PROFESSORA ALFABETIZADORA: ESTILOS DE APRENDIZAGEM E SALA DE AULA PORTILHO*, Evelise Maria Labatut [email protected] KIEFER** Karin Patricia Miranda Resumo A aprendizagem é o caminho que leva o indivíduo ao conhecimento. Ela é um processo que se inicia desde tenra idade e se estende por toda a vida. A aprendizagem não pode mais ser concebida de maneira mecânica e reprodutiva, nem como produto apenas da hereditariedade, como acreditam os inatistas, nem mesmo produto do meio, como acreditam os empiristas. Ao contrário, ela é uma construção progressiva que nasce da interação do sujeito com o meio, numa ação recíproca e singular, uma vez que cada indivíduo, desde que nasce, possui uma maneira própria de conhecer, sentir, agir e interagir no mundo. Este trabalho denomina esta “singularidade”, o gosto de cada um em aprender, de estilo de aprendizagem, que, para os teóricos aqui considerados (Alonso; Portilho), são quatro: ativo, pragmático, reflexivo e teórico. Cada estilo possui características que fazem com que cada pessoa percorra um caminho diferente na aquisição de um mesmo conhecimento. Considerando a professora alfabetizadora uma aprendente em potencial, essa pesquisa teve como objetivo identificar e relacionar seus estilos de aprendizagem com seus estilos de ensinar, visando o combate ao fracasso escolar na Rede Municipal de Ensino de Curitiba. Para tanto, foi aplicado o Questionário Honey Alonso de Estilos de Aprendizagem, em 82 professoras de 1ª série desta rede. O estilo de aprendizagem reflexivo foi predominante, e os demais estilos (teórico, ativo e pragmático) não apresentaram percentual significativo. O fato do estilo de aprendizagem reflexivo aparecer como o mais apontado pela professora, não indica que a prática pedagógica, revelada em sala de aula, seja reflexiva. Tanto o espaço físico como a atitude da docente demonstram uma tendência tradicional de ensino. É necessário que a professora conheça seu próprio estilo de aprender, para que possa conhecer o estilo de aprender de seu aluno, e conseqüentemente, variar os estilos de ensinar. Palavras-chave: Aprendizagem; Estilos de Aprendizagem; Professora Alfabetizadora; Aluno. O Aprender da Professora Com o objetivo de analisar o Estilo de Aprendizagem da professora alfabetizadora é importante uma revisão conceitual do que neste trabalho se entende por aprendizagem. * Pedagoga, Especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Grupos Operativos, Mestre e Doutora em Educação, Professora Titular da Área da Educação da PUCPR, Coordenadora do Curso de Especialização em Psicopedagogia da PUCPR. Coordenadora do Grupo de Pesquisa: Aprendizagem e Conhecimento na Formação Docente. ** Aluna de Pedagogia da PUCPR, bolsista PIBIC 2006/2007. 2339 Fernando Becker (1993), em seu livro “A Epistemologia do Professor”, apresenta três visões diferentes sobre a origem do conhecimento, conseqüentemente, sobre o processo de aprendizagem, esta que por sua vez é a responsável por transformar informação em conhecimento. São elas: empirista, apriorística e construtivista. Para a visão empirista, a aprendizagem acontece de maneira objetiva e concreta, através dos sentidos (audição, olfato, tato, paladar e visão). Tudo acontece por meio dos estímulos externos, tornando o indivíduo agente passivo diante da aquisição do conhecimento. O meio se torna ativo, ele é quem causará transformação no homem, nunca o contrário. “O conhecimento é algo que vem do mundo do objeto (meio físico ou social); portanto, o mundo do objeto é determinante do sujeito, e não o contrário” (BECKER, 1993, p.12). Portanto, para esta concepção o papel da escola é fundamental na aquisição da aprendizagem. É ela, na figura do professor, que determina, seleciona, avalia os conteúdos a serem trabalhados independentemente das necessidades do aluno. No “apriorismo”, visão também conhecida por inatismo, o sujeito já nasce pronto, predeterminado. O mundo e o meio onde ele vive, não contribuirão para a sua formação em geral - “ele