AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA CURSO: PSICOPEDAGOGIA COM ÊNFASE NA EDUCAÇÃO INFANTIL 9,0 INDISCIPLINA NA ESCOLA: FATORES DE INFLUÊNCIA Regina Salete dos Santos Vargas [email protected] Orientador: Prof.Dr.Ilso Fernandes do Carmo NOVA XAVANTINA/2012 AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA CURSO: PSICOPEDAGOGIA COM ÊNFASE NA EDUCAÇÃO INFANTIL INDISCIPLINA NA ESCOLA: FATORES DE INFLUÊNCIA Regina Salete dos Santos Vargas Orientador: Prof.Dr.Ilso Fernandes do Carmo “Trabalho apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Especialização em Psicopedagoga com Ênfase na Educação Infantil.” NOVA XAVANTINA/2012 RESUMO O presente trabalho é resultado de um levantamento bibliográfico realizado com a finalidade de entender melhor quais são os fatores que levam as crianças a serem tão indisciplinadas no ambiente escolar e se existem possibilidades de reverter esse quadro tão preocupante e que tem sido um problema a ser resolvido nas instituições escolares. O comportamento agressivo apresentado por crianças em idade escolar é um tema que preocupa não só os educadores, mas também os pais e a sociedade em geral. Este estudo está fundamentado nas pesquisas bibliográficas com autores que abordam o tema levando-nos a fazer uma reflexão para melhor compreender e buscar meios de resolver tal problema. Com os resultados obtidos pela pesquisa foi possível comprovar que existem sim meios de amenizar e até resolver o problema. Foi possível observar que muitas instituições têm conseguido reverter esse quadro com projetos, atividades e principalmente discussão e diálogo, entre outras possibilidades, portanto é possível que todos consigam com persistência e muita força de vontade. Palavras – chave: Indisciplina, Educação, Criança. SUMÁRIO Introdução...................................................................................................................04 CAPÍTULOI 1-Como a indisciplina é vista no contexto escolar geral.............................................06 CAPÍTULOII 2- possíveis fatores que contribuem para que haja indisciplina no contexto escolar.15 2.1 – A indisciplina centrada no professor.................................................................24 2.2-A indisciplina centrada na família....................................................................29 2.3- A indisciplina centrada no aluno.....................................................................32 CAPÍTULOIII 3- Possíveis soluções e interferências na indisciplina................................................36 Considerações finais...............................................................................................39 Referências bibliograficas..........................................................................................40 INTRODUÇÃO O presente trabalho, explanado em três capítulos tratará dos fatores que influenciam a indisciplina na escola. Através de leituras e documentação das mesmas é que tentaremos entender melhor os motivos de por que há tanta indisciplina no âmbito escolar, o que leva as crianças a se recusarem a cumprir normas e regras das instituições nas quais estudam. Traz também uma reflexão sobre a indisciplina, que tem sido vista como um dos maiores problemas enfrentados pela escola atual, inviabilizando a prática educacional, pois está associada a desordem, ao desrespeito e a falta de limites. A indisciplina geralmente é centralizada no aluno, o que evidencia um modo taxativo de lidar com a questão. Primeiramente é necessário entender e discutir o conceito de indisciplina, explorando-se a seguir alguns dos fatores geradores da mesma no cotidiano escolar, devido à importância de se buscar estratégias adequadas para enfrentar o problema, pois é preciso uma postura compartilhada para tratar e resolver o assunto, pois sabemos que os grupos humanos têm em suas diferentes culturas instrumentos, artefatos, costumes, normas e códigos de comunicação e convivência que são imprescindíveis para sua sobrevivência. E dentro de cada cultura a educação acontece, principalmente, pelo processo de transmissão, para que garantam a sobrevivência das novas gerações e de suas conquistas sociais. Já na escola, o trabalho educativo acontece de forma sistemática e planejada com conhecimento, valores, atitudes e formação de hábitos. Pois instituições escolares têm como sua maior função, a de facilitar a inserção do individuo no mundo social e a educação num sentido mais amplo tem a responsabilidade na formação e humanização do homem. Portando ao receber os diferentes costumes, a escola, têm que ter, ou buscar adquirir, habilidades para saber entender e lidar com todas essas diferenças, que vão se manifestar através de sentimentos, emoções e comportamentos diversos, baseados nos valores familiares ou regras sociais do grupo ao qual cada criança pertence, e esses comportamentos 05 podem ser, muitas vezes confundidos e tratados como indisciplina, ou falta de compreensão das normas e regras impostas por cada escola. No primeiro capítulo trataremos de como a indisciplina é vista no contexto escolar geral. No segundo capítulo, apresentaremos possíveis fatores que contribuem para que haja indisciplina no contexto escolar. E no terceiro capítulo apresentaremos possíveis soluções e interferências para tentar amenizar o problema da indisciplina escolar. CAPÍTULO I 01- ‘’COMO A INDISCIPLINA É VISTA NO CONTEXTO ESCOLAR GERAL” Em todos os tempos, a violência afeta toda a população, mesmo quem esta longe dos campos de batalha. Conforme Claudevone F. Santos (2006, p.14-23). (...) Vivemos num momento de intolerância e desrespeito, inclusive com situações agressivas levando o aluno à falta de concentração e desequilíbrio emocional tendo como consequência impactos no aproveitamento do aprendizado. É um desafio para a escola compreender o porquê de tanta indisciplina no ambiente escolar. Todas as escolas, tanto públicas como particulares tem se deparado com situações semelhantes de desordem e desrespeito. Segundo a reportagem da Revista Nova Escola (2009, p. 80), este não é um problema apenas brasileiro, na França, por exemplo, há relatos de gangues que batem em professores, e nas escolas americanas há um alto número de mortes, frutos da violência. Esta é uma tendência preocupante, pois no decorrer do tempo vem mudando o foco observa-se que as maiores reclamações partiam de professores do 6º ou 7º ano, hoje em dia há casos e depoimentos de professores até do 1º ano que está difícil controlar pequenas brigas e tumultos que atrapalham o andamento das aulas e automaticamente do aprendizado. Existem casos inclusive de abandono do magistério por ser esta uma questão que tem ocupado um espaço casa vez maior no cotidiano escolar do nosso país e os profissionais da educação tem buscado outros concursos e cargos por não saberem como enfrentar tal problema. No contexto escolar, a indisciplina é vista como um dos principais entraves da boa educação, mas existe também uma grande falta de conhecimento sobre o tema e falta também adequação das estratégias de ensino. Para Claudevone F. Santos (2006), é essencial que as escolas trabalhem, como conteúdos de ensino, as questões relacionadas à moral e ao convívio social e criem também um ambiente de cooperação. É preciso rever conceitos, como traz a reportagem da Revista Nova Escola (2009, p.83), pois pesquisas realizadas em 2008 pela Organização dos Estados Iberos – Americanos com cerca de 8,7 mil 07 professores mostrou que 83% deles defendem medidas mais duras em relação ao comportamento dos alunos, 67% acreditam que a expulsão é o melhor caminho e 52% acham que deveria aumentar o policiamento na escola. O que não se pensa é que se a repressão funcionasse, a indisciplina não seria apontada como o aspecto da Educação com o qual é mais difícil lidar em sala de aula. Outro fato a ser considerado é que a disciplina é apenas um aspecto do processo de educação escolar, que por sua vez também é extremamente complexo e exigente, uma vez que se trata de participar da formação, ao mesmo tempo, de trinta, quarenta ou mais sujeitos. Então, a escola tem mais funções do que parece, sendo que o atendimento a tantas e tão diversificadas funções faz com que as crianças acabem permanecendo mais tempo na escola do que em companhia de seus pais. A possibilidade de formar o cidadão para o mercado de trabalho e para a vida adaptações aos ritos de passagem. Portanto, as escolas contribuem para que as sociedades se perpetuem, pois transmitem valores morais que integram as sociedades. Mas elas também podem exercer um papel decisivo nas mudanças sociais. Segundo ARROYO (1995, p. 36): A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos, ora como um dos instrumentos de conquista de liberdade, da participação e da cidadania, ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os graus de liberdades, de civilização, de racionalidade e de submissão suportáveis pelas novas relações sociais entre os homens. As estratégias usadas atualmente por grande parte dos professores para lidar com a indisciplina têm sido desastrosas e estão na contramão do que os especialistas apontam ser o mais adequado. Então como lidar com atrasos, conversas paralelas, atos de vandalismos, roubos e outros desafios? E ainda ensinar o que o aluno não sabe? De certa forma, o professor ‘’já sabe’’ o que deve fazer, em alguns momentos de sua vida já ouviu falar ou vislumbrou uma possibilidade de como deveria agir, no entanto, muitas vezes não faz porque não tem segurança de que seja o caminho correto, achando que talvez seja muito pouco em relação ao tamanho do problema, que não vai resolver. Às vezes ele não sabe como fazer para resolver o problema, ou não vê condições para resolvê-lo. 08 Por isso a escola deve primeiramente resgatar o professor como sujeito, seu desejo, projeto, sentido e querer desmontando alguns mitos que funcionam como obstáculos para poder apontar cominhos, alternativas, que estejam ao alcance