www.iberoasia.org Síntese de atualidade econômica e empresarial Brasil-Ásia-Pacífico Agosto/Setembro de 2009 Henrique Altemani de Oliveira Grupo de Estudos Ásia-Pacífico - PUC/SP – www.pucsp.br/geap Temas: - Destaque: Investimentos Chineses - Brasil retarda fechar empréstimo da China para o BNDES - China ganha licitação para venda de trens - Chineses demonstram interesse em participar de licitação do trem-bala - Investimento chinês em fertilizantes - Brasil busca parceria com a Rússia na produção de fertilizantes - Crescimento das exportações de Açúcar para a Ásia do Sul - Empresas indianas sinalizam interessem em investir em açúcar - Peru, Chile e Argentina adotam o sistema nipo-brasileiro de TV Digital - Hyundai anuncia intenção de retomar construção de fábrica no Brasil - IBAS planeja ampliar relacionamento comercial - Medida Antidumping para calçado chinês - Investimento Asiático em siderurgia - Exportação de batata em brotos para a China - Austrália busca ampliar relações com Brasil - Interesse de Cingapura pela America Latina e pelo Brasil - Interesses em Mercados não Tradicionais Destaque: Investimentos Chineses De acordo com as declaradas intenções chinesas de ampliar investimentos na América Latina, como bem demonstram a presença chinesa no Banco interamericano de Desenvolvimento e os acordos com empresas petrolíferas da região, observa-se igualmente interesse chinês em ampliar sua presença no Brasil e, em especial, no financiamento de obras governamentais projetadas pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Neste sentido, a venda de trens para o governo do Estado do Rio de Janeiro e a intenção de participar na licitação do previsto Trem Bala, bem como os empréstimos à Petrobrás confirmam esta intenção. De outro lado, note-se que, apesar do interesse e da forte demanda brasileira para ampliação dos investimentos chineses no Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está discretamente recusando a oferta chinesa de US$ 800 milhões por considerar que suas taxas estão superiores às do mercado internacional. Brasil retarda fechar empréstimo da China para o BNDES O Brasil achou muito caro o custo de financiamento cobrado pela China do BNDES e engavetou discretamente uma operação de US$ 800 milhões acertada na visita de Lula a Pequim, em maio. O dinheiro era para financiar projetos no país. As autoridades brasileiras queriam o empréstimo, desde que o custo baixasse. Depois de longas negociações em Pequim, em paralelo à visita de Lula, ficou acertada uma taxa de juros acima de 7% para o empréstimo. 1 www.iberoasia.org Desde então, porém, ficou claro que o dinheiro e o prazo dos chineses continuavam elevados, comparados ao que bancos oficiais de desenvolvimento de outros países oferecem. Para o governo, a constatação do custo elevado foi reforçada quando o próprio BNDES foi ao mercado internacional com uma oferta de bônus global no valor de US$ 1 bilhão e pagou taxa próxima dos 6%. Desde então, porém, ficou claro que o dinheiro e o prazo dos chineses continuavam elevados, comparados ao que bancos oficiais de desenvolvimento de outros países oferecem. Para o governo, a constatação do custo elevado foi reforçada quando o próprio BNDES foi ao mercado internacional com uma oferta de bônus global no valor de US$ 1 bilhão e pagou taxa próxima dos 6%. Durante a visita de Lula, também a Petrobras concluiu com o Banco de Desenvolvimento da China as negociações de um empréstimo de US$ 10 bilhões em troca de maior fornecimento de petróleo para a economia chinesa. O financiamento foi fechado com prazo de dez anos e custo abaixo de 6,5% ao ano. (Custo caro pode conter financiamento da China ao BNDES, Valor Econômico, Assis Moreira, 16/09/2009) China ganha licitação para venda de trens Durante missão do governo do estado do Rio de Janeiro à China, em junho de 2009, foram assinados contratos de compra de trens de superfície para a Supervia e trens subterrâneos para o Metrô Rio. A visita contou com presença do governador Sérgio Cabral, além de diversos secretários do governo do estado e empresários. O consórcio chinês liderado pela China National Machinery Import & Export Corporation (CMC) venceu licitação para venda de 30 trens à Supervia no valor de US$ 165 milhões, maior compra de trens pelo Rio de Janeiro nos últimos 40 anos. Participaram também do processo de licitação empresas francesas e