CADERNOS ESPECIAIS Nº61 / SETEMBRO 2015 / 3,25 EUROS (CONT.) ComuniCação interna Cheques e Cartões pré-pagos INTERNACIONAL mindfulness 6 passos para meditar no local de trabalho ESTUDO 2015 Prémio excelência no trabalho Formas mais estratégicas de aprender e adquirir experiências fora do normal ajudarão a criar futuros líderes. 00058 Como a gestão de pessoas estÁ a 5 601073 051644 ReinventaR a 5 601073 051644 00059 5 601073 051644 00060 00061 Liderança 5 601073 051644 00062 5 601073 051644 ENTREVISTA joSé gAlAMBA de olIveIrA Presidente da Accenture Portugal ADN ZAGALO CoNCeIção e CATArINA zAgAlo FÓRUM HUMAN RESOURCES PlANeAr A SuCeSSão de uMA eMPreSA FAMIlIAr CARREIRA Pedro olIveIrA Presidente da BP Portugal Índice 18+22+8104335g 57 Especial 8 Conselheira Patrícia Fernandes Directora de Marketing Central e Comunicação da Microsoft Portugal 6 Almoço Editorial 10 Entrevista José Galamba de Oliveira Comunicação Interna Presidente da Accenture Portugal 113 Caderno 20 Carreira Pedro Oliveira Presidente da BP Portugal 16 temA de capa Como a Gestão de Pessoas está a Reinventar a Liderança Cheques e cartões pré-pagos 26 Fórum Human Resources Portugal 32 Gestora de Pessoas Luísa Ramos Formas mais estratégicas de aprender e adquirir experiências fora do normal ajudarão a criar futuros líderes. 56 Opinião Fernando Neves de Almeida 36 ADN Conceição e Catarina Zagalo Managing Partner da Boyden Portugal 40 Prémio 50 Radar «só os que arriscam chegar demasiado longe alguma vez poderão descobrir quão longe se pode ir.» t.s. eliot 42 Boas práticas Groundforce 46 Internacional mindfulness A crescente utilização da meditação na América empresarial está na ordem do dia. Ainda que seja algo desconhecido, a meditação no local de trabalho já não é secundária Human Resources Portugal 3 Editorial E A nova Human Resources Portugal! i-la! A nova Human Resources Portugal. Nesta edição de Setembro, apresentamos-lhes a nova revista Human Resources Portugal. Num mundo em evolução constante, a área englobante da Gestão de Pessoas tem sido das áreas que mais transformações tem sofrido nos últimos anos. Se olharmos para a abrangência e importância relativa desta área dentro das empresas, e se compararmos o que era há 10 anos com os dias de hoje, concluímos de imediato que há diferenças abissais. E foi no sentido de irmos ao encontro desse novo posicionamento da Gestão de Pessoas nas empresas e organizações que procedemos a estas mudanças na Human Resources. Um visual muito mais moderno e apelativo, de fácil leitura, com muitas rubricas novas, incluindo a apresentação de casos de boas práticas nas empresas, mantendo as nossas parcerias internacionais com os últimos desenvolvimentos, e muito mais novidades. Contudo, mais importante do que apresentar estas diferenças, será o nosso leitor exigente senti-las. E assim, desafio-os a lerem a nova revista Human Resources. Colaboradores Sandra M. Pinto É a tradutora oficial da Multipublicações. Por ela já passaram incontáveis caracteres. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, pela Universidade Nova de Lisboa. Perde-se no meio de livros e filmes de ficção científica. Melómana convicta, adora viajar e contar histórias sobre pessoas. Com a música como pano de fundo, divide os seus dias entre o jornalismo de viagens e de lifestyle, à frente da revista Viagens & Resorts, e os Recursos Humanos. CEO Multipublicações [email protected] Conselho Editorial Carla Gouveia · Catarina Horta · Catarina Tendeiro · Diogo Alarcão · Eduardo Partidário Pessoas talentosas que contribuíram para esta edição: Ana Alves Ricardo Florêncio TitiAna Amorim Barroso É jornalista da casa há 7 anos, começou na Marketeer, ganhou gosto pela Gestão na Executive Digest e faz parte da equipa fundadora da Human Resources Portugal. A paixão por conhecer pessoas e novas paragens fê-la entregar-se à escrita. · Felipa Oliveira Serrão · Fernando Neves de Almeida · Isabel Barata · Isabel Barros · Isabel Borgas · Isabel Peres · João Antunes · Joana Queiroz Ribeiro · Luís Roberto · Margarida Barreto · Maria João Martins · Mário Ceitil · Patrícia Calvário · Patrícia Fernandes · Paula Carneiro · Pedro Fontes Falcão · Pedro Ramos · Pedro Raposo · Tiago Brandão Director Ricardo Florêncio · [email protected] Coordenação Editorial TitiAna Amorim Barroso · [email protected] Sandra M. Pinto · [email protected] · Tel. 210 123 454 Redacção Ana Alves (tradução e revisão) · Flávia Brito Colaboradores Herminia Ibarra · Zachary Karabell Acordos Internacionais e Exclusivos Human Resources UK · Management Today · MIT Arte Projecto Gráfico DesignGlow · Editor de Arte Bernardo Ferraz / DesignGlow Fotografia Nuno Carrancho NC Produções · PAF! Paulo Alexandrino Fotografia · Thinkstock Assinaturas [email protected] · Tel. 210 123 456 · Fax. 210 123 444 · 1 Ano - 30.40 Euros Nº Registo ERC 125841 · Depósito Legal 312131/10 · ISSN 1647-7472 · Tiragem 15 mil exemplares · Periodicidade Mensal · Impressão e Acabamento Jorge Fernandes, Lda. Distribuição Urbanos Press - Rua 1º de Maio, Centro Empresarial da Granja - Junqueira - 2625 - 717 Vialonga Av.ª Sidónio Pais, n.º 24 - r/c Dto - 1050-015 Lisboa Tel. 210 123 400 · Fax. 210 123 444 · [email protected] · NIPC: 506 012 905 · CRCL: 11061 Conselho de Administração Ricardo Florêncio Comercial e Publicidade Tel. 210 123 450 · Fax. 210 123 444 · [email protected] Margarida Sousa (Directora de Publicidade) · [email protected] · Tel. 210 123 414 Gestores de Conta Tânia Rodrigues · [email protected] · Tel. 210 123 411 Mário Serra · [email protected] · Tel. 210 123 450 Miguel Camacho · [email protected] · Tel. 210 123 441 Gestão de Materiais Filipa Pereira · [email protected] · Tel. 210 123 412 Margarida Henriques · [email protected] · Tel. 210 123 414 Marketing e Comunicação [email protected] · Tel. 210 123 412 Filipa Pereira · [email protected] · Tel. 210 123 412 Sónia Almeida · [email protected] · Tel. 210 123 418 Online Filipa Pereira · [email protected] · Tel. 210 123 412 Flávia Brito · [email protected] · Tel. 210 123 403 Produção e Distribuição Graça Pessoa · [email protected] · Tel. 210 123 466 Departamento Administrativo e Assinaturas Teresa Vultos · [email protected] | Carla Barbosa · [email protected] Tel. 210 123 400 · Fax. 210 123 444 acompanhe a nossa revista no facebook 4 Human Resources Portugal Setembro 2015 Entusiasmo Para dar o salto é preciso o impulso certo. Escolha a consultora que eleva o potencial das pessoas. Damos asas às suas ideias. www.chconsulting.pt Conselho Editorial melhorar e diferenciar À mesa do restaurante Il Gattopardo, no Hotel Dom Pedro, em Lisboa, a nova Human Resources Portugal e a configuração da 10.ª Conferência a realizar-se em Novembro deste ano foram os temas principais em debate. Fotos Nuno Carrancho Uma revista evoluída com uma linha editorial diferenciadora, a acompanhar a actualidade e a responder a tendências internacionais, é o pretendido com o novo projecto editorial da Human Resources Portugal. Com o propósito de envolver mais pessoas e outras áreas, foi também criado um grafismo apelativo e clean que pode ser apreciado já nesta edição de arranque. Durante o último almoço editorial, a agenda dos Fóruns Human Resources, a realizarem-se em Setembro e Outubro, e a análise dos Prémios Human Resources 2015 estiveram também em destaque. Ainda houve tempo para acertar as novas secções da revista e o plano para o final de 2015. Estiveram presentes no almoço os conselheiros: Catarina Horta (Randstad Portugal), Catarina Tendeiro (Ikea Portugal), Eduardo Partidário (empresário), Felipa Oliveira (HayGroup Portugal); Isabel Borgas (NOS); Luís Roberto (Comunicatorium); Margarida Barreto (MSD Portugal); Patrícia Fernandes (Microsoft Portugal); Pedro Raposo (Banco de Portugal); Tiago Brandão (Unicer). 6 Human Resources Portugal Setembro 2015 LOCAL Restaurante Il Gattopardo Hotel Dom Pedro, Lisboa Human Resources Portugal 7 Conselheira a questão tecnológica Será a Gestão Tecnológica de Pessoas um contra-senso, ou antes uma tendência incontornável? Patrícia Fernandes Directora de Marketing Central e Comunicação da Microsoft Portugal M uitos puristas afirmam que a Gestão de Pessoas não pode ser traduzida em bits e bytes, porque as pessoas não são e não podem ser apenas números. Não concordo, porque essa é uma visão redutora da disciplina de Gestão do Activo com maior potencial das organizações. A tecnologia existe e tem de ser vista, acima de tudo, como facilitadora da vida das pessoas, aquilo que lhes permite fazerem mais, serem melhores no que fazem e que amplia o seu potencial. O mesmo se aplica às organizações. Neste mundo cada vez mais ligado e digital, os dados aglomeram-se a uma velocidade vertiginosa, provenientes de uma variedade de fontes cada vez mais ampla, de uma multiplicidade de tipos e, sobretudo, em volumes cada vez maiores. Por isso, as organizações têm de se preparar e apetrechar para uma realidade onde o número de dispositivos supera o número de utilizadores, fazendo com que caminhemos para uma era em que a infinidade de dispositivos e dados colide com a finitude do tempo e da nossa atenção. O cruzamento de dados de diferentes fontes e tipos é cada vez 8 Human Resources Portugal Setembro 2015 mais uma necessidade que implica novos modelos de extracção e de tratamento desses dados, de modo a ser possível correlacioná-los com coerência e qualidade, para que produzam a informação vital à tomada de decisão nos diversos campos do saber, nomeadamente na área de Gestão de Pessoas. Esta realidade ainda coloca alguns receios a muitos gestores de pessoas, porque o paradigma do Big Data (é disto que estamos na realidade a falar!) exige algumas competências que têm de ser apreendidas e ensaiadas. Mas, por outro lado, o potencial de aplicação à área é imenso, senão vejamos: R Permite uma visão mais informada da população que compõe a organização. O Big Data serve de janela para o percurso e a vida profissional dos colaboradores. Ao mapear, analisar e partilhar dados relacionados com desempenho e potencial, os gestores de pessoas podem obter pistas chave, gerir talento, motivação e engagement. R Ajuda à retenção. Um bom uso da tecnologia é a captação de informações importantes sobre as razões por que as pessoas saem ou porque se mantêm fieis à organização. Cruzando dados de entrevistas de saída, inquéritos de clima, avaliação de desempenho e análise de sentimento em redes sociais, é possível prevenir e evitar a sangria de talento. R Ajuda a rentabilizar o investimento. Cruzando informação sobre o percurso das pessoas, a formação que recebem, a avaliação de competências e o feedback 360º, é possível determinar o impacto dos investimentos na melhoria de competências e mudança comportamental. R Permite fazer melhores recrutamen- O Big Data serve de janela para o percurso dos colaboradores. Os gestores podem obter pistas chave para gerir o talento. tos e mais baratos. Esta é talvez a área onde o Big Data mais pode ser útil aos departamentos de RH, porque com a sua inteligência pode correlacionar dados de diversas fontes, de modo a identificar preventivamente bolsas de talento que possam tornar mais ágeis os processos de recrutamento. A tecnologia existe para facilitar a vida, para melhorar e aprimorar a gestão e para criar as condições para que a tomada de decisão possa ser justa e informada. Não substitui naturalmente os elementares princípios da boa Gestão de Pessoas, que tem de ser feita de humanos para humanos. Cada um de nós tem dentro de si um bombeiro, mas só alguns o são verdadeiramente. Os veículos de combate dos Bombeiros Voluntários da Amadora têm mais de 20 anos e o único com características adequadas para incêndios industriais tem 23 anos e sem condições para ser recuperado. Por ano, estes heróis respondem, em média, a mais de 16 mil ocorrências e mais de 10 mil emergências do concelho da Amadora. Esta é a oportunidade que todos os portugueses têm para ajudar, com um valor simbólico, a partir de 1€, participando nesta campanha de financiamento colectivo para a aquisição de um novo veículo de combate de incêndios. Agora, chegou a altura de sermos todos bombeiros. É a nossa vez de ajudar! «Aqui ficam ligações e amizades para a vida, e isto tem muito que ver com a nossa cultura» Entrevista J o s é G a l a m b a d e Ol i v e i r a Presidente da accenture portugal Um agente de modernização A Accenture celebra 25 anos em Portugal. Uma jornada de sucessos contada por José Galamba de Oliveira, o actual presidente da consultora que viu nascer e fez crescer. Por P TitiAna Amorim Barroso e Sandra M. Pinto | ortugal assistiu a uma mudança profunda da economia e da sociedade em geral neste quarto de século e a Accenture portuguesa agigantou-se fazendo parte do mapa deste desenvolvimento. «Participámos em muitas das áreas e empresas que hoje são de ponta e as principais do País, fizemos parte da sua caminhada, evolução e modernização. Quando olhamos para trás sentimos que somos também parte do que é Portugal hoje», partilha José Galamba de Oliveira, presidente da Accenture Portugal há 10 anos, no Grupo Accenture há 30 e a gerir pessoas há 24. Fotos Nuno Carrancho A empresa posiciona-se como uma organização global de serviços de Consultoria de Gestão, Tecnologias de Informação e Outsourcing, com a intenção de tornar os clientes organizações de alto desempenho. Considerada uma empresa-escola, líder de mercado na área da Consultoria de Gestão e Tecnologias de Informação, a Accenture Portugal tem uma reputação intitulada de saudável, incutida inclusive no modelo de negócio. Em entrevista à Human Resources Portugal, José Galamba de Oliveira abre-nos as portas da empresa e confidencia-nos as exigências de uma carreira na Consultoria, o que mais o fascina nesta área, como nasceu a empresa, as partículas do sucesso, as melhores práticas na área de Gestão de Pessoas e as histórias de quem viveu por dentro. Human Resources Portugal 11 Entrevista José Galamba de Oliveira A Accenture está em Portugal desde 1990. O que mudou no País neste quarto de século que tenha sido também incentivado pela consultora? O País mudou muito nos últimos 25 anos. Estou cá desde o início da empresa, assisti a uma mudança profunda na economia portuguesa e na sociedade em geral, especialmente a um dinamismo muito grande logo após a entrada de Portugal na Comunidade Europeia. E com a entrada de fundos e dos apoios que vieram de fora fez-se uma modernização brutal do tecido empresarial português e da Administração Pública (AP) e nós, na Accenture, tivemos o privilégio de participar em algumas destas transformações. Estivemos envolvidos na AP, por exemplo na criação dos sistemas informáticos de suporte aos novos impostos – IVA e IRC, na concepção do Cartão de Cidadão, entre muitos outros projectos. No sector financeiro, ajudámos a modernizar sistemas e processos dos principais bancos. Até essa altura a banca estava praticamente nacionalizada e nós participámos também nos processos de privatização, de fusão, montagem de sistemas, na optimização e reengenharia de processos. E estivemos envolvidos no arranque das operadoras móveis em Portugal e de operadores de distribuição de energia. Que particularidades identifica para o sucesso da Accenture? Temos a preocupação em recrutar os melhores recursos e gerir o talento, isto foi sempre algo que nos distinguiu no mercado. Tivemos também a capacidade de fazer a ligação com outras Accentures, portanto trazer know-how lá de fora. Recordo-me, logo no início, quando as pessoas entravam eram colocadas em projectos lá fora para aprenderem “on the job” e também acontecia com a ajuda dos nossos clientes importarmos talento. Tivemos uma capacidade de crescimento muito rápido, pela força de trabalho e pela capacidade de pensar e 12 Human Resources Portugal Setembro 2015 Como descreve a Accenture? Perfil José Galamba de Oliveira Licenciado em Engenharia Mecânica, pela Universidade de Manchester em Inglaterra, frequentou ainda cursos de pós-graduação na Universidade Católica e no INSEAD. Começou a trabalhar como engenheiro estagiário num fabricante português da indústria automóvel. Em Setembro de 1985, integrou os quadros da Accenture Portugal. Tornou-se membro do conselho de administração em 1996, assumiu a vice-presidência da Accenture e foi nomeado Presidente do Conselho de Administração em Portugal, em 2005. O executivo tem uma vasta experiência de 30 anos na área da consultoria, em diversas indústrias e em clientes nacionais e internacionais. Em 2008, assumiu ainda a responsabilidade pelo Risk & Client Satisfaction Office dos projectos da Accenture no sector financeiro na geografia SPAI (Espanha, Portugal, África e Israel), além de ser responsável máximo pelas operações da empresa em Angola e Moçambique. implementar soluções que não tinham concorrência em Portugal. Somos conhecidos por exceder as expectativas dos clientes. Por isso tivemos um crescimento muito grande no final da década de 1980 e na década de 1990. Somos uma das empresas líderes de mercado na área da Consultoria e Tecnologias de Informação. Somos considerados uma empresa-escola, porque o grosso do recrutamento que fazemos é de recém-licenciados. Temos um modelo de negócio que aposta em recrutar jovens e fazê-los crescer na nossa cultura e métodos de trabalho e somos reconhecidos também pelo know-how em gerir talento. Temos uma reputação que está incutida no nosso modelo de negócio, como uma reputação saudável. Todos os anos recrutamos muitas pessoas e todos os anos há muitas pessoas a saírem para clientes e concorrentes. Nos primeiros anos temos um foco muito grande em gerir o crescimento profissional das nossas pessoas, quer em soft skills, quer em componentes mais técnicas, através de formação e programas de mentoring e de coaching, e isto é muito valorizado pelo mercado em geral. Somos hoje uma empresa de referência no sector em Portugal, quando algum cliente precisa de um quadro muitas vezes vem cá buscá-lo. E já passaram 4 mil nos últimos 25 anos. Já têm ADN espalhado por Portugal? Temos e isso vê-se. Temos um evento anual de alumnis, num final de tarde, que se estende pelo resto da noite num cocktail, onde juntamos ex-colegas. As pessoas estão a trabalhar em clientes ou outras empresas e é engraçado a forma como falam dos tempos da Accenture e como a empresa os marcou. Aqui ficam ligações e amizades para a vida e isto tem muito que ver com a nossa cultura. Temos um modelo de negócio que aposta em recrutar jovens e fazê-los crescer na nossa cultura, e somos reconhecidos pelo know-how em gerir talento. Entrevista filme! É verdade que os consultores trabalham com intensidade, faz parte desta profissão. Agora, já percebemos junto das novas gerações a importância dada ao equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, o que não havia há 30 anos quando entrei, em que a nossa preocupação era a de termos carreiras mais rápidas na Accenture. Temos várias iniciativas nesta área: um horário de trabalho diferente do mercado, para além dos 22 dias de férias, trabalhamos uma hora a mais de segunda-feira à quinta-feira nos meses de Inverno e na sexta-feira menos uma hora para ususfruir de dias em determinadas alturas do ano. E isto é muito valorizado pelas pessoas porque têm mais tempo para a família e amigos. Temos também o Clube Accenture, uma iniciativa interna que desenvolve um conjunto de actividades, fora do horário laboral, e que agrega pessoas à volta de interesses comuns, acabando por criar laços. Somos uma empresa com 1300 pessoas e é uma forma de equilibrar o esforço de trabalho e de desenvolver network interno. São 1300 profissionais a trabalhar em Portugal, todos os anos vão buscar 200. Qual o perfil que procuram? E está relacionado com o Accenture Way? É a nossa maneira de trabalhar e de estar, o nosso foco no cliente, a nossa preocupação em gerir talento, em fazer crescer as pessoas e também o nosso ambiente de trabalho. Refiro-me a um ambiente aberto, estendido, no sentido em que aqui todos se tratam por tu, as portas estão abertas, se alguém precisar de falar comigo entra e fala. Este ambiente colaborativo que se vive no escritório tem muito que ver com a nossa cultura. Temos colegas que saíram, outros regressaram, mas todos dizem que isto é diferente. Esta Accenture Way é distintiva e os clientes também a valorizam. Este espírito de abertura, de comunicação fácil, acaba por facilitar a absorção daquilo que estamos a entregar ao cliente: a transferência de know-how. Quer desmistificar aquela ideia que as pessoas têm sobre o mundo da consultoria, do facto de os consultores serem verdadeiros “pica-paus”? A carreira de consultor é de exigência e implica muitas horas de trabalho. Seguimos a máximo “work hard, live hard” e trabalhamos muito, mas também usufruímos, até pela experiência que temos e as amizades que se criam aqui e se estendem lá fora. Apesar da informalidade da nossa cultura corporativa e da nossa preocupação constante em gerir talento, obviamente que vivemos num ambiente de meritocracia. Portanto se queremos continuar a nos distinguir e a ter um posicionamento acima da média de mercado, em termos de negócio é este o caminho. Sei que existe esse conceito do pica-pau, mas não estamos nesse A maioria das pessoas que estamos a recrutar é para a área de Engenharia de Tecnologias de Informação, privilegiamos as Engenharias de Informática e de Gestão. Procuramos pessoas com um currículo académico interessante e sólido, abertas ao mundo, com facilidade de comunicação, capacidades analíticas, com vontade de trabalhar numa empresa de consultoria, com as exigências de que já falámos. Há uns anos tínhamos uma carreira muito exigente, monolítica, só havia um caminho, os que não encaixavam acabavam por sair, hoje há uma maior abertura, as carreiras acomodam estilos de pessoas com perfis e objectivos diferentes. Enfim, fomos mudando o nosso modelo de negócio e gestão de RH para permitir esta mobilidade que há uns anos era mais difícil. Human Resources Portugal 13 Entrevista José Galamba de Oliveira Qual é a política da área? Como somos uma firma de pessoas, temos hoje a área de RH muito bem trabalhada, muito desenvolvida, porque isto é o segredo do negócio. Isto são os nossos activos, porque se queremos entregar um trabalho de qualidade e ser reconhecidos pelo cliente, significa que temos de ter as melhores pessoas, por isso temos políticas muito bem estudadas, durante anos, na área do Recrutamento e Retenção, e obviamente que aqui capitalizamos a experiência internacional, adaptada à realidade portuguesa. Temos uma área de Recrutamento forte que tenta identificar os melhores recursos nas melhores universidades. Temos políticas muito distintivas relativamente à Retenção de Talento, relacionada com a evolução profissional, avaliação, promoção e formação. E depois obviamente o tema dos Benefícios e Compensações, nomeadamente o horário de trabalho, 14 Human Resources Portugal Setembro 2015 que acho distintivo; os Planos de Pensões facultativos; o plano de venda de acções da empresa. Temos um Posto Médico, com um clínico-geral, um nutricionista, um quiropata, um psicólogo e tudo a custo a zero. Isto somado é a nossa proposta de valor, é distintiva e tem aliciado as melhores pessoas nas universidades. Temos várias iniciativas interessantes de apoio à maternidade, sentimos que hoje em dia a carreira de consultoria para as mães é um desafio brutal, por isso foi criada uma série de programas que apoiam a paternidade e a maternidade. Temos também a Quinzena do Bem-Estar, que disponibiliza um conjunto de actividades, desde workshops a massagens, durante o horário de trabalho. É um sucesso. E depois há pessoas que em dois, quatro anos acham que é mais interessante estar do outro lado, do lado do cliente, do que ser consultor. Temos muitas pessoas espalhadas pelos clientes. Fui inclusive aliciado muitas vezes, mas sempre achei que a consultoria era um negócio engraçado por isso fui ficando e estou aqui há 25 anos. O que o fez ficar? Fui ficando pelas pessoas e pela empresa, que vi nascer. Quando entrei eramos oito num edifício em frente ao Corte Inglés. Portanto isto é quase como a minha casa, vi crescer e a verdade é que algumas dessas pessoas ainda cá estão e adquirimos laços muito próximos. E que criticas ou aspectos de melhoria aponta à consultoria? Desde há uns anos que o sector tem vindo a percorrer um longo caminho. Ao olhar para os meus primeiros anos verifico que na altura esta era uma carreira onde não existia vida pessoal, uma vez que o foco estava na progressão profissional e na compensação monetária. Nos últimos anos a área humanizou-se, sendo que hoje existe uma maior preocupação Entrevista com a vida das pessoas, mesmo por parte dos clientes. Relativamente a Portugal e por duas ordens de razão, primeiro o grande crescimento do negócio e depois a forte crise económica, verificou-se uma importante baixa de preços com uma consequente desvalorização dos fees dos projectos, situação que se repercutiu nas pessoas, ao nível dos salários mas também de benefícios. Aqui na empresa evitámos esse caminho, o que levou à perda de algum trabalho, mas a nosso ver foi a opção certa. Para nós cada pessoa tem o seu valor, logo se baixássemos preços teríamos de baixar salários e entraríamos numa espiral sem fim à vista. Quais são as prioridades da empresa? A nossa maior prioridade é crescer acima do mercado, de modo a continuarmos a ganhar quota de mercado. Depois queremos crescer nas áreas de maior valor acrescentado, que são as da consultoria estratégica e do digital. dados Accenture Números e áreas de negócios da empresa de consultoria Accenture Global R 120 países R 336 mil profissionais Accenture Portugal: 25 anos Áreas de negócio: Accenture Strategy, Consulting, Digital. Technology e Operations (BPO). R quota de mercado: entre 7 e 10% R dois escritórios: Lisboa e Porto R três Centros de Excelência R 1300 colaboradores R 38% mulheres R 200 recrutados/ano R 15% rotação R 97 milhões de euros em facturação R 250 projectos desenvolvidos Dados: último ano fiscal Como somos uma firma de pessoas, temos hoje a área de Recursos Humanos muito bem trabalhada, muito desenvolvida, porque isto é o segredo do negócio. Como vê o Grupo a Accenture Portugal? Olham para nós como sendo de um País pequeno, mas com uma prática de onde saem procedimentos inovadores. Somos um exemplo de gestão, valorizados pela capacidade de implantar ideias que nascem e crescem aqui e que são levadas lá para fora. Temos sido valorizados pelo nosso papel no desenvolvimento da Accenture Brasil e, mais recentemente, em Angola e Moçambique. Quais foram os melhores momentos da sua carreira? Gostei muito dos três anos em que trabalhei em Espanha, período que constitui o início da minha carreira. Foi muito interessante, tanto do ponto de vista profissional como pessoal, viver em Madrid naquela época. O segundo momento que considero mais importante na minha carreira foi quando decidi voltar para Portugal. Apesar de a minha formação ser em Engenharia Mecânica, e depois de ter feito alguns cursos de especialização no estrangeiro, arranquei cá com a área de Financial Service, a qual ainda é hoje a maior área dentro da Accenture Portugal. Um terceiro momento que considero importante foi quando há 10 anos assumi a liderança da empresa. Hoje sou menos consultor e mais gestor, uma boa parte do meu dia é passada a gerir uma empresa com 1300 pessoas. Gere pessoas há 24 anos. Qual o balanço? Considero que tenho uma capacidade nata para gerir pessoas. Obviamente que tudo implica um processo de aprendizagem, mas é necessário possuir uma boa capacidade de comunicação para entender o nosso interlocutor. Sem dúvida que tenho tido muito bons profissionais a trabalhar comigo, o que claramente facilita a tarefa. A Gestão de Pessoas é algo que me cativa, é uma área onde estou muito envolvido. Tenho sempre uma grande preocupação com todos, se não estiverem satisfeitos não são tão produtivos. Outro desafio ao longo destes 25 anos tem sido perceber que hoje as novas gerações são mais exigentes. No fundo, a área de RH é estratégica na Accenture pelo que a acompanho de perto. Onde se imagina dentro de 10 anos? Espero ter uma vida bem mais tranquila. Devido ao meu espírito empreendedor devo estar a gerir negócios próprios, em Portugal e Moçambique. E a jogar golfe, actividade desportiva que gosto muito de praticar. Que marca quer deixar na Accenture? Quando um dia sair e olhar para estes anos, quero ter a certeza de que a empresa fez o seu caminho mantendo-se líder de mercado, sempre em crescimento, com colaboradores motivados e mantendo relações de longo prazo com os clientes. A Accenture Portugal não possui muitos clientes, visto que, historicamente, sempre se focou nas grandes empresas do País, com quem mantém relações de longo prazo. Este é um sinal de que valorizam a nossa contribuição para o desenvolvimento do seu negócio. Quero manter a Accenture como uma empresa desassossegada, focada em melhorar e em inovar de forma a contarmos sempre com os nossos clientes. Human Resources Portugal 15 Tema de Capa Como deve a Gestão de Pessoas reinventar a liderança Os profissionais de Recursos Humanos dependem demais da formação formal para o desenvolvimento da liderança. Formas mais estratégicas de aprender e adquirir experiências fora do normal ajudarão a criar futuros líderes. Por Herminia Ibarra E nquanto vários estudos mostram que aumentar a capacidade de liderança permanece uma das principais prioridades estratégicas da maioria das empresas, os mesmos relatórios descobriram que grande parte dos esforços de desenvolvimento de liderança não cumpre as expectativas. Os profissionais de RH 16 Human Resources Portugal Setembro 2015 devem estar à altura do desafio ao não só reinventarem a liderança, como também ao estarem eles prontos para liderar. Actualmente incapazes de limitar o seu contributo ao estímulo de resultados dentro de silos funcionais, os gestores de todos os níveis devem actualizar as suas capacidades para que possam antecipar e liderar mudanças. A minha pesquisa revela as armadilhas das abordagens para o desenvolvimento de liderança, e oferece uma alternativa para os profissionais de RH que desejam ajudar as suas empresas – e o seu cargo – a obter a liderança que desejam e que, no entanto, é tão esquiva. Porquê reinventar a liderança A forma como concebemos e implementamos os esforços de desenvolvimento eficácia Melhorar o networking O que podem fazer os RH para melhorar o networking R 1. Uma boa rede de contactos diferencia os gestores eficazes R 2. É importante não permitir que a rede seja composta apenas por pessoas que são como nós ou com as quais nos cruzamos regularmente nas nossas rotinas diárias de liderança torna-se um desafio perante o que sabemos sobre a maneira como os adultos aprendem e mudam. Dependemos demais da formação formal e os nossos cursos favorecem a introspecção em detrimento da experimentação. Novas pesquisas do CIPD, por exemplo, mostram que enquanto os líderes de RH subscrevem em princípio a abordagem tradicional 70:20:10 para o desenvolvimento da liderança (baseada na ideia de que 70% da aprendizagem resulta da experiência prática, 20% de aprendizagem com os chefes e mentores, e 10% da formação formal), estes tendem a concentrar-se nos 10% da formação formal, pensando que a aprendizagem mais importante, a prática, acontece automaticamente. A maioria dos cursos formais de liderança concentra-se no trabalho interno – reflectir sobre comportamentos passados, analisar avaliações 360º, diagnosticar estilos de liderança e planear prioridades nas acções – quando as pesquisas nos indicam que a introspecção a mais prende-nos ao passado e amplifica os nossos ângulos mortos. Se «os adultos têm mais probabilidade de agir a partir de uma nova forma de pensar em vez de pensarem a partir de R 3. Encorajar projectos laterais, grupos de trabalho, projectos pessoais e actividades extracurriculares é a melhor forma de ajudar os líderes a cultivarem redes mais diversas e estratégicas R 4. Auto-reflectir só no final. Ajuda os líderes a identificarem e aproveitarem os seus principais pontos fortes, a aumentarem a autoconsciência e a transformaremse em líderes mais autênticos uma nova forma de agir», como Richard Pascale nos indica, então é preciso uma mudança radical na forma como desenvolvemos líderes. Prioridade: perspectiva externa Uma abordagem mais eficaz para o desenvolvimento da liderança baseia-se num manancial de pesquisas que mostram que a forma como agimos estimula a forma como pensamos – e não ao contrário. A chave é aumentar o “outsight”, o que defino como uma perspectiva externa e singular que nasce de se fazerem coisas novas e diferentes e de se interagir com pessoas novas e diferentes. É o oposto de aprender com a auto-reflexão, na qual procuramos ideias a partir de comportamentos passados. Uma abordagem “outsight” para o desenvolvimento da liderança significa regressar à regra 70:20:10 ao ajudar os executivos a redefinirem primeiro as suas actividades e relações, antes de pedirmos para se analisarem dentro de uma sala de aula. Os cargos devem ser mais estratégicos, já que a maioria dos gestores despende demasiado tempo em tarefas de rotina. Precisam de redefinir os seus cargos e afastá-los do trabalho especializado ou funcional em que se tornaram peritos no passado para contribuírem de uma forma mais estratégica. Num inquérito recente que levei a cabo a ex-colegas com formação executiva, os inquiridos reportaram que entre as coisas que os ajudaram a desenvolver uma visão estratégica do seu trabalho estava a “experiência num projecto interno fora das minhas responsabilidades habituais”. Afirmaram igualmente, porém, que estas experiências diferentes eram raras e que os seus chefes os mantinham presos ao mesmo trabalho habitual porque eram «demasiado úteis» aí. Sabemos que as pessoas aprendem mais ao serem atiradas para projectos transversais, missões internacionais e grupos de trabalho definidos para lidar com questões estratégicas. Por exemplo, o lançamento global de um produto pode A forma de agir estimula a de pensar – e não ao contrário. A chave é aumentar o “outsight”, uma perspectiva que nasce de se fazer algo novo e diferente. Human Resources Portugal 17 Tema de Capa futuro RH Como preparar a organização Siga as seguintes sugestões para cortar com o presente e alterar a forma como a sua empresa desenvolve os seus líderes – tudo isto significa tornar os RH mais estratégicos. Tratar da falta de acesso a esses projectos transversais exige uma ordem de cima, incentivos que desencorajam a propriedade paroquial dos programas de liderança (como por exemplo, orçamentos que são reservados para iniciativas envolvendo diferentes departamentos) e disponibilidade por parte dos gestores de RH para aceitarem cargos e projectos que atravessam linhas organizacionais, para que experimentem pessoalmente o valor de o fazerem. As redes devem ser mais externas. Uma das principais razões por que as competitivas, incubadoras para ideias criativas, e as ligações através das quais fluem o apoio, o talento e os recursos para os nossos projectos mais queridos. Contudo, sem uma análise cuidadosa, as nossas redes facilmente se tornam vítimas daquilo a que chamo a armadilha “narcisista e preguiçosa” – a tendência para acabarmos com um networking composto por pessoas que são como nós ou com as quais nos cruzamos regularmente nas nossas rotinas diárias. Encorajar projectos laterais, grupos de trabalho, projectos pessoais e actividades Muitos líderes inexperientes sentem que o processo de obter apoios é desagradável e “pouco autêntico” porque parece artificial e político. R 1. Ajudar os executivos a redefinirem primeiro as suas actividades e relações (princípios de “outsight”) R 2. Prever novas tendências na aprendizagem e desenvolvimento R 3. Aumentar a urgência por fazer as coisas de maneira diferente R 4. Desafiar interesses R 5. Alinhar patrocinadores e influenciadores R 6. Definir uma via nova R 7. Expandir a rede dar exposição à liderança sénior e um projecto transversal pode abrir a porta a novas oportunidades profissionais. De facto, num inquérito da Catalyst a mais de quatro mil formados em MBA de business schools de topo, 62% reportaram que as tarefas que atravessavam linhas de negócio, níveis hierárquicos e especialidades funcionais – aquilo a que chamavam “projectos populares” – tinham o maior impacto nas suas carreiras. 