XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006
A qualidade de vida no trabalho e o Exército: onde melhorar?
Luiz Cyrillo Aquino Campos (UFSM) [email protected]
Adriano Mendonça Souza (UFSM) [email protected]
Resumo
Este trabalho objetivou pesquisar os níveis de qualidade de vida no trabalho percebidos por
militares integrantes de uma Organização Militar (OM) do Exército Brasileiro (EB) e quais
os critérios considerados mais importantes. Foi desenvolvido um questionário com vinte e
seis quesitos baseados nos critérios e fatores inerentes ao assunto qualidade de vida no
trabalho (QVT) consagrados na literatura. Tal instrumento foi aplicado numa amostra de
integrantes de uma OM sediada na região central do Rio Grande do Sul. Desse modo pôde-se
avaliar a QVT numa OM, permitindo que a partir desse estudo possa-se traçar estratégias e
implementar ações visando à melhoria contínua. A análise multivariada permitiu identificar
os fatores mais importantes de QVT e reduzir dimensionalidades. As vinte e seis variáveis
originais foram simplificadas para seis distribuídas em cinco fatores. A análise mostrou
ainda que a Integração Social no Trabalho é o fator mais importante para a amostra em
estudo. O trabalho justifica-se pela importância deste tema e pela carência de trabalhos
técnicos nessa área e aplica-se não só a Organizações Militares como também a qualquer
organização por incluir uma metodologia baseada em conceitos gerais de QVT.
Palavras-chave: Qualidade de vida no trabalho, Análise multivariada, Exército Brasileiro.
1. Introdução
O Exército vem se preocupando de forma crescente com a qualidade. Programas 5S foram
desenvolvidos em diversas Organizações Militares e algumas se destacaram em prêmios de
qualidade, tais como o Prêmio Nacional de Qualidade. As principais Unidades Militares
pioneiras na implementação de programas de qualidade situam-se no Rio Grande do Sul,
como o 4º Regimento de Carros de Combate e o 7º Batalhão de Infantaria Blindado.
Em 2003 foi lançado o Programa Excelência Gerencial do Exército Brasileiro (PEG-EB), com
o qual as OM passariam a realizar auto-avaliações anuais. Logo, o desenvolvimento de vários
Projetos de Inovações e Melhorias foi necessário para que as OM atendessem aos requisitos
dos critérios de avaliação. Dentre essas necessidades, surgiu a de se medir a QVT percebida
pelos militares e implementar a melhoria contínua a partir da análise dos resultados.
O objetivo deste artigo é avaliar a QVT percebida por integrantes de uma OM sediada na região
central do Rio Grande do Sul, identificando os fatores motivacionais a serem priorizados.
2. Revisão bibliográfica
A revisão bibliográfica revelou não haver consenso entre as definições de QVT.
2.1. Qualidade de vida no trabalho
Segundo Fernandes (1996), tal conceito engloba, além de atos legislativos que protegem o
trabalhador, o atendimento a suas necessidades e aspirações com a humanização do trabalho e
responsabilidade social.
Walton (1973) apud Pereira & Labegalini (2002) ressalta que QVT designa experiências
inovadoras realizadas na tentativa de resgatar "valores ambientais e humanísticos
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negligenciados pelas sociedades industriais em favor do avanço tecnológico, da produtividade
industrial e do crescimento econômico"; e "atendimento das necessidades e aspirações dos
trabalhadores, incluindo aspectos relacionados a uma maior participação do empregado nas
decisões que lhe dizem respeito, orientando-se em direção à democracia industrial, à
humanização do trabalho, enfatizando a responsabilidade social das empresas".
Segundo Maslow (1971), na sua teoria da motivação humana, as necessidades humanas estão
organizadas numa hierarquia de valor ou premência, ou seja, a manifestação de uma
necessidade se baseia na satisfação prévia de outra, mais importante ou premente, e assim,
não há necessidade que possa ser tratada como se fosse isolada; toda necessidade se relaciona
com o estado de satisfação ou insatisfação de outras necessidades (RODRIGUES, 1991).
De acordo com Fernandes (1996), a conciliação dos interesses dos indivíduos e das
organizações é algo que parece comum a todos os autores na conceituação de QVT.
