VANESSA GOZZO SEKULA IMPACTO DO TRATAMENTO CIRÚRGICO LAPAROSCÓPICO NA QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES PORTADORAS DE ENDOMETRIOSE PROFUNDA. Tese apresentada ao curso de pósgraduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Titulo de Mestre em Medicina. São Paulo 2010 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. VANESSA GOZZO SEKULA IMPACTO DO TRATAMENTO CIRÚRGICO LAPAROSCÓPICO NA QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES PORTADORAS DE ENDOMETRIOSE PROFUNDA. Tese apresentada ao curso de pósgraduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Titulo de Mestre em Medicina. Área de concentração: Tocoginecologia Orientador: Prof. Dr. Paulo Augusto Ayroza Galvão Ribeiro São Paulo 2010 FICHA CATALOGRÁFICA Preparada pela Biblioteca Central da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Sekula, Vanessa Gozzo Impacto do tratamento cirúrgico laparoscópico na qualidade de vida de mulheres portadoras de endometriose profunda./ Vanessa Gozzo Sekula. São Paulo, 2010. Tese de Mestrado. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – Curso de Pós-Graduação em Medicina. Área de Concentração: Tocoginecologia Orientador: Paulo Augusto Ayroza Galvão Ribeiro 1. Endometriose/cirurgia 2. Laparoscopia 3. Qualidade de vida 4. Questionários BC-FCMSCSP/54-10 DEDICATÓRIA Para meu marido Cristiano..., com quem me faço inteira, me sinto plena... (minha alma vibra ao sentir a sua, meu coração transborda...meu ar só tem graça ao seu lado, meu passo é mais firme e meu dia mais leve...te esperei a vida toda e agora com você tudo é possível). Para Luísa que se anuncia e me mostra desde agora que o amor não se divide, ele se multiplica...( já te espero a cada hora, já te vejo em todas os instantes!) CITAÇÃO “...eu já havia desistido de viver, pedindo todos os dias a Deus que me levasse deste mundo. Como isso não acontecia, dei um prazo; se dentro deste prazo não acontecesse um milagre eu mesma tiraria minha vida. GRAÇAS A DEUS O MILAGRE ACONTEÇEU’. MM, 41 anos, portadora de endometriose. Sintomática por 12 anos até o diagnóstico. Aguardou mais seis anos pela cirurgia “Parei a minha vida por 15 anos. Não andava, não comia, não vivia quando menstruava... Hoje após completar um ano e meio desde a cirurgia posso afirmar que me sinto curada. Hoje estou muito bem e feliz.” RTTS, 40 anos, portadora de endometriose Sintomática por 10 anos até o diagnóstico. Aguardou mais 05 anos pela cirurgia “Eu perdi o marido, me afastei dos amigos e me tornei uma chata no trabalho. Sempre a louca, a neurótica, a mulher com mania de remédios... Eu não estava louca, eu estava doente. Espero agora encontrar alguém com quem dividir minha nova vida ”. TSS, 31 anos, portadora de endometriose Sintomática por 05 anos até o diagnóstico. Aguardou um ano pela cirurgia “Você não pode ter filhos...seu problema é crônico...acostume-se com a dor não tem o que ser feito. Escutei essas frases durante mais de 10 anos. Agora com apenas um ovário, um filho, e um novo emprego posso dizer que resgatei minha vida e minha identidade Sou uma pessoa melhor...” ECB, 39 anos Sintomática por 16 anos, recebeu diagnóstico após oito anos de sintomas. Esperou mais oito pela cirurgia AGRADECIMENTOS Ao meu orientador Prof Dr Paulo Augusto Ayroza Galvão Ribeiro. Pelo companheirismo e vibração ao longo dessa jornada. Pelo apoio em todos os momentos, pelos elogios na hora oportuna, pela correção dos meus deslizes, pelo estímulo e oportunidade nas aulas, congressos e jornadas. Acrescento o respeito que desenvolvi pelo professor que conheci nesses anos, à profunda admiração que já’ tinha pelo cirurgião. . Foi uma grata oportunidade a vivência e troca ocorrida durante este período. Ao Dr Kalil Rocha Abdalla, provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Ao Prof. Dr. Ernani Geraldo Rolim, Diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Ao Prof Dr Tsutomu Aoki, pelo respeito e cuidado ao realizar suas observações que somaram na elaboração final desta tese, pelo apreço em fornecer elogios e críticas no momento adequado e pela presença na banca da qualificação. Ao Prof Dr Caio Parente Barbosa, pelas correções e críticas construtivas no momento da qualificação que me auxiliaram na finalização deste trabalho. Ao Prof Dr Antônio Pedro Flores Auge, pela disponibilidade, participação e sugestões no momento da qualificação, e pelo auxílio com todos os prazos e trâmites dentro da pós graduação, sem o qual não seria possível a chegada ao final neste momento impar. Ao Prof. Dr. Julio César Rosa e Silva, pela presença na banca de mestrado, apoio e amizade na fase de finalização. Agradeço pela possibilidade de resgatar neste ato e através de sua pessoa tanto dos bons e inesquecíveis instantes que tive a oportunidade de viver durante os anos de residência no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Ao caro amigo, mestre, orientador e incentivador Prof. Dr. Claudio Basbaum, pela minha introdução ao mundo da laparoscopia, pela presença e apoio nos momentos de dúvidas e certezas, pela rara capacidade de ouvir quando necessário e falar quando oportuno. Pelas palavras de fé e correção, de torcida e confraternização. Meu eterno e sincero obrigado. Aos colegas destes anos de pós graduação Doutores: Carolina Haddad, Claudio Severino Jr, Dorival Gomide, Fabio Sakae, Gil Kamergorodisk Helizabet Ayroza Ribeiro e Ruy Machado. por todos os cafés, conversas, sorrisos, partilhas, suporte e acima de tudo pela amizade conquistada nestes anos. Vocês são eternos em meus pensamentos. Aos residentes, alunos e estagiários com quem tive a oportunidade de conviver neste tempo, pelo estímulo ao estudo e ao ensino que nos obriga a crescer um pouco mais a cada dia. Em especial a Beatriz, Clarissa, Guilherme, Marcela, Marcelo, Nicolau e Renata Lemos. Aos meus amigos de ontem, hoje e sempre. Obrigada pelo infinito apoio e eterna paciência, pelas horas de sufoco e ausência, pelas horas de risadas e lagrimas, pela certeza de que estarão ali (do outro lado do telefone ou do outro lado da porta). Por tudo escutarem e às vezes nada entenderem...mas ainda continuando ao meu lado....”amigos são a família que escolhemos..” e obrigado por estarem nela. Saudades eternas e lembranças sempre de: Débora, Karina Adami, Iara, Iany, Karina Lu, Vinicius, Ingrid, Fernando Fontes, Isabel, Fabiana Toledo, Alessandra, Renata Hayashi, Sandra, Lívia, Juliana Artioli e Valéria. Para minha mãe Hilária que me trouxe até aqui com bases sólidas e passos seguros. Por quem tenho admiração profunda, amor imensurável e saudades constantes.. Como mensurar o que não tem medida para quantificar o que sinto por você. Obrigada por estar, ser e viver de forma a me tornar sempre alguém melhor. Para minhas irmãs Juliana e Andréa, queridas, eternas, fiéis, cúmplices...apoio permanente e carinho sempre. Ao meu pai José Miguel, pela constância em sua admiração pelas minhas conquistas e pelo amor sem fim que me dedica em todos os dias. Estar longe não significa estar distante....e o tenho sempre presente comigo. Aos meus avós Mirko e Maricha, pela idoneidade, amor, respeito e cuidados infinitos que recebi nestes anos todos. A família que recebi: Marinez, Morales, Viviane, Rodrigo e Jeferson. Presença, torcida e compreensão em todos estes momentos... A Adriana e Lilian (pelos dias, meses juntas...).amigas...só me resta dizer obrigada. e anos Ao estatístico Marcos Maeda pelo trabalho de revisão e por todas as orientações cedidas. A revisora Marisa Cukier por não ter me dito não e pelo cuidado no seu trabalho. A Paola Gasparine, Sadia Mustafa, Daniel Gomes, e Ana Bracht, pessoas que conheci através da Santa Casa e que tornaram meu caminho mais leve nesta caminhada. As minhas queridas Hebe e Bianca, por todas as cartas endereçadas, envelopes preenchidos, papeis xerocados e pela amizade sempre. Às pacientes, com quem tive a oportunidade de conversar, rir, chorar e conviver nestes meses todos. Fique claro que recebi muito mais que doei neste caminho... Obrigada por partilharem a vida de vocês de forma tão crua e rara comigo. ABREVIATURAS E SÍMBOLOS Brasil SF- 36 – versão validada em português do questionário Short Form 36 GnRH – Gonadotrofin releasing hormone IMC – Índice de Massa Corporal MOS – Medical Outcomes Study OMS – Organização Mundial da Saúde QOL – Questionário de qualidade de vida RAW SCALE – Escala cujo valor final não representa nenhuma unidade de medida SF – Short Form SIP – Sickness Impact Profile T0 – zero meses de estudo T1 – seis meses de estudo T2 – doze meses de estudo SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................ 1 1.1 – Revisão da Literatura – Qualidade de vida............................. 7 1.1.1 Questionário de Qualidade de vida ............................... 9 1.1.2 Qualidade de vida e endometriose ................................ 11 1.1.3 Qualidade de vida e tratamento laparoscópico para Endometriose intestinal..... 14 2. OBJETIVO ...................................................................................... 17 3. CASUÍSTICA E MÉTODOS ............................................................ 19 3.1 – Casuística ............................................................................... 20 3.1.1 Dados epidemiológicos .................................................. 22 3.2 – Método .................................................................................... 25 3.2.1 Coleta de dados ............................................................. 25 3.2.2 Questionário Brasil - SF 36 ............................................ 26 3.2.3 Métodos estatísticos ...................................................... 26 4. RESULTADOS ................................................................................ 28 5. DISCUSSÃO ................................................................................... 39 6. CONCLUSÃO ................................................................................. 55 7. ANEXOS........................................................................................... 57 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................... 62 FONTES CONSULTADAS.............................................................. 71 RESUMO ......................................................................................... 73 ABSTRACT ..................................................................................... 75 LISTAS E APÊNDICES.................................................................... 77 Vanessa Gozzo Sekula 1. INTRODUÇÃO Introdução 2 Vanessa Gozzo Sekula A endometriose pode ser entendida como uma doença ginecológica caracterizada pela presença de glândulas endometriais e estroma fora do útero (1-2). Inicialmente descrita, dentro deste conceito, por Sampson em 1921, afeta potencialmente mulheres jovens e causa, com grande frequência, dor pélvica crônica e infertilidade(3). O peritônio e os ovários são os principais tecidos acometidos (4), característica já observada em 1860 pelo patologista Von Rokitansky, por Cullen em 1896 e novamente por Sampson em 1921 (5). Mesmo naquela época este pesquisador já sugeriu que a doença, ainda que benigna, guardava o potencial de invadir órgãos adjacentes, distorcendo a anatomia pélvica(6). Por poder ser assintomática, existe a possibilidade de esta enfermidade ser diagnosticada como achado cirúrgico durante investigação laparoscópica para qualquer outra doença pélvica ou mesmo em procedimentos de esterilização tubária(7). Estima-se que em torno de 7% a 10% da população feminina padeçam com a doença(8), e sua prevalência varia de acordo com a população estudada, podendo alcançar 16% em mulheres assintomáticas e até 30% em mulheres inférteis(9-10). Segundo Ballweg(11), aproximadamente 66% das mulheres portadoras de endometriose apresentam seus primeiros sintomas até os 20 anos Introdução 3 Vanessa Gozzo Sekula de idade, dentre as quais 38% expressam sintomas antes dos 15 anos. Ainda assim o diagnóstico é geralmente obtido entre os 25 anos e 35 anos. Este atraso é decorrência em parte, da falta de sintomas consistentes e da ausência de teste diagnóstico específico em 47% dos casos (12); mas também devido à falta de hipótese para a enfermidade elaborada pelo médico que segue a paciente (13). Apesar da existência de grande quantidade de trabalhos sobre as diferentes formas de acometimento e tratamento para a endometriose, sua origem continua obscura e não há unanimidade na aceitação das hipóteses levantadas até o momento para explicar a razão do surgimento desta doença(14). Ainda assim, vale pontuar, como parte do histórico da endometriose, a existência de inúmeras teorias aventadas quanto à sua etiologia já que, se