18 Human Resources Portugal Setembro 2015 pessoas têm dificuldade em pensar e trabalhar estrategicamente prende-se com a forma como obtêm as suas informações e apoio de um grupo limitado de pessoas. Para desenvolverem uma visão mais estratégica dos seus negócios e funções, e depois tentarem obter o apoio de stakeholders para as suas ideias, os gestores devem diversificar as suas redes para lá dos suspeitos do costume. Ainda que as redes informais sejam apenas isso, há muito que os RH podem fazer para favorecerem as relações transversais, acima e abaixo da linha. Para começar, uma boa rede de contactos raramente é incluída nos modelos de competência de liderança que prescrevem a receita de uma organização para uma liderança forte. Contudo sabemos que o networking diferencia os gestores eficazes que podem oferecer fiabilidade nas tarefas do dia-a-dia dos líderes fortes que conseguem prever novas tendências de negócios e traduzi-las numa direcção para as suas equipas ou unidades. O networking é fonte de informações extracurriculares é a melhor forma de ajudar os líderes (incluindo líderes de RH) a cultivarem redes mais diversas e estratégicas. Isso significa pensar nos projectos em termos de relações que podem ajudar a forjar. Significa igualmente que os líderes de RH precisam de ter uma rede muito maior, a fim de compreenderem melhor a gama de possíveis projectos de desenvolvimento e para criarem relações estratégicas de que precisam para colocar pessoas neles. A auto-reflexão deve surgir no final do programa. Alguns dos esforços de desenvolvimento de liderança mais populares actualmente têm como objectivo ajudar os líderes a identificarem e aproveitarem os seus principais pontos fortes, aumentar a autoconsciência e transformarem-se em líderes mais autênticos. Ainda que esses objectivos sejam sadios, são insuficientes para apoiar a consciência situacional e para alterar as aptidões de liderança mais apreciadas pelas organizações de hoje. Liderança autêntica significa coisas network Significa igualmente que os líderes de RH precisam de ter uma rede muito maior, a fim de compreenderem melhor a gama de possíveis projectos de desenvolvimento e para criarem relações estratégicas de que precisam para colocar pessoas neles. muito diferentes para pessoas diferentes: exprimir como nos sentimos em vez de armarmos espectáculo, sermos fiéis aos nossos valores ou sermos transparentes. Na prática, porém, para muitos de nós isso descreve “o que sempre foi”. Contudo, passar para um cargo mais alto de liderança exige quase sempre que as pessoas ajam contra os seus instintos naturais. É por isso que, paradoxalmente, exortar os gestores em transição a serem mais introspectivos pode correr mal, encorajando-os a seguirem comportamentos com que se sentem confortáveis em vez de desenvolverem capacidades novas. Vejamos, por exemplo, a passagem de ter boas ideias para vendê-las a um conjunto abrangente e diversificado de stakeholders. Muitos líderes inexperientes sentem que o processo de obter apoios é desagradável e “pouco autêntico” porque parece artificial e político; acreditam que o trabalho tem o seu próprio mérito. Faltam-lhes capacidades persuasivas, não só porque liderança Abordagem tradicional para o desenvolvimento da liderança 70:20:10 70% R da aprendizagem resulta da experiência prática 20% R da aprendizagem 10% R da formação formal com mentores não possuem as ditas capacidades, como também porque não têm a certeza de quererem ser o tipo de pessoa que age assim. Ao ajudarmos as pessoas a desenvolverem primeiros novas experiências e relações – antes de pedirmos para fazerem uma auto-reflexão – ajudamo-las a ganharem perspectiva do que significa liderar na sua situação específica, que tipo de líder se desejam tornar na prática e por que razão sair da zona de conforto e de formas anteriores de ser autêntico não só vale a pena, como também é um indicativo de crescimento pessoal. A mudança baseia-se assim na experiência directa e em novas autodefinições e, por isso, torna-se sustentável. Herminia Ibarra Professora de Comportamento Organizacional e de Liderança e Aprendizagem no INSEAD Human Resources Portugal 19 Carreira Um desportista nos negócios Catarina Horta, directora de RH da Randstad Portugal e conselheira editorial da revista Human Resources Portugal, entrevista Pedro Oliveira, presidente da BP Portugal. Transcrição 20 Human Resources Portugal Setembro 2015 Flávia Brito | Fotos Sérgio Miguel Carreira U ma lesão grave afastou-o do desporto de alta competição e precipitou a sua entrada no mundo dos negócios. Mas Pedro Oliveira, campeão nacional de judo em 1995, não perde o gosto pela modalidade, nem esquece os ensinamentos que a prática lhe trouxe. Ao contrário da maior parte das pessoas, criou uma empresa enquanto ainda se licenciava no Instituto Superior Técnico, e só depois foi «saber o que é ter um chefe», na BP Portugal, aos 24 anos. O primeiro cargo foi num terminal de abastecimento e, quase duas décadas depois, em 2013, com 41 anos e «poucos cabelos brancos», assumiu a presidência da companhia petrolífera. Numa entrevista conduzida por Catarina Horta, fomos descobrir melhor este líder, com um percurso indissociável da família, do desporto e da carreira que construiu essencialmente dentro da BP Portugal. O que é isso de motivar pessoas? É ter disponibilidade para as pessoas. Actualmente, num ambiente laboral tão asséptico, tão clínico, tão técnico e cada vez mais rígido, em que as grandes organizações se refugiam muito em procedimentos e benchmarks, quando se consegue ter disponibilidade para unir as pessoas cria-se uma enorme disrupção positiva na vida delas, porque é isso que é diferencial. Mas não era só aquele engenheiro da teoria, gostava de ver como é que as coisas funcionavam de facto. Sim, se havia alguma certeza que tinha nessa altura era a de que não queria ser um engenheiro de projecto. A experiência empresarial que tive cedo, e a estudar ao mesmo tempo, deu-me também a certeza de que gostava de interagir com pessoas, fazer parte de equipas, fazer coisas acontecer, motivar pessoas, ser motivado por pessoas. E se vir bem, foi aquilo que fui fazendo ao longo da vida na BP, e aquilo que a BP me tem permitido potenciar. Não me lembro, mas antecipo que gostava muito de ser um desportista profissional. Provavelmente dizia que gostava de ser bombeiro, político, polícia, ou fazer parte de uma tropa especial. Se me perguntar aquilo que mais lamento na vida – e a vida é feita de opções, como é óbvio, e temos de nos sentir tranquilos com as escolhas que vamos fazendo – é de não ter levado a minha carreira desportiva um bocado mais além. E por isso acho que é capaz de ter sido a primeira coisa que gostava de ter sido. Pensando ao contrário, o que é que a carreira de desportista lhe trouxe como profissional hoje? Podia não ser engenheiro? Completamente. Escolhi Engenharia porque não sabia o que queria ser e não queria ser refém de nada muito cedo, para ter a certeza que a vida me levava a fazer aquilo de que gostava de fazer. Como gostava de motas e de carros, como os miúdos naquela idade, fui para Engenharia Mecânica. Lembra-se da primeira coisa que quis ser quando era miúdo? Actualmente, num ambiente laboral tão rígido, conseguir ter disponibilidade para unir as pessoas cria uma disrupção positiva na vida delas. Muitíssimo. E especialmente o desporto que pratiquei mais e que ainda hoje pratico, que é judo. Em primeiro lugar, a noção de que, se treinamos e nos preparamos, normalmente temos bons resultados. Há um desportista que diz uma coisa muito gira que é «quanto mais treino mais sorte tenho». E isso é verdade. Depois, a resiliência que o desporto dá: o tentar sempre, andar atrás de resultados. O gostar de ganhar e como isso faz desfrutar. O aprender a conviver com a derrota também. A interacção com os amigos, com os colegas do desporto, mesmo que não sejam desportos de equipa. O desporto é, sem dúvida nenhuma, uma escola para a vida. Depois tem aplicações profissionais. É evidente que tem muitos pontos de colagem que se podem aproveitar, mas tem muitos mais pontos de colagem com a vida: o saber interagir, fazer cedências. Quem foram os gurus ao longo da sua vida? Gurus, no sentido técnico do termo, vou dizer que nenhum. Porque se há coisa que aprecio na vida é a diversidade. E agarrarmo-nos a modelos, seja de pessoas, seja de gestão, é sempre muito limitativo nesse sentido. Agora, claro que tenho pessoas que me influenciaram na vida, Human Resources Portugal 21 Carreira Pedro Oliveira pessoas muito próximas, porque essas é que nos influenciam: os meus pais, a minha família, as minhas filhas hoje, a minha mulher, os meus colegas de profissão na BP, os meus amigos do desporto... Se pudesse escolher três influenciadores na sua carreira quem escolheria? Uma pessoa a quem dissesse obrigado por me ter dito aquilo ou por me ter feito reflectir... Em primeiro lugar, muito provavelmente o avô com quem me diverti muito, que me disse que tinha começado a vida ao contrário das “pessoas normais” e que tinha de saber o que era ter um chefe. Essa foi provavelmente a primeira razão por que respondi a um anúncio no Expresso. O segundo é obviamente a pessoa que tomou a decisão de me recrutar para a BP. Na realidade, o meu primeiro chefe. A pessoa que me disse uma coisa de que nunca mais me esqueci e que me chocou pela positiva. Ele disse: «Sabes porque é que te vou recrutar? Porque no mínimo tu és tão mau como eu.» E a terceira pessoa, a que entretanto me escolheu para este lugar. Porque, quando me escolheu, fiquei muito surpreendido e disse-lhe: «Mas não achas que me faltam cabelos brancos para este lugar?» E ele respondeu: «De certeza que não, porque eu tenho pouco cabelo.» Foi a pessoa que arriscou em mim basicamente e, de facto, foi decisivo neste novo passo que dei na minha carreira. Encontra-se numa fase de carreira associada a directores-gerais mais velhos. Como é que vê o seu caminho futuro? Penso muito pouco no futuro. Isto pode até ser um contra-senso para alguém que assume um lugar como o meu. curiosidades Praticante de vários desportos náuticos, tem ainda no seu palmarés o título de Campeão Nacional de Judo em 1995 e o 3.º lugar no Campeonato do Mundo de Judo de Veteranos, em 2014. 22 Human Resources Portugal Setembro 2015 Isso não quer dizer que não pense estrategicamente. Acho é que o mundo hoje em dia muda a uma velocidade tal... A realidade que se tem de gerir no dia-a-dia tem uma volatilidade tal que temos de nos concentrar cada vez mais em fazer muito bem todos os dias e no limite no médio-prazo. Porque se assim fizermos, o longo-prazo é sempre um bom problema. Provavelmente serei novo para fazer aquilo que estou a fazer, mas isso também é um bom problema porque permite-me capitalizar em cima desse factor diferencial: a proximidade com as pessoas. São as mesmas pessoas com quem convivo há 18 anos, dentro de uma empresa que conheço de uma ponta à outra, para o bem e para o mal. Portanto, são as mesmas pessoas que me tratavam por tu ontem e que hoje me têm de continuar a tratar por tu, independentemente do lugar que assumi. A BP é certamente uma companhia mais ágil, muito mais próxima das pessoas, com uma cultura de informalidade interna muito maior, porque é também hoje uma organização a montante mais pequena. Todos os meus colegas andam à volta da minha idade e é em cima disso que construímos essa informalidade e esse bom ambiente, num contexto organizacional complexo. Carreira Perfil Pedro Oliveira Assumiu a 1 de Julho de 2013 o cargo de presidente do Conselho de Administração da BP Portugal. Licenciado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico (IST), e com um MBA pela Universidade Católica. Pedro Oliveira ingressou na companhia em 1996 tendo vindo a desenvolver o seu percurso profissional em diferentes áreas da empresa, tendo passado pela BP Espanha onde assumiu responsabilidades Ibéricas. Destaque para as funções de direcção de Marketing da rede de Retalho da BP Portugal (2002-2004), a direcção da Rede de Retalho da BP Portugal (2004-2010) e a direcção do departamento de Estratégia da BP na Península Ibérica (2010-2012). Nos últimos anos, Pedro Oliveira complementou a sua formação através de programas de Executive Education em áreas de Leadership, Marketing e Gestão, realizadas em instituições como o Kellogg School of Management (Northwestern University - Chicago). O que gostava que a sua equipa lhe dissesse no dia em que deixar de trabalhar com elas? Gostava que se cruzassem comigo na rua e dissessem a amigos e filhos “aquele tipo fez diferença na minha vida”, porque também quero dizer isso deles, basicamente. “Fez uma diferença positiva na minha vida.” Gostava de ser recordado por isso. E o positivo não é que me tenha promovido ou que me tenha aumentado o salário – se isso tiver acontecido, melhor ainda, obviamente. Porque acredito genuinamente que somos aquilo que os outros fazem de nós. Os outros é que nos potenciam na vida, e depois, naturalmente, temos de saber aproveitar e construir em cima dessa realidade. A meritocracia é um sinal ou um valor da sua geração? Acho que seria muito pomposo da minha parte afirmar isso dessa maneira, mas bem preparada dos últimos tempos, não é porque seja esta geração. É porque é a geração a seguir à última. Porque aquela que vem a seguir a nós vai ser ainda mais bem preparada. Isso é aquilo que me faz acreditar neste país, em Portugal. Acho que a qualidade média dos profissionais, das pessoas, dos gestores, em geral, tem vindo a melhorar. E essa meritocracia também é resultado dessa competência que tem sido desenvolvida dentro das pessoas. Agora há um enormíssimo caminho para percorrer. Estamos muito melhor do que ontem e muito pior do que amanhã. Fale-me de um ponto na carreira de que se orgulhe e de outro que seja um erro e que diga “aprendi com isto, não volto a repetir”. Há pessoas que dizem que sou inconscientemente optimista e, por isso, vou começar pelo lado positivo. Num destes O desporto é, sem dúvida nenhuma, uma escola para a vida. Depois tem aplicações profissionais. É evidente que tem muitos pontos de colagem com a vida: o saber interagir, fazer cedências. Catarina Horta Tem mais de 20 anos de experiência em Gestão de Pessoas. Aos 23 anos assumiu a responsabilidade da área de RH da Telepizza, aos 25 a chefia de serviço na MSF com impacto em 2 mil pessoas. De seguida ingressa na direcção de Comunicação e de RH da Roche Diagnostics e mais tarde dirige a área de RH da Shering-Plough. Hoje ocupa a direcção de RH do Grupo Randstad há cinco anos e a direcção Comercial da Psicoforma – empresa de formação do Grupo. É licenciada e Mestre em Psicologia, pela Universidade de Lisboa, tenho sinais claríssimos no dia-a-dia de que a meritocracia se tem vindo a instalar na sociedade portuguesa. Há um caminho a percorrer, mas tem-se visto uma evolução enorme nesse sentido. Há 20 anos, quando recrutava pessoas, as empresas para quem trabalhava perguntavam-me “de quem é que essa pessoa é filha? Qual é a família?”. Hoje já não vejo essa preocupação. Nesse sentido, há práticas que diminuíram? Hoje contratamos e vamos ver qual é a sua pegada, mas já é irrelevante a família de onde vieram? Quando se diz que esta é a geração mais ambientes de reestruturação local e até de desinvestimento do negócio de gás em Portugal, portanto, num ambiente de redução do número de pessoas, fizemos, com a directora de Recursos Humanos da BP Portugal, Ana Caiola, um exercício de que me vou orgulhar e recordar para sempre. Acho que será difícil na minha vida ter participado num processo com tão bons resultados, o termos rodado dezenas de pessoas e promovido também um número muito significativo, numa lógica de “pessoa certa no lugar certo”. Foi um puzzle extraordinariamente bem estudado e desenhado com cuidado, muito do balanço positivo que a BP Portugal Human Resources Portugal 23 Carreira Pedro Oliveira grande, se tivesse tentado aqueles dois ou três anos. No caso da minha carreira profissional, por força das circunstâncias do dia-a-dia e também de necessidades da BP, saliento o facto de nunca ter tido uma carreira verdadeiramente internacional. Também é verdade que sempre disse que a sair, não gostaria de sair para a Europa, porque acho que é um mundo muito cinzento, muito igual ao nosso. Para sair queria mudar de vida a sério. Queria ir para um continente diferente. Gostaria de ir para África, América, para onde fosse. Nesse sentido, até hoje nunca se proporcionou a sério. Ou se calhar também nunca procurei. Há muito caminho. tem hoje resulta desse exercício. Foi olhar para uma história de terror e fazer um exercício com consequências muito positivas no desempenho e desenvolvimento da empresa. Agora, duas coisas na minha vida que se calhar teria feito de outra maneira nesta fase... Uma não tem que ver com a carreira propriamente na BP. Apesar de ter tido uma lesão muito grave, e isso ter precipitado uma série de coisas: o ter desacelerado o desporto, ter entrado na vida profissional mais a sério, ter casado, ter tido filhas... Coisas que foram muito positivas na minha vida e de que tenho um enorme orgulho… Tenho aquele sabor amargo de não ter tentado mais dois ou três anos no desporto. Hoje se calhar isso também justifica alguma “criancice” da minha parte, face à idade que tenho, o continuar a fazer desporto a um nível que não se esperaria numa pessoa da minha idade. Ou seja, fazer kitesurf, windsurf, desportos aquáticos e até judo a um nível relativamente sério. Acho que é o despertar de alguma frustração recalcada de não ter, por exemplo, feito um bocadinho mais por chegar a uns Jogos Olímpicos. Pergunto-me muitas vezes se não teria sido diferente e se teria feito uma diferença assim tão 24 Human Resources Portugal Setembro 2015 “Acredita ainda mais que é possível divertires-te a trabalhar” Imaginando que encontra hoje o Pedro Oliveira de 20 anos, o que lhe diria? Diria: “Acredita ainda mais que é possível divertires-te a trabalhar”. Provavelmente, no princípio, não tinha esta noção e fui descobrindo isso ao longo da vida profissional. Quanto mais te divertires a trabalhar, mais as coisas correm bem para aqueles que te rodeiam e consequentemente para ti. E isso vai desde uma coisa tão simples quanto mandar uma laracha enquanto mandas um e-mail para uma pessoa que trabalha contigo. Isto é fundamental hoje em dia nos ambientes corporativos de grandes organizações. Dar esta dimensão de incerteza, de divertimento, de que há imponderáveis que podem acontecer... Muitas organizações potenciam os incentivos errados. Quanto mais se cresce nestas organizações, mais prémios se tem para defender a segurança e aquilo que se adquiriu. Quando, na realidade, aquilo que se espera das pessoas que trabalham neste tipo de organização é que criem disrupção, que criem coisas diferentes, que criem valor. E os incentivos são exactamente ao contrário, porque estão baseados no que se mede e protegem muito mais a segurança do que o arriscar. Isto não devia ser assim! Uma pessoa quanto mais sobe numa organização mais tem a perder, se arriscar seriamente. Não há problema nenhum em errar. A BP nesse aspecto é uma empresa fantástica, porque, quando não se erra com má-fé, não há problema nenhum. E gosto de levar isso ao extremo. Grave é fazer duas vezes o mesmo erro, no mesmo contexto, como é óbvio. E portanto diria ao Pedro Oliveira que teve a felicidade de entrar para uma companhia fantástica como a BP há quase 20 anos - e que acreditava que era a grande BP sisuda e cinzenta “acredita desde o primeiro dia que podes divertir-te, fazeres coisas diferentes e empreenderes aqui dentro”. Convidámos o Pedro Tochas para team buildings da BP e ele diz uma coisa muito gira, que sigo cada vez mais à risca, que é «ser sisudo não é sinal de competência, é só sinal de ser sisudo». Fórum Hr administrador da Laranjinha; Mafalda Guedes, Export Area manager da Sogrape; e Manuel Ramirez, administrador da Ramirez, discutiram o tema sob a moderação de Ricardo Florêncio, CEO da Multipublicações. NA PRIMEIRA PESSOA Abertura Ana Côrte-Real Associate dean da Católica Porto Business School Planear a sucessão de uma empresa familiar “A Gestão e Sucessão na Liderança dos Negócios Familiares” foi o tema do 3.º Fórum Human Resources Portugal, no passado dia 18 de Junho, na Católica Porto Business School. Fotos Egídio Santos A s empresas familiares constituem a base predominante do tecido empresarial da maioria dos países, embora o seu peso varie de economia para economia. O “Livro Branco da Sucessão Empresarial”, um estudo da Fundação AEP e da Câmara de Comércio e Indústria, revela que 80% das empresas portuguesas são de cariz familiar, responsáveis por 50% do emprego e 60% do PIB português. O mesmo estudo conclui que metade das empresas familiares não passam 26 Human Resources Portugal Setembro 2015 para a segunda geração e apenas 20% atingem a terceira. A gestão e sucessão na liderança dos negócios familiares são processos complexos e exigentes. O fórum arrancou com a sessão de “Apresentação e Boas-vindas” de Ana Côrte-Real, associate dean da Católica Porto Business School. De seguida, Guilherme Costa, professor da Universidade Católica Portuguesa e consultor de empresas, assumiu o papel de keynote speaker. Na mesa redonda, José Pedro Freitas, CFO da Mota-Engil; Luís Figueiredo, «Todos reconhecem a importância que as empresas familiares assumem na nossa economia. Estas organizações têm os desafios inerentes às outras, num mercado altamente competitivo e em permanente mudança, mas pela sua natureza têm desafios acrescidos. Num estudo desenvolvido pela PricewaterhouseCoopers, no ano passado, 40% dos inquiridos concordaram que a profissionalização das empresas é um desafio muito importante para os próximos cinco anos. E apenas 16% das empresas entrevistadas contam ter um plano de sucessão robusto e documentado. Estes dois indicadores parecem-nos assumir importante destaque no actual contexto. Numa altura em que se fala tanto da qualidade da gestão, é revelante perceber em que medida é que essa qualidade pode ser melhorada nas empresas familiares. Quais os desafios com que essa gestão se depara? Quais as iniciativas que poderão incrementar a qualidade da gestão? E por último, mas não menos importante, de que forma devem ser geridos esses exigentes desafios, num contexto de mudança permanente, conciliando-os com todas as questões emocionais? A razão deve sobrepor-se ao coração? No referido estudo, as empresas familiares apontam como prioridades a manutenção do negócio e o incremento da rentabilidade. Posteriormente vêm os Fórum Hr factores que ajudarão a atingir as referidas prioridades. As questões de índole familiar surgem num patamar inferior. Considerando apenas os desafios internos nos próximos cinco anos, 62% consideraram a necessidade de inovação constante como o maior desafio. 58% destacam a necessidade de captação de novas competências e talentos, 48% ressalvam a retenção de colaboradores chave na organização, 41% a necessidade de investimento em novas tecnologias, 40% a profissionalização do negócio, 36% assumem como desafio a definição de um plano de sucessão e apenas 11% refere a resolução de conflitos entre os membros da família. Na Católica Porto Business School estamos atentos a estes desafios e queremos acompanhar as empresas nestes processos de evolução constante. A este título, deixem-me destacar, pelo seu carácter altamente inovador, o nosso novo curso executivo “Leading to Grow”. É um programa da Lancaster University Management School leccionado em diversos países. Este curso altamente inovador surge agora, pela primeira vez, em Portugal através da parceria com a Católica Porto Business School. Destinado a líderes de PME (proprietários ou gestores) que se encontram a crescer ou com potencial de crescimento, “Leading to Grow” tem dois vectores de intervenção: o líder e a empresa. Intervindo no desenvolvimento pessoal do proprietário/gestor no que respeita às suas características de liderança, tem como objectivo final a inovação e crescimento do negócio, aumentando a produtividade e rentabilidade.» Keynote Speaker Guilherme Costa Professor da Universidade Católica Portuguesa e consultor «Confesso que ao longo dos anos o tema da gestão me tem apaixonado, tal como o das empresas familiares, que é central no nosso país, pela conjuntura político-económica que atravessa. Hoje temos um conjunto de PME que na sua maioria são familiares e que têm de crescer. A sucessão é um acontecimento que é vivido como uma ameaça ou uma familiares (EF). Actualmente, o clima não é de optimismo, mas objectivamente é preciso que as EF sólidas e dinâmicas encontrem uma forma de afirmar o modelo de crescimento para Portugal. Os novos líderes não se podem colocar na posição do líder anterior ou do fundador, o sucessor não deve imitar. O que se impõe a um líder sucessor é pensar o que pode fazer de diferente, qual o seu valor acrescentado. É minha convicção profunda que o segredo está em mais gestão, não no sentido tecnocrático do termo, mas no de arte disciplinada de melhorar o desempenho das empresas. O sucessor parceiro human resources portugal O 3.º Fórum foi dedicado à gestão e sucessão na liderança dos negócios familiares. A Gestão e Sucessão na Liderança Empresas Familiares oportunidade? Diria do conhecimento que tenho que é vivido mais como uma ameaça, mas não tem de ser assim. Por razões de alteração das circunstâncias ou do modelo de crescimento que vivemos nos últimos 20/30 anos, é de esperar que nada seja como antes. O País exige que não voltemos ao passado, pelos resultados anteriores convém que aprendamos com o que se passou. Portanto diria que é uma grande oportunidade para as empresas Numa altura em que se fala tanto da qualidade da gestão, é revelante perceber em que medida é que essa qualidade pode ser melhorada nas empresas familiares. apoios pode ser ainda mais empreendedor que o fundador. Ainda assim, de um modo geral, o que falta quando se sucede ao fundador é aprofundar as práticas de gestão. E não falo em burocracias, falo na capacidade de organizar processos para definir objectivos, monitorizar a execução e elencar as consequências dos desvios. Para mim esta é a essência da prática da gestão geral, quando se lidera uma empresa o que se tem de perceber é a incerteza do exterior e a complexidade do interior. Hoje conta-se uma velha história sobre um chefe de uma empresa que recebeu um telegrama às 17h55 de uma sexta-feira com uma notícia terrível, posou o telegrama e disse: “Que chatice que vou ter na segunda-feira!” Hoje não é assim. Mas não confio no génio empreendedor e desenrascador à portuguesa, acredito Human Resources Portugal 27 Fórum Hr em processos que criem mecanismos para dar respostas a estas situações e portanto diria que, em geral, o importante são as práticas de gestão. Há estudos internacionais que avaliam a qualidade da gestão dos países e Portugal não está muito bem situado. É o nível da qualidade da gestão que explica o desenvolvimento económico ou o desenvolvimento económico que explica a qualidade da gestão? Provavelmente é uma causalidade circular. Há uns anos estavam na base de dados países desenvolvidos e Portugal era o quarto a contar do final. Mas era o quarto a contar de cima em termos de auto-avaliação da qualidade da gestão e os últimos eram os EUA, que eram os primeiros do ranking de avaliação. A Grécia, o Brasil e a Índia estavam à nossa frente. Isto significa que atribuímos cultural e nacionalmente pouca importância a este tema da qualidade da gestão. Nos EUA, como atribuem muita consideram que são fracos a gerir. Último tema que proponho aflorar é o seguinte: o problema da sucessão. Não acho que esteja no conflito entre famílias, isto há sempre, mas sim na distinção entre a solução accionista e a de gestão, no fundador confundem-se as duas situações. O gestor tem de ser escolhido pela competência, isto coloca um problema de governance. Obviamente que é preciso definir as decisões que se tomam ao nível accionista, mas a maior parte deve estar ao nível da gestão, da Comissão Executiva, e depois de escolhido o sucessor tem de se lhe dar carta quase branca para tomar as decisões correntes no negócio. E portanto se há muitos sucessores do ponto de vista accionista, digo que só pode haver um sucessor na gestão. Obviamente que se há um grande industrial que tem um filho único, o problema da sucessão pode colocar-se se o filho não tiver as características certas para gerir. O filho tem de ter a lucidez de saber se preserva melhor o património entregando a gestão a um profissional ou se deve gerir a empresa. São estas as reflexões que gostaria de aprofundar aqui: se as pessoas sentem 28 Human Resources Portugal Setembro 2015 que as EF de sucesso vão ser um agente económico decisivo para o futuro do País? Se o problema da sucessão passa por uma distinção clara entre problema do accionista e da gestão? E, por último, se o desempenho de uma empresa passa mais por práticas de gestão ou por invenção sucessiva de novos negócios?» MESA-REDONDA Mota-Engil A Mota-Engil foi fundada por Manuel António Mota, em 1946. Hoje é um grupo constituído por 256 empresas presentes em 21 países, empregando mais de 24 mil colaboradores e cotada na bolsa portuguesa. Os membros da família são todos administradores não executivos. José Pedro Freitas é o actual CFO, tendo passado pela Accenture, Sogrape, Ascendi, entre outras empresas. O que se impõe a um líder sucessor é pensar o que pode fazer de diferente e acrescentar valor. O segredo está em mais gestão. Testemunho José Pedro Freitas CFO da Mota-Engil «A gestão e sucessão numa empresa familiar é um tópico de vital importância para o presente e futuro de qualquer organização e, como tal, deve merecer especial atenção e dedicação de modo a que a solução encontrada, seja, à luz dos pressupostos conhecidos e dos objectivos pretendidos, uma fórmula que permita observar aquilo que genericamente se pode entender como sendo os princípios elementares de qualquer projecto empresarial de cariz familiar, a saber: garantia da perenidade do negócio; garantia da rentabilidade sustentada do negócio; satisfação concreta e efectiva das necessidades da família; e potenciação de um ambiente familiar adequado e motivador. Sendo certo que o pano de fundo apresenta uma base de convergência conceptual aparentemente concordante, a realidade permite facilmente perceber que as soluções não são globais mas sim individuais, e dependem não só do momento da vida das empresas, da sua dimensão e complexidade, bem como do próprio enquadramento familiar e do seu posicionamento face à organização, em particular, no seu papel de accionista/ Fórum Hr proprietário, gestor, e accionista e gestor (papeis cumulativos). O reconhecimento da importância desta temática e a atempada e adequada abordagem à mesma tornam-se fundamentais, não só na sua vertente mais isolada (da empresa em particular e de determinada família em questão), como também, e sobretudo, na sua vertente mais macro, na medida em que a base do tecido empresarial nacional está largamente alicerçado nas empresas familiares. e a discussão e a decisão em tempo face aos mesmos, ou seja, a adopção de uma estratégia e de uma política objectiva e consistente face à gestão e à sucessão de uma empresa familiar, permitem não só melhor preparar os ciclos da vida da empresa e da evolução geracional da família, tornando-as mais capazes e bem sucedidas, como também ditam o sucesso ou insucesso do tecido empresarial nacional e por consequência da economia portuguesa.» Católica Porto Business School No passado dia 18 de Junho decorreu o fórum perante uma plateia composta por profissionais e académicos da área da Gestão. Ora, entender e sentir a organização empresarial, o ambiente e as sensibilidades/aptidões familiares, bem como ter uma visão e uma estratégia clara e baseada numa regra central - separar a gestão da propriedade – são vectores de actuação basilares e fundamentais para que qualquer plano de gestão e de sucessão tenha as mínimas condições de sucesso. No fundo, importa entender e assegurar que as dimensões em análise (propriedade e gestão) são, em certa medida, dissociáveis e consequentemente poderão potencialmente assumir caminhos próprios, não numa lógica de acção divergente e conflituante, mas sim numa lógica convergente e com um denominador comum – a protecção e a valorização do património do accionista. Em suma, o assumir destes conceitos Laranjinha Em 1981 nasce a Laranjinha, empresa dedicada a roupa para bebés e crianças, com produção 100% portuguesa. A Hall & Ca, cujo accionista principal é Luís Figueiredo, fabrica e detém a marca. Luís Figueiredo é o accionista principal e administrador, lançou a Laranjinha, quando ainda estava a tirar o curso de Direito em Coimbra. Hoje é uma empresa robusta no panorama nacional e exporta para 20 países. Testemunho Luís Figueiredo Administrador da Laranjinha «As empresas de cariz familiar, maioritariamente PME, representam mais de 70% do tecido empresarial português. Esta realidade não foge ao que se passa, por exemplo, em França e Espanha, com cerca de 80%, ou mesmo nos EUA onde a percentagem chega aos 95%. A questão da sucessão coloca-se, assim, como uma prioridade que exige uma preparação cuidada e atempada. É inevitável que todas as empresas passem por este processo, seja pela transferência da gestão para filhos e familiares próximos, seja para gestores não familiares. Se não for feita uma transição bem planeada e adequada, as empresas poderão chegar à extinção. A prova desta realidade é que só 50% das empresas familiares chegam à segunda geração. É importante salientar que o sucesso deste processo tem um grande impacto no tecido económico e social. Só empresas robustas e dinâmicas criam emprego e riqueza. E como fazer a escolha do sucessor? Aqui coloca-se, muitas vezes, a questão da opção por alguém dentro da família ou de fora do círculo familiar. O novo líder na gestão de uma PME familiar deverá ser aquele que garanta o melhor sucesso nos negócios da empresa a longo prazo. Na avaliação das principais características do sucessor deverão ser tidas em conta a formação, o seu percurso anterior, e, não menos importante, uma atitude empreendedora. Em qualquer processo de sucessão é também fundamental o envolvimento dos colaboradores da empresa, em especial daqueles que detêm funções de maior responsabilidade, já que são os pilares, a estrutura da organização. O sucesso da transição depende, e muito, da forma como o novo “comandante” for aceite, pois deles depende a boa resposta da empresa aos desafios que vai enfrentar. No caso específico da Laranjinha, e em linhas muito gerais, a sucessão já vem sendo preparada com os descendentes a assumirem responsabilidades, em diferentes áreas nas empresas do grupo. Têm tido oportunidade de implementar novas ideias e alguma Human Resources Portugal 29 Fórum Hr fórum Assistiu-se ao debate dos casos práticos das seguintes empresas familiares: Mota-Engil, Laranjinha, Sogrape e Ramirez. liberdade para promoverem diferentes abordagens ao modelo de negócio, cujos resultados serão o seu capital de experiência. Pensamos, no entanto, que a futura gestão das empresas vá envolver também gestores fora da família. Sendo a nova geração a mais bem preparada de sempre, estes processos de transição, tanto no âmbito familiar como externo à família, terão muito mais condições de serem bem-sucedidos do que no passado. Que os actuais líderes a saibam aproveitar.