UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: CASO ESPECÍFICO DO INSTITUTO FEDERAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MINAS GERAIS – CAMPUS SÃO JOÃO EVANGELISTA. Dissertação de Mestrado em Gestão RITA SIRLEY SOUTO BARCELOS Orientador: Professor Doutor Francisco José Lopes de Sousa Diniz Vila Real, 2013 UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: CASO ESPECÍFICO DO INSTITUTO FEDERAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MINAS GERAIS – CAMPUS SÃO JOÃO EVANGELISTA. Dissertação de Mestrado em Gestão De: Rita Sirley Souto Barcelos Orientação: Professor Doutor: Francisco José Lopes de Sousa Diniz Composição do Júri: (UTAD) – Professora Doutora Carla Suzana da Encarnação Marques – Presidente (IPB) – Professor Doutor: Antônio José Gonçalves Fernandes – Arguente (UTAD) – Professor Doutor: Francisco José Lopes de Sousa Diniz – Orientador Vila Real, 2013 Dissertação apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Gestão. Não importa aonde você parou... Em que momento da vida você cansou... O que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar" (Carlos Drummond de Andrade) Dedico esta dissertação: A Deus, a minha família, especialmente ao meu esposo Edilson, a minha filha Mayara e ao meu anjo emprestado Rayane. Aos amigos, colegas de trabalho e orientador pelo apoio, força, incentivo e amizade. Sem eles nada disso seria possível. AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço a Deus pelo dom da vida, por todas as oportunidades e pela força para perseverar sempre. Tudo em minha vida é graça de Deus. Sem Ele, nada seria possível. Meus agradecimentos especiais ao professor e orientador Doutor Francisco José Lopes de Sousa Diniz por sua competência, sabedoria, apoio e confiança em meu trabalho. Aos Colegas, servidores técnicos administrativos do IFMG- Campus São João Evangelista, pela atenção, disponibilidade e colaboração no preenchimento dos questionários. Aos colegas de Mestrado, especialmente Christiana, Cláudia, Elber, Edilson, Gecilene, Dina Pires, Roberto Carlos, que acompanharam minha trajetória, meu muito obrigado! Aos colegas do IFMG, especialmente Ângela Rangel, Aderlan Silva, Edilson Barcelos, Flávio Puff, Jadir Vieira, João Tomaz, Isabel Cristina Emerich, Keila Lopes, Rafaela Assis e Sandro Salles pelo incentivo e apoio no decorrer do curso. Aos professores do programa de mestrado da UTAD, Professora Doutora Carla Marques, Professor Doutor Francisco Diniz, Professora Ana Paula e Professor Doutor João Ferreira. A minha ex-professora, Maria de Jesus Amaral Procópio, pela acolhida na EAF hoje IFMG, e pela revisão deste trabalho, meus sinceros agradecimentos. Aos amigos e familiares, que sempre me acompanham e torcem por mim, sempre ouvindo, incentivando e compreendendo minhas ausências. RESUMO Sendo a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) um dos enquadres teóricos mais importantes para a área de Gestão dos Recursos Humanos, inclusive no contexto das organizações públicas, a presente pesquisa propõe um estudo de caso de natureza quantitativa acerca da percepção das condições de QVT dos servidores técnicoadministrativos do IFMG - Campus SJE, instituição pública de ensino, localizada em um pequeno município de Minas Gerais. Buscou-se analisar a percepção desses trabalhadores em termos de satisfação e envolvimento com o trabalho realizado, a relação do tempo de serviço dos mesmos com a percepção da QVT, além de levantar ações de promoção de QVT aplicáveis à organização, tendo em vista as demandas diagnosticadas. Supõe-se que a ausência de políticas de gestão com foco na QVT gera dificuldades e prejuízos para o processo e compromete o nível de satisfação e envolvimento do trabalhador com sua atividade, implicando na queda de produtividade e de qualidade na prestação de serviços, optou-se por um estudo exploratório-descritivo, que submeteu os sujeitos da pesquisa a um questionário auto respondido, sendo os dados submetidos à análise estatística e discutidos por meio de um diálogo com a literatura sobre o tema. Os resultados obtidos identificaram que a QVT-Global foi avaliada positivamente, bem como as Dimensões da Moral e da Relação Chefe/subordinado, sendo que as Dimensões da Saúde e Comunicação foram avaliadas negativamente, ficando a Dimensão da Participação na neutralidade. Existe correlação positiva entre a QVT e os índices de Saúde, de Moral, de Imagem da Instituição e Relação Chefe/Subordinado. E como principais motivos de redução da QVT, a falta de capacitação/qualificação e reconhecimento pelo trabalho. A pesquisa é apresentada como um instrumento de gestão para o campus, tendo em vista que traz um desenho da atual situação da QVT no âmbito do IFMG-SJE, apresentando aspectos positivos e as fragilidades do campus. PALAVRAS-CHAVE: Qualidade de Vida no Trabalho; Gestão dos Recursos Humanos; administração pública; satisfação no trabalho. ABSTRACT This research takes into account the approach of Work-Life Quality (WLQ) as one of the most important theoretical proposals to the Human Resources Management area (Including the public organizations context) and proposes a quantitative case study about the administrative employees' perceptions of WLQ conditions at Instituto Federal Minas Gerais – Campus São João Evangelista, a public educational institution, located in a small city of Minas Gerais. The study intended to examine these workers’ perception in terms of satisfaction and engagement with their work, the relationship between service time and the perception of WLQ, besides proposing actions to promote WLQ for the organization, considering the diagnosed demands. It is assumed that the absence of management policies with a focus on WLQ generates difficulties and damage to the process and compromises the worker’s level of involvement and satisfaction with his activity, causing productivity and quality decreases. It was chosen an exploratory-descriptive study, which submitted the research subjects to a selfadministered questionnaire; data were submitted to a statistical analysis and discussed by means of a dialogue with the literature on the subject. The results show that the Global WLQ has been positively evaluated, as well as the Moral and Relationship Boss /subordinate dimensions, and the Health and Communication Dimensions were evaluated negatively, leaving the Participation dimension in neutrality. There is positive correlation between WLQ and indexes Health, Morale, Institution Image and Relationship boss/ Subordinate. And the main reason for reducing WLQ was lack of training / qualification and recognition for the work. The research presents itself as a management’s instrument for the campus considering that brings a drawing of the current situation of WLQ at IFMG-SJE, presenting positives aspects and the campus’ weakness. KEY-WORDS: Work-Life Quality, human resources management, public administration, job satisfaction. _________________________________________________________________Índice ÍNDICE CAPÍTULO I ................................................................................................................................................................... 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................... 1 CAPÍTULO II .................................................................................................................................................................. 4 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA ............................................................................................................. 4 2.1. INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CAMPUS SÃO JOÃO EVANGELISTA: UMA BREVE APRESENTAÇÃO. ........................................................................................................................................................ 4 2.1.1. Comunidade Acadêmica - docente ........................................................................................................... 5 2.1.2. Comunidade Acadêmica - Técnico Administrativo .................................................................................... 6 2.1.3. Comunidade Acadêmica – Discente ....................................................................................................... 10 2.1.4. Estrutura Organizacional ......................................................................................................................... 12 2.1.5. Estrutura Física ....................................................................................................................................... 14 2.1.6. Participação da comunidade externa no campus ................................................................................... 15 2.1.7. Público pesquisado ................................................................................................................................. 15 2.2. RELEVÂNCIA E OBJETIVOS DA INVESTIGAÇÃO ........................................................................................ 16 2.3. DESENHO E ESTRUTURA DA INVESTIGAÇÃO ............................................................................................ 18 CAPÍTULO III ............................................................................................................................................................... 20 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................................................................ 20 3.1. QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO .......................................................................................................... 20 3.2. QVT COMO INSTUMENTO DE GESTÃO ........................................................................................................ 24 3.3. QVT NO SETOR PÚBLICO .............................................................................................................................. 29 3.4. MODELOS CONCEITUAIS DE AVALIAÇÃO DA QVT .................................................................................... 32 3.4.1. Modelo conceitual de investigação ......................................................................................................... 33 CAPÍTULO IV .............................................................................................................................................................. 37 4. METODOLOGIA................................................................................................................................................ 37 4.1. TIPO DE ESTUDO ............................................................................................................................................ 37 4.2. QUESTÕES E HIPÓTESES DE INVESTIGAÇÃO ........................................................................................... 39 4.3. POPULAÇÃO EM ESTUDO ............................................................................................................................. 39 4.4. INSTRUMENTOS DE MEDIDA ......................................................................................................................... 40 4.5. VARIÁVEIS ....................................................................................................................................................... 43 4.6. APLICAÇÃO E TRATAMENTO ESTATÍSTICO ............................................................................................... 43 4.7. ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA ....................................................................................... 43 Rita Sirley Souto Barcelos i _________________________________________________________________Índice CAPÍTULO V ............................................................................................................................................................... 45 5. QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: CASO ESPECÍFICO DO INSTITUTO FEDERAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MINAS GERAIS – CAMPUS SÃO JOÃO EVANGELISTA. ......................................................... 45 5.1. A PROPOSTA DO ESTUDO............................................................................................................................. 45 5.2. ANÁLISE DESCRITIVA .................................................................................................................................... 45 5.3. CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIDORES ....................................................................................................... 45 5.4. A QVT NO CONTEXTO DO IFMG-SJE ............................................................................................................ 49 5.4.1. Dimensão 01 – QVT global. .................................................................................................................... 50 5.4.2. Dimensão 02 – Saúde............................................................................................................................. 53 5.4.3. Dimensão 03 – Moral .............................................................................................................................. 57 5.4.4. Dimensão 04 – Participação ................................................................................................................... 63 5.4.5. Dimensão 05 – Comunicação ................................................................................................................. 67 5.4.6. Dimensão 06 – Imagem da Instituição .................................................................................................... 69 5.4.7. Dimensão 07 – Relação Chefe-subordinado .......................................................................................... 71 5.5. ANÁLISE COMPARATIVA ............................................................................................................................... 74 CAPÍTULO VI .............................................................................................................................................................. 81 6. REFLEXÕES/CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................... 81 6.1. CONCLUSÃO.................................................................................................................................................... 81 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................................. 87 8. ANEXOS ........................................................................................................................................................... 91 ANEXO I – Questionário de Avaliação da Qualidade de Vida no Trabalho ................................................................. 91 ANEXO II – Estrutura Física do IFMG-SJE. ................................................................................................................. 96 Rita Sirley Souto Barcelos ii _________________________________________________________________Índice LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Organograma do IFMG-SJE. ...................................................................................................................... 12 Figura 2 – Etapas do Desenvolvimento da pesquisa ................................................................................................... 44 Rita Sirley Souto Barcelos iii _________________________________________________________________Índice LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Distribuição, por faixa etária, dos docentes do IFMG-SJE. ......................................................................... 5 Tabela 2 – Distribuição, por tempo de admissão, dos docentes do IFMG-SJE. ............................................................ 6 Tabela 3 – Docentes do IFMG-SJE de acordo com o grau de escolaridade. ................................................................ 6 Tabela 4 – Distribuição dos Técnico-administrativos do IFMG-SJE por gênero. ........................................................... 7 Tabela 5 – Distribuição dos Técnico-administrativos do IFMG-SJE por faixa etária. .................................................... 7 Tabela 6 – Distribuição dos Técnico-administrativos do IFMG-SJE por tempo de admissão. ...................................... 8 Tabela 7 – Técnico-administrativos do IFMG-SJE de acordo com o grau de escolaridade. ......................................... 8 Tabela 8 – Distribuição dos Terceirizados do IFMG-SJE por gênero. ........................................................................... 8 Tabela 9 – Distribuição dos Terceirizados do IFMG-SJE por faixa etária. .................................................................... 9 Tabela 10 – Terceirizado do IFMG-SJE de acordo com o grau de escolaridade. ......................................................... 9 Tabela 11 – Distribuição dos terceirizados do IFMG-SJE por tempo de serviço. .......................................................... 9 Tabela 12 – Critérios Indicadores de QVT. .................................................................................................................. 27 Tabela 13 – Comparativo do tempo de serviço com a QVT-Global. ............................................................................ 53 Tabela 14 – Medidas descritivas e intervalo de 95% confiança para as variáveis que compõem o índice de saúde. 54 Tabela 15 – Medidas descritivas e intervalo de 95% de confiança para as variáveis que compõem o índice de Moral. ..................................................................................................................................................................................... 58 Tabela 16 – Medidas descritivas e intervalo de 95% de confiança para as variáveis que compõem o índice de Comunicação ............................................................................................................................................................... 68 Tabela 17 – Coeficiente e teste de correlação de Spearman dos índices da Qualidade de Vida do Trabalho com o QVT-Global. ................................................................................................................................................................. 76 Tabela 18 – Medidas descritivas e teste de Kruskal-Wallis dos índices da Qualidade de Vida do Trabalho entre as categorias do Tempo de Serviço na Instituição. .......................................................................................................... 77 Tabela 19 – Medidas descritivas e teste de Mann-Whitney para os índices da Qualidade de Vida do Trabalho entre função gratificada. ........................................................................................................................................................ 78 Tabela 20 – Medidas descritivas e teste de Mann-Whitney para os índices da Qualidade de Vida do Trabalho entre Gênero. ........................................................................................................................................................................ 78 Rita Sirley Souto Barcelos iv _________________________________________________________________Índice LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Caracterização dos servidores técnicos administrativos – Gênero ........................................................... 46 Gráfico 2 – Caracterização dos servidores técnicos administrativos – Faixa etária. ................................................... 46 Gráfico 3– Caracterização dos servidores Técnicos Administrativos – Tempo de serviço. ......................................... 47 Gráfico 4 – Caracterização dos servidores técnicos administrativos – Escolaridade. ................................................. 48 Gráfico 5 – Ocupação de cargo de confiança – Função Gratificada/ Cargo de direção. ............................................. 49 Gráfico 6 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para a QVT – Global. ............................................. 50 Gráfico 7 e Gráfico 8 – Gráfico de Pareto para as variáveis relacionadas a QVT-Total. ............................................. 51 Gráfico 9 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança as variáveis que compõem o índice de saúde. ...... 54 Gráfico 10 – Ações implementadas pelo IFMG-SJE em relação à saúde. .................................................................. 55 Gráfico 11 – Sugestões de ações relativas à saúde dos servidores a serem implantadas no IFMG-SJE. ................. 56 Gráfico 12 – Maneira pela qual a saúde do servidor é afetada por sua atividade ocupacional. .................................. 58 Gráfico 13 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para as variáveis que compõem o índice de Moral. ..................................................................................................................................................................................... 59 Gráfico 14 – Fonte de motivação dos técnicos administrativos na execução de suas tarefas. ................................... 60 Gráfico 15 – Feedback dado ao servidor em relação ao seu trabalho. ....................................................................... 61 Gráfico 16 – Maneira como o relacionamento interpessoal estabelecido no IFMG-SJE contribui para a QVT na visão dos técnicos administrativos ........................................................................................................................................ 62 Gráfico 17 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para as variáveis que compõem o índice de Participação. ................................................................................................................................................................ 64 Gráfico 18 – Gráficos de Pareto para as variáveis relacionadas à participação-Valorização das ideias. ................... 65 Gráfico 19 – Gráficos de Pareto para as variáveis relacionadas à participação –Incentivo à capacitação. ................ 66 Gráfico 20 – Nível de eficácia da comunicação no IFMG-SJE em todos os níveis hierárquicos. ................................ 68 Gráfico 21 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para as variáveis que compõem o índice da imagem da empresa. ................................................................................................................................................... 70 Gráfico 22 – Representação do IFMG-SJE para os pesquisados. .............................................................................. 70 Gráfico 23 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para as variáveis que compõem o índice da relação chefe-subordinado........................................................................................................................................... 72 Gráfico 24 – Percepção do relacionamento entre os técnicos administrativos pesquisados e seus chefes imediatos. ..................................................................................................................................................................................... 72 Gráfico 25 – Sugestões para melhoria da QVT no âmbito do IFMG-SJE. ................................................................... 74 Gráfico 26 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para os índices da Qualidade de Vida do Trabalho. ..................................................................................................................................................................................... 75 Rita Sirley Souto Barcelos v _________________________________________________________________Índice LISTA DE SIGLAS E TERMOS UTILIZADOS ABRH – Associação Brasileira de Recursos Humanos. ADCON – Administração e Conservação. CIPA – Comissão Interna de Prevenção a Acidentes. D.P. – Desvio Padrão. DINTER/MINTER – Doutorado Interinstitucional/Mestrado Interinstitucional. E.P. – Erro Padrão. ENANPAD – Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração. FG – Função Gratificada. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IFMG-SJE – Instituto Federal de Minas Gerais – Campus São João Evangelista. L.I. – Limite inferior. L.S. – Limite Superior. P – Valor PAE – Programa de Assistência Estudantil. PPI – Projeto Pedagógico Institucional. PROEJA-FIC – Programa de Educação de Jovens e Adultos – Formação Inicial e Continuada. QVT – Qualidade de Vida no Trabalho. SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. SETEC/MEC – Secretaria Tecnológica/Ministério da Educação e Cultura. SISOSP – Sistema Integrado de Saúde do Servidor Público. SISU – Sistema de Seleção Unificada. SPSS – Statiscal Package for Social Science. SRH-MPOG – Secretaria de Recursos Humanos – Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. UEP’s – Unidades Educativas de Produção. UTAD-PT – Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro- Portugal. WLQ – Work-Life Quality. Rita Sirley Souto Barcelos vi ______________________________________________________________Introdução CAPÍTULO I INTRODUÇÃO Compreendendo-se o trabalho como um importante núcleo estruturador da vida, da constituição da identidade e da inserção social dos indivíduos, é observada uma extensa abordagem do tema com os mais diferentes enfoques teóricos e metodológicos. Sob o olhar da chamada área de Gestão dos Recursos Humanos, o trabalho é obrigatoriamente uma temática privilegiada de pesquisa, tendo em vista a necessidade de gerenciamento dos indivíduos em suas respectivas atividades laborais, considerando suas particularidades, bem como as do contexto organizacional e social no qual estão inseridos. A polêmica e histórica oposição entre trabalhador e organização, lazer e trabalho, produtividade e lucro, entre tantas outras que permeiam o ambiente organizacional, demonstram como as teorias e práticas da administração ainda deixam a desejar no que concerne à promoção de melhores condições de trabalho. Sendo extensa e muito atual a literatura que aponta para o potencial de sofrimento, alienação e adoecimento provocado pelo trabalho, a área de Gestão dos Recursos Humanos carece de contínuas revisões, de modo a apoiar e atender as demandas dos sujeitos e instituições envolvidos. Dentre os enquadres teóricos mais importantes dessa área de estudo, situa-se a questão da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), que focaliza a vivência objetiva e subjetiva do trabalho, as condições e a organização do mesmo, numa abordagem multidimensional, visando tanto obter melhores níveis de produtividade e lucro quanto garantir a satisfação do trabalhador com as tarefas que executa. Ao incorporar a QVT entre as suas demandas de investigação, a área de Gestão dos Recursos Humanos consegue ir além dos aspectos concretos das situações de trabalho, passando a considerar a saúde e o bem-estar subjetivo do trabalhador, dentro e fora da organização, visando benefícios não só para a empresa como também para o próprio trabalhador e, consequentemente, para a sociedade. Tais benefícios, a partir dessa ótica, não são necessariamente contabilizados como lucro e vantagens materiais nem são de natureza exclusivamente assistencialista. Rita Sirley Souto Barcelos 1 ______________________________________________________________Introdução Avançar nesse aspecto é entender que a QVT vai além de questões de caráter técnico e econômico, mas revela principalmente uma demanda que considera a cultura, os valores e a subjetividade dos trabalhadores. Diante dessas considerações, observa-se que na atualidade inúmeros programas e ações voltadas para a promoção de QVT têm sido desenvolvidos por organizações públicas e privadas como forma de harmonizar a relação entre indivíduo e organização. Para Frossard (2009), a preocupação com a QVT não é menos relevante quando se trata de organizações públicas, diante da importante função de prestação de serviços à população. Ferreira, Alves e Tostes (2009) justificam que esse interesse é reflexo do novo paradigma organizacional que vai se afirmando, onde não basta garantir a qualidade final de produtos e serviços, sendo também necessário considerar o bem-estar dos colaboradores. Dentro desse contexto, ainda que o setor público preserve algumas especificidades em relação ao setor privado na questão da produtividade e lucratividade, questões de QVT são tão relevantes para um quanto para o outro. Tendo em vista os inúmeros resultados que confirmam o reflexo direto dos programas de QVT na competitividade e produtividade das organizações, ressalta-se que aquelas que ainda não aderiram a essas ferramentas de gestão vivem, em certo ponto, uma desvantagem competitiva, por não estarem atentas em garantir um ambiente mais saudável e produtivo aos seus colaboradores. Diante do exposto, esta dissertação tem como objetivo principal identificar a percepção da QVT, a satisfação e a realização profissional dos servidores técnico administrativos do Instituto Federal de Minas Gerais – Campus São João Evangelista (IFMG-SJE), instituição pública de ensino profissionalizante, localizada em um pequeno município do estado de Minas Gerais, segundo sua própria percepção. Sendo assim, após uma breve introdução, o segundo capítulo apresenta a caracterização da instituição pesquisada, perpassando por sua estrutura física e humana. Apresenta também a caracterização do público pesquisado, assim como a relevância, os objetivos e o desenho e a estrutura da investigação. O terceiro capítulo trata do referencial teórico que serviu de base para o estudo, trazendo uma revisão histórica do movimento pela QVT, desde suas origens até os dias atuais. Neste capítulo, conceitua-se a QVT, dando um enfoque especial à QVT no setor público e apresenta os modelos conceituais de avaliação de QVT, mais especificamente o modelo adotado por Fernandes (1996), por ser ele o utilizado nesta pesquisa. Rita Sirley Souto Barcelos 2 ______________________________________________________________Introdução O capítulo quarto traz a metodologia adotada na pesquisa. Aborda o tipo de estudo e as questões e hipóteses de investigação. Define a população em estudo e os instrumentos de medida, assim como as variáveis e a aplicação e tratamento estatísticos utilizados. O capítulo quinto apresenta a análise e interpretação dos dados, perpassando pela análise descritiva e análise estatística. Caracteriza-se o público pesquisado e aborda a QVT no contexto do IFMG-SJE, de acordo com as seguintes dimensões, definidas por Fernandes: saúde, moral, participação, comunicação, imagem da empresa e relação chefe subordinado. No sexto, trata-se das conclusões, onde são apresentados os principais resultados da pesquisa e sugestões para melhoria da QVT dos servidores do IFMG-SJE. Assim sendo, ressalta-se que não é propósito, portanto, esgotar a temática ou oferecer respostas acabadas aos questionamentos que nos motivaram. Isto porque, na perspectiva deste estudo, a realidade é vista de forma dinâmica, em processo e passível de mudanças de acordo com as ações dos sujeitos sócios históricos e políticos que nela estão inseridos. Rita Sirley Souto Barcelos 3 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa CAPÍTULO II 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA Pretende-se, neste capítulo, realizar uma apresentação do IFMG-SJE, contexto desta pesquisa, sua estrutura física e organizacional, a comunidade acadêmica, as formas de participação da comunidade externa no Campus, além de identificar o público pesquisado, assim como a relevância institucional do estudo da QVT, como estratégia de Gestão dos Recursos Humanos. É propósito, deste capítulo também, apresentar como esta pesquisa está estruturada. 2.1. INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CAMPUS SÃO JOÃO EVANGELISTA: UMA BREVE APRESENTAÇÃO. O IFMG-SJE está situado no município de São João Evangelista, no estado de Minas Gerais. Possui 478,29 km2 de área, população de 15.553 habitantes, sendo 35% residente em zona rural (IBGE, 2010). Está localizado na região Centro Nordeste do Estado, no Vale do Rio Doce, mais especificamente na Bacia do Rio Suaçuí, próximo aos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri. O IFMG-SJE oferece, integrados ao Ensino Médio, os Cursos Técnicos em Agropecuária, Manutenção e Suporte em Informática e Nutrição e Dietética. Subsequente ao Ensino Médio, oferta o curso Técnico em Meio Ambiente. No nível de graduação, oferece o curso de Tecnologia em Silvicultura, bacharelados em Sistemas de Informação e Agronomia e Licenciatura em Matemática. Oferece também cursos de capacitação e qualificação de curta duração, para atendimento à população externa. Estes cursos são ministrados por servidores do próprio Instituto ou em parceria com outras instituições. O IFMG-SJE é uma instituição vinculada ao Ministério da Educação, especializada em educação profissional e tecnológica nos diferentes níveis e modalidades de ensino. ―Seu diferencial traduz-se na oferta de educação integral, em que o estudante tem possibilidades de desenvolver suas potencialidades, interagindo com os desafios tecnológicos e tornando-se partícipe da sua própria história, conquistando autonomia‖ (PPI, 2010, p.13). Rita Sirley Souto Barcelos 4 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa Possui, como missão, ―Consolidar-se como um Centro de Educação, promovendo o desenvolvimento humano e contribuindo para o progresso‖ (PPI, 2010, p. 13). A comunidade acadêmica é composta por 59 docentes pertencentes ao quadro efetivo, 24 professores contratados; 118 técnicos administrativos; 83 terceirizados, 31 servidores, que vieram recentemente anistiados da Empresa Vale do Rio Doce, além de 1237 alunos. 2.1.1. Comunidade Acadêmica - docente O corpo docente é constituído pelos professores integrantes do quadro permanente de pessoal, regidos pelo Regime Jurídico Único e demais professores substitutos admitidos na forma da legislação pertinente. O IFMG-SJE adota, como política institucional para seleção de docentes, os requisitos dispostos na Lei 11.784/08, para a carreira do magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico. Dos 59 professores efetivos, lotados no quadro de pessoal do IFMG-SJE, todos atuam no regime de dedicação exclusiva. A parcela de 34% é do gênero masculino e 16% do gênero feminino. Em relação à faixa etária, constata-se que 7% possuem de 20 a 29 anos; 37% estão entre a idade de 30 a 39 anos; 42% possuem de 40 a 49 anos; 12% possuem de 50 a 59 e 2 % possuem mais de 60 anos, conforme pode ser observado na tabela 1. Tabela 1 – Distribuição, por faixa etária, dos docentes do IFMG-SJE. Faixa Etária Nº de docentes Porcentual Maior de 60 De 50 a 59 De 40 a 49 De 30 a 39 De 20 a 29 Total 1 7 25 22 4 59 2% 12% 42% 37% 7% 100% Fonte: Coordenação Geral de Recursos Humanos do IFMG-SJE (fevereiro/2012). O período de admissão dos docentes varia de 0 a 30 anos de serviço e será apresentado na tabela 2. O grau de escolaridade varia da graduação ao doutorado e será apresentado na tabela 3. Rita Sirley Souto Barcelos 5 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa Tabela 2 – Distribuição, por tempo de admissão, dos docentes do IFMG-SJE. Tempo Nº de docentes Porcentual Menos de 1 ano De 1 a 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 15 anos De 16 a 20 anos De 21 a 25 anos De 26 a 30 anos Total 1 29 2 4 12 2 9 59 2% 50% 4% 7% 20% 2% 15% 100% Fonte: Coordenação Geral de Recursos Humanos do IFMG-SJE (fevereiro/2012). Tabela 3 – Docentes do IFMG-SJE de acordo com o grau de escolaridade. Discriminação Graduação Especialização Mestrado Doutorado TOTAL Quadro Efetivo 5 24 25 5 59 % 8,5% 40,5% 42,5% 8,5% 100% Fonte: Coordenação Geral de Recursos Humanos do IFMG-SJE (fevereiro/2012). O IFMG-SJE investe na capacitação/qualificação de seus docentes, através de Cursos de Complementação Pedagógica, para aqueles professores que não são licenciados; na oferta de programa de DINTER/MINTER em parceria com a Universidade Federal de Viçosa. Atualmente há 10 docentes participando do DINTER em Fitotecnia e 01 de Engenharia Agrícola e 03 participando do MINTER, sendo 01 em Fitotecnia e 02 em gestão. Há também 02 docentes cursando mestrado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, custeado pelo campus em parceria com a SETEC/MEC. Temos ainda 05 docentes e um técnico administrativo participando do mestrado em Gestão Pública na UTAD-PT. Nos últimos 05 anos, 03 docentes concluíram doutorado com algum auxílio do Campus e 10 concluíram mestrado. A Instituição incentiva à participação em congressos/seminários com ajuda de custo, quando solicitado pelo interessado, com limite anual de participação e com reserva de verba para este fim. 2.1.2. Comunidade Acadêmica - Técnico Administrativo Ao corpo Técnico-administrativo, integrante do quadro permanente de pessoal do IFMG-SJE, aplica-se o regime de trabalho estatutário, regulamentado pela Lei n.º 8.112/1990 e o plano de carreira dos mesmos está regulamentado pela Lei nº 11.091/05. Rita Sirley Souto Barcelos 6 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa Atualmente o campus possui 118 servidores técnicos administrativos, atuando nas mais diferentes funções, dentre elas: - Nível superior: contador, pedagogo, médico, dentista, psicólogo, bibliotecário, administrador, técnico em assuntos educacionais, assistente social entre outros. - Nível intermediário: assistente administrativo, técnico em agropecuária, técnico de laboratório, motorista, eletricista, mecânico e outros. - Nível auxiliar: recepcionista, assistente de alunos, auxiliar de enfermagem, vigilante, auxiliar em educação entre outros. Os servidores Técnico-administrativos do IFMG-SJE ingressam no cargo via concurso público. Sua jornada de trabalho, com exceção dos cargos relacionados na Portaria nº 222 – SRH-MPOG/2008 é de quarenta horas semanais. As tabelas 4, 5, 6 e 7 apresentam a distribuição dos servidores técnicos administrativos de acordo com o gênero, faixa etária, tempo de admissão e grau de escolaridade. Tabela 4 – Distribuição dos Técnico-administrativos do IFMG-SJE por gênero. Total Porcentual Feminino Masculino Total 38 32% 80 68% 118 100% Fonte: Coordenação Geral de Recursos Humanos do IFMG-SJE (fevereiro/2012). Tabela 5 – Distribuição dos Técnico-administrativos do IFMG-SJE por faixa etária. Faixa Etária Maior de 60 De 50 a 59 De 40 a 49 De 30 a 39 De 20 a 29 Total Nº de T. A. 18 35 25 21 19 118 Porcentual 15,2% 30% 21% 17,8% 16% 100% Fonte: Coordenação Geral de Recursos Humanos do IFMG-SJE (fevereiro/2012). Foram capacitados 49 técnicos administrativos nos últimos cinco anos. Destes, quatro foram capacitados em nível de mestrado, dois estão em fase de conclusão, cinco em nível de graduação e os outros 33 em cursos de qualificação. Rita Sirley Souto Barcelos 7 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa Tabela 6 – Distribuição dos Técnico-administrativos do IFMG-SJE por tempo de admissão. Tempo Menos de 1 ano De 1 a 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 15 anos De 16 a 20 anos De 21 a 25 anos De 26 a 30 anos Total Nº de T. A. 33 25 6 2 22 9 21 118 Porcentual 28% 21% 5% 2% 18% 8% 18% 100% Fonte: Coordenação Geral de Recursos Humanos do IFMG-SJE (fevereiro/2012). Tabela 7 – Técnico-administrativos do IFMG-SJE de acordo com o grau de escolaridade. Escolaridade Analfabeto Funcional Ensino Fundamental Incompleto Ensino Fundamental Ensino Médio/Técnico Graduação Especialização Mestrado Doutorado TOTAL Nº de T. A. 2 33 0 41 9 29 4 0 118 Porcentual 2% 29% 0% 34,0% 7% 25% 3% 0% 100,00% Fonte: Coordenação Geral de Recursos Humanos do IFMG-SJE (fevereiro/2012). O IFMG-SJE conta também com o apoio de 83 funcionários terceirizados1, os quais exercem as funções de cozinheiros, auxiliar de cozinha, almoxarife, auxiliar de limpeza e auxiliar de serviços de apoio em geral. Deste total, 73% são do gênero masculino e 27% do gênero feminino, conforme apresentado na tabela 8. A faixa etária varia de 20 a 59 anos, conforme discriminado na tabela 9. As tabelas 10 e 11 trazem dados acerca da escolaridade e tempo de serviço destes, na Instituição. Analisando a atuação dos Técnicos Administrativos com os servidores terceirizados, percebemos que quase metade dos servidores que atua nas diversas áreas de apoio no IFMG-SJE, atualmente, (41%) é terceirizado. Tabela 8 – Distribuição dos Terceirizados do IFMG-SJE por gênero. Total Porcentual Feminino Masculino Total 22 27% 61 73% 83 100% Fonte: Coordenação de Recursos Humanos da ADCON no IFMG-SJE (fevereiro/2012). 1 A Terceirização é uma técnica administrativa que possibilita o estabelecimento de um processo gerenciado de transferência, a Rita Sirley Souto Barcelos 8 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa Tabela 9 – Distribuição dos Terceirizados do IFMG-SJE por faixa etária. Faixa Etária Nº de Terceirizados Percentual Maior de 60 De 50 a 59 De 40 a 49 De 30 a 39 De 20 a 29 Total 0 6 23 29 25 83 0% 7% 28% 35% 30% 100% Fonte: Coordenação de Recursos Humanos da ADCON no IFMG-SJE (fevereiro/2012). Tabela 10 – Terceirizado do IFMG-SJE de acordo com o grau de escolaridade. Escolaridade Analfabeto Funcional Ensino Fundamental Incompleto Ensino Fundamental Ensino Médio/Técnico Graduação Especialização Mestrado Doutorado TOTAL Nº de Terceirizado 3 17 16 47 0 0 0 0 83 Percentual 4% 20% 19% 57% 0% 0% 0% 0% 100% Fonte: Coordenação de Recursos Humanos da ADCON no IFMG-SJE (fevereiro/2012). Tabela 11 – Distribuição dos terceirizados do IFMG-SJE por tempo de serviço. Tempo Nº de Terceirizado Percentual Menos de 1 ano De 1 a 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 15 anos De 16 a 20 anos De 21 a 25 anos De 26 a 30 anos Total 14 38 18 7 5 1 0 83 17% 46% 22% 8% 6% 1% 0% 100% Fonte: Coordenação de Recursos Humanos da ADCON no IFMG-SJE (fevereiro/2012). A terceirização para Ciavatta (2008) é uma forma de informalização e desregulamentação das relações de trabalho, que priva os trabalhadores de garantia de estabilidade e de direitos sociais conquistados em duros enfrentamentos do capital, visando redução de custos e aumento da qualidade pela empresa compradora dos serviços. Para Pochmann (2001), os trabalhadores terceirizados têm salários, benefícios e condições de trabalho inferiores, o que caracteriza uma precarização do trabalho. Rita Sirley Souto Barcelos 9 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa No IFMG-SJE, a terceirização acontece com pessoas mais novas e menos escolarizadas. Conforme pode ser observado no quadro comparativo a seguir, uma margem de 45% dos técnicos administrativos possui acima de 50 anos de idade, enquanto dos terceirizados apenas 7% estão nesta faixa etária. A maioria absoluta dos terceirizados (93%) possui faixa etária entre 20 e 49 anos, enquanto dos administrativos, a grande maioria (84%) está entre 30 a 49 anos e acima de 50 anos, sendo, portanto, mais velhos. Em relação à escolaridade, são contratadas pessoas com até o Ensino Médio. Nenhum dos terceirizados possui graduação. Isso é justificado pelo fato das funções exercidas por eles serem, na maioria das vezes, atividades de apoio, conforme citado anteriormente. Quadro 1 – Comparativo dos Técnicos Administrativos e Terceirizados do IFMG-SJE. Descrição Faixa Etária Escolaridade Técnicos Administrativos Terceirizados Acima de 50 anos 30 a 49 anos 20 a 29 anos Analfabeto Funcional Ensino Fundamental Incompleto Ensino Fundamental Completo Ensino Médio Graduação Especialização Mestrado 45% 39% 16% 2% 29% 7% 63% 30% 4% 20% 0 19% 34% 7% 25% 3% 57% 0 0 0 Além desses funcionários, a Instituição recebeu recentemente 31 servidores anistiados por medida judicial da Companhia Vale do Rio Doce. Estes novos servidores exercem funções tais como: eletricista, auxiliar agropecuária, técnico em enfermagem, motorista, entre outros. 2.1.3. Comunidade Acadêmica – Discente O corpo discente do IFMG-SJE é constituído por alunos matriculados nos diversos cursos regulares ofertados pela Instituição, como os cursos de formação profissional técnica de nível médio (integrados e subsequentes) e de graduação, bem Rita Sirley Souto Barcelos 10 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa como os de formação inicial e continuada (cursos FIC, PROEJA-FIC). A seleção dos estudantes é feita através da realização de Processo Seletivo/Vestibular e pelo SISU2. De acordo com o PPI (2010, p. 45), a prática pedagógica de ensino desenvolvida no IFMG-SJE está voltada não somente para a capacitação profissional do aluno, mas também para a ―formação do ser humano, consciente da necessidade de uma atuação embasada nos princípios éticos, da sua inserção na comunidade e de suas atribuições sociais‖. Com o objetivo de consolidar o processo de construção do conhecimento, através do binômio teoria/prática, são incentivadas visitas técnicas, assessorias, cursos de extensão, prestação de serviços, palestras, semanas acadêmicas e seminários abertos à participação de alunos, professores, corpo técnico e comunidade em geral. Os alunos também são incentivados a participar de atividades culturais extracurriculares como jogos estudantis, campeonatos, filmes, dança, teatro, música, entre outros. A Instituição possui o Programa de Assistência Estudantil – PAE, caracterizado pela oferta de diversos benefícios aos estudantes que se encontram em situação de vulnerabilidade sócio econômica, bem como pela promoção do desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão. Dentre os benefícios concedidos, destacamse: a) O auxílio moradia, auxílio alimentação, auxílio transporte, auxílio creche, auxílio atividade e assistência à saúde, todos distribuídos a partir de avaliação socioeconômica dos candidatos; b) A bolsa de iniciação científica, bolsa de extensão, bolsa monitoria, bolsa tutoria e bolsa complementação, definidas por mérito acadêmico; c) As concedidas por necessidades educacionais especiais; d) E as de complemento das atividades acadêmicas: visita técnica, atividades culturais, atividades esportivas e participação em eventos; e) Seguro saúde. O seguro saúde é pago para todos os alunos. Os demais benefícios são concedidos com limitação de vagas. As vagas para alojamento feminino (80) e masculino (280) são para atendimento aos alunos dos cursos Técnicos integrados ao Ensino Médio, que são menores de 18 anos. De acordo com a Instrução Normativa (02/2011, p.1-2), o PAE possui como finalidade: I – Minimizar os efeitos das desigualdades sociais e regionais e favorecer a permanência dos estudantes no Instituto. 2 SISU – Sistema de Seleção Unificado. Rita Sirley Souto Barcelos 11 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa II – Diminuir a evasão e o desempenho acadêmico insatisfatório por razões socioeconômicas. III – Reduzir o tempo médio de permanência dos estudantes entre o ingresso e a conclusão do curso. IV – Inserir os alunos em atividades culturais e esportivas como complemento de suas atividades acadêmicas. V – Contribuir para a inclusão social pela educação. VI – Possibilitar aos estudantes o acesso à tecnologia digital. A Instituição oferece também atendimento médico ambulatorial, psicológico e odontológico básico. Tem à disposição dos alunos para prática esportiva, durante a noite, um ginásio poliesportivo coberto, duas quadras para vôlei e basquete e dois campos de futebol. 2.1.4. Estrutura Organizacional O IFMG-SJE possui a seguinte estrutura organizacional: Figura 1 – Organograma do IFMG-SJE. Rita Sirley Souto Barcelos 12 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa De acordo com o artigo 13 da Lei 11.892 de dezembro de 2008 - que institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências - os campi, que compõem os Institutos Federais, são dirigidos por Diretores-Gerais, nomeados pelo Reitor para mandato de quatro anos, permitida uma recondução, após processo de consulta à comunidade do respectivo campus, atribuindo-se o peso de 1/3 (um terço) para a manifestação do corpo docente, de 1/3 (um terço) para a manifestação dos servidores técnico-administrativos e de 1/3 (um terço) para a manifestação do corpo discente. Poderão candidatar-se ao cargo de Diretor-Geral dos campi os servidores ocupantes de cargo efetivo da carreira docente ou de cargo efetivo de nível superior da carreira dos técnico-administrativos do Plano de Carreira dos Cargos TécnicoAdministrativos em Educação, desde que possuam o mínimo de cinco anos de efetivo exercício em instituição federal de educação profissional e tecnológica e que se enquadre em pelo menos uma das seguintes situações: I - preencher os requisitos exigidos para a candidatura ao cargo de Reitor do Instituto Federal; II - possuir o mínimo de dois anos de exercício em cargo ou função de gestão na instituição; ou III - ter concluído, com aproveitamento, curso de formação para o exercício de cargo ou função de gestão em instituições da administração pública. Os cargos comissionados (diretores, coordenadores gerais e funções gratificadas) são ocupados por pessoas indicadas pelo diretor-geral do campus. Observa-se que isso é motivo de insatisfação para muitos servidores, pois, no caso do Campus São João Evangelista, não há critérios pré-estabelecido para indicação dos ocupantes destes cargos, conforme expectativa de muitos servidores e sim, apoio político, ficando a meritocracia em segundo plano. Além dos cargos comissionados, existem vários conselhos no Campus que contribuem na gestão escolar: conselho de professores; conselho permanente de pessoal docente; Comissão de Enquadramento ao Plano de Carreira dos Cargos TécnicoAdministrativo em Educação; comissão de pais; parceria com conselho tutelar municipal, entre outros. Rita Sirley Souto Barcelos 13 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa 2.1.5. Estrutura Física Localizado à Avenida 1º de junho, 1043, o IFMG-SJE possui uma área de mais de trezentos hectares com predominância de belíssima paisagem natural, com destaque para a lagoa ladeada por coqueiros e plantas ornamentais em sua entrada. O campus conta com o prédio escolar I que é composto por 12 salas de aulas, duas salas de professores, cantina para alunos, laboratórios, salas administrativas ligadas ao departamento de ensino. Para atender aos cursos da área de Nutrição e Dietética, localizados no Prédio Escolar I, existem dois laboratórios de Técnica e Dietética. Há ainda o prédio escolar II, com mais de dois mil metros quadrados que, além da parte administrativa, é dedicado às atividades de ensino e pesquisa em Informática e ao atendimento ao curso de Licenciatura em Matemática. Este prédio possui salas de aulas, laboratórios de informática, laboratório de matemática, secretaria escolar e demais dependências administrativas do ensino e parte técnica de informática. Para o desenvolvimento das atividades de ensino e pesquisa nas áreas de Agropecuária e Meio Ambiente, o campus conta também com as Unidades Educativas de Produção (UEP’s): Agricultura I (olericultura), Agricultura II (culturas anuais), Agricultura III (culturas perenes), Zootecnia I (animais de pequeno porte), Zootecnia II (animais de médio porte), Zootecnia III (animais de grande porte), Mecanização Agrícola e Agroindústria, além do Laboratório de Análise de Solos para atendimento às comunidades interna e externa. Para atendimento ao Curso de Tecnologia em Silvicultura, há dois prédios com área construída de aproximadamente quinhentos e oitenta metros quadrados. Esses prédios, além de três salas de aulas, são dotados de Laboratório de Botânica, Laboratório de Sementes, Laboratório de Energia, Laboratório de Água, Laboratório de Informática, uma sala conjunta de professores, quatro salas individuais para professores, uma sala para coordenação e sala para área administrativa. Esses dois prédios estão adequados à acessibilidade de portadores de necessidade especiais. Existem ainda um Herbário e um Laboratório de Cultura de Tecidos. O campus conta, ainda, com mais de 32.300,00 m² de área construída, onde está localizado um teatro, vinte salas de aula, biblioteca, alojamentos masculino e feminino, moderna Unidade de Alimentação e Nutrição, laboratórios diversos, unidades de acompanhamento médico, odontológico e psicológico, ginásio poliesportivo, dois campos de futebol, uma pista de atletismo, duas quadras poliesportivas, uma estação de tratamento de água que abastece todo o campus, uma estação meteorológica, um prédio administrativo, área de convivência e reprografia para os alunos, dentre outras estruturas. Rita Sirley Souto Barcelos 14 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa Dando continuidade às ações de investimentos na preservação ambiental do Campus, foram construídas fossas sépticas, fossas sanitárias, valas de aterramento de animais e composteiras. Em andamento, estão em desenvolvimento as seguintes ações: dois biodigestores (suíno e bovino) e a construção da estação de dejetos do laticínio. Está sendo construído um prédio com mais de 1000 metros quadrados, contendo sete salas de aula, além de banheiros e salas para alojar a parte administrativa de ensino. A planta do Campus está apresentada no anexo 2. 