1 INTRODUÇÃO O presente estudo é um projeto de pesquisa acadêmica, elaborado para atender ao requisito de conclusão do Curso de Mestrado em Educação Sócio-comunitária, oferecido pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo. O estudo tem por objeto de investigação os professores do Ensino Fundamental da rede municipal de Santa Bárbara d ’Oeste, interior de São Paulo, no ano de 2006. A finalidade principal deste projeto é planear um perfil dos professores, por meio de questionários e da presença da pesquisadora através dos encontros semanais de HTDC (horário de trabalho de desenvolvimento coletivo), sobre seu envolvimento aos temas relevantes à formação do educador, como a Cidadania, Ética, Afetividade, Esperança em relação ao seu trabalho, ao seu cotidiano. Os contatos foram diretos, uma vez que a autora leciona na mesma rede. Portanto, a pesquisa é feita de um modo denso, um exercício pedagógico diário. Sabemos que os temas acima relacionados são extremamente importantes, independentes do lugar, seja periferia, centro, zona rural. Privilegiaremos, porém, as escolas da periferia da cidade. As transformações no mundo acabam por reduzir a qualidade de envolvimento. Falta consistência nas relações humanas, num momento em que o neoliberalismo se coloca como estrutura, conseqüentemente as relações interpessoais também estão envoltas neste processo, uma vez que este modelo preza o individualismo. 2 São impactantes as implicações e contradições da globalização, até mesmo na educação evidencia-se a problemática e ignoram-se os atingidos e soluções para tanto. São fundamentais as práticas pedagógicas com qualidade e comprometimento, realizadas em todas as camadas sociais. Fazse necessário uma reestruturação das mesmas, de um novo “engajamento educacional” focando uma educação necessária aos seus desafios e necessidades sociais. Atualmente as relações pessoais e escolares são fragmentadas, individualista e a conseqüência é a ausência do compromisso. Há o descomprometimento em relação ao outro, principalmente se este outro viver à margem desta sociedade excludente, forjada num pseudocompromisso da ação do educador para com os educandos da periferia, em que o discurso não é para conscientizar e sim para concretizar este indivíduo na base da pirâmide social. Como a história poderá nos auxiliar a compreender certas atitudes dos professores ? De que forma isto atinge o educador e a educação ? Qual o ideal de educador ? O ideal seria um Educador Social ? Quais características de um Educador Social seriam relevantes nas escolas de periferia ? A intenção deste trabalho é a de desvelar estas inquietações, vislumbrando uma educação integral, de qualidade, embasada em valores humanos pautando-se em reflexões sobre questões morais cada vez mais distantes das práticas pedagógicas? O educador não pode ser aquele que apenas media o conhecimento que ensina, mas, sim, aquele comprometido, vinculado organicamente com 3 seu educando, buscando possibilidades para a evolução plena do indivíduo, libertando-o para o verdadeiro sentido da educação. A atuação do Educador Social muitas vezes está presente na sua história de vida, devido à sua prática e ao seu envolvimento com a comunidade escolar juntamente com a local. É recente o debate sobre as possibilidades e o desejo de uma educação que considere em todas as suas implicações, a diversidade cultural. Faz-se necessário refletir sobre as condutas destes atores: os professores da escola de periferia. Bem como enfrentar alguns questionamentos: conscientizar a comunidade acadêmica? Será indispensável alterar a organização das escolas e interrogar práticas educativas dominantes? É preciso interferir humanamente no íntimo das comunidades periféricas, questionar convicções e, fraternalmente, incomodar os acomodados? A escola deve deixar de ser uma adestradora cognitiva e tornar-se uma sociedade de pessoas participantes, críticos, atuantes e democráticos. Interferir, questionar participar na sua comunidade a fim de inserí-lo em sua cultura. Como educadores procuramos formar um cidadão democrático e solidário, um cidadão fraterno, tolerante, crítico, politizado que atua em vários setores da sociedade, em especial nas várias distorções existentes em diferentes organizações da sociedade brasileira no qual este cidadão está inserido. O descaso tem início na opção da profissão: o curso de pedagogia muitas vezes não é concorrido, de fácil acesso, não se exige aptidão, é mais barato. Desta maneira esses profissionais não vêem possibilidade de bom 4 desempenho, crescimento, não há sequer um empenho uma busca da compreensão do universo do educando. Diante desta realidade surgiu a indignação e uma vontade de fazer algo que levasse os educadores a repensar o seu estado de ser professor/educador, bem como a sua especificidade perante o educando. Cada local tem uma realidade, porém, a coincidência está nas atitudes, está no modo de ser enquanto educador. Algumas têm apenas o Magistério, outras graduadas em Pedagogia. Há ainda aquelas que têm Magistério, mas se formaram em outros cursos como, por exemplo: Direito. Todas têm em comum o ensino fundamenta. Os comentários no cotidiano são os mais diversos, e reveladores: variam do salário até a vontade que o dia acabe logo para encerrarem as “atividades”. Preocupam-se com questões que não são pertinentes ao educando ou a educação, competem entre si o tempo todo, sobre quem fez mais cursos, quem terá mais pontos para a remoção do próximo ano. É uma experiência diferente a de ser professora substituta, permanecer no pólo (local, onde as professoras substitutas aguardam serem chamadas para ocupar o lugar das ausentes, seja por problemas de saúde ou por abonada). Cada professora tem o direito a ausentar-se seis dias (um por mês) no ano letivo. Vivenciar as diversas faces das escolas, bem como as diversas ausências, descasos, desrespeito com o educando e com o educador e falta material, interesse e afeto. Os educandos mostram-se até conformados com tantas substitutas, porque a cada semana é uma professora nova, e com isso a indisciplina reina soberana, por falta de envolvimento, por falta de um estreito relacionamento entre educador e educando. 5 Isto é um reflexo das ações das professoras, do despreparo e da falta de compromisso com a ética, não apenas a ética profissional, mas aquela que todos temos, que intimamente nos cobramos quando não conseguimos superar algo ou até mesmo quando somos, ou nos vemos impotentes, diante de uma situação como esta citada. É deprimente ouvir, não que a pedagogia em si, mas que a educação foi uma alternativa, uma espécie de solução ou poderia denominar uma fuga do ostracismo, o medo de perder o emprego e que exige apenas um curso de graduação para garanti-lo. Logo, fazemos pedagogia e de repente nos vemos no olho do furacão, sem ao menos saber como ele surge, para onde vai, que solução tomar. Para ser educador, não basta apenas ter uma titulação, sem o comprometimento, sem o pensar. É necessário também agir, mas agir com amor, com apego, investindo na entrega, pensando sim em um retorno, contribuindo para a criação, ou o desenvolvimento de uma sociedade mais justa. Para tanto devemos nos articular com as lutas presentes nocotidiano escolar. Trabalhar com alunos de classe trabalhadora, popular, carente, enfim independente da denominação, é aceitar e tornar-se parte. Devemos ser os intelectuais transformadores, mas para isso, devemos mergulhar na realidade, e não bater cartão, pensar que o dia vai passar rápido. A competência na educação se confunde com os inúmeros cursos, títulos, principalmente técnicas cada vez mais relacionadas com as políticas hegemônicas e que nem sempre vão ao encontro do que as camadas 6 populares realmente precisam, como por exemplo, a práxis que se constrói com compromisso de fazer ou realizar um ensino sério e transformador. Esse promeiro trabalho foi organizado da seguinte maneira: O primeiro capítulo versa sobre breve historiografia referente à Educação Popular no Brasil, para que possamos compreender a necessidade da mesma em nossa sociedade a história pode nos auxiliar a interpretar as diversas nuances comportamentais, culturais do educador brasileiro, enfim a implicação que esta tem sobre a sua práxis. São temas do segundo capítulo, as perspectivas sobre a Educação Social, onde buscaremos abarcar sua relevância, sua consciência da práxis, bem como a cidadania, ética, afetividade, esperança, além da reflexão e de sua participação, seu envolvimento crítico, enfim, elementos imprescindíveis para a ação pedagógica, numa sociedade em que tudo, inclusive as “mazelas” humanas são globalizadas. O terceiro capítulo envolverá um estudo sobre a importância do ser Educador Social e o Educador como intelectual transformador, bem como a necessidade do mesmo nas escolas de periferia, realidade acompanhada. Dando continuidade aos capítulos anteriores, no quarto capítulo discorro sobre o estudo nas escolas de periferia de Santa Bárbara d’Oeste/SP. A partir destes questionamentos houve a necessidade de se pensar a formação do educador e na importância que a Educação Social e seus valores agregadores têm de transformar a educação brasileira, não apenas nas ruas ou instituições como costumamos vê-la, mas a necessidade de tê-la como parceira na educação formal. 7 Pretende-se a partir das conclusões, justificar os fatores responsáveis pela inserção do profissional da Educação Social, buscando esclarecer quem é atualmente o educador nas escolas de periferia, e fazer um paralelo. Será realmente necessária a atuação deste profissional na mesma? Algumas considerações finais procuram instigar no leitor uma atitude de transformar, olhar para si mesmo e repensar sua práxis, frente a toda essa realidade. Nada mais apropriado do que uma profunda reflexão sobre os desafios e, sobretudo, perante o descompromisso, a omissão, bem como as causas, as feridas que deixam cicatrizes profundas, naquele que é quem mais perece com tudo isso: o educando. O que levou a esta pesquisa foi à inquietação perante certas atitudes de alguns docentes, comentários, pensamentos em torno da educação, envolvendo desde a formação do educador até o descaso com o aluno e o descompromisso. Gostaria com esse trabalho de contribuir para reverter o desgaste no envolvimento do educador com este educando de periferia, permitindo o desenvolvimento de projetos, ações comunitárias. Ações pedagógicas conscientes e envolventes para ambos, eis o diferencial na educação social. Que prioriza educadores verdadeiramente engajados, com esperança de uma mudança na educação, sendo que estas ações se fortalecem, com o apoio das comunidades escolar e de base. 8 1. A Formação do Educador: Redemocratização e Neoliberalismo 1984/2000 O reajuste das questões em relação à política e a economia permitiram um intenso debate político educacional e o surgimento de novos ideais que levara a duas vertentes. Uma delas seria a dos educadores que enfatizavam debates mais acadêmicos, buscando uma reflexão crítica da educação bem como seus condicionantes sociais, privilegiando uma análise científicopedagógica e a renovação dos conteúdos e métodos. Outros educadores apostavam na prioridade do aspecto político, além da organização sindical, luta política, a solidariedade e a questão da identidade político partidária, por acreditarem que por meio de políticas públicas bem direcionadas, trariam melhorias a educação. A formação dos professores era precária e o desprestígio da classe era crescente, os salários eram baixos, o que refletia na impossibilidade dos mesmos de se aperfeiçoar, se especializar, ficando à mercê de uma situação, resultado de um período de total aniquilação da essência do ser, enquanto educador e sua missão. A propósito, temos a citação de Nosella (2005, p.59): Nessa crise, os excluídos do poder encontram o clima apropriado para se fortalecerem e organizarem a oposição política. Os operários, organizados em sindicatos, deflagraram as históricas greves de 1978; os intelectuais mobilizaram-se para exigir maior liberdade de expressão e a democratização da sociedade em geral. Além disso, os profissionais em educação de todos os níveis se organizaram, criando associações, federações e sindicatos que deram o colorido especial ao debate educacional desse momento. Suas formas de organização e de reivindicação eram novas e surpreendentes; por exemplo, era impensável, em épocas anteriores, uma greve de professoras primárias. 9 Surge um debate mais elaborado, sistematizado em torno de uma superação, de certa forma renascendo justamente num momento de introspecção intelectual, encubada por anos, pelo sistema militarista. Urge a necessidade de resgatar a auto-estima intelectual e moral, no campo das idéias para a educação e para os educadores, principalmente em relação às de cunho crítico ao mito do ‘milagre econômico’, e a falta de democracia por longos anos. O envolvimento em torno da ideologia da então chamada ‘revolução’ criara de certa forma, o germe da superação. Neste contexto são convincentes as palavras de Nosella (2005, p.60): O reajuste político da Nova República, é preciso reconhecer, permitiu que o debate político-educacional entre os educadores se reacendesse em duas diferentes direções, ainda que as fronteiras entre elas nem sempre fossem muito nítidas. Certos educadores enfatizavam um debate mais acadêmico, desenvolvendo uma reflexão crítica da educação e de seus condicionantes sociais, privilegiando a análise científica-pedagógica e a renovação dos conteúdos e métodos.Outros acreditavam que o político era prioritário e, nesse sentido, privilegiavam a organização sindical, a luta política de reivindicação, a solidariedade e a questão da identidade políticopartidária, por crerem que a definição política precedia e informava as próprias questões científicas educacionais. As reformas educacionais, a partir da década de 80, no Brasil, situaram-se num período de significativas mudanças e de novos ordenamentos no quadro político da nossa sociedade e possibilitou o surgimento de novas organizações da sociedade civil e da sociedade política. A população foi mobilizada a participar dos destinos do Estado e de intervir em diferentes níveis de governo. No entanto, o país, embora vivenciasse essa efervescência de mudança, convivia e ainda hoje convive com grandes contrastes sociais e 10 econômicos, fruto de um modelo de sociedade extremamente excludente, em que a maioria da população não tem acesso aos bens sociais básicos, entre estes, a educação, saúde, saneamento básico e habitação. O Brasil ocupa um dos primeiros lugares no mundo em concentração de renda, desigualdade social e um dos mais baixos lugares na qualidade de vida da população. É neste cenário que, nos anos 80, surgem novos atores no plano político e social, com a organização de sindicatos, associações e comunidades, novos partidos políticos e organizações não-governamentais, que começavam a desenvolver ações que não eram assumidas pelo Estado. Ao mesmo tempo são retomadas as campanhas para eleições diretas em todos os cargos eletivos, possibilitando a chegada a alguns Estados e a Municípios de grupos que buscavam desenvolver políticas públicas voltadas para atender às necessidades e interesses da maioria da população. Neste momento, surgem vários movimentos e organizações, pela educação formal e não formal as quais procuram conscientizar os indivíduos da sua condição enquanto sujeitos de direitos e, conseqüentemente, de deveres. Era imprescindível que as pessoas se apropriassem de instrumentos e de mecanismos básicos para fazer valer os seus direitos, tendo no mesmo o seu principal veículo, uma vez que a educação é um dos principais instrumentos de formação da cidadania. Como que afirma Ghiggi (1980, p.46): As ações dos anos 80, que militantes católicos e estudantes universitários, ligados ao pensamento de esquerda, produziram um movimento que gerou práticas, motivou pessoas e buscou romper, pelo campo educacional, com os processos de exclusão que caracterizavam a sociedade brasileira. 11 Ainda em relação aos anos 80, podemos afirmar que os movimentos sociais foram fundamentais para o desenvolvimento e para a ação efetiva na educação popular, anunciando novas possibilidades de gestão do espaço público e de composição política. Em tempo, a política do Brasil vivia um momento de recuperação dos espaços democráticos e a educação assumia a condição de moral transformadora. No discurso de Dermeval Saviani para os formandos do Curso de Pedagogia, em dezembro de 1984, da Universidade Santa Úrsula fica muito claro que estava emergindo um pensamento consciente, dialético e politizado: Empenhem-se no domínio das formas que possam garantir às camadas populares o ingresso na cultura letrada, vale dizer, a apropriação dos conhecimentos sistematizados. E, no interior das escolas, lembrem-se sempre de que o papel próprio de vocês será provê-las de uma organização tal que cada criança, cada educando, em especial aquele das camadas trabalhadoras, não veja frustrada a sua aspiração de assimilar os conhecimentos metódicos, incorporando-os como instrumento irreversível a partir do qual será possível conferir uma nova qualidade às lutas no seio da sociedade. Saviani ainda comenta sobre os danos, bem como o que deveria ser superado, em relação aos “anos de ferro”: A vocês cabe, pois, velar no interior das escolas para que elas não se percam num sem número de atividades acessórias, desviando-se de seu papel fundamental que é a difusão do saber sistematizado, isto é, aquele de caráter científico. Na verdade, tal desvio é hoje regra em nossas escolas: da exaltação ao movimento de 64 à curiosidade pelo índio, da veneração às mães, às festas juninas, das homenagens ao soldado, ao cultivo do folclore e à criança, encontra-se tempo para tudo na escola, mas muito pouco tempo é destinado ao processo de transmissão-assimilação de conhecimentos elaborados cientificamente. Em vocês a nova geração de brasileiros deposita suas esperanças de freqüentar uma escola mais viva, mais atualizada e mais significativa; uma escola rica de conhecimentos sistematizados e preparados para prover à sua formação cultural letrada, aquela que domina a sociedade em que vivemos. A "pedagogia crítico-social dos conteúdos", que surge no início dos anos 80 se apresenta como uma reação de alguns educadores que não aceitam a pouca relevância que a "pedagogia libertadora" dá ao aprendizado 12 do chamado "saber elaborado", historicamente acumulado, e que constitui parte do acervo cultural da humanidade. A "pedagogia crítico-social dos conteúdos" assegura a função social e política da escola pelo trabalho com conhecimentos sistematizados, a fim de colocar as classes populares em condições de uma efetiva participação nas lutas sociais. Entende que para a escola não basta viver de conteúdos escolares e que as questões sociais têm muita relevância e que é necessário possuir domínio de conhecimentos, habilidades e capacidades mais amplas para que os alunos possam interpretar suas experiências de vida e defender seus interesses de classe. Para esta ação pedagógica, não dá para conceber um processo de ensino aprendizagem, sem que se unam os sujeitos com diversas produções culturais e sociais. Ainda no que se refere a esta ação, “educação é todo o envolvimento social e a capacidade de aprendizagem, que varia de pessoa para pessoa, já que a educação é socialmente e historicamente determinada, com conteúdos vivos, articulados dentro de um compromisso político” (Saviani, 1992, p.63). O educador é um intelectual que produz, nas diferentes classes, uma visão de mundo, buscando transformar a realidade por meio do seu mais poderoso instrumento: a educação. Uma pedagogia que visa ensinar para transformar por meio de um saber incorporado. Cabe, neste paradigma, construir a visão dos problemas desafiadores, dentro da sua própria realidade, seguido de uma instrumentalização com 13 elementos, que possam ser superados para transformar, passando pela incorporação na vida destes instrumentos e, por fim, adquirindo uma nova compreensão e, conseqüentemente, partindo para uma nova ação. Em contrapartida, a Constituição de 1988, define claramente o ensino básico como competência de Estados e municípios. Houve grande expectativa em relação à Constituição de 1988. O sociólogo e então parlamentar Florestan Fernandes acreditava que a Constituição poderia corrigir as desigualdades verificadas no projeto educacional da sociedade. A União ficou com papel de sinalização dessas dimensões e com o ensino superior federal Posteriormente surge uma nova (LDB), Lei de Diretrizes e Bases, LEI Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Nascida de um projeto do Deputado Octavio Elísio, após a promulgação da Constituição, em 1988, a LDB recebeu um substitutivo, perdeu artigos e ganhou outros sugeridos por associações de professores e universidades. Em 1994, aprovado na Câmara, o projeto foi enviado ao Senado, onde foi substituído por outro, o do Senador e Educador Darcy Ribeiro. No final, a LDB foi costurada com artigos do projeto da Câmara e do Senado. Neste sentido são bem apropriadas as palavras de TANURI (2000, p.85): A atual LDB estabeleceu que [...] a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura de graduação plena, em universidades e institutos de educação [...] (Artigo 62). É fácil perceber que essa formulação legal incorpora as idéas-força que expusemos acima: nível superior, infância, institutos e universidade. No Artigo 63, a mesma LDB diz que os Institutos Superiores de Educação (ISEs) deverão manter “Cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso Normal superior, destinados à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental”. 