é o que é, e pronto”. A ação do meio é inexistente para com o sujeito, uma vez que é ele quem detém o controle único da sua aprendizagem. Suas possibilidades ou dificuldades já estão determinadas a priori, biologicamente, como explica Becker a seguir. Podemos dizer que aprioristas são todos aqueles que pensam que as condições de possibilidade do conhecimento são dados na bagagem hereditária: de forma inata ou submetidas ao processo maturacional, mas, de qualquer forma, predeterminadas ou a priori – isto é, estão aí, dadas, como condição de possibilidade (BECKER, 1993, p. 15). Portanto, a escola e o professor para esta concepção, passam a ter muito pouca influência sobre o desenvolvimento do sujeito. A terceira concepção de aprendizagem apresentada por Becker (1993) é a construtivista, que acredita que é na interação entre sujeito e objeto que a aprendizagem ocorre. Ela não exclui as demais, pelo contrário, integra as características biológicas com as influências do meio ambiente. Um dos representantes expressivos desta corrente é Piaget, biólogo suíço, que elaborou a teoria denominada Epistemologia Genética, em busca da compreensão de como o sujeito conhece. 2340 Piaget acredita que o conhecimento ocorre por meio de uma construção que começa na vida intra-uterina, se estendo pelo resto dela de maneira contínua e incessável através do processo que ele denominou: assimilação e acomodação. A origem do conhecimento deve ser buscada, segundo Piaget, não no sujeito nem no objeto, mas no fenômeno da assimilação primordial do recém-nascido humano. A assimilação é o resultado da organização, isto é, o bebê mama, pela primeira vez, por força do reflexo hereditário de sucção. Ao mamar, porém, esta organização reflexa, por força da assimilação de algo exterior a ela, é forçada a modificar-se para dar conta das novidades que essa exterioridade impõe: se o bico do peito é maior ou menor, se o leite sai por força de uma mamada mais forte ou mais fraca, se o leite sai imediatamente ou demora a sair. A assimilação funciona como um desafio sobre a acomodação a qual faz originar novas formas de organização (apud BECKER, 1993, p. 20). A assimilação acontece quando o indivíduo percebe algo que vem do meio externo, interage com ele, descobre, experimenta, busca, e por fim, acomoda as informações adquiridas sobre ele, dentro de si, como um novo conhecimento, que agora fará parte de seu arquivo pessoal. Cada novo conhecimento facilitará a aquisição de outros que se juntarão, se transformando numa rede que possibilitará a ligação entre todas as áreas do conhecimento que o indivíduo possua. No entanto, cada novo conhecimento que se constrói, faz com que os antigos entrem em desequilíbrio, gerando novos conceitos, até que se acomodem novamente, num movimento em espiral, que ocorre diversas vezes, diariamente, na vida de cada aprendente, permitindo que a busca e o crescimento cognitivo se transformem numa ação constante. Por exemplo: para que uma criança assimile um novo objeto (um novo conteúdo de estudo), ela precisará interagir com esse objeto, e as condições em que isso acontecerá também interferirão na leitura e compreensão do mesmo. Assim que a criança tiver explorado suficientemente o conteúdo, esse será assimilado por ela, passando logo após, ao processo de acomodação, que é a capacidade dessa criança utilizar o novo conhecimento para fazer ligações a outros conhecimentos, podendo assim, ampliá-los. A construção do conhecimento acontece a partir da interação entre o sujeito e o objeto, que, por sua vez, não deve estar desvinculado do meio em que estão inseridos. Tanto os conhecimentos prévios, quanto o meio, interferirão no processo de aprendizagem. Assim como a leitura (interpretação) que cada indivíduo faz diante das situações que vivencia diariamente, fazendo da construção de seu conhecimento, sua própria construção como indivíduo, tornando-se um ser epistêmico e singular. 