AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
CURSO: PSICOPEDAGOGIA COM ÊNFASE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
9,0
INDISCIPLINA NA ESCOLA: FATORES DE INFLUÊNCIA
Regina Salete dos Santos Vargas
[email protected]
Orientador: Prof.Dr.Ilso Fernandes do Carmo
NOVA XAVANTINA/2012
AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
CURSO: PSICOPEDAGOGIA COM ÊNFASE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
INDISCIPLINA NA ESCOLA: FATORES DE INFLUÊNCIA
Regina Salete dos Santos Vargas
Orientador: Prof.Dr.Ilso Fernandes do Carmo
“Trabalho apresentado como exigência
parcial para a obtenção do título de
Especialização em Psicopedagoga com
Ênfase na Educação Infantil.”
NOVA XAVANTINA/2012
RESUMO
O presente trabalho é resultado de um levantamento bibliográfico realizado
com a finalidade de entender melhor quais são os fatores que levam as crianças a
serem tão indisciplinadas no ambiente escolar e se existem possibilidades de
reverter esse quadro tão preocupante e que tem sido um problema a ser resolvido
nas instituições escolares. O comportamento agressivo apresentado por crianças em
idade escolar é um tema que preocupa não só os educadores, mas também os pais
e a sociedade em geral. Este estudo está fundamentado nas pesquisas
bibliográficas com autores que abordam o tema levando-nos a fazer uma reflexão
para melhor compreender e buscar meios de resolver tal problema.
Com os
resultados obtidos pela pesquisa foi possível comprovar que existem sim meios de
amenizar e até resolver o problema. Foi possível observar que muitas instituições
têm conseguido reverter esse quadro com projetos, atividades e principalmente
discussão e diálogo, entre outras possibilidades, portanto é possível que todos
consigam com persistência e muita força de vontade.
Palavras – chave: Indisciplina, Educação, Criança.
SUMÁRIO
Introdução...................................................................................................................04
CAPÍTULOI
1-Como a indisciplina é vista no contexto escolar geral.............................................06
CAPÍTULOII
2- possíveis fatores que contribuem para que haja indisciplina no contexto escolar.15
2.1 – A indisciplina centrada no professor.................................................................24
2.2-A indisciplina centrada na família....................................................................29
2.3- A indisciplina centrada no aluno.....................................................................32
CAPÍTULOIII
3- Possíveis soluções e interferências na indisciplina................................................36
Considerações finais...............................................................................................39
Referências bibliograficas..........................................................................................40
INTRODUÇÃO
O presente trabalho, explanado em três capítulos tratará dos fatores que
influenciam a indisciplina na escola.
Através de leituras e documentação das mesmas é que tentaremos entender
melhor os motivos de por que há tanta indisciplina no âmbito escolar, o que leva as
crianças a se recusarem a cumprir normas e regras das instituições nas quais
estudam.
Traz também uma reflexão sobre a indisciplina, que tem sido vista como um
dos maiores problemas enfrentados pela escola atual, inviabilizando a prática
educacional, pois está associada a desordem, ao desrespeito e a falta de limites.
A indisciplina geralmente é centralizada no aluno, o que evidencia um modo
taxativo de lidar com a questão.
Primeiramente é necessário entender e discutir o conceito de indisciplina,
explorando-se a seguir alguns dos fatores geradores da mesma no cotidiano
escolar, devido à importância de se buscar estratégias adequadas para enfrentar o
problema, pois é preciso uma postura compartilhada para tratar e resolver o assunto,
pois sabemos que os grupos humanos têm em suas diferentes culturas
instrumentos, artefatos, costumes, normas e códigos de comunicação e convivência
que são imprescindíveis para sua sobrevivência. E dentro de cada cultura a
educação acontece, principalmente, pelo processo de transmissão, para que
garantam a sobrevivência das novas gerações e de suas conquistas sociais.
Já na escola, o trabalho educativo acontece de forma sistemática e
planejada com conhecimento, valores, atitudes e formação de hábitos. Pois
instituições escolares têm como sua maior função, a de facilitar a inserção do
individuo no mundo social e a educação num sentido mais amplo tem a
responsabilidade na formação e humanização do homem. Portando ao receber os
diferentes costumes, a escola, têm que ter, ou buscar adquirir, habilidades para
saber entender e lidar com todas essas diferenças, que vão se manifestar através de
sentimentos, emoções e comportamentos diversos, baseados nos valores familiares
ou regras sociais do grupo ao qual cada criança pertence, e esses comportamentos
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podem ser, muitas vezes confundidos e tratados como indisciplina, ou falta de
compreensão das normas e regras impostas por cada escola.
No primeiro capítulo trataremos de como a indisciplina é vista no contexto
escolar geral.
No segundo capítulo, apresentaremos possíveis fatores que contribuem para
que haja indisciplina no contexto escolar.
E no terceiro capítulo apresentaremos possíveis soluções e interferências
para tentar amenizar o problema da indisciplina escolar.
CAPÍTULO I
01- ‘’COMO A INDISCIPLINA É VISTA NO CONTEXTO ESCOLAR GERAL”
Em todos os tempos, a violência afeta toda a população, mesmo quem esta
longe dos campos de batalha. Conforme Claudevone F. Santos (2006, p.14-23).
(...) Vivemos num momento de intolerância e desrespeito, inclusive com
situações agressivas levando o aluno à falta de concentração e
desequilíbrio emocional tendo como consequência impactos no
aproveitamento do aprendizado.
É um desafio para a escola compreender o porquê de tanta indisciplina no
ambiente escolar. Todas as escolas, tanto públicas como particulares tem se
deparado com situações semelhantes de desordem e desrespeito.
Segundo a reportagem da Revista Nova Escola (2009, p. 80), este não é um
problema apenas brasileiro, na França, por exemplo, há relatos de gangues que
batem em professores, e nas escolas americanas há um alto número de mortes,
frutos da violência.
Esta é uma tendência preocupante, pois no decorrer do tempo vem
mudando o foco observa-se que as maiores reclamações partiam de professores do
6º ou 7º ano, hoje em dia há casos e depoimentos de professores até do 1º ano que
está difícil controlar pequenas brigas e tumultos que atrapalham o andamento das
aulas e automaticamente do aprendizado.
Existem casos inclusive de abandono do magistério por ser esta uma
questão que tem ocupado um espaço casa vez maior no cotidiano escolar do nosso
país e os profissionais da educação tem buscado outros concursos e cargos por não
saberem como enfrentar tal problema.
No contexto escolar, a indisciplina é vista como um dos principais entraves
da boa educação, mas existe também uma grande falta de conhecimento sobre o
tema e falta também adequação das estratégias de ensino.
Para Claudevone F. Santos (2006), é essencial que as escolas trabalhem,
como conteúdos de ensino, as questões relacionadas à moral e ao convívio social e
criem também um ambiente de cooperação. É preciso rever conceitos, como traz a
reportagem da Revista Nova Escola (2009, p.83), pois pesquisas realizadas em
2008 pela Organização dos Estados Iberos – Americanos com cerca de 8,7 mil
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professores mostrou que 83% deles defendem medidas mais duras em relação ao
comportamento dos alunos, 67% acreditam que a expulsão é o melhor caminho e
52% acham que deveria aumentar o policiamento na escola. O que não se pensa é
que se a repressão funcionasse, a indisciplina não seria apontada como o aspecto
da Educação com o qual é mais difícil lidar em sala de aula. Outro fato a ser
considerado é que a disciplina é apenas um aspecto do processo de educação
escolar, que por sua vez também é extremamente complexo e exigente, uma vez
que se trata de participar da formação, ao mesmo tempo, de trinta, quarenta ou mais
sujeitos.
Então, a escola tem mais funções do que parece, sendo que o atendimento
a tantas e tão diversificadas funções faz com que as crianças acabem
permanecendo mais tempo na escola do que em companhia de seus pais. A
possibilidade de formar o cidadão para o mercado de trabalho e para a vida
adaptações aos ritos de passagem. Portanto, as escolas contribuem para que as
sociedades se perpetuem, pois transmitem valores morais que integram as
sociedades. Mas elas também podem exercer um papel decisivo nas mudanças
sociais.
Segundo ARROYO (1995, p. 36):
A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos,
ora como um dos instrumentos de conquista de liberdade, da participação e
da cidadania, ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os
graus de liberdades, de civilização, de racionalidade e de submissão
suportáveis pelas novas relações sociais entre os homens.
As estratégias usadas atualmente por grande parte dos professores para
lidar com a indisciplina têm sido desastrosas e estão na contramão do que os
especialistas apontam ser o mais adequado.
Então como lidar com atrasos, conversas paralelas, atos de vandalismos,
roubos e outros desafios? E ainda ensinar o que o aluno não sabe?
De certa forma, o professor ‘’já sabe’’ o que deve fazer, em alguns
momentos de sua vida já ouviu falar ou vislumbrou uma possibilidade de como
deveria agir, no entanto, muitas vezes não faz porque não tem segurança de que
seja o caminho correto, achando que talvez seja muito pouco em relação ao
tamanho do problema, que não vai resolver. Às vezes ele não sabe como fazer para
resolver o problema, ou não vê condições para resolvê-lo.
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Por isso a escola deve primeiramente resgatar o professor como sujeito, seu
desejo, projeto, sentido e querer desmontando alguns mitos que funcionam como
obstáculos para poder apontar cominhos, alternativas, que estejam ao alcance de
realização em termos tanto de processo, quanto de propostas de ação.
De acordo com Celso F. Vasconcelos(1996), não podemos somente ver a
indisciplina como entrave e problema se não equilibrarmos as ações, isso só mostra
como a escola parece estar acostumada reagir de maneira inadequada.
Ainda segundo VASCONCELLOS (1996), é preciso compreender que houve
profundas mudanças na escola, na sociedade e nas suas relações. Parece difícil aos
educadores se darem conta disto.
