Só com
proteinado
A suplementação proteica aparece como grande aliada do produtor
rural para o tempo da seca, período prejudicial aos rebanhos, pois é
quando ocorre queda na qualidade das pastagens brasileiras.
N
Texto: Bruno Zanholo l Fotos: Divulgação
os últimos tempos, para muitas pessoas, o proteinado também chamado de mistura
múltipla, pois é uma associação de suplemento mineral associado à fonte de proteína e energia
que normalmente pode ser de origem
vegetal proteico ou ureia, e que dentro do sistema digestivo transforma
em proteína - aparece como o futuro da nutrição animal, pois pode ser
dado o ano todo tanto para o sistema
de confinamento, semiconfinamento
e boi a pasto. Pesquisadores de diversas entidades têm suas opiniões
formadas em relação a este assunto,
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que aparece para o produtor como
uma possível solução não só para o
futuro, mas para o hoje também.
O proteinado tem a função de ser
uma suplementação dos rebanhos
no período em que o pasto está mais
escasso. Sabemos que durante o
inverno, em função da seca, ocorre
uma significativa queda na qualidade das pastagens em extensas áreas do território nacional. Além da
menor oferta de alimento no pasto,
dispõe-se de uma forragem pobre
em proteína bruta e com teor de fibra muito alto, o que limita o aproveitamento e, consequentemente, o
rendimento dos animais, devido a uma menor ingestão
de matéria seca. Além disso, aquilo que é ingerido tem
qualidade insatisfatória.
Devido a este fato da escassez de alimentos, os produtores podem ver constantemente seus animais sofrendo o “efeito sanfona”, ou seja, perda de peso considerável, o que faz aumentar o tempo até atingir o
abate. Com o uso do suplemento mineral proteinado
nesta época, o animal não perde peso, e, em certas vezes consegue ganhar alguns quilos.
A perda de peso verificada nesta época é causada não
só por causa do baixo teor em proteína, mas também
da redução do consumo de alimentos. A suplementação, mesmo que de pequenas quantidades de proteína,
tem como objetivo uma melhor nutrição do rúmen e assim, indiretamente aumentar o consumo de alimentos,
em face de melhoria da digestão deste material pelos
microrganismos. De uma maneira diferente em relação
à mineralização, a suplementação proteica consiste no
fornecimento de nitrogênio não proteico, que é basicamente ureia. Na verdade, é um conceito modernizado do antigo sistema sal, ureia e mineral, mas muito
importante do ponto de vista prático, pois corrigiu os
inconvenientes do sistema antigo, tais como: consumo
irregular, normalmente baixo, ocorrência de intoxicações e resultados erráticos,
basicamente em função de
um mau manejo deste suplemento.
O médico veterinário coordenador do departamento
técnico da unidade São Sebastião do Paraíso, da Matsuda Minas, Diego Magri
Bernardes diz que o custo
benefício em relação ao proteinado é muito vantajoso
para todos os tipos de produtores, do menor ao maior.
“Existem diversas categorias
de proteinado. O de farelo
para fornecer nitrogênio é
um produto de consumo de
preço mais baixo, por exemplo. Conforme se eleva
“COM O USO DO SAL
PROTEINADO, OS
ANIMAIS RECEBEM O
NUTRIENTE QUE É MAIS
LIMITANTE, A PROTEÍNA.
A SUPLEMENTAÇÃO
DEVE SER AJUSTADA, EM
TERMOS QUALITATIVOS
E QUANTITATIVOS, EM
FUNÇÃO DA QUALIDADE
DA FORRAGEM E DA
META DE DESEMPENHO
QUE SE QUER PARA O
REBANHO”, EXPLICA
ALEXANDRE PEDROSO,
PESQUISADOR DA
EMBRAPA PECUÁRIA
SUDESTE NA ÁREA DE
NUTRIÇÃO DE BOVINOS,
LEITEIROS E DE CORTE.