de realização em termos tanto de processo, quanto de propostas de ação. De acordo com Celso F. Vasconcelos(1996), não podemos somente ver a indisciplina como entrave e problema se não equilibrarmos as ações, isso só mostra como a escola parece estar acostumada reagir de maneira inadequada. Ainda segundo VASCONCELLOS (1996), é preciso compreender que houve profundas mudanças na escola, na sociedade e nas suas relações. Parece difícil aos educadores se darem conta disto. Sempre que pensamos em disciplina, logo nos vem à mente as idéias de limites (restrição, frustração, interdição, proibição etc.) e de objetivos (finalidades, sentido para o limite colocado). A nosso ver, a crise da disciplina escolar hoje está associada justamente à crise de objetivos e de limites que estamos vivenciando. A escola, como sistema aberto que compartilha funções e que se interrelaciona com outros sistemas que integram todo o contexto social, torna-se, segundo VASCONCELLOS (1996), uma instituição que recebe exigências de outras instituições e na qual convivem formas de agir diversas, muitas vezes desordenadas e freqüentemente contraditórias. Também os pais, com diferentes condições sócioculturais, costumavam esperar da escola tarefas educativas muito diversas e, até mesmo, que a escola assuma ações que seriam próprias da família. Para Claudevone F. dos Santos (2006, p.14-23). É importante que a família defina que tipo de escola deseja para seu filho, no que concerne a aspectos como filosofia, métodos e regras disciplinares. A escola também precisa conhecer quais os valores e expectativas dos pais, para que possa saber se as concepções que permeiam tais expectativas favorecem o entendimento entre ambos, uma vez que a escola e família são duas instâncias nas quais os jovens passam a maior parte de suas vidas. Estamos vivendo a queda do mito da ascensão social através da escola. Como entender isto? E mais, como incentivar os alunos a estudarem? VASCONCELLOS (1996), coloca que os alunos há uns tempos atrás, não viam sentido no que estavam fazendo, mas tinham em mente a perspectiva de uma recompensa mais tarde, o emprego na escola este era o ‘’projeto educativo’’ de 09 milhares de educadores. Hoje, os alunos continuam não vendo sentido nas práticas de sala de aula, e não vislumbram mais um futuro promissor pela via do diploma. O professor que baseava sua autoridade neste mito está perdido. E, o que é pior, não tem conseguido articular outro sentido para o conhecimento, a escola, o estudo. Para Philippe Perrenoud (1995), a escola ficou protegida de suas contradições internas por muito tempo em função de sua relação de ‘’parceria’’ com o mercado de trabalho. Esta motivação extrínseca – já que não estava ancorada na própria relação pedagógica – encobria e tornava ‘’suportável’’ o que lá acontecia, tendo em vista o prêmio posterior (‘’sofro agora, mas depois terei um bom emprego, serei alguém na vida’’). Estamos diante do autêntico problema, que não é absolutamente novo, mas que agora - finalmente, nos parece tem de ser enfrentado, pois se a escola não é mais o caminho para um bom emprego para que ela serve? No atual momento, quando os alunos passam a se rebelar, alguns professores parecem meio indignados, traídos: ‘’ué, podia fazer isto? Por que não fizemos no nosso tempo? Por que obedecemos passivamente? Por que engolimos os ‘’sapos’?’’. Parece haver uma sutil inveja do professor em relação ao seu aluno, que agora contesta, questiona, busca o sentido das coisas... Para VASCONCELLOS (1996), só esta ausência de projeto já seria suficiente para provocar um grande estrago na sala de aula e na escola, afinal ‘’para que me comportar se não vejo sentido naquilo que estou fazendo’’? Mas a este fator vem-se acrescentar outro: dois, um de ordem circunstancial e outro estrutural. De um lado, tudo isto está acontecendo justamente no momento em que os professores estão submetidos às mais desfavoráveis condições de trabalho dos últimos tempos: má formação, salários miseráveis, número excessivo de alunos em sala, falta de material didático apropriado, falta de espaço de trabalho coletivo constante na escola etc. de outro lado, temos a crise dos próprios limites, alimentada pela necessidade de um mercado baseado na exacerbação do consumo. Sendo assim com tal falta de perspectiva à quebra de limite parece ser o caminho mais fácil para suportar anos de um estudo que não faz sentido. O que temos que compreender, enquanto escola, é que, para que se consiga trabalhar melhor é necessário ensinar aos alunos, que mesmo que o 10 sistema facilite a conclusão dos estudos eles devem aprender tudo o que a escola tem para oferecer, que esse ainda é o caminho para se tornar um bom profissional. Na reportagem da Revista Nova Escola (2009), percebe-se que muitos professores esperam, sem razão, que essa formação moral seja feita 100% pela família, não se trata de destituí-la dessa tarefa, mas é preciso enxergar o espaço escolar como propício para a vivência de relações interpessoais pondera Áurea de Oliveira, do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista , Júlio de Mesquita Filho, (UNESP), campus de Rio Claro na mesma reportagem, cita ainda que as questões ligadas à moral e à vida em grupos devem ser tratadas como conteúdos de ensino. Caso contrário, corre-se o risco de permitir que as crianças se tornem adultos autocentrados e indisciplinados em qualquer situação, incapazes de dialogar e cooperar. Pesquisa de 2002 com 120 universitários, de Montserrat Moreno e Genoveva Sastre, da Universidade de Barcelona, indagou sobre a utilidade do que eles aprenderam na escola para a resolução de conflitos na vida adulta. Apenas 3% apontam que os professores lhes ensinaram atitudes e forma especifica de agir. Esses resultados certamente são próximos da realidade brasileira, porque nosso estilo de ensinar é parecido, pois joga pouca luz sobre o currículo oculto, aquele que leva em conta o sentimento do estudante, seus desejos, suas incompreensões. A escola, segundo Claudevone F. Santos, (2006), precisa compreender que o que se espera dela é conhecimento. É isso que faz o aluno respeitar o ambiente a sua volta, então, em vez de agir sobre a conseqüência, deve-se procurar a causa e estabelecer normas e regras do que é ou não aceito, e principalmente deixar claro o porquê. Erro comum em regimentos escolares é situar regras morais e convencionais num mesmo patamar. Isso porque as regras morais merecem mais atenção, já as convencionais estão mais ligadas ao andamento do trabalho. Ao distingui-la seremos capazes de interpretar melhor uma transgressão, e, assim encaminhá-la adequadamente. Não mentir é um exemplo clássico de regra moral. O principio ético em jogo, nesse caso, é a honestidade. Trata-se, portanto, de um preceito inegociável. Quando algum aluno mente, a solução passa por uma boa conversa – prática imprescindível já na Educação Infantil. Desde essa fase, é 11 importante explicar para a criança como se sente o colega que foi enganado e mostrar que isso é errado, perguntando: ‘’E se fosse com você?’’ Regras convencionais, por sua vez, segundo a reportagem da Revista Nova Escola (2009), têm seu fundamento na negociação e na clareza de definição. Tome o exemplo da conversa. Mesmo numa sala que está barulhenta por que os jovens realizam um trabalho em grupo – e em função disso traçam idéias sobre um tema proposto -, o silêncio será necessário em algum momento. É preciso estar acertado que, quando um aluno ou o professor precisarem da atenção, o grupo deve parar para ouvir o que será dito. Também são consideradas regras convencionais não usar boné e ir para a escola sempre de uniforme. Nesse grupo, entram imposições que em nada afetam o processo do ensino e aprendizagem. Há escolas em que o uso do uniforme é uma questão de segurança, pois ela permite identificar quem é ou não aluno. Em outras, isso pode não ser necessário. Mas a situação anda tão difícil que muitos professores andam sonhando com alguma ‘’solução mágica’’. Isto chega até ser expresso em tom de brincadeira nos encontros, mas com tal freqüência que não pode ser considerado apenas como caso isolado ou brincadeira. O que significaria uma solução mágica? Basicamente, tratar-se-ia de algo feito pelo outro e que daria resultado imediato. Ou seja, a questão da ‘’receita infalível’’para VASCONCELLOS (2003), é problemática por colocar a solução fora do sujeito e por negar o caráter processual de mudança da realidade. Segundo Celso dos S. Vasconcellos (2003), de certa forma, podemos entender esta busca de solução mágica também como reflexo de um não conseguir aceitar a situação tal como se coloca hoje. Para a maioria dos professores está realmente muito difícil assimilar a mudança que houve no seu status, nas suas condições de trabalho; neste sentido, a ‘’mágica’’ representa certa nostalgia, uma negação pura e simples da realidade. O autor ainda coloca que na busca de superação dos problemas, muitas vezes, as alternativas encontradas tem uma forte carga idealista, o que significa dizer que não leva em conta um conjunto de determinantes da realidade concreta. É claro que toda proposta que vise à superação tem uma carga de negação em ralação à realidade atual – caso contrário, não seria superadora. A distorção do 12 idealismo é exacerbar as possibilidades em detrimento dos limites. Assim, por exemplo, afirma-se que, para evitar indisciplina, a aula do professor deve ser interessante. Até aí estamos de acordo; a questão surge quando vamos aprofundar tal proposta e vemos que se espera que o professor sozinho interesse a todos os alunos, o tempo todo. Ora, isto seria o ideal; contudo, sabemos que dificilmente ocorrem situações assim no cotidiano da escola. Se a proposta fosse colocada em termos de se criar um clima de momento, que fosse de interesse, com a participação também dos alunos – e não só do professor, até seria possível, nos parece, mais de acordo com a realidade. Para VASCONCELLOS (2003), escola, como instituição, deve ter autonomia, poder de decisão, para impor regras e tomar as devidas precauções se tais regras não forem respeitadas e cumpridas. Ficar parada só observando e refletindo sobre a indisciplina não vai resolver a situação. Poderíamos lembrar aqui as reflexões de FOUCAULT (1981), sobre a questão do poder: onde está o poder? Será que está apenas nos dirigentes, na mídia? Ou na verdade, embora tenhamos focos fortes de poder, ele tem uma capilaridade, está no dia-a-dia, nos vários agentes sociais? É preciso resgatar e redirecionar estes micros poderes locais, tendo em vista um projeto novo denunciando e lutando contra o poder que se exerce como abuso: “(...) todos aqueles que o reconhecem como intolerável, podem começara luta onde se encontram e a partir de sua atividade (ou passividade) própria.” (FOUCAULT, 1981, p.77). Vamos lutar onde temos possibilidades concretas, ao mesmo tempo em que buscamos a ampliação destas possibilidades. Seria importante lembrar que o sistema não funciona sem a mediação de agentes concretos, dos quais nós fazemos parte, e que, por via de conseqüência, temos um poder em mãos, em princípio limitado, mas real, e com possibilidades de ser ampliado de acordo com nossa capacidade de articulação. A Associação dos Orientadores Educacionais do R.S. (AOERS) (1996), coloca que a sala de aula e a escola não estão desvinculadas da problemática do resto da comunidade e da sociedade, porém tem autonomia relativa. 