Universidade Camilo Castelo Branco Instituto de Engenharia Biomédica AREOLINO PENA MATOS AVALIAÇÃO DOS EFEITOS IMEDIATOS DA FOTOTERAPIA LED (638NM) SOBRE A FORÇA E FADIGA MUSCULAR EM IDOSAS: ESTUDO CONTROLADO DUPLO-CEGO. ASSESMENT OF IMMEDIATE EFFECTS OF 638 NM LED PHOTOTHERAPY ON MUSCLE STRENGTH AND FATIGUE IN ELDERLY WOMEN: A DOUBLE-BLIND CONTROLLED STUDY São José dos Campos, SP 2015. II Areolino Pena Matos AVALIAÇÃO DOS EFEITOS IMEDIATOS DA FOTOTERAPIA LED (638NM) SOBRE A FORÇA E FADIGA MUSCULAR EM IDOSAS: ESTUDO CONTROLADO DUPLO-CEGO. Orientador: Prof. Dr. Antonio Guillermo Jose Balbin Villaverde Co-orientador: Prof. Dr. Ricardo Scarparo Navarro Tese de Doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da Universidade Camilo Castelo Branco, como complementação dos créditos para obtenção do título de doutor em Engenharia Biomédica São José dos Campos, SP 2015. III IV V DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais, Areolino e Marivalda, por terem me dado a base de um caráter sólido e me ensinado a reconhecer o valor de cada conquista. Dedico à minha esposa Natália Ferraz Matos, que me apóia, me inspira e também vive meus sonhos como se dela fossem. Dedico à Mariana, que mesmo tão pequena me ensinou o sentido da vida. VI AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por me permitir estudar e ajudar pessoas por meio de minha profissão, agradeço aos meus pais, Areolino e Marivalda, meus irmãos Alessandro e Alan e minha esposa Natália pelo amor e apoio incondicional; Agradeço ao meu Pai, à Tia Neide e minha vó Esmeralda (in memorian) que investiram no meu sonho de voar mais longe. Espero ter orgulhado vocês; Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Antonio Guillermo Jose Balbin Villaverde, pelo auxílio valioso nos meus momentos de inexperiência, pela riqueza de conhecimento e simplicidade com que ensina, natural dos grandes mestres; Agradeço ao Prof. Dr. Ricardo Navarro que mais do que um professor competente e criativo, uma pessoa simples e que me honra com sua confiança em trabalharmos juntos, se tornou um verdadeiro amigo; Agradeço ao Professor e estimado amigo Império Lombardi Jr., que pra mim segue como exemplo de profissional, ético, correto, dedicado e me inspira como Fisioterapeuta e Professor; Agradeço aos amigos da Unicastelo São Paulo e Unitau que me auxiliaram de variadas maneiras nesta atribulada e recompensadora jornada, Elizabeth Tang, Cleber Oliveira, Pâmela Fonseca, Marcos Melo, Miguel Alves, Rodrigo Oliveira, Renato e Alex Sandra Soares, Luciana Camargo, Felipe Fagundes, obrigado pela preciosa ajuda; Agradeço aos professores da Unicastelo São José dos Campos, em especial ao Prof. Dr. Egberto Munin e Profa. Dra. Adriana Barrinha que inspiram a mim e muitos outros a desenvolver nosso país por meio da educação de alta qualidade; Agradeço às minhas pacientes que se dispuseram a colaborar com a pesquisa e agregaram experiências ricas à minha vida profissional e pessoal. VII AVALIAÇÃO DOS EFEITOS IMEDIATOS DA FOTOTERAPIA LED (638NM) SOBRE A FORÇA E FADIGA MUSCULAR EM IDOSAS: ESTUDO CONTROLADO DUPLO-CEGO RESUMO O aumento progressivo da expectativa de vida no Brasil, aumentará a proporção de idosos com um ou mais problemas de incapacidade física no país, especialmente em mulheres. A perda de força muscular é um dos problemas mais prevalentes entre pessoas idosas e apresenta relação com dificuldades básicas nas atividades de vida diária. Diodos emissores de luz (LED) têm sido usados em humanos como alternativa de baixo custo ao laser de baixa potência (LBP) e apresentam potencial terapêutico para manter a força e minimizar a fadiga muscular. Este estudo objetivou avaliar os efeitos imediatos da fototerapia LED sobre a força de preensão e fadiga muscular em mulheres idosas. Vinte e nove voluntárias participaram de um ensaio controlado, duplo-cego, distribuídas em dois grupos: Grupo Placebo (GP; n=14) e Grupo LED (GLED; n=15, que utilizou um diodo em 638 nm, 150 mW, 4,5 J/ponto, 18 J total). Quatro pontos equidistantes no ventre dos músculos flexores de punho foram irradiados antes da indução da fadiga por exercício usando 75% de uma repetição máxima (1RM). A força de preensão, o número de repetições de flexão de punho até a fadiga, a creatinina e a Creatino Kinase (CK) sérica foram medidas. As voluntárias do GLED realizaram número de repetições 22,03 % maior que as do GP (27,36 6,68 contra 21,33 3,17; p = 0,011); não se observou diferença na força em kgf pós-fadiga nas idosas irradiadas(de 22,19 3,53 para 21,39 3,56; p = 0,063) comparada a diminuição no GP (de 20,69 2,30 para 18,45 2,25; p 0,001); nas idosas do GP houve um aumento significativo dos níveis de CK pós-fadiga (p = 0,003); enquanto no GLED não observou-se diferença (p = 0,972); não houve diferença na creatinina em ambos os grupos (p = 0,593 GLED; p = 0,302 Placebo). Conclui-se que as voluntárias irradiadas mantiveram a força de preensão pós-fadiga muscular induzida, contrastando com a diminuição de força no GP; apresentaram menor fadiga muscular e menor dano às fibras musculares medido por CK sanguínea. VIII Palavras-chave: Idoso, fadiga muscular, força muscular, fototerapia. IX ASSESMENT OF IMMEDIATE EFFECTS OF 638 NM LED PHOTOTHERAPY ON MUSCLE STRENGTH AND FATIGUE IN ELDERLY WOMEN: A DOUBLE-BLIND CONTROLLED STUDY ABSTRACT The progressive increase in life expectancy in Brazil will increase the proportion of elderly people with one or more disability issues, especially in women. The muscle strength loss is one of the most prevalent problems among older people and is associated with basic activities of daily living difficulties. Light emitting diodes (LEDs) have been used in humans as a low cost alternative to the low level laser (LLL) and have therapeutic potential to maintain strength and reduce muscle fatigue. This study aimed to evaluate the immediate effects of LED phototherapy on grip strength and muscle fatigue in older women. Twenty-nine volunteers participated in a double-blind placebo-controlled trial and were divided into two groups: LED-irradiated group (LEDG; n=15, irradiated by a LED in 638 nm, 150 mW, 4.5 J/point, 18 J total) and placebo group (PG; n=14). Four equidistant points in the belly of wrist flexor muscles were irradiated before induction of exercise fatigue by using 75% of one maximum repetition (1MR). Grip strength, the number of repetitions of wrist flexion up to fatigue, creatinine and Creatine Kinase (CK) levels were measured. The LEDG volunteers performed a number of repetitions 22.03 % higher than the PG (27.36 6.68 vs. 21.33 3.17; p = 0.011); there was no difference in Grip Strength in LEDG (pre 22.19 3,53 to post 21.39 3,56; p = 0.063) compared to significant decrease of PG (pre 20.69 2,30 to post 18.45 2,25; p 0.001). It was found a significative increase in CK levels of PG for all post fatigue times (p = 0.003), while in LEDG no difference was observed; there was no difference in creatinine levels in both groups (p = 0.593 LED; Placebo p = 0.302). We concluded that the irradiated volunteers kept the grip strength after induced muscle fatigue, in contrast to the decrease of strength in the PG, presented less muscle fatigue and less damage to the muscle fibers measured by blood CK. Key-Words: Elderly, muscle fatigue, muscle strenght, phototherapy X LISTA DE FIGURAS Figura 1: Os dois padrões fundamentais de preensão da mão, pegada de precisão (A) e pegada de força (B)................................................ 19 Figura 2: Dinamômetro hidráulico JAMAR® ................................................. 23 Figura 3: Diagrama de um típico LED da nova geração. O chip semicondutor é montado diretamente sobre o refletor parabólico que é parte do cátodo e é ligado à fonte do ânodo por um fio.................................................................................................... 26 Figura 4: Espectro de radiação de um LED com emissão no vermelho em comparação ao espectro do laser................................................. 27 Figura 5: Posicionamento das voluntárias para receber a irradiação LED... 31 Figura 6: Localização da alça móvel do dinamômetro na segunda posição (destaque) da empunhadura.......................................................... 34 Figura 7: Posição recomendada para coleta de força de preensão palmar.. 35 Figura 8: Unidade emissora de LED............................................................. Figura 9: Pontos anatômicos irradiados com LED na região anterior do antebraço das voluntárias.............................................................. Figura 10: 37 Posicionamento do punho e mão para o protocolo de indução da fadiga muscular e contagem do número de repetições....................................................................................... Figura 11: 36 38 Comparação das médias da força de preensão entre o GP e GLED pré e pós-fadiga................................................................... 41 Figura 12: Médias do número de contrações isotônicas resistidas dos flexores de punho até a fadiga após tratamento com placebo e com LED......................................................................................... 42 Figura 13: Médias dos níveis séricos de CK antes da irradiação com LED ou Placebo e para os diferentes tempos pós-indução da fadiga muscular......................................................................................... 43 Figura 14: Médias dos níveis séricos de creatinina antes e para os diferentes tempos pós-indução da fadiga muscular dos grupos LED e Placebo............................................................................... 44 XI LISTA DE TABELAS Tabela 1: Fluxograma representativo da distribuição da amostra e fases da pesquisa........................................................................................... 32 Tabela 2: Parâmetros da irradiação com LED................................................. 36 Tabela 3: Dados antropométricos e RM das voluntárias com média e desvio padrão.............................................................................................. Tabela 4: Mediana e 1º e 3º quartis da variação da força de preensão entre os grupos (kgf)................................................................................. Tabela 5: 40 41 Variação percentual (aumento ou diminuição) dos níveis de CK entre os grupos, para os diferentes tempos pós-fadiga em comparação à pré-fadiga................................................................. 