Voador em Férias Após um intenso ritmo ensinando a arte de voar para as pessoas leigas, totalizando 19 alunos em 2005, resolvemos fazer um passeio diferente, para aliviar as tensões. Uma pedalada de VitóriaES até a Arraial da Ajuda-BA. Um programa totalmente instigante, pela novidade, improviso, surpresas, coisa que não difere muito do nosso esporte. Um amigo voador de Asa delta a 20 anos, Marcelo Rubiole, já havia feito tal façanha e foi esta pessoa que nos deu um apoio intenso e nos motivou por todo percurso. Vamos aos currículos: 1-Marcelo Rubiole 42 anos (Nosso Líder) – Voa Asa Delta a 20 anos e Parapente a 2 anos – Bicicleta utilizada : uma Treking de alumínio com 21 marchas em torno de 10 anos de fabricação. Já havia feito um percurso de longa distância, da estrada Real de Ouro Preto a Parati. 2- Wander Mota 41 anos ( Instrutor da BHFLY) – Voa Parapente a 10 anos – Bicicleta utilizada: uma Caloi Aspen Way I de ferro com 18 marchas em torno de 17 anos de fabricação. Ciclista de momento – Pedalou várias voltas na lagoa da Pampulha com um percurso de 18 KM cada. 3- Laércio da Silva Soares 31 anos ( Piloto recém formado) – Voa Parapente a 6 meses – Bicicleta utilizada, uma Monguse de alumínio com 21 marchas em torno de 12 anos de fabricação. Participou de etapas do Mineiro de Mountain Bike obtendo boas colocações. Depois de tomada a decisão da pedalada, o primeiro passo foi colocar em condições a velha Caloi Aspen Way I que se encontrava parada há 10 anos devido à descoberta do vôo de parapente em 1995. A bicicleta dividia o espaço com os paraglider em um quarto de dispensa e a primeira dúvida foi saber se o brinquedo agüentaria a chegar no destino, principalmente seus pneus que já se encontrava mucho há muito tempo e parecia ter trincas. Com a ajuda e boa vontade do amigo Laércio, que foi até minha casa e pegou a bicicleta para levar a uma oficina, todos os cabos de marcha e freio foram trocados e uma lubrificação geral foi feita, inclusive instalados também um bagageiro para transportar a bagagem e um indicador digital Sigma para cronometrar à distância. Confesso que fiquei mais entusiasmado ao ver que a velha Bike estava em prováveis condições de viajar e também que ao fazer o teste de regulagem de altura do Celim, com uma volta na garagem, tive dificuldades na passagem de marchas devido aos 10 anos afastado, só pensando em voar. .. Na bicicleta do amigo Laércio, também foi instalado o bagageiro que viria a nos causar surpresa no decorrer do caminho. Aspen Way 1 antes da Manutenção 25/12/05 – Saída Belo Horizonte – MG para Vitória –ES. Saímos com destino a VT –ES para deixarmos o carro e iniciarmos nossa Trip. Visitamos alguns amigos de infância e parentes, que mostrarão grande interesse em participar na próxima aventura. Acabamos comemorando o encontro e indo no ensaio da Unidos de Jucutuquara, escola de samba bem conceituada em Vitória. Sendo ótimos marinheiros de primeira viagem, acabamos indo dormir lá pelas 3:00 hs da madrugada. No caminho da viagem para vitória, fizemos vários comentários a respeito de não fazermos da viagem uma corrida de aventura e sim um passeio, mas a falta de disciplina e o fato de querer aproveitar muitas coisas ao mesmo tempo, podem ter conseqüências não imagináveis. 26/12/05 – Primeiro dia de Pedal – Objetivo alcançado: Regência-ES - Distância percorrida: 123 Km em torno de 12 horas. Neste dia rodamos 7 Km pelo calçadão da praia de Camburi e aproveitamos para ajustar bagagens e detalhes das bicicletas antes de pegarmos o pequeno pedaço da BR 101 para Jacaraípe, pois nosso objetivo era sempre pedalar o mais próximo possível do mar. Passamos por Nova Almeida, já saindo da BR 101 e chegamos a Coqueiral de Aracruz, ainda inteiros e já com a kilometragem pretendida em torno de 40 a 50 Km rodados alcançados. Preparação das Bicicletas no Estacionamento em Vitória. A