AS LACUNAS DE APRENDIZAGEM DO ALUNO PROEJA NA
DISCIPLINA DE MATEMÁTICA
Maria Adilina Freire Jerônimo de Andrade
Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte
RESUMO: Neste artigo são apresentados os resultados da pesquisa intitulada "As lacunas de
aprendizagem do aluno Proeja na disciplina de matemática" que teve como campo empírico o
Campus Natal Zona Norte do Instituto Federal de Ciência e tecnologia do Rio Grande do
Norte (IFRN). Nessa perspectiva a intenção da pesquisa foi investigar as lacunas de
aprendizagem do aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina de matemática,
a partir da visão dos alunos, bem como dos professores que ministram aulas nessa modalidade
de educação, a fim de traçar um panorama sobre as possíveis causas que interferem no
processo de ensino aprendizagem nessa disciplina.
Importante explicitar que são vários os motivos que trazem o jovem e adulto de volta a
escola, dentre eles, podemos destacar a pressão do meio social e cultural, questões
psicológica, a busca por uma melhor qualificação profissional para atuar no mercado de
trabalho, e assim obter melhores salários. Aliadas a esses motivos, há as mudanças
comportamentais no mundo do trabalho, que tem exigido cada vez mais um trabalho em
equipe e, para desenvolver esse perfil, é necessário uma formação mínima. É nesse contexto
conturbado que esse jovem e adulto volta à escola e muitas vezes é surpreendido pelas
dificuldades que vai ter que enfrentar com esse retorno. O professor precisa entender que o
jovem e adulto é sujeito, e não objeto da educação. Ele precisa criar situações de ensino
aprendizagem e buscar novas habilidades com esse público de maneira que possa interagir,
facilitar a aprendizagem e propor situações problemas que façam parte da realidade
vivenciada pelos alunos.
Diante do panorama apresentado a pesquisa busca através de análises, observações e
questionários, investigar as lacunas de aprendizagem do aluno da Educação de Jovens e
Adultos (EJA) na disciplina de matemática. Tem como objeto de estudo alunos de 02 (duas)
turmas do1º e 2º períodos do EJA, do Ensino Médio Integrado Profissionalizante do Curso de
Comércio do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, Campus
Natal Zona Norte e professores de matemática que ministram aulas para essa modalidade de
ensino. Fundamenta-se em Duarte (2008) e Fonseca (2005), por serem teóricos que tratam do
ensino de matemática na educação de jovens e adultos. Mediante análises, estudos e
referenciais teóricos objetivou-se investigar as lacunas de aprendizagem do aluno da EJA na
disciplina de matemática, bem como apontar possíveis bloqueios no avanço da aprendizagem
nessa disciplina e analisar as estratégias empregadas no processo de ensino/aprendizagem na
disciplina de matemática.
Foram selecionados 41 alunos que correspondem a 02 turmas, uma do primeiro
período de EJA e a outra do segundo período, e 04 professores que ministram a disciplina de
matemática no Proeja. Foi possível identificar, após a análise dos dados, que as lacunas de
aprendizagem e os bloqueios dos alunos da EJA na disciplina de matemática são fruto de falta
de base nessa disciplina nas series iniciais, ocasionada por falta de estratégias adequadas para
esses alunos, pela quantidade mínima de aulas e conteúdos reduzidos.
PALAVRAS CHAVE: Educação de Jovens e Adultos; Aprendizagem; Ensino de Matemática.
1. Introdução
Este trabalho visa investigar as lacunas de aprendizagem dos alunos da educação de
jovens e adultos na disciplina de matemática do Ensino Médio Integrado Profissionalizante do
Curso de Comércio, adotando como campo de pesquisa o Instituto Federal de Educação
Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Campus Natal Zona Norte. A escolha
desse tema ocorreu após ouvir depoimentos de alunos da EJA que relatavam as suas
dificuldades para entender os conteúdos ministrados nas aulas de matemática. Houve também
relatos de professores que trabalham com essas turmas, sobre as carências desse público na
disciplina de matemática.