43 XII LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADP: Adenosina Difosfato ASHT: American Society of Hand Therapists ATP: Adenosina Trifosfato AVDs: Atividades de Vida Diária CK: Creatino kinase ERO: Espécies Reativas de Oxigênio FPD: Flexor profundo dos dedos FRC: Flexor radial do carpo FSC: Flexor superficial dos dedos FUC: Flexor ulnar do carpo FWHM: Full Width at Half Maximum IFD: Interfalangeana Distal IFP: Interfalangeana proximal LASER: Light Amplification by Stimulatted Emition of Radiation LBI: Laser de Baixa Intensidade LDH: Lactato desidrogenase LED: Light Emitting Diode LLLI: Low level laser intensity MCP: metacarpo falangeana RM: Repetição máxima ROS: Reactive oxigen species SNC: Sistema nervoso central XIII SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO................................................................................................ 15 1.1. Objetivo Geral......................................................................................... 17 1.2. Objetivos Específicos.............................................................................. 17 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA........................................................................... 18 2.1. Músculos da preensão palmar................................................................ 18 2.2 Sarcopenia e dinapenia............................................................................ 20 2.3. Fadiga muscular...................................................................................... 21 2.4. Dinamometria de preensão palmar......................................................... 22 2.5. Monitoramento de dano muscular e marcadores séricos....................... 24 2.6. Terapia com LED (Light Emitting Diode)................................................. 25 3. MATERIAIS E MÉTODOS.............................................................................. 30 3.1. Aspectos éticos....................................................................................... 29 3.2. Tipo de estudo......................................................................................... 29 3.3. Casuística............................................................................................... 29 3.3.1. Critérios de inclusão............................................................................ 29 3.3.2. Critérios de exclusão........................................................................... 30 3.4. Local da pesquisa e coleta dos dados.................................................... 30 3.5. Métodos................................................................................................... 30 3.5.1. Distribuição aleatória da amostra e procedimentos de cegamento..... 30 3.6. Procedimentos........................................................................................ 32 3.6.1. Teste de Repetição Máxima (RM)....................................................... 32 3.6.2. Dinamometria de preensão e amostras sanguíneas ........................... 33 3.6.3. Terapia com Diodo Emissor de Luz (LEDT)........................................ 35 XIV 3.6.4. Indução da fadiga muscular................................................................. 37 3.7. Análise estatística................................................................................... 38 4. RESULTADOS............................................................................................... 40 5. DISCUSSÃO................................................................................................... 45 6. CONCLUSÃO................................................................................................. 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................... 54 ANEXO A - Aprovação do Comitê de Ética........................................................ 61 ANEXO B - Termo de consentimento livre e esclarecido – TCLE..................... 64 ANEXO C – Credenciamento da Clínica de Ortopedia do Curso de Fisioterapia junto ao CEP UNICASTELO....................................... 68 15 1. INTRODUÇÃO No Brasil, o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, calcula aproximadamente 21 milhões de habitantes acima dos 60 anos de idade, dentre estes a maioria de mulheres (55,8%). O levantamento mostra ainda que aumentou o número de idosos que declaram ter grande dificuldade em caminhar 100 m, de 12,2 % para 13,6 %. Considerando o aumento da expectativa de vida da população do país, a proporção de idosos com um ou mais problemas de saúde relacionados à incapacidade física aumentará no Brasil (IBGE, 2010). O aumento dos fatores de riscos dos idosos se tornarem funcionalmente dependentes e a incapacidade física diminuir gravemente as atividades de vida diária estão intimamente relacionados à perda de massa muscular nos idosos, o que é conhecido como sarcopenia (KATSIARAS et al., 2005). Esta condição juntamente com a dinapenia, que é a perda de força muscular em idosos (MANINI; CLARK, 2010), contribui para um aumento dos casos de quedas, atrapalha o desenvolvimento das Atividades de Vida Diária (AVDs) e aumenta o número de limitações funcionais severas de pessoas nesta faixa etária. A dinapenia, de acordo com achados epidemiológicos recentes de estudos longitudinais está altamente associada à mortalidade e incapacidade física e pode afetar, dependendo da população estudada, entre 5 e 45% dos indivíduos após os 60 anos (ABELLAN van KAN, 2009). A perda de força muscular relacionada ao envelhecimento é amplamente associada à disfunção no idoso (RANTANEN et al., 1999) e tem surgido como um dos problemas mais prevalentes entre pessoas após os 60 anos (MANINI; CLARK, 2012). Pesquisas já confirmaram a associação entre a perda de força relacionada à idade e dificuldades básicas em AVDs (BRILL et al., 2000; ISHIZAKI et al., 2000). A dinamometria de preensão palmar é uma medida usada como indicador da força global do idoso (BAUTMANS et al., 2007; SUGIURA et al., 2013), sendo uma ferramenta de fácil uso, custo baixo, válida e confiável quando comparada à instrumentos isocinéticos (STARK et al., 2011) e pode ser utilizada na avaliação da fadiga muscular esquelética, que é o declínio na capacidade do músculo de gerar força, repetidas vezes, ao longo do tempo ou de manter a contração isométrica e é uma propriedade do músculo inversamente proporcional à resistência muscular 16 (GANDEVIA, 2001). A fadiga normalmente possui natureza multifatorial e apresentase no idoso geralmente associada à outras manifestações relacionadas ao processo de envelhecimento (POLURI et al., 2005). A fadiga pode sofrer influência da idade, do nível de exercício físico realizado durante a vida e até mesmo do gênero (ALLMAN; RICE, 2002; HURLEY, 1995). Os níveis de Creatino Kinase (CK) têm sido utilizados como parâmetros para prevenir o treinamento excessivo (HOUMARD et al., 1990) e monitorar o nível de lesão da fibra muscular em diversas condições que envolvem esforço muscular aumentado. Estes níveis variam com o gênero, o nível de treinamento e com a idade. Atletas tem níveis mais altos de CK em repouso, contudo exibem aumentos menores desses níveis pós-exercício (FALLON et al., 1999; FEHRENBACH et al., 2000). É aceitável, portanto, que em indivíduos idosos não treinados, possa-se observar variações significativas nos valores de CK após indução de fadiga muscular por exercícios. Diante do aumento da expectativa de vida mundial, é fundamental encontrar alternativas terapêuticas viáveis que auxiliem na preservação da força muscular e reduzam as consequências da sarcopenia em pessoas idosas. Como variável fundamental para a preservação da função física na terceira idade, é pertinente avaliar a força muscular do idoso e seu declínio, como preditor de outras comorbidades e quais alternativas terapêuticas podem melhorar sua condição. Alguns estudos têm sido conduzidos investigando os efeitos da fototerapia principalmente com Laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation Amplificação da Luz pela Emissão Estimulada de Radiação) em 660 nm, 808 nm, 810 nm, 830 nm ou LEDs (Light Emitting Diode - Diodos Emissores de Luz) em 850 nm, sobre a força e fadiga muscular esquelética em adultos ativos saudáveis (BARONI et al., 2010; De MARCHI et al., 2012; FERRARESI et al., 2011) e também em jovens atletas (LEAL JUNIOR et al., 2009a; LEAL JUNIOR et al., 2010b). Tais investigações tem mostrado que a fototerapia aplicada antes do exercício pode reduzir os níveis de CK, acelerar a recuperação muscular e retardar ou reduzir fadiga em jovens (LEAL JUNIOR et al., 2009b; LEAL JUNIOR et al., 2010a). Porém, existe uma variação nos comprimentos de onda e densidades de energia usados para a finalidade de prevenir fadiga induzida por exercício e uma repetição de resultados observados sobre a fibra muscular de jovens. 17 Desta forma, se faz necessário investigar quais os parâmetros são seguros, mais eficazes e quais os efetivos mecanismos de ação desta modalidade de fototerapia sobre a fibra muscular de idosos. Nossa hipótese é de que a fototerapia com Diodo Emissor de Luz - Light Emitting Diode (LED) possa apresentar resultados consistentes em relação à melhora da força e diminuição da fadiga muscular, isto resultaria na prática clínica em menor tempo de recuperação do músculo após o exercício, melhora da capacidade funcional do idoso e indiretamente uma diminuição no risco de lesões músculo-esqueléticas que são tão frequentes nesta faixa de idade. A possibilidade de recuperação pós-fadiga acontecer mais rapidamente pode influenciar positivamente a assistência de saúde aos idosos, traduzindo-se em menor tempo de tratamento, diminuição de custos e retorno mais rápido ao trabalho e convívio familiar. 1.1. Objetivo Geral Avaliar os efeitos imediatos da fototerapia LED (638nm) sobre a força de preensão e fadiga muscular em idosas. 1.2. Objetivos Específicos Avaliar e comparar quantitativamente a força muscular dos flexores de punho e dedos por dinamometria de preensão palmar antes e após terapia com LED e placebo pós-indução de fadiga muscular; Quantificar e comparar o número de repetições realizadas de movimentos de flexão e extensão de punho com 75% da RM entre idosas que foram irradiadas com LED e placebo, antes e após a fadiga muscular induzida; Avaliar e comparar quantitativamente os níveis de Creatino Kinase (CK) séricos de idosas que receberam LED e placebo, antes e após indução de fadiga muscular; Avaliar e comparar quantitativamente os níveis plasmáticos de creatinina das idosas do grupo LED e placebo, antes e após indução da fadiga muscular. 