Sempre que pensamos em disciplina, logo nos vem à mente as idéias de
limites (restrição, frustração, interdição, proibição etc.) e de objetivos (finalidades,
sentido para o limite colocado). A nosso ver, a crise da disciplina escolar hoje está
associada justamente à crise de objetivos e de limites que estamos vivenciando.
A escola, como sistema aberto que compartilha funções e que se interrelaciona com outros sistemas que integram todo o contexto social, torna-se,
segundo VASCONCELLOS (1996), uma instituição que recebe exigências de outras
instituições e na qual convivem formas de agir diversas, muitas vezes desordenadas
e freqüentemente contraditórias. Também os pais, com diferentes condições sócioculturais, costumavam esperar da escola tarefas educativas muito diversas e, até
mesmo, que a escola assuma ações que seriam próprias da família.
Para Claudevone F. dos Santos (2006, p.14-23).
É importante que a família defina que tipo de escola deseja para seu filho,
no que concerne a aspectos como filosofia, métodos e regras disciplinares.
A escola também precisa conhecer quais os valores e expectativas dos
pais, para que possa saber se as concepções que permeiam tais
expectativas favorecem o entendimento entre ambos, uma vez que a escola
e família são duas instâncias nas quais os jovens passam a maior parte de
suas vidas.
Estamos vivendo a queda do mito da ascensão social através da escola.
Como entender isto? E mais, como incentivar os alunos a estudarem?
VASCONCELLOS (1996), coloca que os alunos há uns tempos atrás, não
viam sentido no que estavam fazendo, mas tinham em mente a perspectiva de uma
recompensa mais tarde, o emprego na escola este era o ‘’projeto educativo’’ de
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milhares de educadores. Hoje, os alunos continuam não vendo sentido nas práticas
de sala de aula, e não vislumbram mais um futuro promissor pela via do diploma. O
professor que baseava sua autoridade neste mito está perdido. E, o que é pior, não
tem conseguido articular outro sentido para o conhecimento, a escola, o estudo.
Para Philippe Perrenoud (1995), a escola ficou protegida de suas
contradições internas por muito tempo em função de sua relação de ‘’parceria’’ com
o mercado de trabalho. Esta motivação extrínseca – já que não estava ancorada na
própria relação pedagógica – encobria e tornava ‘’suportável’’ o que lá acontecia,
tendo em vista o prêmio posterior (‘’sofro agora, mas depois terei um bom emprego,
serei alguém na vida’’). Estamos diante do autêntico problema, que não é
absolutamente novo, mas que agora - finalmente, nos parece tem de ser enfrentado,
pois se a escola não é mais o caminho para um bom emprego para que ela serve?
No atual momento, quando os alunos passam a se rebelar, alguns
professores parecem meio indignados, traídos: ‘’ué, podia fazer isto? Por que não
fizemos no nosso tempo? Por que obedecemos passivamente? Por que engolimos
os ‘’sapos’?’’. Parece haver uma sutil inveja do professor em relação ao seu aluno,
que agora contesta, questiona, busca o sentido das coisas...
Para VASCONCELLOS (1996), só esta ausência de projeto já seria
suficiente para provocar um grande estrago na sala de aula e na escola, afinal ‘’para
que me comportar se não vejo sentido naquilo que estou fazendo’’? Mas a este fator
vem-se acrescentar outro: dois, um de ordem circunstancial e outro estrutural. De
um lado, tudo isto está acontecendo justamente no momento em que os professores
estão submetidos às mais desfavoráveis condições de trabalho dos últimos tempos:
má formação, salários miseráveis, número excessivo de alunos em sala, falta de
material didático apropriado, falta de espaço de trabalho coletivo constante na
escola etc. de outro lado, temos a crise dos próprios limites, alimentada pela
necessidade de um mercado baseado na exacerbação do consumo.
Sendo assim com tal falta de perspectiva à quebra de limite parece ser o
caminho mais fácil para suportar anos de um estudo que não faz sentido.
O que temos que compreender, enquanto escola, é que, para que se
consiga trabalhar melhor é necessário ensinar aos alunos, que mesmo que o
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sistema facilite a conclusão dos estudos eles devem aprender tudo o que a escola
tem para oferecer, que esse ainda é o caminho para se tornar um bom profissional.
Na reportagem da Revista Nova Escola (2009), percebe-se que
muitos
professores esperam, sem razão, que essa formação moral seja feita 100% pela
família, não se trata de destituí-la dessa tarefa, mas é preciso enxergar o espaço
escolar como propício para a vivência de relações interpessoais pondera Áurea de
Oliveira, do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista , Júlio de
Mesquita Filho, (UNESP), campus de Rio Claro na mesma reportagem, cita ainda
que as questões ligadas à moral e à vida em grupos devem ser tratadas como
conteúdos de ensino. Caso contrário, corre-se o risco de permitir que as crianças se
tornem adultos autocentrados e indisciplinados em qualquer situação, incapazes de
dialogar e cooperar. Pesquisa de 2002 com 120 universitários, de Montserrat
Moreno e Genoveva Sastre, da Universidade de Barcelona, indagou sobre a
utilidade do que eles aprenderam na escola para a resolução de conflitos na vida
adulta. Apenas 3% apontam que os professores lhes ensinaram atitudes e forma
especifica de agir. Esses resultados certamente são próximos da realidade
brasileira, porque nosso estilo de ensinar é parecido, pois joga pouca luz sobre o
currículo oculto, aquele que leva em conta o sentimento do estudante, seus desejos,
suas incompreensões.
A escola, segundo Claudevone F. Santos, (2006), precisa compreender que
o que se espera dela é conhecimento. É isso que faz o aluno respeitar o ambiente a
sua volta, então, em vez de agir sobre a conseqüência, deve-se procurar a causa e
estabelecer normas e regras do que é ou não aceito, e principalmente deixar claro o
porquê.
Erro
comum
em
regimentos
escolares
é
situar
regras
morais
e
convencionais num mesmo patamar. Isso porque as regras morais merecem mais
atenção, já as convencionais estão mais ligadas ao andamento do trabalho. Ao
distingui-la seremos capazes de interpretar melhor uma transgressão, e, assim
encaminhá-la adequadamente. Não mentir é um exemplo clássico de regra moral. O
principio ético em jogo, nesse caso, é a honestidade. Trata-se, portanto, de um
preceito inegociável. Quando algum aluno mente, a solução passa por uma boa
conversa – prática imprescindível já na Educação Infantil. Desde essa fase, é
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importante explicar para a criança como se sente o colega que foi enganado e
mostrar que isso é errado, perguntando: ‘’E se fosse com você?’’
Regras convencionais, por sua vez, segundo a reportagem da Revista Nova
Escola (2009), têm seu fundamento na negociação e na clareza de definição. Tome
o exemplo da conversa. Mesmo numa sala que está barulhenta por que os jovens
realizam um trabalho em grupo – e em função disso traçam idéias sobre um tema
proposto -, o silêncio será necessário em algum momento. É preciso estar acertado
que, quando um aluno ou o professor precisarem da atenção, o grupo deve parar
para ouvir o que será dito. Também são consideradas regras convencionais não
usar boné e ir para a escola sempre de uniforme. Nesse grupo, entram imposições
que em nada afetam o processo do ensino e aprendizagem. Há escolas em que o
uso do uniforme é uma questão de segurança, pois ela permite identificar quem é ou
não aluno. Em outras, isso pode não ser necessário.
Mas a situação anda tão difícil que muitos professores andam sonhando
com alguma ‘’solução mágica’’. Isto chega até ser expresso em tom de brincadeira
nos encontros, mas com tal freqüência que não pode ser considerado apenas como
caso isolado ou brincadeira.
O que significaria uma solução mágica? Basicamente, tratar-se-ia de algo
feito pelo outro e que daria resultado imediato. Ou seja, a questão da ‘’receita
infalível’’para VASCONCELLOS (2003), é problemática por colocar a solução fora do
sujeito e por negar o caráter processual de mudança da realidade.
Segundo Celso dos S. Vasconcellos (2003), de certa forma, podemos
entender esta busca de solução mágica também como reflexo de um não conseguir
aceitar a situação tal como se coloca hoje. Para a maioria dos professores está
realmente muito difícil assimilar a mudança que houve no seu status, nas suas
condições de trabalho; neste sentido, a ‘’mágica’’ representa certa nostalgia, uma
negação pura e simples da realidade.
O autor ainda coloca que na busca de superação dos problemas, muitas
vezes, as alternativas encontradas tem uma forte carga idealista, o que significa
dizer que não leva em conta um conjunto de determinantes da realidade concreta. É
claro que toda proposta que vise à superação tem uma carga de negação em
ralação à realidade atual – caso contrário, não seria superadora. A distorção do
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idealismo é exacerbar as possibilidades em detrimento dos limites. Assim, por
exemplo, afirma-se que, para evitar indisciplina, a aula do professor deve ser
interessante.
Até aí estamos de acordo; a questão surge quando vamos aprofundar tal
proposta e vemos que se espera que o professor sozinho interesse a todos os
alunos, o tempo todo. Ora, isto seria o ideal; contudo, sabemos que dificilmente
ocorrem situações assim no cotidiano da escola. Se a proposta fosse colocada em
termos de se criar um clima de momento, que fosse de interesse, com a participação
também dos alunos – e não só do professor, até seria possível, nos parece, mais de
acordo com a realidade.
Para
VASCONCELLOS
(2003),
escola,
como
instituição,
deve
ter
autonomia, poder de decisão, para impor regras e tomar as devidas precauções se
tais regras não forem respeitadas e cumpridas. Ficar parada só observando e
refletindo sobre a indisciplina não vai resolver a situação.