entendermos sua etiopatogenia, será possível otimizar as formas atuais de diagnóstico e tratamento. Nesse contexto, algumas das mais difundidas são: a teoria de metaplasia celômica de Meyer, 1919(15) - determinando que a endometriose da pelve e peritônio poderia se originar a partir da metaplasia in situ do mesotélio seroso. Em 1925, Halban(16) apresenta a teoria da disseminação linfática. Que utiliza a observação de minúsculas partículas de tecido endometrial em vasos linfáticos e linfonodos próximos ao útero como justificativa para o aparecimento da doença. Esta ideia é pouco aceita na atualidade Sampson, em 1921(17), publica a teoria da menstruação retrógrada, uma idéia extremamente difundida no meio médico até os dias atuais. O pesquisador justifica a presença dos implantes ectópicos no peritônio das pacientes acometidas, pelo refluxo das células endometriais através das tubas durante o período menstrual. Seguindo esta linha de raciocínio, em 1927(6), o mesmo autor Introdução 4 Vanessa Gozzo Sekula apresenta a teoria da disseminação hematogênica baseada na presença de tecido endometrial viável em vasos sanguíneos venosos, o que sugere a possibilidade de implantação desses fragmentos em tecidos e órgãos distantes do útero. Em 1942, como uma extensão da metaplasia celômica e baseada em pesquisa experimental em coelhas, é proposta a teoria da indução ou combinada(18) em que um fator bioquímico endógeno poderia induzir o desenvolvimento das células indiferenciadas em tecido endometrial. Mais próximo a nossos dias, em 1980, é proposta por fim a teoria imunológica(19), relacionando a doença a alterações específicas da imunidade da paciente, como a deficiência de fatores do complemento ou de precursores linfóides, sem a eliminação da célula endometriótica da localização não usual. É tendência do meio científico atualmente, como já resumido por Nogueira e Abrão em publicação nacional de 2000(20-21), procurar-se, ao entender a real etiopatogenia da endometriose, buscar a compreensão do que ocorre no ambiente peritoneal com a interação de citocinas, enzimas remodeladoras da matriz extracelular, fatores de crescimento vascular, e relacioná-los ao ambiente, à hereditariedade e ao estresse. Desta forma, tenta-se desenhar o início da moléstia com possibilidades mais amplas, ampliando as tendências terapêuticas, sejam clínicas, cirúrgicas ou de prevenção a serem propostas. A classificação da doença, da mesma forma que sua etiopatogenia, também encontra base em parâmetros diversos, e as mais difundidas são descritas a seguir. Introdução Vanessa Gozzo Sekula 5 Em 1986 (revisada em 1995) é proposta pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) uma classificação para endometriose baseada em escores creditados aos achados cirúrgicos(22-23). A intensidade da doença dependeria do tamanho e da localização dos focos, bem como da presença ou não de aderências, e seria dividida em 04 estádios, considerando-se o IV o mais avançado. Em 1990, Cornillie et al(24) usam critérios de infiltração/profundidade da lesão a partir do peritônio para sua classificação, em que endometriose superficial é aquela cujas lesões atingem até 1mm, intermediária é a denominação para a situação cujas lesões permanecem entre 2mm e 4mm, e profunda é a variação da doença cujas lesões avançam em medida igual ou superior a 5 mm. Esta modalidade da enfermidade tem seus principais sítios de acometimento na escavação retouterina, ligamentos útero-sacrais e prega útero vesical. Ainda como classificação da endometriose, Nisolle e Donnez (25-26), demonstram as diferenças estruturais, morfométricas e histoquímicas entre a doença do septo retovaginal e a peritoneal, e descrevem três formas para a manifestação da doença: peritoneal, ovariana e do septo retovaginal (26). Cada qual correspondendo à entidade clínica independente e com diferente patogênese. Brosens e Brosens, em 2000(27), baseando-se também na localização da endometriose como parâmetro de diferenciação, dividem a enfermidade em doença lateral e central. A doença lateral, caracterizada como endometriose propriamente dita, acomete peritônio e/ou ovários, enquanto a adenomiose, ou doença central, compromete útero, bexiga ou septo retovaginal. Introdução 6 Vanessa Gozzo Sekula Utilizando os conceitos de Cornillie et al(24), temos que uma das formas descritas de endometriose profunda é a endometriose intestinal. Esta variação da doença pode ser entendida como a presença de glândulas e/ou estroma infiltrando a parede intestinal pelo menos até o tecido gorduroso subseroso ou adjacente ao plexo neovascular (28). A presença de focos em topografia serosa deve ser considerada como doença peritoneal e não intestinal (2). A incidência estimada de acometimento intestinal varia de 5,3% a 12% dos casos. A principal localização destas lesões são o reto e a junção retossigmoide (representam 93% de todas as lesões intestinais), seguidos pelo acometimento do íleo, apêndice e cecum(1). Os implantes são tipicamente localizados na face antimesentérica da parede intestinal. Microscopicamente observa-se a presença de nódulos endometrióticos circundados por hiperplasia muscular e fibrose, o que pode gerar estreitamento da camada mural e subsequente estenose(2). Os sintomas são múltiplos como diarreia, constipação, dor abdominal inespecífica ou associada a flatos; interessante é notar que, enquanto a evacuação alivia os sintomas das portadoras de síndrome do intestino irritável, o mesmo é infrequente nas portadoras de endometriose(28). Todas as enfermidades intestinais inflamatórias fazem diagnóstico diferencial com a endometriose. O envolvimento intestinal criou uma nova fronteira para o ginecologista, forçando-o a entender nova anatomia, fisiologia e doença(29). O correto diagnóstico e manejo da mulher com endometriose intestinal devem ser realizados com a colaboração de uma equipe de diferentes especialistas: ginecologista, coloproctologista e radiologista(28, 30). Este grupo precisa identificar Introdução Vanessa Gozzo Sekula 7 e avaliar cada paciente em busca de sintomas e achados correlacionados, oferecendo a melhor opção terapêutica para cada caso. 1.1– Revisão de Literatura – Qualidade de vida Nós últimos anos, em ações vinculadas ao setor de saúde, as avaliações de qualidade de vida tornaram-se cada vez mais freqüentes(31-32). A definição preconizada pela Organização Mundial de Saúde coloca esta como a “percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, de acordo com o contexto cultural e os sistemas de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (31-32). Vale ressaltar que cerca de 400 anos a.C., a busca pela melhor forma de viver já se fazia presente nos ensaios de Aristóteles, o qual cita a “boa vida” como a vida mais desejável. Ele sugeriu em seus estudos que a “boa vida”, considerando todas as coisas, é a vida de acordo com a mais alta das virtudes (Aristóteles apud(33)). No último século, principalmente após a Segunda Grande Guerra, a questão da qualidade de vida assume maior importância no cenário mundial. A realidade atual é que a avaliação da saúde do indivíduo sofreu modificações, passando a ser permeada, também, pela necessária quantificação do impacto da moléstia ou do tratamento a ser realizado(34). Dessa forma, conduzir o quadro clínico deixou de ser baseado no binômio de ação e reação, ou seja, diagnóstico e tratamento, cujo resultado era medido Introdução Vanessa Gozzo Sekula 8 por indicadores objetivos: morbidade e mortalidade. Modificou-se a percepção de melhora(35). Havendo a necessidade de não apenas sanar a doença, mas também de manter o indivíduo socialmente capaz. Esta adequação de postura passou a utilizar na avaliação da conduta médica o uso de variáveis subjetivas, incorporando as percepções dos pacientes em relação ao bem estar e à qualidade de vida(31). Podemos ir além na busca deste entendimento. A palavra “experiência” é com frequência utilizada em estudos de qualidade de vida, mas raramente recebe definição. Seu significado pode ser entendido como “aquilo que se busca para se obter reconhecimento”. Parafraseando Kleiman e Seeman (36), não buscamos a definição de “experiência” na forma de um individual e profundo estudo da subjetividade, mas como forma de representar o valor intersubjetivo. Quer seja a sequência de eventos, o processo físico ou a trajetória de vida que sempre faz parte de um processo social. É fato, então, a conexão entre o pessoal, o cultural e o social. A experiência não ocorre dentro de um vazio, mas mediada por uma estrutura multifatorial – sendo necessário interpretar estas diferentes faces para obter o contexto global do indivíduo e sua narrativa(36-37). Utilizando este conceito, temos que todos os aspectos da vida de uma pessoa podem ser estudados, quantificados e classificados (38-39) e, numa sociedade em que se busca de forma crescente o equilíbrio entre o dano e a reparação, o somatório de informações que constrói uma identidade passa a ser paulatinamente mais valorizado(31). Introdução 9 Vanessa Gozzo Sekula Conforme colocado por Mengarda et al, em publicação sobre o assunto, qualidade de vida relacionada à saúde é um conceito multidimensional, englobando aspectos não apenas físicos, mas também psicológicos e sociais relacionados à doença ou ao tratamento proposto em particular. Para ser estimada, necessita de instrumentos que busquem uma avaliação global do indivíduo, questionando sintomatologia recente e nível atual de funcionamento físico, psicológico e social (40). 1.1.1– Questionário de qualidade de vida (QOL) É de extrema importância salientar que, descrevendo o comportamento da qualidade de vida de determinada doença/situação de forma genérica e comparando-a a outras doenças/situações, podemos demonstrar ao indivíduo portador a importância de seu tratamento, em nível social ou de saúde, junto à comunidade e a seu contexto sócio-econômico(41). Dessa forma se faz necessária a aquisição de parâmetros de avaliação para nortear a decisão a ser tomada para aquele paciente/grupo. Isto tanto ao estudarmos o individual e propormos o melhor tratamento, quanto em um nível mais universal visando, por exemplo, a medidas sobre a melhor distribuição de recursos dentro do sistema de saúde para o manejo da doença(42). Com a necessidade de normatizar esta avaliação surgiram os questionários de qualidade de vida. Estes buscam englobar em uma única entrevista as diferentes faces do paciente e comparar o impacto de diferentes doenças, tratamentos e situações sobre sua vida(43). Introdução 10 Vanessa Gozzo Sekula Nos anos 70 foram apresentados instrumentos genéricos com avaliação de múltiplos itens, ao invés do estudo de único indicador para definir o termo qualidade de vida. Dentre estes, em 1975 foi publicado o Sickness Impact Profile – SIP, com 136 itens, do qual derivaram múltiplos questionários que buscavam, paulatinamente e de forma mais resumida, obter o mesmo parecer global da qualidade de vida(44). Inicia-se com a chegada dos anos 80 a era da praticidade, com instrumentos mais curtos, de maior aplicabilidade clínica e mais confiáveis. Um destes instrumentos desenvolvidos foi o MOS – Medical Outcomes Study. Fruto de um estudo conduzido entre 1986 e 1987 para avaliação de pacientes portadores de enfermidades crônicas(35, 45) . A partir deste questionário (amplo e cansativo na sua aplicação ao paciente) derivaram três formas abreviadas do mesmo: o Short Form 20 (SF-20), de 1988, O Short Form 36 (SF-36), de 1992, e o Short Form 12 (SF-12) de 1996 (35, 46). Acredita-se que na atualidade, o SF-36 (Apêndice 3) seja a medida de avaliação de estado de saúde mais usada em todo o mundo, tendo sido traduzido e validado em cerca de 20 países(45-46). Este questionário pode ser definido como uma ferramenta genérica de avaliação de qualidade de vida, fazendo uso, de conceitos não específicos para uma determinada idade, doença ou grupo de tratamento, e permitindo, ainda, comparações entre estes(38). Ware ao publicá-lo em 1992(34), coloca tratar-se de ferramenta multidimensional, formado por 36 itens que se unem em oito escalas, componentes ou domínios: capacidade funcional (10 itens), aspectos físicos (4 itens), dor (2 itens), estado geral da saúde (5 itens), vitalidade (4 itens), aspectos Introdução 11 Vanessa Gozzo Sekula sociais (2 itens), aspectos emocionais (3 itens) e saúde mental (5 itens), havendo também a questão comparativa entre o estado de saúde atual e o do ano anterior. Os dados são avaliados a partir da transformação das respostas em escores (zero a cem, onde zero corresponde ao pior estado geral de saúde e cem ao melhor estado de geral). Não existe um único escore que reflita a avaliação completa, devendo todos ser interpretados em paralelo e não como média. Os escores são apresentados ao término em Raw Scale, cujo valor final não representa unidade de medida(38-39). Este questionário foi traduzido e validado para o uso no Brasil em 1999 por Ciconelli e sua adequação às condições sociais, econômicas e culturais de nossa população, além da demonstração de reprodutibilidade e validade, tornam este instrumento um parâmetro adicional útil na avaliação de doenças, seja em nível de pesquisa, seja em nível assistencial(31, 43). 