2.2. Indicadores de QVT
Walton (1973) fornece um modelo de análise de experimentos importantes sobre QVT e
propõe oito categorias conceituais que incluem fatores motivacionais resumidos a seguir:
Critérios
1. Compensação justa e
adequada
2. Condições de trabalho
Indicadores de QVT
− Eqüidade interna e externa
− Partilha de ganhos de produtividade
− Justiça na compensação
− Proporcionalidade entre salários
− Jornada de trabalho razoável
− Ausência de insalubridade
− Ambiente físico seguro e saudável
3. Uso e desenvolvimento − Autonomia
− Qualidades múltiplas
de capacidades
− Autocontrole relativo
− Informações sobre o processo total
4. Oportunidade de
− Possibilidade de carreira
− Perspectiva de avanço salarial
crescimento e segurança − Crescimento pessoal
− Segurança de emprego
5. Integração social na
− Ausência de preconceitos
− Relacionamento
organização
− Igualdade
− Senso comunitário
− Mobilidade
6. Constitucionalismo
− Proteção ao trabalhador
− Liberdade de expressão
− Privacidade pessoal
− Tratamento imparcial
− Direitos trabalhistas
7. O trabalho e o espaço
− Papel balanceado no trabalho
− Poucas mudanças geográficas
total de vida
− Estabilidade de horários
− Tempo para lazer da família
8. Relevância social do
− Imagem da empresa
− Responsabilidade pelos produtos
trabalho na vida
− Responsabilidade social
− Práticas de emprego
Fonte: Walton apud Fernandes (1996)
Quadro 1 – Categorias conceituais de Qualidade de Vida no Trabalho – QVT
2.3. Análise multivariada de dados
De acordo com Pereira (2004), a análise multivariada é a rigor qualquer abordagem analítica
que considere o comportamento de muitas variáveis simultaneamente, incluindo técnicas tais
como a análise de agrupamento e a análise fatorial dentre outras.
Segundo Hair et. al. (2005), a análise multivariada refere-se a todos os métodos estatísticos
que analisam múltiplas medidas sobre cada indivíduo ou objeto sob investigação. Assim, pode
ser considerada análise multivariada qualquer análise simultânea de mais de duas variáveis.
A análise de agrupamento é aplicada na determinação da afinidade entre grupos de objetos.
Segundo Neto & Moita (1998), nessa técnica, a similaridade entre duas amostras pode ser
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expressa como função da distância entre dois pontos a e b representativos destas amostras no
espaço n-dimensional, usualmente calculada pela distância euclidiana (xab) dada por:
2
xab
=
n
j =1
(d
− d bj )
2
aj
Sendo assim, a técnica da análise de cluster agrupa indivíduos ou objetos por sua proximidade
geométrica. Constitui-se em técnica importante também por oferecer visualização gráfica em
forma de dendograma. Tal gráfico retrata os resultados encontrados sintetizando informação.
A análise fatorial é uma técnica multivariada empregada para redução de dimensionalidades.
Malhotra (2001) nos diz que a análise fatorial é um processo, destinado essencialmente à
redução e sumarização de dados, utilizado para identificar um conjunto novo, menor, de
variáveis não-correlacionadas que substitue o conjunto original de variáveis correlacionadas.
Ainda segundo Malhotra (2001), se as variáveis são padronizadas, o modelo fatorial pode ser
representado como:
Xi = Ai1F1 + Ai2F2 + Ai3F3 + . . . + AimFm + ViUi
onde
Xi = iésima variável padronizada
Aij = coeficiente padronizado de regressão múltipla da variável i sobre o fator comum j
F = fator comum
Vi = coeficiente padronizado de regressão da variável i sobre o fator único i
Ui = o fator único para a variável i
m = número de fatores comuns
Os fatores únicos não são correlacionados uns com os outros e com os fatores comuns. Os
fatores comuns podem ser expressos como combinações lineares de variáveis observáveis.
Fi = Wi1Xi + Wi2X2 + Wi3X3 + . . . + WikXk
onde
Fi = estimativa do iésimo fator
Wi = peso ou coeficiente do escore fatorial
k = número de variáveis
3. Metodologia
Utilizou-se um questionário anônimo, incluindo uma escala de Likert de cinco pontos do tipo
concordância/discordância, composto por 26 quesitos, a respeito de QVT. Esses quesitos
foram escritos com base nos fatores de QVT idealizados por Walton (1973).
