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INTRODUÇÃO
O presente estudo é um projeto de pesquisa acadêmica, elaborado
para atender ao requisito de conclusão do Curso de Mestrado em Educação
Sócio-comunitária, oferecido pelo Centro Universitário Salesiano de São
Paulo. O estudo tem por objeto de investigação os professores do Ensino
Fundamental da rede municipal de Santa Bárbara d ’Oeste, interior de São
Paulo, no ano de 2006.
A finalidade principal deste projeto é planear um perfil dos professores,
por meio de questionários e da presença da pesquisadora através dos
encontros semanais de HTDC (horário de trabalho de desenvolvimento
coletivo), sobre seu envolvimento aos temas relevantes à formação do
educador, como a Cidadania, Ética, Afetividade, Esperança em relação ao
seu trabalho, ao seu cotidiano. Os contatos foram diretos, uma vez que a
autora leciona na mesma rede. Portanto, a pesquisa é feita de um modo
denso, um exercício pedagógico diário.
Sabemos que os temas acima relacionados são extremamente
importantes, independentes do lugar, seja periferia, centro, zona rural.
Privilegiaremos, porém, as escolas da periferia da cidade.
As transformações no mundo acabam por reduzir a qualidade de
envolvimento. Falta consistência nas relações humanas, num momento em
que o neoliberalismo se coloca como estrutura, conseqüentemente as
relações interpessoais também estão envoltas neste processo, uma vez que
este modelo preza o individualismo.
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São impactantes as implicações e contradições da globalização, até
mesmo na educação evidencia-se a problemática e ignoram-se os atingidos e
soluções para tanto. São fundamentais as práticas pedagógicas com
qualidade e comprometimento, realizadas em todas as camadas sociais. Fazse necessário uma reestruturação das mesmas, de um novo “engajamento
educacional” focando uma educação necessária aos seus desafios e
necessidades sociais.
Atualmente as relações pessoais e escolares são fragmentadas,
individualista e a conseqüência é a ausência do compromisso. Há o
descomprometimento em relação ao outro, principalmente se este outro viver
à margem desta sociedade excludente, forjada num pseudocompromisso da
ação do educador para com os educandos da periferia, em que o discurso
não é para conscientizar e sim para concretizar este indivíduo na base da
pirâmide social.
Como a história poderá nos auxiliar a compreender certas atitudes dos
professores ?
De que forma isto atinge o educador e a educação ?
Qual o ideal de educador ? O ideal seria um Educador Social ?
Quais características de um Educador Social seriam relevantes nas
escolas de periferia ?
A intenção deste trabalho é a de desvelar estas inquietações,
vislumbrando uma educação integral, de qualidade, embasada em valores
humanos pautando-se em reflexões sobre questões morais cada vez mais
distantes das práticas pedagógicas?
O educador não pode ser aquele que apenas media o conhecimento
que ensina, mas, sim, aquele comprometido, vinculado organicamente com
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seu educando, buscando possibilidades para a evolução plena do indivíduo,
libertando-o para o verdadeiro sentido da educação.
A atuação do Educador Social muitas vezes está presente na sua
história de vida, devido à sua prática e ao seu envolvimento com a
comunidade escolar juntamente com a local. É recente o debate sobre as
possibilidades e o desejo de uma educação que considere em todas as suas
implicações, a diversidade cultural. Faz-se necessário refletir sobre as
condutas destes atores: os professores da escola de periferia. Bem como
enfrentar alguns questionamentos: conscientizar a comunidade acadêmica?
Será indispensável alterar a organização das escolas e interrogar
práticas educativas dominantes? É preciso interferir humanamente no íntimo
das comunidades periféricas, questionar convicções e, fraternalmente,
incomodar os acomodados?
A escola deve deixar de ser uma adestradora cognitiva e tornar-se uma
sociedade de pessoas participantes, críticos, atuantes e democráticos.
Interferir, questionar participar na sua comunidade a fim de inserí-lo em sua
cultura.
Como educadores procuramos formar um cidadão democrático e
solidário, um cidadão fraterno, tolerante, crítico, politizado que atua em vários
setores da sociedade, em especial nas várias distorções existentes em
diferentes organizações da sociedade brasileira no qual este cidadão está
inserido.
O descaso tem início na opção da profissão: o curso de pedagogia
muitas vezes não é concorrido, de fácil acesso, não se exige aptidão, é mais
barato. Desta maneira esses profissionais não vêem possibilidade de bom
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desempenho, crescimento, não há sequer um empenho uma busca da
compreensão do universo do educando.
Diante desta realidade surgiu a indignação e uma vontade de fazer algo
que
levasse
os
educadores
a
repensar
o
seu
estado
de
ser
professor/educador, bem como a sua especificidade perante o educando.
Cada local tem uma realidade, porém, a coincidência está nas atitudes,
está no modo de ser enquanto educador. Algumas têm apenas o Magistério,
outras graduadas em Pedagogia. Há ainda aquelas que têm Magistério, mas
se formaram em outros cursos como, por exemplo: Direito. Todas têm em
comum o ensino fundamenta. Os comentários no cotidiano são os mais
diversos, e reveladores: variam do salário até a vontade que o dia acabe logo
para encerrarem as “atividades”.
Preocupam-se com questões que não são pertinentes ao educando ou
a educação, competem entre si o tempo todo, sobre quem fez mais cursos,
quem terá mais pontos para a remoção do próximo ano.
É uma experiência diferente a de ser professora substituta, permanecer
no pólo (local, onde as professoras substitutas aguardam serem chamadas
para ocupar o lugar das ausentes, seja por problemas de saúde ou por
abonada). Cada professora tem o direito a ausentar-se seis dias (um por mês)
no ano letivo.
Vivenciar as diversas faces das escolas, bem como as diversas
ausências, descasos, desrespeito com o educando e com o educador e falta
material, interesse e afeto. Os educandos mostram-se até conformados com
tantas substitutas, porque a cada semana é uma professora nova, e com isso
a indisciplina reina soberana, por falta de envolvimento, por falta de um
estreito relacionamento entre educador e educando.
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Isto é um reflexo das ações das professoras, do despreparo e da falta
de compromisso com a ética, não apenas a ética profissional, mas aquela que
todos temos, que intimamente nos cobramos quando não conseguimos
superar algo ou até mesmo quando somos, ou nos vemos impotentes, diante
de uma situação como esta citada.
É deprimente ouvir, não que a pedagogia em si, mas que a educação
foi uma alternativa, uma espécie de solução ou poderia denominar uma fuga
do ostracismo, o medo de perder o emprego e que exige apenas um curso de
graduação para garanti-lo. Logo, fazemos pedagogia e de repente nos vemos
no olho do furacão, sem ao menos saber como ele surge, para onde vai, que
solução tomar.
Para ser educador, não basta apenas ter uma titulação, sem o
comprometimento, sem o pensar. É necessário também agir, mas agir com
amor, com apego, investindo na entrega, pensando sim em um retorno,
contribuindo para a criação, ou o desenvolvimento de uma sociedade mais
justa. Para tanto devemos nos articular com as lutas presentes nocotidiano
escolar.
Trabalhar com alunos de classe trabalhadora, popular, carente, enfim
independente da denominação, é aceitar e tornar-se parte.
Devemos ser os intelectuais transformadores, mas para isso, devemos
mergulhar na realidade, e não bater cartão, pensar que o dia vai passar
rápido.
A competência na educação se confunde com os inúmeros cursos,
títulos, principalmente técnicas cada vez mais relacionadas com as políticas
hegemônicas e que nem sempre vão ao encontro do que as camadas
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populares realmente precisam, como por exemplo, a práxis que se constrói
com compromisso de fazer ou realizar um ensino sério e transformador.
Esse promeiro trabalho foi organizado da seguinte maneira:
O primeiro capítulo versa sobre breve historiografia referente à
Educação Popular no Brasil, para que possamos compreender a necessidade
da mesma em nossa sociedade a história pode nos auxiliar a interpretar as
diversas nuances comportamentais, culturais do educador brasileiro, enfim a
implicação que esta tem sobre a sua práxis.
São temas do segundo capítulo, as perspectivas sobre a Educação
Social, onde buscaremos abarcar sua relevância, sua consciência da práxis,
bem como a cidadania, ética, afetividade, esperança, além da reflexão e de
sua participação, seu envolvimento crítico, enfim, elementos imprescindíveis
para a ação pedagógica, numa sociedade em que tudo, inclusive as “mazelas”
humanas são globalizadas.
O terceiro capítulo envolverá um estudo sobre a importância do ser
Educador Social e o Educador como intelectual transformador, bem como a
necessidade do mesmo nas escolas de periferia, realidade acompanhada.
Dando continuidade aos capítulos anteriores, no quarto capítulo
discorro sobre o estudo nas escolas de periferia de Santa Bárbara
d’Oeste/SP.
A partir destes questionamentos houve a necessidade de se pensar a
formação do educador e na importância que a Educação Social e seus
valores agregadores têm de transformar a educação brasileira, não apenas
nas ruas ou instituições como costumamos vê-la, mas a necessidade de tê-la
como parceira na educação formal.
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Pretende-se a partir das conclusões, justificar os fatores responsáveis
pela inserção do profissional da Educação Social, buscando esclarecer quem
é atualmente o educador nas escolas de periferia, e fazer um paralelo. Será
realmente necessária a atuação deste profissional na mesma?
Algumas considerações finais procuram instigar no leitor uma atitude
de transformar, olhar para si mesmo e repensar sua práxis, frente a toda essa
realidade. Nada mais apropriado do que uma profunda reflexão sobre os
desafios e, sobretudo, perante o descompromisso, a omissão, bem como as
causas, as feridas que deixam cicatrizes profundas, naquele que é quem mais
perece com tudo isso: o educando.
O que levou a esta pesquisa foi à inquietação perante certas atitudes
de alguns docentes, comentários, pensamentos em torno da educação,
envolvendo desde a formação do educador até o descaso com o aluno e o
descompromisso. Gostaria com esse trabalho de contribuir para reverter o
desgaste no envolvimento do educador com este educando de periferia,
permitindo o desenvolvimento de projetos, ações comunitárias. Ações
pedagógicas conscientes e envolventes para ambos, eis o diferencial na
educação social. Que prioriza educadores verdadeiramente engajados, com
esperança de uma mudança na educação, sendo que estas ações se
fortalecem, com o apoio das comunidades escolar e de base.
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1. A Formação do Educador: Redemocratização e Neoliberalismo
1984/2000
O reajuste das questões em relação à política e a economia permitiram
um intenso debate político educacional e o surgimento de novos ideais que
levara a duas vertentes. Uma delas seria a dos educadores que enfatizavam
debates mais acadêmicos, buscando uma reflexão crítica da educação bem
como seus condicionantes sociais, privilegiando uma análise científicopedagógica e a renovação dos conteúdos e métodos.
Outros educadores apostavam na prioridade do aspecto político, além
da organização sindical, luta política, a solidariedade e a questão da identidade
político partidária, por acreditarem que por meio de políticas públicas bem
direcionadas, trariam melhorias a educação.
A formação dos professores era precária e o desprestígio da classe era
crescente, os salários eram baixos, o que refletia na impossibilidade dos
mesmos de se aperfeiçoar, se especializar, ficando à mercê de uma situação,
resultado de um período de total aniquilação da essência do ser, enquanto
educador e sua missão. A propósito, temos a citação de Nosella (2005, p.59):
Nessa crise, os excluídos do poder encontram o clima apropriado
para se fortalecerem e organizarem a oposição política. Os
operários, organizados em sindicatos, deflagraram as históricas
greves de 1978; os intelectuais mobilizaram-se para exigir maior
liberdade de expressão e a democratização da sociedade em geral.
Além disso, os profissionais em educação de todos os níveis se
organizaram, criando associações, federações e sindicatos que
deram o colorido especial ao debate educacional desse momento.
Suas formas de organização e de reivindicação eram novas e
surpreendentes; por exemplo, era impensável, em épocas
anteriores, uma greve de professoras primárias.
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Surge um debate mais elaborado, sistematizado em torno de uma
superação, de certa forma renascendo justamente num momento de
introspecção intelectual, encubada por anos, pelo sistema militarista.
Urge a necessidade de resgatar a auto-estima intelectual e moral, no
campo das idéias para a educação e para os educadores, principalmente em
relação às de cunho crítico ao mito do ‘milagre econômico’, e a falta de
democracia por longos anos.
O envolvimento em torno da ideologia da então chamada ‘revolução’
criara de certa forma, o germe da superação. Neste contexto são
convincentes as palavras de Nosella (2005, p.60):
O reajuste político da Nova República, é preciso reconhecer, permitiu
que o debate político-educacional entre os educadores se
reacendesse em duas diferentes direções, ainda que as fronteiras
entre elas nem sempre fossem muito nítidas. Certos educadores
enfatizavam um debate mais acadêmico, desenvolvendo uma
reflexão crítica da educação e de seus condicionantes sociais,
privilegiando a análise científica-pedagógica e a renovação dos
conteúdos e métodos.Outros acreditavam que o político era prioritário
e, nesse sentido, privilegiavam a organização sindical, a luta política
de reivindicação, a solidariedade e a questão da identidade políticopartidária, por crerem que a definição política precedia e informava as
próprias questões científicas educacionais.
As reformas educacionais, a partir da década de 80, no Brasil,
situaram-se
num
período
de
significativas
mudanças
e
de
novos
ordenamentos no quadro político da nossa sociedade e possibilitou o
surgimento de novas organizações da sociedade civil e da sociedade política.
A população foi mobilizada a participar dos destinos do Estado e de intervir
em diferentes níveis de governo.
No entanto, o país, embora vivenciasse essa efervescência de
mudança, convivia e ainda hoje convive com grandes contrastes sociais e
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econômicos, fruto de um modelo de sociedade extremamente excludente, em
que a maioria da população não tem acesso aos bens sociais básicos, entre
estes, a educação, saúde, saneamento básico e habitação.
O Brasil ocupa um dos primeiros lugares no mundo em concentração
de renda, desigualdade social e um dos mais baixos lugares na qualidade de
vida da população.
É neste cenário que, nos anos 80, surgem novos atores no plano
político e social, com a organização de sindicatos, associações e
comunidades, novos partidos políticos e organizações não-governamentais,
que começavam a desenvolver ações que não eram assumidas pelo Estado.
Ao mesmo tempo são retomadas as campanhas para eleições diretas
em todos os cargos eletivos, possibilitando a chegada a alguns Estados e a
Municípios de grupos que buscavam desenvolver políticas públicas voltadas
para atender às necessidades e interesses da maioria da população. Neste
momento, surgem vários movimentos e organizações, pela educação formal e
não formal as quais procuram conscientizar os indivíduos da sua condição
enquanto sujeitos de direitos e, conseqüentemente, de deveres.
Era imprescindível que as pessoas se apropriassem de instrumentos e
de mecanismos básicos para fazer valer os seus direitos, tendo no mesmo o
seu principal veículo, uma vez que a educação é um dos principais
instrumentos de formação da cidadania. Como que afirma Ghiggi (1980, p.46):
As ações dos anos 80, que militantes católicos e estudantes
universitários, ligados ao pensamento de esquerda, produziram um
movimento que gerou práticas, motivou pessoas e buscou romper,
pelo campo educacional, com os processos de exclusão que
caracterizavam a sociedade brasileira.
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Ainda em relação aos anos 80, podemos afirmar que os movimentos
sociais foram fundamentais para o desenvolvimento e para a ação efetiva na
educação popular, anunciando novas possibilidades de gestão do espaço
público e de composição política.
Em tempo, a política do Brasil vivia um momento de recuperação dos
espaços democráticos e a educação assumia a condição de moral
transformadora.
No discurso de Dermeval Saviani para os formandos do Curso de
Pedagogia, em dezembro de 1984, da Universidade Santa Úrsula fica muito
claro que estava emergindo um pensamento consciente, dialético e politizado:
Empenhem-se no domínio das formas que possam garantir às
camadas populares o ingresso na cultura letrada, vale dizer, a
apropriação dos conhecimentos sistematizados. E, no interior das
escolas, lembrem-se sempre de que o papel próprio de vocês será
provê-las de uma organização tal que cada criança, cada educando,
em especial aquele das camadas trabalhadoras, não veja frustrada a
sua aspiração de assimilar os conhecimentos metódicos,
incorporando-os como instrumento irreversível a partir do qual será
possível conferir uma nova qualidade às lutas no seio da sociedade.
Saviani ainda comenta sobre os danos, bem como o que deveria ser
superado, em relação aos “anos de ferro”:
A vocês cabe, pois, velar no interior das escolas para que elas não se
percam num sem número de atividades acessórias, desviando-se de
seu papel fundamental que é a difusão do saber sistematizado, isto é,
aquele de caráter científico. Na verdade, tal desvio é hoje regra em
nossas escolas: da exaltação ao movimento de 64 à curiosidade pelo
índio, da veneração às mães, às festas juninas, das homenagens ao
soldado, ao cultivo do folclore e à criança, encontra-se tempo para tudo
na escola, mas muito pouco tempo é destinado ao processo de
transmissão-assimilação de conhecimentos elaborados cientificamente.
Em vocês a nova geração de brasileiros deposita suas esperanças de
freqüentar uma escola mais viva, mais atualizada e mais significativa;
uma escola rica de conhecimentos sistematizados e preparados para
prover à sua formação cultural letrada, aquela que domina a sociedade
em que vivemos.
A "pedagogia crítico-social dos conteúdos", que surge no início dos
anos
80 se apresenta como uma reação de alguns educadores que não
aceitam a pouca relevância que a "pedagogia libertadora" dá ao aprendizado
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do chamado "saber elaborado", historicamente acumulado, e que constitui
parte do acervo cultural da humanidade.
A "pedagogia crítico-social dos
conteúdos" assegura a função social e política da escola pelo trabalho com
conhecimentos sistematizados, a fim de colocar as classes populares em
condições de uma efetiva participação nas lutas sociais.
Entende que para a escola não basta viver de conteúdos escolares e
que as questões sociais têm muita relevância e que é necessário possuir
domínio de conhecimentos, habilidades e capacidades mais amplas para que
os alunos possam interpretar suas experiências de vida e defender seus
interesses de classe.
Para esta ação pedagógica, não dá para conceber um processo de
ensino aprendizagem, sem que se unam os sujeitos com diversas produções
culturais e sociais.
Ainda no que se refere a esta ação, “educação é todo o envolvimento
social e a capacidade de aprendizagem, que varia de pessoa para pessoa, já
que a educação é socialmente e historicamente determinada, com conteúdos
vivos, articulados dentro de um compromisso político” (Saviani, 1992, p.63).
