PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP Simone Santoro Romano Formação Continuada: um plano para o ensino de Matemática desenvolvido com professores que atuam nas séries iniciais do Ensino Fundamental MESTRADO EM EDUCAÇÃO: PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO SÃO PAULO 2008 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP Simone Santoro Romano Formação Continuada: um plano para o ensino de Matemática desenvolvido com professores que atuam nas séries iniciais do Ensino Fundamental MESTRADO EM EDUCAÇÃO: PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Dissertação apresentada à Banca Examinadora como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em Educação: Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob orientação do Profº. Doutor Antonio Carlos Caruso Ronca. SÃO PAULO 2008 Banca Examinadora ______________________________________________ ______________________________________________ ___________________________________________________ ii Dedico este trabalho Ao meu marido Jorge e ao meu filho Gustavo, os quais são, cada um a seu modo, uma das razões da minha vida e do meu prazer de seguir sempre em frente, buscando aprender sempre mais. iii AGRADECIMENTOS Ao meu eterno mestre, Drº. Celso Charuri, e ao mestre do meu mestre, Jesus Cristo, por me mostrar o caminho, dando razão a minha vida. Meu maior agradecimento ao meu querido orientador, Profº Drº Antonio Carlos Caruso Ronca, mestre modelo, pela forma pela qual me acolheu, pela paciência, sabedoria, disponibilidade, dedicação e incentivo dispensados durante a construção desta dissertação. À Profª Drª Mitsuko Aparecida Makino Antunes por suas contribuições, pelas ricas discussões acerca das diversas questões relacionadas à educação, além da sabedoria e conhecimentos transmitidos por meio de suas aulas e conselhos. À Profª Drª Bernardete Angelina Gatti por suas relevantes contribuições que muito serviram para o enriquecimento desta dissertação. Aos professores do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Educação, pela qualidade das aulas oferecidas. À Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, pela bolsa concedida durante o curso. À minha amiga, Walkiria Rigolon, pelo incentivo e por ter me mostrado a possibilidade de cursar o Mestrado quando nem mesmo eu acreditava que conseguiria. Às minhas amigas: Anaide Trevisan, Daniela Leal, Roseli Frascas e Rosemeire Nagoski, pelo carinho, força e companheirismo de todos os momentos. A amizade de vocês foi uma das maiores dádivas advindas deste Mestrado. iv Às professoras: Marinélia Carvalho, Eliane Camargo, Eliane Selestino e Sueli Trevisan pelo seu profissionalismo e por sua colaboração. Às amigas Alessandra Viotto e Ângela Bidóia, que ajudaram na organização e tradução para o inglês do resumo desta dissertação. Aos amigos: Luiz Carlos S. dos Santos, Shirley S. Veiga e Tereza Pachioni, pelo incentivo e apoio em diversos momentos dessa jornada. Vocês são mais do que supervisores de ensino; são, antes de tudo, super-amigos. Ao Jorge, meu marido, pela constante cumplicidade, por acreditar em mim desde o começo desta jornada, pelo amor, pela paciência, pelo apoio e, sobretudo, pelo incentivo ao trabalho nos momentos de desânimo. Ao meu amado e querido filho, Gustavo, pela compreensão perante as minhas ausências e meus momentos de impaciência. Aos meus pais, João e Ione, e aos meus irmãos, Patrícia e Fábio, pelo incentivo e apoio em todos os momentos desta jornada, sem eles não teria concretizado todos os meus sonhos e objetivos. A minha querida, tia Nena, pelo apoio, carinho e amor incondicional de todas as horas. A todos que, de algum modo, contribuíram para o desenvolvimento desta dissertação, meu eterno agradecimento. v “Escola é... o lugar onde se faz amigos. não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos.... Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima. O diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente, o aluno é gente, cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de 'ilha cercada de gente por todos os lados’. Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém nada de ser como o tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se ‘amarrar nela’! Ora, é lógico... numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.” Paulo Freire vi RESUMO A pesquisa apresentada teve como objetivo a realização de um projeto de intervenção por meio da aplicação de um plano de ensino desenvolvido junto aos professores que atuavam na 4ª série do Ensino Fundamental I em uma Escola Estadual de São Paulo, tendo como foco a disciplina de Matemática. Teve como objetivo, também, destacar a figura do diretor de escola como um dos elementos primordiais no processo educativo e a importância da sua atuação efetiva na execução conjunta do projeto pedagógico da escola. A partir dos resultados apresentados no SARESP (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) de 2005, foram levantadas as principais dificuldades dos alunos em Matemática e, com base neste levantamento, foi elaborado o plano de ensino. Esse plano foi aplicado durante um ano letivo, com professores do Ensino Fundamental I, em HTPC (hora de trabalho pedagógico coletivo), oferecendo condições para o aperfeiçoamento da prática docente, com vistas à melhoria do desempenho dos alunos, tanto no que diz respeito a superar as dificuldades apresentadas, como desenvolver competências básicas necessárias ao cidadão para a vida em sociedade. A constatação da realidade da escola, assim como as reflexões sobre ela, levaram à elaboração deste Plano de Ensino, que ofereceu formação continuada ao professor com a participação efetiva da diretora de escola e da coordenadora pedagógica. Sua implantação foi parte significativa de um Projeto Pedagógico, cujo foco foi proporcionar melhores condições de aprendizagem para o aluno, a partir da melhoria da qualidade do ensino oferecido. A análise dos dados indicou que os alunos apresentaram resultados significativamente melhores se comparados aos apresentados antes do projeto de intervenção. Além disso, o estudo revelou que a HTPC, quando utilizada como espaço para a formação continuada, contribui para a concretização do trabalho coletivo, com o aperfeiçoamento da prática dos professores, troca de experiências, atualização, crescimento profissional e para o fortalecimento da equipe da escola. Palavras-Chave: Matemática, formação continuada, trabalho coletivo, SARESP. vii ABSTRACT The objective of this research was to put into practice a project of interference through the use of a teaching plan developed with teachers from the 4th grade of Primary School (Ensino Fundamental I) in a Public School in the state of São Paulo, and its focus was on the subject of Mathematics. It also had the objective of calling attention to the school principal, considering he/she as one of the most important figures in the educational process and his/her importance as a partner in the process of the Pedagogical Project of the school. After considering the results of the Evaluation System - SARESP - (Sistema de Avaliação e Rendimento Escolar no Estado de São Paulo) in the year of 2005, the main difficulties showed by students in Mathematics were evaluated, and based on these results a plan of studying was developed. The teaching plan was used throughout a year, by the teachers of Primary School in the HTPC (Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo) - Time for Pedagogical Group Work - offering conditions of development for teachers, always pointing to a better performance of students, their difficulties in learning, as well as giving them the conditions of growing up as citizens to live in society. The observation of the school reality and the reflections about it, conducted to this teaching plan. It offered to the teachers the opportunity of continuous study at school and also had the effective participation of the school principal and the school coordinator. Its implementation was a significant part of a Pedagogical Project, which focus was on better conditions of learning and a better quality of teaching. The analysis of data showed that students presented much better results if compared with the results showed before the interference. Further than that, the study also revealed that HTPC, used as a place for continuous development, contributed to the group work of teachers, exchanging experiences, updating, for personal growth and also to the encouragement of the school team. Words-Key: Mathematics, continuous study, group work, SARESP viii FICHA CATALOGRÁFICA ROMANO, Simone Santoro. Formação Continuada: um plano para o ensino de Matemática desenvolvido com professores que atuam nas séries iniciais do Ensino Fundamental. São Paulo: 2008. 149 p. Dissertação de Mestrado – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2008. Área de Concentração: Psicologia da Educação Orientadora: Profº Drº Antonio Carlos Caruso Ronca Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação por processos de fotocopiadoras ou eletrônicos. SUMÁRIO 1. 2. 3. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 1 1.1 O ENSINO FUNDAMENTAL NO BRASIL.............................................................................................. 2 1.2 REALIDADES E DESAFIOS ................................................................................................................. 4 1.3 FORMAÇÃO DE PROFESSORES ........................................................................................................ 14 1.4 GESTÃO ESCOLAR .......................................................................................................................... 16 PROPOSIÇÃO DO PROBLEMA ................................................................... 18 2.1 EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL E A FUNÇÃO DO DIRETOR ................................................................. 18 2.2 COMO SURGIU O PROBLEMA:.......................................................................................................... 23 2.3 LEVANTAMENTO INICIAL DOS DADOS: ........................................................................................... 26 2.4 LOCAL DA PESQUISA: ..................................................................................................................... 28 2.5 O GRUPO DE PROFESSORES E ALUNOS: ........................................................................................... 29 2.6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS:.............................................................................................. 29 SARESP ........................................................................................................ 32 3.1 UM BREVE HISTÓRICO DO SARESP ............................................................................................... 33 3.2 SARESP 2005 ............................................................................................................................... 36 3.3 MATRIZES DE ESPECIFICAÇÃO DO SARESP................................................................................... 38 4. A APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA: UM GRANDE DESAFIO .............. 42 5. COMO FORAM OS ENCONTROS ................................................................ 53 5.1 1º ENCONTRO (12/03): APRESENTAÇÃO DO PROJETO DE INTERVENÇÃO ......................................... 54 5.2 2º ENCONTRO (19/03): APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ............................................................ 54 5.3 3º ENCONTRO (26/03): LEVANTAMENTO DAS DIFICULDADES ......................................................... 54 5.4 4º ENCONTRO (09/04): O SISTEMA DE NUMERAÇÃO E OPERAÇÕES ............................................... 56 5.5 5º ENCONTRO (16/04): O SISTEMA DE NUMERAÇÃO E OPERAÇÕES ............................................... 57 5.6 6º ENCONTRO (23/04): O SISTEMA DE NUMERAÇÃO E OPERAÇÕES ............................................... 58 5.7 7º ENCONTRO (07/05): SISTEMA DE NUMERAÇÃO E OPERAÇÕES ................................................... 58 5.8 8º ENCONTRO (14/05): MATERIAL DOURADO ................................................................................ 59 5.9 9º ENCONTRO (21/05): SISTEMA DE NUMERAÇÃO E OPERAÇÕES ................................................... 59 5.10 10º ENCONTRO (28/05): CÁLCULO MENTAL .................................................................................. 60 5.11 11º ENCONTRO (18/06): CÁLCULO MENTAL ................................................................................... 61 5.12 12º ENCONTRO (25/06): LER, ESCREVER E RESOLVER PROBLEMAS ................................................ 62 5.13 13º ENCONTRO (30/07): LER, ESCREVER E RESOLVER PROBLEMAS ................................................ 63 ix 6. 5.14 14º ENCONTRO (06/08): LER, ESCREVER E RESOLVER PROBLEMAS ................................................ 63 5.15 15º ENCONTRO (13/08): LER, ESCREVER E RESOLVER PROBLEMAS ................................................ 64 5.16 16º ENCONTRO (20/08): LER, ESCREVER E RESOLVER PROBLEMAS ............................................... 65 5.17 17º ENCONTRO (27/08): DECIMAIS E SISTEMA MONETÁRIO........................................................... 66 5.18 18º ENCONTRO (03/09): DECIMAIS E SISTEMA MONETÁRIO........................................................... 68 5.19 19º ENCONTRO (10/09): DECIMAIS E SISTEMA MONETÁRIO........................................................... 68 5.20 20º ENCONTRO (17/09): FRAÇÕES E NÚMEROS RACIONAIS ............................................................ 69 5.21 21º ENCONTRO (24/09): GRANDEZAS E MEDIDAS .......................................................................... 71 5.22 22º ENCONTRO (01/10): MEDIDAS DE COMPRIMENTO .................................................................... 73 5.23 23º ENCONTRO (08/10): MEDIDAS DE MASSA ................................................................................ 74 5.24 24º ENCONTRO (15/10): MEDIDAS DE SUPERFÍCIE ......................................................................... 75 5.25 25º ENCONTRO (22/10): MEDIDAS DE VOLUME E DE TEMPO.......................................................... 77 5.26 26º ENCONTRO (29/10): ESPAÇO E FORMA..................................................................................... 78 5.27 27º ENCONTRO (05/11): ESPAÇO E FORMA..................................................................................... 81 5.28 28º ENCONTRO (12/11) - ESPAÇO E FORMA.................................................................................... 82 5.29 29º ENCONTRO (19/11): TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO .............................................................. 84 5.30 30º ENCONTRO (26/11): TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO .............................................................. 85 5.31 31º ENCONTRO (03/12): ENTREGA DAS AVALIAÇÕES DO SARESP ................................................ 86 ANÁLISES ..................................................................................................... 87 6.1 ANÁLISE DOS RESULTADOS APRESENTADOS PELOS ALUNOS .......................................................... 87 6.2 ANÁLISE DAS AVALIAÇÕES DAS REUNIÕES DE HTPC(S) REALIZADAS NO ANO DE 2007 ................ 93 6.2.1 Conteúdos, metodologias de ensino e participações ................................................................ 94 6.2.2 Importância da formação continuada ...................................................................................... 96 6.2.3 Utilização das HTPC(s) para a formação continuada em horário de serviço ......................... 96 6.2.4 Mudanças observadas na sua prática em sala de aula. ........................................................... 98 6.3 ANÁLISE DOS PORTFÓLIOS ............................................................................................................. 99 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS:........................................................................ 103 8. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO .............................................................. 108 9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ................................................................. 114 10. ANEXOS ...................................................................................................... 116 10.1 ANEXO A ................................................................................................................................... 116 10.2 ANEXO B: .................................................................................................................................. 121 10.3 ANEXO C: .................................................................................................................................. 126 10.4 ANEXO D: .................................................................................................................................. 127 10.5 ANEXO E.................................................................................................................................... 128 10.6 ANEXO F.................................................................................................................................... 129 10.7 ANEXO G ................................................................................................................................... 135 x 10.8 ANEXO H ................................................................................................................................... 136 10.8.1 Sistema de Numeração e Operações: ..................................................................................... 136 10.8.2 Cálculo Mental:...................................................................................................................... 138 10.8.3 Ler, Escrever e Resolver Problemas: ..................................................................................... 139 10.8.4 Decimais e Sistema Monetário:.............................................................................................. 140 10.8.5 Frações e Números Racionais:............................................................................................... 141 10.8.6 Grandezas e Medidas ............................................................................................................. 142 10.8.7 Espaço e Forma: .................................................................................................................... 144 10.8.8 Tratamento da Informação:.................................................................................................... 146 10.9 ANEXO I..................................................................................................................................... 148 10.10 ANEXO J .................................................................................................................................... 149 xi LISTA DE TABELAS TABELA 1 - PERCENTUAL DE PESSOAS QUE NÃO FREQÜENTAVAM ESCOLA NA POPULAÇÃO DE 5 A 17 ANOS DE IDADE, POR GRANDES REGIÕES E GRUPOS DE IDADE – 1995/2005 ................................................. 5 TABELA 2 - DIAGNÓSTICO GERAL DA ESCOLA POR SÉRIE E PERÍODO - LEITURA E MATEMÁTICA .......... 24 TABELA 3 - AGENDA DOS ENCONTROS .............................................................................................. 31 TABELA 4 – DESENHO DO SARESP – 1996 A 2005.......................................................................... 33 xii LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 – COMPARATIVO DE ACERTOS ANTES X DEPOIS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO ............ 87 GRÁFICO 2 – COMPARATIVO DE ACERTOS ANTES X DEPOIS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO EM RELAÇÃO AO CONTEÚDO NÚMEROS E OPERAÇÕES .......................................................................................... 88 GRÁFICO 3 – COMPARATIVO DE ACERTOS ANTES X DEPOIS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO EM RELAÇÃO AO CONTEÚDO ESPAÇO E FORMA ..................................................................................................... 89 GRÁFICO 4 – COMPARATIVO DE ACERTOS ANTES X DEPOIS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO EM RELAÇÃO AO CONTEÚDO GRANDEZAS E MEDIDAS ............................................................................................ 90 GRÁFICO 5 – COMPARATIVO DE ACERTOS ANTES X DEPOIS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO EM RELAÇÃO AO CONTEÚDO TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO .................................................................................. 91 GRÁFICO 6 – COMPARATIVO DE ACERTOS ANTES X DEPOIS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO EM RELAÇÃO À HABILIDADE DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS .................................................................................. 92 GRÁFICO 7 – COMPARATIVO DE ACERTOS ANTES X DEPOIS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO EM RELAÇÃO AOS CONTEÚDOS TRABALHADOS....................................................................................................... 93 GRÁFICO 8 – COMPARATIVO DE ACERTOS DAS ANTES X DEPOIS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO ... 101 xiii 1 1. Introdução A educação básica oferecida no Brasil, apesar de ter melhorado nos últimos anos, está longe de oferecer um ensino que seja considerado de qualidade. A situação de muitas escolas públicas é precária e vem se arrastando por anos, sem que o Estado tome medidas eficazes que visem à superação das dificuldades. De acordo com Paro (2005, p.39): além de ser dever do Estado, a universalização do saber é considerada algo desejável do ponto de vista social, no sentido da melhoria da qualidade da vida da população, trata-se, então, de se buscarem alternativas que apontem para o oferecimento de um ensino de 1º grau de boa qualidade para todos os cidadãos. Desse modo, deveria ser garantido a todos os cidadãos o direito, de não apenas freqüentar a escola, mas, sobretudo, o acesso ao conhecimento por meio do provimento de um ensino de qualidade e adequado aos seus interesses. Essa situação nem sempre foi assim. Ainda segundo Paro (2005), há apenas algumas décadas, quando a escola pública atendia os filhos das camadas médias e altas da sociedade, sua função primordial era preparar os jovens, encaminhando-os para ocupações médias do mercado de trabalho ou para concorrer a uma vaga na universidade. Segundo o mesmo autor, como os grupos sociais a que servia tinham poder de pressão junto ao Estado, este provia o sistema escolar dos recursos necessários, oferecendo condições adequadas para o desenvolvimento das atividades escolares e pagando salários condignos aos mestres que, inclusive, gozavam de considerável prestígio e status social em retribuição ao papel importante que exerciam na preparação intelectual dos filhos das famílias mais privilegiadas. Em acréscimo, os educadores escolares podiam experimentar certa realização profissional, na medida em que podiam perceber, de forma mais ou menos imediata, a concretização dos objetivos a que se propunham com sua ação educativa. (PARO, 2005, p.84) Essa situação configurava a chamada “boa escola de antigamente”, uma vez que correspondia, de forma satisfatória, aos interesses das classes atendidas. A partir da democratização do acesso à escola pública, esta passou a atender uma clientela cada vez maior e mais diversificada. Esse atendimento, muitas vezes, sob precárias condições de funcionamento, fez com que grupos sociais com melhor 2 poder econômico transferissem seus filhos para as escolas da rede privada. Assim, se a clientela da escola pública mudou, é preciso rever os objetivos e, também, seus métodos e conteúdos, “é urgente que se estabeleçam padrões mínimos de qualidade a serem alcançados por meio do oferecimento de conteúdos relevantes e de métodos pedagógicos consentâneos com os objetivos democráticos da escola” (PARO, 2005, p.104). Para contextualizar o percurso do desenvolvimento desta pesquisa, a seqüência deste capítulo aborda o Ensino Fundamental no Brasil, com suas realidades e desafios. 1.1 O Ensino Fundamental no Brasil Círculo Virtuoso A educação passará a ser mais valorizada pelos pais, que passarão a demandar educação de mais qualidade e controlar a presença do professor, que passará a ensinar melhor e ganhar melhores salários, o que vai melhorar ainda mais a qualidade da escola. Esther Duflo A Constituição Federal do Brasil (CF/88) estabelece a educação como direito de todos e dever do Estado, e declara que será efetivada mediante a garantia de Ensino Fundamental obrigatório e gratuito. O artigo 208 preconiza a garantia de sua oferta, inclusive para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. Esses direitos constitucionais são efetivados pelas políticas públicas e regulamentados pelas Leis. Uma delas é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB - nº. 9.394/96, promulgada em 1996 em substituição à Lei 5.692/71. A Lei nº. 11.274, de 06/02/2006, alterou a LDB no seu artigo 32 que passou a prever o Ensino Fundamental, com duração de nove anos, obrigatório e gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, tendo como objetivo a formação básica do cidadão, mediante o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo constituídos como meios para o desenvolvimento da capacidade de aprender e de se relacionar no meio social e político. 3 Em 2001, com objetivo de melhorar a qualidade da educação no país, foi aprovado pelo Congresso Nacional o Plano Nacional de Educação1 (PNE) – Lei Federal 10.172/01. Entre suas diretrizes o plano prevê: • Atingir a universalização do Ensino Fundamental nos cinco primeiros anos de vigência, sob a responsabilidade do Poder Público, considerando a indissocialidade entre acesso, permanência e qualidade da educação escolar, eliminando o analfabetismo e elevando gradativamente a escolaridade da população brasileira, sendo que o acesso não deve se referir apenas à matrícula, mas ao ensino de qualidade até a conclusão. • Estabelecer políticas educacionais destinadas à correção das distorções idade/série, resultante da repetência e da evasão, por meio das classes de aceleração. • Propiciar o atendimento em tempo integral, oportunizando orientação no cumprimento dos deveres escolares, prática de esportes, desenvolvimento de atividades artísticas e alimentação adequada, com mínimo de duas refeições, representando um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar as oportunidades de aprendizagem. • Ampliar o atendimento social como forma como garantir um melhor equilíbrio e desempenho dos seus alunos, sobretudo nos municípios de menor renda mínima associada à educação, alimentação escolar, livro didático e transporte escolar. • Orientar os conselhos escolares pelo princípio democrático da participação. A gestão da educação e a cobrança de resultados, tanto das metas como dos objetivos propostos deverão envolver comunidade, alunos, pais, professores e demais trabalhadores da educação. • Atualizar o currículo, valorizando um paradigma curricular que possibilite a interdisciplinaridade, abrindo novas perspectivas no desenvolvimento de habilidades. As novas concepções pedagógicas embasadas na ciência da educação sinalizam a reforma curricular expressas nos Parâmetros 1 Disponível em: htpp//portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/pne.pdf. Acesso em: 13 de jan 2007. 4 Curriculares Nacionais, que surgem como importante proposta e orientação para os professores. • Assegurar a melhoria da infra-estrutura física das escolas, generalizando inclusive as condições para a utilização das tecnologias educacionais em multimídia, contemplando-se, desde a construção física, com adaptações adequadas aos portadores de necessidades especiais, até os espaços especializados de atividades artístico-culturais, esportivas, recreativas e adequação de equipamentos. • Avançar nos programas de formação e de qualificação de professores. A oferta de habilitação de todos os profissionais do magistério deverá ser um compromisso efetivo das instituições de educação superior e dos sistemas de ensino. • Consolidar e aperfeiçoar o censo escolar, assim como o Sistema Nacional de Avaliação Básica (SAEB), e criar sistemas complementares nos Estados e Municípios, permitindo um permanente acompanhamento da situação escolar do país podendo dimensionar as realidades e perspectivas do ensino médio e superior. 1.2 Realidades e Desafios Nos últimos anos, o Brasil conquistou avanços importantes na área da educação, na medida em que alunos evadidos voltaram a freqüentar a escola como se observa na tabela 1: 5 Tabela 1 - Percentual de pessoas que não freqüentavam escola na população de 5 a 17 anos de idade, por Grandes Regiões e grupos de idade – 1995/2005 Ano Percentual de pessoas que não freqüentavam escola na população de 5 a 17 anos de idade (%) Brasil (1) Grandes Regiões Norte urbana Nordeste Sudeste 5 ou 6 anos 1995 2001 2005 36,2 23,8 17,8 32,6 27,3 22,6 1995 2001 2005 9,8 3,5 2,6 8,1 4,7 3,4 1995 2001 2005 33,4 18,9 18,0 25,1 19,8 18,7 35,5 20,5 14,6 Sul Centro-Oeste 33,8 20,4 14,9 42,9 34,1 26,7 40,9 32,6 24,4 6,4 2,6 1,8 8,3 3,0 2,1 8,3 2,9 2,4 29,5 16,4 15,4 40,3 21,1 19,3 33,8 19,8 18,1 7 a 14 anos 15,0 4,8 3,5 15 a 17anos 36,7 20,8 20,7 Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios 1995/2005. (1) Exclusive as pessoas de área rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. A partir destes dados, verifica-se que, em 2005, o percentual de alunos na faixa etária de 7 a 14 anos, que não freqüentavam a escola, diminuiu para 2,6% em comparação a 1995, quando esse percentual chegava a 9,8%. Em contrapartida, de acordo com dados do UNICEF2 (Fundo das Nações Unidas para a Infância), há 1,5 milhões de crianças que ainda permanecem fora da escola. De cada cem alunos que ingressam no Ensino Fundamental, apenas 59 terminam a 8ª série, isso com uma média de 10,2 anos de estudo. Do total de alunos que ingressam na 1ª série do Ensino Fundamental, 40,3 terminam o Ensino Médio, com 13,9 anos de estudo em média. De acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 20063, a população brasileira de 15 anos ou mais tem em média 7,1 anos de estudo, valor que se encontra abaixo daquele representado pela escolaridade obrigatória de 8 anos. Observa-se, ainda, em torno dessa média, expressiva variabilidade, revelando desigualdades entre zonas urbanas e rurais; entre brancos e os pretos e pardos; e entre pobres e ricos. 2 Disponível em: http://www.unicef.org.br. Acesso em: 13 de jan 2007. 3 Disponível em: http://www.ibge.gov.br/observatoriodaequidade/index.php. Acesso em: 10 de maio de 2008. 6 Dessas desigualdades, a maior é observada quando se comparam os 20% mais pobres aos 20% mais ricos. Mostram os dados de 2006 que, entre os mais pobres, a média de anos de estudos é 4,7 e, entre os mais ricos, alcança 10,3 anos. A desigualdade entre pobres e ricos é, portanto, de 5,6 anos de estudo. Os habitantes do Brasil urbano apresentam 7,6 anos de estudo e os do rural 4,3, o que os distancia em mais três anos de escolaridade. Segue-se a essas desigualdades, uma diferença regional observada entre o Sudeste (7,8) e o Nordeste (5,8), uma distância de 2 anos de estudo. A escolaridade média da população branca é de 8,1 anos e a dos pretos e pardos 6,4 anos, desigualdade mensurada em 1,7 ano de estudo, favorável aos brancos. Ainda de acordo com os dados da PNAD 2006, as taxas de analfabetismo revelam, também, desigualdades entre as regiões e às características socioeconômicas da população. Em 2006, a taxa média brasileira era de 10,4%, porém, no Nordeste, 20,7% da população era analfabeta, enquanto no Sul, a proporção era de 5,7%, ou seja, o Nordeste apresentava uma taxa de analfabetismo quase quatro vezes maior que a da Região Sul. Entre os habitantes da zona rural, 24,1% eram analfabetos, enquanto na área urbana representavam 7,8%. Entre pretos e pardos, 14,6% não sabem ler e escrever; essa taxa entre brancos é de 6,5%. A incidência do analfabetismo é 11 vezes maior no quinto mais pobre da população, em comparação com o quinto mais rico. Entre os jovens da faixa etária de 15 a 24 anos, a taxa de analfabetismo era de 2,9% em 2005 e caiu para 2,4% em 2006. Os dados apresentados em relação ao acesso ao Ensino Fundamental representam conquistas inéditas. Segundo Cortella (2006)4 a situação educacional no Brasil começou a mudar: Tivemos uma extensão significativa do Ensino Fundamental na matricula obrigatória dos 7 aos 14 anos e, hoje, vemos índices de 98% de matriculados, que é uma cobertura fantástica. Chegamos, também, a um aumento razoável de alunos freqüentando os Ensinos: Médio e Superior e a uma redução do analfabetismo entre adultos. Isso significa que temos uma 4 Disponível em: http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevistas.asp. Acesso em 23/11/2007. 7 5 história de miséria educacional que começou a melhorar nos últimos anos, embora a situação não esteja completamente adequada. Por outro lado, não basta freqüentar a escola, é preciso alcançar níveis de aprendizagem mais adequados aos anos de estudo acumulados pelos alunos brasileiros e, atualmente, os sistemas de avaliação da Educação Básica, têm sinalizado queda em relação aos rendimentos apresentados pelos alunos. Criado em 1988, o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), desenvolvido pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), vem coletando dados sobre alunos, professores, diretores de escolas públicas e privadas em todo o Brasil. O SAEB não tem como objetivo avaliar as escolas, mas o sistema educacional como um todo. Os resultados obtidos são encaminhados para os gestores do sistema (Ministério da Educação, Secretarias Estaduais e Municipais de Educação), para que as informações possam ser utilizadas no processo de planejamento e de elaboração de políticas públicas na área educacional. Por meio da análise de desempenho e pela qualificação das habilidades observam-se quais aspectos estão bem sucedidos e aqueles que estão aquém do esperado. Tais informações fundamentam o uso pedagógico da avaliação educacional externa e podem demarcar metas e objetivos a serem alcançados pelas escolas do país. O SAEB é aplicado a cada dois anos e, desde 1990, avalia o desempenho dos alunos regularmente matriculados nas 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. De 1995 a 2003, o sistema sinalizou queda nos níveis de aprendizado dos alunos de 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental. De modo geral, os alunos brasileiros dominavam de forma precária as habilidades e as competências básicas de Leitura e Matemática. 5 Vários fatores explicam essa miséria. O primeiro é a história colonial brasileira, na qual o Brasil era somente uma empresa de exploração de matéria-prima e de mão-de-obra. A estruturação completa de um sistema público de ensino ocorreu apenas com a revolução burguesa de 30. O país completou 506 anos, mas o sistema nacional de educação tem pouco mais de 70 anos. Em segundo lugar está o processo violento de urbanização que o Brasil sofreu nos últimos 40 anos. [...] Isso, levou a uma explosão de demanda por serviços de educação, saúde e saneamento, que, não por acaso, são hoje as áreas mais prejudicadas dentro da nossa estrutura social. Os investimentos nessas áreas não acompanharam o crescimento da população urbana, em parte porque estivemos metade desses 40 anos sob uma ditadura que não priorizou a educação. (CORTELLA, 2006) Disponível em: http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevistas.asp. Acesso em: 23 nov 2007. 8 A maioria das crianças que freqüentavam a 4ª série do Ensino Fundamental, em 2003, apresentava graves dificuldades em ler textos simples, curtos, escritos na ordem direta e de encontrar em tais textos as informações explícitas, portanto, com uma competência de leitura abaixo de um nível considerado apropriado à série. Em Matemática, a maioria das crianças não havia consolidado plenamente os algoritmos da soma, da subtração, da multiplicação e da divisão. A partir de 2005, com a necessidade de tornar a avaliação mais detalhada, em complemento à avaliação já feita pelo SAEB, foi criada a Prova Brasil. Por ser censitária, expande o alcance dos resultados e oferece dados não, apenas, para o Brasil e as unidades da Federação, mas também para cada município e escola participante e avalia todos os estudantes da rede pública e urbana de ensino das 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental. Os seus resultados encontram-se disponíveis na Internet e podem ser acessados pela escola, com a média geral do desempenho de seus alunos, assim como por todo cidadão, que poderá conhecer o desempenho da escola pública, de qualquer município do Brasil que tenha participado da avaliação. Esta prova foi idealizada com o objetivo de auxiliar os gestores e a comunidade escolar nas decisões, no direcionamento de recursos técnicos e financeiros, no estabelecimento de metas e na implantação de ações pedagógicas e administrativas, visando à melhoria da qualidade do ensino. As escolas participantes recebem os resultados com a média geral do desempenho de seus alunos em nível municipal, estadual e nacional. A Prova Brasil6, realizada em novembro de 2005, avaliou o conhecimento de Língua Portuguesa (foco em leitura) e Matemática (foco em solução de problemas) de 3.306.317 alunos de 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental da rede pública. As provas foram aplicadas em 160 mil turmas de 41 mil escolas, em 5.398 municípios. As médias da Prova Brasil são apresentadas em uma escala de desempenho que descrevem, em cada nível, as competências e as habilidades que os estudantes demonstram ter desenvolvido. Há uma escala descrita para as habilidades em Língua Portuguesa e outra para Matemática. Sabe-se que a média nacional dos 6 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb. Acesso em: 13 jan 2007. 