« 80% das empresas portuguesas são de cariz familiar, responsáveis por 50% do emprego e 60% do PIB português. 30 Human Resources Portugal Setembro 2015 Sogrape Fundada em 1942, a empresa vitivinícola é hoje apontada como uma referência, tendo inclusivamente sido galardoada, em 2013, como Empresa Familiar do ano. Mafalda Guedes é a primeira da 4.ª geração da família a integrar a direcção. Já foi brand manager, passando pelo BFA e Accenture. Testemunho Mafalda Guedes formação académica em Londres e ao fim de cinco anos de experiência noutros países e sectores de actividade, em 2010 chegou finalmente o momento de me juntar à equipa. Tenho uma afinidade afectiva muito grande pelo projecto em que o meu bisavô se aventurou. Ao longo de três gerações, a Sogrape foi crescendo, a família foi alargando, e hoje somos quase mil a querer fazer desta uma empresa melhor. Acredito que o envolvimento da família no negócio tem esse efeito – a criação de uma cultura empresarial muito forte, baseada em valores universais que sempre regeram a nossa actividade em casa e no trabalho. Os desafios são muitos, e o legado que recebemos é enorme. Por isso defendemos a profissionalização como forma de fazer o grupo crescer. Com linhas de orientação estratégica claramente definidas, como começámos, onde estamos e para onde queremos ir são perguntas para as quais temos respostas devidamente alinhadas. Porque há uma diferença entre ser sólido e estável, ou estático e resistente à mudança. Podemos sempre fazer melhor. Podemos sempre ir mais longe! Basta querer aprender. O meu caminho, e o da minha geração, ainda é curto, e o trajecto já construído é enorme. Mas vontade não nos falta!” Export Area manager da Sogrape «Desde pequena que ouço falar na Sogrape. Mais do que isso, desde pequena que vivo intensamente a Sogrape. Porque por mais que se procure separar o emprego da vida pessoal, numa empresa familiar as fronteiras esbatem-se e a conversa ao jantar rapidamente passa para os vinhos. Também o tema é apetecível! Se calhar por isso nunca sonhei ser médica e, em vez disso, sempre gozei do prazer de fazer desenhos e escrever redacções sentada na cadeira do meu pai. Motivada para me juntar ao negócio de família, terminada a minha Ramirez É a mais antiga empresa de conservas do mundo, um negócio de família que já vai na quinta geração. A Ramirez exportou 65% da sua produção e facturou 30 milhões de euros em 2013. Manuel Ramirez, actual administrador, cedo tomou contacto com o negócio da família e é o responsável por levar o sabor de Portugal aos quatro cantos do mundo. Manuel Ramirez Administrador da Ramirez NOTA: O testemunho de Manuel Ramirez (administrador da Ramirez) no Fórum HR não pode ser recolhido por motivos técnicos. Pedimos, por isso, as nossas desculpas. Gestora de Pessoas Luísa Ramos Directora de Recursos Humanos do Sport Lisboa e Benfica Um coração vermelho A Gestão de Pessoas do clube é uma área que, como todas as outras no Sport Lisboa e Benfica, vem imbuída de um forte espírito de missão. Por O clube bicampeão, como qualquer grande organização, é também regido pela batuta de uma área de Gestão de Pessoas que se quer afinada. Luísa Ramos é directora de Recursos Humanos do Sport Lisboa e Benfica há 16 anos e, recorda, quando lá chegou a área não era mais do que um cargo de payroll. Agora a evolução é notória: é muito mais do que isso. É uma área que honra o clube centenário que se orgulha de tratar bem as pessoas que nele trabalham. O espírito de missão é essencial, relembra a líder de Gestão de Pessoas ao longo da entrevista - um espírito que se confunde com o amor à camisola. O amor ao clube. Luísa Ramos responde 32 Human Resources Portugal Setembro 2015 Pedro C. Garcia | Fotos Nuno Carrancho em entrevista à Human Resources Portugal a questões que esclarecem as diferenças fulcrais entre gerir pessoas numa empresa comum e gerir pessoas num clube desportivo. É licenciada em Direito pela Católica. Como é que chegou à área de Gestão de Recursos Humanos? Entrei no Benfica há 22 anos. Inicialmente estive algum tempo no Gabinete da Presidência e em 1999 estavam à procura de alguém para trabalhar na área de Recursos Humanos e na reestruturação de várias áreas do Benfica. Agarrei a oportunidade. Tinha alguma experiência antes? Nenhuma. O que tinha era uma licenciatura em Direito e algum conhecimento do Benfica como organização. Como foi aceitar o desafio de liderar uma área totalmente nova? O departamento de RH já existia. Estava muito vocacionado para o processamento salarial puro e duro. Portanto não havia nada ao nível do desenvolvimento de políticas de RH. Foi um desafio que aceitei porque achei que poderia trazer um contributo importante para o Benfica. Não sabia nada de RH, confesso que inicialmente foi complicado, tive de me pôr rapidamente a par de um conjunto de coisas, até porque as exigências eram diárias. Aceitei o desafio porque achei que era aliciante e uma forma de poder evoluir no Benfica. São 16 anos a liderar a área no Benfica. Como é constituída a sua equipa? A minha equipa está dividida em duas áreas: temos a gestão administrativa e Vivemos muito influenciados pelos resultados desportivos. Um dos desafios é procurarmos que as pessoas não se deixem desmotivar. salarial e a gestão estratégica, ambas com três pessoas e em cada uma destas áreas temos um responsável. A minha equipa é constituída por sete pessoas neste momento. Disse que a área de RH quando chegou ao Benfica era basicamente de processamento salarial. Como é que compara a área de antes com a de agora? Houve um trabalho profundo de reoganização da área administrativa e salarial. Depois, em 2005, começámos a investir na parte de desenvolvimento de Recursos Humanos onde não existia rigorosamente nada, foi um trabalho que começámos da estaca zero. As áreas de Comunicação Interna e de Responsabilidade Social também foram criadas nessa altura? Sim. Pouco a pouco fomos desenhando e implementando um conjunto de políticas. A primeira coisa que fizemos foi o levantamento de todas as funções do Benfica de modo a termos uma estrutura organizacional. Foi um trabalho profundo que envolveu 200 e muitas funções, e que nos permitiu ter uma fotografia daquilo que era a estrutura organizacional e no que é que consistia a função de cada elemento. A partir daí, começámos a desenvolver outras políticas, como modelos de desenvolvimento e avaliação, formação Human Resources Portugal 33 Gestora de Pessoas Luísa Ramos Equipa de RH É constituída por sete pessoas divididas em duas áreas: gestão administrativa e salarial e gestão estratégica. Grupo Benfica É constituído por Sport Lisboa Benfica, Benfica Estádio, Benfica S.A.D., Benfica Tv, Clínica Benfica e Fundação Benfica. profissional, comunicação interna e recrutamento e selecção. Quais são as grandes diferenças entre a Gestão de Pessoas num clube e, por exemplo, numa multinacional? O Benfica vive de resultados desportivos. É evidente que isto influi grandemente no trabalho das pessoas. Por muito que as pessoas trabalhem e produzam em função dos resultados de cada área, se não aparecerem resultados desportivos o trabalho é pouco relevante, digamos assim. No fundo, para trabalharmos para a equipa de futebol, qualquer coisa que corra menos bem acaba por impactar a motivação e o desempenho das pessoas. Vivemos muito influenciados pelos resultados desportivos. Um dos grandes desafios é precisamente procurarmos que as pessoas não se deixem desmotivar quando as coisas não correm bem, desportivamente falando, e que continuem focadas naquilo que é essencial e no que 34 Human Resources Portugal Setembro 2015 são os objectivos estratégicos do grupo. As pessoas aqui são muito exigentes. Para nós, nos RH, é muito positivo porque leva-nos a sermos criativos. Não podemos estagnar. As nossas políticas não são quadradas. Temos de procurar sempre introduzir alterações, pontos que lhes despertem a felicidade. Quando os resultados desportivos são positivos, aí tudo é relativamente mais fácil. Em termos de Comunicação Interna, há uma dualidade muito grande na informação que circula. A informação que é publicada nos jornais e em outros meios de comunicação muitas vezes tem de ser corrigida internamente... A comunicação interna pretende muitas vezes evitar os burburinhos e as conversas de corredor. É evidente que é uma ferramenta essencial para transmitir aquilo que é a realidade. Cabe-nos manter os colaboradores alinhados, apesar do que ouvem lá fora - umas coisas são verdade, outras nem por isso. É dessa forma que combatemos um bocadinho aquilo que é veiculado externamente. O espírito de missão é o que mais se destaca nas pessoas que trabalham no Benfica. É a total entrega. Vivem intensamente o Benfica. Gestora de Pessoas Quais são as vossas ferramentas de Comunicação Interna? Temos a newsletter mensal, a “VitóRHia”, já com oito anos de existência, em que temos conteúdos com informação do Grupo Benfica. Preocupamo-nos com a interacção das pessoas e esperamos que intervenham também em alguns conteúdos. Temos uma intranet com um conjunto de informações para o colaborador, temos emails informativos que vamos direccionando ao longo do tempo, a reunião de quadros anual, eventos anuais como o jantar de Natal, almoços dentro das equipas e entre equipas... Em termos de Responsabilidade Social, que políticas implementaram? Temos a Fundação Benfica e normalmente trabalhamos em conjunto com a Fundação. No Natal todos os departamentos reúnem-se para comprar brinquedos para diversas organizações, como a Ajuda de Berço e a Fundação do Gil. Procuramos também em alguns eventos anuais fazer acções conjuntas com a Fundação para a recolha de alimentos para distribuir a pessoas carenciadas. Para além desta parceria com a Fundação Benfica, procuramos também integrar pessoas portadoras de deficiência e incapacidades. Conseguimos integrar duas pessoas portadoras de Síndrome de Asperger, uma nos RH e outra na Clínica do Benfica. Nos estágios que promovemos também temos pessoas portadoras de incapacidade e deficiências. Perfil Luísa Ramos Licenciada em Direito pela Universidade Católica Portuguesa. Trabalha no Grupo Benfica há 22 anos, altura em que ingressa no Gabinete da Presidência e há 16 anos que assume a direcção de Recursos Humanos do Sport Lisboa e Benfica. tentamos sempre equilibrar as coisas porque é importante que haja diversidade. São sensibilidades diferentes, formas diferentes de trabalhar. Qual a política de conciliação? O Benfica, como qualquer clube desportivo, tem actividades sete dias por semana e ao fim-de-semana tem a actividade core. Não é muito fácil conseguir que grande parte das pessoas não esteja cá a trabalhar ao fim-de-semana, principalmente aquelas que estão afectas à organização dos jogos. Tentamos compensar as pessoas durante a semana. Mas as pessoas vivem bem com isso. Sabem que vir trabalhar para o Benfica significa ter disponibilidade. Podemos fazer mais, mas creio que não temos problemas estruturantes decorrentes de ter uma actividade de sete dias por semana. Os colaboradores do Benfica têm um espírito de missão ao trabalharem cá? Sem dúvida. Acho que é o que mais se destaca nas pessoas que trabalham no Benfica. É a total entrega. Vivem intensamente o Benfica. É quase impossível dizer que qualquer uma das pessoas quando sai daqui fecha a porta e esquece o Benfica no dia seguinte. É difícil desligarmo-nos desta realidade. Quais são os valores do Benfica? O respeito pelo adversário. O trabalho de equipa. A motivação. A entrega. Agir de acordo com princípios e valores... Temos um conjunto de valores do grupo Benfica que não deixam de ser diferentes daquilo que são os valores que sempre caracterizaram o Benfica ao longo dos anos. A abnegação, o respeito pelo adversário, a entrega... São valores centenários e que vamos mantendo ao longo dos anos. Como estão equilibrados os géneros na força de trabalho do Benfica? Bom, isto é um clube de futebol! Não vou dizer que é 50/50. Existe uma clara predominância do género masculino, embora pouco a pouco o género feminino tenha vindo a ganhar algum terreno. As estruturas na generalidade são mistas. Nas áreas de RH e Financeira, por exemplo, metade são mulheres e metade homens. Há uma área ou outra em que são fundamentalmente homens, mas Missão O Grupo Benfica tenciona ser a organização desportiva de maior sucesso em Portugal, em todas as modalidades que representa e na perspectiva competitiva e económica. Human Resources Portugal 35 ADN Genética e Cumplicidade Conceição Zagalo e Catarina Zagalo numa conversa espontânea cheia de doses de humildade, sabedoria e serenidade sobre a batuta da Comunicação. Por Sandra M. Pinto e TitiAna Amorim Barroso Agradecimentos Restaurante Terraço, no Tivoli M ãe e filha. 63 e 37 anos. Duas visões sobre uma área comum ao coração de ambas. Duas gerações que se unem no ADN, na cumplicidade e na paixão pela Comunicação. «A Comunicação para mim é o palco da vida, sem dúvida nenhuma», inicia Conceição Zagalo. Uma das referências na Comunicação em Portugal e com um reconhecido percurso nas áreas da Cidadania Empresarial e da Igualdade de Género, Conceição Zagalo reformou-se há quatro anos, mas não foi por isso que deixou de parte a vida activa. Hoje as horas são divididas entre a família e intervenções públicas nestas áreas. Trabalhou uma vida na IBM Portugal – empresa que a acolheu durante 38 anos. Mas não começou enquanto comunicadora, o primeiro trabalho foi numa função administrativa. «A certa altura, numa óptica de convite quase forçado, fui para a Comunicação. Descobri o fascínio pela área.» Na Comunicação, Conceição passou da “senhora do departamento das festas” para “senhora referência”. «Falamos de um mercado de trabalho há 40 anos, em que a Comunicação estava associada às festas. Depois comecei a ter uma percepção muito própria e fui cultivando a Comunicação na óptica do fundamento essencial para o desenvolvimento do negócio, que se pretende numa organização. Para mim a Comunicação é a confirmação do velho ditado português de que “é a falar que 36 Human Resources Portugal Setembro 2015 | Fotos Nuno Carrancho Lisboa nos entendemos”. A Comunicação é a base do relacionamento humano que sustenta o sucesso do negócio», partilha. Catarina Zagalo seguiu os passos da mãe, apesar de formada em Economia, há oito anos entregou-se à Comunicação e hoje assume a direcção de Marketing, Comunicação e Desenvolvimento de Negócio da Deloitte Portugal. «A Comunicação não foi uma área originária, foi uma coisa que aconteceu naturalmente, estava destinado. Há uma parte muito grande do que é para mim a Comunicação que tem que ver com a minha experiência pessoal, do que vi desde pequena em casa. E outra parte com a vertente profissional, a minha primeira tendência era olhar para a Comunicação numa perspectiva metodológica e de canais. Hoje, com a experiência, valorizo muito mais a Comunicação enquanto capacidade de criar elos e fazer pontes entre os vários interesses. E outra componente importante relacionada com a minha actividade profissional tem que ver com a forma como nos apresentamos e somos percepcionados pelos outros, não só na vertente física», sublinha. Essência O que é fazer uma boa Comunicação? Para Conceição Zagalo: «É gerar consensos, quando o ponto de partida era de dissensos, é conferir música à vida.» Já Catarina assegura: «É a capacidade de tocar o interlocutor, fazer com que sinta a mensagem, não só que a leia, a retenha e a interprete, mas que lhe “toque”. Acho que isso é o grande desafio e o que define uma boa comunicação.» Enquanto comunicadoras têm convicções muito pessoais. «Também assentes no saber Camoniano, de experiência feito. Muitas destas aprendizagens foram fundamentadas nas opiniões que ia ouvindo em casa, sobretudo das filhas, com espírito crítico e exigência mais apurada. Ao longo de 40 anos de profissão, 17 dedicados à Comunicação, aprendi que a capacidade que temos de ouvir, de descodificar antes de falar tem de ser enorme. Outra técnica importante é a da conquista do outro, mesmo que muitas vezes tenhamos de calar algum instinto natural de “espingardar”, o que apenas satisfaz a própria natureza humana. Se aprendermos a conquistar o Uma técnica muito importante é a da conquista. Este dom pode ser o grande segredo capaz de ser um factor crítico de sucesso no processo de comunicação. ADN outro, conquistamo-nos primeiro. Este dom da conquista pode ser o grande segredo, capaz de ser um factor crítico de sucesso no processo de comunicação», confidencia Conceição. «Estou completamente de acordo. Se tivesse de sintetizar o que é um bom comunicador diria que é um bom ouvinte. Só um bom ouvinte vai conseguir perceber o que a pessoa quer ouvir, quer saber, adequar a mensagem e o tom de voz. Há determinadas competências de comunicação que fazem um bom comunicador, algumas são intuitivas e acho que estão no sangue como a perspicácia, a sensibilidade e o discernimento. Um bom comunicador tem de ter sensatez, falar de igual para igual, ter total humildade para mudar de opinião. Obviamente que a pessoa tem de ser assertiva e firme nas suas opiniões, mas ser permeável», conta Catarina. «Estamos em linha, apesar de termos não sei quantos anos de diferença. A forma como entendo a Comunicação, há 40 anos e hoje, é imutável na essência. Quanto muito pode não ser imutável na prática, daí o crescendo que tem vindo a haver na Comunicação e na investigação científica. Mas os básicos estão todos lá sempre», acrescenta Conceição. Desenvolvimento Conceição Zagalo «A Comunicação para mim é o palco da vida, sem dúvida nenhuma. É a base do relacionamento humano que sustenta o sucesso do negócio.» Catarina Zagalo «A Comunicação está em todo o lado. E sim, os gestores valorizam hoje muito mais os temas da Comunicação.» «Houve uma evolução que sustenta a metamorfose da senhora das festas à Comunicação enquanto parte importante do negócio, da marca pessoal e institucional que cada comunicador encerra», ressalva Conceição. «Acho que hoje há também uma maior velocidade, as coisas acontecem muito mais depressa, e o tema dos canais e das redes imprime um ritmo e uma exigência diferente, porque o escrutínio é muito maior. Há também desafios práticos que têm que ver com a diferença entre gerações», partilha Catarina. A Comunicação tem evoluído, abrigando agora um papel estratégico. É uma área que “engordou” e tem uma importância crescente nos aspectos Human Resources Portugal 37 ADN Conceição e Catarina Zagalo da Comunicação Interna, Executiva, na gestão das relações externas, desde as comerciais aos meios de comunicação social, e até na gestão de crise. «A Comunicação está em todo o lado», vaticina Catarina. «Estou muito ligada às comunidades de comunicadores, a APCE, e aos vários círculos de comunicadores e noto que as organizações já não descuram investimentos nestas matérias», assegura Conceição. «Não só não descuram como procuram. Há profissionais na Deloitte que me pedem ajuda porque vão fazer uma apresentação, e não estão preocupados com os slides, mas sim com o fio condutor, com o querer contar uma história e que o interlocutor receba a mensagem. E sim, os gestores valorizam hoje muito mais os temas da Comunicação», defende Catarina. «Socorrendo-me da minha experiência na IBM e do que sinto que vai acontecendo em algumas empresas, quando comecei na Comunicação havia Comunicação e Publicidade, o Marketing era uma estrutura supra Comunicação ou Publicidade. As pessoas do Marketing eram um bocadinho etéreas, não se sabia muito bem o que faziam. Depois houve outra altura de investimentos avultados em Marketing. E agora valoriza-se a Comunicação sobre o Marketing. Uns anos antes de sair da IBM tive o privilégio de perceber que estávamos a fazer o que seria tendência de mercado: integrar o Marketing na Comunicação. Na altura começou a haver necessidade de cortar algumas gorduras e ver transferida grande parte dos investimentos do Marketing para a Comunicação. Eu acreditava na mais-valia da Comunicação sobre o Marketing, mas mais pessoas acreditaram na IBM. Fiquei com a gestão da área de Marketing, Comunicação e Cidadania. Hoje vejo cada vez mais esta área a reportar directamente à administração e o Marketing a ser uma ferramenta de agilização da Comunicação», palavras de Conceição. «A Comunicação alargou a suas 38 Human Resources Portugal Setembro 2015 áreas de responsabilidade e de actuação. Estou de acordo que há uma tendência para que as funções de Marketing estejam mais alinhadas com o mercado e o produto e a Comunicação ligada a uma vertente institucional, de negócio, de posicionamento da organização e da marca. E sentimos isto na Deloitte com a fusão das áreas de Marca e Comunicação e isso está a acontecer nos 150 países onde operamos, o que demonstra uma grande tendência», garante Catarina. «Comunique-se de forma concertada, integrada, de modo a que possamos ter uma consistência de imagem, de produto e de serviço em qualquer ponto do mundo», diz Conceição. E Catarina acrescenta: «Interna e externa.» ADN Zagalo Entre ambas a Comunicação funciona como uma cumplicidade, que consolida o relacionamento pessoal e familiar, «não raras vezes é junto da minha mãe que esclareço dúvidas profissionais», refere a propósito Catarina, apontando para isso a experiência profissional de Conceição e a confiança em que se baseia a relação de ambas. Mas será que existe um ADN Zagalo? A resposta veio pronta numa confirmação, «o ADN Zagalo é uma coisa fabulosa», afirma Conceição, reforçando que «o ADN Zagalo assenta numa paixão incomensurável pela vida, num sentido de família muito apurado e no respeito pela diversidade que cada um de nós representa». Ambas defendem que este ADN se aplica também enquanto profissionais que querem superar-se a si próprias, ultrapassando sempre os desafios que vão surgindo e cimentando uma carreira de referência. Com um percurso na mesma área, os ensinamentos mútuos acabam por ser uma constante. «Aprendi com a Catarina que a serenidade, em todos os seus aspectos, é uma excelente forma de fazer Comunicação com seriedade de uma forma assertiva e consequente e com uma relação causa/ efeito mais equilibrada», afirma Conceição, que confessa ver na filha a serenidade do seu próprio pai, Fernando Cunha, gestor na área Agrícola e na Indústria Metalúrgica, e presidente da Câmara de Torres Novas durante 12 anos. Por seu lado, Catarina Zagalo revela que com a mãe aprendeu a fazer comunicação com «paixão de uma forma calorosa e com grande entrega». Mulheres de coração, ambas se comovem com facilidade com as coisas boas da vida, evidência que leva Conceição a referir o peso crescente da inteligência emocional sobre a racionalidade, revelando que «uma das circunstâncias que faz de nós comunicadoras diferentes é o facto de conseguirmos ter uma preponderância grande da parte emocional sobre a racional». Sobre o futuro da Comunicação, Conceição defende que será brilhante, «sendo que, vivendo nós numa era digital e tecnológica, há uma tendência para um certo regresso à componente humana», enquanto Catarina encara os próximos anos com muito optimismo e entusiasmo, uma vez que «está tudo por acontecer, a viagem da Comunicação está ainda no início». Prémio Etapas Prémio Excelência no Trabalho Período de inscrições Até 25 de Setembro de 2015 Respostas ao Inquérito de Colaboradores e ao Inquérito de Gestão de Topo De 28 de Setembro a 30 de Outubro de 2015 As empresas de Excelência A Heidrick & Struggles, em parceria com o INDEG-IUL ISCTE e a Human Resources Portugal, está já a preparar a 6.ª edição do estudo de clima organizacional e desenvolvimento do capital humano. O Prémio Excelência no Trabalho (PET) analisa o estado de arte das práticas de Gestão de Pessoas em Portugal. As empresas que queiram participar no estudo podem fazê-lo até dia 25 deste mês, e os resultados serão divulgados numa cerimónia em Janeiro do próximo ano. «As cinco primeiras edições foram um sucesso inequívoco, seja a nível do número de participantes, seja pela preponderância que as empresas participantes exercem no mercado nacional, 40 Human Resources Portugal Setembro 2015 sendo, neste momento, o maior estudo de satisfação de colaboradores realizado em Portugal. O PET pretende não só apurar e premiar as empresas que apresentam um melhor clima organizacional e que se destacam como entidades de excelência no desenvolvimento do capital humano em Portugal, mas igualmente dar, a cada empresa participante, a oportunidade de adquirir informação relevante para a identificação de áreas fortes e de melhoria na gestão do seu activo humano», sublinha Pedro Rocha e Silva, principal da Heidrick & Struggles – empresa especialista em Executive Análise e Consolidação da Informação De 2 a 13 de Novembro de 2015 Auditoria aos finalistas Novembro e Dezembro de 2015 Divulgação de resultados Janeiro de 2016 Search e Consultoria Estratégica de Gestão de Talento. Este ano, a Human Resources Portugal volta a assumir a cobertura editorial, agora em detalhe, reforçando a parceria com o Prémio. «É já uma referência e o maior e mais importante estudo de satisfação de colaboradores em Portugal. Foi assim com grande satisfação que aceitámos o convite que nos foi endereçado, e há cinco anos que somos parceiros destes Prémios. Para a edição de 2015, a Human Resources volta a colaborar activamente nestes Prémio Exclusivo Pedro Rocha e Silva Principal da Heidrick & Struggles Ricardo Florêncio CEO da Multipublicações Prémios. E assim, e entre outras situações, será a Human Resources a elaborar um Especial sobre os vencedores da edição de 2015. Ainda no nosso grupo, a Executive Digest será media partner dos PET deste ano», assegura Ricardo Florêncio, CEO da Multipublicações – grupo detentor das publicações Human Resources Portugal, Executive Digest, Marketeer e Viagens & Resorts. Metodologia O Prémio Excelência no Trabalho é um estudo desenvolvido em diferentes etapas, onde são realizados inquéritos, auditorias e análises aprofundadas de cada empresa candidata. Independentemente da classificação, todas as empresas que sejam incluídas no ranking final irão receber informação confidencial sobre o posicionamento global face ao mercado. Apenas as empresas cujo ranking final permita a atribuição de prémios serão alvo de divulgação pública. De referir que a participação é totalmente gratuita, não representando qualquer custo para as empresas participantes. Numa primeira fase, os instrumentos de avaliação considerados na análise e apuramento dos resultados finais pelos consultores da Heidrick & Struggles são a classificação dos participantes quanto aos critérios de dimensão e de sector de actividade. Numa segunda fase são analisados os inquéritos aos colaboradores e a taxa de participação. Já numa terceira fase procede-se ao apuramento das respostas ao inquérito à gestão de topo de acordo com as melhores práticas de gestão do capital humano. A quarta fase é a de apuramento dos finalistas para auditoria, e a última fase corresponde ao apuramento dos resultados e rankings finais. Este estudo põe a descoberto as equipas mais satisfeitas e como os líderes geriram os seus colaboradores em 2015, ao analisar a excelência nas seguintes dimensões: Dinâmica Organizacional (aprendizagem contínua, orientação estratégica e orientação para o cliente), Processos (informação e comunicação, práticas de liderança, coordenação e integração), Gestão de Recursos Humanos (condições de trabalho, desenvolvimento de competências e gestão de talento) e Clima (confiança organizacional, justiça e bem-estar). O Prémio Excelência no Trabalho é um estudo que identifica as equipas mais satisfeitas e como os líderes geriram os seus colaboradores. Cabe à Human Resources Portugal dese nvolver um Especial sobre os vencedores da edição PET 2015 Rankings O Prémio Excelência no Trabalho adopta os seguintes critérios para classificar as entidades/empresas participantes: Dimensão R TOP 5 Grandes (>1000) Empresas mais de 1000 colaboradores R TOP 10 Grandes Empresas entre 250 e 1000 colaboradores R TOP 10 Médias Empresas entre 50 e 250 colaboradores R TOP 10 Pequenas Empresas até 50 colaboradores Macro sectores de actividade R Banca, Seguros e Serviços Financeiros R Construção, Gestão de Infra-estruturas, Transportes e Logística R Consultoria R Grande Consumo e Retalho R Hotelaria, Imobiliária, Turismo, Lazer e Restauração R Indústria e Energia R Saúde e Farmacêuticas R Sector Alimentar R Sector Público R Serviços R Tecnologia, Média e Telecomunicações As empresas interessadas em participar na 6.ª edição do Prémio Excelência no Trabalho 2015 podem fazê-lo até dia 25 de Setembro em www.premioexcelencianotrabalho.com Human Resources Portugal 41 Boas Práticas G roundforce Portugal Um novo Modelo de Gestão A empresa de handling portuguesa reconstruiu o modelo de Gestão do seu capital humano com base num novo Modelo de Competências. Uma viagem interna que permite um alinhamento directo com a orientação estratégica e comercial da empresa, integrando todas as vertentes da Gestão de Pessoas. A Groundforce Portugal tem como negócio core prestar serviços de handling de excelência e elevado nível de profissionalismo aos seus clientes – as principais companhias aéreas que voam para Portugal e, em especial, aos seus clientes passageiros que buscam uma “experiência memorável”. Para tal necessita da definição de metas concretas e passíveis de medida, bem como potenciar o respectivo acompanhamento, não só para manter os padrões e níveis de serviços contratados, como para estar à altura de desenvolver reengenharias e até reinventar-se, consolidando e garantindo uma elevada eficiência na sua cadeia de valor e em busca da excelência nas suas pessoas. Perseguindo esse objectivo, a Ground -force reconstruiu o modelo de Gestão do seu capital humano com base num novo Modelo de Competências, sendo este um modelo flexível que permite um alinhamento directo com a orientação estratégica e comercial da empresa, integrando todas as vertentes de Gestão das Pessoas em torno de respostas integradas e integradoras com base neste modelo de “reconstrução” de todos os perfis de funções da empresa. 42 Human Resources Portugal Setembro 2015 A dinâmica de um Modelo de Gestão de e por Competências Em 2014, a empresa iniciou “uma viagem interna” que começou por olhar para todas as funções da empresa, de forma cirúrgica, analisando as missões específicas, as actividades desempenhadas pelos seus colaboradores, os requisitos associados a cada uma destas, bem como uma análise profunda aos principais indicadores de medida associados à eficácia do desempenho destas. Tivemos em consideração os níveis de exigência de cada função, face à menor ou maior complexidade das tarefas, procedimentos cumpridos, requisitos técnicos e comportamentos esperados. Desta análise, que envolveu vários níveis internos da organização, surgiu o Directório de Competências, composto por quatro grandes Clusters de Competências: as competências organizacionais transversais a toda empresa, as competências de gestão e liderança, as competências relacionais e as competências técnico-funcionais, específicas a cada nível e âmbito funcional. De igual modo foram descritas as competências e os vários níveis de proficiência que distinguem cada um dos perfis funcionais. No fundo, o que é necessário em cada uma das funções desempenhadas para que seja cumprida a sua missão, com base nos objectivos estratégicos da Groundforce Portugal. Naturalmente, este é um processo vivo e que acompanha a própria evolução da empresa, sendo revisto sempre que necessário. Quando, por exemplo, é celebrado um contrato com uma nova companhia aérea cliente, com procedimentos específicos novos e sistemas de aceitação de passageiros e bagagem distintos, há todo um conjunto de pressupostos que têm de ser cumpridos e novas competências podem emergir dessa conquista comercial, por isso os colaboradores têm de estar muito bem preparados para assegurar o princípio que orienta a Groundforce: a excelência. Este trabalho culminou na construção de Fichas de Enquadramento da Função, Um novo Modelo de Competências alinhamento recrutamento e selecção formação e desenvolvimento gestão de desempenho gestão de carreiras gestão do talento motivação recursos humanos comunicação interna envolvimento confiança Boas Práticas de resultados (avaliação de objectivos), o Gestor de Desempenho [nova “figura” criada com este novo modelo] acompanha e propõe individualmente soluções de desenvolvimento, formação e de melhoria contínua. A preparação da uma equipa de (novos) Gestores de Desempenho perfil de competências Fichas de Enquadramento da Função onde os colaboradores podem encontrar tudo o que respeita à sua função, como a identificação da função na estrutura e hierarquia organizacionais, a sua principal missão, as responsabilidades e actividades, os requisitos da função, os indicadores que permitem medir aquela função, o seu perfil de competências e um descritivo detalhado das tarefas que são executadas naquela função, entre outras informações úteis à sua actividade na empresa. A relação entre o Modelo de Competências e a Gestão de Desempenho O Modelo de Competências alimenta assim um importante processo na empresa: a Gestão de Desempenho, processo que, para além do continuado processo de assessment de competências, integra um processo de avaliação de resultados (objectivos) e propõe um plano de desenvolvimento individual individual e ajustado. Neste quadro, o modelo de Gestão de Desempenho assenta em duas grandes dimensões de análise: (1) o assessment de competências e (2) a avaliação de resultados (objectivos SMART) da organização, da direcção, das equipas e das várias pessoas (objectivos individuais). Da análise do cruzamento entre os requisitos das funções com o assessment individual das competências e a avaliação Para a implementação destes modelos, foi determinante a formação dos novos Gestores de Desempenho da empresa. Potenciar uma mudança de paradigma, de uma clássica “Avaliação de Desempenho” para uma nova lógica de “Gestão do Desempenho” foi o maior desafio! Novos papéis enquanto gestores locais de desempenho e facilitadores internos dos vários processos de desenvolvimento individual constituíram fases importantes destes processos, tanto nas vertentes técnicas como comportamentais. Numa empresa de “mão-de-obra intensiva” como a Groundforce, onde 95% da sua população é operacional, é importante passar com a maior clareza a mensagem e assegurar que o modelo e os objectivos sejam compreendidos. “Talentia” A nova ferramenta informativa Este novo modelo foi parametrizado com recurso a uma nova ferramenta informativa – o Talentia, suportado em tecnologia na cloud – que de forma amigável permite avaliar, registar, consultar e comunicar resultados e propostas com a organização. Através deste modelo, pretende-se: R Comparar o que esperamos de um colaborador com o que ele faz efectivamente; R Comparar resultados esperados com resultados atingidos, pela medição da concretização dos objectivos definidos; R Consolidar a gestão anual do desempenho através de rotinas de gestão contínua do desempenho; R Envolver os colaboradores para que se revejam com o processo de Gestão de Desempenho. No fundo permite dar resposta a uma importante pergunta: O que é que a Groundforce espera de todos e de cada um? A vertente de Gestão por Objectivos Uma das dimensões da Gestão de Desempenho da Groundforce Portugal é a avaliação de resultados. É um processo que está facilitado, na medida em que a empresa detém um modelo de negócio assente em processos-chave, todos eles com KPI associados. O processo assenta na análise de cinco objectivos distintos: Corporativo (aplicável a todos os colaboradores), Direcção (aplicável aos colaboradores de uma determinada direcção), Área/Equipa (aplicável aos colaboradores de uma determinada área/ equipa) e dois Objectivos Individuais, que podem ser seleccionados pelo Gestor de Desempenho, a partir de um catálogo semifechado, sendo responsabilidade do Gestor de Desempenho definir qual a ponderação de cada um dos objectivos que, no cômputo geral da avaliação de objectivos, têm um peso de 50%. É dado, portanto, um maior ênfase ao Human Resources Portugal 43 Boas Práticas Numa empresa de “mão-de-obra intensiva” como a Groundforce, onde 95% da sua população é operacional, é importante passar com a maior clareza a mensagem. contributo individual, procurando fomentar uma consciência colectiva de causa-efeito, isto é, “se todos fizermos muito bem o nosso trabalho, todos ganhamos com isso”. O papel da Comunicação Interna na disseminação do novo Modelo Neste sentido, e dentro daquela que é a missão da Direcção de Recursos Humanos, a Comunicação Interna teve um papel fulcral na transmissão do novo Modelo de Competências, para tornar perceptível e compreensível, a todos os colaboradores, o nível de exigência da função desempenhada. Têm de existir diferentes suportes que transportem as mensagens que viabilizem essa compreensão, de forma coerente. Foi assim realizada uma campanha de “Marketing Interno” que produzisse impacto, que envolvesse os colaboradores e que permitisse passar a importante mensagem: “O teu desempenho tem impacto no meu e vice-versa.” Ainda em 2014 decidiu-se fazer um casting interno para seleccionar colabo- radores para a construção da campanha alusiva aos valores do rugby - espírito de equipa, dedicação e atitude positiva -valores essenciais para garantir a sustentabilidade da Groundforce Portugal e que seria “materializado” pelo processo de Gestão de Desempenho da empresa. “We Want You!” A campanha assentou na simulação de uma formação ordenada (mêlée) substituindo o push-back, um dos serviços Groundforce que permite realizar uma importante operação de saída do avião do stand em que se encontra parqueado, para se lançar à pista e descolar. Incluiu também o alinhamento (touche) que simulou a descarga de bagagem realizada exclusivamente por colaboradores Groundforce, sem recurso ao tapete rolante. O Resultado final O Percurso do Passageiro começa no check-in, onde tem de ser recebido com simpatia e profissionalismo. Após aceitação do passageiro, a sua Sucesso na Groundforce É neste sentido que a equipa da DRH acredita que o sucesso passa por: R Comunicar de forma eficaz R Fazer de forma diferente e inovadora R Envolver as pessoas R Cultivar parcerias R Ser dedicada, rigorosa e empenhada em tudo o que faz R Estabelecer de forma clara aquilo a que nos propõe R Fazer o seu trabalho com autenticidade. 