Getting to
boiling point
Actualização de 2006
Este documento é
uma actualização
do relatório de 2005
“Alcançar o ponto de
ebulição: aumentar o
calor sobre a água e o
saneamento”.
Março de 2006
WaterAid/Marco Betti
Cabeçalhos
WaterAid – água para a vida
A ONG internacional
dedicada exclusivamente
à provisão de água limpa
doméstica, saneamento e
educação sobre a higiene
para as pessoas mais
pobres do mundo.
j No ano passado os sectores hídricos nacionais em toda a África ao Sul do Sara e no Sul da
Ásia levaram a cabo apenas os passos mais pequenos para melhorar o seu desempenho.
j Não existe um sentido de urgência apesar de milhões de crianças continuarem a morrer
de doenças diarreicas, enquanto a falta de saúde mantém outras longe da escola ou sem
trabalhar.
j Das sete medidas cruciais para melhorar o desempenho do sector somente um – o
desenvolvimento do fornecimento nacional e dos planos de investimento – viu progressos
significativos.
j Ainda há duas vezes mais países sem planos nacionais do que os que têm planos – adoptar
esses planos até 2006 era um dos compromissos essenciais da Cimeira da Revisão do Milénio
da ONU no ano passado.
j Os grandes doadores do G7 ainda estão a falhar ao seu compromisso geral sobre a
assistência e não dão prioridade à água e ao saneamento apesar do papel do sector na sua
própria história de desenvolvimento.
j O prazo limite para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs) está agora a
nove anos de distância, apenas um ano mais do que o tempo médio que leva a gastar as
atribuições para a assistência à água.
Contexto: Alcançar o
ponto de ebulição
O relatório da WaterAid de 2005, Alcançar o
ponto de ebulição1 documentava as insuficiências
brutais do desempenho dos sectores hídricos
nacionais como resultado dos quais 1,1 mil
milhões de pessoas não têm acesso à água limpa
e 2,6 mil milhões não têm a latrina mais básica.
O relatório fez sete pedidos de acção juntamente
com uma avaliação de linha de base da posição
em cada um dos 14 países onde a WaterAid
tem os seus principais programas nacionais.
Os pedidos de acção diziam respeito às etapas
prioritárias necessárias tanto por parte dos
Governos nacionais como dos doadores, com o
fim de acelerar o desempenho do sector. No que
diz respeito às funções dos doadores, os pedidos
concentravam-se na coordenação e alinhamento
com os planos nacionais. Estes factores são
geralmente considerados como os que sustentam
o êxito da utilização da assistência em geral – por
exemplo, no Botswana2 – e encontram-se no centro
da ordem do dia da eficácia da assistência dos
doadores estabelecida na Declaração de Paris3.
A Actualização de 2006
Um ano depois da publicação de Alcançar o
ponto de ebulição, os programas nacionais da
WaterAid repetiram a avaliação dos principais
pedidos de acção com o fim de determinar a
dimensão e a velocidade das mudanças no sector.
A Tabela 1 mostra os resultados desta avaliação
em comparação com a linha de base de 2005.
Discussão
Alcançar o ponto de ebulição era já por si um
relatório de síntese. No entanto, a premissa
era que o sector hídrico tem que ultrapassar os
debates e os pronunciamentos sobre a política
internacional e concentrar-se no fornecimento
a nível nacional. O relatório teve portanto como
base uma série de avaliações individuais do
sector hídrico a nível nacional.4 Continuando
esta compreensão básica de que não existe uma
solução para todos e que as discussões vitais
se fazem a nível nacional, a Tabela 2 resume
a posição sobre os principais apelos à acção,
país por país. As variações dos factores que
afectam os diferentes países vão das monções
no Bangladesh à falta de clareza sobre as
funções dos diferentes ministérios na Zâmbia
a até que ponto os distritos locais cumprem
com a orientação sobre os orçamentos para o
saneamento do Governo central no Uganda.
Diversos dos apelos à acção foram escolhidos
a partir dos compromissos feitos na Cimeira
da Revisão do Milénio nas Nações Unidas em
Setembro de 2005. Os elementos cruciais (e
os apelos relacionados de Alcançar o ponto de
ebulição) no documento sobre os resultados
sancionado pelos estados membros, relevantes
ao sector hídrico foram:
1.Que os países em desenvolvimento
adoptassem até 2006 estratégias nacionais
exaustivas para alcançar os ODMs (Apelo 1)
2.Que os países desenvolvidos os apoiem
proporcionando um aumento substancial da
ajuda de qualidade suficiente e por tempo
indefinido e para aumentar o impacto, por
exemplo garantindo a utilização adequada e
visada (Apelos 6 e 7)
3.Revisões anuais a nível ministerial, do
progresso sobre estes ODMs (Apelo 4).
