Introdução
Neste livro buscamos dialogar com interlocutores nacionais e
inter­
nacionais, cujos estudos tematizam sobre políticas curriculares,
tendo como foco a avaliação. Os textos aqui publicados resultam do
empenho e da participação efetiva da comunidade de pesquisadores
de diferentes espaços educacionais do Brasil e do exterior que, com
o propósito de participar da difusão de saberes sobre a avaliação das
políticas de currículo, socializam suas pesquisas.
A avaliação constitui tema importante no cenário educacional
em virtude da amplitude que a questão comporta, a partir da qual
intensificam-se debates e reflexões e sobre a qual entremeiam-se críticas
contundentes, análises mais ponderadas e/ou proposições em busca
de aperfeiçoamento do processo em pauta. Descompassos, desafios,
inquietudes e busca por melhores fazeres em avaliação (Hoffaman, 2008,
p. 11) revelam quão siginificativa é a abordagem do processo avaliativo e
sua inserção nos estudos curriculares.
Reafirmar a perspectiva da avaliação como uma prática inves­tigativa
redimensiona o sentido da avaliação como parte integrante do currículo, uma
vez que estabelece vínculos com inúmeras áreas afins e conexas, situando-se
como uma provocação. Os argumentos relacionados à avaliação dão margens
a interpretações e ‘leituras’ diversas, produzindo diferentes movimentos,
cujos pressupostos norteiam ações em torno do currículo.
Os textos aqui socializados disponibilizam as contribuições de
experiências compartilhadas e desenvolvidas em diversos espaços, sob
múltiplas perspectivas e por diferentes sujeitos, apresentando diferentes
enfoques avaliativos sobre as políticas de currículo.
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Introdução
O Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares (GEPPC)
do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal
da Paraíba (UFPB), vinculado ao CNPq, comemora, em 2012, uma década de
existência. No decorrer dessa trajetória, o GEPPC tem realizado bianualmente
eventos internacionais com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES), através dos programas especiais PAEP,
e estabelecido vários intercâmbios em missões de estudos financiadas pelo
CAPES/PROCAD. Tem também priorizado a socialização e publicação de
diversos textos on-line, na Revista Espaço do Currículo, ou impressos, através
de diversas obras publicadas por várias editoras, divulgando pesquisas e
estudos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros.
Então, para celebrar seu décimo aniversário, o GEPPC, edita esta
publicação, que contempla a significação da avaliação materializada
em diferentes níveis e contextos da educação nacional e internacional,
expressos nos textos que ora apresentamos.
O livro está organizado em doze capítulos. O primeiro, deno­
minado Perspectivas críticas: como pensamos sobre movimentos contra­
‑hegemônicos e como participamos deles?”, de autoria de Michael
W. Apple, professor de Currículo, Instrução e Estudos de Política Edu­
cacional, da Universidade Wisconsin-Madison School of Education, trata
da necessidade de repensar as perspectivas críticas vinculando-as às lutas e
aos movimentos contra-hegemônicos.
No segundo capítulo, por sua vez, a pesquisadora Maria Zuleide
da Costa Pereira, em Uma análise avaliativa: o “outro” do currículo e
os currículos “outros”, defende o currículo como rede de significação
discursiva, por oportunizar ao outro a inserção sem exclusão, uma vez
que tais redes são fluídas, abertas, contingentes, ambivalentes, plurais,
resultantes da tensão negociada no jogo das diferenças.
O capítulo 3, Interdiscursividades políticas na avaliação do
projeto político-pedagógico, de autoria de Ângela Cristina Alves
Albino, Ilma Passos Alencastro Veiga e Samara Wanderley X. Barbosa,
têm o objetivo de avaliar o panorama discursivo do projeto político
pedagógico nas reformas políticas brasileiras dos últimos anos e
apresentar algumas vozes coletadas no espaço escolar sobre tal processo.
Ao final, são lançadas algumas apostas em torno da avaliação do PPP
Introdução
como desdobramento prático, permeado por relações de poder em que,
os professores podem ressignificar as práticas de construção política de
maneira mais autônoma.