13 De imediato, não temos condições de mudar as pessoas e/ ou o mundo; entretanto, de imediato, podemos mudar a maneira de nos relacionar com as pessoas e com o mundo! Isto não é tudo, mas é um passo importante e de nossa responsabilidade, pois a disciplina pode ser concebida como uma técnica de exercício de poder, não inteiramente inventada, mas elaborada em seus princípios fundamentais nesse sentido, falar de indisciplina é evidenciar o não cumprimento de regras estabelecidas.” Sendo assim, podemos concluir que a disciplina também pode ser vista como o controle do indivíduo no tempo. No entanto, aplicar esse conceito em educação é um tanto quanto perigoso. É freqüentemente a afirmação, por parte dos professores, que os alunos de hoje são indisciplinados, evocando um saudosismo de uma suposta educação de antigamente, que estabelecia parâmetros rígidos para o uso do corpo e da mente. Por outro lado, certos comportamentos podem ser considerados por alguns professores como indisciplina, enquanto que, para outros, correspondem apenas a um excesso de vitalidade. Assim, a suposta indisciplina não estaria no aluno, sendo na realidade um sintoma de uma escola incapaz de gerir e administrar novas formas de existência social concreta, que surgem no seu interior, em decorrência das transformações do perfil de sua clientela. Conforme Celso S. Vasconcelos (1996),, é preciso apontar para a possibilidade da escola como elemento de mudança das relações sociais, de tal forma que se possa voltar a ter esperança de um futuro melhor. Ou será que a escola nada pode diante de um ‘’destino’’ previamente traçado para o aluno e para a humanidade? É obvio que não de forma ingênua, como no passado, quando acreditávamos na escola como ‘’redentora da humanidade’’, desvinculada do resto da sociedade. O autor ainda continua com a reflexão sobre o avanço assustador das forças produtivas, através da recente revolução da microeletrônica e da informática, que permitem a automação flexível, estamos colocados diante de um desafio enorme: simplesmente recriar as formas de organização do trabalho, as relações humanas, a cultura, uma vez que as condições para a reprodução material da vida estão dadas potencialmente; todavia, ao mesmo tempo, estão aprisionadas num modelo ultrapassado de organização social, gerando uma contradição fundamental. Isto 14 deve nos remeter a solicitar o melhor de cada um e de todos nós: usar o conhecimento, a criatividade para encontrar alternativas. Neste caso conclui-se que o professor – não o ‘’dador’’ de aula – trabalha com a produção do sentido. Hoje, diante do clima de perplexidade do mundo, as pessoas estão procurando ansiosamente sentido para as coisas. É, portanto, o tempo por excelência do autêntico conhecimento, do verdadeiro mestre e do estudo na sua perspectiva radical. Já é tempo de resgatar exigências fundamentais para o bom andamento e funcionamento das instituições educacionais. Só por este breve levantamento, podemos ver como o problema da disciplina esta ligado a uma série de outras questões; não dá para falar da disciplina de uma forma isolada em relação a realidade maior. Portanto o próximo capítulo tratará de alguns possíveis fatores que contribuem para que haja indisciplina no contexto escolar. Após leitura e pesquisa observamos que a indisciplina pode surgir no contexto escolar devido a vários fatores, os quais conheceremos agora: CAPÍTULO II 02- A INDISCIPLINA CENTRADA NA INSTITUIÇÃO EDUCATIVA. A falta de educação, geralmente, aparece na escola, onde tem regras a obedecer e responsabilidades a cumprir. Ali, crianças e adolescentes se excedem por que em turma, segundo Içami Tiba (1993), eles estão sob o efeito da ‘’embriaguês’ relacional’’, e, a falta de regras claras, por parte da escola, favorece o abuso dos alunos em proveito próprio e acaba expondo pessoalmente o professor. Se um deixa, outro não se cria uma situação altamente desconfortável para todos. Içami Tiba (2006), coloca que ao começar sua vida escolar, a criança vai iniciar um intenso processo da socialização, deparando-se com uma organização escolar que lhe é desconhecida e com uma série de regras que serão interiorizadas e cumpridas a fim de possibilitar uma relação de convivência. Assim, o aluno terá que aprender as novas regras da organização em que acaba de entrar a fim de se comportar adequadamente nas diversas situações. Contudo, nem todos os alunos que passam pela escola se comportam conforme as normas estabelecidas. Muitos alunos rejeitam os objetivos ou os procedimentos valorizados pela escola e pela sociedade, sendo o seu comportamento visto como indisciplinado. Desse modo, a escola, ao não conseguir realizar socialização comportamental, cria situações de indisciplina nos seus alunos. Segundo FREIRE, As crianças populares brasileiras não se evadem da escola, não a deixam por que querem. As crianças populares brasileiras são expulsas da escola, não, obviamente, porque esta ou aquela professora, por uma questão de pura antipatia pessoal expulse estes ou aqueles alunos ou reprove. É a estrutura mesma da sociedade que cria uma série de impasses e de dificuldades, uns em solidariedade com os outros, de que resultam obstáculos enormes para as crianças populares não só chegarem a escola, mas também, quando chegam, nela ficarem e nela fazerem o percurso que tem direito. (1998ª, p. 35). Ainda, para FREIRE (1997), um projeto de escola que busque a formação da cidadania precisa ter como objetivos: tratar todos os indivíduos com dignidade, com respeito à divergência, valorizando o que cada um tem de bom; fazer com que a escola se torne mais atualizada para que os alunos gostem dela; e, ainda, garantir espaço para a construção de conhecimentos científicos significativos, que contribuem para uma análise critica da realidade. 16 Constata-se assim que existe a necessidade de autoridade, sem autoridade não se faz educação, o aluno precisa dela, seja para se orientar, seja para poder opor-se no processo de constituição de sua personalidade. Logicamente que existe o conflito com a autoridade, e isso é normal, especialmente no adolescente. O que se critica nesse caso é o autoritarismo, que é de fato, a negação da verdadeira autoridade, pois se baseia na domesticação do outro. Muitos problemas de indisciplina, segundo VASCONCELLOS (1996), têm origem na questão do desrespeito. Freqüentemente, a indisciplina é uma manifestação de ‘’ordens’’ mal dadas ou mal entendidas. Logicamente que os alunos não vão argumentar verbalmente que precisam discutir com o professores sobre a quanta andas o relacionamento de ambos. Mas com certeza eles manifestarão de alguma forma que as coisas não vão bem, como por exemplo: querer sair da sala a todo o momento, se envolver em conversas paralelas, não fazendo as lições, agredindo colegas ou mesmo professores, etc. Enquanto o desrespeito do aluno, normalmente, é explicito, o desrespeito do professor é camuflado, é sutil. E esse desrespeito tem várias facetas. Uma delas é o preconceito de classe. Na Escola pública, às vezes, no fundo, o professor não acredita naquele aluno simplesmente por sua condição social. Paulo Freire (1997) ainda menciona que uma das coisas mais cruéis que o sistema nos ensina é detestar o cheiro do pobre. Aprende-se a desconfiar do pobre, a detestar o pobre. Isso é muito complicado. Na escola particular, este preconceito pode ocorrer de forma diferente, porque os alunos pertencem a uma camada de maior poder aquisitivo, sendo comum, inclusive, a tendência a tratar os professores como mais um empregado de casa: ‘’eu estou pagando’’. É necessário tentar superar, não deixar que o preconceito vicie a relação. Ao contrário, temos de ganhar esses alunos, seja o menino da camada popular, seja o menino da escola particular, já que estamos engajados num projeto de transformação. Relacionado ao preconceito anterior, aparece o preconceito quanto às possibilidades do aluno; o professor olha para o aluno e pensa: ‘’ih, este acho que não vai’’. É impressionante como isto está presente no cotidiano da escola. Pesquisa feita por COLLARES e MOUSÉS (1996), na 1ª série do 1º Grau, revela que os professores ‘’acertaram’’ a previsão de reprovação dos alunos, feita logo no início 17 das aulas, em 80 dos casos. A pergunta que fica é: será que ‘’acertaram’’ ou condenaram os alunos logo no começo do ano? O professor acertou ou os alunos foram ‘’acertados’’ pela previsão dele? Outras pesquisas já mostraram isto: a expectativa do professor em relação a seus alunos é decisiva