14 De acordo com as informações e estudos da ANDES (Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), o Relatório do Seminário Nacional sobre a LDB realizado nos dias, 16 e 17 de março de 1997 em São Paulo, sobre o educador apontam: A lei descaracteriza a profissionalização do professor através de treinamentos e cursos de capacitação em serviço. A formação de profissionais da educação não pode ser feita através de treinamentos emergenciais e sim de uma base comum nacional para os cursos de formação de professores; esta formação deve atender aos seguintes princípios: • formação teórica e interdisciplinar sólida que favoreça uma ampla compreensão do processo educacional; • novas formas de relacionamento entre prática e teoria; • gestão democrática; • compromisso social do profissional da educação; • trabalho coletivo interdisciplinar. Facilita o NOTÓRIO SABER (art. 66) suprimindo a exigência do título acadêmico, favorecendo a burla à escolarização formal e ao concurso público. Extingue a Dedicação exclusiva e reduz, consideravelmente, a exigência da formação para o Ensino Superior. Propõe em seu (art. 54) Planos de Cargos e Salários e Planos de Carreira diferenciados por Universidades. E o grupo ainda conclui este estudo com o seguinte pensamento: A nova LDB, entretanto, ainda não deitou ao chão o manto da reminiscência e da subjetividade de seus autores, e do poder constituído, mas, provocou, sobretudo por isso, o discenso e a tomada de discussões: algo muito positivo para um país em vias de democratização. Dentre várias formulações que poderíamos desenvolver à guisa de conclusão fica apenas esta: por que será que o Estado, enquanto organização transnacional, empresa organizada hierarquicamente com funções limitadas e técnicas desempenhadas através de uma ou mais fronteiras internacionais - “No que se refere ao ensino de filosofia e sociologia, este não está garantido enquanto “obrigação” dos sistemas necessários ao exercício da cidadania”. (Oq. Circ.N.ºMG/97 da Andes). A omissão do ensino da filosofia e sociologia no ensino médio constitui numa perda fundamental para o desenvolvimento da reflexão crítica. Muitas mudanças e adequações ocorreram e certamente ocorrerão, conforme mudam os governos, reformas, sempre de acordo com os interesses internacionais e com uma teoria “remaquiada”, reforjada, elaborase uma tendência ideológica que está vinculada com a sociedade em crise. 15 Segundo nos fala Lombardi (2005) (informação verbal¹): “eis que entra o neoliberalismo em que o EU não se encontra com os outros.” Podemos ainda caracterizar este período com as palavras adequadas de Nosella (2005, p.62): Assim a década de 90 viu surgirem novas subjetividades que, paradoxalmente, sofrem o traumático fenômeno do fim do emprego e também do tempo livre. Com efeito, a vida das pessoas é cada vez mais invadida por inúmeras atividades relacionadas à crescente produção difusa, contínua, infinita, precária, virtual e mal remunerada....este é o novo perfil do homem que se apresenta aos portões de nossas escolas: inseguro e consumista voraz. O mesmo perfil caracteriza o candidato que deseja preparar-se para ser professor. Modelos educacionais tendenciosos, sem acrescentar nada; são apenas resultados de uma sociedade extremamente hedonista, reproduzindo de acordo com as tendências de instituições como os Bancos Mundiais. A *UNESCO tem a seguinte missão: Desde sua criação em 1.945 UNESCO trabalha para aprimorar a educação mundial por meio de acompanhamento técnico, estabelecendo parâmetros e normas, criando projetos inovadores, desenvolvendo capacidades e redes de comunicação atuando como um catalisador na proposta e disseminação de soluções inovadoras para os desafios encontrados. O estreito contato com Ministérios da Educação e outros parceiros em 191 países colocou isso como eixo central de ação.O Brasil faz parte do E-9, grupo dos países mais populosos do mundo, onde a UNESCO promove ações prioritárias de desenvolvimento no Setor de Educação. A principal diretriz da UNESCO é a Educação para Todos, onde são desenvolvidas ações direcionadas ao fortalecimento da capacidade nacional, acompanhamento técnico, apoio à implementação de políticas nacionais de educação através de diversos projetos, aprimoramento e democratização da educação em todos os seus níveis e modalidades. Neste contexto o educador é resultado de suas competências e habilidades e a questão da qualidade total, fragmentada e despolitizada é a que impera o que importa é como cada um vai destacar-se perante os outros, vencendo-os no concorrido mercado de trabalho ávido por títulos, cursos, que vão certamente ao encontro das políticas públicas dominadoras do estado mínimo. Um bom avalista desta idéia é Tuckmantel (2002, p. 78): 16 Assim sendo, o educador precisa travar uma verdadeira batalha para livrar-se do corporativismo estatal, que o impede de relacionar-se com as diferentes categorias. Torna-se clara, pois, a necessidade da construção de um projeto político-pedagógico vinculado a um projeto de sociedade. Daí a necessidade da vinculação luta sindical/luta educacional. Não podemos nos vergar ao comodismo. Cabe a nós, educadores, buscar um verdadeiro objetivo em nossa luta cotidiana, para uma sociedade como a nossa repleta em desigualdades sociais. Não podemos permanecer esperando; é preciso uma atitude frente à necessidade do educando desfavorecido. Torna-se evidente a importância de uma breve historiografia sobre o educador brasileiro, a análise do panorama que o envolve e o que aconteceu ao longo da história com esse educador. Auxilia-nos na compreensão das dificuldades e deficiências da sua formação bem como a relevância da perspectiva da educação social no Brasil. ¹ Notícia fornecida pelo Prof. Dr. José Claudinei Lombardi participação especial na disciplina História da Educação Brasileira-programa de Pós-Graduação Scricto Sensu-UNISAL-Campus de Americana em 22 de junho de 2005. 17 2- EDUCAÇÃO SOCIAL E O TRABALHO DO EDUCADOR SOCIAL A necessidade da análise sobre a relevância da Educação Social, no Brasil, está atrelada à desigualdade social. Abordaremos os caminhos que conduzem à Educação Social, sua origem e méritos. Segundo Fermoso (1994), o termo Pedagogia Social é de origem alemã, citada em maio de 1844, na Pädagogische Revue, por Karl F. Mager. Era freqüente referir-se a esta ciência com a expressão “Jugendhilfe” (ajuda à juventude), com três pontos distintos: auxílio educativo, profissional e cultural à juventude. Atualmente, a Espanha é o país que tem mais propostas e estudos sobre esta área de conhecimento. Segundo Petrus (2003,p.120): Reduzir a “educação” a “educação escolar” é ver apenas uma parte da realidade. E isso é perigoso, às vezes, do que não vê-la. Da mesma maneira que existem outros métodos, além de didáticos, a educação não pode se reduzir à educação formal. Educador Social é aquele que intervém por meio da inclusão, da consciência, de forma que os indivíduos sejam capazes de transformar sua condição, a partir de uma realidade fortemente contextualizada. Assevera-nos Freire (2000, p.2): Educação Social é educar para o coletivo, no coletivo, com o coletivo. Uma tarefa que pressupõe um projeto social compartilhado, em que vários atores concorrem para o desenvolvimento e fortalecimento da identidade pessoal, cultural e social de cada indivíduo. Educar não é um ato ingênuo. É um ato histórico, cultural, social, psicológico, afetivo, existencial e, acima de tudo, político, pois, numa sociedade estratificada como esta em que vivemos, nenhuma ação é simplesmente neutra, sem consciência de seus propósitos. O Educador Social conduz os sujeitos a experimentarem alguma mudança e desenvolvimento pessoal. A Educação Social se posiciona como parte da Pedagogia. Preza pela socialização baseada na autonomia, por 18 constituir uma consciência crítica, contribuir para a formação de uma cidadania atuante, transformadora. Baseada também na ética e na superação das suas condições sociais desiguais, ainda visa à superação no âmbito do amansamento, buscando transcendê-lo, fator determinante para a emancipação, para a libertação. A educação é uma prática social, por meio dela o homem transmite e conserva sua cultura, seus valores, busca transformar, melhorar a sociedade. Fermoso (1994, p.134) assim define Educação Social: La educación social es el resultado o producto del proceso de socialización, equivalente a traducible em um conjunto de habilidades desarrolladas por el aprendizaje, que capacitan al hombre para convivir com los demás y adaptarse al estilo de vida dominante em la sociedad y cultura a la que se pertenece, sin perder la identidad personal, aceptando e cumpliendo, al menos, sus ( de la sociedad y cultura) exigências mínimas. Então entendemos por socialização, bem como o conjunto de habilidades para viver com dignidade e autonomia, ou ainda, conduzir o indivíduo a um lugar digno em nossa sociedade, sem perder sua identidade. A Educação Social está intrinsecamente relacionada à educação sóciocomunitária. Elas coexistem, uma vez que atuam com conflitos, habilidades e desenvolvimento social. Há uma passagem em Romans et. al (2003, p.56): ...não há desenvolvimento comunitário sem desenvolvimento pessoal e vice-versa; as pessoas se desenvolvem na medida e ao mesmo tempo em que se desenvolve a comunidade da qual fazem parte; a intervenção educativo-social é uma intervenção simultânea, sobre as pessoas e sobre a comunidade. Analisaremos separadamente a expressão sócio-comunitária, devido à importância da interação do educador social na mesma. Por Sócio entendemos como sendo aquele que é parceiro, aliado. Já por Comunitária, 19 conjunto de indivíduos, habitantes de um mesmo local; biocenose, comunidade, conjunto de pessoas unidas por uma causa ou lugar em comum. Então, por Educação Sócio-comunitária, entendemos uma ação que reconhece a pessoa como um ser que pensa, age, sente e traz consigo uma cultura e uma leitura de mundo; que precisa ser respeitado para poder crescer e se desenvolver, pois a cultura faz parte da identidade do ser humano e os valores são fundamentais para a sua formação. Podemos ainda, fazer algumas apreciações importantes, de acordo com as idéias de Gadotti e Gutierrez (2001, p.15) sobre a educação comunitária: 1ª) A educação comunitária precisa superar a ambigüidade da sua própria expressão, dando conteúdo concreto a ela mesma, o que, certamente, revelará o pluralismo de concepções práticas. 2ª) Não se pode separar educação comunitária de educação escolar, pois os setores populares da comunidade lutam pela escola pública de qualidade. 3ª) Educação comunitária significa organizar a população para o exercício da cidadania e melhorar a qualidade de vida. 4ª) A educação comunitária se desenvolve por meio de novas metodologias, onde predominam o organizativo, o produtivo, o lúdico, a comunicação etc. 5ª) O local, o nacional e o transnacional. Duas são as armadilhas em que o educador pode cair: o nacionalismo conservador e o universalismo alienado. A educação comunitária procura mostrar a integração do local com 20 o nacional e o transnacional. Não posso ser cidadão do mundo sem ser, antes de mais nada, cidadão de um lugar bem determinado. 6ª) A educação comunitária não se confunde com solução de problemas emergenciais e episódios da comunidade e nem significa transferir para as camadas populares a solução de todos os seus problemas, retirando a responsabilidade do Estado. 7ª) Os pais pobres querem enviar os filhos à escola para que eles sejam poupados do trabalho manual. Deve-se, pois, ter sempre em mente que o motor da educação comunitária é a melhoria da qualidade de vida e não a resignação ao estado de pobreza. É de grande importância atentar para a responsabilidade e conhecimento que cabem aos agentes dessa educação; essa formação necessita ser bem fundamentada, para que eles possam atingir o cerne da educação sócio-comunitária que é a busca de nova consciência e da transformação do educando, além da contribuição para a formação integral e inserção na sociedade. Percebemos os fatores acima citados como importantes, mas que dificilmente são tratados academicamente, pois o currículo escolar não privilegia a realidade, ainda arraigado a fatores externos, algo ainda muito presente em nossa cultura. É preciso que tenhamos sempre a insistência, a perseverança, presente em nosso trabalho para que essa realidade seja alterada, para que incomodemos os acomodados; para tanto é necessária uma ação, seja dentro das universidades, dos cursos, para enfrentar e intervir na realidade. Uma boa contribuição a essa idéia pode ser encontrada em Freire (2000, p.36): 21 ...tornamo-nos capazes de intervir na realidade, tarefa incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes do que simplesmente a de nos adaptar a ela. É por isso também que não me parece possível nem aceitável a posição ingênua ou, pior, astutamente neutra de quem estuda, seja o físico, o biólogo, o sociólogo, o matemático, ou o pensador da educação. Ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra. Não podemos aceitar passivamente políticas assistencialistas, bem como algumas práticas educativas. Para que isso ocorra, faz-se necessária a transformação da consciência do educador. Recorremos aqui a uma passagem de Saviani (1980, p.86): A educação é um processo que se caracteriza por uma atividade mediadora no seio da sociedade. Tem, pois, como premissa básica, que a educação está sempre referida a uma sociedade concreta, historicamente situada. 2.1 A Consciência da Práxis e o Educador Social: O desafio da formação do Educador Social, está na possibilidade dele ser capaz de auxiliar na construção de conhecimentos significativos, envolvendo experiências desenvolvidas no dia a dia. A libertação na educação enfatiza a mesma com uma pedagogia em que o esforço da práxis humana conduz à educação a legítima prática de liberdade. Segundo Freire (1979, p.26): O compromisso próprio da existência humana só existe no engajamento com a realidade, de cujas águas os homens verdadeiramente comprometidos ficam molhados, ensopados. Somente assim o compromisso é verdadeiro. Ao experiênciá-lo, num ato que necessariamente é corajoso, decidido e consciente, os homens já não se dizem neutros. A partir de ações sociais, culturais, éticas, atreladas à vida e ao trabalho dos educandos, bem como a sua comunidade, sua realidade com a capacidade de agir e refletir sobre e para o próximo. Referente à práxis nos elucida Freire (apud Caro, 2005, p.2): “É exatamente esta capacidade de atuar, operar, de transformar a realidade, de acordo com finalidades 22 propostas pelo homem, à qual está associada sua capacidade de refletir, que o faz um ser da práxis”. Segundo pensamento de Gramsci (1989, p.64), pode citar a filosofia da práxis, onde o autor procurou relacionar a evolução dos intelectuais com a evolução da divisão social do trabalho, realizando interfaces entre as forças produtivas e as forças intelectuais, nas instituições sociais existem diferentes tipos de intelectuais: [...] existe o intelectual cosmopolita como aquele que está mais preocupado com questões exteriores as da sua realidade nacional; o intelectual tradicional como um humanista, autônomo em relação as outras classes, serviçal da classe dominante; e, por último, e o mais importante deles, o intelectual orgânico, responsável pela conexão histórica entre a teoria e a prática, encarregado do não distanciamento entre as massas e as formulações intelectuais. O intelectual orgânico das classes atuaria nos debates, onde os homens tomam consciência de sua função social, que atinja os espaços burocratizados, como a escola. Na periferia, este intelectual seria o educador social que trabalha nas comunidades de base, cabendo a ele levar às massas a filosofia da práxis. Neste contexto parecem convincentes as palavras de Mochcovith (1990, p.17): ...não de fora pra dentro, mas articulando-a com a reflexão que é possível, através do chamado “núcleo de bom senso“, a partir da prática cotidiana das massas e de sua experiência na luta política... Todo esse movimento não pode existir sem a formação de uma camada de intelectuais que representa a união entre a teoria e a prática. Elevar nossa consciência de práxis, como atividade do homem, que transforma o mundo natural e social para fazer dele um mundo consciente, toda a atividade práxica é uma realidade, comportando interesses e objetivos. 