44 Human Resources Portugal Setembro 2015 “WE WANT YOU!” foi a frase de apelo à participação no casting. bagagem é encaminhada para o avião e só um elevado espírito de equipa faz com que o percurso da bagagem até ao avião seja assegurado com rigor e segurança. Por último, é apenas com todo o trabalho de equipa dos colaboradores da Groundforce, cumprindo um conjunto rigoroso e exigente de requisitos e procedimentos, que o avião leva os clientes até ao seu destino final. A bola de ruby, presente em todas as imagens de campanha, representa os valores partilhados pelos nossos colaboradores (desde o check-in ao carregamento e saída do avião). Esta campanha visou acima de tudo motivar as equipas e os colaboradores, consciencializando-os e responsabilizando-os para a proactividade e compromisso para com a empresa, cumprindo os objectivos definidos sem descurar a concorrência (adversário). A disseminação da campanha nos suportes de Comunicação Interna A imagem da campanha foi usada em vários suportes relacionados com o Processo de Gestão de Desempenho, os quais foram distribuídos e divulgados internamente. Internacional mindfulness A crescente utilização da meditação na América empresarial está na ordem do dia. Ainda que seja algo desconhecido, a meditação no local de trabalho já não é secundária. Por Zachary Karabell A mérica empresarial e meditação: até há pouco tempo, estas palavras na mesma frase podiam ter origem num artigo satírico no Onion. Contudo, à medida que o jornalista do New York Times David Gelles lança um livro novo e invulgar, estes parceiros improváveis já não parecem tão estranhos. Os seminários de “mindfulness” empresarial ainda 46 Human Resources Portugal Setembro 2015 não são tão prevalentes nas empresas como infantários ou cantinas. Mas em breve poderão sê-lo. Nunca antes as empresas americanas foram tão importantes na estruturação da sociedade. Mesmo quando a entidade estatística a que chamamos de “economia” enfrenta limites de crescimento, as empresas – principalmente as grandes multinacionais e as empresas tecnológicas – crescem rapidamente. Na mesma altura em que as empresas têm criado um papel mais abrangente na vida pública, os americanos têm cada vez mais recorrido a uma amálgama de filosofias de auto-ajuda que vão das antigas práticas budistas aos aspectos mais esotéricos do New Age, assim como a diferentes formas de medicina não tradicional. Não surpreende, então, que mais colaboradores e mais organizações estejam a abraçar aquilo a que Gelles chama de “trabalho consciente”, nomeadamente a adopção de técnicas de meditação e respiração centenárias que reduzem a ansiedade, melhoram a saúde e o sistema imunitário, aumentam a concentração, encorajam a cooperação e, sim, melhoram a produtividade. Ainda que não seja algo desconhecido, a meditação no local de trabalho já não é secundária. E é essa evolução que Gelles avalia e celebra provocadoramente. Casos Gelles escreve não só como um jornalista imparcial, mas também como praticante. E enche a sua narrativa com histórias pessoais de como descobriu a meditação pela primeira vez numa viagem à Índia quando andava na faculdade e como redescobriu a prática do “mindfulness” alguns anos mais tarde. O “mindfulness” é um subconjunto da meditação, definido como «prestar atenção de uma forma particular: de propósito, no presente, e sem julgamento». Envolve autodisciplina e a prática regular de sentar em sossego, atento à respiração e tentando acalmar a mente. Implica igualmente ter compaixão pelas lutas dos outros, principalmente colegas que demonstram ter menos compaixão. Gelles data as primeiras experiências O “mindfulness” é um subconjunto da meditação. Envolve autodisciplina e a prática regular de sentar em sossego, atento à respiração e ao acalmar da mente. de “mindfulness” em grandes empresas na década de 1990, incluindo candidatos improváveis como a gigante agrícola Monsanto, cujas primeiras experiências acabaram com a saída do CEO que havia iniciado o programa. Examina como uma executiva sénior da General Mills liderou workshops sobre meditação à hora do almoço antes de sair para fundar o seu próprio negócio de “mindfulness”. À medida que Gelles explora a evolução das experiências de meditação empresarial, também descreve como a sua própria prática regular de meditação o ajudou a lidar com artigos provocadores e editores cáusticos. Uma das histórias mais empolgantes de Gelles envolve Mark Bertolini, CEO da Aetna, que sobreviveu a um horrível acidente de esqui em 2004, a custo de uma dor crónica e debilitante. A medicação para as dores era inútil. Por isso Bertolini virou-se para o ioga e depois para a meditação – e descobriu uma via sustentável que lhe permitiu viver com a dor sem ser consumido pela mesma. Depois introduziu lentamente seminários de “mindfulness” e meditação no trabalho – primeiro aos executivos seniores, depois a mais níveis da empresa. O resultado foi uma diminuição dos custos de cuidados de saúde dos colaboradores da Aetna, juntamente com uma redução nos níveis de ansiedade. Por sua vez, aumentou a gestão de tempo e a produtividade. Actualmente, a empresa calcula que ganhe 2700 euros por ano e por colaborador através do aumento da produtividade obtido com os esforços de “mindfulness”. A Aetna é um dos vários exemplos notáveis citados por Gelles. Outros incluem empresas socialmente responsáveis (como a fabricante de vestuário para o ar livre Patagonia) e gigantes tradicionais (como a Ford Motor Company). Durante os seus anos como CEO da Ford, William Clay Ford Jr., descendente de Henry Ford, tentou reformar uma cultura com pouca compaixão usando a ajuda de Jack Kornfield, professor de “mindfulness”. Meditação Trabalho consciente Mais colaboradores e mais organizações adoptam técnicas de meditação e respiração centenárias. R Reduz a ansiedade R Melhora a saúde e o sistema imunitário R Aumenta a concentração R Melhora a comunicação entre as pessoas R Encoraja a cooperação R Traz equilíbrio, evitando relações conflituosas R Propicia a autocorreção diária, ajudando a rever erros e acertos R Melhora a produtividade R Torna os líderes mais atentos à equipa Zachary Karabell Director de estratégia global na Envestnet e editor da Politico Human Resources Portugal 47 Internacional Ainda que Gelles reconheça o desejo compreensível dos CEO e gestores de justificarem as práticas aparentemente esotéricas com base num aumento da produtividade, também questiona se é esse o seu real objectivo. Afinal de contas, existe algo de repugnante em impelir os colaboradores a inspirarem e expirarem com pensamentos de boa vontade e compaixão apenas de forma a melhorar as receitas da empresa (imaginem as empresas a começarem a calcular o ROM – “return on mindfulness”). mindfulness América empresarial e meditação: até há pouco tempo, estas palavras na mesma frase podiam ter origem num artigo satírico no Onion. Contudo, estes parceiros improváveis já não parecem tão estranhos. Conclusão À medida que a meditação se interliga com os objectivos empresariais e o “mindfulness” se torna parte do léxico empresarial, Gelles argumenta que algo pode ter-se perdido pelo caminho. O que ele e outros chamaram de “McMindfulness” oferece uma cópia de calma e compaixão como outro produto ou serviço de consumo que pode ser vendido ou comprado. O resultado, refere Gelles, «é uma versão comercializada, desinfectada e branqueada da prática». A culpa, porém, está na aplicação da ferramenta e nas inevitáveis fraquezas humanas e não na própria prática de “mindfulness”. Tal como acontece com qualquer outra ferramenta, o “mindfulness” pode ser bem e mal usado; pode ser uma fonte de compaixão e pode ajudar soldados e franco-atiradores a permanecerem calmos debaixo de fogo e a lutarem de uma forma mais eficaz. Gelles nem sempre tem sucesso a misturar as suas experiências com os casos que apresenta. Ultrapassar problemas na carreira de jornalista de negócios pode ter eco a sua vez 6 Passos para meditar no trabalho 1 Encontre um local calmo e sossegado 2 Sente-se com as costas apoiadas 3 Esvazie a mente 4 antenha a respiração regular (lenta M e profunda durante 5 a 15 minutos) 5 Abra os olhos devagar 6 egresse com calma ao seu R gabinete Os seminários de “mindfulness” empresarial ainda não são tão prevalentes nas empresas como infantários ou cantinas. Mas em breve poderão sê-lo. 48 Human Resources Portugal Setembro 2015 entre os profissionais mais instruídos. E trabalhar em meios de comunicação pode ser uma fonte de ansiedade. Mas existe um golfo a separar o autor e o CEO de uma multinacional, num extremo do espectro, dos colaboradores na linha da frente, no outro extremo. Reconhecer que o “mindfulness” é mais eficaz para uma determinada demografia não deve deteriorar o argumento de que todos deveríamos usar ferramentas de integração que promovam o enfoque e a compaixão. Por fim, Gelles toca apenas ao de leve na convergência poderosa de Silicon Valley e nas novas tecnologias com práticas alternativas como o “mindfulness”. Não obstante muitos dos mentores e ideias revelados serem familiares para qualquer pessoa que tenha visto a Oprah, no mundo dos negócios a cultura da Califórnia tem sido particularmente acolhedora para a fusão de ensinamentos New Age e gestão empresarial. Entretanto, só pode ser bom o facto de mais empresas abraçarem os princípios do “mindfulness”, procurando atenuar o calculismo dos lucros com a necessidade poderosa que todos temos de nos sentirmos mais ligados aos que estão à nossa volta. radar Evite o stresse pós-férias Episódios de tristeza, irritabilidade, cansaço e alterações no sono e apetite podem acompanhar o seu regresso ao trabalho. Saiba como contornar a situação. D urante as férias não há horários rigorosos, prazos ou objectivos para cumprir. Este tempo é normalmente passado em família ou com amigos, o que nos proporciona uma sensação de segurança e bem-estar, algo que nem sempre acontece no local de trabalho. Por isso, é muito comum que o período pós-férias seja acompanhado por episódios de stresse e ansiedade. Ana Peixinho, coordenadora da Unidade de Psiquiatria e Psicologia do Hospital Lusíadas Lisboa, aconselha os profissionais a repartir os dias de férias ao longo do ano, por vários períodos, diminuindo assim o tempo de espera pelos próximos dias de descanso. A especialista partilha ainda três conselhos para as pessoas não sofrerem de stresse pós-férias: 50 Human Resources Portugal Setembro 2015 Nas férias é normal que haja uma alteração nos padrões do sono. Uma forma de combater o impacto da diminuição de horas de sono é deitar-se mais cedo nos dias anteriores ao regresso ao trabalho, de forma a entrar na rotina mesmo antes de regressar. R Começar por realizar as tarefas mais complicadas logo no primeiro dia pode não ser benéfico. Imediatamente após o regresso, deve optar por realizar tarefas simples, como organizar a secretária e a caixa de e-mail e falar com os colegas sobre possíveis projectos que possam ter surgido durante o período de ausência. R Após o regresso de férias, deve manter a hora de almoço, evitar sair depois do horário de trabalho e garantir que tem tempo diário com a sua família e os seus amigos. R Uma em cada cinco mulheres esconde planos familiares 18% das profissionais que planeiam ter filhos não o comunicam às chefias, de acordo com uma pesquisa do Back2BusinessShip. Segundo o relatório, 58% das mulheres em idade activa que planeiam ter crianças prevêem fazer alterações na carreira para poderem dedicar-se à família. As principais razões apontadas pelas mais de mil inquiridas foram a necessidade de condições de trabalho mais flexíveis (74%), de trabalhar menos horas (58%) e de fazer um trajecto mais curto para o emprego (31%). Esta pesquisa, avançada pela HR Magazine (UK), revela ainda que as mães experienciam uma espécie de “vergonha maternal” no local de trabalho. Mais de um quarto (26%) das profissionais analisadas afirmam sentir-se constrangidas quando saem mais cedo ou trabalham a partir de casa por causa do regime de horário das creches. Acompanhe a actualização diária de notícias em hrportugal.pt Radar R Ouvir música pode diminuir o stresse e aumentar a concentração. Se trabalha num escritório com vários pontos de distracção, utilize auscultadores que bloqueiem o som exterior. R Posicione o seu computador para que não reflicta demasiado brilho da janela. RA luz natural é ideal, mas, se não tiver essa possibilidade no seu escritório, acrescente uma pequena lâmpada na sua secretária. R Enfeite o seu espaço com elementos verdes. Isso aumenta a produtividade e atenção cognitiva. 11 conselhos para criar um espaço de trabalho mais produtivo Há uma série de truques que podem ajudá-lo a estar mais focado e concentrado. Um dos métodos mais eficazes passa por uma simples reforma na sua secretária. Perca algum tempo a tornar esse espaço único e a criar uma sensação de conforto que realmente pode aumentar a sua produtividade. A especialista em Etiqueta Jacqueline Whitmore aponta, na Business Insider, alguns truques específicos de design que qualquer profissional pode implementar no seu escritório para ter um dia de trabalho mais feliz e saudável: AF_HumanResources_220x142mm_2015.pdf 1 23/12/14 10:04 RC onsidere investir numa cadeira confortável e que o suporte completamente. RT enha por perto snacks saudáveis, bem como frutos secos e barras proteicas. RB eba de uma caneca especial ou decorada. É um elemento que pode melhorar a decoração do seu espaço. R Garanta que os aparelhos electrónicos estão perto das tomadas e utilize formas de organizar fios desarrumados. R Compre uma almofada para a sua cadeira. Vai ter outro sentido de conforto e de propriedade. R Elimine os blocos de notas. Em vez disso, utilize o Notepad ou blocos electrónicos no computador. R Personalize o seu espaço com fotos. Estas vão melhorar a sua performance. ELEVAMOS AS SUAS POTENCIALIDADES. Nuno Ana No Grupo Multipessoal, elevamos as suas potencialidades. Identificamos o melhor de cada candidato e adaptamo-lo ao mercado de trabalho. Deste modo, potenciamos o que de mais positivo há em todas as áreas em que intervimos: outsourcing, trabalho temporário, formação e consultoria, recrutamento e seleção e outsourcing especializado na saúde e nas TI's. Para que qualquer processo seja um êxito, existe uma fórmula simples: envolver o Grupo Multipessoal na operação. O resultado final será sempre o sucesso elevado às suas melhores expetativas. Human Resources Portugal 51 radar Como encarar uma avaliação de desempenho negativa? Os 10 maiores empregadores mundiais (e o número de colaboradores) Fonte: World Economic Forum 3,2 milhões A forma como lida com uma má avaliação é muito mais importante do que o conteúdo da própria análise. R Reflicta antes de reagir Após receber o feedback, tente não ser defensivo. Depois de ter tirado tempo para processar a situação, pergunte a si mesmo se o feedback corresponde à verdade. Por vezes, poderá ser útil falar com alguém em quem confia e obter uma perspectiva adicional. R Evite uma caça às bruxas Embora as avaliações de 360 graus se destinem a ser anónimas, é por vezes fácil de adivinhar quem disse o quê vendo os comentários. Deve resistir à tentação de confrontar os seus avaliadores. R Decida a que quer responder Lembre-se de que a avaliação é constituída por opiniões. Isto significa que não tem que reagir a tudo. Uma avaliação de 360 graus é diferente de uma avaliação formal pelo seu chefe em que não é obrigado a lidar com o feedback. Em vez disso, use três critérios para decidir quando der atenção a uma classificação baixa: R Isto é um problema consistente? Apareceu em avaliações anteriores e por diferentes avaliadores? 52 Human Resources Portugal Setembro 2015 R O problema é uma falha de liderança fatal? Aponta para falta de integridade, autenticidade ou honestidade? R É incongruente relativamente aos valores que defende? Entra em conflito com o tipo de líder que deseja ser? R Comprometa-se a mudar Não comece imediatamente a alterar coisas que o farão sentir-se melhor agora. Isto frequentemente não o ajuda a alcançar objectivos a longo prazo. Pergunte a si mesmo: Qual é a coisa que posso fazer e que fará a maior diferença? Depois da acção, avalie como correu. Esta é a base para a mudança. 2,3 milhões 2,1 milhões 1,9 milhões 1,7 milhões 1,5 milhões R Fale com a sua equipa Assuma um compromisso em relação ao que vai mudar e como. Para se manter focado e para os incluir no processo, incentive-os a chamarem-no à atenção quando não se estiver a comportar à altura das suas promessas. Autoras: Susan David, co-directora do Harvard/McLean Institute of Coaching, directora fundadora da Evidence Based Psychology LLC e colaboradora do blogue “The Conversation da HBR”. Larissa Tiedens, professora de Comportamento Organizacional da Cátedra Jonathan B. Lovelace na Stanford Business School e co-editora do livro “The Social Life of Emotions”. 1,4 milhões 1,3 milhões 1,2 milhões R Departamento de Defesa dos EUA RE xército de Libertação do Povo, da China R Walmart R McDonald’s R Serviço Nacional de Saúde Britânico R China National Petroleum Corporation R State Grid Corporation of China R Indian Railways R Forças Armadas Indianas R Hon Hair Precision Factory (Foxconn), de Taiwan Radar O que é preciso para haver mais executivas de topo? Conheça três formas de as mulheres chegarem aos Conselhos Administrativos das organizações. A composição dos Conselhos de Administração continua a ser predominantemente masculina. Na UE, apenas 17% dos conselheiros das maiores empresas cotadas em Bolsa são mulheres; nos EUA, 19% nas direcções das empresas S&P 500; e no Japão as executivas representam apenas 1% dos Conselhos. Vários estudos têm apontado para o impacto positivo das AF_SAGIES_220X142.pdf 1 31/07/14 mulheres nos cargos de topo, uma vez que as mulheres trazem uma nova perspectiva para as questões mais complexas. Em comparação com os homens, as mulheres são mais propensas a tomar papéis activos nos Conselhos e a fazer perguntas difíceis. E tendem a ser mais flexíveis e capazes de lidar com situações ambíguas. A professora do IMD Bettina Buechel aponta três formas de melhorar a probabilidade de as mulheres serem nomeadas. R Construa uma rede de contactos. O poder de antecipar e influenciar a mudança figura na sua rede. Mapeá-la vai ajudá-la a identificar possibilidades. R Saiba como integrar um Conselho de Administração. Avalie a sua familiaridade com as principais responsabilidades: suporte estratégico para a melhoria de negócios, avaliação organizacional, liderança, compreensão financeira, gestão de riscos e corporativa. R Desenvolva a sua história. Desenvolva uma narrativa sobre o que a diferencia. Prepare-se para poder comunicar isso claramente e de forma sucinta. 10:11 Human Resources Portugal 53 Em trânsito e.Gen Ventures anuncia novo COO A empresa reforçou a equipa de Gestão com a contratação de Luís Grincho para o cargo de chief operating officer. Com mais de 20 anos de experiência no mercado da Gestão de Vendas, Operações, Marketing e Consultoras de TI, o engenheiro electrotécnico e de telecomunicações é especialista na aplicação de soluções de TI em grandes organizações. Antes de integrar a equipa da e.Gen Ventures, o novo COO passou por empresas como a IBM, Optimus, Atos Origin, Glintt e, mais recentemente, a Polarising. Luís Grincho vem consolidar a equipa de Gestão Executiva, que pretende reforçar a aposta na integração de empresas de nicho e na promoção do empreendedorismo. Nespresso anuncia mudança na direcção-geral em Portugal João F. Proença assume reitoria da Universidade Europeia O professor catedrático e ex-director da Faculdade de Economia da Universidade do Porto é o novo reitor da instituição de ensino superior, que está a reforçar o investimento em Portugal e o modelo académico centrado na internacionalização e relação com empresas. João F. Proença é actualmente investigador do Advance, CSG-Research in Social Sciences and Management, da Universidade de Lisboa. Tem vasta obra publicada na área da Gestão. Além do percurso académico, detém experiência como administrador e presidente de Conselhos de Administração de empresas. Stefano Goglio é o novo Jason Associates reforça equipa de Search & Assessments Elsa Dinis é a mais recente manager da área dedicada à avaliação e contratação de talentos. Na consultora de Recursos Humanos, as funções da profissional passam por facilitar processos de autoconhecimento, gerir a equipa e ajudar a desenvolver o negócio. Elsa Dinis passou pela Agência de Inovação como técnica de Relações Internacionais, coordenou a direcção de Clientes da Nova School of Business and Economics Executive Education e desempenhou funções de senior manager de Human Capital na PwC Portugal. Licenciada em Relações Internacionais pelo ISCSP, possui uma pós-graduação em Estudos Europeus pelo Instituto Superior de Economia e Gestão. 54 Human Resources Portugal Setembro 2015 Market director da Nespresso Portugal, sucedendo assim a Francisco Nogueira, que assumiu a liderança da Nespresso Reino Unido & República da Irlanda. De nacionalidade italiana, Stefano Goglio iniciou a sua carreira na Nespresso como B2C Commercial manager, para o mercado italiano, em 2005. Depois de ter contribuído para a expansão da marca no mercado italiano, em 2012 mudou-se para a sede mundial da Nespresso, como Regional Commercial manager e, em seguida, assumiu a função de International Trade Marketing manager, que ocupou até agora. Nesta posição tem vindo a impulsionar o sucesso no Trade Nespresso e tem revitalizado e reforçado a comunidade comercial B2C nos mercados. Formado em Economia e Comércio pela Universidade Católica de Milão, concluiu uma pós-graduação em Marketing, pela Universidade de Berkeley. Mercado Eletrônico reforça equipa de Marketing e Vendas Com 15 anos de experiência no mercado ibérico, Carolina Costa é a mais recente contratação da empresa brasileira, que pretende consolidar a presença em Portugal e no resto da Europa. Licenciada em Gestão de Marketing pelo Instituto Português de Administração e Marketing, a profissional conta já com 15 anos de carreira nas áreas Comercial, Marketing e Operacional a nível ibérico. Orientada para o Desenvolvimento de Negócio e Solution Selling, Carolina Costa passa a trabalhar em estreita colaboração com o núcleo de Investigação e Inovação da Mercado Eletrônico, reconhecida pela Gartner como um dos principais fornecedores a nível mundial de soluções de Strategic Sourcing e e-Procurement. Ideias Diálogos Experiências Líderes da Mudança e Gestores de Negócio vão partilhar: A Mudança e a Gestão do Talento A importância da Comunicação na Mudança O papel dos Líderes no contexto da Mudança A Mudança nas Estratégias de Diversificação Reinventar os Negócios gerindo a Mudança Conferência Anual S ARING Apoios 15 out15 Museu da Eletricidade - Lisboa Inscrições por convite - para mais informações contacte: [email protected] Opinião A tentação do engano Ao longo dos anos tem vindo ao conhecimento público situações desagradáveis com uma série de empresas, por motivos não muito lisonjeiros: contas falsificadas. Fernando Neves de Almeida Managing Partner da Boyden Portugal D e facto, algumas mega empresas “alteraram” as suas contas, por forma a apresentarem resultados mais “adequados” ao que os seus CEO pretendiam. E porque será que isso era tão importante para eles, a ponto de correrem riscos que, na realidade, se revelaram fatais? Provavelmente, vantagens pessoais que daí poderiam advir. Em algumas empresas os seus responsáveis máximos são premiados de acordo com os resultados que a empresa apresenta. Quando estamos a falar de empresas com dimensão, o valor desses bónus pode ascender a números tentadores que, nalguns casos, podem “tocar” no preço de compra da desonestidade. Imagine o leitor que é director-geral de uma empresa e que é confrontado com a seguinte decisão, a um ano da reforma: gastar ou não um milhão de euros na reparação de uma máquina que, em cinco anos, pode fazer poupar cinco milhões à empresa mas que, no final desse ano, lhe faz perder o bónus de cem mil euros. Embora muito simplificada, esta é uma situação em que fazer a coisa certa, pode não estar a ser “incentivado”. Considere, ainda, aquela situação 56 Human Resources Portugal Setembro 2015 hipotética de um funcionário de uma autarquia que lhe diz que com uns tantos euros a mais o seu processo demora um décimo do tempo a ser resolvido, ou que a vistoria da sua obra é aprovada. Finalmente, considere: um dos grandes incentivos dos políticos no poder é a reeleição. O que é que leva as pessoas, em geral, a votarem neles? A obra feita. Mas a obra feita deve ser visível, como por exemplo: estradas, fontes, rotundas, hospitais, etc. Assim, tudo quanto sejam gastos com manutenção e prevenção, em especial daquilo que não se vê, não é incentivado a ser feito, uma vez que não fornece os tão amados votos. Esta situação configura-se como uma perversão daquilo que deveria ocorrer, que seria uma distribuição adequada, em termos racionais, dos recursos, tendo em consideração a maximização do bem-estar futuro. O que é que estas situações têm todas em comum? Uma vantagem, mais ou menos imediata, para quem engana ou procede mal, com o consequente prejuízo de terceiros, que deveriam ser alvo de A desonestidade levanta uma questão: será que todas as pessoas têm um preço? benefícios. Estes acontecimentos reais e/ ou possíveis, levantam uma interrogação à qual, infelizmente, me é impossível responder com convicção: será que todas as pessoas têm um preço? Com a convicção possível, quero acreditar que não! Quero acreditar que existem pessoas incorruptíveis. No entanto, outras existirão que o não são, cujo “preço” pode oscilar entre uns míseros euros e milhares ou milhões. Assim como, infelizmente, é praticamente impossível “adivinhar” à priori a natureza humana de cada actor, em especial daqueles que nunca enganaram, o melhor é preparar o mundo para a existência de quem engana. No mundo das organizações, isso deve ser encarado com a preocupação de evitar ser possível o engano, ao invés da crença de que a moldura penal dissuade a prática de acções ilegais, até porque algumas das situações de proveito próprio podem não configurar crime, como é o caso do segundo e terceiro exemplos apresentados. Por tudo isto, penso que é mais eficaz a utilização de mecanismos de compensação que envolvam sistemas de controlo adequados que não permitam o incentivo ao engano ou a práticas menos adequadas, no longo-prazo. As pessoas, infelizmente em alguns casos, não se comportam como nós gostaríamos ou como a ética preconizaria. Comportam-se, sim, como nós as incentivamos. E colocar alguém em tentação pode revelar-se, para alguns, um incentivo ao engano. comunicação interna 058 Enquadramento digital O novo aliado da Comunicação Interna casos 060 AXA 064 Banco Popular 068 CTT 072 Deloitte 076 EDP 080 fidelidade 084 Galileu 086 Grupo ch 090 JABA 094 Siemens 098 Siva 102 Sonae 106 Unicer 110 Vodafone Comunicação Interna Enquadramento A Comunicação Interna tem novos aliados Os canais de Comunicação Interna digitais constituem, de facto, um novo aliado para as organizações, bem como um meio que pode ser consumido em qualquer lugar, a qualquer hora e com menor investimento financeiro. Por Maria Inês Romba Coordenadora do Gabinete de Marketing e Comunicação • Doutorada em Comunicação Interna • Investigadora no Centro de Estudos de Comunicação e Cultura Faculdade de Ciências Humanas - Universidade Católica Portuguesa A Comunicação Interna de uma organização constitui um factor determinante para a boa articulação entre as pessoas e o negócio. O conhecimento sobre a actividade e os produtos, sobre a estratégia e os valores de uma organização, concretiza-se nas boas práticas de Comunicação Interna. A diversidade de pessoas e, em associação a estas, a multiplicidade de culturas, nacionalidades e assimetrias constituem verdadeiros desafios organizacionais. A Comunicação Interna não é apenas um processo, um instrumento funcional, útil e benéfico, é a peça do puzzle, uma componente organizacional que permite grandes concretizações ou profundos fracassos económicos e sociais. Os canais digitais da Comunicação Interna vieram introduzir novas oportunidades, mudanças, diferenças e integração. Maior proximidade, a possibilidade de mais sociabilização, mas também a necessidade de fazer escolhas por parte da organização. À 58 Human Resources Portugal Setembro 2015 luz das novas tecnologias, como pode a Comunicação Interna mudar e evoluir a percepção e utilidade na vida dos colaboradores e dos seus grupos? A cultura dos espaços de trabalho mudou e, hoje, contam as capacidades para criação de redes enquanto componentes adicionais do trabalho, as quais constituem elementos de âmbito social, capazes de continuar o trabalho além dos limites tradicionalmente instituídos. Estamos agora perante um novo conceito associado às condições e à forma como o trabalho se desenvolve – as Redes. Estamos perante um fim do isolamento e a oportunidade de conhecer pessoas ou de associar coisas, de constituir uma maior proximidade com quem é responsável por gerar o projecto (Boltanski e Chiapello). Escolher Canais Digitais Os canais digitais começam a ser os preferidos das organizações por se tratarem de canais que geram envolvimento imediato, permitindo um consumo igualmente rápido, com conteúdos curtos, claros e concisos. Mas farão sentido em todas as organizações? É necessário fazer escolhas em coerência com a cultura de cada organização. Cada organização tem o seu próprio “mundo”, necessidades, especificidades e colaboradores. Entre estes canais destacam-se o mailing interno, que fornece uma ou mais informações imediatas, permitindo a sua personalização ou não. Também a intranet, um dos primeiros meios de Comunicação Interna que chegou às organizações, que passou a disponibilizar informação sobre temáticas de interesse dos seus colaboradores. Contudo, a última não se tem revelado um meio de grande consumo por parte dos colaboradores, manifestamente por falta de tempo para o efeito, de interesse ou de atracção pelos conteúdos publicados. Acresce, ainda, que nem todas as intranets recebem actualização frequente. Para os colaboradores que não possuem computador disponível nas infra-estruturas das organizações (indústria), os quiosques interactivos têm constituído uma óptima solução. Caderno Especial digital Numa era de Comunicação Interna 2.0, têm crescido os grupos de Facebook, criados por determinados departamentos, os grupos formais de trabalho, ou mesmo os grupos informais presentes na organização. Os portais do colaborador, um nome atribuído às plataformas de Comunicação Interna de gestão individual, têm sofrido alterações e evoluído bastante. Numa era de Comunicação Interna 2.0, têm crescido os grupos de Facebook, criados por determinados departamentos, os grupos formais de trabalho, ou mesmo os grupos informais presentes na organização. A partilha rápida, o chat imediato e a estrutura de participação constituem os principais elos de ligação permitidos pela ferramenta. Também os grupos do Whatsapp têm ganho expressão, permitindo uma assídua troca de mensagens entre comités, departamentos ou de equipas com chefias. Em resposta à necessidade crescente de sociabilização da empresa e da procura de redes sociais, as organizações têm optado por soluções integradas. Se as intranets passaram por um período de ausência de visualizações, ou se revelaram insuficientes, entrámos, nos últimos tempos, na era das plataformas colaborativas. O que são plataformas colaborativas? São aquelas que per- mitem não só a comunicação de informações relevantes para a organização, apresentadas na forma de intranets, bem como a inclusão de plataformas sociais. Através destas, os colaboradores podem actualizar o seu estado, marcar e seguir determinadas páginas, ou mesmo comentar e avaliar artigos. A dinâmica social passa a integrar a Comunicação Interna das organizações. Escrever no mural dos outros colaboradores, tal como acontece no Facebook, integrar fóruns e actualizar fotos, tornou-se possível com estas novas ferramentas de Comunicação Interna digital. A migração de várias ferramentas de comunicação para um único canal tem-se revelado um potenciador de comunicação interna e de relações de confiança. Confiança é o elemento fundamental para que uma plataforma seja bem-sucedida. Tornar públicas opiniões, ideias ou sugestões só é possível numa cultura de confiança, em que as pessoas não sintam medo de se expor. Dar voz ao colaborador é uma das medidas mais eficazes para o sucesso. No entanto, a publicação de um ponto de vista é uma tomada de posição. Os média sociais são mais um canal de comunicação no projecto de comu- 7 passos Comunicação Interna 2.0 Siga estes passos para uma Comunicação Interna online bem-sucedida R Envolver a liderança R Estar preparado para a resistência R Envolver os colaboradores de forma divertida R Promover iniciativas que despertem a atenção e participação dos colaboradores R Fornecer uma ferramenta de feedback útil R Calendarização da utilização: doseamento R Pergunte a si mesmo: o que quer que a audiência memorize mais? para ouvir o pior e saber responder. A cultura organizacional (Edgar Schein) influencia, e muito, o comportamento dos colaboradores e a sua Comunicação Interna. Resultante disto é a forma como encaram o papel das redes sociais na organização. Os canais digitais são novos aliados e vieram para marcar a diferença e acrescentar valor ao todo da organização. nicação integrada de qualquer organização. Os colaboradores utilizam redes sociais? Têm competências para operar nas redes sociais? (Se não, é necessário conceder formação.) Estão interessados? (Se não, é necessário incentivá-los.) Os média sociais internos vão acrescentar benefício à organização? É necessário evitar a duplicação do esforço de comunicação, criar linhas orientadoras simples e exequíveis, estar preparado As ferramentas de Comunicação Interna são, para além de canais de comunicação, plataformas de captura de ideias e de colaboração. Constituem incentivadores da participação dos colaboradores através de novas ideias para determinados projectos, nos quais identifiquem novas oportunidades. Este é um modelo que tem como objectivo o envolvimento do público interno em torno de soluções inovadoras. Human Resources Portugal 59 Comunicação Interna mediadores São embaixadores da marca que representam. Encurtam a distância entre o cliente e a companhia de seguros através da prestação de um serviço profissional de acompanhamento e aconselhamento. O axa O Mediador de seguros e a nova era digital A AXA reconhece desde sempre o importante papel desempenhado pela sua rede de mediadores, como parte integrante da sua identidade de marca. A marca só por si não existe. Ganha expressão quando se fala em colaboradores e mediadores que materializam os seus valores, trabalhando em conjunto. 