SETEMBRO DE 2011 INTERNACIONALIZAÇÃO ANA LEHMANN Internacionalizar para crescer NELSON DE SOUZA O apoio às exportações BRILHANTE DIAS CCDR-N Recursos financeiros O papel das regiões para internacionalizar na economia Pág. 3 Págs. 4 e 5 Págs. 6 e 7 Esta revista é parte integrante do jornal OJE e não pode ser vendida separadamente Págs. 10 a 13 Foto de CCDR-N/Egídio Santos POWERED BY 2 SUMÁRIO FICHA TÉCNICA Propriedade Megafin Sociedade Editora S.A. Registo na ERCS N.º 223731 N.º de Depósito Legal: 245365/06 Sede Atrium Saldanha, Prç. 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Gráfica da Paiã, SA Esta publicação é financiada pela União Europeia – Programa Operacional Assistência Técnica FEDER. Tiragem 25.000 exemplares Nenhuma parte desta publicação, incluindo textos, fotografias e ilustrações, pode ser reproduzida por quaisquer meios sem prévia autorização do editor. União Europeia Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional [Ana Teresa Lehmann, vice-presidente, CCDR-N] ABERTURA 3 Foto de CCDR-N INTERNACIONALIZAÇÃO: ÚNICA VIA DE CRESCIMENTO PARA A ECONOMIA PORTUGUESA Por ANA TERESA LEHMANN Vice-Presidente da CCDR-N N a actual conjuntura, não subsiste qualquer dúvida de que o único motor credível para o crescimento da economia portuguesa é a sua internacionalização. No curto prazo, o aumento das exportações e a atracção de investimento directo estrangeiro têm de ser prioridades centrais de política económica. Além disso, outras formas de internacionalização, que passam pelo reforço da capacidade competitiva das empresas portuguesas com investimentos no exterior, devem ser promovidas, como garante de sustentabilidade das respectivas operações no longo prazo e de capacidade de sobrevivência perante a concorrência global. Ter mais empresas exportadoras, e mais fortes, e investidores credíveis no exterior é, também, a melhor forma de substituir importações, outra das necessidades urgentes do nosso País – porquanto empresas que concorrem melhor fora, por maioria de razão, concorrerão melhor intramuros. Portugal é das economias menos abertas da Europa (ocupa o 22.º lugar na UE27 em termos tanto de grau de abertura ao exterior, como de orientação exportadora). As exportações de bens e serviços representam apenas 32% do PIB. Mais de 90% das empresas portuguesas nunca desenvolveram actividade exportadora. Apenas poucas centenas têm filiais no exterior. A consciência da modéstia deste desempenho tem de convocar o País (em vários níveis complementares de intervenção e todo o tipo de decisores) para a absoluta necessidade de actuar nesta frente. Urge, pois, reforçar a concentração e a selectividade dos apoios públicos em iniciativas que produzam resultados tangíveis no aumento do grau de internacionalização da economia portuguesa, enfatizando a produção de bens e serviços transaccionáveis, inovadores, com incorporação de elevado valor acrescentado, e capazes de competir em mercados com maior potencial de crescimento. Este Suplemento não poderia ser, assim, mais oportuno, quer na escolha da temática, quer dos vários testemunhos e perspectivas apresentados – cruzando visões públicas e privadas, académicas e empresariais, nacionais e regionais. Esta publicação tem, também, a virtude de reflectir sobre a crucial articulação inter-institucional que está no cerne do sucesso da agilização das políticas promotoras da internacionalização e de um bom ambiente de negócios. Além de salientar a relevância fundamental de níveis sub-nacionais, destacando-se particularmente o nível regional, na concepção e implementação destas políticas. Neste sentido, o Suplemento faz referência a boas práticas internacionais já testadas, a resultados de experiências apoiadas pelo QREN, e propõe áreas concretas de actuação para promover a internacionalização da economia portuguesa. 4 ARTIGO [Nelson de Souza, gestor do COMPETE] Foto de Bernardo S. Lobo/OJE O QREN E O APOIO ÀS EXPORTAÇÕES J á quase ninguém contesta que o aumento das exportações portuguesas é o caminho mais eficaz para mitigar os efeitos recessivos na economia portuguesa provocados pelo incontornável processo de equilíbrio das finanças públicas e da dívida externa. Naturalmente, o QREN, através da sua Agenda da Competitividade, não poderia ficar incólume a esta prioridade crítica para a economia portuguesa nos próximos tempos. É certo que a promoção da base produtiva transaccionável e a sua orientação para os mercados internacionais constituiu, desde 2007, uma das prioridades iniciais do COMPETE, como se pode confirmar pela leitura do texto do programa aprovado pela Comissão Europeia. Mas o reforço muito significativo, a partir dos finais de 2009, das medidas de apoio à internacionalização dos Sistemas de Incentivos à Qualificação de PME, acompanhado da focalização dos apoios dos Sistemas de Incentivos à Inovação e de I&DT nas empresas exportadoras, ilustra bem a importância acrescida que a internacionalização passou a ter no QREN. A focalização nas empresas exportadoras gerou uma forte dinâmica da procura de incentivos do QREN por parte dos sectores com maiores perfomances passadas ou potenciais de internacionalização. A procura tem vindo a ser elevada nos concursos lançados num contexto macroeconómico pouco favorável ao investimento privado e a opção assumida a favor da orientação para os mercados externos conseguiu gerar um amplo consenso. No entanto, esta opção do QREN suscitou igualmente algumas opiniões mais críticas. Para além dos que continuam a reclamar que os incentivos do QREN devem ser “tudo para todos”, a questão mais pertinente levantada foi a da não consideração pelo QREN do efeito “substituição de importação” em algumas vendas orientadas para o mercado interno. Segundo essas opiniões, a substituição de importações traria efeitos iguais ao do aumento das exportações em termos de balança comercial e de pagamentos. Na análise que precedeu as nossas opções tivemos em consideração os seguintes aspectos: [Nelson de Souza, gestor do COMPETE] ARTIGO 5 Foto de CCDR-N/Egídio Santos (i) o conceito de “substituição de importações” é de difícil aplicação prática já que, no limite, em economias totalmente abertas, toda e qualquer produção transaccionável ou é exportada, ou destina-se a substituir importações; caso o QREN considerasse o conceito assim definido, anularia a focalização pretendida, já que passariam a ser prioritários todos os bens e serviços transaccionáveis, independentemente da sua orientação para o mercado interno ou externo; (ii) a consideração do factor exportações visa ter em consideração outros efeitos na economia portuguesa que não apenas os de equilíbrio da balança comercial – por um lado, sabemos que as perspectivas da procura externa internacional serão seguramente bem mais dinâmicas do que a evolução negativa esperada para a procura interna para os próximos anos, isto é, os mercados externos propiciarão muito melhores oportunidades para o crescimento das empresas portuguesas; outra vantagem das exportações traduz-se na pressão competitiva permanente que os mercados internacionais exigentes impõem às empresas nacionais que neles competem. São estas duas ordens de razão que sustentaram, em nossa opinião, o “bem fundado” da opção dos Sistemas de Incentivos do QREN pela prioridade às empresas exportadoras. Outro aspecto com consequências na identificação das áreas de investimento empresarial para a internacionalização tem que ver com natureza das debilidades que afectam a competitividade da nossa produção. Muitas vezes sustenta-se a ideia de que o produto português tem “qualidade” (intrínseca) e as falhas residem apenas na percepção dessa mesma qualidade ou na ausência de iniciativas de promoção e de marketing que valorizem a oferta nacional (deficit de imagem de um bom produto). Genericamente, não podemos deixar de concordar com este diagnóstico, mas também não devemos esquecer que o nosso produto tem de ser continuamente melhorado em termos da sua diferenciação, inovação e da qualidade de serviço que lhe está associado. De facto, no que se refere à cadeia de valor, a nossa indústria continua a começar tarde demais (não integrando as fases mais a montante da concepção e da inovação dos produtos) e termina demasiado cedo (não integrando as fases mais próximas dos mercados de destino). Vem esta questão a propósito de uma visão redutora dos incentivos à internacionalização, reduzindo-os apenas aos investimentos efectuados nas funções de marketing, promoção e comercialização externas dos produtos. No QREN, a vertente mais directa de incentivo à promoção externa é garantida através dos Sistemas de Incentivos à Qualificação PME, que incentiva projectos de presença em mercados internacionais, quer quando apresentados por empresas individualmente consideradas, quer quando organizadas em projectos conjuntos organizados por associações empresariais. Esta dimensão de apoios à promoção internacional é complementada pelos apoios às empresas exportadoras para o aumento e inovação da sua capacidade produtiva (através dos Sistemas de Incentivos à Inovação) e para o desenvolvimento de novos bens e serviços exportáveis (através dos Sistemas de Incentivos de I&DT). Os apoios atribuídos ao abrigo dos Sistemas de Incentivos do QREN encontram-se detalhados no Relatório de APOIOS À INTERNACIONALIZAÇÃO SISTEMAS DE INCENTIVOS Unid: Mil Euros Investimento N.º Proj. Elegível Incentivo Projectos de Internacionalização SI Qualificação PME/Projectos Individuais e de Cooperação SI Qualificação PME/Projectos Conjuntos Outros Projectos com Investimento em Internacionalização* SI Inovação SI PME Total SI 883 763 120 1521 609 912 2404 404 965 229 262 175 704 205 316 136 195 69 120 610 281 184 545 99 322 85 223 75 748 44 694 31 054 260 293 Unid: Mil Euros Investimento N.