SETEMBRO DE 2011
INTERNACIONALIZAÇÃO
ANA LEHMANN
Internacionalizar
para crescer
NELSON DE SOUZA
O apoio às
exportações
BRILHANTE DIAS
CCDR-N
Recursos financeiros O papel das regiões
para internacionalizar na economia
Pág. 3
Págs. 4 e 5
Págs. 6 e 7
Esta revista é parte integrante do jornal OJE e não pode ser vendida separadamente
Págs. 10 a 13
Foto de CCDR-N/Egídio Santos
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2 SUMÁRIO
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3>
ABERTURA, POR ANA TERESA LEHMANN
4>
O QREN E O APOIO ÀS EXPORTAÇÕES,
POR NELSON DE SOUZA
6>
ENTREVISTA A EURICO BRILHANTE DIAS
8>
DEPOIMENTOS DE FRANCISCO VAN ZELLER,
MANUEL CALDEIRA CABRAL E JOÃO MIRANDA
10 >
O PAPEL DAS REGIÕES NA INTERNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA PORTUGUESA
14 >
QREN: CONTRIBUTOS PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO ECONÓMICA
17 >
CASOS DE SUCESSO
24 >
ALGUNS CONCEITOS SOBRE O TEMA
INTERNACIONALIZAÇÃO
Impressão
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Tiragem
25.000 exemplares
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e ilustrações, pode ser reproduzida por quaisquer meios
sem prévia autorização do editor.
União Europeia
Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional
[Ana Teresa Lehmann, vice-presidente, CCDR-N]
ABERTURA 3
Foto de CCDR-N
INTERNACIONALIZAÇÃO:
ÚNICA VIA DE CRESCIMENTO
PARA A ECONOMIA
PORTUGUESA
Por ANA TERESA LEHMANN
Vice-Presidente da CCDR-N
N
a actual conjuntura, não subsiste qualquer
dúvida de que o único motor credível para o
crescimento da economia portuguesa é a sua
internacionalização. No curto prazo, o
aumento das exportações e a atracção de
investimento directo estrangeiro têm de ser
prioridades centrais de política económica. Além disso,
outras formas de internacionalização, que passam pelo
reforço da capacidade competitiva das empresas portuguesas com investimentos no exterior, devem ser promovidas, como garante de sustentabilidade das respectivas operações no longo prazo e de capacidade de sobrevivência perante a concorrência global. Ter mais
empresas exportadoras, e mais fortes, e investidores
credíveis no exterior é, também, a melhor forma de
substituir importações, outra das necessidades urgentes do nosso País – porquanto empresas que concorrem
melhor fora, por maioria de razão, concorrerão melhor
intramuros.
Portugal é das economias menos abertas da Europa
(ocupa o 22.º lugar na UE27 em termos tanto de grau de
abertura ao exterior, como de orientação exportadora).
As exportações de bens e serviços representam apenas
32% do PIB. Mais de 90% das empresas portuguesas
nunca desenvolveram actividade exportadora. Apenas
poucas centenas têm filiais no exterior. A consciência
da modéstia deste desempenho tem de convocar o País
(em vários níveis complementares de intervenção e
todo o tipo de decisores) para a absoluta necessidade de
actuar nesta frente.
Urge, pois, reforçar a concentração e a selectividade
dos apoios públicos em iniciativas que produzam resultados tangíveis no aumento do grau de internacionalização da economia portuguesa, enfatizando a produção
de bens e serviços transaccionáveis, inovadores, com incorporação de elevado valor acrescentado, e capazes de
competir em mercados com maior potencial de crescimento.
Este Suplemento não poderia ser, assim, mais oportuno, quer na escolha da temática, quer dos vários testemunhos e perspectivas apresentados – cruzando visões
públicas e privadas, académicas e empresariais,
nacionais e regionais. Esta publicação tem, também, a
virtude de reflectir sobre a crucial articulação inter-institucional que está no cerne do sucesso da agilização das
políticas promotoras da internacionalização e de um
bom ambiente de negócios. Além de salientar a relevância fundamental de níveis sub-nacionais, destacando-se
particularmente o nível regional, na concepção e implementação destas políticas. Neste sentido, o Suplemento
faz referência a boas práticas internacionais já testadas,
a resultados de experiências apoiadas pelo QREN, e
propõe áreas concretas de actuação para promover a
internacionalização da economia portuguesa.
4 ARTIGO [Nelson de Souza, gestor do COMPETE]
Foto de Bernardo S. Lobo/OJE
O QREN E O APOIO
ÀS EXPORTAÇÕES
J
á quase ninguém contesta que o aumento das
exportações portuguesas é o caminho mais eficaz para mitigar os efeitos recessivos na economia portuguesa provocados pelo incontornável
processo de equilíbrio das finanças públicas e
da dívida externa. Naturalmente, o QREN, através da sua Agenda da Competitividade, não poderia ficar incólume a esta prioridade crítica para a economia
portuguesa nos próximos tempos. É certo que a promoção da base produtiva transaccionável e a sua orientação para os mercados internacionais constituiu, desde
2007, uma das prioridades iniciais do COMPETE, como
se pode confirmar pela leitura do texto do programa
aprovado pela Comissão Europeia. Mas o reforço muito
significativo, a partir dos finais de 2009, das medidas de
apoio à internacionalização dos Sistemas de Incentivos
à Qualificação de PME, acompanhado da focalização
dos apoios dos Sistemas de Incentivos à Inovação e de
I&DT nas empresas exportadoras, ilustra bem a importância acrescida que a internacionalização passou a ter
no QREN.
A focalização nas empresas exportadoras gerou uma
forte dinâmica da procura de incentivos do QREN por
parte dos sectores com maiores perfomances passadas
ou potenciais de internacionalização. A procura tem
vindo a ser elevada nos concursos lançados num contexto macroeconómico pouco favorável ao investimento privado e a opção assumida a favor da orientação
para os mercados externos conseguiu gerar um amplo
consenso.
No entanto, esta opção do QREN suscitou igualmente
algumas opiniões mais críticas. Para além dos que continuam a reclamar que os incentivos do QREN devem
ser “tudo para todos”, a questão mais pertinente levantada foi a da não consideração pelo QREN do efeito
“substituição de importação” em algumas vendas
orientadas para o mercado interno. Segundo essas opiniões, a substituição de importações traria efeitos
iguais ao do aumento das exportações em termos de balança comercial e de pagamentos. Na análise que precedeu as nossas opções tivemos em consideração os seguintes aspectos:
[Nelson de Souza, gestor do COMPETE]
ARTIGO 5
Foto de CCDR-N/Egídio Santos
(i) o conceito de “substituição de importações” é de
difícil aplicação prática já que, no limite, em economias
totalmente abertas, toda e qualquer produção transaccionável ou é exportada, ou destina-se a substituir importações; caso o QREN considerasse o conceito assim
definido, anularia a focalização pretendida, já que passariam a ser prioritários todos os bens e serviços transaccionáveis, independentemente da sua orientação
para o mercado interno ou externo;
(ii) a consideração do factor exportações visa ter em
consideração outros efeitos na economia portuguesa
que não apenas os de equilíbrio da balança comercial –
por um lado, sabemos que as perspectivas da procura
externa internacional serão seguramente bem mais dinâmicas do que a evolução negativa esperada para a
procura interna para os próximos anos, isto é, os mercados externos propiciarão muito melhores oportunidades para o crescimento das empresas portuguesas;
outra vantagem das exportações traduz-se na pressão
competitiva permanente que os mercados internacionais exigentes impõem às empresas nacionais que neles
competem.
São estas duas ordens de razão que sustentaram, em
nossa opinião, o “bem fundado” da opção dos Sistemas
de Incentivos do QREN pela prioridade às empresas
exportadoras.
Outro aspecto com consequências na identificação
das áreas de investimento empresarial para a internacionalização tem que ver com natureza das debilidades
que afectam a competitividade da nossa produção. Muitas vezes sustenta-se a ideia de que o produto português
tem “qualidade” (intrínseca) e as falhas residem apenas
na percepção dessa mesma qualidade ou na ausência de
iniciativas de promoção e de marketing que valorizem
a oferta nacional (deficit de imagem de um bom produto). Genericamente, não podemos deixar de concordar
com este diagnóstico, mas também não devemos esquecer que o nosso produto tem de ser continuamente melhorado em termos da sua diferenciação, inovação e da
qualidade de serviço que lhe está associado. De facto,
no que se refere à cadeia de valor, a nossa indústria continua a começar tarde demais (não integrando as fases
mais a montante da concepção e da inovação dos produtos) e termina demasiado cedo (não integrando as
fases mais próximas dos mercados de destino). Vem esta questão a propósito de uma visão redutora dos incentivos à internacionalização, reduzindo-os apenas aos
investimentos efectuados nas funções de marketing,
promoção e comercialização externas dos produtos.
No QREN, a vertente mais directa de incentivo à promoção externa é garantida através dos Sistemas de Incentivos à Qualificação PME, que incentiva projectos de
presença em mercados internacionais, quer quando
apresentados por empresas individualmente consideradas, quer quando organizadas em projectos conjuntos
organizados por associações empresariais. Esta dimensão de apoios à promoção internacional é complementada pelos apoios às empresas exportadoras para o aumento e inovação da sua capacidade produtiva (através
dos Sistemas de Incentivos à Inovação) e para o desenvolvimento de novos bens e serviços exportáveis (através dos Sistemas de Incentivos de I&DT).