próxima cidade foi Aracruz e podemos deparar com a Fábrica de Celulose na qual trabalhei em 1984, meu 2o. emprego antes de vir parar em Minas Gerais. E a Tal Regência nada de aparecer, perguntávamos e todos diziam que estava muito longe, sem precisar a distância e nosso guia Marcelo já estava totalmente incerto com relação a real distância que a cidade ficaria. Rodamos por várias estradas de terra, onde as carretas de Eucalipto circulavam e chegamos a Vila do Riacho com 87 KM rodados e foi ai que veio o primeiro impasse entre os participantes da aventura, ficar na cidade sem estrutura ou seguir em frente até Regência. Meu joelho direito já reclamava pelo esforço e depois de guase 1,5 hora de descanso, optamos em seguir viagem. Foi a maior aventura, pois cada pedalada foi valorizada, principalmente com a ajuda de acompanhamento do Laércio nas paradas intermediarias para descanso e do Marcelo nas rebocadas, pois a dor passou a ficar insuportável. Tivemos sorte, pois nestas retas enormes que pareciam não ter fim, pegamos o vento a favor o que nos ajudou bastante. Os 36 KM faltantes era árduo, mas sobrevivemos e chegamos em Regência já a noite por volta das 20:00 hs. Portal da entrada da Cidade de Aracruz - ES Ainda neste dia armamos as barracas pela primeira vez, na casa do pescador Aladilson e tiramos o dia 27/12/05 para o primeiro descanso uma vez que precisávamos recuperar o fôlego. Marcelo já havia acampado na sua viagem anterior na casa do pescador e nós fomos recebidos com a maior simplicidade e alegria da família. O dia foi realmente de relaxamento e pude providenciar os remédios para dor a fim de não perder o resto da viagem. A Caminho de Regência – 36 Km 28/12/05 – Segundo dia de Pedal – Objetivo alcançado: Portal do Ipiranga-ES - Distância percorrida: 77 Km em torno de 10 horas. Após ter avaliado a noite de descanso e feito vários alongamentos, pela manhã contamos com o apoio do pescador que devido à baixa temporada de pesca, levou em torno de 1,5 hora para conseguir colocar o barco de nome gostoso em funcionamento. Era a nossa primeira travessia, a do rio Regência. Do outro lado da margem, encontraríamos Povoação e para chegar na vila, pedalamos um pequeno trecho de areia que ficou marcado como primeiro da aventura. Travessia Regência para Povoação . Suprimento Extra – Água de Coco Neste trecho da aventura, uma coisa boa que aconteceu foi termos a nossa disposição água a vontade, mas uma água diferente que apesar de não estar gelada, poupounos o reabastecimento das garrafas. Colhíamos os cocos no pé de coqueiro anão, típico do Espírito Santo e tomávamos água no canudinho. Uma pena que a alegria foi curta, pois logo descobrimos que erramos em torno de 7 Km após uma fábrica da Petrobrás, mas nada de tirar o fôlego. Neste segundo dia muitas coisas diferentes aconteceram e uma delas foi o primeiro tombo que veio a quebrar o bagageiro de pouco reforço que havia sido colocado na Caloi em Belo Horizonte. Prevíamos que breve isto iria acontecer, principalmente pelo peso excessivo carregado, pois vimos que o que estava instalado na bicicleta do Marcelo, era mais resistente. Em uma das rebocadas guase chegando em Pontal do Ipiranga- ES, o meu quidon esbarrou na bagagem do Marcelo e acabei literalmente comendo poeira, uma grande sorte por não ser asfalto. A grande preocupação então, passou a ser acertar o bagageiro para continuarmos a viagem. Acabamos achando um moleque com um bagageiro reforçado e propomos a troca pelo danificado que brilhava de novo. Trocamos e remuneramos o garoto após autorização dos seus Pais. Ainda em Pontal, ficamos na pousada, bem novinha e de certa simplicidade, mas bem confortável se comparada com a barraca que dormimos na noite passada, do Sr. Zito que já foi garimpeiro e nos contou sua história de sonho de riqueza no café da manhã do dia seguinte. Saímos no