2.1.6. Participação da comunidade externa no campus O elo entre a comunidade externa e o IFMG-SJE é um importante meio de promover a gestão participativa e isso oportuniza a esta comunidade se fazer representar por meio de participação nos Conselhos, Comissões e Fórum de Discussão que são realizados no campus. As dependências do campus são utilizadas pela comunidade para realização de eventos sociais, práticas esportivas, seminários, cursos, palestras, observando para isso, os regulamentos que regem sobre a utilização dos espaços a serem utilizados em tais eventos. O IFMG-SJE, através de parcerias, realiza seminários, cursos e palestras dedicados à comunidade externa, além de outros serviços, tais como: atende aos estabelecimentos de ensino das redes municipais, estaduais e federais, disponibilizando as instalações do campus; faz empréstimos e aluga equipamentos, implementos e acessórios; presta orientação técnica através dos docentes e técnicos do campus a pessoas da comunidade; realiza análise laboratorial de amostras de solos e posterior recomendação; doa gêneros alimentícios às entidades filantrópicas; comercializa produtos hortifrutigranjeiros no posto de vendas; participa em campanhas de cunho filantrópico, envolvendo discentes e servidores do Campus e realiza cursos durante a Semana da Família Rural e em outras ocasiões em convênio com o SENAR. 2.1.7. Público pesquisado O IFMG-SJE, no momento da coleta de dados, possuía 91 servidores técnicos administrativos. Deste total, 72 participaram desta pesquisa, representando uma amostragem de 79%. Rita Sirley Souto Barcelos 15 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa 2.2. RELEVÂNCIA E OBJETIVOS DA INVESTIGAÇÃO Considerando a importância da preocupação com a QVT em qualquer contexto organizacional, seja ele público ou privado, entendemos que a análise da questão numa determinada organização alcança uma relevância institucional significativa, na medida em que permite identificar os pontos fortes e a fragilidade do ambiente e das condições de trabalho e de vida dos sujeitos, levantando demandas e necessidades de grande importância para a Gestão dos Recursos Humanos. Acreditando-se que a implantação de uma política dessa natureza pode implicar em impactos positivos nos índices de adoecimento e afastamento por motivo de saúde, satisfação e motivação para o trabalho, conflitos interpessoais, produtividade e qualidade dos produtos e na prestação de serviços, nenhuma organização pode privar-se de considerar a temática relevante para a gestão de seus funcionários. Admite-se ainda, que a observação de uma determinada situação permite o levantamento de questões que possam servir de base para generalizações e reflexões teóricas e práticas mais amplas, contribuindo para o avanço dos estudos na área em questão. Tendo em vista que o setor público despertou mais recentemente para a preocupação com a QVT, são ainda escassos os estudos que investigam esse contexto específico, assim como é reduzido o número de modelos de gestão e de programas de promoção da QVT adaptados a ele. Diante dessas considerações, a investigação apresentada pretende realizar um estudo de caso de natureza quantitativa, sobre das condições de QVT em uma determinada instituição do setor público, que até o momento não possui nenhuma ação formal de promoção de QVT, como estratégia de Gestão dos Recursos Humanos. Supõe-se que a ausência de uma política dessa natureza traz dificuldades e prejuízos para o processo de gestão, bem como compromete o nível de satisfação e envolvimento do trabalhador com sua atividade. Dentre as hipóteses a serem consideradas, sustenta-se a descoberta de aspectos específicos em relação à satisfação e envolvimento com o trabalho a ser realizado no contexto do funcionalismo público, além da expectativa dos servidores por ações que promovam melhores condições laborais. Além disso, o estudo prevê encontrar indícios de relação entre o tempo de serviço e a percepção da QVT entre os trabalhadores. Assim, a presente pesquisa foi norteada pelo objetivo principal de identificar a percepção da QVT, a satisfação e a realização profissional dos servidores técnicoRita Sirley Souto Barcelos 16 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa administrativos do IFMG-SJE, instituição pública de ensino profissionalizante, localizada em um pequeno município do estado de Minas Gerais. Em termos específicos, buscou-se analisar a percepção desses trabalhadores em relação à satisfação e envolvimento com o trabalho realizado; avaliar a relação do tempo de serviço dos mesmos com a percepção da QVT, além de levantar ações de promoção de QVT aplicáveis à organização, tendo em vista as demandas diagnosticadas. Na medida em que a referida instituição não tem em seu plano gestor nenhuma ação ou programa formal de promoção da QVT, espera-se que a presente pesquisa possa lançar luz às necessidades mais imediatas e emergentes, podendo ser utilizada como referência para o estabelecimento de metas de gestão, voltadas para a promoção da QVT, assim como propõem (Vasconcelos et al.,2010); ( Amorim, 2010), (Ferreira et al., 2009). O interesse particular em realizar esse trabalho de pesquisa parte do envolvimento profissional da pesquisadora com a instituição, alvo do estudo. Atuando há mais de 25 anos na instituição, sendo docente e gestora, surgiu o desejo de conhecer as fontes geradoras de satisfação e realização dos servidores que ali trabalham, bem como, de poder contribuir para a área de Gestão dos Recursos Humanos a partir dos achados da investigação. No momento de realização da pesquisa, estando à frente da Coordenação de Unidade de Alimentação e Nutrição, Agroindústria e Confecção, coordenando uma equipe de cerca de 30 colaboradores, a pesquisadora teve a oportunidade de perceber que a satisfação do trabalhador tem implicações importantes para o desempenho de suas tarefas e para a produtividade apresentada. Ao conhecer melhor a percepção da QVT dos servidores, a mesma espera ter condições de atuar mais efetivamente sobre elas, garantindo melhores condições de trabalho àqueles que estão sob sua coordenação, diretamente, bem como colaborando para a prestação de melhores serviços à comunidade escolar. Para tanto, tornou-se necessária a ampliação do conhecimento sobre a realidade desses servidores e estabeleceu-se, assim, o problema da pesquisa norteado na seguinte pergunta: Como a QVT é percebida pelos técnicos administrativos, no âmbito do IFMG-SJE? Rita Sirley Souto Barcelos 17 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa A fim de responder ao problema proposto, traçou-se como objetivo geral identificar a percepção da QVT, a satisfação e a realização profissional dos servidores técnico-administrativos do IFMG–SJE e os objetivos específicos: identificar expectativa dos servidores por ações que promovam melhores condições laborais; encontrar indícios de relação entre o tempo de serviço e a percepção da QVT entre os servidores; analisar a percepção de satisfação dos pesquisados quanto a sua QVT; levantar ações de promoção de QVT aplicáveis à organização, tendo em vista as demandas. 2.3. DESENHO E ESTRUTURA DA INVESTIGAÇÃO Os estudos disponíveis sobre QVT, dentre eles o de Fernandes (1996), França (1997), Rodrigues (1999), Vasconcelos (2001), Diniz, Almeida e Carrijo (2008), Medeiros e Oliveira (2009), Amorim (2010) e Carvalho (2010) apontam para uma grande diversidade de enfoques possíveis, relacionados às condições objetivas e subjetivas do trabalho, a organização do mesmo, as relações interpessoais envolvidas, o nível de autonomia e participação dos trabalhadores, as situações de adoecimento e rotatividade, o processo de gestão, entre outros inúmeros aspectos. É consensual que as investigações acerca da QVT admitam uma abordagem multidimensional da questão, tendo em vista todas as dimensões que o trabalho humano envolve, mas que também definam de forma eficiente o seu objeto e campo de estudo, a fim de não se perderem nesse tão abrangente campo de possibilidades (Amorim, 2010). Diante dessas considerações, a presente investigação foi estruturada de maneira a cumprir com o objetivo de identificar a percepção da QVT, da satisfação e da realização profissional de servidores de uma determinada instituição pública, considerando a ausência de ações institucionais de promoção da QVT, o caráter específico do funcionalismo público e o tempo de serviço dos servidores. Assim, em primeiro momento, definiu-se a QVT no contexto do funcionalismo público, como tema principal do trabalho, delimitando-se o objetivo geral e os específicos, conforme já apresentado. Em seguida, optou-se por eleger o IFMG-SJE, Rita Sirley Souto Barcelos 18 _______________________________________________Contextualização da Pesquisa como local onde o estudo seria realizado, tendo os seus servidores técnicos administrativos como os sujeitos da pesquisa. A partir daí, o trabalho de pesquisa dedicou-se a realizar e apresentar uma revisão bibliográfica sobre o tema da QVT e sobre a Gestão dos Recursos Humanos na administração pública. O levantamento da literatura disponível privilegiou estudos de relevância e consistência científica, nacionais e internacionais, que poderiam contribuir com o embasamento teórico necessário para o entendimento do tema, bem como auxiliar na discussão de dados que se seguiram. À luz desse estudo bibliográfico, o trabalho de pesquisa de campo foi desenvolvido, a partir da definição da metodologia e dos instrumentos de coleta de dados. Tendo em vista a natureza dos objetivos, optou-se por uma investigação quantitativa, não experimental, caracterizada pela observação e análise de determinados fenômenos – a percepção da QVT por parte de servidores técnico-administrativos – em seu contexto natural, o IFMG-SJE, sem que houvesse a manipulação intencional de variáveis. O estudo foi do tipo transversal e descritivo, objetivando apresentar um quadro de como a percepção da QVT encontra-se no dado momento da pesquisa, retratando a presente realidade de forma contextualizada. Da coleta, seguiu-se a análise de dados através de análise descritiva e analítica, exposta através de um diálogo com a literatura já levantada, permitindo revisões, reflexões e análise dos achados. A partir daí, foram apresentadas as considerações finais, incluídas as conclusões obtidas, a análise das hipóteses levantadas, bem como as indicações para a continuidade dos estudos sobre a temática. Neste capítulo, caracterizamos o IFMG-SJE, perpassando, por toda sua estrutura física e humana e identificando o público pesquisado. Analisamos, também, o objetivo e relevância desta pesquisa, assim como a forma em que ela está estruturada. A partir de então, especialmente no próximo capítulo, vamos aprofundar no tema da pesquisa, abordando a qualidade de vida no trabalho e sua relevância para as organizações, com enfoque especial à QVT no setor público, tendo em vista que a Instituição pesquisada pertence a esta esfera. Rita Sirley Souto Barcelos 19 ___________________________________________________Fundamentação Teórica CAPÍTULO III 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo, abordaremos a visão de diversos autores sobre a QVT e sobre a Gestão dos Recursos Humanos na administração pública, privilegiando estudos de relevância e consistência científica. É consenso entre os autores Silva e De Marchi (1997), que a implantação de programas de QVT e promoção da saúde proporciona uma elevação do nível de satisfação, de resistência ao estresse, de motivação, maior controle emocional, culminando no aumento da produtividade para a gestão organizacional. Diante disso, apresentaremos a percepção de autores sobre a QVT na administração pública e os modelos conceituais de avaliação da QVT, mais especificamente o adotado por Fernandes (1996) ―Auditoria Operacional de Recursos Humanos‖, que foi utilizado no desenvolvimento desta pesquisa. A partir deste estudo, vamos verificar a importância de identificar a percepção da QVT sob o olhar dos servidores, analisando o índice de satisfação e realização profissional dos mesmos, em uma Instituição que não possui ações institucionais de promoção da QVT, que é o caso do IFMG-SJE, contexto desta pesquisa. 3.1. QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO Ao pensar em QVT, é importante observar que não se trata de uma temática recente e está longe de ser um modismo atual, visto que as discussões sobre as condições de trabalho são tão antigas quanto o próprio trabalho e, desde o início do século XX, ocupavam um lugar relevante dentro do campo das teorias da administração. Analisando a origem e evolução dos conceitos de QVT, Rodrigues (1999) afirma que ela sempre foi objeto de preocupação da raça humana, ainda que com outros títulos e contextos. No século XX, muitos estudos se dedicaram à investigação da satisfação do homem no trabalho, destacando-se George Elton Mayo, cujas pesquisas culminaram com o movimento das Relações Humanas, Abrahan Maslow, que concebeu a hierarquia Rita Sirley Souto Barcelos 20 ___________________________________________________Fundamentação Teórica de necessidades humanas, e Douglas McGregor, autor da Teoria X 3 (Vasconcelos, 2001). Entretanto, a expressão Qualidade de Vida no Trabalho passou a ser utilizada somente no início dos anos 70, por Louis Davis, referindo-se à preocupação com o bemestar dos trabalhadores no desempenho de suas tarefas (Chiavenato, 1999). Kovaleski, Pedroso e Pilatti (2008) percebem que o foco inicial da QVT era o aumento da produtividade e do lucro. Ao longo das décadas, outros pontos foram sendo incorporados, visando ao bem estar do trabalhador. Amorim (2010) também afirma que os estudos sobre QVT focalizavam, inicialmente, aspectos individuais restritos e foram seguidos pelo estímulo à criatividade, participação nas decisões e redução da impessoalidade nas relações de trabalho. Albuquerque e França (1998) resumem o conceito de QVT como: um conjunto de ações de uma empresa que envolve diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para e durante a realização do trabalho (p. 41). De acordo com Fernandes (1996, p.45), a QVT pode ser definida como ―a gestão dinâmica e contingencial de fatores físicos, tecnológicos e sócio psicológicos que afetam a cultura e renovam o clima da organização, com reflexo no bem-estar do trabalhador e na produtividade das empresas‖. Observa-se que os diferentes aspectos envolvidos estabelecem uma direta relação com a satisfação e o bem-estar do trabalhador, obtida através de recursos objetivos e subjetivos geridos pela organização. Revisando as avaliações quantitativas de ―bem-estar subjetivo‖ dispostas na literatura, Carvalho, Gonçalves e Pardini (2010) afirmam que esse conceito é composto por duas dimensões: uma emocional, que fornece indícios das emoções experimentadas pelo indivíduo, e outra cognitiva, que envolve o julgamento sobre a satisfação em relação à vida de um modo geral. Ambas as dimensões são subjetivas, pois cabe somente ao indivíduo determinar quais aspectos considerar em sua avaliação e a importância de cada um deles. 3 De acordo com Douglas McGregor a essência da Teoria X é a busca da integração de objetivos individuais e organizacionais (Vasconcelos, 2001). Rita Sirley Souto Barcelos 21 ___________________________________________________Fundamentação Teórica Em sua essência, o conceito de QVT está associado ao enfoque biopsicossocial do homem, que o vê em sua totalidade e numa perspectiva multifuncional e remonta à visão holística do ser humano dada pela medicina psicossomática, oposta à visão cartesiana que divide o homem em partes (França, 1997). Amorim (2010) assegura que essa multidimensionalidade na concepção sobre a QVT tende a ser consensual. Também é consenso a relevância que a busca da promoção da qualidade de vida, a elevação do nível de satisfação no trabalho e o aumento da produtividade têm para a gestão organizacional. Avaliando essa relação, Tsukamoto (1992) compreende que: É impossível obter do cliente uma taxa de satisfação maior do que as apresentadas pelos funcionários responsáveis pelo produto ou serviço oferecido. A insatisfação, a má-vontade, o desconforto e outras situações negativas para o trabalhador se incorporarão de uma forma ou de outra, ao produto final, reduzindo o nível de satisfação do consumidor (p. 14). A partir do exposto acima, pode-se dizer que a satisfação do cliente está atrelada à satisfação do empregado, pois sua produtividade é reflexo de sua satisfação. Ele só vai produzir bem se estiver bem consigo e com a empresa. Para Bennett (1983), para se discutir a produtividade, tem que levar em conta que seu conceito é muito mais abrangente que a ideia de uma boa produção. Para ele, a produtividade depende da satisfação do indivíduo, por ela ter uma ligação direta com a melhoria da qualidade de vida de cada trabalhador. Para Fernandes (1996, p.37), apesar de um Programa de Qualidade de Vida no Trabalho não resolver todos os problemas de produtividade das empresas, nem todo tipo de insatisfação do empregado, ―sua aplicação conduz, sem dúvida, a melhores desempenhos, ao mesmo tempo em que evita desperdícios, reduzindo os custos operacionais‖. Entende-se que para a Gestão dos Recursos Humanos, o que se observa é a busca de um equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida, tornando-se arriscado o privilégio de um sobre o outro. Sobre esse aspecto, Jacques (1997) considera que o objetivo fundamental dos programas de QVT deve estar centrado na valorização da pessoa, ficando em segundo plano o aumento da produtividade. Vasconcelos (2001) completa que: se é nas organizações que passamos a maior parte de nossas vidas, natural seria que as transformássemos em lugares mais aprazíveis e saudáveis para a execução do nosso trabalho. Locais onde pudéssemos, de fato, passar Rita Sirley Souto Barcelos 22 ___________________________________________________Fundamentação Teórica algumas horas vivendo, criando e realizando plenamente com qualidade de vida, satisfação e alegria (Vasconcelos, 2001, p. 34). Avaliando a produção científica sobre o tema, Medeiros e Oliveira (2009) observaram que a QVT comporta uma série de subtemas muito abrangentes, que incluem desde a avaliação de programas de QVT, aplicados às organizações, até questões sobre o estresse e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. As análises do estado da arte sobre a QVT indicam que o alcance dessas questões ultrapassa os limites das organizações, envolvendo toda a realidade social circundante. De acordo com as observações de Silva e De Marchi (apud Vasconcelos, 2001), a adoção de práticas de promoção da QVT proporciona ao indivíduo níveis maiores de resistência ao estresse, estabilidade emocional, motivação e eficiência no trabalho. Dada a complexidade da natureza humana, é de se supor que, ter qualidade de vida no ambiente de trabalho, eleva a probabilidade de se alcançar qualidade de vida em outras esferas da vida, como na família e na vida social, o que reforça a relevância e o alcance do presente trabalho. Entretanto, analisando os conceitos desenvolvidos sobre a QVT, ao longo dos anos, Kanikadan e Limongi-França (2007) notam que pouca ênfase é dada às questões de Gestão envolvidas, concentrando-se mais nos aspectos técnicos que no processo de gestão como um todo. Na medida em que o mercado atual apresenta-se cada vez mais competitivo e a força de trabalho cada vez mais instruída e qualificada, a necessidade de um gerenciamento mais adequado é urgente, principalmente porque os trabalhadores não se submetem com tanta facilidade a condições de trabalho inadequadas ou insatisfatórias. Reforçando a designação da QVT, como o conjunto de ações de uma empresa, que envolve a implantação de melhorias e inovações tecnológicas e gerenciais, que neutralizem riscos à integridade física, mental e social dos trabalhadores e promova o seu bem-estar biopsicossocial, Jacques (1997) considera que esse enfoque ganha materialidade e permite a análise das situações de trabalho concretas responsáveis pelas alterações nesse bem-estar em suas diferentes dimensões. Considera-se essencial reconhecer as ações direcionadas à QVT como parte de uma política organizacional de Gestão dos Recursos Humanos, voltada para o atendimento das necessidades humanas, imprescindível ao melhor desempenho e produtividade, a fim de que não se perca em ações isoladas e de baixo impacto. Rita Sirley Souto Barcelos 23 ___________________________________________________Fundamentação Teórica Kehoe (2008) afirma que muitas empresas não valorizam seu capital humano, considerando-o dispensável. A saúde mental e emocional dos trabalhadores, assim como a sua produtividade está sendo consumida pelo stress, no local de trabalho e pela busca de eficiência. Outra questão que se observa nas empresas é o investimento em tecnologia em detrimento do investimento nas pessoas. Em relação a isso, Duxbury (2012) revela que a tecnologia é vista como o aumento do trabalho, mas também do stress. Mais pessoas estão trabalhando mais horas e não tendo tempo para os afazeres domésticos, família e lazer. Segundo a mesma autora, uma parcela de 30% do aumento nos níveis de depressão na população do Canadá é atribuída às alterações indiscriminadas no local de trabalho. As empresas reduzem os custos de sua atividade fim adicionando tecnologias para acelerar os trabalhos e isto tem gerado aumentos dos custos operacionais sobre a linha de frente, com aumento das taxas de absenteísmo no trabalho e aumentos dos custos, em longo prazo, com benefícios. Para Nadler e Lawler (1983), de acordo com o período histórico vivido, a QVT tem a sua definição caracterizada, a partir das diferentes formas de pensar sobre as pessoas, o trabalho e as organizações. No entanto, suas características peculiares, segundo esses autores, são: preocupação com o impacto do trabalho sobre as pessoas e sobre o resultado organizacional, bem como a possibilidade de participação efetiva dos trabalhadores em tomadas de decisões e soluções de problemas. Logo, a QVT torna-se uma importante ferramenta de gestão a partir do momento que o programa de QVT é implantado visando o bem estar do empregado, sua satisfação, pois, como dito acima, a satisfação do cliente é reflexo da satisfação do empregado. E um empregado satisfeito é sinônimo de produtividade. 