Poderíamos lembrar aqui as reflexões de FOUCAULT (1981), sobre a
questão do poder: onde está o poder? Será que está apenas nos dirigentes, na
mídia? Ou na verdade, embora tenhamos focos fortes de poder, ele tem uma
capilaridade, está no dia-a-dia, nos vários agentes sociais? É preciso resgatar e
redirecionar estes micros poderes locais, tendo em vista um projeto novo
denunciando e lutando contra o poder que se exerce como abuso: “(...) todos
aqueles que o reconhecem como intolerável, podem começara luta onde se
encontram e a partir de sua atividade (ou passividade) própria.” (FOUCAULT, 1981,
p.77).
Vamos lutar onde temos possibilidades concretas, ao mesmo tempo em que
buscamos a ampliação destas possibilidades. Seria importante lembrar que o
sistema não funciona sem a mediação de agentes concretos, dos quais nós fazemos
parte, e que, por via de conseqüência, temos um poder em mãos, em princípio
limitado, mas real, e com possibilidades de ser ampliado de acordo com nossa
capacidade de articulação.
A Associação dos Orientadores Educacionais do R.S. (AOERS) (1996),
coloca que a sala de aula e a escola não estão desvinculadas da problemática do
resto da comunidade e da sociedade, porém tem autonomia relativa.
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De imediato, não temos condições de mudar as pessoas e/ ou o mundo;
entretanto, de imediato, podemos mudar a maneira de nos relacionar com as
pessoas e com o mundo! Isto não é tudo, mas é um passo importante e de nossa
responsabilidade, pois a disciplina pode ser concebida como uma técnica de
exercício de poder, não inteiramente inventada, mas elaborada em seus princípios
fundamentais nesse sentido, falar de indisciplina é evidenciar o não cumprimento de
regras estabelecidas.”
Sendo assim, podemos concluir que a disciplina também pode ser vista
como o controle do indivíduo no tempo. No entanto, aplicar esse conceito em
educação é um tanto quanto perigoso. É freqüentemente a afirmação, por parte dos
professores, que os alunos de hoje são indisciplinados, evocando um saudosismo
de uma suposta educação de antigamente, que estabelecia parâmetros rígidos para
o uso do corpo e da mente.
Por outro lado, certos comportamentos podem ser considerados por alguns
professores como indisciplina, enquanto que, para outros, correspondem apenas a
um excesso de vitalidade. Assim, a suposta indisciplina não estaria no aluno, sendo
na realidade um sintoma de uma escola incapaz de gerir e administrar novas formas
de existência social concreta, que surgem no seu interior, em decorrência das
transformações do perfil de sua clientela.
Conforme Celso S. Vasconcelos (1996),, é preciso apontar para a
possibilidade da escola como elemento de mudança das relações sociais, de tal
forma que se possa voltar a ter esperança de um futuro melhor. Ou será que a
escola nada pode diante de um ‘’destino’’ previamente traçado para o aluno e para a
humanidade? É obvio que não de forma ingênua, como no passado, quando
acreditávamos na escola como ‘’redentora da humanidade’’, desvinculada do resto
da sociedade.
O autor ainda continua com a reflexão sobre o avanço assustador das forças
produtivas, através da recente revolução da microeletrônica e da informática, que
permitem a automação flexível, estamos colocados diante de um desafio enorme:
simplesmente recriar as formas de organização do trabalho, as relações humanas, a
cultura, uma vez que as condições para a reprodução material da vida estão dadas
potencialmente; todavia, ao mesmo tempo, estão aprisionadas num modelo
ultrapassado de organização social, gerando uma contradição fundamental. Isto
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deve nos remeter a solicitar o melhor de cada um e de todos nós: usar o
conhecimento, a criatividade para encontrar alternativas.
Neste caso conclui-se que o professor – não o ‘’dador’’ de aula – trabalha
com a produção do sentido. Hoje, diante do clima de perplexidade do mundo, as
pessoas estão procurando ansiosamente sentido para as coisas. É, portanto, o
tempo por excelência do autêntico conhecimento, do verdadeiro mestre e do estudo
na sua perspectiva radical.
Já é tempo de resgatar exigências fundamentais para o bom andamento e
funcionamento das instituições educacionais.
Só por este breve levantamento, podemos ver como o problema da
disciplina esta ligado a uma série de outras questões; não dá para falar da disciplina
de uma forma isolada em relação a realidade maior.
Portanto o próximo capítulo tratará de alguns possíveis fatores que
contribuem para que haja indisciplina no contexto escolar.
Após leitura e pesquisa observamos que a indisciplina pode surgir no
contexto escolar devido a vários fatores, os quais conheceremos agora:
CAPÍTULO II
02- A INDISCIPLINA CENTRADA NA INSTITUIÇÃO EDUCATIVA.
A falta de educação, geralmente, aparece na escola, onde tem regras a
obedecer e responsabilidades a cumprir. Ali, crianças e adolescentes se excedem
por que em turma, segundo Içami Tiba (1993), eles estão sob o efeito da
‘’embriaguês’ relacional’’, e, a falta de regras claras, por parte da escola, favorece o
abuso dos alunos em proveito próprio e acaba expondo pessoalmente o professor.
Se um deixa, outro não se cria uma situação altamente desconfortável para todos.
Içami Tiba (2006), coloca que ao começar sua vida escolar, a criança vai
iniciar um intenso processo da socialização, deparando-se com uma organização
escolar que lhe é desconhecida e com uma série de regras que serão interiorizadas
e cumpridas a fim de possibilitar uma relação de convivência. Assim, o aluno terá
que aprender as novas regras da organização em que acaba de entrar a fim de se
comportar adequadamente nas diversas situações. Contudo, nem todos os alunos
que passam pela escola se comportam conforme as normas estabelecidas. Muitos
alunos rejeitam os objetivos ou os procedimentos valorizados pela escola e pela
sociedade, sendo o seu comportamento visto como indisciplinado. Desse modo, a
escola, ao não conseguir realizar socialização comportamental, cria situações de
indisciplina nos seus alunos.
Segundo FREIRE,
As crianças populares brasileiras não se evadem da escola, não a deixam
por que querem. As crianças populares brasileiras são expulsas da escola,
não, obviamente, porque esta ou aquela professora, por uma questão de
pura antipatia pessoal expulse estes ou aqueles alunos ou reprove. É a
estrutura mesma da sociedade que cria uma série de impasses e de
dificuldades, uns em solidariedade com os outros, de que resultam
obstáculos enormes para as crianças populares não só chegarem a escola,
mas também, quando chegam, nela ficarem e nela fazerem o percurso que
tem direito. (1998ª, p. 35).
Ainda, para FREIRE (1997), um projeto de escola que busque a formação da
cidadania precisa ter como objetivos: tratar todos os indivíduos com dignidade, com
respeito à divergência, valorizando o que cada um tem de bom; fazer com que a
escola se torne mais atualizada para que os alunos gostem dela; e, ainda, garantir
espaço para a construção de conhecimentos científicos significativos, que
contribuem para uma análise critica da realidade.
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Constata-se assim que existe a necessidade de autoridade, sem autoridade
não se faz educação, o aluno precisa dela, seja para se orientar, seja para poder
opor-se no processo de constituição de sua personalidade. Logicamente que existe
o conflito com a autoridade, e isso é normal, especialmente no adolescente.
O que se critica nesse caso é o autoritarismo, que é de fato, a negação da
verdadeira autoridade, pois se baseia na domesticação do outro.
Muitos problemas de indisciplina, segundo VASCONCELLOS (1996), têm
origem na questão do desrespeito.
Freqüentemente, a indisciplina é uma
manifestação de ‘’ordens’’ mal dadas ou mal entendidas.
Logicamente que os alunos não vão argumentar verbalmente que precisam
discutir com o professores sobre a quanta andas o relacionamento de ambos. Mas
com certeza eles manifestarão de alguma forma que as coisas não vão bem, como
por exemplo: querer sair da sala a todo o momento, se envolver em conversas
paralelas, não fazendo as lições, agredindo colegas ou mesmo professores, etc.
Enquanto o desrespeito do aluno, normalmente, é explicito, o desrespeito do
professor é camuflado, é sutil. E esse desrespeito tem várias facetas. Uma delas é o
preconceito de classe. Na Escola pública, às vezes, no fundo, o professor não
acredita naquele aluno simplesmente por sua condição social. Paulo Freire (1997)
ainda menciona que uma das coisas mais cruéis que o sistema nos ensina é
detestar o cheiro do pobre. Aprende-se a desconfiar do pobre, a detestar o pobre.
Isso é muito complicado. Na escola particular, este preconceito pode ocorrer de
forma diferente, porque os alunos pertencem a uma camada de maior poder
aquisitivo, sendo comum, inclusive, a tendência a tratar os professores como mais
um empregado de casa: ‘’eu estou pagando’’. É necessário tentar superar, não
deixar que o preconceito vicie a relação. Ao contrário, temos de ganhar esses
alunos, seja o menino da camada popular, seja o menino da escola particular, já que
estamos engajados num projeto de transformação.
Relacionado ao preconceito anterior, aparece o preconceito quanto às
possibilidades do aluno; o professor olha para o aluno e pensa: ‘’ih, este acho que
não vai’’. É impressionante como isto está presente no cotidiano da escola. Pesquisa
feita por COLLARES e MOUSÉS (1996), na 1ª série do 1º Grau, revela que os
professores ‘’acertaram’’ a previsão de reprovação dos alunos, feita logo no início
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das aulas, em 80 dos casos. A pergunta que fica é: será que ‘’acertaram’’ ou
condenaram os alunos logo no começo do ano? O professor acertou ou os alunos
foram ‘’acertados’’ pela previsão dele? Outras pesquisas já mostraram isto: a
expectativa do professor em relação a seus alunos é decisiva em termos do sucesso
ou fracasso que venham a obter. Ora, esta descrença é uma profunda falta de
respeito. Outra falta de respeito: as faltas constantes diante da queixa da violência
do aluno precisaríamos refletir: que violência maior do que a negação da esperança,
a negação de um futuro melhor a que o aluno, especialmente das escolas públicas,
está submetido? Se quisermos enfrentar a questão da violência do aluno, com
certeza o caminho não é usar outra violência ou ser conivente com ela.