9 alunos de 4ª série das escolas públicas ficou em 172,917 em língua portuguesa e 179,918 em Matemática. Os dados da Prova Brasil 2005 comparados9 aos dados do SAEB de 2003 indicam melhora na 4ª série, em torno de cinco pontos (português e matemática) e na 8ª série piora em Português e estabilidade em Matemática. Segundo o ministro da Educação Fernando Haddad10: “Esses cinco pontos equivalem a um avanço de seis meses de estudo, se subirmos dez pontos a cada edição da Prova Brasil, em dez anos atingiremos uma meta ideal”. O ministro esclareceu que é a primeira vez no país que se faz uma prova universal para alunos de 4ª e 8ª séries, o que permite ao MEC divulgar dados por estabelecimento de ensino. No âmbito internacional, pode-se citar o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que é um programa de avaliação comparada, cuja principal finalidade é produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais, avaliando o desempenho de alunos na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. Esse programa pretende avaliar até que ponto os alunos próximos do término da educação obrigatória adquiriram conhecimentos e habilidades essenciais para a participação efetiva na sociedade. 7 O nível 175 (aproximado de 172,91) é constituído por narrativas mais complexas e incorporam novas tipologias textuais (ex.:matérias de jornal, textos enciclopédicos, poemas longos e prosa poética).Nele, os alunos da 4ª séries:localizam informações explícitas, a partir da reprodução das idéias de um trecho do texto;inferem o sentido de uma expressão, mesmo na ausência do discurso direto; inferem informações que tratam, por exemplo, de sentimentos, impressões e características pessoais das personagens, em textos verbais e não-verbais;interpretam histórias em quadrinhos de maior complexidade temática, reconhecendo a ordem em que os fatos são narrados; identificam a finalidade de um texto jornalístico;localizam informações explícitas, identificando as diferenças entre textos da mesma tipologia (convite); reconhecem elementos que compõem uma narrativa com temática e vocabulário complexos (a solução do conflito e o narrador);identificam o efeito de sentido produzido pelo uso da pontuação; distinguem efeitos de humor e o significado de uma palavra pouco usual; identificam o emprego adequado de homonímias; identificam as marcas lingüísticas que diferenciam o estilo de linguagem em textos de gêneros distintos; e reconhecem as relações semânticas expressas por advérbios ou locuções adverbiais e por verbos. 8 No nível 175 (aproximado de 179,91), os alunos das da 4ª séries: identificam a localização (lateralidade) ou a movimentação de objeto, tomando como referência a própria posição; identificam figuras planas pelos lados e pelo ângulo reto;lêem horas e minutos em relógio digital e calculam operações envolvendo intervalos de tempo; calculam o resultado de uma subtração com números de até três algarismos, com reserva;reconhecem a representação decimal de medida de comprimento (cm) e identificam sua localização na reta numérica;reconhecem a escrita por extenso de números naturais e a sua composição e decomposição em dezenas e unidades, considerando o seu valor posicional na base decimal; efetuam multiplicação com reserva, tendo por multiplicador um número com um algarismo; lêem informações em tabelas de dupla entrada; resolvem problemas: o relacionando diferentes unidades de uma mesma medida para cálculo de intervalos (dias e semanas, horas e minutos) e de comprimento (m e cm);e o envolvendo soma de números naturais ou racionais na forma decimal,constituídos pelo mesmo número de casas decimais e por até três algarismos. 9 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb. Acesso em: 13 jan 2007. 10 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb. Acesso em: 13 jan 2007. 10 No Brasil, o PISA é coordenado pelo INEP e foram realizadas, no total, três avaliações: em 2000, 2003 e 2006, com foco principal em Leitura, Matemática e Ciências, respectivamente. Esta seqüência será repetida em 2009, 2012 e 2015, permitindo o monitoramento contínuo e consistente dos resultados educacionais dos países participantes. Em 200611, o PISA avaliou as competências de mais de 400.000 estudantes de 15 anos de idade em 57 países, por meio de um teste com questões abertas e de múltipla escolha. Os estudantes, também, responderam um questionário de pesquisa sócio-cultural e econômica, e os diretores um questionário sobre as suas escolas. O foco recaiu sobre a área de Ciências, mas a avaliação incluiu, também, Leitura e Matemática. Os estudantes no PISA 2006 foram classificados em seis níveis de proficiência. Os resultados dos alunos brasileiros mostraram que o desempenho em Matemática melhorou 14 pontos em relação ao PISA 2003. Em Ciências nenhum estudante atingiu o nível mais elevado e 72,1% dos estudantes brasileiros responderam questões até o Nível 1. Em Leitura, apenas 1,1% dos estudantes atingiram o nível mais alto de proficiência e 44,5% alcançaram o Nível 2 . Diante destes dados, qual seria a finalidade das avaliações educacionais? De acordo com Gatti (2007), a avaliação educacional, se feita realmente como política educacional, com seriedade, deve ter a função de alavanca social. Desse modo, as avaliações educacionais só terão sentido se servirem para subsidiar o desenvolvimento de políticas educacionais e para nortearem o trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas, sem comparações indevidas (lembrando que cada escola tem uma realidade diferente), sem rankings e sem servirem apenas de manchetes “escandalosas” para os jornais. Para subsidiar as políticas educacionais e os projetos pedagógicos das escolas, em 2007, o INEP criou o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para reunir num só indicador o fluxo escolar e as médias de desempenho nas avaliações. O Ideb é um indicador de qualidade educacional que combina informações de desempenho geradas pelo SAEB com informações sobre rendimento escolar (aprovação), que são coletadas pelo Censo Escolar e se 11 Disponível em:www.inep.gov.br/download/internacional/pisa/PISA2006-Resultados_internacionais_ resumo.pdf. Acesso em: 22 maio 2008. 11 constitui em uma ferramenta que permite acompanhar as metas de qualidade para a educação básica. Como ilustração da boa utilização dos resultados apresentados na Prova Brasil, destaca-se o estudo “Aprova Brasil, o Direito de Aprender”, realizado pelo Unicef12 que identificou fatores comuns a 33 escolas que, apesar das dificuldades, conseguiram resultados positivos sobre a vida e a aprendizagem dos alunos. Durantes três meses, os pesquisadores visitaram as escolas e os diretores, coordenadores pedagógicos, professores, pais, alunos e membros do Conselho de Escola que responderam a um questionário-padrão. Essas escolas não foram escolhidas porque tiveram maior nota na Prova Brasil, mas por possuírem os melhores Indicadores de Efeito Escola13 (IEE), uma vez que o desempenho dos alunos, tanto da 4ª como da 8ª série, estava acima do valor médio esperado para as escolas com perfil semelhante. A maioria atende crianças de baixa renda, com uma realidade social complexa e cheia de desafios. As instalações das escolas são precárias, não possuem equipamentos e nem computadores. Os alunos, apesar de vulneráveis à exclusão social, apresentaram um bom aprendizado, acreditando-se que o mesmo se deve, principalmente, à ação da escola enquanto agente de transformação da realidade dos alunos. Essa transformação foi avaliada em sete dimensões consideradas fundamentais para a aprendizagem: • ambiente educativo – respeito, solidariedade e disciplina na escola; • prática pedagógica – proposta pedagógica da escola, planejamento, autonomia dos professores e trabalho em grupo de professores e alunos; • avaliação – além das provas e das formas tradicionais de avaliação, processos de auto-avaliação, por participação em projetos especiais, etc.; 12 Disponível em:htpp://portal.mec.gov.br. Acesso em: 13 jan.2007. 13 O IEE mede o impacto que a escola tem na vida e no aprendizado dos alunos. São considerados dados sócio-econômicos dos alunos, perfil do município onde está a escola e o desempenho médio na Prova Brasil 2005. (MEC). 12 • gestão escolar democrática – compartilhamento de decisões e informações com professores, funcionários, pais e alunos e participação dos conselhos escolares; • formação e condições de trabalho dos profissionais da escola – habilitação dos professores, formação continuada e estabilidade da equipe escolar; • ambiente físico escolar – materiais didáticos, instalações, existência de bibliotecas e espaços para prática de esportes; • acesso, sucesso e permanência na escola – índices de falta, abandono e evasão escolar, defasagem idade-série. Essas dimensões apontadas no estudo poderiam servir de referência para as horas de planejamento que acontecem nas escolas, uma vez que, apesar de todas as dificuldades apresentadas, as escolas selecionadas conseguiram contribuir para a melhoria das condições de aprendizagem dos alunos. Desse modo, apesar dos importantes avanços dos indicadores quantitativos nos últimos anos, tais como a universalização do acesso ao Ensino Fundamental e o aumento no número de matrículas no Ensino Médio e Superior, a qualidade da educação brasileira parece não se alterar significativamente e se apresenta como um dos maiores desafios a serem enfrentados pelo país. Para mudar essa situação é preciso o aumento substancial de recursos financeiros. É evidente que as condições de infra-estrutura, quantidade de alunos por sala, falta de material didático, os baixos salários dos professores, entre outros, são fatores que podem refletir diretamente na qualidade da educação oferecida. Em termos de investimentos financeiros, menciona-se o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), que foi criado em 1996 e que, entre outras ações, garantiu ao Ensino Fundamental pelo menos 15% da arrecadação global dos estados e municípios. O FUNDEF encerrou-se no ano de 2006 e, em seu lugar, foi aprovado o Fundo de Manutenção e desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), que amplia a vinculação de verbas para a Educação Infantil, Ensino Médio e para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). 13 O FUNDEF e o FUNDEB são mecanismos para redistribuir, dentro de cada estado, entre o governo estadual e as prefeituras, uma parte dos impostos (15% de alguns, no caso do FUNDEF, e 20% de um número maior de impostos, no caso do FUNDEB) já vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino pela Constituição Federal de 1988, com base no número de matrículas no Ensino Fundamental regular (o FUNDEF) e na Educação Básica (o FUNDEB). A participação federal se daria com uma complementação aos fundos estaduais cujo valor “per capita” não alcançasse o valor mínimo nacional, destinado a garantir um padrão mínimo de qualidade. Trata-se de um tema muito controverso. Segundo Oliveira14, o FUNDEB equaciona um pouco melhor a distribuição de recursos entre as diferentes etapas e modalidades da Educação Básica, mas não injeta mais dinheiro no sistema. O dinheiro que se projeta gastar, via governo federal, corresponde, ao que a União deveria gastar com a complementação dos estados mais pobres no FUNDEF e não o fez. Além disso, o volume de investimentos na Educação Básica ainda é baixo. Mesmo países com sistemas educacionais muito mais estabilizados que o nosso, ou seja, em que o acesso das crianças e jovens já foi garantido e não há fortes demandas por expansão, os gastos são superiores aos verificados no Brasil. Por outro lado, de acordo com o Observatório da Equidade (Relatório nº. 2), a implementação do FUNDEB, diferente do FUNDEF que se destinava, apenas, ao Ensino Fundamental, irá atender a todas as matrículas da educação básica. Para fazer frente a essa ampliação, a União tem aumentado sua complementação ao Fundo, crescendo o número de estados que recebem recursos federais. Os valores de complementação da União foram estabelecidos em R$ 2 bilhões para o primeiro ano (2007), R$ 3 bilhões para o segundo (2008) e R$ 4,5 bilhões para o terceiro (2009). A partir de 2010, a complementação da União será de 10% do total de recursos que compõem o Fundo em todos os estados, o que poderá ter significativo impacto sobre a oferta e qualidade da educação básica. 14 Todos pela Educação - Agência de Notícias - quarta-feira, 2 de maio de 2007. Romualdo Portela de Oliveira é professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) na área de Políticas Públicas. 14 1.3 Formação de Professores Um dos pontos fundamentais relacionados à melhoria na qualidade do ensino refere-se aos professores, no que tange a sua formação inicial e continuada e, também, quanto ao plano de carreira, os salários oferecidos e as condições de trabalho a que estão submetidos esses profissionais. A LDB no Título VI trata sobre os profissionais da educação e dos artigos 61 a 67 discorre a respeito da sua formação, capacitação e valorização. Os artigos prevêem a formação mínima exigida para os diferentes níveis e modalidades de ensino. No artigo 63 está consignado que os institutos superiores de educação manterão cursos para formação de profissionais para a Educação Básica, inclusive o normal superior destinado à formação de docentes para a Educação Infantil e para as primeiras séries do Ensino Fundamental, bem como programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica, além de programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. Em relação à formação inicial do professor, Libâneo e Pimenta (1999) apontam que é unânime entre os educadores a insatisfação com os meios convencionais de se formar professores em nosso país. Segundo eles, existe a necessidade do aprimoramento do processo de formação de professores com muita ousadia e criatividade, para que se construam novos e mais promissores modelos educacionais necessários à tarefa de melhoria da qualidade do ensino no país, uma vez que “as inovações curriculares – interdisciplinaridade, sala-ambiente, ciclos de aprendizagem e outras – requerem dos professores novas exigências de atuação profissional e, em conseqüência, novos saberes pedagógicos, que nem sempre tiveram lugar em sua formação” (LIBÂNEO; PIMENTA, 1999,p.259). Outro aspecto importante refere-se à formação continuada, que não deveria ser concebida apenas como um meio de acumulação de cursos, palestras, oficinas, de conhecimentos, mas como um trabalho de reflexão que unisse teoria à prática, que relacionasse as pesquisas que estão sendo realizadas nas universidades com as realidades que se apresentam nas escolas, como coloca Gatti (2003, p.203): 15 para que mudanças em concepções e práticas educacionais de professores ocorram, é necessário que os programas que visam a inovações educacionais, aperfeiçoamentos, atualizações tenham um entrelaçamento concreto com a ambiência psicossocial em que esses profissionais trabalham e vivem. Nesse sentido, considera-se que um programa de formação continuada estruturado, que favoreça a troca de experiências e informações, que parta do trabalho coletivo dos professores sobre as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos e identificadas a partir da realidade de cada escola poderá contribuir para o aperfeiçoamento da prática docente. Para isso, cabe destacar a importância do professor permanecer mais tempo na mesma escola para que possa conhecer melhor a sua clientela escolar e desenvolver um trabalho pedagógico a longo prazo. Segundo Cury (2007)15: Um professor estável, com horas de trabalho e não apenas horas-aula, seria muito mais acessível às famílias, aos colegas e à coordenação pedagógica, e poderia dar um atendimento específico aos que têm dificuldades de aprendizagem. Hoje, temos um professor volante, sem tempo para permanecer na escola porque precisa dar aulas em outra. Além disso, a valorização dos profissionais da educação, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público, está prevista no artigo 67 da LDB. São nos planos de carreira que se definem e asseguram elementos como: a forma de ingresso por concurso público de provas e títulos; jornadas de trabalho regulamentadas, compatíveis com a remuneração recebida; direitos e deveres assegurados em lei, com a garantia de evolução na carreira, conforme o tempo de serviço,formação adquirida no decorrer do tempo e piso salarial profissional. O plano de carreira, as melhorias nas condições de trabalho e dos salários constituem-se fatores decisivos no processo de valorização dos profissionais da educação. As precárias condições de trabalho e os baixos salários, podem fazer com que o professor se sinta pouco estimulado a atualizar-se. Além disso, com essas condições, a ocupação do cargo de professor das escolas públicas, muitas vezes, acaba sendo preenchida por profissional menos qualificado ou que não possui outra opção de emprego. 15 Disponível em: http://www.cartanaescola.com.br/edicoes/2007/17/impavido-colosso. Acesso em 22 Maio 2008. 16 Diante do exposto, torna-se difícil o acesso do professor à cultura, à possibilidade de se instruir continuamente, para que possa desenvolver um processo educativo com maior qualidade. 1.4 Gestão Escolar Nos últimos anos, observa-se no contexto da educação brasileira, a mudança no conceito de Gestão Escolar, que vem sendo entendido de modo diferente e mais abrangente do que o conceito de administração ligado à lógica empresarial. Cabe ressaltar que não se trata, apenas, de uma questão de terminologia, mas, sim, de mudança de atitude com respeito à forma de considerar a realidade e de se lidar com as relações que fazem parte da mesma. Como cita Lück (2000, p.16): [...] o conceito de gestão escolar, que ultrapassa o de administração escolar, por abranger uma série de concepções não abarcadas por este outro, podendo-se citar a democratização do processo de construção social da escola e realização de seu trabalho, mediante a organização de seu projeto político-pedagógico, o compartilhamento do poder realizado pela tomada de decisões de forma coletiva, a compreensão da questão dinâmica e conflitiva e contraditória das relações interpessoais da organização, o entendimento dessa organização como uma entidade viva e dinâmica, demandando uma atuação especial de liderança e articulação, a compreensão de que a mudança de processos educacionais envolve mudanças nas relações sociais praticadas na escola e nos sistemas de ensino. A escola, por sua vez, está inserida numa sociedade em mudança, cujas transformações em todos seus aspectos econômicos, políticos e culturais refletem diretamente na sua realidade. A gestão escolar deveria se apresentar, então, como uma aliada de grande importância no sentido de observar a estrutura de forma global, bem como buscar soluções conjuntas que visassem à melhoria de processo educativo. No entanto, os problemas educacionais não dependem exclusivamente da gestão escolar como bem coloca Aguilar (2005, p. 54): Os problemas educacionais não dependem somente de controle de qualidade nem de gerenciamento correto, estão sim, ligados a uma diversidade social, econômica, cultural e histórica estrutural e conjuntural que determina os limites objetivos da ação dos dirigentes educacionais. Mas há que se pensar na existência de canais e espaços de trabalho 17 institucionais através dos quais é possível desenvolver estratégias para superação de tais limites. (grifo nosso). Um espaço, para a superação de tais limites, é, sem dúvida, por meio do projeto pedagógico da escola. É muito importante que o diretor16 agregue toda a comunidade escolar para realizar um trabalho de reflexão e planejamento, visando ao que se pretende alcançar em cada ano letivo e coletivamente elaborem o projeto pedagógico da escola, procurando atender aos interesses dos educandos. Para isso é essencial que se conheça a clientela escolar, de modo que escola e comunidade aprendam e se dediquem em conjunto a oferecer a seus alunos um processo dinâmico e criativo de formação e aprendizagem, como dizia Paulo Freire (1992, p.69): “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre”. Ainda, segundo Aguilar (2005), o desenvolvimento do projeto pedagógico tem que atender a quatro dimensões importantes. Seriam elas: • Com relação à estrutura, o Projeto Pedagógico deve responder a pergunta: que indivíduos estamos formando para viver essa realidade? • Dimensão ético-valorativa, essencial e indispensável para a formação da cidadania: que valores-guia constituem o projeto pedagógico? • Realidade interna da escola: conhecer o seu aluno, de onde vem e o que pretende. • Processo do conhecimento, resgatando a função primordial da escola, vinculada ao conteúdo: que conhecimentos queremos socializar e produzir? Vale ressaltar que não existe receita pronta, mas cabe a cada escola elaborar a sua proposta de gestão, por meio da confecção, implantação e avaliação do seu projeto pedagógico. Além disso, é necessário que os educadores reflitam, discutam e definam que alunos estão formando e se essa formação está atendendo às suas aspirações e necessidades. Nessa perspectiva, a melhoria da qualidade da escola pública se apresenta como um grande desafio a ser enfrentado, também, pelos diretores de escola e pelos profissionais que nela trabalham. 16 Utilizou-se o termo diretor de escola ao invés de gestor por ser o nome que se dá ao cargo da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. 18 2. Proposição do Problema A tarefa fundamental da educação, da escola, ao construir, reconstruir e socializar o conhecimento, é formar cidadãos, portanto contribuir para que as pessoas possam atuar criativamente no contexto social de que fazem parte, exercer seus direitos e, nessa medida, ser, de verdade, pessoas felizes. Este é o seu objetivo último. Terezinha Azerêdo Rios 2.1 Experiência Profissional e a Função do Diretor Minha17 carreira na escola pública teve início no ano de 1989, como professora substituta na disciplina de Ciências18. No ano seguinte, foram-me atribuídas aulas de Matemática no Ensino Fundamental II. Foi um tempo de muito aprendizado, uma vez que lecionava, também, para os alunos do turno da noite. Tentava cumprir o mesmo programa ministrado aos alunos do diurno e, por vezes, era muito criticada pelos professores mais antigos; no entanto, continuava o meu trabalho e, para minha alegria, os alunos acompanhavam o programa proposto e apresentavam um bom desempenho nas atividades. No ano de 1991, prestei concurso para professora do Ensino Fundamental I (PEB I)19 e fui aprovada. Naquele tempo, e infelizmente até hoje, havia uma situação de balcanização20 entre os professores do Ensino Fundamental I (PEB-I) e os professores do Ensino Fundamental II (PEB-II) 21 , trabalhávamos na mesma escola e não interagíamos. Quando passei no concurso tinha decidido não assumir o cargo, porém, após uma conversa com a minha diretora da época mudei de opinião, uma vez que ela me fez considerar a importância de assumir um cargo público efetivo. Assumi o cargo e me identifiquei muito, pois como passava mais horas com a mesma turma, tinha possibilidade de acompanhar melhor o seu progresso. 17 O emprego da 1ª pessoa do singular, nesta seção, deve-se ao fato de estar sendo relatada a experiência profissional da pesquisadora. 18 Cursei na graduação Ciências com especialização em Matemática. 19 PEB I – (Professor Educação Básica), leciona de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental I na rede estadual de São Paulo. 20 Balcanização: na acepção de Hargreaves (1995,1996) “Essa metáfora, criada por ele, refere-se às diferentes subdivisões existentes num mesmo ambiente de trabalho escolar, que podem dificultar e muitas vezes impedir a constituição global de um grupo de trabalho colaborativo” (apud COSTA, 2006, p.185). 21 PEB II – – (Professor Educação Básica) leciona de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental II na rede estadual de São Paulo. , 19 Nessa época, observava que algumas professoras polivalentes22 tinham grande dificuldade em relação aos conteúdos de Matemática e em trabalhar atividades diferenciadas com os alunos. Da minha parte, tinha dificuldade em desenvolver atividades relacionadas aos conteúdos de Português, visto que o meu conhecimento pedagógico dessa área específica se resumia à minha formação inicial do curso de Magistério23. Em 1992, com o respaldo da direção, eu e outras duas professoras da Unidade Escolar desenvolvemos um projeto com as 4ª séries do Ensino Fundamental, no qual cada professora ministrava aulas de acordo com a sua formação, uma vez que, além do magistério tínhamos também o curso superior. Nosso projeto foi muito bem sucedido, pois cada professora pôde desenvolver atividades nas disciplinas em que era especialista, o que permitiu aos alunos não só se beneficiarem do convívio com professores diferentes, antecipando e facilitando relações que aconteceriam no ano seguinte (5ª série), mas também a participação em atividades planejadas e organizadas em melhores condições, o que resultou em melhoria no desempenho escolar. No entanto, no ano seguinte, o projeto não teve continuidade porque o grupo de professoras da 4ª série mudou e as que chegaram não quiseram “compartilhar” as turmas. Passamos a trabalhar praticamente sozinhas, cada uma com a sua turma, ministrando todas as disciplinas. Apenas interagíamos com as quais tínhamos alguma afinidade; mas isto se resumia praticamente à troca de idéias para atividades. As reuniões de HTPC(s) (Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo) nessa escola, em sua maioria, ficavam resumidas a momentos de “recados” por parte da direção ou para organização de eventos como: Festa do dia das Mães, Festa Junina, etc. Os cursos de formação oferecidos pela Oficina Pedagógica, da antiga Delegacia de Ensino, eram pontuais, não tinham seqüência ou continuidade. Além disso, o professor destacado para acompanhar algum curso não socializava informações ou sua aprendizagem com os demais membros do corpo docente. 22 Professores que atuam na Educação Infantil ou nas séries iniciais do Ensino Fundamental. 23 Habilitação especificação para o Magistério (antigo curso Normal). 20 No ano de 2000, como havia cursado pedagogia, fui convidada a assumir a função de vice-diretora. Foi quando a vontade de trabalhar com gestão escolar emergiu. A partir daí, foram quatro anos nessa função, o que me serviu de suporte e aprendizado para ocupar meu cargo atual: diretor de escola. O início foi muito difícil, pois, antes de assumir o cargo efetivo, era designada. Quando o diretor efetivo retornava à sua escola, imediatamente a Diretoria de Ensino cessava a designação. Dessa forma, ficava cerca de seis meses em cada escola. Quando o trabalho iniciado começava a apresentar resultados era obrigada a mudar e começar tudo novamente. Foram momentos de desafios, uma vez que cada escola tem sua realidade própria, com seus problemas e suas potencialidades. Porém, essas diversas mudanças me proporcionaram uma intensa experiência, que hoje é de grande valia para o exercício do meu cargo atual. A escola pública Estadual, onde trabalho hoje, como diretora em cargo efetivo, é bastante complexa, pois atende atualmente cerca de 1800 alunos de diversas faixas etárias, do Ensino Fundamental I e II, Ensino Médio, além de ser vinculadora de cinco Unidades da Fundação CASA24 (Centro de Atendimento SócioEducativo ao Adolescente). Gerir uma escola com essas características requer bastante dedicação, trabalho, experiência e, acima de tudo, muito comprometimento. A escola pública no Brasil, salvo algumas exceções, está longe de oferecer um ensino que seja considerado de qualidade. Por outro lado, como bem coloca Cortella (2006), a crise da Educação não é uma fatalidade, como muitos parecem entender quando imaginam que não existe saída possível e, resignados, ficam atrelados a lembranças de outra época. Segundo o autor, o apego a outro tempo tem dificultado a visão mais aproximada dos problemas atuais, criando o vício do círculo vicioso, em que a crise da Educação é justificada com afirmações de que os alunos percorrem uma trajetória de ensino sem “base” e que, futuramente, poderão ser também ineficientes educadores, acreditando que nada pode ser feito enquanto esse círculo não for rompido. 24 Antiga FEBEM (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor). 21 Apresenta-se, então, a necessidade de repensar a educação atual, principalmente a oferecida nas escolas públicas o que implica, segundo Charlot (2005), em mudanças das práticas pedagógicas atuais. Ainda, segundo ele, Não se trata somente de defender a escola pública, mas também de transformá-la, às vezes profundamente, para que não seja mais um lugar de fracasso para as crianças que pertencem às camadas sociais, às comunidades e as culturas mais frágeis. (CHARLOT, 2005,p. 148). Trata-se de possibilitar uma nova visão da relação educador-educando, uma vez que supõe repensar muitas das práticas pedagógicas atuais. Segundo Charlot (2005), o direito à educação não é simplesmente o direito de ir à escola, mas o direito à apropriação efetiva dos saberes que fazem sentido e que esclareçam o mundo; o direito à atividade intelectual, à expressão, ao imaginário e a arte, ao domínio de seu corpo, à compreensão do seu meio natural e social. É preciso repensar as atuais práticas pedagógicas para que elas possam garantir o respeito a esses direitos e contribuir para a transformação da escola pública. Concordo com Cortella (2006, p.153) quando diz que, é exatamente nessa esperança oriunda da espera e não do esperançar ativo que se localiza a expressão detonada de outro vício: Eu faço o que eu posso... Não tem sido raro encontrá-la como justificativa para uma ação delimitada e apaziguadora no enfrentamento da crise; mas essa frase pode ser, pelo menos, duplamente enunciada: um cabisbaixo eu faço o que eu posso (como sinal viciado do limite) e um eu faço o que eu posso (ou seja, não deixo de fazer o que pode ser feito). A diferença entre ambas não é de entonação; é uma diferença de compreensão política sobre a tarefa da Educação Pública (e de conhecimento nela transacionado) para o combate à violência econômica e conquista da igualdade social. (grifo do autor) E como fazer isso no dia-a-dia das escolas públicas? É nesse ponto que se destaca a figura do diretor de escola e, claro, não só dele, como de toda a sua equipe e a importância de sua liderança. Quando é comprometido, dedicado, responsável e acredita no seu trabalho, de alguma forma contagia a sua equipe escolar. Pequenos gestos atenciosos, muitas vezes podem contribuir para tornar o ambiente da escola (onde se passa tantas horas) mais agradável e acolhedor. Segundo Castro25, atual Secretária da Educação do Estado de São Paulo: 25Disponível em: htpp://arquivoetc.blogspot.com/2008/02/veja-entrevista-mariahelena-guimaraes.html. Acesso em: 11 fev 2008. 22 há um fator comum a todas as escolas nota 10, e ele merece a atenção das demais: trata-se da presença de um diretor competente, com atributos de liderança semelhantes aos de qualquer chefe numa grande empresa. Sob sua batuta, os professores trabalham estimulados, os alunos desfrutam um clima positivo para o aprendizado e os pais são atraídos para o ambiente escolar. Cabe destacar que o comprometimento,envolvimento e a participação de toda a comunidade escolar (Diretor, vice-diretor, Professor Coordenador Pedagógico, professores, funcionários, alunos, pais) são fatores determinantes para o sucesso do projeto pedagógico desenvolvido na escola, uma vez que o mesmo depende do trabalho coletivo de todos os segmentos, sendo praticamente impossível obter os mesmos resultados individualmente. Assim, o diretor de escola é um líder e o maior responsável pela gestão da escola; porém, para o desenvolvimento do processo ensino e aprendizagem e para o bom funcionamento da escola, o diretor depende do apoio e da ação da sua equipe, caracterizando-se um dos maiores desafios da gestão educacional. Cabe destacar, também, que a liderança não é uma característica inata nas pessoas, o líder não nasce pronto, forma-se em função de suas experiências. Tratase: de um exercício de influências que requer competências específicas, continuamente desenvolvidas e demanda capacitação profissional continuada para, cada vez melhor e de forma mais consistente, ser capaz de motivar, orientar e coordenar pessoas para trabalhar e aprender colaborativamente. (LÜCK, 2007, p. 13). Nesse sentido, o diretor se constitui como um dos elementos primordiais no processo educativo e sua função não deveria se limitar à execução de tarefas administrativas. Elas são importantes, uma vez que se apresenta a necessidade de uma estrutura para que se atinjam os objetivos da escola, no entanto, o olhar para o projeto pedagógico é tanto ou mais importante, pois se trata da sua essência. Segundo Paro (2005, p.7): “Se administrar é utilizar racionalmente os recursos para a realização de fins determinados, administrar a escola exige a permanente impregnação de seus fins pedagógicos na forma de alcançá-lo”. Assim, os problemas enfrentados nas escolas públicas, como: a falta de investimentos em infra-estrutura, a falta de funcionários, os baixos salários dos professores, a falta de condições de trabalho, entre outros, são de conhecimento da maior parte da sociedade. Por esse motivo, não gostaria de realizar um trabalho de 23 pesquisa que, apenas, levantasse os problemas que enfrentamos. Por outro lado, não se pretende trazer receitas ou fórmulas infalíveis, mesmo porque se elas existissem já teriam sido utilizadas por inúmeros educadores da rede pública e que são comprometidos com seu trabalho. Espera-se, acrescentar conhecimentos e informações às já existentes ou contribuir para a realização de futuras pesquisas que visem à melhoria da qualidade da educação oferecida na escola pública. Pelos motivos anteriormente apresentados é que se resolveu realizar um trabalho de pesquisa, no qual o diretor atuasse de maneira mais efetiva no projeto pedagógico da escola, e partindo de um trabalho coletivo e de formação continuada, contribuísse com a melhoria de processo pedagógico. 