º Proj. Elegível Incentivo Projectos de Internacionalização 52 121 202 84 321 Outros Projectos com Investimento em Internacionalização* 45 2485 1771 Total SIAC COMPETE 97 123 687 86 092 SIAC COMPETE TOTAL 2501 733 968 Nota:*Incentivo estimado com base na taxa média de incentivo por projecto. Execução do COMPETE de 2010 (disponível em www.qren.pofc.org): Os números e conclusões apresentados no referido relatório permitem confirmar que o apoio à internacionalização das empresas vem representando a principal prioridade no quadro dos incentivos no âmbito do QREN. Neste domínio, fomos (o COMPETE e os PO Regionais) sendo capazes de, em estreito diálogo com as empresas e as suas associações, identificar as necessidades, desenhar os instrumentos e colocá-los no terreno no tempo oportuno. O mérito principal do recente comportamento positivo das exportações portuguesas cabe às empresas que têm sabido reforçar as acções necessárias para melhorar a sua competitividade. Às políticas públicas e ao QREN, resta a satisfação de podermos ter contribuído para este esforço e para os resultados conseguidos. 346 385 6 ENTREVISTA [Eurico Brilhante Dias, vogal da aicep Portugal Global] “NUNCA ANTES COMO HOJE HOUVE TANTOS RECURSOS FINANCEIROS ORIENTADOS À INTERNACIONALIZAÇÃO” Foto de Victor Machado/OJE Eurico Brilhante Dias, vogal da aicep Portugal Global, é peremptório: “Nunca antes houve tantos recursos financeiros orientados à internacionalização”. As Lojas de Exportação têm tido um papel nuclear no lançamento de novas empresas na experiência da exportação. Portugal tem 3 mil grandes empresas exportadoras num universo global de 18 mil entidades vocacionadas para vender fora do mercado doméstico A economia portuguesa tem vindo, ao longo dos últimos meses, a reduzir o défice comercial, suportado por menos importações e por um crescimento exponencial das exportações. É algo pontual ou faz sentido falar de um novo paradigma a nível da balança comercial? A expectativa é que não seja algo pontual. O défice comercial da balança de bens e serviços registou uma melhoria no 1.º trimestre, muito por força de um crescimento mais pronunciado das exportações. Há claramente o registo de um maior número de empresas orientadas para o merca- do externo. Há, cumulativamente, empresas mais maduras, com mais experiência internacional, que começaram a diversificar mercados e isso faz com que se registe um aumento bastante pronunciado das exportações. É possível colocar Portugal na cena internacional como um país essencialmente exportador? O grau de abertura da economia portuguesa deve, necessariamente, continuar a aumentar, e esperamos que fundamentalmente do lado das exportações. É um trabalho de geração pois Portugal, como pequena economia no quadro da UE, ainda tem níveis de exportações no Produto que estão abaixo da média da União e, por isso, alcançar esse desiderato ainda poderá levar algum tempo. Portugal já tem 32% de exportações de bens e serviços no Produto, tendo, nos últimos cinco anos, um crescimento aproximado de 5 pp no PIB. Este trajecto é assinalável, pois é o valor mais elevado desde os fins dos anos 80. Mas é um trajecto para continuar. Do ponto de vista do médio prazo, estamos a trabalhar, na Agência, com a meta dos 40% e penso que deverá ser revalidado dentro do ponto de vista do actual Governo. Que programa desenhou a aicep Portugal Global a nível da promoção das exportações e do investimento directo no estrangeiro? No final de 2010, e com os recursos disponíveis, lançou um programa – apresentado em Outubro de 2010 – sob o título “Internacionalizar para Crescer”. Este programa tem diferentes vertentes. Uma primeira vertente orientada para o aumento das empresas exportadoras e a diversificação de mercados, centrando-se essencialmente nas PME, e onde, inclusive, fazia-se apelo ao potencial das grandes empresas no trabalho de “arrastamento” de PME para mercados externos. Foram definidos novos mercados de prospecção da própria Agência para que se pudesse alargar a oferta de conhecimento e mercados às PME portuguesas. Definiu-se um programa orientado para a atracção da IDE (Investimento Directo Estrangeiro) e à qualificação dos actores que são fundamentais na atracção de IDE, caso das Câmaras Municipais. Estas entidades são essenciais para aumentarmos a eficácia na atracção de IDE, fundamentalmente ao nível de indústria e serviços. Por último, foi definido um programa – Internacionalizar para Crescer - orientado à percepção da oferta portu- [Eurico Brilhante Dias, vogal da aicep Portugal Global] Portugal tem poucos incentivos à internacionalização ou os beneficiários são pouco receptivos a novos desafios, preferindo manter-se dentro das geografias e dos produtos tradicionais? É obrigação da Agência, enquanto organismo técnico do QREN, assegurar uma adequabilidade entre aquilo que é o esforço público de apoio e a eficácia desse apoio. A Agência sempre primou a sua actividade por selectividade no apoio, e isso significa ajustar recursos a projectos com potencial de êxito. A selectividade sempre foi um elemento essencial na forma como abordamos cada um dos projectos que nos são apresentados; depois propomos às Autoridades o eventual co-financiamento dos projectos. Acrescentamos que nunca antes como hoje, pelo menos no quadro do QREN, houve tantos recursos financeiros orientados à internacionalização. Também não deixa de ser menos verdade que temos cada vez mais procura e que, por isso, em algumas regiões do país, sentimos que há objectivamente a necessidade de reforçar as dotações orçamentais do QREN afectas ao apoio às empresas e à sua internacionalização. Destaco as regiões de maior densidade populacional de PME: o Norte e o Centro, para além da dotação do Compete. Relativamente à atitude dos empresários, devo frisar que a Agência acompanha mais de mil projectos de internacionalização de PME e outros são acompanhados nesta tipologia pelo IAPMEI. Neste momento, a Agência tem em carteira praticamente o total das empresas exportadoras do país e uma variação de exportações expectável, num prazo de um biénio, da ordem dos dois mil milhões de euros de exportações. Isto significa que há um conjunto de empresas bastante lato que já hoje tem uma perspectiva de crescimento de exportações muito acentuado e com diversificação de mercados. A aicep tem em funcionamento em todas as regiões de Portugal as Lojas da Exportação. Quais os resultados desta rede? Os resultados têm sido muito bons, para além de termos registado, com muita alegria, o facto de as Lojas de Exportação terem sido reconhecidas, pela Comissão Europeia, como uma boa prática no apoio à internacionalização de PME. Tivemos oportunidade de, em Maio, apresentar em Budapeste (Hungria) as Lojas de Exportação como uma Boa Prática da União Europeia. Vários Estados-membros abordaram-nos porque consideraram ser aquele um modelo interessante de envolver empresas, sobretudo aqueles casos que são potencialmente exportadores ou que estejam ainda numa fase anterior à qualificação da sua oferta para exportar. Através das Lojas de Exportação, e num modelo de proximidade, conseguimos ter acesso aos primeiros serviços de internacionalização. Falo da informação sobre mercados, informação regulamentar sobre a actividade económica em outros mercados e também sobre as acções de capacitação que vamos fazendo e que permitem um primeiro contacto das empresas com os mercados externos. O país não é homogéneo e naturalmente temos sentido que as Lojas do litoral, em particular os espaços em regiões de maior densidade a nível de actividade económica, são as mais activas. Sentimos mais procura nos casos de Leiria, Coimbra, Aveiro e a recordista é Braga. Por outro lado, há Lojas que, pela sua localização geográfica, continuam a ser importantes para um certo equilíbrio, quer na geografia, quer no apoio que damos a algumas PME. As Lojas da Guarda e da Covilhã estão próximas de algumas empresas do sector exportador, caso do têxtil (Covilhã e Castelo Branco). Em Évora, recorrem à Loja da Exportação muitas empresas do sector dos serviços e da indústria agro-alimentar. Enquanto Faro tem um perfil diferente, pois possui, ainda, alguma indústria conserveira muito orientada para o mercado de proximidade, caso de Marrocos. Temos o objectivo de aumentar o número de empresas exportadoras, e as Lojas são o canal preferencial de contacto com essas empresas. A primeira Loja arrancou em Abril de 2010, em Leiria, num total de 14 Lojas, sendo que Lisboa e Porto são tratadas directamente pela aicep. As Lojas procuram que os empresários tenham informação, comecem a ter alguma capacitação sobre mercados e conheçam bem os instrumentos que têm disponíveis para poderem ir aos mercados, acabando muitas delas por recorrer aos sistemas de incentivos para co-financiar esse acesso. Quando passam para fases mais evoluídas, nomeadamente para a presença nos mercados, as empresas transitam para um gestor de cliente. As Lojas de Exportação estão orientadas a “targets” específicos de empresas, gerimos os nossos pontos de contacto com as PME, procurando ter alguma Foto de CCDR-N/Egídio Santos guesa no exterior, que, em 2011 e 2012, estaria centrado no mercado brasileiro e no mercado dos EUA. ENTREVISTA 7 eficácia nessa abordagem. As Lojas de Exportação estão centradas no objectivo estratégico que é o alargamento da base exportadora, procurando que elas estejam disponíveis para o processo de pré-ida ao mercado, e é aí que elas têm de ser eficazes. Direi que uma boa Loja de Exportação é aquela que “deixa que os seus clientes partam”, ou seja, depois de os lançar, permite que eles sejam agarrados quer pelos pontos de rede, quer por um gestor de cliente. Como avalia o apoio do QREN no objectivo exportação? Antecipa alguma nova aposta? O contributo é decisivo. Os incentivos servem para que algumas unidades empresariais, que não tinham condições num determinado momento, concretizem um projecto. Para a Agência, os Sistemas de Incentivos ao abrigo do QREN focados na área da internacionalização permitem que um conjunto alargado de empresas, que teriam um processo de crescimento das suas exportações mais lento ou que levariam muitos mais anos a diversificar mercados, possam fazê-lo de forma mais acelerada. A isto acresce o facto de os incentivos financeiros serem hoje, no quadro de financiamento da actividade económica em Portugal, um instrumento essencial, dado termos uma circunstância de grande dificuldade de acesso a crédito. Isto não é uma crítica à banca, é a constatação de uma realidade. 