dia seguinte ás 8:00 hs em direção a Guriri-ES. 29/12/05 – Terceiro dia de Pedal – Objetivo alcançado: Guriri-ES - Distância percorrida: 82 Km em torno de 12 horas. Após um belo descanso, nós partimos em direção a uma das famosas cidades dos carnavais do Espírito Santo. Percorremos um maior caminho neste trecho, pois poderíamos ter seguido até Barra Nova para mais uma atravessia de barco, economizando no mínimo 45 Km.Começamos a rodar pôr estradas que deixava-nos em dúvida da direção a tomar devido aos inúmeros entroncamentos e desvios. Pôr sorte, nós acabamos encontramos o Lazaro que nos informou o melhor caminho a percorrer e nos acompanhou com sua moto por um trecho e nos informou uma suposta kilometragem até Guriri. Outras surpresas, porém estavam para acontecer. Após analisarmos o tempo, tentamos adiantar o máximo o trajeto para não pegar a chuva que se formava e que acabou nos pegando entre Nativos e São Martins. A chuva foi tão intensa que acabamos tendo que nos abrigar em casas das redondezas. Foi uma experiência incrível pedalar no meio da lama, e como a Caloi rodava com mais peso, acabei trocando a bicicleta com a do Laércio neste trecho, depois que ele sempre atento, voltou no trecho para verificar o meu sumisso. Depois de passado este percurso, rodamos novamente em pista seca e em uma descida, a mongoose chegou a 93 Km/h , inacreditável, caso não fosse memorizado no marcador digital e com isso lá se foi o outro bagageiro, agora da bicicleta do Laércio. Foi improvisada uma amarração pelo Marcelo enquanto descansávamos em uma venda. Queríamos esganar o dono da casa de bicicleta em Belo Horizonte, mas teríamos mais surpresas adiante. Corrente quebrada da Mongoose Aventureiros Perdidos A 200 metros da cidade de Guriri , quando subíamos uma ladeira, ficamos surpresos com a primeira real impossibilidade de deslocamento, e vcs pensam que foi com a bike de 17 anos? Não, foi a Mongoose do Laércio que quebrou a corrente com ele pedalando. Foi tanta gozação, que me senti até culpado pela quebra, uma vez que rodei um bom trecho com a bike do amigo. Fiquei até na dúvida se os problemas de quebra não estavam somente em função do meu peso. Por outra sorte encontramos uma casa de bicicletas muito perto antes de chegar na cidade. Após o primeiro acerto, passamos em uma casa de bicicleta melhor, onde conhecemos a Vanessa que nos atendeu super bem e aproveitamos para comprar luvas, um bagageiro para a bike do Laércio e um prolongador para o guidon da Aspen Way I, uma vez que a posição curvada estava detonando a minha coluna. A chegada em Guriri foi por volta das 16:00 hs e o nosso amigo descolado Laércio acabou encontrando um lugar para nós ficarmos. Começou perguntado se dávamos para acampar no quintal de uma espécie de condomínio onde encontramos pessoas que nos receberão com muita simpatia. Acabamos ficando em um dos apartamentos de veraneio da família do Adelson que estava vago. Foi pura sorte e como nosso programa também tinha como objetivo ser o mais em conta possível, tudo correu bem. Levantamos super animados na manhã seguinte para fazer a primeira pedalada com percurso completo pela areia da praia. Nosso destino era chegar a Boca da Barra para Portal de Guriri atrevessia de Conceição da barra. 30/12/05 – Quarto dia de Pedal – Objetivo alcançado: Itauna-ES - Distância percorrida: 81 Km em torno de 10 horas. Começamos a pedalar bem cedo e muito entusiasmado com o acerto da carta de mares que consultávamos para verificar o horário de maré baixa. Conseguimos pedalar uns 15 Km pela areia batida até depararmos com o rio São Mateus que margeia Conceição da Barra. A atravessia foi feita em um pequeno barco de pescador, o segundo da viagem. Chegando em Conceição da barra, lanchamos e partimos em direção a Itauna, onde iríamos passar o Reveilon. Chegando lá, rodamos a cidade que estava lotada a procura