2.2 Como surgiu o problema: A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE/SP) vem, desde 1996, avaliando sistematicamente a Educação Básica no Estado, por meio do SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo). Nos últimos anos, tem havido um incentivo para que tanto a equipe da direção (Diretor, Vice –diretor, Professor- Coordenador Pedagógico) quanto o corpo docente, se habituassem a analisar seus resultados, de modo que os mesmos subsidiassem e reorientassem o trabalho pedagógico das unidades escolares, permitindo a elaboração de planos e estratégias de ação, com vistas à melhoria das práticas pedagógicas a partir das dificuldades apresentadas pelos alunos, constituindo, assim, um importante instrumento de monitoramento do ensino. De acordo com dados da SEE/SP, observa-se na tabela abaixo, as porcentagens de acertos, em Leitura e Matemática, dos alunos da Escola Estadual, onde a pesquisa foi realizada: 24 Tabela 2 - Diagnóstico Geral da Escola por Série e Período - Leitura e Matemática SARESP/2005 – Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo Escola: Dependência Administrativa: Estadual Leitura Matemática Série 03EF 04EF 05EF 06EF 07EF 08EF 01EM 02EM 03EM Porcentagem de Acertos Porcentagem de Acertos Manhã Tarde Noite Manhã Tarde Noite 64,9 63,4 57 60,3 56,3 56,8 66,4 58,9 64,9 67,7 - 51 46,7 48,7 41,1 38,4 32,3 36,6 29,8 26,9 54,9 43,3 42,4 43,4 - 36,9 28,4 30 Fonte: www.educacao.sp.gov.br A partir destes dados, observa-se que os alunos apresentaram baixo rendimento, principalmente na disciplina de matemática, destacando-se que, a partir da 4ª série do Ensino Fundamental (EF) até o 3º ano do Ensino Médio (EM), os alunos obtiveram menos que 50% de acertos. Diante desses resultados apresentou-se a necessidade da realização de um projeto de intervenção que fosse desenvolvido junto a professores e alunos com objetivo de sanar as dificuldades apresentadas tendo em vista melhorar o processo educativo. Ao chegar nessa Escola Estadual, pode-se notar algo diferente entre seus professores. Eles são, em sua maioria, ocupantes de cargo efetivo (cerca de 80% do corpo docente), comprometidos, dedicados, preocupados com a qualidade do processo educativo, e assim as reuniões de HTPC(s) são muito produtivas. No entanto, os estudos e reflexões que ocorrem poderiam ser direcionados para as áreas específicas do conhecimento, de modo que as HTPC(s) fossem utilizadas para a formação continuada do professor, visando ao aperfeiçoamento da sua prática e, por conseqüência, contribuir com a melhoria do processo educativo. A expressão “formação continuada” tem sido utilizada por autores como Perrenoud (2000), Libâneo e Pimenta(1999), Nóvoa (1995). Os estudos realizados por Fiorentini (2003), mostraram que ainda é pequeno o número de investigações que envolvem a formação inicial de professores para ensinar Matemática nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Segundo o estudo, 25 até fevereiro de 2002, haviam sido defendidas 112 teses e dissertações que estudavam a formação de professores que ensinam Matemática (especialistas e professores das séries iniciais do Ensino Fundamental). Entre essas teses e dissertações, apenas 10 referiam-se à formação inicial de professores polivalentes. Além disso, têm-se observado que o conhecimento do conteúdo de matemática de alguns professores polivalentes, inclusive dos licenciados especialistas, é deficitário. Muitos se interrogam o que ensinar, para que ensinar e como ensinar. Em seu estudo, Curi (2004) cita uma pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2001, em que foram avaliados 11.826 alunos da 4ª série do Ensino Fundamental de 24 Estados Brasileiros e 208 professores das classes desses alunos. Os resultados foram analisados com base nas vertentes propostas por Shulman, e indicaram a existência de lacunas em termos de conhecimentos matemáticos, como também nas áreas de conhecimentos didáticos e curriculares. Considerando-se, que os professores polivalentes, muitas vezes, concluem o curso de formação sem o conhecimento de conteúdos matemáticos, da linguagem matemática e, muito menos, sobre os procedimentos metodológicos com os quais irão trabalhar com os alunos, apresentou-se, então, a necessidade da criação de momentos de estudo, de pesquisa, de reflexão que poderiam contribuir para o aperfeiçoamento da prática do professor, em especial, a do professor polivalente. Nas escolas estaduais, têm-se a HTPC(s) que é constituída de duas horas semanais e se apresenta como um espaço para que a formação em horário de serviço aconteça, uma vez que a escola se constitui como lócus privilegiado para a formação docente. Gatti (2006) realizou estudo que teve como objetivo analisar as ações realizadas com um grupo de 18 professoras de uma Escola Estadual, nas HTPC(s). O objetivo foi verificar se as reflexões desenvolvidas contribuíram para mudanças das concepções dos professores e das suas práticas em sala de aula, em relação à alfabetização, no que diz respeito aos fatores que provocam a ampliação das diferenças culturais entre os alunos. Ao analisar os resultados, chegou-se à conclusão de que as professoras valorizam a HTPC quando ela se torna um espaço de troca de experiência, de crescimento profissional e de ampliação de 26 conhecimentos. Por isso a necessidade de uma ação conjunta da supervisão, direção, coordenação, universidade e professores para planejar o desenvolvimento profissional dos atores escolares dentro da escola e em horário de serviço. Devido aos motivos expostos anteriormente e aos poucos estudos referindose ao professor polivalente, decidiu-se pela realização de um projeto de intervenção por meio da aplicação de um plano de ensino desenvolvido junto aos professores e alunos do Ensino Fundamental, tendo como foco a disciplina de Matemática com os seguintes objetivos: aprimorar o ensino oferecido aos alunos, buscando sanar as suas dificuldades e tornando as HTPC(s) um espaço que proporcione ao professor, formação continuada e em horário de serviço. O Plano de Ensino foi elaborado com o objetivo de aprimorar a formação dos professores polivalentes, pela realização de momentos de troca de experiências, de estudos, reflexões e discussões sobre o conhecimento matemático e sobre pesquisas recentes realizadas nas universidades, auxiliando assim, o professor em sua prática, de modo que ele pudesse criar em suas aulas um espaço propício para que os alunos se apropriassem e avançassem no saber fazer próprio da Matemática, desenvolvendo estratégias de resolução de problemas, levantando conjecturas, validando procedimentos, comunicando idéias, registrando procedimentos, buscando regularidades e generalizando. Além disso, procurou possibilitar o incentivo à formação de grupos de estudos, tendo em vista a melhoria do processo educativo. 2.3 Levantamento inicial dos dados: A partir dos resultados apresentados no SARESP 2005, realizou-se um levantamento para verificar em quais questões na disciplina de matemática os alunos da 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental apresentaram maior número de erros, com o objetivo de elencar quais eram as suas principais dificuldades. Essas questões foram contabilizadas e separadas em categorias26. No caso da 1ª e 2ª série, as próprias professoras preencheram os gabaritos e as respostas foram classificadas em categorias de acertos A, B, C, D, E, F, G (explicitadas nos 26 As categorias encontram-se detalhadas nos Anexos: A e B. 27 Anexos A e B) sendo que na categoria A, a resposta dada era a totalmente correta. Já na 3ª e 4ª série, as categorias consideradas foram: C (certas) E (erradas), conforme Anexos C e D. Em seguida, foram selecionadas as questões nas quais os alunos apresentaram mais que 50% de respostas erradas e, na seqüência, identificaram-se as maiores dificuldades apresentadas, que estão relacionadas abaixo: • 1ª Série: Resolução de situações–problema que envolvem as operações de adição e subtração; Escrita correta dos números e sua seqüência em ordem crescente e decrescente. • 2ª Série: Resolução de situações–problema que envolvem as operações de adição e subtração. • 3ª Série: Utilização de medidas de tempo e relação entre si; Identificação da multiplicação e divisão como a operação que resolve uma dada situação-problema; Resolução de situações-problema que envolvem mais que uma operação; Leitura de horas, em relógios de ponteiros e relógios digitais; Resolução de situações-problema que pressupõem a leitura e interpretação de dados expressos em tabelas; Cálculo do resultado de uma multiplicação por meio de uma técnica operatória. • 4ª Série: Resolução de situações-problema que envolvem: duas operações com números naturais, raciocínio combinatório em situações de contagem, grandezas geométricas (perímetro, área); Relação e utilização de representações fracionárias; 28 Identificação de elementos e utilização de propriedades de figuras geométricas tridimensionais; Identificação e relação de unidades de medida de capacidade em situações contextualizadas; Identificação e relação de unidades de medida de massa em situações contextualizadas. A seguir, foi verificado o percentual médio de acertos por série, sendo que nas 1ª e 2ª séries foi considerada somente a categoria A (resposta totalmente certas) e das 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental a categoria C (certas). A partir deste levantamento observou-se que a porcentagem de acertos dos alunos na disciplina de Matemática vai diminuindo a partir da 3ª série do Ensino Fundamental, sendo que, na 4ª série, essa porcentagem ficou em 43,3%. (ANEXO E). Diante desses dados, decidiu-se realizar um recorte da investigação atendose a alunos da 4ª série do Ensino Fundamental e, por meio de encontros semanais, criou-se o projeto de intervenção, envolvendo a pesquisadora, a Professora Coordenadora Pedagógica, alunos e as professoras que lecionavam nessa série. 2.4 Local da pesquisa: Optou-se por fazer a pesquisa numa escola da rede pública estadual, que atende alunos da 1ª à 8ª série do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, onde a pesquisadora atua como diretora. A escola localiza-se na Zona Leste da cidade de São Paulo, funciona em três períodos: manhã (Ensino Médio e 7ª e 8ª série do Ensino Fundamental), tarde (1ª a 6ª série do Ensino Fundamental) e noite (Ensino Médio). A maior parte dos alunos, que lá estudam, vêm de famílias que possuem razoáveis condições financeiras em relação à alimentação, moradia, vestuário, etc. A grande maioria dessas famílias cultiva o sonho de que o filho possa cursar a universidade, para que exerça uma “boa” profissão e, por conseqüência, tenha uma vida financeira estável. 29 2.5 O grupo de professores e alunos: As participantes do projeto de intervenção foram três professoras polivalentes que, no ano de 2007, ministraram aulas para os alunos da 4ª série do Ensino Fundamental e os sujeitos da pesquisa foram seus respectivos alunos, totalizando noventa e nove. As professoras lecionavam no período da tarde e optaram por cumprir uma hora de HTPC às segundas-feiras, das 18h às 19 h, horário em que foi possível realizar os encontros de formação. A escola contava, nesse ano, com doze professoras que lecionavam de 1ª à 4ª série. Inicialmente, pensou-se em realizar a formação somente com as professoras das 4ª séries, mas depois se resolveu estender a opção de participação a todas, pois os conteúdos, materiais, textos estudados e discutidos poderiam ser utilizados em outras séries iniciais do Ensino Fundamental. O grupo mostrou-se bastante interessado durante os encontros. Traziam as atividades que eram aplicadas com os alunos, chamavam a pesquisadora para ir até as salas de aula para mostrar o trabalho que estava sendo desenvolvido. A grande maioria participou da totalidade dos encontros. 2.6 Procedimentos Metodológicos: O procedimento metodológico teve como centro de análise o rendimento apresentado pelos alunos da 4ª série do Ensino Fundamental, na disciplina de Matemática, antes e após as intervenções realizadas pelas professoras polivalentes. Para a realização dessas intervenções foi realizado durante, aproximadamente, um ano letivo a aplicação de um plano de ensino que envolveu estudos teóricos contendo conceitos, reflexões, atividades relacionadas à disciplina de Matemática. A elaboração e a implantação do projeto de intervenção seguiram os seguintes passos: • Aplicação da Avaliação Inicial; 30 • Análise dos resultados e levantamento das principais dificuldades apresentadas; • Elaboração do plano de ensino com a seleção dos conteúdos, dos materiais e das metodologias; • Encontros de formação continuada, em horário de serviço: estudos, reflexões e metodologias de ensino, a partir dos conteúdos selecionados; • Aplicação da Avaliação Final; • Avaliação das reuniões de HTPC(s) realizadas; • Análise dos resultados apresentados. Para a avaliação do desempenho dos sujeitos da pesquisa foi aplicada a prova do SARESP de 2005 da disciplina de Matemática (ANEXO F), tanto no início do projeto de intervenção (avaliação inicial), quanto ao final (avaliação final). A prova é constituída de vinte questões de múltipla escolha e abrange os seguintes conteúdos: números e operações, espaço e forma, grandezas e medidas e tratamento da informação. Além disso, foi confeccionado um portfólio de cada aluno, que permitiu o acompanhamento do seu progresso de forma individualizada. Os portfólios foram confeccionados em pastas e continham os trabalhos, provas, exercícios, realizados pelos alunos, no decorrer do ano letivo de 2007, referentes à disciplina de Matemática, com a intenção de acompanhar os passos percorridos pelos mesmos ao longo da trajetória de sua aprendizagem, permitindo construir, entre outras coisas o perfil do aluno, sinalizando o ritmo e a direção do seu desenvolvimento. As avaliações iniciais foram aplicadas e corrigidas pelas próprias professoras da classe e, posteriormente, foi realizado o levantamento dos resultados com o objetivo de elencar quais foram as principais dificuldades encontradas pelos alunos (ANEXO G). Diante dos resultados, decidiu-se selecionar todos os conteúdos contemplados na prova do SARESP para serem desenvolvidos no projeto de intervenção e na seqüência foi preparado o plano de ensino (ANEXO H). A relação dos conteúdos e habilidades foi a seguinte: 31 • Sistema de numeração e operações; • Cálculo mental; • Ler, escrever e resolver problemas; • Decimais e sistema monetário; • Frações e números racionais; • Grandezas e medidas; • Espaço-Forma; • Tratamento da informação. O Plano de Ensino foi estudado, discutido e trabalhado com as professoras e alunos durante o ano letivo de 2007. Foram realizados, no total, trinta e um encontros, sempre às segundas-feiras, no período de março a dezembro, conforme cronograma abaixo: Tabela 3 - Agenda dos encontros Agenda com reuniões semanais – encontros Mês março abril maio junho julho Dia 12, 19, 26 3 9, 16, 23 3 7, 14, 21, 28 4 18, 25 30 Total 2 1 Agosto setembro 6 ,13, 20,27 4 3,10,17, 24 4 outubro novembro dezembro Total 1 , 8,15, 22,29 5 5, 12, 19,26 4 3 -- 1 31 No decorrer das reuniões, foram registrados pela Professora Coordenadora Pedagógica os encontros, as reflexões e narrativas produzidas pelas professoras quanto a prática de suas aulas. Os estudos, troca de experiências e metodologias desenvolvidas durante a aplicação do plano de ensino foram detalhadas, posteriormente, na descrição dos encontros. Ao final, foi aplicada novamente a prova do SARESP 2005 (avaliação final), tendo como objetivo comparar o rendimento dos alunos antes e após o projeto de intervenção (ANEXOS G e I). As professoras procederam a correção das provas e realizaram uma avaliação das reuniões de HTPC(s) realizadas no ano de 2007 (ANEXO J). As análises dos resultados apresentados foram feitas pela pesquisadora. 32 3. SARESP A partir do momento que existam políticas e planejamentos educacionais e escolares claros e disseminados, conhecidos, apropriados, então poderemos ter avaliações mais adequadas e conseqüentes, que acompanhem os processos e desempenhos escolares em um certo período. Bernardete Gatti A implantação de um sistema de avaliação externa fez parte do Plano de Educação da gestão do ex-governador Mario Covas (1995 a 1998), conforme Comunicado da SE de 22 de março de 1995, que apresentou as Diretrizes Educacionais para o Estado de São Paulo, para o período de janeiro de 1995 a 31 de dezembro de 1998. Segundo o documento: O processo de crescimento acelerado da rede escolar pública no Estado de São Paulo não se fez acompanhar pela busca seja de maior qualidade no ensino, seja de melhoria do nível salarial dos professores e das condições materiais de suas escolas. Especificamente no caso da Secretaria da Educação, a tentativa de atender às novas necessidades educativas sem modernização dos mecanismos gerenciais, acabou por desorganizar a máquina administrativa que é, hoje, obsoleta e incapaz de servir de instrumento para as novas políticas que se fazem necessárias. (Comunicado SE de 22/03/1995) As Diretrizes Educacionais previstas no Comunicado contemplaram a reforma e a racionalização das redes administrativas, a desconcentração e a descentralização de recursos e competências, as mudanças no padrão de gestão: a racionalização do fluxo escolar, a instituição de mecanismos de avaliação dos resultados e o aumento da autonomia financeira e pedagógica das escolas. O modelo de avaliação adotado partiu dos resultados das experiências vivenciadas no Programa de Avaliação Educacional da rede estadual do estado de São Paulo, iniciado em 1992. Em 1996, ocorreu a primeira edição do SARESP. De acordo com Espósito, Davis e Nunes (2000) o SARESP foi implementado, buscando construir uma “cultura de avaliação”, na qual ela deixasse de ser encarada como instrumento de classificação de alunos, para atuar como diagnóstico da situação de aprendizagem, 33 visando à otimização das possibilidades do ensino. Segundo as mesmas autoras, a SEE/SP ao criar o SARESP teve como intenções: • Ampliar o conhecimento do perfil de realização dos estudantes, fornecendo aos professores descrições dos padrões de desempenho alcançados pelo conjunto dos alunos, de modo a subsidiar o trabalho a ser desenvolvido em sala de aula. Assim, os docentes das séries iniciais, bem como os professores de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História e Geografia podiam identificar, no começo do ano escolar, os pontos fortes e fracos do desempenho dos alunos e, a partir desse diagnóstico, adotar estratégias pedagógicas apropriadas. • Identificar os pontos críticos do ensino, possibilitando-lhe, por intermédio de seus órgãos centrais e das delegacias de ensino, apoiar as escolas e os educadores com recursos, serviços e orientações. 3.1 Um breve histórico do SARESP O SARESP até 2005 soma nove avaliações, sendo realizadas em 1996, 1997, 1998, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Participaram destas avaliações as escolas da rede pública estadual e, por adesão, as redes públicas municipais e as escolas particulares. Ao longo dos anos, o SARESP apresentou algumas variações, conforme se pode observar na tabela abaixo: Tabela 4 – Desenho do SARESP – 1996 a 2005 Ano Séries Aplicadas 1º 2º Ensino Fundamental 3º 4º 5º 6º 1996 1997 1998 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: Relatório SARESP 2005- SEE/SP 7º 8º Ensino Médio 1º 2º 3º 34 1996 a 1998 As edições do SARESP de 1996 a 1998 foram avaliações de entrada (realizadas no início do ano letivo e examinavam conteúdos vistos pelos alunos no ano anterior). Como se pode acompanhar na tabela 4, avaliavam-se, a cada ano, alternadamente, duas séries. Aplicavam-se dois questionários, sendo um dirigido ao aluno e outro à equipe escolar, com a finalidade de estabelecer o perfil das escolas, dos alunos envolvidos e das relações entre os dados coletados com o rendimento escolar. As avaliações realizadas nesse período foram censitárias em termos de escolas e amostral em termos de alunos. Foram avaliados os seguintes componentes curriculares: Língua Portuguesa com Redação e Matemática até a 3ª série do Ensino Fundamental. A partir da 4ª série do Ensino Fundamental, incluíramse os componentes: Ciências, História e Geografia. 2000 No SARESP 200027, manteve-se o desenho original, introduzindo-se, contudo, algumas alterações. Iniciou-se a avaliação do Ensino Médio e adotou-se nova sistemática de aplicação, no final do período letivo, com conteúdos da própria série avaliada (tratou-se, portanto, de uma avaliação de saída dos alunos), com a finalidade de verificar habilidades e competências adquiridas pelos alunos da 5ª e da 7ª série do Ensino Fundamental e pelos concluintes do Ensino Médio. Foram avaliados os seguintes componentes curriculares: Língua Portuguesa com Redação, Matemática e Ciências para a 5ª e 7ª série do Ensino fundamental e Língua Portuguesa com Redação, Matemática e Biologia para o 3º ano do Ensino Médio. Com a finalidade de analisar as variáveis que interfeririam no desempenho escolar, aplicou-se o questionário de gestão escolar destinado ao diretor de escola e ao professor coordenador pedagógico, além do questionário do aluno. 27 Em 1999 não houve edição do SARESP. 35 2001 Em 2001, o SARESP tornou-se uma avaliação de final de ciclos, passou a ter como foco principal o aluno e serviu de referência para professores e escolas nas decisões quanto ao encaminhamento dos alunos para a continuidade de estudos ou para a recuperação de férias que foi realizada em janeiro de 2002. Ao final de janeiro, os alunos que tinham cumprido o período de recuperação foram novamente avaliados e encaminhados para a continuidade de estudos ou para a recuperação de ciclo. A avaliação foi censitária em termos de escolas e alunos e restringiu-se ao componente curricular: Língua Portuguesa com Redação. 2002 Nesse ano, o SARESP retomou o foco na avaliação do ensino, centrando-se novamente na escola. A avaliação foi censitária em termos de escolas e amostral em termos de alunos. Restringiu-se ao componente curricular: Língua Portuguesa com Redação. Nesse ano, não foram aplicados questionários destinados aos alunos e agentes escolares com a finalidade de identificar variáveis que pudessem interferir no desempenho dos alunos. 2003 e 2004 Em 2003 e 2004, as edições do SARESP foram censitárias em termos de escolas e alunos e a avaliação foi realizada por meio de uma prova de Leitura e escrita. O sistema voltou a aplicar um questionário socioeconômico com a finalidade de: traçar o perfil dos alunos, avaliar os programas das políticas educacionais e identificar os fatores que pudessem interferir no desempenho escolar. Além disso, a partir de 2003 o sistema passou a fornecer a cada escola o resultado individualizado dos alunos. Em 2004, foi introduzido um procedimento que tornou possível a comparação estatística dos resultados obtidos nos diversos períodos em que uma mesma série era oferecida. Esse procedimento pôde ser realizado por meio das provas de ligação aplicadas em uma amostra dos alunos do Ensino Fundamental e Médio. 36 3.2 SARESP 2005 Em 2005, foram avaliados todos os alunos do Ensino Fundamental e Médio das escolas urbanas e rurais da rede estadual na modalidade de ensino regular. Participaram das avaliações algumas escolas das redes municipal e particular que aderiram ao programa. Foram avaliadas as habilidades na área de Matemática, além de Leitura e escrita. O SARESP realizado em 2005 utilizou dois tipos de instrumentos de avaliação. O primeiro consistiu na aplicação de provas para medir o desempenho dos alunos em Matemática, Leitura e Escrita, constituída cada uma de questões objetivas, tanto no Ensino Fundamental (3ª a 8ª séries), quanto no Ensino Médio. As provas apresentaram, também, um tema para redação do tipo narrativo-descritivo para o Ensino Fundamental e no Ensino Médio o tema foi dissertativo-argumentativo. Já para a 1ª e 2ª séries do Ensino Fundamental, as provas foram constituídas de questões, em sua maioria abertas e embora não tivesse sido proposta uma redação, solicitou-se aos alunos duas atividades de produção de texto. Para cada série e período, foram construídos instrumentos diferentes, mas com questões equivalentes. O segundo instrumento consistiu em questionário aplicado aos alunos, pelo qual foram coletadas informações sobre suas características pessoais, contexto socioeconômico e cultural, trajetória escolar, percepções acerca dos professores e da gestão da escola e, também, participação nos projetos da SEE/SP. Objetivou-se, assim, traçar os perfis dos alunos nos diferentes níveis de escolaridade e verificar as possíveis interferências desses fatores na aprendizagem e no rendimento escolar. Cabe destacar, que na edição de 2005 (como já ocorrera em 2004) foi aplicada, em uma amostra de alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio da Rede Estadual, uma prova de ligação, que permitiu o cálculo do escore verdadeiro e a conseqüente comparação dos resultados obtidos nos diversos períodos em que uma série é oferecida. O SARESP foi aplicado por meio de suas Coordenadorias, da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), das Diretorias de Ensino, das escolas, dos 37 diretores e dos professores aplicadores. A empresa responsável pela assessoria técnica do sistema e pela logística da avaliação foi a Cesgranrio. Uma parte dos educadores da rede estadual que aplicou o SARESP passou por um processo de capacitação, organizado pelas diretorias de ensino, quando foram fornecidos manuais com orientações a respeito dos procedimentos padronizados adotados em cada etapa. Os aplicadores das provas foram os professores do próprio estabelecimento de ensino, coordenados pelo diretor. Havia um aplicador para cada turma de alunos. Pais de alunos também participaram, acompanhando a aplicação. A aplicação das provas ocorreu no final do ano, no mesmo horário de início das aulas nos períodos da manhã, tarde e noite, em dois dias consecutivos. No primeiro dia, os alunos da 1ª e da 2ª séries realizaram a prova de Leitura e Escrita e os das demais séries, a prova de Leitura e Matemática. No segundo dia, os estudantes da 1ª e da 2ª séries fizeram a prova de Matemática e os das demais séries, a redação e o questionário. Com relação às correções, nas avaliações da 1ª e da 2ª séries do Ensino Fundamental, as questões abertas que compuseram a prova foram corrigidas e transcritas pelos professores, seguindo as orientações do roteiro de correção das provas. No que diz respeito às provas da 3ª à 8ª séries do Ensino Fundamental e àquelas do Ensino Médio, a parte objetiva foi corrigida por meio de processamento eletrônico efetuado pela Cesgranrio. A correção das redações foi feita pelos professores da própria escola, após capacitação para esta etapa avaliativa. A divulgação dos resultados do SARESP foi feita por meio de informes e relatórios, enviados a cada instância envolvida e disponibilizados no site da SEE/SP. Entre eles: • Quadro diagnóstico das habilidades avaliadas por turma e aluno – apresenta os resultados de cada aluno; • Informe personalizado de resultados da avaliação por escola – com dados de abrangência, estatísticas básicas por prova, série e período, bem como resultados por habilidades, série e período e dados da rede de ensino à qual o estabelecimento se filia; 38 • Informe personalizado de resultados da avaliação por rede – com dados de abrangência, estatísticas básicas por prova, série e período e os resultados por habilidade também por série e período, do conjunto das escolas de cada rede. Além desses informes, foram divulgados os gabaritos das provas de todas as séries e períodos, juntamente com as matrizes de especificação das habilidades avaliadas, no site da SEE/SP. Foi divulgado, também, por rede de ensino, um relatório quantitativo acerca do perfil dos alunos. Segundo a SEE/SP os dados obtidos foram devolvidos às escolas públicas e privadas, Diretorias de Ensino, redes municipais e Coordenadorias, por meio do site da SEE/SP28 e mediante boletins específicos denominados Informes, enviados por Sedex. Cada estabelecimento de ensino recebeu uma senha específica para a devolução dos resultados pela Internet. 3.3 Matrizes de Especificação do SARESP De acordo com a SEE/SP, a construção das matrizes curriculares para o SARESP tem se pautado na decisão de promover um balanceamento adequado entre os conteúdos e habilidades que a maioria dos alunos domina e aquilo que já se detectou que os alunos não sabem. Tem-se procurado, também, a cada avaliação, ampliar o leque de conteúdos e habilidades avaliados, no sentido de captar, o que os alunos efetivamente dominam e, assim, apreender melhor a realidade do ensino no Estado de São Paulo. Segundo Espósito, Davis e Nunes (2000), nos anos de 1997 e 1998, os itens que compunham as provas vinham sendo construídos pelos professores da rede estadual de ensino, que recebiam capacitação específica para tal. Dessa forma, as antigas delegacias de ensino enviavam ao órgão central nomes de professores, que atuavam nas diferentes disciplinas e séries a serem avaliadas, para receberem capacitação específica acerca de construção de itens. À luz das matrizes curriculares elaboradas pela SEE/SP e CENP (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas), parte desses docentes elaborava itens e parte os revisava, 28 www.educacao.sp.gov.br 39 verificando a adequação entre o descritor do item e sua formulação, fazendo correções, reformulações e/ou novas sugestões de como avaliar o solicitado na tabela de especificação. Essa análise era enviada a especialistas, que faziam as adaptações pertinentes, sempre que necessárias. Os dados obtidos a cada edição do SARESP eram analisados em três níveis distintos: na própria escola, nas diretorias de ensino e em nível central. Para tanto, eram realizados encontros com os supervisores da avaliação, que atuavam em suas respectivas diretorias de ensino como multiplicadores junto a cada escola, quando eram transmitidas orientações para a aplicação e correção das provas, bem como para a análise dos resultados. Eram dadas, também, orientações sobre como consolidar os resultados obtidos em cada série e disciplina no âmbito da escola, das diretorias de ensino e das coordenadorias. Os trabalhos de correção e análise das provas eram realizados pelos professores da própria escola, o que tornava o acesso aos dados quase que imediato, independentemente da divulgação oficial dos resultados. No caso das diretorias de ensino, situação semelhante ocorria, na medida em que a equipe de supervisores e assistentes técnico-pedagógicos, também, tinha acesso aos resultados de suas diferentes escolas em curto espaço de tempo. A partir do SARESP 2000, em cada edição, é contratada uma empresa responsável pela assessoria técnica do sistema e pela logística da avaliação. A cada edição do SARESP, um conjunto de provas é construído e aplicado aos alunos. Aplicadas as provas, procedimentos derivados da Teoria da Resposta ao Item (TRI)29 passam a ser empregados, o que possibilita comparar os desempenhos dos alunos de uma mesma série, mesmo que tenham respondido a provas diferentes, nos diversos períodos, permitindo verificar o desempenho global da série. Segundo a SEE/SP, as matrizes adotadas para o SARESP 2005, baseadas nas Propostas Curriculares da CENP e nos PCNs (Parâmetros Curriculares 29 A Teoria de Resposta ao Item se constitui em um conjunto de modelos estatísticos por meio dos quais é estabelecida uma relação entre o nível de habilidade (na característica ou traço que está sendo medido pelo teste) e a resposta dada, pelo indivíduo, ao item ou questão desse teste. Assim, a probabilidade de um indivíduo responder corretamente a um item é modelada como função de seu nível de habilidade. Para cada nível de habilidade, há portanto,uma certa probabilidade de resposta associada. Quanto maior a habilidade do aluno, maior a probabilidade de acertar o item. (Espósito, Davis e Nunes,2000, p.27). 40 Nacionais), buscaram constituir uma amostra adequada dentro do universo desejado e possível de conteúdos, expressos em termos das habilidades esperadas no final de cada série em relação à qual foram propostas. Na área de Matemática, houve um tratamento diferenciado para a matriz curricular referente à 1ª e à 2ª série do Ensino Fundamental (ANEXOS A e B). Adotou-se nessas séries uma matriz única, abrangendo habilidades relativas aos seguintes conteúdos: números e operações, espaço e forma e grandezas e medidas. Nas demais séries do Ensino Fundamental, elaboram-se matrizes diferentes para cada série, abrangendo, contudo, esses mesmos conteúdos (ampliando-se, porém, o leque das habilidades avaliadas) e acrescentando-se ainda o conteúdo: tratamento da informação (ANEXOS C e D). Silva (2006) realizou estudo em que buscou apreender as principais características das avaliações aplicadas pelo SARESP de 1996 a 2005. De acordo com essa pesquisadora, os sistemas de avaliações externas têm sido realizados com o objetivo de verificar o rendimento escolar dos alunos e a qualidade da educação oferecida. Entre os pontos que podem dificultar os sistemas de avaliações cita: os instrumentos de avaliação, que são constituídos, basicamente, por provas de questões objetivas, alertando que a opção por esse modelo de avaliação é amplamente criticada por estudiosos do tema, devido ao seu caráter eminentemente reducionista, ao “centrar-se somente nas questões técnicas da construção da avaliação e nos aspectos objetivos da aprendizagem perde toda a subjetividade inerente à avaliação e ao processo de formação do indivíduo”. (Silva, 2006, p.104). Outro ponto refere-se ao significado da expressão qualidade de ensino, de modo que essa expressão tem caráter profundamente subjetivo, uma vez que está diretamente relacionada à concepção de cada segmento sobre o que seja uma formação de qualidade. Ou seja, aquilo que é considerado qualidade de ensino para um determinado grupo pode não ser para outro, devido ao caráter político ideológico inerente ao conceito de qualidade. (SILVA, 2006, p.105). Por outro lado, Silva (2006) destaca que o sistema vai além da verificação do rendimento escolar do aluno quando busca apreender os aspectos socioeconômicos e culturais dos estudantes avaliados, bem como o perfil dos professores, diretores e coordenadores das instituições escolares envolvidas no processo avaliativo. Essa preocupação da SEE/SP em construir um perfil dos profissionais da educação, vai 41 ao encontro da compreensão da avaliação enquanto fenômeno complexo, que necessita do entendimento da dinâmica da instituição escolar, para além da simples verificação do rendimento dos alunos. A SEE/SP demonstra oposição à visão de avaliação voltada para a aprovação e reprovação de alunos, procurando declarar uma visão formativa da avaliação, alegando concebê-la como instrumento de orientação do processo de construção da aprendizagem. Silva (2006) concluiu que, apesar das limitações descritas, o SARESP foi o primeiro sistema a ser realizado no Estado de São Paulo e que o quadro atual da educação reivindica a construção de um sistema de avaliação, o qual seja capaz de orientar uma profunda reflexão sobre o trabalho pedagógico, no sentido de reverter as desigualdades na escolarização dos alunos das diferentes camadas sociais. Tal sistema deve ser capaz, ainda, de demonstrar à sociedade o tipo de formação oferecido pelo sistema de ensino público estadual. 42 4. A aprendizagem da matemática: um grande desafio Eu queria uma escola que lhes ensinasse a pensar, a raciocinar, a procurar soluções. Eu queria uma escola que, desde cedo, usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando corretamente os conceitos matemáticos, os conceitos de números, as operações... Usando palitos, tampinhas, pedrinhas... só porcariinhas!!! Fazendo vocês aprenderem brincando... Carlos Drummond de Andrade A Matemática destaca-se, entre as outras disciplinas, por seus altos índices de reprovação, colaborando, sobremaneira, para a evasão observada em todo sistema educacional brasileiro, além de vir carregada com o estigma de que nem todos conseguem aprendê-la, somente os “mais inteligentes”. Para Nunes e Bryant (1997, p.105), “a Matemática não é simplesmente uma disciplina, mas também uma forma de pensar. É por isso que a Matemática, assim como a alfabetização, é algo que deveria ser tornado disponível para todos”. A Matemática é disponibilizada para todos que freqüentam a escola, no entanto, acredita-se que se encontra disseminada a idéia de que a Matemática não pode ser aprendida por qualquer tipo de aluno, ficando restrita a uma “elite” privilegiada, funcionando como forte mecanismo de seleção de indivíduos. A partir da proposição de Costa (2004, p.35) em relação a uma característica da Matemática: “[...] a de ser uma linguagem humana, e, como forma lingüística, ela decodifica, traduz e expressa o pensamento humano”, já se destaca a importância dessa disciplina. Além disso, para a vida em sociedade, alguns conhecimentos matemáticos são tão fundamentais quanto saber ler e escrever, como por exemplo: saber contar, calcular, medir, estabelecer relações, reconhecer formas, ler gráficos e tabelas, calcular juros, porcentagens. Esses conhecimentos matemáticos facilitam a compreensão da realidade e servem de base para o entendimento de outras áreas curriculares, como a Física, a Química, a Biologia, etc. 43 A Matemática está presente desde o início da escolarização. Mas, qual matemática é ensinada nas escolas? A LDB 9394/96, prevê no artigo 26 os currículos para o Ensino Fundamental e o Ministério da Educação, em 1999 elaborou os PCNs . De acordo com o MEC, os PCNs pretendem oferecer uma proposta para a construção de uma base nacional comum para o Ensino Fundamental brasileiro e ser uma orientação para que as escolas formulem seus currículos, levando-se em conta suas próprias realidades, tendo como objetivo do ensino de 1ª à 8ª séries a formação de uma cidadania democrática. No texto dos PCNs, o ensino de Matemática apresenta os seguintes objetivos: [...] formar capacidades intelectuais; estruturar o pensamento; agilizar o raciocínio dedutivo; auxiliar na resolução de problemas tanto nas situações de vida cotidiana quanto nas do mundo do trabalho e, além disso, auxiliar na construção de conhecimentos em outras áreas curriculares. (COSTA, 2004, p.38). Ainda de acordo com os PCNs, muitos são os aspectos envolvendo o processo de ensino e aprendizagem que precisam ser considerados, entre eles estão: • o conhecimento prévio do aluno; • o trabalho com as diferentes hipóteses e representações; • o desenvolvimento da linguagem matemática, levando o aluno a relacioná-la com a língua materna; • o uso dos recursos didáticos como base para ação reflexiva do aluno. Em relação aos conteúdos conceituais e procedimentais que devem ser ensinados, de forma genérica, os PCNs indicam: • Números Naturais, Sistema de Numeração Decimal; • Números Racionais; • Operações com Números Naturais e Racionais; • Espaço e Forma; • Grandezas e Medidas; • Tratamento da Informação. 