2341 Diferentemente de respirar ou de outra função orgânica que vem programada de modo instintivo, andar de bicicleta, assim como caminhar, escrever e os demais conhecimentos requerem uma aprendizagem. É precisamente por isso que os processos de aprendizagem são construtores de autoria. O essencial do aprender é que ao mesmo tempo se constrói o próprio sujeito (FERNÁNDEZ, 1991, p. 31). Becker relata a visão de Piaget com relação ao empirismo: “a experiência não é uma recepção, mas uma ação e construção progressivas, ela não se impõe por si mesma, ela precisa que o objeto sofra uma ação do sujeito, que é subjetivo” (PIAGET, apud BECKER, 1993, p. 12). Para que haja aprendizagem e por conseqüência aquisição de conhecimento, tanto o sujeito quanto o meio precisam ser participantes ativos no processo dessa construção. É a interação do objeto a ser compreendido com o sujeito que o compreenderá que fará com que aconteça a aprendizagem. As verdadeiras formas ou estruturas do conhecimento não são dadas na bagagem hereditária, nem em uma ação mecânica entre sujeito e objeto, mas na interação entre os dois que resultará na assimilação do objeto pelo sujeito causando um segundo movimento que é a acomodação desse objeto no sujeito. Ao contrário do que empiristas acham sobre a aquisição do conhecimento, não é função do professor, ou quem quer que seja, passar conhecimento ao aluno. Uma vez que isso aconteça, tudo o que ele aprender não será mais do que uma reprodução mecânica de um conhecimento limitado, de um sujeito limitado, sobre o outro. O papel do professor, não é de transmitir, mas sim de facilitar ao aluno a aquisição do conhecimento, oferecendo a ele meios e instrumentos necessários para a busca de novos conhecimentos, partindo de sua realidade. Para Piaget, a criança traz uma carga genética desde o ventre da mãe, que não poderá ser desconsiderada. Porém, o meio influenciará na construção do conhecimento que se dará por meio de estímulos internos e externos, bem como a leitura individual de cada sujeito concernente ao meio onde vive e sua reação a ele. Para o construtivismo, isto é, movimento ligado as propostas piagetianas, professor e aluno estão em constante construção do conhecimento. Nem um nem outro se torna o centro do saber, porém, ambos o devem buscar de maneira integrada. O papel do professor, por sua vez, é o de mostrar o caminho para que seu aluno chegue ao conhecimento desejado, não de maneira mecânica, mas reflexiva e construtiva. Ainda, o papel do professor é colocar-se constantemente na função de aprendente, buscando conhecer sobre o seu conhecer para melhor aprender e, assim, melhor ensinar. 2342 O Estilo de Aprendizagem da Professora Existem muitas maneiras de adquirir conhecimento. Cada pessoa tem seu próprio estilo como: estudar em meio a um silêncio absoluto, ouvindo música, em frente à televisão, escrevendo, escutando e escrevendo, somente escutando, desenhando, copiando, fazendo esquemas, observando figuras ou slides sobre o assunto, entre outros. A estas maneiras denominamos estilos ou modalidades de aprendizagem. Sendo o indivíduo único e singular, desde a primeira infância constrói seu estilo de aprendizagem, a partir de suas experiências com o meio, com as pessoas e consigo mesmo, somadas a sua hereditariedade, além da subjetividade da interpretação que faz do produto da soma de todos esses fatores. Em cada um de nós, podemos observar uma particular “modalidade de aprendizagem”, quer dizer, uma maneira pessoal para aproximar-se do conhecimento e para conformar seu saber. Tal modalidade de aprendizagem constrói-se desde o nascimento, e através dela nos deparamos com a angústia inerente ao conhecer-desconhecer. A modalidade de aprendizagem é como uma matriz, um molde, um esquema de operar que vamos utilizando nas diferentes situações de aprendizagem (FERNÁNDEZ, 1991, p.107). O estilo de aprendizagem é a maneira como um sujeito gosta de aprender, estudar e buscar conhecimento. Alguns teóricos classificaram os estilos de aprendizagem como: teórico, pragmático, reflexivo e ativo. Cada