60 Human Resources Portugal Setembro 2015 mediador assume um papel fundamental na indústria seguradora. Muito para lá do normal papel de intermediário na relação do cliente com a companhia de seguros, ao mediador cabe a função essencial de consultor e conselheiro, apresentando soluções de protecção adequadas às necessidades do cliente. Para além disso, é um profissional dedicado, que coloca toda a sua experiência no processo de gestão da sua relação com os clientes, prestando um serviço diferenciado e de qualidade, que deve constituir uma mais-valia não só para o cliente, mas também para o segurador. É com esse objectivo que a AXA tem como premissa, no âmbito da sua estratégia global, uma forte componente de formação, marketing e comunicação que suporta os objectivos da rede de distribuição, da qual fazem parte diversas iniciativas, como a formação contínua e a certificação de mediadores em temáticas específicas e relevantes para os clientes (Sistemas Privados de Reforma, Soluções PME, entre outros) sempre em parceria com reputadas instituições de ensino, como o ISEG, a Universidade Católica ou o IPAM. Em 2015, foi lançado o projecto “Conferências AXA”, sessões de proximidade junto de clientes e potenciais clientes em parceria com mediadores para debater sobre soluções de seguros em áreas em áreas como a Saúde, Vida Risco ou Investimentos Financeiros. O modelo, que tem sido bem recebido, terá continuidade ao longo dos próximos meses. Caderno Especial premissa A AXA tem, no âmbito da sua estratégia global, uma forte componente de marketing e comunicação que suporta os objectivos da rede de distribuição. Digital: a tendência Em sintonia com as tendências globais do mercado e dos consumidores, a seguradora AXA destaca o “desafio digital”, ou seja, a exploração optimizada das tecnologias de informação e comunicação ao serviço do negócio, correspondendo assim à crescente apetência dos consumidores para interagirem com as marcas através de múltiplas plataformas e de experiências digitais cada vez mais imaginativas. Para a AXA esta é uma oportunidade para o desenvolvimento do negócio do mediador, introduzindo maior proximidade com o cliente, especialmente com consumidores tecnologicamente mais exigentes. Os mediadores, assim como as seguradoras, devem encarar a era digital não como uma moda, algo passageiro, mas como uma forma diferente e diferenciadora de desenvolver a sua actividade, encarando os canais digitais e as redes sociais como complementos da sua actividade comercial e, sobretudo, como meios privilegiados Digital Canais de comunicação R Portal AXA Informa R Newsletters R Microsites dos Mediadores R Páginas Profissionais dos Mediadores nas Redes Sociais Em sintonia com as tendências globais do mercado e dos consumidores, a AXA destaca o “desafio digital”, ou seja, a exploração optimizada das tecnologias de informação e comunicação ao serviço do negócio. de simplificar processos, maximizar contactos e alavancar o negócio. É um “admirável mundo novo” que evolui a uma velocidade vertiginosa e que obriga ambas as partes (mediadores e companhias de seguros) a estarem permanentemente alertas para acompanharem, reagirem e anteverem as mudanças constantes que se registam a este nível e que a AXA acompanha de perto, contribuindo para a evolução tecnológica do sector. Meios e plataformas A companhia de seguros AXA incentiva os mediadores a criarem páginas de Human Resources Portugal 61 Comunicação Interna Tecido empresarial Os mediadores, em conjunto com as equipas internas, são o rosto da marca e a extensão da empresa em todo o território nacional. AXA Conferências O que são R Sessões de proximidade junto de clientes e potenciais clientes em parceria com mediadores. Objectivo R Debater sobre soluções de seguros em áreas em áreas como a Saúde, Vida Risco ou Investimentos Financeiros. Facebook profissionais, alinhadas com a estratégia e presença corporativa da empresa nas redes sociais, orientada para a temática da Protecção, permitindo ainda a apresentação de todos os produtos e campanhas, estabelecendo uma relação cada vez mais próxima com os clientes e alargando ainda mais a sua rede de contactos. Na sua relação com os mediadores, a AXA desenvolve as mais variadas ferramentas de gestão, canais de co- A AXA incentiva os mediadores a criarem páginas de Facebook profissionais, alinhadas com a estratégia e presença da empresa nas redes sociais, permitindo a apresentação de produtos e campanhas, estabelecendo uma relação mais próxima. 62 Human Resources Portugal Setembro 2015 municação e suportes de apoio à sua actividade. Para além da existência de uma plataforma única de comunicação (Portal AXA Informa), a actividade da seguradora AXA, com a sua rede de mediadores, é desenvolvida através de uma ferramenta denominada Plano de Acção Comercial, dividido por diversos ciclos comerciais. Existe um alinhamento de toda a comunicação com o cliente nos vários canais existentes, do merchandising aos conteúdos de sites institucionais da AXA e dos microsites dos agentes às redes sociais. Os mediadores são embaixadores das marcas que representam e encurtam a distância entre o cliente e a companhia de seguros, através da prestação de um serviço profissional de acompanhamento e aconselhamento. Parte integrante do tecido humano da empresa, são eles, em conjunto com as equipas internas, o rosto da marca e a extensão da empresa em todo o território nacional. Soluções globais de proteção para todos os momentos e aconselhamento especializado. Parcerias com várias Ordens Profissionais. Seguros de vida, habitação, automóvel e muito mais. Proteção com vantagens únicas. Um Clube que oferece descontos diretos para Clientes AXA. Contacte-nos: O seu Mediador AXA 707 281 281 dias úteis, das 8h30 às 19h00 www.axa.pt/contactos PUB. Data de atualização: setembro de 2015. Escrito segundo o Novo Acordo Ortográfico. Não dispensa a consulta da informação pré-contratual e contratualmente exigida, e as condições de utilização do cartão clube AXA em www.axa.pt/clube-axa. AXA Portugal, Companhia de Seguros de Vida, S.A. Sede: Edifício AXA, Av. do Mediterrâneo, 1, Parque das Nações, Apartado 1953, 1058-801 Lisboa. Tel. 21 350 6100. Fax 21 350 6136 Matrícula/Pessoa Coletiva N.º 502 220 473. Conservatória de Registo Comercial de Lisboa. Capital Social 10.000.000 Euros AXA Portugal, Companhia de Seguros, S.A. Sede: Rua Gonçalo Sampaio, 39, Apart. 4076, 4002-001 Porto. Tel. 22 608 1100. Fax 22 608 1136 Matrícula/Pessoa Coletiva N.º 503 454 109. Conservatória de Registo Comercial do Porto. Capital Social 36.670.805 Euros ENTRE NO CLUBE axa.pt/clube-axa Comunicação Interna Banco Popular Transformação positiva A equipa que gere a Comunicação Interna no Popular está integrada na área de Recursos Humanos, o que para Susana Gomes, coordenadora executiva da equipa de Recursos Humanos do Banco, merece uma leitura prévia. A gestão de Recursos Humanos no actual contexto é uma tarefa exigente. A dinâmica e a velocidade do mercado obrigam a uma constante readaptação dos colaboradores a novas tarefas, metodologias e posicionamentos hierárquicos. As mudanças de mercado são rápidas e disruptivas e as pessoas têm de estar aptas a ver transformado o ambiente de trabalho e a participar nessa transformação. O Banco Popular acredita que «os verdadeiros gestores dos Recursos Humanos são os líderes das equipas. Assim, os desafios da equipa de RH (e da Comunicação Interna) deixam de se 64 Human Resources Portugal Setembro 2015 concentrar em temas tradicionais como reformulações de esquemas de retribuição, gestão de carreira ou reengenharia de sistemas de avaliações de desempenho e procuram focar a agenda em iniciativas que impulsionem a estratégia do negócio.» A Comunicação Interna tem um papel instrumental na comunicação e diálogo com as equipas - difundindo as mensagens fundamentais para que todas as pessoas da organização conheçam os valores do grupo, comunguem da mesma cultura e se mantenham “apaixonadas” pelo projecto que desenvolvem no Popular. «O desafio desta equipa é ajudar a dar sentido ao que se passa na organização, mostrar o caminho que estamos a fazer e, apesar das diferenças entre todos (que respeitamos e valorizamos), conseguir promover um sentimento de união em torno de uma mesma causa», refere Susana Gomes. O poder da tecnologia O actual ambiente tecnológico constitui um desafio. As redes sociais e os inúmeros veículos de comunicação em tempo real vieram oferecer novas soluções comunicacionais, acelerar contactos, permitir trocas de experiências e opiniões, espalhando mensagens em poucos minutos por áreas geográficas alargadas. De acordo com Susana Gomes, «a era dos computadores, dos tablets, das videoconferências, das Caderno Especial do Banco Popular procura obter através dos meios digitais. «Acreditamos que, através da comunicação para clientes, colaboradores, ou quaisquer stakeholders, podemos ser mais conhecidos. Ser conhecidos pelo que somos, mostrar o que fazemos, apresentar os nossos projectos e a vida da organização», refere Susana Gomes, que acrescenta que «esta comunicação não é unilateral. O mais enriquecedor é ouvir o mercado e poder aprimorar a nossa actividade em função das percepções que nos chegam, o que permite ter feedback dos clientes, ouvir opiniões sobre os nossos produtos e receber sugestões de melhoria.» Uma nova Comunicação Interna? mensagens instantâneas, dos blogues, dos chats, das redes sociais, da partilha de vídeos e fotos, é uma realidade que as empresas não podem ignorar – e que, pelo contrário, poderão aproveitar como meio de divulgação de mensagens estratégicas». As novas tecnologias constituem ferramentas incontornáveis que integram a vida social. Permitem partilhar conhecimentos e experiências, obter feedback, chegar a mais gente, mais rápido e multiplicar a mensagem – criando uma sensação de maior proximidade e propiciando sentimentos de pertença e de identificação com a marca. São esses benefícios que a Comunicação Interna No plano da Comunicação Interna as novas tecnologias assumem um papel importante. A Comunicação Interna aproveita as redes sociais para partilhar com o mundo o que acontece na organização, o que no Banco Popular significa divulgar momentos de celebração, como o aniversário de abertura de uma agência, destacar equipas com excelentes desempenhos, com fotos dos colaboradores das agências, ou partilhar a história, a vida ou os sonhos dos colaboradores. De acordo com o banco, estas mensagens são contributos que inspiram, permitem uma comunicação muito mais eficaz, através do exemplo, e contagiam positivamente. Mas a Comunicação Interna utiliza ainda outros meios digitais. «Através da intranet podemos expor variados conteúdos úteis aos colaboradores, visí- As equipas de RH devem ser parceiras na construção e difusão das melhores práticas, procurando ajudar a dar consistência à estratégia definida pela empresa. Identificação Cultura de Transparência O Banco Popular tem uma cultura baseada na transparência relacional, na proximidade, em lideranças autênticas, atitudes genuínas, estimulando as vontades de todos com desafios permanentes, intensificando a energia de cada um, para que sejamos capazes de superar as adversidades e manter um forte “querer”. Para a responsável dos Recursos Humanos do banco, «a Comunicação Interna só conseguirá atingir o seu objectivo principal se conseguir que todos na organização se sintam identificados com essa cartilha». veis para todos ao mesmo tempo, desde as equipas do Minho até às do Algarve. Aproveitamos a intranet para divulgar não só informação de negócio, mas para destacar colaboradores com a atitude certa», esclarece Susana Gomes. A “CHAMA” do Banco Popular Nos últimos três anos o Banco Popular tem mantido um plano de iniciativas estratégicas ao qual foi dado o nome de “CHAMA”. «No ano de 2015 iniciámos uma nova fase de desenvolvimento a que chamámos “MaisCliente”. Temos apostado em planos de iniciativas que integrem o contributo de vários colaboradores, procurando manter o ritmo desejado para o cumprimento de metas claras e conhecidas, pelo que continuamos a acreditar que dar atenção às pessoas e desenvolver ideias para melhorar a organização trará frutos para cada um, para a harmonia do conjunto e também para a conta de exploração», reforça Susana Gomes. Depois do sucesso do plano estratégico “CHAMA”, o projecto “MaisCliente” Human Resources Portugal 65 Comunicação Interna o futuro O Banco marca presença em variados canais: Facebook, Twitter, YouTube e LinkedIn, pelo que comunicar faz parte da sua cultura também inclui uma agenda de iniciativas que estimulam o envolvimento de todas as pessoas da organização, sendo que a Comunicação Interna tem a responsabilidade de servir de suporte organizador e orientador às acções que dão corpo a estes planos. Acima de tudo criatividade Os canais utilizados pela Comunicação Interna para contagiar todas as equipas para esta agenda são os que a criatividade permitir. «Divulgamos através da intranet o calendário das actividades, além de mensagens do presidente. Através de correio electrónico enviamos para todos os colaboradores o “Flash Mais Cliente” que contém informação sobre o que vai acontecendo na vida do Banco. A decoração do edifício sede é também um canal de comunicação onde colocamos frases chave relacionadas com a atitude que queremos ter. E até no ecrã das impressoras que estão alocadas às agências prémio Boas práticas No âmbito dos últimos prémios da Human Resources, o Banco Popular venceu na categoria “Melhores práticas de Comunicação Interna?”, facto que para Susana Gomes confere à organização uma ainda maior responsabilidade. «Estamos orgulhosos do caminho que percorremos, mas cientes de que ainda temos muito que fazer. A transformação cultural é um desafio inacabado, mas os resultados têm sido animadores. Sentimo-nos mais capazes de cultivar uma atitude positiva - e um forte “querer” - e preservar, a partir da diversidade, a coesão necessária para continuar a trabalhar mais e melhor», sublinha a responsável. 66 Human Resources Portugal Setembro 2015 distribuídas ao longo do País são colocadas mensagens com significado especial», refere a coordenadora executiva dos Recursos Humanos do Banco Popular. Mas para Susana Gomes, numa cultura de proximidade é importante manter momentos de contacto “cara a cara”. «Temos um calendário que nos permite manter contacto através de reuniões mensais onde analisamos resultados e partilhamos ideias, um programa de visitas constantes de colaboradores das agências que passam dois dias nos serviços centrais, e continuaremos a organizar eventos que reforcem o espírito de equipa, garantindo uma mensagem coerente com a estratégia de gestão.» Cultura de proximidade No Banco Popular a concepção e o desenvolvimento da cultura de proximidade tem sido um trabalho conjunto. O investimento de tempo e dedicação de muitos O Banco Popular tem aproveitado o potencial comunicacional do digital para se manter perto dos clientes e próximo dos colaboradores. colaboradores tem o retorno imediato de esbater barreiras de comunicação, criando oportunidades para que as pessoas se conheçam e coloquem a criatividade ao serviço de um bem comum. Esse efeito de contágio e esse esforço tem permitido uma maior eficiência. «Com o tempo, estas medidas têm permitido uma transformação paulatina da cultura da organização, tornando-a mais eficiente, com pessoas capazes de trabalhar na adversidade, com um espírito de grupo mais forte e com um maior enfoque no serviço e na qualidade de serviço ao cliente», reforça Susana Gomes. A Comunicação Interna é apenas um instrumento, um suporte, que procura ajudar a concretizar estas metas, pelo que «é uma tarefa difícil, mas muito estimulante», acentua Susana Gomes, concluindo que «os resultados e a conta de exploração do Banco têm sido um reflexo muito positivo desse esforço e dessa transformação». Crédito Habitação é no banco Popular. Faça a sua simulação. Informe-se numa agência do Popular bancopopular.pt 808 20 16 16 Dias úteis das 9h às 21h Comunicação Interna Miguel Salema Garção Director de Marca e Comunicação dos CTT S ctt A empresa é construída pelos colaboradores Integrada na direcção de Marca e Comunicação, a Comunicação Interna nos CTT tem como preocupações principais aliar a procura activa de soluções inovadoras de comunicação que se adequem à realidade CTT, mantendo os colaboradores envolvidos, motivados e informados sobre a actividade e a estratégia da empresa. 68 Human Resources Portugal Setembro 2015 urgindo como uma das marcas portuguesas mais emblemáticas, detentora de um vasto património que tem vindo a acompanhar a evolução dos tempos, os CTT atravessam um momento de actualização da sua identidade. Para tal há por parte de todos uma importante contribuição, pois a história e o legado da empresa são construídos pelos seus colaboradores, como refere Miguel Salema Garção, director de Marca e Comunicação dos CTT. «Queremos contribuir de forma decisiva para mais uma fase importante da empresa, pelo que, após um rigoroso estudo, chegámos à conclusão que o desenho podia ser mais dinâmico e a tipografia mais moderna e robusta», refere, reforçando que, com este restyling, o mensageiro e o cavalo ganharam mais dinâmica, assumindo uma postura de galope e velocidade, mais orientada para o futuro. Para tornar a identidade mais harmoniosa, a sigla CTT foi também ela redesenhada, com formas mais modernas e com mais personalidade, estando simultaneamente a ser preparado o lançamento do Banco CTT. Com todos envolvidos na mudança, Miguel Salema Garção cimenta que a «equipa de Marca e Comunicação dos CTT é uma extensão e uma parte de tudo isto e é quem faz acontecer. São profissionais dedicados, com um grande amor à camisola.» Aludindo ao espírito de “família CTT” quando recebeu o galardão HR na categoria de Gestão de Seniores, Miguel Salema Garção reforça que «somos de facto uma “grande família”» referindo-se às 12 mil pessoas que trabalham com muito «entusiasmo, um dos nossos valores empresariais. Trabalhamos com rigor e paixão para vencer em Caderno Especial Para a obtenção de bons resultados é essencial saber ouvir, analisar oportunidades de crescimento e de desenvolvimento, passar informação, potenciar o espírito de equipa. equipa, tendo connosco as melhores pessoas. Este é o espírito que nos une e que nos faz querer ser melhores.» Comunicar com clareza Com presença em todo o País, além de Espanha e Moçambique, para os CTT é importante que a informação útil e relevante chegue rapidamente e de forma adequada aos colaboradores nos vários locais de trabalho, «por isso temos vários suportes de comunicação interna para dar resposta aos grupos internos que consideramos ser importante segmentar», refere o responsável. Entre os diferentes grupos especifica os carteiros, os atendedores, os operadores das centrais, os motoristas, os administrativos, as áreas de negócio, as áreas de suporte ao negócio e corporativas. «Neste leque alargado de públicos é importante ter suportes de comunicação diferenciados que se adequem aos diversos locais de trabalho, de acordo com as funções de cada grupo de pessoas», refere Miguel Salema Garção. participativa, agilizando processos e melhorando a sua eficácia. «Além de todo o esforço de comunicação, indispensável para a coesão interna dos CTT, a intranet está a ser dotada de funcionalidades com benefícios claros para as áreas de negócio, para que se torne um elo de ligação entre todos os membros da organização e + Inovação, by CTT Programa Lançamento R 22 de Junho Objectivos R Estudar tendências de mercado; conhecer as ideias dos colaboradores: melhorar a oferta; disponibilizar novas soluções, produtos e serviços; criar valor para o negócio contribua para o acréscimo de produtividade e redução de custos, e se constitua como uma verdadeira rede de conhecimento», afirma a propósito Miguel Salema Garção. A intranet dos CTT – Comunidade CTT – foi lançada em 2011 como o único portal corporativo da empresa, para garantir uma comunicação integrada que favorecesse e incrementasse sinergias entre as várias áreas e empresas dos CTT. Projecto desenvolvido para consolidar a imagem da organização, a identidade organizacional e o espírito de grupo, na Comunidade CTT os colaboradores podem conhecer as notícias mais recentes do Universo CTT, consultar publicações, como a revista e as newsletters internas, e ter acesso aos recortes de imprensa sobre a empresa, a formulários e a aplicações de trabalho, assim como a áreas de partilha de documentos. «A resposta dos colaboradores foi bastante positiva e a utilização da intranet dos CTT tem revelado índices de navegação muito interessantes, com uma média de 100 mil visualizações de páginas por mês», revela o director de Marca e Comunicação dos CTT. Balanços e perspectivas Hoje os CTT são uma empresa completamente diferente e isso nota-se. Para além da privatização (em Dezembro O valor do digital O paradigma da intranet empresarial mudou nos últimos anos, tendo deixado de ser uma ferramenta de Comunicação Interna com uma lógica informativa e passando a estar orientada para o apoio ao negócio e para a produtividade. Com forte presença online, também os CTT têm sentido esta realidade, por isso a empresa tem vindo a dotar as equipas de ferramentas que lhes permitam uma acção mais activa e uma empresa diferente A comunicação é de excelência e tem um peso substancial na estratégia da empresa Human Resources Portugal 69 Comunicação Interna reconhecimento Os prémios dos CTT Em 2015 os CTT foram reconhecidos em várias áreas, desde a Comunicação à Gestão de Seniores ou Igualdade de Género, com destaque para as distinções atribuídas pela APCE na categoria “Campanha de Comunicação Institucional” – com ”A Maior Rede de Obrigados” - e “Publicação Interna” – com “Aposta” e “Televisão Corporativa”, esta com “Via TV”. de 2013), de ser cotada em Bolsa e membro do PSI20, a comunicação é de excelência e tem um peso substancial na estratégia da empresa. Esta mudança leva Miguel Salema Garção a referir que o balanço «é muito positivo, mas ainda há muita margem para desenvolvermos um conjunto de projectos que nos irá tornar ainda mais fortes comunicacionalmente. Prevemos um crescimento gradual e sustentado na área de Comunicação Interna, que se refletirá na restante empresa.» A Comunicação Interna ajuda a reforçar a identidade na medida em que potencia e promove a cultura da empresa. «Uma estrutura organizacional não sobrevive se não tiver uma cultura forte», defende Miguel Salema Garção, acrescentando que «a maneira ou forma como “fazemos as coisas” é o que nos diferencia dos outros. A estrutura empresarial acaba sempre por reflectir a cultura da empresa e a nossa tem mostrado resultados positivos.» No curto prazo, os CTT vão investir nos suportes de Comunicação Interna, como é o caso da Comunidade CTT (Intranet) e a CTT TV (canal de televisão interna). «O nosso canal de televisão interna é transmitido em alguns locais de trabalho e pretendemos que chegue a todos os colaboradores, tal como Com presença em todo o País, para os CTT é importante que a informação útil e relevante chegue rápido e de forma adequada e eficaz aos colaboradores. 70 Human Resources Portugal Setembro 2015 a nossa intranet. Os conteúdos de vídeo são de facto a tendência e uma das melhores formas de comunicar», afirma Miguel Salema Garção, referindo, no entanto que, tendo em conta a diversidade de públicos internos, «temos de assegurar um leque de suportes de comunicação que assevere a transmissão de informação a todo o universo CTT, por isso temos uma revista, uma intranet e um canal de TV. O nosso objectivo é criar e potenciar uma cultura de colaboração e partilha online e offline.» O peso da história versus inovação Com quase 500 anos de história, a inovação faz parte dos valores dos CTT, «o que é importante é envolver as pessoas nos passos e matérias mais importantes e deixar que contribuam, sempre que possível, com o seu conhecimento e experiência», assegura Miguel Salema Garção. Os CTT criaram recentemente uma área de partilha de notícias na revista interna da empresa, Aposta+, exclusivamente dedicadas à inovação, onde os colaboradores podem ter acesso a informações sobre as iniciativas inovadoras dos vários players mundiais e também dos CTT. Cada vez mais presentes, cada vez mais envolvidos. Com um envolvimento muito próximo de todos, os CTT assumem o compromisso de pensar e agir de forma sustentada ao nível económico, ambiental e social. Nos CTT estamos cada vez mais envolvidos com algo que é de todos: o futuro. Siga-nos em www.facebook.com/EsferaCTT 4 CTT/CI-MIP/CADA VEZ MAIS ENVOLVIDOS/CRT HOMEM/2015-01/3 2015 Comunicação Interna Deloitte Sucesso da organização Há por parte da Deloitte Portugal o reconhecimento da Comunicação Interna como vector vital no desenvolvimento da cultura da empresa. A ComunicaçãoInternatem um papel fundamental na Deloitte, não apenas para o desenvolvimento da cultura organizacional e reforço dos valores da marca, mas para a promoção do desenvolvimento dos seus profissionais e, consequentemente, do crescimento da organização. «Pertencemos a uma rede global, presente em mais de 150 países e com mais de 210 mil profissionais em todo o mundo, em que a partilha de conhecimento, de práticas e processos é crítica para o sucesso da organização», afirma Catarina Zagalo, directora de Marketing, Comunicação e Desenvolvimento de Negócio da Deloitte Portugal. Não sendo o único, a Comunicação Interna é um dos elementos impres- 72 Human Resources Portugal Setembro 2015 cindíveis para a sustentabilidade das empresas, ou seja, «é importante na medida em que tem o potencial, por exemplo, para envolver, motivar e orientar os profissionais, com reflexo mais ou menos directo na performance da organização», assegura Catarina Zagalo, referindo que «tal é verdade em particular nas organizações de serviços profissionais, como a Deloitte, onde sabemos que a Comunicação Interna tem um impacto significativo na forma como os nossos profissionais representam e entregam a nossa marca todos os dias, na relação entre equipas e com os clientes». Poder estratégico Afirmando-se cada vez mais como um processo estratégico, já não há espaço para uma actuação tímida da Comunicação Interna, «e o exercício mais interessante é o de perceber a real dimensão da Comunicação Interna, que naturalmente extravasa o trabalho das equipas de comunicação». Às equipas cabe o papel de criar espaços, motivar, incentivar para que a comunicação flua, sugerindo mensagens, partilhando informação, pois, de acordo com a responsável, «há projectos cada vez mais interessantes e de maior dimensão, sobretudo nos resultados que se podem alcançar com uma boa iniciativa de Comunicação Interna. Temos participado em fóruns de partilha de boas práticas e experiências, a nível nacional e mesmo internacionalmente, que servem de inspiração para outros e para nós próprios.» Na Deloitte a partilha de boas práticas nesta área pelas diferentes firmas membro, localizadas em países distintos, tem permitido à empresa implementar iniciativas de sucesso, divulgando igualmente projectos que pretendem realizar e que são geradores de bons resultados. «Isso enche-nos de orgulho, ver replicadas noutras geografias ideias geradas pela nossa equipa local onde a criatividade é, na maioria das vezes, o ingrediente central», sublinha Catarina Zagalo. A Deloitte atribui muita importância à Comunicação Interna, sendo que, para além das directrizes internacionais que são partilhadas por toda a comunidade de profissionais, cada firma membro tem Digital Plataformas Deloitte R Yammer R Deloitte People Network R QR Check in R Code readers (apps, redes sociais, fóruns, chats, email marketing, webletters) Caderno Especial equipas que garantem a consistência da mensagem, dos canais e da marca, e que procuram fazer sempre mais e melhor. «Na equipa de comunicação procuramos, com base no feedback que recebemos de modo formal e informal, definir um plano de Comunicação Interna alinhado com os resultados destas análises. Integramos também neste planeamento os principais momentos que tocam os profissionais e, de igual importância, as mensagens que a organização terá de emanar sobre processos ou outra informação, no mesmo período. A nossa política de comunicação procura sobretudo gerar um reforço na ligação à marca e activar o “orgulho Deloitte”», refere Catarina Zagalo. Inovação Tecnologia sucesso nais com uma média de idades baixa, confere-nos um equilíbrio invulgar que marca muito o nosso tom de voz da nossa Comunicação Interna», assegura Catarina Zagalo, para quem «os nossos profissionais são o nosso maior activo. de possibilidades às empresas, transformando por completo o paradigma da comunicação. O aparecimento do digital mudou também o conteúdo da comunicação, impondo novas regras de construção de mensagens e até a utilização de uma linguagem mais dinâmica e directa. Sobre esta nova realidade, Catarina Zagalo refere que «o digital está a ganhar cada vez mais espaço na Deloitte, pelo que estamos atentos às novidades que surgem nesta área ao mesmo tempo que integramos, a um ritmo crescente, a tecnologia nas A boa comunicação Uma boa Comunicação Interna deve ter objectivos claros de gerar resultados para o negócio, tanto em termos de imagem como de reputação, pelo que tem de estar necessariamente alinhada com o negócio, promovendo a reputação e a imagem da organização. A definição de objectivos ajuda a empresa a medir o sucesso das suas acções e, por isso, há bastante exigência na hora de os definir, assegurando que estão alinhados com a estratégia da firma. «Os objectivos não são apenas da equipa ou função de comunicação – naturalmente são os objectivos da organização e cada um dos instrumentos de gestão, sendo a comunicação um deles, irá dar um contributo para que a organização, como um todo, caminhe numa direcção», refere a responsável. A Comunicação Interna da Deloitte distingue-se pela capacidade criativa e de inovação dos canais de comunicação utilizados para transmitir as mensagens, mesmo sendo uma marca global que vive segundo orientações muito específicas. «O facto de sermos uma organização de serviços profissionais que opera num mercado business to business, mas ao mesmo tempo de contarmos com um conjunto alargado de profissio- A Comunicação Interna deve identificar os processos que têm de ser comunicados ou conhecidos. É nesse momento que se escolhem os canais adequados. São eles que produzem o conhecimento e que detêm a experiência necessária para entregarmos o padrão máximo de qualidade aos nossos clientes em cada serviço que prestamos.» O digital e a sua importância A influência do meio digital na comunicação trouxe um novo mundo nossas acções internas e externas». Na Deloitte a intranet continua a ser a plataforma privilegiada, pois permite à organização disponibilizar um conjunto importante de informações, locais e globais, facilmente acessíveis aos seus profissionais. «A tecnologia trouxe maior flexibilidade ao trabalho das equipas, que muitas vezes trabalham Human Resources Portugal 73 Comunicação Interna eficácia e alcance Cada acção de comunicação tem associado um conjunto de métricas e indicadores quantitativos e qualitativos que permitem avaliar a sua eficácia e alcance. Deloitte Desenvolvimento de campanhas Call-to-actions e feedback de participação através de formulários, questionários e outras dinâmicas a partir dos escritórios dos clientes ou que incluem profissionais de múltiplas geografias e necessitam de estar em permanente contacto.» No âmbito da 20.