em termos do sucesso ou fracasso que venham a obter. Ora, esta descrença é uma profunda falta de respeito. Outra falta de respeito: as faltas constantes diante da queixa da violência do aluno precisaríamos refletir: que violência maior do que a negação da esperança, a negação de um futuro melhor a que o aluno, especialmente das escolas públicas, está submetido? Se quisermos enfrentar a questão da violência do aluno, com certeza o caminho não é usar outra violência ou ser conivente com ela. Segundo Içami Tiba (palestras em vídeo, série educação para crianças) (1993), o aluno tem que ter claro o verdadeiro significado de disciplina que é basicamente um jeito que a gente encontra de ir fazendo as coisas organizadamente para que se consiga dar um próximo passo com aquilo que se quer fazer. E a escola precisa aprender a promover a educação relacional, ou seja, as regras e normas devem vir em forma de acordos viáveis para todos os envolvidos no contexto escolar. O autor ainda afirma que a indisciplina existente nas escolas tem tudo a ver com o estilo do professor, com a maneira como a aula é planejada e executada. Mas, contudo devemos nos lembrar que existem problemas disciplinares alheios ao contexto escolar. Então, nenhum professor conseguira um resultado de 100% com ralação a disciplina. E muitas vezes a indisciplina atrapalha o relacionamento professor aluno, porque todo professor é também um coordenador de grupo, e, se ele não souber conduzir o grupo, além de a classe virar anarquia, segundo VASCONCELLOS (2003), ele só conseguirá a antipatia dos alunos. É por isso que a escola deve impor-se e impor didáticas adequadas. Não adianta exigir que os alunos cumpram as tarefas se as estratégias de ensino e o tema não dizem nada a eles. Não há solução fácil. Mas é essencial trabalhar – como conteúdos de ensino – as questões relacionadas à moral e ao convívio social e criar um ambiente de cooperação. Para VASCONCELLOS (2003), escola muitas vezes, parece estar acostumada a reagir de maneira inadequada, deixando expectativas de castigo desproporcional quando algum aluno comete algo que na verdade não é tão grave, 18 mas também não deve deixar de punir quando os alunos se excedem com atitudes desrespeitosas, não se pode confundir regras, é importante avaliar a real gravidade da transgressão cometida e saber dosar as atitudes a serem tomadas, mas uma das atitudes mais comuns presenciadas, é o jogo de responsabilidades. Só a titulo de exemplificação, é muito comum ouvirmos da escola a queixa de que os pais não estabelecem limites, não educam seus filhos com princípios básicos como saber se comportar, respeitar ou outros, saber esperar sua vez etc., no que estão normalmente repletos de razão, já que muitas famílias não estão objetivamente cumprindo sua função civilizatória básica. Por outro lado, vemos também a queixa de pais que estão sendo chamados pela escola para ouvir coisas do tipo: ‘’Seu filho não está aprendendo; vocês precisam fazer alguma coisa’’..., como se a obrigação de ensinar fosse dos pais. Para termos melhor idéia do que isto significa, pensemos no caso de a família levar o filho a um médico e este, depois de examiná-lo, chamar os pais e dizer: ‘’Ele está doente, precisa de alguém que entenda de saúde para poder ajudá-lo’’... Ora, quem é o profissional da Saúde, senão o médico? E quem é o profissional de ensino, senão o professor? Sabemos que estas afirmações podem causar espanto, mas é só para demonstrar o paradoxo a que chegamos: a escola sendo solicitada a fazer aquilo que seria obrigação dos pais, e os pais sendo solicitados a fazerem o que seria obrigação da escola... Se alguém tem dúvida disto, basta ver como estão progredindo as firmas de ‘’aulas de reforço’’... É obvio que por este caminho de acusa-acusa não iremos muito longe. Conforme VASCONCELOS (1996), mesmo no interior da escola, este problema também se manifesta na não menos famosa ‘’síndrome de encaminhamentos do aluno...” É comum ouvirmos dos professores a queixa de que a disciplina por parte da direção deveria ser mais rígida, mais severa. Isto revela o equívoco da postura do ‘’encaminhamento’’: Existem de certa forma, segundo VASCONCELLOS (2003), três problemas a serem tratados, 1. A transferência de responsabilidade (o professor não sabe o que fazer em sala, encaminha aluno esperando solução ‘’mágica’’). 2. As diferentes visões (ex: encaminhar-se o aluno esperando-se uma coisa e acontece outra). 3. Os problemas de comunicação (ex: encaminha-se o aluno e não se sabe o que aconteceu com ele). 19 Por isto, seria importante não entrar na ‘’síndrome de encaminhamento’’: de que adianta o professor ficar encaminhando alunos ‘’problemas’’ para a orientação educacional, por exemplo, se o foco do conflito está em outro lugar? Ainda segundo VASCONCELOS (1996), existem conflitos entre alunos e professores que devem ser enfrentados, antes de qualquer coisa, por eles próprios. Para isto, o professor deve ter condições de, por exemplo, ter uma conversa mais particular com algum aluno, se as providências tomadas em sala de aula não foram suficientes para resolver o problema. Se a escola não tiver outra possibilidade, no limite, consideramos ser preferível, então, um membro da equipe ir para a sala de aula e o professor sair com o outro aluno para ter o diálogo. Alguém poderia ir logo dizendo: ‘’ah, se eu for fazer isto, vou ficar mais tempo fora do que dentro da sala’’. Isto aconteceria se deixasse o problema acumular; enfrentando logo no início, logo quando surge, muito provavelmente não haverá tanta necessidade assim de sair da sala. Isto é muito importante: enfrentar logo no começo. VASCONCELLOS (2003), coloca que muitos professores, para ‘’não perder tempo’’,acabam perdendo todo o tempo durante o ano, pois o tempo que o professor utiliza com estratégias de sobrevivência, quando não consegue equacionar adequadamente o problema da disciplina, chega a ser mais de 50% do tempo útil de aula. A questão não é, pois, ter uma equipe de especialistas de plantão para encaminhar alunos (fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas, psicopedagogos, médicos, assistentes sociais, orientadores educacionais, pedagogos etc.), mas, segundo VASCONCELLOS (2003), é o professor ser formado, ser capacitado (até com ajuda destes profissionais) e ter condições mínimas para poder fazer melhor o seu trabalho e para isso é necessário ter claro o papel da equipe diretiva das instituições, qual postura deve ter os membros da equipes diretivas escolares (coordenação pedagógica, orientação educacional, supervisão escolar direção etc.)? e entendermos, segundo o autor, que basicamente é preciso criar um clima de confiança, baseado numa ética e no autêntico diálogo. Por exemplo: Construir participativamente uma linha comum de atuação. Um dos pontos mais enfatizados pelos professores em escolas que estão com problemas de disciplina é a falta desta linha comum: que todos tenham a ‘’mesma linguagem’’. 20 Todos devem ajudar a manter uma visão de totalidade do problema. Algumas vezes, para fazer com que o professor assuma suas responsabilidades, não se fala de todo o resto, apenas questionando se ele já fez sua parte. É claro que isto vai provocar a sensação de ser o ‘’bode expiatório’’ (é sempre culpa do professor’’; ‘’cai tudo nas costas do professor’’ etc.). Não deixar que se perca a visão de conjunto. Não se deve designar alguém na escola só para cuidar da disciplina’’; a construção da disciplina é tarefa de todos. Subsidiar, apoiar o professor para que possa ser o autor da ação educativa, inclusive disciplinar; orientar, ajudar a formar o professor para o diálogo com os alunos. Resgatar o saber docente. Reconhecer que os professores construíram um saber a partir de suas experiências. Só que geralmente é um saber fragmentado e até contraditório. Daí a importância de partilhar, fazer a crítica e sistematizar como cultura pedagógica do grupo. VASCONCELLOS (2003), afirma que outro fator importante, é confiar no grupo; superar o controle, a vigilância como se o professor fosse irresponsável (ex. ficar passando pelo corredor e espiando a sala). Algo muito diferente ocorre quando, por exemplo, há um acordo para que alguém da equipe assista à aula, para depois refletir com o professor sobre sua prática. Apoiar as iniciativas de mudanças dos professores; isto é sinal de vida. Dar tempo para colocarem prática e analisar. Não frustrar com rigorismo e medo do erro. Pesquisar mais a própria prática; ser capaz de levantar as representações dos professores. No caso aqui, o que pensam a respeito dos problemas de disciplina. Ter mais coragem de ouvir, pois para VASCONCELLOS (2003), esta é uma coisa que dificulta o trabalho de direção e coordenação: os professores vêm com suas queixas; a equipe, com medo de que, com aqueles problemas todos, ele desanime, já começa tentar dar explicações, justificativas, não os deixando falar até o fim. É preciso confiar mais em nossa capacidade, em nossa proposta, na força do próprio grupo e deixar-los falar tudo o que tem para falar, e só depois disto começar a reconstruir coletivamente. Devemos ter claro que ser ‘’colo’’ quando necessário, é importante, mas também ser firme se a situação assim o exigir. VASCONCELLOS (2003), afirma que outra estratégia é num primeiro momento trabalhar com um grupo menor, que esteja mais aberto, minimamente querendo, que revele uma base de humanidade preservada. Criar base para um 21 trabalho menor, superando o formalismo; abrindo espaços para que o professor possa atender os alunos em suas necessidades, sejam de aprendizagem ou relacionamento e dar apoio ao professor diante da comunidade. Os eventuais equívocos, serão tratados internamente. Saber enfrentar pressões equivocadas dos pais. É muito desgastante quando o professor sente que seu trabalho não tem o respaldo da equipe. Vejam isto não significa convivência, acobertar erros, mas profissionalismo, tratar as coisas na hora e no local adequado, e ffinalmente, favorecer