3.2. QVT COMO INSTUMENTO DE GESTÃO Como já mencionado anteriormente, a qualidade de vida no trabalho está ligada ao bem-estar das pessoas em situação de trabalho, buscando a elevação do nível de satisfação do trabalhador e a produtividade da empresa. De acordo com Bom Sucesso (2002), o trabalho, para muitas pessoas, vai além de salários e benefícios. É um componente da vida, no sentido de desempenho de suas Rita Sirley Souto Barcelos 24 ___________________________________________________Fundamentação Teórica atividades e para contato social. Através do trabalho, o homem transforma seu meio e estabelece relações interpessoais. Carrega consigo sentimentos, ambições, cria expectativas, envolve-se. Logo não quer somente o salário dentro da empresa: quer ser valorizado, reconhecido, ser ouvido, ser informado, enfim quer participar de todo processo e das decisões. Sendo assim, alguns fatores são fundamentais para a realização do trabalho: ambiente físico seguro e confortável, ambiente psicológico harmonioso, relacionamento interpessoal, comunicação eficaz, feedback, descentralização das decisões, dentre outras. Muitas organizações priorizam o investimento técnico em detrimento do investimento nas pessoas, no clima organizacional, esquecendo que somente atendendo as necessidades das pessoas e as desenvolvendo é que suas metas poderão ser alcançadas. Quando ocorre esse desequilíbrio – investir em tecnologia em detrimento do investimento no ser humano, o empregado fica insatisfeito, desmotivado afetando a qualidade dos produtos e serviços prestados. Para Fernandes (1996), é necessário que a empresa conheça as expectativas e necessidades de seus empregados, que aproveite o potencial de cada um. Para Chiavenato (1999), os fatores de que dependem a QVT são: a satisfação com o trabalho executado; as possibilidades de futuro na organização; o reconhecimento pelos resultados alcançados; o salário recebido; os benefícios auferidos; o relacionamento humano dentro do grupo e da organização; o ambiente psicológico e físico de trabalho; a liberdade e responsabilidade de decidir e as possibilidades de participar (CHIAVENATO, 1999, p. 391). Vale ressaltar que o relacionamento interpessoal não afeta somente os envolvidos no contexto da situação, mas todo o grupo dentro da organização. Para Bom Sucesso (2002), são os gestores que têm que criar situações para que o grau de relacionamento interpessoal seja aumentado, visando sempre a melhora da QVT. Outro fator citado por Chiavenato (1999), que interfere na QVT, é o ambiente de trabalho. Propiciar um ambiente onde as pessoas se sintam bem com elas mesmas, com a chefia e com os colegas e onde suas necessidades físicas e emocionais são atendidas, motiva o empregado. Segundo Davis e Newstron (1992, p. 28), ―o resultado de um sistema eficaz de comportamento organizacional é a motivação, que, quando combinada com as habilidades e capacidades do empregado, resulta na produtividade humana‖. Rita Sirley Souto Barcelos 25 ___________________________________________________Fundamentação Teórica Segundo ele, tem que ficar claro para os funcionários o que a empresa espera deles e o que querem que eles façam e de que maneira. A definição do papel de cada um dentro da empresa, saber que sua atuação é importante e que outros precisam dela é crucial para a motivação desta pessoa. Para Matos (1997), o trabalho em equipe, o reconhecimento, a segurança, o atendimento às necessidades fisiológicas, sociais, do ego e a autorrealização são fatores que influenciam, decisivamente, sobre a motivação humana. Ainda segundo Matos (1997), a liderança de um gestor vai depender muito da motivação de seus subordinados. Sua capacidade de incentivar, dirigir, influenciar e comunicar-se com seu grupo influencia nos resultados da empresa e na motivação dos funcionários. Estes necessitam de uma remuneração justa em relação ao seu trabalho, condições físico-psicológicas propícias ao trabalho, além de, em uma estratégia global, atividades festivas de congraçamento e política de benefícios sociais4. Analisando a tabela 12 abaixo, podemos perceber que a QVT é muito mais que um instrumento gerencial. Um programa de QVT deve vislumbrar as necessidades humanas de todos os níveis. Não deve ser montado apenas na tentativa de buscar a motivação, esquecendo-se da satisfação dos empregados. O ponto principal dos programas de QVT deve ser o indivíduo como um todo. Para Valdisser (2012), investir na saúde, na qualidade de vida e no bem-estar dos funcionários representa aumento da satisfação, promovendo baixos índices de absenteísmos e rotatividade, culminando no aumento da produtividade e da qualidade dos serviços e produtos. Para Diniz (2010, p.358-359), a liberdade na criação de novas ideias, a valorização da criatividade humana é crucial para o desenvolvimento econômico e o avanço tecnológico de um país e, acrescentamos baseado na tabela 12 apresentada abaixo, é crucial também para a elevação da QVT das pessoas. Para ele, ―a utilidade do bem-estar está nas coisas que permitem a conquista da liberdade pela humanidade‖. Liberdade esta, política, religiosa, de criar, de expressar, de participar das decisões, dentre outras. Walton apud Fernandes (1996) propõe oito categorias conceituais, que incluem critérios indicadores da QVT, que será apresentado na tabela 12. 4 Segundo Chiavenato, 1998), benefícios sociais são aquelas facilidades, conveniências, vantagens e serviços que as organizações oferecem aos seus empregados, como por exemplo: assistência média, cesta básica, transporte, dentre outros. Rita Sirley Souto Barcelos 26 ___________________________________________________Fundamentação Teórica Tabela 12 – Critérios Indicadores de QVT. CATEGORIAS 1. Compensação Justa e Adequada 2. Condições de Trabalho 3. Uso e Desenvolvimento de Capacidades 4. Oportunidade de Crescimento e Segurança 5. Integração Social na Organização 6. Constitucionalismo 7. O Trabalho e o Espaço Total da Vida 8. Relevância Social do Trabalho na Vida CRITÉRIOS INDICADORES DE QVT Equidade interna e externa Salário justo Partilha de ganhos de produtividade Jornada de trabalho dentro da legalidade Ambiente físico seguro e saudável Ausência de insalubridade Autonomia Feedback Qualidades múltiplas Informação sobre o processo total do trabalho. Possibilidade de carreira Crescimento pessoal - Treinamentos Perspectiva de avanço salarial Estabilidade de emprego Ausência de preconceitos Igualdade de tratamento Mobilidade Relacionamento com superiores e colegas Senso comunitário Direitos de proteção ao trabalhador Privacidade pessoal Liberdade de expressão Tratamento imparcial Direitos Trabalhistas Papel balanceado no trabalho Estabilidade de horários Poucas mudanças geográficas Tempo para família e lazer Imagem da empresa Responsabilidade social da empresa Responsabilidade pelos produtos Aumento da autoestima Fonte: Fernandes (1996) adaptada pelo autor. Limongi-França e Zaima (2002) conceituam a QVT como o conjunto de ações de uma empresa que envolve a implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais no ambiente de trabalho (LIMONGI-FRANÇA E ZAIMA, 2002, p. 406). Logo para que a QVT se torne de fato um instrumento gerencial efetivo, tem que abranger a empresa e as pessoas em sua totalidade, focando mais o indivíduo do que o resultado. Rita Sirley Souto Barcelos 27 ___________________________________________________Fundamentação Teórica Para Walton (1973), as condições de trabalho devem ser seguras e saudáveis, de maneira que não exponha o trabalhador a nenhum risco físico e nem o obrigue a cumprir horários indevidos, que coloque em risco sua saúde. Sendo assim, a empresa, que se preocupa com a QVT, tem que estabelecer uma jornada de trabalho dentro dos limites legais, que não exceda o horário e nem a quantidade de serviço. Ele ressalta também que a empresa precisa estabelecer limites de idade quando o trabalho for perigoso para determinada faixa etária. Lembramos, no entanto, que a legislação vigente tem resguardado estas questões e contribuído para a conquista de condições satisfatórias de trabalho. Segundo Bom Sucesso (1997), para que a QVT seja uma ferramenta gerencial efetiva, as organizações têm que: divulgar a missão e objetivos a todos facilitando o acesso às informações relativas aos resultados que pretende alcançar; treinar e desenvolver as pessoas contribuindo para mudanças de comportamento necessárias; investir em melhorias dos processos contribuindo para reduzir o trabalho penoso e repetitivo; reestruturar e enriquecer os cargos a fim de aumentar a responsabilidade e autonomia tornando o trabalho mais gratificante; formar gerentes éticos competentes, com habilidade para se relacionar adequadamente com os subordinados; promover melhorias contínuas nas condições de trabalho, segurança, horários e regras; remunerar de forma justa; dispensar pessoas que não contribuem para a Qualidade de Vida no Trabalho na empresa; reduzir diferenças entre os salários; incentivar as relações interpessoais baseadas no respeito e consideração; implantar sistemas de feedback que permitam aos empregados saberem de que forma são avaliados; patrocinar programas de conscientização e de ajuda no desenvolvimento de hábitos saudáveis e estimular a reflexão sobre a importância e responsabilidade pessoal com a Qualidade de Vida no Trabalho; desenvolver a consciência dos indivíduos sobre os aspectos motivacionais; identificar ações que possam contribuir para uma vida melhor na organização (BOM SUCESSO, 1997, p. 43). Cada funcionário tem que compreender e assumir suas responsabilidades para conseguir melhorias significativas em relação ao seu bem-estar e a sua saúde dentro da empresa. Ainda segundo Bom Sucesso (1997), muitas vezes um programa de QVT fracassa por falta de comprometimento e conscientização dos próprios funcionários. Rita Sirley Souto Barcelos 28 ___________________________________________________Fundamentação Teórica Kehoe (2008) adverte que um trabalho realizado com entrosamento entre o chefe e seus subordinados geram lucro para a empresa, pois incentiva a criatividade, favorece o empenho e atrai clientes. O profissional engajado preocupa e cria compromisso com o lucro da empresa, sente-se parte dela. O trabalhador é a peça fundamental para o sucesso de uma organização empresarial. Para Monteiro (2011), a satisfação do trabalhador está atrelada à atuação do gestor, este tem que ver o indivíduo como um todo, um ser de múltiplas necessidades. Pra ela, o gestor tem que adaptar às mudanças, estar aberto a novos conhecimentos e disposto a novas ações para que a QVT se concretize. O gestor tem que compreender que o relacionamento é o segredo para o sucesso da organização e criar um ambiente onde o relacionamento interpessoal seja efetivo, que valorize a criatividade, o conhecimento, as ideias, sugestões, enfim, que valorize o indivíduo ―em seus aspectos intuitivos, criativos, motivacionais e do saber‖ (idem, p.52). A partir do exposto, ressaltamos que um programa de QVT que ampare os quesitos apresentados acima, é um importante instrumento de gestão, pois, como já vimos até aqui, um maior índice de satisfação dos funcionários é garantia de maior produtividade dos mesmos, culminando em lucro para a empresa. Salientamos, contudo, que essa busca por comprometimento, dedicação e melhores resultados não é privilégio do setor privado. Organizações públicas também podem e devem implantar programas de QVT, no sentido de buscar a satisfação de seus funcionários e de construir uma imagem da organização vinculada à eficiência e rapidez na prestação de serviços e no atendimento ao público. 3.3. QVT NO SETOR PÚBLICO As aceleradas mudanças no mundo do trabalho, onde se destaca o ritmo intenso das inovações tecnológicas, a implantação de novo processo de produção, a redução da validade dos produtos, dentre outros, demandam a necessidade de um Programa de QVT nas instituições, não só privada, mas também nas Instituições públicas (Ferreira et al., 2009). O mundo do trabalho contemporâneo requer profissional mais qualificado e, ainda, que estas qualificações sejam constantemente atualizadas. O mercado exige, hoje, o chamado: a) especialização flexível, onde o funcionário tem que executar mais de uma Rita Sirley Souto Barcelos 29 ___________________________________________________Fundamentação Teórica tarefa; b) flexibilidade funcional, onde ocorre o rodízio de atividades, a polivalência e c) politecnia, onde exige que o funcionário seja criativo, que execute tarefas complexas. Exige-se do novo trabalhador que ele tenha capacidade de lidar com novas ferramentas tecnológicas, de relacionar-se socialmente, de trabalhar em equipes e de assumir maiores responsabilidades (Antunes, 1999). Para Ferreira et al., (2009), vai se firmando um novo paradigma organizacional e para sobreviver nele, não basta garantir a qualidade final dos produtos e serviços, é importante que esta qualidade venha acompanhada de qualidade de vida no trabalho, que considere os colaboradores como um todo. Estas alterações ocorridas no mundo do trabalho produzem impactos no estado, culminando na necessidade de mudanças também nos órgãos públicos. De acordo com Tuuli e Karisalmi (1999), os órgãos públicos ainda mantém um processo de modernização conservador, que tem levado ao aumento dos índices de absenteísmo, de acidentes, de doenças ocupacionais e de licenças-saúde nas organizações públicas. Para eles, esses efeitos negativos vêm mostrar que os modelos de gestão laboral não alteraram significativamente desde a década de 1970, quando ocorreu a chamada reestruturação produtiva. O cenário de mudanças exige que os gestores repensem as práticas organizacionais, buscando responder com eficiência às exigências da atualidade, incluindo nesse processo Programas de QVT. O bem-estar do servidor público, a satisfação dos usuários dos serviços, a eficiência e eficácia dos serviços oferecidos à população dos órgãos públicos são desafios dos gestores da contemporaneidade, voltados para promoção de QVT. Percebemos que no setor público, a preocupação com a QVT é um pouco mais recente, tendo em vista a precoce e restrita associação da mesma com a produtividade. Ao se observar que a satisfação do trabalhador também é garantia de uma desejada qualidade na prestação de serviços, entre outras coisas, ela também passa a ser alvo das organizações públicas. Amorim (2010) observa que: a aplicação da QVT na administração pública é capaz de preencher uma lacuna verificada, ao longo dos anos, no nível de tratamento oferecido ao servidor público relativa à valorização do seu trabalho e preocupação com o seu bem-estar e o de sua família. O gestor público tem maior dificuldade em desenvolver seu processo de gestão e decisão, pois se encontra Rita Sirley Souto Barcelos 30 ___________________________________________________Fundamentação Teórica constantemente preso às amarras legais, como limites de investimentos estabelecidos no orçamento, licitação, estrutura de cargos e carreira dos servidores, dentre outros (p. 38). Diniz, Almeida e Carrijo (2008) exemplificam como a preocupação com a QVT vem se tornando alvo dos gestores interessados em garantir qualidade no serviço público, tornando-a uma ação estratégica de administração. Acreditam que os objetivos da instituição pública podem ser alcançados mediante a estruturação de mecanismos de prevenção, promoção e assistência à saúde e à qualidade de vida de seus trabalhadores. Entretanto, Sá et al. (apud Amorim, 2010) observam que esse é um tema ainda pouco explorado na prática gerencial das organizações públicas, persistindo alguma incerteza com relação ao âmbito e responsabilidades por sua gestão. Além disso, Paiva e Couto (2008) lembram que o setor público possui algumas especificidades em relação ao setor privado que devem ser observadas. Visto isso, a escolha do modelo conceitual de QVT deverá levar em conta tanto a cultura organizacional (Kanikadan & LimongiFrança, 2007) bem como todo o contexto no qual se insere. Acredita-se que uma instituição pública deve se ocupar em inserir em sua agenda de trabalhos ações de QVT e, para isso, deverá buscar estratégias que não sejam generalistas e que alcancem os desafios e demandas do cotidiano. Aproveitando esse campo de investigação ainda insipiente, elas se tornam alvo profícuo de pesquisas e propostas adequadas a esse contexto específico. De acordo com uma pesquisa feita por Ferreira, et al., (2009) em instituições públicas federais, as atividades de QVT, quando existe, nesses órgãos, são realizadas buscando garantir, em primeira instância, a produtividade; o bem-estar do funcionário fica em segundo plano. Outro fato marcante, nesta pesquisa, é que estes órgãos públicos não possuem uma política institucional para QVT, e as práticas gerenciais que são realizadas são feitas de forma improvisada, ainda incipiente. Ainda segundo a pesquisa, o que se observa em maior relevo nas instituições públicas, como ferramenta de QVT são as práticas de atividades físico-corporais. No entanto, as questões institucionais como estresse, desgaste, fadiga, feedback, permanecem intocados. Existe uma distância entre os problemas cotidianos e as práticas gerenciais em QVT nas organizações públicas. Para Ferreira et al., (2009 a), a QVT no setor público assume uma abordagem assistencialista. Essa abordagem, para ele, possui como principais características: Rita Sirley Souto Barcelos 31 ___________________________________________________Fundamentação Teórica responsabilização do trabalhador por sua QVT, atividades de QVT de natureza compensatória dos desgastes que os trabalhadores vivenciam a ênfase na produtividade, levada ao extremo em função da competitividade globalizada (Ferreira, 2009, p. 148 a). Ainda segundo o mesmo autor, a QVT, nesta abordagem, é considerada como medida paliativa, pois as atividades oferecidas servem apenas para mascarar e não modifica o contexto de produção de bens e serviços. Para Lima (2008), o programa de QVT tem que possuir um viés preventivo para que o resultado seja efetivo. Implantado com este viés, a QVT vai remover ou minimizar os problemas geradores de mal-estar no trabalho, identificando a busca pela harmonia entre o bem-estar, a eficiência e a eficácia nos ambientes organizacionais e ter a produtividade apenas como consequência. Na abordagem preventiva, a QVT é concebida como uma tarefa de todos na organização, como uma responsabilidade institucional, não só dos gestores e nem só dos especialistas da área do trabalho, mas de todos. Para Ferreira, et al., (2009 a), a QVT no setor público conforme constatado no resultado de sua pesquisa, possui um agravante que é a rotatividade de gestor. Os servidores manifestam a descredibilidade na continuidade do programa de QVT quando ocorre mudança de gestor. Eles acreditam que mudando o gestor, o processo será interrompido. Os gestores públicos deparam também com dificuldades de base legal e burocrática que podem servir de obstáculos à implantação de um programa de QVT, conforme citado anteriormente por Amorim (2010): limites orçamentários, processo de licitações, estrutura de cargos e a carreira dos servidores. 3.4. MODELOS CONCEITUAIS DE AVALIAÇÃO DA QVT Desde que foi considerado um aspecto indispensável à garantia da satisfação dos trabalhadores, com impactos na produtividade e na relação do trabalhador com sua atividade laboral, inúmeros modelos foram sendo criados a fim de qualificar, quantificar e direcionar as avaliações acerca da QVT nas organizações. Para Paiva e Couto (2008), a QVT evoluiu conceitualmente por meio de pesquisas e intervenções, procurando avaliar o nível de satisfação do indivíduo em relação ao seu trabalho e à saúde mental. Freitas e Souza (2009) descrevem alguns dos modelos desenvolvidos com o intuito de identificar os aspectos que influenciam na QVT e avaliam que, embora os indicadores de QVT variem de acordo com a época a ser considerada, muitos desses Rita Sirley Souto Barcelos 32 ___________________________________________________Fundamentação Teórica modelos permanecem atuais e úteis aos estudos, principalmente os exploratórios. Os mesmos autores ressaltam, entretanto, que em situações muito específicas, outras dimensões podem ser incorporadas ao modelo original. Dentre os modelos utilizados para diagnóstico da QVT mais citados na literatura, destacam-se os de Walton (1973); Hackman e Oldham (1975); Westley (1979) e Werther e Davis (1983). Fernandes (1996) avalia que os principais modelos conceituais existentes são os de Nadler e Lawler (1983), Hackman e Oldhan (1975) e Walton (1973). Apesar das aparentes discordâncias, é importante salientar que a escolha da abordagem a ser utilizada dependerá da cultura organizacional em questão (Kanikadan & Limongi-França, 2007), dos objetivos que se quer alcançar (Paiva & Couto, 2008), do contexto atual da organização, dentre outros critérios. 3.4.1. Modelo conceitual de investigação Após a análise da literatura disponível, definiu-se que, para o desenvolvimento desta investigação, seria adotado o modelo conceitual de investigação apresentado por Fernandes (1996), que considera que, se é essencial avaliação do nível de satisfação dos empregados de uma organização, há a necessidade de uma tecnologia comportamental apropriada. Dessa forma, a autora apresenta o modelo da Auditoria Operacional de Recursos Humanos5, calcada em um modelo analítico de investigação, que busca dar conta de uma das grandes dificuldades das organizações, que é o levantamento da percepção dos funcionários sobre a própria QVT. Fernandes (1996) justifica que: Conhecer a percepção dos empregados sobre aspectos organizacionais, ambientais e comportamentais relativos à sua situação de trabalho, através de técnicas confiáveis e científicas, permite o monitoramento de melhorias contínuas, assim como se procede em termos dos programas de Qualidade Total (p. 16). No intuito de também contribuir para a continuidade das pesquisas no âmbito da avaliação da QVT, Freitas e Souza (2009) propõem um modelo próprio, direcionado à avaliação da QVT em Instituições de Ensino Superior, segundo à percepção dos funcionários técnico-administrativos, buscando incorporar simultaneamente as diversas 5 Essa metodologia foi vencedora do prêmio Ser Humano, em 1995, pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Rita Sirley Souto Barcelos 33 ___________________________________________________Fundamentação Teórica dimensões abordadas em outros modelos relevantes para o contexto específico. Diante dos objetivos do estudo que se propõe tal modelo, também mereceu uma análise cuidadosa, servindo de base para a construção do instrumento de coleta de dados para a pesquisa realizada. Partindo-se do princípio de que é o próprio sujeito quem melhor pode comunicar sobre o nível de QVT que experimenta avaliar suas condições de trabalho, bem como levantar suas demandas para que possa melhorar seu desempenho laboral, essa metodologia se volta para as valiosas informações que estão disponíveis a todas as organizações, de forma, às vezes, evidente, outras vezes, latente. Seguindo uma revisão da literatura, com base nos diversos indicadores relacionados à QVT, apresentados nos diferentes modelos de avaliação analisados, (especialmente Maslow, 1954; Herzberg, 1968; Walton, 1973; Westley, 1979; Werther & Davis, 1983 e Hackman & Oldham, 1975), Fernandes (1996, p. 86), estrutura a Auditoria Operacional de Recursos Humanos a partir das seguintes dimensões: 1. Análise pessoal sobre a QVT: objetiva detectar a percepção do funcionário sobre sua QVT, em termos gerais. 2. Condições de trabalho: explora o nível de satisfação do funcionário com as condições ambientais físicas em que os trabalhadores executam suas funções, abrangendo os seguintes itens: limpeza, arrumação e segurança. 3. Saúde: busca verificar a satisfação dos empregados quanto as ações da empresa no que se refere à saúde, em termos preventivos e curativos. Como itens investigados, estão: assistência a funcionários, assistência familiar, educação/conscientização e saúde ocupacional. 4. Moral: constata a efetividade das ações gerenciais referentes a aspectos psicossociais que se refletem na motivação e moral do profissional, tais como: identidade na execução da tarefa, reações interpessoais, reconhecimento/feedback, orientação para pessoas e garantia de emprego. 5. Compensação: identifica o grau de satisfação dos funcionários em relação a práticas de trabalho e política de remuneração, incluindo: salários (equidade interna e externa), salário variável (bônus, participação nos resultados), benefícios oferecidos, inclusive em relação a outras empresas. 6. Participação: analisa a percepção do entrevistado em termos de aceitação e engajamento nas ações realizadas, no sentido de gerar condições indispensáveis a sua participação efetiva, incentivadas a partir de oportunidade relacionadas a: Rita Sirley Souto Barcelos 34 ___________________________________________________Fundamentação Teórica criatividade, expressão pessoal, repercussão de ideias dadas, programas de participação e capacitação para o posto. 7. Comunicação: avalia a eficácia das comunicações internas, em todos os níveis, verificando-se o nível de informação sobre aspectos que lhe dizem respeito, tais como: conhecimento de metas, fluxo de informações, notícias em veículos formais (jornais, revistas, entre outros.). 8. Imagem da Empresa: considera a percepção dos colaboradores em vista dos seguintes itens: identificação com a empresa, imagem interna, imagem externa, responsabilidade comunitária, enfoque no cliente. 9. Relação Chefe-subordinado: identifica a relação entre os níveis hierárquicos a partir dos seguintes itens: apoio socioemocional, orientação técnica, igualdade de tratamento, gerenciamento pelo exemplo. 