44 Em relação aos conteúdos atitudinais, indicam entre outros: • Confiança em suas possibilidades e na sua capacidade de resolver problemas; • Flexibilidade; • Perseverança; • Respeito ao pensamento do outro. As indicações contidas nos PCNs sugerem alguns caminhos para o Ensino da Matemática. No entanto, de acordo com Costa (2004), as deficiências de formação dos professores, no caso particular dos professores polivalentes, podem dificultar na incorporação nas suas práticas pedagógicas de diversas alternativas contidas nos PCNs, impedindo que elas se concretizem e sejam implementadas no interior das salas de aula. Além disso, segundo Baggio (2005) existe no Brasil uma inquestionável cultura quanto ao livro didático. Dada essa cultura, o fazer pedagógico atual, na maioria das vezes, pauta-se exclusivamente neste material de apoio. Em seu estudo, Baggio (2005) realizou uma análise comparativa entre o SARESP, os PCNs e o PNLD (Política Nacional do Livro Didático) que mostrou uma correspondência entre o primeiro programa oficial e o segundo, mas uma divergência acentuada entre o primeiro e o último. Quanto à relação existente entre os livros didáticos e as habilidades exigidas pelo SARESP, observou-se que, apesar do MEC, por meio do PNLD, procurar uma melhoria na qualidade dos livros didáticos, aproximando-os dos PCNs, o estudo demonstrou que os livros ainda apresentam lacunas, no caso do estudo em questão, quanto à inclusão de gêneros discursivos diversificados e à abordagem a eles destinada. Desta forma, se o material de apoio for incompleto e superficial, assim também será a prática pedagógica e o produto final (a aprendizagem do aluno). Para D’Ambrosio (1998)30, os PCNs têm uma boa fundamentação teórica e conceitual. Além disso, uma das grandes vantagens dos PCNs é a liberdade que oferecem aos professores. Isso permite a eles priorizar a criação e utilização de 30 IV Encontro de Educação Matemática / SBEM-ES, Vitória, 21 de novembro de 1998. Disponível em: htpp://vello.sites.uol.com.br/index.htm. Acesso em:21 de maio 2008. 45 ambientes de aprendizagem (não ficar somente na sala de aula), a ampla utilização das tecnologias disponíveis, sobretudo calculadoras, e das mídias, principalmente jornais e televisão. O documento oferece aos professores, um grande estímulo para reflexão e serve como instrumento de trabalho para equipes técnicas. A bibliografia é, em parte, acessível, com livros de editoras conhecidas e em português. No entanto, para que os PCNs atinjam seu objetivo de estimular reflexão e de apoiar a prática docente é importante que os professores se habituem ao documento. D’Ambrosio (1998) destaca que a familiarização e o reconhecimento de como ele pode ajudar na prática docente é importante para a melhoria da qualidade da educação. Uma crítica que D’Ambrosio (1998) faz aos PCNs refere-se à interdisciplinaridade. Ele lamenta que os PCNs estimulem a organização disciplinar, até nas primeiras séries, uma vez que Português, Geografia, Matemática, Ciências estão naturalmente ligadas, não só entre si, mas com as demais áreas do conhecimento. Em relação à metodologia, o que se observa, a partir da prática, é que existem professores que trabalham os conteúdos contidos nos PCNs, mas a forma como isso acontece, muitas vezes, ainda se limita à transmissão de conhecimentos sem utilização de diversos recursos metodológicos e didáticos, restringindo-se à utilização dos seguintes materiais: lousa, giz, lápis, caderno e livro didático. Curi (2004) realizou estudo que investigou os conhecimentos para ensinar matemática que devem ser constituídos por professores polivalentes, bem como as crenças e atitudes que interferem na constituição desses conhecimentos, com objetivo de trazer contribuições para os cursos de formação inicial e continuada. Analisou os cursos de formação de professores polivalentes no Brasil ao longo de sua história e, também, um curso de formação de professores polivalentes, a partir de uma pesquisa de campo com 12 alunas-professoras, que participaram desse curso, buscando identificar os impactos dessa formação e analisar suas crenças e atitudes relativas à Matemática e ao seu ensino. A respeito da formação de professores polivalentes, segundo Curi (2004, p.167) “ficou evidente o predomínio de uma formação generalista, assentada nos 46 Fundamentos da Educação, que não considera a necessidade de construir conhecimentos sobre as disciplinas para ensiná-las, deixando transparecer uma concepção de que o professor polivalente não precisa ‘saber matemática’, basta saber como ensiná-la”. Em relação à análise das disciplinas da área de matemática, de 36 cursos de Pedagogia e 6 Cursos Normais Superiores, foi verificada a presença maciça das disciplinas denominadas “Metodologia de Ensino de Matemática” e “Conteúdos e Metodologia de Ensino de Matemática”, permitindo inferir que esses cursos adotam as questões metodológicas como essenciais à formação de professores polivalentes. Os resultados das pesquisas e das teorias formuladas que foram analisadas permitiram identificar os seguintes pontos importantes e que se relacionam ao conhecimento do professor (CURI, 2004, p.164): As características do conhecimento do professor: O conhecimento é dinâmico, manifestando-se na ação, e sofre influência de sua escolarização préprofissional, é situado no contexto escolar, revela-se na realização de tarefas profissionais e experienciais. Conhecimentos do professor considerados essenciais para ensinar Matemática: Conhecimento dos objetivos de ensino; conceitos, proposições, procedimentos definidos para escolaridade em que irá atuar; articulação com outros conhecimentos e tratamentos didáticos. Conhecimento da natureza da Matemática e do entendimento das suas idéias, assim como do seu papel no mundo atual. Influência de crenças, de concepções e de atitudes no conhecimento do professor para ensinar matemática: As crenças e concepções que os professores têm sobre a Matemática interferem na realização do seu trabalho, uma vez que influenciam as suas decisões e ações. Quando os futuros professores chegam às escolas de formação, já vivenciaram uma experiência de muitos anos, como alunos, e desenvolveram crenças em relação à Matemática e o seu ensino, implicando a necessidade de refletir sobre as mesmas nas escolas de formação, caso contrário, elas podem se tornar obstáculos no desenvolvimento de propostas curriculares mais avançadas do que aquelas que os futuros professores vivenciaram em seu tempo de estudante, uma vez que: 47 [...] são as concepções dos professores – o difuso e vago conjunto das ações, operações e linhas de pensamento – o que eles próprios desejam que os estudantes aprendam; e a linguagem na qual estes capturam essas concepções desempenha um importante papel naquilo que os professores fazem, no que ensinam, e no modo como eles influenciam o aprendizado dos estudantes. (THOMPSON &THOMPSON 1996, apud COSTA, 2004, p.36). Embasando-se em diversas pesquisas, Curi (2004) observou, também, que os professores especialistas escolhem a disciplina com que têm mais afinidade e se dedicam a seus conhecimentos específicos. Já no caso dos professores polivalentes, como trabalham com diversas áreas do conhecimento, precisam ter um conhecimento mais amplo, podendo acontecer que tenham que ensinar disciplinas com as quais tenham pouca ou nenhuma afinidade. A falta do conhecimento assim como a de afinidade, pode prejudicar no desenvolvimento do trabalho do professor. Curi (2004) fundamentou-se em estudos de Shulman que “considera que cada área do conhecimento possui especificidade própria, o que justifica a necessidade de se estudar o conhecimento do professor em relação a disciplina que ele ensina” (Shulman, apud CURI, 2004, p.32). Ele identifica o conhecimento do professor em relação ao conhecimento da disciplina para ensiná-la em três vertentes: o conhecimento do conteúdo da disciplina, o conhecimento didático do conteúdo da disciplina e o conhecimento do currículo. Shulman destaca que o professor deve conhecer a disciplina que vai ensinar em diferentes perspectivas, o que lhe permitirá relacionar os diferentes tópicos dos conteúdos e também com as diferentes áreas, para que o professor possa realizar uma combinação entre o conhecimento da disciplina e conhecimento do modo de ensinar, para que a disciplina fique compreensível para o aluno. A essa combinação Shulman chama de “pedagogical content knowledge”31. Vale ressaltar a importância da Formação Continuada dos professores, para que as lacunas em termos de conhecimentos dos conteúdos, assim como de conhecimentos didáticos e curriculares sejam sanadas e para que possam, também, enfrentar novos desafios. 31 Essa tradução é feita por alguns autores como “conhecimento pedagógico disciplinar” e por outros como “conhecimento didático do conteúdo” (CURI, 2004, p.33). 48 A respeito de estudos que trataram sobre a formação continuada de professores polivalentes pode-se citar: Nacarato (2000); Mizukani (2002), Costa (2004). Nacarato (2000) investigou um processo de educação continuada realizado junto a cinco professoras de 1ª e 2ª séries do Ensino Fundamental de um colégio particular, que visava à incorporação do ensino de Geometria nas práticas escolares das professoras. As professoras traziam a sua experiência de sala de aula e a pesquisadora, como agente externo, contribuía com problematizações e com questionamentos teóricos e epistemológicos. Nacarato (2000) destacou a importância dos diversos saberes produzidos pelo professores, inclusive o saber curricular, que segundo ela: “investigar o saber curricular produzido pelo professor (a) significa partir do pressuposto de que este (a) ao longo da sua profissão, não só se apropria de saberes produzidos por outros, mas também produz saberes que são fundamentais à prática docente”. (NACARATO, 2000, p.150). Dessa forma, “pode-se dizer que o (a) professor (a) produz saberes a respeito dos saberes disciplinares. É o que Shulman denomina conhecimento pedagógico de conteúdo e Chevallard de transposição didática”. (NACARATO, 2000, p.153). Vale ressaltar a importância de conhecer e valorizar os diversos saberes do professor, de como ele articula esse conhecimento, o que poderá servir de referência para a criação e o desenvolvimento de cursos, especializações, que tenham como objetivo a formação continuada do professor. Outro projeto de formação de professores das séries iniciais foi desenvolvido por Mizukami (2002), centrado em uma única escola e executado durante quatro anos. Segundo a pesquisadora, a construção do conhecimento pedagógico do conteúdo é o fio condutor do processo de desenvolvimento profissional, e que este necessita de tempo e oportunidades significativas. Costa (2004) realizou uma investigação durante um processo de formação continuada desenvolvido em uma escola com professores das séries iniciais do 49 Ensino Fundamental, abordando conteúdos referentes ao tratamento da informação e à Estatística Básica. Nesta investigação, constituiu-se um grupo formado por quatro pesquisadoras da Universidade e cinco participantes de uma escola pública, em São Paulo, na qual se desenvolveu o estudo. Esse grupo responsabilizou-se pelas demais professoras da escola e, ao longo do trabalho, se tornou um grupo colaborativo. Outro ponto importante indicado é que a formação desenvolvida no ambiente escolar se alimentou da prática docente e possibilitou a existência de reflexões sobre esta. Nesse sentido, pode-se dizer que, a elaboração e aplicação do projeto de intervenção que esta pesquisa realizou, uma vez que foi desenvolvido na escola, levando-se em consideração a sua realidade e proporcionando ao professor momentos de estudos, reflexões e troca de experiências, utilizando-se as HTPC(s), e caracterizando-as como um espaço para formação continuada em horário de serviço, vão ao encontro da investigação realizada por Costa (2004). Para a elaboração do plano de ensino, utilizado no projeto de intervenção, foi destacada a importância e as contribuições da “didática da matemática”, que não visa, simplesmente, recomendar receitas sobre a solução dos problemas de aprendizagem, mas a partir dos resultados das pesquisas que estão sendo realizadas, principalmente em sala de aula, indicar intervenções pedagógicas com a finalidade de contribuir para uma melhor compreensão do fenômeno da aprendizagem da matemática e conseqüentemente contribuir com a melhoria do seu ensino. No desenvolvimento da prática educativa é fundamental estabelecer prioridades na condução dos procedimentos pedagógicos que incluam a seleção dos conteúdos que irão constituir os programas escolares. “O conjunto desses conteúdos, que também pode ser chamado de saber escolar, tem como fonte original o saber científico” (PAIS, 2002,p.11). Chevallard é o autor da teoria da transposição didática, “[...] a qual explicaria as transformações que sofre o saber científico quando se converte em objeto de conhecimento a ensinar em aula” (apud DUHALDE, CUBERES,1998, p.134). Essa teoria leva à reflexão sobre que tipo de transposição didática será mais adequado para ensinar determinado conteúdo, principalmente quando relacionado 50 com a especificidade do conhecimento matemático. “Isto, à sua vez, estaria conectado com a necessidade de selecionar de maneira cuidadosa as situações ou experiências didáticas apropriadas para cada tipo ou área de conteúdos.” (DUHALDE, CUBERES, 1998, p.135). O professor precisa ter conhecimentos sobre a disciplina que vai ensinar para que tenha condições de selecionar conteúdos que proporcionem um conhecimento significativo para o aluno. “Um dos sentidos essenciais (e ao mesmo tempo uma das dificuldades principais) do ensino de matemática é precisamente que o que se ensine esteja carregado de significado, tenha sentido para o aluno”. (CHARNAY, 1996, p.37). Para Brousseau o sentido de um conhecimento matemático se define: [...] não só pela coleção de situações em que este conhecimento é realizado como teoria matemática; não só pela coleção de situações em que o sujeito encontrou como meio de solução, mas também pelo conjunto de concepções que rejeita, de erros que evita, de economias que procura, de reformulações que retoma, etc. (apud CHARNAY, 1996, p.37). O conhecimento matemático, precisa fornecer ao aluno condições, de discernir, fazer opções, criar hipóteses, buscar outros caminhos e soluções. Segundo Charnay (1996) a construção da significação de um conhecimento deve ser considerada em dois níveis: • nível “externo”: Ex. Como os alunos concluem que formulando e resolvendo uma divisão resolvem um problema? • nível “interno”: Ex. Como funciona a divisão? Assim, a questão primordial para o ensino da matemática é que o professor por meio de estudos, pesquisas, reflexões, aperfeiçoamento da sua prática desvende o caminho que faz com que os conhecimentos ensinados tenham significado para o aluno, de modo que eles busquem mais do que uma única opção para a resolução de problemas, valorize a sua criatividade e sintam motivação pela busca do conhecimento. Para descrever alguns modelos de aprendizagem, pode-se citar a idéia de “contrato didático”, tal como Brousseau o definiu: 51 [...] conjunto de comportamentos (específicos) do professor que são esperados pelo aluno, e o conjunto de comportamentos do aluno que são esperados pelo professor, que regulam o funcionamento da aula e as relações professor-aluno-saber, definindo assim os papéis de cada um e a repartição das tarefas: quem pode fazer o quê?, quem deve fazer o quê?, quais são as finalidades e os objetivos?(apud CHARNAY, 1996, p. 39) O contrato didático, como o próprio nome diz, é um “acordo” que se estabelece entre professor e aluno, é aquilo que cada um tem a responsabilidade de gerenciar, e dar conta ao outro. Deve-se notar que o contrato didático depende de alguns fatores, como: da estratégia de ensino adotada, das escolhas pedagógicas, dos objetivos do curso, avaliação dos alunos, tipo de aulas. A seguir, são citados textos e pesquisas que tratam de conteúdos matemáticos trabalhados nas séries iniciais do Ensino Fundamental, entre eles: números e operações, resolução de problemas, grandezas e medidas, espaço e forma e tratamento da informação. Em relação ao sistema de numeração, pode-se citar o trabalho realizado por Lerner e Sadovsky (1996): “O Sistema de Numeração Decimal: um problema Didático” . As pesquisadoras verificaram que, apesar dos diversos recursos didáticos utilizados, o acesso das crianças ao sistema de numeração continuava a ser um problema. Realizaram entrevistas com 50 crianças de cinco a oito anos de idade, em duplas. A presença de determinadas respostas (idéias, justificações, conflitos) levou as pesquisadoras a esboçarem possíveis linhas de trabalho. Começaram, então, a pôr em prática cada uma das atividades, na medida em que iam ajustando e enriquecendo a proposta. No decorrer do texto, as autoras sugerem diversas situações didáticas para serem desenvolvidas pelo professor em sala de aula. No texto: “Cálculo Mental na escola primária”, Parra (1996) desenvolve argumentos que dizem respeito ao ensino do cálculo mental na escola, tratando esse ensino numa perspectiva diferente das utilizadas em práticas escolares mais antigas. Fornece orientações para a discussão entre os professores, assim como sugestões para trabalhar o cálculo mental com os alunos. Para que as habilidades de leitura, escrita e resolução de problemas sejam desenvolvidas pelos alunos na escola, pode-se destacar o trabalho, organizado por Smole e Diniz (2001) e reunido no livro “Ler, escrever e resolver problemas”. Este trabalho tem a expectativa de auxiliar os professores na reflexão de sua prática e na 52 construção de modelos de ensino mais adequados ao desenvolvimento dos alunos e à aprendizagem da matemática, utilizando os recursos da comunicação. No ensino das noções geométricas, destaca-se o livro: Espaço & Forma: a construção de noções geométricas pelas crianças das quatro séries iniciais do Ensino Fundamental, das professoras, Pires, Curi e Campos (2001). O livro surgiu de um projeto desenvolvido junto a professores do CEFAM (Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério) e das séries iniciais do Ensino Fundamental da Escola Estadual Dr. Edmundo de Carvalho, com a finalidade de investigar aspectos relativos ao ensino e à aprendizagem de Geometria pelas crianças de 7 a 11 anos. O livro aborda objetivos, conteúdos conceituais e procedimentais do ensino de Geometria, além de inúmeras atividades e situações didáticas para serem trabalhadas em sala de aula. Os professores: Batista, Muniz e Silva (2002), da Universidade de Brasília, prepararam textos para o curso de Pedagogia para professores em exercício no Início da Escolarização (PIE). Os textos utilizados no plano de ensino tratam dos seguintes conteúdos: Decimais, Medidas e Sistema Monetário e proporcionam aos professores uma profunda reflexão sobre o seu fazer pedagógico, em que os alunos não estudem Decimais e Medidas por estudar, mas para construir novos caminhos, novas possibilidades a partir das suas vivências em seu contexto sócio-cultural, por meio da ação- reflexão-ação. Em relação ao tratamento da informação, cita-se a abordagem proposta pelos PCNs, que insere o desafio para a escola de incorporar ao seu trabalho novas formas de comunicar e aprender, utilizando-se de recursos como a calculadora e os computadores. Além disso, são integradas a esse conteúdo atividades que abordam aspectos da contagem, da probabilidade e da estatística. Os autores, pesquisas, livros e artigos anteriormente citados, tratam do conteúdo e do ensino da matemática e servem de referencial teórico para a elaboração e implantação do plano de ensino. 53 5. Como foram os encontros Quando os professores trabalham juntos, cada um pode aprender com o outro. Isso os leva a compartilhar evidências e informação e a buscar soluções. A partir daqui os problemas importantes das escolas começam a ser enfrentados com a colaboração entre todos, aumentando as expectativas que favorecem os estudantes e permitindo que os professores reflitam sozinhos ou com colegas sobre os problemas que os afetam. Francisco Imbernón O projeto de intervenção teve seu início no dia de atribuição de aulas. Nesse dia, foi realizada uma breve explanação sobre o mesmo, com objetivo de selecionar professoras que tivessem o perfil que a pesquisadora considerou importante e necessário: comprometimento, assiduidade e disponibilidade para mudanças. Desse modo, as professoras ao escolheram as 4ª séries, optaram em participar do projeto. Os encontros eram planejados pela pesquisadora com antecedência. Os textos e os materiais selecionados eram disponibilizados para as professoras antes dos encontros. Ao iniciar um novo assunto, a pesquisadora entregava o plano de ensino (Anexo H) com: conteúdos, objetivos específicos, material utilizado, metodologia de ensino e datas dos encontros. No entanto, a maioria das professoras não realizava as leituras com antecedência, de modo que os encontros, na maioria das vezes, eram iniciados com leituras coletivas. Nos primeiros encontros, aconteceram, também, alguns casos de professoras que chegaram atrasadas, o que prejudicou o início. Esse fato fez com que a pesquisadora fizesse um acordo com o grupo de professoras: o encontro teria duração de 60 minutos, assim, caso começasse com 15 minutos de atraso, se estenderia o final pelo mesmo tempo. Depois de realizado esse acordo, não ocorreram novos atrasos. Outro fator que prejudicou inicialmente os encontros é que as horas de HTPC(s) são, também, destinadas ao atendimento de pais. As professoras que ficavam atendendo perdiam o início dos encontros. Foi, então, combinado que o atendimento aos pais seria realizado somente às quintas-feiras (outro dia reservado para HTPC). 54 Em todos os momentos, procurou-se mostrar que as discussões propostas estavam abertas e as experiências, as práticas pedagógicas, os conhecimentos e as participações efetivas das professoras eram essenciais para a riqueza e diversidade dos encontros. 5.1 1º Encontro (12/03): Apresentação do projeto de intervenção O primeiro encontro teve início com as três professoras da 4ª série do Ensino Fundamental, com a Professora Coordenadora Pedagógica e com a pesquisadora que explicou detalhadamente o projeto de intervenção. Na seqüência, foi analisada a prova de Matemática do SARESP de 2005, sendo definido que no dia 14 de março seria aplicada a prova para os alunos e no dia seguinte seria feita a correção das mesmas pelas professoras. Nessa semana, aconteceu na escola a 1ª reunião de pais e professores. A pesquisadora conversou com os pais sobre o projeto de intervenção que seria realizado durante o ano e solicitou que, dentro do possível, os alunos não fossem transferidos de escola e não faltassem às aulas de modo a não causar prejuízos ao seu processo de aprendizagem. 5.2 2º Encontro (19/03): Apresentação dos resultados No segundo encontro, as professoras trouxeram as provas que foram aplicadas aos alunos. Após análise das mesmas, foi preenchida uma planilha com os resultados, contendo as questões certas e erradas para que no próximo encontro fosse verificado em quais conteúdos os alunos apresentaram maiores dificuldades. 5.3 3º Encontro (26/03): Levantamento das dificuldades A pesquisadora digitou as planilhas e os dados apresentados foram organizados. As questões foram contabilizadas e separadas em categorias. As categorias consideradas foram: C (certas) E (erradas), conforme Anexo G. 55 Selecionaram-se, então, as questões nas quais os alunos apresentaram mais que 50% de respostas erradas e, a partir desses dados, elencaram-se os conteúdos e habilidades nos quais os alunos apresentaram maiores dificuldades e que foram os seguintes: • Calcular o quociente de dois números naturais; • Utilizar um número racional na forma decimal para resolver uma situação contextualizada; • Comparar e ordenar escritas decimais de números racionais; • Utilizar representações fracionárias em situações que envolvem a relação parte-todo; • Utilizar representações fracionárias em situações que envolvem o quociente de dois números naturais; • Identificar elementos e utilizar propriedades de figuras geométricas bidimensionais; • Identificar e relacionar unidades de medida de comprimento em situações contextualizadas; • Identificar e relacionar unidades de medida de capacidade em situações contextualizadas; • Resolver situação-problema que envolve grandezas geométricas como perímetro e/ou área. A partir dos resultados apresentados pelos alunos foram selecionados os conteúdos e habilidades desenvolvidos no plano de ensino. Foi solicitado que as professoras fizessem um levantamento de quantos alunos, entre os noventa e nove, não estavam alfabetizados e o resultado foi o seguinte: • 4ª série A: 2 alunos. • 4ª Série B: 3 alunos. • 4ª Série C: Nenhum aluno. 56 Ficou combinado com as professoras que a intervenção a ser feita com esses alunos seria realizada de forma diferenciada. 5.4 4º Encontro (09/04): O Sistema de Numeração e Operações Antes de iniciar o 4º encontro, decidiu-se, junto ao grupo, como dito anteriormente, que todas as professoras de 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental participariam dos encontros de formação, uma vez que a Professora Coordenadora Pedagógica estaria presente e o material a ser trabalho poderia ser utilizado em todas as séries iniciais do Ensino Fundamental. No entanto, o foco da intervenção continuou sendo os alunos da 4ª série do Ensino Fundamental. Em seguida foi feita a leitura dos objetivos específicos propostos para o ensino do sistema de numeração e operações. Na seqüência, uma professora da 1ª série relatou que durante suas aulas utilizava folhetos de mercado, que os alunos comparavam preços, traziam sucatas, colocavam preços, faziam trocos. As professoras, em geral, destacaram a importância da utilização do material concreto durante as aulas de matemática, como: folhetos, tampinhas, garrafas, botões, etc. Um dos pontos destacados pela pesquisadora foi como os alunos vão construindo o conhecimento em relação à numeração escrita sendo destacada a pesquisa realizada por Lerner e Sadovsky (1996). As autoras partiram da premissa de que o acesso das crianças ao sistema de numeração se constitui um problema e procuraram estabelecer como que as crianças se aproximam deste conhecimento, e quais conceitualizações elaboram a respeito do sistema de representação dos números. Realizaram uma análise crítica das propostas de ensino vigentes e propuseram que os alunos, por meio de situações didáticas, questionassem e reformulassem suas idéias, aproximando-se progressivamente da compreensão da escrita convencional. A partir da pesquisa realizada, foi solicitado às professoras que aplicassem algumas atividades para os alunos como, por exemplo: a comparação entre dois números, qual é o maior? Pensem em um número muito alto, escrevam-no e depois comparem entre si à escrita. Foi pedido para que observassem e anotassem as hipóteses construídas pelos alunos. 57 5.5 5º Encontro (16/04): O Sistema de Numeração e Operações Iniciou-se esse encontro com o retorno das atividades propostas. As professoras relataram que, em geral, os alunos não apresentaram dificuldades, pois segundo elas, muitos já têm noção de números. Em seguida, foi discutida a seguinte questão: Aprender o conceito de dezena ajuda realmente a conhecer os números ou o conhecimento dos números e de sua escrita é que ajuda a compreender o conceito de dezena? O grupo de professoras acreditava que se deveria trabalhar a noção de números do um até o dez e, a partir daí, introduzir o conceito de dezena. A pesquisadora ressaltou que a numeração escrita existe não só dentro da escola, mas também fora dela, e os alunos têm conhecimentos acerca do sistema de representação dos números muito antes de ingressar na escola, por isso a importância do professor considerar o que as crianças sabem, as perguntas que fazem, os problemas que formulam e os conflitos que devem superar antes de introduzir as regras do sistema de numeração. Lerner e Sadovsky (1996) afirmam que, mesmo os alunos que ainda não descobriram as regras do sistema (o agrupamento usando o recurso da base 10), podem elaborar hipóteses referentes às conseqüências dessa regra (a vinculação entre quantidade de algarismos ou sua posição e o valor do número) e utilizá-las como critérios válidos de comparação de números. “A partir destas hipóteses, as crianças poderão, sem dúvida, formular perguntas – e o professor poderá enunciá-las – questões que as conduzirão, através de aproximações sucessivas, a descobrir a regra do sistema.” (LERNER, SADOVSKY, 1996, p.84). Na seqüência, foi destacado que as crianças vão construindo hipóteses a respeito do sistema de numeração e as escritas que correspondem à numeração falada entram em contradição com as hipóteses vinculadas à quantidade de algarismos das notações numéricas. “Tomar consciência deste conflito e elaborar ferramentas para superá-lo parecem ser passos necessários para progredir até a notação convencional.” (LERNER, SADOVSKY, 1996, p.108). Finalizando, foi ressaltada a importância de trabalhar com as hipóteses que os alunos constroem em relação ao sistema de numeração o que ajudaria a 58 compreender as regras da escrita convencional e o conceito de dezena, por exemplo. 5.6 6º Encontro (23/04): O Sistema de Numeração e Operações O encontro teve início com a discussão de como propor situações didáticas que permitam aos alunos apropriarem-se, progressivamente, da escrita convencional dos números e das operações. Segundo Lerner e Sadovsky (1996), para ensinar o sistema de representação da escrita numérica é necessário criar situações que permitam mostrar a própria organização do sistema. As situações didáticas sugeridas pelas autoras foram divididas em duas grandes categorias: a primeira abrange todas as situações didáticas que se vinculam à relação de ordem e a segunda abrange situações centradas nas quatro operações (adição, subtração, multiplicação e divisão). Primeiramente, foi proposto trabalhar com os alunos as atividades vinculadas à relação de ordem. Divididas por série, as professoras selecionaram atividades que seriam desenvolvidas com os alunos. Foram selecionadas, para a 4ª série, as seguintes atividades: Formar listas de preços ou colocá-las nos artigos (mercadorias) correspondentes, fazer notas fiscais, identificar o preço de produtos que deseja comprar, confeccionar listas de preços e cartazes com recortes de folhetos de mercados, interpretar valor de notas fiscais, preencher cheques, consultar ofertas, fazer trocos. 5.7 7º Encontro (07/05): Sistema de Numeração e Operações Nesse encontro foram discutidas e analisadas as atividades desenvolvidas com os alunos. As professoras se mostraram entusiasmadas com os resultados apresentados. Uma professora relatou que estava achando tudo muito interessante e que nunca tinha aprendido ou lido nada sobre como os alunos se apropriam, aprendem, formulam hipóteses a respeito do sistema de numeração. Outra professora destacou a importância de trabalhar com os alunos, utilizando o material 59 dourado32 relatando que o utiliza muito durante as suas aulas. A pesquisadora solicitou a essa professora que, no encontro seguinte demonstrasse para as outras como ela utilizava esse material. 5.8 8º Encontro (14/05): Material Dourado Na escola onde foi realizada a pesquisa existem muitas caixas de material dourado algumas das quais foram trazidas pela pesquisadora para esse encontro. A professora, conforme o combinado, demonstrou atividades e jogos para serem desenvolvidos com os alunos e que contribuem para que eles construam o significado do número, interpretem, produzam escritas numéricas e ampliem os procedimentos de cálculo. Na seqüência, a pesquisadora entregou um texto33 contendo diversas atividades utilizando o material dourado. Entre elas, o jogo: “Não pode dez”. As professoras, divididas em grupo, jogaram entre si. A partir desse encontro, observou-se na escola um aumento significativo da utilização do material dourado durante o desenvolvimento das aulas. As professoras gostaram das atividades sugeridas. Uma delas comentou que alguns livros de Matemática trazem atividades diversificadas e com propostas inovadoras. O encontro encerrou-se com essa discussão. 5.9 9º Encontro (21/05): Sistema de Numeração e Operações Esse encontro teve início com discussões relacionadas às quatro operações (adição, subtração, multiplicação e divisão) e que ocupam grande espaço no ensino de matemática nas séries iniciais. 32 O Material Dourado é um dos materiais criado por Maria Montessori. Este material baseia-se nas regras do sistema de numeração, inclusive para o trabalho com múltiplos, sendo confeccionado em madeira, é composto por: cubos, placas, barras e cubinhos. O cubo é formado por dez placas, a placa por dez barras e a barra por dez cubinhos. Este material é de grande importância na numeração, e facilita a aprendizagem dos algoritmos da adição, da subtração, da multiplicação e da divisão. Disponível em: http://www.centrorefeducacional.com.br/montesso.html. Acesso em: 01 de março 2008. 33 Disponível em: www.mathema.com.br. Acesso em: 01 maio 2007. 60 A pesquisadora destacou que, para se ensinar as quatro operações, não basta organizar o ensino dos algoritmos e verificar sua aquisição, pois, “o trabalho com os algoritmos deve ser simultâneo e complementar com o processo de entendimento da natureza das operações. Assim, os alunos vão identificando as operações com suas representações e com os problemas que elas permitem resolver” (SEQUERRA, 1998, p. 31). Em cada situação-problema, o aluno deverá decidir qual o procedimento mais adequado: se achar melhor, usa o algoritmo convencional; mas, se tiver alguma dúvida, pode recorrer a outras formas de resolução. Para desenvolver esses conhecimentos existem atividades dinâmicas e significativas, entre elas pode-se citar a utilização de jogos. “Pelo jogo, as crianças exercitam o raciocínio, o senso de observação, o cálculo e o pensamento lógico, de forma divertida e gostosa, além de desenvolver seus conhecimentos a respeito dos números” (SEQUERRA, 1998, p. 5). A pesquisadora sugeriu alguns jogos34 que poderiam ser utilizados com os alunos, entre eles: vinte e um e álbum de figurinhas. O encontro foi encerrado com a leitura das atividades descritas por Lerner e Sadovsky (1996) envolvendo as quatro operações e que foram propostas para serem desenvolvidas com os alunos. 5.10 10º Encontro (28/05): Cálculo Mental O encontro teve início com os relatos dos jogos e das atividades realizadas com os alunos. Diversas atividades foram desenvolvidas em grupo. Algumas professoras relataram que existem alunos que nada desenvolvem, principalmente quando estão trabalhando em grupo e que apenas “copiam” o que os colegas resolveram. A pesquisadora ressaltou a importância da intervenção do professor nessas situações, tanto incentivando a formação de grupos produtivos, ou seja, aqueles que os alunos se encontrem em nível de desenvolvimento aproximados, quanto motivando os alunos a refletirem sobre as suas anotações e a responsabilidade de produzir uma resposta própria. O professor, assim, intervém, orientando os alunos para formas de trabalho mais autônomas. 34 Disponível em: SEQUERRA,M.L.Cadernos da TV Escola: PCN na escola, 1998. 61 Na seqüência, passou-se à discussão sobre a importância do Cálculo mental. A pesquisadora destacou que “quando fazemos operações de ‘cabeça’, sem escrever os elementos que intervêm na operação nem usar instrumentos de cálculo como a calculadora, dizemos que estamos efetuando um cálculo mental”. (SEQUERRA, 1998, p. 38). Segundo Parra (1996), a capacidade de resolver problemas, tomar decisões, trabalhar com outras pessoas, usar recursos de modo pertinente, fazem parte do perfil demandado pela sociedade de hoje. As mais diferentes perspectivas afirmam que o centro do ensino de matemática deva ser a resolução de problemas. Ao mesmo tempo, parece evidente que a capacidade progressiva de resolução de problemas demanda um domínio crescente de recursos de cálculo. Nesse sentido, para atender às demandas sociais existe a necessidade de uma aproximação dos alunos com o cálculo, para que eles se tornem capazes de escolher procedimentos apropriados, encontrar resultados e julgar a validades das respostas. Na seqüência, foi feita a leitura de fragmentos do texto: Cálculo Mental na escola primária (PARRA, 1996). Durante a leitura, algumas professoras apontaram que, o cálculo mental ajuda muito na hora de fazer compras no supermercado, por exemplo, apesar de hoje em dia muitos recorrerem à calculadora. Em seguida, foram discutidas as habilidades de como fazer estimativas (cálculo aproximado) e de cálculo mental que se combinam com as atividades de cálculo escrito e com o uso de calculadoras. O texto traz uma série de sugestões de atividades e decidiu-se que as mesmas seriam trabalhadas com os alunos durante a semana seguinte. 