clima ético; cortar ‘’fofocas’’, ‘’diz-que-diz-que’’. Precisamos, enquanto escola, segundo VASCONCELLOS (2004), estar atentos ao formalismo de educação, formalmente parece que tudo é muito fácil de resolver, contudo a prática continua a mesma, sem soluções, e o espaço onde deveria acontecer um convívio harmonioso acaba sendo lugar de manifestações de violência fica patente que a tarefa de construir uma nova disciplina passa pelo restabelecer o sentido para a escola, para o estudo, bem como o restabelecer os limites. Só que aqui, em lugar de falarmos simplesmente de limites, vamos falar de exigências, o que inclui o limite, mas também as possibilidades, com freqüência esquecidas; isto é importante para não cairmos numa disciplina meramente restritiva, do ‘’não’’, ‘’não’’ e ‘’não’’. PERRENOUD (1995), cita que há algumas possibilidades de os vários agentes contribuírem para a construção de uma nova disciplina em sala de aula e na escola. Para isso é preciso haver um resgate do sentido da instituição educacional como, por exemplo: Construindo participativamente o projeto político-pedagógico da escola, resgatando o sentindo do estudo, do conhecimento, para ter convicção daquilo que vai ser ensinado e resgatar a significação dos conteúdos. Também faz parte desses objetivos realizar trabalho de conscientização com as famílias, explicitando o sentido das normas existentes (e que neste momento não estão em discussão) e superando o formalismo, a burocracia, a alienação das relações. Isso tudo ajudar a fazer a leitura critica dos meios de comunicação, fazendo com que as famílias ajudem os filhos a refletirem sobre o sentido da existência e busquem a valorização efetiva da Educação e de seus profissionais comprometendo-se com a construção de uma nova ética social. 22 E acima de tudo, para se impor, segundo PERRENOUD (1995), a escola tem obrigação de exigir que se cumpram o que é estabelecido no ambiente, mas com todos falando numa mesma linguagem para que se faça compreender e para isso é necessário que se faça também um resgate das exigências; como: construir coletivamente as normas da escola e da sala de aula, resgatando o autêntico diálogo, que não é nem o ‘’sermãozinho’’ particular, nem o ‘’passar a mão na cabeça’’ como se nada tivesse acontecido superar punição autoritária, bem como o clima de impunidade. Por isso os educadores (pais, professores etc.) devem estabelecer e cumprir limites, superando as normas equivocadas e ultrapassadas desenvolvendo uma metodologia participativa em sala de aula. Para isso todos devem entender que o estudo é também trabalho em que as organizações estudantis devem ser valorizadas e incentivadas, isso com certeza vai criar um clima de respeito na escola e até os alunos passarão a assumir a responsabilidade coletiva pela aprendizagem, expressando suas necessidades. Quanto ao professor, segundo PERRENOUD (1995), este deve ter compromissos como dar o melhor de si, não faltar, etc., o mesmo deve conquistar e ocupar bem o espaço de trabalho coletivo constante na escola, deve buscar conquistar melhores condições de trabalho (salário digno, número de alunos adequado em sala de aula, diminuição de burocracia, material didático, instalações etc.). Perrenoud (1995), também afirma que a família deve resolver os eventuais conflitos diretamente com a escola e não através do filho. A REVISTA Nova Escola (2009), ao tratar do assunto indisciplina traz alguns exemplos de medidas adotadas por algumas instituições de ensino que, não são receitas, mas que alcançaram os objetivos de construir um ambiente cooperativo e de conquistar autoridade com o saber e o respeito dos alunos. 1º exemplo Formação e assembléia O problema: No ano passado, as agressões físicas e verbais estavam se tornando cada vez mais graves e frequentemente, na EMEFI Antonio Maria Marrote, em Rio Claro. A solução: A coordenadora pedagógica Rosemeire Archangelo propôs um programa de formação aos professores e funcionários. Nele, todos trabalharam a 23 redefinição do conceito de indisciplina, questões relacionadas a respeito e moral e a necessidade de trabalhar esses conteúdos. Foram implementadas assembléias em cada sala, durante as quais os problemas tinham de ser debatidos. A idéia era ajudar no desenvolvimento moral de todos. ‘’As professoras achavam que não ia funcionar e me diziam: como um aluno de 1ª série vai debater esses problemas?’’, conta. ‘’todas se surpreenderam. Com o projeto, elas comprovaram que é possível, sim, que as crianças resolvam conflitos com o diálogo’’, completa. A escola não virou o paraíso, mas todos aprenderam e passaram a praticar outras formas de se relacionar e conviver com as diferenças no dia-a-dia. 2º exemplo Mais interação O problema: Em 2006, a Escola Ativa, em Itapira, a 174 quilômetros de São Paulo, estava abrindo a 5ª série, com 12 alunos, que lá estudavam desde a 1ª. O fato de a turma se pequena, que parecia uma vantagem, se tornou um problema. Os adolescentes se comunicavam por olhar. Conversavam em aula e começaram a mentir para os professores. A um, diziam que haviam feito tal combinado com o outro, o que não era verdade. A solução: A equipe se reuniu e definiu novas pautas de estudo. ‘’tivemos de melhorar a interação entre os professores e acordamos novas regras e o que não poderia ser negociado’’, explica a diretora, Andrea Stevanatto Bataglini. Debates foram realizados com a turma e os dilemas morais ganharam mais espaço nas aulas. A revelação entre professores e alunos foi revista, de modo a levar os estudantes a pensar se estavam agindo moralmente com quem lhes respeitava. Como entender esta construção de uma nova disciplina na sala de aula e na escola? Seria algo fácil, imediato? É evidente que não; é uma tarefa muito difícil, todavia importantíssima. Para enfrentá-la, é preciso ter uma visão de processo. Saber que é algo extremamente complexo. Muitos fatores interferem. Faz-se necessário atuar em todas as frentes. Nenhum fator em si, em princípio, é ‘’decisivo’’. Há que se analisar o caso concreto (ex: classe com 15 alunos e terríveis problemas de disciplina). Não desprezar nenhum fator, caso contrário vai 24 acumulando uma série de pequenos problemas que gera um muito maior. Também deve se levar em conta que a mudança não vai ocorrer de uma vez; porém, é um processo, que se dá por aproximações sucessivas: valorizar os passos pequenos, porém concretos e coletivos na nova direção e quanto mais participativo for este processo, maiores serão as possibilidades de dar certo. Outro fator necessário é partir da realidade concreta que temos; não adianta ficar reclamando ou sonhando com outra. É esta a realidade, é este o ponto de partida para a transformação. Como vimos os desafios a serem enfrentados são enormes. Se não encontrarmos um clima favorável nem entre os companheiros de trabalho, fica muito difícil manter o ânimo e a esperança de que as coisas podem de fato mudar. 2.1.A INDISCIPLINA CENTRADA NO PROFESSOR É comum que se atribuam fatores relacionados ao professor, quanto a indisciplina dos alunos. O papel do professor é importante não como figura central, mas, VASCONCELLOS (2003), como coordenador do processo educativo, já que, usando de autoridade democrática, cria em conjunto com os alunos, espaços pedagógicos interessantes, estimulantes e desafiadores, para que neles ocorra a construção de um conhecimento escolar significativo. É necessário que entre os pares estabeleça-se a forma de comunicação necessária para que a aprendizagem significativa ocorra realmente. VASCONCELLOS (2003, p.58) diz que: “o professor desempenha neste processo o papel de nodelo, guia , seja para ser seguido ou contestado, mas os alunos podem aprender a lidar com o conhecimento também com os colegas.” Em suma, o oficio docente exige a negociação constante, quer com relação à definição de objetivos e as estratégias de ensino e de avaliação, quer com relação a disciplina, pois esta, se imposta autoritariamente, jamais será aceita pelos alunos. Neste processo de resgate, o professor deve buscar a legitimação da autoridade a partir do dialogo,e da firmeza de proposta. Ter coragem de questionar seus superiores, as normas e exigências colocadas, exercer sua cidadania. É 25 preciso que o professor supere o medo de exercer a autoridade; muitas vezes, isto ocorre em função do medo de entrarem conflito com os alunos, da eventual falta de apoio da escola diante de algum confronto com os pais ou ainda de ser ‘’problema’’ para a escola. FOUCAULT (1981), coloca que a autoridade pedagógica é uma pratica complexa e contraditória, pois a autentica autoridade leva em si sua negação, qual seja, a construção da autonomia do outro. Podemos compreender aqui autoridade no seu sentido mais radical e transformador, que é ‘’ a capacidade de fazer o outro autor’’. Em função disto, o professor deve viver esta eterna tensão entre a necessidade de dirigir, orientar, decidir, limitar e a necessidade de abrir, possibilitar, deixar correr, ouvir, acatar. Tal contradição é constante e não pode ser anulada, apenas resolvida em diferentes momentos, tendo em vista os objetivos do trabalho, sendo restabelecida logo em seguida em outro patamar e contexto. O drama’’ é sempre este: ser o ‘’ porto seguro’’ e o ‘’mar aberto’’. É preciso que fique entendido, no entanto, que não se trata absolutamente de caminhar conforme ‘’os ventos sopram ‘’, de acordo com a necessidade do grupo naquele momento e tendo em vista, com muita clareza, os objetivos que se buscam, para ter critérios de orientações para a tomada de decisão. Ao levantarmos questões relacionadas aos professores, corremos o risco de sermos encarados como se estivéssemos contra nos mesmos, uma vez que sabemos da grande parcela de responsabilidade que temos mediante a fracasso da educação, não é o caso de nos sentirmos ‘’coitadinhos’’ e nem de nos sentirmos exclusivamente culpados pelo fracasso total do nosso aluno. São tantas as cobranças impostas sobre nós que acabamos assimilando