23 Somos todos seres resultantes da práxis. Por meio da práxis a compreendermos o mundo a realidade, os novos movimentos sociais e a educação. Práxis é transformação. Segundo Freire (1996, p.61): Somente um ser que é capaz de sair de seu contexto, de distanciarse dele para ficar com ele; capaz de admirá-lo para, objetivando-o transformá-lo e transformando-o, saber-se transformado pela própria criação; um ser que é e está sendo, no tempo que é o seu, um ser histórico, somente este é capaz, por tudo isso, de comprometer-se. Precisamos com urgência agir para a mudança e restauração do povo brasileiro, da revolução por meio das idéias, da sua identidade e da sua verdadeira herança cultural, não aquela mascarada pela colonização em nossa personalidade. Neste sentido são convincentes as palavras de Kosik (apud Noronha, 1980, p.15-16): A dialética é o pensamento crítico que se propõe a compreender a “coisa em si” e sistematicamente se pergunta como é possível chegar à compreensão da realidade... o pensamento que destrói a pseudoconcreticidade para atingir e concretizar é ao mesmo tempo um processo no curso do qual sob o mundo da aparência se desvenda o mundo real. A destruição da pseudoconcreticidade- que o pensamento dialético tem de efetuar- não nega a existência ou a objetividade daqueles fenômenos, mas destrói a sua pretensa independência. O resultado desta compreensão e destruição da acomodação é um instrumento importantíssimo para a busca de uma nova consciência éticopolítica visando transformações, criação e desenvolvimento de iniciativas superadoras, tendo domínio sobre as estruturas de dominação. Há uma passagem em Tuckmantel (2002, p.46) que nos elucida a importância da práxis não apenas no educador, mas no homem: É pela práxis que o homem se humaniza. Para humanizar-se não pode permanecer na subjetividade, precisa objetivar-se. A objetivação só pode acontecer através da práxis. O trabalho humano é a práxis fundamental. Através dela o homem se faz presente como ser social humaniza a natureza e humaniza-se, enquanto se eleva como ser consciente sobre sua própria natureza e cultura. 24 Observando nossas ações, temos que buscar em nossas raízes atitudes mais condizente com nossa realidade, negando toda a sistemática de regras, segundo padrões que não são os nossos e, essa mudança, será possível por meio da superação dos modelos anteriores. São apropriadas as palavras de Marx (apud Mello 1993, p.79): ... essencialmente destinada ao conhecimento do que era necessário ao homem no ‘reino da necessidade’; o restante o que o situa no ‘reino da liberdade’(...) Por um lado é preciso uma mudança das condições para criar um sistema de instrução novo; por outro lado, é preciso um sistema de instrução já novo para poder mudar as condições sociais. Por conseguinte, é “preciso partir das condições atuais Necessitamos, então, fazer uma análise de todo o processo sócioeducacional brasileiro levando o indivíduo a desejar uma nova realidade mais justa, como um fator determinante para a transformação social. É preciso negar esse presente desumamo, excludente, desigual. É necessário perturbar os acomodados, desestabilizar a mercantilização das relações, pois o princípio da igualdade é a solidariedade, inclusive quando pensamos em mudar algo, não podemos fazer nada sozinhos, sempre precisamos do outro. No Brasil, temos a necessidade de um educador comprometido com o desenvolvimento humano, com as ações pedagógicas, intervenções sócioeducacionais, devido às condições humanas desiguais do povo brasileiro. A desigualdade social é marcante, porém, a miséria de um povo pode ser superada por transformações sociais pela práxis. No que se refere à práxis e educação, podemos refletir, a partir das palavras de Tuckmantel (2002 p.41): Transferindo essa reflexão para o âmbito da educação, a tarefa da práxis pedagógica é trabalhar alguns valores objetivos do mundo material dos homens, visto que ela se realiza sob os condicionantes que existiam anteriormente à prática pedagógica e que a determinaram dessa maneira. A atividade pedagógica se funda em idéias articuladas a 25 finalidades, cujo objeto são homens reais, vivendo em sociedade que têm como finalidade uma transformação real e objetiva do meio. As finalidades da educação se encontram estreitamente articuladas à sociedade que se busca empreender e, esses fins não são abstratos e/ou desinteressados, mas concretos e marcados pelo seu tempo. São fins sociais e indicam que a possibilidade da educação escolar ser um instrumento de atualização da vida social está no poder de concretizar a interação entre conhecimento elaborado e senso comum, teoria e prática. O recurso que o professor dispõe é um grupo de alunos, de diversificados grupos sociais, que trazem valores, crenças e ideais de seu grupo de origem. O professor extrai e devolve os alunos à práxis social e, o objetivo da atividade do professor é devolver à sociedade de onde vieram esses alunos, homens reais. Situando os fatos através da história, percebe-se que, quando os colonizadores europeus aqui chegaram, não encontraram degradação e sim trataram de macular toda a integridade e a autenticidade de um povo e essa influência acirrou a desigualdade e conflitos sociais. Que vivemos atualmente é reflexo, do que não conseguimos superar. Mas é necessário resgatar a vontade de mudança na realidade, Kosik (apud Alves, 1992, p.45): ...afirmando como práxis a atividade produzida históricamente, que recupera a unidade sujeito e objeto, processo e produto. É através da práxis que o homem se relaciona com o mundo com a totalidade e se cria “a possibilidade da linguagem e da poesia, da pesquisa e do saber É a capacidade de atuar, operar, buscar transformar a realidade, de acordo com finalidades propostas, associada à capacidade de refletir que deve fazer do educador social um ser da práxis. 2.2 A Relevância da Cidadania e o Educador Social Na educação, cidadania é utilizada como uma necessidade da formação humana, a formação do cidadão. A pessoa torna-se cidadão quando intervém na realidade em que vive. O que não se percebe porém, é que cada cidadão tem uma característica, uma necessidade, que pode ser muito particular a cada 26 indivíduo. “Educar para a cidadania é educar para um mundo possível”. Gadotti (2006, p.26). O que possuímos atualmente em nossa sociedade são dois tipos de cidadãos: o cidadão cliente e o cidadão conhecedor de direitos e deveres. O cidadão cliente seria aquele com valor econômico para o Estado, que significa protegido de alguém, mantém uma relação de troca, às vezes uma relação de troca de favor. Todavia a economia é um elemento muito forte de articulação social. Podemos tomar as grandes hegemonias que dominam, gerenciam vários segmentos, e até em relações sociais como um todo, (Martins, 2000, p.8). Há, portanto, uma globalização não apenas em relação aos aspectos econômicos, mas também, ao modo de ser. E este modo de ser está intrinsecamente ligado ao modo de produção da vida coletiva da sociedade. Padroniza-se a cultura e elimina-se a diversidade regional, a pluralidade das culturas dos povos. O que importa é a tecnologia, o capital. Todas as relações sociais voltam-se ao individualismo extremo e a mercantilização das relações. Transformam-se em mercadoria, é incutido um valor. Logo, se transforma em coisa, que está para ser comprado ou para ser vendido. O cidadão é aquele que pode ser cliente. Já o cidadão como conhecedor de direitos e deveres é aquele que vê na palavra cidadania um sinônimo do conhecimento dos mesmos, como por exemplo: a garantia de seus direitos de consumidor, mas de uma maneira passiva, porque para ele, o conhecimento não pode ser crítico, sendo ele um sujeito submisso apto a não enfrentar os desafios. 27 Esse comportamento de submissão é causado pela disputa hegemônica, entre grupos sociais, porque ser passivo, acrítico vai ao encontro com os interesses de determinados objetivos de grupos sociais dominantes. No caso de um conceito adequado de cidadania, são bem apropriadas as palavras de Martins (2000, p.10): Cidadania é a participação dos indivíduos de uma determinada comunidade em busca de igualdade em todos os campos que compõem a realidade humana, mediante a luta pela conquista e ampliação dos direitos civis, políticos e sociais, objetivando a posse dos bens materiais, simbólicos e sociais, contrapondo-se à hegemonia dominante na sociedade de classes, o que determina novos rumos para a vida da comunidade e para a própria participação. A partir dessa afirmação, o conceito de cidadania busca cenários histórico-sociais, tendo o sujeito uma ampla consciência ético-político, além de uma participação crítica e ativa. E o que caracterizará este cidadão consciente é a sua práxis, por meio de uma ação teórico-prática, que transforma o mundo natural e social. Através desta, este sujeito terá uma determinada visão da realidade. Isso porque a práxis se torna um instrumento de compreensão do homem e do mundo ao longo dos tempos. Portanto, esse processo poderá resultar numa nova conjuntura social, na qual o sujeito passará a ser ou ter as condições concretas de coordenar quem dirige o coletivo social. O cidadão será além do cliente, daquele que é conhecedor de seus direitos e deveres; aquele com uma missão ético-político definida, buscando sempre a superação da atual condição. A fim de se engajar na luta política, tendo em vista a busca de uma transformação, frente às desigualdades sociais. 28 Por meio da formação de cidadãos através da educação consciente, busca continuamente novos rumos, novos conhecimentos, vinculados e comprometidos com a realidade. A educação libertadora surge para integrar e libertar, como afirma Santiago (1998, p. 53): O problema social e o político sobressaem com maior força diante da consciência do escritor, do cientista, e do artista latino-americano. Essa realidade contraditória constitui a nota dominante de nosso trabalho criativo. A ela, a grande parte, se dirige a poesia, a narrativa a pintura, a música e as ciências sociais. Dela provém em forma relevante o motivo de sua criação. O primeiro traço de integração e de identidade ocorre na consciência comum da libertação produzida por essa situação determinada.Talvez se pudesse dizer que a ação sociopolítica e a conseqüente consciência comum derivada dela contribuam nesse âmbito para uma primeira tentativa de integração cultural. Um dos primeiros passos, para a nossa libertação, é a ação para um fortalecimento, buscando a superação dos conflitos e das diferenças porque a verdadeira liberdade não é a individual é coletiva e proporciona o desenvolvimento de todos de modo pleno. Para a realização das utopias devemos sair da academia e ir para a comunidade, os intelectuais devem descer do topo da pirâmide, tomar a iniciativa a que defendem, se tornar responsáveis por uma ação efetiva, militantes comprometidos com sua práxis. A pedagogia libertadora se faz através de uma educação crítica, se faz mediante uma conscientização, construída pelo próprio indivíduo em seu dia a dia, de modo a encontrar na iniciativa, uma prática transformadora. Para enfrentar as desigualdades existentes do neoliberalismo, temos que buscar na crise a esperança de uma mudança. Ainda em relação à educação popular, podemos afirmar que educação comunitária é uma ação que reconhece a pessoa como um ser que pensa, 29 age, sente e traz consigo uma cultura que precisa ser respeitada para poder crescer e se desenvolver, pois, a cultura atua como parte da identidade do ser humano, e os valores são fundamentais para a sua formação. A educação sócio-comunitária rompe com a adaptação do Ser, para transformá-lo. É mediadora de uma educação dirigente de uma intervenção que possa agir mediante a autonomia do ser, uma intervenção que conduz à emancipação coletiva. Esta educação pode ser explicada pela via do conhecimento, educar para o mundo. Dada a relevância desse processo de educação sócio-comunitária, não se pode esquecer um dos atores importantes desse processo: o Educador Social. Sua formação deve ser prolongada por meio de cursos, que visam aprofundar conhecimentos e, discussões sobre o contexto educacional. Um educador bem preparado favorecerá o envolvimento, crescimento pessoal, consciência de cidadania agindo em defesa dos interesses e contribuirá para as necessidades do aluno. Resgatar valores, no tocante a uma nova concepção de mundo, de cidadão, uma nova vontade popular. Determinação e força para transcender a dificuldade perante um engajamento, um todo vivo, uma unidade orgânica, não se faz sozinho. Um fator muito importante para o educador social neste processo de participação popular é a sua formação e o seu comprometimento com o desenvolvimento, seja nas escolas de periferia, seja em associações comunitárias, associações, núcleos assistenciais. O Educador Social deve ter um compromisso que inevitavelmente todo profissional consciente tem relação à sua profissão, sua preocupação, seu compromisso, principalmente com as camadas populares, uma vez que 30 podemos perceber é que as oportunidades, tanto educativas quanto sociais, são negadas aos educandos da periferia. Devemos assimilar que tudo o que se faz com uma ação, constitui-se em compromisso e é a partir desse momento, surge uma exigência a análise do verdadeiro compromisso do profissional com a sociedade, com o próximo. Um dos principais requisitos para o educador social alcançar a plenitude de seu comprometimento, é ser capaz de agir e refletir sobre tudo o que está a sua volta e principalmente sobre a realidade que cerca seus educandos e saber-se também parte deste mundo. O Educador Social mergulha na realidade, porém neste mergulho ele não poderá se afastar, olhar de longe, no horizonte e voltar à água simplesmente como um contemplador. Há nele a consciência de transformar esta realidade, para que não seja apenas um mergulho contemplativo e sim um mergulho revolucionário, construtivo. A educação brasileira necessita de Educadores Sociais na educação formal. Há necessidade da valorização, resgate de autonomia de indivíduos que estão à mercê da própria sorte e que por vezes são excluídos e cerceados de uma educação digna. Essas situações possivelmente poderão ser superadas ? Se houver educadores engajados, conscientes e que se comprometam, se envolvam com a educação para o povo, com o povo e pelo povo, para o pobre, por aquele que não teve oportunidade. Enfim um Educador que não seja comprometido aparentemente e sim um profissional envolvido. 2.3 A Importância da Ética e o Educador Social Atualmente, os educadores estão programados para aprender e encontram-se impossibilitados de viver, sem a referência de um futuro. Porém 31 onde houver pessoas, onde quer que seja, haverá sempre o que ensinar e o que aprender. O homem é um ser histórico, portanto inacabado, logo estamos aprendendo o tempo todo, e isso não cabe apenas aos educandos, mas essencialmente ao educador, um ser comprometido, engajado, atuante e, esse comprometimento pode ser o da irmandade, do amor e da resiliência. Há uma passagem em Tuckmantel (2002 p.82) que esclarece: A problemática da formação no âmbito da instituição escolar fundada em princípios éticos caros para o exercício da cidadania responsável impõe-se na atualidade brasileira, como um dos problemas mais agudos. Enquanto a escola pública era privilégio de poucos, os problemas desta com a formação de seus alunos eram também mais restritos. À escola elitista cabia não apenas formar, mas selecionar, de acordo com as capacidades e desempenhos cognitivos e morais. Assim procedendo esta escola recusava-se a acolher a maioria da população e negava à maioria um direito fundamental: o direito à educação, restringindo uma cidadania plena a uns poucos. Todavia podemos ser questionados com a seguinte dúvida em relação aos educadores: Não seríamos todos educadores sociais? Somos todos educadores, mas seja que somos educadores atuantes, dedicados, empenhados em transformar e preocupados em conduzir essa educação com envolvimento, com uma ação embasada na ética, na consciência política ? Logo, o ideal seria o de ser um educador concencioso consigo e com o educando e estar com a comunidade com que está implicado. Em consonância, com o citado acima há uma passagem em Freire (1996, p.38), que assevera este pensamento: Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo. Estar sendo é a condição, entre nós, para ser. Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. Estar longe, ou pior, fora da ética, entre nós homens e mulheres é uma transgressão. 32 O educador social comprometido será aquele que dentre as suas tarefas mais importantes, tenha uma prática educativo-crítica que propicia as condições para que os educandos em suas relações com outros indivíduos possam assumir-se como um ser social, ético-político, pensante, ativo, crítico, engajado. A esse respeito Freire (1996, p.95) argumenta: “Não é possível fazer uma reflexão sobre o que é a educação sem refletir sobre o próprio homem”. O homem deve ser o sujeito de sua própria educação e não deve ser meramente o objeto dela. Devido a essa colocação, conclui-se que ninguém educa ninguém, o que existe é uma busca da comunhão das consciências, caso contrário, se coisifica as relações de consciência. Existe uma relação íntima entre comunhão e busca, pois o homem não faz nada isoladamente. Neste contexto parecem convincentes as palavras de (Saviani1992, p.56):...”elaboração do saber não é sinônimo de produção do saber. A produção do saber é social, se dá no interior das relações sociais”. O que podemos reforçar então é que um educador não seria apenas detentor dos saberes transmitidos nas academias, e sim comprometido com desejo de conhecer algo novo, o saber epistemológico, atrelado a valores que são essenciais nas relações humanas, bem como afetividade, comunhão dos sentidos. Neste contexto são apropriadas as palavras de Goergen, (2001, p.13): Entendo que os objetivos da educação moral é contribuir para que os educandos constituam, paulatinamente, um núcleo subjetivo a partir do qual possam assumir autonomamente a responsabilidade das decisões que a vida, a cada momento, exige. 