1.1.2– Qualidade de vida e Endometriose Apenas recentemente os trabalhos passaram a delinear o impacto debilitante, crônico, físico e emocional, ocasionado pela endometriose, demonstrando que, para muitas portadoras, a experiência de viver com a doença é equivalente a uma constante jornada por meio de um processo de frustração e perda(47). Muitos aspectos da qualidade de vida dessas mulheres são afetados, incluindo relacionamentos interpessoais, trabalho, finanças, atividades sociais e recreativas. A invisibilidade da enfermidade pela falta de estigmas físicos aumenta o senso de ausência de poder percebido pelas pacientes e parceiros(48). Sensações de raiva e frustração podem surgir na enferma por ver-se doente, Introdução Vanessa Gozzo Sekula 12 tornar-se um fardo, ou mesmo por afastar-se da família, sensações que podem ser transferidas para a equipe médica que acompanha a paciente (49). Dentro do quadro de endometriose sabe-se que os sintomas podem ter seu início muitos anos antes do diagnóstico, resultando num efeito – pelo desgaste do dia a dia ao longo deste tempo - muito mais insidioso sobre relacionamentos e trabalho(48, 50). Nota-se, então, que a doença agrega um impacto significante na vida da paciente, para o ginecologista que a acompanha e para o sistema de saúde. Na paciente, a qualidade de vida sofre com freqüência, um significativo decréscimo. Para o ginecologista constitui um considerável trabalho, sendo responsável por 10%-15% de novas consultas/ano. O diagnóstico e o tratamento da endometriose respondem por 20%-35% das laparoscopias e 10%-15% das histerectomias em cada ano(51). Finalmente, para o sistema de saúde, mensuram-se custos consideráveis. Diretamente o ato cirúrgico gira em torno de U$$ 5.805 nos USA, e o tratamento subsequente de U$$2.418. Os custos indiretos do impacto na qualidade de vida são também reconhecidos (51). A confirmação diagnóstica é geralmente feita no momento da cirurgia, existindo, porém, um atraso que chega a índices de 11,7 anos nos USA, 8 anos no Reino Unido, 6,7 anos na Noruega e 7 anos no Brasil(52-53). Este atraso é mais comum nas mulheres que referem apenas dor pélvica do que nas que referem dor pélvica associada à infertilidade(54-55). O impacto desse atraso é considerável para essas pacientes que acabam vivenciando o quadro de dor e restrição por muitos Introdução Vanessa Gozzo Sekula 13 anos Neste período é fácil deparar-se com um ambiente desfavorável ao seu bem-estar físico e mental. Estas pacientes notam a falta de compreensão das pessoas que as cercam, notificam o medo pelo que pode estar acontecendo de errado, têm dificuldade em explicar o porquê de suas ausências ao trabalho (56-57). É preciso modificar o entendimento médico sobre o que constitui um quadro “normal” de dismenorreia. É importante considerar os riscos físicos, emocionais e sociais no atraso/ausência do diagnóstico(52, 58). Após vencerem o desgaste de receberem a notícia sobre qual é sua doença tem inicio uma segunda batalha: o tratamento (59). Para o manejo clínico as opções são o uso de contraceptivos orais e outros agentes hormonais – os quais possuem efeitos colaterais deletérios. Andrógenos sintéticos como o Danazol causam efeitos anabólicos como hirsurtismo, acne e ganho de peso. Análogos da gonadotrofina induzem amenorréia e sintomas de menopausa, num momento de vida em que muitas mulheres visam à gestação(60-62). A opção seguinte é o tratamento cirúrgico que assusta muitas das pacientes ao ser apresentado de forma impessoal e pouco elucidativa. Ainda assim sabe-se que, para chegar a esta indicação, é necessário um correto mapeamento da doença, o que significa mais manipulação(55, 63-64) . A cura deve ser o objetivo do tratamento e deve ser definida como o uso do corpo, mente e espírito para controlar a doença, promover o senso de bemestar e melhorar a qualidade de vida(56). Introdução 14 Vanessa Gozzo Sekula 1.1.3 – Qualidade de vida e tratamento laparoscópico para endometriose intestinal Estudos preliminares mostram que a ressecção colorretal indicada por conta do comprometimento pela moléstia associou-se a importante melhora nos relatos de dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e sintomas digestivos(65). Temos, porém, pouca informação disponível sobre o impacto na qualidade de vida. Segundo Abbott et al, na ressecção de nódulos intestinais e focos de endometriose profunda em estudo feito com 176 mulheres, foi obtido cerca de 67% de melhora nos sintomas descritos previamente (51). Índice repetido por Thomassin et al, em 2004, na realização de trabalho equivalente com 27 mulheres, em que houve 66% de melhora(13). Já Redwine et al, em 2001, chegaram a 89% de alívio em 23 casos(4), enquanto Anaff et al, também em 2001, ao procederem à ressecção de nódulos de endometriose de fundo de saco vaginal, conseguiram 81% de melhora nas queixas(66). Cerca de 9% a 12 % dos casos tiveram piora tanto nos sintomas intestinais quanto nos álgicos, sendo este fato creditado pelos pesquisadores à fibrose pós-operatória(66-68). Em muitas publicações é colocado que as melhores candidatas à cirurgia para endometriose profunda com comprometimento intestinal são aquelas pacientes com dismenorreia, dispareunia, dor à evacuação, dor pélvica associada à obliteração de fundo de saco de Douglas e infertilidade (65, 69). O expressivo número de pacientes que possui suas atividades restritas por causa da dor e a alta taxa de abstenção ao trabalho por dismenorreia intensa Introdução 15 Vanessa Gozzo Sekula e dor pélvica sugere fortemente que o acometimento por endometriose profunda possa ser responsável por importantes repercussões sócio econômicas(66). Na última década, o advento da laparoscopia modificou de forma expressiva a manipulação de doenças abdominais e a técnica cirúrgica(70). A endometriose profunda, mesmo com indicação de ressecção intestinal, pode ser tratada por via laparoscópica, obtendo resultados equivalentes à laparotomia, porém com minimização dos traumas cirúrgicos. Some-se ainda a isto uma melhor visibilização das lesões com melhor acesso a pelve(71-72). Em trabalho de 2003, Chapron et al(2) cita-se que a endometriose profunda tem característica multifocal em muitas pacientes e a eficácia do tratamento depende da radicalidade da exerese das lesões. Remorgida et al demonstraram em seu estudo que a ressecção segmentar colorretal seria a melhor opção cirúrgica, tendo em vista o risco de lesões persistentes em aproximadamente 50% das mulheres que se submetem à ressecção superficial ou discal, com possibilidade de reabordagem cirúrgica(28). Fedele et al citaram que uma das causas de recorrência do quadro álgico seria a não remoção da doença intestinal(73). Estes resultados foram confirmados por Vignali et al que mostraram ser a cirurgia incompleta uma das razões para a manutenção da dor(72). A cirurgia permanece até o momento – mesmo com as possíveis limitações, complicações e sequelas - como a opção de maior sucesso para o tratamento da endometriose intestinal (74-75). Introdução Vanessa Gozzo Sekula 16 Por acreditamos na laparoscopia, como forma preferencial no tratamento da portadora da doença profunda com comprometimento intestinal, propomos a avaliação de qualidade de vida pré e pós cirúrgica como instrumento de demonstração da efetiva melhora. Introdução Vanessa Gozzo Sekula 17 2. OBJETIVO Objetivo Vanessa Gozzo Sekula 18 Avaliar o impacto do tratamento cirúrgico laparoscópico na qualidade de vida de mulheres portadoras de endometriose profunda com comprometimento intestinal. Objetivo Vanessa Gozzo Sekula 19 3. CASUÍSTICA E MÉTODOS Casuística e Métodos 20 Vanessa Gozzo Sekula 3.1 Casuística Foram avaliadas 45 pacientes oriundas da clínica de endoscopia ginecológica e endometriose do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo e da clínica privada dos autores. As mesmas foram submetidas a cirurgia entre o período de junho de 2007 e setembro de 2008. Este projeto de pesquisa foi encaminhado previamente ao Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, sendo aprovado para sua realização (Apêndice 1). As mulheres foram orientadas, verbalmente e por meio de documento informativo específico, quanto ao diagnóstico de endometriose pélvica profunda, aceitaram participar do estudo e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice 2) Todas procuraram voluntariamente o serviço, apresentando sinais e sintomas sugestivos de endometriose profunda com provável comprometimento intestinal. Foram submetidas à avaliação clínica com preenchimento de questionário específico em que constavam dados epidemiológicos e sintomas. Foram considerados sugestivos de endometriose profunda os achados dos dados previamente estabelecidos por Ribeiro em 2002(30): dismenorreia, dispareunia, dor à manipulação de fundo vaginal e/ou nódulos palpáveis em fórnice vaginal Casuística e Métodos 21 Vanessa Gozzo Sekula posterior. As pacientes seguiram em investigação e foram submetidas a ressonância magnética da pelve e a ecoendoscopia baixa por hipótese diagnóstica de comprometimento intestinal pela endometriose. Os exames revelaram sinais da presença da enfermidade em topografia intestinal em todas as pacientes. Na sequência todo o grupo foi submetido a tratamento laparoscópico, com ressecção segmentar de reto e sigmoide, segundo técnica padrão em nossa instituição(75), havendo a subsequente avaliação macroscópica e histológica da peça cirúrgica, segundo os critérios de Cornillie et al(24). Em todos os casos houve a confirmação histológica de endometriose. Foram considerados critérios de inclusão para o estudo as pacientes com endometriose profunda com comprometimento de reto sigmoide pela endometriose (camada muscular ou mais interna), sugerido por queixa clínica e por exames subsidiários, e confirmadas durante ato cirúrgico e subsequente estudo anatomopatológico da lesão ressecada. Todas as pacientes estavam em idade reprodutiva, sendo a inclusão independente de raça, paridade, nível de instrução e de realização de cirurgia prévia para tratamento da enfermidade, mas sendo necessário não ter sido feito uso de medicação hormonal para o tratamento clínico da enfermidade nos três meses anteriores à cirurgia (incluindo análogos do GnRH, progestagênios e contraceptivos hormonais). Foram critérios de exclusão as pacientes menopausadas, portadoras de endometriose acometendo apenas a serosa intestinal e sob o uso de medicação Casuística e Métodos 22 Vanessa Gozzo Sekula hormonal (análogos do GnRH, progestagênios e contraceptivos hormonais) para tratamento da doença na ocasião da cirurgia e nos três meses anteriores a esta. Após a cirurgia ou durante o primeiro mês de pós operatório, todas as pacientes receberam uma dose de acetato de goserelina com concentração de 10,8mg. Quarenta pacientes concluíram um ano de seguimento, sendo que cinco pacientes descontinuaram o estudo por perda do contato, com mudança de endereço e ausência de retorno às convocações realizadas. 3.1.1 Dados epidemiológicos A idade das pacientes variou entre 24 anos e 48 anos, com média de 36,3 anos (desvio padrão de 5,83). O peso das pacientes variou de 48,5Kg a 85kg, com média de 62,5 kg (desvio padrão de 8,39), e o IMC oscilou entre 19,7 e 31,2, com media de 23,1 (desvio padrão de 2,55) (Tab. 1) . TABELA 1 - Distribuição da média e desvio padrão das variáveis idade, peso e IMC em mulheres portadoras de endometriose profunda intestinal, submetidas a tratamento cirúrgico laparoscópico. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Variável Média Desvio padrão Idade (anos) 36,3 5,83 Peso (Kg) 62,5 8,39 23,1 2,55 2 IMC (peso /altura) Quanto à distribuição racial houve, na amostra, 32 mulheres de raça branca (80%), 2 orientais (5%) e 6 negras (15%) (Tab. 2). Vale lembrar que em Casuística e Métodos 23 Vanessa Gozzo Sekula nosso trabalho não diferenciamos o impacto da endometriose sobre estes diferentes grupos raciais. Sendo assim, não foi realizado estudo para diferenciação genética da população da amostra. TABELA 2 - Distribuição das freqüências da variável raça em mulheres portadoras de endometriose profunda intestinal, submetidas a tratamento cirúrgico laparoscópico. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Frequência Raça Absoluta Relativa (%) Branca 32 80 Negra 6 15 Orientais 2 5 Total 40 100 Dentre as pacientes, 39 referiam dismenorreia (97,5%), 31 dispareunia (77,5%) e 26 (65%) relatavam dor ao evacuar (Tab. 3) TABELA 3 - Distribuição das frequências da variável sintoma em mulheres portadoras de endometriose profunda intestinal, submetidas a tratamento cirúrgico laparoscópico. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Frequência Sintomas Absoluta Relativa (%) Dismenorréia 39 97.5 Dispareunia 31 77.5 Dor ao evacuar 26 65 Dezesseis pacientes (40%) expressavam desejo de gestação, sendo que duas já haviam realizado procedimentos de reprodução assistida (fertilização in Casuística e Métodos 24 Vanessa Gozzo Sekula vitro) sem sucesso. Dez (25%) já haviam engravidado, das quais oito (20%) pacientes atingiram o término da gestação e duas (5%) evoluíram com abortamento. Uma avaliação cirúrgica prévia com observação de endometriose já havia sido realizada em 28 das pacientes (70%). A laparoscopia exclusiva foi técnica descrita em 18 destas. Oito pacientes tiveram, associado ao método laparoscópico, também o procedimento laparotômico e duas relatavam apenas cirurgia tradicional (Tab. 4). TABELA 4 - Distribuição das frequências da variável antecedente cirúrgico em mulheres portadoras de endometriose profunda intestinal submetidas a tratamento cirúrgico laparoscópico. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Frequência Antecedente cirúrgico Absoluta Relativa (%) Ausência de cirurgia prévia 12 30 Cirurgia prévia 28 70 Total Laparoscopia 18 45 Laparotomia 2 5 Laparoscopia + Laparotomia 8 20 40 100 Três pacientes foram submetidas durante o ato cirúrgico à histerectomia, em concomitância ao tratamento proposto para endometriose, em função de patologia uterina benigna. Das 37 pacientes restantes, todas retomaram seu ciclo menstrual, em média, cerca de seis meses após a cirurgia (variação de quatro meses a oito meses). Ou seja, aproximadamente entre um mês e cinco meses Casuística e Métodos Vanessa Gozzo Sekula 25 após o término do efeito do bloqueio gonadal induzido pela goserelina utilizada no pós-operatório imediato. Durante o período de seguimento do grupo não foi observado recidiva nas pacientes. Seja pela referência a sintomas descritos, seja por achados sugestivos em exames de imagem, Trinta (75%) pacientes tinham formação secundária concluída; cinco (12,5%) apresentavam graduação terciária e cinco (12,5%) pacientes relatavam ter concluído pós graduação. 3.2 Método 3.2.1 Coleta de dados As pacientes foram submetidas à entrevista individual com a autora durante seu período de hospitalização (pós operatório imediato), interrogadas sobre seus sintomas, evolução de sua doença e responderam ao questionário de qualidade de vida Brasil-SF 36 (Apêndice 3). Somente após esta entrevista receberam o acetato de goserelina para tratamento clínico. Com seis meses (variação de seis meses a sete meses) e novamente com 12 meses de pós-operatório (variação de 12 meses a 14 meses), as pacientes foram reavaliadas, com revisão de dados e sintomas, e aplicação, uma vez mais, do questionário de qualidade de vida. Nessas duas ocasiões foi feito contato telefônico prévio com entrevista informal e envio subsequente dos questionários, por correio. Casuística e Métodos Vanessa Gozzo Sekula 26 3.2.2 Questionário Brasil SF-36 Para a avaliação da qualidade de vida optou-se pelo uso deste questionário validado no Brasil, por Ciconelli em 1999. Na obtenção da pontuação referente aos domínios do SF 36, foi utilizada a equação construída na validação do questionário no Brasil. Multiplicando-se o valor obtido nas questões pertinentes a este pelo limite inferior do domínio e este valor por cem. Sendo procedida ainda a divisão do número obtido pelo Score Range também do domínio em estudo. Os valores do limite inferior e do Score Range utilizados foram previamente determinados no trabalho de validação do questionário no Brasil (Apêndice 4). 3.2.3 Métodos estatísticos Os dados foram coletados e armazenados utilizando o software Excell2007, o qual realizou ainda o cálculo dos resultados finais para cada domínio e Raw Scale. Para os dados demográficos calculou-se a frequência absoluta e relativa, a média, o desvio padrão e o intervalo de confiança quando indicado. A distribuição normal desta variância foi avaliada pelo teste de KomolgorovSmirnov. Para a análise estatística dos resultados obtidos foi utilizado o teste de ANOVA (análise de variância). Quando o ANOVA foi significante, fez-se uso das comparações múltiplas de Tukey para obter as diferenças e estabelecer a hierarquia entre os momentos Casuística e Métodos Vanessa Gozzo Sekula 27 quanto à resposta de cada domínio. Para determinar ainda o poder estatístico da amostra calculou-se o erro alfa/tipo I (falso positivo) e o erro beta/tipo II (falso negativo) . Casuística e Métodos Vanessa Gozzo Sekula 28 4. RESULTADOS Resultados Vanessa Gozzo Sekula 29 Para facilitar a descrição dos dados nos intervalos zero, seis e doze meses, referentes a cada domínio, utilizaremos a abreviatura T0 para início do estudo, T1 para seis meses e T2 para doze meses, respectivamente. A análise descritiva dos dados relativos ao Domínio um (Capacidade Vital) demonstrou resultados iniciais (T0) com mediana de 20 (range 100). Aos 06 meses de seguimento (T1) a mediana foi de 80 (range 50) e aos 12 meses (T2) ,de 97,5 (range 30). A análise estatística destes resultados, comparando os tempos T0, T1 e T2 evidenciou diferença significante na comparação entre T0 e T1 (p= 0,001) e entre T0 e T2 (p= 0,001), enquanto entre T1 e T2 não foi evidenciada diferencia significante (p= 0,0645) (Tab. 5). Resultados 30 Vanessa Gozzo Sekula TABELA 5 – Análise da Capacidade Vital (Domínio 1/SF 36) em mulheres portadoras de endometriose profunda submetidas a tratamento laparoscópico e seguimento de 6 meses e 12 meses. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Momento N = 40 T0 T1 T2 Mediana 20 80 97,5 Desvio-padrão 9,9 2,9 1,5 Range 100 50 30 IC 95% 19,4 5,7 2,9 Teste de ANOVA (p)<0,0001 * Significante. Por meio de comparações múltiplas de Tukey Comparações T0 x T1 T0 x T2 T1 x T2 Comparações múltiplas (p) 0,0001 0,0001 0,0645 Para o Domínio dois do SF 36 (Aspectos físicos), evidenciou-se na análise descritiva, mediana em T0 de 0 (range 100), em T1 de 75 (range 75) e em T2,mediana de 100 (range 25). A análise estatística destes dados evidenciou diferença significante para todos os intervalos,ou seja, entre T0 e T1 (p= 00001), entre T0 e T2 (p=0,0001) e entre T1 e T2 (p=0,0003) (Tab. 6). Resultados 31 Vanessa Gozzo Sekula TABELA 6 – Análise da variável Aspectos Físicos (Domínio 2/SF 36) em mulheres portadoras de endometriose profunda, submetidas a tratamento laparoscópico e seguimento de 6 meses e 12 meses. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Momento N = 40 T0 T1 T2 Mediana 0,0 75 100 Desvio-padrão 7,3 7,3 0,0 Range 100 75 25 IC 95% 14,3 14,3 0,0 Teste de ANOVA (p)<0,0001 * Significante. Por meio de comparações múltiplas de Tukey Comparações T0 x T1 T0 x T2 T1 x T2 Comparações múltiplas (p) 0,0001 0,0001 0,0003 O estudo do domínio três – Dor, evidenciou na análise descritiva do momento T0 mediana de 21 (range 74), no momento T1, mediana de 74 (range 70) e no momento T2, mediana de 82 (range 59). A análise estatística deste domínio demonstra na comparação entre T0 e T1 que p= 0,0001, observando-se o mesmo resultado observado na comparação dos intervalos T0 e T1, com T1 x T2 mostrando p= 0,0003 (Tab. 7). Resultados 32 Vanessa Gozzo Sekula TABELA 7 – Análise da variável Dor (Domínio 3/SF 36) em mulheres portadoras de endometriose profunda submetidas a tratamento laparoscópico e seguimento de 6 meses e 12 meses. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Momento N = 40 T0 T1 T2 Mediana 21 74 82 Desvio -padrão 7,5 5,7 3,8 Range 74 70 59 IC 95% 14,8 11,2 7,5 Teste de ANOVA (p)<0,0001 * Significante. Por meio de comparações múltiplas de Tukey. Comparações T0 x T1 T0 x T2 T1 x T2 Comparações múltiplas (p) 0,0001 0,0001 0,0003 Já a análise descritiva do domínio quatro – Estado Geral de Saúde obteve para T0 mediana de 37,5 (range 82); para T1, mediana de 60 (range 60) e para o momento T2, aos 12 meses de seguimento, mediana de 77 (range 35). A análise estatística demonstra para o intervalo T0 e T1 p= 0,0001, para o intervalo T0 e T2 p= 0,0001 e para o intervalo T1 e T2 p = 0,0440 (Tab. 8). Resultados 33 Vanessa Gozzo Sekula TABELA 8 – Análise da variável Estado Geral de Saúde (Domínio 4/SF 36) em mulheres portadoras de endometriose profunda submetidas a tratamento laparoscópico e seguimento de 6 meses e 12 meses. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Momento N = 40 T0 T1 T2 Mediana 37,5 72 77 Desvio-padrão 5,2 2,0 2,5 Range 82 60 35 IC 95% 10,1 3,9 4,9 Teste de ANOVA (p)<0,0001 * Significante. Por meio de comparações múltiplas de Tukey. Comparações T0 x T1 T0 x T2 T1 x T2 Comparações múltiplas (p) 0,0001 0,0001 0,0440 A análise descritiva dos dados referentes ao domínio cinco – Vitalidade evidenciou, no momento inicial (T0), mediana de 27,5 (range 75), para a avaliação em 6 meses (T1) obteve-se 65 de mediana (range 65) e para a avaliação anual (T2), a mediana foi de 75 (range 45). Ao realizar-se a análise estatística dos resultados foi notado na comparação entre os momentos T0 e T1 (p= 0,0001), T0 e T2 (p= 0,001) e no intervalo T1 e T2 (p= 0,0011) diferença significante (Tab. 9). Resultados 34 Vanessa Gozzo Sekula TABELA 9 – Análise da variável Vitalidade (Domínio 5/SF 36) em mulheres portadoras de endometriose profunda submetidas a tratamento laparoscópico e seguimento de 6 meses e 12 meses . (Santa Casa de São Paulo, 2010) Momento N = 40 T0 T1 T2 Mediana 27,5 65 75 Desvio-padrão 4,4 4,2 1,5 Range 75 65 45 IC 95% 8,6 8,2 2,9 Teste de ANOVA (p)<0,0001 * Significante. Por meio de comparações múltiplas de Tukey. Comparações T0 x T1 T0 x T2 T1 x T2 Comparações múltiplas (p) 0,0001 0,0001 0,0011 No domínio seis – Aspectos Sociais, a análise descritiva obteve no momento T0 mediana de 37,5 (range 75); no momento T1 mediana de 68,8 (range 75) e no momento T2, mediana de 87,5 (range 50). A análise estatística destes resultados para os intervalos T0 x T1, T0 x T2 e T1 x T2 obteve p de 0,0001 (Tab. 10). Resultados 35 Vanessa Gozzo Sekula TABELA 10 – Análise da variável Aspectos Sociais (Domínio 6/SF 36) em mulheres portadoras de endometriose profunda submetidas a tratamento laparoscópico e seguimento de 6meses e 12 meses. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Momento N = 40 T0 T1 T2 Mediana 37,5 68,8 87,5 Desvio-padrão 5,5 3,7 3,7 Range 75 75 50 IC 95% 10,8 7,2 7,2 Teste de ANOVA (p)<0,0001 * Significante.Por meio de comparações múltiplas de Tukey. Comparações T0 x T1 T0 x T2 T1 x T2 Comparações múltiplas 0,0001 0,0001 0,0001 Os dados obtidos para os momentos do domínio sete - Aspectos Emocionais tiveram, na sua análise descritiva, mediana de zero para o momento T0; 66,7 (range 100), para o momento T1 (range 100), e mediana de 100 para o momento T2 (range 66,7). A análise destes resultados ao serem comparados os momentos T0, T1 e T2 evidencia diferença estatisticamente significante em todos os intervalos (Tab. 11). Resultados 36 Vanessa Gozzo Sekula TABEELA 11 – Análise descritiva e analítica da variável Aspectos Emocionais (Domínio 7/SF 36) em mulheres portadoras de endometriose profunda submetidas a tratamento laparoscópico e seguimento de 6 meses e 12 meses. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Momento N = 40 T0 T1 T2 Mediana 0,0 66,7 100,0 Desvio-padrão 4,9 4,9 4,9 Range 100 100 66,7 IC 95% 9,6 9,6 9,6 Teste de ANOVA (p)<0,0001 * Significante. Por meio de comparações múltiplas de Tukey. Comparações T0 x T1 T0 x T2 T1 x T2 Comparações múltiplas (p) 0,0001 0,0001 0,0001 No oitavo domínio – Saúde Mental – do SF 36, observou-se na análise descritiva mediana para T0 de 36 (range 68); para o momento T1, de 58 (range 44) e, por fim, para o momento T2, mediana de 68 (range 40). A análise estatística destes dados nos intervalos T0 x T1, T0 X T2 obteve diferença significante (p= 0,0001), o que também foi observado no intervalo T1 x T2 (p= 0, 0001) (Tab. 12). Resultados 37 Vanessa Gozzo Sekula TABELA 12 – Análise da variável Saúde Mental (Domínio 8/SF 36) em mulheres portadoras de endometriose profunda .submetidas a tratamento laparoscópico e seguimento de 6meses e 12 meses. (Santa Casa de São Paulo, 2010) Momento N = 40 T0 T1 T2 Mediana 36 58 68 Desvio-padrão 2,8 2,3 1,2 Range 68 44 40 IC 95% 5,5 4,6 2,3 Teste de ANOVA (p)<0,0001 * Significante. Por meio de comparações múltiplas de Tukey. Comparações T0 x T1 T0 x T2 T1 x T2 Comparações múltiplas (p) 0,0001 0,0001 0,0001 Podemos visualizar abaixo os dados agrupados (Fig. 1) com a avaliação dos oito domínios em seus diferentes momentos. FIGURA 1 - Comparação entre os oito domínios do SF 36 em T0, T1 e T2 Resultados Vanessa Gozzo Sekula 38 Para o grupo estudado foi observado erro alfa de 0,05 e erro beta de 0,15, com poder estatístico da amostra de 85%. Resultados Vanessa Gozzo Sekula 39 5. DISCUSSÃO Discussão 40 Vanessa Gozzo Sekula Endometriose é, como já foi dito, uma moléstia ginecológica definida pela presença de glândulas endometriais e estroma fora do útero (1). Endometriose profunda e intestinal são menos frequentes do que a superficial/peritoneal e ovariana, mas podem trazer importante desconforto e alterar a qualidade de vida das pacientes(65). Endometriose colorretal possui diagnóstico difícil em virtude da natureza não específica dos sintomas e dos parcos achados em exame físico (76). A incidência de endometriose na população em geral é de 3%-10%. Em pacientes inférteis esta ocorrência chega a variar entre 20%-68% do grupo(77). Ainda que a frequência da endometriose profunda com acometimento colorretal fique entre 5,3% e 12% dos casos, esta modalidade da doença acaba trazendo importante impacto na qualidade de vida das portadoras (74). Entendemos qualidade de vida neste momento, como todos os aspectos e valores da vida do individuo, sejam estes emocionais, físicos e/ou sociais. Observamos que para este grupo de mulheres a qualidade de vida segue muito comprometida, com sentimentos de fragilização pelo diagnóstico, quadro físico, desastre emocional e falta de apresentação de perspectivas para sua doença. Não existe um consenso médico sobre o melhor tratamento para a endometriose. Em muitas mulheres a doença manifesta-se de forma cíclica, Discussão 41 Vanessa Gozzo Sekula possibilitando que a paciente alterne momentos em que age normalmente e não experimenta sintomas, com situações de grande restrição física e emocional (37). A evolução da moléstia é tida por muitos como incerta (78), não existindo cura apenas pela erradicação das lesões, mas também por ceder maior credibilidade aos relatos das portadoras. Ao receberem maior atenção ao seu status de dor, a experiência destas pacientes pode melhorar(37). Isto porque a falta de reconhecimento da sua doença como algo físico e real por muitos, sejam médicos, familiares ou empregadores, intensifica o impacto dos sintomas sobre a paciente. A endometriose profunda infiltrativa cria um desafio aos cirurgiões habilitados a lidar com a doença, ao provocar um tipo de acometimento que distorce a anatomia da paciente com as lesões existentes. É necessária a busca de novas técnicas para manejar uma potencial condição de dificuldade operatória. Devendo ponderar, no momento da escolha da tática terapêutica, não apenas na busca por adquirir o maior sucesso, mas principalmente na obtenção do menor índice de recorrência da doença, junto com as menores taxas de complicações (64). Muitos autores advogam o tratamento cirúrgico para a doença retovaginal. Entre eles estão Donnez et al.(26) que defendem a cirurgia como primeira opção terapêutica, baseados na relativa ineficácia do tratamento clínico para este tipo de acometimento. A excisão radical das lesões e a correção dos distúrbios de anatomia parecem reverter esses sintomas num curto intervalo de tempo (79), alcançando índices de até 86% de melhora nos sintomas de dor deste grupo. Nota-se, ainda, na endometriose intestinal a ocorrência de uma grande reação fibromuscular ao redor das glândulas e estroma ectópicos, os quais são os Discussão Vanessa Gozzo Sekula 42 marcadores histológicos da doença. Este tipo de acometimento parece não responder a nenhuma forma de tratamento hormonal. Observa-se um índice de recorrência da enfermidade em um ano após a parada do tratamento clínico com Danazol e análogos do GnRH de 50% a 74,4% quando não associados à cirurgia(53, 80). Para Chapron e Fauconnier, a presença dos efeitos colaterais das medicações (análogos do GnRH e progestógenos) e o risco de recorrência da doença ao cessar o efeito da administração destes significam que a cirurgia é o tratamento de referência(2). Outros autores ainda acrescentam que o uso do análogo do GnRH pode obter remissão dos focos da moléstia, mas que a cicatriz resultante da fibrose na parede muscular intestinal pode provocar a persistência dos sintomas(77). Muitas pacientes com a doença profunda encontram benefício para o seu quadro álgico com o uso de contraceptivos de forma contínua e dispositivos hormonais intrauterinos(81). Observa-se, porém, que os efeitos positivos dessas medicações sobre os sintomas ocorrem durante o período do uso das mesmas, raramente estendendo-se além dos seis meses que seguem o término do tratamento. Esta modalidade de controle clínico impede a gestação como ação do próprio tratamento, uma condição que impacta a vida de muitas destas mulheres que planejam engravidar(81-82). O uso da laparoscopia como técnica para o tratamento do envolvimento retal por endometriose é relativamente recente se comparado à laparotomia, sendo necessária uma significante curva de aprendizado para o ganho da experiência adequada à realização da cirurgia de forma segura. Respeitando esta Discussão Vanessa Gozzo Sekula 43 necessária formação, muitos centros têm executado este procedimento de forma controlada e multidisciplinar(13, 83). Existe ainda muita controvérsia por parte do meio médico, quanto à indicação da cirurgia de maior porte para pacientes portadoras de endometriose intestinal. Ainda assim, revisando publicações dos últimos anos, encontramos opiniões favoráveis à mesma. Remorgida et al relatam em 2005(84), que a simples nodulectomia não remove toda a lesão de endometriose em cerca de 40% dos casos, sendo referido também o potencial que as lesões intestinais por endometriose carregam de danificar o sistema nervoso entérico mesmo à distância (de até 5 cm) do nódulo endometriótico (28). Observa-se para estes casos que a ressecção incompleta parece associar-se ao retorno ou persistência dos sintomas da afecção, situação que pode acarretar nova abordagem cirúrgica no futuro. As publicações de Dubernard et al, Darai et al, Thomassin et al, Redwine et al, Anaff et al e Ribeiro et al, entre os anos de 2003 e 2008, mostraram relativo baixo índice de complicações em suas séries de pacientes operadas com a excisão de segmento colorretal acometido pela doença. As mais frequentes são: necessidade de conversão laparotômica, retenção urinária prolongada e o aparecimento de fístulas retovaginais nos dez primeiros dias de pós-operatório(1, 4, 13, 66, 69, 75, 85) . Os índices de Darai et al (10%), Marpeau et al (12.5%) e Thomassin et al são equivalentes, enquanto Ribeiro et al mantêm os mesmos em 5,6% e, destes, são 1,6% fístulas intestinais e 2,4% retenção urinária (69, 75, 83). Em estudos mais recentes inicia-se uma preocupação em quantificar a melhora induzida pelo tratamento não apenas no quesito anatomia, mas também Discussão 44 Vanessa Gozzo Sekula em todos os aspectos da vida da paciente. Trabalhos publicados em 2006 e 2009 por Dubernard et al e Darai et al fazem uso do questionário SF 36 como forma de predizer a melhora da paciente ao ser submetida à ressecção radical por endometriose profunda(1, 76) . Estes trabalhos quantificaram o impacto do tratamento cirúrgico nos diferentes aspectos da vida da doente, tendo sido observado melhora durante o período pós-operatório de seguimento em todos os parâmetros avaliados pelo SF-36. É interessante notar nestes trabalhos, que as pacientes com pior escore tiveram as modificações mais positivas induzidas pela cirurgia, e esta melhora foi vivenciada mesmo pelas pacientes que tiveram complicações cirúrgicas(1, 85). A literatura mostra que a endometriose é uma enfermidade que faz as mulheres experimentam diferentes problemas em seu dia a dia. Convivendo com dor pélvica crônica, sendo submetidas a múltiplas cirurgias para o tratamento, experimentando estresse e frustração quando a moléstia traz - além de todos os sintomas restritivos - também infertilidade(86-87). Existe a necessidade de não apenas quantificar o impacto da endometriose sobre a vida das pacientes, mas, principalmente, faz-se necessário demonstrar qual é a modificação induzida pelo tratamento cirúrgico radical nas portadoras de endometriose infiltrativa intestinal. Acreditando na técnica videolaparoscópica cirúrgica como forma de tratar a doença e melhorar a qualidade de vida das portadoras, por meio da remoção total da área acometida (no caso deste estudo, o segmento colorretal), achamos necessário obter uma forma de quantificar esta melhora e validar esta modalidade terapêutica de forma científica. Para isso optamos pela utilização do QOL SF 36, aplicado no momento de início do seguimento, com os sintomas da enfermidade Discussão Vanessa Gozzo Sekula 45 relatados como observados antes da erradicação cirúrgica das lesões (T0). E isto novamente com seis meses de pós-operatório (T1) e 12 meses (T2). Esta foi a solução para amparar a pesquisa e determinar a melhora das pacientes, no pósoperatório, em período prolongado de seguimento. A avaliação inicial das pacientes mostrou um importante impacto da endometriose sobre os oito domínios do SF 36, e que cada item do questionário teve uma variação própria ao longo do tempo de estudo, conforme podemos notar em descrição nos próximos parágrafos. É válido ressaltar que cada domínio deve ser interpretado de forma isolada, não existindo a indicação de cálculo de média ou mediana para definir um valor padrão único. Iniciamos a avaliação com os domínios referentes à Saúde Física. O item Capacidade Vital - (domínio 1), ao apresentar escore baixo, determina limitação nas atividades físicas, (tomar banho e vestir-se), enquanto o escore mais alto demonstra que o paciente pode realizar qualquer atividade física proposta – incluindo as mais vigorosas(88). Desta forma podemos observar que no início do estudo (T0) as pacientes traziam esta característica comprometida, de forma importante pela doença. O valor da mediana de 20 reflete um real impacto quando analisamos o grupo como um todo. Para este momento o intervalo de confiança de 19,4 mostra ainda a diversidade na vivência desta característica pelas pacientes, demonstrando a diferente forma com que estas administram os sintomas de sua doença. Discussão Vanessa Gozzo Sekula 46 Após seis meses de evolução (T1), houve modificação na mediana que passou a atingir valores de 80 (aproximando-se da melhor qualidade de vida) , com intervalo de confiança de 5,7. Estes valores não apenas revelam o impacto positivo do ato cirúrgico sobre as pacientes, como também mostram uma homogeneização do grupo, que passa a relatar experiências semelhantes em seu dia a dia. A avaliação anual (T2) também acrescentou um novo aumento no valor da mediana que chega a 90, intensificando o ganho na qualidade de vida expresso por esta característica (capacidade funcional). Nesse momento as pacientes não mais se encontravam sob o efeito do acetato de goserelina - medicação que foi utilizada de forma padrão no pós-operatório em dose única. A redução no intervalo de confiança para 2,9 confirma a resposta ainda mais homogênea do grupo, apresentando um cenário em que todas as pacientes passam a expressar esta característica de forma muito semelhante no seu dia a dia. A análise dos intervalos T0 versus T1, bem como T0 versus T2 apresentou diferença estatística significante, confirmando a mudança descrita pelas pacientes para esta característica, enquanto o estudo do intervalo T1 versus T2 não notou diferença estatística significante, tendo ocorrido então a manutenção das características adquiridas já aos seis meses de pós operatório. Para o domínio 2 , Aspectos Físicos,o escore mais baixo indica problemas com o trabalho ou outras atividades diárias decorrentes da saúde física. Escores altos indicam o contrário(88). As pacientes para T0 expressam valores de zero em suas respostas, ou Discussão 47 Vanessa Gozzo Sekula seja, intenso comprometimento do ato físico que demonstra a dificuldade em trabalhar e exercitar-se. Aqui o intervalo de confiança de 14,3 mostra, também, a diversidade nas respostas das mulheres. Ao ser repetida em T1, a mediana atingiu 100, mantendo intervalo de confiança de 14,3. Entendemos que, apesar de a mediana ter sofrido uma ascensão, a amostra ainda mantinha certa heterogeneidade. Em T2 as pacientes mantiveram mediana de 100 (valor máximo para o domínio) com intervalo de confiança de zero, mostrando que o grupo não apenas obteve uma modificação positiva nesta característica, mas também a vivenciou de forma homogênea. O Domínio 3 – Dor determina em seu