Os apoios atribuídos ao abrigo dos Sistemas de Incentivos do QREN encontram-se detalhados no Relatório de
APOIOS À INTERNACIONALIZAÇÃO
SISTEMAS DE INCENTIVOS
Unid: Mil Euros
Investimento
N.º Proj. Elegível Incentivo
Projectos de Internacionalização
SI Qualificação PME/Projectos Individuais e de Cooperação
SI Qualificação PME/Projectos Conjuntos
Outros Projectos com Investimento em Internacionalização*
SI Inovação
SI PME
Total SI
883
763
120
1521
609
912
2404
404 965
229 262
175 704
205 316
136 195
69 120
610 281
184 545
99 322
85 223
75 748
44 694
31 054
260 293
Unid: Mil Euros
Investimento
N.º Proj. Elegível Incentivo
Projectos de Internacionalização
52
121 202
84 321
Outros Projectos com Investimento em Internacionalização* 45
2485
1771
Total SIAC COMPETE
97
123 687 86 092
SIAC COMPETE
TOTAL
2501
733 968
Nota:*Incentivo estimado com base na taxa média de incentivo por projecto.
Execução do COMPETE de 2010 (disponível em
www.qren.pofc.org):
Os números e conclusões apresentados no referido
relatório permitem confirmar que o apoio à internacionalização das empresas vem representando a principal
prioridade no quadro dos incentivos no âmbito do
QREN. Neste domínio, fomos (o COMPETE e os PO Regionais) sendo capazes de, em estreito diálogo com as
empresas e as suas associações, identificar as necessidades, desenhar os instrumentos e colocá-los no terreno no tempo oportuno. O mérito principal do recente
comportamento positivo das exportações portuguesas
cabe às empresas que têm sabido reforçar as acções necessárias para melhorar a sua competitividade. Às políticas públicas e ao QREN, resta a satisfação de podermos ter contribuído para este esforço e para os resultados conseguidos.
346 385
6 ENTREVISTA [Eurico Brilhante Dias, vogal da aicep Portugal Global]
“NUNCA ANTES COMO HOJE HOUVE
TANTOS RECURSOS FINANCEIROS
ORIENTADOS À INTERNACIONALIZAÇÃO”
Foto de Victor Machado/OJE
Eurico Brilhante Dias, vogal da aicep Portugal Global, é peremptório: “Nunca antes
houve tantos recursos financeiros orientados à internacionalização”. As Lojas de
Exportação têm tido um papel nuclear no lançamento de novas empresas na experiência da exportação. Portugal tem 3 mil grandes empresas exportadoras num universo
global de 18 mil entidades vocacionadas para vender fora do mercado doméstico
A economia portuguesa tem vindo, ao longo dos últimos meses, a reduzir o défice comercial, suportado por
menos importações e por um crescimento exponencial
das exportações. É algo pontual ou faz sentido falar de
um novo paradigma a nível da balança comercial?
A expectativa é que não seja algo pontual. O défice comercial da balança de bens e serviços registou uma melhoria
no 1.º trimestre, muito por força de um crescimento mais
pronunciado das exportações. Há claramente o registo de
um maior número de empresas orientadas para o merca-
do externo. Há, cumulativamente, empresas mais maduras, com mais experiência internacional, que começaram
a diversificar mercados e isso faz com que se registe um
aumento bastante pronunciado das exportações.
É possível colocar Portugal na cena internacional como
um país essencialmente exportador?
O grau de abertura da economia portuguesa deve, necessariamente, continuar a aumentar, e esperamos que fundamentalmente do lado das exportações. É um trabalho
de geração pois Portugal, como pequena economia no
quadro da UE, ainda tem níveis de exportações no Produto
que estão abaixo da média da União e, por isso, alcançar
esse desiderato ainda poderá levar algum tempo.
Portugal já tem 32% de exportações de bens e serviços
no Produto, tendo, nos últimos cinco anos, um crescimento aproximado de 5 pp no PIB. Este trajecto é assinalável,
pois é o valor mais elevado desde os fins dos anos 80. Mas
é um trajecto para continuar. Do ponto de vista do médio
prazo, estamos a trabalhar, na Agência, com a meta dos
40% e penso que deverá ser revalidado dentro do ponto de
vista do actual Governo.
Que programa desenhou a aicep Portugal Global a nível
da promoção das exportações e do investimento directo no estrangeiro?
No final de 2010, e com os recursos disponíveis, lançou
um programa – apresentado em Outubro de 2010 – sob o
título “Internacionalizar para Crescer”. Este programa
tem diferentes vertentes. Uma primeira vertente orientada para o aumento das empresas exportadoras e a diversificação de mercados, centrando-se essencialmente nas
PME, e onde, inclusive, fazia-se apelo ao potencial das
grandes empresas no trabalho de “arrastamento” de PME
para mercados externos. Foram definidos novos mercados
de prospecção da própria Agência para que se pudesse
alargar a oferta de conhecimento e mercados às PME
portuguesas. Definiu-se um programa orientado para a
atracção da IDE (Investimento Directo Estrangeiro) e à
qualificação dos actores que são fundamentais na atracção de IDE, caso das Câmaras Municipais. Estas entidades
são essenciais para aumentarmos a eficácia na atracção de
IDE, fundamentalmente ao nível de indústria e serviços.
Por último, foi definido um programa – Internacionalizar para Crescer - orientado à percepção da oferta portu-
[Eurico Brilhante Dias, vogal da aicep Portugal Global]
Portugal tem poucos incentivos à internacionalização
ou os beneficiários são pouco receptivos a novos desafios, preferindo manter-se dentro das geografias e dos
produtos tradicionais?
É obrigação da Agência, enquanto organismo técnico do
QREN, assegurar uma adequabilidade entre aquilo que é o
esforço público de apoio e a eficácia desse apoio. A Agência sempre primou a sua actividade por selectividade no
apoio, e isso significa ajustar recursos a projectos com potencial de êxito. A selectividade sempre foi um elemento
essencial na forma como abordamos cada um dos projectos que nos são apresentados; depois propomos às Autoridades o eventual co-financiamento dos projectos.
Acrescentamos que nunca antes como hoje, pelo menos
no quadro do QREN, houve tantos recursos financeiros
orientados à internacionalização. Também não deixa de
ser menos verdade que temos cada vez mais procura e
que, por isso, em algumas regiões do país, sentimos que há
objectivamente a necessidade de reforçar as dotações orçamentais do QREN afectas ao apoio às empresas e à sua internacionalização. Destaco as regiões de maior densidade
populacional de PME: o Norte e o Centro, para além da dotação do Compete.
Relativamente à atitude dos empresários, devo frisar
que a Agência acompanha mais de mil projectos de internacionalização de PME e outros são acompanhados nesta
tipologia pelo IAPMEI. Neste momento, a Agência tem em
carteira praticamente o total das empresas exportadoras
do país e uma variação de exportações expectável, num
prazo de um biénio, da ordem dos dois mil milhões de euros de exportações. Isto significa que há um conjunto de
empresas bastante lato que já hoje tem uma perspectiva
de crescimento de exportações muito acentuado e com
diversificação de mercados.
A aicep tem em funcionamento em todas as regiões de
Portugal as Lojas da Exportação. Quais os resultados
desta rede?
Os resultados têm sido muito bons, para além de termos
registado, com muita alegria, o facto de as Lojas de Exportação terem sido reconhecidas, pela Comissão Europeia,
como uma boa prática no apoio à internacionalização de
PME. Tivemos oportunidade de, em Maio, apresentar em
Budapeste (Hungria) as Lojas de Exportação como uma
Boa Prática da União Europeia. Vários Estados-membros
abordaram-nos porque consideraram ser aquele um modelo interessante de envolver empresas, sobretudo aqueles
casos que são potencialmente exportadores ou que estejam ainda numa fase anterior à qualificação da sua oferta
para exportar. Através das Lojas de Exportação, e num modelo de proximidade, conseguimos ter acesso aos primeiros serviços de internacionalização. Falo da informação sobre mercados, informação regulamentar sobre a actividade económica em outros mercados e também sobre as acções de capacitação que vamos fazendo e que permitem
um primeiro contacto das empresas com os mercados externos.
O país não é homogéneo e naturalmente temos sentido
que as Lojas do litoral, em particular os espaços em regiões
de maior densidade a nível de actividade económica, são
as mais activas. Sentimos mais procura nos casos de Leiria,
Coimbra, Aveiro e a recordista é Braga. Por outro lado, há
Lojas que, pela sua localização geográfica, continuam a ser
importantes para um certo equilíbrio, quer na geografia,
quer no apoio que damos a algumas PME. As Lojas da
Guarda e da Covilhã estão próximas de algumas empresas
do sector exportador, caso do têxtil (Covilhã e Castelo
Branco). Em Évora, recorrem à Loja da Exportação muitas
empresas do sector dos serviços e da indústria agro-alimentar. Enquanto Faro tem um perfil diferente, pois possui, ainda, alguma indústria conserveira muito orientada
para o mercado de proximidade, caso de Marrocos.
Temos o objectivo de aumentar o número de empresas
exportadoras, e as Lojas são o canal preferencial de contacto com essas empresas. A primeira Loja arrancou em Abril
de 2010, em Leiria, num total de 14 Lojas, sendo que Lisboa e Porto são tratadas directamente pela aicep. As Lojas
procuram que os empresários tenham informação, comecem a ter alguma capacitação sobre mercados e conheçam
bem os instrumentos que têm disponíveis para poderem ir
aos mercados, acabando muitas delas por recorrer aos sistemas de incentivos para co-financiar esse acesso. Quando
passam para fases mais evoluídas, nomeadamente para a
presença nos mercados, as empresas transitam para um
gestor de cliente. As Lojas de Exportação estão orientadas
a “targets” específicos de empresas, gerimos os nossos
pontos de contacto com as PME, procurando ter alguma
Foto de CCDR-N/Egídio Santos
guesa no exterior, que, em 2011 e 2012, estaria centrado
no mercado brasileiro e no mercado dos EUA.
ENTREVISTA 7
eficácia nessa abordagem. As Lojas de Exportação estão
centradas no objectivo estratégico que é o alargamento da
base exportadora, procurando que elas estejam disponíveis para o processo de pré-ida ao mercado, e é aí que elas
têm de ser eficazes. Direi que uma boa Loja de Exportação
é aquela que “deixa que os seus clientes partam”, ou seja,
depois de os lançar, permite que eles sejam agarrados quer
pelos pontos de rede, quer por um gestor de cliente.