de uma pousada, mas acabamos acampando no camping das Maritacas na entrada da cidade, onde conhecemos Gabriel, também muito gente fina. Ainda no dia da chegada, armamos as barracas e fomos conferir a praia das dunas a pé. Ficamos surpresos com tanta gente bonita na cidade e atrativos para todos os gostos. Cidadezinha totalmente recomendada. Travessia Para Conceição da Barra No dia 31/12/05 pegamos as bikes para ir a praia e passamos o dia em total relaxamento para podermos aproveitar a noite e seguir viagem no próximo dia. Conhecemos o ponto do Reggae, Zé do Forró e o Buraco do Tatu e é claro a famosa Xiboquinha. Como de costume, Reveillon na praia é tudo de bom e principalmente por não faltar a champanhe que garregamos por todo este percurso. Estava meio quente, mas deu para comemorarmos a chegada do novo ano e a despedido do velho. 01/01/06 – Quinto dia de Pedal – Objetivo alcançado: Mucuri-BA - Distância percorrida: 45 Km em torno de 6 horas. Vocês devem estar achando que começamos a rodar pouco devido ao cansaço. Bem que podia ser mesmo, pois fomos dormi bem tarde e meios zonzos, mas à distância percorrida se deu toda na areia da praia e pegamos um vento que permitiu-nos andar a 5 KM/h após cada pedalada imposta. Diria que a força que fizemos equivale a termos rodado 90 Km neste dia. Antes de chegar a cidade de Mucuri, tínhamos mais um empreendimento a resolver, atravessar o Rio de mesmo nome. Esperamos bastante até aparecer um pescador com seu barco que nos atendeu prontamente. Em Mucuri, ficamos na pousada Vim de Minas, nome muito bem sugestivo para nós. E olha que o povo parecia mineiro mesmo, desconfiado um tanto, como se nós fossemos dar o maior “cano”. A caminho de Mucuri Descansamos bastante e deu até para lavarmos as poucas roupas. Tomamos café e acertamos as contas e começamos a pedalar por volta das 8:00 com destino a Nova Viçosa, onde teríamos outra atravessia, um pouco mais cara que todas que já tínhamos feito, mas de muitas surpresas que vocês ficarão sabendo mais adiante. As margens do Rio Mucurí 02/01/06 – Sexto dia de Pedal – Objetivo alcançado: Alcobaça-BA - Distância percorrida: 77 Km em torno de 10 horas. Nosso primeiro objetivo neste dia era chegar a Nova Viçosa para nos informarmos melhor como seria o caminho para Caravelas e depois Alcobaça, nosso destino final. No caminho encontramos novamente alguns coqueiros, só que desta vez eles nos causaram um pouco mais de trabalho, pois já estavam mais altos, afinal estávamos na Bahia., oh xente!!! Chegamos com certa folga de horário em Nova Viçosa e após nos informamos, achamos a atravessia de barco até caravelas um pouco fora do programa. Fomos lanchar e na volta tivemos a sorte de ver um barco de menor porte saindo e que nos levou a outro destino que não imaginávamos. O barco nos deixou no leito do rio e tivemos que desembarcar sobre lama com se fosse mangue. Na margem encontramos um senhor que mora na redondeza e que inclusive comentou que muita gente prefere passar por ali pela beleza do lugar; aventureiros de trilhas com suas motos e inclusive 12 cavalos e cavaleiros, ou seja, só mudava mesmo o meio de transporte, pois o espírito era o mesmo. Ficamos sabendo que o percurso era em torno de 15 Km e nos metemos pelo caminho adentro esperando encontrar no seu fim, a atravessia para Caravelas. Foi demais pedalar por trilhas reais, variando um pouco do asfalto e da areia. Nos perdemos em um trecho e tivemos até a sensação dos perdidos na selva e talvez por esta razão, acabamos zerando todo suprimento de água. O barco e Viçosa ao fundo Então, como se o senhor lá em cima estivesse realmente olhando pôr nós, do nada aparece um cavaleiro com sua mula com dois balaios lotados de abacaxi, tudo que precisávamos para repôr as energias e continuar pedalando. Foi o melhor abacaxi que comemos em toda nossas vidas. Quando começamos