sul-coreanas. Já a Changchum Railway Vehicles – cuja controladora, China Northern Locomotive & Rolling Stock Industry (CNR), participa também do consórcio liderado pela CMC fornecerá 19 trens ao Metrô Rio, aumentando frota em 63%. A presença do governador Sérgio Cabral na assinatura de contratos demonstra a importância dada pelo estado às oportunidades geradas pelo relacionamento com a China, corroboradas também pelo avanço nas negociações para investimentos chineses no complexo industrial de Açu. O relacionamento com autoridades governamentais de alto escalão é extremamente valorizado pelos chineses e tem sido fator cada vez mais importante em negociações deste porte. (Empresas chinesas vencem licitação para transporte urbano do Rio de Janeiro, Carta da China, Ano 6, no. 49, 18/08/2009) Chineses demonstram interesse em participar de licitação do trem-bala Os chineses estão entrando na briga pelo Trem de Alta Velocidade (TAV) entre Rio, São Paulo e Campinas. Uma missão oficial do governo chinês encerrou esta semana visita ao país, onde encontrou-se com representantes do governo e empresários do setor. A comitiva, chefiada pelo diretor-geral do Ministério das Ferrovias, Wu Wei, esteve no Rio, São Paulo e Brasília. E recebeu as informações do projeto a partir do relatório elaborado pelo consórcio liderado pela consultora britânica Halcrow, responsável pelos estudos de viabilidade técnica e de demanda de passageiros do trem-bala. A decisão final sobre a participação dos chineses na licitação do TAV depende das condições a serem definidas no edital, que deve ser lançado até o fim do ano. Orçado em R$ 34,6 bilhões, o projeto do trem-bala brasileiro deve ser licitado no início de 2010 (Chineses podem participar de licitação do trem-bala, Valor econômico, Francisco Goes, 12/08/2009 2 www.iberoasia.org Fertilizantes Investimento chinês em fertilizantes Representantes das estatais chinesas Shichuan e Chegda se encontraram em 09/09/2009 com o governador do Paraná, Roberto Requião e expuseram seus planos de construir uma fábrica de fertilizantes e uma usina de uréia no Estado. Segundo o governo paranaense, os investimentos podem chegar a US$ 350 milhões, a serem aportados em um prazo de até três anos. (Fertilizante chinês, 10/09/2009, em www.ccibc.com.br) Brasil busca parceria com a Rússia na produção de fertilizantes O governo prepara as bases de um acordo estratégico para criar uma empresa estatal em parceria com a Rússia na área de produção de fertilizantes. A binacional de capital fechado também poderia administrar as novas concessões de exploração de jazidas no Brasil. A proposta, ainda em negociação no governo, deve ganhar força com a assinatura de compromisso durante a visita ao país do vice-primeiro-ministro russo Igor Sechin, em outubro próximo. O acordo envolveria contratos de longo prazo para a transferência de tecnologia russa de fabricação de fertilizantes e a garantia de abastecimento de produtos agropecuários pelo Brasil. Em jogo, estão negócios de US$ 10 bilhões em importações de matérias-primas para fertilizantes. Em 2008, o Brasil comprou 17 milhões de toneladas desses produtos no exterior. Apenas em potássio, foram gastos US$ 4 bilhões em 6,5 milhões de toneladas (Governo estuda criar estatal de fertilizantes com a Rússia, Valor Econômico, Mauro Zanatta, 19/08/2009) Açúcar Crescimento das exportações de Açúcar para a Ásia do Sul A Índia e o Paquistão vão aumentar as importações de açúcar sem esperar a baixa do preço da commodities. Nas últimas semanas, a cotação do produto atingiu seu maior valor em 28 anos, em meio à queda da oferta em alguns países produtores, como a própria Índia. Autoridades indianas anunciaram que vão importar 4 milhões de toneladas de açúcar bruto, já que a falta de chuva derrubou de forma expressa a produção local. Por sua vez, o Paquistão, terceiro maior consumidor de açúcar, vai importar 100 mil toneladas numa primeira etapa para estabilizar os preços domésticos. Em outro país da Ásia, a China, a expectativa é de que a demanda por açúcar refinado aumente 7%, para 15 milhões de toneladas entre novembro de 2009 e outubro de 2010. Já existe um déficit de 2 milhões de toneladas nos estoques domésticos, por causa do frio que destruiu a produção em Guangxi. (Paquistão e Índia devem elevar as importações, Valor Econômico, Assis Moreira, 21/08/2009) Empresas indianas sinalizam interessem