junho/2012 l Revista Rural
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“É SEMPRE VANTAJOSO
TRABALHAR COM O
ANIMAL QUE NÃO
PERDE PESO NA
SECA. GANHA-SE UM
CICLO MAIS RÁPIDO
DA PRODUÇÃO DO
ANIMAL, A QUALIDADE
SENSORIAL DA CARNE
VAI SER MELHOR
PORQUE ELE GANHA
PESO E A VACA DE
CRIA VAI SER MELHOR
REPRODUTORA”,
DECLARA DIEGO
MAGRI BERNARDES,
VETERINÁRIO DA
MATSUDA MINAS.
o nível de farelo, o preço aumenta
também, porém, para o produtor é
melhor. Além do custo diário, o que
o animal consumir, ele pode ganhar
em peso, com isso o custo beneficio
se torna muito positivo”, explica.
Bernardes diz também que para
cada caso é necessário um tipo de
produto, um tipo de balanceamento. O uso destes produtos independe do tamanho do produtor, já que
na época do período de seca, qualquer produtor vai ser beneficiado
com este tipo de suplementação. “É
sempre vantajoso trabalhar com o
animal que não perde peso na seca.
O produtor tem algumas vantagens
como o ciclo mais rápido da produção do animal, a qualidade sensorial
da carne vai ser melhor porque ele
ganha peso e a vaca de cria vai ser
melhor reprodutora, dando um bezerro por ano, coisa que não acontece se o animal perder peso nesta
época”, finaliza o veterinário. Para uma boa utilização
dos proteinados, alguns requisitos são necessários. Por
exemplo: é fundamental ter disponibilidade de massa,
mesmo que seca; ter teor de proteína baixo (menor que
10 %); ter suplemento com balanceamento adequado
de minerais; manejo adequado, com reposição constante do suplemento e, sem contar que o fósforo é fundamental para a reprodução, mesmo que na seca.
O pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste na
área de nutrição de bovinos, leiteiros e de corte, Alexandre Pedroso comenta que o sal proteinado é um
tipo de suplemento para uso quando o pasto é de baixa
qualidade, situação típica da estação seca, quando a
forragem apresenta elevado teor de fibra e baixo teor
de proteínas. “Com o uso do sal proteinado, os animais
A suplementação proteica é um conceito
modernizado do antigo sistema “sal, ureia e mineral”,
mas muito importante do ponto de vista prático, pois
corrigiu os inconvenientes do sistema antigo.
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recebem o nutriente que é mais limitante, a proteína. A suplementação
deve ser ajustada, em termos qualitativos e quantitativos, em função
da qualidade da forragem e da meta
de desempenho que se quer para o
rebanho”, declara.
Pedroso diz que se for bem utilizado, o sal proteinado não apresenta restrições e acrescenta que a
recomendação de uso deve ser feita
por um técnico competente, com experiência em nutrição e manejo de
pastagens. Em relação ao fato já citado de o proteinado ser considerado
o futuro da nutrição, o pesquisador
da Embrapa se mostra um pouco
mais incerto, dizendo que não vê a
situação dessa forma. Para ele, por
exemplo, quando o pasto é de alta
qualidade, com teores mais baixos
de fibra e, principalmente, elevados
teores de proteína (acima de 13-14%
da matéria seca da forragem) a recomendação é fornecer suplementação energética, pois nesse caso o
nutriente mais limitante é energia.
“Há diversos trabalhos de pesquisa
mostrando isso com muita clareza.
O conceito da suplementação de animais em pastejo é fornecer via suplemento àquilo que o pasto não consegue suprir. Se a limitação principal é
proteína, o suplemento deve ser proteico, mas se a limitação principal
da forragem for energia, o suplemento deve ser energético. Dessa forma,
entendo que o sal proteinado é uma
excelente ferramenta para elevar a
produtividade dos rebanhos nacionais, mas seu uso deve ser racional,
e nos casos em que a limitação maior
dos pastos seja a disponibilidade de
proteína”, completa Pedroso.
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