a idéia de que não temos forças, de que não podemos ou de que a solução do problema está longe de nosso alcance. Segundo Gabriel Chalita (2001) p.145. O professor em momento nenhum, deve competir com o aluno, por mais amigos que sejam. Como referencial, admirado, devemos ser parceiros de nossos alunos, e cabe a nós como educadores impor o distanciamento maduro e consciente diante de qualquer circunstancia. O autor ainda coloca que o professor nunca deve manifestar desconfianças em seu relacionamento com o aluno, pois isso acaba afastando-o e levando-o a atos indisciplinares, já quando há um clima de amizade o aluno se sente constrangido em enganar o professor. E mais o professor conseguira atingir melhor seus objetivos se 26 for amigo dos alunos, pois respeito é algo que se conquista, que não é imposto, e que, um relacionamento entre professor e aluno deve sim ter afeto, pois só assim haverá educação. Porém sabemos que a situação em que o professor fica é profundamente ambígua, de um lado se justifica que o problema indisciplinar não é com ele. E de outro se sente impotente para resolver o problema. O artigo da A.O.E.R.S. (1996, p.236), traz a seguinte colocação: este sentimento de impotência é aprendido no cotidiano social, onde, num caldo cultural de colonialismo e paternalismo, parece que tudo só pode ser resolvido pelos ‘’grandes’’; o cidadão comum nada pode. O professor diante do problema disciplinar, achando que não pode fazer nada, parte para outra atitude extrema: se livrar, expulsar o aluno (algo semelhante à pena de morte no contexto social mais amplo). O mesmo artigo ainda coloca que o professor muitas vezes, sente-se desgastado, destruído, traído, usado, acusado, desprezado, humilhado, explorado e é neste contexto que colocar a ‘’culpa’’ fora dele pode ser a saída inconsciente de autoproteção, não por ser relapso, mas sim porque no fundo acha que não pode, não tem força para mudar. Quando questionado sobre os problemas, vai logo apontando: ‘’É a família’’, ‘’ É o sistema’’, ao fazer isto, esvazia sua competência profissional e existencial; perde o senso critico, pois não consegue se situar diante do real; perde a autoridade, já que não é responsável por nada. Está marcado pelo impossível, pelo não-poder. Freqüentemente, o colocado por ele como condição para iniciar a caminhada é justamente o resultado de um processo de lutas e conquistas. Pensando sobre todos os obstáculos do professor chegamos, segundo VASCONCELLOS (1996), a questão de que se observamos o decorrer do tempo, tem acontecido um processo de desvalorização do professor. Isso por que as classes dominantes tiram vantagem desta situação, enquanto o professor está sendo atingido em seu autoconceito, sua auto-imagem e sua auto-estima, ele se descuida e se sente impotente de exercer suas funções com segurança e autonomia, e um povo sem educação e cultura é mais facilmente manipulado, e isso é um de certa forma um suicídio coletivo em longo prazo. VASCONCELLOS (1996), questiona de onde vem o drama do professor? Em parte, da percepção de que está incapacitado para dar conta de sua tarefa: o mundo mudou, o aluno mudou, mudou a relação escola-sociedade e ele continua o 27 mesmo... O que lhe foi ensinado? Transmitir o conteúdo, cumprir o programa, controlar o comportamento do aluno através da nota. Hoje, as exigências são outras! O que quer dizer de uma profissão da Educação que, muitas vezes, não sabe como se dá o conhecimento, não domina o próprio sentido do que ensina, em alguns casos mais extremos nem ao menos domina o próprio conteúdo que ministra ou, quando domina, ensina baseado na mera transmissão? Isto é doido, o que sabemos com certeza é que, não será ‘’tampando o sol com a peneira’’- querendo esconder nossas falhas e deficiências-que iremos resolver os problemas. Insistimos que não se trata de um julgamento moral, como se o professor fizesse isto porque quer, porque escolheu conscientemente ser um mau profissional. Ele é vitima também de uma lógica desumana a excludente. Mesmo quem saiu do melhores centros de formação sabe que tem uma séria defasagem na sua capacitação, ate porque a educação escolar, como vimos, é uma atividade de per si extremamente complexa, ainda mais a ser exercida nos dias de hoje. De certa forma, nunca se pediu tanto ao professor como se pede hoje e ao mesmo tempo, nunca se deu tão pouco. Enquanto não tivermos coragem de enfrentar esta questão superando os escapismos e os sonhos de eventuais ‘’salvadores da pátria’’, não veremos muita possibilidade de mudança. Para mudar a realidade é preciso fazer uma opção muito clara. Tomar atitude; o mesmo artigo ainda traz o seguinte exemplo: É como o sujeito que vai até ao meio do riu com uma bóia e diz: ‘’Agora vou ser neutro: vou ficar parado; não vou nadar nem em direção a nascente do rio, nem em direção a sua voz’’. Pergunta: embora se tenha posicionado pela neutralidade, ficou parado? Em relação ao rio, si, porem em relação à margem, não; objetivamente esta descendo, embora não tenha optado conscientemente por isto... Há uma lógica em andamento, não podemos ser ingênuos. É de suma importância resgatar o professor sim, mas também é necessário rever nossas posturas diante de nossos alunos, criar um clima de respeito mútuo é determinante para exercermos nossas funções com mais autonomia e confiança. Gabriel Chalita (2001 p. 150) argumenta: 28 no primeiro dia de aula, precisa ficar claro que o professor adora ser professor e conviver com os alunos, que ensinar foi uma opção de vida – ajuda o ser humano a crescer, a ser mais livre, claro que a matéria será fascinante, que juntos muito será trocado e aprendido. Nunca uma primeira aula pode ser recheada de ameaças e autoritarismo. Para o autor tanto professor quanto aluno crescerão e aprenderão muito mais se houver uma relação saudável, de afeto e de contribuição mútua. Para Maria Teresa Estrela (1994), nos deparamos com uma situação, delicada, pois ao mesmo tempo em que o professor tem que ser compreendido ele também deve ser chamado as suas responsabilidades, ter coragem de se rever assumindo a parte que lhe cabe se quiser superar a situação a que esta sendo submetido. A autora coloca que é necessário resgatar o professor como sujeito de transformação, e tudo começa, segundo ela, com a função da reflexão. Refletir, buscar e comprometer-se. De certa forma, o professor ‘’já sabe’’ o que deve fazer: em algum momento de sua vida já ouviu falar ou mesmo vislumbrou uma possibilidade de como deveria agir. Se não o faz, segundo Maria Teresa Estrela (1994), é porque ainda não se convenceu de sua capacidade, ou não tem segurança de que esta no caminho certo, ou ate mesmo não sabe como fazer, não vê condições para isso: uma coisa é ouvir falar, outra coisa é colocar aquilo em prática. O fazer do sujeito depende do querer e do poder, que se relacionaram dialeticamente, já que, por exemplo, o não ver possibilidade acaba diminuindo o desejo de fazer. Mas primeiramente é necessário rever o que é para nos educadores, a disciplina? É a prática do silencio? Essa concepção precisa ser revertida, sem generalizar podemos observar claramente que uma mesma turma é disciplinada com determinados professores e não se comporta com outros, porque isso acontece? Içami Tiba 2006 (p.138) relaciona isso a: (...) problemas gerados pelo próprio professor com sua falta de didática, discussões alheias a aula, irritação e mal-humor, severidade, falta de pulso ao estabelecer limites, tem medo e insegurança entre outros. O autor afirma ainda, que: 29 (...) um professor não pode definir um único tipo de postura perante as diferentes classes, idades e níveis socioeconômicos e culturais dos alunos. Se assim o fizer, não estará levando em consideração a presença do outro no relacionamento. Ou seja, o professor precisa se munir de diversos recursos para despertar o interesse do aluno no conteúdo da aula, pois, dessa maneira, deixam de ser indisciplinados quase automaticamente. 2.2 A INDISCIPLINA CENTRADA NA FAMÍLIA A importância da colaboração escola-família, pois, quando as famílias participam da vida escolar, torna-se mais fácil a integração dos alunos e melhora a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Segundo Claudevone F. Santos (2006), há estudos que evidenciam que o desenvolvimento dos pais está positivamente correlacionado com os resultados escolares dos alunos. O envolvimento dos familiares melhora a imagem da escola e o seu vinculo com a comunidade. Tal envolvimento significa uma educação de sucesso apoiada no binômio escola-família, já que não se aprende só na escola. Nesta, aprende-se a aprender, mas para aprender o individuo deverá ser estimulado por um meio ambiente favorável, sendo, segundo Claudevone F. Santos (2006), que é na família que os alunos adquirem os modelos de comportamentos que exteriorizam de aula. Içami Tiba em palestra (série educação para crianças Box 1), (1993), afirma que os pais são os primeiros educadores e os mesmos devem passar para os filhos uma educação prazerosa. Pois a educação só tem sentido se tiver prazer. A criança desde pequena deve saber que determinados comportamentos são favoráveis e outros não. Nesse sentido fica-nos claro, para Içami Tiba (1993), que os pais devem confiar na escola que matriculam seus filhos, porque com essa confiança eles estão automaticamente autorizando a escola a interferir na maneira como educam seu filho. O autor ainda argumenta que é na família que se ensina que nada é gratuito, que tudo tem conseqüências e isso vai tornar a criança mais responsável e autônoma, porque pais carrascos transformam os filhos em pessoas dependentes. 