8 DEPOIMENTOS QUE PRINCIPAL APOSTA ELEGERIA PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO DE PORTUGAL? Por FRANCISCO VAN ZELLER Gestor Medir o sucesso da Internacionalização não só pelo valor das vendas no estrangeiro mas pela balança comercial DIVERSIFICAR MERCADOS E OPORTUNIDADES Por MANUEL CALDEIRA CABRAL Universidade do Minho N ão há uma resposta única e todas as apostas únicas falhariam. Mas há uma condição prévia a todas as outras: o entendimento muito maioritário no Parlamento. Se me fosse dado oferecer medidas de grande alcance indispensáveis para mais rápida Internacionalização, diria as seguintes: - Revolução no sistema de Licenciamento Industrial. Com o sistema actual e com as pessoas que lá estão, não pode haver investimento suficiente para exportar o que necessitamos. - Apoio a grandes projectos nacionais ou estrangeiros, para concentrar esforços e apoios e não se dispersar por muitas iniciativas. Precisamos de exportar mais 16 000 milhões de euros por ano para travar e reduzir o endividamento. - Criar um pacote de ofertas que convidem ao investimento para exportação, incluindo terrenos, apoios fiscais, relações laborais de excepção e simplificação burocrática. - Criação do Banco de Fomento para a Internacionalização (BFI) concentrando todas as verbas e estruturas dispersas em capitais de risco e o Fundo de Apoio à Internacionalização e Exportação (FAIE). - Começar a medir o sucesso da Internacionalização não só pelo valor das vendas no estrangeiro mas pela balança comercial. - Negociação colectiva ao nível da empresa e não com sindicatos, que impedem adaptação ao mercado de horários e funções. Tudo isto, ou quase, os nossos concorrentes já têm. Não conseguiremos alterar a nossa competitividade e atractividade com pequenos passos. PRECISAMOS DE UMA REVOLUÇÃO SILENCIOSA. N os últimos quinze anos, Portugal conseguiu passar de uma economia fortemente especializada num número pequeno de sectores, em que a competitividade assentava apenas no baixo custo da mão-de-obra ou em recursos naturais, para uma economia com exportações diversificadas mais assentes na inovação, na tecnologia e no uso de mão-de-obra qualificada. Há 15 anos, as exportações de produtos de baixa tecnologia lideravam. Uma especialização que nos custou caro. A abertura do mercado europeu aos produtos asiáticos e do leste trouxeram concorrentes com custos de mão-de-obra muito inferiores, que condenaram a base errada em que assentava a internacionalização portuguesa. Uma boa parte da estagnação económica da última década deveu-se ao impacto brutal do declínio das chamadas indústrias tradicionais. DEPOIMENTOS 9 UM PAÍS PRODUTOR Por JOÃO MIRANDA Presidente Grupo Frulact A primeira opção do Estado deverá passar por majorar os apoios a iniciativas das empresas que potenciem a exportação ou internacionalização I nternacionalizar Portugal passa por internacionalizar as suas empresas e marcas, seja através de exportações, seja ainda através do reforço da presença internacional através de investimento em canais de distribuição, plataformas logísticas ou unidades industriais. É fundamental haver uma aposta forte e cuidada em acções colectivas, discriminando positivamente as PME mais inovadoras, recuperando os sectores tradicionais, através da selecção de empresas mais experienciadas e competitivas, alavancando desta forma a imagem de Portugal como um País Produtor, consolidando assim o prestígio e notoriedade necessários para que as nossas empresas e marcas passem também a ser uma opção no mercado global. É necessário trabalhar o Marketing Internacional a par de uma aposta num “business intelligence” sub-sectorial com informação micro, direccionado para mercados considerados estratégicos e onde as empresas portuguesas consigam impor as suas vantagens competitivas de forma sustentável. A aposta continuada e persistente nos mercados estratégicos é vital para a consolidação da presença das empresas Portuguesas e o seu enraizamento. Hoje, são os produtos de média e alta tecnologia e os serviços que lideram, representando 80% do que exportamos. As exportações de automóveis e máquinas e o turismo são as que assumem maior peso, mas, entre as áreas com maior crescimento das exportações, destacam-se sectores tão diversos como as indústrias química, papel e pasta, metalúrgicas e as agro-alimentares, bem como os serviços de transportes, informática e de engenharia. Também nos mercados Portugal diversificou, deixando de estar tão dependente do baixo crescimento do mercado europeu. Portugal tem hoje capacidade tecnológica, empresas e quadros capazes de competir nos sectores mais exigentes. Mas tem também uma população com mais de 35 anos, em que mais de 70% das pessoas não concluíram o secundário. Estes trabalhadores terão de encontrar o seu espaço em actividades que requeiram As diferenças culturais, a par de especificidades administrativas, políticas e socioeconómicas são as principais barreiras à penetração em determinados mercados, sendo estes os factores de maior criticidade nos processos de instalação e/ou internacionalização. O incentivo e majoração no apoio ao recrutamento de quadros internacionais, que sejam capazes de agilizar os processos de aculturação aos mercados de destino, deve ser uma aposta clara e sem hesitações do Estado. Este é a melhor “intelligence” que uma empresa pode ter, e que o Estado deveria estimular, com baixo investimento e com uma forte probabilidade de sucesso. Portugal tem reconhecidamente capacidade instalada em excesso, o que indicia que a primeira opção do Estado deverá passar por majorar os apoios a iniciativas das empresas que potenciem a exportação ou internacionalização através do reforço do apoio ao conhecimento e à inovação, capazes de promoverem uma melhor aproximação aos mercados e/ou de acrescentarem maior valor aos seus produtos, em detrimento do clássico suporte ao investimento em activos corpóreos, que, na maioria dos casos, poderiam ser reduzidos. menos qualificações. O desafio é conseguir manter uma base exportadora diversificada, competindo com eficiência, inovação e criatividade nestes sectores e, ao mesmo tempo, afirmar novas áreas. Inúmeras empresas de têxteis, vestuário, calçado ou de mobiliário mostram que é possível vencer no mercado global, aplicando melhor tecnologia e garantindo maior qualidade e design. O mesmo acontece nas áreas mais tecnológicas ou no aproveitamento dos recursos f lorestais ou turísticos. Em conclusão, a estratégia a eleger deve reforçar a diversificação de sectores e mercados em que exportamos, valorizando a inovação e a integração dos novos trabalhadores qualificados como forma de melhorar a competitividade em novos sectores tecnológicos, mas também em sectores que valorizam os nossos recursos naturais ou naqueles que, de tanto inovar, já deixaram de ser tradicionais. A estratégia a eleger deve reforçar a diversificação de sectores e mercados em que exportamos, valorizando a inovação e a integração dos novos trabalhadores qualificados 10 ARTIGO [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte – CCDR-N] Foto de CCDR-N/Furtacores O PAPEL DAS REGIÕES NA INTERNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA PORTUGUESA E xiste um consenso a nível internacional de que a aplicação das políticas públicas deve ter um forte envolvimento das regiões, em virtude das distintas características sócio-económicas e níveis de desenvolvimento dos territórios. A OCDE sublinha mesmo que “o crescimento económico é um fenómeno ‘bottomup’ em que, ao criarem-se as condições para se crescer adequadamente ao nível regional, se proporciona a melhor oportunidade possível para se maximizar o crescimento ao nível nacional”. Refere, ainda, que “há uma correlação positiva entre descentralização e capacidade de resposta governamental, dado que as administrações sub-nacionais estão mais bem colocadas do que as autoridades nacionais para tomar decisões sobre prioridades de desenvolvimento local e regional”. A actual situação de crise internacional, associada aos tradicionais elevados níveis de centralização do Estado português, o segundo país mais centralizado da OCDE, torna cada vez mais urgente a emergência de um modelo de governação regional mais eficaz e mais próximo das empresas e dos cidadãos. O reforço dos níveis de desconcentração e/ou descentralização regional constitui, cada vez mais, condições prévias para a adequada concepção e, sobretudo, implementação de uma estratégia de desenvolvimento. Esta estratégia é decisiva quer no combate ao desperdício de recursos públicos e na criação de sinergias entre serviços regionais, quer por razões de maior proximidade, de maior flexibilidade de actuação e de melhor conhecimento das realidades concretas do seu território. Uma segunda premissa consensual é que a chave para a recuperação sustentada da economia portuguesa passa por uma estratégia de reforço da internacionalização empresarial e de fomento das exportações, permitindo, por essa via, estimular o crescimento económico no médio prazo, promover a renovação da base produtiva e reduzir o défice externo. Este desafio coloca-se não só ao