O educador é um intelectual que produz, nas diferentes classes, uma
visão de mundo, buscando transformar a realidade por meio do seu mais
poderoso instrumento: a educação. Uma pedagogia que visa ensinar para
transformar por meio de um saber incorporado.
Cabe, neste paradigma, construir a visão dos problemas desafiadores,
dentro da sua própria realidade, seguido de uma instrumentalização com
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elementos, que possam ser superados para transformar, passando pela
incorporação na vida destes instrumentos e, por fim, adquirindo uma nova
compreensão e, conseqüentemente, partindo para uma nova ação.
Em contrapartida, a Constituição de 1988, define claramente o ensino
básico como competência de Estados e municípios. Houve grande
expectativa em relação à Constituição de 1988. O sociólogo e então
parlamentar Florestan Fernandes acreditava que a Constituição poderia
corrigir as desigualdades verificadas no projeto educacional da sociedade. A
União ficou com papel de sinalização dessas dimensões e com o ensino
superior federal
Posteriormente surge uma nova (LDB), Lei de Diretrizes e Bases, LEI
Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Nascida de um projeto do Deputado
Octavio Elísio, após a promulgação da Constituição, em 1988, a LDB recebeu
um substitutivo, perdeu artigos e ganhou outros sugeridos por associações de
professores e universidades. Em 1994, aprovado na Câmara, o projeto foi
enviado ao Senado, onde foi substituído por outro, o do Senador e Educador
Darcy Ribeiro. No final, a LDB foi costurada com artigos do projeto da Câmara
e do Senado. Neste sentido são bem apropriadas as palavras de TANURI
(2000, p.85):
A atual LDB estabeleceu que [...] a formação de docentes para atuar
na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de
licenciatura de graduação plena, em universidades e institutos de
educação [...] (Artigo 62). É fácil perceber que essa formulação legal
incorpora as idéas-força que expusemos acima: nível superior,
infância, institutos e universidade. No Artigo 63, a mesma LDB diz que
os Institutos Superiores de Educação (ISEs) deverão manter “Cursos
formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso
Normal superior, destinados à formação de docentes para a educação
infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental”.
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De acordo com as informações e estudos da ANDES (Associação
Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), o Relatório do
Seminário Nacional sobre a LDB realizado nos dias, 16 e 17 de março de
1997 em São Paulo, sobre o educador apontam:
A lei descaracteriza a profissionalização do professor através de
treinamentos e cursos de capacitação em serviço. A formação de
profissionais da educação não pode ser feita através de treinamentos
emergenciais e sim de uma base comum nacional para os cursos de
formação de professores; esta formação deve atender aos seguintes
princípios:
• formação teórica e interdisciplinar sólida que favoreça uma ampla
compreensão do processo educacional;
• novas formas de relacionamento entre prática e teoria;
• gestão democrática;
• compromisso social do profissional da educação;
• trabalho coletivo interdisciplinar.
Facilita o NOTÓRIO SABER (art. 66) suprimindo a exigência do título
acadêmico, favorecendo a burla à escolarização formal e ao concurso
público. Extingue a Dedicação exclusiva e reduz, consideravelmente, a
exigência da formação para o Ensino Superior. Propõe em seu (art.
54) Planos de Cargos e Salários e Planos de Carreira diferenciados
por Universidades.
E o grupo ainda conclui este estudo com o seguinte pensamento:
A nova LDB, entretanto, ainda não deitou ao chão o manto da
reminiscência e da subjetividade de seus autores, e do poder
constituído, mas, provocou, sobretudo por isso, o discenso e a tomada
de discussões: algo muito positivo para um país em vias de
democratização. Dentre várias formulações que poderíamos
desenvolver à guisa de conclusão fica apenas esta: por que será que o
Estado, enquanto organização transnacional, empresa organizada
hierarquicamente com funções limitadas e técnicas desempenhadas
através de uma ou mais fronteiras internacionais - “No que se refere ao
ensino de filosofia e sociologia, este não está garantido enquanto
“obrigação” dos sistemas necessários ao exercício da cidadania”. (Oq.
Circ.N.ºMG/97 da Andes). A omissão do ensino da filosofia e
sociologia no ensino médio constitui numa perda fundamental para o
desenvolvimento da reflexão crítica.
Muitas mudanças e adequações ocorreram e certamente ocorrerão,
conforme mudam os governos, reformas, sempre de acordo com os
interesses internacionais e com uma teoria “remaquiada”, reforjada, elaborase uma tendência ideológica que está vinculada com a sociedade em crise.
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Segundo nos fala Lombardi (2005) (informação verbal¹): “eis que entra
o neoliberalismo em que o EU não se encontra com os outros.” Podemos
ainda caracterizar este período com as palavras adequadas de Nosella (2005,
p.62):
Assim a década de 90 viu surgirem novas subjetividades que,
paradoxalmente, sofrem o traumático fenômeno do fim do emprego e
também do tempo livre. Com efeito, a vida das pessoas é cada vez
mais invadida por inúmeras atividades relacionadas à crescente
produção difusa, contínua, infinita, precária, virtual e mal
remunerada....este é o novo perfil do homem que se apresenta aos
portões de nossas escolas: inseguro e consumista voraz. O mesmo
perfil caracteriza o candidato que deseja preparar-se para ser
professor.
Modelos educacionais tendenciosos, sem acrescentar nada; são
apenas resultados de uma sociedade extremamente hedonista, reproduzindo
de acordo com as tendências de instituições como os Bancos Mundiais. A
*UNESCO tem a seguinte missão:
Desde sua criação em 1.945 UNESCO trabalha para aprimorar a
educação mundial por meio de acompanhamento técnico,
estabelecendo parâmetros e normas, criando projetos inovadores,
desenvolvendo capacidades e redes de comunicação atuando como
um catalisador na proposta e disseminação de soluções inovadoras
para os desafios encontrados. O estreito contato com Ministérios da
Educação e outros parceiros em 191 países colocou isso como eixo
central de ação.O Brasil faz parte do E-9, grupo dos países mais
populosos do mundo, onde a UNESCO promove ações prioritárias de
desenvolvimento no Setor de Educação. A principal diretriz da
UNESCO é a Educação para Todos, onde são desenvolvidas ações
direcionadas
ao
fortalecimento
da
capacidade
nacional,
acompanhamento técnico, apoio à implementação de políticas
nacionais de educação através de diversos projetos, aprimoramento e
democratização da educação em todos os seus níveis e modalidades.
Neste contexto o educador é resultado de suas competências e
habilidades e a questão da qualidade total, fragmentada e despolitizada é a
que impera o que importa é como cada um vai destacar-se perante os outros,
vencendo-os no concorrido mercado de trabalho ávido por títulos, cursos, que
vão certamente ao encontro das políticas públicas dominadoras do estado
mínimo. Um bom avalista desta idéia é Tuckmantel (2002, p. 78):
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Assim sendo, o educador precisa travar uma verdadeira batalha para
livrar-se do corporativismo estatal, que o impede de relacionar-se com
as diferentes categorias. Torna-se clara, pois, a necessidade da
construção de um projeto político-pedagógico vinculado a um projeto de
sociedade.
Daí a necessidade da vinculação luta sindical/luta educacional.
Não podemos nos vergar ao comodismo. Cabe a nós, educadores,
buscar um verdadeiro objetivo em nossa luta cotidiana, para uma sociedade
como a nossa repleta em desigualdades sociais. Não podemos permanecer
esperando; é preciso uma atitude frente à necessidade do educando
desfavorecido.
Torna-se evidente a importância de uma breve historiografia sobre o
educador brasileiro, a análise do panorama que o envolve e o que aconteceu
ao longo da história com esse educador. Auxilia-nos na compreensão das
dificuldades e deficiências da sua formação bem como a relevância da
perspectiva da educação social no Brasil.
¹ Notícia fornecida pelo Prof. Dr. José Claudinei Lombardi participação especial na disciplina História da Educação
Brasileira-programa de Pós-Graduação Scricto Sensu-UNISAL-Campus de Americana em 22 de junho de 2005.
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2- EDUCAÇÃO SOCIAL E O TRABALHO DO EDUCADOR SOCIAL
A necessidade da análise sobre a relevância da Educação Social, no
Brasil, está atrelada à desigualdade social. Abordaremos os caminhos que
conduzem à Educação Social, sua origem e méritos. Segundo Fermoso
(1994), o termo Pedagogia Social é de origem alemã, citada em maio de
1844, na Pädagogische Revue, por Karl F. Mager.
Era freqüente referir-se a esta ciência com a expressão “Jugendhilfe”
(ajuda à juventude), com três pontos distintos: auxílio educativo, profissional e
cultural à juventude. Atualmente, a Espanha é o país que tem mais propostas
e estudos sobre esta área de conhecimento. Segundo Petrus (2003,p.120):
Reduzir a “educação” a “educação escolar” é ver apenas uma parte
da realidade. E isso é perigoso, às vezes, do que não vê-la. Da
mesma maneira que existem outros métodos, além de didáticos, a
educação não pode se reduzir à educação formal.
Educador Social é aquele que intervém por meio da inclusão, da
consciência, de forma que os indivíduos sejam capazes de transformar sua
condição, a partir de uma realidade fortemente contextualizada. Assevera-nos
Freire (2000, p.2):
Educação Social é educar para o coletivo, no coletivo, com o
coletivo. Uma tarefa que pressupõe um projeto social
compartilhado, em que vários atores concorrem para o
desenvolvimento e fortalecimento da identidade pessoal, cultural e
social de cada indivíduo.
Educar não é um ato ingênuo. É um ato histórico, cultural, social,
psicológico, afetivo, existencial e, acima de tudo, político, pois,
numa sociedade estratificada como esta em que vivemos, nenhuma
ação é simplesmente neutra, sem consciência de seus propósitos.
O Educador Social conduz os sujeitos a experimentarem alguma
mudança e desenvolvimento pessoal. A Educação Social se posiciona como
parte da Pedagogia. Preza pela socialização baseada na autonomia, por
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constituir uma consciência crítica, contribuir para a formação de uma
cidadania atuante, transformadora.
Baseada também na ética e na superação das suas condições sociais
desiguais, ainda visa à superação no âmbito do amansamento, buscando
transcendê-lo, fator determinante para a emancipação, para a libertação.
A educação é uma prática social, por meio dela o homem transmite e
conserva sua cultura, seus valores, busca transformar, melhorar a sociedade.
Fermoso (1994, p.134) assim define Educação Social:
La educación social es el resultado o producto del proceso de
socialización, equivalente a traducible em um conjunto de
habilidades desarrolladas por el aprendizaje, que capacitan al
hombre para convivir com los demás y adaptarse al estilo de vida
dominante em la sociedad y cultura a la que se pertenece, sin
perder la identidad personal, aceptando e cumpliendo, al menos,
sus ( de la sociedad y cultura) exigências mínimas.
Então entendemos por socialização, bem como o conjunto de
habilidades para viver com dignidade e autonomia, ou ainda, conduzir o
indivíduo a um lugar digno em nossa sociedade, sem perder sua identidade.
A Educação Social está intrinsecamente relacionada à educação sóciocomunitária. Elas coexistem, uma vez que atuam com conflitos, habilidades e
desenvolvimento social.
Há uma passagem em Romans et. al (2003, p.56):
...não há desenvolvimento comunitário sem desenvolvimento
pessoal e vice-versa; as pessoas se desenvolvem na medida e ao
mesmo tempo em que se desenvolve a comunidade da qual fazem
parte; a intervenção educativo-social é uma intervenção simultânea,
sobre as pessoas e sobre a comunidade.
Analisaremos separadamente a expressão sócio-comunitária, devido à
importância da interação do educador social na mesma. Por Sócio
entendemos como sendo aquele que é parceiro, aliado. Já por Comunitária,
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conjunto de indivíduos, habitantes de um mesmo local; biocenose,
comunidade, conjunto de pessoas unidas por uma causa ou lugar em comum.
Então, por Educação Sócio-comunitária, entendemos uma ação que
reconhece a pessoa como um ser que pensa, age, sente e traz consigo uma
cultura e uma leitura de mundo; que precisa ser respeitado para poder crescer
e se desenvolver, pois a cultura faz parte da identidade do ser humano e os
valores são fundamentais para a sua formação.
Podemos ainda, fazer algumas apreciações importantes, de acordo
com as idéias de Gadotti e Gutierrez (2001, p.15) sobre a educação
comunitária:
1ª) A educação comunitária precisa superar a ambigüidade da sua
própria expressão, dando conteúdo concreto a ela mesma, o que, certamente,
revelará o pluralismo de concepções práticas.
2ª) Não se pode separar educação comunitária de educação escolar,
pois os setores populares da comunidade lutam pela escola pública de
qualidade.
3ª) Educação comunitária significa organizar a população para o
exercício da cidadania e melhorar a qualidade de vida.
4ª) A educação comunitária se desenvolve por meio de novas
metodologias, onde predominam o organizativo, o produtivo, o lúdico, a
comunicação etc.
5ª) O local, o nacional e o transnacional. Duas são as armadilhas em
que o educador pode cair: o nacionalismo conservador e o universalismo
alienado. A educação comunitária procura mostrar a integração do local com
20
o nacional e o transnacional. Não posso ser cidadão do mundo sem ser, antes
de mais nada, cidadão de um lugar bem determinado.
6ª) A educação comunitária não se confunde com solução de
problemas emergenciais e episódios da comunidade e nem significa transferir
para as camadas populares a solução de todos os seus problemas, retirando
a responsabilidade do Estado.
7ª) Os pais pobres querem enviar os filhos à escola para que eles
sejam poupados do trabalho manual. Deve-se, pois, ter sempre em mente que
o motor da educação comunitária é a melhoria da qualidade de vida e não a
resignação ao estado de pobreza.
É
de
grande
importância
atentar
para
a
responsabilidade
e
conhecimento que cabem aos agentes dessa educação; essa formação
necessita ser bem fundamentada, para que eles possam atingir o cerne da
educação sócio-comunitária que é a busca de nova consciência e da
transformação do educando, além da contribuição para a formação integral e
inserção na sociedade.
Percebemos os fatores acima citados como importantes, mas que
dificilmente são tratados academicamente, pois o currículo escolar não
privilegia a realidade, ainda arraigado a fatores externos, algo ainda muito
presente em nossa cultura.
É preciso que tenhamos sempre a insistência, a perseverança,
presente em nosso trabalho para que essa realidade seja alterada, para que
incomodemos os acomodados; para tanto é necessária uma ação, seja dentro
das universidades, dos cursos, para enfrentar e intervir na realidade. Uma boa
contribuição a essa idéia pode ser encontrada em Freire (2000, p.36):
21
...tornamo-nos
capazes
de
intervir
na
realidade,
tarefa
incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes do
que simplesmente a de nos adaptar a ela. É por isso também que não
me parece possível nem aceitável a posição ingênua ou, pior,
astutamente neutra de quem estuda, seja o físico, o biólogo, o
sociólogo, o matemático, ou o pensador da educação.
Ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de
forma neutra.
Não podemos aceitar passivamente políticas assistencialistas, bem
como algumas práticas educativas. Para que isso ocorra, faz-se necessária a
transformação da consciência do educador. Recorremos aqui a uma
passagem de Saviani (1980, p.86):
A educação é um processo que se caracteriza por uma atividade
mediadora no seio da sociedade. Tem, pois, como premissa básica,
que a educação está sempre referida a uma sociedade concreta,
historicamente situada.
2.1 A Consciência da Práxis e o Educador Social:
O desafio da formação do Educador Social, está na possibilidade dele
ser capaz de auxiliar na construção de conhecimentos significativos,
envolvendo experiências desenvolvidas no dia a dia.
A libertação na educação enfatiza a mesma com uma pedagogia em
que o esforço da práxis humana conduz à educação a legítima prática de
liberdade. Segundo Freire (1979, p.26):
O compromisso próprio da existência humana só existe no
engajamento com a realidade, de cujas águas os homens
verdadeiramente comprometidos ficam molhados, ensopados.
Somente assim o compromisso é verdadeiro. Ao experiênciá-lo,
num ato que necessariamente é corajoso, decidido e consciente, os
homens já não se dizem neutros.
A partir de ações sociais, culturais, éticas, atreladas à vida e ao
trabalho dos educandos, bem como a sua comunidade, sua realidade com a
capacidade de agir e refletir sobre e para o próximo. Referente à práxis nos
elucida Freire (apud Caro, 2005, p.2): “É exatamente esta capacidade de
atuar, operar, de transformar a realidade, de acordo com finalidades
22
propostas pelo homem, à qual está associada sua capacidade de refletir, que
o faz um ser da práxis”.
Segundo pensamento de Gramsci (1989, p.64), pode citar a filosofia da
práxis, onde o autor procurou relacionar a evolução dos intelectuais com a
evolução da divisão social do trabalho, realizando interfaces entre as forças
produtivas e as forças intelectuais, nas instituições sociais existem diferentes
tipos de intelectuais:
[...] existe o intelectual cosmopolita como aquele que está mais
preocupado com questões exteriores as da sua realidade nacional; o
intelectual tradicional como um humanista, autônomo em relação as
outras classes, serviçal da classe dominante; e, por último, e o mais
importante deles, o intelectual orgânico, responsável pela conexão
histórica entre a teoria e a prática, encarregado do não
distanciamento entre as massas e as formulações intelectuais.
O intelectual orgânico das classes atuaria nos debates, onde os
homens tomam consciência de sua função social, que atinja os espaços
burocratizados, como a escola.
Na periferia, este intelectual seria o educador social que trabalha nas
comunidades de base, cabendo a ele levar às massas a filosofia da práxis.
Neste contexto parecem convincentes as palavras de Mochcovith (1990,
p.17):
...não de fora pra dentro, mas articulando-a com a reflexão que é
possível, através do chamado “núcleo de bom senso“, a partir da
prática cotidiana das massas e de sua experiência na luta política...
Todo esse movimento não pode existir sem a formação de uma
camada de intelectuais que representa a união entre a teoria e a
prática.
Elevar nossa consciência de práxis, como atividade do homem, que
transforma o mundo natural e social para fazer dele um mundo consciente,
toda a atividade práxica é uma realidade, comportando interesses e objetivos.
23
Somos todos seres resultantes da práxis. Por meio da práxis a
compreendermos o mundo a realidade, os novos movimentos sociais e a
educação. Práxis é transformação. Segundo Freire (1996, p.61):
Somente um ser que é capaz de sair de seu contexto, de distanciarse dele para ficar com ele; capaz de admirá-lo para, objetivando-o
transformá-lo e transformando-o, saber-se transformado pela
própria criação; um ser que é e está sendo, no tempo que é o seu,
um ser histórico, somente este é capaz, por tudo isso, de
comprometer-se.