18 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. Músculos da preensão palmar O músculo esquelético ou estriado é o tecido mais abundante no corpo humano, contando com 40 a 45% do peso corporal total. A unidade estrutural do músculo é a fibra muscular, célula cilíndrica longa com muitas centenas de núcleos. Uma fibra consiste de muitas centenas de miofibrilas que são envolvidas por uma membrana delicada de plasma chamada sarcolema. Por sua vez as miofibrilas são compostas por sarcômeros que contêm filamentos de actina e miosina, que são a porção contrátil das miofibrilas (STROMER, 1998). Os músculos flexores extrínsecos superficiais de punho e dedos se localizam no compartimento anterior do antebraço. Os responsáveis pelo movimento de flexão do punho são: o flexor radial do carpo (FRC), que auxilia no desvio radial do punho, o flexor ulnar do carpo (FUC), que ajuda no desvio ulnar do punho e o músculo palmar longo. A flexão dos dedos apresenta como músculos responsáveis: flexor profundo dos dedos (FPD), que realiza a flexão da articulações interfalangeanas distais (IFD), interfalangeanas proximais (IFP) e metacarpofalangeanas (MCP); o flexor superficial dos dedos (FSD), que realiza flexão de IFP e MCF e o flexor longo do polegar, que realiza flexão da interfalangeana e MCF do polegar. Os músculos lumbricias, realizam a flexão das articulações MCF e do 2 0 e 50 dedos, os interósseos realizam a extensão da articulações IFP e IFD e também a flexão das MCF. Os músculos tenares abdutor curto, flexor curto e oponente do polegar realizam a abdução, flexão e rotação do 1 0 metacarpiano em direção à região palmar respectivamente, na região hipotenar temos o músculos abdutor do quinto dedo, com a ação de abduzir o 50 dedo e extender as IFP e IFD, o flexor curto do quinto dedo fletindo a falange proximal do dedo mínimo e adutor do polegar realizando adução do 10 dedo da mão (DUTTON, 2010). (Ilustrações disponíveis em: https://www.kenhub.com/en/atlas/forearm-flexor-muscles) Estes músculos flexores, com excessão da cabeça radial do FSD, se originam no epicôndilo medial do úmero e na superfície medial e ventral da ulna proximal e agem conjuntamente com os músculos intrínsecos e também com os extensores de 19 punho para produzir a preensão.A mão possui muitas funções importantes que nos permite interagir com os outros e com o ambiente. Além da riqueza de informação sensorial ela nos permite segurar objetos, o que se conhece como preensão manual (DUTTON, 2010). Os movimentos de preensão da mão são aqueles em que um objeto é pego e mantido, parcial ou totalmente, dentro do compasso da mão. Estes movimentos são empregados em uma ampla faixa de atividades propositais que envolvem o manuseio de objetos de vários fomatos e tamanhos. A preensão é em geral dividida em estágios: 1) abrir a mão; 2) posicionar e fechar os dedos para pegar o objeto e adaptar-se a sua forma; 3) abordagem controlada e fechamento intencional dos dedos e/ou da palma; 4) manutenção e estabilização da preensão (essa fase não é usada em tarefas de precisão) e 5) liberação do objeto (NORDIN; FRANKEL, 2003). Dois padrões distintos de movimento de preensão são identificados na mão normal: a pegada de força e a pegada de precisão (Figura 1). A pegada de força, ou aperto vigoroso, é um ato forçado realizado com os dedos flexionados em todas as três juntas, de modo que o objeto seja mantido entre os dedos e a palma da mão, com o polegar posicionado no lado palmar do objeto para forçá-lo seguramente para dentro de região palmar (YOUNG, 2003). A B Figura 1: Os dois padrões fundamentais de preensão da mão, pegada de precisão (A) e pegada de força (B). Fonte: Acervo próprio. 20 A pegada de precisão envolve a manipulação de pequenos objetos entre o polegar e as faces flexoras dos dedos de uma maneira delicadamente controlada, em geral os dedos ficam em posição semifletida, sendo que o polegar mostra abdução e oponência (NORDIN; FRANKEL, 2003). 2.2. Sarcopenia e dinapenia A perda de massa muscular e função relacionada à idade, conhecida como sarcopenia, é fator de risco bem conhecido para morbidades como fragilidade, incapacidade, institucionalização e morte (VISSER; SCHAAP, 2011). Este fenômeno está associado ao avanço da idade e é considerado uma síndrome complexa que pode ocorrer perda da massa muscular isolada ou acompanhada de aumento de massa gorda (EVANS et al., 2010). Após os trinta anos de idade já se observa uma diminuição da área transversal dos músculos e maior conteúdo gorduroso intramuscular. Histologicamente observa-se uma atrofia muscular às custas de uma perda gradativa e seletiva das fibras esqueléticas. Estas alterações são mais pronunciadas na mulher do que no homem (ROSSI; SADER, 2002). As causas são multifatoriais e incluem desuso, disfunção endócrina, doenças crônicas, inflamação e deficiências nutricionais. Os músculos são reservatórios de proteína e energia que podem ser usadas em períodos de estresse extremo ou má nutrição e as funções fisiológicas que ocorrem dentro do tecido muscular tem efeitos críticos sobre o metabolismo humano e no desenvolvimento da sarcopenia (EVANS et al., 2010). Os mecanismos responsáveis pela sarcopenia citados na literatura são muitos e variados: fatores externos como deficiências de nutrição e sedentarismo, mudanças intrínsecas bioquímicas e físicas levando a atrofia, redução na estimulação neuronal devido à redução do número e função dos motoneurônios , lesão oxidativa do DNA mitocondrial com acúmulo de mutações que reduziriam a produção de energia (McKENZIE et al., 2002), e aumento do conteúdo lipídico intramuscular (DELMONICO et al., 2007). A taxa de perda de massa muscular varia entre os indivíduos e é influenciada por fatores que modulam o equilíbrio entre processos catabólicos e anabólicos. De 21 fato, a fraqueza muscular é um forte preditor de mortalidade, independente de outros fatores de risco (EVANS et al., 2010). Em 2010, o Grupo de Trabalho Europeu em Sarcopenia nos Idosos propôs uma avaliação clínica para sarcopenia, que inclui os seguintes parâmetros: redução da massa muscular; redução da força muscular e/ou baixa performance física. O termo dinapenia, surgiu pela primeira vez em 2008, Manini e Clark a definiram como a perda de força muscular relacionada com o avanço da idade. Os mesmos argumentam que a perda de massa (sarcopenia) não explica completamente a perda de força no idoso e outros mecanismos como alterações na quantidade de músculo, qualidade contrátil e ativação neural estariam envolvidos e contribuiriam em conjunto para a fraqueza muscular no idoso (MANINI; CLARK, 2010). 2.3. Fadiga muscular A fadiga muscular pode ser definida como a redução, induzida pelo exercício, da capacidade do sistema neuromuscular em gerar força, trabalho ou potência. Sua instalação pode estar relacionada a fatores neurológicos, metabólicos, eletrofisiológicos, mecânicos, subjetivos entre outros, os quais interferem no funcionamento sincronizado entre o sistema nervoso central (SNC) e as vias periféricas (SILVA et al., 2011). Trata-se de um sintoma inespecífico associado à problemas crônicos de saúde e à piora funcional. É um fenômeno de natureza complexa e multifatorial e apresenta-se no idoso normalmente associada à outras manifestações relacionadas ao processo de envelhecimento (POLURI et al., 2005). A fadiga muscular, também pode ser descrita como a diminuição gradual da capacidade de força muscular ou o ponto final de uma atividade sustentada, que pode ser medida pela diminuição da força muscular, uma mudança na atividade eletromiográfica ou um esgotamento da função contrátil (ENOKA; DUCHATEAU, 2008). Está bem estabelecido que a idade avançada é acompanhada por mudanças no sistema neuromuscular, incluindo um declínio no tamanho e na força do músculo (KENT-BRAUN et al., 2000). Sem dúvida existe uma importante associação entre a força muscular e a performance de atividades de vida diária para os idosos (BRACH; VanSWEARINGEN, 2002). Para estas atividades também é importante a 22 capacidade do idoso em realizar tarefas repetidas vezes ou por longos períodos de tempo, o que requer capacidade de resistir à fadiga muscular (CHRISTIE; SNOOK; KENT-BRAUN, 2011). O estudo da fadiga muscular tem importância crítica para a população idosa quando consideramos o grau de limitação e incapacidades a ela relacionadas. Entretanto, os ensaios em seres humanos disponíveis na literatura avaliaram a performance muscular com maior ênfase em jovens. Recentemente, pesquisadores tem se preocupado em avaliar os efeitos da fototerapia com lasers e LEDs como participantes na prevenção ou redução da fadiga muscular esquelética (LEAL JUNIOR et al., 2009b; LEAL JUNIOR et al., 2010b) no aumento da função contrátil do músculo e sua recuperação pós esforço. Isto significaria, especialmente para os idosos, uma diminuição significativa no número de restrições físicas, dependência, quedas, fraturas graves e internações. Adicionalmente, poderiam melhorar a função física e qualidade de vida de indivíduos nesta faixa etária. 