5.11 11º Encontro (18/06): Cálculo mental Nesse encontro, as professoras se mostraram empolgadas com os resultados apresentados pelos alunos. Relataram que as atividades eram bastante interessantes, que muitos alunos já tinham a noção dos cálculos e que a maioria havia se saído muito bem. 62 Na seqüência, a pesquisadora entregou um texto35 contendo uma série de jogos e brincadeiras, utilizando o cálculo mental. Finalizou-se o encontro com as professoras divididas em grupos e jogando diversos jogos entre si. 5.12 12º Encontro (25/06): Ler, escrever e resolver problemas A pesquisadora iniciou esse encontro com o seguinte questionamento: Os alunos sabem ler, interpretar e resolver problemas? Depois de muita discussão, chegou-se à conclusão de que muitos professores reclamam que seus alunos não sabem ler, interpretar e resolver problemas; porém, essas habilidades, apesar de serem tão básicas para aprender qualquer coisa, tem sido tratadas de formas isoladas ou são pouco consideradas, especialmente nas aulas de matemática. Em seguida, iniciou-se a leitura do texto: Ler e aprender matemática de Smole e Diniz (2001). Segundo as autoras, em qualquer área do conhecimento, a leitura deve possibilitar a compreensão de diferentes linguagens, de modo que os alunos adquiram certa autonomia no processo de aprender. Em uma situação de aprendizagem significativa, a leitura é reflexiva e exige que o leitor se posicione diante de novas informações, buscando, a partir da leitura, novas compreensões. A pesquisadora ressaltou a importância de ensinar os alunos a lerem com compreensão nas aulas de Matemática e indicou sugestões de atividades que podem facilitar a aprendizagem, a partir da leitura. Passou-se, então, à discussão das atividades sugeridas, chegando ao consenso de que elas poderiam ser um caminho que ajudasse o aluno a interpretar, buscar informações e novas formas para a resolução de problemas. Com essa discussão foi encerrado o encontro. 35 Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/grp_1.php?t=037 63 5.13 13º Encontro (30/07): Ler, escrever e resolver problemas Dando continuidade às habilidades de ler, escrever e resolver problemas, a pesquisadora iniciou o encontro, mostrando que os alunos podem resolver problemas, utilizando desenhos, algoritmos, tabelas e textos. Algumas professoras relataram que já trabalhavam problemas, utilizando gráficos e tabelas. Uma professora destacou que os pais podem ajudar seu filho a aprender Matemática no seu cotidiano, colocando a mesa, contando pratos, talheres; fazendo contas durante as compras, por exemplo. Na seqüência, foi feita a leitura do texto: Conhecendo diferentes tipos de problemas, de Stancanelli (2001). Nele, a autora sugere diversos problemas, como por exemplo: problemas sem solução, com várias soluções, com dados desnecessários; e a confecção de uma problemoteca36. As professoras decidiram montar e organizar uma por série, além disso, selecionaram alguns problemas que seriam aplicados aos alunos durante a semana. 5.14 14º Encontro (06/08): Ler, escrever e resolver problemas O encontro teve início com o retorno das atividades propostas aos alunos e o desempenho dos mesmos. Foram desenvolvidas atividades bastante diversificadas, como por exemplo: • Atividades de colagem em duplas: os alunos escolheram alguns produtos alimentícios e pesquisaram os preços; • Tiras de problemas: os alunos montaram a seqüência correta do problema a partir de múltiplas respostas; • Resolução de problemas com mais de uma solução e com excesso de dados. As professoras, reunidas em grupos, analisaram e discutiram as atividades desenvolvidas pelos alunos das diversas turmas e, assim, encerrou-se o encontro. 36 A problemoteca é uma coleção organizada de problemas colocadas em uma caixa ou fichário, com fichas numeradas que contém um problema e que podem trazer a resposta no seu verso, pois isso possibilita a autocorreção e favorece o trabalho independente. 64 5.15 15º Encontro (13/08): Ler, escrever e resolver problemas O texto escolhido para esse encontro foi: Diferentes formas de resolver problemas (CAVALCANTI, 2001). Feita a leitura, uma das professoras destacou do texto a importância da linguagem oral nas aulas de Matemática e relatou que os trabalhos realizados em duplas de alunos são bastante produtivos, colaboram para o melhor entendimento da atividade e que utilizava esse tipo de agrupamento quando estava alfabetizando. Segundo Cavalcanti (2001), a oralidade utilizada como recurso na resolução de problemas pode ampliar a sua compreensão e ser veículo de acesso a outros tipos de raciocínio. Assim, falar e ouvir nas aulas de matemática permite uma maior troca de experiências entre os alunos, amplia o vocabulário matemático e lingüístico da classe e faz com que idéias e procedimentos sejam compartilhados. A pesquisadora destacou que cabe ao professor intervir para que situações de oralidade ocorram com freqüência em suas aulas. Para dar início às discussões, a pesquisadora destacou o seguinte trecho do texto: Para que os alunos sejam capazes de apresentar as diferentes maneiras que utilizam para resolver problemas, cabe ao professor propiciar um espaço de discussão no qual eles pensem sobre os problemas que irão resolver, elaborem uma estratégia e façam o registro da solução encontrada ou dos recursos que utilizam para chegar ao resultado. (CAVALCANTI, 2001, p. 125). Nesse sentido, a pesquisadora ressaltou que assegurar esse espaço é uma forma de intervenção didática que pode favorecer a formação do pensamento matemático, livre do apego às regras e às crenças tão presentes nas aulas de matemática. Tal intervenção pode favorecer o desenvolvimento de atitudes adequadas na resolução de problemas e pode inibir outras, como por exemplo: qual é a operação que resolve o problema? Ou esperar que alguém resolva e não investir tempo ou pensar mais demoradamente para resolvê-lo. Cavalcanti (2001) sugere diferentes formas e caminhos para se chegar a um problema com soluções diferentes e com uma única resposta, tratando, também, sobre os erros cometidos pelos alunos. O grupo de professoras discutiu bastante 65 sobre como lidar com os erros dos alunos. Todas concordaram que, quando o aluno comete erro, ele pode e deve ser apontado pelo professor ou pelos próprios alunos. Em seguida, a pesquisadora sugeriu que as professoras anotassem em um quadro as dificuldades e os avanços que cada aluno apresentou durante as atividades e o mesmo poderia fazer parte do portfólio, uma vez que auxiliaria no acompanhamento da aprendizagem do aluno. Foi ressaltada, também, a importância de o professor realizar, dentro do possível, um acompanhamento individual de cada aluno e não ficar, apenas, atrelado às notas das provas e às médias das mesmas. Todas as professoras concordaram e uma delas destacou que se o número de alunos por sala fosse menor, esse acompanhamento seria realizado com maior freqüência. E com essa discussão, terminou-se o encontro. 5.16 16º Encontro (20/08): Ler, escrever e resolver problemas A pesquisadora iniciou o encontro, solicitando às professoras que formulassem problemas a partir: • De um dado problema, criar perguntas sobre ele; • A partir de uma figura (uma tira de história em quadrinhos), criar perguntas sobre ela. Depois de realizada a atividade, a pesquisadora ressaltou que formular problemas é mais complexo do que resolvê-los, na medida em que é preciso lidar com as dificuldades da linguagem matemática e da língua portuguesa. Além disso, a formulação de problemas é um importante instrumento de avaliação uma vez que fornece indícios de conceitos que os alunos estão ou não aprendendo. Segundo Chica (2001), quando o aluno cria seus próprios textos de problemas, ele precisa organizar tudo que sabe e elaborar o texto, dando-lhe sentido e estrutura adequados para que possa comunicar o que pretende. Nesse processo, aproximam-se a língua portuguesa e a Matemática, as quais se complementam na produção de textos e permitem o desenvolvimento da linguagem específica. O aluno, deixa, então, de ser um “resolvedor” para ser um propositor de problemas, vivenciando o controle sobre o texto e as idéias matemáticas. 66 Em seguida, a pesquisadora encerrou o encontro com a leitura do seguinte texto: esperamos que o professor tenha percebido que o objetivo maior da formulação de textos de problemas é a formação de um indivíduo autônomo frente aos problemas, capaz de enfrentar obstáculos e de desenvolver suas habilidades de argumentação, observação, dedução e, principalmente, seu espírito critico. Queremos que nossos alunos sejam agentes de suas aprendizagens, que se tornem leitores e escritores em matemática, que produzam algo que tenha sentido e utilidade para eles. (CHICA, 2001, p. 173). 5.17 17º Encontro (27/08): Decimais e Sistema Monetário O encontro teve início com a leitura e discussão do plano de ensino para o desenvolvimento do conteúdo: Decimais e Sistema Monetário. A pesquisadora esclareceu neste conteúdo será utilizado o material produzido por: Batista, Muniz e Silva (2002). Segundo os autores, em nossa cultura temos por hábito usar decimais bem mais do que as frações: no dinheiro, nas medidas de comprimento, capacidade, superfície, volume. E mais que isso: o nosso sistema de medidas é decimal e o nosso sistema legal tem por base o DEZ. Assim, quando o professor trabalha com as quatro operações, ele trabalha na base 10. Já no trabalho desenvolvido com frações, sobretudo quando se opera com elas, lida-se com “multibases”. Por isso percebe-se facilmente a dificuldade de o aluno operar com frações após trabalhar com base 10 no sistema de numeração decimal. A justificativa para que não aconteça essa ruptura, fundamenta-se no fato de que a estrutura numérica existente nos números naturais continua preservada nos números decimais. Nesse sentido, os mesmos autores trazem a proposta de trabalhar com decimais, antes de frações, o que não significa reduzir a importância das frações, ao contrário, propõem harmonizar o currículo, dando instrumentos e tempo ao aluno para futuras aprendizagens. A pesquisadora ressaltou que iniciar o estudo com decimais prepara o aluno para compreender frações, buscando-se, assim, trabalhar com conteúdos que tenham maior significado. 67 As professoras, inicialmente, mostraram certa resistência a essa proposta porque normalmente frações é um conteúdo trabalhado após o estudo de números naturais. Na seqüência, foi apresentado o material “pós-moderno”, sugerido pelos autores, sendo solicitado às professoras que trabalhassem esse material com os alunos com objetivo de verificar como o mesmo funciona. O material é composto por um retângulo sem divisões, e por outros retângulos divididos por dez, por cem e por mil. Partindo desse material, que é de simples e de fácil reprodução, pode-se iniciar o ensino de Decimais. Foi entregue a cada professora uma cópia do material. Para iniciar a atividade, foi solicitado que cada uma pegasse onze retângulos sem divisões e usando a criatividade, dissessem o que era. Coincidentemente, todas disseram que eram barras de chocolate. A pesquisadora propôs, então, o seguinte problema: Tenho 11 chocolates e quero dividir entre 10 amigos. Sobrou 1 chocolate inteiro, o que fazer com ele? A pesquisadora ressaltou que, nesse momento, as professoras devem percorrer com os alunos sobre as possibilidades até que eles percebam que podemos dividir o chocolate. Em quantas partes? Deixem que os alunos percebam que, se são 10 amigos, a divisão tem que ser em 10 partes. As professoras, nesse momento, deverão propor aos alunos a troca do chocolate inteiro por um dividido em 10 partes, e pedir que eles recortem as partes com a tesoura. Foi ressaltado que enquanto a simbologia estiver atada ao concreto não há problema de representação “11” (1chocolate e 1 pedaço). O desafio é como escrever esta resposta com algarismos e distante da situação concreta. O professor poderá deixar os alunos criarem as suas possibilidades e, dentre as notações sugeridas, eleger junto com a turma, uma das notações, que poderá ser: 1¹ (um grande e um pequeno). A partir destas notações, foram propostas as seguintes atividades: ditado Legal, adição e subtração de decimais. Foi pedido para que as professores trabalhassem o material e as atividades sugeridas com os alunos. Algumas professoras reclamaram, alegando que não poderiam trabalhar essa semana porque as atividades eram diferentes dos conteúdos do “livro didático” e que precisavam “continuar a matéria”. A 68 pesquisadora procurou mostrar que o livro didático é, apenas, um material de apoio do trabalho pedagógico, não havendo a necessidade de cumpri-lo na íntegra. E ressaltou a importância de trabalhar atividades significativas com os alunos, facilitando a sua aprendizagem. As professoras, finalmente, concordam em utilizar o material, aplicar as atividades e assim o encontro foi encerrado. 5.18 18º Encontro (03/09): Decimais e Sistema Monetário O encontro teve início com o retorno das atividades propostas. Uma professora relatou que muitos alunos fizeram os cálculos mentalmente. Outra professora contou que na hora em que solicitou a notação, muitos alunos já utilizaram a vírgula. Em seguida, a pesquisadora questionou: O que acharam das atividades? É importante trabalhar decimais antes de frações? Todas concordaram alegando que esse procedimento facilita o entendimento dos alunos. Na seqüência, deu-se prosseguimento à leitura coletiva das atividades propostas pelos autores: Batista, Muniz e Silva (2002), que foram as seguintes: mistério na escola, caixa de décimos, pesquisando números com vírgulas e/ou pontos, representando preços, hora de subir na balança, observando o odômetro do carro, medindo temperaturas, pesquisando peso de animais, brincando com boliche de decimais, salto em distância. A pesquisadora encerrou o encontro, solicitando às professoras que trabalhassem durante a semana essas atividades com os alunos e que criassem, também, as suas próprias atividades. 5.19 19º Encontro (10/09): Decimais e Sistema Monetário Iniciou-se esse encontro com o seguinte conteúdo: Sistema Monetário Brasileiro que é um tema privilegiado para o estudo com decimais. 69 A pesquisadora destacou que o manuseio de moedas,de cédulas e a vivência com valores são procedimentos importantes para o desenvolvimento das habilidades relativas ao trabalho com decimais e podem começar desde a alfabetização. Segundo Batista, Muniz e Silva (2002) a simulação, voltada para jogos simbólicos (Piaget), nas quais vivências de pagamento, dívidas, débito, crédito e seus respectivos registros constituem situações do dia-a-dia (a-didáticas) transpostas para situações didáticas (Brousseau). São as situações a-didáticas, da experiência cultural, do seu dia-a-dia que levam os alunos a pensar matematicamente. Assim, a escola deve trazer para si esse contexto sócio-cultural. Na seqüência, passou-se à discussão das seguintes atividades elaboradas, a partir da transposição de situações do contexto cultural dos alunos para situações didáticas: mercadinho, banco, custo de vida, registro de valores. Entre as atividades propostas, as professoras decidiram organizar e desenvolver a atividade: “mercadinho”, a qual simula um mercado de verdade, com produtos representados a partir de sucatas, dinheiro de papel e os alunos se alternando na função de compradores e vendedores. Com a organização dessa atividade, encerrou-se o encontro. 5.20 20º Encontro (17/09): Frações e Números Racionais O encontro teve início com a leitura e discussão do plano de ensino referente ao conteúdo: Frações e números racionais. Na seqüência, a pesquisadora discutiu com as professoras os seguintes conceitos37: • Fração: representa tanto uma parte da unidade quanto o registro numérico associado a essa parte. • Número fracionário: É o número, único (embora com várias representações) associado a toda uma classe de frações equivalentes. Expressa o resultado da divisão de dois números naturais. É um número positivo. 37 BERTONI,N.Educação e Linguagem Matemática IV, 2003, p. 105. 70 • Número racional: são números que expressam resultados das divisões de dois números inteiros (o segundo não nulo). Os resultados dessas divisões também podem aparecer na representação decimal. A pesquisadora ressaltou que, assim como os decimais, o ensino de frações deveria ser apoiado em situações reais, significativas, do cotidiano dos alunos e, a partir de situações-problema, jogos e desafios, os alunos deveriam buscar a construção da idéia de frações. Além disso, de acordo com os PCNs, o desenvolvimento de frações até a 4ª série deve centrar-se mais nas idéias associadas ao número fracionário, bem como leitura, escrita, comparação, ordenação de representações fracionárias e de uso freqüente. Em relação aos números racionais, deveriam ser apresentadas ao aluno situações-problema cujas soluções não se encontrem no campo dos números naturais, possibilitando, assim que eles se aproximem da noção de número racional, pela compreensão de alguns de seus significados (quociente, parte-todo, razão) e de suas representações, fracionária e decimal. Uma professora destacou que o trabalho que foi realizado com os alunos, referente aos decimais, facilitará o entendimento desses conceitos. A proposta38 para desenvolver o ensino e aprendizagem do conceito de frações e números racionais centrou-se em: • Explorar um conjunto de situações que tornam o conceito útil e significativo; • Associar divisões e cortes de objetos em partes iguais, como aparecem no mundo real, explorar frações unitárias, bem como seus complementos em relação à unidade; • Ter em mente a vasta rede de conceitos relacionados, considerando que seu desenvolvimento deve se dar de modo progressivo e seguro; • Construir o significado do numero racional e de suas representações fracionárias, a partir de seus diferentes usos no contexto social; • Explorar diferentes significados das frações em situações-problema: partetodo, quociente e razão; 38 BERTONI,N.Educação e Linguagem Matemática IV, 2003, p. 31. 71 • Escrever e comparar números racionais de uso freqüente, nas representações fracionária e decimal; • Identificar e produzir frações equivalentes. Desse modo, no estudo de números fracionários devem ser exploradas atividades que favoreçam a compreensão do conceito de que esses números são representações de partes de um todo. O trabalho do professor deverá ser no sentido de, inicialmente, investir na construção de conceitos e idéias e somente posteriormente se preocupar com registros mais formais e a utilização de terminologias matemáticas. A pesquisadora sugeriu as seguintes atividades39: Frações, problemas e material concreto; reconhecendo as frações e descobrindo relações; Para que servem as frações? Notou que as partes são iguais? Qual é a unidade? Introduzindo frações por meio de situações-problema. O encontro foi encerrado com a leitura e discussão dessas atividades. 5.21 21º Encontro (24/09): Grandezas e Medidas O encontro teve início com a leitura do plano de ensino para o desenvolvimento do conteúdo: Grandezas e Medidas. A pesquisadora ressaltou a importância de considerar que o ser humano vai construindo sua noção de medidas até chegar à escola o que, muitas vezes, não é considerado pelo professor. Nesse sentido, o professor pode buscar essas noções com os alunos a partir do seu contexto social e posteriormente ampliar o conhecimento sobre esse assunto, e não a partir de conceitos científicos já fechados. Desse modo, o trabalho com medidas deveria partir da dimensão da cultura para chegar à ciência e não o inverso. Em seguida, foi sugerido que as professoras fizessem para os alunos a seguinte pergunta: o que demora mais: ir de casa para a escola ou da escola para casa? 39 Disponível em: htpp://educar.sc.usp.br/matematica/mod5.htm. acesso em 06 julho 2007. 72 Segundo Batista, Muniz e Silva (2002), a resposta a esta pergunta está diretamente relacionada às representações que o aluno tem da escola e da família. Assim, medidas, como o tempo e espaço, por exemplo, estão conectadas com sentimentos e percepções. A noção de tempo e espaço tem a ver com a afetividade. Foi ressaltada a importância do professor estar atento às percepções e ao significado que seus alunos dão ao espaço e ao tempo e também estar atento para que não haja um reducionismo curricular no estudo de medidas de não reduzi-lo a um estudo mecânico de transformação de unidades. Os mesmos autores destacam DOZE PRINCÍPIOS que foram discutidos com as professoras e devem permear todo o estudo de medidas, seja medida de espaço, tempo, massa, capacidade ou volume, que são os seguintes: • 1º Princípio: O ponto de partida do estudo de medidas é a percepção. • 2º Princípio: O estudo das medidas deve perpassar todo o espaço curricular, deve estar presente do primeiro ao último dia de aula. • 3º Princípio: Todas as medidas devem iniciar com as unidades arbitrárias (palmo, pés, caneta, etc.) • 4º Princípio: A escola deve provocar e promover situações de medidas com as unidades arbitrárias para que, por meio do conflito, surja a necessidade da padronização. • 5º Princípio: A transferência da unidade padrão para a unidade legal deve estar vinculada à história da civilização humana (de acordo com o nível de ensino). • 6º Princípio: A escola deve tornar-se um espaço legítimo para a discussão da diversidade cultural, a partir das diferenciações das medidas. • 7º Princípio: No estudo de medidas é importante conhecer a real função da manipulação de material concreto. • 8º Princípio: É preciso trabalhar a real dimensão do sistema de medidas adotado pela nossa cultura (precisa-se saber quais são as unidades de medidas, seus múltiplos e submúltiplos; todavia a ênfase deve ser nas unidades mais usuais e às principais transformações). 73 • 9º Princípio: Este princípio está relacionado com a dificuldade de, metodologicamente, trabalhar de forma integrada e holística. • 10º Princípio: Aceitar e explorar a inter-relação entre medidas e Geometria. • 11º Princípio: A escola deve ser o espaço de trabalhar o sistema legal de medidas, pois é por excelência espaço de socialização e de compreensão das relações estabelecidas na sociedade. • 12º Princípio: A escola deve estar atenta à capacidade do aluno de criar situações-problema e propor soluções para os impasses e conflitos gerados por estas situações vinculadas a sua vida cotidiana. Cada princípio permeou todo o estudo do sistema de medidas e trouxe exemplos que puderam servir como sugestão e não como roteiros para serem seguidos na íntegra pelas professoras, mas, sim, reinventados e adaptados segundo a realidade dos alunos. Durante a leitura e discussão, as professoras mostraram-se atentas e algumas participaram ativamente das discussões. Uma delas relatou que trabalha com garrafas pet, contendo líquidos coloridos de modo que o aluno possa observar formas e volumes diferentes. O encontro foi encerrado com a leitura e discussão dos princípios, ficando combinado que no encontro seguinte se iniciaria com Medidas de Comprimento. 5.22 22º Encontro (01/10): Medidas de Comprimento Nesse encontro, foram trabalhadas medidas de comprimento, destacando-se que a sua percepção é fundamental antes mesmo do ato de medir e que, para a construção desta percepção, é importante a vivência do aluno com objetos como barbantes, cordas, fitas, linhas para que eles adquiram a noção de comprimento, ou seja, curto, comprido, de perto e de longe. Foram sugeridas atividades diversificadas para serem trabalhadas com os alunos, como por exemplo: construindo o campo de queimada ou golzinho, medindo com palmos, medindo objetos e distância em grupos, medindo a estatura dos alunos, construindo réguas, construindo a percepção do quilômetro; com essas 74 atividades, o aluno poderá construir a noção de medida, partindo de medidas arbitrárias como o palmo, uma caneta, uma borracha para só então chegar aos sistemas legais de medidas e nas transformações de quilômetro, metro e centímetro. As professoras demonstraram uma ótima aceitação em relação às atividades apresentadas, ficando combinado que aplicariam as mesmas com os alunos, trazendo o resultado no encontro seguinte. 5.23 23º Encontro (08/10): Medidas de Massa O encontro teve início com o retorno das atividades realizadas com os alunos. As professoras relataram que, durante a semana, conseguiram trabalhar com algumas das atividades propostas. As professoras da 4ª série solicitaram ajuda ao professor de Educação Física para o desenvolvimento das atividades de medidas realizadas na quadra de esportes da escola. Inicialmente, elas construíram com cada aluno um metro confeccionado em papel pardo. Depois disso, os alunos levaram o metro para as aulas de Educação Física e realizaram diversas medições como, por exemplo: medida do gol, distâncias entre grupos, tamanho das arquibancadas. Na seqüência, iniciou-se o conteúdo: medidas de massa. Os autores: Batista, Muniz e Silva (2002) destacam que a percepção de massa começa pela percepção do próprio corpo. Citam, como exemplo, a noção de equilíbrio: quando pulamos e sentimos o peso do nosso corpo no impacto com o solo e ressaltam que medir é comparar, assim, é conveniente que, em sala de aula, sejam proporcionados momentos de comparação de diversos objetos. Sentir a massa e força que atua no objeto (o peso) ajuda que a percepção sensorial de massa não seja fragmentada. Em seguida, foram discutidas as seguintes atividades: construindo balanças e pesquisando diversos, pesando objetos em sala de aula, construindo pesos com areia. Após a leitura e discussão das atividades, iniciou-se o conteúdo: medidas de capacidade. Os mesmos autores citam a percepção de capacidade, lembrando que é muito tênue a diferenciação entre capacidade e volume. A diferença depende muito do que você está querendo medir. Aquilo que se mede com unidades de 75 medida de capacidade, pode-se medir com unidades de medidas de volume e viceversa. Na verdade, a determinação do volume leva em consideração as dimensões da forma do recipiente e o cálculo da capacidade depende, exclusivamente, da unidade escolhida, ou seja, quantas vezes o menor cabe no maior? Quando falamos em capacidade, isso nos remete à idéia de transvasamento de líquidos, lembrando dos testes de Piaget da passagem de líquidos de um recipiente para outro. Ainda segundo os mesmos autores, a percepção de capacidade só poderá ser desenvolvida pela manipulação de líquidos. Se o aluno não tem vivências, experiências ou oportunidades de passar líquidos de um recipiente para outro não há como desenvolver esta percepção. Foram sugeridas as seguintes atividades: transvasamento, graduando recipientes, explorando o copo de 200 ml como unidade de medida, explorando a capacidade de uma caixa de leite. Ao encerrar o encontro, ficou combinado que as professoras selecionariam e desenvolveriam algumas das atividades sugeridas com os alunos, trazendo os resultados para o encontro seguinte. 5.24 24º Encontro (15/10): Medidas de Superfície O encontro teve início com o retorno das atividades desenvolvidas com os alunos. As professoras lamentaram o pouco tempo que tiveram durante a semana, no entanto, mostrarem-se empolgadas durante os relatos. Além disso, não reclamaram mais de que não estão “conseguindo” seguir o livro de Matemática, sinalizando um grande avanço. Durante a semana, a pesquisadora observou um movimento constante das professoras indo diversas vezes com os alunos ao laboratório de Ciências. Lá existem pias com torneiras e as professoras utilizaram esse espaço para as atividades de transvasamento de líquidos. O simples fato de os alunos utilizarem outro espaço que não fosse, exclusivamente, aquele restrito à sala de aula, pôde propiciar o desenvolvimento de aulas mais dinâmicas, tornando-as mais produtivas. Passou-se, então, à leitura do material sobre medidas de superfície. Segundo os autores: Batista, Muniz e Silva (2002) o desenvolvimento da percepção de 76 superfície é importante porque envolve a noção de preenchimento do espaço e envolve, necessariamente, estruturas multiplicativas que não podem ser confundidas ou simplesmente reduzidas à noção da operação aritmética da multiplicação que, também, faz apelo a esse tipo de estrutura. A aquisição das estruturas multiplicativas do pensamento é uma construção do próprio sujeito, realizadas por meio de situações experenciadas por ele, no seu contexto social e significativas para ele. Nesse sentido, foi ressaltado que de nada vale propor para os alunos atividades mecânicas de passar líquido de um lado para o outro, por exemplo, se aquilo não tiver significado para o aluno. O professor, enquanto mediador, deverá propor atividades que sejam desafiadoras, desestabilizadoras, nas quais o aluno possa confrontar respostas diferentes para uma mesma situação, envolvendo, por exemplo, a comparação de superfície. O trabalho em duplas ou em grupo favorece o ambiente de confronto das diversas formas de pensamento para uma mesma situação. Assim, quando um aluno confronta a sua idéia com a de um colega, ambos terão a possibilidade de repensar as suas próprias idéias. Na seqüência foram sugeridas atividades que favorecem tanto o desenvolvimento de pensamento multiplicativo quanto a conservação de superfície, sendo elas: construindo e brincando de quebra-cabeça, Tangran, Geoquadro40, explorando superfícies de quadrados e retângulos, medindo superfícies com quadradinhos de papel, construção do metro quadrado, descobrindo a medida de superfícies com metro quadrado, pesquisando em classificados de jornais, descobrindo quantos decímetros tem o metro quadrado. Para movimentar o encontro, a pesquisadora trouxe vários metros quadrados construídos com papel pardo e solicitou às professoras que medissem a sala onde estavam. Elas aprovaram a atividade e propuseram construir com seus alunos um metro quadrado para cada um e fazer medições pela escola. Com essa atividade, encerrou-se o encontro ficando combinado que o próximo trataria de medidas de volume e de tempo. 40 Geoquadro: É um pedaço de madeira com pregos fincados linearmente e dispostos a uma menor distância, em toda superfície, formando uma malha quadrangular. 77 5.25 25º Encontro (22/10): Medidas de Volume e de Tempo O encontro iniciou-se com as professoras relatando as atividades que foram desenvolvidas com o Tangram e o metro quadrado,e novamente solicitaram ajuda ao professor de Educação Física para a medição da quadra de esportes. Elas relataram, também, que, infelizmente, não conseguiram construir o Geoquadro porque não tiveram tempo, material e local para guardá-lo. A pesquisadora sugeriu que procurassem construir um conjunto (com trinta e cinco geoquadros) para as três salas de 4ª série, assim o custo ficaria mais baixo e não precisaria de tanto espaço para guardá-lo. Na seqüência, iniciou-se a leitura coletiva do material sobre medidas de volume. Os autores: Batista, Muniz e Silva (2002) destacam que o volume se confunde muitas vezes com a capacidade porque o espaço pode ser preenchido com a massa. No volume, estará considerando o espaço tridimensional. Para trabalhar a noção de volume é importante que se trabalhe com jogos de construção. Com peças volumétricas, os alunos podem fazer construções e levantar questões, por exemplo: Qual o menor? Qual o maior? Esses materiais volumétricos podem ser: caixas de fósforos, de creme dental, de leite, de sabão em pó, de chocolate, embalagens vazias de remédios, etc. Como essas caixas variam de tamanho, é importante que nas atividades os alunos trabalhem com grupos de caixas da mesma natureza. As atividades sugeridas foram: construindo e criando caixas, criando com cubinhos do material dourado e construção do metro cúbico. Após a leitura e discussão das atividades, passou-se à leitura coletiva sobre medidas de tempo. Da mesma forma que nas outras, os mesmos autores ressaltam que o estudo de medidas de tempo deve começar com a sua percepção, o que implica estabelecer a relação entre cognição e afetividade, lembrando que a medida de tempo é uma construção humana. Na história da humanidade, a marcação do seu tempo se deu de várias formas. Os homens antigos usaram velas marcadas com traços, pêndulos, ampulhetas, baldes de água, o próprio pé (ainda utilizado pelos músicos para marcar o compasso) e o relógio do sol. A pesquisadora destacou que ampulhetas, por exemplo, poderiam ser utilizadas em sala de aula para marcar o tempo das tarefas, levando à construção do conceito de registro da duração de um evento que, em síntese, é a construção da 78 própria percepção de tempo. Além disso, ressaltou que o estudo do tempo não deveria se resumir ao ensino da leitura de horas, sendo importante que o aluno construísse o conceito de tempo e conhecesse os meios de medi-lo para desenvolver a habilidade de seqüenciar eventos e perceber a sua duração. Foram propostas atividades em que os elementos da natureza seriam instrumentos de marcação do tempo: medindo com o sol, construindo ampulhetas, construindo o relógio digital e construindo a linha do tempo. Após a leitura e discussão das atividades, o encontro foi finalizado, ficando combinado que o próximo trataria do conteúdo: Espaço e Forma. 5.26 26º Encontro (29/10): Espaço e Forma Nesse dia, o encontro teve seu início com a discussão das atividades realizadas com os alunos referentes ao sistema de medidas. As professoras relataram que trabalharam muito com o metro quadrado e que os alunos mediram vários objetos dentro da sala de aula e que, inclusive, verificaram quantos alunos cabiam dentro do metro cúbico. Comprovaram, na prática, que o aluno só vai aprender medir: medindo! Em seguida, a pesquisadora deu uma folha para cada professora e solicitou que respondessem as seguintes questões: • O que vem à sua cabeça quando você ouve a palavra Geometria? • É importante o ensino de Geometria de 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental? Quais atividades podem ser desenvolvidas? As professoras, em sua maioria, destacaram a importância da Geometria para a vida em nosso cotidiano. Ressaltaram, algumas atividades que podem e devem ser desenvolvidas desde a 1ª série. Na seqüência, a pesquisadora discutiu com as professoras o seguinte conceito41: Geometria: É uma palavra derivada do grego formada por geo, que significa terra, e metria, que significa medida. Ao pé da letra, Geometria significa “medida de 41 Tópicos de ensino de matemática. Geometria I (Miguel, Funcia, Miorim, 1992) 79 terra”. Essa relação refere-se ao fato de que, muito antes de Cristo, as terras às margens do rio Nilo eram divididas em porções retangulares para que os egípcios pudessem desenvolver a agricultura. Mas, em determinadas épocas do ano, as águas do Nilo subiam e as terras eram invadidas pelas águas, as demarcações eram apagadas. Quando as águas baixavam, o rei Sesóstris mandava ao local os medidores de terra, que tinham a tarefa de verificar em quanto cada porção de terra havia sido diminuída pelas águas, assim, esses medidores foram adquirindo um saber prático que continha vários princípios ou regras para a medição de ângulos, de áreas de algumas figuras e de volumes de objetos mais simples. Na seqüência, foram analisados os objetivos específicos para o ensino de Geometria contidos nos PCNs e nas orientações didáticas publicadas pela prefeitura de São Paulo, com a intenção de comparar com o que efetivamente é trabalhado na escola. Uma professora destacou que os conteúdos fazem parte do planejamento, mas o tempo destinado, muitas vezes, é insuficiente e por conseqüência acaba não sendo ensinado como deveria. Outra professora relatou que nunca teve bons professores de Geometria e que tem grande dificuldade em entendê-la. A pesquisadora ressaltou que, embora o ensino de Geometria seja defendido e justificado, muitos professores, infelizmente, abandonam essa parte da Matemática, muitas vezes, por encontrarem dificuldades em trabalhar com esse conteúdo. Na seqüência, foram destacados pontos importantes contidos no artigo: Geometria e seu ensino42. Segundo Pirola (2006), esse conteúdo pode favorecer o desenvolvimento da criatividade, na medida em que o professor estimula seus alunos a buscarem novos caminhos para a solução de problemas e cria condições para que eles comuniquem as suas idéias. Assim, montar e desmontar, compor e decompor figuras, recortar, dobrar, pintar, etc. são atividades que favorecem o desenvolvimento da criatividade dos alunos, bem como a compreensão de conceitos e princípios geométricos. 42 Texto produzido para o programa: Ensinar Matemática nas séries iniciais (PIROLA,2006). Disponível em: http://200.161.197.175 /de/oficina/rita/ Unidade%205.5.pdf. Acesso em: 05 jul. 2007. 