Segundo Içami Tiba (palestras em vídeo, série educação para crianças)
(1993), o aluno tem que ter claro o verdadeiro significado de disciplina que é
basicamente um jeito que a gente encontra de ir fazendo as coisas organizadamente
para que se consiga dar um próximo passo com aquilo que se quer fazer. E a escola
precisa aprender a promover a educação relacional, ou seja, as regras e normas
devem vir em forma de acordos viáveis para todos os envolvidos no contexto
escolar. O autor ainda afirma que a indisciplina existente nas escolas tem tudo a ver
com o estilo do professor, com a maneira como a aula é planejada e executada.
Mas, contudo devemos nos lembrar que existem problemas disciplinares alheios ao
contexto escolar. Então, nenhum professor conseguira um resultado de 100% com
ralação a disciplina.
E muitas vezes a indisciplina atrapalha o relacionamento professor aluno,
porque todo professor é também um coordenador de grupo, e, se ele não souber
conduzir o grupo, além de a classe virar anarquia, segundo VASCONCELLOS
(2003), ele só conseguirá a antipatia dos alunos.
É por isso que a escola deve impor-se e impor didáticas adequadas. Não
adianta exigir que os alunos cumpram as tarefas se as estratégias de ensino e o
tema não dizem nada a eles. Não há solução fácil. Mas é essencial trabalhar – como
conteúdos de ensino – as questões relacionadas à moral e ao convívio social e criar
um ambiente de cooperação.
Para VASCONCELLOS (2003), escola muitas vezes, parece estar
acostumada a reagir de maneira inadequada, deixando expectativas de castigo
desproporcional quando algum aluno comete algo que na verdade não é tão grave,
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mas também não deve deixar de punir quando os alunos se excedem com atitudes
desrespeitosas, não se pode confundir regras, é importante avaliar a real gravidade
da transgressão cometida e saber dosar as atitudes a serem tomadas, mas uma das
atitudes mais comuns presenciadas, é o jogo de responsabilidades.
Só a titulo de exemplificação, é muito comum ouvirmos da escola a queixa
de que os pais não estabelecem limites, não educam seus filhos com princípios
básicos como saber se comportar, respeitar ou outros, saber esperar sua vez etc.,
no que estão normalmente repletos de razão, já que muitas famílias não estão
objetivamente cumprindo sua função civilizatória básica. Por outro lado, vemos
também a queixa de pais que estão sendo chamados pela escola para ouvir coisas
do tipo: ‘’Seu filho não está aprendendo; vocês precisam fazer alguma coisa’’...,
como se a obrigação de ensinar fosse dos pais. Para termos melhor idéia do que
isto significa, pensemos no caso de a família levar o filho a um médico e este, depois
de examiná-lo, chamar os pais e dizer: ‘’Ele está doente, precisa de alguém que
entenda de saúde para poder ajudá-lo’’... Ora, quem é o profissional da Saúde,
senão o médico? E quem é o profissional de ensino, senão o professor? Sabemos
que estas afirmações podem causar espanto, mas é só para demonstrar o paradoxo
a que chegamos: a escola sendo solicitada a fazer aquilo que seria obrigação dos
pais, e os pais sendo solicitados a fazerem o que seria obrigação da escola... Se
alguém tem dúvida disto, basta ver como estão progredindo as firmas de ‘’aulas de
reforço’’... É obvio que por este caminho de acusa-acusa não iremos muito longe.
Conforme VASCONCELOS (1996), mesmo no interior da escola, este problema
também se manifesta na não menos famosa ‘’síndrome de encaminhamentos do
aluno...”
É comum ouvirmos dos professores a queixa de que a disciplina por parte da
direção deveria ser mais rígida, mais severa. Isto revela o equívoco da postura do
‘’encaminhamento’’:
Existem de certa forma, segundo VASCONCELLOS (2003), três problemas
a serem tratados, 1. A transferência de responsabilidade (o professor não sabe o
que fazer em sala, encaminha aluno esperando solução ‘’mágica’’). 2. As diferentes
visões (ex: encaminhar-se o aluno esperando-se uma coisa e acontece outra). 3. Os
problemas de comunicação (ex: encaminha-se o aluno e não se sabe o que
aconteceu com ele).
19
Por isto, seria importante não entrar na ‘’síndrome de encaminhamento’’: de
que adianta o professor ficar encaminhando alunos ‘’problemas’’ para a orientação
educacional, por exemplo, se o foco do conflito está em outro lugar?
Ainda segundo VASCONCELOS (1996), existem conflitos entre alunos e
professores que devem ser enfrentados, antes de qualquer coisa, por eles próprios.
Para isto, o professor deve ter condições de, por exemplo, ter uma conversa mais
particular com algum aluno, se as providências tomadas em sala de aula não foram
suficientes para resolver o problema. Se a escola não tiver outra possibilidade, no
limite, consideramos ser preferível, então, um membro da equipe ir para a sala de
aula e o professor sair com o outro aluno para ter o diálogo. Alguém poderia ir logo
dizendo: ‘’ah, se eu for fazer isto, vou ficar mais tempo fora do que dentro da sala’’.
Isto aconteceria se deixasse o problema acumular; enfrentando logo no início, logo
quando surge, muito provavelmente não haverá tanta necessidade assim de sair da
sala. Isto é muito importante: enfrentar logo no começo.
VASCONCELLOS (2003), coloca que muitos professores, para ‘’não perder
tempo’’,acabam perdendo todo o tempo durante o ano, pois o tempo que o professor
utiliza com estratégias de sobrevivência, quando não consegue equacionar
adequadamente o problema da disciplina, chega a ser mais de 50% do tempo útil de
aula.
A questão não é, pois, ter uma equipe de especialistas de plantão para
encaminhar alunos (fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas, psicopedagogos,
médicos, assistentes sociais, orientadores educacionais, pedagogos etc.), mas,
segundo VASCONCELLOS (2003), é o professor ser formado, ser capacitado (até
com ajuda destes profissionais) e ter condições mínimas para poder fazer melhor o
seu trabalho e para isso é necessário ter claro o papel da equipe diretiva das
instituições, qual postura deve ter os membros da equipes diretivas escolares
(coordenação pedagógica, orientação educacional, supervisão escolar direção etc.)?
e entendermos, segundo o autor, que basicamente é preciso criar um clima de
confiança, baseado numa ética e no autêntico diálogo. Por exemplo: Construir
participativamente uma linha comum de atuação. Um dos pontos mais enfatizados
pelos professores em escolas que estão com problemas de disciplina é a falta desta
linha comum: que todos tenham a ‘’mesma linguagem’’.
20
Todos devem ajudar a manter uma visão de totalidade do problema.
Algumas vezes, para fazer com que o professor assuma suas responsabilidades,
não se fala de todo o resto, apenas questionando se ele já fez sua parte. É claro que
isto vai provocar a sensação de ser o ‘’bode expiatório’’ (é sempre culpa do
professor’’; ‘’cai tudo nas costas do professor’’ etc.). Não deixar que se perca a visão
de conjunto. Não se deve designar alguém na escola só para cuidar da disciplina’’; a
construção da disciplina é tarefa de todos. Subsidiar, apoiar o professor para que
possa ser o autor da ação educativa, inclusive disciplinar; orientar, ajudar a formar o
professor para o diálogo com os alunos. Resgatar o saber docente. Reconhecer que
os professores construíram um saber a partir de suas experiências. Só que
geralmente é um saber fragmentado e até contraditório. Daí a importância de
partilhar, fazer a crítica e sistematizar como cultura pedagógica do grupo.
VASCONCELLOS (2003), afirma que outro fator importante, é confiar no
grupo; superar o controle, a vigilância como se o professor fosse irresponsável (ex.
ficar passando pelo corredor e espiando a sala). Algo muito diferente ocorre quando,
por exemplo, há um acordo para que alguém da equipe assista à aula, para depois
refletir com o professor sobre sua prática. Apoiar as iniciativas de mudanças dos
professores; isto é sinal de vida. Dar tempo para colocarem prática e analisar. Não
frustrar com rigorismo e medo do erro.
Pesquisar mais a própria prática; ser capaz de levantar as representações
dos professores. No caso aqui, o que pensam a respeito dos problemas de
disciplina. Ter mais coragem de ouvir, pois para VASCONCELLOS (2003), esta é
uma coisa que dificulta o trabalho de direção e coordenação: os professores vêm
com suas queixas; a equipe, com medo de que, com aqueles problemas todos, ele
desanime, já começa tentar dar explicações, justificativas, não os deixando falar até
o fim. É preciso confiar mais em nossa capacidade, em nossa proposta, na força do
próprio grupo e deixar-los falar tudo o que tem para falar, e só depois disto começar
a reconstruir coletivamente.
Devemos ter claro que ser ‘’colo’’ quando necessário, é importante, mas
também ser firme se a situação assim o exigir.
VASCONCELLOS (2003), afirma que outra estratégia é num primeiro
momento trabalhar com um grupo menor, que esteja mais aberto, minimamente
querendo, que revele uma base de humanidade preservada. Criar base para um
21
trabalho menor, superando o formalismo; abrindo espaços para que o professor
possa atender os alunos em suas necessidades, sejam de aprendizagem ou
relacionamento e dar apoio ao professor diante da comunidade. Os eventuais
equívocos, serão tratados internamente. Saber enfrentar pressões equivocadas dos
pais. É muito desgastante quando o professor sente que seu trabalho não tem o
respaldo da equipe. Vejam isto não significa convivência, acobertar erros, mas
profissionalismo, tratar as coisas na hora e no local adequado, e ffinalmente,
favorecer clima ético; cortar ‘’fofocas’’, ‘’diz-que-diz-que’’.