ª edição do Grande Prémio APCE, a Deloitte ganhou o prémio na categoria Webletter com a “Deloitte News Agenda”. Sobre o prémio, Catarina Zagalo afirma que «todos os reconhecimentos são importantes porque atestam publicamente o esforço que temos vindo a desenvolver para inovar, entregar mais e melhor aos nossos profissionais e superar nas abordagens que criamos. Este é, de facto, um reconhecimento importante, não só por ser atribuído pela APCE, mas porque valoriza um esforço enorme de inovação, de criatividade, e de integração de tecnologia na comunicação, fazendo-nos sentir que estamos no caminho certo.» Transparência transversal «A transparência deve ser transversal a qualquer meio, seja ele online ou offline. É um valor central que está presente em todas as nossas comunicações», defende Catarina Zagalo, «penso que a diferença estará mais centrada noutros factores que mudam a forma como gerimos a comunicação, como a multiplicidade de canais ou a rapidez com que a comunicação flui. Até agora temos optado por uma presença mais tímida e muito direccionada nas redes sociais, orientada para o negócio, mas em breve teremos novidades.» A equipa de Comunicação Interna 74 Human Resources Portugal Setembro 2015 Só tendo um grande conhecimento da organização, da sua identidade e dos seus profissionais, é possível ser-se eficaz na comunicação. da Deloitte tem a responsabilidade de garantir um fluxo de comunicação permanente com os profissionais sobre temas de negócio ou corporativos, garantindo a disciplina de marca. Para tal identifica os canais ou meios mais apropriados, trabalha os conteúdos e produz os melhores resultados. «Toda a comunicação tem o potencial para inspirar e transformar. No contexto de uma organização, a comunicação tem uma importância vital para o negócio, uma vez que reforça a relação daquela com os seus colaboradores. Ao sentirem que estão envolvidos, o compromisso é maior, e com ele, o sucesso da empresa é maior», conclui Catarina Zagalo. Comunicação Interna Principais instrumentos R Newsletters R Cartazes R Televisões R Screensavers R Emails R SMS R Social media R Intranet R Aplicações digitais Comunicação Interna EDP Mobilização positiva Com 12 mil colaboradores de 29 nacionalidades espalhados por 13 países, a EDP tem um gigante desafio na Comunicação Interna. Esta diversidade e dispersão geográfica catapulta a área para um patamar internacional. N a EDP é fundamental que os colaboradores conheçam a estratégia definida e estejam alinhados com os objectivos do grupo internacional. «Só teremos consistência na nossa actuação se partilharmos uma cultura organizacional comum. A cultura de uma empresa é o seu ADN, é a forma como fazemos as coisas, como somos. As evidências dessa cultura têm de estar presentes em toda a nossa actividade e, também, na nossa comunicação, em todas as formas como comunicamos, como nos apresentamos, como passamos conhecimento», sublinha Paulo Campos Costa, director de Marca e Comunicação da EDP. A Comunicação Interna é aqui assumida como um agente inspirador e transformador das relações humanas, sociais e empresariais. «Quando os co- 76 Human Resources Portugal Setembro 2015 laboradores sentem que são respeitados enquanto pessoas e profissionais, o clima organizacional é beneficiado. Não há dúvida de que o ponto-chave da comunicação é conhecer o seu público. Comunicar passa sempre por aproximar, tornar interessante, sensibilizar e mobilizar. E sabemos que não é fácil mobilizar as pessoas. Quando se alcança uma mobilização positiva, isso significa que o Plano de Comunicação resultou. Comunicar bem é sinónimo de mobilizar, não existem duas tarefas, há uma que – quando bem-feita – leva à outra», assegura o director de Marca e Comunicação. Na EDP, privilegiam-se os meios de comunicação formais, que têm grande aceitação interna. A edpON intranet, o meio de comunicação mais “popular” com quatro a cinco milhões de visitas anuais, a edpON revista, a edpON tv e a edpON rádio. «Quatro grandes ferra- mentas de Comunicação Interna que são utilizadas sempre numa óptica de complementaridade e que exploram abordagens alternativas. Como meios de comunicação consideramos ainda a WiKiEDP, uma enciclopédia sempre em construção, e as newsletters que são enviadas por algumas unidades de negócio e equipas de projecto. Adicionalmente, existem os “Encontros EDP”», esclarece. Os valores que regem a cultura da EDP são a inovação, a sustentabilidade e o humanismo. «Não são valores exclusivos, mas a forma como os vivemos e praticamos torna-nos numa empresa única. É isto que a comunicação reforça e nisto reside, também, a sua força. Só assim conseguimos que sejam partilhados e valorizados por todos», acrescenta. Valor da transparência «A Comunicação Interna trabalha as bases de um alinhamento estratégico imprescindível para conseguir resultados em termos de negócio. É à comunicação que é dada a missão de garantir a partilha de informação dentro de uma organização e o fomento de uma cultura comum, duas forças importantes para a afirmação da empresa como líder de mercado e criadora de valor a nível internacional. Caderno Especial Por outro lado, a Comunicação Interna trabalha um outro campo, uma área fértil e criativa: a motivação. É a motivação que muitas vezes serve de trampolim para ideias inovadoras e soluções apaixonadas», observa o director de Marca e Comunicação. «A Comunicação Interna encerra em si um forte potencial, mas como em qualquer decisão de gestão é necessário analisar os riscos, medir as consequências, estudar cenários. As consequências de um erro comunicacional são, hoje, mais críticas. Há uma responsabilidade acrescida porque há uma exigência maior de todos os intervenientes», alega. O papel estratégico da Comunicação Interna é reconhecido na EDP, o que não só tem intensificado a qualidade da comunicação que é feita como as soluções são cada vez mais inovadoras e colaborativas. Os resultados dos últimos estudos de satisfação têm deixado a equipa que tem em mãos a Comunicação da EDP bastante confiante de que está no caminho certo. Nos índices de satisfação interna com a empresa, e especificamente com a Comunicação Interna, 80% dos colaboradores estão “Muito Satisfeitos” ou “Satisfeitos” e 85% consideram que esta melhorou. Papel Comunicação Interna Esta área tem um papel importante na afirmação da empresa como líder de mercado e criadora de valor a nível internacional, uma vez que: R Trabalha as bases de um alinhamento estratégico R Garante a partilha de informação R Fomenta uma cultura comum R Desenvolve a motivação, que muitas vezes serve de trampolim para ideias inovadoras e soluções apaixonadas A EDP tem uma gestão integrada da comunicação, ou seja, a Comunicação Externa e relação com os média e a Comunicação Interna têm um único responsável. «Isto permite uma visão global da comunicação e o aproveitamento de sinergias de equipas e conteúdos. Há uma equipa de Comunicação Interna, focada na gestão dos meios de comunicação e produção de conteúdos e na assessoria de comunicação aos diversos projectos que se desenvolvem no grupo. Existem ainda estruturas de comunicação nas empresas que respondem funcionalmente Costa. Na EDP existe uma espécie de “contrato interno” em que os colaboradores nunca são os últimos a saber. «Felizmente, esta gestão tem cumprido e isso é mais um factor de credibilização da comunicação. Estar informado é, de alguma forma, participar no processo de decisão.» E acrescenta: «É importante ter em perspectiva nas organizações que comunicar não é apenas informar, é motivar, valorizando o trabalho das pessoas e equipas, envolver e, sobretudo, alinhar as pessoas com os objectivos e focá-las na execução. Não basta dizer meios de Comunicação Interna Aliam a força da palavra ao impacto das imagens, e o conteúdo é oferecido em função da disponibilidade e necessidade das pessoas. Comunicar é motivar, valorizando o trabalho das pessoas e equipas, envolver e, sobretudo, alinhar as pessoas com os objectivos e focá-las na execução. à direcção de Marca e Comunicação do Centro Corporativo. Todas trabalham em articulação e complementaridade», conta o responsável máximo pela área de Marca e Comunicação. O facto de ser feita uma comunicação global tem sido vital na estratégia da EDP. «Conseguir que os colaboradores se revejam na comunicação que fazemos, mas sobretudo que participem nela, é um objectivo actual», lembra Paulo Campos que foi inaugurada a subestação ou a central, isso é importante, mas não é o mais importante. É preciso explicar porque é que foi feito, como foi feito, destacar o trabalho das equipas, que tipo de relação se desenvolveu com as comunidades envolventes…» Boas práticas «A verdade é que, hoje, estamos satisfeitos com a qualidade que os nossos meios Human Resources Portugal 77 Comunicação Interna atingiram, com a equipa multidisciplinar que constituímos e com o produto que entregamos ao fim do dia. Para continuarmos satisfeitos, sabemos que temos de fazer mais e melhor, e fazemo-lo, todos os dias. Temos um conjunto de meios de comunicação variado – uma intranet, uma televisão, uma rádio e uma revista – que, trabalhando em complementaridade, consegue oferecer conteúdos muito fortes e existe um grande interesse comunicacional, com impacto e repercussão intenso na organização», sustenta o director de Marca e Comunicação. E fala-nos de um público interno cada vez mais exigente, instigado pela EDP a estar “presente”. «São todos bem-vindos para dar opinião, sugerir acções, melhorias e inovações de processos e abordagens. O feedback e as avaliações que temos têm sido bastante positivos e os prémios, nacionais e internacionais, são sinais fortes de que temos uma oferta superior neste campo. Não falaria de todos, mas gostava de destacar que a nossa intranet Comunicação Interna Princípios • Sustentabilidade • Inovação • Humanismo Objectivos • Partilhar informação • Desenvolver a cultura comum do grupo • Fortalecer a motivação foi considerada a melhor da Europa pelos European Excellence Awards, o que nos dá muita vontade de lutar para sermos os melhores do mundo.» Actualmente, a comunicação na EDP é segura de si e sempre com os olhos no crescimento. «Estamos, neste momento, a ultimar a renovação da plataforma de televisão e de rádio, que trará ganhos significativos para os utilizadores, mas também para as equipas internas responsáveis pela gestão das respectivas emissões diárias. A nossa televisão corporativa, distinguida por diversas vezes, tem uma oferta de programas muito forte em termos de negócio. Além dos acessos online ao site da edpON tv, a emissão pode ser visualizada em locais estratégicos, como as entradas dos edifícios, refeitórios, elevadores, somando-se cerca de 180 plasmas em todo o Grupo EDP. A rádio, que está apenas no seu terceiro ano de emissão, tem-se afirmado junto dos colaboradores do grupo de uma forma muito interessante. O ano de 2015 tem sido o melhor em termos de audiências, o que é explicado pela A Comunicação Interna trabalha uma área fértil e criativa: a motivação, que muitas vezes serve de trampolim para soluções apaixonadas. 78 Human Resources Portugal Setembro 2015 Campo digital Novo paradigma É notória uma nova forma de trabalhar na EDP R Mais adaptativa. Não é necessário estar “preso” a uma secretária R Ferramentas de produtividade. Coworking, portabilidade e mobilidade R Cultura. Colaboradores sempre “ligados”, com a informação literalmente nas mãos crescente participação dos colaboradores na programação da rádio. Adicionalmente, existem os “Encontros EDP”, que reúnem todos os colaboradores do grupo e que se realizam em Portugal, Espanha, Brasil e EUA, países que têm uma maior concentração de colaboradores. Este é o momento de Comunicação Interna por excelência, de aproximação entre a gestão de topo e os colaboradores, e no qual são partilhados a estratégia e os desafios, fazendo-se também um balanço crítico e premiando a excelência e o mérito. O grau de satisfação das pessoas em relação a estes encontros é elevadíssimo: 95% classificam-nos com Bom, Muito Bom ou Excelente e 96% avalia as intervenções e apresentações como muito interessantes, claras e úteis. Temos também explorado o formato de TED Talks, um sucesso interessante internamente», conclui. PORTUGAL 1975-2015 Estes são os nossos colaboradores. A Europcar faz 40 anos de agilidade. É graças à agilidade da Europcar e de todos os seus colaboradores que celebramos 40 anos de excelência em Portugal. E é graças ao incentivo de todos os nossos clientes que nos superamos, todos os dias, para fazer mais e melhor. Estamos todos de parabéns! Comunicação Interna Fidelidade Comunicar à distância de um click Vista como prioridade, a Comunicação Interna flui de uma forma natural na vida da Fidelidade. O digital veio agilizar ainda mais a comunicação dentro da empresa. N um universo de cerca de 3200 colaboradores, a Comunicação Interna na Fidelidade detém um papel fundamental, surgindo como prioridade e integrando-se de forma natural na rotina diária da vida da seguradora. «Vemos qualquer projecto ou iniciativa da organização ou do grupo como uma oportunidade para envolver os colaboradores», refere fonte da empresa, reforçando que «nada melhor que a comunicação electrónica para o fazer, seja através da intranet, do Entrenós (o mail colectivo para todo o grupo), das newsletters mensais sobre a Fosun, o nosso acionista maioritário, ou através do nosso programa de responsabilidade social, “Gente com 80 Human Resources Portugal Setembro 2015 Ideias”». Assim, para a Fidelidade, o target da Comunicação Interna são todos os colaboradores do grupo com quem, desta forma, se consegue comunicar facilmente à distância de um clique. Quanto ao balanço da utilização destes meios digitais, são os mesmos «muito positivos, pois este será muito provavelmente o primeiro “passo” diário da maioria dos colaboradores: ir à intranet ver se há novidades.» Intranet: o seu valor Resultado do trabalho de equipas multidisciplinares, a intranet da Fidelidade existe há bastante tempo, sendo que a sua concepção teve, principalmente, a colaboração das áreas de marketing e comunicação. Actualmente a gestão da intranet é da responsabilidade do Gabinete de Comunicação e Imagem. «A intranet tem acompanhado a evolução dos tempos, das marcas que constituem a Fidelidade e que originaram a actual marca única, até chegar ao presente modelo: uma intranet mais moderna, mais “user friendly”, mais abrangente». Hoje, para além da forte vertente comercial onde estão acessíveis números e rankings de vendas, campanhas, concursos de produção, entre outros, cada direcção pode “promover-se” na intranet apresentando a sua equipa, o seu trabalho e as suas mais-valias, fazendo uso dos diferentes espaços dedicados a cada tema. A intranet da Fidelidade é actualizada diariamente com tudo o que interessa ao colaborador, «procuramos consolidar a forma como nos organizamos, os nossos valores, aquilo em que acreditamos, a nossa estratégia, os produtos e serviços que oferecemos, os nossos resultados, partilhando sucessos, reconhecendo o trabalho das equipas, promovendo hábitos corporativos mais eficazes de forma a nos unirmos em torno do objectivo comum». Com tudo isto, a nós Grupo de Apoio sociAl O grupo NÓS desenvolve apoio personalizado aos colaboradores em situação de risco social, económico, financeiro e psicológico, e uma bolsa de emprego para familiares de colaboradores desempregados, em parceria com empresas de recrutamento. Tendo em conta o caráter pessoal destes casos, deverão ser enviados por email apenas aos responsáveis pelo projet ou por contato direto com Sónia Marianinho. [email protected] sonia Marianinho ext.: 664 295 tel.: 213 239 076 Caderno Especial Fidelidade procura reforçar o sentimento de orgulho e o contributo de todos os colaboradores para o sucesso colectivo, pois acreditam «na Comunicação Interna como promotora de mudança, essencial para a criação de conhecimento, para fomentar a participação e para agradecer e reconhecer», sublinha fonte da seguradora. O sucesso Verdadeiro sucesso, a intranet da Fidelidade permite reunir todo o universo de colaboradores, promovendo a cultura organizacional. «Sempre que possível, damos em primeira mão as principais novidades, quer da nossa empresa quer do sector. Desde um boletim de imprensa actualizado diariamente até notícias internas de eventos, iniciativas, campanhas, produtos, prémios conquistados, objectivos alcançados, novos benefícios ou ferramentas para os colaboradores, entre outros, a actualização é constante». Simultaneamente é promovido o envolvimento dos colaboradores que podem contribuir para a partilha de conhecimento, surgindo como pólo dinamizador de si próprios e dos outros. «A ambição maior é que cada colaborador seja um promotor da Fidelidade dentro e fora da empresa. Ou seja, queremos criar um colaborador “empowered”: mais autónomo, mais responsável e orgulhoso de pertencer à Fidelidade». O “Gente com Ideias” faz jus ao nome, surgindo como um espaço irreverente e inovador no modo de abordar as temáticas, sempre pela via prática, original, construtiva, interactiva. programa Caso de sucesso Acompanhado pela UCP do Porto e objecto de um case study, com vista a uma maior proximidade, o “Gente com Ideias” recorre a uma linguagem mais informal e até humorística, pois «queremos que o “Gente com Ideias” seja um “break” no dia do colaborador», refere fonte da Fidelidade, para quem a emoção, o humor, o uso do factor surpresa e a simplicidade são “ingredientes” para uma boa comunicação, transversal a qualquer sector. «Se com as nossas acções contribuirmos para pessoas mais motivadas, mais participativas, mais felizes na sua actividade profissional, atingimos o nosso objectivo», reforça fonte da Fidelidade, concluindo que «gente feliz produz mais». dariedade, ambiente, vida saudável, literacia financeira, entre outros, de uma forma leve e divertida, tentando trazer para dentro de “casa” temas que de alguma forma facilitem a vida ou contribuam para a mudança de atitude dos colaboradores, de uma forma didáctica mas descontraída. «O objectivo é partilhar com todos o sentimento de pertença e de orgulho em integrar uma empresa que se preocupa com as pessoas. Isto pode ser feito em proveito dos próprios colaboradores Gente com Ideias O website “Gente com Ideias” é a base do programa de responsabilidade social da Fidelidade. Criado em 2007, o “Gente com Ideias” conseguiu ao longo destes anos sensibilizar o colaborador para a responsabilidade social através de iniciativas no âmbito de projectos identificados como prioritários: soli- ou envolvendo-os a favor da comunidade. Também o feedback e o grau de compromisso é muito positivo. Daí que a cada iniciativa lançada as pessoas adiram de forma espontânea». Sem perder de vista os temas e eixos estratégicos que enquadram as questões da sustentabilidade e responsabilidade social, o foco do website é sempre o colaborador e o respectivo bem-estar e compromisso, aumentando o envolvimento entre os colaboradores das diferentes empresas do Grupo, promovendo uma maior coesão e cultura de grupo e comprometendo os colaboradores com o Desenvolvimento Sustentável e a Responsabilidade Social. Apesar de ter uma lógica mensal, está em constante construção e actualização, apresentando-se como um permanente desafio de comunicação. «É uma ferramenta de partilha dos colaboradores em iniciativas que promovem a participação, a valorização pessoal, o envolvimento com a comunidade, a Human Resources Portugal 81 Comunicação Interna reconhecimento A intranet Instrumento-chave da política de comunicação e colaboração da Fidelidade. website É a base do programa “Gente com Ideias”, sensibilizando o colaborador para a responsabilidade social solidariedade e o voluntariado, a vida saudável, o ambiente, a poupança e a família. Em simultâneo, contribui para a aproximação dos colaboradores, dando a conhecer as pessoas, as equipas e o que as move, bem como o seu contributo para o sucesso comum e permite a divulgação e disseminação de boas práticas e bons exemplos quer internos quer externos», esclarece fonte da Fidelidade. O website disponibiliza informações sobre temáticas do sector, dinamiza iniciativas como workshops, rastreios, concursos e actividades, promovendo a literacia financeira sobre o tema dos seguros através da rubrica “Divirta-se com os Seguros”. Noutra vertente, o website contribui ainda para a promoção da inovação interna, designadamente através da iniciativa italk, um concurso de ideias em que todos os colaboradores são desafiados a propor ideias sobre Objectivos: R Informar R Alinhar R Envolver R Promover Prioridade: informar novos produtos ou iniciativas, neste caso sob o mote Ideias & Sustentabilidade: uma ideia, cinco minutos, 20 slides perante um júri composto pelos vários administradores de todas as empresas do Grupo. Valorizando o colaborador como parte de uma comunidade, a Fidelidade conseguiu mobilizar as pessoas em prol das causas em que acredita, através de recolhas solidárias. 82 Human Resources Portugal Setembro 2015 A intranet cobre as iniciativas de todas as direcções, informando o colaborador quanto ao que de mais recente se está a passar na Fidelidade, no Grupo Segurador e na Fosun, para que todos estejam inclinados para a colaboração mútua, para o espírito de equipa, fomentando hábitos corporativos mais eficazes. O website “Gente com Ideias”, alojado no website de intranet da Fidelidade, procura sensibilizar os colaboradores para uma atitude responsável no seu dia-a-dia, através dos projectos identificados pelo grupo de trabalho (voluntários representantes das empresas do Grupo) e alinhados com o negócio. «Neste enquadramento, os diversos projectos ao nível da Solidariedade, Literacia, Ambiente, Estilos de Vida Saudável, Ajudar Cá Dentro, entre outros, procuram sempre de uma forma simples, leve e descontraída trazer temas actuais que podem facilitar a vida ou alterar atitudes e ainda trazer o colaborador para o “driving seat” para que opine, critique, colabore», refere fonte da seguradora. Um programa totalmente focado no colaborador que, a reboque da Responsabilidade Social, se transformou numa ferramenta de comunicação interna e interactiva. Jantar fora no restaurante aconselhado Festival de música ao ar livre Acabar de ler o livro sugerido Assistir à série destacada À SEXTA-FEIRA JÁ SÓ VÊ WEEKEND À FRENTE. Todas as sextas, com o seu Jornal de Negócios. Ao fim-de-semana o melhor negócio é aproveitar. Com o suplemento Weekend do Jornal de Negócios, publicado à 6ªf, há um tempo certo para descontrair e descansar dos seus negócios. Aproveite as sugestões de lazer, lifestyle, conteúdos culturais, música, cinema, literatura, grandes entrevistas, e muito mais no seu suplemento. Weekend, Weekend, negócios à parte. Comunicação Interna Cláudia Vicente Directora da Galileu Comunicação Colaboradores Galileu Os colaboradores são um elemento fundamental da empresa. Por isso é de extrema importância a comunicação entre eles. A Comunicação Interna ajuda-os a estar preparados para desenvolverem a sua actividade profissional e estarem alinhados com os objectivos da organização. Galileu Trabalho de equipa Para a Galileu a Comunicação Interna acaba por ser um conjunto de procedimentos, acções e práticas que vão afectar o resultado final da organização. A Galileu sempre deu uma grande atenção à Comunicação Interna. Isso mesmo refere Cláudia Vicente, directora da empresa, para quem a Comunicação Interna é utilizada para dotar todos os colaboradores de informações relevantes para o desenvolvimento das suas funções. Qual o posicionamento da Galileu sobre a Comunicação Interna? Na Galileu consideramos que a Co- 84 Human Resources Portugal Setembro 2015 municação Interna é um dos factores determinantes para o sucesso das Organizações. Uma boa Comunicação Interna pode permitir reforçar o trabalho das equipas (ou entre diferentes equipas), melhorando processos, mas também ajuda a trabalhar sentimentos de pertença, podendo ser utilizado para reconhecer o trabalho dos colaboradores. Que medidas foram implantadas no curto/ médio prazo relativamente a este tema? A Comunicação Interna é utilizada para dotar todos os colaboradores de informa- ções relevantes para o desenvolvimento das suas funções. Por isso, ao longo dos anos, temos definido várias de regras para a Comunicação Interna para que esta não se torne caótica e um obstáculo à produtividade. Definimos momentos para determinados tipos de comunicação, quais os meios adequados para veicular determinado tipo de informação e quem devem ser os interlocutores (emissores e receptores). Além disso, incentivamos e trabalhamos para que haja comunicação bidireccional (da gestão para os colaboradores e vice-versa) encorajando sempre feedback construtivo, partilha de ideias e sugestões ou algum outro tipo de informação que possa ser relevante quer para os colaboradores, quer para a empresa. Conseguiram alcançar os resultados a que se propunham? Sim. De facto verificámos uma notável melhoria, que pode ser atribuída, pelo menos em parte, às acções levadas a cabo na Comunicação Interna. Os colaboradores passaram a estar mais informados sobre a organização, indicaram sentir maior reconhecimento por parte da organização tendo sido recolhido feedback importante que posteriormente foi incorporado, de uma forma ou de outra, em futuras acções da organização. Caderno Especial Quais são as boas práticas que devem ser implementadas nesta área? É necessária uma análise da realidade actual da Comunicação Interna da organização e identificar os pontos que funcionam e aqueles que precisam de maior atenção. Deve ser definida uma estratégia de Comunicação Interna (o que comunicar, em que momento, de que forma e quem o comunica). Não devem ser menosprezados pequenos momentos de comunicação para celebrar objectivos atingidos, para partilhar um testemunho de um cliente ou para reconhecer o trabalho de um colega. Na comunicação por correio electrónico pode ser definido um conjunto de regras que, se forem seguidas pelos A Comunicação Interna na Galileu irá continuar a evoluir para incorporar e tirar partido das novas tecnologias que forem surgindo. colaboradores, levam a uma optimização do tempo e permitem uma melhor organização do trabalho. Comunicação Interna e Comunicação Externa: áreas complementares. Concorda? Essa complementaridade é importante com vista à obtenção de bons resultados por parte da empresa? De facto, as comunicações interna e externa estão sempre relacionadas. Havendo uma boa Comunicação Interna que permita a todos os colaboradores estarem informados sobre objectivos da organização, procedimentos internos e produtos ou serviços disponibilizados será sempre muito mais fácil passar a mensagem de forma eficaz e segura aos clientes, independentemente de se essa comunicação é feita pela área do marketing ou durante o atendimento comercial. fasttrack galileu Consulte toda a informação em www.galileu.pt/mba 4ª edição 9 OUTUBRO LISBOA 5ª edição 23 OUTUBRO PORTO Ganhe uma visão 360º da Gestão Empresarial! MÓDULOS (112h) 2.800 € INTRODUÇÃO À GESTÃO EMPRESARIAL FINANÇAS EMPRESARIAIS E CONTROLO DE GESTÃO VENDAS RECURSOS HUMANOS MARKETING Oferta do IVA a particulares e estudantes. Possibilidade de pagamento faseado. Oferta de estadia para residentes fora da região de Lisboa e Porto. SEMINÁRIOS [email protected] | 21 361 22 00 A GALILEU é reconhecida pela DGERT Comunicação Interna Grupo CH Potenciar capacidades Com um ADN muito próprio, descontraído e cheio de humor, humanismo e humildade, na CH procura-se potenciar as capacidades dos colaboradores, dando-lhes a possibilidade de estarem em várias frentes em simultâneo. N o Grupo CH a Comunicação Interna sempre teve muita importância e até 2011 estava nas mãos do CEO, António Henriques. Com o crescimento da organização sentiu-se a necessidade de constituir uma 86 Human Resources Portugal Setembro 2015 equipa que desse resposta às necessidades comunicacionais de todas as empresas do grupo. Hoje, a direcção de Comunicação integra a estrutura de serviços partilhados de gestão do Grupo CH, reportando directamente à administração. A Comunicação Interna é uma das pastas que está sob a alçada da direcção de Comunicação que acumula com a Externa, Digital e Eventos Internos. «Permanentemente somos duas pessoas», afirma Filipa Prenda, directora de Comunicação do Grupo CH e manager da Monstros & Cia, «ambas com formação na área da Comunicação e início de carreira no Jornalismo», referindo-se a Anabela Pato, gestora de Comunicação do Grupo CH, onde se inclui a Agência de Comunicação e Design Monstros & Cia. Na CH procura-se potenciar as capacidades dos colaboradores, dando-lhes a possibilidade de estarem em várias frentes em simultâneo. «Enquanto directora de Comunicação tenho a responsabilidade de encontrar a melhor forma de passar as mensagens da administração e partilhar tudo o que acontece no universo CH», relembra Filipa Prenda, «seja na forma “jornalística”, com o nosso jornal interno diário, ou através de campanhas de Caderno Especial Filipa Prenda Directora de Comunicação do Grupo CH e manager da Monstros & Cia motivação, promoção, envolvimento e alinhamento, intranet ou mesmo na produção de edições especiais para temas específicos», distingue a responsável. Filipa Prenda é igualmente responsável pela organização e promoção dos eventos internos, que são trabalhados em conjunto com a unidade de negócio de eventos corporativos, a CH Events. «A esta direcção junta-se a gerência da Agência de Comunicação e Design Monstros & Cia», informa a responsável, esclarecendo que Anabela Pato, mais focada na Comunicação Interna, «tem um papel fundamental de apoio na elaboração dos planos e na implementação de todas as iniciativas, acumulando as funções como consultora». que a mesma está construída para que cada colaborador acompanhe em tempo real a evolução dos seus indicadores de desempenho e a sua posição no ranking geral. Uma das plataformas é o Barómetro de Avaliação de Clientes, sendo que na in´CHNET o colaborador consegue ver na hora qual a avaliação média que tem pelo seu desempenho nos projectos em que participa e o grau de satisfação dos clientes em relação ao trabalho que realizou. Numa vertente mais interna, existe um Barómetro de Felicidade Organizacional (BFO), através do qual são auscultados os colaboradores quadrimestralmente ou sempre que necessário. «No Grupo CH somos movidos pelo desafio, pela constante vontade de fazer diferente, arriscar, sair da zona de conforto e divertirmo-nos muito enquanto o fazemos», refere Filipa Prenda, «a CH tem um ADN muito próprio, descontraído e cheio de humor, humanismo e humildade. Temos os cuidados necessários, embora o ambiente seja de proximidade, abertura e transparência.» Identidade versus inovação O Grupo CH vê a Comunicação Interna como o processo integrado na gestão da organização e um processo transformacional que acompanha a organização em todas as suas fases, partilhando a visão e os seus desígnios estratégicos com todos os elementos da equipa. O balanço desta estratégia é, de acordo com Filipa Prenda, muito positivo, «embora sintamos a necessidade de estar permanentemente a reinventarmo-nos, pois os nossos colaboradores estão cada vez mais exigentes com a forma como chegamos a eles e, como estão habituados a um ritmo e fluxo de informação elevados, não toleram a ausência dela, o que é Importância da Comunicação Interna na CH Para 2015 o grande desafio que se coloca assenta na implementação da versão 2.0 da intranet do Grupo, a in´CHNET, pelo que foram construídas diversas plataformas de suporte ao negócio, visando o plano de internacionalização em curso, ferramentas que passaram a estar alojadas nesta plataforma única. «A in´CHNET, nesta nova versão, tem um potencial de inovação, envolvimento, alinhamento, motivação e negócio fora de série», afirma Filipa Prenda, revelando Human Resources Portugal 87 Comunicação Interna Definir identidade Objectivos da Comunicação Alinhamento R Promover a mobilização das equipas em torno do projecto empresarial e da sua estratégia; GRUPO CH Sete projectos • in´CHNEWS, o jornal interno diário • in´CHNET • Barómetro de Felicidade Organizacional • Empower Box • Help Desk • Barómetro de Avaliação de Clientes • Radar de Negócios muito motivador e desafiante». Reforçar a identidade é o objectivo principal, «seja com a transparência daquilo que comunicamos, seja com as campanhas e iniciativas em que envolvemos de forma activa todos os colaboradores, o que queremos sempre é que a identidade CH esteja lá», reitera a responsável. Simultaneamente, a inovação está sempre presente no grupo, sendo central na visão de ser reconhecido pelo mercado como líder de excelência em tudo o que faz. «Na Comunicação Interna o grau de exigência é cada vez maior. Temos de conseguir fazer mais, diferente, e surpreender seja na acção ou na forma de abordagem», menciona Filipa Prenda. O papel do digital Sobre o posicionamento do grupo perante o digital, Filipa Prenda é perentória em afirmar que «para a realidade do Grupo CH eu diria que é a solução». A responsável salienta que o papel vai 88 Human Resources Portugal Setembro 2015 continuar sempre presente, «mas para as empresas que contam com colaboradores que passam muito do seu tempo fora das organizações, a comunicação tem de ser digital. Seja através da intranet, newsletter ou redes sociais, tudo vale para conseguir chegar ao destinatário na forma mais actual possível.» Para a directora de Comunicação do Grupo O modelo de gestão implementado no Grupo CH é altamente profissional e a comunicação não é excepção. Partilha R Garantir que todas as informações consideradas relevantes para o desenvolvimento de negócio são do conhecimento generalizado; Identidade R Contribuir para a construção e consolidação da identidade corporativa; Transparência R Dinamizar a cultura de transparência como valor de governação; Orgulho R Potenciar a construção de uma marca de notoriedade, reconhecida e valorizada no seio da própria organização; Reconhecimento R Ser um palco nobre e permanente das políticas de reconhecimento; Envolvimento R Servir a direcção de Recursos Humanos como veículo indispensável às actividades de envolvimento e motivação dos colaboradores. CH e manager da Monstros & Cia, o foco principal do digital assenta na actualidade, rapidez e baixo custo, ou seja, «o digital permite-nos passar as mensagens na hora e a todas ao mesmo tempo, independentemente da localização geográfica. Existem muitas plataformas gratuitas que podemos utilizar, e, caso seja necessário investimento, acaba por ser apenas inicial, pois podemos usar e rentabilizar cada um dos canais.» Tendo adoptado o digital há bastante tempo, o balanço não poderia ser melhor, «com a newsletter interna digital in´CHNEWS temos uma taxa de leitura de 98% e a conquista de sete prémios nacionais e internacionais como melhor prática de Comunicação Interna», conclui Filipa Prenda. Comunicação Interna melhor Empregador do Ano 2013/2014 A nível internacional, a farmacêutica foi galardoada na final dos European Business Awards, que decorreu em Maio de 2014, em Atenas. Jaba Modelo “One To One” Motivar e responsabilizar os colaboradores, contribuindo para um ambiente que reflicta os valores da organização, são os objectivos da Comunicação Interna na Jaba Recordati. A linhada com o posicionamento internacional do Recordati Group, a Comunicação Interna na Jaba é vista como um “critical success factor” para a obtenção de resultados e prossecução de objectivos. Esta é uma área estratégica da companhia, que está a cargo de uma equipa multidisciplinar composta pelas áreas de Marketing, Recursos Humanos e direcção-geral, apoiada ainda por uma agência de Comunicação. Esta equipa, responsável pelo plano estratégico e operacional de Comunicação Interna, pretende que as iniciativas desta área sejam úteis, 90 Human Resources Portugal Setembro 2015 credíveis e relevantes, e que todos os colaboradores contribuam para o sucesso das mesmas. «Se conseguirmos manter um nível elevado destes critérios, conseguiremos reforçar os valores e cultura corporativa, atingindo um nível óptimo de auto-estima e sentido de pertença de todos os colaboradores em relação à companhia», acredita Nelson Ferreira Pires, director-geral da Jaba Recordati. As melhores práticas Em 2011, a farmacêutica criou um sistema de comunicação interna e externa da TV Corporativa, através