10. Organização do trabalho: avalia a percepção dos funcionários sobre as novas formas de trabalho, considerando-se os seguintes itens: inovações/métodos/processos, grupos de trabalho, variedade de tarefas, ritmo de trabalho. Tais dimensões dão origem a itens de avaliação, reunidos em um instrumento de coleta de dados também sugerido pela autora. O nível de satisfação dos entrevistados em relação aos critérios selecionados é avaliado a partir de uma escala polarizada de satisfação referente aos seguintes níveis: 1. Bastante insatisfeito 2. Insatisfeito 3. Levemente insatisfeito 4. Neutro 5. Levemente satisfeito 6. Satisfeito 7. Bastante satisfeito Na análise dos dados, considera-se que os intervalos entre esses níveis são equidistantes. Nesse modelo, sugere-se que os dados sejam coletados através do método de entrevistas face-a-face em profundidade. Indica-se, ainda, um espaço para observações de dados de natureza qualitativa, apresentados pelo entrevistado, tais como depoimentos, opiniões e sugestões específicas sobre a temática pesquisada. Para a utilização deste modelo em pesquisas e avaliações organizacionais, a autora ressalta que o mesmo deve ser adaptado às peculiaridades e aos objetivos da Rita Sirley Souto Barcelos 35 ___________________________________________________Fundamentação Teórica tarefa. A partir dos resultados, são levantadas as tendências de satisfação dos entrevistados. Através da utilização desse modelo de referência, busca-se o levantamento da percepção dos servidores acerca dos fatores intervenientes no nível de satisfação em relação às condições e a organização do trabalho na instituição selecionada. Considerou-se que, através da utilização desse atual e consagrado modelo de aferição de QVT, os objetivos do presente trabalho puderam ser alcançados no que compete à aferição dos níveis de satisfação e motivação, bem como às relações entre as variáveis observadas. Após o aprofundamento na definição e fundamentação sobre a QVT, no próximo capítulo, descreveremos a metodologia utilizada na pesquisa, detalhando o tipo de estudo, questões e hipótese da investigação, instrumentos de medida utilizados, as variáveis, as etapas do desenvolvimento da pesquisa, a aplicação e tratamento estatístico, enfim, vamos detalhar os procedimentos metodológicos utilizados em toda a investigação. Rita Sirley Souto Barcelos 36 ____________________________________________________________Metodologia CAPÍTULO IV 4. METODOLOGIA 4.1. TIPO DE ESTUDO De acordo com a natureza dos objetivos, optou-se por uma investigação não experimental, ou seja, sem a manipulação intencional de variáveis, do tipo transversal, cuja coleta de dados acontece em um só momento, objetivando apresentar um quadro de como a percepção da QVT encontrava-se na ocasião da pesquisa. Diante dos diversos fatores, critérios e indicadores determinantes da QVT relatados na literatura, optou-se por realizar um estudo de caráter exploratório, baseado na metodologia de avaliação da QVT, desenvolvida por Fernandes (1996), tendo por objetivo tornar um determinado fenômeno em questão familiar ou conseguir uma nova compreensão sobre ele (Selltiz et al., 1974), através da observação e análise do mesmo em seu contexto natural. Quanto ao seu fim, avalia-se que a pesquisa também é descritiva, porque apresenta a percepção dos servidores técnicos administrativos sobre a QVT, descrevendo e categorizando essas percepções sob um enfoque estatístico. Quanto ao seu meio, caracteriza-se como um estudo de caso, por levantar questões específicas desse contexto e desse grupo de indivíduos. Segundo Ludke e André (1986), o caso deve ser sempre bem delimitado, com seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo. Tal aspecto foi relevante na delimitação do caso e dos sujeitos em questão. A pesquisadora manteve-se atenta aos elementos que foram surgindo no decorrer do estudo, buscando novas respostas e novas indagações, conforme sugerido pelos autores supracitados. Considerou-se, ainda, a história da Instituição; a situação geral no momento da pesquisa: recursos humanos e materiais, estrutura física e administrativa, questões políticas e operacionais, entre outros. Procurou-se revelar a multiplicidade de dimensões presentes no contexto estudado que de alguma forma afeta a QVT na referida instituição. Uma das características fundamentais do estudo de caso, segundo Ludke e André (1986), é que é usada uma variedade de fontes de informação. Sendo assim, a pesquisadora procurou fazer observações em diversas situações e em diferentes Rita Sirley Souto Barcelos 37 ____________________________________________________________Metodologia momentos, considerando a atuação dos servidores em suas atividades laborais cotidianas, em reuniões, intervalos para café, no horário de chegada e de saída. A partir destas observações e dos dados coletados nos questionários, foi possível cruzar informações, descobrir novos dados e levantar hipóteses alternativas. A pesquisadora procurou apresentar as divergentes e até conflitantes opiniões presentes em determinadas questões, revelando seu próprio ponto de vista sobre a questão, conforme sugere Ludke e André (1986), deixando espaço para os leitores tirarem conclusões sobre os aspectos contraditórios. Ludke e André apud Nisbet e Watt (1986) caracterizam o desenvolvimento do estudo de caso em três fases: a) Fase exploratória – fundamental para uma definição mais precisa do objeto estudado. É o momento de delimitar as questões de estudo, de estabelecer os primeiros contatos com o contexto a ser investigado, localizar os informantes e as fontes de dados necessárias para o estudo proposto. Na presente pesquisa, essa fase foi delineando-se ao longo do processo inicial de concepção do objeto de estudo, facilitado pela presença diária da pesquisadora na instituição focalizada. b) Delimitação do estudo – coleta sistemática das informações, utilizando instrumentos mais ou menos estruturados e técnicas variadas. Nesta pesquisa, foram utilizados questionários, observações e análise documental. c) Análise sistemática e elaboração do relatório – nesta fase, o investigador junta as informações colhidas, analisando-as, dá retorno aos grupos pesquisados e escreve o relatório final. No presente estudo, esse retorno será dado a partir da publicação dos resultados em artigos científicos e na finalização da presente dissertação, cuja cópia será entregue à direção do Campus e ficará disponível para consulta na biblioteca do mesmo. Após serem recebidas as respostas dos questionários foram submetidas à análise estatística. Realizou-se um mapeamento de todos os dados obtidos no trabalho de campo e buscou-se desvendar o conteúdo das respostas, analisando-se a percepção de cada segmento pesquisado a respeito da QVT no IFMG-SJE, estabelecendo-se articulações entre os dados obtidos e a fundamentação teórica, visando responder às questões de estudo da pesquisa com base em seus objetivos. Rita Sirley Souto Barcelos 38 ____________________________________________________________Metodologia 4.2. QUESTÕES E HIPÓTESES DE INVESTIGAÇÃO As questões norteadoras do estudo indagaram a respeito da percepção por parte dos sujeitos da pesquisa acerca da QVT, do nível de satisfação e envolvimento dos mesmos com o trabalho a ser realizado na instituição eleita para esse estudo, da avaliação acerca das condições de trabalho oferecidas pela instituição, das relações interpessoais estabelecidas, da organização do trabalho, entre outras questões. O modelo conceitual de investigação selecionado permitiu investigar sobre as seguintes dimensões: Condições de trabalho, Saúde, Moral, Participação, Comunicação, Imagem da Empresa, Relação Chefe-funcionário Foi possível ainda distinguir entre as dimensões e itens melhor e pior avaliados, relacionando com diversas variáveis: tempo de serviço, cargo ocupado; escolaridade, gênero, idade, entre outras. Supunha-se que a ausência de práticas voltadas para a promoção de QVT implicaria num nível significativo de insatisfação por parte dos servidores pesquisados com o trabalho, com as atividades desenvolvidas, com a rotina e a organização do trabalho, produzindo prejuízos para os indivíduos, para a organização e para a prestação dos serviços de modo geral. Dentre as hipóteses a serem consideradas, incluía-se a descoberta de aspectos específicos em relação à satisfação e envolvimento com o trabalho a ser realizado no contexto do funcionalismo público, a expectativa dos servidores por ações que promovam melhores condições laborais, além de indícios de relação entre o tempo de serviço e a percepção da QVT entre os trabalhadores. 4.3. POPULAÇÃO EM ESTUDO A instituição escolhida para a realização desse estudo de caso foi o IFMG-SJE, instituição pública federal que tem como missão consolidar-se como um centro de educação, promovendo o desenvolvimento humano e contribuindo para o progresso. Encontra-se localizado em um pequeno município do estado de Minas Gerais, na região Centro-Nordeste do Estado, com uma população aproximada de 15.553 habitantes. A principal atividade econômica é a agricultura e a pecuária. Em seu quadro funcional, no momento da pesquisa a instituição contava com 59 docentes e 118 servidores técnicos administrativos, efetivados por concurso público, Rita Sirley Souto Barcelos 39 ____________________________________________________________Metodologia que atuam em diversos setores. Ainda que o produto final da instituição seja a educação e a formação profissionalizante, inúmeras outras atividades são desempenhadas por esses servidores técnicos administrativos, das quais se destacam: apoio ao ensino, administração da fazenda-escola, administração de recursos humanos, administração de recursos materiais e financeiros, serviços oferecidos à comunidade escolar (reprografia, biblioteca, refeitório, cantinas, alojamentos, entre outros), manutenção das instalações físicas e equipamentos do campus, entre tantas outras necessárias ao funcionamento da instituição. Entendendo que a qualidade da oferta desses serviços está intimamente ligada aos níveis de QVT que cada trabalhador experimenta na execução de suas atividades, a presente investigação teve como alvo os servidores envolvidos em atividades de prestação de serviços administrativos. Vale ressaltar que, na ocasião da pesquisa, em novembro de 2011, havia apenas 91 servidores técnicos administrativos e que os outros 27 foram efetivados depois da aplicação dos questionários. 4.4. INSTRUMENTOS DE MEDIDA Os servidores técnicos administrativos do quadro funcional do IFMG-SJE, que aceitaram participar da pesquisa, foram submetidos anonimamente a um questionário auto respondido, com questões objetivas e discursivas, apresentado no Anexo 1. Ainda que os sujeitos tenham sido abordados dentro da própria instituição e em seu horário de trabalho, foram informados de que as informações coletadas seriam utilizadas apenas para fins de pesquisa, mantendo-se o sigilo das mesmas. O questionário apresentou as dimensões e itens a serem investigados, para os quais os sujeitos deveriam apontar seu nível de satisfação, a partir de uma escala polarizada de satisfação, referente aos seguintes níveis: 1. Insatisfeito 2. Levemente insatisfeito 3. Neutro 4. Levemente satisfeito 5. Satisfeito Rita Sirley Souto Barcelos 40 ____________________________________________________________Metodologia Com a finalidade de nivelar o significado de cada intervalo, foi disponibilizada uma nota explicativa para os entrevistados no momento da entrevista, relacionando os níveis com as seguintes referências, conforme sugestão de Fernandes (1996): 1. Insatisfeito – ―Está ruim‖ 2. Levemente insatisfeito – ―Poderia ser melhor‖ 3. Neutro – ―Há coisas boas e más. Não sei dizer‖ 4. Levemente satisfeito – ―Está bom‖ 5. Satisfeito – ―Está bem. Eu estou contente‖ Além disso, cada item contou com um espaço onde o entrevistado pode indicar livremente comentários ou sugestões de melhorias acerca do mesmo. Apesar das dimensões investigadas serem as mesmas sugeridas por Fernandes (1996), a saber: Condições de trabalho, Saúde, Moral, Compensação, Participação, Comunicação, Imagem da Empresa, Relação Chefe-funcionário e Organização do trabalho; alguns itens desse modelo foram suprimidos, tendo em vista que não são adequados ao contexto do funcionalismo público. Para medir o nível de satisfação nas dimensões da qualidade de vida do trabalho, foi realizada uma transformação linear na escala original das variáveis da seguinte forma: Insatisfeito = -1, Levemente insatisfeito = -0,5, Neutro = 0, Levemente satisfeito = 0,5, Satisfeito = 1, Dessa forma, a escala original foi substituída por uma escala padronizada restrita ao intervalo de -1 a 1, sendo que os valores próximos de -1 equivalem a insatisfação e valores próximos de 1 equivalem a satisfação. Esse tipo de transformação é sugerido por (Gelman & Hill 2007). Para resumir as informações de cada dimensão da QVT, foram criados índices, através da média dos itens (perguntas) desta dimensão, sendo assim, foram criados os seguintes índices: Índice Relação Chefe-Subordinado Índice de Imagem da Empresa Índice de Comunicação Índice de Participação Rita Sirley Souto Barcelos 41 ____________________________________________________________Metodologia Índice de Moral Índice de Saúde Para todos os itens de cada dimensão, assim como para os índices, foram calculados as médias das escalas padronizadas e para possibilitar possíveis comparações foram estimados intervalos de confiança de 95% Bootstrap (Efron & Tibshirani 1993). O método bootstrap6 é muito utilizado para realizar inferências, quando não se conhece a distribuição de probabilidade da variável de interesse. Para verificar se existe influência de cada dimensão da qualidade de vida do trabalho, através dos índices criados com a QVT – Global, foram calculados os coeficientes de correlação de Spearman7 (Siegal, Júnior, 2006). O coeficiente de correlação de Spearman é uma medida da intensidade da correlação entre duas variáveis, e que está restrita ao intervalo de -1 a 1. Sendo que quanto mais próximo de 1, mais forte é a correlação negativa, ou seja, se uma variável aumenta a outra tende a diminuir; e quanto mais próximo de 1, mais forte é a correlação positiva, ou seja, se uma variável aumenta, a outra tende a aumentar. Para verificar se o tempo de serviço, faixa etária e o nível de escolaridade exerce alguma influência sobre as dimensões da qualidade de vida do trabalho, através dos índices criados, foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis8 (Hollander & Douglas, 1999), sendo que para verificar a influência do gênero e gratificação foi utilizado o teste de Mann-Whitney (Hollander & Douglas, 1999). O nível de significância adotado no trabalho foi de 5%. O software utilizado na análise foi R versão 2.15.0, que pode ser conhecido no site www.R-project.org. 6 O método bootstrap, introduzido por Efron (1979), é um método de reamostragem baseado na construção de subamostras a partir de uma amostra inicial. Na verdade, trata-se tanto de uma alternativa para o processo inferencial como também de uma ferramenta de diagnostico. E bastante útil quando se deseja avaliar, para um certo estimador, o seu erro padrão, o seu viés, ou ainda quando se quer estimar a distribuição de probabilidade do estimador. 7 Coeficiente de correlação de postos de Spearman, chamado assim devido a Charles Spearman e normalmente denominado pela letra grega ρ (rho), é uma medida de correlação não-paramétrica – Isto é, ele é bom avaliador de uma função monótona arbitrária que pode ser a descrição da relação entre duas variáveis, sem fazer nenhumas suposições sobre a distribuição de frequências das variáveis. 8 O teste de Kruskal-Wallis análise simples de variância por postos (em homenagem a William Kruskal e Allen W. Wallis ) é um método não-paramétrico para testar se amostras são provenientes da mesma distribuição. É utilizado para a comparação de mais de duas amostras, independentes, ou não relacionados. O equivalente paramétrico de Kruskal-Wallis é a análise simples de variância ( ANOVA ). Rita Sirley Souto Barcelos 42 ____________________________________________________________Metodologia 4.5. VARIÁVEIS Dentre as variáveis a serem observadas, incluía-se: a percepção da QVT por parte dos servidores técnico-administrativos do quadro funcional do IFMG-SJE; o nível de satisfação e envolvimento dos mesmos com o trabalho realizado na referida instituição; a avaliação que os mesmos fazem acerca das condições de trabalho às quais estão submetidos, das relações interpessoais estabelecidas, da organização do trabalho, entre outras situações. Em especial, o estudo pretendeu relacionar a percepção da QVT com o tempo de serviço dos servidores. 4.6. APLICAÇÃO E TRATAMENTO ESTATÍSTICO Tendo em vista que o estudo é de natureza quantitativa, os dados, após coletados, foram submetidos a tratamento estatístico. Para tabulação e processamento dos resultados da pesquisa, foi utilizado software SPSS – Statiscal Package for Social Science. Para a análise, foi utilizado o software R na versão 2.15.0. A técnica permitiu, a partir da quantificação das respostas dos entrevistados, observar relações e tendências que trouxeram reflexões pertinentes à análise do tema investigado, bem como a realização de inferências a partir deles. 4.7. ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA A partir dos resultados da pesquisa, pode-se avaliar a percepção dos técnicos administrativos em relação a sua QVT, comparar as diferenças de satisfação de servidores com tempo variado de atuação no IFMG-SJE e suscitar questões relativas às necessidades dos servidores em termos de melhores condições de trabalho. As etapas de desenvolvimento desta pesquisa estão representadas na figura 1 a seguir. A última etapa da pesquisa, correspondente às conclusões finais, propõe ações de promoção de QVT aplicáveis à instituição, oferecendo condições motivacionais à plenitude da realização humana, promovendo um clima estimulante de trabalho e incentivos ao desenvolvimento do servidor e à obtenção de resultados mais satisfatórios. Rita Sirley Souto Barcelos 43 ____________________________________________________________Metodologia Neste capítulo, de forma bastante minuciosa, apresentaremos todo o procedimento metodológico utilizado nesta pesquisa. Sendo assim, no próximo capítulo, será dedicado à análise descritiva e estatística dos resultados da mesma. Caracterizaremos o público pesquisado e abordaremos a QVT no âmbito do IFMG-SJE, na visão dos Técnicos Administrativos pesquisados. Figura 2 – Etapas do Desenvolvimento da pesquisa Rita Sirley Souto Barcelos 44 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. CAPÍTULO V 5. QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: CASO ESPECÍFICO DO INSTITUTO FEDERAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MINAS GERAIS – CAMPUS SÃO JOÃO EVANGELISTA. 5.1. A PROPOSTA DO ESTUDO A proposta deste capítulo é apresentar o levantamento e análise dos resultados obtidos a partir da pesquisa sobre a qualidade de vida no trabalho no âmbito do IFMGSJE, buscando-se compreender como a mesma se efetiva e o que os seus servidores técnicos administrativos pensam e sentem sobre esta questão. Se a investigação aqui proposta reforça questões já estudadas por outros autores, o que podemos considerar de maior contribuição para a reflexão é o enfoque dado ao tema a partir da vivência e experiência dos pesquisados. A partir das vozes destes sujeitos, foi realizada uma análise sobre fatores sociais, políticos, físicos e psicológicos que influenciam na QVT dos pesquisados do IFMG-SJE. Apresentaremos a análise e interpretação descritiva dos dados e, em seguida, a análise e interpretação estatística. 5.2. ANÁLISE DESCRITIVA Na análise descritiva, todas as variáveis foram apresentadas, possibilitando caracterizar a população estudada e comparar, através dos intervalos de confiança, as perguntas dentro de cada dimensão da qualidade de vida no trabalho. 5.3. CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIDORES Do montante dos técnicos pesquisados, temos que 51% são do sexo masculino, 49% são do sexo feminino, conforme pode ser observado no gráfico 1. Interessante observar que a população masculina e feminina está bem dividida, o que nos faz inferir Rita Sirley Souto Barcelos 45 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. que o público feminino vem ocupando seu espaço no mundo do trabalho, o que não acontecia há alguns anos, onde a predominância de servidores técnicos administrativos era do gênero masculino. Feminino 49% Masculino 51% Gráfico 1 – Caracterização dos servidores técnicos administrativos – Gênero Sobre a distribuição etária dessa população, constatou-se 75% dos pesquisados possuem idade superior a 35 anos, levando-nos a inferir que a grande maioria dos técnicos administrativos são pessoas já na fase adulta, apresentando maior amadurecimento físico e emocional. O gráfico 2 apresenta a faixa etária dos técnicos administrativos pesquisados. Menos de 24 anos 4% De 24 a 29 anos 9% De 30 a 34 anos 12% Acima de 40 anos 48% De 35 a 39 anos 27% Gráfico 2 – Caracterização dos servidores técnicos administrativos – Faixa etária. Rita Sirley Souto Barcelos 46 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Em relação ao tempo de serviço prestado à Instituição, viu-se que 59% possuem acima de 11 anos de serviço, sendo que destes 36% possuem acima de 20 anos de serviço público. Observa-se que para uma margem relevante dos servidores restam menos de 10 anos de serviço para a aposentadoria. O tempo de serviços dos pesquisados será apresentado no gráfico 3. Inferior a 2 anos 11% Acima de 20 anos 36% De 2 a 5 anos 23% De 11 a 20 anos 23% De 6 a 10 anos 7% Gráfico 3 – Caracterização dos servidores Técnicos Administrativos – Tempo de serviço. Analisando a escolaridade dos pesquisados, constatou-se que 52% possuem curso superior ou pós-graduação. A escolaridade dos pesquisados será apresentada no gráfico 4. Salientamos que 38% dos técnicos administrativos pesquisados ocupam cargos de nível auxiliar, isto é, na ocasião em que eles foram aprovados em concurso público, não havia exigência de escolaridade para a ocupação de seus cargos. Hoje, no entanto, 78% deles possuem Ensino Médio ou Curso Superior. Nos cargos de Nível intermediário, que exigem o Ensino Médio para ocupá-los, 52% dos pesquisados possuem graduação ou pós-graduação (especialização e mestrado). Ressaltamos que o nível de escolaridade dos técnicos administrativos está além do exigido para o exercício da função que ocupam, sendo assim, é possível conceber que os servidores buscam qualificar-se independente das exigências da instituição e agregam, dessa maneira, melhorias às suas atividades funcionais à medida que se capacitam. Lembramos, no entanto, que o plano de carreira dos técnicos administrativos oferece incentivos salariais de qualificação, o que, justifica a preocupação de melhoria da escolaridade dos pesquisados. Rita Sirley Souto Barcelos 47 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. 3% 4% 38% Fundamental completo 40% Fundamental incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior 14% Pós Graduado 1% Gráfico 4 – Caracterização dos servidores técnicos administrativos – Escolaridade. As funções exercidas pelo público pesquisado variam entre as de assistente administrativo, pedagogo, bibliotecário, contador, técnico em assuntos educacionais, psicólogo, médico, assistente social, recepcionista, cozinheiro, técnico em agropecuária, técnico em informática, eletricista, motorista, assistente de alunos, auxiliar de enfermagem, vigilante, almoxarife, entre outros. Do universo pesquisado, observou-se que 30% possuem algumas funções gratificadas, isto é, ocupam cargos comissionados e assumem tarefas além das que são de responsabilidade de seus cargos. Uma porcentagem de 70% não possui nenhuma função gratificada, exercendo a função de seu cargo, ou em alguns casos, desviados de sua função do cargo de origem, exercendo outras atividades de acordo com as necessidades da Instituição. O gráfico 5 representa a margem de servidores que ocupam ou não cargo comissionado. Função gratificada (FG) é um bônus que o servidor recebe para coordenar algum setor. Esta coordenação é ocupada por pessoa indicada pela direção geral da Instituição. Uma das sugestões apresentadas no PPI (2010) nos entraves, propostas e metas é que os ocupantes destas FGs, assim como dos cargos de direção, fossem indicados pelos pares, mas até o momento isso não vem acontecendo e a indicação fica a critério da direção geral. Rita Sirley Souto Barcelos 48 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. 30% Não 70% Sim Gráfico 5 – Ocupação de cargo de confiança – Função Gratificada/ Cargo de direção. 5.4. A QVT NO CONTEXTO DO IFMG-SJE Neste item, busca-se identificar a percepção da QVT, a satisfação e a realização profissional dos pesquisados nesta instituição, que até então não possui nenhuma ação formal para promoção da QVT. Para aquisição de tais dados, verificou-se através de questionário como os servidores avaliavam a QVT de maneira geral; o que contribuía para a sua QVT, bem como o que a reduzia; quais ações relativas à saúde eram implementadas pelo IFMGSJE e quais deveriam ser para melhorar a QVT dos servidores. Levantou-se também, dentre outros, os fatores que mais motivavam os servidores na execução de suas tarefas e a influência que o relacionamento interpessoal causava na QVT. De acordo com a metodologia estatística, as variáveis em escala likert foram transformadas e padronizadas em uma escala de -1 a 1, sendo que valores negativos mais próximos de 1, indicam insatisfação ou que aquele elemento está ruim; valores próximos de 0 indicam neutralidade e valores positivos próximos de 1 indicam satisfação ou que aquele elemento está bom. Para apresentação desses resultados, vamos separar os achados por dimensões, conforme sugerido por Fernandes (1996). Rita Sirley Souto Barcelos 49 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. 