Como avalia o apoio do QREN no objectivo exportação?
Antecipa alguma nova aposta?
O contributo é decisivo. Os incentivos servem para que algumas unidades empresariais, que não tinham condições
num determinado momento, concretizem um projecto.
Para a Agência, os Sistemas de Incentivos ao abrigo do
QREN focados na área da internacionalização permitem
que um conjunto alargado de empresas, que teriam um
processo de crescimento das suas exportações mais lento
ou que levariam muitos mais anos a diversificar mercados, possam fazê-lo de forma mais acelerada. A isto acresce o facto de os incentivos financeiros serem hoje, no quadro de financiamento da actividade económica em Portugal, um instrumento essencial, dado termos uma circunstância de grande dificuldade de acesso a crédito. Isto não
é uma crítica à banca, é a constatação de uma realidade.
8 DEPOIMENTOS
QUE PRINCIPAL APOSTA
ELEGERIA PARA
A INTERNACIONALIZAÇÃO
DE PORTUGAL?
Por FRANCISCO VAN ZELLER
Gestor
Medir o sucesso da
Internacionalização
não só pelo valor das
vendas no estrangeiro
mas pela balança
comercial
DIVERSIFICAR MERCADOS
E OPORTUNIDADES
Por MANUEL CALDEIRA CABRAL
Universidade do Minho
N
ão há uma resposta única e todas as apostas únicas falhariam. Mas há uma condição prévia a
todas as outras: o entendimento muito maioritário no Parlamento.
Se me fosse dado oferecer medidas de grande alcance
indispensáveis para mais rápida Internacionalização,
diria as seguintes:
- Revolução no sistema de Licenciamento Industrial.
Com o sistema actual e com as pessoas que lá estão, não
pode haver investimento suficiente para exportar o que
necessitamos.
- Apoio a grandes projectos nacionais ou estrangeiros,
para concentrar esforços e apoios e não se dispersar por
muitas iniciativas. Precisamos de exportar mais 16 000
milhões de euros por ano para travar e reduzir o endividamento.
- Criar um pacote de ofertas que convidem ao investimento para exportação, incluindo terrenos, apoios fiscais, relações laborais de excepção e simplificação burocrática.
- Criação do Banco de Fomento para a Internacionalização (BFI) concentrando todas as verbas e estruturas
dispersas em capitais de risco e o Fundo de Apoio à Internacionalização e Exportação (FAIE).
- Começar a medir o sucesso da Internacionalização
não só pelo valor das vendas no estrangeiro mas pela
balança comercial.
- Negociação colectiva ao nível da empresa e não com
sindicatos, que impedem adaptação ao mercado de
horários e funções.
Tudo isto, ou quase, os nossos concorrentes já têm.
Não conseguiremos alterar a nossa competitividade e
atractividade com pequenos passos. PRECISAMOS DE
UMA REVOLUÇÃO SILENCIOSA.
N
os últimos quinze anos, Portugal conseguiu
passar de uma economia fortemente especializada num número pequeno de sectores, em que a competitividade assentava
apenas no baixo custo da mão-de-obra ou
em recursos naturais, para uma economia
com exportações diversificadas mais assentes na inovação, na tecnologia e no uso de mão-de-obra qualificada.
Há 15 anos, as exportações de produtos de baixa tecnologia lideravam. Uma especialização que nos custou
caro. A abertura do mercado europeu aos produtos
asiáticos e do leste trouxeram concorrentes com custos de mão-de-obra muito inferiores, que condenaram
a base errada em que assentava a internacionalização
portuguesa. Uma boa parte da estagnação económica
da última década deveu-se ao impacto brutal do declínio das chamadas indústrias tradicionais.
DEPOIMENTOS 9
UM PAÍS PRODUTOR
Por JOÃO MIRANDA
Presidente Grupo Frulact
A primeira opção
do Estado deverá
passar por majorar
os apoios a iniciativas das empresas
que potenciem a
exportação ou
internacionalização
I
nternacionalizar Portugal passa por
internacionalizar as suas empresas e
marcas, seja através de exportações,
seja ainda através do reforço da presença internacional através de investimento em canais de distribuição, plataformas logísticas ou unidades industriais.
É fundamental haver uma aposta forte e
cuidada em acções colectivas, discriminando
positivamente as PME mais inovadoras, recuperando os sectores tradicionais, através da
selecção de empresas mais experienciadas e
competitivas, alavancando desta forma a imagem de Portugal como um País Produtor, consolidando assim o prestígio e notoriedade necessários para que as nossas empresas e marcas passem também a ser uma opção no mercado global.
É necessário trabalhar o Marketing Internacional a par de uma aposta num “business intelligence” sub-sectorial com informação micro, direccionado para mercados considerados
estratégicos e onde as empresas portuguesas
consigam impor as suas vantagens competitivas de forma sustentável. A aposta continuada
e persistente nos mercados estratégicos é vital
para a consolidação da presença das empresas
Portuguesas e o seu enraizamento.
Hoje, são os produtos de média e alta tecnologia e os
serviços que lideram, representando 80% do que exportamos. As exportações de automóveis e máquinas
e o turismo são as que assumem maior peso, mas, entre as áreas com maior crescimento das exportações,
destacam-se sectores tão diversos como as indústrias
química, papel e pasta, metalúrgicas e as agro-alimentares, bem como os serviços de transportes, informática e de engenharia.
Também nos mercados Portugal diversificou, deixando de estar tão dependente do baixo crescimento
do mercado europeu.
Portugal tem hoje capacidade tecnológica, empresas
e quadros capazes de competir nos sectores mais exigentes. Mas tem também uma população com mais de
35 anos, em que mais de 70% das pessoas não concluíram o secundário. Estes trabalhadores terão de encontrar o seu espaço em actividades que requeiram
As diferenças culturais, a par de especificidades administrativas, políticas e socioeconómicas são as principais barreiras à penetração
em determinados mercados, sendo estes os
factores de maior criticidade nos processos de
instalação e/ou internacionalização. O incentivo e majoração no apoio ao recrutamento
de quadros internacionais, que sejam capazes
de agilizar os processos de aculturação aos
mercados de destino, deve ser uma aposta
clara e sem hesitações do Estado. Este é a melhor “intelligence” que uma empresa pode
ter, e que o Estado deveria estimular, com
baixo investimento e com uma forte probabilidade de sucesso.
Portugal tem reconhecidamente capacidade instalada em excesso, o que indicia que a
primeira opção do Estado deverá passar por
majorar os apoios a iniciativas das empresas
que potenciem a exportação ou internacionalização através do reforço do apoio ao conhecimento e à inovação, capazes de promoverem uma melhor aproximação aos mercados
e/ou de acrescentarem maior valor aos seus
produtos, em detrimento do clássico suporte
ao investimento em activos corpóreos, que,
na maioria dos casos, poderiam ser reduzidos.
menos qualificações. O desafio é conseguir manter
uma base exportadora diversificada, competindo com
eficiência, inovação e criatividade nestes sectores e, ao
mesmo tempo, afirmar novas áreas.
Inúmeras empresas de têxteis, vestuário, calçado ou
de mobiliário mostram que é possível vencer no mercado global, aplicando melhor tecnologia e garantindo
maior qualidade e design. O mesmo acontece nas
áreas mais tecnológicas ou no aproveitamento dos recursos f lorestais ou turísticos.
Em conclusão, a estratégia a eleger deve reforçar a
diversificação de sectores e mercados em que exportamos, valorizando a inovação e a integração dos novos
trabalhadores qualificados como forma de melhorar a
competitividade em novos sectores tecnológicos, mas
também em sectores que valorizam os nossos recursos
naturais ou naqueles que, de tanto inovar, já deixaram
de ser tradicionais.
A estratégia a
eleger deve
reforçar a
diversificação
de sectores e
mercados em
que exportamos, valorizando a inovação e
a integração
dos novos
trabalhadores
qualificados
10 ARTIGO [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte – CCDR-N]
Foto de CCDR-N/Furtacores
O PAPEL DAS REGIÕES
NA INTERNACIONALIZAÇÃO
DA ECONOMIA PORTUGUESA
E
xiste um consenso a nível internacional de
que a aplicação das políticas públicas deve ter
um forte envolvimento das regiões, em virtude das distintas características sócio-económicas e níveis de desenvolvimento dos territórios. A OCDE sublinha mesmo que “o crescimento económico é um fenómeno ‘bottomup’ em
que, ao criarem-se as condições para se crescer adequadamente ao nível regional, se proporciona a melhor
oportunidade possível para se maximizar o crescimento ao nível nacional”. Refere, ainda, que “há uma correlação positiva entre descentralização e capacidade de
resposta governamental, dado que as administrações
sub-nacionais estão mais bem colocadas do que as autoridades nacionais para tomar decisões sobre prioridades de desenvolvimento local e regional”.
A actual situação de crise internacional, associada
aos tradicionais elevados níveis de centralização do Estado português, o segundo país mais centralizado da
OCDE, torna cada vez mais urgente a emergência de
um modelo de governação regional mais eficaz e mais
próximo das empresas e dos cidadãos. O reforço dos níveis de desconcentração e/ou descentralização regional
constitui, cada vez mais, condições prévias para a adequada concepção e, sobretudo, implementação de uma
estratégia de desenvolvimento. Esta estratégia é decisiva quer no combate ao desperdício de recursos públicos
e na criação de sinergias entre serviços regionais, quer
por razões de maior proximidade, de maior flexibilidade de actuação e de melhor conhecimento das realidades concretas do seu território.