Precisamos com urgência agir para a mudança e restauração do povo
brasileiro, da revolução por meio das idéias, da sua identidade e da sua
verdadeira herança cultural, não aquela mascarada pela colonização em
nossa personalidade. Neste sentido são convincentes as palavras de Kosik
(apud Noronha, 1980, p.15-16):
A dialética é o pensamento crítico que se propõe a compreender a
“coisa em si” e sistematicamente se pergunta como é possível chegar à
compreensão da realidade... o pensamento que destrói a
pseudoconcreticidade para atingir e concretizar é ao mesmo tempo um
processo no curso do qual sob o mundo da aparência se desvenda o
mundo real. A destruição da pseudoconcreticidade- que o pensamento
dialético tem de efetuar- não nega a existência ou a objetividade
daqueles fenômenos, mas destrói a sua pretensa independência.
O resultado desta compreensão e destruição da acomodação é um
instrumento importantíssimo para a busca de uma nova consciência éticopolítica visando transformações, criação e desenvolvimento de iniciativas
superadoras, tendo domínio sobre as estruturas de dominação.
Há uma passagem em Tuckmantel (2002, p.46) que nos elucida a
importância da práxis não apenas no educador, mas no homem:
É pela práxis que o homem se humaniza. Para humanizar-se não
pode permanecer na subjetividade, precisa objetivar-se. A objetivação
só pode acontecer através da práxis. O trabalho humano é a práxis
fundamental. Através dela o homem se faz presente como ser social
humaniza a natureza e humaniza-se, enquanto se eleva como ser
consciente sobre sua própria natureza e cultura.
24
Observando nossas ações, temos que buscar em nossas raízes
atitudes mais condizente com nossa realidade, negando toda a sistemática
de regras, segundo padrões que não são os nossos e, essa mudança, será
possível por meio da superação dos modelos anteriores. São apropriadas as
palavras de Marx (apud Mello 1993, p.79):
... essencialmente destinada ao conhecimento do que era
necessário ao homem no ‘reino da necessidade’; o restante o que o
situa no ‘reino da liberdade’(...) Por um lado é preciso uma mudança
das condições para criar um sistema de instrução novo; por outro
lado, é preciso um sistema de instrução já novo para poder mudar
as condições sociais. Por conseguinte, é “preciso partir das
condições atuais
Necessitamos, então, fazer uma análise de todo o processo sócioeducacional brasileiro levando o indivíduo a desejar uma nova realidade mais
justa, como um fator determinante para a transformação social.
É preciso negar esse presente desumamo, excludente, desigual. É
necessário perturbar os acomodados, desestabilizar a mercantilização das
relações, pois o princípio da igualdade é a solidariedade, inclusive quando
pensamos em mudar algo, não podemos fazer nada sozinhos, sempre
precisamos do outro.
No Brasil, temos a necessidade de um educador comprometido com o
desenvolvimento humano, com as ações pedagógicas, intervenções sócioeducacionais, devido às condições humanas desiguais do povo brasileiro.
A desigualdade social é marcante, porém, a miséria de um povo pode
ser superada por transformações sociais pela práxis. No que se refere à
práxis e educação, podemos refletir, a partir das palavras de Tuckmantel
(2002 p.41):
Transferindo essa reflexão para o âmbito da educação, a tarefa da
práxis pedagógica é trabalhar alguns valores objetivos do mundo
material dos homens, visto que ela se realiza sob os condicionantes que
existiam anteriormente à prática pedagógica e que a determinaram
dessa maneira. A atividade pedagógica se funda em idéias articuladas a
25
finalidades, cujo objeto são homens reais, vivendo em sociedade que
têm como finalidade uma transformação real e objetiva do meio.
As finalidades da educação se encontram estreitamente articuladas à
sociedade que se busca empreender e, esses fins não são abstratos
e/ou desinteressados, mas concretos e marcados pelo seu tempo. São
fins sociais e indicam que a possibilidade da educação escolar ser um
instrumento de atualização da vida social está no poder de concretizar a
interação entre conhecimento elaborado e senso comum, teoria e
prática.
O recurso que o professor dispõe é um grupo de alunos, de
diversificados grupos sociais, que trazem valores, crenças e ideais de
seu grupo de origem. O professor extrai e devolve os alunos à práxis
social e, o objetivo da atividade do professor é devolver à sociedade de
onde vieram esses alunos, homens reais.
Situando os fatos através da história, percebe-se que, quando os
colonizadores europeus aqui chegaram, não encontraram degradação e sim
trataram de macular toda a integridade e a autenticidade de um povo e essa
influência acirrou a desigualdade e conflitos sociais. Que vivemos atualmente
é reflexo, do que não conseguimos superar.
Mas é necessário resgatar a vontade de mudança na realidade, Kosik
(apud Alves, 1992, p.45):
...afirmando como práxis a atividade produzida históricamente, que
recupera a unidade sujeito e objeto, processo e produto. É através
da práxis que o homem se relaciona com o mundo com a totalidade
e se cria “a possibilidade da linguagem e da poesia, da pesquisa e
do saber
É a capacidade de atuar, operar, buscar transformar a realidade, de
acordo com finalidades propostas, associada à capacidade de refletir que
deve fazer do educador social um ser da práxis.
2.2 A Relevância da Cidadania e o Educador Social
Na educação, cidadania é utilizada como uma necessidade da
formação humana, a formação do cidadão. A pessoa torna-se cidadão quando
intervém na realidade em que vive.
O que não se percebe porém, é que cada cidadão tem uma
característica, uma necessidade, que pode ser muito particular a cada
26
indivíduo. “Educar para a cidadania é educar para um mundo possível”.
Gadotti (2006, p.26).
O que possuímos atualmente em nossa sociedade são dois tipos de
cidadãos: o cidadão cliente e o cidadão conhecedor de direitos e deveres.
O cidadão cliente seria aquele com valor econômico para o Estado, que
significa protegido de alguém, mantém uma relação de troca, às vezes uma
relação de troca de favor. Todavia a economia é um elemento muito forte de
articulação social. Podemos tomar as grandes hegemonias que dominam,
gerenciam vários segmentos, e até em relações sociais como um todo,
(Martins, 2000, p.8).
Há, portanto, uma globalização não apenas em relação aos aspectos
econômicos, mas também, ao modo de ser. E este modo de ser está
intrinsecamente ligado ao modo de produção da vida coletiva da sociedade.
Padroniza-se a cultura e elimina-se a diversidade regional, a
pluralidade das culturas dos povos. O que importa é a tecnologia, o capital.
Todas as relações sociais voltam-se ao individualismo extremo e a
mercantilização das relações. Transformam-se em mercadoria, é incutido um
valor. Logo, se transforma em coisa, que está para ser comprado ou para ser
vendido. O cidadão é aquele que pode ser cliente.
Já o cidadão como conhecedor de direitos e deveres é aquele que vê
na palavra cidadania um sinônimo do conhecimento dos mesmos, como por
exemplo: a garantia de seus direitos de consumidor, mas de uma maneira
passiva, porque para ele, o conhecimento não pode ser crítico, sendo ele um
sujeito submisso apto a não enfrentar os desafios.
27
Esse
comportamento
de
submissão
é
causado
pela
disputa
hegemônica, entre grupos sociais, porque ser passivo, acrítico vai ao encontro
com os interesses de determinados objetivos de grupos sociais dominantes.
No caso de um conceito adequado de cidadania, são bem apropriadas
as palavras de Martins (2000, p.10):
Cidadania é a participação dos indivíduos de uma determinada
comunidade em busca de igualdade em todos os campos que
compõem a realidade humana, mediante a luta pela conquista e
ampliação dos direitos civis, políticos e sociais, objetivando a posse
dos bens materiais, simbólicos e sociais, contrapondo-se à hegemonia
dominante na sociedade de classes, o que determina novos rumos
para a vida da comunidade e para a própria participação.
A partir dessa afirmação, o conceito de cidadania busca cenários
histórico-sociais, tendo o sujeito uma ampla consciência ético-político, além
de uma participação crítica e ativa.
E o que caracterizará este cidadão consciente é a sua práxis, por meio
de uma ação teórico-prática, que transforma o mundo natural e social. Através
desta, este sujeito terá uma determinada visão da realidade. Isso porque a
práxis se torna um instrumento de compreensão do homem e do mundo ao
longo dos tempos.
Portanto, esse processo poderá resultar numa nova conjuntura social,
na qual o sujeito passará a ser ou ter as condições concretas de coordenar
quem dirige o coletivo social.
O cidadão será além do cliente, daquele que é conhecedor de seus
direitos e deveres; aquele com uma missão ético-político definida, buscando
sempre a superação da atual condição. A fim de se engajar na luta política,
tendo em vista a busca de uma transformação, frente às desigualdades
sociais.
28
Por meio da formação de cidadãos através da educação consciente,
busca continuamente novos rumos, novos conhecimentos, vinculados e
comprometidos com a realidade.
A educação libertadora surge para integrar e libertar, como afirma
Santiago (1998, p. 53):
O problema social e o político sobressaem com maior força diante da
consciência do escritor, do cientista, e do artista latino-americano.
Essa realidade contraditória constitui a nota dominante de nosso
trabalho criativo. A ela, a grande parte, se dirige a poesia, a narrativa a
pintura, a música e as ciências sociais. Dela provém em forma
relevante o motivo de sua criação. O primeiro traço de integração e de
identidade ocorre na consciência comum da libertação produzida por
essa situação determinada.Talvez se pudesse dizer que a ação
sociopolítica e a conseqüente consciência comum derivada dela
contribuam nesse âmbito para uma primeira tentativa de integração
cultural.
Um dos primeiros passos, para a nossa libertação, é a ação para um
fortalecimento, buscando a superação dos conflitos e das diferenças porque a
verdadeira liberdade não é a individual é coletiva e proporciona o
desenvolvimento de todos de modo pleno.
Para a realização das utopias devemos sair da academia e ir para a
comunidade, os intelectuais devem descer do topo da pirâmide, tomar a
iniciativa a que defendem, se tornar responsáveis por uma ação efetiva,
militantes comprometidos com sua práxis.
A pedagogia libertadora se faz através de uma educação crítica, se faz
mediante uma conscientização, construída pelo próprio indivíduo em seu dia a
dia, de modo a encontrar na iniciativa, uma prática transformadora. Para
enfrentar as desigualdades existentes do neoliberalismo, temos que buscar na
crise a esperança de uma mudança.
Ainda em relação à educação popular, podemos afirmar que educação
comunitária é uma ação que reconhece a pessoa como um ser que pensa,
29
age, sente e traz consigo uma cultura que precisa ser respeitada para poder
crescer e se desenvolver, pois, a cultura atua como parte da identidade do ser
humano, e os valores são fundamentais para a sua formação.
A educação sócio-comunitária rompe com a adaptação do Ser, para
transformá-lo. É mediadora de uma educação dirigente de uma intervenção
que possa agir mediante a autonomia do ser, uma intervenção que conduz à
emancipação coletiva. Esta educação pode ser explicada pela via do
conhecimento, educar para o mundo.
Dada a relevância desse processo de educação sócio-comunitária, não
se pode esquecer um dos atores importantes desse processo: o Educador
Social. Sua formação deve ser prolongada por meio de cursos, que visam
aprofundar conhecimentos e, discussões sobre o contexto educacional.
Um educador bem preparado favorecerá o envolvimento, crescimento
pessoal, consciência de cidadania agindo em defesa dos interesses e
contribuirá para as necessidades do aluno.
Resgatar valores, no tocante a uma nova concepção de mundo, de
cidadão, uma nova vontade popular. Determinação e força para transcender a
dificuldade perante um engajamento, um todo vivo, uma unidade orgânica,
não se faz sozinho.
Um fator muito importante para o educador social neste processo de
participação popular é a sua formação e o seu comprometimento com o
desenvolvimento, seja nas escolas de periferia, seja em associações
comunitárias, associações, núcleos assistenciais.
O Educador Social deve ter um compromisso que inevitavelmente todo
profissional consciente tem relação à sua profissão, sua preocupação, seu
compromisso, principalmente com as camadas populares, uma vez que
30
podemos perceber é que as oportunidades, tanto educativas quanto sociais,
são negadas aos educandos da periferia.
Devemos assimilar que tudo o que se faz com uma ação, constitui-se
em compromisso e é a partir desse momento, surge uma exigência a análise
do verdadeiro compromisso do profissional com a sociedade, com o próximo.
Um dos principais requisitos para o educador social alcançar a
plenitude de seu comprometimento, é ser capaz de agir e refletir sobre tudo o
que está a sua volta e principalmente sobre a realidade que cerca seus
educandos e saber-se também parte deste mundo.
O Educador Social mergulha na realidade, porém neste mergulho ele
não poderá se afastar, olhar de longe, no horizonte e voltar à água
simplesmente como um contemplador. Há nele a consciência de transformar
esta realidade, para que não seja apenas um mergulho contemplativo e sim
um mergulho revolucionário, construtivo.
A educação brasileira necessita de Educadores Sociais na educação
formal. Há necessidade da valorização, resgate de autonomia de indivíduos
que estão à mercê da própria sorte e que por vezes são excluídos e
cerceados de uma educação digna.
Essas situações possivelmente poderão ser superadas ? Se houver
educadores engajados, conscientes e que se comprometam, se envolvam
com a educação para o povo, com o povo e pelo povo, para o pobre, por
aquele que não teve oportunidade. Enfim um Educador que não seja
comprometido aparentemente e sim um profissional envolvido.
2.3 A Importância da Ética e o Educador Social
Atualmente, os educadores estão programados para aprender e
encontram-se impossibilitados de viver, sem a referência de um futuro. Porém
31
onde houver pessoas, onde quer que seja, haverá sempre o que ensinar e o
que aprender.
O homem é um ser histórico, portanto inacabado, logo estamos
aprendendo o tempo todo, e isso não cabe apenas aos educandos, mas
essencialmente ao educador, um ser comprometido, engajado, atuante e,
esse comprometimento pode ser o da irmandade, do amor e da resiliência. Há
uma passagem em Tuckmantel (2002 p.82) que esclarece:
A problemática da formação no âmbito da instituição escolar fundada
em princípios éticos caros para o exercício da cidadania responsável
impõe-se na atualidade brasileira, como um dos problemas mais
agudos. Enquanto a escola pública era privilégio de poucos, os
problemas desta com a formação de seus alunos eram também mais
restritos. À escola elitista cabia não apenas formar, mas selecionar, de
acordo com as capacidades e desempenhos cognitivos e morais.
Assim procedendo esta escola recusava-se a acolher a maioria da
população e negava à maioria um direito fundamental: o direito à
educação, restringindo uma cidadania plena a uns poucos.
Todavia podemos ser questionados com a seguinte dúvida em relação
aos educadores: Não seríamos todos educadores sociais?
Somos todos educadores, mas seja que somos educadores atuantes,
dedicados, empenhados em transformar e preocupados em conduzir essa
educação com envolvimento, com uma ação embasada na ética, na
consciência política ?
Logo, o ideal seria o de ser um educador concencioso consigo e com o
educando e estar com a comunidade com que está implicado. Em
consonância, com o citado acima há uma passagem em Freire (1996, p.38),
que assevera este pensamento:
Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de
comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper,
por tudo isso nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos
sendo. Estar sendo é a condição, entre nós, para ser. Não é possível
pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora
dela. Estar longe, ou pior, fora da ética, entre nós homens e mulheres
é uma transgressão.
32
O educador social comprometido será aquele que dentre as suas
tarefas mais importantes, tenha uma prática educativo-crítica que propicia as
condições para que os educandos em suas relações com outros indivíduos
possam assumir-se como um ser social, ético-político, pensante, ativo, crítico,
engajado.
A esse respeito Freire (1996, p.95) argumenta: “Não é possível fazer
uma reflexão sobre o que é a educação sem refletir sobre o próprio homem”.
O homem deve ser o sujeito de sua própria educação e não deve ser
meramente o objeto dela. Devido a essa colocação, conclui-se que ninguém
educa ninguém, o que existe é uma busca da comunhão das consciências,
caso contrário, se coisifica as relações de consciência. Existe uma relação
íntima entre comunhão e busca, pois o homem não faz nada isoladamente.
Neste contexto parecem convincentes as palavras de (Saviani1992,
p.56):...”elaboração do saber não é sinônimo de produção do saber. A
produção do saber é social, se dá no interior das relações sociais”.
O que podemos reforçar então é que um educador não seria apenas
detentor dos saberes transmitidos nas academias, e sim comprometido com
desejo de conhecer algo novo, o saber epistemológico, atrelado a valores que
são essenciais nas relações humanas, bem como afetividade, comunhão dos
sentidos. Neste contexto são apropriadas as palavras de Goergen, (2001,
p.13):
Entendo que os objetivos da educação moral é contribuir para que
os educandos constituam, paulatinamente, um núcleo subjetivo a
partir do qual possam assumir autonomamente a responsabilidade
das decisões que a vida, a cada momento, exige.
33
Podemos perceber o valor da nossa consciência perante o mundo,
pelos outros e para os outros, fazendo com que a mesma seja atuante, é isso
que nos tornar seres históricos, transformadores.
Somente o educador verdadeiramente comprometido e com uma
postura crítica dessa consciência, será capaz, de fazer da educação uma
verdadeira prática educativa, para a superação, bem como, a transformação
do mundo. A esse respeito há uma passagem em Freire (2000,p.48) que
corrobora: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela
tampouco a sociedade muda”.
O que fundamentalmente caracteriza um educador crítico, é instigar o
educando a buscar respostas, a ser participante, como cidadão que almeja a
plenitude de sua cidadania, atuando em cenários histórico-sociais, sendo o
sujeito, formando, um educando possuidor de ampla consciência éticopolítico, além de uma participação crítica e ativa.
É necessário rever a ética na prática, no pacto com o projeto de vida
dos seus educandos. Segundo Rebellato (1997, p.2) sobre a importância da
ética:
La ética necesita de la moral, em la medida em que los proyetos éticos
de crecimiento de la vida humana, pueden caer em puro idealismo si no
se concretan em normas de comportamiento. A la vez, una moral y um
conjunto de normas compartidas por um grupo, por uma instituición o
por uma forma de vida, corren el peligro de institucionalizarse,
cristalizando determinados comportamientos y perdiendo la capacidad
de creatividady de cuestionamiento.
La moral necessita ser renovada permanentemente pela ética, si es que
quiere caerse em el extremo de uma moral contraria a la ética precisa
de la mediación de las normas ( es decir, de la moral) si es que busca
ser eficaz em el plano de las prácticas sociales.