5.4.1. Dimensão 01 – QVT global9. No gráfico 6, pode-se verificar através da avaliação de 62 entrevistados, que o valor médio para QVT – Global foi de 0,371. Como o intervalo de 95% de confiança (0,242 – 0,484) não passa pelo zero, existem evidências de que as avaliações tendem a ser positivas, pois em média os respondentes consideraram que estão levemente satisfeito e satisfeito em relação a sua qualidade de vida no ambiente de trabalho. Gráfico 6 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para o QVT – Global. Em relação ao fator que mais contribui para a qualidade de vida no trabalho, apurou-se que 44% dos servidores pesquisados consideraram o bom relacionamento entre colegas e chefias; 25% destacaram o incentivo à capacitação/qualificação; 24% enfatizaram o reconhecimento do trabalho e a valorização de suas ideias; 7% destacaram outros fatores como a divisão dos serviços de forma igualitária entre os servidores do setor e a participação nas decisões da Instituição. A distribuição dos fatores que mais contribuem para a QVT, sob o olhar dos pesquisados, está representada no gráfico 7. Quando se considera os fatores que reduzem o nível de QVT, segundo a opinião dos servidores entrevistados, 36,0% elencam a falta de capacitação/qualificação para atuação no cargo que ocupa como fator principal, 30,0% entendem que seja a falta de reconhecimento pelo trabalho prestado; 15,0% consideram que seja o número insuficiente de servidores no setor, que culmina num acúmulo de atividades e sobrecarga de trabalho; 6,0% enfatizam o relacionamento interpessoal com colegas e chefias imediata; 3,0% dos pesquisados afirmam que é o desempenho de atividades em um setor no qual o servidor não se identifica. Para a mesma margem (3,0%), o que influi negativamente na QVT é a ―politicagem‖ ente colegas; outros 3,0% consideram os problemas de saúde como entrave para um bom nível de QVT. Para 1,5% dos 9 A QVT Global consiste na avaliação da QVT de maneira universal, na totalidade, sem se ater a nenhuma questão específica. Rita Sirley Souto Barcelos 50 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. servidores entrevistados, a falta de condições físicas reduz o seu nível de QVT. A mesma porcentagem considera que o horário do início das atividades10 interfere na manutenção de bons índices de QVT. O gráfico 8 retrata essa descrição. Gráfico 7 e Gráfico 8 – Gráfico de Pareto para as variáveis relacionadas ao QVT-Total. Os gráficos de Pareto apresentam ao mesmo tempo a frequência absoluta e a frequência relativa acumulada. Dessa forma, possibilita gerar um raciocínio de prioridade, como por exemplo: 69,1% dos entrevistados acham que o bom relacionamento e a capacitação é o que contribui para qualidade de vida no trabalho. 66,7% dos entrevistados acreditam que a falta de capacitação e o reconhecimento é o que reduz a qualidade de vida no trabalho. Conforme já discutido anteriormente, é consenso entre diversos autores a importância do bom relacionamento entre colegas e chefias para o aumento da qualidade de vida dos trabalhadores. O incentivo a capacitação também é muito relevante neste processo, portanto uma margem significativa manifestou que a falta de capacitação reduz sua qualidade de vida. Interessante observar como a capacitação foi lembrada nas respostas, pois a grande maioria dos pesquisados considera a relevância da capacitação para se ter melhor QVT e que, automaticamente, sua falta acarreta redução da QVT. 10 O horário de início das atividades no IFMG - Campus SJE para a grande maioria dos servidores é 7h com término às 17h, de segunda a sexta-feira, com duas horas de intervalo para o almoço, cumprindo-se uma carga horária de 40h semanais. Rita Sirley Souto Barcelos 51 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Realizando o cruzamento dos dados obtidos em relação à avaliação geral da QVT e o tempo de serviço dos servidores pesquisados, conforme apresentado na tabela 13, pudemos perceber que: -Dos servidores com menos de dois anos de serviço na instituição, 87,5% encontram-se de levemente satisfeitos a satisfeitos com a QVT; -Dos que possuem de dois a cinco anos de serviço, 75% estão levemente satisfeitos a satisfeitos em relação ao mesmo quesito; -Dos que possuem de seis a dez anos de serviço, o percentual de 60% dos pesquisados estão de levemente satisfeitos a satisfeitos; -Dos que possuem de onze a vinte anos de trabalho, 56% declararam-se levemente satisfeitos a satisfeitos. -Dos servidores que possuem acima de vinte anos de tempo de serviço na Instituição, 52% consideraram-se de levemente satisfeitos a satisfeitos com sua qualidade de vida de um modo geral. Interessante observar que na medida em que aumentam os anos trabalhados, diminui-se a porcentagem dos servidores que se consideram satisfeitos em relação à qualidade de vida em seu trabalho. Isso sugere que o alto índice de satisfação dos servidores com pouco tempo de serviço na Instituição se deve ao fato deles ainda não conhecerem as peculiaridades do setor, estarem deslumbrados com a nova Instituição ou mesmo com as tarefas de seu cargo, não fazendo uma imagem negativa da Instituição onde atuam. Os funcionários que tem maior tempo na Instituição, já conhecem bem o potencial da mesma, seus pontos fortes e suas fragilidades, visualizando um ambiente mais hostil e mais gerador de sofrimento e de insatisfações. Importante ressaltar que o fator político interno também pode ter interferido neste item da avaliação, considerando que os servidores mais antigos tendem a se envolver de maneira mais profunda com a disputa eleitoral. Sendo assim, aqueles que experimentaram uma derrota política recente passam a avaliar a instituição e seu próprio campo de trabalho mais negativamente. Rita Sirley Souto Barcelos 52 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Tabela 13 – Comparativo do tempo de serviço com a QVT-Global. 5.4.2. Dimensão 02 – Saúde Avaliando-se a satisfação em relação às ações do IFMG – Campus São João Evangelista, voltadas para a saúde preventiva e curativa dos servidores e dependentes, observou-se que o item ―Assistência aos Servidores‖ apresentou um índice médio de -0,162 (-0,287; -0,029), logo, como o intervalo de confiança é negativo e não contém o zero, existem evidências de que em média as avaliações tendem a ser negativas, os pesquisados estão de insatisfeitos a levemente insatisfeitos com as medidas tomadas pela Instituição. Nesse critério, é importante observar que uma margem significativa dos pesquisados está insatisfeita com as ações do campus em relação à saúde do servidor. Supõe-se que há uma expectativa por parte dos servidores de que outras ações voltadas para o campo da saúde poderiam ser implementadas. Em relação à assistência familiar e saúde ocupacional do servidor, também são em média negativos e o intervalo de confiança não contém o zero. Logo, existem evidências de que esses itens tendem a ser avaliados negativamente, considerando como insatisfeitos a levemente insatisfeitos com as ações voltadas para a saúde de seus familiares e a saúde ocupacional. Analisando-se a respeito da educação e de ações de conscientização voltadas para a saúde, o item ―saúde ocupacional‖ apresentou estatisticamente uma pior avaliação que o item Educação/Conscientização, uma vez que os intervalos de confiança Rita Sirley Souto Barcelos 53 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. não se sobrepõem (tabela 14). Os pesquisados consideraram-se levemente insatisfeito a insatisfeito com a política adotada na Instituição. O índice de saúde formada pela média dos índices que compõem a dimensão da saúde apresentou um valor médio de 0,231 (-0,335; -0,108). Logo, existem evidências de que em média as avaliações tendem a ser negativas nessa dimensão. Na tabela 14, podem ser verificadas as informações sobre a dimensão de saúde. Tabela 14 – Medidas descritivas e intervalo de 95% confiança para as variáveis que compõem o índice de saúde. Dimensão da Saúde Assistência aos Servidores Assistência Familiar Educação/Conscientização Saúde Ocupacional Índice de Saúde N Média D.P. 68 67 66 66 66 -0,162 -0,269 -0,106 -0,379 -0,231 0,563 0,553 0,565 0,541 0,474 I.C. – 95% L.I. L.S. -0,287 -0,029 -0,388 -0,134 -0,242 0,015 -0,515 -0,250 -0,335 -0,108 No gráfico 9, abaixo, pode-se facilmente verificar quais itens da dimensão da saúde foram estatisticamente menores que zero, assim como verificar se algum item foi maior ou menor estatisticamente que outro. Gráfico 9 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança as variáveis que compõem o índice de saúde. Rita Sirley Souto Barcelos 54 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Os servidores foram capazes de reconhecer algumas ações realizadas em favor da promoção da saúde no IFMG-SJE, dentre as quais se destaca: A) Aferição de pressão e glicemia – realizada algumas vezes ao ano, em ocasião de comemoração do Dia Mundial da Saúde, Dia do Servidor Público, entre outros; B) Assistência médica ambulatorial, psicológica e odontológica – a instituição possui um médico clínico geral, duas auxiliares de enfermagem, dois psicólogos e uma dentista para atendimento a alunos e servidores. No caso dos serviços odontológicos, os servidores são atendidos em parceria com a associação dos servidores, que oferece desconto aos seus associados; C) Vacinação – a Instituição participa das campanhas de vacinação do município, imunizando os servidores e alunos na própria instituição; D) Prevenção da dengue – a Instituição participa da campanha de prevenção à dengue em parceria com a secretaria municipal de saúde. Como apresentado no gráfico 10, pode-se verificar que 33% dos entrevistados citaram o controle de pressão e glicemia como uma ação relativa à saúde implementada pelo IFMG-SJE. Importante salientar que aproximadamente 75% dos entrevistados percebem as ações relativas ao controle de pressão e glicemia, assistência ambulatorial psicológica e odontológica ou vacinação como uma ação relativa à saúde implementada pelo IFMGSJE. Controle de pressão e glicemia 8% 33% 15% Controle de pressão e glicemia Controle de pressão e glicemia 15% 29% Controle de pressão e glicemia Controle de pressão e glicemia Gráfico 10 – Ações implementadas pelo IFMG-SJE em relação à saúde. Os pesquisados apresentaram algumas sugestões sobre ações de promoção da saúde dos servidores do IFMG-SJE, que possibilitariam, segundo opinião dos mesmos, Rita Sirley Souto Barcelos 55 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. um acréscimo em sua QVT: 50% destes consideraram importante a implementação de campanha de prevenção e controle de doenças ocupacionais, com atuação mais efetiva da equipe preventiva. Acredita-se que se o trabalhador estiver mais orientado quanto à sua saúde, terá menos chance de adoecer. Outros 26% sugerem a implementação de ginástica laboral. Uma margem de 20% dos pesquisados deram outras sugestões, como móveis e equipamentos ergonômicos, maior investimento em capacitação dos servidores e implementação da CIPA. Somente 3% consideram que a instituição não precisa implantar nenhuma medida relativa à saúde. O gráfico 11 apresenta as sugestões dos técnicos pesquisados em relação às ações a serem implementadas em relação à saúde dos servidores. 3% 3% 1% Campanhas de prevenção e controle Ginástica laboral 9% Móveis e equipamentos ergonômicos 8% 50% Investimento em capacitação Nenhuma 26% Saúde preventiva, mais atuação da equipe. CIPA Gráfico 11 – Sugestões de ações relativas à saúde dos servidores a serem implantadas no IFMG-SJE. Segundo Militão (2001), a ginástica laboral é uma medida utilizada por muitas empresas como instrumento de melhoria da qualidade de vida dos funcionários e de maior produtividade da empresa. Considera-se que a ginástica laboral traz benefícios tanto para a empresa quanto para o empregado. Em termos organizacionais, os ganhos vão desde o aumento da produtividade; a diminuição de incidência de doenças ocupacionais; redução de gastos com despesas médicas; incremento do marketing social; redução do índice de absenteísmo e rotatividade dos funcionários e redução dos números de erros e falhas, tendo em vista funcionários mais motivados e mais saudáveis e capacitados. Para os funcionários, a ginástica laboral contribui com a melhora da autoimagem; a redução de dores; a redução do estresse e o alívio das tensões; a Rita Sirley Souto Barcelos 56 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. melhoria do relacionamento interpessoal; o aumento da resistência da fadiga central e periférica; o aumento da disposição e motivação para o trabalho e a melhoria da saúde física, mental e espiritual. Sendo assim, entendemos que a implantação da Ginástica Laboral no âmbito do IFMG-SJE atenderia a expectativa de parte dos servidores, com grande possibilidade de trazer para o campus inúmeros benefícios com essa prática organizacional. Segundo os gestores do IFMG-SJE, foi sugerida e planejada a contratação de pessoal especializado para implantação da ginástica laboral na instituição, no ano de 2012, através da Coordenação de Pesquisa e Extensão, porém, a proposta não foi aprovada pela Direção Geral. Uma parcela significativa dos pesquisados (41%) acredita que sua atividade ocupacional não afeta a sua saúde em nenhum aspecto. Para os que consideram que o trabalho exerce alguma influência sobre a sua saúde, observou-se que: 39% consideram que a sua saúde é afetada pelo fato de ficar sentado ou em pé por um longo período de tempo, excesso de atividades, causando muito cansaço físico e mental, ou pela falta de ergonomia em seu ambiente laboral, provocando muitas dores musculares. Já o restante dos pesquisados (20%) considera que a falta de condições físicas para executar as atividades, a falta de atuação eficaz da chefia imediata, a não valorização do trabalho realizado e a perda de sono decorrente de suas atividades ocupacionais como prejudicial à sua saúde mental. O gráfico 12 apresenta a distribuição das opiniões sobre como a saúde dos servidores é afetada pela sua atividade ocupacional. 5.4.3. Dimensão 03 – Moral A satisfação dos técnicos administrativos em relação à efetividade das ações gerenciais executadas no IFMG-SJE, referentes a aspectos psicossociais, que refletem no nível de motivação e moral dos servidores também foi pesquisada. Na tabela 15, podem ser verificadas as informações sobre a dimensão da moral. Rita Sirley Souto Barcelos 57 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. 3% 2% Não afeta a saúde 5% Sim. Sentado ou em pé por longo período Sim. Excesso de atividadeCansaço físico e mental Sim. Falta de ergonomia 10% 41% 10% Sim. Falta de condições para realizar o trabalho Sim. Falta de atuação eficaz da chefia Sim. A não valorização do trabalho Sim. Muita perda de sono 12% 17% Gráfico 12 – Maneira pela qual a saúde do servidor é afetada por sua atividade ocupacional. Tabela 15 – Medidas descritivas e intervalo de 95% de confiança para as variáveis que compõem o índice de Moral. Dimensão da Moral Identidade na execução da tarefa Relações Interpessoais Reconhecimento/Feedback Orientação para Pessoas Índice de Moral N Média D.P. 67 66 66 66 66 0,194 0,258 -0,038 -0,167 0,062 0,529 0,521 0,550 0,521 0,433 I.C. – 95% L.I. L.S. 0,060 0,313 0,129 0,386 -0,159 0,091 -0,295 -0,038 -0,042 0,170 Em relação aos itens ―Identidade na execução da tarefa‖ e ―Relações Interpessoais‖, tendem a ser em média avaliados positivamente, pois os pesquisados consideraram de levemente satisfeito a satisfeito com as atividades que executam. Enquanto que o item ―Orientação para Pessoas‖, em média tende a ser avaliado negativamente, pois consideram de levemente insatisfeito a insatisfeito sobre diversas informações de interesse do servidor. Para Jesus (2011), o trabalhador gostar daquilo que faz e fazê-lo por prazer determina sua QVT, isto é, a identidade do trabalhador com a organização e com suas atividades é um fator significativo para a QVT, pois ela está relacionada com a conquista da satisfação pessoal do trabalhador. Essa satisfação é adquirida através da Rita Sirley Souto Barcelos 58 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. identidade da tarefa executada, autonomia, convivência com os outros, feedback, entre outros. Embora o item ―Reconhecimento/Feedback‖ tenha apresentado uma média negativa, o seu intervalo de confiança contém o valor zero, não tendo evidências suficiente que sua avaliação tende a ser negativa. Ainda assim considerando a importância do item comunicação na manutenção de uma boa QVT, observa-se a necessidade de melhora neste quesito. Se as informações não estão chegando aos servidores, ou se os mesmos não conseguem absorvê-las de maneira satisfatória, muitas oportunidades devem se perder e a capacidade de articulação da instituição acaba sendo comprometida. O índice da moral, formado pela média dos demais itens da dimensão moral é positivo, 0,062, porém seu intervalo de confiança contém o valor zero, não tendo evidências suficientes que a avaliação da dimensão da moral, em média, tenha sido negativa. No gráfico 13, pode-se facilmente verificar quais itens da dimensão da moral foram estatisticamente menores ou maiores que zero, assim como verificar se algum item foi maior ou menor estatisticamente que outro. Gráfico 13 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para as variáveis que compõem o índice de Moral. Rita Sirley Souto Barcelos 59 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Em relação à motivação dos pesquisados na execução de suas tarefas (gráfico 14), 43% consideram o bom relacionamento com colegas e superiores o que mais os estimulam em suas atividades laborais; 47% enfatizam ser o reconhecimento pelo trabalho e a valorização dos servidores a principal fonte motivadora; 10% consideram outros motivos, tais como: participação em cursos de capacitação, o atendimento prestado à comunidade, a busca para melhores resultados e a satisfação pessoal. Bom relacionamento com colegas Reconhecimento pelo trabalho 1% 3% 2% 3% 1% 2% 1% Valorização dos superiores 40% 13% 34% Bom relacionamento com superiores Atendimento às pessoas que necessitam do meu trabalho. Participação em cursos de capacitação Não se aplica Motivação da equipe para melhoria dos resultados Minha satisfação pessoal Nada Gráfico 14 – Fonte de motivação dos técnicos administrativos na execução de suas tarefas. Avaliando-se o feedback em relação ao trabalho dos técnicos administrativos pesquisados (gráfico 15), 62% ressaltam receber esse retorno, através de avaliação feita por colegas, clientes ou chefia imediata. Para 29%, não é dado nenhum retorno de seu trabalho, nem positivo e nem negativo; os outros 9% manifestaram que o feedback só é dado quando solicitado ou é apenas feita avaliação do servidor pela chefia para fins de progressão funcional. Entende-se que a avaliação do servidor é fundamental para o bom desempenho de suas atividades, quando lhe é oferecido retorno sobre o que se espera de seu trabalho e reforçando os pontos fortes já apresentados, favorecendo sua motivação e seu empenho para melhores resultados. A partir dessas informações, é possível que o servidor corrija possíveis falhas, mude sua postura e hábitos e melhore sua atuação naquele ponto em que a avaliação obteve resultado indesejado. Para Jesus (2011), Rita Sirley Souto Barcelos 60 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. através do feedback sobre o seu desempenho é que o sujeito tem conhecimento da relevância e consequência de suas ações. No gráfico 14, percebe-se que 47% dos pesquisados manifestaram que o reconhecimento pelo trabalho e a valorização do servidor são as principais fontes de motivação na execução de suas tarefas, evidenciando mais uma vez a importância do feedback em relação ao trabalho. Avaliação periódica da chefia 1% 3% 3% 2% Não é dado nenhum retorno 6% Avaliação periódica dos clientes 9% 47% Avaliação periódica dos colegas Avaliação é dada nota apenas para progressão 29% Não existe ainda uma avaliação regular É necessário pedir feedback Mais ou menos Gráfico 15 – Feedback dado ao servidor em relação ao seu trabalho. Para 38% dos pesquisados, o relacionamento interpessoal estabelecido no IFMG-SJE contribui para a qualidade de vida no trabalho quando leva a um bom desempenho profissional; para 36%, contribui quando fortalece ou cria laços de amizades, através de um ambiente amistoso e agradável ou, a partir do momento que influencia no desenvolvimento e crescimento de cada setor. Para 18%, contribui através do respeito às individualidades e quando estabelece confiança e seriedade por parte dos colegas e chefia. Para 8% dos técnicos pesquisados, o relacionamento interpessoal não afeta em nada a QVT. A contribuição do relacionamento interpessoal para a QVT, na visão dos técnicos administrativos pesquisados, será apresentada no gráfico 16. Ao final do questionário, reservou-se um campo para sugestões sobre melhorias necessárias para a elevação da QVT no IFMG-SJE. Rita Sirley Souto Barcelos 61 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Leva ao Bom desempenho profissional 8% 8% 38% 10% Cria laços de amizade por um ambiente amistoso e agradável. Contribui para o crescimento e desenvolvimento de cada setor 18% 18% Respeito ás individualidades Através da confiança e a seriedade da chefia e colegas Gráfico 16 – Maneira como o relacionamento interpessoal, estabelecido no IFMG-SJE, contribui para a QVT, na visão dos técnicos administrativos. Fica evidente que a necessidade de investimento no campo das relações interpessoais é uma grande demanda a ser considerada institucionalmente, como revela a presente pesquisa: ―É preciso investir no relacionamento interpessoal‖. ―É urgente uma maior valorização das pessoas, um maior investimento no setor de Gestão dos Recursos Humanos‖. ―Estabelecer uma Gestão dos Recursos Humanos forte‖. ―Incrementar as relações interpessoais‖. ―Proporcionar relações interpessoais por meio de cursos, palestras e atividades esportivas‖. ―Maior investimento nas pessoas e no setor de Gestão dos Recursos Humanos, que hoje é somente um local para execução de tarefas burocráticas‖. Vale ressaltar que pouco tempo antes da realização da presente pesquisa, a instituição havia passado por uma eleição, tendo sido escolhido um novo Diretor Geral para o Campus e reeleito o atual Reitor para as unidades que compõem o Instituto Federal de Minas Gerais, a partir de um intenso processo político de campanha e disputas. É evidente que tal processo traz implicações para o relacionamento entre os Rita Sirley Souto Barcelos 62 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. servidores, que acabam por expressar o impacto do resultado eleitoral através de divisões, queixas e conflitos. Segundo Valaszek , Vaz, Frasson, e Banczek, (2011), existe uma relação de dependência entre QVT e relacionamento interpessoal, ficando até difícil mensurar o quanto o relacionamento é determinante para a satisfação do trabalhador. Para Chiavenato (1999), a QVT depende de vários fatores, tais como: a satisfação com o trabalho executado; as possibilidades de crescimento na organização; o reconhecimento pelos resultados alcançados; o salário recebido; os benefícios auferidos; o ambiente psicológico e físico do trabalho, a liberdade e responsabilidade de decidir; as possibilidades de participação nas decisões e o relacionamento humano dentro do grupo e da empresa. No caso pesquisado, observou-se que ainda há grande possibilidade de incremento nesse quesito, já que em média os pesquisados afirmam-se de levemente satisfeitos a satisfeitos com as relações interpessoais estabelecidas no IFMG-SJE. Sobre esse aspecto, Valaszek et al., (2011) sugere treinamentos e atividades grupais para aproximar pessoas de uma mesma organização, priorizando a valorização e integração dos mesmos, com foco na importância de se ter um bom relacionamento com os membros da equipe para alcançar melhor qualidade de vida no trabalho. 