Uma segunda premissa consensual é que a chave
para a recuperação sustentada da economia portuguesa
passa por uma estratégia de reforço da internacionalização empresarial e de fomento das exportações, permitindo, por essa via, estimular o crescimento económico no médio prazo, promover a renovação da base
produtiva e reduzir o défice externo. Este desafio coloca-se não só ao País, mas também às suas regiões, exi-
[CCDR-N]
gindo, assim, um esforço adicional ao nível das políticas
públicas para que estas possam constituir instrumentos
mais eficientes e eficazes de apoio à internacionalização económica, bem como de atracção de investimento
directo estrangeiro.
Em matéria de atracção de investimento, o Banco
Mundial concluiu que muitas das agências de promoção
de investimento mais inovadoras e orientadas para o cliente são sub-nacionais, as quais sobressaem porque, ao
estarem especializadas num determinado território,
proporcionam informação mais detalhada sobre as vantagens da sua zona de influência. No que respeita ao domínio da internacionalização empresarial, a OCDE identificou, igualmente, uma tendência crescente para a
adopção de abordagens sub-nacionaisno apoio à promoção da internacionalização das PME.
A questão da dimensão regional é reforçada pela circunstância dos instrumentos de política pública de
apoio financeiro à internacionalização da economia
portuguesa provenientes, em larga medida, dos fundos
estruturais da política de coesão da União Europeia serem destinados às Regiões da Convergência (actualmente Norte, Centro e Alentejo, no continente), regiões menos desenvolvidas do país, exigindo por essa via estratégias e programas específicos à escala regional que contribuam efectivamente para diminuir as assimetrias regionais.
Aliás, a dimensão territorial da Estratégia Europa
2020, referencial central das políticas comunitárias do
período de programação pós 2013, será reforçada em
relação à abordagem utilizada na Estratégia de Lisboa.
Neste âmbito, assume particular relevância a proposta
do Comité das Regiões à Comissão Europeia de adopção
voluntária de Pactos Territoriais em cada Estado-membro, envolvendo os seus níveis de governo local, regional e nacional, a qual já mereceu a concordância do Parlamento Europeu, do Conselho Europeu e da Comissão
Europeia.
Na ausência de um quadro de descentralização político-administrativa ao nível regional, e considerando as
melhores práticas internacionais em matéria de articulação entre os níveis central e regional, podem ser desenvolvidas outras competências à escala regional, no
domínio da atracção de investimento e da internacionalização empresarial.
APOSTA NA ATRACÇÃO DE INVESTIMENTO
Foto de CCDR-N/Furtacores
O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) pode contribuir decisivamente para o crescimento e desenvolvimento económicos. Neste quadro, cada país ou região
tenta manter-se na corrida pela atracção de IDE, utili-
ARTIGO 11
zando as suas vantagens e argumentos. Além dos apoios
a título de incentivos financeiros e fiscais, cada território, se ambiciona IDE de excelência, terá de dispor, também, de um clima de investimento compatível, incluindo serviços ao investidor de excelência.
Distribuição Territorial do Investimento nos Projectos PIN em execução
(Abril 2011)
35,0%
31,4%
30,0%
25,0%
20,0%
16,5%
18,4%
17,8%
15,0%
10,8%
10,0%
5,0%
3,8%
1,4%
0,0%
Norte
Centro
Lisboa
Alentejo
Algarve
Madeira
Multi-concelho
Fonte: Cálculos próprios com base na informação da AICEP Portugal global Projectos de Potencial Interesse Nacional - Abril de 2011
BOAS PRÁTICAS INTERNACIONAIS
Comité de Orientação e Acompanhamento de Projectos Estrangeiros (França)
A Agence Française pour les Investissements Internationaux (AFII)desenvolve a
plataforma COSPE (Comité d’Orientationet de Suivi des Projets Étrangers en France),
a qual serve para a coordenação e comunicação da informação sobre projectos de
investimento estrangeiro, tendo como objectivo assegurar uma concorrência transparente e justa entre as várias regiões francesas. O COSPE é composto por representantes da DIACT (Delegação Inter-Ministerial para o Desenvolvimento e para a
Competitividade dos Territórios), do Ministério da Economia, Finanças e Indústria, por
parceiros das Agências de Desenvolvimento Regional (ADR) e pela Agência de
Investimento Francesa (Agence Française pour les Investissements Internationaux AFII), que actua como secretário-geral do Comité.
O processo respeitante aos projectos de investimento inicia-se com a apresentação e
distribuição pelas regiões de relatórios síntese, com base no qual as Agências de
Desenvolvimento Regional (ADR) decidem. Após a aprovação pelo COSPE, as ADR
decidirão se pretendem competir pelo projecto. Caso avancem, elaboram uma proposta regional que, posteriormente, é enviada para o gabinete de representação da agência de investimento francesa no país de proveniência do investimento. Esse gabinete
de representação é responsável por preparar um dossier ao investidor, que inclui as
propostas enviadas pelas várias regiões, complementadas por uma apresentação geral
do país.
Conselho Interterritorial de Internacionalização (Espanha)
Em Espanha, o Conselho Interterritorial de Internacionalização (CII) foi criado para
promover a colaboração entre as administrações públicas central e autonómicas e o
sector privado, no âmbito das políticas públicas de apoio à internacionalização empresarial.
Considerando a importância que a internacionalização empresarial representa como
motor de recuperação da economia espanhola, o Conselho Interterritorial de
Internacionalização lançou, em Dezembro de 2010, o“Plano Integrado de Reforço das
Exportações e do Investimento Exterior” – envolvendo o Ministério da Indústria,
Comércio e Turismo, o Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX), a
InvestinSpain, as Comunidades Autónomas –, que comporta diferentes linhas de acção
como programas de iniciação e pré-iniciação à internacionalização, informação e formação, promoção internacional, redes no exterior, bolseiros e técnicos de comércio
externo, comunicação interna e colaboração institucional e financiamento.
12 ARTIGO [CCDR-N]
AGENDA REGIONAL PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO
DO NORTE DE PORTUGAL
Constituindo a internacionalização uma das agendas prioritárias para a competitividade da Região do Norte, a CCDR-N encontra-se a desenvolver, neste domínio, um
Plano de Acção, no qual participam os actores institucionais, que pretende ser um
referencial central para o investimento público e privado financiado pelos Programas
Operacionais do QREN e outros instrumentos de financiamento nacionais e comunitários.
A Agenda para a Internacionalização do Norte de Portugal tem como objectivos
fomentar a internacionalização das empresas da Região Norte através da promoção
das exportações de bens e serviços e do investimento directo no exterior, promover a
atracção de uma nova geração de Investimento Directo Estrangeiro qualificante para
a Região, assente em actividades de forte crescimento e potencial competitivo internacional e reforçar o networking e a cooperação por forma a atingir a escala, a massa
crítica e a excelência necessárias para que o tecido económico regional enfrente de
forma sustentada a concorrência global.
No plano de acção para a internacionalização, foi adoptado um modelo de governância
assente no estabelecimento de uma sólida parceria de governação entre os principais
actores regionais, existindo um Comité de Pilotagem (órgão de programação e
dinamização) que integra a CCDR-N, a AICEP, o IAPMEI e a DRE-Norte e uma
Comissão de Acompanhamento (órgão consultivo, de seguimento e de monitorização),
envolvendo entidades com capital de conhecimento, experiência e actuação no âmbito
da Internacionalização empresarial e atracção de IDE.
Considerando algumas insuficiências em Portugal na
atracção de IDE para alguns dos seus territórios, uma
área de colaboração entre o nível central e regional passará pelo desenvolvimento de iniciativas que visem a
articulação institucional, a eliminação de custos de contexto e a promoção de uma maior proximidade territorial nos processos de investimento estrangeiro e nacional, contribuindo, assim, para um melhor ambiente de
negócios e para uma maior eficácia e eficiência na definição e implementação de políticas públicas de apoio ao
investimento ao nível regional.
Ao nível regional, poderiam ser desenvolvidas actividades como a implementação de um sistema de informação de localização empresarial georreferenciada, integrada, sistematizada e actualizada, o apoio a iniciativas para a redução de custos de contexto e iniciativas
promocionais como missões empresariais, visitas de investidores e opinion makers, o desenvolvimento de instrumentos de marketing territorial, a disponibilização
Contributo das Regiões Portuguesas para o Comércio Internacional de Bens
(2010)
milhões EUR
EXPORTAÇÕES
35.000
IMPORTAÇÕES
30.000
CONTRIBUTO PARA A BALANÇA COMERCIAL PT DE BENS
25.000
20.000
15.000
10.000
5.000
0
-5.000
-10.000
-15.000
-20.000
-25.000
Norte
Centro
Lisboa
Alentejo
Algarve
Açores
Madeira
de um serviço de suporte qualificado e adicional a potenciais investidores estrangeiros, com o objectivo de
prestar informação estratégica à escala regional, e a
constituição do Comité inter-regional para a promoção
da internacionalização.
INTERNACIONALIZAÇÃO EMPRESARIAL COMO PRIORIDADE
Em relação ao comércio internacional de bens, constata-se, também, a necessidade de implementação de políticas públicas diferenciadas que sejam adequadas às
especificidades dos territórios. As regiões portuguesas
apresentam padrões de exportação muito distintos que,
no continente, vão desde a Região do Norte, com um
peso no total nacional de quase 40 por cento, a regiões
com um peso muito reduzido nas exportações nacionais
como o Alentejo e o Algarve, com 6,4 por cento e 0,2 por
cento do total nacional, respectivamente. Esta diferença
entre as regiões portuguesas manifesta-se, também, ao
nível do contributo para a balança comercial portuguesa, com o Norte, Centro a Alentejo a serem as únicas
regiões portuguesas a apresentarem uma situação de
superavit, com Lisboa a apresentar a situação mais
deficitária em termos de trocas de bens com o exterior.
A análise apresentada reporta-se apenas ao comércio
internacional de bens por regiões dado que não existe
informação regionalizada sobre o comércio internacional de serviços. Refira-se que, em 2010, as exportações de serviços foram responsáveis por 27,2% das
exportações totais nacionais e 14,7% das importações,
dando assim um contributo positivo para a balança
comercial na ordem dos 4,9 mil Milhões de Euros.