O objetivo deste artigo é estudar quais são as principais dificuldades de aprendizagem
do aluno da EJA na disciplina de matemática, se a falta de conhecimento prévio nessa
disciplina pode ser apontada como uma das causas do não aprendizado e quais as estratégias
empregadas pelo professor para facilitar o processo de ensino/aprendizagem nessa disciplina.
A pesquisa se desenvolveu por meio de análises, observações e o uso de questionário. Trata-se
de uma pesquisa empírica, qualitativa, com trabalho de campo e aplicação de questionários
aos alunos e docentes dessas turmas selecionadas para estudo, em busca de respostas para as
lacunas de aprendizagem do aluno de EJA na disciplina de matemática. Esse trabalho
fundamenta-se em Duarte (2008) e Fonseca (2005) por serem teóricos que tratam do ensino de
matemática na educação de jovens e adultos.
O Brasil tem enfrentado enormes desafios em relação à sua população jovem e adulta,
principalmente no que diz respeito à educação. Dados estatísticos revelam que apesar do
acesso à educação para esse segmento ter aumentado, a permanência e a conclusão desses
jovens e adultos não tem tido tanto sucesso. Isso se revela nos elevados índices de evasão e
repetência desses alunos. Fatores que podem ser apontados como causas desses altos índices
são: a baixa assimilação dos conteúdos, a falta de assiduidade do aluno decorrente da situação
do seu cotidiano, como ter quer trabalhar, dar atenção à família e estudar e a baixa auto-estima
que já se encontra arraigada nesse aluno por não ter conseguido concluir seus estudos no
tempo considerado adequado para a sua faixa etária. O peso do fracasso escolar centra-se
quase que exclusivamente na pessoa do aluno e não nas políticas públicas e no sistema
educacional como ele é posto. Lutar contra essas desigualdades educacionais requer medidas
específicas para atender as demandas e as necessidades que são intrínsecas desse público de
alunos que já vem com uma sobrecarga muito grande de afazeres, discriminação, baixa
auto-estima, preconceito, entre tantos outros.
São vários os motivos que traz esse jovem e adulto de volta à escola, dentre eles,
podemos destacar a pressão do meio social e cultural, questões psicológicas e a busca por uma
melhor qualificação para atuar no mercado de trabalho, para obter melhores salários. Aliadas a
esses motivos, há as mudanças comportamentais no mundo do trabalho, que tem exigido cada
vez mais um trabalho em equipe e, para desenvolver esse perfil, é necessário uma formação
mínima. É nesse contexto conturbado que esse jovem e adulto volta à escola e muitas vezes é
surpreendido pelas dificuldades que vai ter que enfrentar com esse retorno. O professor
precisa entender que o jovem e adulto é sujeito, e não objeto, da educação. Ele precisa criar
situações de ensino aprendizagem e buscar novas habilidades com esse público de maneira
que possa interagir, facilitar a aprendizagem e propor situações problemas que façam parte da
realidade vivenciada pelos alunos.
Diante do exposto o objetivo geral da pesquisa foi analisar as dificuldades de
aprendizagem do aluno da EJA na disciplina de matemática do curso de Comércio no Campus
Natal Zona Norte, com vista a entender as causas dessas dificuldades, as práticas pedagógicas
utilizadas pelos professores que ministram aula nessa modalidade de ensino e qual a visão
desses professores sobre essas dificuldades.
2. O ensino de matemática na educação de jovens e adultos
O território da educação de jovens e adultos no Brasil é um assunto pouco conhecido e
quando se tem ouvido falar é das suas mazelas e dificuldades. Fonseca afirma que
A designação “Educação de Jovens e Adultos” nos remete a uma caracterização da
modalidade pela idade dos alunos a que atende, o grande traço definidor da EJA é a
caracterização sociocultural de seu público, no seio da qual se deve entender esse
corte etário que se apresenta na expressão que a nomeia. (FONSECA, 2005, p.15).
Fonseca relata que “A idade cronológica, entretanto, tende a propiciar oportunidades
de vivências e relações, pelas quais crianças e adolescentes, em geral não passaram”
(FONSECA, 2005, p.22).Quando se fala em Educação Matemática de Jovens e Adultos está
se falando de uma ação educativa dirigida a um ser que não possui escolarização básica ou
que nunca tenha frequentado à escola, como bem coloca o autor.
