Nº 108– Maio e Junho de 2005 Trabalhadores em Administração Escolar terão novos benefícios garantidos pela Convenção Coletiva 2005 O acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores em Administração Escolar no Rio Grande do Sul (Sintae-RS) e o Sindicato dos Estabelecimentos do Ensino Privado no Estado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS) foi assinado no dia 17 de maio. Após seis rodadas de negociações, o Sintae-RS conseguiu a manutenção das cláusulas do acordo anterior e ainda a inclusão de outras reivindicações. Veja abaixo, as principais alterações: Reajuste Salarial Com o novo acordo, o reajuste será de 5,91% (INPC integral), a contar de março e sem parcelamento. Desde 2003, em função da conjuntura desfavorável, a categoria não obtinha o reajuste em uma única vez. Desconto da Mensalidade O Trabalhador em Administração Escolar e seu dependente (que estudarem na instituição em que o auxiliar trabalha) terão a ampliação do desconto na mensalidade, o multiplicador de 1,7 passa para 1,82. O trabalhador que cumpre uma jornada de 44 horas semanais obtinha um desconto de 74,8%, agora passa a ser de 80%. Relação do Quadro Funcional Além dos dados já informados para o Sintae-RS, as instituições devem repassar também o número do CPF de todos os seus funcionários. Essa informação facilitará a comunicação entre os trabalhadores, o Sintae-RS e o sindicato patronal. Plano de Saúde Será criada uma comissão para discutir melhoras ou novas alternativas para os planos de saúde. Estagiários Com o novo acordo, a contratação de estagiários deverá observar os parâmetros da Lei n° 6.494/77 e seu regulamento. Prontuário Médico Todo o trabalhador terá direito, quando solicitado, a cópia do seu prontuário médico para que possa durante o tratamento detectar se a origem da sua doença está ligada com a sua atividade profissional. Quadriênio Cláusula 19 da convenção. Ficou estabelecido que o máximo de quadriênios será de cinco, ou seja, no máximo 20% por tempo de serviço. Aquele trabalhador que completar o sexto quadriênio (24% por tempo de serviço) até o dia 28 de fevereiro de 2006 terá o seu direito garantido, ressalvado o direito adquirido. Empréstimos Consignados Cláusula 55 da convenção. Ficou estabelecido que as escolas que ainda não aderiram aos contratos de empréstimos consignados na forma da lei 10.820/03, quando solicitadas pelo Sintae-RS deverão implementar essa sistemática nas instituições. Comissão Paritária Será criada, até o mês de agosto de 2005, uma comissão destinada a acompanhar a execução do acordo. Além disso, essa comissão deve aprofundar a discussão de temas e pretensões relevantes, visando a subsidiar a negociação coletiva referente à data-base de 2006. Cada parte designará seus representantes e poderá assessorar-se de especialistas. A comissão deverá apresentar, até o final da vigência da convenção coletiva 2005, relatório de suas atividades. 2 Maio e Junho de 2005 Recado Sindical 1º DE MAIO DIA DO TRABALHADOR Ecléia Conforto* Ao longo do século 19 as condições de trabalho eram desumanas, as extensas jornadas de trabalho que variavam entre 13 e 18 horas não poupavam nem as mulheres grávidas, nem as crianças. Direitos como férias, descanso semanal e aposentadoria não vigoravam. Para se protegerem, em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização como, por exemplo, as caixas de auxílio mútuo1 . O desenvolvimento do associativismo operário e principalmente a formação de um sindicalismo autônomo viabilizaram o organizar de campanhas e mobilizações que reivindicavam maiores salários e redução da jornada de trabalho. As greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. As respostas dadas às lutas operariadas vinham acompanhadas por uma violenta repressão, mortes e inúmeras prisões de trabalhadores. Contudo, o acontecimento que marcou essa luta e consagrou o 1º de maio como dia do trabalhador, foi a manifestação dos trabalhadores em 1886, na cidade de Chicago nos Estados Unidos, principal centro industrial do país. Atendendo os apelos dos sindicatos, milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações e passeatas compostas por trabalhadores, desempregados e famílias movimentaram a cidade. Entretanto, nos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício. No dia 4 de maio, durante novas manifestações, uma explosão em um comício serviu de justificativa para uma repressão brutal que provocou mais de 100 mortos e a prisão de dezenas de trabalhadores. A intensidade da repressão foi tamanha que decretou-se “Es- tado de Sítio” proibindo qualquer pessoa de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos e muitas sedes de sindicatos incendiadas. Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nessa cidade se desenvolveram (em 1886) e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho. No Brasil, as comemorações do 1º de maio também estão relacionadas à luta pela redução da jornada de trabalho. A data foi consolidada como o Dia dos Trabalhadores em 1925, quando o presidente Artur Bernardes baixou um decreto instituindo o 1º de maio como feriado nacional. Desde então, comícios, pequenas passeatas, festas comemorativas, shows ocorrem por todo o país. Na Constituição de 1988, os trabalhadores conseguiram conquistar uma série de avanços como as Férias Remuneradas, o 13º salário, multa de 40% por rompimento de contrato de trabalho, Licença Maternidade, previsão de um salário mínimo capaz de suprir todas as necessidades existenciais, de saúde e lazer das famílias de trabalhadores, entre outros. No entanto, a luta dos trabalhadores não termina assim, nós continuamos buscando um salário mínimo mais digno e após 119 anos os trabalhadores brasileiros e o movimento sindical reivindica a redução da jornada de trabalho, mas isso é assunto para o próximo jornal. Caixa de auxílio mútuo nada mais era que um fundo monetário formados pelo trabalhadores. 1 * Economista da Subseção Fetee-Sul/Dieese INDICADORES ECONÔMICOS PISO DA CATEGORIA R$ 542,98 R$ 494,66 (limpeza, portaria e jardinagem) SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL R$ 300,00 REGIONAL R$ 338,00 a R$ 367,90 TRABALHADORES ASSALARIADOS/ INSS CONTRIBUIÇÃO (R$) ALÍQUOTA Até 800,45 7,65% De 800,46 até 900,00 8,65% De 900,01 até 1.334,07 9% De 1.334,08 até 2.668,15 11% Empregador 12% IMPOSTO DE RENDA 2005 BASE DE CÁLCULO ALÍQUOTA (%) Até 1.164,00 PARCELA A DEDUZIR isento De 1.164,01 até 2.326,00 15 Acima de 2.326,00 27,5 174,60 465,35 Expediente O Recado Sindical é uma publicação do Sindicato dos Trabalhadores em Administração Escolar no Rio Grande do Sul. Endereço: Rua Euclides da cunha, 64. Bairro Santana Porto Alegre - RS. Cep: 90620-220. Telefone: (51) 3336-1722. Site: www.sintaers.com.br E-mail:[email protected] Diretora de Imprensa e Divulgação: Vera Sakamoto Jornalista reponsável, redação e diagramação: Suzana Ely de Azevedo - DRT - 12146 Impresão: VT Propaganda Tiragem: 7.000 exemplares Maio e Junho de 2005 Recado Sindical Por que é importante uma nova organização sindical? Celso Woyciechowski* No fim da década de 70 e no início dos anos 80, o movimento sindical cumpriu com um papel fundamental para democratização do país e para o fim da ditadura militar. Brigou pelas “Diretas Já” e no início da década de 90 pelo impeachment de Collor. Neste momento ímpar na história do Brasil, em 1983, nasceu a Central Única dos Trabalhadores, a nossa CUT. A CUT nasce com objetivos e princípios claros: democratização do país, luta pela garantia e ampliação dos direitos dos trabalhadores, reestruturação do movimento sindical, entre outros. A estrutura sindical a que estamos atrelados foi construída por Getúlio Vargas, nos anos de 1940. Uma estrutura e uma organização ligadas ao Estado e controladas por ele, inclusive financeiramente, através do Imposto Sindical. A CUT nasce e cresce com uma cara nova, com disposição para romper com vários dogmas e defender uma nova organização sindical, com liberdade e autonomia para os trabalhadores se organizarem. A nova organização sindical que buscamos construir, se reveste do nome de reforma sindical, e aí talvez o processo esteja equivocado, pois não necessitamos de uma reforma, mas de uma nova organização sindical. Porque uma nova organização sindical? Nas últimas décadas, especialmente nos últimos anos, houve uma reestruturação muito grande do mercado de trabalho com novas formas e métodos de produção. O companheirismo (coleguismo) deu lugar à competitividade, a solidariedade ao individualismo, o bemestar no trabalho à qualidade total, a saúde do trabalhador à doença ocupacional, o aumento real à produtividade. A atual estrutura sindical não deu conta de atender a essa demanda. E por várias razões, entre elas: os sindicatos fracos, com baixo poder de negociação, a pouca representatividade dos dirigentes sindicais, a falta de mobilização sindical, a fragmentação de sindicatos dentro do mesmo ramo de atividade (como acontece na Volkswagen, onde há 34 sindicatos), a inexistência da representação no local de trabalho, precisamos mudar. O que está se propondo para a nova organização sindical? Sindicatos fortes, com poder de negociação e mobilização, dirigentes com representação forte na base, organização a partir do local de trabalho, fim da pulverização de sindicatos (hoje existem 19 mil sindicatos no Brasil), sindicatos com autonomia financeira e organizacional, poder de decisão dos trabalhadores, fim dos sindicatos cartoriais. O processo de discussão da reforma sindical começou tão logo o governo Lula assumiu o país. Constituiu-se o Fórum Nacional do REFORMA SINDICAL Lei sobre a Reforma Sindical enviado ao Congresso Nacional, pelo Governo, não é a proposta ideal. Há muitos problemas que precisaremos enfrentar durante a tramitação no parlamento, mas acreditamos que estarmos discutindo uma nova organização com liberdade e autonomia, com estrutura e representação no local de trabalho, é um grande avanço. Precisamos nos articular para buscarmos a proposta ideal de organização sindical e o princípio disso é reconstruirmos a unidade da classe trabalhadora. * Tesoureiro da CUT/RS e Diretor Administrativo do Sintae-RS O anteprojeto apresenta como principais pontos para a Reforma Sindical: Liberdade total para a organização de federações, confederações e centrais sindicais. O sindicato continuará a existir nos moldes atuais, desde que tenha 20% dos trabalhadores sindicalizados. Trabalho em que participaram todos os setores da sociedade (trabalhadores, empregadores, governo e profissionais liberais). Desse processo de discussão resultou um anteprojeto da reforma sindical, elaborado por todos de forma consensual. O que não foi consenso, o governo se encarregou de organizar e encaminhar ao Congresso Nacional. A Reforma Sindical não é uma Reforma Trabalhista. A Reforma Sindical trata da organização dos trabalhadores e empregadores em suas instâncias sindicais. Não está em discussão os direitos dos trabalhadores, muito pelo contrário, busca-se aprimorar a organização sindical para melhor defender os direitos já assegurados pela Lei ou por negociações coletivas e para, de forma organizada, com mobilização e maior poder de negociação, ampliar esses direitos. Portanto, um novo modelo de organização sindical se faz necessário. O projeto de Fim do imposto sindical e das contribuições confederativa e assistencial. Criase a contribuição negocial para todo o trabalhador, desde que aprovada em assembléia. Organização por ramo de atividade e não mais por categoria profissional. Legalização das centrais sindicais. Fim do poder normativo da Justiça do Trabalho. A Justiça do Trabalho poderá ser acionada de comum acordo entre as partes para solucionar conflitos. Haverá representação sindical no local de trabalho livremente eleita pelos trabalhadores. Substituto processual: o sindicato poderá ingressar com ações em nome dos trabalhadores em casos coletivos e individuais. 4 Recado Sindical Maio e Junho de 2005 Torneio Tiradentes é um sucesso O sindicato dos Trabalhadores em Administração Escolar (Sintae-RS) realizou, no dia 21, o 6° Torneio Tiradentes. Parte da categoria reuniu-se na sede campestre do sindicato para acompanhar os jogos de futebol sete e confraternizar. Muitos aproveitaram a ocasião para rever os amigos e curtir os familiares. Nesse ano, seis equipes disputaram os troféus primeiro, segundo, terceiro lugar e disciplina, são elas: Tabajara (almoxarifado PUC/RS), IPA B, Colégio Maria Imaculada, Colégio La Salle Dores, Manutenção (PUC/ RS) e Serviços Gerais (PUC/RS). O time do Colégio Maria Imaculada ficou campeão, a equipe Tabajara em segundo e, em terceiro , o time Manutenção. O troféu disciplina foi para o Colégio La Salle Dores. O goleiro menos vazado foi Luiz Gustavo (Colégio Maria Imaculada) e o goleador Jader Leandro Manfroi (Tabajara). A premiação foi realizada no fim do dia pelo Secretário de Saúde e Lazer do Sintae-RS, Honório Luiz de Oliveira. Suzana Azevedo campeão goleadorr vice-campeão goleiro menos vazado Sintae-RS tem nova Campanha de Sindicalização A Campanha de Sindicalização 2005 tem como mote a proteção do trabalhador pelo sindicato. Trabalhador sindicalizado está protegido! A nova campanha, que inicia em maio e permanece até outubro, premia novos sindicalizados e também os sócios antigos. Todos concorrem a cinco prêmios, no fim de cada mês, pela loteria federal. Além disso, o associado que apresentar um novo sócio recebe uma camiseta. Veja ao lado como você pode participar. Sindicato festeja seus 23 anos No dia 2 de junho o Sintae-RS completará 23 anos. Para comemorar essa data tão especial, o sindicato realizará no dia 17 de junho, às 21h30min, um jantar dançante no Partenon Grill (Av. Bento Gonçalves, 1272 - bairro Partenon - Porto Alegre). Os interessados devem adquirir convites na secretaria ou com os diretores do sindicato. Sócio e um acompanhante pagam R$ 10,00 (cada) pelo convite. Demais convidados R$ 15,00. Confira no portal do Sintae-RS o local do evento.