Foi selecionada uma amostra aleatória estratificada proporcional de 73 militares do efetivo
permanente de uma OM, respeitando-se a representatividade de cada estrato com relação à
população, com um erro amostral de 0,1 (e0=0,1). A amostra foi segmentada nos seguintes
estratos: oficiais, subtenentes e sargentos, e cabos e soldados. A pesquisa foi realizada nos
meses de março a maio do ano de 2005 e foi utilzado o software para análise dos dados.
As estatísticas descritivas foram utilizadas para análise e observação inicial do conjunto de
dados. Em seguida a análise de cluster foi utilizada para agrupamento de quesitos similares,
onde aqueles que apresentaram a mesma informação foram retirados da análise até que se
obtivesse um conjunto resumido de variáveis. A análise fatorial foi utilizada com o propósito
de redução de dimensionalidades e para identificar as variáveis representativas de cada fator,
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pela correlação das variáveis com os fatores. Por fim os escores fatoriais foram interpretados,
concluindo-se pela ocorrência de 5 fatores principais de QVT para a amostra em estudo.
4. Análises dos Resultados
Para uma análise inicial os 26 indicadores considerados nesse estudo foram agrupados nos 8
critérios idealizados por Walton (1973). Para cada critério e estrato foram calculados a média
(Xbarra) dos quesitos da pesquisa referentes ao critério. A média das médias dos indivíduos
entrevistados separados por estrato e o coeficiente de variação de Pearson (CV) para cada
critério e segmento foram calculados e encontram-se no Quadro 2. O Quadro 2 apresenta
ainda a média geral para cada segmento, considerando os critérios com pesos iguais.
Critério
1. Compensação justa e
adequada
2. Condições de trabalho
3. Uso e desenvolvimento de
capacidades
4. Oportunidade de
crescimento e segurança
5. Integração social na
organização
6. Constitucionalismo
7. O trabalho e o espaço total
de vida
8. Relevância social do
trabalho na vida
Média Geral
Oficiais
Xbarra = 3,792
CV = 0,248
Xbarra = 3,625
CV = 0,248
Xbarra = 3,188
CV = 0,229
Xbarra = 3,063
CV = 0,230
Xbarra = 3,458
CV = 0,154
Xbarra = 3,500
CV = 0,222
Xbarra = 3,292
CV = 0,245
Xbarra = 4,042
CV = 0,179
3,495
Estrato
Subtenentes e Sargentos
Xbarra = 2,147
CV = 0,484
Xbarra = 3,118
CV = 0,357
Xbarra = 2,787
CV = 0,308
Xbarra = 2,875
CV = 0,256
Xbarra = 3,500
CV = 0,380
Xbarra = 3,029
CV = 0,414
Xbarra = 3,382
CV = 0,286
Xbarra = 3,431
CV = 0,328
3,034
Cabos e Soldados
Xbarra = 2,591
CV = 0,409
Xbarra = 3,065
CV = 0,314
Xbarra = 2,774
CV = 0,203
Xbarra = 2,863
CV = 0,244
Xbarra = 3,323
CV = 0,361
Xbarra = 2,957
CV = 0,320
Xbarra = 3,366
CV = 0,296
Xbarra = 3,484
CV = 0,362
3,053
Quadro 2 – Resultados relativos aos critérios de QVT de uma OM estratificados em postos ou graduações
Como pode ser visto no Quadro 2, as médias para o segmento de oficiais ficou, em quase
todos os critérios, superior às médias dos outros dois segmentos.
Observa-se a grande discrepância entre as médias dos três estratos para o critério 1, devida às
diferenças salariais, às diferenças entre as expectativas dos militares, ao estilo de vida e à
questões sócio-culturais. Outras discrepâncias com médias superiores do estrato de oficiais
são evidentes nos critérios 2, 3, 6 e 8. Nota-se ainda, a média menor para oficiais no critério 7.
Os coeficientes de variação abaixo dos 50% demonstram a representatividade das médias
amostrais, sendo que, para o estrato de oficiais, de uma forma geral, a dispersão foi menor.