Podemos assegurar então, a importância de um educador com uma
formação bem fundamentada, crítica e engajada, que poderá contribuir para
34
uma educação de qualidade, mais humana, tendo como principal objetivo a
preocupação e a dedicação aos oprimidos, sem nenhuma distinção, prezando
sempre a liberdade e a igualdade. Reafirmamos que o papel do educador não
se limita ao ensinar, independente da sua competência. Neste contexto
parecem convincentes as críticas de Freire (1996, p. 38):
É por isso que transformar a experiência educativa em puro
treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente
humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se respeita a
natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se
alheio à formação moral do ser humano. Educar é substantivamente
formar.
Podemos observar que a ética no educador é aquela em que se tem
uma compreensão crítica da realidade e uma prática consciente. Porque para
tê-la será necessária uma ação, político-pedagógico, que envolva, organize
grupos e classes populares para então intervir numa reinvenção da
sociedade.
Lutar por um mundo diferente é um direito das classes populares, dos
desfavorecidos, que não podem fazer parte dessa história como meros
coadjuvantes e sim como atores principais, protagonistas sociais. Neste
sentido, Freire (2000, p.43) argumenta:
Uma das primordiais tarefas da pedagogia crítica radical libertadora é
trabalhar a legitimidade do sonho ético-político da superação da
realidade injusta. É trabalhar a genuinidade desta luta e a possibilidade
de mudar, vale dizer, é trabalhar contra a força da ideologia fatalista
dominante, que estimula a imobilidade dos oprimidos e sua
acomodação à realidade injusta, necessária ao movimento dos
dominadores. È defender uma prática docente em que o ensino
rigoroso dos conteúdos jamais se faça de forma fria, mecânica e,
mentirosamente neutra.
Não podemos permitir que uma sociedade justa seja aquela que
favoreça apenas as elites. Esta é a razão pela qual negamos de maneira
veemente no âmbito da educação social, um educador com ideologia
autoritária, provedor de uma atitude colonial, elitista, de inviabilização do
35
possível, da mudança. O educador reacionário, aquele que nunca se permitirá
fazer uma releitura, não apenas do mundo, mas de si mesmo.
O educador qual deve estar comprometido e aberto ao aprender,
receptivo em formar idéias em comunhão com a comunidade escolar e em
buscar soluções, a partir do outro, bem como a partir da realidade desse
outro, que convivam de um modo integrado.
A formação do educador, durante o tempo de vida acadêmica deve
estar atenta às mudanças que envolvam sua área e entender sua
especialidade. Esta é uma iniciativa interessante, quanto à questão da
formação, pois o efetivo trabalho ocorre pelo conhecimento, pela integração
com prática.
Existe um abismo muito grande entre ser professor e ser educador, e
esta é a transformação que é necessária, que nossa sociedade tenha mais
educadores do que professores. Há uma passagem em Rebellato (1997,
p.16):
Uma opción ética que se orienta hacia la práctica y el crecimiento de la
libertad, supone el desarrollo de identidades maduras, críticas y
autónomas. Autonomia no significa trascender toda dependencia. Hay
dependencias que son esenciales para nuestros crecimiento; asi,
todos dependemos unos de otros y nos necessitamos.
O educador tem que se preparar para sê-lo. E deve ser íntegro,
comprometido, para que seus educandos absorvam essa dimensão de
educação, além de capacitar-se para ter conhecimento e consciência da
realidade do seu campo de trabalho e da ética para uma educação ativa,
engajada, viva. Uma das riquezas das práticas comunitárias e sociais está
principalmente nos valores éticos da solidariedade e de compartilhar as
articulações sociais, dentro de uma prática comprometida.
36
A ética o educador e a esperança devem caminhar juntos. Entendemos
por ética: “um conjunto de preceitos sobre o que é moralmente certo ou
errado, parte da filosofia dedicada aos princípios que orientam o
comportamento humano”. (Houaiss 2004, p. 319).
Há uma passagem em Freire (2000, p.112) que ratifica a definição:
É a vida que se indaga, que se faz projeto; é a capacidade de falar de
si e dos outros que a cercam, de pronunciar o mundo, de desvelar, de
revelar, de esconder verdades.
Por tudo isso, não teria sido possível a existência humana
sem a
necessária eticização do mundo que por sua vez, implica ou comporta
a transgressão a ela. A eticização do mundo é uma conseqüência
necessária da produção da existência humana ou do alongamento da
vida em existência. Na verdade, só do ser que, fazendo-se
socialmente na História, se torna consciente de seu estar no mundo
com o que passa a ser uma presença no mundo, se pode esperar que
dê exemplos de máxima grandeza moral, de transbordante bondade
como também testemunhos de absoluta negação da decência, da
honradez e da sensibilidade humana.Não podemos ensinar ética entre
os tigres.
A Ética é a ciência que possui como objeto o valor. Ela é uma área da
Filosofia que trata dos valores produzidos pelos homens em sua vida e no
mundo.
A diferença dos homens e dos demais animais é que o homem, ao
viver no mundo, dá significado a ele e comunica esses significados aos
demais homens, que passam a agir segundo os valores coletivamente
construídos. (informação verbal)². Portanto a ética é importante nas relações
porque determina comportamentos, tomadas de decisões.
Porém, a vida não é só aceitar os valores produzidos, mas também
questioná-los, superá-los, “transgredi-los”. “Ao se deparar com os valores, os
homens indagam-se e aos demais à sua volta, possuindo em vista a situação
presente e as possibilidades futuras da existência da vida humana”.
(informação verbal)².
37
A ética e os valores são objetos dos homens, não dizem respeito
somente à situação presente, mas à existência humana passada (valores
recebidos de nossos antepassados), presente (os valores por nós
compartilhados e construídos) e futura (os valores que pretendemos garantir
para que a vida humana seja, efetivamente, mais humana.
A ética reflete sobre as nossas ações, torna-se problema quando é
utilitária. Não podemos perceber a ética apenas com a dimensão do útil,
porque ela é mais abrangente do que isso.
Esse
posicionamento
do
autor
(informação
verbal)²
tem
um
posicionamento interessante em relação ao papel da ética que comporta uma
profunda crítica sócio-histórica (da existência dos homens no mundo ontem e
hoje) e aponta para a necessidade de superarmos as dificuldades vividas.
Ou seja, através da sua concepção de “eticização do mundo”, nos
revela um posicionamento político-pedagógico: aprendermos e ensinarmos a
viver de outra forma para que as nossas relações sejam diferentes das que
hoje compartilhamos.
A eticização do mundo é uma conseqüência necessária da produção
da existência humana ou do alongamento da vida em existência.
Isso nos leva a afirmar que o educador deva passar por uma análise de
si mesmo, da sua ética, para uma superação do seu modo de trabalhar
perante a realidade do mundo. Segundo Freire (1996, p.95): “O ensino dos
conteúdos implica o testemunho ético do professor. A boniteza da prática
docente se compõe do anseio vivo de competência do docente e dos
discentes e de seu sonho ético.”
² Notícia fornecida pelo Prof. Dr. Marcos Francisco Martins na disciplina Práxis Social e Práxis-programa de PósGraduação Scricto Sensu-UNISAL-Campus de Americana em 05 de abril de 2005.
38
Podemos afirmar ainda que na sociedade em que vivemos tudo aquilo
que é rápido, eficaz e que dá lucro tem aprovação ética, ou seja, tudo é
convenientemente permitido, porque de acordo com o modelo neoliberal: o
sistema precisa funcionar.
Banalizam-se a história e a cultura, dispensam-se as tradições e os
costumes, pois o homem moderno pode se adaptar: todos os tipos de
comportamento são considerados válidos. De acordo com Goergen (2001,
p.15):
Impõe-se à celebração da mercadoria, o consumo, a comunicação,
a celeridade e a futilidade que ofuscam a consciência das terríveis
fraturas sociais e da necessidade de novos modelos de
desenvolvimento social.
O homem verdadeiramente consciente buscará novos rumos, novas
alternativas, que permitam sobreviver a hedonização da vida, transcender o
individualismo, e a partir de então haja um resgate da dimensão social e
política essenciais à condição humana, e esse novo homem será, então, um
ser engajado na construção do futuro.
É próprio do sistema capitalista fragmentar para controlar, inclusive as
relações humanas, para garantir uma supremacia ideológica. É necessário
irmos além das limitações das estruturas; das idealizações; da ausência de
integração; de definições sobre a função social da escola; da importância do
saber popular ser incorporado formalmente; das competências e do domínio
dos conteúdos básicos, bem como saberes científicos. A experiência ética no
trabalho cotidiano deverá ser instrumento de superação das desigualdades
sociais e humanas.
39
2.4 A Esperança e o Educador Social
Por esperança entendemos um sentimento de realização daquilo que
se deseja e que realmente se tenha a ciência de que é algo essencial para
desempenhar o seu papel, o seu trabalho, a sua ação pedagógica. Assevera
Gadotti (2006, p.55) : “Uma educação sem esperança não é educação.”
Uma citação de Freire (2000, p.73) elucida o pensamento acima:
A matriz da esperança é a mesma da educabilidade do ser humano:
o inacabamento de seu ser de que tornou consciente. Seria uma
agressiva contradição se, inacabado e consciente do inacabamento,
o ser humano não se inserisse num permanente processo de
esperançosa busca.
O educador poderá ficar preso às limitações, devido à ideologia que
nos cerca, a desesperança, o descrédito de que somos capazes de
transformar. E esse é atualmente um grande desafio da esperança na prática
educativa. O educador poderá por meio da percepção da realidade articular a
educação a uma prática política. Há uma passagem em Gadotti, (2006, p.55):
A cidade violenta e insustentável deixa-nos em um clima de medo e
falta de esperança. Nossa força como educadores e educadoras é
limitada. Nossas escolas são também produto da sociedade.
Contudo, a esperança, para o professor e para professora, não é
algo vazio, de quem espera acontecer. Ao contrário, a esperança,
para os professores, encontra sentido na sua própria missão, a de
transformar pessoas, dar nova forma às pessoas de alimentar, por
sua vez a esperança delas para que consigam construir uma
realidade diferente, um mundo novo. Uma educação sem esperança
não é educação.
Embora nos deparamos constantemente com princípios no qual está
embasado o neoliberalismo: o individualismo, em que as desigualdades são
naturalmente instituídas. Todos poderão agir por si, o que ocasiona um efeito
social perverso, vai desestimulando, desesperançando os educadores, a
educação pode ser envolta na esperança, ao invés de oprimir, libertar, ela
pode se opor ao sistema e superar a realidade anterior, ter como princípio a
igualdade e a solidariedade.
40
Outra compreensão da importância da esperança se dá em Freire
(1996, p.72):
A esperança é um condimento indispensável à experiência histórica.
Sem ela não haveria História, mas puro determinismo. Só há
História onde há tempo problematizada e não pré–dado. A
inexorabilidade do futuro é a negação da História.
O educador delimitará suas ações através da história, respeitando todo
um contexto, seja ele, familiar, social, no qual se encontra inserido o
educando. Não averigua somente um planejamento, uma ação pedagógica
prática, pensando em alternativas para transmissão de conteúdo, como na
escola bancária, mas sim como um ser histórico, um ser que é possuidor de
um legado particular, a sua vivência, a história da sua existência, da sua vida.
São apropriadas as palavras de Tuckmantel (2002, p. 84):
Concomitantemente, devem trabalhar na criação das condições que
dêem aos estudantes a oportunidade de se tornarem cidadãos que
possuem conhecimento e coragem para lutar, a fim de que o ceticismo
não convença e a esperança seja viável. Apesar de se tratar de uma
tarefa difícil aos educadores, esta é uma luta que vale a pena travar.
Proceder de outra forma é negar tanto aos educadores quanto aos
futuros educadores a possibilidade de assumirem o seu papel de
intelectuais transformadores.
A esperança está atrelada à transformação social, indo além de um
provável sentimento de uma possível realização daquilo que se deseja,
daquilo que se quer. Segundo Gadotti (2003,p.70):
A esperança, para o professor, a professora, não é algo vazio, de
quem espera acontecer. Ao contrário, a esperança para o professor
encontra sentido na sua própria profissão, a de transformar as
pessoas, a de construir pessoas, e alimentar, por sua vez, a
esperança delas para que consigam, por sua vez, construir uma
realidade diferente, mais humana, menos feia e malvada.
Ela é um valor agregador na luta do dia a dia do educador, em busca
de elevar a sua condição, elevando a condição do outro. Seria como se a
esperança fosse um combustível para o educador e, conseqüentemente, uma
motivação para o educando.
41
2.5 A Afetividade e o Educador Social
A questão da afetividade é muito importante para o êxito do educador. Um
exemplo pode ser identificado por meio do Sistema Preventivo de Dom Bosco
é uma ação pedagógica, uma maneira e perspectiva nova para se educar,
onde se valoriza a experiência associativa, comunitária.
O Sistema Preventivo requer: ambiente de relações fraternas e
amigáveis, espaço afetivo e efetivo de participação, local onde o jovem possa
crescer de maneira humana, solidário, amigo e amoroso com outros jovens e
com o educador. A Educação, ainda segundo Dom Bosco acontece na
relação, presença, diálogo, no encontro com o outro.
Uma contribuição importante em relação à educação preventiva é a de
Dom Bosco, em que o sistema preventivo não é um livro ou um tratado de
pedagogia, mas uma práxis conseguida que pode tornar-se modelo e
inspiração para quantos hoje estão preocupados em usar a "memória" de uma
experiência, capaz de dialogar com as mutáveis situações da condição
juvenil.
Sua ação pode ter o respaldo pelo que Dom Bosco denominou:
“amorevolezza”. Este termo indica um grupo de pequenas virtudes
relacionadas ao comportamento da pessoa, demonstrado por palavras,
gestos, atitudes, sentimentos de amor, de agradecimento e de cordial
disponibilidade. (Caro, 2004 p.52)
Seria uma atitude inerente ao educador, aos seus mais caros valores,
conduzindo a educação de modo amigável, dialogal, envolvente num
relacionamento estreito e afetuoso, independente do nível social, da raça, do
credo. Segundo Vecchi (2001, p.23): “a educação é uma questão de coração”.
“É preciso demonstrar o afeto de maneira que o jovem o perceba.”
42
Para tanto o educador deverá ser capaz de compreender a realidade e
antes de tudo, perguntar para depois ouvir, saber escutar é essencial,
mergulhar na realidade do educando e neste mergulho, emergir e analisar o
que está ao seu redor. Ser detentor de sensibilidade e amorosidade.
“Compreender a humanidade do ser humano e a relação entre humanidade e
educação é premissa fundamental para compreender a educação social”.
(Arola, 2004 p.23).
Isso seria ver apenas uma pequena parte de toda uma realidade. Não
pode haver o reducionismo na educação, pois ela é: global, social, humana e
se dá ao longo de toda nossa existência.
O que vemos atualmente é uma escola que adota certa resistência aos
conflitos e problemas sociais dos alunos. Ela poderia ser mediadora da
comunicação entre aluno/escola/mundo. “Em certo sentido, pensamos nós, a
educação social nasceu para completar objetivos educativos não assumidos
pela escola”. (Romans 2003, p.125).
Existem determinados conflitos, seja de cunho emocional, de
convivência,
psicológico,
que
a
escola
formal,
com
um
educador
despreparado, não é capaz de administrar. É necessário um educador
comprometido em construir coletivamente, na diversidade das condições
permitindo que aos indivíduos expressarem suas mais diversas capacidades,
sem opressão. Há uma passagem em Boff (1996, p.52) que assevera esta
idéia:
Hoje estamos entrando em um novo paradigma, isto quer dizer que
está emergindo uma nova forma de comunicação dialogal com a
totalidade dos seres humanos e suas relações. Evidentemente segue
existindo o paradigma clássico das ciências com os famosos
dualismos, como a divisão do mundo entre material e espiritual, a
separação de natureza e cultura, entre ser humano e mundo, razão e
emoção, feminino e masculino (...). Mas apesar de tudo isso, devido às
crises atuais, está se desenvolvendo uma nova sensibilização para
43
com o planeta enquanto um todo. Daí surgem novos valores, novos
sonhos, novos comportamentos, assumidos por um número cada vez
mais crescente de pessoas e comunidades.
Assim como a cultura da prevenção nos faz planejar a paz e não os
conflitos, a ação do educador social é o de uma educação com
comprometimento e prevenção.
Há uma passagem em Caro (2004, p.17) que expressa muito bem o
que afirmamos:
...todo profissional, que tem como objetivo a promoção do ser humano,
deve passar a olhar, com maior atenção, a realidade atual, para
atender às situações mais imediatas da sociedade e buscar um futuro
mais promissor para a população desfavorecida.
Uma das principais premissas do sistema preventivo de Dom Bosco
baseia-se em: envolver o educando em um relacionamento de estima,
amizade, acolhimento e uma análise positiva daquilo que ele possui, do que
ele é e ainda do que pode vir a ser.
O sistema preventivo trata ainda de um fator extremamente importante
ao educador, independente do nicho social em que trabalhe ou atenda,
porque amorevolezza segundo Vecchi (2001, p.26):
diz respeito àquela capacidade inata do coração humano de responder
a estímulos atraentes e nobres... provoca no educador uma concepção
educativa que atinge o sujeito e transmite todos os conteúdos, pelo
caminho do relacionamento respeitoso e, também, amigável e
envolvente.
Ao educador faz-se mister estas atitudes, já que o ser humano é um
ator e autor da realidade porque cria e define situações. As pequenas e micro
revoluções que podemos fazer, estão presentes nas relações humanas e
podem se estabelecer através da afetividade. Neste aspecto, são precisas as
palavras de Barral, (apud Petrus 1998, p 64):
Afasta de mim esse tristíssimo pedagogo. Nós educadores , temos de
recuperar a capacidade de sorrir e temos de educar para o riso, pois rir
44
é uma coisa muito importante e séria. Kant disse, como todos sabemos,
que a faculdade estritamente humana é a capacidade de ser educado.
Contudo não é menos certo que rir é outra capacidade distintiva do
homem. Somente nós, as pessoas, somos capazes de manifestar esse
estado de ânimo que nos predispõe a estar contente, a nos mostrar
amáveis e solidários.
Rir é um ato de comunicação e, em conseqüência, resultado de um
processo educativo.
Não estamos falando aqui de prática pedagógica e, sim, atitude
pedagógica humanizada, quando um educador compreende a importância
social do seu trabalho, um trabalho envolvido, consciente, humanizado,
resultando então em transformação e é através dela que poderá perceber seu
verdadeiro papel, bem como a partir daí, fomentar sua ação.