33 Podemos perceber o valor da nossa consciência perante o mundo, pelos outros e para os outros, fazendo com que a mesma seja atuante, é isso que nos tornar seres históricos, transformadores. Somente o educador verdadeiramente comprometido e com uma postura crítica dessa consciência, será capaz, de fazer da educação uma verdadeira prática educativa, para a superação, bem como, a transformação do mundo. A esse respeito há uma passagem em Freire (2000,p.48) que corrobora: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. O que fundamentalmente caracteriza um educador crítico, é instigar o educando a buscar respostas, a ser participante, como cidadão que almeja a plenitude de sua cidadania, atuando em cenários histórico-sociais, sendo o sujeito, formando, um educando possuidor de ampla consciência éticopolítico, além de uma participação crítica e ativa. É necessário rever a ética na prática, no pacto com o projeto de vida dos seus educandos. Segundo Rebellato (1997, p.2) sobre a importância da ética: La ética necesita de la moral, em la medida em que los proyetos éticos de crecimiento de la vida humana, pueden caer em puro idealismo si no se concretan em normas de comportamiento. A la vez, una moral y um conjunto de normas compartidas por um grupo, por uma instituición o por uma forma de vida, corren el peligro de institucionalizarse, cristalizando determinados comportamientos y perdiendo la capacidad de creatividady de cuestionamiento. La moral necessita ser renovada permanentemente pela ética, si es que quiere caerse em el extremo de uma moral contraria a la ética precisa de la mediación de las normas ( es decir, de la moral) si es que busca ser eficaz em el plano de las prácticas sociales. Podemos assegurar então, a importância de um educador com uma formação bem fundamentada, crítica e engajada, que poderá contribuir para 34 uma educação de qualidade, mais humana, tendo como principal objetivo a preocupação e a dedicação aos oprimidos, sem nenhuma distinção, prezando sempre a liberdade e a igualdade. Reafirmamos que o papel do educador não se limita ao ensinar, independente da sua competência. Neste contexto parecem convincentes as críticas de Freire (1996, p. 38): É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do ser humano. Educar é substantivamente formar. Podemos observar que a ética no educador é aquela em que se tem uma compreensão crítica da realidade e uma prática consciente. Porque para tê-la será necessária uma ação, político-pedagógico, que envolva, organize grupos e classes populares para então intervir numa reinvenção da sociedade. Lutar por um mundo diferente é um direito das classes populares, dos desfavorecidos, que não podem fazer parte dessa história como meros coadjuvantes e sim como atores principais, protagonistas sociais. Neste sentido, Freire (2000, p.43) argumenta: Uma das primordiais tarefas da pedagogia crítica radical libertadora é trabalhar a legitimidade do sonho ético-político da superação da realidade injusta. É trabalhar a genuinidade desta luta e a possibilidade de mudar, vale dizer, é trabalhar contra a força da ideologia fatalista dominante, que estimula a imobilidade dos oprimidos e sua acomodação à realidade injusta, necessária ao movimento dos dominadores. È defender uma prática docente em que o ensino rigoroso dos conteúdos jamais se faça de forma fria, mecânica e, mentirosamente neutra. Não podemos permitir que uma sociedade justa seja aquela que favoreça apenas as elites. Esta é a razão pela qual negamos de maneira veemente no âmbito da educação social, um educador com ideologia autoritária, provedor de uma atitude colonial, elitista, de inviabilização do 35 possível, da mudança. O educador reacionário, aquele que nunca se permitirá fazer uma releitura, não apenas do mundo, mas de si mesmo. O educador qual deve estar comprometido e aberto ao aprender, receptivo em formar idéias em comunhão com a comunidade escolar e em buscar soluções, a partir do outro, bem como a partir da realidade desse outro, que convivam de um modo integrado. A formação do educador, durante o tempo de vida acadêmica deve estar atenta às mudanças que envolvam sua área e entender sua especialidade. Esta é uma iniciativa interessante, quanto à questão da formação, pois o efetivo trabalho ocorre pelo conhecimento, pela integração com prática. Existe um abismo muito grande entre ser professor e ser educador, e esta é a transformação que é necessária, que nossa sociedade tenha mais educadores do que professores. Há uma passagem em Rebellato (1997, p.16): Uma opción ética que se orienta hacia la práctica y el crecimiento de la libertad, supone el desarrollo de identidades maduras, críticas y autónomas. Autonomia no significa trascender toda dependencia. Hay dependencias que son esenciales para nuestros crecimiento; asi, todos dependemos unos de otros y nos necessitamos. O educador tem que se preparar para sê-lo. E deve ser íntegro, comprometido, para que seus educandos absorvam essa dimensão de educação, além de capacitar-se para ter conhecimento e consciência da realidade do seu campo de trabalho e da ética para uma educação ativa, engajada, viva. Uma das riquezas das práticas comunitárias e sociais está principalmente nos valores éticos da solidariedade e de compartilhar as articulações sociais, dentro de uma prática comprometida. 36 A ética o educador e a esperança devem caminhar juntos. Entendemos por ética: “um conjunto de preceitos sobre o que é moralmente certo ou errado, parte da filosofia dedicada aos princípios que orientam o comportamento humano”. (Houaiss 2004, p. 319). Há uma passagem em Freire (2000, p.112) que ratifica a definição: É a vida que se indaga, que se faz projeto; é a capacidade de falar de si e dos outros que a cercam, de pronunciar o mundo, de desvelar, de revelar, de esconder verdades. Por tudo isso, não teria sido possível a existência humana sem a necessária eticização do mundo que por sua vez, implica ou comporta a transgressão a ela. A eticização do mundo é uma conseqüência necessária da produção da existência humana ou do alongamento da vida em existência. Na verdade, só do ser que, fazendo-se socialmente na História, se torna consciente de seu estar no mundo com o que passa a ser uma presença no mundo, se pode esperar que dê exemplos de máxima grandeza moral, de transbordante bondade como também testemunhos de absoluta negação da decência, da honradez e da sensibilidade humana.Não podemos ensinar ética entre os tigres. A Ética é a ciência que possui como objeto o valor. Ela é uma área da Filosofia que trata dos valores produzidos pelos homens em sua vida e no mundo. A diferença dos homens e dos demais animais é que o homem, ao viver no mundo, dá significado a ele e comunica esses significados aos demais homens, que passam a agir segundo os valores coletivamente construídos. (informação verbal)². Portanto a ética é importante nas relações porque determina comportamentos, tomadas de decisões. Porém, a vida não é só aceitar os valores produzidos, mas também questioná-los, superá-los, “transgredi-los”. “Ao se deparar com os valores, os homens indagam-se e aos demais à sua volta, possuindo em vista a situação presente e as possibilidades futuras da existência da vida humana”. (informação verbal)². 37 A ética e os valores são objetos dos homens, não dizem respeito somente à situação presente, mas à existência humana passada (valores recebidos de nossos antepassados), presente (os valores por nós compartilhados e construídos) e futura (os valores que pretendemos garantir para que a vida humana seja, efetivamente, mais humana. A ética reflete sobre as nossas ações, torna-se problema quando é utilitária. Não podemos perceber a ética apenas com a dimensão do útil, porque ela é mais abrangente do que isso. Esse posicionamento do autor (informação verbal)² tem um posicionamento interessante em relação ao papel da ética que comporta uma profunda crítica sócio-histórica (da existência dos homens no mundo ontem e hoje) e aponta para a necessidade de superarmos as dificuldades vividas. Ou seja, através da sua concepção de “eticização do mundo”, nos revela um posicionamento político-pedagógico: aprendermos e ensinarmos a viver de outra forma para que as nossas relações sejam diferentes das que hoje compartilhamos. A eticização do mundo é uma conseqüência necessária da produção da existência humana ou do alongamento da vida em existência. Isso nos leva a afirmar que o educador deva passar por uma análise de si mesmo, da sua ética, para uma superação do seu modo de trabalhar perante a realidade do mundo. Segundo Freire (1996, p.95): “O ensino dos conteúdos implica o testemunho ético do professor. A boniteza da prática docente se compõe do anseio vivo de competência do docente e dos discentes e de seu sonho ético.” ² Notícia fornecida pelo Prof. Dr. Marcos Francisco Martins na disciplina Práxis Social e Práxis-programa de PósGraduação Scricto Sensu-UNISAL-Campus de Americana em 05 de abril de 2005. 38 Podemos afirmar ainda que na sociedade em que vivemos tudo aquilo que é rápido, eficaz e que dá lucro tem aprovação ética, ou seja, tudo é convenientemente permitido, porque de acordo com o modelo neoliberal: o sistema precisa funcionar. Banalizam-se a história e a cultura, dispensam-se as tradições e os costumes, pois o homem moderno pode se adaptar: todos os tipos de comportamento são considerados válidos. De acordo com Goergen (2001, p.15): Impõe-se à celebração da mercadoria, o consumo, a comunicação, a celeridade e a futilidade que ofuscam a consciência das terríveis fraturas sociais e da necessidade de novos modelos de desenvolvimento social. O homem verdadeiramente consciente buscará novos rumos, novas alternativas, que permitam sobreviver a hedonização da vida, transcender o individualismo, e a partir de então haja um resgate da dimensão social e política essenciais à condição humana, e esse novo homem será, então, um ser engajado na construção do futuro. É próprio do sistema capitalista fragmentar para controlar, inclusive as relações humanas, para garantir uma supremacia ideológica. É necessário irmos além das limitações das estruturas; das idealizações; da ausência de integração; de definições sobre a função social da escola; da importância do saber popular ser incorporado formalmente; das competências e do domínio dos conteúdos básicos, bem como saberes científicos. A experiência ética no trabalho cotidiano deverá ser instrumento de superação das desigualdades sociais e humanas. 39 2.4 A Esperança e o Educador Social Por esperança entendemos um sentimento de realização daquilo que se deseja e que realmente se tenha a ciência de que é algo essencial para desempenhar o seu papel, o seu trabalho, a sua ação pedagógica. Assevera Gadotti (2006, p.55) : “Uma educação sem esperança não é educação.” Uma citação de Freire (2000, p.73) elucida o pensamento acima: A matriz da esperança é a mesma da educabilidade do ser humano: o inacabamento de seu ser de que tornou consciente. Seria uma agressiva contradição se, inacabado e consciente do inacabamento, o ser humano não se inserisse num permanente processo de esperançosa busca. O educador poderá ficar preso às limitações, devido à ideologia que nos cerca, a desesperança, o descrédito de que somos capazes de transformar. E esse é atualmente um grande desafio da esperança na prática educativa. O educador poderá por meio da percepção da realidade articular a educação a uma prática política. Há uma passagem em Gadotti, (2006, p.55): A cidade violenta e insustentável deixa-nos em um clima de medo e falta de esperança. Nossa força como educadores e educadoras é limitada. Nossas escolas são também produto da sociedade. Contudo, a esperança, para o professor e para professora, não é algo vazio, de quem espera acontecer. Ao contrário, a esperança, para os professores, encontra sentido na sua própria missão, a de transformar pessoas, dar nova forma às pessoas de alimentar, por sua vez a esperança delas para que consigam construir uma realidade diferente, um mundo novo. Uma educação sem esperança não é educação. Embora nos deparamos constantemente com princípios no qual está embasado o neoliberalismo: o individualismo, em que as desigualdades são naturalmente instituídas. Todos poderão agir por si, o que ocasiona um efeito social perverso, vai desestimulando, desesperançando os educadores, a educação pode ser envolta na esperança, ao invés de oprimir, libertar, ela pode se opor ao sistema e superar a realidade anterior, ter como princípio a igualdade e a solidariedade. 40 Outra compreensão da importância da esperança se dá em Freire (1996, p.72): A esperança é um condimento indispensável à experiência histórica. Sem ela não haveria História, mas puro determinismo. Só há História onde há tempo problematizada e não pré–dado. A inexorabilidade do futuro é a negação da História. O educador delimitará suas ações através da história, respeitando todo um contexto, seja ele, familiar, social, no qual se encontra inserido o educando. Não averigua somente um planejamento, uma ação pedagógica prática, pensando em alternativas para transmissão de conteúdo, como na escola bancária, mas sim como um ser histórico, um ser que é possuidor de um legado particular, a sua vivência, a história da sua existência, da sua vida. São apropriadas as palavras de Tuckmantel (2002, p. 84): Concomitantemente, devem trabalhar na criação das condições que dêem aos estudantes a oportunidade de se tornarem cidadãos que possuem conhecimento e coragem para lutar, a fim de que o ceticismo não convença e a esperança seja viável. Apesar de se tratar de uma tarefa difícil aos educadores, esta é uma luta que vale a pena travar. Proceder de outra forma é negar tanto aos educadores quanto aos futuros educadores a possibilidade de assumirem o seu papel de intelectuais transformadores. A esperança está atrelada à transformação social, indo além de um provável sentimento de uma possível realização daquilo que se deseja, daquilo que se quer. Segundo Gadotti (2003,p.70): A esperança, para o professor, a professora, não é algo vazio, de quem espera acontecer. Ao contrário, a esperança para o professor encontra sentido na sua própria profissão, a de transformar as pessoas, a de construir pessoas, e alimentar, por sua vez, a esperança delas para que consigam, por sua vez, construir uma realidade diferente, mais humana, menos feia e malvada. Ela é um valor agregador na luta do dia a dia do educador, em busca de elevar a sua condição, elevando a condição do outro. Seria como se a esperança fosse um combustível para o educador e, conseqüentemente, uma motivação para o educando. 41 2.5 A Afetividade e o Educador Social A questão da afetividade é muito importante para o êxito do educador. Um exemplo pode ser identificado por meio do Sistema Preventivo de Dom Bosco é uma ação pedagógica, uma maneira e perspectiva nova para se educar, onde se valoriza a experiência associativa, comunitária. O Sistema Preventivo requer: ambiente de relações fraternas e amigáveis, espaço afetivo e efetivo de participação, local onde o jovem possa crescer de maneira humana, solidário, amigo e amoroso com outros jovens e com o educador. A Educação, ainda segundo Dom Bosco acontece na relação, presença, diálogo, no encontro com o outro. Uma contribuição importante em relação à educação preventiva é a de Dom Bosco, em que o sistema preventivo não é um livro ou um tratado de pedagogia, mas uma práxis conseguida que pode tornar-se modelo e inspiração para quantos hoje estão preocupados em usar a "memória" de uma experiência, capaz de dialogar com as mutáveis situações da condição juvenil. Sua ação pode ter o respaldo pelo que Dom Bosco denominou: “amorevolezza”. Este termo indica um grupo de pequenas virtudes relacionadas ao comportamento da pessoa, demonstrado por palavras, gestos, atitudes, sentimentos de amor, de agradecimento e de cordial disponibilidade. (Caro, 2004 p.52) Seria uma atitude inerente ao educador, aos seus mais caros valores, conduzindo a educação de modo amigável, dialogal, envolvente num relacionamento estreito e afetuoso, independente do nível social, da raça, do credo. Segundo Vecchi (2001, p.23): “a educação é uma questão de coração”. “É preciso demonstrar o afeto de maneira que o jovem o perceba.” 42 Para tanto o educador deverá ser capaz de compreender a realidade e antes de tudo, perguntar para depois ouvir, saber escutar é essencial, mergulhar na realidade do educando e neste mergulho, emergir e analisar o que está ao seu redor. Ser detentor de sensibilidade e amorosidade. “Compreender a humanidade do ser humano e a relação entre humanidade e educação é premissa fundamental para compreender a educação social”. (Arola, 2004 p.23). Isso seria ver apenas uma pequena parte de toda uma realidade. Não pode haver o reducionismo na educação, pois ela é: global, social, humana e se dá ao longo de toda nossa existência. O que vemos atualmente é uma escola que adota certa resistência aos conflitos e problemas sociais dos alunos. Ela poderia ser mediadora da comunicação entre aluno/escola/mundo. “Em certo sentido, pensamos nós, a educação social nasceu para completar objetivos educativos não assumidos pela escola”. (Romans 2003, p.125). Existem determinados conflitos, seja de cunho emocional, de convivência, psicológico, que a escola formal, com um educador despreparado, não é capaz de administrar. É necessário um educador comprometido em construir coletivamente, na diversidade das condições permitindo que aos indivíduos expressarem suas mais diversas capacidades, sem opressão. Há uma passagem em Boff (1996, p.52) que assevera esta idéia: Hoje estamos entrando em um novo paradigma, isto quer dizer que está emergindo uma nova forma de comunicação dialogal com a totalidade dos seres humanos e suas relações. Evidentemente segue existindo o paradigma clássico das ciências com os famosos dualismos, como a divisão do mundo entre material e espiritual, a separação de natureza e cultura, entre ser humano e mundo, razão e emoção, feminino e masculino (...). Mas apesar de tudo isso, devido às crises atuais, está se desenvolvendo uma nova sensibilização para 43 com o planeta enquanto um todo. Daí surgem novos valores, novos sonhos, novos comportamentos, assumidos por um número cada vez mais crescente de pessoas e comunidades. Assim como a cultura da prevenção nos faz planejar a paz e não os conflitos, a ação do educador social é o de uma educação com comprometimento e prevenção. Há uma passagem em Caro (2004, p.17) que expressa muito bem o que afirmamos: ...todo profissional, que tem como objetivo a promoção do ser humano, deve passar a olhar, com maior atenção, a realidade atual, para atender às situações mais imediatas da sociedade e buscar um futuro mais promissor para a população desfavorecida. Uma das principais premissas do sistema preventivo de Dom Bosco baseia-se em: envolver o educando em um relacionamento de estima, amizade, acolhimento e uma análise positiva daquilo que ele possui, do que ele é e ainda do que pode vir a ser. O sistema preventivo trata ainda de um fator extremamente importante ao educador, independente do nicho social em que trabalhe ou atenda, porque amorevolezza segundo Vecchi (2001, p.26): diz respeito àquela capacidade inata do coração humano de responder a estímulos atraentes e nobres... provoca no educador uma concepção educativa que atinge o sujeito e transmite todos os conteúdos, pelo caminho do relacionamento respeitoso e, também, amigável e envolvente. Ao educador faz-se mister estas atitudes, já que o ser humano é um ator e autor da realidade porque cria e define situações. As pequenas e micro revoluções que podemos fazer, estão presentes nas relações humanas e podem se estabelecer através da afetividade. Neste aspecto, são precisas as palavras de Barral, (apud Petrus 1998, p 64): Afasta de mim esse tristíssimo pedagogo. Nós educadores , temos de recuperar a capacidade de sorrir e temos de educar para o riso, pois rir 44 é uma coisa muito importante e séria. Kant disse, como todos sabemos, que a faculdade estritamente humana é a capacidade de ser educado. Contudo não é menos certo que rir é outra capacidade distintiva do homem. Somente nós, as pessoas, somos capazes de manifestar