País, mas também às suas regiões, exi- [CCDR-N] gindo, assim, um esforço adicional ao nível das políticas públicas para que estas possam constituir instrumentos mais eficientes e eficazes de apoio à internacionalização económica, bem como de atracção de investimento directo estrangeiro. Em matéria de atracção de investimento, o Banco Mundial concluiu que muitas das agências de promoção de investimento mais inovadoras e orientadas para o cliente são sub-nacionais, as quais sobressaem porque, ao estarem especializadas num determinado território, proporcionam informação mais detalhada sobre as vantagens da sua zona de influência. No que respeita ao domínio da internacionalização empresarial, a OCDE identificou, igualmente, uma tendência crescente para a adopção de abordagens sub-nacionaisno apoio à promoção da internacionalização das PME. A questão da dimensão regional é reforçada pela circunstância dos instrumentos de política pública de apoio financeiro à internacionalização da economia portuguesa provenientes, em larga medida, dos fundos estruturais da política de coesão da União Europeia serem destinados às Regiões da Convergência (actualmente Norte, Centro e Alentejo, no continente), regiões menos desenvolvidas do país, exigindo por essa via estratégias e programas específicos à escala regional que contribuam efectivamente para diminuir as assimetrias regionais. Aliás, a dimensão territorial da Estratégia Europa 2020, referencial central das políticas comunitárias do período de programação pós 2013, será reforçada em relação à abordagem utilizada na Estratégia de Lisboa. Neste âmbito, assume particular relevância a proposta do Comité das Regiões à Comissão Europeia de adopção voluntária de Pactos Territoriais em cada Estado-membro, envolvendo os seus níveis de governo local, regional e nacional, a qual já mereceu a concordância do Parlamento Europeu, do Conselho Europeu e da Comissão Europeia. Na ausência de um quadro de descentralização político-administrativa ao nível regional, e considerando as melhores práticas internacionais em matéria de articulação entre os níveis central e regional, podem ser desenvolvidas outras competências à escala regional, no domínio da atracção de investimento e da internacionalização empresarial. APOSTA NA ATRACÇÃO DE INVESTIMENTO Foto de CCDR-N/Furtacores O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) pode contribuir decisivamente para o crescimento e desenvolvimento económicos. Neste quadro, cada país ou região tenta manter-se na corrida pela atracção de IDE, utili- ARTIGO 11 zando as suas vantagens e argumentos. Além dos apoios a título de incentivos financeiros e fiscais, cada território, se ambiciona IDE de excelência, terá de dispor, também, de um clima de investimento compatível, incluindo serviços ao investidor de excelência. Distribuição Territorial do Investimento nos Projectos PIN em execução (Abril 2011) 35,0% 31,4% 30,0% 25,0% 20,0% 16,5% 18,4% 17,8% 15,0% 10,8% 10,0% 5,0% 3,8% 1,4% 0,0% Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve Madeira Multi-concelho Fonte: Cálculos próprios com base na informação da AICEP Portugal global Projectos de Potencial Interesse Nacional - Abril de 2011 BOAS PRÁTICAS INTERNACIONAIS Comité de Orientação e Acompanhamento de Projectos Estrangeiros (França) A Agence Française pour les Investissements Internationaux (AFII)desenvolve a plataforma COSPE (Comité d’Orientationet de Suivi des Projets Étrangers en France), a qual serve para a coordenação e comunicação da informação sobre projectos de investimento estrangeiro, tendo como objectivo assegurar uma concorrência transparente e justa entre as várias regiões francesas. O COSPE é composto por representantes da DIACT (Delegação Inter-Ministerial para o Desenvolvimento e para a Competitividade dos Territórios), do Ministério da Economia, Finanças e Indústria, por parceiros das Agências de Desenvolvimento Regional (ADR) e pela Agência de Investimento Francesa (Agence Française pour les Investissements Internationaux AFII), que actua como secretário-geral do Comité. O processo respeitante aos projectos de investimento inicia-se com a apresentação e distribuição pelas regiões de relatórios síntese, com base no qual as Agências de Desenvolvimento Regional (ADR) decidem. Após a aprovação pelo COSPE, as ADR decidirão se pretendem competir pelo projecto. Caso avancem, elaboram uma proposta regional que, posteriormente, é enviada para o gabinete de representação da agência de investimento francesa no país de proveniência do investimento. Esse gabinete de representação é responsável por preparar um dossier ao investidor, que inclui as propostas enviadas pelas várias regiões, complementadas por uma apresentação geral do país. Conselho Interterritorial de Internacionalização (Espanha) Em Espanha, o Conselho Interterritorial de Internacionalização (CII) foi criado para promover a colaboração entre as administrações públicas central e autonómicas e o sector privado, no âmbito das políticas públicas de apoio à internacionalização empresarial. Considerando a importância que a internacionalização empresarial representa como motor de recuperação da economia espanhola, o Conselho Interterritorial de Internacionalização lançou, em Dezembro de 2010, o“Plano Integrado de Reforço das Exportações e do Investimento Exterior” – envolvendo o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, o Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX), a InvestinSpain, as Comunidades Autónomas –, que comporta diferentes linhas de acção como programas de iniciação e pré-iniciação à internacionalização, informação e formação, promoção internacional, redes no exterior, bolseiros e técnicos de comércio externo, comunicação interna e colaboração institucional e financiamento. 12 ARTIGO [CCDR-N] AGENDA REGIONAL PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO DO NORTE DE PORTUGAL Constituindo a internacionalização uma das agendas prioritárias para a competitividade da Região do Norte, a CCDR-N encontra-se a desenvolver, neste domínio, um Plano de Acção, no qual participam os actores institucionais, que pretende ser um referencial central para o investimento público e privado financiado pelos Programas Operacionais do QREN e outros instrumentos de financiamento nacionais e comunitários. A Agenda para a Internacionalização do Norte de Portugal tem como objectivos fomentar a internacionalização das empresas da Região Norte através da promoção das exportações de bens e serviços e do investimento directo no exterior, promover a atracção de uma nova geração de Investimento Directo Estrangeiro qualificante para a Região, assente em actividades de forte crescimento e potencial competitivo internacional e reforçar o networking e a cooperação por forma a atingir a escala, a massa crítica e a excelência necessárias para que o tecido económico regional enfrente de forma sustentada a concorrência global. No plano de acção para a internacionalização, foi adoptado um modelo de governância assente no estabelecimento de uma sólida parceria de governação entre os principais actores regionais, existindo um Comité de Pilotagem (órgão de programação e dinamização) que integra a CCDR-N, a AICEP, o IAPMEI e a DRE-Norte e uma Comissão de Acompanhamento (órgão consultivo, de seguimento e de monitorização), envolvendo entidades com capital de conhecimento, experiência e actuação no âmbito da Internacionalização empresarial e atracção de IDE. Considerando algumas insuficiências em Portugal na atracção de IDE para alguns dos seus territórios, uma área de colaboração entre o nível central e regional passará pelo desenvolvimento de iniciativas que visem a articulação institucional, a eliminação de custos de contexto e a promoção de uma maior proximidade territorial nos processos de investimento estrangeiro e nacional, contribuindo, assim, para um melhor ambiente de negócios e para uma maior eficácia e eficiência na definição e implementação de políticas públicas de apoio ao investimento ao nível regional. Ao nível regional, poderiam ser desenvolvidas actividades como a implementação de um sistema de informação de localização empresarial georreferenciada, integrada, sistematizada e actualizada, o apoio a iniciativas para a redução de custos de contexto e iniciativas promocionais como missões empresariais, visitas de investidores e opinion makers, o desenvolvimento de instrumentos de marketing territorial, a disponibilização Contributo das Regiões Portuguesas para o Comércio Internacional de Bens (2010) milhões EUR EXPORTAÇÕES 35.000 IMPORTAÇÕES 30.000 CONTRIBUTO PARA A BALANÇA COMERCIAL PT DE BENS 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 0 -5.000 -10.000 -15.000 -20.000 -25.000 Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve Açores Madeira de um serviço de suporte qualificado e adicional a potenciais investidores estrangeiros, com o objectivo de prestar informação estratégica à escala regional, e a constituição do Comité inter-regional para a promoção da internacionalização. INTERNACIONALIZAÇÃO EMPRESARIAL COMO PRIORIDADE Em relação ao comércio internacional de bens, constata-se, também, a necessidade de implementação de políticas públicas diferenciadas que sejam adequadas às especificidades dos territórios. As regiões portuguesas apresentam padrões de exportação muito distintos que, no continente, vão desde a Região do Norte, com um peso no total nacional de quase 40 por cento, a regiões com um peso muito reduzido nas exportações nacionais como o Alentejo e o Algarve, com 6,4 por cento e 0,2 por cento do total nacional, respectivamente. Esta diferença entre as regiões portuguesas manifesta-se, também, ao nível do contributo para a balança comercial portuguesa, com o Norte, Centro a Alentejo a serem as únicas regiões portuguesas