Precisamos, enquanto escola, segundo VASCONCELLOS (2004), estar
atentos ao formalismo de educação, formalmente parece que tudo é muito fácil de
resolver, contudo a prática continua a mesma, sem soluções, e o espaço onde
deveria acontecer um convívio harmonioso acaba sendo lugar de manifestações de
violência fica patente que a tarefa de construir uma nova disciplina passa pelo
restabelecer o sentido para a escola, para o estudo, bem como o restabelecer os
limites. Só que aqui, em lugar de falarmos simplesmente de limites, vamos falar de
exigências, o que inclui o limite, mas também as possibilidades, com freqüência
esquecidas; isto é importante para não cairmos numa disciplina meramente
restritiva, do ‘’não’’, ‘’não’’ e ‘’não’’.
PERRENOUD (1995), cita que há algumas possibilidades de os vários
agentes contribuírem para a construção de uma nova disciplina em sala de aula e na
escola.
Para isso é preciso haver um resgate do sentido da instituição educacional
como, por exemplo: Construindo participativamente o projeto político-pedagógico da
escola, resgatando o sentindo do estudo, do conhecimento, para ter convicção
daquilo que vai ser ensinado e resgatar a significação dos conteúdos.
Também faz parte desses objetivos realizar trabalho de conscientização com
as famílias, explicitando o sentido das normas existentes (e que neste momento não
estão em discussão) e superando o formalismo, a burocracia, a alienação das
relações. Isso tudo ajudar a fazer a leitura critica dos meios de comunicação,
fazendo com que as famílias ajudem os filhos a refletirem sobre o sentido da
existência e busquem a valorização efetiva da Educação e de seus profissionais
comprometendo-se com a construção de uma nova ética social.
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E acima de tudo, para se impor, segundo PERRENOUD (1995), a escola
tem obrigação de exigir que se cumpram o que é estabelecido no ambiente, mas
com todos falando numa mesma linguagem para que se faça compreender e para
isso é necessário que se faça também um resgate das exigências; como: construir
coletivamente as normas da escola e da sala de aula, resgatando o autêntico
diálogo, que não é nem o ‘’sermãozinho’’ particular, nem o ‘’passar a mão na
cabeça’’ como se nada tivesse acontecido superar punição autoritária, bem como o
clima de impunidade. Por isso os educadores (pais, professores etc.) devem
estabelecer e cumprir limites, superando as normas equivocadas e ultrapassadas
desenvolvendo uma metodologia participativa em sala de aula.
Para isso todos devem entender que o estudo é também trabalho em que as
organizações estudantis devem ser valorizadas e incentivadas, isso com certeza vai
criar um clima de respeito na escola e até os alunos passarão a assumir a
responsabilidade coletiva pela aprendizagem, expressando suas necessidades.
Quanto ao professor, segundo PERRENOUD (1995), este deve ter
compromissos como dar o melhor de si, não faltar, etc., o mesmo deve conquistar e
ocupar bem o espaço de trabalho coletivo constante na escola, deve buscar
conquistar melhores condições de trabalho (salário digno, número de alunos
adequado em sala de aula, diminuição de burocracia, material didático, instalações
etc.). Perrenoud (1995), também afirma que a família deve resolver os eventuais
conflitos diretamente com a escola e não através do filho.
A REVISTA Nova Escola (2009), ao tratar do assunto indisciplina traz alguns
exemplos de medidas adotadas por algumas instituições de ensino que, não são
receitas, mas que alcançaram os objetivos de construir um ambiente cooperativo e
de conquistar autoridade com o saber e o respeito dos alunos.
1º exemplo
Formação e assembléia
O problema: No ano passado, as agressões físicas e verbais estavam se
tornando cada vez mais graves e frequentemente, na EMEFI Antonio Maria Marrote,
em Rio Claro.
A solução: A coordenadora pedagógica Rosemeire Archangelo propôs um
programa de formação aos professores e funcionários. Nele, todos trabalharam a
23
redefinição do conceito de indisciplina, questões relacionadas a respeito e moral e a
necessidade de trabalhar esses conteúdos.
Foram implementadas assembléias em cada sala, durante as quais os
problemas tinham de ser debatidos. A idéia era ajudar no desenvolvimento moral de
todos. ‘’As professoras achavam que não ia funcionar e me diziam: como um aluno
de 1ª série vai debater esses problemas?’’, conta. ‘’todas se surpreenderam. Com o
projeto, elas comprovaram que é possível, sim, que as crianças resolvam conflitos
com o diálogo’’, completa. A escola não virou o paraíso, mas todos aprenderam e
passaram a praticar outras formas de se relacionar e conviver com as diferenças no
dia-a-dia.
2º exemplo
Mais interação
O problema: Em 2006, a Escola Ativa, em Itapira, a 174 quilômetros de São
Paulo, estava abrindo a 5ª série, com 12 alunos, que lá estudavam desde a 1ª. O
fato de a turma se pequena, que parecia uma vantagem, se tornou um problema. Os
adolescentes se comunicavam por olhar. Conversavam em aula e começaram a
mentir para os professores. A um, diziam que haviam feito tal combinado com o
outro, o que não era verdade.
A solução: A equipe se reuniu e definiu novas pautas de estudo. ‘’tivemos de
melhorar a interação entre os professores e acordamos novas regras e o que não
poderia ser negociado’’, explica a diretora, Andrea Stevanatto Bataglini.
Debates foram realizados com a turma e os dilemas morais ganharam mais
espaço nas aulas. A revelação entre professores e alunos foi revista, de modo a
levar os estudantes a pensar se estavam agindo moralmente com quem lhes
respeitava.
Como entender esta construção de uma nova disciplina na sala de aula e na
escola? Seria algo fácil, imediato? É evidente que não; é uma tarefa muito difícil,
todavia importantíssima. Para enfrentá-la, é preciso ter uma visão de processo.
Saber que é
algo extremamente complexo. Muitos fatores interferem. Faz-se
necessário atuar em todas as frentes. Nenhum fator em si, em princípio, é
‘’decisivo’’. Há que se analisar o caso concreto (ex: classe com 15 alunos e terríveis
problemas de disciplina). Não desprezar nenhum fator, caso contrário vai
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acumulando uma série de pequenos problemas que gera um muito maior. Também
deve se levar em conta que a mudança não vai ocorrer de uma vez; porém, é um
processo, que se dá por aproximações sucessivas: valorizar os passos pequenos,
porém concretos e coletivos na nova direção e quanto mais participativo for este
processo, maiores serão as possibilidades de dar certo. Outro fator necessário é
partir da realidade concreta que temos; não adianta ficar reclamando ou sonhando
com outra. É esta a realidade, é este o ponto de partida para a transformação.
Como vimos os desafios a serem enfrentados são enormes. Se não
encontrarmos um clima favorável nem entre os companheiros de trabalho, fica muito
difícil manter o ânimo e a esperança de que as coisas podem de fato mudar.
2.1.A INDISCIPLINA CENTRADA NO PROFESSOR
É comum que se atribuam fatores relacionados ao professor, quanto a
indisciplina dos alunos.
O papel do professor é importante não como figura central, mas,
VASCONCELLOS (2003), como coordenador do processo educativo, já que, usando
de autoridade democrática, cria em conjunto com os alunos, espaços pedagógicos
interessantes, estimulantes e desafiadores, para que neles ocorra a construção de
um conhecimento escolar significativo.
É necessário que entre os pares estabeleça-se a forma de comunicação
necessária
para
que
a
aprendizagem
significativa
ocorra
realmente.
VASCONCELLOS (2003, p.58) diz que: “o professor desempenha neste processo o
papel de nodelo, guia , seja para ser seguido ou contestado, mas os alunos podem
aprender a lidar com o conhecimento também com os colegas.”
Em suma, o oficio docente exige a negociação constante, quer com relação
à definição de objetivos e as estratégias de ensino e de avaliação, quer com relação
a disciplina, pois esta, se imposta autoritariamente, jamais será aceita pelos alunos.
Neste processo de resgate, o professor deve buscar a legitimação da
autoridade a partir do dialogo,e da firmeza de proposta. Ter coragem de questionar
seus superiores, as normas e exigências colocadas, exercer sua cidadania. É
25
preciso que o professor supere o medo de exercer a autoridade; muitas vezes, isto
ocorre em função do medo de entrarem conflito com os alunos, da eventual falta de
apoio da escola diante de algum confronto com os pais ou ainda de ser ‘’problema’’
para a escola. FOUCAULT (1981), coloca que a autoridade pedagógica é uma
pratica complexa e contraditória, pois a autentica autoridade leva em si sua
negação, qual seja, a construção da autonomia do outro. Podemos compreender
aqui autoridade no seu sentido mais radical e transformador, que é ‘’ a capacidade
de fazer o outro autor’’. Em função disto, o professor deve viver esta eterna tensão
entre a necessidade de dirigir, orientar, decidir, limitar e a necessidade de abrir,
possibilitar, deixar correr, ouvir, acatar. Tal contradição é constante e não pode ser
anulada, apenas resolvida em diferentes momentos, tendo em vista os objetivos do
trabalho, sendo restabelecida logo em seguida em outro patamar e contexto. O
drama’’ é sempre este: ser o ‘’ porto seguro’’ e o ‘’mar aberto’’. É preciso que fique
entendido, no entanto, que não se trata absolutamente de caminhar conforme ‘’os
ventos sopram ‘’, de acordo com a necessidade do grupo naquele momento e tendo
em vista, com muita clareza, os objetivos que se buscam, para ter critérios de
orientações para a tomada de decisão.
Ao levantarmos questões relacionadas aos professores, corremos o risco de
sermos encarados como se estivéssemos contra nos mesmos, uma vez que
sabemos da grande parcela de responsabilidade que temos mediante a fracasso da
educação, não é o caso de nos sentirmos ‘’coitadinhos’’ e nem de nos sentirmos
exclusivamente culpados pelo fracasso total do nosso aluno.