80 Segundo o mesmo autor, no processo de ensino e de aprendizagem é muito importante que exemplos e contra-exemplos dos conceitos sejam fornecidos para se evitar erros de generalização. Em seguida, a pesquisadora contou para as professoras a seguinte história relatada no artigo: É o relato de um pai que queria ensinar ao filhinho de quatro anos o sentido da palavra “perpendicular”. Para isso, tirou o lápis do bolso e colocou em ângulo com a mesa, dizendo: “É uma perpendicular”. Depois, mandou que o filho repetisse a palavra muitas vezes. No dia seguinte, tornou a colocar o lápis em ângulo reto com a mesa e perguntou: “Que é isto?” O menino respondeu: “É uma perpendicular”. O pai ficou entusiasmado com a inteligência do filho e gabou-se a um visitante. ”Meu filho de quatro anos entende o sentido da palavra perpendicular”. Para demonstrá-lo, chamou a criança, durante o jantar, e colocou uma faca em ângulo reto com a mesa, indagando. “Que é isto?” A criança respondeu: ”Uma faca”. Depois de várias tentativas infrutíferas para obter a resposta “correta”, o pai afinal tirou o lápis do bolso e colocou-o em ângulo reto com a mesa. “Que é isto?” perguntou desesperado. “É uma perpendicular”, replicou a criança. A pesquisadora ressaltou que a formação de um conceito é diferente da simples memorização da definição verbal. De acordo com McDonald (1965) para haver a formação de um conceito: 1) É necessária a discriminação 2) É necessária a generalização. McDonald (1965) cita o seguinte exemplo: Uma criança da 3ª série está aprendendo uma unidade sobre "Navios, Portos e Cargueiros”. Nesta unidade as crianças devem aprender o que é um “porto”. O professor o descreve como “uma” massa de água abrigada e que tem um cais. Para que a criança tenha adquirido o conceito, não basta repetir esta descrição, ela deve ser capaz de distinguir um “porto” de outras formações geográficas, particularmente de outros corpos de água como rios, lagos, mares e oceanos (discriminação), deve ser capaz também, de utilizar a descrição de um “porto” para identificar muitos exemplos de portos. O conceito de um “porto” é uma categorização ou um agrupamento que se aplica a 81 muitos tipos diferentes de portos, cada um dos quais é caracterizado por uma massa de água abrigada e cais (generalização). Na história em questão, o filho não adquiriu o conceito de perpendicular. Ao mudar o lápis para a faca, o filho não conseguiu realizar a transferência conceitual de uma situação para outra, uma vez que o pai havia dado um único exemplo. O número reduzido de exemplos e contra-exemplos pode colaborar para que os alunos construam conceitos parciais. Além disso, segundo Pires (2001) o espaço se apresenta para a criança de forma essencialmente prática: ela constrói suas primeiras noções espaciais por meio dos sentidos e do movimento e a compreensão das relações geométricas pelas crianças supõe sua ação sobre objetos. No entanto, é bom ter cuidado para não confundir isso com falsas idéias, segundo as quais se imagina que basta mostrar objetos geométricos aos alunos para que estes os conheçam, ou que basta enunciar suas propriedades para que eles delas se apropriem. Na seqüência, a pesquisadora levantou a seguinte questão: Como passar do espaço sensível para o geométrico? Após alguns segundos de silêncio, a pesquisadora explicou que é o aspecto experimental que, provavelmente, vai colocar em relação esses dois espaços: o sensível e o geométrico. “De um lado, a experimentação permite agir, antecipar, ver e explicar o que se passa no espaço sensível e, de outro, vai permitir o trabalho sobre as representações dos objetos do espaço geométrico e, assim, desprender-se da manipulação dos objetos reais para raciocinar sobre representações mentais, o que constitui, enfim, a própria ação Matemática.” (PIRES, 2001, p.121) Com essa colocação o encontro foi encerrado. 5.27 27º Encontro (05/11): Espaço e Forma Para esse encontro, a pesquisadora trouxe diferentes planificações de sólidos geométricos, entre eles; prisma hexagonal, prisma pentagonal, paralelepípedo retângulo, cubo, pirâmide quadrangular, pirâmide triangular, octaedro, prisma triangular. Solicitou que as professoras recortassem e montassem as planificações e 82 em seguida, preenchessem uma planilha, apontando a quantidade de vértices, faces e arestas de cada planificação. Nesse momento, algumas professoras apresentaram dúvidas sobre os conceitos de: vértices, arestas e faces. A pesquisadora, então, esclareceu os conceitos43: • Vértices: É o ponto de junção de duas semi-retas de um ângulo, de dois lados de um polígono ou de três (ou mais) faces de um poliedro. • Arestas: É a intersecção de dois planos. Seria, por exemplo, o segmento comum de duas faces de um poliedro. • Faces: Qualquer das superfícies planas que definem um poliedro ou um ângulo poliédrico. Em seguida, foi ressaltado que nos livros de Geometria encontram-se uma série de termos específicos e que embora a nomenclatura, nas séries iniciais do Ensino Fundamental, não seja o foco do ensino de Geometria, é importante conhecê-la. Depois, coletivamente, foram corrigidas as planilhas preenchidas pelas professoras e, na seqüência, iniciou-se a leitura do texto: As crianças das séries iniciais e a construção de noções geométricas; de Pires (2001). No texto, a autora descreve um projeto de pesquisa que se propôs a observar como as crianças constroem as relações espaciais. Para tanto, os professores do projeto de pesquisa propuseram atividades de localização e movimentação no espaço. A pesquisadora solicitou que as professoras selecionassem algumas das atividades descritas para que fossem desenvolvidas com os alunos e trouxessem os resultados das mesmas para o encontro seguinte. 5.28 28º Encontro (12/11) - Espaço e Forma O encontro teve início com a análise e discussão das atividades desenvolvidas com os alunos. As professoras das 4ª séries trabalharam a 43 http://pt.wikipedia.org/wiki. Acesso: Em 01 julho 2007. 83 planificação de figuras e com contagens de faces, vértices e arestas. Propuseram, também, a construção de maquetes da escola que serviram para iniciar o estudo das formas tridimensionais, utilizaram caixas de diferentes formatos para representar o prédio da escola. As professoras relataram que as atividades realizadas foram bastante produtivas e que os alunos estavam bem motivados. Passou-se, então, à leitura coletiva do texto: Experimentar, Conjecturar, Representar, Relacionar, Comunicar, Argumentar, Validar; de Pires (2001). Nele, a autora destaca que para o ensino de Geometria são propostos objetivos relacionados ao desenvolvimento de um tipo de pensamento – o pensamento geométrico – e de competências matemáticas importantes, como experimentar, conjecturar, representar, comunicar e validar. Em seguida, foram discutidos cada um dos seguintes conceitos: • Experimentar: É por a prova. • Conjecturar: Significa juízo ou opinião sem fundamento preciso, suposição, hipóteses. • Representar: Reproduzir a imagem de, evidenciar. • Comunicar: É transmitir a informação, fazer, participar. A comunicação precisa fazer parte das aulas de Matemática. • Argumentar: É usar de argumentos, apresentar razões, concluir, inferir. Ao tratar da competência conjecturar, Pires (2001) destaca o modelo criado por Pierre Van Hiele e sua esposa Dina Van Hiele Geldof. Esse modelo conhecido como modelo Van Hiele sugere que os alunos progridem segundo uma seqüência de níveis de compreensão de conceitos. Segundo o modelo, cada nível de aprendizado é caracterizado por relações entre objetos de estudo e linguagens próprias. Conseqüentemente, não pode haver compreensão quando as propostas de aprendizagem são apresentadas num nível mais elevado do que o atingido pelo aluno. A teoria de Van Hiele propõe cinco níveis hierárquicos, no sentido de que o aluno só atinge determinado nível de raciocínio após passar por todos os níveis inferiores. 84 A pesquisadora ressaltou que esta pode ser uma explicação para as dificuldades apresentadas pelos alunos em Geometria, ou seja, o aluno poderá ter dificuldades de raciocínio num determinado nível porque não teve a necessária vivência prévia das experiências nos níveis anteriores. Desse modo, apresenta-se a necessidade e importância de trabalhar esse conteúdo com os alunos desde as séries iniciais. O encontro foi encerrado com essa discussão, ficando combinado que o encontro seguinte seria realizado na sala de informática. 5.29 29º Encontro (19/11): Tratamento da Informação Como o conteúdo a ser trabalhado referia-se ao tratamento da informação o encontro foi realizado na sala de informática. Essa sala possui quatorze computadores com acesso à Internet. Em duplas, as professoras foram convidadas a explorar sites que contivessem informações sobre Matemática e seu ensino e que poderiam ser utilizados em suas aulas. Entre eles destacaram-se: • IBGE Infantil: http://www.ibge.gov.br/7a12/default.html • Só Matemática: Portal Matemático: http://www.somatematica.com.br • Matemática Essencial: http://www.sercomtel.com.br/matematica • www.mathema.com.br As professoras consideraram os sites adequados e interessantes para serem explorados com os alunos. Uma delas ressaltou que ainda não se sentia preparada para trazer seus alunos na sala de informática. Outra professora reclamou que a sala de informática é pequena e que acomodar uma turma com cerca de trinta e cinco alunos seria uma tarefa difícil, além de não ter um profissional capacitado para auxiliar os professores e alunos. A pesquisadora concordou que a sala de informática é realmente pequena e com poucos computadores. No entanto, seria um desperdício de recursos tecnológicos a não utilização desse espaço, visto a facilidade que muitos alunos encontram em navegar pela Internet. Além disso, existem alunos que não possuem 85 computadores em casa e as aulas desenvolvidas na sala de informática seriam uma forma deles terem contato com esses equipamentos. Finalizado o encontro, algumas professoras concordaram e outras ainda continuaram resistentes. 5.30 30º Encontro (26/11): Tratamento da Informação O encontro teve início com a leitura coletiva do plano de ensino para o desenvolvimento do conteúdo: Tratamento da Informação. Na seqüência, iniciou-se a leitura e discussão dos textos contidos nos PCNs (pág. 46 à 57). De acordo com os textos, constitui-se um desafio para as escolas incorporarem ao seu trabalho, apoiado na oralidade e na escrita, novas formas de comunicar e conhecer. Além disso, o acesso a calculadoras, computadores e outros elementos tecnológicos já é uma realidade para uma parte significativa da população. Em seguida, a pesquisadora destacou que esse conteúdo engloba estudos relativos às noções de estatística, de probabilidade e raciocínio combinatório, com a finalidade de fazer com que os alunos venham a construir procedimentos para coletar, organizar, comunicar e interpretar dados, utilizando tabelas, gráficos e representações que fazem parte do seu cotidiano. As professoras citaram algumas atividades que já desenvolviam com os alunos, como: construção de gráficos e tabelas envolvendo preferências ou dados dos alunos, como por exemplo, fruta preferida, mês de aniversário, altura, etc; análise e leitura de gráficos e tabelas sobre assuntos atuais. Após os relatos das atividades, o grupo de professoras iniciou uma pesquisa em livros, jornais e revistas com o objetivo de coletar informações para elaboração de uma seqüência de atividades sobre situações em que as noções de contagem, probabilidade e estatística serão abordadas com os alunos. Com essa atividade, o encontro foi encerrado. 86 5.31 31º Encontro (03/12): Entrega das avaliações do SARESP A pesquisadora iniciou o encontro, explicando a necessidade da reaplicação da prova do SARESP 2005 para os alunos, uma vez que o projeto de intervenção estava chegando ao final. Agendou-se a aplicação das provas para o dia 12 de dezembro. Em seguida, solicitou às professoras que preenchessem a avaliação das HTPC(s) realizadas no ano de 2007 (Anexo J). A pesquisadora encerrou o encontro agradecendo a participação, o empenho, a dedicação e o comprometimento de todas na realização das intervenções junto aos alunos, os quais foram primordiais para alcançar os objetivos propostos. 87 6. Análises 6.1 Análise dos resultados apresentados pelos alunos Antes da realização do projeto de intervenção, foi aplicada para os noventa e nove alunos da 4ª série do Ensino Fundamental a prova de Matemática do SARESP de 2005, avaliação inicial, composta, como dito anteriormente, por vinte questões de múltipla escolha. Ao final, a mesma prova foi reaplicada, avaliação final. O gráfico abaixo exibi a porcentagem de acertos em cada questão, antes e depois do projeto de intervenção. O item “M” das questões no gráfico mostra a média geral dos acertos: os alunos inicialmente apresentaram 47% de acertos (ANEXO G) e após o projeto de intervenção essa porcentagem passou para 74% (ANEXO I), caracterizando uma evolução de 27 %. 100 Porcentagemde acerto 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 M Questões % Acertos Antes % Acertos Depois Gráfico 1 – Comparativo de acertos ANTES x DEPOIS do Projeto de intervenção Pode-se verificar que em todas as questões propostas, os alunos apresentaram aumento na porcentagem de acertos, sendo que nas questões relacionadas a “Escrever ou decompor um número natural nas unidades de diversas ordens, utilizando as regras do sistema numeração decimal.” (questão 1) e 88 “Identificar planificações de uma figura tridimensional.” (questão 14), essa porcentagem chegou, após o projeto de intervenção, a 96%. Esse significativo aumento de acertos em relação à questão 1 pode ser atribuído ao fato de que durante os encontros e as aulas, esses conteúdos foram muito discutidos e trabalhados por meio das pesquisas das autoras: Lerner e Sadovsky (1996) que estabeleceram como as crianças se aproximam do sistema de numeração, quais suas conceitualizações, e elaboraram uma proposta que levava os alunos a questionarem e reformularem as suas idéias, aproximando-os progressivamente da compreensão da notação convencional. Além disso, números e operações são conteúdos normalmente trabalhados desde a 1ª série do Ensino Fundamental. Em relação à questão 14, apesar de Geometria não ser um conteúdo normalmente trabalhado durante as primeiras séries do Ensino Fundamental, os alunos trabalharam muito com planificações de sólidos geométricos, o que pode ter contribuído com a quase totalidade de acertos entre os alunos. No conteúdo: “Números e Operações” pode-se observar, em geral, uma melhoria significativa, principalmente em relação às questões 5, 6, 7,10 e 11, como verifica-se no gráfico abaixo: Porcentagem de acertos 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 M Questões sobre Números e Operações % Acertos Antes % Acertos Depois Gráfico 2 – Comparativo de acertos ANTES x DEPOIS do Projeto de intervenção em relação ao conteúdo Números e Operações 89 As questões citadas trataram de divisão, quilômetros, metros e frações que são conteúdos normalmente trabalhados somente a partir da 4ª série do Ensino Fundamental o que pode justificar esses aumentos significativos de acertos. No entanto, na questão 8 o aumento da porcentagem de acertos não foi tão significativo: apenas 6% maior. Esse baixo desempenho pode ser atribuído às dificuldades apresentadas pelos alunos nas operações de adição e subtração que envolvem números racionais na forma decimal. A partir das análises das atividades desenvolvidas com os alunos percebe-se essa dificuldade. No entanto, quando as operações são efetuadas com números naturais, essa dificuldade não se apresenta com a mesma freqüência. As questões 12 a 14 dizem respeito ao conteúdo: “Espaço e Forma”. Pode-se observar a evolução do rendimento dos alunos a partir do gráfico abaixo: 100 Porcentagem de acertos 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 12 13 14 M Questões sobre Espaço e Forma % Acertos Antes % Acertos Depois Gráfico 3 – Comparativo de acertos ANTES x DEPOIS do Projeto de intervenção em relação ao conteúdo Espaço e Forma De acordo com estes dados, verifica-se que os alunos apresentaram um aumento significativo de acertos. Porém, cerca de 30% dos alunos ainda apresentaram dificuldades, o que pode indicar a necessidade de trabalhar estes conteúdos com os alunos desde as séries iniciais do Ensino Fundamental, com base 90 na teoria do Modelo de Van Hiele, que sugere que os alunos progridem segundo uma seqüência de níveis de compreensão de conceitos no sentido de que eles só atingem determinado nível de raciocínio após passar por todos os níveis inferiores, ou seja, os alunos poderão ter dificuldades de raciocínio se não tiverem a vivência prévia das experiências nos níveis anteriores. Em relação ao conteúdo grandezas e medidas (questões 15 a 18), houve melhora no rendimento dos alunos, no entanto, nas questões 17 e 18 a evolução foi baixa, conforme observa-se no gráfico abaixo: 100 Porcentagem de acertos 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 15 16 17 18 M Questões sobre Grandezas e Medidas % Acertos Antes % Acertos Depois Gráfico 4 – Comparativo de acertos ANTES x DEPOIS do Projeto de intervenção em relação ao conteúdo Grandezas e Medidas A questão 18 foi a única, de todas as questões da prova, em que observa-se acertos inferiores a 50%. Nesta questão específica (“A avó de Beto mora em frente a uma praça retangular que mede 120 metros de comprimento e 80 metros de largura. Todo dia ela dá 4 voltas na praça. Ela anda, por dia:”) os alunos podem ter encontrado dificuldades em relacionar a praça a um retângulo e, por conseqüência, não terem conseguido calcular o perímetro. Esses dados sinalizam que cerca de 40% dos alunos ainda apresentaram dificuldades em relação a esse conteúdo, principalmente na transformação de unidades de medidas. 91 Em relação ao conteúdo: “Tratamento da Informação” pode-se observar que os alunos tiveram um aumento no rendimento em torno de 20%, conforme o gráfico seguinte: 100 Porcentagemde acertos 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 19 20 M Questões sobre Tratamento da Informação % Acertos Antes % Acertos Depois Gráfico 5 – Comparativo de acertos ANTES x DEPOIS do Projeto de intervenção em relação ao conteúdo Tratamento da Informação Mesmo após a intervenção, uma média superior a 20% dos alunos ainda apresentou dificuldades em trabalhar com gráficos de colunas e raciocínios combinatórios. Tais habilidades, nas séries posteriores, poderiam ser desenvolvidas, independentes do conteúdo trabalhado, por meio de atividades que utilizassem análise de gráficos, tabelas e raciocínios combinatórios, possibilitando aos alunos o desenvolvimento das referidas habilidades. Em relação à habilidade de resolução de problemas verifica-se os seguintes dados: 92 100 Porcentagemde acertos 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 2 3 6 8 18 19 20 M Questões: Resolução de problemas % Acertos Antes % Acertos Depois Gráfico 6 – Comparativo de acertos ANTES x DEPOIS do Projeto de intervenção em relação à habilidade de Resolução de Problemas Os alunos apresentaram um aumento significativo de acertos. As habilidades de resolução de problemas foram bastante trabalhadas durante os encontros, uma vez que essas habilidades têm sido tratadas de formas isoladas ou não são consideradas, especialmente nas aulas de matemática. Desse modo, as mesmas foram alvos centrais das atividades desenvolvidas com os alunos. De modo geral, os alunos apresentaram, em todos os conteúdos estudados, resultados melhores se comparados aos apresentados antes do projeto de intervenção, como verifica-se no gráfico abaixo: 93 100 Porcentagemde acertos 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Numeros e Operações Espaço e Forma Grandezas e medidas Tratamento da informação Conteúdos % Acertos Antes % Acertos Depois Gráfico 7 – Comparativo de acertos ANTES x DEPOIS do Projeto de intervenção em relação aos conteúdos trabalhados No entanto, ao final, observa-se que cerca de 25% (chegando a 40% dependendo do conteúdo) dos alunos ainda apresentaram dificuldades em alguns conteúdos o que indica a necessidade de aulas recuperação para o próximo ano letivo, principalmente com relação aos seguintes conteúdos: espaço e forma, operações de números racionais na forma decimal e grandezas e medidas. 6.2 Análise das avaliações das Reuniões de HTPC(s) realizadas no ano de 2007 Para análise das avaliações das reuniões de HTPC(s) realizadas, como o recorte desta pesquisa foi a 4ª série do Ensino Fundamental, foram analisadas somente das professoras que atuaram nessa série. A professora A tem vinte anos de experiência no Magistério, formação em habilitação para o magistério e curso superior em Pedagogia. A professora B conta com quatorze anos no magistério, tem formação em Habilitação para o Magistério e curso superior em Letras. A professora C tem cerca de dezesseis anos de 94 magistério, curso superior em Letras e Pedagogia. As três professoras atuam tanto na rede Estadual, quanto na rede Municipal de São Paulo. O objetivo desta avaliação foi verificar, junto às professoras, o quanto o projeto de intervenção contribuiu com a sua prática em sala de aula. Para a análise, foram considerados os seguintes pontos: conteúdos, metodologias de ensino e participações; importância da formação continuada; utilização das HTPC(s) para a formação continuada em horário de serviço; mudanças observadas na sua prática em sala de aula. 6.2.1 Conteúdos, metodologias de ensino e participações Segundo as três professoras, os conteúdos foram “muito bons”, “necessários para a melhoria do rendimento dos alunos” e foram trabalhados “de forma participativa e progressiva”. A professora B destacou que “superaram as suas expectativas em relação à forma de como ensiná-los aos alunos”. Segundo Shulman (apud CURI,2004), o professor precisa conhecer a disciplina que vai ensinar, além de ter conhecimento didático e do currículo dessa disciplina. Nesse sentido, cabe destacar a importância da formação que possibilite ao professor conhecer a disciplina que vai ensinar para que ele possa articular esses conhecimentos com outras áreas e com conhecimentos prévios dos alunos, fazendo com que o ensino esteja carregado de significado e tenha sentido para o aluno. Em relação às metodologias de ensino, as três professoras apontaram que elas foram “diversificadas e prazerosas”, sendo que a professora B ressaltou que as mesmas foram “estimuladoras atingindo a participação até mesmo dos alunos menos participativos”. De acordo com Varizo (2006) a Didática da Matemática é de crucial importância para a formação do professor de Matemática, pois tem o papel de oferecer os fundamentos teóricos e práticos para o desenvolvimento da ação pedagógica do professor em sala de aula. Como bem complementa Cunha (2004, p.36): [...] é difícil duvidar que o campo do conhecimento da didática mantenha-se distante da formação de professores. Quem pode imaginar um professor 95 sem conhecimentos que fazem parte do universo da didática? Como alguém pode desempenhar uma função pedagógica intencional e sistematizada, sem incorporar os saberes tão específicos da docência? Como o professor pode exercer uma racionalidade que justifique seus saberes e suas escolhas profissionais sem conhecimentos pedagógicos específicos ligados à didática? Ainda segundo Varizo (2006, p.55): “a Didática da Matemática é, sem dúvida alguma, a pedra basilar da formação do professor dessa área, uma vez que oferece as condições básicas para que ele torne um determinado conhecimento matemático passível de ser apropriado pelo aluno”. Assim, é importante ressaltar que o professor precisa ter conhecimento didático da disciplina que ele vai ensinar para que possa fazer melhores escolhas profissionais e exercer plenamente a docência. Com relação à participação da pesquisadora nos encontros semanais, as três relataram que foi fundamental. A professora B destacou que a participação colaborou para “comprovar a importância do ensino dinâmico e lúdico da Matemática na vida escolar dos alunos e para estimular o trabalho de conteúdos que até então eram deixados para segundo plano (por exemplo a Geometria)”. A professora C acrescentou que a pesquisadora sempre se mostrou “empenhada em multiplicar suas pesquisas, fazendo relações com nossa realidade e com outros assuntos pertinentes”. Vários fatores podem ter colaborado para a boa aceitação da participação da pesquisadora. Um deles refere-se ao fato de a mesma ser a diretora da escola, o que pode ter contribuído para a seriedade com que as professoras participaram da formação e o outro refere-se à experiência da pesquisadora neste nível de ensino e especificamente nesta disciplina. Em relação às trocas de experiências, as três professoras concordaram que elas enriqueceram o trabalho pedagógico. A professora B completou que “as trocas de experiências foram essenciais para o aprimoramento de alguns conteúdos e para fortalecer o trabalho em equipe”. A professora C ressaltou que “as trocas de experiências foram realizadas com respeito e dinamismo e nos trouxeram novas idéias”. A troca de experiências, além de enriquecer e aprimorar a prática do professor, favorece a comunicação e a cooperação. São nesses momentos 96 coletivos que os problemas apresentados na escola passam a ser resolvidos com a colaboração de todos. 6.2.2 Importância da formação continuada As três professoras concordaram que a formação continuada é necessária porque é uma forma de “aprendermos, aprimorar os nossos conhecimentos”, “nos atualizarmos e trocarmos experiências”. No entanto, a professora B destaca como condição “a continuidade dos encontros de formação, para proporcionar o aperfeiçoamento da prática do professor e, por conseqüência, facilitar a aprendizagem dos aluno”. A professora C completou dizendo que “assim, como em todas as áreas, a Educação está em constante evolução e se não nos atualizarmos o trabalho fica incompleto”. De acordo com Imbernón (2006, p.76) “há um conjunto de características organizacionais referentes à formação que sempre deve ser levado em conta.” A primeira delas ressalta que a formação requer um clima de comunicação e colaboração incondicional entre os professores e a organização estável das instituições contribui para atingir os objetivos propostos. Outra característica é que a avaliação dos resultados da formação deve ser realizada com a participação dos professores de modo que suas opiniões sejam consideradas. Além disso, considera que a formação na escola é mais efetiva quando se aproxima da sua realidade. E por último, destaca que os professores só mudam suas crenças e atitudes quando percebem que o novo programa ou prática que estão sendo oferecidos repercutirá na aprendizagem dos alunos. Durante o projeto de intervenção, essas características foram bastante consideradas, o que pode ter contribuído para a boa aceitação por parte das professoras a respeito dos momentos de formação. Além disso, os encontros de formação proporcionaram um entrosamento e um fortalecimento muito grande, enquanto equipe, entre a diretora, a coordenadora pedagógica e as professoras. 6.2.3 Utilização das HTPC(s) para a formação continuada em horário de serviço A professora A ressaltou que “só viu pontos positivos na utilização das HTPC(s) para formação em serviço, pois tudo o que foi discutido, se fez 97 necessário e fundamental”. A professora B destacou que “a HTPC, qualquer que seja o assunto em pauta, é de suma importância porque é neste momento que aproveitamos para trocar informações profissionais ou expor as dificuldades, problemas, avanços ou defasagens de nossos alunos. E, se esse momento for utilizado para aprimorar nossos conhecimentos, a importância dela aumenta muito mais”. Como pontos negativos a professora B apontou: “falta de tempo para a preparação das atividades em grupo e pouco tempo (uma hora semanal) para muito conteúdo”. A partir do ano de 2008, as HTPC(s) passaram a ser organizadas em duas horas consecutivas, o que pode contribuir para a otimização das horas destinadas aos encontros de formação. A professora C destacou que vê a HTPC como: “momentos de estudo, para troca de idéias, para atualização profissional, para receber informações sobre curso”. Imbernón (2006, p. 85) ressalta a importância da formação realizada na escola: A formação centrada na escola transforma a instituição educacional em lugar de formação prioritário em relação a outras ações formativas. É mais que uma simples mudança de lugar em que ocorre a formação.[...] pretende desenvolver um paradigma colaborativo entre os profissionais de educação. Nesse sentido, a escola é vista como um lócus privilegiado para que a formação em horário de serviço aconteça, contribuindo para criar entre seus professores o trabalho colaborativo44. A formação continuada do professor, desenvolvida na escola, pode ser vista como instrumento de mudanças de concepções e práticas docentes podendo criar condições para sua atuação no cotidiano escolar e por conseqüência refletir na aprendizagem dos alunos. 44 Para Boavida e Ponte (2002, p.45) o trabalho colaborativo ocorre em “casos nos quais diversos intervenientes base de trabalham conjuntamente, não numa relação hierárquica, mas numa base de igualdade de modo a haver ajuda mútua e a se atingirem objetivos que a todos beneficiem”. 98 6.2.4 Mudanças observadas na sua prática em sala de aula. A professora A destacou que “o trabalho desenvolvido com os alunos durante esse ano foi ótimo, em que os alunos participaram muito vivenciando primeiro a prática e depois a teoria. O trabalho não se limitou em aulas expositivas. Percebi que houve mais interesse e facilidade na aprendizagem”. O fato de as professoras terem desenvolvido boa parte das atividades sugeridas com os alunos foi de grande importância, pois pode indicar que as intervenções discutidas durante os encontros estavam sendo colocadas em prática na sala de aula. Além disso, a professora A ressaltou que “a forma de ensinar determinados conteúdos superou as minhas expectativas e me vi diante de novas possibilidades”. A professora B acredita que “depois das experiências vivenciadas nestes encontros as aulas e os métodos utilizados por mim no ensino da matemática não serão mais os mesmos. Assim, como os conteúdos a serem trabalhados, pois todos esses anos enfatizei o ensino das quatro operações e da interpretação de situações problemas e com esta oportunidade percebi que há outros conteúdos de suma importância para a vida escolar do aluno que eram deixados para o segundo plano”. A professora C ressaltou que: “Nesse ano, na área de Matemática obtive resultados satisfatórios e gratificantes, mesmo sendo o prazo curto para a realização de outras atividades, mesmo assim pude aplicar para os alunos, a maioria das atividades propostas, atingindo os objetivos e percebi a satisfação e interesse deles em realizá-las, podendo dizer que os resultados foram atingidos e que o conhecimento foi adquirido pelos alunos”. As três professoras nas suas avaliações verificaram mudanças no desenvolvimento de suas aulas. Segundo elas, ter como objetivo a melhoria da aprendizagem dos alunos, trabalhando conteúdos e atividades diversas, torna o exercício da profissão muito mais gratificante. No final do ano de 2007, os alunos da 4ª série do ensino Fundamental realizaram, também, avaliações externas, como a Prova Brasil e o SARESP 2007. Uma das professoras ao acompanhar a aplicação da Prova Brasil relatou emocionada que diversos alunos seus saiam felizes ao responderem a prova e 99 verificarem que sabiam realizar o que estava sendo proposto. Uma de suas alunas disse: “Que sorte professora, aprendemos isso durante o ano!”. Essa alegria demonstrada pelos alunos e por essa professora, em especial, deixou-nos bastante emocionados. 6.3 Análise dos Portfólios No contexto em que vivemos de mudanças nas concepções de ensino- aprendizagem e avaliação surge como proposta inovadora à utilização do portfólio. Hernadez (1998) define o portfólio como sendo um “continente” de diferentes classes de documentos (notas pessoais, experiências de aulas, trabalhos pontuais, controle de aprendizagem, conexões com outros temas fora da escola, representações visuais). Para Arter e Spandelo portfólio seria: [...] uma coleção proposital do trabalho do aluno que conta a história dos seus esforços, progresso, ou desempenho em uma determinada área. Essa coleção deve incluir a participação do aluno na seleção do conteúdo do portfólio; as linhas básicas para a seleção, os critérios para o julgamento do mérito e evidência de auto-reflexão pelo aluno. (apud VILLAS BOAS, 2004, p.38). Segundo Rosário e Barbosa (2002, p.2): pode-se entender que o portfólio estimula o pensamento reflexivo, oportuniza a documentação, o registro e estrutura os procedimentos e a própria aprendizagem. O portfólio evidencia ao mesmo tempo tanto para o educando, quanto para o educador, processos de auto-reflexão. Pode-se afirmar que ele possibilita o sucesso do aluno que em tempo, pode transformar, equacionar sua aprendizagem, ao mesmo tempo em que permite ao professor repensar sua prática e suas condutas pedagógicas em vez de somente só fazer juízo, avaliar ou classificar o processo de ensinoaprendizagem. Nesse sentido, a utilização do portfólio apresenta-se como um instrumento importante para o acompanhamento da aprendizagem dos alunos ao mesmo tempo em que permite ao professor rever a sua prática pedagógica e suas intervenções. Além disso, possibilita a realização de uma avaliação global do aluno, não se restringindo aos resultados apresentados nas provas. A sistemática da avaliação por meio do uso do portfólio imprime uma dinâmica diferente à prática docente, 100 permitindo que avaliação não seja somente uma nota e sirva, apenas, para selecionar ou classificar o aluno. Por outro lado, é importante salientar que o portfólio não é um substituto para as avaliações, uma vez que ele é mais abrangente do que as provas ou testes, que podem fazer parte do portfólio, evidenciando se o aluno está avançando ou não de acordo com os objetivos propostos. Neste projeto, a confecção dos portfólios foi de extrema importância para o acompanhamento das intervenções realizadas e nas reuniões de Conselho de Classe e Série45, eles foram fundamentais para as análises dos resultados. No entanto, ainda existem alguns pontos que precisam ser aprimorados nesta escola. O primeiro refere-se à participação do aluno na confecção dos portfólios. Muitas vezes, essa participação se resumiu à organização e arquivamento das atividades e provas feitas. Essa participação, apesar da pouca idade dos alunos (entre 10 e 11 anos), poderia ter sido expandida com o desenvolvimento de outras tarefas, como por exemplo: preparar o apontamento de suas dificuldades, autoavaliação, o que permitiria ao aluno acompanhar melhor a sua aprendizagem. Outro ponto é que esse rico material deveria ser manuseado e consultado nas horas de replanejamento, fornecendo aos professores mais subsídios que lhes permitiriam traçar metas ou objetivos que ainda não tivessem sido atingidos ou ainda, estabelecer outros desafios. Alguns portfólios chamaram bastante atenção pelo capricho e atenção dispensados pelos alunos na realização das atividades propostas. Em outros é notório o progresso de alguns alunos que inicialmente apresentavam muitas dificuldades e que foram pouco a pouco, no decorrer do projeto de intervenção, apresentando bons resultados como se pode observar no gráfico abaixo: 45 Conselho de Classe e Série é um colegiado, no qual diretor, coordenador pedagógico e professores se encontram para discutir o desempenho dos alunos. 101 Gráfico 8 – Comparativo de acertos das ANTES x DEPOIS do Projeto de intervenção Antes do projeto de intervenção havia 56 alunos que apresentavam menos que 50 % de acertos. Ao final esse número baixou para 11 alunos. Dentre os 11 alunos, ficou decidido pelo Conselho de Classe e Série, que 3 deles ficariam em recuperação de ciclo46 pois não estavam alfabetizados e ainda apresentavam muitas dificuldades de leitura, escrita e compreensão de textos. Os 8 alunos restantes, apesar das dificuldades ainda apresentadas na disciplina de Matemática, foram promovidos para a 5ª série do Ensino Fundamental com recomendação de já iniciarem o próximo ano letivo com aulas de recuperação paralela47. Pôde-se observar o caso de dois alunos que, apesar de terem apresentado ao final do projeto de intervenção um bom resultado na avaliação final (15 e 13 acertos) a análise de seus portfólios revelou grandes dificuldades em leitura, escrita e compreensão de textos, tendo sido decidido que esses dois alunos também permaneceriam em recuperação de ciclo. 46 Recuperação de ciclo: constitui-se em um ano letivo de estudos para atender aos alunos ao final de ciclos do Ensino Fundamental que demonstrem não ter condições para prosseguimento de estudos na etapa posterior. 47 Recuperação Paralela: destinada aos alunos do Ensino Fundamental e Médio que apresentem dificuldades de aprendizagem não superadas no cotidiano escolar e necessitem de um trabalho mais direcionado, em paralelo às aulas regulares, com duração variável em decorrência da avaliação diagnóstica. 102 Na análise dos portfólios foi importante observar o número de alunos (cerca de 30) que passaram de 3,4, 5 acertos na avaliação inicial para 20, 19, 18 acertos na avaliação final, o que demonstra um avanço significativo. Dos alunos restantes, entre 25 a 40 alunos, dependendo do conteúdo, que ainda apresentaram dificuldades, as mesmas foram informadas à professora de Matemática da 5ª série que se comprometeu saná-las durante o ano letivo com atividades de recuperação contínua48. 48 Recuperação contínua: a que está inserida no trabalho pedagógico realizado no dia a dia da sala de aula, constituída de intervenções pontuais e imediatas, em decorrência da avaliação diagnóstica e sistemática do desempenho do aluno. 