esse estado de ânimo que nos predispõe a estar contente, a nos mostrar amáveis e solidários. Rir é um ato de comunicação e, em conseqüência, resultado de um processo educativo. Não estamos falando aqui de prática pedagógica e, sim, atitude pedagógica humanizada, quando um educador compreende a importância social do seu trabalho, um trabalho envolvido, consciente, humanizado, resultando então em transformação e é através dela que poderá perceber seu verdadeiro papel, bem como a partir daí, fomentar sua ação. A vocação é um fator importante, porém não seria o único, porque a formação de consciência do indivíduo não é inata, exige atitude e o agir através da interferência dos elementos externos e internos ao sujeito. Há uma passagem em Gadotti (2001, p.89) sobre este argumento: “Se a educação fosse um processo espontâneo, ”natural” e não-cultural, não haveria necessidade, de se organizar esse processo, de sistematizá-lo.” Pode-se afirmar que não é apenas uma tendência, uma disposição natural que forma um educador, é preciso que o mesmo esteja disposto a sistematizar, organizar o processo educacional, ter uma formação éticopolitico. Seria, então, portador de uma ação revolucionária atingindo a todos os níveis da sociedade, não apenas a um segmento. Podemos citar o seguinte exemplo: empenhando-se mais em atingir um determinado público, podemos citar o tratamento diferenciado a educandos de escolas particulares, o comportamento de alguns “professores” que trabalham com muito esmero, dedicação e afetividade. Podemos ainda citar Gomes (apud Caro, 2004, p.25): 45 ...a idéia de que o educador deve colocar profundo afeto naquilo que faz amar seus alunos, aprender com eles; criar na sala de aula um clima de amizade e respeito, um verdadeiro ambiente democrático, para assim se poder falar sobre a educação od cidadão responsável. Acrescenta ainda que a maioria das pessoas, que são marcadas, positivamente, em suas vidas pela atuação de um educador, carregam a marca do amor, tendo-o como exemplo de vida. Podemos colocar que a revolução que deverá acontecer para uma efetiva mudança na ação do educador deve considerar revolução intelectual e moral. A consciência política deverá estar presente neste educador, pois toda pedagogia que almeja realizar um princípio de liberdade, para formar um indivíduo em si, isolado dos demais, sem um comprometimento sóciocomunitário, é uma abstração, não poderá definitivamente existir. É importante acrescentar ainda, que o educando livre e liberto, não é aquele que age arbitrariamente, isoladamente, mas sim aquele que age de modo responsável e consciente em comunhão com seus pares. A educação é também uma prática política e exige uma formação política do educador, para tanto ele deverá conhecer em que mundo concreto vivem seus alunos, a realidade deles, para atuar no mundo imediato das necessidades e da sensibilidade dos educandos. Freire (1994, p.28) referenda esta idéia com o seguinte pensamento: O contexto teórico, formador, não pode jamais, como às vezes se pensa ingenuamente, transformar-se num contexto de puro fazer. Ele é, pelo contrário, contexto de que-fazer, de práxis, quer dizer, de prática e de teoria. O educador não pode ser portador de um comportamento passivo, aprisionado em certas crenças que lhe foram embutidas, nem mesmo aceitar ser “aquele” descrente de suas possibilidades ou até mesmo um mero cumpridor de horários. 46 Logo, o educador quando se liberta da domesticação e das amarras de teorias tradicionais ou até mesmo das teorias tidas como “modernas”, muitas vezes limitadas e descabidas em determinadas comunidades, pode vir a superar a condição passiva. Segundo Freire (1994, p.32): não significa que a prática educativa deva ser uma espécie de marquise sob a qual a gente espera a chuva passar. E para passar uma chuva numa marquise não necessitamos de formação. O educador isolado jamais pode crescer, evoluir. A comunhão com seu educando é fundamental para que ocorra a transformação de ambos, pois, é vendo-se no outro a quem o seu ato de educar, transforma-se pelo amor e por amor, poderá criar a coragem de promover a mudança ética, para uma educação libertadora, com indivíduos autônomos, livres, críticos, criadores. A autonomia poderá proporcionar a capacidade de superação dos pontos de vista, até mesmo de amansamento. Emerge então, um compartilhamento de valores, estabelecendo um conjunto de metas e estratégias que somente estarão presentes em relações cooperativas, comunitárias. Citamos Freire (1994,p.42) que referenda esta idéia: Ajudamo-los ou os prejudicamos nesta busca. Estamos intrinsecamente a eles ligados no seu processo de conhecimento. Podemos concorrer com nossa incompetência, má preparação, irresponsabilidade, para o seu fracasso. Mas podemos, também com nossa responsabilidade, preparo científico e gosto pelo ensino, com nossa seriedade e testemunho de luta contra as injustiças, contribuir para que os educandos vão se tornando presenças marcantes no mundo. Se almejamos uma transformação social é necessário que exista paixão pela educação, pelo aprimoramento contínuo, pela constante reinvenção da ação, lutas diárias e esperança constante, além do amor. De acordo com Freire (1994, p.65): 47 É preciso, contudo que esse amor seja, na verdade, um amor armado, um amor brigão de quem se afirma no direito ou no dever de ter o direito de lutar, de denunciar, de anunciar. É essa a forma de amar indispensável ao educador progressista e que precisa ser aprendida e vivida por nós. Entre os valores essenciais ao educador social, um dos mais significativos é a tolerância, que para sê-lo é necessário ter respeito, disciplina e ética pelo outro. Não podemos formar os “ninguéns’ na escola, excluí-los da cidadania e de um tratamento digno e ético. São oportunas as belas e duras, porém verdadeiras, palavras de Galeano (1991, p.102): As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza... Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos do nada... Que não são, embora sejam. Que não falam idiomas, falam dialetos. Que não praticam religiões, praticam superstições. Que não fazem arte, fazem artesanato. Que não são seres humanos, são recursos humanos. Que não têm cultura, têm folclore. Que não têm cara, têm braços. Que não têm nome, têm número. Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local. Os ninguéns que custam menos que a bala que os mata. Não podemos afirmar que vivemos em uma sociedade em condições justas quando, segundo as Nações Unidas (1998), cerca de 40 milhões de crianças nascem a cada ano no mundo, sem terem direito a um registro. Este é um dos maiores desafios do nosso tempo dessa sociedade. Conforme Barbosa, (2002, p.138): A razão precisa de um outro amor. Precisa do encantamento. Para educar pessoas, é preciso mais que idéias. É preciso encantamento. Sem encantamento, as idéias não se convertem não se transformam não se tornam carne e sangue do vivido. Qual a importância deste Educador Social e que contribuições ele trará para a educação brasileira ? Em particular para as escolas de periferia ? 48 3 – PERSPECTIVAS DE ATUAÇÃO DO EDUCADOR SOCIAL A relevância do Educador Social e sua atuação nas escolas periféricas, esta no comprometimento, num envolvimento com maior empenho, em síntese é o profissional que pensa, oferece, analisa, avalia, procurando resolver as tensões que venham ao encontro das necessidades, interesses e problemas dos sujeitos em uma dada realidade. Esta atitude é vital para que estabeleça as relações para além da dominação histórica. Petrus (1998, p.60) assevera: A educação é global, é social e acontece ao longo de toda a vida. Se o objetivo da educação é capacitar para viver em sociedade e se comunicar, é preciso admitir que, em algumas ocasiões, a escola adota certa atitute de reserva frente aos conflitos e problemas sociais dos alunos. O processo que ocorre na educação não formal vem embasado que se denomina ”Educação Social”, que por referência é conteúdo da Pedagogia Social. Há uma passagem em Trilla (2003, p.16) que nos elucida: A Educação Social é o resultado ou produto do processo, denota aquele campo da realidade educativa que, em relação ao desenvolvimento, necessariamente se difundiu e se diferenciou como um sistema de ajudas sociais que se tornaram necessárias nas áreas de conflito da sociedade é a “pedagogia da necessidade”. Vivemos em uma sociedade democrática. A educação social pressupõe cultivar a capacidade dos futuros cidadãos, para pensar por si mesmos, para poder mais tarde deliberar, julgar, discorrer sobre as bases de suas próprias reflexões, seus conflitos. Alguns dos princípios da educação social revelam uma educação emancipadora, assumindo o compromisso com os objetivos e valores educativos relacionados com o desenvolvimento da autonomia, e, que numa 49 perspectiva histórica, necessitam de um constante repensar. Segundo Petrus (1998, p.59): A Educação Social está obrigada a iniciar toda ação a partir do pressuposto: o respeito pela cultura de origem do cidadão. Se queremos frear a atual tendência da desigualdade e da polarização social, pensamos que somente cabe uma estratégia: as políticas públicas. E dentro delas, acreditamos, a Educação Social terá a cada dia um papel mais importante, principalmente se for capaz de detectar corretamente as necessidades de todos aqueles que se vêem obrigados a construir uma nova “identidade”. O enfoque pedagógico crítico entra em cena através do discurso e da prática pedagógica, como expoente de um potencial emancipador da educação social, em especial dos educandos. Sem, todavia, diluir-se num otimismo pedagógico ingênuo, que permite que a educação tenha um papel que transcende a mera socialização mecânica dos indivíduos, sem nenhum compromisso pessoal e ético. São convincentes as palavras de Romans (2003, p.166); [...] queremos dizer que o trabalho do Educador Social não consiste em fazer o trabalho em que os usuários e as usuárias devem fazer, mas que devem saber ensinar o que estas pessoas têm de aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a ser, já que é na interação que se dá o trabalho educativo transformador. O fundamento da ação do educador social está na utopia, dentro de uma educação popular libertadora, uma pedagogia não preocupada unicamente com a cultura individual, nem em modelar o seu comportamento para viver numa sociedade capitalista. Ao contrário, a proposta pedagógica libertadora se faz a partir dos problemas enfrentados pelo educando no seu cotidiano, de modo a ter uma prática transformadora da realidade que o cerca, isto é, aprender a ler as desigualdades do capitalismo, colocando como eixo central à relação educação-política. 50 A utopia é um instrumento para descobrirmos a realidade concreta e propulsora para a ação transformadora e que ela, em si, vai buscar abarcar as inquietudes e insatisfações do homem. Por Utopia entendemos: “a Utopia é uma imagem de perfeição social, um instrumento de descoberta da realidade concreta e um móvel para a ação transformadora” (Santiago, 1998, p.36). Rompe assim com a hegemonia, se desvencilha dela, busca seu autêntico mundo, o seu verdadeiro desejo de mudança da situação. De acordo com McLAREN (2006, p.52): E, quando Freire fala de lutar para construir uma utopia , ele está falando de uma utopia concreta em oposição a uma utopia abstrata, uma utopia baseada no presente, sempre operando “ a partir da tensão entre a denúncia de um presente que se torna cada vez mais intolerável, e a anunciação, anúncio, de um futuro a ser criado, construído, política, estética e éticamente[...] As utopias estão sempre em movimento, nunca são predeterminadas, nunca existem como moldes que só garantiriam a repetição mecânica do presente, antes existindo em meio ao movimento da própria história, como oportunidade e não como determinismo. Nesse sentido, destacamos que o fundamento da ação do Educador Social está na utopia de desvelar a realidade concreta e nela desempenhar ações transformadoras, motivado pelas inquietudes e insatisfações do homem e tendo em vista romper com as relações de poder vigentes. Neste sentido são apropriadas as palavras de Santiago (1998, p. 43): As utopias pertencem à intimidade mais profunda do homem e ninguém pode arrebatar. A utopia combate a falta de liberdade, na medida em que se faz “topia”, ou seja, realiza-se, começa então a luta pela liberdade e a humanização. Quer viver a profundidade humana. Cabe ao educador social, assumir novas competências sociais, bem como uma postura definida, engajada em relação ao cidadão brasileiro, cuja identidade encontra-se imbricada ao processo de aculturação e amansamento. O intercâmbio de características culturais entre conquistadores e conquistados deu origem a uma pseudocultura da educação que sempre foi 51 política, o que necessitamos é ter clareza do projeto político que ela defende politizando-a. 3.1 A Importância do ser Educador Social O desafio do educador social está em espaços comunitários em que a educação, uma vez social, possa ser alcançada pelas classes populares e ser colocada a serviço dela. A intervenção do educador social visa o desenvolvimento integral do ser humano com qualidade, igualdade e consciência ético-política. O educador social é politizado, consciente de suas responsabilidades sociais, comprometido racionalmente, e recusa-se a ser manipulado. São apropriadas as palavras de Romans (2003, p.133)... “uma Educação Social favorecedora do crescimento integral do indivíduo e do pleno desenvolvimento da comunidade estaria falando de educadores transformadores da realidade social, sujeitos ativos e reflexivos.” O que caracteriza o educador social, além da sua posição político pedagógica, é o comprometimento com os segmentos sociais mais desfavorecidos; sensibilidade social, atitudes voluntaristas, de resiliência, resignação-ação solidária e militância social comunitária. De acordo com Santiago (1998, p.68): “Quanto à educação comunitária, é a organização de ensino pela base a ligação entre instrução e organização sociopolítica dos pobres. Aprender na comunidade com ela e para ela significa usar a história de sua própria região.” Cabe ainda ao educador social, ser o portador de uma ação pedagógica que leva a um engajamento social e político, percebedor das reais possibilidades da ação social e cultural, na luta pela transformação das 52 estruturas opressivas da sociedade excludente. Segundo Romans (2003, p.131): Se entendermos que a Educação Social não deve ser uma mera e inconstante colaboradora de uma clonagem dos valores que uma sociedade consumista, individualista e alheia aos problemas dos demais nos que impor, mas a promotora de alternativas que permitam, através do trabalho conjunto e solidário, a realização de melhorias tanto em processos individuais como comunitários, teremos de pensar em um estilo de educador impulsionador de mudança social. A ação do Educador Social tem subsídio valioso para a compreensão da realidade educacional latino-americana, dentro de uma sociedade fechada à compreensão do papel do trabalhador social. O que o Educador Social compromissado busca é uma sociedade diferente, isto é, uma sociedade aberta a todas as classes, sem distinção e buscando a valorização humana e cultural dos indivíduos. Segundo Barbosa (2002, p.148): Não basta educar a inteligência. É preciso educar a sensibilidade. [...] Para que crimes contra a humanidade e contra a vida no planeta sejam inviáveis, é preciso também educar as emoções. É preciso uma conversão ética. Sabemos que não basta informar. Não basta o pensar. É preciso reconhecer o outro, respeitar a sua diferença, admirar sua singularidade. Reconhecer nele o direito à existência, à voz, ao pensar, ao aprender. Reconhecer que temos sofrimentos e sonhos, signos e sangue em comum. Unidade na diversidade. Unidade da diversidade. Para a educação dos sentimentos e para a conversão à ética de reverência pela vida, é necessário o pensamento simbólico, a linguagem simbólica. Portanto a importância do Educador Social está em uma prática politizada e consciente de suas responsabilidades sociais, além de um compromisso racional e emocional com seus educandos, capaz de agir e refletir, com uma ação pedagógica embasada na ética, respeito à dignidade e autonomia do educando. 