2.4. Dinamometria de preensão palmar O envelhecimento está associado à perda de volume e força muscular levando o idoso a apresentar dificuldades em suas atividades de vida diária. Porém, a diminuição do volume muscular e fraqueza muscular podem afetar os grupos musculares de maneira diferente e devem ser avaliadas separadamente. Manini e Clark (2010) alertam que o declínio da força pode exceder o do volume com o avanço da idade. É essencial, portanto, que instrumentos de avaliação, incluindo os que se dedicam a medir força muscular sejam confiáveis, pois estes permitem ao profissional atingir conclusões que sejam minimamente afetadas por fatores externos, diminuindo as chances de erros de aferição. Existem opções de instrumental para avaliar a força de preensão palmar, tanto em jovens quanto em idosos. Contudo, o mais citado na literatura e considerado o padrão ouro é o dinamômetro JAMAR®. É também o que apresenta maior quantidade de dados normativos (ROBERTS et al., 2011). O Dinamômetro JAMAR® é recomendado pela Sociedade Americana de Terapeutas da Mão, American Society of Hand Therapists (ASHT, www.asht.org), 23 para medir força de preensão, a utilização do equipamento é simples e de fácil administração (BELLACE et al., 2000). Este instrumento, que foi reportado na década de 1950, possui duas alças paralelas, sendo uma fixa e outra móvel que pode ser ajustada em cinco posições diferentes, propiciando um ajuste ao tamanho da mão do paciente. Este aparelho contém um sistema hidráulico fechado que mede a quantidade de força produzida por uma contração isométrica aplicada sobre as alças e a força de preensão da mão é registrada em quilogramas ou libras (FIGUEIREDO et al., 2007) (Figura 2). ® Figura 2: Dinamômetro hidráulico JAMAR . Fonte: Acervo próprio. Para a avaliação da força de preensão a ASHT recomenda que o paciente deve estar confortavelmente sentado, posicionado com o ombro aduzido, o cotovelo fletido a 900, o antebraço em posição neutra e, por fim, a posição do punho pode variar de 00 (neutro) a 300 de extensão do punho. Bohannon (1998) e Macaniff e Bohannon (2002) demonstraram a validade do aparelho para mensurar força de preensão e documentar déficits na força de pacientes internados e também dos tratados domiciliarmente. Sua confiabilidade foi testada e encontrou-se níveis de correlação elevada, (r0,97) para inter- 24 examinadores e (r0,80) para a confiabilidade teste-reteste (MATHIOWETZ et al., 1984; PEOLSSON; HEDLUNG; OBERG, 2001). Estas pesquisas asseguram que o dinamômetro JAMAR® é confiável para ser operado por examinadores diferentes, como também em momentos distintos, garantindo uma documentação objetiva dos resultados das intervenções clínicas. Em relatório, o Grupo de Trabalho Europeu para Sarcopenia em Idosos, define um consenso sobre o diagnóstico da sarcopenia caracterizado por baixa força e massa muscular. Dentre os vários instrumentos utilizados para medir força, a única técnica de avaliação recomendada pelo grupo foi a força de preensão e também considerada a mais simples para medir função muscular na prática clínica diária (CRUZ-JENTOFT et al., 2010). Entende-se, portanto, que a variável força muscular, inclusive a de preensão, deve ser priorizada em relação à massa na avaliação e correlação com o estado funcional dos idosos. O dinamômetro de preensão JAMAR® é ferramenta largamente citada e aplicada na literatura científica especializada e portanto é adequada para tal aferição. 2.5. Monitoramento de dano muscular e marcadores séricos A Creatino Fosfoquinase (CK) é uma proteína globular dimérica que consiste em duas subunidades com uma massa molecular de 43 kDa. Ela absorve ATP celular e concentrações de ADP por catalisar a troca reversível de ligações de fosfato de alta energia entre fosfato e ADP produzido durante a contração. Há pelo menos cinco isoformas da CK, a CK-MM está especificamente limitada a linha-M do sarcômero, é encontrada na fibra muscular em que o consumo de ATP é elevado e é um marcador da injúria muscular. Portanto, os níveis elevados de CK dependem do dano sarcomérico, elevando-se seja por exercício extenuante ou por patologia muscular (BRANCACCIO; MAFFULLI; LIMONGELLI, 2007). A verificação direta do dano muscular em seres humanos é possível usando biópsia ou imagens de ressonância. Contudo, enquanto a biópsia pode superestimar ou subestimar o dano real, já que os resultados de uma fração pequena são extrapolados para todo o músculo, a avaliação por imagem da ressonância gera controvérsias relacionadas ao método de análise da imagem para determinar o dano ao músculo (CLARKSON; HUBAL, 2002). 25 A maioria, portanto, das pesquisas que buscam investigar o dano muscular utiliza marcadores indiretos como dolorido muscular tardio, os níveis de CK sanguíneos e a avaliação da força muscular, que é considerado uma das melhores maneiras de medir a magnitude da lesão (WARREN; LOWE; ARMSTRONG, 1999). O nível sérico de enzimas musculares é um marcador do estado funcional do tecido muscular tanto em condições fisiológicas como em patológicas. Um aumento dessas enzimas pode significar algum grau de necrose celular e lesão tecidual, seja por lesões musculares agudas ou crônicas (BRANCACCIO; MAFFULLI; LIMONGELLI, 2007). A enzima CK permanece como o exame laboratorial mais específico e provavelmente mais sensível para a avaliação de dano muscular. Os outros marcadores musculares (aldolase, transaminases, enolase e LDH) têm especificidade e sensibilidade menores e sua utilidade clínica é limitada se considerarmos seus valores de maneira isolada (PICARRELI; KAISER; MUHLEN, 2004). Pesquisas realizadas em animais e também em seres humanos têm utilizado a CK como biomarcador para caracterizar e de modo indireto, avaliar o dano muscular induzido por exercício, bem como inflamação tecidual (BARONI et al., 2010; De MARCHI et al., 2012; LEAL-JUNIOR et al., 2010a; LEAL-JUNIOR et al., 2010b; SUSSAI et al., 2010) 2.6. Terapia com LED (Light Emitting Diode) O termo LED é um acrônimo de Light Emitting Diode (Diodo Emissor de Luz), tratase de um diodo baseado em junções p-n (positivo – negativo) que quando energizado emite luz. Desde 2001 a Food and Drug Administration (FDA) aprovou testes clínicos com aplicação do LED para cicatrização de feridas em humanos, devido seu baixo risco de provocar lesões na pele (WHELAN et al., 2001). A fototerapia com lasers e LEDs é usada por vários profissionais como: fisioterapeutas para tratar uma grande variedade de dores e lesões agudas e crônicas, por dentistas para tratar tecidos bucais inflamados e cicatrizar úlceras, por médicos dermatologistas para tratar edema, úlceras, queimaduras e dermatites, por 26 médicos reumatologistas para aliviar a dor, tratar inflamações crônicas e doenças auto-imune (KARU, 2007). O termo fototerapia é seguramente mais abrangente do que cirurgia laser ou Laserterapia e passou a ser utilizado para agregar todas as fontes de luz que recentemente passaram a ser utilizadas, não apenas os lasers baseados em diodos (CALDERHEAD, 2007). Um LED típico é totalmente no estado sólido, sem filamentos, de gases ou lâmpadas de flash. Esta construção em estado sólido também confere uma eficiência muito alta na geração do fóton, o que significa que muito menos energia para o LED é necessária para gerar uma boa potência de saída, e portanto, intensidade de fótons com mínima geração de calor no próprio LED (Figura 3) (CALDERHEAD, 2007). Figura 3: Diagrama de um típico LED da nova geração. O chip semicondutor é montado diretamente sobre o refletor parabólico que é parte do cátodo e é ligado a fonte do ânodo por um fio. Fonte: Calderhead (2007). O uso do LED nas investigações clínicas vem crescendo rapidamente nos últimos anos, possivelmente por configurar uma alternativa ao uso do laser. Uma análise dos resultados clínicos publicados, do ponto de vista dos vários tipos de fontes de radiação levam a conclusão de que lasers não tem um potencial terapêutico maior que os LEDs (KARU, 2007). A autora ainda infere que o aumento da atividade celular, tanto em divisão como em síntese, têm sido relacionados ao comprimento de onda do fóton e com a dose, e não especificamente à fonte de luz. O cromóforo é responsável pela absorção luminosa, quando ocorre a absorção de 27 fótons por um cromóforo um estado molecular eletronicamente excitado se estabelece, resultando na atividade celular. A despeito de indicar efeitos semelhantes aos da fototerapia com laser de baixa potência, o LED apresenta algumas diferenças em relação ao laser como a emissão de luz não coerente e não colimada (CORAZZA, 2005). Os LEDs apresentam um custo menor do que outras fontes de fototerapia, isto é especialmente relevante nesta época de crescentes custos de saúde, pode, se necessário, ser utilizado sem o uso das mãos do aplicador durante a terapia, são muito mais eficientes em termos de energia e tem potencial para um melhor desenvolvimeto da qualidade óptica. O espectro da luz emitida pelo LED é mais amplo em relação ao Laser (Figura 4). Figura 4: Espectro de radiação de um LED com emissão no vermelho em comparação ao espectro do laser. Fonte: Corazza (2005), http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/82/82131/tde-25072006-095614/ptbr.php 28 Na última década, com a introdução de equipamentos comerciais de LED, houve um grande empenho de pesquisadores em mostrar sua aplicabilidade e analisar seus efeitos fotobiomodulatórios em estudos com animais e humanos (CALDERHEAD, 2007), incluindo cicatrização de feridas, lesões dermatológicas, dores agudas e crônicas, lesões no esporte e performance muscular (LEE et al., 2007). Não há dúvidas de que a fototerapia com LED, quando usada respeitando preceitos fotobiológicos sólidos, comprimento de onda adequado, tecido alvo e intensidade correta é uma modalidade segura, flexível e relativamente barata, o que é bem vindo em época de custos crescentes para terapeutas e pacientes (CALDERHEAD, 2007). 29 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1. Aspectos éticos A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unicastelo sob o número 261.600 (Anexo A). Todas as participantes foram selecionadas da lista de espera da clínica de Fisioterapia da Unicastelo São Paulo e depois de informadas sobre os procedimentos da pesquisa e aceitarem participar, assinaram um Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) (Anexo B). 3.2. Tipo de estudo Estudo clínico intervencional, duplo-cego, com distribuição aleatória, controlado com placebo. 3.3. Casuística Para o estudo foram selecionadas 29 idosas, seguindo os critérios de inclusão previamente estabelecidos, da lista de espera da clínica de Fisioterapia da Unicastelo Campus São Paulo, SP. Mulheres idosas foram selecionadas devido à característica demográfica da população idosa e pelas mulheres sofrerem maior perda de força devido ação hormonal na faixa etária entre 60 e 70 anos. 3.3.1. Critérios de inclusão Foram incluídas mulheres, com idade entre 60 e 70 anos, capazes de ler o TCLE, não atletas, com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 18,5 e 29,99 kg/m2 que voluntariamente aceitaram participar da pesquisa, após assinatura do TCLE do projeto, aprovado pelo CEP da Unicastelo. 30 3.3.2. Critérios de exclusão Idosas que realizaram procedimento cirúrgico prévio no membro superior a qualquer tempo; doenças da coluna cervical; doenças sistêmicas degenerativas, imunossupressoras; idosas que faziam uso de medicamentos relaxantes musculares e/ou estatinas de modo regular ou ao menos três dias antes do teste; idosas com rabdomiólise, doença neuromuscular, miastenia gravis e polimiosite; idosas com diagnóstico clínico de doença articular inflamatória ou doença articular degenerativa assintomática nas mãos, punhos e cotovelos; idosas com diagnóstico há menos de quatro meses de tendinite ou tenossinovite de tendões extensores ou flexores de punho e dedos. 