a apresentarem uma situação de superavit, com Lisboa a apresentar a situação mais deficitária em termos de trocas de bens com o exterior. A análise apresentada reporta-se apenas ao comércio internacional de bens por regiões dado que não existe informação regionalizada sobre o comércio internacional de serviços. Refira-se que, em 2010, as exportações de serviços foram responsáveis por 27,2% das exportações totais nacionais e 14,7% das importações, dando assim um contributo positivo para a balança comercial na ordem dos 4,9 mil Milhões de Euros. Assim, um segundo domínio de articulação entre o nível central e regional passa pelo desenvolvimento e ARTIGO 13 [CCDR-N] Contributo das Regiões Portuguesas para o Comércio Internacional de Bens (2010) 140,0 % EXPORTAÇÕES PT 109% % IMPORTAÇÕES PT 100,0 TAXA DE COBERTURA 80,0 63% 60,0 48% 44% 40,0 39% 21% 41% 34% 33% 20,0 22% 12% NOVO QUADRO DE COLABORAÇÃO INSTITUCIONAL O presente momento da economia portuguesa coloca em destaque a importância da internacionalização empresarial como motor da recuperação económica e exige um esforço adicional de melhoria das políticas públicas de apoio à internacionalização. Neste domínio, existe ao nível internacional um consenso alargado relativamente à importância da escala regional no apoio aos processos de internacionalização económica e de atracção de IDE. Deste modo, é necessário criar um novo quadro de colaboração institucional entre os níveis central e regional de apoio à internacionalização de Portugal e das suas regiões, que torne os instrumentos de política pública mais eficientes, eficazes e mais próximos dos cidadãos e das empresas. 125% 122% 120,0 6% 4% 0,4% 0,2% 0,0 Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve 0,3% 0,2% Açores 0,3% 0,2% Madeira Na prática, poderiam ser elaborados “Pactos Regionais de Promoção da Internacionalização” que constituíssem um referencial central para o investimento público e privado para a criação de condições necessárias à internacionalização das empresas, à projecção internacional e à captação de investimento directo estrangeiro qualificante, formalizados protocolos de colaboração entre a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, E.P.E (AICEP) e autoridades regionais para o desenvolvimento de iniciativas locais, assim como o já referido “Comité Inter-regional para a Promoção da Internacionalização”. Foto de CCDR-N/Egídio Santos implementação de iniciativas que visem o reforço da capacidade exportadora das regiões, numa lógica de proximidade ao tecido institucional e empresarial, nomeadamente, promovendo a capacitação institucional e empresarial para a internacionalização, divulgando informação estratégica para a internacionalização e reforçando a cooperação estratégica entre os diferentes agentes envolvidos no processo de internacionalização à escala regional. Das actividades a desenvolver a nível regional destaca-se a realização de iniciativas de capacitação empresarial no domínio da internacionalização, o desenvolvimento deum site de apoio à promoção das exportações e do Investimento Directo de Portugal no Exterior (IDPE) e de um serviço de contacto directo e personalizado com as empresas. 14 ARTIGO [Observatório do QREN e COMPETE] Foto de CCDR-N/Júlio de Matos QREN: CONTRIBUTOS PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO ECONÓMICA P ara uma pequena economia aberta, a internacionalização das empresas constitui uma preocupação incontornável. A reduzida dimensão do mercado doméstico restringe as possibilidades de um crescimento económico assente em actividades dirigidas à procura interna, ao mesmo tempo que torna a actividade produtiva mais vulnerável a choques macroeconómicos adversos. Uma excessiva dependência do mercado interno, por conseguinte, constitui tipicamente um entrave ao crescimento económico sustentado. Não é, pois, surpreendente que a generalidade das economias desenvolvidas de pequena dimensão apresente níveis elevados de abertura ao exterior. De facto, [Observatório do QREN e COMPETE] ARTIGO dos 11 países da UE cuja população varia entre 5 e 12 milhões de habitantes, só em três casos – Grécia, Portugal e Finlândia – as exportações atingiam, em 2010, um valor inferior a 50% do PIB (21%, 32% e 39%, respectivamente). Vários factores contribuem para o nível ainda insatisfatório de internacionalização da economia portuguesa, nomeadamente: a posição geográfica, a evolução da concorrência externa e o desenvolvimento do mercado interno. Os três países acima referidos são indicativos da importância da posição geográfica, tratando-se, em qualquer um dos casos, de economias localizadas na periferia da UE. Por contraste, é entre os países mais próximos do centro económico do continente europeu (em particular, da Alemanha) que encontramos as economias com maior grau de internacionalização (nomeadamente, Áustria, Bélgica, Eslováquia, Hungria e República Checa). A posição geográfica mais favorável de alguns dos novos Estados-membros da UE revelou-se (juntamente com os baixos custos de mão de obra) um factor determinante de reorientação do investimento estrangeiro para os países do Leste europeu desde o início do processo de alargamento, constituindo esta uma das fontes de concorrência acrescida a que a economia portuguesa esteve sujeita desde o início do século. Também a entrada da China na OMC (em 2001) e a presença crescente de outras economias emergentes no comércio mundial representaram um desafio acrescido para os sectores de actividade mais expostos à concorrência dessas economias (incluindo-se aqui alguns sectores que constituíram os motores das exportações portuguesas ao longo de décadas). Face às crescentes pressões concorrenciais externas, acentuadas por uma evolução cambial nem sempre favorável ao sector exportador, o investimento empresarial em Portugal dirigiu-se primordialmente a actividades produtoras de bens e serviços não transaccionáveis. Para além de relativamente protegidas da concorrência externa, tais actividades beneficiaram ainda de um aumento do poder de compra das famílias, das baixas taxas de juro e, em alguns casos, de uma regulação de mercados que assegurou maior previsibilidade dos retornos do investimento. Desta forma, o peso das exportações no PIB português manteve-se praticamente inalterado entre 1995 e 2005, não obstante o forte crescimento do comércio mundial no mesmo período. Foi neste contexto de relativo subdesenvolvimento das actividades produtoras de bens e serviços transaccionáveis que a Agenda dos Factores de Competitividade do QREN foi concebida, assumindo a internacionalização como uma das suas prioridades. A pertinência desta aposta sai reforçada no contexto actual, marcado por uma contracção acentuada da procura interna e pelo papel central das exportações como motor da actividade económica. Tal objectivo estratégico é prosseguido, no quadro do QREN, por diversas vias, a saber: privilegiando o acesso de sectores transaccionáveis aos sistemas de incentivos às empresas, dirigindo os apoios preferencialmente a projectos que visam reforçar a orientação exportadora das empresas, prevendo apoios espe- cíficos a actividades de internacionalização (nomeadamente, no âmbito do Sistema de Incentivos às Acções Colectivas e do Sistema de Incentivos à Qualificação e Internacionalização de PME) e ainda valorizando a orientação para a internacionalização no âmbito das Estratégias de Eficiência Colectiva. O gráfico seguinte apresenta já alguns resultados desta estratégia: compara as empresas apoiadas nos Sistemas de Incentivos (Empresas SI) do QREN, com a totalidade do tecido empresarial passível de ser enquadrado nos mesmos (designado como Contexto SI). Evidencia, para além da valorização das actividades intensivas em tecnologia e/ou conhecimento, a clara aposta em empresas produtoras de bens transaccionáveis ou serviços internacionalizáveis, bem como em empresas com maior intensidade exportadora. EMPRESAS APOIADAS NOS SI QREN VS. EMPRESAS ENQUADRÁVEIS Intensidade Exportadora 100% 75% VAB em Sectores TIC Peso dos Bens Transaccionáveis (VAB) 50% 25% 0% Intensidade de Conhecimento (Serviços) Autonomia Financeira Intensidade Tecnológica (Ind. Transf.) SI QREN Contexto SI (Economia Nacional) Notas: Intensidade Exportadora – Volume de Negócios Internacional/Volume de Negócios Total; Peso dos bens transaccionáveis – VAB das empresas de CAE transaccionáveis/VAB total; Autonomia Financeira – Capital Próprio/Activo Líquido; Intensidade Tecnológica - VAB em actividades de alta e média alta intensidades tecnológicas/VAB da Indústria Transformadora; Intensidade de Conhecimento - VAB em serviços intensivos em conhecimento/VAB dos Serviços; VAB em Sectores TIC VAB de empresas em CAE TIC/VAB das empresas. Não inclui projectos Conjuntos, projectos de I&DT em Co-Promoção, Vales I&DT e Vales Inovação; Contexto SI – Valor apurado na economia portuguesa, a partir de dados do SCIE de 2008, correspondente a empresas de CAE enquadráveis nos diferentes Programas, de acordo com o definido no Enquadramento Nacional dos Sistemas de Incentivos. Fonte: INE, SCIE, 2008; Relatório de Execução do POFC – 2010. Os dados de implementação, espelhados nos últimos Relatórios de Execução, são igualmente testemunho da relevância estratégica da internacionalização no QREN: 91% do fundo aprovado destina-se a investimentos em actividades produtoras de bens e serviços transaccionáveis; foram aprovados 2501 projectos envolvendo uma componente de internacionalização, correspondendo a um investimento elegível mais de 733 milhões de euros, repartidos designadamente pela participação em feiras e certames, acções de marketing internacional e prospecção de mercados. 