3.2 A Importância do Educador Social como Intelectual Transformador 53 Ao citarmos intelectuais necessitamos esclarecer de onde parte a importância deste para o presente estudo. Aos intelectuais cabe a tarefa de conduzir às massas a filosofia da práxis. Podemos citar também uma passagem em Gadotti (2001, p. 26) que coloca de modo particular, em que momento educador torna-se o intelectual orgânico: O intelectual orgânico do proletariado, cujo advento passa pela” autodestruição” do velho intelectual. Ele não procura mostrar a “superioridade” dos intelectuais em relação aos “simplórios” . Seu esforço está na elaboração de uma nova concepção intelectual:”todos os homens são intelectuais,(...)mas na sociedade nem todos têm uma função intelectual”. São intelectuais porque independentemente de sua atividade intelectual, adota uma visão do mundo, uma linha de conduta deliberada e contribui, portanto, para defender e fazer prevalecer uma certa visão de mundo para produzir novas maneiras de pensar. A transformação pode vir a ser através da formação de uma camada de intelectuais, que representa a união entre teoria e prática. Segundo Gramsci (1989, p.27) sobre os intelectuais orgânicos: Disto se deduzem determinadas necessidades para todo o movimento cultural que pretende substituir o senso comum e as velhas concepções do mundo em geral, a saber: 1) não se cansar jamais de repetir os próprios argumentos (variando literalmente a sua forma): a repetição é o meio didático mais eficaz para agir sobre a mentalidade popular; 2)trabalhar incessantemente para elevar intelectualmente camadas populares cada vez mais vastas, isto é, para dar personalidade ao amorfo elemento de massa, o que significa trabalhar na criação de intelectuais de novo tipo, que surjam diretamente da massa e que permaneçam em contato com ele para tornarem-se os seus sustentáculos. Esta segunda necessidade, quando satisfeita, é a que realmente modifica o “panorama ideológico” de uma época. Para ele, todo homem é um intelectual, um filósofo transformador ou reprodutor da totalidade, e que deve ser analisado no conjunto da classe social a qual faz parte ou tenha vindo. A prática pedagógica, para que se apresente como ação transformadora, precisa estar articulada a uma teoria. Os educadores sociais, na busca da construção de uma identidade, precisam refletir os antagonismos do sistema educacional, elaborando 54 discussões, elegendo práticas que espelhem os conflitos dia a dia. Faz-se necessário promover a construção de uma identidade docente, como categoria envolvida num movimento social organizado, ligado aos interesses da população e elaborando um projeto político–pedagógico que viabilize o que a escola necessita. Para tanto, este projeto necessariamente tem que trazer em si: a defesa da escola pública, gratuita e de boa qualidade, onde as verbas públicas se destinem exclusivamente às escolas públicas, de maneira a viabilizar a democratização da escola e a melhoria da educação. Esta é a função intelectual transformadora do educador social, visto que os intelectuais se constituem em um processo e se vinculam a diferentes classes. Portelli (1977, p.31) “(...) Não existe uma classe independente de intelectuais, mas cada grupo social possui sua própria camada de intelectuais, ou tende a formá-la.” O educador da escola pública brasileira, que abriga a ampla maioria dos segmentos desprivilegiados, precisa adquirir a compreensão de sua função organizadora como um intelectual transformador, comprometido com as classes populares. Para que este professor possa cumprir o seu papel de intelectual, comprometido com a transformação social uma tarefa se impõe: que se realize uma interpretação da história e da sociedade de acordo com a visão de mundo das classes populares, a fim de que essa se trabalhe, incessantemente, para elevar intelectualmente as camadas populares, cada vez mais vastas. Segundo Tuckmantel (2002, p. 81): 55 Uma massa humana ou uma classe social não pode adquirir autoconsciência crítica sem gerar seus intelectuais; a classe dos professores para desenvolvê-la precisa criar e desenvolver os seus próprios intelectuais. O trabalho intelectual do professor, tanto através da educação de consciências, produzido pela ação pedagógica, como através da sua ação como cidadão, produz um trabalho prático de transformação na estrutura da escola, que por sua vez se articula à transformação mais ampla da sociedade em que vive. O educador que trabalha nas escolas desprivilegiadas, com uma ação pedagógica consciente, envolvendo questões como a ética, a esperança a afetividade, com a preocupação da formação cidadã desses educandos, pode ser ou é considerado um Educador Social. De acordo com Gadotti (2003, p.39): Para o educador não basta ser reflexivo. É preciso que ele dê sentido à reflexão. A reflexão é meio, é instrumento para a melhoria do que é específico de sua profissão que é construir sentido, impregnar de sentido cada ato da vida cotidiana [...] a reflexão deve, portanto, ser crítica. Vivemos em uma sociedade que assevera a desigualdade social, podemos construir uma escola alternativa para os desfavorecidos, com educação integral, mediadora de significados para a vida. Segundo Freire, a reflexão crítica sobre a prática (1996, p.38): [...] é fundamental que, na prática da formação docente, o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo não é presente dos deuses nem se acha nos guias de professores que iluminados intelectuais escrevem desde o centro do poder, mas, pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador. Sob esse enfoque, é necessário que o trabalho difusor de conhecimento seja redimensionado e se legitime pela autenticidade de seus vínculos com o social. As transformações que decorrem do trabalho prático do educador qualitativas. social podem desenvolver mudanças político-econômicas 56 Para que isso venha a ocorrer, ele precisa comprometer-se em colocar seu trabalho a serviço da transformação da realidade. Nesse contexto, o trabalho intelectual deixa de se apresentar como “privilégio”, como atividade de pensamento descomprometida, para se tornar um trabalho de responsabilidade social, daqueles que o exercem para a comunidade. Afirma Gadotti (2003, p.32): Em síntese, a nova formação do professor deve estar centrada na escola sem ser unicamente escolar, sobre as práticas escolares dos professores, desenvolver na prática um paradigma colaborativo e cooperativo entre os profissionais da educação. A nova formação do professor deve basear-se no diálogo e visar à redefinição de suas funções e papéis, à redefinição do sistema de ensino e à construção continuada do projeto político-pedagógica da escola. O próprio professor precisa construir também o seu projeto políticopedagógico. O Educador Social atuante nesta transformação precisa ter um posicionamento político, revelar a importância da ação, articulada às relações sociais, resultantes do seu envolvimento, atento as necessidades, colocando a educação como um instrumento de luta. Nesta relação o coletivo, o comunitário deve predominar sobre o individual. Marakenko (apud Rossi, 1981, p14): “Desde seu despertar político, o educador compreendeu a importância da ação prática..., a dialética necessária entre a compreensão crítica da realidade e sua transformação revolucionária pela ação dos homens”. 3.3 A Importância do Educador Social nas Escolas de Periferia O educador pode libertar-se de certos domínios tecnicistas por meio de uma formação numa perspectiva mais ampla, crítica, que encaminhe a uma pedagogia da consciência relacionada com a ética da solidariedade, de uma educação para a humanização do homem. Freire, (1996, p.38) afirma que: “É 57 pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”. A relação que envolve educadores e educandos pode ser ampliada, por meio da participação, do compromisso ético, da comunidade escolar, para além da própria escola. Educadores podem tornar-se líderes e causar mudanças iniciadas na escola e, posteriormente, na comunidade local. Desta forma são construídas alianças sociais, diminuindo as desigualdades. Tuckmantel (2002, p.149) assevera esta idéia: A categoria de intelectual transformador é necessária porque possui uma forma de trabalho do pensamento intimamente não relacionado com a ação, e assim, oferece a possibilidade de uma contra-ideologia face às pedagogias que separam concepção de execução e ignora as experiências e a subjetividade que forma o comportamento tanto dos professores quanto dos alunos. Debates, embates devem ocorrer para uma superação da qualidade da atividade do professor, dentro da escola pública de periferia, buscando uma emancipação, desenvolver não apenas um discurso, mas também uma prática, que possibilite uma leitura crítica do mundo. Esta é uma das transformações possíveis aos educadores sociais, de modo que eles se reconhecem capazes de promover mudanças. São convincentes as palavras de Giroux (apud Tuckmantel 2002, p.150): [...] devem trabalhar na criação das condições que dêem aos estudantes a oportunidade de se tornarem cidadãos que possuem conhecimento e coragem para lutar, a fim de que o ceticismo não convença e a esperança seja viável. Apesar de se tratar de uma tarefa difícil aos educadores, esta é uma luta que vale a pena travar. Proceder de outra forma é negar tanto aos educadores quanto aos futuros educadores a possibilidade de assumirem o seu papel de intelectuais transformadores. Para se tornar um educador social faz-se necessário uma práxis relacionada diretamente à ação, o agir, sobretudo, de modo concreto, para transformar a realidade, sendo um militante a partir de sua prática cotidiana, 58 de sua experiência e na sua luta, tendo uma atuação, bem como uma consciência política, social e humana. Esta práxis do educador social possibilita entender a vida concreta, porque todo o sujeito é um ser de práxis, porém, para ela se tornar um instrumento de compreensão do mundo e do homem por meio da sua história, faz-se necessário ainda a compreensão da realidade concreta; sempre de modo dialógico, elevando a educação a um fascínio vital, porque não visceral. Recorro aqui a uma passagem em Assmann (apud Jardilino 2005, p. 84): A educação se transformou na tarefa social emancipatória mais significativa [...] para crescermos na atividadede inovar formas e maneiras de educar, saibam juntar as competências sociais requeridas pelas atividades profissionais mais variadas e as novas atividades que inventarmos com a sensibilidade social necessária para a construção de um mundo, no qual caibam todos. Vamos estar refletindo (sic) juntos sobre o sonho de unir formação de profissionais competentes com a sensibilidade ética de seres solidários [...] seres humanos que entendam que a felicidade dos outros faz parte de sua própria felicidade. A sensibilidade solidária, segundo o autor, motiva um otimismo pedagógico, criando possibilidade de uma prática envolta na sensibilidade ética, resgatando o professor como sujeito de transformação. Buscando reaproximar o processo de ensino-aprendizagem com a própria vida, significa reencantar a educação. Basicamente é isso que fundamenta a função do educador social, bem como sua importância, para o resgate da auto-estima, um trabalho envolvido junto às camadas carentes que, no dia-a-dia são impedidos de ter acesso a uma educação plena, referentes à formação integral, ética. O educador social tem o compromisso de fazer a diferença entre os diferentes, excluídos, aqueles que estão à margem e que são ignorados, tornando-se invisíveis, impossíveis e incapazes em nossa sociedade. Segundo Caro (2004, p. 92): “Quem educa deve possuir qualidades que 59 permitam a fluência da educação, independente de conhecimentos adquiridos na academia. Dentre essas qualidades, estão os seguintes constructos: a auto-estima, a empatia e a resiliência.” Ao pensar a relação do educador/educando, são fundamentais as palavras da autora, pois o educador social, para trabalhar na periferia, precisa ser desprovido de preconceito, aceitando os seus educandos como eles são, respeitando as diferenças, limitações, buscando envolver-se com a comunidade. No tocante à resiliência, no educador social, é a capacidade de superação perante as adversidades, frente a questões estressantes e conflitantes, seria a capacidade diária deste educador regenerar-se, reciclar o ânimo no seu cotidiano. De acordo com Caro (2004, p.95): Os educadores com formação em educação social possuem uma visão mais ampla de atuação, sentindo-se transformadores da realidade, e assumem maiores responsabilidades com a questão social. Nas suas ações, buscam pelos meios concretos de mudança de vida de seu educando, tendo como objetivo a construção de uma nova sociedade. Portanto, reforçaremos a necessidade do trabalho coletivo quando falamos aqui de um educador consciente e transformador. É nestas pessoas que pensamos e em proporções ainda maiores para que se torne evidente o quanto é importante à transformação de seus pensamentos e atitudes, eis que surge o germe da superação como nos mostra Mazzilli (1995, p.120): É justamente no seio dessas contradições que estão os germes de sua própria superação: cada conflito traz, em si mesmo, a sua negação. E é assim que a escola, como organismo vivo, pode se superar a partir dos próprios conflitos que gera no seu cotidiano. Tanto os problemas como as possíveis saídas para a crise da escola estão indissoluvelmente, relacionados à realidade vivida pela sociedade como um todo. 60 Podemos afirmar que a tarefa dos educadores sociais, na periferia, seria a de se tornar instrumento para conduzir seus educandos, possibilitando uma elevação cultural, além de uma emancipação social, principalmente das camadas mais pobres da população. Segundo Fernandes (1991, p.29): “Um povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego como as que temos”. A escola de qualidade, segundo o autor citado, não seria aquela que tornaria a humanidade liberta, mas um instrumento fundamental para a emancipação dos trabalhadores, educandos, enfim todos os cidadãos brasileiros. Ainda segundo Fernandes (1991, p.29): “na sala de aula, o professor precisa ser um cidadão e um ser humano rebelde”. Insistimos na importância de uma consciência e de uma postura política do educador social, na busca pela superação da atual condição dos educandos/educadores, a fim de se engajar na luta, tendo em vista a busca da transformação da sociedade frente às desigualdades sociais. De acordo com Freire (2003, p. 65): Em torno de como, fazendo educação numa perspectiva crítica, progressista, nos obrigamos, por coerência, a engendrar, a estimular, a favorecer, na própria prática educativa, o exercício do direito à participação por parte de quem esteja direta ou indiretamente ligado ao fazer educativo. Ainda segundo o pensamento de Fernandes (1991, p.29), o educador não pode ser um simples transmissor do saber, o que não apenas o fragiliza na relação com o educando, pois o aprendizado, a sua relação com o educadondo construir-se-à juntamente com a escola/comunidade. Uma das funções relevantes da escola é poder se tornar uma instituição transformadora, desfazendo-se do autoritarismo, da hierarquização 61 e das práticas de servidão e amansamento no ensino. São apropriadas as palavras de Caro (2004, p. 96): O perfil profissional e as competências que os educadores sociais necessitam vêm se definindo à medida que vão se clareando as suas funções, por meio de estudos sobre o tema e da reflexão sobre a prática diária que realizam. A responsabilidade da academia de oferecer formação a esse profissional é tão importante quanto o seu compromisso com a comunidade. Esses educadores estão próximos dos maiores problemas sociais e, em suas experiências, podem estar as soluções significativas para o planejamento das políticas públicas e para uma sociedade mais justa e igualitária. Trabalhar com a promoção humana, no caso, com os alunos de classes desfavorecidas, é um trabalho diário, denso e envolvente; que exige muito do docente, por isso é necessário uma consciência crítica, uma formação concreta, condizente com a realidade em questão. Segundo Freire (1996, p.144): Não sendo superior nem inferior a outra prática profissional, a minha , que é a prática docente, exige de mim um alto nível de responsabilidade ética de que a minha própria capacitação científica faz parte. É que lido com gente. Lido, por isso mesmo, independentemente do discurso ideológico negador dos sonhos e das utopias, com os sonhos, as esperanças tímidas, às vezes, mas às vezes, fortes, dos educandos. Se não posso, de um lado, estimular os sonhos impossíveis, não devo, de outro, negar a quem sonha o direito de sonhar. Não podemos esquecer que a nossa função é educar e não podemos ficar indiferentes ao sofrimento, pois a função do educador social certamente vai além da sala de aula, por uma prática consciente. Segundo Gadotti (2003, p.55): O novo professor é também o profissional do encantamento. Num mundo de desencantamento e de agressividade crescentes, o novo professor tem um papel biófilo. É um promotor da vida, do bem viver, educa para a paz e para a sustentabilidade [...] o novo profissional da educação é também um profissional que domina a arte de reencantar, de despertar nas pessoas a capacidade de engajar-se e mudar. Vimos até aqui as perspectivas e possibilidades da educação social, sua importância, características importantes do educador social como, por 62 exemplo, ética, cidadania, esperança, práxis e a afetividade, além da sua função como profissional transformador e a relevância da sua atuação nas escolas de periferia. A partir do exposto, analisaremos, no próximo capítulo, a relevância deste profissional nas escolas de periferia. 63 4- UM ESTUDO NAS ESCOLAS DE PERIFERIA DE SANTA BÁRBARA D’OESTE. 4.1 Caracterização dos Participantes da Pesquisa O estudo foi direcionado a um grupo de 76 professores, não educadores sociais, das séries iniciais, de dez escolas públicas da Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste - São Paulo do Ensino Fundamental, localizadas em bairros periféricos do município composto por uma população de trabalhadores assalariados e da economia informal de baixo poder aquisitivo. Tabela 1 - Caracterização dos Participantes Sexo Quantidade % Feminino 71 93,42 Masculino 5 6,58 TOTAL 76 100 Podemos perceber que no universo analisado a maioria é feminina 93,42% sendo os homens a minoria, 6,58%. Tabela 2 - Idade dos Participantes Idade Quantidade % 25-30 anos 33 43,42 30-40 anos 25 32,90 40-50 anos 18 23,68 TOTAL 76 100 64 No que se refere à faixa etária, podemos observar que a maioria 43,42% está entre 25 a 30 anos, 32,90% entre 30 a 40 anos, e por último 23,68% na faixa etária de 40 a 50 anos. Podemos verificar que os professores que atuam na periferia da cidade de Santa Bárbara d’Oeste são razoavelmente jovens e que na sua maioria acabou de ingressar no quadro de funcionários. Geralmente os professores mais antigos, devido ao tempo de trabalho, encontram-se em escolas próximas de suas residências, mais ao centro da cidade. Tabela 3 - Tempo de Atuação Tempo de Quantidade % 5 a 20 anos 58 76,32 20 a 25 anos 18 23,68 TOTAL 76 100 atuação O tempo de atuação na educação reflete o perfil dos inquiridos no sentido que sendo a maioria jovem, logo, o tempo de trabalho também é menor. Tabela 4 - Formação dos Participantes Formação Pedagogia Normal Superior Pós-graduadas Letras Matemática Direito TOTAL Quantidade 39 14 10 9 3 1 76 % 51,32 18,42 13,15 11,84 3,95 1,32 100 Quanto à formação acadêmica, a grande maioria 51,32% é formada em Pedagogia, 18,42% em Normal Superior, são as docentes mais antigas que fizeram este curso para adequar-se a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases, ao 65 plano decenal de educação). 11,84% são as formadas em Letras. Docentes pós- graduadas são apenas 13,15%. Encontramos ainda profissionais formadas em Matemática e Direito. 4.2 Procedimento Foram utilizados na presente pesquisa questionários semi-estruturados (Anexo I), com espaço destinado à redação das respostas e justificativas pertinentes, contendo 10 questões, buscando identificar o perfil do educador da periferia, sua formação, sua ação e o seu comprometimento com a práxis, ética, cidadania, afetividade e esperança. A aplicação dos questionários semi-estruturados (Anexo I), com espaço para a redação das respostas e justificativas pertinentes, foi respondida nos horários de trabalho de desenvolvimento coletivo (HTDC), no interior das instituições da periferia. 4.3 Sobre os Dados Coletados Por meio dos dados aqui apresentados, pretendemos observar a importância e relevância do trabalho do educador social frente à periferia, com a população excluída. Como foi apontado anteriormente, o estudo estará direcionado ao grupo de professores das séries iniciais, de dez escolas públicas de Ensino Fundamental, localizadas em bairros periféricos da cidade do município de Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo (Anexo II). A análise foi quantitativa. Houve uma análise e posteriormente uma categorização das respostas. 66 Utilizamos o depoimento daqueles que atuam no Ensino Fundamental dessas escolas de periferia, os mesmos compõem 20% da população de docentes do município de Santa Bárbara d’Oeste. Nossa análise, porém tenta ir além, não se restringe apenas ao aspecto quantitativo, ler nas entrelinhas, interpretar através do sentir, uma vez que o educador faz parte do próprio objeto de pesquisa, que torna o trabalho mais humano, social. Segundo nos elucida Novaski (2006, p.34): “o compromisso do pesquisador é o de não adotar uma postura dogmática diante do fenômeno mais escorregadio que existe: o humano.” Pretendemos definir os perfis e a provável utilização do conhecimento desta realidade, contribuir na transformação da situação, delineando um ideal, reciclando idéias, atitudes sensatas, próprias de um professor comprometido com sua práxis. O centro da pesquisa são as relações, envolvimento que os educadores estabelecem com a sua prática e com seus educandos revelados pelas respostas destes educadores ao questionário. Tratamos da caracterização da formação, compromisso dos docentes em suas relações sociais de trabalho. Segundo Freire (1986, p.2) ao receber o Prêmio Educação para a Paz da UNESCO: De anônimas gentes, sofridas gentes, exploradas gentes aprendi sobretudo que a paz é fundamental, indispensável, mas que a paz implica lutar por ela. A paz se cria, se constrói na e pela superação de realidades sociais perversas. A paz se cria, se constrói na construção incessante da justiça social. Por isso, não creio em nenhum esforço chamado de educação para a paz que, em lugar de desvelar o mundo das injustiças, o torna opaco e tentam miopisar as suas vítimas. 