A vocação é um fator importante, porém não seria o único, porque a
formação de consciência do indivíduo não é inata, exige atitude e o agir
através da interferência dos elementos externos e internos ao sujeito. Há uma
passagem em Gadotti (2001, p.89) sobre este argumento: “Se a educação
fosse um processo espontâneo, ”natural” e não-cultural, não haveria
necessidade, de se organizar esse processo, de sistematizá-lo.”
Pode-se afirmar que não é apenas uma tendência, uma disposição
natural que forma um educador, é preciso que o mesmo esteja disposto a
sistematizar, organizar o processo educacional, ter uma formação éticopolitico.
Seria, então, portador de uma ação revolucionária atingindo a todos os
níveis da sociedade, não apenas a um segmento. Podemos citar o seguinte
exemplo: empenhando-se mais em atingir um determinado público, podemos
citar o tratamento diferenciado a educandos de escolas particulares, o
comportamento de alguns “professores” que trabalham com muito esmero,
dedicação e afetividade. Podemos ainda citar Gomes (apud Caro, 2004, p.25):
45
...a idéia de que o educador deve colocar profundo afeto naquilo
que faz amar seus alunos, aprender com eles; criar na sala de aula
um clima de amizade e respeito, um verdadeiro ambiente
democrático, para assim se poder falar sobre a educação od
cidadão responsável. Acrescenta ainda que a maioria das pessoas,
que são marcadas, positivamente, em suas vidas pela atuação de
um educador, carregam a marca do amor, tendo-o como exemplo
de vida.
Podemos colocar que a revolução que deverá acontecer para uma
efetiva mudança na ação do educador deve considerar revolução intelectual e
moral. A consciência política deverá estar presente neste educador, pois toda
pedagogia que almeja realizar um princípio de liberdade, para formar um
indivíduo em si, isolado dos demais, sem um comprometimento sóciocomunitário, é uma abstração, não poderá definitivamente existir.
É importante acrescentar ainda, que o educando livre e liberto, não é
aquele que age arbitrariamente, isoladamente, mas sim aquele que age de
modo responsável e consciente em comunhão com seus pares.
A educação é também uma prática política e exige uma formação
política do educador, para tanto ele deverá conhecer em que mundo concreto
vivem seus alunos, a realidade deles, para atuar no mundo imediato das
necessidades e da sensibilidade dos educandos. Freire (1994, p.28) referenda
esta idéia com o seguinte pensamento:
O contexto teórico, formador, não pode jamais, como às vezes se
pensa ingenuamente, transformar-se num contexto de puro fazer. Ele
é, pelo contrário, contexto de que-fazer, de práxis, quer dizer, de
prática e de teoria.
O educador não pode ser portador de um comportamento passivo,
aprisionado em certas crenças que lhe foram embutidas, nem mesmo aceitar
ser “aquele” descrente de suas possibilidades ou até mesmo um mero
cumpridor de horários.
46
Logo, o educador quando se liberta da domesticação e das amarras de
teorias tradicionais ou até mesmo das teorias tidas como “modernas”, muitas
vezes limitadas e descabidas em determinadas comunidades, pode vir a
superar a condição passiva.
Segundo Freire (1994, p.32): não significa que a prática educativa deva
ser uma espécie de marquise sob a qual a gente espera a chuva passar. E
para passar uma chuva numa marquise não necessitamos de formação.
O educador isolado jamais pode crescer, evoluir. A comunhão com seu
educando é fundamental para que ocorra a transformação de ambos, pois, é
vendo-se no outro a quem o seu ato de educar, transforma-se pelo amor e por
amor, poderá criar a coragem de promover a mudança ética, para uma
educação libertadora, com indivíduos autônomos, livres, críticos, criadores.
A autonomia poderá proporcionar a capacidade de superação dos
pontos de vista, até mesmo de amansamento. Emerge então, um
compartilhamento de valores, estabelecendo um conjunto de metas e
estratégias que somente estarão presentes em relações cooperativas,
comunitárias. Citamos Freire (1994,p.42) que referenda esta idéia:
Ajudamo-los ou os prejudicamos nesta busca. Estamos
intrinsecamente a eles ligados no seu processo de conhecimento.
Podemos concorrer com nossa incompetência, má preparação,
irresponsabilidade, para o seu fracasso. Mas podemos, também com
nossa responsabilidade, preparo científico e gosto pelo ensino, com
nossa seriedade e testemunho de luta contra as injustiças, contribuir
para que os educandos vão se tornando presenças marcantes no
mundo.
Se almejamos uma transformação social é necessário que exista
paixão pela educação, pelo aprimoramento contínuo, pela constante
reinvenção da ação, lutas diárias e esperança constante, além do amor. De
acordo com Freire (1994, p.65):
47
É preciso, contudo que esse amor seja, na verdade, um amor armado,
um amor brigão de quem se afirma no direito ou no dever de ter o direito
de lutar, de denunciar, de anunciar. É essa a forma de amar
indispensável ao educador progressista e que precisa ser aprendida e
vivida por nós.
Entre os valores essenciais ao educador social, um dos mais
significativos é a tolerância, que para sê-lo é necessário ter respeito, disciplina
e ética pelo outro. Não podemos formar os “ninguéns’ na escola, excluí-los da
cidadania e de um tratamento digno e ético. São oportunas as belas e duras,
porém verdadeiras, palavras de Galeano (1991, p.102):
As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a
pobreza...
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos do nada...
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas
policiais da imprensa local.
Os ninguéns que custam menos que a bala que os mata.
Não podemos afirmar que vivemos em uma sociedade em condições
justas quando, segundo as Nações Unidas (1998), cerca de 40 milhões de
crianças nascem a cada ano no mundo, sem terem direito a um registro. Este
é um dos maiores desafios do nosso tempo dessa sociedade.
Conforme Barbosa, (2002, p.138): A razão precisa de um outro amor.
Precisa do encantamento. Para educar pessoas, é preciso mais que idéias. É
preciso encantamento. Sem encantamento, as idéias não se convertem não
se transformam não se tornam carne e sangue do vivido.
Qual a importância deste Educador Social e que contribuições ele trará
para a educação brasileira ? Em particular para as escolas de periferia ?
48
3 – PERSPECTIVAS DE ATUAÇÃO DO EDUCADOR SOCIAL
A relevância do Educador Social e sua atuação nas escolas periféricas,
esta no comprometimento, num envolvimento com maior empenho, em
síntese é o profissional que pensa, oferece, analisa, avalia, procurando
resolver as tensões que venham ao encontro das necessidades, interesses e
problemas dos sujeitos em uma dada realidade. Esta atitude é vital para que
estabeleça as relações para além da dominação histórica. Petrus (1998, p.60)
assevera:
A educação é global, é social e acontece ao longo de toda a vida. Se
o objetivo da educação é capacitar para viver em sociedade e se
comunicar, é preciso admitir que, em algumas ocasiões, a escola
adota certa atitute de reserva frente aos conflitos e problemas sociais
dos alunos.
O processo que ocorre na educação não formal vem embasado que se
denomina ”Educação Social”, que por referência é conteúdo da Pedagogia
Social. Há uma passagem em Trilla (2003, p.16) que nos elucida:
A Educação Social é o resultado ou produto do processo, denota
aquele campo da realidade educativa que, em relação ao
desenvolvimento, necessariamente se difundiu e se diferenciou como
um sistema de ajudas sociais que se tornaram necessárias nas áreas
de conflito da sociedade é a “pedagogia da necessidade”.
Vivemos em uma sociedade democrática. A educação social pressupõe
cultivar a capacidade dos futuros cidadãos, para pensar por si mesmos, para
poder mais tarde deliberar, julgar, discorrer sobre as bases de suas próprias
reflexões, seus conflitos.
Alguns dos princípios da educação social revelam uma educação
emancipadora, assumindo o compromisso com os objetivos e valores
educativos relacionados com o desenvolvimento da autonomia, e, que numa
49
perspectiva histórica, necessitam de um constante repensar. Segundo Petrus
(1998, p.59):
A Educação Social está obrigada a iniciar toda ação a partir do
pressuposto: o respeito pela cultura de origem do cidadão. Se
queremos frear a atual tendência da desigualdade e da polarização
social, pensamos que somente cabe uma estratégia: as políticas
públicas. E dentro delas, acreditamos, a Educação Social terá a
cada dia um papel mais importante, principalmente se for capaz de
detectar corretamente as necessidades de todos aqueles que se
vêem obrigados a construir uma nova “identidade”.
O enfoque pedagógico crítico entra em cena através do discurso e da
prática pedagógica, como expoente de um potencial emancipador da
educação social, em especial dos educandos. Sem, todavia, diluir-se num
otimismo pedagógico ingênuo, que permite que a educação tenha um papel
que transcende a mera socialização mecânica dos indivíduos, sem nenhum
compromisso pessoal e ético. São convincentes as palavras de Romans
(2003, p.166);
[...] queremos dizer que o trabalho do Educador Social não consiste
em fazer o trabalho em que os usuários e as usuárias devem fazer,
mas que devem saber ensinar o que estas pessoas têm de
aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a ser, já que é na
interação que se dá o trabalho educativo transformador.
O fundamento da ação do educador social está na utopia, dentro de
uma educação popular libertadora, uma pedagogia não preocupada
unicamente com a cultura individual, nem em modelar o seu comportamento
para viver numa sociedade capitalista.
Ao contrário, a proposta pedagógica libertadora se faz a partir dos
problemas enfrentados pelo educando no seu cotidiano, de modo a ter uma
prática transformadora da realidade que o cerca, isto é, aprender a ler as
desigualdades do capitalismo, colocando como eixo central à relação
educação-política.
50
A utopia é um instrumento para descobrirmos a realidade concreta e
propulsora para a ação transformadora e que ela, em si, vai buscar abarcar as
inquietudes e insatisfações do homem. Por Utopia entendemos: “a Utopia é
uma imagem de perfeição social, um instrumento de descoberta da realidade
concreta e um móvel para a ação transformadora” (Santiago, 1998, p.36).
Rompe assim com a hegemonia, se desvencilha dela, busca seu
autêntico mundo, o seu verdadeiro desejo de mudança da situação. De
acordo com McLAREN (2006, p.52):
E, quando Freire fala de lutar para construir uma utopia , ele está
falando de uma utopia concreta em oposição a uma utopia abstrata,
uma utopia baseada no presente, sempre operando “ a partir da tensão
entre a denúncia de um presente que se torna cada vez mais
intolerável, e a anunciação, anúncio, de um futuro a ser criado,
construído, política, estética e éticamente[...] As utopias estão sempre
em movimento, nunca são predeterminadas, nunca existem como
moldes que só garantiriam a repetição mecânica do presente, antes
existindo em meio ao movimento da própria história, como oportunidade
e não como determinismo.
Nesse sentido, destacamos que o fundamento da ação do Educador
Social está na utopia de desvelar a realidade concreta e nela desempenhar
ações transformadoras, motivado pelas inquietudes e insatisfações do homem
e tendo em vista romper com as relações de poder vigentes. Neste sentido
são apropriadas as palavras de Santiago (1998, p. 43):
As utopias pertencem à intimidade mais profunda do homem e
ninguém pode arrebatar. A utopia combate a falta de liberdade, na
medida em que se faz “topia”, ou seja, realiza-se, começa então a
luta pela liberdade e a humanização. Quer viver a profundidade
humana.
Cabe ao educador social, assumir novas competências sociais, bem
como uma postura definida, engajada em relação ao cidadão brasileiro, cuja
identidade
encontra-se
imbricada
ao
processo
de
aculturação
e
amansamento. O intercâmbio de características culturais entre conquistadores
e conquistados deu origem a uma pseudocultura da educação que sempre foi
51
política, o que necessitamos é ter clareza do projeto político que ela defende
politizando-a.
3.1 A Importância do ser Educador Social
O desafio do educador social está em espaços comunitários em que a
educação, uma vez social, possa ser alcançada pelas classes populares e ser
colocada a serviço dela.
A intervenção do educador social visa o desenvolvimento integral do
ser humano com qualidade, igualdade e consciência ético-política.
O educador social é politizado, consciente de suas responsabilidades
sociais, comprometido racionalmente, e recusa-se a ser manipulado. São
apropriadas as palavras de Romans (2003, p.133)... “uma Educação Social
favorecedora do crescimento integral do indivíduo e do pleno desenvolvimento
da comunidade estaria falando de educadores transformadores da realidade
social, sujeitos ativos e reflexivos.”
O que caracteriza o educador social, além da sua posição político
pedagógica, é o comprometimento com os segmentos sociais mais
desfavorecidos; sensibilidade social, atitudes voluntaristas, de resiliência,
resignação-ação solidária e militância social comunitária. De acordo com
Santiago (1998, p.68): “Quanto à educação comunitária, é a organização de
ensino pela base a ligação entre instrução e organização sociopolítica dos
pobres. Aprender na comunidade com ela e para ela significa usar a história
de sua própria região.”
Cabe ainda ao educador social, ser o portador de uma ação
pedagógica que leva a um engajamento social e político, percebedor das reais
possibilidades da ação social e cultural, na luta pela transformação das
52
estruturas opressivas da sociedade excludente. Segundo Romans (2003,
p.131):
Se entendermos que a Educação Social não deve ser uma mera e
inconstante colaboradora de uma clonagem dos valores que uma
sociedade consumista, individualista e alheia aos problemas dos
demais nos que impor, mas a promotora de alternativas que
permitam, através do trabalho conjunto e solidário, a realização de
melhorias tanto em processos individuais como comunitários,
teremos de pensar em um estilo de educador impulsionador de
mudança social.
A ação do Educador Social tem subsídio valioso para a compreensão
da realidade educacional latino-americana, dentro de uma sociedade fechada
à compreensão do papel do trabalhador social. O que o Educador Social
compromissado busca é uma sociedade diferente, isto é, uma sociedade
aberta a todas as classes, sem distinção e buscando a valorização humana e
cultural dos indivíduos. Segundo Barbosa (2002, p.148):
Não basta educar a inteligência. É preciso educar a sensibilidade.
[...] Para que crimes contra a humanidade e contra a vida no planeta
sejam inviáveis, é preciso também educar as emoções. É preciso
uma conversão ética. Sabemos que não basta informar. Não basta
o pensar. É preciso reconhecer o outro, respeitar a sua diferença,
admirar sua singularidade. Reconhecer nele o direito à existência, à
voz, ao pensar, ao aprender. Reconhecer que temos sofrimentos e
sonhos, signos e sangue em comum. Unidade na diversidade.
Unidade da diversidade. Para a educação dos sentimentos e para a
conversão à ética de reverência pela vida, é necessário o
pensamento simbólico, a linguagem simbólica.
Portanto a importância do Educador Social está em uma prática
politizada e consciente de suas responsabilidades sociais, além de um
compromisso racional e emocional com seus educandos, capaz de agir e
refletir, com uma ação pedagógica embasada na ética, respeito à dignidade e
autonomia do educando.
3.2 A Importância do Educador Social como Intelectual Transformador
53
Ao citarmos intelectuais necessitamos esclarecer de onde parte a
importância deste para o presente estudo. Aos intelectuais cabe a tarefa de
conduzir às massas a filosofia da práxis.
Podemos citar também uma passagem em Gadotti (2001, p. 26) que
coloca de modo particular, em que momento educador torna-se o intelectual
orgânico:
O intelectual orgânico do proletariado, cujo advento passa pela”
autodestruição” do velho intelectual. Ele não procura mostrar a
“superioridade” dos intelectuais em relação aos “simplórios” . Seu
esforço está na elaboração de uma nova concepção intelectual:”todos
os homens são intelectuais,(...)mas na sociedade nem todos têm uma
função intelectual”. São intelectuais porque independentemente de sua
atividade intelectual, adota uma visão do mundo, uma linha de conduta
deliberada e contribui, portanto, para defender e fazer prevalecer uma
certa visão de mundo para produzir novas maneiras de pensar.
A transformação pode vir a ser através da formação de uma camada de
intelectuais, que representa a união entre teoria e prática. Segundo Gramsci
(1989, p.27) sobre os intelectuais orgânicos:
Disto se deduzem determinadas necessidades para todo o
movimento cultural que pretende substituir o senso comum e as
velhas concepções do mundo em geral, a saber: 1) não se cansar
jamais de repetir os próprios argumentos (variando literalmente a
sua forma): a repetição é o meio didático mais eficaz para agir sobre
a mentalidade popular; 2)trabalhar incessantemente para elevar
intelectualmente camadas populares cada vez mais vastas, isto é,
para dar personalidade ao amorfo elemento de massa, o que
significa trabalhar na criação de intelectuais de novo tipo, que
surjam diretamente da massa e que permaneçam em contato com
ele para tornarem-se os seus sustentáculos. Esta segunda
necessidade, quando satisfeita, é a que realmente modifica o
“panorama ideológico” de uma época.
Para ele, todo homem é um intelectual, um filósofo transformador ou
reprodutor da totalidade, e que deve ser analisado no conjunto da classe
social a qual faz parte ou tenha vindo. A prática pedagógica, para que se
apresente como ação transformadora, precisa estar articulada a uma teoria.
Os educadores sociais, na busca da construção de uma identidade,
precisam refletir os antagonismos do sistema educacional, elaborando
54
discussões, elegendo práticas que espelhem os conflitos dia a dia. Faz-se
necessário promover a construção de uma identidade docente, como
categoria envolvida num movimento social organizado, ligado aos interesses
da população e elaborando um projeto político–pedagógico que viabilize o que
a escola necessita.
Para tanto, este projeto necessariamente tem que trazer em si: a
defesa da escola pública, gratuita e de boa qualidade, onde as verbas
públicas se destinem exclusivamente às escolas públicas, de maneira a
viabilizar a democratização da escola e a melhoria da educação.
Esta é a função intelectual transformadora do educador social, visto
que os intelectuais se constituem em um processo e se vinculam a diferentes
classes. Portelli (1977, p.31) “(...) Não existe uma classe independente de
intelectuais, mas cada grupo social possui sua própria camada de intelectuais,
ou tende a formá-la.” O educador da escola pública brasileira, que abriga a
ampla
maioria
dos
segmentos
desprivilegiados,
precisa
adquirir
a
compreensão de sua função organizadora como um intelectual transformador,
comprometido com as classes populares.
Para que este professor possa cumprir o seu papel de intelectual,
comprometido com a transformação social uma tarefa se impõe: que se
realize uma interpretação da história e da sociedade de acordo com a visão
de mundo das classes populares, a fim de que essa se trabalhe,
incessantemente, para elevar intelectualmente as camadas populares, cada
vez mais vastas.