103 7. Considerações Finais: Afinal de contas, por que somos educadores e educadoras? Por que dedicarmos toda uma existência a essa atividade cansativa, econômica e socialmente prejudicada e desvalorizada? Entremeada de percalços? Tenho uma suspeita: por causa da paixão. Paixão pelo quê? Por ganhar pouco, trabalhar muito, e toda noite querer desistir, e no dia seguinte, de manhãzinha, estar, de novo, na escola? [...] Paixão por uma idéia irrecusável: gente foi feita para ser feliz! E esse é o nosso trabalho; não só nosso, mas também nosso. Paixão pela inconformidade de as coisas serem como são; paixão pela derrota da desesperança; paixão pela idéia de, procurando tornar as pessoas melhores, melhorar a si mesmo ou mesma; a paixão, em suma, pelo futuro. Mário Sérgio Cortella A mídia tem divulgado notícias a respeito da qualidade da educação oferecida nas escolas, dentre elas: “Alunos ignoram matemática elementar”, “Oitenta por cento dos alunos de São Paulo não sabem matemática” 49 , “Crianças de 5ª série, não sabem ler, nem escrever”, “professores fingem que ensinam e alunos fingem que aprendem”50, mostrando um quadro da educação básica brasileira, sobretudo a oferecida em escola pública, cada vez mais desanimador. No entanto, a educação oferecida nas escolas deveria garantir a todos os cidadãos a aquisição de conhecimentos e habilidades essenciais para a participação efetiva na sociedade. Segundo Maranhão51: [...] a educação, no sentido mais amplo da palavra, ensina a pensar, inventa caminhos, permite que o indivíduo se posicione dentro de um contexto. Se democratizarmos o acesso ao conhecimento, certamente democratizaremos a tomada de decisões e, em conseqüência, o bolo será mais repartido. [...] multiplicaremos as chances de acabar com o fosso existente entre poucos beneficiados por uma educação de qualidade e os órfãos do sistema de ensino, fosso que nossa entrada na era da informação, apenas, aprofundou. Como se viu anteriormente, o Brasil, nos últimos anos, deu um passo importante na questão do acesso à escola. Conseguiu-se democratizar o acesso, sem, no entanto, aumentar os recursos materiais, pedagógicos, humanos e sem que mudanças pedagógicas fossem feitas. Sem isso, a escola democrática permaneceu excludente: 49 Manchete da 1ª página da Folha de S. Paulo, 14/03/2008. 50 Revista Nova Escola, Edição 0196, Outubro 2006. 51 Magno de Aguiar Maranhão - Jornal de Brasília, 11/03/2008 – Brasília DF. 104 Uma escola que inclua, ou seja, que eduque todas as crianças e jovens, com qualidade, superando os efeitos perversos das retenções evasões, propiciando-lhes um desenvolvimento cultural que lhes assegure condições para fazerem frente às exigências do mundo contemporâneo, precisa de condições para que, com base na análise e na valorização das práticas existentes que já apontam para formas de inclusão, se criem novas práticas: de aula, de gestão, de trabalho dos professores e dos alunos, formas coletivas, currículos interdisciplinares, uma escola rica de material e de experiências, como espaço de formação contínua, e tantas outras. Por sua vez, os professores contribuem com saberes específicos, seus valores, suas competências, nessa complexa empreitada, para o que se requer condições salariais e de trabalho, formação inicial de qualidade e espaços de formação contínua. (LIBÂNEO , PIMENTA, 1999,p. 261). Porém, cabe destacar os projetos pedagógicos que são desenvolvidos dentro das escolas. Um desses projetos foi descrito na presente pesquisa e teve como objetivos: aprimorar o ensino oferecido aos alunos, buscando sanar as suas dificuldades e tornando as HTPC(s) um espaço que proporcione ao professor, formação continuada em horário de serviço. A partir dos resultados apresentados, pode-se afirmar que se conseguiu alcançar os objetivos que foram propostos. A análise dos dados indicou que os alunos mostraram resultados significativamente melhores se comparados aos anteriormente apresentados, uma vez que o aproveitamento, que era de 47% de acertos, passou para 74%, sinalizando que o trabalho realizado foi extremamente produtivo. No início, havia 56 alunos com menos que 50 % de acertos. Ao final do projeto de intervenção, esse número baixou para 11 alunos. Outro ponto importante destacado nesta pesquisa, refere-se ao levantamento das dificuldades demonstradas pelos alunos. Todo plano de ensino foi elaborado com base nessas dificuldades, procurando proporcionar ao professor sugestões de intervenções que possibilitassem aos alunos a superação das mesmas. Assim, as professoras, durante o ano letivo de 2007, procuraram, além de trabalhar com os conteúdos programados para a 4ª série do Ensino Fundamental, sanar as dificuldades dos alunos resultantes de anos anteriores de escolarização. Cabe destacar, então, a importância das aulas de recuperação paralela e contínua. Caso contrário, os alunos podem ter dificuldades de aprendizagem de conceitos e raciocínios que necessitem de habilidades prévias, criando um círculo vicioso difícil de ser rompido. 105 Em relação à formação continuada, segundo Libâneo e Pimenta (1999), ela é muito importante na medida em que as mudanças nas concepções de escola, de avaliação, as inovações curriculares, às novas metodologias de ensino vêm modificando a atividade docente e requerem novas exigências de atuação profissional, novos saberes que, muitas vezes, não tiveram lugar em sua formação. Outro aspecto importante refere-se à formação continuada em horário de serviço, que se apresenta como aliada importante para a melhoria da formação do professor. E, no caso desta pesquisa, os encontros de formação aconteceram dentro da própria escola. Nas avaliações das reuniões de HTPC(s), as professoras relataram mudanças positivas em sua prática em sala de aula, o que pode indicar que os encontros de formação colaboraram com o aperfeiçoamento das mesmas. Além disso, o trabalho realizado foi altamente gratificante e produtivo porque partiu-se de um grupo fragmentado para um coeso e comprometido com a aprendizagem dos alunos. Por outro lado, não se tem a ingenuidade de imaginar que as pessoas que trabalham nas escolas, sozinhas, vão conseguir resolver os problemas de qualidade enfrentados nas escolas públicas, como bem coloca Teixeira52: “a melhoria da qualidade do ensino é um movimento que depende de toda a sociedade e que ultrapassa os muros da escola.” No entanto, a pesquisa realizada reafirmou a importância do trabalho coletivo. Segundo Marli André: “A escola precisa ter clareza do seu papel e precisa trabalhar com sua comunidade tendo essa clareza. Isso se dará por meio de um trabalho em conjunto, da direção, coordenação, professores, e em parceria com os pais. É importante que a escola defina o seu papel” (Informação oral, PUC, 2007). Cabe ressaltar a participação dos pais no desenvolvimento do projeto de intervenção, eles foram informados sobre a sua realização e colaboraram, evitando que os alunos faltassem às aulas, incentivando-os a criarem horários de estudo e a realizarem as atividades que lhes foram propostas. Alguns pais, inclusive, providenciaram cópias reprográficas das atividades e avaliações para todos os alunos da escola. 52 Geraldo Magela Teixeira – Estado de Minas, 05/04/2008, Belo Horizonte - MG 106 No início, houve certa preocupação pelo fato de a pesquisadora ser a diretora da escola, o que poderia causar certa intimidação junto às professoras em função da hierarquia imposta pelo cargo. No entanto, a maneira pela qual procurou-se conduzir os encontros facilitou o entrosamento e a participação das professoras. A pesquisadora procurou relatar experiências suas, boas e ruins, do tempo em que lecionava, solicitando, sempre, relatos, opiniões e a participação de todas, ressaltando que não estava trazendo questões fechadas e acabadas. E, por estar acompanhando o trabalho desenvolvido com os alunos, a pesquisadora era convidada com freqüência a visitar as salas de aula e a observar as atividades que estavam sendo desenvolvidas, o que poderia acontecer com maior freqüência caso a sobrecarga de trabalho burocrático que o diretor de escola é obrigado a desenvolver não fosse tão grande. Além disso, o projeto de intervenção permitiu que o diretor de escola atuasse de maneira mais efetiva no projeto pedagógico da escola. Dessa forma, a cada encontro, o empenho e a vontade do grupo em participar eram visíveis, proporcionando agilidade nas decisões, que passaram a ser definidas com o coletivo. Algumas professoras relataram que gostaram muito das HTPC(s) realizadas durante o ano e que tiveram a oportunidade de ter maior quantidade de encontros com a diretora. Diante de tudo o que foi colocado, acredita-se que o envolvimento e o comprometimento de toda a comunidade escolar (diretor, coordenador, professores, pais, alunos), por meio do trabalho coletivo, são fundamentais para a qualidade do ensino oferecido. Contudo, há lacunas que permanecem sem resposta. Nessa pesquisa, foi realizado um recorte do universo pedagógico que envolve uma escola tão complexa como essa onde foi feito o projeto de intervenção e questões se apresentaram: como elaborar um trabalho pedagógico coeso, interligando todas as áreas do conhecimento, em todas as séries, tendo como foco principal a aprendizagem dos alunos? Como proporcionar a formação continuada em horário de serviço em uma escola tão complexa como essa onde foi desenvolvido o projeto, que atende aos três segmentos de ensino? Uma sugestão que pode ser colocada em prática será selecionar professores que tenham amplos conhecimentos conceituais, curriculares e pedagógicos sobre a 107 sua disciplina e, em conjunto com os coordenadores pedagógicos (que neste ano passaram a atuar por segmento de ensino) e com a direção da escola promover momentos de formação durante as reuniões de HTPC(s). Para que esta pesquisa se aprimore, serão necessárias ações concomitantes, que articulem todas as disciplinas e atendam à diversidade escolar, tendo em vista a aprendizagem efetiva do aluno. Fica, pois, a sugestão para novos estudos e pesquisas. 108 8. Referencial Bibliográfico AGUILAR, L. E. A gestão da educação – seu significado a partir de propostas pedagógicas institucionais. In: BITTENCOURT, A. B.; JÚNIOR, W.M.de O. Estudo, pensamento e criação. Campinas, São Paulo: Graf. FE, 2005. 3v. p. 53 – 55. BAGGIO, S. C. R. Política educacional, SARESP e discurso de professores: vozes constituídas e constituintes de um sistema e a subjetividade dos professores. 2005. 170 p. Dissertação (Mestrado em Curso de Lingüística Aplicada) – Universidade de Taubaté, Taubaté. BATISTA, C. O.; MUNIZ, C. A; SILVA, E. B. da. Decimais, Medidas e Sistema Monetário. In: _____. Curso de pedagogia para professores em exercício no início da escolarização – PIE: Eixo integrador: Escola como Instituição Social – Brasília: Faculdade de Educação – UNB, 2002. p.21 – 179. BERTONI, N. Eixo Integrador: currículo e diversidade cultural; área/ dimensão formadora:organização do trabalho pedagógico. In: _____. Educação e Linguagem Matemática IV. Brasília: Universidade de Brasília, Faculdade de Educação, 2003. curso de pedagogia para professores em início de escolarização. PIE, módulo 5, v.2, p.18 – 105. BOAVIDA, A. M.; PONTE, J.P. Investigação colaborativa:potencialidades e problemas. In: _____. GTI (Ed.) Reflectir e investigar sobre a prática profissional. Lisboa:APM, 2002, p.43-55. BRASIL, Lei Ordinária 11.274, de 6 de Fevereiro de 2006. Altera Lei Ordinária 11.274, de 6 de Fevereiro de 2006. Altera a redação dos Artigos 29,30, 32 e 87 da Lei 9494 de 20 de dezembro de 1996. DOFC PUB 07/02/2006 000001 3 Diário Oficial da União. _____. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais:matemática. Secretaria da Educação Fundamental. – 3 ed. Brasília:A Secretaria, 2001. 142 p. CAVALCANTI, C. T. Diferentes formas de resolver problemas. In: SMOLE, K.S.; DINIZ, M.I.(org.) Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender matemática. Porto Alegre:Artmed Editora,2001. p. 121- 149. CHARLOT, B. Educação e Culturas in: Relação com o saber, Formação dos professores e Globalização. Porto Alegre: Artmed, 2005. 159 p. 109 CHARNAY, R. Aprendendo (com) a resolução de problemas. In: PARRA, C.; SAIZ, Irmã (et al.); trad. LLORENS, J.A.. Didática da Matemática – Reflexões Psicopedagógicas. Porto Alegre:Artes Médicas, 1996. p. 36 – 47. CHICA, C. H. Por que formular problemas? In: SMOLE, K.S.; DINIZ, M.I.(org.) Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender matemática. Porto Alegre:Artmed Editora,2001. p.151-173. CORTELLA, M. S. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. 10 ed. São Paulo: Cortez/Instituto Paulo Freire, 2006. 166p. COSTA, N. M. Lobo da. Formação Continuada de professores: uma experiência de trabalho colaborativo com matemática e tecnologia. In: NACARATO, A. M.; PAIVA, Maria Auxiliadora Vilela. A Formação do Professor que ensina Matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. p. 167- 196. _____. Formação de Professores para o Ensino de Matemática com a informática integrada à prática pedagógica: exploração e análise de dados em bancos computacionais. 2004, 300p. Tese (Doutorado em educação: Currículo). Pontifícia Universidade Católica, São Paulo. CUNHA, M. I. da. A docência como ação complexa: o papel da didática na formação do professor. In: ROMANOWSKI, J. P.; MARTINS, P. L. O., JUNQUEIRA, S. R. A.. Conhecimento local e conhecimento universal: pesquisa, didática e ação docente. V.1 Curitiba: Champagnat, 2004. p.31-42. CURI, E. Formação de professores polivalentes: uma análise de conhecimentos para ensinar Matemática e de crenças e atitudes que interferem na constituição desses conhecimentos. 2004. 278 p. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Pontifícia Universidade Católica, São Paulo. DUHALDE, M. E.; CUBERES, M. T. G. Encontros Iniciais com a Matemática. Trad. Maria Cristina Fontana. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 204 p. ESPÓSITO,Y. L.; DAVIS, C.; NUNES, M. M. Sistema da avaliação do rendimento escolar: o modelo adotado pelo estado de São Paulo. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, n. 13, p. 25- 52, jan/fev/mar/abr. 2000. FIORENTINI, et al. Formação de professores que ensinam Matemática: um balanço de 25 anos da pesquisa brasileira. In: Educação em Revista – Dossiê: Educação Matemática. Belo Horizonte, UFMG, n. 36, 2003, p.137-160. FREIRE, P. A Importância do Ato de Ler. 41ª ed. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1992. 80 p. 110 GATTI, B. Precisamos de política educacional efetiva, antes de avaliar. Avaliação em educação, São Paulo, Cadernos CENPEC, n.3, 2007, p. 31-33. _____. Formação continuada de professores: a questão psicossocial. Cadernos de Pesquisa – Fundação Carlos Chagas, n.119, p.191-204, julho 2003. GATTI, M. de C. Concepções e práticas docentes diante da diversidade dos alunos no processo de aquisição da escrita. 2006. 113 p. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Educação) – Pontifícia Universidade Católica, São Paulo. HERNANDEZ, F. Transgressões e Mudança na Educação: Os projetos de trabalho. Trad. Rodrigues, J.H. Porto Alegre: Artmed,1998. 152 p. IMBERNÓN, F. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. – 6.ed. – São Paulo, Cortez, 2006. – (Coleção Questões da Nossa Época; v.77). 120 p. LERNER, D.; SADOVSKY, P. O sistema de numeração: um problema didático. In: PARRA, C.; SAIZ, I. (et al.); trad.: LIORENS, J. A. Didática da Matemática – Reflexões Psicopedagógicas. Porto Alegre:Artes Médicas, 1996. p. 73 – 155. LIBÂNEO, J. C; PIMENTA, S. G. Formação de profissionais da educação: Visão crítica e perspectiva de mudança. Educação &Sociedade, Campinas, v.20, n.68, p.239-277, dez.,1999. LÜCK, H. A liderança na escola com foco na promoção da aprendizagem. Gestão em rede, Consed,Brasília, n.81, p.11-18, out.,2007. _____. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto a formação de seus Gestores. Em aberto, Brasília, v. 17, n.72,p. 1 – 175,nov/jun. 2000. MARANHÃO, M. de A. Educação, o investimento. Jornal de Brasília, Brasília,11 mar.2008. MCDONALD,F.J. Education Psychology, Wadsworth P.Company, Calif. 1965. s/p. MIGUEL, A.; FUNCIA, M.A; MIORIM, A. Tópicos de ensino de Matemática Geometria I. Campinas: Delta Xis Editora, 1992, 16 f. MIZUKAMI, M. da G. N. et al. Escola e Aprendizagem da Docência – processos de investigação e formação. São Carlos:EdUFScar, 2002,203 p. NACARATO, A. M. Educação Continuada sob a perspectiva da pesquisaação: Currículo em ação de um grupo de professoras ao aprender 111 ensinando geometria. 2000.344 p. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas. NÓVOA, A.(Coord.). Os professores. e a sua formação. Lisboa:Publicações Dom Quixote Ltda,1995. 158 p. NUNES, T.; BRYANT, P. Crianças fazendo Matemática. Trad. COSTA, S. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. p.244 PAIS, L. C. “Introdução”. In: MACHADO, S.D.A. et al. Educação Matemática: uma introdução. 2 ed. São Paulo: EDUC, 2002. 212 p. PARO, V. H. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Editora Ática, 2005. 119 p. PARRA, C. Cálculo Mental na escola primária. In: PARRA, Cecília; SAIZ, Irmã (et al.). Didática da Matemática – Reflexões Psicopedagógicas. Trad. LLORENS, J.A. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. p. 186 – 235. PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Trad.:Ramos, P. C.Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. 192 p. PIRES, C. M. C.; CURI, E.; CAMPOS, T. M. M. Espaço e Forma: a construção de noções geométricas pelas crianças das quatro séries iniciais do Ensino Fundamental. PROEM Editora Ltda, São Paulo, 2001. 286 p. PIRES, C. M. C. Experimentar, Conjecturar, Representar, Relacionar, Comunicar, Argumentar, Validar. In: PIRES, C. M. C., CURI, E.; CAMPOS, T. M. M. Espaço e Forma: a construção de noções geométricas pelas crianças das quatro séries iniciais do Ensino Fundamental. PROEM Editora Ltda, São Paulo, 2001. 286 p. _____. As crianças das séries iniciais e a construção de noções geométricas. In: PIRES, C. M. C., CURI, E.; CAMPOS, T. M. M. Espaço e Forma: a construção de noções geométricas pelas crianças das quatro séries. RIOS, T. A. Compreender e ensinar: por uma docência da melhor qualidade. 6 ed. São Paulo: Cortez, 2006. 158 p. ROSÁRIO, E. de L. S. P. do; BARBOSA, E. G. dos R. B. O portfólio: “Uma Abordagem Avaliativa”. Centro universitário do Sul de Minas: Revista Interação, v. 6, n.6, p.1-11, dez. 2002. SÃO PAULO (Estado), Secretaria de Estado da Educação. Orientações Didáticas publicadas pela S.M.E de São Paulo. DOE, 22 de fev. 2008, p.92. 112 _____. Relatório SARESP 2005. v.1. São Paulo. FDE. 2007. 218 p. _____. Ensinar Matemática nas séries iniciais. CENP. São Paulo: 2007. s/p. _____. Comunicado SE de 22 de março de 1995. DOE, 23 de mar.1995, s/p. SEQUERRA, M.L. Jogos e atividades para trabalhar as operações. In:ARANTES, V.M. Cadernos da TV Escola: PCN na escola. Brasília: Ministério da Educação e do desporto, Secretaria de Educação a Distância, Secretaria de Educação Fundamental, 1998, 64p. SILVA, H. M. G. da. Gestão Educacional e sistemas de avaliação:os pressupostos ideológicos do SARESP e a trajetória das avaliações aplicadas entre 1996 e 2005. 2006.116 p. Mestrado (Educação Escolar) Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Araraquara. SMOLE, K. S.; DINIZ, M. I.(org.) Ler e aprender matemática. In: _____. Ler, escrever e resolver Problemas: Habilidades básicas para aprender matemática. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. p.69-86. STANCANELLI, R. Conhecendo diferentes tipos de problemas. In: SMOLE, K. S.; DINIZ, M. I.(org.). Ler, escrever e resolver Problemas: Habilidades básicas para aprender matemática. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. p. 103 – 120. TEIXEIRA, G. M. Municípios de vanguarda. Estado de Minas, Belo Horizonte, 05 de abr. 2008 VARIZO, Z. da C. M. Os caminhos da Didática e sua relação com a formação de professores de Matemática. In: NACARATO, A. M.; PAIVA, M. A. V. A Formação do Professor que ensina Matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. p. 167196. VILLAS BOAS, B. M. de F. Portfólio, Avaliação e Trabalho Pedagógico. Campinas, SP: Papirus, 2004. 190 p. Internet: BRASIL, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9394. Brasília, 1996. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/tvescola/leis/lein9394.pdf >. Acesso em: 20 jan. 2007. 113 _____.Constituição Federal de 1988. Brasília, 1988. Disponível <http://www.senado.gov.br/sf/legislacao/const/ >. Acesso em : 20 jan. 2007. em: CASTRO, M. H. G. de. Revista Veja. Disponível em: <htpp:// arquivo etc. blog spot. com/2008/02/veja-entrevista-mariahelena-guimaraes.html>. Acesso em: 11 fev 2008. CORTELLA, M. S. E. Educacional. Disponível em: <http://www.educacional.com.br/ entrevistas/entrevistas.asp>. Acesso em 23/11/2007. CURY, C. J. ImpávidoColosso. Disponível em: <http://www.cartanaescola. com.br / edicoes /2007 /17/ impavido-colosso>. Acesso em 22 Maio 2008. D’AMBROSIO, U. IV Encontro de Educação Matemática / SBEM-ES, Vitória, 21 de novembro de 1998. Disponível em: <htpp://vello.sites.uol.com.br/index.htm>. Acesso em: 21 de maio 2008. HADDAD, F. Portal do MEC. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb>. Acesso em 13 jan 2007. OLIVEIRA,R.P.de. Todos pela Educação. Disponível em:<http://todos pela educacao.org.br>/ Agência de Notícias. Acesso em: 2 de maio de 2007. PIROLA, N. A. Geometria e seu ensino. Ensinar Matemática nas séries iniciais. CENP, Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, 2006. Disponível em: <http://200.161.197.175/de/oficina/rita/Unidade%205.5.pdf>. Acesso em 05 jul. 2007. 114 9. Bibliografia Consultada CARRAHER, T.N. et al. Aprender pensando. 17 ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1998. CARRAHER, T.N.; CARRAHER, D.W.; SCHLIEMANN, A. Na vida dez, na escola zero.14 ed. São Paulo: Cortez,1995.184 p. CARVALHO, A. M. P.de (coord.). Formação continuada de professores: uma releitura das áreas de conteúdo. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. 153 p. COLL, C.; MARTÍN, E. et al. Aprender conteúdos & desenvolver capacidades. Trad.: SCHILLING,C. Porto Alegre: Artmed Editora, 2004. 266 p. DAVIES, N. FUNDEB: A Redenção da Educação Básica? Campinas: Educação &Sociedade, v.27, n.96 – Especial, p. 753-774, out./2006. DEMO, P. Pesquisa Participante: saber pensar e intervir juntos. Brasília: Líber Livro Editora, 2004. 139 p. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1996. 182 p. GROSSI, E. P. (org.) Por que ainda há quem não aprende? A teoria. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. 204 p. ISKANDAR, J.I. Normas da ABNT: comentadas para trabalhos científicos. 3 ed. Curitiba: Juruá, 2008. 98 p. JARANDILHA, D. ; SPLENDORE, lL. Matemática já não é problema. São Paulo: Cortez, 2005. 176 p. LUCE, M. B; MEDEIROS, I. L. P. de (orgs.) Gestão escolar democrática: concepções e vivências. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006. 173 p. LÜDKE, M; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. 99 p. MORETO, V. P. Prova – um momento privilegiado de estudo – não um acerto de contas. 3 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. 138 p. 115 OLIVEIRA, R. P. de; ADRIÃO, T. (org.) Organização do ensino no Brasil:níveis e modalidades na Constituição Federal e na LDB. 2. ed. – São Paulo: Xamã; 2007, 167 p. RABELO, E. H. Textos matemáticos: produção, interpretação e resolução de problemas. 3.ed. ver. e ampl. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. 172 p. SAIZ, I. Dividir com dificuldade ou a dificuldade de dividir. In: PARRA, C.; SAIZ, I. (et al.); trad. LLORENS, J.A. Didática da Matemática – Reflexões Psicopedagógicas. Porto Alegre:Artes Médicas, 1996. p. 156 - 185. SEVERINO,A. J. Metodologia do trabalho científico. 22 ed. rev. e ampl. de acordo com a ABNT. São Paulo: Cortez, 2002. 335 p. THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 15 ed. São Paulo: Cortez, 2007. 132 p. ZUNINO, D. L. de. A matemática na escola: aqui e agora. Trad. LLROENS, J. A. 2 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 192 p. 116 10. ANEXOS 10.1 ANEXO A SARESP/2005 DESCRIÇÃO DAS HABILIDADES E PONTUAÇÃO POR CATEGORIA DE RESPOSTA PROVA DE MATEMÁTICA – ENSINO FUNDAMENTAL - 1ª Série -Total de alunos : 93 ITEM HABILIDADE 1 Fazer contagem dos elementos de coleções (menos de 10 elementos) e indicar o resultado por meio de uma escrita numérica 2 3 4 Fazer contagem dos elementos de coleções (mais de 10 elementos) e indicar o resultado por meio de uma escrita numérica Produzir escritas numéricas demonstrando compreender regras do sistema de numeração decimal Comparar escritas numéricas, demonstrando compreender regras do sistema de numeração decimal DESCRIÇÃO Escreve a resposta correta: 9 ou nove. Não escreve o número correto, mas escreve 8 (oito) ou 10 (dez), possivelmente por não ter contado corretamente. Escreve outros números que não 8, 9 ou 10 CATEGORIA ACERTOS A 90 B 2 C 1 Ausência de resposta D 0 Escreve a resposta correta: 19 ou dezenove. A 79 Não escreve o número correto, mas escreve o 18 (dezoito) ou 20 (vinte), possivelmente por não ter contado corretamente. Escreve outros números que não 18, 19 ou 20. B 10 C 4 Ausência de resposta D - A 70 B 12 Escreve corretamente de 3 a 6 números ditados. C 2 Escreve corretamente até 2 números ditados. D 2 E 3 Escreve corretamente pelo menos 9 dos números ditados (erra apenas um ou deixa em branco um dos quadradinhos). Escreve corretamente de 7 a 8 números ditados Escreve os números de forma totalmente ilegível. Ausência de respostas. Indica o número maior em cada uma das situações, ou seja: 112, 72, 300 ou 900 Indica corretamente apenas três números dentre os quatro a serem assinalados. (Não se considera correta caso estejam assinalados dois números da mesma cor) Indica corretamente os números de duas das situações Indica corretamente o número de apenas uma das situações Não indica nenhum número corretamente Ausência de resposta em todas as situações Não categorizada F 4 A 46 B 6 C 18 D 20 E F Não categoriza da 1 2 2 117 ITEM 5 HABILIDADE DESCRIÇÃO Comparar o número de elementos de duas coleções dadas e indicar a que tem maior ou menor quantidade de elementos Indica corretamente, por meio de um X ou outra marca qualquer, que há mais carrinhos do que bolas. (Nesta categoria não se leva em conta se o aluno escreveu ou não a quantidade dos grupos) No interior de cada quadradinho escreve um número que corresponde a quantidade de cada grupo (19 para carrinhos e 14 para bolas), mas não indica qual dos dois grupos tem mais elementos Indica que há mais bolas do que carrinhos Indica as duas coleções Ausência de resposta Escreve corretamente a seqüência em ordem crescente: 17, 34, 46, 50, 63, 75, 89, 91, 98 Escreve a seqüência em ordem decrescente 6 Organizar escritas numéricas apresentadas, em ordem crescente ou decrescente Escreve a seqüência, mas apenas um dos números ficou fora de lugar Escreve a seqüência, mas existem dois ou mais números fora do lugar Escreve outros números que não são da seqüência Escreve os números de forma totalmente ilegível Ausência de resposta 7 Escreve a resposta: 13 (ou treze). Esse resultado pode ser obtido por diferentes estratégias, principalmente cálculo mental Resolver situaçãoResolve graficamente o problema, como o problema que envolve desenho de 13 figurinhas, mas não escreve a adição e calcular o resposta em língua materna e nem usa resultado por meio de algarismos para tal. estratégias pessoais Escreve como resposta 103 ou convencionais Dá como resposta um número diferente de 13, (idéia: juntar os mas acima de 9 elementos de duas Dá como resposta um número diferente de 13, coleções presentes; porém menor ou igual a 9 números envolvidos Escreve como resposta um número totalmente menores que 10) ilegível Ausência de resposta CATEGORIA ACERTOS A 87 B 0 C D E 0 5 1 A 45 B 1 C 9 D 23 E 12 F 0 G 4 A 63 B 1 C 0 D 16 E 7 F 1 G 5 118 ITEM 8 9 10 HABILIDADE DESCRIÇÃO Escreve a resposta 39 (ou trinta e nove). Esse resultado pode ser obtido por diferentes estratégias Resolve graficamente o problema, como o uso de marcas para representar as 39 pessoas, mas não escreve a resposta por meio de algarismos ou por palavras Dá como resposta diferente um número diferente de 39, mas acima de 20 Dá uma resposta um número diferente de 39, mas um número menor ou igual a 20 Escreve como resposta um número totalmente ilegível Ausência de resposta Escreve a resposta 7 (sete). Esse resultado pode ser obtido por diferentes estratégias, inclusive cálculo mental Resolver situaçãoproblema que envolve Resolve graficamente o problema, como o uso subtração e calcular o de marcas para representar cada um dos 16 resultado por meio de bolinhas iniciais e a retirada de 9, mas não escreve a resposta em língua materna e nem estratégias pessoais usa algarismos para tal ou convencionais Dá uma resposta diferente de 7, porém menor (idéia: uma coleção que 16 que sofre uma transformação; Dá como resposta o número 25 (possivelmente, números envolvidos: teria feito uma adição) um maior que 10 e Dá como resposta um número maior ou igual a menor que 20 e outro 16 menor que 10) Escreve como resposta um número totalmente ilegível Ausência de resposta Escreve a resposta: 9 (nove). Esse resultado poder ser obtido por diferentes estratégias, Resolver situaçãoinclusive cálculo mental problema que envolve Resolve graficamente o problema, como o uso subtração e calcular o de desenhos, mas não escreve a resposta em resultado por meio de língua materna e nem usa algarismos para tal estratégias pessoais Dá uma resposta diferente de 9, porém menor ou convencionais que 17 (idéia: comparação do Dá como resposta o número 25. (possivelmente, número de elementos teria feito uma adição) de duas coleções; Dá como resposta um número maior ou igual a números envolvidos: 17 um maior que 10 e Escreve como resposta um número totalmente menor que 20 e o outro menor que 10) ilegível. Ausência de resposta Resolver situaçãoproblema que envolve adição e calcular o resultado por meio de estratégias pessoais ou convencionais (idéia: um grupo de elementos que sofre uma transformação; números envolvidos são da ordem de dezenas) CATEGORIA ACERTOS A 56 B 0 C 12 D 13 E 1 F 11 A 42 B 1 C 37 D 1 E 4 F 1 G 7 A 29 B 1 C 13 D 11 E 31 F 7 G 1 119 ITEM 11 12 HABILIDADE Identificar formas geométricas tridimensionais, em elementos da natureza e de objetos criados pelo homem (separar corpos redondos dos poliedros) Fazer a leitura de informações no calendário CATEGORIA ACERTOS A 87 B 1 C 1 D 3 Indica com X todas as representações E 1 Ausência de resposta F - A 79 B 2 C 5 D 4 E 3 A 81 B C 2 1 D 1 E F 5 3 A 77 B 7 C 2 D 3 E 4 DESCRIÇÃO Indica corretamente a figura “que não rola”: a caixa Indica com um X todas as três representações dos corpos redondos: lata, bola e chapéu, possivelmente porque não tenha entendido a comanda do problema. Indica com um X as duas representações dos corpos redondos: bola e lata, bola e chapéu, lata e chapéu. Indica com um X apenas uma das representações dos corpos redondos. Responde corretamente aos dois subitens: 30 dias (número de dias do mês de novembro) e dia 24 (último domingo de novembro) Acerta o número de dias do mês de novembro mas erra o último domingo do mês. Responde corretamente qual é o último domingo do mês de novembro e erra o número de dias desse mês. Responde incorretamente os dois subitens. Ausência de resposta. 13 14 Reconhecer o valor de cédulas e moedas Fazer leitura de tabelas e gráficos simples e identificar dados nelas apresentados. (solicitado: dado um gráfico de colunas deve-se informar a opção mais freqüente e a freqüência dessa opção) Responde corretamente: nove reais e cinqüenta centavos Responde nove reais Responde oito reais e cinqüenta centavos Responde oito reais Assinala duas ou mais alternativas Ausência de resposta Responde corretamente aos dois subitens: verde (cor preferida) e 8 (número do que escolheram essa cor) Responde corretamente qual a cor preferida, mas erra ao escrever a quantidade de alunos que a escolheu Indica outra cor e o número correspondente Responde incorretamente aos dois subitens Ausência de resposta 120 ITEM 15 HABILIDADE DESCRIÇÃO Completa corretamente os dois subitens: 218, 220, 222 para a primeira seqüência e 60, 55, 50 para a segunda Completa corretamente a primeira seqüência, mas não completa corretamente a segunda Reconhece a regra de Completa corretamente a segunda seqüência, formação de uma mas não completa corretamente a primeira seqüência numérica e Não completa corretamente nenhuma das dá continuidade a ela seqüências, mas reconhece que a primeira é (solicitado: completar crescente e a segunda decrescente. duas seqüências, uma Não completa corretamente nenhuma das crescente e outra seqüências e nem reconhece que a primeira é decrescente) crescente e a segunda decrescente Responde a seqüência com símbolos totalmente ilegíveis Ausência de resposta 16 Resolve situaçãoproblema que envolve subtração, compreendendo seus significados, e calcula o resultado por meio de estratégias pessoais ou convencionais. (idéia envolvida: completar; subtração com recurso) ACERTOS A 14 B 9 C 6 D 15 E 46 F - G 3 Responde corretamente: 37 figurinhas (a diferença pode ser obtida por diferentes estratégias) Indica como resposta 47 figurinhas Indica como resposta um número menor que 56 A 4 B C 0 64 Indica como resposta 75 doces D 5 E 10 F 2 G 8 A 0 B 0 C 0 D 43 E 32 F 3 G 14 Não categoriza da 1 Indica como resposta um número maior ou igual a 56 Escreve como resposta um número totalmente ilegível Ausência de resposta Responde corretamente: 90 reais e obtém esse resultado por meio de adição(ões). Responde corretamente: 90 reais e obtém esse resultado por meio de uma multiplicação Indica como resposta 60, 70 ou 80 reais Indica como resposta 21 reais 17 CATEGORIA Resolver situaçãoIndica como resposta um número diferente dos problema que envolve indicados nas alternativas anteriores adição de parcelas Escreve como resposta um número totalmente iguais. ilegível Ausência de resposta Não categorizada 121 10.2 ANEXO B: SARESP/2005 DESCRIÇÃO DAS HAB ILIDADES E PONTUAÇÃO POR CATEGORIA DE RESPOSTA PROVA DE MATEMÁTICA – ENSINO FUNDAMENTAL - 2ª Série Total de alunos:101 DESCRIÇÃO ITEM HABILIDADE 1 Fazer contagem dos elementos de coleções (menos de 10 elementos) e indicar o resultado por meio de uma escrita numérica 2 3 4 Fazer contagem dos elementos de coleções (mais de 10 elementos) e indicar o resultado por meio de uma escrita numérica Produzir escritas numéricas demonstrando compreender regras do sistema de numeração decimal Comparar escritas numéricas, demonstrando compreender regras do sistema de numeração decimal CATEGORIA ACERTOS A 100 B 1 C - Ausência de resposta D - Escreve a resposta correta: 19 ou dezenove. A 99 Escreve a resposta correta: 9 ou nove. Não escreve o número correto, mas escreve 8 (oito) ou 10 (dez), possivelmente por não ter contado corretamente. Escreve outros números que não 8, 9 ou 10 Não escreve o número correto, mas escreve o 18 (dezoito) ou 20 (vinte), possivelmente por não ter contado corretamente. Escreve outros números que não 18, 19 ou 20. B 2 C - Ausência de resposta D - A 95 Escreve corretamente pelo menos 9 dos números ditados (erra apenas um ou deixa em branco um dos quadradinhos). Escreve corretamente de 7 a 8 números ditados B 1 Escreve corretamente de 3 a 6 números ditados. C 4 Escreve corretamente até 2 números ditados. D - E - F 1 A 72 B 7 C 14 D 7 E F Não categoriza da - Escreve os números de forma totalmente ilegível. Ausência de respostas. Indica o número maior em cada uma das situações, ou seja: 112, 72, 300 ou 900 Indica corretamente apenas três números dentre os quatro a serem assinalados. (Não se considera correta caso estejam assinalados dois números da mesma cor) Indica corretamente os números de duas das situações Indica corretamente o número de apenas uma das situações Não indica nenhum número corretamente Ausência de resposta em todas as situações Não categorizada 1 122 ITEM 5 HABILIDADE Comparar o número de elementos de duas coleções dadas e indicar a que tem maior ou menor quantidade de elementos DESCRIÇÃO Indica corretamente, por meio de um X ou outra marca qualquer, que há mais carrinhos do que bolas. (Nesta categoria não se leva em conta se o aluno escreveu ou não a quantidade dos grupos) No interior de cada quadradinho escreve um número que corresponde a quantidade de cada grupo (19 para carrinhos e 14 para bolas), mas não indica qual dos dois grupos tem mais elementos Indica que há mais bolas do que carrinhos Indica as duas coleções Ausência de resposta Escreve corretamente a seqüência em ordem crescente: 17, 34, 46, 50, 63, 75, 89, 91, 98 Escreve a seqüência em ordem decrescente 6 Organizar escritas numéricas apresentadas, em ordem crescente ou decrescente Escreve a seqüência, mas apenas um dos números ficou fora de lugar Escreve a seqüência, mas existem dois ou mais números fora do lugar Escreve outros números que não são da seqüência Escreve os números de forma totalmente ilegível Ausência de resposta 7 Escreve a resposta: 13 (ou treze). Esse resultado pode ser obtido por diferentes estratégias, principalmente cálculo mental Resolver situaçãoResolve graficamente o problema, como o problema que envolve desenho de 13 figurinhas, mas não escreve a adição e calcular o resposta em língua materna e nem usa resultado por meio de algarismos para tal. estratégias pessoais Escreve como resposta 103 ou convencionais Dá como resposta um número diferente de 13, (idéia: juntar os mas acima de 9 elementos de duas Dá como resposta um número diferente de 13, coleções presentes; porém menor ou igual a 9 números envolvidos Escreve como resposta um número totalmente menores que 10) ilegível Ausência de resposta CATEGORIA ACERTOS A 100 B 1 C D E - A 75 B 0 C 6 D 13 E 6 F 0 G 1 A 84 B 0 C 1 D 8 E 4 F - G 4 123 ITEM 8 9 10 HABILIDADE DESCRIÇÃO Escreve a resposta 39 (ou trinta e nove). Esse resultado pode ser obtido por diferentes estratégias Resolve graficamente o problema, como o uso de marcas para representar as 39 pessoas, mas não escreve a resposta por meio de algarismos ou por palavras Dá como resposta diferente um número diferente de 39, mas acima de 20 Dá uma resposta um número diferente de 39, mas um número menor ou igual a 20 Escreve como resposta um número totalmente ilegível Ausência de resposta Escreve a resposta 7 (sete). Esse resultado pode ser obtido por diferentes estratégias, inclusive cálculo mental Resolver situaçãoproblema que envolve Resolve graficamente o problema, como o uso subtração e calcular o de marcas para representar cada um dos 16 resultado por meio de bolinhas iniciais e a retirada de 9, mas não escreve a resposta em língua materna e nem estratégias pessoais usa algarismos para tal ou convencionais Dá uma resposta diferente de 7, porém menor (idéia: uma coleção que 16 que sofre uma transformação; Dá como resposta o número 25 (possivelmente, números envolvidos: teria feito uma adição) um maior que 10 e Dá como resposta um número maior ou igual a menor que 20 e outro 16 menor que 10) Escreve como resposta um número totalmente ilegível Ausência de resposta Escreve a resposta: 9 (nove). Esse resultado poder ser obtido por diferentes estratégias, Resolver situaçãoinclusive cálculo mental problema que envolve Resolve graficamente o problema, como o uso subtração e calcular o de desenhos, mas não escreve a resposta em resultado por meio de língua materna e nem usa algarismos para tal estratégias pessoais Dá uma resposta diferente de 9, porém menor ou convencionais que 17 (idéia: comparação do Dá como resposta o número 25. (possivelmente, número de elementos teria feito uma adição) de duas coleções; Dá como resposta um número maior ou igual a números envolvidos: 17 um maior que 10 e Escreve como resposta um número totalmente menor que 20 e o outro menor que 10) ilegível. Ausência de resposta Resolver situaçãoproblema que envolve adição e calcular o resultado por meio de estratégias pessoais ou convencionais (idéia: um grupo de elementos que sofre uma transformação; números envolvidos são da ordem de dezenas) CATEGORIA ACERTOS A 83 B 1 C 13 D 0 E 0 F 4 A 70 B 0 C 15 D 4 E 8 F 0 G 4 A 56 B 0 C 14 D 12 E 11 F - G 8 124 ITEM 11 12 HABILIDADE Identificar formas geométricas tridimensionais, em elementos da natureza e de objetos criados pelo homem (separar corpos redondos dos poliedros) Fazer a leitura de informações no calendário CATEGORIA ACERTOS A 98 B - C - D 2 Indica com X todas as representações E - Ausência de resposta F 1 A 82 B 8 C 5 D 4 E 2 A 93 B C 4 3 D 1 E F - A 68 B 10 C 17 Responde incorretamente aos dois subitens D 2 Ausência de resposta E 4 DESCRIÇÃO Indica corretamente a figura “que não rola”: a caixa Indica com um X todas as três representações dos corpos redondos: lata, bola e chapéu, possivelmente porque não tenha entendido a comanda do problema. Indica com um X as duas representações dos corpos redondos: bola e lata, bola e chapéu, lata e chapéu. Indica com um X apenas uma das representações dos corpos redondos. Responde corretamente aos dois subitens: 30 dias (número de dias do mês de novembro) e dia 24 (último domingo de novembro) Acerta o número de dias do mês de novembro mas erra o último domingo do mês. Responde corretamente qual é o último domingo do mês de novembro e erra o número de dias desse mês. Responde incorretamente os dois subitens. Ausência de resposta. 