5.4.4. Dimensão 04 – Participação Quanto à avaliação da satisfação em relação a ações empreendidas no IFMGSJE, que promovam condições de participação dos servidores na gestão, como criatividade, expressão pessoal, repercussão das ideias dadas e capacitação foram investigadas, conforme apresentado no gráfico 17. Todos os itens da dimensão da participação e como consequência o índice de participação apresentaram média negativa bem próxima de zero, com os intervalos de confiança contendo o valor zero, não tendo assim, evidências suficientes para afirmar que avaliação dos itens tenda a ser negativas, porém pode-se afirmar que em média os itens da participação tendem a ficar na neutralidade. Rita Sirley Souto Barcelos 63 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Gráfico 17 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% confiança para as variáveis que compõem o índice de Participação. Supõe-se, a partir dos dados apresentados no gráfico 17, duas situações em relação à criatividade: ou os servidores não estão tendo a possibilidade de manifestar sua criatividade ou a mesma não está sendo aproveitada pela gestão do campus. Em todo caso, os dados revelam que há uma margem para melhoria nesse aspecto, através de políticas que incentivem e valorizem a expressão e o potencial criativo de cada servidor. Em relação à expressão pessoal, também se observa uma grande expressão de insatisfação por parte dos servidores. Supõe-se que se não há uma gestão adequada dessa expressão pessoal ou se a mesma dá margem a retaliações ou críticas, ela tende a se tornar uma demanda reprimida, que se não é acolhida acaba por se tornar um conflito pessoal e institucional. O que não pode ser dito, é expresso por outras vias. As ideias e sugestões dos servidores são valorizadas pela Instituição para 38% dos pesquisados, devido ao conhecimento técnico adquirido ou pela prática que possuem. Para a mesma porcentagem, as ideias não são valorizadas por questões políticas, pessoais ou mesmo por burocracia; para 24%, são parcialmente valorizadas. O gráfico 18 apresenta a visão dos pesquisados em relação à valorização de suas ideias e sugestões pela gestão do campus. Rita Sirley Souto Barcelos 64 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Gráfico 18 – Gráficos de Pareto para as variáveis relacionadas à participação-Valorização das ideias. Na visão de alguns pesquisados: ―É nato do ser humano querer ser ouvido, falar de suas angústias e alegrias. Para tanto o IFMG-SJE precisa melhorar, e muito, neste aspecto‖. ―O setor de Gestão dos Recursos Humanos precisa atuar como tal e não apenas como executor de tarefas burocráticas, como vem acontecendo‖. ―É preciso focar nas pessoas; ouvir e avaliar suas ideias‖. ―Tenho observado a aceitação das ideias e isso me estimula a produzir mais‖. Sobre o incentivo à capacitação/qualificação dos servidores na Instituição, esse é percebido por 76% dos pesquisados, seja através do pagamento de cursos para os servidores que solicitam, pela oferta de cursos in loco para os servidores, pelo pagamento de ajuda de custo para servidores que já estejam capacitando ou pelo financiamento de participação em congressos, seminários e outros eventos acadêmicos, Rita Sirley Souto Barcelos 65 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. quando solicitada e de acordo com o orçamento. Os outros 34% não se sentiram aptos a responder ou manifestaram-se dizendo que a Instituição não incentiva a participação dos servidores em cursos de capacitação/qualificação. A visão dos pesquisados em relação ao incentivo dado pela Instituição em capacitação pode ser observada no gráfico 19. Gráfico 19 – Gráficos de Pareto para as variáveis relacionadas à participação –Incentivo à capacitação. Conforme apresentado no item 2.1.2 (Comunidade Acadêmica – Técnico Administrativo), a Instituição afirma, através de sua Coordenação de Recursos humanos, que investe em capacitação/qualificação dos servidores técnicos administrativos através de pagamento de cursos de graduação, de pós-graduação, de participação em congressos, seminários e fóruns, cursos de curta duração, dentre outros para os servidores que solicitam, seguindo um plano de trabalho. Porém, não há clareza sobre como esses recursos são distribuídos e divulgados entre os diversos níveis hierárquicos existentes. Os dados demonstram que há uma diferença significativa na Rita Sirley Souto Barcelos 66 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. percepção desse incentivo, que deveria ser revisto na instituição, a fim de garantir uma maior igualdade de oportunidades para todos. Mesmo que esse incentivo seja percebido pela maioria dos técnicos pesquisados, observa-se que existe margem para melhora no programa de capacitação e que esta deveria ser melhor incentivada pelo setor de Gestão dos Recursos Humanos e chefias imediatas, para melhor atuação dos servidores em suas áreas. Para Jesus (2011), a possibilidade de o trabalhador expandir as suas capacidades e conhecimentos, de forma a evitar que estes se tornem obsoletos, é um fator determinante para a QVT. 5.4.5. Dimensão 05 – Comunicação A satisfação em relação ao nível de eficácia da comunicação na Instituição em todos os níveis hierárquicos foi avaliada pelos pesquisados nos seguintes itens: conhecimento de metas, fluxo de informações entre níveis e no mesmo nível e veículos formais de informação, pois entendemos que a comunicação é um aspecto extremamente relevante para a QVT. Dos servidores pesquisados, cerca de 42% revelaram que a comunicação está entre boa e ótima, considerando que todas as informações são divulgadas por correspondências, e-mails ou nos murais da Instituição com acesso de todos os servidores. No entanto, a maioria dos pesquisados (58%) considera a comunicação estabelecida no campus entre regular e ruim e afirmam que os canais de comunicação precisam ser revistos, pois muitas informações não são divulgadas ou a divulgação é ineficiente, não atingindo a todos. A percepção da comunicação pelos servidores é apresentada no gráfico 20. Rita Sirley Souto Barcelos 67 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Ótima 3% Ruim 10% Boa 39% Regular 48% Gráfico 20 – Nível de eficácia da comunicação no IFMG-SJE em todos os níveis hierárquicos. Na tabela 16, abaixo, verificam-se as informações referentes à dimensão da comunicação, em que se pode destacar que: Os itens ―conhecimentos de metas‖ e ―Fluxo de informações (Entre Níveis)‖ apresentam médias negativas e intervalos de confiança que não contém o valor zero, tendo assim evidências suficientes para verificar que existe em média uma tendência de avaliações negativas. Os itens ―Fluxo de informações (no mesmo nível)‖ e ―Veículos formais‖ apresentaram médias negativas, porém os intervalos de confiança contém o valor zero, não tendo evidências suficientes para verificar que existe em média uma tendência das avaliações serem negativas. • O índice de comunicação que resume as informações dos itens dessa dimensão é negativo, porém, estatisticamente, o índice médio não é diferente de zero, em que se conclui a tendência à neutralidade. Tabela 16 – Medidas descritivas e intervalo de 95% de confiança para as variáveis que compõem o índice de Comunicação Dimensão da Comunicação Conhecimento de metas Fluxo de informações (Entre Níveis) Fluxo de informações (No mesmo nível) Veículos formais Índice de Comunicação N Média D.P. 67 66 66 66 66 -0,142 -0,167 -0,015 -0,023 -0,083 0,556 0,514 0,447 0,507 0,388 Rita Sirley Souto Barcelos I.C. – 95% L.I. L.S. -0,261 -0,002 -0,295 -0,045 -0,121 0,091 -0,152 0,098 -0,170 0,013 68 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. No PPI (2010), a comunicação do campus aparece como entrave. A divulgação de atos oficiais, resoluções dos órgãos colegiados e de informações de caráter administrativo e pedagógico é vista como deficiente. Sugere-se como proposta de melhoria a contratação de pessoal qualificado e solicitação de feedback das decisões definidas em comissões, que muitas vezes não é divulgado para os demais servidores, ficando estes inertes aos acontecimentos do campus. Tentando sanar esta dificuldade, a gestão do IFMG-SJE abriu concurso e deu posse em meados de 2011, a um publicitário, mas sua permanência no campus foi muito pequena e ele foi redistribuído para outro campus do IFMG. Dessa forma, o campus continua tendo sua comunicação interna e externa comprometida. Sabe-se que a falta de comunicação clara e precisa causa grandes transtornos ao ambiente e influencia na qualidade de vida do trabalho. Para Kunsch (1997, p. 128), ―a oportunidade de se manifestar e de se comunicar livremente canaliza energias para fins construtivos, tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional‖. 5.4.6. Dimensão 06 – Imagem da Instituição Os técnicos administrativos pesquisados avaliaram sua satisfação em relação a imagem do IFMG-SJE. Nesse aspecto, 72% consideram levemente satisfeito a satisfeito com a identificação com a Instituição. No gráfico 21, através dos intervalos de confiança, pode-se verificar que o item ―identificação com a instituição‖, foi estatisticamente melhor avaliado que os itens: ―Imagem interna‖, ―Responsabilidade comunitária‖ e ―Enfoque no cliente‖, assim como o item ―Imagem externa‖ apresentou uma melhor avaliação que o item ―enfoque no cliente‖. Rita Sirley Souto Barcelos 69 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Gráfico 21 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% de confiança para as variáveis que compõem o índice da imagem da instituição. Um aspecto de suma importância para a pesquisa foi o de que a Instituição representa para os sujeitos pesquisados, que será representado no gráfico 22. Neste item, várias manifestações foram apresentadas, dentre elas: minha vida, segunda casa, um sonho, sustento familiar, autonomia financeira, estabilidade, crescimento pessoal e profissional, um lugar de muito aprendizado, entre outros. Um sonho 8% Meu sustento 13% Satisfação pessoal 40% Autonomia financeira 12% Minha segunda casa minha vida 15% Crescimento profissional e estabilidade 12% Gráfico 22 – Representação do IFMG-SJE para os pesquisados. Vale reproduzir três falas, que muito chamam a atenção sobre como a Instituição se coloca para os pesquisados: Rita Sirley Souto Barcelos 70 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. ―Representa um local abençoado de trabalho. Tenho muito orgulho de fazer parte dele‖. ―Representa a excelência que devo dar às pessoas que dependem de meu trabalho‖. ―Representa uma instituição cujos membros são individualistas e quase sempre não pensam no todo‖. Nessas passagens, percebe-se o orgulho de alguns por trabalhar nesta instituição, ao lado da revolta de outros, que atribuem sua insatisfação a uma gestão inadequada e restritiva. Para a grande maioria, entretanto, fica claro que a Instituição tem um significado positivo e grande importância na vida dos profissionais que ali trabalham. Através das respostas, fica evidente o carinho e o apreço que a grande maioria dos pesquisados possui pela Instituição. Segundo Jesus (2011), o orgulho daquilo que se faz e do local onde se faz é um dos fatores mais significativos para a QVT. 5.4.7. Dimensão 07 – Relação Chefe-subordinado A relação chefe-subordinado também foi pesquisada nos quesitos: apoio sócio emocional, orientação técnica, igualdade de tratamento e gerenciamento pelo exemplo (gráfico 23). Nas informações referentes à dimensão da relação chefe-subordinado, pode-se destacar que todos os itens exceto ―Orientação técnica‖ são, em média, estatisticamente, positivos, tendo evidências suficientes para verificar que existe, em média, uma tendência de avaliações positivas e que o índice da relação chefe-subordinado, que resume as informações dos itens dessa dimensão, também foi estatisticamente positivo, o que se conclui a tendência das avaliações positivas nesta dimensão. No gráfico 23, através dos intervalos de confiança, pode-se verificar que o item ―Igualdade de tratamento‖, foi, estatisticamente, melhor avaliado que o item ―Orientação técnica‖. Rita Sirley Souto Barcelos 71 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Gráfico 23 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% de confiança para as variáveis que compõem o índice da relação chefe-subordinado. Esta margem pequena de satisfação em relação à orientação técnica da chefia pode ser justificada pelo fato do cargo ser ocupado por pessoa indicada pela direção da Instituição e não necessariamente por competência de quem o ocupa. Neste aspecto, observamos uma grande margem para melhora, pois pouco mais de 50% dos pesquisados estão satisfeitos com o gerenciamento pelo exemplo transmitido por seus chefes. No gráfico 24, pode-se verificar que 88,4% dos entrevistados afirmaram que o relacionamento entre ele e seu chefe imediato está entre excelente e bom. Regular 12% Ruim 0% Excelente 32% Boa 56% Gráfico 24 – Percepção do relacionamento entre os técnicos administrativos pesquisados e seus chefes imediatos. Rita Sirley Souto Barcelos 72 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Segundo Toledo (1986), uma melhor QVT é muito mais que a busca de melhores condições financeiras, é ter mais autonomia, participação e condições para o autodesenvolvimento, para a auto realização, sendo o apoio sócio emocional recebido de colegas e gestores fundamental para desenvolvimento de tais características. Conforme apresentado acima, o relacionamento interpessoal, seja entre colegas ou chefia, influencia sobremaneira a QVT dos servidores. Percebe-se, através do resultado desta pesquisa, que nesta Instituição, há um bom relacionamento entre servidores e seus chefes, o que culmina em resultados mais efetivos nos trabalhos e maior motivação dos servidores. No gráfico 07, foi apresentado que 43% dos servidores pesquisados consideram o bom relacionamento o fator que mais contribui para a QVT. Sendo assim, entende-se que este quesito está bem atendido nesta Instituição. No final do questionário, foi deixado espaço para sugestões, caso o pesquisado entendesse que a QVT na Instituição não estava boa e precisasse de melhorias. Logo, surgiram as seguintes sugestões para melhoria da QVT no IFMG-SJE, conforme representado no gráfico 25: melhor distribuição das atividades entre os servidores do setor; implementação do Sistema Integrado de Saúde do Servidor Público – SISOSP e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA; implantação de ginástica laboral; adequação ergonômica de espaços e móveis; tratamento igualitário entre os servidores pelos dirigentes; maior investimento em capacitação; maior investimento no setor de Gestão dos Recursos Humanos; reconhecimento e respeito pelo trabalho do outro; proporcionar relações interpessoais entre os servidores, por meio de cursos e atividades esportivas; estabelecer gestão por competência; investir no servidor e na sua satisfação; melhorar a comunicação interna; indicação de pessoas para ocupar cargos por competência e não por questões políticas; Rita Sirley Souto Barcelos 73 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. implementar uma gestão participativa; criar um programa preparatório para aposentadoria e definição mais clara das atribuições de cada um. 8% 8% 32% Proporcionar relações interpessoais através de esportes Maior investimento no setor de Gestão de Pessoas 11% Implementação do SISOSP e CIPA 11% 14% 16% Melhor distribuição de atividades Gráfico 25 – Sugestões para melhoria da QVT no âmbito do IFMG-SJE. A valorização do ser humano, a preocupação com sentimentos e emoções e com a qualidade de vida são fatores que fazem a diferença em qualquer organização. A QVT não é fruto apenas de bons salários, planos de benefícios e investimentos em tecnologia, mas, acima de tudo, do tratamento humano que valorize o respeito, a possibilidade de expressar ponto de vistas divergentes, o relacionamento sincero. É necessário que a organização conheça as expectativas e necessidades de seus funcionários, para que eles tenham melhor QVT e para que a empresa tenha resultados mais efetivos e alcance suas metas (Bom Sucesso, 1997). A partir desses resultados, o IFMG-SJE poderá ter parâmetros para continuar se desenvolvendo e estabelecendo critérios cada vez melhores de QVT de seus servidores. 5.5. ANÁLISE COMPARATIVA A análise estatística, a seguir, possibilita alcançar, dentre outros, os seguintes objetivos: Realizar comparações entre as dimensões da qualidade de vida no trabalho; verificar quais das dimensões exercem maior influência sobre o índice geral de qualidade de vida no trabalho; verificar como o tempo de serviço influencia sobre cada Rita Sirley Souto Barcelos 74 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. dimensão da qualidade de vida no trabalho; verificar como o tempo de serviço influencia sobre o índice geral de qualidade de vida no trabalho. A seguir, pode-se verificar um resumo das dimensões da qualidade de vida no trabalho, assim como realizar comparações estatísticas entre elas. Dessa forma, pode-se destacar que o índice Imagem da Empresa foi estatisticamente positivo e estatisticamente melhor avaliado que os demais índices, exceto o índice de relação Chefe-Subordinado. Já o índice de saúde foi estatisticamente negativo e estatisticamente pior avaliado que os índices da moral, Imagem da Empresa e relação ChefeSubordinado e os índices comunicação, participação e moral não apresentaram diferenças estatísticas entre eles. No gráfico 26, pode-se facilmente verificar quais índices foram estatisticamente menores ou maiores que zero, assim como verificar se algum índice foi maior ou menor estatisticamente que outro. Gráfico 26 – Gráfico de barras com o intervalo de 95% de confiança para os índices da Qualidade de Vida do Trabalho. O coeficiente e teste de Spearman apresentados na tabela 17, a seguir, foram realizados com o intuito de verificar quais das dimensões exercem maior influência sobre o índice geral de qualidade de vida no trabalho. Dessa forma, pode-se destacar que os índices de participação e comunicação não são correlacionados significativamente com o QVT-Global, uma vez que os p-valores não são menores que Rita Sirley Souto Barcelos 75 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. 0,05. Logo, estatisticamente, não se pode afirmar que exista uma relação entre os índices de participação e comunicação com o QVT-Global. Tabela 17 – Coeficiente e teste de correlação de Spearman dos índices da Qualidade de Vida do Trabalho com o QVT-Global. Correlação de Spearman QVT – Global Índice de Saúde Índice de Moral Índice de Participação Índice de Comunicação Índice de Imagem da Empresa Índice Relação Chefe-Subordinado r (Spearman) 0,345 0,388 0,228 0,196 0,288 0,327 P-valor 0,0081 0,0024 0,0970 0,1446 0,0316 0,0115 Os índices de saúde, moral, relação chefe-subordinado e imagem da Empresa são correlacionados positivamente e significativamente com o QVT-Global, uma vez que os p-valores são menores que 0,05. Logo, estatisticamente, pode-se afirmar que se um indivíduo avaliar bem os índices de saúde, moral, relação chefe-subordinado ou imagem da empresa tenderá a avaliar bem a QVT-Global. Já os índices de moral, seguidos de saúde e relação chefe-subordinado, em ordem de importância, são os que maior exercem influência sobre a avaliação do QVT-Global. Na tabela 18, faz-se possível verificar se o tempo de serviço influencia as dimensões da qualidade de vida no trabalho e o índice geral de qualidade de vida no trabalho. Dessa forma, pode-se evidenciar que nenhuma dimensão da qualidade de vida no trabalho, assim como o QVT – Global apresentaram diferenças significativas entre as categorias do tempo de serviço na instituição, o que equivale a afirmar, que não existem evidências suficientes de que o tempo de serviço influencie significativamente as dimensões da qualidade de vida no trabalho, nenhum P<0,05). Mas como observado no item 5.4.1, quando foi realizado o cruzamento dos dados da QVT-Global com o tempo de serviço dos pesquisados, na medida em que aumentam os anos trabalhados, diminuise a porcentagem dos servidores que se consideram satisfeitos em relação à qualidade de vida em seu trabalho. Implica dizer que a margem de satisfação dos mais novos é maior quando comparado àqueles que têm maior tempo de serviço. Rita Sirley Souto Barcelos 76 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Tabela 18 – Medidas descritivas e teste de Kruskal-Wallis dos índices da Qualidade de Vida do Trabalho entre as categorias do Tempo de Serviço na Instituição. Dimensões da Qualidade de Vida do Trabalho Tempo de serviço na Instituição Inferior a 2 anos De 2 a 5 anos De 6 a 10 anos QVT – Global De 11 a 20 anos Acima de 20 anos Inferior a 2 anos De 2 a 5 anos De 6 a 10 anos Índice de Saúde De 11 a 20 anos Acima de 20 anos Inferior a 2 anos De 2 a 5 anos De 6 a 10 anos Índice de Moral De 11 a 20 anos Acima de 20 anos Inferior a 2 anos De 2 a 5 anos Índice de De 6 a 10 anos Participação De 11 a 20 anos Acima de 20 anos Inferior a 2 anos De 2 a 5 anos Índice de De 6 a 10 anos Comunicação De 11 a 20 anos Acima de 20 anos Inferior a 2 anos De 2 a 5 anos Índice de Imagem da De 6 a 10 anos Empresa De 11 a 20 anos Acima de 20 anos Inferior a 2 anos De 2 a 5 anos Índice Relação De 6 a 10 anos Chefe-Subordinado De 11 a 20 anos Acima de 20 anos Medidas Descritivas N Média E.P. 1ªQ 2ªQ 3ªQ 8 16 5 14 0,500 0,438 0,200 0,179 0,094 0,120 0,200 0,154 0,500 0,250 0,000 -0,500 0,500 0,500 0,500 0,500 0,500 0,750 0,500 0,500 18 0,472 0,103 0,000 0,500 1,000 8 15 5 16 -0,047 0,042 -0,400 -0,328 0,120 0,126 0,242 0,119 -0,375 -0,188 -0,750 -0,688 0,000 0,125 -0,500 -0,438 0,250 0,250 -0,375 0,125 22 -0,375 0,091 -0,750 -0,438 0,000 8 15 5 16 0,172 0,125 0,000 -0,109 0,138 0,101 0,177 0,130 -0,062 -0,188 -0,125 -0,500 0,188 0,250 0,125 -0,188 0,438 0,375 0,250 0,312 21 0,095 0,089 -0,125 0,000 0,375 8 13 4 15 0,225 -0,069 0,125 -0,193 0,124 0,116 0,075 0,110 0,100 -0,500 0,000 -0,500 0,250 0,000 0,100 -0,200 0,500 0,300 0,250 0,150 21 -0,162 0,100 -0,500 -0,100 0,200 8 14 4 16 0,094 -0,009 -0,188 -0,250 0,137 0,102 0,149 0,103 -0,250 -0,125 -0,438 -0,625 0,062 0,000 -0,188 -0,188 0,375 0,250 0,062 0,000 23 -0,082 0,076 -0,125 0,000 0,062 8 15 4 16 0,412 0,360 0,175 0,238 0,108 0,116 0,229 0,076 0,200 0,100 -0,150 0,000 0,450 0,300 0,200 0,150 0,500 0,700 0,500 0,500 21 0,248 0,087 0,100 0,300 0,500 8 15 5 16 0,312 0,292 0,350 0,070 0,134 0,143 0,266 0,130 0,062 0,125 0,000 -0,375 0,312 0,500 0,500 0,062 0,500 0,625 0,875 0,500 23 0,147 0,120 -0,125 0,250 0,562 P-valor 0,446 0,056 0,555 0,149 0,281 0,679 0,628 Na tabela 19, pode-se verificar que de uma maneira geral os grupos de indivíduos que possuem algum tipo de função gratificada apresentaram uma maior média e nos índices de qualidade de vida no trabalho. Sendo que nos índices de saúde e moral as diferenças são estatisticamente significativas (p-valor<0,05). Rita Sirley Souto Barcelos 77 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Tabela 19 – Medidas descritivas e teste de Mann-Whitney para os índices da Qualidade de Vida do Trabalho entre função gratificada. Dimensões da Qualidade de Vida do Trabalho Medidas Descritivas Função gratificada N Média E.P. Sim Não Sim Índice de Saúde Não Sim Índice de Moral Não Sim Índice de Participação Não Sim Índice de Comunicação Não Índice de Imagem Sim da Empresa Não Índice Relação Sim ChefeSubordinado Não 16 42 18 45 18 44 16 42 18 44 19 42 19 QVT – Global 0,500 0,310 0,028 -0,347 0,208 -0,028 0,019 -0,121 0,042 -0,151 0,389 0,224 0,368 0,112 0,072 0,081 0,071 0,080 0,067 0,116 0,065 0,080 0,061 0,070 0,062 0,115 1ªQ 2ªQ 3ªQ 0,500 0,000 -0,250 -0,750 0,125 -0,250 -0,450 -0,500 -0,125 -0,438 0,100 0,000 0,125 0,500 0,500 0,125 -0,500 0,250 0,000 0,100 0,000 0,000 -0,125 0,400 0,300 0,500 0,750 0,500 0,250 0,125 0,375 0,312 0,400 0,200 0,250 0,062 0,550 0,500 0,688 45 0,136 0,080 -0,250 0,125 0,500 P-valor 0,106 0,004 0,038 0,199 0,067 0,173 0,080 Tabela 20 – Medidas descritivas e teste de Mann-Whitney para os índices da Qualidade de Vida do Trabalho entre Gênero. Dimensões da Qualidade de Vida do Trabalho Medidas Descritivas Gênero Masculino Feminino Masculino Índice de Saúde Feminino Masculino Índice de Moral Feminino Masculino Índice de Participação Feminino Masculino Índice de Comunicação Feminino Índice de Imagem Masculino da Empresa Feminino Masculino Índice Relação Chefe-Subordinado Feminino QVT – Global N Média E.P. 28 33 34 32 34 32 31 31 34 32 35 30 35 33 0,411 0,348 -0,232 -0,230 -0,062 0,195 -0,152 0,013 -0,107 -0,059 0,254 0,347 0,107 0,303 0,093 0,080 0,087 0,078 0,072 0,072 0,069 0,084 0,069 0,066 0,067 0,067 0,092 0,088 1ªQ 2ªQ 3ªQ 0,500 0,000 -0,750 -0,500 -0,250 -0,125 -0,500 -0,450 -0,375 -0,312 0,050 0,100 -0,312 0,000 0,500 0,500 -0,188 -0,250 -0,062 0,250 0,000 0,100 0,000 0,000 0,300 0,300 0,250 0,375 0,500 0,500 0,125 0,125 0,250 0,500 0,150 0,400 0,125 0,125 0,550 0,600 0,500 0,625 P-valor 0,405 0,892 0,020 0,091 0,943 0,492 0,163 Na tabela 20, pode-se verificar que, no índice da moral, foi significativo (P<0,05) e que, aproximadamente, 50% dos indivíduos do sexo feminino apresentaram o índice da saúde menor ou igual a 0,250; enquanto que aproximadamente 50% dos Rita Sirley Souto Barcelos 78 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. indivíduos do sexo masculino apresentaram o índice da moral menor ou igual a -0,062, sendo essa diferença significativa (p-valor<0,05). Resumindo: Foi constatado que existem evidências de que em média as avaliações para o QVT – Global tendem a ser positivas (Levemente satisfeito e satisfeito). Para a dimensão da saúde, foi constatado que para os itens ―Assistência aos servidores‖, ―Assistência familiar‖ e ―Saúde ocupacional‖ existem evidências de que em média, as avaliações tendem a ser negativas (Levemente insatisfeito e Insatisfeito). O índice de saúde formada pela média dos itens que compõem a dimensão da saúde apresentou evidências de que em média as avaliações tendem a ser negativas nessa dimensão. Foi verificado ainda que o item ―saúde ocupacional‖ apresentou estatisticamente uma pior avaliação que o item Educação/Conscientização. Para a dimensão da moral, foi verificado que os itens ―identidade na execução da tarefa‖ e ―reações interpessoais‖ tendem a ser em média avaliados positivamente (Levemente satisfeito e satisfeito), enquanto que o item ―Orientação para pessoas‖ em média tende a ser avaliado negativamente (Levemente insatisfeito e Insatisfeito). Embora o item ―Reconhecimento/Feedback‖ tenha apresentado uma média negativa, não existe evidências suficientes que sua avaliação tende a ser negativa. O índice da moral, formado pela média dos demais itens da dimensão moral é positivo, porém não existem evidências suficientes que a avaliação da dimensão da moral em média tenha sido estatisticamente positiva. Todos os itens da dimensão da participação apresentaram média negativa bem próxima de zero, sendo assim existem evidências que em média as avaliações para estes itens tendem a ficar na neutralidade. O índice de comunicação que resume as informações dos itens dessa dimensão é negativo, porém estatisticamente o índice médio não é diferente de zero, em que se conclui a tendência à neutralidade, porém os itens ―conhecimentos de metas‖ e ―Fluxo de informações (Entre Níveis)‖ apresentaram médias negativas e evidências suficientes para verificar que existe em média uma tendência de avaliações negativas. Todos os itens da imagem da empresa, exceto ―Enfoque no cliente‖ são em média estatisticamente positivos, tendo evidências suficientes para verificar que