Contudo, trabalhando com a média dos indicadores dentro dos critérios têm-se sensível perda
de informação. Assim, cada indicador foi também analisado em separado. A média assim
obtida encontra-se no Quadro 3.
O Quadro 3 revela diferenças que o Quadro 2 não tinha sido capaz de mostrar e outras foram
constatadas serem maiores. O Quadro 2 revelou grande diferença entre os estratos no critério
1, mas analisando somente o quesito 1 percebeu-se que as diferenças eram ainda maiores.
As médias dos estratos de subtenentes e sargentos no critério 6 apresentadas no Quadro 2
mascaram, de certa forma, a insatisfação desses segmentos no quesito liberdade de expressão.
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Da mesma forma, as médias para o critério 7 estavam nos mesmos patamares, com uma
satisfação um pouco menor para o estrato de oficiais. No entanto, observando os quesitos 22 e
23 separadamente percebem-se diferenças maiores.
Critérios
1. Compensação justa
e adequada
2. Condições de
Trabalho
3. Uso e
Desenvolvimento de
Capacidades
4. Oportunidade de
Crescimento e
Segurança
5. Integração Social
na Organização
6. Constitucionalismo
7. O Trabalho e o
Espaço Total de Vida
8. Relevância Social
do Trabalho na Vida
Indicadores
Q1 – Remuneração
Q2 – Justiça na Remuneração
Q3 – Eqüidade Externa
Q4 – Jornada de Trabalho
Q5 – Ambiente de Trabalho
Q6 – Salubridade
Q7 – Autonomia
Q8 – Desenvolvimento de Capacidades
Q9 – Informações
Q10 – Canais de Comunicação
Q11 – Crescimento Profissional
Q12 – Crescimento Pessoal
Q13 – Perspectivas de Avanço Salarial
Q14 – Estabilidade
Q15 – Ausência de Preconceitos
Q16 – Relacionamento
Q17 – Igualdade
Q18 – Direitos Trabalhistas
Q19 – Privacidade
Q20 – Liberdade de Expressão
Q21 – Estabilidade de Horários
Q22 – Mudanças Geográficas
Q23 – Tempo para Lazer com a Família
Q24 – Imagem do EB
Q25 – Responsabilidade Social
Q26 – Responsabilidade pelos Produtos
Média para cada Estrato
Oficiais
ST/Sgt
Cb/Sd
4
1,882
2,419
4
2,265
2,516
3,375
2,294
2,839
3,75
3,235
3,419
3,875
3,353
3,097
3,25
2,765
2,677
3,125
3,206
2,935
2,75
3,206
3,226
3,875
2,676
2,484
3
2,059
2,452
3,5
2,912
3,194
3,375
3,265
3,516
2
1,765
2,323
3,375
3,559
2,419
3,375
3,529
3,355
3,875
3,735
3,645
3,125
3,235
2,968
4,125
3,382
3,097
3,25
3,294
3,290
3,125
2,412
2,484
3,25
3,265
3,387
4
3,500
3,742
2,625
3,382
2,968
4,125
3,412
3,355
3,625
3,147
3,290
4,375
3,735
3,806
Quadro 3 – Resultados (médias) relativos a cada fator de QVT na amostra estratificada de uma OM
Após essa análise inicial, seguiu-se à análise multivariada dos dados. Montou-se a matriz de
correlação para as 26 variáveis envolvidas, utilizando-se todas as 73 observações. Segundo
Malhotra (2001), pode-se aplicar o teste de esfericidade de Bartlett para testar a hipótese nula,
de que as variáveis não sejam relacionadas. A hipótese nula foi testada então, para verificação
da adequacidade da análise fatorial. Após os testes de significância verificou-se o grande
número de correlações significativas e concluiu-se pela adequacidade da análise fatorial.
Antes de ser realizada a análise fatorial, foi procedida uma análise de cluster nas variáveis
para verificação de suas proximidades. O dendograma da Figura 1 resulta dessa análise.
Tal análise permitiu a redução de dimensionalidades eliminando as variáveis com mesmo
nível de significância. Na Figura 1, observa-se a proximidade entre quesitos tais como: Q1 e
Q2, Q4 e Q21, Q12 e Q25, Q15 e Q16, Q5 e Q6, e Q9 e Q20. Isso permitiu reduzir o número
de variáveis em estudo, através da eliminação das mais próximas. Antes da eliminação, as
variáveis foram interpretadas e eliminadas as que apresentavam proximidade lógica.