3.4. Local da pesquisa e coleta dos dados Todos os procedimentos realizados com as voluntárias, incluindo as coletas e intervenções, aconteceram na clínica de Fisioterapia da Unicastelo Campus São Paulo, SP, credenciada pelo CEP da Unicastelo (0019/2011) (Anexo C). 3.5. Métodos 3.5.1. Distribuição aleatória da amostra e procedimentos de cegamento A amostra foi aleatoriamente distribuída em grupos Placebo (GP) e grupo LED (GLED). Um sorteio foi realizado por um assistente cego no estudo, usando envelopes fechados, selados e opacos, contendo as inscrições A (GP) e B (GLED), que determinavam qual grupo receberia LED ou seu Placebo. O GLED incluiu voluntárias que receberam LED ativo (n=15) enquanto o GP incluiu voluntárias que receberam LED placebo (n=14). O protocolo experimental está apresentado na Tabela 1. O assistente, único a saber da distribuição dos grupos, além de responsável por definir o tratamento LED ativo ou placebo de acordo com o sujeito, 31 foi orientado a não comunicar ao pesquisador que aplicou a fototerapia e ao avaliador da força de preensão o tipo de terapia dada aos pacientes. As voluntárias e aplicador do LED usaram óculos de proteção para o comprimento de onda do LED. A mesa que apoiava o antebraço dominante trazia uma divisória em papel escuro fixa em seu tampo, com orifício na parte inferior por onde passava apenas o antebraço do indivíduo até cinco centímetros acima do cotovelo, evitando assim que sujeito e pesquisador aplicador se vissem, contribuindo, assim como os óculos de proteção, para o cegamento das pacientes (Figura 5). Figura 5. Posicionamento das voluntárias para receber a irradiação LED. Fonte: Acervo próprio. Durante a coleta de força o pesquisador que aplicou a terapia não esteve presente e o pesquisador avaliador da força acessava a sala de exames apenas para a medida de força e se retirava. 32 Tabela 1: Fluxograma representativo da distribuição da amostra e fases da pesquisa. Distribuição aleatória da amostra em 2 grupos Placebo n=14 Sequencia temporal (s) 1a amostra de sangue LED n=15 1a amostra de sangue 120 s Teste de força pré Fadiga Teste de força pré Fadiga 60 s Placebo (não irradiado) Irradiação com LED 120 s Protocolo de Fadiga Protocolo de Fadiga 60 s Amostras de sangue em 1, 5, 10 e 15 min Amostras de sangue em 1, 5, 10 e 15 min 60 s Teste força pós fadiga Teste força pós fadiga 3.6. Procedimentos Os testes de força de preensão e coletas de sangue foram realizados na clínica de Fisioterapia da UNICASTELO–SP, respectivamente por Fisioterapeuta e Enfermeira treinados e experientes. As amostras de sangue foram analisadas no laboratório de análises clínicas do Curso de Farmácia da própria universidade por Farmacêutico experiente. 3.6.1. Teste de Repetição Máxima (RM) Oito dias antes das coletas de força e sangue, as idosas realizaram exercícios padronizados de flexão e extensão do punho (4 a 5 repetições com carga leve, com um halter de 200 g) e preensão palmar (três a quatro contrações utilizando o dinamômetro com força submáxima) este procedimento foi usado para as participantes se familiarizarem com o equipamento e com o movimento. Com o antebraço apoiado e fixo por tiras de velcro e o punho e mão para fora da mesa, as 33 voluntárias foram orientadas a realizar o movimento de flexo-extensão de punho, do lado dominante, com a máxima força de contração. Esta medida é conhecida como 1 Repetição Máxima (1RM) que é definido como a quantidade máxima de peso levantado em esforço máximo, onde o indivíduo completa todo o movimento que não poderá ser repetido uma segunda vez (CLARKE, 1973). Halteres de 5000, 1000, 500, 250 e 100 g adicionados progressivamente de acordo com a força de cada voluntária, foram utilizados para determinar a Repetição Máxima que cada idosa era capaz de erguer, com seu lado dominante, em uma única repetição do movimento de flexão de punho contra-resistido. Do valor obtido, utilizou-se 75% para ser usado no protocolo de fadiga. As participantes foram orientadas a não executar qualquer tipo de exercício físico extenuante ao menos uma semana antes da data do exame. Os exames ocorreram todos pela manhã, entre as 8:00 e 10:00 horas, para diminuir variações do ciclo circadiano. A padronização na execução dos exercícios foi uma preocupação do estudo. 3.6.2 Dinamometria de preensão e amostras sanguíneas Logo à chegada na clínica as voluntárias foram orientadas a permanecer sentadas aguardando início do protocolo de pesquisa. Dois minutos antes da primeira avaliação de força, foi coletada a primeira amostra de sangue para analisar CK e creatinina das idosas. Após antisepssia da superfície ventral do braço nãodominante, uma enfermeira cega no estudo coletou 5 mL de sangue na fossa antecubital (Kits específicos da Labest Diagnóstica SA, MG, Brasil, CPK ANVISA – 10009010019 e Creatinina Enzimática ANVISA - 10009010237). A avaliação da força de preensão utilizou um dinamômetro hidráulico calibrado JAMAR® (Sammons Preston Rolyan, IL, EUA), com a alça móvel posicionada na segunda posição da empunhadura como recomenda a ASHT (Figura 6). 34 Figura 6. Localização da alça móvel do dinamômetro na segunda posição (destaque) da empunhadura. Fonte: Acervo próprio. A voluntária segurava com a mão dominante o equipamento, após comando verbal dado pelo avaliador, a participante apertou o dispositivo com a força máxima, por três vezes, cada uma durante três a cinco segundos e utilizou-se a média das três medidas, seguindo as recomendações da ASHT (FESS, 1992). O equipamento utiliza escalas em libras (0-200) e também kilograma-força (kgf) adotada neste estudo, com uma amplitude operacional de zero a 90 kg de força isométrica máxima (BALDWIN; PARATZ; BERSTEN, 2013). As voluntárias adotaram a posição sentada em uma cadeira sem apoio para os braços, com o tronco ereto encostado à cadeira, orientadas a manter os joelhos fletidos a 900, o membro superior a ser testado em adução e rotação de ombro neutra, 900 de flexão de cotovelo, antebraço em meia pronação e punho neutro, podendo mover-lo até 300 de extensão (Figura 7). 35 Figura 7: Posição recomendada para coleta de força de preensão palmar. Fonte: Acervo próprio. As outras amostras de sangue foram colhidas 1, 5, 10 e 15 min após a indução da fadiga muscular para determinar CK e creatinina. Todos os procedimentos de biossegurança para manusear as amostras foram seguidos de acordo com as normas do fabricante. As amostras foram congeladas e analisadas usando fotômetro com cubeta termostatizada, capaz de medir com exatidão a absorbância em 340 nm (LEAL JUNIOR et al., 2010b). A segunda medida da força ocorreu 60 s após a última coleta de sangue. 3.6.3 Terapia com Diodo Emissor de Luz (LEDT) Um minuto após a dinamometria, os grupos receberam aplicação com LED ou placebo (638 nm, Bios Therapy II, BIOS, São José dos Campos, SP, Brasil) Equipamento aprovado pela ANVISA sob número 80745679001 (Figura 8). 36 Figura 8: Unidade emissora de LED. Fonte: BIOS Therapy II, www.biosind.com.br O feixe de luz foi conduzido por uma ponteira de fibra óptica e o equipamento foi calibrado antes e após o experimento. Parâmetros resumidos são mostrados na Tabela 2. As voluntárias foram orientadas a sentar em uma cadeira e apoiar toda face posterior do braço (lado dominante) em uma mesa, com altura ao nível dos mamilos. Tabela 2: Parâmetros da irradiação com LED. LED com banda de emissão centrada em 638 nm e largura de banda 22 nm (FWHM) Modo de emissão: contínuo Potência média: 150 mW Diâmetro da ponteira: 7 mm Área: 0,385 cm2 Densidade de energia por ponto: 11,7 J/cm2 Energia por ponto: 4,5 J Tempo de irradiação: 30 s Número de pontos: quatro Total de energia entregue ao tecido: 18 J Modo de aplicação: contato direto da ponteira com a superfície da pele em ângulo de 90° com leve pressão. 37 Foram irradiados quatro pontos equidistantes 4 cm um do outro na face ventral do antebraço dominante, definidos e demarcados antes da irradiação sempre pelo mesmo assistente na pesquisa, formando um quadrilátero cujo centro localizava-se em um ponto a cinco centímetros abaixo da linha do cotovelo sobre a superfície medial e proximal do antebraço (Figura 9). Nesta área concentra-se o tendão comum, que reúne parte da fixação proximal dos principais flexores de punho e dedos (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). O modo de aplicação executado foi com contato direto da ponteira com a superfície da pele, com discreta pressão em ângulo de 90 em cada um dos quatro pontos de aplicação. O GP realizou os mesmos procedimentos descritos anteriormente, porém a passagem da luz do equipamento foi bloqueada, com um pequeno anteparo colocado na ponta da ponteira do equipamento. Figura 9: Pontos anatômicos irradiados com LED na região anterior do antebraço das voluntárias. Fonte: Acervo próprio. 3.6.4. Indução da fadiga muscular Dois minutos após aplicação de LED ou placebo as idosas, ainda sentadas, iniciaram movimentos de flexão e extensão de punho do lado dominante. Foram todas orientadas a realizar o máximo de repetições com ADM completas utilizando carga de 75% de uma RM calculada previamente. O movimento de flexão de punho, além da carga imposta, foi executado contra a ação da gravidade. As participantes foram instruídas a executar o exercício com o máximo de intensidade e receberam incentivo verbal durante todo o procedimento. Uma régua alinhada à mesa auxiliou a 38 acompanhar se cada a flexão de punho realizada atingia a posição neutra do punho (Figura 10). O número de repetições foi conferido pelo pesquisador. Considerou-se fadiga atingida quando a voluntária flexionando o punho não foi mais capaz de atingir a posição neutra da articulação do punho (00). Figura 10. Posicionamento do punho e mão para o protocolo de indução da fadiga muscular e contagem do números de repetições. Fonte: Acervo próprio. 