um desses estilos possui características próprias que determinam a maneira como a pessoa terá maior facilidade em aprender. Cada pessoa possui características de cada um dos estilos de aprendizagem, porém, o que determinará a predominância de um ou outro estilo, é a maior quantidade de características decorrentes de um mesmo estilo. Segundo Portilho (2004, p. 26), as pessoas que possuem uma preferência pelo Estilo Ativo podem possuir algumas dessas características: criativas, animadas, improvisam com facilidade, aventureiras, espontâneas, protagonistas, divertidas, participativas, competitivas, voluntariosas, geradoras de idéias, chocantes, desejosas de aprender, gostam de mudança e facilidade para solucionar problemas. As pessoas que possuem um predomínio no Estilo Reflexivo podem ter algumas características de alguém: observador, ponderado, consciente, receptivo, analítico, paciente, cuidadoso, detalhista, elaborador de argumentos, previsor de alternativas, estudioso de 2343 comportamentos, guardador de dados, investigador, assimilador, escritor de informes e declarações, lento, distante, prudente. As pessoas cujo predomínio está no Estilo Teórico de aprendizagem podem ser caracterizadas como sendo: metódicas, estruturadas, ordenadas, objetivas, planificadoras, críticas, disciplinadas, sistemáticas, racionais, lógicas, pensativas, perfeccionistas, buscam hipóteses, teorias, modelos, conceitos, finalidades claras, porquês. A pessoa que utiliza mais o Estilo Pragmático na hora de aprender pode ser: prática, técnica, eficaz, realista, rápida, direta, decidida, positiva, segura de si, gosta de experimentar coisas novas, procura a utilidade, organizada, tem facilidade para resolução de problemas e planejar ações As pessoas que possuem o estilo ativo como predominante, gostam de sentir-se desafiadas pelo meio, de aprender o novo, ter oportunidades e experiências novas, trabalhar e competir em equipes, buscar a resolução de problemas, são teatrais, gostam de debater e defender suas opiniões, fazer reuniões para discutir novas metas, realizar tarefas, gostam de estar onde a atividade acontece jamais sentadas, paradas, concentradas em uma só coisa. As pessoas ativas precisam ouvir e ver para conseguirem aprender melhor, mas o conteúdo deve ser passado de maneira dinâmica, caso contrário, perdem logo o interesse. Os indivíduos reflexivos gostam de aprender através da observação, refletir antes de agir, trocar opiniões com outras pessoas, se preocupando com outras perspectivas que lhes permitam obter uma visão mais ampla do problema. Os reflexivos possuem um ritmo muito próprio de resolver suas coisas, e gostam que esse ritmo seja respeitado. Enquanto refletem, revisam e investigam detalhadamente a situação em questão. Somente depois de reunir informações julgadas suficientes, ponderam as questões e chegam ao produto final. Pessoas predominantemente teóricas, aprendem melhor à base de questionamentos profundos e interessantes. Eles gostam de colocar em prova métodos que estejam fundamentados em algo, gostam de participar de situações e problemas complexos e estruturados que exigem um raciocínio mais apurado, e que possuam uma finalidade clara. Gostam de conceituar, sistematizar, criar modelos e teorias. No caso de alunos pragmáticos, aprendem melhor quando percebem que o conteúdo pode ser rapidamente aplicado na prática, aliás, enquanto estão aprendendo um novo conteúdo já vão procurando maneiras de fazê-lo. Gostam de aprender fazendo analogias, porque estão sempre vinculando as técnicas e teorias as suas práticas diárias, buscando modelos de pessoas que possuam uma história na área de interesse reconhecida. Gostam de assistir filmes que 2344 demonstrem como algo deve ser feito, bem como, viver simulações, para sentirem na realidade como acontecem as coisas. Através de instrumentos avaliativos, pode-se descobrir qual o estilo predominante de aprendizagem. A partir daí, o indivíduo poderá identificar tanto seus pontos fortes quanto