o percurso o odômetro digital já marcava quase 445 Km rodados, motivo do nosso orgulho, pois ainda tínhamos muito gás para gastar. Bikes na trilha Odômetro no Inicio da trilha Mas vocês acham que tudo foi muito bem até saciarmos nossa sede, que nada, não é que a corrente da bike do nosso amigo Laércio voltou a quebrar. Quem diria, uma mongoose que já havia participado de Etapas do campeonato mineiro? Pois então, e a Caloizinha ainda intera.... Na parada do reparo, tivemos que nos ver com muitos pernilongos que em função do corpo aquecido atacavam em grupos. Mas valeu, chegamos a atravessia de caravelas quando ainda estava claro e rodamos mais 27 Km para chegar a Acobaça, por volta da 19:00 hs. Atravessia de Caravelas Aspen Way I ainda Inteira Chegada em Caravelas Chegada em Alcobaça Chegando em Acobaça, almoçamos e ficamos em mais uma pousadinha, a do Vivalde que eu conhecia, pois já havia passado por lá no inicio de 2005. Desmaiamos após uma volta pela praça que estava em ritmo de festa devido ao feriado que muita gente emendou. 03/01/06 – Sétimo dia de Pedal – Objetivo alcançado: Cumuruxatiba-BA - Distância percorrida: 57 Km em torno de 8 horas. Após o famoso café reforçado, partimos em direção a Prado-BA onde tínhamos que percorrer em torno de 22 a 25 KM para chegar. Pedal relativamente fácil, pois foi feito no asfalto e neste percurso encontramos um parceiro que nos acompanhou, o PC que foi muito legal conosco e conversamos bastante, inclusive foi descoberto um amigo em comum que já voou parapente em 1995 a 1997, imaginem só Ademar, A bicicleta do PC era tudo de bom, uma Garefesher pra lá de zerada. Impossível a comparação com as nossas, mas andamos juntos e pintou até clima de competição no revezamento das ultrapassagens. Depois de Prado passamos na praia da Paixão para visitar o Argentino, um voador solitário que passou a ser meu amigo quando voamos juntos com um aluno da BHFLY Paraglider, o Daniel Prado, nas falésias, no inicio do ano de 2005. Foi jóia o reencontro e fizemos até um lanche. Aproveitamos o tempo gasto para descançar, pois o caminho até Cumuruxatiba parecia não ser dos melhores, uma vez que não conseguimos pedalar pela praia e tivemos que encarar a estrada de chão, cheias de subidas e descidas com bastante cascalho. Chegada em Prado - BA Amigos na Praia da Paixão E não é que a estrada castigou mesmo. Tive que empurrar a bicicleta por várias subidas, pois a décima oitava marcha não dava conta, por mais força que se podia colocar; via Marcelo e Laércio sumindo no trecho e calmamente subia o morro, vencendo mais um obstáculo. Paramos várias vezes para descansar e ainda o sol estava escaldante de tão quente. Queríamos o quanto antes chegar a Cumuru, pois saímos de Belo Horizonte com uma possível estadia na casa do Paulo Assis, outro piloto de parapente que nos ofereceu sua casa para ficarmos o tempo que quiséssemos. Foi muito gentil da sua parte, justificando a boa amizade que temos, mas não imaginava que o convite seria de primeira, pois já havia avisado seu sobrinho Gustavo que estaria por lá e o caseiro que tínhamos que procurar a chave, outra aventura, uma vez que depois de chegar na casa, ficamos sabendo que o cara morava na entrada da cidade e tivemos que definir o mais inteiro a voltar o percurso da cidade e imaginem só, Laércio se ofereceu prontamente. E com todo entusiasmo do companheiro, como esse mundo é muito pequeno, imaginem encontrar voadores desfrutando de férias em Cumuruxatiba-Ba , Luis Cláudio e família , Gute e família. Foi mais uma grande surpresa que resultou em uma boa confraternização, tanto na praia quanto no churrasco e cervejada improvisados. Caso do Amigo Paulo em Cumuru Confraternização 05/01/06 – Oitavo dia de Pedal – Objetivo alcançado: Caraíva-BA - Distância percorrida: 42 Km em torno de 8 horas. E falando novamente no Gustavo, ele e sua