São tantas as cobranças impostas sobre nós que acabamos assimilando a
idéia de que não temos forças, de que não podemos ou de que a solução do
problema está longe de nosso alcance.
Segundo Gabriel Chalita (2001) p.145.
O professor em momento nenhum, deve competir com o aluno, por mais
amigos que sejam. Como referencial, admirado, devemos ser parceiros de
nossos alunos, e cabe a nós como educadores impor o distanciamento
maduro e consciente diante de qualquer circunstancia.
O autor ainda coloca que o professor nunca deve manifestar desconfianças
em seu relacionamento com o aluno, pois isso acaba afastando-o e levando-o a atos
indisciplinares, já quando há um clima de amizade o aluno se sente constrangido em
enganar o professor. E mais o professor conseguira atingir melhor seus objetivos se
26
for amigo dos alunos, pois respeito é algo que se conquista, que não é imposto, e
que, um relacionamento entre professor e aluno deve sim ter afeto, pois só assim
haverá educação.
Porém sabemos que a situação em que o professor fica é profundamente
ambígua, de um lado se justifica que o problema indisciplinar não é com ele. E de
outro se sente impotente para resolver o problema.
O artigo da A.O.E.R.S. (1996, p.236), traz a seguinte colocação:
este sentimento de impotência é aprendido no cotidiano social, onde, num
caldo cultural de colonialismo e paternalismo, parece que tudo só pode ser
resolvido pelos ‘’grandes’’; o cidadão comum nada pode. O professor diante
do problema disciplinar, achando que não pode fazer nada, parte para outra
atitude extrema: se livrar, expulsar o aluno (algo semelhante à pena de
morte no contexto social mais amplo).
O mesmo artigo ainda coloca que o professor muitas vezes, sente-se
desgastado, destruído, traído, usado, acusado, desprezado, humilhado, explorado e
é neste contexto que colocar a ‘’culpa’’ fora dele pode ser a saída inconsciente de
autoproteção, não por ser relapso, mas sim porque no fundo acha que não pode,
não tem força para mudar. Quando questionado sobre os problemas, vai logo
apontando: ‘’É a família’’, ‘’ É o sistema’’, ao fazer isto, esvazia sua competência
profissional e existencial; perde o senso critico, pois não consegue se situar diante
do real; perde a autoridade, já que não é responsável por nada. Está marcado pelo
impossível, pelo não-poder. Freqüentemente, o colocado por ele como condição
para iniciar a caminhada é justamente o resultado de um processo de lutas e
conquistas.
Pensando sobre todos os obstáculos do professor chegamos, segundo
VASCONCELLOS (1996), a questão de que se observamos o decorrer do tempo,
tem acontecido um processo de desvalorização do professor. Isso por que as
classes dominantes tiram vantagem desta situação, enquanto o professor está
sendo atingido em seu autoconceito, sua auto-imagem e sua auto-estima, ele se
descuida e se sente impotente de exercer suas funções com segurança e
autonomia, e um povo sem educação e cultura é mais facilmente manipulado, e isso
é um de certa forma um suicídio coletivo em longo prazo.
VASCONCELLOS (1996), questiona de onde vem o drama do professor?
Em parte, da percepção de que está incapacitado para dar conta de sua tarefa: o
mundo mudou, o aluno mudou, mudou a relação escola-sociedade e ele continua o
27
mesmo... O que lhe foi ensinado? Transmitir o conteúdo, cumprir o programa,
controlar o comportamento do aluno através da nota. Hoje, as exigências são outras!
O que quer dizer de uma profissão da Educação que, muitas vezes, não sabe como
se dá o conhecimento, não domina o próprio sentido do que ensina, em alguns
casos mais extremos nem ao menos domina o próprio conteúdo que ministra ou,
quando domina, ensina baseado na mera transmissão? Isto é doido, o que sabemos
com certeza é que, não será ‘’tampando o sol com a peneira’’- querendo esconder
nossas falhas e deficiências-que iremos resolver os problemas. Insistimos que não
se trata de um julgamento moral, como se o professor fizesse isto porque quer,
porque escolheu conscientemente ser um mau profissional. Ele é vitima também de
uma lógica desumana a excludente. Mesmo quem saiu do melhores centros de
formação sabe que tem uma séria defasagem na sua capacitação, ate porque a
educação escolar, como vimos, é uma atividade de per si extremamente complexa,
ainda mais a ser exercida nos dias de hoje.
De certa forma, nunca se pediu tanto ao professor como se pede hoje e ao
mesmo tempo, nunca se deu tão pouco.
Enquanto não tivermos coragem de enfrentar esta questão superando os
escapismos e os sonhos de eventuais ‘’salvadores da pátria’’, não veremos muita
possibilidade de mudança.
Para mudar a realidade é preciso fazer uma opção muito clara. Tomar
atitude; o mesmo artigo ainda traz o seguinte exemplo:
É como o sujeito que vai até ao meio do riu com uma bóia e diz: ‘’Agora vou
ser neutro: vou ficar parado; não vou nadar nem em direção a nascente do rio, nem
em direção a sua voz’’. Pergunta: embora se tenha posicionado pela neutralidade,
ficou parado? Em relação ao rio, si, porem em relação à margem, não;
objetivamente esta descendo, embora não tenha optado conscientemente por isto...
Há uma lógica em andamento, não podemos ser ingênuos.
É de suma importância resgatar o professor sim, mas também é necessário
rever nossas posturas diante de nossos alunos, criar um clima de respeito mútuo é
determinante para exercermos nossas funções com mais autonomia e confiança.
Gabriel Chalita (2001 p. 150) argumenta:
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no primeiro dia de aula, precisa ficar claro que o professor adora ser
professor e conviver com os alunos, que ensinar foi uma opção de vida –
ajuda o ser humano a crescer, a ser mais livre, claro que a matéria será
fascinante, que juntos muito será trocado e aprendido.
Nunca uma primeira aula pode ser recheada de ameaças e autoritarismo.
Para o autor tanto professor quanto aluno crescerão e aprenderão muito
mais se houver uma relação saudável, de afeto e de contribuição mútua.
Para Maria Teresa Estrela (1994), nos deparamos com uma situação,
delicada, pois ao mesmo tempo em que o professor tem que ser compreendido ele
também deve ser chamado as suas responsabilidades, ter coragem de se rever
assumindo a parte que lhe cabe se quiser superar a situação a que esta sendo
submetido.
A autora coloca que é necessário resgatar o professor como sujeito de
transformação, e tudo começa, segundo ela, com a função da reflexão. Refletir,
buscar e comprometer-se.
De certa forma, o professor ‘’já sabe’’ o que deve fazer: em algum momento
de sua vida já ouviu falar ou mesmo vislumbrou uma possibilidade de como deveria
agir. Se não o faz, segundo Maria Teresa Estrela (1994), é porque ainda não se
convenceu de sua capacidade, ou não tem segurança de que esta no caminho certo,
ou ate mesmo não sabe como fazer, não vê condições para isso: uma coisa é ouvir
falar, outra coisa é colocar aquilo em prática.
O fazer do sujeito depende do querer e do poder, que se relacionaram
dialeticamente, já que, por exemplo, o não ver possibilidade acaba diminuindo o
desejo de fazer.
Mas primeiramente é necessário rever o que é para nos educadores, a
disciplina? É a prática do silencio? Essa concepção precisa ser revertida, sem
generalizar podemos observar claramente que uma mesma turma é disciplinada
com determinados professores e não se comporta com outros, porque isso
acontece?
Içami Tiba 2006 (p.138) relaciona isso a:
(...) problemas gerados pelo próprio professor com sua falta de didática,
discussões alheias a aula, irritação e mal-humor, severidade, falta de pulso
ao estabelecer limites, tem medo e insegurança entre outros.
O autor afirma ainda, que:
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(...) um professor não pode definir um único tipo de postura perante as
diferentes classes, idades e níveis socioeconômicos e culturais dos alunos.
Se assim o fizer, não estará levando em consideração a presença do outro
no relacionamento.
Ou seja, o professor precisa se munir de diversos recursos para despertar o
interesse do aluno no conteúdo da aula, pois, dessa maneira, deixam de ser
indisciplinados quase automaticamente.
2.2 A INDISCIPLINA CENTRADA NA FAMÍLIA
A importância da colaboração escola-família, pois, quando as famílias
participam da vida escolar, torna-se mais fácil a integração dos alunos e melhora a
qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Segundo Claudevone F. Santos
(2006), há estudos que evidenciam que o desenvolvimento dos pais está
positivamente correlacionado com os resultados escolares dos alunos.
O envolvimento dos familiares melhora a imagem da escola e o seu vinculo
com a comunidade. Tal envolvimento significa uma educação de sucesso apoiada
no binômio escola-família, já que não se aprende só na escola. Nesta, aprende-se a
aprender, mas para aprender o individuo deverá ser estimulado por um meio
ambiente favorável, sendo, segundo Claudevone F. Santos (2006), que é na família
que os alunos adquirem os modelos de comportamentos que exteriorizam de aula.
Içami Tiba em palestra (série educação para crianças Box 1), (1993), afirma
que os pais são os primeiros educadores e os mesmos devem passar para os filhos
uma educação prazerosa. Pois a educação só tem sentido se tiver prazer.
A criança desde pequena deve saber que determinados comportamentos
são favoráveis e outros não.
Nesse sentido fica-nos claro, para Içami Tiba (1993), que os pais devem
confiar na escola que matriculam seus filhos, porque com essa confiança eles estão
automaticamente autorizando a escola a interferir na maneira como educam seu
filho.
O autor ainda argumenta que é na família que se ensina que nada é gratuito,
que tudo tem conseqüências e isso vai tornar a criança mais responsável e
autônoma, porque pais carrascos transformam os filhos em pessoas dependentes.