Assim, um segundo domínio de articulação entre o
nível central e regional passa pelo desenvolvimento e
ARTIGO 13
[CCDR-N]
Contributo das Regiões Portuguesas para o Comércio Internacional de Bens
(2010)
140,0
% EXPORTAÇÕES PT
109%
% IMPORTAÇÕES PT
100,0
TAXA DE COBERTURA
80,0
63%
60,0
48%
44%
40,0
39%
21%
41%
34%
33%
20,0
22%
12%
NOVO QUADRO DE COLABORAÇÃO INSTITUCIONAL
O presente momento da economia portuguesa coloca
em destaque a importância da internacionalização empresarial como motor da recuperação económica e exige um esforço adicional de melhoria das políticas públicas de apoio à internacionalização. Neste domínio,
existe ao nível internacional um consenso alargado relativamente à importância da escala regional no apoio
aos processos de internacionalização económica e de
atracção de IDE.
Deste modo, é necessário criar um novo quadro de colaboração institucional entre os níveis central e regional
de apoio à internacionalização de Portugal e das suas
regiões, que torne os instrumentos de política pública
mais eficientes, eficazes e mais próximos dos cidadãos
e das empresas.
125%
122%
120,0
6%
4%
0,4%
0,2%
0,0
Norte
Centro
Lisboa
Alentejo
Algarve
0,3%
0,2%
Açores
0,3%
0,2%
Madeira
Na prática, poderiam ser elaborados “Pactos Regionais de Promoção da Internacionalização” que constituíssem um referencial central para o investimento
público e privado para a criação de condições necessárias à internacionalização das empresas, à projecção
internacional e à captação de investimento directo estrangeiro qualificante, formalizados protocolos de colaboração entre a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, E.P.E (AICEP) e autoridades
regionais para o desenvolvimento de iniciativas locais,
assim como o já referido “Comité Inter-regional para a
Promoção da Internacionalização”.
Foto de CCDR-N/Egídio Santos
implementação de iniciativas que visem o reforço da capacidade exportadora das regiões, numa lógica de proximidade ao tecido institucional e empresarial, nomeadamente, promovendo a capacitação institucional e empresarial para a internacionalização, divulgando informação estratégica para a internacionalização e reforçando a cooperação estratégica entre os diferentes agentes envolvidos no processo de internacionalização à escala regional.
Das actividades a desenvolver a nível regional destaca-se a realização de iniciativas de capacitação empresarial no domínio da internacionalização, o desenvolvimento deum site de apoio à promoção das exportações
e do Investimento Directo de Portugal no Exterior
(IDPE) e de um serviço de contacto directo e personalizado com as empresas.
14 ARTIGO [Observatório do QREN e COMPETE]
Foto de CCDR-N/Júlio de Matos
QREN: CONTRIBUTOS PARA
A INTERNACIONALIZAÇÃO
ECONÓMICA
P
ara uma pequena economia aberta, a internacionalização das empresas constitui uma
preocupação incontornável. A reduzida dimensão do mercado doméstico restringe as
possibilidades de um crescimento económico assente em actividades dirigidas à procura interna, ao mesmo tempo que torna a actividade produtiva mais vulnerável a choques macroeconómicos adversos. Uma excessiva dependência do mercado interno, por conseguinte, constitui tipicamente um entrave
ao crescimento económico sustentado.
Não é, pois, surpreendente que a generalidade das
economias desenvolvidas de pequena dimensão apresente níveis elevados de abertura ao exterior. De facto,
[Observatório do QREN e COMPETE] ARTIGO
dos 11 países da UE cuja população varia entre 5 e 12
milhões de habitantes, só em três casos – Grécia, Portugal e Finlândia – as exportações atingiam, em 2010, um
valor inferior a 50% do PIB (21%, 32% e 39%, respectivamente).
Vários factores contribuem para o nível ainda insatisfatório de internacionalização da economia portuguesa,
nomeadamente: a posição geográfica, a evolução da
concorrência externa e o desenvolvimento do mercado
interno.
Os três países acima referidos são indicativos da importância da posição geográfica, tratando-se, em qualquer um dos casos, de economias localizadas na periferia da UE. Por contraste, é entre os países mais próximos do centro económico do continente europeu (em
particular, da Alemanha) que encontramos as economias com maior grau de internacionalização (nomeadamente, Áustria, Bélgica, Eslováquia, Hungria e República Checa).
A posição geográfica mais favorável de alguns dos
novos Estados-membros da UE revelou-se (juntamente
com os baixos custos de mão de obra) um factor determinante de reorientação do investimento estrangeiro
para os países do Leste europeu desde o início do processo de alargamento, constituindo esta uma das fontes
de concorrência acrescida a que a economia portuguesa
esteve sujeita desde o início do século. Também a entrada da China na OMC (em 2001) e a presença crescente
de outras economias emergentes no comércio mundial
representaram um desafio acrescido para os sectores de
actividade mais expostos à concorrência dessas economias (incluindo-se aqui alguns sectores que constituíram os motores das exportações portuguesas ao longo
de décadas).
Face às crescentes pressões concorrenciais externas,
acentuadas por uma evolução cambial nem sempre
favorável ao sector exportador, o investimento empresarial em Portugal dirigiu-se primordialmente a actividades produtoras de bens e serviços não transaccionáveis. Para além de relativamente protegidas da concorrência externa, tais actividades beneficiaram ainda de
um aumento do poder de compra das famílias, das baixas taxas de juro e, em alguns casos, de uma regulação
de mercados que assegurou maior previsibilidade dos
retornos do investimento. Desta forma, o peso das exportações no PIB português manteve-se praticamente
inalterado entre 1995 e 2005, não obstante o forte crescimento do comércio mundial no mesmo período.
Foi neste contexto de relativo subdesenvolvimento
das actividades produtoras de bens e serviços transaccionáveis que a Agenda dos Factores de Competitividade do QREN foi concebida, assumindo a internacionalização como uma das suas prioridades. A pertinência
desta aposta sai reforçada no contexto actual, marcado
por uma contracção acentuada da procura interna e
pelo papel central das exportações como motor da actividade económica. Tal objectivo estratégico é prosseguido, no quadro do QREN, por diversas vias, a saber: privilegiando o acesso de sectores transaccionáveis aos sistemas de incentivos às empresas, dirigindo os apoios preferencialmente a projectos que visam reforçar a orientação exportadora das empresas, prevendo apoios espe-
cíficos a actividades de internacionalização (nomeadamente, no âmbito do Sistema de Incentivos às Acções
Colectivas e do Sistema de Incentivos à Qualificação e
Internacionalização de PME) e ainda valorizando a orientação para a internacionalização no âmbito das Estratégias de Eficiência Colectiva.
O gráfico seguinte apresenta já alguns resultados desta estratégia: compara as empresas apoiadas nos Sistemas de Incentivos (Empresas SI) do QREN, com a totalidade do tecido empresarial passível de ser enquadrado
nos mesmos (designado como Contexto SI). Evidencia,
para além da valorização das actividades intensivas em
tecnologia e/ou conhecimento, a clara aposta em empresas produtoras de bens transaccionáveis ou serviços
internacionalizáveis, bem como em empresas com maior intensidade exportadora.
EMPRESAS APOIADAS NOS SI QREN VS. EMPRESAS
ENQUADRÁVEIS
Intensidade Exportadora
100%
75%
VAB em Sectores TIC
Peso dos Bens
Transaccionáveis (VAB)
50%
25%
0%
Intensidade de
Conhecimento (Serviços)
Autonomia Financeira
Intensidade Tecnológica
(Ind. Transf.)
SI QREN
Contexto SI (Economia Nacional)
Notas: Intensidade Exportadora – Volume de Negócios Internacional/Volume de
Negócios Total; Peso dos bens transaccionáveis – VAB das empresas de CAE
transaccionáveis/VAB total; Autonomia Financeira – Capital Próprio/Activo Líquido;
Intensidade Tecnológica - VAB em actividades de alta e média alta intensidades tecnológicas/VAB da Indústria Transformadora; Intensidade de Conhecimento - VAB
em serviços intensivos em conhecimento/VAB dos Serviços; VAB em Sectores TIC VAB de empresas em CAE TIC/VAB das empresas.
Não inclui projectos Conjuntos, projectos de I&DT em Co-Promoção, Vales I&DT e
Vales Inovação; Contexto SI – Valor apurado na economia portuguesa, a partir de
dados do SCIE de 2008, correspondente a empresas de CAE enquadráveis nos
diferentes Programas, de acordo com o definido no Enquadramento Nacional dos
Sistemas de Incentivos.
Fonte: INE, SCIE, 2008; Relatório de Execução do POFC – 2010.
Os dados de implementação, espelhados nos últimos
Relatórios de Execução, são igualmente testemunho da
relevância estratégica da internacionalização no QREN:
91% do fundo aprovado destina-se a investimentos em
actividades produtoras de bens e serviços transaccionáveis; foram aprovados 2501 projectos envolvendo uma
componente de internacionalização, correspondendo a
um investimento elegível mais de 733 milhões de euros,
repartidos designadamente pela participação em feiras
e certames, acções de marketing internacional e prospecção de mercados.
15
Foto de Victor Machado
16 ARTIGO [Observatório do QREN e COMPETE]
APOIOS À INTERNACIONALIZAÇÃO POR TIPOLOGIA
DE DESPESAS, 2007-2010
Promoção e
Contacto
6,0%
Prospecção
de Mercados
11,6%
Outras
despesas
29,9%
Feiras e
Certames
36,6%
ACÇÕES COLECTIVAS - INVESTIMENTO ELEGÍVEL
POR MERCADO ALVO, 2007-2010
PALOP
12%
Europa
Outros
0%
África
(excepto
PALOP)
4%
América
(excepto
BRIC)
14%
Ásia
(excepto
BRIC)
2%
Concursos
Marketing Internacionais
Internacional
0,2%
21%
BRIC
9%
Fonte: Relatório de Execução do POFC – 2010.