Compondo o quarto capítulo, O desempenho dos estudantes como
tecnologia de governo na análise curricular, a autora Marlucy Alves
Paraíso realiza uma análise de propostas curriculares, argumentando que
o “desempenho” tornou-se uma tecnologia de governo que faz a lógica do
universal funcionar nos currículos e dificulta a proliferação da diferença.
A autora defende a importância de recriar o currículo instaurando outras
linguagens, outros raciocínios, outras lógicas, outros sonhos, outros
desejos, outras forças, enfim, outros modos de vida.
Ana Maria Saul e Eliete Santiago são as autoras do quinto capítulo,
com o texto Políticas de currículo da educação brasileira: o pensamento
de Paulo Freire, em que defendem o estudo crítico do pensamento desse
autor brasileiro, na perspectiva de construir e sistematizar uma práxis
coerente com os princípios fundamentais da obra freireana.
Já no sexto capítulo, Angélica Araújo de Melo Maia apresenta
Um olhar avaliativo sobre os discursos de cidadania nas orientações
educacionais complementares aos parâmetros curriculares de
sociologia no Ensino Médio do Brasil (PCN+), pondo em evidência
alguns elementos que iluminam múltiplas repercussões que os sentidos
trabalhados na disciplina Sociologia podem vir a ter sobre a educação
dos sujeitos para a cidadania.
As autoras do sétimo capítulo, Maria Inês Marcondes e Ana
Cristina Prado de Oliveira, por sua vez, tratam sobre Novas políticas
curriculares da secretaria municipal de educação do Rio de Janeiro:
novos desafios para o coordenador pedagógico e os professores das
séries iniciais, apontando questões relacionadas com tais desafios e
formas de enfrentamento dos mesmos.
O oitavo capítulo, então, denominado A inter-relação curricular,
de autoria de Idelsuite de Sousa Lima, enfatiza a necessidade de
desconstrução da dicotomia ‘teoria-prática’ e apresenta questões que
se entrecruzam e se ramificam no currículo, defendendo que ‘políticas­
‑práticas’ curriculares são indissociáveis.
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Introdução
A autora do nono capítulo é Beatriz de Basto Teixeira, que
apresenta A construção de uma proposta curricular para o ensino
fundamental de nove anos: análise da experiência de Juiz de Fora-MG,
enfatizando desafios e incertezas do processo de elaboração de uma
política curricular e revelando que etapas e ciclos de uma política não
são sequenciais.
No décimo capítulo, por sua vez, Cláudio Orlando Costa do
Nascimento discute Políticas de currículo e ações afirmativas: rodas
de saberes e formações ‘customizadas’, apresentando um panorama
das políticas de ações afirmativas e suas implicações educacionais,
enumerando avanços e desafios das políticas públicas e institucionais
para promoção de uma educação de qualidade referenciada na política de
reparação e equidade étnico-racial.
Já o décimo primeiro capítulo, Os grupos de pesquisa em currículo
nos programas de pós-graduação em Educação no Brasil: a configuração
de um campo de estudos e o processo de sua internacionalização, de autoria
de Antônio Flávio Barbosa Moreira, faz uma análise da obra Curriculum
Studies in Brazil: intellectual histories, present circumstances, organizada
por William Pinar e publicada nos Estados Unidos em 2011.
No décimo segundo capítulo, por sua vez, a pesquisadora Cláudia
W. Ruitenberg, no texto Cidadania e educação da igualdade, apresenta
uma proposta de um marco conceitual para a avaliação do currículo numa
perspectiva cidadã, discutindo o que considera o papel da igualdade na
cidadania e na política nos tempos atuais.
Espera-se, enfim, com a publicação destes textos, contribuir com
o debate sobre o campo curricular, acreditando que a multiplicidade de
abordagens apresentadas nesta obra dará aos leitores elementos para
discussão, além de estímulo para novos estudos e outras publicações.
As organizadoras
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