os fracos, procurando desenvolver outras áreas que contribuirão para o seu desenvolvimento cognitivo. Voltando ao papel do professor, faz-se necessário que ele busque obter um autoconhecimento da sua própria maneira de aprender, bem como procurar o desenvolvimento de características de outras modalidades de aprendizagem, visando uma versatilidade que o levará à potencialização de seu aprendizado. Uma das relações da investigação realizada pelo Grupo de Pesquisa Conhecimento e Aprendizagem na Formação Docente, considerou a professora alfabetizadora como objeto de estudo com intuito de, vendo-a como uma aprendente em potencial, identificar seu estilo de aprendizagem para compará-lo ao seu estilo de ensinar. Os dados obtidos são relevantes para o processo ensino/aprendizagem e, podem contribuir, consideravelmente, para o combate ao fracasso escolar, uma vez que, percebendo seu estilo de aprendizagem e as características do mesmo, a professora pode desenvolver melhor outras características, flexibilizando sua maneira de aprender e, conseqüentemente, sua maneira de ensinar. A Pesquisa Este estudo contou com a participação de 82 professoras alfabetizadoras da Rede Municipal de Ensino de Curitiba. O instrumento utilizado para conhecer o Estilo de Aprendizagem predominante na professora foi o Questionário Honey-Alonso de Estilos de Aprendizagem. Ele possui 80 situações referentes aos quatro estilos de aprendizagem, estudados por Alonso (1993; Portilho, 2004) – ativo, reflexivo, teórico e pragmático divididos em 20 situações para cada um dos estilos. Os resultados demonstraram que, de 82 professoras respondentes, um total de 67 (82%) assinalaram o estilo reflexivo. Do total da amostra, apenas quinze não indicaram o estilo reflexivo como predominante na sua aprendizagem. Dos estilos combinados, isto é, dois ou mais estilos com a mesma pontuação, somente uma professora apresentou igualdade em estilos diferente do reflexivo (ativo/pragmático), as outras combinações ficaram assim: reflexivo/ativo – 2; reflexivo/teórico – 4 e reflexivo/pragmático – 3. 2345 Durante o levantamento dos dados observou-se que das 80 situações de aprendizagem apresentadas às professoras, as cinco primeiras classificações se destacam entre elas. A mais assinalada (79 vezes) foi a questão 10, que afirma: “Me agrada quando tenho tempo para preparar meu trabalho e realizá-lo com consciência”. Este dado parece indicar que a professora necessita de mais “tempo cronológico” para o seu planejamento de sala de aula. As situações mais apontadas, em segundo lugar, foram as de número 69 (69 vezes): “Costumo refletir sobre assuntos e problemas”, e 70: “O trabalho consciente me toma de satisfação e orgulho”. A professora ao se referir à reflexão e a tomada de consciência, parece relacionar tais conceitos ao ato de pensar sobre, o que não indica transformação da ação. Em terceiro lugar, aparece a situação 26 (68 vezes): “Gosto de estar perto de pessoas espontâneas e divertidas”. Apesar da professora se perceber mais introspectiva quando se coloca como reflexiva, necessita conviver em ambiente descontraído e alegre. A situação 21 (67 vezes) desponta em quarto lugar: “Quase sempre procuro ser coerente com meus critérios e escala de valores. Tenho princípios e os sigo.” A professora destaca como princípio a coerência, o que chama a atenção no mundo onde a complexidade é uma marca. E finalmente, em 5º lugar, se destaca a situação 17 (66 vezes): “Prefiro as coisas estruturadas do que as desordenadas”. O dado parece indicar a necessidade de planejamento. Observou-se ainda, as cinco situações menos classificadas pelas professoras, correspondente primeiramente à situação 72 (3 vezes): “Com intuito de conseguir o objetivo que pretendo, sou capaz de ferir sentimentos alheios”. A grande maioria das professoras afirma cuidar dos sentimentos dos alunos. A situação 67 (4 vezes) aparece em segundo lugar: “Me incomoda ter que planejar e prever as coisas”. Uma vez que a predominância foi o estilo