Segundo Tuckmantel (2002, p. 81):
55
Uma massa humana ou uma classe social não pode adquirir
autoconsciência crítica sem gerar seus intelectuais; a classe dos
professores para desenvolvê-la precisa criar e desenvolver os seus
próprios intelectuais. O trabalho intelectual do professor, tanto
através da educação de consciências, produzido pela ação
pedagógica, como através da sua ação como cidadão, produz um
trabalho prático de transformação na estrutura da escola, que por
sua vez se articula à transformação mais ampla da sociedade em
que vive.
O educador que trabalha nas escolas desprivilegiadas, com uma ação
pedagógica consciente, envolvendo questões como a ética, a esperança a
afetividade, com a preocupação da formação cidadã desses educandos, pode
ser ou é considerado um Educador Social.
De acordo com Gadotti (2003, p.39):
Para o educador não basta ser reflexivo. É preciso que ele dê
sentido à reflexão. A reflexão é meio, é instrumento para a melhoria
do que é específico de sua profissão que é construir sentido,
impregnar de sentido cada ato da vida cotidiana [...] a reflexão deve,
portanto, ser crítica.
Vivemos em uma sociedade que assevera a desigualdade social,
podemos construir uma escola alternativa para os desfavorecidos, com
educação integral, mediadora de significados para a vida. Segundo Freire, a
reflexão crítica sobre a prática (1996, p.38):
[...] é fundamental que, na prática da formação docente, o aprendiz
de educador assuma que o indispensável pensar certo não é
presente dos deuses nem se acha nos guias de professores que
iluminados intelectuais escrevem desde o centro do poder, mas,
pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser
produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor
formador.
Sob esse enfoque, é necessário que o trabalho difusor de
conhecimento seja redimensionado e se legitime pela autenticidade de seus
vínculos com o social. As transformações que decorrem do trabalho prático do
educador
qualitativas.
social
podem
desenvolver
mudanças
político-econômicas
56
Para que isso venha a ocorrer, ele precisa comprometer-se em colocar
seu trabalho a serviço da transformação da realidade. Nesse contexto, o
trabalho intelectual deixa de se apresentar como “privilégio”, como atividade
de
pensamento
descomprometida,
para
se
tornar
um
trabalho
de
responsabilidade social, daqueles que o exercem para a comunidade. Afirma
Gadotti (2003, p.32):
Em síntese, a nova formação do professor deve estar centrada na
escola sem ser unicamente escolar, sobre as práticas escolares dos
professores, desenvolver na prática um paradigma colaborativo e
cooperativo entre os profissionais da educação. A nova formação do
professor deve basear-se no diálogo e visar à redefinição de suas
funções e papéis, à redefinição do sistema de ensino e à construção
continuada do projeto político-pedagógica da escola. O próprio
professor precisa construir também o seu projeto políticopedagógico.
O Educador Social atuante nesta transformação precisa ter um
posicionamento político, revelar a importância da ação, articulada às relações
sociais, resultantes do seu envolvimento, atento as necessidades, colocando
a educação como um instrumento de luta. Nesta relação o coletivo, o
comunitário deve predominar sobre o individual. Marakenko (apud Rossi,
1981, p14): “Desde seu despertar político, o educador compreendeu a
importância da ação prática..., a dialética necessária entre a compreensão
crítica da realidade e sua transformação revolucionária pela ação dos
homens”.
3.3 A Importância do Educador Social nas Escolas de Periferia
O educador pode libertar-se de certos domínios tecnicistas por meio de
uma formação numa perspectiva mais ampla, crítica, que encaminhe a uma
pedagogia da consciência relacionada com a ética da solidariedade, de uma
educação para a humanização do homem. Freire, (1996, p.38) afirma que: “É
57
pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a
próxima prática”.
A relação que envolve educadores e educandos pode ser ampliada, por
meio da participação, do compromisso ético, da comunidade escolar, para
além da própria escola. Educadores podem tornar-se líderes e causar
mudanças iniciadas na escola e, posteriormente, na comunidade local. Desta
forma são construídas alianças sociais, diminuindo as desigualdades.
Tuckmantel (2002, p.149) assevera esta idéia:
A categoria de intelectual transformador é necessária porque possui
uma forma de trabalho do pensamento intimamente não relacionado
com a ação, e assim, oferece a possibilidade de uma contra-ideologia
face às pedagogias que separam concepção de execução e ignora as
experiências e a subjetividade que forma o comportamento tanto dos
professores quanto dos alunos.
Debates, embates devem ocorrer para uma superação da qualidade da
atividade do professor, dentro da escola pública de periferia, buscando uma
emancipação, desenvolver não apenas um discurso, mas também uma
prática, que possibilite uma leitura crítica do mundo.
Esta é uma das transformações possíveis aos educadores sociais, de
modo que eles se reconhecem capazes de promover mudanças. São
convincentes as palavras de Giroux (apud Tuckmantel 2002, p.150):
[...] devem trabalhar na criação das condições que dêem aos estudantes
a oportunidade de se tornarem cidadãos que possuem conhecimento e
coragem para lutar, a fim de que o ceticismo não convença e a
esperança seja viável. Apesar de se tratar de uma tarefa difícil aos
educadores, esta é uma luta que vale a pena travar.
Proceder de outra forma é negar tanto aos educadores quanto aos
futuros educadores a possibilidade de assumirem o seu papel de
intelectuais transformadores.
Para se tornar um educador social faz-se necessário uma práxis
relacionada diretamente à ação, o agir, sobretudo, de modo concreto, para
transformar a realidade, sendo um militante a partir de sua prática cotidiana,
58
de sua experiência e na sua luta, tendo uma atuação, bem como uma
consciência política, social e humana.
Esta práxis do educador social possibilita entender a vida concreta,
porque todo o sujeito é um ser de práxis, porém, para ela se tornar um
instrumento de compreensão do mundo e do homem por meio da sua história,
faz-se necessário ainda a compreensão da realidade concreta; sempre de
modo dialógico, elevando a educação a um fascínio vital, porque não visceral.
Recorro aqui a uma passagem em Assmann (apud Jardilino 2005, p. 84):
A educação se transformou na tarefa social emancipatória mais
significativa [...] para crescermos na atividadede inovar formas e
maneiras de educar, saibam juntar as competências sociais requeridas
pelas atividades profissionais mais variadas e as novas atividades que
inventarmos com a sensibilidade social necessária para a construção de
um mundo, no qual caibam todos. Vamos estar refletindo (sic) juntos
sobre o sonho de unir formação de profissionais competentes com a
sensibilidade ética de seres solidários [...] seres humanos que entendam
que a felicidade dos outros faz parte de sua própria felicidade.
A sensibilidade solidária, segundo o autor, motiva um otimismo
pedagógico, criando possibilidade de uma prática envolta na sensibilidade
ética, resgatando o professor como sujeito de transformação.
Buscando reaproximar o processo de ensino-aprendizagem com a
própria vida, significa reencantar a educação. Basicamente é isso que
fundamenta a função do educador social, bem como sua importância, para o
resgate da auto-estima, um trabalho envolvido junto às camadas carentes
que, no dia-a-dia são impedidos de ter acesso a uma educação plena,
referentes à formação integral, ética.
O educador social tem o compromisso de fazer a diferença entre os
diferentes, excluídos, aqueles que estão à margem e que são ignorados,
tornando-se invisíveis, impossíveis e incapazes em nossa sociedade.
Segundo Caro (2004, p. 92): “Quem educa deve possuir qualidades que
59
permitam a fluência da educação, independente de conhecimentos adquiridos
na academia. Dentre essas qualidades, estão os seguintes constructos: a
auto-estima, a empatia e a resiliência.”
Ao pensar a relação do educador/educando, são fundamentais as
palavras da autora, pois o educador social, para trabalhar na periferia, precisa
ser desprovido de preconceito, aceitando os seus educandos como eles são,
respeitando
as
diferenças,
limitações,
buscando
envolver-se
com
a
comunidade.
No tocante à resiliência, no educador social, é a capacidade de
superação perante as adversidades, frente a questões estressantes e
conflitantes, seria a capacidade diária deste educador regenerar-se, reciclar o
ânimo no seu cotidiano. De acordo com Caro (2004, p.95):
Os educadores com formação em educação social possuem uma
visão mais ampla de atuação, sentindo-se transformadores da
realidade, e assumem maiores responsabilidades com a questão
social. Nas suas ações, buscam pelos meios concretos de mudança
de vida de seu educando, tendo como objetivo a construção de uma
nova sociedade.
Portanto, reforçaremos a necessidade do trabalho coletivo quando
falamos aqui de um educador consciente e transformador. É nestas pessoas
que pensamos e em proporções ainda maiores para que se torne evidente o
quanto é importante à transformação de seus pensamentos e atitudes, eis que
surge o germe da superação como nos mostra Mazzilli (1995, p.120):
É justamente no seio dessas contradições que estão os germes de sua
própria superação: cada conflito traz, em si mesmo, a sua negação. E
é assim que a escola, como organismo vivo, pode se superar a partir
dos próprios conflitos que gera no seu cotidiano. Tanto os problemas
como as possíveis saídas para a crise da escola estão
indissoluvelmente, relacionados à realidade vivida pela sociedade
como um todo.
60
Podemos afirmar que a tarefa dos educadores sociais, na periferia,
seria a de se tornar instrumento para conduzir seus educandos, possibilitando
uma elevação cultural, além de uma emancipação social, principalmente das
camadas mais pobres da população. Segundo Fernandes (1991, p.29): “Um
povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego como as
que temos”.
A escola de qualidade, segundo o autor citado, não seria aquela que
tornaria a humanidade liberta, mas um instrumento fundamental para a
emancipação dos trabalhadores, educandos, enfim todos os cidadãos
brasileiros.
Ainda segundo Fernandes (1991, p.29): “na sala de aula, o professor
precisa ser um cidadão e um ser humano rebelde”.
Insistimos na importância de uma consciência e de uma postura política
do educador social, na busca pela superação da atual condição dos
educandos/educadores, a fim de se engajar na luta, tendo em vista a busca
da transformação da sociedade frente às desigualdades sociais. De acordo
com Freire (2003, p. 65):
Em torno de como, fazendo educação numa perspectiva crítica,
progressista, nos obrigamos, por coerência, a engendrar, a
estimular, a favorecer, na própria prática educativa, o exercício do
direito à participação por parte de quem esteja direta ou
indiretamente ligado ao fazer educativo.
Ainda segundo o pensamento de Fernandes (1991, p.29), o educador
não pode ser um simples transmissor do saber, o que não apenas o fragiliza
na relação com o educando, pois o aprendizado, a sua relação com o
educadondo construir-se-à juntamente com a escola/comunidade.
Uma das funções relevantes da escola é poder se tornar uma
instituição transformadora, desfazendo-se do autoritarismo, da hierarquização
61
e das práticas de servidão e amansamento no ensino. São apropriadas as
palavras de Caro (2004, p. 96):
O perfil profissional e as competências que os educadores sociais
necessitam vêm se definindo à medida que vão se clareando as
suas funções, por meio de estudos sobre o tema e da reflexão
sobre a prática diária que realizam. A responsabilidade da academia
de oferecer formação a esse profissional é tão importante quanto o
seu compromisso com a comunidade.
Esses educadores estão próximos dos maiores problemas sociais e,
em suas experiências, podem estar as soluções significativas para o
planejamento das políticas públicas e para uma sociedade mais
justa e igualitária.
Trabalhar com a promoção humana, no caso, com os alunos de
classes desfavorecidas, é um trabalho diário, denso e envolvente; que exige
muito do docente, por isso é necessário uma consciência crítica, uma
formação concreta, condizente com a realidade em questão. Segundo Freire
(1996, p.144):
Não sendo superior nem inferior a outra prática profissional, a minha ,
que é a prática docente, exige de mim um alto nível de
responsabilidade ética de que a minha própria capacitação científica
faz parte. É que lido com gente. Lido, por isso mesmo,
independentemente do discurso ideológico negador dos sonhos e
das utopias, com os sonhos, as esperanças tímidas, às vezes, mas
às vezes, fortes, dos educandos. Se não posso, de um lado,
estimular os sonhos impossíveis, não devo, de outro, negar a quem
sonha o direito de sonhar.
Não podemos esquecer que a nossa função é educar e não podemos
ficar indiferentes ao sofrimento, pois a função do educador social certamente
vai além da sala de aula, por uma prática consciente. Segundo Gadotti (2003,
p.55):
O novo professor é também o profissional do encantamento. Num
mundo de desencantamento e de agressividade crescentes, o novo
professor tem um papel biófilo. É um promotor da vida, do bem
viver, educa para a paz e para a sustentabilidade [...] o novo
profissional da educação é também um profissional que domina a
arte de reencantar, de despertar nas pessoas a capacidade de
engajar-se e mudar.
Vimos até aqui as perspectivas e possibilidades da educação social,
sua importância, características importantes do educador social como, por
62
exemplo, ética, cidadania, esperança, práxis e a afetividade, além da sua
função como profissional transformador e a relevância da sua atuação nas
escolas de periferia. A partir do exposto, analisaremos, no próximo capítulo, a
relevância deste profissional nas escolas de periferia.
63
4- UM ESTUDO NAS ESCOLAS DE PERIFERIA DE SANTA BÁRBARA
D’OESTE.
4.1 Caracterização dos Participantes da Pesquisa
O estudo foi direcionado a um grupo de 76 professores, não
educadores sociais, das séries iniciais, de dez escolas públicas da Prefeitura
de Santa Bárbara d’Oeste - São Paulo do Ensino Fundamental, localizadas
em bairros periféricos do município composto por uma população de
trabalhadores assalariados e da economia informal de baixo poder aquisitivo.
Tabela 1 - Caracterização dos Participantes
Sexo
Quantidade
%
Feminino
71
93,42
Masculino
5
6,58
TOTAL
76
100
Podemos perceber que no universo analisado a maioria é feminina
93,42% sendo os homens a minoria, 6,58%.
Tabela 2 - Idade dos Participantes
Idade
Quantidade
%
25-30 anos
33
43,42
30-40 anos
25
32,90
40-50 anos
18
23,68
TOTAL
76
100
64
No que se refere à faixa etária, podemos observar que a maioria
43,42% está entre 25 a 30 anos, 32,90% entre 30 a 40 anos, e por último
23,68% na faixa etária de 40 a 50 anos. Podemos verificar que os professores
que atuam na periferia da cidade de Santa Bárbara d’Oeste são
razoavelmente jovens e que na sua maioria acabou de ingressar no quadro de
funcionários. Geralmente os professores mais antigos, devido ao tempo de
trabalho, encontram-se em escolas próximas de suas residências, mais ao
centro da cidade.
Tabela 3 - Tempo de Atuação
Tempo de
Quantidade
%
5 a 20 anos
58
76,32
20 a 25 anos
18
23,68
TOTAL
76
100
atuação
O tempo de atuação na educação reflete o perfil dos inquiridos no
sentido que sendo a maioria jovem, logo, o tempo de trabalho também é
menor.
Tabela 4 - Formação dos Participantes
Formação
Pedagogia
Normal Superior
Pós-graduadas
Letras
Matemática
Direito
TOTAL
Quantidade
39
14
10
9
3
1
76
%
51,32
18,42
13,15
11,84
3,95
1,32
100
Quanto à formação acadêmica, a grande maioria 51,32% é formada em
Pedagogia, 18,42% em Normal Superior, são as docentes mais antigas que
fizeram este curso para adequar-se a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases, ao
65
plano decenal de educação). 11,84% são as formadas em Letras. Docentes
pós- graduadas são apenas 13,15%. Encontramos ainda profissionais
formadas em Matemática e Direito.
4.2 Procedimento
Foram utilizados na presente pesquisa questionários semi-estruturados
(Anexo I), com espaço destinado à redação das respostas e justificativas
pertinentes, contendo 10 questões, buscando identificar o perfil do educador
da periferia, sua formação, sua ação e o seu comprometimento com a práxis,
ética, cidadania, afetividade e esperança.
A aplicação dos questionários semi-estruturados (Anexo I), com espaço
para a redação das respostas e justificativas pertinentes, foi respondida nos
horários de trabalho de desenvolvimento coletivo (HTDC), no interior das
instituições da periferia.
4.3 Sobre os Dados Coletados
Por meio dos dados aqui apresentados, pretendemos observar a
importância e relevância do trabalho do educador social frente à periferia, com
a população excluída.
Como foi apontado anteriormente, o estudo estará direcionado ao grupo
de professores das séries iniciais, de dez escolas públicas de Ensino
Fundamental, localizadas em bairros periféricos da cidade do município de
Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo (Anexo II).
A análise foi quantitativa. Houve uma análise e posteriormente uma
categorização das respostas.
66
Utilizamos o depoimento daqueles que atuam no Ensino Fundamental
dessas escolas de periferia, os mesmos compõem 20% da população de
docentes do município de Santa Bárbara d’Oeste.
Nossa análise, porém tenta ir além, não se restringe apenas ao aspecto
quantitativo, ler nas entrelinhas, interpretar através do sentir, uma vez que o
educador faz parte do próprio objeto de pesquisa, que torna o trabalho mais
humano, social.
Segundo nos elucida Novaski (2006, p.34): “o compromisso do
pesquisador é o de não adotar uma postura dogmática diante do fenômeno
mais escorregadio que existe: o humano.”
Pretendemos definir os perfis e a provável utilização do conhecimento
desta realidade, contribuir na transformação da situação, delineando um ideal,
reciclando idéias, atitudes sensatas, próprias de um professor comprometido
com sua práxis.
O centro da pesquisa são as relações, envolvimento que os
educadores estabelecem com a sua prática e com seus educandos revelados
pelas
respostas
destes
educadores
ao
questionário.
Tratamos
da
caracterização da formação, compromisso dos docentes em suas relações
sociais de trabalho.
Segundo Freire (1986, p.2) ao receber o Prêmio Educação para a Paz
da UNESCO:
De anônimas gentes, sofridas gentes, exploradas gentes aprendi
sobretudo que a paz é fundamental, indispensável, mas que a paz
implica lutar por ela. A paz se cria, se constrói na e pela superação
de realidades sociais perversas. A paz se cria, se constrói na
construção incessante da justiça social. Por isso, não creio em
nenhum esforço chamado de educação para a paz que, em lugar de
desvelar o mundo das injustiças, o torna opaco e tentam miopisar
as suas vítimas.