Também se observa uma maior concentração a
nível de país, por exemplo nos diálogos nacionais
entre a Iniciativa Hídrica da EU e o Conselho
Africano de Ministros sobre a Água. Mas para
cada passo em frente, dá-se demasiadas vezes
um passo atrás. Ao mesmo tempo que a Iniciativa
Hídrica da EU tem como objectivo aumentar a
eficácia da ajuda para a água, um dos principais
problemas da eficácia da ajuda – a existência do
financiamento múltiplo e direcção dos relatórios
– é repetido com o estabelecimento da Instalação
Hídrica da EU.5
O maior problema no sector, a falta de
transparência, está a ser solucionado somente
muito lentamente. Nenhuns outros países
seguiram o exemplo do Uganda no que diz
respeito à produção de relatórios apropriados
sobre o desempenho apesar de um par deles
estar a entrar em acção para o fazer, recolhendo
dados ou programando discussões em mesas
redondas. Sem o brilho intenso do escrutínio do
público informado, é pouco provável que o sector
e os políticos responsáveis pelo mesmo sintam
o calor necessário para levar o desempenho do
sector até ao ponto de ebulição.
Provavelmente o facto mais chocante é a contínua
falta de provisão separada para o saneamento.
A incapacidade de proporcionar os aumentos
exigidos para o acesso ao saneamento irão, nas
tendências actuais, resultar na morte de outros
10 milhões de crianças quando o momento visado
pelos ODMs for finalmente alcançado em 2026.6.
Mas essa média esconde uma posição muito
pior na África ao Sul do Sara, onde o alvo não
será alcançado até 2105, 90 anos demasiado
tarde e depois da morte de outros 133 milhões
de crianças de doenças diarreicas. No caso
da Zâmbia, sem uma mudança de direcção, o
objectivo do saneamento não será alcançado até
2130.
O sector necessita portanto de um sentido de
urgência sobre a entrega dos objectivos dos
ODMs. O prazo final encontra-se agora somente
a nove anos de distância. A OCDE relatou7 que
levará oito desses nove anos a proporcionar por
completo qualquer tipo de fundos extra por parte
dos doadores, acordados agora. Alguns doadores
estão a começar a dar sinais de que estão
conscientes da necessidade de criar um ímpeto
sobre o fornecimento – o Departamento para o
Desenvolvimento Internacional do RU (DFID), por
exemplo, começou a produzir relatórios todos os
seis meses sobre a sua participação nos sectores
hídricos dos países parceiros cruciais.8. Mas
Tabela 1: Avaliação em 2006 da posição dos sectores hídricos nacionais sobre os apelos à acção de Alcançar o ponto de ebulição
Apelos à acção
Países da
WaterAid
Mudanças
em 2005
Comentário
Com
Sem
Com
Investimento e plano
de fornecimento
do sector hídrico
nacional
5
9
+4
Posição melhorada reflecte os programas novos do sector e as estruturas no
Bangladesh, em Madagáscar, no Nepal e na Nigéria.
Orçamento separado
para o saneamento
2
12
0
O Bangladesh separou 20% do Programa Anual de Desenvolvimento para
garantir uma provisão separada para o saneamento. No entanto, o conselho do
Uganda de que 10% dos fundos devem ser atribuídos ao saneamento só está a
ser seguido em um de cada três distritos.
100% de utilização
dos orçamentos do
sector hídrico
0
14
0
Continua a ser muito difícil avaliar este factor devido à falta de informação.
Pode atrasar-se muito como na Etiópia onde os últimos dados são de 2000/1
ou pode estar espalhado entre os documentos de diferentes projectos como
no Gana. Os procedimentos restritivos, especialmente entre os doadores
(por exemplo, a UNICEF gastou somente 19% dos seus fundos para a água
na Nigéria) explicam muita da falta de utilização, mas as causas naturais (por
exemplo, as monções no Bangladesh) também têm impacto. Os melhores
dados encontram-se no Uganda onde a utilização aumentou de 53% para
60% apesar de que o aumento real das despesas tenha sido menor devido às
reduções nos orçamentos.