67 É preciso criar condições externas, adequadas ao desenvolvimento do educando, avaliar e aperfeiçoar as práticas relacioná-las a um mundo possível, numa atitude de cooperação com os que estão ao nosso lado, para então constituir estruturas sociais adequadas. Conseguir apreender o fenômeno estudado em seu processo traz em si uma tentativa de elaborar um pensamento crítico e autocrítico na realidade das escolas de periferia do município de Santa Bárbara d’Oeste. O método torna-se relevante para respondermos a questão, sobre a relevância do educador social nas escolas de periferia, estudo articulado aos interesses dessa população em questão e aponta para uma tentativa de construção de uma reflexão, buscando a superação da atual condição dos educandos mediante a conscientização do educador. A observação foi empregada nos diversos eventos relacionados às atividades pedagógicas, atuação da pesquisadora nas escolas escolhidas para o estudo por pertencerem à periferia da cidade. Trabalhando na função de professora substituta, cargo esse que tem a função de cobrir licenças, faltas justificadas, enfim toda e qualquer tipo de ausência da professora regente. Que contribuiu para aproximar a pesquisadora da realidade e dos sujeitos da pesquisa. O que buscamos é contribuir. Que consiste em dialogar a importância do caráter social no dia a dia do educador. Uma reflexão sobre a sua prática, envolvimento para uma educação de qualidade aos desfavorecidos. O que procurou-se investigar e como o educador envolve-se com os temas aqui estudados, como: a ética, cidadania, afetividade, esperança, apresentados a seguir: 68 Questão 1 – Defina educação e comente sobre o que te levou a optar por esta profissão. Tabela 5 – Definição de Educação Categorias Construção de conhecimento Transformação Inserção social Transmissão de conhecimento Desenvolvimento Empenho Pessoal do Educador Formação de crianças para a comunidade Adequação cultural Outros TOTAL Quantidade 20 14 9 8 8 6 6 % 26,31 18,42 11,84 10,54 10,54 7,89 7,89 4 1 76 5,26 1,31 100 Pode-se constatar que os professores não demonstram ingenuidade sobre a importância da educação, articulando-a como fator primordial, a construção de conhecimento, seguida de fatores como transformação e inserção social. Tabela 6 – Opção pela Educação Categorias Falta de opção Gostar de crianças Empenho pessoal Outros Transformação TOTAL Quantidade 24 18 16 9 9 76 % 31,57 23,68 21,06 11,85 11,84 100 Em relação à opção, verificou-se que a maioria escolheu trabalhar na educação por falta de opção, seguido por gostar de crianças. O que fica evidente é que a opção nem sempre é aquela tomada com um compromisso social ou com a área a ser trabalhada e talvez, pela oportunidade de colocação no mercado de trabalho, caracteriza a falta de opção. 69 Questão 2 – Quais os valores presentes na educação que você considera importantes? Cite os que você considera ausente. Tabela 7 – Valores Presentes CATEGORIA Amor Responsabilidade Respeito Solidariedade Não tem valores Transformação Diálogo Amizade Outros TOTAL Quantidade % 16 15 12 10 7 6 5 3 2 76 21,05 19,73 15,78 13,15 9,22 7,90 6,58 3,96 2,63 100 Tabela 8 – Valores Ausentes CATEGORIAS Disciplina e respeito Honestidade Valorização do professor Ética Cooperação e colaboração Comprometimento Solidariedade Amor Motivação Outros TOTAL Quantidade 16 12 8 8 7 6 6 5 5 3 76 % 21,05 15,78 10,54 10,54 9,21 7,90 7,90 6,57 6,57 3,94 100 No que se refere aos valores presentes na educação, verificou-se que um percentual expressivo revela o amor e a responsabilidade como valores significativos. No tocante aos valores ausentes a maioria deixa evidente a disciplina, o respeito, a honestidade a falta da ética e a valorização do professor. 70 Questão 3 – Em relação à cidadania, qual a importância deste tema na sua prática? E na sua formação? Tabela 9 – Importância da Cidadania CATEGORIAS Importante Educar para a vida e para o trabalho Mudanças sociais Busca pela autonomia política e cultural Formar pessoas críticas Consciência do próprio papel na comunidade Consciência ético-política Comprometimento Base para o trabalho do Educador Outros TOTAL Quantidade 17 12 9 9 7 7 6 4 3 2 76 % 22,36 15,79 11,84 11,84 9,22 9,22 7,90 5,26 3,94 2,63 100 Tabela 10 – Importância na Formação CATEGORIAS Primordial na carreira Promoção do homem Transmissão aos alunos Lutar pelos direitos Outros Formar um aluno atuante Reflexo da prática Formação Pessoal TOTAL Quantidade 16 13 12 10 10 6 5 4 76 % 21,05 17,11 15,79 13,16 13,16 7,90 6,57 5,26 100 Questionados sobre a importância da cidadania ficou evidente que os inquiridos se vêem como um agente de mudanças sociais, política e cultural e já na formação, colocam como primordial. Se perceber como um agente responsável por mudanças e na prática se esquecer, seria o mesmo que conhecer os valores essenciais à educação e não os colocá-los em ação. Todavia certas atitudes podem extinguir a importância da cidadania para seus educandos, ou se trabalham, sem um compromisso legítimo para a formação de um cidadão. 71 Questão 4 – Você atuou em escola de periferia? Como se sente frente a esta realidade? Tabela 11 – Sentimento em Relação ao Trabalho na Periferia CATEGORIAS Medo Retorno positivo Influência pessoal negativa Impotente Despreparo Decepção Maiores problemas de aprendizagem Preocupação com o futuro Frustração Percepção de necessidades Outros TOTAL Quantidade 12 10 9 8 8 7 6 6 5 3 2 76 % 15,78 13,15 11,84 10,54 10,52 9,22 7,90 7,90 6,58 3,94 2,63 100 Com relação ao trabalho na periferia, os inquiridos em sua maioria colocam que o medo os assola, o que pode ser identificado em virtude do despreparo para tal realidade. Isso é um desafio para todos. Porque não há políticas públicas de apoio para o educador nem para o educando dessa realidade. Muitos ainda sentem-se impotentes, decepcionados e preocupados com o futuro destas crianças o que demonstra uma certa possilibilidade frente a adversidade enfrentada. 72 Questão 5 – Qual a importância que a ética tem a sua prática, no seu dia a dia? Tabela 12 – Importância da Ética CATEGORIAS Fundamental na prática Educação de qualidade Caráter Responsável por transformações Compromisso como educadora Outros TOTAL Quantidade 26 13 11 11 9 6 76 % 34,21 17,11 14,47 14,47 11,84 7,90 100 Pode-se constatar que os inquiridos colocam a ética como fundamental em sua prática diária e é parte integrante do caráter da pessoa. A ética tem um papel relevante de compromisso, com a superação das adversidades no dia a dia. Segundo Gadotti (2003, p. 55): A ética é parte integrante da competência do professor, do saber ser professor. Isso significa que um professor que não tem um sonho, uma utopia, não é comprometido... não é competente, não é ético. Não se aprende educar sem um sonho. Ensinar por ensinar, mecanizar, deshumanizar o processo educativo é não ser ético. A ética é algo que transforma o ato de ensinar, educar, porque atuar sem ética ou se permitir deixá-la de lado em qualquer momento de nossa existência seria o mesmo que não respeitar a essência do ser humano, sua particularidade. Segundo Freire (1996, p.33): “Se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode se dar alheio à formação moral do educando.” 73 Questão 6 – Se você não fosse professor o que você seria? Tabela 13 – Opção Profissional CATEGORIAS Assistente social Advogada Médica Psicóloga Outros Vendedor Bancária JUSTIFICATIVA Causas sociais Saber sobre meus direitos e deveres Humanização Contato com as pessoas Analista de sistemas Permaneceria como professor Dentista Veterinária Cabeleireira Jornalista Nutricionista Promotora de eventos Decorador, arquiteto ou artesão TOTAL Ser autônoma Maior facilidade em trabalhar com papéis Gosta de informática É feliz na educação Sonho de infância Ama animais Gosta de trabalhar com pessoas Gosta de escrever Remuneração Gosta de organizar eventos Não passava no vestibular Nº 16 14 6 6 6 5 4 % 21,05 18,43 7,90 7,90 7,90 6,58 5,26 4 3 2 2 2 2 2 1 1 5,26 3,95 2,63 2,63 2,63 2,63 2,63 1,31 1,31 76 100 No tocante a profissão, torna-se evidente que a maioria trocaria a educação por outra atividade profissional e ressalta que a educação é uma oportunidade em suas vidas. Podemos comentar ainda a falta de paixão nos educadores, pelo percentual baixo, dos que se dizem felizes na educação, com a sua opção. Como pode haver afetividade, esperança, envolvimento sem a paixão? São cabidas as palavras de Freire (1996, p. 142): O desrespeito à educação, aos educandos, aos educadores e às educadoras corrói ou deteriora em nós, de um lado, a sensibilidade ou a abertura ao bem querer da própria prática educativa, de outro, a alegria necessária ao que - fazer docente. É digna de nota a capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar, estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem e o gosto da alegria sem qual a prática educativa perde o sentido. 74 Questão 7 – Em sua opinião, o que deve ser urgentemente agregado à formação do professor? O que está faltando? Tabela 14 – Formação do Professor CATEGORIAS Capacitação (Cursos) Acesso às novidades Ética Formação para pensá-lo Política Consciência e responsabilidade Apoio Envolvimento Responsabilidade de transformar Formação em educação especial Efetiva participação prática Atuar na realidade em favelas Psicologia infantil Vontade de trabalhar Formação ampla envolvendo artes e filosofia Palestras sobre o amor Competência e atualização Aprender a amar Solidariedade e efetividade Formação para o viver TOTAL Quantidade 15 8 6 5 4 4 4 3 3 3 3 3 3 3 2 % 19,73 10,52 7,90 6,58 5,28 5,28 5,28 3,94 3,94 3,94 3,94 3,94 3,94 3,94 2,63 2 2 1 1 1 76 2,63 2,63 1,32 1,32 1,32 100 Analisando o que deve ser agregado a formação do educador, a maioria colocou a capacitação, algo muito em voga na rede pública municipal. Os chamados cursos de capacitação são muito procurados seguidos da ética. O que tem valor são os vários diplomas, independente do tema, não importa se ele vem beneficiar o envolvimento e desenvolvimento com seus alunos, o que tem relevância é a quantidade de certificados. Competência, capacitação são tendências atuais, buscar aprimorar-se para melhorar a prática. Seria importante que a busca pela formação ultrapasse a aquisição de muitos certificados. De acordo com (Gadotti, p.31): A formação do profissional da educação está diretamente relacionada com o enfoque, a perspectiva, a concepção mesma que se tem da sua formação e de suas funções atuais. Para nós, a formação continuada do professor deve ser concebida como 75 reflexão, pesquisa, ação, descoberta, organização, fundamentação, revisão e construção teórica e não mera aprendizagem de novas técnicas, atualização em novas receitas pedagógicas ou aprendizagem das últimas inovações tecnológicas. A formação continuada pode ser buscada para a emancipação e não para a acomodação. O mundo está passando por mudanças significativas em todos os seguimentos que o compõe. Logo, o docente deve utilizar-se da mesma como aliada, posicionando-se frente a estas transformações, repensando seu papel, sua forma de atuação e sua responsabilidade para a formação do cidadão. Questão 8 – Qual a importância da afetividade na relação educadora e educando? Tabela 15 – Afetividade CATEGORIAS Muito importante na relação Pode atrapalhar a relação Permite retorno do aprendizado Necessária, mas não essencial Difícil tê-lo Resultado de educar com amor Torna a educação prazerosa Envolve respeito na relação Elo para o diálogo Desenvolve Ativa o processo de aprendizagem Necessária mas não essencial Outras TOTAL Quantidade 18 7 6 6 6 6 5 5 5 3 3 3 3 76 % 23,68 9,23 7,90 7,90 7,90 7,90 6,58 6,58 6,57 3,94 3,94 3,94 3,94 100 Quanto à afetividade, na relação educador/educando, os inquiridos há colocam como muito importante, mas o que podemos destacar é o percentual que descreve como difícil tê-la, em virtude das adversidades que a periferia impõe. São dados intrigantes e ao mesmo tempo positivos, podemos perceber que a minoria não se envolve afetivamente. Porém, o ato de ensinar está atrelado à afetividade. Para que o mesmo ocorra é necessário um envolvimento emocional uma relação com o 76 educando, uma troca. Segundo Gadotti (2003, p.47): “Nós seres humanos, não só somos seres inacabados e incompletos como temos consciência disto. Por isso, precisamos aprender ”com”. Aprendemos “com” porque precisamos do outro, fazemo-nos na relação com o outro, mediados pelo mundo, pela realidade em que vivemos.” Questão 9- Todo professor é educador? Tabela 16 – Professor x Educador Respostas Sim Sim Almejo ser Nunca pensei Não Profissional Os dois Não Diferentes TOTAL Professor (a) ou Educador (a) Total % Professor (a) Educador (a) Educador (a) Educador (a) Educador (a) Não sabe Educador (a) e Professor (a) Professor (a) 13 10 10 9 9 7 7 17,10 13,15 13,15 11,84 11,84 9,22 Educador (a) 5 76 9,22 6 7,90 6,58 100 No tocante a esta questão os inquiridos não se vêem como educador e sim, como professores, porém em seguida vem um percentual interessante de docentes que almejam ser educador, isso demonstra que o docente busca uma identidade. Uma parte importante ainda se mostra indiferente, alheio a esta colocação. É fundamental que o educador seja conhecedor da realidade a partir dos próprios educandos, que estes educadores criem condições adequadas para o envolvimento social. Assevera Freire (2000, p. 44): Obviamente o papel de uma educadora crítica, amorosa da liberdade, não é impor ao educando o seu gosto da liberdade, a sua radical recusa á ordem desumanizante; não é dizer que só existe uma forma de ler o mundo, que é a sua. O papel, contudo, não se encerra no ensino [...] ao testemunhar a seriedade com que trabalha a rigorosidade ética no trato com as pessoas e dos fatos, a professora progressista não pode silenciar ante a afirmação de que 77 ”os favelados são os grandes responsáveis por sua miséria“; não pode silenciar em face do discurso que diz da impossibilidade de mudar o mundo porque a realidade é assim mesmo. 10- A esperança é um fator importante na educação? Tabela 17 – Importância da Esperança Respostas Total % Sem esperança não tem estímulo Importante no cotidiano Temos que agir não basta esperar Deve estar dentro de nós Transformá-la em atitude Sem ela não podemos educar Ela não é utopia, é um sentido Tê-la como aliada Razão e realização profissional Sem ela não saio de casa Tudo pode estar perdido sem ela Não há qualidade sem esperança Pode mudar a realidade do país Ela e o afeto caminham juntos Não temos que receber migalhas É preciso tê-la e lutar por aquilo que se acredita Não podemos desistir Alimenta um sonho Mas temos que lutar para materializá-la É crer que as coisas podem ser diferentes Temos que por a mão na massa Não é utópica, quem acredita faz acontecer TOTAL 12 15,78 12 7 15,78 9,21 6 4 4 4 3 3 3 3 7,90 5,26 5,26 5,26 3,94 3,94 3,94 3,94 3 3,94 2 2 1 2,64 2,64 1,32 1 1,32 1 1 1 1,32 1,32 1,32 1 1,32 1 1 1,32 1,32 76 100 Analisando as respostas, pode-se constatar que a mesma é importante para a maioria e que sem a mesma não há estímulo para o trabalho, apesar de questionarem a pergunta sobre este sentimento, pois pareceu-lhes algo abstrato a ser pesquisado. 78 Esse sentimento cabe ao educador, como algo que impulsiona sua prática, mas que ao mesmo tempo, este mesmo educador não consegue ter orgulho de se sentir esperançoso em relação à educação. Segundo Freire (2000, p.114): A matriz da esperança é a mesma da educabilidade do ser humano: o inacabamento de seu ser de que se tornou consciente. Seria uma agressiva contradição se, inacabado e consciente do inacabamento, o ser humano não se inserisse num permanente processo de esperançosa busca. Este processo é a educação. [...] o amanhã se reduz à quase manutenção do hoje. A esperança, dessa forma, não tem sentido. [...] esperançadamente luto pelo sonho, pela utopia, pela esperança, na perspectiva de uma pedagogia crítica. E esta não é uma luta vã. A esperança nos faz parecer idealistas, sonhadores, mas o que seria da educação de periferia sem esse precioso sentimento? 79 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo desta pesquisa foi responder a seguinte questão: educador social é um profissional relevante na escola de periferia? O diálogo necessário à instalação de um clima de renovação nas práticas pedagógicas, associadas a atitudes cerceadas de elementos relevantes à educação, tais como: a reflexão, o debate, a criticidade e as tomada de decisão. Os espaços educativos são muitos e devem contribuir para a vivência democrática. Estes espaços compreendem a expressão da vida, do viver com dignidade; a educação certamente é um poderoso instrumento para discussão coletiva das questões sociais. O educador social é aquele que contribui para a formação do sujeito, não observa o educando como mero aprendiz; preocupando-se em educar, sem isolá-lo do mundo tornando-o parte dele, de maneira conscientizada, crítica, transformadora. Segundo Brandão (1985, p.19): [...] educação não é sinônimo de transferência de conhecimento pela simples razão de que não existe um saber feito e acabado, suscetível de ser captado e compreendido pelo educador e, em seguida depositado nos educandos. O saber não é uma simples cópia ou descrição de uma realidade estática. A realidade deve ser decifrada e reinventada a cada momento. Neste sentido, a verdadeira educação é um ato dinâmico e permanente de conhecimento centrado na descoberta, análise e transformação da realidade pelos que a vivem. Faz-se urgente uma educação capaz de contribuir para a inserção transformadora do educando no processo de mudança social; a função do educador social é buscar um sujeito que não receba passivamente os conteúdos e nem que seja colocado a estes, um conteúdo sem especificidade, sem função social. 