3.7 Análise estatística Os dados foram analisados pelo software SPSS v.17® e Minitab 16® e os gráficos construídos pelo GraphPad 5.0®. As medidas de força e CK foram expressas em médias e desvios padrão e as medidas da variação (pós fadiga – pré fadiga) em medianas e quartis (25% – 75%), devido à distribuição fortemente não normal das diferenças percentuais. O teste de Shapiro-Wilk analisou a normalidade. A comparação das médias de força pré e pós-fadiga utilizou o teste T de Student pareado e para análise das variações na força muscular pré e pós-fadiga (pós – pré =) entre os grupos e variações de CK utilizou-se a teste T de Student unicaudal. A ANOVA foi usada para analisar o número de repetições, e ANOVA com medidas repetidas para CK e creatinina, com o Pós Teste Comparação múltipla de Tukey. O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05). Para detectar diferenças 39 de 2 kgf na força muscular, foram necessários um mínimo 14 pacientes para cada grupo 40 4. RESULTADOS A Tabela 3 exibe as características antropométricas e RM de flexão de punho das voluntárias: idade, IMC, raça e lado dominante. Os resultados mostram que na linha de base não houve diferença entre os grupos nas variáveis: idade (p=0,62); IMC (p = 0,67); e RM inicial (p = 0,90). Tabela 3: Dados antropométricos e RM das voluntárias com média e desvio padrão. Variáveis Grupo placebo (n=14) Grupo LED (n=15) Idade (anos) 64,92 2,52 64,57 2,56 IMC (kg/m2) 27,92 2,45 26,45 2,70 RM de flexão punho (kg) 9,53 2,81 9,4 2,66 12 ; 2 12 ; 3 Raça: C ; N Lado dominante 27 destros - 2 sinistros C = Caucasiano e N = Negro. Os resultados da força de preensão são mostrados na Figura 11, exibindo a comparação entre os momentos pré e pós-fadiga para o GP e GLED. Na comparação dos valores de força de preensão pré-fadiga não havia diferença entre os grupos (p = 0,093). Houve uma diminuição estatisticamente significativa da força de preensão no GP (de 20,69 2,30 para 18,45 2,25, p 0,001). No GLED não houve diminuição significativa da força, observada quando se comparou as médias de força de preensão nos momentos pré com pós-fadiga (de 22,19 3,53 para 21,39 3,56, p = 0,063). 41 Figura 11: Comparação das médias da força de preensão entre o GP e GLED pré e pós fadiga (*p=0,001). A variação de força de preensão (), que é a força pós-fadiga menos a força pré-fadiga, nos dois grupos também foi comparada e o GP apresentou maior queda na força (-1,7) que o GLED (-0,7) (p = 0,009), Tabela 4. Tabela 4: Medianas e 1º e 3º quartis da variação da força de preensão entre os grupos (kgf). Variação de Força Mediana 1º Quartil 3º Quartil GP -1,7 -2,23 -1,48 GLED -0,7 -1,85 0,0 0,009 Os resultados do número de repetições isotônicas resistidas para o GP e GLED estão apresentados na Figura 12. O número médio de repetições para o GLED (27,36 6,68) foi 22,03 % maior do que a média do GP (21,33 3,17) atingindo diferença significativa (p = 0,011). 42 Repetições (n) 40 * 30 20 10 0 Placebo LED Figura 12: Médias do número de contrações isotônicas resistidas dos flexores de punho até a fadiga após tratamento com placebo e com LED (*p = 0,011). Os níveis séricos de CK pré-fadiga e sua evolução ao longo do tempo pósfadiga para o GP e GLED são apresentados na Figura 13. Na comparação dos níveis de CK pré-fadiga os grupos eram semelhantes GLED (135,60 52,18 U/L) e GP (137,57 43,32 U/L) (p = 0.926). O GP apresentou aumento significativo da CK em todos os tempos pós-fadiga (1, 5, 10 e 15 min) comparados à medida pré-fadiga (p = 0,003). No GLED, os níveis de CK pós-fadiga não variaram significativamente ao longo do tempo registrado (p = 0,972) em comparação à média pré-fadiga. 43 Figura 13: Médias dos níveis séricos de CK antes da irradiação com LED ou Placebo e para os X diferentes tempos pós-indução da fadiga muscular. Diferença entre 1 min (p = 0,001); 5 min (p = 0,009); 10 min (p = 0,001) e 15 min (p 0,001) todos comparados ao nível pré-fadiga. As variações percentuais nos níveis de CK, expressas como: [(CK de cada tempo - CK pré-fadiga) / CK pré-fadiga] x 100 também foram comparadas entre os grupos (Tabela 5). No primeiro minuto observou-se uma queda significativa da CK no grupo irradiado com LED, nos demais tempos houve uma manutenção dos níveis de CK no GLED contrastando com o progressivo aumento de seus níveis no GP. Tabela 5 Variação percentual (aumento ou diminuição) dos níveis de CK entre os grupos, para os diferentes tempos pós-fadiga em comparação à pré-fadiga. Mediana (%) 1º Quartil (%) 3º Quartil (%) GP 10,99 7,9 12,79 GLED -3,57 -8,83 0,53 GP 9,8 6,62 12,85 GLED 0,00 -3,78 1,72 GP 12,81 6,92 17,27 GLED 0,00 -4,84 2,35 GP GLED 16,21 6,19 20,85 0,00 -3,17 2,35 Variação de CK 1 min – pré 5 min – pré 10 min – pré 15min – pré p 0,0026 0,0498 0,0133 0,0015 44 Os níveis séricos de creatinina foram analisados nos momentos pré-fadiga e nos tempos 1, 5, 10 e 15 min pós-fadiga induzida para o GLED e GP e seu comportamento está apresentado na Figura 14. Não houve variação significativa da creatinina ao longo do tempo registrado em nenhum dos grupos quando comparados à média pré-fadiga, GLED (p = 0,593) e GP (p = 0,302). Figura 14: Médias dos níveis séricos de creatinina antes e para os diferentes tempos pós-indução da fadiga muscular dos grupos LED e Placebo. 45 5. DISCUSSÃO Este estudo avaliou os efeitos imediatos da fototerapia LED sobre a força e fadiga muscular em idosas, irradiando pela primeira vez os músculos de preensão palmar, usando teste de força e marcador bioquímico de lesão muscular. Pesquisas recentes reportadas na literatura investigaram o efeito do LED sobre a fadiga em atletas jovens (BARONI et al., 2010; LEAL JUNIOR et al., 2009c; LEAL JUNIOR et al., 2010b) e mulheres menopausadas (PAOLILLO et al., 2011). Porém, nenhuma delas apresentou número de amostra tão numerosa quanto do presente ensaio (total de 29). O maior número encontrado em estudo análogo foi de 20 e não considerou a pigmentação da pele dos indivíduos (PAOLILLO et al., 2011). Os achados do presente estudo mostram que no GLED não houve diferença significativa na força de preensão entre os momentos pré e pós-fadiga. O GP, em média, apresentou queda significativamente maior para a força de preensão que o GLED. Isto sugere que a aplicação de LED, antes da indução da fadiga é capaz de manter a força de preensão palmar isométrica após exercício voluntário em fibras musculares em idosas. Os parâmetros do LED deste estudo foram escolhidos baseados em estudos anteriores que usaram laser de baixa potência com média de energia entre 3 e 7 J por ponto (ALMEIDA et al., 2012; KELENCZ et al., 2010; TOMA et al., 2013). Nos músculos de idosos existe um estado pró-inflamatório caracterizado por altos níveis de citocinas (Fator de Crescimento Tumoral-; TNF-, Interleucina-6; IL6 e Interleucina-1; IL-1) e uma baixa produção de proteínas musculares que tem sido correlacionado ao desenvolvimento da sarcopenia (EVANS et al., 2010). No tecido muscular esquelético, o envelhecimento é acompanhado por uma redução na capacidade de fluxo sanguíneo (DONATO et al., 2006) e um comprometimento da vasodilatação endotelio-dependente, em parte, devido à sinalização alterada das espécies reativas de oxigênio (ERO) e diminuição na biodisponibilidade do óxido nítrico (ON) (MULLER-DELP et al., 2002). Os resultados do presente estudo mostram que no GLED não houve diferença na força de preensão pós-fadiga, enquanto no GP houve diminuição nos valores médios de força. Isto sugere que a irradiação LED, antes da indução da 46 fadiga é capaz de manter a performance isométrica após exercício voluntário dos músculos de idosas, atuando via mecanismos já conhecidos como aumento do fluxo sanguíneo no local (LARKIN et al., 2012), aumento na microcirculação intramuscular (BARONI et al., 2010), na angiogênese e neovascularização (SOUSA et al., 2012). Outro possível mecanismo para a conservação da força, seria que o LED gera um aumento agudo na concentração de ON intravascular, provocando uma vasodilatação, aumentando a temperatura e oxigenação do tecido com consequente aumento da neurotransmissão, já que o mesmo (ON) é um neurotransmissor, potencializando assim a contração da fibra muscular (MITCHELL; MACK, 2013). Resultados semelhantes já foram observados por Baroni et al. (2010) e Ferraresi et al. (2011) que obtiveram respectivamente aumento de força usando laser infravermelho (IV) (808 nm) e conservação da mesma com LED vermelho e IV (660 e 850 nm). De acordo com pesquisa anterior, investigando se havia um comprimento de onda mais efetivo sobre a função muscular, concluiu-se que tanto radiação no vermelho como infravermelho são efetivas no aumento da performance muscular (ALMEIDA et al., 2012). O tamanho da área irradiada e número de pontos indica ter influência nos efeitos da fototerapia sobre a performance muscular. Investigação anterior, avaliando grandes grupos musculares, com número muito pequeno de voluntários (5), com o mesmo número de pontos irradiados e doses maiores de energia do que a empregada nesta pesquisa, não encontraram diferenças na força final (GORGEY et al., 2008). Estudos futuros poderiam avaliar a fototerapia LED irradiando tanto músculos flexores como extensores de punho com a articulação do punho em discreta extensão e possivelmente produzir efeitos mais significativos sobre a força de preensão. Pois, embora mais fraco, o grupo muscular extensor participa de forma importante durante o movimento, suas fibras são ativadas para estender levemente o punho e assim aumentar a tensão funcional dos seus antagonistas (flexores). Biomecanicamente a extensão de punho próxima de 20 o apresenta maior força da pegada comparada à outras angulações como 40º de extensão, 20o e 40o de flexão e posição neutra, usada neste ensaio (NORDIN; FRANKEL, 2003). Em estudo meta-analítico, Christie, Snook e Kent-Braun (2011) concluíram que idosos são geralmente mais fadigáveis quando os protocolos envolvem contrações dinâmicas, não-isométricas, e em geral, são menos fadigáveis quando os 47 mesmos incluem contrações isométricas. Considerando estes achados, a fadiga induzida nos músculos de preensão nesta pesquisa, utilizou exercícios isotônicos e um dinamômetro isométrico de preensão, equipamento que não foi usado em nenhum estudo prévio envolvendo a fototerapia sobre a fadiga. O dinamômetro JAMAR® é o instrumento mais amplamente usado com estabelecida confiabilidade teste-reteste, intra e inter-avaliador (ROBERTS et al., 2011). A facilidade de uso, rapidez, baixo custo, confiabilidade, portabilidade e utilidade para avaliação aproximada da força global do corpo, o tornam especialmente adequado para os sistemas de saúde públicos e influenciaram fortemente nossa escolha pelo instrumento de avaliação. Embora idosos não apresentem maior fadigabilidade que jovens (ALLMAN; RICE, 2002) e serem considerados por alguns autores até mais resistentes à fadiga (KENT-BRAUN et al., 2002), eles são obrigados a usar maior porcentagem da sua já reduzida força máxima para AVDs, o que compromete a taxa e aumenta o tempo de recuperação do músculo. Em linha com outros estudos, cuja amostra era constituída por jovens (LEAL JUNIOR et al., 2008; LEAL JUNIOR et al., 2009a) irradiando o músculo bíceps com