Relatórios anuais
publicados sobre
o desempenho do
sector hídrico
1
13
0
Há alguns relatórios separados sobre o desempenho, como preparação para
os planos nacionais ou alguns dados de alto nível, incluídos nos relatórios,
sobre o progresso da redução da pobreza nacional. No entanto, uma cultura
de relatórios sobre o desempenho – e mais particularmente de publicar esses
relatórios para facilitar a participação nas decisões do sector – está longe de
estar implantada.
Principal comportamento dos doadores nos países onde a WaterAid trabalha
Interacção unificada e
única com o Governo
3
11
0
Os doadores estão a começar a “falar a língua” sobre a coordenação. Na
Zâmbia, os doadores harmonizaram a contribuição para as reuniões principais
do sector. Mas os acordos para uma harmonização formal, como se observou
no Uganda, são raros. O sistema de orçamento de diversos doadores do Gana,
projectado há alguns anos, será posto em prática este ano. Mas na Etiópia,
não é realista continuar a avaliar esta questão de modo positivo: há evidência
contínua de que o grupo temático hídrico do grupo de consultores dos
doadores (GCD) é muito fraco e que os doadores estão a operar fora do plano
nacional que de qualquer modo não é separado aos níveis das regiões onde os
doadores trabalham.
Alinhamento com
os planos hídricos
nacionais
2
12
0
Demasiadas vezes, não existem planos nacionais com os quais se alinhar. Em
alguns países que se estão a mover na direcção desses planos (por exemplo
o Gana e a Zâmbia) há sinais de que os doadores estão preparados para
trabalhar de acordo com os planos. Mas os Governos terão eles próprios que
ser coordenados para afirmar a sua autoridade sobre os doadores. Noutros
locais (por exemplo, a USAID no Madagáscar) os doadores parecem satisfeitos
em continuar a seguir planos separados, apesar de que em alguns casos isso
se justifica, por exemplo por défices democráticos como no Nepal.
Parceria para o
desenvolvimento
– proporcio-nando
0,7% do Rendimento
Nacional Bruto (RNB)
em Assistência ao
Desenvolvimento no
Estrangeiro (ADE)
0
7
0
Somente no caso dos países G7 – no total proporcionaram 0,22% da sua
riqueza como ADE em 2004, ligeiramente superior aos 0,21% em 2003. No
entanto, a parte para a água e o saneamento está a diminuir – de mais de 8%
em 1997 para menos de 5% em 2004 – e o Iraque representa uma grande parte
do aumento das atribuições que foram feitas: 827 milhões de dólares ou 60%
de 1,45 mil milhões de dólares em 2004.
geralmente qualquer tipo de urgência ou ímpeto
encontra-se totalmente ausente. Por exemplo,
nem um dos 25 doadores ou representantes
dos Governos recebedores entrevistados foi
capaz de apontar para uma mudança na política
ou nas práticas introduzida como resultado da
Iniciativa Hídrica da EU nos primeiros três anos
da existência da mesma.
O compromisso dos doadores em geral é fraco.
Apesar da assistência em geral ter aumentado,
a parte atribuída à água e ao saneamento
diminuiu de 8,1% em 1997 para 4,96% em 2004.
Do aumento de dinheiro de 1,45 mil milhões
de dólares em 2004, cerca de 825 milhões de
dólares ou 57%, foram para o Iraque. Excluindo
o Iraque, os gastos em água e saneamento na
realidade diminuíram em 3% desde 1997.9
WaterAid/Suzanne Porter
Visão geral
É difícil concluir que a perspectiva de que o
desempenho do sector hídrico aumente para os
níveis necessários para se alcançarem os ODMs
– e mais particularmente para satisfazer os
direitos humanos das pessoas – é algo diferente
de sombria. No entanto, contínua a não haver
nada intrinsecamente difícil no que diz respeito
às acções necessárias. Só é necessária vontade
política para estabelecer planos e orçamentos,
para coordenar os jogadores do sector, para que
o trabalho se faça, e para produzir relatórios
anuais sobre tudo isto para os cidadãos. A
WaterAid fará outra vez um relatório sobre os
apelos à acção em 2007.