Duarte (2008) afirma que se queremos contribuir para que os educandos sejam agentes
de transformações sociais e do uso da matemática nelas, é preciso que o educador contribua
para que esses alunos da EJA desenvolvam habilidades no seu pensar e agir levando-os à
compreensão da realidade à sua volta. Pois Duarte considera que "a aquisição do
conhecimento matemático não se inicia, para o educando adulto, apenas quando ele ingressa
num processo formal de ensino. Essa aquisição já vem se dando durante todo o decorrer de
sua vida" (DUARTE 2008, p. 17).
Portanto, torna-se cada vez mais urgente a necessidade de contextualizar o
conhecimento, dando um aspecto sociocultural à sua abordagem. Para isso, é fundamental que
o educador tenha intimidade com o conhecimento matemático, que não se deixe enredar por
um certo conformismo de que os alunos da EJA tem dificuldades e que não há muito o que se
fazer. As inadequações nos procedimentos e nas posturas pedagógicas com o ensino de
matemática para jovens e adultos é marcada pela infantilização das atividades e pela
abordagem que o professor utiliza nas aulas para esse público.
Muitos educadores não levam esse jovem e adulto a refletir sobre o que está sendo
ensinado, não consideramos experiências que eles tem sobre os conhecimentos matemáticos
que utilizam no seu cotidiano, gerando, assim, um aprendizado desprovido de significado e
aplicabilidade. A Andragogia que é considerada a arte ou ciência de orientar adultos a
aprender, vem contribuindo no avanço da aprendizagem do adulto. O aluno adulto aprende
com suas experiências com seus erros e acertos e tem consciência do que não sabe e o quanto
a falta de conhecimento o afeta. O educador precisa ter a capacidade de compreender que na
educação dos adultos o currículo deve ser estabelecido em função da necessidade desses
estudantes, pois são indivíduos independentes e que aprende de maneira diferente da criança.
Fonseca salienta que estudos para o ensino de matemática na educação de adultos reconhecem
a importância de se considerar as experiências que os alunos trazem do seu cotidiano. E
Duarte (2008) ainda destaca que muitas vezes o professor, no seu fazer pedagógico, transmite
uma visão estática do conteúdo matemático, como se ele fosse pronto e acabado e que tal
procedimento impede que o aluno possa entender a importância dos conhecimentos
matemáticos em seu cotidiano ou de aproveitar o que esse aluno já sabe sobre esses conceitos.
Embora de maneira precária, esse jovem e adulto já possui a noção de números e
quantidades. Isso implica que o ensino da matemática precisa estar vinculado às necessidades
sociais desse educando. Portanto, o ensino-aprendizagem da matemática na EJA precisa
tornar-se um processo dialógico, com significação para o educando, onde o cotidiano e as
experiências sejam a base para ensinar a matemática.
3. Contextualizando a pesquisa
A presente pesquisa foi realizada com alunos e professores de matemática de 02 (duas)
turmas do 1º e 2º períodos do PROEJA, do Ensino Médio Integrado Profissionalizante do
Curso de Comércio do IFRN, Campus Natal Zona Norte. Ela buscou investigar as lacunas de
aprendizagem do aluno da EJA na disciplina de matemática, bem como apontar possíveis
bloqueios no avanço da aprendizagem nessa disciplina e analisar as estratégias empregadas no
processo de ensino/aprendizagem na disciplina de matemática. A presente pesquisa se deu
através de análises, observações e questionários.
O IFRN foi criado pelo decreto nº 7.566 de 23 de setembro de 1909, com o nome de
Escola de Aprendizes e Artífices, e até chegar à denominação de IFRN, essa instituição
passou ao longo dos anos por diversas transformações e também denominações. Em 1942
passou a ser denominada Liceu Industrial de Natal. Em 1965 transforma-se na Escola
Industrial Federal. Em 1968, recebe a denominação de Escola Técnica Federal do Rio Grande
do Norte (ETFRN). Com a extinção dos cursos industriais básicos, passa a atuar no ensino
médio profissionalizante de 2º grau. Em 1999, com o decreto presidencial de 18 de janeiro
desse ano, passou para Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte
(CEFET-RN). Com isso, os desafios dessa instituição aumentaram e ela passou a ofertar a
educação profissional nos níveis básico, técnico e tecnológico.