15 Foto de Victor Machado 16 ARTIGO [Observatório do QREN e COMPETE] APOIOS À INTERNACIONALIZAÇÃO POR TIPOLOGIA DE DESPESAS, 2007-2010 Promoção e Contacto 6,0% Prospecção de Mercados 11,6% Outras despesas 29,9% Feiras e Certames 36,6% ACÇÕES COLECTIVAS - INVESTIMENTO ELEGÍVEL POR MERCADO ALVO, 2007-2010 PALOP 12% Europa Outros 0% África (excepto PALOP) 4% América (excepto BRIC) 14% Ásia (excepto BRIC) 2% Concursos Marketing Internacionais Internacional 0,2% 21% BRIC 9% Fonte: Relatório de Execução do POFC – 2010. Da mesma forma, foram apoiadas, no COMPETE, 52 acções colectivas com vista à internacionalização de agregados empresariais, às quais se associam mais de 121 milhões de euros de investimento elegível e a que corresponde um total de fundo superior a 84 milhões de euros, sendo de realçar a contribuição destes apoios para a diversificação dos mercados das exportações nacionais. Europa 27 59% Fonte: Relatório de Execução do POFC – 2010. Apostando no reforço da internacionalização das empresas, associando-o ao apoio à inovação e às lógicas de eficiência colectiva, o QREN está, assim, a cumprir um dos seus objectivos estratégicos: promover o crescimento sustentado da economia portuguesa. CASOS DE SUCESSO 17 CASOS DE SUCESSO: HISTÓRIAS PROMISSORAS DE BENEFICIÁRIOS DO QREN A TETRIBÉRICA é um exemplo nacional e a atribuição do estatuto de PMELíder reconhece a capacidade da empresa a nível da inovação, design e competitividade. A empresa da Trofa, especializada em fardamentos, exporta 85% das vendas para 45 países. Posicionada como a empresa com maior volume de negócios internacional no ano pré-projecto no conjunto novos mercados externos, explica a empresa, visam contrabalançar as indefinições existentes em alguns mercados históricos de destino das vendas, prevenindo riscos que estão latentes naquelas economias. O objectivo em números passa por superar a fasquia dos 10 milhões de euros de venda no exterior, reforçando o EBITDA em 3,5 vezes, potenciado pela progressão da cadeia de valor e crescendo o VAB em cerca de 150%. Prevê-setambém a criação de 12 novos postos de trabalho. A questão da inovação é crucial e, por isso, houve a aposta num laboratório de ensaios têxteis acreditado pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave. Este laboratório ganhou prestígio ao especializar-se em ensaios físicos e químicos de matérias-primas e produtos têxteis. O sector do vestuário é fortemente concorrencial e, por isso, a par da inovação, a empresa tem de concorrer das empresas apoiadas pelo “ON.2 – O Novo Norte”, com 8,7 milhões de euros, a Tetribérica pretende lançar externamente uma marca própria. A candidatura aos fundos comunitários visa ainda desenvolver uma parceria com a empresa Kyaia, detentora da marca de calçado “Fly London”, com o objectivo de vir a desenvolver uma colecção de vestuário com a mesma marca, e que será distribuída na rede da Tetribérica. O administrador Joaquim Moreira é peremptório ao afirmar que “o QREN foi fundamental para a estratégia de internacionalização da terceira via do negócio”. Em causa estava a optimização da compra da empresa espanhola Barrio Santo, concretizada em 2009, e que visou potenciar a presença dos produtos de vestuário Tetribérica em mais mercados, a par do aumento da rede de vendas, incluindo mais empresas distribuidoras. Os pela qualidade/custo. É nessa óptica que mantém unidades fabris em Portugal, mas também no Bangladesh, na Turquia, Índia e China. O laboratório acreditado é essencial na garantia da qualidade final do produto, independentemente da origem fabril. O modelo da operação da empresa arranca com um diagnóstico do mercado, onde o departamento comercial tenta compreender as necessidades dos clientes e criar um ponto de partida para a equipa de merchandising. O departamento de design apresenta as soluções criativas, pontuando as equipas de design de moda e design gráfico. Depois entra-se na fase da produção, onde qualidade e prazo são essenciais. A Tetribérica sabe que aquelas são o “cartão de visita” de uma empresa, e daí a importância da imagem e de todo um conjunto de valores associados à criação têxtil. Os apoios para a internacionalização concedidos pelo QREN visam projectos com acções centradas em novos mercados VESTUÁRIO Foto Tetribérica MARCA INTERNACIONAL 18 CASOS DE SUCESSO comunitários são essenciais, nomeadamente para apoiar a dinamização de mercados muitas vezes em fase embrionária. “Os benefícios da telemetria, por exemplo aplicada à eficiência energética no mercado residencial, são notáveis. No entanto, a percepção desse valor por parte do mercado apenas é possível com a criação de pilotos de larga escala apoiados por entidades públicas. Estes permitirão reduzir os custos da tecnologia antes do alargamento ao mercado de massas”, explica. A responsável concretiza que os apoios do QREN, concretamente em projectos de internacionalização, têm permitido alargar e profissionalizar a actuação nos mercados, recorrendo a consultoria especializada e actores locais com grande experiência. “Única forma de internacionalizar de forma sustentável”, refere, assumindo que é objectivo da ISA exportar 85% dos seus serviços. TELEMETRIA NO GPL EXPORTAR PARA AS AMÉRICAS Foto ISA ASSEGURAR NOVOS mercados de exportação nas Américas é o objectivo do projecto da ISA apoiado pelo COMPETE. A companhia lidera a área de sistemas de telemetria aplicada à gestão de reservatórios de GPL e quer fornecer, pelo menos, uma “major” petrolífera e terna Europa uma quota de mercado mínima da ordem dos 10%. Luísa Matos, um dos quadros da empresa, afirma que “a aposta no mercado global tem sido uma constante, a par com a permanente aposta na inovação e no reforço das competências internas da empresa”. A responsável acredita que o alargamento da ISA a novos mercados é a peça chave para o crescimento, tendo em conta que existe ainda muito potencial de mercado por explorar. INVESTIGAÇÃO TECNOLÓGICA MODERNIZAÇÃO Foto Vangest Isto apesar de, em 2010, a empresa já ter exportado para 22 países. A conquista de mercados externos tem sido feita, sobretudo, através da introdução de agentes em vários países do mundo como Espanha e Brasil (2002), Alemanha e Eslovénia (2004), Roménia, República Checa e Estónia (2006), Turquia e Austrália (2007). A par dessa expansão, a ISA tem delegações com escritórios próprios em Espanha e França desde 2006 e constituiu, em 2007, a ISA Sul América em S. Paulo. Luísa Matos justifica parte do sucesso que a empresa tem tido com a internacionalização da empresa por cobrir segmentos de mercado muito específicos: “A ISA tem como missão oferecer produtos e soluções inteligentes de medição e controlo à distância que satisfaçam as necessidades de informação, gestão e optimização, em tempo real, nos mercados petrolífero, energético, ambiental, dos transportes, da segurança, domótica e da saúde, contribuindo de forma significativa para a criação de valor sustentado, em todo o mundo”. Sediada em Coimbra, onde concentra todo o trabalho de I&D, a empresa tem contribuído para o desenvolvimento da região, nomeadamente através da forte ligação que detém com o meio académico a partir do recrutamento de jovens talentos nas áreas da engenharia física, electrotécnica e informática. Actualmente, conta com mais de 120 colaboradores. Neste contexto, Luísa Matos acrescenta que os fundos O GRUPO VANGEST, composto por doze empresas que apostam na I&D para as áreas de design e engenharia de produto, tecnologias de informação e soluções médicas, “procura manter uma postura de valorização da inovação, investindo na modernização do equipamento e processos, e também em investigação tecnológica”, explica Erica Rodrigues, responsável pela área de comunicação da empresa, cujos mercados de actuação vão do Benelux, Espanha e Escandinávia, até aos mercados emergentes como a Rússia, Brasil e Irão. A Vangest é um dos principais grupos industriais da região Centro, sediado na Marinha Grande, empregando 150 colaboradores e tendo em curso vários processos de recrutamento para responder aos investimentos que estão a ser realizados, com o apoio do QREN. A grande maioria dos projectos em “pipeline” estão a ser desenvolvidos em parceria com instituições de ensino superior do sistema científico nacional e com outras empresas. A responsável da empresa sublinha ainda que “os CASOS DE SUCESSO 19 investimentos associados são, maioritariamente, canalizados para a investigação tecnológica, a modernização de equipamentos, o investimento em equipamentos de produção de alta performance e para a formação do capital humano da organização”. Erica Rodrigues destacou ainda a importânciado QREN no apoio à internacionalização de empresa que, no caso da Vangest, apoiado pelo “Mais Centro”, está no ADN da sua criação. Para esta companhia, que é liderada por Victor Oliveira, as vendas externas deverão continuar a representar cerca de 90% do total da facturação. TI LIGAÇÕES À ACADEMIA A WOW!SYSTEMS, especializada em soluções interactivas de multimédia, está a trabalhar nos mercados do Brasil, EUA e Reino Unido. A área das Tecnologias da Informação (TI) implica uma aprendizagem constante e, por isso, segundo frisa o gerente da empresa, Fernando Campos, justificam-se as ligações a instituições de ensino superior. Todos os funcionários são licenciados, sendo que a maioria possui mestrado na área da engenharia informática e alguns têm, ainda, o grau de doutoramento. A inovação tem um papel nuclear na conquista de novos mercados. O gestor afirma: “A constante procura por inovação e a preocupação com o desenvolvimento de soluções com qualidade e compatíveis com os mais recentes avanços na área a nível mundial permitem que a entrada em mercados tradicionalmente marcados pela forte concorrência seja mais fácil”. Pelo mesmo motivo explica que permite também “a exploração e a entrada em mercados que, por uma razão ou por outra, tecnologicamente ainda não se equiparam à realidade ocidental mas