laser e um único estudo em idosas irradiando com laser o músculo reto femoral (TOMA et al., 2013), na presente pesquisa a irradiação LED antes da fadiga dos músculos de preensão contribuiu para uma média maior de contrações resistidas dos flexores de punho no GLED comparadas ao GP, sugerindo aumento da resistência muscular no grupo tratado. Este achado é relevante, pois sabe-se que uma menor resistência muscular em idosos limita sensivelmente as AVDs, colabora para um descondicionamento geral e uma piora da qualidade de vida, especialmente em mulheres. A fototerapia laser já foi testada na fadiga muscular em modelos experimentais animais e conseguiu diminuir a produção de espécies reativas de oxigênio, reduziu a influência da fadiga sobre a força muscular e restaurou a função mitocondrial (FILLIPIN et al., 2005; LOPES MARTINS et al., 2006; XU et al., 2008). Ferraresi et al. (2011) e Toma et al. (2013) defendem que o laser (808nm) aumenta a performance muscular pela fusão de mitocôndrias ou formação de organelas com maior tamanho que aumentariam a síntese de ATP e os níveis de energia para a célula. Estes mecanismos talvez não se apliquem à músculos de idosos, pois uma revisão sistemática recente defende hipótese contrária quando se trata de idosos, a 48 de que mitocôndrias aumentadas em seu tamanho são o resultado de um desarranjo no mecanismo de fusão e fisão mitocondrial que geralmente ocorre em músculos idosos. Esta hiperfusão em grandes redes, pode significar disfunção e impossibilidade de remoção de partes lesadas da mitocôndria, manifestado clinicamente por perda progressiva de performance e até atrofia muscular (MARZETTI et al., 2013). Ambas proposições ainda não foram totalmente esclarecidas e a discussão acerca do mecanismo responsável pela melhor performance muscular na fibra idosa permanece pertinente e inacabada. O fato de, nesta pesquisa terem sido irradiados quatro pontos em um quadrilátero pequeno na superfície proximal e medial do antebraço (16 cm 2) comparado à grandes áreas musculares irradiadas em pesquisas anteriores como o músculo reto femoral (TOMA et al., 2013); quadríceps, isquiotibiais e panturrilha (De MARCHI et al., 2012); e bíceps (LEAL JUNIOR et al., 2010b), pode ter influenciado positivamente no aproveitamento da radiação LED pelo tecido e seus efeitos biomodulatórios. Salientamos que neste estudo a irradiação ocorreu em um pequeno grupo de músculos tônicos, não significando necessariamente que outros grupos musculares senis terão a mesma performance. Leal Junior et al. (2008) usaram um laser de 655 nm (500 J/cm 2, 5 J/ponto em 4 pontos no bíceps) para estudar o efeito sobre a fadiga em atletas, posteriormente empregaram LEDs em 660 e 850 nm (6 J/cm 2) com a mesma finalidade (LEAL JUNIOR et al., 2009c) e relataram aumento do número de contrações musculares pós irradiação com ambos. Os autores observaram retardo na percepção do início da fadiga muscular e exaustão, o que reforçaria a hipótese de que a atividade da CK pode ser diminuída tanto por laser como por LED. Indicando também efeito protetor sobre a isquemia muscular via redução na liberação de oxigênio reativo (ROS) e na atividade da CK. Na presente pesquisa os resultados revelam, com exceção ao primeiro minuto que exibiu queda, uma manutenção dos níveis de CK pós-fadiga, comparados ao valor pré-fadiga para o GLED. Ao contrário, o GP apresentou um aumento significativo na CK nos tempos registrados pós indução da fadiga, com aumento progressivo das médias em 1, 10 e 15 min, sugerindo que o pico enzimático ainda não havia sido atingido. Também se observou, que em média o aumento dos níveis de CK foi significativamente maior que no GLED. Indicando que em indivíduos idosos submetidos a irradiação LED, houve uma menor incidência de 49 danos aos músculos de preensão induzidos por exercício dinâmico. De Marchi et al. (2012) e Leal Junior et al. (2010b) usando laser (810nm), ambos com mais energia (30 J/ponto), observaram uma queda substancial no nível de CK no grupo tratado. O que sugere que os efeitos terapêuticos da fototerapia LED dependem também intimamente da dose selecionada. Diferente dos jovens a fadiga em adultos idosos possui causas centrais, energéticas e de fatores contráteis (KENT-BRAUN et al., 2002). Ainda assim, o comportamento da CK pós-fadiga, neste estudo com idosas irradiadas com LED, antes da fadiga por exercício, se assemelha aos registrados em pesquisas com atletas jovens que tem melhor potencial de recuperação da célula muscular que os idosos. Portanto, é plausível que o dano muscular, indiretamente medido pela CK, possa ser reduzido em indivíduos na terceira idade. A ação de mecanismos locais como a melhora do fluxo sanguíneo, aumentaria o aporte de oxigênio para o tecido muscular reduzindo o acúmulo de danos oxidativos característicos do músculo senil (MARZETTI et al., 2013). A redução do estresse oxidativo e redução na liberação de ERO (De MARCHI et al., 2012; LEAL JUNIOR et al., 2010b), auxiliam na explicação destes achados, reforçando o conceito de que os efeitos positivos da fototerapia aplicada previamente aos exercícios parecem não apenas melhorar o desempenho muscular como também prevenir lesões devido à fadiga muscular e acelerar a recuperação pós-exercício (LEAL JUNIOR et al., 2013). A creatinina é um produto da degradação da fosfocreatina, um composto que armazena energia encontrada principalmente no músculo. Sua produção e degradação são relativamente constantes, por isso os níveis de creatinina plasmáticos variam pouco (SILVERTHORN, 2010). A dosagem de creatinina no sangue é amplamente utilizada para avaliar o funcionamento dos rins, sua medida serve na prática clínica para estimar a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) que é a capacidade renal de depurar uma substânica a partir do sangue e é expressa como volume de plasma que pode ser completamente depurado na unidade de tempo. Como a creatinina é excretada pelos rins, normalmente os altos níveis de creatinina séricos indicam um mal funcionamento crônico destes órgãos. Em algumas situações como lesões musculares graves, esmagamento por exemplo, a creatinina pode se apresentar temporariamente aumentada pois a TFG não consegue depurar toda a quantidade de creatinina excedente no sangue. 50 Os resultados deste estudo mostram que não houve variação significativa nos níveis de creatinina sérica pós-fadiga por exercício em ambos os grupos, ao contrário, as médias se mantiveram dentro dos intervalos de referência considerados normais para mulheres 0,55 a 1,02 mg/dL (CERIOTTI et al., 2008). Clarkson et al. (2006) investigaram a correlação entre indicadores de dano muscular e insuficiência renal avaliando CK e medidas da função renal, entre elas a creatinina e observaram que em adultos saudáveis submetidos à exercícios excêntricos de contração máxima, a creatinina não acompanhou o aumento da CK. No estudo supracitado, a CK atingiu no seu pico (96 h) níveis 65 vezes acima da média antes da série de exercícios extenuantes (25 contrações excêntricas máximas do bíceps braquial) e apesar de a lesão muscular liberar creatina, o que poderia aumentar a creatinina plasmática, não houve variação em seus níveis e nenhum comprometimento renal foi observado. Interpreta-se portanto, que a creatinina plasmática configura-se como uma medida não adequada para atuar como indicativo de lesões do tecido muscular. Entende-se que a escolha do marcador bioquímico creatinina provavelmente não foi a mais indicada para a medida indireta da injúria muscular aguda, objetivo deste estudo, visto que, em indivíduos sem doença renal e que não apresentem graves destruições de tecido muscular, como as pacientes desta amostra, os rins conseguem depurar adequadamente toda a creatinina, consequentemente não alterando seus níveis no sangue. Existem diferenças e limitações metodológicas nos estudos que avaliam fadiga muscular em seres humanos, que podem explicar os resultados distintos, por exemplo a ampla variedade de protocolos usados para estudar a fadigabilidade em jovens e idosos (ALLMAN; RICE, 2002). Além de características como idade, gênero e nível de atividade física rotineira, destaca-se como fatores que podem influenciar os resultados da fadiga em idosos: a intensidade da contração (máxima ou submáxima); a modalidade da contração escolhida (isométrica, isotônica ou isocinética); o tipo de contração muscular (voluntária ou estimulada); o ciclo de contrações (intermitente ou sustentada); o que utilizar como índice de fadiga (número de contrações, perda de força, perda de potência, queda na atividade eletromiográfica, tempo de resistência, marcadores bioquímicos) e grupo muscular fadigado (tônicos ou fásicos). Ainda assim, as perspectivas indicam ser promissoras nesta área de pesquisa, Borsa, Larkin e True (2013) concluíram que a fototerapia aplicada em 51 jovens, antes do exercício de resistência tem mostrado benefícios ergogênicos e profiláticos consistentes ao músculo esquelético, melhorando a performance física por retardar o início da fadiga, reduzir a resposta à fadiga, melhorar a recuperação pós-exercício e proteger as células da lesão induzida. Em recente revisão sistemática com meta-análise Leal Junior et al. (2013), investigaram os efeitos da fototerapia antes, durante e após os exercícios. A análise mostrou resultados significativos a favor da fototerapia tanto com laser como com LED para os principais desfechos. Os resultados mais significativos foram atingidos irradiando-se o músculo antes do exercício (92% dos estudos), com potências médias de saída entre 100 e 200 mW e doses de energia entre 5 e 41,7 J/ponto. Estes resultados da pesquisa supracitada tornaram-se públicos após a coleta completa dos dados do presente estudo. Ainda assim, utilizou-se parâmetros semelhantes como a irradiação prévia à fadiga induzida por exercício, uma dose de energia discretamente abaixo da faixa citada (4,5 J/ ponto) e potência de saída exatamente na média (150 mW). Dentre os 13 ensaios controlados aleatorizados que preencheram os critérios de inclusão do estudo e atingiram mínima qualidade metodológica, nenhum incluía pessoas idosas, observa-se também muita repetição de características das amostras, casuísticas pequenas e superposição de dados de pesquisadores (BARONI et al., 2010; De MARCHI et al., 2012; LEAL JUNIOR et al., 2008; LEAL JUNIOR et al., 2009a; LEAL JUNIOR et al., 2009b; LEAL JUNIOR et al., 2009c; LEAL JUNIOR et al., 2009d; LEAL JUNIOR et al., 2010b), o que pode atuar como limitador