escore mais baixo dor muito intensa, mesmo com limitações, enquanto escore alto demonstra ausência de dor ou de limitações decorrentes(88). Aqui analisamos um dos sintomas comumente descritos pelas pacientes com endometriose. A dor muitas vezes cria o estigma da enfermidade. Em T0 o valor obtido para este domínio foi de 21. Índice baixo e muito próximo da pior qualidade de vida possível, com um intervalo de confiança de 14,8. Em T1 a mediana chegou a 74 e o intervalo de confiança modificou-se para 11,2. Já em T2 a mediana atingiu 82 e o intervalo de confiança chegou a 7,5. Para a variável Estado Geral de Saúde, Domínio 4 do SF 36, podemos interpretar que escore baixo sugere que o indivíduo avalia sua saúde como precária e com tendência a piorar. Para T0 foi observado intervalo de confiança de 10,1 e mediana de 37,5. Em T1 a mediana ascendeu para 72 e o intervalo de confiança restringiu-se a 3,7. Aqui podemos notar como a percepção do estado geral de saúde comprometido, apesar de ter sido submetida à importante melhora Discussão Vanessa Gozzo Sekula 48 em seus índices, mantém-se no relato das pacientes. Em T2 a mediana atingiu 77. Houve importante mudança em relação a T0, mas pouca variação em relação ao momento T1, seja no valor da mediana, seja no intervalo de confiança que passou a ser de 4,9. Ainda assim houve impacto positivo dentro do grupo no pósoperatório da cirurgia realizada. Ao observarmos os domínios que constroem o perfil de Saúde Física para as pacientes participantes, podemos notar uma amplitude de melhora com valor significante ao longo de um ano de observação. Sendo esta melhora já importante aos seis meses de avaliação, quando manteve uma curva ascendente de ganho no decorrer do período de seguimento. Para todos os intervalos de estudo (a exceção de T1/T2 para Capacidade Funcional descrito acima), foi obtido medida de p estatisticamente significante. No momento inicial do estudo, ao traçarmos o perfil da paciente com endometriose profunda para os parâmetros de Saúde Física, conseguimos repetir os achados de Marques(88) e confirmamos uma vez mais esta doença como causa de comprometimento de qualidade de vida. E ao compararmos nossos achados com o trabalho de Dubernard de 2006 (1), que também aplicou o questionário em pacientes submetidas a tratamento cirúrgico com ressecção colorretal pela enfermidade, podemos notar resposta equivalente para os itens Aspectos Físicos, Capacidade Vital e Estado Geral de Saúde. Porém, na avaliação do domínio Dor, a nossa amplitude de variação nas respostas não repetiu a melhora citada por este trabalho no tempo de evolução das pacientes daquele grupo. Verificando nossos dados, observamos que aos seis meses de seguimento a amplitude de modificação na mediana do domínio Dor mostrava-se coerente com os achados Discussão Vanessa Gozzo Sekula 49 de Dubernard(1) na publicação citada e a diferença de nossos dados foi notada ao completar um ano de acompanhamento. Acreditamos que a diferença observada na quantificação da modificação deste domínio, quando comparados os dois trabalhos (nosso achados versus achados de Dubernard), possa ser creditada ao fato de termos seguido com a avaliação por um intervalo de tempo mais longo em relação ao ato cirúrgico do que o trabalho em questão. Este fato reflete impacto cirúrgico sobre este domínio do SF 36 (Dor) em um período de maior seguimento Passamos agora para os itens que determinam a Saúde Mental. Começamos pelo estudo da Vitalidade – Domínio 5 do SF 36. Este expressa em seu escore baixo cansaço e falta de ânimo, enquanto escore alto nos revela grande quantidade de energia(88). Para T0 o grupo teve intervalo de confiança de 8,6 e mediana de 27,5. Em T1 o intervalo de confiança de 8,2 mostrou pouca variação, mas foi notado um aumento na mediana para 65. Percebendo-se melhora, mas ainda assim mantendo alguma perda da vitalidade. Em T2 a mediana atingiu 75 – mantendo uma curva de melhora ascendente em relação a T0 com intervalo de confiança de 2,9, que mostrou a aproximação das repostas, reiterando a homogeneidade do relato pelas pacientes quanto à melhora nesta característica. Para o Domínio 6, Aspectos Sociais, temos por significado de escore baixo a grande interferência nas atividades sociais normais devido a problemas físicos decorrentes da doença em estudo, e escore alto significando uma vez mais o contrário(88). Aqui a mediana em T0 foi de 37,5 com intervalo de confiança de 10,8. Ao Discussão 50 Vanessa Gozzo Sekula comparecerem no início do estudo as mulheres traziam impressas no seu dia a dia a repercussão negativa do impacto da endometriose. Em T1 o grupo já mostrava uma grande modificação nesta característica com mediana de 66,7 e intervalo de confiança de 7,2. Em T2 a melhora foi expressiva com mediana de 87,5 e manutenção do intervalo de confiança em 7,2. Dessa forma notamos progressivo ganho na qualidade de vida avaliada por esta característica. Sendo que o grupo adquiriu, ainda dentro de sua evolução e mantendo o padrão até agora observado, maior homogeneidade nas respostas. O domínio 7, Aspectos Emocionais, tem em seus escores baixos o indicativo de problemas com o trabalho e outras atividades diárias devido a comprometimentos emocionais. Escores altos indicam também, o contrário(88). A doença em estudo, endometriose, repercute de diferentes formas em todas as faces do dia a dia da portadora, e a indefinição quanto à evolução, diagnóstico e conduta é patente para muitas pacientes. Esta característica é expressa em T0 com valor da mediana de zero e intervalo de confiança de 9,6, comprovando a absoluta perda de controle que as pacientes sofrem em sua rotina. Em T1 a mediana chega a 66,7 com intervalo de confiança mantido em 9,6. Para T2 repete-se o intervalo de confiança em 9,6,. com mediana de 100, retratando o impacto positivo do tratamento efetuado para este grupo. Por fim a Saúde Mental, Domínio 8 do SF 36, indica pelo escore baixo os sentimentos de nervosismo, angustia e depressão na maior parte do tempo, enquanto escore alto indica sensações de felicidade, paz e tranquilidade(88). Discussão Vanessa Gozzo Sekula 51 Em T0 as pacientes atingiram mediana de 36 com intervalo de confiança de 5,5. Para T1 a mediana modifica-se para 58, enquanto o intervalo de confiança cai para 4, expressando melhora nos índices para este domínio com implemento na semelhança das respostas. Para T2 a mediana chega a 68 com intervalo de confiança de 2,3. Com isso se mantém o ganho na qualidade de vida para este domínio com uma demonstração de equivalência nas respostas cedidas pelas pacientes ao longo do tempo de estudo. Conclui-se o desenho da Saúde Mental dentro do questionário SF 36, com o levantamento dos domínios Vitalidade, Aspectos Sociais, Aspectos Emocionais e Saúde Mental. Uma vez mais ao comparamos nossos dados com os obtidos por Marques na elaboração do perfil da paciente (88), notamos uma repetição dos achados quanto a um desenho inicial ruim para estas características nas pacientes portadoras de endometriose. Esta equivalência nas repostas á notada também ao compararmos este segundo grupo de achados com os dados de Dubernard et al, no trabalho descrito(1). Neste segundo grupo também repetimos os achados que mostram as repercussões dentro da Saúde Mental para Aspectos Sociais e Aspectos Emocionais, aquelas com maior impacto na evolução pós-operatória com os achados destes autores. Todos os intervalos estudados para os achados dos domínios da Saúde Mental tiveram valores estatisticamente significantes. Notamos que aos seis meses de estudo, de forma equivalente à publicação de Dubernard et al, os itens do SF 36 relativos ao aspecto emocional tiveram um impacto de melhora inferior àqueles relacionados ao aspecto físico(85). E ao término de 01 ano, de forma distinta ao outro autor, esta diferença atingiu um Discussão Vanessa Gozzo Sekula 52 equilíbrio com o grupo Saúde Física. Buscando um fator independente para tentar entender esta diferença entre o grupo de saúde física e mental, pensamos no uso do análogo do GnRH (acetato de goserelina utilizado como terapêutica adjuvante no pós-operatório) como possível explicação. A medicação mantém seu efeito por tempo esperado de três meses, porém sua ação pode estender-se por um intervalo maior, dependendo da resposta e sensibilidade de cada paciente(89). É fato que esta classe de medicamento costuma ter importante efeito sobre o perfil emocional da usuária, mimetizando situações de distimia e sintomas sugestivos de quadro depressivo leve que pode ter interferido negativamente sobre os domínios do SF 36 que tratam da Saúde Mental, principalmente aqueles relacionados à questão emocional. Outro fato que precisa ser lembrando é o relato de muitos anos de sintomas de dor e restrição vividos pelas pacientes, o que nos faz pensar que mesmo com a redução dos seus sintomas as mulheres continuam a vivenciar por algum tempo a apreensão do retorno do quadro antes observado (90-91). Para confirmação e melhor interpretação destes achados, faz-se necessário o emprego de ferramentas mais elaboradas para o diagnóstico da saúde mental e perfil emocional das pacientes, o que não é função específica do SF 36. A aplicação do Brasil SF-36, neste estudo, em dois tempos pós-operatório distintos buscou afastar o viés de interpretação que poderia ser ocasionado pelo uso do tratamento adjuvante com a goserelina. Sendo assim, ao nos distanciarmos do final do efeito desta medicação, passamos a agregar um equilíbrio entre a melhora dos domínios de Saúde Física e Mental de forma equivalente. Porém, mesmo esta observação precisa ser avaliada com o uso de Discussão 53 Vanessa Gozzo Sekula ferramenta mais específica. Em nosso estudo, optamos por não diferenciar as pacientes inférteis daquelas que não desejam gestação. Questiona-se o papel da infertilidade como um fator de piora do estado emocional e mesmo da Saúde Mental. Sendo assim, salientamos a necessidade de investigações futuras com grupo de estudo incluindo mulheres inférteis como um fator de análise distinto para este item da qualidade de vida(92-93). Ao compararmos por fim, nossos dados com os do trabalho de Dubernard et al de 2008, e também de Darai et al, de 2009 – que demonstram a possibilidade do uso do SF 36 como ferramenta para identificar as pacientes com melhor potencial de benefício cirúrgico com a ressecção segmentar colorretal pela endometriose, percebemos que nossos dados são equivalentes(76, 85) . As pacientes que apresentavam pior escore inicial atingiram, no pós operatório, maior ganho percentual nas medianas para os oito domínios do questionário, quando comparadas àquelas que iniciaram o estudo com medianas mais elevadas. Ao finalizarmos a avaliação da amostra, submetemos ainda os resultados obtidos em todos os domínios à análise do erro alfa buscando o falso positivo, e também do erro beta, o qual determina em seu cálculo o risco de falso negativo nos achados. Os resultados obtidos para cada um foram respectivamente de 0,05 e 0,15. Como trabalhamos com uma amostra de múltiplas variáveis, o erro beta varia de domínio para domínio, tendo sido optado no seu cálculo para a amostra total pela utilização do desvio-padrão do Domínio 1 do questionário, justificado por ter sido aquele que mostrou maior variação. Discussão Vanessa Gozzo Sekula 54 Utilizando o erro alfa e o erro beta para o cálculo do poder estatístico da amostra, obtivemos um índice de 5% em falso positivo e 15 % para o falso negativo. Com isso o poder estatístico do estudo foi de 85%, valor considerado aceitável para expressar a veracidade do mesmo. Assim, podemos comprovar que o impacto positivo obtido, ao realizar-se a cirurgia junto a este grupo de pacientes, pode ser estendido a outras mulheres que optarem pelo procedimento realizado de forma equivalente e por indicações semelhantes, comprovando a tese proposta dentro do objetivo deste estudo. Estes dados reproduzem a literatura disponível para este tema e pode ser validado como forma de criar ferramenta inestimável para o melhor tratamento e alívio nos sintomas das portadoras. É notório que cada sociedade tem crenças, atitudes, costumes, comportamentos e hábitos sociais particulares. São estas características que creditam às pessoas uma orientação de quem são e como devem comportar-se e ainda, o que podem ou não fazer. São essas regras ou, por que não dizer, conceitos que refletem a cultura de um país e o diferenciam de outros. São estes valores individualizados e únicos que precisam ser entendidos e quantificados dentro de um estudo de qualidade de vida O ganho de confiança ao receber correta orientação e tratamento permite que mulheres com endometriose profunda reafirmem seu papel como pessoas participativas