Anos depois, passa também a atuar na educação profissional de nível médio na
modalidade de educação de jovens e adultos e no ensino a distância. Em 1994 teve inicio a
expansão do CEFET-RN, com a implantação da unidade de ensino descentralizada de
Mossoró. No ano de 2006, 03 novas unidades de ensino, ligadas ao CEFET-RN, são
implantadas, a da Zona Norte de Natal, a de Ipanguaçu e a de Currais Novos. Em 2009, passa
a contar com mais 06 novas unidades, Apodi, Pau dos Ferros, Macau, João Câmara e Nova
Cruz e com o núcleo da Cidade Alta em Natal. Com a lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008,
o CEFET-RN adquire nova institucionalidade, com a transformação em Instituto Federal de
Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). A educação de jovens e
adultos está presente no Campus Natal Zona Norte desde que teve suas atividades iniciadas no
ano de 2006. As duas primeiras turmas ingressaram no segundo semestre letivo do ano de
2006. No ano de 2012, ano base desta pesquisa, o Campus contava com 10 turmas de EJA.
As políticas públicas voltadas para a educação de jovens e adultos no Brasil sempre
foram insipientes e aconteciam de maneira descontínua através de campanhas de
alfabetização. Com Constituição Federal de 1988, a educação de jovens e adultos passou a ser
responsabilidade do Estado. E só quase uma década depois, com a LDB - Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional n. 9.394, de 1996, esse direito foi reafirmado a partir de 2003, a
presença do Estado na EJA, por meio do programa, o Brasil Alfabetizado, fez crescer a
preocupação e a destinação de verbas para os municípios com vista à continuidade de estudos,
sem o que todo esforço de alfabetização é insuficiente. (Proeja médio 2012).
A demanda social por políticas públicas duradouras nesse campo ainda é um fator em
crescimento. Um agravante na situação brasileira da educação de jovens e adultos é o
histórico de problemas de evasão e repetência. Porém, essa situação ainda é justificável em
virtude do fato de que a grande maioria do público que frequenta essa modalidade de ensino é
aquele que trabalha, estuda e cuida da família. Com o decreto nº 5.840, de 13 de julho de
2006, o governo federal implementou, por meio do Programa Nacional de Integração da
Educação Básica com a Educação Profissional na Modalidade de Educação de Jovens e
Adultos, a educação profissional ao ensino de nível médio na modalidade EJA. Programa esse
que tem permitido o acesso de jovens e adultos a uma educação básica de qualidade, e a uma
escola voltada as necessidades da classe trabalhadora que tem como proposta uma formação
humana integral que visa proporcionar a esses sujeitos uma visão de mundo e sociedade mais
global. Porém percebe-se que a educação de jovens e adultos ainda não se constitui em uma
política pública. Essa conquista vem sendo adquirida aos poucos e por pressões externas, e
esse decreto tem sido um marco nessa modalidade de educação.
4. Percurso metodológico
A pesquisa foi de caráter exploratório, tendo como principal fonte de informações os
questionários aplicados aos professores e alunos que eram os sujeitos estudados. A
metodologia adotada neste trabalho configurou-se em uma revisão bibliográfica, que segundo
(MINAYO, 2014) é “a primeira tarefa do investigador”, análise dos dados resultantes dos
questionários aplicados. Os instrumentos de pesquisa foram análises, observações e aplicação
de questionários com professores da disciplina de matemática que ministravam aulas no
Proeja e alunos do 1º e 2º períodos da EJA do Ensino Médio Integrado Profissionalizante do
Curso de Comércio do IFRN Campus Natal Zona Norte. O universo da pesquisa teve como
sujeitos41 alunos e 04 docentes do curso de comércio.
Os questionários foram aplicados no segundo semestre do ano letivo de 2012. No que
concerne aos alunos, a aplicação foi realizada nas turmas de 1º período composta por 28
alunos e 2º período por 13 alunos. Ocorreram nesse mesmo período as observações das aulas
de matemática ministradas nessas turmas. O questionário aplicado aos professores de
matemática que ministra aulas no Proeja aconteceu no mesmo período em que foi aplicado
aos alunos. O questionário tanto dos professores quanto dos alunos eram compostos por sete
questões semi abertas.