30 Claudevone F. Santos, (2006), também afirma que a escola e a família são dois sistemas que, tradicionalmente, tem estado bastante afastados, apesar de possuírem freqüências relações ou interações, seja em nível institucional (associação de pais, conselho escolar, etc.) ou em nível individual (relação família/professor). E esse pensamento nos dá a certeza de que há uma desconexão entre essas duas instituições que deveriam estar sempre mais unidas em prol do aluno e/ou crianças envolvidas. O aluno desenvolve-se em um ambiente familiar em que personalidades diferentes encontram-se interligadas, na busca da satisfação de suas necessidades, sejam materiais ou afetivas. Como lembra BUSCAGLIA (1993, p. 79) a família é definida como um sistema social pequeno e interdependente, dentro do qual podem ser encontrados subsistemas ainda menores, dependendo do tamanho da família e das definições de papéis’. Os membros da família, segundo BUSCAGLIA (1993), exercem forte influência do comportamento dos indivíduos em fase de amadurecimento emocional, pois este dependerá, em grande escala, de suas experiências emocionais anteriores, ou seja, aquilo que foi experimentado na infância desempenha importância papel durante os anos de adolescência. É significativa a influencia familiar sobre as atitudes e metas dos jovens. Cada família, como todo sistema, possui uma estrutura determinada, que se organiza a partir das demandas, interações e comunicações que ocorrem em seu interior. Esta estrutura forma-se a partir das normas transacionais da família, que informam sobre o modo e com quem deve relacionar-se cada um dos seus membros. Ate hoje a família transmite, avalia e interpreta a cultura para a criança. Inserida em um contexto social bem mais amplo, a família, numa certa perspectiva, segundo BUSCAGLIA (1993), trata-se de uma cultura dentro de outra mais extensa, sobre a qual age e em relação a qual reage. Diante disso, a família não transmite todos os valores sociais. Pois a formação de um jovem por constantes mudanças. Nesse cenário, a família deve assumir sua responsabilidade educativa, pois é nela que cada jovem aprende a desenvolver fundamentais para o convívio social. 31 BUSCAGLIA (1993), afirma que a família, nos tempos atuais, é fortemente influenciada pelo fator econômico. A falta de estabilidade econômica desestrutura psicologicamente seus membros. A figura do pai, associada ao poder de sustento do lar, deixa de existir a medida que a crise econômica reduz os salários, condicionando famílias a uma total mudança de comportamentos devido a redução do padrão de vida. Para AQUINO (1996ª, p. 98), ‘’é impossível negar, portanto, a importância e o impacto que a educação familiar tem (do ponto de vista cognitivo, afetivo e moral) sobre o individuo. Entretanto, seu poder não é absoluto e irrestrito’’. Para resguardar a efetividade de sua função educativa, a estrutura familiar precisa adaptar-se as circunstancias nova e transformar determinadas normas, sem deixar, no entanto, de construir um modelo de referencia para os seus membros. Segundo Gabriel Chalita (2001, orelha) ‘’tudo tem se renovado, e as escolas e as famílias precisam acompanhar esse ritmo, sob pena de perder o bonde da historia’’. Nossos filhos e alunos estão crescendo em uma época em que não há preocupação com a organização e estrutura familiar. E, essa desorganização deve ser superada pois se organizar significa superar os problemas do dia-a-dia. De acordo com Lidia Rosenberg Aratangy (2008, p. 51) (...) acontece o estranho fenômeno em nossas cultura de o macho não estar presente no universo do filho. E essas crianças cercadas somente por presenças femininas como, mãe, avô, babá, etc., acabam por perder alguns referenciais importantes para a sua formação pessoal, quando, não se revoltam, direcionando-se para a atos de indisciplina como meio de chamar a atenção de todos para si. Pois isso é necessário ensinar desde cedo que a base fundamental para todo o relacionamento saudável é a disciplina. Hoje em dia, com a ‘’onda’’ do bullying, criou-se também a necessidade de estarmos mais atentos, pois a agressividade às vezes tem inicio em uma ‘’brincadeira’’ somente, que acaba se tornando algo incontrolável e muitas vezes, fatal. A REVISTA Super Interessante (2011, p. 72) na reportagem: ‘’o problema do mundo sem bullying’’, cita que se os pais sentem que a criança não está conseguindo resolver suas disputadas sozinha, talvez seja a hora de ajudar. 32 A mesma reportagem coloca que a família deve mostrar que está atenta ás agressões, e pedir a colaboração da escola se achar necessário, planejar programas que incluem esportes, artes a inserir a criança no círculo dos colegas, também ajuda muito nesse sentido. melhorar as relações no colégio significa para as crianças um aumento de confiança e o sentimento de que é aceita. Mas é necessário que a família saiba como interferir, e prestar atenção ao comportamento e acontecimentos ajuda a descobrir se é o caso de intervir diretamente com a criança ou buscando outros meios e possibilidades para ajudar. Alguns, pois acreditam que a energia que o filho tem para se envolver em confusões devem ser descarregadas sobrecarregando-os com atividades extras; segundo Lidia Rosenberg Aratangy (2008), isso depende da reação dos filhos a essas atividades, de quanto eles se sentem sobrecarregados e de quais seriam as outras opções. Ás vezes é melhor participar de alguma atividade, com colegas da mesma idade e com acompanhamento de um adulto capacitado, do que ficar sozinho em casa jogando videogames ou vendo televisão. Portanto percebe-se que a família contemporânea necessita também de apoio para lidar com a indisciplina de crianças e adolescentes. E muitas dessas famílias buscam esse apoio na escola, ou simplesmente tentam esconder que o problema existe, negando as atitudes agressivas dos filhos, o que alem de não ser o caminho para a resolução do problema, também não é correto, pois se cria indivíduos com grandes desvios de caráter e atos de indisciplina simples vão se tornando cada vez mais graves, refletindo na sociedade, onde esse jovem estará inserido futuramente. Segundo Içami Tiba (2003), depois que os pais ensinarem uma regra ao filho, deve perguntar que eles lhes expliquem com as palavras dele tal regra para terem certeza de que o mesmo a compreendeu. Percebe-se então que o conhecimento adquirido requer prática para sua consolidação, e o que se aprende em casa, se leva para vida. 2.3 A INDISCIPLINA CENTRADA NO ALUNO 33 Para Claudevone F. Santos (2006), a indisciplina na escola pode ter relação com o fraco rendimento escolar dos alunos. O seu insucesso pode levá-los a investir pouco nas tarefas escolares e a desinteressarem-se pela escola, desencadeando, eventualmente, emoções negativas, traduzidas em comportamentos inadequados o jovem que não se desenvolveu normalmente manifesta (na escola ou fora dela) comportamentos inadequados, que são muitas vezes julgados como sendo comportamentos indisciplinados. Isso indica, então, a correção entre indisciplina e moralidade. Sabemos também que no contexto educativo, a indisciplina contribui para a exclusão escolar, gerando um quadro de ações e reações que como numa bola de neve cresce e se torna cada vez mais veloz e perigosa. Considerando que o aluno elabora o seu conhecimento a partir da atribuição de um sentido próprio as situações de um sentido próprio as situações que vivencia e com as quais aprende, existem alguns determinantes para a formação do seu comportamento. O mais importante é o seu mundo. Segundo Içami Tiba (2006 p. 66), ‘’conforme o filho vai crescendo, os pais mostram-lhe o que ele deve ou não fazer. Aos poucos, vão concedendo algumas permissões.’’ Nesse momento de concessões é que geralmente se perde o ‘’fio da meada’’, ou seja’ no perigo de proibir demais ou liberar demais a criança, ou adolescente, se ‘’perde’’, por isso toda a permissão deve ter caráter educativo. E, principalmente deve ser segura, pois desde cedo a criança percebe o tombo vacilante na voz dos pais e se aproveita disso. Nesse momento de descoberta do mundo, e já no contexto social, a escola, como espaço de operacionalização da educação, revela-se um campo privilegiado para a difusão de novas praticas e tecnologias. Com relação a educação, desde cedo a criança observa o quanto a mãe da atenção as suas atitudes e emoções, como explica Lidia Rosenberg Aratangy (2008) um exemplo é a primeira reação de uma criança que está aprendendo a andar e cai, se a mãe sorri para ela a mesma vai sentir a queda com o algo engraçado ou natural, já se a reação das pessoas é de espanto, a criança se assunta e chora. 34 A vida é uma evolução progressiva constante. Portanto para que os filhos sejam bons alunos e bons cidadãos são necessários que a família funcione como uma equipe, fazendo a criança entender desde cedo, com ações que toda ação tem uma conseqüência. O aluno indisciplinado é também completamente apático e desinteressado. Içami Tiba (2006 p. 125) coloca que esta é a geração do ‘’tanto faz’’: tanto faz passar de ano quanto não passar. Estar ou não de castigo, falar ou não com os pais. Nada parece atingir o aluno, que PE vitima de erros educativos, pois seus pais lhe deram tudo de bom e do melhor, mesmo que nada pedisse, para que ele não sofresse, tivesse tudo, sem arcar com responsabilidades e compromissos. ’ Portanto, segundo o autor é necessário redefinir as metas a ser atingidas como o aluno ‘’tanto faz’’, mesmo que para isso seja necessário o apoio de especialistas para reorientar principalmente a família. Podemos observar que o filho que não é organizado em casa, que não arruma seu quarto, por exemplo, pode ser o aluno que não preserva sua escola e poderá ser a pessoas que não vai cuidar bem do seu ecossistema posteriormente. Faz parte de o nível evoluído a cidadania cuidar bem de ecossistema ao qual se pertence, entendendo que ele retribui de acordo com a maneira como o tratamos. Quando o aluno está na classe, aquele é seu ecossistema. Deve fazer o Maximo possível para preservá-lo. Pode ser que em casa ele jogue papel no chão, deixe tênis, uniforme e material escolar pelo caminho, que a mar ou a empregada se encarregue de recolher. Então, a escola adquire um papel fundamental como estagio intermediário entre a família e a sociedade. Agora, na escola, ele precisa aprender a não jogar seus pertences em qualquer lugar, a fim de tornar o ambiente agradável para viver bem. A escola poderia fazer um trabalho criativo com os alunos desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, valorizando a limpeza com um padrão a ser preservado. Dentre esse e outros aspectos esta também a influencia e dos grupos e da turma na indisciplina. Ou seja, os jovens, muitas vezes demonstram processos de imitações de outros membros do grupo. 