Tabela 2: Resumos das posições do sector hídrico nacional
País
Resumo da Posição
Bangladesh
Em Janeiro de 2006 foi acordado um programa para o desenvolvimento do sector (PDS) no valor de 5 mil milhões de
dólares de investimentos durante os próximos dez anos, 50% financiados por doadores. No entanto, os doadores ainda
só estão a discutir com o Governo como melhorar o modo como trabalham juntos. Ainda não existe evidência de que
os planos dos doadores estejam de acordo com os PDS. O prazo para a introdução do apoio ao orçamento do sector e
outros elementos de uma abordagem a nível do sector é 2008. A burocracia contínua para o desembolso dos doadores
e as aquisições parece portanto ser a causa por detrás da taxa mais lenta de utilização dos fundos (75%), nos primeiros
cinco meses do ano fiscal actual em comparação com o número do ano passado de 80%. No entanto, as difíceis condições
das monções também tiveram um certo impacto. Há evidência de um aumento da vontade política para que haja melhor
água e saneamento tanto a nível nacional como regional. A nível nacional, a água e o saneamento são uma das oito
questões a ser focadas no novo documento de redução da pobreza (PRSP) implementado em Outubro de 2005 (apesar da
relacionada estrutura de despesas a médio prazo e os elementos do plano de investimento contínuo a três anos ainda têm
que ser finalizados). A nível regional a declaração da Cimeira de Novembro de 2005 dos Chefes de Estado na Associação
do Sul da Ásia para a Cooperação Regional (SAARC) também se concentrou sobre o sector.
Burkina Faso
O inventário das novas instalações a nível nacional é o primeiro passo na direcção de um plano nacional para o sector e uma
revisão da política sobre o saneamento pode ter como resultado um orçamento separado para o saneamento. Apesar de ser
provável que os doadores e outros interessados no sector coordenem no futuro as suas contribuições com estes processos
nacionais, uma vez completos, para já é demasiado cedo para que haja verdadeiras melhorias no desempenho do sector. De
qualquer modo, a falta de relatórios anuais no sector faz com que seja impossível avaliar as questões relacionadas com o
desempenho de modo definitivo – nem sequer é claro se os orçamentos são utilizados por completo ou não.
Etiópia
Especulativamente, há diversos documentos sobre o sector a nível nacional – o Ministério das Finanças e de
Desenvolvimento Económico encomendou uma avaliação de necessidades para o ODM que se encontra agora juntamente
com o existente plano de desenvolvimento do sector. No entanto, a falta de direito de propriedade – especialmente a nível
regional – significa que não têm funcionado como planos genuínos. O processo do plano de desenvolvimento do sector
hídrico foi agora levado para nível regional (foram assinados memorandos de entendimento entre as secções da saúde,
água e educação em três administrações regionais), mas os doadores continuam muitas vezes a operar nas regiões
sem consideração para com estes planos. Entretanto, o trabalho temático sobre a água do GCD continua a ser ineficaz
para conseguir que os doadores e o Governo se dirijam conjuntamente a estas questões de coordenação. Há algumas
excepções: o Banco Mundial e a UNICEF estão a coordenar o trabalho a nível distrital; e, o diálogo com a EU está a planear
uma primeira revisão anual dos diversos interessados para Junho. Novos fundos significativos de mais de 300 milhões de
dólares no total foram prometidos ao sector, mas o novo PRSP 2005-2010 não inclui nenhuns indicadores, alvos ou linhas
de orçamento para o saneamento.
Gana
Tem havido progresso no desenvolvimento de um plano estratégico para a água e o saneamento rurais e para a
implementação de um sistema de orçamento de doadores múltiplos. No entanto, o saneamento continua sem
financiamento específico, não há informação facilmente disponível sobre a utilização de todos os fundos – não existe
um relatório anual exaustivo sobre o desempenho do sector – e os doadores continuam a levar a cabo o trabalho fora do
sistema de planeamento nacional.
Índia
Há alguns sinais encorajadores, por exemplo, o aumento de 76% do orçamento rural para o saneamento. No entanto, o
plano nacional continua a concentrar-se na irrigação em vez da água de beber para a utilização doméstica e as questões
urbanas são omitidas tanto dos planos como dos relatórios sobre o desempenho. Os doadores alinham-se com o Governo
mas representam uma percentagem muito pequena – 3% mais ou menos – dos fundos do sector.