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Claudevone F. Santos, (2006), também afirma que a escola e a família são
dois sistemas que, tradicionalmente, tem estado bastante afastados, apesar de
possuírem freqüências relações ou interações, seja em nível institucional
(associação de pais, conselho escolar, etc.) ou em nível individual (relação
família/professor).
E esse pensamento nos dá a certeza de que há uma desconexão entre
essas duas instituições que deveriam estar sempre mais unidas em prol do aluno
e/ou crianças envolvidas.
O aluno desenvolve-se em um ambiente familiar em que personalidades
diferentes encontram-se interligadas, na busca da satisfação de suas necessidades,
sejam materiais ou afetivas. Como lembra BUSCAGLIA (1993, p. 79)
a família é definida como um sistema social pequeno e interdependente,
dentro do qual podem ser encontrados subsistemas ainda menores,
dependendo do tamanho da família e das definições de papéis’.
Os membros da família, segundo BUSCAGLIA (1993), exercem forte
influência do comportamento dos indivíduos em fase de amadurecimento emocional,
pois este dependerá, em grande escala, de suas experiências emocionais
anteriores, ou seja, aquilo que foi experimentado na infância desempenha
importância papel durante os anos de adolescência.
É significativa a influencia familiar sobre as atitudes e metas dos jovens.
Cada família, como todo sistema, possui uma estrutura determinada, que se
organiza a partir das demandas, interações e comunicações que ocorrem em seu
interior. Esta estrutura forma-se a partir das normas transacionais da família, que
informam sobre o modo e com quem deve relacionar-se cada um dos seus
membros. Ate hoje a família transmite, avalia e interpreta a cultura para a criança.
Inserida em um contexto social bem mais amplo, a família, numa certa
perspectiva, segundo BUSCAGLIA (1993), trata-se de uma cultura dentro de outra
mais extensa, sobre a qual age e em relação a qual reage. Diante disso, a família
não transmite todos os valores sociais. Pois a formação de um jovem por constantes
mudanças. Nesse cenário, a família deve assumir sua responsabilidade educativa,
pois é nela que cada jovem aprende a desenvolver fundamentais para o convívio
social.
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BUSCAGLIA (1993), afirma que a família, nos tempos atuais, é fortemente
influenciada pelo fator econômico. A falta de estabilidade econômica desestrutura
psicologicamente seus membros. A figura do pai, associada ao poder de sustento do
lar, deixa de existir a medida que a crise econômica reduz os salários,
condicionando famílias a uma total mudança de comportamentos devido a redução
do padrão de vida.
Para AQUINO (1996ª, p. 98), ‘’é impossível negar, portanto, a importância e
o impacto que a educação familiar tem (do ponto de vista cognitivo, afetivo e moral)
sobre o individuo. Entretanto, seu poder não é absoluto e irrestrito’’. Para resguardar
a efetividade de sua função educativa, a estrutura familiar precisa adaptar-se as
circunstancias nova e transformar determinadas normas, sem deixar, no entanto, de
construir um modelo de referencia para os seus membros.
Segundo Gabriel Chalita (2001, orelha) ‘’tudo tem se renovado, e as escolas
e as famílias precisam acompanhar esse ritmo, sob pena de perder o bonde da
historia’’.
Nossos filhos e alunos estão crescendo em uma época em que não há
preocupação com a organização e estrutura familiar. E, essa desorganização deve
ser superada pois se organizar significa superar os problemas do dia-a-dia.
De acordo com Lidia Rosenberg Aratangy (2008, p. 51)
(...) acontece o estranho fenômeno em nossas cultura de o macho não estar
presente no universo do filho. E essas crianças cercadas somente por
presenças femininas como, mãe, avô, babá, etc., acabam por perder alguns
referenciais importantes para a sua formação pessoal, quando, não se
revoltam, direcionando-se para a atos de indisciplina como meio de chamar
a atenção de todos para si.
Pois isso é necessário ensinar desde cedo que a base fundamental para
todo o relacionamento saudável é a disciplina.
Hoje em dia, com a ‘’onda’’ do bullying, criou-se também a necessidade de
estarmos mais atentos, pois a agressividade às vezes tem inicio em uma
‘’brincadeira’’ somente, que acaba se tornando algo incontrolável e muitas vezes,
fatal. A REVISTA Super Interessante (2011, p. 72) na reportagem: ‘’o problema do
mundo sem bullying’’, cita que se os pais sentem que a criança não está
conseguindo resolver suas disputadas sozinha, talvez seja a hora de ajudar.
32
A mesma reportagem coloca que a família deve mostrar que está atenta ás
agressões, e pedir a colaboração da escola se achar necessário, planejar programas
que incluem esportes, artes a inserir a criança no círculo dos colegas, também ajuda
muito nesse sentido. melhorar as relações no colégio significa para as crianças um
aumento de confiança e o sentimento de que é aceita. Mas é necessário que a
família saiba como interferir, e prestar atenção ao comportamento e acontecimentos
ajuda a descobrir se é o caso de intervir diretamente com a criança ou buscando
outros meios e possibilidades para ajudar.
Alguns, pois acreditam que a energia que o filho tem para se envolver em
confusões devem ser descarregadas sobrecarregando-os com atividades extras;
segundo Lidia Rosenberg Aratangy (2008), isso depende da reação dos filhos a
essas atividades, de quanto eles se sentem sobrecarregados e de quais seriam as
outras opções. Ás vezes é melhor participar de alguma atividade, com colegas da
mesma idade e com acompanhamento de um adulto capacitado, do que ficar
sozinho em casa jogando videogames ou vendo televisão.
Portanto percebe-se que a família contemporânea necessita também de
apoio para lidar com a indisciplina de crianças e adolescentes. E muitas dessas
famílias buscam esse apoio na escola, ou simplesmente tentam esconder que o
problema existe, negando as atitudes agressivas dos filhos, o que alem de não ser o
caminho para a resolução do problema, também não é correto, pois se cria
indivíduos com grandes desvios de caráter e atos de indisciplina simples vão se
tornando cada vez mais graves, refletindo na sociedade, onde esse jovem estará
inserido futuramente.
Segundo Içami Tiba (2003), depois que os pais ensinarem uma regra ao
filho, deve perguntar que eles lhes expliquem com as palavras dele tal regra para
terem certeza de que o mesmo a compreendeu.
Percebe-se então que o conhecimento adquirido requer prática para sua
consolidação, e o que se aprende em casa, se leva para vida.
2.3 A INDISCIPLINA CENTRADA NO ALUNO
33
Para Claudevone F. Santos (2006), a indisciplina na escola pode ter relação
com o fraco rendimento escolar dos alunos. O seu insucesso pode levá-los a investir
pouco nas tarefas escolares e a desinteressarem-se pela escola, desencadeando,
eventualmente, emoções negativas, traduzidas em comportamentos inadequados o
jovem que não se desenvolveu normalmente manifesta (na escola ou fora dela)
comportamentos inadequados, que são muitas vezes julgados como sendo
comportamentos indisciplinados. Isso indica, então, a correção entre indisciplina e
moralidade.
Sabemos também que no contexto educativo, a indisciplina contribui para a
exclusão escolar, gerando um quadro de ações e reações que como numa bola de
neve cresce e se torna cada vez mais veloz e perigosa.
Considerando que o aluno elabora o seu conhecimento a partir da atribuição
de um sentido próprio as situações de um sentido próprio as situações que vivencia
e com as quais aprende, existem alguns determinantes para a formação do seu
comportamento. O mais importante é o seu mundo.
Segundo Içami Tiba (2006 p. 66), ‘’conforme o filho vai crescendo, os pais
mostram-lhe o que ele deve ou não fazer. Aos poucos, vão concedendo algumas
permissões.’’
Nesse momento de concessões é que geralmente se perde o ‘’fio da
meada’’, ou seja’ no perigo de proibir demais ou liberar demais a criança, ou
adolescente, se ‘’perde’’, por isso toda a permissão deve ter caráter educativo. E,
principalmente deve ser segura, pois desde cedo a criança percebe o tombo
vacilante na voz dos pais e se aproveita disso.
Nesse momento de descoberta do mundo, e já no contexto social, a escola,
como espaço de operacionalização da educação, revela-se um campo privilegiado
para a difusão de novas praticas e tecnologias.
Com relação a educação, desde cedo a criança observa o quanto a mãe da
atenção as suas atitudes e emoções, como explica Lidia Rosenberg Aratangy (2008)
um exemplo é a primeira reação de uma criança que está aprendendo a andar e cai,
se a mãe sorri para ela a mesma vai sentir a queda com o algo engraçado ou
natural, já se a reação das pessoas é de espanto, a criança se assunta e chora.
34
A vida é uma evolução progressiva constante. Portanto para que os filhos
sejam bons alunos e bons cidadãos são necessários que a família funcione como
uma equipe, fazendo a criança entender desde cedo, com ações que toda ação tem
uma conseqüência.
O aluno indisciplinado é também completamente apático e desinteressado.
Içami Tiba (2006 p. 125) coloca que esta
é a geração do ‘’tanto faz’’: tanto faz passar de ano quanto não passar.
Estar ou não de castigo, falar ou não com os pais. Nada parece atingir o
aluno, que PE vitima de erros educativos, pois seus pais lhe deram tudo de
bom e do melhor, mesmo que nada pedisse, para que ele não sofresse,
tivesse tudo, sem arcar com responsabilidades e compromissos. ’
Portanto, segundo o autor é necessário redefinir as metas a ser atingidas
como o aluno ‘’tanto faz’’, mesmo que para isso seja necessário o apoio de
especialistas para reorientar principalmente a família.
Podemos observar que o filho que não é organizado em casa, que não
arruma seu quarto, por exemplo, pode ser o aluno que não preserva sua escola e
poderá ser a pessoas que não vai cuidar bem do seu ecossistema posteriormente.
Faz parte de o nível evoluído a cidadania cuidar bem de ecossistema ao
qual se pertence, entendendo que ele retribui de acordo com a maneira como o
tratamos. Quando o aluno está na classe, aquele é seu ecossistema. Deve fazer o
Maximo possível para preservá-lo.