que já possuem uma real necessidade e sensibilidade pelo tipo de serviços e produtos que a Wow! comercializa”. Para o gestor esta posturaperante a procura de soluções inovadoras permite às empresas “encarar com confiança os desafios que os clientes lançam”. Quando questionados sobre as diferenças para os seus concorrentes, Fernando Campos sublinha que, na área de serviços em que actuam, “não é viável distinguir entre concorrentes internos e externos, pois trata-se de serviços com uma especificidade tecnológica própria e, felizmente, as empresas portuguesas deste ramo estão ao nível do que melhor se faz internacionalmente”. Como tal, continua, afirma que a empresa se distingue pela “flexibilidade” das suas soluções. “Pelo facto de as mesmas não obedecerem necessariamente a requisitos técnicos muito restritos, pela nossa preocupação em procurar soluções para problemas complexos mas que irão garantir um elevado grau de satisfação do cliente e, claro, pelo preço competitivo”, acrescenta. Sobre o apoio do QREN aos projectos de internacionalização, o empresário apoiado pelo EMPREENDINOV Sistema de Incentivos ao Empreendedorismo e Inovação da Região Autónoma da Madeira diz que estes programas “permitem alavancar a experiência internacional em duas vertentes: por um lado, permite constituir um núcleo de I&D permanente, dedicado ao desenvolvimento de soluções e produtos inovadores, por outro, facilita a presença em conferências e feiras internacionais para promoção de tais desenvolvimentos tecnológicos, ajudando a promover a marca, estabelecendo contactos importantes e garantindo uma visão global actualizada dos mercados e do estado-da-arte do ramo”. O peso do exterior na facturação da Wow!Systems ainda é reduzido, cerca de 20%, mas “dada a dimensão reduzida do mercado português,é natural e desejável que o peso das vendas externas no valor global da facturação seja o maior possível”. Fernando Campos conclui que “com o lançamento de novos produtos através de plataformas globais de distribuição, no decorrer do primeiro semestre de 2012, essa fatia já corresponda a 50% e com tendência para subir nos semestres seguintes”. METALOMECÂNICA DA INOVAÇÃO À INTERNACIONALIZAÇÃO PRESENTE em mercados como Espanha, Alemanha, Canadá, Brasil, Austrália ou Emirados Árabes Unidos, a Adira distingue-se no sector empresarial de produção de máquinas ferramentas, alcançando 90 por cento da sua facturação com base nas exportações. A qualidade dos produtos desenvolvidos pela Adira resulta da conjugação de factores tão determinantes como a rede de fornecedores (alguns em regime praticamente exclusivo), a equipa composta por cerca de 150 trabalhadores e a tecnologia implementada. A vertente tecnológica, factor decisivo para a competitividade no seio empresarial e que exige investimentos regulares, é assegurada por parcerias com várias universidades com formação nas áreas de engenharia mecânica, electromecânica, informática e robotização e outras entidades do Sistema Científico e Tecnológico nacional. Esta aposta contínua coloca a Adira numa posição de impulsionadora da evolução do sector, impondo o ritmo de inovação dos vários agentes económicos envolvidos. Como afirma Lúcia de Sousa, da Adira, esta aposta não teria sido possível sem os apoios disponibilizados pelos fundos comunitários: “Só assim a Adira pôde arriscar no seu processo de internacionalização, participando, pela primeira vez, em novas feiras internacionais do sector, que lhe trouxeram maior visibilidade e penetração em novos mercados. Os apoios comunitários permitiram apostar na modernização e dinâmica da empresa, de acordo com a nossa missão e visão”. A partir do processo de internacionalização e com base no percurso sólido da empresa, assinalado, por exemplo, pelo Prémio Inovação EMAF (Exhibition of Machine Tools and Accessories) 2010, a Adira define agora novas metas de expansão. São objectivos da empresa marcar presença nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e noutros mercados emergentes como a Indonésia, a Tunísia,o Líbano ou Israel. CURTUMES INTERVENÇÃO COLECTIVA O PROJECTO da APIC – Associação Portuguesa das Indústrias de Curtumes na vertente da promoção internacional visa potenciar a internacionalização de um universo de 18 empresas da região de Alcanena, Santarém. O objectivo nuclear deste projecto de intervenção colectiva é o aumento do volume de negócios internacional em cerca de 10 milhões de euros, o que corresponde a mais 5% da facturação actual das empresas envolvidas. Gonçalo Santos, secretário-geral da APIC, explica que o plano de internacionalização do sector de curtumes em curso, desenvolvido com o apoio do QREN, dirige-se Foto APIC 20 CASOS DE SUCESSO empregam 1980 trabalhadores directos. Considerando também os sub-sectores que desenvolvem a sua actividade em redor da indústria de curtumes, o número de trabalhadores ascende a 2300. A indústria de curtumes tem um volume de negócios de 200 milhões de euros, tendo a sua principal concentração empresarial em Alcanena, região na qual continua a ser a principal actividade empregadora. Para o sector, “o QREN teve um papel fundamental na estruturação de um plano e de uma estratégia de internacionalização”, sublinha Gonçalo Santos. O secretário-geral explica, ainda, que “quando a APIC iniciou as actividades de internacionalização em 2006, o sector de curtumes apenas participava em duas edições de feiras internacionais, e com um número relativamente limitado de empresas”. Este ano, e com o apoio do Compete, a associação apresenta-se em cinco edições de feiras internacionais, sendo que na principal feira do sector a nível internacional a indústria de curtumes portuguesa marca presença com cerca de um terço das empresas. A indústria de curtumes atinge actualmente uma quota exportadora de 34% e o objectivo deste projecto é melhorar esse nível. Gonçalo Santos diz ser “fundamental conseguir uma penetração cada vez maior dos mercados externos de modo a conseguir a subsistência e desenvolvimento desta indústria”. TURISMO HOTELARIA TEMÁTICA Foto Sousa Cunhal a três mercados-alvo principais: China, França e Itália. “No entanto, por via da participação nas mais importantes feiras internacionais do sector, que recebem visitantes profissionais dos mais diversos países, as empresas de curtumes conseguem atingir uma diversidade de mercados que vai muito além destes mercados”, acrescenta. Em termos globais, o sector de curtumes conta hoje, no território nacional, com 63 empresas activas que LOCALIZADO no coração do Alentejo, numa paisagem única definida pela vinha e por um grande lago, o L'AND Vineyards, da Sousa Cunhal – Turismo SA, é um "wineresort” exclusivo, com apenas 22 suites, que integra a arquitectura na natureza e promove uma atmosfera intimista de luxo sóbrio, beleza natural e tranquilidade. O “resort” situa-se em torno de um jardim de vinhas e da piscina, valorizando de uma vista sublime para o lago e para o castelo da vila medieval de Montemor. No edifício central - baseado na reinterpretação contemporânea das casas pátio de tradição romana e árabe - está a sala de estar, a biblioteca, a loja de produtos exclusivos L'AND MADE, a adega, o "wine clube”, o spaVino- CASOS DE SUCESSO 21 VINHOS MAIS COMPETITIVIDADE SEIS ADEGAS cooperativas do Alentejo, responsáveis por 55 por cento da produção total de vinhos na região, uniram-se para criar a Enoforum, uma empresa que nasce com o propósito de promover o reconheci- mento da qualidade dos vinhos da região além-fronteiras. Vocacionada para o comércio internacional de vinhos, a empresa visa o reconhecimento da qualidade das produções alentejanas e o aumento do volume de vendas potenciado pela entrada em novos mercados. Isabel Ramos, responsável da empresa, aponta como um dos principais desafios à actividade o facto de Portugal “sempre ter lidado com as dificuldades resultantes da falta de notoriedade do país, em parte, justificado pelo fenómeno que alguns especialistas de marketing chamam do paradoxo da proveniência”. A presença de marcas da Enoforum nos mais variados países (Rússia, Estados Unidos da América, Cabo Verde, Alemanha, Suíça, Brasil, Áustria, Canadá, entre outros) pode explicar-se pela gestão articulada dos conhecimentos provenientes das seis adegas accionistas, contrariando uma gestão individualista, de acordo com os interesses de cada uma delas. Há, ainda, um outro factor determinante neste caso de sucesso, a adaptação criteriosa dos produtos à realidade de cada um dos mercados. Face à dimensão financeira exigida para a concretização deste projecto de internacionalização, e tendo em conta que o retorno deste tipo de investimentos apenas é visível a médio ou longo prazo, o co-financiamento comunitário atribuído revelou-se, segundo a empresa, essencial para a Enoforum, cuja actividade se circunscreve aos mercados externos. Foto Enoforum therapie by Caudalie, o restaurante e o pátio “lounge”. Os interiores são desenhados pelo arquitecto Marcio Kogan e criados a partir de pedra natural de ardósia e madeira, contando com um conjunto de peças de arte, tecidos e mobiliário exclusivos. A empresa, que, neste projecto de aldeamento turístico de 5 estrelas, foi apoiada pelo IN Alentejo, para o qual foram criados 30 postos de trabalho, enquadra a importância dos fundos comunitários no apoio à divulgação externa do hotel, nomeadamente no estrangeiro. Esta aposta foi feita, por exemplo, através da presença em feiras Internacionais. A L’AND realça também a adopção de níveis elevados de qualificação ambiental do empreendimento e a procura de níveis cada vez mais elevados de eficiência energética como preocupações permanentes. Aposta em parcerias com fornecedores locais por forma a promover a criação partilhada de valor económico ao nível regional. A empresa contribui, ainda, para a valorização