80 A educação social não busca sobrepor a educação formal, mas busca uma parceria, pois na educação devemos somar forças e não fragmentar. A luta por uma educação transformadora é à base da pedagogia crítica denunciadora de uma realidade desigual, logo, o que buscamos é educar o povo, para mudar o modo de existir e de conviver na sociedade. Por que devemos mudar o mundo? Por que outro mundo é necessário? Porque não estamos satisfeitos com as desigualdades sociais, nos preocupamos com as necessidades humanas, com a diversidade, com a inclusão dos educandos carentes; mesmo que isso interesse a poucos, pois vivemos em uma sociedade excludente e dominadora. A função da educação social está na criação das condições para amenizar as mazelas humanas; e para isso é preciso um olhar dialógico, crítico, compromissado. Sabemos que essa transformação é lenta, mas deve ser construída e trabalhada continuamente. Deve envolver a ética, a afetividade, esperança e transformação. Para tanto, não basta ser consciente, é preciso estar preparado, com um investimento maior na formação dos docentes a fim de formar a consciência crítica. A educação social busca um pensamento educacional, a partir de seu compromisso com a construção de um mundo diferente, um mundo mais democrático, em que a educação possa contribuir para a superação do oprimido. Ao analisarmos os docentes das escolas de periferia do município de Santa Bárbara d’Oeste, constatou-se que eles têm consciência da sua importância para os educandos. 81 O primeiro questionamento foi referente à definição de educação, que nos revelou a preocupação com a construção do conhecimento. Que levounos a pensar no docente pragmático, identificando-o verdadeiro com o útil, ou seja, tem como critério de verdade a utilidade prática do conhecimento. A falta de preocupação com o aspecto social na educação tornou-se evidente nas entrelinhas, que revelam um descaso com o que é claro em nossa realidade: a desigualdade social e, por conseqüência, a falta de oportunidade de quem está à margem e vulnerável na sociedade. Essa preocupação com a realidade e condição social dos alunos norteia de certa forma as ações do professor e é fundamental para que a sala de aula não se transforme em um local desagradável, de reprodução de injustiças sociais, onde o conhecimento é visto como um envoltório fechado a ser transmitido. Outro fator importante relaciona-se com a opção pela educação em que a velha máxima: “educação por conveniência” e acomodação foi retratada e percebida. Muitos docentes estão nas escolas de periferia, porque prestaram um concurso, que é uma forma de acesso rápido, além da jornada de trabalho ser conveniente. Infelizmente, inúmeros docentes estão na educação por falta de opção. Como esse educador se envolverá ? De que forma ele cooperará com a realidade da periferia ? Envolvimento e cooperação são questões importantes para o educador social. 82 Sabemos que a educação é resultado de ações humanas; neste caso analisamos quais as possibilidades da ação do educador. Segundo Brandão (1988, p.20): Apreender a rede de relações sociais e de conflitos de interesse que constitui a sociedade, captar os conflitos e contradições que lhe imprimem um dinamismo permanente, explorar as brechas e contradições que abrem caminho para as rupturas e mudanças, eis o itinerário a ser percorrido pelo educador que se quer deixar educar pela experiência e pela situação vividas. O que nos acalenta é a segunda opção: gostar de crianças, embora seja um tema amplo, porque gostar de crianças, muitas vezes, não implica gostar daquelas da periferia, desnutridas, sujas, sem estima, sem carinho, com família desestruturada; enfim, buscamos acreditar que criança é criança, para não entrar no mérito do que não foi solicitado aos inquiridos, mas que pode ser de interesse de contrair outros estudos. Quanto aos valores destes educadores, o mais relevante é o amor, porém há uma contradição em ter amor no exercício da profissão, uma vez que não se possui disposição interesse natural na profissão. Já os valores ausentes entre os docentes estão à disciplina, o respeito, a honestidade, a valorização e a ética. Embora os professores apontem a ética como valor importante, como será que na prática eles a incorporam no dia-a-dia ? A ética é um valor que depende de atitudes de ambos (educadores /educandos) indispensáveis para uma ação pedagógica ativa, crítica e participativa. Retratam bem o que foi analisado durante a pesquisa. Portanto é para um grupo que se transfere a ética que temos conosco, com o compromisso e com o nosso juramento profissional. Segundo Freire (apud Mclaren, 2006 p.46): [...] a prática educacional revela a “inutilidade de ser neutro”, já que conhecer é sempre um ato político e, assim, “exige do educador seu 83 carácter ético”. Não existe prática educacional em espaço-tempo zero, ou seja, não existe prática neutra. Isso ocorre porque os educadores são inclinados a ser agentes éticos engajados em uma prática educativa que é diretiva, política, e, sem dúvida, têm uma preferência [...] como educador, deve viver uma vida plena de coerência entre minha opção democrática e minha prática educacional, que é da mesma forma democrática. No tocante à cidadania, os educadores em questão a colocaram como fator importante. Este item também precisa de maior apreciação, pois cidadania é um tema muito amplo e complexo e envolve muitas características, as quais foram citadas no segundo capítulo; quando pesquisamos sobre as perspectivas da educação social e a importante do educador possuir um conceito mais elaborado e politizado sobre ela. É significativo comentar sobre cidadania na ação pedagógica do educador que trabalha com a periferia porque o seu papel é de contribuir para desenvolver condições que tornem viável essa cidadania, por meio da socialização, da discussão, dando origem a uma nova mentalidade, um novo pensar em relação ao papel do educando na sociedade, do seu grupo social, da sua comunidade, da sua escola. A escola precisa educar para ouvir e respeitar as diferenças e, sobretudo, lutar para superá-las. O educador pode perceber a riqueza que há neste espaço e trabalhar com empenho para a construção da cidadania juntos aos alunos. Para intervir na nossa realidade é necessário um comprometimento, principalmente do educador, condutor de tal processo com a realidade vivenciada nas escolas de periferia, já que os educadores têm em mente que a cidadania pode guiar mudanças sociais. De acordo com Gadotti (2006, p. 55): 84 Educar para um outro mundo possível é educar para superar a lógica desumanizadora do capital, que tem no individualismo e no lucro seus fundamentos; é educar para transformar radicalmente o modelo econômico e político atual. Ter consciência da cidadania e da importância na sua formação não basta; é preciso tê-la como promoção do homem, da dignidade humana. Não é suficiente ser consciente; é necessário estar organizado intelectualmente, politicamente, amorosamente, disposto a ser formador da consciência crítica do educando. Esta é uma das múltiplas funções da cidadania para a emancipação das comunidades de periferia. Atuar na periferia é algo que causa muito medo nos inquiridos, porque, na maioria das vezes, eles não se encontram preparados; mas a questão é: como educadores podem se predispor a trabalhar com tal realidade se a escolha por tal profissão é justamente a falta de opção. Eles já vão trabalhar blindados, com receio de se envolver, mas o envolvimento é algo pertinente à educação social, em especial, aos desfavorecidos. Segundo Caro (2004, p.2004): [...] todo profissional, que tem como objetivo a promoção do ser humano, deve passar a olhar, com maior atenção, a realidade atual, para atender ás situações mais imediatas da sociedade e buscar um futuro mais promissor para a população mais desfavorecida. Considerando o envolvimento como aspecto importante para efetivação da educação, como é possível se os professores têm medo de envolver-se? Muitos colocam que a graduação não dá o suporte teórico para o enfrentamento de tal realidade, que as cátedras não os preparam para a prática, em especial, a comunidade carente. Felizmente há pessoas que sentem retorno positivo na relação com o aluno; que são resilientes o suficiente para fazer um trabalho coerente e 85 humano, não fugindo do abraço, do contato com estes educandos tão necessitados de ações muitas vezes tão simples e que certamente estão ao nosso alcance. Doar-se para tal realidade é envolvimento com a comunidade. O envolvimento do educador social com seu trabalho é importante, visto que o educando da periferia nem sempre é reconhecido como cidadão e passa a ficar à margem da sociedade, por isso, a importância de agregar um outro valor importante: a resiliência. Torna-se mais fácil garantir o objetivo: educar com qualidade na diversidade. Segundo Caro (2004, p.93): “ Para o educador, a resiliência é primordial ante situações conflituosas, que enfrente em seu trabalho diário. As limitações políticas, econômicas e institucionais são muitas e estão presentes a cada encaminhamento de seus educandos ”. No tocante a este valor, diz respeito às reflexões sobre as condutas humanas; falar sobre a importância da resiliência e colocá-la em prática é muito diferente, pois é na ausência da mesma que ignoramos o outro e, conseqüentemente, paramos de refletir sobre ele. Educar é possibilitar o humano por meio do diálogo. A primeira experiência ética do educador é com o outro. Nesta perspectiva as relações intersubjetivas são educativas. Mediante a coexistência é possível superar as desigualdades. Tratamos aqui da educação de periferia. Trata-se da educação enquanto uma ação intencionada. Educar é possibilitar a mudança. Considerando os princípios de educar para o mundo, podemos afirmar que educação tem relação direta com o diálogo. Assim, a inclusão da ética na educação significa eleger princípios metodológicos que fundamentalmente afirmam o reconhecimento do outro. A ética na educação significa o confronto por meio do diálogo e da troca de argumentos. 86 O educador que não aprende não pode ensinar. Afirmamos ainda que não basta ver consciência da ética, é necessário construir uma ação pedagógica embasada nela a fim de formar a consciência crítica. Segundo Freire (1976, p.11): De acordo com as teses centrais que vimos desenvolvendo, pareceu-nos fundamental fazermos algumas superações, na experiência que iniciávamos. Assim, em lugar de escola, que nos parece um conceito, entre nós, demasiado carregado de passividade, em face de nossa própria formação (até mesmo quando se dá o atributo de ativa), contradizendo a dinâmica fase de transição, lançamos o Círculo de Cultura. Em lugar de professor, com tradições fortemente “doadoras”, o coordenador de debates. Em lugar de aulas discursivas , o diálogo. Em lugar de aluno, com tradições passivas, o participante do grupo. Em lugar dos “pontos” e de programas alienados, programação compacta, "reduzida" e "codificada" em unidades de aprendizagem. Como já ressaltamos a ética é fundamental para a ação educacional, como um processo de libertação, tanto na superação da nossa própria condição de ser puramente biológico, quanto na superação dos educandos da periferia. Um educador ético deve considerar o diálogo, estar aberto às mudanças e suscetível a elas, e, relembrando, é uma das principais características do educador social. De todas as pessoas inquiridas, apenas três se disseram felizes com a educação e com aquilo que fazem. A minoria demonstrou-se apaixonada pela educação. Ainda assim temos esperança de que nem tudo está perdido. Estes docentes acabam incorporando acriticamente e reproduzindo discursos que miniminizam o engajamento do educador, enfraquecendo o ânimo para o trabalho. Assim como Freire (1996, p.116): não negamos a competência, porém lamentamos também a ausência da simplicidade, que os faria mais “gente”, 87 mais humana, sem a preocupação com colocação, pontuação, a competência e habilidades os caracterizaram como “coisas”. Quem não tem nada a acrescentar na formação, apenas agregar uma melhor colocação, um “status”, não possui um comprometimento com o que é mais precioso para nós educadores: o educando. Um outro aspecto importante avalidado refere-se à afetividade na relação educador/educando. Podemos perceber que a afetividade está cada vez mais ausente no relacionamento e a grande preocupação, infelizmente, é com os conteúdos. Sem o afeto, a prática educativa torna-se fria, mecânica. Muitos educadores colocaram o afeto como não essencial, como se ele prejudicasse a ação pedagógica. Como um educador poderá desenvolver a sua ação pedagógica sem conhecer, envolver-se com seu educando? O afeto é algo muito simples, requer apenas o repensar da ética no diaa-dia; além disso, este educando é cidadão, embora, na maioria das vezes, invisível, considerado um ninguém como nos afirma Galeano (1991, p.112) em seus poemas. De acordo com Freire (1996.p.144): Esta abertura ao querer bem não significa, na verdade, que, porque professor me obrigou a querer bem a todos os alunos de maneira igual. Significa, de fato, que a afetividade não me assusta que não tenho medo de expressá-la. Significa esta abertura ao querer bem a maneira que tenho de autenticamente selar meu compromisso com os educandos, numa prática específica do ser humano. [...] a afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. Quando questionados se todo professor é educador, a maioria percebe-se professor, seguido por educador. O que nos tranqüiliza é que muitos almejaram tornar-se um educador. Faz-se necessário esclarecer que queremos agregar, inserir o educador social nas escolas de periferia para que a mesma eleve sua qualidade. Gostaríamos de parceria e do esforço de todos 88 os professores envolvidos com a educação na luta pela qualidade da educação para todos. Se o professor é aquele que trabalha com a produção do sentido, cabe a nós, educadores, compreender que, à medida que o educando de periferia possuir acesso à cultura, refletir, imaginar, criar, criticar, o professor/educador tem um papel decisivo na relação com este educando. Outro conceito importante investigado é o de liberdade que é base da ação do educador social, a luta por justiça social e ela pode, sim, iniciar na escola, sobrepondo-se à indiferença, as desigualdades sociais. A esperança embora os inquiridos a consideram como algo abstrato na formação do educador, sem ela, é impossível o anúncio de um futuro, mais humano. De acordo com Freire (1996, p.72): A desesperança é a negação da esperança. A esperança é uma espécie de ímpeto natural possível e necessário, a desesperança é o aborto do ímpeto. Negar a esperança na educação é negar a si mesmo enquanto educador, quando colocamos a esperança, a utopia na construção da identidade e da importância do educador social, nas escolas de periferia, estamos almejando tomada consciente de decisões, para um futuro mais digno, principalmente dos desfavorecidos. Mas é preciso lutar, no presente e para o futuro, buscar educação com dignidade. Segundo Caro (2004, p.99): “Esses educadores estão mais próximos dos problemas sociais e, em suas experiências, podem estar às soluções significativas para o planejamento das políticas públicas e para uma sociedade mais justa e igualitária”. Podemos concluir que o educador social é um profissional relevante na escola de periferia, pois por meio de sua prática poderá enriquecer, recriar a 89 educação em tal realidade, dará novos significados, com novos métodos, maneiras que cabem aos educadores sociais transformar e trabalhar, de modo que os educandos de periferia sejam reconhecidos, tornem-se atuantes e não tratados como coadjuvantes. Eis mais um motivo para lutarmos por uma educação de qualidade, pela inserção do educador social em nossa educação, tão carente de novas experiências, principalmente para as populações menos favorecidas em nossa sociedade. . 90 REFERÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, Nilda. Formação de professores: pensar e fazer. São Paulo: Cortez, 1992. Coleções questões da nossa época. AROLA, Ramón Llongueras. Educação Social. Fundamentos Antropológicos. Revista Ciências da educação, Lorena, SP, n. 11, p. 199-216,2º semestre. 2004. ASSMANN. 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VECCHI, Juan E. Educadores na era da informática; tradução Fausto Santa Catarina. -São Paulo: Salesiana,2001. TORRES, Rosa Maria. Educação popular: um encontro com Paulo Freire. São Paulo: Loyola, 1987. 95 ANEXO I Questionário Prezado Professor, sou Claudiane G. de Oliveira, mestranda matriculada no Programa de Mestrado em Educação Sócio-comunitária do Centro Universitário Salesiano de São Paulo. Como exigência para a conclusão do mesmo, que tem como objeto de pesquisa formação de professor. Solicito a sua colaboração respondendo as presentes questões. Sexo:________________________ Idade:_______________________ Tempo de atuação no magistério:___________ Formação:___________________ 1-Defina educação e comente sobre o que te levou a optar por essa profissão? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 2-Quais os valores presentes na educação que você considera importantes?Quais os valores ausentes. ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 96 3-Em relação à cidadania, qual a importância deste tema na sua prática?E na sua formação? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 4-Você atuou em escola de periferia? Como se sente frente à esta realidade? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 5-Qual a importância que a ética tem na sua prática, no seu dia a dia? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 6-Se você não fosse professor o que seria?Justifique. ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 7-Em sua opinião, o que deve ser urgentemente agregado à formação do professor?O que está faltando? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 8-Qual a importância da afetividade na relação educador/educando? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 97 9-Você acredita que todo professor é educador, mas nem todo educador é professor?O que você se considera? Educador ou Professor? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 10- A esperança é um fator importante na educação?Justifique. ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 98 Anexo II Escolas participantes da pesquisa: Prefeitura Municipal de Santa Bárbara d'Oeste Relação das Escolas Integrantes da Pesquisa situadas na periferia do município. 1- ADI Angélica Tremocoldi Rua: João Calvino, 61 Bairro: Jardim das Orquídeas Nº de Professores: 7 2-EMEFEI Antonia Dagmar Rosolen Rua: México, 220 Vila Sartori Nº de Professores: 8 3-EMEFEI Profª Maria Augusta C. C. Bilia Av. da Amizade, 3400 Parque Planalto Nº de Professores: 8 4-EMEFEI Profª Mª M. G. Valente-”D ª Bininha” Rua: Pe. Arthur Sampaio,571 Cj. H.R. Romano Nº de Professores: 8 5-EMEFEI Prof. ª Mariana F. Schmidt Rua: Gal. Couto Magalhães, 285- Bairro 31 de Março Nº de Professores: 9 6-EMEFEI Profª Terezinha de J. S. Quinalha Rua: Benignidade, 337 Bairro: Vista Alegre Nº de Professores: 8 7-EMEF Profª Gessi T. B. Carneiro Rua: Àguas da Prata, 238 Bairro: São Joaquim Nº de Professores: 8 99 8-EMEF Profª Ruth Garrido Roque Rua: Ouro Preto, 278 Bairro Parque Rochelle Nº de Professores: 6 9-EMEF Pe. Victório Freguglia Rua : Goiânia, 1062 Bairro: Jardim Esmeralda Nº de Professores: 9 10-EMEF Ver. José Luiz G. Da Silva- Zélo Rua: Benedito Trabalhadores dos Nº de Professores: 5 Santos Ferreira, 420 Bairro: Conj. Habit. dos This document was created with Win2PDF available at http://www.win2pdf.com. The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only. This page will not be added after purchasing Win2PDF.