Pode ser que em casa ele jogue papel no chão, deixe tênis, uniforme e
material escolar pelo caminho, que a mar ou a empregada se encarregue de
recolher. Então, a escola adquire um papel fundamental como estagio intermediário
entre a família e a sociedade. Agora, na escola, ele precisa aprender a não jogar
seus pertences em qualquer lugar, a fim de tornar o ambiente agradável para viver
bem.
A escola poderia
fazer um trabalho criativo com os alunos desde a
Educação Infantil até o Ensino Médio, valorizando a limpeza com um padrão a ser
preservado.
Dentre esse e outros aspectos esta também a influencia e dos grupos e da
turma na indisciplina. Ou seja, os jovens, muitas vezes demonstram processos de
imitações de outros membros do grupo.
35
Segundo Claudevone F. Santos (2006, p. 20)
certas manifestações de indisciplina não passam, muitas vezes, de meras
manifestações publicas de identificação com modelos de comportamento
característicos de certos grupos. Através delas os jovens procuram obter a
segurança e a força que lhes são dadas pelos respectivos grupos,
adquirindo certo prestigio no seio da comunidade escolar. A turma é
também um grupo,sem que, todavia, faça desaparecer todos os outros aos
quais os alunos se encontram ligados dentro e fora da escola. Numa
sociedade em que os grupos familiares estão desagregados, o seu espaço
é cada vez mais preenchido por esses grupos formados a partir de
interesses e motivações muito diversas.
Já quando a bagunça é generalizada com muitas conversas paralelas e
tumulto organizado por um líder ou pela maior parte da turma significa que a aula
não esta interessante.
Vale a pena questionarmos e refletirmos sobre vários aspectos pois
sabemos que a indisciplina não tem uma causa única. Em algumas situações, tentar
rastreá-las, buscando suas causa psicológicas, leva a uma elucubração mental
infrutífera. É o momento de tomar uma atitude.
As atitudes precisam ser coerente, constantes e conseqüentes, isto é,
necessitam do endosso de todos os professores.
O ‘’fundão’’ é a covardia do aluno que se esconde no anonimato. Mas é
muito fácil cortar o mal pela raiz. Coloque as carteiras em círculos, como no teatro
grego, e acabe com o fundão. Muitas vezes, eliminam-se também as conversas
paralelas.
Talvez você ache ridícula essa atitude, porem é bem mais ridículo dar aula
enquanto tem gente conversando na classe.
Içami Tiba (2006, p. 132), nos dá uma esperança quando diz que:
(...) talvez numa escola no futuro os conhecimentos não venham do
professor, mas de inúmeras fontes. O aluno se responsabilizaria pelo
próprio saber, e o professor faria o papel de coadjuvante nesse processo.
3º CAPITULO
POSSÍVEIS SOLUÇÕES E INTERFERÊNCIAS NA INDISCIPLINA
A indisciplina escolar não é um fenômeno estático, que tem mantido as
mesmas características ao longo das ultimas décadas. Não há ‘’receitas’’ já prontas
para as situações de indisciplina, dado estas serem relacionais e circunstanciais. É
preciso situá-la em seus termos, isto é, de acordo com as características e com os
condicionamentos do aluno que a provoca ou da situação na qual se manifesta.
ANTUNES (2002a, p. 25) salienta que ‘’ensinar não é fácil e educar mais
difícil ainda; mas não ensina quem não constrói democraticamente as linhas do que
é e do que não é permitido’’.
Os encaminhamentos disciplinares prevenidos em nível de escola tem se
mostrado afetivos, de acordo com a literatura especializada. Estudos indicam que
uma diretriz disciplinar ampla, de base preventiva, é o melhor posicionamento que
uma escola pode desenvolver para garantir a disciplina. (GOTZENS, 2003; AQUINO,
1996ª, 1996b, 2003; VASCONCELLOS, 2004; ANTUNES, 2002a, 2002b), pois se o
que se deseja é uma escola disciplinada, é importante compartilhar com os
estudantes
expectativas
que
reflitam
uma
apreciação
quanto
as
suas
potencialidades e que expressem a visão de que eles devem assumir suas próprias
responsabilidades junto à escola.
Outro elemento preventivo relevante na indisciplina é a adoção da
modalidade de tutoria. É uma via polivalente de enorme interesse em que cada
professor adota como tutor uma turma ou indivíduos de uma sala de aula ou da
escola. GOTZEN (2003, p. 66) afirma que
as tutorias são aplicadas mediante a ação coletiva e individual dirigida aos
alunos ao longo de sua escolaridade, que incumbe logicamente a eles e a
seu tutor, sendo que este último deve zelar pela harmonia entre alunos,
professores e pais.
Deseja-se que a escola seja um espaço humanizado, democrático, onde se
cultiva o dialogo e a afetividade, onde se pratica a observação e a garantia dos
direitos humanos. Na pratica, o que se espera é que a escola assuma um papel
educativo e proporcione, através de uma visão sistêmica, a integração de todos os
agentes envolvidos no processo, bem como o acesso das novas gerações a herança
cultural.
37
Acumulada, vista como instrumento para desenvolver competências, aguçar
sensibilidades e transformar o ser humano. Para que essa educação represente
mudança deve-se cultivar, sobretudo entre os professores, uma postura de interesse
pelas metas, realizações e problemas dos estudantes. Para MANTOAN (2003), o
nosso modelo educacional mostra há algum tempo sinais de esgotamento e nesse
vazio de idéias que acompanha a crise não ocorrem por acaso ou por decreto, mas
pela postura reflexiva e pela vontade coletiva da sua comunidade.
É importante que a direção escolar atue de modo a oferecer apoio aos
professores e aos alunos, tendo uma presença constante nos diversos espaços
escolares, onde deve manter o relacionamento informal com professores e alunos.
Espera-se que a direção escolar: expresse interesse pelas suas atividades,
adotando uma postura de administrador-gestor que busca parcerias com outros
espaços educativos; implemente inovações educacionais que melhor qualificam
alunos e professores; desenvolva novas habilidades de estudo nos alunos; e
introduza estratégias de aprendizagem cooperativas. Para CASTRO e CARVALHO
(2005, p. 41):
[...] uma escola, diferentemente de uma empresa comercial, não pode se
contentar apenas com um administrador, mas precisa de um educador que
lidere e crie liderança no percurso de realizações do projeto. Se assim
forem conduzidas a definição e a realização de um projeto pedagógico.
Neste caso a força para a sua realização estará enfraquecida. [...] Um
projeto pedagógico bem definido, com as prioridades colocadas de forma
consensual, facilitara sua partilha para alem dos profissionais da educação,
envolvendo os alunos, os pais e mesmo a comunidade local.
Alem disso, é importante gerar modificações no clima e na imagem da
escola, através de atividades extracurriculares envolventes que valorizem o papel da
escola diante dos seus alunos.
É necessário que o professor desenvolva e conquiste maior autonomia para
lidar com a indisciplina na sala de aula. Isso não significa deixar o professor sozinho
com a indisciplina, mas fomentar um trabalho em parceria, baseado em
responsabilidades claramente definidas e no auxilio estratégico da equipe de apoio
pedagógico em situações que requerem intervenção. GÓMEZ (2000, define o ensino
como a uma atividade prática que se propõem as trocas educativas para orientar
num sentido determinado as influências que se exercem sobre as novas gerações.
Compreender a vida da sala de aula é um requisito necessário para evitar a
arbitrariedade na intervenção. Mas nesta atividade, como noutras práticas sociais,
38
como a medicina, a justiça, a política, a economia, etc., não se pode evitar o
compromisso com a ação, a dimensão projetiva e normativa deste âmbito do
conhecimento e atuação.
Assim, se no início do ano letivo há um encontro de desconhecimentos, que
se comportam com apreensão e que fazem avaliações mutuas, com o tempo, acorre
uma evolução educativa do individuo e do grupo, já que são realidades inacabadas
que se constroem no processo de desenvolvimentos e intervenção.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Devido a complexidade do tema desse trabalho e a intensidade com que os
problemas de indisciplina tem sido vivenciados nas escolas, nossa expectativa é de
que essa revisão de literatura se enriqueça no confronto dos educadores com o rico
e diversificado cotidiano das instituições escolares de nosso país. Segundo
GOTIZENS (2003, p. 22):
A disciplina escolar não consiste em um receituário de propostas para
enfrentar os problemas de comportamento dos alunos, mas em um enfoque
global da organização e da dinâmica do comportamento na escola e na sala
de aula, coerente com os propósitos de ensino. {...}.
Para isso é preciso, sempre que possível, antecipar-se ao aparecimento de
problemas e só em ultimo caso preparar os que inevitavelmente tiverem surgidos,
seja por causa da própria situação de ensina, seja por fatores alheios a dinâmica
escolar.
Conclui-se que as escolas precisam desenvolver políticas internas para lidar
de forma preventiva com a indisciplina, havendo também a necessidade de
programas de formação de professores em serviço voltados para a discussão de
problemas vivenciados nas rotinas das escolas, para a idealização de soluções e
para sua implementação.
A educação sem esperança não é educação. Enquanto necessidade
ontológica a esperança precisa da pratica para se tornar concretude histórica.
”É por isso que não há esperança na pura esperança, nem tampouco se
alcança o que se espera na esperança pura, que vira, assim, esperança vã.“
(FREIRE, 1998b, p. 11).
Embora seja difícil e complexo lidar com o problema da indisciplina, o
professor não pode desistir e nem se acomodar. Não pode deixar que a educação
silencie e limite os alunos e que impeça seu desenvolvimento criativo e participativo
em sala de aula. Precisa-se de uma educação que valorize as organizações
coletivas e que contribua para a construção da autonomia e para o desenvolvimento
intelectual dos alunos, a fim de que se consista uma sociedade democrática.
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