da qual divulga as mais variadas informações sobre a organização, complementando assim a newsletter interna lançada semanalmente. A nível internacional, o Recordati Group apresenta um boletim mensal que permite a divulgação do alinhamento estratégico do grupo, bem como a partilha dos principais feitos da empresa e respectivas subsidiárias. O objectivo destas iniciativas é que «cada colaborador sinta orgulho em trabalhar nesta companhia», afirma o responsável da Jaba Recordati, uma organização de média dimensão na indústria farmacêutica nacional. São 132 profissionais, espalhados por diferentes áreas de negócio, com funções e experiências distintas. Alguns contam já com mais de 25 anos de trabalho na filial portuguesa, outros com apenas Caderno Especial posicionamento Universo Jaba Recordati É uma organização de média dimensão na indústria farmacêutica nacional. São 132 profissionais, espalhados por diferentes áreas de negócio, com funções e experiências distintas. Alguns contam já com mais de 25 anos de trabalho na filial portuguesa, outros com apenas seis meses. A idade média ronda os 43 anos, sendo que os colaboradores mais velhos têm cerca de 60 e os mais novos aproximadamente 20 anos de idade. seis meses. A idade média ronda os 43 anos, sendo que os colaboradores mais velhos têm cerca de 60 e os mais novos aproximadamente 20 anos de idade. Estes diferentes perfis entre o público interno da organização trazem desafios acrescidos ao trabalho da equipa de Comunicação Interna. «Por vezes temos dificuldade em conseguir definir pontos comuns de contacto e interacção entre os vários colaboradores da empresa, pelo que somos bastantes sensíveis e tentamos comunicar de forma individualizada em termos de geração, género, função», explica Nelson Ferreira Pires. Nesse sentido, a companhia tem investido no modelo de comunicação “one to one” ao longo dos últimos dois anos. Para alcançar esse objectivo de próximidade e personalização, foi criado um espaço na newsletter interna onde um colaborador fala da sua experiência e sucessos a nível profissional, e lançados os projectos de intranet e e-learning, plataformas que permitem não só adaptar a comunicação a cada função, como a cada colaborador, de acordo, por exemplo, com a antiguidade na empresa e área de negócio a que se dedica. «Se estivermos todos alinhados em relação à missão e valores da companhia, aos objectivos estratégicos e tácticos da mesma, se o nosso “job description” for claro e bem compreendido por todos, e recebermos inputs e feedback regular sobre a companhia, então seremos mais responsáveis, estaremos mais motivados e contribuiremos de forma efectiva e eficiente para a prossecução dos nossos objectivos. Este tem sido e será o racional seguido, sendo portanto a Comunicação Interna fundamental e estratégica neste processo», afirma o responsável. A cultura empresarial da Jaba Recordati assenta essencialmente em e a nível interno, um e-MBA para os profissionais em parceria com uma instituição universitária. A companhia realiza ainda mensalmente uma reunião geral interna com os colaboradores, onde são apresentados os resultados e objectivos da empresa, bem como abordadas outras questões referentes às diferentes áreas de negócio. Os desafios do digital e o novo paradigma A companhia farmacêutica tem desenvolvido várias plataformas tecnológicas para que a empresa se torne mais eficiente na gestão da informação interna e seja capaz de se adaptar rapidamente A Comunicação Interna na Jaba é vista como um “critical success factor” para a obtenção de resultados e prossecução de objectivos. Esta é uma área estratégica da companhia. potenciar o negócio promovendo o crescimento e realização profissional dos colaboradores. Por isso, a Academia Recordati, projecto de desenvolvimento e formação interna dos colaboradores, organiza anualmente, aos ciclos de mudança. Foi por isso criado uma espécie de observatório de Comunicação Interna, com ferramentas que precisam de entrar em funcionamento ou ser optimizadas. O desenvolvimento de plataformas Human Resources Portugal 91 Comunicação Interna reconhecimento Galardões A Jaba Recordati recebeu em 2013 o prémio “Excelência no Trabalho”, conduzido pela Heidrick & Struggles, Diário Económico e ISCTE/INDEG, tendo alcançado o primeiro lugar no sector “Saúde e Farmacêuticas”. A nível internacional, a farmacêutica foi galardoada com o prémio europeu de melhor Empregador do Ano 2013/2014, na final dos European Business Awards, que decorreu em Maio de 2014, em Atenas. digitais, como a intranet, o e-learning e a videoconferência, a par do Marketing Digital, tem sido uma prioridade no actual plano de Comunicação Interna da Jaba Recordati. Estas ferramentas permitem que a companhia esteja mais próxima dos colaboradores, de forma regular, inovadora e pró-activa. Neste momento, 80% dos profissionais da farmacêutica desempenham funções comerciais e exercem fora da sede, nomeadamente ao longo do território nacional e em Angola. Para diminuir essas distâncias, a organização concluiu recentemente um projecto global WEB, que culminará na implementação de uma plataforma de e-learning e B-Learning, na substituição a médio prazo dos vários sites já existentes por uma única plataforma, e ainda na criação de um sistema de videoconferência para todos os colaboradores. O desafio no digital prende-se agora com dois aspectos: manter o nível de qualidade que a companhia já alcançou em matéria de Comunicação Interna, e atingir o nível óptimo de personalização dessa mesma comunicação, «sem desvirtuar o enfoque na empresa e no grupo, ou seja, naquilo que é comum», aponta Nelson Ferreira Pires. O pro- 92 Human Resources Portugal Setembro 2015 A Academia Recordati, projecto de desenvolvimento e formação dos colaboradores, organiza um e-MBA para os profissionais em parceria com uma instituição universitária. fissional acredita ainda que alterações decorrentes no próprio modelo de negócio da Jaba Recordati vão implicar transformações na Comunicação Interna da empresa. «Os conteúdos de Comunicação Interna – missão, valores, estratégia, táctica – irão sofrer uma mudança, pois terão de ser adaptados e individualizados, mantendo o que é comum e individualizando o que pode ser individualizado», relata. Também nas ferramentas que suportam essa comunicação, o especialista prevê uma verdadeira revolução, com as plataformas tecnológicas com o core, social e digital media a assumirem um papel verdadeiramente importante para alcançar os objectivos organizacionais. Outro grande desafio que se coloca é o de não “desumanizar” o processo de Comunicação Interna. área de actuação Comunicação Interna Esta é uma área a cargo de uma equipa multidisciplinar composta pelo Marketing, Recursos Humanos e direcção-geral, apoiada ainda por uma agência de comunicação. A Comunicação Interna na Jaba representa: R “Critical success factor” na obtenção de resultados e prossecução de objectivos. R Área estratégica da companhia R Conduzida por um modelo de comunicação “one to one” Comunicação Interna Siemens Celebrar 110 anos em Portugal com os Colaboradores Como protagonistas A “apagar” 110 velas este ano, a Siemens está cada vez mais “nova”, fruto da sua forte aposta na inovação e na capacidade de se reinventar e adaptar às novas tendências. Com uma Comunicação Interna ancorada na vontade de envolver os colaboradores. A Siemens aposta fortemente nas ferramentas digitais que têm permitido aos mais de dois mil colaboradores da empresa em Portugal contar as suas histórias na primeira pessoa e partilhá-las, apenas com um clique, com colegas, amigos e familiares, dentro e fora de portas. Adicionalmente, estes canais também têm contribuído para 94 Human Resources Portugal Setembro 2015 a empresa dinamizar diversas iniciativas de celebração dos 110 anos, que têm como protagonistas as pessoas que todos os dias ajudam a Siemens a escrever uma nova página da sua história em Portugal. Modernas, inovadoras, amplamente utilizadas por todos e de fácil acesso em qualquer geografia nacional ou a milhares de quilómetros de distância, o leque de possibilidades oferecidas pelas ferramentas de comunicação digitais está, literalmente, à distância de um clique. E um clique é quanto tem bastado nestes meses que já leva a comemoração para, através do canal Siemens Social Network, rede interna semelhante ao Facebook, ou da intranet, os colaboradores da empresa possam conhecer a qualquer hora e em qualquer lugar, os testemunhos dos colegas que, na primeira pessoa Caderno Especial e de forma criativa, quiseram dar os “Parabéns à Siemens” e deixar um relato sobre a sua “experiência de vida” na empresa. Envolver os colaboradores Consciente da vontade das suas equipas de se envolverem activamente na celebração da história da organização, a empresa decidiu convidá-las a partilhar alguns dos melhores momentos da sua vida pessoal com a grande “família” Siemens. “Bebés Siemens 2015” é uma das iniciativas promovidas na intranet da empresa, através da qual os registos das primeiras etapas do bebé e da família valem uma sessão fotográfica familiar a sortear entre os pais e mães que decidirem responder ao repto e fazer uso deste canal de comunicação para partilhar fotografias, vídeos, montagens, ou qualquer outro formato que exiba os seus “rebentos” de forma criativa no mundo digital. As diferentes áreas (divisões e departamentos centrais) da Siemens quiseram também juntar-se para dar os parabéns à empresa. Em diferentes cenários, com ou sem adereços, cada área reuniu as suas equipas e fez um pequeno vídeo comemorativo. No final deste período de festividades os vários vídeos serão compilados e editados em formato de filme, cuja estreia está já marcada para um dia especial em Dezembro. Neste evento, as comemorações vão estender-se aos familiares dos colaboradores da empresa, numa festa que promete muita animação. e o calendário de acções planeadas na área da Responsabilidade Social, que se intensificaram neste ano marcante do percurso da Siemens no nosso país, tendo a empresa atingido o marco das três mil horas de voluntariado, e nas quais o público externo é convidado a envolver-se. O Facebook e o Twitter da Siemens Portugal foram outros dos canais digitais a que se recorreu para assinalar este marco da história da empresa. O look da campanha que a empresa lançou no âmbito das comemorações dos seus 110 anos, os vídeos “explicadores” da actividade da Siemens e as acções de Responsabilidade Social estão a marcar a presença da organização nestas redes sociais. Muito focado em projectos e na história nacional, os seguidores no Instagram, entre os quais muitos colaboradores da Siemens, são desafiados a descobrir os produtos e soluções no seu dia-a-dia através de passatempos lançados pela empresa. Já a rubrica “Ontem-Hoje-Amanhã” disponibiliza várias imagens da actividade Siemens que permitem fazer a ligação à história da organização, ao seu presente, mas também ao que já está a desenvolver para o futuro. É através da rede interna Siemens Social Network que os colaboradores da empresa conhecem na primeira pessoa os relatos de colegas sobre “experiência de vida” na empresa. Redes Sociais - Quantas vezes já nos “viu” hoje? Os eventos mais importantes da história da Siemens em Portugal, ou a cronologia dos marcos históricos da companhia, estão também acessíveis através do website http://www.siemensportugal110anos. com, no qual é ainda possível encontrar uma mensagem do presidente da filial portuguesa – Carlos de Melo Ribeiro – Human Resources Portugal 95 Comunicação Interna objectivos Comunicação Interna noticiário Na Breaking News, os colaboradores vestem “a pele” de um pivô de televisão e divulgam as mais recentes novidades e actividades relacionadas com a celebração dos 110 anos. Breaking News – Da Siemens para o “mundo” Na Breaking News, um formato especial e inovador da Comunicação Interna da empresa, os colaboradores, escolhidos através de uma campanha interna, vestem “a pele” de um pivô de televisão por alguns momentos e, em formato de telejornal, divulgam as mais recentes novidades e actividades relacionadas com a celebração dos 110 anos. O “noticiário” é depois partilhado com os mais de dois mil funcionários da Siemens através de uma newsletter especial, ficando depois alojado no site http://www.siemensportugal110anos. com. Este formato tem vindo a revelar-se um grande sucesso. O digital não vive sozinho. Mas, como em tudo, também o uso intensivo dos meios online na Comunicação Interna tem um reverso da medalha. O contacto interno através das redes sociais, intranets ou e-mails corre cada 96 Human Resources Portugal Setembro 2015 vez mais o risco se tornar “banal” e ser desvalorizado pelos colaboradores. Neste sentido, a Siemens considera que a aliança entre a comunicação digital e outro tipo de ferramentas, sejam elas mais convencionais, como a que recorre a suportes físicos, ou as SMS, como as enviados, por exemplo, a todas as colaboradoras com filhos no Dia da Mãe, É através das actividades desenvolvidas no âmbito da CI que se garante o envolvimento de todos na estratégia da empresa. O objectivo principal em todas as acções de Comunicação Interna, independentemente do seu canal ou do maior ou menor grau de personalização do conteúdo, é criar impacto, e ser eficaz e envolvente, abordando não apenas os incontornáveis temas sérios, mas também alguns mais lúdicos, através do lançamento de passatempos, campanhas, concursos, entre outros. é essencial para tornar esta disciplina mais impactante internamente e passar, efectivamente, as mensagens mais importantes aos quadros da empresa. Por outro lado, apesar de ter diversos e inúmeros canais de comunicação à disposição, a organização esforça-se sempre para que exista o máximo de personalização possível em todos os contactos estabelecidos com as equipas,seja através da adaptação dos conteúdos da newsletter interna às várias áreas de negócio da empresa ou da criação de vários canais com diferentes temas na Siemens Social Network, de forma a garantir que os conteúdos captam o interesse de todos, independentemente da sua área de actuação. A Siemens acredita que ao promover a partilha de informação, tanto de forma vertical como horizontal, está a assegurar que as equipas se sentem envolvidas na actividade diária e motivadas para fazer parte da estratégia da organização. E para celebrar todos os marcos do percurso centenário que, juntos, têm vindo a alcançar em Portugal. Todas estas comemorações são feitas com a energia e envolvimento dos colaboradores, sendo que a Siemens se “limita” a disponibilizar as ferramentas para que isto aconteça. Comunicação Interna siva Acrescida motivação Responsável pela comunicação efectiva entre os integrantes de uma organização, a Comunicação Interna tem ganho uma importância estratégica na vivência da SIVA. U ma estrutura organizacional não sobrevive se não tiver uma cultura forte. O papel da Comunicação Interna reside em ajudar a reforçar a identidade das organizações, na medida em que potencia e promove a cultura da empresa. A forma como “se fazem as coisas” é o que vai diferenciar as organizações, acabando a estrutura 98 Human Resources Portugal Setembro 2015 Ricardo Tomaz Director de Comunicação da SIVA hoje à Comunicação Interna, Ricardo Tomaz refere que uma das preocupações desta equipa reside em «manter a organização informada sobre a vida interna da empresa, envolvendo os colaboradores em acções internas e, simultaneamente, difundindo os objectivos estratégicos definidos pela empresa». Participação e motivação empresarial por reflectir a cultura da empresa. Na SIVA a Comunicação Interna é uma das responsabilidades da Direcção de Comunicação, em estreita colaboração com a direcção de Recursos Humanos. Ricardo Tomaz, director de Comunicação da SIVA, esclarece que «a equipa é formada por duas pessoas, ambas com responsabilidades na criação e na difusão dos conteúdos produzidos». Perante os desafios que se colocam Com o objectivo de tornar mais eficiente a cultura da organização, com colaboradores disponíveis para desempenharem funções em todas as situações, inclusive as mais adversas, é preciso fomentar o espírito de equipa de maneira a criar um grupo coeso com um forte sentimento de pertença e um maior envolvimento. Como instrumento de extrema importância com vista à concretização das metas previamente definidas, a Caderno Especial extremamente exigente. «As novidades de produto neste sector geram sempre grande interesse», assinala o director de Comunicação da SIVA, esclarecendo que «é, sobretudo, à volta dos novos modelos das marcas da SIVA que construímos os conteúdos, pelo que as apresentações internas dos novos carros são sempre um momento alto». O papel do digital No decurso dos últimos anos o digital tem vindo a adquirir espaço, credibilidade e um número cada vez maior de usuários. Em consonância com esta realidade, a construção de novas ferramentas de utilização e aperfeiçoamento da rede evolui a um ritmo frenético. Perante esta crescente importância do digital, as empresas acolhem-no como um instrumento cada vez mais preponderante na vivência da organização. «No nosso caso», refere Ricardo Tomaz, «é o suporte de eleição, quer através da intranet da empresa, quer através das newsletters semanais que emitimos para toda a organização». plataformas digitais Na SIVA os diferentes canais digitais de comunicação são explorados com grande preocupação de inovação. Comunicação Interna apresenta-se como um suporte à vida da própria empresa. Essencial aliar dois aspectos basilares, pois, como refere Ricardo Tomaz, «o objectivo da Comunicação Interna é conseguir uma maior participação dos colaboradores, sendo que deverá sempre existir uma motivação acrescida». O reflexo positivo dessa actuação reflecte-se não só na vida da empresa como no seu posicionamento perante o cliente. Num sector como o automobilístico, onde a evolução e a inovação são uma constante, o dia-a-dia da comunicação é siva Canais de comunicação R Intranet R Newsletters digitais semanal R Jornal digital trimestral A Comunicação Interna ajuda a reforçar a identidade das organizações. A forma como “se fazem as coisas” é o que as vai diferenciar, acabando a estrutura empresarial por reflectir a sua cultura. Human Resources Portugal 99 Comunicação Interna reflexo positivo O objectivo da Comunicação Interna é conseguir uma maior participação dos colaboradores espírito de equipa O Open Day SIVA reúne os colaboradores e suas famílias Neste momento a SIVA possui «um canal de comunicação com os colaboradores, que também inclui os concessionários em alguns suportes, muito assente em newsletters digitais», afirma o director de Comunicação da SIVA, acrescentando que as mesmas se dividem em «semanais, para divulgação de informação comercial e do dia-a-dia, e trimestral com vista à difusão de conteúdos mais institucionais». Sobre os principais sucessos e desafios, Ricardo Tomaz esclarece que «os inquéritos internos mostram que os colaboradores estão hoje mais informados, sentindo-se mais envolvidos na actividade da empresa». Comunicação Interna Princípios Participação Motivação 100 Human Resources Portugal Setembro 2015 Inquéritos internos realizados sobre os sucessos e desafios, mostram que os colaboradores estão hoje mais informados, sentindo-se mais envolvidos na actividade da SIVA. Público interno Actualmente, a SIVA conta com 200 colaboradores, número que leva Ricardo Tomaz a referir que «na SIVA a comunicação é o mais possível homogénea, mas há informação que se destina a segmentos específicos de quadros». Cada vez mais a inovação exerce forte influência nas práticas de Comunicação Interna, pelo que na SIVA, tal como refere Ricardo Tomaz, «exploramos as plataformas digitais de comunicação com grande preocupação de inovação», acrescentando que «ao mesmo tempo, apelamos à participação inovadora de todos com grande frequência». De forma a motivar e a mobilizar os colaboradores, os resultados da empresa são regularmente comunicados, «temos sessões informativas regulares com os colaboradores, onde se mantém uma presença activa da administração e que contam com uma elevada participação de todos», revela Ricardo Tomaz, concluindo que «são momentos de grande mobilização interna». Comunicação Interna Catarina Oliveira Fernandes Directora de Comunicação, Marca e Responsabilidade Corporativa da Sonae Sonae Comunicação sem fronteiras A Sonae foi criada em 1959 e hoje é reconhecidamente uma empresa com uma cultura forte, onde a Comunicação tem desempenhado um papel crucial na sua disseminação. D efinir a estratégia e as ferramentas de comunicação que permitem promover os valores e a cultura da empresa, reforçando o sentimento de pertença dos colaboradores é a missão da Comunicação Interna da Sonae. 102 Human Resources Portugal Setembro 2015 A Sonae conta actualmente com cerca de 40 mil colaboradores, distribuídos em 68 países pelas áreas de Retalho, Centros Comerciais e Telecomunicações, em mais de cem funções diferentes. «O principal desafio passa por conseguir fazer chegar a Comunicação a todas as geografias onde a Sonae se encontra. A diversidade cultural leva-nos a adaptar a comunicação a vários idiomas e realidades. Temos, por isso, vindo a fazer um grande trabalho de desenvolvimento de uma comunicação mais integrada, mais dirigida, mais internacional, mais partilhada e colaborativa, aproximando a Sonae de todos os colaboradores em todas as nossas áreas de negócio e geografias onde estamos presentes», conta Catarina Oliveira Fernandes, directora de Comunicação, Marca e Responsabilidade Corporativa da Sonae. A Comunicação Interna está integrada na direcção de Comunicação, Marca e Responsabilidade Corporativa da Sonae, com uma estreita ligação com a direcção de Recursos Humanos e com as equipas das várias marcas e unidades de negócio, nomeadamente com as respectivas direcções de Marketing. Cabe à equipa de Comunicação Interna o desenvolvimento de acções alinhadas com a visão e objectivos estratégicos da empresa, bem como a implementação do calendário de Comunicação Interna, que se foca na divulgação de quatro eixos fundamentais: estratégia e resultados, pessoas, cultura e promoção de networking. Para Catarina Oliveira Fernandes: «Este posicionamento tem como objectivos a promoção do alinhamento estratégico, o fortalecimento e disseminação da cultura (valores e comportamentos) e do sentimento de pertença e a valorização da partilha de informações, através de uma comunicação aberta e efectiva. Neste sentido, a Comunicação Interna trabalha em articulação com as diferentes equipas e áreas de negócio, de forma a assegurar que os aspectos culturais e de negócio estão alinhados e são percepcionados de forma clara em toda a organização. Caderno Especial boas práticas Melhores práticas Projectos A Sonae assume-se uma empresa de pessoas para pessoas. «Por isso, a Comunicação Interna tem vindo a assumir um papel crescente dentro da empresa, envolvendo todos os colaboradores, desde o Top Management até à base da organização, garantindo o alinhamento com a estratégia da organização e aumentando o conhecimento das nossas pessoas sobre Em estreita colaboração com a equipa de Recursos Humanos, a Comunicação Interna desenvolve projectos cruciais para a organização, tais como: RS onae Improving Our People, consiste no modelo de gestão de performance, cujo lançamento passou pela disseminação através da disponibilização de conteúdos e ferramentas de apoio ao processo num site interno; formação a avaliadores e avaliados; promoção do conhecimento da iniciativa através do uso de diferentes ferramentas, por exemplo desenvolvimento de acções em espaços comuns, entre outras. R Sonae Academy cuja missão principal é potenciar a capacidade de geração de líderes inovadores e empreendedores, capazes de desenvolver e diversificar os negócios, mantendo-os em posições de liderança nos seus segmentos de actividade. Para este efeito foi desenvolvido um site que teve a preocupação de ter uma tripla vertente: disponibilização de conteúdos formativos, ser uma ferramenta de gestão processual e simultaneamente ser bidireccional. R Divulgação de oportunidades internas de recrutamento. R Saúde e Segurança no Trabalho: todos os anos é desenvolvido um conjunto de acções de sensibilização e iniciativas com o objectivo de envolver todos os colaboradores na adopção próactiva de comportamentos preventivos e estilos de vida saudáveis. O desenvolvimento e implementação de qualquer projecto internamente está alicerçado numa estratégia de Comunicação Interna. Acreditamos que as pessoas são o centro do nosso sucesso e, nesse sentido, a forma como comunicamos com os nossos colaboradores e como os envolvemos é crucial para atingir os objectivos e garantir a satisfação das pessoas ao nível da estratégia de desenvolvimento do capital humano da organização». naturalmente para as organizações impactadas pelas acções; para os nossos colaboradores que participam e que, invariavelmente, sentem uma injecção de motivação positiva; e para a empresa que passa a ter colaboradores muito mais felizes por estarem inseridos numa A Sonae trabalha no sentido de “democratizar” a Comunicação, tornando cada colaborador num embaixador. a empresa e o negócio e fazendo-as perceber o seu papel na prossecução dos objectivos definidos», garante Catarina Oliveira Fernandes. Na Sonae, promove-se um conjunto de iniciativas de envolvimento dos colaboradores, que estimulam o sentimento de pertença, o espírito de equipa e o networking interno. «É o caso do projecto Sonae Activshare – o programa de Voluntariado da Sonae – que, no último ano envolveu mais de 1700 colaboradores, num total de 6800 horas de voluntariado, conjugando a responsabilidade social com o team-building. «Estas acções de responsabilidade corporativa têm um efeito win-win-win: organização que fomenta este tipo de acções de contributo para a comunidade», sublinha Catarina Oliveira Fernandes. Outro exemplo são as iniciativas internas de estímulo à inovação, uma prioridade na Sonae e um dos valores presentes no ADN da empresa. «Os nossos colaboradores, enquanto agentes principais da inovação em toda a organização, são permanentemente incentivados a criar valor, através da geração e implementação de ideias criativas e soluções inovadoras aplicadas às nossas áreas de negócio e produtos. Todos os anos são atribuídos prémios internos de inovação, de reconhecimento das melhores práticas Human Resources Portugal 103 Comunicação Interna de inovação concebidas e implementadas pelas nossas pessoas e equipas. Destacaria também o projecto de melhoria contínua, que designamos Sonae Improving Our Work e que é um movimento de transformação organizacional e cultural na Sonae. Este projecto conta com 200 iniciativas e mais de 35 mil colaboradores diariamente envolvidos na procura de novas formas de trabalhar e de aplicar metodologias de melhoria contínua, que permitem aumentar a eficiência e reduzir o desperdício», detalha a responsável pela Comunicação, Marca e Responsabilidade Corporativa. A Sonae comunica com os seus colaboradores através de um conjunto de ferramentas e canais de comunicação, nomeadamente, a intranet, newsletters internas, que chegam aos colaboradores de todas as geografias, campanhas de comunicação em suportes físicos e momentos de comunicação interna no universo de lojas da área de Retalho. Anualmente, são ainda desenvolvidos vários eventos internos e momentos de partilha de informação e promoção de networking. «Para além disto, temos trabalhado no sentido de democratizar a comunicação comunicação, tornando o colaborador num embaixador e aumentar os momentos e canais em que a comunicação é bidireccional, garantindo que temos os mecanismos certos para ouvir os colaboradores», detalha a directora. 104 Human Resources Portugal Setembro 2015 Sonae Comunicação Interna Os principais objectivos são: R Comunicar a estratégia e factos relevantes, garantindo o alinhamento; R Promover e traduzir os valores e cultura da empresa em comportamentos; R Fortalecer a relação emocional entre o colaborador e a empresa; R Promover a partilha de informação e o networking. Era Digital «Dentro e fora das organizações, vivemos na Era da Transformação Digital e o enorme potencial desta mudança reside na crescente capacidade de aproximação das pessoas e na rapidez e imediatismo na disseminação da informação. O digital permite uma maior colaboração e partilha de conhecimento, bem como o desenvolvimento do engagement dos colaboradores potenciando a transformação dos colaboradores em embaixadores da empresa, na esfera digital interna, mas também externa», conta Catarina Oliveira Fernandes. Numa área em que destaca dois projectos: a intranet corporativa e a rede social interna ainda numa fase piloto, mas que terá, acredita Catarina Oliveira Fernandes, um elevado potencial na promoção de uma comunicação mais informal e aberta, bem como na partilha de conhecimento entre grupos de trabalho e equipas. «Hoje, na nossa intranet, os colaboradores podem fazer pesquisas e encontrar colegas pelo nome ou por expertise. Nos seus perfis os colaboradores podem disponibilizar informação sobre experiência profissional, projectos que já desenvolveram ou em que estão envolvidos, ou mesmo hobbies ou know-how que tenham fora das suas áreas profissionais na Sonae», acrescenta. O Digital tem como objectivo gerir a presença da Sonae em redes sociais internas e externas, optimizando a presença online e contribuindo para o reforço do engagement dos stakeholders, com um foco muito importante nos nossos colaboradores. «Acima de tudo, pretendemos contribuir para a concretização da missão da Sonae – criar valor económico e social a longo prazo, levando os benefícios do progresso e da inovação a um número crescente de pessoas. Sabemos que para que isso aconteça teremos de ter colaboradores envolvidos e motivados, capazes de se superar todos os dias e é precisamente com esse objectivo que trabalhamos todos os dias», assegura. Os colaboradores são incentivados a criar valor, através da geração de soluções inovadoras. A Heidrick & Struggles, a Human Resources Portugal e o Indeg-Iul vêm por este meio convidar a v/Organização a participar na 6ª edição do Prémio “Excelência no Trabalho”. Desde a 1ª edição, o sucesso da iniciativa tem sido inequívoco, seja a nível do número de participantes, seja pela relevância das organizações participantes no tecido empresarial português, sendo, neste momento, o maior estudo de satisfação de colaboradores realizado em Portugal. Em 2015, atingimos as 200 inscrições e um número de resposta s de colabora dores na ordem dos 30.000 . Através do Prémio “Excelên cia no Trabalho ”, pretende mos não só apurar e premiar as organiza ções que apresent am um melhor clima organiza cional e que se destacam como entidade s de excelênc ia no desenvolv imento do capital humano em Portugal , mas igualmen te dar, a cada organiza ção participa nte, a oportuni dade de adquirir informaç ão relevante para a gestão da sua Organiz ação. Acreditamos ser esta uma excelente oportunidade para a v/Organização comparar as práticas com as do mercado, podendo vir a granjear o reconhecimento público como uma Organização de Excelência para Trabalhar em Portugal. Independentemente da classificação, todos os participantes receberão um relatório com o posicionamento global face ao mercado. Não serão divulgados publicamente os rankings das organizações que não ficarem posicionadas em lugares de premiação. Para participar nesta iniciativa, deverá aceder ao site www.premioexcelencianotrabalho.com. No site poderá também consultar informação adicional sobre o estudo e respectivo calendário. A participação é totalmente gratuita, não representando para a v/Organização qualquer custo. O período de inscrições termina no dia 25 de Setembro. Este é um desafio que os seus colaboradores merecem. Para qualquer esclarecimento, poderá contactar: Pedro Rocha e Silva ou Ana Sofia Monteiro. 