existe em média uma tendência de avaliações positivas. Rita Sirley Souto Barcelos 79 ___________________Qualidade de Vida no Trabalho: Caso Específico do IFMG-SJE. Todos os itens da relação chefe-subordinado exceto ―orientação técnica‖ são em média estatisticamente positivos, tendo evidências suficientes para verificar que existe em média uma tendência de avaliações positivas. Verificou-se que o índice imagem da Empresa foi estatisticamente melhor avaliado que os demais índices, exceto o índice de relação Chefe-Subordinado. Verificou-se que o índice de saúde foi estatisticamente pior avaliado que os índices da moral, Imagem da Empresa e relação Chefe-Subordinado. Foi constatado também que os índices comunicação, participação e moral não apresentaram diferenças estatísticas entre eles. Foi verificado que os índices de participação e comunicação não são correlacionados significativamente com o QVT-Global. Já os índices de saúde, moral, relação chefesubordinado e imagem da empresa são correlacionados positivamente e significativamente com o QVT-Global. Sendo que os índices de moral, seguido de saúde e relação chefe-subordinado, em ordem de importância, são os que maior exercem influência sobre a avaliação do QVT-Global. Foi verificado que não existem evidências suficientes de que o tempo de serviço, a faixa etária e a escolaridade influenciem significativamente as dimensões da qualidade de vida no trabalho. Foi verificado que, de uma maneira geral, os grupos de indivíduos que possuem algum tipo de função gratificada apresentaram uma maior média e mediana nos índices de qualidade de vida no trabalho. Sendo que nos índices de saúde e moral as diferenças são estatisticamente significativas (p-valor<0,05). Foi constatado que, no índice da moral, os indivíduos do sexo feminino apresentaram um índice da moral estatisticamente maior que no sexo masculino. Rita Sirley Souto Barcelos 80 _____________________________________________Reflexões/Considerações Finais CAPÍTULO VI 6. REFLEXÕES/CONSIDERAÇÕES FINAIS 6.1. CONCLUSÃO Ao revisar os dados obtidos com a presente investigação e reforçando-se a importância que se atribui à QVT, no contexto das organizações públicas, cuja principal finalidade é a prestação de serviços à população, observa-se que alguns pontos merecem ser destacados para as considerações finais acerca desse trabalho, levando-se em conta os objetivos e hipóteses iniciais da pesquisa. Na medida em que a revisão bibliográfica realizada não deixa dúvidas sobre o quanto o investimento em QVT interfere diretamente no quesito competitividade, produtividade e qualidade na prestação de serviços das organizações, a simples constatação da ausência de políticas internas voltadas para a promoção de QVT na instituição em estudo já indica uma lacuna e uma possibilidade de intervenção, cuja urgência é proporcional às queixas e aos problemas levantados entre os servidores. Confirmando a hipótese levantada no início da pesquisa, fica clara a expectativa por parte dos servidores técnicos administrativos em relação a ações que promovam melhores condições de trabalho. Dentre elas, destacam-se especialmente as ações que atuem sobre: a saúde do trabalhador e de sua família, a organização e distribuição do serviço, o relacionamento interpessoal estabelecido, a organização física dos ambientes de trabalho; a capacitação de servidores; a comunicação interna; a valorização da competência; a preparação para a aposentadoria; a definição de responsabilidades e a participação nos processos decisórios e na gestão organizacional. Por outro lado, a partir das observações feitas durante a pesquisa de campo, foi possível perceber que a presente instituição demonstrou-se desprovida de preocupações mais consistentes e duradouras acerca do tema da QVT, que poderiam atingir de maneira efetiva as condições de trabalho e de vida dos sujeitos, bem como atuar sobre as fragilidades ambientais e relacionais salientadas pela pesquisa. Observa-se que, tanto em relação à expectativa dos servidores, quanto às tentativas da instituição em dar uma resposta a essas necessidades, também apontadas pelos entrevistados, surgem soluções muito pontuais, simplistas e desarticuladas, que Rita Sirley Souto Barcelos 81 _____________________________________________Reflexões/Considerações Finais demonstram a ausência de uma demanda por processos de Gestão dos Recursos Humanos mais integrados e contextualizados, conforme exige o próprio conceito de QVT já apresentado. Para dar conta de atender às necessidades humanas em toda a sua diversidade e multidimensionalidade é preciso que, antes de tudo, os gestores, em especial, compreendam o conceito de QVT em toda a sua extensão, para só assim definirem estratégias de impacto que estejam de acordo com esse conceito. Retomando os objetivos da presente investigação, que, em termos específicos, buscou analisar a percepção dos servidores técnicos administrativos em relação à satisfação e envolvimento com o trabalho realizado, a partir das dimensões propostas pelo modelo conceitual de investigação de Fernandes (1996), foi possível observar que, de maneira geral, a percepção dos servidores sobre seu próprio nível de QVT experimentado foi avaliado, favoravelmente, pela maioria dos entrevistados. Resultados positivos também foram observados nos quesitos ―Identificação com a tarefa realizada‖ e nos critérios de satisfação em relação ao ―Relacionamento chefiasubordinado‖. Considerando a percepção dos servidores em relação à imagem do IFMG-SJE, observa-se que, de maneira geral, a avaliação também é muito positiva e revela a importância dessa instituição na vida de seus servidores e de toda uma comunidade que vive e se desenvolve. Levando-se em conta o impacto que o IFMG-SJE acarreta na vida do município onde está localizado, bem como nas cidades vizinhas, a avaliação positiva da imagem dessa instituição merece ser destacada e atribuída aos inúmeros benefícios que a mesma oferece à região como um todo. Tais avaliações, obtidas após recente disputa eleitoral, podem ser consideradas ainda mais relevantes, conforme considerações já apresentadas, e representam uma realidade diferenciada da maioria das organizações do setor público, conforme se observa pelo levantamento bibliográfico realizado. Dentre as hipóteses que foram consideradas, relativas à descoberta de aspectos específicos que influenciariam na satisfação e no envolvimento com o trabalho a ser realizado no contexto do funcionalismo público, observou-se, através do levantamento de dados, que o quesito ―relacionamento interpessoal‖ ocupou lugar privilegiado nas considerações acerca da promoção de QVT na referida instituição. Por outro lado, os critérios ―falta de capacitação/qualificação para atuação no cargo‖ e a ―falta de reconhecimento pelo trabalho prestado‖ foram apontados como os Rita Sirley Souto Barcelos 82 _____________________________________________Reflexões/Considerações Finais principais motivos de redução da QVT. Esses mesmos critérios (relacionamento interpessoal, falta de capacitação/qualificação e falta de reconhecimento pelo trabalho prestado) foram apontados como as principais fontes de motivação para o trabalho. Sobre a satisfação dos servidores entrevistados em relação às ações da empresa na área da saúde preventiva e curativa, uma grande demanda foi observada e, em função do nível de insatisfação apresentado sobre esse quesito, intervenções nesse campo tornam-se urgentes, principalmente no âmbito da saúde preventiva, o que possivelmente trará retornos positivos tanto para os servidores quanto para a própria organização, em termos de redução dos afastamentos por motivo de saúde, entre outros. No critério Participação, quando se avaliou a percepção dos entrevistados em termos de aceitação e engajamento nas ações realizadas dentro da organização, incluindo critérios como criatividade, expressão pessoal, repercussão de ideias dadas, programas de participação e capacitação para o posto, os dados revelam que tais critérios são uma extensa fonte de insatisfação e desmotivação do servidor, considerando as avaliações apresentadas. A eficácia das comunicações internas, em todos os níveis, também sugere necessidade de intervenção. Tendo em vista que Relacionamento e Comunicação são itens que estabelecem íntima relação entre si, é de se esperar que se um não vai bem, o outro provavelmente segue o mesmo caminho. É interessante observar que por trás desses quesitos, há uma dimensão subjetiva significativa, que parece estabelecer relações importantes com o nível de QVT entre os entrevistados. Porém, para atuar sob tais critérios, de natureza subjetiva, não basta apenas investimento financeiro. É preciso atingir e transformar toda uma cultura organizacional, atuando sobre as relações interpessoais que ali se desenvolvem, bem como considerar as diferenças individuais e traços de personalidade específicos, que também operam influenciando e interagindo com essa realidade. Diante dos resultados apresentados pela presente pesquisa, fica claro que a QVT abrange pessoas e espaços organizacionais, indo além do bem-estar do trabalhador e da eficácia do trabalho, incluindo a participação do mesmo nas decisões e na gestão organizacional. Considerando ainda uma das hipóteses iniciais que previa relações entre o tempo de serviço e a percepção da QVT entre os servidores, percebeu-se que a porcentagem de servidores que avaliaram sua QVT de forma mais positiva tende a diminuir com o passar dos anos. Tal dado é extremamente relevante, na medida em que aponta para uma Rita Sirley Souto Barcelos 83 _____________________________________________Reflexões/Considerações Finais tendência de decréscimo da QVT ao longo do tempo e, consequentemente, da qualidade na prestação dos serviços e da produtividade de servidores mais experientes. É importante destacar ainda que mais da metade dos entrevistados tem mais de 11 anos de serviços prestados na instituição, dado que, se articulado com a previsão esperada com o aumento do tempo de serviço, pode predizer problemas graves para a instituição como um todo. Esse aspecto reforça a necessidade de uma intervenção que atenda às necessidades dos servidores em termos de melhores condições de trabalho e promova ações de melhoria da QVT em diversos aspectos, oferecendo condições essenciais à realização humana, com promoção de um clima estimulante de trabalho e de incentivos ao desenvolvimento do servidor e à obtenção de resultados mais satisfatórios. O presente estudo se une a outros tantos constatados por Medeiros e Oliveira (2009) através do meta-estudo, baseado na análise documental de artigos publicados de 2001 a 2005 no ENANPAD (Encontro da Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Administração), que se fundamentam na categorização do fenômeno e uso de técnicas quantitativas. Considera-se que a observação da realidade específica do Campus São João Evangelista servirá de base para generalizações mais amplas, principalmente no campo do serviço público, que, até o momento, é carente de investigações mais aprofundadas e apresenta um reduzido número de modelos de gestão e de programas de promoção da QVT, adaptados ao setor e à cultura organizacional específica. Nesse âmbito, é preciso vencer a tradicional resistência à mudança e avançar no sentido de criar estratégias inovadoras e específicas, que façam da empresa pública um ambiente competente, humanizado e de realização pessoal e profissional. Sugerem-se investigações junto a outros grupos de servidores e em outras organizações similares, de forma a subsidiar novos conhecimentos e enfoques mais particulares. Reforça-se ainda a necessidade de novos trabalhos de natureza também qualitativa, que sugerem compreensão, reflexão e interpretação do fenômeno, como forma de ampliar cada vez mais o conhecimento sobre o mesmo. Por último, a expectativa é de que o presente estudo possa ser aproveitado pela própria gestão do IFMG-SJE como norteador de ações voltadas à valorização do trabalho de seus servidores, à promoção de seu bem-estar e o de sua família, bem como na melhoria dos índices de absenteísmo, adoecimento e afastamento por motivo de Rita Sirley Souto Barcelos 84 _____________________________________________Reflexões/Considerações Finais saúde, satisfação e motivação para o trabalho, conflitos interpessoais, qualidade na prestação de serviços, entre outros. Os dados ora apresentados indicam que há muito por fazer, a fim de tornar o IFMG-SJE um lugar melhor para se trabalhar. Mesmo sabendo da necessidade de diagnósticos mais específicos, fica claro que há uma demanda evidente em termos de estruturação de políticas e práticas de Gestão dos Recursos Humanos mais efetivas. Saber o que faz as pessoas se sentirem mais satisfeitas em seu local de trabalho é um bom começo. A partir daí, será necessário identificar as demandas e desenvolver ações efetivas que atuem de forma a garantir uma Gestão dos Recursos Humanos positiva, capaz de promover bons resultados organizacionais e, principalmente, o desenvolvimento humano em todas as suas dimensões. Ainda que limitada, é considerável a atuação das organizações na vida pessoal de seus empregados, sendo possível planejá-la de forma positiva e proveitosa. Trata-se de entender que a finalidade da administração pública é o bem-estar social de todos os cidadãos, incluindo aqueles que estão sob seus cuidados enquanto servidores e prestadores de serviço. Como todo trabalho acadêmico que pretende investigar um problema social, este não esgotou a temática, pelo contrário, verificou-se, fazendo a última versão, que outras perspectivas de estudo se abriram e, diante disso, há espaço para manter a temática em discussão. 6.2 LIMITAÇÕES DO ESTUDO Pesquisar a qualidade de vida no trabalho, como apresentado, oferece dados importantes para subsidiar a gestão de recursos humanos, porém deve-se, ressaltar as limitações do estudo. Em se tratando de um estudo de caso, é importante lembrar que a pesquisa foi realizada em apenas um Campus do IFMG, sendo assim as conclusões não podem ser generalizadas, estando restrita à realidade do Campus- SJE. Há limitações também com relação às mudanças significativas no ambiente interno, pois está vinculado a um contexto organizacional que sofre forte influência política. Rita Sirley Souto Barcelos 85 _____________________________________________Reflexões/Considerações Finais Outra limitação está no fato de ser o tema ainda pouco explorado na prática gerencial das organizações públicas, deixando assim os pesquisados ―inseguros‖ ao responderem o questionário. E finalmente o reduzido número de modelos de gestão e de programas de promoção da QVT adaptados para o setor público e no IFMG, não possuir nenhuma ação formal de promoção de QVT, como estratégia de Gestão dos Recursos Humanos, já constitui um fator limitante para compreensão da real importância da pesquisa. 6.3 RECOMENDAÇÕES PARA PRÓXIMAS PESQUISAS Os resultados da pesquisa demonstraram que a abordagem do tema não se encontra esgotados. Muito interessante seria que novos estudos fossem realizados, a fim de ampliar o nível de conhecimento sobre a qualidade de vida do servidor público. Fazer uma pesquisa semelhante com os técnicos administrativos dos outros Campi para comparar a percepção dos níveis de qualidade de vida no trabalho destes técnicos com a percepção dos profissionais dos outros Campi, subsidiando a gestão dos recursos humanos da instituição. Desenvolver uma pesquisa semelhante com os docentes da instituição para verificar se estes profissionais tem uma percepção diferente dos técnicos administrativos e em que dimensões elas se diferem. Realizar esta pesquisa foi por demais estimulante, pois existem poucos estudos nessa área, principalmente voltado para o setor público. Seria bom se a avaliação da QVT fosse realizada periodicamente, buscando estabelecer os benefícios resultantes das ações geradas por pesquisas anteriores, monitorando os resultados e identificando outros fatos que devem ser tratados. Rita Sirley Souto Barcelos 86 _________________________________________________Referências Bibliográficas 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Albuquerque, L. G., França, A. C. L, (1998). Estratégias de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho: o stress e a expansão do conceito de qualidade total. Revista de Administração, 33(2), 40-51. Amorim, T. G. F. N. (2010). Qualidade de vida no trabalho: preocupação também para servidores públicos? Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, 9(1), 35-48. Antunes, R. (1999). Os sentidos do trabalho: Ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. SP: Boitempo. Bennett, A.C. (1983). Productivity and the quality of Work life in hospitals. American Hospital publishing. Bom Sucesso, E. P. (1997). Trabalho e Qualidade de Vida. 1ª ed. Rio de Janeiro: Dunya. Bom Sucesso, E P. (2002). Relações Interpessoais e Qualidade de Vida no Trabalho. São Paulo: Qualitymark. Brasil. Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e dá outras providências. Brasil. Instrução Normativa 02/2011. Normatiza, para o ano de 2012, o Programa de Assistência Estudantil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais. Carvalho, M. B., Gonçalves, C. A., Pardini, D. J. (2010). A felicidade em foco – mensurando conceito metafísico para estratégia governamental e recomendações organizacionais. Revista de Administração da UFSM, 3(2), 269-287. Chiavenato, I. (1999). Gestão dos Recursos Humanos: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus. Chiavenato, I. (1998). Remuneração, benefícios e relações de trabalho. São Paulo: Atlas. Ciavatta, M. (2008). Dilemas do Cidadão produtivo no trabalho e na educação. In: BEHRING, Elaine Rossetti; Alemida, Maria Helena Tenório de. Trabalho e Seguridade Social – percursos e dilemas. 1ª edição. 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O seu pensamento que estará expresso nas respostas é essencial ao desenvolvimento de nosso trabalho. Não há necessidade de identificar. Obrigada !! Rita Sirley Souto Barcelos 1 – Sua Caracterização A – Gênero a) ( ) Masculino b) ( ) Feminino B – Faixa etária a) ( ) Menos de 24 anos. b) ( ) De 24 a 29 anos. c) ( ) De 30 a 34 anos. d) ( ) De 35 a 39 anos. e) ( ) Acima de 40 anos. D – Escolaridade a) ( ) Ensino Fundamental completo b) ( ) Ensino Fundamental incompleto c) ( ) Ensino Médio Completo d) ( ) Ensino Médio incompleto e) ( ) Ensino Superior f) ( ) Pós Graduação E – Possui alguma função gratificada? a) ( ) sim b) ( ) não C – Tempo de serviço na Instituição (em anos) a) ( ) Inferior a 2 b) ( ) De 02 a 05 c) ( ) De 06 a 10 d) ( ) De 11 a 20 e) ( ) Acima de 20 Nas questões que se seguem, avalie os itens, marcando um X no número desejado, de acordo com a escala abaixo e responda as perguntas referentes a cada dimensão. NÍVEL 1. 2. 3. ESCALA DE SATISFAÇÃO Insatisfeito Levemente insatisfeito Neutro QUE SIGNIFICA O MESMO QUE... ―Está ruim‖ ―Poderia ser melhor‖ ―Há coisas boas e más. Não sei dizer‖ Rita Sirley Souto Barcelos 91 ________________________________________________________________Anexos 4. 5. Levemente satisfeito Satisfeito DIMENSÕES 01 1.1a) b) c) d) e) QVT global ―Está bom‖ ―Está bem. Eu estou contente‖ ITENS Como você avalia sua Qualidade de Vida no Trabalho, de maneira geral? AVALIAÇÃO 1 2 3 4 5 O que você acha que contribui para sua qualidade de Vida no Trabalho? ( ) Incentivo à capacitação/qualificação. ( ) Reconhecimento ao meu trabalho e valorização de minhas ideias. ( ) Divisão igualitária das atividades entre os servidores do setor. ( ) Bom relacionamento com colegas e chefia. ( ) Outro. Citar: ___________________________________________________ 1.2 - O que você acha que reduz seu nível de Qualidade de Vida no trabalho? a) ( ) Falta de capacitação/qualificação. b) ( ) Falta de reconhecimento pelo trabalho. c) ( ) Número insuficiente de funcionário/servidor no setor. d) ( ) Acúmulo de atividade/função. e) ( ) Relacionamento interpessoal com colegas/chefia imediata. f) ( ) Outros. Citar __________________________________________________ 02 03 04 05 Saúde: avaliar a sua satisfação em relação às ações do IFMG – Campus SJE voltadas para a saúde (preventiva e curativa) Assistência aos Servidores 1 2 3 4 5 Assistência Familiar 1 2 3 4 5 Educação/Conscientização 1 2 3 4 5 Saúde Ocupacional 1 2 3 4 5 2.1 – Cite uma ação relativa à saúde implementada pelo IFMG-SJE que você conhece. ___________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 2.2 - Quais ações relativas à saúde que o IFMG-SJE deveria implementar? a) ( ) Ginástica Laboral. b) ( ) Móveis e equipamentos ergonômicos. c) ( ) Promoção de campanhas de Prevenção e Controle de doenças ocupacionais. d) ( ) Investimento em capacitação/qualificação. e) ( ) Outro. ___________________________________________________ f) ( ) Nenhuma. Do jeito que está atualmente, está bom. Rita Sirley Souto Barcelos 92 ________________________________________________________________Anexos 2.3 - Você acha que sua atividade ocupacional afeta a sua saúde? Como? ______________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 06 07 08 09 Moral: avaliar a sua satisfação em relação a efetividade das ações executadas no IFMG – Campus SJE que refletem no nível de motivação e moral dos servidores Identidade na execução da tarefa 1 2 3 4 5 Reações Interpessoais 1 2 3 4 5 Reconhecimento/ Feedback 1 2 3 4 5 Orientação para Pessoas 1 2 3 4 5 6.1 - O que mais motiva você na execução de suas tarefas? a. ( ) A valorização das minhas ideias pelos superiores. b. ( ) Reconhecimento pelo meu trabalho. c. ( ) Participação em cursos de capacitação/qualificação. d. ( ) O bom relacionamento com os colegas do setor. e. ( ) O bom relacionamento com meus superiores. f. ( ) Outro. Citar: ___________________________________________________ 6.2 – Você recebe feedback (retorno) em relação ao seu trabalho? a) ( ) Sim. É feita avaliação periodicamente, em reunião, pelos colegas. b) ( ) Sim. É feita avaliação periodicamente, pelos clientes c) ( ) Sim. É feita avaliação periodicamente pela chefia imediata. d) ( ) Não. Não é dado nenhum retorno de meu trabalho. e) ( ) Outro. Cite:____________________________________________________ 7.1 - Como o relacionamento interpessoal estabelecido no IFMG-SJE contribui para sua Qualidade de Vida no Trabalho? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 10 11 12 13 14 Participação: avaliar a sua satisfação em relação às ações empreendidas que promovam condições de participação dos servidores Criatividade 1 2 3 4 5 Expressão Pessoal 1 2 3 4 5 Repercussão de ideias dadas 1 2 3 4 5 Programas de Participação 1 2 3 4 5 Capacitação 1 2 3 4 5 12.1- Você considera que suas ideias são valorizadas pela Instituição? Justifique: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Rita Sirley Souto Barcelos 93 ________________________________________________________________Anexos 14.1- Como você percebe o incentivo à capacitação/qualificação dos servidores na Instituição? a) ( ) A Instituição paga cursos de capacitação para os servidores que solicitam. b) ( ) A Instituição oferece cursos de capacitação in loco para os servidores. c) ( ) A Instituição paga ajuda de custo a servidores que estejam capacitando. d) ( ) A Instituição financia participação em congressos, seminários e outros eventos desta natureza, quando solicitado. e) ( ) Outro. Citar: _________________________________________________ f) ( ) A Instituição não presta nenhum incentivo à capacitação/qualificação a seus servidores. 15 16 17 18 Comunicação: avaliar a sua satisfação em relação ao nível de eficácia da comunicação na instituição em todos os níveis hierárquicos. Conhecimento de metas Fluxo de informações (entre níveis) Fluxo de informações (no mesmo nível) Veículos formais 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 15.1 - Como você percebe a comunicação na Instituição? a) ( ) Ótima. Todas as informações são divulgadas por correspondência ou pessoalmente, a tempo e hora, a todos os servidores. b) ( ) Boa. Todas as informações são divulgadas por e-mail e nos murais da instituição. c) ( ) Regular. Algumas informações são divulgadas por e-mail e nos murais da Instituição, outras a gente não fica sabendo a tempo. d) ( ) Ruim. A maioria das informações não é divulgada ou a gente nem fica sabendo. 19 20 21 22 23 Imagem da empresa: Avaliar a sua satisfação em relação à imagem do IFMG – Campus São João Evangelista Identificação com a empresa 1 2 3 4 5 Imagem interna 1 2 3 4 5 Imagem externa 1 2 3 4 5 Responsabilidade comunitária 1 2 3 4 5 Enfoque no cliente 1 2 3 4 5 19.1 - O que o IFMG-SJE representa para você? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Rita Sirley Souto Barcelos 94 ________________________________________________________________Anexos Relação Chefesubordinado: avaliar a sua satisfação sobre o nível de relação entre o seu nível hierárquico imediatamente superior e você Apoio socioemocional 1 2 3 4 5 Orientação técnica 1 2 3 4 5 26 Igualdade de tratamento 1 2 3 4 5 27 Gerenciamento pelo exemplo 1 2 3 4 5 24 25 24.1 - Como você percebe o relacionamento entre você e seu chefe imediato: a) ( ) Excelente b) ( ) Bom c) ( ) Regular d) ( ) Ruim Se você considera que a QVT nesta Instituição não está boa, o que sugere fazer para melhorá-la? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _________________________________________________________________ Rita Sirley Souto Barcelos 95 ________________________________________________________________Anexos ANEXO II – Estrutura Física do IFMG-SJE. Rita Sirley Souto Barcelos 96