13 14 Reconhecer o valor de cédulas e moedas Fazer leitura de tabelas e gráficos simples e identificar dados nelas apresentados. (solicitado: dado um gráfico de colunas deve-se informar a opção mais freqüente e a freqüência dessa opção) Responde corretamente: nove reais e cinqüenta centavos Responde nove reais Responde oito reais e cinqüenta centavos Responde oito reais Assinala duas ou mais alternativas Ausência de resposta Responde corretamente aos dois subitens: verde (cor preferida) e 8 (número do que escolheram essa cor) Responde corretamente qual a cor preferida, mas erra ao escrever a quantidade de alunos que a escolheu Indica outra cor e o número correspondente 125 ITEM 15 HABILIDADE DESCRIÇÃO Completa corretamente os dois subitens: 218, 220, 222 para a primeira seqüência e 60, 55, 50 para a segunda Completa corretamente a primeira seqüência, mas não completa corretamente a segunda Reconhece a regra de Completa corretamente a segunda seqüência, formação de uma mas não completa corretamente a primeira seqüência numérica e Não completa corretamente nenhuma das dá continuidade a ela seqüências, mas reconhece que a primeira é (solicitado: completar crescente e a segunda decrescente. duas seqüências, uma Não completa corretamente nenhuma das crescente e outra seqüências e nem reconhece que a primeira é decrescente) crescente e a segunda decrescente Responde a seqüência com símbolos totalmente ilegíveis Ausência de resposta 16 Resolve situaçãoproblema que envolve subtração, compreendendo seus significados, e calcula o resultado por meio de estratégias pessoais ou convencionais. (idéia envolvida: completar; subtração com recurso) ACERTOS A 45 B 25 C 4 D - E 26 F 1 G - Responde corretamente: 37 figurinhas (a diferença pode ser obtida por diferentes estratégias) Indica como resposta 47 figurinhas Indica como resposta um número menor que 56 A 30 B C 39 Indica como resposta 75 doces D 11 E 18 F - G 3 A 8 B 22 C 10 D 18 E 39 F - G 4 Não categoriza da - Indica como resposta um número maior ou igual a 56 Escreve como resposta um número totalmente ilegível Ausência de resposta Responde corretamente: 90 reais e obtém esse resultado por meio de adição(ões). Responde corretamente: 90 reais e obtém esse resultado por meio de uma multiplicação Indica como resposta 60, 70 ou 80 reais Indica como resposta 21 reais 17 CATEGORIA Resolver situaçãoIndica como resposta um número diferente dos problema que envolve indicados nas alternativas anteriores adição de parcelas Escreve como resposta um número totalmente iguais. ilegível Ausência de resposta Não categorizada 126 10.3 ANEXO C: MATRIZ DE ESPECIFICAÇÃO – MATEMÁTICA SARESP/2005 Ensino Fundamental – 3ª Série Total de alunos: 74 Conteúdos Habilidades Números e operações Espaço e forma Gabarito C E 1. Comparar e ordenar números naturais utilizando as regras do sistema numeração decimal. 53 21 2. Escrever números naturais utilizando as regras do sistema numeração decimal. 54 20 3. Identificar a adição como a operação que resolve uma dada situação- problema. 54 20 4. Identificar a subtração como a operação que resolve uma dada situação-problema. 41 33 5. Identificar a multiplicação como a operação que resolve uma dada situação-problema. 25 49 6. Identificar a divisão como a operação que resolve uma dada situação- problema. 28 46 7. Resolver situações-problema que envolvem mais que uma operação. 20 54 8. Calcular o resultado de uma adição por meio de uma técnica operatória. 60 14 9. Calcular o resultado de uma subtração por meio de uma técnica operatória. 63 11 10. Calcular o resultado de uma multiplicação por meio de uma técnica operatória. 35 39 11. Calcular o resultado de uma divisão por meio de uma técnica operatória. 38 36 12. Interpretar croquis ou mapas que representam itinerários. 56 18 13. Identificar formas geométricas tridimensionais como esfera, cone, cilindro, cubo, paralelepípedo e pirâmide. 44 30 14. Identificar formas geométricas bidimensionais como circulo, quadrado, triângulo, retângulo. 49 25 15. Utilizar medidas de tempo e as relaciona entre si. 23 51 23 51 39 35 15 59 40 34 53 21 Grandezas e 16. Fazer leitura de horas, em relógios de ponteiros e relógios digitais. medidas 17. Resolver situação-problema que envolve a medição de comprimentos, por meio de estratégias pessoais. 18. Resolver situação-problema que pressupõe a leitura e interpretação de dados expressos em tabelas. Tratamento da 19. Resolver situação-problema que pressupõe a leitura e interpretação de dados contidos informação em gráficos de colunas. 20. Associar informações textuais a dados expressos em tabelas simples e gráficos de coluna. 127 10.4 ANEXO D: MATRIZ DE ESPECIFICAÇÃO – MATEMÁTICA SARESP/2005 Ensino Fundamental – 4ª Série Total de alunos: 101 Conteúdos Habilidades Números e operações Espaço e forma C E 1. Escrever ou decompor um número natural nas unidades de diversas ordens, utilizando as regras do sistema numeração decimal. 84 17 2. Resolver situação problema que envolve diferentes significados da multiplicação ou divisão. 63 38 3. Resolver situação problema que envolve duas operações com números naturais. 44 57 4. Calcular o produto de dois números naturais. 60 41 5. Calcular o quociente de dois números naturais. 61 40 6. Utilizar um número racional na forma decimal para resolver uma situação contextualizada. 25 76 7. Comparar e ordenar escritas decimais de números racionais. 35 66 8. Resolver situação-problema que envolve adição e/ou subtração de números racionais na forma decimal. 53 48 9. Relacionar representações fracionária e decimal de um mesmo número racional. 7 94 10. Utilizar representações fracionárias em situações que envolvem a relação parte-todo. 38 63 11. Utilizar representações fracionárias em situações que envolvem o quociente de dois números naturais. 43 58 12. Identificar elementos e utilizar propriedades de figuras geométricas tridimensionais. 37 64 13. Identificar elementos e utilizar propriedades de figuras geométricas bidimensionais. 52 49 14. Identificar planificações de uma figura tridimensional. 67 34 15. Identificar e relacionar unidades de medida de comprimento em situações contextualizadas. 49 52 Grandezas e 16. Identificar e relacionar unidades de medida de capacidade em situações contextualizadas. medidas 17. Identificar e relacionar unidades de medida de massa em situações contextualizadas. Tratamento da informação Gabarito 42 59 33 68 18. Resolver situação-problema que envolve grandezas geométricas como perímetro e/ou área. 11 90 19. Resolver situação-problema que pressupõe a leitura e interpretação de dados expressos em tabelas ou gráficos de colunas. 52 49 20. Resolver situação-problema que mobiliza o raciocínio combinatório, em situações de contagem. 19 82 128 10.5 ANEXO E Diagnóstico da Escola por série - Matemática SARESP/2005 - Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo Escola: - Dependência Administrativa: Estadual Série 1ª EF 2ª EF 3ª EF 4ª EF Acertos (%) 60,0 73,3 54,9 43,3 129 10.6 ANEXO F Prova de Matemática – Saresp 2005 01. Um número pode ser decomposto em 2 000 + 400 + 3. Esse número é: (A) 243 (B) 2 043 (C) 2 403 (D) 2 430 02. Dona Vera dará bombons aos seus 32 alunos na festa de fim de ano. Ela quer dar 4 bombons a cada aluno. Dona Vera precisará de: (A) 128 bombons. (B) 64 bombons. (C) 32 bombons. (D) 8 bombons. 03. Paulo comprou 4 dúzias de lápis de cor para distribuir igualmente entre as 8 crianças de uma creche. Cada criança ganhará: (A) 4 lápis. (B) 6 lápis. (C) 12 lápis. D) 48 lápis. 4. O produto de 213 por 12 é: (A) 426 (B) 639 (C) 2 556 D) 4 473 5. Efetuando a operação 2 782 ÷ 13 encontramos como quociente: (A) 204 (B) 214 (C) 224 (D) 234 130 6. Beto saiu de sua casa na cidade de São Paulo para ver os rodeios em Barretos. Depois de percorrer 374,8 quilômetros, ele parou num posto de gasolina e soube que ainda faltavam 63 quilômetros para chegar a seu destino. A distância percorrida de sua casa a Barretos é igual a: (A) 1 004,8 km (B) 437,8 km. (C) 381,1 km. (D) 311,8 km. 7. A tabela abaixo mostra a altura de seis jogadores do time de vôlei Os Vencedores: Nome do jogador Altura (em metros) Paulo 1,87 Beto 1,89 Duda 1,92 Lucas 1,85 Fernando 1,90 João 1,91 Escrevendo-se as alturas em ordem decrescente obtemos: (A) 1,85 – 1,87 – 1,89 – 1,90 – 1,91 – 1,92 (B) 1,87 – 1,89 – 1,92 – 1,85 – 1,90 – 1,91 (C) 1,92 – 1,91 – 1,90 – 1,89 – 1,87 – 1,85 (D) 1,91 – 1,90 – 1,85 – 1,92 – 1,89 – 1,87 8. Júlia tinha 5,5 m de tecido. Ela fez uma saia e uma blusa. Para a saia foram necessários 2,45 m de tecido e 1,8 m para a blusa. Quantos metros de tecido restaram? (A) 0,65 m (B) 1,25 m (C) 3,05 m (D) 4,25 m 9. A fração ¼ corresponde ao número: (A) 0,25 (B) 0,4 (C) 1,4 (D) 2,5 131 10. Fábio comprou um terreno que tem a forma ao lado. A região pintada no desenho representa a parte do terreno que será usada para construir a casa. A fração do terreno que será ocupada pela casa é: (A) 5/2 (B) 3/2 (C) 2/3 (D) 2/5 11. Juliana dividirá duas barras de chocolate igualmente entre seus três filhos. A fração da barra de chocolate que cada filho receberá é: (A) 3/2 (B) 2/3 (C) 1/2 (D) 1/3 12. Um sólido geométrico é formado por seis faces quadradas. Esse sólido é: (A) um cilindro. (B) uma pirâmide. (C) um cubo. D) um quadrado. 13. Observe as figuras do quadro abaixo: É verdade: (A) apenas II é triângulo. (B) apenas II e III são triângulos. (C) apenas I, II e III são triângulos. (D) todos são triângulos. 132 14. Com o molde abaixo é possível montar a figura: (A) (C) (B) (D) 133 15. Todos os anos, desde 1924, no dia 31 de dezembro acontece a tradicional Corrida de São Silvestre. Seu percurso total é de 15 quilômetros. Um atleta que completar o percurso terá corrido: (A) 150 m. (B) 1 500 m. (C) 15 000 m. (D) 150 000 m. 16. Paula foi ao mercado comprar 1 litro de desinfetante. Ela encontrou os dois tipos de embalagem ao lado. Se Paula escolhesse o desinfetante Limpa Tudo ela teria que comprar: (A) uma embalagem. (B) duas embalagens. (C) quatro embalagens. (D) cinco embalagens. 17. Paula comprou 1 quilograma e meio de carne. Ela comprou: (A) 150 gramas. (B) 500 gramas. (C) 1 000 gramas. (D) 1 500 gramas. 134 18. A avó de Beto mora em frente a uma praça retangular que mede 120 metros de comprimento e 80 metros de largura. Todo dia ela dá 4 voltas na praça. Ela anda, por dia: (A) 200 metros. (B) 400 metros. (C) 800 metros. (D) 1 600 metros. 19. O gráfico abaixo mostra a venda de caixas de papelão de uma fábrica de embalagens no primeiro semestre de 2005. A diferença entre a quantidade de caixas vendidas nos meses de maior e de menor venda foi: (A) 7 065 caixas. (B) 1 271 caixas. (C) 631 caixas. (D) 288 caixas. 20. Os garotos do time de futebol Águias da Baixada estão escolhendo as cores do uniforme. Veja as opções que eles têm: Quantos uniformes diferentes eles podem compor? (A) Oito (B) Seis. (C) Três (D) Dois 135 10.7 ANEXO G MATRIZ DE ESPECIFICAÇÃO – MATEMÁTICA Antes do Projeto de Intervenção - 4ª Série – Ensino Fundamental Total de alunos: 99 Gabarito % Acertos Conteúdos Habilidades C Números e operações Espaço e forma Grandezas e medidas Tratamento da informação E % 1. Escrever ou decompor um número natural nas unidades de diversas ordens, utilizando as regras do sistema numeração decimal. 75 24 76 2. Resolver situação problema que envolve diferentes significados da multiplicação ou divisão. 69 30 70 3. Resolver situação problema que envolve duas operações com números naturais. 51 48 50 4. Calcular o produto de dois números naturais. 57 42 58 5. Calcular o quociente de dois números naturais. 18 81 19 6. Utilizar um número racional na forma decimal para resolver uma situação contextualizada. 33 66 33 7. Comparar e ordenar escritas decimais de números racionais. 24 75 24 8. Resolver situação-problema que envolve adição e/ou subtração de números racionais na forma decimal. 67 32 68 9. Relacionar representações fracionária e decimal de um mesmo número racional. 54 45 54 10. Utilizar representações fracionárias em situações que envolvem a relação parte-todo. 40 59 40 11. Utilizar representações fracionárias em situações que envolvem o quociente de dois números naturais. 32 67 32 12. Identificar elementos e utilizar propriedades de figuras geométricas tridimensionais. 64 35 65 13. Identificar elementos e utilizar propriedades de figuras geométricas bidimensionais. 46 53 47 14. Identificar planificações de uma figura tridimensional. 76 23 77 15. Identificar e relacionar unidades de medida de comprimento em situações contextualizadas. 20 79 20 16. Identificar e relacionar unidades de medida de capacidade em situações contextualizadas. 37 62 37 17. Identificar e relacionar unidades de medida de massa em situações contextualizadas. 51 48 51 18. Resolver situação-problema que envolve grandezas geométricas como perímetro e/ou área. 14 85 14 19. Resolver situação-problema que pressupõe a leitura e interpretação de dados expressos em tabelas ou gráficos de colunas. 55 44 56 20. Resolver situação-problema que mobiliza o raciocínio combinatório, em situações de contagem. 55 44 56 47 % 136 10.8 ANEXO H Plano de Ensino53: 10.8.1 Sistema de Numeração e Operações: Objetivos específicos: Ao final do estudo, o ensino deverá levar o aluno a: • Construir o significado do número natural, a partir de seus diferentes usos no contexto social, explorando situações-problema que envolvam contagens, medidas e códigos numéricos; • Interpretar e produzir escritas numéricas, levantando hipóteses sobre elas, com base na observação de regularidades, utilizando-se da linguagem oral, de registros informais e da linguagem matemática; • Ampliar o significado do número natural pelo uso em situações-problema e pelo reconhecimento de relações e regularidades; • Resolver adições, subtrações, multiplicações e divisões, com números naturais, por meio de estratégias pessoais e do uso de técnicas operatórias convencionais; Material utilizado: • Texto: O Sistema de Numeração: um problema didático (LERNER, SADOVSKY, 1996, p.73 - 155). • Folhetos de supermercado e o material dourado. Metodologia de ensino: Neste conteúdo, serão discutidos e analisados os seguintes assuntos relacionados ao sistema de numeração e operações: • História dos conhecimentos que as crianças elaboram a respeito da numeração escrita; 53 Os objetivos específicos e atividades propostas fazem parte dos PCNs (1ª a 4ª série) e das orientações didáticas para o ensino da Matemática, publicadas pela S.M.E de São Paulo. 137 • a posição dos algarismos como critério de comparação; • o papel da numeração falada; • do conflito à notação convencional; • o sistema de numeração nas aulas; • situações didáticas vinculadas à relação de ordem; • situações centradas nas quatro operações básicas (adição, subtração, multiplicação e divisão). O texto proposto será lido e discutido com as professoras. As atividades que seguem têm como objetivo contribuir no planejamento de situações didáticas que favoreçam a concretização dos objetivos específicos propostos: • Rodas de contagem que estimulem os alunos a buscar estratégias que facilitem a identificação de quantidades. • Formar coleções com diferentes objetos, como adesivos, lacres de alumínio, miniaturas, bolinhas de gude e figurinhas. • Construção de fichas de identificação de cada aluno, contendo números que indicam diferentes aspectos; por exemplo: idade, peso, altura, número de pessoas que moram na mesma casa,datas de nascimentos, número de animais que possui, entre outros. • Atividades de comparação de quantidades entre duas coleções, verificando se possuem o mesmo número de elementos ou se possuem mais ou menos, utilizando para isso diferentes estratégias: correspondência um a um e estimativas. • Situar pessoas ou objetos numa lista ordenada; por exemplo, ordenar uma seqüência de fatos, identificar a posição de um jogador numa situação de jogo. • Jogos de trilha para indicar avanços e recuos numa pista numerada e jogos de trocas para estabelecer equivalência entre valores de moedas e cédulas. 138 • Construção e análise de cartazes e quadros numéricos que favoreçam a identificação da seqüência numérica, como, por exemplo, o calendário. • Elaboração de cartazes com números recortados de jornais e revistas para que os alunos possam comparar e ordenar números. • Registro e observação dos números das ruas: onde a numeração começa, onde termina, se a numeração de um lado é igual à do outro; como se dá a numeração entre uma casa e outra, se ela é ou não seqüencial; levantamento do número da casa dos alunos. Encontros: • 09/04/2007 • 16/04/2007 • 23/04/2007 • 07/05/2007 • 14/05/2007 • 21/05/2007 10.8.2 Cálculo Mental: Objetivos específicos: Ao final do estudo, o ensino deverá levar o aluno a: • Ampliar o procedimento de cálculo – mental, escrito, exato, aproximado – pelo conhecimento de regularidades dos fatos fundamentais, de propriedades das operações e pela antecipação e verificação dos resultados; • Ser capaz de escolher procedimentos apropriados, encontrar resultados e julgar validades das respostas. Material utilizado : • Texto: Cálculo mental na escola primária (PARRA, 1996, p. 186 - 235). 139 Metodologia de ensino: Neste conteúdo, serão discutidos os significados e o papel do cálculo mental nas séries iniciais. Serão analisadas as perspectivas das demandas sociais atuais e desenvolvidos argumentos relativos à exigência matemática para o ensino do cálculo mental. O texto será lido e discutido com as professoras. As atividades que seguem têm como objetivo contribuir no planejamento de situações didáticas que favoreçam a concretização dos objetivos específicos propostos: • Análise de situações de cálculo para identificar a operação realizada e testar hipóteses, usando a calculadora. • Identificação de resultados de cálculos, usando estimativas. Encontros: • 28/05/2007 • 18/06/2007 10.8.3 Ler, Escrever e Resolver Problemas: Objetivos específicos: Ao final do estudo, o ensino deverá levar o aluno a: • Perceber que, para resolver problemas, é preciso compreender, propor e executar um plano de solução, verificar e comunicar a resposta; • Utilizar diferentes formas de resolver problemas, por meio de uma reflexão mais elaborada sobre os processos de resolução, seja por meio de algoritmos convencionais, desenhos, esquemas ou oralidade; • Utilizar diversas estratégias de resolução de modo a ter autonomia e confiança em sua capacidade de pensar matematicamente. Material utilizado: • Serão utilizados os seguintes capítulos do livro: Ler, escrever e resolver problemas - Habilidades básicas para aprender matemática (SMOLE, DINIZ,2001): Ler e aprender matemática (SMOLE,DINIZ,p.69-86); 140 Conhecendo diferentes tipos de problemas (STANCANELLI, p.103 – 120); Diferentes formas de resolver problemas (CAVALCANTI,p.121– 149); Por que formular problemas? (CHICA,p.151 – 173). Metodologia de ensino: Neste conteúdo, serão trabalhadas as habilidades de ler, escrever e resolver problemas, com o objetivo de aproximar a língua portuguesa e a Matemática, as quais se complementam na produção de textos e permitem o desenvolvimento da linguagem específica. O trabalho com essas habilidades terá a expectativa de auxiliar as professoras na reflexão de sua prática, utilizando os recursos da comunicação e fazendo com que o aluno deixe de ser, apenas, um “resolvedor” para ser um propositor de problemas, vivenciando o controle sobre o texto e as idéias matemáticas. Encontros: • 25/06/2007 • 30/07/2007 • 06/08/2007 • 13/08/2007 • 20/08/2007 10.8.4 Decimais e Sistema Monetário: Objetivos específicos: Ao final do estudo, o ensino deverá levar o aluno a: • Construir a notação de números decimais, a partir dos números naturais; • Reconhecer o uso sócio-cultural de números com vírgulas no Sistema Monetário; • Desenvolver a contagem e a representação de números decimais; • Representar, de múltiplas formas, um número decimal: no material concreto, com representação pictórica, com escrita matemática e na utilização de instrumentos de medidas; 141 • Compreender diferentes significados da adição e subtração, envolvendo números racionais escritos na forma decimal; • Resolver operações de adição e subtração de números racionais na forma decimal por meio de estratégias pessoais e pelo uso de técnicas operatórias convencionais. Material Utilizado: • Textos: Decimais, Medidas e Sistema Monetário (Batista, Muniz e Silva, 2002), p. 21 - 85. Metodologia de ensino: Para trabalhar este conteúdo, serão utilizados textos preparados pelos autores: Batista, Muniz e Silva (2002)54 com o propósito de trabalhar decimais e preparar o aluno para a futura aprendizagem de frações, buscando inicialmente trabalhar conteúdos com maior significação. Encontros: • 27/08/2007 • 03/09/2007 • 10/09/2007 10.8.5 Frações e Números Racionais: Objetivos específicos: Ao final do estudo, o ensino deverá levar o aluno a: • Construir o significado do numero racional e de suas representações fracionárias, a partir de seus diferentes usos no contexto social; • Explorar diferentes significados das frações em situações-problema: parte-todo, quociente e razão. • Escrever e comparar números racionais de uso freqüente, nas representações fracionária e decimal; 54 Os autores Batista, Muniz e Silva (2002), prepararam estes textos para o Curso de Pedagogia da UnB para professores em exercício no início de escolarização. 142 • Identificar e produzir frações equivalentes. Material utilizado: • Textos contidos no Eixo Integrador: currículo e diversidade cultural; área/dimensão formadora: organização de trabalho pedagógico (BERTONI, 2003, p.18 - 105). Metodologia de ensino: A proposta para o ensino de frações será apoiada em situações reais, significativas no cotidiano dos alunos e, a partir de situações-problema, jogos e desafios, levar os alunos a construir a idéia de frações. No estudo de números fracionários serão exploradas atividades que favoreçam a compreensão do conceito de que esses números são representações de partes de um todo. Os textos serão lidos e discutidos com as professoras. As atividades que seguem têm como objetivo contribuir no planejamento de situações didáticas que favoreçam a concretização dos objetivos específicos propostos: • Frações, problemas e material concreto. • Reconhecendo as frações e descobrindo relações. • Para que servem as frações? • Notou que as partes são iguais? Qual é a unidade? • Introduzindo frações por meio de situações-problema. Encontro: • 17/09/2007 10.8.6 Grandezas e Medidas Objetivos específicos: Ao final do estudo, o aluno deverá ser capaz de: • Conceituar a medida como processo de quantificação; 143 • Construir a noção de medida, definição e transformação de unidades, confecção e utilização de instrumentos; • Reconhecer a presença das medidas nas situações cotidianas e em situações de seu contexto sociocultural; • Identificar e discriminar as diferentes grandezas de medidas: espaço, comprimento, massa,tempo, capacidade ou volume; • Calcular o perímetro de figuras; • Calcular área de retângulos ou quadrados. Material utilizado: • Textos: Decimais, Medidas e Sistema Monetário (Batista, Muniz e Silva, 2002, p. 87 - 179. Metodologia de ensino: O material utilizado será lido e discutido com as professoras durante os encontros, e traz uma proposta metodológica que sugere a construção da noção de medida, definição de unidades, confecção e utilização de instrumentos. Serão estudadas as seguintes medidas: de Comprimento, Massa, Capacidade, Superfície, Volume e Tempo . Os textos serão lidos e discutidos com as professoras. As atividades que seguem têm como objetivo contribuir no planejamento de situações didáticas que favoreçam a concretização dos objetivos específicos propostos: • Experimentos que levem os alunos a utilizar as grandezas físicas, identificar atributos a serem medidos e interpretar o significado da medida. • Atividades de medida, utilizando partes do corpo e instrumentos do diaa-dia: fita métrica, régua, balança, recipiente que permitam desenvolver estimativas e cálculos envolvendo as medidas. • Atividades que explorem padrões de medidas não convencionais; por exemplo, medir o comprimento da sala com passos. • Observação de embalagens para identificar grandezas e suas respectivas unidades de medida. 144 • Elaborar livros de receitas de culinária, de massas de modelar, de tintas, de sabonetes, de perfumes etc. (ampliar e reduzir receitas). • Converter medidas não padronizadas no dia-a-dia em medidas padrão. • Atividades que permitam fazer marcações do tempo e identificar rotinas: manhã, tarde e noite;ontem, hoje e amanhã; dia, semana, mês e ano; hora, minuto e segundo. • Construção da linha do tempo para contar a sua própria história ou a história de vida de alguém conhecido ou da própria família. • Organização de exposição com instrumentos usados para medir: balanças, fitas métricas, relógios de ponteiro e digital, ampulhetas, cronômetros. • Análise de situações apresentadas em folhetos de supermercado para identificar ofertas enganosas, situações que acarretam prejuízo e que apresentam vantagens. Encontros: • 24/09/2007 • 01/10/2007 • 08/10/2007 • 15/10/2007 • 22/10/2007 10.8.7 Espaço e Forma: Objetivos específicos: Ao final do estudo, o ensino deverá levar o aluno a: • Estabelecer pontos de referência para situar-se, posicionar-se e deslocar-se no espaço, bem como para identificar relações de posição entre objetos no espaço; interpretar e fornecer instruções, usando terminologia adequada; • Representar as figuras geométricas; 145 • Perceber elementos geométricos nas formas da natureza; • Reconhecer semelhanças e diferenças entre corpos redondos, como a esfera, o cone, o cilindro e outros; • Reconhecer semelhanças e diferenças entre poliedros (como os prismas, as pirâmides e outros) e identificação de elementos como faces, vértices e arestas; • Identificar elementos e utilizar propriedades de figuras geométricas bidimensionais e tridimensionais; • Identificar planificações de algumas figuras tridimensionais. Material utilizado: • Serão utilizados os seguintes textos: Experimentar, conjecturar, representar, relacionar,comunicar, argumentar, validar (PIRES, 2001); as crianças das séries iniciais e a construção de noções geométricas (PIRES, 2001) e o artigo: Geometria e seu ensino (Pirola, 2006). • Diferentes planificações de sólidos geométricos. Metodologia de ensino: Neste conteúdo, será realizado um trabalho a partir da exploração dos objetos do mundo físico, de obras de arte, pinturas, desenhos, esculturas e artesanatos, materiais de reciclagem, que permitirão ao aluno estabelecer conexões entre a Matemática e outras áreas do conhecimento. Além disso, serão trabalhados temas relacionados ao conteúdo de Geometria, sendo enfatizados os seguintes aspectos: a construção de relações espaciais e a composição, decomposição, ampliação e redução de figuras. Os textos serão lidos e discutidos com as professoras. As atividades que seguem têm como objetivo contribuir no planejamento de situações didáticas que favoreçam a concretização dos objetivos específicos propostos: • Jogos e brincadeiras em que seja necessário situar-se ou deslocar-se no espaço, recebendo e dando instruções, usando vocabulário de posição. Exemplos: Jogos de circuito, Caça ao tesouro, Batalha naval. 146 • Relatos de trajetos e construção de itinerários de percursos conhecidos ou a partir de instruções dadas oralmente e por escrito. • Construção de maquetes e plantas de sala e de outros espaços, identificando semelhanças e diferenças entre uma maquete e uma planta. • Modelagem de objetos em massa, sabão e sabonete, reproduzindo formas geométricas. • Jogos para adivinhar um determinado objeto, referindo-se apenas ao formato do mesmo. • Construções de dobraduras e quebra-cabeças para criar mosaicos com formas geométricas planas e observar simetrias. • Classificação de sólidos geométricos, a partir de critérios como superfícies arredondadas, superfícies planas e vértices, entre outros. • Montagem e desmontagem de caixas com formatos diferentes para observar a planificação de alguns sólidos geométricos. Encontros: • 29/10/2007 • 05/11/2007 • 12/11/2007 10.8.8 Tratamento da Informação: Objetivos específicos: Ao final do estudo, o ensino deverá levar o aluno a: • Construir procedimentos para coletar, organizar, comunicar e interpretar dados, utilizando tabelas, gráficos e representações que aparecem freqüentemente em seu dia-a-dia; • Resolver problemas com dados apresentados de maneira organizada por meio de tabelas simples, gráficos de colunas e gráficos de barras; • Identificar possíveis maneiras de combinar elementos de uma coleção e de contabilizá-las por meio de estratégias pessoais; 147 • Utilizar a noção de probabilidade em situações-problema simples. Material utilizado: • Textos contidos nos PCNs (pág. 46 a 57); • Computadores da sala de Informática da escola. Metodologia de ensino: O conteúdo trata das novas tecnologias, assim, os encontros terão início na sala de informática. Além disso, serão lidos e discutidos textos contidos nos PCNs. As atividades que seguem têm como objetivo contribuir no planejamento de situações didáticas que favoreçam a concretização dos objetivos específicos propostos: • Leitura e discussão sobre dados relacionados à saúde, educação, cultura, lazer, alimentação, meteorologia, pesquisa de opinião, entre outros, organizados em tabelas e gráficos (barra, setores, linhas) que apareçam em livros,jornais,revistas, Internet. • Organização de pesquisas relacionadas a assuntos diversos: fruta preferida, aniversários dos alunos, animais de que mais gostam, entre outros. • Preparação e simulação de um jornal ou de reportagens feitas com os alunos, comunicando, através de tabelas ou gráficos, o assunto pesquisado por eles. • Resolução de situações de problemas simples que ajudem a formular previsões a respeito do sucesso ou não de um evento, por exemplo: o lançamento de um dado ou o resultado de um jogo. Encontros: • 19/11/2007 • 26/11/2007 148 10.9 ANEXO I MATRIZ DE ESPECIFICAÇÃO – MATEMÁTICA Após o Projeto de Intervenção- 4ª Série – Ensino Fundamental- Total de alunos: 99 Conteúdos Habilidades Números e operações Espaço e forma Grandezas e medidas Tratamento da informação Gabarito C E % 1. Escrever ou decompor um número natural nas unidades de diversas ordens, utilizando as regras do sistema numeração decimal. 95 2. Resolver situação problema que envolve diferentes significados da multiplicação ou divisão. 87 12 88 3. Resolver situação problema que envolve duas operações com números naturais. 85 14 86 4. Calcular o produto de dois números naturais. 80 19 81 5. Calcular o quociente de dois números naturais. 84 15 85 6. Utilizar um número racional na forma decimal para resolver uma situação contextualizada. 72 27 73 7. Comparar e ordenar escritas decimais de números racionais. 75 24 76 8. Resolver situação-problema que envolve adição e/ou subtração de números racionais na forma decimal. 73 26 74 9. Relacionar representações fracionária e decimal de um mesmo número racional. 67 32 68 10. Utilizar representações fracionárias em situações que envolvem a relação parte-todo. 65 34 66 11. Utilizar representações fracionárias em situações que envolvem o quociente de dois números naturais. 72 27 73 12. Identificar elementos e utilizar propriedades de figuras geométricas tridimensionais. 72 27 73 13. Identificar elementos e utilizar propriedades de figuras geométricas bidimensionais. 68 31 69 14. Identificar planificações de uma figura tridimensional. 95 15. Identificar e relacionar unidades de medida de comprimento em situações contextualizadas. 60 39 61 16. Identificar e relacionar unidades de medida de capacidade em situações contextualizadas. 68 31 69 17. Identificar e relacionar unidades de medida de massa em situações contextualizadas. 60 39 61 18. Resolver situação-problema que envolve grandezas geométricas como perímetro e/ou área. 31 68 31 19. Resolver situação-problema que pressupõe a leitura e interpretação de dados expressos em tabelas ou gráficos de colunas. 76 23 77 20. Resolver situação-problema que mobiliza o raciocínio combinatório, em situações de contagem. 69 30 70 4 4 96 96 TO % 74 T. 149 10.10 ANEXO J Avaliação das Reuniões de HTPC(s) realizadas no ano de 2007 1) Dimensão Pessoal: a) Formação acadêmica: b) Tempo de experiência no magistério: 2) Como você avalia: a) Os conteúdos desenvolvidos: b) As metodologias de ensino sugeridas para serem desenvolvidas com os alunos: c) A participação da pesquisadora nos encontros semanais: d) A dinâmica e o material utilizado: e) As trocas de experiências: 3) A formação continuada é necessária? Se a resposta for sim, explique o porquê. Se a resposta for não, justifique. 4) “A HTPC é um momento privilegiado na escola”. Indique os pontos positivos e negativos abaixo: 5) Faça uma breve reflexão pessoal sobre a sua experiência em relação ao trabalho, na área de Matemática, desenvolvido com os alunos: