticos é
dificultado pela falta de dados, como quais são as necessidades nutricionais exatas e a falta de
rações balanceadas para muitas espécies silvestres. Na determinação de uma dieta adequada para os
animais em cativeiro, é importante considerar sua dieta no habitat natural e suas adaptações
fisiológicas no consumo destes itens específicos. Critérios para formulação de dietas devem abordar
necessidades nutricionais dos animais, ecologia alimentar, bem como históricos individuais e
naturais para assegurar que padrões específicos de alimentação e comportamentos da espécie sejam
estimulados (AZA, 2011).
Energia
Sem levar em consideração a água, a energia é o componente mais importante a se
considerar em um alimento, para todo e qualquer animal (CASE et al. 1998).
Estimar o teor de energia é o primeiro passo na formulação da dieta, no qual determina a
quantidade de alimentos que será ingerido e, portanto, a concentração de nutrientes necessários para
atender às exigências do animal (CLAUSS et al., 2010). O valor nutritivo de um alimento
dependerá, fundamentalmente, da quantidade de nutrientes que é destinado ao animal, do consumo
e da digestibilidade dos mesmos (PINEDO, 2008).
Segundo Nunes et al., (2006), os animais ingerem alimentos para suprir suas necessidades
energéticas e, portanto, é necessário manter a relação entre a energia disponível e os nutrientes que
compõem a dieta. Energia, vitaminas, proteínas, minerais e água são diferentes categorias de
nutrientes que devem ser extraídos do meio ambiente e alocados no meio interno de forma a
estabelecer um balanço positivo.
Mugford, (1977) afirma que diversos fatores influenciam no consumo energético diário do
animal carnívoro, sendo que a Taxa Metabólica de Repouso (TMR) é influenciada pela composição
orgânica, idade, ingestão calórica e status fisiológico. Pode ainda ser controlado por fatores externos
como, sabor, odor, composição, textura do alimento e o ambiente das refeições.
A energia presente nos alimentos (Gráfico 01) é um produto resultante da transformação
dos nutrientes durante o metabolismo, sendo um dos fatores mais importantes na nutrição animal
(FISHER Jr et al.,1998). Os valores que traduzem a utilização da energia pelos animais são aqueles
expressos em energia digestível (ED) que significa a energia bruta (EB) do alimento menos a EB
das fezes; energia metabolizável (EM) que é igual à EB do alimento menos a EB das fezes, a EB da
urina e os gases da digestão; energia líquida (EL) (EM menos o incremento calórico) e energia
produtiva (EP) (EL menos energia de manutenção) (RODRIGUES et al. 2002; CALDERANO,
2008; SAAD et al. 2008).
Gráfico 01: Esquema partição energia dos alimentos (SAAD & FERREIRA, 2004; LIMA et. al. 2007).
A determinação dos valores energéticos depende do calorímetro e de metodologias que
envolvem ensaios com animais, nem sempre possíveis de realização (BORGES et al., 2003). Assim,
a disponibilidade de equações de predição, um método indireto de determinação de Energia
Metabolizável mediante o uso de parâmetros químicos e físicos, pode ser uma importante
ferramenta para estimar a digestibilidade e as exigências diárias energéticas do animal, tendo como
base o método fatorial.
Objetivos
Estimar através de equações de predição, a necessidade energética metabolizável de
manutenção de suricata e adequar sua dieta de acordo com o requerimento de energia e de
nutrientes.
Determinar uma equação alométrica para Necessidade Energética de Manutenção de
suricatas, sugerindo fatores de correção para diferentes níveis de atividade do animal dentro do
grupo: inativo (sedentário), ativo e muito ativo.
Materiais e Métodos
O presente trabalho foi conduzido no recinto do Setor Extra da Fundação Parque Zoológico
de São Paulo (FPZSP) onde está alojado um Suricata macho, adulto, 7 anos de idade, ativo, não
dominante, nascido em cativeiro, pesando 1460 gramas de Peso Vivo (PV) em 12/06/2012.
Para se buscar subsídios na alimentação natural que pudesse oferecer indicações nutricionais
para cativeiro, foi realizada uma revisão de literatura para fundamentação teórica, onde foi possível
estimar a ingestão de nutrientes na natureza e comparar estes valores com as recomendações
nutricionais preconizadas pela AZA (2011), de forma a determinar o melhor padrão nutricional do
exemplar em questão.
O conteúdo nutricional dos alimentos frescos foi determinado pela Tabela Brasileira de
Composição de Alimentos / NEPA –UNICAMP (TACO, 2011) e pelo National Nutrient Database
for Standard Reference (USDA, 2005). A composição bromatológica das presas inteiras
(vertebrados) utilizados na dieta foi determinada por Dierenfeld et al., (2002) e dos insetos por
Bernard et al., (1997). A composição centesimal incluiu a determinação do teor de umidade, matéria
seca, proteínas, lipídeos totais, carboidratos totais, fibra bruta, matéria mineral, cálcio e fósforo. A
Energia Metabolizável (EM) da dieta foi calculada utilizando o Fator de Atwater modificado para
cães e gatos (NRC, 2006) sendo:
EM (Kcal/100g alimento) = [(3,5 x % Proteína Bruta) + [(8,5 x % Extrato Etéreo)] + [(3,5 x % Extrativos Não
Nitrogenados)]
ENN = 100% - % de umidade - % de proteína - % de gordura - % de matéria mineral - % de fibra bruta
A densidade energética determina a quantidade diária de alimento consumido e, portanto,
influencia diretamente a quantidade dos demais nutrientes essenciais que o animal consome. Assim,
é importante equilibrar as dietas de forma correta, de maneira que satisfaçam às demandas de todos
os nutrientes, ao mesmo tempo em que satisfazem às demandas energéticas (NUMAJIRI, 2006).
A dieta do suricata consistia em itens alternados durante a semana, composta de produtos de
origem animal (músculo bovino, peito de frango, coração bovino, pernil suíno e ovo cru) e presas
inteiras (pintinho, rato adulto, rato neonato e codorna), oferecida em uma única refeição diária. Foi
calculada a média ponderada de energia metabólica da dieta semanal para determinar a quantidade
energética consumida diariamente (Energia Metabolizável (EM) 289 Kcal/dia) variando durante a
semana entre 222 a 399 Kcal/dia perfazendo um total de 2026 Kcal/semana. Os demais nutrientes
em Base de Matéria Seca (MS) foram: Proteína Bruta (PB) de 59,2 a 78%, Extrato Etéreo (EE) de
16,1 a 34,1%, Matéria Mineral (MM) de 4 a 10%, Fibra Bruta (FB) de 0,1 a 1,9%, Extrativo Não
Nitrogenado (ENN) de 0,5 a 17,7%, Cálcio (Ca) de 1 a 3,3% e Fósforo de 0,6 a 1,1% (Tab. 02).
As informações disponíveis de requerimentos energéticos de suricatas sugerem que estes
estão intimamente relacionados à massa corporal, hábitos alimentares, clima e nível de atividade,
todos estes fatores estão inter-relacionados e alguns exercem mais influência que outros (AZA,
2011). Animais especializados em consumir invertebrados como os Herpestidae tem baixa Taxa
Metabólica Basal (TMB) devido a seu hábito alimentar primariamente insetívoro (MCNAB, 1989).
Para determinação da necessidade energética de manutenção (NEM) do suricata com 1465
gramas de Peso Vivo (PV) utilizaram-se as equações de predição (Tab.01) para mamíferos
placentários proposta por Kleiber, (1947; 1961) Robbins, (1993) Dierenfeld e Graffan, (1996),
Carciofi e Oliveira (2007) (Equação 01); comparando com as equações das publicações específicas
de S.suricattas: Muller and Lojewski, (1986); Levy, (1999); Habisher (2009) (Equação 02);
Muñoz-Garcia & Williams (2005) e AZA (2011) (Equação 03); Scantlebury et al., (2004)
(Equação 04); Gutzmann et al. (2009) (Equação 05); e para cães e gatos segundo o “Nutrient
Requirements of Dogs and Cats” (NRC, 2006) (Equação 06).
Necessidade Energética de Manutenção (NEM)
Suricata Adulto
PV= 1465g em 12/06/2012
Equação 01- NEM = 186 Kcal/dia
Equação 02 - NEM= 108 Kcal/dia
Equação 03 - NEM= 123 Kcal/dia
Equação 04 – NEM = 189 Kcal/dia
Equação 05 - NEM= 93 a 127 Kcal/dia
Equação 06 - NEM= 173 Kcal/dia (cão) e 129 Kcal (gato)
Tab. 01. Necessidade diária de energia metabolizável (NEM) calculadas por Equações de Predição.
Resultados
Tanto a quantidade de energia metabolizável necessária para o S. suricatta quanto à energia
metabolizável contida no alimento podem ser calculadas por equações de predição e a partir deste
ponto consegue-se estimar a quantidade de alimento, em quilogramas que o animal deve ingerir.
Comparando as equações de necessidade diária de energia metabolizável (NEM) em Kcal de
diversos autores foi possível adaptar uma equação de predição energética específica para suricatas
levando em conta seu metabolismo mais lento:
Necessidade Energética de Manutenção (NEM) Suricatas:
NEM = K x ( PV) 0,75
onde,
 K= fator de correção para diferentes tipos de atividade sendo:
80 – animal inativo (sedentário)
85 – animal ativo
90- animal muito ativo
 PV = Peso Vivo em Kg
A dieta composta basicamente por produtos de origem animal e presas inteiras (vertebrados)
foi modificada e balanceada levando em conta a real necessidade energética e nutricional do animal,
sua fisiologia e ecologia alimentar natural, suas particularidades digestivas e o histórico do
indivíduo. Foi restringida a caloria total da dieta, mantido alto conteúdo de proteína com moderada
queda nas quantidades de gordura e mantido mínimas quantidades de carboidratos (Tab. 02). A
incorporação de fibras constituiu uma das principais formas de diminuir a densidade energética dos
alimentos e assegurar um volume satisfatório para um nível de energia reduzido.