e produtivas na sociedade, deixando de viver em função da doença e trilhando seus dias com a informação de possuírem uma moléstia com diagnóstico, que pode ser tratada, permitindo que a vida mantenha um traçado determinado pela paciente, e não pela endometriose. Discussão Vanessa Gozzo Sekula 55 6. CONCLUSÃO Conclusão Vanessa Gozzo Sekula 56 Baseados nos dados discutidos acima, concluímos que o tratamento cirúrgico laparoscópico da endometriose possui impacto positivo na qualidade de vida das mulheres portadoras de doença em sua forma profunda com comprometimento intestinal. Conclusão Vanessa Gozzo Sekula 57 7. ANEXOS Anexos 58 Vanessa Gozzo Sekula Anexo I Representação dos gráficos referentes aos 8 Domínios do Brasil SF 36. FIGURA 2 - Intervalo de confiança para a o Domínio 1 - Capacidade Funcional: mediana ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1) FIGURA 3 - Intervalo de confiança para o Domínio 2 - Aspectos Físicos: mediana ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1) Anexos 59 Vanessa Gozzo Sekula FIGURA 4 - Intervalo de confiança para a o Domínio 3 - Dor: mediana ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1) FIGURA 5 - Intervalo de confiança para o Domínio 4 - Estado Geral de Saúde: mediana ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1) Anexos 60 Vanessa Gozzo Sekula FIGURA 6 - Intervalo de confiança para a o Domínio 5 - Vitalidade : mediana ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1) 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 6 12 Momento (meses) FIGURA 7- Intervalo de confiança para o Domínio 6 - Aspectos Sociais: mediana ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1) Anexos 61 Vanessa Gozzo Sekula FIGURA 8 - Intervalo de confiança para o Domínio 7 - Aspectos Emocionais : mediana ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1) FIGURA 9 - Intervalo de confiança para o Domínio 8 - Saúde Mental: mediana ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1) Anexos Vanessa Gozzo Sekula 62 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Referências Bibliográficas 63 Vanessa Gozzo Sekula 1. Dubernard G, Piketty M, Rouzier R, Houry S, Bazot M, Darai E. Quality of life after laparoscopic colorectal resection for endometriosis. Hum Reprod. 2006 May;21(5):1243-7. 2. Chapron C, Fauconnier A, Vieira M, Barakat H, Dousset B, Pansini V, et al. Anatomical distribution of deeply infiltration endometriosis: surgical implications and proposition for a classification. Hum Reprod. 2003;18:157-63. 3. Busacca M, Chiaffarino F, Sci B, Candiani M, Vignali M, Bertulessi C, et al. Determinants of long-term clinically detected recurrence rates of deep, ovarian, and pelvic endometriosis. Am J Obstet Gynecol. 2006;195:426-3. 4. Redwine DB, Wright JT. Laparoscopic treatment of complete obliteration of the cul-de-sac associated with endometriosis: long-term follow-up of en bloc resection. Fertil Steril. 2001 Aug;76(2):358-65. 5. Angioni S, Peiretti M, Zirone M, Palomba M, Mais V, Gomel V, et al. 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Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. São Paulo, Versão 2004. Pub Med – http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed Fontes Consultadas Vanessa Gozzo Sekula 73 RESUMO Resumo Vanessa Gozzo Sekula 74 Sekula, VG. Impacto do Tratamento Cirúrgico Laparoscópico na Qualidade de Vida de Mulheres Portadoras de Endometriose Profunda. Tese (Mestrado), 2010. Objetivo: Avaliar o Impacto do tratamento cirúrgico laparoscópico na qualidade de vida (QOL) de mulheres portadoras de endometriose profunda com comprometimento intestinal. Pacientes e Métodos: Entre junho de 2007 e setembro de 2008 foram avaliadas de forma prospectiva 40 pacientes portadoras de endometriose profunda intestinal. Todas foram submetidas à ressecção, por via laparoscópica de segmento colo-retal acometido (com confirmação histológica da doença) e à aplicação do questionário de QOL SF 36 em três momentos distintos (pós-operatório imediato/T0, seis/T1 e doze/T2 meses de seguimento). Resultados: A avaliação inicial das pacientes confirmou o impacto da endometriose sobre os oito domínios do SF 36, sendo que cada item do questionário teve uma variação própria ao longo do tempo de estudo. Notamos que os domínios relacionados aos sintomas físicos agregaram uma modificação mais positiva de suas medianas no intervalo T1 do que aqueles que refletem os sintomas de saúde mental. Observou-se diferença estatística significante na avaliação de todos os intervalos (T0/T1, T0/T2 e T1/T2) para todos os domínios, exceto no intervalo T1/T2 para a Capacidade Funcional. Observou-se, também, nos oito domínios a redução do intervalo de confiança/95% em T2 quando comparados a T0 e T1. Conclusão: os resultados obtidos permitiram concluir que o tratamento cirúrgico laparoscópico para endometriose possui impacto positivo na qualidade de vida das mulheres portadoras de doença em sua forma profunda com comprometimento intestinal. Palavras chave: Endometriose/cirurgia, Laparoscopia, Qualidade de vida, Questionários. Resumo Vanessa Gozzo Sekula 75 ABSTRACT Abstract Vanessa Gozzo Sekula 76 Sekula, VG. Impact of Surgical Laparoscopic Treatment on the Quality of Life of Women with Deep Endometriosis. Thesis (Master’s degree), 2010. Objective: To evaluate the impact of surgical laparoscopic treatment on the quality of life (QOL) of women with deep endometriosis and with intestinal involvement. Patients and Methods: Between June, 2007 and September, 2008, 40 patients were prospectively analyzed who presented with deep intestinal endometriosis. All were submitted to resection of the colorectal segment via laparoscopy (with histological confirmation of the disease) and the application of the QOL SF36 questionnaire at three distinct time points (immediate postoperative phase/T0, and at six/T1 and twelve/T2 months of follow-up). Results: The initial assessment of the patients confirmed the impact the endometriosis had on the 8 domains of SF 36, wherein each item of the questionnaire had its own variation during the time of the study. We noted that the domains related to physical symptoms aggregated a more positive modification of its medians at the T1 interval than did those that reflected mental health symptoms. A statistically significant difference was noted in the evaluation of all the intervals (T0/T1, T0/T2, and T1/T2) for all the domains, except for interval T1/T2 regarding Funcitional Capacity. We also observed in all eight domains a reduction of the 95% confidence interval in T2 when compared to T0 and T1. Conclusion: The results obtained allowed the confirmation of improvement in the quality of life of patients with deep endometriosis in its intestinal form, with laparoscopic treatment. Key words: Endometriosis/surgery, Laparascopy, Quality of life, Questionnaires Abstract Vanessa Gozzo Sekula 77 LISTAS E APÊNDICES Listas e Apêndices 78 Vanessa Gozzo Sekula Apêndice 1 Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Listas e Apêndices 79 Vanessa Gozzo Sekula Apêndice 2 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Senhora paciente Estamos realizando uma pesquisa para melhorar o diagnóstico e o tratamento da doença que a senhora possui (endometriose). Por isso gostaríamos que nos autorizasse a usar os resultados dos seus exames, da sua cirurgia e do questionário que aplicaremos na senhora para buscar entender a repercussão de sua doença em sua vida. A maioria destes exames e a cirurgia indicada são feitos normalmente para todas as mulheres que têm essa doença. São: 1. Ultra-sonografia pélvica-transvaginal – um exame que estuda a sua barriga e transforma isto numa imagem de televisão. 2. Ressonância Magnética – que é um exame parecido com o raio-x, só que um pouco mais demorado, porque tira várias chapas e nos mostra mais detalhes, facilitando perceber quando existe alterações e onde elas estão. 3. Ultra-som endoscópico transretal –um exame de ultra-som realizado pelo ânus e com a utilização de uma medicação calmante administrada na veia. Após a realização destes exames poderemos realizar uma cirurgia, a laparoscopia, com muito mais segurança. Durante a laparoscopia iremos retirar a maior quantidade possível de tecido (“pele”) da endometriose para aumentar sua chance de cura. Estes pedaços de tecidos serão encaminhados ao laboratório para realizar o exame anatomo-patológico que é o exame que confirma se é endometriose. Antes do realizar sua cirurgia iremos aplicar um questionário para tentar entender as alterações que sua doença acarreta em sua qualidade de vida. Após um período de 6 a 12 meses de sua cirurgia repetiremos o mesmo questionário para tentar entender em quanto o seu tratamento melhorou sua qualidade de vida. Se a senhora tiver qualquer dúvida sobre os exames, ou sobre a pesquisa, ou ainda sobre a doença, não se envergonhe e pode fazer qualquer pergunta, que teremos prazer em responder, pessoalmente ou pelos telefone (11) 9964- 7182 (Dra Vanessa G Sekula) Caso a senhora queira deixar de participar da pesquisa, por qualquer que seja o motivo, poderá fazê-lo a qualquer momento e isto não mudará o atendimento nem seu tratamento. O seu nome, endereço, telefone e outros dados pessoais não serão contados para ninguém. Iremos usar só os resultados dos seus exames para a pesquisa. Estes resultados serão também fornecidos para a senhora a qualquer momento em que a senhora solicitar. Se durante a pesquisa, alguma coisa relacionada a ela acontecer com a senhora, a Santa Casa dará toda ajuda médica que precisar. Listas e Apêndices Vanessa Gozzo Sekula 80 Sabendo todas informações, eu, ___________________________________ , RG. ________________________, concordo em participar do estudo “Avaliação do impacto do tratamento cirúrgico laparoscópico na qualidade de vida de mulheres portadoras de endometriose profunda.” _______________________________ Assinatura Paciente ______________________________ Assinatura Representante legal ( se necessário) São Paulo,______/______/______ Listas e Apêndices 81 Vanessa Gozzo Sekula Apêndice 3 Formulário Brasil SF-36 Instruções: Esta pesquisa questiona você sobre sua saúde. Estas informações nos manterão informados de como você se sente e quão bem você é capaz de fazer suas atividades de vida diária. Caso você esteja inseguro em como responder, por favor tente responder o melhor que puder. 1 – Em geral sua saúde é: (circule uma) A. Excelente................................................................................ 1 B. Muito boa.................................................................................2 C. Boa .........................................................................................3 D. Ruim........................................................................................4 E. Muito ruim................................................................................5 2 – Comparada a um ano atrás, como você classificaria sua saúde em geral, agora? (circule uma) A. Muito melhor agora do que há um ano atrás............................1 B. Um pouco melhor agora do que há um ano atrás...................2 C. Quase a mesma de um ano atrás ......................................... 3 D. Um pouco pior agora do que há um ano atrás...................... 4 E. Muito pior agora do que há um ano atrás ............................. 5 F. 3 – Os seguintes itens são sobre atividades que você poderia fazer atualmente durante um dia comum. Devido a sua saúde, você tem dificuldade em fazer essas atividades? Neste caso, quanto? (circule um número em cada linha) Atividades Sim. Sim. Não. Não Dificult Dificulta Dificulta a um nada muito. pouco A. Atividades vigorosas, que exigem 1 2 3 muito esforço, tais como correr, levantar objetos pesados, participar em esportes B. Atividades moderadas, tais como 1 2 3 mover uma mesa, passar aspirador de pó, jogar bola, varrer a casa. C. Levantar ou carregar mantimentos 1 2 3 D. Subir vários lances de escada 1 2 3 E. Subir um lance de escada 1 2 3 F. Curvar-se, ajoelhar-se ou dobrar-se 1 2 3 G. Andar mais de 1 quilometro 1 3 3 H. Andar vários quarteirões 1 2 3 I. Andar um quarteirão 1 2 3 J. Tomar banho ou vestir-se 1 2 3 Listas e Apêndices 82 Vanessa Gozzo Sekula 4 – Durante as ultimas 4 semanas, você teve algum dos seguintes problemas com o seu trabalho ou com alguma atividade diária regular, como consequência de sua saúde física? (circule uma em cada linha) A. Você diminuiu a quantidade de tempo que se dedicava ao seu trabalho ou a outras atividades ? B. Realizou menos tarefas do que você gostaria? C. Esteve limitado no seu tipo trabalho ou em outras atividades ? D. Teve dificuldade de fazer seu trabalho ou outras atividades (p.ex necessitou de um esforço extra?) Sim 1 Não 2 1 1 2 2 1 2 5 – Durante as ultimas 4 semanas, você teve algum dos seguintes problemas com o seu trabalho ou outra atividade regular diária, como conseqüência de algum problema emocional (como sentir-se deprimido ou ansioso)? (circule uma em cada linha) Sim A. Você diminui a quantidade de tempo que se 1 dedicava ao seu trabalho ou a outras atividades? B. Realizou menos tarefas do que você gostaria? 