5. Resultado e discussão dos dados coletados
Após as análises, observações e aplicação de questionários com professores e alunos
do 1º e 2º períodos da EJA do Ensino Médio Integrado Profissionalizante do Curso de
Comércio do IFRN Campus Natal Zona Norte, pode-se apresentar os resultados observados.
Dos 13 alunos do 2º período da EJA que responderam ao questionário foram obtidos os
seguintes resultados.
Gráfico 1 - Turma 01: anos sem estudar
Fonte: dados da pesquisa (2012)
Diante dos dados expressos no gráfico 1, que pergunta sobre o tempo que os sujeitos
ficaram sem estudar, constatou-se que ocorreram diferenças significativas em suas resposta.
46% dos pesquisados ficam mais de 7 anos fora da escola. Enquanto 31% passaram menos de
2 anos sem estudar. Os resultados apresentados possibilitam refletir sobre a heterogeneidade
que compõe as turmas de educação de jovens e adultos. No entanto, esse é apenas um aspecto
que se atrela a uma série de outros fatores relativos a esse universo.
Gráfico 2- Turma 01: dificuldades de aprendizagem
Fonte: dados da pesquisa (2012)
O resultado apresentado na figura acima demonstra que 85% dos alunos pesquisados
tinham dificuldade de aprendizagem na disciplina de matemática. E responderam que
atribuem essas dificuldades à metodologia utilizada pelo professor, não conseguir calcular
áreas e assuntos ligados a figuras planas e triângulos, não conseguir chegar ao resultado
esperado. Entender quando o professor explica, mas depois não saber mais, devido ao cansaço
de passar o dia trabalhando, não conseguir entender porcentagem e radiciação.
No tocante à questão 03, que indagava sobre o que dificulta a compreensão
matemática naquele momento, 62% atribuíram a outras coisas e não à metodologia utilizada
pelo professor, ou ao fato de não gostar da disciplina, a causa dessa dificuldade. Os demais
remeteram suas dificuldades a essas duas últimas causas. Eles acrescentaram que acham
matemática uma disciplina difícil de entender, que não conseguem compreender alguns
conteúdos, que tem pouco tempo para estudar devido ao trabalho e que, ao longo tempo,
ficaram sem estudar o que contribuiu para aumentar essas dificuldades.
Em relação à questão 04,que pergunta se eles atribuem a sua dificuldade atual na
disciplina de matemática à falta de base que tiveram nas series iniciais, 54% responderam que
sim, reforçando a precariedade que foi o ensino que eles receberam em relação a essa
disciplina. Aluno 01: “era uma escola com pouca estrutura pedagógica”, aluno 02:“o ano
letivo era marcado por muitas faltas de professores”, aluno 03: “ a forma de ensinar não era
boa”.
Gráfico 3 - Turma 01: avaliação do ensino de matemática no ano atual do curso Fonte
Fonte: dados da pesquisa (2012)
Depreende-se da pergunta 05 que 46% desses alunos avaliaram o ensino atual do seu
curso em matemática como sendo contextualizado com a realidade, 38% acham que é uma
mera aplicação de regras e fórmulas e 8% não viam aplicabilidade prática dos conteúdos
ministrados. Pode-se inferir que a turma está dividida nas opiniões, uma vez que se somarmos
as duas últimas proposições chegaremos ao percentual de 46% que discordam do primeiro
grupo.
A questão 06 abordou a falta de um material didático específico para essa modalidade
de ensino e se isso consistia em um entrave na aprendizagem na disciplina de matemática.
68% concordaram que sim. Porém, alguns citaram que um bom método de ensino dispensa o
material didático. Foi perguntado também, se a falta de um material específico para essa
modalidade de ensino pode ser suprida por outros materiais didáticos, 68% disseram que sim,
que o professor tem capacidade de sanar essa situação.
Gráfico 4 - Turma 02: anos sem estudar
Fonte: dados da pesquisa (2012)
O segundo o grupo de alunos analisados foram os 28 alunos do 1º período da EJA. O
gráfico acima indicou que 39% dos alunos respondentes ficaram 7 ou mais anos sem estudar.