O oferecimento da dieta foi dividido em 2 refeições por dia sendo o mínimo preconizado
pela AZA, (2011). Fracionar a alimentação diária em pequenas refeições pode aumentar a
termogênese pós-prandial e constitui igualmente uma excelente forma de reduzir o espaço de tempo
em que o animal tem fome, limitando, assim, a hiperatividade à hora das refeições (NGUYEN &
DIEZ, 2006).
Sendo a fisiologia nutricional da espécie, primariamente insetívora (80% da dieta in situ) foi
introduzido na dieta invertebrados (grilos, tenébrios e besouros) oferecidos quatro dias da semana
(proteína de alto valor biológico).
Levando em conta que a Taurina é um aminoácido essencial (aa) limitante na dieta de
suricatas com casos relatados de cardiomiopatia dilatada nestes animais por carência deste
(GUTZMANN et al. 2009, AZA 2011), foi inserido Ração Extrusada Felina Premium, oferecida
diariamente na parte da manhã misturada com músculo bovino moído cru. Foram mantidos na dieta
os produtos de origem animal (músculo bovino, peito de frango, coração bovino, pernil suíno e ovo
cru) e algumas presas inteiras (pintinho, rato adulto, rato neonato) calculando a Energia
Metabolizável da dieta e demais nutrientes.
Fig.03 – Suricata se alimentando com ovo cru e inseto. (Fotos: Felipe Sá.)
Para o cálculo da Necessidade Energética de Manutenção (NEM) do indivíduo utilizou-se a
Equação de Predição Energética proposta para S. suricatta ativa:
Peso Vivo PV = 1,465 Kg
NEM = 85 x (Peso Vivo (Kg))0,75
NEM = 85 x (1,465) 0,75
NEM = 85 x 1,331613589
NEM= 113 Kcal/dia
Média Semanal
Quantidade (gramas)
Energia Metabolizável (Kcal)
NEM (Kcal/dia)
Energia Metabolizável (Kcal/semana)
PB %
EE %
MM %
FB%
ENN %
Ca %
P%
Dieta Antiga
177
289
2026
68
26
7
0,4
10
1,8
0,9
Dieta Reformulada
79
113
113
795
59
22
8
1,6
12
1,2
0,9
Tab. 02 – Comparação bromatológica dieta antiga x dieta reformulada em Base de Matéria Seca.
Conclusões
A taxa na qual um animal selvagem utiliza os recursos em seu ambiente seja natural ou
artificial é determinada primariamente por seus requisitos de energia metabólica. A necessidade da
energia potencial química como combustível do metabolismo energético é o aspecto determinante
na procura por comida. Assim, a necessidade diária de energia determina a quantidade e a
frequência de alimentação, um dos principais determinantes da ingestão diária de nutrientes,
incluindo proteínas, vitaminas e minerais. A seleção da dieta também desempenha um papel
importante na ingestão de energia e nutrientes além, da atividade de forrageamento, influenciar as
interações ecológicas dos animais porque as presas, em particular organismos animais, devem os
expor a tipos específicos e durações de predação enquanto se alimenta (NAGY et al., 1999).
Este trabalho procurou mostrar alguns dos principais aspectos que devem ser observados ao
alimentar ou elaborar um programa nutricional de suricatas adultos na fase de manutenção com base
em sua exigência energética.
Uma das maneiras para aumentar a precisão nas formulações das dietas, é o uso de equações
de predição, uma vez que estas possibilitam corrigir o valor energético dos alimentos, de acordo
com as variações em sua composição química.
Baseado nas equações de metabolismo energético determinadas por diversos autores
sugeriu-se uma equação alométrica específica para S. suricattas:
NEM = K x (Peso Vivo (Kg)) 0,75, sendo K= fator de correção para diferentes tipos de
atividade (80 – animal inativo (sedentário); 85 – animal ativo; 90- animal muito ativo).
Esta equação proporciona uma estimativa dos requerimentos energéticos diários para
diferentes tamanhos de suricatas adultos em diferentes níveis de atividade. Com a utilização destes
cálculos podemos fornecer a estes pequenos carnívoros as quantidades de alimentos adequadas, sem
exageros, proporcionando uma melhor qualidade de vida e aumento da longevidade.
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EQUAÇÃO PREDIÇÃO ENERGÉTICA SURICATA