Madagáscar
Os investimentos no sector estão agora a começar a ter alvos estratégicos de acordo com o Programa Nacional para
a Água e o Saneamento acordado em Junho de 2005. No entanto, é preciso compensar muito no caso do saneamento
que tem vindo a receber apenas 6% do orçamento para a água e o saneamento e em prática provavelmente menos. A
utilização dos fundos está a aumentar com os doadores a utilizar principalmente os fundos em linha com o Governo. Mas
ainda não se produzem relatórios exaustivos sobre o desempenho do sector apesar se ter começado com uma base de
dados nacional sobre os pontos de água.
Malawi
O sector hídrico do Malawi está a ser analisado. Há alguns desenvolvimentos prometedores: está-se a desenvolver uma
política de saneamento incluindo a identificação crucial de que Ministério tomará as funções de líder; a abordagem mais
consultiva adoptada ao projectar a nova Estratégia nacional de Crescimento e Desenvolvimento do Malawi (MGDS) teve
como resultado um melhor perfil para a água e o saneamento; e, o processo de desenvolvimento da Fase II do Programa
Nacional de Desenvolvimento Hídrico ainda pode levar à adopção de uma abordagem que cubra todo o sector. Mas ainda
existem grandes desafios: não existe uma estratégia nacional e um plano de investimento para o sector, especialmente no
que diz respeito a alcançar os ODMs; não existe um orçamento separado para o saneamento; não existe um relatório anual
sobre o desempenho do sector; e, a coordenação entre os jogadores do sector continua a ser inadequada a nível de base.
Mali
O Mali tem um Plano Nacional de 10 anos para o Acesso à Água para proporcionar o ODM para a água até 2015 mas,
apesar do apoio dos doadores, continua sem financiamento (equivalente a uma quantia de 400 bilhões de CFA ou 727
milhões de dólares). Não existe um plano sobre o saneamento apesar de agora haver um Ministério do Ambiente e do
Saneamento. Prevê-se que será introduzida uma abordagem que cubra todo o sector – incluindo um relatório anual
exaustivo sobre o desempenho – e um orçamento para o saneamento. Como tal, a posição pode em breve vir a ser muito
mais positiva. No entanto, de momento, os níveis de coordenação continuam baixos o que explica em parte porque é que
tanto como 40% dos fundos ficam por utilizar.
Moçambique
A implementação eficaz da descentralização a nível provincial é a chave para que haja mais progresso. De momento,
somente uma província está a produzir o grande plano exigido para o sector. O grupo hídrico e de saneamento do sector
está somente a funcionar como grupo de discussão e a política nacional para as abordagens procura-resposta está a
ser ignorada; mais recentemente, num projecto do Governo Indiano para 800 ponto de água fabricados na Índia. Uma
próxima auditoria sobre o desempenho do sector – prevista para Junho – para o Ministério das Finanças pode incitar a que
se levem a cabo melhorias mais rapidamente.
Nepal
Há muitas promessas – até 20% dos orçamentos podem ser gastos em saneamento, há um grupo de interessados do
sector a título nominal, e as linhas de base do desempenho do sector estão estabelecidas. No entanto, a realidade no
local, complicada pelo conflito em progresso e a falta de um Governo eleito democraticamente, contínua a ser uma de
acções não coordenadas e um orçamento pouco utilizado.
Nigéria
Desenvolveu-se uma nova estrutura nacional do sector, mas ainda não foi implementada por completo. O saneamento
em particular continua dividido entre três ministérios federais (Recursos Hídricos, Ambiente, e Saúde), nenhum dos quais
tem um orçamento dedicado para o saneamento e dois dos quais estão a produzir simultaneamente políticas separadas.
Directivas de implementação limitadas mantêm as taxas de utilização do orçamento baixas, e os diferentes interessados
trabalham com conjuntos de dados diferentes. No entanto, há sinais precoces de que a coordenação dos doadores pode
estar a melhorar sob os auspícios das reuniões organizadas pelo Ministério das Finanças e o processo de linhas de
referência da Comissão Nacional de Planeamento para os estados. Existem também propostas para a coordenação dos
doadores do sector hídrico com o objectivo de produzir um relatório anual sobre o sector.