em investir em açúcar A companhia Shree Renuka Sugars, uma das maiores refinadoras de açúcar da Índia, quer fazer investimentos em usinas de açúcar no Brasil e também está à procura de parcerias para a compra do produto no país. A companhia dispõe de US$ 100 milhões, levantados no mercado, para a compra de ativos no Brasil e para financiar os contratos de longo prazo para compra de açúcar. Aproximar-se das usinas brasileiras é estratégico para companhias indianas neste momento. Primeiro, porque a Índia vai registrar, pela segunda safra consecutiva, 3 www.iberoasia.org forte queda de sua produção de cana por conta da escassez de chuvas sobre as principais regiões de cultivo. E também porque o país tem interesse em produzir álcool combustível. O grupo indiano ampliou um acordo comercial com a Copersucar. A empresa fechou contrato para importar até 200 mil toneladas de açúcar da empresa brasileira. No início deste ano, outra empresa indiana, a Bajaj Hindusthan, informara também que tinha interesse em investir no Brasil (Grupo indiano prospecta setor de açúcar no Brasil, Valor Econômico, Monica Scaramuzzo, 05/08/2009) Diversos Peru, Chile e Argentina adotam o sistema nipo-brasileiro de TV Digital O Peru em 14/09/2009 passou a compor a lista dos países que vão adotar o sistema ISDB-T, também conhecido como sistema nipo-brasileiro de televisão digital. O Brasil tenta disseminar o sistema há três anos e está preparado para colaborar tecnicamente com outros países. A adesão de mais países da América Latina ao sistema é considerado fundamental porque ajuda a diminuir os preços dos equipamentos conversores - necessários para a captação do sinal da TV digital - e dos televisores de alta definição. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece uma linha de crédito de R$ 1 bilhão que estará à disposição dos países que queiram aderir ao sistema de TV digital nipo-brasileiro. Além do Peru, o Chile também ratificou, ontem, a adoção do sistema ISDB-T para a televisão digital. A Argentina já havia aderido em agosto. As negociações com Cuba, Equador e Venezuela também estão adiantadas. Na América do Sul, apenas a Colômbia e o Uruguai optaram pelo padrão DVB, utilizado em países europeus. (Peru e Chile adotam sistema nipo-brasileiro, Valor Econômico, Paulo Victor Braga, 15/09/2009 e Argentina vai adotar o sistema digital nipo-brasileiro de TV digital, O Estado de S. Paulo, Marina Guimarães e Ariel Palácios, 28/08/2009) Hyundai anuncia intenção de retomar construção de fábrica no Brasil A montadora sul-coreana Hyundai anunciou hoje a retomada de seus planos de construir uma fábrica no Brasil. O objetivo da companhia, desta vez, é dar início aos projetos de investimentos no ano que vem, mas, de acordo com comunicado da empresa, ainda não há uma data exata para a construção da planta. Em setembro do ano passado, a Hyundai tinha revelado sua intenção de construir uma fábrica de veículos de passeio no no Brasil, onde teria que investir US$ 600 milhões. A planta seria feita para fabricar 100 mil carros por ano, a começar pelo primeiro semestre de 2011. Com a força dos efeitos da crise sobre a economia brasileira, no entanto, a empresa suspendeu seus planos de investimentos no país. A Hyundai hoje abocanha 5% do mercado automobilístico mundial. A desvalorização do won e o foco nos mercados emergentes colaboraram para a companhia ficar menos vulnerável diante da crise econômica mundial. (Hyundai retoma planos de construir fábrica no Brasil, Valor Online, Vanessa Dezem, 16/09/2009) IBAS planeja ampliar relacionamento comercial Brasil, Índia e África do Sul querem aumentar o comércio multilateral em US$ 25 bilhões até 2015. Essa foi a meta definida durante a 6ª reunião do Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul, em Brasília. 4 www.iberoasia.org Celso Amorim, disse que o comércio entre os três países é significativo e já atinge mais de US$ 10 bilhões. "Queremos aumentar ainda mais essas trocas e há desafios comerciais. Há pouco tempo entrou em vigor o acordo entre o Mercosul e a Índia. Assinamos um acordo Mercosul-Sacu [União Aduaneira da África Austral] e temos como projeto trabalharmos por um acordo entre o Mercosul, Índia e Sacu", afirmou. O acordo de comércio entre o Mercosul e a Índia foi aprovado pelo Congresso Nacional brasileiro em abril deste ano. (Brasil, Índia e África do Sul querem aumentar comércio em US$ 25 bi, Agência Brasil, 01/09/2009) Medida Antidumping para calçado chinês O governo brasileiro adotou, em 09/09/2009, medida antidumping que atinge cerca de 90% do total dos calçados importados da China. A resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex) é válida por até seis meses e estabelece uma cobrança provisória de US$ 12,47 por par de calçado. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que em outubro de 2008 protocolou no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) o pedido de investigação de dumping nas importações de calçados da China, considerou a decisão da Camex como um "alívio" e uma "sinalização importante" ao setor. Mesmo assim, a entidade espera que no fim da investigação, previsto para dezembro, a alíquota definitiva válida pelos próximos cinco anos seja elevada para US$ 18,44 por par, conforme a sugestão apresentada pelo Departamento de Comércio Exterior (Decon) do MDIC após o exame do processo de 35 mil páginas. A alíquota provisória de US$ 12,47 por par deverá ser recolhida pelo importador além dos 35% de Imposto de Importação já incidente sobre os produtos originários de fora do Mercosul. A China responde por 83% de todos os calçados importados pelo Brasil (Brasil aplica sobretaxa a calçado chinês, Valor Econômico, Sérgio Bueno e Arnaldo Galvão, 10/09/2009) Investimento Asiático em siderurgia A Namisa, mineradora de ferro que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) criou dois anos atrás e transferiu há quase um ano 40% do capital a um consórcio asiático de usinas de aço liderado pela trading japonesa Itochu, começa a pôr em prática seu plano de investimento superior a R$ 4 bilhões. A nova estrutura da empresa, com a entrada da Big Jump Energy Participações, garantiu principalmente logística de escoamento da produção. Os integrantes da Big Jump - a Itochu e seis siderúrgicas: Nippon, JFE, Sumitomo, Kobe e Nisshin (Japão) e Posco, da Coréia do Sul - asseguraram ainda suprimento de minério de Casa de Pedra, megajazida de ferro operada pela CSN. Pelos serviços de logística e minério, já pagou adiantado US$ 3 bilhões, em contrato com 35 anos de vigência. A empresa projeta receita líquida para este ano de R$ 1,5 bilhão, 40% superior à de 2008, quando vendeu 9,5 milhões de toneladas. Os mercados alvos da mineradora são a Ásia e a Europa. A Namisa prevê ainda construir duas fábricas de pelotização. A mineradora já montou um escritório de vendas na Ilha da Madeira, que atuará na Europa, e está em fase de instalação de outro em Hong Kong, na China, voltado para a Ásia. (Namisa dá partida a plano de investimento de R$ 4 bi, Valor Econômico, Ivo Ribeiro, 24/08/2009) 5 www.iberoasia.org Exportação de batata em brotos para a China A tecnologia do IAC - Instituto Agronômico de Campinas - de produção de broto/batata-semente livre de vírus chegará ao Leste Asiático, inicialmente na região chamada Mongólia Interior, importante produtora de batata. A parceria de cooperação técnica foi estabelecida com o Agricultural Research Institute, da cidade de Hulunbeir. No modo convencional, exporta-se a batata toda, nesse sistema IAC, embarcam-se apenas os brotos. Esse cenário abre a possibilidade de o Instituto Agronômico ter suas variedades exportadas por meio de brotos destacados de tubérculos de batata-semente livre de vírus e outros patógenos. Inicialmente, a parceria com a China envolvia a transferência de batata-semente de variedades holandesas, as mais presentes no mercado. Porém, por questões burocráticas, os materiais da Holanda foram substituídos pelos desenvolvidos no IAC, todos livre de vírus e resistentes a importantes doenças presentes na lavoura chinesa. A expansão da bataticultura é meta do governo chinês – a pretensão é passar dos 4,5 milhões de hectares para 6 milhões. Para isso, superar os desafios fitossanitários é fundamental. Mesmo assim, a produtividade da bataticultura chinesa é pequena – média de 15 toneladas por hectare. Em lavouras brasileiras, esse número pode variar de 20 a 50 toneladas por hectare. (China receberá em agosto tecnologia brasileira de produção de batata-semente, MacauNews, 03/08/2009) Austrália busca ampliar relações com Brasil A Austrália está "fortemente determinada" a formar uma aliança com o Brasil, que inclui parcerias em comércio, cooperação para atuação em terceiros países e nas discussões para enfrentar