Da mesma forma, foram apoiadas, no COMPETE, 52
acções colectivas com vista à internacionalização de
agregados empresariais, às quais se associam mais de
121 milhões de euros de investimento elegível e a que
corresponde um total de fundo superior a 84 milhões de
euros, sendo de realçar a contribuição destes apoios
para a diversificação dos mercados das exportações nacionais.
Europa 27
59%
Fonte: Relatório de Execução do POFC – 2010.
Apostando no reforço da internacionalização das empresas, associando-o ao apoio à inovação e às lógicas de
eficiência colectiva, o QREN está, assim, a cumprir um
dos seus objectivos estratégicos: promover o crescimento sustentado da economia portuguesa.
CASOS DE SUCESSO 17
CASOS DE SUCESSO: HISTÓRIAS
PROMISSORAS DE BENEFICIÁRIOS DO QREN
A TETRIBÉRICA é um exemplo nacional e a atribuição
do estatuto de PMELíder reconhece a capacidade da empresa a nível da inovação, design e competitividade. A
empresa da Trofa, especializada em fardamentos, exporta 85% das vendas para 45 países.
Posicionada como a empresa com maior volume de
negócios internacional no ano pré-projecto no conjunto
novos mercados externos, explica a empresa, visam contrabalançar as indefinições existentes em alguns mercados históricos de destino das vendas, prevenindo riscos
que estão latentes naquelas economias.
O objectivo em números passa por superar a fasquia
dos 10 milhões de euros de venda no exterior, reforçando o EBITDA em 3,5 vezes, potenciado pela progressão
da cadeia de valor e crescendo o VAB em cerca de 150%.
Prevê-setambém a criação de 12 novos postos de trabalho.
A questão da inovação é crucial e, por isso, houve a
aposta num laboratório de ensaios têxteis acreditado
pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave. Este laboratório ganhou prestígio ao especializar-se em ensaios físicos e químicos de matérias-primas e produtos têxteis.
O sector do vestuário é fortemente concorrencial e,
por isso, a par da inovação, a empresa tem de concorrer
das empresas apoiadas pelo “ON.2 – O Novo Norte”,
com 8,7 milhões de euros, a Tetribérica pretende lançar
externamente uma marca própria. A candidatura aos
fundos comunitários visa ainda desenvolver uma parceria com a empresa Kyaia, detentora da marca de calçado “Fly London”, com o objectivo de vir a desenvolver
uma colecção de vestuário com a mesma marca, e que
será distribuída na rede da Tetribérica.
O administrador Joaquim Moreira é peremptório ao
afirmar que “o QREN foi fundamental para a estratégia
de internacionalização da terceira via do negócio”. Em
causa estava a optimização da compra da empresa espanhola Barrio Santo, concretizada em 2009, e que visou
potenciar a presença dos produtos de vestuário Tetribérica em mais mercados, a par do aumento da rede de
vendas, incluindo mais empresas distribuidoras. Os
pela qualidade/custo. É nessa óptica que mantém unidades fabris em Portugal, mas também no Bangladesh, na
Turquia, Índia e China. O laboratório acreditado é essencial na garantia da qualidade final do produto, independentemente da origem fabril.
O modelo da operação da empresa arranca com um
diagnóstico do mercado, onde o departamento comercial tenta compreender as necessidades dos clientes e
criar um ponto de partida para a equipa de merchandising. O departamento de design apresenta as soluções
criativas, pontuando as equipas de design de moda e design gráfico. Depois entra-se na fase da produção, onde
qualidade e prazo são essenciais. A Tetribérica sabe que
aquelas são o “cartão de visita” de uma empresa, e daí a
importância da imagem e de todo um conjunto de valores associados à criação têxtil.
Os apoios para a internacionalização
concedidos pelo QREN visam projectos
com acções centradas em novos mercados
VESTUÁRIO
Foto Tetribérica
MARCA INTERNACIONAL
18 CASOS DE SUCESSO
comunitários são essenciais, nomeadamente para apoiar a dinamização de mercados muitas vezes em fase embrionária. “Os benefícios da telemetria, por exemplo
aplicada à eficiência energética no mercado residencial,
são notáveis. No entanto, a percepção desse valor por
parte do mercado apenas é possível com a criação de
pilotos de larga escala apoiados por entidades públicas.
Estes permitirão reduzir os custos da tecnologia antes
do alargamento ao mercado de massas”, explica.
A responsável concretiza que os apoios do QREN,
concretamente em projectos de internacionalização,
têm permitido alargar e profissionalizar a actuação nos
mercados, recorrendo a consultoria especializada e actores locais com grande experiência. “Única forma de
internacionalizar de forma sustentável”, refere, assumindo que é objectivo da ISA exportar 85% dos seus
serviços.
TELEMETRIA NO GPL
EXPORTAR PARA AS AMÉRICAS
Foto ISA
ASSEGURAR NOVOS mercados de exportação nas Américas é o objectivo do projecto da ISA apoiado pelo COMPETE. A companhia lidera a área de sistemas de telemetria aplicada à gestão de reservatórios de GPL e quer fornecer, pelo menos, uma “major” petrolífera e terna Europa uma quota de mercado mínima da ordem dos
10%.
Luísa Matos, um dos quadros da empresa, afirma que
“a aposta no mercado global tem sido uma constante, a
par com a permanente aposta na inovação e no reforço
das competências internas da empresa”. A responsável
acredita que o alargamento da ISA a novos mercados é
a peça chave para o crescimento, tendo em conta que
existe ainda muito potencial de mercado por explorar.
INVESTIGAÇÃO TECNOLÓGICA
MODERNIZAÇÃO
Foto Vangest
Isto apesar de, em 2010, a empresa já ter exportado para
22 países.
A conquista de mercados externos tem sido feita, sobretudo, através da introdução de agentes em vários
países do mundo como Espanha e Brasil (2002), Alemanha e Eslovénia (2004), Roménia, República Checa e Estónia (2006), Turquia e Austrália (2007). A par dessa expansão, a ISA tem delegações com escritórios próprios
em Espanha e França desde 2006 e constituiu, em 2007,
a ISA Sul América em S. Paulo.
Luísa Matos justifica parte do sucesso que a empresa
tem tido com a internacionalização da empresa por cobrir segmentos de mercado muito específicos: “A ISA
tem como missão oferecer produtos e soluções inteligentes de medição e controlo à distância que satisfaçam
as necessidades de informação, gestão e optimização,
em tempo real, nos mercados petrolífero, energético,
ambiental, dos transportes, da segurança, domótica e
da saúde, contribuindo de forma significativa para a
criação de valor sustentado, em todo o mundo”.
Sediada em Coimbra, onde concentra todo o trabalho
de I&D, a empresa tem contribuído para o desenvolvimento da região, nomeadamente através da forte ligação que detém com o meio académico a partir do recrutamento de jovens talentos nas áreas da engenharia física, electrotécnica e informática. Actualmente, conta
com mais de 120 colaboradores.
Neste contexto, Luísa Matos acrescenta que os fundos
O GRUPO VANGEST, composto por doze empresas que
apostam na I&D para as áreas de design e engenharia de
produto, tecnologias de informação e soluções médicas,
“procura manter uma postura de valorização da inovação, investindo na modernização do equipamento e processos, e também em investigação tecnológica”, explica
Erica Rodrigues, responsável pela área de comunicação
da empresa, cujos mercados de actuação vão do Benelux, Espanha e Escandinávia, até aos mercados emergentes como a Rússia, Brasil e Irão.
A Vangest é um dos principais grupos industriais da
região Centro, sediado na Marinha Grande, empregando 150 colaboradores e tendo em curso vários processos
de recrutamento para responder aos investimentos que
estão a ser realizados, com o apoio do QREN. A grande
maioria dos projectos em “pipeline” estão a ser desenvolvidos em parceria com instituições de ensino superior do sistema científico nacional e com outras empresas. A responsável da empresa sublinha ainda que “os
CASOS DE SUCESSO 19
investimentos associados são, maioritariamente, canalizados para a investigação tecnológica, a modernização
de equipamentos, o investimento em equipamentos de
produção de alta performance e para a formação do capital humano da organização”.
Erica Rodrigues destacou ainda a importânciado
QREN no apoio à internacionalização de empresa que,
no caso da Vangest, apoiado pelo “Mais Centro”, está no
ADN da sua criação. Para esta companhia, que é liderada por Victor Oliveira, as vendas externas deverão continuar a representar cerca de 90% do total da facturação.
TI
LIGAÇÕES À ACADEMIA
A WOW!SYSTEMS, especializada em soluções interactivas de multimédia, está a trabalhar nos mercados do
Brasil, EUA e Reino Unido. A área das Tecnologias da Informação (TI) implica uma aprendizagem constante e,
por isso, segundo frisa o gerente da empresa, Fernando
Campos, justificam-se as ligações a instituições de ensino superior. Todos os funcionários são licenciados, sendo que a maioria possui mestrado na área da engenharia informática e alguns têm, ainda, o grau de doutoramento.
A inovação tem um papel nuclear na conquista de
novos mercados. O gestor afirma: “A constante procura
por inovação e a preocupação com o desenvolvimento
de soluções com qualidade e compatíveis com os mais
recentes avanços na área a nível mundial permitem que
a entrada em mercados tradicionalmente marcados pela
forte concorrência seja mais fácil”. Pelo mesmo motivo
explica que permite também “a exploração e a entrada
em mercados que, por uma razão ou por outra, tecnologicamente ainda não se equiparam à realidade ocidental mas que já possuem uma real necessidade e sensibilidade pelo tipo de serviços e produtos que a Wow! comercializa”. Para o gestor esta posturaperante a procura de soluções inovadoras permite às empresas “encarar
com confiança os desafios que os clientes lançam”.