Tanzânia
Há sinais prometedores para o desenvolvimento de um plano nacional (apesar de que até à data o Banco Mundial tem
sido muito dominante neste processo) e discussões dos doadores sobre a coordenação dos seus contactos com o
Governo. No entanto, no local, os doadores continuam a trabalhar sem fazer referência a outros jogadores e nenhum
dos ministérios do governo tem um orçamento para o saneamento. Ainda não existe um relatório publicado sobre o
desempenho do sector hídrico. Houve um único relatório sobre as despesas públicas para a água, mas somente tomou
em consideração se o dinheiro foi gasto e não que resultados se obtiveram!
Uganda
O saneamento contínua a ser o ponto fraco nas disposições do planeamento e nos relatórios geralmente bem organizadas
do sector no Uganda, com o qual os programas dos doadores estão alinhados. Ao contrário dos relatórios no ano
passado, ainda não existe um orçamento separado para o saneamento como parte do processo orçamental nacional
(apesar de que os ministérios individuais atribuem fundos para o saneamento). Somente 30% dos distritos estão a seguir
as directivas do Governo central sobre as despesas em saneamento e higiene. Apesar disso, as despesas do sector em
geral têm vindo a aumentar e algumas, apesar de não serem todas, as recomendações da revisão anual anterior foram
implementadas.
Zâmbia
Ainda são necessários planos para o sector nacional e por essa razão não existem provisões adequadas para o
saneamento ou alinhamento dos doadores com uma ordem do dia nacional. No entanto, está-se a fazer progresso
sobre estas questões: para as zonas rurais foi lançado um plano nacional em Dezembro de 2005 bem centrado sobre o
saneamento; e os doadores concordaram em fazer uma avaliação conjunta desse plano incluindo a análise das questões,
como por exemplo as funções precisas dos diferentes ministérios. Os dados sobre o desempenho, necessários para
criar uma maior abertura e a pressão pública para a mudança continuam a não estar disponíveis, de tal modo que não é
possível dizer sequer se os orçamentos foram gastos por completo ou não.
1 WaterAid (2005) Alcançar o ponto de ebulição:
aumentar o entusiasmo sobre a água e o saneamento,
disponível em www.wateraid.org/financingreports
Se desejar informação
adicional, por favor entre em
contacto com:
WaterAid, 47-49 Durham
Street, London SE11 5JD
Telefone: 020 7793 4500
Fax: 020 7793 4545
Email: [email protected]
Número de registo de obra de
caridade: 288701
www.wateraid.org
2 Somoloke G e tal. (1998) Managing Good Fortune:
Macroeconomic management and the role of
aid in Botswana (Gestão da Boa Sorte; gestão
macroeconómica e o papel da ajuda no Botswana),
citado em Claassens M. e Van Zyl A. (2005) Budget
Transparency and participation: Nine African case
studies (Transparência e participação nos orçamentos:
Nove estudos de casos em África)
3 OCDE (3 de Agosto de 2005) Joint progress towards
enhanced aid effectiveness: Harmonisation, alignment,
results (Progresso conjunto na direcção de uma
maior eficácia da ajuda: Harmonização, alinhamento,
resultados).
4 WaterAid (2005) Avaliações do sector hídrico nacional
encontram-se disponíveis online para o Bangladesh,
Etiópia, Gana, Mali, Madagáscar, Moçambique, Tanzânia
e Uganda, em www.wateraid.org/financingreports
5 Tearfund e WaterAid (2005) An empty glass: The
EU Water Initiative’s contribution to the water and
sanitation Millennium targets (Um copo vazio: A
contribuição da Iniciativa da EU para os objectivos do
Milénio da Água e do Saneamento) disponível em www.
wateraid.org/emptyglass
6 WaterAid (2005) Dying for the toilet (Morrer por causa
da latrina) disponível em www.wateraid.org
7 OCDE (2004) Aid for water supply and sanitation: report
prepared by the Development Assistance Committee
of the OECD at the request of The International Water
Academy (TIWA) (Ajuda para o fornecimento da água
e do saneamento: relatório preparado pelo Comité de
Assistência ao Desenvolvimento da OCDE a pedido da
Academia Internacional da Água (TIWA))
8 DFID (2 de Agosto de 2005) Actualização do trabalho
do DFID sobre a água e o saneamento desde o Plano de
Acção da Água.
9 Iniciativas de Desenvolvimento (proximamente)
Human Development Report 2006: Water for human
development – development assistance for water
and sanitation (Relatório sobre o Desenvolvimento
Humano 2006: Água para o desenvolvimento humano
– assistência ao desenvolvimento para a água e o
saneamento).
Download

Atualização Ponto de ebulição 2006