35 Segundo Claudevone F. Santos (2006, p. 20) certas manifestações de indisciplina não passam, muitas vezes, de meras manifestações publicas de identificação com modelos de comportamento característicos de certos grupos. Através delas os jovens procuram obter a segurança e a força que lhes são dadas pelos respectivos grupos, adquirindo certo prestigio no seio da comunidade escolar. A turma é também um grupo,sem que, todavia, faça desaparecer todos os outros aos quais os alunos se encontram ligados dentro e fora da escola. Numa sociedade em que os grupos familiares estão desagregados, o seu espaço é cada vez mais preenchido por esses grupos formados a partir de interesses e motivações muito diversas. Já quando a bagunça é generalizada com muitas conversas paralelas e tumulto organizado por um líder ou pela maior parte da turma significa que a aula não esta interessante. Vale a pena questionarmos e refletirmos sobre vários aspectos pois sabemos que a indisciplina não tem uma causa única. Em algumas situações, tentar rastreá-las, buscando suas causa psicológicas, leva a uma elucubração mental infrutífera. É o momento de tomar uma atitude. As atitudes precisam ser coerente, constantes e conseqüentes, isto é, necessitam do endosso de todos os professores. O ‘’fundão’’ é a covardia do aluno que se esconde no anonimato. Mas é muito fácil cortar o mal pela raiz. Coloque as carteiras em círculos, como no teatro grego, e acabe com o fundão. Muitas vezes, eliminam-se também as conversas paralelas. Talvez você ache ridícula essa atitude, porem é bem mais ridículo dar aula enquanto tem gente conversando na classe. Içami Tiba (2006, p. 132), nos dá uma esperança quando diz que: (...) talvez numa escola no futuro os conhecimentos não venham do professor, mas de inúmeras fontes. O aluno se responsabilizaria pelo próprio saber, e o professor faria o papel de coadjuvante nesse processo. 3º CAPITULO POSSÍVEIS SOLUÇÕES E INTERFERÊNCIAS NA INDISCIPLINA A indisciplina escolar não é um fenômeno estático, que tem mantido as mesmas características ao longo das ultimas décadas. Não há ‘’receitas’’ já prontas para as situações de indisciplina, dado estas serem relacionais e circunstanciais. É preciso situá-la em seus termos, isto é, de acordo com as características e com os condicionamentos do aluno que a provoca ou da situação na qual se manifesta. ANTUNES (2002a, p. 25) salienta que ‘’ensinar não é fácil e educar mais difícil ainda; mas não ensina quem não constrói democraticamente as linhas do que é e do que não é permitido’’. Os encaminhamentos disciplinares prevenidos em nível de escola tem se mostrado afetivos, de acordo com a literatura especializada. Estudos indicam que uma diretriz disciplinar ampla, de base preventiva, é o melhor posicionamento que uma escola pode desenvolver para garantir a disciplina. (GOTZENS, 2003; AQUINO, 1996ª, 1996b, 2003; VASCONCELLOS, 2004; ANTUNES, 2002a, 2002b), pois se o que se deseja é uma escola disciplinada, é importante compartilhar com os estudantes expectativas que reflitam uma apreciação quanto as suas potencialidades e que expressem a visão de que eles devem assumir suas próprias responsabilidades junto à escola. Outro elemento preventivo relevante na indisciplina é a adoção da modalidade de tutoria. É uma via polivalente de enorme interesse em que cada professor adota como tutor uma turma ou indivíduos de uma sala de aula ou da escola. GOTZEN (2003, p. 66) afirma que as tutorias são aplicadas mediante a ação coletiva e individual dirigida aos alunos ao longo de sua escolaridade, que incumbe logicamente a eles e a seu tutor, sendo que este último deve zelar pela harmonia entre alunos, professores e pais. Deseja-se que a escola seja um espaço humanizado, democrático, onde se cultiva o dialogo e a afetividade, onde se pratica a observação e a garantia dos direitos humanos. Na pratica, o que se espera é que a escola assuma um papel educativo e proporcione, através de uma visão sistêmica, a integração de todos os agentes envolvidos no processo, bem como o acesso das novas gerações a herança cultural. 37 Acumulada, vista como instrumento para desenvolver competências, aguçar sensibilidades e transformar o ser humano. Para que essa educação represente mudança deve-se cultivar, sobretudo entre os professores, uma postura de interesse pelas metas, realizações e problemas dos estudantes. Para MANTOAN (2003), o nosso modelo educacional mostra há algum tempo sinais de esgotamento e nesse vazio de idéias que acompanha a crise não ocorrem por acaso ou por decreto, mas pela postura reflexiva e pela vontade coletiva da sua comunidade. É importante que a direção escolar atue de modo a oferecer apoio aos professores e aos alunos, tendo uma presença constante nos diversos espaços escolares, onde deve manter o relacionamento informal com professores e alunos. Espera-se que a direção escolar: expresse interesse pelas suas atividades, adotando uma postura de administrador-gestor que busca parcerias com outros espaços educativos; implemente inovações educacionais que melhor qualificam alunos e professores; desenvolva novas habilidades de estudo nos alunos; e introduza estratégias de aprendizagem cooperativas. Para CASTRO e CARVALHO (2005, p. 41): [...] uma escola, diferentemente de uma empresa comercial, não pode se contentar apenas com um administrador, mas precisa de um educador que lidere e crie liderança no percurso de realizações do projeto. Se assim forem conduzidas a definição e a realização de um projeto pedagógico. Neste caso a força para a sua realização estará enfraquecida. [...] Um projeto pedagógico bem definido, com as prioridades colocadas de forma consensual, facilitara sua partilha para alem dos profissionais da educação, envolvendo os alunos, os pais e mesmo a comunidade local. Alem disso, é importante gerar modificações no clima e na imagem da escola, através de atividades extracurriculares envolventes que valorizem o papel da escola diante dos seus alunos. É necessário que o professor desenvolva e conquiste maior autonomia para lidar com a indisciplina na sala de aula. Isso não significa deixar o professor sozinho com a indisciplina, mas fomentar um trabalho em parceria, baseado em responsabilidades claramente definidas e no auxilio estratégico da equipe de apoio pedagógico em situações que requerem intervenção. GÓMEZ (2000, define o ensino como a uma atividade prática que se propõem as trocas educativas para orientar num sentido determinado as influências que se exercem sobre as novas gerações. Compreender a vida da sala de aula é um requisito necessário para evitar a arbitrariedade na intervenção. Mas nesta atividade, como noutras práticas sociais, 38 como a medicina, a justiça, a política, a economia, etc., não se pode evitar o compromisso com a ação, a dimensão projetiva e normativa deste âmbito do conhecimento e atuação. Assim, se no início do ano letivo há um encontro de desconhecimentos, que se comportam com apreensão e que fazem avaliações mutuas, com o tempo, acorre uma evolução educativa do individuo e do grupo, já que são realidades inacabadas que se constroem no processo de desenvolvimentos e intervenção. CONSIDERAÇÕES FINAIS Devido a complexidade do tema desse trabalho e a intensidade com que os problemas de indisciplina tem sido vivenciados nas escolas, nossa expectativa é de que essa revisão de literatura se enriqueça no confronto dos educadores com o rico e diversificado cotidiano das instituições escolares de nosso país. Segundo GOTIZENS (2003, p. 22): A disciplina escolar não consiste em um receituário de propostas para enfrentar os problemas de comportamento dos alunos, mas em um enfoque global da organização e da dinâmica do comportamento na escola e na sala de aula, coerente com os propósitos de ensino. {...}. Para isso é preciso, sempre que possível, antecipar-se ao aparecimento de problemas e só em ultimo caso preparar os que inevitavelmente tiverem surgidos, seja por causa da própria situação de ensina, seja por fatores alheios a dinâmica escolar. Conclui-se que as escolas precisam desenvolver políticas internas para lidar de forma preventiva com a indisciplina, havendo também a necessidade de programas de formação de professores em serviço voltados para a discussão de problemas vivenciados nas rotinas das escolas, para a idealização de soluções e para sua implementação. A educação sem esperança não é educação. Enquanto necessidade ontológica a esperança precisa da pratica para se tornar concretude histórica. ”É por isso que não há esperança na pura esperança, nem tampouco se alcança o que se espera na esperança pura, que vira, assim, esperança vã.“ (FREIRE, 1998b, p. 11). Embora seja difícil e complexo lidar com o problema da indisciplina, o professor não pode desistir e nem se acomodar. Não pode deixar que a educação silencie e limite os alunos e que impeça seu desenvolvimento criativo e participativo em sala de aula. Precisa-se de uma educação que valorize as organizações coletivas e que contribua para a construção da autonomia e para o desenvolvimento intelectual dos alunos, a fim de que se consista uma sociedade democrática. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, C. Professor bonzinho= aluno difícil: a questão da indisciplina em sala de aula. Petrópolis: Vozes, 2002a. _________.Novas maneiras de ensinar, novas maneiras de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002b. AQUINO, J. G. (Org.) 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