Quando questionados sobre as diferenças para os seus
concorrentes, Fernando Campos sublinha que, na área
de serviços em que actuam, “não é viável distinguir
entre concorrentes internos e externos, pois trata-se de
serviços com uma especificidade tecnológica própria e,
felizmente, as empresas portuguesas deste ramo estão
ao nível do que melhor se faz internacionalmente”.
Como tal, continua, afirma que a empresa se distingue
pela “flexibilidade” das suas soluções. “Pelo facto de as
mesmas não obedecerem necessariamente a requisitos
técnicos muito restritos, pela nossa preocupação em
procurar soluções para problemas complexos mas que
irão garantir um elevado grau de satisfação do cliente e,
claro, pelo preço competitivo”, acrescenta.
Sobre o apoio do QREN aos projectos de internacionalização, o empresário apoiado pelo EMPREENDINOV Sistema de Incentivos ao Empreendedorismo e Inovação
da Região Autónoma da Madeira diz que estes programas “permitem alavancar a experiência internacional
em duas vertentes: por um lado, permite constituir um
núcleo de I&D permanente, dedicado ao desenvolvimento de soluções e produtos inovadores, por outro,
facilita a presença em conferências e feiras internacionais para promoção de tais desenvolvimentos tecnológicos, ajudando a promover a marca, estabelecendo
contactos importantes e garantindo uma visão global
actualizada dos mercados e do estado-da-arte do ramo”.
O peso do exterior na facturação da Wow!Systems
ainda é reduzido, cerca de 20%, mas “dada a dimensão
reduzida do mercado português,é natural e desejável
que o peso das vendas externas no valor global da facturação seja o maior possível”. Fernando Campos conclui que “com o lançamento de novos produtos através
de plataformas globais de distribuição, no decorrer do
primeiro semestre de 2012, essa fatia já corresponda a
50% e com tendência para subir nos semestres seguintes”.
METALOMECÂNICA
DA INOVAÇÃO À INTERNACIONALIZAÇÃO
PRESENTE em mercados como Espanha, Alemanha,
Canadá, Brasil, Austrália ou Emirados Árabes Unidos, a
Adira distingue-se no sector empresarial de produção
de máquinas ferramentas, alcançando 90 por cento da
sua facturação com base nas exportações.
A qualidade dos produtos desenvolvidos pela Adira
resulta da conjugação de factores tão determinantes
como a rede de fornecedores (alguns em regime praticamente exclusivo), a equipa composta por cerca de 150
trabalhadores e a tecnologia implementada.
A vertente tecnológica, factor decisivo para a competitividade no seio empresarial e que exige investimentos
regulares, é assegurada por parcerias com várias universidades com formação nas áreas de engenharia mecânica, electromecânica, informática e robotização e outras
entidades do Sistema Científico e Tecnológico nacional.
Esta aposta contínua coloca a Adira numa posição de
impulsionadora da evolução do sector, impondo o ritmo
de inovação dos vários agentes económicos envolvidos.
Como afirma Lúcia de Sousa, da Adira, esta aposta não
teria sido possível sem os apoios disponibilizados pelos
fundos comunitários: “Só assim a Adira pôde arriscar
no seu processo de internacionalização, participando,
pela primeira vez, em novas feiras internacionais do
sector, que lhe trouxeram maior visibilidade e penetração em novos mercados. Os apoios comunitários permitiram apostar na modernização e dinâmica da empresa, de acordo com a nossa missão e visão”.
A partir do processo de internacionalização e com
base no percurso sólido da empresa, assinalado, por
exemplo, pelo Prémio Inovação EMAF (Exhibition of
Machine Tools and Accessories) 2010, a Adira define
agora novas metas de expansão. São objectivos da empresa marcar presença nos Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa e noutros mercados emergentes
como a Indonésia, a Tunísia,o Líbano ou Israel.
CURTUMES
INTERVENÇÃO COLECTIVA
O PROJECTO da APIC – Associação Portuguesa das Indústrias de Curtumes na vertente da promoção internacional visa potenciar a internacionalização de um
universo de 18 empresas da região de Alcanena, Santarém. O objectivo nuclear deste projecto de intervenção colectiva é o aumento do volume de negócios
internacional em cerca de 10 milhões de euros, o que
corresponde a mais 5% da facturação actual das empresas envolvidas.
Gonçalo Santos, secretário-geral da APIC, explica que
o plano de internacionalização do sector de curtumes
em curso, desenvolvido com o apoio do QREN, dirige-se
Foto APIC
20 CASOS DE SUCESSO
empregam 1980 trabalhadores directos. Considerando
também os sub-sectores que desenvolvem a sua actividade em redor da indústria de curtumes, o número de
trabalhadores ascende a 2300.
A indústria de curtumes tem um volume de negócios
de 200 milhões de euros, tendo a sua principal concentração empresarial em Alcanena, região na qual continua a ser a principal actividade empregadora.
Para o sector, “o QREN teve um papel fundamental na
estruturação de um plano e de uma estratégia de internacionalização”, sublinha Gonçalo Santos. O secretário-geral explica, ainda, que “quando a APIC iniciou as
actividades de internacionalização em 2006, o sector de
curtumes apenas participava em duas edições de feiras
internacionais, e com um número relativamente limitado de empresas”. Este ano, e com o apoio do Compete,
a associação apresenta-se em cinco edições de feiras internacionais, sendo que na principal feira do sector a
nível internacional a indústria de curtumes portuguesa
marca presença com cerca de um terço das empresas.
A indústria de curtumes atinge actualmente uma
quota exportadora de 34% e o objectivo deste projecto é
melhorar esse nível. Gonçalo Santos diz ser “fundamental conseguir uma penetração cada vez maior dos mercados externos de modo a conseguir a subsistência e
desenvolvimento desta indústria”.
TURISMO
HOTELARIA TEMÁTICA
Foto Sousa Cunhal
a três mercados-alvo principais: China, França e Itália.
“No entanto, por via da participação nas mais importantes feiras internacionais do sector, que recebem visitantes profissionais dos mais diversos países, as empresas de curtumes conseguem atingir uma diversidade de
mercados que vai muito além destes mercados”, acrescenta.
Em termos globais, o sector de curtumes conta hoje,
no território nacional, com 63 empresas activas que
LOCALIZADO no coração do Alentejo, numa paisagem
única definida pela vinha e por um grande lago, o
L'AND Vineyards, da Sousa Cunhal – Turismo SA, é um
"wineresort” exclusivo, com apenas 22 suites, que integra a arquitectura na natureza e promove uma atmosfera intimista de luxo sóbrio, beleza natural e tranquilidade.
O “resort” situa-se em torno de um jardim de vinhas e
da piscina, valorizando de uma vista sublime para o lago
e para o castelo da vila medieval de Montemor. No edifício central - baseado na reinterpretação contemporânea
das casas pátio de tradição romana e árabe - está a sala
de estar, a biblioteca, a loja de produtos exclusivos
L'AND MADE, a adega, o "wine clube”, o spaVino-
CASOS DE SUCESSO 21
VINHOS
MAIS COMPETITIVIDADE
SEIS ADEGAS cooperativas do Alentejo, responsáveis
por 55 por cento da produção total de vinhos na região, uniram-se para criar a Enoforum, uma empresa
que nasce com o propósito de promover o reconheci-
mento da qualidade dos vinhos da região além-fronteiras.
Vocacionada para o comércio internacional de vinhos, a empresa visa o reconhecimento da qualidade
das produções alentejanas e o aumento do volume de
vendas potenciado pela entrada em novos mercados.
Isabel Ramos, responsável da empresa, aponta como
um dos principais desafios à actividade o facto de Portugal “sempre ter lidado com as dificuldades resultantes da falta de notoriedade do país, em parte, justificado pelo fenómeno que alguns especialistas de marketing chamam do paradoxo da proveniência”.
A presença de marcas da Enoforum nos mais variados países (Rússia, Estados Unidos da América, Cabo
Verde, Alemanha, Suíça, Brasil, Áustria, Canadá, entre
outros) pode explicar-se pela gestão articulada dos conhecimentos provenientes das seis adegas accionistas,
contrariando uma gestão individualista, de acordo
com os interesses de cada uma delas. Há, ainda, um
outro factor determinante neste caso de sucesso, a
adaptação criteriosa dos produtos à realidade de cada
um dos mercados.
Face à dimensão financeira exigida para a concretização deste projecto de internacionalização, e tendo em
conta que o retorno deste tipo de investimentos apenas
é visível a médio ou longo prazo, o co-financiamento
comunitário atribuído revelou-se, segundo a empresa,
essencial para a Enoforum, cuja actividade se circunscreve aos mercados externos.
Foto Enoforum
therapie by Caudalie, o restaurante e o pátio “lounge”.
Os interiores são desenhados pelo arquitecto Marcio
Kogan e criados a partir de pedra natural de ardósia e
madeira, contando com um conjunto de peças de arte,
tecidos e mobiliário exclusivos.
A empresa, que, neste projecto de aldeamento turístico de 5 estrelas, foi apoiada pelo IN Alentejo, para o
qual foram criados 30 postos de trabalho, enquadra a
importância dos fundos comunitários no apoio à divulgação externa do hotel, nomeadamente no estrangeiro.
Esta aposta foi feita, por exemplo, através da presença
em feiras Internacionais.
A L’AND realça também a adopção de níveis elevados
de qualificação ambiental do empreendimento e a
procura de níveis cada vez mais elevados de eficiência
energética como preocupações permanentes. Aposta
em parcerias com fornecedores locais por forma a promover a criação partilhada de valor económico ao nível
regional. A empresa contribui, ainda, para a valorização
de produtos artísticos e culturais regionais, distribuídos
na L'AND MADE.