Enquanto quase o mesmo percentual, 36% ficaram apenas de 1 a 2 anos sem estudar.
Gráfico 5 - Turma 02: dificuldades de aprendizagem
Fonte: dados da pesquisa (2012)
Quando perguntados se tinham dificuldades de aprendizagem na disciplina de
matemática nas series iniciais, 57% responderam que sim e atribuíram essas dificuldades a
não saber fazer as 04 operações matemáticas; não saber fazer os cálculos por não entender os
problemas; ao fato do professor explicar muito rápido; à quantidade mínima de conteúdos que
eram ministrados durante o ano letivo; a não conseguir memorizar os conteúdos; a achar a
disciplina complicada; à falta de material adequado; aos métodos e à falta de incentivo. Aluno
01: “ as vezes não entendia a explicação do professor, explicava rápido demais, aluno 02: “
tem coisas que eu não conheço, aluno 03: “porque matemática é muito complicada’. Enquanto
43% responderam não ter dificuldades de aprendizagem nessa disciplina. Pela análise dos
dados constata-se que essa turma tem um certo equilíbrio entre os alunos que dizem ter e os
que dizem não ter dificuldades de aprendizagem na disciplina de matemática.
Quando indagados sobre o que dificulta a sua compreensão matemática atualmente,
42% responderam que a metodologia utilizada pelo professor, 14% ao fato de não gostarem da
disciplina e 25% deram outras respostas, tais como: às fórmulas serem complicadas, ao ensino
ter sido fraco no passado, ao fato de matemática ser uma disciplina difícil, à falta de interesse
do professor em ensinar, à falta de tempo de praticar em casa e uma respondeu que não tem
dificuldade na disciplina de matemática.
Eles foram questionados também se achavam que suas dificuldades atuais em
matemática eram decorrentes da falta de base que tiveram nas séries iniciais. 60%
responderam que sim, 46% desses alunos avaliaram o ensino atual do seu curso em
matemática como sendo contextualizado com a realidade, 14% não via aplicabilidade prática
dos conteúdos ministrados e 39% acharam que é uma mera aplicação de regras e fórmulas.
Quando perguntados se a falta de um material didático específico para essa
modalidade de ensino consistia em um entrave na aprendizagem na disciplina de matemática,
13 alunos responderam que concordam totalmente, pois isso ajudaria a tirar as dúvidas, rever
o que o professor explicou, assim como ajudaria o aluno a estudar em casa nas horas vagas,
esse material especifico ajudaria na melhoria do rendimento escolar.
Em relação aos 04 professores, que ministram a disciplina de matemática nessa
modalidade de educação foi aplicado um questionário composto por 07 questões semi abertas.
Todos eles responderam que possuem graduação em matemática e lecionam nessa modalidade
de ensino a mais de 07 (sete) anos. Dentre eles 02 (dois) são mestres em matemática, 01 (um)
é mestre em ensino de Ciências Naturais e Matemática e o outro é especialista em Letras.
Quando indagados se possuíam algum tipo de formação para atuar com esse público, metade
desses professores diz possuir curso ou formação nessa modalidade de ensino.
Foi perguntado também a que eles atribuíam as dificuldades do aluno EJA na disciplina de
matemática O professor 01: “o longo tempo que o aluno passou fora da escola e a falta de
hábito de estudo”, professor 02: “dificuldades de estratégias pedagógica específicas à essa
modalidade”. O quarto professor concorda que seria a falta de base nessa disciplina, mas
acrescenta que os problemas sociais, familiares e de trabalho, também interfere nessas
dificuldades de aprendizagem.
Quando questionados se tinham dificuldades de lecionar nas turmas de EJA todos
responderam que não, que procuravam se adequar a turma, que utilizavam uma metodologia
diferenciada. Quando perguntados se utilizavam uma metodologia diferenciada nas turmas de
EJA, responderam que sim, que promoviam atividades dinamizadas para trabalhar os
conteúdos, levando o aluno a buscar alternativas, a pensar, a se entusiasmar com a aula,
tornando a mesma um desafio. Outra estratégia seria recorrer a situações concretas que
envolvam o aluno com a matemática, de maneira que ele possa construir os conceitos
trabalhados junto com o professor. Foi citado também o estudo dirigido, o uso das novas
tecnologias, jogos, situações problemas envolvendo o cotidiano do aluno e o
acompanhamento mais de perto dos alunos com mais dificuldades como estratégias
diferenciadas para esse público.