esposa ainda combinaram de nos acompanhar até a praia onde fizemos a confraternização com as famílias dos voadores. Foi um trecho muito bacana depois de termos as bicicletas todas lubrificadas em sua casa. Saída de Cumuruxatiba Seguimos viagem com destino a Corombau – Ba e no percurso tivemos mais um imprevisto, agora com a Caloi Aspen Way I, que em função dos pneus rachados pelo longo tempo sem uso , estorou a câmara de ar traseira. Não havia pneu reserva para ser trocado e sobre um sol escaldante, tivemos que improvisar o conserto e o nosso amigo Marcelo com suas ferramentas e mais fio dental, costurou os rasgos do velho pneu. Magaiver perdia para ele e é impressionante como a ajuda dos companheiros é de fundamental importância nestas viagens, pois a câmara de ar reserva do Laércio foi utilizada. Ainda, como vários raios estavam estourados, foi feito o ajuste doa poucos que restavam ainda inteiros, para balanceamento da roda traseira que parecia um oito, com 15 raios danificados. Foi trocado o pneu da dianteira para traseira e ainda houve necessidade que o mais leve pedalasse na bicicleta e foi o próprio Marcelo que a levou até Corumbau. Chegando lá, uma pequena vila de pescadores, paramos para procurar uma casa de bicicletas para substituição do pneu e parece que a sorte sorriu para os aventureiros, o primeiro sujeito que apareceu guardava em sua casa uma velha bicicleta toda enferrujada e com pneus muito melhores. Óbvio, trocamos o pneus por 16,00 rais pagos e proseguimos viagem. Magaiver em ação Fim da resistência Vocês conhecem Caraíva, só areia fofa e um vilarejo sem ruas bem definidas e um movimento intenso de turistas na época de fim de ano. Foi duro o nosso trabalho, empurramos as bicicletas por uns 12 KM e quando víamos os bugs passar cheio de gente, não pensávamos nem em pedir carona. Ao chegar em pista mais sólida, lá vem a famosa mongoose com seus problemas, desta vez o macaquinho, se é que isto mesmo, fazia que Laércio pedalasse em falso e a bike na saia do lugar. O que salvou foi a corda de nylon que havia separado em caso de novos problemas no joelho. Movido a dorflex, ainda consegui rebocar o grandão, uma ajuda mais que merecida, já que o mais ajudado no passeio foi o próprio aqui. Areia do deserto Reboque a caminho de Caraíva Chegando em Caraíva, foi um custo encontrarmos uma pousada, pois sem reserva e com a cidade lotada, só na sorte mesmo. Uma vez hospedados e de banho tomado, não duramos muito a noite, devido ao cansaço e o entusiasmo de chegar a Arraial da Ajuda. 06/01/06 – Nono dia de Pedal – Objetivo alcançado: Arraial da Ajuda-BA - Distância percorrida: 45 Km em torno de 7 horas. O dia começou com a despedida do nosso amigo Laércio que resolveu pegar um ônibus até arraial devido ao problema da mongoose. Ficamos de encontrá-lo por lá para a confraternização da chegada. Foi uma pena perder um companheiro depois de longo trecho percorrido, mas desta vez não podíamos fazer nada. Continuamos o pedal por trechos muito legais, como praia do espelho, Trancoso e por final Arraial da Ajuda. Praia do Espelho Chegada em Arraial A caminho de Trancoso. No trecho de Caraíva a Praia do espelho encontramos um paulista solitário também em sua aventura. Ele nos acompanhou até a Praia do espelho que era seu objetivo e depois resolveu retornar. O que dizer de uma aventura desta, simplesmente fantástica, forão 660 km rodadados em 12 dias, sendo 9 pedalados e 3 de descanço. Um programa de aventureiros costumados a bailar ao vento e que curtem toda a adrenalina do imprevisto. Esperamos que em 2006, possamos ter mais companheiros, pois além de um programa muito barato estamos sempre testando os nossos limites. Se você conseguiu ler até aqui toda nossa aventura e pretende um dia se juntar a nós entre em contato conosco nos tel: 31-9982-9882 / 31-3464-0382. Mapa rodoviário do trecho percorrido