Com incentivos dirigidos à inovação produtiva, o QREN também contribui para o
reforço da competitividade de empresas
com forte tradição exportadora
Foto Unicer
22 CASOS DE SUCESSO
CERVEJA
BEBER COM INOVAÇÃO
Foto Unicer
A UNICER Bebidas exporta 40% da cerveja que produz,
tendo saído de Portugal, em 2010, um total de 13 mil
contentores e dois mil camiões carregados com produtos da empresa sedeada no Porto. Em termos de facturação, cerca de 30% é gerada no exterior. A cerveja da
Unicer bebe-se em 50 países.
Este saldo tem sido conseguido com base num investimento permanente, apoiado parcialmente pelo QREN.
O primeiro projecto da empresa que contou com o
apoio do COMPETE teve um investimento superior a
12,2 milhões de euros e envolveu quatro áreas de intervenção: introdução de novos formatos de embalagem
nas vendas de produtos, lançamento de novos produtos
no mercado, adopção de novos processos de produção e
de melhorias nos processos de produção actuais, tendo
por base objectivos de eficiência energética e ambiental.
Num segundo projecto, com investimento elegível superior a 14,1 milhões de euros, a Unicer apostou na produção de novos bens e na adopção de novos processos
que suportem a sua progressão na cadeia de valor. Na
calha está, por exemplo, a aplicação do sistema “pulloff” na garrafa de tara retornável Super Bock ou a adopção da linha de latas para garrafas de tara perdida, aumentando a capacidade de enchimento das garrafas.
A orientação para os mercados internacionais justifica, em parte, investimentos desta envergadura. António
Vaz Branco, administrador da Unicer com a responsa-
bilidade da área internacional, explica que a empresa
espera facturar, no mercado externo, cerca de 150 milhões de euros este ano. O gestor enquadra a previsão na
estratégia voltada para os mercados lusófonos e os
“mercados da saudade”, em África, na Europa e em alguns países do continente americano. Neste contexto,
realça o apoio do QREN ao nível da participação em feiras e em eventos,em mercados pré-definidos.
“Apesar da instabilidade nos mercados nacional e internacional, o nosso caminho tem uma meta: alcançar
os mil milhões de euros de facturação nesta década, o
que passa pela contínua dinamização do mercado interno, mas também pelo reforço do programa de internacionalização da Unicer”, explica António Vaz Branco,
exemplificando com dados positivos como as vendas
em volume para o exterior, que ultrapassaram os 190
milhões de litros em 2010.
Reflexo da aposta na internacionalização é, ainda, o
facto de a Unicer ter uma quota de exportação da cerveja fabricada em Portugal de 79,9% em valor e 75,9% em
volume.
Angola mantém-se como o principal país na actividade internacional da empresa e representa, aproximadamente, 60% das exportações da Unicer, tendo a empresa registado em 2010 um crescimento de 18% nas
vendas neste país.
Na exportação das águas da empresa, o destaque vai
para a marca Água das Pedras, que começou a ser comercializada em novos mercados, como é o caso da
Índia. Entre os próximos países a receberem esta marca
encontram-se o Brasil e os EUA.
Foto Continental Mabor
CASOS DE SUCESSO 23
INDÚSTRIA
INOVAÇÃO EM PNEUS
prensas que permitirá aumentar o volume anual de produção. A empresa quer, ainda, investir no processo
“Conti Seal”, aplicando uma solução nos pneus que permita que rodem normalmente mesmo, após sofrerem
um furo, processo que pode hoje ser produzido sem riscos ambientais, contrariamente a soluções antigas.
Dos investimentos da empresa, parte apoiados por
fundos comunitários, está igualmente previsto o aumento do edifício fabril, em Vila Nova de Famalicão, e
as respectivas infra-estruturas, assim como o crescimento do armazém de produto acabado, com uma
capacidade adicional para 120 mil pneus. Este projecto
será complementado com novos sistemas de controlo
do processo produtivo, beneficiando em termos de qualidade e produtividade.
Foto Continental Mabor
A CONTINENTAL Mabor, especialista no fabrico de
pneus, é o 4.º exportador nacional. Trabalha com cerca
de 1600 colaboradores e actua em múltiplos mercados,
destacando-se Alemanha, Espanha, Itália, França, Reino
Unido e Benelux. A empresa exporta 98% da produção
e ganha preponderância face à concorrência “essencialmente devido à formação dos colaboradores, à qualidade dos produtos e ao tempo de resposta” afirma, em
nota, António Lopes Seabra,CEO da companhia, que em
2010 facturou 597 milhões de euros, mais 27% em termos homólogos.
Esta é uma empresa que aposta no futuro através da
inovação. O contrato de parceria, assinado em 2010,
com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, entidade
que gere o MIT em Portugal, e ainda o acordo com a
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto são
exemplos de como bem-fazer nesta indústria.
A procura de novos mercados é outra preocupação e,
no ano passado, ganharam Argentina e o Equador, enquanto aumentaram o portfólio de clientes de equipamento de origem com a Citroën e a Jaguar, depois de
consolidado o negócio com a Opel/GM, VW, Renault e
Nissan.
A actuar num mercado fortemente concorrencial, a
Continental Mabor está ainvestir em novas tecnologias
e processos. Está prevista a aquisição de equipamentos
de preparação e corte de componentes, com vista ao
aumento da capacidade de fornecimento de materiais à
construção, bem como de módulos de construção e
adaptação técnica para responder a novas tendências de
fabricação de pneus de elevada performance. A nível de
vulcanização, será adquirido um conjunto de novas
ALGUNS CONCEITOS
SOBRE O TEMA
DA INTERNACIONALIZAÇÃO
FONTES DE INFORMAÇÃO: AICEP E INE
Abertura da Economia
Normalmente medida pelo
"grau de abertura" [(saídas+entradas)/PIB*100],
permite quantificar e comparar a inserção da economia dum país na economia
mundial.
Chegada
Recepção de mercadorias
comunitárias expedidas de
um outro Estado-membro
da União Europeia.
Coeficiente de
Cobertura (comércio
internacional)
Coeficiente entre as saídas
(expedições+exportações)
e as entradas
(chegadas+importações)
de mercadorias.
Comércio
Extracomunitário
Exportação de mercadorias
de Portugal para países
terceiros e/ou importação
por Portugal de mercadorias com origem em
países terceiros.
Comércio
Internacional
Conjunto do comércio intracomunitário e do comércio
extracomunitário, ou seja o
conjunto das entradas e/ou
saídas de mercadorias.
Comércio
Intracomunitário
Exportação
Expedição e/ou chegada de
mercadorias transaccionadas entre Portugal e
os restantes Estados-membros da União
Europeia.
Envio de mercadorias
comunitárias com destino
a um país terceiro. É frequentemente utilizada a
expressão em sentido lato,
para designar todas as
saídas.
Custos de Contexto
Globalização
Acções ou omissões que
prejudicam a actividade das
empresas e que não são
imputáveis ao investidor, ao
seu negócio ou à sua organização. Podem ser
enquadrados como tendo
origem ou resultando de
actos desproporcionados,
ou não razoáveis da
Administração Pública, de
práticas ou opções políticas
anti-competitivas e até de
condições decorrentes do
estádio de desenvolvimento
da economia portuguesa.
Entrada
Somatório das chegadas a
Portugal de mercadorias
provenientes dos restantes
Estados-membros, com as
importações portuguesas
com origem em países
terceiros.
Expedição
Envio de mercadorias de
um Estado-membro com
destino a outro
Estado-membro da UE.
Tendência para a tomada
de decisões económicas,
quer de consumo, quer de
investimento, com base
numa perspectiva mundial,
incrementando de modo
significativo as inter-relações entre mercados
nacionais.
Importação
Recepção de mercadorias
não comunitárias, exportadas de um país terceiro.
É frequentemente utilizada
em sentido lato, para designar as entradas e as
chegadas.
Internacionalização
Ampliação do campo de
actuação de uma empresa,
ou de uma economia, para
além do território nacional.
As empresas internacionalizam-se quer através das
suas operações comerciais,
comprando produtos
estrangeiros ou desenvolvendo as suas exportações,
quer através do investimento, criando ou tomando o
controlo de sociedades
estrangeiras. Uma economia internacionaliza-se
quando se abre ao exterior,
quer através das suas operações comerciais, quer
através das suas operações
financeiras.
Investimento Directo
Estrangeiro em
Portugal
Aplicação de capitais efectuada com o fim de adquirir
uma posição duradoura, ou
mesmo o controlo, numa
empresa que exerce a sua
actividade no estrangeiro.
Um fluxo de investimento
directo em Portugal pode
corresponder à criação de
uma empresa em Portugal
por parte de um investidor
estrangeiro, à aquisição de
pelos menos 10% de capital
de uma sociedade
portuguesa anteriormente
existente, ao reinvestimento
dos lucros por uma filial da
empresa estrangeira em
Portugal ou a operações
entre a casa-mãe no
estrangeiro e uma filial em
Portugal (aumentos de
capital, empréstimos diversos, adiantamentos, etc.).
Investimento Directo
Português no
Estrangeiro
Aplicação de capitais efectuada com o fim de adquirir
uma posição duradoura, ou
mesmo o controlo, numa
empresa que exerce a sua
actividade no estrangeiro.
Um fluxo de investimento
directo português pode corresponder à criação de uma
empresa no estrangeiro por
parte de um investidor
nacional, à aquisição de
pelo menos 10% de capital
de uma sociedade
estrangeira anteriormente
existente, ao reinvestimento
dos lucros por uma filial de
uma empresa portuguesa
no estrangeiro ou a operações entre a casa-mãe em
Portugal e uma filial no
estrangeiro (aumentos de
capital, empréstimos diversos, adiantamentos, etc.).
País Terceiro
País não pertencente à
União Europeia.
Saída
Somatório das expedições
de mercadorias efectuadas
por Portugal para os
restantes Estados-membros, com as exportações
de Portugal para os países
terceiros.
Download

INTERNACIONALIZAÇÃO F