Ao analisar as duas turmas objeto de estudo da pesquisa e os docentes da disciplina de
matemática que ministram aulas nessas turmas, percebe-se que quase todos os docentes das
turmas da EJA possuem pós-graduação na área de matemática, que os mesmos tem
experiência com essa modalidade de ensino, inclusive metade deles possui curso de formação
para atuar junto ao EJA e que eles utilizam estratégias diferenciadas para as suas aulas com
esses alunos. Observa-se que 84% dos alunos, do segundo período da EJA responderam que
atribuem a sua dificuldade de aprendizagem em matemática nas series iniciais à metodologia
utilizada pelo professor. E quando perguntados sobre as dificuldades atuais apontaram outros
motivos e não a metodologia utilizada. Outro fato importante observado é que 53% disseram
que a dificuldade atual é consequência da falta de base que tiveram nas séries iniciais. A
maioria deles acha que o conteúdo trabalhado é contextualizado com a realidade. No que diz
respeito ao material didático, entende-se que a maioria acha que a falta de um material
didático especifico para a EJA torna-se um entrave no avanço da aprendizagem.
Quanto à avaliação dos dados da turma do primeiro período da EJA, os alunos
atribuem as dificuldades de aprendizagem nas series inicias e as atuais à metodologia utilizada
pelo professor e à falta de base, que tem influenciado diretamente no seu aprendizado atual. A
maioria deles acha que o conteúdo trabalhado é contextualizado com a realidade. No que diz
respeito ao material didático a maioria concorda que a falta de um material didático específico
para essa modalidade de ensino é causa de entrave na aprendizagem da disciplina de
matemática.
6. Considerações finais
Com a evolução da discussão nesse trabalho acerca do ensino de matemática na
educação de jovens e adultos, e em particular, na educação matemática de jovens e adultos,
percebe-se que esse ainda é um terreno árido e que requer de professores, pesquisadores entres
outros profissionais da educação, buscar adentrar nessa seara para que os alunos da EJA
superem suas dificuldades de aprendizagem, e para que sejam encontradas soluções e
estratégias para lidar com esse publico de maneira que eles possam ter uma aprendizagem
significativa dos conhecimentos matemáticos, pois a inadequação nos procedimentos
pedagógicos tem sido apontada como uma das causas que dificulta essa aprendizagem.
Percebe-se que os educadores tem avançado na busca de propostas pedagógicas que
considerem as especificidades desse público, embora de maneira ainda tênue, devido a
carência de pesquisas que possam subsidiar o professor no seu fazer pedagógico, e em
especial no conhecimento no campo psicológico, de saber como acontece os processos
cognitivos na idade adulta. E também tem progredido na promoção de habilidades e
estratégias que atendam as especificidades dos sujeitos dessa modalidade de educação ao
longo do processo, de ensino aprendizagem. Sugere-se então que seja feita uma intervenção
no currículo e nos conteúdos trabalhados com a EJA para que esses alunos possam de alguma
forma entender os conteúdos básicos que eles vão precisar na série que cursam e que tem
causado uma lacuna na sua aprendizagem e até mesmo um bloqueio em virtude da falta desses
conhecimentos. É importante também o uso de estratégias diferenciadas para esse público
como também um material didático específico para essa modalidade de ensino, o que
possivelmente melhoraria a evolução do aprendizado.
6. Referencias
BRASIL. Decreto nº 5.840, de 23 de julho de 2006. Institui, no âmbito federal, o Programa
de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação
de Jovens e Adultos – PROEJA. Brasília, DF: 24 de jun. de 2006.
DUARTE, Newton. O ensino da matemática na educação de adultos. São Paulo: Cortez,
2008.
FONSECA, M. C. F. R. Educação matemática de jovens e adultos: especificidades, desafio
e contribuições. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em
saúde. São Paulo: Hucitec,2014.
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