67
É preciso criar condições externas, adequadas ao desenvolvimento do
educando, avaliar e aperfeiçoar as práticas relacioná-las a um mundo
possível, numa atitude de cooperação com os que estão ao nosso lado, para
então constituir estruturas sociais adequadas.
Conseguir apreender o fenômeno estudado em seu processo traz em si
uma tentativa de elaborar um pensamento crítico e autocrítico na realidade
das escolas de periferia do município de Santa Bárbara d’Oeste.
O método torna-se relevante para respondermos a questão, sobre a
relevância do educador social nas escolas de periferia, estudo articulado aos
interesses dessa população em questão e aponta para uma tentativa de
construção de uma reflexão, buscando a superação da atual condição dos
educandos mediante a conscientização do educador.
A observação foi empregada nos diversos eventos relacionados às
atividades pedagógicas, atuação da pesquisadora nas escolas escolhidas
para o estudo por pertencerem à periferia da cidade.
Trabalhando na função de professora substituta, cargo esse que tem a
função de cobrir licenças, faltas justificadas, enfim toda e qualquer tipo de
ausência
da
professora
regente.
Que
contribuiu
para
aproximar
a
pesquisadora da realidade e dos sujeitos da pesquisa.
O que buscamos é contribuir. Que consiste em dialogar a importância
do caráter social no dia a dia do educador. Uma reflexão sobre a sua prática,
envolvimento para uma educação de qualidade aos desfavorecidos.
O que procurou-se investigar e como o educador envolve-se com os
temas aqui estudados, como: a ética, cidadania, afetividade, esperança,
apresentados a seguir:
68
Questão 1 – Defina educação e comente sobre o que te levou a optar por
esta profissão.
Tabela 5 – Definição de Educação
Categorias
Construção de conhecimento
Transformação
Inserção social
Transmissão de conhecimento
Desenvolvimento
Empenho Pessoal do Educador
Formação de crianças para a
comunidade
Adequação cultural
Outros
TOTAL
Quantidade
20
14
9
8
8
6
6
%
26,31
18,42
11,84
10,54
10,54
7,89
7,89
4
1
76
5,26
1,31
100
Pode-se constatar que os professores não demonstram ingenuidade
sobre a importância da educação, articulando-a como fator primordial, a
construção de conhecimento, seguida de fatores como transformação e
inserção social.
Tabela 6 – Opção pela Educação
Categorias
Falta de opção
Gostar de crianças
Empenho pessoal
Outros
Transformação
TOTAL
Quantidade
24
18
16
9
9
76
%
31,57
23,68
21,06
11,85
11,84
100
Em relação à opção, verificou-se que a maioria escolheu trabalhar na
educação por falta de opção, seguido por gostar de crianças. O que fica
evidente é que a opção nem sempre é aquela tomada com um compromisso
social ou com a área a ser trabalhada e talvez, pela oportunidade de
colocação no mercado de trabalho, caracteriza a falta de opção.
69
Questão 2 – Quais os valores presentes na educação que você
considera importantes? Cite os que você considera ausente.
Tabela 7 – Valores Presentes
CATEGORIA
Amor
Responsabilidade
Respeito
Solidariedade
Não tem valores
Transformação
Diálogo
Amizade
Outros
TOTAL
Quantidade
%
16
15
12
10
7
6
5
3
2
76
21,05
19,73
15,78
13,15
9,22
7,90
6,58
3,96
2,63
100
Tabela 8 – Valores Ausentes
CATEGORIAS
Disciplina e respeito
Honestidade
Valorização do professor
Ética
Cooperação e colaboração
Comprometimento
Solidariedade
Amor
Motivação
Outros
TOTAL
Quantidade
16
12
8
8
7
6
6
5
5
3
76
%
21,05
15,78
10,54
10,54
9,21
7,90
7,90
6,57
6,57
3,94
100
No que se refere aos valores presentes na educação, verificou-se que
um percentual expressivo revela o amor e a responsabilidade como valores
significativos. No tocante aos valores ausentes a maioria deixa evidente a
disciplina, o respeito, a honestidade a falta da ética e a valorização do
professor.
70
Questão 3 – Em relação à cidadania, qual a importância deste tema na
sua prática? E na sua formação?
Tabela 9 – Importância da Cidadania
CATEGORIAS
Importante
Educar para a vida e para o trabalho
Mudanças sociais
Busca pela autonomia política e cultural
Formar pessoas críticas
Consciência do próprio papel na comunidade
Consciência ético-política
Comprometimento
Base para o trabalho do Educador
Outros
TOTAL
Quantidade
17
12
9
9
7
7
6
4
3
2
76
%
22,36
15,79
11,84
11,84
9,22
9,22
7,90
5,26
3,94
2,63
100
Tabela 10 – Importância na Formação
CATEGORIAS
Primordial na carreira
Promoção do homem
Transmissão aos alunos
Lutar pelos direitos
Outros
Formar um aluno atuante
Reflexo da prática
Formação Pessoal
TOTAL
Quantidade
16
13
12
10
10
6
5
4
76
%
21,05
17,11
15,79
13,16
13,16
7,90
6,57
5,26
100
Questionados sobre a importância da cidadania ficou evidente que os
inquiridos se vêem como um agente de mudanças sociais, política e cultural e
já na formação, colocam como primordial.
Se perceber como um agente responsável por mudanças e na prática
se esquecer, seria o mesmo que conhecer os valores essenciais à educação
e não os colocá-los em ação. Todavia certas atitudes podem extinguir a
importância da cidadania para seus educandos, ou se trabalham, sem um
compromisso legítimo para a formação de um cidadão.
71
Questão 4 – Você atuou em escola de periferia? Como se sente frente a
esta realidade?
Tabela 11 – Sentimento em Relação ao Trabalho na Periferia
CATEGORIAS
Medo
Retorno positivo
Influência pessoal negativa
Impotente
Despreparo
Decepção
Maiores problemas de aprendizagem
Preocupação com o futuro
Frustração
Percepção de necessidades
Outros
TOTAL
Quantidade
12
10
9
8
8
7
6
6
5
3
2
76
%
15,78
13,15
11,84
10,54
10,52
9,22
7,90
7,90
6,58
3,94
2,63
100
Com relação ao trabalho na periferia, os inquiridos em sua maioria
colocam que o medo os assola, o que pode ser identificado em virtude do
despreparo para tal realidade. Isso é um desafio para todos. Porque não há
políticas públicas de apoio para o educador nem para o educando dessa
realidade.
Muitos ainda sentem-se impotentes, decepcionados e preocupados
com o futuro destas crianças o que demonstra uma certa possilibilidade frente
a adversidade enfrentada.
72
Questão 5 – Qual a importância que a ética tem a sua prática, no seu dia
a dia?
Tabela 12 – Importância da Ética
CATEGORIAS
Fundamental na prática
Educação de qualidade
Caráter
Responsável por transformações
Compromisso como educadora
Outros
TOTAL
Quantidade
26
13
11
11
9
6
76
%
34,21
17,11
14,47
14,47
11,84
7,90
100
Pode-se constatar que os inquiridos colocam a ética como fundamental
em sua prática diária e é parte integrante do caráter da pessoa. A ética tem
um papel relevante de compromisso, com a superação das adversidades no
dia a dia. Segundo Gadotti (2003, p. 55):
A ética é parte integrante da competência do professor, do saber
ser professor. Isso significa que um professor que não tem um
sonho, uma utopia, não é comprometido... não é competente, não é
ético. Não se aprende educar sem um sonho. Ensinar por ensinar,
mecanizar, deshumanizar o processo educativo é não ser ético.
A ética é algo que transforma o ato de ensinar, educar, porque atuar
sem ética ou se permitir deixá-la de lado em qualquer momento de nossa
existência seria o mesmo que não respeitar a essência do ser humano, sua
particularidade. Segundo Freire (1996, p.33): “Se respeita a natureza do ser
humano, o ensino dos conteúdos não pode se dar alheio à formação moral do
educando.”
73
Questão 6 – Se você não fosse professor o que você seria?
Tabela 13 – Opção Profissional
CATEGORIAS
Assistente social
Advogada
Médica
Psicóloga
Outros
Vendedor
Bancária
JUSTIFICATIVA
Causas sociais
Saber sobre meus direitos e deveres
Humanização
Contato com as pessoas
Analista de sistemas
Permaneceria como professor
Dentista
Veterinária
Cabeleireira
Jornalista
Nutricionista
Promotora de eventos
Decorador, arquiteto ou
artesão
TOTAL
Ser autônoma
Maior facilidade em trabalhar com
papéis
Gosta de informática
É feliz na educação
Sonho de infância
Ama animais
Gosta de trabalhar com pessoas
Gosta de escrever
Remuneração
Gosta de organizar eventos
Não passava no vestibular
Nº
16
14
6
6
6
5
4
%
21,05
18,43
7,90
7,90
7,90
6,58
5,26
4
3
2
2
2
2
2
1
1
5,26
3,95
2,63
2,63
2,63
2,63
2,63
1,31
1,31
76
100
No tocante a profissão, torna-se evidente que a maioria trocaria a
educação por outra atividade profissional e ressalta que a educação é uma
oportunidade em suas vidas.
Podemos comentar ainda a falta de paixão nos educadores, pelo
percentual baixo, dos que se dizem felizes na educação, com a sua opção.
Como pode haver afetividade, esperança, envolvimento sem a paixão?
São cabidas as palavras de Freire (1996, p. 142):
O desrespeito à educação, aos educandos, aos educadores e às
educadoras corrói ou deteriora em nós, de um lado, a sensibilidade
ou a abertura ao bem querer da própria prática educativa, de outro,
a alegria necessária ao que - fazer docente. É digna de nota a
capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar,
estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem e o gosto da
alegria sem qual a prática educativa perde o sentido.
74
Questão 7 – Em sua opinião, o que deve ser urgentemente agregado à
formação do professor? O que está faltando?
Tabela 14 – Formação do Professor
CATEGORIAS
Capacitação (Cursos)
Acesso às novidades
Ética
Formação para pensá-lo
Política
Consciência e responsabilidade
Apoio
Envolvimento
Responsabilidade de transformar
Formação em educação especial
Efetiva participação prática
Atuar na realidade em favelas
Psicologia infantil
Vontade de trabalhar
Formação ampla envolvendo
artes e filosofia
Palestras sobre o amor
Competência e atualização
Aprender a amar
Solidariedade e efetividade
Formação para o viver
TOTAL
Quantidade
15
8
6
5
4
4
4
3
3
3
3
3
3
3
2
%
19,73
10,52
7,90
6,58
5,28
5,28
5,28
3,94
3,94
3,94
3,94
3,94
3,94
3,94
2,63
2
2
1
1
1
76
2,63
2,63
1,32
1,32
1,32
100
Analisando o que deve ser agregado a formação do educador, a
maioria colocou a capacitação, algo muito em voga na rede pública municipal.
Os chamados cursos de capacitação são muito procurados seguidos
da ética. O que tem valor são os vários diplomas, independente do tema, não
importa se ele vem beneficiar o envolvimento e desenvolvimento com seus
alunos, o que tem relevância é a quantidade de certificados.
Competência, capacitação são tendências atuais, buscar aprimorar-se
para melhorar a prática. Seria importante que a busca pela formação
ultrapasse a aquisição de muitos certificados.
De acordo com (Gadotti, p.31):
A formação do profissional da educação está diretamente
relacionada com o enfoque, a perspectiva, a concepção mesma que
se tem da sua formação e de suas funções atuais. Para nós, a
formação continuada do professor deve ser concebida como
75
reflexão, pesquisa, ação, descoberta, organização, fundamentação,
revisão e construção teórica e não mera aprendizagem de novas
técnicas, atualização em novas receitas pedagógicas ou
aprendizagem das últimas inovações tecnológicas.
A formação continuada pode ser buscada para a emancipação e não
para a acomodação. O mundo está passando por mudanças significativas em
todos os seguimentos que o compõe. Logo, o docente deve utilizar-se da
mesma como aliada, posicionando-se frente a estas transformações,
repensando seu papel, sua forma de atuação e sua responsabilidade para a
formação do cidadão.
Questão 8 – Qual a importância da afetividade na relação educadora e
educando?
Tabela 15 – Afetividade
CATEGORIAS
Muito importante na relação
Pode atrapalhar a relação
Permite retorno do aprendizado
Necessária, mas não essencial
Difícil tê-lo
Resultado de educar com amor
Torna a educação prazerosa
Envolve respeito na relação
Elo para o diálogo
Desenvolve
Ativa o processo de aprendizagem
Necessária mas não essencial
Outras
TOTAL
Quantidade
18
7
6
6
6
6
5
5
5
3
3
3
3
76
%
23,68
9,23
7,90
7,90
7,90
7,90
6,58
6,58
6,57
3,94
3,94
3,94
3,94
100
Quanto à afetividade, na relação educador/educando, os inquiridos há
colocam como muito importante, mas o que podemos destacar é o percentual
que descreve como difícil tê-la, em virtude das adversidades que a periferia
impõe. São dados intrigantes e ao mesmo tempo positivos, podemos perceber
que a minoria não se envolve afetivamente.
Porém, o ato de ensinar está atrelado à afetividade. Para que o mesmo
ocorra é necessário um envolvimento emocional uma relação com o
76
educando, uma troca. Segundo Gadotti (2003, p.47): “Nós seres humanos,
não só somos seres inacabados e incompletos como temos consciência disto.
Por isso, precisamos aprender ”com”. Aprendemos “com” porque precisamos
do outro, fazemo-nos na relação com o outro, mediados pelo mundo, pela
realidade em que vivemos.”
Questão 9- Todo professor é educador?
Tabela 16 – Professor x Educador
Respostas
Sim
Sim
Almejo ser
Nunca pensei
Não
Profissional
Os dois
Não
Diferentes
TOTAL
Professor (a) ou
Educador (a)
Total
%
Professor (a)
Educador (a)
Educador (a)
Educador (a)
Educador (a)
Não sabe
Educador (a) e
Professor (a)
Professor (a)
13
10
10
9
9
7
7
17,10
13,15
13,15
11,84
11,84
9,22
Educador (a)
5
76
9,22
6
7,90
6,58
100
No tocante a esta questão os inquiridos não se vêem como educador e
sim, como professores, porém em seguida vem um percentual interessante de
docentes que almejam ser educador, isso demonstra que o docente busca
uma identidade. Uma parte importante ainda se mostra indiferente, alheio a
esta colocação.
É fundamental que o educador seja conhecedor da realidade a partir
dos próprios educandos, que estes educadores criem condições adequadas
para o envolvimento social. Assevera Freire (2000, p. 44):
Obviamente o papel de uma educadora crítica, amorosa da
liberdade, não é impor ao educando o seu gosto da liberdade, a sua
radical recusa á ordem desumanizante; não é dizer que só existe
uma forma de ler o mundo, que é a sua. O papel, contudo, não se
encerra no ensino [...] ao testemunhar a seriedade com que trabalha
a rigorosidade ética no trato com as pessoas e dos fatos, a
professora progressista não pode silenciar ante a afirmação de que
77
”os favelados são os grandes responsáveis por sua miséria“; não
pode silenciar em face do discurso que diz da impossibilidade de
mudar o mundo porque a realidade é assim mesmo.
10- A esperança é um fator importante na educação?
Tabela 17 – Importância da Esperança
Respostas
Total
%
Sem esperança não tem
estímulo
Importante no cotidiano
Temos que agir não basta
esperar
Deve estar dentro de nós
Transformá-la em atitude
Sem ela não podemos educar
Ela não é utopia, é um sentido
Tê-la como aliada
Razão e realização profissional
Sem ela não saio de casa
Tudo pode estar perdido sem
ela
Não há qualidade sem
esperança
Pode mudar a realidade do país
Ela e o afeto caminham juntos
Não temos que receber
migalhas
É preciso tê-la e lutar por aquilo
que se acredita
Não podemos desistir
Alimenta um sonho
Mas temos que lutar para
materializá-la
É crer que as coisas podem ser
diferentes
Temos que por a mão na massa
Não é utópica, quem acredita faz
acontecer
TOTAL
12
15,78
12
7
15,78
9,21
6
4
4
4
3
3
3
3
7,90
5,26
5,26
5,26
3,94
3,94
3,94
3,94
3
3,94
2
2
1
2,64
2,64
1,32
1
1,32
1
1
1
1,32
1,32
1,32
1
1,32
1
1
1,32
1,32
76
100
Analisando as respostas, pode-se constatar que a mesma é importante
para a maioria e que sem a mesma não há estímulo para o trabalho, apesar
de questionarem a pergunta sobre este sentimento, pois pareceu-lhes algo
abstrato a ser pesquisado.
78
Esse sentimento cabe ao educador, como algo que impulsiona sua
prática, mas que ao mesmo tempo, este mesmo educador não consegue ter
orgulho de se sentir esperançoso em relação à educação. Segundo Freire
(2000, p.114):
A matriz da esperança é a mesma da educabilidade do ser humano:
o inacabamento de seu ser de que se tornou consciente. Seria uma
agressiva contradição se, inacabado e consciente do inacabamento,
o ser humano não se inserisse num permanente processo de
esperançosa busca. Este processo é a educação. [...] o amanhã se
reduz à quase manutenção do hoje. A esperança, dessa forma, não
tem sentido. [...] esperançadamente luto pelo sonho, pela utopia,
pela esperança, na perspectiva de uma pedagogia crítica. E esta
não é uma luta vã.
A esperança nos faz parecer idealistas, sonhadores, mas o que seria
da educação de periferia sem esse precioso sentimento?
79
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo desta pesquisa foi responder a seguinte questão: educador
social é um profissional relevante na escola de periferia?
O diálogo necessário à instalação de um clima de renovação nas
práticas pedagógicas, associadas a atitudes cerceadas de elementos
relevantes à educação, tais como: a reflexão, o debate, a criticidade e as
tomada de decisão.
Os espaços educativos são muitos e devem contribuir para a vivência
democrática. Estes espaços compreendem a expressão da vida, do viver com
dignidade; a educação certamente é um poderoso instrumento para discussão
coletiva das questões sociais.
O educador social é aquele que contribui para a formação do sujeito,
não observa o educando como mero aprendiz; preocupando-se em educar,
sem isolá-lo do mundo tornando-o parte dele, de maneira conscientizada,
crítica, transformadora. Segundo Brandão (1985, p.19):
[...] educação não é sinônimo de transferência de conhecimento
pela simples razão de que não existe um saber feito e acabado,
suscetível de ser captado e compreendido pelo educador e, em
seguida depositado nos educandos. O saber não é uma simples
cópia ou descrição de uma realidade estática. A realidade deve ser
decifrada e reinventada a cada momento. Neste sentido, a
verdadeira educação é um ato dinâmico e permanente de
conhecimento centrado na descoberta, análise e transformação da
realidade pelos que a vivem.