reflexivo, este dado condiz com as características deste estilo, que por sua vez não incluem o planejamento. Em terceira classificação pertence às situações 76 (7 vezes): “As pessoas, com freqüência, crêem que sou pouco sensível a seus sentimentos”, e 35 “Gosto de levar a vida espontaneamente sem ter que planejá-la”. As professoras novamente afirmam a necessidade da afetividade na relação professor/aluno, assim como enfatizam a pouca afinidade com as questões relativas ao planejamento. Na quarta colocação a situação 46 (8 vezes): “Creio que é preciso transpor as normas muito mais vezes do que cumpri-las”. Este dado diz respeito a necessidade de algumas professoras quererem quebrar paradigmas, romper barreiras. 2346 Por fim, a situação 25 (9 vezes) indica a quinta colocação: “É difícil ser criativo (a) e romper estruturas”. Esta situação se relaciona à anterior, no que tange à quebra de estruturas impostas. As cinco situações menos assinaladas denotam características que combinam com o estilo reflexivo, uma vez que este, não exige ousadia para aprender. Considerações Durante a análise dos dados, foi utilizado como referencial o estudo do perfil de cada um dos quatro estilos de aprendizagem citados nessa pesquisa, afim de averiguar contradições e combinações entre a teoria (obtida dos questionários) e a prática docente observada por pesquisadoras do Grupo de Pesquisa, na sala de aula das professoras investigadas. O produto da averiguação desse confronto de informações constatou algumas atitudes que diferiam das características próprias do estilo reflexivo, predominante nas professoras alfabetizadoras. Esse fato demonstrou a falta do autoconhecimento por parte destas professoras com relação à construção de seu conhecimento. A falta do conhecimento sobre seu próprio aprender pode levar a professora a não identificação do estilo de aprender de seu aluno. Como conseqüentemente, seu estilo de ensinar fica limitado, deixando de atingir os quatro estilos de aprender, possivelmente existentes em seus alunos. A identificação de seu estilo de aprendizagem, deve servir para o conhecimento de suas habilidades e limitações, para que a primeira seja melhor aproveitada, enquanto que a segunda, mais desenvolvida e até superada. O conhecimento dos estilos de aprendizagem distintos do indivíduo, deve servir para identificar as características que devem ser desenvolvidas afim de potencializar suas habilidades. A partir do seu conhecer, o professor estará pronto para conhecer o outro, seu aluno, podendo flexibilizar seu estilo de ensinar, atingindo um número maior de estilos de aprendizagem, obtendo maior êxito no processo de ensino/aprendizagem. Boa parte do fracasso escolar deve-se à falta de conhecimento das diferenças existentes na maneira de aprender dos alunos e do próprio professor. Professores falando do que lhe interessa para um público que não conhece. A sensibilidade e o despertar para o conhecer a conhecer para melhor aprender, é de fundamental importância no combate ao fracasso escolar, conseqüentemente, ao crescimento 2347 pessoal em todos os sentidos, visando uma sociedade mais cidadã, mais reflexiva, mais culta e mais humana. REFERÊNCIAS ALONSO, C.M. Análisis y Diagnóstico de Los Estilos de Aprendizaje en Estudientes Universitarios. Madrid: Universidad Complutense de Madrid, vol. I e II, 1993. BECKER, Fernando. Epistemologia do Professor. O Cotidiano da Escola. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 12, 15, 20. FERNANDEZ, Alicia. A inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artmed, 1991, p. 31, 107. HOUAIS, Antônio; Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa. Local: RJ Objetiva, 2002. disponível em CD-ROM. PORTILHO, Evelise Maria Labatut; Avaliação de Estilos de Aprendizagem: uma comparação entre professores que optaram por novas tecnologias e professores que optaram por continuar com tecnologias tradicionais. Curitiba; PUCPR, 2004, p. 26. Trabalho apresentado para a defesa de Professor Titular.