para a generalização dos resultados da pesquisa. Ainda assim, acredita-se que os resultados deste estudo refletem o comportamento que tem sido observado na literatura específica da área. Do ponto de vista da aplicabilidade clínica, a fototerapia LED como uma fonte de luz portátil e de uso relativamente simples, poderia em ambientes ambulatoriais preceder os protocolos de exercícios de fortalecimento para idosos, auxiliar na recuperação de pacientes com perda de força decorrentes de pós-operatório de cirugias ortopédicas, proporcionando menor desgaste, menor fadiga e uma recuperação mais breve da fibra muscular. A fototerapia LED é segura, não invasiva, apresenta custo relativamente baixo e foi bem aceita por mulheres entre a sexta e sétima décadas de vida. A preservação da força muscular e o atraso no surgimento da fadiga influenciam 52 diretamente no desempenho muscular, na prevenção, na recuperação pós-exercício e conservação funcional do idoso, cujas AVDs e qualidade de vida são altamente afetadas por obstáculos físicos. É fundamental, portanto, que novas pesquisas neste campo de investigação identifiquem a amplitude de doses de energia mais efetivas para aplicação do LED terapêutico e seus comprimentos de onda mais adequados. A mesma busca convém para uma padronização dos protocolos de exercícios de indução da fadiga muscular. A presente pesquisa avaliou efeitos imediatos (15 min após fadiga muscular) da fototerapia LED sobre a força e fadiga dos músculos de preensão. Assim sendo, futuros estudos podem analisar seus efeitos a mais longo prazo, utilizar um desenho metodológico do tipo cross-over que apresenta a vantagem de eliminar a variação existente entre indivíduos em resposta a um tratamento, considerando que todos os tratamentos são atribuídos a todos os indivíduos, podem incluir avaliação do lactato sanguíneo como outro marcador do dano musclar e investigar a associação da luz LED com exercícios sobre a função muscular. 53 6. CONCLUSÃO Os resultados deste estudo efetivamente indicaram efeitos da fototerapia LED sobre força e fadiga dos músculos de preensão de idosas. As voluntárias irradiadas com LED mantiveram a força de preensão pósfadiga muscular induzida, contrastando com a diminuição de força no GP; apresentaram menor fadiga muscular, demonstradas pelo número maior de repetições de contrações de flexores de punho que o GP; apresentaram menor dano às fibras musculares medido por CK no sangue, demonstrado pela manutenção dos níveis de CK comparado à elevação observada no GP. Não houve variação significativa nos níveis de creatinina sérica para ambos os grupos. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABELLAN van Kan, G. Epidemiology and consequences of sarcopenia. J. Nutr. Health Aging. 13:708–712, 2009. ALLMAN, B.L.; RICE, C.L. Neuromuscular fatigue and aging: central and peripheral factors. Muscle Nerve. 25(6):785–796, 2002. ALMEIDA de, P.; LOPES-MARTINS, R.A.B.; De MARCHI, T. et al. 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Idade:.................... Data de Nascimento:............/............/........... Endereço:...................................................................................................Nº:....... Bairro:...................................................Cidade:...............................CEP:...................... Telefones:................................................. II – DADOS SOBRE A PESQUISA “Terapia (630nm) na fadiga muscular em idosos saudáveis”. Pesquisador Responsável: Areolino Pena Matos RG 26749052-5 Sexo: ( X ) M ( )F Cargo/Função: Fisioterapeuta, professor Mestre do curso de fisioterapia da UNICASTELO e aluno do curso de pós graduação da UNICASTELO Nº de inscrição no órgão de classe: CREFITO 24794-3. Colaborador na pesquisa (orientador): Prof. Dr. Antonio Guillermo José Balbin Vilaverde CPF: 775316478-34 Sexo: ( X ) M ( )F Cargo/Função: Professor e orientador do Curso de Pós Graduação- Engenharia Biomédica da UNICASTELO Colaborador na pesquisa: Prof Dr. Ricardo S. Navarro Documento de Identidade Nº 155506845 SSP/SP Sexo: ( X ) M ( )F Cargo/Função: Professor e orientador do Curso de Pós Graduação- Engenharia Biomédica da UNICASTELO Departamento: Pós-Graduação Stricto Sensu UNICASTELO Endereço do CEP ao qual o trabalho foi submetido: Comitê de Ética em Pesquisa da UNICASTELO, Rua Carolina Fonseca, 584 – Vila Santana – Itaquera – São Paulo – CEP 08230-030 – tel. (11) 2070-0092 – e-mail: [email protected] Endereço dos Pesquisadores: 65 Areolino Pena Matos Contato: 11 98580 7251; Endereço: Rua Carolina Fonseca, 727, Itaquera, CEP 08230-030/ Clínica de Ortopedia 2070 0000 ramal 2194, email: [email protected] Antonio Guillermo José Balbin Vilaverde/ Ricardo S. Navarro (Centro de Engenharia Biomédica– CEB UNICASTELO/ Parque Tecnológico de São José dos Campos; Rod. Presidente Dutra Km 139 - São José dos Campos - SP - 12247-004 Brasil/ tel 12- 39054401) III – REGISTRO DAS EXPLICAÇÕES DO PESQUISADOR AO SUJEITO DA PESQUISA OU SEU RESPONSÁVEL É importante e necessário que você leia atentamente as informações abaixo para esclarecer e autorizar sua participação voluntária nesta pesquisa intitulada: “Terapia LEDT (630nm) na fadiga muscular em idosos saudáveis”. Primeiramente, deve esclarecer o seu direito de não querer participar ou de interromper a sua participação nesta pesquisa a qualquer momento, sem perda dos benefícios que esteja recebendo na unidade de saúde. Objetivos: Este estudo tem a finalidade de avaliar o efeito da terapia com a luz LED (Diodo Emissor de Luz) sobre a força e a fadiga muscular de punho e dedos, em idosos. Procedimentos: Comparar a força produzida por contração isométrica da preensão manual entre músculos flexores de punho e dedos irradiados com LEDT e placebo de LEDT; Comparar a resistência muscular entre a musculatura flexora de punho e dedos irradiada com LEDT e placebo de LEDT; Analisar os níveis dos marcadores séricos Creatina fosfoquinase (CPK) e Creatinina enzimática em indivíduos submetidos à fototerapia com LED e LED placebo antes e após indução de fadiga muscular. Riscos e benefícios: A pesquisa será desenvolvida em coerência com os aspectos legais da ética, obedecendo, sempre, os princípios morais da autonomia e não-maleficência. Os participantes passarão por coleta comum de sangue, feita por farmacêutico experiente, retirado da região do braço, os riscos são mínimos e associados a toda e qualquer coleta de sangue, o procedimento poderá ocasionar um pequeno desconforto ou dor mínima no local da picada da agulha, que é rápida. Podendo ou não ficar com coloração arroxeada no local da picada. Todo o material usado na coleta de sangue é descartável e guardado em local adequado e seguro. 66 Os participantes ainda poderão ser submetidos à irradiação de luz vermelha na região anterior do antebraço, por tempo inferior a quatro minutos, que terá como fonte um diodo emissor de luz (LED) aparelho responsável pela produção desta luz. Este procedimento será sempre realizado com uso de óculos protetores tanto pelo voluntário como pelo pesquisador, sem riscos para nenhum dos envolvidos. Os voluntários farão a medida da força do movimento de preensão manual, nesta avaliação o indivíduo apertará com força um sensor posicionado na palma de sua mão dominante. Este medirá a força gerada por seus músculos do antebraço, procedimento seguro que não oferece risco. Haverá como benefícios avaliação das condições de peso, altura e índice de massa corpórea do cliente, avaliação da força de preensão manual que é indicativa das alterações de força muscular de todo o indivíduo. Outro possível benefício é diminuição no tempo de recuperação muscular local pós exercício físico extenuante. IV – ESCLARECIMENTOS DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS DO SUJEITO DA PESQUISA O Projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Unicastelo (CEP/UNICASTELO) que está disponível para qualquer queixa ou informação no endereço www.unicastelo.br/cep , a autorização consta também na plataforma Brasil sendo seu cadastro CAAE _____________________. É garantido o acesso, a qualquer tempo, às informações sobre procedimentos, riscos e benefícios relacionados à pesquisa, inclusive para tirar dúvidas através do contato: Areolino Pena Matos Contato: 11 98580 7251; Endereço: Rua Carolina Fonseca, 727, Itaquera, CEP 08230-030/ Clínica de Ortopedia 2070 0000 ramal 2194, email: [email protected] Respeitando-se a autonomia do voluntário, a pesquisa será suspensa e encerrada sempre que o indivíduo achar necessário, sendo soberana a sua opinião em qualquer que seja a situação, mesmo que este tenha assinado o termo de consentimento livre esclarecido. É importante o relato de qualquer desconforto em decorrência do tratamento ou o recebimento de algum outro tratamento durante o período da pesquisa. Os questionários, fotografias, resultados de exames clínicos e laboratoriais, e quaisquer outros documentos referentes ao tratamento, serão concedidos aos pesquisadores e poderão ser divulgados (dentro das normas vigentes) em 67 congressos ou revistas científicas. As informações obtidas neste estudo serão sigilosas e não serão utilizadas para divulgar a identidade das voluntárias. Uma cópia do presente TCLE ficara em posse do responsável e outra com o pesquisador. Muito obrigado pela sua cooperação. Atenciosamente, Areolino Pena Matos Contato: 11 98580 7251 / Clínica de Ortopedia 2070 0000 ramal 2194, email: [email protected] V- CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO Declaro que li e entendi as informações contidas neste documento. E aceito a minha participação na pesquisa por livre e espontânea vontade, sem qualquer despesa de minha parte, e sem qualquer tipo de pagamento por esta participação; tenho a total liberdade de retirar o consentimento quanto à participação em qualquer fase do estudo, sem nenhuma penalização ou perda dos benefícios que esteja recebendo no tratamento. Caso ocorra qualquer desconforto em decorrência do tratamento ou o recebimento de algum outro tratamento, ou ocorram problemas na minha saúde geral durante o período da pesquisa os pesquisadores serão comunicados. O pesquisador e o participante rubricarão todas as folhas anteriores deste documento. NOME ________________________________________RG:_____________________, 201_________. Assinatura : _________________________________________ Assinatura do pesquisador:_________________________________ 68 ANEXO C Credenciamento da Clínica de Ortopedia do Curso de Fisioterapia junto ao CEP UNICASTELO