Faz-se urgente uma educação capaz de contribuir para a inserção
transformadora do educando no processo de mudança social; a função do
educador social é buscar um sujeito que não receba passivamente os
conteúdos e nem que seja colocado a estes, um conteúdo sem
especificidade, sem função social.
80
A educação social não busca sobrepor a educação formal, mas busca
uma parceria, pois na educação devemos somar forças e não fragmentar.
A luta por uma educação transformadora é à base da pedagogia crítica
denunciadora de uma realidade desigual, logo, o que buscamos é educar o
povo, para mudar o modo de existir e de conviver na sociedade.
Por que devemos mudar o mundo? Por que outro mundo é necessário?
Porque não estamos satisfeitos com as desigualdades sociais, nos
preocupamos com as necessidades humanas, com a diversidade, com a
inclusão dos educandos carentes; mesmo que isso interesse a poucos, pois
vivemos em uma sociedade excludente e dominadora.
A função da educação social está na criação das condições para
amenizar as mazelas humanas; e para isso é preciso um olhar dialógico,
crítico, compromissado.
Sabemos que essa transformação é lenta, mas deve ser construída e
trabalhada continuamente. Deve envolver a ética, a afetividade, esperança e
transformação. Para tanto, não basta ser consciente, é preciso estar
preparado, com um investimento maior na formação dos docentes a fim de
formar a consciência crítica.
A educação social busca um pensamento educacional, a partir de seu
compromisso com a construção de um mundo diferente, um mundo mais
democrático, em que a educação possa contribuir para a superação do
oprimido.
Ao analisarmos os docentes das escolas de periferia do município de
Santa Bárbara d’Oeste, constatou-se que eles têm consciência da sua
importância para os educandos.
81
O primeiro questionamento foi referente à definição de educação, que
nos revelou a preocupação com a construção do conhecimento. Que levounos a pensar no docente pragmático, identificando-o verdadeiro com o útil, ou
seja, tem como critério de verdade a utilidade prática do conhecimento.
A falta de preocupação com o aspecto social na educação tornou-se
evidente nas entrelinhas, que revelam um descaso com o que é claro em
nossa realidade: a desigualdade social e, por conseqüência, a falta de
oportunidade de quem está à margem e vulnerável na sociedade.
Essa preocupação com a realidade e condição social dos alunos
norteia de certa forma as ações do professor e é fundamental para que a sala
de aula não se transforme em um local desagradável, de reprodução de
injustiças sociais, onde o conhecimento é visto como um envoltório fechado a
ser transmitido.
Outro fator importante relaciona-se com a opção pela educação em que
a velha máxima: “educação por conveniência” e acomodação foi retratada e
percebida.
Muitos docentes estão nas escolas de periferia, porque prestaram um
concurso, que é uma forma de acesso rápido, além da jornada de trabalho ser
conveniente.
Infelizmente, inúmeros docentes estão na educação por falta de opção.
Como esse educador se envolverá ? De que forma ele cooperará com a
realidade da periferia ?
Envolvimento e cooperação são questões importantes para o educador
social.
82
Sabemos que a educação é resultado de ações humanas; neste caso
analisamos quais as possibilidades da ação do educador. Segundo Brandão
(1988, p.20):
Apreender a rede de relações sociais e de conflitos de interesse que
constitui a sociedade, captar os conflitos e contradições que lhe
imprimem um dinamismo permanente, explorar as brechas e
contradições que abrem caminho para as rupturas e mudanças, eis
o itinerário a ser percorrido pelo educador que se quer deixar
educar pela experiência e pela situação vividas.
O que nos acalenta é a segunda opção: gostar de crianças, embora
seja um tema amplo, porque gostar de crianças, muitas vezes, não implica
gostar daquelas da periferia, desnutridas, sujas, sem estima, sem carinho,
com família desestruturada; enfim, buscamos acreditar que criança é criança,
para não entrar no mérito do que não foi solicitado aos inquiridos, mas que
pode ser de interesse de contrair outros estudos.
Quanto aos valores destes educadores, o mais relevante é o amor,
porém há uma contradição em ter amor no exercício da profissão, uma vez
que não se possui disposição interesse natural na profissão.
Já os valores ausentes entre os docentes estão à disciplina, o respeito,
a honestidade, a valorização e a ética. Embora os professores apontem a
ética como valor importante, como será que na prática eles a incorporam no
dia-a-dia ? A ética é um valor que depende de atitudes de ambos (educadores
/educandos) indispensáveis para uma ação pedagógica ativa, crítica e
participativa. Retratam bem o que foi analisado durante a pesquisa. Portanto é
para um grupo que se transfere a ética que temos conosco, com o
compromisso e com o nosso juramento profissional. Segundo Freire (apud
Mclaren, 2006 p.46):
[...] a prática educacional revela a “inutilidade de ser neutro”, já que
conhecer é sempre um ato político e, assim, “exige do educador seu
83
carácter ético”. Não existe prática educacional em espaço-tempo
zero, ou seja, não existe prática neutra. Isso ocorre porque os
educadores são inclinados a ser agentes éticos engajados em uma
prática educativa que é diretiva, política, e, sem dúvida, têm uma
preferência [...] como educador, deve viver uma vida plena de
coerência entre minha opção democrática e minha prática
educacional, que é da mesma forma democrática.
No tocante à cidadania, os educadores em questão a colocaram como
fator importante. Este item também precisa de maior apreciação, pois
cidadania é um tema muito amplo e complexo e envolve muitas
características, as quais foram citadas no segundo capítulo; quando
pesquisamos sobre as perspectivas da educação social e a importante do
educador possuir um conceito mais elaborado e politizado sobre ela.
É significativo comentar sobre cidadania na ação pedagógica do
educador que trabalha com a periferia porque o seu papel é de contribuir para
desenvolver condições que tornem viável essa cidadania, por meio da
socialização, da discussão, dando origem a uma nova mentalidade, um novo
pensar em relação ao papel do educando na sociedade, do seu grupo social,
da sua comunidade, da sua escola.
A escola precisa educar para ouvir e respeitar as diferenças e,
sobretudo, lutar para superá-las. O educador pode perceber a riqueza que há
neste espaço e trabalhar com empenho para a construção da cidadania juntos
aos alunos.
Para intervir na nossa realidade é necessário um comprometimento,
principalmente do educador, condutor de tal processo com a realidade
vivenciada nas escolas de periferia, já que os educadores têm em mente que
a cidadania pode guiar mudanças sociais. De acordo com Gadotti (2006, p.
55):
84
Educar para um outro mundo possível é educar para superar a
lógica desumanizadora do capital, que tem no individualismo e no
lucro seus fundamentos; é educar para transformar radicalmente o
modelo econômico e político atual.
Ter consciência da cidadania e da importância na sua formação não
basta; é preciso tê-la como promoção do homem, da dignidade humana.
Não é suficiente ser consciente; é necessário estar organizado
intelectualmente, politicamente, amorosamente, disposto a ser formador da
consciência crítica do educando.
Esta é uma das múltiplas funções da cidadania para a emancipação
das comunidades de periferia. Atuar na periferia é algo que causa muito medo
nos inquiridos, porque, na maioria das vezes, eles não se encontram
preparados; mas a questão é: como educadores podem se predispor a
trabalhar com tal realidade se a escolha por tal profissão é justamente a falta
de opção.
Eles já vão trabalhar blindados, com receio de se envolver, mas o
envolvimento é algo pertinente à educação social, em especial, aos
desfavorecidos. Segundo Caro (2004, p.2004):
[...] todo profissional, que tem como objetivo a promoção do ser
humano, deve passar a olhar, com maior atenção, a realidade atual,
para atender ás situações mais imediatas da sociedade e buscar
um futuro mais promissor para a população mais desfavorecida.
Considerando o envolvimento como aspecto importante para efetivação
da educação, como é possível se os professores têm medo de envolver-se?
Muitos colocam que a graduação não dá o suporte teórico para o
enfrentamento de tal realidade, que as cátedras não os preparam para a
prática, em especial, a comunidade carente.
Felizmente há pessoas que sentem retorno positivo na relação com o
aluno; que são resilientes o suficiente para fazer um trabalho coerente e
85
humano, não fugindo do abraço, do contato com estes educandos tão
necessitados de ações muitas vezes tão simples e que certamente estão ao
nosso alcance. Doar-se para tal realidade é envolvimento com a comunidade.
O envolvimento do educador social com seu trabalho é importante,
visto que o educando da periferia nem sempre é reconhecido como cidadão e
passa a ficar à margem da sociedade, por isso, a importância de agregar um
outro valor importante: a resiliência.
Torna-se mais fácil garantir o objetivo: educar com qualidade na
diversidade. Segundo Caro (2004, p.93):
“ Para o educador, a resiliência é primordial ante situações
conflituosas, que enfrente em seu trabalho diário. As limitações
políticas, econômicas e institucionais são muitas e estão presentes
a cada encaminhamento de seus educandos ”.
No tocante a este valor, diz respeito às reflexões sobre as condutas
humanas; falar sobre a importância da resiliência e colocá-la em prática é
muito diferente, pois é na ausência da mesma que ignoramos o outro e,
conseqüentemente, paramos de refletir sobre ele.
Educar é possibilitar o humano por meio do diálogo. A primeira
experiência ética do educador é com o outro. Nesta perspectiva as relações
intersubjetivas são educativas. Mediante a coexistência é possível superar as
desigualdades. Tratamos aqui da educação de periferia. Trata-se da
educação enquanto uma ação intencionada. Educar é possibilitar a mudança.
Considerando os princípios de educar para o mundo, podemos afirmar
que educação tem relação direta com o diálogo.
Assim, a inclusão da ética na educação significa eleger princípios
metodológicos que fundamentalmente afirmam o reconhecimento do outro. A
ética na educação significa o confronto por meio do diálogo e da troca de
argumentos.
86
O educador que não aprende não pode ensinar. Afirmamos ainda que
não basta ver consciência da ética, é necessário construir uma ação
pedagógica embasada nela a fim de formar a consciência crítica. Segundo
Freire (1976, p.11):
De acordo com as teses centrais que vimos desenvolvendo,
pareceu-nos fundamental fazermos algumas superações, na
experiência que iniciávamos. Assim, em lugar de escola, que nos
parece um conceito, entre nós, demasiado carregado de
passividade, em face de nossa própria formação (até mesmo
quando se dá o atributo de ativa), contradizendo a dinâmica fase de
transição, lançamos o Círculo de Cultura. Em lugar de professor,
com tradições fortemente “doadoras”, o coordenador de debates.
Em lugar de aulas discursivas , o diálogo. Em lugar de aluno, com
tradições passivas, o participante do grupo. Em lugar dos “pontos” e
de programas alienados, programação compacta, "reduzida" e
"codificada" em unidades de aprendizagem.
Como já ressaltamos a ética é fundamental para a ação educacional,
como um processo de libertação, tanto na superação da nossa própria
condição de ser puramente biológico, quanto na superação dos educandos da
periferia.
Um educador ético deve considerar o diálogo, estar aberto às
mudanças e suscetível a elas, e, relembrando, é uma das principais
características do educador social.
De todas as pessoas inquiridas, apenas três se disseram felizes com a
educação e com aquilo que fazem. A minoria demonstrou-se apaixonada pela
educação. Ainda assim temos esperança de que nem tudo está perdido.
Estes docentes acabam incorporando acriticamente e reproduzindo
discursos que miniminizam o engajamento do educador, enfraquecendo o
ânimo para o trabalho.
Assim como Freire (1996, p.116): não negamos a competência, porém
lamentamos também a ausência da simplicidade, que os faria mais “gente”,
87
mais humana, sem a preocupação com colocação, pontuação, a competência
e habilidades os caracterizaram como “coisas”.
Quem não tem nada a acrescentar na formação, apenas agregar uma
melhor colocação, um “status”, não possui um comprometimento com o que é
mais precioso para nós educadores: o educando.
Um outro aspecto importante avalidado refere-se à afetividade na
relação educador/educando. Podemos perceber que a afetividade está cada
vez mais ausente no relacionamento e a grande preocupação, infelizmente, é
com os conteúdos. Sem o afeto, a prática educativa torna-se fria, mecânica.
Muitos educadores colocaram o afeto como não essencial, como se ele
prejudicasse a ação pedagógica.
Como um educador poderá desenvolver a sua ação pedagógica sem
conhecer, envolver-se com seu educando?
O afeto é algo muito simples, requer apenas o repensar da ética no diaa-dia; além disso, este educando é cidadão, embora, na maioria das vezes,
invisível, considerado um ninguém como nos afirma Galeano (1991, p.112)
em seus poemas. De acordo com Freire (1996.p.144):
Esta abertura ao querer bem não significa, na verdade, que, porque
professor me obrigou a querer bem a todos os alunos de maneira
igual. Significa, de fato, que a afetividade não me assusta que não
tenho medo de expressá-la. Significa esta abertura ao querer bem a
maneira que tenho de autenticamente selar meu compromisso com
os educandos, numa prática específica do ser humano. [...] a
afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade.
Quando questionados se todo professor é educador, a maioria
percebe-se professor, seguido por educador. O que nos tranqüiliza é que
muitos almejaram tornar-se um educador. Faz-se necessário esclarecer que
queremos agregar, inserir o educador social nas escolas de periferia para que
a mesma eleve sua qualidade. Gostaríamos de parceria e do esforço de todos
88
os professores envolvidos com a educação na luta pela qualidade da
educação para todos.
Se o professor é aquele que trabalha com a produção do sentido, cabe
a nós, educadores, compreender que, à medida que o educando de periferia
possuir acesso à cultura, refletir, imaginar, criar, criticar, o professor/educador
tem um papel decisivo na relação com este educando.
Outro conceito importante investigado é o de liberdade que é base da
ação do educador social, a luta por justiça social e ela pode, sim, iniciar na
escola, sobrepondo-se à indiferença, as desigualdades sociais.
A esperança embora os inquiridos a consideram como algo abstrato na
formação do educador, sem ela, é impossível o anúncio de um futuro, mais
humano. De acordo com Freire (1996, p.72): A desesperança é a negação da
esperança. A esperança é uma espécie de ímpeto natural possível e
necessário, a desesperança é o aborto do ímpeto.
Negar a esperança na educação é negar a si mesmo enquanto
educador, quando colocamos a esperança, a utopia na construção da
identidade e da importância do educador social, nas escolas de periferia,
estamos almejando tomada consciente de decisões, para um futuro mais
digno, principalmente dos desfavorecidos.
Mas é preciso lutar, no presente e para o futuro, buscar educação com
dignidade. Segundo Caro (2004, p.99): “Esses educadores estão mais
próximos dos problemas sociais e, em suas experiências, podem estar às
soluções significativas para o planejamento das políticas públicas e para uma
sociedade mais justa e igualitária”.
Podemos concluir que o educador social é um profissional relevante na
escola de periferia, pois por meio de sua prática poderá enriquecer, recriar a
89
educação em tal realidade, dará novos significados, com novos métodos,
maneiras que cabem aos educadores sociais transformar e trabalhar, de
modo que os educandos de periferia sejam reconhecidos, tornem-se atuantes
e não tratados como coadjuvantes.
Eis mais um motivo para lutarmos por uma educação de qualidade,
pela inserção do educador social em nossa educação, tão carente de novas
experiências, principalmente para as populações menos favorecidas em
nossa sociedade.
.
90
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95
ANEXO I
Questionário
Prezado Professor, sou Claudiane G. de Oliveira, mestranda matriculada no
Programa
de
Mestrado
em
Educação
Sócio-comunitária
do
Centro
Universitário Salesiano de São Paulo. Como exigência para a conclusão do
mesmo, que tem como objeto de pesquisa formação de professor. Solicito a
sua colaboração respondendo as presentes questões.
Sexo:________________________
Idade:_______________________
Tempo de atuação no magistério:___________
Formação:___________________
1-Defina educação e comente sobre o que te levou a optar por essa
profissão?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2-Quais
os
valores
presentes
na
educação
que
você
considera
importantes?Quais os valores ausentes.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
96
3-Em relação à cidadania, qual a importância deste tema na sua prática?E na
sua formação?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
4-Você atuou em escola de periferia? Como se sente frente à esta realidade?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
5-Qual a importância que a ética tem na sua prática, no seu dia a dia?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
6-Se você não fosse professor o que seria?Justifique.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
7-Em sua opinião, o que deve ser urgentemente agregado à formação do
professor?O que está faltando?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
8-Qual a importância da afetividade na relação educador/educando?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
97
9-Você acredita que todo professor é educador, mas nem todo educador é
professor?O que você se considera? Educador ou Professor?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
10- A esperança é um fator importante na educação?Justifique.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
98
Anexo II
Escolas participantes da pesquisa:
Prefeitura Municipal de Santa Bárbara d'Oeste
Relação das Escolas Integrantes da Pesquisa situadas na periferia do
município.
1- ADI Angélica Tremocoldi
Rua: João Calvino, 61 Bairro: Jardim das Orquídeas
Nº de Professores: 7
2-EMEFEI Antonia Dagmar Rosolen
Rua: México, 220 Vila Sartori
Nº de Professores: 8
3-EMEFEI Profª Maria Augusta C. C. Bilia
Av. da Amizade, 3400 Parque Planalto
Nº de Professores: 8
4-EMEFEI Profª Mª M. G. Valente-”D ª Bininha”
Rua: Pe. Arthur Sampaio,571 Cj. H.R. Romano
Nº de Professores: 8
5-EMEFEI Prof. ª Mariana F. Schmidt
Rua: Gal. Couto Magalhães, 285- Bairro 31 de Março
Nº de Professores: 9
6-EMEFEI Profª Terezinha de J. S. Quinalha
Rua: Benignidade, 337 Bairro: Vista Alegre
Nº de Professores: 8
7-EMEF Profª Gessi T. B. Carneiro
Rua: Àguas da Prata, 238 Bairro: São Joaquim
Nº de Professores: 8
99
8-EMEF Profª Ruth Garrido Roque
Rua: Ouro Preto, 278 Bairro Parque Rochelle
Nº de Professores: 6
9-EMEF Pe. Victório Freguglia
Rua : Goiânia, 1062 Bairro: Jardim Esmeralda
Nº de Professores: 9
10-EMEF Ver. José Luiz G. Da Silva- Zélo
Rua: Benedito
Trabalhadores
dos
Nº de Professores: 5
Santos
Ferreira,
420
Bairro:
Conj.
Habit.
dos
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1 INTRODUÇÃO O presente estudo é um projeto de pesquisa