a crise financeira internacional, como anunciou o ministro de Relações Exteriores da Austrália, Stephen Smith, em visita ao Brasil. O comércio entre os dois países aumentou 50% em 2008, para US$ 2,5 bilhões, e os investimentos australianos no Brasil, hoje em torno de US$ 2 bilhões, têm crescido para além de setores tradicionais como minério e agricultura, avançando em setores como energia eólica, com a construção de uma central na Paraíba pela empresa Pacific Hydro, que prevê investimentos de quase US$ 400 milhões em energia "limpa" no país. Smith negociou com Celso Amorim um "Plano de Ação", para envolver outros ministérios em ações conjuntas, incluindo assessoria tecnológica a terceiros países, como o Timor Leste e nações africanas. Smith diz que os encontros previstos, entre ministros de áreas como Minas e Energia, Agricultura, Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente devem dar "massa crítica" para projetos conjuntos dos dois países. Ainda neste ano, o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, virá ao Brasil para formalizar acordos de ação conjunta. (Austrália quer fortalecer vínculos com o Brasil, Valor Econômico, Sérgio Leo, 28/08/2009) Interesse de Cingapura pela America Latina e pelo Brasil Cingapura espera ampliar o número de Tratados de Livre Comércio com a América Latina até meados do ano que vem, para aproveitar a boa recuperação que o continente vem mostrando diante da crise econômica mundial. Segundo autoridades do país, o TLC com o México, cujas negociações se arrastam desde 2000, deve ser concluído ainda em 2009 e um acordo com a Costa Rica deve ficar pronto no começo do ano que vem. Hoje, o país asiático tem na região acordos com Chile, Peru e Panamá. Com o Brasil, entretanto, um TLC é mais complicado pois teria de negociar um TLC junto com os parceiros do Mercosul, o que não é fácil. Além disso, o Brasil resiste 6 www.iberoasia.org em assinar acordos mais abrangentes com Cingapura por considerar o país asiático um paraíso fiscal. O interesse no Brasil vem aumentando nos últimos tempos por causa de três fatores principais: petróleo; obras do PAC; e Copa do Mundo de 2014. Os empreendimentos na área de petróleo já são mais visíveis. Em janeiro, a P-51, plataforma semisubmerssível construída pelo estaleiro BrasFELS, controlado pela cingapuriana Keppel, começou a operar na Bacia de Campos, no campo de Marlim Sul. Em 29 de agosto, por exemplo, a Keppel e a brasileira Queiroz Galvão promoveram em Cingapura a cerimônia de entrega de uma nova plataforma de petróleo para a Petrobras. As autoridades cingapurianas falam do pré-sal como se fosse uma oportunidade de ouro para "fincar o pé com mais força" no mercado brasileiro. Quanto às obras do PAC, os cingapurianos se dizem já "carta dentro do baralho", por causa das parcerias com as grandes empreiteiras brasileiras. Já a Copa do Mundo de 2014 desperta interesse por causa das obras de infraestrutura que serão necessárias para a competição, diz a autoridade cingapuriana (Para reduzir dependência da Ásia, Cingapura mira a América Latina & Negócios com pré-sal atraem empresas, Valor Econômico, Rodrigo Uchoa, 27/08/2009) Interesses em Mercados não Tradicionais O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) está promovendo, em parceria com outros Ministérios e a Fiesp, missão empresarial, no período de 25/09 a 04/10/2009, ao Cazaquistão, Uzbequistão e Turquia. A missão tem o objetivo de diversificar as exportações brasileiras para mercados nãotradicionais, além de identificar novas oportunidades de negócios. Estão sendo inscritos empresários dos segmentos de açúcar e álcool; adubos e fertilizantes; automotivo; bebidas; café; carnes; couro e calçados; equipamentos médicos; farmacêuticos; fumo; máquinas agrícolas; móveis; produtos metalúrgicos; químicos e têxteis. (Seminário divulga missão comercial à Turquia, Cazaquistão e Uzbequistão, Assessoria de Comunicação Social do MDIC, 04/08/2009, www.mdic.gov.br) Las opiniones expresadas y la información mencionada en este documento pertenecen a su autor, autores o a las fuentes citadas y no representan necesariamente la opinión del Observatorio Iberoamericano de Asia-Pacífico ni de las instituciones de las cuales depende o que lo patrocinan. Éstas no hacen propios los contenidos del documento y no son responsables ni de su autoría ni del uso que se pueda hacer de los mismos. 7