de produtos artísticos e culturais regionais, distribuídos na L'AND MADE. Com incentivos dirigidos à inovação produtiva, o QREN também contribui para o reforço da competitividade de empresas com forte tradição exportadora Foto Unicer 22 CASOS DE SUCESSO CERVEJA BEBER COM INOVAÇÃO Foto Unicer A UNICER Bebidas exporta 40% da cerveja que produz, tendo saído de Portugal, em 2010, um total de 13 mil contentores e dois mil camiões carregados com produtos da empresa sedeada no Porto. Em termos de facturação, cerca de 30% é gerada no exterior. A cerveja da Unicer bebe-se em 50 países. Este saldo tem sido conseguido com base num investimento permanente, apoiado parcialmente pelo QREN. O primeiro projecto da empresa que contou com o apoio do COMPETE teve um investimento superior a 12,2 milhões de euros e envolveu quatro áreas de intervenção: introdução de novos formatos de embalagem nas vendas de produtos, lançamento de novos produtos no mercado, adopção de novos processos de produção e de melhorias nos processos de produção actuais, tendo por base objectivos de eficiência energética e ambiental. Num segundo projecto, com investimento elegível superior a 14,1 milhões de euros, a Unicer apostou na produção de novos bens e na adopção de novos processos que suportem a sua progressão na cadeia de valor. Na calha está, por exemplo, a aplicação do sistema “pulloff” na garrafa de tara retornável Super Bock ou a adopção da linha de latas para garrafas de tara perdida, aumentando a capacidade de enchimento das garrafas. A orientação para os mercados internacionais justifica, em parte, investimentos desta envergadura. António Vaz Branco, administrador da Unicer com a responsa- bilidade da área internacional, explica que a empresa espera facturar, no mercado externo, cerca de 150 milhões de euros este ano. O gestor enquadra a previsão na estratégia voltada para os mercados lusófonos e os “mercados da saudade”, em África, na Europa e em alguns países do continente americano. Neste contexto, realça o apoio do QREN ao nível da participação em feiras e em eventos,em mercados pré-definidos. “Apesar da instabilidade nos mercados nacional e internacional, o nosso caminho tem uma meta: alcançar os mil milhões de euros de facturação nesta década, o que passa pela contínua dinamização do mercado interno, mas também pelo reforço do programa de internacionalização da Unicer”, explica António Vaz Branco, exemplificando com dados positivos como as vendas em volume para o exterior, que ultrapassaram os 190 milhões de litros em 2010. Reflexo da aposta na internacionalização é, ainda, o facto de a Unicer ter uma quota de exportação da cerveja fabricada em Portugal de 79,9% em valor e 75,9% em volume. Angola mantém-se como o principal país na actividade internacional da empresa e representa, aproximadamente, 60% das exportações da Unicer, tendo a empresa registado em 2010 um crescimento de 18% nas vendas neste país. Na exportação das águas da empresa, o destaque vai para a marca Água das Pedras, que começou a ser comercializada em novos mercados, como é o caso da Índia. Entre os próximos países a receberem esta marca encontram-se o Brasil e os EUA. Foto Continental Mabor CASOS DE SUCESSO 23 INDÚSTRIA INOVAÇÃO EM PNEUS prensas que permitirá aumentar o volume anual de produção. A empresa quer, ainda, investir no processo “Conti Seal”, aplicando uma solução nos pneus que permita que rodem normalmente mesmo, após sofrerem um furo, processo que pode hoje ser produzido sem riscos ambientais, contrariamente a soluções antigas. Dos investimentos da empresa, parte apoiados por fundos comunitários, está igualmente previsto o aumento do edifício fabril, em Vila Nova de Famalicão, e as respectivas infra-estruturas, assim como o crescimento do armazém de produto acabado, com uma capacidade adicional para 120 mil pneus. Este projecto será complementado com novos sistemas de controlo do processo produtivo, beneficiando em termos de qualidade e produtividade. Foto Continental Mabor A CONTINENTAL Mabor, especialista no fabrico de pneus, é o 4.º exportador nacional. Trabalha com cerca de 1600 colaboradores e actua em múltiplos mercados, destacando-se Alemanha, Espanha, Itália, França, Reino Unido e Benelux. A empresa exporta 98% da produção e ganha preponderância face à concorrência “essencialmente devido à formação dos colaboradores, à qualidade dos produtos e ao tempo de resposta” afirma, em nota, António Lopes Seabra,CEO da companhia, que em 2010 facturou 597 milhões de euros, mais 27% em termos homólogos. Esta é uma empresa que aposta no futuro através da inovação. O contrato de parceria, assinado em 2010, com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, entidade que gere o MIT em Portugal, e ainda o acordo com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto são exemplos de como bem-fazer nesta indústria. A procura de novos mercados é outra preocupação e, no ano passado, ganharam Argentina e o Equador, enquanto aumentaram o portfólio de clientes de equipamento de origem com a Citroën e a Jaguar, depois de consolidado o negócio com a Opel/GM, VW, Renault e Nissan. A actuar num mercado fortemente concorrencial, a Continental Mabor está ainvestir em novas tecnologias e processos. Está prevista a aquisição de equipamentos de preparação e corte de componentes, com vista ao aumento da capacidade de fornecimento de materiais à construção, bem como de módulos de construção e adaptação técnica para responder a novas tendências de fabricação de pneus de elevada performance. A nível de vulcanização, será adquirido um conjunto de novas ALGUNS CONCEITOS SOBRE O TEMA DA INTERNACIONALIZAÇÃO FONTES DE INFORMAÇÃO: AICEP E INE Abertura da Economia Normalmente medida pelo "grau de abertura" [(saídas+entradas)/PIB*100], permite quantificar e comparar a inserção da economia dum país na economia mundial. Chegada Recepção de mercadorias comunitárias expedidas de um outro Estado-membro da União Europeia. Coeficiente de Cobertura (comércio internacional) Coeficiente entre as saídas (expedições+exportações) e as entradas (chegadas+importações) de mercadorias. Comércio Extracomunitário Exportação de mercadorias de Portugal para países terceiros e/ou importação por Portugal de mercadorias com origem em países terceiros. Comércio Internacional Conjunto do comércio intracomunitário e do comércio extracomunitário, ou seja o conjunto das entradas e/ou saídas de mercadorias. Comércio Intracomunitário Exportação Expedição e/ou chegada de mercadorias transaccionadas entre Portugal e os restantes Estados-membros da União Europeia. Envio de mercadorias comunitárias com destino a um país terceiro. É frequentemente utilizada a expressão em sentido lato, para designar todas as saídas. Custos de Contexto Globalização Acções ou omissões que prejudicam a actividade das empresas e que não são imputáveis ao investidor, ao seu negócio ou à sua organização. Podem ser enquadrados como tendo origem ou resultando de actos desproporcionados, ou não razoáveis da Administração Pública, de práticas ou opções políticas anti-competitivas e até de condições decorrentes do estádio de desenvolvimento da economia portuguesa. Entrada Somatório das chegadas a Portugal de mercadorias provenientes dos restantes Estados-membros, com as importações portuguesas com origem em países terceiros. Expedição Envio de mercadorias de um Estado-membro com destino a outro Estado-membro da UE. Tendência para a tomada de decisões económicas, quer de consumo, quer de investimento, com base numa perspectiva mundial, incrementando de modo significativo as inter-relações entre mercados nacionais. Importação Recepção de mercadorias não comunitárias, exportadas de um país terceiro. É frequentemente utilizada em sentido lato, para designar as entradas e as chegadas. Internacionalização Ampliação do campo de actuação de uma empresa, ou de uma economia, para além do território nacional. As empresas internacionalizam-se quer através das suas operações comerciais, comprando produtos estrangeiros ou desenvolvendo as suas exportações, quer através do investimento, criando ou tomando o controlo de sociedades estrangeiras. Uma economia internacionaliza-se quando se abre ao exterior, quer através das suas operações comerciais, quer através das suas operações financeiras. Investimento Directo Estrangeiro em Portugal Aplicação de capitais efectuada com o fim de adquirir uma posição duradoura, ou mesmo o controlo, numa empresa que exerce a sua actividade no estrangeiro. Um fluxo de investimento directo em Portugal pode corresponder à criação de uma empresa em Portugal por parte de um investidor estrangeiro, à aquisição de pelos menos 10% de capital de uma sociedade portuguesa anteriormente existente, ao reinvestimento dos lucros por uma filial da empresa estrangeira em Portugal ou a operações entre a casa-mãe no estrangeiro e uma filial em Portugal (aumentos de capital, empréstimos diversos, adiantamentos, etc.). Investimento Directo Português no Estrangeiro Aplicação de capitais efectuada com o fim de adquirir uma posição duradoura, ou mesmo o controlo, numa empresa que exerce a sua actividade no estrangeiro. Um fluxo de investimento directo português pode corresponder à criação de uma empresa no estrangeiro por parte de um investidor nacional, à aquisição de pelo menos 10% de capital de uma sociedade estrangeira anteriormente existente, ao reinvestimento dos lucros por uma filial de uma empresa portuguesa no estrangeiro ou a operações entre a casa-mãe em Portugal e uma filial no estrangeiro (aumentos de capital, empréstimos diversos, adiantamentos, etc.). País Terceiro País não pertencente à União Europeia. Saída Somatório das expedições de mercadorias efectuadas por Portugal para os restantes Estados-membros, com as exportações de Portugal para os países terceiros.