Das sucessivas análises de cluster restaram os seguintes quesitos: Q2, Q5, Q7, Q8, Q10, Q11,
Q13, Q14, Q16, Q17, Q19, Q22, Q23, Q25 e Q26. Repetindo-se a análise de cluster para
essas variáveis obtém-se o dendograma da Figura 2.
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Com as 15 variáveis restantes procedeu-se à análise fatorial e o método escolhido foi o de
componentes principais já que a principal finalidade era a redução de dimensionalidades.
Dendograma para Variáveis
Dendograma para Variáveis
Ligação Simples
Distâncias Euclidianas
Ligação Simples
Distâncias Euclidianas
12,5
Distância de Ligação
Distância de Ligação
13
12
11
10
9
8
7
6
12,0
11,5
11,0
10,5
10,0
9,5
9,0
8,5
8,0
Q14 Q7 Q20 Q22 Q5 Q8 Q17 Q16 Q24 Q12 Q18 Q4 Q2
Q13 Q10 Q9 Q6 Q19 Q11 Q26 Q15 Q25 Q23 Q21 Q3 Q1
Q14
Q7
Figura 1 – Dendograma para os 26 quesitos de QVT
Q23
Q22
Q8
Q17
Q16
Q13
Q2
Q11
Q19
Q25
Q26
Q5
Q10
Figura 2 – Dendograma para os 15 quesitos restantes
das sucessivas análises de cluster
Da análise de componentes principais extraiu-se 5 fatores, todos com autovalores superiores a
1. Ainda, de acordo com o método de determinação com base no gráfico de declive, podemos
dizer que a extração de 5 fatores é satisfatória como mostra a Figura 3.
Gráfico de Declive
5,5
5,0
4,5
4,0
Valor
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
Número de Autovalores
Figura 3 – Gráfico de declive
Por fim, o método de determinação com base na percentagem da variância nos diz que a
extração de 5 fatores responde por cerca de 66% da variância, como observado no Quadro 4.
Fator
1
2
3
4
5
Autovalor
4,740107
1,563963
1,462419
1,197117
1,004531
% da Variância Total
31,60071
10,42642
9,74946
7,98078
6,69687
Autovalores Acumulados
4,740107
6,304070
7,766489
8,963606
9,968137
% da Variância Acumulada
31,60071
42,02713
51,77659
59,75737
66,45425
Quadro 4 – Autovalores e Percentual da Variância Total Acumulada para os fatores extraídos
Em seguida os fatores foram rotados e interpretados segundo vários processos, sendo
escolhido o varimax normalizado por ter permitido a melhor interpretação. A matriz das
cargas dos fatores rotados para esse processo encontra-se no Quadro 5.
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Uma interpretação para os fatores rotados pelo processo escolhido, é a seguinte: fator 1,
influenciado principalmente por Q16 e Q17, Integração Social no Trabalho; fator 2 dominado
por Q14, Estabilidade; fator 3 dominado por Q10, Canais de Comunicação; fator 4 dominado
por Q22, Mudanças Geográficas e fator 5 determinado pela variável Q7, Autonomia.
Quesito
Q2
Q5
Q7
Q8
Q10
Q11
Q13
Q14
Q16
Q17
Q19
Q22
Q23
Q25
Q26
Fator 1
-0,154424
0,242716
0,233255
0,675677
0,119655
0,357222
0,128600
0,129086
0,716428
0,781022
0,682027
0,171283
0,681195
0,406398
0,661872
Fator 2
-0,171939
-0,287775
0,025463
0,320111
0,037378
0,054419
0,687228
-0,846325
0,013493
-0,069813
0,011004
0,190952
-0,251991
0,139088
-0,045240
Fator 3
0,423840
0,579200
0,005760
0,102966
0,800790
0,504490
0,286172
0,150595
0,147454
0,174948
0,188242
-0,112408
0,041511
0,684355
0,430953
Fator 4
0,617738
-0,116589
0,070889
-0,129480
0,171923
0,087274
0,239263
0,065528
0,065099
-0,005934
-0,073335
0,845178
0,264505
-0,160201
0,206515
Fator 5
0,141562
0,381852
0,852356
0,273385
-0,187279
0,268934
0,226729
0,138363
0,234310
0,232148
0,080377
-0,016667
-0,234369
0,059429
-0,007099
Quadro 5 – Matriz das cargas dos fatores rotados pelo processo varimax normalizado
O plano fatorial 1 – 2 para os fatores rotados foi plotado e aparece na Figura 4.