1 C. Não trabalhou ou não fez qualquer das atividades 1 com tanto cuidado como geralmente faz? Não 2 2 2 6 – Durante as ultimas 4 semanas, de que maneira sua saúde física ou problemas emocionais interferiram nas suas atividades sociais normais, em relação a família, vizinhos, amigos ou em grupo? (circule uma em cada linha) A – De forma nenhuma..........................................................................1 B – Ligeiramente....................................................................................2 C – Moderadamente...............................................................................3 D – Bastante...........................................................................................4 E – Extremamente..................................................................................5 7 – Quanta dor no corpo você teve durante as últimas 4 semanas? (circule uma) A – Nenhuma..........................................................................................1 B – Leve 2 B – Muito leve.........................................................................................3 C – Moderada.........................................................................................4 D – Grave................................................................................................5 E – Muito Grave......................................................................................6 Listas e Apêndices 83 Vanessa Gozzo Sekula 8 – Durante as ultimas 4 semanas, quanto a dor interferiu com o seu trabalho normal (incluindo tanto o trabalho, fora de casa e dentro de casa)? (circule uma) A – De maneira nenhuma.........................................................................1 B – Um pouco...........................................................................................2 C – Moderadamente.................................................................................3 D – Bastante.............................................................................................4 E- Extremamente....................................................................................5 9 – Estas questões são sobre como você se sente e como tudo tem acontecido com você durante as últimas 4 semanas. Para cada questão, por favor dê uma resposta que mais se aproxime da maneira como você se sente. Todo tempo A maior parte do tempo Uma boa parte do temo Alguma parte do tempo A – Quanto tempo você tem se sentido cheio de vigor, cheio de vontade, cheio de força? B – Quanto tempo você tem se sentido uma pessoa muito nervosa? C – Quanto tempo você tem se sentido tão deprimido que nada pode animá-lo? D – Quanto tempo você tem se sentido calmo ou tranqüilo? 1 2 3 4 Uma pequena parte do tempo 5 Nunca 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 E – Quanto tempo você tem se sentido com muita energia? 1 2 3 4 5 6 F – Quanto tempo você tem se sentido desanimado e abatido? 1 2 3 4 5 6 G – Quanto tempo você tem se sentido esgotado? 1 2 3 4 5 6 H – Quanto tempo você tem se sentido uma pessoa feliz? I – Quanto tempo você tem se sentido cansado? 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 6 Listas e Apêndices 84 Vanessa Gozzo Sekula 10 – Durante as últimas 4 semanas, quanto do seu tempo a sua saúde física ou problemas emocionais interferiram com as suas atividades sociais (como visitar amigos, parentes, etc?) (circule uma) A – Todo o tempo.......................................................................................1 B – A maior parte do tempo.......................................................................2 C – Alguma parte do tempo.......................................................................3 D – Uma pequeno parte do tempo............................................................ 4 E – Nenhuma parte do tempo.................................................................. .5 11 – O quanto verdadeiro ou falso é cada uma das afirmações para você? (circule um número em cada linha) Definitiva mente é verdadeiro A. Eu costumo adoecer um pouco mais facilmente que as outras pessoas B. Eu sou tão saudável quanto qualquer pessoa que eu conheço C. Eu acho que minha saúde vai piorar D. Minha saúde é excelente A maioria das vezes é verdadei ro Não sei A maioria das vezes é falsa Definiti vamente falsa 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 Listas e Apêndices 85 Vanessa Gozzo Sekula Apêndice 4 Pontuação do Questionário SF – 36 Questão Pontuação 1 1=5.0 2=4,4 3= 3,4 4 = 2,0 5=1,0 2 Soma normal 3 Soma normal 4 Soma normal 5 Soma normal 6 1 =5 2=4 3=3 4=2 5= 1 7 1= 6,0 2=4,4 8 Se 8=1 e 7=1====================6 3=4,3 4=2,0 5=1,0 Se 8=1 e 7=2 a 6 =================5 Se 8=2 e 7=2 a 6 =================4 Se 8=3 e 7=2 a 6=================3 Se 8=4 e 7=2 a 6 =================2 Se 8=5 e 7=2 a 6=================1 Se a questão 7 não for respondida, o escore da questão 8 passa a ser o seguinte: 1==6,0 2==4,75 3==3,5 4==2,25 5==1,0 9 a,d,e,h = valores contrários (1=6, 2=5, 4=3, 5=2, 6=1) Vitalidade = a+e+g+i 10 Soma normal 11 a , c = valores normais Saúde Mental = b+c+d+f+h b , d = valores contrários (1=5, 2=4, 3=3, 4=2, 5=1) Listas e Apêndices 86 Vanessa Gozzo Sekula Cälculo do Raw Scale (0 a 100) Limites Score Questão range Capacidade funcional 3 10,30 20 4 (a+b+c+d) 4,8 4 Dor 7+8 2,12 10 Estado geral de saúde 1+11 5,25 20 9 (a+e+g+i) 4,24 20 6+10 2,10 8 5 (a+b+c) 3,6 3 9 (b+c+d+f+h) 5,30 25 (a+b+c+d+e+f+g+h+i+j) Aspectos Físicos Vitalidade Aspectos sóciais Aspectos emocionais Saúde mental Raw Scale: Ex. Item = (Valor obtido – Valor mais baixo) x 100 Variação Ex. capacidade funcional =21 Ex 21-10 X 100 = 55 20 Valor mais baixo = 10 Variação = 20 Obs A questão N2 não entra no cálculo dos domínios Dados Perdidos Se responder mais de 50% = substituir o valor pela média Listas e Apêndices 87 Vanessa Gozzo Sekula Apêndice 5 Relação dos dados de identificação e característica demográfica das 40 pacientes que participaram do presente estudo. Nome RG HSI/HSL Idade Paridade ECB 343533 39 G0P0A0 MJJAPD 843890 33 G0P0A0 CRS 121202 46 G0P0A0 KCAN 100503 32 G0P0A0 PFB 343600 31 G0P0A0 LYC 355283 36 G1P0A1 RTTS 355703 40 G0P0A0 APDG 841734 31 G0P0A0 RMSM 731619 39 G2P2A0 MSPC 731753 43 G2P1A1 LMY 133962 41 G0P0A0 CC 733962 34 G0P0A0 NMS 734521 41 G0P0A0 DPDCR 734574 39 G0P0A0 CL 739859 34 G0P0A0 MEDXM 742845 41 G0P0A0 VHLR 889767 38 G0P0A0 SCA 748810 43 G0P0A0 NLRLO 746994 35 G0P0A0 PPJU 760911 36 G0P0A0 IGF 760954 27 G0P0A0 AEACV 526043 37 G0P0A0 MSSS 776182 48 G1P1A0 SP 789769 41 G1P1A0 MMS 783370 41 G2P2A0 EVOF 783124 39 G0P0A0 TCSBV 783179 43 G3P2A1 JFR 978853 31 G2P0A2 FBP 769408 30 G0P0A0 PMSS 796798 32 G0P0A0 EMLO 713865 41 G0P0A0 PXS 912323 30 G0P0A0 DSS 817049 39 G1P1A0 ERR 833870 46 G2P2A0 TSS 139823 31 G0P0A0 FSP 863971 33 G0P0A0 CMG 140223 25 G0P0A0 DLP 874023 24 G0P0A0 ACAS 874420 29 G0P0A0 ELBP 788289 35 G0P0A0 IMC 23,1 19,7 22,0 20,0 22,3 23,3 23,3 22,1 20,7 28,2 25,1 25,7 25,1 20,2 22,8 19,8 21,1 23,9 23,3 20,7 26,9 21,7 24,2 22,2 26,6 23,3 25,0 21,2 20,9 20,1 22,5 25,6 25,6 31,2 20,7 25,1 25,6 22,4 20,1 22,4 Raça Branca Branca Branca Negra Branca Branca Branca Branca Negra Branca Oriental Branca Branca Branca Negra Branca Negra Branca Branca Branca Branca Branca Branca Branca Oriental Branca Branca Branca Branca Branca Branca Branca Negra Branca Negra Branca Branca Branca Branca Branca Listas e Apêndices 88 Vanessa Gozzo Sekula Apêndice 6 Discriminação das Medianas dos Domínios do SF 36 em T0 domínio1 domínio2 dominio3 dominio4 dominio5 dominio6 dominio7 dominio8 1 ECB 44 MJJAPD 45 CRS 41 KCAN 42 PFB 43 LYC 2 RTTS 3 APDG 5 RMSM 6 MSPC 7 LMY 8 CC 9 NMS 10 DPDCR 11 CL 12 MEDXM 13 VHLR 15 SCA 14 NLRLO 16 PPJU 17 IGF 18 AEACV 19 MSSS 21 SP 22 MMS 23 EVOF 24 TCSBV 27 JFR 25 FBP 26 PMSS 28 EMLO 30 PXS 31 DSS 32 ERR 34 TSS 35 FSP 40 CMG 37 DLP 38 ACAS 39 ELBP 45 90 5 80 5 100 70 80 65 100 100 30 55 70 0 15 55 5 0 100 0 100 25 10 50 25 5 5 0 0 50 0 10 0 0 0 10 25 0 5 25 50 0 75 0 100 50 50 0 100 50 0 50 25 50 0 25 0 25 75 50 0 0 0 50 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 25 0 0 0 0 0 74 10 62 21 60 41 31 61 74 31 0 62 31 21 0 41 31 10 62 10 72 31 0 74 0 50 0 0 31 10 21 52 0 0 0 0 0 0 10 40 62 15 35 40 47 52 45 35 82 77 25 77 67 0 0 25 50 5 50 20 67 25 5 40 75 20 25 15 45 65 25 35 0 55 45 15 40 0 15 55 45 55 35 60 40 45 10 10 40 40 10 70 40 25 75 20 15 15 55 45 50 20 15 30 25 40 0 15 40 15 40 25 0 5 20 20 0 0 55 25 12,5 12,5 62,5 25 50 37,5 37,5 0 37,5 50 50 62,5 75 37,5 0 25 50 25 62,5 37,5 62,5 12,5 25 50 50 50 0 0 50 37,5 0 50 62,5 0 0 12,5 12,5 12,5 12,5 33,33333 0 0 0 33,33333 0 0 0 0 0 66,66667 0 0 0 0 0 0 0 33,33333 0 33,33333 100 33,33333 0 66,66667 0 0 0 0 0 100 0 33,33333 66,66667 0 33,33333 0 33,33333 0 0 44 28 28 56 60 36 32 12 20 48 64 24 64 44 44 20 32 24 36 52 44 72 44 32 36 48 44 20 36 36 44 36 48 20 4 20 28 32 20 28 Listas e Apêndices 89 Vanessa Gozzo Sekula Apêndice 7 Discriminação das Medianas dos Domínios do SF 36 em T1 1 ECB 44 MJJAPD 45 CRS 41 KCAN 42 PFB 43 LYC 2 RTTS 3 APDG 5 RMSM 6 MSPC 7 LMY 8 CC 9 NMS 10 DPDCR 11 CL 12 MEDXM 13 VHLR 15 SCA 14 NLRLO 16 PPJU 17 IGF 18 AEACV 19 MSSS 21 SP 22 MMS 23 EVOF 24 TCSBV 27 JFR 25 FBP 26 PMSS 28 EMLO 30 PXS 31 DSS 32 ERR 34 TSS 35 FSP 40 CMG 37 DLP 38 ACAS 39 ELBP domínio1 domínio2 dominio3 dominio4 dominio5 dominio6 dominio7 dominio8 100 100 90 100 90 100 100 64 95 75 60 72 60 37,5 33,33333 36 65 75 41 52 50 50 33,33333 52 80 100 80 72 65 75 33,33333 56 85 50 41 67 70 62,5 66,66667 64 100 100 100 72 80 75 33,33333 60 75 50 41 72 85 62,5 33,33333 44 100 100 84 82 90 100 100 64 90 75 74 72 85 75 66,66667 60 100 100 80 82 70 75 66,66667 60 90 100 30 87 55 37,5 33,33333 56 50 50 30 71 40 50 33,33333 48 70 50 51 77 65 75 66,66667 64 75 25 30 72 40 50 0 52 100 100 74 87 55 62,5 66,66667 48 90 100 100 97 80 87,5 66,66667 64 85 50 40 40 45 25 0 44 80 75 74 67 65 75 66,66667 68 85 100 80 67 75 75 66,66667 56 100 75 84 72 80 75 100 72 80 75 74 77 75 75 66,66667 64 90 100 84 82 70 75 100 72 60 25 30 72 25 37,5 0 44 80 100 74 72 65 75 66,66667 48 80 75 74 57 50 75 66,66667 40 75 75 41 82 80 62,5 33,33333 72 75 50 80 47 55 62,5 66,66667 52 80 100 100 60 75 75 66,66667 60 80 75 41 72 50 50 66,66667 52 85 100 84 77 60 75 100 44 100 100 61 62 80 50 100 60 55 50 51 62 65 62,5 66,66667 64 95 50 80 72 75 87,5 66,66667 76 60 50 41 72 40 50 66,66667 36 80 75 41 87 40 50 66,66667 32 100 100 100 72 70 87,5 100 64 80 100 51 77 50 50 66,66667 52 80 100 30 100 75 62,5 0 64 95 100 80 67 85 100 100 76 65 75 41 52 50 50 33,33333 52 Listas e Apêndices 90 Vanessa Gozzo Sekula Apêndice 8 Discriminação das Medianas dos Domínios do SF 36 em T2 1 ECB 44 MJJAPD 45 CRS 41 KCAN 42 PFB 43 LYC 2 RTTS 3 APDG 5 RMSM 6 MSPC 7 LMY 8 CC 9 NMS 10 DPDCR 11 CL 12 MEDXM 13 VHLR 15 SCA 14 NLRLO 16 PPJU 17 IGF 18 AEACV 19 MSSS 21 SP 22 MMS 23 EVOF 24 TCSBV 27 JFR 25 FBP 26 PMSS 28 EMLO 30 PXS 31 DSS 32 ERR 34 TSS 35 FSP 40 CMG 37 DLP 38 ACAS 39 ELBP domínio1 domínio2 dominio3 dominio4 dominio5 dominio6 dominio7 dominio8 100 100 100 100 100 100 100 80 100 100 90 77 75 75 100 56 80 100 74 72 70 75 66,66667 68 100 100 90 85 85 100 100 68 95 100 74 77 80 75 100 72 100 100 90 97 80 100 100 76 85 100 84 77 80 75 66,66667 60 100 100 84 82 90 100 100 72 95 100 100 80 100 100 100 80 100 100 100 92 95 100 100 76 90 100 51 87 70 75 33,33333 68 75 100 51 82 70 75 66,66667 64 80 75 74 77 75 75 66,66667 68 80 75 41 72 60 75 100 64 100 100 80 87 80 75 100 72 95 100 100 97 80 100 100 68 90 75 51 67 55 62,5 66,66667 44 100 100 100 72 70 87,5 66,66667 72 100 100 100 67 75 87,5 100 68 100 75 84 72 75 75 66,66667 76 100 100 74 97 80 100 100 68 100 100 100 72 75 100 100 72 70 75 74 82 55 62,5 66,66667 56 100 100 74 97 80 100 100 68 100 100 74 72 70 87,5 100 44 100 100 74 97 85 87,5 100 80 90 100 100 97 65 100 100 64 100 100 100 95 80 100 100 68 95 100 74 77 65 75 66,66667 68 100 100 100 77 75 87,5 100 40 100 100 61 72 80 62,5 100 64 70 100 74 67 75 75 66,66667 68 95 100 100 90 80 100 100 76 90 100 41 72 70 50 100 60 95 100 74 87 70 62,5 100 48 100 100 90 72 70 87,5 100 68 100 100 84 85 75 87,5 100 56 90 100 74 65 80 75 100 68 95 100 84 77 85 100 100 76 80 100 74 72 70 75 66,66667 68 Listas e Apêndices Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros 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