21 351 45 30 / fAx: 21 351 45 40 MAil: excelenci anotraba lho2015 @heidric k.com TElEfonE: Pedro Rocha e Silva Heidrick & Struggles Melhores cumprimentos, A Equipa Excelência no Trabalho Ricardo Florêncio Human Resources Portugal Paulo Bento Indeg-IUL Comunicação Interna Mónica Barbosa Manager de Capital Humano e Cultura Organizacional da Unicer Unicer Investir na confiança As pessoas são um dos motores de desenvolvimento da Unicer, a sua fonte de energia para vencer os desafios. Partindo desta premissa, a empresa de Leça do Balio encara a Comunicação Interna como um instrumento de gestão facilitador do desenvolvimento dos colaboradores. A comemorar 125 anos de vida, existe hoje por parte da Unicer o reconhecimento da Comunicação Interna como vector de suma importância no desenvolvimento da cultura organizacional da empresa. «Na Unicer entendemos que as Pessoas são os nossos melhores embaixadores e parte indissociável do sucesso da empresa e é nessa medida que a Comunicação Interna cumpre um papel determinante, ao actuar como instrumento de gestão e enquanto facilitador do desenvolvimento profissional dos colaboradores», refere Mónica Barbosa, manager de Capital Humano e Cultura Organizacional da 106 Human Resources Portugal Setembro 2015 empresa. Com raízes sólidas e uma cultura organizacional forte, humanizada, participativa, inspiradora e inovadora, a Unicer procura que a Comunicação Interna garanta o alinhamento da estratégia, do negócio e da cultura da empresa, junto de todos os colaboradores, valorizando cada pessoa para que estas se sintam desafiadas e realizadas no seu local de trabalho. «Na Unicer acreditamos que a Comunicação Interna contribui para a sustentabilidade da empresa», afirma Mónica Barbosa, «num mercado cada vez mais competitivo e em permanente mudança, entendemos que a Comunicação Interna desempenha um papel crucial pelo alinhamento e pelo sentido de pertença e de confiança que pode potenciar. Nessa medida, é uma área na qual é necessário investir», reforça a mesma responsável. Comunicação Interna de valor Afirmando-se cada vez mais como um processo estratégico, já não há espaço para uma actuação tímida da Comunicação Interna, «até porque se a gestão de topo reconhece a sua importância no seio da organização, a Comunicação Interna deve agir em conformidade, com uma actuação activa, exigente e participativa. E, para o efeito, deve recorrer a um conjunto adequado de instrumentos e acções de comunicação», defende Mónica Barbosa. A Comunicação Interna da Caderno Especial Unicer assenta na dinamização de um conjunto de actividades que fomentam a cultura, o conhecimento do negócio e o compromisso dos colaboradores com a empresa e com as marcas. «Acreditamos que se comunicarmos com relevância, transparência e regularidade, de forma oportuna, simples, apelativa, em alinhamento com os momentos de comunicação externa e com os valores do “Ser Unicer”, e agregando a participação e o feedback das Pessoas da Unicer, teremos um maior compromisso de todos», reforça a manager de Capital Humano e Cultura Organizacional da organização. vontade de participação das pessoas nas actividades de Comunicação Interna». Motivar e construir Impacto, avaliação e resultados área de actuação A avaliação da eficácia das acções promovidas é feita através da interacção e do contacto pessoal estruturado que internamente é mantido em diferentes níveis: gestão de topo, “owners” de actividades ou projectos, e colaboradores. «Interessa-nos identificar criticamente não só os factores de sucesso, mas também o que correu ou está a correr menos bem, ponderando alternativas e interiorizando estas aprendizagens como pontos de melhoria na nossa linha de actuação», esclarece Mónica Barbosa. Complementarmente são reveladas evidências do impacto do trabalho da Comunicação Interna no questionário periódico de avaliação do “engagement” e do clima social (Dê-nos uma Pista), «os resultados têm sido bastante positivos. Assumir como pressuposto não o “sucesso”, mas o espaço de melhoria que existe continuamente tem sido essencial», afirma Mónica Barbosa, que refere ainda «ser notória a Comunicação Interna Integrada na área de “Capital Humano e Comunicação Interna” da Direcção de Pessoas tem as seguintes responsabilidades: R Gestão das ferramentas internas de comunicação R Realização de reuniões de quadros e encontros de colaboradores R Implementação de estudos de clima e cultura R Definição de planos para comunicação de diferentes projectos da empresa R Implementação dos programas de acolhimento e integração de novos colaboradores R Dinamização de eventos internos e lançamento de novos produtos junto do público interno Uma boa Comunicação Interna deve ter objectivos claros de gerar resultados para o negócio na imagem e na reputação. Hoje o peso da área na estratégia da Unicer é bastante significativo. Recorrendo a diferentes instrumentos e acções, a Comunicação Interna pode funcionar como facilitador da mudança, contribuindo para o reforço das relações interpessoais e garantindo que as pessoas continuam motivadas e focadas no alcance de objectivos comuns. Conhecer a essência da organização e a sua identidade é fundamental para o processo de comunicação, uma vez que «todo o acto de comunicar se pretende bem-sucedido e eficaz, devendo por isso ser coerente tendo na base um conjunto de valores que são partilhados por todos, designadamente pela gestão de topo, e garantindo que a mensagem é relevante e é interpretada e compreendida por cada um dos colaboradores, independentemente das suas experiências e vivências na organização», avança Mónica Barbosa. Procurando trabalhar em prol de uma Comunicação Interna atempada, consistente, relevante e participativa, a Unicer valoriza que as pessoas sejam sempre as primeiras a saber o que se passa na empresa, «com o nosso negócio e com as nossas marcas, sempre com a consciência de que estamos a comunicar para públicos internos bastante distintos, o que implica clareza e objectividade nas mensagens» reforça a responsável de Capital Humano e Cultura Organizacional da empresa. Aposta no digital A aposta na comunicação é um investimento que a Unicer faz para manter as pessoas informadas e alinhadas com a estratégia e cultura da empresa, disponibilizando um conjunto de ferramentas de comunicação alicerçadas na marca interna “Momentos” e das quais se destaca o canal de televisão corporativo (momentos Tv), a Intranet, a newsletter electrónica (@momentos) e a revista interna de periodicidade semestral (momentos). «Para se produzirem Human Resources Portugal 107 Comunicação Interna Utilização do digital na Comunicação Interna da Unicer: newsletter electrónica, televisão corporativa, Intranet e e-mail. resultados na comunicação, os meios devem ser escolhidos tendo em conta o objectivo a alcançar e os destinatários a impactar, pelo que, na prática, há que fazer uma gestão adequada das várias plataformas, articulando conteúdos, evitando redundâncias, rentabilizando meios e adaptando-os às diferentes necessidades e públicos», refere Mónica Barbosa, dando como exemplo a mudança de instalações para o novo edifício-sede da Unicer, em Leça do Balio. «Tal implicou, entre outros aspectos, a sensibilização dos colaboradores para a adopção de novos comportamentos e de boas práticas ajustadas a ambientes de trabalho em open-space», acrescenta a mesma responsável. Informar versus comunicar Perfeitamente cientes de que informar implica a transmissão de um conteúdo e que comunicar implica o desenvolvimento de um processo que inclui a integração de expectativas e necessidades na definição das mensagens e na identificação da forma mais adequada da passagem das mesmas, na Unicer a comunicação digital é uma clara tendência para fazer frente aos desafios de negócio. Exemplo disso foi o lançamento da newsletter electrónica em 2011, do canal de televisão corporativa em 2012, 108 Human Resources Portugal Setembro 2015 e os upgrades efectuados com regularidade na intranet, para tornar esta plataforma mais funcional e atractiva. «A intranet é uma plataforma essencial, pois permite chegarmos aos nossos colaboradores independentemente do local onde se encontram», afirma a Manager de Capital Humano e Cultura Organizacional da Unicer, relembrando que ao longo do tempo esta ferramenta 125 Anos Celebração RP lano de Comunicação Interna construído a partir de sugestões partilhadas pelos colaboradores dos centros da Unicer tem evoluído, procurando adaptar-se às necessidades e interesse dos colaboradores e das áreas, sem deixar de acompanhar as tendências do mercado. «Muito funcional, possui actualmente conteúdos de carácter informativo e utilitário, mas também outros mais dinâmicos e interactivos que promovem a participação dos colaboradores», esclarece Mónica Barbosa. Balanços e desafios Com o desenvolvimento tão rápido do digital nas suas múltiplas valências, novos desafios se colocam às empresas no âmbito da Comunicação Interna. «Quando as pessoas, a nível privado, já incorporam as tecnologias na sua vida, provavelmente esperam que o mesmo aconteça nas empresas em que trabalham», afirma a responsável de Capital Humano e Cultura Organizacional da empresa, defendendo que um dos principais desafios que se colocam às empresas assenta no transpor destas plataformas digitais para o seu interior, ajustando-as à sua realidade. «O balanço que fazemos é bastante positivo, são plataformas muito apelativas e que trazem um grande dinamismo à Comunicação Interna na Unicer», afirma Mónica Barbosa, revelando que no futuro a Unicer pretende sustentar e rentabilizar os meios existentes, acompanhando as tendências associadas à evolução das plataformas de comunicação digital. «Para a comunicação continuar a produzir os efeitos esperados nos diferentes públicos é necessário que se ajuste às novas realidades e que seja cada vez mais impactante, marcando espaço pela diferença», assinala a Manager de Capital Humano e Cultura Organizacional da Unicer. Comunicação Interna reunião anual de Colaboradores Vodafone transparência Colaboradores informados e envolvidos nos objectivos da empresa são potencialmente colaboradores mais motivados e mais orgulhosos. Satisfação e motivação A Vodafone Portugal acredita que colaboradores bem informados são colaboradores ainda mais motivados, sentindo-se, assim, ainda mais parte integrante da cultura da empresa. H á por parte da Vodafone o reconhecimento da Comunicação Interna como vector de importância no desenvolvimento da cultura organizacional da empresa, surgindo como uma área autónoma responsável pela garantia de uma comunicação consistente, relevante e homogénea, com o objectivo de criar um fluxo de comunicação bidireccional e transversal a toda a empresa, suportando assim os objectivos locais e globais e, ao mesmo tempo, informando e motivando os colaboradores. «Inserida na direcção de Recursos Humanos, a Comunicação Interna na Vodafone Portugal não só é um instrumento de suporte no desenvolvimento da cultura organizacional, 110 Human Resources Portugal Setembro 2015 na medida em que se envolve e participa nas principais mudanças e actividades e comunica directamente com os colaboradores, como é também responsável pela criação de acções internas com o objectivo de sustentar a cultura organizacional», refere Susana Ferreira, manager de Comunicação Interna da empresa. Esta área, ao estar na direcção de Recursos Humanos, facilita o alinhamento com temas relacionados com as pessoas, que são, além dos clientes, stakeholders e parceiros, a base para o sucesso da empresa. «Só com uma boa comunicação com e entre os colaboradores é que as empresas asseguram o alinhamento e posterior motivação e envolvimento com as suas prioridades e estratégia e, desta forma, a sua sustentabilidade», defende Susana Ferreira. O valor da Comunicação Interna Afirmando-se cada vez mais como um processo estratégico, já não há espaço para uma actuação tímida da Comunicação Interna, a qual não deve ser apenas uma área de suporte. «Sem dúvida que grande parte da sua função é suportar a administração e as demais direcções na implementação da sua estratégia. Não obstante, na Vodafone Portugal a Comunicação Interna tem procurado estar ainda mais envolvida nos processos estratégicos cada vez mais a montante e com um papel mais interventivo», revela a manager da área. A política de Comunicação Interna e o respectivo plano anual têm por base a estratégia e objectivos do Grupo Vodafone e da empresa ao nível local. Caderno Especial Transparência Pilares da Comunicação Interna Relevância Clareza «Desenvolver actividades e comunicações em alinhamento com a estratégia e objectivos, comunicando-os, facilitando a sua compreensão e motivando os colaboradores a serem parte viva e activa dos mesmos é para a Vodafone a forma de ajudar a garantir que cada pessoa tem todas as informações para realizar o seu trabalho ainda melhor», assegura Susana Ferreira. Na Vodafone Portugal o impacto das políticas e das estratégias de Comunicação é medido principalmente através de duas formas: um questionário anual, promovido pelo Grupo Vodafone e lançado para todos os colaboradores, e questionários pontuais, elaborados e lançados para cada acção relevante realizada. Além destas formas de medição de impacto, existe ainda um questionário global, o People Survey, que, ao ter como objectivo conhecer melhor a perspectiva e a opinião dos colaboradores sobre distintos aspectos na empresa, inclui questões altamente relevantes para medir a eficácia da Comunicação Interna. A Comunicação Interna deve entender a essência da organização e a sua identidade, criando mensagens, conceitos e acções passíveis de serem entendidas por todos. «A primeira coisa que fazemos é pensar se tem relevância, se é claro e se trará benefícios para os colaboradores. Apenas desta forma podemos fazer o caminho para assegurar que a comunicação será eficaz e se a acção e/ou comportamento desejados irão ser adoptados», refere Susana Ferreira. Digital: que valor? A Vodafone Portugal tem como objectivo não só informar como comunicar, dando espaço aos colaboradores para fazerem perguntas, participarem em questionários passadiços na sede da Vodafone boas práticas Os passadiços na sede da Vodafone, em Lisboa, trouxeram a campanha externa para os colaboradores. Trata-se de um suporte de comunicação que comunica duplamente com colaboradores e com público externo. A Comunicação Interna não só é imprescindível como deveria cada vez mais ser uma área autónoma e mais próxima dos colaboradores. Missão Comunicação Interna Na Vodafone, a área tem como missão a criação de envolvimento e motivação dos colaboradores. Neste sentido, os principais objectivos são: R Comunicar os objectivos estratégicos R Comunicar e reforçar os valores e a cultura R Apoiar a comunicação das transformações organizacionais R Criar acções relevantes para promover o convívio e a cultura organizacional R Ajudar a que os colaboradores sejam os melhores embaixadores dos produtos e serviços da Vodafone Portugal e em testes de produtos e serviços, para utilizarem as diferentes ferramentas a fim de, desta forma, participarem no processo comunicativo sempre que relevante e possível. «Tratando-se de uma operadora de telecomunicações, o digital ocupa, e sempre ocupou, espaço e credibilidade na Vodafone Portugal», assinala a manager de Comunicação Interna da organização. O principal enfoque do digital na Vodafone Portugal é potenciar a comunicação com e entre os colaboradores, independentemente da sua localização. O Vodafone Hub, a intranet Human Resources Portugal 111 Comunicação Interna da Vodafone, é um dos suportes de comunicação mais usados e preferidos pelos colaboradores, de acordo com o último questionário lançado pelo Grupo em Maio deste ano. «É o primeiro local onde os colaboradores deverão dirigir-se para encontrar todo o tipo de informações, desde informações úteis a novidades e notícias, repositório de documentos, entre outros. Com um sistema avançado de busca, praticamente toda a informação relevante está nesta intranet», esclarece Susana Ferreira. Com o rápido desenvolvimento do digital, os novos desafios que se colocam às empresas serão, por um lado, chegar aos colaboradores da forma mais inovadora e relevante possível e sem pedir demasiado do seu tempo. «Por outro, a Comunicação Interna deverá procurar estender-se, sempre que relevante e legalmente possível, às pessoas que trabalham para a Vodafone Portugal em regime de outsourcing e aos parceiros, o que já é um desafio bastante importante», reforça. Transparência e futuro «Nos meios digitais não se pode errar porque, colocando uma vez uma in- Vodafone Portugal Plataformas digitais R Intranet (Vodafone Hub) R mHub – Intranet móvel R Circle - rede social interna R Vodafone Tube R Newsletters Internas R Outros e-mails específicos R Reunião de Alinhamento Operacional R Plataforma para envio de emails R Ferramenta para questionários R SMS R Outras ferramentas de partilha e colaboração online 112 Human Resources Portugal Setembro 2015 colaboradores Princípios “The Vodafone Way” R Customer obsessed R Innovation hungry R Ambitious and competitive R One Company, local roots R Speed R Simplicity Best practice: mochila para o novo bebé A Comunicação Interna é uma área transversal que procura chegar aos colaboradores e facilitar que estes cheguem às outras áreas. formação ou imagem online, é muito difícil reverter essa publicação», relembra Susana Ferreira, acrescentando que «a transparência está sempre na base das comunicações da Vodafone Portugal, sejam digitais, orais ou impressas». Para 2015, um dos objectivos da Comunicação Interna da Vodafone é chegar a mais pessoas, independentemente da sua localização, e de forma cada vez mais relevante. Sobre o tema, Susana Ferreira refere que «estamos a desenvolver acções no sentido de promover a comunicação “down-top”, pelo que um dos nossos objectivos é a maior utilização das redes sociais internas». R Trust Comunicação Interna: responsabilidades «A Comunicação Interna na Vodafone Portugal procura ser, sem dúvida, um agente inspirador e transformador das relações entre os colaboradores e destes com a empresa, ao desenvolver comunicações e diferentes iniciativas, como por exemplo, a reunião anual, para promover essas relações», defende Susana Ferreira, «pelo que», acentua, «ao promover a comunicação, a motivação e o sentimento de orgulho entre os colaboradores, criando e envolvendo-os em grande parte das iniciativas, a Comunicação Interna é um instrumento essencial para promover o seu envolvimento e participação». A Comunicação Interna é a área por excelência que transmite ou ajuda a transmitir o compromisso de toda a empresa com as suas pessoas, pois possui as ferramentas necessárias para chegar à administracção, a todas as direcções e a todos os colaboradores, de forma clara, objectiva, relevante e cativante. «Não será apenas a Comunicação Interna a área que deverá mostrar o compromisso da empresa com o seu capital humano, mas toda a direcção de Recursos Humanos e a administração, algo que, aliás, sempre existiu na Vodafone Portugal: excelência no serviço ao cliente externo e interno», conclui Susana Ferreira. Cheques & Cartões Pré-Pagos 114 notícias actualidade Comportamento do sector 118 caso caixa Uma oferta diversificada com soluções para diferentes segmentos de mercado 120 entrevista edenred Rui Proença, director-geral da Edenred Portugal ONLINE SHOP Cheques & Cartões Pré-Pagos Maiores resultados Desde 2013 a utilização dos cartões pré-pagos nas transacções tornou-se usual Notícias Mercado dos cartões pré-pagos cresceu em 2014 O mercado português cresceu mais 11% relativamente aos gastos efectuados com cartões Visa. O destaque vai para a utilização dos cartões pré-pagos. D urante o ano de 2014, o montante gasto com cartões Visa cresceu em Portugal mais de 11%, ascendendo aos 26 mil milhões de euros. Sérgio Botelho, director da Visa Europe para o mercado português, atribui este crescimento «ao comércio electrónico e à utilização cada vez maior de cartões pré-pagos». Apresentados pela Visa Europe, os resultados financeiros que apontam para a evolução positiva registada no ano passado, «demonstram que os portugueses estão cada vez mais a usar os seus cartões Visa para despesas diárias, com uma média de 57,4 transacções por cartão no ponto 114 Human Resources Portugal Setembro 2015 de venda”, refere Sérgio Botelho. O segmento dos cartões pré-pagos foi o que obteve um maior crescimento em utilização no ponto de venda em 2014, mais 53% do que em 2013. As transacções associadas a estes cartões (de utilização única ou recarregáveis) ultrapassaram os 650 milhões de euros em Portugal. ano de 2014 R Mais de 11% R Ascendendo aos 26 mil milhões de euros Cartões pré-pagos R Maior crescimento R Mais 53% do que em 2013 As transacções associadas aos cartões pré-pagos (de utilização única ou recarregáveis) ultrapassaram os 650 milhões de euros em Portugal. C M Y CM MY CY CMY K Cheques & Cartões Pré-Pagos Sonae Sierra lança Cartão Surprise Os centros comerciais da Sonae Sierra lançaram recentemente um novo cartão pré-pago, produto derivado do anterior cheque prenda “Surprise”. Este cartão presente pré-pago pode ser utilizado como meio de pagamento nas 1200 lojas aderentes que se encontram disponíveis nos 21 centros comerciais existentes. Uma década depois do nascimento do cheque prenda “Surprise”, a ideia desenvolveu-se para dar origem a um novo formato, agora em cartão com uma validade mais alargada e mais versátil na utilização. Recarregado com o limite mínimo de 10 euros e máximo de 500 euros, o novo cartão apresenta a validade do saldo impressa na frente, possibilitando assim que o utilizador tenha a noção do prazo útil durante o qual deverá proceder à sua utilização. cartão presente pré-pago O Cartão Surprise da Sonae Sierra está disponível em 1200 lojas em 21 centros comerciais World Retail Congress Destaca transformação na experiência de compra Soluções de pagamento mais simples e inovadoras Inovações ao nível dos pagamentos, bem como novos lançamentos, são as prioridades dos consumidores U mestudopromovidopela MasterCard e divulgado na edição deste ano do World Retail Congress revela que os consumidores desejam uma transformação na experiência de compra. O estudo “Retail Social Listening Study” analisou 1,6 milhões de conversas online espontâneas sobre compras e comércio, em 61 países, com o objectivo de compreender a experiência dos consumidores no último ano. As principais conclusões in- dicam que há uma mudança nas expectativas dos consumidores, os quais pretendem novas e mais ricas experiências de compra. As “carteiras digitais” e as “In-app” são os tópicos mais discutidos pelos consumidores europeus nas redes sociais (com 93%) face aos “pagamentos Contactless” (com 91%). Inovações de pagamento e novos lançamentos são as exigências mais marcantes, assim como a necessidade do aparecimento de novos meios de pagamento. Retail Social Listening Study Tópicos mais discutidos R 1,6 milhões de conversas R 61 países R Carteiras digitais e In-app - 93% R Pagamentos Contactless - com 91% Consumidores exigem inovações de pagamento e novos lançamentos, assim como a necessidade do aparecimento de novos meios de pagamento. 116 Human Resources Portugal Setembro 2015 Cheques & Cartões Pré-Pagos rigoroso dos gastos, constituindo uma ferramenta de educação financeira», menciona a mesma fonte. Os cartões da Caixa permitem ainda, a pedido dos clientes, associar uma função de poupança nos cartões pré-pagos LOL, LOL Júnior e PRO Rock, promovendo a criação de hábitos de poupança nas futuras gerações. Cartões para Clientes particulares Caixa soluções de COMPROMISSO A oferta de Cartões Pré-Pagos da Caixa é muito diversificada, abarcando soluções para diferentes segmentos de mercado e necessidades. A área de negócio de Cartões Pré-Pagos da Caixa Geral de Depósitos tem uma história sólida, com início em 2008, ano em que foram lançados os primeiros cartões para o segmento de clientes particulares: PRO, LOL e LOL Júnior, estes dois últimos especificamente para um target jovem. Seguiu-se a disponibilização do cartão Webuy, para compras exclusivamente online, e do cartão My Baby, dirigido a uma necessidade muito específica – a de gerir as despesas com o nascimento de um filho. A oferta da Caixa para empresas é mais recente, com o lançamento do Caixa Break, cartão que se posiciona exclusivamente para carregamento do subsídio de refeição. No ano de 2014, o universo de Cartões Pré-Pagos da Caixa é alargado com 118 Human Resources Portugal Setembro 2015 entrada no mercado do cartão OnBIZZ, dirigido a empresas e outras entidades públicas e privadas, para pagamento de prémios, subsídios, ajudas de custo e outras remunerações, bem como do cartão PRO Rock, um cartão pré-pago para jovens, associado aos Festivais de Verão. Uma história de sete anos marcada por uma oferta diferenciada nos segmentos empresarial e particular. «O balanço é claramente positivo, tendo a Caixa actualmente a capacidade de colocar ao dispor dos clientes uma oferta diversificada e capaz de responder às mais diversas necessidades», refere fonte da Caixa. Segurança e controlo de despesas são mais-valias importantes dos Cartões Pré-Pagos da Caixa. «Em geral, os Cartões Pré-Pagos, ao terem um saldo pré-carregado, permitem maior segurança na utilização e um controlo mais Para dar resposta às diferentes necessidades dos seus clientes particulares, a Caixa tem cartões pré-pagos dirigidos a diferentes faixas etárias e estágios de vida: R Começando na fase pré-natal, o cartão My Baby pretende responder à necessidade concreta de apoiar os pais na gestão do orçamento familiar com o nascimento de um filho. Este cartão, para além de descontos em lojas e outros estabelecimentos relacionados com as necessidades dos mais pequenos e dos pais, tem associados os seguintes benefícios no Hospital Lusíadas de Lisboa e Porto: oferta da estadia para acompanhante (familiar) nos internamentos por parto, desconto no kit e na crio-preservação de células estaminais, mediante pagamento com o cartão e 10% de desconto no Curso de Preparação para o Parto, também mediante pagamento com o cartão. R Passando pelos cartões dirigidos aos mais jovens, como os LOL Júnior, LOL e PRO Rock, cujas diferenças assentam no maior ou menor controlo sobre a sua utilização, em função do grau de autonomia financeira ou idade do seu utilizador. O cartão pré-pago com maior controlo de utilização é o LOL Júnior; dirigido à faixa etária dos 10 aos 15 anos, é solicitado à Caixa pelos pais ou encarregados de educação, os responsáveis pela sua utilização. Este é o único cartão pré-pago que tem uma restrição diária de utilização (no valor máximo de 50€/dia) e que só permite o pagamento de compras sem opção de levantamento de dinheiro; pretende-se, por questões de segurança, que os mais novos possam efectuar pequenas compras, mas que não andem com dinheiro na carteira. Caderno Especial Os cartões LOL e PRO Rock, para clientes a partir dos 15 anos, são muito similares permitindo ambos efectuar pagamentos e levantamentos até ao limite do valor pré-carregado. O aspecto que mais os diferencia é o facto de o cartão PRO Rock permitir a personalização de imagem: o cliente pode seleccionar uma imagem alusiva aos festivais ou à música numa galeria disponibilizada pela Caixa ou optar por outra à sua escolha. Todos os cartões para jovens têm a possibilidade de associar a função poupança, com a qual o saldo não utilizado mensalmente é transferido automaticamente para uma conta de poupança. Esta função dos cartões pré-pagos para jovens é opcional e pode ser activada ou desactivada em qualquer momento, numa agência da Caixa R Finalizando com os cartões PRO e Webuy, para clientes a partir dos 18 anos, sem restrições de utilização, sendo este último para compras exclusivamente online. Todos os cartões pré-pagos para clientes particulares, para além de serem mais seguros em caso de perda ou roubo, permitem um melhor controlo de despesas e a consulta, na rede Caixautomática da CGD e no serviço Caixadirecta, do saldo disponível e dos últimos movimentos efectuados com o cartão. Cartões para clientes empresariais Mais recentemente, tem havido um grande investimento por parte da banca nos Cartões Pré-Pagos dirigidos a empresas e a Caixa não é excepção nessa tendência. Na sua oferta especificamente direccionada ao sector empresarial, a Caixa conta actualmente com os cartões Caixa Break e Caixa OnBIZZ. O cartão Caixa Break destina-se exclusivamente ao carregamento do subsídio de refeição por parte das empresas aos seus colaboradores. «Esta oportunidade ocorreu num enquadramento fiscal favorável, o qual permitiu colocar ao dispor das empresas clientes da Caixa uma opção inovadora, cómoda A Caixa tem cartões pré-pagos dirigidos a diferentes faixas etárias e estágios de vida dos seus clientes. e eficiente, em termos de benefícios, aos colaboradores», observa fonte da Caixa. Os benefícios fiscais em sede de IRS e TSU desta solução de pagamento incidem na TSU, no caso das empresas, e no IRS e TSU, para os colaboradores. A solução Caixa Break permite aos colaboradores das empresas a utilização de um saldo pré-carregado pela empresa, correspondente ao seu subsídio de refeição em pagamentos no sector alimentar, nomeadamente supermercados, restaurantes e cafés, através das redes Multibanco e MasterCard, assim como em compras online nas lojas virtuais de comerciantes do referido sector. Outra grande mais-valia deste cartão assenta no facto de permitir concentrar as despesas relacionadas com alimentação, conferindo ao utilizador um melhor controlo dos seus gastos mensais. Os movimentos podem ser diariamente consultados nas caixas automáticas da Rede Multibanco e da Rede Caixautomática, da CGD, bem como no serviço Caixadireta. Por sua vez, o cartão Caixa OnBIZZ, também dirigido a empresas e outras entidades patronais, públicas e privadas, destina-se ao pagamento de prémios, subsídios, ajudas de custo e outros incentivos aos colaboradores, optimizando os processos de pagamento das empresas. «Mais uma vez, a Caixa, através deste produto, pretende ajustar as necessidades sentidas e identificadas pelos clientes empresa, disponibilizando um serviço de qualidade e de conveniência e simplificando o processo administrativo associado», adianta fonte da Caixa. Os destinatários utilizadores dos cartões são os colaboradores das empresas. Estes cartões admitem duas variantes de emissão, em função da finalidade do carregamento: enquanto os Caixa OnBIZZ se destinam essencialmente ao pagamento de prémios e incentivos, os Caixa OnBIZZ Staff destinam-se a adiantamentos por conta da empresa. Os Caixa OnBIZZ podem ser recarregados pelas empresas ou pelos colaboradores, sendo que o valor carregado é considerado património do colaborador e só este pode consultar saldos e movimentos. No caso dos OnBIZZ Staff, o valor carregado pertence à empresa, mas ambos, empresa e utilizador, podem efectuar a consulta de saldo e movimentos. «Esta solução, disponibilizada pela Caixa aos seus clientes empresa, permite uma gestão desburocratizada e facilitada dos processos da própria empresa, apresentando padrões de inovação, eficiência e qualidade de serviço», conclui. Human Resources Portugal 119 Cheques & Cartões Pré-Pagos Rui Proença Director-geral da Edenred Portugal Edenred Soluções diferenciadoras Há 30 anos em Portugal, a Edenred tem evoluído e adequado as soluções que desenvolve às necessidades de um mercado em franco crescimento. A Edenred chegou a Portugal em 1984. Na bagagem trazia já conhecimento da empresa-mãe francesa que criou o vale-refeição em 1962. Hoje, a especialista de benefícios sociais assume-se líder de mercado em Portugal, apostando em soluções dedicadas à alimentação e ao apoio à infância e educação. Em entrevista a Rui Proença, director-geral da Edenred Portugal, conhecemos uma empresa que se tem diversificado, apostando numa oferta única e diferenciadora com vantagens exclusivas. 120 Human Resources Portugal Setembro 2015 Nascida em França, qual tem sido a evolução da empresa? Desde a criação do vale-refeição, em 1962 por Jacques Borel, em França, a Edenred Portugal estabeleceu-se no País em 1984. Para além da solução de apoio à alimentação, Euroticket, criámos outras soluções nomeadamente para o apoio à infância e educação, como o Cheque Creche e o Cheque Estudante. Em 1999 foi aprovada a lei favorável ao vale social como benefício social, Cheque Creche, regulado pelo Decreto-lei 26/99, de 28 de Janeiro. A par desta evolução entre 2011 e 2013 houve uma alteração da lei favorável de atribuição do subsídio de refeição, com maior isenção dos vales refeição até 6,83€/dia de IRS e TSU, para as empresas e para os trabalhadores. Uma verdadeira alavanca para um aumento do poder de compra dos trabalhadores portugueses numa área tão essencial das suas vidas: a alimentação. As empresas viram assim uma poupança fiscal associada aos vales refeição que até então não era visível e, para além disso, um aumento da produtividade e bem-estar social. Em 2013, deu-se outro ponto de viragem no percurso da Edenred, realizando uma joint venture com o Novo Banco que possibilitou o lançamento do cartão Euroticket à la card e permitiu à Edenred Portugal a liderança no mercado de título de refeição. Já em 2015 e após uma alteração do DL 26/99-28 Janeiro no Orçamento de Estado 2015, tornou-se favorável o apoio à educação dos filhos ou dependentes dos trabalhadores com idades entre os 0 aos 25 anos, com benefício fiscal para as empresas e para os trabalhadores. A que necessidades do mercado estes produtos vieram dar resposta? A titularização dos benefícios sociais é um instrumento flexível de futuro, socialmente relevante, que faz crescer a economia, combate a economia não registada, controla a inflação e aumenta a receita fiscal. O trabalhador aumenta o poder de compra dedicado. Um euro recebido corresponde efectivamente a um euro de poder de compra para alimentação, ou no pagamento da creche e das propinas. A empresa passa a dispor de uma ferramenta de atribuição de benefícios extra-salariais que promove uma relação próxima e uma cadeia de valor transparente com os colaboradores, um programa de produtividade capaz de actuar na fidelização do capital humano, e um estímulo ao desenvolvimento da Responsabilidade Social. Tudo sem aumento da carga fiscal. Cheques & Cartões Pré-Pagos Os agentes económicos que integram a rede credenciada passam a dispor de uma comunidade de utilizadores cujo poder de compra dedicado amplia o seu negócio. O Estado, ao incentivar o uso dos títulos, dinamiza políticas sociais no âmbito das relações laborais, garante que o benefício fiscal se traduz num efectivo benefício social, e reduz a economia não registada, uma vez que a titularização faz uso de instrumentos que permitem a rastreabilidade das transacções realizadas. Qual a evolução do comportamento dos portugueses face aos vossos produtos? Tem sido positiva, pois mais empresas portuguesas adquirem as soluções sociais de apoio à infância e educação. Temos observado este crescimento através de estudos de mercado. A alteração da legislação favorável ao apoio à educação até aos 25 anos veio igualmente contribuir para e favorecer esta evolução e familiarização com os benefícios de apoio à educação. Acreditamos que nos próximos anos a evolução das leis seja favorável aos benefícios Diferenciação Soluções únicas com vantagens exclusivas Os produtos diferenciamse através das seguintes características: Apoio à alimentação: R Euroticket: cartão electrónico dedicado à alimentação, com serviços associados, nomeadamente: Euroticket Mais, um programa de descontos exclusivos; MyClub com vantagens exclusivas em grandes marcas; APP MyEdenred, que permite a consulta dos movimentos do cartão; Workshop FOOD, que permite transmitir aos colaboradores as boas práticas alimentares; e uma Loja Online para encomenda de produtos. Apoio à educação: R Cheque Creche: disponibiliza uma plataforma online que permite a simplificação do pagamento; R Cheque Estudante o único no mercado em formato de cartão electrónico e a APP MyEdenred para consulta de movimentos. extra-salarias e, por consequência, a uma maior aceitação por empresas e trabalhadores portugueses. Soluções que aumentam o poder de compra e incrementam a produtividade nas empresas. 122 Human Resources Portugal Setembro 2015 De que forma analisa o mercado? A ampliação do universo de utilizadores de benefícios sociais em títulos, bem como a forte expressão de adesão das empresas, conduz-nos a um mercado em franco crescimento. Estimamos que, no final de 2015, o total de trabalhadores que usufrui do subsídio de refeição em título seja de cerca de um milhão. Porém, a legislação em vigor é demasiado dispersa por vários códigos fiscais e excessivamente com- plexa para empresários investidores, empresas e trabalhadores perceberem as suas vantagens e mecanismos de concessão e utilização. Defendemos por isso a criação do Estatuto dos Benefícios Sociais como instrumento de política social: para simplificar a organização e tomada de decisão dos gestores de pessoas; para criar a distinção salubre entre política fiscal e social; como instrumento de captação de investimento, uma vez que empresas e trabalhadores passam a dispor de um diploma agregador dos elementos que compõem a política de benefícios sociais extra-salariais. Que balanço faz deste ano e quais as expectativas relativamente a 2015? Nos primeiros seis meses do ano de 2015 revelou-se um crescimento muito expressivo na procura e na implementação de políticas de atribuição de benefícios extra-salariais nas empresas. No segundo semestre prevemos um crescimento das soluções especializadas da Edenred Portugal, uma vez que apostamos em serviços diferenciadores como o Euroticket Mais, um programa de descontos exclusivos para a alimentação, o MyClub, um clube com vantagens exclusivas em grandes marcas para os utilizadores do cartão, e uma aplicação para consulta de movimentos de cartão onde é possível o utilizador adicionar vários cartões em simultâneo. Estes serviços são únicos enquanto oferta nesta área de negócio. Quantos portugueses utilizam os vossos títulos de refeição? Estimamos que no final de 2015 cerca de um milhão de trabalhadores em Portugal usufrua do título refeição. A Edenred é detentora da maior quota deste mercado. Esse número tem espaço para crescer? Sim. Podendo chegar aos cerca de três milhões de trabalhadores, sem excluir a Administração Pública. Motores em forma chegam mais longe. Com BP Ultimate o seu motor chega mesmo mais longe. A sua fórmula avançada limpa e protege ativamente contra a formação de resíduos no coração do seu carro - o motor. E um motor em boa forma pode fazer até mais 42 km* por depósito que um motor menos saudável. Motores limpos dão mais rendimento. *Em testes de consumo de diferentes situações de condução realizados no Centro Técnico BP, BP Ultimate Diesel percorreu até 42 km mais por depósito cheio em comparação com o gasóleo convencional e BP Ultimate Gasolina, conseguiu até 38 km mais por depósito comparando com gasolina sem chumbo simples.