Carga dos Fatores, Fator 1 x Fator 2
Rotação: Varimax normalizado
Extração: Componentes Principais
0,8
Q13
0,6
0,4
Q8
Q22
Fator 2
0,2
Q10
Q7
Q25
Q11
Q16
Q19
Q26
Q17
0,0
Q2
-0,2
Q23
Q5
-0,4
-0,6
Q14
-0,8
-1,0
-0,2
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
Fator 1
Figura 4 – Plano fatorial 1 – 2 para os fatores rotados pelo processo varimax normalizado
Finalizando a análise fatorial foi determinado o ajuste do modelo, com poucos resíduos
calculados acima de 0,05 e raros acima de 0,10, demonstrando a ajustabilidade do modelo.
5. Considerações acerca dos resultados
Os três estratos apresentaram média geral acima de três e o segmento de oficiais apresentou
média geral bem mais alta em relação aos outros dois, como visto no Quadro 2.
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A variável Perspectivas de Avanço Salarial, foi a que apresentou piores resultados. A variável
Estabilidade apresentou resultado bastante insatisfatório para cabos e soldados. As variáveis
Salubridade, Autonomia, Desenvolvimento de Capacidades, Canais de Comunicação,
Igualdade e Liberdade de Expressão, tiveram resultados insatisfatórios em todos os segmentos.
As variáveis do critério 1, Informações, Crescimento Profissional e Responsabilidade Social,
exceto para o segmento de oficiais, apresentaram resultados bastante insatisfatórios. Para o
critério 1, observa-se que os resultados no segmento de cabos e soldados foram melhores que
para o de subtenentes e sargentos, ainda que esses recebam salários mais altos que aqueles.
Isso é explicado pela diferença entre expectativas de ganho, estilo de vida e questões sócio-culturais.
A variável Responsabilidade pelos Produtos foi a variável que apresentou melhores
resultados, demonstrando reflexos positivos dos programas de qualidade realizados pela OM.
A análise fatorial demonstrou que os principais fatores de QVT na OM em estudo, em ordem
decrescente de importância, são: Integração Social no Trabalho, Estabilidade, Canais de
Comunicação, Mudanças Geográficas e Autonomia. Esses fatores associados respondem por
mais de 66% da variância, como visto no Quadro 4.
6. Considerações finais
Este trabalho foi desenvolvido junto ao efetivo permanente de uma OM, abrangendo
indistintamente militares de carreira e temporários. Portanto, sugere-se a maior estratificação da
amostra como segue: oficiais de carreira, oficiais temporários, subtenentes, sargentos de carreira,
sargentos temporários, cabos e soldados do efetivo permanente e soldados do efetivo variável.
A análise fatorial mostrou que os fatores a serem priorizados são: Integração Social no
Trabalho, Estabilidade, Canais de Comunicação, Mudanças Geográficas e Autonomia.
O estudo mostrou que ações são necessárias para que os níveis de percepção dos conceitos de
QVT atinjam patamares considerados satisfatórios, principalmente no que diz respeito àqueles
indicadores referentes aos critérios 3 e 4.
Mesmo influenciada pelos indicadores concernentes ao critério 1 e ao indicador Perspectivas
de Avanço Salarial, a QVT pode ser incrementada pelas OM. Neste sentido, esta pesquisa
contribuiu para apontar às lideranças da organização onde práticas de gestão devem ser
implementadas para a melhoria contínua.
Os indicadores aqui apresentados devem ser controlados periodicamente, de modo que estratégias
possam ser estabelecidas e ações e práticas de gestão implementadas em prol da efetiva QVT.
A metodologia de pesquisa aplicada neste trabalho aplica-se a qualquer organização
interessada em melhorar indicadores referentes à QVT, o que amplia a contribuição do estudo.
A utilização de técnicas estatísticas trouxe um grande auxílio na visualização dos resultados.
Referências
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XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006
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